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Dilatação dos Sólidos

Gustavo Hermógenes
Iasmim Oliveira Mezari
Departamento de Fı́sica, Setor de Ciências Exatas e da Terra - Universidade Federal do Paraná
Centro Politécnico - Jd. das Américas - 81531-990 - Curitiba - PR - Brasil
e-mail: gh14@fisica.ufpr.br
iom14@fisica.ufpr.br

21 de Novembro de 2014

Resumo
O objetivo desse experimento é observar o comportamento de diferentes materiais ao serem aquecidos numa
mesma faixa de temperatura. A partir disso, será possı́vel calcular o coeficiente de dilatação linear de cada
um, que influencia diretamente em qual será a taxa de dilatação e contração dos materiais. Para isso,
utilizou-se o método dos mı́nimos quadrados e a teoria da Dilatação de Sólidos.

1 Introdução T
L

T + ∆T
A maior parte dos sólidos se dilata quando aquecido.
L ∆L
Supondo uma barra de comprimento inicial Lo , a
variação do seu comprimento, ∆L, será diretamente Figura 1: Esquema de montagem do experimento
proporcional à variação de temperatura ∆T . Para
diferentes materiais, o coeficiente de dilatação linear
α que relaciona a dilatação, a variação de tempera-
2 Procedimento Experimental
tura e o comprimento inicial é diferente. Se o ∆T
não for muito grande, podemos calcular ∆L como Os materiais utilizados foram: tubos de alumı́nio,
cobre e latão, resistência elétrica num tubo de vidro,
isolante térmico, fonte de corrente contı́nua e tensão
∆L = Lo α∆T. (1)
ajustáveis, termômetro digital com sensor e relógio
comparador.
Porém, se o ∆T for muito grande, o coeficiente de
Primeiramente, encaixa-se a resistência dentro de
dilatação irá variar junto com a temperatura, de
um dos tubos a serem aquecidos. Mede-se o compri-
acordo com
mento do tubo e coloca-se o fio do termopar entre
1 dl a resitência e o tubo, até aproximadamente a me-
α= .
L dT tade do comprimento deste para se coletar a medida
mais uniforme possı́vel da temperatura. Coloca-se o
Além da dilatação linear, temos a dilatação superfi- isolante térmico em torno do tubo, para reduzir a dis-
cial e volumétrica. Para essas, utilizamos β como co- sipação de calor. Zera-se o relógio contador e anota-
eficiente superficial e γ como coeficiente de dilatação se a temperatura inicial Lo e o comprimento inicial
volumétrica. E temos que Lo do tubo, o qual será referência para o cálculo do
∆L. Conecta-se um jacaré em cada extremidade da
β = 2α resistência para passagem de corrente.
γ = 3α. Após realizada a montagem do experimento, liga-

1
se a fonte à tensão de 20 V. Espera-se o tubo aquecer Tabela 2: Método dos Mı́nimos Quadrados para o
até no máximo 130◦ C, desliga-se a fonte e anota- Alumı́nio
se os valores da temperatura e da variação do com-
primento na Tabela 1. Como a fonte foi desligada, xi yi x2i x i yi
não passa mais corrente e a temperatura diminui, e (◦ C) (mm) ◦
( C2 ) (◦ Cmm)
a cada queda de aproximadamente 10◦ C os valores 30 0,03 900 0,9
correspondentes de temperatura e variação de com- 40 0,15 1600 6
primento são novamentes anotados. Isso é repetido 50 0,275 2500 13,75
até a temperatura indicada voltar ao valor inicial. O 60 0,38 3600 22,8
procedimento é repetido para os outros dois tubos de 70 0,54 4900 37,8
materiais diferentes. 80 0,69 6400 55,2
Com todos os dados anotados plota-se o gráfico de 90 0,815 8100 73,35
∆L por T , de onde será obtido o coeficiente de di- 100 0,97 10000 97
latação linear a partir dos coeficientes angulares dos 110 1,12 12100 123,2
gráficos. Por fim, calcula-se o erro experimental a
P
630 4,97 50100 430
partir do valor tabelado dos coeficientes de dilatação Média 70 0,5522 5566,66 47,7778
de cada material.

com a equação de uma reta da form


3 Resultados
y = ax + b

O valor do comprimento inicial de todas as barras percebe-se que


foi de Lo = 635mm
a = Lo α
Tabela 1: Tabela dos valores coletados de cada barra
da variação do comprimento e da temperatura no b = −Lo αTo
momento de cada variação
Aplicando o método dos mı́nimos quadrados, encon-
Alumı́nio Cobre Latão tramos os coeficientes angular e linear da reta ajus-
tada do seguinte modo
T ∆L T ∆L T ∆L
(◦ C) (mm) (◦ C) (mm) (◦ C) (mm) n
P P P
x y − x i yi
a= Pi i2
n xi − ( xi )2
P
30 0,03 30,1 0,056 30 0,09
40 0,15 40 0,163 40 0,18 b = y − ax,
50 0,275 49,1 0,245 50 0,285
60 0,38 60,1 0,367 60 0,39 Para as duas outras barras, foi utilizado o método
70 0,54 70 0,465 70 0,495 da mesma maneira. E a partir da equação y = ax+b,
80 0,69 80 0,563 80 0,61 temos:
90 0,815 93,5 0,695 90 0,75
100 0,97 102,2 0,785 95 0,805 y = 0.014183x − 0.451722 (Barra de alumı́nio - Figura 2a)
110 1,12 110,2 0,91 100 0,86 y = 0.010347x − 0.258186 (Barra de cobre - Figura 2b)
y = 0.010175x − 0.216139 (Barra de latão - Figura 2c).
O cálculo do coeficiente de dilatação linear, como
dito anteriormente, é obtido a partir do coeficiente Como o coeficiente angular da reta ajustada do
angular da curva obtida no gráfico ∆L versus T . gráfico ∆L versus T (Figura 2), pode ser expresso por
Para fazer isto reescrevemos a Equação 1 da seguinte ∆L/T , a unidade do coeficiente angular é mm◦ C−1 .
forma E como o coeficiente linear de uma reta é o ponto em
∆L = Lo αT − Lo αTo . (2) que a reta cruza o eixo y, sua unidade é mm.
Fazendo y = ∆L e x = T e comparando esta equação Para o caso do alumı́nio, temos que o coeficiente

2
1.0 0.9
Dados coletados Dados coletados Dados coletados
1.2
Reta ajustada Reta ajustada 0.8 Reta ajustada
0.8
0.7
1.0
0.6
0.6
0.8
∆L (mm)

∆L (mm)

∆L (mm)
0.5
0.6 0.4
0.4

0.4 0.3
0.2 0.2
0.2
0.1
0.0 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 0.0 40 60 80 100 30 40 50 60 70 80 90 100
T( ◦ C) T( ◦ C) T( ◦ C)

(a) Alumı́nio (b) Cobre (c) Latão

Figura 2: Gráficos de ∆L por T , obtidos experimentalmente

de dilatação linear é onde αcalc é o coeficiente de dilatação linear obtido


a esperimentalmente e αtab é o coeficiente de dilatação
α=
Lo linear de referência (tabelado).
0, 014183 mm◦ C−1 Para o cobre, o erro foi
α=
635 mm
α = 2, 2335 × 10−5◦ C−1 |1, 630 × 10−5 − 1, 7 × 10−5 |
∆% = · 100%
1, 7 × 10−5
Para o cobre
a ∆% = 4.1%
α=
Lo
O erro associado aos outros materiais foi calculado
0, 010347 mm◦ C−1
α= da mesma maneira. Tais erros podem ser justificados
635 mm pela dissipação de calor para o ambiente, mesmo com
α = 1, 630 × 10−5 ◦ C−1 . o isolante térmico.
E para o latão
a
α=
Lo
0, 010175 mm◦ C−1
α=
635 mm
α = 1, 602 × 10−5 ◦ C−1 .

4 Conclusão
Na tabela abaixo, temos os valores calculados e os
tabelados dos coeficientes de dilatação linear de cada
material, com os erros percentuais associados.

Material αcalc αtab ∆%


(◦ C−1 ) (◦C−1 ) (%)
Al 2,234×10−5 2,4×10−5 2,7
Cu 1,630×10−5 1,7×10−5 4,1
Latão 1,602×10−5 2,0×10−5 19,9

Os erros são obtidos por


|αcalc − αtab |
∆% = · 100,
αtab