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Termo de Responsabilização

A Implantação de Empresas Multinacionais em Moçambique: Uma Reflexão Sobre o


Contributo da Responsabilidade Social Corporativa da Mozal no Desenvolvimento
Económico.

Trabalho de fim de curso a ser submetido ao Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI)
como cumprimento parcial dos requisitos necessários para obtenção do grau de Licenciado em
Relações Internacionais e Diplomacia.

O Candidato O Supervisor

_______________________________ _________________________
(Mirzo Pirá Fernandes Miquidade) (Dr. Edson Muirazeque)

Maputo, Maio de 2018

i
Declaração de Autoria

Eu, Mirzo Pirá Fernandes Miquidade, declaro que o presente trabalho de fim de curso é de minha
autoria, tendo para sua execução recorrido ao repertório de conhecimentos adquiridos ao longo
do curso, bem como consultado material bibliográfico relacionado com o tema da monografia.
Mais declaro que, o mesmo nunca foi anteriormente apresentado para avaliação, em alguma
instituição de ensino superior nacional ou de outro país, e obtenção do grau de licenciatura.

O Candidato

____________________________________________
(Mirzo Pirá Fernandes Miquidade)

ii
ÍNDICE

Agradecimentos ........................................................................................................................v
Dedicatória ............................................................................................................................ vii
Lista de Abreviaturas, Acrónimos e Siglas ........................................................................... viii
Resumo…………………………………………………………………………………………………ix
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 1
CONTEXTUALIZAÇÃO ................................................................................................................... 1
JUSTIFICATIVA ............................................................................................................................. 3
PROBLEMATIZAÇÃO ..................................................................................................................... 3
OBJECTIVOS ................................................................................................................................. 4
Objectivo Geral........................................................................................................................ 4
Objectivos Específicos ............................................................................................................ 5
QUESTÕES DE PESQUISA ............................................................................................................... 5
HIPÓTESES.................................................................................................................................... 5
METODOLOGIA ............................................................................................................................. 6
ESTRUTURA DO TRABALHO .......................................................................................................... 6

CAPÍTULO 1 – QUADRO TEÓRICO E MARCO CONCEPTUAL...................................... 8


1.1. QUADRO TEÓRICO ............................................................................................................. 8
1.1.1. Paradigma Eclético de Dunning................................................................................ 8
1.1.1.1. Contexto do Surgimento........................................................................................ 8
1.1.1.2. Precursores ............................................................................................................ 9
1.1.1.3. Pressupostos .......................................................................................................... 9
1.1.1.4. Aplicabilidade da Teoria ao Tema ...................................................................... 10
1.1.2. Teoria dos Stakeholders e Responsabilidade Social ............................................... 10
1.1.2.1. Contexto de Surgimento ...................................................................................... 10
1.1.2.2. Precursores .......................................................................................................... 10
1.1.2.3. Pressupostos ........................................................................................................ 11
1.1.2.4. Aplicabilidade da Teoria ao Tema ...................................................................... 12
1.2. MARCO CONCEPTUAL ..................................................................................................... 13
1.2.1. Desenvolvimento Económico ................................................................................. 13
1.2.2. Empresa Multinacional (EMN)............................................................................... 14
1.2.3. Investimento Directo Estrangeiro (IDE) ................................................................. 14
1.2.4. Responsabilidade Social Corporativa (RSC) .......................................................... 15

iii
CAPÍTULO 2 – PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO DE EMPRESAS MULTINACIONAIS
EM MOÇAMBIQUE .................................................................................................................. 17
2.1. PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMNS PARA MOÇAMBIQUE ........................ 17
2.2. MOTIVO PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMNS ..................................................... 20
2.3. FORMAS DE INTERNACIONALIZAÇÃO .............................................................................. 23

CAPÍTULO 3 – A IMPLANTAÇÃO DA MOZAL EM MOÇAMBIQUE ........................... 28


3.1. LEGISLAÇÃO MOÇAMBICANA QUE SUPORTA A IMPLANTAÇÃO DA MOZAL ..................... 28
3.2. INSTALAÇÃO DA EMN MOZAL EM MOÇAMBIQUE .......................................................... 28

CAPÍTULO 4 – A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O CONTRIBUTO DA MOZAL NO


DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO .................................................................................. 33
4.1. A RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA DAS EMPRESAS MULTINACIONAIS EM
MOÇAMBIQUE ............................................................................................................................ 33
4.2. CARACTERÍSTICAS E ÁREAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS EMPRESAS EM
MOÇAMBIQUE ............................................................................................................................ 35
4.3. RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA DA MOZAL E CONTRIBUTO NO
DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO .............................................................................................. 37
4.3.1. RESPOSTA DA MOZAL À DEMANDA DOS ACCIONISTAS E INVESTIDORES ......................... 38
4.3.2. RELAÇÃO ENTRE A MOZAL E OS TRABALHADORES ......................................................... 39
4.3.3. RESPOSTA DA MOZAL AOS INTERESSES GOVERNAMENTAIS ............................................ 40
4.3.4. RELAÇÃO ENTRE A MOZAL E AS COMUNIDADES LOCAIS ................................................ 43
4.3.5. A MOZAL E SEUS FORNECEDORES ................................................................................... 44

CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................................... 47


LISTA DE REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 49
LIVROS ....................................................................................................................................... 49
ARTIGO DE REVISTA CIENTÍFICA E JORNAIS ............................................................................... 54
PORTAIS OU PÁGINAS DA INTERNET ........................................................................................... 55
PUBLICAÇÕES OFICIAIS .............................................................................................................. 56

iv
Agradecimentos

Os meus agradecimentos não se destinam a alguém em concreto, seria desrespeitar todos aqueles
que de uma forma ou de outra me apoiaram ao longo de todo este percurso. Apenas tenho uma
palavra de agradecimento pela amizade que durante a elaboração desta monografia e durante o
meu percurso académico me apoiaram em todos os aspectos, insistindo no alcance do sucesso,
acreditando em valores comuns e acima de tudo oferecerem vontade ao meu interior de ser
possível chegar ao final de uma etapa académica, não sozinho, mas com todos aqueles me
acompanharam, quer estejam presentes fisicamente ou noutro lugar mais distante, mas que
acreditaram em mim e me deram força a todos os níveis, por acreditarem em eu ser capaz.

Agradeço, ainda de forma muito especial à minha família pelo apoio positivo e ambicioso que
me fizeram ver e também optar, pela livre escolha de percurso destacando a minha irmã Jéssica
A. J. Jeque, meus tios Maria Josefa Fernandes, César Fernandes Quinhas Júnior, Fausto A.
Quinhas Fernandes, Américo Mário M. Quinhas Fernandes, Assane A. A. Miquidade,
Daico Miquidade, Saquina Miquidade, Aissa Miquidade. Aqui, tenho sim, de isolar o
agradecimento, à minha mãe Teresa Joana Fernandes, por toda aquela coragem que teve em
acreditar em mim e me deixar seguir com um enorme esforço, o meu percurso académico. É um
agradecimento que nunca se pagará com simples palavras, é uma dívida que tenho perante a
minha mãe para todo o resto da minha vida. Chegue um dia onde chegar, devo grande parte a
essa mulher que me trouxe ao mundo e que sem ela, jamais conseguiria desenvolver este árduo
mas excitante percurso. Nesta mesma onda, devo agradecer a minha companheira, Ana Maria
Osvaldo Cumbane e as minhas filhas Drica Miquidade e Milena Miquidade pelo apoio
incondicional, pela compreensão nas horas de ausência.

Uma saudação vai para a Reitoria, CTA, Docentes e demais funcionários do ISRI, que dia e noite
tudo fazem para que a academia seja como uma segunda casa. Não poderia perder esta
oportunidade para endereçar um Kanimambo especial para os Doutores, Hilário Chacate,
Carmona Bila, Calton Cadeado, Énio Chingotuane, Carlos Salaúde, Melanie de Aguiar,
Nelson Antunes, Frederico Congolo, Heltalben Patel, pelos ensinamentos, amizade, carinho,
disponibilidade demostrada ao longo do curso. Finalmente, não poderia deixar para trás um gesto

v
de agradecimento ao meu mentor, orientador e amigo, Dr. Edson Muirazeque, pela sua
dedicação, seriedade, prontidão, disponibilidade e aconselhamentos que possibilitaram que
concluísse esta monografia com qualidade. Nesta mensagem de agradecimento ao meu
orientador queria deixar claro que são pessoas com o seu carácter, dinâmica e conhecimento que
fazem o ISRI excepcional e acreditar que Moçambique pode tornar-se destaque, não só no
panorama nacional, mas também a nível internacional.

Muito obrigado!

vi
Dedicatória

O presente trabalho é dedicado em especial ao meu saudoso pai, Raufo Arfe Amade Miquidade,

vii
Lista de Abreviaturas, Acrónimos e Siglas

AMDC – Associação Mozal para o Desenvolvimento da Comunidade


Bematchome - Beluluane, Mavoco, Tchonissa e Matchume
BHP Billiton – Broken Hill Proprietary Company
BM – Banco Mundial
CPI – Centro de Promoção de Investimento
EMNs – Empresas Multinacionais
FMI – Fundo Monetário Internacional
GBC – Guide to Business Conduct
IDE – Investimento Directo Estrangeiro
KPMG – Klynveld Peat Marwick Goerdeler
Mozal – Mozambique Aluminium
PIB – Produto Interno Bruto
PVD’s – Países em Vias de Desenvolvimento
RSC – Responsabilidade Social Corporativa
SMEELP - Small and Medium Enterprises Empowerment Program
SRI – Stanford Research Institute (Instituto de Pesquisa de Stanford)
USD – United States Dollar (Dólar Americano)
ZFIM – Zona Franca Industrial da Mozal

viii
Resumo

O presente trabalho versa sobre a Implantação de Empresas Multinacionais em Moçambique:


Uma Reflexão Sobre o Contributo da Responsabilidade Social Corporativa da Mozal no
Desenvolvimento Económico. O mesmo procura trazer uma abordagem sob ponto de vista do
Paradigma Eclético, da implantação de Empresas Multinacionais em Moçambique, tendo em
conta que observa-se em dois processos distintos, a fusão ou aquisição e implantação de raiz e,
por outro, a com duas características diferentes, a de empresas detidas na totalidade por uma
única entidade (chamadas sole venture) e empresas cujo capital é repartido entre duas ou mais
empresas autónomas (conhecidas como joint ventures). Para um estudo aprofundado, buscou-se
o caso da Mozal, o qual é por natureza uma Empresa Multinacional implantada de raiz, fruto de
uma joint venture de três empresas distintas e o governo de Moçambique, e que foi um
empreendimento que abriu portas para o fluxo de investimento directo estrangeiro de grandes
empresas no país. Por outro lado, aborda-se a questão da responsabilidade social corporativa da
Mozal e, como esta incide sobre o desenvolvimento económico do país, buscando para tal uma
perspectiva assente na Teoria de Stakeholders e Responsabilidade Social, que procura estudar a
resposta da empresa para os diferentes grupos de interesses que gravitam sobre a mesma, pese
embora a satisfação dos mesmos não seja observada na mesma proporção.
Palavras-chave: Mozal, Responsabilidade Social Corporativa, Empresas Multinacionais e
Desenvolvimento Económico

ix
INTRODUÇÃO

O presente trabalho versa sobre “A Implantação de Empresas Multinacionais em Moçambique:


Uma Reflexão Sobre o Contributo da Responsabilidade Social Corporativa da Mozal no
Desenvolvimento Económico”. A pesquisa tem como base o território moçambicano, com
enfoque para a Cidade e Província de Maputo, onde a Mozal (Mozambique Aluminium1) tem
desenvolvido suas acções de responsabilidade social e contribuído em vários sectores. No que
concerne a delimitação temporal, a pesquisa centra-se no período compreendido entre 1998 à
2014. A escolha de 1998 justifica-se por ter sido o ano da implantação da Mozal em
Moçambique, sendo um factor impulsionador para fluxo de novas multinacionais no país e 2014,
pela divulgação do ranking 2 da Klynveld Peat Marwick Goerdeler (KPMG), considerando-a
como a maior indústria actualmente instalada em Moçambique. Apesar da delimitação temporal
apresentada, nalguns momentos faz-se referência a períodos anteriores como forma de explicar
factos e fenómenos que possam, de alguma forma, contribuir para melhor compreensão do tema.

Contextualização
Com o fim da guerra civil em Moçambique o país passou a enfrentar novos desafios no que
concerne ao crescimento e desenvolvimento económico, passando a dar maior enfoque na
reconstrução e a implantação de empreendimentos que se propunham alavancar a economia e
contribuir para a melhoria das condições de vida da população. Neste âmbito, abre-se uma nova
janela de oportunidade às empresas multinacionais, que mediante a sua implantação iriam
contribuir de forma significativa para o crescimento económico e que, doravante, este mesmo
crescimento iria reflectir-se na condição social das famílias. Outrossim, estas empresas
contribuiriam não só com as obrigações governamentais, mas também numa outra vertente, a
responsabilidade social, que vem sendo uma componente que não pode ser dissociada das
empresas que pretendem um desenvolvimento sustentável e apoio dos diferentes sectores da
sociedade.

1
Alumínio de Moçambique
2
Classificação

1
A implantação da Mozal em Moçambique enquadra-se no contexto do Consenso de Washington,
o qual verificou-se na década de 1980, entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco
Mundial (BM). Este consenso plasmou o que considerou de políticas apropriadas para o
ajustamento estrutural das economias dos Países em Vias de Desenvolvimento (PVD’s). O
consenso identificou dez medidas, das quais se destacam as seguintes: a disciplina fiscal, a
reformulação das prioridades das despesas públicas, a reforma fiscal, a liberalização da taxa de
juros, da taxa de câmbios, do comércio, do Investimento Directo Estrangeiro (IDE) e as
privatizações. Na sequência dessas recomendações Moçambique embarcou no ajustamento
estrutural e reformulou a sua legislação a fim de melhorar sua performance económica (Wache,
2008: 2, citando Rosário, 20053).

O ambiente do pós-guerra civil que teve seu fim em 19924, onde Moçambique encontrava-se
devastado, aliadas as recomendações acima apresentadas, serviu para facilitar a entrada de
investidores, atraídos por impostos baixos e condições muito vantajosas. Foi o caso da fábrica de
alumínio Mozal, maior indústria instalada no país até ao ano de 2014, onde foi divulgado o
ranking da KPMG, observando que a mesma seria uma das empresas que menos pagava
impostos em Moçambique (Caldeira, 20155). Por seu turno, autores como Jaspers e Metha (2008:
125) acrescentam que a Mozal não só foi citada como uma das maiores e tecnologicamente mais
evoluídas fábricas do seu ramo a nível mundial, como também foi referida como a fábrica com
menor custo unitário no mundo e o menor volume de capital investido por tonelada.

A Mozal, no âmbito da sua responsabilidade social (em parte efectuada através do seu braço
social, a Associação Mozal para o Desenvolvimento da Comunidade - AMDC), tem vindo a
desenvolver uma série de programas e projectos que visam melhorar as condições das

3
Rosário, Carlos Agostinho (2005) Humanização da Globalização: Desafios para a redução da Pobreza em
Moçambique, Ed. Krest Publications, New Delhi
4
Jossefa, Manuel Jaime et al. (2014), Desenvolvimento Comunitário e Ambiente: Caso das Associações Apoiadas
pela Associação Mozal para o Desenvolvimento da Comunidade (Maputo, Moçambique), Portugal.
5
Caldeira, Adérito (2015), Mozal continua a ser a maior empresa em Moçambique quase não pagando impostos e
empregando poucos moçambicanos,www.verdade.co.mz/nacional/56081-mozal-continua-a-ser-a-maior-empresa-
em-Mocambique-quase-não-pagando-impostos-e-empregando-poucos-mocambicanos Consultado em 7 de Setembro
de 2016

2
comunidades circunvizinhas ao seu complexo industrial, o que pode ser encarado como um
contributo ao desenvolvimento.

Justificativa
O desenvolvimento do tema é relevante por abordar a incidência das Empresas Multinacionais
(EMNs) em Moçambique, neste caso olhando para a Responsabilidade Social Corporativa da
Mozal, fornecendo respostas consociadas do seu contributo no desenvolvimento económico, uma
vez que é vista, por uns, como instituição que contribui de forma positiva e, por outros, como
uma forma de neocolonialismo. Em termos científicos, a mesma encontra respaldo na
oportunidade de contribuir como uma ferramenta para aplicação académica dos princípios
críticos de análise e leitura de factos e acontecimentos na sociedade e como incentivo para
futuras pesquisas na área. No âmbito pessoal, justifica-se pelo facto de ser uma área que
despertou bastante interesse durante o estudo de Economia Politica Internacional.

Problematização
As EMNs são vistas por alguns como instituições positivas que vão além dos Estados nacionais,
difundem a tecnologia e o desenvolvimento entre os países em desenvolvimento e geram uma
rede de interdependência entre os mesmos. Outros, por sua vez, consideram-nas como
predadoras imperialistas que geram uma rede de dependência política e subdesenvolvimento por
onde passam. As EMNs podem ser contribuintes significativos para o desenvolvimento,
incluindo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), geração de receitas de exportação,
algum nível de criação de emprego. Para além destes benefícios, as EMNs têm trazido outros
benefícios em Moçambique tais como, a colocação no mapa como um destino para o
investimento, estabelecendo e elevando os padrões de qualidade e apoiando os serviços
comunitários/sociais (Barros, 2004: 15).

Apesar do cepticismo em torno da contribuição das EMNs no desenvolvimento económico, há


que considerar que o IDE pode ser considerado um elemento positivo para o desenvolvimento se
houver: retenção de valor no país (pela via fiscal e de divisas ou pela criação de valor
acrescentado, tanto o directo como o da actividades dos clustesr6 que se criam em redor dos
6
Conglomerado de Empresas

3
projectos; geração de emprego, rendimento e bem-estar das famílias, seja da mão-de-obra directa
e indirectamente envolvida, como por eventuais efeitos dinamizadores sobre outras actividades
(sector agrário, transportes, energia etc.); contributo para as contas nacionais (balança de
pagamentos e orçamento do Estado) bem como a estabilização das economias e das principais
variáveis (inflação, taxa de câmbio e de juros) e para a segurança alimentar; qualificação da mão-
de-obra e absorção do conhecimento e domínio tecnológico (Mosca e Selemane, 2013: 14; e
Batista, 2012: 16, citando Gilpin, 20027).

Todavia, Ceron (2013: 5) e Kassotche (1999: 67) afirmam que o IDE (trazidos pelas EMNs) é
visto como instrumento de distorção da economia e da natureza do desenvolvimento económico
dos países periféricos e que as multinacionais substituíram o sistema colonial como meio de
penetração e extracção de riqueza do Sul. As EMNs que implantam os mega-projectos são
operadoras imperialistas que exploram em benefício dos seus dirigentes, ao mesmo tempo em
que criam uma trama de dependência política e subdesenvolvimento económico (Gilpin, 2002:
275) e drenam a maior parte dos resultados da sua produção para os países de origem, estando
interessadas em manter o uso de uma força de trabalho relativamente barata, baixas taxas de
impostos e ter uma liberdade de manobra dentro do país (Chase-Dunn, 2008: 723, citando
Beckford, 19718).

Diante das perspectivas apresentadas, é possível notar uma oposição em relação ao contributo
das EMNs no país de acolhimento. Face ao paradoxo levantado pela discussão, torna-se
imperioso compreender a implantação de EMNs em Moçambique focando no reflexo da
Responsabilidade Social Corporativa da Mozal no desenvolvimento económico?

Objectivos
Objectivo Geral
 Compreender a implantação de EMNs em Moçambique tendo como foco a
Responsabilidade Social Corporativa da Mozal no Desenvolvimento Económico.

7
Gilpin, Robert (2002), A Economia Política das Relações Internacionais.
8
Beckford, George (1971), Persistent Poverty: Underdevelopment in Plantation Region of the World, Oxford
University Press, New York.

4
Objectivos Específicos
Para responder de forma clara o objectivo geral, fragmentou-se o mesmo nos seguintes
objectivos específicos:
 Discutir o processo de implantação das EMNs em Moçambique.
 Descrever a implantação da EMN Mozal em Moçambique.
 Avaliar a Responsabilidade Social Corporativa da Mozal no desenvolvimento económico
de Moçambique.

Questões de Pesquisa
A pesquisa procura responder as seguintes questões:
 Como ocorre o processo de implantação de EMNs em Moçambique?
 Como foi implantada a EMN Mozal em Moçambique?
 De que forma a Responsabilidade Social Corporativa da Mozal contribui para o
desenvolvimento económico de Moçambique?

Hipóteses
Atendendo aos objectivos específicos atrás enunciados, são estabelecidas as seguintes hipótese:
 A implantação de EMNs em Moçambique ocorre sob forma de joint ventures e ou sole
venture e, reflecte o processo de globalização e liberalização económica mundial e
obedecendo a factores endógenos e exógenos às empresas,
 A Mozal foi implantada em Moçambique como uma joint venture, baseando-se aos
incentivos concedidos pelo governo, o que lhes permite reduzir custos de produção e
maximizar seus rendimentos.
 A Responsabilidade Social Corporativa da Mozal contribui para o desenvolvimento por
um lado, com postos de emprego, contratação de empresas de prestação de serviços,
impostos, iniciativas governamentais e, por outro, através da Associação Mozal para o
Desenvolvimento da Comunidade em projectos comunitários.

5
Metodologia
Autores como Lundin (2016: 123) compreendem que métodos constituem um conjunto de regras
úteis para a pesquisa, que permitem ao pesquisador ter mais claro as bases lógicas da sua
pesquisa. Para materialização da pesquisa serão usados os seguintes métodos de procedimento:
 Histórico – que consiste na investigação de acontecimentos, processos, instituições no
passado para a verificação da sua influência na actualidade (Lakatos e Marconi, 2009:
91). Este método permitiu trazer à luz factos do passado e fazer uma analogia do processo
de implantação de EMNs tomando o caso da Mozal, e trazer conteúdos consistentes ao
trabalho.
 Monográfico – que compreende o estudo de certos elementos, indivíduos, empresas,
profissões, grupos ou comunidades com finalidade de obter generalizações (Ibid., 92).
Sendo assim, este método permitiu fazer o estudo do caso específico da Mozal e da sua
RSC para melhor compreender o contributo para o desenvolvimento económico de
Moçambique e daí poder generalizar sobre as Empresas Multinacionais.

Estes metódos foram apoiados pela seguinte técnica de diagnóstico:


 Consulta documental – que consubstancia a recolha de informações de fontes primárias,
arquivos públicos, estatísticas oficiais, Censos, livros, fontes secundárias como obra e
trabalhos elaborados, jornais, revistas e outros. (Ibid., 2003: 173). Esta técnica facilitou
na obtenção de dados ou informações já existentes acerca do tema que ajudaram a
desenvolver o trabalho.

Estrutura do Trabalho
A presente pesquisa obedece a uma estrutura simples e objectiva por forma a facilitar uma
compreensão e apresenta na primeira parte a secção introdutória (onde consta o tema,
delimitação, contextualização, justificativa, problematização, objectivos, hipóteses e a
metodologia), seguindo-se quatro capítulos e as considerações finais. No primeiro capítulo,
trazemos o enquadramento teórico, sendo a ferramenta que serve de lente de leitura e os
conceitos chaves que permitem melhor compreensão do tema proposto. No segundo, encontra-se
discussão sobre o processo de implantação das EMNs em Moçambique. O terceiro, descrevemos
a implantação da Mozal em Moçambique. O quarto traz consigo, o estudo do contributo da RSC

6
da Mozal no desenvolvimento económico de Moçambique. Finalmente, teremos as
considerações finais e o acervo bibliotecário usado na prossecução da pesquisa.

7
CAPÍTULO 1 – QUADRO TEÓRICO E MARCO CONCEPTUAL

Antes de iniciar qualquer exercício académico, a partida deve-se apresentar as ferramentas


teórico-conceptuais que serão usadas para fazer a leitura da pesquisa. Assim, em termos teóricos,
a presente pesquisa é lida a luz do Paradigma Ecléctico de Dunning e da Teoria dos Stakeholders
e Responsabilidade Social. Quanto a vertente conceptual, teremos como conceitos básicos e
incontornáveis o Desenvolvimento Económico, Empresas Multinacionais, Investimento Directo
Estrangeiro e Responsabilidade Social Corporativa, os quais permitem melhor compreensão da
ideia central do tema. Neste âmbito, dividiremos o capítulo em dois subcapítulos, sendo o
primeiro do quadro teórico e o segundo, do marco conceptual.

1.1. Quadro Teórico


Esta secção traz as ferramentas teóricas que enquadram a pesquisa, sendo elas: o Paradigma
Eclético de Dunning e a Teoria dos Stakeholders e Responsabilidade Social.

1.1.1. Paradigma Eclético de Dunning


1.1.1.1. Contexto do Surgimento
O Paradigma Eclético, segundo Cunha Júnior (2012: 95), foi desenvolvido num contexto
caracterizado pelo intenso processo de inserção internacional de empresas, marcado por diversas
transformações nas relações económicas internacionais (impacto no volume de transacções
comerciais e no fluxo de investimentos directos no exterior, crescente importância da produção,
comércio e investimentos de empresas multinacionais no âmbito das relações económicas
internacionais). Mais adiante, Costa et al. (2015: 4), acrescentam que o mesmo surge da
necessidade de construir um modelo multi-teórico que procura compreender a produção
internacional, sendo a base fundamental para o desenvolvimento estratégico para os custos de
transacção e de informações e a observação de oportunidades de negócios geradas pelos agentes.

No entendimento de Seabra (2002: 14) citando Dunning (19819 e 198810), o Paradigma Ecléctico
surge como o aglutinar de três tipos de vantagens associadas ao processo de internacionalização

9
Dunning, John (1981), International Production and the Multinational Enterprise, George Allen & Unwin,
London.

8
que derivam de três abordagens económicas: a teoria dos direitos de propriedade e mercados; a
combinação entre teorias da localização e as teorias de comércio internacional e a abordagem de
Hymer-Kindleberger sobre a organização industrial formando, a Teoria OLI (Ownnership,
Localization and Internalization).

1.1.1.2. Precursores
Autores como Taggart e McDermott (1993: 27), Seabra (2002: 14) e Costa et al. (2015: 4)
apresentam como formulador deste paradigma o estudioso John Dunning.

1.1.1.3. Pressupostos
O Paradigma Ecléctico, na perspectiva de Seabra (2002: 14) e Costa et al (2015: 4) assenta-se
em três pressupostos básicos: as vantagens de Propriedade (em inglês Ownership – O), as
vantagens de Localização (L) e as vantagens de Internalização (I). As primeiras são entendidas
como vantagens específicas da empresa, ou seja, aquelas vantagens que as EMNs detêm em
exclusividade, e que lhes dá uma superioridade sobre os seus concorrentes nos mercados
externos. Neste tipo de vantagens são considerados principalmente activos intangíveis
(tecnologia; investigação e desenvolvimento; recursos humanos, informações; processos
produtivos, marcas; patentes). O segundo nível de vantagens diz respeito a uma determinada
localização, que consubstancia aspectos determinados de cada país ou região de localização.
Neste nível de vantagens faz-se referência, em geral, à mão-de-obra, aos impostos domésticos, às
infra-estruturas, entre outros. Por fim, no terceiro nível, referentes à internalização, advém das
actividades por parte das empresas devido à redução dos custos de transacção das actividades ou
da incerteza.

Ao recorrer a abordagem do próprio Dunning, podemos observar que algumas dessas vantagens,
explicam melhor o acto inicial do IDE, e outras, as que se relacionam com o controlo comum das
actividades geograficamente dispersas, explicam melhor os actos sequenciais da produção no
estrangeiro. Assim, se os três tipos de vantagens estiverem aglutinados, teremos a realização do
IDE.

10
Dunning, John (1988), Paradigm of International Production: a Restatement and Some Possible Extensions,
Journal of International Business Studies, London.

9
1.1.1.4. Aplicabilidade da Teoria ao Tema
O paradigma faz uma leitura parcial do tema, pelo facto de conseguir explicar os greenfield
investments11. Com efeito, apesar de não conseguir explicar o contributo no desenvolvimento
económico dos Estados receptores, é evidente que continua bastante aderente á realidade
ajudando a compreender porque os investidores dos países desenvolvidos em sua estratégia de
internacionalização produtiva tendem a se dirigir para países intensivos em recursos naturais e ou
mão-de-obra acessível. O mesmo foi escolhido pelo facto de ir ao encontro ao primeiro e
segundo objectivos específicos da pesquisa, que é de explicar de forma clara e concisa o
processo de implantação das EMNs em Moçambique, tomando como caso de estudo a Mozal.

1.1.2. Teoria dos Stakeholders e Responsabilidade Social


1.1.2.1. Contexto de Surgimento
A Teoria dos Stakeholders e Responsabilidade Social, de acordo com Silva e Garcia (2011: 3),
surgiu nos anos 1960, derivado ao uso do termo stakeholders12 num memorando do Instituto de
Pesquisa de Stanford (SRI), o qual discutia a actuação do gestor de empresa como sendo de
múltiplos objectivos, e que deveria atender às necessidades dos diferentes grupos de interesses
(accionistas, empregados, clientes, fornecedores, financiadores e sociedade). Segundo Machado
Filho (2002: 91), o primeiro autor a discutir abertamente sobre a teoria foi Freeman (199413),
quando no seu artigo discutia a alocação de recursos organizacionais e o impacto nos vários
grupos de interesse dentro e fora da organização.

1.1.2.2. Precursores
Alguns pesquisadores como Goodpaster (1991: 53), Machado Filho (2002: 91) e Silva e Garcia
(2011: 3), apresentam como precursor da teoria, o académico Edward Freeman.

11
Investimentos de raiz.
12
Actores diversos (pessoas, grupos de interesses ou entidades), que tenham relações ou interesses directos e/ou
indirectos, podendo pressionar proprietários, accionistas e gestores, influenciando de certa forma no rumo das
empresas.
13
Freeman, Edward R. (1994), The Politics of Stakeholder Theory: Some Future Directions, Business Ethics
Quarterly, Vol.4, New York.

10
1.1.2.3. Pressupostos
A teoria, segundo Silva e Garcia (2011: 6), Machado Filho (2002: 92) assenta na ideia da
empresa como um sistema aberto que se relaciona com grupos internos e externos, havendo
portanto a necessidade de elaboração de estratégias colectivas que garantam resposta para os
diferentes interesses a ela ligados. Assim, a teoria propõe uma divisão dos grupos de interesses
em:
 Accionistas – detentores de porção financeira da empresa e que portanto, esperam retorno
ou ganhos pelo investimento;
 Fornecedores/Sub-contratadas – são vitais para o sucesso da empresa, pois prestam
serviços e garantem abastecimento em matérias-primas, o que vai determinar a qualidade
e o preço final dos produtos. Por outro, a empresa também é cliente do seu fornecedor;
 Gestores – agentes que actuam no sentido de maximizar o valor para todos os grupos de
interesse e propõem um modelo normativo em que vincula a obrigação para com os
proprietários, mas também com os restantes interessados;
 Funcionários – os empregados que em grande medida a sua vida depende da organização,
esperando em troca do seu trabalho, salário, segurança e outros benefícios;
 Comunidade local – que garante a empresa o espaça para implantar seus
empreendimentos, esperando receber como retorno, contribuições de âmbito social.
Outrossim, a empresa deve evitar ou atenuar externalidades negativas causadas à
comunidade, como problemas ambientais (poluição do ar e da água);
 Clientes – adquirem os produtos em contrapartida de recursos monetários, que são vitais
para a sobrevivência da empresa;
 Governo – cria e fiscaliza normas e regras das actuações empresariais, promulga leis
fiscais, de trabalho, de incentivos fiscais e de patentes, regula o sistema cambial e
monetário. Procura defender o interesse público que por vezes entra em choque com os
privados (Oliveira, 2008: 94 citando Sousa e Almeida, 200614);

14
Sousa, Almir Ferreira e Ricardo José Almeida (2006), O Valor da Empresa e a influência dos Stakeholders,
Editora Saraiva, São Paulo.

11
 Organizações Não-Governamentais – grupo com poder mediano de pressão sobre a
direcção da empresa. A empresa deve procurar interacção com as mesmas sob forma de
parcerias e envolvimento empresarial nos seus projectos, o que vai criar uma divulgação
positiva;
 Concorrentes – que são um grupo no qual os gestores da empresa não possuem controlo
efectivo sobre os mesmos e suas acções. São actores imprevisíveis;
 Financiadores – todos os financiam a empresa (os mais comuns são os bancos) para
desenvolver, fazer, vender, entregar ou manter os seus produtos. Podem inviabilizar a
empresa ou novos projectos se julgarem que o retorno seja abaixo do custo do capital ou
porque os projectos não atendam as responsabilidades sociais e sustentabilidade
ambiental;
 Mídia – serve de veículo de propaganda, divulgando a reputação produzida pela
interacção entre a empresa e os demais grupos de interesse;
 Sindicatos – sendo representantes legais da classe laboral e que tem o poder de
negociação com a empresa, fazendo a mediação entre o capital e o trabalho. Podem
assumir a postura de subordinação, cooperação ou oposição, sendo um actor dominante
por possuir poder e legitimidade.

A satisfação das demandas ou expectativas dos diferentes grupos de interesses é considerada


como o pilar para a manutenção do equilíbrio da relação entre os mesmos, o que vai
proporcionar a vitalidade e desenvolvimento da empresa.

1.1.2.4. Aplicabilidade da Teoria ao Tema


A teoria vem complementar a lacuna do Paradigma Eclético, pelo facto de a primeira apenas
explicar os investimentos de raiz das EMNs, porém, não podendo fazer a ligação das mesmas
com o desenvolvimento económico. Assim, apesar de não explicar o processo de
internacionalização das EMNs, esta teoria ajuda a compreender a forma como são satisfeitas a s
expectativas dos diferentes grupos de interesses, tendo em conta a divisão dos mesmos,
estudando-os separadamente e depois de forma integrada. No presente trabalho toma-se em
consideração quatro grupos a saber: governo, funcionários, sub-contratadas e comunidade local.

12
1.2. Marco Conceptual
Neste subcapítulo propomo-nos a trazer a discussão alguns conceitos que permitem compreender
com maior facilidade o tema a que nos propomos reflectir. Para tal, depois da discussão,
apresentaremos o conceito que melhor enquadra-se na pesquisa ou procuraremos formular um
que possa responder as nossas necessidades. Assim, para a presente pesquisa, serão considerados
os seguintes conceitos: Desenvolvimento Económico, Empresa Multinacional, Investimento
Directo Estrangeiro e Responsabilidade Social Corporativa.

1.2.1. Desenvolvimento Económico


Em qualquer concepção, o desenvolvimento económico deve resultar do crescimento económico
acompanhado de melhoria na qualidade de vida, ou seja, deve incluir as alterações da
composição do produto e a alocação de recursos pelos diferentes sectores da economia, de forma
a melhorar os indicadores de bem-estar económico e social – pobreza, desemprego,
desigualdade, condições de saúde, alimentação, educação e habitação (Vasconcellos e Garcia,
1998: 205). O desenvolvimento económico, na visão de Oliveira (2002: 40) citando Sandroni
(1994 15 ), é o crescimento económico (incrementos positivos no produto) acompanhado por
melhorias do nível de vida dos cidadãos e por alterações estruturais na economia. Depende das
características de cada país ou região, isto é, depende do seu passado histórico, da posição e
extensão geográficas, das condições demográficas, da cultura e dos recursos naturais que
possuem. Por seu turno, Diniz (2006: 33), define o desenvolvimento económico como um
processo social e político através do qual uma sociedade tenta atingir uma série de objectivos
como: melhorar o nível de vida de todos os membros da sociedade através de: fornecimento
generalizado de meios de subsistência tais como, alimentação, habitação, protecção social e
cuidados de saúde, a redução da desigualdade na distribuição do rendimento, do alargamento das
oportunidades de emprego e melhoria na qualidade e oferta de serviços da educação e outros
serviços sociais e culturais.

O desenvolvimento económico deve ser encarado como um processo complexo de mudanças e


transformações de ordem económica, política e, principalmente, humana e social. É o

15
Sandroni, Paulo (1994), Dicionário de Economia, Atlas, São Paulo

13
crescimento, transformado para satisfazer as mais diversificadas necessidades do ser humano,
tais como: saúde, educação, habitação, transporte, alimentação, lazer, dentre outras.

1.2.2. Empresa Multinacional (EMN)


A Empresa Multinacional (EMN) é uma firma que realiza operações de IDE e tem a propriedade
ou, de alguma maneira, controla actividades de valor adicionado em mais de um país (Dunning e
Lundan, 2008: 3). A UNCTAD (1980: 3) define a EMN como uma firma que está envolvida em
IDE e tem propriedade ou de alguma maneira controla actividades de valor adicionado em mais
de um país. Para Namburete (2002: 166), as EMNs são companhias donas ou que controlam de
forma significativa, actividades em, pelo menos, dois países. Salienta-se que estas são
consequência directa do IDE, tendo controlo significativo de actividades económicas que são
executadas em dois ou mais países. Segundo Gilpin (2001:278), referem-se simplesmente a
empresas de uma determinada nacionalidade, com filiais ou subsidiárias integrais dentro de pelo
menos uma outra economia nacional.

Para o caso deste trabalho, EMNs são entendidas como companhias, actores ou empresas
estrangeiras que levam a cabo actividades económicas num determinado pais, por meio de
transferência de capital, pessoal, know-how16 e tecnologia com a finalidade de geração de renda.

1.2.3. Investimento Directo Estrangeiro (IDE)


Investimento Directo Estrangeiro (IDE) entende-se como qualquer das formas de contribuição de
capital… provenientes do exterior e destinados à sua incorporação no investimento para a
realização de um projecto de actividade económica, através de uma empresa registada em
Moçambique e a operar a partir do território moçambicano (Lei n˚ 3/93, de 24 de Junho17). O
IDE reveste-se da finalidade de realizar actividades económicas por meio das multinacionais a
partir do país da chegada do capital. Krugman e Obstfeld (2005: 126) consideram IDE como
fluxos internacionais de capitais pelos quais uma firma de determinado país cria ou expande uma
filial sua em outro, envolvendo a transferência de recursos e aquisição do controle. A filial não
tem somente uma obrigação com a matriz, mas sim é parte da mesma estrutura organizacional. A

16
conhecimento
17
Centro de Promoção de Investimentos, Legislação sobre Investimentos em Moçambique, Maputo

14
Human Geography (2009: 243) define IDE como um modo predominante de gestão corporativa
para obter o controlo de activos produtivos no exterior. Por meio dele, a empresa pode explorar
sua vantagem interna (chamada de vantagem especifica de propriedade) por meio da combinação
desta com as vantagens específicas de localização no exterior, por exemplo, oportunidade de
mercado, recursos e cadeias locais de valor. Por seu turno, Muirazeque (2013: 10), citando
(Griffiths, Martin, Terry O'Callaghan & Steven C. Roach, 200818), entende o IDE como sendo a
transferência de capital, pessoal, know-how e tecnologia de um país para outro com o propósito
de estabelecer ou adquirir activos de geração de renda.

Assim, para a presente pesquisa, pode-se entender que o IDE é a incorporação, por meio de uma
multinacional, de capital, pessoal, know-how e tecnologia, para a realização de actividades
económicas em outro país, com intuito de adquirir activos de geração de renda.

1.2.4. Responsabilidade Social Corporativa (RSC)


A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) compreende o relacionamento ético e transparente
da empresa com os diferentes grupos relevantes por meio de estabelecimento de metas
empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos
ambientais e culturais para gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução
das desigualdades sociais (Bezerra, 2007: 17). Já Srour (1998: 294), afirma que a RSC desdobra-
se em múltiplas exigências: relações de parcerias entre os clientes e os fornecedores; produção
com qualidade ou adequação ao uso com plena satisfação dos usuários; contribuições para o
desenvolvimento da comunidade, investimento em pesquisa tecnológica; conservação do meio
ambiente, participação dos trabalhadores nos resultados e nas decisões da empresa; respeito aos
direitos dos cidadãos; não discriminação de género, raças, religiões, etc; investimento em
segurança do trabalho e em desenvolvimento profissional. A RSC na perspectiva de Castillo
(2008: 23), deve ser entendida como sendo um comportamento ético não necessariamente
legislado e muitas vezes divergente com os interesses da empresa a curto prazo. Para isso são
considerados factores como equidade, justiça, imparcialidade, respeito aos direitos dos
indivíduos e à comunidade. Utilizam uma série de normas sociais que embora não estejam

18
Griffiths Martin, Terry O'Callaghan e Steven C. Roach (2008), International Relations: The Key Concepts, 2nd
Edition, Routledge, New York.

15
explicitamente destacadas nas leis, são normas tácitas que as empresas devem cumprir. Por seu
turno, a Comissão das Comunidades Europeias (2001: 3) postula que a RSC é a decisão das
empresas em contribuir numa base voluntária por uma sociedade justa e um ambiente limpo.
Assim, ser responsável ultrapassa o cumprimento das obrigações legais, implicando ir além,
mediante maior investimento em capital humano, no ambiente e nas relações com a comunidade
em geral.

Conforme as abordagens, observa-se uma diversidade de enfoques e interpretações. Porém, há


um ponto em comum que é a contribuição para a integração das diferentes expectativas dos
grupos de interesses. Para o presente trabalho, considera-se RSC como o relacionamento ético e
transparente da empresa com os diferentes grupos de interesse consubstanciando o
estabelecimento de metas empresariais e contribuindo de forma voluntária para o
desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para
gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.

16
CAPÍTULO 2 – PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO DE EMPRESAS MULTINACIONAIS
EM MOÇAMBIQUE

A abordagem sobre o processo de internacionalização das EMNs será guiada em torno do


Paradigma Eclético de Dunning, o qual procura estudar a motivação dos fluxos de IDE pelas
empresas. Sabendo que o mundo está cada vez mais interligado e globalizado, o que pressupõe,
por um lado, vantagens e, por outro, desafios constantes. Neste contexto, as empresas sentem a
necessidade de se internacionalizar de forma a acompanhar o processo crescente e irreversível
nas operações económicas internacionais, o que permite manter a competitividade, melhorar a
qualidade, relacionamento com os diferentes grupos de interesses, superar barreiras e maximizar
o lucro, garantindo um desenvolvimento amplo e integrado. No presente capítulo apresenta-se,
em primeiro lugar, uma análise sobre o processo de internacionalização, seguido dos motivos de
internacionalização e finalmente, as formas de internacionalização das EMNs para Moçambique

2.1. Processo de Internacionalização das EMNs para Moçambique


A globalização económica e a contemporânea liberalização do comércio mundial facilitam a
transferência e a aplicação de recursos em diferentes economias com intuito de auferir vantagens
e diminuir dependências, sendo um processo marcado pela circulação de capital pelos demais
territórios e com implicações nas estruturas produtivas globais e na divisão mundial do trabalho.
A movimentação de capital observa-se sob forma de IDE e se constitui como tema de extrema
importância pelo grande impacto no cenário económico mundial e nas economias receptoras,
tornando-se fonte de considerável crescimento nos últimos anos, muito em particular nos países
em desenvolvimento.

O fenómeno de globalização apesar de maior visibilidade nas últimas duas décadas, é algo antigo
e remonta da Companhia das Índias Orientais, continuando no pós-Segunda Guerra Mundial e
sendo amplamente disseminado após a queda do Muro de Berlim, cujo simbolismo demonstrava
o triunfo e supremacia capitalista trazendo grandes transformações na sociedade, sendo estas de
cariz tecnológico ou económico (Cavusgil, Knight e Riesenberg, 2012: 32). É neste cenário que
observa-se a alteração nas relações entre o Estado e as EMNs, o qual deve merecer uma ampla

17
discussão. Na análise de Regô (2015: 21, citando Lipsey, 2003 19 ), este fenómeno está
relacionado a um subconjunto de ajustes estruturais nos quais o mundo tem passado e que no
caso de Moçambique, segundo Wache (2008: 2), enquadram-se nas dez medidas recomendadas
pelo FMI e BM, no âmbito dos princípios do Consenso de Washington, prevendo reformas
económicas e uma reformulação da legislação tendo em vista a melhoria da performance
económica do país. As medidas com maior enfoque foram: a disciplina fiscal, a reformulação das
prioridades das despesas públicas, a reforma fiscal, a liberalização da taxa de juros, da taxa de
câmbios, do comércio, do Investimento Directo Estrangeiro (IDE) e as privatizações (Ibid.) A
globalização é a fusão estrutural da actividade económica para além das fronteiras nacionais e é
qualitativamente diferente das formas anteriores de internacionalização que ligavam actividades
económicas distintas num escopo de curta distância. Os avanços tecnológicos fornecem
fundamentos claros para a formação de redes económicas e as empresas multinacionais servem-
se destas redes como facilitadoras para expansão e inserção nos mercados mundiais.

O mundo que regista constantes mutações, a liberalização do comércio mundial e acontece de


forma progressiva, aumentando a concorrência e ameaçando à sobrevivência das empresas, a
resposta a este fenómeno está na expansão internacional por meio da internacionalização, sendo,
no entanto uma estratégia muito complexa que as empresas podem adoptar (Dias, 2007: 6). A
partir da década de 1990, na perspectiva de Machado (2014: 7), a internacionalização tornou-se
necessária em vários sectores de actividade, caracterizados pela importância dos investimentos
industriais e pelas economias de escala realizáveis, pois uma empresa pode ser competitiva pela
internacionalização das suas actividades se atingir uma dimensão crítica. Vários estudos
consideram o processo de internacionalização como sendo gradual, cujo desenvolvimento se
realiza de forma sequencial através de diferentes etapas, nas quais a empresa aumenta o seu
cometimento internacional à medida que avança (Chetty and Campbell-Hunt, 2001: 796).

As empresas devem, à partida, ter definidas as estratégias e potenciar as vantagens a obter nesse
processo. Assim, para internacionalizarem-se, inicialmente faz-se uma reflexão para tomar a
decisão sobre qual mercado a investir na expansão e, verificar quais processos e meios

19
Lipsey, R. (2003), Globalization and National Government Policies: An economist´s view, In: Dunning, J. (Org),
Governments, Globalization and Internatinal Business, Oxford University Press, London

18
necessários para realização e alcance dos objectivos bem como, quais as vantagens e
desvantagens dessa investida. Sob ponto de vista financeiro, as EMN que procuram
internacionalizar-se para Moçambique, são a partida detentoras de capital suficiente para cumprir
com as exigências que a legislação sobre investimentos impõe, e quanto as vantagens que podem
observar, a Lei de Investimentos 20 , o Regulamento da Lei de Investimentos 21 e Código de
Benefícios Fiscais22 trazem uma serie de isenções fiscais, aduaneiras e laborais porém, somente
para as que operam em Zonas Francas Industriais e/ou Zonas Económicas Especiais. É
imprescindível que as empresas estejam preparadas para enfrentar e reagir aos desafios com que
se irão deparar, pois a competitividade tende a aumentar. Pois, se os procedimentos não forem
delineados de modo ajustado podem levar à não sobrevivência da empresa no mercado
internacional. Portanto, as empresas devem investir na inovação, nos procedimentos, no
cumprimento dos prazos, para que alcancem o sucesso, bem como na qualidade do produto
colocado no mercado, pois será relevante para a reputação da empresa tanto no mercado nacional
como no internacional.

Na visão de autores como Chetty and Campbell-Hunt (2001: 796), é importante ter em conta as
vantagens e desvantagens da internacionalização podendo existir factores que levem à
diminuição das actividades internacionais da EMN, ou seja, que ocorra o processo inverso ao
esperado e leve ao encerramento da empresa. Assim, na internacionalização consiste um
imperativo, uma aposta incontornável na óptica da competitividade e do desenvolvimento
sustentado das empresas, num contexto de globalização das tecnologias e dos mercados e
mundialização da concorrência. Por vezes a internacionalização é o único modo de
defensivamente fazer face à concorrência internacional e com habilidade retirar partido da
globalização dos mercados. A aprovação dos dispositivos legais inerentes ao investimento criou
desde 1993, um ambiente favorável a atracção de IDE e implantação de EMN em Moçambique,
de tal modo que, os riscos, em termos de concorrência mundial devido a evolução tecnológica,
distância dos mercados são compensados por condições vantajosas a nível de baixos impostos e
mecanismos simplificados de implantação das empresas, o que leva a uma produção ou

20
Lei nº 3/93 de 24 de Junho
21
Decreto nº 43/2009 de 21 de Agosto
22
Lei nº 4/2009 de 12 de Janeiro

19
exploração dos recursos com custos mais baixos, comparando com outros países do mundo.
Assim, o investimento pode ser efectuado com reduzido volume de capital e tecnologia
intermédia e a capacidade de produção e concorrência mundial estarão assegurados devido as
vantagens apresentadas.

2.2. Motivo para a Internacionalização das EMNs


As empresas para embarcarem no processo de internacionalização observam um conjunto de
factores, os quais permitem que a mesma ocorra de acordo com aspectos internos ou externos à
mesma e dependendo da fase a que a empresa se encontra no processo de expansão internacional.

As principais motivações para internacionalização das empresas, no entendimento de Dias (2007:


20) citando Czinkota et al. (1999 23 ), resumem-se em onze factores que obedecem aspectos
proactivos e reactivos. Por seu turno, Esteves (2009: 25), citando Brito e Lorga (199924), traz
uma visão mais abrangente e complementar que, no entanto, não se distancia de Czinkota,
sugerindo a existência de três tipos de motivações: proactivas, reactivas e mistas. As motivações
proactivas giram em torno das estratégias de crescimento da empresa (que, observando
dificuldades de crescimento e domínio a nível interno, dada a forte concorrência, politicas
restritivas, consumidores estáticos) e aproveitamento de oportunidades que surgem com
alterações legislativas do mercado. Em termos de motivações reactivas, as quais incorporam
internacionalização por arrastamento (resultado da necessidade da empresa acompanhar a
deslocação do cliente para o novo mercado), imperativos do negócio (negócios que por natureza
são internacionais e que as suas actividades não tem uma procura regular e ou exigem
abrangência superior à do mercado nacional). Finalmente, nas motivações mistas, que
subentendem a proximidade geográfica, afinidades culturais e linguísticas, redução do risco,
redução dos custos e aproveitamento de economias de escalas (factores de produção mais baratos
e mercados com legislações menos exigentes em termos ambientais e tarifárias, proximidade das
fontes de matéria-prima e economias de escala na produção), aproveitamento da imagem do país

23
Czinkota, M., I. Ronkainen and M. Moffett (1999), International Business, 5th Edition, The Dryden Press,
Orlando.
24
Brito, C. e S. Lorga (1999), Marketing Internacional, Sociedade Portuguesa de Inovação, Porto

20
(a internacionalização das empresas pode depender da imagem internacional positiva ou
negativa) e apoios governamentais (do país de origem e/ou de destino).

Existem, segundo Machado (2004: 2), três fases determinantes para o processo de
internacionalização das empresas, tendo em conta factores internos e externos à empresa. Assim,
em função dessas fases, na primeira (entrada inicial no mercado estrangeiro), as determinantes
são a alavancagem internacional de activos da empresa já explorados no seu mercado (produtos
inovadores, marcas, skills 25 de gestão e distribuição), na segunda (expansão no mercado
estrangeiro), a consolidação de competências adquiridas localmente a nível de produção e
marketing, para outros produtos ou linhas de negócios, com recurso a imagem da marca e da
empresa e, na terceira (globalização), aproveitamento de sinergias derivadas de operações à
escala global, com afectação óptima de recursos entre mercados, segmentos de mercados no
sentido de maximizar lucro global.

Em suma, seguindo o raciocínio dos autores mencionados, e de acordo com Cavusgil et al.
(2010: 3) e Fleury e Fleury (2007: 36) pode-se sintetizar as motivações da seguinte forma:
 Reactivas para a internacionalização via IDE (atendimento a uma demanda de empresa
importadora estabelecida no mercado, adopção de tarifas aduaneiras elevadas e/ou de
imposição de barreiras não tarifárias por parte das autoridades governamentais nos
mercados importadores; entrave logístico; ampliação de vendas a clientes tradicionais e
que exportam ou estabelecem unidades de produção no exterior; redução da demanda
interna, procura de maior retorno do investimento/fazer face a concorrência interna;
redução da expansão da concorrência a nível internacional; adopção, nos mercados
importadores, de regime liberal nas importações e/ou de politicas de atração de IDE com
base em incentivos fiscais e financeiros) e,
 Proactivos para a internacionalização via IDE (redução de riscos por meio de
diversificação de mercados no exterior; ampliação de vendas e/ou desenvolvimento de
economias de escala por meio de conquista de novos mercados; obtenção de novos
conhecimentos de produção, gestão e comercialização; obtenção de acesso mais
competitivo e/ou diversificado de fornecedores de insumos cujas fontes estão disponíveis

25
habilidades

21
no exterior; incremento do grau de competitividade internacional por meio de produção
em mercados externos onde os recursos de capital, mão-de-obra, tecnologia e técnicas de
gestão são oferecidas em custos inferiores e/ou qualidade superior às disponíveis no
mercado interno).

Por seu turno, Dunning (1998: 53), relacionou as principais variáveis que influenciam a
localização de actividade produtivas de valor adicionado no exterior por parte das EMNs e
organizou em quatro categorias que em Moçambique podem ser identificadas como:
 Busca por recursos no exterior (resource seeking): que visam aceder a recursos naturais,
matérias-primas ou outro factor produtivo em condições mais vantajosas (por exemplo,
em maior abundância ou a menor custo);
 Busca por mercados no exterior (market seeking): visa entrar num novo mercado, por
exemplo, para ampliar a sua base de clientes;
 Busca por eficiência (efficiency seeking): visa melhorar a eficiência da empresa,
tornando-se mais produtiva, por exemplo, através de melhor divisão do trabalho ou da
especialização dos seus recursos;
 Busca por activos estratégicos (strategic asset seeking): visa desenvolver as
competências, recursos e capacidades da empresa, assim contribuindo para aumentar a
sua vantagem competitiva.

Para empresas que pretendam actuar no mercado moçambicano, nesta vertente destacam as
vantagens de maior lucro a obter, capacidade de uso de tecnologia menos dispendiosa, benefícios
e incentivos dados pelo governo devido a uma legislação menos exigente, possibilidade de
superar a concorrência devido a uma excedente capacidade produtiva e proximidade de matérias-
primas, existência de um mercado ainda inexplorado para muitos produtos e a vasta costa que
permite uma rápida comunicação com os mercados externos em caso de necessidade de escoar a
produção. No entanto, não é necessariamente obrigatório que as empresas observem a todos os
pontos apresentados (busca por recursos, mercados, eficiência e activos estratégicos), bastando
para tal reunir o conjunto necessário a que seja possível, na visão dos gestores, perceber a
proceder a internacionalização e garantir maior maximização de rendimentos em relação a
produção nos países de origem.

22
2.3. Formas de Internacionalização
O IDE assume duas formas distintas para a sua concretização: aquisição ou fusão e investimento
de raiz. A aquisição ou fusão, pressupõe a aquisição ou fusão com empresa estrangeira. É uma
forma de IDE mais célere visto que, é apenas necessário a transferência de propriedade da
empresa já existente, conforme revela Machado (2014: 15) citando Morschett et al. (201026) e
Costa (2010 27 ), sendo que pode levantar alguns problemas que não se verificam num
investimento de raiz (por exemplo, incompatibilidade cultural da empresa-mãe com a empresa
adquirida). As aquisições ou fusões podem ser de dois tipos: horizontais ou verticais. As
horizontais acontecem em empresas que operam no mesmo ramo de negocio e/ou vendem
produtos similares (partilham semelhanças ao nível de inputs, tecnologia, know-how, marketing e
conhecimento ao nível das vendas e distribuição), operam ao mesmo nível de cadeia de valores,
optam por processos de integração horizontal de modo a defender ou aumentar a sua quota de
mercado e fazer face a concorrência e também com intuito de contornarem as politicas dos
governos dos países de destino, evitando barreiras alfandegárias ou outros impostos sobre
exportações.

Estas formas de internacionalização, conforme Castel-Branco (2002: 1) e Mosca e Selemane


(2013: 3), podem ser observadas sob forma de fusão, em consórcios como: a MOTRACO28
(ESKOM 29 , EDM 30 e SEB 31 ), localizada em Beloluane, Província de Maputo, com um
investimento de 131 milhões de USD; SASOL Moçambique32 (Sasol Petroleum Sofala, Petronas
Carigali Moçambique, ENH33 e IFC 34 – Braço do Banco Mundial para o sector privado) que
explora o gás de Pande, na Província de Inhambane e construiu um gasoduto que cruza as

26
Morschett, D. et al. (2010), Strategic International Management: Texts and cases, Glaber Verlag.
27
Costa, C. G. (2010), Temas de Relações Económicas Internacionais, ISCSP/UTL, Lisboa.
28
Mozambique Transmission Company
29
Electricity Supply Commission
30
Electricidade de Moçambique
31
Swaziland Electricity Company
32
Suid AfrikaanseSteenkoolen Olie
33
Empresa Nacional de Hidrocarbonetos
34
International Finance Corporation

23
províncias de Inhambane, Gaza e Maputo, com um investimento de 1500 milhões de USD e,
VALE Moçambique (Vale do Rio Doce, Estado Moçambicano e Sector Privado Nacional),
localizada em Moatize, Província de Tete, com investimento de 1535 milhões de USD. Há que
observar que, a MOTRACO, SASOL Moçambique e VALE Moçambique são fruto da adição de
novas empresas no processo de exploração do sector de electricidade, gás natural e carvão
mineral, que já era feito pela EDM, ENH e o Estado Moçambicano, com intuito de expandir a
capacidade. Por outro lado, quanto a aquisições, podem ser trazidos como exemplo, a Rio Tinto
(anteriormente pertencente a Rivarsdale Mining) com um investimento de 3.800 milhões de
USD.

O investimento de raiz na perspectiva de Machado (2014: 15) citando Morschett et al. (201035),
envolve a criação, no mercado externo, de novas infra-estruturas, tais como, fábricas,
subsidiárias logísticas, entre outras. Como tal, esta forma de IDE é mais exigente do que a
aquisição em termos de conhecimento de mercado, na criação de uma rede de fornecedores,
distribuidores e clientes, bem como na seleção de recursos humanos. Para além disso, representa
um tipo de investimento mais arriscado devido ao alto risco de incerteza no que diz respeito às
receitas e lucros futuros todavia, permite à empresa moldar a filial estrageira à sua imagem. Este
tipo de investimento é o mais destacado em Moçambique, e é visto como criador de emprego, de
novas capacidades produtivas, transferência de know-how para as comunidades locais e sendo
alvo de muitos incentivos governamentais (baixos impostos, subsídios de construção, etc.) de
modo a encorajar a sua implementação.

Para os casos de investimentos de raiz, Castel-Branco (2002: 12) traz como exemplos: para a
zona norte de Moçambique, o projecto Areias Pesadas de Moma (Kenmare Resources), tendo
sido empregues cerca 200 milhões de USD para sua implantação, Anadarko, ENI, Statoil e
Petronas; para zona centro, Complexo Petroquímico (Sasol Petroleum Sofala) com um custo de
1.800 milhões de USD e zona sul, Parque Industrial da Matola (Chifton e Governo
Moçambicano), com investimento de 500 milhões de USD, projecto de Areias Pesadas de
Chibuto (Southern Mining Corporation, Corridor Sands, IDC 36 –SA e WMC37 – Austrália) com

35
Morschett, D. et al. (2010), Strategic International Management: Texts and cases, Glaber Verlag.
36
Industrial Development Corporation

24
1400 milhões de USD e, Mozal I e II (BHP Biliton, Mitsubishi e IDC Governo de Moçambique)
com investimentos que rondam aos 2300 milhões de USD.

Conforme observado, existem duas formas de concretização do IDE. Entretanto, existem


igualmente dois tipos no que se refere ao nível de propriedade: sole venture (empresas detidas na
totalidade por uma única entidade) e joint venture (empresas cujo capital é repartido entre duas
ou mais empresas autónomas). Académicos como Dias (2007: 48, citando Cateora e Graham,
199638, e Lorga, 200339) consideram que as sole venture exigem a criação ou aquisição de uma
filial no estrangeiro detida a 100% pela empresa. Esta forma de inserção possibilita um controlo
total mas exige maior investimento. As mesmas apresentam vantagem a nível de custos dos
recursos humanos, facilidade de acesso a matérias-primas e de não pagamento de direitos de
importação, contrapondo-se ao facto de ficar mais vulnerável á instabilidade política e
económica do país.

Na perspectiva de Douglas e Craig (1995: 156), este tipo de empresas apresentam vantagens e
limitações da propriedade total. Em termos de vantagens a nível de aquisição, podem ser
consideradas: a rápida entrada, acesso aos canais de distribuição, existência de experiencia de
gestão, nomes de marca e reputação já estabelecidas e diminuição da concorrência e, quanto as
vantagens a nível de implantação consideram-se: tecnologias actuais, produção integrada e
eficiência operacional. No que toca a limitações, a nível de aquisição observam-se: a integração
nas operações já existentes, problemas de comunicação e coordenação e, necessidade de
enquadramento nos negócios existentes, e a nível de implantação resumem-se em: custos do
investimento, necessidade de construir o negócio e atraso temporal.

Empresas desse tipo, conforme Castel-Branco (2002: 1), Mosca e Selemane (2013: 3) e Jofrice
(2014: 21), podem ser encontradas em Moçambique: na zona norte, o projecto Areias Pesadas de
Moma (Kenmare Resources), Anadarko, ENI, Statoil e Petronas; zona centro, Rio Tinto (Rio

37
Western Mining Corporation
38
Cateora, P. R. and J. L. Graham (1996), International Marketing, McGraw-Hill, New York.
39
Lorga, S. (2003), Internacionalização e Redes de Empresas: Conceitos e Teorias, Editorial Verbo, Lisboa.

25
Tinto, anteriormente pertencente a Rivarsdale Mining) e Complexo Petroquímico (Sasol
Petroleum Sofala).

Dias (2007: 47), citando Teixeira e Diz (200540), trás um conceito alargado das joint ventures,
considerando-as como acordos entre empresas de dois ou mais países diferentes, com a
finalidade de levar a cabo, num desses países ou em outro distinto, um negócio (formando uma
entidade empresarial distinta) com benefícios esperados para ambas as partes, que partilham
também os riscos. Mais adiante, citando Lorga (200341) e Cateora e Graham (199642), considera
que este contrato implica sempre a criação de uma entidade nova e juridicamente distinta das
outras, sendo o contrato para fins comerciais ou produtivos.

Recorrendo a abordagem de Viana e Hortinha (200543) citada por Dias (2007: 8), observa-se que
estas podem resultar de uma aquisição parcial de uma sociedade existente no estrangeiro, da
criação de uma nova empresa em associação com um parceiro local (ocorre várias vezes em
países em desenvolvimento), da constituição de uma sociedade conjunta num país terceiro, da
criação de sociedades mistas (na qual envolve um parceiro local, sendo o Estado ou de alguma
forma ligado a ele e ocorrem geralmente em sectores estratégicos da economia do país). Em
termos de vantagens, destacam-se o facto de serem de baixo risco, muito utilizadas dada a
possibilidade de entrarem em mercados de difícil acesso (com barreiras), combinam
conhecimento da empresa local com o capital e tecnologia da empresa que se insere. Em relação
aos problemas ou dificuldades, estão ligados ao relacionamento entre parceiros (conflitos e falta
de comunicação entre os parceiros, com culturas empresariais diferentes e a disputa pelo controlo
da empresa).

No que concerne a este tipo de empreendimentos, há exemplos implantados em Moçambique, a


Mozal 1 e 2 (BHP Biliton, Mitsubishi e IDC), Motraco (ESKOM, EDM e SEB), o projecto de
Areias Pesadas de Chibuto (Southern Mining Corporation, Corridor Sands, IDC –SA e WMC –

40
Teixeira, S. e H. Diz (2005), Estratégias de Internacionalização, Publisher Team, Lisboa.
41
Lorga, S. (2003), Internacionalização e Redes de Empresas: Conceitos e Teorias, Editorial Verbo, Lisboa.
42
Cateora, P. R. and J. L. Graham (1996), International Marketing, McGraw-Hill, New York.
43
Viana, C. e J. Hortinha (2005), Marketing Internacional, 2ª Edição, Edições Sílabo, Lisboa

26
Austrália), a Sasol (Sasol Petroleum Sofala, Petronas Carigali Moçambique, ENH e IFC – Braço
do Banco Mundial para o sector privado) na zona sul, Vale (Vale do Rio Doce, Estado
Moçambicano e Sector Privado Nacional), Parque Industrial da Matola (Chifton e Governo
Moçambicano) na zona centro (Castel-Branco, 2002: 1, Mosca e Selemane, 2013: 3, e Jofrice,
2014: 21).

Em resumo, para as formas de concretização do IDE (aquisição ou fusão e investimento de raiz),


Moçambique observa as duas categorias com casos bem definidos e distribuídos pelo país, o que
permite dizer que estas formas de implantação de EMN vão ao encontro daquilo que é a
característica mundial. Por outro lado, no que se refere a questão de nível de propriedade onde
também existem dois tipos, sole venture (empresas detidas na totalidade por uma única entidade)
e joint venture (empresas cujo capital é repartido entre duas ou mais empresas autónomas), o país
também consegue trazer evidências bastantes para mostrar a existência dos dois casos, sendo que
uma dessas EMNs (Mozal), será o caso apresentado no capítulo seguinte, o qual procuraremos
fazer um estudo mais detalhado.

27
CAPÍTULO 3 – A IMPLANTAÇÃO DA MOZAL EM MOÇAMBIQUE

No presente capítulo explica-se o processo de implantação da EMN Mozal, tendo em conta as


características e modos de formas de internacionalização apresentados pelo Paradigma Eclético,
o qual guia neste processo. Assim, o capítulo está estruturado de forma a apresentar, em
primeiro, as bases legais para instalação da Mozal em território nacional e finalmente, o processo
de implantação física da mesma em Beluluane.

3.1. Legislação Moçambicana que Suporta a Implantação da Mozal


O contexto pós-guerra civil começou em 1992, no qual Moçambique apresentava-se devastado e
com a necessidade de facilitar a entrada de investimentos. Como forma de impulsionar a
economia e atrair investimentos externos o Estado tornou a economia mais aberta, sendo que esta
posição era fruto das recomendações do Consenso de Washington isto deu espaço ao
ajustamento estrutural e reformulação da legislação de forma a melhorar a performance
económica. Neste sentido, como uma das medidas para criar ambiente propício para o IDE em
Moçambique, o Estado aprovou uma nova legislação sobre o investimento (Lei de Investimentos
– Lei nº 3/93, de 24 de Junho e, mais tarde, o Regulamento da Lei de Investimentos, Decreto nº
43/2009, de 21 de Agosto e Código de Benefícios Fiscais – Lei nº 4/2009, de 12 de Janeiro) em
substituição da antiga legislação (Lei sobre Investimentos nacionais e estrangeiros – Lei nº 4/84,
de 18 de Agosto e o Regulamento de Investimento Directo Estrangeiro – Decreto nº 8/87, de 30
de Janeiro).

3.2. Instalação da EMN Mozal em Moçambique


A Mozal é uma EMN que se constitui como o primeiro grande projecto de IDE no país após a
independência. Trata-se de uma empresa na forma de investimento de raiz, pelo facto de
constituir-se em um empreendimento que envolveu a criação de nova infra-estrutura (fábrica),
correndo todos os riscos que vão desde a incerteza de retorno do investimento até as relacionadas
com o ambiente económico, social e político do Estado. Por outro lado, trata-se, segundo Langa
e Mandlate (2013: 176), de uma joint venture entre as empresas BHP Billiton (uma
multinacional de mineração de origem Anglo-Australiana, com 47%), Mitsubishi Corporation
(uma multinacional de origem japonesa, com 25%), Industrial Development Corporation of

28
South Africa (pertencente ao banco público de desenvolvimento industrial do governo sul-
africano, com 24%) e o Governo de Moçambique (com 4%), respeitando o disposto nos nºs 1 e 2
do artigo 17º da Lei nº 3/93, de 24 de Junho, quando estipulam que os projectos a realizar no país
por meio de investimento directo são efectuados por capitais disponibilizados pelos próprios
investidores com recurso aos suprimentos e/ou prestações suplementares de capital cuja
remuneração não assuma a forma de cobrança de juros sobre o empreendimento em que forem
aplicados.

O projecto tem um investimento total de aproximadamente 2 mil milhões de USD, dos quais
cerca de 1,1 mil milhões representam financiamento de projecto non recourse ou seja, créditos
(MOZFUND CGIC/SAECA, com 445,3 milhões de USD; COFACE – BPN Paribas, com 189,3
milhões de USD; International Finance Corporation – IFC, com 113,9 milhões de USD,
Development Bank of Southern Africa – DBSA, com 82,5 milhões de USD, Japan Bank for
International Cooperation – JBIC, com 60,2 milhões de USD; Commonwealth Development
Corporation – CDC, com 52,1 milhões de USD; BEI, com 32,9 milhões de USD; Deutche
Investitions und Entwickluingsgesellschaft – DEG, com 30,7 milhões de USD; PROPARCO,
com 29,6 milhões de USD; Export Development Corporation – EDC, com 24,1 milhões de
USD), sindicado a nível internacional (Standard Bank, 2014: 5).

A empresa, segundo Wache (2008: 4) e Pangueia (2010: 16), está instalada no Parque Industrial
de Beluluane, situado a 17 km para Leste da Cidade de Maputo, no Posto Administrativo de
Matola-Rio, Distrito de Boane, Província de Maputo, na Zona Franca Industrial da Mozal
(ZFIM) cobrindo uma área de 138 hectares, além dos 6,8 hectares no Porto de Maputo.
Conforme pode-se observar no estudo macroeconómico do Standard Bank (2014: 6), esta ZFIM
foi criada pelo Decreto nº 45/97 e é uma área de Regimes Especiais aduaneiros, fiscais, cambiais
e relativos a questões de contratação de expatriados para um período fiscal de 50 anos,
renováveis.

Sendo um projecto pioneiro, e como forma de facilitar a sua implementação e posterior captação
de mais investimentos da mesma dimensão, o Governo de Moçambique concedeu alguns
benefícios e incentivos (de forma exclusiva em termos de escala e enquadramento) à Mozal, os

29
quais segundo o nº 2 do artigo 16º da Lei nº 3/93, de 24 de Junho, são de carácter irrevogável
durante a vigência do respectivo prazo, desde que não se alterem os condicionalismos que
tiverem fundamentado a sua concessão, e destacam-se os seguintes:
 Regime Aduaneiro – neste regime especial destacam-se os seguintes elementos: todos os
bens utilizados na construção de infraestruturas e na operação entram no país ao abrigo
do regime de trânsito aduaneiro; as importações de máquinas, ferramentas, acessórios,
peças, materiais e matérias-primas, a serem utilizadas na construção e operação do
projecto, estão isentas de quaisquer direitos aduaneiros e não carecem de inspecção pré-
embarque, poderá manter permanentemente 30 veículos ligeiros de serviço e de
representação isentos de quaisquer direitos aduaneiros e, os bens produzidos são isentos
de direitos de exportação;
 Regimes Fiscal – destacam-se os seguintes recursos: a partir do início do seu segundo ano
de operação, tem que pagar 1% da sua receita bruta, numa base trimestral; é isenta de
imposto sobre rendimentos; os seus expatriados estarão isentos de imposto sobre
rendimentos durante os trabalhos preliminares e o período de construção e beneficiam de
uma redução de 40% desse imposto nos primeiros cinco anos após o início efectivo das
operações de fundição; tem direito/ a recuperar o custo de melhorias ou de construção de
infra-estruturas públicas existentes ou novas, até ao valor de 15 milhões de USD, durante
um período de oito anos; os fornecedores estrangeiros estão isentos da retenção na fonte
de 15% em actividades relacionadas especificamente com a Mozal; está isenta de pagar
impostos de selo pela sua constituição legal, bem como pela constituição de hipotecas e
de outras garantias e, todos contratos e subcontratos da empresa, tem o direito aos
benefícios descritos, com excepção para os relativos a imposto sobre rendimentos,
durante o período de construção, até ao início das operações;
 Regime Cambial – inclui: direito de reter até 100% das suas receitas de exportação em
moeda livremente conversível; pode gerir livremente as suas contas bancárias em moeda
estrangeira no estrangeiro, para realizar transacções como recepção de receitas de vendas,
créditos de seguros e taxas de seguros, contribuições para capital social, empréstimo e
serviço de dívida no estrangeiro, outros pagamentos relacionados com despesas em
investimentos operacionais e pagamento de dividendos; pode transferir livremente moeda
estrangeira no sistema bancário nacional; os investidores estrangeiros na ZFIM tem

30
direito a receber e declarar no estrangeiro, em moeda estrangeira, até 100% dos seus
dividendos (sendo um processo relativamente comum em projectos de exportação em
mercados emergentes);
 Regime de Contratação de Expatriados – onde: durante o período de construção, está
autorizada a contratar pessoal estrangeiro especializado, de acordo com as suas
necessidades; durante o período de construção, o número de horas de trabalho realizadas
por estrangeiros não excederá 50% do total de horas de trabalho contratadas e, durante os
primeiros cinco anos de operação, tem direito a contratar até 15% de trabalhadores
estrangeiros (Standard Bank, 2014: 6).

Autores como Castel-Branco (2002: 1), Langa e Mandlate (2013: 177), Millennium BCP (2014:
44), são unânimes em afirmar que a Mozal teve a sua implementação faseada, sendo a primeira,
conhecida como Mozal I, que ocorreu de 1998 a 2000 (inaugurada em Setembro), onde
procedeu-se a construção e instalação de equipamentos os quais possibilitaram a produção entre
245 a 250 mil toneladas de alumínio por ano, a segunda denominada Mozal II, aconteceu de
2001 a 2003, onde ampliou-se a mesma com objectivo de duplicação da produção, passando para
490 a 500 mil toneladas de alumínio por ano e uma terceira, conhecida como Mozal III, que
deveria ser implementada em 2009, sendo que está condicionada pelo fornecimento de energia
elétrica (650 Megawatts), sabendo que as duas primeiras consomem cerca de 850 Megawatts .

Conforme afirma Pretorius (2005: 133), para os investidores o projecto foi um sucesso em
termos de implantação, tendo sido feito em tempo muito menor ao programado (um ano e um
mês de diferença), e com custo de investimento 13% menor ao orçamentado. Em termos
tecnológicos e de produção, Jaspers e Mehta (2008: 125) consideram que a empresa é uma das
maiores e tecnologicamente mais evoluídas fábricas do seu ramo de actividades a nível mundial
e também com menor custo unitário e menor volume de capital investido por tonelada de
capacidade adicional.

De forma resumida, pode-se observar que a implantação da Mozal em Moçambique seguiu o


processo de internacionalização das empresas multinacionais apresentadas pelo Paradigma
Eclético de Dunning, sendo um investimento de raiz e com a característica de joint venture. O

31
mesmo socorreu-se das facilidades concedidas pelo Governo da República de Moçambique, que
com o mesmo pretendia atrair mais investimentos da mesma dimensão, mostrando a imagem de
um país com um ambiente político, económico e social favorável e com uma economia aberta
que propicia o desenvolvimento de projectos de IDE.

32
CAPÍTULO 4 – A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O CONTRIBUTO DA MOZAL NO
DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO

A vertente da RSC apresentada no presente trabalho decorre da aplicação da Teoria dos


Stakeholders e Responsabilidade Social, a qual dá ênfase não só para o ambiente externo, mas
também para o interno, sendo os trabalhadores, accionistas, actores a serem tomados em conta.
Assim, o capítulo está estruturado de forma a apresentar, a responsabilidade social corporativa
das empresas multinacionais em Moçambique, suas características e áreas de incidência e fazer o
estudo particularizado da actuação da Mozal nessa mesma vertente.

4.1. A Responsabilidade Social Corporativa das Empresas Multinacionais em


Moçambique
A RSC das empresas é um fenómeno antigo e que era ligado à capacidade das mesmas gerarem
lucros para os seus accionistas. Esta visão clássica (responsabilidade estreita) levava em conta a
ideia de que a condução dos negócios com a finalidade de maximização de lucros financeiros e
minimização de custos sem, no entanto, responder a uma cadeia de interessados e afectados pelas
acções das empresas (Cardoso, 2009: 5). Esta visão é partilhada por Tenório (2004: 15, citando
Friedman, 196244), o qual afirma que

Ultimamente um ponto de vista específico tem obtido cada vez maior aceitação – o de que os
altos funcionários das grandes empresas e os líderes trabalhistas têm uma responsabilidade social
além dos serviços que devem prestar aos interesses de seus accionistas ou de seus membros. Esse
ponto de vista mostra uma concepção fundamentalmente errada do carácter e da natureza de uma
economia livre. Em tal economia só há uma responsabilidade social do capital – usar seus
recursos e dedicar-se a actividades destinadas a aumentar seus lucros até onde permaneça dentro
das regras do jogo, o que significa participar de uma competição livre e aberta, sem enganos ou
fraude.

Assim, as empresas devem produzir, com eficiência, bens e serviços e deixar a solução das
questões sociais para os órgãos governamentais competentes, já que os gestores das mesmas não
possuem condições de determinar a urgência dos problemas sociais e nem a quantidade de

44
Friedman, Milton (1962) Captalism and Freedom, University of Chicago Press, Chicago.

33
recursos que devem ser empregues na solução de tais questões (Bezerra, 2007: 8, citando Stoner
e Freeman, 199945). Todavia, a abordagem clássica tem vindo a ser alvo de um processo de
reavaliação, sendo apresentada a responsabilidade ampla, na qual se desdobra em dois tipos: a
visão moderna (que acredita que, a longo prazo, as acções de responsabilidade social trazem
benefícios para a empresa) e a filantrópica (que defende que as acções de responsabilidade social
mesmo que não tragam retornos para a empresa). A visão ampla, conforme Machado Filho
(2002: 48), é a que está em sintonia com os defensores das acções de responsabilidade social.

A RSC compreende um compromisso voluntário das empresas com o desenvolvimento da


sociedade e a preservação do meio ambiente, desde sua composição social e um comportamento
responsável com as pessoas e os grupos sociais aos quais se integram. Esse compromisso assenta
na contribuição para o desenvolvimento económico sustentável, trabalhando seus funcionários e
suas famílias, a comunidade local e a sociedade, para melhorar a qualidade de vida. Nela estão
assentes, os direitos humanos, direitos dos trabalhadores, protecção ambiental, relação com
fornecedores e monitoria dos direitos de toda a cadeia de stakeholders a ela relacionada.

Em Moçambique, não sendo excepção, a RSC apresenta esta visão (defesa dos direitos humanos,
relações trabalhistas e ao meio ambiente). Porém, sendo abraçada e implementada como uma
estratégia empresarial incorporada de forma esporádica e pontual, sendo uma tentativa de fazer
face aos impactos negativos próprios das suas actividades e de forma a conseguirem um
reconhecimento do governo e abertura das comunidades locais evitando futuros conflitos
(Selemane, 2008: 38). Por seu turno Mosca (2013: 19), acrescenta que estas acções não devem
ser consideradas como RSC mas sim como vantajosas para as empresas como meio de evitar
maiores índices de absentismo, maior produtividade, mais controlo/fidelização sobre os operários
e técnicos. Nesta linha de pensamento, Castel-Branco (2008: 9) entende que o investimento em
infra-estruturas por parte das EMNs e posterior entrega para fins sociais ao invés de garantir
melhoria na vida das comunidades e aliviar o Estado, cria maior pressão no governo, na medida
em que obrigam a maiores ginásticas orçamentais para colocar em funcionamento tais
empreendimentos, os quais à partida não estavam em seus planos.

45
Stoner, James A. F. & R. Edward Freeman (1999), Administração, 5ª Edição, LTC Editora,

34
Contudo, apesar das opiniões pessimistas, as EMNs são firmas direccionadas a maximizar os
lucros, sendo que apresentam um nível de responsabilidade social na qual o aumento da renda
procura minimizar ou eliminar os impactos negativos da utilização de recursos e também a
melhoria das condições das comunidades a que estejam inseridas. Desta forma, as empresas
conseguem responder às demandas de todos os grupos de interesses. Esta afirmação vai de
encontro com a reflexão de Mosca (2013: 18), na qual observa que é discutível se devem ser as
EMNs a construir esses infra-estruturas ou se isso é função do Estado, alocando parte das
receitas dos impostos cobrados as mesmas para beneficiar as comunidades.

4.2.Características e Áreas de Responsabilidade Social das Empresas em Moçambique


As empresas socialmente responsáveis, na perspectiva de Amarcy (2006: 13), destacam-se pelo
seu padrão de comportamento social, económico, cultural e político. Para enveredar por uma
postura socialmente responsável, a empresa deve certificar-se que preenche esses padrões. No
caso de Moçambique, as EMNs para que sejam caracterizadas como socialmente responsáveis
tomam em conta alguns aspectos que dizem respeito ao seu relacionamento com diferentes
grupos de interesses tais como:
 Comunidade – recrutando funcionários em comunidades carentes, e próximas da região a
que a mesma está instalada; estimular o trabalho voluntário; apoiar acções sociais e,
contratar serviços de empresas ou organizações comunitárias.
 Funcionários – contratar pessoas com experiências e perspectivas diversificadas; criar
programas de participação nos lucros e resultados; evitar despedimentos e demissões
massivas, ser flexível e oferecer soluções aceitáveis para problemas e, apoiar a educação
dos filhos dos trabalhadores.
 Meio ambiente – criação de um código de reciclagem; usar meios ecologicamente
aceitáveis e, evitar a contaminação do meio.
 Fornecedores – estimular aos parceiros a contribuírem em causas sociais e manter o seu
envolvimento somente com empresas éticas.

Porém, na visão de Melo Neto e Froes (2001: 35), as características de uma empresa socialmente
responsável resumem-se em:
 Alto comprometimento com a comunidade;

35
 Actuação em parceria com o governo, empresas e outras entidades em programas e
projectos sociais;
 Apresentação de progressão nos investimentos nas áreas sociais;
 Viabilização de projectos sociais independentemente dos benefícios fiscais existentes;
 Realização de acções sociais sem no entanto ter como objectivo o marketing, mas sim um
comprometimento efectivo com a comunidade;
 Incentivar os funcionários a participarem em acções de responsabilidade social da
empresa, como voluntários e,
 Ter bom relacionamento com os diferentes grupos de interesses ligados a cadeia de
valores da empresa.

Desta forma, pode-se dizer que a RSC é caracterizada por uma atenção especial a todos os
intervenientes da sociedade e que estejam ligados de forma directa ou indirecta à empresa.

No que concerne as dimensões da RSC, na visão de Melo Neto e Froes (2001: 35), há que
observar duas vertentes: o público interno e a comunidade. A vertente interna compreende os
empregados e seus dependentes, e tem o objectivo de motivá-los para um desempenho óptimo,
criando um ambiente agradável de trabalho e contribuindo para o bem-estar. Esta envolve
programas de participação nos lucros da empresa, assistência médica, financiamento de cursos
externos, programas de capacitação entre outros. A vertente externa compreende a comunidade
mais próxima da empresa ou local onde está situada, sendo caracterizada por programas de
voluntariado, doações, acções sociais voltadas para educação e saúde. Assim, as empresas só são
consideradas socialmente responsáveis se cumpridas estas duas vertentes.

Autores como Melo Neto e Froes (2001: 85), citando Moreira (199946), consideram a existência
de quatro dimensões que devem ser observadas:
 a dimensão legal – que é o pilar da responsabilidade social pelo facto de implicar o
cumprimento das leis e regulamentos promulgados ou apresentados pelo governo para o
estabelecimento de padrões mínimos de comportamento responsável;

46
Moreira, J. M. (1999), A Contas com a Ética Empresarial, Editora Princípia, Cascais.

36
 a dimensão económica – que compreende a primeira responsabilidade de uma empresa
pois, é a base e sem ela, a empresa não pode cumprir com nenhuma outra
responsabilidade e nem ser uma boa empregadora;
 a dimensão ética – que envolve a compreensão de princípios e padrões que orientam o
comportamento no mundo dos negócios e enfatizam o dever ético de cumprimento da lei,
seja qual for e,
 a dimensão filantrópica – que diz respeito às contribuições da empresa à sociedade, na
qual espera que tenha um valor agregado na melhoria da qualidade de vida das
comunidades, olhando para questões ambientais, educacionais e assistência.

Na visão destes autores, a empresa só pode ser considerada socialmente responsável se observar
estes quatro aspectos. Por outro lado, cada esfera de actuação da empresa e cada relacionamento
que a mesma mantém com os diferentes grupos de interesses (funcionários, accionistas,
consumidores, fornecedores, entre outros) têm a sua dimensão de responsabilidade social e essa
mesma dimensão obedece a princípios e deveres que devem ser observados e seguidos a risca,
bem como os padrões de actuação e normas de conduta (Melo Neto e Brennand, 2004: 7).

4.3. Responsabilidade Social Corporativa da Mozal e Contributo no Desenvolvimento


Económico
No processo de desenvolvimento económico existe um objectivo geral e claro por parte das
economias, das suas elites, dos seus governos que é a melhoria do padrão de vida da população
(Amarcy, 2006: 21). Este objectivo não é meramente retórico, ainda que, em cada país, os ricos e
a classe média estejam mais preocupados com o seu padrão de vida do que com o de toda a
população. Desta forma, o objectivo de bem-estar não significa uma distribuição de renda menos
desigual, sendo no entanto que o processo de desenvolvimento termine por ser uma melhoria dos
padrões de vida médios. Conclui-se, assim, que o desenvolvimento económico é um processo
que ocorre a médio e longo prazo, para que sejam conjugados todos os aspectos da sociedade a
fim de se estabelecer uma melhoria no bem-estar da sociedade.

No que concerne a RSC da Mozal e seu contributo no desenvolvimento económico de


Moçambique, conforme o referencial teórico apresentado, olha-se para a satisfação dos

37
diferentes grupos de interesses, sendo internos e externos. Para tal, são considerados os
seguintes: accionistas e trabalhadores, como internos e, governo, comunidades locais e
fornecedores, como externos.

Um dos meios usados pela Mozal para demonstrar que o sucesso do projecto não está só ligado a
construção, aplicação de tecnologias de ponta e bom desempenho operacional, mas também pelo
desempenho ambiental, ético e social é a constituição (em 16 de Agosto de 2000) e
operacionalização da Associação Mozal para o Desenvolvimento da Comunidade (AMDC), a
qual tem vindo a contribuir em diversas áreas e sob diversas formas, quer a nível comunitário ou
em programas com a parceria governamental.

4.3.1. Resposta da Mozal à Demanda dos Accionistas e Investidores


Para os investidores, conforme afirma Pretorius (2005: 133), o projecto da Mozal foi um sucesso
em termos de implantação, tendo sido feito em tempo muito menor ao programado (um ano e um
mês de diferença), e com custo de investimento 13%menor ao orçamentado. Em termos
tecnológicos e de produção, Jaspers e Metha, 2008: 125) consideram que a empresa é uma das
maiores e tecnologicamente mais evoluídas fábricas do seu ramo de actividades a nível mundial
e também com menor custo unitário e menor volume de capital investido por tonelada de
capacidade adicional.

A publicação do Standard Bank (2014: 4) refere que, após a instalação, na primeira fase, a
capacidade era de 250 ktpa 47 (250 mil toneladas por ano) e de 2003 a 2004 a capacidade
duplicou com a expansão da Mozal para a Fase II, tendo atingido 500 kpta (500 mil toneladas
por ano). Há também a referir que, em Fevereiro de 2013, a Mozal assinou um acordo para
fornecer 50 mil toneladas de alumínio à MIDAL (uma das maiores fabricantes mundiais de cabos
de alumínio), estando a mesma a instalar uma fábrica em Moçambique e que usará lingotes de
alumínio produzidos na fundição, como matéria-prima. Será a primeira vez que parte da
produção da Mozal será aplicada em Moçambique.

47
kilotons per year - quilotoneladas por ano

38
A EMN Mozal iniciou em 2000 a produção de lingotes de alumínio, tendo começado a funcionar
em pleno a partir do terceiro trimestre do ano de 2001,utilizando a tecnologia AP30 da Pechiney,
que é a mais avançada do mundo, com capacidade para produzir 250 mil toneladas de alumínio
por ano, cerca de 1% da produção mundial, gerando um rendimento de cerca de 400 milhões de
USD/ano. Um volume de negócio superior a 390,6 milhões de USD e resultados líquidos de 19,8
milhões de USD (Bene Júnior, 2004: 7).

Nestes termos, sendo considerada como uma das maiores e tecnologicamente mais evoluídas
fábricas do seu ramo a nível mundial e também com menor custo unitário no mundo e o menor
volume de capital investido por tonelada, conjugando com as facilidades e incentivos dados pelo
governo da República de Moçambique, apresenta rendimentos acima das concorrentes a nível
mundial, o que representa uma fonte de lucro e retorno acima do padrão estabelecido. Como
forma de exemplificação, Mosca e Selemane (2013: 15) referem que a BHP Billiton reportou
lucros de 800 milhões de USD entre 2005/6 e 2011/12, uma média de 114 milhões de USD por
ano e que a Mitsubishi poderia também ter também lucros proporcionais a estes, sendo que estes
dois accionistas fizeram, colectivamente, mais de 175 milhões de USD de lucro por ano. Assim,
sabendo que a BHP Billiton investiu cerca de 520 milhões de USD, e recebeu cerca de 114
milhões de USD de lucros, percebe-se que há um retorno de 22% do capital por ano. De forma
colectiva, os investidores estrangeiros, os governos e os bancos públicos de desenvolvimento têm
recebido uma média de 320 milhões de USD por ano da fundição.

4.3.2. Relação entre a Mozal e os Trabalhadores


A Mozal, no âmbito da contratação de trabalhadores, conforme ilustra Granjo (2003: 408),
colocou como patamar mínimo o 10º ano de escolaridade, embora no seu quadro de pessoal
sejam raros os casos de operários com menos que o 12º ano de escolaridade. Esta política está
ligada a necessidade dos trabalhadores terem o mínimo domínio da língua inglesa, pelo facto de
haver uma diversidade linguística derivada das várias nacionalidades dos sócios, trabalhadores
estrangeiros e técnicos e também pelos manuais de operação que vêm do exterior e em língua
inglesa. Outrossim, alguns são os casos de candidatos à admissão que procuram omitir possuir
estudos superiores com receio de não serem contratados. Por outro lado, no que concerne às
remunerações, o vencimento pago a um operário, embora modestos segundo os critérios

39
europeus, corresponde a cerca de oito a dez salários normais fora da empresa, sendo assim
bastante atractivos. A conjugação de interesses acima apresentada resultou num quadro de
pessoal operário com um nível de escolaridade superior ao que é habitual na maioria dos países e
das indústrias locais em Moçambique.

Sendo uma empresa que usa tecnologia de ponta e com processos rigorosos de produção, a
empresa tem como um dos princípios a capacitação dos seus operários de forma a capitalizar esta
mão-de-obra, o que vai permitir a maximização da produtividade e manter comportamentos e
práticas seguras, reduzindo o risco de incidentes. Por outro, há a introdução de fichas BOP (best
operation proceedings 48 ), nas quais são indicadas todas as acções elementares a tomar ou
cumprir e ainda para reportar qualquer que seja o incidente ou situação que possa colocar em
risco os próprios trabalhadores. Os gestores partem do princípio de “safety comes first, work
comes second 49”, e decorre da campanha que tem em vista atingir o objectivo de risco zero
(Granjo, 2003: 408).

4.3.3. Resposta da Mozal aos Interesses Governamentais


A contribuição da Mozal e alguns mega-projectos nas receitas do Estado entre Janeiro a
Dezembro de 2012, segundo o Ministério das Finanças (2013: 15), foi de 517,8 milhões de
meticais e de Janeiro a Dezembro de 2013, foram de 506,2 milhões de meticais, registando uma
variação negativa em 2,2% devido à retracção da procura pelo alumínio no mercado
internacional, verificada no final do ano de 2012 e nos primeiros quatro meses de 2013.

A Mozal apresenta uma quota de 3,2% no PIB e ainda um contributo directo de 49% na indústria
transformadora da produção bruta e 29% do Valor Acrescentado Industrial. Ela também
representa dois terços das exportações de produtos nacionais. No comércio externo tem um
contributo líquido positivo de cerca de 400 milhões de USD ao ano, reduzindo o défice
comercial de Moçambique até um terço e na balança de pagamentos um contributo de cerca de
100 milhões de USD (Standard Bank, 2014: 7).

48
melhor processo de operação
49
primeiro a segurança, e o trabalho em seguida.

40
No que concerne à geração de empregos, na sua fase de construção, segundo Jossefa (2012: 35),
empregou cerca de 9 mil pessoas, das quais 65% moçambicanos e proporcionou oportunidades
de negócio para pequenas e médias empresas dedicadas à prestação de serviços. Após a entrada
em funcionamento, gerou cerca de mil postos de trabalho permanentes para moçambicanos e um
grande número de postos de trabalho indirectos dentro e fora das instalações através de
subcontratações e de mais 200 empregos permanentes e 200 temporários no Mozal Community
Development Trust. Numa parceria com o Instituto Nacional de Emprego e Formação
Profissional (INEFP), e com base em padrões da Indústria sul-africana, foram formadas 8 mil
pessoas em 37 especialidade das quais: engenheiros civis, electricidade, instrumentação,
tubulação, colocação de tijolos refractários e aço estrutural (Standard Bank, 2014: 8).

Numa outra vertente, no âmbito das competências e princípios norteadores da constituição da


AMDC, tem vindo a dar apoio nas áreas de educação, saúde e segurança. Por exemplo, destaca-
se a reabilitação e entrega ao Ministério do Interior das instalações da Polícia do Bairro Triunfo,
a reabilitação das infra-estruturas desportivas da Escola Josina Machel, ambos na Cidade de
Maputo. Houve também diversas campanhas em parceria com o Governo da Província de
Maputo, no âmbito do combate à malária, educação sobre o HIV-SIDA (Jornal Noticias
28/06/01). Por outro lado, Matsinhe (2011: 80) refere que a AMDC construiu, na localidade de
Beluluane, uma Escola Secundária, uma Maternidade e um Centro de Saúde Infantil.

No ensino secundário destaca-se a oferta de 20 computadores à Escola Secundária Josina Machel


e a reabilitação de dois campos polivalentes da mesma escola. A Biblioteca da Escola Secundária
da Matola foi reabilitada. A Escola Industrial e Comercial da Matola também recebeu um
equipamento de soldar e livros para a biblioteca. À Escola Nelson Mandela foi concedido um
lote de 42 computadores e à Escola Secundária da Polana foram concedidos outros 30
computadores. E no ensino superior apenas a Universidade Eduardo Mondlane beneficia de 20
bolsas atribuídas a estudantes desfavorecidos (Wache, 2008: 35).

No que concerne ao respeito pelas normas ambientais, concretamente a Lei nº 20/97 de 1 de


Outubro, a qual considera lixo ou resíduos perigosos todo e qualquer material ou substância que
constitua perigo para a vida ou saúde das pessoas e de outros seres vivos e na qualidade do

41
ambiente, quando expelido de forma inadequada, a Mozal tem vindo a pautar por uma conduta
responsável, possuindo um sistema de recolha e tratamento de resíduos, sendo que os mesmos
são depositados no Aterro de Mavoco. Quanto a emissões de monóxido e dióxido de carbono,
óxido de nitrogénio e de enxofre, óxido de alumínio e poeiras, a mesma tem um sistema com
tecnologia de ponta que engloba filtros para redução do impacto ambiental e atenuar problemas
de saúde (como asma, cancro pulmonar, doenças crónicas e irritação da pele), acidificação dos
solos e água, quedas prematuras de folhas e apodrecimento precoce de frutas e, fraco
crescimento das culturas (Pangueia, 2010: 23) e um processo de tratamento de resíduos,
recuperando o flúor e reutilizando-o no processo de produção do alumínio e, consequentemente,
a destruição do cianeto.

O Chefe do Departamento do Meio Ambiente da EMN Mozal50, citado por Bene Júnior (2004:
40), afirmou que a filosofia da empresa no que se refere ao meio ambiente é a de cumprir com a
legislação ambiental nacional e minimizar ao máximo possível o impacto negativo e optimizar o
impacto positivo, através da eficiência na utilização dos recursos51. Esta filosofia faz parte da
Saúde, Segurança e Ambiente e que deriva do Guide to Business Conduct52 (GBC) da empresa,
sendo responsável pela conduta interna e externa da mesma, reflexo dos valores que guiam a
gestão ambiental. Por outro, a ex-Chefe do Departamento do Meio Ambiente53, secundou que, no
que diz respeito a existência ou não de um sistema de gestão ambiental padronizada, que inclua
identificação de riscos, estabelecimento de metas, plano de acção e auditoria, a Mozal apresenta
um programa de amostragens de todas as emissões possíveis e depois comparam-se com padrões
nacionais e internacionais de forma a saber se as mesmas estão dentro dos padrões previstos. Os
gases mais perigosos são monitorados todos os dias e os dados são colocados dentro de um
sistema que serve para regular a emissão diária.

A Mozal está ciente de que qualquer que seja o desempenho ambiental incorrecto, terá um
impacto social negativo para a sociedade em geral e para as comunidades circunvizinhas em

50
Entrevistado em 20 de Junho de 2004
51
Os recursos referenciados e que a empresa utiliza em toda a cadeia de produção são: água, ar e o solo
52
Guia para Conduta nos Negócios/Guia de Conduta Comercial
53
Entrevistada em 27 de Abril de 2003

42
particular. È dentro desta perspectiva que criou um mecanismo ou canal no qual são canalizadas
ou reportadas quaisquer reclamações ou constatações ligadas ao meio ambiente e a performance
da empresa, por meio de um livro de reclamações existente no Posto Administrativo onde está
instalada e também mecanismos de contacto (telefone e e-mail54) directos com a empresa (Bene
Júnior, 2004: 42)

4.3.4. Relação entre a Mozal e as Comunidades Locais


A AMDC é parceira da União das Associações de Boane, entidade que congrega 36 associações
de diversos fins, desde culinária, costura, alfabetização, criação de frangos de corte e poedeiras,
olaria e entre vários outros, a produção agrícola, estando a mesma localizada na zona do Km 16
na EN2, que liga a Cidade de Maputo ao distrito de Boane, passando por Matola-Rio. A mesma
congrega 10.788 membros distribuídos pelas 36 associações, sendo que destas 9 mil são
mulheres, o que representa 90% (Jossefa, 2012: 37).

Segundo constatações de Wache (2008: 28), a AMDC criou, em Março de 2000, o Programa de
Desenvolvimento Agrícola (PDA) com objectivo de assistir 1200 camponeses reassentados pela
instalação da Mozal na região. O autor refere que o PDA criou a Associação de Camponeses de
Bematchome (fusão de algumas iniciais das comunidades de Beluluane, Mavoco, Tchonissa e
Matchume, que são aquelas que foram afectadas directamente pela instalação da Mozal) e apoiou
em sementes, tractores para lavrar os campos e fertilizantes. A publicação da AMDC (2003: 11),
enfatiza que a produção das famílias antes do PDA era de 400Kg/ano/família e que após o
programa foi de 1.5ton/ano/família, 1.9ton/ano/família nas campanhas de 2000/01 e 2001/02,
respectivamente. Acrescenta que apoiou a cooperativa “25 de Setembro” em Boane no Biénio
2003/04, tendo reabilitado as valas de irrigação, reparadas duas motobombas e um tractor e
também o ensino as populações a fazer o uso e aplicação de fertilizantes e comercialização da
produção.

Por outro lado, a AMDC apoia iniciativas de pequenos negócios, como o caso de produção de
blocos em Djuba, distrito de Boane. Foi oferecida, a um indivíduo, uma máquina de produção de
blocos, o que aumentou a sua capacidade de produção de 800 unidades para 1800 unidades por
54
735556 e enviro@mozal.com

43
dia. O impacto deste pequeno projecto está na geração de alguns postos de trabalho que
absorvem parte da mão-de-obra local. Há também a destacar o projecto de construção de dois
aviários, um destinado a criação de frangos e outro para poedeiras, tendo a capacidade de mil
unidades cada. São produzidos e colocados no mercado local e formal cerca de 650 ovos por dia
(AMDC, 2005: 9).

No que se refere ao desporto, a AMDC apoiou iniciativas nesta área, dando mais atenção ao
voleibol, futebol e basquetebol. O caso do voleibol, por exemplo, as equipas apoiadas pela
AMDC participaram por seis vezes nos torneios da federação da modalidade na praia Miramar
(Ibid., 2003: 19). Quanto ao futebol, a Associação Mozal patrocinou a equipa comunitária
denominada Ndhopfu, que participou no campeonato provincial de Maputo. Apoiou também o
basquetebol nos torneios inter-escolares ao nível do ensino médio decorridos em 2002 e 2003 na
Escola Industrial da Matola. Quanto à cultura, a AMDC contribuiu durante os anos de 2004 e
2005, patrocinando catorze exposições de obras de arte (Wache, 2008: 37).

4.3.5. A Mozal e seus Fornecedores


As expectativas sobre a contribuição da Mozal foram ou estão depositadas no mecanismo de
ligações produtivas, a jusante e a montante. Porém, ainda não se desenvolveram indústrias a
jusante que possam fechar esse circuito, sendo que a Mozal não tem grande vantagem em
promover investimentos a jusante de modo a vender a sua produção a nível local devido a
pequena dimensão do mercado e dos enormes custos a que estariam envolvidos na construção de
projectos industriais consumidores de matérias-primas (Castel-Branco, 2008: 4). Nas ligações a
montante, a possibilidade de desenvolvimento de ligações internas é limitada. Dos cinco
principais recursos (inputs) fundamentais para a cadeia de produção, quatro são importados (o
bauxite vem da Austrália, o coque vem dos mercados internacionais, offshore liquid pitch da
África do Sul e a energia é fornecida pela Motraco/Eskom). Somente o serviço de transporte,
fornecido pela Companhia de Desenvolvimento do Porto de Maputo/CFM, é o único input
moçambicano (Pretorius, 2005: 212).

44
Para Langa e Mandlate (2013: 178), citando Macamo (200755), em razão desta constatação, a
atenção foi concentrada na expansão do conteúdo local no fornecimento de inputs secundários e
serviços terciarizados, sendo que durante a primeira fase da implementação do projecto poucas
empresas moçambicanas conseguiram estabelecer ligações devido a problemas sérios em
satisfazer os requisitos de qualidade e experiencia exigidos pela Mozal, bem como para executar
trabalhos na escala prevista, mesmo em serviços menos especializados, conforme entendimento
de Castel-Branco e Goldin (2003: 24), sendo que do valor investido, o conteúdo local foi inferior
a 4% (Pretorius, 2005: 219), e que os serviços mais especializados são fornecidos por empresas
estrangeiras.

Como forma de alavancar as ligações produtivas entre empresas nacionais e a Mozal, segundo
Langa e Mandlate (2013: 178), citando Macamo (2007 56 ), o governo, através do Centro de
Promoção de Investimentos (CPI), desenvolveu e implementou programas específicos tais como:
Small and Medium Enterprises Empowerment Program – SMEELP (desenhado para acompanhar
a segunda fase da construção da Mozal), Mozlink 1 e 2 (direccionados para promover as ligações
na fase de operação da Mozal e expandir a experiencia a outros grandes projectos, incluindo
públicos). Os programas foram um sucesso tendo em conta o aumento do: número de empresas
treinadas (45, 50 e 75 no SMEELP, Mozlink 1 e 2, respectivamente); número de fornecedores
locais (40, 130 e 250 em 2002, 2003 e 2007, respectivamente) e o volume do conteúdo local (a
acção do SMEELP permitiu aumentar o conteúdo local na segunda fase do projecto, de menos de
4% para 14% e o conteúdo local atingiu 175 milhões de USD em 2007).

Deste modo, constata-se que houve um aumento na capacidade de coordenação e adaptação das
empresas nacionais de modo a adequar e familiarizarem-se aos procedimentos do processo de
concurso e gestão de projectos e a sua adequação aos padrões de qualidade e de segurança

55
Macamo, A. (2007), Characteristics of the most successful supplier development and linkages programmes: the
case of Mozambique, Expert meeting on “Enhancing the participation of small and medium sized enterprises in
global value chains”, Geneva.
56
Macamo, A. (2007), Characteristics of the most successful supplier development and linkages programmes: the
case of Mozambique, Expert meeting on “Enhancing the participation of small and medium sized enterprises in
global value chains”, Geneva.

45
exigidos nos processos industriais. Em resumo, de acordo com os grupos de interesses
analisados, pode-se constatar que a Mozal, no âmbito da sua RSC, consegue responder às
demandas dos mesmos, sendo que nem sempre a satisfação é observada na mesma proporção.
Assim, de acordo com a teoria previamente apresentada e de acordo com a amostra dos grupos
de interesses apresentados entende-se que a EMN Mozal conseguiu cumprir com os pressupostos
básicos que implicam o desenvolvimento económico de Moçambique, tomando em consideração
a delimitação espacial analisada.

46
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Terminada a reflexão sobre a implantação de Empresas Multinacionais em Moçambique e o
Contributo da Responsabilidade Social Corporativa da Mozal no Desenvolvimento Económico é
chegado o momento de tecer algumas considerações sobre as respostas aos objectivos traçados.

Olhando para o primeiro objectivo específico, que procurava resposta para a questão do processo
de implantação das Empresas Multinacionais em Moçambique, observou-se que no país este
processo ocorre de duas, aquisição ou fusão e investimento de raiz, com casos bem definidos e
distribuídos pelo país, o que permite-nos dizer que estas formas de implantação vão ao encontro
daquilo que é a característica mundial. Por outro lado, no que se refere a questão de nível de
propriedade onde também existem dois tipos, sole venture (empresas detidas na totalidade por
uma única entidade) e joint venture (empresas cujo capital é repartido entre duas ou mais
empresas autónomas), o país também consegue trazer evidências bastantes para mostrar a
existência dos dois casos. Assim, valida-se a primeira hipótese segundo a qual, a implantação de
EMNs em Moçambique ocorre sob forma de joint ventures e ou sole venture e, reflecte o
processo de globalização e liberalização económica mundial e obedecendo a factores endógenos
e exógenos às empresas.

O segundo objectivo específico, pretendia trazer a descrição da implantação da Mozal em


Moçambique, partindo da hipótese é uma joint venture, cuja existência no país tem alicerces nos
incentivos concedidos pelo governo. Constatou-se que a mesma, seguiu o processo de
internacionalização das empresas multinacionais, baseada no modelo OLI, sendo um
investimento de raiz que socorreu-se das facilidades concedidas pelo Governo da República de
Moçambique, o qual pretendia atrair grandes investimentos, mostrando a imagem de um país
com um ambiente político, económico e social favorável e com uma economia aberta que
propícia para o desenvolvimento de projectos de IDE. Pelo exposto, valida-se a segunda
hipótese, e responde-se de forma clara a questão sobre a implantação da Mozal em Moçambique.

Atendendo que na reflexão sobre a implantação de Empresas Multinacionais em Moçambique,


demos atenção ao estudo da Mozal, e sendo que pretendia-se perceber a contributo da sua
Responsabilidade Social Corporativa, o que vem expresso no terceiro objectivo específico, foram

47
analisados alguns grupos de interesses, constatando-se que a empresa, consegue responder às
demandas, sendo que nem sempre a satisfação é observada na mesma proporção. Assim, a
Mozal, com base na teoria apresentada, consegue cumprir com os pressupostos básicos que
implicam o desenvolvimento económico de Moçambique validando assim, a hipótese de que a
RSC da Mozal contribui para o desenvolvimento por um lado, com postos de emprego,
contratação de empresas de prestação de serviços, impostos, iniciativas governamentais e, por
outro, através da Associação Mozal para o Desenvolvimento da Comunidade em projectos
comunitários.

Como corolário das respostas às questões de pesquisa, cumprindo com os objectivos específicos
e validando as hipóteses, concluímos que foi dada uma resposta adequada ao objectivo geral que
era a reflexão sobre a implantação de Empresas Multinacionais em Moçambique e do Contributo
da Responsabilidade Social Corporativa da Mozal no Desenvolvimento Económico.

48
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