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RESUMO TEXTO PROFESSORA SILVANA AULA 16/03 – Assistência social como política publica.

Assistência social como política publica


O período compreendido entre 1975 1985 corresponde a um dos grandes momentos históricos do país - Principalmente nos anos 80 -
vários movimentos de caráter Nacional entraram em cena, dentre eles reivindicações de profissionais da saúde e de setores públicos. É nesse
cenário que surge Assembléia Nacional Constituinte. A novidade no cenário das ações coletivas foi que elas passaram a ocupar canais de
participação institucional com a criação de redes, movimentos e fóruns com caráter propositivo. Várias entidades sugiram, bem como
movimentos do setor popular dispostos a negociar diretamente contato, ou seja, há uma mudança de paradigma tô modelo expressivo-
disruptivo para uma fase integrativo-corporativa.
Com o surgimento da nova república, novos paradigmas sociopolíticos entraram em cena, dentre eles, a atuação de ONGs com trabalhos
de parceria junto ao estado e a projetos propositivos na esfera pública, como os conselhos da Criança e do Adolescente, da Educação, da
Saúde, da habitação e dos movimentos culturais.
Neste processo de redemocratização da sociedade brasileira levou a instalação da assembleia nacional constituinte e a possibilidade de se
estabelecer uma outra ordem social, fazendo com que esses movimentos se articulassem para tentar escrever na carta constitucional direitos
sociais que pudessem ser traduzidos em deveres do Estado através de políticas públicas. Na década de 80 e 90 efetivou-se um processo de
recessão e contradições no campo econômico. A relação entre os avanços sociais assegurados na Constituição de 88 e as definições das
diretrizes macroeconômicas que concebem as políticas sociais como consequência do funcionamento da economia acabaram por desfigurar
os princípios orientadores das mesmas, foi exatamente neste contexto que importantes e significativos avanços foram construídos, trazendo
para área assistência social como uma política social de natureza pública, passando a constituir juntamente com a saúde e a Previdência
Social.
Esse período é de intensa crise, É nesse quadro de crise, após anos de luta, que a lei orgânica da Assistência Social - LOAS -(lei8.742) é
aprovada em 1993. A partir da LOAS, a proteção social se coloca como mecanismo contra as formas de exclusão social que decorre de certas
vicissitudes da vida, tais como a velhice, a doença, a adversidade, as privações e, ainda nesse conceito, a distribuição e redistribuição de bens
materiais (comida e dinheiro) e bens culturais (os saberes). Desta forma, marcando sua especificidade no campo das políticas sociais, exigindo
que as provisões assistenciais sejam prioritariamente pensadas no âmbito das garantias de cidadania sobre vigilância do Estado, cabendo a
este a universalização da cobertura e a garantia de direitos e acesso para serviços, programas e projetos sob sua responsabilidade.
Em 2004 é elaborado o Plano Nacional de assistência social (Pnas), o Pnas indica os eixos estruturantes para a sua operacionalização. Em
2005, o SUAS, o qual estabelece e suas diretrizes de descentralização político-administrativa, o atendimento a quem dela necessitar, se
propõe como instrumento para unificação das ações da Assistência Social, em nível nacional, materializando as diretrizes do LOAS e
priorizando a família como foco de atenção. o SUAS não é um programa, mas uma forma de gestão da assistência social como política pública,
com a responsabilidade do estado, a ser exercida pelos três entes federativos que compõem o poder público brasileiro.
o SUAS prevê o desenvolvimento de serviços, programas e projetos locais de acolhimento, convivência e socialização de famílias e de
indivíduos, conforme identificação da situação de vulnerabilidade apresentada. A proteção social especial é a modalidade de atendimento
destinado a famílias e indivíduos que se encontram em situação de risco pessoal e social, por ocorrência de maus-tratos físicos e/ou psíquicos,
abuso sexual, cumprimento de medidas socioeducativas, situação de trabalho infantil, dentre outras.
As práticas da Psicologia no contexto do SUAS
A partir do SUAS, está previsto nos centros de referência da Assistência Social (CRAS) e no centros de referência especializado de
assistência social (CREAS) o profissional de psicologia. O SUAS propõe, como uma das formas de efetivação, a implantação do programa de
atenção integral à família (Paif), que é um serviço continuado de proteção social básica desenvolvido no Cras, esses centros são espaços físicos
localizados estrategicamente em áreas de pobreza. O Paif destina-se a promover o acompanhamento de famílias de uma determinada região;
potencializar a família como unidade de referência, fortalecendo vínculos internos e externos de solidariedade; contribuir para o processo de
autonomia e emancipação social das famílias, fomentando seu protagonismo; desenvolver ações que envolvam diversos setores, objetivo de
romper o ciclo de reprodução da pobreza entre gerações; e atuar de forma preventiva, evitando que essas famílias têm os seus direitos
violados, recaindo em situação de risco. Essas famílias, em decorrência a pobreza, estão vulneráveis privadas de renda e do acesso aos
serviços públicos, com vínculos afetivos frageis, discriminadas por questões de gênero, etnia, deficiência, idade, entre outros.
A psicologia serve para sustentar a escuta da subjetividade do usuário Face à violação de direitos, a psicologia vai olhar (ou não) para
outros fatores, tais como relativizar os atos do sujeito escutar em que lugar ele se situa frente a essa violação. Levar em consideração como se
organizam os laços familiares, que princípios e valores regem esse grupo familiar. O desafio está colocado: Como trabalhar com os programas
de orientação e apoio sociofamiliar de forma a promover a autonomia, o direito das famílias, sem que essa ação se transforme em mais um
veículo de controle. Para a Psicologia comprometida com o reconhecimento das singularidades e a promoção da Autonomia e da superação,
através de intervenções assertivas que garantam os direitos estabelecidos em lei, terá uma mudança de olhares e um avanço na integração da
rede que leve seu texto as últimas consequências no sentido da mudança pela via da Integração. Ou corre o risco de ser mais um sistema que
só fica bonito no papel.
Política nacional de assistência social
1 - supremacia do atendimento às necessidades sociais sobre as exigências de rentabilidade Econômica;
2 - universalização dos direitos sociais, a fim de tornar o destinatário da ação assistencial alcançável pelas demais políticas públicas;
3 - respeito à dignidade do Cidadão, a sua autonomia e ao seu direito e benefícios e serviços de qualidade, bem como a convivência
familiar e comunitária, vedando-se qualquer comprovação vexatória de necessidade;
4 - igualdade de direitos no acesso ao atendimento, sem discriminação de qualquer natureza, garantindo-se equivalência às populações
urbanas e Rurais;
5 - divulgação Ampla dos benefícios, serviços, programas e projetos assistenciais, bem como dos recursos oferecidos pelo poder público e
dos critérios para sua concessão.
Apesar da vigência do SUAS, podemos observar o descompasso e a desarticulação entre a saúde (SUS) e a assistência social (SUAS). Temos
também que o poder público Manteve a prática de recorrer a sociedade civil para cumprir com suas responsabilidades legais.
Trabalhar com políticas públicas exigem pensar a partir do lugar do outro, e não apenas reproduzir conhecimentos ou aprender técnicas;
implica sensibilizar para tópicos (pouco contemplados na academia) como Assistência Social, direitos humanos, cidadania, movimentos sociais
e conselhos. O desafio é articular a dimensão política na formação acadêmica e, consequentemente, nas práticas profissionais, pois são
indissociáveis.