Você está na página 1de 3

Pesquisa descobre o papel do estrogênio no corpo

masculino
gauchazh.clicrbs.com.br/educacao-e-emprego/noticia/2013/09/pesquisa-descobre-o-papel-do-estrogenio-no-corpo-
masculino-4281705.html

Ben Iverson foi um dos 400 homens que participaram da pesquisa Nathan Weber / NYTNS

É o flagelo de muito homem de meia-idade: ele começa a ficar barrigudo, utiliza pesos
mais leves na academia e, de alguma forma, não tem mais o mesmo desejo sexual de
antes.

O culpado óbvio é a testosterona, já que os homens gradualmente produzem menos


hormônio sexual masculino com o passar dos anos. Porém, uma surpreendente resposta
nova está surgindo e que, segundo os médicos, poderia revigorar o estudo de como o
corpo dos homens envelhece. O estrogênio, o hormônio sexual feminino, desempenha um
papel muito maior nos corpos masculinos do que se pensava, e os níveis declinantes
1/3
contribuem para a cintura em expansão da mesma forma que com a das mulheres.

A descoberta do papel do estrogênio em homens é "um grande progresso", disse o Dr.


Peter J. Snyder, professor de Medicina da Universidade da Pensilvânia, que está
chefiando um grande estudo novo sobre terapia hormonal em homens com mais de 65
anos. Até recentemente, a deficiência de testosterona era considerada praticamente a
única razão de os homens passarem pelas reclamações típicas da meia-idade.

A nova fronteira de pesquisa envolve descobrir o que cada hormônio faz nos homens e
como as funções corporais são afetadas em níveis hormonais diferentes. Embora os níveis
de testosterona minguantes sejam culpados pelos músculos menores dos homens de
meia-idade, os níveis decrescentes de estrogênio regulam a acumulação de gordura,
segundo um estudo publicado recentemente pelo "New England Journal of Medicine", que
forneceu a evidência mais conclusiva até agora de que o estrogênio é um fator importante
nas aflições masculinas na meia-idade. E os dois hormônios são necessários para a libido.

- Alguns dos sintomas normalmente atribuídos à falta de testosterona são parcial ou quase
exclusivamente provocados pelo declínio no estrogênio - disse Joel Finkelstein,
endocrinologista da Faculdade de Medicina de Harvard e principal autor do estudo, em
comunicado divulgado à imprensa.

O estudo é somente o começo do que muitos esperam ser uma nova compreensão da
testosterona e do estrogênio nos homens. Snyder está conduzindo outro estudo, o Teste
da Testosterona, que mede os níveis dos dois hormônios e pergunta se o tratamento com
testosterona pode deixar mais joviais os homens idosos com índices baixos de
testosterona, permitindo que caminhem mais rapidamente, sintam-se mais vigorosos,
melhorem a função sexual e a memória, além de fortalecer os ossos. Estudos menores
eram promissores, mas não confiáveis, e o estrogênio não foi levado em consideração.

- Nós havíamos ignorado esse hormônio nos homens, mas o estamos estudando agora -
afirmou o Dr. Alvin M. Matsumoto, pesquisador de testosterona e geriatria da Faculdade de
Medicina da Universidade de Washington e do V.A. Puget Sound Health Care System, que
é pesquisador do Teste da Testosterona.

- Mal começamos nessa estrada. -

Tanto homens quanto mulheres produzem estrogênio a partir da testosterona, e os


homens produzem tanto que terminam com pelo menos o dobro do estrogênio das
mulheres pós-menopausa. Conforme os níveis dos dois hormônios declinam com a idade,
o corpo muda. Porém, até agora, os pesquisadores se concentraram quase que
exclusivamente em como o estrogênio afeta as mulheres, e a testosterona os homens.

O estudo de Finkelstein fornece um novo roteiro da função de cada hormônio e seu


comportamento em vários níveis. Ele sugere que sintomas diferentes têm início em níveis
diferentes de deficiência de testosterona. Segundo ele, a testosterona é o principal
regulador do tônus muscular e da massa magra do corpo, mas precisa-se menos dele do
que se pensava para manter os músculos. Para um homem jovem, 550 nanogramas de

2/3
testosterona por decilitro de soro sanguíneo é o nível médio; em geral, os médicos
consideram índices abaixo de 300 nanogramas tão reduzidos a ponto de exigir tratamento,
normalmente com gel de testosterona.

Entretanto, o estudo de Finkelstein constatou que a força e o tamanho muscular só são


afetados quanto os níveis de testosterona ficam muito reduzidos, abaixo de 200
nanogramas. O acúmulo de gordura, no entanto, tem início com níveis elevados de
testosterona: de 300 a 350 nanogramas de testosterona, os patamares de estrogênio
despencam quando começa a expansão da meia-idade.

Já em termos de desejo e desempenho sexual, ambos requerem estrogênio e


testosterona, aumentando de forma contínua enquanto o nível desses hormônios sobe. De
acordo com os pesquisadores, ainda é muito cedo para fazer recomendações muito
específicas, mas ninguém está sugerindo que os homens tomem estrogênio porque doses
elevadas causam traços femininos, como peitos maiores.

Para o estudo, Finkelstein e colegas recrutaram 400 homens com idades entre 20 e 50
anos que concordaram em ter a produção de testosterona desligada durante 16 semanas.
Metade deles recebeu quantidades variáveis de testosterona, enquanto a outra metade
também recebeu medicação que desliga a síntese de estrogênio para que os
pesquisadores avaliem os efeitos de ter testosterona, mas não estrogênio.

Agora, Finkelstein está repetindo o estudo com homens mais velhos. O Teste da
Testosterona também os está avaliando.

Para esse estudo, Snyder e colegas recrutaram quase 800 homens com pelo menos 65
anos com índices baixos de testosterona. Os homens tomam placebo ou testosterona
suficiente para deixar o patamar entre 400 e 800. Os investigadores estão avaliando a
velocidade da caminhada, função sexual, vitalidade, memória, contagem de células
vermelhas no sangue, ossos e artérias coronárias. Com duração de um ano, o estudo será
completado em 2013.

A seguir, segundo os pesquisadores, eles querem fazer um estudo maior como o


conduzido com milhares de mulheres, em 2002, interessado em conhecer os riscos e
benefícios no longo prazo da terapia hormonal. Por exemplo, a terapia hormonal leva a
mais câncer de próstata? Impede infartos?

- Ainda não sabemos as respostas às perguntas clínicas. Será que previne coisas
importantes de verdade? - disse Matsumoto.

3/3