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ESCATOLOGIA - O Tribunal de Cristo – 2 Coríntios

5.1-10; Apocalipse 19,9; Mateus 25.10.


29 outubro 2009 1.566 views No Comment

INTRODUÇÃO
Na sequência dos eventos escatológicos, dois deles subsequentes ao
arrebatamento da Igreja acontecerão no céu: o tribunal de Cristo e as bodas do
Cordeiro. Os eventos na Terra depois do arrebatamento da Igreja já
aconteceram durante a Grande Tribulação. Nesta seção, trataremos
especialmente sobre o tribunal de Cristo, período de julgamento das obras dos
santos arrebatados para a presença de Cristo.

 O QUE É O TRIBUNAL DE CRISTO


O apostolo Paulo descreve em 1 Co 3.9-15, o cristão como um construtor que
usa vários tipos de materiais numa construção. Assim, no sentido espiritual, o
valor do seu trabalho vai depender dos materiais que ele usara para construir
sua obra. Paulo adverte: “cada um veja como edifica” (1 Co 3.10). A construção
do cristão precisa ser feito sobre um fundamento eficaz e correto, e com
materiais de qualidade que dêem sustentação à sua vida espiritual.
Duas palavras distintas na língua original do Novo Testamento esclarecem bem
o sentido da palavra tribunal: criterion, conforme está em Tg 2.6 e 1 Co 6.2,4; e
bimá, encontrada em 2 Co 5.10, (também em Ne 8.4). O termo criterion
significa “instrumento ou meio para provar ou julgar qualquer coisa”. Ou seja: “a
regra pela qual alguém julga”, ou “o lugar onde se faz o juízo”, o tribunal de um
juiz ou de juízes. O termo bimá comumente significa uma “plataforma ou um
banco de assento onde o juiz julga”. Havia naqueles tempos tribunais militares
e, também, o tribunal (bimá ou assento) da recompensa, especialmente
utilizado nos jogos gregos de Atenas. Os atletas vencedores eram julgados
perante o juiz da arena e galardoados por suas vitórias.

 ASPECTOS GERAIS DO TRIBUNAL DE CRISTO


 O tempo. É lógico que o tribunal não pode acontecer5 logo após a morte de
qualquer cristão. Ele se dará por ocasião de um tempo especial e determinado
depois do arrebatamento da Igreja.

 O lugar. Não há texto especifico que declare, mas o contexto bíblico indica
que, uma vez a Igreja arrebatada ate as nuvens, nos céus, a instalação
do tribunal de Cristo, inevitavelmente, terá de ser no céu, nas regiões
celestiais.
 Os julgados. Quem será julgado no tribunal? Quais são os sujeitos desse
tribunal? Concerteza, as pessoas julgadas nesse tribunal são os santos
remidos por Cristo. O texto de 2 Co 5.1-10 fala daqueles que lutam nesta vida
para alcançarem o privilegio de serem revestidos de uma habitação espiritual
no céu. Não haverá discriminação nesse lugar. Só entrarão os salvos, os
remidos. Não haverá lugar nesse tribunal para julgamento condenatório.

 O juiz. O apostolo Paulo declara que o exame das obras dos crentes será
realizada perante o Filho de Deus (2 Co 5.10). O próprio Jesus falou que
todo o juízo é colocado nas mãos do Filho de Deus. Faz parte da
exaltação de Cristo depois de Sua conquista no Calvário receber do Pai
toda a autoridade e poder para julgar.

 COMO PROCEDERÁ O TRIBUNAL DE CRISTO


 A forma de exame. É claro que não se trata de examinar quem será salvo
ou não. A salvação do crente implica no ato especial da misericórdia divina
mediante a aceitação da obra expiatória de Cristo e a sua manutenção
enquanto ele estiver neste mundo. Todo crente está livre do Juízo se
permanecer fiel até o fim (Rm 8.1; Jo 5.24; 1 Jo 4.17). Então, o julgamento não
tratara da questão do pecado, de condenação, uma vez que o pecado já foi
abolido na vida do crente e, por isso, ele estará no céu.

 Os materiais da obra de cada crente (1 Co 3.12). O apostolo Paulo


mencionou seis diferentes materiais que, figuradamente, representam os
elementos que empregamos na construção de nossa vida crista. Os materiais
são indicados como ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno e palha. Os
três primeiros são resistentes ao fogo do julgamento de Cristo. Os três últimos
são frágeis e não resistem ao juízo de fogo.

 A obra de cada um será provada (1 Co 3.13-15). O tribunal de Cristo


avaliara os materiais que temos utilizado na construção do edifício da nossa
vida crista. As obras feitas com madeira, feno e palha serão manifestas
naquele dia, e o galardão será consoante à avaliação divina. Os materiais de
madeira, feno e palha são inflamáveis e perecíveis, por isso, tudo o que for
construído com eles não subsistirá.

 O juízo que determinará a qualidade das obras feitas (2 Co 5.10). As


obras praticadas pelos crentes serão submetidas ao julgamento naquele dia
para se determinar se são boas ou más. A palavra “mal” na língua grega
aparece como kakos ou poneros, e ambas significam aquilo que é eticamente
mal. Porem, a palavra poneros, alem de denotar maldade, tem o sentido de se
estar praticando alguma coisa de total inutilidade. Portanto, o que Paulo
entendia como obras más era a pratica de coisas sem utilidade alguma, feitas
com materiais espiritualmente imprestáveis.

 EXAME FINAL NO TRIBUNAL DE CRISTO


No texto de 1 Co 3.14,15 está declarado que haverá dois resultados finais do
exame (a prova do fogo) das obras manifestas: o recebimento e a perda da
recompensa.
 Perda da recompensa. Esse fogo nada tem a ver com o fogo do Geena. O
fogo do tribunal de Cristo é figura da luz que revela as impurezas, ou seja, a
purificação. Portanto, as obras feitas por impulso carnal e para a ostentação da
carne não suportarão o calor do fogo de Deus, por mais bonitas que sejam,
serão desaprovadas.

 Obtenção da recompensa. As obras praticadas com materiais


indestrutíveis na prova do fogo serão dignas de recompensa final. O Novo
Testamento apresenta varias recompensas, mas destaca algumas relativas às
atividades especiais. O próprio Senhor Jesus, Juiz desse tribunal, é quem fará
a entrega dos prêmios, galardões, recompensas (2 Co 9.6). Ele declara a João,
na ilha de Patmos, dizendo: “O meu galardão está comigo para dar a cada um
segundo as suas obras” (Ap 22.12). O apostolo Paulo declara, também, que
todo crente receberá o seu louvor (elogio) da parte de Deus (1 Co 4.5).

 Tipos de recompensa. O Novo Testamento usa uma linguagem especial


dos tempos do primeiro século da era crista relativa ao tipo de galardão que os
vencedores das olimpíadas gregas e romanas recebiam como premio. Havia
coroas de vários materiais representando o tipo de vitória conquistada por
aqueles vencedores (1 Co 9.24,25).
 A coroa da vitória (1 Co 9.25). A vida crista se constitui numa batalha
espiritual contra três inimigos terríveis: a carne, o mundo e o Diabo. Esta coroa
é denominada, também, como coroa incorruptível, porque se refere à conquista
do domínio do crente sobre o velho homem.

 A coroa de gozo (1 Ts 2.19; Fp 4.1). A palavra gozo significa prazer,


alegria, satisfação. Uma das atividades crista que mais satisfazem o coração
do crente é o ganhar almas. Isto é, praticar o evangelismo pessoal e ganhar
pessoas para o reino de Deus. Na busca do gozo nesta vida, nada é
comparável ao de salvar almas para Cristo, livrando as da perdição eterna. Por
isso, quem ganha almas, sábio é (Pv 11.30; Dn 12.32).

 A coroa da justiça (2 Tm 4.7,8). É o premio dos fieis, dos batalhadores da


fé, dos combatentes do Senhor, os quais vencendo tudo esperam a Sua vinda.

 A coroa da vida (Ap 2.10; Tg 1.12). Não se trata da simples vida que temos
aqui. Essa coroa é um premio especial porque implica conquista de um tipo de
vida superior à vida terrena, ou simples vida espiritual, como a tem os anjos. É
a modalidade de vida conquistada mediante a obra expiatória de Cristo Jesus –
a vida eterna. É o galardão da fidelidade do crente.

 A coroa de gloria (1 Pe 5.2-4). Certos eruditos na Bíblia entendem que esta


coroa é o galardão dos ministros fieis que promoveram o reino de Deus na
Terra, sem esperar recompensa material.

A lição maior que aprendemos acerca do tribunal de Cristo consiste em


atentarmos diligentemente para a nossa responsabilidade individual como
cristãos no que se refere às ações tanto as de caráter social quanto as
espirituais praticadas em beneficio do reino de Deus.
O Tribunal de Cristo

O Tribunal de Cristo
Leitura: 1 Co 3.11-15

Todos nós iremos comparecer diante de Cristo que, como juiz, julgará as nossas obras (2 Co
5.10; At 17.31). Quem não for salvo, depois da morte, passará pelo julgamento do Trono
Branco. Quem for salvo irá ao julgamento do tribunal de Cristo (Rm 14.10), onde serão
julgadas as obras, para determinar a qualidade das mesmas. Neste evento será determinada
a recompensa ou a perda da recompensa, e não a salvação, pois quem estiver diante do
tribunal já está salvo.
O tribunal de Cristo não se destinará ao julgamento dos nossos pecados, pois os mesmos
foram perdoados por Jesus no Calvário (1 Jo 1.7). Não será para garantir um lugar nos céus
(Ap 22.14), que foi obtido a partir do momento em que cremos em Jesus e nosso nome foi
escrito no Livro da Vida nem a nossa condenação, visto que nenhuma condenação há para
aqueles que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1; Jo 5.24; 1 Jo 4.17).

A palavra para este tribunal no grego é bema: um local elevado onde se assentava um juiz
(At 18.16). Era também o local onde um juiz se assentava nas competições para
recompensar os vencedores.

Quando acontecerá este julgamento?

Isto acontecerá após o arrebatamento da igreja. A recompensa está associada à ressurreição


(Lc 14.14) e com o dia da vinda do Senhor - “aquele dia” (1 Co 4.5; 2 Tm 4.8; Ap 22.12). Os
que morreram em Cristo ressuscitarão em corpo glorioso, os que estiverem vivos serão
transformados e todos participarão deste evento.

Onde acontecerá este julgamento?

Há diversas opiniões com respeito ao lugar onde se dará esse juízo. Alguns opinam que será
no céu, outros que será nos ares (1 Ts 4.17). A história de Isaque e Rebeca (Gn 24) pode
ser uma figura deste fato, pois Rebeca deixou sua terra e empreendeu uma longa caminhada
para se encontrar com Isaque, mas o encontro não se deu na casa de Isaque e sim no
campo, o que nos dá a idéia de ser nos ares, conforme mencionado pelo apóstolo Paulo.
Cremos que não será na terra para não ser presenciado pelos pecadores que durante sua
vida foram hostis ao povo de Deus, e que não será no céu, pois diante do tribunal haverá
decepções (1 Jo 2.28), coisa que não haverá no céu, mas só alegria no Espírito Santo.
O que será julgado?

As obras que fizermos por meio do corpo serão provadas pelo fogo (2 Co 5.10) e podem ser
aprovadas ou reprovadas (1 Co 9.27). A palavra utilizada por Paulo para “mal” é phaulos,
que tem o sentido de inutilidade, impossibilidade de gerar qualquer bem.
Cristo vai avaliar o tipo de cada obra e também a razão da mesma: foi feito por amor ao
Senhor? (1 Co 13.3). Pois o primeiro mandamento em Mt 22.37 é: “Amarás o Senhor teu
Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”.
Se as fizemos de boa vontade, receberemos galardão (1 Co 9.17,18; 1 Pe 5.2-4), mas se as
fizemos com motivos de auto benefício, nada receberemos (Fp 1.15).

O Senhor julgará:

• Como usamos os recursos que ele nos deu (Mt 25.19-21; Lc 19.13,16);
• O trabalho que fizemos ao Senhor e à igreja (1 Co 3.8; Hb 6.10; Ap 2.12,13; Mc 9.41; Mt
10.41,42);
• Nossas relações com nossos irmãos (Rm 14.10);
• Aquilo que sofremos por amor a Cristo (Mt 5.11,12; Lc 6.22,23; Ap 2.10);
• Nossa fidelidade como despenseiros (1 Co 4.1-5).

Algumas pessoas falam: “Bem, estou feliz de ir para o céu e se já vou para lá, isso é
bastante para me fazer feliz”. Não, não é! Se você chegasse em casa hoje à noite e a
encontrasse completamente destruída, toda a sua roupa queimada, todos os móveis e
utensílios reduzidos a cinzas, e também os aparelhos elétricos, sem nada no seguro, não
ficaria feliz com isso. Muitos cristãos comparecerão diante do Tribunal de Cristo, vendo suas
obras em chamas.
Ninguém será salvo pelas obras (Tt 3.5), mas, depois de ter sido salvo, o filho de Deus deve
praticar boas obras, para glória de Deus (Ef 2.10).
Alguns crentes ficarão como Ló (Gn 19), cujas obras foram completamente queimadas no
fogo. Tudo o que ele havia feito foi queimado, só que ele mesmo não se queimou. Ele é o
retrato do cristão carnal comparecendo ante o Tribunal de Cristo.

As obras que passarão no teste do fogo serão as de ouro, prata e pedras preciosas e as que
serão queimadas serão as de palha, madeira e feno. Há um contraste entre o que é
duradouro e o que é passageiro; entre o que é caro e o que é barato; entre o belo e o feio.
Aqueles que se esforçam para fazerem o melhor – obras permanentes - e não se conformam
em fazer de qualquer maneira será recompensado (1 Co 3.14; Jr 48.10)! Aquilo que
construímos deve estar de acordo com o fundamento, que é precioso. As obras valiosas são
feitas segundo o padrão e a vontade de Deus, enquanto as obras sem valor são construídas
num padrão puramente humano, inferior.

Que recompensas nós receberemos?


Haverá recompensas entregues e estas serão em forma de coroas:

a) A coroa da vitória (1 Co 9.25). A vida crista se constitui numa batalha espiritual contra
três inimigos terríveis: a carne, o mundo e o Diabo. Esta coroa é denominada, também,
como coroa incorruptível, porque se refere à conquista do domínio do crente sobre o velho
homem.

b) A coroa de gozo (1 Ts 2.19; Fp 4.1). A palavra gozo significa prazer, alegria, satisfação.
Uma das atividades cristã que mais satisfazem o coração do crente é o ganhar almas. Isto é,
praticar o evangelismo pessoal e ganhar pessoas para o reino de Deus. Na busca do gozo
nesta vida, nada é comparável ao de salvar almas para Cristo, livrando as da perdição
eterna. Por isso, quem ganha almas, sábio é (Pv 11.30; Dn 12.32).

c) A coroa da justiça (2 Tm 4.7,8). É o premio dos fiéis, dos batalhadores da fé, dos
combatentes do Senhor, os quais vencendo tudo esperam a Sua vinda.

d) A coroa da vida (Ap 2.10; Tg 1.12). Não se trata da simples vida que temos aqui. Essa
coroa é um prêmio especial porque implica conquista de um tipo de vida superior à vida
terrena, ou simples vida espiritual, como a tem os anjos. É a modalidade de vida conquistada
mediante a obra expiatória de Cristo Jesus – a vida eterna. É o galardão da fidelidade do
crente.

e) A coroa de glória (1 Pe 5.2-4). Certos eruditos na Bíblia entendem que esta coroa é o
galardão dos ministros fiéis que promoveram o reino de Deus na Terra, sem esperar
recompensa material.

O próprio Senhor Jesus, Juiz desse tribunal, é quem fará a entrega dos prêmios, galardões,
recompensas (2 Co 9.6). Ele declara a João, na ilha de Patmos, dizendo: “O meu galardão
está comigo para dar a cada um segundo as suas obras” (Ap 22.12). O apóstolo Paulo
declara, também, que todo crente receberá o seu louvor (elogio) da parte de Deus (1 Co
4.5).
Nosso Senhor nos recompensará publicamente, diante do todos os salvos e seres celestiais
(Mt 6.4). Não existe honra maior do que esta de ter um Salvador impecável nos
cumprimentando publicamente, diante dos querubins e serafins, dos santos e da Trindade!

O propósito dos galardões não é glorificar quem os recebeu, mas aquele que os entregou.
Vivemos para glorificar a Deus, agora e no porvir. Assim, cremos que as coroas serão
oferecidas ao Cordeiro (Ap 4.10), como uma oferta de cada crente ao seu Senhor. Assim, o
tesouro que ajuntamos no céu será para glorificar ao Mestre e não para exibição dos servos.

Leitura sugerida:
PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia. São Paulo: Vida, 2006.
HOWARD, Rick. O Tribunal de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

Carlos Kleber Maia

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