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Curso Técnico em Eletromecânica

Máquinas Elétricas
Armando de Queiroz Monteiro Neto
Presidente da Confederação Nacional da Indústria

José Manuel de Aguiar Martins


Diretor do Departamento Nacional do SENAI

Regina Maria de Fátima Torres


Diretora de Operações do Departamento Nacional do SENAI

Alcantaro Corrêa
Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina

Sérgio Roberto Arruda


Diretor Regional do SENAI/SC

Antônio José Carradore


Diretor de Educação e Tecnologia do SENAI/SC

Marco Antônio Dociatti


Diretor de Desenvolvimento Organizacional do SENAI/SC
Confederação Nacional das Indústrias
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

Curso Técnico em Eletromecânica

Máquinas Elétricas

Frederico Samuel de Oliveira Vaz

Florianópolis/SC
2010
É proibida a reprodução total ou parcial deste material por qualquer meio ou sistema sem o prévio
consentimento do editor. Material em conformidade com a nova ortografia da língua portuguesa.

Equipe técnica que participou da elaboração desta obra

Coordenação de Educação a Distância Design Educacional, Ilustração,


Beth Schirmer Projeto Gráfico Editorial, Diagramação
Equipe de Recursos Didáticos
Revisão Ortográfica e Normatização SENAI/SC em Florianópolis
Contextual Serviços Editoriais
Autor
Coordenação Projetos EaD Frederico Samuel de Oliveira Vaz
Maristela de Lourdes Alves

Ficha catalográfica elaborada por Luciana Effting CRB14/937 - Biblioteca do SENAI/SC Florianópolis

V393m
Vaz, Frederico Samuel de Oliveira
Máquinas elétricas / Frederico Samuel de Oliveira Vaz. – Florianópolis :
SENAI/SC, 2010.
103 1 p. : il. color ; 28 cm.

Inclui bibliografias.

1. Máquinas elétricas. 2. Transformadores elétricos. 3. Motores elétricos


de corrente contínua. 4. Energia. I. SENAI. Departamento Regional de Santa
Catarina. II. Título.

CDU 621.313

SENAI/SC — Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial


Rodovia Admar Gonzaga, 2.765 – Itacorubi – Florianópolis/SC
CEP: 88034-001
Fone: (48) 0800 48 12 12
www.sc.senai.br
Prefácio
Você faz parte da maior instituição de educação profissional do es-
tado. Uma rede de Educação e Tecnologia, formada por 35 unidades
conectadas e estrategicamente instaladas em todas as regiões de Santa
Catarina.

No SENAI, o conhecimento a mais é realidade. A proximidade com


as necessidades da indústria, a infraestrutura de primeira linha e as
aulas teóricas, e realmente práticas, são a essência de um modelo de
Educação por Competências que possibilita ao aluno adquirir conhe-
cimentos, desenvolver habilidade e garantir seu espaço no mercado
de trabalho.

Com acesso livre a uma eficiente estrutura laboratorial, com o que


existe de mais moderno no mundo da tecnologia, você está construin-
do o seu futuro profissional em uma instituição que, desde 1954, se
preocupa em oferecer um modelo de educação atual e de qualidade.

Estruturado com o objetivo de atualizar constantemente os métodos


de ensino-aprendizagem da instituição, o Programa Educação em
Movimento promove a discussão, a revisão e o aprimoramento dos
processos de educação do SENAI. Buscando manter o alinhamento
com as necessidades do mercado, ampliar as possibilidades do pro-
cesso educacional, oferecer recursos didáticos de excelência e con-
solidar o modelo de Educação por Competências, em todos os seus
cursos.

É nesse contexto que este livro foi produzido e chega às suas mãos.
Todos os materiais didáticos do SENAI Santa Catarina são produções
colaborativas dos professores mais qualificados e experientes, e con-
tam com ambiente virtual, mini-aulas e apresentações, muitas com
animações, tornando a aula mais interativa e atraente.

Mais de 1,6 milhões de alunos já escolheram o SENAI. Você faz parte


deste universo. Seja bem-vindo e aproveite por completo a Indús-
tria do Conhecimento.
Sumário
Conteúdo Formativo 9 24 Unidade de estudo 2 36 Unidade de estudo 4
Transformadores Geradores Ca
Trifásicos
Apresentação 13
37 Seção 1 -Introdução
25 Seção 1 - Introdução 37 Seção 2 - Princípios de fun-
14 Unidade de estudo 1 25 Seção 2 - Aspectos constru- cionamento
Transformadores tivos 38 Seção 3 - Aspectos constru-
Monofásicos 25 Seção 3 - Grau de proteção tivos
27 Seção 4 - Operação de Trans- 39 Seção 4 - Geração de corren-
formadores Trifásicos em te trifásica
15 Seção 1 - Princípios de Fun- Paralelo 39 Seção 5 - Ligações No Siste-
cionamento
27 Seção 5 - Divisão de cargas ma Trifásico
17 Seção 2 - Circuito Equiva- entre transformadores 41 Seção 6 - Tensão nominal
lente
28 Seção 6 - Determinação da múltipla
18 Seção 3 - Perdas no Transfor- tensão nominal 42 Seção 7 - Comportamento
mador
28 Seção 7 - Polarização do do Gerador em vazio e sob
19 Seção 4 -Cálculo do rendi- transformador carga
mento 44
29 Seção 8 - Ligação em trans- Seção 8 - Características dos
19 Seção 5 - Ensaios formadores trifásicos rotores de geradores
30 Seção 9 - Ensaios em trans- 44 Seção 9 -Reatância síncrona
formadores trifásicos Seção 10 - Regulação de
45
30 Seção 10 - Placa de Identifi- Tensão
cação 45 Seção 11 - Perdas e Eficiên-
cia
46 Seção 12 - Potência em má-
32 Unidade de estudo 3
quinas de pólos salientes
Outros Transforma-
dores 47 Seção 13 - Sincronização

33 Seção 1 - Autotransforma-
dores 48 Unidade de estudo 5
Motor Síncrono
34 Seção 2 - Transformador de
Potencial
34 Seção 3 - Transformador de 49 Seção 1 - Introdução
Corrente 49 Seção 2 - Operação e Funcio-
namento
50 Seção 3 - Servomotor
52 Unidade de estudo 6 72 Unidade de estudo 7 82 Unidade de estudo 8
Motores Trifásicos Motores Geradores CC
de Indução Ca Monofásicos

53 Seção 1 - Introdução 73 Seção 1 - Introdução 83 Seção 1 - Introdução


54 Seção 2 - Visão Geral 73 Seção 2 - Princípios de fun- 83 Seção 2 - Princípios de Fun-
cionamento cionamento
55 Seção 3 - Aspectos Constru-
tivos 74 Seção 3 - Partida e funciona- 84 Seção 3 - Aspectos Constru-
mento normal de motores tivos
57 Seção 4 - Princípios de fun-
monofásicos de indução 85 Seção 4 - Excitação de
cionamento
77 Seção 4 - Ensaio em motores campo
58 Seção 5 - Velocidade Síncro-
monofásicos 86 Seção 5 - Circuito Equivalen-
na (nS)
te do Gerador CC
59 Seção 6 - Escorregamento (s)
87 Seção 6 - Equações da Ten-
59 Seção 7 - Circuito Equiva- são no gerador e regulação
lente de Tensão
62 Seção 8 - Obtenção dos 88 Seção 7 - Perdas e Eficiência
parâmetros do circuito equi- de uma Máquina CC
valente
65
Seção 9 - Equações Gerais
66 Seção 10 - Características
Eletromecânicas
68 Seção 11 - Métodos de
Partida
Sumário
92 Unidade de estudo 9 Referências 101
Motores de Corren-
te Contínua

93 Seção 1 - Introdução
93 Seção 2 - Princípios de fun-
cionamento
93 Seção 3 - Torque
93 Seção 4 - Forças contra-
eletromotriz
94 Seção 5 - Circuitos Equiva-
lente do motor cc
95 Seção 6 - Velocidades de um
motor
95 Seção 7 - Tipos de motores
96 Seção 8 - Requisitos de parti-
da dos motores
10 CURSO DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL
Conteúdo Formativo
Carga horária da dedicação

Carga horária: 45hs

Competências

Selecionar e aplicar máquinas elétricas e sistemas de geração de energia para


otimizar recursos energéticos.

Conhecimentos
▪ Máquinas Elétricas;
▪ Fontes alternativas de energia elétrica;
▪ Fontes tradicionais de energia elétrica;
▪ Características construtivas e funcionais dos: motores síncronos, assíncronos,
transformadores, motor CC, servo motores;
▪ Eficiência energética;
▪ Sistemas de geração de energia elétrica.

Habilidades

▪ Interpretar e aplicar normas técnicas, regulamentadoras e preservação ambiental;


▪ Identificar os dispositivos e máquinas de sistemas elétricos;
▪ Selecionar dispositivos e máquinas aplicadas aos sistemas elétricos;
▪ Aplicar instrumentos de medição elétrica;

Atitudes

▪ Zelo no manuseio dos equipamentos e instrumentos de medição;


▪ Cuidados no manuseio de componentes eletromecânicos;
▪ Adoção de normas de segurança do trabalho;
▪ Pró-atividade;
▪ Trabalho em equipe;
▪ Organização e conservação do laboratório e equipamentos.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 11
Apresentação
Prezado aluno, seja bem-vindo à unidade curricular de Máquinas Elétri- Frederico Samuel de Oli-
cas, este conteúdo possui o objetivo de apresentar a teoria de funciona- veira Vaz
mento, a aplicação e a análise das máquinas elétricas, proporcionando a
você, estudante do curso técnico, informações e subsídios práticos que Frederico Samuel de Oliveira
servirão de suporte para a atuação na área de eletromecânica, bem como Vaz é graduado em Engenharia
Elétrica pela Universidade Esta-
de referência para o desenvolvimento profissional futuro.
dual de Santa Catarina e pós-
graduado em Projeto e Análise
O conhecimento na área de máquinas elétricas é de fundamental im- de Máquinas Elétrica Girantes
portância para a atuação do técnico em eletromecânica, pois tais equi- pelo Centro Universitário de
pamentos estão presentes em praticamente todos os seguimentos de Jaraguá do Sul. Atuou entre os
anos 2002 e 2009 na área de
mercado onde o profissional poderá atuar.
fabricação de motores elétricos
na WEG Equipamentos Elétricos
Dentro do conteúdo apresentado, um maior enfoque será dado para os S.A. Atualmente, é professor
transformadores, geradores e motores, que são as máquinas mais empre- dos cursos técnicos e tecnológi-
gadas na indústria, tais máquinas estarão agrupadas por características cos do SENAI Jaraguá do Sul.
visando otimizar e facilitar o entendimento do conteúdo apresentado.
Então? Pronto para transitar por estes caminhos do conhecimento?

Bons estudos!

MÁQUINAS ELÉTRICAS 13
Unidade de
estudo 1
Seções de estudo

Seção 1 – Princípios de funcionamento


Seção 2 – Circuito equivalente
Seção 3 – Perdas no transformador
Seção 4 – Cálculo do rendimento
Seção 5 – Ensaios
Transformadores Monofásicos

SEÇÃO 1
Princípios de
funcionamento
Você sabia que o transformador A amplitude do fluxo produzido pelo primário está em função do núme-
é um equipamento utilizado em ro de espiras e da tensão de entrada (amplitude e frequência).
diversas aplicações e está presente A base de funcionamento de um transformador necessita da existência
em praticamente todos os ramos de um fluxo comum, variável no tempo e que seja enlaçado por dois ou
de atividade dos diferentes setores mais enrolamentos conforme figura a seguir.
da economia moderna? Dentre as
principais aplicações, pode-se ci-
tar a transferência de energia de
um circuito elétrico a outro com
o ajuste do nível de tensão, o aco-
plamento entre sistemas elétricos
visando o casamento de impedân-
cia e isolação e a eliminação de
corrente CC entre dois ou mais
circuitos. Agora você conhecerá
o funcionamento do transforma-
dor.

Basicamente, um transforma-
dor é um equipamento capaz
realizar a alteração no nível de
tensão por meio da transfe-
rência de fluxo magnético en- Figura 1 - Fluxo Magnético
tre dois ou mais enrolamen- Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 36).
tos acoplados por um núcleo
(NASCIMENTO JR., 2008, p.
36) Determinando-se a relação adequada entre o número de espiras do pri-
mário e do secundário, pode-se obter a relação entre tensões desejada.

A partir da conexão de uma ten-


U1 N1
são alternada de entrada no enro-
lamento primário, o fluxo gerado U2 N2
é conduzido pelo núcleo magnéti-
co e é enlaçado pelo enrolamento
secundário, induzindo no mesmo
uma tensão cuja sua amplitude
estará em função do fluxo mag-
nético e do número de espiras do
secundário.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 15
Você verá na figura a seguir uma forma de ligar o transformador.
Sendo que:
U1 = tensão aplicada na en-
trada (primária);
N1 = número de espiras do
primário;
N2 = número de espiras do
secundário;
U2 = tensão de saída (secun-
dário).

A tensão gerada no secundário


em decorrência do fluxo magnéti-
co variável gerado pelo primário é
denominada tensão induzida. Figura 2 - Ligação de um transformador
Se no primário do transformador Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 38).
for aplicada uma corrente con-
tínua, não será gerada tensão no Agora, acompanhe os exemplos para que o assunto seja compreendido
secundário, pois o fluxo magnéti- facilmente.
co não será variável ao longo do
tempo.
A relação entre correntes e o nú- Exemplo 1
mero de espiras entre enrolamento
Determine o número de espiras do primário de um transformador com
primário e enrolamento secundá-
180 espiras no secundário e uma relação de tensão de 120/12 V.
rio é dada por:

. U N1
Aplicando a equação: 1
I1 N2 U2 N2
I2 N1
120 N1
Temos: N1 1800espiras
12 180

Sendo que:
I1 = corrente no primário;
Para uma carga de 800 W, determine as correntes nos enrolamentos do
I2 = corrente no secundário;
N1 = número de espiras do transformador citado no exemplo anterior.
primário;
N2 = número de espiras do
secundário. 800
Sendo: P2 U 2 ˜ I2 I2 66,67A
12
 
E a partir da equação: I1 N2 N2
I1 ˜ I2
Pode-se deduzir a partir das rela- I N1 N1
    2   
ções apresentadas que no enrola- 180
I1 ˜ 66,67 6,67A
mento de maior tensão circulará a 1800
menor corrente e que quanto me-    

nor o número de espiras maior
será a corrente.
Que tal, o que você está achando do assunto? Vamos para a próxima
seção!

16 CURSOS TÉCNICOS SENAI


SEÇÃO 2
Circuito equivalente
Embora acoplado pelo núcleo de ferro, uma pequena porção de fluxo
disperso (Ø1 e Ø2) é gerada nos enrolamentos do transformador.
No primário, o fluxo disperso Ø1 gera uma reatância indutiva X1 e no
secundário o fluxo disperso Ø2 gera uma reatância indutiva X2.
Os parâmetros apresentados no circuito equivalente, conforme a figura
a seguir, determinam o funcionamento correto do transformador (NAS-
CIMENTO JÚNIOR, 2008).

Figura 3 - Circuito elétrico equivalente


Fonte: Filippo Filho (2000, p. 13).

Conheça cada um desses parâmetros:


▪ Rm = resistência de magnetização, que retrata as perdas do ferro;
▪ R1 = resistência do enrolamento primário;
▪ X1 = reatância indutiva do enrolamento primário;
▪ R2 = resistência do enrolamento secundário;
▪ X2 = reatância indutiva do enrolamento secundário;
▪ Xm= reatância indutiva de magnetização.

Os valores das impedâncias refletidas são tais que a potência ativa e


reativa são iguais quando sujeitas à corrente I’1, sendo assim, temos as
seguintes relações:

2 2 2
N1 N1 N1
R2r R2 X 2r X2 Z 2r Z2
N2 N2 N2

MÁQUINAS ELÉTRICAS 17
Na prática, utiliza-se o circuito. Veja na figura a seguir em que X2 e são Perdas no ferro
agrupados a R1 e X1. O erro que se comete com essa simplificação é
aceitável para efeito de análise do transformador.
(núcleo magnético)

As perdas no ferro podem ser di-


vididas em:
▪ perdas por histerese – são
causadas pelas propriedades dos
materiais ferromagnéticos de
apresentarem um atraso entre a
indução magnética (B) e o campo
magnético (H);
▪ perdas por correntes parasi-
tas – são geradas pela circulação
Figura 4 - Circuito elétrico equivalente aproximado de correntes parasitas causadas
Fonte: Filippo Filho (2000, p. 14). pelo fluxo variável induzido no
material ferromagnético.
Com o conhecimento dos parâmetros do transformador, são utilizados
os ensaios para a determinação da grandeza dos mesmos. O fluxo magnético variável no
tempo responsável pela tensão in-
duzida no secundário produz cor-
Vamos adiante? O assunto é bastante curioso certo? rentes induzidas no núcleo consti-
tuído de material ferromagnético,
essas correntes são indesejadas,
SEÇÃO 3 pois geram perdas no transforma-
Perdas no transformador dor.
Visando reduzir tais perdas, o nú-
Agora vamos conhecer algumas perdas? cleo magnético é construído de
várias chapas finas de material fer-
romagnético, conforme figura a
Perdas no cobre seguir, isoladas eletricamente uma
As perdas no cobre podem ser divididas em: das outras. Estando eletricamente
isoladas, a circulação de corrente
▪ perdas na resistência ôhmica dos enrolamentos – são decorren- induzida é reduzida, tendo como
tes da passagem de uma corrente I pelo condutor que apresenta uma
consequência a diminuição do
determinada resistência R, esta perda é representada pela expressão
aquecimento do equipamento.
I2R;
▪ perdas parasitas no condutor dos enrolamentos – são geradas
pelas correntes parasitas induzidas nos condutores do enrolamento,
dependem da grandeza da amplitude da corrente e da geometria dos
condutores das bobinas.

As perdas no cobre, assim como o valor da resistência, da reatância in-


dutiva dos enrolamentos e o fator de potência são determinados a partir
do ensaio de curto. Podemos utilizar as seguintes equações:

PCC UCC
R CC 2
Z CC
ICC X CC Z CC 2  R CC 2
ICC Figura 5 - Núcleo magnético
Fonte: Carvalho (2008, p. 38).
PCC
CosM
UCC u ICC
18 CURSOS TÉCNICOS SENAI
dessa tensão dão uma noção
SEÇÃO 4 sobre as condições do sistema
Determinação da rela-
Cálculo do rendimento de isolação.
ção de transformação
A interpretação dessas condições Pode ser realizada pela leitura di-
Segundo Nascimento Júnior (2008, é dada pelos valores obtidos pelo reta, com o auxílio do voltímetro,
p. 48, p. ), “[...] para o transfor- megôhmetro que indica o valor da das tensões nos enrolamentos pri-
mador o rendimento é a relação resistência de isolação em megao- mário e secundário. Para se
entre a potência entregue no se- hms. Pode-se utilizar como refe- determinar a relação de transfor-
cundário e a potência absorvida rência a seguinte regra prática: 1 mação, pode-se seguir o roteiro
no primário. A temperatura de 20 KΩ por volt. abaixo:
°
C o rendimento é dado por:
Acompanhe o roteiro para a reali-
zação do ensaio: 1. identificar os enrolamentos;
1. utilizando o megôhmetro, 2. impor ao enrolamento pri-
US IS meça a resistência de isolação mário uma tensão reduzida
Re nd
US I S PCU PFE entre o primário e a carcaça; e medir com o auxílio de um
voltímetro a tensão no secun-
2. meça a resistência de isolação dário, determinando a relação
entre o secundário e a carcaça; de transformação.

SEÇÃO 5 3. meça a resistência de isolação


entre o enrolamento primário Ensaio a vazio
Ensaios e o enrolamento secundário do
transformador; Este ensaio permite obter
Conheça os principais ensaios a
os dados necessários para a
que são submetidos os transfor- 4. calcule o valor mínimo para determinação dos parâme-
madores: a resistência de isolação do tros do circuito equivalente
▪ verificação de isolação; transformado avaliado e com- do transformador e deter-
pare com os valores obtidos minar as perdas no ferro. A
▪ determinação da relação de obtenção destes parâmetros
no ensaio.
transformação; permite prever o compor-
▪ ensaio a vazio; tamento do transformador
Os megôhmetros mais frequente- em condições de carga além
▪ ensaio de curto-circuito. das condições que caracteri-
mente utilizados são para 1.000,
zam as condições normais de
2.500 e 5.000 volts.
Os instrumentos e equipamen- trabalho (NASCIMENTO JR.,
tos necessários são: amperímetro, 2008, p. 51)
voltímetro, wattímetro, megôh-
metro e osciloscópio.
Conecte os instrumentos de me-
Agora você conhecerá a aplicabi- dição conforme o circuito apre-
lidade de cada um desses ensaios. sentado na figura a seguir, o enro-
lamento secundário deverá estar
aberto, a vazio. Acompanhe mais
Verificação de isolação um roteiro para a realização do
ensaio:
É realizada aplicando-se uma
tensão contínua entre os enrola-
mentos e o núcleo ou entre enro-
lamentos diferentes. As correntes
geradas nos materiais dielétricos
em consequência da aplicação
Figura 6 - Megôhmetro 3).

MÁQUINAS ELÉTRICAS 19
Ensaio de curto-circui-
to
O ensaio de curto-circuito permi-
te determinar as perdas no cobre
nos enrolamentos primário e se-
cundário.

Deve-se tomar cuidado com


a tensão aplicada no pri-
Figura 7 - Ensaio a vazio mário do transformador, a
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 51).
fonte de tensão deverá es-
tar desligada para que seja
conectado o amperímetro
▪ alimente o enrolamento primário com suas tensões e frequência para a medição da corrente
nominais e anote o valore da tensão aplicada; no secundário, o posiciona-
▪ a partir da leitura do wattímetro, anote o valor da potência absorvi- mento dos equipamentos
da; de medição com relação ao
▪ a partir da leitura do amperímetro, anote o valor da corrente no equipamento a ser ensaiado
primário. deve ser conforme apresen-
tado na figura a seguir (NAS-
CIMENTO JR, 2008).
Para a determinação dos parâmetros do transformador, são utilizadas as
seguintes relações:

Po
cos IRm Io. cos
Vo.Io
Im Io.sen
Vo
Zm Figura 8 - Ensaio de curto-circuito
Io
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 53).
Vo
Rm
IRm
Vo Você já está compreendendo a
Xm
Im cada um desses ensaios, certo?
v 12 Então conheça mais um roteiro
Q var
Xm para a realização do ensaio segun-
v 12 do, conforme Nascimento Jr.
Xm (2008).
Q var

1. Alimente o transformador
com uma tensão alternada
através dos terminais 1 e 2,
partindo de 0 V (fonte de
tensão ajustável).

20 CURSOS TÉCNICOS SENAI


2. Eleve gradualmente o nível de tensão imposta ao primário até
o ponto no qual a corrente no primário seja equivalente à cor-
rente nominal do transformador.

3. Com as informações medidas, potência Pcc , tensão Vccp e cor-


rente, determine os parâmetros do circuito equivalente utilizan-
do as seguintes equações:

Rcc = Pcc Zcc = Vcc


2
I cc
Icc


Xcc = Z2 - R2 cos ø =
cc cc
Pcc
Vccx Icc
e

Rcc = r1 + r2
r1 = r2 x Np
Ns

E considerando a condição:

r1 r 2

O total das perdas no cobre pode ser dado por:

Pcu r1 I12 r2 I22

4. Calcule a impedância percentual e a corrente de curto no secundário


a partir das seguintes equações:

Vcc
Z% .100
VP

100
I cc IN
Z%

MÁQUINAS ELÉTRICAS 21
Calcule o rendimento do transformador a 20 °C:

VS I S
Re nd
VS I S PCU PFE

Veja o exemplo.

Exemplo

O transformador de tensão nominal 440/220 V, 3,0 kVA, 60 Hz apre-


sentou os seguintes resultados nos ensaios: curto-circuito 18 W,
24 VAr; e a vazio 36 W e 24 VAr. Calcule os valores dos parâmetros do
circuito equivalente aproximados referentes ao primário.

V12 4402
Xm Xm 8 ,07K
Qa 24

V12 4402
Rm Rm 5,38K
Pa 36

24
Qa Xb 2
0,52
Xb 2
3000
I1
440

Pa 18
Rb 0,39
Rb 2 3000
2
I1
440

22 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Chegamos ao final da primeira unidade de estudos, todas as informações
que você recebeu se referem à utilização do transformador monofásico,
seus princípios, como calcular o rendimento, as perdas do transforma-
dor e aplicabilidade dos ensaios.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 23
Unidade de
estudo 2
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução
Seção 2 – Aspectos construtivos
Seção 3 – Grau de proteção
Seção 4 – Operação de transformado-
res trifásicos em paralelo
Seção 5 – Divisão de cargas entre trans-
formadores
Seção 6 – Determinação da tensão
nominal
Seção 7 – Polarização do transformador
Seção 8 – Ligação em transformadores
trifásicos
Seção 9 – Ensaios em transformadores
trifásicos
Seção 10 – Placa de identificação
Transformadores Trifásico

SEÇÃO 1
Introdução
Você sabia que o transformador alização das ligações, esses equi-
trifásico é utilizado em grande es- pamentos possuem caixas de liga-
SEÇÃO 3
cala nos sistemas de transmissão, ção e placas de bornes, e para a Grau de proteção
distribuição e na indústria em ge- identificação dos terminais do pri-
ral? mário será utilizado o número do Conforme as condições e carate-
Após a geração de energia, os terminal precedido da letra “h” e rísticas do local em que será insta-
transformadores trifásicos são para os terminais do secundário o lado o equipamento elétrico e de
utilizados para elevar a tensão nos número precedido da letra “x”. sua acessibilidade, deve ser deter-
pontos iniciais das linhas de trans- Um aspecto muito importante minado o grau de proteção. Sen-
missão com a subsequente utili- para garantir o correto funciona- do assim, um equipamento que
zação para a redução das tensões mento do transformador é uma seja instalado em um local aberto
para a distribuição e utilização fi- boa eficiência na dissipação do onde pode ocorrer o gotejamento
nal da energia elétrica trifásica. calor gerado pelo mesmo. de água sob diversos ângulos do
equipamento, o mesmo deve pos-
Existem várias formas de se dis-
suir um invólucro que garanta o
sipar o calor gerado pelo equipa-
SEÇÃO 2 mento, geralmente em transfor-
seu funcionamento sem que ocor-
ra a penetração de água (WEG
Aspectos Construtivos madores com maiores potências
S.A. [200-?]).
os enrolamentos estão submersos
Pode-se definir um transforma- em óleo isolante que melhoram a Os graus de proteção para equi-
dor trifásico como um grupo com condução de calor e em contato pamentos elétricos são definidos
três transformadores monofási- com as aletas aumentam a eficiên- pela NBR 6146 por meio das le-
cos no qual os três primários e os cia do sistema de dissipação. Em tras características IP, seguidas
três secundários estarão operando transformadores de menores po- por dois algarismos. Acompanhe
simultaneamente. Veja a figura: tências os enrolamentos estão em o quadro a seguir.
contato direto com o ar.

Figura 9 - Transformador Trifásico


Fonte: Nascimento jr. (2008, p. 57).

Figura 10 - Transformador Trifásico


Com relação ao transformador Fonte: Weg S.A. ([200-?]).
apresentado, existem diversas for-
mas de ligação que serão descritas
ao longo desta unidade. Para a re-

MÁQUINAS ELÉTRICAS 25
1° Algarismo
Algarismo Indicação
0 Sem proteção
1 Corpos estranhos de dimensões acima de 50 mm
2 Corpos estranhos de dimensões acima e 12 mm
3 Corpos estranhos de dimensões acima de 2,5 mm
4 Corpos estranhos de dimensões acima de 1,0 mm
5 Proteção contra acúmulo de peiras prejudiciais ao motor
6 Totalmente protegido contra poeira
Quadro 1 - Graus de proteção contra a penetração de objetos sólidos estranhos
indicados pelo primeiro numeral característico

2° Algarismo
Algarismo Indicação
0 Sem proteção
1 Pingos de água na vertical
2 Pingos de água até a inclinação de 15° com vertical
3 Água de chuva até a inclinação de 60° com a vertical
4 Respingos de todas as direções
5 Jatos de água de todas as direções
6 Água de vergalhões
7 Imersão temporária
8 Imersão permanente
Quadro 2 - Graus de proteção contra a penetração de água indicados pelo segundo numeral característico

A associação desses dois algarismos, ou seja, entre os critérios de prote-


ção, está apresentada no quadro a seguir.

IP00 Não tem Não tem 2° Algarismo


IP02 Não tem Não tem 2° Algarismo
IP11 Toque acidental com a mão Corpos sólidos estranhos de dimensões de 50 mm 2° Algarismo
IP12 2° Algarismo
IP13 2° Algarismo

IP21 Toque com os dedos Corpos sólidos estranhos de dimensões de 12 mm 2° Algarismo

IP22 2° Algarismo
IP23 2° Algarismo
Corpos sólidos estranhos de dimensões
IP44 Toque com ferramenta 2° Algarismo
acima de 1 mm
IP54 Proteção completa contra toque Proteção contra acúmulo de poeiras nocivas 2° Algarismo
IP55 Proteção completa contra toque Proteção contra acúmulo de poeiras nocivas 2° Algarismo
IP(w)55 Proteção completa contra toque Proteção contra acúmulo de poeiras nocivas 2° Algarismo
Quadro 3 - Grau de proteção

26 CURSOS TÉCNICOS SENAI


SEÇÃO 4
Operação de PNn EM Pc
transformadores PFn n
1 PNn E 1n
trifásicos em paralelo
n
Em sistemas de potência para o 1 PNn
EM
fornecimento de energia, a ope- n PNn
1
ração paralela de transformadores En
se faz necessária para a elevação
da potência fornecida e para su-
prir uma eventual pane em um
dos transformadores, mesmo à Acompanhe a descrição das expressões:
carga reduzida.
Dois ou mais transformadores es-
▪ PNn= potência fornecida à carga pelo n-ésimo transformador;
tarão em paralelo quando ligados
ao mesmo sistema, tanto no pri- ▪ PNn= potência nominal do n-ésimo transformador;
mário quanto no secundário (pa- ▪ EM= tensão média de curto-circuito (%);
ralelismo de rede e barramento).
▪ En= tensão de curto-circuito do n-ésimo transformador (%);
Algumas condições são necessá-
▪ Pc= potência solicitada pela carga (KVA).
rias para a operação em paralelo
de transformadores. Veja quais
são (WEG S.A., [200-?], p. 178):
Exemplo

▪ igualdade na defasagem angu- Calcule as potências fornecidas individualmente pelos transformadores:


lar para que não ocorra curto- PN1 = 750 kVA, PN2 = 500 kVA e PN3 = 1.000 kVA, cujas tensões
circuito proveniente da diferença de curto-circuito são E1 = 4,7%, E2 = 4,9%, E3 = 5,3%, e a potência
de potencial gerada entre as solicitada pela carga é de 2.250 kVA.
mesmas fases de transformadores
diferentes;
▪ igualdade na impedância
.
percentual para que não ocorra EM
750 500 1000
4 ,997%
750 500 1000
perda de potência em consequên-
4 ,7 4 ,9 5,3
cia de um equipamento enxergar
750 4 ,997
o outro como uma carga. PF 1 .
750 500 1000 4 ,7
.2250 PF 1 797,4 kVA

500 4 ,997
PF 2 . .2250 PF 2 509,9 kVA
SEÇÃO 5 750 500 1000 4 ,9
1000 4 ,997
PF 3 . .2250 PF 3 942,8 kVA
Divisão de cargas entre 750 500 1000 5,3

transformadores
A potência fornecida individu- Observa-se que o transformador de 750 kVA está sobrecarregado, en-
almente pelos transformadores quanto o transformador de 1.000 kVA, que possui a maior impedância,
operando em um mesmo sistema está operando abaixo da sua potência nominal.
e a tensão média de curto-circuito
(%) são dadas pelas expressões
(WEG S.A., [200-?], p. 179): Prepara-se para a próxima seção!

MÁQUINAS ELÉTRICAS 27
SEÇÃO 6 O método mais simples é a po-
Determinação da larização por golpe indutivo,
que é aplicado separadamente
tensão nominal em cada um dos três enrola-
mentos do transformador. Con-
Para aplicação industrial poderemos ter até quatro níveis de tensão, da siste na aplicação de uma ten-
seguinte forma: são contínua no primário e na
observação do galvanômetro
no secundário, o mesmo pa-
Subestações de entrada: drão de resposta deve ser dado
em todos os enrolamentos do
▪ primário – 72,5 kV e 138 kV; secundário (NASCIMENTO JÚ-
▪ secundário – 36,2 kV - 24,2 kV ou 13,8 kV. NIOR, 2008, p. 61).

Subestações de distribuição:
▪ primário – 36,2 kV - 24,2 kV ou 13,8 kV;
▪ secundário – 440/254 V, 380/220 V ou 220/127 V. Para a polarização CA é necessá-
rio apenas uma fonte de tensão
CA ajustável, esse método con-
siste em alimentar um dos enro-
Para potências maiores do que 3 MVA é indicado baixar a tensão para lamentos com baixa tensão e ligar
um nível intermediário (6,9 kV, 4,16 kV ou 2,4 kV), pois o equipamento os demais enrolamentos em série
para a redução de potência de 3MVA para tensões de uso final possui um até que se tenha a soma das ten-
custo consideravelmente elevado (pois deve suportar altas correntes). sões em cada enrolamento.
A determinação da tensão do secundário depende de alguns fatores,
dentre os principais podemos citar:
▪ econômicos – a tensão de 380/220 V requer seções menores dos
condutores para uma mesma potência;
▪ segurança – a tensão de 220/127 V é mais segura com relação a
contatos acidentais.

De uma forma geral, podemos dizer que para instalações nas quais equi-
pamentos como motores, bombas, máquinas de solda e outras máquinas
constituem a maioria da carga, deve-se usar 380/220 V e para instalações
de iluminação e força de residências deve-se adotar 220/127 V (WEG Figura 11 - Polarização do Transfomador
S.A., [200-?]).
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 61).
Na NBR 5440 da ABNT encontramos a padronização das tensões pri-
márias e secundárias.
Pronto para seguir adiante? Pela figura anterior você pôde ve-
rificar que se as polaridades forem
ligadas em série invertidas a so-
SEÇÃO 7 matória das tensões seria 0 V.
Polarização do transformador
Polarizar o transformador consiste em distribuir as bobinas de modo
que as mesmas tenham a polaridade determinada, eliminando o risco de
subtração de tensão entre elas.
Entre os métodos mais utilizados para a execução da polarização, pode-
se citar: polarização CA e polarização por golpe indutivo.

28 CURSOS TÉCNICOS SENAI


SEÇÃO 8
Ligação em transformadores trifásicos
Os transformadores trifásicos geralmente recebem identificação nos
terminais de alta tensão iniciando com a letra “H” e os terminais de
baixa tensão recebem identificação iniciando com a letra ‘X”. A identi-
ficação das fases é normalizada da seguinte forma:

▪ Fase R → (1;4) e (7;10);


▪ Fase S → (2;5) e (8;11);
▪ Fase T → (3;6) e (9;12).

Para equilibrar a corrente, o transformador de distribuição tem seu en-


rolamento primário conectado em triângulo. A seguir são apresentadas
as ligações padrões estrela e triângulo.

Figura 12 - Esquema de ligação


Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 63).

As ligações devem ser realizadas sempre respeitando os padrões nor-


malizados e a numeração nos terminais. Para transformadores com
doze terminais, temos ainda as seguintes ligações:

Figura 13 - Ligações ΔΔ e YY: 12 cabos


Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 63).

MÁQUINAS ELÉTRICAS 29
Figura 16 - Ensaio de polarização por
golpe indutivo
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 72).

Figura 14 - Ligações Δ e Y: 12 cabos SEÇÃO 10


Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 63). Placa de identificação
As principais características dos
equipamentos elétricos estão
contidas na placa de identifica-
ção. As informações que deverão
constar na placa de identificação
são importantes para a correta
manutenção, instalação e ma-
nobra do equipamento e são
normalizadas pela NBR 5356.
O material da placa poderá ser
alumínio ou aço inoxidável.
Figura 15 - Esquema de ligações: 12 terminais
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 64).

SEÇÃO 9
Ensaios em transformadores trifásicos

Você já ouviu falar em ensaio de polarização por golpe indu-


tivo?
O ensaio do golpe indutivo é o ensaio mais simples para a determina-
ção da polaridade das bobinas, no entanto, exige que se tenha um gal-
vanômetro para que se seja indicado o sentido da corrente e uma fonte
de corrente CC com um botão de pulso em série para que possibilite a
aplicação de um pulso de tensão no primário.
Figura 17 - Placa de identificação
É importante salientar que o pulso de tensão deve ser aplicado no lado Fonte: Weg S.A. (2000, p. 201).
de alta para o lado de baixa tensão, pois caso contrário existe o risco de
descarga elétrica. Após aplicado o golpe, o sentido da corrente indica-
do no galvanômetro deve ser o mesmo para todos os enrolamentos no
lado de menor tensão e os terminais de mesmo potencial devem ser
identificados, conforme figura a seguir.

30 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Na figura apresentada anteriormente encontramos um exemplo de placa
de identificação de um transformador trifásico, triângulo-estrela (Dy).
Segundo WEG S.A. ([200-?]), as informações nela contidas são nor-
malizadas (NBR 5356) e representam um resumo das características do
equipamento. Nela encontramos:

▪ nome e demais dados do fabricante;


▪ número da série de fabricação;
▪ mês e ano de fabricação;
▪ potência do transformador em KVA;
▪ norma utilizada para fabricação;
▪ impedância de curto-circuito em percentagem;
▪ tipo de óleo isolante;
▪ tensões nominais do primário e do secundário;
▪ correntes nominais do primário e do secundário;
▪ diagrama de ligação dos enrolamentos do primário e do secundá-
rio com identificação das
derivações;
▪ identificação do diagrama fasorial quando se tratar de transforma-
dores trifásicos e polaridade
quando monofásico;
▪ volume total do líquido isolante do transformador em litros;
▪ massa total de um transformador em kg;
▪ número da placa de identificação;
▪ tipo para identificação.

Em transformadores maiores que 500 KVA, ou quando o cliente exigir,


a placa de identificação deverá conter outros dados como:
▪ informações sobre transformadores de corrente se os tiver;
▪ dados de perdas e corrente de excitação;
▪ pressão que o tanque suporta;
▪ qualquer outra informação que o cliente exigir.

Os caminhos do conhecimento são inesgotáveis, sua aprendizagem nes-


ta unidade proporcionou conhecimento em detalhes sobre o funciona-
mento do transformador trifásico. Na próxima unidade novos
conteúdos despertarão a sua atenção.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 31
Unidade de
estudo 3
Seções de estudo

Seção 1 – Autotransformadores
Seção 2 – Transformador de potencial
Seção 3 – Transformador de corrente
Outros Transformadores
SEÇÃO 1
Autotransformadores
De acordo com a próxima figura,
Você já conhece algo sobre pode-se observar que nas seções
os autotransformadores? do mesmo enrolamento não cir-
culam correntes de mesma gran-
Os autotransformadores são equi- deza, pois a corrente gerada por
pamentos muito parecidos com indução no segmento do secun-
transformadores monofásicos, dário I2 sobe, somando-se com a
apresentam como grande diferen- corrente I1 que desce proveniente
cial seu sistema de bobinas, pois do enrolamento superior do pri-
no autotransformador não temos mário e ambas passam pela carga Figura 19 - Autotransformador

mais as bobinas do primário e as retornando à fonte pelo fio co- Fonte: SENAI (1980, p. 19).
bobinas do secundário como dois mum.
enrolamentos separados, o mes- Portanto, há uma corrente I1 que
Acompanhe os exemplos.
mo enrolamento atuará como pri- vem do primário, partindo de R
mário e secundário. (L1), passa pelos pontos A e B,
Exemplo 1
Um fator determinante para a pela carga, pelo ponto C e segue
ao ponto S (L2) e é a corrente que Se a corrente que entra for de 2
grande utilização dos autotrans-
passa pela carga, por condução. A, o autotransformador poderá
formadores é o seu custo reduzi-
induzir uma corrente de, por hi-
do em relação ao transformador A corrente I2 circula de C até B,
pótese, 3 A. Assim, a corrente na
monofásico, pois exige menos passa pela carga e vai a C nova-
carga (D) será de 5 A. A corrente
cobre e menos ferro, no entanto mente e é a corrente induzida. O
da carga é a soma de I1+I2 ou 2A
possui um ponto negativo que é a seu circuito é restrito à bobina e à
+ 3A = 5 A.
perda da isolação elétrica entre a carga. Ela não chega a R ou S.
entrada e a saída, uma vez que os Os autotransformadores são in-
caminhos de entrada e saída são dicados para aplicações nas quais
os mesmos (SENAI, 1980). não seja exigida a isolação elétri-
Conheça a seguir um esquema ca entre primário e secundário e
simplificado do autotransforma- que a diferença entre as tensões
dor: do primário e do secundário não
ultrapasse 50%. Uma aplicação
muito comum para autotransfor-
madores são as chaves compen-
sadoras utilizadas nas partidas de
motores (SENAI, 1980).
Figura 20 - Comportamento da corren-
te no autotransformador
Fonte: SENAI (1980, p. 45).

Figura 18 - Esquema do autotransfor-


mador simples Nesse exemplo, a corrente foi
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 75). mais que dobrada. Mas foi ne-
cessária apenas uma bobina, por
isso, o núcleo deve ter capacidade

MÁQUINAS ELÉTRICAS 33
apenas para a corrente induzida. onde será instalado e geralmen- intercalado em série com um con-
Num transformador comum, se- te seu enrolamento secundário é dutor de um sistema de potência,
ria necessário o dobro de seção projetado para tensões nominais apresenta algumas especialidades
do núcleo para a mesma carga. de 115 V. que exige algumas considerações
Daí o fato de esse transforma- O transformador de potencial é complementares em relação aos
dor ser econômico quanto ao muito utilizado em sistemas de transformadores de potencial.
emprego de materiais (SENAI, proteção para sistemas de potên- O transformador de potencial tem
1980). cia, nesta aplicação ele tem a fun- o comportamento de uma fonte
ção de abaixar o nível de tensão de tensão, já o transformador de
Exemplo 2 para que o voltímetro possa ser corrente se comporta como uma
utilizado para monitoramento de fonte de corrente, a existência de
Se a bobina tem no primário 200
tensão. Também é aplicado nos um transformador de corrente
espiras para 100 V, e você deseja
sistemas de proteção para o acio- em um condutor do sistema pra-
no secundário 50 V, observando a
namento da bobina de gatilho de ticamente não altera a corrente IP
figura a seguir, o número de espi-
disjuntores de alta tensão para que conforme apresentado na figura a
ras no secundário pode ser calcu-
os mesmos não sejam comanda- seguir, independentemente da sua
lado da seguinte forma:
dos em alta tensão (NASCIMEN- carga (instrumento de medição)
TO JR., 2008). (JORDÃO, 2002).

Calculando:
E2 E2 100 50
N1 N 2 200 x
50.200
x x 100 espiras
100

Figura 23 - Transformador de corrente


Figura 22 - Transformador de potencial
Fonte: Jordão (2002, p. 12).
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 78).

Figura 21 - Autotransformador
Diferentemente dos transfor-
Fonte: SENAI (1980, p. 47). madores de potencial, o trans-
Apresentam correntes em va- formador de corrente não pode
zio consideravelmente maiores operar com seus secundários em
Portanto, para obter a tensão de- do que os transformadores de circuito aberto, pois caso ocorra,
sejada (50 V) no secundário, deve- potência e geralmente a defasa- toda a corrente IP passaria a atuar
se ter uma derivação com 100 es- gem entre corrente e tensão no como corrente magnetizante, ge-
piras (SENAI, 1980). secundário é muito pequena em rando altos valores de induções e
decorrência da natureza ôhmica
causando excessivas perdas e al-
da impedância das cargas (ins-
tas temperaturas no ferro, tendo
SEÇÃO 2 trumentos de medição).
como consequência a degradação
Transformador de do material isolante do equipa-
mento.
potencial
SEÇÃO 3 As principais aplicações para o
O transformador de potencial transformador de corrente são:
Transformador de proteção e medição de corrente.
não difere dos transformadores
comuns com núcleos de ferro, corrente
seu enrolamento primário é pro-
jetado para operar sob condições O transformador de corrente ope-
de tensão e frequência específicas ra com seu enrolamento primário

34 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Figura 24 - Transformador de corrente
para medição
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 79).
Figura 26 - Transformador de corrente.
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 79).
Acompanhe com atenção o exemplo.

Exemplo 3

Considerando um TC instalado com uma corrente de 1.000 A, com cor-


rente no secundário de 10 A (relação de 1.000/10 A). Monitorando as
correntes temos o seguinte resultado:

E = 20 V, Imag = 0,2 A, Is = 9,8 A, lido no amperímetro.


Figura 25 - Transformador de corrente
Calculando, temos: Xt = Xd // Xmag = E / Is = 2,04 Ω.
para proteção
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 79)

O instrumento de medição de corrente ligado ao TC deve ser instalado


Existem diversas relações de de acordo com a figura a seguir, sendo o botão b1 responsável pelo dire-
transformação como, por exem- cionamento da corrente para o amperímetro, possibilitando a sua leitura.
plo, em um sistema no qual a O amperímetro também pode ser ligado diretamente ao TC e essa cone-
corrente é da ordem de 1.000 A xão deve ser realizada com o equipamento desligado (JORDÃO, 2002).
e pode ser reduzida para 10 A,
essa corrente será proporcional à
corrente do sistema. Os fabrican-
tes de TC disponibilizam equipa-
mentos com diversas relações de
transformação.
A figura a seguir apresenta um
modelo matemático para o TC.

Figura 27 - Instrumento de medição conectado ao transformador


Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 80).

Esta unidade apresentou informações importantíssimas sobre transfor-


madores e autotransformadores e demonstrou suas aplicações por meio
de exemplos. Isso significativamente transforma sua aprendizagem, ga-
rantido aplicabilidade segura na sua área de atuação profissional.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 35
Unidade de
estudo 4
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução
Seção 2 – Princípios de funcionamento
Seção 3 – Aspectos construtivos
Seção 4 – Geração de corrente trifásica
Seção 5 – Ligações no sistema trifásico
Seção 6 – Tensão nominal múltipla
Seção 7 – Comportamento do gerador
em vazio e sob carga
Seção 8 – Características dos rotores de
geradores
Seção 9 – Reatância síncrona
Seção 10 – Regulação de tensão
Seção 11 – Perdas e eficiência
Seção 12 – Potência em máquinas de
polos salientes
Seção 13 – Sincronização
Geradores de Corrente Alternada
SEÇÃO 1
Introdução
A característica principal de um
gerador elétrico é transformar
energia mecânica em elétrica.
Uma máquina síncrona é uma
máquina CA na qual sua veloci-
dade é proporcional à frequência
de sua armadura. O seu rotor em
conjunto com o campo magnéti-
co criado gira na mesma velocida-
de ou sincronismo que o campo
magnético girante.
Os geradores de corrente alter-
nada também são chamados de
alternadores e praticamente toda Figura 28 - Esquema de funcionamento de um gerador elementar (armadura
energia elétrica consumida nas re- girante)
sidências e indústrias é fornecida Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 45)
pelos alternadores das usinas que
produzem energia elétrica.
Considerando que a bobina gire com uma velocidade constante dentro
Agora você conhecerá como é o do campo magnético “B” com velocidade “V”, o valor da f.e.m. induzi-
funcionamento de um gerador da no condutor dado pela segunda Lei de Indução de Faraday é tida
CA. Vamos em frente? como:

SEÇÃO 2 e B.l.v.sen( )
Princípios de funciona-
mento
Sendo: Com um formato conveniente da
Visando simplificar a análise do sapata polar, pode-se conseguir
▪ e = força eletromotriz;
funcionamento de um gerador uma distribuição senoidal das in-
CA, também chamado de alter- ▪ B = indução do campo mag- duções e, dessa forma, a f.e.m.
nador, analisaremos inicialmente nético; também terá um comportamento
o modelo simplificado composto ▪ l = comprimento de cada senoidal ao longo do tempo. A fi-
por uma única espira que se en- condutor; gura a seguir apresenta um lado da
contra imersa em um campo mag- ▪ v = velocidade linear; bobina no campo magnético em
nético gerado por um imã perma- doze posições diferentes, variação
nente, conforme apresentado na ▪ θ = ângulo formado entre B angular de 30° e na Figura 29 po-
figura a seguir (JORDÃO, 2002). e v. demos analisar o comportamento
Com o movimento relativo da bo- das induções em relação à posição
bina em relação ao campo magné- Para um equipamento composto angular (JORDÃO, 2002).
tico é gerado um valor instantâ- por N espiras, temos:
neo da força eletromotriz (f.e.m.)
induzida no condutor, conectado
a dois anéis ligados ao circuito ex- e B.l.v.sen( ).N
terno por meio de escovas.
MÁQUINAS ELÉTRICAS 37
A frequência de uma máquina síncrona em ciclos por segundo (hertz) é
dada por:

p.n
f [Hz ]
120 (Equação 30)

Sendo:
ƒ f = frequência (Hz);
ƒ p = número de polos;
ƒ n = rotação síncrona (rpm).

Figura 29 - Distribuição da indução


magnética sob um polo Para que se tenha a formação de pares de polos, o número de polos terá
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 46). de ser sempre par. Na tabela a seguir são apresentadas as velocidades
síncronas em função das polaridades e das frequências mais usuais.

A figura a seguir apresenta o es-


quema de funcionamento de um Tabela 1 - Velocidades síncronas
gerador elementar com armadura Números de pólos 60Hz 50Hz
fixa, no qual a tensão de armadura 2 3600 3000
é extraída do enrolamento de ar-
4 1800 1500
madura sem passar pelas escovas.
Geralmente para geradores com 6 1200 1000
esta forma construtiva a potência 8 900 750
de excitação gira em torno de 5% 10 720 600
da potência nominal.

Os assuntos nesta unidade precisam muito da sua atenção para que você
possa compreender como funciona um gerador CA, preparado para
continuar? Então vamos juntos.

SEÇÃO 3
Aspectos construtivos
No gerador CA podemos ter uma bobina rotacionada dentro de um
Figura 30 - Esquema de funcionamento campo magnético ou podemos ter o elemento responsável pela excita-
de um gerador elementar (armadura ção, gerador de campo magnético, sendo rotacionado e fazendo com
fixa) que surja uma tensão induzida na bobina fixa no estator do gerador. Os
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 46). contatos responsáveis pela conexão entre a parte girante do gerador e a
parte fixa são feitos por meio de escovas. O contato entre as escovas e os
As máquinas podem ser projeta- anéis, que são fixos no eixo, é contínuo e o número de conjuntos anéis/
das com um enrolamento com- escovas é equivalente ao número de fases geradas. O detalhamento dos
posto por um ou mais pares de anéis pode ser observado na figura a seguir.
polos que serão sempre distri-
buídos alternadamente (um nor-
te e um sul). Considerando uma
máquina com um par de polos, a
cada giro das espiras temos um ci-
clo (JORDÃO, 2002).

38 CURSOS TÉCNICOS SENAI


SEÇÃO 5
Ligações no sistema trifásico

Ligação triângulo
As tensões e correntes de fase são as tensões e correntes de cada um
dos sistemas monofásicos analisados e são representadas por VF e IF.
Figura 31 - Conjunto de anéis/escovas
Ligando os sistemas monofásicos, observe na figura a seguir, teremos as
tensões e correntes entre quaisquer duas fases denominadas de tensões
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 168).
e correntes de fase e são representadas por VL e IL.

SEÇÃO 4
Geração de corrente
trifásica
Você sabia que a associação de
três sistemas monofásicos com
uma defasagem entre si de 120°
compõe um sistema trifásico?
Figura 33 - Ligação triângulo
Veja a figura:
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 48).

Segundo WEG S.A. ([200-?], p. 45), analisando o esquema da figura an-


terior, percebe-se que:
▪ a tensão de linha VL é imposta na carga e a mesma é igual a VF que
a tensão do sistema monofásico correspondente, ou seja, .
▪ a somatória das correntes das duas fases é igual à própria corrente
de linha, ou seja,

Em decorrência da defasagem das correntes, a soma entre as mesmas


deverá ser feita graficamente na figura a seguir e chega-se à seguinte
Figura 32 - Sistema trifásico
expressão:
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 47).

IL IF ˜ 3 1,732 ˜ IF
Para se obter o equilíbrio do siste-
ma, ou seja, VL1 = VL2 = VL3,
cada bobina deverá ser composta
de número de espiras igual.
Existem duas formas usuais de se
obter um sistema trifásico com-
posto por três sistemas monofá-
sicos, os esquemas de ligação es-
trela e ligação triângulo, os quais
você estudará em detalhes na se-
quência.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 39
Acompanhe os exemplos. Analisando o esquema da figura
apresentada anteriormente, per-
Exemplo 1 cebe-se que:
▪ as correntes de linha IL e as
correntes de fase IF em cada
cabo conectado são iguais, ou
seja, IL = IF;
▪ a tensão entre dois cabos
quaisquer do sistema trifásico
(observe a figura a seguir) é a
soma gráfica das tensões das
fases nas quais os cabos estão
conectados, ou seja:
Figura 34 - Resultante da soma das correntes
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 48).
VL VF 3 1,732 VF
Um sistema trifásico com tensão nominal de 380 V, com corrente de
linha IL medida de 6 A, é ligado a uma carga trifásica ligada em triân-
gulo. Considerando o sistema equilibrado e as cargas iguais, determine a
tensão e a corrente nas mesmas.

Em cada uma das cargas a tensão será:


VF = V1 = 380 V
A corrente em cada uma das cargas será:
IL = 1,732 x IF
IF = 0,577 x IL = 0,577 x 6 = 3,46 A

Figura 36 - Tensão entre dois cabos


quaisquer do sistema trifásico
Ligação estrela
Fonte: weg s.a. ([200-?], p. 49).
Conectando os três sistemas monofásicos a um ponto comum, os três
cabos restantes formam um sistema trifásico em estrela, como na figura
a seguir. Pode-se ainda ter um sistema trifásico em estrela a “quatro Exemplo 2
fios”, considerando o neutro que é ligado ao ponto comum às três fases. Considerando uma carga trifásica
As definições de tensão e corrente de linha são as mesmas já citadas na composta por três cargas iguais
ligação triângulo (WEG S.A., [200-?]). ligadas a uma tensão de 127 V
consumindo uma corrente de 8,0
A, determine a tensão nominal e a
corrente de linha que alimentam
essa carga.

Em cada uma das cargas a corren-


te será:

IL = IF = 8,0 A

Figura 35 - Ligação estrela


Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 49).

40 CURSOS TÉCNICOS SENAI


A tensão em cada uma das cargas será: É comum em geradores o for-
necimento em três tensões
220/380/440 V. Para a obtenção
VF = 127 V (nominal de cada carga) da tensão de 380 V, deve-se ligar
VL = 1,732 x 127 Volts = 220 V
o gerador em 440 V e mudar a
referência do regulador de ten-
são, dessa forma podemos obter
as três tensões mais utilizadas na
ligação Y.
SEÇÃO 6
Tensão nominal múltipla
Você saiba que existem ligações que possibilitam o funcionamento do
gerador síncrono em mais de uma tensão?
Portanto, é necessário que o equipamento tenha disponível os terminais
para a alteração na conexão. Para o funcionamento do equipamento em
mais de uma tensão, os seguintes tipos de ligação são utilizados. Acom-
panhe.

Ligação série-paralela
Dividindo cada fase do enrolamento em duas partes, as mesmas são
ligadas em série ficando cada uma com a metade da tensão de fase no-
minal. Se as duas metades da fase forem ligadas em paralelo, a tensão da
máquina será a mesma da tensão anterior de forma que a tensão aplicada
em cada bobina não é alterada. Pode-se observar na figura a seguir os
esquemas de ligação com exemplos numéricos (WEG S.A., [200-?]).

Figura 37 - Tensão nominal múltipla


Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 50).

MÁQUINAS ELÉTRICAS 41
Ligação Tensão de linha Corrente de linha Potência SEÇÃO 7
Y vL=VF. √3 IL = IF P = 3. VF . 1F Comportamento do
△ VL = VF IL = IF . √3 P = √3.VL.1L
gerador em vazio e sob
Quadro 4 - relação entre tensões (linha/fase) correntes (linha/fase) e potência em
carga
um sistema trifásico.

Em rotação constante (a vazio) a


Ligação estrela-triângulo tensão na armadura depende da
corrente que circula no enrola-
A ligação estrela-triângulo exige que a máquina síncrona possua seis ter-
mento de campo, para essa con-
minais acessíveis e possibilita que o equipamento trabalhe com duas ten-
dição o estator não é percorrido
sões nominais como, por exemplo: 220/380 V - 380/660 V - 440/760 V.
por corrente, sendo nula a reação
Ligando as três fases em triângulo cada uma das fases estará sob a tensão da armadura.
de linha, por exemplo 220 V. Observe a figura a seguir.
O comportamento da tensão ge-
rada em relação à corrente de ex-
citação é apresentado na figura a
seguir e essa relação é denominada
de característica a vazio.

Figura 38 - Ligação triângulo manual Figura 40 - Característica a vazio


Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 51). Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 52).

Ligando as três fases em estrela, conforme a figura a seguir, o equipa- Quando uma carga é imposta ao
mento pode ser ligado a uma linha de 380 V de forma que a tensão nos gerador, um campo magnético
enrolamentos continue com 220 V (WEG S.A., [200-?]). é criado pela corrente que passa
nos condutores da armadura fa-
zendo com que a intensidade e a
distribuição do campo magnético
sejam alteradas e essas alterações
variam conforme as caracterís-
ticas da carga. Vamos conhecer
juntos.

Carga puramente
resistiva
Na alimentação de uma carga
Figura 39 - Ligação estrela puramente resistiva é criado um
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 51). campo magnético próprio gerado
pela corrente de carga. Para um
gerador bipolar, veja a figura a se-
Preparado para mergulhar no próximo tema? guir, são gerados dois polos com

42 CURSOS TÉCNICOS SENAI


uma defasagem de 90o em rela- Sendo:
ção aos polos principais, e estes fluxo principal em vazio Ø0;
exercem sobre os polos induzidos fluxo de reação da armadura
uma força contrária ao sentido de ØR.
giro, consumindo uma parte da
potência (potência mecânica) para
que o motor permaneça girando Carga puramente
(WEG S.A. [200-?]).
indutiva
Na alimentação de uma carga in-
dutiva a corrente de carga está de- Figura 44 - Carga puramente indutiva
fasada de 90o em atraso com rela-
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 53).
ção à tensão. A direção do campo
principal e do campo de reação da
armadura será a mesma, no entan-
to, com polaridade oposta, obser- Carga puramente ca-
ve na figura a seguir. pacitiva
Para a carga puramente capaciti-
Figura 41 - Gerador bipolar va a corrente de armadura possui
uma defasagem de 90o em adian-
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 53).
tamento em relação à tensão. A
direção do campo principal e a di-
A variação do fluxo principal em reção do campo da reação da ar-
vazio em relação ao fluxo de rea- madura são as mesmas e possuem
ção da armadura é apresentada no a mesma polaridade, conforme
gráfico da figura a seguir. Para que figura a seguir. Para este caso, o
seja mantida a tensão nominal, campo induzido tem um efeito
devido à perda de tensão, faz-se magnetizante.
necessária a elevação da corrente Figura 43 - Polaridades opostas
de excitação. Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 53).

O efeito da carga indutiva é des-


magnetizante, conforme pode ser
observado na figura a seguir. Em
decorrência desse efeito desmag-
netizante, é necessário um au-
mento da corrente de excitação
para manter o nível de tensão no-
minal. Cargas indutivas têm como
característica o armazenamento Figura 45 - Polaridades alinhadas
de energia, a qual é devolvida ao Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 53).
gerador, não exercendo conjuga-
do frenante sobre o induzido.
Figura 42 - Carga puramente resistiva
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 53).

MÁQUINAS ELÉTRICAS 43
Cargas intermediárias
Na prática, o que encontramos
são cargas com defasagem inter-
mediária com características re-
sistivas e capacitivas ou com ca-
racterísticas resistivas e indutivas,
o efeito magnetizante ou desmag-
netizante deverá ser compensado
alterando a corrente de excitação
(WEG S.A., [200-?]).
Figura 49 - Rotor de polos salientes
Figura 46 - Carga puramente capaci- Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 56).
tiva SEÇÃO 8
Podemos seguir em frente?
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 53). Características dos
rotores de geradores
Nas cargas capacitivas ocorre o SEÇÃO 9
acúmulo de energia em seu cam- Os rotores dos geradores síncro-
po elétrico, que é devolvida ao nos podem ser de polos lisos ou Reatância síncrona
gerador, não exercendo conju- polos salientes. Você estudará
gado frenante sobre o induzido, suas características a seguir. Após o período de transitório, a
assim como nas cargas indutivas. reatância é dada por (WEG S.A.,
1. Polos lisos: são rotores nos [200-]):
Em decorrência do efeito mag-
quais o entreferro é constante
netizante, é necessária uma redu-
ao longo de toda a periferia do
ção da corrente de excitação para E
núcleo de ferro. xd
manter o nível de tensão nominal, I
conforme apresentado na figura a
Sendo:
seguir.
▪ E = valor eficaz da tensão fase
a neutro nos terminais do gera-
dor, antes do curto-circuito;
▪ I = valor eficaz da corrente de
curto-circuito.

O conhecimento da grandeza da
reatância é importante, uma vez
que o valor da corrente no estator
Figura 47 - Variação da corrente de Figura 48 - Rotor de polos lisos após a ocorrência de um curto-
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 55).
excitação para manter a tensão de circuito nos terminais da máqui-
armadura constante na estará em função do valor da
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 54). 2. Polos salientes: são rotores reatância.
que apresentam uma desconti-
nuidade no entreferro ao lon-
go da periferia do núcleo de
ferro. Nesses casos, existem
as chamadas regiões interpola-
res onde o entreferro é muito
grande, tornando a saliência
dos polos visível.

44 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Acompanhe o exemplo.
SEÇÃO 10
Regulação de tensão Exemplo
Um gerador possui uma demanda
Segundo Gussow (1985), a regulação de tensão de um gerador CA re-
de carga de 5,5 kW e tem como
presenta o aumento percentual na amplitude da tensão no terminal à
propulsor um motor de 10 hp.
medida que a carga vai diminuindo da corrente especificada da carga
máxima até zero, e é dada por:

tensão sem carga  tensão com carga máxima


Regulação de Tensão
tensão com carga máxima

Exemplo
Um gerador sem carga opera com uma tensão de 120 V. Quando se
impõe uma carga ao mesmo, sua tensão de saída é reduzida para 115 V.
Calcule sua regulação de tensão sabendo que sua corrente de campo não
é alterada (GUSSOW, 1985).

Regulação de tensão= tensão sem carga+tensão com carga máxima


tensão com carga máxima

Regulação de tensão= 120-115 = 5 = 0,0043 = 4,3%


115 115

O próximo assunto é muito importante, prepare-se!

SEÇÃO 11
Perdas e eficiência
As perdas existentes no gerador são constituídas por: perdas no cobre
na excitação de campo, perdas no cobre da armadura e perdas mecâni-
cas. E a eficiência EF é dada pela razão entre a potência útil de saída e a
potência total de entrada (GUSSOW, 1985).

Ef= potência útil de saída


potência total de entrada

MÁQUINAS ELÉTRICAS 45
Determine a eficiência do gerador:

746W
potência total de entrada 10hp ˜ 7460W
hp
potência útil de saída 5,5kW 5.500W

potência útil de saída 5.500


EF 73,7%
potência total de entrada 7.460

SEÇÃO 12
Potência em máquinas de polos salientes
Para Gussow (1985), a potência em máquinas de polos salientes pode ser
dada em função do ângulo de carga entre os fasores de tensão de fase
UF e a força eletromotriz induzida E0 e é dada por:

P m.U F .I F .cos M
Sendo:
ƒ m = número de fases;
ƒ UF = tensão de fase;
ƒ IF = corrente de fase.

Um diagrama de tensão para o gerador síncrono de polos salientes é


apresentado na figura a seguir, sendo que “xd” e “xq” são respectiva-
mente a reatância do eixo direto e em quadratura.

Figura 50 - Diagrama de tensão


Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 60)

Podemos seguir em frente?

46 CURSOS TÉCNICOS SENAI


SEÇÃO 13
Sincronização

Você sabia que no Brasil


grande parte da energia
disponível no setor de dis-
tribuição é proveniente de Figura 51 - Fontes geradoras em siste-
várias fontes? ma trifásico
Essas fontes devem estar inter- Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 172).
ligadas entre si para garantir que
toda a demanda do sistema seja
atendida. Para Nascimento Jr. (2008), a exe-
cução da sincronização com base
Para que sejam interconectadas,
na figura anterior deve ser o se-
fontes geradoras diferentes de-
guinte procedimento:
vem estar sob a mesma tensão,
frequência e em concordância de 1. ajustar o nível de tensão;
fase e quando esse conjunto de
fatores é atendido, chama-se de 2. corrigir a sequência de fase e
sincronismo. eventual defasagem/frequên-
Na figura a seguir você pode ob- cia.
servar um exemplo de conexão Para a realização da correção de
entre duas fontes geradoras em fase é necessário que duas fases
sistema trifásico. Se as lâmpadas sejam invertidas. Para a correção
indicadas estiverem apagadas es- da defasagem, deve-se corrigir a
tarão mostrando que os sistemas velocidade do motor que fornece
possuem mesmo nível de tensão força motriz. Uma vez em sincro-
e frequência e estão em fase, se nismo com a rede, o gerador fica
não houver sincronismo entre os amarrado eletromagneticamente
geradores, o funcionamento da à mesma e caso ocorra alteração
lâmpada será intermitente. na força motriz, a frequência não
será mais afetada, afetando apenas
a potência cedida à rede.
Você finalizou mais uma etapa
de estudos, e os conhecimentos
apreendidos contribuirão muito
para sua experiência profissional.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 47
Unidade de
estudo 5
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução
Seção 2 – Operação e funcionamento
Seção 3 – Servomotor
Motor Síncrono
SEÇÃO 1
Introdução
Um motor síncrono tem como uma de suas aplicações o controle do fa- Como citado anteriormente, o
tor de potência, absorvendo potência reativa da rede, e tem a vantagem motor síncrono é incapaz de atin-
de simultaneamente poder acionar uma carga no eixo. Caracteriza-se por gir a velocidade síncrona partindo
ter a mesma velocidade de rotação do campo girante da armadura em da inércia, sob carga, sem proce-
regime permanente e por não possuir conjugado de partida (NASCI- dimentos auxiliares para a partida,
MENTO JR., 2008). pois os dois polos formados no
Na prática, é comum realizar a partida de um motor síncrono como rotor não conseguem acompa-
se fosse um motor assíncrono e posteriormente excitar o indutor, ali- nhar a velocidade do campo mag-
mentando o enrolamento de campo com corrente contínua de forma a nético girante trifásico no estator
sincronizá-lo. (NASCIMENTO JR., 2008).
Uma forma de solucionar o pro-
blema da limitação do motor
SEÇÃO 2 síncrono na partida é realizar o
Operação e funcionamento acoplamento junto ao motor au-
xiliar e realizar o desacoplamento
Esta máquina síncrona possui dois tipos de enrolamento, o enrolamento a 90% da velocidade do campo gi-
trifásico no estator e o enrolamento com corrente contínua no rotor. rante, pois a partir desse momen-
Para o funcionamento como motor temos que aplicar uma tensão tri- to o motor síncrono conseguirá
fásica ao estator, responsável pela geração de um campo girante que buscar a sincronia com o campo
possui velocidade de acordo com o número de polos do enrolamento e magnético no estator.
com a frequência de alimentação (NASCIMENTO JR., 2008).
No enrolamento do rotor é aplicada uma tensão CC para que seja gera-
do um campo magnético constante que acompanhará o campo magné-
tico girante. Confira pela figura a seguir

Figura 53 - Limitação na partida


Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 211).

Figura 52 - Operação e funcionamento


Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 21).

MÁQUINAS ELÉTRICAS 49
O fornecimento de potência reativa capacitiva à rede (capacitor) é reali- Princípio de funciona-
zado elevando a corrente de excitação do rotor de forma que o campo
gerado nele seja maior do que o necessário para que o rotor acompanhe
mento e características
o campo girante (NASCIMENTO JR., 2008). O servomotor possui um enro-
Para que seja absorvida a potência reativa indutiva da rede (indutor), o lamento trifásico no rotor espe-
motor síncrono deve ser subexcitado, já que necessitará desse tipo de cialmente projetado para conferir
potência para manter o rotor em sintonia com campo girante. características especiais de velo-
Podemos utilizar como exemplo o triângulo das potências, em que a po- cidade, torque e posicionamen-
tência reativa capacitiva é fornecida por capacitores e a potência reativa to, não sendo possível ligar esse
indutiva é gerada pelas máquinas indutivas. Confira na figura a seguir. enrolamento a uma rede trifásica
convencional, apresenta tam-
bém uma configuração diferente
das demais máquinas síncronas
(NASCIMENTO JR., 2008).
O rotor é composto de diversos
imãs permanentes e em uma de
suas extremidades é instalado um
gerador de sinais que tem o obje-
tivo de fornecer parâmetros para
a velocidade e o posicionamento.
Para o acionamento do servomo-
tor é necessária a utilização de um
servoconversor, painel eletrônico
Figura 54 - Triângulo das potências e controle/ajustes de variáveis
Fonte: Nascimento Jr. (2008, p. 211). do servomotor (NASCIMENTO
JR., 2008).
A potência aparente é resultado da soma vetorial da potência ativa com O circuito elétrico que pode ser
a reativa e pode ser determinada multiplicando a corrente medida com utilizado como referência para a
a tensão aplicada. instalação de um servomotor é
apresentado na figura a seguir.
Podemos seguir adiante?

SEÇÃO 3
Servomotor
Introdução

Um servomotor é uma máquina síncrona com características especiais


de torque, velocidade e posicionamento.
Apresenta ótimas características de torque e excelente possibilidade de
posicionamento, sendo utilizado em aplicações nas quais seja necessário
o controle da rotação/posicionamento do eixo.

50 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Figura 55 - Instalação de um servomotor
Fonte: Filippo Filho (2000, p. 229).

Esta unidade trouxe conhecimentos sobre o motor síncrono, sua aplica-


bilidade e funcionamento. Você também pôde conhecer o servomotor,
uma máquina com características especiais. Todo esse conteúdo lhe aju-
dou a ampliar sua prática na área técnica e fazê-lo um grande profissio-
nal.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 51
Unidade de
estudo 6
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução
Seção 2 – Visão geral
Seção 3 – Aspectos construtivos
Seção 4 – Princípios de funcionamento
Seção 5 – Velocidade síncrona
Seção 6 – Escorregamento
Seção 7 – Circuito equivalente
Seção 8 – Obtenção dos parâmetros do
circuito equivalente
Seção 9 – Equações gerais
Seção 10 – Características eletromecânicas
Seção 11 – Métodos de partida
Motores Trifásicos de Indução de
Corrente Alternada

de quilowatts) onde, usualmente,


SEÇÃO 1 utilizam-se baixas tensões, cerca
Introdução de 440 V.
Inicialmente daremos maior ên-
O motor elétrico é uma máquina com a capacidade de converter energia fase aos motores trifásicos as-
elétrica em energia mecânica, como você pode acompanhar na figura a síncronos que são amplamente
seguir: utilizados por possuírem diversas
vantagens tais como: facilidade de
manutenção, grande confiabilida-
de e atender a maioria dos torques
de partidas para as mais diversas
aplicações.
A utilização em grande escala de
motores elétricos se deve tam-
bém à sua relação com o tipo de
energia utilizada (energia elétrica),
Figura 56 - Transformação de energia no motor considerada uma energia limpa
Fonte: Filippo Filho (2000, p. 58). e de baixo custo. Estima-se que
cerca de 40% da energia elétrica
A energia mecânica é utilizada no acionamento de diversos tipos de má- consumida no país é destinada ao
quinas e equipamentos, principalmente na aplicação industrial, poden- acionamento de motores elétri-
do-se citar as seguintes aplicações: manipulação e transporte de cargas, cos em geral (FILIPPO FILHO,
processamento de materiais e transporte de fluidos. 2000), os demais responsáveis
Compressores, ventiladores, exaustores e bombas (água e óleo) são pelo consumo de energia são es-
exemplos de aplicações para transporte de fluidos. Tornos, fresas, pren- sencialmente processos eletroquí-
sas, lixadeiras, extrusoras e injetoras são exemplos de aplicações para micos, aquecimento e iluminação
processamento de materiais. Elevadores, pontes rolantes, esteiras, guin- (WEG S.A., [200-?]).
dastes, talhas, trens e carros elétricos são exemplos de aplicações para a Na figura seguir você pode obser-
manipulação e o transporte de carga (WEG S.A, [200-?]). var os diversos tipos e configura-
O motor elétrico CA é a máquina mais largamente utilizada nos setores ções de motores elétricos.
da indústria, comércio, meio rural, setores comercial e residencial.
Os motores de indução CA podem ser divididos em síncronos e assín-
cronos, o motor CA assíncrono é também chamado de motor de in-
dução, pois como os transformadores, seu princípio de funcionamento
está estruturado na indução eletromagnética.
O nível de tensão de alimentação desses motores geralmente está rela-
cionado com a potência a ser acionada pelo equipamento. Portanto, po-
dem ser fabricados para aplicações que exijam altas potências (milhares
de quilowatts) em que suas tensões possam ser superiores a 2.000 V e
podem ser fabricados para aplicações com potências reduzidas (frações

MÁQUINAS ELÉTRICAS 53
Figura 57 - Universo tecnológico em motores elétricos
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 12).

SEÇÃO 2
Visão geral
A produção dos motores trifásicos assíncronos é realizada de acordo
com normas estabelecidas por algumas instituições em diversos países.
A normalização se faz necessárias para que haja uma padronização dos
mais diversos fabricantes, entre as instituições de normalização, pode-se
citar, segundo WEG S.A. ([200-?]):

▪ Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT);


▪ International Electrotechnical Commission (IEC);
▪ National Electrical Manufacturers Association (NEMA);
▪ Deustches Institut für Normung (DIN).

A ABNT determina que as seguintes normas devam ser seguidas por


parte dos fabricantes de motores:

54 CURSOS TÉCNICOS SENAI


▪ NBR 7094: máquinas elétricas girantes: motores de indu- SEÇÃO 3
ção: especificação; Aspectos construtivos
▪ NBR 5432: motores elétricos de indução: padronização;
▪ NBR 5383: máquinas elétricas girantes: máquinas de indu-
ção: determinação das características.
Carcaça
Estruturalmente as carcaças su-
portam o conjunto estator-rotor,
Alguns fabricantes dividem os motores em grupos com características podem ser abertas ou totalmente
distintas. O primeiro grupo é o dos motores totalmente fechados com fechadas. Se totalmente fechadas,
ventilação externa, para tanto, é necessário que o mesmo possua carcaça devem possuir aletas para auxiliar
aletada. São fabricados com potências até aproximadamente 600 cv e na dissipação de calor do motor.
geralmente são fabricados com 2, 4, 6 e 8 polos com tensão de linha 220 Podem ser fabricadas em alumí-
V, 380 V ou 440 V com 3, 6, 9 ou 12 terminais para uma frequência de nio, em aço ou em ferro fundido
60 Hz (NASCIMENTO JR., 2008). (mais comumente utilizada por
Seus projetos deverão atender as normas NBR 7094, NBR 5432, NBR apresentar uma boa relação entre
5383 e NBR 6146. Geralmente, os motores pertencentes a este grupo resistência estrutural e custo). As
possuem uma caixa de ligação onde é realizada a conexão dos terminais carcaças abertas são geralmente
do motor com a rede e uma caixa de ligação auxiliar onde é realizada a fabricadas em aço e não possuem
conexão dos acessórios (sensores de temperatura para alarme e desliga- aletas (FILIPPO FILHO, 2000).
mento e resistências de aquecimento). São complementadas pelas tam-
Existe ainda o grupo dos motores à prova de explosão, em que sua pas traseiras e dianteiras que para
aplicação é destinada a ambientes de risco com possível presença de algumas aplicações são substituí-
gases inflamáveis onde apenas uma faísca pode gerar uma explosão. Seu das por flange para a fixação do
principal diferencial está na carcaça reforçada e na garantia da vedação motor (observe a figura a seguir),
entre os componentes (tampas, carcaças, caixas de ligação, anéis, etc.), nessas tampas estão os assentos
para tanto, o critério para aceitação destes motores se torna bastante dos rolamentos para a sustenta-
rígido. É importante salientar que eletricamente este motor não possui ção do rotor.
especialidades em relação aos demais motores.
Outro grupo de motores são os motores de alto rendimento, que
têm como principal característica a redução de perdas. Essa redução de
perdas se deve a um grupo de fatores tais como: sistema de ventilação
mais eficiente, materiais magnéticos de melhor qualidade e projetos mais
refinados.
O mercado vem exigindo cada vez mais equipamentos que apresentem
maior eficiência energética e, embora mais caros, os motores de alto ren-
dimento se tornam interessantes economicamente a médio prazo pela
redução de seus custos operacionais (menor consumo de energia).
Outro pequeno grupo é o dos chamados motores fracionários, que
possuem carcaça lisa, ventilação externa, são abertos e apresentam 3 ou
6 terminais (WEG S.A., [200-?]).

Agora acompanhe os aspectos construtivos dos motores.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 55
Figura 59 - Rotores gaiolas
Fonte: Filippo Filho (2000, p. 297).

Figura 58 - Flanges com furos rosqueados, flanges com furos passantes


Ainda segundo Filippo Filho
Fonte: Filippo Filho (2000, p. 61).
(2000), os estatores e os rotores
possuem chapas laminadas e ali-
Geralmente as caixas de ligação são fixadas na carcaça que podem ser nhadas, formando um pacote de
posicionadas lateralmente ou no topo, os cabos do motor passam por chapas. Você pode ver na figura
um duto de passagem existente na carcaça para que sejam disponibiliza- a seguir que possuem ranhuras
dos dentro da caixa de ligação para futura conexão com a rede elétrica. internas nas quais é injetado o
A padronização da carcaça é normalizada pela NBR 5432. alumínio (rotores) e é realizada a
A carcaça também tem a função de invólucro do motor, a necessidade inserção das bobinas (estatores).
do grau de proteção varia de acordo a aplicação e está relacionada com
o ambiente onde o equipamento irá atuar. Por exemplo, um motor atu-
ando em um ambiente aberto deverá apresentar um grau de proteção
superior a um motor que atua em um ambiente fechado (FILIPPO FI-
LHO, 2000).
Motores de indução normais geralmente são fabricados com os seguin-
tes graus de proteção. Confira.
▪ IP54 – proteção completa contra toque e contra acúmulo de poeiras
nocivas (5). Proteção contra respingos de todas as direções (4). Utiliza-
Figura 60 - Rotores gaiolas
dos em ambiente com muita poeira.
Fonte: Filippo Filho (2000, p. 297).
▪ IP55 – proteção completa contra toque e contra acúmulo de poeiras
nocivas (5). Proteção contra jatos de água em todas as direções (5). Uti-
lizados em equipamentos que sofrem frequentemente a ação de jatos A chapa é composta por um aço
de água a limpeza. com baixo teor de carbono. O
▪ IP(W)55 – equivalente ao IP 55, porém protegidos contra chuvas e rotor do tipo gaiola de esquilos é
maresias, utilização em locais abertos. um conjunto de barras curto-cir-
cuitadas nas duas extremidades,
Os motores abertos geralmente são fabricados com grau de proteção ficando muito parecido com uma
IP21, que segundo a NBR 6146 são protegidos contra toque com os gaiola, razão pela qual recebeu
dedos e contra corpos estranhos sólidos com dimensão acima de 12 mm este nome.
(2) e proteção contra respingos na vertical (1).

Estator e rotor
Nos motores normais os rotores são do tipo gaiola de esquilos (veja a
figura a seguir), os rotores e os estatores constituem o núcleo magnético
do motor.

56 CURSOS TÉCNICOS SENAI


SEÇÃO 4
Princípios de funcionamento
Um campo magnético é criado quando uma bobina é percorrida por
uma corrente elétrica e a orientação do mesmo será conforme o eixo da
bobina, sua amplitude será proporcional à corrente aplicada.

Figura 61 - Gaiola
Fonte: Filippo Filho (2000, p. 64).

O eixo do motor atravessa o nú-


cleo magnético e é fixado ao mes-
mo ficando apoiado aos rolamen-
tos que por sua vez são apoiados
nas tampas e fixados por anéis,
um corte esquemático do motor
pode ser analisado na figura a se- Figura 63 - Princípio de funcionamento
guir. Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 29).

Pode-se verificar na figura anteriror que um “enrolamento trifásico” é


formado por três enrolamentos monofásicos deslocados angularmente
entre si em 120o. Alimentando o equipamento com um sistema trifásico
de correntes I1 , I2 e I3 cada uma das correntes criará seus campos mag-
néticos H1 , H2 e H3 que por sua vez também serão deslocados angular-
mente entre si em 120o (WEG S.A., [200-?], p. 14).

Figura 62 - Motor assíncrono de rotor


gaiola
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 14).

Existe ainda o chamado rotor bo-


binado, que possui enrolamentos
semelhantes aos do enrolamento
do bobinado do estator em subs-
tituição às barras, o acesso aos
terminais desse enrolamento é
feito por meio de um conjunto de
anéis/escovas de grafite.

Figura 64- Sistema trifásico equilibrado


Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 26).

MÁQUINAS ELÉTRICAS 57
A cada instante a somatória de todos os campos gerados H1, H2 e H3 Exemplo
cria um campo resultante “H”. Observe na figura a seguir que a am-
Determine a rotação de um mo-
plitude do campo “H” permanece constante ao longo do tempo e sua
tor 4 polos que opera em uma fre-
direção segue um movimento rotacional. Dessa forma, pode-se concluir
quência nominal de 60 Hz.
que para o motor com o enrolamento trifásico o campo magnético “H”
é “girante”, e esse campo girante induz tensões na barra do rotor que
geram corrente e como consequência é gerado um campo no rotor de
polaridade oposta à do campo girante (WEG S.A., [200-?], p. 30).
60 f 60 60
nS 1800rpm
p 2

Para que exista a formação de pa-


res de polos, o número de polos
deverá ser sempre par. Para as
“polaridades” e frequências mais
usuais, temos as seguintes veloci-
dades síncronas:

Figura 65 - Somatória dos campos


fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 30).

Em decorrência da atração entre os campos girantes opostos do estator


e do rotor, o rotor tende a acompanhar esse campo, gerando um conju-
gado que faz com que o motor gire, acionando a carga.

SEÇÃO 5
Velocidade síncrona
A velocidade síncrona de um motor é definida como a velocidade de
rotação de um campo girante, e é dependente de dois fatores: frequência
da rede (f), dada em hertz e do número de pares de polos (p).
Construtivamente os enrolamentos podem possuir um ou mais pares
de polos que se encontram sempre alternadamente dispostos no enro-
lamento. A cada ciclo o campo magnético girante percorre um par de
polos, assim a velocidade do campo é dada pela expressão (FILIPPO
FILHO, 2000):

60. f 120. f
nS (rpm)
p 2p

Acompanhe o exemplo.

58 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Quadro 5 - Rotações síncronas

Rotação síncrona por minuto


No. de polos f2 s f1
60 Hz 50 Hz
2 3.600 3.000
Sendo:
4 1.800 1.500
6 1.200 1.000
▪ f1 = frequência da corrente
estatórica (Hz);
8 900 750
▪ f2 = frequência da corrente
rotórica (Hz).

SEÇÃO 6
Escorregamento (s)
Com a aplicação de uma carga ao
Considerando que o rotor esteja girando na velocidade constante de rotor, ocorre a redução da veloci-
“n” rpm no mesmo sentido que o campo girante do estator, sendo nS dade com o consequente aumento
rpm a velocidade síncrona do campo de estator, dado pela equação 37 do escorregamento, da frequência
apresentada anteriormente. da corrente no rotor e da sua for-
A diferença entre a velocidade síncrona e a velocidade do rotor é citada ça eletromotriz induzida. Com o
usualmente como escorregamento do rotor. O escorregamento é ge- aumento da corrente induzida no
ralmente definido como uma fração da velocidade síncrona (FILIPPO rotor, tem-se um aumento na cor-
FILHO, 2000): rente primária no estator com me-
Inserir destaque lhor fator de potência produzindo
maior potência mecânica e exigin-
do maior potência da rede. A con-
dição de equilíbrio entre o torque
nS n gerado pelo motor e o torque re-
S
nS sistente da carga ocorre quando o
motor está à plena carga.
O fator de potência varia de 0,8
Sendo: em motores de baixas potências,
próximas a 1 cv, para cerca de 0,95
▪ nS = velocidade síncrona (rpm);
para motores de maiores potên-
▪ n = velocidade rotórica (rpm); cias, acima de 150 cv. Com cargas
▪ s = escorregamento. acima da plena carga, o fator de
potência se aproxima de um máxi-
Quando um motor gira com uma velocidade diferente da velocidade mo e então decresce rapidamente.
do campo girante (velocidade síncrona), circularão correntes induzidas Os caminhos do conhecimento
no rotor, quanto maior a carga maior será o conjugado necessário para são muitos, você já trilhou alguns
acioná-la. nesta caminhada, agora é hora de
A obtenção de um maior conjugado pode ser conseguida aumentando estudar os circuitos, acompanhe.
a diferença entre as velocidades do rotor e do campo girante no estator
para que os campos gerados e as correntes induzidas sejam maiores. Na
condição do motor trabalhando a vazio (sem carga), o mesmo apresen- SEÇÃO 7
tará uma rotação muito próxima à rotação síncrona. Circuito equivalente
A frequência da corrente induzida no rotor é dada pelo produto da fre-
quência da corrente no estator pelo escorregamento, ou seja (FILIPPO Para determinar as características
FILHO, 2000): de operação do motor de indução
trifásico e sua influência na rede

MÁQUINAS ELÉTRICAS 59
elétrica, é necessário representar os parâmetros do motor por meio de
circuito elétrico equivalente (FILIPPO FILHO, 2000).
Considerando o motor elétrico uma carga equilibrada, o mesmo pode
ser representado apenas por uma fase, ficando subentendido que as ten-
sões e as correntes nas demais fases podem ser obtidas por um simples
deslocamento adequado da fase, + 120o para motores trifásicos.
O circuito equivalente nos possibilita analisar as perdas no “cobre” e no
“ferro, potência mecânica, conjugado, corrente no estator, assim como
demais fatores.
O circuito equivalente do motor é muito parecido com o circuito equiva-
lente do transformador visto anteriormente (FILIPPO FILHO, 2000).

Sendo:
E2 tensão induzida “por fase”
quando o rotor está bloquea-
do;
X2 reatância de dispersão
“por fase”;
R2 resistência do rotor “por
fase”.

A corrente do rotor “por fase”


I2 para qualquer velocidade é
dada por:

E2
I2
R2 2
S
x 22

Considerando a indutância X1 e a resistência R1 do estator, o efeito


transformador do motor e a impedância do rotor, pode-se determinar
o circuito equivalente “por fase”, como pode ser observado na figura a
seguir. Os parâmetros X1 e R1 são respectivamente a reatância, devido
à dispersão do estator, e a resistência do mesmo (FILIPPO FILHO,
2000).

Figura 66- Circuito equivalente “por fase do motor”


Fonte: Filippo Filho (2000, p. 73).

Para o circuito equivalente com todos os parâmetros no primário, deve


ser adicionada uma resistência que represente as perdas no ferro (Rf) e
uma indutância de magnetização Xf, conforme é apresentado na figura a
seguir (FILIPPO FILHO, 2000).

60 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Figura 67 - Circuito equivalente “por fase” refletido no estator
Fonte: Filippo Filho (2000, p. 73).

Uma fração da potência transferida ao rotor R2r/s é dissipada nas barras


do rotor por Efeito Joule e a outra parte é dissipada no núcleo magné-
tico pelas perdas no ferro, histerese e correntes parasitas. Existem ainda
as perdas mecânicas que se concentram principalmente nas perdas rela-
cionadas ao sistema de ventilação e as perdas nos rolamentos.
Utiliza-se a equação abaixo para separar as perdas de natureza elétrica da
potência total transferida ao rotor.

R 2r 1 s
R 2r .R2r
s s

Sendo que R2r são todas as perdas de natureza elétrica do rotor e as


demais variáveis a potência mecânica total. Subtraindo-se as perdas por
ventilação e atrito obtém-se a potência mecânica útil e assim o circuito
equivalente passa a ser conforme apresentado na figura a seguir (FILI-
PPO FILHO, 2000):

Figura 68 – Circuito equivalente “por fase do motor”


Fonte: Filippo Filho (2000, p. 73).

Pode-se verificar que com o rotor bloqueado, ou seja, com s = 1 a resis-


tência variável se torna igual a zero, portanto, um curto. Para o caso em
que o rotor esteja na velocidade síncrona, ou seja, com s = 0 a resistência
variável seria infinita, fazendo com que o circuito fique aberto. Essas
situações não têm sentido prático.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 61
A próxima seção lhe reserva um assunto muito interessante e necessário Ensaio em vazio
para que você continue a explorar conhecimentos sobre circuitos.
No ensaio em vazio é aplicada a
tensão nominal do motor e moni-
SEÇÃO 8 toradas as correntes (A) em cada
fase com o auxílio do amperíme-
Obtenção dos parâmetros do circuito equivalente tro, as tensões (V) em cada fase
com o auxílio do voltímetro e
as potências ativa (kW) e reativa
A determinação dos parâmetros do circuito equivalente é realizada por (kVAr) com o auxílio do wattíme-
meio do ensaio em vazio e do ensaio com o rotor bloqueado. tro.
O ensaio em vazio é realizado sem acoplamento de carga no motor, Sendo neste ensaio a rotação do
sendo assim o escorregamento se torna muito próximo de zero (s→0), motor muito próxima à rotação
pois sua velocidade de rotação fica muito próxima da velocidade síncro- síncrona, conforme citado ante-
na. Deve-se considerar que embora sem acoplamento de carga externa, riormente, temos o escorrega-
incidirá uma pequena carga mecânica decorrente do sistema de venti- mento muito baixo (s→0) .
lação e dos atritos mecânicos da própria máquina. O ensaio em vazio
Considerando que toda a corren-
nos motores equivale ao ensaio em circuito aberto nos transformadores
te flua pelo ramo central, pode-se
(FILIPPO FILHO, 2000).
determinar Rf e Xf pelas equações
No ensaio com o rotor bloqueado o escorregamento é igual a 1, e a re- a seguir:
sistência variável, conforme você acompanhou na figura anterior, equi-
vale a um curto-circuito. O ensaio com rotor bloqueado nos motores
equivale ao ensaio de curto-circuito nos transformadores.
Visando simplificar a determinação dos parâmetros elétricos, através do
ensaio em vazio e do ensaio com o rotor bloqueado, pode-se realizar
algumas alterações no circuito obtendo o circuito demonstrado na figura
a seguir.

Figura 69- Circuito equivalente aproximado


Fonte: Filippo Filho (2000, p. 73).

As alterações realizadas – junção das reatâncias indutivas do rotor e do


estator e junção das resistências ôhmicas dos mesmos – geram pequenos
erros, os quais se tornam aceitáveis para uma avaliação operacional.
A aprendizagem é um processo contínuo de construção, por isso sua
atenção e dedicação são fundamentais, continue bem atento aos assun-
tos. Estamos juntos nesta caminhada. Vamos agora estudar os ensaios.

62 CURSOS TÉCNICOS SENAI


v 12
Rf
PV
V12
Xf
QV
Sendo PV a potência ativa e QV a potência reativa.

Para essas condições de ensaio podemos considerar que Rf inclui todas


as perdas no ferro e perdas mecânicas (atrito e ventilação) e Xf todo
efeito de magnetização.

Ensaio com o rotor bloqueado


É realizado aplicando uma tensão reduzida nos terminais do motor com
eixo bloqueado sem que a corrente atinja o seu valor nominal. A resis-
tência variável é anulada, pois para esta situação (S = 1).
Nessas condições, em decorrência da baixa tensão, as perdas no ferro e
a magnetização são desprezíveis e não existem perdas rotacionais (motor
bloqueado) (NASCIMENTO JR., 2008).
A reatância de dispersão global (X) e a resistência ôhmica global (R) são
determinadas por:

Pb Qb
X
I 12 I 12

A medida da tensão (V) “por fase” é realizada por meio de um voltí-


metro, a corrente (A) “por fase” é realizada por meio do amperímetro
e as potências ativas (kW) e reativa (kVAr) são obtidas por meio de um
wattímetro.
É realizada a medida da resistência ôhmica “por fase” da bobina do es-
tator (R1) e R2r é obtido pela relação:

R 2r R R1

Agora acompanhe os exemplos para aprender a calcular as medidas de


tensão.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 63
Exemplo 1
Um motor 4 polos, 60 Hz, opera com escorregamento de 2%. Determi-
ne a sua velocidade síncrona e calcule a frequência induzida no secundá-
rio e a velocidade relativa entre o campo girante e o rotor.

A velocidade síncrona é dada por:

120 f 120 60
nS 1.800rpm
2p 4
A relação do escorregamento com a velocidade síncrona
é dada por:
nS n
s
nS
A velocidade do rotor é dada por:

n nS (1 0,05) 1.800 (1 0,05) 1710rpm

A frequência induzida é dada pela equação 3.3:

f2 s f1 0,05 60 3Hz
A velocidade relativa é determinada por:

nR nS n 1.800 1710 90rpm

Exemplo 2
Um motor de indução trifásico de 60 cv trabalha na frequência de 60
Hz, com IN = 143 A, 220 V, n = 1.775 rpm. Esse motor apresentou os
seguintes resultados nos ensaios: a vazio 3.440 W e 22.400 VAr e com
o rotor bloqueado 2.400 W e 4.160 VAr. O valor da resistência ôhmica
medida por fase na bobina do estator foi de 15 mΩ. Calcule os parâ-
metros do circuito elétrico equivalente considerando que as perdas por
atrito e ventilação chegam a 750 W.

220 60
Tensão / fase = 127V Pot. / fase = 20cv
3 3

Corrente / fase = 143 A (considerando motor em


estrela)

1272 1272
Rf 11,55ɏ
750  3440 3 Xf
22400 3
2,16ɏ

2400 3
R 0 ,039 4160 3
1432 X 0,68
143 2
R2r 0,039 0,015 0,014

64 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Sendo:
SEÇÃO 9
Equações gerais ▪ C = conjugado;
▪ ω = velocidade angular.

A potência elétrica absorvida da rede pelo motor elétrico trifásico para a A potência mecânica tida como
conversão em potência mecânica é dada por referência ao circuito da Figura 69
(FILIPPO FILHO, 2000): (Circuito equivalente aproxima-
do) é dada por:

Pel 3.VL .IL . cos

Sendo:
▪ VL = tensão da linha (V);
▪ IL = corrente da linha (A);
▪ f = defasagem entre a tensão e a corrente;
▪ cos φ = fator de potência do motor.

Uma parcela reduzida da potência elétrica consumida pelo motor está


relacionada com as perdas que ocorrem no mesmo, podemos citar como
as principais: perdas por histerese e por correntes parasitas no núcleo
magnético, perdas por Efeito Joule no estator ou no rotor, perdas me-
cânicas rotacionais em decorrência do atrito e ventilação e perdas suple-
mentares.
É frequente a utilização da potência mecânica dos motores em cv (cava-
los-vapor). A relação entre cv e kW (quilowatt) é dada por:

1cv = 0,736 kW.


A relação entre a potência mecânica fornecida e a potência elétrica
absorvida da rede é chamada de rendimento e é dada por:
Pmec
n
Pel
A potência total do motor é a somatória das potências das fases e
também pode ser dada por:
Pel 3.Pfase

Sendo
Pfase = V1.I1.cosφ
A potência mecânica no eixo é dada por:
Pmec C.w C.2. . f

MÁQUINAS ELÉTRICAS 65
SEÇÃO 10
Pmec 3.R2r .
1 s 2
.I2 r Características eletro-
s
mecânicas
O conjugado alcançado pelo motor é dado por:
Pela equação (54) é possível con-
cluir que o conjugado varia em
3.R2r .I22
C função do quadrado da tensão.
S .s
Na velocidade síncrona o conju-
A corrente no rotor:
gado é igual a zero e o comporta-
mento do conjugado em relação
V1
I2r
2
à variação de velocidade pode ser
1 S verificado na figura a seguir. Os
R R2r . X2
S pontos apresentados são especifi-
cados pela NBR 7094 da ABNT,
que você estudará a seguir.
E aplicando-se (52) em (53) temos:
3 R2r V12
C . . 2
S s 1 s
R R2r X2
s

Observe novamente o circuito da Figura 69 (Circuito equivalente


aproximado):
V1 V1
IO j
Rf Xf

As variáveis R2r,Rf e Xf são dependentes do projeto do motor e as equa-


ções citadas anteriormente consideram que a frequência e a tensão são
constantes para cada motor analisado.

Exemplo 3
Considerando apenas o ensaio a vazio para o circuito equivalente do
exemplo 2, determine a corrente a vazio do motor.

127 0 o 127 0 o
IR o
11,00 0 o IX 58,80 90 o
11,55 0 2,16 90 o

I0 11,00 j58.80 59,82 79,4 o A

66 CURSOS TÉCNICOS SENAI


C p (Nm)
C p (%) 100 (4.21)
C n (Nm)

Conforme as características de
conjugado em relação à velocida-
de e corrente de partida, os moto-
res de indução trifásicos são clas-
sificados em categorias que visam
atender a um determinado tipo de
carga. A norma (NBR 7094) de-
fine essas categorias da seguinte
forma:
Figura 70 - Curva conjugado x rotação
Fonte: Weg S.A. (2000, p. 55).

a. categoria N – conjugado de
Sendo : partida normal, corrente de
partida normal e baixo escor-
▪ C0 = conjugado básico, calculado em função da potência e velocida- regamento. Constitui a maioria
de síncrona; dos motores encontrados no
mercado, utilizados no aciona-
mento de cargas normais, com
7094 P(cv ) 9555 P(kW ) baixo conjugado de partida,
C 0 (Nm)
n S (rpm) n S (rpm) tais como bombas, ventilado-
res e máquinas operatrizes;
716 P(cv ) 794 P(kW )
C 0 (kgfm)
n S (rpm) n S (rpm) b. categoria NY – o mesmo que
a categoria N, porém é prevista
para partida Y-∆;

▪ Cn = conjugado nominal (é o conjugado desenvolvido pelo motor à c. categoria H – conjugado de


potência nominal, sob tensão e frequência nominais); partida alto, corrente de par-
tida normal e baixo escorre-
▪ nN = rotação nominal; gamento. Usando para cargas
▪ nS = rotação síncrona; que exigem maior conjugado
▪ Cmín = conjugado mínimo (é o menor conjugado desenvolvido pelo de partida, tais como peneiras,
motor ao acelerar desde a velocidade zero até a velocidade correspon- transportadores carregados e
dente ao conjugado máximo); moinhos;
▪ Cmáx = conjugado máximo (é o maior conjugado desenvolvido pelo
motor, sob tensão e frequência nominais, sem queda brusca de veloci-
dade, deve ser o maior possível para que o motor possa vencer eventu-
ais picos de carga);
▪ Cp = conjugado com rotor bloqueado ou conjugado de partida ou,
ainda, conjugado de arranque (é o conjugado mínimo desenvolvido
pelo motor bloqueado, para todas as posições angulares do rotor, sob
tensão e frequência nominais). Pode ser dado por:

MÁQUINAS ELÉTRICAS 67
d. categoria HY – o mesmo que a categoria H, porém prevista para causar danos ao equipamento. Os
partida Y-∆; sistemas mais comumente utiliza-
dos são:
e. categoria D – conjugado de partida alto, corrente de partida normal
e alto escorregamento ( s > 5%). ▪ chave estrela-triângulo;
▪ chave série-paralelo;
▪ chave compensadora e partida
eletrônica (soft-starter).

A seguir você conhecerá mais de-


talhes sobre tais sistemas.

Partida com chave estre-


la-triângulo (Y-D)
Na partida com chave estrela-
triângulo é necessário que o mo-
tor possibilite a ligação em duas
tensões diferentes, ou seja, em
220/380 V, 380/660 V, 440/760
V. Para a realização da ligação es-
trela-triângulo o motor deve pos-
suir no mínimo seis cabos de li-
gação e que a curva de conjugado
Figura 71 - Curvas conjugados x velocidade das diferentes categorias
do motor deve ser elevada o su-
Fonte: Weg S.A. (2000, p. 56).
ficiente para a aceleração da má-
quina, pois com tensão reduzida
Na figura anterior são apresentadas as curvas de conjugado x velocidade o conjugado de partida do motor
para as diferentes categorias (N, H e D). Segundo a NBR 7094 os valores pode sofrer uma redução de até
dos conjugados mínimos exigidos são definidos para cada categoria e 33%. O conjugado resistente da
estão subdivididos por faixas de potência e polaridade. carga não deve ser maior do que
o conjugado de partida do motor
Figura 72.
SEÇÃO 11
Métodos de partida
Na partida, os motores de indução trifásicos de rotores gaiola podem
apresentar correntes até nove vezes sua corrente nominal. Na partida a
corrente é muito elevada, podendo causar danos à rede e interferências
em outros equipamentos ligados à mesma. Existem sistemas/dispositi-
vos que têm por objetivo a redução do nível de tensão durante a partida
e por consequência a redução do nível de corrente.
É importante garantir que com a redução de tensão e consequente re-
dução do conjugado de partida o motor consiga realizar a aceleração da
carga, caso contrário, teremos a situação de rotor bloqueado, o que pode

Figura 72 - Corrente e conjugado para


partida estrela-triângulo
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 53).

68 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Comparação entre Cha-
Sendo:
ves “Y-D” e compensadora
“automática” estrela-triân-
▪ IΔ = corrente em triângulo;
gulo
▪ IY = corrente em estrela;
▪ CY = conjugado em estrela; Conheça as vantagens:
▪ CD = conjugado em triângulo; ▪ possui menor custo para bai-
▪ Cr = conjugado resistente; xas tensões;
▪ tc = tempo de comutação. ▪ pode realizar grande número
de manobras;
▪ a corrente de partida é reduzi-
da para aproximadamente 1/3;
Você pode observar na figura a seguir um exemplo de ligação estrela- ▪ os componentes são compac-
triângulo para uma rede com tensão de 220 V. Observe que na partida a tos ocupando pouco espaço.
tensão é reduzida para 127 V.

Quer saber quais são as desvanta-


gens? Vamos lá!

Desvantagens:
▪ a tensão de rede deve ser a
mesma tensão em triângulo do
motor;
▪ o conjugado de partida se
reduz a 1/3 do conjugado de
partida nominal do motor;
▪ a partida estrela-triângulo só
pode ser implementada nos mo-
Figura 73 - Ligação estrela-triângulo tores que possuem seis bornes;
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 53). ▪ se o motor não atingir no
mínimo 90% de sua velocida-
Partida com chave compensadora (autotransorma- de nominal, o pico de corrente
na comutação de estrela para
dor)
triângulo será muito próximo ao
A partida com chave compensadora também visa reduzir a corrente de pico de corrente em uma partida
partida, pode ser realizada com motores sob carga e, assim como na direta, tornando-se prejudicial
partida estrela-triângulo, garante um conjugado suficiente para a partida aos sistemas e aos contatores.
e a aceleração de motor.
A redução na tensão na chave compensadora é realizada por meio de um
autotransformador que geralmente possui taps de 50%, 65% e 80% da
tensão nominal (WEG S.A., [200-?]).

MÁQUINAS ELÉTRICAS 69
Partida com chave- Partida com chave sé- Soft-starter
compesadora rie-paralelo A chave eletrônica de partida con-
Vantagens: Na partida em série-paralelo o siste em um conjunto de pares de
motor deve ser apto para traba- tiristores, um em cada borne de
▪ é possível a variação do tap de potência do motor. O ângulo de
lhar em duas tensões, sendo a
65% para 80% da tensão da rede, disparo de cada par de tiristores é
menor delas igual à da rede e as
de modo que o motor possa controlado eletronicamente para
outras duas vezes maior.
partir satisfatoriamente; uma tensão variável durante a
Para a implementação deste tipo
▪ na partida com o tap de 65% a de partida é preciso que o motor aceleração do motor, comumente
corrente de linha é muito próxi- possua nove terminais, partindo chamada de partida suave (soft-
ma à corrente da chave estrela- o motor com ligação série, em starter). Diferentemente dos siste-
triângulo, no entanto, na passa- 220 V, e após atingir sua rotação mas de partida apresentados até
gem da tensão reduzida para a nominal é realizada a comutação então, não existem picos abruptos
tensão da rede, o segundo pico para a ligação em paralelo. de correntes, assim, consegue-se
de corrente é menor em relação obter uma corrente muito pró-
à chave estrela-triângulo, pois o xima à corrente nominal do mo-
autotransformador por um breve tor com uma pequena variação
período se torna uma reatância. (WEG S.A., [200-?]).
Uma grande vantagem na utiliza-
Desvantagens: ção da partida eletrônica é a au-
sência de arco elétrico, comum
▪ limitação da frequência de nas chaves mecânicas, o que faz
manobras;
com que a vida útil deste tipo
▪ o custo da chave da compen- de equipamento seja bem maior.
sadora é bem maior que o custo Uma comparação entre as corren-
da chave estrela-triângulo em de- tes e os conjugados de partida di-
corrência do autotransformador; reta e parida com soft-starter pode
▪ em consequência do tamanho ser observada na figura a seguir:
do autotransformador, a utiliza-
ção de quadros maiores se faz
necessária , elevando o preço do
conjunto.

70 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Figura 74 - Partida direta e com soft-starter
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 52).

Acompanhe a descrição da figura anterior.

1. Corrente de partida direta.

2. Corrente de partida com soft-starter.

3. Conjugado com partida direta.

4. Conjugado com soft-starter.

5. Conjugado da carga.

O estudo desta unidade está em conformidade com os conhecimentos


mencionados no conteúdo formativo e tem como finalidade prepará-lo
para o mercado de trabalho. Vamos, concentre-se em sua aprendizagem!

MÁQUINAS ELÉTRICAS 71
Unidade de
estudo 7
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução
Seção 2 – Princípios de funcionamen-
to
Seção 3 – Partida e funcionamento
normal de motores monofásicos de
indução
Seção 4 – Ensaio em motores mono-
fásicos
Motores Monofásicos
SEÇÃO 1
Introdução
Você sabe onde utilizamos os mo- Um campo magnético é criado gue partir sem dispositivo auxiliar
tores monofásicos? quando uma bobina é percorri- (WEG S.A., [200-?]).
da por uma corrente elétrica e a O desenho esquemático de um
Eles são utilizados na indústria orientação do mesmo será con- motor elementar monofásico é
e principalmente em aplicações forme o eixo da bobina, sua am- apresentado a seguir.
prediais e residenciais, tais como plitude será proporcional à cor-
ventiladores, condicionadores de rente aplicada.
ar e bombas d’água. A tensão de Pode-se verificar na figura a seguir
alimentação pode ser de 110 ou que um “enrolamento monofási-
220 V, podem ser ligados entre co” percorrido por uma corrente
fase e neutro ou entre fase e fase, “I” gera um campo “H”. Para a
conectados a uma rede bifásica, o exemplo apresentado, temos
sempre em corrente alternada. um par de polos, cujas contribui-
São geralmente utilizados em apli- ções são somadas para geração do
cações que exijam baixa potência. campo “H”. O fluxo magnético
Os motores monofásicos utilizam atravessa o núcleo do rotor e se Figura 76 - Desenho esquemático do
dispositivos que auxiliam na par- fecha através do núcleo do esta- motor monofásico elementar
tida, possibilitando sua aceleração tor. Fonte: Filippo Filho (2000, p. 212).
(FILIPPO FILHO, 2000).

Um campo pulsante pode ser de-


SEÇÃO 2 composto em um campo girante e
Princípios de funciona- sua representação gráfica pode ser
verificada na figura a seguir.
mento
Em motores monofásicos, a falta
de uma fase causa a extinção do
campo girante e o mesmo perde
a capacidade de partida; caso o
campo girante esteja em movi- Figura 75 - Enrolamento monofásico
mento, o motor irá permanecer Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 29).
em movimento, esse é princípio
de funcionamento dos motores A alimentação da bobina por uma
monofásicos que necessitam de corrente alternada gera um campo Figura 77 - Campos girantes derivados
mecanismos complementares magnético variável no tempo, no do campo pulsante
para o auxílio na partida (WEG entanto, fixo no espaço gerando
Fonte: Filippo Filho (2000, p. 212).
S.A., [200-?]). um campo pulsante. O rotor não
Os rotores dos motores monofá- consegue gerar conjugado, pois as
sicos são basicamente iguais aos barras adjacentes do rotor geram
rotores gaiola dos motores de in- conjugados em oposição entre si e
dução trifásicos. por tal razão o motor não conse-

MÁQUINAS ELÉTRICAS 73
Cada campo pode ser analisado individualmente, a figura a seguir apre-
senta a curva do conjugado motor desenvolvido por cada um dos cam-
SEÇÃO 3
pos girantes. No primeiro quadrante temos a representação do conjuga- Partida e funcionamen-
do no sentido horário e no segundo quadrante temos o conjugado no to normal de motores
sentido anti-horário.
monofásicos de indução
A classificação de motores de in-
dução monofásicos é comumente
relacionada ao método de partida
utilizado.
A definição do tipo de motor
apropriado para determinada apli-
cação é baseada em

▪ ciclo de serviço;
▪ necessidade de conjuga-
do de partida e de rotação
Figura 78 - Conjugado motor de cada campo girante normal da carga;
Fonte: Filippo Filho (2000, p. 212).
▪ limitações na corrente de
partida.
Para qualquer um dos sentidos que o motor iniciar o movimento de
rotação, o campo girante irá gerar ação motora, da mesma forma que os
motores de indução trifásicos após a partida.
Geralmente os motores monofá-
sicos são projetados e fabricados
Você pode observar que com NS = 0, a partida é impossibilitada, pois
para aplicações específicas, visan-
existe uma oposição de conjugados gerados pelos campos girantes.
Mesmo após a partida existirá um campo girante oposto ao sentido de do à redução de custo.
giro, opondo-se ao conjugado do motor (FILIPPO FILHO, 2000).
Agora você conhecerá o motor
monofásico e suas especificida-
O conjugado de frenagem que se opõe ao movimento do motor pos- des.
sui menor intensidade do que o conjugado de rotação do motor e o
conjugado líquido do motor é a diferença entre esses dois conjugados,
conforme apresentado na figura a seguir, na qual você também poderá
constatar que o conjugado líquido na partida é nulo. Motor monofásico
com fase auxiliar
Os motores monofásicos de fase
auxiliar possuem dois enrolamen-
tos de estator, um enrolamento
auxiliar (a) e um enrolamento
principal (m), deslocados entre si
em 90° elétricos, conforme apre-
sentados na Figura 80.

Figuras 79 - Conjugado motor resultante


Fonte: Filippo Filho (2000, p. 213).

74 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Figura 80 - Motor de fase auxiliar split-phase: (a) ligação, (b) diagrama faso-
rial, (c) características de conjugado-velocidade típica
Fonte: Weg S.A. (2006, p. 11).

As correntes dos enrolamentos estão fora de fase em decorrência de


o enrolamento principal ter uma relação de resistência/reatância mais
baixa do que o enrolamento auxiliar. A corrente do enrolamento au-
xiliar Ia está adiantada em relação à corrente do enrolamento principal
Im. O máximo conjugado ocorre inicialmente no enrolamento auxiliar
e, após passado algum tempo, ocorre no enrolamento principal (WEG
S.A., 2006).
As correntes nos enrolamentos equivalem a correntes bifásicas, tendo
como resultado um campo girante no estator que possibilita a partida
no motor. Usualmente o enrolamento auxiliar é desligado após o motor
atingir cerca de 75% da velocidade síncrona, por meio de uma chave
centrífuga em série com o mesmo. O desligamento da chave centrífuga
não pode deixar de ocorrer, pois o enrolamento auxiliar não suporta a
tensão nominal do motor por mais de alguns segundos.
A alta relação entre resistência e reatância no enrolamento auxiliar é
obtida com a utilização de um fio mais fino do que no enrolamento prin-
cipal. Os motores de fase auxiliar possuem geralmente estatores com ra-
nhuras diferentes devido aos diferentes volumes das bobinas (principal
e auxiliar).
Motores monofásicos de fase auxiliar possuem conjugado de partida
moderado com baixa corrente de partida. Suas potências variam de 1/20
a 1/2 HP. Suas aplicações mais comuns são: bomba centrífuga, equipa-
mentos de escritório e ventiladores.

Motor monofásico com capacitor de partida


Os motores monofásicos com capacitor de partida também são motores
de fase auxiliar, no entanto, o deslocamento de fase entre as correntes é
com a utilização de um capacitor em série com o enrolamento auxiliar,
conforme apresentado na figura a seguir.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 75
O rendimento, o fator de potência
e as pulsações de conjugados po-
dem ser melhorados em relação
aos motores monofásicos citados
anteriormente, pois o projeto do
enrolamento auxiliar e do capaci-
tor de partida é determinado para
uma carga específica e as pulsa-
ções são eliminadas uma vez que
o capacitor age como um reser-
vatório de energia aplainando as
pulsações da potência fornecida
pela alimentação monofásica.
Suas principais aplicações são em
Figura 81 - Motor de capacitor de partida: (a)ligações, (b) diagrama fasorial da ventiladores de condicionadores
partida, (c) característica de conjungado-velocidade típica de ar e ventiladores de teto.
Fonte: Weg S.A. (2006, p. 12).

Assim como nos motores de fase auxiliar, o enrolamento auxiliar dos Motor monofásico com
motores tipo capacitor de partida também é desligado antes de atingir a dois capacitores
rotação nominal. O conjunto enrolamento auxiliar/capacitor é projeta-
Os motores monofásicos com
do para trabalhar de modo descontínuo (WEG, 2006).
dois capacitores são projetados
Com a utilização do capacitor de partida é possível que a corrente do para se obter um bom desempe-
enrolamento auxiliar Ia com o rotor parado esteja adiantada em 90° elé- nho tanto na partida quanto no
tricos em relação aà corrente do enrolamento principal Im. funcionamento. Você conhecerá
O motor do tipo capacitor de partida possui conjugado de partida ele- na figura a seguir uma forma de
vado. Suas principais aplicações são: bombas, equipamentos de refrige- se obter esse resultado.
ração, condicionamento de ar, compressores e demais cargas que exijam
maiores conjugados de partida.

Motor monofásico com capacitor permanente


Nos motores tipo capacitor permanente não ocorre o desligamento do
capacitor e do enrolamento auxiliar após a partida do motor.

Figura 82 - Motor de capacitor permanente e característica de conjugado-veloci-


dade típica
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 13).

76 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Suas principais aplicações são em
ferramentas portáteis e em apare-
lhos eletrodomésticos.

Acompanhe o exemplo!

Exemplo
Segundo o catálogo de um fabri-
cante, um motor de indução mo-
Figura 83 - Motor de capacitor de dois calores e característica de nofásico possui as seguintes ca-
conjugado-velocidade típica racterísticas: potência 2 cv, 3.510
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 14). rpm (2 polos), corrente nominal
12,0 A, na tensão de 220 V. Calcu-
le a corrente e o fator de potência
O capacitor de partida é desligado pela chave centrífuga após a partida para uma tensão de 115 V com
do motor, sua capacitância é bem maior do que o capacitor permanente rendimento do motor de 70%.
e seu posicionamento está em paralelo com o mesmo. Em série com
o enrolamento auxiliar está o capacitor permanente, que possui baixo
valor de capacitância.
Os capacitores de partida mais utilizados são do tipo eletrolítico para CA e
Pmec 736.2,0
fabricados para serviço de partida de motores, já os capacitores permanen- Pel 2102 W
0,7
tes geralmente são a óleo, de capacitância em torno de 40 μF.
S VL .I L 220.12 2640 VA
P 2102
FP cos 0,796
Motor de polos sombreados S 2640
Pel VL .I L . cos
O motor de polos sombreados é tipicamente utilizado para potências
2102
bastante reduzidas, menores do que 0,1 cv. A bobina de arraste tem IL 23,0 A
polos salientes e uma parte de cada polo é envolvida por uma espira 115.0,796
curto-circuitada de cobre, a chamada bobina de arraste.
O fluxo gerado pelas correntes induzidas na parte do polo onde se en-
contra a bobina de arraste sofre um atraso em relação ao fluxo na outra
parte do polo e como consequência é criado um campo girante que se
A próxima seção traz informa-
desloca em direção à parte com a bobina e um pequeno conjugado de
ções que lhe possibilitará apren-
partida é criado. Na Figura 84 (a) pode ser observado o posicionamento
der descobrindo novas dimensões
da bobina de arraste e do enrolamento principal e na Figura 84 (b) é
e novos significados.
apresentada a característica de conjugado-velocidade.

SEÇÃO 4
Ensaio em motores
monofásicos

O ensaio em motores monofási-


cos tem o objetivo de apresentar
como realizar na prática as co-
Figura 84 - Motor com bobina de arraste e característica típica de velocidade nexões, mecânicas e elétricas, de
Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 16). equipamentos auxiliares com o
motor e estudar algumas proprie-
dades e características dos mes-
mos.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 77
RPRIMÁRIO = 6,25 Ω I 2A
O procedimento descrito visa
apenas nortear a realização RSECUNDÁRIO= 6,25 Ω u
Z SECUNDÁRIO 12,92
do ensaio. As característi- i
cas da máquina apresentada Monte o circuito conforme apre- U 25,83 Volts
neste roteiro deverão apenas sentado na figura a seguir:
servir como referência.

2. Com os valores das resistên-


Equipamentos necessários para cias RPRIMÁRIO e RSECUNDÁRIO
a realização do ensaio: fonte CA e das impedâncias ZPrimário
ajustável de 0 a 120 V, eletrodina- e
ZSecundário determine o ângulo
mômetro para cargas até 3 N.m,
de defasagem entre tensão e
tacômetro, amperímetro, voltíme-
tro e wattímetro. corrente nos enrolamentos
Figura 85 - Medindo com ohmímetro
por meio da expressão:
O manuseio de equipamentos ener-
gizados e de equipamentos com Fonte: Weg S.A. ([200-?], p. 149).
partes girantes trazem riscos de da-
nos físicos, portanto, realize as ati-
vidades propostas sob a supervisão A fonte CA deverá estar em 0 V.
R
de um profissional habilitado e siga arcCos
Z
as instruções de segurança. Todas Eleve a tensão no enrolamento
as alterações e ligações devem ser primário até obter o valor de 2 A Chegando em:
realizadas com os equipamentos no amperímetro. Desligue a fonte PRIMÁRIO 64,18 0
desligados. e calcule a impedância do primá-
rio ZPrimário como segue: e

SECUNDÁRIO 61,070
Ensaio em motores
monofásicos com I 2A
capacitor permanente u
Z PRIMÁRIO 14,35
i
U 28,70 Volts 3. Determinar a velocidade do
O objetivo deste ensaio é avaliar
os parâmetros do motor mono- campo girante pela seguinte
fásico com capacitor permanente expressão:
tais como: velocidade, torque e
características elétricas.
Eleve a tensão no enrolamento 120. f
Especificações da máquina anali- nS 1800rpm
secundário até obter o valor de
sada: motor monofásico com ca- 2p
2 A no amperímetro. Desligue a
pacitor permanente 0,5 cv, 220 V,
fonte e calcule a impedância do
1.610 rpm.
secundário ZSecundário como segue:
4. Monte o circuito conforme
apresentado na Figura 85.
Procedimento
5. Acople o dinamômetro, com
1. Medir com o auxílio de um regulagem inicial em 0 V, ao
ohmímetro as resistências do motor monofásico.
enrolamento primário e do en-
rolamento secundário:

78 CURSOS TÉCNICOS SENAI


6. Ajuste a fonte de tensão CA para tensão nominal do motor, ajuste o
dinamômetro para a máxima carga e ligue-o.

7. Acione a fonte e meça a corrente de partida: IP = 9,6 A.

8. Variando os valores de carga, meça a velocidade, a corrente no motor


e o torque desenvolvido, preenchendo a tabela abaixo:
Velocidade Corrente Wattímetro
Tensão (V) Carga (N.m)
(Rpm) (A) (W)
120 1779 0 1,31 133
120 1754 0,35 2,03 224
120 1735 0,7 2,40 276
120 1710 1 2,93 344
120 1675 1,4 3,63 427

9. Determine o valor da potência desenvolvida (no eixo) pelo motor


para as condições de carga citadas na tabela anterior, utilizando a
seguinte equação:

P(W ) RPM N.m 0,105

Para a conversão da potência W em cv, divida por 736; e para a conver-


são para HP, divida por 746. O valor de carga que exigiu uma potência
imediatamente menor ou igual à potência do motor será à plena carga.

Potência
Carga W HP
aparente
(N.m) Eixo Eixo
total (VA)
0 0 0 157,2
0,35 64 0,086 243,6
0,7 127 0,170 288,0
1 179 0,240 351,6
1,4 246 0,330 435,6

10. Determine o fator de potência do motor sem carga e à plena carga a


partir das seguintes expressões:

P(W ) 133
cos avazio 0,85
S(VA) 157

P(W ) 344
cos àplenac arg a 0,98
S(VA) 351,6

MÁQUINAS ELÉTRICAS 79
11. Determine a eficiência a partir da seguinte relação:

Efic% = Psaída 179


100 100 52,0%
Pent 344

12. Determine as perdas: 344 – 179 = 165 W.

13. Determine a potência reativa gerada no motor:

Q Sen S 69,97VAr

14. Determine a corrente nominal do motor:

CV 736
IN 3,0 A
120V Cos

80 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Sendo: η = eficiência do motor à plena carga.

Para determinar o torque de partida, ajuste o eletrodinamômetro para


a máxima carga e com o motor totalmente na inércia, ligue a fonte, o
valor do torque é extraído diretamente do eletrodinamômetro por leitura
direta:
torque de partida = 0,6 N.m.

Esta unidade de estudo proporcionou novos conhecimentos sobre os


motores monofásicos, sua aplicação e especificidades, permitindo que
você conheça todo o processo de utilização para aplicabilidade na sua
carreira profissional.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 81
Unidade de
estudo 8
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução
Seção 2 – Princípios de funcionamento
Seção 3 – Aspectos construtivos
Seção 4 – Excitação de campo
Seção 5 – Circuito equivalente do gerador CC
Seção 6 – Equações da tensão no gerador e
regulação de tensão
Seção 7 – Perdas e eficiência de uma máqui-
na CC
Geradores de Corrente Contínua
SEÇÃO 1
Introdução
O gerador CC é uma máquina que Podemos observar na figura a seguir o posicionamento da espira em três
realiza a conversão de energia me- momentos diferentes e o gráfico da f.e.m. com seu formato senoidal.
cânica de rotação em energia elé-
trica. Existem diversas fontes que
podem fornecer a energia mecâ-
nica necessária, tais como: vapor,
óleo diesel, queda-d’água, motor
elétrico, entre outras.
A aplicação da corrente contínua
ocorre em vários setores indus-
triais, tais como: cargas de bate-
rias e acumuladores, eletroímãs
de aplicações industriais, tração
elétrica e instalações de eletroquí-
micas.

SEÇÃO 2
Princípios de funciona-
Figura 86 - Princípio de funcionamento do gerador CC
mento Fonte: SENAI (1997, p. 33).

O gerador CC mais simples é Uma forma de retificar o formato senoidal da f.e.m. apresentada é pela
composto por um enrolamento utilização de um comutador que é formado por segmentos de cobre. Na
de armadura contendo uma úni- figura a seguir podemos observar o comportamento da f.e.m. em função
ca espira que é interceptada pelo da posição da espira para cinco posições diferentes, formando um ciclo
campo magnético gerado. completo de rotação (SENAI, 1997).
Com o movimento de rotação da
espira ocorre a variação do fluxo
magnético e em decorrência dessa
variação surge uma f.e.m. (Lei da
Indução Magnética).

f .e.m
t

MÁQUINAS ELÉTRICAS 83
DAE - Divisão de assistência às empresas Armadura
Para o gerador CC a armadura
realiza movimento de rotação em
decorrência de uma força mecâ-
nica externa e a tensão gerada na
mesma é ligada a um circuito ex-
terno.
Para o motor de corrente contí-
nua a armadura recebe a corrente
proveniente de uma fonte elétrica
externa que faz com que a arma-
dura gire, em decorrência desse
movimento de rotação a armadu-
ra também é chamada de rotor.
Figura 87 - Forma de onda da f.e.m. x posição da espira
Fonte: SENAI (1997, p. 33). Comutador
Comutador é o dispositivo res-
Na posição IV da figura a seguir a bobina apresenta a máxima f.e.m., ponsável pela conversão da cor-
com o condutor escuro na frente do polo N e o branco na frente do rente alternada que circula pela
polo S, “B” será sempre positiva e “A” sempre negativa enquanto for armadura em corrente contínua.
mantida a rotação indicada pela seta circular e o sentido de campo. O comutador, conforme figura
apresentada a seguir, é composto
de um par de segmentos de cobre
para cada enrolamento da arma-
dura, sendo estes isolados entre si
e isolados do eixo, uma vez que
são fixados no mesmo. No chas-
si da máquina são montadas duas
escovas fixas que possibilitam o
contato com segmentos opostos
do comutador (GUSSOW, 1985).

Figura 88 - Bobina gerando máxima f.e.m.


Fonte: SENAI (1997, p. 34).

SEÇÃO 3
Aspectos construtivos
As principais partes que compõem os geradores de corrente contínua
são basicamente as mesmas dos motores de corrente contínua.
Agora você conhecerá em detalhes cada uma das partes que compõem
os geradores de corrente contínua.

84 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Figura 90 - Gerador de excitação
separada
Fonte: Gussow (1985, p. 255).

Os geradores que possuem sua


própria excitação são chamados
de geradores autoexcitados. Para
a configuração em que o circuito
Figura 89 - Partes principais de um motor CC de armadura estiver em paralelo
Fonte: Adaptado de Gussow (1985, p. 250). com o campo, ele é chamado de
gerador em derivação.
Escovas Quando o campo está em série
com a armadura, é chamado de
São conectores de grafita fixos, montados sobre molas que possibilitam gerador série. Se forem usados
o deslizamento sobre o comutador no eixo da armadura, servindo de os dois campos, série e paralelo,
contato entre os enrolamentos e a carga externa. é chamado de gerador composto
que pode apresentar as configura-
ções derivação curta e derivação
Enrolamento de campo
longa (GUSSOW, 1985). Acom-
O enrolamento de campo tem um eletroímã responsável pela produção panhe nas figuras a seguir.
do fluxo interceptado pela armadura. No gerador CC a fonte de cor-
rente de campo pode ser separada ou proveniente da própria máquina,
chamada de excitador.

SEÇÃO 4
Excitação de campo
O tipo de excitação de campo utilizado define o nome dos geradores
CC. Quando a excitação é realizada por uma fonte CC separada, como
por exemplo uma bateria, ele é denominado de gerador de excitação
separada.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 85
Figura 91 - Autoexcitados
Fonte: Gussow (1985, p. 255).

SEÇÃO 5
Circuito equivalente do gerador CC
As relações entre tensão e corrente num circuito equivalente de um ge-
rador CC são, de acordo com a Lei de Ohm, conforme apresentado na
figura a seguir (GUSSOW, 1985):

Vta = Vg - Ia ra

Vt = Vg - Ia (ra + rs)

IL = Ia – Id

Sendo:

Vta = tensão no terminal da armadura (V);


Vg = tensão gerada na armadura (V);
Ia = corrente na armadura (A);
Vt = tensão no terminal do gerador (V);
ra = resistência do circuito da armadura (Ω);
rs = resistência do campo série (Ω);
rd = resistência do campo em derivação (Ω);
IL = corrente na linha (A);
Id = corrente do campo em derivação (A).

86 CURSOS TÉCNICOS SENAI


▪ p = número de polos;
▪ Z = número total de con-
+ dutores na armadura (também
Id rs IL chamados de indutores);
o = fluxo por polo;
Ia
▪ n = velocidade da armadura
(rpm);
rd ra Vt ▪ b = número de percursos
paralelos através da armadura
Vta
+ (dependendo do tipo de enrola-
Vg mento da armadura).
-

- Sendo os fatores da equação de


Vg fixos, com exceção de φ e n, a
equação pode ser simplificada da
Figura 92 - Circuito equivalente
seguinte forma:
Fonte: Gussow (1985, p. 256).

Exemplo 1
Vg k n
Considere um gerador CC de 200 kW e 250 V, com uma corrente na
armadura de 600 A, uma resistência na armadura de 0,020 Ω e uma pZ
k
resistência de campo em série de 0,004 Ω. Determine a tensão gerada 60b 10 8
na armadura considerando que o gerador opera a 1.800 rotações por
minuto (rpm) impostas por um motor.
Pode-se concluir a partir da análi-
se da equação acima que a f.e.m.
Vg = Vt + Ia (ra + rs) induzida é proporcional à razão
Vg = 250 + 600 (0,020 + 0,004) = 250 + 14,4 = 264,4 V com que o fluxo está sendo inter-
ceptado.
Acompanhe outro exemplo.

SEÇÃO 6
Equações da tensão no gerador e regulação de Exemplo 2
tensão Considere um gerador com sua
rotação de 1.800 rpm e tensão 120
Em um gerador a tensão média Vg pode ser determinada pela seguinte V, determine a tensão gerada para
equação: as seguintes condições:

a. se o fluxo for reduzido em


20%, com velocidade perma-
pZ n necendo constante;
Vg
60b.10 8
b. se a velocidade for reduzida a
1.620 rpm com o fluxo perma-
necendo inalterado.
Sendo:
▪ Vg = tensão média gerada por um gerador CC (V);

MÁQUINAS ELÉTRICAS 87
tes da rotação da máquina. Podem
ser descritas da forma seguinte.
Vg1 k 1 n1

ou 1. Perdas no cobre
Vg1
k
1 n1 b. Perdas I2R na armadura.

c. Perdas de campo:

Vg1 2 1,00 1. I2R do campo em deriva-


Vg2 k 2 n1 2 n1 Vg1 120 120(0,80) 96V
1 n2 1 1,00 0,20 ção;

Vg1 n2 1620 2. I2R do campo em série.


Vg2 k 1 n2 1 n2 Vg1 120 108V
1 n1 n1 1800

2. Perdas mecânicas ou rotacio-


A regulação de tensão é a diferença entre a tensão do terminal sem nais
carga (SC) e com carga (CM), é expressa com uma porcentagem do valor
de carga máxima e é dada pela seguinte relação:
a. Perdas no ferro:

▪ perdas por corrente parasita;


▪ perdas por histerese.
tensão SC tensão com SM
Re gulação de tensão
tensão com CM b. Perdas por atrito:

▪ atrito no mancal (rolamento);


▪ atrito nas escovas;
▪ perdas pelo atrito com o ar.
Um baixo percentual de regulação de tensão significa que a variação de
tensão no gerador é mínima com a variação da carga no mesmo. As perdas no cobre são conse-
Mais um exemplo para você compreender melhor o assunto. quência da passagem de corrente
através de uma resistência do en-
rolamento. As corrente parasi-
Exemplo 3 tas são geradas pela f.e.m. induzi-
Determine o percentual de regulação de tensão de um gerador em de- da no núcleo magnético à medida
rivação que à plena carga apresenta uma tensão de terminal de 120 V e que armadura realiza o movimen-
sem carga apresenta 144 V. to de rotação no campo magnéti-
co. As perdas por histerese são
geradas quando o núcleo é mag-
Regulação de tensão = netizado inicialmente em um sen-
tensão SC - tensão CM = 144-120 = 24 = 0,20 = 20% tido e num momento posterior no
tensão CM 120 120 sentido oposto.
As demais perdas rotacionais são
geradas pelo atrito entre as esco-
vas e o comutador, o atrito entre
SEÇÃO 7 as partes girantes e o ar e o atrito
Perdas e eficiência de uma máquina CC de rolamento no mancal.
A eficiência é a razão entre a po-
Segundo Gussow (1985), as perdas nos geradores e nos motores CC tência útil na saída e a potência
podem ser divididas em: perdas no cobre e perdas mecânicas provenien- total na entrada.

88 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Eficiência = saída
entrada
ou

Eficiência = entrada-perdas = saída


entrada saída+perdas
A eficiência também pode ser expressa de forma percentual.

Eficiência (%) = saída .100


entrada

Acompanhe mais um exemplo.

Exemplo 4
Um gerador em derivação possui uma resistência de campo de 40 Ω e
uma resistência de armadura de 0,4 Ω. Observe a figura a seguir. Consi-
derando que o gerador entrega para a carga uma corrente de 30 A com
uma tensão no terminal de 120 V, determine:

a. a corrente de campo;

b. a corrente de armadura;

c. as perdas no cobre;

d. a eficiência com a carga, considerando que as perdas rotacionais se-


jam de 300 W.

Figura 93 - Gerador CC em derivação


Fonte: Gussow (1985, p. 259).

MÁQUINAS ELÉTRICAS 89
a. I Vt 120
3A
d
rd 40
Ia IL Id 30 3 33A I a IL Id 30 2 32A

b. Perda na armadura=
I 2a ra 332 (0,4) 435,6W I A2 ra 322 (0,4) = 435,6W

Perda do campo em derivação =


I 2a rd 3 2 (40) 360W I d2 rd 22 (60) 240W

c. Perda no cobre = perda na armadura + perda em derivação = 435 +


360 = 795,6 W

90 CURSOS TÉCNICOS SENAI


d. Eficiência = saída
saída + perdas

Saída P Vt I L 120(30) 3600W

Perda total = perdas no cobre + perda rotacional = 795,6 + 300 = 1095,6 W

Eficiência (%) 3.600 3600


100 100 0,766 100 76,6%
3.600 1.095,6 4695,6

Mais uma unidade de estudo chega ao fim e por meio de exemplos você
pôde acompanhar o funcionamento do gerador CC. Todo o conteúdo
desta unidade proporcionou novos comnhecimentos garantindo à sua
prática profissional uma aprendizagem efetiva.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 91
Unidade de
estudo 9
Seções de estudo

Seção 1 – Introdução
Seção 2 – Princípios de funcionamento
Seção 3 – Torque
Seção 4 – Forças contraeletromotriz
Seção 5 – Circuitos equivalente do mo-
tor CC
Seção 6 – Velocidades de um motor
Seção 7 – Tipos de motores
Seção 8 – Requisitos de partida dos
motores
Motores de Corrente Contínua
SEÇÃO 1
Introdução
Em função de seu princípio de
funcionamento, os motores CC
possibilitam variar a velocidade
de zero até a velocidade nominal
aliada à possibilidade de se ter um
conjugado constante. Essa carac-
terística se torna muito importan-
te em aplicações que exigem uma
grande variação de rotação com
Figura 94 - Linhas de força
uma ótima regulação e precisão
Fonte: Gussow (1985).
de velocidade.

SEÇÃO 3
SEÇÃO 2 Torque
Princípio de funciona- O torque (T) gerado por um motor CC é proporcional à intensidade do
mento campo magnético e à corrente de armadura, sendo dado por:

Basicamente os motores CC pos-


suem os mesmos componentes Vg
n Z p
8
que os geradores CC. Para estes 60 10 a
motores o indutor e o induzi-
do são alimentados por corrente Sendo:
T = torque (m.kg);
contínua.
Kt = constante que depende das dimensões físicas do motor;
O campo magnético originado Ia = corrente da armadura (A);
nas bobinas do induzido, pela pas- 5 = número total de linhas de fluxo que entrem na armadura por
sagem de corrente elétrica, defor- um polo N.
ma o fluxo indutor dando lugar a
forças que obrigam os condutores
a se deslocarem no sentido que há
menor número linhas de força. SEÇÃO 4
Força contraeletromotriz
Os condutores do induzido interceptam o fluxo do indutor em decor-
rência do movimento de rotação. Pelo princípio de Faraday é gerada nos
condutores uma f.e.m. induzida com o sentido oposto à tensão aplica-
da no motor (Lei de Lenz). Por se opor à tensão aplicada ao motor, a
tensão induzida nos condutores é chamada de força contraeletromotriz
(f.c.e.m.), que é determinada pela expressão:

MÁQUINAS ELÉTRICAS 93
E os parâmetros ra, rs, rd, IL, e Id representam as mesmas grandezas defi-
n Z p nidas no circuito equivalente de um gerador CC. Uma comparação entre
Vg
60 108 a o circuito equivalente de um gerador e o circuito equivalente de um
motor mostra que a única diferença está no sentido da corrente na linha
Sendo: e na armadura.
▪ Vg = força contraeletro-
motriz (V);
▪ n = velocidade angular
(rpm);
▪ Z = número de conduto-
res eficazes;
▪ p = número de polos;
▪ a = pares de ramais in-
ternos que dependem do
tipo de enrolamento.

SEÇÃO 5
Circuito equivalente do
motor CC
Figura 95 - Circuito equivalente de um motor CC
As relações entre as tensões e a Fonte: Gussow (1985).
corrente num circuito equivalente
de um motor CC são as seguintes:
Veja o exemplo.

Exemplo 1
Vta Vg I a ra
Calcule a f.c.e.m. de um motor quando a tensão no terminal é de 120 V
Vt Vg I a (ra rs ) e a corrente na armadura de 25 A. A resistência da armadura é de 0,16 Ω
e a corrente de campo pode ser desprezada. Qual é a potência produzida
IL Ia Id
pela armadura do motor? Qual é a potência liberada para o motor em
quilowatts?

a.
Sendo

a. Vta= tensão no terminal da ar-


Vt Vg  Iara rs = 0
madura (V);
Vg Vt  Iara 120  25 ˜ 0,16 120  4 116V
b. Vg = força contraeletromotriz,
f.c.e.m. (V);
V I 116(25) 2900W
b. Potência produzida g a
C. Ia = corrente da armadura (A);
c. Potência liberada VL IL 120 (25) 3000W
D. Vt= tensão no terminal do mo-
tor (V).

94 CURSOS TÉCNICOS SENAI


SEÇÃO 6
Velocidade de um motor
A velocidade de um motor é expressa em rotações por minuto (rpm).
Uma elevação no fluxo de campo provoca a diminuição da velocidade
do motor, o inverso ocorre com a redução do fluxo de campo. Essa
relação é utilizada para o controle de velocidade através da variação da
resistência no circuito de campo e é dada por:

Vel. sem carga - Vel. com cargamáx.


Regulação de velocidade
Velocidade com cargamáxima

Exemplo 2
Um motor CC em derivação apresenta uma rotação de 1.800 rpm sem
carga, quando uma carga é imposta ao mesmo, sua velocidade é reduzida
para 1.720 rpm. Determine a regulação de velocidade.

Vel. SC - Vel. CM Figura 96 - (a) Diagrama esquemático,


Regulação de velocidade (b) curvas de velocidade x carga, tor-
Vel. CM
que x carga
Fonte: Gussow (1985).
1.800 - 1.720
Regulação de velocidade e 0,046 4,6%
1.720

Motor série

SEÇÃO 7 No motor série o campo e a ar-


madura são ligados em série, con-
Tipos de motores forme figura a seguir. Geralmente
é utilizado para aplicações que
exijam deslocamento de gran-
Motor em derivação des cargas como em guindastes,
pois produz um torque elevado
O motor em derivação, conforme Figura 96 (a) a seguir, é o tipo mais co- com grandes valores de corrente
mum de motor CC, seu torque aumenta linearmente com o aumento da na armadura a uma baixa rota-
corrente de armadura e sua velocidade diminui à medida que a corrente ção.
de armadura aumenta. Observe a Figura 96 (b) a seguir. Sem aplicação de carga a velocida-
A determinação de velocidade é feita inserindo uma resistência de cam- de aumenta indeterminadamente
po utilizando um reostato, e para um determinado valor da resistência até que o motor se danifique, para
de campo a velocidade do motor permanece praticamente constante in- estes motores o acoplamento com
dependentemente da carga. A velocidade de referência é a velocidade do a carga é feito de forma direta,
motor com carga máxima. sem utilização de correias e polias.
Os dispositivos utilizados para a partida em motores CC devem limitar a
corrente de partida da armadura entre 125 e 200% do valor da corrente
de carga máxima.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 95
SEÇÃO 8
Requisitos de partida
dos motores
Há duas exigências durante a par-
tida dos motores, veja!
▪ Motor e linha de alimentação
devem estar protegidos contra
correntes elevadas no período
de partida, para tanto, é colocada
uma resistência em série com o
circuito da armadura.
Figura 97 - (a) Diagrama esquemático, (b) curvas da velocidade x carga, torque x ▪ O torque de partida no motor
carga deve ser o maior possível para
Fonte: Gussow (1985). fazer o motor atingir a sua velo-
cidade máxima no menor tempo
possível.

Motor composto O valor da resistência de partida


O motor composto associa as características dos motores em derivação necessária para limitar a corrente
com as características dos motores em série. Sua velocidade se reduz de partida da armadura até o valor
com o aumento de carga. desejado é:
Possui maior torque se comparado com o motor em derivação e não
apresenta problemas no funcionamento sem carga como ocorre com os
motores série. Vt
RS ra
Is

Sendo:
▪ Rs = resistência de partida (Ω);
▪ Vt= tensão do motor (V);
▪ Is = corrente de partida dese-
jada na armadura (A);
▪ ra =resistência da armadura
(Ω).

Figura 98 - (a) Diagrama esquemático, (b) curvas da velocidade x carga, torque x


carga
Fonte: Gussow (1985).

96 CURSOS TÉCNICOS SENAI


Exemplo
Para um motor em derivação com 240
a resistência de circuito de cam- Id 4,8 A
50
po de 50 Ω, determine a corrente
I1 I f I a 4 ,8 25 29,8 A
de campo, a corrente de linha e a
potência de entrada do motor sa- P1N Vt I L 240.(29,8) 7,15kW
bendo que o mesmo recebe uma
tensão de linha de 240 V e possui
uma corrente de armadura de 25
A. Mais uma unidade de estudo
chega ao fim e toda a sua apren-
dizagem foi construída a partir
da leitura criteriosa dos assuntos
apresentados. Agora cabe a você
identificar as necessidades prá-
ticas para efetiva aplicação dos
conceitos estudados.

Figura 99 - Motor em derivação


Fonte: Gussow (1985).

MÁQUINAS ELÉTRICAS 97
Finalizando
O objetivo destes conteúdos foi lhe apresentar características construtivas e funcionais de má-
quinas elétricas e uma breve noção sobre geração de energia, conhecimentos que se fazem ne-
cessários para sua atuação no ramo da eletromecânica.
Iniciamos com o estudo dos transformadores, pois a partir desses conhecimentos o entendi-
mento das demais máquinas elétricas pôde ser facilitado. Assim, foram tratados separadamente
os transformadores monofásicos e trifásicos.
A determinação da sequência das unidades de estudo apresentadas visou agrupar as principais
características das máquinas elétricas de forma a lhe possibilitar uma comparação entre as mes-
mas.
Você teve ainda um breve capítulo sobre geração de energia, proporcionando uma visão geral
com relação ao assunto. Um estudo mais aprofundado referente a máquinas primárias para a
geração de energia não fez parte do escopo desta unidade curricular, cabendo a você, de acordo
com a necessidade e interesse, a busca de materiais complementares sobre o assunto.

Bons estudos.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 99
Referências
▪ ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7094: máquinas
elétricas girantes: motores de indução: especificação. Rio de Janeiro, 2003.

▪ FILIPPO FILHO, G. Motor de indução. São Paulo: Érica, 2000.

▪ FITZGERALD, A. E.; KINGSLEY, C.; UMANS, S. D. Máquinas elétricas: com


introdução à eletrônica de potência. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

▪ GUSSOW, M. Eletricidade básica. São Paulo: McGraw-Hill, 1985.

▪ JORDÃO, R. G. Transformadores. São Paulo: Edgard Blücher, 2002.

▪ KOSOW, I. L. Máquinas elétrica e transformadores. 14. ed. São Paulo: Globo


2002.

▪ NASCIMENTO JÚNIOR, G. C. Máquinas elétricas: teoria e ensaios. 2. ed. São


Paulo: Érica, 2008.

▪ SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. Transformador


trifásico. Rio de Janeiro, 1980.

▪ ______. Transformador monofásico. Rio de Janeiro, 1980.

▪ ______. Materiais e equipamentos em sistemas de baixa tensão. Espírito San-


to, 1997.

▪ WEG S.A. Manual de geração de energia: módulo 4. Jaraguá do Sul: Weg, [200-?]a.

▪ ______. Variação de velocidade: módulo 2. Jaraguá do Sul: Weg, [200-?]b.

▪ ______. Motor de indução monofásico: manual Weg. Jaraguá do Sul, 2006.

MÁQUINAS ELÉTRICAS 101