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13/07/2018

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA


CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

SISTEMAS DE ESGOTO E DRENAGEM - 1703217


PROF. LEONARDO VIEIRA SOARES

COMPOSIÇÃO E VAZÃO DE ESGOTO

COMPOSIÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO

0,1% de sólidos (orgânicos ou


inorgânicos, suspensos ou dissolvidos
na água)

Água (99,9%)

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COMPOSIÇÃO DE ESGOTO SANITÁRIO

Segundo a NBR 9648/1986, ESGOTO SANITÁRIO é todo despejo líquido (água residuária)
constituído de:

→ esgotos domésticos;

→ resíduos líquidos industriais;

→ águas de infiltração e

→ águas pluviais parasitárias.

CONSIDERAM-SE PARA O CÁLCULO:

QES = QD + ΣQS + QINF

ESGOTO DOMÉSTICO

Despejo líquido resultante do uso da água pelo homem em seus hábitos


higiênicos e necessidades fisiológicas:

→ preparo de alimentos;

→ lavagem de utensílios e piso;

→ uso do chuveiro e da pia do banheiro;

→ lavagem de roupa e

→ bacia sanitária.

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COMPOSIÇÃO DE ESGOTO DOMÉSTICO

Fonte: von Sperling (1996).


Quadro 2.7 pg. 79.

CONTRIBUIÇÃO DE ESGOTO DOMÉSTICO

A contribuição de esgoto doméstico depende dos seguintes fatores:

→ população da área de projeto (P);

→ coeficiente de retorno esgoto/água (C);

→ Consumo de água efetivo per capita (qe);

→ coeficientes de variação de vazão (K1, K2 e K3).

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ESTUDO POPULACIONAL

• O estudo populacional da área de projeto, seja ela um bairro, distrito, cidade


ou um consórcio entre cidades, consiste-se do levantamento e análise de
uma série de informações e dados para que possam ser estimadas as
populações de projeto inicial (base) e final (alcance do plano).

• O período de tempo compreendido entre o início de operação das instalações


projetadas e aquele no qual estas passarão a ser operadas na plenitude de
sua capacidade dá-se o nome de alcance do projeto, plano do projeto ou
horizonte de projeto.

• No Brasil, usualmente, adota-se período de 20 anos.

ESTUDO POPULACIONAL
• Levantamento dos planos e projetos que existem na região, como o Plano
Diretor;

• Levantamento na prefeitura do número de contribuintes do imposto predial


(IPTU);

• Análise sócio-econômica da área e seu papel na região em que ela está


inserida e

• Levantamento, em campo, com amostra representativa da área de projeto,


para pesquisa de parâmetros urbanísticos e demográficos da ocupação atual
(diferentes usos, padrão econômico, tamanho médio do lote, domicílios por
lote, habitantes por domicílios, índice de verticalização, percentual de área
institucional etc).

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ESTUDO POPULACIONAL

• Segundo a NBR 12211/1992, a população residente deve ser avaliada de


acordo com um dos seguintes critérios:

5.2.5.1 - Mediante a extrapolação de tendências de crescimento, definidas


por dados estatísticos suficientes para constituir uma série histórica,
observando-se:

a) a aplicação de modelos matemáticos (mínimos quadrados) aos dados


censitários do IBGE, - deve ser escolhida como curva representativa de
crescimento futuro, aquela que melhor se ajustar aos dados
censitários;

b) o emprego de métodos que considerem os índices de natalidade,


mortalidade, crescimento vegetativo e correntes migratórias ...

MÉTODO DOS MÍNIMOS QUADRADOS


FUNÇÃO LINEAR
y = a . x + b (yi ≠ 0)
Sendo:
y: população em habitantes;
x: número de anos (diferença entre ano i e o ano inicial);
a e b: coeficientes de equação da reta determinados:

Sendo n o número de dados censitários utilizados, e i = 1, 2, ... n.


O coeficiente de correlação r2 que exprime a adaptação da curva aos dados utilizados, deve se aproximar de 1 e é
calculado da seguinte forma:

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MÉTODO DOS MÍNIMOS QUADRADOS


FUNÇÃO POTENCIAL
y = a . xb (a > 0)
Sendo:
y: população em habitantes;
x: número de anos (diferença entre ano i e o ano inicial);
a e b: coeficientes da curva de potência:

Sendo n o número de dados censitários utilizados, e i = 1, 2, ... n.


O coeficiente de correlação r2 é calculado da seguinte forma:

MÉTODO DOS MÍNIMOS QUADRADOS


FUNÇÃO EXPONENCIAL
y = a . ebx (yi > 0 e a > 0)
Sendo:
y: população em habitantes;
x: número de anos (diferença entre ano i e o ano inicial);
a e b: coeficientes da curva exponencial:

Sendo n o número de dados censitários utilizados, e i = 1, 2, ... n.


O coeficiente de correlação r2 é calculado da seguinte forma:

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MÉTODO DOS MÍNIMOS QUADRADOS


FUNÇÃO LOGARÍTMICA
y = a + b . Ln(x), (xi > 0)
Sendo:
y: população em habitantes;
x: número de anos (diferença entre ano i e o ano inicial);
a e b: coeficientes da curva exponencial:

Sendo n o número de dados censitários utilizados, e i = 1, 2, ... n.


O coeficiente de correlação r2 é calculado da seguinte forma:

DISTRIBUIÇÃO E DENSIDADE DEMOGRÁFICA

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DISTRIBUIÇÃO E DENSIDADE DEMOGRÁFICA


Características urbanas dos bairros (ocupações Densidade Extensão média
homogêneas) demográfica de de arruamento
saturação (hab/ha) (m/ha)
Bairros residenciais de luxo com lote padrão de 800 100 150
m2
Bairros residenciais médios com lote padrão de 450 120 180
m2
Bairros mistos populares com lote padrão de 250 m2 150 200
Bairro misto residencial-comercial com 300 150
predominância de prédios com 3 ou 4 pavimentos
Bairros residenciais com predominância de edifícios 450 150
de apartamentos com 10 a 12 pavimentos
Bairros misto residencial-comercial e industrial da 600 150
zona urbana, com predominância de comércio e
indústrias artesanais e leves
Bairros comerciais com predominância de edifício de 1.000 200
escritórios
Recomendações SABESP.

COEFICIENTE DE RETORNO (C)

• É a relação entre o volume de esgoto fornecido à rede coletora e o volume de


água efetivamente consumido pela população.

• Parte da água é utilizada para rega de jardins, pequenas hortas, lavagem de


carros, calçadas e pisos, irrigação de parques públicos, etc.

• De um modo geral, o valor de “C” situa-se entre 0,5 e 0,9, dependendo das
condições locais: localização e tipo da residência, tipo de clima, condições de
arruamento, etc.

• A NBR 9649 da ABNT recomenda, na falta de valores obtidos em campo, o


valor de 0,8 para o coeficiente de retorno.

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CONSUMO DE ÁGUA EFETIVO PER CAPITA

• É o fator que surge da estreita relação entre o consumo de água e a contribuição para rede
de esgotos.

= .( − )
Onde:
q é consumo de água per capita (l/hab.dia);
qe: consumo de água efetivo per capita (l/hab.dia)
I é o índice de perdas na rede de distribuição de água.

• A contribuição per capita de esgoto é o consumo de água efetivo per capita multiplicado
pelo coeficiente de retorno:
C x qe

CONTRIBUIÇÃO MÉDIA DE ESGOTO DOMÉSTICO

QM (m3/dia) = P (hab) x C (0,8) x qe (l/hab.dia) / 1.000

Calcular a contribuição média de esgoto doméstico da Cidade de João Pessoa.

P = 800.000 hab.
qe = 125 l/hab.dia

QM = 800.000 x 0,8 x 125 / 1000 = 80.000 m3/dia

QM = 80.000 x 1.000 (l/m3) / 86.400 (s/dia) = 926 l/s

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COEFICIENTES DE VARIAÇÃO DE ESGOTO DOMÉSTICO

• K1, coeficiente da máxima vazão diária: é a relação entre a maior vazão diária verificada no
ano e a vazão média diária anual.

• K2, coeficiente da máxima vazão horária: é a relação entre a maior vazão horária verificada
no dia e a vazão média horária do mesmo dia.

• K3, coeficiente da mínima vazão horária: é a relação entre a vazão mínima e a vazão média
diária anual.

COEFICIENTES DE VARIAÇÃO DE ESGOTO DOMÉSTICO

Curva de variação horária da vazão


de esgoto da cidade de Cardoso / SP
Fonte: Tsutiya e Alem Sobrinho
(1999).

VALORES RECOMENDADOS PELA NBR 9649 DA ABNT:

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CONTRIBUIÇÕES DE ESGOTO DOMÉSTICO

• VAZÃO MÁXIMA DIÁRIA


QMAX,D (l/dia) = P (hab) x C (0,8) x qe (l/hab.dia) x K1

• VAZÃO MÁXIMA HORÁRIA (VAZÃO MÁXIMA DE ESG. DOMÉSTICO)


QMAX,H (l/dia) = P (hab) x C (0,8) x qe (l/hab.dia) x K1 x K2

• VAZÃO MÍNIMA HORÁRIA (VAZÃO MÍNIMA DE ESG. DOMÉSTICO)


QMIN (l/dia) = P (hab) x C (0,8) x qe (l/hab.dia) x K3

VAZÕES SINGULARES

• Grandes escolas;
• Hospitais e postos de saúde;
• Clubes esportivos;
• Estações rodoviárias, ferroviárias;
• Shopping centers e centros comercias ou de serviços;
• Grandes edificações residenciais;
• Estabelecimento industriais que utilizam água em seu processo de produção, etc.

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EXEMPLO 1: Condomínio residencial de 15 andares (4 apto/andar) construído em uma área de


720 m2, cujo bairro pertence a uma bacia de esgotamento de 10 ha.

VAZÕES SINGULARES

Atividade/usuário Unidade Esgoto (l/dia)


Residência urbana pessoa 150
Residência popular ou rural pessoa 120
Apartamento pessoa 200
Escola (internato) pessoa 150
Escola (externato) pessoa 50
Hotel (sem cozinha e pessoa 120
lavanderia)
Hospital leito 250
Alojamento provisório pessoa 80
Escritório ou ed. público pessoa 50
Restaurante ou similar refeição 25
Cinema, teatro, templo lugar 2
Fonte: NBR 7229, ABNT. Projeto, construção e operação de sistemas de tanques
sépticos.

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VAZÕES DE INDÚSTRIAS

• As águas residuárias geradas em atividades industriais têm características próprias em


função da matéria-prima, do processo de industrialização utilizado e do produto
industrializado.

• Espera-se, por exemplo, que os esgotos de uma indústria de lacticínios tenham


predominância acentuada de matéria orgânica em seu meio, enquanto que os de uma
metalúrgica caracterizar-se-ão pela presença de óleos minerais, cianetos, compostos de
cromo e outros metais pesados em sua composição.

• As características do despejo industrial devem ser analisadas e verificada a possibilidade de


seu lançamento “in natura” na rede coletora, em acordo a legislação em vigor (CONAMA no
357 de 2005).

VAZÕES DE INDÚSTRIAS

Gênero Tipo Unidade de Consumo


produção espec. de
água
(m3/und)
Alimentícia Doces 1 ton 5 a 25
Açúcar de cana 1 ton 0,5 a 10
Margarina 1 ton 20
Matadouros 1 boi/2,5 porcos 0,3 a 0,4
Laticínios com queijaria 1.000 L de leite 2 a 10
Bebidas Destilação de álcool 1 ton 60
Cervejaria 1 m3 5 a 20
Refrigerante 1 m3 2a5
Siderúrgica Fundição 1 ton gusa 3a8
laminação 1 ton 8 a 50
Fonte: von Sperling (1996). Quadro 2.10 pg. 85.

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VAZÕES DE INDÚSTRIAS
Gênero Tipo Unidade de Consumo
produção espec. de água
(m3/und)
Têxtil Algodão 1 ton 120 a 750
Lã 1 ton 500 a 600
Nylon 1 ton 100 a 150
Couro e curtume Curtume 1 ton pele 20 a 40
Sapatos 1.000 pares 5
Papel e polpa Fab. de polpa sulfatada 1 ton 15 a 200
Fab. de papel 1 ton 30 a 270
Indústria química Tinta 1 empregado 0,1 a 10
Sabão 1 ton 25 a 200
Ref. de petróleo 1 barril (1171 L) 0,2 a 0,4
PVC 1 ton 12,5
Fonte: von Sperling (1996). Quadro 2.10 pg. 85.

VAZÃO DE INFILTRAÇÃO

• A água de infiltração é toda aquela proveniente do subsolo, indesejável ao sistema


separador e que penetra nas canalizações pelas suas juntas ou paredes e através das
estruturas dos poços de visita, tubos de inspeção e limpeza e demais acessórios.

• A quantidade de infiltrações na rede coletora depende:

→ do materiais empregados e estado de conservação;

→ do tipo e características do solo e

→ do nível do lençol freático.

• A NBR 9649 da ABNT recomenda: Taxa de contribuição de infiltração (Ti) variando de 0,05 a
1 l/s.km, conforme condições locais.

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VAZÃO DE ESGOTO SANITÁRIO

QES = QD + ΣQS + QINF

As vazões a serem consideradas no dimensionamento das redes coletoras,


interceptores e elevatórias de esgotos são específicas para de cada uma destas
instalações.

BIBLIOGRAFIA

• NUVOLARI, ARIOVALDO (Coordenador). Esgoto sanitário; coleta, transporte e reúso


agrícola. 1ª Edição. São Paulo: Edgard Blücher, 2003. 520 p.

• TSUTIYA, MILTON TOMOYUKI & ALEM SOBRINHO, PEDRO. Coleta e transporte de esgoto
sanitário. 1ª Edição – São Paulo: Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da
Escola Politécnica da universidade de São Paulo, 1999. 548 p.

• Plano Diretor Municipal de João Pessoa e Código Municipal do Meio Ambiente


(www.joaopessoa.pb.gov.br).

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EXEMPLO 2: Calcular a contribuição máxima horária para uma cidade cuja população estimada
para o ano de 2018 é de 6.000 habitantes e a extensão de rede estimada de 10.000 m.
Funciona nesta cidade, uma fábrica de sabão com produção diária de 4 toneladas.

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