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POR THAIS M.

BASILE

EDUCADORA PARENTAL PELA PDA

DISCI PLINA
POSIT IVA
ENTRE O

AUTORITARISMO E A

PERMISSIVIDADE
Para Lorena

Obrigada por me mostrar


diariamente que meu trabalho como
mãe é muito mais aprender do que
ensinar, que a incompletude é real e
que a verdadeira evolução vem da
autoavaliação honesta, profunda e
continuada.
Quero ser sua fonte de alegria,
inspiração e confiança.
Sumário

Capítulo 1 - O que é a disciplina positiva.................................................1


Capítulo 2 - Os 4 critérios para uma disciplina efetiva.....................8
Capítulo 3 - Abordagens permissiva, autoritária e negligente...14
Capítulo 4 - Sobre  punições e recompensas.......................................18
Capítulo 5 - Expectativas x realidade......................................................25
Capítulo 6 - Mudar- carta aos pais...........................................................29
1  

Capítulo 1
O que é a disciplina positiva
2  

  A disciplina positiva foi criada e desenvolvida por


Alfred Adler e Rudolf Dreikurs,  ambos austríacos e
psiquiatras estudiosos do comportamento humano.
Adler foi um discípulo de Freud, mais tarde criando a
psicologia do desenvolvimento individual.

  Dentro dessa filosofia, eles estudaram a infância e os


estilos de vida, motivações e crenças,  que
influenciam diretamente em como a criança irá se
perceber e se comportar.

  A disciplina positiva é um programa baseado nestes


ensinamentos e tem como objetivo encorajar crianças
e adolescentes a tornarem-se responsáveis,
respeitosos, resilientes e com habilidades para
solucionarem problemas.

  Uma das principais descobertas da neurociência é


que as crianças são essencialmente empáticas e
colaborativas, podemos então ter influência para que
isso se manifeste no dia a dia delas, se utilizando de
firmeza e gentileza ao mesmo tempo, conceito 
  
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primordial dentro dessa filosofia de educação. A não


utilização da punição e do castigo, físico ou verbal,
também é um dos principais pilares da disciplina
positiva. 

  O erro é tratado como uma oportunidade de


aprendizagem e não como algo passível de punição.
Outra grande premissa é que os adultos desenvolvam
habilidades para ensinar diretamente através do
exemplo. A disciplina positiva tem grande foco na
solução dos desafios com a criança e não em
culpabilização.

  Quando começamos a praticar esse novo olhar,


nossas crenças sobre educação mudam. Fomos
ensinados que a melhor maneira de ensinar as
crianças é fazê-las se sentirem mal, quando já está
provado que o oposto é verdadeiro: as crianças
aprendem e agem de forma colaborativa quando se
sentem bem.

  
4  

  Ao contrário do que se pode pensar, não estamos


falando de recompensar maus comportamentos , mas
sim de trabalhar na autoestima e no relacionamento
com a criança, focando na solução dos problemas e a
encorajando, para que a criança seja a protagonista
da resolução, aprendendo assim habilidades
importantes pro seu futuro e para que desenvolva seu
senso de aceitação e importância.

  Quando dizemos que o maior trabalho é o


relacionamento com a criança, isso de maneira
nenhuma significa que faremos tudo que a criança
quer ou nos pede. Significa que o olhar da criança
será respeitado, considerado e ela será tratada como
parte importante daquela família, contribuindo na
criação das regras, participando ativamente da
resolução dos problemas e aprendendo a entender
suas próprias necessidades e sentimentos.

  O respeito mútuo é incentivado, os pais tornam-se


guias e não chefes. Aprende-se empatia na prática, 
  
5  

 pois ela é praticada diariamente pelos pais, assim


como o autocontrole. Não estou aqui defendendo que
exista um relacionamento perfeito, onde gritos e
descontrole emocional nunca existam, porém na
disciplina positiva isso se torna a exceção e não a
regra. Não é correto que nós aprendamos a controlar
nosso comportamento antes de querer ensinar isso às
crianças?

  Os adultos são inclusive livres para errar e fazer do


erro grandes oportunidades de fazer tudo melhor do
que antes. O erro das crianças em geral é visto como
mau comportamento e precisamos saber separar o
erro, a sobrecarga emocional e o mau comportamento
propriamente dito. Podemos entender o erro como
algo que se faça sem consciência da consequência ou
acidentalmente, a sobrecarga como um momento de
grande confusão emocional onde a criança perde
momentaneamente o acesso à parte racional do
cérebro ("birra") e o mau comportamento como uma
ação para satisfazer uma necessidade, mas baseada
em crenças equivocadas. O problema é que tratamos  
  
  
6  

estas três coisas como manipulação, mimo, pirraça,


manha e não como pedidos equivocados de ajuda da
parte da criança ou como parte normal de uma pessoa
em desenvolvimento. A agressividade é natural do ser
humano, assim como todas as emoções, mesmo as
consideradas ruins: tristeza, raiva, frustração, medo.

  O que fazemos na disciplina positiva é mostrar na


prática formas aceitáveis de demonstrar essas
emoções, para que as crianças não se prejudiquem
nem prejudiquem outras pessoas ao fazê-lo. A
premissa é de que quando não permitimos que essas
emoções apareçam, ou seja, quando reprimimos essas
emoções na criança utilizando ameaças, castigos e
punições, ela não aprende a lidar com a frustração,
medo, raiva e tristeza. Ao passo que quando
permitimos que essas emoções sejam demonstradas,
mas focamos nossa atenção na maneira como elas
devem ser demonstradas, aquelas emoções vão passar
pela criança deixando aprendizados.

  O grande foco passa a ser a aceitação da pessoa mas


não do comportamento. O iceberg da disciplina
  
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positiva é esse: o mau comportamento é apenas a


ponta, na base e embaixo d'água estão as crenças
daquela criança e as suas necessidades, é ali que os
pais que praticam a disciplina positiva vão atuar.

  A frase "conexão antes da correção" trata exatamente


disso: ao trabalharmos no relacionamento com a
criança ou com o adolescente, modificamos as suas
crenças, entendemos suas necessidades e o
comportamento melhora por conta disso.

   Fica claro então que a disciplina positiva vai muito


além de um conjunto de técnicas para fazer as
crianças e adolescentes "obedecerem" ou para calar
seu choro. Entende-se também que a firmeza atrelada
à gentileza é o uma alternativa viável ao
autoritarismo, à negligência ou à permissividade. A
disciplina positiva dispõe de mais de 50 ferramentas
para nos ajudar a  praticar o binômio
firmeza+gentileza sem precisar recorrer ao grito,
punição ou ameaça.

 
  
8  

Capítulo 2
Os 4 critérios para uma disciplina efetiva
9  

  O primeiro critério para uma disciplina ser


considerada efetiva é a gentileza e firmeza ao mesmo
tempo. Não é sobre correr de um extremo a outro, mas
sim ser respeitosa e encorajadora, ao mesmo tempo
que fomenta a ordem. Parece difícil, porque em geral
fomos educados entre o autoritarismo e a
permissividade, em alguns casos até a negligência. O
novo assusta e traz medo aos adultos, mas o potecial
de mudanças que essa premissa traz, é imenso. 

  Quando conseguimos passar nossas expectativas e


necessidades enquanto pais de maneira respeitosa e
firme, estamos mostrando na prática que é
importante se posicionar, mas que existem maneiras
adequadas de se fazer isso. Deixamos de lado a
repressão do autoritarismo e a liberdade excessiva da
disciplina permissiva (vamos falar mais disso nos
próximos capítulos).

 O segundo pilar para uma disciplina efetiva é ajudar


as crianças e adolescentes a desenvolver um senso de
aceitação e importância. Muitas vezes,  quando
queremos ensinar nossos filhos através de punições,  
  
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 ameaças e gritos, estamos sem perceber quebrando a


conexão com eles, além de estar contribuindo para
que entendam que são filhos ruins, ou que a saída é
sempre se afastar do problema, ou ainda que eles SÃO
o problema. 

  Se, por outro lado, trabalhamos na conexão e no


senso de importâcia dessa criança, passamos a idéia
que eles estão acima de qualquer mau
comportamento que pratiquem. Importante ressaltar
que fomentar o senso de importância não é igual a
elogiar a criança. Os elogios são parte de nossas
expectativas, falamos "EU GOSTEI  do seu desenho",
enquanto na disciplina positiva utilizamos o
encorajamento que, nesse caso, seria " vi que VOCÊ se
esforçou bastante nesse desenho, vejo que VOCÊ está
satisfeito com ele". A grande diferença de elogiar e
encorajar é o foco no processo e não no resultado, no
esforço e não na perfeição, na evolução diária e na
comparação apenas consigo mesmo, sendo uma
grande base de construção da conexão do adulto com
a criança, porque fomenta a autoimportância. 
11  

  Existem muitas outras formas de criar conexão com


as crianças. Sempre peço para os pais pensarem em
como criam conexão com seus amigos ou com seus
parceiros de vida. Eles me respondem que é
demonstrando suas emoções verdadeiras, sendo
respeitosos, rindo junto, tentando criticar pouco, sem
ofender a pessoa, agindo de maneira justa,
incentivando a melhora da pessoa através de parceria
e ajuda mútua, tratando aquela pessoa com
consideração e respeito, agradecendo sempre que
fizerem algo que consideram bom e pedindo ajuda de
maneira respeitosa, quando precisam. E digo que com
as crianças também é assim que criamos conexão.

 O terceiro e importante pilar da disciplina efetiva é


ter efeito de longo prazo. Falaremos mais dos males
dos castigos e punições e esse é um dos motivos, eles
não funcionam a longo prazo. É muito difícil que um
castigo e punição seja dado só uma vez, muito pelo
contrário: quando se utiliza dessa forma de
disciplina, o aumento da rigidez é sempre necessário,
porque a última punição não "surge mais efeito".
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O problema é que aumentar a rigidez do castigo


também não surte. Punição pode funcionar para
parar um mau comportamento, geralmente por conta
do susto e do medo que a criança sente, mas não traz
entendimento de como poderiam ter feito melhor, de
como fazer da próxima vez e dos motivos que o
levaram a agir daquela maneira. Ou seja, punição não
funciona para educar, se entendemos educação como
entendimento, mudanças, evolução.

  Além de não trazer ensinamentos positivos, a


punição têm resultados negativos, que iremos falar
no próximo capítulo.

  O quarto e último critério para uma disciplina


efetiva é ensinar habilidades sociais e de vida valiosas
para a formação de um bom caráter, que os pais
definem como respeito e preocupação com os outros,
cooperação, responsabilidade, resolução de conflitos
e de problemas.

  Queremos que nossos filhos sejam felizes, mas


também queremos que eles sejam bons pro mundo,
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que se tornem pessoas boas porque entendemos que


isso trará significado às suas vidas e que fará da sua
comunidade um lugar melhor.

   Para além desses motivos, sabe-se que pessoas


responsáveis, conscientes e que possuem boas
habilidades intrasociais, têm mais chances de sucesso
em todas as áreas de suas vidas.
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Capítulo 3
Abordagens permissiva, autoritária e
negligente
15  

  Posicionamos as abordagens disciplinares em dois


eixos, o da firmeza versus o da gentileza, o resultado é
esse:

Gentileza
Alta

Permissividade Disciplina Positiva

Firmeza

Baixa Alta

Negligência Autoritarismo

Baixa

  No autoritarismo, ou na alta firmeza + baixa


gentileza, temos a ordem sem liberdade, falta de
escolhas, temos o "obedecer".
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  Na permissividade,  ou na baixa firmeza+ alta


gentileza, temos a liberdade sem ordem, escolhas
ilimitadas, filhos que fazem o que querem.

  Na negligência parental, temos firmeza e gentileza


baixas, é o pior estilo parental porque a criança ou o
adolescente estão sem rumo, sem cuidados, sem
ordem, sem apego.

  A disciplina positiva está no eixo contrário da


negligência emocional, está no apego emocional.
Significa que teremos ordem e teremos gentileza para
que esta ordem se estabeleça. As escolhas individuais
da criança e do adolescente são cerceadas pelo
respeito a si mesmo e aos outros. 

A atitude dos pais e educadores que escolhem  as três


abordagens é muito diferente: na autoritá́ria, há
controle excessivo, punição e rigidez: "estas são as
regras e essa é a punição que terá se violar as regras".

Na permissiva, não existem regras: "tenho certeza que


nós vamos nos amar e ser felizes e você será capaz de 
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  fazer suas próprias regras no futuro."

  Na negligente, não há regras, não há muito contato


físico nem apego emocional, muito menos gentileza.
Simplesmente não há presença suficiente para que a
ordem ou a liberdade sejam definidos pelos pais.

  Na disciplina positiva,  há apego emocional (que é


diferente de superproteção): as regras são
responsabilidade de todos e definidas em conjunto
sempre que possível, as soluções são o foco e, quando
os pais precisarem usar seu discernimento para
decidir algo, ao invés da agressividade e da rigidez, se
utilizarão da firmeza gentil. As emoções são aceitas e
os comportamentos é que são o foco da solução.
18  

Capítulo 4
Sobre punições e recompensas
19  

  Estamos acostumados a pensar em castigos como


alternativa viável à punição física. Podemos definir
castigos por tirar a criança do ambiente através de
comando, retirar benefícios da criança por ter se
comportado mal ou deixar de dar algo que seria de
direito da criança, incluindo afeto.

  As punições trazem consequências ruins para a


autoestima da criança, como explicamos na regra dos
4 R's da punição:
- Ressentimento: a criança pensa que está sendo
injustiçada e para de confiar no adulto;
- Retaliação: a criança pensa em se vingar e piora o
comportamento;
- Rebeldia: a criança vai querer provar que pode fazer
do seu próprio jeito a todo custo;
- Recuo: dissimulado (mentir para se safar da
punição) ou da autoestima (acreditar que é uma
pessoa ruim).

  Além disso, a punição traz o que chamamos de ciclo


do pagamento: a criança sente que já pagou pelo que
fez e está livre para agir novamente. 
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  Outro grande problema da punição é que ela faz a


criança sentir que errar é ruim e traz sentimentos de
insegurança, timidez, ansiedade. A criança pode
também pensar que se ela não pode errar, é melhor
nem começar a fazer nada que possa causar a
punição. O problema é que a criança ainda não sabe
distinguir direito o que pode ou não fazer e acaba se
acanhando em outras áreas da sua vida também.

  A punição ensina pra criança que ela não pode


demonstrar os sentimentos dela, já que não
explicamos, durante uma punição, que tudo bem
sentir raiva, mas que o que não podemos, por
exemplo, é bater no amigo. A não demonstração dos
sentimentos a longo prazo, pode causar uma imensa
desconexão consigo mesmo, ou seja, não saber
nomear o que está sentindo nem saber como agir
depois de sentir aquilo.

  Outro grande malefício da punição é que não mostra


para a criança que acreditamos que ela tem potencial
para fazer melhor do que aquilo que fez. Não passa a
mensagem que acreditamos neles. 
21  

  Em última instância, a punição tem muito mais a ver


com  afastar o problema ou nos vingarmos pela
criança ter nos decepcionado ou magoado, do que
com mostrar para a criança que ela deveria e poderia
ter feito diferente.

   O maior problema da punição, sendo física ou


castigos, é que ensina para as crianças que quem ama
também machuca deliberadamente, que punição
também é forma de demonstrar amor. Veja, não estou
dizendo que quem pune não ama, muito pelo
contrário, estou dizendo que a criança pode entender
que amor é sofrimento (inclusive físico). 
  
  Outro grande malefício é que o castigo atrela a
consequência diretamente ao adulto que está
aplicando a punição.  Quando o adulto não está por
perto, a criança entende que está livre para fazer o
comportamento. A punição não ensina algo
importantíssimo que é a autorregulação.

  Um dos motivos pelo qual as crianças não respon-


22  

dem mais às punições é porque as falta modelos de


sumissão, isso em última instância é bom: o pai não
está sujeito a uma vida inteira respondendo ao
mesmo chefe, a mãe não está mais sujeita a uma vida
inteira sendo submissa a um homem. A criança reluta
em ser submissa porque basicamente ela não tem na
sua vida um modelo de submissão para se espelhar.
Os tempos mudaram e a educação permaneceu a
mesma.

  A punição física ou verbal, quando recorrente, pode


causar stress tóxico, que se caracteriza por níveis
elevados dos hormônios cortisol e adrenalina no
corpo, com alta chance de transtornos emocionais
sérios a médio e longo prazo.

  Por fim, a punição não cumpre seu objetivo primário,


que é fazer as crianças refletirem sobre seu
comportamento e o modificarem. Por isso as punições
são, em geral, ciclos sem fim.

  Sobre as recompensas, elas são o oposto da punição,


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ou seja: não ensinam a criança ou o adolescente a


colaborarem, participarem e entenderem o que
podem ou não fazer, assim, quando não há
recompensa, não agem de acordo com o que
esperamos deles. Acostumar uma criança a contribuir
com as atividades de casa, por exemplo, focando em
recompensas, além de ter efeito oposto (quando não
houver recompensa ela não irá colaborar), ensina a
criança que ela merece um presente ou um agrado
por fazer o que ela deveria fazer naturalmente,
sentindo que é o correto a se fazer. 

  A recompensa é um certo alheamento da realidade,


por passar a mensagem que merecemos algo quando
damos algo. Isso não necessariamente é verdade.

  Neurocientistas recentemente descobriram que as


crianças são naturalmente empáticas e predispostas a
ajudar, desde que saibamos pedir. Foram além:
descobriram que quando davam agrados pelas
crianças terem contribuído, elas perdiam a motivação
genuína de ajudar. Crianças não precisam de
recompensas para serem colaborativas.  
24  

  A recompensa não ensina senso de pertencimento,


de equipe, não ensina a gostar de colaborar e a fazer
pelo bem comum.

  Existem mais de 50 alternativas à punição e


recompensa na disciplina positiva. Estas ferramentas
incentivam e desenvolvem a autoavaliação, o senso de
pertencimento, a colaboração, respeito às regras, o
foco na resolução e a autoresponsabilidade.
25  

Capítulo 5
Expectativas X realidade
26  

  Quando atendo pais e mães nas sessões de


aconselhamento que faço pela internet, é muito
frequente que me digam que as crianças estão agindo
mal, quando, olhando pela visão do desenvolvimento
infantil, elas estão fazendo coisas perfeitamente
naturais para a idade em que se encontram.

  Somos levados a construir expectativas irreais sobre


crianças de um, dois anos, bebês com cérebros ainda
não desenvolvidos, que precisam da nossa ajuda para
se acalmar, para desvendar o que estão sentindo e os
motivos. Crianças desafiam, crianças têm sobrecargas
emocionais (conhecidas popularmente e
injustamente por"birras"), crianças estão construindo
sua personalidade e começando a entender que são
pessoas, que eles e suas mães não são uma pessoa só.

  Muitos dos problemas que temos com nossos filhos


seriam evitados se efetivamente soubéssemos o que
esperar em cada idade.
27  

  Uma criança de um ano não consegue manipular


seus pais, não da maneira com que acreditam que ela
possa fazer: seus cérebros apenas não desenvolveram
as partes que precisariam para nos manipular de
forma deliberada.

  Crianças pequenas possuem necessidades e não


possuem repertório de fala, ou ainda não sabem
expressar o que estão sentindo. Entendemos aqui que
necessidades não são desejos: uma criança tem uma
necessidade física de fome e desejo por sorvete, por
exemplo. Essa é a diferença.

  Quando bebês, ainda não conseguem planejar como


agir quando sentem uma necessidade. Eles choram e
se jogam quando se frustram porque não entendem o
que estão sentindo e não possuem ainda ferramentas
para nos mostrar. A criança deve ter sempre suas
necessidades atendidas, não estou aqui falando de
desejos.
28  

   Crianças pequenas ainda não desenvolveram a


capacidade cerebral de planejar como agir, de pensar
diretamente em causas e efeitos mais complexos, não
sabem ainda expressar com palavras o que querem e
sentem. Eles simplesmente mostram suas
necessidades da maneira que conseguem.

   Cabe a nós entender que criança sente saudade,


sente falta de encorajamento e toque físico, sente
medo de coisas que ainda não entendem, sentem
frustração e raiva e não sabem ainda como
demonstrar de maneira adequada. Está com os
adultos a responsabilidade de aprender a se acalmar
diante de uma situação que os tira do sério (incluindo
as "birras") e ir ensinando as crianças através do seu
próprio exemplo, como agir diante de emoções
confusas e desafiadoras.
29  

Capítulo 6
Carta aos pais - mudar
30  

   A esta altura, você deve estar pensando em como


fazer para começar a mudar. Toda mudança, do ponto
de vista emocional, tem três fases: a fase em que
fazemos as coisas sem ter consciência de que não é a
melhor maneira, a fase em que percebemos que
fizemos de maneira contrária ao que queríamos
somente depois que já fizemos e a fase em que
conseguimos perceber ANTES de efetivamente fazer a
ação, que PODEMOS FAZER DIFERENTE.

  Esta terceira fase é a fase da inteligência emocional,


onde temos controle do que queremos mudar, ainda
que às vezes façamos diferente do esperado. Quando
isso acontece, o melhor a fazer é entender os motivos
daquela "escorregada" e pensar em soluções para que
não volte a se repetir ou que se repita o mínimo
possível. E o mais importante: se perdoar. Se não
achamos certo colocar culpa e vergonha nos nossos
filhos, também não devemos fazer isso conosco.
  
  Praticar uma disciplina tão diferente do que estamos
acostumados leva tempo, demanda esforço e vontade.

  
31  

   Porém, um conhecimento adquirido nunca volta ao


estado de desconhecimento, ainda que possamos
voltar a padrões antigos algumas vezes.

  Minha mensagem é que nossas crianças e


adolescentes merecem uma educação respeitosa,
baseada em conexão e não em obediência. E que
conseguir isso e criar filhos autênticos, conscientes e
colaborativos é, sim, possível.

  É uma grande alegria e privilégio poder espalhar


essa  mensagem de amor e respeito, te convido a se
juntar a mim nessa empreitada.

Pra conhecer as mais de 50 ferramentas da disciplina


positiva, aguarde as videoaulas em AGOSTO DE 2018.

Informações no instagram @Educação Não Violenta,   


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