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Os Casos
PALAVRA GREGA
Quanto à forma, as palavras gregas podem ser variáveis ou invariáveis,
exatamente como nas demais línguas indo-européias; mas, por se tratar de
língua muito antiga, de estrutura próxima à do tronco indo-europeu, as variações
morfológicas das palavras gregas são bem mais complexas do que as das
línguas mais modernas. Há pequena quantidade de palavras invariáveis: são os
advérbios, as preposições, os conetivos e uma série de partículas de difícil
classificação que emprestavam tonalidade e ênfase variadas aos enunciados.
As palavras com formas variáveis, muito numerosas, são os substantivos,
adjetivos e pronomes, nestas sinopses chamados coletivamente de nomes, e os
verbos. O reconhecimento de palavras invariáveis é questão de léxico; as mais
freqüentes estão listadas no Vocabulário Fundamental. Quanto às palavras
variáveis, além da noção básica transmitida pela palavra em si (informada pelo
dicionário), é preciso identificar a forma sob a qual se apresenta e assim
determinar sua função sintática nos enunciados.

Frase, Oração E Seus Elementos


A frase é a unidade básica e mais elementar do discurso:
οἴμοι.
"Ai de mim!"
ἄγαγε.
"Fora!"
ζηλῶ σέ, γέρον.
"Invejo-te, meu velho."
Temos, acima, três frases, pois são enunciados de sentido completo
acompanhados de entonação, de melodia. A frase pode conter uma ou mais
orações; fala-se em oração quando a frase tem esquema discursivo completo,
com seus elementos essenciais, e se presta a uma análise de seus
constituintes. Apenas a frase "ζηλῶ σέ, γέρον" (E.IA. 17), supra, é também uma
oração.

1. Elementos essenciais da oração


Na oração há apenas dois elementos essenciais: o que denota o processo, a
ação (predicado), e o que denota o agente do processo (sujeito):
1. Ἀχιλλεύς τρέχει.
"Aquiles corre."
No exemplo acima, τρέχει, "corre", é o processo, e Ἀχιλλεύς, "Aquiles", é o
agente do processo. O elemento básico da oração é o predicado, que pode estar
claramente expresso, como no exemplo acima, ou então oculto:
2. οὔκουν φθόγγος γ' οὔτ' ὀρνίθων οὔτε θαλάσσης.
"Nenhum ruído, nem de aves, nem do mar." (E.IA 9-10) As categorias de
palavras que exercem a função de sujeito e de predicado na frase são,
habitualmente, o substantivo (sujeito) e o verbo (predicado).
Note-se que o verbo de ligação εἰμί, "eu sou / estou / existo", em geral fica
subentendido:
3. ἄριστον μὲν ὕδωρ (ἐστίν).
"grande coisa (é), realmente, a água." (P.O. 1.1)
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Valem, para o grego antigo, praticamente os mesmos conceitos aplicáveis às


línguas em geral e às línguas indo-européias em particular.
O ENUNCIADO EM GREGO
Em certo sentido, discurso e enunciado são conceitos semelhantes. "O enunciado
é uma palavra ou um conjunto delas que exprime um pensamento inteiro,
acabado" (Murachco, 2001). No grego antigo encontraremos as mesmas classes
de palavras do português:
 substantivos
designam / identificam seres, objetos e abstrações
v.g. Ἀχιλλεύς, "Aquiles", φθόγγος, "ruído", ὀρνίθων, "aves"
 adjetivos
caracterizam ou determinam os substantivos
v.g.  γαθοῖς, "bons", εὐδαίμονα, "feliz"

• estão incluídos os numerais, v.g. τρεῖς, "três"


 pronomes
desempenham a função do substantivo e/ou do adjetivo
v.g. ἐγώ, "eu", σέ, "te"
• estão incluídos os artigos definidos, v.g. τῶν, "os", τὸ, "o"
 verbos
indicam um processo (ação, estado ou passagem de um estado a outro)
v.g. ζηλῶ, "eu invejo" e τρέχει, "ele corre"
 advérbios
determinantes de local, tempo ou modo (intensificação, negação, etc.) de verbos
e adjetivos
v.g. οὐκ, "não", πολλάκις, "muitas vezes", πότε, "quando?"
 conjunções
coordenam palavras, expressões e orações, ou uma subordinação entre orações
(cf. infra)
v.g. καὶ, "e", εἰ, "se", ὅτι, "que, porque"
 preposições
medeiam o processo de subordinação entre complemento e complementado
v.g. ὑπό, "por, sob", παρά, "junto de", περί, "em volta de"

O grego antigo tem, além das conjunções e preposições, numerosas outras


partículas, palavras curtas e invariáveis, difíceis de agrupar:
 partículas exclamativas ("interjeições");
 partículas enfáticas, explicativas e muitas outras.
FRASE, ORAÇÃO E SEUS ELEMENTOS
A frase é a unidade básica e mais elementar do discurso:
οἴμοι.
"Ai de mim!"
ἄγαγε.
"Fora!"
ζηλῶ σέ, γέρον.
"Invejo-te, meu velho."
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Temos, acima, três frases, pois são enunciados de sentido completo


acompanhados de entonação, de melodia.
A frase pode conter uma ou mais orações; fala-se em oração quando a frase tem
esquema discursivo completo, com seus elementos essenciais, e se presta a uma
análise de seus constituintes. Também a frase
"ζηλῶ σέ, γέρον" é uma oração.

Elementos essenciais da oração


Na oração há apenas dois elementos essenciais: o que denota o processo, a ação
(predicado), e o que denota o agente do processo (sujeito):
1. Ἀχιλλεύς τρέχει.
"Aquiles corre."
No exemplo acima, τρέχει, "corre", é o processo, e Ἀχιλλεύς, "Aquiles", é o agente
do processo. O elemento básico da oração é o predicado, que pode estar
claramente expresso, como no exemplo acima, ou então oculto:

2. οὔκουν φθόγγος γ' οὔτ' ὀρνίθων οὔτε θαλάσσης.


"Nenhum ruído, nem de aves, nem do mar."
As categorias de palavras que exercem a função de sujeito e de predicado na frase
são, habitualmente,
a) o substantivo (sujeito) e
b) o verbo (predicado).

Note-se que o verbo de ligação εἰμί, "eu sou / estou / existo", em geral fica
subentendido:

3. ἄριστον μὲν ὕδωρ (ἐστίν).


"grande coisa (é), realmente, a água." (P.O. 1.1)

Complementos nominais e verbais


4. ἐγένοντο Λήδαι Θεστιάδι τρεῖς παρθένοι·
"nasceram de Leda, filha de Téstio, três donzelas:" (E.IA. 49)
5. οὐκ ἐπὶ πᾶσίν σ' ἐφύτευσ'  γαθοῖς, Αγάμεμνον, Ατρεύς.
"Atreu não te engendrou para todas as boas coisas, Agamêmnon." (E.IA. 29-30

Na primeira oração, o núcleo do sujeito é παρθένοι, "donzelas", e o verbo é


ἐγένοντο, "nasceram". Na segunda, o sujeito é Ατρεύς, "Atreu" e o verbo
é ἐφύτευσα, "engendrou".
As outras palavras são complementos que qualificam, especificam ou delimitam
circunstancialmente esses e outros elementos das orações.
Existem, em grego, praticamente os mesmos complementos do português; por
razões estritamente didáticas, no entanto, nestas sinopses eles serão
simplificados da seguinte forma:
complemento nominal: completa ou especifica, na acepção mais ampla do termo,
o sentido dos substantivos
v.g. ὀρνίθων, "de aves" e θαλάσσης, "do mar" (exemplo 2)
substantivos, adjetivos, pronomes, advérbios
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aposto: explicação ou apreciação que se junta a um substantivo ou pronome; não


completa o sentido dele, só explica
v.g. Θεστιάδι, "filha de Téstio" (exemplo 4)

substantivos predicativo: completa o sentido dos verbos de estado ("verbos de


ligação")
v.g.  γαθός, "bom", na oração ὁ πατήρ  γαθός ἐστίν, "meu pai é bom"

substantivos, adjetivos objeto: complemento verbal, completam a noção contida


na ação verbal
v.g. παῖδας, "crianças", na oração διδάσκω τοὺς παῖδας, "eu ensino as
crianças", e o pronome σ' (σέ) no exemplo 5

substantivos, pronomes, adjetivos numerais


N.b.: no grego, como se verá, não faz o menor sentido usar as nomenclaturas
"objeto direto", "objeto indireto" e "objeto direto preposicionado"

A PALAVRA GREGA
Quanto à forma, as palavras gregas podem ser variáveis ou invariáveis,
exatamente como nas demais línguas indo-européias; mas, por se tratar de língua
muito antiga, de estrutura próxima à do tronco indo-europeu, as variações
morfológicas das palavras gregas são bem mais complexas do que as das línguas
mais modernas.
Há pequena quantidade de palavras invariáveis: são os advérbios, as preposições,
os conetivos e uma série de partículas de difícil classificação que emprestavam
tonalidade e ênfase variadas aos enunciados.
As palavras com formas variáveis, muito numerosas, são os substantivos,
adjetivos e pronomes, nestas sinopses chamados coletivamente de nomes, e os
verbos.
O reconhecimento de palavras invariáveis é questão de léxico; as mais freqüentes
estão listadas no Vocabulário Fundamental. Quanto às palavras variáveis, além
da noção básica transmitida pela palavra em si (informada pelo dicionário), é
preciso identificar a forma sob a qual se apresenta e assim determinar sua função
sintática nos enunciados.
PALAVRAS VARIÁVEIS
As palavras variavéis têm uma parte mais ou menos fixa, o radical, e outra que
varia consideravelmente, a desinência. O radical contém a noção nominal ou
verbal; a desinência marca o gênero, o número e outras categorias gramaticais da
palavra.
κόρακ-ας
RADICAL
(noção nominal: "corvo")
DESINÊNCIA
(masculino, singular, acusativo)
No exemplo acima, se assinala o radical do substantivo κόρακας; e em
letras negras, a desinência. O radical é em geral representado sem os acentos,
seguido de um traço e muitas vezes entre colchetes: [κορακ-]. A desinência
costuma ser precedida por um traço: -ας.
Eis um panorama das noções informadas pelo radical e pelas desinências:
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RAIZ E AFIXOS DO RADICAL


Diz-se que o radical é "mais ou menos fixo" porque há, freqüentemente, variações
significativas na sua forma entre as palavras de uma mesma família e, também,
nas diversas formas de uma única palavra.
Os radicais gregos são em geral constituídos por dois elementos básicos, a raiz e
os afixos. A raiz é a parte do radical que contém o significado básico da palavra;
os afixos (prefixos, infixos e sufixos, conforme a posição) especificam ou
determinam certas nuances da noção nominal ou verbal contida na raiz. Algumas
palavras têm radical formado unicamente pela raiz.
Considere-se, por exemplo, a raiz δο-, que contém a noção geral de "dar":
 na palavra δοτήρ, -τηρ é um sufixo de agente que especifica o valor da
raiz; daí a tradução, "aquele que dá", "doador";
 em δόσις, -σις é um sufixo de ação, isto é, que indica uma ação; a
tradução, nesse caso, é "aquilo que é dado", "doação" (daí, "dose" — algo que é
dado em certas
quantidades);
 na forma verbal δίδομεν, δι- é um prefixo especial, conhecido por
redobro em -ι-,que nesse caso marca o aspecto durativo da ação verbal; -μεν não
faz parte do
radical, é a desinência da 1ª pessoa do plural. Tradução: "nós damos".
ALTERNÂNCIAS VOCÁLICAS
A parte mais estável do radical é, em geral, o arcabouço consonântico; as
variações mais freqüentes ocorrem em determinadas vogais e são chamadas de
alternâncias vocálicas — ou apofonia.
Considere-se, por exemplo, algumas formas ativas do verbo λείπω, "eu deixo":
ἔλιπον = aoristo, indicativo, 1ª sg.
λείπω = imperfectivo, indicativo presente, 1ª sg.
λέλοιπα = perfectivo, indicativo presente, 1ª sg.

As sutis alterações no grupo vocálico do radical primitivo (λιπ-, radical do


aoristo), constituídas pela inserção das vogais -ε- e -ο-, indentificam uma nuance
do ato verbal conhecida por "aspecto verbal" (imperfectivo, aoristo, perfectivo)
para cada uma dessas
formas. Os lingüistas chamam essa vogal variável de "vogal alternante" e as
alternâncias são chamadas de graus. Neste caso, temos:
 o grau zero (λιπ-);
 o grau pleno (λειπ-);
 o grau fletido (λοιπ--).
Nos radicais nominais, a apofonia é mais evidente na vogal temática, sufixo
posicionado no fim do radical de algumas palavras. Essa vogal sofre,
notadamente, alterações no timbre.
Considere-se, por exemplo, algumas formas do substantivo λύκος, "lobo":
1. λύκε = vocativo sg.: grau -ε-
2. λύκος = nominativo sg. :: grau -ο-

É costume representar graficamente a vogal temática assim: -ε/ο-. No exemplo


acima, portanto, o radical é λυκε/ο-.
Alguns verbos também têm uma vogal alternante -ε/ο-, muito semelhante à dos
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nomes, entre o radical e a desinência de certas formas verbais. Vejamos, por


exemplo, duas formas ativas do verbo λύω-, "eu desato":

1. λύ-ο-μεν = imperfectivo, indicativo presente, 1ª pl. :: grau -ο-


2. λύ-ε-τε = imperfectivo, indicativo presente, 2ª pl. :: grau -ε-

Há divergências quanto à etimologia dessa vogal alternante dos verbos. Quase


todos os gramáticos chamam-na de "vogal temática" e, de acordo com sua
presença nas formas do sistema do imperfectivo, agrupam os verbos gregos em
verbos temáticos e verbos atemáticos. Murachco, por outro lado, considera-a
apenas uma "vogal de apoio ou de ligação", recurso fonético criado para
acomodar problemas de pronúncia.
Do ponto de vista prático, independentemente da nomenclatura, trata-se de vogal
alternante... E, como se verá, a terminologia verbos temáticos e verbos atemáticos
é inadequada de qualquer ponto de vista.
DESINÊNCIAS E TERMINAÇÕES
A parte final, flexível, das palavras variáveis — nomes e verbos — recebe diversas
denominações. Para diferenciar "desinência" de "terminação".
Eis um exemplo tirado do verbo λυ-, "desatar":

λύετε
λύομεν
RADICAL
λύ (noção verbal),
DESINÊNCIA
ετε (pessoa, aspecto número)

VOGAL
ALTERNANTE
TERMINAÇÃO

Desinência é um sufixo colocado depois do radical das palavras variáveis para


marcar as categorias gramaticais (gênero, número, caso, pessoa do discurso, etc.).
Terminação é o conjunto de "letras móveis" do fim da palavra e que geralmente
engloba a desinência, eventuais letras móveis do fim do radical e certos infixos
colocados entre o radical e a desinência.
No substantivo κορακ-, "corvo", a forma κόρακ-ας pode ser decomposta
em κόρακ-, radical, e -ας, desinência. A desinência e a terminação neste caso são
a mesma coisa.
No verbo λύομεν, que acabamos de ver, λυ- é o radical, -ο- é a vogal alternante,
-μεν é a desinência; -ομεν, portanto, é a terminação.
No substantivo δοτηρ-, "doador", δοτηρ- é o próprio radical e não há desinência
visível.
Neste caso, diz-se que a palavra tem desinência "zero", representada pelo sinal -
ø.
Agente da passiva: complemento verbal sobre o qual recai o processo
indicado pelo verbo na voz passiva
v.g. τινος, "alguém", na frase φιλοῦμαι ὑπὸ τινος, "sou amado por alguém"
substantivos
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complemento circunstancial: especifica as circunstâncias envolvidas no processo


verbal, ou intensifica o sentido de verbos e adjetivos
v.g. Λήδαι, "de Leda" (exemplo 4) e πᾶσίν  γαθοῖς, "para coisas boas"
(exemplo 5)
vocativo: invocação ou interpelação do ouvinte com entoação exclamativa
v.g. Αγάμεμνον, "Agamêmnon" (exemplo 5)

TIPOS DE ORAÇÃO
Assim como no português, no grego existe a oração independente, com sentido
completo:
ὁρῶ τὴν σὴν οἰκίαν.
"estou vendo a tua casa."
Para exprimir pensamentos mais complexos, orações independentes podem ser
colocadas lado a lado, em sucessão, sem dependerem formalmente umas das
outras.
A primeira possibilidade é o assíndeto (gr.  σύνδετος, "não unido"):

οὗτος  πήγγειλε τὰ ψεύδὴ, ὑμεῖς ἐπιστεύσατε, οἱ Φοκεῖς ἐπύθοντο,


ἐνέδωκαν ἑαυτοὺς,  πόλοντο.
"ele transmitiu falsidades, vós acreditastes, os Focídios tomaram conhecimento,
entregaramse, foram aniquilados"
ἕλκε, τίλλε, παῖε, δεῖρε, κόπτε πρώτην τὴν χύτραν.
"Puxa, arranca, bate, esfola, quebra primeiro a panela" (Ar.Av. 365)

A segunda possibilidade é o processo de justaposição através de partículas de


coordenação, a parataxe (gr. παράταξις):
ὁι μέν τινες  πέθανον, ὁι δ' ἥκουσιν.
"uns estão mortos, porém outros estão aqui" (And. 1.25)
τῆς παιδείας τὰς μὲν ῥίζας εἶναι πικράς, γλυκεῖς δὲ τοὺς καρπούς
"as sementes da educação são amargas, mas os frutos (são) doces" (D.L. 5.18)

Os dois membros da frase, nos exemplos acima, estão coordernados pela


partículas μέν (1º membro) e δέ (2º membro), nem sempre traduzíveis.
Enunciados ainda mais complexos dependem do uso de orações subordinadas a
uma oração principal (gr. ὑπόταξις). As orações subordinadas podem estar
ligadas ao verbo da oração principal pelos conectivos de subordinação; do ponto
de vista sintático, representam um dos elementos da oração principal, da qual
dependem.
O grego tem os mesmos tipos de oração subordinada que o português:
 orações subordinadas substantivas
constituem o sujeito, o objeto, o predicativo, o complemento nominal ou o aposto
da oração principal;
 orações subordinadas adjetivas
constituem um complemento nominal que determina um dos elementos da
oração principal, da mesma forma que um adjetivo o faria;
 orações subordinadas circunstanciais (adverbiais)
exprimem diversas circunstâncias que afetam o verbo da oração principal.
Nos exemplos abaixo, a oração principal está sublinhada:
λέγεται αὐτὸν εἶναι εὐδαίμονα.
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"Ele diz ser (= que é) feliz."

 Oração subordinada substantiva objetiva, não introduzida por


conetivo.
πάντα ἃ βούλει ἔξεις.
"Terás tudo o que queres"
 Oração subordinada adjetiva, introduzida por conetivo (o
pronome relativo ἃ).
εἰ οἱ θεοί εἰσι κακοί, οὐκ εἰσὶ θεοί.
"Se os deuses são maus, eles não são deuses."
 Oração subordinada circunstancial condicional, introduzida por
conetivo (a conjunção εἰ).
Substantivos, adjetivos, pronomes, verbos e advérbios formam o arcabouço das
orações e cabe às partículas o importante papel relacional, pois são elas que
conectam os elementos da oração entre si (v.g. preposições, conjunções) e as
orações coordenadas e subordinadas à oração principal (v.g. conjunções).
N.b.: os pronomes relativos, embora não sejam partículas, têm igualmente
função conectiva, pois subordinam orações adjetivas à oração principal.
RADICAIS NOMINAIS
A flexão nominal compreende o conjunto de variações morfológicas assumidas
por substantivos, adjetivos, pronomes e formas participiais do verbo em
diferentes situações.
Considemos a oração

ὁ ἵππος τὸν ἵππον βλέπει. "o cavalo olha o cavalo"


Observe-se a palavra "cavalo", cujo radical, neste exemplo, tem a forma ἵππο-; ela
aparece em dois formatos, ἵππος e ἵππον. O radical encerra a noção nominal,
"cavalo"; a forma ἵππος, que é um nominativo masculino singular, marca o
gênero, o número e a função de "sujeito" da frase; a forma ἵππον, um acusativo
masculino singular, assinala a função de "objeto" do verbo βλέπει, além do gênero
e do número. A diferença entre as duas formas da palavra "cavalo" reside na
terminação: -ος no primeiro caso, -ον no segundo.

Os radicais nominais dos substantivos costumam ser agrupados de acordo com a


última letra do radical em três grandes grupos ou declinações:
1. Radicais em -α(η)
2. Radicais em -ε/ο-
3. Radicais em consoante / sonante

a. em -γ, -κ, χ (guturais)


b. em -δ, -τ, -θ (dentais)
c. em -β, -π, -φ (labiais)
d. em -μ, -ν (nasais)
e. em -λ, -ρ (líquida)
f. em -σ (sibilante)
g. em -ι, -υ, -F (sonantes)

A morfologia nominal básica é a dos substantivos; adjetivos e pronomes podem


ter o radical classificado mais ou menos do mesmo modo. Ver paradigmas
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nominais.
Dá-se o nome de "declinação" ao conjunto das formas flexionais que os nomes
podem assumir no enunciado. Declinar uma palavra é enunciar, de forma
sistemática, suas diferentes formas.
A noção contida no radical nominal é informada pelo dicionário. Veja as formas
dicionarizadas dos nomes no léxico.
Desinências nominais básicas
O substantivo κορακ-, "corvo ", por exemplo, pode assumir as seguintes formas:
κόραξ (< κόρακς)
κόρακα
κόρακος
κόρακι
κόρακες
κόρακας
κοράκων
κόραξι (< κόρακσι)
κόρακε
κοράκοιν
Compare-se κόραξ [κορακ-] com o substantivo português "mesa" [mesa-], por
exemplo, que tem apenas as seguintes flexões para exprimir gênero e número:
mesa-a (> mesa),
mesa-s.
As desinências nominais acrescentam ao radical dos substantivos, adjetivos,
pronomes e particípios as noções gramaticais de gênero, de número e de caso.
GÊNERO
As formas nominais podem ser masculinas, femininas ou neutras. O masculino e
o feminino são gêneros "animados", isto é, referem-se a seres do sexo masculino
ou do sexo feminino.
O neutro é um gênero "inanimado", que reflete a ausência de gênero (nem
masculino, nem feminino). Mas o gênero gramatical nem sempre é igual ao
gênero natural; v.g. rios e ventos são masculinos porque, para os gregos, eram
divindades do sexo masculino.
NÚMERO
O singular designa um único ser / objeto; o plural, mais de um ser / objeto; o dual,
um par de seres / objetos, como por exemplo os dois olhos.
CASO
O grego tinha, praticamente, cinco casos: o nominativo, o vocativo, o acusativo, o
genitivo e o dativo; o locativo e o instrumental, morfologicamente semelhantes
ao dativo, existiam ainda em forma vestigial. As desinências casuais, tanto em
sentido concreto como em sentido abstrato, tinham a função básica de:
 nominativo = identificar, nomear o ser / objeto;
 vocativo = interpelar, chamar;
 acusativo = marcar o percurso no tempo e no espaço;
 genitivo = marcar a origem, a separação;
 dativo = marcar a atribuição;
 locativo = marcar o lugar em que se está, no tempo ou no espaço;
 instrumenal = exprimir o meio / instrumento usado para um ato.
1. Nominativo
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O caso nominativo. A oração principal. A oração subordinada.


O caso nominativo é usado, sobretudo, para indicar o "sujeito" de uma oração
principal ou subordinada. Ele exprime o tópico principal que é considerado, o
"sujeito" do discurso, a respeito do qual se fala.
O nominativo pendente, também chamado de relatório ο absoluto (porque
expressa a ideia de 'aproximadamente, em relação ao ') é uma forma de
anacolouto bastante frequente na linguagem popular. Ele consiste no enunciado
do sujeito lógico (não gramatical) enfaticamente colocado no início do período,
seguindo-se um período em que o sujeito é captado por um lugar pronome se
necessário pela sintaxe; por exemplo.
Uma "oração" é um conjunto de palavras que implicam um juízo em relação a
algo, e geralmente é expressa como afirmação, questão, ordem, desejo, ou
exclamação.

ò Μωϋσής ούτος ... ουκ οϊδαμεν τί έγένετο αύτω (At 7,40), ou:
ό νικών και ο τηρών ...τα έργα μου ... δώσω αύτω έξουσίαν (Αρ 2,26).

Quanto à forma, o nome e o vocativo grego muitas vezes são idênticos. Eles diferem
apenas no masculino e no feminino singular, e não sempre. Daí a tendência para eliminar
a distinção entre eles mesmo quando o vocativo teria sua própria forma, por exemplo.
Jo 17,25: πατήρ δίκαιε, aqui o adjetivo indica que o autor considera πατήρ como um
vocativo (πάτερ).
Já no uso clássico o nome aparece com o artigo, em vez do vocativo. No entanto,
quando isso ocorre no NT é referido à influência semita, porque, em hebraico, o
nome com o artigo e a única maneira de expressar o vocativo.

2. Genitivo
O genitivo 'geral'. Entre as divisões com as quais gramáticos são costumam
classificar a imensa variedade emerge o genitivo , por sua clareza e utilidade, há
uma distinção entre genitivo 'subjetivo' e 'objetivo'. A tal ponto que uma
expressão como 'o amor do pai [ή αγάπη τοΰ πατρός] pode ter dois significados
muito diferentes: o amor com que o Pai ama (o genitivo indica o 'amor') sujeito
do verbo, ou o amor com que o pai nos amou (o genitivo indica o objeto de amor).
Neste caso, interpretar o texto sagrado, você tem que ter cuidado para não
sacrificar a clareza própria e a força do texto. Por exemplo: 'O amor de Cristo nos
impele' [ή αγάπη τοΰ Χριστού συνέχει ημάς] (2 Cor 5. 4). O 'Cristo' e um objetivo
genitivo subjetivo ο? Devemos responder: nem um nem outras ofertas sentido tão
cheio do texto. O genitivo objetivo (o amor que Paul tem por Cristo) não é
suficiente, porque Paul geralmente faz com que o genitivo objetivo com um εις
(cfr. Col 1.4), ea razão dada sobre o amor que Cristo nos mostrou morrendo para
todos. Nem mesmo o genitivo subjetivo (o amor que Cristo tem por nós) é
plenamente satisfatório porque, o amor de que falamos, é uma força viva que atua
no espírito do apóstolo. Em outras palavras, não podemos simplesmente
categorizar isso sob o genitivo um ο outro dos dois aspectos, sem negligenciar
uma parte do seu valor. A frase pode significar o amor que Cristo, pela sua morte
e ressurreição. (Romanos 4. 25), mostrou para nós e que uma vez cumpridos
(através da fé produzido na alma pelo próprio Cristo) exorta o apóstolo ,
irresistivelmente, para retribuir esse amor
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3. Dativo
A evolução da língua grega tende a eliminação do dativo. Neste caso grego
moderno desapareceu. Seu lugar foi tomado pelo ο genitivo de εις com o
acusativo. Deste desenvolvimento começam a aparecer alguns sinais - únicos
sinais - em grego helenístico e bíblicos. Assim, lemos em Mc 8,19: τους πέντε
άρτους έκλασα εις τους πεντακισχιλίους. . . τους επτά εις τους τετρασχιλίους;
em At 24.17: έλεημοσύνας ποιήσων εις ίο έθνος μου; em l t 1.4: κληρονομίαν
τετηρημένην εν ούρανοΐς εις υμάς. Sendo esse o caso, merecem atenção esses
usos em que, ao contrário da tendência geral, o grego helenístico usa o dativo
em vez do 'clássico acusativo.

4. Acusativo
A função original do acusativo é limitar a extensão do verbo. Com a verbos
'transitivo' a extensão é limitado ao objeto. Isso também explica a 'relação'
acusativo junto ao qual talvez pode colocar em uso 'adverbial' acusativo.

2. Complementos nominais e verbais


4. ἐγένοντο Λήδαι Θεστιάδι τρεῖς παρθένοι·
"nasceram de Leda, filha de Téstio, três donzelas:" (E.IA. 49)
5. οὐκ ἐπὶ πᾶσίν σ' ἐφύτευσ'  γαθοῖς, Αγάμεμνον, Ατρεύς.
"Atreu não te engendrou para todas as boas coisas, Agamêmnon." (E.IA. 29-30
Na primeira oração, o núcleo do sujeito é παρθένοι, "donzelas", e o verbo
é ἐγένοντο,
"nasceram". Na segunda, o sujeito é Ατρεύς, "Atreu" e o verbo é ἐφύτευσα,
"engendrou".
As outras palavras são complementos que qualificam, especificam ou delimitam
circunstancialmente esses e outros elementos das orações.
Existem, em grego, praticamente os mesmos complementos do português; por
razões estritamente didáticas, no entanto, nestas sinopses eles serão
simplificados da seguinte forma:
 complemento nominal: completa ou especifica, na acepção mais ampla do
termo,
o sentido dos substantivos
v.g. ὀρνίθων, "de aves" e θαλάσσης, "do mar" (exemplo 2)
substantivos, adjetivos, pronomes, advérbios
 aposto: explicação ou apreciação que se junta a um substantivo ou pronome;
não
completa o sentido dele, só explica
v.g. Θεστιάδι, "filha de Téstio" (exemplo 4)
substantivos
 predicativo: completa o sentido dos verbos de estado ("verbos de ligação")
v.g.  γαθός, "bom", na oração ὁ πατήρ  γαθός ἐστίν, "meu pai é bom"
substantivos, adjetivos
 objeto: complemento verbal, completa a noção contida na ação verbal
v.g. παῖδας, "crianças", na oração διδάσκω τοὺς παῖδας, "eu ensino as
crianças", e o pronome σ' (σέ) no exemplo 5
substantivos, pronomes, adjetivos numerais
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N.b.: no grego, como se verá, não faz o menor sentido usar as nomenclaturas
"objeto direto", "objeto indireto" e "objeto direto preposicionado"

Uso do verbo ser


O verbo ειμί é peculiar, podendo ser usado não somente para indicar existência
(ό θεός έστιν - Deus existe), mas também para unir um sujeito a um adjetivo
como seu "predicado" (ό θεός έστιν αγαθός - Deus é bom).
No segundo exemplo, a "bondade" está sendo "predicada" de Deus, isto é,
afirmada.
O verbo ειμί no tempo presente do modo indicativo. Esta omissão usualmente é
indicada pela posição do artigo, que normalmente não é usado para o predicado.
Assim, a proposição ό λόγος εστίν άγιος (Α palavra é santa) também pode ser
expressa como ό λόγος άγιος ou άγιος ό λόγος .
Tal uso de um adjetivo é chamado "predicativo", pois o adjetivo funciona como o
predicado da sentença, com o verbo ειμί subentendido.
O uso atributivo do adjetivo.
Em cada um dos três exemplos do uso "predicativo" de um adjetivo
1. ό άγγελος έστιν άγιος,
2. ό άγγελος άγιος,
3. άγιος ό άγγελος),
ο adjetivo está fora da combinação ό άγγελος. Se o adjetivo está dentro da
combinação ό άγγελος, de modo que a expressão seja ό άγιος άγγελος, ou se o
adjetivo está unido ao seu próprio artigo, de modo que a expressão seja ó άγγελος
ό άγιος, o uso é chamado "atributivo".
Quando um adjetivo é usado atributivamente, o verbo ειμί não é implícito

Adjetivos como substantivos.


Muitos adjetivos têm não só a mesma terminação que os substantivos (ou seja,
são declinados do mesmo modo que os substantivos), mas também muitos
adjetivos (normalmente os de primeira e segunda declinações) podem ser usados
como substantivo.
Assim άγιος, santo, é normalmente adjetivo: ό άγιος λόγος, a palavra santa.
Mas o adjetivo pode ser usado individualmente e, neste caso, deve ser traduzido
como substantivo: ό άγιος, o santo, ou άγιος, um santo

Concordância.
Quando os adjetivos "modificam" substantivos ou pronomes, isto é, quando são usados para
qualificar substantivos ou pronomes. Neste caso o adjetivo "concorda" com o substantivo ou
pronome em género, número e caso.
Por exemplo, na sentença ò άγγελος αγαθός έστιν o substantivo άγγελος é explicitamente
mencionado
quando usado como sujeito de έστιν.
Deve, então, referir-se a um nominativo neste caso, o sujeito implícito de έστιν. αγαθός é também
masculino singular indicando que o sujeito implícito de έστιν também é masculino e singular. Daí
a tradução Ele é bom para a sentença αγαθός έστιν

O substantivo λόγο ς
O substantivo λόγος, palavra, é um substantivo masculino da segunda declinação, isto é, da
segunda das três categorias principais de substantivos gregos. É apresentado antes dos
substantivos da primeira declinação, porque é semelhante na forma ao masculino do artigo, ê
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porque é encontrado muito frequentemente. Além disso, muitos adjetivos masculinos se declinam
do mesmo modo que λόγος.

Singular Plural

N λόγος λόγοι
V λόγε λόγοι
G λόγου λόγων
D λόγω λόγοις
A λόγον λόγους