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U NIVERSIDADE E STADUAL DE C AMPINAS INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS Curso de Graduação em Geologia

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS Curso de Graduação em Geologia

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS Curso de Graduação em Geologia Trabalho de Conclusão de Curso Arcabouço estratigráfico

Trabalho de Conclusão de Curso

Arcabouço estratigráfico da Formação Rio Bonito na região centro-norte do Estado do Paraná

Autora: Helena Jatkoski Orientador: Prof. Dr. Alessandro Batezelli

Campinas, SP

Agosto 2014

U NIVERSIDADE E STADUAL DE C AMPINAS INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS Curso de Graduação em Geologia

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS Curso de Graduação em Geologia

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS Curso de Graduação em Geologia Arcabouço estratigráfico da Formação Rio Bonito na

Arcabouço estratigráfico da Formação Rio Bonito na região centro-norte do Estado do Paraná

Trabalho de Conclusão de Curso do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sob a orientação do Prof.Dr. Alessandro Batezelli, como exigência para a obtenção do título de Bacharel em Geologia.

Campinas, SP

Agosto – 2014

Agradecimentos

Em primeiro lugar, agradeço à minha família, a base de tudo. Meus pais Edneu e Miriam, que além de todo amor e valores a mim dados, lutaram e batalharam sempre, me proporcionando as melhores oportunidades de estudo. Ao meu irmão, Henrique, agradeço os momentos de descontração. Ao meu irmão junto à minha prima Thainá, agradeço por despertarem em mim, a vontade de ser o melhor exemplo possível. A toda minha família, incluindo meus avós, agradeço a paciência e a força nos momentos difíceis, com palavras e os abraços certos a oferecer e por sempre acreditarem em mim. Ainda na família, embora esses nunca poderão ler, agradeço meus “anjos de quatro patas”, pois mesmo sem pronunciaram uma palavra, foram os melhores companheiros nas horas difíceis. Amo vocês. Agradeço a oportunidade de pesquisa oferecida pelo Prof. Dr. Alessandro Batezelli, e por todo conhecimento passado, não só no âmbito profissional, mas também pessoal, incentivando meu amadurecimento. Agradeço ao Prof. Dr. Emilson Pereira Leite, por disponibilizar o equipamento necessário para a elaboração deste projeto. Um agradecimento especial ao geólogo Marcio José Remédio, em nome de todos os funcionários da litoteca da CPRM, localizada em Araraquara (SP). Obrigada, primeiramente, pela permissão para a análise dos testemunhos de sondagens, e também pela recepção, organização, e conhecimentos a mim passados. Pelo auxílio na confecção deste relatório, agradeço especialmente à Isabel Cortez e Nathalia Mattos, pelo empenho em me orientar nas dúvidas decorrentes. À minha amiga, Anna Elisa, deixo um agradecimento mais que especial, por toda ajuda não só no conteúdo do trabalho, mas também no incentivo, me fazendo acreditar que era possível sempre. À outra amiga, Júlia Galhardo, agradeço ao apoio, às palavras tranquilizantes e aos mapas. Agradeço também à Roberta Mori, pelos conhecimentos e auxílios. Sem elas, não teria chego até aqui, muito obrigada por tudo meninas. Durante os anos de graduação, encontrei pessoas das quais faço questão de levar por toda vida, seja como amizade duradoura, ou como lembranças dos momentos vividos. Muito obrigada por tudo, Taís, Jaque, Rogério, Felipe, Oton, Mayra, Isabella, dentre tantos outros. Um agradecimento especial à todos os amigos que fiz durante esses anos, e também ao pessoal do Instituto de Geociências, funcionários e principalmente aos professores pela dedicação e ensinamentos passados.

Aos amigos da dança, agradeço por me proporcionarem os melhores momentos. Sem dúvida, a convivência com vocês e com a dança, amenizou os momentos difíceis. Aqui em especial, agradeço a duas amigas, companheiras pra toda vida, Josi e Ingrid. Obrigada por todos os momentos vividos, os bons e os ruins, pelas experiências divididas, e principalmente, por estarem ao meu lado me incentivando sempre, mesmo estando bem longe fisicamente. Não posso deixar de agradecer a amiga Elis, por todos esses anos, sempre ao meu lado. A Iracema e Rita, por todo apoio, estímulo e palavras de carinho. À Martha, por toda ajuda, e por sempre fazer com que eu enxergue o melhor de mim. Ao Vitor, companheiro, melhor amigo, namorado, que esteve ao meu lado esse tempo todo, aguentando as piores variações de humor possíveis, os dias sem se ver, os choros quando algo dava errado, e os sorrisos quando dava certo. A pessoa que apesar de tudo, caminhou ao meu lado esse tempo todo, me encorajando, auxiliando, apoiando, me trazendo a tranquilidade e felicidade que precisava, fazendo com que eu me apaixonasse mais a cada dia. Agradeço imensamente por toda a diferença que você fez e que faz na minha vida, te amo.

Resumo

A Formação Rio Bonito compreende a porção inferior do Grupo Guatá, inserido na Bacia do Paraná. De idade Eopermiana, esta formação faz parte da Supersequência Gondwana I, e é dividida, da base para o topo, em Membro Triunfo, Membro Paraguaçu e Membro Siderópolis. Com base em dados obtidos de testemunhos de sondagem foi realizado um estudo do arcabouço estratigráfico da região centro-norte do Estado do Paraná. Foram individualizadas 16 fácies sedimentares: 1 fácies conglomerática, 1 fácies de brecha conglomerática, 6 fácies arenosas, 6 fácies argilosas, 1 fácies carvão e 1 fácies carbonática. Estas foram combinadas em quatro associações de fácies, sendo possível propor uma possível correlação para os perfis estratigráficos verticais confeccionados, considerando as variações granulométricas observadas. Também foi realizada a perfilagem dos poços com o gamaespectrômetro. A partir desses resultados foi interpretado o ambiente deposicional, inicialmente de caráter estuarino associado a canais de maré (associação de fácies 1), evoluindo para a zona central estuarina, e posteriormente, um sistema costeiro, com depósitos de ilhas de barreira (associação de fácies 2) seguido de um avanço no nível do mar, com sedimentos característicos de abaixo do limite de ação de ondas (offshore) (associação de fácies 3), culminando em depósitos de antepraia (foreshore) e face praial superior (shoreface) (associação de fácies 4). Dessa forma, o arcabouço estratigráfico revelou que sedimentos foram depositados, inicialmente em um contexto de tratos de sistemas transgressivo, evoluindo para um trato de sistema de mar alto.

Palavras -chave: Bacia do Paraná, Formação Rio Bonito, arcabouço estratigráfico, fácies sedimentares.

Abstract

The Rio Bonito Formation comprises the lower portion of Guatá Group, located on the Paraná Basin. This Formation is Eopermian age, is part of Gondwana I Supersequence, and is divided, from bottom to top, in Triunfo Member, Paraguassu Member and Siderópolis Member. Based on drill core data was performed a stratigraphic framework study of the north-central region of the Paraná state. 16 sedimentary facies were individualized: 1 conglomeratic facies, 1 conglomeratic breccia facies, 6 sandy facies, 6 shale facies, 1 coal facies and 1carbonate facies. They were combined into four facies associations, so it was possible to propose a correlation to the vertical stratigraphic profiles, considering the observed grain size variations. The wells logging with gamaspectrometer was also performed. From these results was interpreted the depositional environment, initially it was estuarine associated with tidal channels (1 facies association), progressing to central estuarine zone, and subsequently, a coastal system, with barrier islands deposits (2 facies association), it was followed by an advance in sea level, with below the wave action limit (offshore) sediments (3 facies association), culminating in shoreface deposits (foreshore) and upper beach face (shoreface) (4 facies association). Thus, the stratigraphic framework revealed that sediments were deposited initially in a transgressive systems tracts context, evolving into an highstand system tracts.

Palavras -chave:

sedimentar facies.

Paraná

Basin,

Rio

Bonito

Formation,

stratigraphic

framework,

 

Índice

Sumário

Resumo

5

Abstract

6

Lista de Figuras

8

1. Introdução

10

2. Objetivos

11

3. Localização da área de estudo

12

4. Materiais e métodos

15

 

4.1. Levantamento bibliográfico

15

4.2. Descrição testemunhos de sondagem

15

4.3. Coleta de dados geofísicos

15

4.4. Caracterização de associações de fácies sedimentares, interpretação dos

ambientes de sedimentação e análise das sequências

16

5.

Geologia Regional

17

5.1. Generalidades da Bacia do Paraná

17

5.2. Arcabouço Estrutural

20

5.3. Evolução Tectono-Estratigráfica

21

5.4. Evolução dos conhecimentos sobre a Formação Rio Bonito

24

6.

Resultados

29

6.1. Fácies Sedimentares

29

6.2. Associação de fácies

41

6.3. Correlação entre os perfis dos poços testemunhos

47

6.4. Correlação dos perfis verticais com os perfis de raio gama

50

7.

Discussão

53

7.1. Fácies Sedimentares, Associação de fácies e Ambientes

53

7.2. Perfis Raio Gama

60

8. Conclusão

61

9. Referência Bibliográficas

63

Lista de Figuras

do Paraná na Plataforma Sul - Americano (adaptado de MILANI & THOMAZ FILHO, Figura 2: Mapa

14

19

18

10

21

30

Figura 7: Arenito médio

31

Figura 8: Arenito muito fino a fino, maciço, com aspecto

32

Figura 9: Arenito grosso com laminação plano-paralela dada pelo acúmulo de biotita. 32

33

Figura 11: Laminações cruzadas em arenito

34

Figura 12: (a) nódulo carbonático (b) Siltito cinza esverdeado com laminações e

nódulos de gipso (em destaque); (c) e (d) nódulos e bandas carbonáticos

35

36

Figura 14: Calcilutito em

37

Figura 15: Brecha carbonática

38

Figura 17: Perfil estratigráfico vertical da Formação Rio Bonito no poço SP-50-PR com

40

indicação das principais fácies sedimentares. Código de fácies na tabela

39

42

44

Figura 20: Fácies sedimentares da associação de fácies 3 (Código de fácies na tabela 2).

46

49

Figura 23: Correlação perfil litológico e perfil

51

Lista de Tabelas

Tabela 1: Dados físicos dos poços selecionados

13

Tabela 2: Fácies sedimentares individualizadas e suas respectivas siglas

30

1.

Introdução

A Bacia do Paraná compreende uma área total de aproximadamente 1,7 milhões de km 2 , localizada na porção sudeste da Plataforma Sul-Americana (Figura 1), e segundo Zalán et al. (1990), contempla a parte meridional do Brasil, a metade oriental do Paraguai, a região mesopotâmica da Argentina e a metade ocidental do Uruguai, com idade Ordoviciano-Cretáceo.

ocidental do Uruguai, com idade Ordoviciano - Cretáceo. Figura 1: Localização da Bacia do Paraná na
ocidental do Uruguai, com idade Ordoviciano - Cretáceo. Figura 1: Localização da Bacia do Paraná na

Figura 1: Localização da Bacia do Paraná na Plataforma Sul-Americano (adaptado de MILANI & THOMAZ FILHO, 2000).

A Formação Rio Bonito está inserida no Grupo Guatá definido por Gordon Jr. (1947) e está presente desde o Rio Grande do Sul até o nordeste de São Paulo (Schneider et al., 1974). Medeiros & Thomaz (1973) definiram três intervalos para esta formação, sendo eles inferior, médio e superior, correspondendo, respectivamente, aos Membros Triunfo, Paraguaçu e Siderópolis.

A unidade corresponde ao primeiro registro pós-glacial da Bacia do Paraná, tendo sido depositada diretamente sobre os depósitos glaciais do Grupo Itararé. Trata-se

de uma unidade composta por siltitos e folhelhos cinza, com intercalações de camadas de arenitos (Schneider et al. 1974), com lentes de folhelhos carbonosos, argilitos, e níveis de cimentação carbonática.

Desde muito tempo a Formação Rio Bonito corresponde a um dos principais focos de estudo dentro da Bacia do Paraná devido aos seus recursos minerais energéticos, como reservas carvão nos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, urânio na região de Figueira (PR) e o potencial em rochas-reservatório. Passou a ser estudada com mais ênfase nas décadas de 1970 e 80 através dos projetos para estudo do carvão realizados pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e para a prospecção de hidrocarbonetos pela Petrobras, e até hoje vem sendo alvo de estudos.

A integração entre a fácies sedimentares, empilhamento estratigráfico e perfis

geofísicos, especialmente no que diz respeito a dados em subsuperfície, ainda é apresentada de forma modesta em trabalhos envolvendo a Bacia do Paraná.

O grande número de testemunhos e perfis de poços (raio gama e elétrico),

distribuídos pela margem leste da Bacia do Paraná, desde o Rio Grande do Sul até São Paulo, é tido como uma importante base de dados para pesquisas. Tendo em vista essa disponibilidade de informações de subsuperfície junto ao Serviço Geológico do Brasil

(CPRM), foi selecionada a região de Sapopema no Estado do Paraná, a fim de elaborar um modelo de evolução estratigráfica para a Formação Rio Bonito.

A individualização das fácies sedimentares, o agrupamento dessas em associações faciológicas e o estabelecimento de sequências deposicionais a partir de dados de subsuperfície contribuem para um melhor entendimento da evolução dos sistemas deposicionais e do paleoambiente, permitindo, desta maneira, a elaboração de um modelo mais refinado de arcabouço estratigráfico em detalhe da Formação Rio Bonito na porção leste da Bacia do Paraná.

2.

Objetivos

Este trabalho de conclusão de curso tem como objetivo definir a evolução estratigráfica e paleoambiental em detalhe da Formação Rio Bonito na região de Sapopema (PR), através da análise de fácies e interpretação de perfis geofísicos (gamaespectrometria). Espera-se com este trabalho, uma contribuição para o

refinamento do conhecimento sobre esta unidade em uma escala de maior detalhe em relação àquelas já existentes na literatura.

Como objetivos secundários têm-se:

Identificação e caracterização das fácies sedimentares da Formação Rio Bonito através de dados de subsuperfície;

Definição dos processos sedimentares e de um arcabouço estratigráfico para a Formação Rio Bonito na área estudada;

Identificação de possíveis variações do nível do mar e possíveis condições geoquímicas;

Elaboração e interpretação de um modelo paleoambiental para a área de estudo.

3. Localização da área de estudo

A área de estudo deste projeto está localizada na região centro-norte do Estado do Paraná, próximo às cidades de Sapopema, Figueira, Ibati e Congonhinhas. Os quatro poços selecionados para a pesquisa pertencem a uma base de dados com aproximadamente 115 poços, localizados na litoteca da CRPM com sede em Araraquara (SP). A maioria desses poços foi perfurada pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), estando distribuídos entre o centro-sul de Santa Catarina e o norte do Paraná, numa extensão de aproximadamente 550 km e integram os Relatórios Finais de Projetos, tais como Projeto Rio Bonito – Fase 1 de Medeiros et al. (1970), Projeto Sapopema-Fase I. de Yamamoto (1983), Projeto Sapopema: relatório final de pesquisa de Silva (1984), Projeto borda leste da Bacia do Paraná integração geológica e avaliação econômica: relatório final, de Aboarrage & Lopes (1986).

Ambos os poços selecionados são pertencentes ao Projeto Sapopema, realizados também pela CPRM a fim de identificar as possíveis e prováveis fontes minero- energéticas como o carvão nos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as jazidas de urânio do Paraná e o potencial dos intervalos areníticos em rochas- reservatório para hidrocarbonetos. Os poços escolhidos para descrição possuem as nomeações: SP-27-PR e SP-50-PR (Figura 2). Os outros dois poços foram escolhidos para uma melhor interpretação do paleoambiente da região, sendo assim, suas seções estratigráficas foram correlacionadas às outras duas seções citadas acima. Esses poços

encontram-se descritos no trabalho Projeto Sapopema: relatório final de pesquisa,

realizado pela CPRM (1983), e tem a nomeação de SP-32-PR e SP-65-PR. As

especificações dos poços estão expressas na Tabela 1:

Tabela 1: Dados físicos dos poços selecionados

 

ZONA

LONGITUDE

LATITUDE

   

Poço

UTM

(m)

(m)

COTA (m)

PROFUNDIDADE (m)

SP-27-PR

22J

551073

7371312

542,76

336,7

SP-50-PR

22J

549520

7369945

660,18

441,5

SP-32-PR

22J

548618

7368384

647,67

391,8

SP-65-PR

22J

553240

7373040

543,00

352,2

Figura 2: Mapa localização dos poços testemunhos no Estado do Paraná e mapa geológico simplificado

4.

Materiais e métodos

4.1. Levantamento bibliográfico

A fase inicial da realização deste trabalho envolveu a construção de um embasamento teórico a respeito da Formação Rio Bonito, envolvendo a consulta a trabalhos clássicos sobre a Bacia do Paraná, artigos, teses de mestrado e doutorado e trabalhos de conclusão de curso relacionados a esta formação. O levantamento bibliográfico constituiu a base para a escolha dos testemunhos de sondagem mais representativos da Formação Rio Bonito no Estado do Paraná. Destes foram escolhidos quatro poços pertencentes ao Projeto Sapopema, especificados como: SP-27-PR, SP-50- PR, SP-32-PR e SP-65-PR. A revisão bibliográfica se estendeu por toda a realização deste trabalho, sendo de extrema importância para comparação dos resultados obtidos com outros já existentes.

4.2. Descrição testemunhos de sondagem

Em visita à sede da CRPM, foi realizada a análise sequencial de dois dos testemunhos, SP-27-PR e SP-50-PR, através da descrição de litofácies, estruturas sedimentares e contatos litológicos. Também foram feitos registros fotográficos. No poço SP-27-PR, a Formação Rio Bonito apresenta uma espessura de 103,60 m (base em 331,10 m e topo em 228,20 m), enquanto que para o poço SP-50-PR, a mesma formação apresenta espessura de 97 m (base em 435,00 m e topo em 338,00 m).

4.3. Coleta de dados geofísicos

Na visita à sede da CRPM, também foi realizada a coleta de dados com o gamaespectrômetro. Os elementos que compõe as rochas possuem uma radioatividade natural, fornecendo diferentes respostas para cada parâmetro analisado. Em perfilagem de poços, podem fornecer dados para interpretações de litotipos, profundidades e espessuras de camadas.

Esta medição radioativa ocorreu através do gamaespectrômetro, modelo RS-230, pertencente ao Departamento de Geologia e Recursos Naturais do Instituto de Geociências da Unicamp. Este aparelho possui um cristal de detecção composto por

óxido de germanato de bismuto (Bi 4 Ge 3 O 12 ), para a medição de emissão de raios gama em pontos de maior significância, especialmente em contatos litológicos. O aparelho foi apontado para intervalo de rocha desejado, permanecendo em contato com o mesmo por um período de 60 segundos, registrando e armazenando a média de cada concentração e

da contagem total de cada parâmetro (contagem total – CT, potássio – K, urânio – U, e

tório – Th). Essa contagem é feita à partir da detecção dos raios gama emitidos durante o decaimento radioativo natural desses elementos nas respectivas rochas. (Ferreira et a.l, 2010). Para o poço SP-27-PR foram feitas 71 medidas enquanto para o poço SP-50-PR foram feitas 43. Os dados obtidos foram processados para a geração das respectivas curvas, no programa Strater 3, sendo correlacionados aos perfis estratigráficos dos

poços descritos.

4.4. Caracterização de associações de fácies sedimentares, interpretação dos ambientes de sedimentação e análise das sequências estratigráficas.

A descrição e interpretação faciológica foi baseada nos procedimentos descritos por Walker (1984) e Miall (1990). O conjunto de feições em uma camada delibera uma fácies sedimentar. O conceito de fácies sedimentar compreende o caráter descritivo e interpretativo da rocha, onde estas são distinguidas por seus atributos físicos:

composição, cor, tamanho do grão, esfericidade, seleção, ocorrência ou não de fósseis, além de características do acamamento e das estruturas sedimentares (Miall, 1985).

As rochas sedimentares são formadas em determinadas condições, refletindo um processo deposicional particular e um ambiente de sedimentação (Reading, 1996). Cada

uma das fácies deve ser interpretada, em nível ambiental, com relação às fácies vizinhas

e serem agrupadas como associações de fácies, que devem ser relacionadas

ambientalmente ou geneticamente (Miall, 2000). A individualização de fácies neste trabalho foi baseada no código de fácies proposto por Miall (1985), onde a litologia é indicada por letra maiúscula (C = conglomerado, A = arenito, S = siltito, F = folhelho, Cl = calcilutito, CA = carvão), seguidas por letras minúsculas que indicam as estruturas e arranjos sedimentares de maior relevância.

Os fatores considerados para a caracterização das fácies correspondem à composição dos litotipos e estruturas sedimentares A interpretação das associações

faciológicas identificadas foi baseada na sucessão vertical dos ambientes de sedimentação para a Formação Rio Bonito na área estudada.

A relação de uma fácies com as fácies adjacentes é essencial para uma proposta interpretativa sobre o ambiente de formação (Reading, 1996). Para isso, as fácies são divididas em subfácies ou agrupadas em associações de fácies, uma vez que o limite individual de cada uma já tenha sido reconhecido. Com essa relação também foi interpretado o empilhamento, agradacional, progradacional, e/ou retrogradacional dos tratos deposicionais, superfícies transgressivas e limites de sequências. Os resultados obtidos foram comparados com as associações descritas e modelos de fácies presentes em trabalhos como Walker & James (1992) e Reading (1996).

Para uma melhor interpretação dos resultados foram confeccionados perfis verticais para cada poço, com o auxílio do programa Strater 3.

5. Geologia Regional

5.1. Generalidades da Bacia do Paraná

Segundo Milani et al. (2007), a Bacia do Paraná (Figura 4: Mapa geológico

simplificado da Bacia com profundidade do embasamento e a distribuição no tempo das Supersequências

divididas por Milani (1997).) é bacia intracratônica inserida na porção sudeste da Plataforma Sul-Americana, com uma área de aproximadamente 1,7 milhões de quilômetros quadrados, correspondentes à parte meridional do Brasil, oriental do Paraguai, norte do Uruguai e nordeste da Argentina.

De idade Ordoviciana-Cretácica, a Bacia do Paraná (Figura 3) compreende um pacote sedimentar-magmático com espessura máxima de 7 mil metros, delimitado por terrenos Proterozóicos a Neoproterozóicos como os crátons e faixas móveis, sendo que ao leste, a bacia é limitada por uma região afetada pelos processos distensivos responsáveis pela abertura do Oceano Atlântico (Zálan et al., 1990; Milani 1997; Milani & Zálan, 1999).

Figura 3: Carta estratigráfica da Bacia do Paraná de Milani (1997), adaptada por Bizzi et

Figura 3: Carta estratigráfica da Bacia do Paraná de Milani (1997), adaptada por Bizzi et al. (2003). Fonte: CPRM.

18

Milani (1997) reconheceu seis unidades rochosas, cujos intervalos temporais de algumas dezenas de milhões de anos de duração são marcados por superfícies de discordância de caráter inter-regional, em uma grande escala, as quais nomeou supersequências: Rio Ivaí (Ordoviciano-Siluriano), Paraná (Devoniano), Gondwana I (Carbonífero-Eotriássico), Gondwana II (Meso a Neotriássico), Gondwana III (Neojurássico-Eocretáceo) e Bauru (Neocretáceo), das mais antigas para as mais recentes, respectivamente (Figura 4). As primeiras três supersequências compreendem sucessões sedimentares, resultantes dos ciclos transgressivo-regressivos ocasionados pelas oscilações do nível relativo do mar no Paleozóico, enquanto as demais unidades correspondem a rochas ígneas associadas aos pacotes sedimentares de origem continental (Milani et al., 2007). Formação Rio Bonito, objeto de estudo deste trabalho, está inserida na Supersequência Gondwana I.

Figura 4: Mapa geológico simplificado da Bacia com profundidade do embasamento e a distribuição no
Figura 4: Mapa geológico simplificado da Bacia com profundidade do embasamento e a
distribuição no tempo das Supersequências divididas por Milani (1997).

19

Essas sequências rochosas, segundo Almeida (1980) e Zalán et al. (1988, 1990) representam a superposição de ao menos três bacias diferentes, com variação da geometria e dos limites devido ao movimento das placas durante o processo de evolução Gondwana. A primeira bacia corresponde às unidades Rio Ivaí e Paraná teria sido depositada em um golfo aberto para o Paleo-Oceano Pacífico (Zalán et al. 1990), enquanto que a segunda bacia compreende as unidades Gondwana I e Gondwana II, constituindo uma sequência permocarbonífera, típica de sinéclise intracontinental, desenvolvida em mar interior. Finalmente, a última bacia desenvolvida corresponde às unidades Gondwana III e Bauru, consistindo na deposição de sedimentos continentais mesozoicos e aos derrames basálticos associados.

5.2. Arcabouço Estrutural

Segundo Zalán et al. (1990) a estruturação da Bacia do Paraná ocorreu ao fim do Ciclo Brasiliano, sendo controlada por falhas e zonas de falhas pertencentes ao embasamento. Esses lineamentos estão distribuídos em duas direções preferenciais:

NW-SE e NE-SW (Figura 5), a primeira com zonas de falhas responsáveis pelos depocentros originados durante a evolução da bacia, enquanto a segunda compreende zonas de fraqueza relacionadas com o arcabouço tectônico das faixas móveis Ribeira e Dom Feliciano. Em menores proporções, os lineamentos seguem a direção E-W. Esses lineamentos, de acordo com Zalán et al. (1990) apresentam grande importância na delimitação do arcabouço estrutural atual desta bacia.

N
N

Figura 5: Mapa ilustrando as principais estruturas da Bacia do Paraná no território Brasileiro. Os lineamentos apresentam as direções preferenciais NE - SW, NW - SE e E - W. (Fonte: Zálan et al,

1990).

5.3. Evolução Tectono-Estratigráfica

Os estudos sobre a Bacia do Paraná tiveram seu início com os trabalhos de White (1908), sendo que até os dias atuais, existem aspectos incertos quanto às ações tectônicas que afetaram a bacia e seu arcabouço estrutural.

Os primeiros trabalhos relevantes quanto ao caráter regional na Bacia do Paraná foram os de Sanford & Lange (1960) e Northfleet et al.(1969). Soares et al. (1978), Almeida (1980), cada um desses adotando diferentes interpretações da evolução geológica da Bacia do Paraná.

Fulfaro & Landim (1976) apresentou o arcabouço estratigráfico na Bacia do Paraná pela primeira vez, descrevendo-o como “Sequências I, II, III e IV”, sendo reinterpretadas com maior detalhe, posteriormente, por Soares et al. (1978) como

“Sequências Alfa, Beta, Gama, Delta, Delta-A, Epsilon e Zeta”. Os trabalhos mais recentes sobre o arcabouço estratigráfico envolvem Zálan et al.(1990), o qual estabeleceu cinco grandes sequências: “Siluriana, Devoniana, Permo-Carbonífera, Triássica e Juro-Cretácica”, Soares (1991) definiu quatro unidades, denominadas como sequências tectonossedimentares: “Ordovício-Siluriana, Devoniano-Mississipiana, Pensilvaniana-Permiana e Triássico-Jurássico” e, por fim, o trabalho mais recente, Milani et al.(2007), com a compilação e atualização dos dados obtidos em Milani et al. (1994) e Milani (1997), onde o arcabouço estratigráfico da Bacia do Paraná é interpretado como as sequências descritas no item 5.1 (Supersequência Rio Ivaí, Supersequência Paraná, Supersequência Gondwana I, Supersequência Gondwana II, Supersequência Gondwana III e Supersequência Bauru).

A evolução tectono-estratigráfica da Bacia do Paraná, segundo Milani et al.(2007), ocorreu no interior cratônico do continente Gondwana, tendo relação com as orogenias paleozoicas do Ciclo Brasiliano, que levaram ao resfriamento e estabilização da Plataforma Sul-Americana. O desenvolvimento da bacia se deu na forma de depressões alongadas na direção NE-SW seguindo as zonas de fraqueza do embasamento Pré-Cambriano, correspondentes ao arcabouço brasiliano. O embasamento compreende terrenos granulíticos e granitos greenstone, cercados por cinturões móveis orogênicos formados por granitos, rochas metassedimentares empurradas e faixas cratônicas remobilizadas do Gondwana (Zalán et al. 1990). O espaço de acomodação foi gerado durante o Fanetozóico, através do desenvolvimento de ativos cinturões colisionais os quais definiram uma extensa faixa localizada à margem sudoeste do Paleocontinente.

Fulfaro et al. (1982) propôs que a subsidência mecânica contribuiu para a formação da bacia, através de riftes abortados na direção NW-SE, sendo esses os responsáveis pela sedimentação cratônica. Já Milani (1997) constatou, através da análise comparativa da subsidência da bacia e orogêneses ocorridas na borda continental, a relação entre os ciclos de criação de espaço de acomodação no interior cratônico junto às orogenias foi constatada através da análise comparativa da subsidência da bacia e orogêneses ocorridas na borda continental. Essa hipótese difere-se da interpretação de outros autores como Zalán et al. (1990) que defende que o mecanismo ligado à implantação da sinéclise da bacia tem relação com a contração térmica sucessora dos fenômenos tectono-magmáticos do Ciclo Brasiliano. Segundo Milani et al. (2007) um

importante mecanismo de subsidência ao longo da evolução da Bacia do Paraná foi a flexura litosférica por sobrecarga tectônica difundiu-se continente adentro através de uma calha de antepaís.

A reativação tectônica durante a Orogenia Oclóyica criou um espaço para a acomodação Supersequência Rio Ivaí, sendo esta a primeira unidade cratônica da bacia, cujos depósitos datam do Neo-ordoviciano/Eosiluriano e retratam o primeiro ciclo transgressivo-regressivo da referida bacia representados pela Formação Alto Garças (Milani et al., 1997). O topo desta Supersequência registra uma intensa atuação de processos erosionais, através da discordância Neosiluriana.

Em cima dessa sequência foram acomodados os sedimentos correspondentes a Supersequência Paraná, de idade Devoniana, representada por depósitos fluviais arenosos da Formação Furnas, oriundos da retomada da subsidência. Esses depósitos arenosos gradam para os depósitos neríticos da Formação Ponta Grossa, que se apresentam faciologicamente uniformes por toda a sua área de ocorrência. O intervalo entre final o Neodevoniano e o Carbonífero Médio foi marcado por eventos erosivos, reseultando em uma lacuna tectono-sedimentar, representando um hiato de cerca de 70 Ma na Bacia do Paraná (Milani et al., 2007). Segundo Zalán et al. (1991), a origem deste evento é interpretada como decorrente dos fatores tectônicos ligados à Orogenia Herciniana.

A retomada do processo de deposição na bacia se deu no Pensilvaniano, devido à migração do Paleocontinente Gondwana. Esses sedimentos correspondem a Supersequência Gondwana I, uma sequência transgressivo-regressiva de ciclo completo, consequência do avanço e posterior recuo do oceano Panthalassa sobre o Paleocontinente. Sua porção inferior é representada por depósitos glaciais do Grupo Itararé e da Formação Aquidauana, seguidos pelos sedimentos do Grupo Guatá, sendo sua base composta por depósitos com relação direta ao degelo das calotas polares e os sedimentos meridionais e superiores correspondentes a arenitos deltaícos e camadas de carvão da Formação Rio Bonito e siltitos e argilitos da Formação Palermo, evidenciando grandes alterações tectônicas e climáticas. As condições de máxima inundação foram atingidas no Artinskiano, passando para sistemas deposicionais continentais no início do Triássico, deviso ao aprisionamento da bacia através do soerguimento dos arcos resultantes da tectônica compressional nas margens desta, localizada no árido interior continental do Gondwana. (Milani et al., 2007). Essa

sedimentação corresponde ao Grupo Passa Dois, com os folhelhos betuminosos, arenitos e calcários da Formação Irati, folhelhos, argilitos e siltitos da Formação Serra Alta, siltitos e argilitos da Formação Teresina e folhelhos, siltitos e argilitos da Formação Rio do Rastro (Milani e Ramos, 1998).

A Supersequência Gondwana II abrange apenas o sul da Bacia do Paraná,

estando restrita apenas às porções gaúcha e uruguaia. Esta supersequência é formada

por arenitos e folhelhos da Formação Pirambóia, os quais representam uma sedimentação acumulada em bacias do tipo gráben (Milani op cit.).

A deposição de sedimentos durante a era Mesozoica ocorreu através dos

sistemas eólico-fluviais, sem influência marinha. A ação erosiva eólica no substrato do

interior do Paleocontinente Gondwana resultou na mais pronunciada lacuna do registro estratigráfico da Bacia do Paraná, com extensos campos de dunas a partir do final do Jurássico (Formação Botucatu), seguidos pelas rochas magmáticas Eocretáceas resultantes da ruptura do paleocontinente, compondo assim a Supersequência Gondwana III (Milani, op cit.).

Em seguida, no Eocretáceo, com o rompimento do Paleocontinente Gondwana e início da evolução do oceano Atlântico Sul, sobreveio o grande derrame basáltico do magmatismo Serra Geral. Com o fim das atividades vulcânicas e dos devidos ajustes isostáticos, foi definida uma depressão sobre o pacote basáltico, permitindo a acomodação dos sedimentos continentais da Supersequência Bauru, no Neocretáceo (Milani, op cit).

A deposição da Supersequência Bauru, que compreende os Grupos Caiuá e

Bauru, foi marcada por dois eventos intrusivos de natureza alcalina, o primeiro de 87-80 Ma e o segundo de 70-60 Ma (Milani et al., 2007). O fim das atividades vulcânicas levou a formação de uma “depressão flexural” (Milani et al., 1998), na qual foram

depositados corpos areno-conglomeráticos. O registro geológico indica um intenso processo de silicificação dos corpos areníticos, sendo este processo de origem continental nas áreas de intersecção com feições tectônicas regionais, como no Arco de Ponta Grossa (Fernandes et al., 1993; Milani et al., 2007).

5.4. Evolução dos conhecimentos sobre a Formação Rio Bonito

A Formação Rio Bonito, junto à Formação Palermo, está inserida no Grupo

Guatá, e teve seus primeiros estudos desenvolvidos a partir de 1904, por meio do estimulo do governo brasileiro para a exploração de carvão mineral na região sul Brasil, com a pesquisa do geólogo norte-americano I.C. White. Seu trabalho foi publicado apenas em 1908, como Relatório Final da Comissão de Estudos das Minas de Carvão de Pedra no Brasil, indicando três “séries, Tubarão, Passa Dois e São Bento”. O nome Rio Bonito neste contexto era utilizado apenas para designar as camadas com Flora Glossopteris e leitos de carvão existentes no topo da série Tubarão (White, 1908). A subdivisão da Série Tubarão em duas unidades ocorreu em 1916, com o trabalho de Oliveira, que determinou uma unidade inferior, de natureza glacial, a qual nominou Itararé e outra unidade pós-glacial, com as camadas de carvão. Para esta unidade foi mantido o nome Rio Bonito, denominado por White (1908).

Apenas em 1947, com o trabalho de Gordon Jr., as camadas da Formação Rio Bonito, que se estendem toda borda leste da bacia, do Rio Grande do Sul ao sul de São Paulo, foram classificadas como formação e inseridas no Grupo Guatá.

Os estudos retornaram na década 70 com Medeiros et al. (1970), com o Projeto Rio Bonito – fase I, o qual continha a descrição e interpretação deposicional desta formação, em ambientes deltaicos e marinhos. Medeiros & Thomaz Filho (1973) deram continuidade ao trabalho com a elaboração do Projeto Rio Bonito – fase II, com a descrição de três intervalos inferior, médio e superior, e a determinação de um sistema deposicional composto por ilhas- barreira e lagunas.

No ano seguinte foi publicado um dos principais trabalhos no que se diz respeito

à Bacia do Paraná, no qual Schneider et al. (1974), por meio da correlação e arranjo das

unidades litoestratigráficas da Bacia do Paraná, formalizou os intervalos como membros Triunfo, Paraguaçu e Siderópolis, através de uma descrição faciológica bem detalhada:

o Membro Triunfo corresponde à porção basal da Formação Rio Bonito e é composto

por sucessões cíclicas de arenitos e conglomerados cinza-claro, também sendo encontrados folhelhos, argilitos e siltitos cinza-escuro a pretos, carbonosos, leitos e camadas de carvão, tendo como principais estruturas, estratificações paralela e cruzada. Representa um sistema deltaico pós-glacial, com domínio fluvial progradante sobre os

lamitos do prodelta do Grupo Itararé; o Membro Paraguaçu, membro intermediário, apresenta um contato abrupto com o Membro Triunfo, contendo sedimentos pelíticos (siltitos e folhelhos cinza a esverdeados) e secundariamente arenitos finos, estes com laminações plano-paralela e ondulada, e bioturbação. Constitui um sistema marinho

transgressivo culminando com o afogamento do sistema deltaico implantado anteriormente; o Membro Siderópolis, topo da Formação Rio Bonito, é representado por um espesso pacote arenítico com intercalações de siltitos, folhelhos carbonosos e carvão, cujas estruturas mais comuns são: laminação plano-paralela, associada a ondulação cruzada cavalgante (climbing), acamadamento flaser e drapes de folhelho, bioturbação e fluidização, wavy, linsen e hummocky. Essa sucessão sedimentar foi depositada em um ambiente litorâneo progradante sobre o membro anterior, com arenitos que imprimem os depósitos de barras e barreiras, associados aos sedimentos flúviodeltaicos.

Esta subdivisão só é adotada para os Estados do Paraná e Santa Catarina, não sendo usada para o Rio Grande do Sul e de São Paulo. Para o Rio Grande do Sul, esta divisão não foi adotada porque o Membro Paraguaçu não foi identificado na parte sul da Bacia do Paraná (Iannuzzi, 2010).

No ano seguinte, Schneider & Castro (1975) dividiram as Formação Rio Bonito e Palermo em cinco seções cronoestratigráficas: três dessas compreendendo arenitos bioturbados com pelecípodes; outra correspondente a um marco radioativo na base da Formação Palermo; e por fim, a quinta seção representado pelos depósitos deltaicos nos membros Paraguaçu e Siderópolis. Em seguida, o trabalho de Castro & Medeiros (1980) propôs um modelo com três episódios de sedimentação: glacio-marinho (Formação Rio do Sul), deltaico pós-glacial (topo da Formação Rio do Sul e Membro Triunfo) e deltaico dominado por rios e dunas (topo do Membro Paraguaçu e Membro Siderópolis), respectivamente.

Após a segunda grande crise do petróleo, ocorrida entre os anos de 1979 e 1980, houve uma evolução nos estudos desta área, através dos incentivos governamentais à pesquisa de fontes de energia alternativas ao petróleo (Tognoli, 2006). Um projeto realizado pela CPRM em conjunto com o Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), denominado “A Borda Leste da Bacia do Paraná”, contou com a campanha de sondagens para o carvão na região sul do Brasil, havendo também a compilação com dados de outros projetos já existentes, como o Projeto Sapopema.

Sampaio (1987) identificou intervalos cronoestratigráficos na porção intermediária do Grupo Guatá que correspondem a ambientes deltaicos e marinhos, sendo que nesses últimos, as oscilações do nível do mar, não muito significativas,

resultaram em um ambiente estável propício a progradação desses sistemas.

Castro (1991) enfatizou seus estudos nas formações Rio do Sul e Rio Bonito na borda leste da bacia, analisando a evolução estratigráfica dos sistemas glacial, marinho e deltaico, chegando à conclusão de uma retrogradação do trato marinho profundo.

O trabalho de Medeiros (1995) estabeleceu a relação dos tratos de sistemas e as

formações, com depósitos deltaicos e fluviais de trato de sistemas de mar baixo, passando para um trato de sistemas transgressivo, chegando a um trato de sistema de mar alto retrogradando para um trato de sistema de mar baixo, correspondendo, respectivamente aos membros Triunfo, Paraguaçu e Siderópolis.

Em seu trabalho, Castro (1999) priorizou o Membro Triunfo da Formação Rio Bonito, onde relatou uma grande discordância no contato desta com o Grupo Itararé, no Estado de Santa Catarina. O topo da Formação Rio Bonito tem um contato com a Formação Palermo em discordância angular (Tognoli, 2002), estando essa relacionada à movimentação positiva do Arco de Ponta Grossa, a qual causou uma grande erosão no topo dessa unidade. Lima (2000) também estudou o Membro Triunfo, mais especificadamente na região norte do Estado do Paraná, onde correlacionou os depósitos fluviais, deltaicos e marinhos rasos, e desenhou o acunhamento e desaparecimento desse membro através de um mapa de isópacas.

A integração de dados sobre sedimentação, icnologia e geoquímica foi realizada

nos trabalhos de Tognoli (2002) e Tognoli et al. (2003) permitindo a elaboração de um modelo de arcabouço estratigráfico, com a individualização de sequências de terceira e quarta ordens. Tognoli & Netto (2003) utilizaram a icnologia para identificar os depósitos estuarinos e as três associações distintas de fácies desses depósitos, nas formações Rio Bonito e Palermo.

Holz et al. (2002), contrastando interpretações anteriores, associaram as camadas de carvão do Membro Triunfo à borda de vales incisos, na região do Rio Grande do Sul. Holz (2003) apresentou em seu trabalho a conclusão de que as camadas do carvão Candiota, uma das maiores áreas de importância em relação ao carvão mineral, estavam inseridas em um complexo lagunar estuarino com duas importantes superfícies estratigráficas: a primeira, uma superfície transgressiva erosiva marcada pelo icnofóssil Glossifungites, evidenciando o retratamento erosivo da linha de costa; e a segunda, uma sequência transgressiva de limite modificado, marcada por camadas

centimétricas, compostas por areia com granulação grossa e seixos de laminações do tipo hummocky embutidos na porção distal do paleoestuário.

Ricard-Branco & Rösler (2004), através do estudo de fósseis na região de Figueira, reforçaram a interpretação de deposição em um ambiente deltaico, associados a pântanos e planícies de inundação. Zacharias (2004) analisou a Formação Rio Bonito na região nordeste do Paraná, propondo um modelo de preenchimento de vales incisos através da análise de fácies correlativa entre dados de superfície e de subsuperfície disponíveis. Reconheceu cinco associações de fácies nos dados de subsuperfície, sendo as duas primeiras pertencentes ao Membro Triunfo, a terceira e quarta ao Membro Paraguaçu, e a quinta, ao Membro Siderópolis. Também associou a origem dos vales incisos ao soerguimento glacio- isostático (rebound), ocasionado pelo alívio de carga com recuo das geleiras ao final da glaciação Permocarbonífera, causando a elevação da borda norte da bacia, facilitando a erosão e aprofundamento dos talvegues de canais fluviais.

Em seu trabalho, Holz & Kalkreuth (2004) identificaram importantes leitos de carvão entre a passagem do trato se sistema de mar baixo para o trato de sistema transgressivo. Este último foi dividido em quatro parasequências: a primeira correspondente ao sistema de mar baixo sob arenitos onlap; a segunda composta por tempestitos e carvões nas camadas inferiores, num sistema de ilha barreira-laguna; a terceira com ciclos tempestíticos e a quarta depositada num ambiente estuarino.

Tognoli (2006) contribuiu para o entendimento da evolução tectônica da bacia, relacionando a influência tectônica da Orogenia Herciniana à deposição do Grupo Guatá, uma vez que esta foi a responsável pela formação do Paleocontinente Pangea.

Martinelli & Castro (2007) estudaram a porção superior do o Membro Triunfo no norte de Santa Catarina, identificando nove ciclos de fácies. Quatro desses, na porção inferior, ocorreram num contexto de sistema de mar baixo, enquanto os outros cinco superiores, em um trato de sistema de mar alto. Os depósitos são de origem fluvial, flúvio-estuarina e flúvio-deltaica na parte inferior, enquanto na parte superior, tem origem marinha.

Bocardi et al. (2009), estudaram a diagênese e a história do soterramento da Formação Rio Bonito, concluindo que estes foram cimentados por pirita, calcita, siderita e caulinita durante a eodiagênese, e anquerita, clorita, crescimentos sintaxiais de

quartzo e illita na mesodiagênese. A distribuição das fácies sedimentares foi o fator determinante para as variações importantes de porosidade, embora a compactação também seja um fator importante. Neste caso, a cimentação foi um fator positivo na preservação do arcabouço dos arenitos da Formação Rio Bonito.

O trabalho recente mais expressivo sobre a Formação Rio Bonito é o de Holz et al. (2010), onde a integração detalhada dos dados biostratigraficos por eles analisados junto à sequência estratigráfica corroboram as interpretações propostas em seus trabalhos anteriores (Holz et al., 2002; Holz 2003; Holz & Kalkreuth 2004).

6.

Resultados

Neste capítulo serão apresentadas fácies sedimentares reconhecidas durante a descrição dos testemunhos de sondagem, as seções estratigráficas construídas, as associações de fácies sedimentares propostas a fim de se propor um ambiente

deposicional na Formação Rio Bonito, na porção norte do Paraná, e os dados geofísicos obtidos através da gamaespectrometria.

6.1. Fácies Sedimentares

A Formação Rio Bonito está depositada sobre os estratos sedimentares do Grupo Itararé, representados por diamictitos oriundos das influências do sistema glacio- marinho permocarbonífero. Nos testemunhos de sondagem SP-27-PR e SP-50-PR analisados, foram encontrados, no intervalo da Formação Rio Bonito, essencialmente, arenitos de texturas variadas, siltitos e conglomerados. Secundariamente também foram encontrados folhelhos, argilitos e carbonatos. As principais estruturas observadas foram:

laminações e estratificações cruzadas, laminações plano-paralelas horizontais, gradações normal e inversa. Feições pós-deposicionais como bioturbações, nódulos e leitos de argila, carbonatos (dolomita e gipsita), concreções e bandas carbonáticas e ferruginosas também foram encontradas. Uma camada centimétrica de carvão ocorre próximo à base da Formação Rio Bonito apenas no testemunho de sondagem SP-50-PR.

Foram individualizadas 16 fácies sedimentares (Tabela 2), sendo 1 fácies conglomerática, 1 fácies de brecha conglomerática, 6 fácies arenosas, 6 fácies argilosas, 1 fácies carvão e 1 fácies carbonática.

Tabela 2: Fácies sedimentares individualizadas e suas respectivas siglas.

Sigla

Fácies Sedimentares

Cm

Conglomerado Maciço

Agm

Arenito Médio a Grosso Maciço

Afm

Arenito Muito fino a Fino Maciço

Agp

Arenito Grosso com laminação plano-paralela

Afp

Arenito Fino a Muito Fino com laminação plano-paralela

Agc

Arenito Fino a grosso com laminação/estratificação cruzada

Afc

Arenito Fino a muito fino com laminação cruzada

Sl

Siltito Laminado

Sm

Siltito Maciço

Sa

Siltito com intercalações de areia

F

Folhelho

A

Argilito

Cl

Calcilutito

CA

Carvão

Fc

Folhelho Carbonoso

Bc

Brecha carbonática

Fácies Conglomerado Maciço (Cm):

Compreende conglomerados maciços sustentados por clastos, com matriz de areia fina a média. Os clastos são irregulares, subarredondados a subangulosos e polimíticos, com predominância de clastos de rochas metamórficas como gnaisses e filitos, e de rochas plutônicas, como granitos, com tamanho variando entre 0,5 a 2,5 cm. Apresentam gradação normal, exceto uma camada no poço SP-27-PR, a qual apresenta granocrescência ascendente (Figura 6a). No poço SP-50-PR, conglomerado apresenta coloração amarronzada, com clastos carbonáticos que variam de 2mm a 2 cm (Figura

6b).

TOPO TOPO BASE BASE Figura 6: (a) Conglomerado maciço com granocrescência ascendente. (b) Conglomerado maciço
TOPO
TOPO
BASE
BASE
Figura 6: (a) Conglomerado maciço com granocrescência ascendente. (b)
Conglomerado maciço com cimentação e nódulos carbonáticos.

30

Fácies Arenito Médio a Grosso Maciço (Agm):

Essa fácies corresponde a arenitos com granulometria variando de média a grossa, maciços, de coloração cinza claro-esbranquiçada (Figura 7) a avermelhada, moderadamente a bem selecionados. Algumas camadas apresentam gradação normal de arenitos grossos passando para arenitos médios. Os arenitos constituintes desta fácies

apresentam espessuras que variam de 0,5 a 2 metros, ao longo do perfil em dados de poços. A

ocorrência de cimentação carbonática é comum em todas as camadas, sendo que localmente, algumas podem apresentar nódulos carbonáticos.

localmente, algumas podem apresentar nódulos carbonáticos. Figura 7: Arenito médio maciço. Fácies Arenito Muito fino

Figura 7: Arenito médio maciço.

Fácies Arenito Muito fino a Fino Maciço (Afm):

Arenitos com variação granulométrica de muito fino a fino, maciços, de coloração cinza claro-esbranquiçada a esverdeada. Geralmente apresentam gradação normal de arenito fino para arenito muito fino. Localmente ocorrem intercalações siltosas, cimentação carbonática, podendo também, apresentar aspecto mosqueado (Figura 8). A maioria das camadas varia de 1 a 5 metros de espessura, porém algumas camadas arenosas intercaladas à camadas de siltito, apresentam pequenas espessuras, menores que 0,8 metros.

Figura 8: Arenito muito fino a fino, maciço, com aspecto mosqueado. Fácies Arenito Grosso com

Figura 8: Arenito muito fino a fino, maciço, com aspecto mosqueado.

Fácies Arenito Grosso com laminação plano-paralela (Agp):

Trata-se de arenitos de granulação média a grossa, coloração cinza clara, a avermelhada com laminação plano-paralela. Os grãos tem seleção moderada a boa. Nos arenitos com coloração cinza clara, as laminações, em sua maioria, são dadas por acúmulo de biotita (Figura 9). Localmente pode ocorrer drapes de argila. A ocorrência de cimentação carbonática é comum. As camadas aparecem apenas no poço SP-27-PR, e variam de 1 a 4 metros de espessura.

poço SP - 27 - PR, e variam de 1 a 4 metros de espessura. Figura

Figura 9: Arenito grosso com laminação plano-paralela dada pelo acúmulo de biotita.

Fácies Arenito Fino a Muito Fino com laminação plano-paralela (Afp):

Arenitos com granulometria variando de fino a muito fino, de coloração cinza- esverdeada a cinza escura, com laminação plano-paralela. Apresentam matriz lamítica com clastos de até 2 mm de argila. Cimentação carbonática é comum na maioria das camadas. Localmente pode ocorrer drapes de argila e concreções ferruginosas. As laminações podem ocorrer deformadas devido à bioturbação (Figura 10) ou sobrepeso. As camadas apresentam espessura mínima de 0,5 metros e máxima de 2 metros.

espessura mínima de 0,5 metros e máxima de 2 metros. Figura 10: Laminações deformadas por bioturbação.

Figura 10: Laminações deformadas por bioturbação.

Fácies Arenito Fino a Grosso com laminação cruzada (Agc):

Essa fácies é composta por arenitos com granulometrias variando de fina a grossa, com coloração cinza escura a esverdeada, seleção moderada a boa e com laminações cruzadas (Figura 11). Localmente podem ocorrer intercalações de areia grossa com lentes de argila, ocorrência de bioturbações e cimentação carbonática. A cimentação carbonática é localmente responsável pela coloração esbranquiçada de alguns arenitos de granulometria fina a média. As camadas, no perfil, apresentam espessuras variando de 1 a 5 metros, sendo predominantemente espessas.

Figura 11: Laminações cruzadas em arenito médio. Fácies Arenito Fino a Muito Fino com laminação

Figura 11: Laminações cruzadas em arenito médio.

Fácies Arenito Fino a Muito Fino com laminação cruzada (Afc):

Essa fácies compreende arenitos finos a muito finos, siltosos, com coloração cinza esbranquiçada a cinza esverdeada e laminações cruzadas. As laminações são dadas, em sua maioria, pelo acúmulo de biotita, e subordinadamente, por filmes de argila. Ao contrário da fácies descrita anteriormente, esta é pobre em cimentação carbonática. Localmente podem ocorrer intercalações com areia fina a média. As camadas tem espessura máxima de 2,5 metros.

Fácies Siltito Laminado (Sl):

Siltitos laminados de coloração cinza-esverdeado a avermelhado/arroxeado. As cores diferem devido a variações no teor de oxidação. A laminação pode ocorrer deformada devido às bioturbações e sobrepeso. Há também a ocorrência de cimentação, veios e nódulos carbonáticos irregulares variando de 1,2 mm a 50 cm de diâmetro (Figura 12 a, c, d). A cimentação carbonática pode tornar os siltitos esbranquiçados. Localmente o siltito pode se tornar maciço, embora laminações sejam predominantes. Eventualmente ocorrem brechas intraformacionais, leitos e nódulos de gipso (Figura 12b), fragmentos de carvão. As camadas apresentam uma espessura média de 1 a 1,5 metro, podendo chegar a espessuras de até 4 metros.

(a) (b) (c) (d)
(a)
(b)
(c)
(d)

Figura 12: (a) nódulo carbonático (b) Siltito cinza esverdeado com laminações e nódulos de gipso (em destaque); (c) e (d) nódulos e bandas carbonáticos.

Fácies Siltito Maciço (Sm):

Essa fácies corresponde a siltito maciço, esbranquiçado a cinza claro/esverdeado e localmente avermelhado. Ocorrência de cimentação e concreções carbonáticas variáveis (Figura 13a) são comuns ao longo do poço testemunho. Eventualmente pode apresentar leitos (Figura 13b) e nódulos de gipso e aspecto mosqueado. As camadas são mais espessas, e variando de 2 a 6 metros, com raras exceções cuja espessura é menor que 1 metro, estando intercaladas a camadas de arenitos. Essa fácies corresponde à grande maioria das camadas do poço SP-50-PR.

(a) (b) Figura 13: (a) Siltito maciço com níveis carbonáticos; (b) leito de gipso em
(a)
(b)
Figura 13: (a) Siltito maciço com níveis carbonáticos; (b) leito de gipso em siltito maciço.

Fácies Siltito com intercalações de areia (Sa):

Compreende siltitos arenosos, ora maciços, ora laminados, com coloração cinza- esverdeada. Alguns pontos podem apresentar coloração avermelhada. A maioria das camadas apresenta cimentação carbonática. Também são comuns intervalos com camadas de arenitos finos gradação normal, nódulos e bandas carbonáticas. Em algumas porções dos siltitos arenosos maciços é possível observar aspecto mosqueado. A média de espessura das camadas varia de 3 a 8 metros. Esta fácies é encontrada nas porções superiores dos dois poços testemunhos.

Fácies Folhelho (F):

Folhelhos de coloração cinza esverdeada a amarronada, laminados, com cimentação carbonática comum. As camadas tem pequena espessura, não ultrapassando 0,5 metros.

Fácies Argilito (A):

Essa fácies é caracterizada, predominantemente, por argila. São argilitos cinza claro a cinza esverdeados, homogêneos, micáceos, e com cimentação carbonática. Podem apresentar leve laminação. São encontrados apenas no poço SP-50-PR, em pequenas camadas de aproximadamente 0,5 metros.

Fácies Calcilutito (Cl):

Carbonato maciço de granulação fina e coloração esbranquiçada a esverdeada (Figura 14). Podem apresentar nódulos carbonáticos e variação no nível de

carbonatação. As espessuras variam de 0,5 a 3 metros, sendo as maiores, encontradas apenas no poço SP-50-PR.

sendo as maiores, encontradas apenas no poço SP - 50 - PR. Figura 14: Calcilutito em

Figura 14: Calcilutito em destaque.

Fácies Carvão (CA):

Carvão de cor preta. A camada só é encontrada no poço SP-50-PR, e apresenta pouco mais de um metro de espessura.

Fácies Folhelho Carbonoso (Fc):

Folhelhos siltosos de coloração cinza-escura, laminados e ricos em matéria orgânica vegetal. A fácies folhelhos carbonoso assim como a fácies carvão, só é encontrada no poço SP-50-PR.

Fácies Brecha Carbonática (Bc):

Trata-se de uma brecha carbonática, com 30 centímetros, encontrada apenas no poço SP-50-PR. (Figura 15).

Figura 15: Brecha carbonática O poço SP - 27 - PR apresenta as fácies Cm,

Figura 15: Brecha carbonática

O poço SP-27-PR apresenta as fácies Cm, Agm, Afm, Agp, Afp, Agc, Afc, Sl, Sm, Sa, F e Cl (Figura 16). O Poço SP-50-PR apresenta as fácies Cm, Agm, Afm, Agc, Afc, Sl, Sm, Sa, A CA, Fc, Cl e Bc (Figura 17).

Figura 16: Perfil estratigráfico vertical da Formação Rio Bonito no poço SP - 27 -
Figura 17: Perfil estratigráfico vertical da Formação Rio Bonito no poço SP - 50 -

Figura 17: Perfil estratigráfico vertical da Formação Rio Bonito no poço SP-50-PR com indicação das principais fácies sedimentares. Código de fácies na tabela 2.

6.2. Associação de fácies

As associações de fácies foram definidas com base na identificação de conjuntos de fácies geneticamente relacionadas, que se sucedem verticalmente. Foram distinguidas 4 associações de fácies, apresentadas a seguir.

Associação de fácies 1:

Esta associação está presente em ambos os poços, correspondendo a 17 m no poço SP-27-PR e uma pequena sequência de 3 m no poço SP-50-PR. Compreende as fácies Cm, Afm, Agp, Afp, Agc, Sl. (Figura 18).

O contado basal em ambos os perfis descritos é direto com o Grupo Itararé e se dá de forma abrupta. A base é composta por níveis de conglomerados maciços sustentados por clastos de composição variada (quartzo, granito, gnaisse, filitos), subarredondados a subangulosos, ocorrem associados às camadas de arenitos finos a muito finos. Estes conglomerados implicam em depósitos de corrente de alta energia, como produto de transporte por tração, podendo ser clastos derivados dos diamictitos do Grupo Itararé, que foram erodidos e incorporados a estas camadas.

Predominantemente é composta por arenitos finos a grossos, maciços ou com estratificação cruzada ou plano-paralela, com coloração variando de cinza claro a escuro, e localmente variando de cinza esverdeado a avermelhado. Subordinadamente são encontrados siltitos laminados, de cor cinza escura e avermelhada/arroxeada.

Os arenitos podem apresentar drapes de argila, os quais seguem os foresets das estratificações cruzadas e plano-paralelas. Grande parte dos arenitos também apresenta cimentação carbonática, além de concreções e bandas carbonáticas. No poço SP-27-PR, a base dessa associação apresenta concreções ferruginosas e alto nível de bioturbação.

Interpretação: A presença das argilas nas camadas de arenito é atribuída à decantação, intercalada à fluxos oscilatórios normais.

Figura 18: Fácies sedimentares da associação de fácies 1 (Código de fácies na tabela 2).

Figura 18: Fácies sedimentares da associação de fácies 1 (Código de fácies na tabela 2).

Associação de fácies 2:

Esta associação abrange as fácies Cm, Agm, Afm, Sm, Sl, Sa, F, Fc, A, Cl e CA (Figura 19). No poço SP-27-PR apresenta uma espessura de 19 m, enquanto no poço SP-50-PR essa associação apresenta uma espessura de 28,5 m.

A associação de fácies 2 se sobrepõem à associação 1 em contato suave, através

de afinamento dos grãos.

É composta, predominantemente, por siltitos e arenitos finos a muito finos. Os

siltitos apresentam coloração cinza clara, cinza esverdeada, cinza escura e

avermelhada/roxeada, maciços ou laminados, formando camadas contínuas com

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espessura de até 4 m. Intercalados aos siltitos ocorrem arenitos finos a muito finos com matriz lamítica, maciços ou com laminação plano-paralela, e em menor número, camadas de arenitos médios a grossos maciços, com coloração cinza clara, folhelhos de coloração cinza esverdeada a amarronada e uma camada de conglomerado carbonático maciço. Também estão presentes a camada de carvão que grada para folhelhos carbonosos e argilitos cinza claro a cinza esverdeados, maciços, micáceos, com cimentação carbonática, ricos em matéria orgânica, presentes apenas no poço SP-50-PR. No topo desta sequência, apenas no poço SP-27-PR, os siltitos apresentam expressivo conteúdo de nódulos e leitos de gipsita.

Interpretação: Esses depósitos finos são interpretados como resultado de decantação e fluxos oscilatórios subordinados, com algumas entradas de fluxos trativos com alta energia, depositando sedimentos mais grossos.

Figura 19: Fácies sedimentares da associação de fácies 2 (Código de fácies na tabela 2).

Figura 19: Fácies sedimentares da associação de fácies 2 (Código de fácies na tabela 2).

Associação de fácies 3:

A associação de fácies 3 (Figura 20) corresponde a um conjunto de fácies de

granulação fina encontrado em ambos os poços, correspondendo às fácies Cm, Agm, Afm, Agc, Afc, Afp, Sm, Sl, Sa, F, A, Cl e Bc, tendo espessura de 63,5 m no poço SP- 27-PR, enquanto no poço SP-50-PR apresenta uma espessura de 65 m.

O contato basal em ambos os quatro poços se ocorre de forma abruta com os

sedimentos da associação de fácies 3, sendo observado, uma linha de descontinuidade entre esses sedimentos mais grossos sobrepostos aos sedimentos mais finos (no caso dos dois poços analisados).

Essa associação é reconhecida através dos formatos dos perfis dos poços (Figura 16 e Figura 17), que indicam um padrão de empilhamento granodecrescente em direção ao topo. No poço SP-27-PR, base é constituída por camadas de conglomerados com grãos polimíticos de até 2 cm, localmente com leitos de gipso, enquanto no poço SP-50- PR, são arenitos grossos a finos com estratificação cruzada, ou maciços, intercalados a uma camada de brecha carbonática. Esses pacotes arenosos são sucedidos por siltitos maciços ou laminados, siltitos com intercalações de arenitos, e secundariamente, arenitos finos a muito finos, calcilutito, folhelhos e argilitos.

Os arenitos tem coloração cinza esbranquiçados a esverdeados, finos a muito finos, bem selecionados, quartzosos, com laminações cruzadas e plano-paralelas. Nas porções mais grossas encontra-se maciço. Drapes de argila podem acompanhar os foresets dos estratos cruzados. Os siltitos seguem a coloração dos arenitos, com algumas variações para coloração avermelhada, ora laminados, ora maciços. As camadas calcárias apresentam coloração bege, e granulação fina, sendo classificadas como calcilutitos. Arenitos e siltitos podem apresentar cimento, concreções e bandas carbonáticas, especialmente em pacotes próximos à calcilutitos, e também aspecto mosqueado.

Interpretação: A alta seleção dos arenitos e os corpos de conglomerados podem ser interpretados como produto de transporte por correntes de alta energia. Os siltitos com intercalações de camadas arenosas indicam uma diminuição da energia do sistema, com pequenas variações de aumento da mesma. Estruturas são interpretadas como produtos de fluxos oscilatórios normais e trativos.

Figura 20: Fácies sedimentares da associação de fácies 3 (Código de fácies na tabela 2).

Figura 20: Fácies sedimentares da associação de fácies 3 (Código de fácies na tabela 2).

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Associação de fácies 4:

A associação de fácies 4 compreende as fácies Afc e Sa. É constituída por de arenitos muito finos a finos, cinza esbranquiçados a esverdeados, finos, bem selecionados, quartzosos, com laminações cruzadas. No poço SP-27-PR, a espessura desta sequência é de 3,5 m, com intercalação de uma camada de siltito arenoso, enquanto no poço SP-50-PR, sua espessura é de apenas 2 m. Apesar da pouca espessura, esta associação tem sua importância por representar a parte superior da Formação Rio Bonito, sendo sobreposta pelos folhelhos da Formação Palermo. O contato com esta formação é abrupto. Não há registro fotográfico para esta formação.

Interpretação: A alta seleção dos arenitos e os corpos de conglomerados podem ser interpretados como produto de transporte por correntes de alta energia, e as estruturas como produtos de fluxos oscilatórios normais e trativos.

6.3. Correlação entre os perfis dos poços testemunhos

As seções estratigráficas foram construídas a partir da identificação e correlação das associações de fácies caracterizadas nos dois perfis estratigráficos dos testemunhos de sondagem descritos junto aos dois perfis de poços testemunho vizinhos, pela CPRM

(1983).

Como a principal linha de correlação dos perfis (datum) (), foi utilizado o limite inferior da associação 3, uma vez que foram observados padrões semelhantes em ambos os poços, de granodecrescência ascendente, passando de arenitos médios a grossos, para sedimentos finos.

No poço SP-32-PR, a Formação Rio Bonito apresenta espessura de 106 m, enquanto o SP-65-PR apresenta 95 m da mesma unidade. A associação fácies 1 foi observada apenas o SP-32-PR, com uma pequena camada de arenito fino com laminação cruzada. Para a associação de fácies 2 são encontradas as mesmas fácies dos poços descritos, sendo que em ambos é possível encontrar a camada de carvão (CA). No poço SP-32-PR, predominantemente, há a alternância de siltitos a siltitos arenosos com calcários, intercalados a folhelhos, arenitos muito fina a finos, ora com laminados, ora maciços correspondendo a 45 m de espessura. Concreções e bandas carbonáticas são comuns. O contato basal se dá com a associação 1, sem mais informações sobre o mesmo. No poço SP-65-PR, a associação corresponde a 18,5 m, com distribuição de

fácies semelhante ao outro poço, mas com menos conteúdo calcífero. No topo, assim como o poço SP-27-PR, os siltitos também apresentam expressivo conteúdo de nódulos e leitos de gipso. Assim como o outro poço descrito pela CPRM, não há muitas informações sobre o tipo de contato, mas neste caso, o contato se dá diretamente com as rochas do Grupo Itararé. A associação de fácies 3 nesses poços segue novamente a disposição das fácies sedimentares descrita para os poços analisados, sendo que no poço SP-32-PR, a base da sequência é marcada por uma camada de conglomerados e o poço SP-65-PR, assim como o SP-50-PR, há uma camada de brecha carbonática intercalada aos pacotes de arenitos finos. O primeiro poço apresenta também uma pequena camada de 0,5 m de sílex, enquanto o outro poço, SP-65-PR apresenta concreções silicificadas, dadas pela provável diagênese tardia, que ocasionou a percolação de água com expressivo conteúdo de sílica. Por fim, ambos os poços apresentam a associação de fácies 4, em camadas pouco espessas de arenitos muito finos a finos com estratificação cruzada.

Figura 21: Correlação estratigráfica dos perfis verticais dos poços testemunhos SP - 32 - PR,

Figura 21: Correlação estratigráfica dos perfis verticais dos poços testemunhos SP-32-PR, SP-50-PR, SP-27-PR, SP-65-PR, respectivamente, da esquerda para direita.

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6.4. Correlação dos perfis verticais com os perfis de raio gama

Os dados obtidos durante a leitura do gamaespectrômetro foram utilizados para a construção de perfis gama. A Figura 22 corresponde ao perfil gama levantado para cada coluna, sendo indicado a contagem total de raios gama emitidos por minuto (cpm), para o Poço SP-27-PR e SP-50-PR, respectivamente.

O que se observa na correlação entre o perfil geológico e os valores obtidos para

radiação gama (cpm) é um padrão com pouca variação, com aumento do sinal captado especialmente nos pacotes arenosos e conglomeráticos, entretanto, isto é mais visível para o poço SP-50-PR, pois para o outro (SP-27-PR), a curva mantem-se praticamente constante ao longo de todo o perfil. Outro ponto observável é uma pequena variação

positiva nas camadas de carvão e folhelhos carbonosos no poço SP-50-PR.

O perfil (Erro! Fonte de referência não encontrada.) gerado pelo sinal emitido

pelo isótopo radioativo de Potássio (K- em porcentagem), os valores de concentração de potássio se mantêm quase que constantes, apesar da mudança de litotipo, não havendo algum tipo de anomalia considerável, exceto na camada de brecha carbonática no poço SP-50-PR onde é possível observar uma anomalia negativa. Quanto ao elemento Urânio (U – em ppm) (Figura 23), foram obtidos valores muito baixos, e pouco variáveis, com exceções para as camadas de carvão, folhelho carbonoso, ou camadas com fragmentos de carvão. Valores mais altos também aparecem em camadas de conglomerados e da brecha carbonática no poço SP-50-PR. Para o Tório (Th – em ppm) (Figura 23), assim como no caso do K, para o poço SP-27-PR, as medidas apresentam um padrão de pouca variação, enquanto no outro poço, SP-50-PR, é possível observar que os maiores valores para Th estão associados às camadas arenosas, e os menores estão relacionados às camadas de folhelho carbonoso e carvão.

Figura 22: Correlação perfil litológico e perfil gama. 51

Figura 22: Correlação perfil litológico e perfil gama.

Figura 23: Perfis geofísicos para os elementos K,U e Th. 52

Figura 23: Perfis geofísicos para os elementos K,U e Th.

7.

Discussão

O estudo de fácies sedimentares e suas respectivas associações permitem o entendimento dos processos sedimentares e, consequentemente, a interpretação dos sistemas deposicionais. A análise de fácies permitiu a observação de camadas resultantes de processos trativos sobrepostas a camadas de depósitos gerados por suspensão e/ou decantação de sedimentos, evidenciadas pelo contraste entre texturas e as estruturas sedimentares, evidências de erosão e de exposição subaérea. A integração desses dados permitiu elaborar um arcabouço estratigráfico das sequências deposicionais da Formação Rio Bonito na região de Sapopema.

7.1. Fácies Sedimentares, Associação de fácies e Ambientes deposicionais.

Segundo Miall (2000), a individualização de fácies indica características do ambiente de deposição. As fácies que compreendem a associação 1 de fácies demonstram um ambiente mais energético (fácies Cm, Agm, Afm, Agc, Afc, Agp) agitado, com aporte de sedimentos finos a grossos (areia fina a grossa), passando para um ambiente mais calmo, com pouca energia (fácies Sl, Sm), com aporte de sedimentos finos (fácies Afm, F, A), e eventos de aumento de energia, com en trada de sedimentos mais grossos (Cm, Agm, Agc, Afm e Afc), correspondentes à associação de fácies 2. Em seguida, a associação de fácies 3 indica uma nova passagem para um ambiente mais energético (fácies Cm, Agm, Afm, Agc, Afc, Afp) que gradou lentamente para um ambiente levemente a pouco agitado (Sl, Sm, Sa). No final, a associação de fácies 4 corresponde à um novo aumento da energia, com depósito de arenitos muito finos a finos (Afc). Estas fácies se intercalaram, de forma a indicar uma alternância de momentos com baixa energia e momentos com maior energia no sistema. Isto também pôde ser comprovado devido à mudança de estruturas sedimentares observadas. Com o aumento da energia houve um aumento da complexidade da estrutura (laminações paralelas gradaram para laminações cruzadas assim como lentes de areia se transformaram em camadas de arenito fino a grosso).

A Formação Rio Bonito, nesta região, depositou-se sobre os sedimentos glaciares do Grupo Itararé de maneira abruta, como foi observado em ambos os poços, através da discordância entra as litologias pertencentes a cada grupo. Schneider et al., (1974), Soares & Cava (1982), Castro (1999) e Zacharias & Assine (2005) também

descreveram um contado abrupto entre esses depósitos, sendo as primeiras camadas da Formação Rio Bonito depositadas em paleovales formados a partir de processos isostáticos relacionados ao recuo das geleiras e erosão do substrato abaixo. Holz (1999, 2003) também confirmou que no Estado do Rio Grande do Sul, o contato entre esses dois grupos é discordante.

O termo estuário é utilizado para instituir vales fluviais incisos, onde há a interação de processos fluviais e marinhos, resultando em um preenchimento por sedimentos marinhos e continentais (Dalrymple et al. 1992). Assim, a análise comparativa com as associações de fácies levou a um modelo de estuário dominando por marés, com eventos de dominação por ondas, podendo ser considerado como estuário misto, característico de regiões de alta energia. Essa mesma interpretação foi feita recentemente nos trabalhos de Holz (2003) e Zacharias (2004).

A interpretação de um sistema de estuário é corroborada no trabalho de Bartois et al. (2011), através da análise ichnodiversidade e intensidade das bioturbações, e a passagem vertical de água fluvial para água salobra, indicando depósitos fluvioestuarinos transgressivos.

A associação de fácies 1, correspondente à base da Formação Rio Bonito no testemunho SP-27-PR é marcada por uma camada de conglomerados (fácies Cm) com clastos sustentados de composição diversa, subarredondados a subangulosos, e cimentação carbonática, em contato abrupto com o Grupo Itararé (lamito cinza escuro com clastos polimíticos). Sobre esta camada encontram-se arenitos finos a muito finos com laminação plano-paralela e laminação cruzada (fácies Afp e Afc), matriz lamítica, e nódulos de alteração ferruginosa, intercaladas a uma camada de arenito grosso com seleção moderada a boa, com laminação cruzada e plano-paralela (fácies Agc e Agp), que pode conter clastos e drapes de argila associados às estruturas. Esses arenitos apresentam ciclos de granodecrescência ascendente. Acima destas camadas há uma sucessão com aproximadamente 2 m de siltitos escuros laminados (fácies Sl) interpostos a arenitos finos a muito finos com laminações cruzadas (fácies Afc). Acima há uma extensa deposição arenosa (aproximadamente 11 m) com coloração cinza-esverdeada a avermelhada (devido às diferenças nos teores de oxidação), com granulometrias variando de muito finas a grossas (fácies Agc, Agp, Afc e Afp), com camadas e drapes de argila intercalados, laminações cruzadas e plano-paralelas, entremeadas a uma camada de siltito maciço (Sm) com coloração avermelhada e cimentação carbonática, e

com camadas de arenitos avermelhados maciços. Já no poço SP-50-PR, a base da Formação Rio Bonito é composta por arenitos muito finos, maciços (fácies Afm), com conglomerado basal de 2 cm em contato abrupto com o diamictitos da Formação Itararé.

Os níveis de conglomeráticos e arenitos médios a grossos da associação de fácies 1 são interpretados como depósitos de canais de maré com influência fluvial. Esses depósitos indicam a migração das formas de leito, dentro de um ambiente subaquoso de alta energia, seguido por redução e dissipação do fluxo, o que ocorre quando há a influência das correntes de maré, com o regime de marés alta e/ou baixa (Dalrymple 1992). De, aproximadamente 316 a 314 m, os arenitos passam a ter uma coloração avermelhada a arroxeada, indicando períodos de exposição aérea desses sedimentos (Pedón et al., 1997). Interpretações semelhantes foram feitas para sequências estuarinas recentes são encontradas nos trabalhos de Pedón (op. Cit.), Zacharias (2004). Representa, portanto, depósitos de cabeceira do estuário, sob influência tanto das correntes de maré como das correntes fluviais.

Esses são os primeiros sedimentos correspondentes a climas mais suaves após a era de glaciação dos depósitos do Grupo Itararé. Christiano & Ricardi-Branco (2013).

A parte central da Formação Rio Bonito no poço SP-27-PR, correspondendo a associação de fácies 2, compreende um bloco, com aproximadamente 15 m, de camadas de siltitos cinza-esverdeado a avermelhado/arroxeado, ora maciços com camadas argilosas, ora laminados (fácies Sm e Sl), ambos com expressivo conteúdo carbonático, incluindo concreções, vênulas e veios dolomíticos e nódulos e leitos de gipso, além de um trecho com 30 cm com alto nível de dissolução. A ausência de carvão neste poço também é relatada no relatório de Silva (1984). Trata-se de uma faixa restrita, no sentido N-S, ao leste do Paraná, com sequências arenosas preenchendo o mesmo nível correspondente ao carvão.

Para o poço SP-50-PR, as camadas seguintes a associação de fácies 2 correspondem à camada de carvão (fácies CA), seguida por uma camada de arenito semelhante ao anterior, e outra de folhelho carbonoso (fácies Fc) ricos em matéria orgânica vegetal sobreposta por siltito cinza escuro, com laminações (fácies Sl), fragmentos de carvão e concreções e bandas irregulares de carbonatos, estas com até 7 cm. Acima há uma porção de arenito grosso, cinza claro, maciço (fácies Agm), com cimentação carbonática, seguida por uma extensa camada com 5 m de siltitos cinza escuro, predominantemente laminados (fácies Sl), com poucas porções maciças (fácies

Sm) e pequenos nódulos carbonáticos irregulares variando de 0,12 cm até 7 cm. Acima desta há outra camada de folhelho carbonoso (fácies Fc) seguida por uma pequena camada de argilito cinza claro, maciço (fácies A), coberta por siltitos arenosos, com características semelhantes ao anterior (fácies Sa). A porção final da base desta formação compreende três ciclos de sedimentação, com variação textural da mais grossa para mais fina. O primeiro ciclo encontra-se em discordância com a camada inferior, compreendendo uma camada de arenito médio a grosso (fácies Agm), cinza claro e maciço seguida por uma camada de siltito esbranquiçado a cinza esverdeado, com aproximadamente 4 m de espessura, maciço (fácies Sm) ou com laminas bem deformadas, sendo, também encontradas, concreções carbonáticas irregulares. O segundo ciclo inicia com conglomerados (fácies Cm) de coloração vermelha, com clastos carbonáticos variando de 0,2 a 2 cm, seguido por siltitos, com espessura também de 4 m, coloração avermelhada, maciço (fácies Sm), a siltitos esverdeados laminados (fácies Sl). O terceiro ciclo, com aproximadamente 6 m de espessura, se inicia com arenito fino, maciço (fácies Afm) gradando para siltito esverdeado maciço (fácies Sm), seguidos por uma camada carbonática e um siltito com intercalações de arenito muito fino (Sa), cinza esverdeado a avermelhado, maciço. Os níveis arenosos seguintes apresentam feições de acamamento e gradação normal, e estão intercalados a camadas de siltitos maciços, e podem apresentar concreções e bandas carbonáticas (fácies Afm, Afc, e Sm) .

A interpretação para as camadas basais descontínuas de carvão que passam para folhelhos e siltitos ricos em matéria orgânica vegetal da associação de fácies 2, foi de um ambiente costeiro de baixa energia, como planícies de maré e regiões marginais pantanosas (Dalrymple et al. 1992; Reading, 1996). São áreas correspondentes à porção central do estuário, mais exatamente nas planícies de inundação, onde podem se desenvolver planícies de maré argilosas (muddy tidal flat) e pântanos (Zacharias, 2004). Em seu trabalho, Holz et al. (2002), descreveu as camadas de carvão como de origem estuarina na Formação Rio Bonito, no Estado do Rio Grande do Sul. A base da associação de fácies 2, composta por sedimentos finos ricos em matéria orgânica Os depósitos finos seguintes desta associação representam um ambiente marinho de plataforma rasa siliciclástico-carbonático.

Ricardi – Branco & Rosler (2004) e Ianuzzi, 2010 associaram os depósitos das camadas de carvão a áreas de mangues, recobertas por vegetação e consequentemente,

depósitos de matéria orgânica, intercalados a ilhas-barreiras capazes de proteger as áreas pantanosas, favorecendo a formação do carvão. A Paleoflora de Glossopteris teria sido a principal fornecedora de biomassa para a formação das camadas de carvão (Souza, 2011). Ricardi-Branco & Ricard (2003) encontraram licófitas, as esfenófitas, algumas coníferas primitivas e gimnospermas de limitado porte, pois ainda havia influencia de baixas temperaturas e a falta de luminosidade.

Ainda na associação de fácies 2, há as intercalações de siltitos a camadas de arenitos grossos a médios e subordinadamente bancos de calcáreos, os quais indicam condições de baixa energia onde predomina a decantação de sedimentos. Trata-se de um ambiente marinho de plataforma rasa siliciclástico-carbonático. Os depósitos de gipsita encontrados corroboram esta intepretação, uma vez que estes carbonatos estão associados à ambientes salinos e rasos (Suguio, 2003). Zacharias & Assine (2005) indicam esta como sendo a fase de colmatação do estuário.

Em seguida, tem-se a associação de fácies 3, que no poço SP-27-PR apresenta uma intercalação de camadas de conglomerados com grão polimíticos (fácies Cm), sendo que as duas primeiras apresentam granodecrescência ascendente e a mais superior, granocrescência ascendente, com camadas de arenito muito fino laminado (fácies Afp), com coloração cinza claro. A porção intermediária da Formação Rio Bonito no outro poço, SP-50-PR, corresponde a um pacote de arenitos com gradação para silititos. Os arenitos tem variação textural de muito fino a grosso, maciços ou com laminação/estratificação cruzada ou laminação plano-paralela (fácies Agm, Afm, Agc, Afc), sendo que algumas porções apresentam lâminas de argila, aspecto mosqueado e/ou cimentação, concreções e bandas carbonáticas. Subordinariarmente, há uma camada de brecha carbonática (fácies Bc), uma de argilito (fácies A) e siltitos laminados (fácies Sl).

As camadas métricas de arenitos com laminações cruzadas presentes na base da associação de fácies 3, foram interpretados como como fácies de depósitos litorâneos, semelhantes às ilhas-barreira descritas por Reading & Collinson (1996). Alguns desses arenitos apresentam lâminas de argila podendo estar relacionados à redistribuição de sedimentos pela costa afora através da ação das ondas (Silva, 1984) ou dos depósitos de canais de maré (Favera, 2008).

A associação de fácies 3 é marcada por um padrão de granodecrescência ascendente, e estas camadas representam os sedimentos finos depositados. No poço SP-

27-PR, foi observada, primeiramente, com uma camada de arenito médio a fino, cinza esverdeado, com laminação cruzada, gradando para camadas de siltitos a siltitos arenosos cinza claro a cinza esverdeados, ora laminados, ora maciços, com aspecto mosqueado em algumas porções (fácies Sm, Sl e As) intercalados a finas camadas de arenitos finos a muito finos (fácies Afm e Afp), com coloração cinza esverdeada, com laminação plano-paralela, sendo esta mais sutil nas porções mais grossas e localmente, camadas de calcários finos e folhelhos esverdeados (fácies Cl e F, respectivamente). No poço SP-50-PR, acima dos arenitos citados acima, ocorrem siltitos ora maciços, ora laminados (fácies Sm e Sl), alguns com granulação maior (fácies Sa), esbranquiçados a esverdeados, intercalados a calcilutitos (fácies Cl) de coloração esbranquiçada a esverdeada. Em alguns pontos pode haver cimentação carbonática, com variação no nível de carbonatação. Bandas e concreções carbonáticas e aspecto mosqueado também são comuns. Esses sedimentos caracterizam um ambiente marinho costeiro, abaixo do limite de ação de ondas (offshore) (Favera, 2008). Soares & Cava (1982), interpretaram estes mesmo depósitos, também como costeiros transgressivos.

Os depósitos carbonáticos da associação de fácies 3 sugerem o aumento da temperatura do planeta, e momentos de baixa energia no sistema. Miall (1997) associou a formação desses calcários a tratos de sistemas transgressivos, com aumento relativo do nível do mar e criação de plataformas rasas.

O topo de ambos os poços é marcado por camadas de arenito fino, com laminações cruzadas, correspondentes a associação de fácies 4. No caso do poço SP-27- PR, há uma intercalação de camadas de arenitos muito finos a finos intercalados a uma camada de siltito arenoso, ambos com laminações cruzadas, e coloração cinza clara (fácies Afc e Sa). Essas camadas refletem depósitos formados sob fluxo oscilatório de alta energia no ambiente marinho, composta por depósitos de antepraia (foreshore) e face praial superior (shoreface) (Silva, 1984). Essa associação ocorre de forma descontínua ao longo do interior da Bacia do Paraná, especialmente nos Estados do Paraná e São Paulo, sendo interpretada como resultado do soerguimento do Arco de Ponta Grossa, o qual teve seu arqueamento máximo durante o Permiano (Northfleet et al. 1969), afetando os depósitos do topo da Formação Rio Bonito (Schneider et al., 1974; Aboarrage & Lopes, 1986; Tognoli, 2006).

Outra alteração relacionada ao Arco de Ponta Grossa são as carbonatações encontradas nos arenitos e silititos, que podem estar relacionadas a processos de

paleoalteração freática (Tognoli, 2006).

Os depósitos descritos acima estavam inseridos num contexto de paleovales associados a falhamentos, relatados nos trabalhos de Soares & Cava (1982), Rebelo et al. (1984) e Zacharias (2004). Santos et al. (1996) e Holz (2002) também confirmaram os depósitos inseridos em paleovales o Rio Grande do Sul.

A sedimentação permocarbonífera da Bacia do Paraná teve ligação direta com influência tectônica. Segundo Assine & Perinotto (2001) e Milli et al. (2012) o período glacial que antecedeu os depósitos da Formação Rio Bonito foram os responsáveis pelo aprofundamento de canais fluviais e pela exposição da plataforma continental, através da formação dos vales incisos, em um contexto de trato de sistema de mar baixo. Outro fator que controlou esta sedimentação foram as condições climáticas da época, que contribuíram para o aumento da descarga de um rio e da capacidade da erosão do mesmo, influenciando o desenvolvimento de canais mais amplos para a descarga do rio (Suguio, 2003).

Os depósitos fluviais do início do preenchimento do vale, dados no trato de sistema de mar baixo, não foram encontrados nos poços analisados. A ação da maré foi observada na associação de fácies 1, e segundo Miall (1997), em sistemas estuarinos, indica um contexto de trato transgressivo, com a subida no nível do mar e aumento do espaço de acomodação. Os conglomerados encontrados na base da associação de fácies 1 podem estar relacionados à superfícies de retrabalhamento por ondas e correntes de maré (Zacharias, 2004).

Dalrymple et al. (1992) indicou que o preenchimento do vale esta relacionado com o trato de sistema transgressivo. O padrão textural encontrado na associação de fácies 3, de granodecrescência ascendente, indica que na base, os depósitos ainda estão em um trato de sistema transgressivo. Em dois poços, um descrito como objetivo deste trabalho e outro descrito pela CPRM foram encontradas camadas conglomeráticas que podem representar superfícies de retrabalhamento por onda (Walker, 1984).

Segundo Miall (1997), o limite máximo de transgressão de um sistema é marcado pelo fim da sedimentação carbonática. Dessa forma, pode-se interpretar o topo da associação de fácies 3 como superfície de inundação máxima, indicando o início de um sistema de mar alto, sendo os arenitos da associação de fácies 4 depositados durante a progradação do nível do mar.

7.2. Perfis Raio Gama

Os perfis geofísicos levantados não apresentaram algum tipo de anomalia considerável, uma vez que seus valores pouco variam: os valores mínimos e máximos para cada elemento, foram, respectivamente 0,6 e 1,2 % para K; 1,6 a 6,1 ppm para U e; 4,2 e 12,1 ppm para Th (média para os dois poços analisados). A pouca variação pode ser justificada por um provável erro durante as medições, uma vez que a natureza estatística da emissão dos raios gama está relacionada com o tempo de medição, sendo que quanto maior a relação de tempo de contagem x velocidade, mais precisos os dados obtidos (Kearey et al., 2013), ou pelo diâmetro muito pequeno dos testemunhos de sondagem, permitindo a contaminação dos dados com o ambiente ao redor. De acordo com a literatura (Mares, 1984 e Faure, 1998), os parâmetros esperados para as rochas presentes na região seguem a Tabela 3, abaixo:

Tabela 3: Conteúdo médio dos elementos K, Th e U para rochas sedimentares (adaptado de Mares (1984) e Faure (1998) )

Rochas

% K

U (ppm)

Th (ppm)

Argilas de mar profundo

2,5

1,3

7

Folhelhos

2,66

3,7

12

Arenitos

1,2

3

10

Carbonatos

0,27

2,2

1,8

A curva de emissão de K se manteve praticamente constante, não sendo possível a observação de grandes variações entre arenitos e siltitos, o que pode ser justificado pela presença de arenitos não arcoseanos. A Em ambos os casos, a porcentagem de K obtida está abaixo do esperado segundo a Tabela 3, embora nas porções de arenito próximas a base da formação, fossem esperados valores altos para este elemento, devido ao acúmulo de micas associadas aos arenitos (Kearey et al., 2013). Esse comportamento pode estar relaciona à influência do conteúdo carbonático existente e pelos processos de intemperismo físico e químico, que culminaram na lixiviação ou intemperismo deste elemento (Suguio, 2003). Esse intemperismo é o grande responsável pela retirada dos radioelementos da rocha e por sua redistribuição e incorporação nos regolitos (Mares,

1984). Assim, elevados teores de U e Th podem ser encontrados associados à minerais de argila, óxidos de ferro em áreas mais intemperizadas. A contagem de U confere com a tabela acima apenas para o poço SP-50-PR, sendo que em pontos como argilas carbonosas e carvões e alguns arenitos, o valor é um pouco acima. No caso dos arenitos, esse valor mais elevado pode estar relacionado aos depósitos de a uraninita ocorridos na cidade vizinha, à cidade de Figueira (Bizzi et. al., 2003).

Não foi possível determinar um padrão de empilhamento das fácies através dos perfis gama, como nos trabalhos de Zacharias (2004) e Martinelli & Castro (2007), que definiram padrões de empilhamento em “caixa” para os depósitos basais, em forma de “sino” e “funil” para padrões com granocrescência.

8.

Conclusão

1.

A análise da sucessão das fácies foi o principal fator para o entendimento do arcabouço estratigráfico da Formação Rio Bonito nessa região.

2.

As fácies foram correlacionadas em quatro associações de acordo com a interpretação dos mecanismos de deposição.

3.

Foi apresentada uma proposta para a correlação dos perfis de poços, levando em conta a granulometria. Não foi possível a correlação exata das fácies descritas, dado a complexidade do ambiente deposicional. O topo da Formação Rio Bonito não pode ser utilizado devido às diferentes cotas e aos prováveis processos erosivos que atuaram nas camadas superiores. O carvão também não pode ser utilizado como base uma vez que em seus estudos Cortez et al. (2007) corroboraram a hipótese de posicionamentos bioestratigráficos diferentes para estas camadas, entre períodos Kasimoviano superior e Sakmariano inferior enquanto para Millani (1997) entre os períodos Artinskiano e Kunguriano.

4.

Com a elaboração dos perfis estratigráficos foi possível observar um padrão de empilhamento estratigráfico de granodecrescência ascendente na porção intermediária para o topo dos perfis levantados. A base desta sequência foi proposta como datum para correlação dos poços.

5. A associação de fácies 1 é composta por arenitos finos a grossos com laminações cruzadas e plano-plaralelas e drapes de argila, intercalados a siltitos e conglomerados, depositados em sistema estuarino influenciado por correntes de maré.

6. A associação de fácies 2 compreende depósitos finos, laminados, ou maciços, com intercalações de camadas de arenito e camadas de carvão, estando relacionadas a zona central do estuário, com influência das correntes de maré. A associação de fácies 3 compreende em sua base, depósitos arenosos, com laminações sendo interpretados como depósitos de ilhas-barreira, indicando a influência das ondas no sistema. A porção superior desta associação é essencialmente composta por siltitos, ora arenosos, ora laminados, ora maciços, intercalados a carbonatos finos, depositados fora de contexto estuarino, em ambientes costeiros abaixo do limite de ação de ondas (offshore).

7. A associação de fácies 4, com depósitos arenosos com laminação cruzada, representando depósitos de antepraia (foreshore) e face praial superior (shoreface). As baixas espessuras desta associação estão relacionadas ao soerguimento do Arco de Ponta Grossa.

8. As fácies identificadas permitem a interpretação de variações climática, uma vez que os sedimentos basais pós-glaciais da Formação Rio Bonito mudam para carbonatos de origem marinha, associados a plataformas rasas e quentes.

9. O limite inferior com o Grupo Itararé é discordante bem como o limite superior com a Formação Palermo, sendo este marcado por uma superfície erosiva.

10. Com essas informações, os sedimentos das associações de fácies 1, 2 e base da associação de fácies 3, foram interpretados em um contexto de tratos de sistemas transgressivos, e a porção restante da associação de fácies 3, e associação de fácies 4, como tratos de sistemas de mar alto.

11. Apesar das variações dos raios gama, esses não variaram suficientemente para poderem ser usados como correlação dos perfis levantados. Os resultados obtidos

não foram como os esperados, e por isso, não foi possível a indicação de superfícies

estratigraficamente importantes, bem como limites de parasequências e tratos de

sistemas através desse método

9. Referência Bibliográficas

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