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ZÉ BAIANO

O CABOCLO BOIADEIRO

MARGARET SOUZA

Zé Baiano o Caboclo Boiadeiro

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ZÉ BAIANO

O CABOCLO BOIADEIRO

PSICOGRAFIA DE UMBANDA 17ª OBRA MEDIÚNICA

18/02/2007

2018, MARGARET SOUZA

Editor:

Margaret Souza

Produção e Capa:

Margaret Souza Revisão:

Antônio Carlos Martins Lopes

Zé Baiano (Espírito encantado) Zé Baiano O Caboclo Boiadeiro/ Psicografado por Margaret Souza Fortaleza - CE, 2018

ISBN-13:

ISBN-10:

É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, através de qual- quer forma ou meio, sejam eles, eletrônico, mecânico, xerográfico e pelo uso da internet, sem a devida e expressa permissão da autora da obra, Margaret Souza (Lei nº 9.610/98)

Todos os direitos desta edição são reservados pela autora da obra

MARGARET SOUZA Tel.: (85) 9.9606.9053

E-mail:margaretsouza27@gmail.com

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Sumário

Dedicatória

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Agradecimentos

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Esclarecimentos

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Introdução

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No Início

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A linha Dos Baianos

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Uma Hierarquia de trabalho

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Boiadeiros e Légua Boji

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Uma Benção chamada Médium

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Um Poema

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Nomes e pontos de algumas entidades

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DEDICATÓRIA

Dedico esse livro a Mãe Margarida Souza

E a madrinha Ana Célia Paiva

Por elas

Serem parte importante em minha vida.

E por sua preciosa ajuda nessa missão.

Zé Baiano o Caboclo Boiadeiro

AGRADEÇO

Em especial a Deus, Senhor e Criador de todos os dons.

A esse mentor e Guia Zé Baiano.

E ao Caboclo Negro Gerson meu anjo Protetor.

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Zé Baiano o Caboclo Boiadeiro

ESCLARECIMENTOS

UMA ENERGIA CHAMADA ORIXÁ

Uma energia não pode encarnar em um corpo mate- rial na terra, mas pode transmitir sua essência, aos muitos fragmentos gerados por ela, que são suas falanges trabalhan- do com sua essência, uma energia geradora desses mistérios. E isso, se chama Orixá uma fonte de energia geradora de muitos fragmentos na terra.

- Primeiro, nós não somos apenas uma energia, e sim, somos várias energias, somos várias partículas de um Orixá que é o dominante e que está no alto. E ele sim, nunca encar- nou, mas nós, seus súditos, seus auxiliares sim, em um era remota, encarnamos como um ser humano para evoluir nossa fonte geradora, nossa mestra.

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Todos os médiuns tem um selo do Senhor, tem um degrau formado em seu ponto de forças. E viestes a terra para auxiliar sua ala, para ajudar aos muitos espíritos cristalinos que há nessas hierarquias. Porque um Orixá é a fonte gerado- ra dessa energia que circula entre vós, seres encarnados. Mas

Ele precisa que seus agregados venham para a terra evoluir e os auxiliar nessa geração.

Porque, só na terra há as polaridades suficientes para essa geração crescer, expandir-se através da doação, para que as faça subir até ela, a fonte mestra, onde completará essa chama viva de amor.

Mas quando, esse espírito que veio a terra cai, esse mesmo filho, e toda a sua ala fica estacionada, sem condições de evoluir, subir para patamares mais altos. Porque a partícu- la dessa energia que veio a terra para adequar-se, a esses vários polos, como um auxiliar, se fechou, e por isso, não transportará essa energia aos seus muitos irmãos afins, que esperavam ansiosos por isso.

E o seu mentor, seu Guia permanecerá em seu posto,

mas os seus afins que ganhariam essa energia para evoluírem,

continuarão presos nesse degrau, sem conseguirem subir.

O Orixá não veio a terra, mas uma centelha, uma faís- ca sua sim. E quando uma partícula dessa energia maior des- ce, ela usará o nome de seu tutor como carro- chefe. Traba- lhará como se fosse o próprio Orixá, usando, adquirindo sua vestimenta fluídica.

E na verdade, é o próprio Orixá que imanta esse ser

na terra, e sua energia é a mesma usada por ele, seu Orixá. Só

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que esse Orixá permanece em seu ponto de forças, e vocês na terra, exala sua energia, seu amor, através de seus Mentores.

E para todos os lados que andarem para tudo o que fi-

zerem, usarão o nome dessa energia mestra, que ficou em seu ponto de forças, em sua ala mãe.

E Por isso, chamamos nossa essência de Ogum Iara,

Ogum Megê, Ogum sete cristais, Ogum sete Ondas etc. por- que ele é a própria essência desdobrada de seu Guia mestre.

O ser cármico Ogum é o guerreiro que corta com sua lança, o mal. E com a estrela de Oxalá representada pelo branco do cavalo, põe o mal abaixo. Na verdade, o dragão é a energia, a força do mal encrustada nesse ser que representa- va na antiguidade o devorador das forças do bem. Porque na verdade os dragões são do mal e não apenas um animal pré- histórico, e ele está representando as forças ocultas do mal, onde é dominado pelo senhor Ogum. Um guerreiro do bem que trabalha para defender os seres do mal que há na terra.

Porque em nosso plano, não há dragões nem cavalos, isso apenas são forças insanas criadas pelas mentes dos en- carnados. Elas podem Existir em algumas hierarquias com polaridades próximas da crosta terrestre, de onde saem os mestres e mentores de nível terra.

Eu já expliquei em outros ensinamentos, que os seres terrenos tendem a criar fantasias a nosso respeito, e por isso, temos que deixar que eles criem uma forma, nessa energia estagnada, para que possam acreditar em nós. Mas a realida- de é outra, nós não temos esses artifícios da terra, e apenas somos o que somos: energia pura, forças, essências da natu

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reza que descem a terra para cumprir uma missão nesse pla- no da perdição, a terra.

Mensagem explicativa de Ogum Sete Cristais.

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INTRODUÇÃO

Hoje sou só mais um, entre milhões de espíritos as- trais a te dar meu nome, a minha vida. E que, esses maravi- lhosos ensinamentos sirva para o crescimento de muitos, ou apenas de um ou dois filhos, que queiram seguir esse exem- plo.

E os que não quiserem, mesmo assim, que eu possa auxiliá-los, ajuda-los a tentar caminhar mais reto, de agora em diante.

Hoje digo: e quem diz é esse Baiano, esse Caboclo Boiadeiro:

Nada como um dia após o outro, e uma noite para passar, e chegar um lindo sol radiante e claro, depois de uma noite sem luar”.

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Hoje é um dia único para um ser como eu, que nunca imaginou que haveria ainda na face da terra, um dia cheio de graças como esse.

Nós fomos criados por nosso Senhor, e a linha dos Baianos foi criada para trazer as coisas boas para nossos fi- lhos, e essa, é uma linha de arrasta!

Como os vaqueiros que trazem o gado, trazemos também a fartura. E com o laço e o chicote, levamos o mal e a inveja. E com o gibão de couro, que é nossa blusa, e nossa calça de couro nós protegemos os filhos das doenças da ma- téria, e do espírito.

Essa roupagem fluídica que nos foi dada, em forma de uma vestimenta terrena, é apenas um plasma, de uma capa protetora, para os muitos filhos nossos. E apesar de nós ser- mos de direita, nós trabalhamos cruzados com o povo de rua.

Essa é uma hierarquia um pouco recente, e não tem um lugar certo para trabalhar, como os outros mentores da Umbanda, mas é uma linha, que também é de força, para os muitos filhos que trabalham conosco.

E não pensem que somos de baixa vibração, apenas somos do meio como os senhores de Ogum.

E somos da direita, e trabalhamos nas duas polarida-

des, direita, esquerda, e no meio, porque estamos agrupados

a quase todos os mentores da Umbanda para trabalharmos em prol de nossos muitos filhos que moram no nordeste. Porque para os lados sul, não tem muitos adeptos que nos recebem, mas para esses lados de cá, é onde mais necessitam

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de nossa ajuda. E é por isso, que nós trabalhamos nas pontas de linha.

Nossa força é nas incorporações, e não trabalhamos com a vidência, mas com a vibração pura da incorporação.

Porque as vibrações são muitas, e serve muito a quem só tem ela como caminho.

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NO INÍCIO

Que a paz esteja com todos.

Hoje serei eu, a dar, a deixar a minha mensagem pa- ra os muitos, e ao mesmo tempo, tão poucos filhos que há neste universo terreno.

Eu sou Boiadeiro, o “dono dos campos e dos reba- nhos”, e não me prenderei em falar de minha vida terrena, pois ela não é muito útil ao aprendizado dos filhos. Eu apenas quero aproveitar ao máximo, estas horas maravilhosas que o Criador me concedeu.

Sou um Baiano, mas um Baiano só na hierarquia dos caboclos, Porque nossa sina, nossa história começou nas caa- tingas dos sertões de Pernambuco, onde fomos cultuados pelos vaqueiros e por seus filhos, os muitos filhos de fé que existe neste imenso sertão nordestino.

Nessa época, tudo era muito remoto, e essa tal de capital, não existia. Só se tinha uma província maior, e os ou- tros lugarejos é que apenas formavam uma grande nação.

Zé Baiano o Caboclo Boiadeiro

Mas esse monte de lugarejos e cidades que se tem hoje, não existia.

É por isso, que, os muitos lugares que se tinha ontem,

não se têm hoje; e por causa das muitas mudanças, está tudo muito dividido, tanto que o próprio povo se perde em meio a tantos nomes, e a tantas coisas desnecessárias.

Nós só existíamos como os

vaqueiros, o povo que tomava conta do gado, e que vestia

seus gibões de couro, e saía por esse mundão de Deus.

Assim, é que foram criados os Baianos, os vaqueiros que descem nas tendas, e que beneficiam a milhares de espí- ritos, tanto encarnados, quanto desencarnados. Fazendo suas giras de levante e de cura. Sim, porque as giras de Boiadeiros, tanto servem para levantar, como para curar.

Mas nós estamos sendo tão mal interpretados! Pois tudo gira apenas em torno de beber e fumar. Mas não é só para isso que serve nossas giras! Isso é apenas o que o povo sabe, porque nossas vidas foram fechadas até hoje, ao conhe- cimento dos filhos.

Mas agora, meu Senhor nos permitiu abrir mais essa página para a sabedoria da humanidade, para ver se eles en- contram o caminho da salvação. Sim, porque o mundo está caminhando para o suicídio, o caos está sendo mantido, e a cada era que se passa tudo se torna mais denso, mais pesado.

Os seres humanos não se preocupam mais com seus Anjos Guardiões, e todos apenas se preocupam “com suas caras”, com seus corpos, se eles estão com rugas, se estão velhos; se estão esticados ou enrugados, ou se são gordos ou magros.

E nós os Baianos? Ah

E isso é muito triste para nós espíritos.

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Imaginem como é triste para um Anjo Guardião, vê que seu filho só se preocupar com sua aparência exterior, e nunca se lembra de sua alma, que é o seu Anjo Guardião.

E quanto mais esse povo se afastar das coisas espiri- tuais, de seus Anjos, e de meu Senhor, aí e que tudo ficará de cabeça para baixo, e a desgraceira ficará maior! Pois quase todos só se ligam, só pensam na matéria. E o espírito que os sustenta na caminhada evolutiva da terra, esse eles nuca sa- bem agradar.

meus filhos, tudo isso que está acontecendo é

muito triste, é triste ser esquecido por nossos filhos.

Nós fomos criados por nosso Senhor, e a linha dos Baianos foi criada para trazer as coisas boas para nossos fi- lhos, pois essa é uma linha de arrasta!

É ,

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A LINHA DOS BAIANOS

Como os vaqueiros que trazem o gado, trazem tam- bém a fartura, e com o laço e o chicote, levamos o mal e a inveja. E com o gibão, que é nossa blusa e a nossa calça de couro, nós protegemos os filhos das doenças da matéria, e do espírito.

Essa roupagem fluídica que nos foi dada, em forma de vestimenta terrena, é apenas um plasma, de uma capa prote- tora para os muitos filhos nossos. E apesar de nós sermos da direita, nós trabalhamos cruzados com o povo de rua.

Nós somos da direita, mas traba-

lhamos do lado do povo de rua, pois nós somos de nível terra espírito. Essa hierarquia fica próxima da terra, e é junto com o povo de rua, que nós desmanchamos e derrubamos o mal que sempre ronda a matéria de nossos filhos.

Nós trabalhamos na direita, mas somos aliados ao povo de esquerda, e juntos, nós vencemos as coisas ruins que mandam para as matérias de meus filhos.

Eu sou Boiadeiro, o Caboclo Boiadeiro, o Baiano Bom, que arrasta as coisas boas para os filhos.

Deixe-me explicar

Zé Baiano o Caboclo Boiadeiro

_Baiano bom, Baiano bom,

Baiano bom, é que sabe trabalhar;

Baiano bom, é que sobe no coqueiro;

Tira coco e bebe a água,

E bota coco no lugar

E é assim que trabalham os Baianos, e os filhos de légua Boji.

As linhas de Baianos ou Boiadeiros são linhas de direi- ta; e o povo de légua Boji, cruza a linha dos Baianos com o povo de esquerda.

São duas linhas parecidas, nos pontos cantados, mas são duas hierarquias diferentes.

Os Baianos são de linhas de direita, e o povo de légua Boji é cruzado com o povo de esquerda.

Essas linhas são muito misturadas, e ninguém sabe ao certo, até hoje, como elas funcionam realmente.

Mas graças ao Criador, hoje já podemos esclarecer, e botar tudo em pratos limpos. Porque hoje, as coisas estão mudadas, e logo todos nós poderemos esclarecer tantas dúvi- das, tantas marmotas que fizeram com nossos mundos, com nossas vindas, nas Searas.

Se todos trabalhassem com afinco, não haveria tantas besteiras na face da terra.

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Zé Baiano o Caboclo Boiadeiro

Mas a maioria não se dedica, e quando o Criador vos dá uma centelha de sua infinita sabedoria, eles já se sentem engrandecidos, e botam tudo a perder com suas mentiras.

E assim, o Criador tira essa centelha deles, e eles, para

provarem que são sábios, continuam, mas a inventar o que vem em suas mentes insanas. Pois o dom, aquele maravilhoso dom, a centelha que o Criador tinha lhes dado, essa não exis- te mais.

E eles, sem ter assunto, começam a esticar as coisas, e a criar tantas insanidades

Nas caatingas do sertão está fincado o tronco de lé- gua Boji, e o tronco dos Baianos, os Caboclos e as Caboclas da linha de légua. Que são espíritos acoplados a essa hierarquia. E nem sempre, na maioria das vezes, nós somos realmente Baianos, e sim, apenas espíritos com garra de lutar e batalhar por uma vida melhor para nossos filhos.

É por isso, que nós nos juntamos as várias correntes,

com quem nos afinisamos, para trabalharmos em benefício do

bem maior, do amor e da caridade.

E assim, nós saímos no “lombo de nossos cavalos”, com nosso gibão de couro, nossa calça, nosso chicote, e o chapéu de couro para vos proteger do sol, e o chicote para defendê-los dos maus feitores.

E assim, no “lombo do cavalo”, ou a pé, no meio do imenso “rebanho”, nós os levamos adiante, na caminhada da vida.

O gado dos Boiadeiros é simbólico, assim como o Pois o gado, o rebanho, são os muitos filhos que nós

cavalo

temos nesse mundo; e o cavalo, somos nós no lombo dos ini- migos, para dominarmos o mal que neles habitam.

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Na verdade, “Boiadeiro” é um nome ocultador, para ocultar as verdadeiras hierarquias do povo Baiano, dos Boia- deiros, e do povo de légua Boji, que trabalham nesse pata- mar.

E é por isso, que nos foi dado um nome simbólico, pa- ra que, travestidos de Boiadeiros, tomem conta de seu “gado, de seu rebanho”. E assim, que nós possamos realmente do- minar cada um dos rebanhos que nós temos, e que são nossos muitos filhos que existem na face da terra.

Nós os Baianos somos uma hierarquia na linha de Oxalá. Somos regidos pelas estrelas cristalinas de Oxalá de nível terra, para auxiliar os filhos.

Nós usamos nossos laços, laçamos o mal e o soltamos longe dos filhos. E laçamos, seguramos o bem.

_Pega o laço e solta o laço,

Sou vaqueiro do laço

Pega o laço e solta o laço

Eu sou vaqueiro do laço

Légua que arrasta; Légua que domina; légua que trás o que é bom, é quem trás a fartura para quem trabalha sem- pre em benefício do bem, do amor e da caridade.

Eu sou Baiano, da estação da Leopoldina; onde traba- lho em benefício do bem, do amor, e da caridade.

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Zé Baiano o Caboclo Boiadeiro

Eu sou baiano da estação da Leopoldina,

Venho encarrilhar o boi, e levo pra Minas Gerais,

Ô mineiro ê, ô mineiro á!

Eu pego o boi e levo pra Minas Gerais

Nós trabalhamos juntos para levantar e auxiliar, os muitos filhos que estão neste mundo, que estão na terra. E nós os protegemos e os auxiliamos no que for preciso.

E sempre nós lutamos para arrastar o amor, a fartura para todos os que lutam e trabalham. Nós não damos nada de graça nas mãos de ninguém, mas sempre procuramos ajudar da melhor forma.

E nunca damos nada, sem que os filhos realmente mereçam. Pois é através dos ensinamentos, do trabalho ár- duo, que conhecemos quem realmente precisa, e quem real- mente trabalha em prol dos seus irmãos na carne.

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UMA HIERARQUIA DE TRABALHO

Nós os espíritos, nunca estamos inativos, nós sempre estamos atuando em prol dos mais necessitados. E nunca estamos totalmente a mercê do tempo, pois tempo, é o que não nos falta aqui no encanto. E sempre, nós estamos lutan- do, perseverando em prol das causas de nossos filhos, pois vocês estão sempre em nossas mãos, e não é preciso, procu-

rarmos muito para sabermos onde estão que o Criador nos deu.

Nós não precisamos procurar por vocês, por que os fi- lhos estão sempre precisando de nós, com suas questões difí- ceis. E estão sempre precisando ser defendidos do mal que assola a face da terra.

Por isso, o Criador nos mostra todos eles de uma úni- ca vez. E é por isso, que nós sempre sabemos o que eles estão realmente necessitando. Porque aqui, nós não temos só o ontem, nem só o presente, que é hoje, nós temos o ontem, o hoje, e o amanhã como se fosse tudo hoje, e sem que nós precisemos nos mover para qualquer lado.

E isso, é um dom

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E isso, é uma dádiva do Criador! Pois quando nós vi- sualizamos os filhos, nós os vemos por dentro e por fora. Os vemos límpidas ou obscuras, as suas auras.

E assim, através disto, nós vasculhamos seu interior

em questão de milésimos de segundos, e agimos em seu fa-

vor.

Muitos filhos não sabem disso, e fazem tantas bestei- ras, pensando que nós não sabemos o que eles fizeram. E quando eles adentram a Seara, nós os vemos escuros em suas auras, e os seus reflexos, passam a sua frente, nos mostrando seus passos tortos.

E isso, é um dom, uma dádiva que nos foi dado, para

conseguirmos sempre trabalhar nos casos certos dos filhos.

Vocês já pararam para pensar, se nós tivéssemos que sair procurando os problemas de cada um de nossos filhos? Quanto tempo nós não levaríamos para poder sanar o mal, que por ventura tivesse atrapalhando esse filho?

E quanto tempo ele teria que esperar para que seu problema fosse resolvido?

É por isso, que nosso “Criador tem desígnios, que nós desconhecemos”. E onde tiver um filho necessitando de nossa ajuda, nós já sabemos, e atuamos sempre em cima de sua aflição mais aguda. Por que sempre, os espíritos encarnados têm vários problemas críticos, para serem resolvidos ao mes- mo tempo.

E isso, dificultaria um pouco o nosso trabalho, mas se

não tivéssemos essa centelha, essa misericórdia do Criador, que nos faz agir, em vários pontos, em vários polos ao mesmo tempo, como se fosse um mesmo polo, mas com filhos dife- rentes.

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E isso, nos faz estar em vários polos, de vários seres ao mesmo tempo.

É essa a diferença dos encantados, para os espíritos, os espíritos desencarnados. Pois esses espíritos não têm essa centelha que o Criador nos deu. E eles precisam de nós para agir. E não são como nós, que estamos aqui, ali e acolá no mesmo segundo.

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BOIADEIROS E LÉGUAS Boji

Boiadeiro e légua, Légua e Boiadeiro, são duas linhas de amplo trabalho, nas hierarquias de Oxalá e Iemanjá. E mesmo que não pudermos trazê-la à tona, nós já temos mui- tos ensinamentos para deixar para os filhos.

Vocês devem estranhar como isso funciona, não é? Mais é assim mesmo.

Tudo na face da terra tem Seu intuito, Sua sabedoria. E Seus caminhos são traçados para caminharmos sempre adi- ante. E mesmo que alguns filhos queiram caminhar, queiram mudar seus caminhos, para os caminhos errados, nós sempre tentamos ensinar-lhes o bom, o melhor caminho.

Agora, se o filho endurece, fecha o seu ouvido,

o seu coração, então nós o deixamos “quebrar a cara”, para ele ver com quantos paus se faz uma canoa.

Mas mesmo assim, mesmo quando tentamos mostrar isso a um filho, e este, faz seu ouvido de mercador, então nós lavamos as mãos e o deixamos seguir por caminhos escusos.

Alguém já viu uma linha de Boiadeiros brincando, ou só dançando? NUNCA!! Não é meus filhos? Porque essas são linhas que estudam e que dão sustentação a muitos seres encarnados.

A vida terrena é cheia de altos e baixos; cheias de muitas tristezas e de poucas alegrias, mas quem trabalha em prol dos menos favorecidos, merece trilhar um caminho liso e sem muitos altos e baixos. E é nisso que, nós os sustentamos até que cheguem a uma calma e tranquila caminhada.

_Eu sou um Vaqueiro nobre,

Das caatingas do sertão

Ponta de ouro, e flecha de aço,

Ponta de ouro e que vence o embaraço.

Eu sou um Guia de paz,

E eu, sou quem corre gira, ponta de ouro e flecha de aço, ponta de ouro é que vence o embaraço.

Nas caatingas do sertão,

No meio do sol e da mata escura;

Zé Baiano O Caboclo Boiadeiro

Nós giramos no mar,

No universo, nos rios e nos campos;

Giramos nas encruzilhadas,

As abertas e as fechadas,

Para dar aos filhos, proteção e fortaleza.

Agora, abriremos mais uma página inédita, para que os muitos filhos, os muitos sabichões aprendam que, “uma magia não se aprende”, pois tudo em magia, tudo é uma in- cógnita na face da terra. “E quem pensa que sabe muito, não sabe nada, e quem diz que não sabe, é aquele que realmente sabe”.

Porque, quando se quer enfeitar e aumentar, seja lá o que for, nada sai do lugar. E quando se quer se dar, se doar, quer se envolver do fundo da alma, aí é que a coisa se expan- de tanto, a ponto de deixar qualquer um com os olhos cheios de inveja.

Mas quando uma coisa, uma ideia flui naturalmente, e que, quem a tem, não sabe realmente a grandeza do que isso é, e acha que é simplesmente, tão pouco, que não se dá conta da intensidade, do brilho que tem, que de tão cintilan- te, deixa qualquer um com os olhos ofuscados, diante de tan- to brilho, de tanta formosura.

Obrigado Pai e Senhor do Universo, por me permitir também deixar a minha mensagem.

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UMA BENÇÃO CHAMADA MÉDIUM

Sou um espírito acoplado a esta hierarquia por meu Criador, para que possa trabalhar auxiliar meus filhos e meus irmãos na carne. Pois aqui também, nós temos vários espíritos que ainda precisam de apoio para seguir adiante.

Nossa hierarquia começa no mar e se expande até as caatingas das matas e do sertão.

Eu sou um jovem rapaz, que desde cedo foi muito provado pelo Criador, mas que sempre lutou para dar conta do recado.

Quando parti da terra, eu ainda era muito jovem, e resolvi continuar com essa aparência, por gostar de ser jovem. Porque os jovens são alegres e sonhadores.

Já os mais velhos, eles são mais sisudos e fechados, e são difíceis de lidar.

E é assim que sou, pois sou alegre e viril. Sou um espí- rito manso e cheio de amor para dar, o amor incondicional,

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que abrange que se espalha por onde ele passa, e contagia a quem se encostar próximo a ele.

Esse amor é o amor das almas Cristalinas, o amor puro dos Anjos do Senhor do Universo.

E é nessa hierarquia que nós começamos, e depois

descemos até as alas de evolução no próximo patamar da hierarquia das encruzilhadas.

As hierarquias que existem, e que ligam os canais da terra com o astral, são as fabulosas correntes mediúnicas. E isso é a coisa mais fantástica da face da terra.

Eu não creio que todos saibam do que estou falando, pois isso, que vou mostrar-lhes nestas linhas, pois ainda não foi aberto para o plano material.

Aqui, nós temos alas enormes de seres que querem se comunicar com os filhos da terra. E se vocês os vissem, na certa teriam medo deles, porque são tantos, que até nos dá um pouco de medo ao olhá-los também.

Mas eles são todos inofensivos, e são muito carismá- ticos, e adoram tudo o que vem da terra.

E é por isso, que cada vez mais, será preciso muitas

horas, ou milhares de dias para que se conclua o que todos

querem. E eles apenas querem ser ouvidos, ou entendidos, para que possam se comunicar e passar suas mensagens.

As várias camadas que compõem a terra são as várias camadas que compõem essas alas; e elas são a prova de ruí- dos, pois apesar delas ficarem bem próximos da terra, quando lá entramos, para resgatar algum dos seres que lá vivem, ao

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entrarmos em suas dependências, nós isolamos totalmente os ruídos que os seres da terra estão fazendo.

É fantástico! Como um dom consegue atravessar es-

sas várias camadas e vir nos captar. É incrível, como eles con- seguem manter-se isolados do mundo, e ao mesmo tempo, conseguem se comunicar sem que precisem sair de lá.

É fascinante a mente dos seres encarnados! É fasci- nante um dom aflorado, é simplesmente magnífico!

É excepcional a mente de um ser quando desdobra-

da com um dom mediúnico, com o dom da clariaudiência, por exemplo. Esse dom consegue transpassar as várias camadas que existem aqui, e passam os ensinamentos para os filhos, como se fossem fios elétricos. Quase como uma verdadeira teia elétrica, que ao tocá-la ela solta faíscas para todos os lados, mas ela permanece ali, e fica a espera de mais mensa- gens.

E não pensem que essa mente se cansa facilmente.

Não e não! Ela apenas da vazão a essas energias que os seres

encarnados têm demais, e que não dão os devidos valores a ela.

E aqui, nesta imensidão de alas, nessa distância toda,

nós conseguimos captar essas energias afins, ao pensarmos

em algum ser que vive próximo de nós, como os espíritos.

E quando esse pensamento se cristaliza, e que eles abrem suas mentes e captam essas energias que os deixa tão felizes, e que, ao chegarmos mais próximo deles, nós chora- mos de felicidade.

E é por isso, que é os dons são muito caro.

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Agora, falaremos de outra hierarquia, que também são de nossos domínios.

Nós já falamos das alas de evolução espiritual, e ago- ra, desceremos mais um pouco, e chegaremos às alas densas, que são dos seres com vários débitos pesados, que ocupam essas alas.

E essas são alas de tratamento espiritual pesado, pois sua atmosfera é pesada, e seu ar é denso. E não há tranquili- dade nessas alas. Lá, os espíritos sofrem muito, e eles sugam as energias de quem se aproxima de lá.

Existem seres que sofrem em total submissão de suas forças. E eles são colocados ali, por terem atentado contra a própria vida. E esses são os seres que se mataram ou que mataram seu semelhante.

A vida é uma dádiva dada a nós, e não podemos cor-

tá-la, tirá-la de circulação, ou simplesmente aboli-la, pois ela tem um dono, tem um ser que se direciona com essas vidas, que Ele põe na face da terra. E é a partir daí, que tudo começa

a surgir.

Um espírito vem à carne, desce para a terra e entra em um corpo material, e começa uma nova etapa em sua vida. E até que se extinga o prazo dos dias que ele ganhou para cumprir sua missão na terra, ele fica acondicionado a ela,

e tem que zelar por seu veículo, que é o corpo, até que se

extinga esse prazo. E antes desse prazo, desse período que foi lhes dado, não se pode findar com sua vida.

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E se ele tirá-la, com isso, ele ao invés de dizimar seus

débitos, o espírito adquirirá novos débitos, e só depois de algum tempo, ele ganhará nova chance de quitá-lo.

O Criador tem desígnios, que não nos compete ques- tionar, se é certo ou não, ou se estão em linha reta. E só nos compete acata-las e segui-las sem questionar.

Nada acontece ao acaso, tudo tem uma razão de ser, tem um fundamento correto. Portanto, não os questione, filhos, ergam suas cabeças, e não chore pelo que você não compreende. Pois o choro e a decepção, por qualquer que seja o problema, faz com que ele se torne maior, com propor- ções maiores para seu futuro.

E quando então, passar essa fase crítica, vocês verão

que tudo era necessário, para que vós descobrísseis outra razão, um pouco mais séria, que necessitava de vossa aten-

ção.

São assim, os caminhos dados pelo Pai da Criação. E ele nos dá um problema, para nós o superarmos, e através desse obstáculo, Ele nos testa e nos dá sua nota de evolução.

Há casos, em que um ser, em uma simples prova, põe tudo a perder. Às vezes, ele põe fora, anos, séculos e mais séculos de muitos aprendizados e de muitas vitórias, mas com apenas um simples teste, ele põe tudo a perder, por causa desses questionamentos, ou por querer saber, querer inter- pretar Seus desígnios, o que Ele não nos permite.

Por isso, sigam seu curso, sigam por essas linhas si- nuosas, mas em caminhos retos, em comunhão de pensamen- tos e atos, para que passes por esses testes com sabedoria.

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Zé Baiano O Caboclo Boiadeiro

Tirem proveito nos ensinamentos dessas horas de angustias, de aflição, e com momentos únicos de muitos aprendizados, com muitas fazes de crescimentos. De pular vários degraus de uma só vez, de um só pulo, e poder passar, de um ser encarnado a um ser superior astral ainda na carne.

E isso, é um mérito que ninguém até hoje na face da terra, conseguiu chegar. Ninguém conseguiu ser um espírito astral ainda na carne, ainda tendo um corpo material.

Pois uma dádiva dessas é para ser comemorada e não questionada.

Os seres ao detectar um problema, não deviam se enervar, e sim, pedir paciência, benevolência ao criador. E depois, sem questionar, sem querer saber o porquê das coi- sas, se curve em orações ao Pai maior.

Hoje findaremos nosso trabalho, essa pequena grande biografia, que me fez o espírito mais feliz, o mais sábio, o mais importante ser da atualidade.

Obrigado por esses momentos únicos de tanta entre- ga e tamanha comunhão.

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Zé Baiano O Caboclo Boiadeiro

Um Poema

Nas caatingas duras do sertão, no lombo de um cava- lo.

Ou no caminhar de um pé, sem sapatos. Mas com o corpo coberto por um céu, Por um universo em flor.

Banhado por lindas estrelas, E cintilante estrela Guia.

Que nos enche de brilho e de sabedoria, com um sim- ples olhar, um simples caminhar, por entre os muitos espi- nhos que há nos cactos do sertão.

Mas como uma doce flor do campo, que exala seu perfume e deixa macio, o duro espinho, e o seco chão do de- serto. E com suas cores, que cintilam no mundo dos encarna- dos, astral e terreno.

Que bela flor do campo!

Que a paz fique.

E até outra aurora, quando o Criador assim me permitir.

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Alguns nomes e Pontos cantados Léguas Boji e Boiadeiros

Zé Baiano Mariano Légua Mané Légua Tereza Légua Joana Gunça Maria José Etc

1-

Tereza Légua tu sabe beber Tereza Légua tu sabe fumar (bis) Tereza Légua tu pega teu laço, que eu quero ver se tu sabes laçar (bis)

2-

Seu Mané Légua Não bebeu nada Seu Mané Légua Não bebeu nada Pois na última sexta feira Bebeu sete garrafadas (Bis)

3-

A igreja de Juazeiro Tem vinte e cinco janelas (bis) Cada janela um cruzeiro Cada cruzeiro uma vela Não vou dizer o meu nome Para saber respeitar Meu nome é Pedro Paulo

Filho de Légua Buá

4-

Seu Légua no caminho vem gente

No caminho vem gente, e eu quero passar, (bis)

Baiano quem te mandou foi Deus, Nunca vi tanta destreza, Baiano pra trabalhar nesse terrei- ro

Baiano, Baiano, seu chapéu de couro, (bis)

Na cidade da Bahia ele é Boiadeiro

Seu chapéu de couro, ele é Boiadeiro (bis)

Saudações: “Xetruá”, “Marumbaxetú”, “Xetuá Boia- deiro” ou “Ôh Boi!”

Comidas: Raízes, cana, churrasco, frutas, etc

Zé Baiano o Caboclo Boiadeiro

Bebidas: Cerveja branca, vinho, cachaça com mel, etc.

Fumo: Charutos, cigarro de palha.

Objetos de trabalho: chicote, laço.

Objetos de vestimenta

: Chapéu, capa, corda, etc.

s Seu boiadeiro por aqui choveu Seu boiadeiro por aqui choveu Choveu que água rolou Foi tanta água que seu boi nadou Foi tanta água que seu boi bebeu Seu boiadeiro Foi tanta água que seu boi nadou

2-

Mas ele veio pelo rio de contas Vem caminhando pela aquela rua Olha que beleza Seu boiadeiro no clarão

3 -

Boa noite meus senhores Boa noite meus senhores Dai licença para um cavaleiro Dai-me licença para um cavaleiro Eu moro em mata serrada Eu moro em mata serrada O meu nome é caboclo

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Zé Baiano o Caboclo Boiadeiro

9

-

Oh lá nas matas Lá da Jurema Oh lá nas matas Lá da Jurema

É uma lei severa

É uma lei sem pena

Vaqueiro

Boa noite meus senhores Boa noite meus senhores Dai licença para um cavaleiro Dai-me licença para um cavaleiro Deus nos salve casa santa Deus nos salve casa santa Onde Deus fez a morada Onde Deus fez a morada Boa noite meus senhores Boa noite meus senhores Daí licença para um cavaleiro Dai-me licença para um cavaleiro

Onde mora o cálice bento

E

a hóstia consagrada

E

a hóstia consagrada

4-

Cadê minha corda De lança meu boi

O meu boi fugiu

Eu não sei pra onde foi

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Zé Baiano o Caboclo Boiadeiro

5-

Toma lá vaqueiro Toma jaleco de couro Toma jaleco de couro Na porteira do curral

6-

Na minha boiada me falta boi Oi me falta um ou me falta dois Na minha boiada me falta boi Oi me falta dois ou me falta três

10-

Em cima do meu lajedo Eu bebi água no gravatá Sou boiadeiro Eu bebi água no gravatá Sou gentileiro Eu bebi água no gravatá.

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