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DOCÊNCIA EM

SAÚDE
MEDICINA LEGAL
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Bibliotecário responsável: Rodrigo Pereira CRB 1/2167
Portal Educação

P842m Medicina legal / Portal Educação. - Campo Grande: Portal Educação,


2013.

320p. : il.

Inclui bibliografia
ISBN 978-85-8241-706-5

1. Medicina legal. I. Portal Educação. II. Título.

CDD 614.1
SUMÀRIO

1 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................4

2 INTRODUÇÃO À MEDICINA LEGAL: CONCEITOS.................................................................6

3 HISTÓRICO DA MEDICINA LEGAL NO MUNDO ....................................................................11 2

4 HISTÓRICO DA MEDICINA LEGAL NO BRASIL ....................................................................25

5 DEONTOLOGIA MÉDICA: CONCEITOS E FUNDAMENTOS GERAIS ...................................27

6 EXERCÍCIO LEGAL E ILEGAL DA MEDICINA........................................................................28

7 RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL DO MÉDICO ............................................................31

8 CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA ...................................................................................................42

9 PERÍCIAS MÉDICAS NO ÂMBITO CIVIL E PENAL ................................................................56

10 DEFINIÇÕES E TIPOS DE PERÍCIAS MÉDICO-LEGAIS ........................................................60

11 DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS: NOTIFICAÇÕES, ATESTADOS, PARECERES,


DEPOIMENTO ORAL..........................................................................................................................73

12 INTRODUÇÃO À IDENTIFICAÇÃO HUMANA .........................................................................80

13 ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL .........................................................................................82

14 ESTIMATIVA DA ALTURA .......................................................................................................93

15 ESTIMATIVA DA COR DA PELE .............................................................................................95

16 ESTIMATIVA DA IDADE...........................................................................................................99

17 EXUMAÇÕES ..........................................................................................................................106

18 TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL .....................................................................................107

19 LESÕES CORPORAIS ............................................................................................................111

20 ENERGIAS DE ORDEM MECÂNICA ......................................................................................112

21 AGENTES FÍSICOS PRODUTORES DE LESÕES .................................................................126

22 AGENTES QUÍMICOS PRODUTORES DE LESÕES..............................................................135

23 AGENTES BIOLÓGICOS PRODUTORES DE LESÕES .........................................................138


24 AGENTES MISTOS E OUTROS AGENTES CAUSADORES DE LESÕES ............................141

25 AVALIAÇÃO DO DANO CORPORAL ....................................................................................173

26 DANO CORPORAL DE NATUREZA CÍVEL ...........................................................................179

27 DANO CORPORAL DE NATUREZA TRABALHISTA .............................................................185

28 DANO CORPORAL DE NATUREZA DESPORTIVA ...............................................................186 3

29 TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL ...........................................................................................187

30 NECROSCOPIA MÉDICO-LEGAL ..........................................................................................200

31 CRONOTANATOGNOSE E ALTERAÇÕES CADAVÉRICAS ................................................202

32 LESÕES IN VITAM E POST MORTEM ...................................................................................212

33 TOXICOFILIAS ........................................................................................................................216

34 GENÉTICA FORENSE .............................................................................................................223

35 INFORTUNÍSTICA MÉDICO-LEGAL .......................................................................................248

36 SEXOLOGIA FORENSE ..........................................................................................................254

37 PSIQUIATRIA FORENSE ........................................................................................................278

38 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................292

REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................293
4

1 INTRODUÇÃO

As perícias médico-legais sempre foram matéria de curiosidade da sociedade, talvez


por possuirmos um interesse que chega a ser às vezes até mórbido, principalmente quando
ocorrem acidentes em massa de grande repercussão na mídia, como aconteceu recentemente
no Brasil, com a morte da menina Isabella Nardoni, os acidentes de avião da GOL, da TAM e
recentemente da Air France. A população fica comovida e ao mesmo tempo luta pelos seus
direitos como se fossem membros das famílias que passaram por tal catástrofe. Essa
investigação criminal não envolve somente a perícia médico-legal e sim diversas perícias que
podem auxiliam na determinação da causa da morte.
Na maioria das vezes a Medicina Legal e outras ciências forenses são “lembradas”
pela população somente quando um desastre ou crime como esses ocorre ou quando um ente
querido vai a óbito e é necessário ir ao IML. Sem contar que os próprios médicos clínicos, por
falta de conhecimento, acham que a Medicina Legal atua “somente com cadáveres”. Mas a
Medicina Legal é muito mais ampla e importante que isso!
França (2001) relata valiosamente que “a Medicina Legal se apresenta como uma 5
contribuição da mais alta valia e de proveito irrecusável. É uma disciplina de amplas
possibilidades e de profunda dimensão pelo fato de não se resumir apenas ao estudo da ciência
hipocrática, mas de se constituir da soma de todas as especialidades médicas acrescidas de
fragmentos de outras ciências acessórias, destacando-se entre elas a ciência do Direito”.
Hélio Gomes (apud França, 2001) dizia que “não basta um médico ser simplesmente
um médico para que se julgue apto a realizar perícias, como não basta um médico ser
simplesmente médico para que faça intervenções cirúrgicas. São necessários estudos mais
acurados, treino adequado, aquisição paulatina da técnica e da disciplina. Nenhum médico,
embora eminente, está apto a ser perito pelo simples fato de ser médico. É-lhe indispensável
educação médico-legal, conhecimento da legislação que rege a matéria, noção clara da maneira
como deverá responder aos quesitos, prática na redação dos laudos periciais. Sem esses
conhecimentos puramente médico-legais, toda a sua sabedoria será improfícua e perigosa”.
Nesse curso, devido à sua amplitude, estudar-se-á a Medicina Legal dando mais
ênfase às perícias médico-legais, sendo que a Bioética, a Deontologia e Diceologia médica
serão estudadas mais profundamente em outros cursos.
2 INTRODUÇÃO À MEDICINA LEGAL: CONCEITOS

A medicina legal é uma especialidade que abrange conhecimentos que envolvem o


direito e a medicina. Simas Alves (1965) relata que “não é fácil formular uma definição para a
Medicina Legal” e também descreve que é difícil “determinar os objetivos e os limites de uma
disciplina que se apoia em bases doutrinárias, médicas, legislativas e sociológicas contingentes 6
e mutáveis. França (2001) acrescenta que “não chega a ser propriamente uma especialidade
médica, pois aplica o conhecimento dos diversos ramos da Medicina às solicitações do Direito”.
Inúmeras definições são encontradas na literatura tanto internacional quanto brasileira.
França (2001) disponibilizou brilhantemente diversas definições em seu livro, entre elas: “O
conjunto de conhecimentos físicos e médicos próprios a esclarecer aos magistrados na solução
de muitas questões concernentes à administração da Justiça e dirigir os magistrados na
elaboração de certo número de leis” (Mathieu Joseph Bonaventure Orfila, 1787-1853); “é a parte
da jurisprudência médica que tem por objetivo o estabelecimento das regras que dirigem a
conduta do médico, como perito, e na forma que lhe cumpre dar às suas declarações verbais ou
escritas” (Agostinho José de Sousa Lima, 1842-1921); “a aplicação dos conhecimentos médicos-
biológicos na elaboração e execução das leis que deles carecem” (Flamínio Fávero, 1885-1982).
Atualmente, França (2001) define a medicina legal como “a medicina a serviço das ciências
jurídicas e sociais”.
Aqui no Brasil, Simas Alves, em 1965, já relatava que o médico legista “se transforma
em árbitro; seus laudos, seus relatórios, seus atestados e seus diagnósticos são veredictos que
esclarecem, além dos tribunais, as instituições de seguro, permitindo a aplicação equitativa da
justiça, a retribuição justa de indenizações por infortúnios do trabalho, e garantem à comunidade
as vantagens sociais que as leis lhe asseguram”.
A especialização ou residência em medicina legal é regulamentada pela Associação
Brasileira de Medicina Legal, em parceria com o Conselho Federal de Medicina. Veja na íntegra
as recomendações para a sua realização:
7
8
9
10

Fonte: Associação Brasileira de Medicina Legal. Disponível em: <www.abml-


medicinalegal.org.br/>. Acesso em: abr. 2009.
3 HISTÓRICO DA MEDICINA LEGAL NO MUNDO

Utilizando-se como referência o brilhante artigo publicado por Norah Rudin e Keith
Inman (The Forensic Science Timeline, Disponível em
<http://www.forensicdna.com/Timeline020702.pdf>. Acesso em: 20/01/2009); o do livro de
Medicina Legal de França (2001) e de Hercules (2008); de outros artigos e fontes descritos 11
abaixo, foi elaborado um quadro contendo alguns relatos históricos importantes da medicina
legal no mundo:

XVIII a. C.
Código de Hamurabi gravadas em
monólito (pedra de grandes
dimensões, uma obra ou monumento
construído a partir de um só bloco de
rocha), cerca de 1700 a. C., que
contém cerca de 282 parágrafos
regulamentando a prática da medicina
e da odontologia na Babilônia.
Estabelecia em um dos seus artigos
que “Se um médico tratou um
ferimento grave de um escravo de um
homem pobre, com uma lanceta de
bronze, e causou a morte do escravo,
deve pagar escravo por escravo”. As
penas iam desde multas a amputações
das mãos dos médicos. Os honorários
também eram estabelecidos.

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Milkau_Oberer_Teil_der_Stele_mit_
dem_Text_von_Hammurapis_Gesetzescode_369-2.jpg
V a. C.
Código de Manu, na Índia, que proibia que
crianças, velhos, embriagados, débeis mentais
e loucos fossem ouvidos como testemunhas.
Outros tópicos demonstram a série de ideias
sobre valores, tais como Verdade, Justiça e
Respeito: “Somente homens dignos 12 de
confiança, isentos de cobiça podem ser
escolhidos para testemunhas de fatos levados
a juízo, sendo tal missão vedada para as
castas inferiores. Nenhum infeliz acabrunhado
pelo pesar, nem ébrio, nenhum louco, nenhum
sofrendo de fome ou sede, nenhum fatigado
em excesso, nenhum que está apaixonado de
amor, ou em cólera, ou um ladrão”.

Fonte da figura: Mānavadharmaśāstra Manu, William Jones. Institutes of Hindu law: or, The
ordinances of Menu, according to the gloss of Cullúca: Comprising the Indian system of
duties, religious and civil. Verbally translated from the original Sanscrit . J. Sewell and J.
Debrett, 1796. 366 pág.

44 a. C. Primeiro exame médico de uma vítima de homicídio registrado na história: morte de Júlio César.
Seu corpo foi analisado por Antitius, um médico que era seu amigo, constatando-se 23 golpes,
sendo que apenas um foi mortal. O exame não foi realizado como médico perito, mas como
cidadão do Império Romano.
483-565 O reconhecimento de que os médicos são testemunhas especiais
em juízo foi feito por Justiniano, no entanto os juízes não eram
obrigados a ouvi-los.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Meister_von_San_Vitale_in_Ra
13
venna_004.jpg

742-814 Carlos Magno, na obra Capitulárias, instrui os juízes a ouvi-los em casos de lesão corporal,
infanticídio, suicídio, estupro, impotência, entre outros.

1248 Um livro chinês, Hsi Duan Yu ou Casos coletados de retificação de injustiças, de Song Si,
combina diversos casos que envolvem ciência forense com suas próprias experiências. É o
primeiro registro da aplicação dos conhecimentos médicos na resolução de um crime.

Fonte: <http://en.wikipedia.org/wiki/File:XiYuanJiLuDiagram.jpg>. Acesso em: 20/01/2009.


1374 O Papa concede à Faculdade de Medicina de Montpellier a primeira autorização para realizar
necropsias para estudos anatômicos e clínicos. Até essa época, as necropsias eram feitas
clandestinamente.

1532 A necropsia forense só foi permitida com a promulgação da


Constitutio Criminalis Carolina, promulgada pelo impreador
alemão Carlos V.
14

Fonte:
http://en.wikipedia.org/wiki/File:De_Constitutio_criminalis_Caroli
na_(1577)_01.jpg

1686 Marcello Malpighi, um professor de anatomia da


Universidade de Bologna, notou características na impressão
digital. No entanto, não mencionou o seu valor para a
identificação individual.
1813 Mathieu Orfila, um espanhol que se tornou
professor de medicina e química forense na
Universidade de Paris, publicou Traite des Poisons
Tires des Regnes Mineral, Vegetal et Animal, ou
Toxicologie General l e foi considerado o “Pai da
toxicologia moderna”. Ele também trouxe
significativa contribuição para o desenvolvimento
15 de
testes para a presença de sangue em um contexto
forense e foi o primeiro a utilizar o microscópio na
análise de amostras
de sangue e sêmen.

Estudo dos corpos em


putrefação.

Livro de Orfila

1828 William Nicol inventou o microscópio polarizado.

Cerca de Adolphe Quetelet, um estaticista belgo, providenciou uma fundação para os trabalhos de
1830 Bertillon que seriam desenvolvidos no futuro, de que não existem dois corpos humanos
exatamente iguais.
16

1831 Leuchs foi o primeiro a notar a atividade da amilase na saliva humana.

1835 Henry Goddard realizou a primeira comparação de projéteis para pegar um assassino. Sua
comparação foi baseada na fenda visível presente nos projéteis disparados de uma determinada
arma de fogo.

1836 James Marsh, químico escocês, foi o primeiro a utilizar a toxicologia em um julgamento
criminal, detectando o arsênico.

1839 H. Bayard publicou o primeiro procedimento para detecção microscópica de esperma. Ele
também notou as características microscópicas diferentes de vários substratos de tecidos.

1851 Jean Servais Stas, professor belgo de química, foi o primeiro a identificar com sucesso
venenos de vegetais no corpo humano.

1853 Ludwig Teichmann, polonês, desenvolveu o primeiro teste de cristal por microscopia para a
hemoglobina.

1854 Maddox, médico inglês, desenvolveu a fotografia de placa seca, método que era utilizado para
registro de indivíduos presos.
1856 Fonte:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:William_James_Herschel.j
pg>. Acesso: em 20 jan. 2009.

William James Herschel foi Magistrado Principal dos


Serviços Administrativos Ingleses na Índia, sendo reconhecido
17
como o primeiro europeu a perceber a aplicação prática das
impressões digitais, contribuindo assim para a implantação
definitiva da papiloscopia.

1862 J. (Isaak) Van Deen desenvolveu uma técnica para teste de sangue.

1863 Um cientista alemão, Schönbein, foi o primeiro a descobrir a habilidade da hemoglobina oxidar
na presença de peróxido de hidrogênio, resultando em um teste presumível para sangue.
1864 Odebrecht foi o primeiro a utilizar a fotografia para a identificação de criminosos e a
documentação da evidência e da cena do crime.

1869 O DNA foi isolado pela primeira vez pelo médico suíço
Friedrich Miescher que descobriu a substância
microscópica em pus de curativos de cirurgia.
18

Fonte:
<http://www.pbs.org/wgbh/nova/photo51/images/befo-
miescher.jpg>. Acesso em: 20 jan. 2009.

1879 Rudolph Virchow, patologista alemão que estudou o cabelo e reconheceu suas limitações.

1880 Henry Faulds publicou na revista Nature o primeiro registro científico da utilização das
impressões digitais encontradas na cena do crime.
Alphonse Bertillon, policial francês, identificou o
1883
primeiro criminoso reincidente baseado na
invenção da antropometria.

Fotografia de Bertillon realizando medidas


antropométricas.

Fotos dispostas no National Gallery of Canada,


Ottawa.
1887 Alexandre Lacassagne, professor de medicina forense
na Universidade de Lyons, na França, foi o primeiro a
tentar individualizar projéteis, pelos vincos e
particularidades.

19
Fonte:
<http://en.wikipedia.org/wiki/File:Alexandre_Lacassagne.jp
g>. Acesso em: 20 jan. 2009.

1900 Paul Uhlenhuth foi um bacteriologista e higienista que trabalhou com ciências forenses e
sorologia, desenvolvendo um teste que distinguia sangue humano de sangue animal.

1900 Fonte:
<http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1930/land
steiner-bio.html> . Acesso em:
20 jan. 2009.
Karl Landsteiner, médico e
biólogo austríaco, premiado com
o Nobel de Fisiologia ou
Medicina em 1930 pela
classificação dos grupos
sanguíneos, sistema A B O, e
foi descobridor do fator RH.

Diagrama mostrando compatibilidade


entre os grupos sanguíneos para transfusão

1910 Victor Balthazard, professor de medicina forense da Universidade de Paris, na França,


publicou o primeiro livro significativo sobre o estudo do cabelo, incluindo casos criminais.
Estudou também fotografias ampliadas de projéteis e cartuchos para determinar o tipo de arma
e foi o primeiro a individualizar um projétil de uma arma.
1910 Fonte: <http://www.onin.com/fp/fmiru/edmond_locard.jpg>.
Acesso em: 20 jan. 2009.

Edmond Locard foi um pioneiro na ciência forense e formulou


20 o
princípio básico da mesma: “Todo contato deixa um rastro”.

1927 Landsteiner e Levine foram os primeiros a detector os sistemas sanguíneos M, N, e P.

1937 Fonte: <http://en.wikipedia.org/wiki/File:Luminol2006.jpg>. Acesso em: 20


jan. 2009.

Walter Specht, do Instituto de Medicina Legal e Criminalística Científica


da Universidade de Jena, Alemanha, desenvolveu o reagente luminol
para testes de detecção de sangue.

1940 Landsteiner e Alexander S. Wiener foram os primeiros a descrever o sistema sanguíneo Rh.

1941 Murray Hill, dos laboratórios Bells, iniciou o estudo de identificação pela voz.

1945 Frank Lundquist, da unidade de medicina legal da Universidade de Copenhagen, Dinamarca,


desenvolveu os testes pela fosfatase ácida para sêmen.
1950 Fonte: <http://www.aafs.org>.
Acesso em: 20 jan. 2009.

A Academia Americana de Ciências


Forenses é criada, assim como 21 se inicia
a publicação do jornal científico Journal
of Forensic Science, periódico referência
na área.

1953 James D. Watson e Francis


Crick descreveram a molécula de
DNA.
1984 Alec Jeffreys desenvolveu o
primeiro teste para análise do perfil
genético para identificar o padrão de
sondas multilocus RFLP.

22

1986 O DNA foi utilizado pela primeira vez


para solucionar um crime, sendo o
exame liderado por Alec Jeffreys, na
Inglaterra.

1983 Fonte: <http://www.karymullis.com>. Acesso em: 14 jan.


2009.

Kerry Mullis inventou o princípio da reação de amplificação


da polimerase (PCR) enquanto estava na Cetus
Corporation. Essa técnica foi a primordial para os avanços
na análise do DNA forense.

1986 Henry Erlich, da Cetus Corporation, desenvolveu a técnica de PCR adaptada para o uso
forense.

1987 O DNA foi utilizado pela primeira vez na corte americana.

1990 K. Kasai e colaboradores publicaram o primeiro artigo sugerindo a utilização do lócus D1S80
para análises forenses, sendo posteriormente comercializado pela Cetus Corporation.

1992 Thomas Casey, professor americano, sugeriu a utilização de repetições consecutivas curtas
23 ou
STRs para a análise do DNA forense. A Promega Corporation e a Perkin-Elmer desenvolveram
o primeiro kit de análise de STRs.

1998 Criação do banco nacional de dados de perfis genéticos de criminosos americanos, denominado
CODIS.
4 HISTÓRICO DA MEDICINA LEGAL NO BRASIL

Utilizando-se como referência o livro de Medicina Legal – texto e atlas de Hercules


(2008), que descreveu detalhadamente a história da Medicina Legal no Brasil e do livro de
Medicina Legal de França (2001) – resume-se brevemente alguns aspectos dessa história no
Brasil: 24

Ano Acontecimento
Período Utilização de conhecimentos estrangeiros da Medicina Legal.
colonial até
1877

1877 Souza Lima assume a cátedra de Medicina Legal da Faculdade de


Medicina, que hoje pertence à Universidade Federal do Rio de
Janeiro.

Fonte: http://www.anm.org.br/membros_detalhes.asp?id=130

1879 Souza Lima ministra o primeiro curso de tanatologia forense no necrotério oficial.

1891 Obrigatoriedade das faculdades de Medicina ministrarem a disciplina de Medicina Legal e


Higiene. A Toxicologia passa a ser estudada pela Química Analítica.

1895 Posse de Raimundo Nina Rodrigues como catedrático de Medicina Legal da Faculdade de
Medicina da Bahia, destacando-se na Psiquiatria Forense e da Antropologia Criminal
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Nina_02.jpg

25

1902 Afrânio Peixoto, discípulo de Nina Rodrigues, que trabalhava no


Rio de Janeiro, influencia o Governo Federal a baixar o Decreto
4.864, de 15/16/1903, que estabelecia normas detalhadas para a
descrição e conclusão das perícias médicas. Fonte:
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=
127

1917 Oscar Freire, na Bahia, também luta pela transformação da


estrutura médico-legal do Estado. Em 1917 passa a trabalhar na
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, morrendo
em 1925, deixando grande contribuição à Medicina Legal
Brasileira. Fonte: http://www.hcnet.usp.br/historiahc/biografias.htm.

1941 Com a vigência do Código de Processo Penal as perícias médico-legais só podem ser
realizadas por peritos oficiais.
1967 Fundação da Sociedade Brasileira de Medicina Legal.
5 DEONTOLOGIA MÉDICA: CONCEITOS E FUNDAMENTOS GERAIS

Deontologia é a parte da Medicina Legal que se ocupa das normas éticas a que o
médico está sujeito no exercício da profissão, abrangendo a responsabilidade profissional nas
esferas penal, civil, ética e administrativa. Inclui a Bioética e seus princípios (Hércules, 2008). O 26
seu estudo é extenso e engloba muitos conhecimentos específicos que poderão ser discutidos
oportunamente em um curso separado, tanto voltado para a responsabilidade profissional do
médico, como para a Bioética.
Segundo França (2001), a deontologia médica tem como princípio conduzir o
facultativo sob uma orientação moral e jurídica nas suas relações com os docentes, com os
colegas e com a sociedade, e ao mesmo tempo tentar explicar uma forma de comportamento,
tomando como objeto de sua reflexão a ética e a lei. Já a Diceologia médica estuda os direitos
dos médicos, tais como os direitos de exercício da profissão, honorários profissionais, entre
outros.
6 EXERCÍCIO LEGAL E ILEGAL DA MEDICINA

O exercício da Medicina no Brasil é regulamento pelo Decreto 20.931, de 11 de janeiro


de 1932, que “Regula e fiscaliza o exercício da medicina, da odontologia, da medicina veterinária
e das profissões de farmacêutico, parteira e enfermeira, no Brasil, e estabelece penas”. No 27
entanto, para a Odontologia e Farmacêutico a regulação da profissão está disponibilizada na Lei
5.081, de 1964, e no Decreto 85.878, de 1981.

As pessoas que não são formadas em Medicina não podem exercer a profissão
médica, procurando-se impedir, penalmente, que a saúde pública venha a ser ameaçada por
pessoas não-qualificadas e sem conhecimentos específicos. O Código Penal, no capítulo de
crimes contra a saúde pública, pune criminalmente àqueles que exercerem a Medicina, a
Odontologia e a Farmacêutica ilegalmente, ou excedendo-lhe os limites:

Exercício Ilegal da Medicina, Arte Dentária ou Farmacêutica


Art. 282 - Exercer, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou
farmacêutico, sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado com o fim de lucro, aplica-se também
multa.

Entende-se como exceder os limites quando o médico, o dentista ou o farmacêutico


realiza procedimentos que não são de sua área de competência. Podemos citar como exemplos
a realização de cirurgia de extração de dentes ou formulação de medicamentos em laboratório
por um médico. Esses procedimentos acarretam não só exercício ilegal, mas excedem os limites
de sua profissão (Calvielli, 1997; França, 2001). Outros exemplos que podem levar o médico a
exceder os limites são: o médico assumir responsabilidade pelo óbito de paciente de pessoas
que foram tratadas por leigos e atestar sem examinar o paciente (França, 2001).

O exercício ilegal da medicina está disposto no decreto em seu artigo 10:


(...)

Art. 10. Os que, mediante anúncios ou outro qualquer meio, se


propuserem ao exercício da medicina ou de qualquer dos seus ramos, sem título
devidamente registrado, ficam sujeitos, ainda que se entreguem
excepcionalmente a essa atividade, às penalidades aplicáveis ao exercício ilegal
28
da medicina (...)

Ainda existe a figura do charlatão e do curandeiro no Código Penal:

Charlatanismo
Art. 283 - Inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
Curandeirismo
Art. 284 - Exercer o curandeirismo:
I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância;
II - usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;
III - fazendo diagnósticos:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado mediante remuneração, o agente fica
também sujeito à multa.

O Charlatanismo envolve a cura por meio secreto ou infalível que um profissional relata
possuir. Normalmente, apenas o médico e o cirurgião-dentista podem realizá-lo, por possuírem
conhecimento para tratamentos em suas áreas de competência, mas não podendo curar por
uma metodologia que somente o próprio dispõe. Quando um leigo relata possuir esse meio
secreto ou infalível, se enquadra mais em exercício ilegal ou curandeirismo do que
charlatanismo. Já o curandeirismo é realizado por pessoas não habilitadas legalmente para o
exercício da Medicina e ainda utilizam de técnicas ditas como sobrenaturais ou místicas,
diferenciando do exercício ilegal, na qual a pessoa utiliza do conhecimento médico sem ter
habilitação legal (França, 2001).

29
7 RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL DO MÉDICO

Responsabilidade médica é a “obrigação, de ordem civil, penal ou administrativa, a que


estão sujeitos os médicos, no exercício profissional, quando de um resultado lesivo ao paciente,
por imprudência, imperícia ou negligência” (França, 2001). Ernani Simas Alves (1965) descreve 30
a responsabilidade como um princípio jurídico geral, aceito pelos povos civilizados, estabelece
que todo homem mentalmente são e desenvolvido tem a obrigação de responder pelos danos
que produzir a outros. Ainda acrescenta que mesmo que o médico dificilmente tenha a intenção
de prejudicar alguém, ele possui essa responsabilidade.
Segundo França (2001), o erro médico deve ser distinguido do acidente imprevisível ou
do mal incontrolável, podendo também ser aplicado à odontologia. O erro “é uma forma atípica e
inadequada de conduta profissional que supõe uma inobservância técnica, capaz de produzir um
dano à vida ou à saúde do paciente, sendo caracterizado como imperícia, imprudência ou
negligência” do dentista na atividade profissional. Já no acidente imprevisível, “há um resultado
lesivo à integridade física ou psíquica do paciente durante o ato médico ou em face dele, porém
incapaz de ser previsto e evitado, não só pelo autor, mas por outro qualquer em seu lugar”.

“A responsabilidade fundamenta-se no princípio da culpa,


em que o agente dá a causa a um dano, sem o devido cuidado a
que normalmente está obrigado a ter, e não o evita por julgar que
esse resultado não se configura. (...) Quanto maior a
previsibilidade de resultado danoso, maior será o grau da culpa.”
França, 2001: p435

O mal incontrolável “seria aquele decorrente de uma situação grave e de curso


inexorável, em que as condições atuais de ciência e a capacidade profissional ainda não
oferecem solução”.
França (2001) sugere sete propostas para a prevenção do erro médico, sendo
resumidos a seguir:

1. Participação da sociedade: manifestar frustrações e denunciar crimes praticados


por médicos.
2. Compromisso político do médico: os médicos não podem deixar de protestar
31
para a melhoria da saúde pública.
3. Revisão do aparelho formador: auxiliar na adequação do curso médico de
acordo com necessidades atuais.
4. Melhoria da relação médico-paciente.
5. Atualização e aperfeiçoamento científico.
6. Fiscalização do exercício profissional: atuação dos CRMs e CFMs de maneira
mais concreta, fiscalizando e auxiliando na melhoria dos estabelecimentos médicos.
7. Melhoria das condições de trabalho.

As clínicas, cooperativas, policlínicas, planos de assistência à saúde e todos aqueles


de exercem a Medicina de forma não individual também estão sujeitos a responsabilidades
profissionais. Um responsável técnico deverá ser cadastrado no Conselho Regional de Medicina,
sendo que o mesmo responderá solidariamente com o infrator pelas infrações éticas cometidas.
Na maioria das vezes, em caso de ressarcimento de danos por responsabilidade profissional, o
paciente entra com o processo contra a empresa, a clínica ou a entidade que o médico presta os
serviços como empregado ou mesmo àquele que possui participação de porcentagem, pois a
negligência e a escolha do profissional na maioria das vezes é associada à entidade.
No entanto, casos que o profissional seja conveniado ou é um prestador de serviços e
autônomo fica mais difícil caracterizar o vínculo com a empresa e acaba respondendo sozinho
ao dano cometido. O valor da indenização a ser paga em virtude do dano decorrente do erro
médico é estabelecido pelo juiz levando em conta diversos aspectos descritos no Código Civil.
Normalmente o que acontece em processos contra médicos é o ressarcimento de
danos patrimoniais (valores pagos ao médico, valores de outro tratamento a ser realizado para
reparação do erro, valores que o paciente deixou de receber por falta ao trabalho,
medicamentos, etc) e extrapatrimoniais (sofrimento moral e físico – dor – pelo tratamento,
consequências e retratamento, etc).
O paciente pede indenização no âmbito civil em caso de danos em medicina, mas
frequentemente também está realizando boletim de ocorrência contra o CD na delegacia por
lesão corporal, por exemplo, e também denuncia ao comitê de ética do Conselho Regional de
Medicina. Dessa maneira, o médico acaba sendo processado nas três instâncias: civil, penal e
ética. Às vezes também é realizado processo no âmbito administrativo, principalmente para
profissionais que prestam serviços em empresas, convênios, clínicas, faculdades, órgãos 32
públicos, entre outras entidades.
A responsabilidade civil norteia entre duas teorias: a objetiva e a subjetiva. A teoria
subjetiva responsabiliza o autor quando existe culpa, dano e nexo causal, no entanto, tem o seu
fundamento completamente moral (França, 2001) e ainda exige da vítima a prova do dano
(Vanrell, 2003). Já na teoria objetiva da responsabilidade a culpa se materializa, sendo que o
responsável pelo dano indenizará pelo fato de existir um prejuízo, não se cogitando da existência
da culpa e sim a casualidade entre um ato e dano para obrigar a reparação (França, 2001).
Vanrell (2003) ainda acrescenta que na teoria objetiva a culpa ou é presumida ou simplesmente
dispensa a comprovação.
O dano deve ter surgido decorrente de um ato ou omissão – nexo causal (Figura 1) –
para que o mesmo possa ser ressarcido pelo autor do ato (França, 2001). Vanrell (2003)
exemplifica claramente que basta eliminar a ação para verificar se o resultado ocorreria.

Figura 1: representação esquemática do nexo de causalidade e o dano

A reparação do dano é realizada na maioria das vezes pelo pagamento da indenização


no âmbito civil, mas existem diversos pacientes que ao registrar boletim de ocorrência contra o
médico na delegacia quer que o mesmo responda criminalmente pelo dano e a consequência
seria a detenção do mesmo ou a aplicação de multas. Já no âmbito administrativo ético, nos
CRMs, o médico poderá ter a sua carteira profissional cassada e anulada, impossibilitando-o de
exercer a profissão. Já no âmbito administrativo pode ocorrer desde o afastamento do
profissional de seu cargo até a sua demissão por justa causa.
O processo no âmbito civil é o que “de fato” vai reparar pelo menos uma parte dos 33
danos (danos patrimoniais) sofridos pelo paciente ou pela sua família em caso de óbito, porque
nenhum sofrimento ou dor é mensurável para ser devidamente “ressarcida”; será dada através
do pagamento da indenização. Dessa maneira, transcreve-se parte do Código Civil que descreve
a indenização:

CAPÍTULO II
Da Indenização

Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.

Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da


culpa e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, a indenização.

Art. 945. Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a


sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em
confronto com a do autor do dano.

(...)

Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras


reparações:

I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o


luto da família;

II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-


se em conta a duração provável da vida da vítima.
Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o
ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da
convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver
sofrido.

Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa
34
exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de
trabalho, a indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes
até ao fim da convalescença, incluirá pensão correspondente à importância
do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu.

Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização


seja arbitrada e paga de uma só vez.

Art. 951. O disposto nos arts. 948, 949 e 950 aplica-se ainda no caso de
indenização devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por
negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-
lhe o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho.

A negligência é a “inobservância e descuido na execução de ato” (Houaiss, 2001) ou a


“falta de atenção, de cuidado ou precaução na execução de certos atos” (Farah e Ferraro, 2000).
França (2001) exemplifica brilhantemente diversas eventualidades que podem ser consideradas
como negligência médica, sendo resumidas a seguir:

 Abandono do doente;
 Omissão de tratamento;
 Negligência de um médico pela omissão de outro;
 Prática ilegal por estudantes de medicina: aquele que orienta ou é responsável
por um estudante de Medicina que responderá como negligente, pois permitiu
que o mesmo atuasse ilegalmente;
 Prática ilegal por pessoal técnico: mesmo princípio do caso acima;
 Letra do médico: receitas indecifráveis refletem a negligência do profissional;
 Negligência hospitalar: caracteriza negligência do hospital quando:
o Rejeitar internação de um paciente em perigo de vida, quaisquer que
sejam as condições momentâneas do hospital;
o Altas prematuras;
o Lesões sofridas durante o internamento como quedas resultando em
fraturas, queimaduras de procedimentos, etc;
o Infecção hospitalar. 35
 Esquecimento de corpo estranho em cirurgia;
 Negligência dos centros complementares de diagnóstico: resultados incorretos
por erros ou falhas humanas.

A imprudência é a “inobservância das precauções necessárias. É uma das causas de


imputação de culpa previstas na lei” (Houaiss, 2001) ou “a atuação intempestiva do agente, sem
a preocupação de prever o resultado” (Farah e Ferraro, 2000). A imprudência ocorre quando um
médico age sem cautela necessária. São exemplos de imprudência médica: avaliar, diagnosticar
e receitar por telefone; a possibilidade do cirurgião de realizar uma cirurgia por um método
conhecido não ocorre e resulta em um ato danoso ao paciente (França, 2001).

A imperícia é a “falta de habilidade ou experiência reputada necessária para a


realização de certas atividades e cuja ausência, por parte do agente, o faz responsável pelos
danos ou ilícitos penais advenientes” (Houaiss, 2001) ou “consiste na inexperiência, na
inabilitação, na falta de qualificação técnica da pessoa para atuar” (Farah e Ferraro, 2000) ou
“falta de observação das normas por despreparo prático ou por insuficiência de conhecimentos
técnicos. É a carência de aptidão, prática ou teórica, para o desempenho de uma tarefa técnica”
(França, 2001).
Muitas discussões foram e são realizadas para analisar se a responsabilidade médica
era de natureza contratual ou extracontratual. Para ser contratual, a culpa deve estar
fundamentada em um contrato, e para ser extracontratual o dever está fundamentado no
princípio geral do direito: respeito à pessoa e aos bens alheios. Em odontologia considera-se que
a natureza seja contratual, que pode ser verbal (somente falado) ou tácito (por escrito), e “de
meio” ou “de resultado”. 36
Na obrigação “de meio” o médico deverá utilizar-se de todos os meios para obter os
melhores resultados, não garantindo o êxito total do serviço. Nesse caso, cabe ao credor
comprovar que utilizou de todos os meios para alcançar o melhor resultado possível. Já na
obrigação “de resultado” o médico deverá obter obrigatoriamente o resultado disposto no
contrato, ocorrendo principalmente quando o médico promete o resultado, mostra o “antes e
depois” para os seus pacientes, principalmente em cirurgias estéticas (Farah e Ferraro, 2000;
Vanrell, 2003).

Nós acreditamos que os serviços médicos e odontológicos, por


dependerem em seus resultados de uma resposta do corpo humano,
devem em princípio ser sempre considerados enquanto obrigação de
meio. Somente quando o tratamento possui uma probabilidade estatística
de 100% de que atingirá um determinado resultado (parcial ou total) é que
o entendimento de obrigação de resultado seria adequado à atividade dos
profissionais de saúde”.

(Farah e Ferraro, 2000, p. 43)

Da mesma maneira, de nada adiantará dizer em um contrato de prestação de serviços


que o “tratamento não é garantido”, que “não se tem certeza dos resultados”, para caracterizar
um tratamento como obrigação de meio. O paciente é leigo no assunto e quem deve ter
convicção do melhor tratamento e fazer tudo o que é possível para recuperar ou melhorar a
saúde do paciente deverá fazê-lo. O que comprovará a forma e a qualidade do tratamento
médico é o prontuário, desde que o mesmo contenha todos os tipos de esclarecimentos que o
médico fizer.
O que sem dúvida deverá ser feito, além de esclarecer, é fazê-lo de forma adequada
sobre todas as alternativas de tratamento, as indicações, as contraindicações, os riscos, os
benefícios, as características, os resultados, as consequências, a forma de manutenção do 37
tratamento, cuidados antes e durante o tratamento, o custo e todos os outros itens pertinentes
para a realização do tratamento e o sucesso do resultado. Todos esses itens estão descritos no
Código de Defesa do Consumidor.
Além disso, Farah e Ferraro (2000) recomendam que seja pedido ao paciente uma
rubrica em todas as folhas de um “contrato”. Nos módulos posteriores serão analisadas e
descritas as importâncias das assinaturas ou rubricas do paciente antes, durante e depois do
tratamento médico.
Como descrito anteriormente, o Direito Civil também regula modalidades de compra e
venda, mas se difere do Direito do Consumidor, como exemplifica Nunes (2008): se Antônio
compra um carro em uma concessionária, essa relação de compra e venda é típica de consumo,
disposta no Código de Defesa do Consumidor - CDC (Lei Nº 8.078, de 11 de setembro de 1990),
no entanto, se Antônio comprar o carro de um amigo, a relação de compra será regulamentada
pelo Código Civil.
O Direito Civil estuda a relação de consumo e fornecedores de produtos e serviços
(Nunes, 2008), incluindo os serviços odontológicos prestados pelos cirurgiões-dentistas.
Segundo o CDC, em seu artigo 2° e 3°, “consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire
ou utiliza produtos ou serviços como destinatário final” e “fornecedor é toda pessoa física ou
jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que
desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação,
importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços”.
Já o produto é “qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial” e serviço “é
qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de
natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de
caráter trabalhista”.
Quanto aos direitos do consumidor, o código dispõe claramente que os prestadores de
serviços devem dar todas as informações pertinentes para a sua realização, inclusive garante a
reparação dos danos. As informações prestadas ao paciente também estão dispostas abaixo e
devem ser documentadas de forma adequada no prontuário odontológico, afinal, será a único
documento que o cirurgião-dentista terá para comprovar esse dever de cuidado.

DOS DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR


38
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados


por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou
nocivos;

II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos


e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações;

III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e


serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição,
qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem;

IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos


comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas
abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços;

V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam


prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes
que as tornem excessivamente onerosas;

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais,


individuais, coletivos e difusos;

VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos, com vistas à


prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos
ou difusos, assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos
necessitados;
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão
do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for
verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras
ordinárias de experiência;

IX - (Vetado)
39
X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.

A inversão do ônus da prova, como disposto no inciso VIII, ocorre na Medicina, no qual
se considera o paciente hipossuficiente. Segundo o dicionário Houaiss (2001), ônus da prova
significa “encargo de provar, de produzir prova da afirmação ou do fato” e ao ser invertido cabe
ao profissional e não ao paciente provar que realizou tudo o que podia para obter o melhor
resultado no tratamento médico.

Art. 14º O fornecedor de serviços responde, independentemente da


existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por
defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações
insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

§ 1º O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o


consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias
relevantes, entre as quais:

I - o modo de seu fornecimento;

II- o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III- a época em que foi fornecido.

§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas


técnicas.
§ 3º O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando
provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.


40
§ 4º A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada
mediante a verificação de culpa.

No caso da Medicina e outras ciências da saúde, não podemos abordar o tratamento


apenas como “serviço”, e o paciente somente como “consumidor”. No entanto, em contrapartida,
como é o Código de Defesa do Consumidor que regula a prestação de serviços, inclui os
serviços de profissionais de saúde. O que será avaliado é se houve ou não o erro, como descrito
anteriormente – “A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a
verificação de culpa”.
8 CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA

O Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 1.246/88, de 08/01/1988) não retrata


somente os conceitos éticos da profissão, mas sim diversos aspectos legais que foram
estudados previamente. A seguir será disponibilizado como anexo o Código de Ética Médica na 41
sua totalidade.

CÓDIGO DE ÉTICA

Preâmbulo

I - O presente Código contém as normas éticas que devem ser seguidas pelos médicos no
exercício da profissão, independentemente da função ou cargo que ocupem.

II - As organizações de prestação de serviços médicos estão sujeitas às normas deste Código.

III - Para o exercício da Medicina impõe-se a inscrição no Conselho Regional do respectivo


Estado, Território ou Distrito Federal.

IV - A fim de garantir o acatamento e cabal execução deste Código, cabe ao médico comunicar
ao Conselho Regional de Medicina, com discrição e fundamento, fatos de que tenha
conhecimento e que caracterizem possível infringência do presente Código e das Normas que
regulam o exercício da Medicina.
V - A fiscalização do cumprimento das normas estabelecidas neste Código é atribuição dos
Conselhos de Medicina, das Comissões de Ética, das autoridades da área de Saúde e dos
médicos em geral.

VI - Os infratores do presente Código sujeitar-se-ão às penas disciplinares previstas em lei.

Capítulo I - Princípios Fundamentais

Art. 1° - A Medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e deve
ser exercida sem discriminação de qualquer natureza.

Art. 2° - O alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual
deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional.
Art. 3° - A fim de que possa exercer a Medicina com honra e dignidade, o médico deve ser boas
condições de trabalho e ser remunerado de forma justa.

Art. 4° - Ao médico cabe zelar e trabalhar pelo perfeito desempenho ético da Medicina e pelo
prestígio e bom conceito da profissão.

Art. 5° - O médico deve aprimorar continuamente seus conhecimentos e usar o melhor do


progresso científico em benefício do paciente.
42
Art. 6° - O médico deve guardar absoluto respeito pela vida humana, atuando sempre em
benefício do paciente. Jamais utilizará seus conhecimentos para gerar sofrimento físico ou
moral, para o extermínio do ser humano, ou para permitir e acobertar tentativa contra sua
dignidade e integridade.

Art. 7° - O médico deve exercer a profissão com ampla autonomia, não sendo obrigado a prestar
serviços profissionais a quem ele não deseje, salvo na ausência de outro médico, em casos de
urgência, ou quando sua negativa possa trazer danos irreversíveis ao paciente.

Art. 8° - O médico não pode, em qualquer circunstância, ou sob qualquer pretexto, renunciar à
sua liberdade profissional, devendo evitar que quaisquer restrições ou imposições possam
prejudicar a eficácia e correção de seu trabalho.

Art. 9° - A Medicina não pode, em qualquer circunstância, ou de qualquer forma, ser exercida
como comércio.

Art. 10° - O trabalho do médico não pode ser explorado por terceiros com objetivos de lucro,
finalidade política ou religiosa.

Art. 11° - O médico deve manter sigilo quanto às informações confidenciais de que tiver
conhecimento no desempenho de suas funções. O mesmo se aplica ao trabalho em empresas,
exceto nos casos em que seu silêncio prejudique ou ponha em risco a saúde do trabalhador ou
da comunidade.

Art. 12° - O médico deve buscar a melhor adequação do trabalho ao ser humano e a eliminação
ou controle dos riscos inerentes ao trabalho.

Art. 13° - O médico deve denunciar às autoridades competentes quaisquer formas de poluição
ou deterioração do meio ambiente, prejudiciais à saúde e à vida.

Art. 14° - O médico deve empenhar-se para melhorar as condições de saúde e os padrões dos
serviços médicos e assumir sua parcela de responsabilidade em relação à saúde pública, à
educação sanitária e à legislação referente à saúde.

Art. 15° - Deve o médico ser solidário com os movimentos de defesa da dignidade profissional,
seja por remuneração condigna, seja por condições de trabalho compatíveis com o exercício
ético-profissional da Medicina e seu aprimoramento técnico.
Art. 16° - Nenhuma disposição estatutária ou regimental de hospital, ou instituição pública ou
privada, poderá limitar a escolha, por parte do médico, dos meios a serem postos em prática
para o estabelecimento do diagnóstico e para a execução do tratamento, salvo quando em
benefício do paciente.

Art. 17° - O médico investido em função de direção tem o dever de assegurar as condições
mínimas para o desempenho ético-profissional da Medicina.
43
Art. 18° - As relações do médico com os demais profissionais em exercício na área de saúde
devem basear-se no respeito mútuo, na liberdade e independência profissional de cada um,
buscando sempre o interesse e o bem-estar do paciente.

Art. 19° - O médico deve ter, para com os colegas, respeito, consideração e solidariedade, sem,
todavia, eximir-se de denunciar atos que contrariem os postulados éticos à Comissão de Ética da
instituição em que exerce seu trabalho profissional e, se necessário, ao Conselho Regional de
Medicina.

Capítulo II - Direitos do Médico

É direito do médico:

Art. 20 - Exercer a Medicina sem ser discriminado por questões de religião, raça, sexo,
nacionalidade, cor, opção sexual, idade, condição social, opinião política, ou de qualquer outra
natureza.

Art. 21 - Indicar o procedimento adequado ao paciente, observadas as práticas


reconhecidamente aceitas e respeitando as normas legais vigentes no País.

Art. 22 - Apontar falhas nos regulamentos e normas das instituições em que trabalhe, quando as
julgar indignas do exercício da profissão ou prejudiciais ao paciente, devendo dirigir-se, nesses
casos, aos órgãos competentes e, obrigatoriamente, à Comissão de Ética e ao Conselho
Regional de Medicina de sua jurisdição.

Art. 23 - Recusar-se a exercer sua profissão em instituição pública ou privada onde as condições
de trabalho não sejam dignas ou possam prejudicar o paciente.

Art. 24 - Suspender suas atividades, individual ou coletivamente, quando a instituição pública ou


privada para a qual trabalhe não oferecer condições mínimas para o exercício profissional ou
não o remunerar condignamente, ressalvadas as situações de urgência e emergência, devendo
comunicar imediatamente sua decisão ao Conselho Regional de Medicina.
Art. 25 - Internar e assistir seus pacientes em hospitais privados com ou sem caráter filantrópico,
ainda que não faça parte do seu corpo clínico, respeitadas as normas técnicas da instituição.

Art. 26 - Requerer desagravo público ao Conselho Regional de Medicina quando atingido no


exercício de sua profissão.

Art. 27 - Dedicar ao paciente, quando trabalhar com relação de emprego, o tempo que sua
experiência e capacidade profissional recomendarem para o desempenho de sua atividade,
44
evitando que o acúmulo de encargos ou de consultas prejudique o paciente.

Art. 28 - Recusar a realização de atos médicos que, embora permitidos por lei, sejam contrários
aos ditames de sua consciência.

Capítulo III - Responsabilidade Profissional

É vedado ao médico:

Art. 29 - Praticar atos profissionais danosos ao paciente, que possam ser caracterizados como
imperícia, imprudência ou negligência.

Art. 30 - Delegar a outros profissionais atos ou atribuições exclusivos da profissão médica.

Art. 31 - Deixar de assumir responsabilidade sobre procedimento médico que indicou ou do qual
participou, mesmo quando vários médicos tenham assistido o paciente.

Art. 32 - Isentar-se de responsabilidade de qualquer ato profissional que tenha praticado ou


indicado, ainda que este tenha sido solicitado ou consentido pelo paciente ou seu responsável
legal.

Art. 33 - Assumir responsabilidade por ato médico que não praticou ou do qual não participou
efetivamente.

Art. 34 - Atribuir seus insucessos a terceiros e a circunstâncias ocasionais, exceto nos casos em
que isso possa ser devidamente comprovado.

Art. 35 - Deixar de atender em setores de urgência e emergência, quando for de sua obrigação
fazê-lo, colocando em risco a vida de pacientes, mesmo respaldado por decisão majoritária da
categoria.

Art. 36 - Afastar-se de suas atividades profissionais, mesmo temporariamente, sem deixar outro
médico encarregado do atendimento de seus pacientes em estado grave.
Art. 37 - Deixar de comparecer a plantão em horário preestabelecido ou abandoná-lo sem a
presença de substituto, salvo por motivo de força maior.

Art. 38 - Acumpliciar-se com os que exercem ilegalmente a Medicina, ou com profissionais ou


instituições médicas que pratiquem atos ilícitos.

Art. 39 - Receitar ou atestar de forma secreta ou ilegível, assim como assinar em branco folhas
de receituários, laudos, atestados ou quaisquer outros documentos médicos.
45
Art. 40 - Deixar de esclarecer o trabalhador sobre condições de trabalho que ponham em risco
sua saúde, devendo comunicar o fato aos responsáveis, às autoridades e ao Conselho Regional
de Medicina.

Art. 41 - Deixar de esclarecer o paciente sobre as determinantes sociais, ambientais ou


profissionais de sua doença.

Art. 42 - Praticar ou indicar atos médicos desnecessários ou proibidos pela legislação do País.

Art. 43 - Descumprir legislação específica nos casos de transplantes de órgãos ou tecidos,


esterilização, fecundação artificial e abortamento.

Art. 44 - Deixar de colaborar com as autoridades sanitárias ou infringir a legislação pertinente.

Art. 45 - Deixar de cumprir, sem justificativa, as normas emanadas dos Conselhos Federal e
Regionais de Medicina e de atender às suas requisições administrativas, intimações ou
notificações, no prazo determinado.

Capítulo IV - Direitos Humanos

É vedado ao médico:

Art. 46 - Efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e consentimento prévios


do paciente ou de seu responsável legal, salvo iminente perigo de vida.

Art. 47 - Discriminar o ser humano de qualquer forma ou sob qualquer pretexto.

Art. 48 - Exercer sua autoridade de maneira a limitar o direito do paciente de decidir livremente
sobre a sua pessoa ou seu bem-estar.

Art. 49 - Participar da prática de tortura ou de outras formas de procedimento degradantes,


desumanas ou cruéis, ser conivente com tais práticas ou não as denunciar quando delas tiver
conhecimento.
Art. 50 - Fornecer meios, instrumentos, substâncias ou conhecimentos que facilitem a prática de
tortura ou outras formas de procedimentos degradantes, desumanas ou cruéis, em relação à
pessoa.

Art. 51 - Alimentar compulsoriamente qualquer pessoa em greve de fome que for considerada
capaz, física e mentalmente, de fazer juízo perfeito das possíveis consequências de sua atitude.
Em tais casos, deve o médico fazê-la ciente das prováveis complicações do jejum prolongado e,
na hipótese de perigo de vida iminente, tratá-la. 46

Art. 52 - Usar qualquer processo que possa alterar a personalidade ou a consciência da pessoa,
com a finalidade de diminuir sua resistência física ou mental em investigação policial ou de
qualquer outra natureza.

Art. 53 - Desrespeitar o interesse e a integridade de paciente, ao exercer a profissão em


qualquer instituição na qual o mesmo esteja recolhido independentemente da própria vontade.

Parágrafo Único: Ocorrendo quaisquer atos lesivos à personalidade e à saúde física ou psíquica
dos pacientes a ele confiados, o médico está obrigado a denunciar o fato à autoridade
competente e ao Conselho Regional de Medicina.

Art. 54 - Fornecer meio, instrumento, substância, conhecimentos ou participar, de qualquer


maneira, na execução de pena de morte.

Art. 55 - Usar da profissão para corromper os costumes, cometer ou favorecer crime.

Capítulo V - Relação com Pacientes e Familiares

É vedado ao médico:

Art. 56 - Desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a execução de práticas


diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente perigo de vida.

Art. 57 - Deixar de utilizar todos os meios disponíveis de diagnóstico e tratamento a seu alcance
em favor do paciente.

Art. 58 - Deixar de atender paciente que procure seus cuidados profissionais em caso de
urgência, quando não haja outro médico ou serviço médico em condições de fazê-lo.

Art. 59 - Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e objetivos do


tratamento, salvo quando a comunicação direta ao mesmo possa provocar-lhe dano, devendo,
nesse caso, a comunicação ser feita ao seu responsável legal.

Art. 60 - Exagerar a gravidade do diagnóstico ou prognóstico, ou complicar a terapêutica, ou


exceder-se no número de visitas, consultas ou quaisquer outros procedimentos médicos.
Art. 61 - Abandonar paciente sob seus cuidados.

§ 1° - Ocorrendo fatos que, a seu critério, prejudiquem o bom relacionamento com o paciente ou
o pleno desempenho profissional, o médico tem o direito de renunciar ao atendimento, desde
que comunique previamente ao paciente ou seu responsável legal, assegurando-se da
continuidade dos cuidados e fornecendo todas as informações necessárias ao médico que lhe
suceder.
47
§ 2° - Salvo por justa causa, comunicada ao paciente ou aos seus familiares, o médico não pode
abandonar o paciente por ser este portador de moléstia crônica ou incurável, mas deve continuar
a assisti-lo ainda que apenas para mitigar o sofrimento físico ou psíquico.

Art. 62 - Prescrever tratamento ou outros procedimentos sem exame direto do paciente, salvo
em casos de urgência e impossibilidade comprovada de realizá-lo, devendo, nesse caso, fazê-lo
imediatamente cessado o impedimento.

Art. 63 - Desrespeitar o pudor de qualquer pessoa sob seus cuidados profissionais.

Art. 64 - Opor-se à realização de conferência médica solicitada pelo paciente ou seu responsável
legal.

Art. 65 - Aproveitar-se de situações decorrentes da relação médico/paciente para obter


vantagem física, emocional, financeira ou política.

Art. 66 - Utilizar, em qualquer caso, meios destinados a abreviar a vida do paciente, ainda que a
pedido deste ou de seu responsável legal.

Art. 67 - Desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre o método contraceptivo ou


conceptivo, devendo o médico sempre esclarecer sobre a indicação, a segurança, a
reversibilidade e o risco de cada método.

Art. 68 - Praticar fecundação artificial sem que os participantes estejam de inteiro acordo e
devidamente esclarecidos sobre o procedimento.

Art. 69 - Deixar de elaborar prontuário médico para cada paciente.

Art. 70 - Negar ao paciente acesso a seu prontuário médico, ficha clínica ou similar, bem como
deixar de dar explicações necessárias à sua compreensão, salvo quando ocasionar riscos para o
paciente ou para terceiros.

Art. 71 - Deixar de fornecer laudo médico ao paciente, quando do encaminhamento ou


transferência para fins de continuidade do tratamento, ou na alta, se solicitado.

Capítulo VI - Doação e Transplante de Órgãos e Tecidos


É vedado ao médico:

Art. 72 - Participar do processo de diagnóstico da morte ou da decisão de suspensão dos meios


artificiais de prolongamento da vida de possível doador, quando pertencente à equipe de
transplante.

Art. 73 - Deixar, em caso de transplante, de explicar ao doador ou seu responsável legal, e ao 48


receptor, ou seu responsável legal, em termos compreensíveis, os riscos de exames, cirurgias
ou outros procedimentos.

Art. 74 - Retirar órgão de doador vivo, quando interdito ou incapaz, mesmo com autorização de
seu responsável legal.

Art. 75 - Participar direta ou indiretamente da comercialização de órgãos ou tecidos humanos.

Capítulo VII - Relações Entre Médicos

É vedado ao médico:

Art. 76 - Servir-se de sua posição hierárquica para impedir, por motivo econômico, político,
ideológico ou qualquer outro, que médico utilize as instalações e demais recursos da instituição
sob sua direção, particularmente quando se trate da única existente no local.

Art. 77 - Assumir emprego, cargo ou função, sucedendo a médico demitido ou afastado em


represália a atitude de defesa de movimentos legítimos da categoria ou da aplicação deste
Código.

Art. 78 - Posicionar-se contrariamente a movimentos legítimos da categoria médica, com a


finalidade de obter vantagens.

Art. 79 - Acobertar erro ou conduta antiética de médico.

Art. 80 - Praticar concorrência desleal com outro médico.

Art. 81 - Alterar prescrição ou tratamento de paciente, determinado por outro médico, mesmo
quando investido em função de chefia ou de auditoria, salvo em situação de indiscutível
conveniência para o paciente, devendo comunicar imediatamente o fato ao médico responsável.

Art. 82 - Deixar de encaminhar de volta ao médico assistente o paciente que lhe foi enviado para
procedimento especializado, devendo, na ocasião, fornecer-lhe as devidas informações sobre o
ocorrido no período em que se responsabilizou pelo paciente.
Art. 83 - Deixar de fornecer a outro médico informações sobre o quadro clínico do paciente,
desde que autorizado por este ou seu responsável legal.

Art. 84 - Deixar de informar ao substituto o quadro clínico dos pacientes sob sua
responsabilidade, ao ser substituído no final do turno de trabalho.

Art. 85 - Utilizar-se de sua posição hierárquica para impedir que seus subordinados atuem dentro
dos princípios éticos.
49

Capítulo VIII - Remuneração Profissional

É vedado ao médico:

Art. 86 - Receber remuneração pela prestação de serviços profissionais a preços vis ou


extorsivos, inclusive de convênios.

Art. 87 - Remunerar ou receber comissão ou vantagens por paciente encaminhado ou recebido,


ou por serviços não efetivamente prestados.

Art. 88 - Permitir a inclusão de nomes de profissionais que não participaram do ato médico, para
efeito de cobrança de honorários.

Art. 89 - Deixar de se conduzir com moderação na fixação de seus honorários, devendo


considerar as limitações econômicas do paciente, as circunstâncias do atendimento e a prática
local.

Art. 90 - Deixar de ajustar previamente com o paciente o custo provável dos procedimentos
propostos, quando solicitado.

Art. 91 - Firmar qualquer contrato de assistência médica que subordine os honorários ao


resultado do tratamento ou à cura do paciente.

Art. 92 - Explorar o trabalho médico como proprietário, sócio ou dirigente de empresas ou


instituições prestadoras de serviços médicos, bem como auferir lucro sobre o trabalho de outro
médico, isoladamente ou em equipe.

Art. 93 - Agenciar, aliciar ou desviar, por qualquer meio, para clínica particular ou instituições de
qualquer natureza, paciente que tenha atendido em virtude de sua função em instituições
públicas.
Art. 94 - Utilizar-se de instituições públicas para execução de procedimentos médicos em
pacientes de sua clínica privada, como forma de obter vantagens pessoais.

Art. 95 - Cobrar honorários de paciente assistido em instituição que se destina à prestação de


serviços públicos; ou receber remuneração de paciente como complemento de salário ou de
honorários.

Art. 96 - Reduzir, quando em função de direção ou chefia, a remuneração devida ao médico,


50
utilizando-se de descontos a título de taxa de administração ou quaisquer outros artifícios.

Art. 97 - Reter, a qualquer pretexto, remuneração de médicos e outros profissionais.

Art. 98 - Exercer a profissão com interação ou dependência de farmácia, laboratório


farmacêutico, ótica ou qualquer organização destinada à fabricação, manipulação ou
comercialização de produto de prescrição médica de qualquer natureza, exceto quando se tratar
de exercício da Medicina do Trabalho.

Art. 99 - Exercer simultaneamente a Medicina e a Farmácia, bem como obter vantagem pela
comercialização de medicamentos, órteses ou próteses, cuja compra decorra da influência direta
em virtude da sua atividade profissional.

Art. 100 - Deixar de apresentar, separadamente, seus honorários quando no atendimento ao


paciente participarem outros profissionais.

Art. 101 - Oferecer seus serviços profissionais como prêmio em concurso de qualquer natureza.

Capítulo IX - Segredo Médico

É vedado ao médico:

Art. 102 - Revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão,
salvo por justa causa, dever legal ou autorização expressa do paciente.

Parágrafo único: Permanece essa proibição: a) Mesmo que o fato seja de conhecimento público
ou que o paciente tenha falecido. b) Quando do depoimento como testemunha. Nesta hipótese, o
médico comparecerá perante a autoridade e declarará seu impedimento.

Art. 103 - Revelar segredo profissional referente à paciente menor de idade, inclusive a seus pais
ou responsáveis legais, desde que o menor tenha capacidade de avaliar seu problema e de
conduzir-se por seus próprios meios para solucioná-lo, salvo quando a não revelação possa
acarretar danos ao paciente.
Art. 104 - Fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir pacientes ou seus retratos em
anúncios profissionais ou na divulgação de assuntos médicos em programas de rádio, televisão
ou cinema, e em artigos, entrevistas ou reportagens em jornais, revistas ou outras publicações
leigas.

Art. 105 - Revelar informações confidenciais obtidas quando do exame médico de trabalhadores,
inclusive por exigência dos dirigentes de empresas ou instituições, salvo se o silêncio puser em
risco a saúde dos empregados ou da comunidade. 51

Art. 106 - Prestar a empresas seguradoras qualquer informação sobre as circunstâncias da


morte de paciente seu, além daquelas contidas no próprio atestado de óbito, salvo por expressa
autorização do responsável legal ou sucessor.

Art. 107 - Deixar de orientar seus auxiliares e de zelar para que respeitem o segredo profissional
a que estão obrigados por lei.

Art. 108 - Facilitar manuseio e conhecimento dos prontuários, papeletas e demais folhas de
observações médicas sujeitas ao segredo profissional, por pessoas não obrigadas ao mesmo
compromisso.

Art. 109 - Deixar de guardar o segredo profissional na cobrança de honorários por meio judicial
ou extrajudicial.

Capítulo X - Atestado e Boletim Médico

É vedado ao médico:

Art. 110 - Fornecer atestado sem ter praticado o ato profissional que o justifique, ou que não
corresponda à verdade.

Art. 111 - Utilizar-se do ato de atestar como forma de angariar clientela.

Art. 112 - Deixar de atestar atos executados no exercício profissional, quando solicitado pelo
paciente ou seu responsável legal.

Parágrafo único: O atestado médico é parte integrante do ato ou tratamento médico, sendo o seu
fornecimento direito inquestionável do paciente, não importando em qualquer majoração de
honorários.

Art. 113 - Utilizar-se de formulários de instituições públicas para atestar fatos verificados em
clínica privada.
Art. 114 - Atestar óbito quando não o tenha verificado pessoalmente, ou quando não tenha
prestado assistência ao paciente, salvo, no último caso, se o fizer como plantonista, médico
substituto, ou em caso de necropsia e verificação médico-legal.

Art. 115 - Deixar de atestar óbito de paciente ao qual vinha prestando assistência, exceto quando
houver indícios de morte violenta.

Art. 116 - Expedir boletim médico falso ou tendencioso.


52
Art. 117 - Elaborar ou divulgar boletim médico que revele o diagnóstico, prognóstico ou
terapêutica, sem a expressa autorização do paciente ou de seu responsável legal.

Capítulo XI - Perícia Médica

É vedado ao médico:

Art. 118 - Deixar de atuar com absoluta isenção quando designado para servir como perito ou
auditor, assim como ultrapassar os limites das suas atribuições e competência.

Art. 119 - Assinar laudos periciais ou de verificação médico-legal, quando não o tenha realizado,
ou participado pessoalmente do exame.

Art. 120 - Ser perito de paciente seu, de pessoa de sua família ou de qualquer pessoa com a
qual tenha relações capazes de influir em seu trabalho.

Art. 121 - Intervir, quando em função de auditor ou perito, nos atos profissionais de outro médico,
ou fazer qualquer apreciação em presença do examinado, reservando suas observações para o
relatório.

Capítulo XII - Pesquisa Médica

É vedado ao médico:

Art. 122 - Participar de qualquer tipo de experiência no ser humano com fins bélicos, políticos,
raciais ou eugênicos.

Art. 123 - Realizar pesquisa em ser humano, sem que este tenha dado consentimento por
escrito, após devidamente esclarecido sobre a natureza e consequências da pesquisa.
Parágrafo único: Caso o paciente não tenha condições de dar seu livre consentimento, a
pesquisa somente poderá ser realizada, em seu próprio benefício, após expressa autorização de
seu responsável legal.

Art. 124 - Usar experimentalmente qualquer tipo de terapêutica, ainda não liberada para uso no
País, sem a devida autorização dos órgãos competentes e sem consentimento do paciente ou de
seu responsável legal, devidamente informados da situação e das possíveis consequências.
53
Art. 125 - Promover pesquisa médica na comunidade sem o conhecimento dessa coletividade e
sem que o objetivo seja a proteção da saúde pública, respeitadas as características locais.

Art. 126 - Obter vantagens pessoais, ter qualquer interesse comercial ou renunciar à sua
independência profissional em relação a financiadores de pesquisa médica da qual participe.

Art. 127 - Realizar pesquisa médica em ser humano sem submeter o protocolo à aprovação e ao
comportamento de comissão isenta de qualquer dependência em relação ao pesquisador.

Art. 128 - Realizar pesquisa médica em voluntários, sadios ou não, que tenham direta ou
indiretamente dependência ou subordinação relativamente ao pesquisador.

Art. 129 - Executar ou participar de pesquisa médica em que haja necessidade de suspender ou
deixar de usar terapêutica consagrada e, com isso, prejudicar o paciente.

Art. 130 - Realizar experiências com novos tratamentos clínicos ou cirúrgicos em paciente com
afecção incurável ou terminal sem que haja esperança razoável de utilidade para o mesmo, não
lhe impondo sofrimentos adicionais.

Capítulo XIII - Publicidade e Trabalhos Científicos

É vedado ao médico:

Art. 131 - Permitir que sua participação na divulgação de assuntos médicos, em qualquer veículo
de comunicação de massa, deixe de ter caráter exclusivamente de esclarecimento e educação
da coletividade.

Art. 132 - Divulgar informação sobre o assunto médico de forma sensacionalista, promocional, ou
de conteúdo inverídico.

Art. 133 - Divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor
ainda não esteja expressamente reconhecido por órgão competente.

Art. 134 - Dar consulta, diagnóstico ou prescrição por intermédio de qualquer veículo de
comunicação de massa.
Art. 135 - Anunciar títulos científicos que não possa comprovar ou especialidade para a qual não
esteja qualificado.

Art. 136 - Participar de anúncios de empresas comerciais de qualquer natureza, valendo-se de


sua profissão.

Art. 137 - Publicar em seu nome trabalho científico do qual não tenha participado: atribuir-se
autoria exclusiva de trabalho realizado por seus subordinados ou outros profissionais, mesmo
54
quando executados sob sua orientação.

Art. 138 - Utilizar-se, sem referência ao autor ou sem a sua autorização expressa, de dados,
informações ou opiniões ainda não publicados.

Art. 139 - Apresentar como originais quaisquer ideias, descobertas ou ilustrações que na
realidade não o sejam.

Art. 140 - Falsear dados estatísticos ou deturpar sua interpretação científica.

Capítulo XIV - Disposições Gerais

Art. 141 - O médico portador de doença incapacitante para o exercício da Medicina, apurada
pelo Conselho Regional de Medicina em procedimento administrativo com perícia médica, terá
seu registro suspenso enquanto perdurar sua incapacidade.

Art. 142 - O médico está obrigado a acatar e respeitar os Acórdãos e Resoluções dos Conselhos
Federal e Regionais de Medicina.

Art. 143 - O Conselho Federal de Medicina, ouvidos os Conselhos Regionais de Medicina e a


categoria médica, promoverá a revisão e a atualização do presente Código, quando necessárias.

Art. 144 - As omissões deste Código serão sanadas pelo Conselho Federal de Medicina.

Art. 145 - O presente Código entra em vigor na data de sua publicação e revoga o Código
de Ética ("DOU", de 11/01/65), o Código Brasileiro de Deontologia Médica (Resolução CFM n°
1.154 de 13/04/84) e demais disposições em contrário.
9 PERÍCIAS MÉDICAS NO ÂMBITO CIVIL E PENAL

O Processo consiste em “série ordenada de atos praticados pelo órgão judicial, pelas
partes e eventualmente por outras pessoas, toda vez que se provoca o exercício da função
jurisdicional em determinado caso; ação” (Houaiss, 2001) ou “consiste no instrumento ou meio 55
utilizado para solucionar conflitos de interesse, regulados pelo direito, existentes entre pessoas
diferentes, denominadas partes (autor e réu). É composto por uma série de atos coordenados e
tem por objetivo a resolução de interesses conflitantes, de modo a fazer prevalecer a vontade da
lei” (Farah e Ferraro, 2000).
O autor é a pessoa que propõe a ação e o réu aquele contra quem a ação é realizada.
Por exemplo, se um paciente processa um cirurgião-dentista, o paciente é o autor e o cirurgião-
dentista, o réu. A perícia é extremamente importante em processos de indenização por danos
materiais e/ou morais, pois os juízes não possuem o conhecimento do assunto envolvido.
Segundo o Código de Processo Civil (Lei Federal nº 5.869, de 11/01/73) em seu artigo 420, “a
prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação”.
Silva (1999) define que as perícias são operações destinadas a ministrar
esclarecimentos técnicos à justiça, e França (2001) como “um ato pelo qual a autoridade procura
conhecer, por meios técnicos e científicos, a existência ou não de uma questão judiciária ligada à
vida ou à saúde do homem ou que com ele tenha relação”.

A perícia é requisitada pela autoridade que legalmente estiver conduzindo o inquérito e


a ação judicial, como o juiz, que poderá ou não nomear um perito (França, 2001). O perito
nomeado deverá possuir os conhecimentos técnicos ou científicos para a realização da mesma.
As perícias mais frequentes são realizadas no foro civil e criminal.

Para a realização de perícias no âmbito civil, o Código de Processo Civil ainda


acrescenta:

“Seção II – Do perito
Art. 145. Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico
ou científico, o juiz será assistido por perito, segundo o disposto no art. 421.
§ 1o Os peritos serão escolhidos entre profissionais de nível
universitário, devidamente inscritos no órgão de classe competente, respeitado o
disposto no Capítulo Vl, seção Vll, deste Código. (Incluído pela Lei nº 7.270, de
10.12.1984)
§ 2o Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que
deverão opinar, mediante certidão do órgão profissional em que estiverem 56
inscritos. (Incluído pela Lei nº 7.270, de 10.12.1984)
§ 3o Nas localidades onde não houver profissionais qualificados que
preencham os requisitos dos parágrafos anteriores, a indicação dos peritos será
de livre escolha do juiz. (Incluído pela Lei nº 7.270, de 10.12.1984)
Art. 146. O perito tem o dever de cumprir o ofício, no prazo que Ihe
assina a lei, empregando toda a sua diligência; pode, todavia, escusar-se do
encargo alegando motivo legítimo.”

Nas perícias no fórum civil, caso seja necessário, o juiz nomeia o seu perito, que é
denominado perito do juiz e cada parte indicará um assistente técnico que poderá elaborar
quesitos a serem respondidos pelo perito do juiz e também podem criticar, concordar ou
complementar o laudo do perito oficial, que poderá ser ou não aceito pelo juiz (Código de
Processo Civil - Lei Federal nº 5.869, de 11/01/73):

“Art. 421. O juiz nomeará o perito, fixando de imediato o prazo para a


entrega do laudo. (Redação dada pela Lei nº 8.455, de 24.8.1992)

§ 1o Incumbe às partes, dentro em 5 (cinco) dias, contados da


intimação do despacho de nomeação do perito:

I - indicar o assistente técnico;

II - apresentar quesitos.

(...)
Art. 425. Poderão as partes apresentar, durante a diligência, quesitos
suplementares. Da juntada dos quesitos aos autos dará o escrivão ciência à
parte contrária.

Art. 426. Compete ao juiz:

I - indeferir quesitos impertinentes; 57

II - formular os que entenderem necessários ao esclarecimento da


causa.

Art. 427. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na


inicial e na contestação, apresentarem sobre as questões de fato pareceres
técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes. (Redação dada
pela Lei nº 8.455, de 24.8.1992)

Art. 428. Quando a prova tiver de realizar-se por carta, poderá


proceder-se à nomeação de perito e indicação de assistentes técnicos no juízo,
ao qual se requisitar a perícia.

Art. 429. Para o desempenho de sua função, podem o perito e os


assistentes técnicos utilizar-se de todos os meios necessários, ouvindo
testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em
poder de parte ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com
plantas, desenhos, fotografias e outras quaisquer peças.”

Na responsabilidade penal, o infrator sofre a aplicação de uma pena definida pela lei
que é de reclusão, detenção ou multa, como a reação da sociedade ao delito praticado. Ao
contrário da responsabilidade no âmbito civil a reparação do dano é realizada por indenização,
que é acionada por uma pessoa e não pela sociedade (Farah e Ferraro, 2000).
A responsabilidade penal será sempre pessoal e nunca será transferida a outra
pessoa, por exemplo, um profissional que trabalha em uma faculdade ocasionou um dano ao
paciente e responderá criminalmente pelo ato, sendo que o paciente não poderá processar
criminalmente a faculdade. No entanto, se o paciente pede ressarcimentos de danos no âmbito
civil, ele poderá acionar a faculdade que contratou o profissional.
As perícias no âmbito criminal são idealmente realizadas por peritos criminais ou
oficiais, mas da não existência de peritos oficiais o juiz poderá nomear profissionais devidamente
qualificados para a realização da perícia, como é descrito no capítulo II do Código de Processo
Penal (Decreto-Lei n°3689, de outubro de 1941): 58

“CAPÍTULO II
DO EXAME DO CORPO DE DELITO E DAS PERÍCIAS EM GERAL
Art. 158. Quando a infração deixar vestígios será indispensável o
exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do
acusado.
Art. 159. Os exames de corpo de delito e as outras perícias serão
feitos por dois peritos oficiais. (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994)
§ 1o Não havendo peritos oficiais, o exame será realizado por duas
pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior, escolhidas, de
preferência, entre as que tiverem habilitação técnica relacionada à natureza do
exame. (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994)
§ 2o Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e
fielmente desempenhar o encargo.
Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão
minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados.
(Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994)”
10 DEFINIÇÕES E TIPOS DE PERÍCIAS MÉDICO-LEGAIS

“O dever do perito é dizer a verdade; no entanto, para isso é necessário: primeiro saber
encontrá-la e, depois querer dizê-la. O primeiro é um problema científico, o segundo é um
problema moral”. Nerio Rojas (Rojas, 1936) 59

Segundo o Código de Processo Civil (Lei Federal nº 5.869, de 11/01/73) em seu artigo
420, “a prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação”. França (2001) define perícia
como “um ato pelo qual a autoridade procura conhecer, por meios técnicos e científicos, a
existência ou não de uma questão judiciária ligada à vida ou à saúde do homem ou que com ele
tenha relação”.

A perícia é requisitada pela autoridade que legalmente estiver conduzindo o inquérito e


a ação judicial, como o juiz, que poderá ou não nomear um perito (França, 2001; Hercules,
2008). O perito nomeado deverá possuir os conhecimentos técnicos ou científicos para a
realização da mesma. As perícias mais frequentes são realizadas no foro civil e criminal.

Para a realização de perícias no âmbito civil, o Código de Processo Civil ainda


acrescenta:

“Seção II – Do perito
Art. 145. Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico
ou científico, o juiz será assistido por perito, segundo o disposto no art. 421.
§ 1o Os peritos serão escolhidos entre profissionais de nível
universitário, devidamente inscritos no órgão de classe competente, respeitado o
disposto no Capítulo Vl, Seção Vll, deste Código. (Incluído pela Lei nº 7.270, de
10.12.1984)
§ 2o Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que
deverão opinar, mediante certidão do órgão profissional em que estiverem
inscritos. (Incluído pela Lei nº 7.270, de 10.12.1984)
§ 3o Nas localidades onde não houver profissionais qualificados que
preencham os requisitos dos parágrafos anteriores, a indicação dos peritos será
de livre escolha do juiz. (Incluído pela Lei nº 7.270, de 10.12.1984) 60
Art. 146. O perito tem o dever de cumprir o ofício, no prazo que Ihe
assina a lei, empregando toda a sua diligência; pode, todavia, escusar-se do
encargo alegando motivo legítimo.”

Nas perícias no fórum civil, caso seja necessário, o juiz nomeia o seu perito, que é
denominado perito do juiz e cada parte indicará um assistente técnico que poderá elaborar
quesitos a serem respondidos pelo perito do juiz e também podem criticar, concordar ou
complementar o laudo do perito oficial, que poderá ser ou não aceito pelo juiz (Código de
Processo Civil - Lei Federal nº 5.869, de 11/01/73):

“Art. 421. O juiz nomeará o perito, fixando de imediato o prazo para a


entrega do laudo. (Redação dada pela Lei nº 8.455, de 24.8.1992)

§ 1o Incumbe às partes, dentro em 5 (cinco) dias, contados da


intimação do despacho de nomeação do perito:

I - indicar o assistente técnico;

II - apresentar quesitos.

(...)

Art. 425. Poderão as partes apresentar, durante a diligência, quesitos


suplementares. Da juntada dos quesitos aos autos dará o escrivão ciência à
parte contrária.

Art. 426. Compete ao juiz:

I - indeferir quesitos impertinentes;


II - formular os que entenderem necessários ao esclarecimento da
causa.

Art. 427. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na


inicial e na contestação, apresentarem sobre as questões de fato pareceres
técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes. (Redação dada
61
pela Lei nº 8.455, de 24.8.1992)

Art. 428. Quando a prova tiver de realizar-se por carta, poderá


proceder-se à nomeação de perito e indicação de assistentes técnicos no juízo,
ao qual se requisitar a perícia.

Art. 429. Para o desempenho de sua função podem o perito e os


assistentes técnicos utilizar-se de todos os meios necessários, ouvindo
testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em
poder de parte ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com
plantas, desenhos, fotografias e outras quaisquer peças”.

As perícias no âmbito criminal são idealmente realizadas por peritos criminais ou


oficiais, mas da não existência de peritos oficiais, o juiz poderá nomear profissionais
devidamente qualificados para a realização da perícia, como é descrito no capítulo II do Código
de Processo Penal (Decreto-Lei n°3689, de outubro de 1941):

Código de Processo Penal - CPP


Livro I
Do Processo em Geral
Título VII
Da Prova
Capítulo II
Do Exame do Corpo de Delito e das Perícias em Geral
Art. 158 - Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o
exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do
acusado.
Art. 159 - Os exames de corpo de delito e as outras perícias serão
feitos por dois peritos oficiais.
Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão
realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior. (Alterado
pela Lei 11.690/2008).
§ 1º - Não havendo peritos oficiais, o exame será realizado por duas 62
pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior, escolhidas, de
preferência, entre as que tiverem habilitação técnica relacionada à natureza do
exame.
§ 1º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas)
pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na
área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a
natureza do exame. (Alterado pela Lei 11.690/2008).
§ 2º - Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e
fielmente desempenhar o encargo.
§ 2º Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e
fielmente desempenhar o encargo. (Alterado pela Lei 11.690/2008).
§ 3º Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de
acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos e
indicação de assistente técnico. (Acrescentado pela Lei 11.690/2008).
§ 4º O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e
após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais,
sendo as partes intimadas desta decisão.
§ 5º Durante o curso do processo judicial é permitido às partes, quanto
à perícia:
I - requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para
responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou
questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima
de 10 (dez) dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar;
II - indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em
prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência.
§ 6º Havendo requerimento das partes, o material probatório que
serviu de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que
manterá sempre sua guarda, e na presença de perito oficial, para exame pelos
assistentes, salvo se for impossível a sua conservação.
§ 7º Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área
de conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de mais de um 63
perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico.
Art. 160 - Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão
minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados.
Parágrafo único - O laudo pericial será elaborado no prazo máximo
de 10 (dez) dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a
requerimento dos peritos.
Art. 161 - O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia
e a qualquer hora.
Art. 162 - A autópsia será feita pelo menos 6 (seis) horas depois do
óbito, salvo se os peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que
possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto.
Parágrafo único - Nos casos de morte violenta, bastará o simples
exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou
quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver
necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância
relevante.
Art. 163 - Em caso de exumação para exame cadavérico, a autoridade
providenciará para que, em dia e hora previamente marcados, se realize a
diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado.
Parágrafo único - O administrador de cemitério público ou particular
indicará o lugar da sepultura, sob pena de desobediência. No caso de recusa ou
de falta de quem indique a sepultura, ou de encontrar-se o cadáver em lugar não
destinado a inumações, a autoridade procederá às pesquisas necessárias, o que
tudo constará do auto.
Art. 164 - Os cadáveres serão sempre fotografados na posição em
que forem encontrados, bem como, na medida do possível, todas as lesões
externas e vestígios deixados no local do crime.
Art. 165 - Para representar as lesões encontradas no cadáver, os
peritos, quando possível, juntarão ao laudo do exame, provas fotográficas,
esquemas ou desenhos, devidamente rubricados. 64
Art. 166 - Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado,
proceder-se-á ao reconhecimento pelo Instituto de Identificação e Estatística ou
repartição congênere ou pela inquirição de testemunhas, lavrando-se auto de
reconhecimento e de identidade, no qual se descreverá o cadáver, com todos os
sinais e indicações.
Parágrafo único - Em qualquer caso, serão arrecadados e
autenticados todos os objetos encontrados que possam ser úteis para a
identificação do cadáver.
Art. 167 - Não sendo possível o exame de corpo de delito, por
haverem desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a
falta.
Art. 168 - Em caso de lesões corporais, se o primeiro exame pericial
tiver sido incompleto, proceder-se-á a exame complementar por determinação
da autoridade policial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do Ministério
Público, do ofendido ou do acusado, ou de seu defensor.
§ 1º - No exame complementar, os peritos terão presente o auto de
corpo de delito, a fim de suprir-lhe a deficiência ou retificá-lo.
§ 2º - Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no Art.
129, § 1º, I, do Código Penal, deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30
(trinta) dias, contado da data do crime.
§ 3º - A falta de exame complementar poderá ser suprida pela prova
testemunhal.
Art. 169 - Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada
a infração, a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o
estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos
com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos.
Parágrafo único - Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do
estado das coisas e discutirão, no relatório, as consequências dessas alterações
na dinâmica dos fatos.
Art. 170 - Nas perícias de laboratório, os peritos guardarão material
suficiente para a eventualidade de nova perícia. Sempre que conveniente, os
laudos serão ilustrados com provas fotográficas, ou microfotográficas, desenhos 65
ou esquemas.
Art. 171 - Nos crimes cometidos com destruição ou rompimento de
obstáculo a subtração da coisa, ou por meio de escalada, os peritos, além de
descrever os vestígios, indicarão com que instrumentos, por que meios e em
que época presumem ter sido o fato praticado.
Art. 172 - Proceder-se-á, quando necessário, à avaliação de coisas
destruídas, deterioradas ou que constituam produto do crime.
Parágrafo único - Se impossível a avaliação direta, os peritos
procederão à avaliação por meio dos elementos existentes nos autos e dos que
resultarem de diligências.
Art. 173 - No caso de incêndio, os peritos verificarão a causa e o lugar
em que houver começado, o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para
o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais
circunstâncias que interessarem à elucidação do fato.
Art. 174 - No exame para o reconhecimento de escritos, por
comparação de letra, observar-se-á o seguinte:
I - a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o escrito será
intimada para o ato, se for encontrada;
II - para a comparação, poderão servir quaisquer documentos que a
dita pessoa reconhecer ou já tiverem sido judicialmente reconhecidos como de
seu punho, ou sobre cuja autenticidade não houver dúvida;
III - a autoridade, quando necessário, requisitará, para o exame, os
documentos que existirem em arquivos ou estabelecimentos públicos, ou nestes
realizará a diligência, se daí não puderem ser retirados;
IV - quando não houver escritos para a comparação ou forem
insuficientes os exibidos, a autoridade mandará que a pessoa escreva o que Ihe
for ditado. Se estiver ausente a pessoa, mas em lugar certo, esta última
diligência poderá ser feita por precatória, em que se consignarão as palavras
que a pessoa será intimada a escrever.
Art. 175 - Serão sujeitos a exame os instrumentos empregados para a
prática da infração, a fim de se Ihes verificar a natureza e a eficiência.
Art. 176 - A autoridade e as partes poderão formular quesitos até o ato 66
da diligência.
Art. 177 - No exame por precatória, a nomeação dos peritos far-se-á
no juízo deprecado. Havendo, porém, no caso de ação privada, acordo das
partes, essa nomeação poderá ser feita pelo juiz deprecante.
Parágrafo único - Os quesitos do juiz e das partes serão transcritos
na precatória.
Art. 178 - No caso do Art. 159, o exame será requisitado pela
autoridade ao diretor da repartição, juntando-se ao processo o laudo assinado
pelos peritos.
Art. 179 - No caso do§ 1º do Art. 159, o escrivão lavrará o auto
respectivo, que será assinado pelos peritos e, se presente ao exame, também
pela autoridade.
Parágrafo único - No caso do Art. 160, parágrafo único, o laudo, que
poderá ser datilografado, será subscrito e rubricado em suas folhas por todos os
peritos.
Art. 180 - Se houver divergência entre os peritos, serão consignadas
no auto do exame as declarações e respostas de um e de outro, ou cada um
redigirá separadamente o seu laudo, e a autoridade nomeará um terceiro; se
este divergir de ambos, a autoridade poderá mandar proceder a novo exame por
outros peritos.
Art. 181 - No caso de inobservância de formalidades, ou no caso de
omissões, obscuridades ou contradições, a autoridade judiciária mandará suprir
a formalidade, complementar ou esclarecer o laudo.
Parágrafo único - A autoridade poderá também ordenar que se
proceda a novo exame, por outros peritos, se julgar conveniente.
Art. 182 - O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou
rejeitá-lo, no todo ou em parte.
Art. 183 - Nos crimes em que não couber ação pública, observar-se-á
o disposto no Art. 19.
Art. 184 - Salvo o caso de exame de corpo de delito, o juiz ou a
autoridade policial negará a perícia requerida pelas partes, quando não for 67
necessária ao esclarecimento da verdade.
Os diversos tipos de perícias são efetuadas para qualquer área do Direito, sendo mais
comuns na área criminal, mas pode ser realizada para fins cíveis, previdenciários, comerciais,
trabalhistas, administrativos, etc (França, 2001). As perícias podem ser didaticamente resumidas
da seguinte maneira (França, 2001; Associação Brasileira de Medicina Legal, 2009; Hercules,
2008):
1. No vivo:
a) Diagnósticos de lesões corporais;
b) Determinação de idade; estimativa de sexo e de cor de pele;
c) Diagnóstico de gravidez, parto e puerpério;
d) Diagnóstico de aborto;
e) Investigação de paternidade, de maternidade ou ambos;
f) O conceito de inimputabilidade, semi-imputabilidade e sua averiguação
médico-legal. Aplicações no campo penal;
g) Toxicologia Forense: detecção de tóxicos, álcool ou outras substâncias
químicas consumidas ou presentes no corpo.
2. No cadaver (figura 2):
a) Diagnóstico da causa da morte;
b) Causa juridical da morte;
c) Tempo aproximado de morte;
d) Identificação do morto;
e) Diagnóstico toxicológico presente em seus tecidos;
f) Retirada de projétil ou outros objetos presentes em seus corpos;
68

Figura 2: Fotografia de cadáver em decomposição após ficar durante aproximadamente um mês


submerso no mar. Note a ausência de cabeça e membros. Utilizou-se a técnica de identificação
pelo DNA (Fonte: Evelyn Anzai Kanto – arquivo próprio).

3. Esqueletos:
a) Estimativa da idade, do sexo e da cor da pele;
b) Identificação do morto;
c) Diagnóstico da causa da morte.
4. Fragmentos do corpo humano, manchas e líquidos orgânicos presentes em
objetos ou superfícies: sangue, saliva, esperma, fezes, urina, mucosidade
vaginal, pelos, fios de cabelo, leite, colostro, impressões digitais.
Nerio Rojas (Rojas, 1936) elaborou um guia extremamente didático e objetivo disposto
em 10 postulados com recomendações da prática forense, orientando aspectos técnicos e
científicos da perícia médico-legal, podendo se estender às perícias odontolegais. São eles:

1°) O perito deve atuar com a ciência do médico, a veracidade da testemunha e a 69


equanimidade do juiz.
Deve possuir conhecimento intelectual profundo de todas as áreas dentro da medicina
(ou da odontologia), manter sempre a sinceridade e a veracidade devido à importância
do laudo pericial para o juiz.
2°) É necessário abrir os olhos e fechar os ouvidos.
Não confiar nas palavras ditas pelas pessoas e sim em provas e fatos comprovados.
3°) A exceção pode ser tanto valor como regra.
Casos excepcionais na literatura científica podem não ser raros na medicina legal ou na
odontologia legal.
4°) Desconfiar dos sinais patognomônicos.
A perícia deve juntar o maior número possível de fatos, provas e elementos para a
posterior conclusão e não pela análise de sinais patognomônicos.
5°) Deve-se seguir o método cartesiano.
Dividir ordenadamente o pensamento e consequentemente a procura pelos elementos
que farão parte do laudo pericial.
6°) Não confiar na memória.
Anotar devidamente tudo que foi realizado, suas dúvidas e questionamentos.
7°) Uma necropsia não pode ser refeita.
Realizar uma necropsia bem feita com cautela e cuidado, a fim de evitar perícias
sucessivas, que podem ser dificultadas devido às condições do corpo ou mesmo da
impossibilidade de recuperação do material para estudo.
8°) Pensar com clareza para esclarecer com precisão.
O laudo deve ser escrito com fundamento científico lógico e coerente, evitando
contradições.
9°) A arte das conclusões consiste nas medidas.
As conclusões periciais devem ser cuidadosamente “pesadas”, “medidas”, isto é,
analisadas e reanalisadas quantas vezes o perito julgar necessário, pois a interpretação
de texto de uma pessoa pode ser diferente de outra.
10°) A vantagem da medicina legal está em não formar uma inteligência exclusiva e
estritamente especializada.
A medicina e odontologia legal abrangem diversas áreas do conhecimento, 70
principalmente o Direito, a Biologia, a Física, a Química entre outros.

França (2001) elaborou um Decálogo Ético do Perito, norteando os princípios éticos


para auxiliar os peritos:

1°) Evitar conclusões intuitivas e precipitadas.


Ter prudência e concluir racionalmente baseado em fundamentos científicos.
2°) Falar pouco e em tom sério.
Falar o imprescindível, argumentando e apresentando evidências em momento
oportuno.
3°) Agir com modéstia e sem vaidade.
O sucesso e fama devem depender da ótima conduta ética do profissional.
4°) Manter o segredo exigido.
O sigilo pericial deve ser respeitado.
5°) Ter autoridade para ser acreditado.
Decidir com firmeza e manter suas decisões.
6°) Ser livre para agir com isenção.
Não permitir que convicções, paixões e ideologias influenciem o resultado.
7°) Não aceitar a intromissão de ninguém.
Não aceitar que alguém deforme sua conduta ética e profissional.
8°) Ser honesto e ter vida de pessoa correta.
É preciso ser honesto para ser justo, conferindo credibilidade e respeitabilidade.
9°) Ter coragem para decidir.
O que sabe, o que não sabe.
10°) Ser competente para ser respeitado.
Atualizar os estudos permanentemente.

71
11 DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS: NOTIFICAÇÕES, ATESTADOS, PARECERES,
DEPOIMENTO ORAL

Documento, segundo o Aurélio (2004), é “qualquer base de conhecimento, fixada


materialmente e disposta de maneira que se possa utilizar para consulta, estudo, prova, etc;” ou 72
“escritura destinada a comprovar um fato; declaração escrita, revestida de forma padronizada,
sobre fato(s) ou acontecimento(s) de natureza jurídica”. França (2001) define como “toda
anotação escrita que tem a finalidade de reproduzir e representar uma manifestação do
pensamento”, sendo que “no campo médico-legal da prova, são expressões gráficas, públicas ou
privadas, que têm o caráter representativo de um fato a ser avaliado em juízo”. Utilizando-se
definições de França (2001), Croce e Croce Júnior (2007) e Hercules (2008), disponibilizar-se-á
abaixo os tipos de documentos médico-legais:

1. Notificações

Notificações são documentos compulsórios que devem ser fornecidos às autoridades


competentes de um fato médico sobre moléstias infectocontagiosas e doenças do trabalho,
segundo Croce e Croce Júnior (2007). Segundo o Código Penal, o médico que omitir a
notificação de alguma doença compulsória, a pena é de 6 meses a 2 anos de detenção e multa.

Código Penal - CP – Decreto Lei 2.848/1940


Parte Especial
Título VIII
Dos Crimes Contra a Incolumidade Pública
Capítulo III
Dos Crimes Contra a Saúde Pública

Omissão de Notificação de Doença


Art. 269 - Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja
notificação é compulsória:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Para as doenças do trabalho está disposto na Consolidação das Leis do Trabalho:

Consolidação das Leis do Trabalho - CLT – Decreto Lei 5.452/1943


Título II
Das Normas Gerais de Tutela do Trabalho
Capítulo V
Da Segurança e da Medicina do Trabalho
Seção V
Das Medidas Preventivas de Medicina do Trabalho
Art. 168. Será obrigatório exame médico por conta do empregador, nas
condições estabelecidas neste artigo e nas instruções complementares a serem
expedidas pelo Ministério do trabalho: (Alterado pela L-007.855-1989)
I - na admissão; 73
II - na demissão;
III - periodicamente;
(...)
Art. 169. Será obrigatória a notificação das doenças profissionais e as
produzidas em virtude de condições especiais de trabalho, comprovadas ou
objeto de suspeita, de conformidade com as instruções expedidas pelo
Ministério do Trabalho.

Segundo a Portaria número 5, de 21 de fevereiro de 2006, que “inclui doenças na


relação nacional de notificação compulsória, define doenças de notificação imediata, relação dos
resultados laboratoriais que devem ser notificados pelos Laboratórios de Referência Nacional ou
Regional e normas para notificação de casos”, publicado no Diário Oficial da União em 21 de
fevereiro de 2006. Essas são as doenças com notificação compulsórias:
74

A Lei no 10.778, de 24 de novembro de 2003, que “estabelece a notificação


compulsória, no território nacional, do caso de violência contra a mulher que for atendida em
serviços de saúde públicos ou privados”:

Art. 1o Constitui objeto de notificação compulsória, em todo o território nacional,


a violência contra a mulher atendida em serviços de saúde públicos e privados.
§ 1o Para os efeitos desta Lei, deve-se entender por violência contra a mulher
qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou
sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como
no privado.
§ 2o Entender-se-á que violência contra a mulher inclui violência física, sexual e
psicológica e que:
I – tenha ocorrido dentro da família ou unidade doméstica ou em qualquer outra
relação interpessoal, em que o agressor conviva ou haja convivido no mesmo 75
domicílio que a mulher e que compreende, entre outros, estupro, violação,
maus-tratos e abuso sexual;
II – tenha ocorrido na comunidade e seja perpetrada por qualquer pessoa e que
compreende, entre outros, violação, abuso sexual, tortura, maus-tratos de
pessoas, tráfico de mulheres, prostituição forçada, sequestro e assédio sexual
no lugar de trabalho, bem como em instituições educacionais, estabelecimentos
de saúde ou qualquer outro lugar; e
II – seja perpetrada ou tolerada pelo Estado ou seus agentes, onde quer que
ocorra.
(...)
Art. 4o As pessoas físicas e as entidades, públicas ou privadas, abrangidas ficam
sujeitas às obrigações previstas nesta Lei.
Art. 5o A inobservância das obrigações estabelecidas nesta Lei constitui infração
da legislação referente à saúde pública, sem prejuízo das sanções penais
cabíveis.
(...)

2. Atestados

Souza Lima (1933) define como “a afirmação simples e por escrito de um fato médico e
suas consequências”. O Código de Ética Médica estabelece que:
É vedado ao médico:

“Art. 110 - Fornecer atestado sem ter praticado o ato profissional que o

justifique ou que não corresponda à verdade.”


“Art. 111 - Utilizar-se do ato de atestar como forma de angariar clientela”.

“Art. 112 - Deixar de atestar atos executados no exercício profissional, quando


solicitado pelo paciente ou seu responsável legal”.

Parágrafo Único - O atestado médico é parte integrante do ato ou


tratamento médico, sendo o seu fornecimento direito inquestionável do paciente, 76
não importando em qualquer majoração dos honorários”.

“Art. 113 - Utilizar-se de formulários de instituições públicas para atestar fatos


verificados em clínica privada”.

“Art. 116 - Expedir boletim médico falso ou tendencioso”.

“Art. 117 - Elaborar ou divulgar boletim médico que revele o diagnóstico,


prognóstico ou terapêutica, sem expressa autorização do paciente ou de seu
responsável legal”.

E, ainda, poderá estar cometendo crime previsto no artigo 302 do Código Penal:

Art. 302. Dar o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso.


Pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano.
Parágrafo único - Se o crime e cometido com fim de lucro, aplica-se também
multa”.

3. Relatórios e laudos

O relatório médico legal constitui na descrição mais minuciosa de uma perícia médica a
fim de responder à solicitação da autoridade policial ou judiciária frente ao inquérito, sendo que
se esse relatório é realizado por peritos após suas investigações e denomina-se laudo (França,
2001).
O relatório possui as seguintes partes (França, 2001):
 Preâmbulo: hora, data, local em que o exame é realizado. Nome da autoridade
que requisitou a perícia e títulos, nomes e residências dos peritos. Qualificação
do examinado.
 Quesitos: somente citá-los. Nas ações penais já estão preestabelecidos os
quesitos oficiais, podendo haver quesitos acessórios se for da vontade da
autoridade competente.
 Histórico: registro dos fatos que motivaram a requisição da perícia ou que
possam esclarecer e orientar a ação do perito, devendo ser creditada ao 77
periciando essa parte do laudo, descrevendo o que foi dito pelo mesmo.
 Descrição: parte mais importante do relatório, devendo expor nela todos os
detalhes das lesões, sendo imprescindível que se registre com precisão a
distância entre ela e os pontos anatômicos mais próximos e se possível anexar
esquemas ou fotografias de cada uma delas para elucidar claramente tudo o
que foi descrito.
 Discussão: discussão de várias hipóteses, sem levar em consideração opiniões
pessoais e sim citar autoridades recomendadas sobre o assunto.
 Conclusão: síntese diagnóstica disposta em ordem e de forma clara após a
descrição e discussão.
 Respostas aos quesitos: responder aos quesitos afirmando ou negando. Pode
ocorrer quesitos que as respostas sejam “sem elementos de convicção” ou
“pode resultar” ou “aguardar evolução”.
 Assinatura e datação pelos peritos e rubricado pelo diretor da instituição, se for o
caso.

4. Pareceres

Segundo o Aurélio (2004), parecer é “opinião fundamentada sobre determinado


assunto, emitida por especialista”. Croce e Croce Júnior (2007) define como “documento
particular que vale pelo conceito científico de quem o subscreve, ao qual se atribui moralmente o
mesmo dever de veracidade atinente aos peritos e às testemunhas”. França (2001) acrescenta
que o parecer”.
O parecer médico-legal é constituído de todas as partes do relatório, com exceção da
descrição, sendo a discussão e a conclusão os pontos de maior relevância nesse documento.
Existem diversos modelos de laudos periciais disposto por França (2001) assim como listas de
quesitos oficiais (França, 2001; Croce e Croce Júnior, 2007; Hercules, 2008), no entanto,
citaremos apenas um: o auto de exame de lesão corporal, disposto por França (2001):

Aos.... dias do mês de ... do ano de 200... nesta cidade e no.... foram
designados peritos os Drs..., para procederem ao exame de corpo de delito em
..., a fim de se atender à requisição de exame n°... do ..., descrevendo, com 78
verdade e com todas as circunstâncias, o que encontrarem, descobrirem e
observarem, bem como para responderem aos seguintes quesitos: Primeiro – se
há ofensa à integridade corporal ou à saúde do paciente; Segundo – qual o
instrumento realizado ou meio que produziu a ofensa?; Terceiro – se resultou
incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias; Quarto – se
resultou perigo de vida; Quinto – se resultou perda ou inutilização do membro,
sentido ou função; Oitavo – se resultou incapacidade permanente para o
trabalho, ou enfermidade incurável; Nono – se resultou em deformidade
permanente; Décimo – se resultou aborto.
Em consequência, passaram os peritos a fazer o exame ordenado,
bem como as investigações que julgaram necessárias, findos os quais declaram:

Em relação aos esquemas utilizados para serem anexados nos autos, o médico-legista
poderá utilizar impressos padronizados previamente existentes no Instituto de Medicina Legal,
como abordam França (2001) e Croce e Croce Júnior (2008). Em casos de acidentes em massa,
a INTERPOL recomenda a utilização de fichas específicas por ela elaborada para a
padronização dos formulários. Inclusive no recente acidente da Air France, que ocorreu dia 1 de
junho de 2009 (http://www.interpol.int/Public/ICPO/PressReleases/PR2009/PR200962.asp,
acessado em 25/06/2009), está sendo utilizado o protocolo de Identificação de Vítimas de
Desastres disposto em anexo (INTERPOL, 2009).
12 INTRODUÇÃO À IDENTIFICAÇÃO HUMANA

Identidade é o conjunto de caracteres físicos, funcionais ou psíquicos que


individualizam determinada pessoa (Simas Alves, 1965). Vanrell (2003) ainda acrescenta que
“além da identificação física, inclui todos os elementos que possam particularizar uma pessoa, 79
como: estado civil, filiação, idade, nacionalidade, condição social, profissão, etc”. Segundo Croce
e Croce Júnior (2007) “identidade é o conjunto de caracteres próprios e exclusivos das pessoas,
animais, das coisas e dos objetos. É a soma de sinais, marcas e caracteres positivos ou
negativos que, no conjunto, individualizam o ser humano ou uma coisa, distinguindo-os dos
demais”.

A identificação já é o processo pelo qual se determina a identidade de uma pessoa


(Silva, 1997) ou um conjunto de procedimentos diversos para individualizar uma pessoa ou
objeto (Vanrell, 2003). Leitão e Silva (2003) acrescenta que “a finalidade da identificação é
permitir, de modo rigoroso e exato, a fixação da personalidade jurídica do indivíduo para todos
os atos de sua vida pública ou privada”, abrangendo de forma completa a definição da
identificação. Croce e Croce Júnior (2007) inclui que “ela serve de um conjunto de diligências,
em uma sucessão de atos sobre o vivo, o morto, animais e coisas.

Um método de identificação é aceito ao preencher os requisitos de unicidade e


imutabilidade segundo Simas Alves (1965) e atualmente, Silva (1997), França (2001) e Vanrell
(2003) acrescentam, além desses, a perenidade, praticabilidade e classificabilidade:

 UNICIDADE: O conjunto de caracteres pessoais não pode ser repetido em outro


indivíduo;
 IMUTABILIDADE: As características não mudam com o tempo;
 PERENIDADE: Os caracteres devem se manter ao longo do tempo, resistindo
por toda a vida e até após a morte;
 PRATICABILIDADE: Procedimento praticável no dia a dia pericial;
 CLASSIFICABILIDADE: importante para o arquivamento dos dados, assim como
a facilidade de comparação post-mortem.
Segundo Simas Alves (1965), a identificação é dividida em:

1. Identificação Judiciária ou Policial: são métodos utilizados para reconhecimentos


técnicos, caracterizando o indivíduo. E segundo Leitão e Silva, são divididos
em:
a. Identificação civil: estipula a personalidade jurídica da pessoa.
80
b. Identificação criminal: visa colher informações sobre antecedentes ou
ações criminais.
2. Identificação Médico-legal: exige conhecimentos médico-legais para chegar à
identidade. Os conhecimentos em odontologia legal também fazem parte
dessa divisão.

A biotipologia, segundo o dicionário Houaiss, significa “o estudo dos tipos


antropológicos com suas variações morfológicas, fisiológicas e psicológicas, cujo objeto é a
definição de tipos biopsicológicos com o fim de estabelecer uma classificação dos seres
humanos”. Com essa definição, entende-se porque os princípios fundamentais da biotipologia
descritos por Berardinelli são tão importantes para a realização de uma perícia (Berardinelli apud
Silva, 1997):

 Todos os indivíduos são diferentes: não há duas pessoas iguais;


 O mesmo indivíduo é diferente de si mesmo a cada momento – momentos
condicionais;
 As diferenças individuais não são caóticas, obedecem a determinadas leis;
 O indivíduo é uma unidade, havendo indissolúvel correlação entre suas diversas
partes e funções;
 Dentro das diferenças há semelhanças que permitem agrupar os indivíduos em
tipos;
 O conhecimento do indivíduo “normal” deve preceder e servir de base ao estudo do
indivíduo patológico;
 Na gênese das doenças, as reações individuais têm importância igual ou superior
às causas externas.
13 ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL

Noções Gerais

A identificação médico-legal é sempre feita por legistas, exigindo conhecimentos de 81


técnicas médico-legais e entendimentos de outras ciências relacionadas (França, 2001). Já a
área da odontologia legal também é de grande importância em perícias em seres humanos,
entre outras diversas áreas. Cita-se principalmente para a identificação humana pelos elementos
dentários e avaliação do dano corporal na região estômatognato, sendo tema principal de outro
curso.
Segundo Croce e Croce Júnior (2007), existem dois processos de identificação, sendo
um médico, que requer conhecimentos específicos da medicina, e outro, policial que engloba a
antropometria e à dactiloscopia. No entanto, alguns autores da Medicina Legal descrevem a
antropometria utilizada para a identificação humana como parte dos estudos médico e odonto-
legais, pois requer conhecimentos anatômicos específicos. As perícias realizadas em ossos, na
maioria das vezes, utilizam-se da antropometria, necessitando-se de conhecimentos específicos.
(França, 2001)
Aristóteles (384 a 322 a. C.) já havia descrito a palavra antropólogos, que seriam todos
aqueles que se preocupavam com o estudo dos problemas relativos ao homem. A antropologia
estuda o aspecto físico dos indivíduos, assim como seus aspectos culturais (Arbenz, 1959). Ela é
dividida em antropologia física e cultural, sendo que a física será estudada nesse curso. A
antropometria é a ciência que examina o conjunto dos elementos mensuráveis do ser humano,
fazendo parte da antropologia física.

O Sistema Antropométrico de Bertillon foi o 1° método científico de identificação e foi


introduzido em 1882 em Paris. Utilizavam-se dados antropométricos e sinais individuais após os
20 anos de idade. Os dados antropométricos são anotados e classificados. No entanto, havia
certa complexidade de métodos, com falhas, sobretudo, no que se relacionava com as medidas
que variavam naturalmente e aquelas que eram identificadas erroneamente pelos técnicos
(França, 2001).
Atualmente, a antropologia forense é utilizada amplamente em casos de identificação
de cadáveres em estado avançado de putrefação, degradados ou mesmo esqueletizados
(Figuras 3 e 4).

82

Figura 3: Esqueletos encontrados em vala, já devidamente identificados e enumerados para o


posterior estudo. Contribuição da antropologia forense para o processo de
identificação na Croácia.

As análises macroscópicas dos esqueletos, dependendo do seu grau de conservação


e integridade, podem fornecer estimativas de sexo, idade, altura, ancestralidade ou cor da pele,
causa de morte (arma de fogo – figura 5, instrumento perfurocortante – Figura 6,
estrangulamento, etc), forma de morte (natural, homicídio, suicídio, acidente), além de
características que podem individualizar como doenças ou alterações biológicas ocorridas ao
longo da vida do indivíduo (Simas Alves, 1965; Silva, 1997; França, 2001; Lessa, 2008).
83

Figura 4: Esqueletos encontrados em uma vala. Contribuição da antropologia forense para o


processo de identificação na Herzegovina de mortos durante a 2° Guerra Mundial.

Figura 5: Visualização de orifício de entrada de projétil em crânio humano, possibilitando estimar


a causa da morte.
Figura 6: Morfologia da
marca de corte na superfície
de osso utilizando-se uma
espada Katana, tipicamente
japonesa. Verifique a parede
do corte (Cutmark wall), que 84
foi realizada pela lâmina que
não possui endentações e
seu corte é linear.
Pettorutti et al (2003) descreveram que o método de identificação médico-legal,
realizado no Instituto Médico-Legal - Núcleo de Antropologia da cidade de São Paulo, nos casos
com suspeita, segue o seguinte fluxo:

1. Agendar e entrevistar familiares da potencial vítima para coleta de elementos 85


característicos da pessoa procurada e documentações médico-hospitalares e odontológicas;

2. Após o exame inicial, quando for o caso, diligenciar ao local de encontro do cadáver,
com a finalidade de buscar elementos periciais que muitas vezes não estão presentes no
cadáver como fragmentos ósseos e dentes;

3. Proceder à limpeza do cadáver ou da ossada, possibilitando assim o estudo


antropológico e odontológico, quando são descritas características ósseas e odontológicas que
permitirão o confronto com os dados fornecidos pela família ou registrados nas documentações
médico-hospitalares e odontológicas da vítima;

4. Se resultarem inconclusivas as pesquisas efetuadas, parte do material do biológico


recuperado é encaminhada junto com amostra sanguínea para exame de vínculo genético, o
qual é realizado junto ao Instituto de Criminalística e teve o início de seus trabalhos no ano de
1999.

Os autores ainda analisaram os laudos de perícias antropológicas realizadas entre


1990 e 2000 e obtiveram os seguintes resultados:

O número total de casos foi de 169, sendo que 125 (73,06%) eram cadáveres putrefeitos
ou esqueletizados e 44 (26,03%) carbonizados.
 Em relação à causa de morte em 93 (55,35%) não foi possível estabelecer o motivo e
em 39 (23,21%) a morte ocorreu devido a traumatismo cranioencefálico.
A identificação resultou positiva em 81 casos (47,9%), utilizando-se os métodos
odontológɩcos em 39 casos (60%), genético em 13 (20%), antropológico em 9 (13,84%)
e dactiloscópico em 4 casos (6,15%).
Em 88 casos (52,07%) não foi possível resultado conclusivo, atribuindo-se a isto a
ausência de elementos de confronto, o qual esteve presente em 82 casos (93,18%).
Os autores ressaltam ainda que a identificação médico-legal depende de elementos de
confronto, fornecidos, principalmente pelos familiares, sem os quais não é possível obter um
resultado positivo na perícia de identificação médico-legal (Pettorutti et al, 2003).
86
Lessa (2008) realizou uma pesquisa entre 2000 e 2003 com dados dos IMLs de
diversas partes do país para a análise de cadáveres que deram entrada e a porcentagem que foi
identificada após perícia antropológica (Tabela 1).

Tabela 1: Percentual dos cadáveres de interesse antropológico que deram entrada nos IMLs
entre 2000 e 2003, distribuídos segundo tipo e cidade adaptado de Lessa (2008).

Total CNI CA A B C D CI

N % N % N % N % N % N % N %

Rio de 42.43 3.01 8, 177 58, 16 9,4 29 16, 13 7, 1.17 65, - -


Janeir 3 9 5 3 7 7 7 7 9 8 0 9
o

São 48.40 2.71 5, 365 13, 16 44, 32 8,7 11 3 159 43, 4 11,
Paulo 5 7 6 4 3 6 5 3 8

Goiâni 7.378 120 1, 63 52, 19 30, 5 7,9 1 1, 45 71, - -


a 6 5 1 6 4

Belém 5.666 411 7, 323 78, 15 4,6 5 1,5 3 0, 300 92, 2 0,6
2 5 9 9

Porto 13.67 514 3, 337 65, 26 78, 3 0,9 1 0, 62 18, 9 2,6


Alegre 7 7 5 6 9 3 4
Salvad 17.10 506 2, 153 30, 12 83 5 3,3 - - 21 13, - -
or 1 9 2 7 7

Total 134.6 7.28 5, 301 41, 75 25, 34 11, 15 5, 1.75 58, 5 1,8
60 7 4 4 3 7 1 7 5 5 1 7 2 4

Total: número total de cadáveres que deram entrada nos IMLs 87

CNI: total de cadáveres (frescos + categorias de interesse) não identificados – Percentuais


calculados sobre o total de cadáveres que deram entrada nos IMLs

CA: total de cadáveres pertencentes às categorias de interesse – Percentuais calculados sobre


CNI

CATEGORIAS DE INTERESSE: (percentuais calculados para cada tipo de cadáver sobre CA)

A: ossada

B: carbonizados

C: mutilados

D: putrefeitos

CI: total de cadáveres com identificação positiva após perícia antropológica (não estão incluídos
os cadáveres identificados por DNA)

Lessa (2008) ainda demonstrou a importância dos estudos antropológicos na


identificação humana e exaltou a existência formal de especialistas em Antropologia Forense nas
instituições periciais, contrariando a ideia geral de que a perícia antropológica é um “exame
complementar”, “de menor importância”, ou “pouco acurado”. Concluiu também a importância de
organizar uma estrutura organizacional adequada para a realização dos estudos antropológicos
forenses para a identificação humana:

1. Etapa de campo com todos os procedimentos adequados para a escavação,


documentação e remoção dos cadáveres;
2. Etapa de análise, realizada por especialistas e em laboratório adequado;
3. Etapa de confrontação entre os dados observados e aqueles provenientes de bancos
de dados de pessoas desaparecidas que contenham informações de interesse
antropológico.

Utilizando-se os conhecimentos da antropologia física, a identificação humana é


88
realizada por diversos métodos, segundo o tipo de definição e os tipos de exames (França, 2001;
Gojanovic e Sutlovic, 2007; Slaus et al, 2007; Hercules, 2008).

1. Definição espécie
a. Exames macroscópicos
 Radiografias dos ossos: trama óssea é específica para humano
 Osso da clavícula:
o Forma um “S” itálico alongado
o Diferente de qualquer espécie
b. Exames microscópicos
 Estudos histológicos do dente humano
 Estudos histológicos dos ossos humanos

2. Definição do sexo
a. Cadáver íntegro: visual, exceção: hermafroditas
b. Carbonizados: verificar a presença de útero e ovário
c. Esqueletizado:
 Pelve: apresenta maior dimorfismo sexual (Figuras 7 a 9)
o Classificação:
• Ginecoide: características femininas. No geral, existe menos
proeminências e menos inserções musculares, tem forma
arredondada e o diâmetro transversal supera a altura da bacia.
• Androide: características masculinas. No geral, possui mais
proeminências, é mais robusta e possui mais ranhuras de inserções
musculares, possui formato de coração e o diâmetro vertical
predomina sobre as horizontais.
• Platipleloide: características intermediárias e é considerado raro.

89

Figura 7: Pélvis de indivíduo do sexo masculino.

Figura 8: Pélvis de indivíduo do sexo feminino


90

Figura 9: Pélvis masculina (esquerda) e feminina (direita): note as diferenças anatômicas.

A estimativa do sexo pelos elementos do crânio tem sua importância pericial,


principalmente quando em casos que o mesmo é encontrado separado do corpo, ou existem
dúvidas em relação à análise da pélvis (Silva, 1997). As características femininas e masculinas
de um crânio podem ser resumidamente apresentadas no quadro 1.

Estrutura do crânio Sexo Masculino Sexo Feminino

Fronte Mais inclinada Mais vertical

Glabela Mais pronunciada Menos pronunciada

Arcos superciliares Mais salientes Menos salientes

Articulação frontonasal Angulosa Curva


Apófise mastoide Rugosa e proeminente Pouco proeminente

Apófise estiloide Mais longa e mais grossa Mais curva e mais fina

Côndilos occipitais Mais longos e estreitos Mais curtos e mais largos

Côndilos mandibulares Mais robustos Mais delicados


91
Peso médio da mandíbula 80g 63g

Capacidade do crânio 1400cm3 ou mais 1300 cm3

Quadro 1: Resumo das características da estrutura do crânio quanto ao sexo.

Adaptado de Silva, (1997) e Vanrell (2003)

Luiz Francesquini Júnior estudou 200 crânios (100 femininos e 100 masculinos) e
desenvolveu um modelo para cálculo de estimativa de sexo, que demonstrou ser confiável em
79% dos casos para a população brasileira. Essa metodologia também poderá ser utilizada para
a estimativa do sexo utilizando-se os crânios.
14 ESTIMATIVA DE ALTURA

Poucas para a população brasileira, a única mais recente é a tese de Mestrado de


Freire (2000), na qual o autor estudou mensurações de fêmur, úmero, rádio e tíbia e comparou
92
com a estatura de cada indivíduo, formulando uma tabela para a estimativa da altura em
brasileiros (Figura 10).

Figura 10: Modelos ajustados para a estimativa da altura para indivíduos brasileiros, sendo U
(tamanho do Úmero), R (tamanho do Rádio), F (tamanho do Fêmur), T (tamanho da
Tíbia). Extraído da Dissertação de José J. B. Freire.

Existem diversas outras tabelas para a estimativa da estatura de indivíduos (França,


2001; Croce e Croce Júnior, 2007), no entanto, como comentam os próprios autores, a maioria
das tabelas descritas é para populações estrangeiras, e muitas vezes não são representativas
da nossa população brasileira, pois existe uma miscigenação muito grande.

A estimativa da altura por meio do estudo das dimensões do dentes é realizada pelo
método descrito por Carrea em 1920 e estudado para a população brasileira por Silva em 1971
(apud Silva, 1997). A estatura real dos indivíduos brasileiros foi de 70% entre o valor máximo e
mínimo calculado por esse método, demonstrando não ser uma técnica confiável para essa
estimativa. No entanto, Silva (1997) recomenda que todos os achados antropológicos podem ser
significativos para chegar à conclusão final da perícia.

93
15 ESTIMATIVA DA COR DA PELE

“Não existem raças superiores ou inferiores, nem raças puras. Há, sim,
raça próspera e educada e raça pobre, subdesenvolvida econômica e 94
culturalmente, dominada for fatalismo obscuro e pela pior das doenças
– a ignorância – que grassa nela”
Croce e Croce Júnior (2007),

Com a afirmação muito pertinente de Croce e Croce Júnior (2007) citada acima, não
podemos deixar de falar que a denominação “raça” não é pertinente, mas sim os tipos diferentes
de cor de pele ou de região étnica que o indivíduo pertence. No entanto, no Brasil existe uma
grande dificuldade de separarmos como regiões étnicas e existem alguns pesquisadores
brasileiros, como o médico geneticista Pena (2005), que estão divulgando amplamente as razões
para se “banir o conceito de raça da medicina brasileira”.
“O conceito de ‘raça’ faz parte do arcabouço canônico da medicina,
associado à ideia de que cor e/ou ancestralidade biológica são
relevantes como indicadores de predisposição a doenças ou de
resposta a fármacos. Essa posição decorre de uma visão tipológica de
raças humanas. O baixo grau de variabilidade genética e de 95
estruturação da espécie humana é incompatível com a existência de
raças como entidades biológicas e indica que considerações de cor e/ou
ancestralidade geográfica pouco ou nada contribuem para a prática
médica, especialmente no cuidado do paciente individual. Mesmo
doenças ditas ‘raciais’, como a anemia falciforme, decorrem de
estratégias evolucionárias de populações expostas a agentes
infecciosos específicos. Para Paul Gilroy, o conceito social de raça é
‘tóxico’, contamina a sociedade como um todo e tem sido usado para
oprimir e fomentar injustiças, mesmo dentro do contexto médico.”

Pena (2005)

Mas dentro da Medicina Legal, tudo o que pode ser analisado e periciado é uma prova
a mais para chegar à identificação de algum indivíduo esqueletizado ou em avançado estado de
putrefação. Com isso, a tentativa de se estimar a cor da pele, nesses casos, pode tornar-se uma
fonte de informações para se chegar à identidade de alguém:

 Segundo a cor da pele (utilizada mais frequentemente pelos autores brasileiros):


o Melanodermas: pele com melanina, característicos de pessoas com pele negra
o Leucoderma: pele branca
o Xantoderma: pela amarela
 Segundo a região – definição antropológica. Utilizando-se de definições de França (2001) e
Croce e Croce Júnior (2007), tem-se:
o Caucasoide: relativo ao indivíduo pertencente à divisão étnica da espécie humana que
inclui grupos de povos nativos da Europa, Sudoeste da Ásia, Norte da África, ou seus
descendentes; caucasiano. A pele desses indivíduos varia entre as cores clara e
morena, e os cabelos são finos, de lisos a crespos (Dicionário Houaiss, 2001). Pode ser 96
dividido em:
 Nórdico: que habita o norte da Europa.
 Alpino: que habita o centro da Europa.
o Mediterrâneo: que habita o sul da Europa. Varia entre os caucasianos, com pele mais
escura.
o Indiano: que habita a Índia. Possui pele amarelo-avermelhada, cabelos pretos lisos e
espessos, supercílios espessos, nariz saliente e longo, barbas espessas, fronte vertical e
nariz mais saliente e longo.
o Negroide: que habita a África subsaariana. Possui pele negra, cabelos crespos e em
tufos, crânio pequeno, perfil facial prognata, fronte alta e saliente e nariz largo e
achatado.
o Mongoloide: que habita a República Popular da Mongólia ou os mongóis. Possui pele
amarelada, cabelos lisos, face mais achatada, fronte larga e mais baixa, espaço
interorbital mais largo, maxilares pequenos e menos salientes.
o Australoide: aborígenes que habitam a Austrália. Possuem pele morena, arcadas
zigomáticas largas e volumosas, prognatismo maxilar e mandibular e arcadas
superciliares salientes.
No Brasil existe uma grande miscigenação ao comparar com outros países (Arbenz,
1988; Melani, 1995; Pena, 2005). Para a realização desses estudos, é necessária a análise e
mensuração entre distâncias de pontos de reparos anatômicos específicos. Segundo Krogman
(1955, apud Silva, 1997), alguns caracteres morfológicos craniofaciais qualitativos são
observados em diferentes tipos de grupos populacionais (Quadro 2), fornecendo uma ferramenta
a mais para o estudo antropológico.
Quadro 2: Resumo das características craniofaciais qualitativos em diferentes grupos
populacionais.

97
16 ESTIMATIVA DA IDADE

A estimativa da idade fetal pode ser obtida pelos estudos:


98
 Quando se tratar de cadáver e esqueleto:
 Das características anatômicas macroscópicas,
 Da medida craniocaudal e dos centros de ossificação,
 Das fontanelas,
 Do crescimento e desenvolvimento do crânio e da face,
 Quando se tratar de indivíduo vivo
 Métodos radiográficos
A estimativa da idade normalmente é realizada observando-se a estatura, o peso, a
presença de rugas, caracteres sexuais secundários e pela análise do desenvolvimento ósseo e
dental. A radiografia dos ossos é realizada com a finalidade de verificar os pontos de ossificação
e a soldadura das epífises a diáfises, que são referências da maior significação a respeito da
determinação da idade óssea, como observado no Quadro 3 (França, 2001).

Quadro 3: pontos de ossificação e a soldadura das epífises a diáfises


a) Núcleo epifisial No homem: dos 15 para os 16 anos
proximal da rádio Na mulher: dos 12 para os 14 anos

Articulação do b) Núcleo condilar do No homem: dos 14 para os 15 anos


cotovelo úmero Na mulher: dos 12 para os 14 anos

c) Núcleo epicondilar No homem: dos 15 para os 16 anos


médio do úmero Na mulher: dos 14 para os 15 anos

a) Núcleo epifisial distal No homem: dos 18 para os 19 anos 99


do úmero Na mulher: dos 17 para os 18 anos
Articulação do
punho b) Núcleo epifisial distal No homem: dos 18 para os 19 anos
da ulna Na mulher: dos 17 para os 18 anos

Núcleos epifisiais distais No homem: dos 16 para os 17 anos


Mão dos metacarpos Ii e V e
proximais das falanges Na mulher: dos 15 para os 16 anos

a) Núcleo epifisial distal No homem: dos 15 para os 16 anos


do fêmur Na mulher: dos 14 para os 15 anos
Articulação do
joelho b) Núcleo epifisiais No homem: dos 16 para os 17 anos
proximais da tíbia e
fíbula Na mulher: dos 15 para os 16 anos
Aparecimento dos núcleos:
no homem: dos 14 para os 15 anos
Aparecimento dos núcleos:
na mulher: dos 13 para os 14 anos
a) Núcleos da crista e
Fusão completa dos núcleos de
espinhas ilíacas e túber
ossificação:
isquiático
no homem: dos 20 para os 21 anos
Fusão completa dos núcleos de
Articulação da ossificação:
pelve na mulher: dos 19 para os 20 anos
No homem: dos 14 para os 15 anos
b) Cartilagem trirradiada
do acetábulo
Na mulher: dos 13 para os 14 anos

c) Núcleos epifisiais da No homem: dos 15 para os 16 anos


cabeça e trocânteres
do fêmur Na mulher: dos 14 para os 15 anos

Articulação do No homem: dos 16 para os 17 anos


Núcleos epifisiais distais
tornozelo da tíbia e fíbula
Na mulher: dos 15 para os 16 anos

Uma das metodologias a ser utilizada para a estimativa da idade pelo crânio é o
fechamento de suturas cranianas. Dorandeu et al (2008) recentemente publicou um artigo para a
estimativa de idade pelas suturas cranianas (Figura 11) com desvio padrão de 1 a 18,4 anos,
como demonstra o quadro 4.
100

Figura 11: Avaliação anatômica e visual do estágio da sutura craniana.

Quadro 4: Avaliação do estágio da sutura craniana, segundo Croce e Croce Júnior (2007):

PERÍODO OSTEOSSUTURAL DOS OSSOS DO CRÂNIO

IDADE
SUTURAS
Face externa Face interna

Metópica ou mediofrontal 2 a 8 anos 2 a 8 anos

Coronária ou frontoparietal 25 a 45 anos 30 a 50 anos

Sagital ou biparietal 20 a 35 anos 20 a 40 anos

Lambdoide ou occipitoparietal 25 a 50 anos Acima de 50 anos

Escamosa ou temporoparietal 35 a 80 anos 30 a 65 anos

Obliteração completa fisiológica


Entre 65 e 80 anos
das suturas

Exceções Sempre existem exceções. O médico ou odonto-legista deverão estar


atentos a alterações que muitas vezes estão associadas a algumas
adulterações como as escafocefalia, acrocefalia, platicefalia, etc.

Estudos demonstram que os dentes são as estruturas orgânicas que fornecem os


melhores subsídios para a estimativa da idade, sofrem menos interferências de fatores
sistêmicos e de desnutrição, principalmente da vida fetal até os 21 anos aproximadamente, 101

quando termina o desenvolvimento dentário. Dessa maneira, quanto mais jovem, mais próxima
da idade cronológica será a estimativa da idade. Para isso o maior número de informações é
necessário, tais como a mineralização e sequência de erupção dentária, presença de patologias
odontológicas (cáries, exodontias e periodontopatias) e sinais de envelhecimento (desgastes
fisiológicos) (Silva, 1997).

Inúmeros autores descreveram métodos para diferentes populações ao redor do


mundo (Kvaal et al, 1995; Schmeling, 2007; Cardoso, 2007). Um exame direto através de exame
clínico é realizado analisando-se o número de dentes irrompidos, sua sequência eruptiva e o
estado geral dos elementos dentários. É realizado também um exame indireto através de
radiografias, que permite a análise mais completa para a estimativa da idade pelos dentes.
Alguns aspectos podem influenciar no exame de estimativa de idade pelos dentes (Silva, 1997):

 Analisar se os dentes estão presentes, principalmente em esqueletos


 Sexo: A erupção dos dentes é mais precoce nas meninas: variação média de 6 meses
para o 1° molar inferior e três meses para o 2° molar superior.
 Arco: Na mandíbula, erupciona primeiro do que o homólogo na maxila.
 Biotipo: Crianças magras a erupção é antecipada em relação aos obesos.
 Influências hereditárias: Investigar o padrão de erupção familiar, que é bem difícil obter.
 Desenvolvimento dos maxilares: Perda precoce dos dentes decíduos pode retardar ou
acelerar a erupção dos mesmos, dependendo da época da esfoliação.
 Tipo de oclusão.
 Tipo de alimentação: A desnutrição grave pode afetar o desenvolvimento dentário.
 Diferenças populacionais.
 Clima - Regiões de clima quente: precocidade de erupção, quando comparada a climas
frios.
 Situação econômico-social - Médio e alto: é mais precoce se comparado ao nível baixo.
 Ingestão de flúor: Retarda a erupção dentária, pois está relacionado com a incorporação do
flúor pelos ossos, dificultando a sua reabsorção.
 Perturbações sistêmicas: Hipertireoidismo acelera e hipotireoidismo retarda.
 Verificar: perdas dentárias, anodontias, parciais, totais e presença de dentes
extranumerários. 102
A erupção dentária é dividida em
 Pré-eruptiva
 Início do desenvolvimento do dente e a completa formação da coroa
 Pré-funcional
 Formação da raiz até a oclusão total com o dente antagonista
 Funcional

Pesquisas realizadas por Arbens e Mendel (apud Silva, 1997) utilizam a idade mínima
e máxima que o dente está presente, analisando a mineralização dos dentes, no entanto,
verificaram que em indivíduos miscigenados podem não corresponder à idade, não sendo
aconselhado utilizar a técnica isoladamente.
A técnica mais utilizada e recomendada para a estimativa da idade pelo exame dos
dentes aqui no Brasil, em indivíduos até aproximadamente 21 anos, é a descrita por Nicodemo,
Moraes e Médici (1974): os autores relacionam os estágios de mineralização dos elementos
dentários (Quadro 5):
1. Primeiro estágio do desenvolvimento da coroa
2. Um terço de coroa
3. Dois terços de coroa
4. Coroa completa
5. Início de mineralização da raiz
6. Um terço de raiz
7. Dois terços de raiz
8. Raiz completa
Quadro 5: Cronologia da mineralização dos dentes permanentes entre brasileiros, por Nicodemo,
Moraes e Médici Filho

103

Gonçalves e Antunes (1999) realizaram um estudo utilizando amostras da população


brasileira para a tabela acima e obtiveram conclusões que permitem que a técnica seja
recomendada para a população brasileira:

1. O presente método é viável e aplicável dentro da faixa etária considerada, independente


do sexo e da cor de pele. Na amostra como um todo, 95% dos erros calculados foram
inferiores a 16,8%.
2. Pode ser utilizado por cirurgiões-dentistas sem experiência anterior em sua aplicação.
Não houve diferenças significativas entre as análises realizadas pelos diferentes
examinadores.
3. A eliminação de valores visivelmente discrepantes do contexto geral da radiografia pode
beneficiar os resultados obtidos pelo método.
4. Sugere-se a incorporação de outras características populacionais para a análise, como
fatores hereditários e ambientais, nutricionais, doenças atuais, preexistentes e
congênitas, nível socioeconômico e suas possíveis correlações com os resultados
obtidos com a utilização do método, além de aumentar a amplitude etária, para se
avaliar até que idade o método mantém o bom desempenho obtido no presente estudo.

104
17 EXUMAÇÕES

Exumação é realizada em caráter especial, consiste no desenterramento do cadáver e


tem como finalidade atender à Justiça na averiguação de uma exata causa de morte passada
despercebida ou para o esclarecimento de um detalhe, um fato, contradições ou diagnóstico que 105
não foram relatados antes do enterro. Pode ocorrer também para a identificação de cadáver
enterrado como indigente (França, 2001). Segundo Croce e Croce Júnior (2007), consiste no
“desenterramento do cadáver não importa o local onde se encontre sepultado”. Segundo o
Código de Processo Penal:

Art. 163 - Em caso de exumação para exame cadavérico, a autoridade


providenciará para que, em dia e hora previamente marcados, se realize a
diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado.
Parágrafo único - O administrador de cemitério público ou particular
indicará o lugar da sepultura, sob pena de desobediência. No caso de recusa ou
de falta de quem indique a sepultura, ou de encontrar-se o cadáver em lugar não
destinado a inumações, a autoridade procederá às pesquisas necessárias, o que
tudo constará do auto.
Art. 164 - Os cadáveres serão sempre fotografados na posição em
que forem encontrados, bem como, na medida do possível, todas as lesões
externas e vestígios deixados no local do crime.
Art. 165 - Para representar as lesões encontradas no cadáver, os
peritos, quando possível, juntarão ao laudo do exame provas fotográficas,
esquemas ou desenhos, devidamente rubricados.
Art. 166 - Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado,
proceder-se-á ao reconhecimento pelo Instituto de Identificação e Estatística ou
repartição congênere ou pela inquirição de testemunhas, lavrando-se auto de
reconhecimento e de identidade, no qual se descreverá o cadáver, com todos os
sinais e indicações.
18 TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL

CRIME DE LESÃO CORPORAL

106
Simas Alves (1965) ainda define que as lesões corporais ocorrem quando um agente
de natureza mecânica, física ou química atua de forma violenta sobre o organismo humano,
resultando em um dano anatômico, funcional ou psíquico. Como descrito anteriormente, o
Código de Hamurabi foi o primeiro a relatar punição para as pessoas que cometessem algum
tipo de crime. O Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei n° 2.848, de 07 de Dezembro de 1940),
descreve o crime de lesões corporais e suas penas:

CAPÍTULO II - DAS LESÕES CORPORAIS

Lesão corporal

Art. 129 - Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

Lesão corporal de natureza grave

§ 1º - Se resulta:

I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de 30 (trinta)


dias;

II - perigo de vida;

III - debilidade permanente de membro, sentido ou função;

IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos.

§ 2º - Se resulta:

I - incapacidade permanente para o trabalho;

II - enfermidade incurável;
107
III - perda ou inutilização de membro, sentido ou função;

IV - deformidade permanente;

V - aborto:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos.

Lesão corporal seguida de morte

§ 3º - Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente


não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo:

Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. (...)

Lesão corporal culposa

§ 6º - Se a lesão é culposa:

Pena - detenção, de 2 (dois) meses a 1 (um) ano. (...)

CAPÍTULO III - DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE

(...) Perigo para a vida ou saúde de outrem


Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e
iminente: (...)

Omissão de socorro

Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem


risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa 108
inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou
não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:

Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.

Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão


resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a
morte.

Maus-tratos

Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua


autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino,
tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados
indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado,
quer abusando de meios de correção ou disciplina: (...)

Os crimes são divididos em doloso e culposo, que são definidos pelo Código Penal:

Art. 18 - Diz-se o crime:

Crime doloso

I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de


produzi-lo

Crime culposo
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência,
negligência ou imperícia.

Segundo Croce e Croce Júnior (2007) a causalidade Médico-Legal do Dano 109


compreende “o estudo das energias que, ofendendo a integridade física ou a saúde – quer do
ponto de vista anatômico, quer do ponto de vista fisiológico ou mental – ocasionam lesões
corporais e morte.”
19 LESÕES CORPORAIS

A traumatologia forense compreende o estudo sistemático das lesões produzidas por


agentes lesivos exógenos, de modo a oferecer à Justiça subsídios (Calabrez, 1997), como:
diagnóstico, classificação jurídica, nexo causal, se a lesão é vital ou pós-mortal, enquadramento 110
legal e gravidade do dano causado.

França (2001) define a traumatologia forense ou lesonologia médico-legal como o


estudo das lesões e estados patológicos, imediatos ou tardios, produzidos por violência sobre o
corpo humano, nos seus aspectos do diagnóstico, do prognóstico e das suas implicações legais
e socioeconômicas, tratando também das diversas modalidades de energias causadoras desses
danos.

Os grupos de energias produtoras de lesão são divididos em sete categorias, segundo


Croce e Croce Júnior (2007):

1. Mecânica
2. Física
3. Química
4. Físico-química
5. Bioquímica
6. Biodinâmica
7. Mista
Utilizando-se como referência diversos autores de renome da Medicina Legal (França,
2001; Croce e Croce Júnior, 2007; Hercules, 2008), resumiremos em tópicos esses grupos de
energias produtoras de lesão:
20 ENERGIAS DE ORDEM MECÂNICA

São energias que atuam mecanicamente sobre o corpo, modificando completa ou


parcialmente o seu estado de repouso ou de movimento (Croce e Croce Júnior, 2007). As lesões 111
mecânicas são produzidas por instrumentos mecânicos e podem ser externas ou internas, sendo
que as externas resultam de instrumentos que ao colidirem com o corpo produzem alterações
anatômicas variáveis e a segunda resulta de esforço ou da penetração de corpos estranhos no
interior do corpo humano (Simas Alves, 1965).

Croce e Croce Júnior (2007) exemplificam e detalham as informações sobre os


agentes dessas energias:

1) Exemplos de agentes:
a) Armas naturais: mãos, pés, cotovelos, joelhos, cabeça, dentes, unhas.
b) Armas propriamente ditas: armas de fogo, punhal, soco-inglês, cassetete e peixeira.
c) Armas eventuais: navalha, lâmina de barbear, canivete, facão, faca, barra de ferro,
balaústre, bengala, tijolo, foice, podão.
d) Maquinismo e peças de máquinas
e) Animais: cão, gato, leão, macaco, onça, lobo, tigre.
f) Meios diversos: quedas, explosões, precipitações.

2) Modo de atuação:
a) Pressão
b) Percussão
c) Tração
d) Compressão
e) Torção
f) Sucção
g) Explosão
h) Contrachoque
i) Deslizamento
j) Distensão

3) Formas das energias:


a) Ativa: o agente vulnerante possui força viva ou “força de choque”, cujo efeito é
proporcional ao seu peso e velocidade, projetando-se contra o corpo que está parado.
b) Passivo: quando um corpo em movimento é lançado contra o agente vulnerante que está 112
sem movimento aparente.
c) Mista: quando o corpo e o instrumento estão em movimento e se chocam mutuamente.

Segundo Calabrez, são as energias que tendem a modificar o estado de repouso, ou


movimento, em parte ou de todo o corpo e correspondem a mais de 97% dos casos IML, sendo
98% dos casos de tentativa ou consumação de homicídio e crimes de lesão corporal. A
classificação é dividida: formas puras ou mistas:

 Formas mistas:
 Cortocontusas
 Perfurocortantes
 Perfurocontudentes
Utilizando-se como referência as descrições de Calabrez (1997), França (2001);
Vanrell (2003), Croce e Croce Júnior (2007) e Hercules (2008) foram dispostos didaticamente os
tipos de agentes e os respectivos tipos de lesões produzidas.

Agente perfurante 113

1. Conceito: São aqueles que agem idealmente por um ponto que, pressionado, lesa o corpo da
vítima, produzindo ferimento punctório, provocando o afastamento das fibras dos tecidos.
2. Causa por instrumentos:
a. Afilados, pontiagudos, alongados
b. Diâmetro não é largo
c. Exemplo: lança, agulha, cone pequeno, flecha (Figura 12)
3. Possuem como características:
a. OE: orifício de entrada
b. Trajeto
c. OS: orifício de saída – existe em alguns casos
4. Classificação médico legal:
a. Profundidade é bem maior que a extensão da lesão
b. Lesão punctória: o ferimento apresenta sangramento nulo ou mínimo. O OE
geralmente é menor que o diâmetro do instrumento: elasticidade e retração tecidual
c. Lesão perfurante: Se o instrumento for cônico, a lesão pode ter aparência de
“casa de botão”
5. Prognóstico
a. Variável: reparação total – morte
6. Etiologia jurídica:
a. ↑homicídios: detentos
b. Infanticídios
c. Acidentes comuns ou de trabalho
d. ↓ suicídios
7. Estimativa do momento de produção da lesão
a. Imprecisa, característica da lesão
8. Exame das vestes
a. Correspondência entre o agente e o local da lesão
9. Lesão vital ou pós-mortal:
a. Lesão vital: impregnação hemática, formação de coágulo e retração dos tecidos

114

Figura 12: 1A - Penetração de fecha no crânio, 1B - Arma do crime e suas partes, 2A e 2B -


Formato estrelar da lesão

Agentes cortantes

1. Conceito: Agem idealmente por uma linha representada pelo gume da arma,
seccionando os tecidos, dando origem à lesão incisa.
2. Apresentação:
a. Margens nítidas e regulares, quanto mais afiado seja o corte do instrumento utilizado.
b. Ausência de lacínia de tecidos no fundo da lesão, explicada pelo afiamento do
instrumento.
c. Ausência de contusão em torno da lesão, porque o gume se limita a seccionar os
tecidos, sem mortificá-los.
d. Predomínio sobre a largura e a profundidade, que se mostra sempre mais acentuado
na parte média da ferida.
e. Extremidade distal mais superficial que a extremidade proximal e em forma de cauda.
f. Hemorragia abundante dependerá da vascularização da região afetada. 115
3. Podem ser:
a. Simples: ação perpendicular do agente (Figura 13)
b. Com retalho: ação oblíqua do agente
c. Mutilantes: ação tangencial à superfície
 Exemplo: navalha
 Extensão é maior que profundidade
4. Denominações diferenciadas:
a. Esgortejamento: região anterior do pescoço
b. Degola: região anterolateral do pescoço
c. Decapitação: seccionamento do pescoço (Figura 14)
d. Esquartejamento: divide o corpo em partes (Figura 15 e 16)

Figura 13: Autolesões incisas demonstrando a tentativa de suicídio.


116

Figura 14: Decapitação completa resultante de suicídio com corpo pendurado pelo pescoço.
117

Figura 15: Esquartejamento da cabeça, separando os tecidos moles do crânio.

Figura 16: A pele foi dissecada do torso pelo criminoso e disposta em posição anatômica para
comparação com o esquema
1. Prognóstico
a. Variável: reparação total – morte.
 Depende da profundidade, podendo ser superficial ou bem profundo, destruindo
partes moles externas e internas e do próprio esqueleto osteocartilaginoso.
 Danos em feixes vasculonervosos; tendões ocasionam maior prejuízo no reparo
tecidual. 118
b. Tipos de cicatrizes:
 Queloide: ocorre normalmente em melanodermas. Consiste na cicatriz cujo
crescimento tecidual é invasivo, saliente e de aspecto endurecido.
 Hipertrófica: cicatriz que tende a se tornar menos vascularizada, menos
proeminente e mais pálida como consequência da hiperplasia intersticial do tecido
fibroso.
 Retrátil: dificulta o movimento e fissura-se com facilidade.
2. Etiologia jurídica:
a. ↑homicídios: defesa, tortura ou execução
b. ↓ Acidentes comuns ou de trabalho
c. Suicídios: incisões nos punhos ou esgortejamento
3. Estimativa do momento de produção da lesão
a. Evolução da cicatrização da lesão
4. Lesão vital ou pós-mortal:
a. Lesão vital: impregnação hemática, formação de coágulo e
retração dos tecidos

Agentes contundentes
 Variação de cores da lesão:
b. Ocorrem pela transformação da hemoglobina provocada por
reações químicas.
c. Espectro equimótico de Legrand du Saulle:
2. Conceito: Atuam por pressão, deslizamento e tração,
podendo originar impressões na pele.
a. Superfície plana ou romba
b. Ativas: o agente atinge o corpo
c. Passivas: o corpo se projeta contra o agente

3. Contundente sem integridade da pele


a. Bastão: pressão, lesão contusa
b. Escoriação: pressão + deslizamento, lesão abrasiva 119
c. Dentada: impressão cutânea, lesão contusa + abrasiva
d. Lacerante
 Escalpelamento: máquina rotatriz, tração, lesão lacerante
e. Lacerocontundente
 Trauma nos rebordos orbitais: pressão + tração, lesão lacerocontusa

4. Lesões contundentes com integridade da pele são caracterizadas por equimoses:


a. Derrame sanguíneo decorrente da rotura de capilar no tegumento, nas massas
musculares, nos espaços intermusculares ou nas vísceras.
b. Petéquia (forma de pontos), hematoma (vasos de maior calibre), impressão cutânea
(dentes, unhas ou polpa dos dedos), etc...
c. Tipos de equimose
 Equimose espontânea ou post-mortem
 Incisão na região: observa-se sangue fluido
 Equimose vital
 Sangue coagulado e aderido às paredes do tecido
5. Contusões profundas
a. Fratura, luxação, rotura de órgãos internos, esmagamento, derrame cavitário ou não
cavitário.
FORMAS MISTAS

120

Agentes perfurocortantes

1. Exemplo: punhal (Figura 17)


2. Ação: pressão + deslizamento
3. Lesão: perfuroincisa
4. Extensão é maior que a profundidade
5. Etiologia jurídica: homicídio, suicídio (“haraquiri” [do japonês haru-quiri, poss. pelo fr.
hara-kiri], que significa literalmente "cortar a barriga" ou "cortar o estômago").

Figura 17: Espada tipo punhal utilizada para realizar o Haraquiri.


Agentes cortocontundentes

1. Exemplo: foice, facão


2. Ação: pressão + força de impacto
3. Lesão: cortocontusa
4. Instrumentos afiados = incisa, quando rombos = contuso
121
5. Frequentemente são mortais
6. Decapitação através do peso do trem (Figuras 18 e 19)

Figura 18: corpos decapitados.

Fonte: Foto de Jean-Michel Bourguignon, Caishikou 1905.

Disponível em: http://turandot.ish-lyon.cnrs.fr/Photographs.php?ID=275


122

Figura 19: Decapitação completa de um suicida ocasionada por trem.

Agentes perfurocontundentes

1. Exemplo: projétil de arma de fogo (Figura 20)


2. Áreas de contorno: orlas
3. Distância do disparo
4. Projétil único X projétil múltiplo
5. Sinais:
a. Sinal de Bonnet:
b. Zona ou halo de tatuagem: Decorrente da impregnação de grãos de pólvora que
alcançam o corpo. Através de uma perícia reconstituindo os tipos em diferentes
distâncias, é possível estimar a distância entre o disparo e a vítima (Figura 21 a 22).
c. Câmara de Mina de Hofmann: Comum em tiros encostados, não havendo zona de
tatuagem nem esfumaçamento, porque tudo penetra pelo orifício da bala.
d. Orla de enxugo
e. Saída de arma de fogo
123

Figura 20: Dois projéteis para um mesmo


rifle, sendo que o da esquerda foi disparado e
o da direita não. Os pesquisadores
demonstraram que o disparo do projétil
resultou na sua fragmentação em duas
partes, com dois orifícios de entrada,
podendo confundir com dois tiros diferentes.

Figura 21: Entrada do projétil na região zigomática (foto acima) e entrada na mão esquerda
ocasionada pelo mesmo projétil, devido à tentativa de se proteger do tiro.
124

Figura 22: Entrada do projétil na mão esquerda. Note a orla de tatuagem e a orla de
esfumaçamento em volta.
21 AGENTES FÍSICOS PRODUTORES DE LESÕES

1. Exposição ao frio
a. Características presentes no corpo:
125
 Palidez da pele; retração dos mamilos e testículos;
 Desordens do sistema nervoso
 Hipofuncionamento dos órgãos
 Baixa coagulação sanguínea
 Espuma sanguinolenta das vias respiratórias e anemia cerebral
 Exame médico-legal: analisar outras causas

2. Exposição ao calor
a. Calor difuso: insolação ou internação
b. Calor direto:
 queimaduras
 Classificação:
 1° grau (rubefação da pele)
 2° grau (rompimento da derme com aparecimento de flictenas)
 3° grau (destruição da derme)
 4° grau (carbonização de tecidos) (Figura 23 e 24)
 Lesão vital (Figura 25, 26 e 27) ou não vital
 Etiologia jurídica:
 Acidentes
 Desastres de massa
 Explosão de combustíveis
 Acidentes de trabalho
 ↓Homicídios (Figura 23 e 24) e suicídios
126

Figura 23: Corpo carbonizado de uma mulher (após necropsia, constatou-se a presença de
ovários), sem cabeça – foto acima – verificando a parte avermelhada na região
seccionada do pescoço, caracterizando a remoção da cabeça após a carbonização
– foto abaixo.
127

Figura 24: Cabeça encontrada quatro meses depois do corpo carbonizado mostrado na Figura
61. Foi descoberta atrás do apartamento do criminoso (foto acima). Note a fratura
do osso e verifique que a mesma não ocorreu pela carbonização e sim pela ação de
forças externas (foto abaixo).
128

Figura 25: Queimaduras em vítima de resgate de incêndio acidental. Note as queimaduras de


grau 1: formação de bolhas e rubefação da pele.
129

Figura 26: Queimaduras em vítima de resgate de incêndio acidental. Note as queimaduras de


grau 2: rompimento da derme com aparecimento de flictenas e grau3: destruição da derme.

Figura 27: Fotografias de queimaduras em perna de um menino tiradas após 3 dias. Note a
queimadura generalizada e simétrica, sugerindo a imersão em água quente. Após investigação,
foi constato violência contra a criança.
3. Pressão atmosférica: Ocorre frequentemente com aviadores e alpinistas que não
possuem preparos específicos ou que sofreram acidentes. Também ocorre com
mergulhadores que ao descer ou subir de grandes profundidades pode ter sequelas
específicas.

4. Eletricidade 130
a. Atmosférica:
 Fulguração
 Perturbações oculares, digestivas, urinárias, confusão mental e
queimaduras
 Fulminação
 Êxito letal
b. Eletricidade industrial
 Eletropressão
 Morte causada por descarga elétrica
 Eletrocussão
 Acidente causado pela corrente elétrica industrial sobre o organismo
(Figura 66)
 Marca de Jelineck (Ver figura 28)
131

Figura 28: Uma mulher de 27 anos ao utilizar um instrumento de alumínio para medir grandes
comprimentos, acidentalmente encostou-se a uma linha de força transmitindo uma corrente de
15.000V. Note a presença de marcas de Jelineck (marcas de eletricidade) – A, B e C; Não houve
hemorragia interna –D; O fígado foi dividido em dois após a eletrocussão – E e F.

1. Radioatividade
a. Interesse médico-legal:
 Bombas atômicas (Figuras 29 e 30)
 Esterilização
 Mutagênese: alteração no DNA
132

Figura 29: Aspecto da lesão em vítimas que foram expostas a explosão da bomba atômica em
Hiroshima, Japão. Note que as lesões são semelhantes a queimaduras gravíssimas.
133

Figura 30: Aspecto da lesão em vítimas que foram expostas a explosão da bomba atômica em
Hiroshima, Japão. Note que as lesões são semelhantes a queimaduras gravíssimas.
22 AGENTES QUÍMICOS PRODUTORES DE LESÕES

1. Cáusticos: ácidos ou sais ácidos


a. Vitriolagem – ácido sulfúrico (Figura 31, 32)
134
b. Fenol (ácido carbólico)
2. Liquefacientes: básicos
a. Hidróxido de sódio (NaOH) ou soda cáustica
 Apresenta-se ocasionalmente como uso doméstico para a
desobstrução de encanamentos e sumidouros, pois é altamente
corrosivo e pode produzir queimaduras, cicatrizes e cegueira
 Reage com a água e aquecido suficientemente pode produzir
chamas, de modo que é altamente recomendável possuir um extintor
adequado ao trabalhar com o produto.
135

Figura 31: Queimadura ocasionada por ácido sulfúrico.


136

Figura 32: Queimaduras generalizadas provocadas por ácido derramado sobre a vítima,
fotografia tomada 12 dias após o crime.
23 AGENTES BIOLÓGICOS PRODUTORES DE LESÕES

1. Representadas pelas substâncias como os venenos, que atuam entrando em reação química
com a célula viva, interferindo diretamente no metabolismo da célula e provocando
137
processos degenerativos.
2. Exemplos: medicamentos, produtos químicos, animais e plantas tóxicas (Figura 33 e 34).
138

Figura 33: Queimaduras provocadas por planta da família Ranunculaceae, que é utilizada para
tratamento alternativo e popular dos sintomas de artrite.
139

Figura 34: Plantas da família Ranunculaceae, que é utilizada para tratamento alternativo e
popular dos sintomas de artrite e pode provocar queimaduras severas na pele.
24 AGENTES MISTOS E OUTROS AGENTES CAUSADORES DE LESÕES

Em muitos casos não há apenas um agente lesivo e sim vários, como ocorre em
140
acidentes de massa, podendo haver diversos agentes lesivos, ou em agressões e torturas, no
qual o criminoso muitas vezes utiliza de diversos agentes para causar as lesões. Com isso, é
necessário que o perito em odontologia legal esteja sempre atento a esses detalhes ao realizar a
necropsia, quando o indivíduo encontra-se morto, ou a perícia no esqueleto ou no vivo.

TÓPICOS SOBRE ASFIXIA POR CONSTRIÇÃO DO PESCOÇO (ENFORCAMENTO,


ESTRANGULAMENTO E ESGANADURA) E ASFIXIA POR SUFOCAÇÃO E POR MONÓXIDO
DE CARBONO.

1. Asfixias.
a. Soterramento
b. Meio aéreo é substituído pelo meio sólido
2. Afogamento
a. Meio aéreo é substituído pelo meio líquido
b. Ocorre:
 Edema do pulmão
 Cogumelo de espuma: narinas, brônquios, pulmão
 Maceração cadavérica (mão de lavadeira)
 Diluição da concentração sanguínea
3. Oxiprivas
a. Baixa concentração de oxigênio no organismo
4. Confinamento (ex. gases inertes)
5. Sufocação
a. Ativa ou direta: supressão do ar atmosférico pela presença de obstáculo
(Figuras 35 e 36)
b. Passiva ou indireta: supressão do ar atmosférico pela compressão do tórax
c. Constrição do pescoço
d. Enforcamento
 Sulco cervical de enforcamento
 Conjuntivas em enforcado
e. Estrangulamento (Figura 37) 141
f. Esganadura

Figura 35: Asfixia ocasionada por saco plástico colocado pelo próprio suicida amarrado com fita.
142

Figura 36: Asfixia ocasionada por saco plástico colocado pelo próprio suicida e amarrado com
cinto.
143

Figura 37: Mulher de 24 anos morta por estrangulamento com uma corda de 5 mm de diâmetro.
Uma larga faixa vermelha caracterizada por uma hemorragia subcutânea, bem como há a
presença de petéquias (pontos de hemorragia) em pequena quantidade (pontos pelo rosto).

O Código Internacional de Doenças, em sua 10 versão – CID-10, elenca diversas


lesões, envenenamentos e algumas consequências de causas externas em seu capítulo XIX e
XX:

Capítulo XIX Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas


externas (S00-T98)
S00-S09 Traumatismos da cabeça

S00 Traumatismo superficial da cabeça

S01 Ferimento da cabeça

S02 Fratura do crânio e dos ossos da face

S03 Luxação, entorse ou distensão das articulações e dos ligamentos da cabeça 144
S04 Traumatismo dos nervos cranianos

S05 Traumatismo do olho e da órbita ocular

S06 Traumatismo intracraniano

S07 Lesões por esmagamento da cabeça

S08 Amputação traumática de parte da cabeça

S09 Outros traumatismos da cabeça e os não especificados

S10-S19 Traumatismos do pescoço

S10 Traumatismo superficial do pescoço

S11 Ferimento do pescoço

S12 Fratura do pescoço

S13 Luxação, entorse ou distensão das articulações e dos ligamentos do pescoço

S14 Traumatismo de nervos e da medula espinhal ao nível cervical

S15 Traumatismo dos vasos sanguíneos ao nível do pescoço

S16 Traumatismo de tendões e de músculos do pescoço

S17 Lesões por esmagamento do pescoço

S18 Amputação traumática ao nível do pescoço

S19 Outros traumatismos do pescoço e os não especificados

S20-S29 Traumatismos do tórax

S20 Traumatismo superficial do tórax

S21 Ferimento do tórax


S22 Fratura de costela(s), esterno e coluna torácica

S23 Luxação, entorse e distensão de articulações e dos ligamentos do tórax

S24 Traumatismos de nervos e da medula espinhal ao nível do tórax

S25 Traumatismo de vasos sanguíneos do tórax

S26 Traumatismo do coração 145


S27 Traumatismo de outros órgãos intratorácicos e dos não especificados

S28 Lesão por esmagamento do tórax e amputação traumática de parte do tórax

S29 Outros traumatismos do tórax e os não especificados

S30-S39 Traumatismos do abdome, do dorso, da coluna lombar e da pelve

S30 Traumatismo superficial do abdome, do dorso e da pelve

S31 Ferimento do abdome, do dorso e da pelve

S32 Fratura da coluna lombar e da pelve

S33 Luxação, entorse ou distensão das articulações e dos ligamentos da coluna lombar e da
pelve

S34 Traumatismo dos nervos e da medula lombar ao nível do abdome, do dorso e da pelve

S35 Traumatismo de vasos sanguíneos ao nível do abdome, do dorso e da pelve

S36 Traumatismo de órgãos intra-abdominais

S37 Traumatismo do aparelho urinário e de órgãos pélvicos

S38 Lesão por esmagamento e amputação traumática de parte do abdome, do dorso e da pelve

S39 Outros traumatismos e os não especificados do abdome, do dorso e da pelve

S40-S49 Traumatismos do ombro e do braço

S40 Traumatismo superficial do ombro e do braço

S41 Ferimento do ombro e do braço

S42 Fratura do ombro e do braço

S43 Luxação, entorse e distensão das articulações e dos ligamentos da cintura escapular

S44 Traumatismo de nervos ao nível do ombro e do braço


S45 Traumatismo dos vasos sanguíneos ao nível do ombro e do braço

S46 Traumatismo de tendão e músculo ao nível do ombro e do braço

S47 Lesão por esmagamento do ombro e do braço

S48 Amputação traumática do ombro e do braço

S49 Outros traumatismos e os não especificados do ombro e do braço 146


S50-S59 Traumatismos do cotovelo e do antebraço

S50 Traumatismo superficial do cotovelo e do antebraço

S51 Ferimento do antebraço

S52 Fratura do antebraço

S53 Luxação, entorse e distensão das articulações e dos ligamentos do cotovelo

S54 Traumatismo de nervos ao nível do antebraço

S55 Traumatismo de vasos sanguíneos ao nível do antebraço

S56 Traumatismo do músculo e tendão ao nível do antebraço

S57 Lesão por esmagamento do antebraço

S58 Amputação traumática do cotovelo e do antebraço

S59 Outros traumatismos do antebraço e os não especificados

S60-S69 Traumatismos do punho e da mão

S60 Traumatismo superficial do punho e da mão

S61 Ferimento do punho e da mão

S62 Fratura ao nível do punho e da mão

S63 Luxação, entorse e distensão das articulações e dos ligamentos ao nível do punho e da
mão

S64 Traumatismo de nervos ao nível do punho e da mão

S65 Traumatismo de vasos sanguíneos ao nível do punho e da mão

S66 Traumatismo de músculo e tendão ao nível do punho e da mão

S67 Lesão por esmagamento do punho e da mão


S68 Amputação traumática ao nível do punho e da mão

S69 Outros traumatismos e os não especificados do punho e da mão

S70-S79 Traumatismos do quadril e da coxa

S70 Traumatismo superficial do quadril e da coxa

S71 Ferimento do quadril e da coxa 147


S72 Fratura do fêmur

S73 Luxação, entorse e distensão da articulação e dos ligamentos do quadril

S74 Traumatismo de nervos ao nível do quadril e da coxa

S75 Traumatismo de vasos sanguíneos ao nível do quadril e da coxa

S76 Traumatismo de músculo e de tendão ao nível do quadril e da coxa

S77 Lesão por esmagamento do quadril e da coxa

S78 Amputação traumática do quadril e da coxa

S79 Outros traumatismos e os não especificados do quadril e da coxa

S80-S89 Traumatismos do joelho e da perna

S80 Traumatismo superficial da perna

S81 Ferimento da perna

S82 Fratura da perna, incluindo tornozelo

S83 Luxação, entorse e distensão das articulações e dos ligamentos do joelho

S84 Traumatismo de nervos periféricos da perna

S85 Traumatismo de vasos sanguíneos da perna

S86 Traumatismo de músculo e de tendão ao nível da perna

S87 Traumatismo por esmagamento da perna

S88 Amputação traumática da perna

S89 Outros traumatismos e os não especificados da perna

S90-S99 Traumatismo do tornozelo e do pé


S90 Traumatismo superficial do tornozelo e do pé

S91 Ferimentos do tornozelo e do pé

S92 Fratura do pé (exceto do tornozelo)

S93 Luxação, entorse e distensão das articulações e dos ligamentos ao nível do tornozelo e do

148
S94 Traumatismo dos nervos ao nível do tornozelo e do pé

S95 Traumatismo de vasos sanguíneos ao nível do tornozelo e do pé

S96 Traumatismo do músculo e tendão ao nível do tornozelo e do pé

S97 Lesão por esmagamento do tornozelo e do pé

S98 Amputação traumática do tornozelo e do pé

S99 Outros traumatismos e os não especificados do tornozelo e do pé

T00-T07 Traumatismos envolvendo múltiplas regiões do corpo

T00 Traumatismos superficiais envolvendo múltiplas regiões do corpo

T01 Ferimentos envolvendo múltiplas regiões do corpo

T02 Fraturas envolvendo múltiplas regiões do corpo

T03 Luxações, entorses e distensões envolvendo regiões múltiplas do corpo

T04 Traumatismos por esmagamento envolvendo múltiplas regiões do corpo

T05 Amputações traumáticas envolvendo múltiplas regiões do corpo

T06 Outros traumatismos envolvendo regiões múltiplas do corpo, não classificados em outra
parte

T07 Traumatismos múltiplos não especificados

T08-T14 Traumatismos de localização não especificada do tronco, membro ou outra região do


corpo

T08 Fratura da coluna, nível não especificado

T09 Outros traumatismos de coluna e tronco, nível não especificado

T10 Fratura do membro superior, nível não especificado

T11 Outros traumatismos de membro superior, nível não especificado


T12 Fratura do membro inferior, nível não especificado

T13 Outros traumatismos de membro inferior, nível não especificado

T14 Traumatismo de região não especificada do corpo

T15-T19 Efeito da penetração de corpo estranho através de orifício natural

T15 Corpo estranho na parte externa do olho 149


T16 Corpo estranho no ouvido

T17 Corpo estranho no trato respiratório

T18 Corpo estranho no aparelho digestivo

T19 Corpo estranho no trato geniturinário

T20-T32 Queimaduras e corrosões

T20-T25 Queimaduras e corrosões da superfície externa do corpo, especificadas por local

T20 Queimadura e corrosão da cabeça e pescoço

T21 Queimadura e corrosão do tronco

T22 Queimadura e corrosão do ombro e membro superior, exceto punho e mão

T23 Queimadura e corrosão do punho e da mão

T24 Queimadura e corrosão do quadril e membro inferior, exceto tornozelo e do pé

T25 Queimadura e corrosão do tornozelo e do pé

T26-T28 Queimaduras e corrosões limitadas ao olho e aos órgãos internos

T26 Queimadura e corrosão limitadas ao olho e seus anexos

T27 Queimadura e corrosão do trato respiratório

T28 Queimadura e corrosão de outros órgãos internos

T29-T32 Queimaduras e corrosões de múltiplas regiões e de regiões não especificadas do


corpo

T29 Queimaduras e corrosões de múltiplas regiões do corpo

T30 Queimadura e corrosão, parte não especificada do corpo

T31 Queimaduras classificadas segundo a extensão da superfície corporal atingida


T32 Corrosões classificadas segundo a extensão da superfície corporal atingida

T33-T35 Geladuras [frostbite]

T33 Geladura superficial

T34 Geladura com necrose de tecidos

T35 Geladura de múltiplas partes do corpo e das não especificadas 150


T36-T50 Intoxicação por drogas, medicamentos e substâncias biológicas

T36 Intoxicação por antibióticos sistêmicos

T37 Intoxicação por outras substâncias anti-infecciosas ou antiparasitárias sistêmicas

T38 Intoxicação por hormônios, seus substitutos sintéticos e seus antagonistas não
classificados em outra parte

T39 Intoxicação por analgésicos, antipiréticos e antirreumáticos não-opiáceos

T40 Intoxicação por narcóticos e psicodislépticos [alucinógenos]

T41 Intoxicação por anestésicos e gases terapêuticos

T42 Intoxicação por antiepilépticos, sedativos-hipnóticos e antiparkinsonianos

T43 Intoxicação por drogas psicotrópicas não classificadas em outra parte

T44 Intoxicação por drogas que afetam principalmente o sistema nervoso autônomo

T45 Intoxicação por substâncias de ação essencialmente sistêmica e substâncias


hematológicas, não classificadas em outra parte

T46 Intoxicação por substâncias que atuam primariamente sobre o aparelho circulatório

T47 Intoxicação por substâncias que atuam primariamente sobre o aparelho gastrointestinal

T48 Intoxicação por substâncias que atuam primariamente sobre os músculos lisos e
esqueléticos e sobre o aparelho respiratório

T49 Intoxicação por substâncias de uso tópico que atuam primariamente sobre a pele e as
mucosas e por medicamentos utilizados em oftalmologia, otorrinolaringologia e odontologia

T50 Intoxicação por diuréticos e outras drogas, medicamentos e substâncias biológicas e as não
especificadas

T51-T65 Efeitos tóxicos de substâncias de origem predominantemente não-medicinal


T51 Efeito tóxico do álcool

T52 Efeito tóxico de solventes orgânicos

T53 Efeito tóxico de derivados halogênicos de hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos

T54 Efeito tóxico de corrosivos

T55 Efeito tóxico de sabões e detergentes 151


T56 Efeito tóxico de metais

T57 Efeito tóxico de outras substâncias inorgânicas

T58 Efeito tóxico do monóxido de carbono

T59 Efeito tóxico de outros gases, fumaças e vapores

T60 Efeito tóxico de pesticidas

T61 Efeito tóxico de substâncias nocivas consumidas como fruto do mar

T62 Efeito tóxico de outras substâncias nocivas ingeridas como alimento

T63 Efeito tóxico de contato com animais venenosos

T64 Efeito tóxico da aflatoxina e de outras micotoxinas contaminantes de alimentos

T65 Efeito tóxico de outras substâncias e as não especificadas

T66-T78 Outros efeitos de causas externas e os não especificados

T66 Efeitos não especificados de radiação

T67 Efeitos do calor e da luz

T68 Hipotermia

T69 Outros efeitos da temperatura reduzida

T70 Efeitos da pressão atmosférica e da pressão da água

T71 Asfixia

T73 Efeitos de outras privações

T74 Síndromes de maus-tratos

T75 Efeitos de outras causas externas


T78 Efeitos adversos não classificados em outra parte

T79 Algumas complicações precoces de traumatismos

T79 Algumas complicações precoces dos traumatismos não classificadas em outra parte

T80-T88 Complicações de cuidados médicos e cirúrgicos, não classificados em outra parte

T80 Complicações consequentes à infusão, transfusão ou injeção terapêutica 152


T81 Complicações de procedimentos não classificadas em outra parte

T82 Complicações de dispositivos protéticos, implantes e enxertos cardíacos e vasculares

T83 Complicações de dispositivos protéticos, implantes e enxertos geniturinários internos

T84 Complicações de dispositivos protéticos, implantes e enxertos ortopédicos internos

T85 Complicações de outros dispositivos protéticos, implantes e enxertos internos

T86 Falha e rejeição de órgãos e tecidos transplantados

T87 Complicações próprias de reimplante e amputação

T88 Outras complicações de cuidados médicos e cirúrgicos não classificadas em outra parte

T90-T98 Sequelas de traumatismos, de intoxicações e de outras consequências das causas


externas

T90 Sequelas de traumatismo da cabeça

T91 Sequelas de traumatismos do pescoço e do tronco

T92 Sequelas de traumatismos do membro superior

T93 Sequelas de traumatismos do membro inferior

T94 Sequelas de traumatismos envolvendo múltiplas regiões do corpo e as não especificadas

T95 Sequelas de queimaduras, corrosões e geladuras

T96 Sequelas de intoxicação por drogas, medicamentos e substâncias biológicas

T97 Sequelas de efeitos tóxicos de substâncias de origem predominantemente não-medicinal

T98 Sequelas de outros efeitos de causas externas e dos não especificados


Capítulo XX Causas externas de morbidade e de mortalidade (V01-Y98)

V01-X59 Acidentes

V01-V99 Acidentes de transporte

V01-V09 Pedestre traumatizado em um acidente de transporte

V01 Pedestre traumatizado em colisão com um veículo a pedal 153


V02 Pedestre traumatizado em colisão com um veículo a motor de duas ou três rodas

V03 Pedestre traumatizado em colisão com um automóvel [carro], “pick up” ou caminhonete

V04 Pedestre traumatizado em colisão com um veículo de transporte pesado ou com um ônibus

V05 Pedestre traumatizado em colisão com trem [comboio] ou um veículo ferroviário

V06 Pedestre traumatizado em colisão com outro veículo não-motorizado

V09 Pedestre traumatizado em outros acidentes de transporte e em acidentes de transporte não


especificados

V10-V19 Ciclista traumatizado em um acidente de transporte

V10 Ciclista traumatizado em colisão com um pedestre ou um animal

V11 Ciclista traumatizado em colisão com outro veículo a pedal

V12 Ciclista traumatizado em colisão com um veículo a motor de duas ou três rodas

V13 Ciclista traumatizado em colisão com um automóvel, “pick up” ou caminhonete

V14 Ciclista traumatizado em colisão com um veículo de transporte pesado ou um ônibus

V15 Ciclista traumatizado em colisão com um trem ou um veículo ferroviário

V16 Ciclista traumatizado em colisão com outro veículo não-motorizado

V17 Ciclista traumatizado em colisão com um objeto fixo ou parado

V18 Ciclista traumatizado em um acidente de transporte sem colisão

V19 Ciclista traumatizado em outros acidentes de transporte e em acidentes de transporte não


especificados

V20-V29 Motociclista traumatizado em um acidente de transporte

V20 Motociclista traumatizado em colisão com um pedestre ou um animal


V21 Motociclista traumatizado em colisão com um veículo a pedal

V22 Motociclista traumatizado em colisão com um veículo a motor de duas ou três rodas

V23 Motociclista traumatizado em colisão com um automóvel [carro], “pick up” ou caminhonete

V24 Motociclista traumatizado em colisão com um veículo de transporte pesado ou um ônibus

V25 Motociclista traumatizado em colisão com um trem ou um veículo ferroviário 154


V26 Motociclista traumatizado em colisão com outro veículo não-motorizado

V27 Motociclista traumatizado em colisão com um objeto fixo ou parado

V28 Motociclista traumatizado em um acidente de transporte sem colisão

V29 Motociclista traumatizado em outros acidentes de transporte e em acidentes de transporte


não especificados

V30-V39 Ocupante de triciclo motorizado traumatizado em um acidente de transporte

V30 Ocupante de um triciclo motorizado traumatizado em colisão com um pedestre ou um


animal

V31 Ocupante de um triciclo motorizado traumatizado em colisão com um veículo a pedal

V32 Ocupante de um triciclo motorizado traumatizado em colisão com outro veículo a motor de
duas ou três rodas

V33 Ocupante de um triciclo motorizado traumatizado em colisão com um automóvel, “pick up”
ou caminhonete

V34 Ocupante de um triciclo motorizado traumatizado em colisão com um veículo de transporte


pesado ou um ônibus

V35 Ocupante de um triciclo motorizado traumatizado em colisão com um trem [comboio] ou um


veículo ferroviário

V36 Ocupante de um triciclo motorizado traumatizado em colisão com outro veículo não-
motorizado

V37 Ocupante de um triciclo motorizado traumatizado em colisão com um objeto fixo ou parado

V38 Ocupante de um triciclo motorizado traumatizado em um acidente de transporte sem


colisão

V39 Ocupante de um triciclo motorizado traumatizado em outros acidentes de transporte e em


acidentes de transporte não especificados
V40-V49 Ocupante de um automóvel traumatizado em um acidente de transporte

V40 Ocupante de um automóvel [carro] traumatizado em colisão com um pedestre ou um animal

V41 Ocupante de um automóvel [carro] traumatizado em colisão com um veículo a pedal

V42 Ocupante de um automóvel [carro] traumatizado em colisão com outro veículo a motor de
duas ou três rodas
155
V43 Ocupante de um automóvel [carro] traumatizado em colisão com um automóvel [carro],
“pick up” ou caminhonete

V44 Ocupante de um automóvel [carro] traumatizado em colisão com um veículo de transporte


pesado ou um ônibus

V45 Ocupante de um automóvel [carro] traumatizado em colisão com um trem [comboio] ou um


veículo ferroviário

V46 Ocupante de um automóvel [carro] traumatizado em colisão com outro veículo não-
motorizado

V47 Ocupante de um automóvel [carro] traumatizado em colisão com um objeto fixo ou parado

V48 Ocupante de um automóvel [carro] traumatizado em um acidente de transporte sem colisão

V49 Ocupante de um automóvel [carro] traumatizado em outros acidentes de transporte e em


acidentes de transporte não especificados

V50-V59 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em um acidente de transporte

V50 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em colisão com um pedestre ou um animal

V51 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em colisão com um veículo a pedal

V52 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em colisão com veículo a motor de duas ou
três rodas

V53 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em colisão com um automóvel [carro] ou uma
caminhoneta

V54 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em colisão com um veículo de transporte


pesado ou um ônibus

V55 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em colisão com um trem [comboio] ou veículo
ferroviário

V56 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em colisão com outro veículo não-motorizado
V57 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em colisão com um objeto fixo ou parado

V58 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em um acidente de transporte sem colisão

V59 Ocupante de uma caminhonete traumatizado em outros acidentes de transporte e em


acidentes de transporte não especificados

V60-V69 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em um acidente de


transporte 156

V60 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em colisão com um pedestre


ou um animal

V61 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em colisão com um veículo a


pedal

V62 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em colisão com um veículo a


motor de duas ou três rodas

V63 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em colisão com um automóvel


[carro] ou uma caminhonete

V64 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em colisão com outro veículo
de transporte pesado ou um ônibus

V65 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em colisão com um trem


[comboio] ou um veículo ferroviário

V66 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em colisão com outro veículo
não-motorizado

V67 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em colisão com um objeto fixo
ou parado

V68 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em um acidente de transporte


sem colisão

V69 Ocupante de um veículo de transporte pesado traumatizado em outros acidentes de


transporte não especificados

V70-V79 Ocupante de um ônibus traumatizado em um acidente de transporte

V70 Ocupante de um ônibus traumatizado em colisão com um pedestre ou um animal

V71 Ocupante de um ônibus traumatizado em colisão com um veículo a pedal


V72 Ocupante de um ônibus traumatizado em colisão com outro veículo a motor de duas ou três
rodas

V73 Ocupante de um ônibus traumatizado em colisão com um automóvel [carro] ou uma


caminhonete

V74 Ocupante de um ônibus traumatizado em colisão com um veículo de transporte pesado ou


um ônibus
157
V75 Ocupante de um ônibus traumatizado em colisão com um trem [comboio] ou um veículo
ferroviário

V76 Ocupante de um ônibus traumatizado em colisão com outro veículo não-motorizado

V77 Ocupante de um ônibus traumatizado em colisão com um objeto fixo ou parado

V78 Ocupante de um ônibus traumatizado em um acidente de transporte sem colisão

V79 Ocupante de um ônibus traumatizado em outros acidentes de transporte e em acidentes de


transporte não especificados

V80-V89 Outros acidentes de transporte terrestre

V80 Pessoa montada em animal ou ocupante de um veículo a tração animal traumatizado em


um acidente de transporte

V81 Ocupante de um trem [comboio] ou um veículo ferroviário traumatizado em um acidente de


transporte

V82 Ocupante de um bonde [carro elétrico] traumatizado em um acidente de transporte

V83 Ocupante de um veículo especial a motor usado principalmente em áreas industriais


traumatizado em um acidente de transporte

V84 Ocupante de um veículo especial a motor de uso essencialmente agrícola traumatizado em


um acidente de transporte

V85 Ocupante de um veículo a motor especial de construções traumatizado em um acidente de


transporte

V86 Ocupante de um veículo especial para qualquer terreno ou de outro veículo a motor
projetado essencialmente para uso não em via pública, traumatizado em um acidente de
transporte

V87 Acidente de trânsito de tipo especificado, mas sendo desconhecido o modo de transporte
da vítima
V88 Acidente não de trânsito de tipo especificado, mas sendo desconhecido o modo de
transporte da vítima

V89 Acidente com um veículo a motor ou não-motorizado, tipo(s) de veículo(s) não


especificado(s)

V90-V94 Acidentes de transporte por água

V90 Acidente com embarcação causando afogamento e submersão 158

V91 Acidente com embarcação causando outro tipo de traumatismo

V92 Afogamento e submersão relacionados com transporte por água sem acidente com a
embarcação

V93 Acidente a bordo de uma embarcação, sem acidente da embarcação e não causando
afogamento ou submersão

V94 Outros acidentes de transporte por água e os não especificados

V95-V97 Acidentes de transporte aéreo e espacial

V95 Acidente de aeronave a motor causando traumatismo ao ocupante

V96 Acidente de uma aeronave sem motor causando traumatismo a ocupante

V97 Outros acidentes especificados de transporte aéreo

V98-V99 Outros acidentes de transporte e os não especificados

V98 Outros acidentes de transporte especificados

V99 Acidente de transporte não especificado

W00-X59 Outras causas externas de traumatismos acidentais

W00-W19 Quedas

W00 Queda no mesmo nível envolvendo gelo e neve

W01 Queda no mesmo nível por escorregão, tropeção ou passos em falsos [traspés]

W02 Queda envolvendo patins de rodas ou para gelo, esqui ou pranchas de rodas

W03 Outras quedas no mesmo nível por colisão com ou empurrão por outra pessoa

W04 Queda, enquanto estava sendo carregado ou apoiado por outra(s) pessoa(s)

W05 Queda envolvendo uma cadeira de rodas


W06 Queda de um leito

W07 Queda de uma cadeira

W08 Queda de outro tipo de mobília

W09 Queda envolvendo equipamento de “playground”

W10 Queda em ou de escadas ou degraus 159


W11 Queda em ou de escadas de mão

W12 Queda em ou de um andaime

W13 Queda de ou para fora de edifícios ou outras estruturas

W14 Queda de árvore

W15 Queda de penhasco

W16 Mergulho ou pulo na água causando outro traumatismo que não afogamento ou
submersão

W17 Outras quedas de um nível a outro

W18 Outras quedas no mesmo nível

W19 Queda sem especificação

W20-W49 Exposição a forças mecânicas inanimadas

W20 Impacto causado por objeto lançado, projetado ou em queda

W21 Impacto acidental ativo ou passivo causado por equipamento esportivo

W22 Impacto acidental ativo ou passivo causado por outros objetos

W23 Apertado, colhido, comprimido ou esmagado dentro de ou entre objetos

W24 Contato com elevadores e instrumentos de transmissão, não classificados em outra parte

W25 Contato com vidro cortante

W26 Contato com faca, espada e punhal

W27 Contato com ferramentas manuais sem motor

W28 Contato com segadeira motorizada para cortar ou aparar a grama

W29 Contato com outros utensílios manuais e aparelhos domésticos equipados com motor
W30 Contato com maquinaria agrícola

W31 Contato com outras máquinas e com as não especificadas

W32 Projétil de revólver

W33 Rifle, espingarda e armas de fogo de maior tamanho

W34 Projéteis de outras armas de fogo e das não especificadas 160


W35 Explosão ou ruptura de caldeira

W36 Explosão ou ruptura de cilindro de gás

W37 Explosão ou ruptura de pneumático, tubulação ou mangueira, pressurizados

W38 Explosão ou ruptura de outros aparelhos pressurizados especificados

W39 Queima de fogos de artifício

W40 Explosão de outros materiais

W41 Exposição a um jato de alta pressão

W42 Exposição ao ruído

W43 Exposição à vibração

W44 Penetração de corpo estranho no ou através de olho ou orifício natural

W45 Penetração de corpo ou objeto estranho através da pele

W49 Exposição a outras forças mecânicas inanimadas e às não especificadas

W50-W64 Exposição a forças mecânicas animadas

W50 Golpe, pancada, pontapé, mordedura ou escoriação infligidos por outra pessoa

W51 Colisão entre duas pessoas

W52 Esmagado, empurrado ou pisoteado por multidão ou debandada em massa de pessoas

W53 Mordedura de rato

W54 Mordedura ou golpe provocado por cão

W55 Mordedura ou golpe provocado por outros animais mamíferos

W56 Contato com animais marinhos


W57 Mordeduras e picadas de inseto e de outros artrópodes, não-venenosos

W58 Mordedura ou golpe provocado por crocodilo ou aligátor

W59 Mordedura ou esmagamento provocado por outros répteis

W60 Contato com espinhos de plantas ou com folhas aguçadas

W64 Exposição a outras forças mecânicas animadas e às não especificadas 161


W65-W74 Afogamento e submersão acidentais

W65 Afogamento e submersão durante banho em banheira

W66 Afogamento e submersão consecutiva a queda dentro de uma banheira

W67 Afogamento e submersão em piscina

W68 Afogamento e submersão consequente a queda dentro de uma piscina

W69 Afogamento e submersão em águas naturais

W70 Afogamento e submersão consequentes a queda dentro de águas naturais

W73 Outros afogamentos e submersão especificados

W74 Afogamento e submersão não especificados

W75-W84 Outros riscos acidentais à respiração

W75 Sufocação e estrangulamento acidental na cama

W76 Outro enforcamento e estrangulamento acidental

W77 Risco a respiração devido a desmoronamento, queda de terra e de outras substâncias

W78 Inalação do conteúdo gástrico

W79 Inalação e ingestão de alimentos causando obstrução do trato respiratório

W80 Inalação e ingestão de outros objetos causando obstrução do trato respiratório

W81 Confinado ou aprisionado em um ambiente pobre em oxigênio

W83 Outros riscos especificados à respiração

W84 Riscos não especificados à respiração

W85-W99 Exposição à corrente elétrica, à radiação e às temperaturas e pressões extremas do


ambiente
W85 Exposição a linhas de transmissão de corrente elétrica

W86 Exposição à outra corrente elétrica especificada

W87 Exposição à corrente elétrica não especificada

W88 Exposição à radiação ionizante

W89 Exposição a fontes luminosas artificiais visíveis ou à luz ultravioleta 162


W90 Exposição a outros tipos de radiação não-ionizante

W91 Exposição a tipo não especificado de radiação

W92 Exposição a um calor excessivo de origem artificial

W93 Exposição a um frio excessivo de origem artificial

W94 Exposição a alta, baixa e a variações da pressão atmosférica

W99 Exposição a outros fatores ambientais artificiais e aos não especificados

X00-X09 Exposição à fumaça, ao fogo e às chamas

X00 Exposição a fogo não-controlado em um edifício ou outro tipo de construção

X01 Exposição a fogo não-controlado fora de um edifício ou de outro tipo de construção

X02 Exposição a fogo controlado em um edifício ou outro tipo de construção

X03 Exposição a fogo controlado fora de um edifício ou de outro tipo de construção

X04 Exposição à combustão de substância muito inflamável

X05 Exposição à combustão de roupa de dormir

X06 Exposição à combustão de outro tipo de roupa ou de acessórios

X08 Exposição a outro tipo especificado de fumaça, fogo ou chamas

X09 Exposição a tipo não especificado de fumaça, fogo ou chamas

X10-X19 Contato com uma fonte de calor ou com substâncias quentes

X10 Contato com bebidas, alimentos, gordura e óleo de cozinha quentes

X11 Contato com água corrente quente de torneira

X12 Contato com outros líquidos quentes


X13 Contato com vapor d'água e com vapores quentes

X14 Contato com ar e gases quentes

X15 Contato com aparelhos domésticos quentes

X16 Contato com aquecedores, radiadores e tubulação

X17 Contato com motores, máquinas e ferramentas quentes 163


X18 Contato com outros metais quentes

X19 Contato com outras fontes de calor ou com substâncias quentes não especificados

X20-X29 Contato com animais e plantas venenosos

X20 Contato com serpentes e lagartos venenosos

X21 Contato com aranhas venenosas

X22 Contato com escorpiões

X23 Contato com abelhas, vespas e vespões

X24 Contato com centopeias e miriápodes venenosas (tropicais)

X25 Contato com outros artrópodes venenosos especificados

X26 Contato com animais e plantas marinhos venenosos

X27 Contato com outros animais venenosos especificados

X28 Contato com outras plantas venenosas especificadas

X29 Contato com animais ou plantas venenosos, sem especificação

X30-X39 Exposição às forças da natureza

X30 Exposição a calor natural excessivo

X31 Exposição a frio natural excessivo

X32 Exposição à luz solar

X33 Vítima de raio

X34 Vítima de terremoto

X35 Vítima de erupção vulcânica


X36 Vítima de avalanche, desabamento de terra e outros movimentos da superfície terrestre

X37 Vítima de tempestade cataclísmica

X38 Vítima de inundação

X39 Exposição a outras forças da natureza e às não especificadas

X40-X49 Envenenamento [intoxicação] acidental por e exposição a substâncias nocivas 164


X40 Envenenamento [intoxicação] acidental por e exposição a analgésicos, antipiréticos e
antirreumáticos, não-opiáceos

X41 Envenenamento [intoxicação] acidental por e exposição a anticonvulsivantes


[antiepilépticos], sedativos, hipnóticos, antiparkinsonianos e psicotrópicos não classificados em
outra parte

X42 Envenenamento [intoxicação] acidental por e exposição a narcóticos e psicodislépticos


[alucinógenos] não classificados em outra parte

X43 Envenenamento [intoxicação] acidental por e exposição a outras substâncias


farmacológicas de ação sobre o sistema nervoso autônomo

X44 Envenenamento [intoxicação] acidental por e exposição a outras drogas, medicamentos e


substâncias biológicas não especificadas

X45 Envenenamento [intoxicação] acidental por e exposição ao álcool

X46 Envenenamento [intoxicação] acidental por e exposição a solventes orgânicos e


hidrocarbonetos halogenados e seus vapores

X47 Intoxicação acidental por e exposição a outros gases e vapores

X48 Envenenamento [intoxicação] acidental por e exposição a pesticidas

X49 Envenenamento [intoxicação] acidental por e exposição a outras substâncias químicas


nocivas e às não especificadas

X50-X57 Excesso de esforços, viagens e privações

X50 Excesso de exercícios e movimentos vigorosos ou repetitivos

X51 Viagem e movimento

X52 Estadia prolongada em ambiente gravitacional

X53 Falta de alimento

X54 Falta de água


X57 Privação não especificada

X58-X59 Exposição acidental a outros fatores e aos não especificados

X58 Exposição a outros fatores especificados

X59 Exposição a fatores não especificados

X60-X84 Lesões autoprovocadas intencionalmente 165


X60 Autointoxicação por e exposição, intencional, a analgésicos, antipiréticos e antirreumáticos,
não-opiáceos

X61 Autointoxicação por e exposição, intencional, a drogas anticonvulsivantes [antiepilépticos]


sedativos, hipnóticos, antiparkinsonianos e psicotrópicos não classificados em outra parte

X62 Autointoxicação por e exposição, intencional, a narcóticos e psicodislépticos [alucinógenos]


não classificados em outra parte

X63 Autointoxicação por e exposição, intencional, a outras substâncias farmacológicas de ação


sobre o sistema nervoso autônomo

X64 Autointoxicação por e exposição, intencional, a outras drogas, medicamentos e substâncias


biológicas e às não especificadas

X65 Autointoxicação voluntária por álcool

X66 Autointoxicação intencional por solventes orgânicos, hidrocarbonetos halogenados e seus


vapores

X67 Autointoxicação intencional por outros gases e vapores

X68 Autointoxicação por e exposição, intencional, a pesticidas

X69 Autointoxicação por e exposição, intencional, a outros produtos químicos e substâncias


nocivas não especificadas

X70 Lesão autoprovocada intencionalmente por enforcamento, estrangulamento e sufocação

X71 Lesão autoprovocada intencionalmente por afogamento e submersão

X72 Lesão autoprovocada intencionalmente por disparo de arma de fogo de mão

X73 Lesão autoprovocada intencionalmente por disparo de espingarda, carabina, ou arma de


fogo de maior calibre

X74 Lesão autoprovocada intencionalmente por disparo de outra arma de fogo e de arma de
fogo não especificada
X75 Lesão autoprovocada intencionalmente por dispositivos explosivos

X76 Lesão autoprovocada intencionalmente pela fumaça, pelo fogo e por chamas

X77 Lesão autoprovocada intencionalmente por vapor de água, gases ou objetos quentes

X78 Lesão autoprovocada intencionalmente por objeto cortante ou penetrante

X79 Lesão autoprovocada intencionalmente por objeto contundente 166


X80 Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação de um lugar elevado

X81 Lesão autoprovocada intencionalmente por precipitação ou permanência diante de um


objeto em movimento

X82 Lesão autoprovocada intencionalmente por impacto de um veículo a motor

X83 Lesão autoprovocada intencionalmente por outros meios especificados

X84 Lesão autoprovocada intencionalmente por meios não especificados

X85-Y09 Agressões

X85 Agressão por meio de drogas, medicamentos e substâncias biológicas

X86 Agressão por meio de substâncias corrosivas

X87 Agressão por pesticidas

X88 Agressão por meio de gases e vapores

X89 Agressão por meio de outros produtos químicos e substâncias nocivas especificados

X90 Agressão por meio de produtos químicos e substâncias nocivas não especificados

X91 Agressão por meio de enforcamento, estrangulamento e sufocação

X92 Agressão por meio de afogamento e submersão

X93 Agressão por meio de disparo de arma de fogo de mão

X94 Agressão por meio de disparo de espingarda, carabina ou arma de fogo de maior calibre

X95 Agressão por meio de disparo de outra arma de fogo ou de arma não especificada

X96 Agressão por meio de material explosivo

X97 Agressão por meio de fumaça, fogo e chamas

X98 Agressão por meio de vapor de água, gases ou objetos quentes


X99 Agressão por meio de objeto cortante ou penetrante

Y00 Agressão por meio de um objeto contundente

Y01 Agressão por meio de projeção de um lugar elevado

Y02 Agressão por meio de projeção ou colocação da vítima diante de um objeto em movimento

Y03 Agressão por meio de impacto de um veículo a motor 167


Y04 Agressão por meio de força corporal

Y05 Agressão sexual por meio de força física

Y06 Negligência e abandono

Y07 Outras síndromes de maus-tratos

Y08 Agressão por outros meios especificados

Y09 Agressão por meios não especificados

Y10-Y34 Eventos (fatos) cuja intenção é indeterminada

Y10 Envenenamento [intoxicação] por e exposição a analgésicos, antipiréticos e antirreumáticos


não-opiáceos, intenção não determinada

Y11 Envenenamento [intoxicação] por e exposição a anticonvulsivantes [antiepilépticos],


sedativos, hipnóticos, antiparkinsonianos e psicotrópicos não classificados em outra parte,
intenção não determinada

Y12 Envenenamento [intoxicação] por e exposição a narcóticos e a psicodislépticos


[alucinógenos] não classificados em outra parte, intenção não determinada

Y13 Envenenamento [intoxicação] por e exposição a outras substâncias farmacológicas de ação


sobre o sistema nervoso autônomo, intenção não determinada

Y14 Envenenamento [intoxicação] por e exposição a outras drogas, medicamentos e substâncias


biológicas e as não especificadas, intenção não determinada

Y15 Envenenamento [intoxicação] por e exposição ao álcool, intenção não determinada

Y16 Envenenamento [intoxicação] por e exposição a solventes orgânicos e hidrocarbonetos


halogenados e seus vapores, intenção não determinada

Y17 Envenenamento [intoxicação] por e exposição a outros gases e vapores, intenção não
determinada

Y18 Envenenamento [intoxicação] por e exposição a pesticidas, intenção não determinada


Y19 Envenenamento [intoxicação] por e exposição a outros produtos químicos e substâncias
nocivas e aos não especificados, intenção não determinada

Y20 Enforcamento, estrangulamento e sufocação, intenção não determinada

Y21 Afogamento e submersão, intenção não determinada

Y22 Disparo de pistola, intenção não determinada


168
Y23 Disparo de fuzil, carabina e arma de fogo de maior calibre, intenção não determinada

Y24 Disparo de outra arma de fogo e de arma de fogo não especificada, intenção não
determinada

Y25 Contato com material explosivo, intenção não determinada

Y26 Exposição a fumaça, fogo e chamas, intenção não determinada

Y27 Exposição a vapor de água, gases ou objetos quentes, intenção não determinada

Y28 Contato com objeto cortante ou penetrante, intenção não determinada

Y29 Contato com objeto contundente, intenção não determinada

Y30 Queda, salto ou empurrado de um lugar elevado, intenção não determinada

Y31 Queda, permanência ou corrida diante de um objeto em movimento, intenção não


determinada

Y32 Impacto de um veículo a motor, intenção não determinada

Y33 Outros fatos ou eventos especificados, intenção não determinada

Y34 Fatos ou eventos não especificados e intenção não determinada

Y35-Y36 Intervenções legais e operações de guerra

Y35 Intervenção legal

Y36 Operações de guerra

Y40-Y84 Complicações de assistência médica e cirúrgica

Y40-Y59 Efeitos adversos de drogas, medicamentos e substâncias biológicas usadas com


finalidade terapêutica

Y40 Efeitos adversos de antibióticos sistêmicos

Y41 Efeitos adversos de outros anti-infecciosos e antiparasitários sistêmicos


Y42 Efeitos adversos de hormônios e seus substitutos sintéticos e antagonistas, não
classificados em outra parte

Y43 Efeitos adversos de substâncias de ação primariamente sistêmica

Y44 Efeitos adversos de substâncias farmacológicas que atuam primariamente sobre os


constituintes do sangue

Y45 Efeitos adversos de substâncias analgésicas, antipiréticas e anti-inflamatórias 169

Y46 Efeitos adversos de drogas anticonvulsivantes (antiepilépticas) e antiparkinsonianas

Y47 Efeitos adversos de sedativos, hipnóticos e tranquilizantes [ansiolíticos]

Y48 Efeitos adversos de anestésicos e gases terapêuticos

Y49 Efeitos adversos de substâncias psicotrópicas, não classificadas em outra parte

Y50 Efeitos adversos de estimulantes do sistema nervoso central, não classificados em outra
parte

Y51 Efeitos adversos de drogas que atuam primariamente sobre o sistema nervoso autônomo

Y52 Efeitos adversos de substâncias que atuam primariamente sobre o aparelho cardiovascular

Y53 Efeitos adversos de substâncias que atuam primariamente sobre o aparelho gastrointestinal

Y54 Efeitos adversos de substâncias que atuam primariamente sobre o metabolismo da água,
dos sais minerais e do ácido úrico

Y55 Efeitos adversos de substâncias que atuam primariamente sobre os músculos lisos e
esqueléticos e sobre o aparelho respiratório

Y56 Efeitos adversos de substâncias de uso tópico que atuam primariamente sobre a pele e as
membranas mucosas e drogas de uso oftalmológico, otorrinolaringológico e dentário

Y57 Efeitos adversos de outras drogas e medicamentos e as não especificadas

Y58 Efeitos adversos de vacinas bacterianas

Y59 Outras vacinas e substâncias biológicas e as não especificadas

Y60-Y69 Acidentes ocorridos em pacientes durante a prestação de cuidados médicos e


cirúrgicos

Y60 Corte, punção, perfuração ou hemorragia acidentais durante a prestação de cuidados


médicos ou cirúrgicos
Y61 Objeto estranho deixado acidentalmente no corpo durante a prestação de cuidados
cirúrgicos e médicos

Y62 Assepsia insuficiente durante a prestação de cuidados cirúrgicos e médicos

Y63 Erros de dosagem durante a prestação de cuidados médicos e cirúrgicos

Y64 Medicamentos ou substâncias biológicas contaminados


170
Y65 Outros acidentes durante a prestação de cuidados médicos e cirúrgicos

Y66 Não administração de cuidado médico e cirúrgico

Y69 Acidente não especificado durante a prestação de cuidado médico e cirúrgico

Y70-Y82 Incidentes adversos durante atos diagnósticos ou terapêuticos associados ao uso de


dispositivos (aparelhos) médicos

Y70 Dispositivos (aparelhos) de anestesiologia, associados a incidentes adversos

Y71 Dispositivos (aparelhos) cardiovasculares, associados a incidentes adversos

Y72 Dispositivos (aparelhos) utilizados em otorrinolaringologia, associados a incidentes


adversos

Y73 Dispositivos (aparelhos) usados em gastroenterologia e em urologia, associados a


incidentes adversos

Y74 Dispositivos (aparelhos) gerais de uso hospitalar ou pessoal, associados a incidentes


adversos

Y75 Dispositivos (aparelhos) utilizados em neurologia, associados a incidentes adversos

Y76 Dispositivos (aparelhos) utilizados em obstetrícia e em ginecologia, associados a incidentes


adversos

Y77 Dispositivos (aparelhos) utilizados em oftalmologia, associados a incidentes adversos

Y78 Dispositivos (aparelhos) utilizados em radiologia, associados a incidentes adversos

Y79 Dispositivos (aparelhos) ortopédicos, associado a incidentes adversos

Y80 Dispositivos (aparelhos) utilizados em medicina física (fisiatria), associado a incidentes


adversos

Y81 Dispositivos (aparelhos) utilizados em cirurgia geral ou cirurgia plástica, associados a


incidentes adversos

Y82 Outros dispositivos (aparelhos) associados a incidentes adversos e os não especificados


Y83-Y84 Reação anormal em paciente ou complicação tardia causadas por procedimentos
cirúrgicos e outros procedimentos médicos sem menção de acidente ao tempo do procedimento

Y83 Reação anormal em paciente ou complicação tardia, causadas por intervenção cirúrgica e
por outros atos cirúrgicos, sem menção de acidente durante a intervenção

Y84 Reação anormal em paciente ou complicação tardia, causadas por outros procedimentos
médicos, sem menção de acidente durante o procedimento
171
Y85-Y89 Sequelas de causas externas de morbidade e de mortalidade

Y85 Sequelas de acidentes de transporte

Y86 Sequelas de outros acidentes

Y87 Sequelas de uma lesão autoprovocada intencionalmente, de agressão ou de um fato cuja


intenção é indeterminada

Y88 Sequelas de cuidado médico ou cirúrgico considerados como uma causa externa

Y89 Sequelas de outras causas externas

Y90-Y98 Fatores suplementares relacionados com as causas de morbidade e de mortalidade


classificados em outra parte

Y90 Evidência de alcoolismo determinada por taxas de alcoolemia

Y91 Evidência de alcoolismo determinada pelo nível da intoxicação

Y95 Circunstância relativa às condições nosocomiais (hospitalares)

Y96 Circunstância relativa às condições de trabalho

Y97 Circunstâncias relativas a condições de poluição ambiental

Y98 Circunstâncias relativas a condições do modo de vida


25 AVALIAÇÃO DO DANO CORPORAL

NATUREZA PENAL

172
A avaliação quali e quantitativa do dano corporal, de natureza penal, caracteriza no
dolo ou na culpa um ato ilícito contra a integridade física ou a saúde da pessoa, como proteção
da ordem pública e social (França, 2001). O artigo 129 do Código Penal Brasileiro de 1940
compreende os crimes contra a pessoa:

Código Penal - CP – Decreto-Lei 2.848/1940


Parte Especial
Título I
Dos Crimes Contra a Pessoa
Capítulo II
Das Lesões Corporais
Lesão Corporal
Art. 129 - Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.
Lesão Corporal de Natureza Grave
§ 1º - Se resulta:
I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de 30 (trinta) dias;
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente;
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos.
§ 2º - Se resulta:
I - incapacidade permanente para o trabalho;
II - enfermidade incurável;
III - perda ou inutilização de membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente;
V - aborto.
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos.
Lesão Corporal Seguida de Morte
§ 3º - Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o
resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. 173
Diminuição de Pena
§ 4º - Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social
ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.
Substituição da Pena
§ 5º - O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de
detenção pela de multa:
I - se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior;
II - se as lesões são recíprocas.
Lesão Corporal Culposa
§ 6º - Se a lesão é culposa:
Pena - detenção, de 2 (dois) meses a 1 (um) ano.
Aumento de Pena
§ 7º - Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer qualquer das hipóteses do Art.
121, § 4º. (Alterado pela Lei 8.069/1990)
§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do Art. 121. (Acrescentado
pela Lei 8.069/1990)
Violência Doméstica
§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou
companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda,
prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade: (Acrescentado pela Lei 10.886/2004) (Alterado pela Lei
11.340/2006)
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos.
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1º a 3º deste artigo, se as circunstâncias são
as indicadas no § 9º deste artigo, aumenta-se a pena em 1/3 (um terço).
(Acrescentado pela Lei 10.886/2004)
§ 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o
crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. (Acrescentado pela
Lei 11.340/2006) 174

Assim, podemos definir e citar resumidamente alguns exemplos de lesões, segundo


França (2001):

Lesões leves:
Pequenos danos superficiais, comprometendo a pele, o subcutâneo e pequenos
vasos sanguíneos, sendo de pouca repercussão orgânica e de recuperação
rápida.
Não estão presentes como ação punitiva no Código Penal, pois não apresentam
dano estrutural ou funcional capaz de alterar as condições orgânicas da vítima.

Lesões graves:
Incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias:
o Não se refere somente à profissão, mas a qualquer atividade, tais como
domésticas, estudantis, lazer, etc; garantindo que o recém-nascido, o
estudante, o idoso aposentado também sejam incluídos.
Perigo de vida:
o A agressão à integridade física ou à saúde, que resulte em um
agravamento das condições orgânicas da vitima, podendo levá-la a
óbito.
o Exemplos:
 Um homem que é jogado do alto de um edifício e fica ileso, sem
explicações lógicas, teve grande risco de vir a óbito.
 Ferimento no pescoço com lesão da carótida e hemorragia
aguda.
Debilidade permanente de membro, sentido ou função:
o Perda de função fisiológica
 Exemplos: função mastigatória, estética e fonética da perda de
dentes; perda da função de membros (dedos, braços, pernas,
etc), olhos, ouvido, etc.
o Existem cálculos que podem ser realizados para a mensuração da perda
de função, sendo que se ela não atingir 3% é considerada lesão leve e 175
acima de 70%, gravíssima.

Lesões gravíssimas
Incapacidade permanente para o trabalho:
o Qualquer atividade lucrativa fica impossibilitada.
o Não se refere a atividades específicas, como a perda de uma mão por
um cirurgião, a amputação da perna por um jogador; e sim de
qualquer tipo de atividade lucrativa. A vítima é privada da possibilidade
física ou psíquica de realizar qualquer tipo de atividade lucrativa.
Enfermidade incurável:
o Exemplos: hemiplegia, transmissão de vírus HIV e cegueira por
traumatismo.
Perda ou inutilização de membro, sentido ou função:
o Quando a perda da função, sentido ou membro exceder 70%.
Deformidade permanente:
o Deformidade é toda alteração estética grave capaz de reduzir a estética
individual.
o Características agravantes da deformidade: localização, extensão, cor,
profundidade, mutilação, retração e afundamento.
o Elementos essenciais: a face, a qualidade e a quantidade da
deformação e sua permanência (Figura 38).
Aborto: lesão corporal seguida de aborto, qualquer que seja a idade do feto.
176

Figura 38: Lesões faciais, seguida da evolução para cicatrizes ocasionadas pelo derramamento
criminal de ácido sulfúrico no rosto.

Os quesitos oficiais para o exame de corpo de delito para lesão corporal são (França,
2001; Croce e Croce Júnior, 2007 e Hercules 2008):
1. Se há ofensa à integridade corporal ou à saúde do paciente
2. Qual o instrumento ou meio que produziu a ofensa
3. Se foi produzida por meio de veneno, fogo, explosivo, asfixia ou tortura, ou por
outro meio insidioso e cruel (resposta especificada)
4. Se resultou incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias
5. Se resultou perigo de vida
6. Se resultou debilidade permanente ou perda ou inutilização de membro, sentido
ou função (resposta especificada)
7. Se resultou incapacidade para o trabalho ou enfermidade incurável, ou
deformidade permanente (resposta especificada); nos casos indicados será
formulado mais o seguinte quesito:
8. Se resultou aceleração de parto ou aborto

Lesões corporais culposas

Ocorre por negligência, imprudência e imperícia:


177

A negligência é a “inobservância e descuido na execução de


ato” (Houaiss, 2001) ou a “falta de atenção, de cuidado ou precaução na
execução de certos atos (Farah e Ferraro, 2000) ou “é caracterizada
pela omissão do agente no desenvolvimento de determinado ato”
(Oliveira, 2000).

A imprudência é a “inobservância das precauções necessárias


[É uma das causas de imputação de culpa previstas na lei] (Houaiss,
2001) ou a atuação intempestiva do agente, sem a preocupação de
prever o resultado” (Farah e Ferraro, 2000) ou “a falta de diligência, falta
de cuidado necessário para a prática de determinado ato” (Oliveira,
2000).

A imperícia é a “falta de habilidade ou experiência reputada


necessária para a realização de certas atividades e cuja ausência, por
parte do agente, o faz responsável pelos danos ou ilícitos penais
advenientes” (Houaiss, 2001) ou “consiste na inexperiência, na
inabilitação, na falta de qualificação técnica da pessoa para atuar”
(Farah e Ferraro, 2000) ou “falta de aptidão ou habilidade para fazer
alguma coisa da qual o agente, em razão de sua profissão ou atividade,
não poderia falhar na sua execução” (Oliveira, 2000).
26 DANO CORPORAL DE NATUREZA CÍVEL

Segundo França (2001), “na avaliação de natureza cível o que se procura reparar são
os bens pessoais, patrimoniais e extrapatrimoniais através de um montante indenizatório,
levando em conta a quantificação das perdas econômicas e não econômicas decorrentes de um 178
prejuízo à integridade física, funcional ou psíquica sofrida pela vítima”. Consiste na reparação de:
Dano emergente: gastos com tratamentos, próteses e recuperação.
Lucro cessante transitório: valor que se deixa de fazer e receber
temporariamente.
Lucro cessante permanente: valor da incapacidade permanente total ou parcial.
Dano extrapatrimonial ou dano existencial ou prejuízos particulares: danos
morais, psíquicos, estéticos e dolorosos, perda de chance e prejuízos futuros e
de afirmação pessoal.

Segundo o Código Civil:

Código Civil - CC – Lei 10.406/2002


Parte Especial
Livro I
Do Direito das Obrigações
Título IX
Da Responsabilidade Civil
Capítulo I
Da Obrigação de Indenizar
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de
culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os
direitos de outrem.
Art. 928. O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele
responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios
suficientes.
Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que deverá ser equitativa,
não terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele
dependem. 179
Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art.
188, não for culpado do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo
que sofrer.
Art. 930. No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa de
terceiro, contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a
importância que tiver ressarcido ao lesado.
Parágrafo único. A mesma ação competirá contra aquele em defesa de quem
se causou o dano (art. 188, inciso I).
Art. 931. Ressalvados outros casos previstos em lei especial, os empresários
individuais e as empresas respondem independentemente de culpa pelos danos
causados pelos produtos postos em circulação.
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua
companhia;
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas
condições;
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no
exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se
albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes,
moradores e educandos;
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a
concorrente quantia.
Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda
que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos
terceiros ali referidos.
Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que
houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for
descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz.
Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo
questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor,
quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. 180
Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se
não provar culpa da vítima ou força maior.
Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem
de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse
manifesta.
Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano
proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido.
Art. 939. O credor que demandar o devedor antes de vencida a dívida, fora dos
casos em que a lei o permita, ficará obrigado a esperar o tempo que faltava para
o vencimento, a descontar os juros correspondentes, embora estipulados, e a
pagar as custas em dobro.
Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga, no todo ou em parte, sem
ressalvar as quantias recebidas ou pedir mais do que for devido, ficará obrigado
a pagar ao devedor, no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no
segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver prescrição.
Art. 941. As penas previstas nos arts. 939 e 940 não se aplicarão quando o
autor desistir da ação antes de contestada a lide, salvo ao réu o direito de haver
indenização por algum prejuízo que prove ter sofrido.
Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem
ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um
autor, todos responderão solidariamente pela reparação.
Parágrafo único. São solidariamente responsáveis com os autores os
coautores e as pessoas designadas no art. 932.
Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmite-se
com a herança.
Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.
Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa
e o dano, poderá o juiz reduzir, equitativamente, a indenização.
Art. 945. Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua
indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em
confronto com a do autor do dano.
Art. 946. Se a obrigação for indeterminada, e não houver na lei ou no contrato 181
disposição fixando a indenização devida pelo inadimplente, apurar-se-á o valor
das perdas e danos na forma que a lei processual determinar.
Art. 947. Se o devedor não puder cumprir a prestação na espécie ajustada,
substituir-se-á pelo seu valor, em moeda corrente.
Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem excluir outras
reparações:
I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima, seu funeral e o luto
da família;
II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia, levando-se
em conta a duração provável da vida da vítima.
Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o
ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da
convalescença, além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver
sofrido.
Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o
seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a
indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da
convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para
que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu.
Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir que a indenização
seja arbitrada e paga de uma só vez.
Art. 951. O disposto nos arts. 948, 949 e 950 aplica-se ainda no caso de
indenização devida por aquele que, no exercício de atividade profissional, por
negligência, imprudência ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o
mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho.
Art. 952. Havendo usurpação ou esbulho do alheio, além da restituição da coisa,
a indenização consistirá em pagar o valor das suas deteriorações e o devido a
título de lucros cessantes; faltando a coisa, dever-se-á reembolsar o seu
equivalente ao prejudicado.
Parágrafo único. Para se restituir o equivalente, quando não exista a própria
coisa, estimar-se-á ela pelo seu preço ordinário e pelo de afeição, contanto que 182
este não se avantaje àquele.
Art. 953. A indenização por injúria, difamação ou calúnia consistirá na reparação
do dano que delas resulte ao ofendido.
Parágrafo único. Se o ofendido não puder provar prejuízo material, caberá ao
juiz fixar, equitativamente, o valor da indenização, na conformidade das
circunstâncias do caso.
Art. 954. A indenização por ofensa à liberdade pessoal consistirá no pagamento
das perdas e danos que sobrevierem ao ofendido, e se este não puder provar
prejuízo, tem aplicação o disposto no parágrafo único do artigo antecedente.
Parágrafo único. Consideram-se ofensivos da liberdade pessoal:
I - o cárcere privado;
II - a prisão por queixa ou denúncia falsa e de má-fé;
III - a prisão ilegal.

Segundo França (2001), o médico-legista deve seguir alguns parâmetros de avaliação,


resumidamente dispostos a seguir:
Incapacidade temporária: o tempo que o indivíduo deixa de realizar suas
atividades habituais, profissionais, podendo ser parcial ou total.
Quantum doloris: dor física resultante das lesões e de suas consequências, o
‘sofrimento moral traduzido pela angústia, ansiedade e abatimento, em face do
risco de morte, da expectativa dos resultados e os danos psicológicos
advindos das repercussões sobre os negócios da vítima”.
Incapacidade permanente.
Dano estético: prejuízo estético de acordo com as condições pessoais da vítima,
tais como tipo de profissão e atividade remunerada; e em alguns casos o sexo,
a idade e estado civil.
Prejuízo de afirmação pessoal: perda do bem-estar de dos prazeres da vida.
Prejuízo futuro: se uma criança sofre algum dano funcional ou estético, poderá
ter no futuro alguma frustração, atraso escolar e perdas em sua formação
pessoal e profissional.
Perda de uma chance: quando ocorre a privação de uma chance, tais como
perda de um concurso público, de uma prova de vestibular, etc. 183
Nexo de causalidade: é a relação entre o dano e a agressão, que deverá sempre
estar presente para que haja posteriormente o ressarcimento civil.
Estado anterior da vítima: se o traumatismo agravou um estado anterior.
27 DANO CORPORAL DE NATUREZA TRABALHISTA

O dano corporal de natureza trabalhista poderá ser avaliado tanto no âmbito criminal
como no cível, assim como ocorre com o dano corporal propriamente dito. Incluem-se nesse
aspecto todos os danos corporais e psíquicos decorrentes do acidente de trabalho, das doenças 184
do trabalho e das doenças profissionais.
28 DANO CORPORAL DE NATUREZA DESPORTIVA

Assim como na natureza trabalhista, na natureza desportiva também é analisado o


dano tanto no âmbito criminal como no cível, sendo que são avaliados os casos de natureza
esportiva de competição, com vínculo profissional, não incluindo àqueles de caráter recreativo, 185
estético ou de manutenção da forma física.
29 TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL

A morte

186
A morte é a “cessação total e irreversível das funções vitais que, no entanto, não
desaparecem de uma só vez, razão pela qual se costuma dizer que a morte não é um fato e sim
um processo que leva o organismo a uma série de transformações em que a volta à normalidade
torna-se impossível” (Silva, 1997).
A definição de morte adotada pela Assembleia Mundial da Saúde (resoluções
WHA20.19 e WHA43.24) de acordo com o artigo 23 da Constituição da Organização Mundial da
Saúde e contidas no Código Internacional de Doenças, 10° revisão, é:

1. Causas de morte
As causas de morte, a serem registradas no atestado médico de
morte, são todas aquelas doenças, estados mórbidos ou lesões que produziram
a morte, ou que contribuíram para ela, e as circunstâncias do acidente ou da
violência que produziu essas lesões.
2. Causa básica de morte
A causa básica de morte é (a) a doença ou lesão que iniciou a cadeia
de acontecimentos patológicos que conduziram diretamente à morte, ou (b) as
circunstâncias do acidente ou violência que produziu a lesão fetal.

Vale à pena lembrar que é de competência do médico declarar o óbito (Figura 39,
40 e 41). O conceito de morte está sendo revisto principalmente com os modernos processos de
transplantes de órgãos e tecidos existentes atualmente. Nesses casos, é necessário diagnosticar
a morte encefálica, que é muito difícil de precisar e deve ser precisada com a análise de todos os
parâmetros clínicos recomendados (França, 2001). Existem diversos tipos de recomendações ao
redor do mundo, no entanto, citaremos apenas a do Conselho Federal de Medicina, que resume
todas as recomendações (Resolução CFM 1480/97):
Conselho Federal de Medicina, no uso das atribuições conferidas pela
Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957, regulamentada pelo Decreto nº
44.045, de 19 de julho de 1958 e,
CONSIDERANDO que a Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997, que
dispõe sobre a retirada de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins
de transplante e tratamento, determina em seu artigo 3º que compete ao 187
Conselho Federal de Medicina definir os critérios para diagnóstico de morte
encefálica;
CONSIDERANDO que a parada total e irreversível das funções
encefálicas equivale à morte, conforme critérios já bem estabelecidos pela
comunidade científica mundial;
CONSIDERANDO o ônus psicológico e material causado pelo
prolongamento do uso de recursos extraordinários para o suporte de funções
vegetativas em pacientes com parada total e irreversível da atividade encefálica;
CONSIDERANDO a necessidade de judiciosa indicação para
interrupção do emprego desses recursos;
CONSIDERANDO a necessidade da adoção de critérios para
constatar, de modo indiscutível, a ocorrência de morte;
CONSIDERANDO que ainda não há consenso sobre a aplicabilidade
desses critérios em crianças menores de 7 dias e prematuros,
RESOLVE:
Art. 1º. A morte encefálica será caracterizada através da realização de
exames clínicos e complementares durante intervalos de tempo variáveis,
próprios para determinadas faixas etárias.
Art. 2º. Os dados clínicos e complementares observados quando da
caracterização da morte encefálica deverão ser registrados no 'termo de
declaração de morte encefálica' anexo a esta Resolução.
(...)
Art. 3º. A morte encefálica deverá ser consequência de processo
irreversível e de causa reconhecida.
Art. 4º. Os parâmetros clínicos a serem observados para constatação
de morte encefálica são: coma aperceptivo com ausência de atividade motora
supraespinal e apneia.
Art. 5º. Os intervalos mínimos entre as duas avaliações clínicas
necessárias para a caracterização da morte encefálica serão definidos por faixa
etária, conforme abaixo especificado: 188
a) de 7 dias a 2 meses incompletos - 48 horas
b) de 2 meses a 1 ano incompleto - 24 horas
c) de 1 ano a 2 anos incompletos - 12 horas
d) acima de 2 anos - 6 horas
Art. 6º. Os exames complementares a serem observados para
constatação da morte encefálica deverão demonstrar de forma inequívoca:
ausência de atividade elétrica cerebral ou, ausência de atividade metabólica
cerebral ou, ausência de perfusão sanguínea cerebral.
Art. 7º. Os exames complementares serão utilizados por faixa etária,
conforme abaixo especificado:
acima de 2 anos - um dos exames citados no Art. 6º, alíneas 'a', 'b' e 'c';
de 1 a 2 anos incompletos: um dos exames citados no Art. 6º, alíneas 'a', 'b' e 'c'.
Quando optar-se por eletroencefalograma, serão necessários 2 exames com
intervalo de 12 horas entre um e outro;
de 2 meses a 1 ano incompleto: 2 eletroencefalogramas com intervalo de 24
horas entre um e outro;
de 7 dias a 2 meses incompletos: 2 eletroencefalogramas com intervalo de 48
horas entre um e outro.
Art. 8º. O Termo de Declaração de Morte Encefálica, devidamente
preenchido e assinado, e os exames complementares utilizados para
diagnóstico da morte encefálica deverão ser arquivados no próprio prontuário do
paciente.
(...)
Nome do Hospital
TERMO DE DECLARAÇÃO DE MORTE ENCEFÁLICA
Res. CFM n° 1.400 08/08/1997

NOME: ______________________________________________________________________________
PAI: _________________________________________________________________________________
MÃE: _______________________________________________________________________________
IDADE: ______ANOS _____MESES _____DIAS DATA DE NASCIMENTO ___/____/____
SEXO: M F RAÇA: A B N Registro Hospitalar: _______________________
A - CAUSA DO COMA
A.1 – Causa do Coma:
A.2 – Causas do coma que devem ser excluídas durante o exame 189
a) Hipotermia ( ) SIM ( ) NÃO
b) Uso de drogas depressoras do sistema nervoso central ( ) SIM ( ) NÃO
Se a resposta for sim a qualquer um dos itens, interrompe-se o protocolo
B. EXAME NEUROLÓGICO – Atenção verificar o intervalo mínimo exigível entre as avaliações clínicas
constantes da tabela abaixo:
IDADE INTERVALO
7 dias a 2 meses incompletos 48 horas
2 meses a 1 ano incompleto 24 horas
1 ano a 2 anos incompletos 12 horas
Acima de 2 anos 6 horas
(Ao efetuar o exame, assinalar uma das duas opções SIM/NÃO obrigatoriamente, para todos os itens abaixo

Elementos dos exame neurológico Resultados


1º exame 2º exame
Coma Aperceptivo ( ) SIM ( ) NÃO ( ) SIM ( ) NÃO
Pupilas fixas arreativas ( ) SIM ( ) NÃO ( ) SIM ( ) NÃO
Ausência de reflexo córneo palpebral ( ) SIM ( ) NÃO ( ) SIM ( ) NÃO
Ausência de reflexo oculocefálicos ( ) SIM ( ) NÃO ( ) SIM ( ) NÃO
Ausência de respostas às provas calóricas ( ) SIM ( ) NÃO ( ) SIM ( ) NÃO
Ausência de reflexo de tosse ( ) SIM ( ) NÃO ( ) SIM ( ) NÃO
Apnéia ( ) SIM ( ) NÃO ( ) SIM ( ) NÃO
C. ASSINATURAS DOS EXAMES CLÍNICOS – ( Os exames devem ser realizados por profissionais
diferentes, que não poderão ser integrantes da equipe de remoção e transplante.
1. PRIMEIRO EXAME 2. SEGUNDO EXAME
DATA: ___/___/___ HORA: ___________ DATA: ___/___/___ HORA: ___________
NOME DO MÉDICO: _____________________ NOME DO MÉDICO: _____________________
CRM: _____________ FONE:_______________ CRM: _____________ FONE:_______________
END.: ____________________________ END.: ____________________________
ASSINATURA: __________________________ ASSINATURA: __________________________
D. EXAME COMPLEMENTAR – Indicar o exame realizado e anexar laudo com a identificação do
médico responsável
1.Angiografia cerebral 2. Cintilografia 3.Doppler 4. Monitorização da 5. Tomografia
Radiolsotópica Transcraneano pressão Computadorizada com
intracraneana xenônio

6. Tomografia por 7. E.E.G 8. Tomografia por 9 . Extinção 10. Outros (citar)


emissão de fóton único emissão de positrôns Cerebral do
Oxigênio

Figura 39: Termo de declaração de morte encefálica recomendado pela Resolução CFM
1.480/97
190

Figura 40: Verso do termo de declaração de morte encefálica recomendado pela Resolução CFM
1.480/97
191

Figura 41: modelo do atestado de óbito utilizado no Brasil.


Os mecanismos da morte podem manifestar-se de várias formas. No entanto, ela
sempre poderá ser reduzida a uma dessas maneiras básicas, como descreve Vanrell (2007):

Anemia aguda: hemorragia irreversível seguida de hipotensão arterial,


taquicardia, vasoconstrição periférica, má irrigação tissular que pela hipóxia
celular leva à morte.
192
Asfixia: falha na captação de oxigênio do ar (anoxia), associada ao aumento da
taxa de anidrido carbônico (hipercapnia) decorrente da impossibilidade de
intercâmbio e eliminação do mesmo. Observa-se nos seguintes exemplos:
soterramentos, afogamentos, estrangulamentos, esganaduras, enforcamentos.
Assistolia e fibrilação ventricular: compreende uma diversidade de situações em
que se torna ineficaz a contração sistólica do coração, podendo ocorrer por
falta de completa contração cardíaca (assistolia), quanto por deficiência na
efetividade da contração harmônica e sincrônica das fibras do miocárdio
(fibrilação centricular). A consequência é a falha da eficiência circulatória, que
pela ausência do bombeio cardíaco acarreta má distribuição ou ausência de
distribuição do oxigênio para os diferentes tecidos somáticos.
Choque metabólico: perda de proteínas séricas, impedindo a retenção hídrica
intravascular; aumenta a permeabilidade vascular, levando a uma
hemoconcentração; e provocando alterações hidroeletrolíticas do plasma. Um
exemplo típico é o que ocorre com as queimaduras graves e extensas.
Choque toxêmico: é semelhante ao metabólico, mas possui como causa
desencadeante a presença no organismo de elevadas toxinas microbianas,
como, por exemplo, nas peritonites, meningites, septicemias.
Choque traumático ou tramático-neurogênico: distúrbio da função circulatória
com severa hipotensão arterial – choque – ocasionado por via neural (se for
neurogênico) e desencadeado por uma agressão traumática de grande
extensão e intensidade, como ocorre nos politraumatizados, polifraturados ou
vítimas de tortura.
Depressão ou paralisia respiratória: ação de substâncias tóxicas ou
medicamentosas que tem como efeito provocar primeiramente a depressão
seguida da paralisia dos centros respiratórios que se situam na medula
oblonga (bulbo raquidiano). Exemplos: fase final do coma alcoólico e
barbitúricos.
Envenenamento: os venenos são de origem vegetal, animal ou mineral, que
incorporadas ao organismo interferem em processos metabólicos vitais das
células ou dos órgãos, levando-as à morte.
Síncope: variedade do choque neurogênico, mas não é traumático, que 193
normalmente é causado por uma pequena compressão na região anterolateral
do pescoço ou da região epigástrica ou um mínimo traumatismo no escroto.
Pode ocorrer também por um microchoque térmico entre a temperatura da
água e a temperatura da pele da vítima, fato que resulta em um estímulo
centrípeto ou aferente que desencadeia um reflexo eferente ou centrífugo
agindo sobre o coração, inibindo-o.
Traumatismo cranioencefálico: podem acarretar em prejuízo em regiões
importantes do cérebro, resultando em prejuízos vitais em órgãos ou regiões
de controle das funções imprescindíveis para o funcionamento do organismo.

Exame tanatológico

O exame tanatológico “consiste no exame do cadáver e na verificação das


circunstâncias que envolveram a morte”, envolvendo a necroscopia, que pode ser chamada de
tanatoscopia, necropsia e autópsia. Vale à pena lembrar que apesar de usual, o termo autópsia
não é correto, pois significa autoanálise, o que não ocorre de fato (Silva, 1997). A necrópsia é
realizada em todos os casos de morte violenta e é disciplinada no Código de Processo Penal:

Art. 162. A autópsia será feita pelo menos 6 (seis) horas depois do
óbito, salvo se os peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que
possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto.

Parágrafo único. Nos casos de morte violenta, bastará o simples


exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou
quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver
necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância
relevante.

Art. 163. Em caso de exumação para exame cadavérico, a autoridade


providenciará para que, em dia e hora previamente marcados, se realize a
194
diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado.

Parágrafo único. O administrador de cemitério público ou particular


indicará o lugar da sepultura, sob pena de desobediência. No caso de recusa ou
de falta de quem indique a sepultura, ou de encontrar-se o cadáver em lugar não
destinado a exumações, a autoridade procederá às pesquisas necessárias, o
que tudo constará do auto.

Art. 164. Os cadáveres serão sempre fotografados na posição em


que forem encontrados, bem como, na medida do possível, todas as lesões
externas e vestígios deixados no local do crime. (Redação dada pela Lei nº
8.862, de 28.3.1994)

Art. 165. Para representar as lesões encontradas no cadáver, os


peritos, quando possível, juntarão ao laudo do exame provas fotográficas,
esquemas ou desenhos, devidamente rubricados.

Art. 166. Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado,


proceder-se-á ao reconhecimento pelo Instituto de Identificação e Estatística ou
repartição congênere ou pela inquirição de testemunhas, lavrando-se auto de
reconhecimento e de identidade, no qual se descreverá o cadáver, com todos os
sinais e indicações.

Parágrafo único. Em qualquer caso, serão arrecadados e autenticados


todos os objetos encontrados, que possam ser úteis para a identificação do
cadáver.

Para as mortes naturais, não há nenhuma regulamentação no momento, sendo


comumente realizada com a permissão de familiares, sendo recomendada principalmente em
casos nos quais o médico não possui um diagnóstico da morte preciso (França, 2001).
Alguns quesitos são utilizados no exame tanatológico, que irão direcionar o médico
legista no exame tanatológico (França, 2001; Croce e Croce Júnior, 2007 e Hercules 2008):

1. Houve morte?
2. Qual a sua causa?
195
3. Qual instrumento ou meio que a produziu?
4. A morte foi produzida com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura
ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar em perigo comum?

Segundo Santos (2003-2004) a necrópsia médico-legal deve ser sempre completa, isto
é, compreende a abertura da caixa craniana, caixa torácica, cavidade abdominal e a exploração
de qualquer outro segmento corporal visando contribuir para o completo esclarecimento da
causas mortis. As incisões das partes moles e as aberturas das estruturas ósseas permitem:

 A observação in loco dos diferentes órgãos e sistemas,


 Registrar as suas alterações morfológicas, patológicas ou traumáticas,
 Permitir também a sua retirada e posterior observação e corte de forma
individualizada com registro dos achados relevantes.

Por fim, as vísceras serão introduzidas novamente no interior das cavidades torácicas
e abdominal e encerradas todas as incisões que foram necessárias realizar. Procurar-se-á
entregar à família o cadáver nas melhores condições possíveis, devendo o médico que realiza a
autópsia não proceder a qualquer exploração para além das previstas pela técnica da autópsia
que não seja justificada e que de algum modo possa desfigurar o cadáver (Santos, 2003-2004).

Modo ou maneira da morte


Segundo Vanrell (2007), a maneira ou modo da morte é a forma através da qual age o
agente responsável pela causa da morte, sendo de importância indiscutível, pois implica na
diagnose jurídica da causa da morte. A morte natural é determinada por uma doença e a morte
violenta ou não natural sempre que a causa seja um traumatismo ou uma lesão de origem
homicida, suicida ou mesmo acidental. Alguns tipos de sinais são encontrados com maior ou
menor frequência na morte não natural ou violenta (Quadro 6). 196

Quadro 6: orientação que permite o achados lesionais na perinecroscopia, relacionando-as às


prováveis maneiras de mortes não naturais, segundo Yametti sassi (apud Vanrell, 2007).

SINAIS HOMICÍDIO SUICÍDIO ACIDENTE

FORMAS DE MORTE

Enforcamento Muito raro Frequente Possível

Esganadura Típico Impossível Muito raro

Estrangulamento Típico Muito raro Muito raro

Imersão/submersão Raro Frequente Frequente

Acidente de trânsito Raro Frequente Frequente

TIPO DE ARMA

Arma branca Frequente Frequente Raro

Arma de fogo Frequente Frequente Frequente

Instrumento contundente Frequente Raro Frequente

VIOLÊNCIA EXTERNA

Violência externa Frequente Inexiste Inexiste


LOCAL DA LESÃO

Região temporal Possível De eleição Possível

Região precordial Possível De eleição Possível

Prega do cotovelo Possível De eleição Possível


197
Pinho/antebraço Possível De eleição Possível

Pescoço Possível De eleição Possível

Abdome Frequente Raro Possível

NÚMERO DE FERIMENTOS

Um ou dois Frequente Possível Raro

Múltiplos Frequente Muito raro Frequente

VALIDADE DE FERIMENTOS

Instrumento único Frequente Frequente Frequente

Instrumentos diferentes Frequente Muito raro Raro

Dois instrumentos graves Frequente Muito raro Raro

DIREÇÃO DO FERIMENTO

Esgorjamento Horizontal Oblíquo/vertical Raro

“cauda da lesão” Pequena Grande Inexiste

REGULARIDADE DE BORDAS

Regularidade de bordas Raro Frequente Raro

Lesões de defesa Frequente Inexistem Raro


Espasmo cadavérico Muito raro Frequente Possível

OUTROS SINAIS

Profundidade da lesão Frequente Raro Possível

Salpicos ou borrifos Inexistem Frequente Possível


198
Estigmas ungueais Frequente Inexistem Inexistem

Meios complementares de diagnóstico

No decorrer da autópsia e dependendo do caso em análise o médico pode solicitar


exames complementares:

 Exames toxicológicos (nível de álcool e drogas no sangue, medicamentos, inseticida,


monóxido de carbono, etc)
 Exames bioquímicos, metabólicos, histológicos, bacteriológicos e virológicos
 Pesquisa de esperma (cavidade oral, vaginal, anal, outra) e de outros tipos de materiais
biológicos como saliva, urina e fezes
 DNA: identificação de material biológico do(s) possível(is) suspeito(s) e para identificação
do cadáver
 Pesquisa de resíduos de disparo de arma de fogo, exame de projéteis, armas e
instrumentos que causam a lesão
 Exame de peças de vestuário
 Raios-X
30 NECROSCOPIA MÉDICO-LEGAL

Segundo Vanrell (2007), existe uma sistematização da necrópsia a ser seguida,


podendo distinguir-se de cinco etapas, sendo didaticamente resumidas a seguir:
1. Perinecroscopia ou levantamento do cadáver do local: 199
2. Exame externo do corpo:
a. Identificação: exame dos sinais descritivos da pessoa.
b. Descrição das vestes
c. Realidade da morte: sinais tanatológicos imediatos da realidade da
morte.
d. Sinais externos de valor médico-legal: resíduos de pólvora, saliva,
sêmen, sangue, fios de cabelos, etc; sinais relativos ao meio em que
permaneceu o cadáver; processos patológicos espontâneos.
e. Regiões médico-legais:
 Couro cabeludo
 Orifícios da cabeça (boca, nariz, pálpebras e orelhas),
dentes e estruturas anexas são periciadas por um
odontolegista ou perito em odontologia legal.
 Pescoço
 Tórax anterior e mamas
 Tórax posterior
 Axilas
 Mãos e unhas
 Região gênito-períneo-anal
3. Exame interno do corpo:
a. Crânio
b. Pescoço
c. Tórax
d. Abdome
e. Aparelho geniturinário
f. Extremidades
4. Seleção, colheita e remessa de amostras para exames complementares:
5. Elaboração de relatório (laudo ou auto).

200
31 CRONOTANATOGNOSE E ALTERAÇÕES CADAVÉRICAS

201

Figura 42: Corpo encontrado à margem de um rio, com sinais de mumificação

Além da necrópsia, a perinecroscopia, exame do cadáver no local dos fatos, pode ser
realizada; assim como a tanatognosia, diagnóstico da realidade da morte, e a cronotanatognosia,
que é o conhecimento do tempo da morte.

A cronotanatognosia é realizada seguindo os diversos parâmetros:

 Cadáver ainda quente: morte recente, de uma a duas horas


 Cadáver com temperatura sensivelmente inferior a 37°C: pouco mais de 2 horas
 Temperatura de cadáver “morno”, com rigidez total, ausência de mancha verde: morte
há pouco mais de oito horas
 Cadáver frio, rigidez total, mancha verde inicial: 20 a 30 horas
França (2001) didaticamente resume os fenômenos cadavéricos a serem descritos a
seguir em um calendário denominado “da morte” (Quadro 7).

Quadro 7: Calendário “da morte” contendo as características cadavéricas (França, 2001) 202

Características cadavéricas Tempo após a


morte

 Corpo flácido, quente e sem livores Menos de 2 horas

 Rigidez da nuca e mandíbula De 2 a 4 horas

 Esboço de livores

 Esvaziamento das papilas oculares no fundo do olho

 Rigidez dos membros superiores, da nuca e da mandíbula De 4 a 6 horas

 Livores relativamente acentuados

 Anel isquêmico de ½ do diâmetro no fundo do olho

 Rigidez generalizada Mais de 8 e menos


de 16 horas
 Manchas de hipóstase

 Não surgimento de mancha verde abdominal

 Desaparecimento das artérias do fundo do olho

 Rigidez generalizada Mais de 16 e


menos de 24 horas
 Esboço de mancha verde abdominal

 Reforço da fragmentação venosa


 Desaparecimento das artérias do fundo do olho

 Presença de mancha verde abdominal De 24 a 48 horas

 Início de flacidez

 Papilas e máculas não localizáveis no fundo de olho


203
 Extensão da mancha verde abdominal De 48 72 horas

 Fundo de olho reconhecível só na periferia

 Fundo de olho irreconhecível De 72 a 96 horas

 Desaparecimento das partes moles do corpo e presença de insetos De 2 a 3 anos

 Esqueletização completa Mais de 3 anos

Utilizando-se como referência os fenômenos cadavéricos descritos por França (2001),


Vanrell (2003), Croce e Croce Júnior (2007); Hercules (2008), realizou-se um roteiro
autoexplicativo didático:

1) Fenômenos abióticos imediatos


a) Perda da consciência: pode ser confirmada com um eletroencefalograma
b) Insensibilidade geral e dos sentidos
c) Imobilidade e abolição total do tônus muscular
 Máscara da morte: relaxamento dos músculos da face, modificado os traços
fisionômicos originais, faltando-lhe uma expressão.
 Inércia
 Relaxamento esfinctérico: pode resultar na saída de substâncias fecais
 Midríase (dilatação pupilar): No momento da morte as pupilas se dilatam e se
contraem depois.
d) Cessação da respiração
e) Cessação da circulação: auscultação do coração (sinal de Bouchut) e
eletrocardiografia (prova de Guérin e Frache).
f) Cessação da atividade cerebral: registro da atividade diencefálica

2) Fenômenos abióticos consecutivos


a) Desidratação cadavérica: sofre evaporação tegumentar, 204
ocasionado:
 Decréscimo de peso
 Pergaminhamento da pele: com a evaporação tegumentar, ocorre o
ressecamento e endurecimento da pele, ficando com a aparência de pergaminho.
 Dessecamento das mucosas dos lábios
 Modificação dos globos oculares:
 Opacificação da córnea
 Deformação da íris e da pupila
b) Algor mortis: resfriamento corporal
 Inicia pelos pés, mãos e face
 De maneira geral, órgãos internos mantêm-se aquecidos por 24
horas em temperatura ambiente.
 Vários fatores influenciam:
 Temperatura ambiente
 Presença de gordura na pele (obesos demoram mais para esfriar)
 Envoltos em roupas ou não
 Doenças crônicas e hemorragias ante-mortem resfriam mais
rapidamente o corpo
 Insolação, internação, intoxicação por venenos e doenças
infecciosas agudas apresentam esfriamento mais lento
c) Livor mortis:
 Manchas de hipóstase cutâneas ou manchas de posição
 Aparecimento: 2 a 3 horas após a morte
 Fixação 8 a 12 horas
 Permanece na mesma posição caso se vire o cadáver, permitindo
diagnóstico de alteração da cena do crime
d) Rigor mortis:
 Mecanismo
 Após a morte: um relaxamento muscular generalizado
 Ordem de aparecimento - Lei de Nysten – Sommer
 Face, mandíbula e pescoço
 Membros superiores e tronco 205
 Membros inferiores
 Desaparecimento na mesma ordem
 Cronologia
 Aparecimento - 1 a 2 horas após a morte
 Grau máximo - 8 horas
 Desfazimento - 24 h
 Início da putrefação
 Espasmo cadavérico:
 É raro
 Acontece:
 Quando a vítima normalmente é torturada
 Quando surpreendidas pela morte

3) Fenômenos transformativos
a) Autólise: fenômenos fermentativos dentro da célula motivados pelas próprias
enzimas celulares, alterando inicialmente o citoplasma e em seguida o núcleo da célula
até o seu completo desaparecimento.
b) Maceração: processo especial de transformação que sofre o cadáver do feto no
útero materno do sexto ao nono mês de gravidez, na qual se observa o destacamento
de pele assemelhando-se a luva e avermelhada, iniciando a perda de tecidos e ossos
dentro do útero.
c) Putrefação:
 Fase de coloração:
 Período post-mortem: 16 a 20 horas, permanece por 7 dias
 Presença de mancha verde abdominal
 Fase gasosa:
 Período post-mortem: 1 a 3 semanas
 Ocorre devido aos gases da putrefação, com bolhas em todo o
corpo, inchando de forma generalizada e aumentando o tamanho real do
mesmo.
 Fase coliquotativa:
 Período post-mortem: de um a vários meses 206
 Depende das condições ambientais
 Liquefação dos tecidos (Figura 43, 44 e 45)
 Aumento do número de larvas de insetos
 Fase esqueletização:
 Período post-mortem: Cronologia muito variável
 início - terceira a quarta semana
 término - seis meses a anos (Figura 46)
 Fatores que influenciam:
 clima
 ambiente (+ fauna cadavérica)
 ar livre
 inumação
 submersão
 carbonizados: pode ocorrer a fragmentação dos ossos (Figura 85)
Figura 43: Corpo em adiantado estado de putrefação

207

Figura 44: Cadáver em avançado estado de putrefação: perda das unhas, coloração decorrente
da decomposição pelas bactérias e perda de tecido.
208

Figura 45: Cadáver em estado avançado de putrefação. Note a ausência de cabelo, perda de
dentes, fraturas generalizadas
209

Figura 46: Esqueleto datado do séc. 6-7 a.C. encontrado em sítio arqueológico de Canosa, sul
da Itália, com indícios de decapitação decorrente de batalha e não de execução.

4) Fenômenos Conservadores
a) Mumificação:
 Artificiais: processos especiais de conservação (ex. múmias
egípcias) e embalsamamento
 Naturais:
 Clima quente e seco (Figura 47)
 Perda rápida de água: impede a ação microbiana responsável pela
putrefação
b) Saponificação: transformação do cadáver resultando em aparência
de sabão. Ocorre em:
 Excesso de umidade
 Terrenos argilosos
 Terrenos sem circulação de ar atmosférico
 Mais frequentes em indivíduos obesos, com grande quantidade de
gordura corporal
c) Corificação: Ocorre em cadáveres acolhidos em urnas metálicas de 210
zinco hermeticamente fechadas. Não se sabe ao certo o processo, mas ocorre um tipo
de mumificação natural.
d) Congelação: Cadáver submetido a baixíssimas temperaturas
 Conservação plena do cadáver
 Temperaturas abaixo de -40°C podem conservar o corpo por tempo
indefinido.

Figura 47: Corpo mumificado datado entre 1300 e 1500, encontrado na Coreia.
32 LESÕES IN VITAM E POST MORTEM

As lesões adquiridas quando a pessoa estava viva (in vitam) devem ser diferenciadas
daquelas adquiridas depois da morte (post mortem), principalmente para estimar a causa da 211
morte (Figura 48 e 49).

Figura 48: Lesões post mortem produzidas por hamster em mulher vítima de pneumonia lombar.
Não há a presença de hematomas ou coagulação da lesão.
212

Figura 49: Derramamento de tinta post mortem em cadáver, na tentativa de diminuir o odor fétido
consequente da putrefação, no 7° dia após a morte, pela assassina e esposa da
vítima.

A reação vital será o elemento diferencial entre as lesões intra vitam e post mortem e
consiste em um conjunto de sinais macroscópicos, microscópicos e químicos tissulares
(histoquímicos, enzimáticos e bioquímicos) e que ocorrem somente quando as lesões foram
provocadas com a vítima estando viva e não após a sua morte (Vanrell, 2007)

Utilizando-se como referência Vanrell (2007), resumi-se a seguir os sinais


característicos de lesões ante mortem:

Sinais macroscópicos:
Hemorragia: equimoses, hematomas, bossas sanguíneas, hemorragias internas e
externas só ocorrem quando a pessoa está viva.
Coagulação sanguínea: logo após a morte o sangue pode coagular dentro dos
vasos, mas após seis horas do óbito, devido à degradação dos fatores de
coagulação, o sangue não coagula mais fora dos vasos.
Retração dos tecidos: não ocorre após a morte como consequência da perda de
elasticidade dos tecidos.
Reação inflamatória: passadas 12 horas entre os momentos de lesão e do exame, 213
as bordas começam a apresentar os primeiros sinais clínicos evidentes da
inflamação como o edema; passadas 24 horas podem aparecer crostas; e 36
horas a secreção purulenta, se ocorrer infecção no ferimento e o início da
epitelização da lesão.
Reação vascular: sinais de maior afluxo sanguíneo ou congestão vascular só
ocorrem quando a vítima está viva.
Embolias gordurosas: desprendimento de gordura quando ocorre uma fratura de
ossos longos.
Embolias gasosas: produzidas por bolhas de ar intravascular pela depressão
brusca dos escafandros e mergulhadores.
Formação de bossas linfáticas (“galos”): deslocamento do tecido celular
subcutâneo provoca derrame linfático no local. Ex: no couro cabeludo forma uma
bossa ou popularmente denominado como “galo”.
Monóxido de carbono (CO) no sangue: a vítima respirou em uma atmosfera com
baixas quantidades de oxigênio e altas de gás carbônico derivados de incêndios ou
combustões imperfeitas (de carros).
Espasmo cadavérico: contratura muscular instantânea e persistente, observada
nos casos de lesões abruptas de extensas áreas do sistema neural ou no óbito
ocorrido sob estímulos de estressores intensos.
Provas microscópicas:
Prova de Verderau: determinação de leucócitos/hemácias no foco da lesão e em
qualquer outra parte do corpo afastada dele.
Prova histológica: verificação microscópica da presença de um infiltrado ou
exsudato leucocitário em volta de lesão.
Avaliação histopatológica:
 4-8 horas: infiltração de leucócitos neutrófilos polimorfonucleares.
 12 horas: presença de monócitos
 48 horas: máximo de exsudação (em traumatismos assépticos)
 3⁰ dia: crescimento epitelial, proliferação de fibroblastos e neoformação
vascular (capilares de neoformação).
 4⁰ a 5⁰ dia: aparecimento de fibras colágenas
 7⁰ dia: tecido fibroso cicatricial (nas lesões de pequena extensão). 214
Provas histoquímicas enzimáticas: aumento de algumas enzimas como a
fosfatase alcalina, fosfatase ácida, aminopeptidade, esterase e ATP-ase podem
auxiliar na estimativa da idade em horas da lesão, variando de 1 a 8 horas.
Provas bioquímicas: análise quantitativa da presença de histamina ou serotonina
presentes em traumas teciduais, no entanto, só são reconhecíveis se realizadas
até uma hora antes da morte e estão presentes no corpo até 5 dias após a
morte.

Resumidamente, Teixeira (1985) apud Vanrell (2007) elaborou uma tabela didática
para auxiliar na estimativa cronológica da produção da lesão até o óbito:

TEMPO LESÃO MODIFICAÇÃO


/MORTE

Até 1 hora Aumento bioquímico de serotonina e histamina

Entre 1 e 4/8 horas Aumento de enzimas

Após 4-8 horas Alterações microscópicas ou histológicas

Após 12 horas Alterações macroscópicas


33 TOXICOFILIAS

Toxicologia forense é a ciência dos venenos quando aplicados para procedimentos


médico-legais. A toxicologia forense possui inúmeras aplicações, sendo utilizada,
tradicionalmente, em investigações da morte (Drummer, 2000). Já a toxicofilia é um “estado de 215
intoxicação periódica ou crônica nociva ao indivíduo ou à sociedade, produzida pelo repetido
consumo de uma droga natural ou sintética (conceito da Organização Mundial de Saúde,
disposta em França, 2001).

Segundo França (2001), diversos tipos de drogas são utilizados no mundo e no Brasil,
sendo que a nocividade, dependência, crise de abstinência e o modo de usar diferenciam de um
tipo para outro (quadro 8).

França (2001) ainda define:

Tóxico ou droga: “grupo muito grande de substâncias naturais, sintéticas ou


semissintéticas que podem causar tolerância, dependência e crise de
abstinência”.
Tolerância: “necessidade de doses cada vez mais elevadas”.
Dependência: “uma interação que existe entre o metabolismo orgânico do
viciado e o consumo de uma determinada droga”.
Crise de abstinência: “síndrome caracterizada por tremores, inquietação,
náuseas, vômitos, irritabilidade, anorexia e distúrbios do sono”.
Quadro 8: tipos de drogas segundo o grau de nocividade, dependência, crise abstinência e modo
de usar.

Droga Consumo Nocividade Dependência Crise de Modo de usar


abstinência
Brasil Mundo
216
Maconha Grande Grande Relativa Não Não Aspiração

Morfina e Pouco Grande Elevada Sim Sim Injeção


derivados

Cocaína Grande Pouco Elevada Sim Não Aspiração ou


fricção gengival

Ópio Pouco Nulo Relativa Sim Sim Aspiração

LSD Pouco Nulo Elevada Não Não Ingestão oral

Psicoesti- Grande Grande Relativa Sim Pode Injeção ou


mulantes determinar ingestão

Soníferos Grande Grande Relativa Sim Relativa Injeção ou


ingestão

Crack Grande Grande Elevada Sim Sim Aspiração

Álcool Grande Grande Relativa Sim Sim Beber

Adaptado de França (2001).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (Silveira e Silveria, 2006) as drogas são


classificadas em:

Classificação do uso de drogas segundo a Organização Mundial de Saúde:


 Uso na vida: o uso de droga pelo menos uma vez na vida.
 Uso no ano: o uso de droga pelo menos uma vez nos últimos doze meses.
 Uso recente ou no mês: o uso de droga pelo menos uma vez nos últimos 30 dias.
 Uso frequente: uso de droga seis ou mais vezes nos últimos 30 dias.
 Uso de risco: padrão de uso que implica alto risco de dano à saúde física ou mental do
usuário, mas que ainda não resultou em doença orgânica ou psicológica. 217
 Uso prejudicial: padrão de uso que já está causando dano à saúde física ou mental.

Quanto à frequência do uso de drogas, segundo a OMS, os usuários podem ser


classificados em:

 Não-usuário: nunca utilizou drogas;


 Usuário leve: utilizou drogas no último mês, mas o consumo foi menor que uma vez por
semana;
 Usuário moderado: utilizou drogas semanalmente, mas não todos os dias, durante o
último mês;
 Usuário pesado: utilizou drogas diariamente durante o último mês.

A OMS considera ainda que o abuso de drogas não pode ser definido apenas em
função da quantidade e frequência de uso. Assim, uma pessoa somente será considerada
dependente se o seu padrão de uso resultar em pelo menos três dos seguintes sintomas
ou sinais, ao longo dos últimos doze meses:

 Forte desejo ou compulsão de consumir drogas;


 Dificuldades em controlar o uso, seja em termos de início, término ou nível de consumo;
 Uso de substâncias psicoativas para atenuar sintomas de abstinência, com plena
consciência dessa prática;
 Estado fisiológico de abstinência;
 Evidência de tolerância, quando o indivíduo necessita de doses maiores da substância
para alcançar os efeitos obtidos anteriormente com doses menores;
 Estreitamento do repertório pessoal de consumo, quando o indivíduo passa, por
exemplo, a consumir drogas em ambientes inadequados, a qualquer hora, sem nenhum
motivo especial;
 Falta de interesse progressivo de outros prazeres e interesses em favor do uso de
drogas;
 Insistência no uso da substância, apesar de manifestações danosas comprovadamente
decorrentes desse uso;
 Evidência de que o retorno ao uso da substância, após um período de abstinência, leva
a uma rápida reinstalação do padrão de consumo anterior. 218

Atualmente, os testes toxicológicos (Figura 44) auxiliam os médicos, legistas ou não, a


estabelecer a evidência do uso, consciente ou não, de drogas. Algumas drogas podem ser
dadas às vítimas, como por exemplo, benzodiazepínicos para reduzir a sua consciência em
casos de estupro. Outras podem ser consumidas conscientemente, como por exemplo, a
cocaína, mas levando o indivíduo a óbito por overdose (Quadro 8) (Drummer, 2000).

Figura 50: Processos de identificação, confirmação e quantificação em toxicologia forense.


Quadro 9: Razões para a realização do teste de drogas em casos forenses.

Estabelecer o uso de drogas em vítimas de agressões físicas e sexuais

Estabelecer o uso de drogas em motoristas e veículos automotores


219

Estabelecer o uso de drogas em pessoas envolvidas em acidentes de trabalho

Estabelecer exposição local ou ambiental de trabalhadores

Auxiliar em investigações de mortes ocorridas em hospital

Auxiliar em investigações com estimativa de tempo de utilização de drogas

Estabelecer o uso de drogas em vítimas de homicídio

Estabelecer o uso de drogas em outros casos de morte súbita ou morte inesperada

Segundo Drummer (2000), os tipos de materiais biológicos utilizados para a análise de


drogas em pessoas vivas são:

Sangue e plasma
Urina
Cabelos, principalmente para metais pesados como arsênico, mercúrio, etc.
Suor
Saliva

Conforme Drummer (2000), os tipos de materiais biológicos utilizados para a análise de


drogas em cadáveres são:
Quadro 10: recomendação de coletas de materiais biológicos para a análise toxicológica em
diferentes tipos de casos criminais.

Tipo de caso Recomendação de coleta de material biológico

Todos os casos Sangue periférico (2 tubos de 10mL)


220
Urina (10mL)

Humor vítreo (2-5mL)

Homicídios e casos suspeitos Fígado, bile

Casos relacionados com usuários de Conteúdo gástrico, fígado e bile


drogas

Casos de abuso de substâncias Fluido pulmonar, fígado


voláteis

Anormalidades bioquímicas Soro


(insulina, etc)

Envenenamento por metais pesados Fígado, cabelos e rim

Diversas técnicas são utilizadas de acordo com o tipo de tóxico ou drogas a serem
analisadas e segundo Drummer (2000), são:

 Imunoensaio: inúmeros kits comerciais estão disponíveis no mercado para cada


tipo de droga diferente, nos quais se coloca uma pequena quantidade de urina
em uma fita (Figura 51).
221

Figura 51: Procedimento de realização do teste imunoensaio de um kit comercialmente


disponível, utilizando-se 3 gotas de urina e lendo o resultado após 5 minutos.

Apesar de serem tecnologias diferentes, em ambas, as amostras são separadas e os


fragmentos são analisados por um detector que identificará cada componente químico, sendo
que cada droga possui uma característica singular para comparação:

 Espectrofotometria de massa
 Cromatografia líquida de alta performance ou a gás
 Eletroforese capilar: ocorre a separação dos componentes da droga
34 GENÉTICA FORENSE

A identificação humana pelo estudo do perfil genético é amplamente utilizada em casos


de caracterização de vínculo genético familiar, seja em processos cíveis – exemplo: exclusão ou
não da paternidade – como também em processos criminais – exemplo: cadáveres e materiais 222
biológicos encontrados na cena do crime.

Atualmente a mídia tem contribuído de forma significativa para a divulgação e


popularização dessa tecnologia, que vem evoluindo expressivamente nas últimas duas décadas.
No entanto, algumas considerações sobre essa tecnologia não passam de mito, pois não se
pode concluir que “o DNA resolve tudo”, mas que a análise do perfil genético pode auxiliar na
identificação humana, fazendo parte das provas periciais de um determinado caso criminal ou
civil.

Segundo Butler (2005), os testes de DNA para identificação humana podem ser
utilizados para:

Casos forenses: análise do DNA do suspeito com aquele obtido da evidência


biológica encontrada na cena do crime ou nas vítimas;
Teste de paternidade ou caracterização de vínculo genético familiar: exclusão ou
não de supostos pais, filhos, mães e outros membros da família;
Desastres em massa: identificação dos fragmentos humanos e dos corpos
encontrados em um desastre com inúmeras vítimas;
Investigações históricas;
Investigações de pessoas desaparecidas;
Identificação de militares;
Banco de DNA de criminosos ou de evidências biológicas.

Aplicações médico-legais do DNA

Segundo Buttler (2005), existem diversas aplicações para a análise do perfil genético
em identificação humana e diagnóstico por DNA:
 Casos forenses
 Banco de dados de DNA
 Pessoas desaparecidas
 Casualidades militares
 Caracterização do vínculo genético: paternidade, padrão de imigração, tipos de
heranças genéticas. 223
 Genealogia genética e resposta a questões históricas
 Autenticação de linhagem de células
 Detecção de quimerismo genético: presença de mais de um genoma humano
em uma mesma pessoa.
 Monitoramento de transplantes
 Monitoramento de compartilhamento de agulhas
 Detecção de tumores de câncer
 Mapeamento de doenças genéticas
 Exame da diversidade populacional humana.
Sendo assim, as aplicações médico-legais da genética forense são amplas, pois pode
auxiliar em todos os casos descritos acima, se for necessário para esclarecer a justiça, isso sem
contar outros tipos de análises gênicas que ainda estão sendo pesquisadas e não foram
aplicadas diretamente na medicina.

Noções de biologia molecular para a aplicação do exame de DNA em medicina legal

O DNA (ácido desoxirribonucleico) é a molécula da vida e traz toda informação que


temos em nosso organismo, tanto a genética, como as características fenotípicas, tendências a
determinados tipos de doenças ou preservação a outras, e são encontrados nos cromossomos
do núcleo, denominado DNA nuclear ou cromossômico e nas mitocôndrias (Figuras 52).
224

Figura 52: DNA - a molécula da vida: do cromossomo à cadeia dupla de DNA

Em todas as células nucleadas do nosso organismo existem DNA nuclear e


mitocondrial, no entanto, nas células anucleadas, como os fios de cabelos (sem bulbo), podem
existir mitocôndrias aprisionadas, fazendo com que exista o DNA mitocondrial nelas (Brettell et
al, 2005). Existem diferenças significativas entre o DNA cromossômico e o genômico, segundo
Szymasky (2005), Anderson et al (1981) e Budowle et al (2003).
DNA cromossômico DNA mitocondrial

Presente nos núcleos das células Presente nas mitocôndrias

2 cópias distintas (uma paterna outra De 100 a 1000 cópias por célula
materna) por célula
225
Cerca de 3,2 bilhões de pares de bases Cerca de 16.000 pares de bases

22 cromossomos autossômicos + 2 sexuais DNA circular, conferindo maior resistência à


digestão enzimática

Possui de 30 a 35 mil genes, sendo de 1,5% 93% do genoma é codificante


a 2% de DNA codificante de proteínas

46% de sequências repetitivas Poucas regiões repetitivas

Herança materna e paterna Herança exclusivamente materna. Em raras


exceções pode ocorrer o mosaicismo (DNA
materno com a presença do paterno também).
As moléculas de DNA caracterizam-se por polímeros de alto peso molecular
compostos de unidades básicas de nucleotídeos contendo 2-desoxirribose ligados entre as
posições 3’ e 5’ de carbonos por ligações fosfodiéster. A estrutura do DNA é uma dupla hélice de
cadeias complementares opostas, na qual as suas duas moléculas são mantidas juntas por
fracas pontes de hidrogênio (Figura 53) (Watson & Crick, 1953). 226

A) B)

Figura 53: A) Representação esquemática da dupla hélice da molécula de DNA segundo Watson
& Crick, 1953; B) Estrutura química da molécula de DNA, com sua natureza antiparalela com o
carbono 3’ com o carbono 5’. As bases C e G são ligadas por três pontes de hidrogênio e as A e
T, por duas.

Não é toda sequência de DNA que será utilizada para a formação de proteínas.
Determinados fragmentos de DNA especificam a síntese de RNA em um processo denominado
transcrição, algumas partes do DNA denominadas íntrons serão “removidas” da sequência e
somente os éxons serão utilizados para a síntese proteica. Os éxons estão presentes em um
determinado gene, juntamente com os íntrons, que posteriormente são removidos (Figura 54).
O gene é uma unidade de transcrição que consiste de um segmento de DNA
específico que se estende do início do sítio de transcrição ao sítio de término de transcrição. O
RNA especifica a síntese de polinucleotídeos que formarão as proteínas, sendo tal processo
denominado tradução, ocorrendo nos ribossomos, nas mitocôndrias e cloroplastos (Beard &
Armentrout, 1967; Srinivasan & Yathindra, 1977).

227

Figura 54: Diferenças entre os éxons e íntrons. Observe a remoção da parte em amarelo,
correspondente ao íntron.
As diferenças físicas que cada indivíduo possui são determinadas pelos alelos, que
constituem nas variantes de um gene em uma particular região, ou lócus, em um cromossomo
(National Human Genome Research Institute, 2008). A transferência das informações genéticas
de uma geração a outra ocorre através da replicação do DNA, catalisada por enzimas
denominadas DNA polimerases.
A replicação do DNA ocorre em regiões específicas denominadas origem de replicação 228
(Marmur & Doty, 1959). A replicação ocorre com a adição de um nucleotídeo à fita de DNA pela
ligação de seu grupo fosfórico, presente no carbono 5' da desoxirribose, com a hidroxila do
carbono 3' da desoxirribose do último nucleotídeo presente na cadeia replicada. Por esse motivo
que se descreve que a síntese de DNA ocorre no sentido 5´-> 3´ (Marmur & Doty, 1959;). Todo o
processo exposto acima será a base do princípio da amplificação do DNA in vitro denominada
reação em cadeia pela polimerase (Polymerase Chain Reaction – PCR), que será estudado nos
tópicos adiante.

Marcadores de Variação Genética

“A interpretação genética da variabilidade humana, normal ou patológica, repousa sobre o


mesmo princípio fundamental estabelecido para todas as espécies eucarióticas com
reprodução sexuada, segundo o qual as informações genéticas necessárias ao
desenvolvimento do ser humano, desde o momento em que se forma o zigoto até a morte
do indivíduo dele resultante, estão contidas, basicamente, em seus cromossomos.

Beiguelman, 1995

Cada indivíduo terá uma variação em seu código genético e os alelos, como definimos
anteriormente, são responsáveis por essas variabilidades. Esse alelo pode ter uma frequência
em uma determinada população em mais de 1% dos indivíduos, sendo denominado
polimorfismo; e se for em menos de 1%, é denominada de mutação. Não confundir com a
“mutação” dita popularmente como variação ou alteração anormal em um gene, nesse caso,
tem-se um gene mutado (Beiguelman, 2006).
Atualmente, os marcadores mais utilizados em identificação humana pelo DNA são
denominados de STRs, mas inicialmente é necessário entender alguns conceitos segundo
Edwards et al (1991) e Hamond et al (1994):
 Single Sequence Length Polymorphism (SSLP) ou polimorfismo de comprimento de
sequência única:
o VNTR (Variable Number of Tandem Repeats) ou repetições consecutivas de
número variável ou minissatélites, sendo que o tamanho da sequência que se
repete é de 10 a 64 pares de bases.
o STR (Short Tandem Repeats) ou repetições consecutivas curtas ou 229
microssatélites, sendo que o tamanho da sequência que se repete é de 2 a 9
pares de bases (Figura 56).
 Os Single Nucleotide Polymorphism (SNP) ou polimorfismo de nucleotídeo único é
uma variação na sequência de DNA que ocorre quando um nucleotídeo é alterado por
outro em sequências de DNA que podem ou não codificar genes (Delahunty, 1996)
(Figura 57).

Figura 56: Representação esquemática comparando as VNTRs das STRs, segundo sua unidade
de repetição.
230

Figura 57: Representação esquemática de sequências de DNA de três indivíduos distintos com a
presença de um SNP e um STR mostrando suas diferenças.

Quadro 11: Comparação entre os STRs e SNPs (adaptado de Butler, 2005)

STR SNP

Variam de 2 a 9 nucleotídeos que se repetem Troca de bases A/T, A/G, A/C, C/T, C/G, T/G.
consecutivamente

Apresentam-se em diversos alelos, Normalmente 2


normalmente mais de 5

Detectado por separação eletroforética em gel Análise por sequenciamento ou hibridização


ou capilar em microchip.

O FBI preconiza 13 STRs Estima-se que mais de 50 SNPs seriam


necessários para a análise (Gill et al, 2004)

Vantagens: Vantagens:

 Banco de dados populacionais realizados no  Os produtos de PCR podem ser


mundo todo menores, resultando em maior chance de
 A presença de vários alelos facilita a amplificação, principalmente em amostras
identificação de mutações e misturas de biológicas degradadas.
DNA.  Após devidamente otimizados e
estudados pode-se analisar mais de 1000
SNPs em um mesmo microchip, mas essa
tecnologia ainda não é amplamente
empregada.
Estudo da metodologia aplicada à identificação humana

Todos os passos que envolvem a análise do DNA são igualmente importantes, caso
contrário, o perfil genético final pode não ser obtido adequadamente, dificultando ou até
impossibilitando o teste (Figura 58). Cada qual possui sua particularidade e cuidados inerentes à
231
técnica que podem possuir vantagens e desvantagens de acordo com o objetivo almejado
(Butler, 2005).

Figura 58: Esquema de todos os procedimentos envolvidos em caracterização do vínculo


genético.

Coleta do material biológico


Utilizando-se de equipamentos adequados de proteção individual e se possível limpos
ou até esterilizados, principalmente em casos de amostras forenses, coleta-se o material
biológico ou que se suspeita que exista na cena do crime. Devem-se utilizar luvas descartáveis,
instrumentos de coleta, armazenamento e análise estéreis e apropriados para cada tipo de
material. Deve-se realizar uma documentação completa do vestígio eleito para a coleta,
incluindo-se fotografias da região, tipo de armazenamento, entre outros. 232
O armazenamento do material biológico úmido em sacos plásticos deve ser de no
máximo duas horas, ou quando possível, permitir que seque antes do acondicionamento final.
Cada tipo de amostra de material biológico (sangue, saliva, osso, dente, etc) deve ter sua coleta
e acondicionamento individualmente descrito (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo –
SSP/SP, 1999; INTERPOL, 2001).

Extração e quantificação de ácidos nucleicos

O material biológico utilizado para a extração, as condições ambientais que agiram


sobre o material biológico – tempo, clima, local, etc – interferem significativamente na
recuperação do DNA para análise do perfil genético. De acordo com essas variáveis, escolhe-se
um método de extração de DNA adequado. A técnica mais amplamente empregada envolve em
sua primeira fase, a lise celular, seguida de desnaturação ou inativação de proteínas. Com
solventes orgânicos o DNA é posteriormente separado de macromoléculas, como as proteínas,
através de solubilização em água e em seguida precipitado com etanol (Hoff-Olsen et al., 2001;
Bornadoccorso, 2005).
Outras metodologias com o mesmo princípio, inclusive kits comerciais, podem ser
utilizadas para cada tipo de amostra biológica. Há diferentes processos para a extração de DNA
de sangue total, de esfregaços vaginais e de amostras de sêmen, de saliva total e de materiais
contendo saliva (Walsh D et al., 1992; Anzai et al., 2001, Anzai-Kanto, 2005); de dente humano
(Oliveira et al., 2002), de osso (Hagelberg et al., 1991); de material parafinado (Mesquita et al.,
2001), entre outros. Cada tipo de material biológico terá quantidades diferentes de DNA para ser
extraído (Quadro 12).
Quadro 12: Quantidade de DNA extraído de diversos tipos de material biológico (Butler, 2005).
Tipo de amostra Quantidade de DNA
Sangue total 20000 ~ 40000 ng/mL
Mancha de sangue 250 ~500 ng/cm3
233
Líquido seminal 150000 ~ 300000 ng/mL
Esfregaço de material vaginal pós-coito 10 ~3000 ng/esfregaço
Fio de cabelo com bulbo 1 ~750 ng/fio
Pelo com bulbo 1 ~10 ng/pelo
Saliva total 1000 ~10000 ng/mL
Esfregaço bucal 100 ~1500 ng/esfregaço
Urina 1 ~20 ng/mL
Osso 3 ~10 ng/mg
Tecido 50 ~500 ng/mg

A obtenção do DNA de cada amostra forense será confirmada após alguns testes de
quantificação do mesmo, no entanto, a quantidade de DNA não significa, necessariamente, que
o mesmo será passível de análise, devido à presença de interferentes que citaremos a seguir.
No entanto, a quantificação do DNA após a sua extração é importante para o aperfeiçoamento
da qualidade do produto de DNA resultante da PCR (Internacional Society for Forensic
Haemogenetics, 1992). Essa quantificação pode ser realizada por espectrofotometria devido à
capacidade do DNA em absorver luz ultravioleta de 260 nm de onda (Walker & Rapley, 1999),
incluindo equipamentos mais modernos que quantificam com 1 µL de amostra, como o
espectrofotômetro Nanodrop®.

Análise do perfil genético

Apesar de não realizar a análise do perfil genético como se faz atualmente, Jeffreys et
al. (1985) foi um dos primeiros a analisar as regiões de minissatélites do DNA humano,
possibilitando a investigação de paternidade e a identificação em casos criminais. A tecnologia
que revolucionou o campo da biologia molecular como um todo e não somente em genética
forense foi a PCR, tendo como seu inventor Kary Mullis, recebendo o Prêmio Nobel por essa
descoberta (INTERPOL, 2001).
A PCR consiste na amplificação seletiva de uma sequência-alvo de DNA específica a
partir de uma coleção heterogênea de DNA, empregando-se um par de oligonucleotídeos 234
iniciadores que são complementares a certa extensão em ambas as fitas do DNA a ser
amplificado. A PCR envolve três etapas segundo Saiki, 1985 (Figura 59):
................................................................................................ Desn
aturação: ocorre quando a molécula de DNA é aquecida acima da
temperatura de 90°C, na qual as pontes de hidrogênio da dupla hélice se
rompem, ocorrendo a separação das cadeias complementares.
................................................................................................ Hibri
dização: os iniciadores se ligam especificamente às sequências de DNA
complementares no processo de hibridização, mediante uma temperatura que
pode variar de 45 a 72°C e deve ser previamente otimizada estando
relacionada à temperatura de melting, que é medida através de uma fórmula
específica que envolve a quantidade de C e G em sua sequência. A
prevalência de ligação dos iniciadores ocorre pela sua alta concentração no
meio da reação.
................................................................................................ Exten
são: a enzima termoestável denominada DNA polimerase direciona o
posicionamento os precursores do DNA – dNTP – iniciando a síntese de novas
fitas de DNA. Com um novo aumento de temperatura a enzima DNA
polimerase catalisa a reação, incorporando o nucleotídeo na posição terminal
do iniciador, complementando as bases do DNA molde, promovendo a
extensão da fita.
235

Figura 59: Representação esquemática da amplificação em cadeia pela polimerase (PCR).

Segundo diversos autores (ISFH, 1992, INTERPOL, 2001; Sambrook, 2001; ISFH,
1992), as vantagens e desvantagens da utilização da PCR na ciência forense são:

.................................................................................................................. Vanta
gens:
 ............................................................................................................ a sua
sensibilidade, pois é capaz de amplificar sequências a partir de quantidades ínfimas da
sequência-alvo de DNA e até mesmo do DNA de uma única célula
 ............................................................................................................ sua
robustez, permitindo a amplificação de sequências específicas a partir de material
biológico degradado. 236
.................................................................................................................. Desva
ntagens:
 ............................................................................................................ tal
eficiência e sensibilidade implicam também na atenção aos cuidados para evitar-se a
contaminação de DNA externo, que pode ocorrer durante todo o processo de análise do
DNA

Os ácidos nucleicos possuem uma carga geral total negativa, devido aos seus
grupamentos fosfato do arcabouço, consequentemente, quando aplicados em um gel de agarose
ou poliacrilamida, eles migrarão em direção ao ânodo em um campo elétrico, sendo o princípio
básico da eletroforese (Aaji e Borst, 1972). Em condições apropriadas de tampão, voltagem e
miliamperagem, os fragmentos pequenos migrarão mais facilmente do que os maiores (Figura
60).
A variação do tipo e concentração do gel propicia diferentes características de
separação, permitindo distintas resoluções e análises. Em caracterização de vínculo genético
utilizava-se eletroforese em gel de poliacrilamida, mas atualmente emprega-se somente a
eletroforese capilar para a sua análise, como veremos adiante. Em inclusão ou exclusão de
paternidade comparam-se os alelos presentes no filho com o do suposto pai, sendo que um seria
o alelo obrigatório materno e o outro paterno (Figura 61).
Figura 60: Fragmentos de DNA carregados negativamente migram ao polo positivo mediante a
presença de um campo elétrico específico.

237

Figura 61: Esquema representativo da análise de


um eletroferograma resultante de uma eletroforese
de amostras biológicas da mãe, do filho e do
suposto pai, de um STR amplificado pela PCR.
Observam-se os alelos maternos e paternos
obrigatórios na inclusão e o alelo materno
obrigatório e a ausência do alelo paterno obrigatório
na exclusão. Utiliza-se pelo menos 13 STRs para
essa análise, aqui, para fins didáticos, apresenta-se somente 1 STR de cada. Fonte da figura:
Arquivo próprio de Evelyn Anzai Kanto.

O mesmo acontece em inclusão de suspeitos de um crime, no qual se compara o DNA


encontrado na vítima, como ocorre com marcas de mordida ou presença de sêmen na vítima, ou
na cena de um crime. Pode ocorrer uma mistura de amostras biológicas que poderá conter DNA 238

da vítima e do agressor. Dessa maneira, compara-se o DNA da vítima com o dos suspeitos
confrontando-os com o DNA das amostras presentes na cena do crime (Figura 62). Tais análises
são realizadas em pelo menos 13 STRs distintos (Budowle & Moretti, 1999; INTERPOL, 2001;
Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP, 2006).

Figura 62: Eletroferograma contendo DNA de amostras biológicas da vítima, do material


biológico coletado na cena do crime e de quatro suspeitos distintos de três STRs amplificados
pela PCR.
Fonte: William C. Thompson, Simon Ford, Travis Doom, Michael Raymer and Dan E. Krane.
Evaluating forensic DNA evidence: Essential elements of a competent defense review. Part 1 The
Champion, 27(3):16-25, April 2003

A amplificação por kits multiplex auxilia principalmente as amostras forenses, pois


normalmente apresentam-se degradadas e em quantidades escassas. Pouca quantidade de
239
DNA – nanogramas – é suficiente para que se amplifique pela PCR vários loci. Os kits multiplex
são desenvolvidos para comercialização (Krenke et al. 2002) ou pelos laboratórios de análises
clínicas para o seu próprio uso.
A importância da evidência de DNA é dada através da probabilidade de que a
casualidade tenha ocorrido. Para isso, tem-se antecipadamente a frequência dos perfis
genéticos em uma dada população. Caso o perfil genético seja extremamente raro em uma dada
população, pode-se dizer que a evidência é extremamente forte, caso contrário, pode consistir
em uma mera casualidade. A frequência de um perfil genético em uma dada população é
calculada a partir da multiplicação das frequências do genótipo de cada lócus (Evett & Weir,
1998).
Nos EUA o FBI implantou o CODIS - Combined DNA Index System, que se tornou
operacional em 1998 e consiste em um banco de dados de perfis genéticos de DNA extraído de
evidências biológicas coletadas na cena do crime e DNA de criminosos condenados por
agressão sexual e outros tipos de violência física. Há a possibilidade de comparar os perfis
genéticos de um suspeito em um crime com os perfis contidos no CODIS, averiguando se o
mesmo cometeu anteriormente outra infração (FBI, 2001). O CODIS selecionou 13 STRs para a
análise do perfil genético: CSF1PO, FGA, TH01, TPOX, vWA, D3S1358, D5S818, D7S820,
D8S1179, D13S317, D16S539, D18S51, e D21S11 (Budowle & Moretti, 1999) (Figura 63).
Esse conjunto de loci se transformou em referência para outros países do mundo, no
que se refere à ciência forense (Sun et al., 2003), possibilitando maior facilidade em comparar
tanto as frequências alélicas populacionais como os resultados dos perfis genéticos, mesmo que
seja realizada em outros países. Visando futuramente implantar um banco de perfis genéticos de
criminosos como o CODIS, o governo federal brasileiro já adotou os STRs sugeridos pelo CODIS
como referência em perícias criminais em seu Manual de Padronização de Exames de DNA em
Perícias Criminais (Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP, 2006), que está sendo
utilizado como referência para os laboratórios que trabalham com identificação humana.
240

Figura 63: STRs recomendados pelo Banco de DNA vinculado ao FBI (CODIS), segundo a sua
distribuição nos cromossomos humanos.
Fonte: http://www.cstl.nist.gov/div831/strbase/fbicore.htm.

Os SNPs presentes tanto no DNA nuclear como no mitocondrial são analisados


principalmente através de seu sequenciamento, posto que há alterações de bases únicas. O
sequenciamento de regiões específicas de DNA é realizado para a análise precisa da sua
sequência de nucleotídeos (Figura 64). Diferentemente dos STRs, que é avaliado pelo tamanho
da sequência, o DNA mitocondrial é analisado comparando a sequência de cada nucleotídeo
com a sequência preestabelecida por Anderson et al (1981) como referência.

Figura 64: Eletroferograma obtido do sequenciamento de um fragmento de DNA.


Arquivo Evelyn Anzai Kanto.

Atualmente a análise dos STRs, da amelogenina e do DNA mitocondrial descrito ao


longo do capítulo são amplamente utilizados e continuarão nos próximos anos, principalmente
porque já são referência no mundo todo e seus dados arquivados (Gill et al., 2004). Entretanto,
os Single Nucleotide Polymorphisms (SNPs) ou polimorfismos de base única, como descritos
anteriormente, não podem ser excluídos de uma discussão relacionada a perspectivas futuras
quanto à utilização em identificação humana, existindo vantagens na sua utilização (Butler,
2005). Diversas pesquisas são realizadas atualmente quanto à utilização dos SNPs, sendo que
talvez, no futuro, sejam aproveitados para estimar fenótipos individuais, levando a uma grande e 241
pertinente discussão bioética.

Investigação da paternidade, maternidade e ambos

Atualmente, a caracterização do vínculo genético familiar é frequentemente realizado


por análise de STRs, como descrito antes. Para a análise de paternidade e maternidade primeiro
realiza-se a coleta das amostras biológicas de todos os envolvidos para posteriormente fazer a
análise do perfil genético dos mesmos (Figura 65).
242

Figura 65: Eletroferograma de uma amostra biológica pertencente a uma única pessoa,
utilizando-se o kit da empresa Applied Biosystems, denominado AmpFlSTR identifilier®, e
analisado pelo programa GeneMapper ID v. 3.2. Arquivo Evelyn Anzai Kanto
Exemplos de casos de investigação de paternidade, maternidade ou ambos:
Paternidade (trio)
 Mãe
 Filho(a)
 Suposto pai
Paternidade (sem a mãe): 243
 Filho(a)
 Suposto pai
Paternidade – reconstrução familiar sem o suposto pai: pode ocorrer, mas é de difícil ou
mesmo impossível interpretação, dependendo do caso. Normalmente é realizado quando o
suposto pai está falecido e enterrado, evitando a realização da exumação do cadáver:
 Mãe
 Filho(a)
 Filho(a) biológico(a) do suposto pai
 Mãe do filho(a) biológico(a) do suposto pai.
Paternidade – outro caso de reconstrução familiar sem o material biológico do suposto pai:
 Mãe
 Filho(a)
 Irmãos do suposto pai
 Pais do suposto pai
Maternidade: ocorre normalmente em casos de suspeita de troca de crianças em
maternidade ou crianças abandonadas:
 Suposta mãe
 Criança encontrada
 Suposto pai (pode ou não estar presente)

Já para a identificação de cadáver ou restos mortais há a necessidade de análise do


perfil genético do indivíduo encontrado, comparando-o com os dos supostos familiares.
Exemplos:
Caso 1: cadáver de crianças ou jovem sem filhos:
 Suposta mãe biológica
 Suposto pai biológico
 Opção: irmão(s) biológicos
Caso 2: cadáver de adulto com esposa e filhos:
 Suposta esposa (mãe de seus filhos)
 Suposto(s) filho(s) biológicos
Caso 3: cadáver de adulto sem pai e mãe biológicos: 244
 Suposto(s) filho(s) biológicos
 Suposto(s) irmão(s) biológicos
 Todos os parentes maternos e parentes próximos que tiver: ex: Suposto(s) tio(s)
biológicos. No entanto, quanto mais distante o parentesco, mais difícil de obter a análise
do perfil genético.
Caso 4: cadáver com material biológico coletado e preservado antes da morte:
 Análise do perfil genético coletado antes da morte.
 Análise do perfil genético do cadáver ou dos restos mortais.

Para a análise de material biológico encontrado na cena do crime ou em alguma veste


ou pele de indivíduos vivos ou mortos:
Amostra biológica desconhecida encontrada.
Amostra biológica do(s) suspeito(s) de agressão ou de ter(em) cometido o crime.
Amostra biológica da vítima.

Dependendo do tipo e finalidade de análise do perfil genético de um indivíduo, além


dos STRs descritos anteriormente, alguns outros marcadores são utilizados para a investigação
do DNA forense (Figura 66):
 DNA do cromossomo Y: linhagem paterna
 DNA mitocondrial: linhagem materna
 SNPs (Polimorfismos de base única): são necessários pelo menos 50 SNPs
diferentes para a análise do perfil genético de uma pessoa.
245

Figura 66: Diferença entre os STRs (por exemplo, aqueles recomendados pelo CODIS-FBI), que
são autossômicos; os STRs do cromossomo Y, que são herdados somente para os filhos do
sexo masculino; e do DNA mitocondrial, que são herdados pelas mães a todos os filhos, sendo
idênticos entre parentes da linhagem materna.

Segundo Butler (2005), os STRs do cromossomo Y são utilizados:


 Verificação da linhagem paterna, para analisar migrações populacionais, pois são
transmitidos de pai para filho sem alteração, a não ser em casos específicos de mutação.
 Pesquisa histórica e genealógica da linhagem paterna.
 Análise do perfil genético em testes de paternidade, aumentando o poder de
discriminação, principalmente quando o DNA do pai biológico não é obtido.
 Em casos de estupro, no qual existe vestígio biológico masculino para a análise de
DNA em um corpo do sexo feminino.
 Verificação de contaminação da amostra biológica por DNA do sexo masculino.
O DNA mitocondrial é utilizado para (Butler, 2005):
 Verificação da linhagem materna, para analisar migrações populacionais, pois são
transmitidos pela mãe a todos os filhos.
 Pesquisa histórica e genealógica da linhagem materna.
 Análise do perfil genético em testes de caracterização de vínculo genético,
aumentando o poder de discriminação, principalmente quando o DNA do pai biológico não é
obtido, e sim de parentes da linhagem materna. 246
 Análise de materiais degradados e em ínfima quantidade, como múmias, ossadas e
material arqueológico, pois o DNA mitocondrial, por ser circular, conserva-se melhor do que
o DNA genômico.
35 INFORTUNÍSTICA MÉDICO-LEGAL

Infortunística é a parte da Medicina Legal que estuda os acidentes do trabalho, as


doenças profissionais e as do trabalho (França, 2001; Croce e Croce Júnior, 2007). É importante
não confundir com a especialidade Medicina do Trabalho que, segundo a Associação Nacional 247
da Medicina do Trabalho (Dias e Mendes, 2009), consiste na “especialidade médica que lida com
as relações entre a saúde dos homens e mulheres e seu trabalho, visando não somente a
prevenção das doenças e dos acidentes do trabalho, mas a promoção da saúde e da qualidade
de vida, através de ações articuladas capazes de assegurar a saúde individual, nas dimensões
física e mental, e de propiciar uma saudável interrelação das pessoas com seu ambiente social,
particularmente, no trabalho”.
No entanto, como podemos perceber, os conceitos se mesclam e podem ser até
confundidos. Para que haja um melhor entendimento quanto à diferença de ambos, é necessária
a sua definição e compará-la com a Medicina Legal. Segundo o Ministério do Trabalho, Norma
Regulamentadora Nº 4, da Portaria 3.214/78, são considerados Médicos do Trabalho “os
médicos portadores de certificado de conclusão de curso de especialização em Medicina do
Trabalho, em nível de pós-graduação, ou portador de certificado de Residência Médica em área
de concentração em Saúde do Trabalhador ou denominação equivalente, reconhecida pela
Comissão Nacional de Residência Médica, do Ministério da Educação, ambos ministrados por
universidade ou faculdade que mantenha curso de graduação em Medicina”.
A Associação Nacional da Medicina do Trabalho (Dias e Mendes, 2009) define que
para o exercício da especialidade espera-se que o profissional médico seja capaz de:
• realizar exames de avaliação da saúde dos trabalhadores (admissionais, periódicos,
demissionais), incluindo a história médica, história ocupacional, avaliação clínica e laboratorial,
avaliação das demandas profissiográficas e cumprimento dos requisitos legais vigentes
(Ministério do Trabalho (NR-7); Ministério da Saúde — SUS; Conselhos Federal/Estadual de
Medicina, etc);
• diagnosticar e tratar as doenças e acidentes relacionados com o trabalho, incluindo
as providências para reabilitação física e profissional;
• prover atenção médica de emergência, na ocorrência de agravos à saúde não
necessariamente relacionados ao trabalho;
• identificar os principais fatores de risco presentes no ambiente de trabalho
decorrentes do processo de trabalho e das formas de organização do trabalho e as principais
consequências ou danos para a saúde dos trabalhadores;
• identificar as principais medidas de prevenção e controle dos fatores de risco
presentes nos ambientes e condições de trabalho, inclusive a correta indicação e limites do uso
dos equipamentos de proteção individual (EPI); 248
• implementar atividades educativas junto aos trabalhadores e empregadores;
• participar da inspeção e avaliação das condições de trabalho com vistas ao seu
controle e à prevenção dos danos para a saúde dos trabalhadores;
• avaliar e opinar sobre o potencial tóxico de risco ou perigo para a saúde, de produtos
químicos mal conhecidos ou insuficientemente avaliados quanto à sua toxicidade;
• interpretar e cumprir normas técnicas e os regulamentos legais, colaborando, sempre
que possível, com os órgãos governamentais, no desenvolvimento e aperfeiçoamento dessas
normas;
• planejar e implantar ações para situações de desastres ou acidentes de grandes
proporções;
• participar da implementação de programas de reabilitação de trabalhadores com
dependência química;
• gerenciar as informações estatísticas e epidemiológicas relativas à mortalidade,
morbidade, incapacidade para o trabalho, para fins da vigilância da saúde e do planejamento,
implementação e avaliação de programas de saúde;
• planejar e implementar outras atividades de promoção da saúde, priorizando o
enfoque dos fatores de risco relacionados ao trabalho.

Segundo a Associação Brasileira de Medicina Legal, a “Medicina Legal é uma


especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, Associação Médica
Brasileira e Comissão Nacional de Residência Médica do Ministério da Educação, e é
responsável pela execução de atos médicos dos quais são elaborados documentos com fé
pública denominados LAUDOS. Estes documentos permitem aos seus portadores (periciandos),
reivindicarem direitos nas diversas áreas do Direito (Penal, Cível, Administrativo, Trabalhista,
Previdenciário, etc)”. Ainda acrescenta que “a Medicina Legal é exercida tanto pelos MÉDICOS –
LEGISTAS, cujo trabalho mais conhecido é exercido nos Institutos de Medicina Legal (atendem
aos indivíduos que sofrem algum tipo de violência física ou mental) quanto por àqueles que
realizam PERÍCIAS MÉDICAS nas diversas áreas do Direito citadas acima.”

Portanto, ao comparar as duas, podemos perceber que a Medicina Legal será


responsável pela avaliação do dano de um portador que reivindica seus diretos em diversas
249
áreas, inclusive no âmbito trabalhista, incluindo “acidentes do trabalho, doenças profissionais e
doenças do trabalho”, como se definiu anteriormente.

França (2001) descreve que os elementos que caracterizam o acidente do trabalho


são:

 Existência de uma lesão do trabalho


 Incapacidade para o trabalho
 Nexo de causalidade
 Existência de certas condições de tempo e lugar
A Lei Nº 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da
Previdência Social e dá outras providências, define acidentes do trabalho, doenças do trabalho e
relacionadas a ela:

Art. 20. Consideram-se acidente do trabalho, nos termos do artigo anterior, as


seguintes entidades mórbidas:
I - doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo
exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva
relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social;
II - doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em
função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se
relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I.
§ 1º Não são consideradas como doença do trabalho:
a) a doença degenerativa;
b) a inerente a grupo etário;
c) a que não produza incapacidade laborativa;
d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se
desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato
direto determinado pela natureza do trabalho.
§ 2º Em caso excepcional, constatando-se que a doença não incluída na relação
prevista nos incisos I e II deste artigo resultou das condições especiais em que o
trabalho é executado e com ele se relaciona diretamente, a Previdência Social 250
deve considerá-la acidente do trabalho.
Art. 21. Equiparam-se também ao acidente do trabalho, para efeitos desta Lei:
I - o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja
contribuído diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da
sua capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica
para a sua recuperação;
II - o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário do trabalho, em
consequência de:
a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou
companheiro de trabalho;
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa
relacionada ao trabalho;
c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de
companheiro de trabalho;
d) ato de pessoa privada do uso da razão;
e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de
força maior;
III - a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício
de sua atividade;
IV - o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de
trabalho:
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da
empresa;
b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar
prejuízo ou proporcionar proveito;
c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo quando financiada por
esta dentro de seus planos para melhor capacitação da mão-de-obra,
independentemente do meio de locomoção utilizado, inclusive veículo de
propriedade do segurado;
d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela,
qualquer que seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do 251
segurado.
§ 1º Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da
satisfação de outras necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante
este, o empregado é considerado no exercício do trabalho.
§ 2º Não é considerada agravação ou complicação de acidente do trabalho a
lesão que, resultante de acidente de outra origem, se associe ou se superponha
às consequências do anterior.
Art. 21-A. A perícia médica do INSS considerará caracterizada a natureza
acidentária da incapacidade quando constatar ocorrência de nexo técnico
epidemiológico entre o trabalho e o agravo, decorrente da relação entre a
atividade da empresa e a entidade mórbida motivadora da incapacidade
elencada na Classificação Internacional de Doenças - CID, em conformidade
com o que dispuser o regulamento.

Para os profissionais que desejam obter maiores informações sobre as doenças que
são enquadradas como profissionais, consultar o Decreto n.º 3.048, de 6 de maio de 1999, que
em seus anexos possuem as seguintes informações:
Anexos

LIVRO I - Da Finalidade e dos Princípios Básicos LIVRO II - Dos Benefícios da


Previdência SocialLIVRO III - Do Custeio da Seguridade SocialLIVRO IV - Das
Penalidades em GeralLIVRO V - Da Organização da Seguridade SocialLIVRO VI
- Das Disposições GeraisA N E X O I - Relação das Situações em que o
Aposentado por Invalidez terá Direito à Majoração de Vinte e Cinco por Cento
Prevista no ART. 45 deste Regulamento
A N E X O II - Agentes Patogênicos Causadores de Doenças Profissionais ou do
Trabalho, Conforme Previsto no ART. 20 da Lei Nº 8.213, DE 1991
LISTA A - Agentes ou Fatores de Riscos de Natureza Ocupacional Relacionados
com a Etiologia de Doenças Profissionais e de Outras Doenças Relacionadas
com o Trabalho
LISTA B - Doenças Infecciosas e Parasitárias Relacionadas com o Trabalho - 252
(Grupo I da CID-10)LISTA B - Neoplasias (TUMORES) Relacionadas com o
TRABALHO - (GRUPO II da CID-10)LISTA B - Doenças do Sangue e dos
Órgãos Hematopoéticos Relacionadas com o TRABALHO (Grupo III da CID-10)
LISTA B - Doenças Endócrinas, Nutricionais e Metabólicas Relacionadas com o
Trabalho (Grupo IV da CID-10)LISTA B - Transtornos Mentais e do
Comportamento Relacionados com o TRABALHO (Grupo V da CID-10)LISTA B
- Doenças do Sistema Nervoso Relacionadas com o Trabalho - (Grupo VI da
CID-10)LISTA B - Doenças do Olho e Anexos Relacionadas com o Trabalho -
(Grupo VII da CID-10)LISTA B - Doenças do Ouvido Relacionadas com o
Trabalho - (Grupo VIII da CID-10)LISTA B - Doenças do Sistema Circulatório
Relacionadas com o Trabalho (Grupo IX da CID-10)LISTA B - Doenças do
Sistema Respiratório Relacionadas com o Trabalho (Grupo X da CID-10)LISTA
B - Doenças do Sistema Digestivo Relacionadas com o Trabalho - (Grupo XI da
CID-10)LISTA B - Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo Relacionadas com
o Trabalho - (Grupo XII da CID-10)LISTA B - Doenças do Sistema
Osteomuscular e do Tecido Conjunto, Relacionadas com o Trabalho - (Grupo
XIII da CID-10)
LISTA B - Doenças do Sistema Geniturinário Relacionadas com o Trabalho -
(Grupo XIV da CID-10)LISTA B - Traumatismos, Envenenamentos e Algumas
outras consequências de Causas Externas, Relacionados com o Trabalho -
(Grupo XIX da CID-10)
ANEXO III - Relação das Situações que Dão Direito ao Auxílio-AcidenteANEXO
IV - Classificação dos Agentes NocivosANEXO V - Relação de Atividades
Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco.
36 SEXOLOGIA FORENSE

“A medicina legal possui um ramo que estuda as questões do comportamento


253
sexual ou relacionadas ao sexo, seus fundamentos médicos, biológicos, psicológicos,
sociais e culturais, no que tange às implicações jurídicas”.

Hercules, 2008

Fatalidades sexuais são mortes decorrentes ou associadas com a atividade sexual,


incluindo mortes que ocorrem durante ato sexual consensual, resultando em mortes acidentais,
naturais ou mesmo homicídios; mortes que ocorrem durante crimes sexuais – homicídios; e
mortes que ocorrem resultante de atos sexuais praticados em si próprios que normalmente são
acidentais (Turvey, 2000).
Também englobam os atos libidinosos e os transtornos da sexualidade, sendo bem
vasta a sua área de atuação (França, 2001; Hercules, 2008). Já Croce e Croce Júnior (2007)
acrescentam que “É o capítulo da Sexologia que estuda as ocorrências médico-legais atinentes
à gravidez, ao aborto, ao parto, ao puerpério, ao infanticídio, à exclusão da paternidade e a
questões diversas relacionadas com a reprodução humana”. Com isso, iremos dividir
didaticamente essas questões em subcapítulos:
Fecundação e gravidez
Parto e puerpério
Aborto
Esterilizações
Transtornos da sexualidade
Violência sexual
o Sedução
o Estupro
o Atentado violento ao pudor
o Assédio sexual
o Corrupção de menores
o Ato obsceno

Figura 67: Figura de


Leonardo da Vinci de
aproximadamente 1512 254
demonstrando seus estudos
sobre a gravidez.

Fecundação, gravidez, parto e puerpério

A gravidez ou gestação é o “período fisiológico da mulher compreendido desde a


fecundação do óvulo, ou dos óvulos, até a morte ou expulsão, espontânea ou propositada, do
produto da concepção (...); é, portanto, o estágio fisiológico da mulher que concebeu, durante o
qual ela traz dentro de si, e alimenta, o produto da concepção”, segundo Croce e Croce Júnior
(2007). Os mesmos autores ainda descrevem a importância médico-legal do diagnóstico da
gravidez, que são:
 Resguardo dos direitos do nascituro 255
 Investigação de paternidade
 Prova de adultério
 Prova de violência carnal
 Nos casos de infanticídio
 Diagnóstico da realidade de um abortamento
 Simulação e atribuição de parto alheio
 Dissimulação, sonegação e substituição do próprio parto
 Atestado de gravidez para funcionárias públicas gestantes
 Impediente de anulação de casamento
 Meio para contrair novas núpcias
 Prova de reconciliação nos processos de dissolução conjugal
 Problemas atinentes aos infortúnios do trabalho
 Intoxicações profissionais lentas que comprometam a evolução da gravidez.

Já a importância médico-legal do parto e do puerpério relaciona-se a diferenciação nos


casos de simulação, sonegação e substituição de recém-natos, crimes de aborto e infanticídio,
da influência do parto e pós-parto no psiquismo feminino, de violência física. Na perícia, o perito
tentará analisar a existência de parto, o tempo decorrido do parto, o número de partos e alguns
tipos específicos de testes laboratoriais, se for necessário para identificar fluidos como
mucosidade vaginal, líquido amniótico, colostro, etc (Croce e Croce Júnior, 2007).
Constam no CID-10 as doenças relacionadas com a gravidez, parto e puerpério, em
seu capítulo XV:
Capítulo XV Gravidez, parto e puerpério (O00-O99)

O00-O08 Gravidez que termina em aborto


O00 Gravidez ectópica
O01 Mola hidatiforme
O02 Outros produtos anormais da concepção
256
O03 Aborto espontâneo
O04 Aborto por razões médicas e legais
O05 Outros tipos de aborto
O06 Aborto não especificado
O07 Falha de tentativa de aborto
O08 Complicações consequentes a aborto e gravidez ectópica ou molar

O10-O16 Edema, proteinúria e transtornos hipertensivos na gravidez, no


parto e no puerpério
O10 Hipertensão preexistente complicando a gravidez, o parto e o puerpério
O11 Distúrbio hipertensivo preexistente com proteinúria superposta
O12 Edema e proteinúria gestacionais [induzidos pela gravidez], sem
hipertensão
O13 Hipertensão gestacional [induzida pela gravidez] sem proteinúria
significativa
O14 Hipertensão gestacional [induzida pela gravidez] com proteinúria
significativa
O15 Eclâmpsia
O16 Hipertensão materna não especificada

O20-O29 Outros transtornos maternos relacionados predominantemente


com a gravidez
O20 Hemorragia do início da gravidez
O21 Vômitos excessivos na gravidez
O22 Complicações venosas na gravidez
O23 Infecções do trato geniturinário na gravidez
O24 Diabetes mellitus na gravidez
O25 Desnutrição na gravidez
O26 Assistência materna por outras complicações ligadas predominantemente à
gravidez
O28 Achados anormais do rastreamento [“screening”] antenatal da mãe
O29 Complicações de anestesia administrada durante a gravidez
257
O30-O48 Assistência prestada à mãe por motivos ligados ao feto e à
cavidade amniótica e por possíveis problemas relativos ao parto
O30 Gestação múltipla
O31 Complicações específicas de gestação múltipla
O32 Assistência prestada à mãe por motivo de apresentação anormal,
conhecida ou suspeitada, do feto
O33 Assistência prestada à mãe por uma desproporção conhecida ou suspeita
O34 Assistência prestada à mãe por anormalidade, conhecida ou suspeita, dos
órgãos pélvicos maternos
O35 Assistência prestada à mãe por anormalidade e lesão fetais, conhecidas ou
suspeitadas
O36 Assistência prestada à mãe por outros problemas fetais conhecidos ou
suspeitados
O40 Poli-hidrâmnio
O41 Outros transtornos das membranas e do líquido amniótico
O42 Ruptura prematura de membranas
O43 Transtornos da placenta
O44 Placenta prévia
O45 Descolamento prematuro da placenta [abruptio placentae]
O46 Hemorragia anteparto não classificada em outra parte
O47 Falso trabalho de parto
O48 Gravidez prolongada

O60-O75 Complicações do trabalho de parto e do parto


O60 Parto pré-termo
O61 Falha na indução do trabalho de parto
O62 Anormalidades da contração uterina
O63 Trabalho de parto prolongado
O64 Obstrução do trabalho de parto devida à má-posição ou má-apresentação
do feto
O65 Obstrução do trabalho de parto devida a anormalidade pélvica da mãe
O66 Outras formas de obstrução do trabalho de parto
O67 Trabalho de parto e parto complicados por hemorragia intraparto não 258
classificados em outra parte
O68 Trabalho de parto e parto complicados por sofrimento fetal
O69 Trabalho de parto e parto complicados por anormalidade do cordão
umbilical
O70 Laceração do períneo durante o parto
O71 Outros traumatismos obstétricos
O72 Hemorragia pós-parto
O73 Retenção da placenta e das membranas, sem hemorragias
O74 Complicações de anestesia durante o trabalho de parto e o parto
O75 Outras complicações do trabalho de parto e do parto não classificadas em
outra parte

O80-O84 Parto
O80 Parto único espontâneo
O81 Parto único por fórceps ou vácuo-extrator
O82 Parto único por cesariana
O83 Outros tipos de parto único assistido
O84 Parto múltiplo

O85-O92 Complicações relacionadas predominantemente com o puerpério


O85 Infecção puerperal
O86 Outras infecções puerperais
O87 Complicações venosas no puerpério
O88 Embolia de origem obstétrica
O89 Complicações da anestesia administrada durante o puerpério
O90 Complicações do puerpério não classificadas em outra parte
O91 Infecções mamárias associadas ao parto
O92 Outras afecções da mama e da lactação associadas ao parto

O95-O99 Outras afecções obstétricas não classificadas em outra parte


O95 Morte obstétrica de causa não especificada
O96 Morte, por qualquer causa obstétrica, que ocorre mais de 42 dias, mas
menos de 1 ano, após o parto
259
O97 Morte por sequelas de causas obstétricas diretas
O98 Doenças infecciosas e parasitárias maternas classificáveis em outra parte,
mas que compliquem a gravidez, o parto e o puerpério
O99 Outras doenças da mãe, classificadas em outra parte, mas que complicam
a gravidez o parto e o puerpério

Aborto
O aborto, no Brasil, é considerado crime, como é disposto no Código Penal:

Aborto Provocado pela Gestante ou com seu Consentimento


Art. 124 - Provocar Aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.
Aborto Provocado por Terceiro
Art. 125 - Provocar Aborto, sem o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos.
Art. 126 - Provocar Aborto com o consentimento da gestante:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
Parágrafo único - Aplica-se a pena do artigo anterior se a gestante não é maior
de 14 (quatorze) anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é
obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência.
Forma Qualificada
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de
um terço, se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para
provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas,
se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.
No entanto, o médico não será punido se o aborto for praticado em determinados
casos, tais como:
Art. 128 - Não se pune o Aborto praticado por médico:
Aborto Necessário
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no Caso de Gravidez Resultante de Estupro 260
II - se a gravidez resulta de estupro e o Aborto é precedido de consentimento da
gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

Já o aborto eugênico, que segundo França (2001), “visa à intervenção em fetos


defeituosos ou com possibilidades de o serem”, é considerado crime. O exame de corpo de
delito realizado na gestante para aborto ou o exame cadavérico da gestante em casos de aborto
são (França, 2001; Croce e Croce Júnior, 2007 e Hercules 2008):
Exame de corpo de delito para aborto:
1. Se há vestígio de provocação de aborto;
2. Qual o meio empregado;
3. Se, em consequência de aborto ou de meio empregado para provocá-lo, sofreu
a gestante incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 (trinta)
dias.

Resumidamente, Croce e Croce Júnior (2007) esquematizam a classificação médico


legal do aborto (Figura 68) e a legalidade ou não da realização do aborto mundial (Figura 69).
261

Figura 68: classificação médico-legal do aborto, segundo Croce e Croce Júnior (2007).
262

Figura 69: Mapa mundial com a legalização ou não da prática do aborto.

Transtornos da sexualidade

Segundo França (2001), “os transtornos da sexualidade são distúrbios qualitativos ou


quantitativos do instinto sexual, também chamados de parafilias, podendo existir como sintoma
uma perturbação psíquica, como intervenção de fatores orgânicos glandulares e simplesmente
como questão da preferência sexual”.
Já para Croce e Croce Júnior, esses transtornos são estudados dentro da
psicopatologia forense, na qual a psicossexualidade estuda exatamente esses desvios de
atividade sexual. E ainda descreve que os desvios da atividade sexual podem estar presentes
em qualquer indivíduo em estado latente, sendo desencadeados por situações externas, tóxicas
(álcool, drogas ilícitas), fisiológicas (puberdade, menopausa) e patológicas.
Hercules (2008) identifica-as como parafilias que são “caracterizadas por anseios,
fantasias ou comportamentos sexuais, manifestados de modo intenso e recorrente, que
envolvem objetos, atividades ou situações incomuns e causam sofrimento clinicamente
significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes
da vida do indivíduo”.
Para Aurélio (2004), a parafilia é “cada um de um grupo de distúrbios psicossexuais em 263
que o indivíduo sente necessidade imediata, repetida e imperiosa de ter atividades sexuais, em
que se incluem, por vezes, fantasias com objeto não humano, autossofrimento ou auto-
humilhação, ou sofrimento ou humilhação, consentidos ou não, de parceiro”.
França (2001) e Croce e Croce Júnior (2007) descrevem detalhadamente os diversos
tipos de transtornos, mas alguns serão resumidamente citados nesse curso:
Anafrodisia: consiste na diminuição ou deteriorização do instinto sexual decorrente de
uma doença nervosa ou glandular.
Frigidez: diminuição do apetite sexual da mulher.
Erotismo: tendência abusiva dos atos sexuais. Exemplos: ninfomania, na mulher e
satiríase, no homem.
Autoerotismo: é o transtorno decorrente da ausência de outra pessoa, sendo que o
orgasmo ocorre somente com o pensamento.
Erotomania: possui ideia fixa do amor dito “platônico” que o domina e avassala sua vida,
pois se dedica exclusivamente a esse amor.
Exibicionismo: obsessão em mostrar suas genitálias, sem convite para a relação sexual.
Segundo o CID-10, consiste em “Tendência recorrente ou persistente de expor seus
órgãos genitais a estranhos (em geral do sexo oposto) ou a pessoas em locais públicos,
sem desejar ou solicitar contato mais estreito. Há, em geral, mas não constantemente,
excitação sexual no momento da exibição e o ato é, normalmente, seguido de
masturbação”.
Narcisismo: admiração pelo próprio corpo de maneira exagerada.
Voyeurismo: segundo o CID-10 consiste em “Tendência recorrente ou persistente de
observar pessoas em atividades sexuais ou íntimas como o tirar a roupa. Isto é realizado
sem que a pessoa observada se aperceba de o sê-lo, e conduz geralmente à excitação
sexual e masturbação”.
Mixoscopia: prazer sexual que é despertado em indivíduos ao presenciar o ato sexual de
terceiros.
Fetichismo: atração por parte do corpo ou objetos pertencentes à pessoa amada.
Segundo o CID-10 consiste na “utilização de objetos inanimados como estímulo da
excitação e da satisfação sexual. Numerosos fetiches são prolongamentos do corpo
como, por exemplo, as vestimentas e os calçados. Outros exemplos comuns dizem
respeito a uma textura particular como a borracha, o plástico ou o couro. Os objetos 264
fetiches variam na sua importância de um indivíduo para o outro. Em certos casos
servem simplesmente para reforçar a excitação sexual, atingida por condições normais
(exemplo: pedir a seu parceiro que vista uma dada roupa)”.
Lubricidade senil: manifestação sexual exagerada relacionada à demência senil ou
outros tipos de perturbações patológicas, sendo que, geralmente, a idade da vítima é
inversamente proporcional à idade do ator.
Pluralismo: prática sexual por três ou mais pessoas.
Bestialismo ou zoofilismo: satisfação sexual com animais domésticos.
Onanismo: impulso obsessivo na manipulação dos órgãos sexuais.
Necrofilia: obsessão e compulsão de praticar atos sexuais com cadáveres.
Sadismo: desejo ou satisfação sexual realizados com o sofrimento do parceiro.
Masoquismo: desejo ou satisfação sexual obtidos pelo próprio sofrimento.
Pedofilia: perversão sexual por crianças.
Homossexualismo: atração sexual por pessoas do mesmo gênero.
Intersexualismo: o indivíduo apresenta a genitália externa e/ou interna indiferenciadas.
Transexualismo: inconformado com o seu estado sexual, e geralmente não admite
prática homossexual. Segundo o CID-10 consiste em “um desejo de viver e ser aceito
enquanto pessoa do sexo oposto. Este desejo se acompanha em geral de um
sentimento de mal-estar ou de inadaptação por referência a seu próprio sexo anatômico
e do desejo de submeter-se a uma intervenção cirúrgica ou a um tratamento hormonal a
fim de tornar seu corpo tão conforme quanto possível ao sexo desejado”.
Travestismo: utiliza vestes do sexo oposto e, na maioria das vezes, tendentes ao
homossexualismo. Segundo o CID-10, “esse termo designa o fato de usar vestimentas
do sexo oposto durante uma parte de sua existência, de modo a satisfazer a experiência
temporária de pertencer ao sexo oposto, mas sem desejo de alteração sexual mais
permanente ou de uma transformação cirúrgica; a mudança de vestimenta não se
acompanha de excitação sexual. Já o Travestismo fetichista consiste em “vestir roupas
do sexo oposto, principalmente com o objetivo de obter excitação sexual e de criar a
aparência de pessoa do sexo oposto. O travestismo fetichista se distingue do
travestismo transexual pela sua associação clara com uma excitação sexual e pela
necessidade de se remover as roupas uma vez que o orgasmo ocorra e haja declínio da
excitação sexual. Pode ocorrer como fase preliminar no desenvolvimento do 265
transexualismo.”

Atualmente, esses transtornos estão citados no Código Internacional de Doenças-10


(CID-10):
F64 Transtornos da identidade sexual
F64.0 - Transexualismo
F64.1 - Travestismo de duplo papel
F64.2 - Transtornos da identidade sexual na infância
F64.8 - Outros transtornos da identidade sexual
F64.9 - Transtorno da identidade sexual, não especificado

F65 - Transtornos da preferência sexual


F65.0 - Fetichismo
F65.1 - Travestismo fetichista
F65.2 - Exibicionismo
F65.3 - Voyeurismo
F65.4 - Pedofilia
F65.5 - Sadomasoquismo
F65.6 - Transtornos múltiplos da preferência sexual
F65.8 - Outros transtornos da preferência sexual
F65.9 - Transtornos da preferência sexual, não especificado
VIOLÊNCIA SEXUAL

266

Figura 70: Marquesa de Brinvilliers (1630-1676) sendo torturada em um Cavalete como punição
por cometer envenenamentos em série.

Entende-se por violência “constrangimento físico ou moral; uso da força; coação”


(Aurélio, 2004), podendo ter participação sexual ou existem diversos tipos de crimes sexuais e
estão descritos no Código Penal:
LEI Nº 12.015, DE 7 DE AGOSTO DE 2009.

Mensagem de veto Altera o Título VI da Parte Especial do


Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, e o art.
1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, que dispõe sobre os crimes
hediondos, nos termos do inciso XLIII do art. 5o da Constituição Federal
e revoga a Lei no 2.252, de 1o de julho de 1954, que trata de corrupção
de menores. 267

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono


a seguinte Lei:

Art. 1o Esta Lei altera o Título VI da Parte Especial do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro
de 1940 - Código Penal, e o art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, que dispõe sobre os
crimes hediondos, nos termos do inciso XLIII do art. 5o da Constituição Federal.

Art. 2o O Título VI da Parte Especial do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 -


Código Penal, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“TÍTULO VI

DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL

CAPÍTULO I

DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE SEXUAL

Estupro

Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a
praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:

Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.


§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18
(dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos:

Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.

§ 2o Se da conduta resulta morte:


268
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.” (NR)

“Violação sexual mediante fraude

Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou
outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.

Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se
também multa.” (NR)

“Assédio sexual

Art. 216-A. ....................................................................

§ 2o A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos.” (NR)

“CAPÍTULO II

DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL

Art. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.


“Ação penal

Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante ação penal
pública condicionada à representação.

Parágrafo único. Procede-se, entretanto, mediante ação penal pública incondicionada se a


vítima é menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável.” (NR) 269

“Estupro de vulnerável

Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze)
anos:

Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.

§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por
enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou
que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Tarso Genro

A seguir, serão estudados todos esses crimes:

Estupro

Segundo o Código Penal, estupro é “Constranger alguém, mediante violência ou grave


ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato
libidinoso.” França (2001) acrescenta que o estupro “é a posse sexual de alguém por meios
violentos – efetivos ou presumidos, ou pela grave ameaça”.
A violência pode ser efetiva ou presumida (França, 2001):
Violência efetiva: o criminoso utiliza de força física ou emprega meios que
impedem que a vítima reaja. Pode ser física, quando o agressor utiliza da força
física para conseguir o êxito na violência ou psíquica, quando o agressor 270
utiliza-se de formas que enfraquecem as faculdades mentais da vítimas, como
na utilização de anestésicos, drogas alucinógenas e outras.
Violência presumida: quando ocorre em menores de 14 anos, alienados ou
débeis mentais e por outra causa qualquer que impeça a vítima de se
defender, como descreve o Código Penal:

Presunção de Violência
Art. 224 - Presume-se a violência, se a vítima:
a) não é maior de 14 (catorze) anos;
b) é alienada ou débil mental, e o agente conhecia esta circunstância;
c) não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência.

Atentado violento ao pudor

O atentado violento ao pudor não distingue o sexo, como ocorre no estupro no qual a
vítima é sempre mulher. Segundo Croce e Croce Júnior (2007) são elementos comuns ao crime:
o constrangimento, a violência ou grave ameaça, os atos impudicos ou libidinosos e o dolo
específico. O Aurélio define atentado ao pudor como “Este sentimento, ligado a atos ou coisas
que se relacionam com o sexo; recato, vergonha, pudicícia”. De acordo com diversos autores
(França, 2001; Croce e Croce Júnior, 2007) são exemplos de atentado violento ao pudor:
Introdução dos dedos na vagina da ofendida;
Coito anal;
Coito oral;
Heteromasturbação;
Toques e apalpações nos seios, vagina e nádegas;
Contatos voluptuosos de forma constrangedora;
Beijos, carícias e afetos que são praticados com violência, ou grave ameaça,
prolongada e escandalosamente, com impulso erótico;
Marido contra a esposa cuja ameaça e violência a força a um ato libidinoso
diverso da conjunção carnal; etc.

Posse sexual mediante fraude 271

Caracteriza-se por três elementos: conjunção carnal, honestidade e honra da pessoa e


a fraude. No entanto, a sua ocorrência é rara no Brasil. A pessoa, honesta e honrada que não
pratica atos imorais, deve ser persuadida maliciosamente, de má-fé ou é enganada por um
homem para que tenha relações sexuais com a mesma. Pode-se citar como exemplo a mulher
que mediante persuasão do namorado, casou-se com ele apenas no religioso e não no civil, para
que pudesse ter relações sexuais com ela, sendo abandonada tempos depois (Croce e Croce
Júnior, 2007).

Atentado ao pudor mediante fraude

Ocorre como a posse sexual mediante fraude, com a diferença que não seja conjunção
carnal com uma mulher e sim atentado violento ao pudor, como descrito anteriormente.

Assédio sexual

Acrescentado ao Código Penal em 2001, o assédio sexual é “constranger alguém com


o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição
de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função”.
Segundo o Aurélio (2004), o assédio consiste em “insistência importuna, junto de alguém, com
perguntas, propostas, pretensões, etc”.

Sedução

Segundo o Aurélio, seduzir é “crime consistente em iludir mulher virgem, maior de 14 e


menor de 18 anos, valendo-se da sua inexperiência ou justificável confiança para manter com
ela conjunção carnal” e segundo Croce e Croce Junior (2007), seduzir é “toda e qualquer
atuação exercida de modo irresistível e influente o bastante para convencer outrem a fazer ou
realizar o que é de intenção do agente”. No entanto, a sedução deixou de ser considerada crime,
pois foi revogado pela Lei 11.106 de 2005.

Corrupção de menores 272

“Corromper ou facilitar a corrupção de pessoa maior de 14 (catorze) e menor de 18


(dezoito) anos, com ela praticando ato de libidinagem, ou induzindo-a a praticá-lo ou presenciá-
lo” é considerado crime segundo o Código Penal. Segundo o Aurélio, corromper significa
“Perverter, depravar, viciar” e Hercules (2009) acrescenta que o ato de libidinagem pode ser
praticado com a vítima ou induzi-la a praticá-la em si ou outrem ou mesmo induzi-la a presenciá-
lo.

Ato obsceno

Aurélio (2004) define obsceno como aquele “que fere o pudor; impuro, desonesto”.
Hercules (2008) define-o como obsceno “aquilo que atrita, aberta e grosseiramente, com o
sentimento de pudor do homem comum ou com os bons costumes ou hábitos de decência
social”, e deve ser realizado em local público ou aberto ou exposto ao público para ser
considerado crime. O Código Penal o define:

Código Penal - CP – Decreto-Lei 2.848/1940


Parte Especial
Título VI
Dos Crimes contra os Costumes
Capítulo VI
Do Ultraje Público ao Pudor

Ato Obsceno
Art. 233 - Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao
público:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
Escrito ou Objeto Obsceno
Art. 234 - Fazer, importar, exportar, adquirir ou ter sob sua guarda, para fim de
comércio, de distribuição ou de exposição pública, escrito, desenho, pintura, 273
estampa ou qualquer objeto obsceno:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa.
Parágrafo único - Incorre na mesma pena quem:
I - vende, distribui ou expõe à venda ou ao público qualquer dos objetos
referidos neste artigo;
II - realiza, em lugar público ou acessível ao público, representação teatral, ou
exibição cinematográfica de caráter obsceno, ou qualquer outro espetáculo, que
tenha o mesmo caráter;
III - realiza, em lugar público ou acessível ao público, ou pelo rádio, audição ou
recitação de caráter obsceno.

Perícias em sexologia forense

As perícias realizadas nos crimes contra os costumes normalmente fazem exame de


corpo de delito de conjunção carnal ou de atentado violento ao pudor, nos quais França (2001),
Croce e Croce Júnior (2007) e Hercules (2008) dispõem os quesitos oficiais:
Conjunção carnal:
1. Se a paciente é virgem.
2. Se há vestígio de desvirginamento recente.
3. Se há outros vestígios de conjunção carnal recente.
4. Se há vestígio de violência e, no caso afirmativo, qual o meio empregado.
5. Se da violência resultou para a vítima incapacidade para as ocupações habituais
por mais de 30 dias, ou perigo de vida, ou debilidade permanente ou perda ou
inutilização de membro, sentido ou função, ou incapacidade permanente para
o trabalho, ou enfermidade incurável, ou deformidade permanente, ou
aceleração de parto, ou aborto (resposta especificada).
6. Se a vítima é alienada ou débil mental.
7. Se houve outra causa diversa da idade não maior de 14 anos, alienação ou
debilidade mental, que a impedisse de oferecer resistência.

Atentado violento ao pudor:


1. Se há vestígio de ato libidinoso. 274
2. Se há vestígio de violência e, no caso afirmativo, qual o meio empregado.
3. Se da violência resultou para a vítima incapacidade para as ocupações habituais
por mais de 30 dias, ou perigo de vida, ou debilidade permanente ou perda ou
inutilização de membro, sentido ou função, ou incapacidade permanente para
o trabalho, ou enfermidade incurável, ou deformidade permanente, ou
aceleração de parto, ou aborto (resposta especificada).
4. Se a vítima é alienada ou débil mental.
5. Se houve outra causa diversa da idade não maior de 14 anos, alienação ou
debilidade mental, que a impedisse de oferecer resistência.

Crimes contra a criança: maus-tratos, abandono de incapaz e infanticídio

O Código Penal tipifica como crime todas essas modalidades de violência contra a
criança:

Código Penal - CP – Decreto-Lei 2.848/1940


Parte Especial
Título I
Dos Crimes Contra a Pessoa

Capítulo I
Dos Crimes Contra a Vida

Infanticídio
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o
parto ou logo após:
Pena - detenção, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
(...)
Capítulo III
Da Periclitação da Vida e da Saúde

Abandono de Incapaz
Art. 133 - Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou
autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos 275
resultantes do abandono:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos.
§ 1º - Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
Aumento de pena
§ 3º - As penas cominadas neste artigo aumentam-se de um terço:
I - se o abandono ocorre em lugar ermo;
II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador
da vítima.
III – se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos. (Alterado pela Lei 10.741/2003)
Exposição ou Abandono de Recém-Nascido
Art. 134 - Expor ou abandonar recém-nascido, para ocultar desonra própria:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - detenção, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
(...)
Maus-Tratos
Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade,
guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer
privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a
trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou
disciplina:
Pena - detenção, de 2 (dois) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
§ 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa 276
menor de 14 (catorze) anos. (Acrescentado pela Lei 8.069/1990).

Os quesitos oficiais para o exame de corpo de delito para infanticídio são (França,
2001; Croce e Croce Júnior, 2007 e Hercules 2008):
1. Se houve morte.
2. Se a morte foi ocasionada durante o parto ou logo após.
3. Qual a causa da morte.
4. Qual o instrumento ou meio que produziu a morte.
5. Se foi produzida por meio de veneno, fogo, explosivo, asfixia ou tortura, ou por
outro meio insidioso e cruel (resposta especificada).
37 PSIQUIATRIA FORENSE

A Psiquiatria forense auxiliará a justiça, entre outras finalidades, no comportamento


dos indivíduos com as outras pessoas na sociedade, principalmente para o estudo da
imputabilidade penal e consequente responsabilidade (Croce e Croce Júnior, 2007, Hercules, 277
2008).
A Lei 10.216, de 6 de abril de 2001, que propõe a regulamentação dos direitos da
pessoa com transtornos mentais foi um marco na história da psiquiatria:

LEI No 10.216, DE 6 DE ABRIL DE 2001.

Dispõe sobre a proteção e os


direitos das pessoas portadoras de
transtornos mentais e redireciona o
modelo assistencial em saúde
mental.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional


decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Os direitos e a proteção das pessoas acometidas de transtorno mental,


de que trata esta Lei, são assegurados sem qualquer forma de discriminação
quanto à raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, opção política,
nacionalidade, idade, família, recursos econômicos e ao grau de gravidade ou
tempo de evolução de seu transtorno, ou qualquer outra.

Art. 2o Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e


seus familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos
enumerados no parágrafo único deste artigo.

Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental:


I - ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas
necessidades;

II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar


sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no
trabalho e na comunidade;
278
III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração;

IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas;

V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a


necessidade ou não de sua hospitalização involuntária;

VI - ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis;

VII - receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu


tratamento;

VIII - ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos


possíveis;

IX - ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.

Art. 3o É responsabilidade do Estado o desenvolvimento da política de saúde


mental, a assistência e a promoção de ações de saúde aos portadores de
transtornos mentais, com a devida participação da sociedade e da família, a qual
será prestada em estabelecimento de saúde mental, assim entendidas as
instituições ou unidades que ofereçam assistência em saúde aos portadores de
transtornos mentais.

Art. 4o A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando


os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.

§ 1o O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção social do


paciente em seu meio.
§ 2o O tratamento em regime de internação será estruturado de forma a oferecer
assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo
serviços médicos, de assistência social, psicológicos, ocupacionais, de lazer, e
outros.

§ 3o É vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em


279
instituições com características asilares, ou seja, aquelas desprovidas dos
recursos mencionados no § 2o e que não assegurem aos pacientes os direitos
enumerados no parágrafo único do art. 2o.

Art. 5o O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize


situação de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou
de ausência de suporte social, será objeto de política específica de alta
planejada e reabilitação psicossocial assistida, sob responsabilidade da
autoridade sanitária competente e supervisão de instância a ser definida pelo
Poder Executivo, assegurada a continuidade do tratamento, quando necessário.

Art. 6o A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico


circunstanciado que caracterize os seus motivos.

Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica:

I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário;

II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e


a pedido de terceiro; e

III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.

Art. 7o A pessoa que solicita voluntariamente sua internação, ou que a consente,


deve assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou por esse
regime de tratamento.

Parágrafo único. O término da internação voluntária dar-se-á por solicitação


escrita do paciente ou por determinação do médico assistente.
Art. 8o A internação voluntária ou involuntária somente será autorizada por
médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM do
Estado onde se localize o estabelecimento.

§ 1o A internação psiquiátrica involuntária deverá, no prazo de setenta e duas


horas, ser comunicada ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico
280
do estabelecimento no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento
ser adotado quando da respectiva alta.

§ 2o O término da internação involuntária dar-se-á por solicitação escrita do


familiar, ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista
responsável pelo tratamento.

Art. 9o A internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação


vigente, pelo juiz competente, que levará em conta as condições de segurança
do estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e
funcionários.

Art. 10. Evasão, transferência, acidente, intercorrência clínica grave e


falecimento serão comunicados pela direção do estabelecimento de saúde
mental aos familiares, ou ao representante legal do paciente, bem como à
autoridade sanitária responsável, no prazo máximo de vinte e quatro horas da
data da ocorrência.

Art. 11. Pesquisas científicas para fins diagnósticos ou terapêuticos não poderão
ser realizadas sem o consentimento expresso do paciente, ou de seu
representante legal, e sem a devida comunicação aos conselhos profissionais
competentes e ao Conselho Nacional de Saúde.

Art. 12. O Conselho Nacional de Saúde, no âmbito de sua atuação, criará


comissão nacional para acompanhar a implementação desta Lei.

Art. 13. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 6 de abril de 2001; 180o da Independência e 113o da República.


FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Jose Gregori
José Serra
Roberto Brant

281
Para a realização da psiquiatria forense é necessário que o médico possua
conhecimentos médicos, psiquiátricos e jurídicos e segundo Croce e Croce Júnior (2007)
denomina-se juspsiquiatria. Para considerar um indivíduo imputável é necessário que um
psiquiatra forense o avalie e diagnostique alguma condição considerada no Código Penal,
relacionado com as doenças mentais ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado:

Código Penal - CP – Decreto-Lei 2.848/1940


Parte Geral
Título III
Da Imputabilidade Penal
Inimputáveis
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento
mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de
acordo com esse entendimento. (Alterado pela Lei 7.209/1984)
Redução de Pena
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente,
em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental
incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Alterado pela
Lei 7.209/1984)
Menores de Dezoito Anos
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando
sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. (Alterado pela Lei
7.209/1984)
Emoção e Paixão
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (Alterado pela Lei 7.209/1984)
I - a emoção ou a paixão;
Embriaguez
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos
análogos.
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de 282
caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento. (Alterado pela Lei 7.209/1984).
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por
embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo
da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Alterado pela Lei
7.209/1984).
.

O CID-10 classifica o retardo mental como “parada do desenvolvimento ou


desenvolvimento incompleto do funcionamento intelectual, caracterizados essencialmente por
um comprometimento, durante o período de desenvolvimento, das faculdades que determinam o
nível global de inteligência, isto é, das funções cognitivas, de linguagem, da motricidade e do
comportamento social. O retardo mental pode acompanhar outro transtorno mental ou físico, ou
ocorrer de modo independente”.
Já os transtornos de desenvolvimento psicológicos “classificados em F80-F89 têm em
comum: a) início situado obrigatoriamente na primeira ou segunda infância; b) comprometimento
ou retardo do desenvolvimento de funções estreitamente ligadas à maturação biológica do
sistema nervoso central; e c) evolução contínua sem remissões nem recaídas. Na maioria dos
casos, as funções atingidas compreendem a linguagem, as habilidades espaço-visuais e a
coordenação motora. Habitualmente o retardo ou a deficiência já estava presente mesmo antes
de poder ser posta em evidência com certeza, diminuirá progressivamente com a idade; déficits
mais leves podem, contudo, persistir na idade adulta” (CID-10).
Esses e outros tipos de transtornos psiquiátricos presentes no CID-10 que, após
exame clínico detalhado e minucioso por parte do médico e dependendo do tipo e grau podem
ou não considerar o portador como imputável penalmente:

F00-F09 Transtornos mentais orgânicos, inclusive os sintomáticos 283

F00* Demência na doença de Alzheimer (G30.-†)

F01 Demência vascular

F02* Demência em outras doenças classificadas em outra parte

F03 Demência não especificada

F04 Síndrome amnésica orgânica não induzida pelo álcool ou por outras
substâncias psicoativas

F05 Delirium não induzido pelo álcool ou por outras substâncias psicoativas

F06 Outros transtornos mentais devidos a lesão e disfunção cerebral e a doença


física

F07 Transtornos de personalidade e do comportamento devidos a doença, a


lesão e a disfunção cerebral

F09 Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado

F10-F19 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de


substância psicoativa

F10 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool

F11 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de opiáceos

F12 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de canabinoides


F13 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de sedativos e
hipnóticos

F14 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso da cocaína

F15 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de outros


estimulantes, inclusive a cafeína 284

F16 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de alucinógenos

F17 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de fumo

F18 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de solventes


voláteis

F19 Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de múltiplas drogas


e ao uso de outras substâncias psicoativas

F20-F29 Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes

F20 Esquizofrenia

F21 Transtorno esquizotípico

F22 Transtornos delirantes persistentes

F23 Transtornos psicóticos agudos e transitórios

F24 Transtorno delirante induzido

F25 Transtornos esquizoafetivos

F28 Outros transtornos psicóticos não-orgânicos

F29 Psicose não orgânica não especificada

F30-F39 Transtornos do humor [afetivos]


F30 Episódio maníaco

F31 Transtorno afetivo bipolar

F32 Episódios depressivos

F33 Transtorno depressivo recorrente


285
F34 Transtornos de humor [afetivos] persistentes

F38 Outros transtornos do humor [afetivos]

F39 Transtorno do humor [afetivo] não especificado

F40-F48 Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com o “stress”


e transtornos somatoformes

F40 Transtornos fóbico-ansiosos

F41 Outros transtornos ansiosos

F42 Transtorno obsessivo-compulsivo

F43 Reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação

F44 Transtornos dissociativos [de conversão]

F45 Transtornos somatoformes

F48 Outros transtornos neuróticos

F50-F59 Síndromes comportamentais associadas a disfunções fisiológicas


e a fatores físicos

F50 Transtornos da alimentação

F51 Transtornos não-orgânicos do sono devidos a fatores emocionais


F52 Disfunção sexual, não causada por transtorno ou doença orgânica

F53 Transtornos mentais e comportamentais associados ao puerpério, não


classificados em outra parte

F54 Fatores psicológicos ou comportamentais associados a doença ou a


transtornos classificados em outra parte 286

F55 Abuso de substâncias que não produzem dependência

F59 Síndromes comportamentais associados a transtornos das funções


fisiológicas e a fatores físicos, não especificadas

F60-F69 Transtornos da personalidade e do comportamento do adulto

F60 Transtornos específicos da personalidade

F61 Transtornos mistos da personalidade e outros transtornos da personalidade

F62 Modificações duradouras da personalidade não atribuíveis a lesão ou


doença cerebral

F63 Transtornos dos hábitos e dos impulsos

F64 Transtornos da identidade sexual

F65 Transtornos da preferência sexual

F66 Transtornos psicológicos e comportamentais associados ao


desenvolvimento sexual e à sua orientação

F68 Outros transtornos da personalidade e do comportamento do adulto

F69 Transtorno da personalidade e do comportamento do adulto, não


especificado

F70-F79 Retardo mental


F70 Retardo mental leve

F71 Retardo mental moderado

F72 Retardo mental grave

F73 Retardo mental profundo


287
F78 Outro retardo mental

F79 Retardo mental não especificado

F80-F89 Transtornos do desenvolvimento psicológico

F80 Transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da linguagem

F81 Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares

F82 Transtorno específico do desenvolvimento motor

F83 Transtornos específicos misto do desenvolvimento

F84 Transtornos globais do desenvolvimento

F88 Outros transtornos do desenvolvimento psicológico

F89 Transtorno do desenvolvimento psicológico não especificado

F90-F98 Transtornos do comportamento e transtornos emocionais que


aparecem habitualmente durante a infância ou a adolescência

F90 Transtornos hipercinéticos

F91 Distúrbios de conduta

F92 Transtornos mistos de conduta e das emoções

F93 Transtornos emocionais com início especificamente na infância


F94 Transtornos do funcionamento social com início especificamente durante a
infância ou a adolescência

F95 Tiques

F98 Outros transtornos comportamentais e emocionais com início habitualmente


durante a infância ou a adolescência 288

F99 Transtorno mental não especificado em outra parte

Segundo o CID-10, os graus de retardo mental são definidos como:

F70-F79 Retardo mental


F70 Retardo mental leve: Amplitude aproximada do QI entre 50 e 69 (em
adultos, idade mental de 9 a menos de 12 anos). Provavelmente devem ocorrer
dificuldades de aprendizado na escola. Muitos adultos serão capazes de
trabalhar e de manter relacionamento social satisfatório e de contribuir para a
sociedade.

F71 Retardo mental moderado: Amplitude aproximada do QI entre 35 e 49 (em


adultos, idade mental de 6 a menos de 9 anos). Provavelmente devem ocorrer
atrasos acentuados do desenvolvimento na infância, mas a maioria dos
pacientes aprendem a desempenhar algum grau de independência quanto aos
cuidados pessoais e adquirir habilidades adequadas de comunicação e
acadêmicas. Os adultos necessitarão de assistência em grau variado para viver
e trabalhar na comunidade.

F72 Retardo mental grave: Amplitude aproximada de QI entre 20 e 40 (em


adultos, idade mental de 3 a menos de 6 anos). Provavelmente deve ocorrer a
necessidade de assistência contínua.
F73 Retardo mental profundo: QI abaixo de 20 (em adultos, idade mental abaixo
de 3 anos). Devem ocorrer limitações graves quanto aos cuidados pessoais,
continência, comunicação e mobilidade.
F78 Outro retardo mental

F79 Retardo mental não especificado


289
F80 Transtornos específicos do desenvolvimento da fala e da linguagem

Além das doenças mentais, perturbações da saúde mental e desenvolvimento mental


retardado, outros fatores inúmeros fatores podem ser levados em consideração na avaliação da
imputabilidade penal, como descrevem detalhadamente França (2001) e Croce e Croce Júnior.
No entanto, devido sua complexidade e extensão, nesse curso somente citaremos esses fatores:
ambientais, grau de civilização, multidões, biológicos, idade (menor de 18 anos), sexo (fatores
ligados ao sexo, como tensão pré-menstrual), sono, sonambulismo, hipnotismo, emoção e
paixão, surdo-mudez, e outros.

O exame de sanidade mental deverá ser realizado, como consta no Código de


Processo Penal:

Código de Processo Penal - CPP – Lei 3.689/1941


Livro I
Do Processo em Geral
Título VI
Das Questões e Processos Incidentes
Capítulo VIII
Da Insanidade Mental do Acusado

Art. 149 - Quando houver dúvida sobre a integridade mental do acusado, o juiz
ordenará, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, do defensor, do
curador, do ascendente, descendente, irmão ou cônjuge do acusado, seja este
submetido a exame médico-legal.
§ 1º - O exame poderá ser ordenado ainda na fase do inquérito, mediante
representação da autoridade policial ao juiz competente.
§ 2º - O juiz nomeará curador ao acusado, quando determinar o exame, ficando
suspenso o processo, se já iniciada a ação penal, salvo quanto às diligências
que possam ser prejudicadas pelo adiamento.
Art. 150 - Para o efeito do exame, o acusado, se estiver preso, será internado 290
em manicômio judiciário, onde houver, ou, se estiver solto, e o requererem os
peritos, em estabelecimento adequado que o juiz designar.
§ 1º - O exame não durará mais de 45 (quarenta e cinco) dias, salvo se os
peritos demonstrarem a necessidade de maior prazo.
§ 2º - Se não houver prejuízo para a marcha do processo, o juiz poderá autorizar
sejam os autos entregues aos peritos, para facilitar o exame.
Art. 151 - Se os peritos concluírem que o acusado era, ao tempo da infração,
irresponsável nos termos do Art. 26, caput do Código Penal - reforma penal
1984, o processo prosseguirá, com a presença do curador.
Art. 152 - Se se verificar que a doença mental sobreveio à infração o processo
continuará suspenso até que o acusado se restabeleça, observado o § 2º do Art.
149.
§ 1º - O juiz poderá, nesse caso, ordenar a internação do acusado em
manicômio judiciário ou em outro estabelecimento adequado.
§ 2º - O processo retomará o seu curso, desde que se restabeleça o acusado,
ficando-lhe assegurada a faculdade de reinquirir as testemunhas que houverem
prestado depoimento sem a sua presença.
Art. 153 - O incidente da insanidade mental processar-se-á em auto apartado,
que só depois da apresentação do laudo, será apenso ao processo principal.
Art. 154 - Se a insanidade mental sobrevier no curso da execução da pena,
observar-se-á o disposto no Art. 682.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se perceber nesse curso que mesmo dentro da Medicina Legal existem diversas
áreas de atuação que muitas vezes podem ser somadas aos conhecimentos de outras
especialidades médicas como a Psiquiatria, por exemplo, elucidando aqueles que ainda não 291
conheciam sua global dimensão.
A Medicina legal é uma carreira de grandes dimensões e o médico que desejar seguir
por essa especialidade importante deverá possuir, além do conhecimento global da Medicina,
conhecimento jurídico pertinente. Esses fatos impossibilitam discutir e ensinar TUDO sobre a
Medicina Legal em um curso de extensão, mas espera-se que o aluno tenha compreendido
noções básicas da Medicina Legal e de sua área de atuação.
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