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Dorina e o Doutor

Sabrina Jeffries
Sinopse

O Dr. Percy Worth acha a jovem viúva Dorinda Nunley arrebatadora,


cada vez que a vê na casa de seus primos, o Duque e Duquesa de Lyon. Mas
ele imagina que uma flor de estufa da sociedade daria uma esposa de
médico terrível. Ainda assim, quando ela entra em sua residência uma
manhã encontrando-o meio vestido, ele fica tão fascinado quanto
surpreendido pela intrusão.
Embora Dorinda esteja zangada quando percebe que eles são vítimas da
duquesa casamenteira, Percy sugere que ensinem à duquesa uma lição
fingindo se cortejar, e depois rompendo espetacularmente no jantar do
duque naquela noite. Mas depois de um dia juntos — e uma queda muito
quente na cama —eles percebem que se adequam um ao outro muito melhor
do que jamais sonharam. Agora irão para frente com seu plano? Ou
abraçarão a farsa que se tornou muito real?
1

Cedo em uma bela manhã de segunda-feira, a Srta. Dorinda Nunley deixou-


se entrar através da porta lateral da moradia do Dr. Percy Worth, a qual ele
alugava de um parente distante de Dorinda, o Duque de Lyons. Lisette, a nova
esposa do duque, a enviara com a chave até ali para colocar o lugar em ordem
enquanto o médico estava fora da cidade, mas ainda assim parecia
estranhamente íntimo invadir sua propriedade.
Pelo menos ela não estava entrando nas áreas de estar. Esta parte era o
consultório dele, embora aparentemente ele não atendesse os pacientes nele.
Não havia necessidade, pois todos eles eram membros da alta sociedade,
nada surpreendente para um médico que atualmente era a celebridade de
Londres.
Depois de tirar seu chapéu, Dorinda colocou-o em cima de uma cômoda
próxima e examinou o local. É claro que o homem passava pouco tempo ali,
ou então como poderia suportar tal desordem? Havia caixas parcialmente
desempacotadas desde quando ele fixou residência há oito meses, depois de
anos como médico de um navio. Um esqueleto completo caía sobre uma
cadeira, e frascos e ampolas estavam misturados em cima de uma mesa como
se ele a vasculhasse sempre que precisava de algo.
Bem, depois que ela tivesse terminado com este lugar, ele nunca teria que
sair a caça por algo novamente. Ela odiava admitir, mas estava secretamente
ansiosa para se tornar útil para ele. Embora ela não gostasse de médicos como
regra, ele não era nada, exceto amável com ela, e por isso ele merecia ter um
lugar de trabalho organizado. Mesmo que a fizesse lembrar-se de uma fase
difícil de sua vida.
Endireitando seus ombros, ela se dirigiu para a mesa e quase tropeçou em
uma bolsa preta. Ela a olhou fixamente. Parecia aquela que ele às vezes
carregava quando vinha ver como a duquesa estava passando sua gravidez.
Mas por que ela estaria aqui? Ele deveria estar...
Nesse momento, a porta se abriu e a consciência clareou. Antes que ela
pudesse grunhir um aviso, o bom doutor entrou na sala, vestindo apenas um
robe meio aberto e um par de ceroulas.
Ele parou de repente, seus olhos castanho-escuros se arregalaram.
—Senhorita Nunley?
Oh Deus oh Deus oh Deus. —Bom dia, Dr. Worth —, disse ela bobamente.
O céu a ajudasse, ela nunca tinha visto o médico em roupas de dormir. Ela
nunca o tinha visto de mangas curtas. Ela sempre achara o médico muito
atraente com aquela mandíbula finamente esculpida e a boca expressiva, mas
ela nunca tinha imaginado o que havia por baixo de suas roupas.
Voluntariamente, seu olhar varreu para baixo parando em seu peito cinzelado,
em seu estômago magro e na linha fina de cabelo que seguia para baixo ate...
Ela levou seu olhar mortificado acima para encontrar o dele surpreendido.
—O que você está fazendo aqui? —Ela perguntou.
O divertimento saltou em seu rosto enquanto discretamente fechava seu
robe. —Eu moro aqui. E você?
Isso não poderia estar acontecendo! —Sua Graça disse que você iria ao
campo para auxiliar uma condessa em seu parto —ela balbuciou. —Você não
deveria estar aqui!
—E é essa a razão pela qual você se sentiu livre para vir aqui e dar uma
olhada? —Ele perguntou com um sorriso travesso no canto da boca.
Para seu horror, suas bochechas coraram como uma colegial insensata.
—Não seja absurdo. —Mas ela era a absurda. Ela nunca deveria ter vindo tão
cedo. Ela deveria ter batido. Não deveria ter sido apanhada olhando para um
homem seminu.
Especialmente este homem seminu em particular. Ela tinha passado muito
tempo do seu casamento de sete anos suportando os arrogantes médicos que
seu marido tinha incumbido de curar sua “esterilidade” para achar um médico
remotamente atraente. No entanto, ela tinha conseguido, e o fazia por meses
agora. Era muito importuno. E quando o olhar dele se deteve em sua boca,
fazendo-a engolir duro, ela queria se virar e fugir.
Ou ficar quieta e deixá-lo pegá-la. Ela fez uma careta. Que pensamento
ridículo! Ele não estava interessado em “pegá-la”. Estava? Então ele ergueu
seu olhar de sua boca, e ela amaldiçoou sua estupidez. Ele queria uma
explicação, é claro.
—A duquesa tem sido tão gentil comigo desde que Edgar morreu que
perguntei se ela precisava de ajuda com algo e ela me enviou aqui para ajudar
a organizar seu consultório. — Ela disse que se ofereceu para fazê-lo enquanto
você estava fora da cidade, mas agora sei que ela não poderia se dar conta.
Dr. Worth franziu o cenho. —É estranho. Ontem mesmo enviei a Sua Graça
uma nota dizendo que tive que cancelar minha viagem porque o bebê da
condessa tinha chegado mais cedo. A duquesa também respondeu, convidando-
me para jantar esta noite. Gostaria de saber por que ela...
Quando ele começou uma gargalhada, Dorinda ficou boquiaberta.
Com os olhos brilhando, ele cruzou os braços sobre o peito. —Parece que
Sua Graça está bancando à casamenteira —. Ela está cansada de me dizer que
só preciso de uma esposa e agora está tentando me arranjar uma.
—Mas… mas… Quero dizer, certamente ela nunca...
—Enviaria você aqui no início da manha, quando ela sabia que eu estava
em casa?
—Você não pode culpá-la pela primeira hora —, disse ela ruborizando.
—Eu pensei que você tivesse partido e eu não sabia quanto tempo precisaria,
então vim cedo.
—O ponto é que ela deliberadamente nos uniu. —Ele empurrou para trás
uma mecha de cabelo que era tão grosso, liso e preto como seu próprio cabelo
era fino, encaracolado e loiro, então lhe deu um olhar arrebatador, bastante
aquecido. —Por razões óbvias.
Quando o olhar fez com que seu pulso agitasse como um turbilhão, ela
endureceu. —Não posso acreditar. —Lisette sabe que não tenho nenhuma
intenção de me casar novamente. —A menos que fosse com um homem que não
quisesse filhos. Certamente nunca com um médico de futuro, provavelmente
buscando começar uma família.
Não importa o quão bonito ele podia ser. Ou o quanto ele a recordasse que
ela não tinha compartilhado a cama de um homem há algum tempo. O Senhor a
ajudasse.
—Ah —, ele disse com firmeza, mas uma mulher iniciante no amor ignora
tais declarações. — A duquesa está tão feliz que não consegue imaginar que
outra pessoa não queira o que ela tem.
—Ainda assim era muito errado e presunçoso. —Ela suspirou. —Só
preciso ser mais firme com ela. Ela e o duque foram tão gentis comigo que eu
queria fazer o que pudesse para retribuí-los. Mas… isso é…
—A gratidão só se estende até ai—, ele terminou para ela. Seu olhar a
varreu novamente, com uma consciência que a fez se sentir nua. Até que
endureceu e voltou para encontrar o dela com a habitual arrogância legal de
um médico. —E a bisneta de um duque não precisa se rebaixar para se casar
com um filho mais novo de um comerciante de seda.
A sugestão de orgulho defensivo em sua voz atingiu um acorde nela. Eu sou
uma viúva destituída, senhor —disse calmamente. —Se algo sou muito pouco
para um homem de grande renome como o seu. E eu não seria uma boa esposa
para qualquer homem, dada…
Não, ela não podia falar sobre isso com ele, de todas as pessoas. —De
qualquer modo, se eu tivesse alguma ideia do que Lisette realmente estava
planejando, eu nunca prosseguiria com isso. Na verdade, eu não quis impor a
você nem mesmo este momento. Perdoe-me, senhor.
Ela se virou para a porta, mas antes que ela pudesse alcançá-la, ele disse:
—Espere.
Aquela palavra enviou uma emoção abaixo de sua coluna que ela não sentia
desde os dias em que Edgar a cortejara. —Sob as circunstâncias, eu
provavelmente deveria ir.
Ele se aproximou. —Ela vai tentar de novo —. A duquesa pode ser teimosa
em 'ajudar' seus amigos. E ela tem um ponto fraco com você. Suspeito que
você a lembre de sua mãe, que foi igualmente abandonada por um lorde
negligente.
Dorinda não tinha pensado assim. Tudo o que sabia era que Lisette insistira
que o duque a acolhesse depois de ouvir sobre a terrível situação na qual
Edgar a deixara. Edgar casou-se com ela num último esforço para evitar que
sua propriedade lhe fosse tirada. Quando ela falhara repetidamente em lhe dar
um herdeiro, ele começara a beber mais do que de costume, e assim foi que
ele acabara tropeçando no Tâmisa uma noite e se afogado.
Ela encarou o médico com cautela. —Então, como você propõe que eu pare
com seu absurdo?
—Não você. Nós. Vai depender dos dois mostrar a ela por que isso não vai
funcionar. —Seu sorriso travesso fez seu coração revolver em seu peito.
—Você também estará no jantar na casa deles hoje à noite, não é?
—Sim. —Ela franziu o cenho. —Oh, Deus, provavelmente é por isso que
ela sempre o convida para jantar —. Eu deveria ter percebido o que ela estava
fazendo muito antes. Sinto muito, tenho certeza que é muito chato para você.
Provavelmente você tem uma centena de mulheres que quer conhecer o médico
que salvou a vida do primo do duque.
—Um pouco menos de cem —, ele disse secamente. —Honestamente, você
não deve se culpar por isso. Sua Graça pode ser muito astuta. Ele começou a
caminhar. —Mas vamos colocá-la em seu lugar, não se preocupe —. Hoje à
noite nos compareceremos, olharemos um para o outro com olhos de
adoradores, fingiremos ter caído em seu plano… e depois puxaremos o tapete
dela.
—Como é que conseguiremos isso?
Ele a fitou atentamente. —Vamos começar uma briga no jantar sobre o que
os casais geralmente discutem, e eu sairei com raiva. Ou você. Qualquer um
que a incomodar mais. Então ela vai ver o que sua intromissão fez e nos
deixara em paz.
Dorinda pensou nisso. —Suponho que isso poderia funcionar —. Lisette
está sempre tentando manter a paz entre os membros dos Homens do Duque;
Ela não gostaria de ver dois de seus amigos brigando como resultado de suas
maquinações.
—Precisamente. —Uma centelha apareceu em seu olhar. —Pode ser
divertido, na verdade. Contanto que possamos nos manter sérios enquanto
fazemos isso.
Sua provocação nunca deixou de tomá-la de surpresa. Os médicos de Edgar
haviam sido duros e severos, comportando-se como se ela fosse uma criança
rebelde que precisava ser punida por não cuspir um herdeiro como deveria.
Claro, o Dr. Worth provavelmente faria o mesmo se ele a tratasse.
Felizmente, ele não o fez. Então talvez isso desse certo. Além disso, ela tinha
que fazer algo, exceto confiar seu embaraçoso segredo, para evitar que Lisette
bancasse sua casamenteira.
—Muito bem —disse ela. —Parece um plano excelente. Embora
devêssemos concordar sobre o que discutir de antemão.
—Certamente devemos. —Um olhar calculista cruzou seu rosto. —E
podemos discutir isso enquanto você está organizando meu consultório.
O rápido aumento de seu pulso a alarmou. —Você ainda quer que eu o
organize?
—Claro —. Você está aqui. Você ofereceu. Ele agitou a mão para indicar o
caos. —Como você pode ver, eu preciso de ajuda.
—Você certamente precisa, —ela disse, então estremeceu com sua
franqueza. —Eu… quero dizer…
—Confie em mim, eu sei. Por que você acha que pedi ajuda a duquesa? Sua
voz suavizou. —E eu notei o quanto ela confia em você na gestão da casa do
duque. — Duvido que ela já tenha sido sobrecarregada com um esforço tão
grande, enquanto você obviamente está acostumada a tomar essas questões em
suas mãos.
Gratificada pelo fato de que ele tinha notado, ela murmurou: —Bem, Edgar
realmente tinha uma grande propriedade. —Uma propriedade em ruínas, que
seu sobrinho herdara, já que ela não pode lhe dar um herdeiro. —Mas o que as
pessoas dirão se eu ficar aqui sozinha com você?
—Nada, eu espero. Você é uma viúva, não uma donzela. Duvido que alguém
tenha visto você entrar, e se viram, já deram com a língua nos dentes. Podemos
tirar o melhor proveito disso.
Ele lhe mostrou outro sorriso desarmador. —Além disso, como agora você
está vivendo na casa do duque, Sua Graça certamente notaria se você
retornasse tão rápido. — Se quisermos enganá-la esta noite, ela terá que
acreditar que você passou o dia comigo.
—Isso é verdade. —E a ideia de passar o dia com ele soou perfeitamente
maravilhosa.
E ainda... Oh tão perigosa.
Disfarçando o tremor que a atravessou, ela olhou fixamente para o peito
dele, onde o robe tinha novamente aberto revelando um punhado de cachos
escuros. —Estou feliz por ficar e ajudar, mas…
—Oh! Certo. —Ele puxou para trás aquela mexa de cabelo errante
novamente. —Nenhum dos meus trajes de solteiro informais, hein? —Ele
sorriu enquanto se virava para a porta. —Vou trocar por algo mais adequado.
E vou colocar uma chaleira no fogo.
Ela ficou boquiaberta. —Você sabe como fazer chá?
Ele a olhou de soslaio. —Eu servi por anos em um navio, lembra? Se eu
quisesse chá, eu tinha que fazer sozinho. Você gostaria?
Edgar teria caído no chão antes de fazer chá para ela. —Isso seria
adorável, Dr. Worth, obrigado.
—Percy, —ele disse. —Se quisermos convencer esta noite, devemos usar
os nomes cristãos um do outro.
—É claro. —Quando ele continuou a olhar para ela, ela murmurou —Você
deveria me chamar de Dorinda.
—Dorinda, —ele repetiu, com um brilho estranho em seus olhos, e um
arrepio percorreu sua espinha.
Ela sempre odiou seu nome porque era tão diferente, mas quando ele o
disse, soou tão brilhante quanto à poesia da qual foi tirado.
Voltarei em breve, Dorinda —disse ele. —Sinta-se em casa. —Então
desapareceu pela porta.
Por um momento, ela só pôde olhar para ele. A última coisa que precisava
era —sentir-se em casa—aqui. Mas, como ele disse, ela já estava aqui, então
poderia muito bem melhorar a situação de seu consultório. E se no processo
ela conhecesse o médico “Percy “ um pouco melhor, quem poderia se ferir?
Ignorando todas as muitas, muitas maneiras que poderiam ferir, ela correu
para a mesa e começou a trabalhar.
***

Percy vestiu-se com rapidez. Ele não podia acreditar que a viúva que ele
vinha cobiçando há meses estava em seu consultório neste exato momento.
Obrigado, duquesa.
Sua Graça estava lhe dando uma chance. Com certeza, era uma chance
pequena, apenas um dia para convencer a Sra. Nunley, Dorinda, que ele e ela
eram bem adequados, mas era mais do que ele tinha conseguido até agora.
É claro, ele tinha que superar aquela bobagem de não se casar de novo. Ele
não conseguia entender por que uma mulher tão bonita e talentosa teria essa
noção em sua mente, mas pretendia bani-la para sempre.
Especialmente agora que ele sabia que ela poderia gostar dele. Durante
todo esse tempo, pensou que estava sozinho em seu interesse, mas sua
presença aqui —e o pouco de sua conversa —o levou a reconsiderar. Assim
como a maneira que ela olhou para seu peito desnudo com decidido fascínio. .
.
Seu pulso começou a bater. Dorinda não era o tipo de mulher que devia
ficar sozinha o resto de sua vida. De alguma forma ele deveria fazê-la ver
isso.
Atando a gravata, ele se olhou de forma crítica no espelho. Pelo menos ele
se parecia com um cavalheiro agora, e não um tolo de mau-gosto que
perambulava por seus aposentos seminu. Ainda assim, ele esperava que ela
tivesse falado a verdade quando disse que não se importava com a diferença
entre a posição social de ambos. Os médicos eram considerados cavalheiros,
mas apenas um pouco. Comparado com a bisneta de um duque...
Ele endireitou os ombros. Isso não importava. Como ela própria tinha
apontado, ele ascendeu em decorrência da morte, enquanto ela caíra. Isso os
tornava iguais. E ela nunca fez cerimônia com ele. Só o fato de que ela viera
aqui para ajudá-lo provava que ela não era arrogante.
Um olhar para o relógio da lareira dizia que ele tinha doze horas até que
fosse esperado para o jantar na casa da cidade dos Lyon. Dorinda precisaria
de um par de horas para voltar para se vestir, então isso o deixava com dez
horas no total. Não era muito para trabalhar, dado que eles supostamente
teriam um rompimento no jantar.
Ele desejou não ter proposto isso, mas ele estava lutando por uma maneira
de mantê-la ali e não tinha pensado nisso.
Bem, não importa. À hora do jantar, ele queria lhe mostrar que pertencia a
ele. Que eles fariam um bom par. Que Sua Graça tinha provado ser sábia além
de seus anos quando os tinha colocado juntos.
A chaleira começou a ferver, e ele se dirigiu para fazer o chá em seu bule
maltratado. Como ele não tinha uma bandeja de chá colocou as duas xícaras
sobre um grande livro médico, acrescentou a jarra e, em seguida, empurrou a
porta aberta com o cotovelo para que ele pudesse levar toda a parafernália
para o consultório.
Então ele congelou. A viúva estava em um banquinho baixo diante de seu
armário, e o sol que entrava pelo espelho destacava os cachos dourados que
caiam em seu elegante pescoço.
Deus, mas ela era linda —um punhado intoxicante de mulher que nunca
deixou de fazer seu coração bater e seu sangue ferver. Então ela estendeu a
mão para arrumar os livros que tinham sido previamente empilhados ao acaso
na prateleira superior, e ele pensou que poderia perder a cabeça.
Porque não só a posição apertava todas as partes de seu vestido de cor
âmbar sobre sua figura bem torneada, mas com as saias levantadas, ele podia
ver a parte inferior de suas pernas perfeitamente. E que pernas bem torneadas
eram, também, em suas meias de seda cremosas. Ficou ali, de boca aberta,
imaginando como seria alisar as mãos por cima das belas panturrilhas,
passando por seus joelhos ate...
—Você está de volta, —ela disse brilhantemente e pulou do banquinho,
forçando-o a sufocar um gemido de arrependimento. —Eu pensei que poderia
ser bom começar pelas prateleiras de cima para que pudéssemos ver quanto
espaço temos para os outros itens mais úteis nas prateleiras mais baixas. Não
acha?
—Eu não saberia. —Ele ainda estava tentando banir aquela linda imagem
dela no topo do banquinho. —A organização não é meu... Er ... forte. Eu
continuo pretendendo contratar uma ajudante para cuidar de tais assuntos, mas
não tive tempo para entrevistar uma.
—Você realmente deve tomar esse tempo, —ela o repreendeu. —Um
médico com um consultório desordenado será visto com desconfiança por
qualquer paciente do sexo feminino que vier aqui.
Ele sorriu. —Pacientes do sexo feminino não vêm aqui, eu vou até elas. —
Além disso, você não está me olhando com desconfiança.
—Eu não sou sua paciente, graças a Deus.
Seu sorriso desapareceu. —Por que 'graças a Deus'? Eu lhe informo que...
—Perdoe-me, eu não quis dizer isso dessa maneira. Eu só… Tenho estado à
mercê dos médicos por tantas vezes para desejar ser paciente de qualquer um.
Ele estava prestes a pedir uma explicação, mas ela apressou-se em pegar o
livro dele e instantaneamente mudou de assunto. —Meu Deus, você não tem
uma bandeja de chá?
—Eu não tive nenhuma necessidade de uma até agora —. Eu vivo aqui
sozinho, lembra? —Embora ele esperasse mudar esse estado em breve.
Ele viu como ela pôs o livro sobre a mesa e serviu o chá. Ela olhou para
ele com uma bela sobrancelha erguida. —Sem açúcar? Ou leite?
—Não —. Desculpe. Eu bebo sem nada.
Com um rolar de olhos, ela bebeu um pouco de chá, então apoiou seu copo.
— Nós definitivamente teremos que arranjar uma ajudante para você. Ou um
cozinheiro ou alguém que possa manter sua despensa abastecida.
—E comprar-me uma bandeja de chá —, acrescentou alegremente,
incentivado pelo seu uso da palavra nós.
—Confie em mim, já estou fazendo uma lista das compras necessárias.
—Lembrou mais uma vez do quão competente ela era na gestão de uma casa,
ele observava enquanto ela examinava criticamente o conteúdo amontoado da
mesa. —Eu sugiro que você organize isso por função —. Podemos colocar os
adstringentes... elixir de vitriole, alúmen, e casca peruana… juntos, depois os
purgantes, depois os emolientes e assim por diante. Não acha?
Adstringentes? Ela sabia o que era aquilo? —Certamente você realmente
passou uma grande quantidade de tempo em consultórios médicos. Mas eu
pensei que seu marido estivesse em perfeita saúde até que ele morreu
prematuramente. Como você sabe a função do que há nesses frascos? Já esteve
doente? Você certamente não parece estar agora…
Ela empalideceu. —Tive muitas relações com a doença —murmurou ela,
voltando-se deliberadamente para o armário. —Agora, sobre essas
prateleiras…
Percy observou seu recuo com um olhar estreito. Muito estranho. Podia
jurar que ela não tinha relações com doenças —a família do duque era
pequena. Então por que esconder o motivo de seu conhecimento médico?
Poderia ser por isso que ela se comportava tão estranhamente com ele, em um
momento amigável e aberta e no outro, cautelosa e fechada?
Bem, o que quer que fosse ele queria chegar ao fundo disso. Porque o
primeiro passo para ganhar sua afeição era claramente ganhando sua
confiança.
2

Dorinda abriu uma caixa e tentou parecer interessada em seu conteúdo, mas
o sangue dela ainda estava em um turbilhão selvagem sobre o que ela quase
tinha revelado. E com que rapidez ele atacou aquilo, tornando-se muito
médico.
Ela estremeceu. Ela gostava muito mais quando ele a provocava. Ou
quando dava essa desculpa ridícula para uma bandeja de chá. Ou quando
usava o robe que revelava mais do que ocultava seu corpo surpreendentemente
firme e bem esculpido.
Não há motivo para que não possa ter um caso com ele, sabe? Você é
viúva. É praticamente esperado que você tenha um amante.
Percy a alcançou para remover um instrumento da caixa a qual ela estava
olhando cegamente, e apenas a sensação dele tão perto atiçou seus sentidos.
Oh senhor. Claramente, fazia muito tempo que não partilhava a cama de um
homem.
Suponho que devemos decidir o que vamos discutir —murmurou ao lado
dela.
—O… o quê? —Ela perguntou, ainda apanhada pelos pensamentos
perversos dele em sua cama.
Ele sorriu para ela. —Para hoje à noite. Para quando discutirmos no jantar.
Ah, isso. —Certamente! Claro.
Ele girou o instrumento, como se procurasse por danos. —Você terá que ser
a única a descobrir, já que nunca fui casado ou até mesmo noivo —, disse ele
informalmente. Que tipo de coisas você e seu marido discutiam?
Tentando acalmar o clamor em seu sangue por tê-lo tão perto, ela tirou mais
instrumentos médicos da caixa. —Oh, o costume. Com qual de nossas famílias
iriamos passar o Natal. Como a sala de jantar devia ser renovada. Onde
devíamos ir para as férias.
O porquê ela não estava disposta a beber leite de égua só porque Edgar
tinha ouvido que isso iria ajudá-la a produzir o filho necessário. Ela fez uma
careta.
—Nenhuma dessas vai funcionar, uma vez que só pertencem aos casais já
casados —, Percy apontou. —O que você discutiu durante seu namoro?
—Eu não me lembro de nós termos discutido então, —ela disse
verdadeiramente.
Ele olhou para ela. —Nunca?
Ela encolheu os ombros. —Nós não cortejamos tempo suficiente para
discutir —. Eu era a segunda esposa de Edgar sabe, então ele tinha pressa em
se casar, e eu estava feliz em obrigá-lo. —Mal sabia ela que ele estava com
pressa porque precisava do herdeiro que sua esposa anterior não tinha vivido
o suficiente para dá-lo.
—Entendo, —Percy cortou. —Então você estava muito apaixonada.
—No início, eu suponho. —De qualquer forma ela tinha pensado que era
amor naquele tempo. Mas agora ela se perguntava se ela só tinha se
apaixonado pela ideia de ser dona da mansão e, assim, escapar de sua vida
bestificante de bailes e festas. Ela não era uma pessoa terrivelmente social.
—Mas não mais tarde? —Ele sondou.
Ela tinha dito demais. —Veja o que acha disso, havia algo que discutíamos
durante nosso namoro: qual estação era melhor, primavera ou verão.
—Você está brincando, —ele disse. —Essa é a coisa mais boba que já
ouvi.
Um sorriso cruzou seu rosto. —Não é? Eu cometi o erro de dizer-lhe uma
noite que eu preferia o verão porque meus olhos continuamente lacrimejavam
na primavera, e ele me disse que eu estava sendo absurda. Ele disse que eu
deveria preferir primavera, porque o verão era muito quente. Discutiu o
argumento até que eu o concedi apenas para fazê-lo parar de me atormentar
sobre isso.
Percy sacudiu a cabeça. —Argumentar sobre a preferência de alguém por
uma estação é ridículo. —Assim como discutir sobre a melhor cor. Se
escolhermos brigar por isso, Sua Graça vai rir de nós na sala de jantar.
—Verdade. —Revivendo através de velhas memórias, ela levou a caixa de
utensílios para as prateleiras do armário e começou a colocá-los. —Nós
costumávamos discutir se as senhoras deveriam usar ruge.
—Eles não deveriam, é claro —, ele disse com firmeza.
Ela se eriçou. —E porque não —? Às vezes, uma senhora precisa de um
pouco de cor em suas bochechas no inverno.
—Não tenho nenhuma objeção a isso, mas a maioria dos ruges contém
chumbo. Franzindo o cenho, ele se aproximou para tirar a caixa vazia dela.
—Você pode iluminar suas bochechas, mas só até você se matar.
Isso retirou seus argumentos. —Há chumbo no ruge?
—Um pouco. Os homens que fazem essas poções não lhe dizem o quanto
esses bonitos potes de ruge contêm de veneno junto com seus unguentos —,
disse ele com feroz convicção. Depois lhe lançou um longo olhar. —Então,
por que seu marido desaprovava o ruge se não por causa do chumbo nele?
—Ele pensava que era a marca de uma prostituta.
—Ah. Parece um pouco duro.
—Exatamente —! Mas ele era um homem de opiniões fortes.
—Perdoe minha franqueza, senhora, mas parece um idiota.
Ela piscou, então começou a rir. Ninguém jamais o havia colocado assim
antes. —Ele era, na verdade. Às vezes.
Ele a fixou com um olhar sombrio. —Mesmo assim, fico feliz por ele ter
impedido você de usar o ruge, não importa quais sejam suas razões. Prefiro ter
você aqui comigo, parecendo um pouco pálida, do que no túmulo com cor em
suas bochechas.
Que coisa bela a se dizer. E havia tanta intensidade em seus olhos que lhe
roubou o fôlego.
Perigoso. Muito, muito perigoso.
Ela afastou o olhar dele. —Bem, também não podemos discutir sobre o
ruge, agora que eu sei sobre o veneno. Isso me deixaria ridícula.
—Você não pareceria ridícula se quisesse, —ele disse suavemente.
Um profundo prazer percorreu-a e a fez repreender-se por ser tão suscetível
as suas lisonjas. Eram apenas lisonjas, não eram? —Mas ainda não temos
nada para discutir.
Ele olhou para ela por um longo momento, depois disse com firmeza:
—Poderíamos discutir sobre meus modos grosseiros.
Ela bufou. —Que modos grosseiros? Você é sempre um perfeito cavalheiro.
—Sem bandeja de chá e sem açúcar para oferecer a uma senhora —, ele
apontou.
Isso dificilmente tem importância —disse ela. Os solteiros são assim,
cavalheiros ou não.
Isso provocou outro sorriso de parar o coração. —Especialmente médicos.
É difícil se preocupar com o mundano quando você lida com a vida e a morte
todos os dias.
—Eu imagino que sim. —Ela olhou para ele. —O que o fez se tornar
médico?
—Minha mãe teve tuberculose quando eu era menino. —Seus olhos
nublaram. —Eu não tinha irmãs, então restou que eu cuidasse dela —. Quando
ela teve uma morte prolongada, jurei que um dia iria encontrar uma cura para a
doença. —Ele forçou um sorriso —. Até agora, sem sorte, mas eu continuo
tentando.
—Sinto muito, —ela disse seu coração doendo por ele.
—Não sinta —. Tenho saudades dela, mas sua morte me levou por um
caminho que eu talvez não tivesse escolhido sozinho, e não posso me
arrepender disso. Ele respirou fundo. —Agora, ainda temos que decidir o que
discutir.
Ela permitiu que ele mudasse de assunto, sentindo que ele não aceitaria
piedade. —Isso esta ficando cada vez mais difícil já que parecemos concordar
em tudo. —Ela pensou por um momento. —Eu suponho que poderíamos
discutir sobre qual exercício é o melhor: caminhar ou cavalgar.
Percy deu de ombros. —Qualquer um mantém a constituição em boa forma.
O que há para discutir?
—Confie em mim, Edgar descobriu muita coisa. Ele costumava insistir que
uma caminhada rápida era muito superior a uma longa cavalgada.
—Especialmente desde que ele sempre se preocupava que a cavalgada
poderia impedi-la de conceber.
—Isso é absurdo.
—Eu concordo, —ela disse secretamente satisfeita que Percy via as coisas
como ela. —Além disso, as pessoas devem escolher qualquer atividade que
lhes venha naturalmente. E sou uma amazona habilidosa. Eu amo mais do que
tudo.
—Eu também! —Percy abriu outra caixa. —Embora eu suponha que
poderia fingir que não amo —. Um de nós deve fingir se quisermos discutir
sobre isso.
—Então eu deveria ser a que finge que gosta de caminhar. — Ouvi Edgar
exaltar as virtudes de uma caminhada rápida, muitas vezes o suficiente para
saber exatamente o que dizer.
—Bom, porque não tenho problemas em ditar uma rapsódia sobre cavalgar.
Há algo sobre cavalgar contra o vento que me lembra de estar no mar,
arremessando sobre as ondas em busca de novas terras.
A melancolia em sua voz apertou seu coração. —Você sente falta? —De
estar no mar, quero dizer.
—Às vezes. —Ele olhou para a janela solitária. —Sinto falta de como as
estrelas brilhavam, desencobertas pela fumaça e pela neblina de Londres.
Sinto falta do balanço do oceano. —Ele piscou para ela. —Embora eu não
sinta falta de ser jogado para fora do meu beliche sempre que as marés eram
bravas.
—Oh Deus, isso deve ter sido chocante.
—E ocasionalmente perigoso, desde que me sentei no meu beliche para me
barbear.
—Bom Deus! Você nunca se cortou, não é?
Seus olhos se aqueceram. —Obrigado pela preocupação, mas não. —
Embora não demorasse muito para perceber por que cresciam barbas em
tantos marinheiros.
Ela olhou para seu queixo raspado. —Eu mal consigo imaginar você com
barba. Aposto que você se sentiu muito pirata.
—Oh, muito, —ele disse com um sorriso. —Eu pensei em adicionar um
chapéu com um crânio, uma cruz de ossos e um aro de ouro na minha orelha,
mas eu temi que um marinheiro bêbado pudesse me atirar acidentalmente no
corredor uma noite, então resolvi dizer 'Arr'[1] e “Ahoy matey”[2] de tempos
em tempos.
—Mas nenhum papagaio no seu ombro? —ela provocou.
—Absolutamente. Os papagaios tagarelam demais. Eu gosto do meu sono.
—Não parece que você tenha algum —disse ela levemente —, o que diz de
ser jogado fora de seu beliche, olhar para as estrelas e encontrar marinheiros
bêbados nas passagens.
—Sem mencionar as cartas de baralho até as primeiras horas, o que
fizemos sempre que o navio estava parado. Era isso ou enlouquecer de tédio.
Seu olhar voltou a ficar sério. —Ainda assim, pelo menos no mar um homem
nunca precisa estar sozinho. Mesmo aqui, em Londres, com todas essas
pessoas, às vezes me sinto muito sozinho. Ai é quando eu desejava que
pudesse apenas descer por uma passagem para encontrar um amigo tocando um
violino ou jogando loo[3].
Solidão. Como ela conhecia esse sentimento. Lisette e o duque eram
pessoas maravilhosas, mas às vezes só viam um ao outro, e ela ficou
desejando o que nunca poderia ser.
—Você poderia ir a um clube—, disse ela. —Era isso que meu marido fazia
quase todas as noites. —Então Edgar chegava tropeçando nas primeiras horas
da manhã fedendo a brandy e desejando dormir com ela.
– Ele ia? Sua voz abaixou para um ruído áspero. —Eu não consigo
imaginar por quê. Que entretenimento possível poderia um clube fornecer que
compararia a uma noite passada com você?
As palavras ficaram suspensas no ar entre eles. E quando seu olhar fixou
em sua boca, teve que lutar contra o súbito salto de desejo em suas veias.
—Nunca imaginei que você fosse tão bajulador, Dr. Worth —ela conseguiu
sussurrar.
—Percy, lembra? —Ele estendeu a mão para acariciar seu queixo com sua
mão quente. —E não é lisonja, querida. É a verdade.
Querida. Mesmo Edgar nunca a tinha chamado assim. Ou tocá-la com tal
sentimento.
A antecipação estremeceu deliciosamente por sua espinha quando os olhos
de Percy se escureceram e ele inclinou a cabeça na direção da dela. Nesse
momento, ela soube que se ela continuasse parada ali como uma tola, ele a
beijaria.
Ela queria que ele o fizesse. Oh, como ela queria isso! Mas ela não podia
deixá-lo. Não se ela tivesse que manter sua sanidade.
Afastando-se dele, ela virou-se para a mesa e disse: —Suponho que
realmente devemos atacar esta desordem aqui.
Uma maldição murmurada escapou dele e ela se perguntou se ele iria impor
sua vantagem e tomá-la em seus braços de qualquer maneira, como um
corajoso corsário. Se o fizesse, ela não sabia como iria resistir a ele.
Embora ela devesse. Ele podia ser um sujeito atraente e fascinante que a
tentava a loucura, mas ele também era um médico acostumado a curar as
pessoas. Ele não aceitaria simplesmente que ela fosse estéril. E ela nunca mais
toleraria um médico pomposo que a advertisse a —apenas relaxar —ou
—tomar banhos frios —ou mesmo —fazer o que seu marido desejasse.
—Nunca mais.
Enquanto o silêncio reinava atrás dela, ela olhou para os frascos e escolheu
os expurgos, o elixir de vitríolo, o alume, e as cascas peruanas, todas supostas
—curas —para a esterilidade que a faziam violentamente doente.
Lembrar-se disso lhe deu forças para resistir a ele. Ela endireitou os
ombros e forçou um brilho em seu tom de voz que ela não sentia. —Então me
diga doutor, como foi à experiência de viajar pelo mundo? Você visitou algum
lugar interessante?
Ai, isso era um assunto seguro.
No começo, ele não respondeu. Um momento passou, em seguida, dois
enquanto ela prendia a respiração e orava. Por fim, ele disse, em uma voz fria,
—Marrocos. E as Índias Ocidentais. Para não mencionar…
Quando ele iniciou uma recitação dos muitos lugares que visitou, era tudo o
que ela pode fazer para não ceder contra a mesa com alivio. Porque a última
coisa que ela precisava era um homem como Percy a cortejá-la. Ele era muito
perspicaz, muito intrigante… e também irresistivelmente perigoso, como o
ruge brilhante e bonito que escondia veneno. Se ele a tomasse em sua órbita,
ela nunca teria o poder de deixá-la.
E ela odiava se sentir presa. Os homens tinham certas expectativas com as
mulheres que nunca poderiam ser preenchidas. Então, seria melhor que ela não
se envolvesse com Percy.
Ainda assim, enquanto o dia ia passando, ela desejava que ela pudesse se
envolver. Porque nenhum outro homem jamais tinha compartilhado tantas de
suas opiniões e visões do mundo. Ela nunca tinha conhecido um homem que
podia rir de si mesmo e fazê-la fazer o mesmo.
Um homem que a tentava a considerar o impensável.
Era tudo o que ela pensava enquanto eles organizaram seu consultório.
Especialmente com ele a perseguindo tão claramente. Não eram apenas as
coisas provocativas que ele dizia. Eram suas muitas perguntas de sondagem
sobre seu passado. E seus toques furtivos, um toque de sua mão aqui, uma
colisão de seu ombro lá.
Era a maneira como ele olhava para ela, como um corvo marinho elegante
pronto para arranca-la e devorá-la inteira se ela fosse tola o suficiente para
buscar por ar.
Ela devia nadar para longe, bastava colocar um fim a esta farsa e partir.
Isso seria o sensato. Uma pena que ela não estivesse se sentindo muito sensata
hoje. Além disso, eles tinham quase acabado. Em uma hora ela tinha que se
vestir para o jantar.
O pensamento a deprimiu.
Determinada, ela abriu uma caixa, então estremeceu ao encontrá-la
preenchida com instrumentos assustadores, incluindo uma serra de aparência
desagradável. —Vamos colocar tudo isso em uma gaveta? —Ela levantou a
serra. —Então, a visão delas não alarmam seus pacientes?
—Pode ser. Eu tinha mais uso para uma serra de amputação no mar do que
eu já tive em terra. —Ele lançou lhe um sorriso rápido. —Não havia muitos
senhores e senhoras que tinham seus membros esmagados enquanto navegam
pelos pavimentos escorregadios em uma tempestade.
—Espero que não. —Ela depositou os instrumentos em uma gaveta do
armário, em seguida, virou-se para ver como ele empurrava os móveis ao
redor agora que todas as caixas estavam fora do caminho. O suor escorria por
sua ampla testa, e ele parou para limpá-la com sua manga. Por insistência
dela, ele tirou o casaco mais cedo para evitar suja-lo, e ao vê-lo em mangas
de camisa fez seu coração ficar preso na garganta.
—Essa é a última caixa —, disse ela bobamente.
Ele olhou fixamente para ela. —Eu vejo.
Ela deveria ir embora. Mas ela não queria. Apesar de passar o dia em um
consultório médico, isto tinha sido mais divertido do que ela tinha tido por um
longo tempo. Não seria lindo se Percy provasse não se preocupar com sua
esterilidade? Se ela pudesse… possivelmente… passar mais dias
maravilhosos como este com ele?
Olhando em volta, desesperada por qualquer desculpa para ficar mais
tempo, ela apontou para o esqueleto. —Nós ainda temos que descobrir onde
colocar isso.
—Isso —, ele disse decisivamente, —pertence precisamente onde ele está.
—Caído em uma cadeira? —, Ela disse com uma risada.
—Ele não está caído. Ele está sentado. —Ele caminhou até a cadeira e
puxou o esqueleto para cima ao lado dele. —É difícil conseguir que um
esqueleto fique sentado, sabe. E Seymour pode ser bastante obstinado.
—Seymour? —Uma risada estalou dela. —Você chama seu esqueleto de
Seymour?
—É claro —, ele disse levemente. —De que mais uma pessoa chamaria um
esqueleto?
—Yorick? —Ela ofereceu.
—Não, não, Yorick é apenas para crânios. Um esqueleto completo requer
um nome mais auspicioso. —Ele cuidadosamente arrumou o esqueleto para
que ele realmente parecesse que estivesse sentado. —Ele afinal não tem
nenhuma roupa, com a qual mostrar sua dignidade.
Ela inclinou a cabeça. —Como você sabe que ele não é ela? Talvez o seu
nome seja Priscilla. Ou Elizabeth.
—Absolutamente —, disse ele, olhando para a metade inferior. —A pelve é
muito pequena e, além disso, tem a forma errada. Este esqueleto nunca poderia
ter um filho.
As palavras vieram do nada, como se o destino fosse determinado para
lembrá-la de tudo o que tinha dado errado em seu casamento.
Ela enrijeceu. Depois a raiva agitou-se nela, tingida de desespero. —E é
claro que é o essencial —, disse ela amargamente. —Que uma mulher seja
capaz de ter um filho.
Quando ele olhou assustado, ela sabia que deveria parar, mas agora que as
palavras haviam sido liberadas, ela não conseguiu segurá-las. —Deus proíbe
que uma mulher seja valorizada por suas habilidades como uma esposa ou por
sua inteligência ou sua habilidade para dançar. Oh não, ela é boa para apenas
uma coisa; gerar o filho essencial para que ele possa herdar o que a ela nunca
será permitido.
Ele veio em sua direção. —Querida, me desculpe, mas eu não consigo
entender por que você está chateada.
—Não me chame de 'querida'! —, Ela gritou. A inutilidade de tudo a
inundava, fazendo-a ficar desesperada. —Eu nunca serei querida para você.
—Eu não entendo —, disse ele com voz rouca. —Eu não vejo o que
crianças têm a ver com…
—Eu sou estéril, explodiu! Eu não posso suportar de você ou de qualquer
outro homem o requisito —herdeiro e sucessor! —Lágrimas obstruíam sua
garganta, e ela lutou contra elas. —En... Então todas as suas palavras
encantadoras sobre passar as noites comigo… todas as nossas maravilhosas
conversas e… e a maneira como você me faz sentir… —Ela lançou lhe um
olhar desesperado. —Elas foram todas em vão, não vê? Eu nunca poderei ser
essa mulher para você, não importa o quanto eu queira ser.
Então, para seu horror, ela explodiu em lágrimas.
3

Por meio segundo, Percy ficou imóvel, atordoado em silêncio. Desde a


doença de sua mãe ele não tinha visto uma mulher chorar tão profundamente, e
ele tinha esquecido o quão de cortar o coração elas poderiam ser.
Então, amaldiçoando-se por ser um tolo, ele apressou-se a acolhê-la em
seus braços. —Shh, shh, está tudo certo, vai dar tudo certo —, ele murmurou
contra seu cabelo, se lembrando das palavras suaves que seu pai oferecia
sempre que sua mãe não podia suportar a dor no peito e as tosses crepitantes.
Mas ele sabia muito bem que nada poderia realmente acalmar Dorinda. Sua
dor corria mais profundo do que ele podia alcançar. Deus, por que ele não
tinha reconhecido a fonte nisso antes? Ele deveria ter visto os sinais... Seus
comentários sobre médicos, suas respostas vacilantes a seus avanços... O fato
de que ela tinha anteriormente recitado todo tipo de cura destrambelhada
usada para tratar sua esterilidade.
Com um gemido, ele buscou o lenço, alarmado com as lágrimas que
derramam pelo seu rosto. —Pronto, agora, não fique assim. —Pelo menos ela
estava o deixando abraçá-la, mesmo que ele fosse um idiota ignorante. Pelo
menos ela confiava nele o suficiente para mostrar-lhe seu coração dolorido.
Ele pressionou o lenço na mão dela. —Calma, querida, respire. Você vai ficar
doente.
—Oh, o que im-importa? —, Ela conseguiu quando ela se afastou dele,
enxugando o rosto com o lenço. —Eu sou aquela coisa te-terrivelmente inútil a
um homem... Uma mu-mulher que não pode ter filhos.
A dor em suas palavras feriu seu coração. Ele pegou suas mãos. —Quem
pensa que uma mulher é boa só para isso é um tolo. Eu certamente não acho
essa bobagem.
Embora ela o olhasse com ceticismo, ela não arrancou suas mãos das dele.
—Todo marido quer uma mulher que lhe possa dar filhos. —Ela respirou
tremendo. —Por que você acha que eu visitei tantos médicos? Edgar teria feito
qualquer coisa para garantir que eu carregasse seu filho.
Ele engoliu as palavras, mais evidência de que ele era um asno. Esse
provavelmente não era o momento para expor sua opinião. —Sim, mas eu
tenho certeza que ele a valorizava por seus outros bons atributos.
—Se ele o fez, eu não vi nenhuma evidência disso —, disse ela
amargamente. —Antes de morrer, tudo o que ele podia falar era sobre a minha
'falha'.
—Isso não é uma falha em você —, ele rosnou, desejando que ele pudesse
voltar no tempo e exorcizar seu falecido marido. Em vez disso ele se acalmou
para tentar desfazer alguns dos danos que o idiota tinha feito. —É apenas…
parte da vida. E ele era um tolo se ele só se preocupava com sua capacidade
de lhe dar filhos. Uma boa esposa vale muito mais do que isso.
Ela olhou para ele com os olhos avermelhados. —Ele não estava sozinho
em seu pensamento. Cada médico que ele me enviou achava o mesmo.
—Então eles eram tolos também. E, obviamente, não muito atentos às lições
que certamente tinham aprendido em sua prática da medicina.
Isso fez piscar. —Que lições?
—Eu estive presente em um número de partos, querida. E nos poucos casos
trágicos onde um homem foi forçado a escolher entre a vida de seu filho e a
vida de sua esposa, ele sempre escolhia sua esposa. —Ele apertou suas mãos.
—Sempre.
Ela ficou rígida. —Porque uma mulher pode produzir mais bebês.
—Não. Porque um homem escolhe cuidadosamente a mulher que deseja ser
sua companheira para a vida. Ele não pode começar a partir de seus filhos.
Assim, dada a escolha entre a mulher real de seu coração e uma criança
potencial do seu sangue, ele vai escolher o seu coração sobre seu sangue
sempre.
—Nem todos os homens —, disse ela, embora não houvesse mais incerteza
em sua voz agora. —Não Edgar. Eu acho que ele teria tentado qualquer cura,
não importa o quão escandalosa, não importa o que ele me fizesse, desde que
ele tivesse seu herdeiro.
O próprio pensamento do que ela devia ter passado por tentar —qualquer
cura —o gelou até os ossos. —Aquilo não foi sobre crianças; foi sobre
orgulho e dinheiro. Se ele só se preocupava com aquilo, então ele não merecia
você. —Ele segurou sua cabeça entre suas mãos. —Porque se eu tivesse uma
mulher tão bela como você para minha esposa, eu juro que nunca iria
atormentá-la com adstringentes e expurgos e leite de égua.
Os olhos dela se arregalaram, confirmando o tipo de remédios duvidosos
que seu marido e seus charlatões a tinham sujeitado. Ele fez querer uivar.
Isso fez querer mostrar-lhe o que ele já havia visto, que ela era muito mais
do que uma égua de cria.
—Você não sabe o que você faria se estivesse desesperado —, ressaltou.
—Não importa o quanto eu protestasse, havia sempre outro médico que lhe
dava nova esperança de que eu pudesse ser fertilizada, que oferecia novas
curas garantidas. Então, se você e eu fossemos casamos há anos e eu ainda não
tivesse conseguido que...
Ele apertou um dedo nos lábios para silenciá-la. —Eu não arriscaria sua
saúde em uma tentativa idiota de contornar a natureza. —Ele passou o dedo ao
longo de sua boca perfeita e deliciosa. —Eu não sei se você é estéril, mas
também não me importo. Você é uma mulher bonita, inteligente, com um
coração tão grande como o céu no mar, e uma coragem profunda o suficiente
para suportar muitas flechas do destino. Isso é tudo o que importa para mim.
Então ele a beijou, por falta de qualquer outra maneira de expressar a
plenitude em seu coração. Ele a beijou longa e duramente, meio esperando que
ela o repelisse por sua imprudência.
Então, quando ela enrolou os dedos em suas mangas e em vez disso o
beijou de volta, o sangue lhe subiu. Ele logo aprofundou o beijo, devastando
sua boca com a língua, deleitando-se com a macia seda dela.
Ela afastou seus lábios dos dele. —Percy… oh, Senhor, Percy… você não
sabe o que está fazendo.
Com uma risada exultante, ele envolveu um braço em torno da cintura e
arrastou-a para perto. —Claro que eu sei. Estou lembrando que a achei
desejável exatamente como você é. —Aspirando sua bochecha para beber o
perfume de mel dela, ele deslizou as mãos por cima de suas costelas. —Eu
estou fazendo o que queria fazer há meses… abraçar-te e te beijar e adorar
cada polegada de você com a minha boca, mãos e língua.
Ela recuou boquiaberta. —Mas você nunca deixou transparecer… Eu nunca
imaginei que você…
—Eu achava que era impossível. —Ele olhou para seu rosto adorável,
incentivada por sua expressão de espanto e surpresa. —Eu pensei que você
ainda devia estar de luto por seu marido. Que você me via apenas como o
amigo de seus amigos. Até hoje. —Ele baixou a voz para um murmúrio rouco.
—Até que você apareceu aqui no início da manhã para me ajudar a organizar
meu consultório.
Ela ruborizou de modo tão encantador, que ele queria beijá-la novamente.
—Isso foi por causa de Lisette. Eu nunca teria…
—Não? —Ele pressionou beijos em seu cabelo perfumado. —Você poderia
ter pedido a ela para lhe atribuir alguma outra tarefa. Ou uma vez que você
chegou e eu apareci meio seminu, você poderia ter gritado e fugido.
—Eu sou… muito sensível para isso —, disse ela, enquanto se arqueava
contra ele, incitando seu sangue a novas alturas.
Ele riu. —Sim, você é. —Se arriscando, ele deslizou uma mão até seu seio.
Quando ela prendeu a respiração em resposta, acrescentou, —Mas havia mais
do que isso. O momento que você olhou para mim com meu robe, você me
deixou ver que você me queria. Talvez tanto quanto eu quero você.
Fixando nela com um olhar aquecido, ele massageou seus seios em círculos
lentos através de seu vestido. —Você me quer, não é? Eu não imaginava isso.
Ela olhou para ele com uma selvageria súbita em seus olhos, e em seguida,
estendeu a mão para levar a outra mão dele para o outro seio. —Não. Você
não imaginava isso.
Deus o salvasse, ele estava em apuros agora. Não que ele se importasse.
Qualquer problema envolvendo a viúva Nunley valia bem a pena.
Dorinda estava pensando a mesma coisa quando Percy tomou sua boca com
um selvagem abandono que a fez ansiar a fazer todo tipo de coisas más. Com
ele. Para ele.
Ela queria acreditar em suas ternas palavras. Ela queria acreditar que ele
realmente não se preocupava com a sua capacidade de lhe dar filhos. Talvez
ela não devesse, mas ela não se conteve. Suas mãos estavam sobre ela,
lembrando-a que ela era desejável, lembrando-a de que ela desejava. . . estar
com ele, ser tocada por ele, para levá-lo para a cama. Ela tinha esquecido a
exuberância do desejo, como fazia uma mulher ansiar, ter esperança e sentir.
Ele manuseou seus mamilos tão deliciosamente através de seu vestido e de
seu espartilho macio que ela queria rasgar sua roupa para ter as mãos dele
sobre seu corpo nu. Enquanto isso, sua boca mágica desenhava um caminho de
fogo pelo pescoço até a garganta, que a marcava com beijos ávidos e quentes.
A próxima coisa que ela soube era que ele estava desabotoando seu vestido
para melhor expor seu seio, e ela o estava ajudando.
—Eu quero você, querida —, disse ele. —Agora. Mas se você não…
—Eu quero —, ela sussurrou, empurrando seus medos firmemente de lado.
—Tome-me, Percy. Por favor.
Enquanto isso, ela guiou a cabeça dele até os seios, porque ela pensou que
morreria se ela não sentisse a boca dele ali. Quando ele a obrigou descobrir
um mamilo tenso e o capturou com os dentes, ela enterrou suas mãos em seu
cabelo espesso e sedoso e o apertou contra ela.
Os próximos momentos foram um borrão de beijos e carícias e palavras de
necessidade urgente, pois arrancaram as roupas um do outro, ansiosos para
banir as barreiras entre eles. Quando ela foi despojada de seu vestido e ele de
suas calcas, ele fez uma pausa para dar-lhe um olhar tão escuro como o
pecado e duas vezes mais quente. —Você tem certeza sobre isso? —, Ele
rosnou, mesmo enquanto seu olhar vasculhava cada parte dela.
Sua resposta foi se desfazer de seu vestido e deixa-lo no chão.
Seus olhos se voltaram para um negro sensual quando eles tomaram sua
nudez. Então, ele puxou-a em seus braços para um beijo longo e aquecido que
inflamou seus sentidos.
Encorajada pelo ousado desejo dele por ela, ela deslizou suas mãos em
suas calcas e as tirou de modo que ele ficasse nu contra ela da cabeça aos pés.
—Oh, Deus, querida —, ele engasgou quando ele encheu suas mãos com
seus seios, —você é ainda mais do que eu tinha imaginado.
—Mais… o quê? —, ela conseguiu exultante com a sensação de suas mãos
sobre ela, da sua carne endurecendo contra seu ventre.
—Mais bonita, mais quente… mais mulher. Mais tudo.
Enquanto ela ainda sorria com essas palavras de seda, ele arrastou-a para
uma cadeira próxima e deixou-se cair sobre ela, em seguida, puxou-a para
ficar na frente dele. Quando ela o encarou, ele sorriu. —Você disse que gosta
de cavalgar.
—Cavalgar?
Ele inclinou a cabeça. —Você nunca ficou por cima para fazer amor?
Ela abanou a cabeça. —Edgar sempre disse que só havia uma maneira de
fazê-lo se quiséssemos conceber.
Seu rosto escureceu. —Edgar era um asno. Há muitas maneiras de fazer
amor, e eu quero que nós experimentemos todas.
Ele começou a acariciar seu corpo, encontrando todos os lugares secretos
que ansiavam por ele e acariciando-os até que ela virou uma pasta em suas
mãos.
Então, isso era o que ele queria dizer com querer adorá-la. Bom Deus do
céu era puro sacrilégio, a maneira como ele a despertava. E ela não se
importava nem um pouco. Ela só queria mais e mais e mais…
—Por favor, Percy, por favor…
A satisfação saltou em seu rosto quando ele a puxou para ficar em cima
dele. —Tempo para você montar, querida. —Ele a guiou sobre seu membro,
em seguida, a penetrou com sua carne dura e quente.
—Ohhh, sim —, ela sussurrou, deleitando-se com a plenitude daquilo.
—Isso é… Incrível. —Quando ele se contorceu com urgência embaixo dela,
ela começou a se mover, para cima e para baixo, encontrando seu próprio
ritmo.
Que maravilha! Ela amava este... estar no controle. Tendo Percy seu Percy
embaixo dela.
A respiração dele era dura e rápida, como seus impulsos de atendimento.
—Eu acho que você mentiu… sobre nunca fazer isso… Dorinda. Você é
muito… Boa.
Ela deu uma risada eufórica. —Eu te disse. Eu sou uma amazona…
habilidosa.
—Graças a Deus.
Depois disso, não houve mais palavras. Eles também foram pegos na batida
constante de sua cavalgada, que acelerava e escurecia e se intensificava até
que ela pode sentir o mundo correndo através dela, sentir o ímpeto crescendo
em sua pelve. Em seu sangue e em seu coração.
E quando ela alcançava o êxtase, ele gritava debaixo dela e encontrava a
sua própria liberação, derramando-se dentro dela. Naquele momento tudo o
que ela achava que sabia sobre homens despedaçou-se, e ela sabia, realmente
sabia.
Ele era o único homem que ela jamais poderia se casar. Porque ela temia
que ela pudesse muito bem se apaixonar por ele.
Se isso fosse verdade, então Deus a ajudasse.
4

Percy não podiaacreditar. Dorinda era sua, por fim, cada polegada morna e
bela dela. Ela ainda estava sentada esparramada sobre ele, seu corpo envolto
sobre o seu como um manto perfumado, e ele desejou que pudesse mantê-la lá
para sempre.
Ele olhou além dela, então riu.
—O quê? —, Ela murmurou sonolenta.
—Eu acho que Seymour esta com ciúmes.
Ela despertou para olhar atrás dela. —Como você sabe?
—Ele caiu de sua cadeira novamente. —Eles deviam ter sido vigorosos o
suficiente para que as vibrações ao longo do chão lhe tivessem sacudido de
volta para essa posição. —Claramente ele está decepcionado que eu seja
aquele que você tem em seus braços e não ele.
Ela riu. —Eu não sei, parece-me como se estivesse escondendo seu rosto
de vergonha. O pobre Seymour teve que ver mais[4] do que ele esperava.
Ele gemeu. —Esse é o pior trocadilho que já ouvi. —Ele está praticamente
rígido de indignação.
—Por favor, pare —, disse ele.
Seus olhos cintilaram. —Ou talvez ele esteja apenas procurando no chão
por uma chave mestra.[5]
Uma risada escapou dele, apesar de si mesmo. —Você é incrível, sabe
disso?
—Porque eu faço piadas ruins?
—Sobre um esqueleto. Que a maioria das mulheres consideraria com
horror e ódio.
—A maioria das mulheres não passou tanto tempo nos consultórios médicos
como eu passei.
Isso o acalmou. —Isso te incomoda? Estar aqui entre os medicamentos e os
instrumentos desagradáveis?
Ela deu um beijo em seus lábios. —Não quando você está aqui.
Seu coração ficou preso na garganta. —Case comigo.
Seus olhos se arregalaram. —Isso é… um tanto precipitado, não? —
—Dificilmente. Eu te conheço há cinco meses e a cobicei por quatro meses e
três quartos. Eu teria pedido sua mão há três meses se você não estivesse
ainda em luto. E se eu soubesse que tinha alguma esperança de seu
consentimento.
Ela baixou o olhar para o seu peito. —E a minha incapacidade de lhe dar
filhos?
—Não importa —, disse ele. —Além disso, não deixe que esses charlatões
lhes diga que é apenas a culpa de uma mulher, se um casal não pode ter filhos.
É perfeitamente possível que seu marido fosse o problema. Você não pode
mesmo ser estéril de tudo.
Seus olhos se encontraram, de repente cautelosos. Ele travou. Ele tinha
pensado que estava dando a ela uma boa notícia.
—Acho melhor eu ir —, ela murmurou.
Ele piscou. —Por quê?
Escorregando de suas mãos, ela o deixou para colocar rapidamente seu
vestido. —Se eu não voltar em tempo suficiente para me vestir para o jantar,
eles vão perceber que algo está errado.
—Deixe-os. Uma vez que nós lhes dissermos que estamos nos casando…
—Eu não concordei com isso—, disse ela bruscamente.
Ele saltou em seus pés. —O que há de errado, Dorinda? —, Ele perguntou
quando ela vestia seus espartilhos.
—Nada. —Ela apresentou-lhe as costas. —Por favor, você poderia me
ajudar a vestir?
Cerrando os dentes, ele fez o que ela pediu. As coisas deram errado com
ela de alguma forma, mas ele não tinha certeza onde. —Você está dizendo que
não quer se casar comigo?
—Podemos falar sobre isso mais tarde. —Rapidamente ela fechou a frente
de seu vestido e terminou. —Agora tenho que ir.
—Droga, Dorinda, —ele chiou, agarrando-a pelo braço e forçando-a a
encará-lo. —Sobre o que é isso tudo?
Seus olhos se encheram de lágrimas. —Por favor, Percy, —ela disse, —se
você se importa um pouco comigo deixe-me ir. Eu tenho que ir!
Havia tanto pânico em seu rosto, em sua voz, que gelou seu sangue. Ele
soltou seu braço em seguida. —É claro —, disse ele. —O que você quiser.
—Obrigada, —ela sussurrou. —Vejo você no jantar.
Ele assistiu entorpecido enquanto ela terminava de se vestir, e em seguida,
saia pela porta. Por um longo tempo, ele apenas ficou lá, olhando para o vazio
que ela tinha deixado para trás.
Em seguida, a raiva se apoderou dele. Ele não merecia isso. Ela tinha
estado perfeitamente ansiosa para deitar com ele em sua cama até que ele
mencionou o casamento, e então ela fugiu.
Ela realmente lhe disse que ela nunca se casaria novamente.
Sim, mas isso foi só por causa de sua preocupação de que ninguém iria
querer uma esposa estéril. Ele já deixou claro que ele não se importava.
Porque, agora mesmo, quando ela tinha perguntado sobre isso, ele disse a ela
mais uma vez que não se importava. Ele até apontou que ela podia não ser
estéril de tudo. Isso deveria ter-lhe dado novas esperanças, e não fazer com
que ela fugisse...
Havia sempre outro médico que lhe desse uma nova esperança de que eu
poderia ser consertada .
E assim, ele entendeu.
Oh Deus. Ele era um tolo. Aqui ela tinha se aliviado sobre os anos de
miséria que seu falecido marido a tinha feito passar tentando garantir que ela
concebesse e, em seguida, Percy foi e a fez acreditar que ele faria o mesmo.
Que ele não iria aceitar o “inevitável”.
Que ele tinha mentido quando disse que não se importava se ela poderia
dar-lhe um filho.
Ele desabou na cadeira. Tinha ele mentido? Será que ele se importava? É
evidente que ele não tinha examinado aquela questão bastante o suficiente.
Mas se fosse para ter alguma chance com ela, ele tinha que ter certeza de como
se sentiria sobre estar casado com uma mulher que não poderia lhe dar filhos.
Porque havia sempre a possibilidade de que ela fosse estéril. E se ele não
pudesse aceitar isso, não poderia aceitá-la por quem ela era então ele não
tinha motivo para cortejá-la.
****

Quando Dorinda estava vestida para o jantar, ela já havia decidido cortar
todos os laços com Percy, seja de que modo fosse. Ela acreditou nele quando
disse que sua esterilidade não importava, mas ele estava mentindo. Ou pelo
menos mentia para si mesmo. É claro que importava ou ele não teria
começado a discutir a possibilidade de que ela poderia não ser estéril. E
falando como um médico, também, com a certeza de um médico de que tudo
poderia ser consertado com panaceia, alimento ou modo de vida correto.
Ela não queria ser consertada. Ela queria ter filhos, sim, mas não a esse
preço. Portanto, esta noite ela teria que deixar isso claro. E só havia uma
maneira de fazer isso, uma maneira de ter certeza de que ele não iria
atormentá-la e prevaricar até que ele a desgastasse e conseguisse o que queria.
Era à maneira de um covarde, mas depois de seu casamento com Edgar, ela
era uma covarde. Ela não podia passar por tudo isso de novo, mesmo que isso
significasse cortar fora o homem que a fazia sentir-se viva pela primeira vez
em muito tempo.
Você é uma mulher bonita, inteligente, com um coração tão grande como
o céu no mar, e uma coragem profunda o suficiente para suportar muitas
flechas do destino. Isso é tudo o que importa para mim.
Ele estava errado. Ela não era valente. Não o suficiente para isso, de
qualquer modo.
Ela se certificou que ela esperasse até bem antes do jantar ser servido para
ir para a sala de estar, então Percy não teria tempo para ficar sozinho com ela.
Graças a Deus que ela também tinha tempo, pois ficou claro na maneira como
ele olhou para ela que ele teria tentado.
Mas antes que ele pudesse saudá-la, Lisette, uma defensora da prontidão,
anunciou que o jantar fora servido e levou todos para a sala de jantar.
Deixando o duque falando com Percy, a duquesa ficou para trás para pegar
o braço de Dorinda. —Perdoe-me por ser tão cabeça oca esta manhã. Eu
esqueci completamente de lhe dizer que o médico ainda estava na cidade
afinal. —Lisette lançou lhe um olhar malicioso. —Eu espero que isso não foi
um grande choque.
—Claro que não —, disse Dorinda, determinada a seguir o plano original
de Percy para a noite. —Foi realmente muito… esclarecedor.
—Foi de fato? —Os olhos de Lisette se iluminaram quando eles entraram
na sala de jantar e o duque veio para acompanhá-la até sua cadeira. —Você
vai ter que me contar sobre tudo isso mais tarde.
Dorinda forçou um sorriso. Ela devia, mesmo que apenas para envergonhar
a mulher para que cuidasse da própria vida. Mas o modo de Percy era mais
suave, e não forçaria Dorinda a ter que revelar a vergonha de sua esterilidade
para a duquesa.
Percy se aproximou para levá-la a sua cadeira. —Nós precisamos
conversar —, ele murmurou enquanto colocava a mão na parte inferior das
costas.
—Não. Nós não precisamos. —Ela correu à frente para tomar seu assento,
e depois acrescentou em voz alta, —Obrigado, Dr. Worth.
Ela podia sentir sua presença atrás dela, senti-lo pairando sobre ela. Mas,
felizmente, ele deve ter sabido que ela não se atrevia a falar mais disso na
frente da duquesa. Ainda assim, ela deixou escapar um longo suspiro quando
ele deixou seu lado e foi sentar-se em frente a ela em seu lugar habitual na
longa, e impressionante mesa.
Normalmente, havia mais pessoas nestes jantares do que apenas eles
quatro. Às vezes, o Sr. Cale e sua esposa vinham, às vezes os homens do
duque participavam, e às vezes todos eles de uma vez. Lisette era muito mais
social do que Dorinda, e Sua Graça satisfazia sua esposa descaradamente.
Além disso, o duque parecia gostar de ter pessoas a sua volta. Segundo os
relatos, ele tinha vivido uma vida muito solitária antes que Lisette aparecesse.
O mesmo tipo de vida solitária que se estendia a Dorinda.
Ela estremeceu. Não importava. Melhor uma vida solitária que passar uma
vida tentando satisfazer as expectativas impossíveis de um homem.
Mas, oh, era tão difícil olhar para ele e saber que esta era a sua última noite
juntos, que ela teria que evitá-lo a partir de agora. Ele estava usando um dos
dois casacos de noite que ele parecia possuir, e uma gravata que estava
lamentavelmente mal engomada. Ele precisava de uma esposa. E ela queria
desesperadamente ser aquela a se casar com ele.
Assim que a sopa foi servida, Lisette sorriu conscientemente para Dorinda.
—Então, Dr. Worth me disse que você foi gentil o suficiente para trabalhar na
organização de seu consultório de qualquer modo.
—Ele me pediu —, disse Dorinda. —Como eu poderia recusar?
—Especialmente depois que ela viu o estado em que estava —Percy
pontuou. —Ela poderia dizer sem demora que só um especialista poderia
controlar minha bagunça. —O olhar de Percy travou com o dela. —Estou
surpreso que ela não apenas fugisse gritando do local no momento que ela viu
o caos. Mas, então, a viúva não é o tipo que corre de seus problemas. Ela os
encara de frente.
Ela enrijeceu com a nota de reprovação em sua voz. Ele não entendeu. Ele
nunca iria entender. —Às vezes enfrentar os problemas de frente é a
abordagem errada. Alguns tipos de problemas não podem ser resolvidos
diretamente, e é melhor apenas evitá-los.
—Claramente, você não tem fé suficiente em suas habilidades —, ele
respondeu. —Você definiu as coisas muito bem em meu consultório. E dentro
de um período extremamente curto, também.
—É mesmo? —Com os olhos brilhando, Lisette tomou um gole de sopa e
examinou os dois. —Não deve ter sido um espaço muito curto de tempo, por
Dorinda ter voltado para casa apenas uma hora atrás.
—Você tem me espionando? —Dorinda disse intencionalmente. Quando
Lisette piscou, e então ruborizou, Dorinda amaldiçoou sua língua rápida.
—Mas você está certa, me levou o dia inteiro.
—O que permitiu nos conhecermos melhor —, disse Percy. —Eu tenho que
te agradecer por isso, Sua Graça. Estou muito grato que tive a oportunidade de
vir a conhecer sua prima tão completamente.
As lindas palavras, tão típicas dele, fizeram seu coração torcer em seu
peito. Só tardiamente ela pegou o duplo sentido nas palavras —conhecer sua
prima tão completamente. —Ela abafou um suspiro. —Dr.Worth tem um
esqueleto em seu escritório —, disse ela alegremente, determinada a mudar de
assunto. —Seu nome é Seymour.
—Eu conheci Seymour, o indomável —, o duque colocou. Um sorriso
cruzou os lábios. —Eu creio que ele não lhe deu nenhum problema.
—Apenas uma vez —, Percy disse calmamente, —quando ele caiu com
inveja de mim por ter a companhia da bela Dorinda.
Lisette trocou um olhar significativo com o marido ao uso do nome cristão
de Dorinda por Percy.
Dorinda poderia ter estrangulado Percy por isso. —O pobre Seymour não
estava ciumento. —Ela olhou para Percy. —Ele provavelmente estava apenas
cansado de ser empurrado para um lado para atender caprichos dos vários
médicos.
Percy olhou fixamente para ela. —Ou talvez ele estivesse protestando por
estar tão alheio ao que realmente estava acontecendo.
—Duvido, —Dorinda estalou. —Ele provavelmente apenas ansiava por um
lugar para respirar. Ou mesmo um local para exercitar. —Ela lançou a Percy
um olhar triunfante. —Talvez ele quisesse uma caminhada ao ar livre, onde
ninguém tivesse qualquer expectativa dele.
—Nós ainda estamos falando sobre um esqueleto, não estamos? —, Disse
Lisette, parecendo confusa.
—Eu ouso dizer que você poderia servir-se de algum exercício mesmo, Dr.
Worth, —Dorinda continuou. —É muito revigorante.
O duque estava assistindo-os agora, também, com os olhos cerrados.
Dorinda não pode se enganar com o enrijecimento dos ombros de Percy
antes dele lançar um olhar ferozmente determinado. —Eu mesmo prefiro
cavalgar. Não há nenhum exercício mais maravilhoso, em minha opinião.
—Atenuando uma pontada rápida de decepção que ele leu seu significado e
estava indo de encontro a seu plano original, ela disse bravamente —Cavalgar
é muito perigoso. Andar é muito mais seguro.
—Bobagem —. O abrandamento súbito em seus olhos a pegou de surpresa.
—Eu suponho que você esteja pensando naqueles médicos que afirmam que
uma mulher vá prejudicar suas chances de ter filhos, se ela cavalgar. Mas não
é verdade.
Ela prendeu a respiração, a dor cortou através dela. Ele traria o assunto até
aqui? Diante de seus amigos?
—Claro que não é verdade —, Lisette pontuou, alegremente inconsciente da
tensão na sala quando ela disparou ao marido um olhar tímido. —Eu
costumava cavalgar o tempo todo, e claramente isso não me impediu de…
bem… vocês sabem.
—Eu não estava pensando nos perigos para uma mulher conceber —, disse
Dorinda com os dentes cerrados. —Eu estava pensando em quantas vezes um
cavaleiro, por vezes, dá um salto selvagem e se acaba machucado.
—Bem, é claro que os cavaleiros devem ser cuidadosos —o duque
começou.
—É melhor dar um salto selvagem do que se esconder em um canto, você
não acha? —Percy estalou seu olhar quente sobre ela.
—Eu não quero me esconder em um canto —, Dorinda atirou de volta. —Eu
quero andar. Sozinha. Para exercitar. Porque é melhor para a minha saúde do
que cavalgar.
Ele olhou-a de cima abaixo. —Vamos, Dorinda, eu sei que você gosta de
cavalgar. Eu ouvi você falar sobre isso em termos radiantes. —Com um brilho
teimoso em seus olhos, ele acrescentou: —E não apenas andar a cavalo. Todos
os tipos de cavalgada. Por que, apenas essa tarde…
Ela saltou em seus pés. Ela tinha que acabar com isso antes que ele
arruinasse sua reputação perante seus amigos! —Dr. Worth, eu posso ter uma
palavrinha com você na sala de estar, por favor?
O triunfo iluminou seu rosto. —Certamente —, ele demorou, enquanto se
levantava. —Eu gostaria de falar com você também.
—Está tudo bem? —Lisette chamou ansiosamente enquanto Dorinda partia
sem esperar para ver se Percy a seguia.
Para sua surpresa, foi o duque quem respondeu. —Deixe-os, querida. Você
já fez o suficiente.
—Mas Max...
Dorinda não ouviu o resto. Ela já estava no meio do corredor. Ela podia
sentir Percy quente em seus calcanhares, e ela se preparou para uma luta.
Assim que os dois entraram na sala de estar e ele fechou a porta, ela se
virou para ele. —Você se recusa a desistir. Você se recusa só...
—Sim, eu sei —, ele interrompeu quando se aproximou. —Eu não posso
desistir. Eu te amo, Dorinda.
As palavras a pegaram totalmente desprevenida. Por um momento, seu
coração disparou. Mas então ela percebeu que isso não mudava nada e seu
coração despencou. Maldito homem! Ela deveria ter sabido que ele iria tirar
um truque sujo como esse.
—Mesmo que você não me ame agora —, ele continuou, —talvez com o
tempo…
—É claro que eu te amo! —Ela explodiu, incapaz de fingir o contrário, não
quando seu coração estava quebrando. —Você acha que eu deixaria qualquer
homem fazer amor comigo? Mas esse não é o ponto. Eu não posso ter filhos e
isso é o que você quer... crianças. Não tente me dizer que você não quer,
porque não importa o que você diga, eu sei a verdade.
—Você está certa —, disse ele suavemente. —Eu quero filhos. Eu não vou
negar isso. Eu só preciso saber uma coisa. Você os quer?
A crueldade dessa pergunta à fez querer chorar. —Sim, é claro! —, Ela
engasgou. —Mas não que isso signifique tortura e remédios horríveis e...
—Não significa. —Caminhando, agarrou-lhe as mãos e não a deixou ir.
—Eu não deveria ter deixado você com qualquer medo de que pudesse haver.
Eu tratei nossa última discussão muito mal; Eu admito isso. Mas eu quis dizer
o que eu disse antes. Eu nunca deixaria a mulher que eu amasse passar por
isso.
—Você diz isso agora, mas...
—Deixe-me terminar. Depois que você saiu, eu pensei sobre tudo o que
você me disse. Eu pensei sobre o que eu queria, e eu percebi que eu queria
filhos. Eu quero ter uma família com você. —Quando ela enrijeceu,
acrescentou rapidamente: —Mas eu não me importo se os nossos filhos
venham de seu útero ou do hospital de crianças abandonadas. Contanto que
você não se importe, podemos ter moleques de Spitalfields.
Ela olhou para ele, atordoada, e ele a puxou para mais perto. —É você que
eu quero. Que eu preciso na minha vida. E eu vou fazer o que precisar para
convencê-la disso.
Por mais que tentasse resistir a elas, as ternas palavras infiltraram sob suas
defesas para roubar seu coração. Ele aceitaria crianças abandonadas? Ou
moleques? Por ela? —Você ainda não teria nenhum herdeiro real. As leis da
Inglaterra não permitem uma adoção verdadeira.
—Por que isso importa?—Ele segurou sua cabeça entre as mãos. —Não é
como se eu tivesse uma grande propriedade vinculada ou um título que deve ir
para meus herdeiros do sexo masculino. Ainda posso deixar meus pertences
para qualquer uma das crianças que acolhermos. Enquanto tivermos uma
criança para amar e criar, para educar e ensinar teremos exatamente o que
queremos.
Lágrimas começaram em seus olhos e ela tentou conter em vão. Ele estava
lhe oferecendo esperança, pela primeira vez, que sua vida não tinha que ser
como Edgar tinha ditado. Ela poderia ser o que quisesse… com ele.
Ele enxugou as lágrimas com os polegares. —Vejo agora que eu tentei te
apressar em algo que você não estava pronta. Você é arisca com os médicos, e
eu não entendi até hoje à noite o quão profundo esse medo estava. Não até que
você saiu e me deixou —Ele deu uma respiração irregular e baixou a voz.
—Eu não quero perder você, querida. Não agora que eu a encontrei.
—Oh, Percy, —ela murmurou, finalmente começando a acreditar nele.
—Eu sei que você não tem nenhuma razão para confiar em mim de que eu
não vá machucá-la. Então, tudo que eu peço agora é que você me dê uma
chance. Deixe-me cortejá-la corretamente. Deixe-me mostrar que posso ser
confiável.
Foi o discurso mais doce que já tinha ouvido, e ocorreu-lhe de repente que
Edgar teria sido incapaz disso. Ele não podia ter aceitado uma adoção mais do
que ele poderia ter saltado para a lua. E ele certamente nunca teria admitido
que lidasse —mal com qualquer coisa. —Edgar realmente tinha sido um
idiota.
Além do mais, quando ela se casou com Edgar, ela não tinha noção de sua
urgência em um herdeiro. Eles tinham se cortejado durante um mês sem que ela
soubesse. Então, se Percy queria cortejá-la durante semanas e ainda esconder
algo dela, ele podia. Mais tempo juntos não ia dizer a ela mais do que ela já
tinha aprendido durante seus meses de amizade. Ele era um bom homem. Ela
sabia disso até os ossos. Ele não mentiria para ela. Na verdade, ele não tinha
mentido para ela ainda.
E olhando para cima em seu rosto querido, ela sabia a verdade. Nada disso
importava, de qualquer maneira. Ela o amava. Ela queria se casar com ele.
Era hora de parar de ser uma covarde. Era hora de dar uma chance.
Ela cobriu suas mãos com a dela. —Eu não acho que um namoro seja sábio.
Por um lado, você ainda precisa de alguém para ver sobre a contratação de
uma ajudante. Por outro lado, você sempre estará tentando seduzir-me para sua
cama de qualquer modo, por isso, faz muito mais sentido para nós tirar as
formalidades do caminho para que possamos começar a…
Ele apagou suas palavras com um beijo que deixou sua cabeça
cambaleando e os dedos dos pés dançando. Quando finalmente se afastou, ele
estava sorrindo. —Então, afinal de contas você não vai me condenar a uma
vida sozinho com Seymour?
Com o coração cheio, ela balançou a cabeça. —Seymour sabe muito pouco
sobre a compra de bandejas de chá, —ela disse levemente. —E absolutamente
nada sobre a organização de frascos de emolientes.
—Eu estava pensando sobre como me livrar de Seymour de qualquer modo.
Não gostaria de assustar os pacientes.
—Ou nossos filhos —, ela disse suavemente. —Quem quer que seja.
Seu sorriso desapareceu e ele a puxou para mais perto ainda. —Nunca se
afaste de mim de novo, amor. Eu não acho que poderia suportá-lo.
—Eu não vou —, prometeu.
Desta vez o beijo foi mais suave e mais íntimo. O beijo de um homem e sua
futura esposa. Quando acabou, ele murmurou, —acho que devemos dizer ao
duque e a duquesa.
Ela arqueou uma sobrancelha. —Este sucesso só vai incentivar Lisette a se
intrometer ainda mais, você sabe.
—Bom. —Colocando a mão em seu braço, ele a puxou em direção à porta
da sala. —Ela faz isso muito bem. E Seymour poderia servir-se de uma
esposa, você não acha?
Quando ela caiu na gargalhada, eles saíram para o corredor e para sua nova
vida. Juntos.

Fim
[1] Palavra dita por piratas que essencialmente não significa nada. Geralmente uma resposta a uma
afirmação ou uma exclamação comum
[2] 'olá, amigo' – expressão pirata.
[3] Um tipo de jogo de cartas
[4] O som dessas duas palavras: ver mais, em inglês: see more é parecido com o som do nome
Seymour. Dai o trocadilho
[5] Skeleton Key em inglês. Mais um trocadilho com a palavra esqueleto