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ALLYSON ACOMPANHA AS FLEXÕES musculares do peitoral definido,
como se hipnotizada. Sua boca está seca, e seu coração, disparado. Entre as
suas pernas, a umidade que já lhe é conhecida mancha sua calcinha. Ela já
perdeu a conta de quantos banhos tomou para tentar se livrar desse fogo,
que lhe corrói as entranhas todas as vezes que vê esse homem
extremamente sensual a se exercitar.
Há um mês Allyson deseja o executivo mais cobiçado de Miami Beach. “O
Executivo Tatuado” é frequentador assíduo da academia de seu primo.
Todas as manhãs durante a semana, Allyson acorda cedo para ir à
academia, porém não para se exercitar, pois é sedentária assumida, mas
sim para admirar o belo exemplar masculino.
Ela sempre se sentiu o patinho feio da família e resolveu mudar seu
estilo de vida. Seu primo, para incentivá-la, convidou-a a conhecer sua
academia. Contudo, o que a fez assídua frequentadora foi um anjo de
sorriso sarcástico.
Anjo com nome e sobrenome: Sean Hector McGregor.

Ele é são
conquistas umconhecidas.
executivo No
famoso, mas
entanto, muito,
no fim muitorelacionamentos,
dos seus misterioso. Suas
as
mulheres que tentam se promover a sua custa são silenciadas como num
passe de mágica. Somem da mídia.
O que é muito suspeito, diga-se de passagem.
Agindo como uma stalker, Allyson investigou tudo sobre o tatuado
com o auxílio do Google. Ela conheceu alguns detalhes da vida pessoal do
executivo, como sua idade e srcem: Sean tem 27 anos e nasceu no Arizona.
É filho de pais separados e tem duas irmãs mais novas, Ayden e Emily.
Ambas são fruto do segundo casamento de seu pai. As demais informações
que Allyson conseguiu acerca dele são relacionadas à sua vida acadêmica e
posterior comando dos Empreendimentos McGregor.
Esse mistério todo envolvendo Sean despertou ainda mais o interesse
de Ally. Ela sabe que é arriscado se meter com alguém tão poderoso, mas
ela está atraída pelo magnetismo desse homem que lhe estremece as
entranhas.
E o destino conspirara ao seu favor.
Ao passar perto do escritório de Brandon, ouvira a conversa de seu
primo com o executivo. Sean relatava ao amigo que precisava com urgência
de uma assistente. Allyson não pensara duas vezes para se candidatar à
vaga. Ela está à procura de um emprego, então uniria o útil ao agradável.
Determinada, voltara em casa, trocara-se e se dirigira à empresa do
tatuado. Sem complicações se inscrevera para participar da seleção. A
primeira etapa já havia ocorrido no dia anterior, e Allyson se saíra muito
bem. Sobraram apenas duas candidatas segundo a responsável pela
seleção, Deanne Williams. A próxima etapa seria uma entrevista feita
pessoalmente pelo senhor Sean Hector McGregor. Quem se saísse bem,
ganharia a vaga.
Allyson espera ansiosa pela entrevista, e enquanto a mesma não
acontece, ela continua sua rotina de voyeur, admirando de longe seu objeto
de desejo.
DESPERTO AO SOM DE AC/DC pirando o meu despertador.
Espreguiço-me e confiro as horas no painel digital com um sorriso
sonolento.
grande dia. ÉGrande
cedo, dia
7h da entrevista!
matina. Afasto as cobertas e me sento. Hoje é o
Desligo o despertador e vou à ducha. Após minha higiene matinal,
visto um moletom e uma camiseta confortável. Com os cabelos molhados e
descalça, caminho até minha pequena e moderna cozinha. Meu
apartamento é pequeno, mas muito aconchegante. Preparo meu expresso e
sigo para a varanda para desfrutar da paisagem matutina da Flórida. Meu
estômago não aceita muito bem comida tão cedo, então café com leite é
minha preferência. Tomo-o em goles esporádicos enquanto observo a
paisagem da baía.
A ilha está com o céu lindo, sem nuvens. Os raios de sol me dão bom
dia e aquecem a minha pele. Adoro minha cidade. Grande parte do mundo
não sabe que existem Miami e Miami Beach – essa fica numa ilha. A ilha no
século 19 era um pântano que, com muita persistência e estudo no
decorrer dos anos, passou por aterramentos e dragagens que são feitos até
hoje.
Todos os anos, toneladas e mais toneladas de areia vindas das
Bahamas e outros lugares são depositadas em toda a extensão da ilha, para
assim ser possível termos praia, como ocorre na cidade de Miami, e assim
proporcionar aos turistas o entretenimento que buscam.
Voltei a morar em Miami Beach porque tenho maravilhosas
lembranças da minha infância com meu pai. Adoro essa cidade, suas praias,
suas lindas avenidas, sua orla enorme, seus diversos bares, lojinhas, o
shopping a céu aberto. Amo! Não sou rica, porém meu pai me deixou com
uma situação financeira estável. Meu falecido pai foi um grande
administrador, e sua companhia de planos de seguro era bem lucrativa.
Quando papai se juntou a mamãe – falecida após meu parto – no céu, herdei
tudo.
Devido à crise financeira que o país enfrentou nos últimos anos e à
ganância de meus tios, fui obrigada a me desfazer de metade de meus bens.
Eu era “incentivada” a ajudar a pagar todas as minhas despesas e ainda
bancar meus tios.
Comprei meu apartamento e consegui viver em paz ao atingir a
maioridade. Não sou de luxo, então vivo tranquila com o dinheiro que
sobrou de meu pai, que rende em uma poupança, mas certo tatuado me
motivou a me candidatar à vaga de assistente executiva. Claro que as

tatuagens, seus
não têm nada bíceps,
a ver comtríceps
minha emudança
o bumbum durinhoSorrio
de atitude. do homem em questão
travessa.
Sean é o sonho de consumo de qualquer mulher entre os 12 e 100
anos! Ele é o símbolo sexual das capas de revista, um dos homens mais
cobiçados do país. Sua fama de prepotente também o precede, mas ele é
tentador demais, sensual demais para que esses boatos maldosos refreiem
meu desejo de tentar uma aproximação. Eu o quero e o terei em minha
cama. Não importa o que terei que fazer. Desde que o vi pela primeira vez,
eu não consigo parar de imaginar ser fodida por ele ou dominá-lo entre
quatro paredes ou em qualquer outro lugar.
Não me importo se for por uma noite, um momento fugaz. Necessito
sentir toda sua potência. Arranhar, marcar as costas largas e lamber cada
gomo do tórax malhado, assim como cada tatuagem daquele corpo de
Adônis. Estou me tornando uma pervertida, uma mulher com pensamentos
vulgares, mas qual mulher não se tornaria ou não teria pensamentos
pervertidos diante de um homem como Sean?
Observo o magnetismo que ele exerce sobre as mulheres na academia
todas as manhãs. Todas, sem exceção, viram-se para acompanhar sua figura
imponente, e Sean simplesmente age como se estivesse sozinho no
ambiente. Seu controle é absurdo. Estou louca para destruir sua presunção.
Para isso, espero convencê-lo a me aprovar para o cargo vago de
assistente. Não sou experiente no ramo, mas tenho sobrenome e astúcia.
Desde cedo aprendi a me virar sozinha. Meus 23 anos são bem vividos. Não
sou uma donzela em apuros que sonha com um príncipe encantado. Sou
uma mulher sensual que luta por aquilo que deseja.
Por ter perdido meus pais cedo, tive que amadurecer rápido. Aprendi
a lidar com qualquer tipo de pessoa. Sou expert em tirar sempre o melhor
delas,
Porém,independente se for aquando
sou muito persuasiva meu favor ouJánão.
quero. sofriManipuladora?
muito na minhaJamais!
curta
vida.
Viver na casa de meus tios não foi uma experiência muito agradável.
Meu pai morreu de ataque cardíaco quando eu tinha dez anos. Órfã de pai e
mãe e menor de idade, as autoridades me jogaram na casa do irmão do meu
pai, tio Michael, por ser meu único parente vivo. Michael e Evangelina se
tornaram os responsáveis legais por mim, e eles não são boas pessoas, por
assim dizer. Minhas primas Esther e Eve não ficaram muito felizes por

dividirem a atenção
maravilhosa exceção.dos paismais
O filho comigo, tampouco.
velho Brandon
de meu tio foi meu
se tornou uma melhor
grata e
amigo assim que cheguei à casa dos Ford.
Por ser muito tímida e estar muito assustada, ele sempre me defendia
das brincadeiras maldosas de suas irmãs. Na adolescência Brandon me
ensinou a me defender e deixar de ser retraída, de me sentir o patinho feio
da nova família. Por ser muito magra e desengonçada, Esther e Eve me
taxaram de “magricela feia”.
Odiava o apelido e passei a desejar mudar. Brandon foi de grande
ajuda nessa fase
sua academia é difícil
muito de transição.
bem Bran éEle
frequentada. formado em Educação
é inteligente Física,
e muito alto-e
astral, cativou-me à primeira vista. Amo-o como a um irmão. Ao sair da
casa de seus pais, ele me abraçara forte e sussurrara no meu ouvido:
Liberte-se, borboleta! Você pode tudo!
E me libertei! Dei adeus aos meus tios exploradores e suas filhas
praticantes de bullying e decidi viver minha vida. Entrei para a University o
Miami, também conhecida por Miami of Florida ou apenas The U, uma
universidade particular com o campus principal na cidade de Coral Gables,
na região metropolitana de Miami, Flórida. Concluí a universidade e
emendei o curso de MBA (Master of Business Administration), que concluí
há poucos meses. Todavia, não tenho muita experiência na área e tenho
uma missão impossível: preciso convencer o tatuado de que sou sua
melhor opção para a vaga de sua assistente pessoal, indispensável em todos
os sentidos.
Não será fácil, mas não desistirei. Afasto-me da varanda e deixo a
caneca no escorredor de inox depois de lavá-la. Paro perto de minha
secretária eletrônica e aperto o botão verde para ouvir as mensagens. Ouço
primeiro a as
incentivando minha voz
pessoas saindo seu
a deixarem estranha,
recado. mecanizada, saudando e
A voz sexy e o conteúdo da mensagem da minha melhor e única amiga,
Megan Robinson, fazem-me sorrir.
― Oi, Bitch! Fiquei com o David! ― Gritinho histérico. ― Tenho que te
contar os detalhes sórdidos! Urgentemente! Me liga!
A próxima é da secretária do Senhor-Gostoso-Executivo-McGregor,
informando o horário da entrevista.

Aviso―que
Senhorita
o SenhorJordan, sua não
McGregor entrevista com o Senhor McGregor é às
tolera atrasos. h.
Sorrio de canto. Jamais me atrasaria para ver aquele delícia.
A seguinte mensagem me faz ranger os dentes.
― Oi, querida, é a tia Eva, você se esqueceu de depositar...
Corto a mensagem no meio, não quero estragar meu dia com a voz de
taquara rachada da Evangelina. A última mensagem é de meu primo.
― Ei, delícia! Preciso falar com você urgente. Levanta essa bunda
ostosa da cama e vem malhar! Só um aviso: liga seu celular, gata, odeio
deixar mensagem nessa coisa. Te amo.
Sorrio curiosa. O que será que Brandon quer falar comigo?
Preparo-me sem demora. Visto uma leggin azul-marinho, um top
preto e uma regata rosa. Pego minha garrafinha d’água e uma mochila. São
8h, e com certeza o Senhor McGregor já está se exercitando.
Entro em meu lindo New Beetle conversível preto e saio da garagem,
pondo-me a caminho da academia. Minutos depois adentro na Body Ford.
Saúdo as em
aeróbica meninas da recepção
uma das e passo
várias salas por um de
de paredes grupo de Caminho
vidro. pessoas que
porfazem
entre
as máquinas de exercício do térreo e subo as escadas que dão acesso ao
escritório de meu primo.
Bato à porta, e Brandon logo a abre. Fecho-a ao passar.
― Oi, gato! ― saúdo, dando-lhe um selinho.
― Oi, delícia! ― responde, devolvendo-me o selinho, e se acomoda
atrás de sua mesa de escritório.
― O que deseja falar comigo com urgência? ― pergunto direta,
acomodando-me na cadeira em frente a ele.
― Sempre direta. Bem, então também serei. Mamãe voltou a te
aborrecer?
― Ela me deixou uma mensagem, mas nada demais ― minto.
― Desculpa, Ally ― diz com um suspiro. ― Vou falar com ela para te
deixar em paz.
― Você não tem culpa por ter uma mãe como Evangelina ― respondo
dando de ombros.
― Saco! Já conversei com ela sobre não te procurar para pedir
dinheiro, mas minhas palavras são inúteis ― rosna passando a mão no
rosto, frustrado.
― Não esquenta. Não sou mais a menina assustada de antes. ― Pisco
brincalhona.
― Eu sei, mas...
― É só isso? ― corto-o.
Não gosto de Brandon se desculpando pelas atitudes mesquinhas de
sua mãe.
― Sim, agora vá malhar esse traseiro ― manda, sorrindo de lado.
― É o que pretendo. ― Sorrio.
― Almoçamos juntos? ― indaga, acompanhando-me em direção à
porta.
― Claro! ― concordo prontamente.

Salpico um beijo em sua bochecha e saio.


Começo a me exercitar depois de um alongamento. Meu primeiro
aparelho é a esteira. Concentrada, faço meia hora de corrida, então perco o
foco ao ver o tatuado passar. Passar, não! Desfilar!
Virgem Santíssima das Calcinhas Molhadas! Que homem é esse!?
Acompanhado por dois seguranças, Sean presenteia os meros mortais com
sua presença magnifica. Está de boné com símbolo do time do Barcelona,
um short de malha preta não muito justa, mas o bastante para moldar as
nádegas firmes e as pernas torneadas, uma regata solta da mesma cor
escura, deixando
garrafa de água. Éas tatuagens
a imagem da dos braçosmasculina!
perfeição fortes visíveis, e segurando uma
Para não me acidentar, desligo a máquina. Solto o ar de forma lenta
pela boca. Escoro-me no aparelho de ginástica, fingindo beber água
enquanto observo sua aproximação de uma das esteiras a minha frente.
Ele liga a máquina e começa a correr. Os seguranças por perto olham o
tempo todo ao redor. Sean tem a atenção na TV de tela plana. Sei que o
espetáculo será a qualquer momento. E espero pacientemente. E acontece!
Sean retira a regata e a joga por cima do ombro e toma um gole de
água. Suas belas, firmes e másculas costas se expõem ao meu olhar
cobiçoso. Ele corre por uma hora e sai da máquina. Acompanho-o o mais
discretamente possível até a sala de musculação pesada. Quase tenho uma
síncope ao ver os músculos do tórax suado se flexionando. Juro que até
estou salivando!
― Dando uma de voyeur, prima?
Solto minha garrafinha de água, que cai aos meus pés. Levo as mãos ao
peito e praguejo:

― Ai, merda! Que susto!


Brandon gargalha e resgata a garrafa, entregando-me em seguida.
Sorri matreiro ao dizer:
― Sua safada! Está de olho no McGregor, hein?
― E-eu... E-uu... ― gaguejo, sem saber o que dizer.
― “Tá” gaguejando, gata? ― debocha Brandon.
Mostro-lhe o dedo do meio e xingo:

― Vá se ferrar, Brandon!
Então dou uma desculpa esfarrapada:
― Estava analisando qual... aparelho eu poderia começar a usar essa
semana.
― Você não me engana. Você estava de olho no peitoral do McGregor.
― E se eu estivesse? ― questiono atrevida.
― Ele é perigoso ― alerta.
― Sei me cuidar ― retruco séria.
― Não duvido, mas me preocupo com você ― diz, acariciando meu
rosto.
― Agradeço, mas não deveria. Só estava apreciando a vista. ― Rio. ―
Cobiçar um homem não é a mesma coisa que desejá-lo ― respondo,
segurando sua mão.
É uma mentira deslavada, mas meu primo não precisa saber.
― Tudo bem, se você diz. Vamos almoçar? ― muda de assunto.
― Vamos!
― Antes me deixe cumprimentar o McGregor.
Observo meu primo se afastar e me escoro na porta, esperando-o
regressar. Quando retorna, saímos de braços dados em direção ao
restaurante de comida natural dentro da academia. Tenho um almoço
agradável com Brandon antes de voltar para casa.
Tomo uma ducha e retiro do closet um vestido azul, o mais
comportado que tenho. Separo um conjunto de lingerie de renda da mesma
cor do vestido e me concentro na maquiagem. Realço meus olhos, mas nada
muito chamativo, aplico blush nas maçãs do rosto também sem exagero e
demarco meus lábios com um batom nude. Prendo meu cabelo em um
sofisticado rabo de cavalo.
Com a maquiagem e o cabelo prontos, troco-me. Pego uma bolsa da
cor de meus sapatos vermelhos e as chaves do meu carro. Às 14h em ponto
estou diante da secretária do Senhor McGregor. Logicamente depois de ter
passado pelo detector de metais, ter sido revistada e ter ganhado um
crachá de visitante. Tenho a ligeira impressão de que o Senhor-Gostoso-
Executivo-Tatuado-McGregor é meio paranoico em relação à segurança.
― Boa tarde, Senhorita Jordan ― diz profissionalmente a secretária.
― Boa tarde ― respondo indiferente.
― Queira me acompanhar ― fala, levantando-se de sua mesa e me
indicando o corredor a nossa frente.
Não vou esperar nem um tiquinho? Tomar um chá de cadeira amargo
e demorado? Parece que não, minha gente! Não estou reclamando, estou
seriamente agradecida. Odeio esperar. Aliás, quem gosta?
A loira me leva a uma sala de portas de vidro escuro. Então aperta o
ponto de comunicação na orelha direita, que não percebi antes. Com tom
baixo informa:
― Senhor McGregor, a Senhorita Jordan já se encontra na empresa.
Tenho permissão para deixá-la entrar em sua sala? Sim, senhor ― responde
a loira depois de escutar a ordem do outro lado.
Sem simpatia ela volta a me olhar. Diz seca:
― Boa sorte. ― Então se retira.
Respiro fundo e empurro a porta, adentrando na sala. Nunca imaginei
nada igual. O lugar parece ter saído de dentro de uma revista especializada
em decoração de interiores. Tudo é de extremo bom gosto. E o homem
sentado na cadeira presidencial, de expressão indecifrável e vestido com
um terno impecavelmente branco, é de tirar o fôlego! Já tinha visto Sean
muitas vezes sem camisa, mas vê-lo pessoalmente dentro de um terno é
ainda mais afrodisíaco.
Não percebo que estou babando e agarrada à porta até ele erguer as
sobrancelhas de forma irônica. Merda! Fui pega! Recomponho-me
rapidamente e caminho em sua direção a passos firmes. Ele me indica a
cadeira a sua frente, e me acomodo na mesma. Os olhos perspicazes me
fitam com curiosidade. A rouquidão de sua voz faz coisas nada ortodoxas
em minha calcinha.
Eita, Jesus, que até a voz desse homem me excita! Pisco e me
concentro em suas palavras:
― Você não tem experiência na área, então o que a levou a se
candidatar ao cargo?

Frio, direto e gostoso. Puta merda! Assim eu gamo!


― Posso não ter experiência, senhor, mas posso garantir que sou
competente. Também aprendo rápido ― respondo, fitando-o nos olhos.
Olhos azuis impenetráveis acompanham todos os meus movimentos.
― Faça-me crer nisso ― exige.
― Tenho um histórico escolar impecável e três estágios em
companhias expressivas no mercado ― trato de salientar, erguendo meu
queixo.
― Isso não quer dizer nada ― retruca, ainda me avaliando
ostensivamente.
Pode olhar à vontade, seu lindo. Entretanto tenha cuidado para não se
apaixonar!, zombo em pensamento.
― Não me falta disposição e desenvoltura. Sei que posso dar conta do
recado ― pondero sem desviar meus olhos dos seus, inquisidores e
desconcertantes.
― Você se acha muito eficaz, Senhorita Jordan ― afirma de forma
debochada, mas seu rosto continua impassível.
Esse controle de emoções me frustra!
― Apenas sou ciente da minha capacidade.
― E até onde vai o seu limite em trabalhar com pessoas de
personalidade forte? ― questiona.
Um bip soa, e ele retira um moderno aparelho celular do bolso e digita
com agilidade sem se importar com a minha presença.
― Sou flexível quando devo ser ― respondo sem demora.
― Sabe seguir ordens sem hesitações? ― pergunta ainda sem me dar
atenção. Está mais preocupado em digitar do que com a entrevista. Não
posso espionar sobre o que se trata. Não estou curiosa, estou irritada,
chateada por não ter sua atenção. Minha resposta é curta:
― Sim.
Odeio quando estou conversando com uma pessoa e ela não me olha
nos olhos. E é exatamente o que ele está fazendo no momento. Porém
confesso que, além de irritada por seu descaso, seu ar de homem de
negócios está me excitando.
― Mesmo que a chame no meio da noite para uma viagem inesperada?
Ou quando um congresso atrapalhar a festa de seu aniversário de
casamento? ― sonda ainda digitando. Também sem me olhar.
― Sim! ― Minha voz sai um pouco rude.
Ele olha para mim com sua expressão pela primeira vez alterada.
Ponto para mim!, grita minha bitch interior.
― Não creio. Sua postura nesse exato instante me transmite rebeldia.
Você não se encaixa no perfil que procuro ― diz grosso.
― Sou adaptável. Posso me adequar aos seus padrões ― respondo com
um sorriso amável.
Sou uma provocadora. Eu sei!
Ele sorri torto. Provocante. Malicioso.
Oh, Deus! A entrevista está mesmo se encaminhando para uma
conotação sexual? Tomara! Entretanto o tatuado trata de baixar minha
animação. Merda!
― Última pergunta. Tem a pretensão de me seduzir?
Sua sobrancelha está erguida em sinal de desafio.
O quê? Que pergunta! Lógico que sim!, grita minha bitch interior, mas
mordo minha língua e, sem transparecer o que se passa em meu íntimo,
respondo atrevida:
― Absolutamente! Sou uma mulher séria. Busco apenas me aprimorar
profissionalmente ao trabalhar com a sua equipe, com o senhor. Além, é
claro, do fato que o senhor não faz meu tipo.
Há um silêncio tenso após minha resposta insolente e uma troca de
olhares intensos entre nós. Então, com um sorrisinho irônico nos lábios
finos, ele diz em tom indecifrável:
― Está dispensada.
Ergo-me sem sorrir e, de propósito, saio da sala rebolando. Posso não
ter conseguido a vaga, mas consegui por alguns instantes derrubar seu
autocontrole. Sorrio vitoriosa.
NA ILHA DE MIAMI, O CALOR da manhã aquece meu corpo enquanto

corro.
acordarHoje
cedooptei
é quepora algo
praiaao ar praticamente
está livre e não fui à academia.
deserta O bom de
nesse horário. As
únicas pessoas que me aborrecem neste momento são alguns paparazzi,
que não se aproximaram muito, pois sempre estou acompanhado por meus
dois fieis seguranças, Jared e Samy.
Nunca me exercito próximo à orla justamente para evitar esse tipo de
exposição, mas estou cansado de ficar enclausurado dentro de minha
mansão ou de meu escritório, estressando-me ao corrigir a incompetência
de alguns funcionários. Eu precisava espairecer depois de duas semanas
extremamente concentrado, embora não esteja obtendo sucesso.
Minha ex-assistente foi uma decepção. Depois de dois anos de serviço
impecável, descobri que, na realidade, ela estava me passando a perna,
vendendo informações privilegiadas de compra e venda de ações para um
concorrente misterioso. Logicamente providenciei que as autoridades a
prendessem e exigissem saber quem estava por trás disso.
Chris não foi de grande colaboração. Ela apenas informou que recebeu
uma enorme quantia para delatar os meus planos de negociação e que o
mentor intelectual fazia contato apenas pela internet. Os depósitos do
pagamento para ela eram feitos através de uma conta-fantasma na suíça,
sem vínculos, sem rastros.
Tudo é muito frustrante. Não estou nada satisfeito com essa nova
preocupação. Como se já não me bastassem os meus problemas pessoais. O
trabalho me serve como uma terapia de choque. Concentro-me em uma
meta e a sigo até conquistar meu objetivo. Sou muito bom nisso. Sou muito
bom também em fazer dinheiro e inimigos.
Desafetos femininos também fazem parte dessa grande lista, é claro.
Então todas as possibilidades estão sendo exploradas. No entanto, meus
dois concorrentes,
suspeitos. Ambos osDavid Smithme
executivos e odeiam
Marco Antony, estão
desde que me no topo dos
destaquei no
mercado há exatos seis anos, quando ergui do zero a McGregor
Empreendimentos.
Eles sempre me atacam em suas entrevistas e em eventos de qualquer
srcem, mas os ignoro. Seus egos estão ofuscados pela minha eficiência.
Revolucionei o mercado de ações e teria inveja de mim também, se não
fosse eu mesmo.
Sorrio de lado ao cronometrar novamente meu relógio, marcando
minha próxima atividade, uma reunião daqui a duas horas com o rei Fakhir.
Meus investimentos estão se expandindo cada vez mais, e almejo tirar
minha grande fatia nesse mercado do petróleo também. Invisto em
diversas áreas, mas o que me deixa entusiasmado são as pesquisas sobre
sustentabilidade ambiental.
Filantropo, eu? Não. Sou apenas um capitalista que gosta de coisas
modernas, mas com um propósito!
O bipe do celular preso na faixa em meu bíceps direito não me faz
parar a corrida de imediato. Sei de quem se trata. Desacelero e me
aproximo de um coqueiro. Escoro-me e pego meu celular. No visor brilha
um nome familiar. Uso meu tom neutro ao atender:
― Oi.
― Onde você está? Eu... preciso de você! ― A voz débil me faz arrepiar.
Suspiro e respondo, tentando ficar calmo:
― Estou no meio de uma corrida.
― Mas... eu... estou muito mal... ― Sua voz soa apelativa.

― O que aconteceu? ― A preocupação me engalfinha os sentidos.


― Não tenho culpa ― diz com voz chorosa.
Meu tom é brando ao replicar:
― Não disse que era culpada de nada, nem mesmo sei o que houve.
― Você vem me ver agora? ― pergunta esperançosa.
Minhas entranhas se retorcem.
― Tenho que ir trabalhar ― digo sério.

― Vai me abandonar igual o seu pai? ― É a costumeira chantagem.


― Só não comece ― peço com voz controlada.
― Você é um filho desnaturado!
Essa também é velha.
― A senhora tomou seus comprimidos coloridos hoje? ― questiono, já
sabendo a resposta.
― Não! Nem vou tomar! ― responde alterada.
― Norah está por perto? ― pergunto sem me deixar influenciar por
seu estado de espírito.
― Sim ― responde com apreensão.
Ela sabe o que eu pedirei a seguir, então fica silenciosa na linha.
Insisto firme:
― Mamãe, passe o telefone para Norah, por favor.
― Você vem me ver? ― pergunta em um sussurro.
― Sim, mas somente à noite ― concordo, rendendo-me. ― Nós
moramos juntos, não entendo essa sua saudade. A senhora diz que só faço
bagunça ― brinco.
― Você é meu filho adorado. Quero sempre ficar perto de você! Vou
me preparar para te receber. Beijo! ― exclama feliz.
Então a ouço gritar por Norah. A voz da enfermeira é hesitante ao me
atender:
― Olá, Senhor... McGregor.
― Por que minha mãe não tomou a medicação? ― questiono direto.
― Ela se recusou, senhor ― explica com voz apreensiva.
― Ela não pode ficar sem a medicação, você sabe disso. Cuida bem
dela, ou você está na rua. Estamos estendidos? ― Sei que fui grosso e frio,
mas é preciso.
― Sim... senhor ― responde-me com voz tensa.
Desligo e desisto de continuar correndo. Minha corrida não será mais
uma distração, não quando eu estou tão tenso e frustrado.

Encosto-me
metros da faixa demais na árvore
corrida e passo
onde eu estou. aA observar
praia estáoidêntica
oceano aa quando
poucos
nos mudamos do Arizona para a Flórida, quando eu tinha cinco anos.
Eu costumava surfar quando adolescente nesse mesmo oceano. Sorrio
ironicamente. Às vezes acho que esse tempo não existiu, que nasci velho e
amargo.
As lembranças boas da minha infância foram se perdendo de minha
memória. A única coisa de que me recordo com mais nitidez são as crises
de ciúmes de minha mãe e a dor do abandono do meu pai.
A relação entre meus pais nem sempre foi ruim ou doentia. Mamãe,
Stephanie Landon, foi uma linda e promissora modelo de passarela que se
casou com um magnata mais velho, Benjamin Henry McGregor, com as
benções dos meus falecidos avôs. O casamento de ambos foi um marco para
a sociedade americana da época, mas o amor durou pouco.
Minha mãe se sentia negligenciada pelo meu pai, que só pensava em
trabalho. Segundo ela, depois que eu nasci, ele passou a ficar mais tempo
em casa, porém também por um período muito curto de tempo.
Meu pai foi infiel várias vezes, mas minha mãe nunca havia tido a
certeza, até ver uma foto de sua indiscreta traição nos jornais. O fato
provocou seu primeiro surto psicótico. Eu tinha seis anos, acho, não lembro
direito. No entanto, jamais esquecerei que me coloquei à frente da mamãe
para que ela não ferisse papai com o cutelo. Esse episódio fez com que ela
fosse internada pela primeira vez.
Desse dia em diante, as coisas só pioraram. Meu pai realmente nos
abandonou quando eu tinha nove anos. Ele se casou novamente com
Dominique Mabel, uma médica cardiologista dez anos mais jovem. Ele
tentou me convencer a morar com sua nova família e a internar minha mãe
definitivamente em um sanatório. Recusei-me. Além de não me encaixar em
sua nova família, jamais abandonaria minha mãe.
Ela passou a tomar medicamentos controlados, e sua situação ficou
razoável. Pude permanecer com ela, mas quando Dominique engravidou
das gêmeas, Ayden e Emily, minha mãe tentou o suicídio.
Odiei meu pai com todas as minhas forças. Afastei-me dele e preferi
ter meu próprio negócio a aceitar dirigir sua empresa de marketing. Meu
pai ameaçou me deserdar, renegar-me como filho. Não me importei. Depois
de tudo com
contato o queminhas
ele fizera, eu já meNão
meias-irmãs. sentia
erasem
umapai. Tampouco
questão desejava
de filho ter
preterido;
só não me sentia parte daquele quarteto feliz, perfeito.
As visitas à casa de meu pai quando ele conseguiu a guarda
compartilhada foram as piores possíveis. Dominique me tratava bem na
presença do meu pai, mas, longe dele, ela era péssima. Eu não suportava
estar naquela casa, nem fingir que estava tudo bem, que éramos uma
grande família feliz. Não gostava do jeito afetado de Ayden, nem da forma
como Emily era intrometida. Meu pai e Dominique estragaram-nas com

mimos. Eu os
mas sabia nãodeconhecia
meu pai:osele
motivos de Dominique
tinha medo de errar para
com agir
elas de tal forma,
como errara
comigo.
Tudo porque, quando adolescente, fui um jovem fora dos padrões
ditados e exigidos por ele. Fui rebelde, sim, e não me arrependo. Eu amava
o mar e não podia mais surfar, pois meu pai me proibira de praticar o
esporte por achar que era coisa de gente desocupada. Fiz minha primeira
tatuagem aos 15 anos, uma tribal que vai do ombro ao peitoral esquerdo.
Fugi de casa para fazer a tatuagem e, com ajuda de algumas pessoas, eu
forjei uma identidade falsa. Levei uma baita surra do meu pai quando voltei
para casa, mas valeu a pena. A segunda eu fiz não muito tempo depois, uma
pena de pavão que toma conta de todo o meu pulso esquerdo interno. E não
parei mais.
Meu braço esquerdo é meu local favorito para tatuar. Ele é coberto
por algumas tribais da mesma cor da do pescoço e frases em mandarim e
hebraico as completam. As tatuagens tribais indicam soberania de um
homem contra o outro em uma luta, como considero o show business. Mas é
nas minhas costas que existe a maior delas: um grande dragão chinês em
tribal domina da parte de cima até minhas nádegas. Escolhi o quinto signo
do horóscopo chinês porque ele é ligado à energia masculina. As tatuagens
de dragão chinês têm relação com a honra, coragem, dever e nobreza.
E pondo fim aos desenhos em meu corpo, o meu peitoral e abdômen
também têm tatuagens tribais. Meu pai, muito conservador, logicamente
quando as viu enlouqueceu de fúria, mas sua opinião arbitrária e
preconceituosa não me afeta mais. Minhas tatuagens são parte de mim.
Durante muito tempo minhas meias-irmãs não se aproximaram de mim por
medo das tatuagens, o que era muito engraçado.

O preconceito
conheci Brandon, o na
meufaculdade também
único amigo, foi grande,
a única pessoa porém
que nãofoifugiu
lá que
de
minhas tatuagens. Pelo contrário, ele também tem algumas e gosta de
musculação.
O bullying não me impediu de ser o melhor. Não me impediu de ser o
grande executivo que as melhores revistas de economia do país e do
mundo fizeram questão de apontar durante esses seis anos. Sou uma
celebridade, um dos homens mais cobiçados, e gosto disso. Narcisista? Sim!
A modéstia não me cabe bem, penso irônico, perdido em meus
devaneios.
Não curto expor minha vida particular. Também não confio nas
mulheres, muito menos acredito em romance. Meus casos são ardentes,
porém breves. Nunca acordei na mesma cama que uma mulher ou me
deitei com uma por mais de uma vez. Nunca repeti amante. Nunca. Não crio
vínculos com elas. Aprecio um corpo gostoso e uma boa foda. Amor não é
para mim.
Vi de bem perto o estrago que o amor faz. Minha mãe enlouqueceu de
amor. Foi muito doloroso vê-la amar e esperar pelo meu pai por anos a fio,
depois do divórcio. Eu não desejo o mesmo fim.
Com um suspiro profundo, deixo o passado em seu lugar e chamo por
Jared. Comunico-lhe que iremos diretamente para a empresa, pois já estou
atrasado para a reunião. Ainda tenho que decidir se contrato ou não a
impetuosa Senhorita Jordan.
Ao chegar ao meu escritório, cuido de minha higiene e dou início ao
expediente. A reunião com o sheik dura três horas e é muito produtiva. O
sheik e sua tradutora se despedem, e eu sou convidado a conhecer seu
palácio. Em um momento mais tranquilo do dia, paro e analiso os perfis das
duas candidatas à vaga de minha assistente. Sorrio cínico ao ver a foto de
Allyson Jordan. Ela me despertara o interesse logo que entrara na sala,
então investiguei a vida da Senhorita Respondona. A gata brava tem
pedigree, afinal!
Allyson é filha de Kevin Jordan. O homem foi um grande empresário
no ramo de planos de seguros. Eu não havia ligado o sobrenome tão ilustre
a ela. Na realidade confesso que, quando a vi entrar em meu escritório,
perguntei-me internamente o que ela estava fazendo aqui. Com seu corpo e
seu olhar de gata arteira, ela é fascinante, de tirar o fôlego! Poderia ganhar
aexecutivo.
vida muito
Fácil,bem
fácil!sendo uma modelo ou uma esposa troféu de algum
Algo em sua postura fria e rebelde me deixara ouriçado. Suas
respostas astutas me pegaram desprevenido. Tão diferentes da gentil
Walkiria, sua concorrente à vaga. Eu a dispensei depois de sua resposta
atrevida com um sorriso cínico.
Não sei dizer, mas a sua resposta me soou como um convite, um
desafio. E eu sempre adorei desafios. Fora ou em cima de uma cama!
― Quero a Senhorita Jordan ― comunico imparcial.
― Mas... Senhor McGregor, o senhor mesmo disse que ela era...
inadequada. Inexperiente ― argumenta Deanne, estupefata pela minha
decisão. Afirmo:
― Ligue para a Senhorita Jordan. Desejo que comece amanhã mesmo.
Entendido?
― Sim... senhor ― responde ela ainda hesitante em acreditar na minha
escolha.
― Vou almoçar no bistrô de sempre. Não me importune. Desejo ter
duas horas sadias de refeição.
― Sim, senhor.
― Deixe-me sozinho.
Williams me lança um último olhar incrédulo antes de sair apressada.
Olhando a foto da senhorita Jordan, sorrio torto.
― Vamos ver até onde essa sua petulância vai, mocinha.
Em quanto tempo a terei em minha cama? Um dia, duas semanas?
Contando que a caça seja satisfatória, o tempo é relativo.
Sorrio largo.
NÃO PUDE BANCAR A VOYEUR hoje. Sean não veio treinar. Por que
será?
primoEstou
sobre curiosa. Antes
a ausência de me encontrar
do tatuado, com
mas ele não Meg,
sabe tentei sondar meu
de nada.
Sem meu incentivo diário na academia, desisti de treinar e estou
extravasando minha frustração com um bom café, algumas guloseimas e
um papo aberto com minha amiga.
Há famílias tomando o desjejum entre risos e conversas amenas. A
cafeteria está lotada. Os solteiros também estão presentes, alguns em
mesas solitárias e silenciosas, outros em cheias e ruidosas quando os
ocupantes riem de algo dito entre si.
Meg e eu fazemos parte do time de solteiros. Aceitei sua oferta de um
café grátis para me distrair da ansiedade. Faz dois dias da minha entrevista
nada convencional com meu tatuado, e até agora nada de resposta. Odeio
esperar, e essa espera em particular está me deixando estressada.
― Esse seu mau humor está demais, hein, Ally? ― exclama Meg entre
goles de seu cappuccino.
― Não começa ― rosno, mordendo um cupcake.
Pedi dois pedaços de torta de chocolate, sendo ambos com coberturas
diferentes, três cupcakes
grande, e enquanto como,, uma bomba brinca
Meg apenas de chocolate
com seue pedaço
um cafédeexpresso
torta de
abacaxi e toma um gole aqui e ali de seu café.
Sua expressão é curiosa. Ela sabe que estou frustrada.
― Esse tatuado deve ser muito gostoso mesmo. ― Ela continua me
provocando.
― Ele é um dos homens mais bonitos que eu já vi. E o mais gostoso
também ― respondo dando de ombros.

― Queria
me com muitodevê-lo.
um sorriso lado.Sabe... Ter minha própria opinião ― diz, fitando-
― Sua bitch! Nem vem cobiçar meu homem! ― volto a rosnar, agora de
boca cheia.
― Seu homem? Uau! Você já tem título de posse sobre o cara? ― Ela ri.
― Ele já sabe que tem dona?
Meg se diverte ao me provocar. Seu sorriso cínico é prova disso.
― Ainda não, mas logo, logo saberá! ― respondo depois de morder e
mastigar um bom pedaço da bomba de chocolate.
― Minha nossa! ― exclama surpresa.
― Por que o espanto? Você sabe que não vou sossegar até tê-lo em
minha cama ― digo, terminando meu café.
― Eu sei, mas ainda é estranho ver você agir de forma tão... fria ―
responde, fitando-me por cima da borda da xícara.
― Por quê? ― quero saber.
Meg faz uma pausa significativa e comenta direta:
― Ally, você pode ser uma grande bitch, mas... você é inexperiente
quando se trata de sexo.
― Posso não saber a parte prática, mas a teoria eu sei de cor e salteado
― digo maliciosa.
Nós terminamos o café e ficamos de bobeira à mesa, sem intenção
alguma de ir embora. Faço um gesto para o garçom, e ele se aproxima.
Passa a recolher os pratos e as xícaras vazias. Sorrio simpática para o
garoto de boa aparência, que fica vermelho. Ele deve ter uns vinte anos.
Meg ri quando ele derruba o talher por me ver fitá-lo ostensivamente.
Só quando ele se afasta, ela volta ao assunto anterior.
― Mas a coisa é totalmente diferente, e você sabe disso.
― Sério que você está preocupada com essa questão? ― pergunto
incrédula.
― Bem, não. Sim ― diz, dando de ombros.
― Bitch, please! Não sou inexperiente por ser virgem ― retruco
debochada.
― Não? A lógica diz outra coisa ― desafia-me, fitando-me de
sobrancelha erguida.
― Meg, você sabe que não sou nenhuma santa e que ser intacta lá não
quer dizer absolutamente nada. ― Pisco.
― Verdade ― concorda relutante.
― Me conta como foi seu encontro com o David. ― Mudo de assunto,
afinal ela quer me contar os momentos sórdidos vividos com ele.
Os olhos verdes de Meg brilham ao responder:
― Foi incrível!
― E como ele é na cama? ― pergunto curiosa, apesar de não ir muito
com as fuças do cara em questão, mas se ele a satisfizer, está mais ou
menos bem. Por enquanto.
― Ele é quente! ― diz, abanando-se.
Rio. Comento:
― Fico feliz por você!
― Mas ainda não temos nada sério. Estamos apenas nos conhecendo ―
informa meio cabisbaixa.
Está na cara que Meg está de quatro pelo playboy.
― Hum! ― resmungo. Não gosto do David. Sua fama não é boa. Meg
merece um homem de verdade.
― Agora é sua vez. Como foi sua entrevista com o seu tatuado? ― É a
vez dela de mudar o foco do assunto.

― Foi um desastre, mas foi perfeito! ― revelo.


― Como assim? ― pergunta confusa.
― Acho que causei boa impressão. Até senti os olhos dele na minha
bunda quando saí rebolando da sala. ― Sorrio astutamente.
― Essa é minha bitch! ― exclama Meg, gargalhando.
― Porém até agora nada de reposta. ― Solto um suspiro frustrado.
― Agora entendi seu mau humor ― comenta, revirando os olhos.
― Quero esse homem, Megan, mas também preciso de uma ocupação,
e nada melhor que unir o útil ao agradável ― respondo sincera.
― Só tome cuidado para não se queimar, Ally ― alerta, fitando-me
seriamente.
― Como assim? ― Faço-me de desentendida.
― Você pode se apaixonar por ele ― insinua suavemente.
― Impossível! Apaixonar-me está fora de cogitação.
― Você só o vê como um mero objeto? ― Sua expressão é estupefata.
― Sim ― respondo, dando de ombros.
― Sei ― murmura descrente.
Trato de esclarecer:
― Não acredito nesse lance de amor como você, Meg. Acredito em
paixão. Atração. Tesão! E até mesmo essas emoções são passageiras.
― Sei que você é descrente, mas um dia ainda vou te ver apaixonada.
Digo mais: tenho quase certeza que esse seu tatuado tem grandes chances
de ser o eleito ― profetiza.
― Não apostaria nisso, Meg ― respondo com frieza.
Meg vai retrucar, mas se cala quando meu celular começa a tocar
Decode de Paramore. Retiro-o do bolso da frente da calça jeans e estranho
ao constatar que a ligação é de um número desconhecido.
― Alô ― atendo cautelosa.
― Senhorita Jordan? ― A voz profissional do outro lado me deixa
ansiosa. Pergunto:
― A própria. Quem fala?
― A secretária do Senhor McGregor. Ele deseja que comece amanhã.
Seu horário para estar na empresa é às 8h, mas aconselho que se apresente
antes.
― Obrigada ― agradeço.
A grossa desliga na minha cara, mas quem se importa? Ganhei meu
dia! Olho para o celular e depois para Meg. Um sorriso torto deve ter se
formado em meus lábios. A euforia deixa todo o meu corpo trêmulo.
― Quem era? ― pergunta Meg.
― Sou a mais nova assistente executiva do maior gostoso-executivo-
tatuado de Miami Beach! ― revelo, sorrindo largamente.
― Parabéns, Ally! ― ela me congratula, sorrindo.
― Obrigada! Caramba, estou trêmula! Tenho que começar a pensar em
como vou agir. Em como vou enlouquecer aquele controlador de emoções.
Sinto-me elétrica.
― Qual é o seu plano?
― Pensei em uma tática sutil. Tipo: atiçá-lo ao máximo. Enlouquecê-lo
de paixão e, logo depois, deixá-lo na mão literalmente, se é que me entende.
― confesso maliciosa.
― Você vai pirar o pobre coitado! ― exclama Meg, balançando a
cabeça, descrente de minha ousadia.
Retruco:
― Sean não é um pobre coitado. Ele é um puta de um gostoso e sabe
disso. Quero abalar sua confiança, sua fama de pegador. E eu sei, ah, se sei
que ele me contratou porque aceitou meu desafio implícito durante a
entrevista. E eu não vou desapontá-lo. Longe de mim!
― Você acha? ― pergunta, encarando-me com rabo de olho.
Rio e afirmo:
― Tenho certeza! Ele ficou interessado na minha petulância!
― Hum... Então teremos romance em breve? ― pergunta com fingida
inocência.
― Lógico que não ― digo séria. ― Romance não está nos meus planos.
Uma boa transa, sim.
― Deixa ver se entendi: você vai “pegar”, desfrutar e descartar o
“carinha” sem um pingo de remorso? ― verifica.
― Vou usá-lo bastante antes de dispensá-lo ― confirmo.
― Nossa! ― exclama, fitando-me com a boca entreaberta.
― Quero transar com ele, Meg, não casar. Pare de bancar a recatada! ―
digo arrogante.
― Uau! Você quem sabe ― responde, erguendo as mãos como que se
rendendo.
― Não é porque você se apaixonou por David que vou me apaixonar
pelo tatuado.
Meg faz uma careta bonita e indaga:
― Por que não? Somos iguais!
Fito-a seriamente. Conheci Meg durante o curso de MBA há dois anos.
Ela é uma linda e desinibida ruiva com quem eu simpatizei desde o
primeiro dia de aula. Desde então nos tornamos amigas. Aliás, ela é a única
amiga que tenho. Somos realmente muito parecidas, gostamos das mesmas
coisas. E eu torcia secretamente para que ela se interessasse pelo meu
primo. Há algo nela que me faz pensar que os dois seriam perfeitos juntos,
como o fato de ambos acreditarem no amor. Explico:
― Não sou igual a você, amiga. Não se iluda.
― Okay. Você é maior de idade e sabe o que é melhor para você ― diz
com suspiro de rendição.
― Isso mesmo.
― Quando você começa?
― Amanhã! ― respondo, sorrindo largo.
― Vai começar a trabalhar numa sexta-feira? Uau! Nem vou te desejar
sorte, porque você começou com o pé direito.
Sorrio, faço cara de poderosa e anuncio:
― Segure-se, tatuado, pois o furacão Allyson está chegando.
Rimos.
Levo Meg em casa após o dia todo juntas. Em sua casa comemos mais
e jogamos uma boa conversa fora, então parto para a minha residência. Vou
direto para a ducha. Já sequinha, visto um pijama velho e confortável.
Procuro na estante em meu quarto o livro que estou lendo e me deito
confortavelmente em minha cama.

Os acordes de AC/DC me fazem pular da cama. Vejo o livro que estava


lendo caído no tapete. Assustada, eu o fito ainda com os olhos nublados de
sono. Meus olhos focam o despertador.
― Merda! ― exclamo ao ver que são 6h. Em tempo recorde tomo uma
ducha e escolho um terninho sofisticado, com a saia um pouco mais curta
que o tradicional, e escolho lingerie de renda na cor preta. Maquio-me entre
goles
formadeágil.meu café meu
Borrifo expresso e prendo
perfume favoritomeu cabelo
e me fito noem um coque
espelho. Gostosolto de
do que
vejo. Calço meus saltos, sentando-me rapidamente na cama.
De dentro do meu closet, pego minha pasta executiva e uma bolsa
combinando, e pego as chaves do meu carro em cima da mesa.

Eu certamente vou receber uma multa por violar as leis de limite de


velocidade, mas tudo vale para chegar na hora estipulada pela secretária do
tatuado. E essa proeza eu consigo por puro milagre. Ouço atentamente toda
a explicação da Williams:
― Suas funções são muito especificas. Como assistente, você será
responsável por toda a agenda do Senhor McGregor. Como também por
auxiliá-lo em reuniões e viagens. Aqui estão todas as informações. ― Ela me
entrega uma pilha de pastas, papeis e um cartão em particular. ― Devore-
as. Dentro dessa pasta você encontrará um cartão específico para uma
função. O Senhor McGregor é muito discreto. Aprenda isso.
― Sim ― respondo, analisando os papeis e o tal cartão com
desconfiança. A Williams continua sua explicação enquanto caminhamos:
― Esse cartão é de uma floricultura. O Senhor McGregor ocasionalmente vai
pedir a você que envie flores para um endereço e, muitas vezes, para
diferentes endereços. Aguarde sua orientação e não faça perguntas ―
instrui ao entrarmos em uma sala arejada e muito bem equipada.
No centro, há uma mesa de mogno marrom equipada com um computador
de última geração. Há também uma mesa de suporte com fax e impressora.
sala tem um ar estéreo, mas eu darei um jeito nisso, penso, escutando a voz
da Williams ao fundo:
― Essa é sua sala. Fica ao lado da sala do Senhor McGregor. Tem uma
porta de comunicação e também uma janela de vidro pela qual você poderá
ver e ser vista pelo Senhor McGregor. É mais fácil para a comunicação.
Alguma dúvida?
― Nenhuma ― respondo prontamente.

― Então
também é sua mãos à obra.
função. Reorganize os compromissos do dia. Isso agora
Boa sorte.
E sai.
Respiro fundo e olho a tal janela de vidro na estrutura da parede. Ela
fica na parte superior e está escondida por uma persiana de cor azul-
marinho. Aproximo-me curiosa e confirmo que é uma janela. Então, além
de me ver trabalhar, ele também vai me ouvir? Uau! Estou me sentindo em
um tipo de reality show.
Sorrindo, caminho em direção à mesa e me sento na cadeira
reclinável.
― Confortável... ― murmuro, balançando-me.
― Fico feliz que tenha gostado.
A voz rouca e sexy me faz arrepiar. Ergo meus olhos e me deparo com
o executivo tatuado a me encarar com uma expressão zombeteira. Ele está
apoiado à porta com os braços cruzados, os músculos dos bíceps forçando o
tecido do terno cinza impecável.
Lindo!
Gostoso!
Mas como ele entrou sem fazer ruído?, questiono-me.
― Bom dia, Senhor McGregor ― respondo, fingindo não ter me
assustado.
Ele não me responde o cumprimento. Limita-se a me devorar com os
olhos. Sinto-me queimar sob o olhar ardente Ele ainda tem a cara de pau de
lamber os lábios depois de fixar os olhos nas minhas pernas expostas pela
saia executiva. Seus olhos refazem o mesmo percurso e se fixam nos meus.
A voz impessoal pronuncia outra vez:
― A Senhorita Williams já me garantiu que já te repassou as
informações necessárias. Então mande para esse endereço um buquê de
rosas vermelhas com um cartão com essas palavras ― diz autoritário,
mostrando-me um pedaço de papel entre seus dedos.
Entendendo a deixa, ergo-me e caminho lentamente em sua direção.
Pego o papel com uma expressão neutra, mesmo sentindo uma descarga
elétrica passar por meu corpo quando nossos dedos se tocam brevemente.
Fito o rosto perfeito a minha frente e abro o bilhete, então me forço a o ler
silenciosamente na frente do meu chefe. No papel há um endereço, uma
frase sugestiva e um nome que eu já odeio.

Ocean Drive, Art Deco, South Beach, Miami, Florida. Nº 1002.


A noite foi fantástica, pequena Trace.

Mas que porra é essa? Ele acha que vou enviar flores para as fodas
dele?
― Seja bem-vinda, Senhorita Jordan.
A saudação dada por Sean soa com um misto de desafio e zombaria.
Dá-me um último olhar de desafio, coloca as mãos nos bolsos e se afasta em
direção a sua sala com um sorrisinho besta no rosto.
Não respondo a sua provocação. Estou puta demais para pensar com
clareza em uma boa resposta. É evidente que ele acabou de sinalizar com
bandeira vermelha, ou melhor, com rosas vermelhas, que deseja guerra. E,
como uma mulher destemida que sou, pintarei meu rosto de escarlate e
partirei para o combate.
Em qualquer livro de história você encontra relatos de que, na guerra,
os inocentes sempre são sacrificados. Sinto, pequena Trace, mas é o que
tem para hoje. Falo sarcasticamente em voz alta:
― Quem ri por último, ri melhor, Senhor McGregor.
FITO O BILHETE POR MAIS alguns instantes, com uma ideia maléfica
fervilhando
dia em que em
meminha
fez demente. Aquele atrevido gostoso
garota-da-floricultura vaiputas.
para suas se arrepender do
Ah, se vai!
Respiro fundo e volto a minha mesa. Pego a pasta com o bendito cartão e
praticamente me jogo na cadeira e a ouço ranger em protesto.
Analiso o número que está em alto-relevo no cartão e lanço mão do
aparelho telefônico. Disco para a floricultura com um sorriso diabólico, já
imaginando a travessura que vou aprontar. Ela é perfeita!
Após o segundo toque, falo:
― Bom dia, sou a nova assistente do Senhor McGregor e gostaria de
fazer um pedido. ― Meu sorriso aumenta enquanto oriento a atendente do
outro lado da linha. ― Gostaria que no cartão estivesse a seguinte frase:
Pequena e tola Trace, mulheres frígidas e sem atrativos, como você, são a
razão para que eu as coma uma única vez. Tenha um bom dia. Sean M.
O resto do dia passa depressa e sem muitas novidades. Claro que isso
pode mudar a qualquer instante, principalmente se Sean descobrir a minha
brincadeirinha do cartão para a vadia que ele comeu ontem à noite. Ou sei
lá quando.
Por falar no diabo gostoso, nunca imaginei que ele fosse tão
provocador. Sean vai me deixar insana se continuar a me tocar, ou melhor,
a me bolinar sempre que tiver uma oportunidade. No começo achei que era
apenas coincidência por nossa aproximação, mas não é!
Todas as vezes que preciso ir a sua sala, ele encontra um jeito de me
tocar, ora em meus braços ao me passar sua agenda, ora em minhas pernas
por debaixo da mesa. Começo a desconfiar que é deliberado quando sinto
um leve roçar de lábios em minha nuca.
Porra, eu me arrepiei toda! Só não gemo alto porque estou chocada
com sua ousadia, mas isso não impede meu corpo de responder de forma
contundente ao fazer minha excitação molhar minha calcinha.
Quer dizer que o Tatuado-Executivo-Gostoso quer brincar? Então
vamos brincar! Estou de costas para ele, recolhendo as plantas de
arquitetura, então me inclino de forma a empinar meu traseiro para sua
melhor apreciação. Segura do que quero, roço minha bunda em sua calça
social.
Santa Bitch! Ele está de pau duro? Ligeiramente aturdida, engulo um
sôfrego gemido. Sinto todo o meu corpo aquecer e meu coração pronto
para sair pela boca.
Puta merda! A vontade de tocar sua carne dura deixa minhas mãos
trêmulas, tanto que quase deixo cair os papeis que levo comigo. Estou
tentando ser forte e não sei como estou conseguindo.
Ele é muita tentação! Entretanto não posso ceder fácil. Tenho que
resistir à vontade louca de sentar em sua dureza e tirar o prazer máximo
que tanto desejo.
― Calma, bitch, calma! ― recito como um mantra, mas poxa, estou tão
necessitada.

Sou recompensada por minha frustração ao ouvir o arfar audível de


Sean. Ele me surpreende mais uma vez ao aproximar ainda mais nossos
corpos e segurar minhas ancas e me apertar contra ele. Sem pudor Sean
esfrega sua protuberância em minha bunda. Jesus Cristinho! Belisca-me, que
devo estar sonhando! É quase impossível não aceitar seu convite. Meus
mamilos endurecem, necessitados, e sinto minha excitação descer por
minhas pernas. Respirando com força, reúno forças para me afastar da
tentação, ou vou pôr meu plano por terra.
― Acho que já concluímos a reunião, Senhor McGregor. Voltarei a
minha sala. seCom
conseguem licença.
mover, ― Esala.
saio da tão ágil quanto as minhas pernas bambas
Sei que minha voz soou baixa e ligeiramente rouca quando fugi porta a
fora, mas o que eu poderia fazer? Minha libido está nas alturas! Encosto-me
à porta de minha sala toda esbaforida. Deixo cair os papéis e abro com
mãos trêmulas os primeiros três botões da camisa social por baixo do
terninho. Procuro o controle da persiana no bolso da frente do meu terno e
a fecho para que ele não possa me ver no estado deplorável em que me
encontro.

Minha pele
praticamente está escaldante.
nos atracamos na mesaSede no primeiro
reunião, dia nos
imagina de próximos
trabalho
dias? Loucura! Tremo só de pensar em sentir seu volume novamente em
minhas nádegas. Oh, Deus! Tenho que parar de pensar em devassidão,
senão entrarei em combustão. Respiro fundo e recolho os papéis do chão.
Sento-me à mesa, ainda me sentindo agitada. Queria poder me resfriar e
trocar minha calcinha urgentemente, antes de ser mais uma vez solicitada
por ele.
Uma hora depois, e quase refeita do episódio na sala de reuniões,

concentro-me no de
Perto do horário trabalho.
almoço,Sean
após não
umavoltara
batida, aminha
solicitar minha
porta presença.
é aberta. Ergo
meus olhos e suspiro frustrada diante da figura controlada de Sean.
― Pois não, Senhor McGregor? ― pergunto o mais profissional que
posso, fitando-o com uma expressão neutra.
― Preciso que me acompanhe. Durante a refeição concluiremos os
últimos arranjos para o congresso ― fala sem rodeios.
― Sim, senhor ― respondo, desligando o computador. Erguendo-me,
pego a bolsa e a pasta executiva e, sem hesitar, caminho até meu chefe.
― As damas primeiro ― diz, dando-me passagem.
― Obrigada ― agradeço enquanto o observo indiferente ao meu lado. Odeio
sua postura controlada, principalmente depois da cena na sala de reuniões.
Caramba! Deixei-o de pau duro, e ele age como se nada tivesse acontecido?
Todo imponente, distante, frio, intocável e idiota!
Paramos em frente ao elevador, que não demora a abrir as portas
depois que Sean o solicita. Sorrio de lado ao ver que Deanne está nele. Ela
me cumprimenta de forma seca e é um pouco mais atenciosa com o nosso
chefe.
Estreito os olhos e a fito mais atentamente. Deanne aparenta ter uns
trinta anos e sem dúvidas é uma mulher bonita, sensual. Noto a falta de um
anel em particular. É solteira, e pela forma devotada com que olha para
nosso chefinho gostoso, que se faz de desentendido, ela nutre um amor
platônico por ele. Está estampado em seu rosto maquiado que é apaixonada
pelo tatuado. Seus olhos brilham ao fitá-lo quase de forma sonhadora,
abobalhada. E tudo indica também que já passou por sua cama. Tadinha,
mais uma na lista das “peguei e despeguei” do Todo Poderoso Executivo
Tatuado. Sorrio cínica.
As portas do elevador se abrem no hall de entrada, e Deanne é a
primeira a sair. Dá um “até logo” ao Sean, tomando um rumo diferente do
nosso, sem se despedir de mim.
Vadia recalcada!, xingo-a mentalmente com um sorriso radiante, mas
meus pensamentos congelam ao sentir uma mão forte e quente de Sean em
minhas costas, guiando-me até uma limusine lustrosa estacionada na
entrada. O motorista, um homem calvo de meia idade e de sorriso
simpático, espera ao lado do grande veículo. Ele saúda Sean com um polido

“boa tarde”,
em tom então abre a porta. Meu chefinho responde ao cumprimento
impessoal.
O senhor também me cumprimenta. Desejo-lhe “boa tarde” e sorrio
levemente. Sean me deixa me acomodar primeiro no veículo. Não posso
reprimir meus pensamentos: o tatuado e eu em um espaço reduzido, isso
não vai prestar. E anseio por isso! Observo Sean sentar-se com graça ao
meu lado e, em seguida, tirar de seu terno o celular moderno, ignorando-
me totalmente. Bufo. Idiota.
E todo o percurso é feito desse modo: Sean pendurado ao celular,
respondendo e-mailse-mails
Dou graças quando s, e para
o veículo eu admirando o interior
e o motorista abredo
a carro,
porta. frustrada.
Como no
escritório e ao entrar no carro, Sean me deixa passar primeiro. O motorista
nos deixou em frente ao bistrô mais requintado de Miami. E eu sou mais
uma vez guiada pelas mãos de Sean até o interior do estabelecimento.
Já estive nesse lugar com meu pai inúmeras vezes. Sempre foram
ocasiões de comemoração, como por exemplo, meu aniversário de dez
anos. Último aniversário que passei com papai.
― Senhor McGregor, a mesa de sempre? ― Guillermo sonda solícito ao
entramos.
Guillermo costuma atender seus clientes pessoalmente. É sua marca
registrada, então não é surpresa vê-lo no bistrô. Ele me sorri em
reconhecimento. Sorrio de volta.
Descendente de italianos, ele ainda é bem bonito aos quarenta e
poucos anos com sua pele morena. Faz anos que não nos vemos, mas ele
não mudou nada. Os olhos verdes ainda têm o mesmo brilho de quando eu
era criança.
― Sim ― responde Sean, curto e grosso.
Se não achasse muita loucura da minha parte, poderia jurar que o
tatuado está enciumado pela forma gentil e carinhosa como Guillermo está
me tratando. Esse, sentindo o ânimo nada amistoso de Sean, trata de ser
ágil ao nos acomodar à mesa de sua preferência, servindo o vinho pedido
por Sean sem demora.
Beberico um gole com deleite, aguardando Sean escolher sua refeição.
Surpreendo-me por ele pedir algo leve. Na minha vez peço o prato
predileto de meu pai, e Guillermo me sorri de forma carinhosa. Quando
Guillermo fita Sean novamente, o executivo o fuzila com os olhos
semicerrados. Ele parece disposto a trucidar o italiano.
Assustado, o pobre homem sai praticamente correndo de perto de
nossa mesa, balbuciando torpemente que providenciará para que tudo saia
o mais rápido e impecável possível. Estou boquiaberta em minha
indignação. Quem ele pensa que é para intimidar as pessoas dessa forma?
Tomo a taça mais uma vez em minha mão.
― Está zangada porque espantei seu admirador? ― Sean indaga frio.
Seus olhos estão sagazes, questionadores.

― Guillermo é um velho amigo. Não um admirador ― retruco


igualmente fria.
― Velho amigo? Interessante! Para mim ele está mais para um
candidato a amante ― insinua.
― Repito, o Guillermo é apenas um velho amigo ― ratifico, fitando-o
sobre a borda da taça.
― Conheço o olhar que ele lhe dedicou, senhorita, ele nutre um amor
platônico por você ― salienta ainda malicioso. Seu sorriso torto é

predatório.
― Está equivocado. Ele é um homem gentil, diferente de muitos
homens por aí ― respondo impessoal enquanto o observo beber seu vinho
sem deixar de me fitar com intensa curiosidade.
Ele questiona de forma desdenhosa:
― Está me chamando de grosso, Senhorita Jordan? E seja sincera ao
me responder.
― O senhor há de convir que sua fama lhe precede. ― Tento fugir de
uma resposta direta.
― Não fuja da minha pergunta ― diz autoritário.
Fito demoradamente seus olhos frios, então respondo:
― O senhor é extremamente grosso, rude e frio.
Seu sorriso é cínico ao me prevenir:
― Cuidado com o que diz, senhorita. Ainda sou seu chefe.
― Posso dizer que devemos ter cuidado com aquilo que desejamos,
mas vou ressaltar apenas que o senhor me pediu uma resposta sincera, e
lhe dei ― respondo petulante.
― Touché! ― exclama, erguendo sua taça e me cumprimentando,
emendando seu pedido, que soa mais como uma ordem: ― Me conte como
se conheceram. Estou... curioso.
Poderia dizer que a curiosidade matou um gato e que minha vida
privada não é da sua conta, mas será interessante vê-lo se desculpar por
seu prejulgamento. Dou de ombros, fazendo pouco caso ao responder:
― Quando eu era criança, meu pai me trazia a esse bistrô. Guillermo
sempre foi atencioso conosco. Tenho boas recordações desse lugar.
― Compreendo ― fala desconfortável e sem se desculpar por ser
maldoso.
Desencano sobre o pedido de desculpas e estou curiosa. Pelo visto ele
não gosta de conversar sobre família. Por quê? Porém minhas conjecturas
são interrompidas pelo garçom, que nos serve com destreza. Nosso almoço
transcorre em meio a anotações para o congresso do próximo mês e a festa
à fantasia de amanhã. Estou entretida anotando as últimas alterações sobre
o evento quando uma voz estridente e feminina me faz perder o raciocínio
e erguer os olhos.
Uma loira em um vestido vermelho curto está parada junto à nossa
mesa. A mulher parece zangada e encara meu chefe de forma nada
amigável.
― Trace?! O que faz aqui? ― exclama Sean, fitando a mulher de forma
confusa.
Então essa é a tal Trace? Analiso a mulher a minha frente com
curiosidade. Ela é bonitinha, mas nada demais. Espera aí, gente! Se ela é a
Trace, então...
Merda!, exclamo mentalmente, sentindo-me levemente tonta, e não é
efeito do vinho.
Estou tão frita! Oh, meu Deus!
― Estava tendo um momento tranquilo até ter o desprazer de ver
você! ― diz hostil.
Ela segura a bolsa de uma grife famosa junto aos peitos enormes, que
com certeza devem ser siliconados. Sua atenção está toda no tatuado a
minha frente. A mulher parece possuída!
― Como? ― pergunta Sean, ainda ostentando a expressão confusa.
Sem mais nem menos a Trace passa mão na taça de vinho dele e joga
todo o conteúdo vermelho em seu rosto. Para maior dramatização, ainda
joga a taça no chão, deixando-a em pedaços. Arfo. Porra!
Sean nem pisca.
― Isso é pelo desaforo do cartão, seu canalha! Frígida e sem atrativos é
a mamãezinha! ― frisa furiosa.
Então sai, batendo os saltos no piso de forma ruidosa. Todos no bistrô
fitam Sean com incredulidade, inclusive eu mesma.
― Espero que a senhorita tenha uma explicação plausível, ou estará
demitida! ― Sean rosna, limpando o rosto com o guardanapo e derrubando
a cadeira ao se erguer da mesa com fúria. ― Vamos embora. Agora! ― volta
a rosnar.
Minhas Nossas Senhoras das Bitches Encrencadas, me socorram,
porque estou muito ferrada!
SEAN TEM UM CLOSET EM seu escritório, portanto não é um
problema se recompor
com problemas agora
em encarar que
meu regressamos
chefe à empresa,
e continuar mas inocente.
atuando como eu estou
Inocência não faz parte de minha natureza, assim como a paciência não faz
parte da natureza do homem possesso sentado à minha frente.
Sean me encara com os olhos inquisidores há mais de meia hora.
Depois de ser praticamente arrastada à limusine pelo meu chefinho
furioso, ele me cobrou uma resposta verdadeira. Não consegui elaborar
nada plausível. Estou fazendo o estilo Poker Face da Lady Gaga. No entanto,
manobrar Sean não é fácil. Tomo fôlego e mantenho minha cara de pau ao
afirmar:
― Tenho certeza que alguém na floricultura deve ter se enganado e
trocado os cartões.
― Você pode provar, senhorita? ― pergunta frio.
― Temo que não, senhor. A floricultura deve receber várias
encomendas, certamente não notaram a possível troca.
― Há somente uma forma de descobrirmos, não é? ― diz, erguendo de
forma sugestiva as sobrancelhas.
― E qual seria? ― pergunto desconfiada, pressentindo mais
problemas.
― Ligando para a floricultura ― responde, sorrindo cinicamente.
Pisco inocentemente e tento não desfazer minha expressão de poker
ace, mas por dentro rezo para a Nossa Senhora das Bitches em Apuros por
socorro! Pensa rápido, bitch! Pensa rápido!
Respondo placidamente:

― Não sei se resolveria algo, senhor, afinal o que aconteceu no bistrô é


imutável.
― Concordo, porém decidirá se você continua ou não no seu cargo ―
pontua sério.
Mordo meus lábios e o observo acompanhar meu gesto. Hum...
Interessante. Penso, então ataco de vítima:
― Se o senhor continuar insinuando que tenho algo a ver com o que
aconteceu, não continuarei trabalhando para o senhor. Não posso trabalhar
onde não confiam em minha palavra.
― Alguém já lhe disse que você está na profissão errada? ― pergunta,
servindo-se de uísque.
― Como? ― Faço-me de confusa.
― Você seria uma ótima atriz ― responde, sorrindo ironicamente.
Filho da mãe! Ele está se divertindo à minha custa.
― Como ousa? ― indago indignada.
Ele me fita com um misto de zombaria e divertimento, e a voz está fria
ao dizer:
― Senhorita Jordan, você está correta na parte em que diz que não
podemos voltar no tempo sobre o que ocorreu no bistrô, todavia não pense
que me engana. Seu ar de inocência é tão artificial quanto sua atuação
comicamente barata.
― Ora! ― exclamo, quando a voz impessoal me corta:
― Somente ressaltarei dessa vez. Não se intrometa em meus assuntos.
Isso é uma ordem. Espero que cumpra dessa vez, ou não pensarei duas
vezes em demiti-la
privacidade. Entendeu?por justa causa e processá-la por invasão de
― Sim, senhor ― concordo de imediato, camuflando a raiva e
frustração que borbulham dentro de mim. Observo-o sorrir satisfeito e dar
o último gole em sua bebida.
Até agora não entendo por que ele não me demite, já que tem certeza
que aprontei. Por quê?
― Vou satisfazer sua curiosidade sobre não demiti-la depois, agora me
repasse meus compromissos. Já perdi tempo demais com assuntos bobos ―
responde prático e rude.
― Como o senhor desejar ― provoco, sorrindo docemente.
Ele me fulmina com os olhos, que brilham com algo que percebo ser
desejo, mas que logo some como fumaça.
Já falei que detesto esse controle filho da puta que ele tem sobre suas
emoções? Ele não perde por esperar. Esse controle todo está perto de ruir.
Sua voz impaciente me tira do devaneio:

― Ótimo. Agora faça o que mandei. Chega de perder meu tempo.


O resto do expediente transcorre entre decisões sobre trabalho, a
organização do baile à fantasia na residência do meu chefe, do qual eu não
faço a menor ideia do motivo. Estou cansada e necessitada de uma boa
ducha.
Verifico as horas no monitor e suspiro. Graças! É oficial, o dia de
trabalho chegou ao fim. Feliz, desligo o computador, fazendo um balanço do
meu primeiro dia trabalhando para meu tatuado executivo.
Bem, tirando as bolinadas salientes, a ereção roçando minha bunda e
minha quase demissão, tudo ocorreu bem. Sorrio ironicamente. Espero que
amanhã seja mais tranquilo, embora não será nada mal repetir as primeiras
partes desse primeiro dia.
Estou prontinha para ir, quando a voz rouca e fria de meu chefe me faz
parar com a mão na maçaneta da porta.
― Aonde pensa que vai, senhorita?
Olho em direção à janela de comunicação, segurando minha pasta e
minha bolsa contra minhas costelas.
― Embora? O expediente terminou ― respondo.
― Não lembro que a dispensei ― diz sério.
Aff, ele é do tipo de patrão que libera seu pessoal depois do formal:
“estão dispensados”. Fala sério? Ditador! Guardo minha opinião para mim e
retruco educada:
― Não, mas eu...
Ele me corta rude:

― Venha a minha sala.


― Mas...
Ele simplesmente se afasta, deixando-me falar sozinha.
― Grosso! ― Faço um muxoxo, mas obedeço ao seu comando. Não
tranco a porta, pois estou com receio que meu queridíssimo chefinho tenha
mudado de ideia e resolvido me demitir. Então deixar a porta encostada é
uma boa opção para sair com dignidade e sem demora.
Meus olhos varrem a sala assim que entro e encontram Sean em pé
perto da janela, distraído e observando o pôr do sol.
Sua postura é relaxada, e suas mãos estão nos bolsos de sua calça
social, o que me chama a atenção para os seus quadris. O tecido escuro e
caro salienta o contorno das suas nádegas. Uau! E que nádegas! Inclino a
cabeça para o lado para ter um melhor ângulo da saliência perfeita.
Oh, homem mais gostoso!, exclamo mentalmente, lambendo os lábios.
― Vai ficar me secando, Senhorita Jordan?
A pergunta direta e inesperada me deixa sem ação por alguns
instantes. E quando
posso evitar gaguejarmeu cérebro
ao tentar se recupera
negar da breve pane, eu ainda não
a minha indiscrição.
― Não e-estou...
― Sim, você está, mas não me importo. Também admiro seu traseiro ―
diz com um dar de ombros, ainda observando o céu lá fora.
Puta que pariu! Meu coração bate descompassado.
Diálogo insinuante em um momento em que me encontro cansada e
sexualmente frustrada é golpe baixo demais, até para mim. Filho da mãe!
― Como é? ― indago, sendo dissimulada mais uma vez nesse longo dia.
Meu chefe enfim se afasta da janela e prende seus olhos azuis aos
meus. O que me deixa sem fôlego por um momento, por sua intensidade.
― Vamos deixar de cerimônia, Allyson. Sei que você se sente atraída
sexualmente por mim.
Vou retrucar, mas ele me silencia com um gesto de mão e continua
com voz profunda:

― Não
de uma lhe sou
aventura no indiferente,
ambiente demas não estou atrás de compromisso, nem
trabalho.
Oh, Minha Nossa Senhora das Bitches Frustradas, me fortalece, porque
é desumano demais para com sua filha mais devota ouvir esse homem
gostoso admitir que me quer! Estou louca para agarrá-lo, mas devo ser
cautelosa.
Força, bitch. Foco também!, mentalizo.
― Também não estou, Senhor McGregor ― respondo, tentando manter
minha voz neutra, mas não sai da forma esperada. Merda! Sou uma
mentirosa muito ruim.
O sorriso debochado dele me confirma. Dane-se!
― Não vou me fazer de rogado se você quiser me seduzir, senhorita.
Suas palavras são ditas de forma sensual e me fazem arrepiar.
Novamente tento contornar a minha situação precária:
― O que o leva a crer que quero seduzi-lo?
― Você realmente está disposta a negar? ― Sorri de lado e prossegue:
― Típica defesa feminina, negar o óbvio.
― Como é? ― Estreito os olhos.
― Vocês mulheres são todas previsíveis ― diz ainda ostentando o
sorriso de lado. Seus olhos brilham arteiramente.
― Continuo sem entender ― respondo desafiadora.
Ele sorri abertamente, os dentes alvos e perfeitos à mostra,
encantando-me ainda mais com a perfeição de seu rosto. Como se estivesse
corrigindo uma aluna teimosa que fez a lição de casa malfeita, meu chefe
explica:
― As mulheres atiçam o homem de seu interesse e depois se fazem de
desentendidas. Fogem e esperam que ele tome a iniciativa, então quando
ele a toma, vocês recuam com medo, melindradas. Vocês são indecisas por
natureza.
― Não sou dessas. Sei muito bem o que quero ― saliento, sem desviar
meus olhos dos deles.
Um sorriso satisfeito surge em seu rosto. Acho que fiz bobagem.
Encaro-o desconfiada.
― Não é, senhorita? Então me prove! ― desafia-me.
― De que forma? ― pergunto ressabiada.
― Beije-me! ― propõe com um sorriso torto.
Seus olhos brilham de excitação.
― O quê? ― pergunto realmente sem acreditar na sua “oferta”.
― Com medo que me decepcione com seu beijo? ― debocha.
― Nem um pouco ― retruco muito segura do poder do meu taco.
― Então? Vai ficar aí, parada? ― volta a me provocar.
― Estamos em ambiente de trabalho. Não é correto ― argumento,
precavendo-me de alguma armadilha. Não confio nele. Não sou de confiar
facilmente nas pessoas.
― Certamente não é o correto, mas lhe garanto que não existirão
complicações futuras por apenas um beijo inofensivo. ― Ele verifica as
horas em seu relógio de pulso e me olha novamente. ― Além do mais, não
estamos mais em horário de trabalho. Portanto, somos apenas duas
pessoas livres, adultas, que sabem o que desejam. Esqueça a relação patrão
e funcionária. ― Sorri torto.
― Não sei se desejo beijá-lo. Não tenho interesse algum pelo senhor. ―
Faço-me de boba.
Ele gargalha.
― A senhorita me diverte bastante. Sei que ficou possessa por enviar
as flores a minha ex-amante. Pare de mentir. ― Seu tom é superior.
Convencido!
― De forma alguma! ― Negarei até a morte, mesmo sendo mentira.
― Pare de desculpas e venha aqui. Tome o que você tanto deseja ― diz
abrindo os braços.
OH. MEU. DEUS!
― O senhor está me assediando? ― Minha voz soa fingidamente
incrédula.
― Quem está assediando quem, senhorita? Você hoje praticamente
ofereceu
recatada?oDeixe
seu delicioso traseiro
disso. Venha. É só ao
ummeu
beijo.pau e agora está se fingindo de
O safado tem um ponto.
Fito-o e sorrio brejeiramente. Vamos lá, Allyson, vamos ao plano B.
Com movimentos calmos, apesar da excitação crescente, deposito a pasta e
a bolsa sobre a mesa. Sem nunca abandonar os olhos do descarado e
manipulador do meu chefe, caminho firme até ficarmos frente a frente.
Nossos olhos estão fixos um no outro. Lentamente minha mão vai a
sua nuca. Puxo seu cabelo com força e, com sua colaboração, o faço inclinar
a cabeça para baixo, pois mesmo eu estando de saltos, Sean é muitos
centímetros mais alto que eu. E curvo meu rosto em direção ao seu.
Minha boca entreaberta paira sobre a sua. O hálito masculino banha
meu rosto, fazendo-me arrepiar. Determinada em demonstrar que tenho o
controle da situação, finjo não me abalar com seu perfume de macho e o
calor que emana de seu corpo para o meu.
Por um longo tempo nos torturo com nossa proximidade
incandescente. Até que observo os olhos azuis me fitarem com intensidade
fria, confusos com a minha hesitação. Quando Sean está prestes a
questionar minha falta de atitude, o beijo forte e profundamente, pegando-
o de surpresa.
Minhas unhas se cravam em sua nuca quando sinto a força do prazer
percorrer meu corpo ao entrelaçar minha língua a dele, chupando e
degustando de sua maciez vorazmente.
O beijo é tempestuoso! Meu corpo treme ao sentir suas mãos em
minha cintura me puxando para mais perto dele. O gemido abafado que
solta ao pressionar sua ereção em minha barriga deixa minha calcinha

ainda
calças mais encharcada
e cavalgar quechão
nele no nessadamanhã. Estou
sala até me aconsumir
ponto deem
arrancar suase
seu fogo
ressurgir como uma fênix. Porém abruptamente Sean me afasta de si e me
coloca às suas costas. O que aconteceu?, pergunto-me tonta.
― Desculpe-me, senhor. Não quis atrapalhar, mas não imaginei que
algo assim estaria acontecendo ― diz uma voz feminina, que logicamente
reconheço.
O que Deanne faz por aqui a essa hora? Isso é muito suspeito.

― Preciso falar com o senhor ― ela diz com voz doce.


Mordo a mão direita e penso: Oh, mulherzinha oferecida e empata
oda!
― Não percebeu que estou ocupado? ― ele rosna.
― Mas é um assunto de suma importância.
Reviro os olhos diante a carência simulada em sua voz. Essa mulher
me deixa enojada.
― Qual parte de “estou ocupado” você não entendeu, Deanne? ―
pergunta ele frio.
Jesus, que mulher insistente! Eu mesma vou colocá-la para correr!
― Fique quieta, Allyson. ― ele manda autoritário, encurralando-me
entre seus fortes braços e a parede maciça de suas costas largas, sensuais,
macias, tatuadas... ops, delirei.
O brado de ameaça de Sean para Deanne me faz voltar à Terra.
― Saia agora e não ouse comentar o que viu, ou vou demiti-la por justa
causa.
Escuto a vaca arfar. Eita, por essa ela não esperava. Nem eu!
O tom de voz dela é baixo e magoado quando responde:
― Okay. Já estou de saída.
E enfim ouço a porta fechar.
Será que a vaca recalcada espalhará pela empresa que nosso chefe
está traçando a nova assistente? No caso, me traçando? Putz! É tudo o que
preciso.

Sean me liberta e volto a ficar de frente para ele. Como se adivinhasse


meus pensamentos, ele diz:
― Ela não contará a ninguém.
Fito-o de lado. Ele parece ter a Williams na palma da mão, analiso com
raiva. Ou melhor, ciúme.
― Como você pode ter certeza? ― questiono sarcasticamente.
Sean ergue a sobrancelha e põe as mãos nos bolsos da calça, o que me
faz olhar para sua ereção. Oh, meu Deus! Ele está bem animado. Oh,
desperdício!
― Confio que Deanne será discreta porque ameacei demiti-la. Seu
emprego é importante para ela.
― Conhece-a bem, não é? Com certeza deve ser sua cúmplice ― acuso,
fitando-o seriamente.
― Cúmplice? ― pisca confuso.
― Confessa! Ela deve apagar todos os rastros das mulheres que você já
comeu nesse escritório.

para ―
seuCuidado com o que
conhecimento, insinua
a única ― replica
mulher que já sério.
estive Por fim declara:
disposto a comer―em
E
meu escritório é você!
Engasgo com a saliva e tusso forte, enquanto ele sorri pretensioso.
Odeio esse homem! Quando penso que estou ganhando, ele vira o jogo!
Não, não, e não! Ele não vai ganhar!
― Ficarei com minha opinião, chefinho ― retruco irônica. ― Está tarde.
Preciso ir. ― Dou-lhe as costas.
Chama-me:
― Senhorita Jordan!
Fecho os olhos e prolongo o momento de encará-lo novamente.
Quando o faço, sou atrevida:
― Algo mais?
― Logicamente. Ainda não acabamos. ― Ele é satírico. ― Com a sua
pequena travessura, você atrapalhou meus planos. Como punição terá que
me acompanhar ao baile à fantasia. Escolha algo apropriado.

Minha boca se escancara de surpresa, mas me recomponho


rapidamente.
― Vou ver o que posso fazer por você, chefinho.
Deixo-o estarrecido por minha resposta presunçosa. Recupero minhas
coisas e vou embora rebolando e com o gosto dele em minha boca.
O COMPORTAMENTO INADEQUADO de minha assistente é realmente
uma questão a se cuidar. Sorrio torto ao ver a petulante sair rebolando.
Sozinho, tento ajustar a minha muito desconfortável e latejante ereção
dentro de minhas calças. Terei que cuidar disso.
Suspiro frustrado. Odeio me masturbar. Tampouco posso sair nesse
estado, então volto a contemplar o céu, agora noturno, e pensar em coisas
inofensivas como unicórnios voadores. Porém não está fazendo efeito
algum.
Em minha mente teima em surgir a boca insolente de minha nova
assistente em mim. Estou cogitando a ideia de pedir um carinho específico
a ela, e as palavras seriam exatamente essas: Senhorita Jordan, me pague
um boquete duro e molhado. É uma ordem!
Na pior das hipóteses, eu seria processado por assédio, mas ainda
assim correria o risco só pelo prazer de ver os olhos verdes crispados de
raiva e excitação diante de minha proposta indecorosa. Não posso negar
que gosto além do sensato do seu jeito atrevido de me confrontar. A
Senhorita Jordan é tudo que não procuro em uma mulher. É atrevida,
petulante, teimosa, indomável, mentirosa e muito, muito perigosa.
Além de ser sexy como o inferno!
Não tenho coração para romance. Apesar dos acontecimentos de hoje,
nunca fui tão aberto em meus desejos em relação a uma mulher quanto
estou sendo em relação a Allyson. Isso me espanta, deixa-me em alerta, pois
não sinto apenas desejo de seduzi-la, sinto desejo de conquistá-la para
mim, o que é insano, assim como a atração extasiante que ela me desperta.
Nesse longo dia de momentos perturbadores, adoraria repetir
algumas situações com a Senhorita Jordan, como a deliciosa sensação de ter
meu pau pressionado nas nádegas femininas, mesmo através da minha
calça social e da saia de seu terninho.
Adoraria repetir a experiência de degustar do sabor doce e inebriante
de sua boca, da língua macia enroscada na minha, deixando-me ainda mais
duro durante nosso beijo voraz.
Tenho certeza que a teria em meus braços gemendo meu nome e se
contorcendo de prazer em cima da mesa de reunião em dois tempos, se
Deanne não tivesse nos interrompido. Suspiro exasperado.
Quando Deanne entenderá que nosso curto caso ficou no passado? A
expressão de ódio em seus olhos ao me ver aos beijos com a Senhorita
Jordan me mostrou que devo tomar cuidado com ela. Jamais deveria a ter
contratado depois que transamos. Percebo seus olhares apaixonados sem
pudor em minha direção, e é muito constrangedor. Os apelos de minha mãe
para que eu ajude a filha de sua única amiga me fazem retroceder sempre
que decido demiti-la.
Poderia muito bem a ter escolhido para o posto de assistente
executiva, mas não quero que Deanne tenha a ideia equivocada que a
mudança de cargo seja um novo convite à minha cama. Sei bem que Deanne
pensou erradamente que nossa única noite de sexo resultaria em
matrimônio, mesmo eu a alertando firmemente que nossa transa não
passaria de uma aventura de uma noite. Ela magoou-se quando repudiei
sua declaração de amor dias depois. Lembro com exatidão as palavras frias
e duras que usei para repeli-la:
― Não sou para casar, Deanne, sou para foder. Não se iluda, foi somente
sexo. E sexo ruim.
Não acho que fui um canalha com ela. Nunca lhe fiz promessas. Ela se
iludiu sozinha. Perdemos contato por um longo tempo.

Algumas
amigas vezes sua
de passarela, mãe visitou
começaram a avida
minha, pois Sasha
de modelos e mamãe
juntas. São foram
muito
próximas, embora tivessem se distanciado pelo estilo de vida de cada uma.
Mamãe largou a passarela por capricho de meu pai, enquanto Sasha
continuou na profissão, mas não fez tanto sucesso, casou-se com um
advogado, pai de Deanne, que a largou e levou metade de seu patrimônio
no processo de separação.
Conheci Deanne durante essas visitas que sua mãe fazia a minha. Com
seus 23 anos, loira e de corpo esbelto, achei-a muito bonita, mas não me
despertou
minha faltanenhum interesse
de interesse e me mais profundo.
perseguia Ela as
em todas nãovisitas,
se intimidou
até o diacom
em
que enfim lhe dei o que ela procurava, do que me arrependo amargamente.
Quando Sasha morreu, minha mãe ficou muito abalada. Seriamente
preocupado com seu estado mental, prometi ajudar Deanne a cuidar do
sepultamento e a acolhi em nossa casa, já que mãe e filha estavam falidas e
Deanne não tinha para onde ir. Ela seria uma boa companhia para mamãe.
Por meses ela foi nossa hóspede, e ficou evidente sua paixão por mim.
Eu a evitava com afinco e, não suportando mais ser um visitante em minha
própria casa, tive uma conversa séria com mamãe. Prometi que compraria
uma casa para Deanne e a contrataria se ela partisse. Mamãe não gostou da
ideia, mas a aceitou depois de muita persuasão.
Nesses quatro anos em que trabalhamos juntos, ela tem se mostrado
eficiente e principalmente confiável. Se não fosse pela paixão platônica,
Deanne seria a funcionária perfeita.
Mamãe adora ressaltar as qualidades da mulher e torce para que um
dia ela seja sua nora. Porém isso jamais irá acontecer.

me aoAfasto-me
elevadorda ejanela e recolho
poucos minha
minutos pasta.
depois Deixo minha
encontro Bones,sala,
meudirijo-
fiel
motorista, a postos me esperando. Não demoramos a chegar ao nosso
destino. Despeço-me de Bones ao deixar o veículo e percorro o caminho
paisagístico da entrada da mansão.
Norah já está à porta, à minha espera.
― Boa noite, Senhor McGregor ― deseja educadamente.
― Como ela está? ― pergunto depois de lhe responder o cumprimento
com um gesto leve de cabeça.
― Agitada e ansiosa para ver o senhor. Ela está na sala.
Passo pela enfermeira e faço uma careta de desgosto ao ver minha
mãe despenteada e com a frente de seu vestido de linho bege suja de algo
na cor azul, parecendo riscos de caneta. Ela está brincando de desenhar no
carpete da sala em frente à lareira desligada. Norah nos deixa sozinhos.
― Mãe ― chamo-a.
― Você chegou! ― exclama ela quando me ouve. Seu lindo rosto se
ilumina ao me ver. ― Você demorou tanto! ― diz, correndo em minha
direção. Abraça-me pela cintura e enterra o rosto em meu peito.
Enlaço sua cintura, e sentamos no sofá.
― Se sentindo bem? ― indago, analisando seu rosto e seus braços à
procura de alguma lesão.
Minha mãe tem a tendência a se cortar quando está ansiosa ou
nervosa. Graças a Deus está sem cortes. Ergo meu rosto para lhe dar total
atenção.
― Sim, sim! Muito bem agora. Você está aqui. ― Sua resposta é
animada.
― Tomou a medicação, mãe?
Ela faz bico e me responde malcriada:
― Tive que tomar, a chata da enfermeira me obrigou. Você tem que
“expulsar ela” daqui.
― A senhora já me pediu isso, lembra?
― E você não vai fazer nada? ― pergunta, fitando-me brava com seus
olhos azuis tão iguais aos meus.
― Vou, sim! ― confirmo para lhe agradar. Então beijo suas mãos.
― Vou conversar com a Norah e dizer que a senhora vai tomar sua
medicação sem fazer nenhuma pirraça e, por se comportar bem, vai ganhar
duas bolas de sorvete para a sobremesa. O que acha?
― Sorvete! Adoro sorvete! ― exclama sorrindo.
― Eu sei. De creme. ― Retribuo seu sorriso.
― Você vai me contar uma história antes de dormir? A minha
preferida? ― pergunta com os olhos arregalados em expectativa.
― Claro ― respondo sorrindo torto, penteando seus cabelos com os
dedos suavemente.
― Filho...
― Sim.
― Seu aniversário é essa semana, não é? Eu lembrei! Sempre lembro!
― diz toda orgulhosa, e meu peito se aperta.
Uma onda de emoção me acerta. Mesmo com toda sua limitação,
mamãe nunca se esquece de meu aniversário. Forço o nó na garganta a
descer com a saliva.
― Você vai passar seu aniversário comigo? ― ela volta a perguntar.
― Eu... ― começo a tentar me explicar, quando sua voz de choro me
paralisa.
― Por favor, filho?
― Tenho uma festa programada, mãe ― falo pausadamente. Seu rosto
se entristece. Meu coração se parte, e falo de uma vez: ― A senhora é minha
convidada de honra!
― Sou? ― pergunta com os olhos arregalados e as mãos no coração.
― Sim! ― confirmo com um leve sorriso.
― Oh! Eu vou à festa do meu filho, eu vou! ― exclama feliz.
Mamãe pula do sofá, assustando-me brevemente. Começa a cantar e
rodopiar pela sala. Sorrio por sua alegria. Só espero não ter feito nenhuma
promessa de merda.
Depois de ajudar minha mãe a se preparar para dormir, conto sua
história favorita: Alice no País das Maravilhas. Logo após ela adormecer,
tomo uma ducha e me troco. Visto algo confortável, coloco meu celular no
bolso da frente da calça jeans e vou à sala. Janto diante da lareira e, após a
refeição, aprecio meu vinho do Porto pensando em certa atrevida. Meu
aparelho celular vibra. Deixo o vinho de lado e retiro o celular do bolso.
Faço uma careta de desgosto ao ver de quem se trata.
Ele grita assim que atendo:

― Você vai convidar suas irmãs e Dominique para seu aniversário!


Afasto o celular e conto até dez, então volto a aproximar o aparelho.
Friamente disparo:
― Convido quem desejar.
Meu pai bufa.
― A Dominique não faz questão de ir, até posso entender, mas Emily e
Ayden são suas irmãs!
― Não as considero como tal. E a recíproca é verdadeira.
― Você não é mais um adolescente para agir de forma rebelde, Sean! ―
repreende-me. ― Exijo que as convide! ― volta à mesma tecla.
Ironicamente respondo:
― Exija o que desejar, não irei atendê-lo.
― Sou seu pai! Não estou pedindo, estou mandando!
Minha escassa paciência vai para o espaço.
― Analisando a presente situação, retiro seu convite. Se você e sua
perfeita família derem as caras em minha festa, não pensarei duas vezes em
expulsá-los! ― Desligo.
Em cólera, jogo o aparelho na lareira. O celular estala quando o fogo o
consome. Respiro profundamente para acalmar minha respiração alterada
e tento pensar em algo mais agradável que a arrogância de meu pai.
Puxo o ar devagar e fecho os olhos. Esvazio a mente e trabalho na
respiração. Não me acalma, mas então meu cérebro me recorda do ar
petulante de minha nova assistente. Sorrio torto. Divirto-me horrores com
seu jeito ouriçado.
Rio ao perceber que estou mais controlado. Quem diria que pensar na
Senhorita Jordan me acalmaria?
Sorrindo, recolho-me aos meus aposentos.

Meu aniversário de 28 anos acontecerá em poucas horas; entretanto


estou mais animado com a possibilidade de ter Allyson em minha cama.
Sorrio torto enquanto acompanho seu andar sensual com os olhos. A
frustração sexual entre nós é palpável, e estou determinado a pôr fim a esse
jogo de gato e rato hoje à noite, durante o baile. Ela não vai fugir de mim,
como ontem.
Ela sabe que está me levando ao limite atiçando-me e se negando a
mim. Os seus olhares insinuantes e toques sutis me fazem excitado
duramente. A safada se finge de inocente, mas tudo nela evoca pecado.
Sedução. Sexo.
Estamos dentro do elevador, e Deanne também está presente. Ela tem
os olhos em seus sapatos, assim evitando contato visual comigo e com a
Senhorita Jordan. Depois da nossa conversa hoje cedo, quando exigi sua
discrição sobre o que havia presenciado na sala de reunião, sua atitude se
tornou fria.
Sua reação não me deixa dúvida de que ainda me ama, mas, sem medo
de magoá-la, provoco a Senhorita Jordan em sua presença. Minha voz soa
insinuante:
― Tem o que vestir, Senhorita Jordan?
― Sempre tenho, chefinho ― responde Allyson piscando, provocando-
me.
Não entro na sua pilha. Por hora.
― Mandarei meu motorista até você às 20h ― informo prático.
― OK, até mais, chefinho.
Acena um tchau e sai do elevador.
Sorrio torto, admirando seu requebrado. Deanne passa tensa à minha
frente.
― Vejo-o na festa, Senhor McGregor ― diz fria.
Desprendido, cumprimento-a e sigo em meu carro.

Minha mãe está linda em sua fantasia de Alice no País das Maravilhas.
O vestido azul com um pequeno avental branco e mangas estufadas é uma
réplica perfeita do descrito no clássico literário. Mamãe parece feliz
admirando-se no espelho.
― Norah, não desgrude dela. Deixe-a se divertir, mas evite que se deite
no chão, ou se lambuze de comida, não quero minha mãe passando vexame.
― oriento.
― Sim, senhor ― prontifica-se a enfermeira.
Aproximo-me de mamãe e seguro suas mãos. Fitando-a nos olhos,
peço:
― Mãezinha, prometa-me que vai se comportar.
― Prometo! ― responde sem hesitar, beija minhas mãos e me olha
séria.
― Tudo bem. ― Suspiro.
Beijo sua testa e me afasto.
Coloco minha máscara metade negra e metade vermelha e estou
pronto. Sinto-me engraçado de Conde Vlad. Minha mente viaja. Qual será a
fantasia da atrevida? Será uma fácil de retirar? Sorrio malicioso.
Ainda sorrindo, tomo a mão da mamãe e a coloco em meu cotovelo.
Descemos as escadas juntos, com Norah logo atrás. Uma hora atrás eu
ordenei que Bones buscasse Allyson em casa, pois ela receberá meus
convidados comigo. A festa está programada para as h.
Deixo mamãe aos cuidados de Norah e verifico se tudo está dentro do
esperado, ou seja, impecável. Gosto de requinte, e o jantar será à francesa.
O grande bolo de aniversário será a sobremesa.
Lá fora meus seguranças impedem que os paparazzi adentrem a festa
sem a devida autorização. Não quero esses vermes por aqui. Apenas uma
repórter foi convidada. Ela cobrirá a festa, afinal sou uma pessoa pública.
Repasso a playlist junto com o DJ no grande salão, quando vejo uma
miragem. Allyson adentra faceiramente, e minha ereção está firme e forte
no mesmo instante. Puta que pariu! Allyson quer me matar! Boquiaberto,
fito seu belo rosto em uma maquiagem perfeita. Seus cabelos soltos e
volumosos lhe dão um ar arrebatador, selvagem. Estou hipnotizado pelos
seus seios apertados em um corpete justo de cor vermelha com um bustiê
dourado. Ele enfatiza o volume apetitoso de seus seios naturalmente fartos
ao ponto de me fazer gemer em agonia. Há braceletes dourados em seus
pulsos. Meus olhos descem ainda mais, e rosno ao admirar suas coxas
roliças à mostra.
Acho que estou salivando. Escuto sua risadinha pretensiosa ao me ver
avaliá-la despudoramente, mas lhe dou todo crédito pelo ar convencido que
ostenta. Sua fantasia é magnífica e ousada. Ela está uma deliciosa tentação
de Mulher Maravilha! Tento me recompor, mas quase tenho uma síncope
ao vê-la se aproximar
panorâmica e rodar
de seu traseiro lentamente à minha frente, dando-me a visão
arrebitado.
― Diga-me, chefinho, estou vestida apropriadamente? ― indaga-me,
sorrindo travessa.
― Não, mas está absurda e deliciosamente aprovada por meu pau ―
respondo com voz rouca.
Ganho um ponto ao vê-la estremecer. Sorrio vitorioso.
Minha capa está sendo providencial para esconder minha ereção. Sem
desviar meus
suavidade, olhos dos
levando-a dela,braço
ao meu pegoem
sua mão com
seguida cuidadodeefitá-la.
sem deixar a beijo com
Posicionamo-nos às portas do salão. Os convidados começam a
chegar, e os recebemos com cordialidade, apesar de se mostrar uma tarefa
estressante observar os convidados masculinos se derreterem por Allyson.
E a safada faz por merecer tanta atenção, ela lhes sorri simpática, pronto,
estão vidrados. Também recebe muita atenção hostil das mulheres. Deanne
é uma delas, mas tenta passar despercebida em sua fantasia de Cleópatra.
Sorrio alegre ao ver Brandon se aproximar em sua fantasia de Super-
Man à paisana, ou seja, Clark Kent, porém sua presença se torna
imediatamente desagradável quando Allyson o recebe com um selinho e
um abraço cheio de intimidade.
Que porra é essa?
Fito meu melhor amigo com raiva, e ele me olha confuso. Alternando
meus olhos entre ambos, pergunto rudemente:
― Vocês estão juntos?
Brandon tem a coragem de sorrir largo ao responder:
― Cara, somos...
Porém Allyson rapidamente interrompe-o:
― Somos amigos com benefícios. Coisa recente, de um dia. ― Pisca.
Encaro Brandon com fúria, mas ele não percebe, pois está olhando
embasbacado em direção a Allyson.
Estou colérico com ele. Sou seu melhor amigo, e ele nunca me contou
que estava com alguém. Sei que estamos sem nos falar há alguns dias, mas
porra! Somos amigos de longa data, cacete! Não perdoo esse puto, ele está
pegando a MINHA mulher!
― Sean, eu...
― Vamos entrar, Brandon? A festa tem um ótimo serviço de buffet ―
Allyson se intromete mais uma vez, praticamente empurrando meu ex-
melhor amigo para dentro do salão. Brandon se deixa levar mesmo
parecendo receoso.
Antes que ela possa escapar com ele, seguro-a pelo cotovelo.
― Logo estarei com você ― fala ela para Brandon, que dá de ombros e
segue caminho.
Ranjo os dentes. Esse filho da puta me paga!
― Você está com ele? ― indago possesso.
Sorrindo de lado, ela me responde:
― Não ouviu antes? Estamos em uma de amigos com benefícios.
O ciúme me faz rude, e seguro com mais força seu cotovelo. Ela não
reclama.
― Por quê? ― volto a indagar.
― Como por quê? ― pergunta, fitando-me insolente. Petulante,
prossegue: ― Sei que não gosta da fruta, mas caramba, olha para ele! ―
Aponta em direção a Brandon, que beberica de uma taça de espumante. ―
Ele é uma delícia! ― ela exclama maliciosamente.
Rosno com ciúme.
Sorrindo e com voz falsamente doce, ela alerta:
― Chefinho, melhor voltarmos a dar atenção aos convidados. ― Inclina
a cabeça em direção ao casal que acaba de chegar.
Lanço-lhe um olhar cheio de promessas de que essa conversa está
longe de concluída, então me movo mecanicamente para recepcionar o
casal referido. Guardo a fúria dentro de mim para expô-la em uma ocasião
mais propícia.
Quando todos os convidados já estão curtindo a festa, nos
misturamos. O jantar é servido no horário estipulado, e observo Allyson ser
agradável demais com Brandon.
A festa não está acontecendo como planejei, e me sinto frustrado. No
entanto disfarço para minha mãe, que está se comportando como uma lady
sentada ao meu lado. Tento saborear o risoto de camarão, mas meus olhos
não se desviam de Allyson. Sorrio pretencioso. Uma maldita ideia martela
em minha mente. Ela é insana, mas viável. Logo depois dos parabéns,
colocá-la-ei em prática. Que Brandon se dane, mas preciso ter essa mulher,
ou ficarei louco!
Uma hora após o jantar, os convidados se juntam para cantar os
parabéns. O enorme bolo é colocado à minha frente. Cantamos
animadamente os parabéns e apago as velas.
O tempo todo estou de olho em Allyson. Ela também está de olho em
mim. Instigando-me, lança um beijo em minha direção. Através da pouca
distância, posso ler seus lábios perfeitamente quando os move:
― Parabéns, chefinho.
Provocadora, sua hora vai chegar!
Dou atenção aos convidados que me felicitam e recebo os parabéns de
minha mãe com um forte abraço. Logo depois os fogos de artifícios
explodem quando começa a apresentação pirotécnica nos jardins. Todos os
convidados se dirigem para acompanhar o espetáculo. Sorrio. Ótimo! É a
hora perfeita, maquino.
Caminho devagar por entre os convidados, procurando minha presa.
Sem dificuldade encontro-a ao lado de Brandon, admirando a queima de
fogos. Aproximo-me furtiva e rapidamente dela e a afasto de Brandon.
Allyson não tem tempo de esboçar qualquer reação, pois silencio sua
boca com a mão. Ela tampouco esperneia ou se assusta com a minha
atitude, o que facilita minha ação. Sem demora a prendo em meus braços e
a levo em direção às escadas para o segundo andar, em direção ao meu
quarto.
NUNCA PENSEI QUE SER SEQUESTRADA seria tão excitante! Não sou
nenhuma louca que sofre de Síndrome de Estocolmo, é que meu
sequestrador é meu chefe tatuado delícia, que vem me torturando a
calcinha há um tempo, então não é ruim ser levada por ele. Muito pelo
contrário.
Não nego que o aticei além do limite, mas precisava atingi-lo de uma
vez por todas. Sei que vou arcar com as consequências e estou longe de
fugir do meu destino. Ou melhor, do tatuado gostoso. Não hoje, pelo menos.
Então não esbocei nenhuma reação quando ele me abordou de forma
furtiva. Acho até que o surpreendi agindo passivamente ao seu sequestro.
Se ele quer uma conversa em particular, eu lhe concederei tal honraria
de muito bom grado. Se bem que eu espero muito mais que uma mera
conversa. Sorrio de lado ao ser levada por ele em direção às escadas. Suas
mãos são firmes em minha cintura e boca, não me dando chance de
escapatória.
Tolinho, e quem é que quer escapar? Eu mesma não!, penso cínica.
Entretanto Sean não sabe, então jogarei um pouco mais. Os fogos
explodem lá fora enquanto ele, sem dificuldade, arrasta-me pelo amplo
corredor. Não
rapidamente meme
puxasolta para poder
para dentro fechar
do quarto a porta maciça, quando
escuro.
A luz é acionada por sua voz potente, e pisco diante da claridade
repentina. Foco meus olhos em sua figura, acostumando-me com a
claridade, então observo o ambiente ao nosso redor. Lugar bem legal,
luxuoso e másculo, igualmente ao seu dono.
― Terminou a inspeção? ― indaga frio.
― Seu quarto é legal, quem o decorou? ― pergunto com verdadeira
curiosidade.
― Não sei. Não me interessa ― responde seco.
― Okay... ― murmuro, entendendo o recado. “Nada de perguntas de
distração”.
Ele está a poucos passos de mim, encostado à porta. Fita-me com os
olhos semicerrados. Parece muito, muito puto.
― Sempre sequestra seus convidados? ― insinuo, na tentativa de
desanuviar o ambiente, e seus olhos brilham com algo que não posso
identificar, mas que me faz arrepiar dos pés à cabeça.
Sean retira sua máscara e a joga no chão. Coloca as mãos nos bolsos, e
meus olhos correm em direção ao visível volume de sua ereção na calça
justa. Outro arrepio me acomete. Ele está lindo de morrer. Ele é lindo de
morrer sempre. Parece um deus vampiro em sua fantasia.
Oh, Nossa Senhora das Bitches Excitadas! Lá vou eu molhar minha
calcinha.
Sua voz é cortante:
― Não gosto de hipocrisia, Senhorita Jordan.
Finjo não perceber seu tom acusatório e falo:
― Desculpe, mas não sei a que hipocrisia se refere.
Sorrio de forma cínica.
― Acha mesmo que pode me dobrar? Que pode manipular-me com
essa sua faceta falsa de inocência? ― pergunta prepotente.
Seus olhos estão crispados em mim, não deixando nenhuma de
minhas reações passar despercebida.
Não posso entregar meu jogo, não tão fácil. Trato de responder com
falsa doçura:
― Não sei do que chefinho está falando.
― É claro que sabe! ― Ele ri irônico e caminha em minha direção.
Tremo, mas fico quieta quando ele toca meu queixo e me obriga a fitá-
lo diretamente nos olhos. Sua voz é profunda ao confessar:
― Estou farto de jogos, Allyson.
Seu polegar roça em meu lábio inferior com lentidão. Sinto sua outra
mão em minha cintura, puxando-me para ele. Sei o que está tramando e
rezo em silêncio para que ele me beije de uma vez. Estou morrendo para
sentir seu gosto novamente, mas ainda tenho um papel a desempenhar.
― Atreva-se a me tocar, e eu juro que o farei se arrepender! ― ameaço
falsamente, meu coração batendo louco.
Ele suspira exasperado e me segura pelos ombros. Tem um ar febril,
selvagem. Sua voz soa rouca ao me acusar:

― hora
que na Fingida! ― Seu sorriso
de silenciar torto
essa boca é sedutor ao completar: ― Está mais
mentirosa.
No instante seguinte ferozmente os lábios masculinos se apossam dos
meus. Estremeço, mas não correspondo a sua paixão de início. Quero me
render, porém me faço de forte e tento não o beijar de volta.
― Pare de brincar, sei que você também quer! ― diz áspero, forçando-
me a correspondê-lo.
Ele está certo, bitch, chega de brincadeiras. Agarra logo esse homem!

Então
inferior, o ataco. Sugo
arrancando a pontadele.
um gemido de sua língua
Minhas e mordisco
mãos passeiam seu
pelolábio
seu
cabelo liso e levemente comprido e param em sua nuca. Aperto-a com
força, aprofundando o beijo.
De repente não sinto o chão debaixo de meus pés. Minha barriga se
agita com o crescente frisson de desejo que se alastra por meu corpo
quando sou deitada em lençóis de seda. Sinto o peso do corpo de Sean
sobre o meu, e suas mãos fortes me apertam contra ele, moldando nossas
formas, enquanto o beijo fica ainda mais intenso, as línguas se
entrelaçando. Posso sentir sua ereção acomodada perfeitamente entre
minhas pernas.
Não sei dizer como e onde foram parar as peças da parte de cima de
minha fantasia. Sou um nervo pulsante de desejo, que geme coisas sem
nexo enquanto a boca masculina degusta dos meus peitos. Sean solta
grunhidos selvagens ao me sugar os seios. Arqueio-me em direção à boca
quente. Ele morde o bico de um de meus peitos e brinca com o outro,
beliscando-o com força, pressionando meu corpo contra sua ereção.
Eu sempre soube que, quando ele me tocasse, eu pegaria fogo, porém
não esperava
músculos entreme derreter
minhas mãos,dessa forma.
lamber Eu quero
o tórax definidotocá-lo,
e todassentir os
aquelas
malditas tatuagens que não saem da minha cabeça.
É com alívio que sinto seus músculos nus disponíveis a meu toque
quando ele se livra da capa e da camisa, agilmente retornando para mim.
Aperto os bíceps com força avaliativa. Marco as costas largas com minhas
unhas e lambo as tatuagens em seu pescoço com loucura. Seus músculos
não exagerados me levam ao êxtase da paixão. Ele é gostoso demais!
A mão máscula trabalha em sua braguilha sem deixar de me tocar.
Com a mão livre, ele toca meu sexo por entre o tecido da malha de minha
fantasia e da minha fina calcinha. Vejo estrelas.
Estou louca para prová-lo, sentir o gosto de seu sexo em minha língua,
mas viro uma refém de sua experiência sexual.
― Diabos, como está molhada, Allyson! ― ele rosna. ― Mesmo assim,
sentirá muita dor quando eu enterrar meu pau até o talo em você! ― diz
malicioso, masturbando-me com seus longos dedos.
Gemo longamente diante a invasão deliciosa e suas palavras sujas.

Então
merda!um estalo
Tenho em que
mesmo minha mente
dizer mevirgem?
que sou lembra de algo importante. Oh,
― Preciso te confessar... ― tento dizer, mas ele me corta.
― Não quero saber quantos amigos com benefícios você tem ou já
teve! Quero você, você me quer, e isso para mim é o bastante, porém
quando eu te tocar, você é minha!
― Mas... Eu...
Sou interrompida mais uma vez pela voz autoritária:

― Você fala demais!


Então, como em um passe de mágica, o que resta de minha fantasia e
calcinha está espalhado pelo chão. Sua boca devasta meu sexo
possessivamente.
Estou tão excitada que alcanço o clímax rápido. Meu ventre treme e
meu orgasmo escorre com abundância diretamente para a boca de Sean,
que fortemente me chupa, limpando-me. Agarro com violência o lençol. Não
estou certa, mas pela secura e dor na garganta, grito desesperadamente.
Sinto meu corpo superaquecido e necessitado novamente quando o
corpo masculino se coloca sobre o meu mais uma vez. Sean está se
preparando para me possuir. Abro meus olhos pesados ainda do prazer
recente e o observo começar a descer a calça.
Então ouço gritos e uma batida forte na porta. Sean para com a mão na
bainha da calça e olha para trás com a testa franzida.
― Mas que porra está acontecendo?! ― ele exclama, saindo de cima de
mim.
Mesmo atordoada, trato de me cobrir com o lençol assim que percebo
que algo errado está acontecendo.
― Senhor McGregor! Senhor McGregor! É urgente! ― informa uma voz
masculina desconhecida para mim.
― O que houve? ― pergunta Sean, abrindo a porta sem se importar em
fechar a braguilha na frente do homem que nos interrompeu.
O homem desconhecido veste um terno escuro e tem uma espécie de
fone no ouvido direito. Está claro que é um segurança. Encolho-me na
cama, fugindo do olhar que o homem lança para mim.

porta.Sean, percebendo
É assim quetodo
que escuto estáome expondo,
tenso sai do quarto, mas não fecha a
diálogo:
― Senhor... É... S-seu pai está causando a maior agitação, nós não
sabemos como contê-lo sem machucá-lo ― o homem gagueja.
― O que ele fez? Que gritos foram esses? ― pergunta Sean com voz
rude.
― Sua mãe, senhor. Ela o viu e o atacou ― informa o segurança.
― Diabos! Onde ela está? ― A voz de Sean soa preocupada.
― Não sabemos, senhor. Norah está desesperada, procurando-a.
Sean grita possesso:
― Como não sabem?
― Nós... procuramos por toda a casa e... não a encontramos.
― Bando de incompetentes!
― O que... faremos? O... Senhor Benjamin disse que não vai embora
sem antes falar com o senhor.
― Não percam tempo com aquele verme! A prioridade é minha mãe!
Voltem a procurar por ela imediatamente! Se algo acontecer a ela, eu mato
todos vocês!
― Sim... senhor.
Sean volta ao quarto parecendo um furacão. Ele veste a camisa sem
me dirigir um único olhar e parece transtornado. Mexo-me desconfortável
na cama, estou incrédula diante dos acontecimentos. Acho que fiz algum
som, pois ele me fita seriamente. Sean vinca a testa e fica a me olhar
confuso. Parece em dilema. Entendendo a situação, ergo-me pronta para
vestir minhas roupas e cair fora.
― Então vou indo ― digo, passando por ele para recolher minha
fantasia, que está espalhada por todo o quarto.
― Espere! ― Ele me impede de fazer o que pretendo me segurando o
braço.
― Esperar o quê? ― pergunto séria.
― Nós precisamos conversar ― ele diz em tom grave.

― Acho que a hora não é propícia, não é mesmo? ― respondo dura.


― Não precisa ir embora. Espere-me aqui. ― Seu tom é baixo.
― Não posso ― respondo e fujo do seu olhar intenso.
― Está fugindo novamente? ― pergunta ele, segurando meu rosto.
― Só acho que não há mais clima, Sean ― respondo frustrada.
Sean rosna e retruca irado:
― Quer dizer para mim? Porra!

― Não levante a voz comigo! ― peço rude.


Não sei o que está acontecendo comigo. Não quero agir como uma
cadela marrenta, não agora, mas a frustração me deixa nervosa. Sean
segura meus ombros.
― Falei sério, Allyson. Chega de truques, chega de jogos. Você agora é
só minha ― diz autoritariamente ― e gostaria que me esperasse aqui.
― Não sou de ninguém, Sean.
Tento me livrar de seu aperto, mas ele aumenta a pressão em meus
ombros, a voz determinada ao me desafiar:
― Isso é o que vamos ver.
Desvencilho-me com dificuldade e começo a resgatar minhas roupas.
Pergunto sem fitá-lo:
― Onde posso me trocar?
― Falso pudor agora? Depois que a vi nua? ― diz ele arrogante.
Oh, bitch, ele não sabe com quem está lidando. Como desafio, deixo o
lençol cair e, diante dos olhos gulosos dele, visto-me. Vejo quando sua
garganta se mexe ao engolir com dificuldade a saliva. Seus olhos brilham de
desejo, mas também de apreensão. Sean parece em conflito com o que quer
e o que deve fazer.
Ele se aproxima, e meu coração volta a bater acelerado. Ele inclina a
cabeça em minha direção e me rouba um beijo duro e rápido, saindo sem
dizer mais nada.
Sento-me na cama e suspiro pesadamente, pensando no que me levou
a essa enrascada. Quando bolei a sedução e até envolvi meu primo nela, não
achei que eu sairia queimada. Confiei que não desejaria mais, mas me
enganei. Estou um caco emocional. Quero Sean, mas não quero desejá-lo.
Que merda! Quero ser dele, mas não quero amá-lo. Não quero esse vínculo
com ninguém. Nem sei o que é estar apaixonada, amar alguém.
Saio do quarto, caminhando em direção às escadas. Tudo está
silencioso, no lugar. Acho que os convidados se foram depois de todo o
rebuliço. Perto do grande salão, ouço a voz alterada de Sean.
Ele discute seriamente com alguém. Penso em mudar minha rota, mas
as vozes exaltadas me deixam curiosa. Então com cuidado me esgueiro pela
parede e espio. Sean discute com um homem mais velho que parece ser sua
réplica, os mesmos traços do rosto, a cor de cabelo, a mesma postura rígida,
formal, mas ele é mais baixo e tem uma expressão pedante, além de irada.
Veste-se com um terno azul bem talhado e caro. Paro de avaliar o homem
ao ouvir a voz raivosa de Sean:
― Deixei claro que estava proibido de entrar! Por que veio, porra?!
― Olha como fala comigo! Sou seu pai! Tenho todo o direito de
frequentar a sua casa e vir a sua festa de aniversário! ― o mais velho
devolve, também em tom raivoso.

Uau! É o pai dele? Que babado!


― O senhor tem direito a porra nenhuma! Suma daqui!
― Está me expulsando?
― Se não sair por livre e espontânea vontade, eu mesmo o coloco
porta a fora! ― alerta Sean, apontando para a grande porta.
― Seu filho desnaturado! ― grita o homem.
― Suma da minha frente e reze para que eu encontre a minha mãe, ou
o senhor vai se ver comigo!
O pai de Sean fita-o de boca aberta por vários instantes antes de fechá-
la e sair sem olhar para trás. Sean encolhe os ombros e coloca a mão na
cabeça. Ele parece mal.
Tadinho do tatuado. Sinto vontade de abraçá-lo, e quando dou por
mim estou caminhando em sua direção, quando a voz de Deanne me faz
voltar ao meu esconderijo.
― Alguma notícia da Stephanie? ― pergunta preocupada.
― Não. ― A resposta de Sean é curta e gélida.
― Sinto muito ― ela murmura com voz sentida.
― Vá para casa, Deanne. ― Sua resposta é desprovida de emoção.
― Se precisar de algo, sabe onde me encontrar ― Deanne se oferece.
Ele não lhe responde, na verdade Sean nem dá atenção à loira,
simplesmente a deixa falando sozinha ao sair do salão.
Observo a expressão dela mudar de complacente para irada num
piscar de olhos. Uau! A sonsa tem duas caras, tomo nota. Quando a vaca se
vai, saio do meu esconderijo. Está tarde, melhor ir para casa. Penso em
pegar uma carona com Brandon, mas com certeza ele já deve ter ido, o que
me livra de seu interrogatório sobre a farsa de amigos com benefícios.
Suspiro. Que ideia de merda, mas é o eu que tinha para hoje, e foi muito
eficaz.
Deixo a mansão após passar pela segurança e ter acesso ao portão
principal. Caminho pelas ruas de Coconut Grove, que sem dúvidas é um dos
bairros mais caros da cidade. As ruas são lindamente arborizadas e, entre
uma esquina e outra, há lojas, bares e restaurantes transados. Estou
adorando
algum pontoo bairro,
de táxiéechique e despojado.
faço bico. Procuro um hein,
Putz, que inteligência, pontoAlly?
de ônibus ou
Esquecer
logo a bolsa com celular e dinheiro em casa? Santa paciência!
Bufo para mais uma cantada esdrúxula que recebo, pensei que em
bairro de gente rica ninguém ficava na rua, mas me enganei. Tremo pelo
frio filho da puta que parece entrar em meus ossos. Merda! Por que não
pedi uma carona para algum daqueles seguranças?, questiono-me,
continuando a andar. Não sei onde estou, só sei que é longe da mansão.
Olho em todas as direções, tentando me situar, quando noto uma senhora

encolhida ao meio-fio.
outras a olham, mas nãoAlgumas pessoas
se atrevem a sepassam por ela
aproximar. Seue vestido
fingem não
está vê-la,
sujo,
mas é de boa qualidade. Olho-a desconfiada. Será uma fantasia? Não faço a
menor ideia. Suas mãos estão sujas também, e seu rosto, banhado em
lágrimas. Ela murmura coisas sem nexo e parece perdida. Analiso-a bem.
Ela tem um ar inofensivo, até mesmo puro. Tomo coragem e me aproximo
com cuidado. Agacho-me com movimentos calmos a sua frente. Ela se
afasta.
― Sai! Sai de perto de mim!

Ela está muito


Fico apreensiva. Vaiassustada. Parece
que ela seja ter algum
violenta tipo de Porém
e me ataque? distúrbio também.
logo relaxo
quando fito seus olhos azuis, que são tão doces, apesar de tristes, além de
me serem tão familiares... Algo nessa mulher me faz querer ajudá-la, faz-me
querer cuidar dela, o que é estranho para caramba, no mínimo!
― Não vou machucá-la, talvez possa ajudá-la ― digo calmamente.
― Me deixa! ― Ela volta a se afastar.
― A senhora está perdida? ― insisto.

Ela está trêmula, acho que de frio.


― Está com frio? ― indago, tocando seus braços.
Ela se afasta, mas responde:
― Sim. Muito frio!
― Não tenho nenhum casaco ou cobertor, mas, se me deixar ajudá-la,
posso providenciar algo que a aqueça ― ofereço esperançosa, esperando
sua aceitação. Está ficando tarde, e estou com medo de algum malfeitor
aparecer.
― Quero ir para casa ― ela diz de repente.
― Se lembra de onde mora? ― indago, fitando-a com mais atenção. Ela
é muito bonita. Linda mesmo. Parece-me mais familiar a cada instante em
que a observo mais. Ofego com o estalo em minha mente.
― Não, não lembro ― responde triste, fitando o nada.
― Lembra seu nome? ― volto a perguntar, em alerta.
― Stephanie! ― diz, torcendo as mãos nervosamente.
Meus olhos se arregalam. Cacetada! É muito coincidência! Mas será
possível?
― Oh, meu Deus! A senhora é mãe do Sean? ― exclamo aturdida, meu
coração a mil.
― Sean! Sim, meu filho! ― confirma enérgica.
Ai, meu Deus! Ai, meu Deus! O que faço agora? Como assim, bitch?
Devolve a mãe do tatuado para ele! É exatamente o que farei, com ajuda da
parte dela, é claro.
― A senhora quer voltar para ele? Para seu filho? ― pergunto ansiosa.
― Sim! ― responde rápido, fitando meu rosto pela primeira vez, e seu
ato a seguir é bem inesperado. Ela acaricia meu rosto com muita suavidade
e sorri.
Minha voz é um sussurro quando volto a oferecer:
― Posso levá-la até ele, se a senhora quiser.
― Quero! Quero agora! ― diz se erguendo e me puxando consigo.
Ela é bem forte. Abraço-a pela cintura para me equilibrar e
começamos a caminhar em direção à mansão de Sean. Alguns bons minutos
depois, paramos em frente ao enorme portão. Não me dou ao trabalho de
pedir pelo interfone permissão para entrar, pois as câmeras de segurança
nos anunciarão. Em questão de segundos os seguranças abrem o portão.
Entro com Stephanie, e somos rodeadas por uns dez seguranças.
Stephanie se agarra a mim e esconde o rosto em meu pescoço. Abraço-
a com carinho e tento acalmá-la murmurando palavras de conforto, pois ela
está com medo. Um dos “homens de preto” avisa Sean pelo ponto e minutos
depois ele aparece ladrando ordens a torto e a direito.
― Saiam da minha frente, porra!
Os seguranças obedecem prontamente, voltando para seus postos.
Sean arfa ao ver o estado da mãe. Ele a tira dos meus braços, apertando-a
nos seus. Sua face demostra um grande alívio e outra emoção que nunca vi
antes. Afasto meus olhos deles, uma vez que é um momento familiar e eu
não deveria estar ali.
― A senhora está bem? ― ele pergunta a ela com voz preocupada,
analisando-a dos pés à cabeça.
― Estou com raiva de você! ― Stephanie diz do nada, fazendo birra, e
volta para meus braços.
― De mim? ― indaga Sean visivelmente perturbado.
― Você deixou aquele homem entrar! ― acusa Stephanie.
― Não, mãe, eu...
Stephanie tapa os ouvidos e passa a cantar uma música infantil,
fazendo Sean se calar. Vendo o impasse, resolvo interferir. Seguro a mão
dela e sugiro suavemente:
― Stephanie, que tal entrarmos e nos aquecermos com uma boa xícara
de chocolate quente?
― Adoro chocolate quente! Vamos! ― ela diz feliz e aponta em direção
à mansão.
― Tudo bem ― concordo, sorrindo de lado. Ela segue adiante sem
esperar que a acompanhemos. Parece uma criança mimada.
― Allyson? ― Sean me segura pelo meu braço.
― Sim? ― indago, fitando sua mão e depois o seu rosto.
― Obrigado ― diz meio sem jeito, mas sincero.
Respondo arteira:
― Não por isso, chefinho, mas terá que pedir ao seu motorista para me
levar para casa. Está tarde.
― Você não vai voltar para casa, Allyson. Você vai dormir aqui.
Comigo.

comoSou pega de arrasta-me


aceitação, surpresa pela suadentro
para ousadia.daSean, tomando
mansão. meuque
Parece silêncio
esse
homem adora me arrastar por aí. Sorrio ironicamente.
ESTOU SENTADA NO SOFÁ DA espaçosa sala de estar, tomando um
delicioso chocolate quente. Antes presenciei alguns empregados passarem
por nós, admirados com a forma íntima como Sean está me tratando e com
a maneira como Stephanie está se comportando. Ele está me segurando
firmemente perto de si, mas Stephanie logo me requisita somente para ela.
Depois do medicamento que uma enfermeira corpulenta lhe deu, ela está
mais calma.
Stephanie exigiu que eu segurasse sua mão enquanto engolia os
comprimidos, e eu a apertei de boa. Logo depois exigiu ao filho que
mandasse a mulher embora, e a mesma prontamente se retirou quando ele
mandou. Então Sean chamou por uma empregada que estava encolhida em
um canto da sala observando tudo que se passava e lhe ordenou a preparar
os chocolates quentes. E estamos aqui.
Stephanie está ao meu lado e sorri para mim docemente entre um gole
e outro da bebida fumegante. Ela parece uma criança inofensiva em seu
pijama de Os Ursinhos Carinhosos que eu a ajudei a vestir depois do banho.
Quando entrei no quarto da Steph para ajudá-la com sua higiene,
admirei-me pela decoração com conteúdo infantil. O quarto é lindo, em
tons suaves de rosa claro, bege e branco. Há prateleiras com exemplares de
vários clássico infantis. Ela recusou a ajuda do filho e da tal de Norah e me
deixou banhá-la como se me conhecesse a vida toda. Fiquei sem ação no
início, mas logo depois uma onda de ternura me inundou, e tentei fazer o
meu melhor ao cuidar dela.
Devolvo-lhe o sorriso, acomodando-me mais confortavelmente no
sofá. Estou vestida com uma camisa de flanela que roubei de Sean. A ideia
foi da Steph. Sim, eu agora estou chamando a Stephanie de Steph. Ela me
fez voltar ao quarto do filho e escolher uma camiseta no enorme closet, já
que suas roupas não me serviram, por eu ser mais voluptuosa.
E diante de um Sean atônito, invadimos os aposentos dele e deixamos
tudo a maior zorra. Ainda visto o short da fantasia, porém sem a calcinha, e
meu cabelo está preso em um coque frouxo.
Steph cismou que seu filho é meu namorado. Pois é, ela entrou numa
de querer me juntar com o filho desde que o viu me segurar junto a ele
quando entramos na mansão. Ela ficou radiante com a ideia de um romance
entre nós dois.
Que confusão! E agora, meu adorado chefinho e eu estamos
encenando que somos um casal para que a Steph permaneça calma. É meio
cômico ver a expressão de Sean. Ele parece totalmente desconfortável
sentado no sofá em frente a mim e sua mãe, ainda vestido com o que
sobrou de sua fantasia.
Ele fita a mãe com um olhar complacente, do tipo que se dá a uma
criança levada. Se minha gargalhada não fosse assustar a Steph, eu riria
bem alto. Nunca estive em uma situação tão engraçada. Enquanto analiso,
tomo mais um gole do meu chocolate.
Jamais pensei em ver Sean pisando em ovos, todo cheio de dedos.

Estou me depois
Sean está divertindo à beça,
da briga porém
feia com também
o pai preocupada
e do susto de quasecom ele.aComo
perder mãe?
Queria perguntar para ele como se sente – com certeza um desastre –, mas
não devo me meter aonde não sou chamada. Não sou sua amiga.
Olho várias vezes em direção ao telefone em uma mesinha perto de
mim. Talvez devesse ligar para meu primo. Brandon e Sean são melhores
amigos. Quem sabe se ele desabafar se sentirá melhor?
A voz de Steph me tira dos meus pensamentos.
― Você vai dormir com meu filho.
― Como é? ― pergunto aturdida, meus olhos vagando entre o rosto de
Sean e o dela.
― Vocês estão juntos; dormem juntos ― ela diz, fitando-me sorridente.
Que lógica perfeita!, penso, engolindo em seco ao ver um sorriso
pretensioso surgir na face de Sean.
― A senhora está certa ― anui ele, encarando-me.
― Eu sei! ― Steph concorda feliz.
― Acho melhor eu dormir em um quarto de hóspedes. ― Fito Sean
com uma sobrancelha arqueada em desafio. ― Tem um quarto de hóspedes,
não é, chefinho?
― Logicamente, mas não vou contrariar a minha mãe. Sou um bom
filho. ― responde com um sorriso zombeteiro.
Ele realmente é um bom filho. Ele é um tremendo oportunista filho da
mãe!
― Sean é um bom filho ― ressalta Steph, sorrindo agora para ele.
Tadinha, nem suspeita que esteja ajudando o safado do filho a me
encurralar. Não que eu ache ruim ficar a sós com meu adorável chefinho,
mas estranhamente estou ciente de que dessa vez não tenho escapatória.
Ops! Quero escapar? Lógico que não! Quero desesperadamente esse
homem. É a realidade nua e crua. Só tem um pequeno probleminha. Minha
virgindade. Tenho certeza de que ele não vai reagir bem quando descobri-
la. Suspiro e tento persuadir Steph.
― A senhora bem que podia dizer para o seu bom filho ali que eu
posso muito bem dormir em um dos quartos de hóspedes.
― Não! Você vai dormir com ele! ― ela diz, alterando-se.
Santo Deus!, exclamo em mente. Um murmúrio de conformismo sai
por entre meus lábios:
― OK.
Depois do chocolate e sem a ajuda de Sean, levo Steph até seu quarto.
Ela escova os dentes e se deita. Pede-me para eu ler e me aconselha a
escolher o clássico Chapeuzinho Vermelho. Sorrio de canto, pois me sinto a
própria Chapeuzinho, prestes a ser devorada pelo Lobo Mau e Tatuado. E
que Lobo Mau!, penso maliciosa. Controle-se, sua pervertida!
Concentro-me em ler e, antes de concluir a leitura, Steph já está no
mundo dos sonhos. Fecho o livro e o coloco no criado-mudo. Ergo-me
lentamente para não acordá-la. Estou saindo em direção ao corredor,
quando sinto uma mão forte me segurar pela cintura.
― Agora é minha vez de ser cuidadoso com você ― a voz de veludo
sussurra ao meu ouvido. Arrepio-me.
― O chefinho está carente? ― provoco.

― Muitíssimo!
pescoço, deixando-me―excitada.
responde,
Seanroçando a barba
me aperta por
o corpo, fazer emsentir
fazendo-me meu
sua ereção em minhas costas. A voz profunda soa abafada enquanto ele
alterna beijos suaves em meu pescoço:
― Há alguém que necessita muito da sua atenção. Na verdade, ele está
reclamando sua atenção desde que a conheceu.
Oh, bitch, morri e fui ao paraíso!
Sou levada por ele até seu quarto. Sean fecha a porta, trancando-nos, e
sem cerimônia toma-me em seus braços. Correspondo ao seu beijo sem
truques dessa vez, apenas sentindo o prazer de me deixar levar, porém
meus pensamentos estão em conflito.
Devo dizer que sou virgem? Mas cadê a coragem? Além do mais, quero
muito estar com ele. Trabalhei muito para chegar a esse momento e não
posso estragar tudo revelando que sou virgem, mas também devo deixar
algumas coisas em pratos limpos. Ele tem que saber que teremos uma
transa fabulosa, mas que nada mudará entre nós. Nada mesmo.
― Preciso deixar algo claro, chefinho ― começo, tentando me afastar
dele.
― Agora? ― indaga, mordendo meu lábio inferior, lambendo-o em
seguida. Arfo, mas consigo responder:
― Tem que ser agora
― Que mulher mais escorregadia ― diz, desabotoando a minha camisa
e a deixando cair aos nossos pés. As mãos ágeis me distraem um pouco; no
entanto, logo volto a dizer:
― Escute-me, quero deixar bem claro minhas condições.

sutiã,―manipulando
Condições? ―os
pergunta, acariciando
bicos duros meus peitos,Tremo
com experiência. já que excitada
estou seme
murmuro:
― Sim.
― Mais jogos, Allyson? ― volta a perguntar, porém sem deixar de tocar
meu corpo. Suas mãos agora brincam com o elástico de meu short.
Em um só fôlego, eu digo:
― Quero que saiba que estou a caminho de sua cama, mas nada muda.
Ele me encara com a testa franzida.
― Não estou te acompanhando, Allyson.
Suspiro, sentindo meus seios serem apertados sensualmente por ele.
Tento ser o mais sincera possível.
― Nossa relação em nada mudará. Nada do papo de mais cedo de, tipo,
eu ser somente sua.
Ele me encara firme e indaga:
― Você está me propondo uma transa despreocupada?
― Exatamente isso ― respondo prontamente, louca para me render às
sensações que seus dedos longos me provocam.
― Compreendo ― diz em voz baixa. Seus olhos brilham com
intensidade.
― É pegar ou largar ― intimo, meu fôlego curto me traindo. Estou
ansiosa pela sua resposta, meu coração está na boca.
― Esplêndido! ― exclama ele com um sorriso torto.

― Ótimo! ― É minha vez de exclamar de alívio.


― Agora será que posso te foder? ― indaga com voz rouca.
― Deve! ― incentivo sem fôlego.
Então Sean me devora a boca em um beijo faminto. Suas mãos
parecem tentáculos, estão por todos os cantos do meu corpo.
Não estou passiva. Longe disso! Arranho seu peitoral por baixo da
camisa social, e minhas longas unhas fazem Sean gemer. Ele me pega nos
braços e me joga de forma nada gentil na cama. Aproxima o rosto e me
beija, sua língua se enroscando na minha em um beijo lascivo enquanto ele
retira sua camisa e a joga no chão. Já estou parcialmente nua e me arqueio
em sua direção.
Ele deixa minha boca e passa a me lamber os peitos, juntando-os para
poder dar atenção aos dois ao mesmo tempo. Contorço-me e gemo sem
parar. Sean se afasta novamente, agora apenas para retirar a calça, ficando
apenas de boxer preta. Volta para mim rapidamente, então em segundos se
livra do que resta de minhas roupas.
Grito ao sentir a língua macia e quente degustar meu sexo latejante.
Gozo pela prazer.
todo meu segunda vez essa
Estou noite
trêmula em sua
quando eleboca,
cobree meu
maiscorpo
uma vez
comSean
o seu,bebe
um
sorrisinho sacana nos lábios. Ele está pensando que apenas ele pode
brincar? Está muito enganado. Digo travessa:
― Dois podem jogar esse jogo, chefinho.
Ele me encara com um sorriso de lado quando entende minha ideia.
Fico de joelhos na cama.
― Agora é minha vez ― volto a dizer, tocando seus ombros e o fazendo
deitar.
Abaixo-me lentamente em direção ao seu corpo sem desviar meus
olhos do seu rosto. Minhas mãos vagam livremente pelo corpo musculoso.
Minha língua desliza pelo abdômen definido, passando pelas tatuagens,
subindo para os peitorais firmes, lambendo as tatuagens de lá também.
Ele solta um gemido ao ter os mamilos mordiscados suavemente.
Volto a lamber seu tórax e a tatuagem tribal que corta a lateral dele. Minha
boca trabalha nos músculos do abdômen tanquinho, lambendo os traços do
desenho das tatuagens lentamente, lambendo os gomos, que se contraem
quando minha língua toca sua pele quente.
Minha mão vai a sua boxer e, com sua permissão, retiro-a. Engulo com
dificuldade ao ver seu tamanho quando seu pau salta livre a poucos
centímetros da minha face. Meu rosto esquenta ao analisar. Ele vai acabar
comigo! E por todas as Nossas Senhoras Protetoras das Bitches a Ponto de
Perder a Virgindade, eu espero por esse momento com ansiedade. Todavia
agora lhe darei o mesmo prazer que ele me proporcionou no sexo oral.
Primeiro acaricio seu comprimento com estudada calma, sentindo a maciez
da carne tensa, rija. Masturbo-o devagar, apreciando seus gemidos e a
sensação
fixo meus de poder,
olhos mas vermelho
no rosto minha boca salivae de
de Sean vontade de tomá-lo, então
o abocanho.
Tomo o que posso e o que não posso enquanto o acaricio com minhas
mãos. Sean grunhe e ergue os quadris, suas mãos segurando meus cabelos
com força.
― Isso! Gostosa! Assim, chupa mais forte! ― orienta-me, e gratamente
sigo sua orientação. É a primeira vez que faço um oral. Li bastante sobre o
assunto e, de tanto imaginar esse momento, está relativamente sendo fácil
fazê-lo.
Dou atenção as suas bolas, e seu pau cresce ainda mais em minha
boca, quase me fazendo engasgar. Sinto que ele está perto de gozar e
intensifico as minhas carícias, mas antes do fim ele me para. Com voz
grossa e rouca diz:
― Quero gozar dentro de você. Esperei demais para que seja assim.
Venha!
Seu próximo movimento é se colocar por cima de mim mais uma vez.
Separando minhas pernas, ele se aninha entre elas. Sinto seu pau pulsar a
centímetros da minha entrada e fico meio tensa.
Sean está tão alucinado pelo desejo que não percebe. Beija-me de
forma dura, então leva a boca para meu pescoço e morde. Aperta meu seio
esquerdo e ergue uma das minhas pernas, fazendo-a envolver sua cintura, e
então arremete.
Travo o maxilar e mordo meu lábio inferior com força, ao ponto de
sentir o gosto de sangue, na tentativa de abafar qualquer gemido de dor,
mas quando ele me penetra de forma mais profunda, não posso conter meu
grito e estremecimento de dor.

― Mas que porra é essa? ― exclama ele transtornado. Fita-me arfante,


estupefato.
Envolvo minhas pernas em sua cintura e peço:
― Não pare! Por favor!
― Virgem? ― volta a exclamar, incrédulo, sua boca distendida em uma
linha tensa.
Seus olhos estão dilatados e vermelhos. Eles brilham com algo
diferente. Não sei dizer o que significa. Será admiração? Devoção?
― O que você tem contra as virgens? ― tento brincar, mas sua resposta
é rude.
― Nada, pois em meu mundo elas nem existem.
Uau! Engolindo o orgulho, insisto:
― Só continue.
― Minha criança, você somente tem lábia ― retruca, a voz dura e fria
como aço. ― Não vou parar. Não quero.
No momento seguinte ele está me dando prazer novamente, mas sem
se mover dentro de mim. Acaricia-me em pontos especiais com sua boca e
língua mágicas. Meus peitos recebem atenção redobrada, e tento me
remexer sob sua ereção, mas ele me segura firme no lugar. Prende-me com
suas pernas.
― Fique quieta, não quero te machucar ― manda rouco.
― Mas... ― murmuro, contorcendo-me.
― O que você quer, Allyson? ― indaga, fitando-me nos olhos. Neles
vejo o brilho da luxúria, puro e genuíno.
― Que você se mexa. Que você me foda! Por favor! ― exclamo,
retorcendo-me em seus braços.
― Seu desejo é uma ordem... ― rosna.
Sem mais esperar, Sean volta a me penetrar. Gemo sofregamente,
agarrando seus ombros. Sean segura minha perna direita e me penetra
mais profundamente. Sinto um pouco de dor, mas porra! O prazer é tão
absoluto, tão alucinante, que não me importo, pelo contrário, adoro! Anseio
por muito mais.
Meu corpo se arqueia a cada penetração profunda. Sean aumenta a
pressão de acordo com os meus gritos, e quando percebo, estamos em um
ritmo louco. Suados. Arfantes. Ensandecidos. Ele estoca rápido e
profundamente, e meu sexo aperta seu pau com força. Ele murmura coisas
libidinosas ao meu ouvido, deixando-me ainda mais louca de tesão.
― Isso, gostosa! Assim! Me aperta!
Porra! Com mais duas estocadas vigorosas, gozo. Meu ventre treme
em concussão. Grito até sentir minha garganta doer. Tenho certeza de ter
arranhado as costas
fulminante, sinto largas
o corpo até sesangrar.
másculo Ainda
lançar para envolta
o meu no orgasmo
com maior ímpeto.
Os rosnados altos de Sean preenchem o quarto quando ele goza, deixando-
me maravilhada com sua resposta ao prazer.
Olhamos perdidos um para o outro, até Sean desviar os olhos e sair de
dentro de mim com cuidado, mas seu tom é frio ao dizer:
― Temos que conversar.
― Conversar? ― pergunto, confusa com sua súbita atitude fria.
Tudo bem que eu disse que transar não mudaria a nossa forma de
tratamento, mas não esperava ser tratada de forma tão indiferente logo
após a transa.
― Sim ― ele responde sem voltar a me olhar. Ele fita a porta. Parece
perdido em seus pensamentos.
O que está acontecendo?, pergunto-me aflita. Minha mão procura o
lençol amarfanhado depois de vê-lo vestir sua boxer e se erguer.
― Vamos conversar sobre o quê? ― insisto, tentando receber alguma
dica do que vem por aí. Meu coração está estranhamente disparado.
― Sobre você ser uma fraude ― diz ele friamente, encarando-me com
severidade.
Abro e fecho a boca sem produzir som diante de sua frase petulante.
Sem uma resposta à altura, simplesmente me silencio, encarando-o.
É, bitch, pela primeira ele te deixou sem palavras.
PISCAM CONFUSOS OS OLHOS CASTANHO-ESVERDEADOS. A boca
vermelha e inchada de meus beijos se abre várias vezes sem produzir som
algum. Sei que estou sendo rude com Allyson, mas a raiva me compele a
agir defensivamente. Estou me sentindo enganado e muito confuso. Não
estou irritado, estou até muito feliz, excitado, insano e fissurado pelo fato
de ter sido o primeiro homem da provocadora mentirosa. Controlo-me
duramente para não arrancar o lençol sujo do sangue de sua virgindade e a
possuir novamente pelo resto da madrugada. Entretanto estou ressabiado.
Preciso saber o que Allyson está realmente tramando. Nada me tira da
cabeça que ela está me manipulado. Ela é dissimulada o bastante para isso.
Porra! Posso esperar qualquer coisa dela.
Analiso seu rosto corado e surpreso. Qual é sua real motivação? Ela é
algum tipo de caça-fortuna? Ou algo mais perigoso, como uma espiã? Sou
um homem marcado, exposto a qualquer tipo de golpe. Tenho que me
precaver.
Estou em conflito. Ela seria capaz de fingir tão bem a preocupação e a
ternura ao cuidar de minha mãe? Volto a analisar. Meu coração discorda do
meu cérebro. Ele tem certeza que posso confiar em Allyson, que ela é
petulante, mas tem bom coração.
Bem, ela foi muito doce e atenciosa com mamãe, e isso me balançou,
mexeu demais comigo. Igualmente ao fato de ela ser virgem. Porra! Ainda
estou incrédulo. Virgem? Quero ouvir uma boa explicação. Quero saber por
que me escolheu para ser seu primeiro amante.
O homem das cavernas em mim adorou sentir a sensação de romper
seu hímen, de fazê-la minha. Sim! Minha! Só minha! Essa conversa de uma
simples “transa consensual” não tem mais validade para mim. Quero-a, e a
terei. Mesmo ela não aceitando o fato, ela já me pertence. Ela pirou minha
cabeça por me fazer seu primeiro homem.
Sua voz interrompe o fluxo dos meus devaneios.
― Sou uma fraude? ― indaga com voz confusa.
― Você se comporta como uma leviana, quando na verdade você é, era
virgem? Explique-me como isso não soa como uma farsa? ― exijo duro.
― Em primeiro lugar, não sou leviana, em segundo, acho que a opção
de entregar a minha virgindade é algo que somente diz respeito a mim,
então não lhe devo nenhuma satisfação.
― Você acredita mesmo nisso? ― indago cruzando os braços e a
fitando diretamente nos olhos.
― Sim ― afirma, sentando-se.
Os lençóis sujos mal escondem sua nudez gloriosa. Trato de não olhar
para seus seios fartos, mal cobertos pelo tecido. Afasto também meus olhos
das coxas roliças. Não vou me distrair com seus atributos. Basta a ereção
dura e pulsante que ostento, incomodando-me, lembrando-me de como foi
memorável estar dentro dela. Em meu estado lastimável, minha voz soa
ainda mais severa:

― Está equivocada!
― Não, não estou. E, falando sério, também não entendo o porquê da
reação exagerada.
― Cacete, mulher! Você é muito descarada! ― Fito-a incrédulo e
prossigo: ― Quando você vai parar de jogar?
― Não estou jogando! ― Ela se faz de desentendida.
Ela pensa que me embroma com sua cara de santinha do pau oco que
sempre estampa quando mente.
― Pare de mentir! ― exijo friamente.
― Não estou jogando. Agora, pelo menos, não estou ― confessa,
desviando os olhos dos meus.
Não quero perder nosso contato visual em momento algum, então eu
coloco meu joelho na cama e seguro seu queixo, cuidadosamente fazendo-a
fixar seus olhos nos meus novamente. Então mando:
― Diga-me a verdade uma única vez, Allyson. Confesse que arquitetou
me deixar tão louco a ponto de esquecer até da porra da camisinha!
― Hum, bem... Eu... ― ela gagueja. Cala-se e então fala: ― Tenho um
ciclo muito doloroso, então tomo pílula. E estou limpa. Sossegue. ― Dá de
ombros.
― Pelo menos é sensata com algo. ― Meu tom é frio.
Por que me sinto desapontado com a informação?
― Vá à merda! ― xinga-me.
― Que boquinha mais suja ― repreendo debochado, e em mesmo tom
indago: ― Qual ligação você tem com David Smith e Marco Antony?
Ela me fita confusa antes de responder:
― Nunca ouvi falar em Antony sei lá das quantas! ― Bufa. ― Conheço um
David Smith, ele é o “ficante” da minha melhor amiga. ― Ela pisca e,
indignada, pergunta: ― Mas por que raios você está me perguntando isso?
― A curiosidade impregna suas palavras ao acrescentar: ― O que isso tem a
ver com o que aconteceu com a gente?
Então afasta minha mão com um safanão.

― Tudo! ― respondo enérgico.


― Como assim?
― Sou um homem visado, Allyson. Tenho inimigos. É uma prioridade
não negligenciar minha segurança ― respondo frio.
― Espera aí! ― Ergue a mão e me fita, incrédula. ― Você acha que sou
alguma espécie de “espiã” dos seus inimigos?
― Diga-me você! ― devolvo grosseiramente.
― Você é paranoico! ― ela murmura. Bate a mão na cama e desvia os
olhos para o teto. ― Você é insano!
― Não discordo, porém depois que a conheci, piorei bastante ―
confesso. ― Qual é sua relação com David Smith?
― Já disse, seu louco, ele é o “ficante”, rolo, sei lá mais o quê da minha
amiga. E só isso ― responde irritada.
― Qual é o nome da sua amiga? ― pergunto com um objetivo em
mente.

― Como é? Para que você quer saber? ― questiona, fitando-me


desconfiada.
― Você se importa com ela? ― pergunto cortante.
― Muito, mas o que isso tem a ver?
― Sua amiga tem que ser alertada o quanto antes, pois corre perigo ―
respondo, não dando mais detalhes.
― Confesso que não confio no David. ― Suas palavras estão cheias de
escárnio.
Internamente fico feliz em conhecer sua opinião nada lisonjeira. Fito-a
seriamente por um longo instante. Sua face está desprovida de máscaras.
Ela me passa veracidade em seus olhos, e me convenço de que Allyson é
inocente. No entanto qual seu propósito em se envolver comigo? Essa
dúvida me deixa psicótico. Minha pergunta é feita suave, mas firmemente:
― Por que você me escolheu para ser o seu primeiro amante, Allyson?
― Ela cora e desvia os olhos dos meus mais uma vez. ― Quero a verdade ―
saliento, sentando-me na cama e a olhando de lado.
― Te vi pela primeira vez há um mês. Você estava malhando e alheio a
qualquer outra coisa, e na mesma hora pensei: – abre aspas – “Ele parece
intocável, mas olha esse corpo. É tão forte e viril. E as tatuagens? Sedução
pura! Poxa, ele é um ótimo candidato para minha primeira vez”. ― Sua voz
está baixa, até meio envergonhada. Seu rosto está em chamas. ― Fecha
aspas.
Ela fica linda vermelha! Minha voz é pretensiosa ao dizer:
― Você já me conhecia antes de trabalhar para mim? Interessante.
Ela me responde, fitando-me de lado:
― Sim. Nós frequentamos a mesma academia.
― Sério? ― indago surpreendido.
― Hum-Hum ― confirma.
― Impossível. Eu me lembraria de você.
Não é uma cantada, é um fato. Não poderia ver um rosto e um corpo
como os dela e simplesmente esquecer. Não deixaria uma beldade dessas
escapar ilesa. Porém talvez o Brandon a tivesse escondido de mim de
propósito, o que é bem provável. Só assim para evitar que eu a tomasse de
seus braços. Safado espertinho!, penso, sorrindo cinicamente. Eu teria agido
da mesma forma.
― Você nunca me olhou ― ela diz, fitando-me com o semblante
fechado.
Sorrio de lado ao dizer:
― Sua queixa foi um tanto fofa, Senhorita Jordan.
― Foi uma observação, não uma queixa ― retruca meio chocada pela
sua baixa de guarda.
Ainda sorrindo, volto a dizer:
― Lhe garanto que, se a tivesse visto, você não teria tido trabalho
algum para me convencer a ser seu primeiro amante, mas você teria que
ser honesta comigo. E ser mentirosa é um grave defeito seu. Você mente
muito facilmente.
― Sei que deveria ter dito que era virgem, mas, bem, você me distraiu
e esqueci de todo o resto ― responde ela, remexendo-se desconfortável.
― Obrigado! Foi um elogio e tanto, Senhorita Jordan, mas ainda estou
muito puto com você, então não tente me agradar.
Rio quando ela bufa.
― Você sabe que eu poderia ter-te machucado, não é? ― indago sério.
― Mas você não me machucou. Você foi perfeito ― diz, fitando-me com
os olhos intensos.
Sorrio torto ao confessar:
― Devo dizer que você esteve fabulosa. Não posso esperar para me
enterrar em sua carne suculenta novamente.
― Você parecia tão zangado... ― fala incerta.
― Ainda estou, Allyson, mas agora que sei que seu propósito foi
apenas me seduzir para lhe prestar um favor um tanto quanto inusitado,
estou, como direi... ― Coloco minha mão em meu queixo e penso na palavra
correta, então prossigo: ― Lisonjeado. No entanto existem coisas que temos
que decidir. Coisas que serão essenciais para que o nosso envolvimento
seja apreciado por ambos.

― Quais? ― quer saber.


― Não quero dividir você com ninguém, Allyson ― revelo, fitando-a
sem subterfúgios.
― Você quer exclusividade? ― pergunta erguendo a sobrancelha.
― Não quero, eu exijo ― retruco com veemência.
― Por quê? ― Seu sorriso é irônico.
― Porque não divido o que me pertence ― respondo sincero.

― Não sou sua ― salienta em desafio.


Sorrio torto e devolvo no mesmo tom:
― Você sabe que me pertence. Eu também sou seu.
― M-meu...? ― gagueja incrédula, os olhos brilhando. Parece até ter
visto passarinho verde.
Ela não é indiferente como quer aparentar.
― Você gostou do que fizemos juntos, e isso você não pode negar.
Então teremos uma troca justa. Somente serei seu, e você me pertencerá.
― No que isso implica mesmo? ― indaga, fitando-me com intensidade,
aceitando minha proposta.
― Em dividirmos a mesma cama tanto quanto nos for possível. ―
Sorrio de lado. ― Não precisa ser necessariamente uma cama, mas acho que
captou minha insinuação.
― E o trabalho? ― quer saber, ajeitando o lençol sobre os seios fartos.
Meus olhos se fixam no volume muito atrativo enquanto respondo:
― Nada precisa mudar.
― Demonstração de afeto em público nem pensar ― diz séria.
― Não concordo ― retruco.
Ela parece uma gata arteira ao perguntar:
― Por quê?
Meus olhos voltam ao seu rosto.
― Sou territorialista por natureza, Allyson. Tenho a necessidade de
marcar o que é meu.
― Você quer me marcar? ― Seus olhos estão assustados.
― Já te marquei, Allyson. E de uma forma imutável, mas preciso que
saibam que você não está disponível ― digo prepotente.
― O que você tem em mente? ― Sua voz é cheia de suspeita: ― Você já
está maquinando algo?
― Você é esperta, Senhorita Jordan ― digo, sorrindo malicioso. ― Vou
revelar mais tarde, pois agora... ― Pisco.
― O que tem agora?
Ela está assanhadamente curiosa.
― Agora vou te banhar. ― Meu sorriso sacana ressalta minhas
palavras. ― E se não estiver dolorida, vou cuidar para que você fique. Vou te
foder tanto, mais tanto, que vai pedir arrego antes do dia amanhecer!
Seu estremecimento é visível, e sua voz sensual me provoca:
― Acho isso impossível de acontecer, chefinho...
― Vou tratar de mudar sua opinião, Senhorita Jordan ― respondo,
aumentando meu sorriso safado.
Meu próximo movimento é arrancar o lençol de seu corpo e levá-la ao
boxe. Ligo as três torneiras da banheira, após colocar Allyson em pé no piso
de azulejos brancos, então derramo alguns sais de banho e sabonete líquido
na água morna.
Allyson, ao meu lado, fita minhas costas de forma concentrada.
Precisamente devora com os olhos minha tatuagem do dragão chinês. Ela
morde o lábio inferior sensualmente.
― Você tem uma tara por minhas tatuagens ― afirmo, sorrindo torto e
entrando na banheira.
― Tenho, sim. ― Dá de ombros.
Sorrio.
― Venha ― convido-a, estendendo a mão.
Ela me obedece, juntando-se a mim na enorme banheira.
Com ela acomodada entre minhas pernas e um esponja de banho em
minhas mãos, lavo seu pescoço, seus ombros e suas costas, então deixo a
esponja de Allyson
lentamente. lado e minhas mãos vão
geme baixinho. para
Desço seusmão
minha mamilos.
ao seuOs ensabooe
abdômen
lavo seu umbigo, então desço ainda mais. Meus dedos entram com
suavidade na carne macia de sua apertada boceta.
― Sean! ― Allyson geme.
― Você é tão apertada que até meus dedos têm dificuldade em entrar
em sua carne ― sussurro, agora não mais lavando, e sim estimulando seu
sexo. ― Você está sentindo dor? ― indago preocupado.
― Um pouco, mas... é bom... ― murmura, jogando-se contra meus
dedos, que a penetram ritmicamente, enquanto belisco o bico de um de
seus seios fartos. Afasto seu cabelo longo e mordisco seu pescoço. Volto a
perguntar:
― É bom?
― Delicioso... ― confirma com um gemido.
― Mas não seria melhor se fosse meu pau? ― pergunto com voz rouca,
pressionando minha ereção em suas costas.
― Seria perfeito... ― geme, contorcendo-se.
― Bom saber! ― exclamo arrogante.
Paro de estimulá-la e a giro, deixando seu corpo de frente para o meu.
Encaixo meu pau em sua entrada e a penetro com cuidado dessa vez, mas
não sem intensidade. Nosso encaixe é perfeito.
Reclamo sua boca assim que estou dentro de sua bocetinha. Sugo sua
língua enquanto guio seus movimentos com minhas mãos em sua cintura.
Em poucos minutos Allyson se contorce, gemendo alto ao gozar. Estou
perto, mas não quero que acabe rápido. Então nos tiro da banheira. Enxugo
com zelo o seu corpo sensível.
Enxugo-me sob o seu olhar apreciativo e sorrio de lado. Sem que ela
espere, solto a toalha no chão e a ergo, colocando Allyson de pernas abertas
na beirada do balcão de mármore.
Ela solta um gritinho de surpresa quando me abaixo e minha língua
toca seu clitóris com suavidade. Em seguida o puxo com força entre meus
lábios, sugando e lambendo.
― Gostosa... ― Sopro em sua boceta.

puxa Minha boca trabalha


meus cabelos emao
com força, sua entrada
ponto com perícia,
de machucar meu enquanto Allyson
couro cabeludo.
― Você é um manjar, Allyson. Adoro sentir seu gosto em minha boca.
Me deixa tão duro! ― Minha voz sai rouca. ― É viciante, assim como é
viciante foder essa boceta gostosa. Você não tem ideia de como eu quero te
comer, Allyson. Minhas bolas doem por você ― confesso, sugando com mais
força seu nervo e penetrando com dois dedos sua boceta, que pisca para
mim, pronta para gozar.
Ela chia e se contorce, esfregando-se em minha boca. Quando ela está
prestes
protesto,a alcançar
que logo aseliberação,
torna umparo as agudo
grito caríciasdee me ergo.aoAllyson
prazer sentir geme em
meu pau
invadir sua bocetinha com força e profundidade.
Minhas arremetidas são rápidas e fazem um maravilhoso som
molhado quando meu pau entra e sai de sua boceta. Seguro seu cabelo com
força em um rabo de cavalo e a beijo com paixão.
Nossos olhares estão presos um ao outro, nublados de tesão. Ela
desliza as mãos pelo meu peitoral e costas, arranhando-me. Desliza-as para
o meu quadril e aperta minhas nádegas, estimulando-me a penetrá-la mais
profundamente.
Isso me deixa insanamente mais selvagem. Minhas estocadas estão
cada vez mais rápidas, até que Allyson crava ainda mais as unhas em minha
pele e grita, contorcendo-se, seu ventre tremendo, sua boceta me
apertando. A penetro mais três vezes quando o êxtase alucinógeno me
abate.
― Porra, porra, porra! ― exclamo ao gozar.
Allyson dorme serena entre os lençóis amarfanhados enquanto estou
contemplando o nascer do sol da janela do meu quarto, nu e sem um pingo
de sono.
Estou surpreendido pela sensação de plenitude que estou sentindo
depois da madrugada de sexo explícito, e isso me assusta além da sanidade.
Não quero me apaixonar. Nunca amei ninguém antes, mas algo dentro de
mim está diferente,
encontrei e porra! É bom!
minha companheira Sinto
perfeita, uma
mas vontade
ainda estoulouca de gritar
receoso. queé
Allyson
muito escorregadia, e sei que, se eu demonstrar o quão sério se
transformaram os meus sentimentos, talvez ela me repila.
Não sei dizer o que me mudou em tão pouco tempo, o que fez meu
coração acordar, se foi o sexo magnífico que tivemos, a sensação de macho
alfa possuindo sua fêmea virgem, ou se pelo carinho que ela dispensou à
minha mãe. Estou perdidamente apaixonado por Allyson. E serei paciente
em conquistar seu amor.

Com isso em mente, volto para a cama. Para os braços de Allyson.

Desperto com um gemido cortando minha garganta. Uma língua macia


brinca libidinosamente com minha ereção matinal.
― Que gostoso... ― murmuro, deixando-me levar pela sensação de
prazer.
Allyson assopra meu pau e volta a sugá-lo com força. Ergo meu
quadril, tomando sua boca até a garganta com meu comprimento, metendo
com força. Em poucos minutos me derramo em sua boca.
Ela me fita com os olhos brilhando e sorri sapeca quando se ergue.
Devolvo o sorriso, ainda tonto pelo orgasmo.
― Posso me acostumar a acordar desse modo o resto da vida ― digo
com um sorriso torto.
― Hum... ― ela solta, meio aturdida.
Puxo-a para meu peito e acaricio seus cabelos.
― Está dolorida?
― Sim, você acabou comigo ― responde com um risinho malicioso.
Sorrio matreiro, mas meu pedido de desculpas é sincero.
― Desculpe-me pelo tratamento hostil. Sei que fui um imbecil.
― Você foi rude, mas meio que entendo ― diz, sorrindo de lado.
Indago repentinamente:
― Está com fome?
― Faminta!
― Então precisamos nos levantar.
Com seu consentimento, arrasto-a até o boxe. Nosso banho é entre
beijos e carícias. Deixo Allyson na ducha mais um pouco, enrolo-me em
uma toalha e ligo para uma butique de minha marca, pertinho daqui,
providenciando roupas para Allyson. Bones é o encarregado de buscar o
que solicitei.
Quando Allyson surge enrolada indecentemente em uma toalha, estou
recebendo do motorista as roupas dela. Agradeço ao Bones e o dispenso.
― Para você ― digo, entregando a sacola de embalagem chique.
― O que é? ― pergunta curiosa, secando os cabelos.
― Roupas. Também tem lingerie e calçado ― informo.
― Uau! ― exclama após abrir a sacola e analisar a saia justa e curta de
couro escuro. ― Chefinho, você é um grande pervertido! ― exclama
sorrindo.
Balanço a cabeça, concordando.
― Hoje é domingo, e decidi dar um passeio de moto, logicamente que
você vem junto.
― Fala sério? ― indaga boquiaberta.
― Seríssimo ― asseguro, indo até meu closet. Deixo a toalha cair e
visto uma boxer branca. Estou procurando por uma camisa de algodão
quando ouço Allyson suspirar. Olho-a por cima do ombro. ― O quê? ―
pergunto desconfiado.
Ela me encara e me sorri, sexy.
― Você tem um corpo muito gostoso, chefinho.
Allyson morde os lábios e não disfarça o interesse em minha bunda.
Gargalho e balanço a cabeça. Então pego a calça de couro e a visto,
assim faço com a jaqueta do mesmo material.
― Ainda não acredito que tem uma moto ― ela diz, parecendo
entusiasmada com a ideia.

― Tenho uma coleção delas ― confesso.


― Meu Deus! ― exclama, levando as mãos ao coração, deixando a saia
cair na cama.
― Que foi dessa vez? ― pergunto, franzindo a testa.
― Você acaba de me deixar superexcitada ― revela com um gemido.
― Depois eu que sou um pervertido! ― exclamo, terminando de me
vestir. ― Vista-se, tenho a impressão de que não teremos privacidade por
muito tempo.
Ela ri e corre a se vestir. E assim que se apronta, ouvimos alguém
bater à porta. Sorrio e vou abri-la. Mamãe me beija o rosto.
― Bom dia, filho ― deseja.
― Bom dia, mamãe. Dormiu bem?
― Sim.
Sorrio.
― Oi, Steph, bom dia! ― saúda Allyson, abraçando minha mãe com
carinho.
― Bom dia! Vamos tomar café da manhã? ― diz mamãe, arrastando
Allyson para fora do quarto e me deixando para trás.
Com cuidado Allyson segura mamãe pelo braço com sua mão livre,
retardando-a. Suavemente pede:
― Vamos esperar o bonitão do seu filho. Ele também quer tomar café
da manhã com a gente.
― “Tá” bom! ― mamãe concorda alegre. Seu sorriso é lindo. Ela está
muito bonita em um vestido floral.
Mamãe então segura minha mão como fez com a de Allyson e nos
arrasta até a cozinha. Acomodamo-nos nas cadeiras retangulares na grande
ilha, onde o desjejum nos aguarda. Mamãe pede que Allyson lhe sirva seu
cereal predileto, ajudando-a a comer, e ela faz até “aviãozinho”. Observo as
duas com uma emoção forte latejando em meu peito.
Não me recordo de uma manhã tão feliz na minha vida como esta.
Quero tanto preservá-la. A interação entre mamãe e Allyson me faz ainda
mais resoluto em conquistar Allyson. Quero essa sensação de felicidade
para sempre. E a terei!
SINTO OS OLHOS DE SEAN em cada movimento meu. Sei que me
analisa atentamente. Ele acompanha meu trato com sua mãe com olhos
sagazes. Sua atitude analítica me deixa um pouco desconfortável, porém o
café da manhã está muito agradável. Após Steph reclamar que não gosta de
fazer suas refeições na cozinha, Sean decide que deveremos tomar nosso
desjejum na varanda.
Steph fica feliz com sua ideia, e confesso que também fico. Logo o
plano é posto em prática, e já estamos devorando as guloseimas muito
tentadoras de uma boa refeição matinal. Apesar de geralmente não
conseguir comer nada pela manhã, hoje estou faminta. Estou me fartando
com dois deliciosos croissants de queijo e uma boa xícara de café amargo
enquanto rio das coisas engraçadas que a Steph diz com uma
espontaneidade que me espanta.
Diante de duas empregadas estupefatas e de Sean incrédulo, faço
“aviõezinhos” para Steph. Ela é uma figurinha muito fofa e especial que
roubou meu coração definitivamente, assim como seu filho bonitão.
Entretanto, em relação a Sean, não sei como lidar e prefiro não o analisar
profundamente por agora. Com a Steph, a conexão é natural. Parece que a
conheço a minha vida inteira. Agimos como duas crianças grandes, Steph,
por seus problemas óbvios, e eu, por entrar em seu mundo com uma
facilidade estrondosa.
Sean abandona sua análise e relaxa. Sorri para nós duas. Termino meu café,
e Sean ainda toma o dele enquanto a Steph nos olha atentamente,
desconfiada. Indaga para o filho:
― Vocês vão sair?
Os olhos azuis estão curiosos. Acho que a Steph enfim percebeu que
estamos prontos para um passeio.

tomar―oVamos dar um
último gole passeio
de seu café. de moto ― Sean lhe responde depois de
― Posso ir junto? ― pergunta Steph, seus olhos brilhando.
― Não dessa vez ― diz Sean.
― Mas eu quero ir! ― faz birra, fitando-o com os olhos tristes.
― Se bem recordo, a senhora não detesta moto?
― Verdade! ― concorda, tocando a cabeça.
Rio.
― Prometo levá-la para almoçar naquele bistrô ao qual prometi levá-la
no mês passado ― ele revela seus planos enquanto lhe acaricia o rosto.
Assisto ao diálogo entre mãe e filho com atenção. São muito fofos
juntos. A forma como meu tatuado trata a mãe é tão linda. Ele é
pretensioso, controlador e provocador, mas tem uma ternura no coração
que me surpreende.
― Vou a esse almoço se a Ally também for ― propõe Steph, sorrindo
para mim. Devolvo o sorriso sem hesitar.
― Allyson também está convidada ― ele acata a exigência da mãe,
olhando-me de lado.
― Oba! ― exclama Steph batendo palmas.
Depois de satisfeitos, erguemo-nos da mesa, Steph ao meu lado,
segurando minha mão. Caminhamos em direção a casa. Sean está atrás de
nós duas, observando-nos. Então Steph tem que ir com a sua enfermeira
para tomar sua medicação. Não faz nenhuma objeção, depois que prometi
visitá-la em breve.
Quando ela se afasta, sinto as mãos de Sean em meus ombros em uma
massagem. Murmura ao meu ouvido:
― Como se sente?
― Estou muito bem, só um pouco desconfortável lá. Minhas pernas
doem um pouco também ― comunico, sentindo meu rosto queimar.
Que merda está acontecendo comigo? Corar feito uma boba toda vez
que Sean me pergunta algo íntimo é constrangedor!

― Não meus
massageando quer pontos
tomardeum analgésico?
tensão ― indaga solicito, ainda
com maestria.
Ronrono a minha resposta:
― Seria ótimo. ― E no mesmo tom digo: ― Adoro suas mãos em mim,
chefinho.
― Adoro ter minhas mãos em você, Senhorita Jordan ― diz com voz
profunda. ― Vou providenciar seu analgésico, não quero que sinta dor
quando eu a tocar mais tarde. ― Para enfatizar suas palavras, beija meu
pescoço, roçando a barba por fazer de forma sensual. Arrepio-me.
― Espere aqui, vou arranjar o que você precisa ― prontifica-se,
beijando meus cabelos ao se afastar.
Solto um gemido de protesto quando a massagem é interrompida. Ele
ri, pretensioso, e manda por cima dos ombros largos:
― Peça para o Bones te levar até a garagem. Você vai encontrar minha
coleção de motos lá.
― Só se for agora! ― exclamo animada, mas logo perco o embalo e digo
com um bico: ― Mas queria que você me mostrasse.
Sem olhar para trás ou deixar de caminhar em direção à mansão, ele
responde malicioso:
― Desfaça esse bico, Allyson. Pretendo tirar proveito de sua tara por
motos, não se preocupe.
Solto um risinho baixo. Como ele sabe que fiz bico? Esse homem está
me conhecendo bem demais. Caminho em direção à varanda, procuro pelo
motorista pelo amplo jardim e o encontro perto da limusine. Ele segura o
quepe com sua mão enluvada e tem os olhos fixos no céu. Em seus ouvidos
um par de fones
Aproximo-me brancos é visível; ele está entretido ouvindo música.
e aceno.
― Bom dia! ― saúdo quando ele retira os fones.
― Bom dia, Senhorita Jordan ― saúda-me de volta com um sorriso
simpático.
― Pode me levar até a garagem?
― Sim, senhorita. Por aqui. ― Indica-me um caminho arborizado ao
longo da varanda. Sigo com ele, admirando a imensidão da casa. É tão
grande que tenho até medo de me perder.
― Acho que disse ontem que você pode me chamar de Ally ― lembro-
lhe, caminhando ao seu lado.
― Continuo achando que não é apropriado, senhorita ― responde com
a mesma resposta de ontem à noite, quando foi me buscar em casa.
Ele é muito respeitador e parece realmente obedecer às regras que o
chefinho impõe. Pergunto:
― Por quê?

― O patrão pode não gostar ― responde sem hesitação.


― Por que ele pode não gostar? ― Estou curiosa.
― A senhorita é... bem... ― ele começa hesitante, girando o quepe na mão
nervosamente, e prossegue: ― Alguém muito especial para o Senhor
McGregor. Nunca o vi tratar nenhuma mulher como ele a trata. Ele... é... ―
hesita novamente. Parece receoso de dizer o que pensa.
Corroendo-me de curiosidade, incentivo:
― O que ele é?
― Possessivo em relação à senhorita. ― Apressa-se a completar: ―
Longe de mim querer ser o objeto de sua ira. ― Fita-me cautelosamente.
― Céus! ― exclamo. ― Você tem medo dele?
― Não é medo, é respeito ― responde, tentando soar verdadeiro, sem
sucesso.
Paramos em frente a uma grossa porta metálica. Sorrindo, Bones diz:
― A senhorita está entregue.
Estou pronta para agradecer, quando uma voz masculina e fria
pronuncia:
― Está dispensado, Bones.
A tensão no ar é um indicativo de que Sean escutou toda nossa
conversa e parece não ter gostado muito. Bones sai pela tangente sem se
despedir, e eu fito Sean, sentindo-me culpada pelo tratamento frio que
Bones recebeu por matar minha curiosidade desproporcional.
― Seu analgésico ― diz frio. Ele me entrega um comprimido, rompe o
lacre de uma garrafa de água mineral e me passa em silêncio.
Retiro o medicamento da embalagem e o levo à boca, guardando a
invólucro no bolso da saia. Giro a tampinha da garrafa de água, levando-a
aos lábios, e tomo um bom gole, tudo sem deixar de fitar o rosto sério de
Sean.
― Vamos entrar, Allyson ― ele manda, pegando das minhas mãos a
garrafa quando a fecho.
― Está bravo? ― pergunto, deixando-me ser conduzida por ele para
dentro da garagem.

― Deveria? ― ele devolve minha pergunta quando as luzes são acesas.


Meu queixo cai ao ver a quantidade de motos dentro da enorme
garagem. Carros de marcas caras e conhecidas também fazem parte do
acervo. Porra! Esse lugar sem dúvidas é o paraíso dos motoqueiros e dos
colecionadores de carros raros.
― Não ― respondo, ainda me deliciando com a visão das máquinas.
― Então não estou ― diz, levando-me para perto de uma linda e
poderosa Harley Davidson preta modelo Heritage. Mesmo distraída com a
moto, indago:
― Por que tratou Bones tão friamente?
― Não estou entendendo ― faz-se de desentendido, deixando a garrafa
em cima de uma prateleira. Sobe na moto. O motor ronca quando ele a liga.
A visão desse homem lindo em cima da máquina potente me deixa
sem fôlego. Inspiro profundamente, tentando me focar em nosso diálogo.
― Sem essa. Você ouviu a conversa e se irritou, não foi? Por quê?
― Quer saber mesmo? ― questiona, fitando-me severamente.
― Lógico que sim! ― afirmo categórica.
Em tom frio ele solta:
― Não gosto de ver você de conversa íntima com nenhum homem.
― Como é? ― indago perplexa.
Sua sobrancelha se ergue ao dizer:
― Exatamente isso! Por falar em outro homem, precisamos conversar
sobre o futuro de Brandon em sua vida.
― Como assim? ― exclamo, meus olhos arregalados. Esqueci-me
completamente da farsa!
― Vai terminar com ele ― manda autoritário.
― Vou? ― pergunto nervosa, mordendo meu lábio inferior.
A voz profunda soa possessiva:
― Você vai!
― Por quê? ― Não me contenho.

Sean me puxa para ele, e abruptamente sou beijada com intensidade.


Em seguida ele me solta. Arfo ao encarar os olhos azuis que me fitam
diretamente em desafio. A postura sensual de Sean combina com suas
palavras impactantes:
― Porque você é minha, e eu estou mandando.
― Preciso lembrá-lo que...
Sou interrompida pela voz firme:
― Não comece, Allyson. Não estou para joguinhos. Acho que já deixei
explícito.
― Mas... ― tento dizer novamente, porém meu chefinho nada educado
me corta de novo!
― Suba na moto, Allyson. ― manda, entregando-me um capacete.
De má vontade aceito o objeto. Sean coloca o seu enquanto me olha
intensamente por entre os cílios espessos.
Solto um suspiro exasperado. Que homem mais caprichoso! Coloco o
capacete e subo na moto, agarrando-me à cintura masculina quando Sean
nos põe em movimento. Passamos pelo portão frontal da mansão e
ganhamos a via expressa rapidamente.
Para onde meu chefinho temperamental está me levando, não faço a
menor ideia, mas estou adorando ter meu corpo perto do dele mais uma
vez. E, aproveitando o momento, deito minha cabeça em suas costas,
absorvendo seu perfume másculo.
Sentindo sua essência fresca se abater sobre meus sentidos, fecho
meus olhos e divago. Meus pensamentos estão mergulhados nos últimos
acontecimentos. Ainda não acredito que meu desejo de seduzir meu
tatuado
beliscar. aconteceu de verdade!
Nunca me senti tão bemÉemtãominha
surreal
vidaque sinto
antes. E, ímpetos
apesar dedeestar
me
ainda dolorida, não mudaria nada do que aconteceu.
As dores são uma parte insignificante diante da experiência sem
dimensão que vivi nos braços de Sean. Porém preciso pôr limites nesse
envolvimento. Não quero me machucar. Já estou tão perto de me deixar
levar por um caminho perigoso. Sei muito bem que já não sinto apenas um
forte apelo sexual por ele, e não estou preparada para algo tão complicado
quanto o amor. Talvez nunca esteja. Vou me permitir viver o momento.

Sean toma a direção da praia, e em pouco tempo ele estaciona a moto


em frente a uma mansão privada à beira mar. Desço da garupa, e Sean sai
com graça de cima da moto logo em seguida.
Tiro o capacete e o coloco no cotovelo, imitando Sean, que segura em
minha mão e me leva em direção à grama que rivaliza espaço com a areia
da praia que contorna metade da mansão de veraneio. Que senhora
mansão! A propriedade é à altura do estilo do executivo ao meu lado,
ostenta dois andares, e a cor predominante nos alicerces é o branco, as
paredes são de vidro na cor verde-mar. Na frente da casa há coqueiros e
uma enorme piscina rodeada por cadeiras de praia de madeira em cor
branca.
O mar reina soberano à frente, e no lado esquerdo da casa há um
deque e um iate de nome Stephanie em letra cursiva bem desenhada. O
barco completa o quadro digno de cinema.
― Onde estamos? ― indago, fitando o rosto de Sean e sem esconder
meu fascínio.
― Entre Upper Miami East e Belle Meade Island.

― Não conheço esse lado de Miami ― falo meio intimidada.


Analisando tudo ao redor, eu deveria acrescentar também as
seguintes palavras: “Nunca estive no lado muito rico de Miami antes”.
Sean, alheio ao que penso, informa:
― Estamos em uma praia particular, e essa é minha casa de veraneio,
onde costumo esporadicamente vir para relaxar.
― Você relaxa bem, hein? ― brinco, tentando não pensar na parte
intimidante de que ele é muito mais rico do que imaginei.

Ele ri.
― Que bom que gostou, pois vamos ficar o resto do fim de semana
aqui.
― Não brinca?! ― exclamo, adorando a ideia.
― Vamos almoçar com minha mãe e logo em seguida retornamos para
cá ― informa com um sorrisinho maroto.
― Mas a Steph vai ficar sozinha? ― questiono preocupada.
― Apesar de parecer incompetente, a Norah cuida muito bem da
minha mãe ― diz ele sério. ― Além do mais, ela concordou com o arranjo ―
revela, sorrindo torto.
― Steph concordou? ― indago confusa. ― Mas quando foi isso?
― Expliquei que precisava de um tempo a sós com a minha namorada
quando fui buscar seu analgésico, e ela me deu sua permissão ― confessa
sorrindo, sem deixar de me guiar em direção à mansão.
― Seus conspiradores ― acuso, mas não posso deixar de sorrir.
Ele sorri torto:
― Venha, quero te mostrar a suíte. Sei que gostará.
― Não duvido, chefinho ― respondo, sorrindo travessa.
Adentramos a casa, e mais uma vez fico bestificada com a beleza dela.
O piso de madeira cor de caramelo brilha impecavelmente, os moveis são
modernos, porém dentro do tema praia. O sofá branco tem os braços em
bambu, mas Sean não me deixa admirar por muito tempo a decoração da
sala de estar, ele me faz subir as escadas de corrimão de ferro, levando-me
para o andar de cima, em direção a um corredor. Conduzida por ele,
paramos em frente à porta do último dos cinco quartos existentes.
Ele destrava a porta e me puxa para dentro do quarto. Arfo diante da
visão privilegiada do mar que se projeta das amplas portas de vidro do
outro lado da parede do quarto.
― Que perfeição! ― exclamo maravilhada.
Sean põe-se atrás de mim e me abraça, sua voz sedutora confidencia
ao meu ouvido:
― Não consegui parar de me imaginar fazendo amor com você nesse
paraíso.
― Ah! ― gemo com a ideia.
Sem hesitações, Sean me vira em seus braços e me beija vorazmente,
mas sem pressa alguma. Ele me ergue, levando-me à cama. Retira minha
jaqueta e camiseta agilmente, voltando a me beijar.
Minhas mãos retiram as suas peças de roupa sem muita agilidade, mas
com eficácia. Espalhamos nossas roupas pelo chão do quarto, loucos para
sentirmos nossas peles sem obstáculos. Logo estamos rolando nus entre os
lençóis de seda, movendo-nos em um ritmo rápido, intenso. As investidas
de Sean são profundas e fortes, e mesmo ainda dolorida, arqueio-me,
pedindo mais. Arranho as costas largas, gemendo seu nome.
Sean rosna e murmura coisas sem nexo. A boca safada devora a minha
quando gozamos juntos. Sean afaga minhas costas enquanto me aninho
contra seu corpo forte, meu dedo indicador traçando a tatuagem em seu
abdômen sarado.
― Posso te fazer uma pergunta? ― indago, erguendo minha cabeça e
fitando os olhos azuis ainda vidrados pelo prazer recente.

Os meus também não devem estar diferentes.


― Sim ― ele concorda com um sorriso de lado, sem deixar de
acarinhar minhas costas.
― Qual é o significado das tatuagens? ― pergunto, acrescentando: ― E
por que são tantas? ― Há muito tempo sou louquinha para saber se as
tatuagens têm algum significado para ele.
― Você fez duas perguntas, Allyson ― constata, sorrindo matreiro.
― Nem vem com essa, quero a resposta ― reclamo, tentando beliscá-lo
no braço, mas ele é mais rápido. Ergue a sobrancelha.
― Você realmente gosta delas?
― São altamente sensuais ― confesso com o rosto queimando.
Ele gargalha e, ainda tendo dificuldade para se controlar, diz:
― Vou responder somente porque gostei da revelação.
Mostro a língua para ele.
― Convencido! ― acuso, batendo meu punho fechado em seu peitoral.
Ele sorri torto e segura meu punho com firmeza, mas sem machucar.
Indaga:
― Quer saber o significado ou não?
Fico quieta, e ele prossegue:
― De qual delas você quer saber?
― De todas? ― digo com um sorriso amarelo.
― Escolha uma, Allyson ― diz mandão ―, pois quero te foder dentro
do mar, como bônus para mim, por você ter me deixado tão irritado de
ciúmes que não te peguei em cima da minha moto, como estava planejando
antes de sairmos. Então escolha uma e logo!
Puta que pariu! E ele me solta uma dessas e quer que eu raciocine
rapidamente logo depois? Sou de carne e osso!
― É-é... A-a... do dragão... ― gaguejo.
Ele me responde prontamente:
― Sou simpatizante da cultura budista, e segundo a mesma o dragão é
um símbolo de honra, coragem, dever e nobreza. ― Acrescenta malicioso: ―
Agora vamos agitar a nossa praia, Allyson.
Ele se ergue de um pulo, e grito quando me pega em seus braços.
Passamos pelas amplas portas, descendo pela rampa que dá acesso à praia
privada. Em poucos passos Sean pisa na areia. Entramos na água e, para
meu espanto, ela está agradavelmente morna.
Sean me coloca de pé a sua frente para em seguida me erguer
novamente, fazendo-me prender sua cintura com as pernas. Enlaço-o pelo
pescoço e arfo ao sentir sua ereção já procurando minha entrada debaixo
d’água, deixando-me prontamente excitada. Olhamo-nos intensamente
quando ele me penetra. Gemo sem pudor quando suas investidas começam
lentas e profundas.
― Isso é tão bom ― gemo rebolando em seu pau.
― Bom não chega nem perto de expressar a delícia que é te foder,
Allyson ― corrigi-me em tom rouco e cru.
Suas palavras grosseiras me deixam ainda mais louca de tesão.
Arqueio meus peitos, oferecendo-os a ele, e Sean toma um deles em sua
boca enquanto segura meus quadris, ajudando-me a montá-lo.
O mar está calmo, mas ao nosso redor a água se agita com a
intensidade dos nossos movimentos. E eu gozo beijando Sean com paixão.
Ele vem logo em seguida, rosnando meu nome, derramando-se dentro de
mim mais uma vez.
Depois de tirarmos o sal de nossos corpos e nos vestirmos, Sean me
arrasta até sua moto, levando-nos rapidamente para sua casa para buscar
Steph, conforme o combinado.
Ela já está à porta, esperando-nos sorridente e ansiosa para irmos
almoçar fora.
cavalo com umMeu cabelo
elástico quesecou
Stephcom
me aemprestou
brisa da estrada,
quando echegamos.
faço um rabo de
Sean prefere dirigir um sedã White Saab Aero 2.3TS, dispensando seu
motorista. Ele parece ainda cismado com Bones, e eu pretendo ter uma
conversa séria com ele. Está agindo como um tolo por causa de ciúmes sem
cabimento.
Sorrio empolgada ao seu lado enquanto ele guia e desafinadamente
canto um clássico do rock com Steph como back vocal. Sean parece
relaxado ao meu lado. Estacionamos em frente ao bistrô onde almoçamos
no meu primeiro dia de trabalho, e não posso conter um sorriso travesso.
As lembranças de uma loira furiosa jogando uma taça de vinho em meu
chefinho me fazem rir baixinho.
― Posso ver que se lembra de sua travessura, Senhorita Allyson ― diz
Sean ao desligar o carro. Seu sorriso torto dança em seus lábios.
― Sim, com toda e maravilhosa certeza ― respondo piscando.
Ele ri, tirando o cinto de segurança.
― Vamos, filho, estou com fome ― diz Steph enquanto Sean a ajuda a
tirar o cinto e a sair do veículo.
Retiro meu cinto e saio do carro. Contorno o mesmo e observo Sean
entregar a chaves do veículo para um manobrista. Ele envolve a cintura da
mãe com um dos seus braços fortes e faz o mesmo comigo quando me
aproximo.
Entramos no local parcialmente lotado. Guillermo nos recebe
educadamente e, mesmo com o olhar hostil que Sean lhe dirige, sorri para
mim amigavelmente.
Retribuo o sorriso, e Sean fecha o semblante. Esse homem é possessivo
demais!, analiso ao me acomodar à mesa com a ajuda de Guillermo. Sean
está carrancudo, e Steph prefere ficar ao meu lado, o que é bom, porque eu
poderei me distrair do estado irritado de Sean ao auxiliar Steph a se
alimentar.
Fazemos nossos pedimos, salada de tomate, queijo e ervas para
entrada, e suco tropical. Steph e eu pedimos como prato principal filé
mignon à moda oriental, com brócolis e gengibre. Sean também pede filé
mignon, porém ao molho de vinagre balsâmico. Converso animadamente
com Steph e, vez ou outra, fixo meus olhos em Sean; ele está me fitando
com os olhos semicerrados.
― Aqui é tão legal ― diz Steph, olhando tudo ao redor.
Sorrio de lado ao concordar.
― Gosta daqui? ― pergunto.
― Sim ― responde sorrindo e indaga curiosa: ― Você vem muito aqui?
― Costumava vir quando meu pai era vivo.
― Ah!
― Sabe, Steph, gosto muito do Guillermo, o moço que nos recebeu
quando chegamos ― explico para Steph, mas com a intenção de fazer Sean
entender o que se passa entre mim e o italiano. ― Ele me faz lembrar
momentos bons, momentos felizes em que vivi aqui, nesse lugar, com o
meu pai.
― Sente falta do seu pai? ― ela quer saber, fitando-me.
― Muita ― respondo suspirando.
― Que triste ― Steph murmura sentida.
Sorrio de lado ao falar:
― É triste mesmo, Steph, mas eu sei que, onde meu pai estiver, ele olha
por mim.
Ela sorri e acaricia meu rosto suavemente. Não preciso olhar para
Sean para perceber que seu corpo voltou a relaxar. Nosso almoço é servido,
e ajudo a Steph a cortar a carne. Sean passa a interagir conosco e toma
minha mão sobre a mesa, pedindo minha atenção. Fito seu sorriso, que é
meio que um pedido de desculpas pelo comportamento anterior. Dou de
ombros, esquecendo o assunto.
Rimos da felicidade da Steph ao comer a sobremesa, um pavê de
chocolate com calda de morango. Ela se delicia e não se importa de estar se
lambuzando toda. Eu limpo suas bochechas e seus lábios toda vez que ela
leva a colher de sobremesa à boca, enquanto tomo meu pavê de chocolate
com café. Sean já terminou seu pudim de leite light e está tomando licor.
O caminho de volta é feito em um silêncio agradável. Já em casa, Steph
e eu conversamos por um tempo, até que ela se sente cansada, então decide
se recolher. Beija-me o rosto, despedindo-se, já que, quando despertar, não
nos veremos mais. Retribuo o abraço apertado quando ela me abraça do
nada, puxando-me para seus braços pequenos. Posso ser uma tola, mas já
estou sentindo saudades dela. Ela se afasta sorrindo e abraça o filho,
beijando-o carinhosamente na testa quando Sean se abaixa para retribuir o
carinho. Cuidadosamente ele a abraça, murmurando:
― Até logo, mãe, se comporte, sim?
Então Steph se retira da sala acompanhada da enfermeira.
― Preciso ir para casa ― digo com um suspiro.

― Por quê? ― pergunta confuso.


― Porque preciso pegar algumas roupas, ora ― respondo de forma
óbvia.
― Você não vai precisar de roupas para o que vamos fazer ― diz
malicioso.
― Sean! ― exclamo, corando e olhando para os lados.
― Tudo bem. Vamos, mas antes me deixe fazer uma coisa.
Espero Sean instruir Norah, alertando-a para não se esquecer de dar
os medicamentos à mãe. Ele deixa o número da casa de veraneio com a
enfermeira e exige que lhe preste um relatório sobre a Steph sobre a noite
de hoje e amanhã à tarde, além de lhe dizer que ela não hesitasse em ligar
em caso de emergência ou se a mãe quisesse falar com ele ou comigo.
Sean vai ao seu quarto e rapidamente desce segurando uma pequena
mala. Safadinho! Posso ficar nua e ele não?
― Direitos iguais, chefinho! ― exclamo maliciosa.
Ele ri, puxando-me para fora da casa. Novamente entramos em seu
sedã, e nãoaofico
em frente meusurpresa
prédio eao notar
sorri que Sean
arrogante aosabe onde moro. Ele estaciona
me fitar.
― Você não liga para as leis contra o assédio? ― indago, soltando-me
do cinto de segurança. Ele faz o mesmo, respondendo-me:
― Não, quando se trata de você.
Sorrio e o enlaço pelo pescoço, beijando-o avidamente. Sean me coloca
em seu colo sem esperar convite, os dedos longos já tocando a minha
calcinha fina, a mão livre apertando meus peitos através da camisa. Esfrego
minhas nádegas contra o seu volume, rebolando em seus dedos.
Sem nos preocupar que alguém possa nos ver, já que o vidro dianteiro
não é tão escuro quando os outros, perdemo-nos nos braços um do outro.
Gememos obscenidades, quando uma forte batida no vidro da porta nos
interrompe.
― Mas o quê!? ― exclama Sean.
Os olhos azuis voam para a frente do veículo. Sua expressão de desejo
se altera para furiosa ao reconhecer nosso “empata foda”.
Curiosa, movo minha cabeça para o lado e gemo frustrada ao ver a
figura colérica de Brandon em frente ao carro, com os braços cruzados
sobre o peito largo, os olhos crispados nos do amigo. Ou seria ex-amigo?
Pela forma como ambos se medem com raiva no olhar, com certeza eram
ex.
Oh, bitch! O que você fez?
MEUS OLHOS ARREGALADOS NÃO se desviam da face impetuosa do
meu primo. Sinto a tensão que irradia do corpo de Sean se tornar ainda
mais intensa no instante em que olho em direção ao Brandon. Meus olhos
se voltam para a face de Sean. Ele parece possuído com fúria. Agilmente e
sem uma palavra, levanta-me de seu colo e me devolve para o banco do
passageiro. Estremeço ao ouvir sua voz fria:
― Não saia do carro.
― O que vai fazer? ― indago, observando Sean destravar o automóvel
e sair dele como um raio.
Meus olhos se arregalam ainda mais ao ver os dois em uma discussão
acalorada em frente ao meu prédio. O vento traz todo o diálogo até mim:
― Puta que pariu! O que faço? ― exclamo para mim mesma, incrédula
com a cena a minha frente.
― O que você faz aqui, Brandon? ― questiona Sean em tom chateado.
― Eu que te pergunto. O que você faz aqui? ― fala Brandon
exasperado. ― Que porra você está fazendo com a Ally dentro do carro?
― Acho que não é da sua conta! ― Sean retruca violento.
Meu primo não se intimida.
― Lógico que é da minha conta! Ela é...
Sean corta-o com voz fria:
― Esqueça o que tiveram, é passado!
Brandon encara Sean com raiva e, em tom que revela
descontentamento, responde-lhe:
― Está louco? Nunca vou esquecê-la! Ela faz parte da minha vida! Ela é
minha...
― Puta que pariu! A coisa ficou séria! ― exclamo com a voz esganiçada,
arfante.
Sean soca meu primo! Porra! Sim! Brandon é totalmente pego de
surpresa, mas logo se recupera do ataque inesperado e, sem delongas, os
dois se engalfinham.
Arfo novamente.
― Puta merda, puta merda! ― exclamo, balançando as mãos
freneticamente. ― Ferrou! Ferrou!
Bitch! Por que você está ainda dentro desse carro? Faz alguma coisa! A
culpa é sua! Mova essa bunda bronzeada do lugar e vá separar os dois! ,
minha consciência me recrimina, mas como?, pergunto-me observando os
dois atracados. Parecem touros, e eu não tenho forças para conseguir
separar os dois!
Preciso de um plano! Entretanto não consigo pensar em nada.
Também não posso ficar parada. Abro a porta com as mãos trêmulas e frias
e corro para fora do carro.
― Merda! Merda! Merda! ― exclamo enquanto me aproximo dos dois
briguentos.
Aproximo-me, e eles nem me notam, então pulo para perto deles,
esquivando-me das pancadas. Tento chamar a atenção deles balançando as
mãos de forma alucinada.
― Parem! Parem com isso! ― peço elevando a voz. Porém eles fazem
pouco caso de mim. ― Merda! ― solto irritada. ― Parem com isso! Porra! ―
grito furiosa, mas a briga está longe de chegar ao fim. Sean dá uma chave de
braço no meu primo, que tenta acotovelá-lo nas costelas.
O que eu faço? O que eu faço? Olho ao redor; nem assombração por
perto! Prendo a respiração ao ouvir Sean rosnar:
― Ela é minha, só minha!
Meu Deus! Ele pensa mesmo que Brandon é meu “amigo com
benefícios”! Merda! Tenho que corrigir esse engano! Eles estão brigando
por uma farsa. Tomo coragem, preparo-me para receber uma linda bronca
e grito a plenos pulmões:
― Parem de brigar, seus putos! Brandon é meu primo, Sean! Porra!
― Como é? ― vocifera Sean, voltando seus olhos estupefatos em minha
direção, afrouxando sem perceber o aperto no pescoço de Brandon. Sua
distração quase o faz ganhar uma cotovelada no abdômen, mas Sean se
afasta a tempo.
É a minha deixa. Coloco-me na frente do meu primo, que está às costas
de Sean.
― Se for machucá-lo, vai ter que passar por mim, Bran ― digo séria,
erguendo a cabeça para encarar meu primo nos olhos.
― Foi ele que me atacou primeiro, estou somente me defendendo! ―
Brandon saca a desculpa, encarando-me confuso.
― Que porra você disse, Allyson? ― Sean pergunta em um tom duro,
puxando-me para o seu lado.
Encaro-o e engulo com dificuldade ao ver que me fita zangado.
― Acho que... devemos conversar. É... Vamos... ao meu apartamento.
Novamente ambos se medem com raiva nos olhos, e o sentimento de
culpa me abate forte. Bitch, você fez uma big merda! Conserta! , minha
consciência ordena.
― Preciso pedir desculpas aos dois, eu... ― respiro fundo e os encaro ― usei
o Bran para chamar a sua atenção, chefinho ― tento brincar, mas Sean não
sorri.
Sorrio amarelo e alterno os olhos entre os dois. Brandon me olha de
lado e Sean me encara sem disfarçar seu desgosto. Calo-me.
Surge um silêncio tenso antes de Sean se pronunciar:
― Você envolveu seu primo em um plano para me causar ciúmes? ―
Seu tom é cético enquanto me observa com severidade.
― S-sim ― gaguejo, dando de ombros, e ganho um olhar frio de Sean.
Merda!
― E funcionou! Olha só o meu estado! ― exclama Brandon, passando a
mão no maxilar, que começa a inchar. É quando observo que Sean está com
a mão machucada.
― Está ferido! ― exclamo, tocando sua mão com cuidado.

Ele faz uma careta, mas não me impede de tocá-lo. Bom sinal. Acho.
― Vocês precisam colocar gelo nesses machucados, ou vão ficar
horríveis ― falo, tentando soar prática. Fito Sean nos olhos. ― Dê-me a
chance de explicar, por favor.
Ele me devolve o olhar e, com voz fria, concorda:
― Tudo bem.
― Vem, Brandon ― chamo-o de costas, ao mesmo tempo em que
seguro Sean pela mão boa e o levo comigo em direção ao edifício.
Meu primo solta uma imprecação, mas nos acompanha.

Jogo uma bolsa de gelo em direção ao meu primo, que a pega no ar. Ele
volta a se sentar em meu sofá, colocando a bolsa em seu maxilar. Caminho
até a geladeira e, do freezer, retiro outra bolsa de gelo. Distendo-me muito
fácil durante o treino, então bolsas de gelo não faltam em meu congelador.
Fecho o freezer e vou em direção à cadeira onde Sean está sentado na
ilha da cozinha. Sento-me na cadeira ao seu lado e coloco a bolsa de gelo em
sua mão. Ele não faz nenhum som de dor. Por sobre o balcão de granito, ele
encara Brandon, que também o encara com hostilidade. Isso me deixa
muito mal. É melhor eu começar a falar.
― Peço desculpas mais uma vez e quantas vezes mais precisar. ―
Suspiro. ― Parem de se olhar assim. Isso está acabando comigo! Vocês não
são inimigos. Muito pelo contrário. Vocês são amigos! Melhores amigos! ―
ressalto.
― Diga-me de quem foi a ideia mirabolante, Allyson ― pede Sean,
focando seu olhar em mim agora.
Solto outro suspiro e confesso meu plano:
― Minha. Choquei o Bran na festa ao agir impulsivamente. Tive que
convencê-lo insistentemente para me apoiar, ele só o fez porque me ama
como um irmão. E, bem, desde que te vi pela primeira vez, na academia do
Bran, eu sabia que vocês eram... ― corrijo-me rapidamente ― são amigos!
Porém nunca pensei em envolver meu primo em meus planos de te
conquistar
para mim. Éaté aquela
a única noite.que
família Nunca tivemos nada. Ele é mais que um irmão
tenho.
Sean me fita inexpressivo, mas as linhas de expressão em seus olhos
estão mais suaves.
― Então é verdade? ― Sean indaga ao Brandon.
― Sim ― confirma meu primo, dando de ombros, sem tirar a bolsa de
gelo do rosto um minuto sequer enquanto responde: ― Ally é filha do irmão
de meu pai, portanto, minha prima em primeiro grau.

Sean bufa com rancor.


― Por que diabos você nunca me disse que tinha uma prima?
Ele parece verdadeiramente magoado com o amigo.
Brandon o fita incrédulo e diz com raiva:
― Vamos ser sinceros, Sean. Você é um mulherengo. Acha mesmo que
eu apresentaria minha prima a você, conhecendo sua conduta promíscua?
Nunca!
Sean pisca.
― Você me chamou de promíscuo? ― pergunta emputecido.
― Chamei! ― Brandon responde igualmente puto. ― Sou seu amigo,
não um tapado ingênuo, Sean!
Sean o fuzila com os olhos. Sua voz soa tensa:
― Nunca machucaria a Allyson, seu merdinha!
― Quem me garante? Você? ― provoca Brandon, sorrindo desdenhoso.
― Porra! Você realmente não me conhece! ― Sean grita tempestuoso.
Brandon ri sem humor.
― Conheço bem demais! ― mas, ao continuar, a voz de Brandon se
torna ríspida: ― Você troca de mulher como troca de carro, pior! ― diz em
tom revelador. ― Faz com que assinem um contrato, comprometendo-se a
não te procurarem depois da única noite de sexo. Paga pelo silêncio e as
dispensa sem nenhum ― ele faz aspas com a mão livre ― “foi bom para
você?” ― Grita a parte final: ― Não quero esse destino para minha prima!
Sean pula em direção a Brandon, derrubando a bolsa de gelo e me
assustando. Ele grita na cara do meu primo:
― Seu calhorda! Quem você pensa que é para me julgar e me expor
dessa maneira? A Madre Tereza de Calcutá? Seu santo do pau oco! ― O
tórax de Sean sobe e desce rapidamente. ― Você apoiava minha postura!
Até me apresentou a muitas dessas ― ele também faz aspas ―
“pobrezinhas”, como você as classifica agora, mas que não passam de umas
putas interesseiras! ― Com fúria, grita: ― Vá se danar, Brandon!
Meu primo também se ergue para encará-lo.
Acho que estou sobrando. Meus olhos voam em direção aos dois
homens furiosos. Espera aí! A ficha caiu tardiamente. Estou estarrecida.
Sean paga às mulheres para sumiram de sua vida? Porra!
― Entrei nessa porque era uma novidade, uma forma de divertimento!
― devolve Brandon no mesmo tom irado.
A voz irritada de Sean quase explode meus tímpanos. Estremeço.
― Não me venha com sermão, seu filho da puta! Você sabe o que já
passei com caça-dotes!
― Acho que peguei pesado ― Brandon concorda, mas volta a disparar:
― Porém você mereceu ouvir tudo isso! Porra! Você está pegando minha
prima! E sem minha permissão, seu canalha!
Sean fecha a mão e soca Brandon sem pensar duas vezes.
Ah, não! De novo, não! Preciso agir rápido, antes que eles comecem a
rolar por minha sala entre socos e pontapés. Olho ao redor e vejo o jarro
lindo de porcelana decorando a bancada. É a única coisa à mão. Faço um
muxoxo. Ele é tão lindo... Entretanto o sacrifício é por uma boa causa. Sem
protelar mais, jogo o vaso em direção aos dois, precisamente aos pés de

ambos.
Porém...
― Mas que porra foi isso? ― Brandon exclama e geme quando o vaso
bate em suas costas, espatifando-se logo em seguida. Ele curva o corpo para
frente e me encara abismado.
― Puta merda! ― exclamo e tapo a boca com as mãos, atemorizada
pelo meu ato impensado.
Sean me fita com apreensão.

― Está louca, mulher? ― pergunta assombrado.


Respiro fundo, tentando me acalmar, então, com o dedo em riste,
grito, puta da vida:
― Vocês dois ― aponto para ambos ― são dois idiotas briguentos!
Estão me deixando insana com essa porra toda!
Eles me olham estarrecidos por um longo período e, para minha
surpresa, explodem em risos estrondosos, a raiva esquecida.
Bitch, eu estou colérica! Esses filhos da mãe estão rindo de mim! Pode
isso?
― Vocês... ― arfo irritada ― estão rindo de mim, seus... seus idiotas?
As crises de riso só aumentam. Com raiva, abaixo-me e pego os cubos
de gelo que escaparam das bolsas durante a briga, passando a jogar neles,
que gargalham e se esquivam dos meus arremessos, até que Sean se move
rápido e me agarra, beijando-me. Tento me afastar, estou brava com ele. Ele
riu de mim! No entanto Sean é muito mais forte, então paro de lutar. O
desejo fala mais alto, e correspondo ao seu beijo.
― Ah! Parem de se esfregar! Ainda estou aqui! ― A voz enfadada de
Brandon nos interrompe.
― Alguém já te disse que você é um caralho de um empata foda,
Brandon? ― pergunta Sean, fulminando-o com os olhos semicerrados.
― Não fode, Sean! ― diz Brandon, mostrando o dedo do meio.
― E você deixa? ― Sean devolve com duplo sentido.
― Vocês são tão engraçadinhos ― digo, soltando-me dos braços de
Sean, que me liberta apenas para poder me encarar.

farsa?――Quer dizer que


questiona comaquele discurso
um sorriso denos
cínico “eu lábios.
não fazer o seu tipo” era uma
― Era ― confirmo meio constrangida. ― Queria sua atenção, e você só
ficava naquela droga de celular. Isso me irrita, sabia?
― Sua diabinha! ― Ele ri. ― Você me manipulou direitinho! ― Ri ainda
mais. ― Você é mais perigosa do que calculei. ― Sua voz é puro veludo. ―
Você merece um bom corretivo, uma boa lição, sabia? ― Puxa-me para os
seus braços novamente. Sua voz é sugestiva, assim como o brilho intenso
em seus olhos. ― Saberei aplicá-los com muita eficiência.
― Vocês podem agora me dizer o que fazem juntos? ― pergunta
Brandon, sentando-se novamente no sofá e pegando a bolsa de gelo do
chão.
Sean me solta, mas me faz permanecer ao seu lado.
― Estamos juntos ― responde ao meu primo.
Confirmo com um movimento de cabeça.
― Juntos, juntos? ― pergunta Brandon apontando para mim e Sean.

― Sim! Juntos, seu bocó! ― confirmo, revirando os olhos.


Juntos não é um compromisso como namorar, por exemplo, é seguro,
sem pressão, sem estresse, então não há nada de mal em classificar a nossa
relação com essa palavra.
― Desde quando? ― Bran indaga suspeito. ― Desde a festa?
― Sim ― confirmo.
― Bom que seja! ― exclama. ― Porque tenho que ser o primeiro a
saber. Quer dizer, além da mídia, é claro! ― completa sério.
― Como assim? ― indago confusa.
Sean coça a nuca, parecendo desconfortável ao meu lado.
― Eu tinha um bom motivo para vir a sua casa, Ally, além de querer
notícias suas, priminha ― salienta Brandon. ― Te liguei e você não
respondeu às ligações, então pensei que estivesse doente. Sei lá! E você me
deve uma explicação pela doideira que você me fez fazer na noite anterior.
― Ele fita seriamente Sean ao prosseguir: ― Antes de sair de casa, vi no
noticiário que estão especulando se você é, enfim, a mulher que conquistou
o coraçãozinho do Executivo Tatuado.
― Quê? ― pergunto perplexa, fitando o rosto de Sean, que está neutro.
― Isso mesmo. Está rodando em tudo que é meio de comunicação ―
fala Bran.
― Isso não é ruim, Allyson ― Sean se pronuncia, sentindo minha
tensão. ― Podemos contornar isso. Sei como lidar com a mídia.
Encaro-o zangada.
― Como não é ruim? Trabalho para você, Sean! Vão falar que sou
golpista! ― digo aturdida, já imaginando as manchetes:

Auxiliar Executiva Seduz Chefe Bilionário Por Cargo.

Estremeço. Posso ser uma louca varrida, mas não sou uma golpista!
― Como você vai lidar com esses boatos? ― indago, tentando enxergar
luz no fim do túnel.
― Na verdade, não é um boato ― diz sério. ― Estamos realmente
juntos. ― Sem deixar de me fitar, fala: ― Acho que está mais do que na hora
de assumir um compromisso.
Pisco. Sean prossegue:
― Se assumirmos nosso relacionamento, os boatos maldosos vão
terminar. E com o tempo se esquecerão de nós ― afirma categoricamente.
― O que você disse? ― indago, pressentindo que vem uma bomba.
Sean fita meu primo, pedindo algum tipo de permissão silenciosa, que
o mesmo lhe concede. Então me fita cautelosamente e toma minhas mãos
geladas entre as suas fortes. Seus olhos brilham com calor intenso ao
fitarem os meus. Meu coração dispara, e fico zonza quando da boca bonita
saem as seguintes palavras:
― Allyson Jordan, quer ser minha namorada?
ENGULO PRECARIAMENTE A SALIVA. Oh, bitch! Escutei
corretamente? Não pode ser! Não quero ouvir essa pergunta. Não agora.
Nem nunca! Eu... não sei lidar com relacionamentos sérios.
― Você me pediu em namoro? ― pergunto incrédula.
― Sim ― confirma ele de forma simples, leve, mas em um tom
determinado.
Meus olhos podem estar sem foco, mas tenho certeza que os dele
devem estar intensamente brilhantes.
― Deus! Estou sem ar ― sussurro, soltando-me de suas mãos. ―
Preciso me sentar. Preciso de ar ― digo ofegante, procurando com as mãos
o sofá mais próximo e me sentando quando o encontro.
― Allyson? Você está bem? ― pergunta preocupado, agachando-se a
minha frente.
― Não ― respondo com voz fraca, puxando o ar com força.
Abano-me. Onde estão aqueles saquinhos de pânico, quando se precisa
de um?, questiono-me, louca.
― Não está bem? ― indaga ele confuso, tocando meu rosto.
Retiro sua mão, pois quero um pouco de distância.
― Quis dizer ― tomo fôlego ― que não aceito namorar você. ― Puxo o
ar ruidosamente pela boca.
Ao entender minhas palavras, seu rosto se obscurece, mas sua voz soa
calma:
― Por quê?
― Nós mal nos conhecemos!
― Eu sei, mas... ― Ele se cala, então prossegue, retrucando: ― Isso é
remediável. Não é uma desculpa plausível, Allyson.
Respondo em tom forçado:
― Não combinamos!
Sean me encara sério. Aponta:
― Você sabe que está fugindo, não é?
― Não quero ter um relacionamento sério. Não sirvo para isso ―
confesso, desviando meus olhos para meu primo, que acompanha toda a
conversa em silêncio. Ele sabe bem o porquê.
― Nem comigo? ― ele indaga em tom neutro, mas seus olhos estão
semicerrados.
― Com ninguém ― ressalto imparcial, respirando com dificuldade,
mas já sem tontura.
― Então está colocando um fim ao que temos? ― pergunta friamente,
erguendo-se.
Demoro a entender suas palavras.
― Não! ― exclamo quando a ficha cai. ― Deus! Não! Mas o que nós
temos, Sean? ― pergunto, agora zangada.
Ele me devolve no mesmo tom:
― Não sei! Estou pronto para nomear, mas você está fazendo uma
tempestade! Fica difícil!
― Você acha que para mim também não é difícil? ― questiono me
erguendo.

― Não sei. Você não se abre! ― acusa erguendo a sobrancelha.


― Pare com isso ― peço fazendo uma careta.
― Parar com o quê? ― indaga cruzando os braços.
― Com toda essa conversa ― digo em tom enfadado. ― Não vai nos
levar a lugar algum.
― Porque você quer que seja assim! ― salienta ele me fitando
severamente.

― Não me pressione! ― grito.


― Não quero pressioná-la, mas porra! Você está me deixando puto da
vida! ― grita de volta.
― Parem os dois com isso! ― intromete-se Brandon. ― Dê um tempo a
ela, Sean. Ally tem seus motivos para recusar ― diz meu primo tocando o
ombro do amigo.
Sean se afasta e indaga determinado:
― Quero saber quais são.
― Quando ela se sentir preparada, lhe dirá. Mas agora chega de brigas.
― aconselha Brandon, ganhando um olhar hostil de Sean.
― Não quero brigar. Nunca quis ― respondo retorcendo as mãos
nervosamente.
― O que você quer verdadeiramente de mim, Allyson? ― pergunta
Sean em tom cortante. ― Uma foda de ocasião?
Assusto-me com sua frieza.
― Sean... ― Interrompo-me e mordo meu lábio inferior. Oh, Deus, no
começo, sim, mas agora... agora me sinto perdida em meus receios e medos.
Não sei o que estou fazendo. Só quero fugir dessa conversa. ― Não sei...
Sean me corta rude:
― Você tem que me dizer! Diga-me! Preciso entender o porquê de ser
rejeitado na única vez em que peço uma mulher em namoro.
Deus, ele está tão magoado! Meu coração perde uma batida. Sinto-me
tão sortuda! E porra! Quero muito correr para os seus braços e dizer yes,
honey! Essa bitch é toda sua. Entretanto o medo me paralisa.
Nós tínhamos conversado. Alertei que não queria nada sério, e ele
concordou! E agora me vem com essa? E me deixa ao ponto da loucura, do
medo apenas para assumirmos uma relação que servirá de paliativo de
fofoca de mídia? Não! Não vou cair na sua manipulação. Em tom sério,
relembro-o:
― Quero ficar com você sem cobranças, sem amarras.
― Pensei que... ― Ele balança a cabeça e sorri de lado ironicamente. ―
Não tem mais importância. Não se preocupe, vou cuidar para que os boatos
cessem.
― Sean... ― murmuro triste.
― Tudo bem, Allyson. Você me terá assim. Sem compromisso. Sem
exclusividade. Fico com quem eu quiser, e você também. Que tal? ― sugere
sorrindo cinicamente.
QUÊ?!, minha mente grita perplexa. Minha boca se abre. Ele está
louco? Só pode! É lógico que não quero esse acordo! Fito-lhe a face irritada
e percebo seu jogo. Ele quer me forçar a aceitar o pedido sutilmente na
pressão. No entanto não vou cair na sua armadilha.
― T-tudo b-bem ― concordo de má vontade e ainda gaguejando de
raiva.
Sean pisca estupefato.
Ponto para mim. Começo a comemorar, iludida, o fato de que Sean
desistirá desse absurdo de sugestão, então ele me responde
arrogantemente frio:
― Ótimo! Estamos combinados!
Brandon bufa incrédulo. Quero poder fazer o mesmo sem me
entregar.
― Prima, você está louca? ― diz Brandon me encarando embasbacado.
Sei bem do que a mídia vai me chamar. Que se danem! Tenho coisas
mais sérias me atormentando no momento para me preocupar com esses
urubus, como minha fobia a relacionamentos sérios, por exemplo. Nunca
estive em um. Tenho 23 anos e nunca namorei. Fiquei bastante, mas
namorar, nunca.
Sim, é oficial, corro de compromisso.
― Eu sei, mas não ligo mais. ― Tento parecer conformada, mas no
fundo estou apreensiva com o que lerei ao meu respeito nos sites de
fofocas.
― Você surtou há pouco e agora não liga mais? Que marmota é essa,
Allyson? ― pergunta meu primo.
Sean me olha indulgente com um sorrisinho cínico. Ele está louco para
ver minha rendição. Posso até cair, mas cairei lutando. Ah, sim, bitch!
― Deixem que falem. Não me importo mais. ― Dou de ombros,
demonstrando uma falsa segurança.
― Louca! ― exclama Brandon e encara Sean. ― Você vai concordar
com essa loucura? ― questiona possesso com o amigo.
Calculadamente Sean responde:
― É o que Allyson deseja. Então, sim.
Os dois se encaram seriamente, e há um brilho de audácia e de desafio
nos olhos de Sean.
Brandon suspira rendido.
― Vocês são adultos. Lavei minhas mãos ― diz balançando a cabeça.
Um silêncio pesado se instala até que Sean diz, prático:
― Pegue o que vai precisar, Allyson. Precisamos partir.
Arfo.
― Vamos viajar? ― pergunto aturdida e esperançosa em ainda poder
estar em seus braços sem mais discussões.
― Se você ainda quiser ― responde de forma displicente, mas me
encarando com perspicácia.
― Quero, sim! ― respondo prontamente, com medo de que mude de
ideia.
Sim, sou uma desequilibrada por me negar a ter algo sério com ele e
almejar somente migalhas.
― Então se apresse ― manda ele com os olhos fixos em Brandon. Eles
confabulam algo apenas com um simples olhar, no entanto não dou muita
bola para o fato. E, diante do olhar assombrado do meu primo e do distante
de Sean, corro para meu quarto. Ainda me sentindo tensa, abro o closet e
pego minha mochila de viagem e a coloco em cima da cama. Separo mudas
de roupas no estilo moda praia, calcinhas e sutiãs. Pego minha nécessaire
com meus pertences de higiene e coloco meu celular dentro da mochila
junto com o carregador. Quando tudo está pronto, sento-me na cama e
coloco minha cabeça entre as mãos.
Estou mesmo fazendo a coisa certa? Sair com Sean depois dessa
conversa reveladora? Não sei, mas o desejo e não estou preparada para lhe
dizer adeus. Não quero que o que temos, seja lá o que seja, termine. Quero
prolongar o mais que puder o tempo em que estaremos juntos.
Sou uma egoísta medrosa e não consigo controlar o medo que sinto.
Tenho medo de sofrer ao me deixar envolver de cabeça em uma relação
com Sean. Não tive amor de mãe, porém meu pai me amou até quando Deus
o levou, aos meus dez anos. Foi um sofrimento ver meu pai definhando de
saudades de minha mãe, e não desejo isso para mim.
Cresci em um ambiente sem amor, hostil. Meu primo foi o único que se
preocupou comigo. Ele viu o que tinha de melhor em mim. A vida me fez
aprender a me virar sozinha, e me sinto segura assim, tomando as rédeas
da minha vida, seguindo as minhas regras. Respiro fundo, seguro a alça da
mochila e saio do quarto.
A sala está silenciosa, e Sean, encostado no batente da janela, olhando
o céu.
― Onde está o Brandon? ― pergunto ajeitando a mochila em minhas
costas.
― Teve assuntos urgentes a tratar ― informa sem me olhar. ― Está
pronta? ― indaga movendo as chaves do carro e do apartamento entre os
dedos.

― Sim.
Sean caminha até mim, toma-me a mochila e a põe em suas costas.
Segura minha mão e me leva até a porta. É ele quem tranca o apartamento
também. Entramos no sedã ainda em silêncio. O carro se move ao comando
preciso de Sean, e observo a paisagem, tentando não me intimidar muito
pelo clima tenso reinante entre nós.
Uma hora depois estamos novamente na casa de praia, e, mesmo com
toda a tensão, estou feliz por estar aqui. Adentramos a casa juntos. Observo
o lugar, ainda admirada com o luxo em harmonia com a natureza ao redor,
enquanto Sean leva nossas coisas para o quarto.
Pergunto-me como será entre a gente agora. Ele será capaz de pegar
qualquer uma na minha frente? Nem quero pensar nisso. Eu acabarei com a
raça de qualquer vagabunda que ousar se aproximar dele!
Confabulo mil e uma maldades para as possíveis vagabundas, quando
sinto a mão forte em minha cintura. Sean me gira e me beija com avidez,
puxando-me para si. Meu corpo responde à sua aproximação com festa.
Enlaço seu pescoço com meus braços, deixando-me levar pelo prazer de
seu
me àtoque. Ainda nos beijando,
sua musculatura Sean me prende em seus braços, apertando-
rígida. Gemo.
Ele interrompe o beijo e me olha intensamente por um instante. Então
começa a me despir. Com mãos ágeis, Sean retira minha jaqueta, seguida
por minha camisa. Ambas as peças agora enfeitam o chão. A boca máscula
volta a buscar a minha em um beijo forte, faminto. Sua boca logo passeia
pelo meu colo, brincando com meus peitos.
Arqueio-me em sua direção. Minhas mãos correm pelas costas largas,
voltando em direção aos seus braços, tentando retirar a sua jaqueta. Ele me
ajuda a removê-la quando me atrapalho, retirando sua camisa em um
puxão ágil.
Suas mãos vão até minha curta saia, retirando-a, os dedos longos
acariciando-me por cima da renda fina da calcinha. Estremeço ao senti-lo
penetrar-me com eles. Minhas mãos descem para o cinto de sua calça,
retirando-o. Abrindo caminho pelo tecido da boxer, toco seu pau. Sean
treme. Afasto mais a calça, deixando-a cair aos seus pés, e faço o mesmo
com sua boxer, manipulando sua ereção sem empecilhos. Por um tempo
memorável ficamos assim, provocando-nos, levando-nos além da excitação,
até que, perto do clímax, peço arrego:
― Me fode, Sean! Agora!
― Com todo prazer! ― exclama rouco.
Sem cuidado, ele rasga minha calcinha com as mãos, ergue-me e abre
minhas pernas, penetrando-me de forma selvagem, em pé no meio da sala
de estar. Grito deliciada com suas estocadas profundas, acompanhando seu
ritmo. Sean rosna baixo a cada rebolar meu em seu pau. Cavalgo
enlouquecida de tesão. Sei muito bem que fico perdida quando ele me toca
assim e que é uma questão de tempo ele perceber que estou em suas mãos.
O êxtase nubla meus pensamentos, fazendo-me esquecer meus
temores. Minhas mãos passam entre seus braços em direção às nádegas
musculosas e as aperto com força, incitando-o a me penetrar ainda mais
fundo, convulsionando de prazer.
Meu nome sai de seus lábios enquanto ele goza, e isso me deixa ainda
mais cativa de seu maldito amor. Ainda sentindo os espasmos do prazer,
Sean nos leva pelas escadas em direção ao quarto onde, há poucas horas,
amamo-nos. Ele vence a distância do corredor a passos largos.
Adentramos o quarto, e ele me leva até a ducha. Depois de um jantar
delicioso pedido por ele a um restaurante da região, na enorme cama de
casal e sob a luz da lua, perdemo-nos nos braços um do outro novamente.
E, quando os olhos azuis tão cheios de amor e mágoa me fitam durante o
apogeu do prazer, meu coração estremece, dolorido de culpa.
Fico sem ar. Não posso negar mais a mim mesma que o amo e estou
sofrendo por não querer amá-lo tanto ou mais do que ele. Também tenho
certeza de que me arrependerei de protelar tanto minha rendição.
O SABOR AMARGO DA REJEIÇÃO ainda se faz presente em minha
boca. Nunca fui rejeitado antes. E porra, doí! Não somente meu ego foi
ferido, como meu coração. Nunca amei ninguém antes e nunca me abri para
ninguém, e quando isso acontece, sou recusado.
Fito Allyson dormir serenamente no calor dos meus braços. Sua
respiração ritmada e o bater suave de seu coração perto do meu são um
bálsamo para as minhas feridas recentes. Cacete! Realmente amo Allyson.
Quando me dei conta?
Acho que o medo de perdê-la me fez ver o óbvio. Como me liguei a

alguém tãovulnerável.
me sentir rápido ainda é um mistério
E, mesmo parapara
não pronto mim.amar,
Apavora-me
aceito opara caralho
sentimento.
Engulo o medo e toda a minha convicção de que amar não é algo esperto e
sadio para mim, tudo por essa feiticeira, que me fascinou com sua boca suja
e mentirosa. Uma criaturinha teimosa, digna de atitudes
surpreendentemente carinhosas e altruístas com quem não conhece. Ela
tratou minha mãe com o carinho de quem a conhecia havia séculos e não
apenas algumas horas. E aqui estou, apaixonado por essa diaba! Ela
conseguiu me prender em menos de uma semana, ou melhor, em menos de
24 horas ao seu lado!
Vou lutar por ela. Por nós dois. Sei que, por trás de sua negação
medrosa, há traumas sérios, um pânico tão grande que é visível nos olhos
verdes. O que aconteceu de verdade?
Vou recorrer à única pessoa que pode me ajudar: Brandon! As poucas
palavras trocadas entre nós dois quando Allyson nos deixou sozinhos
foram tensas, mas ele terá que me ajudar a entender o que aconteceu para
que eu possa encontrar uma forma de penetrar as defesas de sua prima
teimosa. Necessito pensar, arquitetar. Porém preciso conhecer o passado
de Allyson. E será agora.

mexeLevanto-me
quando deito com
suacuidado para
cabeça no não acordá-la,
travesseiro. tanto
Beijo sua quecom
testa ela carinho
mal se
ao me afastar, visto a boxer, pego meu celular e saio do quarto. Desbloqueio
o aparelho, que me mostra uma ligação perdida e uma mensagem, ambas
são de meu pai.
Apago a chamada e não me dou ao trabalho de ler a mensagem
enquanto desço as escadas. Caminho em direção à sala de estar, recosto-me
à porta de vidro e disco o número do meu amigo. É madrugada, e sei que
Brandon ficará puto por eu acordá-lo. No terceiro toque a voz rouca me

atende, irada como eu espero.


― Não dorme, não, McGregor? ― diz irritado.
― Preciso que me ajude ― falo sem me importar com seu tom rude.
― Já disse que não posso trair a confiança de Ally ― responde sem
hesitar.
― Você tem que me dizer algo! ― retruco, não levando em conta suas
considerações.
― Não posso ― volta a dizer. ― Desculpe, mas não posso.
― Brandon, você é meu amigo, tem que me ajudar. ― Não vou desistir
facilmente.
― Também sou primo de Ally, e te conheço como ninguém, não se
esqueça ― lembra-me.
― Porra, Brandon! Você não percebeu que estou apaixonado por
Allyson? ― vocifero.
― E o papo de relação aberta? ― indaga me sondando.
― Jamais permitirei que algum marmanjo toque em um fio de cabelo
de Allyson! Mato o infeliz antes!
Brandon gargalha e cinicamente me responde:
― Já sabia, mas desejava ouvir sua rendição.
― Filho da puta! ― exclamo zangado.
― Acalme-se, McGregor, e deixe minha mãe fora disso ― pede ainda
rindo.
― Vai me ajudar? ― pergunto ainda irado com sua crise de riso.
― Sim, mas não vou trair a Ally. Apenas vou te contar uma versão
reduzida da história da minha prima.
― Comece ― mando.
Brandon bufa ao retrucar:
― Você poderia ser mais gentil, Sean, afinal estou sendo muito
benevolente com você.
― Em outra hora, agora quero saber o que houve ― respondo curto.
Brandon respira fundo e começa:
― Ally é órfã. Sua mãe morreu em seu parto. Tia Lunna morreu para
salvar a Ally, e meu tio Kevin não soube lidar com a perda.
― Então? ― incentivo, curioso.
― Então seu pai morreu quando ela tinha dez anos. ― Brandon faz
uma pausa e, quando retorna a falar, seu tom é triste: ― Ally passou por um
tempo bem obscuro.
― Quem cuidou dela? Foram seus pais? Pelo que percebi, vocês são
bem unidos. Isso seria o motivo, não é?
― Sim. Meus pais receberam a guarda de Ally ― revela em tom
desaminado.
Solto uma imprecação.
― Diabos! Deve ter sido um inferno a vida de Allyson! Seus pais são
horríveis, Brandon!
Meu amigo ri sem humor.
― Então você tira por aí o quanto foi difícil para ela crescer em um
ambiente arbitrário. Allyson não confia em ninguém, nunca deixou
ninguém se aproximar dela. Fui o único que consegui quebrar sua
armadura. E não foi fácil.
― Pobre Allyson. Lembro-me bem das vezes em que sua mãe me viu
na faculdade. ― Rio irônico. ― Ela me olhava como se eu fosse um marginal
e sempre estremecia ao fitar minhas tatuagens.
― Por isso você nunca pôde ir lá em casa ― Brandon diz baixo.
― Sim! ― concordo. ― Sua mãe é o cão! E seu pai também não fica
atrás! Nem vou citar suas irmãs! ― exclamo me colocando no lugar de
Allyson mais uma vez.
― Mas é minha família, Sean ― murmura complacente, conformado.
― E que família! ― ironizo.
― Seu pai também não é flor que se cheire ― devolve.
Respondo frio:
― Quer dizer para mim? ― Completo: ― Obrigado por ter me contado.
― Bem, não foi por livre e espontânea vontade ― diz zombeteiro.
― Imbecil! ― xingo-o, rindo.
Ele ri. Porém seu tom fica severo:
― Prometa-me, Sean. Prometa-me que não vai fazer minha prima
sofrer.
― Prometo fazer o impossível para fazê-la feliz ― respondo sincero.
― Sem truques? ― pergunta em tom receoso.
― Não prometo isso ― respondo evasivo, mas verdadeiro.
― Que porra está tramando, Sean? ― Brandon quer saber,
desconfiado.
― Nada demais. Sossegue ― digo neutro, mas já estou maquinando
uma estratégia.
― Sean, Sean, não me faça te dar outra surra! ― ameaça-me.
― Outra surra? ― rio alto ― Eu que te surrei! ― Ainda rindo,
provoco:― Você não tem capacidade para ganhar de mim!
― Não venha com essa! Sou mais forte que você! ― protesta, metido.
― Boa noite, Brandon! ― Desligo.
Minha mente começa a juntar os fatos. Muitas coisas se encaixam na
atitude temerosa de Allyson. Ela não teve amor de mãe, perdeu-a cedo
demais. E a dor pela qual seu pai passou provavelmente é a causa de seu
medo. Ela presenciou seu velho sofrer por amor. Como poderei ajudá-la a
superar? Com amor, carinho, zelo. As respostas surgem mais fácies do que
imaginei.
Há um único jeito de fazê-la aceitar que devemos ficar juntos, mas
será doloroso
mensagem do para
meu nós
pai. dois. Meu celular
Desbloqueio vibra
o visor e fito
e leio como aparelho;
desânimo.é uma nova

Não seja cabeça dura! Mande-me notícias suas. Estou muito curioso
para conhecer sua namorada, ou melhor, sua única namorada! Dominique
sente sua falta. Suas irmãs também. Venha almoçar conosco hoje. Esperamos
sua presença!
Benjamin.

É alguma piada? Digito minha resposta rapidamente. Ela é curta e


impessoal.

Declino.

Envio-a, então volto para o quarto e durmo nos braços de Allyson.

Desperto
sabendo a quemcom mãos suaves
pertencem. Gemopasseando
roucamentepor meu corpo.
quando Sorrio
algo úmido torto,
e macio
desliza pelo meu pau, engolindo-o logo em seguida. Desarmado pela
surpresa da carícia devastadora, desfaço-me na boca quente de Allyson.
― Porra! ― rosno.
Ainda com o coração acelerado e a vista nublada pelo êxtase, fito o
sorriso feliz e travesso de Allyson quando ela apoia sua cabeça em meu
peito.
― Você quer me matar do coração, mulher? ― exclamo sem fôlego.
Ela solta um risinho maroto.
Sorrio com segundas intenções e, sem lhe dar chance de reação, viro-a
agilmente, colocando-a de costas na cama. Fico por cima de seu corpo.
Diante dos olhos surpresos de Allyson, solto um selinho na boca sensual.
Logo meus lábios deslizam em direção a sua jugular, descendo pelo pescoço
delgado, lambendo-o lentamente. Desço mais um pouco e tomo seus peitos
em minha boca, deixando os bicos tenros sensíveis ao provocá-los com os
dentes e a língua. Quando fico satisfeito, percorro o corpo esbelto com
minha língua, instalando-me entre as pernas roliças. Sem deixar de fitar o
rosto lindo, separo os lábios de sua boceta com meus dedos; eles adentram
de forma lenta no calor molhado de sua excitação, de forma
verdadeiramente torturante.
― Oh, Sean! ― exclama Allyson, gemendo e empurrando o quadril em
direção aos meus dedos.
Sorrio, pretensioso. Minha língua logo se junta aos meus dedos,
lambendo e sugando o pequeno músculo trêmulo de seu clitóris. Em pouco
tempo tenho Allyson estremecendo, ofegante e gemendo roucamente de

prazer.
Depois de providenciar o café da manhã, deixo Allyson recebendo-o
metida em um roupão e vou vestir minha sunga. Aproveito e ligo para casa
à procura de notícias de minha mãe, não dando importância para mais uma
ligação perdida do meu pai. Inicio uma longa conversa com mamãe, e ela
me faz jurar mandar um beijo para Allyson. Certifico-me de que tudo está
tranquilo.
Logo após, junto-me a Allyson. Estamos relaxando e tomando nosso
café da manhã à beira da piscina. Allyson está ao meu lado em uma
espreguiçadeira e morde um suculento morango com indisfarçado deleite.
Devoro com os olhos o seu corpo perfeito, mas precisamente os seus
peitos no biquíni mínimo. Ela usa uma saia curtíssima de babados,
escondendo a parte inferior, e isso está me deixando ouriçado, curioso e
excitado.
― A cor azul lhe cai muito bem, Allyson ― ressalto com os olhos fixos
em seus seios.
― Acha mesmo, chefinho? ― indaga em tom falsamente doce,
provocando-me.
Estou mais que disposto a participar de sua provocação. Com o rosto
em branco, respondo em tom neutro:
― Só preciso averiguar a parte de trás do biquíni para que minha
opinião seja mais correta. Levante-se ― mando.
Allyson morde o lábio inferior e se ergue devagar, retirando a saia de
forma sensual.
Engulo em com dificuldade e comando:

― Agora, vire-se.
Allyson nem hesita em me obedecer, e ainda mais provocante, gira
lentamente, fazendo-me quase ter uma síncope.
― Porra! ― não posso segurar a exclamação estupefata diante da
gostosura de sua bunda linda em uma porra de um fio dental! Como um
bobo boquiaberto, aprecio a visão estupenda, a ereção me incomodando.
― Estou aprovada, chefinho? ― pergunta maliciosa por cima dos
ombros.

Comando em um gemido:
― Aproxime-se, Allyson.
Ela vem até mim em passos lentos. Para à minha frente, olhando-me
com expectativa. Encaro-a cheio de promessas, então giro seu corpo para
que fique novamente de costas. Acaricio a carne firme e ao mesmo tempo
delicada de suas nádegas com adoração, apalpando-as.
Allyson solta um gemido fraco. Más intenções flutuam ferozmente
pela minha cabeça. Sem poder me conter, dou um tapa em uma de suas
nádegas. Allyson grita surpresa, enquanto faço o mesmo na outra.
― Você me bateu? ― exclama ofegante, virando-se e me fitando
incrédula. Esfrega ostensivamente os locais, que agora estão com a marca
dos meus dedos, seus olhos em chamas, mas não há indignação neles, mas
sim um forte tesão.
Sorrio torto.
― Baterei novamente se voltar a me provocar. Agora se aproxime
mais.
Ela me sorri marota e me desafia:
― Não mesmo! Venha me pegar, chefinho!
Então sai em disparada, correndo ao redor da piscina. Fico por um
instante incrédulo com sua ousadia, mas logo me ponho de pé, correndo
atrás da minha gazela provocadora, que ri se divertindo ao me driblar
quando estou quase a alcançando.
Ela contorna a piscina rapidamente, porém estou em seu encalço.
Tenho uma estratégia em mente. A deixarei se cansar. Eu rio e acho que
nunca me diverti tanto, mas nós temos assuntos inacabados. Encurralo-a
quando corre
movimento e aem direçãopela
pegando às cadeiras emum
cintura em torno daágil.
gesto piscina, antecipando
Allyson seu
grita quando
nos jogo com tudo dentro da piscina. Mantenho meus braços ao redor de
Allyson predatoriamente e a ajudo a emergir, rindo de sua expressão
zangada e de seu cabelo despenteado.
― Você trapaceou! ― acusa ofegante, tentando escapar do meu aperto.
Rio enquanto afasto seu cabelo dos seus olhos.
― Cada um luta com as armas que tem ― retruco, pressionando-a na
borda da piscina. Afasto suas pernas.
― O que você está fazendo? ― indaga confusa, mas seus olhos espertos
brilham.
Sem responder-lhe, calo sua boca com um beijo ardoroso. Com uma
das mãos, seguro a parede, ao mesmo tempo em que a outra passeia pelos
seus peitos, erguendo o biquíni.
Allyson segura meu pescoço com força quando afasto a parte de baixo
de sua roupa de banho, estimulando sua carne com meus dedos. Ela me
beija avidamente e tenta retirar minha sunga. Atendo sua vontade e a
retiro. Sem esperar, penetro-a e, sem muito cuidado, movo-me dentro dela.
Interrompo o beijo para respirarmos. Allyson ofega e geme. Mordo seu
queixo, sua jugular e volto a beijá-la.
Suas unhas se cravam em meus ombros e descem, arranhando-me as
costas, suas mãos me pressionando mais contra ela. Os bicos de seus seios
roçam meu tórax, excitando-me ainda mais, assim como o fazem seus
gemidos despudorados. Mais uma vez cesso o beijo para que possamos
respirar. Allyson me morde o ombro esquerdo com força quando suspendo
ainda mais seu quadril, estocando mais rápido e profundamente. Minha
boca morde seu pescoço, chupando-o, deixando minha marca.
― Eu... estou tão perto, Sean... Vou gozar... ― ronrona.
E chega ao clímax. Acompanho-a em seguida.
Passamos o resto do dia na piscina, nadando, amando-nos. Peço nosso
almoço e, ao final da tarde, fazemos um passeio pela praia. Assistimos ao
pôr do sol e, nesse momento, tomo sua mão entre as minhas e me espanto
por ela não se esquivar. Contemplamos a paisagem de mãos dadas. É o
momento mais íntimo que vivi com alguém. É mais um incentivo para não
desistir de lutar
fazer ciúme por nós
em curso, masdois.
meuSeicoração
que tenho que colocar
não concorda. Elemeu
nãoplano de lhe
quer feri-la,
entretanto Allyson não me deixou alternativa.
De volta à casa de praia, sugiro sutilmente:
― Poderíamos ir a uma boate aqui perto.
Estamos deitados no sofá da sala de estar, assistindo a um programa
bobo na TV a cabo.
― Boate? ― indaga erguendo a cabeça do meu peito para me encarar.
― Se você não reparou, estou cansada.
Bufo.
― Largue de ser preguiçosa. ― Faço-lhe cócegas.
Ela ri e pergunta:
― O que tem de especial nessa boate?
― Boa música. Um ambiente agradável. E sem paparazzi ― pontuo.
― Hum... Não trouxe roupa para sair ― diz, fazendo bico.
― Também não, mas a boate é um ambiente descontraído. Não se
prenda às convenções. Aliás, pensei que não ligasse para elas ― provoco-a.
― Não me prendo! Vamos nos trocar, vamos a essa boate! ― diz,
mordendo a minha isca.
Sorrio.

Uma hora depois


Por que mulheres demoram uma eternidade para ficarem prontas?
Troco-me rapidamente, e visto um jeans escuro, uma camiseta de gola em V
azul e um par confortável de tênis. Zapeio os canais, quando Allyson desce
as escadas, linda em um vestido floral de alças. O tom claro realça seu
bronzeado recente. Seus cabelos caem sedosos em suas costas. Ergo-me do
sofá e desligo a TV sem desviar a atenção de Allyson, meus olhos ocupados
em focar o corpo lindo a minha frente.
― Você está apetitosa! ― exclamo, laçando-a pela cintura.
― Você também não está nada mal ― responde zombeteira, correndo
as mãos por meu tórax. Dando-me um beijo quente, comanda: ― Vamos lá,
bonitão.
E seguimos de mãos dadas.
Dirijo agilmente, mas sem infringir nenhuma lei de trânsito. Chegamos
à Glamour, uma boate requintada, porém adepta de todas as classes, desde
que respeitem as regras e paguem o que consumam. Pessoas esperam em
uma enorme fila na entrada. O lugar está lotado, como de costume em todos
os finais de semana.
Allyson faz careta ao ver a fila, enquanto estaciono na garagem a
poucos metros do local.
― Não vamos conseguir entrar ― constata desaminada ao sair do
carro.
― Vamos ver! ― respondo, levando-a em direção à entrada.
Na mesma hora o segurança me reconhece e nem me faz perguntas
quando passo reto por ele, o que faz as pessoas na fila reclamarem.
― Como você fez isso? ― pergunta desconfiada.
― Sou amigo do dono ― digo sem dar detalhes.
A boate fervilha quando adentramos.
― Que lugar lindo! ― exclama Allyson.
A decoração da boate é eclética, tem um pouco de todos os estilos, do
pop a temas tropicais. Fomos para o bar. A pista está lotada, um rock da
moda faz a festa dos que dançam.
Sorrio torto ao lhe responder:
― Sabia que gostaria. ― Faço um gesto chamando o barman quando
nos aproximamos do balcão. Allyson está distraída admirando o ambiente,
e aproveito para ordenar em tom baixo a ele: ― Você não me conhece.
Entendeu?
― Sim, senhor ― meu funcionário responde sem entender, mas sem
questionar.
― Traga-me uma Coca-Cola ― peço. ― O que deseja, Allyson? ―
pergunto elevando um pouco a voz. Ela ainda presta atenção na decoração.
― Quero um Martini ― pede sorrindo.
― É para já! ― exclama o barman, servindo-nos prontamente e
retornando aos seus deveres.
Sento-me no banquinho disposto ao balcão e puxo Allyson para meu
colo.
― Você vem sempre aqui? ― pergunta curiosa.
― Não muito ― digo evasivo. Como explicaria que aqui é minha área
de caça? Que estamos aqui para que ela tenha uma crise de ciúmes ao ver a
aproximação de uma possível rival? Poria meu plano em xeque, melhor
ficar calado. Bebo o refrigerante.
― Sei... E esse seu amigo? Quem é? ― indaga suspeita, bebericando sua
bebida.
― Como? ― faço-me de desentendido, dando outro gole na Coca-Cola.
― O dono da boate. Você disse que é seu amigo, não? ― Ergue a
sobrancelha direita.
― Na realidade somos sócios em outro empreendimento, então ele me
permite ter passe livre aqui ― respondo o mais verdadeiro que posso.
― Entendi ― diz por fim. Então grita: ― Amo essa música! Vem! Vamos
dançar!
Ela retira a Coca das minhas mãos e a deixa no balcão junto com sua
bebida e me puxa em direção à pista de dança. Deixo-me levar e trato de
empurrar com os ombros os marmanjos de perto de Allyson. Assim que
chegamos à pista,
dos meus ao som de elaRihanna
começa. a rebolar os quadris de forma sensual perto
Seguro sua cintura fina e aperto seu corpo junto ao meu, imitando
seus movimentos. Logo estamos nos beijando, até que uma voz irritante
nos interrompe:
― Vejam! Mas se não é o velho e depravado McGregor em seu
ambiente de caça?
Sem desgrudar de Allyson, encaro meu interlocutor com raiva.

― David... ― falo em tom seco.


― Quem é a belezinha? ― pergunta analisando as curvas de Allyson.
Ele está implorando para morrer. ― Conheço você! É Allyson, não? ―
completa matreiro.
― O que faz aqui, David? ― ela pergunta rudemente.
― Me divertindo! ― Pisca cínico. ― Deus! Como o mundo é pequeno! ―
Ri, e de repente insinua: ― McGregor, você tem um espetacular bom gosto
para mulheres! Aquelas duas ali ― aponta para uma loira e uma morena ―
são louquinhas por você, tentei chegar junto, mas levei um fora! Pode? ― Ri.
Então toca a testa e pergunta: ― Lembra-se da querida Sulla, McGregor? ―
Aponta para a ruiva ao seu lado, que, até então, eu não dera conta da
presença.
― Olá, Sean. Senti saudades ― ronrona a ruiva em minha direção.
Allyson fita a mulher de cima a baixo com indisfarçável nojo. Seu
corpo fica tenso.
― Vamos relembrar os velhos e bons tempos? ― a ruiva prossegue,
ronronando sem tomar conhecimento de Allyson.
David gargalha e solta malicioso:
― Não deixe a moça na saudade! Não seja um garoto mau, McGregor!
Faço cara de tédio.
A ruiva, sentindo-se incentivada por David, resolve me bajular. Diz
manhosa:
― Espero pelo tempo que for. Sean é um homem incrível na cama.
O inesperado acontece. Allyson voa em direção à ruiva e lhe puxa os
cabelos.
― Sua puta siliconada! Você vai morrer na saudade, sua vagabunda! ―
grita furiosa, arrancando tufos do cabelo ruivo.
― Eita! ― exclama David, arregalando os olhos.
O povo da pista se afasta.
― Porra! ― exclamo aturdido e depois do susto tento tirar Allyson de
cima da mulher.
― Sua cretina! Ele é meu! ― ela grita, arrancando mais dois tufos de
cabelo, que saem
agora usando voando
as unhas parapela pista. o―rosto
arranhar Ouviu? MEU! que
da ruiva, ― Allyson
tenta sevocifera,
soltar a
todo custo, pedindo por socorro.
― Cacete, David! Vai ficar aí só olhando, porra? ― falo para ele, que
está paralisado.
Por sorte os seguranças logo chegam, e um deles puxa a ruiva para,
assim, conseguir tirar as mãos de Allyson dos cabelos da mulher. Ponho
Allyson em meus ombros e saio da pista o mais rápido que consigo em meio
à multidão curiosa.
― Solte-me, Sean! Quero partir em duas a cara daquela cadela! ― ladra
Allyson.
― Não ― respondo, levando-nos para fora da boate.
As pessoas nos olham assombradas. Coloco-a de volta no chão quando
chegamos ao nosso carro, no estacionamento vazio. Assim que a libero,
Allyson começa a se afastar.
― Aonde você pensa que vai? ― pergunto confuso, destravando o
carro.
― Embora! ― diz zangada, sem parar de andar.
― Sim, o intuito é esse. Agora volte e entre no carro ― mando, não
entendendo seu comportamento.
Sem diminuir os passos, ela retruca:
― Não quero sua carona. Vou voltar sozinha para casa. ― Frisa: ― Para
minha casa!
Ela está furiosa.

― Que papo é esse? ― quero saber, pondo-me a caminhar em sua


direção.
― Quero distância de você! ― grita com raiva por sobre os ombros.
― O que fiz? ― volto a indagar confuso. Que porra é essa agora?
Do nada ela se vira, para à minha frente e ladre:
― Como teve a coragem de me levar onde pega suas putas, seu
safado!? ― Seus punhos batem em meu peito com força, mas não me
machucam. ― Que ódio de você!

Perco a linha de raciocínio diante de seu ataque.


Enfurecida, ela me lembra:
― Você comeu aquela puta ruiva!
― Sim ― confirmo desgostoso. ― Mas não é...
Allyson me corta, possessa:
― Que merda, Sean!
Então ela começa a chorar.

Desespero-me e agarro seus punhos.


― Allyson, o que você tem? ― questiono louco de preocupação.
― Dói muito, porra! ― fala chorando extremamente.
― O que dói? ― Nervoso e atentamente espero sua resposta.
Allyson puxa seus pulsos, libertando suas mãos do aperto das minhas,
e aponta para o coração.
― Aqui... ― diz com voz chorosa.

― Por quê? ― interpelo, sentindo-me esperançoso.


― Porque... ― ela hesita e se cala. Lança-me um olhar magoado, ainda
chorando.
Com o coração descompassado, pergunto:
― Porque você me ama, Allyson?
Ela empalidece e não responde.
― Eu te amo, Allyson! ― confesso seguro e intenso, cansado de
esconder o que sinto.
― O quê? ― Seus olhos me fitam descrentes.
― Eu te amo! ― repito sem hesitação, sem deixar de olhá-la nos olhos.
― Mas você não tem medo? ― Ela está perplexa.
― Estou apavorado! ― confesso com um longo suspiro.
Ela funga.
― Como você lida com isso?
Sorrio de lado.
― Não é fácil, mas estou disposto a tentar aprender com esse
sentimento. Sou capaz de tudo para não te perder, Allyson. Confie em mim.
Por favor... ― peço acariciando seu rosto.
Ela me fita triste.
― Estou com medo, Sean.
― Eu sei ― respondo compreensivo. ― Mas vou cuidar de você ―
prometo, puxando-a para os meus braços, abraçando-a apertado e a
liberando instantes depois apenas para olhar em seus olhos. ― Agora me
diz ― peço com voz rouca.
― O quê? ― ela pergunta me olhando temerosa.
Peço novamente:
― Diz que me ama.
Ela respira fundo e, em tom grave e rouco pelas novas lágrimas,
rende-se.
― Eu te amo, Sean. Amo muito, porra!

Sem esperar convite, esmago seus lábios com os meus, beijando-a com
desespero. O sabor de seu beijo é salgado pelas lágrimas, mas a sua
essência doce também está presente, viciante como sempre. Ficamos
perdidos no momento até que precisamos respirar. E o beijo cessa entre
selinhos. Rio feliz.
Allyson soluça:
― Sean, ainda estou me borrando de medo.
Encarando-a seriamente, respondo:

― Somos dois, meu amor, mas vai ficar tudo bem. Confie em mim. ―
Enxugo suas lágrimas e beijo sua testa, seus olhos e sua boca. ― Vamos para
casa? Quero cuidar de você.
― Demorou ― concorda com um sorriso genuinamente feliz.
Sorrio, atendendo seu pedido mais que prontamente.
QUANDO VOLTAMOS À CASA DA PRAIA, cumpri com o prometido.
Cuidei de Allyson e fiz amor com ela como nunca antes. Demonstrei-lhe não
somente com palavras o meu amor, mas também com atitudes. Cada gesto
meu a partir daquela noite foi com a intenção de lhe mostrar o quanto eu a
amo e que ela pode confiar em mim.
Allyson me correspondeu com igual furor a paixão. E ainda posso
ouvir sua voz rouca no momento sublime de prazer, aceitando ser minha,
gritando meu nome em êxtase. Todavia ela ainda não aceitou meu pedido
de namoro, o que me deixa triste, frustrado. Porém, não irei pressioná-la.
Hoje mais cedo voltamos à nossa rotina de trabalho. Gostaria de
prolongar nossa estadia na casa da praia, mas havia pendências inadiáveis
no trabalho. Nós ainda não havíamos conversado sobre o que houve, e lhe
propus que conversássemos durante o almoço quando passamos em seu
apartamento para que ela pudesse se vestir adequadamente para o dia de
trabalho.
Allyson aceitou minha proposta e, mesmo se esforçando para
transparecer calma e serenidade, percebi que ela ainda está apavorada com
a ideia de que me ama, com a ideia de se prender a alguém seriamente. Ela
não é a única com medo. Também estou apavorado, mas que se dane o meu
medo. Eu a quero e vou me esforçar para que tudo fique bem entre nós.
Tentarei manobrar as dificuldades e os nossos receios com muito diálogo
honesto.
Na empresa houve muito burburinho quando retornamos, não só causado
pelos meus trajes informais, mas por eu segurar a mão de Allyson enquanto
transitamos pelos corredores da empresa. As recepcionistas estavam
boquiabertas. Despedi-me de Ally na porta de sua sala com um beijo
caloroso. Quando me afastei dela e fitei seriamente minha secretária,
Deanne me lançou um olhar ressentido. A dor refletida em seus olhos era
palpável, mas eu não podia ajudá-la. Murmurei-lhe um bom dia e me
tranquei em minha sala. Troquei minhas roupas informais por um terno
rmani e telefonei para casa, verificando como minha mãe estava. Graças a
Deus, ela estava se comportando muito bem. Porém exigiu que eu levasse
Allyson para casa comigo quando regressasse, pois estava com saudades.
E agora estou aqui, pensando em como convencer Allyson a aceitar ser
minha namorada. Sorrio irônico. Quem diria que um dia eu me esforçaria
para convencer uma mulher a me aceitar? Sempre tive muito facilmente as
mulheres que desejei, e o trabalho para conquistar Allyson, apesar de
sofrido, foi gratificante. Todo homem gosta daquilo que não pode ter. Ally
se mostrou diferente das demais, especial com seu jeito de menina
desbocada, provocante, sensual. Sua personalidade atrevida me cativou
desde o primeiro instante em que a conheci.
Durante toda a manhã de trabalho, chamo-a com alguma desculpa,
tentando alguma intimidade, mas ela refreia minhas investidas, coloca-me
em meu devido lugar. Minha última solicitação foi há poucos minutos, e
ainda posso sentir seu perfume em minhas mãos, resultado de quando
tentei beijá-la.
— Você já me beijou demais no trabalho, chefinho. Comporte-se! ―
foram as suas palavras ao fugir, acompanhadas por um leve sorriso
travesso.
Sorrio ao me recordar. Com o mesmo sorriso, volto a me concentrar
no trabalho.
A manhã passa lentamente entre uma conferência e outra e com uma
reunião no meio. Já estou impaciente quando verifico o relógio de pulso.
Abandono a cadeira assim que percebo que é meio-dia. Abotoo os dois
últimos botões de meu terno escuro, lanço mão de minha pasta e
praticamente corro em direção à porta principal. Ao sair da sala, deparo-me
novamente com Deanne. Não a cumprimento; ela, tampouco. Simplesmente
age como se não tivesse me visto. Melhor assim. Porém, preciso dar um
basta nessa situação. Está insustentável. Não é saudável para os negócios e
para Deanne. Terei que remanejá-la para outro departamento ou para uma
filial.
Maquino o destino de Deanne ao caminhar com passos largos em direção à
sala de Allyson. Abro a porta e sem cerimônia adentro o local. Ela está
entretida ao celular.
― Desculpa ter sumido, Meg, mas aconteceram muitas coisas que
fugiram ao meu controle ― diz enquanto seus olhos me acompanham com
interesse. ― Prometo te contar tudo.
Deixo a pasta em cima de sua mesa e me posiciono às suas costas.
Prontamente afasto seu rabo de cavalo para frente e começo a beijar todo o
seu pescoço, ouvindo toda a conversa.
― Conte-me tudo agora, bitch! ― exige uma voz de mulher do outro
lado da linha.

― Agora
que está nãoEntão
excitada. dá. Preciso
ela faz desligar.
uma pausa.― Sua voz está tensa. Posso dizer
― O quê? Não! Preciso de mais detalhes. Espera! Ele está por perto, não
é? Conheço muito bem seu tom de voz, sua safada!
A mulher está empolgada, e particularmente a acho completamente
sem noção. Parece uma matraca falante. Mordisco o pequenino lóbulo da
orelha de Allyson, que estremece e pigarreia antes de responder:
― Acertou. Ele está bem atrás de mim. Então, te amo, bitch, depois
conversamos. Tchau.
Desliga apressada e gira na cadeira, afastando-se para me encarar.
― Quem era? ― pergunto curioso.
― Minha melhor amiga, Meg ― responde com um leve sorriso. Coloca
o celular dentro da sua bolsa, fechando-a, e volta a me fitar.
― A que está envolvida com o David?
― Infelizmente é a própria.
Ela bufa.
― Quando irei conhecê-la? ― pergunto com planos na mente.
― Quer conhecer Meg? ― indaga suspeita.
― Sim... Por quê? ― respondo sem entendê-la.
― Por quê? Por quê, pergunto eu! ― diz espantada.
― Não é de praxe que os namorados conheçam os amigos das
namoradas? ― replico em tom cauteloso.
Sou novo na coisa toda de relacionamento sério, mas sei que deve
existir um na
Claro que, convívio
minha saudável entre
lógica, essa o namorado
distinção e os amigos
só se encaixa da namorada.
aos amigos do sexo
feminino de Allyson. E sem chance para barganha.
Os olhos de Allyson estão desconfiados e desafiadores. Com o dedo em
riste, fala:
― Lembre-se, a amiga é minha, não sua. Não quero intimidade!
― Ciúmes?! ― exclamo sorrindo torto, convencido.
― Largue de ser convencido, okay? Isso é muito sério! ― reclama,
encarando-me combeijá-los
mordê-los e depois um bicoavidamente.
lindo nos lábios. Fico louco de vontade de
― Sim, senhora! ― concordo sem demora. Ainda exibindo meu sorriso
torto, indago: ― Podemos ir?
― Alguém já lhe disse, chefinho, que você é muito impaciente e
extremamente invasivo? ― pergunta zombeteira.
― Ninguém é tão insolente quanto você, minha linda ― respondo
debochado, erguendo-a da cadeira e a puxando para mim. Beijo-a, e Allyson
enlaça seus braços ao redor do meu pescoço, ficando na ponta dos pés e
gemendo enquanto corresponde mais que prontamente.
Afastamo-nos lentamente, e ela sorri para mim enquanto lhe acaricio
a face. Minha mão traça sua jugular com delicadeza excessiva.
― Você não pode entrar sem bater, sabia? Mesmo sendo o chefão. Os
funcionários vão pensar ainda mais bobagens sobre o que fazemos aqui ―
repreende-me, mas seus olhos brilham.
― Vai querer discutir sobre isso agora? ― questiono, roçando o canto
de sua boca com a minha e a beijando avidamente em seguida. O beijo está
me deixando muito animado.
Tenho certeza que o terninho justo foi escolhido a dedo para me
atormentar. Ele se molda perfeitamente ao corpo cheio de curvas, fazendo-
me querer rasgá-lo, deixá-lo em pedaços com meus dentes.
Depois do beijo, descansamos nossas testas uma na outra. Acaricio
suas costas lentamente, de cima para baixo e circularmente, enquanto ela
afaga os cabelos de minha nuca. Minha mão desce até seu traseiro
arredondado, e o aperto, trazendo seu corpo para o meu e roçando minha
ereção em sua barriga, torturando-nos. Allyson geme baixinho e encosta a
cabeça emCom
momento. meurelutância,
tórax. Pressiono-a
solto-a. um pouco mais a mim, saboreando o
Ela suspira.
― Temos que colocar limites aqui, Sean ― diz com voz séria. ― Aliás,
não quero ter que aturar a cara feia de Deanne. Ela não está falando
comigo, e a culpa é sua!
― Minha? ― pergunto, lançando-lhe um olhar confuso.
― Você e essa sua mania de comer qualquer uma! ― acusa-me irritada.
Gargalho. Allyson me belisca o antebraço, e tento controlar minha
crise de riso.
― Não se preocupe com Deanne.
― Não gosto de ver você perto dela! ― diz zangada. Estou adorando
vê-la com ciúmes. ― Está na cara que a sonsa loira te quer!
Ela volta a me beliscar, mas nem me faz cócegas, assim como o
anterior. Aperto-a novamente em meus braços e ratifico:
― Não a quero. Nunca a quis. Se pudesse voltar no tempo, jamais a
teria comido. Só quero certa ciumenta de boca suja que está nos meus
braços.
Então, para enfatizar minhas palavras, beijo-a de forma intensa. Ela
sorri maliciosa minutos após o beijo.
― Agora, que tal irmos? Já estamos atrasados ― peço, já a arrastando
para fora da sala.
Novamente tomo sua mão firmemente com a minha. De mãos dadas
saímos da empresa sob o olhar triste de Deanne e o de espanto dos demais
funcionários. Dispenso Bones; eu mesmo vou dirigir o sedã.
― Aonde está me levando? ― pergunta curiosa ao perceber que
estamos em trajeto diferente do bistrô.
― A um restaurante italiano de que gosto muito ― informo sem tirar
meus olhos da estrada.
― Hum! Comida italiana, é? Adoro ― diz animada.
― Acho que a ocasião pede um lugar mais aconchegante ― respondo,
tentando soar sem pressão.

― Meu chefinho é perigoso! Está cheio de más intenções! ― ela brinca.


Rio provocante.
― Você não sabe nem o terço das más intenções que tenho com você,
Allyson. Não sabe mesmo.
Ela geme:
― Assim é golpe baixo, chefinho.
Alguns minutos depois estaciono em frente a um dos melhores
restaurantes da região. Deixo o carro com o manobrista e conduzo Allyson
ao interior do local. Baôli é um restaurante onde se pode saborear um
jantar ao ar livre com ingredientes frescos e cozinha italiana, ou seja, é um
ótimo lugar para se pedir uma garota em namoro pela segunda vez, já que a
primeira foi de forma simplória. Quem sabe esse cuidado toque o coração
da minha amada teimosa.
Passamos pela recepção, onde um senhor nos recebe com simpatia,
dando-nos boas-vindas. O restaurante está lotado, então seguro Allyson
pela cintura e a guio até uma mesa recostada em um canto mais privado.
Puxo a cadeira, ajudando-a a se acomodar.
― Adorei o lugar, chefinho ― digo, admirando o ambiente. ― Costuma
vir muito aqui? Eu viria ― fala curiosa, abrindo o menu.
― Não venho como gostaria ― confesso, também pegando o cardápio.
Entre trocas de palavras amenas, escolhemos nosso almoço. Quando o
garçom se aproxima, solicito um bom vinho e peço um canelone com
recheio de queijo, presunto, orégano e molho de tomate, prato que é
especialidade da casa. Allyson pede uma salada de penne com pesto de
rúcula.

O vinho
cúmplice. Na éverdade
servido sem
estoudemora. Bebericamos
analisando o mesmo
como devo em melhor,
agir, ou um silêncio
em
como a pedirei mais uma vez em namoro. Enquanto conjuro modos em
minha mente, somos servidos.
― Isso aqui está divino! ― ela geme, levando o garfo cheio da massa
verde à boca.
― Eles têm as melhores massas.
― Não é à toa que você gosta desse lugar ― diz depois de tomar um
gole do vinho.
O almoço transcorre em um clima muito agradável, mas estou ficando
cada vez mais ansioso.
― Okay, vamos lá, fala logo, Sean ― manda ela, deixando os talheres de
lado.
― Longe de querer pressioná-la, mas precisamos conversar, Allyson. ―
falo sério, também largando os talheres.
Ela concorda com um gesto de cabeça.
― Eu sei. Sei também que devo te esganar por me levar à boate cheia
de suas ex-periguetes!
― Desculpe-me, mas você me levou a tomar atitudes drásticas.
― Só não repita isso, ou não vai ficar de castigo somente duas
semanas, mas sim pelo resto do ano ― ameaça com um sorriso matreiro.
― Estou de castigo? ― indago, fitando-a incrédulo.
― Yes, honey! Você está, bonitão. Duas semanas sem sexo, chefinho. ―
pisca. ― Bom para você?
― Bom um cacete! Isso é injusto! ― exclamo nada feliz e sem me
preocupar com o palavrão.
― Cada um luta com as armas que tem ― informa ela, dando de
ombros e bebericando o resto do seu vinho.
― Você não vai aguentar por muito tempo ― digo sorrindo, malicioso.
― Você vai acabar se rendendo.
― Isso nós veremos ― desafia-me.
― Sei uma forma muito eloquente de fazê-la mudar de ideia ― rebato,
desafiando-a também.
― Não duvido, chefinho ― responde com um sorrisinho sacana.
― Você está me distraindo, não é? ― pergunto quando entendo sua
tática dispersiva.
― Está funcionando? ― quer saber, fazendo uma careta engraçada.
― Com toda certeza, mas sou persistente. ― Então é a minha vez de
piscar.

sério:― Você é tão espertinho, chefinho ― fala com falso elogio. Meu tom é
― Não se trata de ser esperto, Allyson. Trata-se de amar uma pessoa
com tanta intensidade que você só quer estar com ela. Quer cuidar dela e
chamá-la de sua. E eu quero muito te convencer de que somos bons juntos.
Que somos perfeitos juntos.
Ela empalidece.
― Sean, eu... ― hesita. ― Quero você, mas... sem amarras...

Busco sua mão por cima da mesa, apertando-a com gentileza.


― Dê-me uma chance, por favor? Aceite namorar comigo, Allyson. Não
vou te machucar, prometo.
Ela silencia e me fita seriamente. Seus olhos brilham antes de começar
a me responder:
― Eu...
Então é interrompida por uma voz estridentemente feminina:
― Sean querido, você por aqui!
A voz me é conhecida, e a exclamação soa forçada. Encaro Dominique
McGregor com indisfarçável desgosto, travo o maxilar e solto a mão de
Allyson. Ela fita a mulher distinta plantada ao lado de nossa mesa com
curiosidade. Minha madrasta está acompanhada de suas preciosidades, ou
seja, suas filhas mimadas, que observam Allyson com ar esnobe. Allyson lhe
lança olhares cautelosos, mas firmes.
― Como vai, Dominique? ― Meu cumprimento é frio.
― É tão bom vê-lo depois de tanto tempo. ― Dominique sorri
falsamente
almoço em simpática paravocê
família, mas mim nos
e para
deuAllyson. ― Esperamos
um calote. você para
Seu pai ficou muitoo
decepcionado.
Dominique adora me fazer sentir culpado, mas se esquece de que não
sou mais um garoto.
― Pelo que me recordo, eu declinei do convite ― respondo sem me
preocupar em ser hostil.
― Sempre rude, meu irmão? ― alfineta Ayden, mas não lhe dou
atenção.
― O que fazem aqui? ― indago, ainda fitando minha madrasta.
Allyson parece ter percebido a tensão no ar e fica apenas observando
todo o diálogo tenso.
― Estávamos fazendo compras quando Ben nos convidou para
almoçar ― revela Dominique. ― Ele já está a caminho.
― Que maravilha! ― exclamo irônico.
― E quem é essa... moça, Sean? Sua secretária?
A pergunta é feita pela metida Emily. Porém, antes que eu responda de
forma grosseira, Allyson se pronuncia:
― Preciso realmente corrigi-la, queridinha. ― Ela fita Emily nos olhos
com muita superioridade. ― Sou uma garota muito sortuda, sabe? Sou a
namorada do gostosão tatuado do seu irmão. Não é demais?! ― exclama
Allyson de forma insolente e debochada, chocando minha madrasta e suas
filhas fúteis com seu jeito despachado.
Sorrio feito um bobo apaixonado ao entender o que ela fez. De uma
forma muito peculiar, Allyson aceitou meu pedido de namoro. Sorrindo
largo, tomo sua mão diante dos olhares pasmos do trio inoportuno. Porém
meu sorriso congela ao ouvir a voz fria e autoritária de meu pai:
― Essa é a falada namorada, Sean? ― Fita Allyson de forma ostensiva e
desdenhosa. ― Esperava mais de você, filho ― diz arrogante, ainda
encarando Allyson.
Com preocupação, observo a reação de Allyson, mas logo relaxo. Ela
fuzila meu pai com os olhos semicerrados. Os lábios sensuais parecem
prontos para lhe dar uma resposta bem malcriada.

Adorarei
Isso vai vê-la
ser muito colocar meu pai em seu lugar! Solto um risinho baixo.
interessante.
SABEvista?
primeira QUANDO SEU oSANTO
Pois bem, não momento
meu nesse bate com quer
o dearranhar,
uma pessoa logo à
esbofetear
e estrangular três megeras metidas a socialites que estragaram meu
momento com meu tatuado.
Fito com curiosidade as três pedantes com ares de grandes coisas.
Para meu horror, acabo entendendo que são a madrasta e as irmãs de Sean.
Porra! Ele está bem servido de parentes, hein?, penso irônica.
Mantenho-me calada diante do diálogo tenso entre Sean e a madrasta.
Aguento firme e debochadamente a avaliação minuciosa de suas irmãs em
minha figura, até
sobremaneira. o momento
Lógico emuma
que ganha queresposta
uma delas provocadeSean
petulante e me
minha irrita
parte.
Quero gargalhar da cara de espanto das três patetas, mas me
contenho. Vai que Sean não goste. No entanto, pela sua expressão, ele adora
minha resposta despachada. Porém sei bem o real motivo de seu sorriso
largo. Acabo de aceitar seu pedido de namoro. Bem, não queria ter aceitado
seu pedido de forma pouco convencional, entretanto achei o momento bem
oportuno para azucrinar as três idiotas.
A coisa fica bem feia quando o pai de Sean chega botando banca, todo
cheio de marra.
com notável Sua língua
intenção afiada
de me como Quando
diminuir. navalha éeledirigida a Sean,
abre sua bocaporém
e me
insulta, enxergo tudo vermelho.
― Muito vulgar ― diz desdenhoso. ― Não acha, Sean?
Esse homem não me conhece. Fulmino-o com os olhos semicerrados.
Ele está merecendo uma magnífica má resposta. E ele terá já! Observo-o me
olhar de cima a baixo com ar de desgosto. Encara-me com desaprovação
gritando nos olhos frios.
Sorrio-lhe cínica ao lhe devolver o insulto:
― Vulgar foi a senhora sua mãe, por tê-lo posto no mundo e não lhe ter
ensinado boas maneiras!
O homem arfa e fica vermelho de raiva no instante em que as palavras
saem de minha boca. Continuo ostentando meu sorriso cínico quando ouço
as três mulheres soltarem exclamações estupefatas. Pela minha visão
periférica, vejo Sean se recostar na cadeira, cruzar os braços fortes sobre o
peito largo, todo confortável, e sorrir torto. É notável seu divertimento com
minhas respostas petulantes.

Os clientes
interessados sentados perto de onde estamos também parecem bem
na discussão.
― Como ousa se dirigir a mim dessa forma? Sua leviana! ― xinga-me,
indignado.
Minha resposta atrevida vem a galope como sempre:
― Da mesma forma que o senhor ousou me ofender! ― Meço-o de cima
a baixo, como o mesmo fez comigo, e continuo: ― Examinando o senhor de
perto, pergunto-me como a Steph, uma mulher belíssima e de coração tão
puro, pôde se envolver com alguém de sangue ruim como você? Ela
merecia um homem melhor como marido, assim como Sean merece um pai
melhor. O senhor é intragável!
O homem empalidece. Dois segundos contados, ele recobra a
compostura e ameaça:
― Sean, controle a boca suja dessa insolente, ou eu...
― Ou eu, o quê? ― desafio-o veladamente, erguendo minhas
sobrancelhas.
Ele se cala, assombrado. Meu sogro fica vermelho novamente, e seu
rosto está inchando. Ele me faz lembrar um sapo-boi. Oh! Estou sendo
injusta! Tadinho do sapo! Ele não merece tal comparação! Trato de irritar
ainda mais o meu sogrinho não tão querido:
― Agora entendo por que existem alguns ditados como: Por fora, bela
viola; por dentro, pão bolorento. Ou: Por fora, casquete de veludo; por
dentro, miolos de burro. São tão eloquentes nessa ocasião! O senhor os
inspirou! Parabéns!
Ouço Sean soltar um risinho abafado e sua irmã loira me xingar:

― Mulherzinha ridícula!
Respondo sem demora:
― Ridículo é seu cabelo loiro cheirando a água oxigenada, queridinha!
Ela me encara aturdida.
Levo minhas mãos ao meu coração e faço uma cara falsamente doce.
― Oh! Tadinha! Ela realmente pensa que engana alguém dizendo que é
loira srcinal de fábrica!
Gargalho diabolicamente. Posso jurar que Sean está louco para fazer o
mesmo. Sei que se segura para não interferir na minha performance
brilhante.
A madrasta de Sean abraça a filha, tentando consolá-la, fuzilando-me
com os seus olhos castanhos. É cômico de se ver! Ela me encara com nojo.
Pisco para ela e me dirijo ao meu tatuado:
― Sean, meu amor, vamos embora? Esse ambiente está contaminado
pelo vírus da falta de caráter. Acho melhor irmos antes de nos infectarmos.
Sean gargalha dessa vez. Sem deixar de rir, ele pega sua carteira no
bolso de sua calça social e joga algumas notas em cima da mesa. Então se
ergue ainda rindo descontroladamente. Tosse ao tentar cessar a crise de
riso, enquanto prontamente me ajuda a levantar da cadeira. Segurando
minha cintura e já controlado, ele se volta para o pai. Sua voz destila frieza:
― Posso ter seu sangue ruim em minhas veias, mas tenho gosto muito
mais apurado para mulher. Não escolho qualquer uma para ser minha. Não
me espelho em seu mau exemplo, papai.
Pegando-me de surpresa, Sean me beija lascivamente na frente da
nossa plateia indesejada. E os clientes que acompanham toda a cena nos
aplaudem com muito entusiasmo. Sean separa nossos lábios de forma lenta.
Depois de alguns segundos roubando meu ar, ele sussurra com um sorriso
torto de tirar o resto de meu fôlego:
― Obrigado por aceitar ser minha namorada.
Respiro fundo e sorrio feito uma lesada. Dois garçons se aproximam
para averiguar o que se passa. Pisco atrevida para meu sogrinho
insuportável com cara de quem comeu e não gostou. Fito também as três
lambisgoias com cara de tacho, antes de sair do restaurante com um Sean
muito sorridente ao meu lado.
Sean pega as chaves do sedã com o manobrista e me ajuda a entrar no
veículo logo depois de destravá-lo. Ponho o cinto de segurança olhando o
rosto tranquilo de meu namorado. Ele sorri quando coloca o cinto e nos
guia para o fluxo pesado de carros.
Continuo o avaliando curiosa, até indagar zombeteira:
― É impressão minha ou tem alguém muito contente?
Ele ri gostosamente, e sua risada rouca preenche todo o carro, o que
me faz arrepiar. Até a risada desse homem me afeta. Oh, bitch, estou tão
ferrada. Ou melhor, enamorada mesmo. Quem diria?
― Estou radiante, para falar a verdade! ― revela alegre, fitando-me
nos olhos por um breve instante. Sua atenção está no trânsito caótico do
horário de pico.
― Sua alegria é contagiante! ― constato.
Ele ri.
― Você a proporcionou! Obrigado!
― Está me agradecendo pelo que exatamente? ― pergunto, fingindo-
me de desentendida.
― Ainda pergunta? ― Ele me lança um olhar divertido. ― Você deixou
minha madrasta e suas cópias retardadas no pó! Sem falar que você deixou
a velha raposa Benjamin vermelha e pálida mais rápido do que eu no dia
em que cheguei em casa com a minha primeira tatuagem! ― Ele gargalha e
bate a mão direita fortemente no volante. ― Você foi perfeita! Sublime! ―
gargalha ainda mais.
― Você gostou, né? ― apuro com os olhos semicerrados por prender
meu riso.
― Se gostei? Porra! Estou sem palavras para descrever o que senti
quando vi meu pai vermelho brilhante! Muito foda, amor! Muito, muito
obrigado!
― Não por isso ― respondo sorrindo, mas lembro-me da discussão no
dia do baile.
― O que foi? ― pergunta curioso pela minha rápida mudança de
humor.

― Entendi
tentativa de fugirtudo ― digo
de seu olharobservando
confuso. os arranha-céus pela janela, numa
― Como assim?
― Entendi a discussão no dia do seu aniversário ― revelo, voltando a
fitá-lo.
― Você ouviu?
― Esgueirei-me e... ― fiz cara de inocente ― sem querer presenciei seu
diálogo nada amigável com seu pai. Desculpe.
― Você me acha um cara ruim por odiar meu pai? ― indaga, fitando-
me sério quando paramos em um sinal vermelho.
― Não. Mas... não é saudável ― respondo sincera. ― Porém, quem sou
eu para te julgar? Também tenho alguns esqueletos guardados bem lá no
fundo do closet ― confesso com o pensamento em minha tia, meu tio e
minhas primas.
Analisando friamente, em matéria de família, acho que nós estamos
empatados.

sinal Ele
abre.me olha cúmplice, colocando o carro em movimento quando o
― Não o odeio. Não mais. Porém ele me dá nojo, Ally. Não consigo
perdoá-lo por ter abandonado minha mãe ― diz com voz soturna.
― E por ter abandonado você também ― completo.
― Sim ― confessa forçadamente.
Ele aperta o volante com tanta força que os nós de seus dedos ficam
brancos. Passamos pela via de acesso ao escritório da empresa, mas Sean
não toma sua direção.
― Aonde estamos indo? ― questiono com curiosidade.
― Comprar seu anel de compromisso.
Solta a notícia como se fosse algo rotineiro.
― Como é? ― pergunto pasma.
― Isso mesmo que você ouviu ― responde sem se intimidar com
minha expressão desorientada.
― Mas e o trabalho?
― Pode esperar um pouquinho. Tenho certeza que seu chefe não vai se
importar!
Ele ri e faz uma manobra rápida. Em poucos minutos estamos
estacionando em frente a uma joalheira famosa de Miami, a Louis Vuitton.
― Sean, isso é desnecessário ― tento argumentar enquanto ele me
ajuda a sair do sedã.
― Não acho. Venha! ― retruca, levando-me em direção à loja.
Um senhor bem-vestido saúda Sean em francês assim que nos
aproximamos da porta giratória:
― Bonjour, Monsieur McGregor!
Então se dirige a mim, curvando-se em uma reverência:
― Dam.
Retribuímos sua saudação brevemente e entramos na loja chique. Assovio,
exclamando:

― Uau! ― Porém falo desconfiada: ― Só não me diga que compra as


joias das suas ex-vagabundas aqui, Sean.
Ele me fita sério, mas uma sombra de sorriso está presente em seus
lábios ao me responder:
― Minhas ex-vagabundas não receberam joias dessa loja ― ele frisa. ―
Não dessa.
Belisco-o. Ele finge sentir dor, mas ri em seguida. Beija-me
rapidamente nos lábios. Admiro a loja enquanto caminhamos até o
expositor das joias. É quando sinto um aroma de perfume barato, o que me
faz acionar o alarme de “vagabunda à vista” na hora. E ele nunca falha!
Uma morena peituda se coloca em nosso caminho.
― Posso ajudar, senhor? ― indaga com sorriso cobiçoso. Seus olhos
brilham com claras segundas intenções sobre o meu tatuado. A vendedora
ainda tem o despautério de me empurrar para longe de Sean, colocando
sua mão nojenta em cima do braço do meu homem!
Não demoro nem um segundo para reagir. Seguro-a pelo braço,
deixando minhas unhas se cravarem em seu membro esquelético sem pena.
― Não tão depressa, queridinha. ― Falo emputecida: ― Tire as mãos
imundas de cima do meu homem antes que minhas unhas se afundem
ainda mais em sua carne flácida. Ou talvez eu quebre seu nariz malfeito por
um cirurgião xexelento!
Ela empalidece e pisca, seus olhos marejados. Solta o braço de Sean
sem delongas.
― Muito bem. Honre seu salário e seja útil. Mostre-nos alguns anéis de
compromisso.

― S-sim, s-senhora ― gagueja. ― P-por a-aqui.


Aponta em direção à vitrine a poucos metros à nossa frente.
― Vá à frente ― ordeno olhando seu crachá ―, Carly. ― Viro-me para
encarar meu namorado. ― Por que você não a afastou? ― indago zangada.
― Você agiu antes que eu pudesse fazer algo ― ele responde
despreocupado.
― O que está querendo dizer com isso, Sean? ― pergunto estreitando
meus olhos.
― Que não preciso me esquivar do avanço de mulher alguma. Tenho
você para fazer isso ― diz brincalhão.
― Seu safado! ― exclamo, tentando bater meu punho em seu peito.
Sean o segura sem dificuldades e me puxa para si. Beija-me
calorosamente nos lábios, deixando-me mole e mansa em seus braços
rapidinho. Golpe baixo, penso quando Sean cessa o beijo com selinhos
suaves e me solta de seu aperto. Com a mão em minha cintura, guia-me
para a vitrine.

― Vamos, amor. Vamos escolher seu anel.


Carly, ainda com a cara assustada, mostra-nos anéis que não
despertam o nosso interesse. Realmente não estou gostando de nada. Não
que eu queira algo ostensivo, mas quero algo pelo menos bonitinho. Então
Sean toma as rédeas e ele mesmo começa a me ajudar na escolha.
― Gostei desse! ― diz ele, mostrando-me um anel com uma pedra de
diamante enorme. Faço uma careta, e ele dá de ombros.
Seguindo à procura, ele me mostra um anel solitário também com uma
pedra de diamante, porém menor, em ouro branco e amarelo. Lindinho.
― Vejo que você gostou desse ― diz feliz.
Encarando o anel, sussurro:
― Ele é lindo.
― Parece ter sido feito para você ― fala sorrindo de lado. Ele mede
meu fino dedo anelar e pergunta à atendente: ― Vocês têm o número 16
desse modelo?
― Sim, senhor.
― Mostre-me.
Ela parte para o interior de uma sala por trás da vitrine e volta
rapidamente. Traz uma caixinha pequena coberta por algo parecido com
camurça na cor preta. Abre-a na nossa frente e entrega a Sean o pequeno
anel.
Ele me fita nos olhos e pega minha mão. Engulo em seco enquanto ele
desliza o metal frio em meu magro dedo.
― Agora é oficial ― fala sorrindo de lado. ― Minha namorada.
Ele me dá um selinho rápido, mas caloroso.
Encaro o anel em minha mão direita e suspiro. Ficou perfeito. Sorrio e
me ocorre um fato que, até então, passou despercebido.
― Você não vai usar nada, Sean?
― Você quer? ― pergunta, coçando a nuca meio sem jeito.
― Mas é lógico! ― exclamo enérgica. ― Se vou usar um anel de
compromisso, você também vai!
― Justo! ― concorda. ― Então escolha algo para mim.
Volto minha atenção à vitrine com a ideia de que o anel deve combinar
com o meu. E o vejo. Lindo, em ouro branco e dourado como o meu, mas
sem pedra. O anel é grosso, ideal para ocupar a mão máscula.
― Esse!
Aponto, mostrando para a vendedora. Carly me entrega o anel e, pelo
seu tamanho, cabe certinho no dedo de Sean. Sorrio e o fito, mordendo o
lábio inferior. Tomo sua mão e lentamente deslizo o anel em seu dedo.

― Agora, sim, namorado. É oficial.


Ele ri e me beija demoradamente dessa vez. Enlaço seu pescoço e me
entrego ao beijo. Sorrio internamente, pensando na Carly vadia, que assiste
ao nosso beijo.
Saímos da loja de mãos dadas e retornamos ao trabalho. Entrego um
relatório na sala do meu chefinho-namorado, quando ele se levanta e me
abraça por trás.
― Você vai dormir lá em casa ― comunica ao pé de meu ouvido,
segurando-me pela cintura e me aproximando de seu corpo.
― Vou, é? ― pergunto, interessada e faceira.
― Vai, sim. Minha mãe quer te ver. Ela está com saudades de você,
assim como o rapaz aqui.
Ele esfrega sua ereção em meu traseiro, e me forço a não gemer.
― Também estou com saudades... da Steph ― digo, fazendo-me de
desentendida e desinteressada.
Sean lambe meu pescoço e o mordisca. Estremeço.
― Ainda estou de castigo, amor? ― pergunta todo manhoso.
― Com toda certeza, namorado! ― respondo, roçando minha bunda
em seu volume, atiçando-o. Então fujo, rindo alto quando ele tenta me
agarrar.
Atravesso seu escritório esbaforida e, rindo muito, entro em minha
sala. Porém, meu sorriso radiante some quando adentro. Uma surpresa
nada agradável me aguarda sentada de forma confortável em minha
cadeira.

― Oi, Allyson.
encarando-me Temos que esclarecer algumas coisas ― diz Deanne,
com hostilidade.
ACHO QUE
ironicamente HOJE REALMENTE
enquanto fecho a portanão para
atrásé de sersem
mim, umdeixar
dia calmo , pensoa
de encarar
loira sentada confortavelmente em minha cadeira.
Deanne me fita de forma hostil. Seus olhos ostentam uma frieza
calculada. Recosto-me à porta e cruzo os braços, tentando não explodir por
vê-la tão à vontade e toda marrenta em minha sala.
― Do que se trata? ― indago impessoal, controlada, desinteressada,
mas puta da vida por dentro.
― Sean ― diz com severidade.
Os olhos azuis brilham em um desafio mudo. Se ela está a fim de
procurar briga, ela não sabe com quem está lidando.
Sorrio cínica e friso friamente:
― Não temos nada o que falar sobre o meu namorado.
Ela me ignora.
― Está realmente iludida com o teatrinho ridículo de relacionamento
sério com Sean?

― Como é? ― indago incrédula pela sua insinuação absurda.


― Estou dizendo que essa... ― Deanne faz uma careta desgostosa e
prossegue ― coisa que está acontecendo entre você e o Sean tem que
acabar!
― Você deveria cuidar da sua vidinha em vez de se meter em assuntos
que não lhe dizem respeito ― devolvo grossa, aproximando-me da mesa.
― Não vê? Não percebe que está fazendo papel de boba perante todos?
Meu tom é ofensivo ao retrucar:
― A única pessoa que vejo bancando a boba aqui é você.
A loira recalcada retorque:
― Você é tão ingênua assim? Não consegue ver que é apenas mais um
joguete, um brinquedinho novo para o Sean? Não sabe que ele vai acabar
escolhendo a mim no final?
― Está insinuando que ele está me usando? ― pergunto marota,
desacreditada de suas palavras torpes.
― Estou afirmando! Acredite, tenho experiência no assunto Sean ― diz
toda eloquente. E eu rio de forma debochada.
― Você pensa que tem experiência, queridinha, mas te digo que
transar uma única vez com seu chefe não te coloca no hall de porra
nenhuma! Não... Espere! ― Fito-a com ar de desagrado. ― Te dá apenas a
fama de puta fácil.
Ela vocifera com os dentes cerrados:
― Se sou uma puta fácil, você também é!
Apoio minhas mãos na mesa, encarando-a mais de perto, minha voz
pingando de escárnio:
― Oh, não, queridinha! Sou uma bitch de pedigree, minha linda, sou a
namorada do gostoso. Olha só o anel podre de lindo e caro que ele me deu.
Tripudio erguendo minha mão direita, mostrando com orgulho o meu
anel de compromisso.
Ela empalidece, mas seu rosto fica rubro de raiva logo em seguida.
Grita furiosa:
― Eu cheguei primeiro, vadia! Eu que estava ao lado dele em vários
momentos difíceis! A mãe dele me adora! Sou eu que tenho que ser sua
namorada, não você!
Replico enfurecida:
― Baixe o tom, sua cadela despeitada. Você não está falando com suas
negas!
Deanne ainda está com o tom de voz alterado:
― Ele não pode te ter dado isso! Você está mentindo!
― Estou? Tadinha... ― Mantendo meu ar de superioridade, debocho: ―
Se ele te usou, a culpa não é minha, linda. Você que não foi competente o
suficiente para prendê-lo.
Retruca possessa:
― Ele não é homem de nutrir sentimentos nobres por uma leviana
igual a você, sua idiota! Ele está brincando com você!
A loira está desesperada, hein? Fito-a com zombaria. Está mais que
evidente que a recalcada está com ciúmes da minha relação com Sean e
tenta me fazer ver coisas inexistentes. Está perdendo seu tempo, a cretina.
― Você quer que eu acredite em você? ― desdenho. ― Suas acusações
podem ter lógica para as outras vadias com as quais Sean saía, mas não se
aplicam a mim, lindinha. Você está completamente sem noção, e sua
intromissão é desnecessária, devo acrescentar ― concluo, fitando-a com um
sorrisinho cínico.
Seu tom está mais brando, mas não menos petulante:
― Não vou ficar quieta e deixar que isso prossiga!

― Conforme-se, vadia recalcada. Sean é meu, e ele me ama ― rebato


com superioridade.
― Nunca! Lutarei por ele! ― Sua voz, assim como sua expressão, são
determinadas.
Fuzilo-a com meus olhos semicerrados, e minha voz está suave, mas
gélida ao responder:
― Sabe o que é mais patético nessa sua atitude, Deanne? ― Faço uma
pausa e completo com nojo: ― É que você está tão desesperada para ter
migalhas de amor de um homem que a rejeita que não enxerga nada a sua
frente, nem o quanto está sendo... estúpida.
― O que está insinuando? ― pergunta, lançando-me um olhar de forma
atormentada.
Com um sorrisinho de deboche nos lábios, falo:
― Sean nunca te amou e nem nunca vai te amar, você foi apenas mais
um banco de esperma para ele, queridinha.
Ela fica ainda mais corada de indignação.
― Sua putinha nojenta! Você não sabe de nada! Ele pode aprender a
me amar! Ele vai me amar se você sair do meu caminho!
― Quem tem que sair da minha cadeira e deixar de se intrometer na
minha vida é você, sua cachorra vira-lata! Saia daqui! Essa conversa já
acabou! ― ordeno autoritária.
― Não acabou, não! ― Ela se ergue e caminha em minha direção,
apontando o dedo em meu rosto. Com ódio latente manda: ― Você vai sair
do meu caminho. Você vai deixar o Sean em paz!

Revido com agressividade:


― Retire essa porra de dedo da minha cara ou...
― Vai fazer o quê? ― pergunta, desafiando-me.
― Vou quebrá-lo! ― ameaço.
Ela não move o dedo do lugar.
― Avisei! ― digo, segurando o dedo da vadia com força o bastante para
deslocá-lo.
― Ai, ai! Sua cretina! ― grita, agarrando meu rabo de cavalo com força
com a mão livre, fazendo meu pescoço se mover para o lado.
― Vadia! ― xingo-a e solto seu dedo para poder puxar seus cabelos
fortemente com as duas mãos.
Deanne confessa alterada:
― Não aguentei a louca da mãe dele à toa! Não mesmo! Ter que ouvir
as sandices dela e me fazer de interessada é uma tortura! Quero minha
recompensa! Quero o Sean!
― Sua víbora! ― rosno, puxando ainda mais o seu cabelo. ― Como
pode ser tão baixa? Como pode se dirigir a Steph dessa forma?
― Aquela mulher é um peso morto para o Sean! ― diz, tentando arranhar o
meu rosto. Solto o seu cabelo rapidamente por puro reflexo, minha mão
livre afasta a sua com um safanão forte. ― Já tenho tudo planejado! ―
confessa, tentando me atacar novamente. Mais uma vez a detenho.
Desequilibrada pela fúria continua a revelar: ― Quando me casar com Sean,
ela irá direto para um manicômio, o lugar ideal para doidos!
― Você é um monstro!
Estou estupefata com tanta falsidade.
― Monstro? Não! Sou prática! Não nasci para ser babá de gente
doente! De gente perturbada!
Encaro-a estarrecida. Ela continua seu discurso cruel:
― Todos esses anos aturando, suportando ser apenas a boa filha da
amiga da mãe desequilibrada dele para nada? Sendo a pessoa exemplar
para no final ele escolher você? Não! Não é justo!
A ira que sinto é tão intensa que me cega. Esbofeteio-a vezes seguidas
e a empurro com força.
Repentinamente minha mão é detida por uma mais forte.
― Chega, Ally. Você vai se machucar.
Assustada, fito o rosto endurecido do meu namorado, mas o atendo.
Recosto-me ao corpo forte de Sean, pois comecei a tremer, não de medo,
mas de esgotamento físico e mental. O dia hoje não foi nada fácil.
― Está bem? ― pergunta, fitando-me preocupado.

― Sim ― respondo em tom fatigado.


Fitamos Deanne, que ainda está no chão encostada à minha mesa, as
mãos no rosto e os olhos arregalados. Sua face está escarlate e toda
marcada por meus dedos. Sean me segura a mão e a cintura com cuidado,
dando-me apoio e estabilidade. Dirige-se a Deanne com voz gélida:
― Levante-se e suma da minha empresa o mais rápido e
definitivamente possível.
Deanne o encara atônita, ainda imóvel no chão, antes de indagar:

― Está me demitindo, Sean?


― Não repetirei ― devolve grossamente.
Ela continua imóvel no chão e tenta torcer os fatos.
― Sean! Ela me atacou! Allyson é uma desequilibrada! Olha meu
estado! Ela que tem que ser demitida!
Rosno e me movo em direção da puta loira, louca da vida para lhe dar
mais umas boas bofetadas, mas Sean me segura firmemente contra seu
peito. Fala sem emoção:
― Poupe sua saliva, Deanne, não adianta mentir. Ouvi tudo. Cada
maldita palavra. Se você não fosse uma mulher, garanto-lhe que a deixaria
em pior estado que Allyson a deixou.
― Está ameaçando me bater?
Está assombrada. Confesso que também estou, mas o entendo. Deanne
foi longe demais.
― Estou mandando-a embora, Deanne. Será por bem, ou terei que
chamar os seguranças? Você quem escolhe. ― Dá-lhe as opções de forma
impessoal.
Ela se ergue desajeitadamente e encara Sean com mágoa. Seu rosto
começa a ficar inchado.
― Você... não vai se livrar de mim assim! Você me deve! ― diz,
mantendo-se em pé com dificuldade.
― Não lhe devo nada! Se considere uma sortuda por deixá-la sair
impune dessa situação.
― Você não pode me descartar dessa forma cruel ― queixa-se.
Sean responde colérico:
― Tentei ser paciente com você. Tentei ser um bom chefe, não
misturar as coisas, mas você me apunhalou! Até o respeito que tinha pela
sua consideração à minha mãe você destruiu! ― Ele faz uma pausa
significativa, tentando se acalmar, então pontua: ― Suma. Agora!
Ela pisca de forma aturdida. Grossas lágrimas escorrem por seu rosto
ferido.
― Gosto da Stephanie, eu... estava fora de mim, Sean, me perdoe! Por
favor, me perdoe! ― pede, jogando-se aos pés de Sean. É penoso ver sua
atitude humilhante.
― Pare com isso! ― ele pede com repulsa de sua atitude tresloucada.
Deanne está ajoelhada, agarrando-se às pernas de Sean, completamente
desvairada pelo desespero. A cena me embrulha o estômago.
― Você tem dez segundos para se levantar e desaparecer das minhas
vistas! ― ele informa impaciente.
― O que vai ser de mim, Sean? Não tenho ninguém! ― diz em pânico.
― Você vai saber cuidar de si mesma. E mesmo que você não mereça,
vou lhe dar uma boa carta de recomendação ― responde sem se comover.
― Sean! Eu te amo tanto! Não faz isso comigo! ― roga, humilhando-se
ainda mais. Fito-a com pena.
― Vá embora com o resto que sobrou de sua dignidade, Deanne ―
aconselho em um tom mais neutro possível, porém ela me ignora.
― Por favor, Sean... Pelos bons tempos... Por favor... ― suplica.

Ranjo os dentes. Cadela cretina!


Sean responde com voz cansada:
― Não houve bons tempos entre nós dois, Deanne. Somente enganos e
arrependimentos.
Ela pisca abalada e então se solta de Sean, levantando-se. Sua moral
está destruída, como suas ilusões. Ela o encara ferida. Com mãos trêmulas,
Deanne ajusta as roupas amassadas e seus cabelos desgrenhados.
― Você ainda vai se arrepender de ter me magoado, Sean. Escreva o
que estou lhe dizendo ― alerta, rancorosa, antes de sair da sala.
Sean suspira, exasperado, e me fita sério.
― Está realmente bem? Nada de contusões? ― volta a me perguntar
preocupado e acaricia meu rosto.
― Minha mão está doendo, meus cabelos, desgrenhados, e a cena que
presenciei me embrulhou o estômago ― digo com uma careta. ― Essa
mulher é obcecada por você, Sean!
― Ela vai superar ― diz dando de ombros. Ele me puxa para seus
braços e beija minha cabeça.
― Não acredito muito nisso ― retruco.
― De qualquer forma ela não vai mais te incomodar. Prometo ― fala
com firmeza.
― Só sinto muito pela sua mãe, Sean. Sei que Steph gosta de verdade
da Deanne ― lastimo.
Ele suspira pesadamente.

― Minha mãe a estima muito.


Afasto-me de seu peito e o encaro séria.
― A Steph vai sofrer com a verdade, não devemos lhe dizer nada.
Ele faz uma careta infeliz.
― Não posso esconder a verdade da minha mãe, Ally.
Ele tinha razão. Não ajudaria em nada esconder a verdade da Steph.
― Você tem razão ― concordo. ― Como alguém pode ser tão
dissimulado? ― indago ainda perplexa.
― Não sei ― responde-me em tom sombrio ―, mas não importa.
Deanne não vai chegar perto da minha mãe novamente, ou de nós.
― O que você tem em mente?
Estou realmente curiosa.
― Vou acionar meu advogado. Quero a Deanne longe de minha mãe e
de nós dois de forma legal.
― Entendi.
Ele me encara tristemente.
― Desculpe-me pelo comportamento lamentável da Deanne, Ally. Eu
deveria ter feito algo para evitar esse tipo de situação. ― Ele faz uma pausa,
visivelmente atordoado. ― Mas jamais imaginei que Deanne fosse agir de
forma lunática!
Sean está realmente triste pelo acontecido, e eu não quero vê-lo dessa
forma. Então acaricio seu rosto com carinho e tento brincar:
― Você teve sua parcela de culpa ao se envolver com a vadia louca,
mas como sou magnânima, te perdoo.
― Muito obrigado! ― Seu tom é brincalhão, mas seus olhos estão
sérios.
Eu tento sorrir.
― Vamos para casa? O dia acabou para mim ― sugere ele.
― Aleluia! ― cantarolo mais que de acordo.
Recolhemos nossos pertences e saímos da empresa. Decidimos passar
em meu apartamento, pois vou dormir em sua casa e preciso de roupas
para o trabalho
meu prédio, meuno dia seguinte.
celular Quarenta
toca. Minha minutos
testa forma umdepois, já ver
vinco ao em ofrente ao
número
desconhecido.
― Senhorita Jordan? ― uma voz feminina e profissional se anuncia do
outro lado.
― A própria ― atendo desconfiada e alarmada pelo som alto de sirene
ao fundo. Um arrepio toma todo meu corpo enquanto Sean me conduz pela
cintura até a entrada do meu apartamento.
― Sou a paramédica Hilda Saeger. Achamos seu telefone na bolsa da
Senhorita... ― ela faz uma pausa, e ouço um barulho de papéis sendo
remexidos, de vozes alteradas e de carros buzinando ― Megan Robinson, a
senhorita a conhece?
Fico tensa na mesma hora, algo me diz que aconteceu alguma coisa
muito ruim. Sean me fita confuso quando estanco de repente.
― O que foi? ― indaga.
Ergo um dedo, pedindo-lhe que aguarde um minuto.
― Sim, ela é minha melhor amiga ― confirmo tensa.
― Precisamos que alguém se responsabilize por ela, pois a Senhorita
Robinson está sendo transportada nesse momento ao hospital. A senhorita
poderia vir ao hospital cuidar de sua internação?
― O que aconteceu com a Meg? ― pergunto, sentindo um aperto no
peito.
A paramédica tenta me deixar calma, mas é perceptível que está
tentando ocultar o real estado físico da Meg.
― A senhorita deve vir ao hospital e averiguar o estado da Senhorita
Robinson pessoalmente.
― Por favor, preciso saber! ― exijo alterada.
A paramédica solta um suspiro resignado antes de revelar:
― A Senhorita Robinson foi encontrada pela minha equipe em um
estado de inconsciência e hemorragia grave, além de com várias escoriações
pelo corpo. Lesões graves. Cons tatamos que ela foi espancada.
― Oh, meu Deus! ― exclamo apavorada, começando a tremer.

Sean me abraça com força. Fita-me, inquisitivo. Ele sabe que são más
notícias.
Hilda prossegue em tom neutro:
― Senhorita Jordan, procure se acalmar. A Senhorita Robinson está
sendo bem cuidada, porém não pudemos fazer nada para salvar o bebê. ―
Sua voz é lacônica.
― Como? ― indago piscando confusa.
― A Senhorita Robinson sofreu um aborto. Sinto muito...
― Mas isso não pode ser verdade... Ela não estava grávida! Ela... ―
transtornada, tento contra-argumentar, porém a paramédica volta a
afirmar:
― A Senhorita Robinson estava com duas semanas de gestação.
Estou zonza. Arfante.
― Oh, meu Deus... ― choramingo e largo o celular em completo estado
de choque. Desmorono nos braços de Sean, que agilmente me segura, como
também o celular.
― Ally! Fala comigo! O que houve? ― pergunta apreensivo.
Fecho meus olhos e me recosto em seu corpo quente. Fico totalmente
inerte, mas chorosa. Volto a abrir os olhos quando ouço a voz da
paramédica, que é bastante alta, chamando-me:
― Senhorita Jordan? A senhorita ainda está aí?
Sean olha para mim, e balanço minha cabeça, pedindo para ele falar
por mim. Então ele leva o celular ao ouvido e se pronuncia:
― Sou o namorado de Allyson. Pode falar.
Em meio ao meu estado letárgico, ouço a mulher repetir toda a
história para Sean e dizer em que hospital a Meg está.
― Estamos a caminho ― prontifica-se em tom frio. ― Amor, você
consegue se mover? ― pergunta me aconchegando melhor em seus braços
e verificando minha pulsação.
― Não ― respondo anestesiada.
Ele pragueja.

― Você está em choque.


― Leve-me para ver a Meg, por favor! ― peço, voltando a fitá-lo.
― Farei isso, mas, por favor, acalme-se, amor. Ela está fora de perigo,
está sendo cuidada, medicada.
― Ela... foi espancada, Sean! ― digo estremecendo. ― Ela... estava
grávida! Deus! A criança só pode ser do asqueroso do David!
Sean trava o maxilar.
― Você suspeita de quem pode ter feito tal covardia? ― ele sonda
acariciando meu rosto, visivelmente comovido pelas minhas lágrimas.
Respondo sem titubear:
― Não! Nem imagino! A Meg é maravilhosa. Todos gostam dela...
Sean parece saber de algo, pois ele me encara em dúvida se revela ou
não.
― O que você sabe? ― pergunto desconfiada.
― Por enquanto é somente uma suspeita ― diz misterioso, enxugando
minhas lágrimas com suas mãos de forma suave.
― Diga-me!
― Não posso acusar ninguém sem provas ― responde sério, mas
suavizando a voz logo em seguida ao perguntar: ― Sente-se mais firme?
― Não! Apoie-me que terei forças para ajudar minha amiga.
― Sempre! ― prontifica-se em tom inabalável. Beija com carinho
minha testa e me ajuda a voltar para o sedã.
Com rapidez, Sean nos coloca em direção ao hospital. Fecho meus
olhos e encosto minha testa escaldante no metal frio da porta. Só quero que
esse dia acabe. Será pedir demais? Parece que sim.
ESTOU SUANDO FRIO E apreensiva além da conta. Sean me dá
equilíbrio com sua forte presença. Estou abalada por Meg ter sido
brutalmente espancada e, por consequência, sofrido um aborto. Um aborto
de uma gravidez de que eu não tinha conhecimento. Minha cabeça está em
pane, é muita coisa para assimilar de uma vez só!
Agarro o antebraço de Sean com força enquanto andamos em direção
ao balcão de atendimento. Perguntamos por Meg e damos nossos nomes, e,
nesse momento, somos abordados por dois policiais. Eles se apresentam
como tenente Fred e soldado Charles. Sean os cumprimenta, e eu também,
mas de forma dúbia.
Não estou em condições de falar nada coerente no momento, então
Sean responde às perguntas que se seguem. O que parece estar no
comando, o tal tenente Fred, pergunta-me insistentemente se eu sei sobre
algum suspeito, então tenho que me pronunciar. Digo que nem imagino
quem pode ter feito tanto mal a Meg.
Percebendo meu desconforto, Sean logo toma conta da situação. Exige
que o policial me deixe em paz e que aja com agilidade e competência para
descobrir quem machucou a Meg.

Fred
que ele responde
precisa que aspista,
de alguma investigações começarão
de algum suspeito imediatamente,
para masà
dar uma direção
investigação. Posso perceber que Sean fica tenso quando o policial sugere
que o procuremos, caso nos lembremos de algo relevante para o caso.
Meu namorado sabe de algo, mas, por não ter certeza, cala-se. Não
tenho mais dúvidas sobre isso. Fred termina seu discurso dizendo que
deseja com urgência tomar o depoimento da vítima, o que será impossível
no momento.
Assim que os policiais se vão, Sean e eu procuramos por notícias. A
enfermeira-chefe de nome Marie, uma senhora corpulenta e de rosto
sardento, dá-nos as primeiras notícias sobre Meg, uma vez que ela não tem
família e somos os únicos responsáveis: ela foi levada ao bloco cirúrgico.
Sean solicita a Marie um local mais reservado onde possamos esperar pelo
fim da cirurgia. Pede ainda que nada falte a Meg e fala que todas as
despesas serão por sua conta. Protesto, mas ele não me dá atenção. Marie,
muito prestativa, prontamente nos leva para a tal sala reservada.
Roo as unhas e ando de um lado ao outro na sala branca com um sofá
sem graça da mesma cor. Fito as paredes e os poucos objetos que decoram
o lugar, sem muito interesse. Quero apenas notícias da minha amiga.
Necessito saber se ela está bem.
Sean está sentado e observa com aflição meus passos agoniados. Ele
ergue-se e põe as mãos em meus ombros.
― Acalme-se, amor. Vai dar tudo certo.
Sua voz é suave e me passa confiança, mas estou agitada e continuo
andando de um lado para o outro, quando Sean se afasta e me traz um copo
descartável com água.

― Beba um pouco.
Tomo em goles pequenos enquanto tento me acalmar, perdida em
pensamentos. Quem olhar de fora vai pensar que minha preocupação é
demasiada, mas Meg é como uma irmã para mim. Ela é a amiga fiel de todas
as horas, do tipo que me xinga para caramba quando faço merda, mas é a
primeira a me defender quando alguém me ataca. É aquela que, do nada,
liga-me de madrugada para me pentelhar com relatos de um sonho erótico
com algum ator famoso, aquela que, ao apenas me lançar um único olhar, já
sabe que não estou nada bem.
― Amor?
Sean me chama de volta ao momento atual.
― Sim? ― respondo aérea, notando que a enfermeira Marie está de
saída.
― A cirurgia terminou. Daqui a pouco o médico responsável vem nos
falar.
Sean me coloca a par do que o meu cérebro não registrou durante a
visita da enfermeira. Ele retira o copo descartável de minhas mãos,
jogando-o na lixeira de inox.
Sento-me e Sean faz o mesmo, puxando-me para seu peito. Acaricia
meus cabelos com carinho, em silêncio. Alguns instantes depois, um
homem aparentando ter uns trinta e poucos anos adentra na sala. Seu
jaleco branco e seu crachá nos indica que é o médico esperado.
Ergo-me com Sean, e cumprimentamos o homem, que se apresenta
como Gael. Logo após, indago sem rodeios:
― Como está a Meg, doutor?
― Sua situação é estável, porém inspira sérios cuidados. Vai precisar
ficar hospitalizada por uma semana no mínimo ― diz com expressão séria.
― Ela está consciente? ― pergunto ansiosa por novas informações.
Fitando a mim e a Sean seriamente, o médico nos informa em tom
profissional:
― A Senhorita Robson está sedada. Retiraremos os sedativos amanhã.
Minha equipe e eu achamos melhor assim, ela precisa descansar. Estava
muito machucada quando chegou até mim. Havia várias lesões e fraturas,
inclusive lesões internas
conter a hemorragia pela sérias.
perda daElacriança.
foi diretamente
Ela quaseàperdeu
sala deocirurgia
útero para
― Deus! Mas ela... poderá ainda ter... filhos? ― pergunto, sentindo
novamente uma onda de angústia me tomar. Sean aperta meus ombros em
apoio.
Ainda em tom profissional, o médico responde:
― Apesar da gravidade, Megan poderá engravidar novamente sem
problemas.

Solto a respiração, que não sabia estar retendo.


― Quando poderei vê-la, doutor?
― A Senhorita Robinson será transferida para um quarto em instantes,
então acho que brevemente poderá vê-la, mas alerto mais uma vez que ela
está sedada.
― Entendi.
― Ela poderá ter acompanhante, doutor? ― quer saber Sean.

― A ―Senhorita
Com todaRobinson
certeza ―ficará
confirma
bemo médico,
com os acrescentando logoTomei
cuidados certos. depois:
a
liberdade de acionar uma psicóloga do hospital. Ela deverá vê-la assim que
despertar.
― Obrigada, doutor ― agradeço, estendendo-lhe a mão.
― Não por isso. É o meu trabalho ― responde, apertando também a
mão de Sean logo após soltar a minha.
― Marie vai levá-los até o quarto ― avisa.

Meg. Gael nos deixa, mas logo a Marie nos leva em direção ao quarto de
Assim que entro, meus olhos se focam no rosto de minha amiga. Meg
está muito pálida. Seu olho esquerdo está machucado, assim como o canto
de sua boca, que ela aperta inconscientemente em uma linha fina. Seu
abdômen se encontra enfaixado, e há um cateter para soro em sua mão. Ela
dorme por estar sedada.
Aproximo-me da cama a passos lentos e toco na mão de minha amiga
com cuidado. Ela parece tão frágil. Meus olhos ardem e as lágrimas
escorrem pelo meu rosto.
― Volto em uma hora para trocar o soro, mas estarei à disposição,
basta a senhorita apertar esse botão.
Ela me mostra um botão na parede perto da cabeceira da cama.
― Obrigada ― agradeço, fungando.
Ela se vai, e Sean se aproxima, enxugando minhas lágrimas, suas mãos
se movendo com suavidade pela minha face. Beija-me levemente e me
abraça por trás. Sua voz rouca é um sussurro carinhoso aos meus ouvidos:
― Ela vai se recuperar, Ally. Vai ficar bem.
― Eu sei, mas parece tão fraca, Sean ― digo, aconchegando-me em
seus braços e observando a face abatida de Meg.
― É normal depois de tudo, mas você ouviu o médico. Ela vai ficar bem
― reforça positivamente.
― Penso na... ― Calo-me por um instante, engolindo o bolo que se
formou em minha garganta. Completo com voz de choro: ― Na sua dor
colossal ao saber que perdeu o bebê. Eu... não saberei como agir, como
expressar o quanto lamento. O que vou fazer quando minha amiga acordar,
Sean?
Ele me abraça mais forte. Sua pergunta sai abafada por estar com os
lábios pressionados em meus cabelos:
― Ela é sua melhor amiga?
Confirmo sem titubear:
― Sim!

― Então
que você não eserá
entende necessário
estará com elaque
nessefaça nada. Megan
momento vaipelo
de dor, compreender
carinho e
respeito que você vai lhe dedicar ― diz sábio.
Suas palavras me tocam fundo. Movo-me e o fito diretamente nos
olhos.
― Eu te amo! ― digo com um sorriso leve.
― Eu sei ― responde sorrindo torto.
― Convencido! ― exclamo, beliscando-o no antebraço esquerdo.
― Ai! ― geme e ri em seguida. Eu o beijo demoradamente, adorando
sentir seu gosto viciante. Após o beijo Sean fica sério. Ele encosta sua testa
na minha. Sua voz soa pesarosa: ― Não quero te deixar sozinha nesse
momento, mas tenho que ir para casa. Preciso ver como minha mãe está.
― Entendo perfeitamente. Steph deve estar preocupada ― concordo
mais que compreensiva.
― Ela já me ligou duas vezes ― revela com uma careta.
É visível sua preocupação com a mãe. Não é justo abusar dele assim.
― Vá amor, ficarei bem.
― Volto o mais rápido que puder! Passarei em seu apartamento e
trarei roupas, algo com que você se sinta mais confortável. Também vou
providenciar seu jantar.
― Não sinto fome, amor.
Na verdade estou meio enjoada com o cheiro de desinfetante
hospitalar.

― Mas tem que comer. Como vai ajudar a sua amiga? ― Ele é
repreensivo.
― Vou tentar ― digo para agradá-lo.
― Bom.
Ele beija minha testa e, nesse momento, uma ideia me vem à cabeça.
― Amor, peça ao Brandon para trazer minhas coisas. Assim já adianta
para você.
Ele me encara por um momento e então solta sério:
― Só deixarei Brandon tocar em suas calcinhas porque é um momento
especial, mas isso não se repetirá!
― Sean! ― exclamo passada.
― Tenho dito ― ratifica.
― Você ainda está com ciúmes do meu primo? ― questiono incrédula
novamente.
― Ele é homem, não é? ― pergunta como se estivesse respondendo ao
meu questionamento.
― Mas é meu primo!
Sua resposta me deixa boquiaberta:
― Isso não o castra!
― Absurdo! ― exclamo balançando a cabeça em negação.
― Venha me acompanhar até a porta ― diz de repente, levando-me
consigo até a saída. Parado à porta, beija-me docemente. Afasta-se minutos
depois e me promete novamente: ― Não vou me demorar.
Aceno com a cabeça, pedindo:
― Cuide da Steph. Diga que a amo e que estou com saudades.
― Eu te amo ― ele diz com os lábios colados em minha testa.
― Eu sei ― repito sua resposta anterior com um sorriso.
Então ele se vai. Sento-me no pequeno sofá de dois lugares e fico a
observar minha amiga, rezando para que ela fique bem logo.
Analiso todo o quarto. Ele é espaçoso e equipado com TV de tela plana
fixada à parede.
acompanhante Há sofás
e dois um pequeno armário
confortáveis, para da
um perto o paciente
parede doe lado
seu
direito, onde estou, e o outro perto da porta de entrada, ambos de dois
lugares. Uma porta no lado esquerdo é a do banheiro.
Meus olhos começam a pesar, e não percebo que cochilei até sentir
uma mão em meus ombros e ouvir a voz potente de meu primo:
― Ei, Gata, você vai ficar com torcicolo.
― Oi, Bran ― saúdo-o, ajeitando-me corretamente no sofá.

― Oi. Trouxe umas roupas limpas.


― Obrigada ― agradeço.
― Relaxa. Por falar em relaxar, dê o mesmo conselho ao seu
namorado. Ele me fez várias recomendações de como não tocar em suas
peças íntimas. Foi ridículo!
Fito a pequena valise perto do sofá, reparo também numa sacola
chique na mão esquerda de Brandon. Notando meu interesse pela sacola,
ele a ergue e diz:

― Esse
hospital aqui é o seu jantar. ― Faz uma careta ao dizer: ― Comida de
é a treva.
Sorrio de leve.
― Estou sem fome...
― Mas Ally, você tem que comer.
― Sei, sei, mas esse odor de hospital me deixa enjoada.
Ele me fita sério.
― Que foi? ― pergunto sem entender sua expressão.
― Você não está grávida, não né? ― solta a bomba, e eu pisco aturdida.
― Quê?! ― grito estupefata. Lembrando-me de onde estou, fito Meg,
com medo de tê-la despertado, mas ela continua dormindo graças aos
sedativos. Suspiro e ralho com Brandon: ― Claro que não! Deixa de falar
besteira!
― Sei lá!
Ele dá de ombros e se senta ao meu lado, passando-me a sacola com o
jantar, que por sinal está com um aroma delicioso, deixando-me ciente de
que estou faminta, apesar de estar também enjoada.
― Quanto tempo ela vai ficar aqui? ― ele pergunta fitando Meg.
― Uma semana, no mínimo ― respondo retirando a caixinha de
comida chinesa de dentro da sacola.
― Sinto muito pelo que houve com sua amiga, Ally ― diz com
sinceridade.
― Também sinto ― respondo com um suspiro.

― Já descobriram quem fez isso a ela?


― Não, mas a polícia está investigando ― falo enquanto retiro os
palitinhos de dentro da sacola e começo a comer.
― Quem faria uma maldade dessas com uma mulher tão linda? ―
Brandon diz observando o rosto de Meg ostensivamente.
Paro de mexer os palitinhos e o fito de lado.
― Que foi?
― Você acha a Meg linda, é? ― indago, sorrindo.
― Ela é uma mulher muito bonita ― confirma voltando a observar
minha amiga.
― Hum, hum ― murmuro, já maquinando algo para juntar minha
melhor amiga com meu primo.
Sorrio de lado e volto a dar atenção aos palitinhos, levando à boca
uma porção de sushi feito com arroz temperado com molho de vinagre,
açúcar e sal combinado com algum tipo de peixe ou fruto do mar, vegetais e
ovo. Uma delícia. Gemo em deleite.
― Isso aqui está uma delícia! ― exclamo de boca cheia.
― Ally, o que está tramando? ― indaga, desconfiado.
Engulo e respondo despreocupada:
― Nadinha, primo.
― Ally? ― insiste.
― Você pode deixar de implicar comigo para que eu me alimente? ―
peço, fitando-o e fingindo seriedade.
Ele me olha estranho, mas se cala. Brandon me conhece bem demais.
Sabe que estou escondendo algo e não me deixará sair dessa sem confessar
meu possível plano.
Ficamos em silêncio até eu terminar de comer.
― Vai me contar agora? ― pergunta me encarando.
― Não tenho nada para contar ― respondo de forma evasiva, para
anunciar logo em seguida: ― Vou tomar um banho.
― Você não me escapa, Ally. Descobrirei o que se passa por essa sua
cabecinha caprichosa ― diz enquanto me ergo para pegar a valise.
Pisco para ele e caminho em direção ao banheiro. Antes de entrar no
banho, prometo em pensamento:
Você vai ser feliz, amiga. Até já sei quem vai colaborar para que isso
aconteça.
OBSERVO MEG COM OS olhos marejados e minha garganta
embargada. Ela está despertando aos gritos, seu rosto atormentado. Com
dificuldade pela lesão no olho direito, ela me fita com espanto e logo após
desvia seus olhos de mim. Confusa, passa a observar o quarto atentamente.
Ela aparenta tentar entender onde está. Quando toma ciência de que se
encontra em um hospital, seus olhos se estreitam, e ela encara o soro preso
a sua mão com os lábios trêmulos. Novas lágrimas descem pelo rosto alvo.
Meg soluça alto ao levar a mão ao ventre.
Acompanho todo seu sofrimento, apreensiva. Sinto-me deslocada,
pequenina perto de tanta desolação. Não sei o que fazer. Meg começa a
gritar e a tentar retirar o soro. Corro prontamente para junto dela, a tempo
de impedi-la de arrancar tudo. Meg está transtornada. Sem saber como agir
diante de seu surto, aciono o botão de emergência.
Duas enfermeiras rapidamente aparecem, mas não conseguem contê-
la. Uma delas sai à procura do médico e, quando o mesmo chega, pede que a
sedem mais uma vez, mas de forma mais branda.
Segundo o doutor Gael, Meg teve um surto devido ao trauma, mas
ficará bem com apoio psicológico e dos amigos. Quando se retira, coloco-me
ao lado da cama de Meg e acaricio sua face com cuidado. Fico apenas
fitando-a em silêncio, compadecida com sua dor.
Sinto-me uma ervilha diante de tanta tristeza. Sinto uma necessidade
absurda da presença de Sean. Ele ainda não retornou, porém me ligou,
voltando a prometer que não demoraria a estar ao meu lado. Depois o
telefone foi passado para a Steph. Ela está preocupada comigo. Fez-me
jurar que me cuidaria e que iria visitá-la logo. Steph está com muitas
saudades, e seu carinho me fez muito bem nesse momento difícil.
Confessei-lhe que também estou morrendo de saudades e me comprometi
a visitá-la assim que pudesse.
Antes de dormir, Sean volta a me ligar e pedir desculpas por não
poder ficar comigo, pois Steph está muito agitada. Entre a troca de um soro
e outro, o dia nasce sem mais emoções. Desperto com uma mão forte
afagando meu rosto. Sorrio ao reconhecer o toque quente. Sean está
agachado a minha frente, lindo de morrer em um terno cinza-grafite.
― Faz tempo que chegou? ― pergunto bocejando. Gemo tentando
alongar os músculos doloridos do meu pescoço e me sento.
― Não muito ― responde tentando me beijar a boca, mas me afasto.
― O que foi? ― pergunta confuso.
― Estou com bafo.
Sorrio amarelo.
Sean balança a cabeça, sorrindo, e me beija, mesmo com o aviso.
― Trouxe seu café da manhã ― diz ao término do beijo, encostando
sua testa na minha. ― Mamãe fez questão de preparar o seu waffle...
Ele sorri largo, afastando-se um pouco para me mostrar uma sacola.
― Oh, meu Deus! Adoro sua mãe! ― exclamo, já salivando.
Sean me passa a sacola.
— Capuccino e waffle com mel! Adoro! ― exclamo feliz ao conferir o
conteúdo, mas antes de degustar meu desjejum, preciso urgentemente
escovar meus dentes e jogar água no rosto. Devolvo a sacola a Sean e me
levanto.
― Vou escovar meus dentes. Volto já ― explico quando ele me olha
curioso. Pego a valise no pequeno armário e caminho até o banheiro. Lanço
um olhar preocupado
Rapidamente em direção
escovo os dentes e retornoa aoMeg, queSean.
lado de continua dormindo.
― Como foi a noite? ― ele quer saber enquanto me auxilia a colocar a
bandeja no colo para eu fazer minha refeição. De boca cheia respondo:
― Nada bem.
― O que houve?
― Meg despertou fora de si. Teve um surto ― revelo entre uma
mordida e um gole de cappuccino.
― O trauma foi grave, e ela precisará de muito apoio ― fala ele sério.
― Sim ― concordo.
Ele faz uma careta.
― O que há? ― pergunto parando de mastigar, olhando-o.
Sean suspira, dizendo:
― Nada demais, mas se lembra da reunião com o rei Fakhir?
― Sim.
― Será hoje. Tentei desmarcar, mas não deu.
― Entendi ― respondo amuada. Ele mal chegou e já está de partida.
Não gosto, nem amo. Quero-o perto. Nossa, estou parecendo uma
menininha mimada, mas não consigo evitar demostrar meu desagrado.
― Não faz essa carinha, pois mando o rei “pros” diabos ― diz
acariciando meu rosto.
― Não, está tudo bem ― trato de dizer.

Sean isso.
Entendo é um Mesmo
homem ocupado,
desejandoe compreendo quenão
que ele fique, seu tempo
quero éser
corrido.
uma
namorada grudenta ou incompreensiva.
― Prometo que vou dispensar o rei Fakhir o mais rápido que puder.
― Faça isso! ― mando enérgica.
Sean se levanta e retira a bandeja do meu colo, deixando-a em seu
lugar no sofá e me ajudando a ficar de pé. Quando estamos em frente um ao
outro, ele afaga meu rosto e me beija com carinho. Abraça-me logo após o
beijo e se vai.
Termino meu café da manhã e tomo uma ducha. Estou saindo do
banho quando ouço uma voz baixa me chamar:
― Ally.
Meg desperta novamente, e graças a Deus, está calma.
― Estou aqui.
Aproximo-me da cama e toco sua mão com cuidado. Meg me fita com
dificuldade. Sua voz é sussurrada ao me perguntar:
― Perdi meu bebê, não foi?
Meus olhos ardem. Não estou preparada para confirmar a notícia
horrenda.
― Eu... sinto muito, amiga.
É tudo que consigo dizer com a voz embargada. Meg fecha os olhos e
chora silenciosamente. Tento conter as minhas lágrimas, mas é em vão.
Engulo o bolo que se formou em minha garganta com dificuldade ao ouvi-la
dizer:
― Preciso dizer. Preciso... ― Meg faz uma pausa para respirar. Ela está
arfante. ― Estava tão feliz. Eu... sempre desejei tanto ter um filho. Não
planejei... mas eu queria. Eu queria meu filho, Ally.
Estremeço pela sua voz soar tão vulnerável. Sinto que minha amiga
está quebrada de uma forma irreversível. Quero gritar, espernear, chorar
até ficar seca pelo que fizeram a ela. No entanto a fito em silêncio, aberta
para ouvir seu desabafo. Sua voz é abatida quando relata:
― Convidei o David para um jantar romântico em meu apartamento.
Ele aceitou sem titubear. Fiquei radiante, então preparei tudo com muito
esmero. Às 8h em ponto ele chegou, e passamos momentos agradáveis. ―
Meg respira fundo e desvia os olhos de mim, envergonhada. ― Depois do
jantar, David me levou a um passeio à beira-mar. Achei que o momento era
perfeito para lhe dar a notícia. Porém, quando revelei que estava esperando
um filho dele, ele ficou transtornado! Começou a me agredir verbalmente.
Chamou-me de coisas horríveis. De aproveitadora. Golpista. E partiu para a
agressão física. Tentei me defender, mas ele era mais forte, e acabei
desmaiando...
― Canalha! ― exclamo estupefata. Sempre soube que ele não era flor
que se cheirasse, mas nunca pude imaginar que seria capaz de um ato tão
vil!
― Sim... foi ele ― Meg confirma, deixando mais lágrimas caírem por
seu rosto.
― Crápula! filho da puta! ― volto a exclamar por entre os dentes,
possessa.
Meg respira fundo, tentando se acalmar, mas sua voz ainda soa
atormentada:

― Não
que me quero que
fez. Quero vê-lovocê
atrássedas
machuque,
grades! Ally, mas ele deve pagar por tudo
Concordo e me prontifico:
― Vou te ajudar!
Ela funga.
― Seu patrão tatuado pode me ajudar mais.
― Como assim? ― indago curiosa.
― David odeia Sean mais que tudo nessa vida ― revela, olhando-me
seriamente.
― Por que ele o odeia? ― interpelo confusa.
Então me recordo que Sean parecia saber de algo sobre quem havia
agredido a Meg. Lógico que ele desconfiava do canalha do David! Ele até
tentou alertar-me sobre o cara.
Meg me tira de minhas reflexões.
― David é um invejoso, Ally. Ele quer ser o Sean. E ele vai sofrer ainda
mais se for desmoralizado pelo seu namorado.
― Entendi.
― Não quero envolver vocês nessa sujeira, Ally, mas... ― A voz de Meg
falha. Ela respira fundo, e então prossegue: ― Mas preciso fazê-lo pagar de
uma forma bem dolorosa por ter matado meu filho.
Aperto sua mão com cuidado, tentando lhe passar apoio, caso as
minhas palavras a seguir não surtam efeito:
― Meg, você é como uma irmã para mim. ― Acaricio sua face. ― E eu já
estou envolvida até o pescoço, e meu boy magia também, meu bem.
Ela sorri de leve, mas seus olhos permanecem apagados.
Ajudo a Meg a se sentar depois de auxiliá-la a tomar um “banho de
gato”, quando Sean adentra o quarto. Ele meio que paralisa com a cena que
vê: Meg pálida, abatida e machucada. Ver suas marcas à luz do dia é
impactante. Observo-o trincar o maxilar. É visível sua enorme revolta, mas
se controla para não assustar minha amiga com sua cólera.
Ele pede desculpas pela interrupção, e o mando entrar de uma vez.
Sean, depois de fechar a porta, caminha até mim e beija minha testa. Já para
Meg ele lança um olhar de apoio e solidariedade.
― Olá. Bom enfim te conhecer ― diz Meg tentando sorrir.
― O prazer é meu em conhecê-la, Megan ― responde Sean com
sinceridade.
― Ally me contou o que você fez por mim. Eu... agradeço. Muito
obrigada.
Sean me fita de lado com a expressão gritando: por que você contou?
Dou de ombros.
Meg continua a falar, prometendo:
― Nem sei como vou te pagar, mas saiba que vou!
― Não se preocupe com isso. Quero que se recupere logo.
― Obrigada! Porém agora estou constrangida por pedir mais um favor

a você, Sean.
Ele a fita curioso.
― Não fique. Quero ajudar.
― Não sei... ― responde incerta. Meg está tímida, e então me
intrometo:
― É o seguinte, amor. Meg quer que o David pague pelo que fez, mas
não somente o denunciando para as autoridades. Ela quer humilhá-lo. E
quer sua ajuda para isso.

― Então realmente foi o David?


― Você já sabia, seu espertinho?
― Não podia acusá-lo sem provas. Ele já escapou de várias acusações
parecidas, mas dessa, ele não vai.
― Espere aí! Está dizendo que a Meg não foi a primeira vítima desse
covarde? ― pergunto estarrecida.
― David tem um histórico agressivo. Ele já foi indiciado, mas foi
inocentado por falta de provas. Ele intimida suas vítimas, as ameaça,
ameaça suas famílias, neutralizando-as, fazendo-as perderem a coragem de
irem até o fim com as acusações.
― Mas que saco cheio de esterco é esse David! ― exclamo horrorizada.
― Ele é perigoso, mas eu também posso ser quando preciso ― diz Sean
com expressão severa. ― Qual é o plano? ― pergunta atento.
― Não sei. Não pensei nisso ainda. Eu... ― atrapalha-se Meg. Sean a
socorre.
― Entendo perfeitamente. Não se preocupe, pense e depois me diga.
Estou às ordens. Por agora cuide de sarar.
Meg sorri de leve ao dizer:
― Vou ficar bem. Tenho a melhor amiga do mundo.

Três semanas depois

O apartamento de Meg estava limpo e arejado, prontinho para receber


a sua proprietária, que estava de alta depois de duas semanas longe dele.
Meg precisou ficar mais tempo no hospital do que o esperado. Na primeira
semana depois do ocorrido, Meg apresentava sinais claros de trauma. Ela
tinha pesadelos todas as noites e estava muito abalada com tudo que lhe
aconteceu.
Mesmo sofrendo pela perda de seu bebê, minha amiga foi forte ao

acusar seu agressor.


David. Com Meg, com a orientação
provas contundentes, o cretino de
foiSean, acusou
preso. formalmente
Foi um escândalo
coberto de perto tanto pela mídia séria quanto a marrom. Apesar de toda a
situação expor a Meg, não vou mentir que adorei ver a foto do canalha
devidamente algemado e sem regalias nas primeiras páginas policias.
Porém o plano de humilhá-lo não foi realizado. Meg compreendeu que
vingança não traria seu bebê de volta. Sua psicóloga está por trás da sua
mudança. Susan é uma mulher de meia-idade, baixinha e de sorriso
amigável, além de ser um amor de pessoa. Ela está sendo uma benção na
vida da minha amiga.
Outra grata surpresa é a amizade entre Meg e Brandon. Os dois agora
estão inseparáveis, o que é simplesmente perfeito para os meus planos de
cupido! Eles se conheceram formalmente um dia anterior à alta de Meg.
Inclusive foi ele quem nos levou ao apartamento dela, pois Sean estava
cuidando de Steph.
Infelizmente Steph teve uma forte crise. Não sabemos o que a
desencadeou, e Sean está passando por um momento conturbado. Então
minha atenção para com minha amiga relaxou um pouco, e Bran assumiu

meu
desdepapel de cuidar de Meg. Passei a praticamente morar na casa de Sean
então.
Amparo-o e o ajudo com a mãe. Steph está mais estável agora, mas nos
piores momentos da crise, temi que Sean tivesse que a internar. Entretanto
graças a Deus tudo está sob controle. Quer dizer, nem tudo. Ando me
sentindo estranha, tonta, com sono e dor de cabeça constante, variações de
humor, aversão a cheiros fortes e mamas sensíveis e inchadas.
Agora, por exemplo, estou brigando com o sono. Quero acompanhar
Sean até academia. Faz um tempo que não me exercito.
― Está com tanto sono que nem vai me dar carinho hoje? ― A voz
potente de Sean ainda rouca de sono me faz arrepiar. Ainda de olhos
fechados, gemo ao sentir algo me cutucar nas costas.
― O amigão acordou animado, não? ― digo arteira.
― Com você meu amigão sempre fica animado!
Rio, mas meu riso logo se transforma em gemidos de prazer quando
Sean me pega de jeito. Depois do amor, tomamos uma ducha juntos. Nua,
caio na cama novamente. Sean me cutuca com o joelho.
― Deixa de preguiça, amor. Levante-se dessa cama.
― Quero dormir! ― falo manhosa.
― Você vai se exercitar. Está ficando sedentária, mocinha.
― Não quero! ― volto a fazer birra, mas ele insiste:
― Vamos, amor.
Suspiro, rendendo-me.
― “Tá” bom, seu chato!
Sean ri quando lentamente me ergo e sigo da mesma forma até o
closet. Escolho uma malha confortável e me troco. Steph ainda está
dormindo quando saímos de casa. Sean ignora seu motorista Bones e opta
por dirigir. Essa coisa de ciúmes do velho homem é ridícula, mas não estou
com vontade de começar uma discussão sobre isso.
Bran nos dá as boas-vindas assim que adentramos de mãos dadas na
academia.
― Olá, casal!
― Oi, primo!
Abraço-o, perguntando:
― Como está a Meg?
Os olhos de Bran brilham ao ouvir o nome da minha amiga. O
safadinho está caidinho por ela! Que fofo! Brandon me solta e aperta a mão
de Sean enquanto me responde:
― Está bem. Ela agora é voluntária em uma clínica para mulheres que
sofreram o mesmo tipo de agressão que ela. Está animada em ser útil.
― Aposto que isso tem dedo da Susan! ― falo, rindo.
― Você está certa! ― confirma Bran.
― A conversa está ótima, mas temos que malhar ― diz Sean voltando a
segurar minha mão.
― Vamos almoçar juntos? ― sugere Brandon.
― Por mim tudo bem! ― concordo.
― Pode ser.
Sean dá de ombros e me arrasta até a sala de musculação, mas
escolhemos fazer esteira depois de nos alongarmos. Começamos a correr, e
logo meu namorado está suado. E a cena que muitas vezes me fez salivar
acontece: Sean retira a regata, colocando-a em seu ombro. Suas tatuagens
brilham molhadas pelo suor que escorre por seu peitoral definido e por
seus gomos abdominais. Salivo e sorrio travessa ao pensar que toda essa
gostosura é minha.
― Do que está rindo, amor? ― pergunta curioso.
― De nada ― respondo, sem querer revelar meus pensamentos nada
puros. Porém, penso melhor e decido revelar: ― Quer dizer, estou
recordando que costumava ficar te secando enquanto se exercitava. Você e
essas suas tatuagens são uma loucura, Senhor McGregor!
― Sou demais, eu sei! ― diz convencido, piscando provocativo.
Mostro-lhe a língua, e rimos logo em seguida das provocações.
Até então estou rindo, quando uma forte tontura me faz desequilibrar
na esteira. Não me machuco porque Sean percebe e corre para perto,
evitando minha queda.
― Ally? O que foi? ― pergunta assustado.
Não lhe respondo, pois tudo fica escuro.

O aroma forte de desinfetante hospitalar adentra meu nariz, e gemo


desgostosa. Abro meus olhos e me deparo com um Sean sorridente e um

homem de jaleco branco apertando sua mão.


Parece estar lhe dando os parabéns, mas pelo quê? Seria aniversário
dele e eu havia me esquecido? Não! Lógico que não, “ putz”! Não estou
pensando com coerência. Espera aí! Onde estou?, pergunto-me, observando
o lugar. Recapitula, bitch! Vamos por partes.
Eu estava na academia do meu primo, treinando com Sean, e do nada
senti uma tontura e desmaiei. Sim! Isso foi bem coerente! E o resto?
― Ela acordou, doutor! ― diz Sean quando percebe que estou
desperta.
― Como se sente, jovem? ― pergunta o homem de jaleco.
― Me sinto estranha e nada coerente. Ei, quem é você? Onde estou,
Sean? ― respondo encarando o homem de branco com desconfiança.
― Fique calma, amor. Você não pode se exaltar ― pede Sean.
Ele está todo atencioso e preocupado.
― Como é? ― indago ainda sem entender nadinha.
― O bebê sente tudo que você sente, amor Não se altere.
― Bebê? Que bebê? ― pergunto aturdida, sentindo meu coração pular.
Sorrindo de forma radiante, Sean solta a bomba:
― O nosso bebê, amor! Você está grávida!
Ele se aproxima da maca e me beija efusivamente. Fito-o meio que
desconfiada de que ele não esteja gozando plenamente das suas faculdades
mentais. Então vejo que Sean segura um exame de ultrassom. Será meu?
Rebato:
― Impossível, eu tomo...
E um estalo lembra-me que esqueci algo muito relevante. Pisco. Isso
só pode ser uma pegadinha.
Oh, Deus! Oh, Deus! Oh, Deus! Oh, Deus!
Isso não é uma pegadinha! Levo a mão à testa, soltando sem filtro:
― Puta que pariu! Esqueci a porra da pílula!
O médico pisca assombrado, enquanto Sean ri.
Eu gelo. Não sei como ser uma mãe. Nem faço ideia! Sean, percebendo
minha expressão de pânico, abraça-me.
― Vai ficar tudo bem, amor ― tenta me tranquilizar, mas sem sucesso,
claro. Ele então me força a fitá-lo nos olhos e me diz sério:
― Estamos juntos nessa. Agora somos uma família, amor. Estou feliz
por ser o pai do seu filho, Ally. E ficaria muito honrado em saber que você
também fica feliz em ser a mãe do meu filho.
Depois dessa declaração, não tem medo que não se vá. Fitando-o com
adoração e já sentindo as lágrimas escorrerem por meu rosto, respondo-
lhe:
― Estou feliz por ser a mãe de seu filho, sim, Sean, mas porra, bem que
você poderia ter usado camisinha, né?
Ele gargalha, beijando-me logo em seguida.
COM UM SORRISO TOLO apaixonado, observo Allyson atenta ao
trabalho. Estou todo convencido por aquela linda mulher ser minha
namorada e mãe do meu filho. É uma lastima que a novidade fique
escondida para duas pessoas importantes em nossas vidas. Ally tem receio
da reação que Meg pode ter diante da notícia. Ela ainda está muito
fragilizada, muito sensível a tudo que lhe lembre do acontecido, o que é
totalmente compreensível. E estou de acordo em deixar quieto o assunto da
gravidez de Allyson por enquanto.
Brandon está dando todo o suporte a Meg. Meu amigo está
apaixonado pela garota, e torço muito para que ele vença as barreiras da
Meg. Eles merecem ficar juntos.
O que me preocupa deveras é uma recaída emocional por parte de
mamãe. Sei que ela vai surtar ao saber que será avó, e por senti-la ainda
suscetível a alterações emocionais, Ally e eu adiamos a revelação da
novidade. Uma emoção forte pode desencadear uma nova crise e, em sua
atual situação, ela teria que ser internada. Não desejo isso. Não quero que
minha mãe seja tratada como louca. Nunca mais.
Resumindo, não vou arriscar, após uma semana cuidando do estrago
que Deanne Williams lhe causou com sua visita indesejada. Deanne agrediu
verbalmente minha mãe. Decidi evitar qualquer evento ou situação que a
deixe agitada. Meu corpo fica tenso e meu sangue ferve ao me recordar
daquela tarde...
Depois de encerrar a reunião com o sheik, recebi uma ligação de
Norah. A enfermeira estava em pânico e gritava ao celular que Deanne
invadira a casa. Para driblar a segurança, ela usara a amizade que minha
mãe lhe dedicava e conseguiu ter livre acesso à casa. Então armou uma
cena na presença de minha mãe. A desgraçada deixou mamãe histérica,
completamente descontrolada e aos prantos. Abracei-a e tentei acalmá-la,
mas não tive êxito.
Com minhas ordens, Deanne foi expulsa pelos meus seguranças. Ela
esperneou e me ameaçou. Não lhe dei atenção, estava ocupado cuidando de
mamãe. Deanne foi levada ao Departamento de Polícia. Então prontamente
mobilizei John, o médico que acompanha mamãe desde que passei a cuidar
dela. Rapidamente, após meu apelo de urgência, ele a examinou e a sedou.
Quando me certifiquei de que estava tudo bem, encaminhei-me ao
Departamento de Polícia para formalizar minha queixa contra Deanne por
invasão a domicílio, agressão e ameaça de morte. Exigi sua prisão

preventiva, alegando
psicológica da que assim
minha mãe, Williams
comoera um risco
da minha à integridade
namorada física e
e da minha.
E, sem o menor remorso, presenciei Deanne ser movida para uma
penitenciária feminina, onde vai aguardar o desfecho dos processos em
regime fechado. Portanto me calei sobre a novidade. Mamãe precisa estar
mais controlada para uma emoção forte.
Também escondi de Allyson o que ocorreu, pois sei muito bem que
minha namorada tirará satisfações com Deanne, e não posso deixar que ela
corra o risco de se machucar em uma briga, principalmente agora, grávida
do meu filho.
Ao pensar em nosso filho, relaxo em minha cadeira e sorrio
lentamente, recordando do susto que levei ao ver Allyson desmaiar em
meus braços. Fiquei desesperado de preocupação, mas me obriguei a ser
prático e levá-la a um pronto-socorro urgentemente, pois Ally não voltava a
si. Minha mente me fez voltar ao instante...

Aturdido, amparei o corpo de Al lyson e tentei fazê-la desper tar, quando


Brandon se aproximou. Seu rosto era uma máscara de preocupação.
― O que houve? ― indagou se agachando ao meu lado.
― Não sei ― respondi confuso. Com zelo, segurei o rosto pálido de
llyson junto ao meu peito e completei: ― Ela simplesmente desmaiou de
repente. Tenho que levá-la a um hospital, ela não acorda!
Brandon concordou com um movimento enérgico de cabeça.

― Me mande notícias, por favor! ― pediu alarmado.


Tomei-a nos braços e com cuidado acomodei Allyson no banco de trás
do sedã, sua cabeça em meu colo. Ordenei a Jared, um segurança, que
tomasse o comando do volante e que guiasse rápido. Ele nos colocou em
movimento freneticamente. Meia hora depois entramos na emergência de um
hospital, Ally em meus braços e ainda desacordada.
Fomos atendidos prontamente por uma enfermeira, que me levou a uma
sala de emergência. A própria enfermeira foi em busca do médico, que surgiu
minutos depois. Ele me cumprimentou rapidamente ao chegar e se disp ôs a
examinar Allyson, fazendo-me perguntas diretas.
― O que minha namorada tem, doutor? ― perguntei aflito.
― Ainda não sei, porém ela está com seus sinais vitais normais, tudo
indica uma queda de pressão ― respondeu, perguntando em seguida: ― Ela
tem se queixado de alguma dor especifica?
― Não que eu saiba ― eu disse, procurando na memória por algo
relevante.
― Algum comportamento diferenciado? ― insistiu ele. O médico
demonstrava suspeitar de algo.
Franzi a testa, pensando em uma resposta negativa, porém me lembrei
de que, naquela última semana, Allyson tinha se queixado de tontura, sono e,
durante o sexo, ela reclamou que os seios estavam muito sensíveis, e foi
quando percebi que eles estavam inchados.
Contei ao médico:
― Lembrei-me que andou se queixando de tontura e sono constante.
nda muito irritada.

― Se lembra do último ciclo menstrual de sua namorada? ― indagou ele,


encarando-me.
Empalideci, dando-me conta de um detalhe importante.
― Na verdade... Nunca a vi em seu clico ― respondi tenso. O médico me
itou sério.
― Vocês se previnem, Senhor McGregor?
― Ela toma pílula... mas nunca a vi tomar ― confessei desconfiado.
Ele me lançou um olhar longo e depois sorriu ao me dizer:
― Devo lhe informar que há grandes chances de sua namorada estar
rávida!
Fiquei sem ar. A vista escureceu. Pisquei e engoli com dificuldade.
Alheio a minha reação, o médico continuou a falar:
― Vamos fazer alguns exames para confirmar.
― Quais exames? ― indaguei, respirando fundo, controlando a onda de
pânico que me tomou. Minhas mãos estavam suadas.
― Uma ultrassonografia pélvica e um beta HCG ― informou em tom
profissional.
― Mas não demora a sair o resultado desse exame? ― constatei,
tentando me manter controlado.
― Posso pedir urgência, e o exame vai estar pronto em no máximo duas
horas. O senhor é quem sabe.
Estava paralisado, com medo do possível resultado positivo do exame.
― Então? ― voltou a perguntar o médico.

― Sim, peça urgência ― concordei mesmo com medo, eu não ia suportar


icar em suspense sem saber o resultado do exame.
― Ótimo! Vou pedir para que a enfermeira prepare a sala para o
ultrassom.
― Mas ela ainda está desacordada! ― exclamei confuso.
― Não há problema com isso. Como disse, ela logo despertará.
Então uma enfermeira levou Allyson à sala de exames e retirou sangue
dela. Logo depois eu estava ao seu lado em uma maca, segurando a mão de
minha namorada desacordada, assistindo a meu filho pela tela do
computador.
Meu coração perdeu várias batidas ao ver um pequenino pontinho, um
ser que se formava ali. Aquele pontinho era meu filho. Nunca me imaginei pai.
Nunca pensei que amaria alguém a ponto de me esquecer de me proteger.
Sempre pensei que seríamos somente mamãe e eu e que, quando ela se fosse,
eu ficaria sozinho. No entanto o furacão Allyson rompeu minhas defesas e
capturou meu coração.
Aquela menina-mulher me enfeitiçou, fazendo-me desejar coisas
impossíveis...

Sorrio como um tolo, voltando ao presente. Mesmo com as últimas


semanas nada fáceis, com o episódio da Meg e todo o processo da prisão do
David e da Deanne, eu não posso estar mais feliz. Até estou animado sobre
o assunto casamento. Desejo sinceramente viver ao lado de Allyson para
sempre.
ou pior, Meramente
imaginar quenãoestou
sei como abordar
propondo o assuntopelo
casamento com fato
ela. Ela
de vai
ela pirar,
estar
esperando meu filho, o que não é verdade. Entretanto como convencê-la?,
pergunto-me ao tocar a pequena caixa com a aliança de noivado dentro do
bolso do terno. Ela não sai de seu refúgio desde que a comprei há dois dias,
depois de saber que seria pai e de parar de lutar com a realidade de que
não posso mais viver sem Allyson. Programei um jantar romântico para nós
dois hoje à noite, mas o coquetel da nova afiliada adiou meus planos. Porém
por pouco tempo.
― O expediente terminou, chefinho. Vamos?
A voz de Allyson me acorda dos meus devaneios. Está à porta,
lançando-me olhares nada inocentes.
― Vamos nos atrasar para o coquetel, meu amor. E nem sei o que usar
ainda!
― Você fica divinamente bem vestindo qualquer coisa, apesar de
preferi-la in natura. E em meus braços ― retruco, sorrindo malicioso.
Ela me dá um sorriso travesso, aquele que me deixa todo ouriçado e
com meu pau duro.
― Venha aqui ― mando.
Seus saltos soam alto no piso de mármore enquanto se aproxima.
Estou hipnotizado pelo gingado de seus quadris. Ela para ao meu lado, e
giro a cadeira, erguendo-me.
― Sempre tive a fantasia de tomá-la aqui, nessa mesa ― confesso,
acariciando seu rosto, descendo para sua nuca. Indago: ― Posso realizá-la,
Allyson?
Ela me olha longamente, suas pupilas se dilatando, sua pele arrepiada
sob meus dedos.
― Deve! ― murmura.
Mais que prontamente baixo minha boca até a dela, tomando sua
doçura com lentidão. Estou tão malditamente esfomeado por ela que meu
pau já se retorce contra minha braguilha. Minhas mãos estão por toda parte
dela, tentando um maior contato com a pele sedosa antes mesmo que eu
perceba. Enrolo meus dedos em seu cabelo, puxando-a pela nuca e
aprofundando o beijo. Com a mão livre, seguro sua bunda e a puxo contra
mim, fazendo-a gemer ao sentir minha ereção.
Interrompo o beijo para correr meus lábios, língua e dentes ao longo
de seu pescoço. Seus dedos se enrolam em meu cabelo enquanto ela se
arqueia para mim. Meus dedos estão em sua blusa de seda azul, desfazendo
os botões de pérolas. Retiro-a sem dificuldades, e minhas mãos envolvem
afoitamente por cima da renda de seu sutiã os seios mais tentadores que já
provei.
Seus mamilos estão duros, e os bicos, convidando-me a prová-los.
Desfaço o fecho com mãos ágeis, liberando-os ao meu toque. Manipulo-os

com reverência e caio de boca sobre um deles, degustando-o.


― Sean! ― geme rendida.
Enquanto devoro seus mamilos, minha mão cuida do fecho de sua saia
preta, deixando-a deslizar pelas pernas torneadas. Afasto-me de seu corpo
para vê-la.
Meus olhos famintos percorrem Allyson com admiração lasciva. Ela
está poderosamente sensual usando apenas calcinha, cinta liga e seus
sapatos de saltos altos.

― Você
os seus seios ée perfeita
sobre suapara caralho
barriga. ― rosnoestar
― Preciso arrastando
dentro meus dedos
de você. entre
Agora! ―
resmungo, deitando-a em minha mesa.
― Você me tem. Tome-me para você ― sussurra rouca.
Ainda preso na admiração da posse, instalo-a à borda da mesa e me
inclino para frente, retirando sua calcinha com meus dentes. Quando ela
está nua, desabotoa minhas calças, deixando-as caírem, assim como minha
boxer.
Meu pau salta livre, duro, grosso e gotejante. Minha boca brinca com
os cumes duros de seus mamilos, meus dentes fazendo-os cativos, meus
dedos em sua umidade. Estimulo seu nervo tenso, inchado, clamando
atenção da minha língua. Deslizo-a por todo seu corpo, até fixá-la em seu
clitóris. Allyson treme inteira ao ter sua boceta beijada por mim.
― Por Deus, Sean! Pare de me torturar! ― choraminga.
Sorrio travesso, minhas mãos em sua bunda macia. Puxo-a para mim,
penetrando-a.
― Ah... Que delícia! ― ela geme em abandono.
Procuro seus lábios, reclamando-os com força, começando a estocá-la
lentamente. Sua carne quente e escorregadia dá boas-vindas ao meu pau.
Ally agarra-se aos meus ombros. Arqueia-se a cada penetração mais longa,
mais profunda. Sei que não duraremos muito tempo. Meu pau incha ainda
mais quando Allyson goza.
― Amo te foder, Allyson. Amo sentir sua boceta me apertando ― rosno
ao senti-la me ordenhando, e gozo logo em seguida.
Ofegante, deixo minha cabeça cair entre os seios empinados,
esperando que os tremores em meu corpo cessem.
― Vamos chegar atrasados ― diz, acariciando os meus cabelos e me
fazendo rir.
― Está arrependida? ― indago erguendo a cabeça para fitá-la nos
olhos.
Seus olhos de gata ainda estão nublados de prazer. Seu ar de
satisfação é um indício de que arrependimento não existe.
― Não, mesmo. Quero muito mais ― diz sacana, atiçando-me.

Meu pau prontamente se apresenta para fodê-la novamente.


― Isso é muito bom, porque estou propenso a não ir a esse coquetel e
prendê-la aqui, nessa mesa. Apenas para o meu total deleite.
Anuncio, voltando a me mover.

Dizer que adoro ver minha mãe e Allyson juntas é eufemismo. Porém é
a pura verdade. No entanto, estamos atrasados para o maldito coquetel, e
mamãe está em uma crise de carência.
― Voltamos logo, Steph ― Allyson assegura.
Minha namorada está lindamente vestida em um elegante vestido de
gala na cor preta, seus cabelos estão presos em um moderno coque. Sua
figura está fabulosa, deslumbrante.
― Mas você vai chegar tarde, e quero que me conte uma história
agora! ― mamãe diz com teimosia.

― Estamos atrasados, mãe. Amanhã Ally ficará a parte da manhã com


a senhora ― tento negociar e ganho um olhar zangado dela.
Encolho meus ombros. Minha mãe sabe que me tem nas mãos, como
também que tem Allyson refém de seus caprichos. Ally me fita por cima do
ombro e fala:
― Podemos nos atrasar mais um pouco, amor. Desça que já vou.
Suspiro resignado, e faço o que pediu. Coloco-me perto da lareira e
fico à espera de Allyson. Meia hora depois ela está ao meu lado.

― Steph dorme como um anjo ― diz sorrindo.


― Ela está ficando muito mimada. Sabe que nos tem na mão ― falo,
beijando sua testa.
Ally ri.
― Gosto de mimá-la.
― Também gosto, mas devo confessar que estou preocupado com sua
reação ao saber sobre o bebê ― confidencio.
― Você acha que ela ficará com ciúmes? ― Há preocupação na voz de
Allyson.
Esclareço:
― Não de mim, mas de você, Ally. Ela está muito ligada a você.
― Procuro pensar que sua reação será positiva. Além do mais
podemos pedir a orientação e apoio ao John, não é mesmo?
― Sim, você tem razão ― concordo e mudo de assunto. ― Já disse o
quão deslumbrante você está nesse vestido? ― indago deslizando minhas
mãos em suas costas.
― Não ― responde-me enquanto me enlaça o pescoço.
Aspiro seu sofisticado perfume Chanel Nº 19 com prazer. Com a boca
pairando sobre a sua, sussurro:
― Pois me deixe reparar meu erro. Você está fodidamente
deslumbrante nesse vestido, Senhorita Jordan.
― Obrigada, chefinho ― provoca-me.
Gemo ao beijá-la ardentemente nos lábios. Minutos depois me afasto
com resistência. Minha voz está rouca quando falo:
― Vamos logo, antes que eu te arraste como um homem das cavernas
e te prenda em nossa cama.
Rindo, Allyson toma minha mão e me segue.

Como é de se esperar, atrasamo-nos para o coquetel, porém chegamos


a tempo para os assuntos importantes. Flashes são disparados quando
saímos da limusine. Cumprimento sem muito entusiasmo alguns
empresários durante o percurso da entrada até a mesa reservada. Ally
chama atenção por sua beleza e simpatia. Meu tempo em sua companhia é
só risos e conversa alegre. Tomo doses de uísque, e Ally, sucos, enquanto
acompanhamos as homenagens aos idealizadores do projeto do complexo
de condomínios de luxo no litoral.
Então sou convidado a subir ao palco. Meu discurso é breve, mas
eloquente. Odeio esses protocolos. Posteriormente ao discurso apresento
Allyson a alguns clientes e me controlo para não anunciá-la como minha
noiva, futura esposa. Todos elogiam sua beleza, sua simpatia e sua retórica
sobre o mundo do show business. Ela está encantando a todos, e me sinto
muito orgulhoso. A caixinha com a aliança no bolso do meu terno está
esperando uma oportunidade para deslizar no dedo de Allyson.
Conversamos amenidades com um dos sócios do projeto, quando
sorrateiramente Marco Antony se aproxima. Imediatamente fico tenso.
Santoro se afasta, e Marco se coloca a nossa frente. Ally me lança um olhar
confuso.
― Olá, Sean, como tem passado? ― pergunta-me, mas seus olhos estão
fixos em Allyson.
― O que quer, Antony? ― indago indiferente.
― Apenas cumprimentá-lo ― responde sorrindo cinicamente.
― Caia fora.
Ele se faz de desentendido, seus olhos maliciosos presos em Allyson.
Indaga:

― Essa édo
brinquedinho a McGregor?
linda assistente que subiu de cargo e se tornou o novo
Ao ouvir suas palavras maldosas, minha mão coça, louca para socá-lo.
Sinto Ally tensa ao meu lado.
― Suma da minha frente, Antony ― ordeno frio.
― Está nervosinho, Sean? Não disse nada demais ― desdenha ele com
um sorriso falsamente cortês, mantendo as aparências.
― Se não sair agora, vou desfigurar esse seu sorriso de hiena com
meus punhos ― ameaço cortante.
― Sempre tão agressivo ― debocha. Ele se volta para Allyson. ―
Quando se cansar do McGregor, me procure, linda ― graceja.
― Não sou geriatra, Senhor Antony ― Ally retruca friamente em sua
pose de primeira-dama.
Antony nem pestaneja ao replicar vulgarmente:
― Não sou difícil, boneca. Pego qualquer uma.
― Vou trucidá-lo! ― rosno entre meus dentes cerrados. Vou deixá-lo
irreconhecível.
― Não vale a pena, amor. Deixe-o ― pede Allyson, segurando meu
antebraço com força.
― Vou fazê-lo engolir cada palavra! ― vocifero encarando-o colérico.
Antony sorri cínico diante da minha ira. Desejo matá-lo bem
lentamente.
― Não perca a razão, amor. Não lhe dê o que deseja.
― Sua vadiazinha é mais esperta que você, McGregor.
Meu sangue sobe, tingindo minha visão de vermelho. Sem pensar nas
consequências, parto em direção ao Antony e o soco com toda força,
derrubando-o em cima da mesa de canapés.
De repente o salão está em silêncio. Em minha nuvem de cólera,
percebo os convidados estupefatos e os flashes da imprensa.
― Oh, meu Deus! ― Ally exclama.
― Se a insultar novamente, você é um homem morto! ― ameaço puto.
― Isso não vai ficar assim! Pode apostar que não vai! ― ele devolve a
ameaça enquanto recebe ajuda de alguns convidados para se erguer.
Não me dou o trabalho de retrucar à altura. Apenas fuzilo-o com os
olhos semicerrados. Exalo forte, tentando me controlar por Allyson. Seu ar
assustado me deixa seriamente preocupado. Então decido tirá-la daqui com
urgência.
― Vamos embora dessa merda ― rosno e, com cuidado, conduzo-a
para a saída.
Sob os burburinhos dos convidados e da imprensa, levo-a de volta à
limusine. Com o veículo já em movimento, sirvo-me de uísque puro,
tomando-o em um único e rápido gole.
― Sean, está bem? ― ela pergunta me fitando preocupada.
― Não, não estou. Caralho! ― rosno. ― Quero voltar lá e matá-lo com
requintes de crueldade por chamá-la de...
Não ouso reproduzir a ofensa, só me deixará ainda mais possesso,
então puxo o ar ruidosamente. Amaldiçoo-me por fazer Ally passar por
momentos de estresse. Não é saudável para o bebê.
― Esqueça, amor, por favor ― pede ela docemente.
― Desculpe por ter agido violentamente, Ally, mas é como sou. Não
sou um homem sofisticado que sabe retrucar uma ofensa sem levantar o
punho. Sou impulsivo. Sou um briguento! ― ressalto infeliz.
Ally se senta em meu colo e segura meu rosto com carinho. Diz:
― Você é briguento, sim, mas adorei ver você me defender. Socar
aquele puto filho da mãe foi o eclipse da noite, mas... ― ela puxa uma
respiração ― não quero que se machuque, por favor. Seja cuidadoso. Esse
Antony não me parece uma boa pessoa.
Encosto minha testa na dela ao responder:
― Antony é um criminoso. Está envolvido com lavagem de dinheiro,
favorecimento político, entre outras coisas escusas.
― Deus, Sean! Então ele é perigoso! ― exclama apreensiva.
― Não tenho medo dele.

Elapara
cabelo estremece.
acalmá-la.Abraço-a forte contra meu peito, acariciando seu
― Não tema, amor. Nada vai acontecer, nem a mim, e muito menos a
vocês. Prometo.
Ela aconchega-se mais em meus braços e suspira antes de pedir:
― Só tome cuidado.
― Tomarei ― murmuro para sua tranquilidade.
Ally desliza suas mãos por dentro do meu black tie e encontra o
pequeno volume em seu bolso. Gelo. Porra! Não é a hora certa!
― O que é isso? ― pergunta-me, olhando-me curiosa.
― Allyson... ― começo uma explicação, mas me calo ao senti-la retirar
a caixinha de seu esconderijo. Empalideço. Esse é o pior momento para
falarmos sobre um assunto tão importante e sério, além de não ser nada
romântico.
Ally se afasta e encara a caixinha. Com os olhos espantados, ela abre-a
e fita boquiaberta as alianças de ouro branco, que reluzem no interior do
veículo.
Gagueja:
― I-isso é-é um... a-anel de n-noivado?
― Sim ― confirmo, fitando-a em expectativa e receio.
― Isso quer dizer o que estou pensando? ― indaga.
― Que desejo que seja minha esposa? Sim, Allyson, é o que mais quero.
― Ela me encara incrédula. Tento ser o mais leve possível ao continuar: ―
Já que estamos falando sobre isso, você aceita? Aceita ser minha por toda a
vida?
Ela pisca e sua boca se abre em um “O” perfeito, mas sua resposta não
vem.
PARALISADA
de noivado. Sean meE COM
olhaMÃOS TRÊMULAS,
receoso, sua testa seguro
vincadaa ecaixinha com
sua boca emo uma
anel
linha fina, infeliz. A limusine segue seu curso enquanto meu coração
dispara insano.
Deus! Casamento? Sean me pediu em casamento? Jesus! Ele não fez
isso! Oh, bitch, ele fez, sim! Como ele faz isso? Ele sabe meu medo de
compromisso. Tenho tanto medo! Medo de repetir o exemplo do meu pai,
de sofrer a mesma dor que ele por fazer a mesma escolha: o casamento.
Sean continua a me olhar expectante. Em seu colo posso observar
todas
perdemas nenhum
suas reações de perto.meu,
movimento Seu àlindo rostoSeiestá
espera. quesério,
devoe falar
seus olhos não
algo, mas
não consigo. Raramente isso me acontece. No entanto estou desnorteada,
principalmente ao presenciar a aflição de Sean à espera de uma palavra, de
uma simples palavrinha, mas com o significado tão importante nesse
momento. Porém estou petrificada. Sempre tive uma resposta rápida e
certeira para todas as ocasiões, mas não para esse momento. Elas me
faltam. Fogem-me.
― Diz alguma coisa, Ally. Esse silêncio está me matando ― pede
torturado.
Permaneço em silêncio, presa aos meus receios, às minhas conjecturas
negativas sobre o motivo do pedido. Nossa, fui pega de guarda baixa! Sinto-
o enrijecer e vejo seu maxilar se destacar forte em seu rosto.
Gaguejo:
― E-eu...
― Diga que sim, ou não, Ally, mas diga algo! ― objetiva perturbado.
Engulo com dificuldade e fito os olhos azuis com seriedade. Eles estão
angustiados. Os meus devem lhe parecer confusos, medrosos. Pergunto em
um fio de voz:
― Você quer se casar comigo pelo bebê, não é? ― Ele faz uma
expressão de sofrimento, o que só confirma minhas suspeitas. Merda!
Começo a dizer de forma desorganizada: ― Eu sei que é por isso, mas...
você, você... não precisa fazer isso. Não quero que se sinta obrigado. ―
Tomo fôlego e prossigo com a enxurrada de palavras. ― Sei que você se
sente responsável, e você é, mas... está tudo bem, eu...
Sean segura meu rosto entre suas mãos.
― Você está entendendo tudo errado, Allyson. Você não está dizendo
coisa com coisa. Quero me casar com você porque a amo, sua tola!
― Ai, meu Deus! ― exclamo atarantada.
― Eu te amo e não sei mais viver sem você. Será que esse motivo não é
o suficiente?
Suas palavras me aquecem a alma. E toda boba, indago:
― Você me ama tanto assim?
― Amo, Allyson. Mais que minha própria vida.
Sorrio de lado. Ele pergunta:
― Você me ama, Allyson?
Respondo sem hesitar:
― Amo, Sean. Nunca amei ninguém como eu te amo. Nunca!
― Então aceite meu pedido.
― Tenho medo, Sean, medo de acabar como meu pai ― confesso.
Ele suspira e acaricia minha face com os polegares, massageando
levemente as maçãs do meu rosto enquanto me olha seriamente nos olhos.
Sua voz potente flui firme:
― Não posso te prometer somente coisas boas, Allyson, mas posso
prometer fazer o meu melhor para te fazer feliz. Só me aceite. Por favor...
Ouvir esse homem maravilhoso confessar que me ama e ainda me
pedir para aceitá-lo por favor me bate fundo. Eu o amo e posso ser uma
porra-louca de uma medrosa, mas não posso dizer não. Não vou fazer isso
conosco. Tremendo de emoção, respondo:
― Pedindo-me desse jeitinho, não tenho como dizer não, chefinho. ―
Meu sorriso treme. ― Vou me casar com você, moço bonito, mas somente
por causa das suas tatuagens sedutoras.
Sean grunhe e me beija desesperadamente. Correspondo ao seu beijo
em igual desespero. O beijo dura deliciosamente por muitos minutos, até
que precisamos respirar.
Pulmões, seus estraga prazeres!
― Obrigado! ― ele diz ao encostar sua testa na minha. Afasta-se então
para
liberame olhar. Fita
a aliança minha mão,
do suporte. que ainda
Gentilmente segura
Sean a caixinha.
desliza Elemeu
o anel pelo a pega
dedo,e
deixando-o junto ao meu anel de compromisso. Murmura rouco: ―
Obrigado por confiar em mim.
Sean beija minha mão galantemente, e sorrio de forma tola.
Ele me segura pela nuca, e seus lábios fluem por minha testa suavemente,
com amor, assim como os beijos que se seguem. Sean beija meus olhos e
toda a minha face. Beija-me carinhosamente nos lábios. Entretanto o ardor
também está presente, tanto que meus mamilos pesam dentro do sutiã sem
alça. Os bicos se projetam, carentes da boca que me atiça os sentidos. Sean
também está atiçado. Seu volume é perceptível pelo cós de sua calça. Ele
pressiona sutilmente minhas nádegas, acendendo-me a libido.
Sean geme, mordiscando meu lábio inferior. Um arrepio corre por
minha espinha ao ouvi-lo dizer:
― Vou amá-la aqui e agora, minha noiva.
E em câmera lenta sua boca sensual se aproxima e toma a minha
novamente, quente, possessivamente. Suas mãos trabalham com agilidade,

abaixando a parte
deixando-me apenasdedecima de que
sutiã, meulogo
vestido,
tambémdesnudando-me os ombros,
se vai. Sua boca desliza
pelos meus ombros, mordendo-os.
Em poucos minutos estou sem o vestido, que foi jogado de lado no
banco da limusine. Somente minha calcinha e meus sapatos de saltos
restam.
Sean pega o interfone da limusine e ordena ao Bones que percorra o
caminho mais longo até a sua casa, então me manda:
― Tire minha roupa, amor.
Equilibrando-me em seu colo e com certa pressa, desabotoo os poucos
botões de seu smoking e o retiro. Afrouxo sua gravata, deixando-a de lado, e
trabalho nos botões de sua camisa, abandonando-a logo depois em cima do
meu vestido. O sarado abdômen fica livre ao meu toque. Salivo ao senti-lo
se flexionando sob as minhas mãos. As tatuagens tribais me hipnotizam.
Desejo lamber os desenhos negros.
Mordo os gomos perfeitos e refaço o caminho até sua boca, beijando-o
com ardor. Minutos depois, sem fôlego, afasto-me. Sean junta meus seios e
os lambe, mordendo os bicos sensíveis. Gemo. Uma das mãos grandes desce
em direção ao meu quadril.
Os dedos longos contornam o tecido da calcinha, afastando-a sem
cerimônia para me tocar diretamente, para provocar meu sexo, brincar
com minha excitação. Porém não sou uma mulher passiva e também não
concluí minha tarefa. Então levo minha mão ao cós de sua calça e deslizo o
zíper. Sean se ergue quando peço, ajudando-me a se desfazer de sua calça.
Sua boxer revela uma ereção potente.
Ele está tão “ligado” quanto eu. Coloco seu pau para fora e o manuseio

lentamente entre
excitação. Sean minhas mãos, acariciando a cabeça rosa, espalhando sua
geme.
― Porra, Ally! ― Continuo a estimulá-lo, até que ele retira minhas
mãos de cima dele. ― Termine de tirar a boxer ― manda.
E obedeço prontamente. Sean rasga minha calcinha, jogando-a ao lado
do meu vestido. Sua mão vai em minha nuca, puxando meu rosto para ele,
reclamando minha boca. Sua língua me devora, quando sinto Sean me
erguer e me encaixar em sua ereção.
Facilito sua tarefa ao rebolar, deslizando pelo seu pau, deliciando-me
com as veias e nervos proeminentes do seu mastro. O fogo do desejo se
espalha em minhas veias, derretendo todos os meus neurônios, minha
sanidade. Fecho meus olhos com força, apreciando a sensação
enlouquecedora.
― Cacete, como pode ser tão apertada? Tão gostosa?
Sean ruge quando começo a cavalgá-lo. Subo e desço lentamente,
enquanto ele estoca no mesmo ritmo. Nossas respirações estão ofegantes,
nossas bocas, comendo-se, até que gozamos fulminantemente juntos.
Depois do ápice, Sean me aconchega em seus braços com a ternura
equivalente ao arroubo sexual.

Acordar nos braços de Sean é uma das coisas mais gostosas que já fiz.
Perde para os nossos momentos mais quentes. Pressiono meu rosto contra
o peito largo.

― Está acordado? ― indago acariciando seu tórax.


― Sim.
― Sem sono?
― Na verdade, nem dormi, estou pensando em como contar a mamãe
sobre o bebê e o casamento. Estou receoso ― confessa.
Ergo minha cabeça para fitá-lo nos olhos.
― Também estou, mas não podemos deixá-la de fora do que está
acontecendo. Não é certo ― argumento.
― De acordo ― ele concorda.
― Vai ficar tudo bem, amor. Steph é especial, ela vai entender.
Ele suspira.
― Deus te ouça. ― Então Sean ergue as sobrancelhas sugestivamente,
dizendo: ― Banho?
Faço que sim com a cabeça. Então solto um gritinho quando ele me
ergue em seus braços, levando-me à ducha.

o queHoje é sábado,
achei entãoe odesde
o máximo, café da
quemanhã será napara
me mudei varanda.
a casaIdeia da Steph,
do meu gato
tatuado, praticamos. De mãos dadas, Sean e eu nos aproximamos da mesa.
Steph já espera por nós. Ele está nervoso ao meu lado, e aperto sua mão,
passando-lhe confiança.
― Oi, Steph! Dormiu bem? ― pergunto, beijando sua bochecha.
Ela joga os braços sobre meus ombros, puxando-me para um abraço
desajeitado. Rimos.

― Dormi ― responde sorridente.


Quando Steph me solta, Sean beija a testa da mãe.
― Bom dia, mãezinha.
― Bom dia, filhinho ― ela o imita, o que me faz sorrir.
Então tomamos nosso desjejum com calma, desfrutando da
companhia um do outro, conversando sobre coisas sem importância. Norah
medica Steph, e Sean me lança um olhar grave. É a hora ideal para falarmos.
No entanto Sean está muito tenso, então tenho uma ideia.
― Steph, que tal passearmos pelos jardins só você e eu? ― proponho.
Sean me olha confuso.
― Adoro passear nos jardins! ― concorda feliz.
Levanto-me da mesa e ajudo Steph a fazer o mesmo.
― Ally, você tem certeza? ― Sean pergunta inquieto.
― Tenho ― confirmo tentando lhe enviar um olhar confiante. ―
Vamos, Steph, o jardim nos espera. ― Abraço-a enquanto nos distanciamos
dessa área da varanda.
Há um canteiro de rosas brancas na parte lateral do jardim e um
banco de concreto. É o local perfeito para a nossa conversa. Ao chegar ao
canteiro, Steph toca em uma rosa branca.
― Cuidado com os espinhos, OK?
― OK.
Ela leva a flor ao nariz.
― Cheirosa ― diz se afastando da flor.
Sorrio. Preciso saber abordar o assunto delicado com sutileza. Sean é
o mundo de Steph desde sempre, e eu meio que invadi esse espaço. Não
quero que me odeie por isso. Respiro fundo.
― Steph, você gosta de crianças? ― pergunto em tom leve.
― Gosto, sim ― responde sem me olhar. Steph está entretida com as
rosas, sentando-se no banco para apreciá-las comodamente.
― Muito ou pouco? ― sondo me colocando ao seu lado no banco.
― São fofas ― diz de forma meiga. Sorrio.
― Você sente falta de quando Sean era criança? ― indago curiosa.
― Sinto muita falta. Ele era um bom menino, apesar de o Benjamim o
colocar de castigo ― responde em tom triste.
Droga! Muda de tática, bitch!
― Posso te pedir um grande favor, Steph? ― investigo mordendo meu
lábio.
― Pode ― diz firme.
― V-você pode... M-me ajudar a cuidar do s-seu n-neto? ― gaguejo.
Oh, Deus, oh, Deus, não deixe que ela me rejeite ou rejeite meu bebê.
Estou trêmula.
Steph me olha nos olhos por um longo instante. Seus olhos claros
estão calorosos, emocionados. Estou a ponto de pedir socorro ao Sean,
quando ela sorri lindamente e diz:
― Ajudo. Ajudo, sim!
Suspiro de alívio, quase em lágrimas. Uma batalha está vencida, falta a
guerra. Em um fôlego só pergunto:
― Você... também me ajuda a planejar meu casamento com seu filho?
Ela arregala os olhos tão azuis quanto os de Sean, em completo
espanto.
Começo a falar sem parar.
― Steph, sabe... Preciso muito da sua ajuda. Quero... sua opinião em
tudo, em... Oh, Deus! Eu posso implorar para você me ajudar, você quer?
Posso, só diga que me ajuda, por favor?
Ela não diz nada. Apenas fica me olhando. Seus olhos estão brilhantes,
seu rosto, corado. Ela parece que romperá em lágrimas a qualquer
momento. E é exatamente o que acontece. Desespero-me. Entretanto sou
pega de surpresa mais uma vez quando Steph sorri e me puxa para um
abraço. Sinto suas lágrimas molharem meu ombro. Sua voz soa baixa e
chorosa, mas feliz, genuinamente feliz ao dizer:
― Amo você, Ally. Muito. E vou te ajudar, mas não me faça usar verde,
não gosto dessa cor.
Puxo fortemente o ar, minha voz sai baixa, não mais que um sopro:
― Prometo. Nada de verde. Também te amo, Steph. Muito, muito.
Obrigada por me aceitar.
Sua voz doce está emocionada ao anunciar:
― Você é minha filha agora.
Arrepio-me e choro emocionada.

As duas pessoas que aprendi a amar estão em um momento muito


bonito. Sean parece uma criança se divertindo com a mãe em um jogo de
damas. Steph acusa Sean de trapacear. Eles estão relaxados e felizes. Depois
que Steph aceitou muito bem as novidades, Sean aparenta ter retirado um
peso enorme de seus ombros. Entendo-o perfeitamente.
Deixo ambos se divertindo e vou à varanda, onde me acomodo em
uma espreguiçadeira com o volume do meu romance favorito. Estou

absorvida pelaaoleitura
e me espanto ver quequando
se tratasinto meu celular vibrar. Verifico a chamada
da Evangelina.
― Como conseguiu meu número? ― pergunto com frieza ao atender.
― Você sumiu! Onde você está? ― ignora minha pergunta
propositalmente.
― Não lhe diz respeito ― respondo malcriada
― Mocinha, olha como fala, sou sua tia! ― reclama.
― Na verdade, não é. Você é a mulher do Michael, ele é meu tio ―
ressalto.
Ela bufa.
― Mero detalhe! ― Então solta sem rodeios: ― Precisamos da sua ajuda.
Minha resposta direta é gélida.
― Por que não diz logo que precisa do meu dinheiro?
Ela fica na defensiva.
― O que tem de mal em ajudar sua família? ― logo acrescentando
atrevida: ― Nos te acolhemos! Você nos deve!
― Não lhes devo absolutamente nada! ― retruco furiosa.
Ela revida no mesmo tom:
― O que custa nos ajudar? Você namora um homem riquíssimo,
portanto não seja avarenta com sua família! Você nos dará uma mixaria
perto do que ele tem! Não vai lhe fazer falta!
Essa mulher não tem senso de ridículo! Porra! Meu sangue ferve.
Minha voz destila ira.
― Não sou obrigada a ouvir tanta podridão. Vá procurar um trabalho,
Evangelina, uma ocupação além de extorquir dinheiro das pessoas!
Esqueça que existo!
Desligo.
Sean se aproxima com o semblante preocupado. Devo ter alterado a
voz ao telefone. Merda!
― Ally? O que houve?
― Assuntos familiares ― respondo ironicamente.
― Não entendi ― diz confuso.
Ajusto-me na espreguiçadeira para que ele se sente e trato de explicar.
― Minha tia ordinária, ou digo, a mulher do meu tio, igualmente
ordinário, me ligou.
― O que ela queria?
Ele me olha curioso.
― O de sempre, extorquir meu dinheiro ― dou de ombros.
― Vou cuidar desse assunto. ― Sua expressão é determinada.
― Não vai, não. Nem pense em dar dinheiro para assa mulher, está me
ouvindo? ― falo seriamente.
Sean bufa.
― Não pretendo lhe dar dinheiro algum, mas sim afastá-la dentro da
Lei. Ela não pode extorquir seu dinheiro e ficar impune.
― Ela é mãe do Brandon, Sean. Não quero que ele sofra. Não faça nada
― peço.
― Você está grávida, não pode ficar se estressando. Não vou deixar
que nada te perturbe!
― Prometo que não vou mais me estressar com essa mulher, mas
deixe esse assunto de lado, por favor, meu amor. Pela sua amizade com o
Bran.
― O Brandon que me desculpe, mas você e meu filho são minha
prioridade, Allyson!

― Por mim, então?


Ele me olha sério. Faço minha melhor cara de cachorro carente. Sean
rende-se por fim.
― Tudo bem, mas...
― Obrigada! ― silencio-o com um beijo, abrigando-me em seu colo.
― Está se sentindo bem? Nada de enjoo? ― pergunta acariciando meus
cabelos.
Durante o almoço eu tivera meu primeiro enjoo e sessão de vômito.
― Nadinha.
― O que quer fazer hoje à noite? ― indaga animado.
― Hum... Podemos sair para dançar? ― sugiro, também me animando.
― Pode ser ― concorda com um sorriso torto. Sugestivo, pergunta: ― E
agora, nesse instante?
― Bem, estou pensando em ir à casa de Meg... ― revelo sorrindo
amarelo.

― Entendo. Mas... Se eu te mostrar uma coisa? Uma coisa bem legal.


Você fica? ― apela beijando meu pescoço e me fazendo sentir o volume de
seu pau ao esfregá-lo em minhas nádegas. Gemo, porém fujo de sua
armadilha pulando de seu colo.
― Preciso ir e sozinha.
Ele faz bico.
― Amor, preciso ter uma conversa a sós com a Meg. Você entende, não
é?
― Não gosto, mas entendo. Porém permito que vá se for escoltada por
Jared.
― Justo. ― Beijo-o longamente e suspiro ao me afastar relutantemente.
Sean me acompanha até o carro e orienta Jared a não negligenciar
minha segurança em momento algum. Acho desnecessário tanto cuidado;
no entanto não reclamo.
― Volto logo ― prometo me despedindo com mais um beijo.
Jared é muito simpático comigo e me leva com segurança ao
apartamento de Meg. Quando chegamos, peço que ele espere por mim no
carro. Ele replica, mas o convenço de que não corro risco algum.
Meg me recebe com um abraço caloroso. Sorrio discretamente ao me
deparar com os livros do Brandon, jogados em cima da mesa de centro.
Meg me serve chá de hortelã, meu favorito, e se senta no sofá a minha
frente.
― Preciso te contar umas coisas ― começo hesitante.
Fito-a séria e com a boca seca. Tomo mais um gole do chá antes de
deixá-lo em cima da mesa.
― Ally, que tal deixar de embromação e dizer logo a que veio? ― pede
me encarando desconfiada.
― Estou grávida e vou me casar ― digo de uma vez.
― Meu Deus! ― exclama de olhos muito abertos. Eles ficam vermelhos,
e lágrimas escorrem por seu rosto, o que faz meu coração se quebrar.
― Meg... Eu...
― Você não tem culpa de nada, Ally, e eu estou feliz, eu juro que estou,
mas dói muito ainda, sabe? Queria tanto ser mãe... Porém... prometo ser a
melhor tia do mundo!
― Eu te amo! ― falo com voz embargada.
― Também te amo, Ally, e me dê um abraço, sua bitch sortuda!
Ela me estende os braços, e voo para eles.
― A propósito, você é a madrinha do casamento e do meu bebê ― solto
em meio ao choro. Meg soluça, e eu a abraço ainda mais apertado.
Depois de deixar Meg a par de todos os últimos acontecimentos, estou
a caminho de casa. Jared guia com responsabilidade de volta para a
mansão, e minha mente está longe, recordando os beijos do meu tatuado,
sua voz rouca e sexy, suas mãos em meu corpo me dando prazer. Ele me faz
sentir muito amada.
Divago em felicidade, quando o carro é atingido fortemente por outro.
Pelo vidro fumê da janela, observo horrorizada quando o Ranger Rover
preto nos atinge novamente. Nosso carro derrapa.
― Jared! ― grito assustada.
― Segure-se, senhorita.
Faço o que me mandou, agarro-me à lateral do acento do banco. O
ataque continua enquanto Jared tenta fugir. Estamos em uma descida, e do
nosso lado esquerdo há uma ribanceira. Nosso carro oscila, dirigindo-se
perigosamente para perto do limite entre ela e a pista. Arfo de medo.
De repente posso ver toda minha vida passar diante dos meus olhos
em fração de segundos. Vejo meu pai empurrando-me no velho balanço em
nosso quintal. Vejo meu primo Brandon me abraçando quando chego a sua
casa. Vejo Meg
por último vejono primeiro
Sean. Ele media de torto,
sorri aula. Vejo Steph
do jeito e seus olhos
pretensioso quebondosos. E
tanto amo.
A crendice popular diz que, quando isso acontece, é porque a morte está
próxima.
O Range Rover nos lança pela ribanceira. Nosso carro capota, gira
várias vezes e, antes de parar abruptamente, meu cinto de segurança
destrava e sou lançada para fora do carro. Atravesso o para-brisa dianteiro.
E uma forte explosão acontece logo antes de eu desmaiar.
SÁBADO É UM DIA MUITO nostálgico. É o dia em que me recordo dos
momentos de felicidade de uma época muito distante. Encho-me de
autopiedade e comiseração nesse dia. Sinto-me tão medíocre.
Desconsolado, pego minhas chaves e saio de casa com a cabeça pesada,
cheia de mágoa, rumo a minha casa de campo. Preciso ver, tocar nas únicas
coisas que me restaram de Cecilia e de nossa filha.
A estrada está calma, sem trânsito, a não ser pelo sedã e o Range
Rover logo à frente. Guio devagar, apreciando a passagem, arriscando-me a
ver a profundidade da ribanceira. Ela é bem íngreme. Perigosa.

Volto meus
identificação olhos oà sedã
perseguir estrada e ficocriminosa.
de forma estupefatoRápido,
ao vertento
o Range sema
acionar
polícia pelo celular, mas ele está sem bateria. Jogo-o no porta-luvas.
Horrorizado, presencio o Range empurrar o sedã ribanceira abaixo.
Apenas acompanho como em câmera lenta o carro girar e capotar várias
vezes antes de explodir e lançar altas bolas de fogo e fumaça negra.
Por puro reflexo escondo meu BMW em um conjunto de grandes
pedras até que o Range foge cantando pneus. Fico estático pelo que acabo
de ver, antes de voltar a colocar o veículo novamente em movimento. Com
receio me aproximo
dificuldade do local daescorregando
desço a ribanceira explosão. Desligo
uma vezo carro e saio.
ou outra. O Com
fogo
crepita, dono de toda a massa retorcida de ferro que sobrou do sedã.
Ao redor, pedaços carbonizados de um corpo se destacam
horrendamente no cenário. Engulo em seco, então arfo ao ver um corpo de
mulher inerte e muito machucado. Uma linda mulher. Aproximo-me
imediatamente da desconhecida; seu estado é deplorável.
Sua calça jeans está rasgada, e sua perna direita tem uma fratura
exposta; seus braços estão completamente arranhados, e alguns estilhaços
de vidros ou
profundo estãoem
corte grudados neles, ou
sua têmpora dentro dos
esquerda, decortes;
onde assim comoescorre
o sangue há um
abundantemente.
Agacho-me ao seu lado e toco em sua jugular. Minha mão livre paira
em seu nariz, verificando se está respirando. Sua respiração é tão fraca
quanto sua pulsação, mas o que importa é que ela está viva!
Minhas mãos se afastam de seu rosto machucado e de seus escuros
cabelos, e admiro a beleza deles por um instante, sentindo algo tão forte
que me deixa trêmulo, sem ar.
― Você é um presente. Meu presente ― murmuro, maravilhado com a
semelhança da moça com minha falecida Cecilia.
Procuro nos bolsos de sua calça por algum documento, mas ela está
sem identificação. Em uma de suas mãos há dois anéis, uma indicação clara
de que é comprometida. Sinto um ciúme louco e, movido por ele, retiro os
anéis. Jogo-os no sedã que ainda queima.
Ao ouvi-la gemer de dor, volto a olhá-la. Ela precisa de ajuda médica.
Não esperarei por ajuda especializada. Sei um pouco de primeiros-

socorros,
craniana. e ela não tem lesão na medula, apesar de aparentar uma lesão
Ela está sofrendo e pode morrer de hemorragia. Minha irmã é médica,
pode ajudá-la. Com isso em mente, rasgo minha camisa e tento estancar o
sangramento em sua testa. Certifico-me de que não a estou machucando
ainda mais ao tocá-la e a movo, erguendo-a em meus braços. Ela volta a
gemer fraquinho, mas permanece imóvel.
Com dificuldade subo a ribanceira e a levo para meu carro, colocando-
a no banco do passageiro com cuidado. A toda velocidade guio rumo ao
hospital onde Harriett trabalha.
― Preciso de ajuda! ― grito, com a linda desconhecida em meus
braços, ao entrar na recepção da área de emergência do hospital.
― Por aqui, senhor! ― orienta uma enfermeira cujo nome, que está em
sua identificação, é Winnie, quando se aproxima correndo. Outros dois
enfermeiros também correm logo que percebem a grave situação.
― O que houve? ― pergunta um dos enfermeiros, ajudando-me a
colocar a mulher na maca.
― Um acidente de carro ― informo evasivo.
Eles me olham de forma acusatória. Não me importo. O pronto
atendimento à desconhecida é prioridade.
A enfermeira pergunta:
― O senhor é parente da moça?
Tenho a intenção de contar a verdade, juro que tenho, mas meu
coração se rebela, ele não quer perder de vista a linda jovem, e sem
perceber me ouço dizer sem hesitação a grande mentira que mudará minha
vida:
― Sou seu marido.
― O senhor vai ter que preencher a papelada de internação ― informa
a enfermeira enquanto empurra a maca com ajuda dos dois enfermeiros.
― Minha irmã é médica, ela trabalha neste hospital. Por favor, contate-
a para que ela possa cuidar pessoalmente do caso de minha esposa. Estou
sem condições ― peço, esquivando-me da situação no momento. Preciso da
ajuda de Harriett para colocar meu plano em prática.
― Entendo. Qual seu nome? ― pergunta me olhando de lado.
― Nathan Gavin! ― respondo rápido.
― Por favor, aguarde aqui fora, Senhor Gavin ― pede quando começo a
acompanhá-los até a porta que dá para o corredor de atendimento de
emergência.
― Irei aguardar ― digo, deixando de acompanhá-los quase perto da
porta.
― A qualquer momento voltarei com notícias ― ela fala novamente,
sendo prática.
― Por favor, salvem-na! ― grito quando a levam de mim.
Ela vai sobreviver, preciso desesperadamente dessa nova chance.
ALGO ESTÁ MUITO ERRADO. Posso sentir que algo grave aconteceu.
Ligo para o celular de Allyson, mas a mensagem insistente é de que está
fora de área. Ligo para Meg, que me confirma que Allyson deixou sua casa
há mais de uma hora.
Preocupado além da conta, imediatamente verifico o GPS do sedã, mas
o sinal sumiu! Atormentado, dou ordens aos meus seguranças para
procurarem o paradeiro do carro, com rondas pelos possíveis caminhos
que eles poderiam ter percorrido. Então vem a pior notícia.
Estou trêmulo, meu coração bate em um ritmo louco. Não pode ser
verdade.
mim, nemDeus
meu não
filho,me
nãocastigaria
agora! dessa forma. Ele não levaria Allyson de
Às 6h da tarde recebo uma ligação. Uma maldita ligação da polícia,
informando que o sedã está retorcido em uma carcaça, após se envolver em
um grave acidente que findou com uma forte explosão, causando a morte
instantânea de Allyson e Jared.
Desequilibrado, vou ao local do acidente. Meu desespero ganha
proporções gigantescas ao ver o sedã totalmente destruído. Esbravejo
contra os policiais, que teimam em afirmar que Ally está morta. Quase sou
preso por desacato.
Meu advogado me orienta a ficar calado, e sigo o seu conselho,
contrariado, então o oficial me pede para reconhecer o corpo, ou o que
sobrou de Jared no necrotério. A área está em perícia quando me retiro de
lá a toda velocidade. Chego ao necrotério sem perceber, a adrenalina me
guiando.
― Isso não é verdade! ― exclamo ainda incrédulo, olhando friamente o
homem a minha frente.
― Senhor... nós achamos que o corpo... virou cinzas ― diz-me como se
fosse o óbvio.
― Impossível!
O homem sua copiosamente e parece querer sair correndo. Sua voz
treme ao dizer:
― Achamos sangue do lado de fora que pertence a sua noiva, mas... o
corpo sumiu.
― Ela não está morta, porra! ― grito.

O perito estremece de medo, mas ainda não corre. Toma fôlego e


responde:
― Senhor, sinto muito. Porém sua noiva não pode ter sobrevivido à
explosão. O senhor mesmo viu o estrago em que o carro ficou. Viu os restos
mortais de seu segurança. Viu o diamante, viu o que sobrou dos dois anéis,
eles derreteram. Repito, ela não sobreviveu.
Mordido de dor e cólera, avanço e seguro o homem pelo colarinho,
gritando em seu rosto:
― Já disse que ela não morreu! Diga aos seus companheiros que
vasculhem tudo até encontrá-la! Ela está em algum lugar! Ela não pode ter
evaporado, porra!
O homem me olha com uma mistura perigosa de pena e medo,
fazendo-me o soltar abruptamente, e lhe soco o rosto com toda a força. Ele
cai por cima da mesa às suas costas.
― Não me olha assim, porra! Sei que ela está viva! Eu sei! ― grito
completamente descontrolado.
― Sinto muito... ― ele murmura, tentando se pôr de pé, e quando
consegue,
sozinho nasai correndo
sala com a mão na boca, onde eu o soquei, deixando-me
fria do necrotério.
Forço o bolo em minha garganta a descer, ele me rasga interiormente.
Quando meus olhos vagam pelas gavetas resfriadas e pelos restos mortais
de Jared, uma forte tontura me domina. A realidade dos fatos me quebra.
Meu corpo pesa, e bato as costas na parede fria, escorregando por ela.
O chão de azulejo branco me recebe. E, pela primeira vez desde que soube
do acidente, choro. Uivo de dor e de ódio de Deus e do mundo.
Por quê? Por que Allyson tinha que me deixar? Por quê? Por quê,
porra?! Esse é o sinistro mantra que dança em minha mente. Não sei dizer
quanto tempo estou no chão até ouvir a voz triste de Brandon:
― Vamos, Sean. Vamos para casa.
Olho-o através das lágrimas, sem entender como ele chegou ali.
Entendendo minha muda pergunta, ele sussurra abatido:
― Vi pela TV, então fui a sua casa, e a Norah me contou tudo.
Brandon me ajuda a me erguer. Ele chora silencioso ao me levar de
volta ao veículo. Para casa. Ele se coloca no banco do motorista assim que
me ajuda a entrar no carro. Observo o trânsito, sentindo-me oco. Como
direi a minha mãe que Allyson e seu neto estão mortos?
Fecho meus olhos com força. Não tenho mais motivos para ser feliz,
nunca mais. Juro que destruirei a pessoa que me roubou tudo. Ela se
arrependerá amargamente pelo resto de sua maldita vida.
Vou me incumbir pessoalmente para que isso aconteça!
― SUA IRMÃ ESTÁ CIENTE, senhor, ela o aguarda em seu ambulatório.
Ergo-me da cadeira e agradeço:
― Obrigado!
Conheço bem todo o hospital. Caminho em direção ao ambulatório,
onde minha irmã me espera à porta.
― O que aconteceu? Você está ferido? Está sangrando!
Ela me avalia preocupada.
― O sangue não é meu ― tranquilizo-a, acrescentando: ― Preciso de
sua ajuda.
― Vamos entrar.
Ela se acomoda em sua cadeira por trás da mesa, e fico a sua frente.
Em poucos minutos explico tudo o que aconteceu desde a saída do meu
apartamento para ir à casa de campo até chegar ao hospital e minha ideia.
― Meu Deus! Nathan, isso foi uma loucura! ― exclama assombrada.
― Eu sei, mas agora é tarde para voltar atrás ― respondo frio.

― Você não pode estar falando sério!


― Nunca falei tão sério.
― Não vou te ajudar com isso! Não posso! Além do mais a garota sabe
a verdade, Nathan! Você não tem controle sobre isso!
Passamos cerca de uma hora na sala de minha irmã, com a mesma
tentando me convencer a dizer a verdade.
Uma batida à porta nos interrompe. É a enfermeira que me ajudou.

― da
clínico Doutora,
esposadesculpe interromper, mas temos notícias sobre o quadro
de seu irmão.
― Quem é o médico responsável, Winnie? ― minha irmã indaga séria.
― O doutor Jackson.
― Obrigada, pode ir ― Harriett dispensa a enfermeira e me olha de
lado ao se erguer. ― Vamos lá ― diz, fazendo-me sair primeiro do
ambulatório.
Caminhamos pelos corredores do hospital lado a lado. Ela está muito
séria.
bate à Calada. Pensativa.
porta. Um homem Não é bom sinal.
alto abre-a. Chegamos
Harriett a uma ainda
nos apresenta sala, eàHarriett
porta.
― Olá, Dr. Jackson, esse é meu irmão, Nathan Gavin. Ele é...
― Sou marido da moça que você ajudou a salvar ― digo-lhe,
intrometendo-me quando ela hesita. Cumprimento o médico com um forte
aperto de mãos. ― Como minha esposa está, doutor? ― pergunto
verdadeiramente aflito.
― Ela nasceu de novo, devo salientar. Sua esposa passou por duas
cirurgias. Reparamos a fratura exposta em sua perna e cuidamos da lesão
grave na cabeça. A sutura foi profunda, e bem... os níveis de atividade num
cérebro normal variam constantemente e são muito diferentes entre o
estado de vigília e o do sono que ela apresenta.
― Sono? O senhor está falando que ela está... em coma?
― Sim, ela apresenta uma situação de inconsciência total. Sua
inconsciência foi provocada pelo traumatismo na cabeça. Mais
especificamente sua esposa apresenta um quadro de encefalite. A encefalite
provoca diminuição do nível de consciência, estado de confusão ligeira e,
como dito anteriormente, a inconsciência total.
― Mas... ela vai acordar?
A ansiedade me faz suar.
― Não posso prever as possibilidades nesse primeiro momento,
principalmente por seu estado de coma profundo ter durado mais de duas
horas. Sua recuperação vai depender de como a lesão que a provocou irá se
comportar, porém pode se ter uma recuperação importante mesmo que o
coma dure várias semanas; entretanto, não mais que três meses, pois não
se pode descartar a probabilidade de graves sequelas.

ruins.― Entendo. Mas há esperança? ― sussurro, balançado pelas notícias


― Sim, há esperança. ― Jackson me olha desconfiado.
― O senhor tem algo a acrescentar? ― questiono diante de sua reação
estranha.
― Não vai me indagar sobre a criança? ― o médico pergunta.
Pisco confuso.
― Como?
― Sua esposa está grávida, não sabia? ― responde, olhando-me
desconfiado.
― Não... eu... não sabia ― digo completamente aturdido.
― Oito semanas e meia, ou seja, dois meses de gestação. O feto
milagrosamente não sofreu nada, ele está fora de perigo.
― Oh, meu Deus! E como ele está? ― exclamo feliz. Não posso estar
mais contente!

― O bebê
sua esposa paraestá
umbem, ele é guerreiro
apartamento, como
uma semi a mãe.
UTI. Bem,
Então vamospoderá
o senhor transferir
vê-
la.
― Obrigado, doutor, muito obrigado! ― agradeço calorosamente
enquanto sinto minha irmã me olhar com cautela.
Novamente dentro do ambulatório, ando de um lado a outro, nervoso.
Tento persuadir minha irmã a me ajudar. Ela me deve. E eu vou cobrar!
― Você me deve, Harriett! ― digo firme.

― Você nunca vai me perdoar? ― indaga triste.


― Esqueça o perdão. Quero uma compensação ― comunico.
― Deus! O que me pede é demais, posso perder tudo! ― argumenta.
― Você não deveria mais clinicar, você é uma assassina! ― exclamo
furioso.
― Nat... ― murmura visivelmente magoada.
― Desculpe, eu... me excedi. Perdão, somente me diga que me ajuda! ―
digo me aproximando.
Por favor, me ajude. Seguro suas mãos com cuidado. Elas estão frias. ―
Ela respira profundamente, seus olhos marejados.
― Eu não sei... É muito arriscado! Ela deve ter uma família! Um
namorado, um marido, sei lá, mas nós sabemos que tem alguém, afinal está
grávida!
― Ela é um presente de Deus para mim, Harriett, não percebe? É a
vida me dando outra chance, dando-te outra chance também!

― Eu não sei... ― murmura.


Minha voz é baixa, cheia de significados. Pura chantagem.
― Se me ajudar, vou te perdoar pela morte da minha Cecilia e da
minha filha Cherry.
Harriett me fita com dor evidente nos olhos. Lágrimas começam a
escorrer pelo seu lindo rosto pálido. Sua voz sai como um sussurro:
― Eu... vou te ajudar...
Aperto suas mãos com força. Meu coração há tanto tempo triste se
alegra. Agradeço emocionado:
― Obrigado, irmã! Obrigado!
Terei minha família de volta.
MINHA MENTE PARECE TER tomado banho com um potente
alvejante. Ela está impecavelmente imaculada, totalmente em branco. E
sinto um tubo em minha garganta, que não me deixa respirar direito. Tusso,
e o tubo me arranha, machuca-me. Entretanto, como em um passe de
mágica, ele é retirado de mim, e sinto alívio imediato. Porém a sede é
intensa.
Minha cabeça dói, atordoando-me. O que há de errado com meus
miolos? Forço meus olhos a se abrirem, e eles permanecem fechados. Volto
a forçá-los, e enfim consigo abri-los. Pisco tonta. Meus olhos estão ardendo
pela claridade da luz artificial. Onde estou? Fito tudo ao meu redor com
estranheza.
Há pessoas ao meu redor, não faço ideia de quem são. Reconheço
apenas uma pelos seus trajes de médico. Ele me olha sorrindo. Reparo
também que há outro médico, ou melhor, uma médica no recinto. Ela me
olha com cautela, medo, talvez. Por quê? Bem como também noto um
homem bonito. Muito mesmo. Ele me olha de forma distinta dos demais.
Suas roupas também são diferentes. Uma enfermeira se aproxima com um
copo d’água.
― Beba devagar ― orienta-me, auxiliando-me a segurar o copo, pois
não consigo me mexer muito bem; meu corpo parece em estado letárgico.
Tomo toda a água em goles pequenos. Quando termino, indago
confusa para qualquer um na sala:
― Quem são vocês? Onde estou? Alguém pode me dizer... quem sou
eu...?
É o homem bonito que me responde:
― Bem-vinda de volta, meu amor, minha Cecilia!

Tudo parece tão surreal, tão filme em preto e branco. Do tipo daqueles
clássicos do cinema mudo, bem antigos, sabe? Pois é... É muda que recebo o
diagnóstico de amnésia por ter sofrido um acidente. Pode piorar? Acho
melhor continuar muda.
Com receio e ansiedade, observo os rostos a minha frente. Acho que
estou meio em pânico. O médico, pressentindo meu temor, ratifica que
posso confiar nele, que ele não me machucará, que está aqui para me
ajudar. Sei... De boas intenções o inferno está cheio.
Vamos lá, pessoa desmemoriada, seja justa. O médico parece mesmo
querer me ajudar, mas a médica não esboça nenhuma reação, a não ser de
cautela e distanciamento. Já o homem que me respondeu está me dando
nos nervos, com sua insistência em me fazer crer que me chamo Cecilia.
Sabe quando você escuta algo que não te remete a nada? Que não te
significa nada por mais que você se esforce para se lembrar? Esse efeito
está virando uma rotina para mim no momento.
Cecilia? Esse nome não pode ser meu, não me recordo de
absolutamente nada, mas sei que não é meu.
― Esse nome não é meu ― retruco para o homem de atitude estranha.
Ele parece não gostar muito.
― Mas é seu nome! ― ele diz com veemência.
― Tenho certeza que você está enganado ― rebato. Meu coração me
diz que devo ficar longe desse homem, pois ele está mentindo.
― Dê um tempo a ela, Nathan. Ela está confusa, desorientada ― fala o
médico.
― Mas ela não pode renegar o próprio nome!
O tal de Nathan está alterado.
Bufo. Quem deveria estar alterada sou eu! Caramba! Estou toda
dolorida, com uma dor de cabeça monstro, e ainda por cima
desmemoriada! Quem esse tal de Nathan pensa que é? O rei da cocada
preta? Fala sério!
― Alguém pode me dizer o que aconteceu comigo? Alguém mais
controlado? ― desdenho, e Nathan me olha com raiva.
Quem me responde é o médico:
― Sou Jackson, o médico responsável por acompanhar seu quadro
clínico. Você sofreu um grave acidente de carro, e foi o Nathan que te
trouxe até nós. Nós te levamos à sala cirúrgica e cuidamos dos seus
ferimentos. Sua perna foi gessada devido a uma lesão exposta. Seus braços,
enfaixados por causa de escoriações decorrentes de vidro. E sua têmpora
esquerda levou vinte pontos. O trauma craniano te deixou em coma por
duas semanas.
― Duas semanas... ― murmuro, tentando me lembrar de algo, mas
nada vem à memória. Que droga!
― Como aconteceu esse acidente? ― pergunto curiosa. Tenho tantas
perguntas...
― Não sabemos, mas Nathan tem mais informações ― diz o médico,
apontando para o homem nervosinho, que prontamente começa a relatar
muito reduzidamente:
― Você saiu de casa para fazer compras com uma amiga e então me
ligou pedindo ajuda, dizendo que havia se envolvido em um acidente. Fui
até você e te trouxe para o hospital.
Suas palavras me soam falsas, elas ferem meus ouvidos, causando-me
calafrios. Caramba! Esse homem é sinistro.
― Desculpa aí, cara, mas tenho certeza que eu ligaria para a
emergência pedido socorro. Até porque nem te conheço! ― falo hostil.
― Sou seu marido! ― afirma com aparente mágoa por eu não me
lembrar dele.
Bufo e o fito avaliativa por um instante. De repente começo a rir como
uma louca. Rio até meus olhos marejarem.
― Não sou casada com você! Impossível! Você não faz meu tipo! ―
digo entre as risadas. Todos me olham como se eu fosse uma lunática.
― Bem, esse senhor afirma ser seu marido ― diz o médico.
Solto um muxoxo.
― Ele pode afirmar o que quiser, mas eu sinto, eu sei que é mentira ―
asseguro firme.
O médico olha para o homem com desconfiança. Nathan está
vermelho. Parece um tomate. Um tomate estragado.
― Ela não está dizendo coisa com coisa, doutor. Ela não precisa de
sedação? ― ele diz me encarando.
― Ei! Já dormi demais! ― protesto devolvendo a encarada.
― Nathan, ela precisa de repouso, não de sedação ― explica Jackson.
Então o médico se dirige a mim: ― Você vai ficar bem.
― Preciso de respostas! Como: qual é meu nome verdadeiro? Minha
família está me procurando? E necessito de um analgésico para dor de
cabeça urgente!
― Você está convalescendo, sua memória precisa ir devagar, tem que
ir com calma. Sua dor de cabeça é pela lesão, você nasceu de novo ― diz a
médica, pela primeira vez se pronunciando.
― Não quero ir com calma, quero respostas! ― replico, sentindo-me
enjoada.
― O que está sentindo? ― Nathan pergunta parecendo preocupado.
― Você é médico? ― questiono fria.
― Não...
― Então fica quieto na sua! ― sou grossa.
― O que você está sentindo? ― pergunta o médico.
― Estou... enjoada. Zonza... ― respondo com uma careta.

― É normal, você acabou de sair de um estado de coma ― explica o


médico, acrescentando: ― Mas também pode ser um sintoma da sua
gravidez.
― O quê? ― pergunto completamente atarantada. Meus miolos em
branco entram em total confusão.
― Somos casados, Cecilia, e você está esperando nosso filho ― diz
Nathan todo meloso, fazendo aumentar ainda mais meu mal-estar.
― Jackson, por favor, tira esse homem de perto de mim ― peço
respirando com dificuldade.
Inexplicavelmente sinto um ódio mortal desse Nathan. Juro que, se eu
não estivesse com a perna gessada, bateria muito nesse idiota!
― É melhor você sair, Nathan. Ela está alterada ― aconselha o médico.
― Ela é minha mulher! Tenho direitos! ― argumenta injuriado.
― Se ele não sair agora, vou começar a gritar! ― ameaço.
Minha cabeça está latejando.
― Raul, leve Nathan para fora ― manda Jackson.
É quando noto o enfermeiro de traços latinos e muito alto. Ele sai
rebocando Nathan, que esbraveja contrariado. Inspiro fundo duas vezes,
tentando acalmar o pânico que ameaça me dominar.
― Não sou casada com aquele homem e muito menos estou grávida
dele! Acredite em mim! Sinto que nada que ele fala é real! Nada parece ser o
que é! ― falo atormentada. Tento me manter sã, manter-me de olhos
abertos. O enjoo me deixa ainda mais tonta, piorando minha dor de cabeça.
― Mas você está grávida ― retruca o médico.
― Sim, e isso me apavora! Mas não significa que seja dele!
Deve ter outra explicação para minha gravidez! Posso ser até casada,
mas com outra pessoa! Não com aquele louco!
― Você se recordou de algo? ― pergunta Jackson me olhando
seriamente.
― Não... mas sinto que ele mente, doutor. Ele não é meu marido! Esse
bebê... não é filho dele! Você tem que acreditar em mim!
Encaro-o com ansiedade e um pedido mudo para que me dê um voto
de confiança e acredite em minhas suspeitas.
― Sua suspeita é muito grave. Bem, pode ser um sintoma de sua falta
de memória. É normal essa fase de negação ― responde profissional.
Gemo frustrada.
― Prefiro acreditar em meu sexto sentido! ― falo, sentindo-me
impotente.
― Vamos aguardar a evolução do seu quadro, mas já adianto que todo
indício aponta que ele esteja falando a verdade.
― Não, não está! ― falo convicta, sentindo-me cada vez mais enjoada,
mais tonta.
― Tudo bem, porém por agora vou pedir para Winnie te dar uma
medicação para enjoo e o analgésico. Você vai dormir. Precisa ir com calma,
okay?
― Quero o analgésico e o remédio para enjoo, nada de dormir, doutor.
Não quero perder a consciência de novo. Tenho medo de que a
escuridão me tome novamente.
― Não force sua memória. Vou passar seu caso para um neurologista
especializado em seu problema e uma psicóloga. E, como disse antes, você
precisa descansar. ― Pede à enfermeira em seguida: ― Winnie, pode cuidar
dela, por favor?
― Sim, senhor ― prontifica-se a enfermeira.
― Descanse. Você ainda inspira cuidados ― ele volta a alertar. Então se
dirige à médica que está quieta, apenas olhando-me: ― Vamos deixá-la
descansar, Harriett.
― Sim ― ela concorda prontamente, retirando-se da sala junto com
Jackson.
― Winnie, não é? ― pergunto à enfermeira enquanto a observo
preparar as seringas com as medicações. E com toda certeza, dentre as
medicações, há um calmante.
― Sim ― responde me olhando de relance, mas simpática.
Peço:

― Você
quarto, pode dizer ao médico que não quero aquele louco rondando o
por favor?
Ela aplica uma das injeções no soro, dizendo:
― Acho louvável seu pedido. Ele é sinistro.
― Ele é descompensado ― murmuro grogue e apago logo em seguida.

Desperto desorientada, o que não é novidade na minha situação. É


tardezinha, mas não sei as horas exatas. Como também não sei dizer quem
está ao meu lado esquerdo. Giro a cabeça para o local e me deparo com a
médica, Harriett, olhando-me.
Ela está sentada em uma das cadeiras de visita, sua mão direita junto
ao peito. Parece transtornada.
― Precisamos conversar ― murmura triste.
Pisco e miro sua mão. Na verdade meu foco é sua linda tatuagem de
dragão em toda a mão. O desenho em si me parece tão familiar... por quê?
Tatuagem...
Dragão...
As palavras dançam em minha cabeça. Sento-me arfante com imagens
girando em minha mente. Elas explodem como flashes, flashes tão rápidos
quanto raios. Vejo flashes de um homem de cabelos escuros me ensinando a
andar de bicicleta. Meu pai. Kevin...
― Vamos lá, Ally, você consegue!
Flashes de um homem moreno, forte e de sorriso de criança me
abraçando no enterro do meu pai. Brandon, meu primo...
― Tudo vai ficar bem, gatinha, vou cuidar de você...
Flashes de um sorriso meigo no rosto alvo de Meg, minha melhor
amiga...
― Amigas para sempre, Ally! ― Ela pisca para mim.
Flashes de um corpo masculino se exercitando em uma academia,
enquanto o admiro escondida, agindo como uma voyeur...
Ele retira a regata e a joga por cima do ombro, tomando um gole da
água. Suas belas, firmes e másculas costas se expõem ao meu olhar cobiçoso.
Ele corre por meia hora e sai da máquina. Acompanho-o o mais
discretamente possível até a sala de musculação pesada. Quase tenho uma
síncope ao ver os músculos do tórax suado se flexionando. Juro que até estou
salivando!
Flashes de uma entrevista de emprego...
― Uma última pergunta. Tem a pretensão de me seduzir? ― Sua
sobrancelha está erguida em sinal de desafio.
― Absolutamente! Sou uma mulher séria. Busco apenas me aprimorar
profissionalmente ao trabalhar com a sua equipe, com o senhor. Além, é
claro, do fato que o senhor não faz meu tipo.
Flashes de um beijo na sala de reunião, o rosto masculino sorrindo
torto para mim...
Minha boca entreaberta paira sobre a dele. O hálito masculino banha
meu rosto, fazendo-me arrepiar. Determinada a demonstrar que tenho o
controle
calor queda situação,
emana de seufinjo não
corpo meoabalar
para meu. com seu perfume de macho e o
Por um longo tempo nos torturo com nossa proximidade incandescente,
até que observo os olhos azuis me fitarem com intensidade fria, confusos com
a minha hesitação. Quando Sean está prestes a questionar minha falta de
atitude, beijo-o forte e profundamente, pegando-o de surpresa.
Flashes de um pedido de casamento...
― Que desejo que seja minha esposa? Sim, Allyson, é o que mais quero. ―
Encaro-o incrédula, ouvindo-o continuar: ― Já que estamos falando sobre
isso, você aceita? Aceita ser minha por toda a vida?
Flashes de uma tatuagem de dragão nas costas de... Sean...
Arranho se u peitoral por baixo da camisa social, e minhas longas unhas
azem Sean gemer. Ele me pega nos braços e me joga de forma nada gentil na
cama. Aproxima o rosto e me beija, sua língua se enroscando na minha em
um beijo lascivo enquanto ele retira sua camisa e a joga no chão. Já estou
parcialmente nua e me arqueio em sua direção.
Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! Lembro-me de tudo! Uma
onda de felicidade me inunda. Puta merda! Sobrevivi ao acidente, puta
merda! Meu bebê está vivo!
― Oh, meu Deus! Obrigada, meu Deus! Obrigada! ― exclamo trêmula e
agitada. Choro de felicidade e alívio.
Rápido o medo me bate intenso. O que vou fazer com o pirado? Jesus!
Tenho que fugir daqui. E rápido!
― Sean! Você precisa me encontrar! ― grito desesperada. Tento me
livrar do soro.

― Pare de gritar, por favor! ― pede a médica, que se aproxima da cama


rapidamente.
Fito-a com raiva.
― Fique longe de mim! ― mando furiosa.
Não confio em ninguém. Todos são mentirosos. Todos são cúmplices
do louco!
― Vou te ajudar, mas tem que se acalmar. Meu irmão não pode saber
que você recuperou a memória ― diz me olhando com prudência.
― Você é irmã dele? ― indago assustada.
― Sou, mas vou te ajudar. Acalme-se.
― Por que você quer me ajudar? ― pergunto encarando-a, desconfiada
de suas boas intenções.
― Vou te ajudar porque é o certo, no entanto preciso te contar os
motivos que levaram meu irmão a agir de forma tão louca.
― Não quero saber de motivo nenhum, quero meu noivo! Quero sair
daqui! ― respondo alterada.
― Por favor, me ouça... ― pede inquieta.
― Não quero ouvir! Sai daqui! ― exijo rude.
― Você foi dada como morta ― ela solta de repente.
― O quê? ― balbucio com fôlego curto.
― Seu noivo apareceu na TV, e seu enterro simbólico foi televisionado.
― Meu Deus... Meu Deus... ― murmuro em choque. Meu choro é
desolado ao imaginar o sofrimento de Sean e da Steph. Meu Deus...
― Não chore. Não vou deixar que o meu irmão prossiga com essa
loucura ― diz com pena.
Quero esganá-la e trucidar seu irmão, mas não tenho forças, só
consigo chorar.
Ela continua:
― Meu irmão a encontrou perto dos destroços de seu acidente. E
desde então ele colocou na cabeça que pode recriar ao seu lado a vida que
tinha com a mulher.
― Seu irmão é louco! ― acuso entre lágrimas.
― Não! Ele está perturbado! Ele... sofreu muito e se tornou uma pessoa
difícil. Ele sofre de fuga da realidade. É um transtorno sério, grave. A morte
de minha cunhada e minha sobrinha o mudou para pior ― revela.
― Ele é louco! Um doente! ― acuso novamente, enxugando meu rosto
com as mãos, tentando me acalmar. Tenho que pensar no meu bebê.
― Ele precisa de tratamento, mas ele não confia em mim. Eu... as
matei. Eu... ― Ela respira fundo. ― Eu... troquei os prontuários de duas
pacientes. Estava cansada, meu plantão foi agitado, e então receitei
medicação errada para minha cunhada e minha sobrinha que foram ao
hospital com crises gástricas. Elas eram sensíveis, muito alérgicas, e eu
receitei a medicação sem me dar ao trabalho de conferir seus históricos de
alergia. Por consequência matei as duas. Só queria que você soubesse que
eu não compactuo com o que meu irmão fez e quer fazer com você, eu...
acho que um erro não justifica outro. Você tem o direito de viver sua vida.
― Consiga-me um telefone ― mando entorpecida, tentando não me
comover com sua história. Tenho que desfazer a loucura que o irmão dela
fez o quanto antes.
Ela retira um celular do jaleco e me passa com mãos trêmulas. As
minhas não estão diferentes. Disco o número do celular de Sean com o
coração na garganta. Não sei dizer quanto tempo espero até ouvir a voz
potente do meu noivo:
― Alô.
Novas lágrimas descem pelo meu rosto.
― Sean, eu estou viva, meu amor! Vem me buscar! ― digo com voz
embargada. Do outro lado da linha ouço Sean arfar. E então ele... desliga! ―
Não! Sou eu! Sean, eu estou viva! Não faz assim! ― lamurio, tentando ligar
novamente. Meus dedos erram os números de tão nervosa que estou.
Quando ele atende novamente, peço com voz tremida: ― Não desliga! Por
tudo que é mais sagrado, não desliga! Sou eu, Sean! Ally! Sua Ally!
Há um silêncio tenso, mas breve. Sua voz rouca soa num misto de
incredulidade e emoção ao exclamar:
― Santo Deus! Allyson? Não pode ser!

hoje e―não
Meume
amor! Estoudeviva!
recordei nadaEstive em coma
até agora! por de
Preciso duas semanas.
você, Acordei
Sean! Vem me
buscar!
Ouço um choro baixo do outro lado. Oh, Deus! Ele está chorando?
― Não chora, amor. Estou viva! ― peço, deixando-me levar pela
emoção chorando ainda mais.
Sean exala forte, esforçando-se para manter o equilíbrio.
― Mas como é possível? Eu vi o carro ― diz com voz rouca.
― Fui projetada para fora do carro e desmaiei. Acordei hoje, confusa e
sem memória ― conto, fungando alto.
― Diabos! Por que eu não soube de seu paradeiro? Fiquei insano à sua
procura! Porra! Você foi dada como morta! ― fala ainda incrédulo.
― Eu sinto tanto! ― choramingo. ― Só sei que um homem me
encontrou perto dos destroços do acidente e me levou para um hospital.
Ele é louco, Sean!
― Você está bem? Está segura? Está ferida? Nosso filho... ― pergunta
totalmente perdido, atordoado.
― Estamos bem, mas me tire daqui depressa, por favor, estou com
medo desse homem. Ele é louco!
Sua voz é um rugido:
― Ele te fez algum mal? Se o fez, vou matá-lo com minhas mãos!
― Não me machucou fisicamente, mas psicologicamente ele tentou!
Ele acha que sou sua mulher morta!
― Cretino atrevido! ― diz furioso.
― Completamente perturbado! ― digo estremecendo.
― Vou cuidar dele! Onde você está?
Verifico o quarto e não reconheço nada. Olho para a médica.
― Onde fica esse hospital e como se chama? ― pergunto curta e grossa.
― Fica no centro de Miami e se chama Beneficência ― responde-me
em tom baixo.
Prontamente repasso o endereço a Sean.
― O nome do médico que cuida do meu caso é Jackson. Ele
provavelmente vai dizer que não existe uma Allyson no hospital, então
procure por Cecilia.
― Cecilia? ― pergunta confuso.
― Sim. Cecilia. É o nome que o louco colocou na minha ficha médica ―
esclareço em tom enojado.
― Estou a caminho! ― promete. Então o ouço respirar fundo. Sua voz
soa quebrada ao confessar: ― Deus, Ally, não consigo desligar! Tenho medo
de você desaparecer novamente...
― Não vou desparecer, amor. Vou estar aqui esperando por você para
me levar de volta para casa ― digo com voz cortada.
― Eu te amo, Allyson! ― murmura baixinho.
― Eu te amo, Sean.
Desligamos ao mesmo tempo. Minhas mãos agarram o celular com
força, pressionando-o contra o peito.
― Posso recebê-lo... quando ele chegar ― a médica sugere hesitante.
― Posso confiar em você? ― questiono fria.
― Sim, não quero te prejudicar ― responde cabisbaixa.
― Então faça isso e mantenha seu irmão longe de mim, longe do meu
noivo, ou não me responsabilizo pela integridade física dele.
― Você pensa em denunciá-lo? ― pergunta temerosa.
― Sim, ele me sequestrou! ― respondo com raiva.
― Por favor, não o denuncie. Ele precisa de tratamento ― suplica.
Respiro fundo.
― Posso não denunciá-lo, mas meu noivo irá ― aviso.
― E se você pedir que ele não faça isso?
― Não posso pedir isso a ele. Você tem noção do sofrimento que seu
irmão causou?
― Eu sinto muito... ― diz verdadeiramente sentida.
― Você poderia ter feito algo antes! ― falo com voz acusatória.
― Tive medo! Estou com medo, meu irmão nunca vai me perdoar. Ele
vai me odiar para sempre.
― Desculpe-me, mas minha compaixão tirou férias. Você foi cúmplice!
Você...
Ela me corta aflita.
― Escute-me, fiz o que tinha que fazer no momento, não podia
contrariá-lo, ele poderia ter sumido com você! Pensei em sua segurança e
na de seu bebê!
Fito-a por um longo instante. Então digo indiferente:
― O que você tem em mente?
― Quero cuidar dele. Vou interná-lo em uma clínica. Vou pedir ajuda
ao meu colega Jackson.
― Quem me garante que ele vai me deixar em paz? ― questiono a
olhando severamente.
― Eu garanto. Devo isso a ele.
― Posso tentar convencer meu noivo, mas não garanto nada ― volto a
alertar.
― Já é algo ― sussurra.
― Posso ficar com seu celular até meu noivo chegar? ― pergunto.
― Sim ― autoriza e então se senta.
Sentindo-me esgotada física e psicologicamente, recosto-me à
cabeceira da cama, deixo o celular de lado e levo minhas mãos à minha
barriga. Murmuro confiante:

― Papai já está chegando, bebê. Vai ficar tudo bem.


Acordo sobressaltada. Pisco e olho pela janela. É noite. Toco o celular
ainda em meu peito e confirmo as horas. São 20h. Percebo que Harriett não
está mais no quarto, e um sentimento de pânico me toma.

Seria
barulho ela capaz
é esse? de me
Parece quededurar ao irmão?,uma
está acontecendo interrogo-me. Espera! Sim!
grande confusão. Que
Está acontecendo uma briga! Deus! Isso foi um grito de dor?!
Estou apreensiva e arfo quando a porta do quarto é escancarada de
repente. Por ela passa Sean com o semblante torturado. Meu coração
dispara, louco de felicidade, alívio e amor. Brandon entra logo após. Ele me
sorri entre lágrimas.
Sean me olha incrédulo, receoso. Ele está parado a poucos passos da
minha cama.
― Me diz que você é real. Por Deus, me diz? ― roga rouco.
Meu coração perde uma batida. Sussurro:
― Sou real, Sean. Venha cá, amor. Venha me tocar.
Tento me sentar novamente, facilitar para ele, mas antes que eu faça o
movimento, Sean praticamente voa em minha direção e enterra seu rosto
abatido em meu colo, ajoelhando-se ao lado da cama. Seu corpo treme.
― Minha Ally! Meu amor! Não me deixe nunca mais! Por favor... ―
pede com voz rouca em um choro compulsivo, agarrando-se a mim.
Seu sofrimento corta meu coração. Em um sopro de voz, prometo:
― Nunca irei te deixar. Minha vida não tem sentido sem você.
Assim acalento seu corpo junto ao meu enquanto choramos em júbilo.
NUNCA ME SENTI TÃO VULNERÁVEL, tão eviscerado como nas
últimas duas semanas. Jamais imaginei passar por momentos de tamanha
aflição, nem mesmo quando meus pais se separaram, ou quando minha
mãe está em crise.
Mal posso acreditar que estou com Allyson em meus braços. Parece
um sonho. Mesmo ao seu lado, ainda sinto as garras do medo se fincarem
em meu sistema. Portanto abraço Allyson com força. Agarro-me ao seu
colo, chorando igual a um bebê.
― Sean, você vai sufocar minha prima. Qual é, cara, deixe-me abraçá-la

também! ― ralha Brandon, puxando-me pela camisa, tentando me manter


longe de Allyson.
Meu amigo é um folgado de merda. Porém devo muito a ele. Quando
as buscas pelo corpo de Allyson cessaram, eu estava destroçado. Então
Brandon tomou a frente dos preparativos do funeral simbólico.
Eu estava quebrado e completamente sem forças para cuidar de mim
e de minha mãe. E Deus é testemunha que tentei ser forte por ela, mas
porra, como alguém pode ser forte depois de perder a mulher que ama?
A pior parte foi ver a pedra fria de mármore com o nome de Allyson
em meio a tantas outras no cemitério. Juro que morri naquele dia. Lembro-
me perfeitamente da sensação agonizante de ter que me despedir dela para
sempre; no entanto, sem direito a um último adeus de corpo presente.
Lembro que enlouqueci pela dor, e quando fui abordado de modo
maldoso por um paparazzo, deixei-o desacordado e completamente
desfigurado. Quem me tirou de cima do homem foi Brandon, senão o teria
matado. Estou respondendo por lesão corporal grave, mas não ligo. Por um
momento coloquei meus demônios para fora. Não que seja correto agredir
pessoas, mas há casos em que a força física é a única válvula de escape para
a frustração e a raiva, exatamente como fiz agora há pouco.
Quando recebi o telefonema de Allyson, estava em casa, trancado na
biblioteca. Segurava um copo de uísque e blasfemava contra Deus e o
mundo. Obcecado por vingança, contratei um detetive. Passarei os dias
caçando o responsável por minha miséria.
Foi quando meu celular vibrou, e ao atendê-lo, ouvi a voz oscilante de
Allyson do outro lado. Imediatamente culpei minha imaginação carente por
me pregar aquela peça macabra. Perturbado, desliguei sem dizer uma única
palavra. No entanto, para minha surpresa, o celular voltou a tocar, e mais

uma vez ao atender ouvi a voz de Allyson! Era real! Ela estava viva!
Não sei descrever a emoção que senti ao falar com ela. Porra, tremi
muito e me desmanchei em lágrimas. O alívio foi ímpar! Depois da ligação e
ainda muito instável, procurei por Brandon, ele precisava saber que a
prima estava bem e ir comigo onde ela estava. Após lhe contar as
novidades, lógico que Bran não acreditou em mim. Quem acreditaria?
Porém implorei que me acompanhasse.
Segui com Bran me olhando com pena para o endereço que Ally me
passara. Chegamos rápido ao hospital e, sem esperar pelo meu amigo, corri
para foraesbaforido
indaguei do SUV assim que oA desliguei.
por Cecilia. Fui relutantemente
recepcionista à recepção do informou
hospital oe
número do quarto depois de muita insistência e ameaça de minha parte.
Sem ligar para o aviso de que eu não estava autorizado a vê-la, dirigi-me
ágil ao corredor.
Cheguei à porta do quarto indicado com meu coração descompassado.
Minha mão direita tocou a maçaneta, porém um homem desconhecido e
saído não sei de onde a retirou subitamente e se colocou a minha frente.
Olhou-me com hostilidade. O quadro estranho foi completado pela chegada
de uma mulher baixinha e de cabelos castanhos. Ela se aproximou rápido e
me perguntou quem eu era. Relembro a cena...
Com suspeita, encaro o homem estranho a minha frente. Então minha
atenção recai sobre a mulher.
― Sou Sean McGregor ― respondo depois de alguns segundos
ponderando.
― Você é o noivo de Allyson? ― Sua pergunta é mais uma afirmação e
me deixa em alerta.

― Harriett!
completamente O que pensa que está fazendo? ― grita o homem
transtornado.
― Allyson está aqui dentro? ― indago nervoso.
― Sim ― a mulher responde curta.
Não espero mais e volto a tocar a maçaneta. É nesse momento que o
homem me segura pelos ombros.
― Você não pode entrar no quarto de minha esposa! ― diz alterado.
― Como é? ― pergunto estreitando meus olhos.
― Eu o proíbo de entrar no quarto! Você não tem esse direito! Cecilia é
minha mulher! ― fala com olhos vidrados.
Fito-o como se ele fosse um doido.
― Posso explicar, só, por favor, não o denuncie ― pede a mulher de
orma desesperada.
Meu sangue ferve ao suspeitar de quem o estranho pode ser.
― Não o denunciar? Por que não o denunciaria? ― sondo fechando as
mãos em punho.
― Ele está fora de si. Não sabe o que faz ― sem me responder, ela tenta
ustificar. Suas justificativas me dão toda a certeza de que preciso. Ele é o
miserável que raptou minha mulher! Meu punho vai direto em seu olho
esquerdo, deixando-o inchado pelo soco certeiro.
A mulher grita, e o homem solta um forte gemido.
― Não! Não o machuque! ― ela grita.
Não ouço seus apelos e continuo batendo-lhe forte. Seu rosto, seu
estômago, suas costas são meus alvos. Até Brandon me segurar.
― Pare, Sean! Vai matá-lo!
― É exatamente o que quero! Solte-me, Brandon! ― rosno debatendo-
me.
― Não! Chega!
Uma pequena multidão se forma ao nosso redor. Um médico e três
enfermeiros olham a cena com espanto. Uma enfermeira se aproxima do
homem caído e da mulher que chora agachada junto a ele.

― Mas o que está acontecendo aqui? ― questiona o médico.


― Está tudo sob controle ― Brandon trata de informar sem afrouxar seu
aperto em mim.
― Esse homem acabou de agredir o irmão da doutora Harriett! ― acusa
um dos enfermeiros.
― Ele merece coisa pior! ― grito furioso.
― Acalme-se, senhor, ou serei obrigado a chamar a polícia ― previne o
médico.
― Ótimo! Poupará meu trabalho! Exijo que esse calhorda seja preso!
― Sob que acusação, senhor...? ― pergunta totalmente confuso o médico.
― Sean McGregor. Sou noivo de Allyson Jordan, a mesma moça que esse
doente afirma ser Cecilia, a esposa morta dele!
― Isso procede, Harriett? ― o médico indaga horrorizado.
― Infelizmente sim, Jackson ― confirma a mulher, seu rosto banhado em
lágrimas. ― Por favor, não denuncie meu irmão. Por favor, Senhor McGregor
― implora a mulher.
― Isso não é negociável, senhora. ― Minha voz é fria.
― Ele está doente. Deixe-me cuidar dele, por favor ― volta a suplicar.
― Não ― digo inflexível.
Encaro-a sério. Não estou propenso a ser bonzinho. Quero a cabeça
desse infeliz em uma bandeja de prata!
A mulher funga, confessando:
― Ele perdeu a esposa e a filha. Enlouqueceu de sofrimento. Tenha
compaixão...
― Ele não teve compaixão por minha dor ― retruco em tom ainda mais
rio.
― Rogo por tudo o que lhe é sagrado, dê uma chance para meu irmão.
Ela se humilha enquanto o segura em seus braços como se ele fosse uma
criança.
Posso esquecer toda a dor que passei por culpa desse homem? Sem
chance! Nem fodendo!

puto. ― Seu irmão evocou o inferno na minha vida, tem noção disto? ― digo
― Eu... sinto muito...
― Quero que ele pague, não importa a forma. Se ele precisa de
tratamento, que seja, porra! Mas será internado sob custódia da polícia. E
caso ele resolver atormentar Allyson novamente, prometo matá-lo com
minhas próprias mãos! Entendeu? ― respondo duramente.
Ela arfa, acrescentando em um sussurro:

― Sim.
― Porra! Solte-me, Brandon! ― exijo.
Ele me solta, mas relutante.
Sem perder tempo deixo todos para trás e escancaro a porta do quarto.
Perco o fôlego ao ver minha Allyson tão frágil e abatida. Entretanto ela me
az reviver com ela.
A voz ligeiramente rouca de Allyson me traz de volta à realidade.
― Deixe-o em paz, Brandon.
― Como é bom ouvir sua voz, linda ― Brandon sorri feliz. Completa: ―
Vai me negar um abraço, gatinha? Sou da família, tenho mais direito que
ele. ― Bufa: ― Deus, está virando um bebê chorão, Sean! Sai daí logo! ―
brinca.
Não dou importância à sua provocação e continuo abraçado ao corpo
de Allyson.
― Sean, olhe para mim ― ela pede.
Obedeço prontamente. Ela acaricia meu rosto, e fecho meus olhos,
absorvendo com saudade e alegria seu toque.
― Não vou sumir, amor. Levante-se, não gosto de te ver assim. Por
mais que eu ame ter você grudado a mim, quero voltar para casa. Quero ver
a Steph. Como ela está?
Revelo, tenso:
― Ela não tem ideia do que aconteceu. Não tive coragem de lhe contar.
Não pude destruir os sonhos de minha mãe. Ela está tão feliz. Vive cantando
pelos cantos que será vovó. Não tomaria isso dela, ela não merece. ―
Allyson pisca, afugentando as lágrimas. ― Ela está bem, amor. Mamãe vive
dentro do mundinho dela ― tranquilizo-a.
― Graças a Deus! ― ela exclama sem conseguir conter as lágrimas. ―
Fiquei tão preocupada... ― sussurra.
― Penei para dar desculpas por sua ausência ― digo verdadeiro.
― Imagino. Sinto tanto, amor.
― Eu... Porra! Fiquei louco, Allyson! Perdi o chão. Perder você me
quebrou, Ally. Você quebrou meu coração ao partir sem mim.
― Acabou, Sean, acabou. Somente me leve para casa.
― Com todo o prazer, minha vida. ― Beijo suavemente seus lábios.
― Ei! Estou mofando aqui! Ainda quero meu abraço! ― exclama
Brandon.
Bufo, afastando-me de Ally, que ri divertida. Coloco-me de pé ao lado
da maca.
― Você fez tanta falta, gatinha. Meg está destroçada, mas vai ficar bem
agora que você voltou para a gente ― ouço Brandon sussurrar para Allyson
ao abraçá-la.
Ela soluça.
― Chega. Solte minha mulher ― mando, afastando-o.
― Ainda com ciúmes de mim, Sean? Quem é o bebê chorão mesmo? ―
debocha balançando a cabeça, mas visivelmente abalado pelo reencontro
com a prima.
Revido:
― Não confio em você, Ford. Primo não é capado!
Brandon gargalha, e Allyson me fuzila com os olhos, porém sorri logo
em seguida. Tudo parece estar em seu devido lugar. Graças a Deus!
Depois das recomendações do médico, Allyson recebe alta. Ajudo-a a
trocar a bata hospitalar por um vestido de Harriett. Ainda no hospital
aciono a polícia, e Allyson pede para esclarecer toda a situação. Reluto em
deixá-la se esforçar tanto, afinal ela ainda está convalescendo. Todavia
Allyson se sai bem. A médica está agradecida por não processarmos seu
irmão e cuida para
Despedimo-nos que
deles Nathan
com seja internado.
a intenção Jackson
de não vê-los cuida
nunca da coisa toda.
mais.
Uma enfermeira propõe que eu leve Allyson até o carro de cadeira de
rodas logo após o fim do interrogatório, pois ela tem a perna engessada e
ainda se sente fraca. Recuso e a levo em meus braços.
Brandon assume a direção do SUV enquanto vou atrás com Allyson.
Não me desgrudo dela. Tenho medo de que ela evapore.
Ao chegar em casa há um verdadeiro batalhão de repórteres na
entrada. Solto um palavrão escabroso e ligo para Samy, exigindo que o
chefe da segurança libere a entrada, o que nos toma meia hora.
Brandon parte rápido, para poupar Allyson da exposição
desnecessária. Passo pela porta de entrada com ela adormecida em meus
braços. Minha mãe está sentada no sofá e nos vê chegar.
Suas perguntas saem em abundância veloz:
― Ally! O que aconteceu com a perna dela, meu filho? O que está
acontecendo lá fora?
Norah também se aproxima.
― Shi, mãezinha, quieta, ou vai acordá-la ― peço.
― Mas quero acordá-la! Quero abraçá-la! Saudade dói aqui. ― Aponta
para o peito.
― Eu sei, mãezinha, mas a deixa descansar primeiro? A viagem foi
longa. Ally está exausta. Amanhã cedo a senhora fala com ela.
― Promete? ― ela me olha de lado, desconfiada.
― Palavra de escoteiro ― prometo.
― Tudo bem.
Ela se inclina e beija a testa de Ally.
― Amo você ― sussurra ao ouvido de Allyson ao se afastar.
Deposito Allyson em nossa cama com cuidado, visto uma camisola
nela e me deito ao seu lado apenas de boxer, aconchegando-a em meus
braços. Meus olhos pesam, e adormeço em paz pela primeira vez em duas
semanas.

Mãos suaves me despertam, e sorrio feliz ao sentir o corpo quente e


suave de Allyson aconchegado ao meu.
― Você não tem ideia de como é bom sentir você junto a mim
novamente ― confesso com o rosto enterrado em seus cabelos.
― Estou feliz por estar de volta ― diz, acariciando-me as costas.

Ergo a cabeça, seguro seu rosto e beijo sua boca docemente, mas com
paixão. Encosto minha testa na dela após o carinho. Minha voz soa rouca:
― Estou morrendo para ter você, mas sei que precisa de descanso.
― Prefiro você ― responde, apertando-se em mim.
― Não me tente... ― aviso sorrindo torto, pressionando minha ereção
matinal em sua barriga. Ela me sorri arteira, sua pequena mão já em minha
protuberância. ― Allyson ― gemo.
― Estou com saudades ― murmura toda sedutora.
― Também estou. Meu celibato foi totalmente forçado, você sabe.
― Esqueça o receio, Sean. Não sou de vidro. Me ame.
― Não quero te machucar ― digo receoso.
― Se me rejeitar, vai me magoar ― afirma séria.
― Mas e seus machucados? ― tento argumentar, mas estou rendido.
― Faça amor comigo, Sean, por favor ― pede manhosa.
Estou em suas mãos.
― Seu pedido é uma ordem, meu amor.
Arranco sua camisola em dois tempos e sinto sua umidade ao retirar a
calcinha. Puta que pariu!
― Tão molhadinha! ― rosno puxando minha boxer.
Meus lábios percorrem a pele nua de seus seios, mordiscando-os,
sugando enquanto meus dedos atiçam sua boceta.
― Por favor, Sean, sem preliminares. Quero seu pau em mim. Agora!
― Porra, Allyson! Não fale assim!
Sem mais tardar, apoio sua perna engessada em um travesseiro,
deixando-a o mais confortável possível e totalmente aberta para mim. Meu
rosto paira em sua entrada. Sinto seu perfume de fêmea ao traçar seus
contornos íntimos com a língua. Cubro seu corpo com o meu depois de
fazê-la gozar em minha boca. Beijo-a lascivamente enquanto a penetro
devagar, mantendo um ritmo lento e profundo, delirante. Os espasmos do
êxtase nos alcançam juntos. Seguro seu rosto e falo apaixonado:
― Te amo, Allyson!
A voz sedutora declara:
― Também te amo, Sean!
Cuido de limpá-la, e adormecemos novamente. Entretanto logo somos
acordados por uma batida à porta.
― Tenho certeza que é a mamãe ― digo meio sonolento, saindo da
cama à procura de uma boxer. Visto-a e coloco um calção. Entrego a
camisola a Allyson e espero que ela se vista para eu abrir a porta. E assim
que a abro, mamãe passa batida por mim e se joga na cama. Ou melhor, se
joga em Ally.
― Devagar, mãe, ou vai se machucar e machucar a Allyson ― alerto,
sorrindo de lado.
Fecho a porta e me sento perto das duas na cama, sendo espectador
da interação entre as duas mulheres da minha vida.
― Saudades! Muitas saudades! ― mamãe exclama agarrada a Ally em
um abraço demorado.
― Também estou, Steph ― Ally murmura sentimental.
― Não viaja nunca mais, OK? Não quero ― mamãe pede séria.
― Tudo bem, não viajo ― Allyson logo promete.
― Você está bem? ― pergunta mamãe, agora se sentando na cama e
olhando para a perna engessada de Allyson.
― Estou agora ― diz Ally sorrindo amorosa.
― Doem? ― mamãe quer saber, fazendo uma careta ao tocar nos
pontos na testa de Allyson e depois no gesso na perna.

― Conte-me
Steph? Só incomoda ― responde ela, perguntando em seguida: ― E você,
as novidades.
Ally se acomoda melhor na cama com minha ajuda.
― Estou bem. Estou escrevendo ― mamãe revela sapeca.
Fico boquiaberto. Pisco.
― Sério?! ― exclama Ally.
― Sim. Gosto de escrever. Vou te mostrar ― diz, levantando-se. Então
mamãe sai em disparada porta a fora.
― Sem correr, mãe! ― alerto elevando a voz, mas ela não me dá
ouvidos.
― Deixe-a, Sean ― pede Allyson, parecendo feliz com a animação da
mamãe.
Mamãe não demora muito. Com um sorriso ela entrega a Allyson um
caderno com capa de couro marrom. Eu nunca o tinha visto antes. Ally
folheia o caderno em silêncio. Seus olhos se arregalam marejados.
― Deus, Steph! Você está escrevendo uma autobiografia! ― exclama
maravilhada.
― Está bom? ― mamãe pergunta ansiosa.
― Está maravilhoso! Parabéns, Steph! ― diz sincera.
― Deixe-me ver ― peço curioso. Ally me passa o caderno, e
prontamente meus olhos percorrem as linhas escritas. Emociono-me já
com o título.

“Minha Realidade”

Como o tempo passa rápido! Estou com seis meses de gestação e acabo
de sair de mais uma consulta. Meu bebê é saudável segundo o médico. Estou
eliz. Na verdade feliz é uma palavra pobre para descrever o que sinto em
relação ao meu pequeno tesouro: Sean.
Minhas crises estão mais controladas. Não uso mais medicação pesada,
apenas um calmante natural receitado pelo Doutor Richard, tudo para o bem
do meu bebê. Não quero perder nenhuma novidade da minha gravidez. Uma
psicóloga
saber que est
meuá me ajudando
marido a me
me trai manter
e tento mesã.focar
E tento me desligar
em ficar bem, emdanão
dormede
deixar levar pelo meu lado obscuro. É difícil às vezes me fazer de cega, fazer-
me calma, quando sinto um impulso de explodir, mas respiro fundo e toco
minha barriga, canto uma canção de ninar e, assim, me controlo. Porém
também sei que estou por um fio.
Meu marido continua ausente, mas está contente por ser pai de um
menino. Benjamin sempre sonhou com um filho varão, e me sinto eficiente
nesse quesito; no entanto completamente fracassada em nosso casamento.
Todavia o que importa agora é Sean. Tudo se resume a ele.
Meu amorzinho. Meu filho amado...

Sem palavras fito mamãe, que me observa temerosa. Ergo-me e me


ajoelho a sua frente. Minha voz é rouca:
― Te amo, mãe.
― Amo muito você, meu filho ― responde-me sorrindo, parecendo tão
lúcida ao dizer: ― Quero publicar meu livro.
― É o seu desejo? ― pergunto sério.
― Sim. Me ajuda? ― pede inquieta.
― Com toda certeza, mas a senhora sabe que vai causar uma tremenda
dor na bunda no Senhor Benjamin, não é? ― gracejo.
― Ele merece. Que boca suja, filho! Vou lavá-la com sabão, como fazia
quando você era menor! ― repreende-me, fazendo Ally gargalhar diante
minha cara de espanto. Porém gargalho feliz em seguida. Não posso
mensurar a felicidade e gratidão que sinto por ter minhas duas meninas
novamente comigo.
Tomamos nosso café da manhã na varanda entre risos e um clima
agradável, matando aos poucos a saudade. Por volta das 8h, Brandon traz
Meg para ver Allyson. Cumprimento Brandon com um aperto de mão
enquanto nos acomodamos no sofá da sala de estar. Ally e Meg estão
abraçadas.
― Ai, meu Deus! Estou tão feliz! ― exclama Meg, ainda abraçada a
Allyson.
Ambas choram.
― Sinto-me tão culpada pelo que aconteceu. Se você não tivesse ido
me visitar, nada disso teria acontecido ― Megan se lastima.
― Você não teve culpa de nada, Megan! Pare com isso! ― Ally replica
gravemente.
Meg sorri triste ao mesmo tempo em que enxuga as lágrimas. Muda de
assunto:
― Você está bem mesmo? E meu futuro afilhado, ou afilhada?

― Estamos bem, apesar do susto ― Allyson tranquiliza a amiga.


Meu celular vibra, e o retiro do bolso. No visor, um número
desconhecido. Fito Brandon de lado, indicando que vou à varanda atender a
ligação.
― Senhor McGregor?
― É ele. De quem se trata?
― É o detetive Liam, responsável pela investigação do acidente
envolvendo sua noiva e o segurança. Estou ligando para informar que
temos um elemento novo no caso.
― Que elemento?
― Descobrimos o paradeiro do Range Rover envolvido no acidente.
― Descobriram algo?
― Ele foi apreendido e está sob perícia neste instante. Porém podemos
afirmar que foi coisa de profissional. Até agora nada comprometedor foi
encontrado, a não ser um par de luvas, uma placa fria e um isqueiro de
prata.
― Existe alguma digital?
― Nenhuma. Vamos continuar com a perícia e, assim que a mesma for
concluída, o senhor será informado.
― Faça isso. Como anda a investigação sobre os tios de Allyson?
Conseguiram quebrar o sigilo telefônico?
― O juiz já liberou. A polícia já está com o histórico em mãos, já anexo
ao caso.

― Algo―me
investigado falodiz que eles não estão envolvidos, mas tudo deve ser
severo.
― O senhor terá mais problemas em investigar Marco Antony. Ele é
muito escorregadio.
― Se não encontrar alguma prova de seu envolvimento por meio legal,
detetive, provarei por meios escusos. Não duvide ― solto ríspido.
― O senhor tem cacife, então deve saber com quem mexe, sou apenas
um peão ― diz temeroso.

― Está amarelando? ― indago frio.


― Não, mas tenho família, senhor. ― Novamente seu tom é temeroso.
― Nada vai lhe acontecer, faça seu trabalho que, do resto, cuido eu ―
retruco grosso.
― Se o senhor diz ― responde evasivo.
― Ligue-me quando tiver mais novidades ― mando ao desligar. Marco
pode ser perigoso, mas nada o livrará de sentença de culpa se estiver
envolvido.
Um mês depois

DESPERTO SENTINDO TODO O corpo ouriçado. Sorrio, sabendo muito


bem a causa dessa minha perda de sono súbita e da excitação que me
percorre as veias. Isso é apenas o efeito colateral de dormir abraçada ao
meu tatuado, que está profundamente adormecido em meus braços.
Devaneio, analisando que nunca fui tão mimada em toda minha vida
como sou ao seu lado. Sean está me acostumando muito mal, fazendo-me
todos os gostos. Não que eu esteja reclamando, longe disso. Tenho vivido
esse último mês de forma maravilhosa. Minha vida se transformou em um
conto de fadas na mídia, depois do meu sequestro. Somos o casal sensação.
Sean não está contente com esse fato, e eu muito menos. Porém acho
engraçado quando as pessoas nos pedem autógrafos. Quando fomos ao
médico uma semana depois do acidente, por exemplo, pois eu precisava
retirar os meus pontos, as duas pacientes que esperavam junto comigo na
recepção da clínica pediram para tirar foto conosco. Foi hilário.
Estou ótima, tirando o enjoo e a tontura esporádicos e alguns

problemas queSean
impertinentes. não deixaram
ainda de existir,
está inquieto como quem
para descobrir nossosestáfamiliares
por trás
do meu atentado. Preocupa-me sua obsessão, mas se o mesmo tivesse
acontecido a ele, eu também não pouparia esforços para achar e punir o
culpado.
Sean não me dá muitos detalhes das investigações. Quer me poupar do
estresse. Não concordo, mas para não discutir, relevo sua decisão. Não vale
a pena começar uma briga, principalmente por saber o quanto o meu
sumiço o fez sofrer.
Meus pensamentos vão em direção ao Doutor Jackson, precisamente à
consulta de avaliação da lesão em minha perna na semana passada. O
médico me deixou a par das novidades sobre o Nathan. Segundo Jackson
ele está respondendo bem ao tratamento psicológico e à medicação. Fiquei
satisfeita ao ouvir isso; mesmo querendo distância do homem, não desejo
seu mal.
É fácil ter compaixão quando tudo está bem, penso irônica.
Sean não ficou nada feliz em ouvir sobre Nathan, e o médico mudou
radicalmente de assunto e nos convidou para seu casamento com a irmã do
meu sequestrador louco. Prontamente Sean declinou do convite. A recusa
foi feita muito educadamente para os padrões do tatuado, que
normalmente é porrada primeiro, pergunta depois. Ele se comportou muito
bem. Jackson entendeu que não deveria insistir no convite e marcou minha
volta para a retirada do gesso, ou seja, hoje.
Nem acredito que vou me livrar desse peso morto. Sinto-me uma
inválida. Sean foi irredutível sobre me deixar de licença. Não gostei de ficar
em casa sem fazer nada, se bem que o tempo foi muito produtivo.
Aproveitei-o para começar os preparativos para o casamento. Marcamos
um jantar para hoje à noite em comemoração ao nosso noivado e para
anunciar a data do matrimônio, que será em dois meses.
A loucura está armada. O corre-corre para os preparativos é frenético.
Steph está me dando uma grande ajuda, assim como minha amiga Meg. Nós
três passamos horas entretidas entre a escolha do meu vestido de noiva e a
escolha dos docinhos e a decoração da recepção.
Passamos horas, também, presas à lista de convidados. Os pais de
Brandon estão fora, assim como também a presença agourenta do pai de
Sean e das três patetas de suas irmãs e madrasta. Não há cabimento
convidá-los. Eles não gostam de mim e, quando souberam do que me
aconteceu, nem sequer se dignaram a dar força ao Sean. Eu já esperava essa
atitude das três peruas e dos meus tios gananciosos, mas não do pai dele.
Ele deveria o ter apoiado, não? Porém, pelo menos Benjamin está dando um
trégua a Sean, sem ligações exigentes no meio da noite, o que deixa Steph
menos preocupada.
Sorrio ao pensar em minha linda e fofa sogrinha. É ótimo compartilhar
decisões com ela. Steph se tornou uma grande amiga. Ela está se tornando
uma mãe para mim também. E vê-la desabrochar e se empenhar em uma
coisa
tudo tão
tão incrível
bem e quanto o seu livrode
se comportando é algo magnífico!
forma Ela que
tão lúcida está me
aceitando
deixa
imensamente feliz. E quanto a Sean, nem se fala. Depois de tanta angústia e
sofrimento, merecemos esta calmaria, tranquilidade e felicidade.
Remexo-me desajeitadamente na cama, porque Sean está agarrado a
minha cintura e descansando a cabeça entre meus seios, deixando-os
duros, pesados de excitação somente com o contato considerado inocente.
Seu corpo forte e quente junto ao meu me impossibilita de dormir
tranquilamente, mas bitch, quem quer dormir tendo um homem desses na

cama e totalmente nu?


São 7h de uma sexta-feira, e não me importo de fazer um pouco de
exercício físico matinal, mas sua face é tão serena dormindo que decido
apreciá-la antes de acordá-lo sutilmente.
Inclino-me um pouco e acaricio seu rosto com carinho, contornando
suas sobrancelhas espessas, bem desenhadas. Desço meu indicador em
direção ao seu maxilar forte, analisando o quão másculo ele é. Meu polegar
percorre o lábio inferior lentamente. A boca sensual está entreaberta, e seu
hálito morno bate em minha mão, arrepiando-me enquanto continuo a
exploração.
os lábios deleEstou perdida,
se fecham admirando
ao redor a boca
do meu dedo.máscula, quando de repente
Meus olhos procuram os dele, que estão me encarando brilhantes,
perspicazes. Ficamos nos olhando, provocando-nos silenciosamente.
― Está acordado há muito tempo? ― pergunto com fingida indiferença.
Antes de me responder e me fazer uma pergunta, Sean morde meu
dedo e o suga lentamente, liberando-o logo depois de me atiçar:
― Tempo suficiente. O que está fazendo, Allyson?
Seus olhos sagazes não se desviam dos meus, medindo minha reação
enquanto seus dedos começam a brincar com meu sexo, que já lhe dá boas
vindas, úmido, necessitado.
― Hum... Nada demais, apenas admirando meu lindo noivo. Não posso? ―
digo, contorcendo-me ao sentir os dedos longos em um vai e vem
desconcertante, delicioso.
― Quem sou eu para discordar da minha noiva? Mas que tal pararmos
de conversa fiada e partimos logo para o que realmente desejamos?
Minha resposta é um murmúrio rouco:
― Adoraria!
A próxima coisa que faço é gemer alto ao sentir os lábios de Sean ao
redor do meu mamilo. Inclino-me em sua direção, rendida, submissa.
― Tão quente, minha Allyson... Tão minha... ― proclama ainda me
estimulando com os dedos. Sua voz sai abafada por ter o mamilo em sua
boca.
― Sean... ― choramingo, tentando me mover. Sem sucesso, claro,
minha perna engessada e o peso do corpo masculino me impedem. Bufo
frustrada.
Sean sorri torto e se afasta para apoiar minha perna imóvel em mais
um travesseiro, abrindo as minhas pernas no processo, deixando-me
exposta a suas vontades.
― Sempre tão apressada ― ralha falsamente.
Com afeto, ele acaricia minha barriga um pouco maior para meus
poucos meses de gravidez e posiciona a cabeça entre as minhas pernas.
Com os olhos presos aos meus, sua boca paira sobre a minha entrada.
Sussurra atrevido:
― Tento ser gentil, ser paciente, mas você não colabora. É impaciente!
Deus! Como é difícil agradar a essa mulher!
Pisco incrédula.
Sean também pisca, porém puramente petulante. E mais uma vez me
surpreende ao envolver meu clitóris em seus lábios macios. Volta a usar
seus longos dedos em um vai e vem dolorosamente prazeroso.
― Porra! ― exclamo perdida em prazer.
Ele me faz totalmente insana ao sugar e morder meu nervo,
lambendo-o sem cessar. Vertiginosamente explodo em um duro e
fulminante orgasmo. Sean não me deixa recuperar o fôlego e me penetra
profundamente.
Sinto meu sabor em sua boca quando ele me beija forte e selvagem, se
equiparando às suas estocadas. Meu corpo se aperta em volta do seu pau
perfeitamente. E deliro com os sons que saem de sua garganta. Seus
rosnados e grunhidos atiçam minha libido. Sua voz rouca, gemendo
obscenidades ao pé do meu ouvido, enlouquece-me.
― Deliciosa! Vou gozar... Porra!
Não replico, apenas mergulho de cabeça em sua paixão, que é tão
grande e intensa quanto a minha própria.

Tomo o desjejum apenas na companhia de Steph, pois Sean foi à

empresa
compromissodespachar
hoje, e elealguns assuntos
não quer perdê-lo urgentes. Temos
por nada. Ele me deuum grandee
um longo
doce beijo e abraçou sua mãe carinhosamente, em seguida correu para fora
de casa. E entre algumas mordidas em deliciosas guloseimas, Steph e eu
conversamos sem vontade de sair da mesa. Programamos o jantar de logo
mais à noite.
Nesse instante, ela me mostra mais um rascunho de seu livro. Dessa
vez ela esperou Sean sair, e entendi o porquê quando comecei a lê-lo. É uma
parte bem triste de sua vida...

“Primeira Internação”

Sinto meu corpo trêmulo. Estou agitada. Uma ang ústia me aperta o
peito. O que me acalma é ir ao quarto do meu filho. Eu o mimo muito. Amo
meu pequeno Sean. Amo tê-lo em meus braços. Ele me mantém lúcida.
Benjamin saiu de novo. É mais uma noite em que me deixa sozinha com
a babá e uma enfermeira. Elas tentaram me entupir de remédio tarja preta
mais cedo.
Deram-me comprimidos aos quais cuspi no vaso sanitário logo quando
elas se afastaram. Não vou me dopar, quero cuidar do meu pequeno. Sou
capaz, não importa o que os outros pensam, ou o que Benjamin diz!
Todos acham que sou louca, uma pessoa perigosa, mas não sou! Deus!
Não sou! Sou apenas alguém que precisa de carinho, paciência. Porém, em
vez de receber atenção do meu marido, recebo duras críticas, duras
recriminações.
Quando Ben me conheceu, eu era uma modelo prestigiada, linda, jovem
e inexperiente. Ele me encantou com seu charme e sua promessa de amor
eterno. Porém me pergunto para onde foi o homem por quem me apaixonei?
Sean chora, e o acalento com mais vigor, mas ele não se cala, então
ofereço meu seio a ele. Sean suga com vontade. Ele está faminto! E a sensação
de amamentá-lo me deixa feliz. Acaricio seu rostinho lindo com adoração.
Meu bebê é tão lindo!
Saciado, Sean afasta a pequena boca do meu seio, e o coloco em meu
ombro para fazê-lo arrotar enquanto me ajeito. Volto a embalá-lo, quando
Sean boceja. Ele dorme calmo em meus braços agora.
Entretanto não demora muito e Sean chora novamente. Sei que não
está com fome, então só pode ser a fralda suja. Estou a caminho da mesinha
para trocá-lo, quando Benjamin entra zangado no quarto e me toma Sean.
Ele começa a me agredir verbalmente. Manda que eu fique longe do
nosso filho, pois vou machucá-lo. Ele me dá as costas, e me abraço, chorando
em silêncio ao mesmo tempo em que Ben continua a me dizer coisas terríveis.
Estressada e nervosa, saio de mim. Grito de volta para ele coisas feias e o
ataco, bato em suas costas com meus punhos fechados, com raiva.
Ele grita o nome de umas das enfermeiras e o da babá. Elas entram no
quarto e me seguram sem cuidado a mando de Benjamin. Arrastam-me para
ora do quarto enquanto me debato. Em meu quarto, elas me obrigam a
tomar a medicação. Cuspo e fecho a boca, mas elas conseguem me fazer
beber um líquido estranho. O gosto é horrível.
Tem gosto de medo.
Apago e, q uando rec obro os sentidos, estou em um quarto estranho. Ele
é todo branco e não tem nada ao redor, apenas a cama, onde estou
amarrada. Na porta há uma janela com o vidro fechado. Sei onde estou. Estou
em um lugar para loucos.
Choro. Grito para que me soltem e me deixem ir para casa. Suplico para
ver meu filho. Porém me ignoram. Os remédios são constantes, e meu estado
letárgico e sonolento também.
Essa foi a primeira das muitas vezes em que fui internada, em que
conheci o inferno e o pior das pessoas.

Enguloque
as lágrimas comcaem
dificuldade
por meuo rosto
bolo que
comse forma em
a manga minha garganta. Seco
do suéter.
― Não mostre isso ao Sean, por favor? ― peço.
― Não vou mostrar ― promete, olhando-me séria.
― Ele seria capaz de bater no próprio pai ― comento em tom grave.
Eu mesma estou lunática com a vontade de bater no canalha do bem,
de transformá-lo em uma poça de sangue.
― Eu sei ― ela diz, respirando fundo. Steph me olha triste ao revelar:
― Gostaria muito que ambos fossem amigos, que agissem como pai e filho
normalmente, mas... Sean sofreu muito quando Benjamin nos abandonou e
quando ele se casou novamente. Meu filho o odiou com tanta força, e eu
meio que surtei. Meu filho ficou sozinho por tanto tempo... Teve que crescer
antes da hora, assumir responsabilidades duras. Sinto-me uma pessoa tão
má por isso, Ally, por ser um peso para ele.
Seguro sua mão sobre a mesa e a aperto com carinho. Meu tom é sério,
mas também afetuoso:
― Você não é culpada de nada. Você é a pessoa mais incrível que já
conheci, Steph. A pessoa mais carinhosa. A melhor mãe do mundo!
Ela me sorri tímida. Um sorriso tão igual ao do filho, porém que não
alcança seus lindos olhos.
― Sou má, sim. Agrido as pessoas quando fico fora de mim. Não quero,
mas é mais forte que eu.
― Você não tem culpa ― volto a frisar com firmeza.
Ela balança a cabeça levemente e me dá outro sorriso torto. Devolvo-
lhe o caderno, e ela o coloca em seu colo.
― Está ansiosa para hoje à noite? ― pergunto, mudando de assunto.
― Muito! ― responde animada, acrescentando: ― Quando a Meg
chega?
― Meg prometeu estar aqui depois das três horas. Está ansiosa para
saber o sexo do bebê. Confesso que também estou! ― respondo sorrindo.
Ela me lança um olhar amoroso, cheio de significado. ― O que você sabe,
Steph?
Ela ri feliz ao responder misteriosa:
― Já sei o sexo do bebê. Eu sonhei! Você vai ter uma grande surpresa!
― Ah! Me diz, Steph! ― peço. Não, imploro mesmo, morta de
curiosidade.
― Não vou estragar a surpresa!
― Poxa... ― faço bico.
Steph gargalha ainda mais de mim.

Sean retorna ao meio-dia e almoça conosco. Uma hora depois estamos


a caminho do consultório do Doutor Jackson. Sean me ajuda a sair do carro
e me passa as muletas, minhas fieis companheiras do dia a dia depois do
acidente.
― Olá ― Jackson nos cumprimenta.
― Olá ― devolvo seu cumprimento, enquanto Sean aperta sua mão.
― Como tem passado, Senhorita Jordan?
― Ótima. Louca pela minha carta de alforria! ― respondo, apontando
para meu gesso. Tenho a ajuda de Sean para me sentar. Ele se acomoda ao
meu lado.
― Hoje você vai retirar o gesso, mas ainda vamos avaliar se você vai
precisar fazer fisioterapia, Senhorita Jordan.
― Entendo, mas tem algum risco de que eu fique com alguma sequela?
― pergunto apreensiva. Sean aperta minha mão em apoio.
― Não acredito. Você teve muita sorte. Sua lesão foi séria, mas não
irreversível ― esclarece e então pergunta: ― Pronta para tirar o gesso?
― Com toda certeza!
Jackson chama um enfermeiro, que faz todo o trabalho de forma ágil e
muito profissional. Jackson me examina e dá seu veredicto final:
― Vida normal, Senhorita Jordan. Você não vai precisar de fisioterapia.
Está tudo OK.

― Isso é ótimo! ― Sean exclama.


Ele tem toda razão. É fenomenal!
― Obrigada, doutor ― agradeço à porta do consultório.
― É meu trabalho ― responde solícito. ― Bem, devo acompanhar
vocês até a Doutora Eleanor?
― Sim, por favor ― peço.
Caminhamos ao consultório da obstetra. Quando recebi alta no dia em
que recobrei a memória, Jackson nos indicou a Doutora Eleanor. E aceitei
sua sugestão de bom grado, já que nunca tive um ginecologista específico.
A morena de aparência impecável e aparentando ter quarenta anos,
sorri simpática ao nos receber em seu consultório. Jackson se despede e se
retira. Troco meu vestido por uma bata e me submeto a exames.
Eleanor pede para que eu suba na balança e posteriormente afere
minha pressão. Faz algumas perguntas, como, por exemplo, se estou
tomando a medicação que receitou. Deito-me na maca, e ela mede minha
barriga.

Seu semblante
alarmada. é intrigado.
Ele está tenso, Há me
mas tenta um passar
vinco em sua testa.
confiança. Olho para
Eleanor Sean,
me indica
a cadeira, dizendo:
― Senhorita Jordan, sua gestação é de três meses e duas semanas.
Tudo parece bem, porém acho que teremos uma surpresa. Suspeito de algo.
― Como assim? ― indago entre curiosa e receosa.
― Hoje vamos fazer uma ultrassom, não é? ― pergunta-me, mudando
de assunto.

― Sim ― respondo ressabiada.


― Maravilha! Já vamos saber se o que suspeito é real ― fala
despreocupada.
― Você está nos deixando aflitos, Doutora Eleanor.
― Calma, Senhor McGregor. Não é nada de grave. Bem, vamos começar
o exame ― responde, sorrindo.
Ela me prepara para o exame com a ajuda de uma enfermeira. Olho
para Sean, pedindo silenciosamente que ele segure minha mão. Ele
prontamente o faz.
Sinto o aparelho em mim, mas minha atenção está na tela do
computador. E quando um som alto e constante chega aos meus ouvidos,
caio em lágrimas ao ouvir o coração do meu filho. E Deus, a emoção é tão
forte que me deixa sem ar. Espera aí... Tem algo errado.
― Tem algo errado, doutora? ― pergunto com a boca seca, meu
coração pulsando em minha garganta.
― Não, Senhorita Jordan. Você está grávida de gêmeos. Essa era minha
suspeita. E o que está ouvindo são os corações de seus bebês ― Eleanor
comunica,
Perfeitos. indicando na tela dois pontos, ou melhor, meus dois bebês.
Estou petrificada, mas, pela visão periférica, observo Sean abrir e
fechar a boca repetidas vezes, pasmo. Não percebendo nossa reação,
Eleanor prossegue:
― Pela maneira como o primeiro bebê se mostra, é com certeza uma
menininha! E pelos saquinhos do segundo, é um meninão! Parabéns, papai
e mamãe! É um casal de bebês bem saudável.
Sean puxa o ar com força e exclama estupefato:
― Puta que pariu! Como isso é possível? No outro exame não havia só
um bebê?
― Pode ter ocorrido algum erro durante o exame ― Eleanor explica
séria.
― Mas o Doutor Jackson deve ter visto algo quando a examinou no dia
do acidente ― Sean rebate ainda descrente.
― Sim, possivelmente, mas penso que, pela Senhorita Jordan ter
passado por um grave trauma há pouco tempo, ele deve ter decidido
esperar sua total recuperação. Acredito mesmo que ele não tenha revelado
por esse motivo. E posteriormente ele deve ter imaginado que vocês já
sabiam ― a médica interpreta.
Ainda estou paralisada. Sean, vendo minha reação, segura o meu
rosto.
― Ally, amor, não pira, vai ficar tudo bem. Pense assim: Quem cuida de
um, cuida de dois. Por favor, só não surta. Por favor...
Encaro-o, ainda assombrada pela novidade, e percebo o quão pálido
ele
lado,está. Ele também
tentando está
ser forte porassustado,
mim. Amocom
tantomedo. No entanto
esse homem está por
por isso, ao meu
sua
sensibilidade, por ser o meu homem perfeito! Pisco e pigarreio. Em um tom
falsamente zombeteiro, tento brincar ao acusá-lo:
― Você é um perigo, Sean. Caramba, nunca mais faço amor com você
sem camisinha! Você vai ter que vestir duas delas no mínimo!
Ele pisca e depois gargalha, aliviado. Sua testa encontra a minha, e sua
voz está carregada de amor:
― Porra, vou ser pai de uma menininha e de um garotão! Não posso
estar mais feliz. Morrendo de medo, com certeza, mas feliz para caralho! ―
Ele chora, e sua voz soa emocionada: ― Perdi tudo há um mês, e agora
tenho tudo, e em dobro. Eu te amo, mulher! Porra! Como eu te amo,
Allyson!
― Também te amo, Sean. Tanto que dói ― confesso com um soluço.
Estou chorando junto com ele, porém meu tom é brincalhão, cheio de
carinho quando acrescento: ― Todavia não pense que vai se livrar de me
ajudar a trocar as fradas! Não mesmo!
Ele volta a gargalhar e me beija cheio de ardor, sem se importar com a
médica observando nosso beijo libidinoso.
SURPREENDENTEMENTE SEREI PAI DE GÊMEOS! Ainda estou
atordoado e amedrontado com a novidade; no entanto, muitíssimo feliz!
Mantenho minha fé em que tudo ficará bem e que serei o melhor pai que
poderei ser. Melhor que o meu próprio, com toda certeza serei.
Não me aguento de tanto orgulho. Sorrio convencido enquanto manobro o
SUV na autoestrada, tendo Brandon como passageiro. Depois da consulta
levei Allyson de volta para casa, e juntos contamos para mamãe que ela
será avó de dois bebês. Mesmo apreensivos sobre sua reação, não quisemos
adiar a notícia. Graças a Deus mamãe está radiante com a perspectiva de
ter dois bebês em casa, o que foi de grande alívio e felicidade tanto para
mim quanto para Allyson. Comemoramos a boa nova brindando com suco
de laranja. Porém, infelizmente preciso resolver uma pendência na
empresa. É uma desculpa convincente, mas mentirosa.
Antes de ir, recebi Meg e Brandon, e contamos sobre os bebês a ambos.
Beijei carinhosamente o rosto de Meg e apertei a mão de Brandon
conforme me felicitavam. Em seguida presenciei feliz um abraço coletivo
entre mamãe, Ally e Meg. E mais uma rodada de suco de laranja foi servida.
Deixei meu copo sobre a mesa, retirei o de Brandon de suas mãos,
dando o mesmo destino do meu. Brandon me olhou confuso. Arrastei-o
comigo em direção à garagem, e mesmo confuso ele me seguiu sem
questionar. As damas não notaram nosso afastamento, pois engataram uma
conversa animada sobre qual cor era a mais perfeita para o futuro quarto
dos bebês.
Sem rodeios, coloquei-o a par de tudo que estava acontecendo, e
imediatamente partimos para encontrar com o detetive Liam, que ligou
enquanto eu ainda estava no escritório e me relatou todas as novidades
sobre a investigação do acidente de Allyson. Durante todo o almoço e as
consultas médicas de Allyson, tive que disfarçar minha indignação.
No entanto agora não preciso conter minha fúria. Quem me olhar bem,
verá que estou pronto para briga. O que não deixa de ser verdade.
Liam informa que, depois da perícia realizada no Range, nada foi
encontrado. Porém um DNA foi descoberto no isqueiro, o que levou a
polícia ao homem que dirigiu o Range. Seu nome é Ryan. Segundo o
detetive, o homem confessou quem está por trás do atentado após muita
coação e a promessa de que sua integridade física será preservada.
Confessou sua participação e entregou de bandeja o mandante.
Estou louco para pôr minhas mãos nesse filho da puta miserável. Vou
quebrar todos os ossos desse verme. Expulsarei toda a vísceras fora dele
com meus próprios punhos. No entanto toda minha gana, minha prioridade
estão voltadas para o mandante. Darei um tratamento especial ao seu
chefe, o bastardo do Marco Antony! Jamais imaginei que o despeito levasse
Marco a fazer coisas abomináveis como planejar matar inocentes.
Deixo a autoestrada e pego a de acesso rápido ao Departamento de
Polícia. Vinte minutos depois estaciono em uma das vagas livres em frente
ao Departamento. Ao entrarmos no mesmo, somos prontamente recebidos
pelo xerife Tyler. Após uma troca de cumprimentos, indago sério:
― Quando vão prender o Antony?
― Agora mesmo. Já foi expedido o mandando de prisão. Estávamos
esperando o senhor ― responde o xerife.
― Então não vamos perder mais tempo ― digo enérgico.
― Sim, senhor! ― concorda o xerife, chamando mais que depressa o
tenente Carter, que foi designado a cumprir a ordem de prisão. Informo ao
tenente o paradeiro de Marco: o canalha está em sua empresa. Sem mais
delongas partimos em direção à mesma. Antony será humilhado diante de
seus funcionários quando deixar o local algemado, o que será muito
apreciado por mim.
A empresa de Marco está localizada próximo à praia de Miami Beach.
Guio meu carro acompanhando o comboio da polícia. Para a prisão de
Marco, foram deslocadas cinco viaturas e cerca de dez homens. Desconfio
que talvez, mas só talvez mesmo, esse exagero todo para prender apenas
um homem é puramente para mostrar serviço, ou mais precisamente para
me neutralizar caso eu me descontrole e ataque o filho da puta do Antony.

― Você
prender não homem?
um único acha que―épontua
exagero essa quantidade de policiais para
Brandon.
― Algo me diz que o exagero é para conter minha fúria.
― Acho que entendo ― diz, sorrindo de lado.
Com o trânsito lento, demoramos cerca de quarenta minutos até
nosso destino. As viaturas estacionam em frente ao edifício empresarial,
bloqueando a via. Saímos do SUV e, acompanhados dos agentes,
adentramos o edifício. Alguns funcionários que estão no lobby espantam-se
ao ver nossa comitiva. Os seguranças são neutralizados com apenas duas
palavras: ordem judicial. O tenente Carter se dirige à recepcionista:
― Boa tarde. ― Ele para em frente ao balcão de inox e olha para o
crachá da moça antes de perguntar: ― Senhorita Shelly, o Senhor Antony se
encontra no edifício?
― Sim. Na sala da presidência no vigésimo andar. Está em meio a uma
reunião ― responde intimidada.
Ele instrui quatro de seus homens para que vigiem as escadas e saídas
de emergência, precavendo-se de uma possível fuga. Os homens restantes
caminham conosco em direção aos elevadores. Minutos depois as portas se
abrem e a secretária de Marco nos recebe atarantada. Passamos batido por
ela. Paramos em frente à porta, e Carter gira a maçaneta. Prontamente ele
adentra a sala, seguido pelos demais agentes.
Entro depois, acompanhado por Brandon. Meus olhos focam cinco
homens de terno acomodados na ampla mesa de madeira maciça. Fito
Marco em pé ao lado da cadeira presidencial. Minha entrada interrompeu
seu discurso. Seus olhos piscam, e ele me olha surpreso para, em seguida,
fulminar-me com raiva fria. Devolvo seu olhar com ódio mortal.
― Olá, senhores, desculpem interromper, mas Marco tem pendências
com a justiça. E principalmente comigo! ― digo irônico.
Os homens me olham boquiabertos. Eles sabem da rivalidade
existente entre nós e estão estupefatos com minha presença afrontosa no
covil de hienas.
― Mas o que está acontecendo aqui? ― Marco diz colérico. Seus olhos
entregam seu medo.
Com dificuldade modero a gana de voar em seu pescoço e trucidá-lo. A
ânsia de matá-lo lentamente com requintes de extrema crueldade, esmagar
sua carne, moer todos os seus ossos, jogá-lo aos tubarões ou aos leões
famintos é irresistível. Em outras palavras, quero bani-lo da face da terra
de forma eterna! Porém não sou um assassino. Allyson e meus filhos
precisam de mim. Não estragarei minha vida para concretizar minha
vingança. Terei que me contentar com seu sofrimento na prisão.
Abafo custosamente os gritos de vingança em minha mente e coração.
Coloco minhas mãos nos bolsos da calça jeans e puxo o ar com força para
meus pulmões. Devo parecer um cara relaxado ao dizer:
― Você realmente pensou que ficaria impune?
― Do que está falando, McGregor? ― pergunta ele me olhando
desconfiado; no entanto ele sabe que foi descoberto.
Debocho:
― Você é um péssimo ator, Marco. ― Falo com desprezo: ― Você foi
pego, seu parasita de merda! Vai pagar por seus crimes!
― Do que está falando? ― desconversa, alfinetando-me: ― Você está
louco, McGregor? Essas tintas em seu corpo afetaram seu cérebro?
Respondo desdenhoso:
― Poupe-me de sua falsa inocência, pois para a polícia, que já conhece
seus podres, ela é ineficaz. ― Sorrio perversamente ao mandar: ― Faça seu
trabalho, Carter.
Diante dos senhores engravatados, Carter segura Marco com firmeza,
puxando seus braços para trás e o algemando. Diz a famosa frase:
― O senhor está preso. O senhor tem o direito de permanecer calado
ou tudo o que disser pode e deverá ser usado contra o senhor no Tribunal.
― Mas que porra é essa? Você sabe quem eu sou, seu merda? ― fala,
tentando se desvencilhar de Carter, mas sem sucesso.
Seu rosto está escarlate, e seus olhos, esbugalhados de ira ao encarem
Carter e a mim.
― Um criminoso. Agora se cale, ou vou adorar acrescentar desacato à
autoridade em seu histórico penal ― responde Carter em tom autoritário.
Marco grita com raiva:

― Tesaiba
Pois odeio,que
McGregor!
não é! ÉOdeio essa sua
um cretino empáfia!
burro! Você sua
Subornei pensa que é um
secretária Deus?
debaixo
de suas vistas! Foi tão fácil convencer Chris a repassar todas as
informações sigilosas de seus contatos. Diverti-me muito rindo a sua custa!
― Carter o puxa com brusquidão, mas ele não se cala. Pelo contrário, Marco
continua a destilar seu veneno: ― Nunca deixaria passar sua agressão! Fui
feliz por causar seu martírio ao mandar matar sua putinha, mas a cadela é
sortuda demais! Foi com grande lástima que soube que sua vadia não
morreu. Porém é maravilhoso, porque vou poder fodê-la assim que pôr
minhas mãos nela! Escute bem, McGregor, Sua vadiazinha ainda vai ser
minha!
Meu sangue ferve. Sem me importar com a presença da polícia, parto
para cima do Marco. Derrubo-o no chão, assim como a Carter, que o segura.
Ininterruptamente, soco seu rosto asqueroso. Meus punhos o acertam
repetidas vezes. Seu rosto vira uma massa disforme e sangrenta.
― Se voltar a agir dessa forma terei que lhe dar voz de prisão por
desacato e agressão, Senhor McGregor! ― alerta Carter, puxando Antony
para longe de meus punhos.

Brandon
de Antony, se aproxima
quebrado e, com a ajuda
e desacordado. de dois
Sei que agentes,
ostento tira-me deum
possivelmente cima
ar
assassino ao encarar a face detonada do Antony, com um sorriso mais que
satisfeito nos lábios ao vê-lo todo fodido.
― Tudo bem, tenente. Prometo que vou me comportar. Agora, por
favor, peça que me soltem ― acato seu alerta mesmo a contragosto. Livro-
me das mãos dos agentes logo após sua ordem.
Brandon também me solta e, sem dizer nada, caminho para fora da
sala em direção aos elevadores. Ele corre para me alcançar.
― Você está bem? ― indaga preocupado.
Acabei de socar o homem que tentou me destruir. Porra! Estou a
ponto de ter um orgasmo! Estou maravilhosamente bem, mesmo com a
ameaça de voz de prisão. Então aceno que sim como resposta ao meu
amigo. E, em um silêncio confortável, assistimos Antony ser levado nos
braços por dois agentes, que resmungam por ter que carregar a carga inútil.
Saímos do elevador e passamos pelo lobby novamente. Ao deixarmos
o edifício, damos de cara com um grande grupo de paparazzi e jornalistas
nos esperando.
― Merda! Vamos sair logo daqui! ― digo ao Brandon. Então grito para
Carter: ― Mantenha-me informado!
Ele acena em resposta.
Com um pouco de força física, conseguimos driblar alguns repórteres
mais insistentes. Brandon e eu corremos para o SUV, e nos tiro rápido da
confusão.

O clima ameno da noite de primavera é convidativo a um jantar ao ar


livre, como planejou Allyson. O jantar é servido pontualmente às 20h.
Comparecem apenas os mais íntimos, como Brandon e Meg. Eu tomei a
liberdade de chamar a psicóloga de minha mãe, a Susan. Ally adorou a
ideia.
Durante o jantar peço solenemente a mão de Allyson em casamento ao
meu grande
lágrimas, amigo,
aceita meuBrandon,
pedido, eque nos abençoa
deslizo com suadedo
por seu delicado aprovação. Ally,
os novos em
anéis
de compromisso e noivado, substituindo os que foram perdidos no
atentado.
Eles são diferentes dos anteriores, preferi assim. A aliança é toda de
ouro com detalhes em prata, já o solitário é totalmente de platina com uma
razoável pedra de safira. Comprei-os um dia antes e sem a presença de
Allyson. Desejava fazer-lhe uma surpresa. E, pelo brilho nos lindos olhos
verdes, foi uma ótima ideia.

Beijo
amigos singelamente
aplaudem. os lábiospara
Afastamo-nos trêmulos de os
receber Allyson enquanto enossos
cumprimentos, ouço
Allyson soltar um risinho excitado ao mostrar para a mamãe e para a Meg
as suas novas joias. Todas suspiram igualmente maravilhadas. É muito
engraçado de presenciar.
Mamãe se aproxima de mim com um sorriso lindo e me abraça forte.
Carinhosamente diz:
― Estou feliz e orgulhosa de você, meu filho. ― Suas palavras
transbordam de doçura ao completar: ― Ally é muito especial, cuide muito
bem dela e de seus bebês.
― Vou cuidar, mamãe ― prometo, beijando-a na testa.
Brandon também se aproxima e aperta fortemente minha mão ao me
parabenizar pelo futuro enlace, aproveitando para me ameaçar:
― Vou te quebrar em dois caso não faça minha prima feliz.
― Fazer Allyson feliz é uma obrigação que assumo com muito prazer
― É a minha resposta.

Estou
lúcida, feliz! Aliás,
entretida em uma todos os presentes
conversa animadaestão
comfelizes.
SusanMamãe estábeberica
enquanto linda e
o ponche de maça sem álcool. Nunca presenciei esse seu lado sereno, feliz!
Sinto-me emocionado com sua melhora, com sua evolução. Devo o milagre
a Allyson. Minha noiva está linda e deliciosa dentro de seu vestido em estilo
romano na cor vinho com detalhes em preto.
― Já lhe disse o quanto está divina, meu amor? ― pergunto em tom
sensual, libidinoso, ao mesmo tempo em que nos movemos ao ritmo suave
da música It Must’ve Been Love, da banda de pop-rock sueca Roxette.

Com ajuda dedesfrutar


que pudéssemos mamãe edeMeg,
umaAllyson
dança.preparou um lugarestão
Meg e Brandon especial para
ao nosso
lado, também apreciando o local, presos no mundo deles. É visível seu
amor. Sei que serão os próximos a se casarem. É apenas uma questão de
Brandon superar o medo de pedir Meg em casamento.
― Acho que sim, mas não me importo de ouvir novamente ― Allyson
responde espertalhona.
Sorrio e me inclino para beijar seus lábios com doçura e paixão.
Estamos absortos pelo carinho gostoso quando ouço uma profusão de
vozes. Uma em particular é muito conhecida por mim. Afasto-me de Allyson
para confirmar minha suspeita.
― Mas que porra vocês estão fazendo aqui? ― indago desgostoso ao
homem esbaforido que luta para se livrar do aperto do segurança. Ele está
acompanhado pelas duas filhas e a esposa. Arfo incrédulo por tamanha
provocação.
Olho de soslaio para Allyson. Ela encara Benjamin com indisfarçável
aversão. Em seguida busco com os olhos mamãe. Ela está visivelmente
corada e agitada.
Porra, vai dar merda!
― Fiz uma pergunta, cacete! O que fazem aqui? Porra, como vocês
entraram?! ― ladro exasperado. Ninguém me responde, e exalo fortemente
em uma tentativa de me controlar. Fito seriamente Allyson e lhe peço: ―
Por favor, meu amor, leve mamãe para dentro e fique com ela. Vou resolver
isso aqui em dois tempos.
Ela me olha preocupada, mas entende que mamãe precisa de ajuda.
Ela fuzila Benjamin e as três mulheres com olhos semicerrados, zangados e
se coloca ao lado de mamãe.
Benjamin não espera muito para começar suas cobranças. Seu tom é
amargo:
― Sou seu pai e não fui convidado para seu noivado? Por que você é
tão ingrato, Sean?
Atrás dele sua nova família o segue de perto. Emily e Ayden sorriem
com ares esnobes. Dominique me olha como se eu tivesse alguma doença
contagiosa, com puro nojo.
Olho-as com repugnância. Não quero cometer um assassinato;
entretanto darei um jeito nesse desalmado do meu pai se mamãe tiver uma
recaída e irei demitir de uma vez por todas os porras incompetentes dos
meus seguranças sem o menor remorso!
SEAN É UMA BOMBA-RELÓGIO prestes a explodir a qualquer
momento, mas com toda razão! Que povo hipócrita e louco é essa família
dele! Eles não foram convidados propositalmente, mas o intento deles é
certamente aborrecer Sean e Steph.
Mesmo me mordendo de vontade de escorraçar esses urubus, coloco-
me ao lado de Steph junto com Susan. Fervo de raiva diante a presença
nociva da família bastarda de Sean. Peço a Deus que Steph permaneça
calma.
Meg também se posiciona ao lado de minha sogra, e meu primo, ao
lado de Sean.
palavras Meu entre
ofensivas noivo os
está emhomens,
dois um tensotãodiálogo comfisicamente,
parecidos o pai. A troca de
e tão
diferentes na personalidade, é afiada. Nada de bom vai acontecer.
Preocupada com a reação de Steph, olho-a atentamente e noto uma
mudança significativa em sua postura. Ela não está esbravejando, nem fora
de si. Pelo contrário, Steph parece centrada em suas faculdades mentais.
Sorrio diante a ótima ideia que se forma em minha mente. Minha ideia
deixará meu noivo de cabelo em pé, e as três megeras e o homem odioso,
estupefatos.
― Steph, você está bem, querida? ― sondo, segurando suas mãos com
carinho.
― Estou ótima, minha filha ― responde, indagando-me em seguida: ―
Mas o que essas pessoas fazem aqui?
― Tumultuando como sempre ― digo com voz cansada. Meg aquiesce
ao meu lado. Então resolvo pôr minha ideia em prática. Novamente sondo:
― Steph, você tem certeza que está tudo bem mesmo?
― Sim, estou bem, mas muito incomodada com a desfaçatez da
presença da trupe de Benjamin ― diz séria.
― Bem... ― começo hesitante. ― Sean provavelmente vai me
repreender pelo que vou sugerir, mas acho que você deve ir lá, Steph,
enfrentá-los. Colocá-los em seu devido lugar!
― Ally, isso pode ser uma péssima ideia ― Meg alerta, apreensiva,
lançando olhares rápidos em direção a Sean e aos convidados penetras.
Volto a observar Steph em expectativa. Minha sogra me fita
gravemente. Putz, falei bobagem. Fico aflita. Porém Steph sorri e me segura
a mão com carinho. Diz:
― Você está certíssima, Ally. Vamos lá, não vamos deixá-los
esperando.
Meg nos fita boquiaberta quando permito que Steph me arraste em
direção ao grupo. E diante dos olhares assombrados de todos,
principalmente de Sean e Benjamin, aproximamo-nos. Steph encara
Dominique e as duas cobrinhas ao seu lado com ar indiferente, e encara
Benjamin, a frente delas, com desprezo.
― Exijo que se retirem de minha casa. Não são bem-vindos ― diz
autoritária.
Sean está branco, e Benjamin paralisa atônito. Seguro uma risada ao
ver as faces espantadas das três idiotas com a desenvoltura e beleza de
Steph. Toma, suas lambisgoias! Rio baixinho.
― Não repetirei, saiam imediatamente, ou serei obrigada a chamar a
polícia ― adverte Steph, toda poderosa.
Sean pisca perplexo com a atitude inesperada de sua mãe, enquanto
Benjamin preserva a postura atônita, embora seu rosto comece a ter uma
coloração vermelho brilhante. Ele balança a cabeça e inala o ar com força.
Recuperado, dirige-se a Steph em tom cruel:
― Cale-se, Stephanie! Não se intrometa na conversa!
Jesus! Agora o Sean mata o pai! Fito meu tatuado, que tem a expressão
enraivecida. Ele parece pronto para partir para a agressão. Nesse ínterim,
Steph se mantém segura de si, esbanjando classe. Com voz gélida, devolve a
ofensa:
― Cale-se você, seu verme asqueroso. Estou em minha casa, faço e falo
quando e como quiser. Suma daqui. Está poluindo meu lar com sua
presença maligna.
Mesmo pego de surpresa pela reação firme de Steph, Benjamin revida
cretinamente:
― Você se tornou uma criaturinha muito insolente, Stephanie! Você
não era tão petulante quando eu a dopava!
Ao ouvir a revelação cruel de seu pai, as narinas de Sean inflam. Seu
rosto fica lívido, e seus punhos se fecham fortemente. Ele encara o pai com
ar assassino. Estou indignada, mas não surpresa com a revelação, afinal
Steph me mostrou suas anotações.
Sean rosna furioso:
― Como teve coragem? Você é um monstro!
Sean avança em direção ao seu pai, mas Brandon o segura, evitando
que o amigo faça uma besteira.
Então a coisa fica pior quando a perua da Dominique ironiza:
― Sean querido, você sabe muito bem que sua mãe é louca. Por que
quer agredir seu pai?
Sean lança um olhar mortal em direção à madrasta má.
Arfo pela insolência dirigida a Steph. Ah, Jesus! Me segura, meu pai do
céu, porque, se eu me soltar, vou arranhar a cara dessa piranha
plastificada! Como ousa falar assim da Steph? Projeto-me em direção à
dondoca, quando sinto a Steph me puxar para si e tomar conta da situação.
― Meus filhos, parem de discutir, não vamos estragar um momento
tão especial com gente medíocre. Tenho uma solução melhor.
A lucidez da Steph deixa todos nós surpresos novamente. Ela não
aparenta abalo ao olhar ao redor e solicitar um dos seguranças presentes.
Cinco deles assistem sem saber como proceder diante a confusão. Um deles
fala em seu aparelho de comunicação.
Steph então indaga para o segurança Samy:
― Ele chegou?
― Sim, senhora ― responde o homem de preto.
― Maravilhoso! Faça-o entrar! ― exclama contente.
Imediatamente Samy cumpre o mandado de Steph. O que ela está
aprontando?
Steph sorri lindamente enquanto encara seu ex-marido de forma
superior. Ela ignora Dominique e as filhas de seu ex-marido.
Porra, estou tão orgulhosa da forma altiva com que Steph está se
comportando. Sorrio largamente enquanto fuzilo com os olhos as três
cobras.
Samy retorna, mas não sozinho. Ele traz consigo o tenente Carter e a
soldado Ruby e mais quatro policiais.
― Boa noite a todos ― Carter saúda. ― O que está acontecendo,
Stephanie? ― ele se dirige a minha sogra com intimidade, o que deixa Sean
chocado.
Simpática e muito educada, Steph responde:
― Boa noite, Carter. Bem, essas pessoas ― ela aponta para os quatro
desqualificados e prossegue ― invadiram minha residência e se recusam a
se retirar. Com a autoridade que lhe compete, peço que os retire o mais
rápido possível de minha casa. Também quero formular uma queixa por
invasão de domicílio.
― Compreendido, Steph. É uma honra ser útil a uma linda dama ― galanteia
Carter. Então ele beija a mão de minha sogra, todo garboso. Steph cora
como uma colegial e sorri travessa.
Meu queixo cai. Uau! É impressão minha ou esses dois estão
flertando? Ah! Steph, sua bandida! O que você anda me escondendo, hein?
Sorrio. Adorei! É isso aí, sogrinha! Ataca o bonitão de farda!
Sorrindo, observo que Benjamin está pálido. E posso comentar que
está roxo de ciúmes. Sean franze a testa, confuso com o desenrolar das
coisas. Também parece muito enciumado.
Carter se afasta de Steph e dá o comando:
― Prendam-nos.
Benjamin fica branquíssimo ao ouvir a voz de prisão e ao perceber
que Ruby caminha em sua direção. Benjamin é algemado sem pormenores.
― Sean! Faça algo! Sou seu pai!
Sean desvencilha-se de Brandon e cruza os braços fortes sobre o
peitoral definido.
isso enfurece aindaEle nãoo homem.
mais move um músculo qualquer em favor do pai, e
― Solte-me! Você não sabe com quem está lidando, sua policial de
merda! ― grita puto.
― Cale a boca, senhor, ou vou acrescentar desacato na sua ficha! ―
ameaça Ruby em tom seco.
As três patetas recuam choramingando, tentando escapar dos
policiais, mas seus esforços são em vão.

Sabe onas
colocados que é muito legal? Não? Eu conto! É presenciar os quatro sendo
viaturas!
Dominique chora copiosamente, assim como suas filhas. Benjamin
tenta esconder o rosto dos flashes dos paparazzi que estão do lado de fora
da mansão. É certo que as fotos estarão estampadas em todos os jornais e
revistas de fofocas de Miami Beach amanhã!
Depois, Carter se despede de Steph e nos dá um tchau rápido,
enquanto leva para o Departamento de Polícia os quatro intrusos. Depois
do ocorrido há muito risos, mas também despedidas, pois está muito tarde
ecalorosamente
todos estãodecansados da correria do dia a dia. Despedimo-nos
Meg e Brandon.
Steph, Sean e eu nos sentamos e ficamos a bebericar um refresco. Sean
coça a nuca e indaga a sua mãe:
― Tem algo a me dizer, Dona Stephanie?
Steph fica apreensiva pelo tom frio de seu filho. E lanço um olhar duro
em sua direção com um significado explícito nele: Não seja um ogro com sua
mãe. Não banque o filho ciumento!

― Eu... eu...
não aprova, estou conhecendo
posso explicar ao ele
Carter.
― dizEle é gentil
Steph toda comigo. Mas... se você
atrapalhada.
De novo lanço um olhar a Sean. Ele expressa agora: Pare agora de
deixá-la nervosa, ou não tem sexo gostoso mais tarde.
Ele faz uma careta e acena que entendeu, mas continua a perguntar:
― Como isso aconteceu?
― Carter veio aqui uma tarde quando a Ally ainda estava viajando e
você não estava. Eu estava preocupada e com saudades de Allyson, e ele foi
muito
celular atencioso comigo.
dele para caso Tratou-me muitodebem
eu precisasse e me
algo. deu o número
E desde do
então nós
conversamos por telefone. Somos... amigos... ainda ― revela corada.
Sean a fita por um longo instante.
― A senhora gosta dele? ― indaga direto.
― Sim ― confirma meio envergonhada.
― OK. Vou ter uma conversa com Carter amanhã mesmo. Ele tem que
saber que, com minha mãe, é namoro sério ou nada! ― diz e então sorri
torto, piscando para a mãe, tranquilizando-a.
Steph respira aliviada e abraça fortemente o filho, enchendo-o de
beijos no rosto. Nem preciso dizer que estou vibrando muito! Ergo-me e
também começo a beijá-lo na face.
― Nem adianta me encherem de beijos, pois vou mesmo interrogar o
futuro namorado de mamãe, e tenho dito! ― Sean proclama severo; no
entanto cai no riso ao continuar sendo atacado por nós duas.

Dois meses depois

Não levei a sério a ideia da Meg e do Bran sobre o casamento deles


acontecer em Las Vegas. Porém, diante da correria dos preparativos, não
restou dúvidas da determinação de ambos. Particularmente amei a ideia. É
bem a cara do meu primo e de Meg.

Tivemos apenas uma semana para resolver tudo. Então foi uma
loucura conseguir uma capela de acordo com as expectativas de Meg, assim
como escolher o vestido de noiva nada convencional. Aliás, o casamento
não será nada convencional. Todos os convidados foram intimados a se
fantasiarem.
A três dias da cerimônia, hospedamo-nos no hotel do cassino mais
famoso de Las Vegas. Gastamos um bom tempo e dinheiro apostando. Foi
bem legal. No entanto o nosso propósito era outro. Sean e Bran se
encarregaram dos assuntos burocráticos que faltaram, e Meg, Steph e eu
cuidamos das fantasias,
exato momento, nas duasdecoração dahotel,
suítes do capela,estamos
entre outras coisas. E,para
nos trocando nesse
o
casamento.
― Anda logo, Bran. Vai deixar a Meg esperando?
De onde estou, posso escutar Sean apressando o amigo. Os quartos
são bem próximos, então dá para ouvir toda movimentação e conversa.
― Você está me deixando aflito, porra! ― reclama Bran.
As meninas e eu rimos horrores dos rapazes enquanto nos
arrumamos. Olho-me
minha fantasia noAmérica
de Capitã enormeestá
espelho preso
bem. Um à parede
macacão e verifico
lindíssimo se
na cor
azul-metálico com uma estrela branca no busto e um falso espartilho em
branco e vermelho realça minha cintura, já nem tanto curvilínea por causa
de meu ventre dilatado, mas ele me deixa gata do mesmo modo.
As botas de cano longo brancas completam a produção. Reforço o
batom e estou pronta. Corro e prendo a coroa nos cabelos sedosos de
Steph, que está maravilhosa fantasiada de Rainha de Copas. O vestido justo
revela que minha sogrinha ainda dá um caldo.

― Essa cerimônia será inesquecível ― comento ao ajustar em Meg as


braçadeiras de sua fantasia de deusa do Amor, Afrodite. Minha amiga está
divina em branco e dourado.
Escuto uma batida à porta e, em seguida, a voz rouca de Sean:
― Vou seguir com o Bran para a capela. A limusine já está esperando
por vocês na entrada do hotel. Não demorem, OK?
― Tudo bem, amor. Obrigada! ― falo em resposta e pisco para Meg,
que sorri e fala alegre:

― Vamos logo, meninas, vamos que não posso deixar meu deus grego
me esperando! É hoje que desencalho!
Gargalhamos. Quando chegarmos à capela, Meg está tremendo de
nervoso.
― Calma, amiga, vai dar tudo certo ― tranquilizo-a.
É comovente vê-la respirar fundo e caminhar a passos firmes em
direção ao altar, em direção ao meu primo. Bran está perfeito em sua
fantasia de deus grego. E sorrio, lembrando-me da referência de Meg
anteriormente.
― Do que sorri, amor? ― pergunta-me Sean, aproximando-se gostoso
demais em sua fantasia de Magneto.
― Estou sorrindo para a vida. Para todas as coisas boas que irão surgir
de agora em diante, que nos darão forças para vencer as dificuldades caso
elas teimem em nos tocar.
― Belas palavras, mas não tão belas quanto você ― diz sorrindo torto,
inclinando-se para me beijar ardentemente.
A cerimônia segue seu curso, e não contenho as lágrimas de emoção
quando o juiz de paz fantasiado de Elvis declara meus amigos como marido
e mulher. Abraço Meg com carinho, e choramos juntas de felicidade.
Comemoramos de forma esfuziante.
Meg e Bran somem na primeira oportunidade. Vão passar a lua de mel em
Vegas mesmo. Para mim, Sean e Steph, a festa acabou, e vamos retornar
para casa amanhã. Até tento convencer Sean e minha sogrinha a ficarmos
mais uns dias. Porém nem mãe, nem filho topam minha sugestão. Sean tem
assuntos na empresa, e Steph está com saudades de Carter.
É tão fofo ver os dois juntos. E o ciúme de Sean é cômico! Recordo bem
quando Carter aguentou bravamente o interrogatório de Sean. Foi
insistente, o rapaz. Ele é só carinho para com a minha sogrinha. Steph está
cada dia mais serena, equilibrada. Ela está feliz.

No dia posterior a nossa chegada da viagem a Las Vegas, Steph me mostrou


um pequeno trecho de seu livro, que está quase finalizado. Chorei
copiosamente. Vai ficar marcado em minha mente para sempre...
“Filha do Coração”
Sinto-me um peso para meu filho. Ele está sobrecarregado por ter que
cuidar de mim. Ele não faz mais as coisas que garotos de sua idade fazem. Ele
não vive, apenas segue o curso. Está se tornando um homem frio. E isso me
corta o coração. Porém, percebo uma leve, mas importante mudança. Meu
ilho parece apaixonado. E, por força de uma péssima circunstância que
pensei
coraçãoque poderia
de meu ter estragado tudo, conheci a mulher que conquistou o
menino.
Seu nome é Allyson. Ela é tão linda! Foi tão boa comigo! Sem nem ao
menos me conhecer, resgatou-me da rua. Salvou-me. Trouxe-me de volta para
casa, para meu filho.
Também me apaixonei por ela, porque ela olhou bem dentro de mim e
não viu uma pessoa doente, mas uma pessoa necessitada de carinho, de
paciência e compreensão.
Amo-a tanto, amo-a como se fosse minha filha. E tenho c erteza que ela é
a luz, a felicidade que meu filho precisa e merece...
Seja bem-vinda, filha Allyson.
Mamãe te ama.

Esse lindo texto me deixou emotiva. Ah, Steph, também te amo tanto.
Uau! E lá vem as lágrimas novamente! Sempre que recordo do texto, meus
olhos lacrimejam. Os hormônios da gravidez ainda vão me causar
desidratação. Com cinco meses de gestação, sinto-me uma pata de tão
gorda. Meu apetite é voraz, e se não me policiar, vou evoluir de pata a
baleia em um piscar de olhos. Meu humor é muito instável. E ratifico: choro
por qualquer coisa, em qualquer lugar, a qualquer hora, até carrego comigo
uma caixa de lenços para cima e para baixo. Além de que faço xixi
incontrolavelmente e nas horas mais impróprias! Dormir uma noite
inteirinha? Isso não faz parte da minha rotina. Não com os meus bebês
adorando fazer de meus rins seu trampolim.
Eles mexem muito também, mas apenas quando o pai está por perto, e
é uma coisa muito interessante. É eu ouvir a voz potente de Sean e pronto, a
festa em minha barriga acontece. Nem preciso dizer que ele fica todo bobo.
Meu bobo, lindo e delicioso noivo, que logo será meu marido, me
convenceu a morarmos juntos, então aluguei meu apartamento. Sorrio.
Quem diria que eu, uma medrosa em relação a compromisso sério, ficaria
ansiosa para casar? Sim, estou contando os dias, as horas para ser a
Senhora McGregor.
Embora nosso casamento tenha sido adiado para o próximo mês.
Infelizmente me estressei com os preparativos, com a decoração do quarto
dos pequenos, com o trabalho e com os meus tios, que recomeçaram a me
perseguir por dinheiro.
perigosamente Tive uma crise séria de pressão alta que durou
por duas semanas.
Sean quase enlouqueceu de preocupação. Ele me proibiu de trabalhar
ou fazer qualquer outra atividade. Acionou a justiça para manter meus tios
longe, como fez com o próprio pai, depois que Benjamin foi preso com sua
mulher e suas filhas. Tanto ele quanto as três patetas não podem nos
incomodar mais. O que traz mais tranquilidade para minha gravidez.
A obstetra aconselhou que eu escolhesse uma atividade de cada vez, já
que não quero delegar as funções. Então decidi decorar o quarto dos
gêmeos. Fico horas babando na decoração, ou em cada nova pequena
roupinha, na verdade, em cada detalhe. Para a cor do quarto, escolhi bege e
branco, tons pastel.
No momento estou totalmente envolvida com tudo que cerca os bebês.
Os nomes, por exemplo, é um caso à parte. Sean e eu ainda estamos
indecisos; no entanto nossa indecisão não impede de especularmos. Para
nossa menina, Sean citou o nome Maité, já eu, citei Cloe. Para o nosso
menino, Sean citou August, porque é o nome de seu avô falecido, o pai de
Steph. Citei Kevin em homenagem ao meu pai. Então é bem compreensiva a
nossa indecisão.
Steph também deu seu palpite, ela acha que a junção dos dois nomes –
August Kevin – é muito estranha para uma criança, e que seu netinho deve
ter um nome leve como James. Para sua netinha ela palpitou por Luna. Meg
pôs fogo na minha indecisão ao sugerir os nomes Andrew e Sophia. Então
estou cada vez mais confusa. Espero que, antes que meus filhos nasçam,
seus nomes já tenham sido escolhidos.
São 7h da manhã de um sábado, e Sean dorme como uma pedra ao
meu lado. Viajou ao Canadá a negócios por dois dias e regressou ontem à
noite, muito cansado.
sem acordá-lo, Seus
e preciso braços
urgente e pernas
fazer me impedem
xixi. Balanço de sair
seu ombro, da cama
falando:
― Amor, me solte, preciso ir ao banheiro.
Sean resmunga algo indecifrável e não se mexe. Tento mais uma vez,
toda paciente:
― Amor, acorda, estou a ponto de urinar na calcinha!
Ele continua em seu sono profundo.
― Sai logo de cima, cacete, quero fazer xixi, porra! ― grito com raiva.
Sean acorda abruptamente. Com o susto, cai no chão e solta um
sonoro palavrão.
Rindo muito do tombo de Sean, corro o mais ágil que consigo com
minhas pernas inchadas e o peso de minha barriga até o banheiro da suíte.
Abaixo rapidamente a tampa da privada, a calcinha e me sento, então faço o
xixi mais gostoso da minha vida.
― Ah... ― suspiro aliviada.
Percebo um vulto e ergo a cabeça. Deparo-me com Sean apoiado à
porta dodebanheiro,
lembrar seu tomboolhando-me sério. Tenho uma crise de riso ao me
e faço xixi novamente.
― Ainda está rindo de mim? Mas que mulher mais malvada eu tenho!
― fala brincalhão, movendo-se em minha direção.
― Quem manda cair da cama? ― pergunto rindo e enxugando com as
mãos as lágrimas que brotam nos cantinhos dos meus olhos, provocadas
pelo riso descontrolado.
― Já terminou? ― pergunta me olhando do jeito pecaminoso: Quero e
vou te comer bem gostoso.
― Yeah! ― respondo já completamente excitada.
Sean então se aproxima e me pega no colo, levando-me ao boxe e me
dando banho, cuidando de mim com tanto amor e zelo que só me faz amá-lo
com mais loucura. E logo depois me faz amor deliciosamente, fodendo
meus miolos e minha boceta com maestria, de uma forma linda e
puramente imoral.
Um mês depois

COM AS MÃOS FRIAS, espero por Allyson no altar improvisado pelo


pessoal da decoração contratado por Meg com o apoio de minha mãe e de
Allyson. Estou transferindo o peso de uma perna para outra sem cessar,
com mamãe ao meu lado junto com o padre.
Alguns seletos convidados, como empresários e amigos íntimos, estão
dispostos a nossa frente, acomodados nas cadeiras com arranjos de rosas.
A decoração planejada por Allyson e minha mãe é simples, mas não menos
elegante ou de bom gosto. O jardim tem rosas brancas e vermelhas em
jarros altos de vidro transparente por onde Allyson deve passar para
chegar até o altar, ou seja, até mim.
Coço o peito, porque a camisa me pinica. Afasto o colarinho do fraque
de meu pescoço com dois dedos e gemo. Odeio essa merda de roupa. Porém
odeio ainda mais esperar. Entretanto, ao ver Allyson aparecer esplêndida
em seu vestido de noiva, com a barriguinha linda de seis meses
proeminente e com Brandon a tiracolo, sorrio como um bobo apaixonado e
me esqueço do pinicar da camisa, do colarinho apertado e da espera
cansativa. Agradeço a Deus pela dádiva de tê-la em minha vida.
A cerimônia tem seu curso com o mesmo ritual antigo. No altar,
mamãe tem os olhos rasos de lágrimas, Meg funga e tenta enxugar as
lágrimas que rolam copiosas por seu rosto. Até mesmo o grandalhão do
Brandon está lacrimoso.
Minha voz é rouca e profunda ao prometer amar, respeitar e cuidar de
Allyson para sempre. A voz dela está trêmula e chorosa ao me prometer ser
fiel e carinhosa, amar-me na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza até
que a morte nos separe.
Quando selamos nossos lábios com um beijo apaixonado, os aplausos
estrondam pelo recinto. Não interrompemos o beijo, mas o grito de
Brandon nos faz rir durante ele:
― Vamos festejar, cambada!
Depois de dançar a valsa com Allyson, danço com mamãe, enquanto
minha esposa dança com Carter. Lanço um olhar de lado ao namorado de
minha mãe, e mesmo de longe ganho um olhar cheio de repreensão por
parte de Allyson, do tipo: Não começa com ciúmes, ou nossa lua de mel está
cancelada. Copiando a mensagem, volto meus olhos para minha mãe e
sorrio amarelo. O ciúme é uma coceira difícil de deixar de passar.
― Está tão linda, mãe. Muito elegante ― elogio-a, rodopiando pela
pista de dança com ela.
― Obrigada! Fiz a Ally me prometer não me vestir de verde. E confesso
que adorei esse tom escuro de azul! ― confessa sorrindo.
― Caiu perfeitamente bem na senhora ― volto a elogiar.
Lanço um olhar em direção ao Carter, que está sorrindo de algo que
Allyson lhe diz. Franzo a testa, curioso.
― Obrigada ― mamãe agradece, e me faz voltar a atenção para ela. Seu
tom me alerta de que ela não se refere ao elogio sobre sua roupa. Ela me
olha séria. E capto o significado real do seu agradecimento.
― Quero a sua felicidade, mãe. Quero também que prometa que, se
algo der errado, você me contará.
― Prometo ― responde-me sem pestanejar.
Sorrimos cúmplices e continuamos a dançar.

olhar,Allyson corta o bolo de


meio desconfiado. De três andares
repente e me olha
ela mela minhatravessa. Devolvo
bochecha seu
de glacê.
Pego de surpresa, encaro-a boquiaberto, mas logo me recupero e melo seu
nariz e sua boca com a massa pegajosa. Puxo-a para mim e, logo depois,
limpo a sujeira que fiz nela com a língua, beijando-a em seguida ao som de
risos e aplausos.
― Onde vocês passarão a lua de mel? ― Brandon pergunta curioso
entre um gole e outro de seu champanhe.
Quem responde é Allyson:
― Não estou autorizada a viajar de avião, então ficaremos na casa de
praia por uma semana.
― Hum... Ally vai ganhar uma corzinha nessa cara pálida e em outras
partes ― graceja Meg.
Allyson solta um risinho sacana e diz:
― Estou louca para fazer topless! Meus peitos estão divos. Grandões
devido à gravidez. Tenho que aproveitar!
1
― Apoiado,
enquanto amiga!
Brandon ― solta Meg,aecabeça
e eu balançamos ambasem
trocam um hang loose . Riem
descrença.

Partimos para a nossa lua de mel depois de despistar a todos. Agora,


uma hora depois, chegamos ao nosso destino. Rindo, tomo Allyson nos
braços assim que a ajudo a sair do Nissan.

A casa de praia também recebeu cuidados. A entrada está iluminada


por tochas. A piscina se encontra decorada com balões em formato de
coração. A sala de estar tem a mesma decoração de rosas brancas e
vermelhas da cerimônia de casamento.
A lareira dá um ar aconchegante ao local, e a cama depositada perto
dela é muito convidativa. Admiramos a decoração, mas não por muito
tempo. Há coisas mais interessantes para fazer nesse momento, como, por
exemplo, beijar e retirar o vestido de noiva.
Em frente à lareira, desnudo o lindo corpo de minha mulher, olhando-
a com devoção. Ela me olha da mesma forma. Seu sorriso é radiante e cheio
de promessas deliciosas. Meu pau vibra ao tocar a sua depilada e molhada
boceta com meus dedos.
― Sempre tão pronta ― murmuro rouco de desejo.
Deito-a na cama com cuidado e me livro das roupas irritantes que fui
obrigado a vestir. Beijo Allyson com paixão. Ela me agarra os ombros e me
deixa louco ao se esfregar em mim. Afasto-me para fitá-la nos olhos e
apreciar sua languidez sensual.
Sua pele translúcida brilha iluminada pelas chamas da lareira,
fascinando-me com sua beleza naturalmente erótica.
― Minha! ― exclamo possessivo.
Allyson me chama com as mãos, e volto a me inclinar em sua direção,
beijando novamente seus suculentos lábios. Meus dois dedos são engolidos
pela cavidade úmida e macia de sua boceta. Ela geme e se contorce em
meus braços. Seus dentes mordem meu ombro quando acaricio seu nervo
pulsante e aperto seu mamilo esquerdo com pressão delicada.
― Por favor! ― suplica.
― Por favor o quê, senhora minha esposa? ― pergunto sem deixar de
atiçá-la com os dedos.
― Possua-me agora! Não aguento essa tortura!
― Temos a noite toda, meu amor. Seja paciente ― argumento, minha
voz abafada por brincar com os bicos de seus seios. ― Ainda não senti seu
mel em minha boca ― provoco-a.
Sem demora, beijo toda a pele nua. Acaricio sua barriga e deposito um
beijo terno em seu ventre distendido, encaminhando-me à sua intimidade.
Inalo profundamente
agridoce seu aroma
em minha língua de fêmea os
ao saborear e me embriago
sucos de suacom seu sabor
boceta. Seus
choramingos e gemidos altos me excitam ainda mais.
Sugo seu néctar com deleite quando Allyson goza em minha boca. Ao
subir por seu corpo, sussurro em seu ouvido:
― Agora, vou te foder duro e gostoso, amor. ― Seu corpo me recebe
com perfeição. Sua apertada boceta mastiga meu pau e me enlouquece de
tesão. Rosno: ― Inferno, Allyson! Você ainda vai me matar!
Na manhã seguinte, tomamos nosso café da manhã na cama e
decidimos tomar banho de mar. Para matar a saudade de surfar, pego
minha prancha e, de mãos dadas com Allyson, partimos para minha praia
particular.
Allyson faz topless protegida por um enorme guarda-sol e protetor
solar enquanto me observa surfar. As ondas não são altas, mas estão ótimas
para a prática do esporte.
Faz um bom tempo que não surfo. Desde que conheci Allyson, na
verdade. Então a minha rotina de trabalho e o estresse dos últimos
acontecimentos não me permitiram ter esse lazer em particular. Amo o mar
e sinto falta da época de moleque, quando passava horas apenas
apreciando o balançar do oceano e sentindo o perfume da maresia.
Pego três ondas perfeitas antes de voltar para junto de Allyson. Finco
a prancha na areia e sacudo o corpo ao me aproximar de minha esposa,
molhando-a propositalmente.
― Que água fria! Pare com isso, Sean! ― reclama, olhando-me feio.
Inclino-me e a beijo, sorrindo.
― Está com medo de algumas gotinhas de água, mulher? ― zombo.
― Não quero me molhar agora, estou pegando um bronze ― responde
fazendo bico.
Mordisco seu bico e a beijo.
― Hum... Você tem gosto de mar ― geme.
Sorrio, afastando-me e, movendo sugestivamente minhas
sobrancelhas, indago:
― Não quer se molhar nem se eu fizer uma proposta indecente?
― Depende da proposta ― responde marota. Seus olhos me fitam
travessos.
Acaricio seus seios e sussurro sugestivo ao seu ouvido:
― Pensei em fodê-la gostoso dentro d’água. ― Allyson geme. Continuo
tentando-a: ― Lembra-se de como foi bom da última vez? Meu pau
entrando e saindo de sua boceta enquanto a água morna ao nosso redor
intensifica as melhores sensações?
Ela arfa e exclama rapidamente:
― Por que não disse logo? Vamos!
Gargalho com gosto.
Com certa dificuldade devido à barriga, Allyson se levanta e segura a
mão que lhe ofereço para ajudá-la a se erguer. Ela me puxa em direção ao
mar.
EntroTomo-a
com elanos braços Acom
no oceano. cuidado,
água salgadaenos
Allyson
cobresolta
até oum gritinho
meio alegre.
da cintura.
Sua boca busca a minha, ao mesmo tempo em que a seguro firme junto
ao meu corpo ao colocá-la no chão. Desço minha sunga distribuindo beijos
e lambidas em seus peitos. Retiro a parte de baixo de seu biquíni logo em
seguida e volto a erguê-la em meus braços com delicadeza. Instalo-me
entre as suas pernas. Meu pau ereto pincela suas dobras antes de penetrá-
la com uma única estocada.
Allyson geme sofregamente:
― Oh, Deus!
― Oh, não, meu amor, Deus não tem nada a ver com a forma que eu
como gostoso sua doce boceta. Sou eu que estou te devorando
deliciosamente ― rosno, movendo-me em seu interior rápida e
profundamente, tomando-a com luxúria.
Sinto um forte aperto nas nádegas; são as mãos de Allyson me
apertando a carne e me estimulando a ir ainda mais fundo dentro dela.
Também recebo um beijo lascivo. Allyson suga minha língua e me deixa
ainda mais doido de tesão ao rebolar deliciosamente em meu pau.
― Caralho! ― grunho ao sentir meu orgasmo perto. E rosno ao ouvir os
gemidos Allyson em pleno abandono ao gozo. Sua boceta me leva ao céu de
prazer ao espremer meu pau vezes sem conta. Sem suportar a requintada
pressão, estremeço, gozando.

Dois meses depois


Nesses dois meses de casado, minha vida é plena, cheia de momentos
perfeitos nos braços da única mulher que amei e amo. A recuperação de
minha mãe é algo que também devo a Allyson. Não há dúvidas de que o
amor e o carinho que ela lhe dedica fizeram com que mamãe
desabrochasse, florescesse lindamente. Seu livro é algo extraordinário. E
me sinto tão orgulhoso dela. Quando ela enfrentou meu pai durante o meu
noivado, fiquei surpreso, mas muito exultante.
O que me deixa atento é o silêncio do meu pai. Ele está quieto demais.
Talvez tenha se intimidado com a intimação judicial. Não sei. Porém não
tenho receio algum de neutralizá-lo por vias legais, se isso o mantiver
longe. Não vou lhe fazer mal, mesmo depois de descobrir o quanto
prejudicou a saúde da mamãe. Mesmo sendo um crápula, ele é meu pai.
Além disso, desejo ser um ser humano melhor. Penso em meus filhos, que
estão chegando, e quero ser um bom exemplo para eles.
Meu melhor também é dedicado à minha esposa. Principalmente

nesse momento
variações delicado.
de pressão. Allyson tem
Ela também está me preocupado
apreensiva, combastante
medo decom
que suas
algo
aconteça com ela e os bebês. Graças a Deus que temos o apoio de mamãe,
sempre zelosa e atenciosa. Ela enche Allyson de carinho.
Depois que a obstetra comunicou que antecipará o parto para o bem
dos bebês e de Allyson, confesso que fiquei muito atormentado, e Allyson,
angustiada. Entretanto a médica nos assegurou que o procedimento é
normal para gestantes de gêmeos. Então é marcada a cesariana.
Às 15h de uma quarta-feira, aglomeram-se na sala de espera da
maternidade particular,
nos preparamos minha mãe,
para acompanhar CarterMeg
o parto. e Brandon, enquanto
vai filmar Meg e eu
tudo a pedido de
Allyson.
Estou uma pilha de nervos. Visto a bata azul, a touca e esterilizo
minhas mãos. Uma enfermeira baixinha me guia até a sala cirúrgica. Passo
reto por Eleanor e por sua equipe, formada por dois enfermeiros, um
anestesista e um médico auxiliar. Seguro a mão de minha Allyson e beijo
sua testa.
― Tudo bem? ― sondo meio nervoso.
Ela sorri para mim e me tranquiliza:
― Está tudo bem, amor. Acalme-se.
Allyson parece totalmente serena, enquanto eu suo frio e meu
estômago dá cambalhotas. Então miro Meg a poucos passos. Ela acena
animada. Devolvo o aceno de forma nervosa.
A cesariana está prestes a iniciar. Eleanor se aproxima e pergunta:
― Vamos começar?

― Estou contando as horas para ver meus filhos, doutora ― responde


Allyson.
Eleanor sorri.
― Logo os terá em seus braços ― diz e se afasta.
Fito Allyson e beijo sua mão livre. Alguns longos minutos depois, um
choro baixo me deixa de coração disparado.
― Papai e mamãe, o meninão já está entre nós ― informa Eleanor,
mostrando-nos nosso filho.
― Deus... olha as mãozinhas, que pequenas! ― exclama Meg, filmando
e chorando ao mesmo tempo.
Allyson também chora ao beijar a cabeça de Andrew. Meu garotão é
carequinha, porém é notório que será loirinho. Tem o corpinho pequeno e
frágil. Lindo! Porra! Ele parece comigo! Estou sem ar. Sem chão. Esse
pequeno ser é meu filho, meu sangue. Estou completamente apaixonado
por ele. Sem vergonha de bancar o bobão, choro emocionado. Uma
enfermeira o leva à incubadora a pedido da médica.
Eleanor volta ao seu posto, e alguns minutos depois outro choro é
ouvido. Dessa vez, mais alto. Então nossa Maité é trazida por Eleanor.
― Linda... ― Meg murmura.
Com prudência Eleanor me entrega a bebê. Absolutamente
enternecido, mostro-a a Allyson. Minha esposa chora e acaricia o rostinho
zangado de nossa filha, que também chora a plenos pulmões. Maitê é o
contrário do irmão, tem uma cabeleira vasta e morena. Ela tem os traços da
mãe.
Plenamente arrebatado por minha garotinha, beijo sua bochecha
rosada, ciente de que estou nas mãos dos meus dois preciosos filhos.
A EMOÇÃO
coração transbordaDEdeTRAZER MEUS
amor por meusbebês ao mundo
pequeninos. Souécapaz
inominável. Meu
de qualquer
coisa por eles. Drew é a cara do pai, enquanto Mai é minha cópia fiel. Estou
sorrindo entre lágrimas ao beijar meu marido, que sorri bobalhão,
admirando nossos filhos. É visível a felicidade de Sean por ser pai, assim
como o amor em seus olhos. Sua voz é rouca ao me dizer emocionado:
― Obrigado, meu amor. Obrigado por me fazer o homem mais
realizado do mundo!
Então Eleanor comunica que precisa que Sean e Meg se retirem. Antes
de ir, ele me beija e me promete ficar com nossos meninos. Com um suspiro
aliviado, fecho meus olhos.

Semanas depois

Os diasmas
trabalhosos, quefantásticos.
se seguiram ao nascimento
A felicidade dos gêmeos
de desfrutar foram
de momentos
especiais com meus pequenos e meu tatuado compensa as dores do meu
pós-operatório e as preocupações por ver meus filhos em uma incubadora.
Embora apenas por precaução, foi preciso que ficassem por uma
semana no hospital. Não tive paz até ter certeza de que eles estavam bem
verdadeiramente e de os levar para casa. Steph me apoiou muito nesse
momento difícil, assim como minha melhor amiga Meg.
E meu marido? Bem, só tenho elogios para Sean. Ele é um excelente
pai e um marido maravilhoso. Meu tatuado é um pai babão e orgulhoso, um
verdadeiro leão cuidando de suas crias. Ainda fico boba ao vê-lo trocando
as fraldas dos pequenos. É lindo observá-lo velando o sono dos meninos ou
apenas os segurando com todo cuidado e ternura.
A malinha dos pequenos está pronta, e depois do aval de Eleanor,
partimos para nossa casa. Sean guia com atenção redobrada pela
autoestrada, e logo chegamos ao nosso destino.
Uma festinha programada por Meg, tia-madrinha babona, e pela vovó
coruja e também madrinha, aguarda-nos em casa. Steph nos recebe assim
que adentramos os portões decorados com balões cor-de-rosa e azul.
Sorrio alegre com a faixa com os nomes dos bebês e um Bem-vindos
escrito com letras maiúsculas. Acho fofíssimo o grande bolo de diferentes
temas e a mesa de docinhos deliciosos. Sorridente e acompanhada por seu
namorado Carter, minha sogrinha me abraça desajeitadamente, já que
estou com Andrew nos braços.
― Estão cada vez mais lindos! Mais fofinhos! ― exclama Steph,
tomando de meus braços o pequeno Drew e começando a sessão paparico.

― Bem-vindo, amorzinho da vovó ― sussurra, cheirando a cabeça careca do


pequeno.
Sean está com Maité nos braços e cumprimenta Carter com um aceno
de cabeça. Brandon e Meg se aproximam logo. Meg me beija a face e corre
para perto de Steph, que entrega Andrew à minha amiga para tomar Maité
dos braços do pai.
Sean entrega a filha, meio relutante. Ele é tremendamente ciumento
com os filhos, e nem sua mãe escapa de seu ciúme. E incrivelmente Maité
choraminga ao sair dos braços do pai, deixando-o todo bobo e ainda mais
protetor.
Sean faz um movimento para recuperar a bebê, mas sua mãe ralha:
― Deus, Sean! Largue de ser ciumento!
Meu marido pisca, abismado com a bronca da mãe. Então meu primo
coloca mais lenha:
― Quero ver só, Steph, quando a Mai estiver de namoradinho. Ele vai
surtar!

Sean faz um bico enorme e retruca:


― Minha filha será freira.
Olho para ele, espantada. Que conversa é essa?
Brandon me abraça e persiste provocando o amigo:
― Irmão! Mai vai pegar geral!
Com os olhos semicerrados, Sean fuzila o amigo. Rosna:
― Minha filha é um anjinho e sempre será, mesmo quando estiver com
cem anos, seu babaca! Cale a porra da boca, Brandon, ou você não vai
experimentar nenhum pedacinho do bolo!
― Nossa! Que falta de espírito esportivo, Sean! ― reclama Brandon.
Nós mulheres não resistimos à criancice de ambos os marmanjos e
rimos muito.
Acomodados, desfrutamos das guloseimas entre risos e conversa
fiada. Os bebês estão dormindo tranquilamente nos braços de Brandon e de
Meg.
― Ally, você está ótima! ― exclama Meg, paparicando Mai.
― Obrigada. Apesar de ainda estar me recuperando das sequelas da
cirurgia, me sinto quase em forma.
Minha sogra corta um pedaço de bolo e oferece ao Carter, que aceita
sorrindo, sedutor. Ambos trocam um selinho. Imediatamente olho em
direção ao Sean. Meu marido está conversando com meu primo, e o vejo
fazer uma careta desgostosa ao ver a troca de carinho entre a mãe e seu
futuro padrasto. Solto um risinho. Oh, homem ciumento!
― É tão lindo vê-los juntos, não é? ― comenta Meg.
― É megafofo ― falo sorrindo.
― É verdade que vão se casar? ― pergunta curiosa.
― Sim. Carter pediu minha sogrinha em casamento na noite passada, e
ela aceitou.
O pedido de casamento pegou Sean de surpresa, mas não a mim.
Lógico! Está mais que evidente que esses dois estão muito apaixonados.
― Como o Sean reagiu?

― Estáquestões
mãe sobre receoso,importantes,
claro, mas depois
como de conversar
a situação com Carter
emocional e comdaa
e mental
Steph, a importância da resolução dela de sair de casa, e com ambos se
comprometendo a se cuidarem, Sean acabou aceitando. Embora ainda seja
difícil para ele entender que agora Steph não é mais somente sua
responsabilidade.
― Deve ser difícil para ele ver a mãe partir. Afinal ele sempre cuidou
dela ― diz séria.
― Eles têm uma ligação muito forte, Meg. Sean e Steph passaram por
coisas extremas.
difícil largar velhosEles foram
hábitos alicerces um do outro por muito tempo. É
― argumento.
― Imagino! O importante é que hoje eles encontraram pessoas
especiais que os apoiam e os aceitam como são. E estão felizes! ― ressalta.
― Verdade, bitch ― concordo mais que prontamente.

Oito meses depois

Estremeço ao sentir a penetração ritmada de Sean. Seu grosso


membro entra e sai do meu corpo lentamente, torturando-me, matando-me
de tesão. Meus olhos estão presos nos do meu amado. O suor que escorre
de nossos corpos se mistura. Minhas unhas se cravam em suas costas a
cada estocada, a cada novo rosnado que brota da garganta masculina e que
me eleva a libido.
Estou tão excitada que meus sucos fazem o membro másculo deslizar
com certa facilidade pela minha cavidade. Porém rapidamente minha
boceta se contrai e agarra, em um aperto de ferro, o mastro de carne
pulsante que é o pau de Sean.
Ele se move de forma selvagem agora. Seus lábios dominam os meus e
me entrego ao deleite extraordinário de senti-lo duro dentro de mim. Meu
sexo se convulsiona, e gozo deliciosamente, gemendo descaradamente meu
prazer enquanto sinto o corpo de Sean ser dominado por espasmos e seu
líquido espesso me invadir.
Entorpecida pelo poderoso ápice, Sean me puxa para o seu peito largo
e suado. Passados alguns minutos recuperando o fôlego, aviso:
― Não podemos nos atrasar.
É manhã de uma sexta-feira, e não estamos trabalhando, pois em
poucas horas será o coquetel de lançamento do livro de Steph. Minha sogra
faz questão da nossa presença e da dos netos. E penso nos pequenos, que
provavelmente devem estar dando trabalho às duas babás.
― A culpa é toda sua. Não sou de ferro para resistir a minha mulher
toda gostosa a me tentar de lingerie sexy! ― Sean retruca sorrindo de lado.
Belisco seu antebraço e ergo a cabeça para fitá-lo diretamente nos
olhos. Replico:
― Até parece que não gostou de ser tentado.
Sean ri e me beija afoitamente. Afasta-se e graceja:
― Adoro ser tentado por você, amor.
Volta a me beijar avidamente. Correspondo com igual avidez, mas
lembro-me dos gêmeos. É a minha vez de interromper o beijo. Digo:
― É melhor nos apressarmos, ou não daremos conta de chegar na hora
marcada.
― OK, mas não pense que acabamos por aqui. Hoje ainda vou te pegar
de jeito ― alerta, saindo da cama e me levando junto.
Duas horas depois, Andrew e Maité estão prontinhos e acomodados
dentro do novo sedã. Afivelo bem o cinto das cadeirinhas dos gêmeos e
afago ambos os rostinhos. Elevo um pouco a voz para que Sean possa me
ouvir do lado de fora do carro:
― Amor, pegou a bolsa dos meninos e o carrinho?
― Sim, amor ― responde no mesmo tom.
Pelo retrovisor, vejo-o guardar todas as coisas dos bebês no porta-
malas. Acompanho-o se dispor ao volante, e partimos.

A livraria cedeu um ótimo espaço para o evento de lançamento do


livro da Steph. A decoração em vermelho, preto, branco e dourado ilustra
perfeitamente as fases boas e ruins retratadas divinamente no livro. De
forma estratégica algumas frases marcantes da obra são projetadas nas
paredes, criando a sensação de estarmos dentro da mesma.
Minha sogrinha está divina em um vestido vermelho tomara que caia.
Ela está exuberante. Steph vive um momento muito especial. Seu
comportamento é de uma verdadeira lady ao receber os cumprimentos
com muita classe.
Assim que nos vê, pede licença aos seus interlocutores e caminha em
nossa direção, seus passos firmes e o sorriso franco. Não remete nem de
longe a mulher alquebrada, suja e perdida que conheci há muito tempo.
Dona de si e casada há dois meses com Carter, Steph está superando suas
limitações, superando preconceitos e paradigmas.
― Que bom que estão aqui! Oh! Meus netinhos! ― exclama feliz.
Cumprimenta-nos com alegria, mas sua atenção se volta rapidamente para
as crianças no carrinho de bebê. Ao reconhecerem a voz da avó, elas
mexem animadamente os bracinhos gorduchos.
― Não faltaríamos por nada! ― responde Sean sorrindo para a mãe.
― Obrigada, meus queridos, sei bem como é trabalhoso sair com os
pequenos.
― Somos uma família, e famílias devem dividir todos os momentos.
Parabéns, Steph. Estou muito feliz por todo seu sucesso! ― respondo
sincera, abraçando-a.
― Nós também não poderíamos faltar! ― A voz potente de Brandon
nos faz sorrir. Abraço Meg com entusiasmo enquanto meu primo
cumprimenta
felicitações. Sean. Então o casal recém-chegado enche Steph de
― Onde está Carter? ― indago, notando a ausência do marido de Steph.
― Ele teve um contratempo no trabalho, mas já está a caminho ―
responde.
O coquetel continua em meio a muita badalação. A imprensa cobre o
evento e exalta o talento natural de Steph para a escrita. Afastamo-nos para
que ela possa dar atenção aos fãs.
Todo orgulhoso, Sean observa a mãe distribuir autógrafos. No entanto
quem não está muito feliz com todo o sucesso de Steph é o Benjamin. Ele
está vivendo um verdadeiro inferno após Steph ter revelado sua
personalidade cruel. Ele e sua família ficaram livres depois de um habeas
corpus, e então ele processou Steph para que o livro não fosse publicado.
Alegou uso de imagem sem autorização.
Sean tomou conhecimento de sua atitude e ameaçou deixá-lo na
miséria caso Benjamin não desistisse da ação. Afundado em dívidas até o
pescoço e seriamente doente, Benjamin não teve outra opção a não ser
engolir o livro. O verme, mesmo doente, não dá sossego ao filho.
Diagnosticado com câncer terminal de fígado, descoberto há dois meses,
está internado em um hospital de referência e é cuidado 24 horas por dia
nos sete dias da semana por enfermeiras.
Sean o visita todos os dias. E Benjamin tenta usar a doença para
“amolecer” o coração do filho. Porém meu marido conhece muito bem o pai
que tem e não entra em seus joguinhos manipuladores. Entretanto sei que,
por dentro, meu tatuado sofre. Sean sofre com a falta de amor do pai.
Benjamin não se mostra interessado pelo filho, muito menos pelos netos.
Sempre tive a certeza de que Benjamin é um homem desprovido de
amor ao próximo, mas me choca muitíssimo ver alguém tão frio até mesmo
com os que compartilham de seu próprio sangue. O que me chocou também
foi as atitudes de Dominique e das irmãs de Sean. A esposa do McGregor pai
fugiu como os ratos fazem quando o barco está afundando. Dominique caiu
no mundo! Correu da possível pobreza. Chutou Benjamin e levou as filhas
junto.
As três ordinárias não tiveram sorte ao fugir. Dominique pensou ter
dado o golpe do baú ao se tonar amante de um magnata do petróleo. Ledo
engano, pois o tal magnata é nada mais nada menos que um integrante de
uma quadrilha perigosa traficante de mulheres.
Resumindo, tanto a mãe quanto as filhas foram sequestradas e levadas
para o Afeganistão, onde passaram as piores provações. Como único
familiar em condições de responder por elas, Benjamin foi notificado pela
INTERPOL sobre a situação crítica da ex-mulher e das filhas. O velho
passou muito mal depois da notícia. E Sean mais uma vez, com seu coração
de ouro, correu em auxílio às três, afinal, mesmo sendo umas víboras, elas
são seres humanos e suas irmãs. Com sua influência, Sean pediu ajuda ao
rei Fakhir, seu parceiro de negócios. E o rei conseguiu descobrir o
paradeiro delas.
Carter também foi de grande ajuda. O tenente conseguiu, junto ao FBI
e à INTERPOL, resgatá-las. As três mulheres ficaram extremamente gratas
ao meu marido, mas mesmo assim não quiseram qualquer tipo de
aproximação com ele. Sean tampouco forçou uma relação de família, dado
que nunca agiram de tal forma com ele. Hoje estão sob proteção policial,
vivendo modestamente e com o paradeiro desconhecido.
Melhor assim. Nós não precisamos de suas presenças danosas em
nossas vidas. Benjamin não agradeceu ao filho pelo resgate. Muito pelo

contrário.
abandono daEleex-mulher
culpou oe das
filhofilhas,
por magoando
sua má sorte
meu etatuado
principalmente pelo
mais uma vez.
Caramba! O homem, mesmo em um leito de hospital, abandonado pela
mulher e pelas filhas, não reconhece o devido valor do filho, a única pessoa
que o amparou em sua situação miserável. E ainda o maltrata! Ingrato, esse
escroque! Todavia espero que um dia ele reconheça o esforço que Sean fez
por ele e se arrependa. E que não tarde!
A risada gostosa de Sean vibra em meus tímpanos e me faz regressar
ao presente. E me foco em viver o momento alegre e esquecer momentos e
pessoas ruins.
Circulamos pelo ambiente bebericando coquetéis de frutas, exceto
Meg, que enjoou do sabor, o que é normal em seu estado. Minha querida
amiga está grávida de semanas, e a felicidade brilha em seus lindos olhos.
Estou muito feliz por Meg. Ela merece muito ser mãe, ser feliz!
Carter enfim chega, e Steph sorri docemente ao lado do marido. Ela
cintila como nunca em seu dia de glória.
Um mês depois

CANTO BAIXINHO UMA CANÇÃO de ninar para Drew. Ele esteve


inquieto e febril o dia todo. Depois de consultar Eleanor e constatar que o
pequeno está bem, apesar de resfriado, tento acalmá-lo enquanto Allyson
amamenta Mai.
Depois de uma hora ninando-o, consegui fazê-lo dormir. Beijo a
cabecinha loira com carinho e cuidado e o deito em seu berço. Com passos
lentos, aproximo-me de Allyson, que nina Mai. Beijo os cabelos negros de
minha filha e murmuro baixo para não incomodá-la:
― Vou tomar uma ducha.
Allyson assente e me olha preocupada.
Saio do quarto com o coração apertado, apreensivo. Sei que não devo
estar assim, mas não consigo evitar. O telefonema de poucos minutos me
abalou sobremaneira.
Benjamin está morrendo. E não sei se serei capaz de suportar a cena
que terei que presenciar logo mais. Minha mãe está na sala e vai tomar
conta dos bebês. Ela tinha os olhos lacrimosos quando chegou aqui em
casa, após Allyson lhe comunicar a morte iminente de seu ex-marido.
Sei que ela não sentirá a morte do homem que lhe fez tanto mal,
apesar de também não estar feliz pela morte inevitável do pai de seu único
filho. No entanto também sei que mamãe sente muito por mim, por me ver
sofrer.
Entro em meu quarto e caminho direto para a ducha. Banho-me sem
pressa. Saio da ducha meia hora depois. Seco meus cabelos enquanto
escolho uma roupa
Pronto, deixo informal
meu quarto para dizer
e, sem visitaruma
meuúnica
pai pela última
palavra, vez na
minha UTI.
mulher
me acompanha até o carro.
Quarenta minutos de trânsito, e estaciono na garagem do hospital. De
mãos dadas com Allyson, desloco-me em direção ao corredor branco e
austero do quarto de UTI. Ao fundo, ouço choros e gritos. Parece que não
serei apenas eu a perder alguém hoje.
Josef, o médico responsável pelo tratamento de Benjamin, recebe-nos
e, sem muita conversa, sentencia:
― Sinto muito, mas não há nada mais a ser feito...
Ally me abraça depois de ouvir a sentença de morte de meu pai. Josef
se vai.
― Vou ficar aqui na porta, quieta, é só me chamar, OK? ― diz me
olhando séria.
Concordo com um aceno de cabeça e solto sua mão. Aproximo-me da
porta e a abro sem prolongar mais o momento. Ao adentrar o quarto, não
tenho coragem de olhar para Benjamin e miro meus tênis. Escuto o bipe
dos aparelhos que monitoram os seus sinais vitais e me arrepio. Engulo em
seco e vou até ele. Procuro a mão de Benjamin debaixo do lençol azul-
escuro e a encontro gelada. Seguro-a com cuidado. Meus olhos se focam no
rosto do homem que me deu a vida, e estremeço ao notar o quão mais
pálido e frágil ele aparenta hoje.
De olhos fechados Benjamin balbucia roucamente:
― Sean...?
― Sim ― respondo meio aturdido com seu estado debilitado.

― Meu filho... ― murmura fraco. Puxa o ar ruidosamente e prossegue


em um fio de voz: ― Tenho tanto a dizer, porém meu tempo é... curto. Eu...
sinto muito! Amei, amo... Steph, mas fui um péssimo marido, um... canalha e
não... posso consertar isso. ― Inspira forte e suplica: ― Amo você, meu filho.
Amo! Perdoe-me. P-perdoe-me...
― O perdoo ― solto mecanicamente.
Meus nervos estão em frangalhos. Meu coração bate louco. E tremo
incontrolavelmente.

― M-me c-chame de p-pai, por f-favor ― roga por fim.


Pisco fortemente, tentando afugentar as lágrimas, em vão. Sussurro
rouco:
― Pai... Vá em paz. Eu te amo!
Ele me sorri fracamente e solta um profundo suspiro. E ele se vai para
sempre.
Solto um rugido de dor e abraço forte junto ao meu peito o corpo sem
vida de meu pai. Choro como nunca antes. Deus, como eu gostaria que tudo
entre nós tivesse
adolescência sido diferente!
querendo o amor do Passei
meu apai,
minha infânciasua
desejando e boa parte da
aceitação. E
agora que ele enfim me aceitou, estava à beira da morte! A vida não é justa.
Choro alto, sem medo ou vergonha. Choro por não ter mais a chance de tê-
lo em minha vida da forma que sempre almejei.
Em meio à dor lacerante, sinto a mão suave de Allyson segurar meu
ombro de forma firme. E meu coração fica em paz. E sei que, com seu amor
e cuidado, serei capaz de sobreviver a mais essa provação.
Três meses depois

UM NÚMERO DE MÁGICA ACONTECE no jardim, animando as


crianças. Drew e Mai estão nos braços de seus respectivos padrinhos, Meg e
Brandon e Steph e Carter, curtindo a festa de um aninho deles. Estão
vidrados na apresentação do mágico, que nesse momento tira um coelho
branco de dentro da cartola, fazendo o número tradicional.
Estou abraçada a Sean, sorrindo. Depois da fase conturbada da morte
de seu pai, há três meses, e do acidente de carro há dois meses, que vitimou
os pais de Bran, hoje é um dia para celebrar a vida. Celebrar os amigos
verdadeiros e a família. Embora seja algo com poucos convidados e nada
muito elaborado.
Decidimos celebrar, além do aniversário dos gêmeos, a amizade e o
amor que encontramos. É uma homenagem ao Brandon, meu primo-irmão
muito amado, e a Meg, minha amiga-bitch-irmã de todas as horas, assim
como a minha nova mãe, minha sogra linda e doce Steph. Estou feliz em
celebrar um amor especial, incondicional, maior que tudo! Um amor
imensurável por meus filhos. E não menos importante: celebrar um amor
entre um Um
por mim. homem
amoreque
umavenceu
mulher. Celebrar o meu
as turbulências dosamor por Sean, edao vida,
acontecimentos dele
que venceu o medo de amar e de sofrer.
Terminado o número de mágica e a festa, os convidados se vão,
ficando apenas os de sempre, a família de sangue e coração.
― Temos que eternizar esse momento ― Meg diz sorrindo, alisando a
barriguinha de poucos meses. Angelin logo estará entre nós, desfrutando
desses momentos de felicidade com maior participação.
― Vamos tirar uma foto todos juntos, então! ― exclamo alegre.
― Vou pegar a câmera! ― Sean se prontifica, correndo em direção à
mesa de doces, programando a câmera digital.
― Junta aí, galera! ― Brandon grita, pegando os balões coloridos
presos por barbantes e os segurando com a ajuda de Drew. ― Façam pose!
― meu primo instrui.
Rapidamente, todo mundo se ajeita e faz pose para a foto.
― Contagem regressiva! ― grito muito entusiasmada.

Contamos juntos:
― Um... dois... três... já!
O flash explode. Tudo acontece simultaneamente e de forma lúdica: Steph
joga confete para o ar, sorrindo; Brandon e Drew soltam os balões e os
contemplam flutuarem pelo céu; Meg e eu fazemos careta para Mai, que ri
gostosamente, batendo palmas; Sean exibe os músculos do bíceps para
Carter, que faz comicamente cara de medo. Todo mundo cai na risada por
fim.
Sean me puxa para um beijo quente ao mesmo tempo em que os
demais se afastam, brincando de estourar os balões que sobraram. Ouço os
gritinhos excitados dos meninos ao fundo enquanto correspondo ao beijo
delicioso. O ar nos falta, e Sean me afasta para me olhar nos olhos. Sua voz é
apaixonada ao confessar:
― Você é a razão para que eu viva em paz com meus demônios. É a
razão para a cura da alma de minha mãe. Você, somente você, Allyson, faz-
me sentir vivo, completo! Te amo! Te amo com loucura, Allyson!
Minha voz também é apaixonada quando lhe respondo:

― amor!
eterno Não sei viver sem você, Sean. Não sei! Te amo demais! Te amo, meu
Uma vez mais selamos nossos lábios. E, nesse momento exorbitante
de amor, sinto em meu coração que tomei a atitude certa ao decidir lutar
pela vaga de assistente do executivo tatuado.
Quinze anos depois

NA SALA DE ESTAR DA mansão McGregor, Mai tenta convencer o pai a


aceitar seu namorado. Ela aperta a mão de Joshua, um garoto de 16 anos e
seu colega de escola, em sinal de apoio, já que o rapaz está recebendo
tratamento
com os olhosdesemicerrados.
choque do paiEstão
e do irmão dela.de
se roendo Sean e Drew
ciúmes. fulminam
E Mai não vê Joshua
a hora
de sua irmãzinha nascer para dividir com ela os ciúmes daqueles dois
cabeças duras. Allyson acaricia a barriga de sete meses, sentada
confortavelmente em sua poltrona, observando o diálogo tenso e sem
noção entre seu marido e o futuro genro.
― Quais são suas intenções com a minha filha, rapaz? ― Sean indaga
severamente.
Joshua engole em seco, intimidado pelo sogro, mas responde com voz
firme:
― As melhores, Senhor McGregor.
Drew bufa e atiça:
― Não caia nesse conto do vigário, pai!
Mai lança um olhar bravo ao irmão gêmeo, que dá de ombros sem se
abalar.
A voz potente de Sean volta a se pronunciar:

― Garoto,
dominam já tive
as ações. a suaserei
Portanto, idade.
bemSei muito bem como os hormônios
sucinto.
― Sim, senhor.
― Deixe suas mãos em lugar visível e outras partes dentro de suas
calças, ou não pensarei duas vezes em castrá-lo.
― Pai! ― Mai exclama com o rosto corado.
― O quê? ― Sean pergunta ao acrescentar: ― Ele tem que saber que
você não é uma garota qualquer!

― Mãe, faça alguma coisa! ― Mai pede socorro.


― Amor, não assuste o garoto! ― Allyson requisita em tom
condescendente. Ela então se dirige ao rapaz: ― Seja bem-vindo à família,
Joshua, mas tome cuidado. Se machucar minha menininha, eu mesmo te
capo!
― Mamãe!
Brandon ri da situação toda, mas ele também é fruto de gozação, afinal sua
filha é muito bonita, florescendo em seus 15 anos, e logo ele também
passará pelo momento temível de conhecer o namoradinho de sua
garotinha. No entanto por agora ele ri da desgraça alheia. Embora também
olhe enfezado para o marmanjo que deseja namorar sua afilhada. Encara o
rapaz de forma hostil, quando o pequeno Gaby de cinco anos adentra o
recinto, correndo para junto de seu pai.
Sean coloca o filho caçula no colo e, com seu jeitinho peculiar de falar,
o garotinho indaga ao pai:
― Já podemos comer, papai?
Sean fita seu caçulinha com o semblante sério.
― Logo, filhão. Deixa só o papai concluir a ameaça.
― Mas papai, o moço já sabe que está complicado “pla” ele. Minha
“baliga” não quer “espelar”. “Tô” com fome!
― Vai matar a todos de fome, Sean? Largue de ser ciumento! ―
Brandon atiça e recebe um olhar zangado do amigo. O marombado ri. Ele
nunca se divertiu tanto à custa de alguém como a do amigo e compadre.
Sean sabe que está se comportando como um turrão e procura os
olhos de sua amada em busca de compreensão.
Ally o entende e tem conhecimento de que, para o marido, é muito
difícil ver sua menina crescida. Ally lhe lança um olhar amoroso,
lembrando-se de quão duro foi convencê-lo a aceitar receber o rapaz em
casa. Isso gerou até mesmo o primeiro desentendimento do casal.
Steph, com toda sua experiência de mãe e avó, intercedeu para que
eles logo se entendessem e resolvessem com uma conversa franca todas as
diferenças levantadas.
Graças à avó e à mãe, Mai pôde levar Joshua para jantar e apresentá-lo
à família. Porém Sean ainda reluta em entender que terá que dividir o
coração da filha com o rapaz. E toda a sua marra é apenas autodefesa. Ele
tem medo de perder o amor da filha.
Ally se ergue e se coloca atrás do marido, sussurrando ao seu ouvido:
― Ela sempre será sua menina, amor. Relaxe.
― Não consigo ― revela ele com voz tensa e também sussurrando.
― Dê uma chance ao rapaz, amor. Se caso ele falhar, prometo deixar
você fazer o que quiser com ele ― Allyson barganha, já sentindo um
arrependimento após sugerir a ideia.
― Mamãe! Faz o papai terminar logo com isso! Eu “tô” com fome! ―
suplica Gaby, fazendo drama. Sai do colo do pai para pular nos braços da
mãe, porém é interceptado por Brandon, que o segura nos braços, fazendo
cócegas em seu pescoço e arrancando risadas do garoto.
― Calma aí, garotão. A mamãe não pode fazer muito esforço ―
Brandon avisa ao menino.
― É por causa da “Blianna”, minha irmãzinha que está “dentlo” da
“baliga” da mamãe? ― pergunta com os olhos sagazes fixos na barriga da
mãe.
― É isso aí, garotão ― confirma Brandon.
― Estamos famintas, meu filho! Por favor, conclua depressa sua tortura ―
pede Steph, aproximando-se com Carter em seu encalço, seguida por Meg e
Angelin.
Sean bufa exasperado. Relutantemente, ele concorda:
― Vou... tolerar esse namoro com uma condição. ― Chama por seu
caçula: ― Gabriel!
― Sim, papai! ― responde prontamente o garotinho.
― Tenho uma missão para você. Posso confiar em você, companheiro?
― “Clalo”, papai!
― Você será responsável por cuidar de sua irmã quando ela for a
algum encontro com o Joshua. Nada de desviar de sua missão, entendido?
― Deixa comigo, papai!
― Não acredito nisso! ― exclama Mai, muito irritada.
Drew solta risinhos.
― Mamãe! Me ajude! ― pede a garota.
― Mai filha, todos nós estamos famintos. Esta criança no meu ventre quer
comida urgentemente, então... Por favor, aceite os termos de seu pai ―
Allyson diz, acalmando a filha.
Sean sorri satisfeito e se levanta do sofá, caminhando em direção à
sala de jantar.
Ally se aproxima da filha.
― Paciência, Mai. Paciência ― pede, piscando cúmplice.
Mai respira mais aliviada, assim como Joshua, que sobrevive intacto
ao momento de tensão.
― Obrigado pelo apoio, Senhora McGregor ― agradece o jovem rapaz.
― Só não me decepcione.
― Sim, senhora!
Gaby coloca as mãozinhas na barriga e exclama:
― Podemos comer “agola”, por favor?
― Oh, meu Deus! Esses meus filhos são uns esfomeados! ― Ally fala
espantada e faz todos rirem.

Uma semana depois

Sean está em paz com seus demônios como nunca antes. Suas
preocupações com o estado mental de Nathan não o atingem mais, pois o
homem conseguiu se reabilitar com a ajuda de sua irmã e de seu agora
cunhado Jackson. Nathan é um novo homem, que fez questão de se
desculpar pessoalmente pela loucura que cometeu ao raptar Allyson. Sean
relutou em encontrá-lo, mas ao saber que o homem está até mesmo de
namoro com sua jovem ex-psicóloga, aceitou revê-lo junto com Allyson. E
ao sair da casa de Harriett, onde aconteceu o reencontro, Sean foi direto a
um estúdio de tatuagem. Tatuou um coração alado em seu peitoral
esquerdo, como demonstração de amor. Em Times New Roman, o nome de
Allyson se localiza no centro do coração, logo ao lado do de sua mãe, pois as
duas mulheres são o centro de sua vida, de seu universo. E contornando os
nomes femininos, vêm os de seus filhos. Sua vida não poderia ser mais
perfeita.
Após se dar alguns dias de folga, Sean decidiu levar a família e os
agregados à casa de praia. Ele aprecia momentos em família,
principalmente depois que se uniu a Allyson. Após uma agitada semana de
trabalho e um e-mailse-mails com conteúdo surpreendente de sua meia-
irmã Ayden, agradecendo-lhe pela ajuda que ele lhe dera no episódio infeliz
de seu sequestro, ele merece um pouco de lazer.
Quando dois dias antes ele abriu seu endereço eletrônico e se deparou
com um e-mailse-mails desconhecido, pensou logo em chamar seu
funcionário expert em segurança de rede. Porém desistiu ao ver quem
assinava o e-mailse-mails. Ayden contou, através de um curto e direito
texto, que ela e a irmã, assim como a ex-madrasta, estão bem e que ela
sente muito por tudo. Finalizando com um voto de felicidades sinceras,
deixou-o incrédulo e feliz.
Sean volta ao presente com um sorriso contente. Ele contempla a
imensidão azul com prazer. O mar de Miami Beach está propenso à prática
do surfe, então Sean faz questão de praticar o esporte com Drew. O
adolescente escuta atentamente as explicações, os olhos mirados no pai,
totalmente devotos. Para o garoto, seu pai é seu herói. Não é sua primeira
lição de surfe, mas é a mais importante. Hoje, sua namoradinha Lois está
presente, e ele quer impressionar a gatinha.
― Sinta a onda, Drew! ― instrui seu pai quando ele se posiciona na
prancha, logo ganhando velocidade. Ele desliza dentro do tubo de água azul
com perfeição. Drew toca como uma carícia o mar. Ele sorri, pois está
conseguindo.
Quando a onda morre, ele se sente radiante. Drew tira os cabelos
molhados do rosto e segura a prancha com as duas mãos, firmando os pés
na areia. Sorridente, acena para a mãe e a namorada que, em suas cadeiras,
acenam-lhe de volta.
Seu pai se aproxima e lhe dá um tapinha nas costas.
― É isso aí, garotão. Perfeito! ― Sean elogia, todo orgulhoso.
Juntos, caminham de volta e fincam as pranchas na areia. Sean beija a
mulher enquanto afaga a barriga de Allyson. Drew também beija Lois e se
senta ao seu lado.
― Lindas manobras, meu filho! ― elogia Allyson, acrescentando: ― Não
vou ganhar beijo também?
― Valeu, mãe. Claro que vai ganhar! ― responde o garoto, beijando a
mãe no rosto.
Mai chega com Joshua a tiracolo e se junta aos demais.
Gaby está com Steph e Carter, brincando nas piscinas naturais.
A conversa à mesa é animada, mas Ally tem outros planos para seu fim
de tarde.
Ela então se ergue faceiramente e faz sinal ao marido para encontrá-la
na casa de praia que, por hora, está vazia. Sean, louco para colocar a ideia
da mulher em prática, também disfarça ao se afastar dos adolescentes. Sem
maiores dificuldades e com cuidado, agarra a mulher e a leva em seus
braços em direção à casa, subindo as escadas.
O biquíni de Allyson é jogado aos pés deles, assim como a sunga de
Sean. Ele brinca com os seus seios sensíveis e se desloca para seu ventre
distendido, beijando a barriga saliente com amor. Beija a tatuagem no
quadril de sua mulher lascivamente. O nome dele escrito em negrito e
trançado com linhas tribais negras é um afrodisíaco para sua libido. Sua
boca é pecaminosa ao lhe dar o sexo oral que ela tanto deseja.
Quando Sean a tem, trêmula e ofegante, após o orgasmo, sobe por seu
corpo, e se beijam afoitos, apressando o ato de amor. Afinal, ser pais é
padecer no paraíso; porém também é sinônimo de pouca privacidade.
AMOR E COMPREENSÃO FORAM ESSENCIAIS para que eu vencesse
minhas limitações. Foram os primeiros passos para a recuperação da
minha sanidade. Com a ajuda preciosa de minha nora, consegui recuperar a
minha dignidade. Os anos que vivi na escuridão psicológica pareciam não
ter fim, não ter saída. Eu nunca me imaginei livre de meus medos e
traumas, como estou agora.
Meu filho é e sempre foi meu esteio. Entretanto fui um peso para ele.
Tão jovem e já cheio de responsabilidades, cheio de rancor e decepção por
seu próprio pai.
Benjamim foi um pai horrível e um marido execrável. Sofri muito nos
anos que passamos juntos. Primeiro foi o seu ciúme irracional, que me fez
abandonar minha carreira de modelo. Posteriormente seu distanciamento
ao descobrir que se casou com alguém com sérios problemas psicológicos.
Sua falta de compreensão e amor agravou meu estado emocional já
abalado. Meus surtos, que eram esporádicos quando adolescente, passaram
a ser constantes.
Hoje sei que tudo foi um grande aprendizado. Todo o sofrimento foi
apenas uma preparação para um futuro de realizações. E fiquei
extremamente feliz em saber que Sean perdoou o pai, que ambos tenham
tido, mesmo que por um breve instante, um momento de entendimento.
Que Ben descanse em paz.
Sou feliz ao lado de Carter e de minha família. Sinto-me jovial, forte. E
nunca mais tive uma crise nervosa ou um surto psicótico. Não abandonei
meus medicamentos, apenas não sou mais escrava, ou refém deles. Hoje
eles são meus aliados, não meus algozes.
Hoje posso sorrir e sonhar sem medo. Ser esperançosa em tudo que
concretizo. E foi justamente esse meu lado positivo que me orientou, guiou-
me a adotar duas crianças. Jayden é um anjo de oito anos de idade. E seu
irmão mais velho,
aproximação com oNoah,
maisde 17 anos,
velho é um
não foi fácil.adolescente encantador. Porém a
Quando fui a uma instituição para crianças, no Natal, para distribuir
presentes, encantei-me por Jayden e quis adotá-lo de imediato. Porém
Noah ficou muito abatido, pois iria se separar do irmão, o que me tocou
profundamente o coração.
Não poderia separá-los de forma alguma. Depois de acionar as
autoridades competentes para acertar a adoção e do apoio incondicional de
meu filho Sean e minha Norah Ally, estou com meus pequenos em casa.
Carter adorou a ideia de ser pai, ele é coruja com ambos.
Meu lar é alegre, cheio de cores e sabores depois que eles chegaram.
Sean não tem ciúmes dos meninos. Muito pelo contrário, ele os adora! Meus
netinhos também aceitaram bem a chegada de mais membros à família. E
toda a família está reunida em frente ao berçário, babando, paparicando
uma pequena princesa.
Brianna nasceu com três quilos e duzentos gramas, linda e chorona.
Seus olhinhos azuis tão parecidos com os meus ostentam os cílios negros
como os da mãe, e sua pele branquinha está vermelha. É tão perfeita! Minha
netinha mais nova fez meu filho mais velho chorar como um bebezinho ao
segurá-la todo cuidadoso nos braços musculosos. Minha norinha também
está emocionada. Gaby, meu neto, olha a irmã com adoração. Eu mesma não
contenho as lágrimas de felicidade. E, nesse momento de paz e amor
inigualável, dou boas-vindas a Brianna:
― Seja bem-vinda a sua família, Brianna. Nós te amaremos
incondicionalmente.
Dez anos depois

DE FRENTE PARA O ESPELHO do closet, aprecio minha imagem. Aos


55 anos me sinto bem comigo mesmo, em paz com minhas linhas de
expressão e alguns fios de cabelo grisalhos. Levo a vida de forma leve.
Fielmente vou à academia do Brandon toda manhã acompanhado por
minha esposa. Posso soar como Narciso, porém me envaidece bastante
constatar que ainda faço Ally babar em meu corpo e em minhas tatuagens
quando a flagro a me observar treinar.
Com 26 anos de casado, continuo apaixonado por Allyson como no
começo de nosso relacionamento. Ela é a personificação da perfeição
feminina. Realizo todas as minhas fantasias com ela. O tempo trouxe ainda
mais maturidade para Ally. Ele a transformou numa mulher ainda mais
segura de si e, aos 50 anos, continua mais apetitosa, divina na cama e fora
dela.
Allyson é minha companheira fiel. O amor da minha vida.
Ela também continua ocupando o cargo de minha assistente executiva.
Sua competência é indispensável! Nosso ambiente de trabalho é
maravilhoso, e os negócios já não me tomam mais tanto tempo, pois há três
anos divido a responsabilidade da administração do meu grupo
empresarial com meu filho Drew. Ele tem se mostrado um grande
articulador.
Entretanto Andrew jamais foi forçado a me suceder no comando da
empresa. Foi uma grande surpresa para toda a família ele escolher estudar
administração e se empenhar para ser meu sucessor. Confio cegamente no
meu filho na chefia dos negócios. Os contratos mais importantes já passam
por suas mãos. Aos 26 anos Drew é mais maduro do que fui na sua idade e
já pensa em construir família com Lois, sua namoradinha da época de
escola.
Tendo Andrew como meu braço direto, a vida deixou mais de ser
corrida. Sempre em meu tempo livre, preparo jantares românticos e
encontros íntimos para mim e Ally, ou a rapto no meio da semana, às vezes
com destino incerto, ou com destino à nossa casa de praia.
Também pego minha santa onda quase todos os finais de semana e
treino Gaby no surfe. Com 15 anos ele leva jeito para o esporte. Ganhou
todas as competições de que participou. Gaby está fazendo carreira
profissional, e sendo sincero, meu filho está realizando um sonho secreto
meu. Se meu pai não tivesse reprimido meu acesso ao esporte,
provavelmente hoje eu estaria aposentado profissionalmente do surfe;
porém jamais teria conhecido Allyson. Então meu pai inconscientemente
acabou por me ajudar a encontrar meu verdadeiro destino: amar Allyson
com toda minha alma e ser pai de família. Não troco a família que construí
com a mulher que amo por nada nesse mundo, nem pela onda mais perfeita
do Universo. É ridículo até mesmo comparar.
É maravilhoso acompanhar nossos rebentos crescerem.
Como que sentindo que meus pensamentos estão neles, minha caçula
Brianna, de dez anos, adentra o quarto e passa correndo por mim, fugindo
de mamãe, que, com seus setenta e cinco anos, é muito ágil e tem um vigor
invejável para qualquer adolescente. Sorrio torto.
― Anna não quer retirar as roupas de balé e se aprontar para o
casamento da irmã.
Brianna tem o temperamento espevitado de Ally e minha teimosia, ou
seja, a criança é indomável. Anna, como a apelidamos carinhosamente, é
uma grande sonhadora. Essa semana ela fez a mãe matriculá-la em aulas de
balé porque deseja ser uma famosa bailarina, mas semana passada sonhava
em ser veterinária. Ela parece ainda indecisa com o que deseja, mas aos dez
anos ela dispõe de todo o tempo do mundo e o nosso total apoio em seus
sonhos. Igualmente seus irmãos. Entretanto, tenho pena da mamãe por ter
a incumbência de trocar suas roupas. Anna, com suas perninhas ligeiras, é
páreo duro para qualquer corredor.
Mamãe tirou uma longa folga de sua apertada agenda de eventos
literários para ajudar Allyson com as crianças e os detalhes finais da festa.
Meu padrasto Carter teve uma chamada de urgência, mas estará na igreja
na hora certa.
Antes de me trancar no quarto, providenciei para que Jayden voltasse
da faculdade e Noah buscasse sua noiva, minha afilhada Angelin, na casa do
sogro, trazendo Bran, Meg e Sabrina de brinde.
Acompanho a dinâmica entre eles com um sorriso feliz. Os jovens
estavam entediados acomodados no sofá da sala de estar, então Drew deu a
ideia de se entreterem com jogos eletrônicos. E a farra começou. Gaby e
Jayden jogam DOTA enquanto Angelin e Lois jogam Minecraft, ao mesmo
tempo em que Drew e Noah jogam Resident Evil 6.
A diversão acontece sob a supervisão do ciumento Brandon. O cara é
pior que eu quando se trata de ciúme paterno. No mesmo momento em que
Bran supervisiona a filha mais velha, Meg ensaia com a filha caçula, a
pequenina Sabrina de cinco anos, no quarto ao lado, pois a menina será a
porta-alianças de Mai.
Pensando em alianças, melodramático, lembro-me que senti meu
mundo ruir quando Mai decidiu se casar. Tremi na base e enchi minha
cabeça com abobrinhas do tipo: “perdi minha filha”, “ela vai me esquecer”.
Entretanto abandonei meus medos e ciúmes ao ver sua felicidade. Joshua a
faz feliz e, para mim, é o que importa.
A vida ainda me reserva momentos de emoção como os de hoje.
Levarei Mai até o altar. Minha menina cresceu tão rápido! Sinto saudades
de quando era uma bebezinha gorduchinha. Tinha a ilusão de que minha
princesinha nunca iria crescer. É difícil para mim, um pai extremamente
ciumento, aceitar a existência de outro homem na vida de minha filhinha.
Todavia o curso da vida é esse, tenho que seguir e aceitar as mudanças.
Fito-me no espelho mais uma vez e sorrio de lado. Smoking, ou roupa
de pinguim, pode ser chique, mas não me sinto confortável nela, porém o
que um pai não faz pela felicidade da filha?
O casamento acontecerá dentro de poucas horas, e a casa está uma
loucura com o pessoal do cerimonial correndo de um lado a outro nos
ajustes finais para a recepção após o casamento. Ally está no quarto da Mai,
ajudando-a a se preparar para o grande dia.
Verifico as horas em meu relógio de pulso. Está na hora. Passo a mão
na lapela da roupa de pinguim e deixo o meu quarto. Com passos lentos me
encaminho até o quarto de minha filha.
Não preciso bater à porta, pois Ally, pressentindo minha presença,
abre-a sozinha. Minha esposa parece ter uma espécie de radar quando se
trata de sentir minha presença. Ela me confidenciou certa vez que sente um
arrepio na nuca quando estou por perto. Respondi que ela também me
provocava um arrepio, mas em um local um pouco diferente, precisamente
em meu pau. Rimos, beijei-a e acabamos entre lençóis, fazendo amor.
Perfeição!
Ally está impecável como a mãe da noiva! Perco o fôlego. Ela está
esplêndida em seu vestido dourado que resplandece sua pele levemente
bronzeada e seus cabelos negros soltos. Contemplo minha mulher com
ostensivo desejo nos olhos e em outras partes de minha anatomia.
― Porra, mulher! Você está uma delícia! Vamos para o quarto já! ―
exclamo, aproximando-me. Seguro-a pela cintura e pressiono meu corpo ao
seu, mostrando-lhe o poder que ela tem sobre minha libido. ― Pensando
bem, a parede próxima serve ― rosno lascivo e a encosto na parede ao lado
da porta. Seguro sua nuca e, sem lhe dar tempo de reação, beijo-a com
ardor. Ela se agarra aos meus ombros e se deixa dominar, mas interrompe
o beijo minutos depois.
Estamos arfantes. Ally me sorri provocante, mas me lembra de minha
obrigação:
― Controle-se, garanhão. Mais tarde, e se for bonzinho, penso em lhe
dar um bom agrado. ― Pisca. ― Agora sua pequena o aguarda.
Beijo-a rapidamente antes de soltá-la.
Não estou preparado para ver minha filha vestida de noiva, mas não
vou fugir. Respiro fundo e entro no quarto e deixo a emoção fluir ao
admirar a cena a minha frente. Meus olhos lagrimejam, e pisco forte. Meu
coração
em minhaperde uma batida quando Mai se afasta de sua penteadeira e vem
direção.
― Linda ― murmuro com voz embargada.
Ficamos frente a frente, olhando-nos, então acaricio seu rosto tão
parecido com o de minha Ally.
Mai tem os olhos rasos de lágrimas.
― Que Joshua te faça feliz, ou vou quebrar todos os ossos dele ―
ameaço.

Ela sorri torto, bem como eu faço, e fala:


― Ele tem conhecimento dessa ameaça desde o princípio, papai.
Sem medo de parecer um tolo, deixo as lágrimas caírem.
― Você cresceu, mas sempre será minha menininha. ― Fungo. Mai se
joga em meus braços. ― Seu vestido vai amarrotar ― aviso, mas não a
distancio de mim.
Sua voz soa abafada e chorosa:
― Não me importo! Sempre serei sua menininha, papai. Eu te amo!
Meu coração bobo se derrete. Emocionado, confesso:
― Também te amo, minha filhinha. Sempre a amarei.
Abraço-a apertado, como fazia quando era uma garotinha. Ser pai é a
melhor coisa que já me aconteceu, como ser o homem da vida de minha
Ally.
Beijo os cabelos de minha filha, pensando comigo mesmo: Quem diria
que o menino rebelde e cheio de tatuagens seria feliz em ser pai de família?
APLAUDO EFUSIVAMENTE QUANDO os noivos selam o compromisso
com um beijo digno de filmes de Hollywood. Observo, com lágrimas nos
olhos, Ally e Sean abraçarem a filha e o genro recém-casados. Estão
visivelmente felizes e emocionados.
Mai, minha sobrinha do coração, tornou-se uma linda mulher que
agora vai trilhar seu caminho longe da proteção dos pais. Foco Angelin ao
lado de seu noivo Noah, conversando animada com Drew e sua noiva Lois.
É impossível não imaginar a reação de meu querido marido quando for sua
hora de entregar sua amada filhinha em matrimônio ao filho da mãe de seu
melhor amigo. Foi um custo ele permitir o namoro e posteriormente o
noivado.
Só depois de muita conversa e a promessa de que Sabrina fiscalizaria
a irmã quando ele não estivesse presente que tudo acabou bem. Porém
acho que devo estocar altas doses de chá de camomila ou de outra bebida
mais forte. Todavia deixarei para descobrir o que fazer sobre seu provável
chilique alguns meses para frente.
Sorrindo, recordo-me quando Brandon me pediu em casamento. Foi o
dia mais feliz da minha vida, além, é claro, do dia em que descobri que seria
mãe de Angelin. E também lembro-me quando, anos depois, levei o maior
susto ao descobrir que, aos 44 anos, estava grávida, e mesmo sendo uma
gravidez de risco, toda a gestação e parto ocorreram sem problemas.
Sabrina é mais um milagre em minha vida. Acomodo-me em meu lugar no
banco da igreja e me perco em memórias...

Sempre acreditei no amor, mas um homem cruel me machucou da pior


orma possível. Humilhou-me, traiu-me e, não tendo feito o bastante,
espancou-me quase até a morte. David não teve êxito em me matar, mas teve
sucesso em matar meu bebê. Quando acordei em um leito de hospital com o
corpo e o espírito quebrados, tinha a esperança de que meu bebê estivesse a
salvo, mas não estava, e preferi ter morrido junto com ele.
A dor de perder meu bebê quase me dilacerou de dentro para fora. Os
erimentos de meu corpo não se equiparavam com os de minha alma. Fechei-
me. Senti raiva e inveja de minha melhor amiga por ela conseguir ter tudo
que sempre almejei.
Ela tinha tudo, quando eu não tinha nada. Ela era amada por um
homem digno. E eu queria ser amada como ela era. Ela tinha uma vida
crescendo dentro dela, e eu queria seu bebê.
Nos meses seguintes foi difícil presenciar sua felicidade, e me senti suja e
doente, pois Ally é como uma irmã para mim. Apoiou-me nos meus piores
momentos, mas eu estava cega de dor e sonhando com vingança.
Por muito tempo me senti sem salvação, até conhecer Brandon. Quando
ele me olhou dentro dos olhos, senti algo forte pelo belo exemplar masculino.
Parecia que estávamos conectados. Consegui ver a pureza de sua alma, e ele
pôde ver a degradação da minha. Assustei-me e me fascinei com a mesma
intensidade diante do fato. Todavia me mantive distante quando ele me
visitava no hospital sempre na companhia de Ally.
Quando tive alta e retornei à minha casa, perguntava-me secretamente
por onde aquele rapaz andaria. Então, em uma noite, bateram à minha porta,
e lá estava ele segurando um buquê de rosas brancas e com um sorriso
tímido no rosto bonito.
Ele chegou de mansinho e me ofereceu sua amizade, seu ombro para eu
chorar. Sem cobranças, ele me deixou usar sua boa vontade sem culpa de
estar sendo impertinente. Apoiei-me nele como em uma tábua de salvação.
Sem perceber, o amor se infiltrou em meu coração. Lutei contra aquilo
por medo de me enganar no julgamento do caráter de Brandon, como me
enganei com David. Abafava meu ciúme quando Brandon sa ía para se
divertir com os amigos. Ficava me martirizando ao imaginá-lo com alguma
mulher; no entanto fingia não me abalar. Sentia-me aliviada quando ele
relatava que não havia ficado com ninguém na balada ou que em sua vida
não existia nenhuma mulher.

Nossa
poderia amizade
tê-lo sem meera muito
expor importantemas
novamente, para mim.
meu Era confortável,
coração gritava o pois eu
oposto.
Ele desejava seu amor de homem, e não de amigo.
Cansada de fugir, tomei coragem e o convidei para jantar. Ele aceitou de
primeira, como tudo que eu lhe propunha. Porém, quando o vi, amarelei. Um
homem lindo como aquele nunca iria se interessar por mim, uma alma
destroçada.
Guardei minhas intenções e tentei agir normalmente. Como um
cavalheiro, ele pagou a conta e se prontificou a me levar em casa, já que eu
estava sem carro. Caminhávamos em direção ao seu veículo, quando o céu
desabou em uma tormenta de verão. A chuva nos deixou molhados até os
ossos em poucos minutos. Trocamos um olhar arteiro e, como duas crianças
inconsequentes, começamos a dançar na chuva e pular nas poças d’água.
Rindo e cega pelas grossas gotas de chuva, desequilibrei-me e, se não fosse
por Brandon, que me segurou junto ao peito, eu teria me estatelado no chão.
Minha respiração se intensificou mais pela proximidade de seu corpo do
que propriamente pelo susto da queda iminente. Boquiaberta, eu fitei-o nos
olhos e me perdi no desejo inegável que ardia neles. Foquei então sua boca
carnuda e novamente seus olhos.
Com o hálito quente banhando meu rosto, contrastando deliciosamente
com a fria temperatura do ar, ele se pronunciou:
― Quero tanto te beijar, Meg, mas tenho medo de que você me...
Segurei sua nuca e o calei com um beijo desesperado. Debaixo da forte
chuva, beijei-o como se não houvesse amanhã. Eu queria renascer nos braços
dele. Afastei com custo minha boca da sua e pedi quase sem ar:
― Me faça sua.
Ele grunhiu:
― Você não...
Novamente o cortei com um beijo e voltei a me afastar ofegante logo
depois.
― Tenho sonhado há meses em tê-lo dentro de mim ― confessei,
sentindo-me atrevida, livre.
― Santo Cristo! ― ele exclamou, apertando-me ainda mais junto a si. ―
Você está me enlouquecendo há meses também, mas tive medo de estar te
orçando a uma situação que você não queria. Você precisava tanto de um
amigo.
― Eu preciso do seu amor de homem. Eu estou apaixonada por você.
― Você o tem desde a primeira vez que ti vi, Meg, frágil e ferida em um
leito de dor. Eu me apaixonei perdidamente por você!
― Então me dê seu amor! Por favor!
Foi sua vez de me calar com um beijo. Seu beijo arrebatador fez minha
mente flutuar, meu coração disparar e meu corpo pegar fogo.
― Vamos sair daqui ― ele falou arfante após interromper o beijo.
Concordei com um enérgico gesto de cabeça.
Ele me guiou até seu carro, e o caminho até minha casa foi feito cheio de
tensão sexual. Reprimimos por tanto tempo nossa paixão que, assim que
adentramos a sala, não esperamos chegar até o conforto do quarto.
Com mãos atrapalhadas consegui abrir a porta. Livramo-nos das roupas
molhadas, espalhando-as pelo chão sem qualquer cuidado. Brandon me amou
encostados na parede da sala, e foi o melhor sexo da minha vida. Porém nada
me preparou
nos olhos. para a emoção de fazer amor com ele lentamente e com olhos
Toda a mágoa que habitava meu coração deu lugar ao amor absoluto
por esse homem, que me fez sua com tanta singeleza que me arrancou
lágrimas de felicidade e gemidos de prazer. A cada arremetida sua, as chagas
em minha alma curavam-se.
Em seus braços dei adeus ao ódio e dei boas-vindas ao amor. Dessa
orma eu escolhi o amor, totalmente o oposto da vingança.
A voz de Brandon me traz de volta ao presente.
― Meg? Amor? Está tudo bem? ― Ele toca meu ombro e me olha
preocupado.
― Está tudo perfeito, meu amor. Apenas divaguei ― respondo
sorrindo.

― Então
chegarmos podemos―ir?conta,
à recepção Sabrina está com sono.
ajudando-me a meEla vai capotar
erguer. ― Seanassim que
está com
ela nos braços.
― Tadinha, o dia foi bem cansativo para ela ― comento já à porta da
igreja.
Brandon retira dois saquinhos com arroz de dentro de seu smoking e
me passa o meu.
― Sim, mas a nossa “espoletinha” adorou cada minuto. Sentiu-se toda
importante ao levar as alianças na almofadinha cor de rosa ― argumenta
Brandon, rindo.
Os noivos passam pelos convidados e são recebidos com a clássica
chuva de arroz. Eles acenam para nós e entram na limusine. As pessoas vão
em direção aos seus respectivos transportes. Faço o mesmo, quando
Brandon me segura pela cintura e me prende em seus braços.
― Estive pensando, por que não renovamos nossos votos?
― Está falando sério? ― indago surpresa.
― Sim, por quê? Você não quer?
Ele parece magoado, e trato de explicar:
― Lógico que quero! Eu adoraria, na verdade!
Ele sorri matreiro ao revelar:
― Também adoraria ter uma segunda lua de mel.
Gargalho.
― Tampouco vou me opor a essa sua ideia fabulosa, meu marido.
Abraço-o pelo pescoço e o beijo apaixonadamente. Sim. Venci a dor
pelo amor.
Fogo\Capital Inicial – Tema de Allyson e Sean.
Over You\Lane Brody – Tema de Steph e Benjamin.
True Colors\Cindy Lauper – Tema de Steph e Carter.
Lucky\Jason Mraz Ft. Colbie Caillat – Tema de Meg e Brandon.
MAGIC!\Rude – Tema de Maité e Joshua.

Pra Você Guardei o Amor\Nando Reis – Tema de Lois e Drew.


Life of my Love\Tiago Iorc – Tema de Angelin e Noah.
Garganta\Ana Carolina – Tema de Allyson 1.
Bang\Anitta – Tema de Allyson 2.
live\Sia – Tema de Allyson 3.
À sua Maneira\Capital Inicial – Tema de Sean 1.
Earned It \The Weeknd – Tema de Sean 2.

Lost Without U\Robin Thicke – Tema de Sean 3.


Balada do Louco\Ney Matogrosso – Tema de Steph 1.
Someone Like you\Adele – Tema de Steph 2.
It’s a Heartache\Bonnie Tyler – Tema de Steph 3.
Broken\Seether feat. Amy Lee ft. Amy Lee – Tema de Meg.
Kiss me\Ed Sheeran – Tema de Brandon.
lways on my Mind\Elvis Presley – Tema de Benjamin.
Back In Black\AC/DC – despertador de Allyson.
Decode\Paramore – toque de celular de Allyson.
Um Certo Alguém\Lulu Santos.
Cura\Lulu Santos.
Worth It ft. Kid Ink\Fifth Harmony.
Like a Boy\Ciara.
Love Sex Magic\Feat. Justin Timberlake & Ciara.
Undone\Haley Reinhart.
1 Expressão em inglês que em português pode ser conhecido também como “gesto de shaka”, e
corresponde a um sinal feito com a mão em que o dedo polegar e o dedo mindinho se erguem e os
outros três dedos se fecham. É muito usado pelos surfistas, e pode ter variados significados, como
“tudo na paz”, “vitória”, etc.

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