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Volume I: ESTADO, GESTÃO PÚBLICA,

DESENVOLVIMENTO E UNIVERSIDADE

Volume II: EPISTEMOLOGIA,


METODOLOGIA E TEORIA

Volume III: ESTUDOS ORGANIZACIONAIS


CRÍTICOS

Volume IV: RELAÇÕES DE TRABALHO

Referências

Título: Volume I: ESTADO, GESTÃO PÚBLICA, DESENVOLVIMENTO E


UNIVERSIDADE

Curitiba; EPPEO, 2017.

Organização: Profa. Dra. Camila Brüning

Apoio técnico: Josiane Sassi


APRESENTAÇÃO
José Henrique de Faria

Encontra-se disponível, para consulta e/ou download gratuito, no site


www.eppeo.pro.br, um conjunto de Quatro Volumes contendo artigos que
publiquei em Revistas e Eventos, como autor e coautor, desde 1978.
A organização, sistematização e edição foram feitos competentemente pela
Professora Dra. Camila Brüning. Os textos escaneados foram pacientemente
processados por Josiane Sassi. Agradeço profundamente a elas pelo carinho e
cuidado. É um belíssimo presente e também uma oportunidade para reflexão.
Os artigos estão organizados em ordem cronológica e divididos em quatro
temas: Volume I: ESTADO, GESTÃO PÚBLICA, DESENVOLVIMENTO E
UNIVERSIDADE; Volume II: EPISTEMOLOGIA, METODOLOGIA E TEORIA;
Volume III: ESTUDOS ORGANIZACIONAIS CRÍTICOS; Volume IV: RELAÇÕES
DE TRABALHO.
No total são 129 artigos publicados até o ano de 2017. Nesta coletânea
estão incluídos 73 artigos considerados os mais relevante nas 4 temáticas acima
apresentadas. Além disso , há trabalhos que foram publicados em anais de eventos
e posteriormente em periódicos , nestes casos optou -se por incluir apenas a
versão publicada em periódicos.
Ao voltar a vários destes textos, que ficaram na gaveta da memória,
chamou a atenção o fato de que alguns deles já não merecem mais minha
aprovação, mas, de certo modo, eles fazem parte do processo de superação
conceitual e teórico e tiveram sua importância. Outros apresentam conceitos e
concepções repetidas e reelaboradas: entendo que, nestes casos, não se trata de
mera repetição, mas dos conceitos procurando sua identidade e seu lugar nas
reflexões e na realidade. Quando os conceitos e concepções surgem, inspirados
no real concreto, eles nem sempre encontram de imediato sua forma mais
elaborada. Em geral, eles permitem certa aproximação, às vezes precária, com a
realidade. A necessidade de tensionar o real para superar sua aparência
fenomênica exige a movimentação do conceito. Figurativamente, o conceito tem
vida ao revelar e se revelar.
De fato, conceitos e concepções se defrontam, pela via do pensamento, com
o objeto que pretendem representar na consciência do sujeito. Esta tensão
permanente altera o conceito ele mesmo (processo de elaboração), seu lugar na
teoria (propriedade de alocação), sua capacidade de representação do real para o
sujeito pesquisador (condição de precisão) e sua forma textual (lógica de
exposição).
Efetivamente, no processo de produção do conhecimento, de elaboração
teórica, há um constante movimento dos objetos e do sujeito pesquisador, de
maneira que nem aqueles permanecem como estavam, eles mesmos
(ontologicamente) e para o pesquisador (epistemologicamente), e nem este é
como era (ontológica e epistemologicamente) em sua relação com os objetos.
Ambos mudam e, em decorrência, conceitos, concepções e teorias também se
alteram. Em síntese: o sujeito não é o mesmo na interação com o objeto e este já
não se apresenta do mesmo modo para o sujeito.
As alterações, por vezes, são radicais (atingem a raiz do problema), amplas
e explícitas; outras vezes são também radicais, mas localizadas e sutis; outras,
ainda, são formais e decorrem de uma necessidade expositiva. O pesquisador,
quando expõe sua teoria, não necessariamente dimensiona o seu alcance, o que
vai se constituindo à medida que o concreto ele mesmo se revela em sua estrutura,
ao mesmo tempo em que a consciência dele se apropria como coisa pensada em
diferente nível de elaboração.
Ao reler os artigos, pude observar, igualmente, que além do processo de
produção teórica e de sua exposição, o método de pesquisa também foi se
modificando, também foi evoluindo na orientação das relações com os objetos de
pesquisa, com o concreto investigado. Não é nenhuma novidade, pois método e
teoria são sobredeterminados, o que reforça a tese de que ontologia,
epistemologia, teoria e método andam necessariamente juntos na produção do
conhecimento científico.
Poder-se-ia especular se o pesquisador não seria um tipo de sujeito
obsessivo, às vezes compulsivo, em sua relação com o objeto de pesquisa e em sua
condição de elaboração teórico-conceitual. O pesquisador busca na produção
teórico-conceitual uma inteireza e integridade, uma virtuosidade estética e
formal, um rigor definitivo e inquestionável, mas este é um objetivo praticamente
inatingível devido à própria dinâmica do concreto. Assim, nem bem um texto está
publicado e o pesquisador já dá início a uma espécie de insatisfação crítica com
alguns trechos do texto. De um lado, isso constitui o processo mesmo de
desenvolvimento teórico-conceitual e metodológico. De outro, aponta para o
paradoxo de que o que está pronto não está acabado e jamais estará. Nada é
definitivo na atividade científica, exatamente porque tanto sujeito como objeto se
movem contraditória e permanentemente.
Estes volumes contêm o registro deste movimento de produção acadêmica
e, como dito no início, mesmo que não reconheça mais alguns conceitos, teorias,
métodos e concepções, elas fazem parte deste processo. Aqui vale uma metáfora:
na construção de um edifício entram todos os materiais e estruturas, bem como
todos os estrados externos que permitem que o edifício seja erguido. Mas, uma
vez que o edifício está pronto, para estar disponível ao fim ao qual se destina, é
preciso remover aqueles andaimes que foram absolutamente necessários no
processo de construção. Assim também é o edifício teórico: os andaimes
conceituais são necessários no processo de produção de uma teoria, mas não são
essenciais quando esta alcança seu termo, seu desfecho contingente.
Sobre a sistematização desta coletânea:

No período compreendido entre os anos 1978 e 2017 o Prof. Dr. José


Henrique de Faria teve um total de 129 artigos publicados em periódicos e anais
de eventos. Nesta coletânea estão incluídos 73 artigos considerados pelo Prof.
Faria como os mais relevantes dentro de 4 temáticas:
Volume I: ESTADO, GESTÃO PÚBLICA, DESENVOLVIMENTO E
UNIVERSIDADE;
Volume II: EPISTEMOLOGIA, METODOLOGIA E TEORIA;
Volume III: ESTUDOS ORGANIZACIONAIS CRÍTICOS;
Volume IV: RELAÇÕES DE TRABALHO.
A seguir apresenta-se a lista completa dessas publicações, bem como o
encaminhamento que lhes foi dado na sistematização desta coletânea.
A lista é apresentada em ordem cronológica, considerando primeiramente
os artigos publicados em periódicos, e na sequência, os publicados em anais de
eventos.

FARIA, J. H. de; VARGAS DE FARIA, J. R. A Concepção de Estado e a


Administração Pública no Brasil no Âmbito do Plano Diretor de Reforma do
1 Estado. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E GESTÃO SOCIAL, v. 9, p. 140-147, Volume I
2017. Disponível em:
<http://www.apgs.ufv.br/index.php/apgs/article/download/1331/pdf>

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F. K. ; STEFANI, D. Razão Tradicional e


Razão Crítica: os percursos da razão no ensino e a pesquisa em
Administração na concepção da Teoria Crítica. Revista de Ciências da
2 Volume II
Administração, v. 18, p. 140-154, 2016. Disponível em:
<https://periodicos.ufsc.br/index.php/adm/article/download/2175-
8077.2016v18n45p136/pdf>

FARIA, J. H. de. Desenvolvimento Socioeconômico e Interdisciplinaridade.


3 Volume I
Revista do IMESC, v. 1, p. 5-36, 2015.

FARIA, J. H. de. Epistemologia Crítica do Concreto e Momentos da


Pesquisa: uma proposição para os Estudos Organizacionais. RAM. Revista
4 Volume II
de Administração Mackenzie (Online), v. 16, p. 1-36, 2015. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/ram/v16n5/1518-6776-ram-16-05-0015.pdf>
FARIA, J. H. de. Análise de Discurso em Estudos Organizacionais: as
concepções de Pêcheux e Bakhtin. Teoria e Pratica em Administração, v. 5,
5 p. 51-71, 2015. Disponível em: Volume II
<http://periodicos.ufpb.br/index.php/tpa/article/download/26399/14430
>

FARIA, J. H. de. Os Sete Pecados Capitais e o Pesquisador Oficialmente Não


6
Reconhecido. Revista Posição, v. 2, p. 8-12, 2015. incluído

FARIA, J. H. de. Estudos Organizacionais no Brasil: arriscando


perspectivas. Revista de Estudos Organizacionais (Impresso), v. 1, p. 01, Volume
7
2014. Disponível em: <http://www.sbeo.org.br/sbeo/wp- III
content/uploads/2014/07/v1n1_FARIA.pdf>

FARIA, J. H. de; RAMOS, Cinthia Letícia. Tempo Dedicado ao Trabalho e


Tempo Livre: os processos sócio históricos de construção do tempo de
Volume
8 trabalho. RAM. Revista de Administração Mackenzie (Impresso), v. 15, p.
III
47-74, 2014. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/ram/v15n4/03.pdf>

FARIA, J. H. de. Por uma Teoria Crítica da Sustentabilidade. Organizações e


Sustentabilidade, v. 2, p. 2-25, 2014. Disponível em: Volume
9
<http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/ros/article/download/17796/15 III
172>

RAMOS, CINTHIA LETICIA ; FARIA, JOSÉ HENRIQUE DE . Poder e


ideologia: o modelo corporativo de gestão por competências em uma
indústria multinacional. Perspectiva (UFSC), v. 32, p. 667-701, 2014. Volume
10
Disponível em: III
<https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/download/2175-
795X.2014v32n2p667/30074>

FARIA, J. H. de. Economia Política do Poder em Estudos Organizacionais.


REvista Farol Digital, v. 1, p. 58-102, 2014. Disponível em: Volume
11
<http://revistas.face.ufmg.br/index.php/farol/article/download/2581/1407 III
>

FARIA, J. H. de; MARANHAO, C. M. S. A. ; MENEGHETTI, F. K. .


Reflexões Epistemológicas para a Pesquisa em Administração:
12 Contribuições de Theodor W. Adorno. RAC. Revista de Administração Volume II
Contemporânea (Online), v. 17, p. 642-660, 2013. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/rac/v17n6/a02v17n6.pdf

FARIA, J. H. de; BRÜNING, C. . O PROBLEMA DOS MAIS NOVOS: um


estudo de caso sobre o conflito de gerações na linha de produção de uma
Volume
13 montadora automotiva da Região Metropolitana de Curitiba. RECADM :
III
Revista Eletrônica de Ciência Administrativa, v. 12, p. 6-21, 2013. Disponível
em: <http://www.spell.org.br/documentos/download/18841>
FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F. K. . A Gestão e a Reificação dos Homens
Volume
14 do Mar. RAE - Revista de Administração de Empresas, v. 13, p. 01-16, 2012.
III
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ram/v13n4/a02.pdf>

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F. K. . Burocracia como Organização,


Volume
15 Poder e Controle. RAE (Impresso), v. 51, p. 424-439, 2012. Disponível em:
III
<http://www.scielo.br/pdf/rae/v51n5/a02v51n5.pdf>

BUSHATSKY, Magaly ; FARIA, J. H. de ; BAIBICH-FARIA, Tânia M. .


Não
16 Cuidados paliativos em pacientes fora de possibilidade terapêutica.
incluído
Bioethikós (Centro Universitário São Camilo), v. 6, p. 399-408, 2012.

FARIA, J. H. de; ANDRADE, L. C. . As Condições de uma Gestão Social em


Não
17 um Empreendimento Popular. Caderno de Iniciação Científica - FAE
incluído
Business School, v. 13, p. 89-107, 2012.

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F. K. . Dialética Negativa e a Tradição


Epistemológica em Estudos Organizacionais. Organizações & Sociedade
18 (Impresso), v. 18, p. 119-137, 2011. Disponível em: Volume II
<https://portalseer.ufba.br/index.php/revistaoes/article/download/11141/
8053>

SILVA, Anna P. B. da ; FARIA, J. H. de . Trabalho do Século XIX e do XXI:


Não
19 breve contextualização das patologias e legislação trabalhista brasileira.
incluído
Caderno de Iniciação Científica - FAE Business School, v. 12, p. 27-38, 2011.

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F. K. . Liderança e Organizações. Revista


Volume
20 de Psicologia, v. 2, p. 412-420, 2011. Disponível em:
IV
<http://www.periodicos.ufc.br/psicologiaufc/article/download/92/91>

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F. K. . (Sem) saber e (com) poder nos


estudos organizacionais.. Cadernos EBAPE.BR (FGV), v. 8, p. 38-52, 2010.
Volume
21 Disponível em:
III
<http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/cadernosebape/article/down
load/5141/3875[>

MACHADO, Sellina da R. D. ; CUNHA, Sieglinde K. ; FARIA, J. H. de .


Observatório de Redes Sociais em Comunidades Acadêmicas: um olhar Não
22
interdisciplinar da Teoria Crítica. Caderno de Iniciação Científica - FAE incluído
Business School, v. 11, p. 341-356, 2010.

ORTIZ, Alessandra P. Z. ; CUNHA, Sieglinde K. ; FARIA, J. H. de .


Observatório de Redes Sociais em Comunidades Acadêmicas:uma avaliação Não
23
na ANPAD (2005-2009) da Teoria Crítica. Caderno de Iniciação Científica - incluído
FAE Business School, v. 11, p. 451-466, 2010.
FARIA, J. H. de. O Capitalismo Totalmente Flexível: o adeus ao liberalismo
24 e ao keynesianismo clássico e a metamorfose da economia de mercado. Volume I
Revista Espaço Acadêmico (UEM), v. 94, p. 01-15, 2009.

FARIA, J. H. de. Consciência Crítica com Ciência Idealista: paradoxos da


redução sociológica na fenomenologia de Guerreiro Ramos. Cadernos
25 Volume II
EBAPE.BR (FGV), v. 7, p. 419-446, 2009. Disponível em:
<http://www.spell.org.br/documentos/download/1038>

FARIA, J. H. de. Teoria Crítica em Estudos Organizacionais no Brasil: o


Volume
26 estado da arte. Cadernos EBAPE.BR (FGV), v. 7, p. 509-515, 2009.
III
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cebape/v7n3/a09v7n3.pdf>

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F. K. . Gênese e estruturação da


organização burocrática na obra de Maurício Tragtenberg. Gestão e
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27 sociedade (UFMG), v. 3, p. 167-203, 2009. Disponível em:
III
<https://www.gestaoesociedade.org/gestaoesociedade/article/download/8
35/711>

VASCONCELOS, Amanda de. ; FARIA, J. H. de . Saúde Mental no Trabalho:


Volume
28 contradições e limites. Psicologia & Sociedade (Online), v. 20, p. 453-464,
IV
2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/psoc/v20n3/16.pdf>

KRAMER, G. G. ; FARIA, J. H. de . Vínculos Organizacionais. RAE - Revista


Volume
29 de Administração de Empresas, v. 41, p. 83-104, 2007. Disponível em:
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FARIA, J. H. de; SANTOS, Thaís I. . A "Empresa Revolução": do Movimento


Passe Livre a um Modelo de Negócio Empresarial. Revista de Administração
Volume
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33 Volume I
Universidade e Sociedade (Brasília), Brasilia, v. XV, n.35, p. 13-33, 2005.
FARIA, J. H. de; KREMER, A. . Reestruturação produtiva e precarização do
trabalho: o mundo do trabalho em transformação. RAUSP. Revista de Volume
34
Administração, São Paulo, v. 40, n.3, p. 266-279, 2005. Disponível em: III
<http://seer.ufrgs.br/index.php/read/article/view/41500/26279>

FARIA, J. H. de. Poder, saber e razão cínica: quando o poder arromba a


Volume
35 porta o saber sai pela janela?. Revista Eletrônica Espaço Acadêmico,
III
Maringá - PR, v. 53, n.10-2005, p. 6-0, 2005.

FARIA, J. H. de; MENEGHETTI, F. K. . Ídolos, heróis e mitos: aspectos


(inter)subjetivos de uma organização ligada ao futebol. Cadernos da Escola
Volume
36 de Negócios da UniBrasil, Curitiba, v. 2, p. 13-32, 2004. Disponível em:
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FARIA, J. H. de. Economia Política do Poder: os fundamentos da Teoria


Crítica nos Estudos Organizacionais. Cadernos da Escola de Negócios da
Volume
37 UniBrasil, Curitiba, v. 1, p. 15-48, 2003. Disponível em:
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FARIA, J. H. de. Ciência, Tecnologia e Sociedade. Cadernos ANDES


38 Volume II
(Brasília), Brasília, v. 1, p. 36-46, 2003.

FARIA, J. H. de. O Poder na Obra de Fernando Prestes Motta. Eccos.


Volume
39 Revista Científica, v. 5, p. 162-169, 2003. Disponível em:
III
<http://www.fernandoprestesmotta.com.br/doc/eccos_faria.pdf>

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unidimensional: as contribuições de Marcuse. Revista Ciência Empresarial, Volume
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interpretação tragtenberguiana. RAE. Revista de , São Paulo, v. 41, n.3, p. Volume
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Não
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48
Alegre. 2002), Porto Alegre, RS, v. 2, n.5, p. 31-39, 1996. incluído

FARIA, J. H. de. Construção e pluralidade. Cadernos ANDES (Brasília), Não


49
Curitiba, PR, v. 1, n.2, p. 01-10, 1995. incluído

FARIA, J. H. de. A ousadia de transformar. Cadernos de Extensão Perfil da Não


50
Extensão Universitária, Curitiba, PR, v. 1, n.1, p. 01-08, 1995. incluído

FARIA, J. H. de. Universidade pública: que futuro. Cadernos da Escola Não


51
Pública, Curitiba, PR, v. 1, n.2, p. 01-07, 1991. incluído

FARIA, J. H. de. Tecnologia, processo e organização do trabalho. RAUSP.


Volume
52 Revista de Administração, São Paulo, v. 21, n.4, p. 56-61, 1986. Disponível
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FARIA, J. H. de. A tendência oligárquica nas organizações:será que Michels


Volume
53 ainda tem razão?. Revista do IMESC, São Caetano do Sul, v. 1, n.5, p. 16-31,
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1985.

FARIA, J. H. de. A questão tecnológica na indústria de bens de consumo


essenciais. RAUSP. Revista de Administração, São Paulo, v. 20, n.1, p. 37-45, Volume
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1985. Disponível em: IV
<http://200.232.30.99/busca/artigo.asp?num_artigo=776>
FARIA, J. H. de. Crise do autoritarismo e movimentos operários no ABC
Volume
55 paulista: 1978-1980. Revista do IMESC, São Caetano do Sul, v. 3, n.7, p. 16-
III
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FARIA, J. H. de. Círculos de Controle de Qualidade: a estratégia recente da


Volume
56 gestão capitalista de controle e modificação do processo de trabalho.
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RAUSP. Revista de Administração, São Paulo, v. 19, n.3, p. 9-15, 1984.

FARIA, J. H. de. O conceito de poder: uma introdução de novos elementos à


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57 teoria administrativa. Revista do IMESC, São Caetano do Sul, v. 1, n.3, p. 35-
incluído
42, 1984.

FARIA, J. H. de. Socialismo, Democracia e Formas de Gestão do Trabalho. Não


58
Revista do IMESC, Sâo Paulo Editora Alfa-Ômega, v. 3, n.4, p. 25-29, 1984. incluído

FARIA, J. H. de. Weber e a sociologia das organizações. RAUSP-e (São


Volume
59 Paulo), São Paulo, v. 18, n.2, p. 23-29, 1983. Disponível em:
IV
<http://200.232.30.99/busca/artigo.asp?num_artigo=867>

FARIA, J. H. de. Tecnologia, desenvolvimento econômico e gestão do


60 trabalho. RAUSP. Revista de Administração, São Paulo, v. 18, n.4, p. 101- Volume I
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FARIA, J. H. de. Co-gestão: uma nova instituição. RAUSP. Revista de


Volume
61 Administração, São Paulo, v. 17, n.1, p. 5-13, 1982. Disponível em:
IV
<http://200.232.30.99/download.asp?file=1701005.pdf.>

FARIA, J. H. de. Treinamento, oligarquia e instituições. Revista do IMESC, Volume


62
Porto Alegre, RS, v. III, n.20, p. 12-23, 1979. IV

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5th Corporate Responsability - CR3 Conference, 2017, Helsinki. 5th CR3. incluído
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Volume I: ESTADO, GESTÃO PÚBLICA, DESENVOLVIMENTO E
UNIVERSIDADE

Este primeiro volume, ESTADO, GESTÃO PÚBLICA,


DESENVOLVIMENTO E UNIVERSIDADE, é composto pelos artigos publicados
pelo Prof. Dr. José Henrique de Faria, como autor e coautor, e categorizados por
ele como trabalhos que versam sobre o tema “Estado, Gestão Pública,
Desenvolvimento e universidade”. Compõem este volume, portanto, os seguintes
trabalhos, aqui apresentados nesta ordem:

1. FARIA, J. H. de; VARGAS DE FARIA, J. R. . A Concepção de Estado e a


Administração Pública no Brasil no Âmbito do Plano Diretor de Reforma do
Estado. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E GESTÃO SOCIAL, v. 9, p. 140-147,
2017. Disponível em:
http://www.apgs.ufv.br/index.php/apgs/article/download/1331/pdf>

2. FARIA, J. H. de. Desenvolvimento Socioeconômico e Interdisciplinaridade.


Revista do IMESC, v. 1, p. 5-36, 2015. Disponível em:
http://periodicos.unesc.net/RDSD/article/download/1827/1801

3. FARIA, J. H. de. O Capitalismo Totalmente Flexível: o adeus ao liberalismo e


ao keynesianismo clássico e a metamorfose da economia de mercado. Revista
Espaço Acadêmico (UEM), v. 94, p. 01-15, 2009. Disponível em:
http://docplayer.com.br/storage/51/28645653/1500929540/Qj9ENps4tPi8R
VnRt88xNA/28645653.pdf

4. FARIA, J. H. de. Universidade, produção científica e aderência social.


Universidade e Sociedade (Brasília), Brasília, v. XV, n.35, p. 13-33, 2005.

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http://www.anpad.org.br/~anpad/abrir_pdf.php?e=NDI5Mg==
Administração Pública e Gestão Social, 9(3), jul.-set., 2017, 140-147
DOI: http://dx.doi.org/10.21118/apgs.v1i3.1331
ISSN 2175-5787
ARTIGO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE

A Concepção de Estado e a Administração Pública no Brasil


no Âmbito do Plano Diretor de Reforma do Estado

State conception and public administration in Brazil in the


context of State Reform Master Plan

José Ricardo Vargas de Faria


Professor / Universidade Federal do Paraná
Doutorado em Planejamento Urbano e Regional / Universidade Federal do Rio de Janeiro
http://lattes.cnpq.br/2623694283407305
orcid.org/0000-0003-2594-3550
jrvfaria@gmail.com

José Henrique de Faria


Professor Titular Sênior / Universidade Federal do Paraná
Doutorado em Administração / Universidade de São Paulo
http://lattes.cnpq.br/3738279410631976
orcid.org/0000-0003-3971-7992
jhfaria@gmail.com

Resumo: O sentido das transformações pelas quais passou o Estado brasileiro demanda uma análise das forças políticas (e suas alianças), seus projetos e
ações, recusando a concepção tecnicista que sugere que se tratou de uma medida puramente administrativa. O presente ensaio teórico tem por objetivo expor
as bases para uma análise da chamada Reforma do Estado, destacando as transformações ocorridas no período de 1995 a 1998, decorrente da implementação
-se que os perío
à abertura de novos campos e à flexibilização e melhoria das condições para aportes de capitais tanto nacionais quanto intern acionais. O procedimento
administrativo,
bases, desenvolve-se uma análise crítica do ideário que sustentou o Plano Diretor de Reforma do Estado no Brasil. Conclui-se que a Reforma, circunscrita à
eficiência de parte de seu aparelho administrativo, não corresponde a uma concepção de inclusão social nos benefícios do dese nvolvimento, mas de
instrumentalização do aparelho administrativo, segundo uma concepção gerencial, para que o mesmo responda, com mais agilidade e eficiência, às demandas
da economia.
Palavras chave: Reforma do Estado, Gerencialismo, Planejamento Econômico

Abstract: The sense of Brazilian State transformations calls for an analysis of the political forces (and their alliances), their projects and actions, refusing the
technicist conception that suggests that it was a purely administrative providence. This theoretical essay aims at laying the groundwork for an analysis of the so-
called State Reform, highlighting the transformations that occurred in the period from 1995 to 1998, resulting from the implementation of the "Master Plan for State
Reform." Argued that the so-called "managerial modernization" periods, according to the official discourse, are associated with the opening of new fields and the
flexibilization and improvement of the conditions for national and international capital contributions. The administrative procedure, therefore, stems from a political
definition of the place and role of the state in social relations. Reviewing the "historical perspective" under different bases, a critical analysis of the ideology that
underpinned the State Reform Master Plan in Brazil was developed. Concluded that the Reform, limited to the efficiency of part of its administrative apparatus,
does not correspond to a conception of social inclusion in the benefits of development, but of instrumentalization of the administrative apparatus, according to a
managerial conception, so that it responds, more efficiently, to economy demands.
Keywords: State Reform, Managerialism, Economic Planning

Texto completo em português: http://www.apgs.ufv.br


Full text in Portuguese: http://www.apgs.ufv.br

INTRODUÇÃO diagnóstico da a administração pública brasileira, estabelece um


No período de 1995 a 1998, durante o primeiro mandato dos suportes para as ações propostas. Este diagnóstico realiza uma
presidencial de Fernando Henrique Cardoso, foi instituído o periodização da história da administração pública no Brasil
Ministério de Administração e Reforma do Estado, responsável pela considerando a predominância, em determinadas épocas, de certos
os a partir da
ormular a administração pública formulação weberiana sobre as estruturas de dominação
brasileira no sentido de torná-la gerencial. O discurso oficial (patriarcal-patrimonial e burocrática), estabelecem certos juízos
valorativos sobre as formas de administração como suas
atuais de administração e eficiência, voltada para o controle dos características intrínsecas. Contudo, a elaboração de Bresser-
resultados e descentralizada para poder chegar ao cidadão, que, Pereira (2006) não corresponde à de Weber (2004), senão em seus
numa sociedade democrática, é quem dá legitimidade às aspectos mais gerais, principalmente porque procura definir um
melhor ou pior tipo de administração. Para Bresser Pereira (2006)
as formas de administração pública patrimonial e burocrática são
Cardoso, 1995). superadas em diferentes países pela emergência de um novo
Para o Ministério foi indicado Luis Carlos Bresser Pereira, que modelo que denomina de gerencial. No Brasil este modelo se
além de ministro foi o principal teórico, e pode-se dizer também expressa parcialmente em certas iniciativas de reforma
ideólogo, desta reforma. A construção intelectual sobre e o administrativa.

Correspondência/Correspondence: José Ricardo Vargas de Faria. Rua Mateus Leme, 5273, casa 2, Bairro São Lourenço, Curitiba, Paraná. CEP 82.210-290
jrvfaria@gmail.com

Avaliado pelo / Evaluated by review system - Editor Científico / Scientific Editor: Wescley Silva Xavier
Recebido em 16 de junho, 2016, aceito em 03 de março, 2017, publicação online em 03 de julho de 2017
Received on june 16, 2016; accepted on march 03, 2017, published online on july 03, 2017
A Concepção de Estado e a Administração Pública no Brasil no Âmbito do Plano Diretor de Reforma do Estado Faria, J. R. V.; Faria, J. H. 141

Desta forma, partindo-se de uma perspectiva histórica, verificamos essencialmente três marcos principais: (i) a criação do
que a administração pública - cujos princípios e características não
devem ser confundidos com os da administração das empresas Departamento Administrativo do Serviço Público DASP, em 1938
privadas - evoluiu através de três modelos básicos: a administração
pública patrimonialista, a burocrática e a gerencial. Estas três formas
(criado a partir do Conselho Federal do Serviço Público Civil de
se sucedem no tempo, sem que, no entanto, qualquer uma delas 1936); (ii) o Decreto-lei nº 200/67 instituído durante o regime militar;
seja inteiramente abandonada (Brasil, 1995).
(iii) a Constituição Federal de 1988. Cada um destes marcos é
Percebe-se, nesta leitura, que os modelos se sucedem como tomado, de certa maneira, como momento de inflexão nos rumos
correção das distorções do modelo anterior, em uma perspectiva do desenvolvimento da administração pública.
evolucionista orientada para o entendimento de que o último modelo O sentido desta inflexão está em uma concepção de
seria inexoravelmente o melhor, o mais desenvolvido. administração associada às formas de dominação: racional-legal,

No presente momento, uma visão realista da reconstrução do dominação manifesta-se e funciona como administração. Toda
aparelho do Estado em bases gerenciais deve levar em conta a
necessidade de equacionar as assimetrias decorrentes da administração precisa, de alguma forma, da dominação, pois, para
persistência de aspectos patrimonialistas na administração
contemporânea, bem como dos excessos formais e anacronismos dirigi-la, é mister que certos poderes de mando se encontrem nas
do modelo burocrático tradicional (Brasil, 1995).

Para desenvolver uma análise crítica do ideário que sustentou administração burocrática e administração patrimonial, que são

o Plano Diretor de Reforma do Estado, torna-se importante indicar utilizados como referência para analisar o sentido das reformas

o lugar do Estado Capitalista Contemporâneo e, neste mesmo administrativas empreendidas a partir dos três momentos

sentido, identificados acima. Uma degeneração destes conceitos é comum

a finalidade de compreender os processos políticos e econômicos,


que considerem além da reformulação dos aspectos institucionais aplicáveis a partir da implementação de determinadas

e administrativos (i) a emergência de (e o conflito entre) forças e características. Esta ideia aparece também nas referências oficiais

atores econômicos e sociais, (ii) os projetos políticos em disputa e sobre a Reforma do Estado (BRASIL, 1995), em Bresser Pereira

(iii) as concepções dominantes de administração e planejamento. (2006) e em Torres (2004).

Certamente este projeto não pode ser realizado em algumas Além destes dois conceitos Bresser Pereira (2006) discute

poucas páginas e, portanto, o objetivo deste ensaio é propor apenas ainda a definição de administração gerencial:

algumas orientações à sua realização.


a) descentralização do ponto de vista político, transferindo-se
Neste sentido, tomar-se-á como referência básica as análises recursos e atribuições para os níveis políticos regionais e locais; b)
desenvolvidas descentralização administrativa, através da delegação de
autoridade aos administradores públicos, transformados em
gerentes cada vez mais autônomos; c) organizações com poucos
níveis hierárquicos, ao invés de piramidais; d) pressuposto da
confiança limitada e não da desconfiança total; e) controle a
posteriori, ao invés do controle rígido, passo a passo, dos processos
pelo fato de administrativos; f) administração voltada para o atendimento do
destacar que as rupturas, no âmbito do Estado, conferem novos cidadão, ao invés de auto-referida (Bresser Pereira, 2006, p.243)

conteúdos e reposicionam a relação entre o poder político e o poder


Neste caso, o autor não explicita qual forma de dominação
econômico, no sentido de tornarem mais agudas as exigências de
estaria associada à esta forma de administração, restringindo
racionalização. O segundo por apresentar os fundamentos da
apenas a caracterizá-la. A história da administração pública no
reforma do Estado por ele mesmo conduzida. O terceiro na medida
Brasil é então explicada a partir da tentativa de adoção de tal ou
em que sugere que uma teoria do Estado deve ser capaz de explicar
qual modelo.
as metamorfoses de seu objeto, considerando que a luta de classes
não apenas intervém nas formações sociais como simples fator de
1º período 1936-1967: a urocratização
variação ou concretização de um tipo ideal de Estado em um ou
O ponto de partida da periodização decorrente é a afirmação de
outro Estado concreto. Neste último caso, o conceito de Estado
que as sociedades pré-capitalistas são caracterizadas por uma
formulado por Poulantzas serve para posicionar a abordagem
administração patrimonialista e que, no Brasil, esta seria a forma
teórica e não para formalizar uma conclusão a partir dele. Esta
predominante até a década de 1930. De acordo com Torres (2004,
revisão pode tornar possível o questionamento dos objetivos
anunciados pela Reforma do Estado no Brasil e a elucidação de
Estado brasileiro pode facilmente ser descrito como a grande
outros não anunciados.
instituição garantidora dos privilégios sociais e econômicos de uma

AS DIFERENTES PERIODIZAÇÕES DA REFORMA DO ESTADO NO B RASIL


indissociação entre patrimônio público e privado, aspecto central na
A história da administração pública no Brasil apresentada no
definição de patrimonialismo. Para Bresser Pereira (2006, p.241)
Plano Diretor de Reforma do Estado encontra-se estruturada a
revelar-se-ia incompatível com o
partir de determinados marcos históricos de reforma administrativa
capitalismo industrial e as democracias parlamentares que surgiram
e, em função destes, da orientação no sentido da menor ou maior
Administração Pública e Gestão Social, 9(3), jul.-set., 2017, 140-147 142

Nesta perspectiva, a reforma administrativa iniciada em 1936, de cargos públicos, licitações, etc.). Estes organismos eram, em
com a posterior criação do DASP em 1938, teve por objetivo instituir geral, responsáveis por ações estratégicas no campo econômico,
uma administração burocrática, sustentada por uma concepção como por exemplo, a criação do Conselho Nacional de
científica da organização do trabalho, ou seja, apoiada nos Desenvolvimento e posterior implementação do Programa de Metas
pressupostas da eficiência e da racionalidade. Esta reforma teria durante o governo JK.
como finalidade a criação das condições para o desenvolvimento Deste modo, ainda que não tenha havido reformas de amplo
do capitalismo, opondo-se à administração patrimonialista, pela espectro, diferentes formas de descentralização e flexibilização
Bresser Pereira, (desregulamentação) da gestão ocorreram no período, por meio da
2006, p.241). criação de diversos organismos de administração indireta
Na análise de Ianni (1977) esta idéia é parcialmente afirmada a responsáveis por programas estratégicos. Pode-se afirmar que o
sentido predominante destes processos foi o de conferir mais
condições para o desenvolvimento do Estado burguês [...]. Isto autonomia para as ações no campo econômico, especialmente no
significa que o poder público passou a funcionar mais que se refere à mediação dos interesses das diferentes classes e
adequadamente segundo as exigências e as possibilidades frações de classe em disputa.

(IANNI, 1977, p.13-4). Porém, as rupturas estruturais internas e 2º período 1967-1988: a


externas, que promoveram a derrota mas não a liquidação do Para Bresser Pereira (2006, p.243-5), em 1967, com a
Estado oligárquico, foram realizadas, em parte, por uma forte instituição do Decreto-Lei nº 200, ocorreu a primeira tentativa de
intervenção e controle do mercado pelo Estado, ao invés de reforma gerencial na administração publica brasileira, que
enfatizava a descentralização administrativa e a autonomia da
das condições de funcionamento (i) do mercado de fatores de administração indireta (autarquias, fundações, empresas públicas e
produção (manifesta, por exemplo, na consolidação da legislação sociedades de economia mista), especialmente em relação às
trabalhista); (ii) das relações internas de produção e (iii) das atividades de produção de bens e serviços. Em relação a esta
relações entre economia brasileira e internacional. (Ianni, 1977) autonomia, consolidava-se um processo que, na prática, já se
Além disso, Ianni (1977) destaca que as rupturas, no âmbito do realizava no período anterior pela criação de comissões especiais,
Estado, conferem novos conteúdos e reposicionam a relação entre conselhos e institutos para tratar de questões estratégicas da
o poder político e o poder econômico, no sentido de tornarem mais administração pública, principalmente na área econômica. Bresser
agudas as exigências de racionalização: (i) dos meios e técnicas de Pereira (2006, p.244) afirma que através da flexibilização de sua
organização das informações, (ii) análise de problemas, (iii) tomada administração [das empresas estatais e fundações] buscava-se
de decisões e (iv) controle da execução de políticas econômico- uma eficiência maior nas atividades econômicas do Estado, e se
financeiras. Enfim, embora já houvesse medidas intervencionistas fortalecia a aliança política entre a alta tecnoburocracia estatal, civil
anteriores a 1930, neste período o planejamento passa a ser e
reconhecido como técnica para aceleração do desenvolvimento Além do Decreto-Lei nº 200, neste período o Governo Militar
econômico. O governo federal assume um papel central (e elabora o Plano Decenal. Ainda que, segundo Ianni (1977, 237-8),
centralizador) neste planejamento, característica tomada por este plano sequer tenha saído do papel, sua consideração é
Bresser Pereira (2006, p.243) como princípio da burocracia necessária para melhor compreender as orientações políticas
clássica. daquele governo. A concepção de planejamento se relaciona com
A análise sobre mudanças na administração pública brasileira uma perspectiva de livre mercado e conforme afirmou o Presidente
após o período Vargas em Bresser Pereira (2006), Torres (2004) Castello Branco (apud Ianni, 1977, p.237) a prática do planejamento
e na análise histórica do constante no Plano Diretor de Reforma do eitamente compatível com a descentralização das decisões,
Estado ve poucas ações no sentido de na medida desejada, através de sistemas de preços e livre
modernizar a administração pública durante o regime democrático Sobre este processo Ianni (1977) destaca:
de 1945- (Torres
caracterizaram, em alguns casos, pela ênfase na extinção e criação Tratava-se de equipar o governo (isto é, o Executivo) para exercer
com o máximo de eficácia as suas funções na esfera das relações
de órgãos, e, em outros, pela constituição de estruturas paralelas econômicas. Por isso é que esse mesmo governo
(fundamentalmente privatista) tratou de desenvolver ainda mais a
visando altera , 1995). tecnoestrutura que deveria regular e dinamizar o funcionamento das
forças produtivas e das relações de produção no País. Por isso,
Apesar das poucas alterações institucionais/legais que tiveram
também, é que a instalação dos Grupos de Coordenação do Plano
impacto geral na forma de organização da administração pública Decenal começou com um discurso sobre o caráter neutro da
técnica de planejamento e sobre a importância da planificação da
federal é necessário observar que ocorreram algumas mudanças política econômica governamental (Ianni, 1977, p.236)
nas formas de operação da máquina estatal. Neste período, foram
O fortalecimento da tecnoestrutura, que para Bresser Pereira
criadas diversas estruturas que operavam de forma parcialmente
(2006) recebeu a denominação de
independente das normas próprias da administração pública (como
esteve intimamente associado à intenção de desenvolver
por exemplo, aquelas relacionadas aos concursos para provimento
condições: (i) para que as empresas estatais operassem segundo
A Concepção de Estado e a Administração Pública no Brasil no Âmbito do Plano Diretor de Reforma do Estado Faria, J. R. V.; Faria, J. H. 143

a lógica de mercado e (ii) de estimulo ao investimento do setor No Brasil, embora esteja presente desde os anos 70, a crise do
Estado somente se tornará clara a partir da segunda metade dos
privado nacional e principalmente o estrangeiro. anos 80. Suas manifestações mais evidentes são a própria crise
fiscal e o esgotamento da estratégia de substituição de importações,
No governo Médici, algumas orientações políticas se alteram, que se inserem num contexto mais amplo de superação das formas
porém é possível perceber que os aspectos citados anteriormente de intervenção econômica e social do Estado. Adicionalmente, o
aparelho do Estado concentra e centraliza funções, e se caracteriza
são corroborados, conforme as afirmações de Delfim Netto: pela rigidez dos procedimentos e pelo excesso de normas e
regulamentos (Brasil, 1995).

É preciso distinguir, no campo econômico, a ação direta do governo


e a ação indireta do governo. No caso da ação direta do governo,
Bresser Pereira (2006) afirma que a crise do Estado de Bem
nada é mais importante que: 1) a preparação de uma burocracia Estar Social (no caso das nações desenvolvidas) e
realmente eficiente, responsável e consciente de seu papel; 2) a
introdução de métodos gerenciais modernos nas empresas Desenvolvimentista (no caso latino-americano), a partir da década
governamentais, inclusive criando-se um nível de administração
técnica e financeira estável. [...] No caso da ação indireta do de 80, que se caracterizaria por: (i) uma crise fiscal, pela crescente
governo, nada me parece mais importante do que: 1) dizer perda do crédito e de reservas por parte do Estado; (ii) um
claramente que se decidiu realizar o desenvolvimento com a
descentralização do poder econômico, o que significa que o esgotamento da estratégia estatizante de intervenção do Estado (o
empresário privado será chamado a cumprir suas
responsabilidades; [...] 4) deixar funcionar o mercado, estimulando Estado do bem-estar social nos países desenvolvidos, a estratégia
a concorrência e criando as condições para que o sistema de preços
reflita, efetivamente, a escassez relativa dos fatores de produção (in
de substituição de importações no terceiro mundo, e o estatismo
Ianni, 1977, p.248-9). uperação da forma de administrar
o Estado, isto é, a superação da administração pública buroc
Depreende-
(Brasil 1995). Deste panorama, o Plano Diretor de Reforma do
ente dos níveis
Estado aponta para a adoção de medidas de reformulação do
gerenciais das empresas estatais e outros órgãos da administração
Estado, tanto nos seus aspectos administrativos (ou seja, no
indireta, constitui-se em um dos instrumentos de ação
aparelho de Estado), quanto no sentido das políticas econômicas e
sociais:
prosperidade da empresa privada, nacional e multinacio ,
1977, p.250) e promover o crescimento econômico pela
Neste sentido, são inadiáveis: (1) o ajustamento fiscal duradouro;
reintegração, de forma dependente, do Brasil ao capitalismo (2) reformas econômicas orientadas para o mercado, que,
acompanhadas de uma política industrial e tecnológica, garantam a
mundial (Ianni, 1977, p.256). concorrência interna e criem as condições para o enfrentamento da
competição internacional; (3) a reforma da previdência social; (4) a
inovação dos instrumentos de política social, proporcionando maior
3º período 1988-1995: o Retrocesso Burocrático e o projeto de abrangência e promovendo melhor qualidade para os serviços
sociais; e (5) a reforma do aparelho do Estado, com vistas a
Reforma do Estado. aumentar sua "governança", ou seja, sua capacidade de
implementar de forma eficiente políticas públicas (Brasil, 1995).
A argumentação de Bresser Pereira (2006), reproduzida no
Plano Diretor de Reforma do Estado, defende que as reformas Ao defender a Reforma do Estado, Bresser Pereira (2006)
administrativas empreendidas pela Constituição Federal de 1988 sustenta que a as saídas apontadas para crise do Estado, quais
promoveram um retrocesso para a administração pública na medida sejam, a reforma fiscal e a redução do Estado (Estado Mínimo),
em que se recrudesceram as práticas burocráticas, estendendo seriam, respectivamente, insuficientes e utópicas. No entanto, ainda
para a administração indireta os mesmos mecanismos de que com características diferentes, não é recente a defesa de uma
funcionamento da administração direta. concepção liberal para o Estado brasileiro. Ianni (1977) argumenta
que em 1944, um embate entre diferentes perspectivas para
Sem que houvesse maior debate público, o Congresso Constituinte
promoveu um surpreendente engessamento do aparelho estatal, ao condução da economia brasileira no pós-guerra se dá entre, de um
estender para os serviços do Estado e para as próprias empresas lado, os propositores de maior intervenção do Estado através do
estatais praticamente as mesmas regras burocráticas rígidas
adotadas no núcleo estratégico do Estado. A nova Constituição planejamento, do pensamento técnico-científico e, de outro, os
determinou a perda da autonomia do Poder Executivo para tratar da
estruturação dos órgãos públicos, instituiu a obrigatoriedade de liberais, defendendo a privatização da economia, livre participação
regime jurídico único para os servidores civis da União, dos Estados-
membros e dos Municípios, e retirou da administração indireta a sua
do capital estrangeiro e neutralidade do poder público, onde o
flexibilidade operacional, ao atribuir às fundações e autarquias
públicas normas de funcionamento idênticas às que regem a
administração direta (Brasil, 1995). interferir nas atividades econômicas. Entre outros fatores, este
embate de concepções expressa (e está inserido em) uma disputa
A identificação das causas deste processo aponta para pelo
de frações de classe no interior da classe dominante.
menos dois fatores: (i) por um lado, tratava-se de um discurso de
Neste sentido, para compreender tanto etrocesso
combate ao clientelismo; que se expressava na contratação de
, quanto as respostas neoliberais, torna-se necessário
pessoal por critérios políticos e nas compras marcadas como
desenvolver uma análise que considere a referência a processos
processos comuns na administração indireta e (ii) por outro lado, a
gerais (globalização) superando concepção da burocratização,
defesa dos interesses coletivos (corporativos, nos termos de
frequentemente citados nos documentos relativos ao Plano Diretor
Bresser Pereira) do funcionalismo público; setor bastante
de Reforma do Estado (BRASIL, 1995). Em primeiro lugar, o
organizado durante a Assembléia Constituinte. Como resultado,
processo constituinte de 1988 produziu um contexto de
argumenta-se que ocorreu um aprofundamento da crise do Estado:
enfrentamento sobre a forma da organização e da ação do Estado
Administração Pública e Gestão Social, 9(3), jul.-set., 2017, 140-147 144

em que se deve considerar entre outros: (i) o fortalecimento das que precisa ser colocada é: como o Estado Contemporâneo
antigas oligarquias durante o período de redemocratização; (ii) o conecta as estruturas econômica, jurídico-política, ideológica e
fortalecimento dos sindicatos e movimentos populares durante a social que atendem os interesses dominantes da sociedade ao
década de 1980; (iii) a negação dos elementos associados ao mesmo tempo em que articula a garantia institucional do poder
período do regime militar. Já durante a década de 1990 o contexto político que lhe corresponde? Em outros termos, como o Estado
e a correlação de forças se alteram, sugerindo o questionamento equilibra uma política econômica neoliberal ao mesmo tempo em
sobre qual o significado destas transformações e de que forma o que incorpora camadas excluídas da sociedade no mercado de
projeto de Reforma do Estado está implicado neste processo. trabalho e de consumo?
Para os efeitos desta análise pode-se definir o Estado, a partir
O ESTADO CONTEMPORÂNEO do conceito de Poulantzas (1977), como, ao mesmo tempo, fator de
Os últimos 25 anos se constituem em um privilegiado período coesão da unidade de uma formação social e lugar de condensação
para que se estabeleça um corte analítico para o estudo do Estado das contradições entre os diversos níveis desta formação. O papel
Contemporâneo nas articulações políticas que favorecem a do Estado é o de manutenção das condições de produção social e,
modernização das relações e do modo de produção e que servem portanto, de existência e funcionamento da unidade. O Estado não
de garantia à sua manutenção. Assim, o processo acelerado de tem, nesta medida, uma função estritamente econômica,
expansão da globalização é o resultado das relações de poder que estritamente ideológica ou estritamente jurídico-política. É preciso
dão direção política ao Estado e que permitem a definição descartar desde já a noção da função particular e única do Estado,
compartilhada de estratégias deste com os setores produtivos na medida em que este possui uma função global de coesão. Além
dominantes. É neste contexto que se definem os programas de disso, uma teoria do Estado deve ser capaz de explicar as
Reforma do Estado, ou seja, ressaltando o projeto político neoliberal metamorfoses de seu objeto, considerando que a luta social travada
para compreender o processo de reforma do Estado no Brasil e os em seu interior não intervém apenas nas formações sociais como
projetos políticos que o orientaram refletindo os impactos da simples fator de variação ou concretização de um tipo ideal de
Reforma considerando o contexto e a trajetória da organização Estado em um ou outro Estado concreto (Poulantzas, 1981). Para
burocrático-administrativa do Estado brasileiro, e seus impactos Poulantzas (1981
para a sociedade brasileira e seu embate com o projeto político sempre esteve constitutivamente presente nas relações de
alternativo a partir do contexto de redemocratização. Poulantzas, 1981, p.20). A
Para compreender a proposta de Reforma do Estado de implicação dessa assertiva é que o Estado assume políticas de
Bresser Pereira, é necessário considerar que as relações sociais de gestão voltadas à realização e viabilização das atividades
produção constituem o Estado e lhe dão forma e substância, de econômicas e sociais, sendo necessário, assim, reter a relação
maneira que este passa a interpretar esses interesses dominantes entre o Estado e sua gestão com a direção geral do processo de
ao mesmo tempo em que administra os conflitos e as contradições produção das condições de desenvolvimento socioeconômico.
presentes na sociedade. Para afirmar sua função de coordenação, Contudo, não se pode incorrer na interpretação de que essa
o Estado patrocina a aceleração do processo de expansão da presença do Estado significa a sua simples instrumentalização
economia capitalista, enquanto estratégia dos setores dominantes pelas classes ou grupos dominantes. Em vez de instrumento, o
do capitalismo contemporâneo, o que desencadeia impactos Estado de
importantes que afetam as relações sociais de produção, exigindo como a condensação material de uma relação de forças entre
redefinição ou reforço das relações de poder e definição de novas classes e frações de classe, tal como ele expressa, de maneira
estratégias políticas, coordenadas pelo Estado. O período em Poulantzas, 1981, p.147).
análise é marcado por uma política neoliberal de gestão do Estado Em outros termos, uma relação de forças não apenas entre classes
como uma resposta à tradição histórica da organização burocrático- antagônicas, mas igualmente entre frações de classes
administrativa do Estado brasileiro. trabalhadoras e frações de classe capitalistas (capital industrial,
Assim, para desvendar este intricado e complexo fenômeno, é agrícola, comercial, financeiro).
necessária uma análise que contemple três níveis interdependentes Quando o Estado é mencionado como organizador político do
de investigação: o jurídico-político, em que deve ser explicitado o processo econômico e social, não significa que existe uma primazia
papel do Estado em suas relações com a sociedade; o ideológico, do econômico na determinação de sua função. O Estado exerce sua
que se refere ao patrocínio do sistema de ideias que configura o função global de coesão através, igualmente, de seus sistemas
pensamento dominante neoliberal capaz de dar coerência jurídico (regras que organizam e disciplinam o mercado capitalista),
discursiva ao real; o econômico, em que deve ser destacado o político (a manutenção de ordem institucional) e ideológico (o papel
estágio do desenvolvimento marcado pela globalização da dos projetos de sociedade). As funções particulares, mencionadas,
economia e que exigia respostas de políticas de governo. correspondem sempre a interesses em conflito. As funções
Para melhor compreender porque a globalização acelerou-se econômicas, administrativas, jurídicas e ideológicas do Estado
de forma tão intensa, é necessário entender o papel que constituem para Poulantzas (1977) funções políticas.
desempenha o Estado na sociedade contemporânea. A questão
A Concepção de Estado e a Administração Pública no Brasil no Âmbito do Plano Diretor de Reforma do Estado Faria, J. R. V.; Faria, J. H. 145

O Estado comporta, no bojo de sua função de coesão, vários suas atribuições políticas e administrativas. É neste sentido que se
aparelhos que concentram, no nível de suas ações substantivas, as pode compreender a proposta de reforma de Bresser Pereira.
tarefas particulares de interpretação e realização dos interesses A reforma do aparelho de Estado, no entanto, não é de menor
sociais. Estes aparelhos, que em conjunto formam a ossatura do importância na compreensão das relações de poder. A própria
Estado, aparecem como forma de concentração das ações de presença ou ausência de determinadas representações nos
interpretação de interesses nos vários níveis em que estes são diferentes aparelhos de estado informam sobre os interesses ou
efetivados. Significa dizer que não há apenas um aparelho de papéis que tais aparelhos podem cumprir na reprodução social e na
Estado, mas vários. De fato, existe correspondência entre níveis reafirmação ou confrontação de certos interesses particulares de
estruturais e aparelhos de Estado, de forma que podem ser classes ou frações de classe. As transformações de ordem
identificados aparelhos econômicos, jurídicos, políticos, repressivos administrativa, assim, também possuem relação com as
e ideológicos, divisão esta que decorre da função de coesão do transformações na esfera econômica. A terceirização de serviços,
Estado. A identificação do Estado como, diretamente, aparelho de a privatização de empresas públicas, as concessões de
Estado, atribui a este um papel de interpretação de interesses infraestrutura, por exemplo, apoiam-se na retórica da eficiência do
segundo uma função particular e única daquele. Nesta ótica, o mercado para alocação de recursos escassos, que se impõem em
Estado apareceria ou como instrumento de poder ou como o próprio função do interesse político dominante. A mercantilização de
poder: tanto a visão instrumentalista como a essencialista do segmentos de atividade econômica à necessidade de continua
Estado possuem complicações não só teóricas, mas práticas, expansão da base econômica como requisito da superação das
difíceis de superar diante das evidências empíricas. A interpretação crises no contexto do capitalismo. São, portanto, esse os interesses
dos interesses da classe resulta em ações que fluem, através dos que presidem tais processos.
diversos aparelhos, às inúmeras agências ou repartições (quadro O Estado, em relação à sociedade, tendo em vista seu papel de
administrativo) espalhados pelo território sob a jurisdição de um articulação, deve assumir uma face pública legível e legitimada,
determinado Estado. Tais agências e repartições são uma espécie decorrente das formas como se organizam as forças políticas
de extensão ou posto avançado dos aparelhos. (Ansart, 1978). Neste sentido, o Estado Contemporâneo vem sendo
Formalmente, o núcleo do aparato estatal, de acordo com identificado de acordo com esta nova face que assumiu após o que
tintos grupos de instituições se denominou o fracasso do chamado Estado de Bem-Estar Social,
e organizações cuja função social aceita é definir e fazer cumprir do liberalismo e do keynesianismo, medido pelas dificuldades
decisões coletivas dos membros da sociedade em nome do destes modelos de Estado em gerar crescimento e
desenvolvimento econômico, ou seja, pelo esgotamento dos
entendida é que se o Estado, ele mesmo, é o lugar privilegiado no paradigmas. Esta nova face tem sido identificada como de natureza
qual as decisões coletivas podem ser realizadas, ele é também o neoliberal, ou seja, um processo que ainda não se definiu
lugar onde a bem-sucedida organização do bloco hegemônico do precisamente como um modelo, e que retoma a concepção dos
capital pode definir e realizar seus interesses específicos, a liberais acerca da intervenção do Estado na economia, ampliando,
despeito dos interesses de outros grupos ou classes sociais. Isto entretanto, seu escopo na medida em que procura extrair da
significa que as decisões estratégicas não são submetidas aos experiência keynesiana, especialmente da socialdemocracia e do
membros da sociedade em nome da vontade geral, pois que se trata Estado de Bem-Estar social, algumas vantagens econômicas e
de decisões estratégicas privadas. sociais relevantes. Para Ramalho Neto (2004), o neoliberalismo é
Este conceito indica que o Estado é uma propriedade social um processo em movimento e não uma essência; é antes um
apenas apare adjetivo do que um substantivo, razão pela qual se pode falar em
interesse comum é sempre assimétrico, marginalizando e definindo um processo neoliberal.
certos interesses ao mesmo tempo em que privilegiam outros. Não Neste sentido, o Estado tem se tornado refém do mercado. Para
ão regulada pela lei.
mas, convém acrescentar, são os interesses particulares que
pretendem expressar os interesses gerais. O propósito do Estado
Contemporâneo é representar os interesses dominantes e para o consumidor, pois o neoliberalismo não tem relação com os
simultaneamente assegurar a coesão social. Neste sentido, o O neoliberalismo,
Estado reproduz as conexões econômicas e sociais que
caracterizam o modo de produção dominante e o faz através de o Estado transfere suas funções sociais, como a previdência, a
ações e projetos que compreendem desde a formulação das saúde, a educação e a infraestrutura ao setor privado, o direito é
normas jurídicas até investimentos na infraestrutura urbana e social, dissolvido. Assim, o Estado deixa de ser o ente político soberano
mecanismos de financiamento da iniciativa privada, acordos
internacionais, política financeira e orçamentária, disseminação de Para Rosa Luxemburgo (1970, p. 9), a reforma não é o fim
compostos ideológicos e política econômica em seu sentido mais último, mas um método que visa melhorar a situação social e
amplo. A Reforma do Estado, assim, compreende a reforma de gradualmente estabelecer um controle progressivo sobre o sistema
Administração Pública e Gestão Social, 9(3), jul.-set., 2017, 140-147 146

econômico sem alterá-lo. Desta maneira, o aperfeiçoamento do tecnologia físicas de informação, ganham destaque, favorecem a
Estado serviria para apaziguar os conflitos e atenuar as construção e o desenvolvimento de um modelo de Estado
contradições, conservando, contudo, sua forma estrutural, de sorte governado de acordo com os pressupostos neoliberais, que
que os fatores de adaptação sejam capazes de evitar o assentam suas bases políticas nas novas economias e estruturas
desmoronamento de tal sistema, assegurando sua permanência em organizacionais, representados pela sociedade em rede, através de
outros termos. Uma Reforma do Estado, nesta acepção, serviria cooperações, fusões, aquisições e alianças estratégicas, capazes
para o desenvolvimento do sistema econômico e social provendo de conferir vantagens políticas e também econômicas, marcadas
mecanismos de correção de suas contradições e pela competitividade no mercado internacional. A questão posta por
instrumentalizando esse sistema segundo uma prática institucional. Bresser Pereira, como exposto, era responder de forma ágil às
Tomando esta concepção de Reforma do Estado ou reforma novas exigências de uma economia globalizada.
social, mesmo que seja como fim último ou teleológico, evidencia- Este modelo, contudo, tende a acentuar as diferenças sociais
se que o projeto enunciado por Bresser Pereira trata não da tornando cada vez mais presente os extremos de riqueza e
transformação do Estado ele mesmo e de uma nova estrutura, mas pobreza. Frente a esta realidade, algumas correntes políticas
de uma resposta às exigências decorrentes de sua função de buscaram um novo caminho de prática política, defendendo a
coordenação. A reforma proposta deveria atender à demanda social
de articulação, que exigia uma reorganização do aparelho este novo contexto, superando o neoliberalismo, enquanto outras
administrativo, historicamente contido nas amarras burocráticas. A ainda defendem a possibilidade da convivência entre as diferentes
necessidade de uma reforma administrativa, que conferisse maior demandas de classes com a preservação da lógica do mercado,
agilidade às ações políticas do Estado, foi uma resposta à mesmo com a acentuação dos hiatos sociais existentes, numa
necessidade de efetivação de uma política econômica e social. política contextualizada frente ao recente processo de globalização.
Sem embargo, a Reforma do Estado brasileira teve, como
objetivo, tornar o aparelho administrativo mais eficiente, em uma POR UMA CONCLUSÃO
perspectiva gerencial, para dar conta de sua função de A definição das prioridades de investimento, das diretrizes
coordenação. Não se tratava nem de resolver as contradições do gerais de desenvolvimento, de ocupação territorial, entre outras,
sistema de capital em sua materialidade, nem de orientar o está vinculada: (i) por um lado, às condicionantes sociais, políticas
desenvolvimento das forças produtivas capitalistas, tampouco de e econômicas que participam na estruturação da sociedade e do
apaziguar os conflitos sociais. A reforma que Bresser defende pode Estado e delimitam a ação governamental e; (ii) por outro lado, às
ser considerada, tanto como uma reorganização funcional de ações e disputas entre classes, frações de classe, grupos e
determinados setores do aparelho administrativo público, como movimentos sociais que podem resultar na própria reconfiguração
uma alavanca para a desoneração deste aparelho através de uma das condicionantes apontadas. Deste modo, compreender a forma
de estruturação do Estado, em seus diversos aspectos, inclusive
assumir atividades próprias da administração pública, de acordo administrativos, vai além de proposições gerais como a garantia dos
com novas formas jurídicas e por parcerias público-privadas. contratos e da propriedade privada. O sentido das transformações
Tratava-se de uma reforma neoliberal contra o estamento pelas quais passa o Estado brasileiro exige a análise das forças
burocrático e contra o aparelhamento da estrutura administrativa. políticas (e suas alianças), seus projetos e ações.
Ainda que Bresser Pereira (2006, p.30-3) argumente pela mera A Reforma do Estado, circunscrita à eficiência de parte de seu
ocorrência simultânea entre Reforma do Estado e Neoliberalismo, aparelho administrativo, não corresponde a uma concepção de
o que levaria a uma suposta confusão por parte dos analistas, inclusão social nos benefícios do desenvolvimento socioeconômico.
rigorosamente, a proposta de Reforma do Estado, insere-se na Trata-se, antes, de instrumentalizar o aparelho administrativo,
lógica neoliberal de desoneração do aparelho público do Estado, segundo uma concepção gerencial, para que o mesmo responda,
transferindo ao setor privado a condução de algumas atividades com mais agilidade e eficiência, às demandas da economia. As
sobre as quais haveria um controle popular se executadas no reformas propostas por Bresser Pereira, de fato, procuraram dotar
âmbito do poder público. O resultado da proposta de Bresser o Estado de instrumentos gerenciais de política econômica mais
Pereira não foi exatamente uma reforma, mesmo que administrativa ágeis, superando a estrutura administrativa burocrática que
e gerencial, pois as ações implementadas não resultaram em historicamente caracterizava o aparelho governamental, de
alterações substantivas para o aprimoramento da ordem maneira a, cumprindo seu papel de coordenação e articulação,
socioeconômica e jurídico-política do Estado, mas em arranjos fazer do Estado, como bem argumenta Poulantzas (1977), um fator
específicos em determinados setores de atividade no interior de coesão dos interesses dominantes. Com isso, as políticas
uma relação de forças. As intervenções foram pontuais para, como patrocinadas pelo Estado puderam conferir maior competitividade
já expresso, garantir ao Estado sua função de coordenação aos empreendimentos produtivos diante do processo de
econômica e social segundo o ideário neoliberal. globalização.
O surgimento de uma nova sociedade informacional em que a Ao mesmo tempo, acompanhado do Plano Diretor de Reforma
produção do conhecimento e sua disseminação, aliadas às do Estado, uma série de outros processos ocorridos
A Concepção de Estado e a Administração Pública no Brasil no Âmbito do Plano Diretor de Reforma do Estado Faria, J. R. V.; Faria, J. H. 147

concomitantemente, auxiliam a explicar as alterações pelas quais estudo das transformações ocorridas no aparelho de Estado, mais
passou o Estado brasileiro no período final do século passado e especificamente, na sua forma de organização administrativa e da
início deste. As novas formas de relação entre o Estado e tecnoestrutura que, conforme Ianni (1977), seria também uma
(Organizações expressão destes processos. Desta forma, procurou-se evitar as
filantrópicas, Organizações sem fins luc opções tradicionalmente observadas na literatura administrativa
Organizações privadas de interesse público), por exemplo, além da que percebem as mudanças nas formas de administração pública
criação de figuras jurídicas novas no âmbito do Estado, como por como simples incorporações de técnicas das empresas privadas
exemplo as organizações sociais e agências autônomas, denotam (como imitação) ou mesmo inovações surgidas da necessidade de
um processo de privatização das próprias políticas sociais, ainda resolver problemas de operação. A realidade oferece elementos
que, paradoxalmente, Bresser Pereira (2006) denomine este bem mais complexos e contraditórios, no sentido de exigir uma
. Ainda no campo econômico, também análise das forças políticas e dos processos que entremearam a
se verificou um intenso processo de privatização das empresas Reforma do Estado, o que demanda o desenvolvimento de uma
estatais e a constituição de agências reguladoras que orientam para pesquisa empiricamente referenciada.
um novo sentido da ação do Estado neste campo. Assim, a Reforma
do Estado, empreendida pelo governo federal durante a primeira BIBLIOGRAFIA

gestão de Fernando Henrique Cardoso, que se anunciou como Ansart, P. (1978). Ideologias, conflitos e poder. Rio de Janeiro: Zahar.
BRASIL. (1995). Plano Diretor da Reforma do Estado. Brasília.
corretivo das reformas neoliberais, delas não se distanciou.
Bresser Pereira, L. Carlos. (2006) Reforma do Estado e Administração
Porém, não é suficiente afirmar que as reformas foram
Pública Gerencial. 7ªed. Rio de Janeiro: FGV.
orientadas exclusivamente para criação de melhores condições de
Cardoso, Fernando Henrique. (1995) Apresentação. In: BRASIL. Plano
desenvolvimento do capitalismo local em suas diferentes formas. Diretor da Reforma do Estado. Brasília.
Observa- Ianni, Octavio. (1977) Estado e Planejamento Econômico no Brasil (1930 -
undo o discurso oficial do Plano Diretor de Reforma 1970). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

do Estado, estão associados à abertura de novos campos e à Jessop, B. (1982) The capitalist state: Marxist theories and methods. Oxford:
M. Robertson.
flexibilização e melhoria das condições para aportes de capitais
Luxemburgo, Rosa. (1970) Reforma ou Revolução. Lisboa : Estampa.
tanto nacionais quanto internacionais.
Poulantzas, N. (1977) Poder político e classes sociais. São Paulo: M. Fontes.
Na perspectiva de Ianni (1977, p.5-
Poulantzas, N. (1981) O Estado, O Poder, O Socialismo. 4ª ed. Rio de
governamentais podem revelar o modo pelo qual se organizavam e Janeiro: Graal.
mudavam as relações entre classes sociais; [ou] dentro de uma Ramalho Neto, A. M. (2004) Estado e pobreza: entre o social e o assistencial.
classe [exprimindo, ainda] o modo pelo qual as relações e In: I CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO POLÍTICO, 1., 2004, Curitiba:

estruturas econômicas e políticas se organizam, antagonizam e IBDP. (Painel n.10).


Torres, Marcelo Douglas de Figueiredo. (2004) Estado, democracia e
administração pública no Brasil. Rio de Janeiro: FGV.
O presente ensaio teórico procurou formular as bases para uma
Weber, Max. (2004) Economia e Sociedade. V.1. 4ªed. São Paulo: UNB /
análise da chamada Reforma do Estado, incorporando também o
Imprensa Oficial.
Desenvolvimento Socioeconômico e I nter disciplinar idade
José Henrique de Faria1

1. I NTRODUÇÃO

1.1 Sobr e a I nterdisciplinaridade

Os estudos na área do desenvolvimento social, devido ao seu caráter mesmo, são


necessariamente interdisciplinares, pois recorrem à administração, à economia, à psicologia, à
sociologia, à ciência política, à pedagogia, à linguística, à filosofia, ao direito, à antropologia, à
engenharia, às ciências da saúde, à matemática, às ciências da saúde, entre outras disciplinas.
Portanto, torna-se necessário definir o que se entende aqui por interdisciplinaridade.
Antes de iniciar a discussão, contudo, é adequado esclarecer as diferenças entre
disciplinaridade, pluridisciplinaridade, multidisciplinaridade, transdisciplinaridade e
interdisciplinaridade.
I. Disciplinaridade: é conjunto de conhecimentos que tem objeto próprio, aparato
conceitual, sistema teórico, conceitos lógicos, linguagem própria e finalidades. Cada disciplina
atua em um campo específico do conhecimento estabelecendo as fronteiras da produção do
conhecimento que lhe corresponde. A disciplina possui uma abordagem circunscrita do real em
torno de seu objeto científico, de maneira que sua área de ação deve ser precisamente definida.
Entretanto, a atuação disciplinar não implica em um engessamento teórico, conceitual ou
epistemológico. Cada disciplina possui diferentes abordagens teórico-conceituais e atua em
diferentes dimensões epistemológicas.
II. Pluridisciplinaridade: consiste no estudo de um objeto por diversas disciplinas ao
mesmo tempo. Cada qual com seu conjunto de saberes, em seu próprio espaço. Cada estudo tem
sua própria forma, conclusão, encaminhamento. A pluridisciplinaridade se baseia na máxima
, os métodos e

1
Graduação em Ciências Econômicas pela Faculdade de Administração e Economia, Especialização em Política
Científica e Tecnológica pelo IPEA/CNPq, Mestrado em Administração pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Doutorado em Administração pela Universidade de São Paulo e Pós-Doutorado em Labor
Relations pelo Institute of Labor and Industrial Relations da University of Michigan (2003). Professor Titular da
UFPR, no Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGADM).
procedimentos, a interpretação, os focos, os limites e horizontes permanecem disciplinares. Há
um compartilhamento do objeto, mas não das análises.
III. Multidisciplinaridade: consiste no estudo de objetos em que há uma troca entre
disciplin
superposição de saberes, conflitos conceituais, divergências teóricas e diferentes abordagens
metodológicas e de procedimentos de coleta e tratamento dos dados. A vantagem da
multidisciplinaridade sobre a disciplinaridade e a pluridisciplinaridade é que se juntam os
conhecimentos, ainda que não ocorram intercâmbios, pois ao final cada pesquisador volta à sua
disciplina. Os pesquisadores compartilham do objeto, das discussões, das análises e
interpretações, mas a versão que produzirão terá um caráter disciplinar ampliado, ou seja,
valoriza-se a disciplina com a incorporação de elementos de outras disciplinas que sejam
adequados e compatíveis com a visão disciplinar original. Em outr os termos, a
multidisciplinaridade é um procedimento em que as várias disciplinas concorrem para o estudo
de um fato a partir de diversos olhares que se comparam, se defrontam e se complementam.
IV. Transdisciplinaridade é uma forma de pesquisa que se vale de elementos de diversas
disciplinas, mas que se situa entre elas (sem pertencer a nenhuma) e que por isso pretende ir
além delas. É uma metadisciplina que aspira articular níveis de realidade com o pressuposto de
contemplar diferentes lógicas em uma estrutura complexa. A transdisciplinaridade tem sido
relacionada à concepção pós-moderna de ciência, ou seja, à concepção que recusa os
pressupostos da modernidade, enquanto herdeira do iluminismo, por considerar que esta não
consegue mais dar respostas à complexidade do mundo contemporâneo. A expressão da
transdisciplinaridade tem sido relacionada à Teoria da Complexidade. Transdisciplinaridade,
contudo, não é o mesmo que transversalidade na pesquisa. Transversalidade é uma concepção
em que os elementos disciplinares atravessam um determinado referente, cruzando-o. Por
exemplo, um estudo com uma base disciplinar em geografia humana pode ser atravessado por
elementos da psicologia social, que é uma disciplina que não pertence ao eixo temático da
geografia humana, mas que atravessa este sistema referente na produção do conhecimento.
V. Interdisciplinaridade é a resposta à crítica que se faz ao paradigma da Ciência
Moderna, especialmente naquilo que faz emergir um conflito inconciliável entre as áreas do
conhecimento, separando as Ciências da Natureza das Ciências Humanas e Sociais. A
interdisciplinaridade provoca um momento de forte intensidade na produção do conhecimento,
pois resulta da interação entre as disciplinas. O conhecimento não se limita à fronteira, mas a
ultrapassa. Uma reflexão interdisciplinar precisa compartilhar uma metodologia geral, uma
linguagem teórico-metodológica, precisa articular a reflexão sobre objetos na fronteira, mas,
principalmente, precisa de uma epistemologia que lhe corresponda para superar as fragilidades
dos conceitos. A concepção que sustenta a noção de interdisciplinaridade é aquela que procura
englobar os conhecimentos oriundos das várias áreas das ciências sociais e das humanidades e
também das ciências naturais com a finalidade de estudar os fenômenos sociais em seus vários
aspectos.

1.2 Ainda a I nterdisciplinaridade

Explicitados os diferentes conceitos, pode-se afirmar que o procedimento adotado nos


estudos sobre o desenvolvimento da sociedade é interdisciplinar na medida em que consiste na
interação dos diversos campos do saber no estudo de um fenômeno de tal forma que as
disciplinas operam conjuntamente, ao mesmo tempo, em uma direção convergente. Os
resultados deste procedimento serão mais adequados quanto mais coerentes forem os quadros
metodológicos e epistemológicos que agregam e integram as teorias e as disciplinas.
A interdisciplinaridade é uma prática que se desenvolve plenamente no campo empírico
do processo científico, ou seja, na pesquisa e formulação da teoria. Ao contrário da ideia de que
o sujeito raciocina por meio de modelos cognitivos, o pensamento é dinâmico na produção do
conhecimento, compondo e recompondo as representações pela interação com a realidade, com
os confrontos teóricos e filosóficos, com o desenvolvimento tecnológico e o desenvolvimento
das relações sociais de produção (forças produtivas).
A interdisciplinaridade se apresenta, então, como um modo de organização e articulação
de saberes disciplinares na prática da pesquisa, nutrindo-se delas sem dissolvê-las,
especialmente quando a solução de um problema de pesquisa é invisível no âmbito de uma
única disciplina. Isto porque o real concreto é o resultado de diversas interações entre
74). Desta forma, como as
disciplinas em geral se dedicam a fenômenos e objetos que lhes são próprios, para a
compreensão destas múltiplas determinações, das diversas, dinâmicas e contraditórias
interações entre os fenômenos, é necessário romper as fronteiras disciplinares. A condição de

interdisciplinar.
A interdisciplinaridade, por conseguinte, não é simplesmente uma escolha diante da
limitação das disciplinas, não é uma simples opção de obter uma vitória sobre as deficiências
disciplinares, mas o desenvolvimento da capacidade de superar as disciplinas sem aboli-las. É,
consequentemente, uma articulação compartilhada de abordagens próprias das disciplinas, pois
sem estas a própria interdisciplinaridade seria impossível. Como bem observa Claude Raynaut,

te sentido
é que se pode afirmar que a interdisciplinaridade não tem origem na definição que dela se faz a
partir de uma abstração arbitrária, mas do que se pode construir a partir de sua prática.
A interdisciplinaridade aliada a uma epistemologia crítica é marcada pela primazia do
objeto e não da teoria, pelo primado da realidade e não da ideia e é neste sentido que também
difere da transdisciplinaridade ou das concepções denominadas de holísticas e pós-modernas.
Especialmente porque estas pretendem ser a superação do conhecimento produzido através das
disciplinas, opondo-lhe uma forma metadisciplinar e um saber transcendental. Tal projeto é,
para epistemologia crítica, de natureza metafísica, ou seja, um projeto da ideia e, portanto,
inconsistente com os propósitos dessa epistemologia.
A interdisciplinaridade decorre da necessidade de se dar conta de novos problemas, de
diferentes naturezas e com níveis de complexidade crescentes, muitas vezes decorrentes do
próprio avanço dos conhecimentos científicos, filosóficos e tecnológicos. A natureza complexa,
dinâmica e contraditória destes problemas exige não só diálogos entre disciplinas próximas,
dentro da mesma área do conhecimento. Exige, também, diálogos entre disciplinas de áreas
diferentes, como uma interação entre os saberes disciplinares e entre estes e os não disciplinares
oriundos da sociedade, das relações de produção das condições materiais de existência e das
culturas.
Daí a relevância de novas formas de produção de conhecimento que tomam o objeto
como um fenômeno que se coloca entre ou além das fronteiras disciplinares. Não se trata
simplesmente de optar pela interdisciplinaridade como recurso alternativo diante da
incapacidade das disciplinas fazerem uma leitura mais profunda da realidade. Isto pode até
mesmo acontecer, porém a interdisciplinaridade deve ser uma prática que independe das
condições, do alcance e dos limites das disciplinas. A interdisciplinaridade é um modo de
produção do conhecimento que supera os desafios teóricos e metodológicos dos diferentes
campos da ciência, da filosofia e da tecnologia.
A sociedade historicamente sempre se relacionou de forma interdependente com os
conhecimentos, com as relações sociais de produção das condições materiais de existência e
com a cultura. A complexidade dinâmica e dialética não está na constatação do que sempre
existiu na constituição da sociedade em seus diferentes modos de produção, mas no
desvendamento das inúmeras e cada vez mais amplas relações entre os fenômenos
condicionadas pelo desenvolvimento das forças produtivas. Portanto, não existem objetos
permeáveis e refratários a uma leitura interdisciplinar, mas uma escolha do pesquisador a qual
decorre de sua preferência, da limitação concreta do acesso ao objeto, da ênfase, enfim, de um
corte sempre necessariamente arbitrário no modo de conhecer cientificamente a realidade.
Destarte, o pesquisador deve considerar suas práticas tanto quanto os processos de produção e
transmissão do conhecimento, processos estes nos quais se recolocam tanto as transformações
estudadas como aquelas que as mesmas provocam com o desenvolvimento deste conhecimento.
Quanto mais se desenvolvem e se aprofundam as pesquisas, as tecnologias e o saber
filosófico, mais se colocam, aos pesquisadores, novos e diferentes problemas. A ideia de que os
problemas e as incertezas atuais são tantas que se justifica uma teoria da complexidade para
desvendá-los, não é mais do que a absolutização da relativização. Historicamente, pode-se
constatar que ao mesmo tempo em que os problemas e as incertezas se expandem, também se
expandem as tecnologias, as teorias, os instrumentos de pesquisa, os sistemas e redes de
comunicação em tempo real, a circulação e o acesso às informações, enfim, os desafios à
produção do conhecimento. Em outras palavras, os problemas e as incertezas se expandem
quanto mais eles são conhecidos em sua essência e em suas relações e quanto mais se expandem
as condições concretas de produção do conhecimento. Como sugere Marx (1977 -
humanidade só se coloca problemas que ela pode resolver, pois [...] o problema só é proposto
onde as condições materiais necessárias à sua solução já existem, ou, pelo menos, estão em vias

Os pensamentos disciplinares, multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares,


constituem-se em formas diferenciadas e às vezes complementares de geração de
conhecimentos. Assim, o desafio epistemológico é o de identificar características e âmbito de
atuação de cada uma dessas modalidades de geração de conhecimento nas diferentes áreas,
assim como as suas trajetórias, possibilidades, horizontes e limites. A interdisciplinaridade
precisa reconhecer que diferentes concepções podem ser adotadas nas pesquisas e na pedagogia,
pois é possível construir significados distintos, valorizando e reconhecendo a diversidade que a
produção do conhecimento requer.
Fazer este percurso de forma interdisciplinar é entender que quem comanda o processo
de produção do conhecimento é o pensamento que se apropria da realidade como realidade
pensada e não as disciplinas. As disciplinas explicam apenas o seu objeto e de um ponto de
vista circunscrito. A interdisciplinaridade, ao romper com a tradição disciplinar, exige uma
epistemologia crítica, e não um paradigma tradicional.
Assim, é a partir do objeto do conhecimento que se constrói o conhecimento. O objeto
não possui uma disciplina, ainda que esta possua um objeto. Desta maneira, o olhar dirigido ao
objeto é sempre e necessariamente condicionado por este e por suas inúmeras relações, sua
complexidade e suas contradições. Por exemplo: ao estudar um movimento social que luta pelo
desenvolvimento sustentável de seu território, é necessário considerar a perspectiva da política
(pública), da sociologia, da economia, da gestão, da psicologia social, da história, da
antropologia, do discurso (linguagem), da educação ambiental, da engenharia ambiental, das
áreas da saúde (medicina, odontologia, nutrição, etc.), entre outras. Todos estes fatores
encontram-se ao mesmo tempo no mesmo objeto de estudo. O olhar disciplinar separa cada
parte do problema conforme a disciplina. O multidisciplinar e o pluridisciplinar colocam cada
parte do problema lado a lado para, a partir de uma discussão, poder agrupar as diversas
concepções. O interdisciplinar considera que a compreensão do objeto demanda os olhares de
todas as disciplinas ao mesmo tempo, pois entende que todas se relacionam, ou seja, que são
aspectos de um mesmo fenômeno. A interdisciplinaridade deve considerar o primado do real
sobre as disciplinas, ou seja, é a realidade que exige uma abordagem interdisciplinar e que
define, por sua forma e conteúdo, os olhares integrados necessários para desvendar seus
elementos constitutivos.
A interdisciplinaridade, portanto, procura produzir, como síntese de suas práticas, um
conhecimento comum a todas as disciplinas, porém que ultrapasse as contribuições de cada uma
delas. Assim, cabe recolocar a concepção de que a interdisciplinaridade não é dada de uma vez
pela simples aproximação entre as disciplinas, com suas origens e horizontes, mas como uma
construção por meio de um processo metódico, pois a produção do conhecimento no campo
interdisciplinar exige uma inovação contínua no domínio das relações com o real concreto, com
o objeto, com a matéria do conhecimento.

2. O DESENVOL VI M ENTO SOCI OECONÔM ICO E A BI-DI SCI PL I NARI DADE

A concepção de um desenvolvimento socioeconômico é, em si mesma, restrita a duas


disciplinas: sociologia e economia. No entanto, o desenvolvimento da sociedade requer mais do
que duas disciplinas, por
Problemas relativos, por exemplo, à saúde, transporte, educação, segurança, aparatos jurídicos,
ideologia, cultura, relações de trabalho, planejamento urbano, são enquadrados como se fossem
simplesmente sociais. Trata-se de uma redução disciplinar. O desafio está justamente em fazer
do conjunto das disciplinas uma interdisciplina.

2.1 Da Economia ao par Economia-Sociologia

De início, o problema do desenvolvimento era estritamente econômico. Esta concepção


ainda prevalece no âmbito da economia. A concepção original era a de que o desenvolvimento
econômico produziria, por si mesmo, um desenvolvimento social. Assim, as políticas
desenvolvimentistas tratavam do incremento da capacidade produtiva medida por variáveis tais
como poupança, relações comerciais, níveis de consumo, distribuição de renda, entre outros
indicadores, acreditando que estes indicariam melhorias na qualidade de vida, educação, saúde,
analfabetismo e infraestrutura urbana e social.
Entre os indicadores mais conhecidos estão os que tratam da distribuição de renda:
a) O Coeficiente de Gini é uma medida utilizada para calcular a desigualdade de distribuição de renda,
mas pode ser usada para qualquer distribuição. Ele consiste em um número entre 0 e 1, onde 0
corresponde à completa igualdade de renda ou rendimento (onde todos têm a mesma renda) e 1
corresponde à completa desigualdade (onde uma pessoa tem toda a renda ou rendimento e as demais
nada têm). O índice de Gini é o coeficiente expresso em pontos percentuais (é igual ao coeficiente
multiplicado por 100). O coeficiente de Gini é usado para medir a desigualdade de renda ou rendimento,
porém pode ser também usado para mensurar a desigualdade de riqueza. Esse uso requer que ninguém
tenha uma riqueza líquida negativa
b) O Índice de Theil é uma medida estatística da distribuição de renda na qual se usa o logaritmo
neperiano da razão entre as médias aritméticas e geométricas da renda familiar per capita média. Se a
razão entre as médias for igual a 1, Theil será igual a zero, indicando perfeita distribuição. Quanto
maior a razão entre as médias, maior será o valor para o índice de Theil, e pior será a distribuição de
renda. Este valor está entre 0 e 1 e quanto maior este valor, pior a distribuição. O Índice de Theil,
calculado por Theil em 1967, é baseado no conceito de entropia de uma distribuição. Entre suas
qualidades enumeram-se que é simétrico (tem a propriedade de invariância em caso de permuta de
indivíduos), é invariante à replicação (é independente de replicações de população), independente da
média (tem a propriedade de ser invariante em caso de alteração da escala da renda), e satisfaz o
Princípio de Pigou-Dalton (a desigualdade cresce como resultado de transferências regressivas.

Posteriormente, foram incluídas, nos indicadores, questões chamadas de sociais, tais


como nível de educação, infraestrutura urbana, saúde. Entre estes indicadores, destacam-se:
c) O Índice de Pobreza Humana (IPH) serve como indicador da taxa de pobreza que existe em
determinado país. Este indicador faz a ponderação de três variáveis: (i) Curta duração da vida (o
percentual da população, em cada país, que não atinge os 40 anos); (ii) Falta de educação elementar (o
percentual da população analfabeta); (iii) Falta de acesso aos recursos públicos e privados (percentagem
composta das pessoas com falta de acesso ao serviço de saúde, água potável e nutrição razoável). O IPH
considera diversos indicadores para verificar a porcentagem de pessoas em uma população que sofre de
privações em quatro dimensões básicas da vida: a longevidade, o conhecimento, a provisão econômica e
a inclusão social;
d) Um dos mais considerados indicadores é o IDH. Os Relatórios do Programa das Nações Unidas para
o Desenvolvimento PNUD apontam alguns fatores que compõem o Índice de Desenvolvimento
Humano IDH. O IDH é calculado a partir de indicadores de educação (alfabetização e taxa de
matrícula), saúde (esperança de vida) e renda (PIB per capita) e avalia as condições comparadas de
desenvolvimento humano no mundo, identificando os países de alto, médio e baixo desenvolvimento. O
PNUD mostra o que a ONU chama de desigualdades mundiais grotescas e indica que o processo recente
de globalização está contribuindo para acentuar as desigualdades sociais entre os países. No entanto,
este indicador não mostra, por exemplo, que a concentração de riqueza pessoal é extraordinária: os
ativos dos dez maiores multimilionários do mundo em 2012, segundo a Revista Forbes, somam o
equivalente a US$ 395,5 bilhões, o que é superior à somatória do PIB dos 10 países mais pobres do
mundo (US$ 376,9 bilhões).

Com isso, a literatura tratou de diferenciar crescimento de desenvolvimento econômico.


O crescimento econômico trataria somente das questões propriamente econômicas, tais como
Produto e Renda (PIB, PNB, etc.), Gastos do Governo, Consumo das Famílias,
Poupança/Investimento, exportação e Importação, na clássica fórmula keynesiana (Y= C + I +
G+X M, em que C = Co + bY). O desenvolvimento econômico trataria também de questões
sociais, tais como bem-estar, nível de consumo, IDH, taxa de desemprego, analfabetismo,
qualidade de vida, entre outros. Com o tempo, a literatura inclui uma nova expressão:
desenvolvimento socioeconômico, para qualificar a ideia de desenvolvimento econômico.
Contudo, esta nova expressão não alterou as formas de medida utilizadas. No campo crítico da
economia, o conceito de desenvolvimento
diferenciar o desenvolvimento social daquele especificamente capitalista.

2.2 A Ausência de uma Política de Desenvolvimento de Caráter I nterdisciplinar

O uso do conceito de desenvolvimento socioeconômico e seu atrelamento aos


indicadores mostra claramente que não há uma concepção interdisciplinar. Com alguma boa
vontade, pode-se mesmo admitir que se trata de uma visão multidisciplinar restrita. Os
indicadores de educação e saúde, por exemplo, pouco revelam sobre a real situação da saúde da
população e sobre o processo de educação. Isto sem mencionar problemas atuais como
transporte, segurança, planejamento urbano, mobilidade social, violência e o conjunto da
infraestrutura urbana e social.
A questão que se deve propor é: como adotar uma concepção interdisciplinar no que se
refere ao desenvolvimento socioeconômico? Como considerar que um projeto de
desenvolvimento trate, simultaneamente, da educação, do direito, da economia, das
engenharias, do campo da saúde física e mental, da agricultura, da preservação sustentável do
ambiente, das questões sociais, das tecnologias (da biotecnologia), do processo político, da
cultura e da arte, do emprego e do processo de trabalho, do desenvolvimento científico, enfim,
de todas as disciplinas que concorrem para que o desenvolvimento se faça em sua totalidade?
Como considerar o desenvolvimento como um processo democrático e justo de vida coletiva
que tem, nos indicadores, apenas o que eles são, ou seja, simples indicadores e não
determinantes?
Talvez seja preciso ousar uma proposta que possa dar conta desse problema: o
desenvolvimento socioeconômico democrático de caráter interdisciplinar deve ser considerado a
partir de critérios de justiça social.

3. CRI TÉRI OS DE JUSTI ÇA PARA O DESENVOL VI M ENTO SOCIOECONÔM I CO


I NTERDI SCI PL I NAR: por uma democr acia social.

A categoria analítica hegeliana da luta pelo reconhecimento foi retomada recentemente


pela terceira geração da Teoria Crítica frankfurtiana através do filósofo e sociólogo Axel
Honneth (2009), que postula uma investigação empírica no campo da sociologia do
reconhecimento, do filósofo político canadense Charles Taylor (2000; 2005), que busca na
filosofia histórica as bases do reconhecimento social como o vínculo fundamental entre os
sujeitos, e de Nancy Fraser (2003), cientista política norte-americana que se dedica aos estudos
dos movimentos sociais e dos conflitos políticos. Honneth (2009, p. 274) conclui que existem
três formas de reconhecimento: do amor, do direito e da solidariedade. Estas formas estruturam

interna, das quais depende o processo de uma articulação e de uma realização espontânea de
to, apenas dois, dos três padrões de reconhecimento

[e] a comunidade de valores estão abertas a processos de transformação no rumo de um


crescimento de universalida
derivada do reconhecimento.
Todavia, em uma crítica correta e pertinente feita a Axel Honneth e à sua concepção de
reconhecimento como categoria moral, em um debate de grande profundidade, Nancy Fraser
(FRASER; HONNETH, 2003) apresenta uma proposta dualista, na qual reconhecimento e
redistribuição são duas categorias irredutíveis entre si. Esta concepção de Fraser recebeu uma
crítica de Iris Young (1990), que a considerou distributivista. Entretanto, posteriormente, a estas
duas categorias analíticas Fraser (2008a; 2008b) adiciona a da luta pela representação política
(FRASER, 2008a; 2008b), em uma perspectiva tridimensional. Fraser insiste em que os
conflitos sociais não podem ser explicados apenas a partir da luta pelo reconhecimento social,
mas igualmente através da luta pela redistribuição da riqueza material produzida pela sociedade
e pela representação paritária nas esferas de decisão. Estas três formas, para Fraser,
correspondem a três dimensões da justiça: cultural (reconhecimento); econômica
(redistribuição); política (representação). Assim, do ponto de vista analítico, emergem três
categorias: reconhecimento social; redistribuição igualitária da riqueza material; representação
paritária nas esferas de decisão.
Contudo, é necessário argumentar para além do que a teoria crítica contemporânea o faz,
pois esta, ao contentar-se em centrar a análise da realidade a partir destas três categorias, acaba
tratando o sujeito da ação de forma parcial, pela abstração do sujeito real e pelo falseamento de
sua constituição prática. De fato, ao recusar o reconhecimento do amor, Honneth retira o mesmo
do processo de transformação como se a questão emocional pertencesse apenas à esfera
individual. Fraser, igualmente, não inclui nas três dimensões uma que signifique a categoria da
recompensa psicológica na vida afetiva dos grupos (PAGÈS, 1982). De fato, há nestas análises
a ausência do sujeito coletivo concreto, daquele que é ao mesmo tempo sujeito do
reconhecimento (sujeito reconhecido ao outro, pelo outro e para o outro), quanto o sujeito que
se reconhece (sujeito coletivo reconhecido por si, do ponto de vista ontológico, e para si, como
um ser consciente). Em outras palavras, a materialização do sujeito coletivo reclama que este se
apresente tanto na luta para ter seu desejo reconhecido ao, pelo e para o Outro, quanto para que
se reconheça por e para si como portador do desejo, ou seja, é preciso contemplar o ser da razão
e da emoção ao mesmo tempo. Neste sentido, é necessário admitir a ausência, nestas teorias, de
uma categoria analítica que possa dar conta desta dimensão constitutiva do sujeito coletivo
concreto em sua prática racional e emocional. Esta carência pode ser atendida através da
categoria analítica da realização ou recompensa emocional, na medida em que esta represente a
materialização do sujeito coletivo como componente da prática da luta pelo reconhecimento,
pela redistribuição e pela representação. A análise deve ser, por conseguinte, quadridimens ional
e não tridimensional como propõe Fraser (2008a) e guiada por quatro categorias de análise:

i. Redistribuição igualitária da riqueza material coletivamente produzida, a qual corresponde à dimensão


econômica;
ii. Reconhecimento social, à qual corresponde a dimensão cultural;
iii. Representação paritária nas esferas de decisão, à qual corresponde a dimensão jurídica-política;
iv. Realização emocional, à qual corresponde a dimensão psicossocial.

A partir daí, a questão que se coloca é: por que estas categorias analíticas podem ser
úteis para se pensar interdisciplinarmente o desenvolvimento socioeconômico em uma
perspectiva democrática social? São úteis por dois motivos: Primeiro, porque estas categorias
delimitam o campo empírico da ação ao materializar (i) o sujeito coletivo no plano do grupo
social (reconhecimento e realização) bem como (ii) as formas de organização e de gestão da
prática política (redistribuição e representação). Segundo, porque também delimitam o plano
epistemológico, metodológico e teórico daí decorrente.
O argumento que se desenvolve aqui recorre àquele proposto por Fraser (2003; 2008a),
segundo o qual os sujeitos coletivos:

Lutam pelo reconhecimento social como forma de integração plena na sociedade como sujeitos iguais;
Lutam por uma redistribuição isonômica, igualitária e justa da riqueza material enquanto resultado da
produção de suas condições de existência; e
Lutam pela representação política nas esferas de decisão como forma de pertença social e como
procedimentos que estruturam os processos públicos de confrontação.

A estas categorias acrescenta-se outra. Os sujeitos coletivos lutam também pela sua
realização no plano emocional na medida em que é da condição humana a demanda psicológica
por recompensa decorrente do empenho de energia política no processo de luta social. A
concepção que se defende aqui se vincula a uma teoria que busca encontrar inspiração nas
avaliações críticas da realidade afastando-se tanto das interpretações que fazem da ideologia a
própria teoria, quanto das que não consideram que os estudos que tratam dos aspectos objetivos
e subjetivos do desenvolvimento subsistem na análise de um mesmo fenômeno.

3.1 As categorias analíticas e sua fundamentação epistemológica e metodológica

Como indicado anteriormente, a proposta que se faz aqui é a de estudar o processo de


desenvolvimento socioeconômico a partir de quatro categorias de análise à qual correspondem
quatro dimensões. Por que se utilizar destas categorias na contemporaneidade? Em primeiro
lugar, devido à falência dos modelos e das crenças em modelos alternativos para o sistema de
capital no atual ordenamento jurídico-político, ideológico e econômico (FRASER, 1997, p. 1-
3). A deslegitimação e o colapso do chamado socialismo real e dos arranjos institucionais que
pudessem viabilizar formas não capitalistas de produção transformaram substancialmente os
meios de enfrentamento, abrindo espaço para a assimilação das lutas sociais pelo sistema de
capital.
Em segundo lugar porque existe um hiato na gramática das demandas sociais por
reconhecimento, demandas econômicas por redistribuição, demandas políticas por
representação e demandas psicossociais por realização no plano do desenvolvimento. Hiato este
que precisa ser preenchido, pois as demandas expressas por diferentes grupos sociais visando à
igualdade dos direitos e condições de vida em sociedade apontam para o declínio da identidade
política de classe (declínio da democracia) e do imaginário político por justiça social. Assim, no
lugar da luta de classes aparecem os grupos sociais delas desvinculados que lutam por seus
interesses jurídico-políticos, econômicos e ideológicos, tanto quanto pela dominação cultural.
Desta forma, no lugar da ampla luta social pelo desenvolvimento socioeconômico se organizam
as lutas simplificadas pela melhor distribuição da riqueza; no lugar da luta pela igualdade, a
isonomia e a emancipação social se organizam as lutas simplificadas pelo reconhecimento; no
lugar da plena, paritária e democrática participação do conjunto da sociedade na definição do
seu projeto coletivo de desenvolvimento, se organizam as lutas simplificadas pelo direito à
representação política; no lugar da realização dos sujeitos coletivos enquanto sujeitos da ação,
da razão e da emoção, se organizam as lutas simplificadas pela recompensa psicológica através
de artifícios manipulativos.
Em terceiro lugar porque enquanto uns defendem o reconhecimento social como se a
luta pela justiça redistributiva, pela representação paritária e pela realização emocional não
fossem relevantes, outros, baseados no declínio do igualitarismo econômico desejam recolocar
tão somente as classes sociais no centro da vida em sociedade (FRASER, 1997). Tudo ocorreria
como se a luta contra o racismo, o preconceito e a discriminação de gên ero e opção sexual, por
exemplo, fossem apenas meramente culturais e não tivessem qualquer relação com a
redistribuição da riqueza material, o reconhecimento social, a representação paritária e a
realização emocional. Estes constructos colocam em lados opostos: i) política de classe e
identidade política; ii) política social e política cultural; iii) redistribuição e reconhecimento.
Estas três razões que levam à adoção das categorias analíticas não pretendem esgotar os
argumentos em defesa das mesmas. Assim, tais dimensões são expostas a seguir com o objetivo
de explicitar no plano conceitual o que se encontra no plano empírico das categorias. Antes,
contudo, de prosseguir na exposição é fundamental esclarecer cinco pontos desta discussão que
dizem respeito exatamente aos condicionantes epistemológicos, metodológicos e teóricos das
categorias.
O primeiro, como não poderia deixar de ser, refere-se ao método. As distinções
analíticas que se seguem, mais precisamente entre reconhecimento social, redistribuição
material, representação política e realização emocional, encontram -se no plano do real concreto
estritamente ligadas, imbricadas, sem distinção prática. Contudo, como indica Fraser (2008b, p.
spensáveis. Apenas abstraindo a
complexidade do mundo real pode-se divisar um esquema conceptual que possa iluminá-
Ainda para Fraser (2008b, p.
analítica. Na prática, ambas estão entrelaçadas. Mesmo a mais material instituição econômica
tem uma dimensão cultural constitutiva, irredutível (...). Reciprocamente, mesmo a mais
discursiva prática cultural tem uma dimensão político-
Longe de serem duas esferas hermeticamente separadas, estas dimensões estão imbricadas, de
modo que se reforçam dialeticamente.
O segundo refere-se ao fato de que a condição para que um grupo social seja
reconhecido no processo de desenvolvimento socioeconômico não implica necessariamente sua
adesão ao modelo econômico, jurídico-político, social, cultural ou psicossocial que o reconhece,
ou seja, a luta pelo reconhecimento não se trava nos termos dos grupos sociais ou da classe
social dominante. O reconhecimento não implica que o grupo social seja reconhecido como
uma parte, mesmo que excluída, daquele que reconhece (como Si Mesmo), mas que seja
reconhecido como seu contrário com direito à plena existência (como o Outro).
O terceiro refere-se ao fato de que a redistribuição da riqueza material socialmente
produzida não significa necessariamente uma inserção do grupo social ao sistema de capital
como parte inerente do mesmo, ainda que com uma condição periférica. Também não significa
que a distribuição ocorra apenas nas atividades produtivas não capitalistas. Trata-se de distribuir
o conjunto da riqueza material produzida tanto nas atividades de produção não capitalistas como
aquelas produzidas pelo sistema de capital, mas não nos termos deste. O fato de que sob o
sistema de capital a riqueza material seja produzida pelo trabalhador, que dela não se apropria
(alienação), não deve implicar em sua não redistribuição sob o argumento da manutenção ou
reprodução de tal sistema. Ao contrário, não se trata de uma conciliação entre capital e trabalho,
mas no estabelecimento de um modo de redistribuição da riqueza material socialmente
produzida na direção oposta à acumulação do capital. Aqui também é necessariamente
imperativo desmitificar a ideologia capitalista do desenvolvimento baseada nas concepções de
liberdade, democracia liberal e direitos iguais como promotores da distribuição da renda, do
reconhecimento social, da representação parlamentar e da satisfação pessoal pela obtenção de
resultados, na medida em que tais concepções estão restritas aos interesses do sistema de
capital.
O quarto refere-se ao fato de que a participação paritária dos grupos sociais nos
processos de decisão que lhes dizem respeito não significa necessariamente a adoção, por estes,
das regras impostas pelos grupos sociais ou pela classe social dominante. Não se trata, aqui,
somente de questionar a efetividade da democracia burguesa no asseguramento da justiça social
ou nos impedimentos da apropriação privada dos recursos públicos: desde seu início a
democracia representativa burguesa se caracterizou exatamente pelas formas mais explícitas ou
sofisticadas, segundo o ordenamento legal ou não, de distribuição de privilégios. Trata-se de
assegurar o direito à participação paritária nas decisões que dizem respeito ao desen volvimento
socioeconômico em todas as esferas da vida social nos termos definidos direta e
democraticamente pelo coletivo.
O quinto, finalmente, refere-se ao fato de que a realização ou a recompensa emocional
não significa necessariamente a adoção de modelos de normalidade psicológica que são
estabelecidos de acordo com a lógica do sistema de capital. Não se trata aqui somente de
questionar a psiquiatria que se desenvolve sob o sistema de capital, com seus processos de
tratamentos hospitalares ou com os impedimentos ao acesso coletivo aos avanços da ciência,
inclusive, ou especialmente, no que se refere às impossibilidades concretas de acesso aos
medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica. Trata-se, também, da necessidade do
reconhecimento no campo emocional, o que significa que a realização ou recompensa está
vinculada à condição de reconhecimento do outro e à de ser reconhecido ao outro e pelo outro
(ZIMERMAN, 1999, p. 163).
A explicitação destes cinco pontos preliminares tem a finalidade de indicar a direção
epistemológica, metodológica e teórica que guia esta proposta de construção de um processo
democrático de desenvolvimento socioeconômico, a qual se concentra na dialética da pertença.
Neste sentido, a leitura do real concreto se estabelece segundo uma unidade de contrários no
que se refere às relações dos grupos sociais no sistema de capital, tanto como elementos
incluídos neste, quanto como elementos que constituem a resistência a este em seus vários
aspectos. Trata-se, em seguida, de examinar cada uma das categorias, submetendo-as, até onde
é possível, a um escrutínio crítico, identificando a dimensão emancipatória das mesmas em
termos do desenvolvimento socioeconômico e integrando-as em um modelo simples de análise
do real concreto.

3.2 A r edistribuição igualitária da riqueza material coletivamente pr oduzida: a dimensão


econômica da análise

O ponto de partida para o aprofundamento da reflexão sobre a dimensão econômica é


reconhecer a relação que se estabelece entre as organizações ou unidades produtivas e o modo
de produção. Seja qual for a natureza social específica da organização, deve -se reconhecer que a
mesma se constitui no interior de um determinado modo de produção e não a par dele seja
com a finalidade de reprodução deste sistema seja como mecanismo de resistência a ele. Neste
sentido, a análise deve partir da compreensão dos elementos fundamentais do modo de
produção capitalista, para estabelecer categorias gerais sobre o nível econômico do controle
social.
Tendo em vista a tendência do sistema de capital à concentração da riqueza e dada sua
lógica de exploração daqueles que diretamente a produzem, a análise da distribuição igualitária
da riqueza material coletivamente produzida não deve simplesmente tratar da repartição da
renda e tampouco ocupar-se da valorização da utopia (neo)liberal de que é possível estabelecer
uma partilha justa da riqueza sob este modo de produção. Esta categoria deve considerar não
apenas as formas como a renda social são redistribuídas, mas igualmente as formas de
propriedade, as relações de troca das mercadorias (produtos e serviços), a organização, os
processos e as relações de trabalho e o acesso aos bens de infraestrutura social urbana e rural
(educação, saúde, saneamento, segurança, moradia, entre outros). A análise desta categoria não
deve pressupor, igualmente, um pleito utópico a favor de um modo pós-capitalista de produção,
ou seja, de um socialismo democrático ou uma autogestão social, ainda que esta seja a condição
histórica de tal projeto. Trata-se de analisar, aqui, a ocorrência ou não de uma justiça
distributiva tanto nas condições de reprodução e de acumulação capitalista como nas das forças
coletivas organizadas de resistência ou de enfrentamento dos processos de exclusão social pelo
sistema de capital. As possibilidades concretas, neste sentido, encontram-se no
desenvolvimento, mesmo que primário, das formas de transição.
Por conseguinte, não se pretende aqui estabelecer um quadro teórico apriorístico que
tenha por consequência a constatação de características capitalistas ou anticapitalistas em
quaisquer processos de desenvolvimento socioeconômico que venham ser analisados.
A categoria da redistribuição envolve, de acordo com Fraser (2008b, p. 17), a
redistribuição dos rendimentos, a reorganização da divisão do trabalho, subordinação dos
investimentos a um processo democrático de tomada de decisão e transformação das estruturas
básicas da economia. Tais questões, naturalmente, não se referem à construção de um
imaginário socialista, mas a um projeto de transformação que permita acentuar as contradições
do sistema de capital. Isso poderia envolver a revalorização ascendente de identidades
desrespeitadas e os produtos culturais de grupos excluidos. Também poderia envolver
reconhecimento e valorização positiva da diversidade cultural. Mais radicalmente ainda, poderia
envolver a total comunicação, de forma que se alteraria a percepção coletiva que todos têm de si
mesmos. Assim, toda medida que repara uma perda redistributiva ou que restabelece uma
relação econômica pressupõe uma concepção subjacente de reconhecimento social. É neste
sentido que as reivindicações pela redistribuição muitas vezes reclamam a abolição de arranjos
econômicos que sustentam a especificidade de determinados grupos sociais, como é o caso, por

da organização do trabalho baseada em gênero.


De fato, ainda de acordo com Nancy Fraser (2008b, p. 23), o gênero possui uma
dimensão político-econômica, constituindo-se em um princípio estruturador básico da política
econômica. De um lado, o gênero estrutura a divisão fundamental entre o pagamento de

mulheres uma responsabilidade primária por este último. De outro lado, o gênero também
estrutura a divisão do trabalho pago entre a alta remuneração, dominada pelos homens nas
unidades produtivas e nas ocupações profissionais, e a baixa remuneração, dominada pelas
-
político-econômica que gera modos específicos de exploração, marginalização e privação
baseados em gênero.
O mesmo dilema, de acordo com Fraser (2008b, p. 25-26) pode ser encontrado na luta
contra o racismo, a qual se assemelha à questão do gênero na estrutura político-econômica. A

baixo status, a atividade subalterna, o trabalho sujo e as ocupações domésticas executadas


-

ura o acesso ao mercado de trabalho constituindo uma parcela


significativa de negros e pardos como supérfluos, lumpemproletários, subclasses, indignos,
inclusive pela não inserção dos mesmos no sistema de capital.

4. RECONHECI M ENTO SOCI AL : DI M ENSÃO SOCI OCUL TURAL DA ANÁL I SE

O tema do reconhecimento social é resgatado na discussão contemporânea devido à


emergência dos movimentos sociais que ultrapassam a tradicional divisão de classes
contemplando questões como gênero, preconceito, desemprego, direitos sociais urbanos,
educação, saúde pública, segurança, moradia, infraestrutura urbana e rural, sustentabilidade
ambiental, entre muitos outros. A centralidade das lutas sociais desloca-se do conflito de classes
conduzido historicamente pelos movimentos de trabalhadores estabelecendo uma nova agenda
de enfrentamentos. Isto não implica o desaparecimento das classes sociais e dos conflitos
fundamentais que possuem existência real no modo de produção capitalista, mas indica que as
lutas alcançam outras dimensões que necessitam ser compreendidas em uma perspectiva crítica.
Isto não significa propor um esquema normativo, programático e totalizador abrigado nas
-
aser (1997, p. 4), não se trata, igualmente, da proposição de um
novo projeto para o socialismo, mas de conceber alternativas para o atual estágio da sociedade
que possam oferecer uma base de discussão para uma política progressiva de superação do
sistema de capital.
Não se pode deixar de observar que as mudanças estruturais e normativas somente
podem ocorrer pela ação coletivamente organizada dos membros dos grupos ou das classes
sociais. Assim, é apenas com o assentimento do coletivo, solidamente suposto, que o sujeito
coletivo pode estabelecer uma relação de pertença que viabilize e legitime as transformações.
Os sujeitos coletivos que lutam por mudanças nas regras precisam, antes, reconhecê-las como
tais, bem como suas motivações, os interesses que expressam, os acordos e as articulações que
as viabilizaram. Se a ação transformadora se efetiva é porque os sujeitos não se submetem,
ainda que reconheçam as regras. A questão que está mal resolvida na abordagem que coloca o
conflito social como objeto de uma teoria crítica da sociedade e a luta pelo reconhecimento
como sua gramática, é exatamente a diferença fundamental entre ser reconhecido pela
conformação às regras e às normas definidas pela sociedade na interpretação dos interesses
dominantes e ser reconhecido por admitir a existência das regras, mas lutar contra as mesmas
para transformá-las. Análises como, por exemplo, a de Honneth (2009), não obstante se
empenhem na análise da emancipação da dominação apresentando um modelo de compreensão
da realidade social, não apresentam uma solução capaz de estabelecer uma dialética entre
reprodução e subversão, manutenção e transformação, garantia e eliminação, ampliação e
liquidação.
A luta pelo reconhecimento, na perspectiva de Fraser (2008) tornou-se rapidamente a
forma paradigmática do conflito político do Século XX. As demandas pelo reconhecimento das
diferenças fazem com que as lutas dos grupos sociais se mobilizem sob as bandeiras da
nacionalidade, eticidade, raça, gênero e opção sexual. Nestes conflitos a identidade de grupos
sociais suplanta os interesses de classe como o principal meio de mobilização política. A
dominação cultural suplanta a exploração como a injustiça fundamental e o reconhecimento
cultural toma o lugar da redistribuição socioeconômica como medida de injustiça e objetivo de
luta política. A luta pelo reconhecimento, no entanto, ocorre em um mundo de exacerbada
desigualdade material o que significa que o desafio de desenvolver uma teoria crítica da
sociedade em termos do processo de desenvolvimento socioeconômico requer o entendimento
de que a justiça deve contemplar a articulação entre redistribuição econômica, reconhecimento
social e representação política. Para Fraser, portanto, uma política de desenvolvimento que falhe
no que diz respeito aos direitos humanos, por exemplo, é inaceitável mesmo que a mesma
promova uma igualdade social. É exatamente neste ponto em que se estabelece o confronto
entre a concepção tridimensional e a concepção centrada no monismo moral que reside a
principal controvérsia entre, respectivamente, Fraser e Honneth (2003).
De fato, para Honneth (FRASER; HONNETH, 2003; HONNETH, 2009) o
reconhecimento é uma categoria moral fundamental, enquanto a redistribuição é apenas uma
subvariante do reconhecimento. Para Fraser (FRASER; HONNETH, 2003; FRASER, 1997) a
redistribuição não pode se subordinar ao reconhecimento, pois ambas são categorias
equivalentes, ou seja, uma não existe sem a outra. A perspectiva dualista de Fraser, portanto, é
contraposta à concepção de monismo normativo de Honneth.
Os debates que se seguiram à análise de Fraser, levaram-na a retomar o tema do
reconhecimento em outros estudos (FRASER, 2000; 2002a), abandonando a primeira versão em
que reconhecimento é tratado de acordo com um modelo de identidade para abordá-lo como
status, até porque Fraser introduzirá a questão da globalização em suas considerações
(FRASER, 2002b; 2004). No modelo de status as dimensões se relacionam a diferentes aspectos
da ordem social, de forma que o reconhecimento refere-se ao status da sociedade (grupos de
status), enquanto a redistribuição refere-se à estrutura econômica (propriedade, mercado,
trabalho, riqueza). Embora tenha introduzido a questão da representação no início dos debates
(FRASER, 2002; 2004. FRASER; HONNETH, 2003), é, contudo, em uma análise mais extensa
que Fraser (2008) revisa as suas teorias de reconhecimento e redistribuição e introduz
definitivamente este terceiro elemento à sua reflexão da teoria crítica. A representação, para
Fraser, corresponde à dimensão política.
Estabelecendo, agora, a relação da categoria do reconhecimento social com a dimensão
sociocultural, que contempla também o nível ideológico, pode-se seguir uma linha
argumentativa diversa daquela proposta por Honneth (2009). A dimensão sociocultural
relaciona-se à superestrutura construída a partir das relações de produção no sentido da sua
institucionalização, tendo como suporte um sistema de ideias capaz de conferir legitimidade às
ações de um determinado sistema econômico. Isso acontece ao mesmo tempo no âmbito do
Estado e de seus aparelhos como no das organizações em geral, ou seja, de todo aparato
normativo de uma sociedade. O nível político, assim, recobre o jurídico.
O nível político-ideológico está diretamente relacionado com as relações de dominação,
que, em última instância, visam legitimar e garantir a permanência e reprodução das relações
poder, condicionando o processo de desenvolvimento socioeconômico às determinações do
sistema de capital. O nível político relaciona-se com o campo jurídico, pois o processo de
trabalho e a apropriação dos resultados têm implicações jurídicas no que se refere às instâncias
normativas e legais das relações de produção em que a estrutura legal do Estado moderno é uma
exigência absoluta para a reprodução do modelo de desenvolvimento. No nível político-
ideológico a estrutura da objetividade econômica precisa contar com uma estrutura de poder que
lhe corresponda, já que demanda articulações entre ambas as estruturas, as quais se determinam
duplamente, pois enquanto os elementos no nível econômico remetem às relações de
propriedade, os elementos do nível político-ideológico remetem às relações de dominação, as
quais devem garantir a permanência e a institucionalização daquelas, daí porque se tratam de
relações de poder (FARIA, 2004, p. 98).
A ideologia opera no nível objetivo e subjetivo, consistindo no conjunto de teses
explicitamente enunciadas e no conjunto de induções subjacentes (ENRIQUEZ, 1997). Desse
modo, ela modela as representações conscientes que os atores sociais têm do sentido de sua
ação, fazendo com que racionalizem parte de seus desejos inconscientes. Chauí (1982, p. 78;

objetivo e subjetivo involuntário produzido pelas condições objetivas da existência social dos

sujeitos (ALTHUSSER, 1980, p. 96), sujeitos esses de um imaginário social instituído.


Além de sua função já exposta de interpretação e distorção da realidade, e de integração
e redução dos conflitos, a ideologia também motiva, visto que compromete. Ela mobiliza os
sujeitos de tal forma que se empenhem em realizá-la por meio de sua ação. Da mesma maneira,
a ideologia é movida pelo desejo de demonstrar que o grupo que a professa tem razão de ser.

consciências falantes, sujeitos que, encontrando no sentido recebido os meios de domínio


simbólico, sentem sua vivência ideológica como a sua verdade; ela gera o acordo entre os
sujeitos no terreno do simbólico, o acordo vivo entre as consciências que julgam conciliadas
, p. 213). A ideologia não pode ser considerada,
portanto, como se fosse mera abstração conceitual na análise dos processos democráticos de
desenvolvimento socioeconômico, já que a ela cabe o condicionamento do pensamento aos
interesses da reprodução do modelo de desenvolvimento tipicamente capitalista.
5. REPRESENTAÇÃO PARI TÁRI A: DI M ENSÃO JURÍ DI CO-POL Í TI CA DA
ANÁL I SE

Como já abordado em outro estudo acerca da democratização da gestão (FARIA, 2009),


é necessário, de pronto, estabelecer algumas condições do que se entende por represe ntação
paritária. Tal representação necessita valorizar a participação coletiva dos membros dos grupos
ou classes sociais no processo decisório, enfatizando a partilha das responsabilidades em todas
as instâncias ou fases do processo. A representação paritária tem como pressuposto básico o
estabelecimento de relações de igualdade na medida em que rompe o processo de alienação,
expande e estimula a difusão do conhecimento, além de destruir a estrutura social verticalmente
hierarquizada, de forma que todos se tornem conscientes de sua responsabilidade para com o
sucesso ou insucesso da ação.
A supressão da estrutura hierárquica preconiza o desenvolvimento de habilidades
criativas nos sujeitos além de habilitá-los a tomar suas próprias decisões eliminando estruturas
piramidais impostas. Tal objetivo não implica a instalação do caos, como argumentam os
adeptos de necessidade de uma organização social burocrática para a viabilização da vida em
sociedade. Pelo contrário, diz respeito muito mais a uma rede de relações baseada no desejo de
cada sujeito individual ou coletivo fazer da organização um produto da discussão, das decisões
e do controle do conjunto de seus membros.
Supressão da hierarquia, colaboração/cooperação entre setores de produção econômica e
social, participação direta e efetiva, democratização das decisões, defesa de interesses sociais
comuns e compartilhados, autocontrole do processo de trabalho pelos produtores diretos,
autogestão da organização coletivista de trabalho, colaboração no planejamento e na execução
dos projetos sociais, partilha das responsabilidades em todas as instâncias, preservação e
valorização do trabalho coletivo, todas estas questões, entre outras, caracterizam a representação
paritária dos sujeitos nas esferas de decisão.
A participação paritária dos sujeitos nas decisões coletivas deve considerar o grau de
controle que os sujeitos possuem sobre quaisquer decisões em particular, as questões sobre as
quais estas decisões são tomadas e o nível político no qual as questões objetos de tais decisões
são definidas. Neste sentido, o acesso e o domínio das informações relevantes para que o
processo de decisão paritária possa se efetivar é uma condição elementar para que a participação
seja qualificada. Assim, é necessário que não apenas o acesso à informação seja
disponibilizado, mas que esta informação esteja disponibilizada de modo a conceder condições
mínimas para que os sujeitos possam se apropriar dela (VARGAS DE FARIA, 2003).
A participação paritária não deve desconsiderar a garantia de que uma democracia
representativa, com dispositivos permanentes de controle, pode ser fundamental para a
existência de uma autoadministração ou autogestão, ou seja, de que a democracia participativa
constitua um recurso para a introdução da democracia direta onde ela for viável, o que quer
dizer na base de todo o processo democrático de desenvolvimento socioeconômico. Pode-se,
desta forma, desenvolver um sistema representativo de novo tipo, caracterizado pelo controle
permanente dos representantes por parte dos representados e pela não separação entre o lugar da
legislação (lugar normativo), o lugar coletivo e público da execução (lugar administrativo -
operativo, composto por agências, aparelhos, departamentos, repartições, unidades funcionais,
organizações produtivas e sociais, etc.) e o lugar do julgamento dos conflitos (lugar judicial),
criando um regime de assembleia.
A superação do estranhamento (alienação) é fundamental para a conquista de uma
democracia participativa paritária que, embora não supere a representação, possa atuar com a
finalidade de transformar os lugares administrativo-operativos, normativos e judiciais em
instâncias efetivamente públicas e sociais, evitando que assuntos coletivos referentes aos
processos democráticos de desenvolvimento socioeconômico se convertam em corpos estranhos
à sociedade e que estes corpos estranhos sejam os determinantes da vida em sociedade.

participação. De acordo com esta interpretação democrática radical do princípio de igual valor
moral, a justiça requer acordos sociais que permitam a todos participar como pares na vida
social. Superar a injustiça significa desmantelar os obstáculos institucionalizados que impedem
a alguns participar em igualdade com outros, como sócios com pleno direito na interação

Fraser argumenta que as pessoas podem ver-se impedidas de participar plenamente


devido estruturas econômicas que lhes neguem os recursos necessários para interagir em
condições de igualdade. Daí decorre uma injustiça distributiva ou uma má distribuição da
riqueza. Neste caso, o problema encontra-se na estrutura de classes da sociedade. As pessoas
também podem ver-se impedidas de interagir em condições de paridade por hierarquias
institucionalizadas, de valor cultural, que lhes negam a posição adequada. As pessoas sofrem de
uma desigualdade de status ou um reconhecimento falido. Neste caso, o problema é da ordem
do status que corresponde à dimensão cultural. Embora a estrutura de classes e a ordem de
status não se reflitam mutuamente com nitidez na sociedade capitalista contemporânea, as
mesmas interagem. De qualquer forma, Fraser (2008a, p. 40) assegura que nem a primeira
(redistribuição) e nem a segunda (reconhecimento) dimensão podem se reduzir a efeitos
secundários, acessórios ou a epifenômenos uma da outra.
A terceira dimensão de justiça, para Fraser (2008a, p. 41), é a política. Fraser salienta,
todavia, que distribuição e reconhecimento são também questões políticas, pois sofrem a

dimensão política, portanto, indica quem está incluído ou excluído do círculo dos que têm
direito à redistribuição e ao reconhecimento, como se levanta e se arbitra as reivindicações e o
que está na agenda das decisões no que se refere aos processos democráticos de
desenvolvimento socioeconômico.
A dimensão política está centrada em questões de pertença e de procedimento, o que
remete a discussão para o problema da representação e, portanto, das regras de decisão e das
condutas que estruturam os processos públicos de confrontação. Se a paridade participativa nas
decisões constitui-se em uma justiça política, a mesma defronta-se com obstáculos que se
encontram na constituição da sociedade. Neste sentido é que Fraser (2008a, p. 44-47) distingue
dois níveis de representação falida ou de injustiça política. A primeira injustiça política Fraser
-
negam injustamente a indivíduos que pertencem a uma comunidade a oportunidade de
participar plenamente do processo sem distinção. A segunda injustiça política Fraser chama de

de delimitação (demarcação) de fronteiras. A injustiça ocorre quando as fronteiras se traçam de


maneira que os sujeitos são injustamente excluídos em absoluto das possibilidades de participar
nos confrontos de justiça que lhes competem. Trata-se da injusta delimitação da demarcação da
referência política, do panorama social e politicamente criado.
A delimitação da demarcação, ao contrário de ter uma importância marginal, é uma das
decisões políticas que tem muitas consequências, pois pode excluir aqueles não pertencem à
comunidade ou grupo social do universo dos que têm direito de serem considerados integrantes
destes coletivos, ou seja, a delimitação da demarcação define os politicamente incluídos e
excluídos. Fraser (2008a, p. 51) chama a atenção para o fato de que uma política de
representação deve ir além da tomada de posição contra as duas formas de injustiça: deve
ritária deve definir quem são os
sujeitos da justiça e qual a demarcação apropriada para manifestar explicitamente a divisão
oficial do espaço político de forma a impedir que os desfavorecidos sejam obstruídos no
enfrentamento das forças que os oprimem em suas reivindicações.
Por fim, Fraser (2008a, p. 124-129) indica que existem três princípios disponíveis para a
avaliação das demarcações políticas, no que se refere a quem deve ser incluído na representação
paritária:
i. Princípio da condição de membro: p
critérios de pertencimento político (cidadania, nacionalidade compartida, projetos comuns). Ao
definir a delimitação da demarcação com base no pertencimento político, este princípio tem a
vantagem de fundar-se em uma realidade institucional, a qual é também sua debilidade, pois
facilita a ratificação da xenofobia excludente dos privilegiados e poderosos;
ii.
que remetem ao ser humano, enquanto sujeitos que possuem em comum as características
distintivas da humanidade (autonomia, racionalidade, linguagem, capacidade de aprender,
sensibilidade, condições de distinção da boa e má moral). Ao delimitar a fixação das
demarcações a partir do conceito de ser humano, este princípio é um freio crítico aos
nacionalismos excludentes, mas sua elevada abstração é também uma debilidade, pois
desconsidera as relações sociais e históricas e concede de forma indiscriminada posição social
a todos a respeito de tudo;
iii.
relações sociais de interdependência, de forma que os sujeitos se submetam à justiça devido às
co-imbricações em uma rede de relações causais. Este princípio tem o mérito de elaborar uma
verificação crítica sobre a qualidade dos membros das coletividades tendo em vista as relações
sociais. Ao conceber as relações de modo objetivo em termos de causalidade, entrega a

-se incapaz de
identificar as relações sociais moralmente relevantes.

Para superar os problemas destes três princípios, Fraser propõe o que chama de princípio
de todos os sujeitos.

estrutura de governança estão em posição moral de ser sujeitos de justiça com relação a tal
estrutura. Nesta perspectiva, o que converte o conjunto de concidadãos em sujeitos de justiça
não é a cidadania compartilhada, como tampouco a posse comum de uma personalidade
abstrata, nem o próprio fato da interdependência causal, mas sim a sua sujeição conjunta a uma
estrutura de governança, que estabelece as regras básicas que regem a sua interação. Para

ASER, 2008a, pp. 126-127)


O princípio proposto por Fraser oferece uma norma crítica para julgar as (in)justiças das
demarcações. Desta maneira, uma questão está justamente demarcada se e somente se todos e
cada um dos submetidos à(s) estrutura(s) de governança que regula(m) as áreas relevantes de
interação social recebem igual consideração. Não é necessário que os sujeitos sejam membros
formalmente credenciados da referida estrutura, mas que estejam sujeitos a ela. Dada a
complexidade da organização social contemporânea é necessário distinguir os muitos quem
(sujeitos) de acordo com distintas finalidades e objetivos, indicando quando e onde aplicar uma
demarcação ou outra e, portanto, quem tem direito de participar paritariamente com quem em
determinadas situações, ocasiões ou em determinados casos.

6. A REAL I ZAÇÃO EM OCI ONAL : A DI M ENSÃO PSI COSSOCI AL DA ANÁL I SE

O nível psicossocial procura integrar os aspectos objetivos (econômicos, político-


ideológicos) aos aspectos constitutivos do sujeito em sua vida social, ou seja, sua afetividade.
Desta forma, a psicossociologia integra uma sociologia crítica a uma psicologia de base
psicanalítica, ao relacionar o indivíduo/sujeito ao seu ambiente social, seja ele institucional,
organizacional ou grupal (FARIA, 2004).
A realização emocional, que se apresenta como uma recompensa psíquica válida e
validada pelo sujeito e pelo Outro, alude diretamente à noção de vínculo de reconhecimento. O
vínculo de reconhecimento equivale à categoria do Amor a que se refere Honneth (2009),
porém, diferentemente de sua concepção, não se trata de uma relação primária entre as formas
de reconhecimento social. Ao contrário, trata-se, ela mesma, de uma categoria analítica tal
como as demais (redistribuição, reconhecimento e representação). Assim, a relação entre
identidade e vínculo de reconhecimento constitui a dialética entre o sujeito e o Outro, entre os
grupos e as classes sociais. Em síntese, a dialética entre reconhecer-se e ser reconhecido.
Com este sentido, a concretização da realização emocional expressa a realidade

emocional configura o lugar da alteridade, enquanto instância importante e fundamental para a


afirmação do sujeito individual e coletivo, para a avaliação de suas possibilidades e limitações
na prática social das relações com outros sujeitos e grupos sociais.
A realização emocional, enquanto sentimento e necessidade de reconhecimento no plano
psíquico, como já mencionado, refere-se a quatro situações típicas, conforme ensina Zimerman
(1999, p. 166-173):
i. Reconhecer a si mesmo: voltar permanentemente e se conhecer, ou seja, conhecer o que se
encontra no sujeito e que está à espera de ser fecundado por realizações;
ii. Reconhecimento do outro enquanto sujeito diferente de si: romper o estado narcisista,
considerando o outro não como um espelho de si, mas como sujeito autônomo, com
concepções, condutas, atitudes e valores diferentes;
iii. Ser reconhecido ao outro; expressar gratidão, transformando a onipotência, a prepotência e
a onisciência em capacidade de pensar e aprender com as experiências, assumindo as relações
de dependência e fragilidade;
iv. Ser reconhecido pelo outro como um sujeito individual ou coletivo; ao mesmo tempo,
afirmar a própria existência autônoma, autorizar o estabelecimento de relações (de poder) e
proteger-se contra as tentativas de quebra de vínculos originadas interna e externamente.

Esta última situação é a que diz respeito mais de perto a estas considerações. É vital para
todo o sujeito individual ou coletivo (grupo social) ser reconhecido (necessidade de
reconhecimento) para a afirmação de sua existência, identidade e autoestima. A falência desta
necessidade, mesmo que seja referente aos níveis do pensamento, do conhecimento, ou do
sentimento, e não da atitude explícita, significa a perda da condição de estabelecer relações com
a realidade exterior. Para existir o sujeito necessita ser reconhecido, ou seja, necessita de uma
realização emocional confirmada pelo Outro e não apenas de uma autorrealização egóica. Ser
reconhecido, sentir-se realizado emocionalmente, significa a valorização de si (sujeito ou grupo
social) pelo Outro (sujeito ou grupo social), que se constitui na garantia real da existência (do
sujeito ou grupo social) como uma individualidade ou unidade. Como sugere Lacan (1966), o
sujeito se reconhece no Outro e por meio do Outro. Isto traduz a admissão de que na vida social
as relações, mesmo as mais primárias, prevalecem sobre os sujeitos.
O vínculo do reconhecimento, a recompensa afetiva ou a realização emocional, do ponto
de vista das relações que se desenvolvem no plano dos processos democráticos de
desenvolvimento socioeconômico, ao mesmo tempo em que são necessárias e fundamentais
para a existência dos sujeitos enquanto sujeitos autônomos desenvolvem dialeticamente a
angústia da separação. De fato, a angústia da separação representa o medo da quebra do vínculo
nas condições em que o sujeito (individual ou coletivo) o estabeleceu. Sendo assim, à pergunta

da separação, pois esta contém as incertezas, os anseios, as inquietudes e sofrimentos. Em


outros termos, na luta dialética pulsional, o sujeito é seduzido pela conservação (pulsão de
morte, Thanatos) e não pela transformação, pela mudança (pulsão de vida, Eros).
Tendo o sujeito estabelecido vínculos afetivos, econômicos, ideológicos e socioculturais
com a sociedade em que vive, também estabelece uma relação de pertença que não consegue ser
rompida devido ao medo da separação, e de suas consequências tais como construídas pelo
imaginário da dependência. O sentimento de abandono que acompanha o rompimento com o
meio social ou com o grupo social afeta a estrutura narcísica essencial do sujeito, de maneira
que não ser reconhecido como membro deste coletivo, não realizar-se emocionalmente com a
realização coletiva, não falar e não ser falado, equivale a não existir.
Por isso é que a trama social é percebida pelos indivíduos como um conjunto de
condicionantes estruturais que regem a vida em sociedade, estritamente ordenada por regras e
normas mediadas pela linguagem. Segundo Enriquez (1974, p.54), na medida em que cada um é

suas relações, ou seja, a realidade lhe é dada como algo pronto, sem capacidade de
transformação ou sua apropriação real.
A distância existente entre o objeto de conhecimento e o objeto real deve ser analisada
em sua essência e não somente na aparência do fenômeno. Nestas condições pode-se
compreender melhor como esta concepção ingênua do visível imediato é uma concepção

não há nada atrás da cena do manifesto; que o que é vivido não remete a nada, senão àquilo que

1974, p.56-57).
Nesta perspectiva de absorver a realidade num âmbito mais complexo, é preciso buscar
o que há nos bastidores desse real, o não-dito, a outra cena e cabe a psicossociologia tal análise
mais intensa. Em sua busca constante de seu lugar na estrutura social, o indivíduo depara-se
com o jogo do desejo, na luta pelo seu reconhecimento, já que a consciência de si provém de
sua afirmação e reconhecimento pelo outro. A psicossociologia teria por objetivo, nas palavras
do próprio Enriquez, "elucidar a (ou as) significação(ões), talvez mesmo os sentidos divergentes
(ou não-sentidos) que organizam o funcionamento da outra cena" (ENRIQUEZ, 1997, p.29).
Esta abordagem conduz à consideração de outros elementos, distintos daqueles
tradicionalmente tratados pelas teorias do desenvolvimento socioeconômico, para se
compreender as relações de poder na sociedade. Os processos grupais, a construção de um
imaginário social, de um sistema de valores comum (representações) e seus respectivos
mecanismos de identificação e idealização são elementos centrais.
A identificação deve ser entendida enquanto um processo psíquico através do qual um
sujeito assimila características do outro, adotando-o como modelo e transformando-se. A
personalidade se constitui por sucessivas identificações (LAPLANCHE & PONTALIS, 1986).
Esse processo representa um estabelecimento de um vínculo (investimento) afetivo do
indivíduo com o Outro. Já a idealização, constitui o mecanismo que permite a toda a sociedade
instaurar-se e manter-se, e a todos os indivíduos viverem como seus membros, pois a
possibilidade de constituição de qualquer pacto social pressupõe algum nível de idealização
sobre o coletivo (ENRIQUEZ et al., 1994).
Para construção de um projeto social comum é necessário que as representações sobre a
organização social sejam não apenas intelectualmente pensadas, mas afetivamente sentidas.
"não se trata unicamente de querer coletivamente; trata-se de sentir coletivamente"
(ENRIQUEZ, 1994, p. 57). Esse sentimento, fonte do comportamento grupal, só pode emergir
se ligado a um sistema de idealização, fruto de processos conscientes e inconscientes. O
processo de idealização é o que dá "consistência, vigor e aura excepcional" tanto ao projeto
quanto aos indivíduos, possibilitando-os de partilhar da mesma ilusão (ENRIQUEZ et al., 1994,
p. 57).
Partindo do pressuposto de que toda sociedade dispõe de uma estrutura de valores e de
normas que condicionam seus membros a certa forma de apreensão do mundo e de orientação
de suas condutas, as formas organizadas do coletivo devem ser entendidas enquanto uma
microssociedade por excelência e consequentemente atravessada pelos mesmos problemas que
caracterizam o vínculo social (ENRIQUEZ, 2000). Toda vida em sociedade é geradora de
angústias. Do mesmo modo, a organização coletiva igualmente enfrenta várias angústias. O
indivíduo se liga às organizações sociais (associação de moradores, sindicatos, partidos, etc.)
por vínculos não apenas sociais e materiais, mas, sobretudo afetivos e imaginários, e essas
organizações, embora não criem uma estrutura psíquica, utilizam-se dela (FREITAS, 1999).
Neste sentido, a tão esperada adesão dos indivíduos aos projetos de organização social
pode ser o resultado de dois tipos de processos que, na realidade se apresentam combinados e
que são decorrências da produção de um sistema imaginário pela organização. No primeiro
caso, tal organização se apresenta como a instância central capaz de responder aos desejos
narcísicos de reconhecimento, ao fantasma de onipotência dos indivíduos, assegurando proteção
contra quebra de suas identidades. Desse modo, tende a substituir o imaginário do indivíduo
pelo seu próprio, apresentando-se como superpoderosa e nutriz, aprisionando-o em um
"imaginário enganoso" (ENRIQUEZ, 1997), que o impossibilita de produção autônoma e
criativa.
Outra possibilidade é essa organização engendrar o que Enriquez (1997) denomina de

rupturas. Um imaginário que comporta a espontaneidade, a experimentação e o pensamento


questionador. Por ser este um imaginário que abre espaço para o questionamento da própr ia
organização e de suas regras, ele tende a ser muito menos desenvolvido que o primeiro
(FREITAS, 1999).
Desta forma, observa-se que no nível psicossocial encontra-se a explicação para o
movimento de vinculação entre os sujeitos concretos, que é essencial para o reconhecimento
dos interesses em comum em processos democráticos de desenvolvimento socioeconômico. Por
apresentar uma dinâmica dialética, em que sempre polos antagônicos (prazer e angústia,
alienação e reconhecimento, repetição e superação) estão em jogo, entende-se que esse nível de
análise representa uma peça importante para a compreensão das relações de poder nas
organizações sociais. Em resumo:

Quadr o 1 - Aspirações do Sujeito Coletivo na Vida em Sociedade

O que o Suj eito Categor ias de Análise


Elementos constitutivos das Categor ias de Análise
Coletivo aspir a ser cor r espondentes
Objetivação Normativa
Socialmente Reconhecimento
Inserção nos Espaços Coletivos de Poder (pertença)
reconhecido Social
Definição de um Projeto Social Comum
Distribuição Igualitária da Riqueza
Economicamente Redistribuição da Acesso aos Bens Públicos e à Infraestrutura urbana e social
recompensado Riqueza Material Retribuição Justa pelo Trabalho Realizado
Acesso aos Resultados da Produção Social
Acesso às Esferas Públicas de Decisão
Politicamente Representação
Práticas Políticas Coletivas
representado Política Paritária
Inserção na Gramática do Conceito de Justiça
Sublimação Coletiva 2
Emocionalmente Realização Desejo do Reconhecimento do Desejo
realizado Emocional Afirmação da Identidade
Recompensa Emocionalmente Avaliada

Fonte: Elaborado pelo autor.

7. CONSI DERAÇÕES FI NAI S

Partindo dos conceitos de interdisciplinaridade pode-se perceber que os processos de


desenvolvimento socioeconômico têm se restringido a, no máximo, uma visão bidisciplinar.
Mais do que isso, são processos não democráticos que se subordinam aos interesses do sistema
de capital. Para pensar estes processos democráticos de desenvolvimento socioeconômico de
forma interdisciplinar, é preciso considerá-los a partir de critérios de justiça social.

2
No sentido da modificação de um impulso ou energia coletiva original (já instituído), de forma a manifestar
outra ação ou atitude que venha a ser aceita e valorizada (legitimada) pela sociedade em razão de que sua
finalidade é considerada superior do ponto de vista valorativo.
O problema que se coloca é, portanto, organizar a compreensão do campo empírico dos
empreendimentos coletivos que possam desencadear processos democráticos de
desenvolvimento socioeconômico de forma interdisciplinar a partir das categorias de análise em
sua quadridimensionalidade. Considera-se que as dimensões aqui propostas são abstrações do
real condensadas em categorias analíticas, ou seja, é um recurso de análise inspirada na
realidade enquanto síntese de múltiplas contradições. Assim, as considerações empreendidas
pretendem orientar e organizar a apreensão da realidade como realidade pensada.
É condição primordial para o estabelecimento de uma gestão democrática dos processos
democráticos de desenvolvimento socioeconômico que haja um permanente questionamento
acerca da forma com que são organizadas as condições de existência, de maneira a se garantir:
(i) a justiça nos processos de reconhecimento social dos grupos autônomos e emancipados; (ii) a
distribuição igualitária da riqueza coletivamente produzida; (iii) a participação paritária nas
esferas públicas de decisão; (iv) a realização emocional pelos resultados da práxis política dos
sujeitos.
Compreender as condições objetivas e subjetivas pelas quais os sujeitos coletivos
produzem suas condições de vida em sociedade revela muito acerca das probabilidades de
consolidação de processos democráticos de desenvolvimento socioeconômico.

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