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A Bíblia Fala

Estudo 24 - Perto do Lar!


Existe um belo quadro representando um pastor à frente de seu rebanho, ao cair da noite, depois
de haverem passado o dia nos pastos, em demanda agora do redil, para o desejado descanso.
Embaixo, a legenda: "Rumo ao lar." Dóceis e satisfeitas seguem as ovelhas ao pastor. Sabem
para onde as vai guiando, e não se deixam seduzir pelos desvios do caminho.

Assim nos vai guiando nosso sumo Pastor "rumo ao lar" do Céu. Vem já caindo a noite sobre a
Terra, e aproximando-nos do redil eterno. E almejamos o descanso ali.

É evidente que não está distante a hora feliz desse descanso. Diz-no-lo o desdobrar dos
acontecimentos ao nosso redor, cumprindo ao pé da letra as profecias escatológicas. Pormenorizar
aqui este assunto seria tão-somente repisar o que se disse nos estudos anteriores.

Recordemos apenas, resumidamente, alguns desses acontecimentos que assinalam a proximidade


da volta de Jesus Cristo para levar consigo os Seus filhos fiéis.

Os loucos preparativos de guerra das nações, e o consequente romper de hostilidades, cada vez
mais frequente e de proporções cada vez mais abarcantes. Mateus 24:6 e 7.

A generalização da iniquidade, tão nitidamente descrita pelo apóstolo Paulo em sua carta a
Timóteo, seu filho na fé. II Timóteo 3:1 ao 4. Quem discordará do grande apóstolo, ao dizer que
nestes nossos "últimos “dias" a sociedade se corromperia a olhos vistos, aumentando
assustadoramente o número dos "egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores,
desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem
domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres
que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder?"

O mundo religioso infelizmente corre parelhas com o social. Nos derradeiros dias, adverte o mesmo
apóstolo em I Timóteo 4:1, manifestar-se-iam espíritos enganadores, hipócritas e mentirosos, de
consciência cauterizada. Viriam (II Pedro 3:3 e 4), "escarnecedores com os seus escárnios,
andando segundo as próprias paixões," zombando da doutrina evangélica da vinda de Cristo.

Tomaria vulto a luta entre Capital e Trabalho, com o crescente descontentamento das classes
trabalhadoras, e o acúmulo de riquezas por parte de uns e miséria gritante por parte de
outros. Tiago 5:1 ao 8.

Não cabe aqui continuar a enumeração de sinais, já estudados em outra parte, nem aduzir outros,
dos muitos que a Bíblia apresenta. Que Jesus Cristo "há de vir a julgar os vivos e os mortos" é
o próprio Credo que o diz. A segunda vinda de Cristo "não é um voo da fantasia, uma quimera
da imaginação! É a convicção profunda do dogma, a certeza iluminada da fé!" no dizer do Pe.
Júlio Maria.

A lembrança constante desse acontecimento solene, além de nos segredar conforto nas horas
escuras, induz-nos a uma vigilância igualmente constante, como o servo fiel, da parábola de Jesus.
Leva-nos à purificação da vida, a essa santificação sem a qual ninguém verá a Deus (I João 3:3).
Anelantes por conhecer a vontade do Senhor a nosso respeito, seremos atentos leitores de Sua
Palavra, diligenciando sempre pô-la em prática em nosso viver cotidiano.

***

Nos vinte e três estudos que antecederam este, apresentou-se uma série de estudos que abrangem
as principais doutrinas das Escrituras Sagradas. Se o leitor nada conhecia do conteúdo do
maravilhoso Livro divino, terá agora uma vista geral do que de mais importante aparece em suas
páginas sagradas. Se, como é provável, diante da disseminação que ultimamente vem tendo a
Bíblia, já estava familiarizado com os seus ensinamentos, terá sem dúvida ampliado os seus
conhecimentos em relação aos assuntos ventilados.

Apresenta-se agora a oportunidade áurea de uma tomada de posição. Conhecidos os principais


aspectos das doutrinas bíblicas, já não suportam ficar de braços cruzados. Conhecimento significa
responsabilidade. Responsabilidade requer ação, decisão. E dessa responsabilidade não há
escapar. Nossa atitude para com ela envolve interesses eternos. É questão de vida e morte. E
nossa decisão não deve, não pode demorar. Há perigo, gravíssimo perigo em a adiarmos. Quem
nos garante que amanhã por estas horas estejamos com vida? Quem nos pode afirmar que ainda
há tempo, que Não há pressa, que podemos primeiro gozar um pouco a vida, e depois cogitar das
coisas sérias?

Quando Árquias, tirano de Tebas, se banqueteava com os seus cortesãos, chegou um mensageiro
trazendo-lhe o aviso de uma conspiração e instando que lesse logo a mensagem, visto tratar de
negócio grave. "Não há agora tempo para nos preocuparmos com isso! Para amanhã os
negócios graves" - disse o tirano. Dentro em pouco penetraram no recinto os conspiradores e
apunhalaram a Árquias e todos os seus oficiais espartanos.

"Dedicarei os últimos dez anos de minha vida ao preparo espiritual," disse outrora um príncipe,
dividindo a vida em períodos de dez anos: primeiro a educação, depois viagens, depois isto e aquilo,
e depois ... a religião. Mas a morte o surpreendeu antes de chegar a esse período.

"Eis que estou à porta e bato," diz nosso Salvador; "se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta,
entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo." Apocalipse 3:20 página 1110. Pensamento
inefável este, de íntima comunhão com nosso Criador e Salvador - que para tornar possível esse
convite, deu a vida por nós.

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei." - é ainda
o convite universal, válido para cada um de nós. Mateus 11:28 página 862. Prostremo-nos,
penitentes mas confiantes, contritos mas animosos, aos pés de nosso Salvador, e Ele nos aliviará
do peso insuportável dos nossos pecados. Abramos-lhe, hoje mesmo, de par em par a porta de
nosso coração, e Ele entrará e comungará conosco!

***

Quando Gonçalves Dias se achava exilado da pátria, longe da qual se sentia nostálgico e solitário,
cantava, nos transportes da saudade:

"Não permita Deus que eu morra


Sem que volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá
Sem que inda aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá.
"Enfermo e alquebrado, suspirava pelo descanso na pátria. Em viagem para lá, quando já avistava
do navio as esbeltas palmeiras das praias da pátria, soçobrou o navio em que vinha, e o inditoso
vate perdeu a vida, sem ver completamente satisfeitos os anelos de sua saudade. Já tão perto das
palmeiras, e do sabiá que lhe cantaria as boas-vindas!

O barquinho de nossa vida navega inexoravelmente rumo de um de dois destinos: ou o porto


celestial, ou o trágico soçobro, perto das praias eternas.

Ai de nosso batel, se não for Jesus o seu Piloto! Convidemo-Lo para tal, e deixemo-Lo guiar com
Sua mão segura nosso barco, até arribarmos ao porto de eterna bem-aventurança!

Então porque não expressar este desejo a Deus em oração?

( ) Aceito o convite de meu Senhor Jesus, para ir ter com Ele, e por minha vez abro-Lhe de
par em par a porta do coração.

( ) Convido-o para ser o Piloto da nau de minha vida, entregando-a sem reservas em Suas
mãos.