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HOMOSSEXUALIDADE

E A

BÍBLIA

É POSSÍVEL AGRADAR A DEUS


MESMO TENDO DESEJOS
HOMOSSEXUAIS?

COMUNIDADE CRISTÃ ABRAÇA-ME


SUMÁRIO

0- INTRODUÇÃO                                                 Pág. 03

1 - SODOMA E GOMORRA (GÊNESIS 18-19) -       Pág. 05 

2 - LEVÍTICO 18,22 e 20,13                                    Pág. 07

3 - ROMANOS 1, 21-28                                          Pág. 11

4 - 1 CORÍNTIOS 6,9-10 E 1 TIMÓTEO 1,10            Pág. 13

                   Assim Cremos na Bíblia...

Em linha com nossa definição de inspiração divina, vemos a Bíblia como um

instrumento que o Espírito Santo usa para se comunicar diretamente e

pessoalmente com cada um de nós, na medida que permitimo-lo que o faça.

Nós, seres humanos adoramos mistérios, não é mesmo?

E a Bíblia nos oferece todos os mistérios, de todos os tempos. Entendemos

também que Deus pretendia que não houvesse uma única interpretação das

Escrituras. Cremos que Deus queria que houvesse espaço para várias

diferentes interpretações, vários diferentes tipos de entendimento, muitas

maneiras diferentes de se olhar as Escrituras, sempre guiadas pelo Espírito

Santo. 
Introdução

Nestas páginas vamos tentar rever todas as passagens bíblicas relevantes que

são conhecidas por supostamente condenar a homossexualidade. Nós

tentaremos identificar as bases históricas da homofobia. Vamos dar uma

rápida olhada nos problemas encontrados pelos pesquisadores ao interpretar o

que os autores originais quiseram nos dizer a respeito de Deus e dos seus

desígnios e desejos para as pessoas homossexuais. Começaremos por

perguntar e responder algumas questões.

A Bíblia condena a homossexualidade? Se você cresceu na tradição judaico-

cristã, é bastante provável que você tenha aprendido que a resposta para esta

questão seja sim. Entretanto, nós vamos juntos explorar a Bíblia e descobrir

que não só não há nenhum tipo de condenação à homossexualidade como é

conhecida nos dias atuais, mas também iremos descobrir que a Bíblia contém

muitas passagens que são afirmações positivas de amor, compaixão e

heroísmo em relação aos homossexuais.

Como surgiu a idéia de condenação da homossexualidade? Philo de

Alexandria, que foi um importante pesquisador do Judaísmo, e que viveu

entre 20 AC ate 50 DC teve uma grande influência na interpretação bíblica.

Em relação à sexualidade ele ensinou que uma das funções primárias de todo

homem era a procriação e que toda e qualquer expressão sexual que não

produzisse descendência legítima era “antinatural”. Em um contexto onde a

violência de vizinhos contra vizinhos era muito comum e onde o tamanho de

sua família (principalmente os filhos e suas famílias) garantiria proteção, onde

a única segurança e amparo dispensados aos idosos dependeriam de seus

filhos e netos, é extremamente fácil de se perceber a importância de se ter uma

abundante descendência.

Se a condenação à Homossexualidade é uma idéia da Antiguidade, porque

muitas Igrejas ainda a ensinam hoje em dia? Tradição! Tradição foi definida

como a homenagem que se presta aos mortos. Baseando seus ensinamentos

nos ensinamentos de Philo e de outros, a Igreja tem mantido as suas portas

fechadas aos homossexuais durante a maior parte dos últimos dois mil anos. 
   Pior ainda: a história está repleta de relatos de atos lastimáveis e tortura

perpetrados contra homossexuais, sem mencionar as execuções.

 Os pesquisadores heterossexuais não tiveram razão para pesquisar o que a

Bíblia diz a respeito da homossexualidade e dos homossexuais. Caso

pesquisadores homossexuais tivessem pesquisado este assunto, teriam

certamente sido perseguidos e seriam eles mesmos vitima de perseguição e

execução. Não se começou nenhuma pesquisa séria a este respeito antes do

século XX.

   Quer dizer que a Igreja intencionalmente omitiu informações por que estas

iam contra às tradições? Sim, os Pesquisadores têm até um nome para isto:

Ciclo Hermenêutico. De uma maneira simplificada vejamos como funciona:

Hermenêutica, em primeiro lugar, é a prática da interpretação bíblica. A

interpretação de escrituras é sempre necessária porque nem tudo o que um

escritor pensa ou experimenta pode ser interpretado literalmente ou no popular

“ao pé da letra”. Além disto, palavras podem ter mais de um significado, e em

caso de interpretação de escrituras em que foram utilizadas línguas da

Antiguidade, dificuldades adicionais certamente surgem.  Existem vários

problemas inerentes à tentativa de se traduzir, com precisão, a Bíblia. Os

manuscritos mais antigos que se conhece foram escritos em hebraico e no

antigo caldeu. No hebraico antigo não se escreviam as vogais. Alguém teve

que determinar quais vogais estavam nas palavras, de acordo com o contexto

do que estava escrito. Se você quer saber o quão difícil é perceber tudo o que

está escrito sem o uso de vogais, tente simplesmente voltar dois parágrafos,

retire as vogais, e veja se você pode entender perfeitamente o que está escrito.

Vamos tentar com uma frase: mn snr d s dstn.  Se você conseguiu ler: O

Homem é Senhor de seu destino, você está de parabéns. Então você já está

pronto para o próximo passo. Tome as Escrituras Hebraicas, também

conhecidas como o Antigo Testamento, retire todas as vogais, e veja o que

você consegue ler e entender. Use uma versão da Bíblia que não seja uma

versão “na Linguagem de Hoje”, a qual já é por si mesma uma tradução um

pouco distante do Português que falamos correntemente, o que já representa

por si só um desafio ao entendimento perfeito.

   Você está disposto e desejoso de confrontar seus paradigmas? Então

vamos a lá... 

 
HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA

1) SODOMA E GOMORRA (GÊNESIS 18-19)

   “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu
rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei”...(Oséias 4, 6)
A passagem do livro do profeta Oséias (4, 6) é muito séria! Muitos
homossexuais e heterossexuais foram enganados simplesmente por falta de
conhecimento, porque não se aplicaram em conhecer e estudar a fundo as
Escrituras, buscando o direcionamento do Espírito Santo para compreender
estas pouquíssimas passagens, que tão facilmente podem ser explicadas. Nesta
parte, faremos uma abordagem a todas as passagens intencionalmente
interpretadas contra os homossexuais.

   Não pense que as interpretações acerca do pecado de Sodoma e Gomorra


foram sempre as mesmas. Na verdade, elas têm sido variadas entre os tempos
e por último, para sustentar um preconceito, há alguns séculos os homofóbicos
passaram a afirmar que a destruição havia sido por causa da
“homossexualidade”.

   Leia os textos dos capítulos 18 e 19 de Gênesis e sem “pré-conceitos”


entenda realmente o que aconteceu. Perceberá que os homens daquelas cidades
queriam violentar sexualmente os anjos que chegaram à casa de Ló. Caso você
nunca tenha ouvido falar, consulte livros de história, enciclopédias, internet...
sobre o assunto xenofobia, que é a repulsa a coisas ou pessoas estrangeiras,
medo e ódio aos estrangeiros.

   Por que o medo de nações estrangeiras? Lembra dos “espias de Jericó”?


Existia uma estratégia de guerra e dominação entre os povos da Antiguidade
de enviarem seus espiões para examinar a terra inimiga e voltarem às suas
contando sobre todos os procedimentos e andamentos das cidades a serem
invadidas. Uma forma de intimidar e refrear o envio de espiões, era
violentando sexualmente os “visitantes”.

   Voltando ao contexto, se fosse uma questão de homossexualidade pura e


simples, por que haveria Ló de oferecer suas filhas virgens? Ele não seria tão
estúpido para oferecer mulheres a um bando de homossexuais abusadores. 
   Se ele ofereceu suas filhas, é porque sabia que os mesmos não eram
homossexuais. Esta situação de repulsa aos estrangeiros é logo encontrada
alguns livros a frente do Antigo Testamento e pouco se fala sobre este texto
da Bíblia. “Estando eles alegrando o seu coração, eis que os homens daquela
cidade (homens que eram filhos de Belial) cercaram a casa, batendo à porta; e
falaram ao ancião, senhor da casa, dizendo: Tira para fora o homem que
entrou em tua casa, para que o conheçamos. E o homem, dono da casa, saiu a
eles e disse-lhes: Não, irmãos meus, ora não façais semelhante mal; já que
este homem entrou em minha casa, não façais tal loucura. Eis que a minha
filha virgem e a concubina dele vo-las tirarei fora; humilhai-as a elas, e fazei
delas o que parecer bem aos vossos olhos; porém a este homem não façais
essa loucura.” (Juízes 19, 22-24).

   Estas histórias apenas confirmam os assuntos que seguem, por isso é


importante que você leia com muita atenção. Este tipo de atitude para Deus é
degradante. Violentar sexualmente uma pessoa, com o prazer de humilhar
uma orientação sexual que não lhe era natural. Isto é exatamente o contrário
da vontade de partilhar afetivamente uma vida a dois.

   O profeta Ezequiel revela o verdadeiro pecado de Sodoma: “Eis que esta


foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância
de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e
do necessitado.” (Ezequiel 16, 49). Sodoma cometeu abominação por sua
constante hostilidade, segregação e agressão ao ser humano. Trazendo esta
questão para os nossos dias, podemos afirmar que o papel “sodomita”
atualmente é desempenhado pelas próprias igrejas homofóbicas, pelo alto
grau de rejeição a seres humanos, vidas, enfim, a toda uma comunidade de
pessoas que Deus aceitou em amor.

   Jesus repreende com severidade estas atitudes de rejeição a pessoas: “E


quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? Ou nu, e te vestimos? E
quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o
Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus
pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então dirá também aos que estiverem à
sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado
para o diabo e seus anjos; Porque tive fome, e não me destes de comer; tive
sede, e não me destes de beber. Sendo estrangeiro, não me recolhestes;
estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes. Então,
eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome,
ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te
servimos? Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando
a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. E irão estes para
o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.” (Mateus 25,38-46).
2) LEVÍTICO 18,22 e 20,13

   Pois, com efeito, o mandamento anterior é


ab-rogado por causa da sua fraqueza e
inutilidade (pois a lei nenhuma coisa
aperfeiçoou), e desta sorte é introduzida uma
melhor esperança, pela qual nos
aproximamos de Deus. (Hebreus 7,18-19).

   Transcrevemos um e-mail que circula na Internet de autor desconhecido


muito usado em diversos estudos sobre o tema desta obra. É a resposta a uma
locutora homofóbica de uma rádio evangélica norte-americana que adora usar
o Livro Levítico para condenar os homossexuais.
 “Querida locutora, Gosto muito do Livro de Levítico e concordo que os
cristãos devem sim viver debaixo da lei. Afinal, para que um sacrifício único
e suficiente em Jesus Cristo?

   Veja aqui mais alguns exemplos: “Fala a Arão, dizendo: Ninguém da tua
descendência, nas suas gerações, em que houver algum defeito, se chegará a
oferecer o pão do seu Deus. Pois nenhum homem em quem houver alguma
deformidade se chegará; como homem cego, ou coxo, ou de nariz chato, ou
de membros demasiadamente compridos. Ou homem que tiver quebrado o pé,
ou a mão quebrada, ou corcunda, ou anão, ou que tiver defeito no olho, ou
sarna, ou impigem, ou que tiver testículo mutilado.” (Levítico 21, 17-20). ?   
   
   Para que uma Nova Aliança no Espírito deixando todo o conteúdo, rituais,
sacrifícios da lei mosaica de lado? Mas tenho alguns problemas em
cumprimento da Lei. Será que você poderia me ajudar?

• Eu sei que quando eu queimo um bezerro no altar, como um sacrifício, o


odor que se desprende é cheiro suave e agradável ao Senhor.(Levítico 1, 5-9).
O problema são meus vizinhos. Eles dizem que o odor não é nada agradável e
ameaçam chamar a Saúde Pública, que também não gosta do odor. Que devo
fazer?

• Levítico 11, 7-8 - diz que ao tocar o cadáver de um porco me torna impuro.
Poderei praticar algum esporte com bola feita de pele de porco, caso use
luvas?

• Levítico 11, 12 - diz que comer marisco é abominação. É uma abominação


maior ou menor do que a homossexualidade?

• Eu sei que não devo ter contato com uma mulher durante o seu período
menstrual (Levítico 18,19). O problema é; como saber? Sempre que pergunto,
a maioria das mulheres se sentem ofendidas.
 • Levítico 19,19 - diz-me que não posso plantar tipos diferentes de sementes
no mesmo campo, e nem usar roupas feitas de dois tipos diferentes de
material. Devo concluir que serei condenado se tiver uma hortazinha no
fundo do quintal com alguns vegetais e temperos, ou se usar uma camisetinha
básica, de algodão e poliéster.
• A maioria das pessoas que conheço corta o cabelo de vez em quando, apesar
de que isso é expressamente proibido (Levítico 19, 27). Estaremos todos
condenados?
• Levítico 21,16-20 - declara que eu não posso me aproximar do altar de Deus
se eu tiver um defeito físico. Eu uso óculos. Será que Deus faz “vista grossa”
para este pequeno detalhe?
• Levítico 25, 44 - declara que eu posso possuir escravos ou escravas, desde
que tenham sido comprados em um dos países vizinhos. Um amigo meu
insiste que essa regra se aplica a argentinos e paraguaios, mas não a
uruguaios. Poderia me orientar? Por que não me é permitido possuir escravos
uruguaios?” No Antigo Testamento, a aliança de Deus com o povo de Israel
dependia do cumprimento da lei mosaica, que compõem os cinco primeiros
livros da Bíblia chamado Pentateuco , e que posteriormente foi compilado
pelo filósofo judeu Maimônides em seiscentos e treze mandamentos.

Hoje, como cristãos, vivemos na Nova Aliança ou tempo da graça e não


estamos sujeitos a estas proibições da lei de Moisés; tanto é que, por
exemplo, não guardamos os sábados, comemos carne de porco, camarões
(Deuteronômio 14,3-21), alimentos com sangue (Deuteronômio 12) etc.

A lei era por demais austera e disseminava, por isso mesmo muito
preconceito, impedindo o livre acesso de todos a uma vida plena com Deus.
Veja aqui mais alguns exemplos: “Fala a Arão, dizendo: Ninguém da tua
descendência, nas suas gerações, em que houver algum defeito, se chegará a
oferecer o pão do seu Deus. Pois nenhum homem em quem houver alguma
deformidade se chegará; como homem cego, ou coxo, ou de nariz chato, ou
de membros demasiadamente compridos. Ou homem que tiver quebrado o pé,
ou a mão quebrada, ou corcunda, ou anão, ou que tiver defeito no olho, ou
sarna, ou impigem, ou que tiver testículo mutilado.” (Levítico 21, 17-20).

Pobre daquele que tivesse o mínimo defeito. Imagine você quem usa óculos,
tem o nariz chato, teve uma doença de pele, quebrou a mão ou o pé... um
portador de necessidades especiais (cego, coxo, corcunda...), anão, eunuco
(que entrasse na categoria mutilação), jamais teriam livre acesso a Deus.
Exatamente por esta razão, o Apóstolo Paulo será categórico ao afirmar que a
lei em nada aperfeiçoou a vida humana: “Pois a lei nenhuma coisa
aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual
chegamos a Deus.” (Hebreus 7, 19).
   Certa vez ouvi uma história muito interessante sobre os judeus
homossexuais e o cumprimento da lei mosaica através de um amigo judeu e
gay. Perguntei ao mesmo sobre como eles faziam para seguir a lei mosaica e
a resposta foi: “Pastor, mesmo os judeus ortodoxos gays tem relacionamentos
homossexuais sem muitas dificuldades.

   Um advogado sabe que na lei é fácil encontrarmos uma brecha; o texto fala
para não se deitar como se fosse uma mulher. Assim muitos judeus gays
resolveram o problema não tendo relação com penetração, pois não estaria
nenhum dos dois como ‘mulher fosse’, já que assim procedendo, o casal não
incorreria nesta questão prevista pela Halachá . Por outro lado, como na lei
judaica não há referência alguma sobre uma mulher deitando-se com outra
mulher, como homem fosse ou coisas do gênero, não há problemas em
relação às mulheres lésbicas.”

   Uma lei é passível de ser burlada, entretanto nossa Aliança com Cristo
passa necessariamente por uma relação profunda com o Espírito Santo,
relação está impossível de ser burlada, já que ela é a base sobre a qual
podemos viver plenamente a mesma Aliança pela justificação que o próprio
Cristo nos concede. “E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser
justificados, por ele é justificado todo aquele que crê.” (Atos 13, 39). E a
própria homossexualidade está inscrita precisamente nesta justificação.

   Com Jesus nada mais precisa ser burlado, já que vivemos em uma Nova
Aliança, pois a letra mata, mas o Espírito do Senhor vivifica (2 Coríntios
3,6); Jesus Cristo trouxe a todos esta nova aliança. Na ministração da Ceia do
Senhor, seguindo os ensinamentos de Jesus, verbalizamos e afirmamos estar
bebendo o sangue da “Nova Aliança”. Isto significa que não precisamos viver
no cumprimento dos preceitos e prédicas da lei mosaica, pois temos acesso
direto a Deus pela Graça de Jesus Cristo, através deste que é a própria Palavra
viva de Deus.

   Assim: “O fim da lei é Cristo para a justiça de todo aquele que crê.”
(Romanos 10,4).
O Senhor Deus nos resgatou da lei, enviando o seu próprio filho Jesus que já
pagou nossos pecados (cumprindo a própria lei) para que não fossemos mais
subjugados a maldição dos antigos rudimentos mosaicos, afinal: “Cristo nos
resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós.” (Gálatas l 3,13). A
Epístola de Paulo aos Gálatas revela que aqueles que insistem na
continuidade das práticas da Lei estão em maldição para com Deus. “Pois
todos quantos são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito
está: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão
escritas no livro da lei para fazê-las.” (Gálatas 3,10).
   Veja que a Lei em nada aperfeiçoou a vida dos homens e o propósito do
Senhor Deus já era de introduzir uma esperança em um plano mais amplo.
“Pois, com efeito, o mandamento anterior é ab-rogado por causa da sua
fraqueza e inutilidade (pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou), e desta sorte é
introduzida uma melhor esperança, pela qual nos aproximamos de Deus.”
(Hebreus 7,18-19).

   A nova lei se estabelece em Cristo a partir do Amor e o fruto da nova


aliança no Espírito Santo consiste na própria essência do amor; contra o amor
nenhuma lei prevalece. “Mas o fruto do espírito é: o amor (...) contra estas
coisas não há lei.” (Gálatas 5,22.23).
Ultrapassadas estas questões faremos a exegese do texto do livro Levítico
18,22 e mostraremos que mesmo na antiga aliança a relação de amor entre
pessoas do mesmo sexo não era condenada.

   Primeiramente, esta era uma lei que tinha como principal objetivo impedir
que o povo de Deus se envolvesse em práticas de rituais dos povos
circunvizinhos. Lembre-se de que, nesta época, o povo de Israel estava no
meio do deserto e se desviava constantemente dos propósitos de Deus, por se
misturar com os costumes de outros povos, dentre eles práticas de idolatria,
prostituição cultual e sacrifícios sexuais a outros deuses que sempre
envolviam a questão do sexo “contra a natureza.”

   Situe-se no contexto: “Não procedereis como se faz na terra do Egito, onde


habitastes; não procedereis como se faz na terra de Canaã, para onde os
conduzo”. (Levítico 18, 3).
A partir de uma análise histórica daquela região na Antiguidade,
compreendemos que a prática homossexual no Egito e em Canaã estava
articulada diretamente à cultos ligados a questão do êxtase e da fertilidade,
criando todo um conjunto de exercícios de prostituição ritual abominável aos
olhos de Deus.

   Todo tipo de prática sexual era utilizada nestes rituais, incluindo sexo entre
pessoas do mesmo gênero, mas não apenas este. Por exemplo, nestes rituais,
famílias inteiras de agricultores quando desejavam uma colheita próspera,
promoviam cultos de fertilidade nos templos destes “deuses” onde pais, mães,
filhos... todos praticavam sexo ao mesmo tempo com os prostitutos cultuais
ou os chamados “prostitutos sagrados” em sacrifício. O livro do Levítico não
estava proibindo formas de relacionamento homossexual em amor (ou seja, o
que hoje entendemos como homoafetividade), mas uma condenação a esta
forma de adoração a outros deuses e também a esta forma de sacrifício
idólatra, que se distanciava da adoração que se recomendava fazer ao Deus de
Abraão. 
Algo que fornece um precioso embasamento aos nossos argumentos é que a
própria palavra traduzida como “abominação” (no hebraico “toevah”) nos
textos do Antigo Testamento, somente é utilizada num contexto de idolatria
em toda a lei.

   Desta forma, podemos ler este texto de Levítico 18,22 como: “Com um
homem não te deitarás, como se fosse mulher. É prática de idolatria.”

   Em Deuteronômio 23,17 (também outras passagens, principalmente no


livro dos Reis) observamos a confirmação sobre a existência da prostituição
cultual e o que o texto do Levítico estava condenando. Veja “Não haverá
prostituta sagrada entre as israelitas, nem prostituto sagrado entre os
israelitas” (Deuteronômio 23, 17 – versão da Bíblia de Jerusalém ).

   Algumas traduções bíblicas mais tendenciosas do Antigo Testamento


trocam a terminologia: “prostituto sagrado” pela palavra “sodomita” já
criando uma falsa idéia de que o texto estava se referindo aos homossexuais;
aqui encontramos uma clara e mal intencionada manipulação das Sagradas
Escrituras Sagradas para construir uma doutrina homofóbica onde o pecado
de Sodoma corresponderia proposital e diretamente à homossexualidade.

   Perceba a malícia: “Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem


haverá sodomita dentre os filhos de Israel.” (Deuteronômio 23, 17).

   A troca só nos ajuda a compreender que há sim uma manipulação da


própria semântica bíblica em algumas passagens com a exclusiva finalidade
de fomentar preconceito e exclusão.

   Por fim, ao longo desta obra teremos visto claramente que as Escrituras
Sagradas jamais fizeram qualquer menção negativa ao relacionamento de
amor entre duas pessoas do mesmo sexo. O que as Escrituras condenam
realmente são as práticas de prostituição cultual e “sagrada”, a violência, e o
abuso sexual e práticas de sexo contra a natureza, ou seja, privadas de
contato, afeto e reciprocidade.

3) ROMANOS 1, 21-28

Portanto, agora nenhuma

condenação há para os que estão

 em Cristo Jesus, que não andam

 segundo a carne, mas segundo o Espírito.(Romanos 8, 1).


   Existe uma expressão muito intrigante que diz: “texto sem contexto é
pretexto”. Não resta dúvida que a mensagem bíblica é atemporal, poderosa e
eterna; mas sua narrativa necessita naturalmente de uma contextualização
apropriada. Aqui nesta passagem da carta do Apóstolo Paulo aos cristãos de
Roma devemos indagar questões como: qual tipo de sexo era praticado
naquela cultura? A qual tipo de relação sexual estava o apóstolo se referindo?

   No verso 21, encontramos: “não o honraram como Deus” e logo em


seguida dos versos 23-25 percebemos que o texto se refere ao pecado da
idolatria. Nos versos 26-27, vemos o abandono do seu desejo natural, do seu
prazer natural a uma vida de prática sexual desumanizada.

   Mais uma vez o texto trata da relação sexual que não é advinda de um gesto
de amor, de complemento, de carinho, de unidade, mas “contra a natureza”.
   Pergunte a um homossexual o que lhe é natural na questão sexual. É amar a
uma pessoa do mesmo sexo? Você se complementa em amor com uma pessoa
do sexo igual ao seu ou com alguém de gênero diferente? Ao se provocar a
situação em que alguém naturalmente homossexual tenha de se relacionar
com uma pessoa do sexo oposto, o que se está fazendo na realidade é uma
agressão de ordem mental e física, já que isto se choca frontalmente com a
natureza daquela pessoa.

   Da mesma forma, converse com um heterossexual sobre o que seria natural
para o mesmo. Como o mesmo teria uma vida completa não fugindo da sua
natureza? A resposta seria com uma pessoa do sexo oposto.

   Podemos estudar o contexto da carta aos cristãos da igreja em Roma pela


história, literatura, filmes de época, bem como outras fontes importantes,
como discursos políticos, dramaturgia e a retórica latina.

   Uma das mais fundamentais características da sociedade romana era o seu


desprezo pela questão da identidade sexual. Tudo poderia ser revertido, de
forma obstinada e compulsiva para uma pluralidade descontrolada de atos
sexuais, muitas vezes desumanos e perversos. Um dos personagens mais
famosos daquela época era o Imperador Calígula, soberano de Roma
exatamente na época em que Paulo escreveu esta epístola.

   Historiadores apontam para aspectos do mundo romano bastante marcantes


de seu tempo: a indiferença a questão da natureza sexual dos cidadãos da
“civitas”, o apego cada vez maior aos cultos de fertilidade vindos das
províncias orientais do Império, a criação de adolescentes pelo aparelho de
Estado, distante de suas famílias; neste último caso pode-se observar ainda a
prática, de origem grega, do relacionamento sexual entre rapazes mais jovens
e homens mais velhos, independente de suas orientações sexuais.
   Em determinada fase da vida eles até se casavam com uma mulher, todavia,
o sexo entre homens se inscrevia na questão da honra e da dignidade
aristocrática, já que as mulheres ocupavam socialmente a periferia das
relações sociais, sendo terrivelmente marginalizadas e muitas vezes
consideradas apropriadas exclusivamente para fins de procriação.

   Portanto, duas coisas podemos depreender da sociedade romana que Paulo


testemunhou e na qual de uma certa forma viveu, a despeito de sua formação
judaica: a misoginia e o abuso.

   Há ainda outro aspecto que precisa ser ressaltado: a forma de relação entre
pessoas do mesmo sexo era absurdamente assimétrica, ou seja desigual e
injusta, já que envolvia adultos e crianças, velhos e jovens no mesmo ato.
Não há dúvida que essas práticas, em sua versão perversa, são absolutamente
contra a natureza!

   Concluímos, portanto que a condenação da Carta aos Romanos era a


condenação a experimentação de formas sexuais contra a natureza pelo
simples desejo ou busca por prazer, sem uma orientação sexual
correspondente e inata, estes não tinham a orientação homossexual. Isso nós
também, da mesma maneira que Paulo, consideramos pecado.
                                
 4)  1 CORÍNTIOS 6,9-10
      E 1 TIMÓTEO 1,10

O qual nos fez também capazes de ser


ministros de uma nova aliança, não da letra,
 mas do espírito; porque a letra mata e o
espírito vivifica. (1 Coríntios 3, 6).

“Não vos enganeis: nem impuros, nem


 idólatras, nem adúlteros, nem “malakoi”,nem “arsenokoitai”, nem ladrões,
nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o
reino de Deus.”

Nesta passagem, temos dois termos que chamam a atenção. O primeiro,


“malakoi”, foi traduzido pela versão de Ferreira de Almeida, da Bíblia em
Português, como “efeminados” e o segundo na mesma versão “arsenokoitai”,
como “sodomitas”. Duas palavras equivocadamente traduzidas, em uma clara
operação de adulteração das Sagradas Escrituras.

Também, existem duas versões da Bíblia que fazem traduções para estas duas
palavras que podemos chamar de abomináveis, tratam-se da “Bíblia na
linguagem de hoje” que traduz “malakoi” como “adúlteros” e “arsenoitoitai
 como “homossexuais”; já a “Nova Versão Internacional” – NVI traduz
“malakoi” e “arsenoitoitai” como: “homossexuais ativos” e “passivos”
respectivamente, o que configura um exercício semântico criminoso e
abusivo, ressaltando que estas são as versões da Bíblia preferidas dos
homofóbicos religiosos.

Recomendamos que jamais comprem estas duas versões ou caso vocês já as


tenham, risquem em seus exemplares as palavras falsamente traduzidas e
coloquem as corretas, como mostraremos neste estudo.
Veja como é fácil perceber a manipulação Bíblica. As Escrituras Sagradas
datam de mais de 2000 anos; como seria possível ter na Bíblia a palavra
homossexual se o termo surgiu apenas em 1869, criado pelo escritor e
jornalista austríaco Karl-Maria Kertheby?

Para esclarecermos estas dúvidas precisamos estudar os textos bíblicos em


seus idiomas originais. É fácil comprar em qualquer loja de artigos bíblicos,
uma versão original da Bíblia, do Novo Testamento em grego e verificar estas
palavras. Compre também um dicionário, veja as raízes das palavras no grego
e constate o que mencionamos aqui.

Estas duas palavras podem, de acordo com o contexto em que são utilizadas,
ter mais de um significado. Mas, esteja certo que jamais terão qualquer
sentido real aplicado ao termo homossexual. Neste sentido elas jamais se
aplicarão a um relacionamento de amor e fidelidade entre duas pessoas do
mesmo sexo.

O termo grego “malakoi” literalmente pode ser traduzido como “mole”. E


dentro daquela cultura misógina do primeiro século, podemos dizer que uma
associação com a feminilidade era vista como negativa em termos morais.
Assim, “mole” poderia ser uma descrição de qualquer tipo de comportamento
de vaidade exacerbada ou fraqueza de caráter. Um outro sentido para esta
palavra poderia ser a referência à prostituição cúltica masculina, que também
era muito forte na época e na cultura romanas .

O termo “arsenokoitai” que foi traduzido como “sodomita” na versão de


Ferreira de Almeida, só passou a se referir a prática homossexual na
Alta Idade Média. Provavelmente, alguns homossexuais poderiam estar
incomodando alguns religiosos que não entendiam o que era de fato ser
homossexual!

“Arsenokoitai” consiste em uma palavra de significado por demais obscuro,


lembrando que é grande a quantidade de termos e palavras no grego clássico
que significavam “comportamento homossexual”. 
É preciso lembrar ainda que o Apóstolo Paulo não utilizou nenhuma delas, de

onde podemos concluir que ele se referia realmente a algo muito específico.

Etimologicamente, podemos dizer que o radical linguístico “arsen”, quer dizer

macho e “koitos”, quer dizer cama. Este termo não possui nenhum registro

na literatura grega antes de ser utilizado pelo apóstolo Paulo. Isto parece ser,

portanto um neologismo do próprio Paulo, elaborado na composição desta

epístola. Como o significado original deste neologismo pode ter se perdido no

tempo, isto favorece interpretações grosseiras, sendo esta a palavra predileta para

o arsenal homofóbico e tendencioso. No passado esta palavra antes de “sodomita”

foi usada como “masturbadores” por algumas traduções bíblicas.

Por outro lado, é bom sabermos que nem tudo está perdido, pois hoje temos

algumas traduções bíblicas, mais fiéis aos textos no idioma original. Em

Português, temos a “Bíblia de Jerusalém” que é atualmente a melhor tradução

das Sagradas Escrituras no mundo, onde teólogos judeus, cristãos e protestantes

traduziram do hebraico, aramaico e grego para o francês sem intermediações

pretensamente tradutológicas que acarretariam em qualquer distorção. Assim,

quando queremos uma tradução mais fiel recorrermos à Bíblia de Jerusalém.

As palavras que mencionamos de 1 Coríntios 6, 9 foram traduzidas pela

Bíblia de Jerusalém da seguinte forma: “malakoi” como “depravados” e

“arsenokoitai” como “pessoas de costumes infames”. Já em 1 Timóteo 1,10 a

palavra “arsenokoitai” se repetem e veio na versão da Bíblia de Jerusalém como

“pederastas”, ou seja, adultos que fazem sexo com crianças.

Pederastia, ainda que culturalmente aceita, era moralmente errada em muitos

aspectos, como  demonstrado acima. Não pode de maneira alguma ser

interpretada como uma descrição da homossexualidade, que é o amor

emocional, espiritual, romântico, afetivo, de dedicação mútua, e sexual, entre

parceiros mútuos do mesmo gênero.  

Assim termina nosso estudo.

Este estudo é um resumo, para maior entendimento faz necessário o uso do 

Original A biblia e a Homossexualidade no site

https://www.comunidadeabracame.com.br/homossexualidade
Posso adiantar que creio que a multiforme

 graça de Deus é apta para abarcar a multifacetária

sexualidade humana.

Ninguém, absolutamente ninguém, está excluído do

escopo da graça. O Deus que salva héteros sem que eles

precisem abandonar está prática, também salva gays do

mesmo jeito, assim como; lésbicas, transexuais,

bissexuais, e qualquer que seja a categoria que exista ou

venha a existir.

Não ouse subestimar o escandaloso amor de Deus.

Pastor Cristoffer Zilotti

Proibido a venda, distribuição gratuita

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