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Universidade Federal de Rondônia

Departamento de Física de Ji-Paraná – Defiji


UNIR

ELETRODINÂMICA
RELATIVÍSTICA

Aluna: Camila de Sousa Oliveira


O magnetismo como fenômeno
relativístico
O magnetismo como fenômeno relativístico
• Diferente da mecânica newtoniana, a eletrodinâmica
clássica já é coerente com a relatividade espacial.

• As equações de Maxwell e a lei de força de Lorentz


podem ser aplicadas em qualquer referencial inercial.

• Um observador interpreta como um processo elétrico e o


outro pode considerar magnético.

• Mas os movimentos que eles preveem, em si, serão


idênticos.
Observador fora do trem:
Exemplo: Suponha que seja montado uma espira
de fio em um vagão e façamos o trem
passar entre os polos de um ímã gigante.

O observador fora do trem


vê a carga da espira ser
transportada junto com o
trem gerando um campo
magnético.
Observador fora do trem:
Exemplo:
À medida que o trem passa
pelo campo magnético, uma
fem devida ao movimento se
estabelece.

𝑑Φ
𝜀=−
𝑑𝑡

Esta fem é devida à força magnética sobre as


cargas na espira de fio que estão se movendo
junto com o trem.
Observador dentro do trem:
Não tem força magnética porque a
espira está em repouso.

Ao passar pelo ímã, o campo


magnético do vagão irá se alterar e
vai induzir um campo elétrico,
segundo a lei de Faraday.

A força elétrica resultante vai gerar uma


fem:
𝑑Φ
𝜀= 𝐸. 𝑑𝑙 = −
𝑑𝑡
Conclusão:
Tanto o observador do lado de fora quanto o observador de
dentro do trem obtiveram o mesmo resultado para a fem:

𝑑Φ
𝜀=−
𝑑𝑡
O magnetismo como fenômeno relativístico
• Nessa apresentação não será mudada as regras da
eletrodinâmica.

• As regras serão expressas em uma notação que vai expor e


esclarecer seu caráter relativístico.

• E proporcionar uma compreensão mais profunda da estrutura


eletrodinâmica.
O magnetismo como fenômeno relativístico
Para começar, será mostrado que é possível calcular a força
magnética entre um fio pelo qual passa uma corrente e uma
carga em movimento sem recorrer às leis do magnetismo!!!
Suponha um fio pelo qual passa uma corrente. E também que há
uma série de cargas positivas movendo-se para a direita com
velocidade v.

-v

Linha de carga +𝜆
𝑥

𝑦
Enquanto isso, a uma distância s há uma carga q em movimento
com velocidade u < v:

-v

Linha de carga +𝜆
𝑥

𝑦
Examinando essa situação em um referencial 𝑆 temos:
Referencial 𝑆 move-se para a direita com velocidade u. Contração de
Lorentz entre as
𝐒: cargas negativas.

𝑥 u

Está em repouso.
𝑧

𝑦 𝑣− > 𝑣+
𝜆0 : 𝑑𝑒𝑛𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑙𝑖𝑛𝑒𝑎𝑟 𝑝𝑜𝑠𝑖𝑡𝑖𝑣𝑎 𝑛𝑜 𝑠𝑒𝑢 𝑝𝑟ó𝑝𝑟𝑖𝑜 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑑𝑒 𝑟𝑒𝑝𝑜𝑢𝑠𝑜.

𝜆: 𝑑𝑒𝑛𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑙𝑖𝑛𝑒𝑎𝑟 𝑝𝑜𝑠𝑖𝑡𝑖𝑣𝑎 𝑞𝑢𝑒 𝑠𝑒 𝑚𝑜𝑣𝑒 𝑐𝑜𝑚 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑣 𝑒𝑚 𝑆.


Examinando essa situação em um referencial 𝑆 temos:
Referencial 𝑆 move-se para a direita com velocidade u. Contração de
Lorentz entre as
𝐒: cargas negativas.

𝑥 u

Está em repouso.
𝑧

𝑦 𝑣− > 𝑣+
Conclusão:

• Como resultado da desigualdade da contração de Lorentz


entre as linhas positiva e negativa,

• um fio pelo qual passa uma corrente que é eletricamente


neutra em um sistema será carregado em outro.
Achado então a linha de carga total (𝜆𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 ) em 𝑆. Qual será o
campo elétrico gerado por essa carga?
Conclusão:
• A carga é atraída em direção ao fio por uma força elétrica em
𝑆 (onde o fio está carregado e q está em repouso).

• Mas em S não é força elétrica, pois o fio é neutro.

• Essa outra força que aparece em S é a força magnética!!!


Como os campos se transformam
Como os campos se transformam
• Como vimos anteriormente, supomos que a carga é
invariante independente do seu movimento.

• Porém os campos elétricos e magnéticos se transformam.

• Vamos supor também que as regras de transformação dos


campos são as mesmas, não importa como os campos são
produzidos.

• Agora vamos conhecer as regras gerais de transformação para


os campos eletromagnéticos.
Como os campos se transformam

Dado os campos em S, quais são


os campos em 𝑺 ?
Como os campos se transformam
Um capacitor está em repouso em 𝑆0 e tem uma carga
superficial ±𝜎.
Como os campos se transformam
Analisando esse mesmo capacitor num referencial S
movendo-se para a direita com velocidade 𝑣0 :

v0
Como os campos se transformam

E para as componentes paralelas,


qual será a regra relativa?
Como os campos se transformam
Considere agora o capacitor alinhado com o plano 𝑦0 𝑧0 :
Como os campos se transformam
Analisando essa situação em S:

v0 A largura (w) e o
comprimento (l)
continuam o mesmo em
ambos os referenciais.
w Logo 𝜎 também
continuará a mesma.

d (d) é quem vai sofrer a contração de Lorentz


Como os campos se transformam
Analisando essa situação em S:

v0
Portanto:

w ∥ ∥ ∥
E = E0

d
Como os campos se transformam
As regras de transformação de campo são:

E ∥ = E0 ∥ 𝐄 ⊥ = 𝛾0 𝐄0 ⊥
Exemplo
Campo elétrico de uma carga pontual em movimento
uniforme. Uma carga pontual q está em repouso na origem no
sistema 𝐒𝟎 . Qual é o campo elétrico dessa mesma carga no
sistema S, que se movimenta com velocidade 𝒗𝟎 em relação a
𝑺𝟎 ?
Solução:
Em 𝑆0 o campo é:
1 q
E0 = 2
r0
4πϵ0 r0

r0 x0 x + y0 y + z0 z
r0 = =
r0 x0 x + y0 y + z0 z

1 qx0
Ex0 =
4πϵ0 (x0 2 +y0 2 + z0 2 )3/2
1 qy0
Ey0 =
4πϵ0 (x0 2 +y0 2 + z0 2 )3/2
1 qz0
Ez0 =
4πϵ0 (x0 2 +y0 2 + z0 2 )3/2
Usando as regras de transformação:
Referencial S:
∥ ⊥
E ∥ = E0 𝐄 ⊥ = 𝛾0 𝐄0 y

R P
1 qx0
𝐸𝑥 = Ex0 = 𝑣0
4πϵ0 (x0 2 +y0 2 + z0 2 )3/2
q 𝜃
1 𝛾0 qy0 x
𝐸𝑦 = 𝛾0 Ey0 = 𝑣0 𝑡
4πϵ0 (x0 2 +y0 2 + z0 2 )3/2

1 𝛾0 qz0
𝐸𝑧 = 𝛾0 Ez0 = z
4πϵ0 (x0 2 +y0 2 + z0 2 )3/2

As coordenadas de E em S estão em termos das coordenadas de 𝑆0 ‼!


Usando as transformações de Lorentz inversas, podemos escrever
as coordenadas de 𝑆0 em termos das coordenadas de S temos:

Referencial S:
y
𝑥0 = 𝛾0 𝑥 + 𝑣0 𝑡 = 𝛾0 𝑅𝑥
𝑦0 = 𝑦 = 𝑅𝑦 R P
𝑧0 = 𝑧 = 𝑅𝑧 𝑣0

q 𝜃
x
𝑣0 𝑡

z
Como os campos se transformam
• As equações:

E ∥ = E0 ∥ 𝐄 ⊥ = 𝛾0 𝐄0 ⊥

• Não são as leis de transformação mais gerais.


• Elas foram desenvolvidas para uma situação mais simples
possível.
• Começamos o problema num sistema onde as cargas
estavam em repouso;
• Não havia campo magnético
Como os campos se transformam
• Para fazer a regra geral vamos começar em um sistema onde
terá tanto campo elétrico como magnético.
Como os campos se transformam
• Vamos colocar agora um terceiro referencial S’ que se move para a
direita com velocidade v em relação à S
Colocando os três referenciais juntos:
Para determinar a transformação em Ez e By, alinhamos as
placas do capacitor no plano xy. Então os campos serão:
Usando a terceira configuração, com as placas do capacitor no
plano yz:

S:
Já vimos que a componente do campo
elétrico paralelo ao movimento não é
modificada.

Para este caso não dá para deduzir a regra de transformação de


𝐵𝑥 . Pois não há campo magnético simultâneo.
Para obter a regra de transformação do componente do campo
magnético paralelo a velocidade da transformação, considere um
solenoide longo alinhado no eixo x e em repouso no sistema S.

S:
O conjunto completo de regras das transformações é o seguinte:
O tensor do campo
Definição de tensor
Um tensor T é uma transformação linear que associa a cada
vetor u, um outro vetor v através da operação:

𝐯 = 𝐓𝐮
A partir da, a equação v = Tu pode ser escrita na forma
matricial:

[T] é denominado matriz do tensor T.


Lembrando que um quadrivetor se transforma segundo a
regra:
𝛼 𝜇 = Λ𝜈 𝜇 𝛼 𝜈

• (a somatória em 𝜈 está implícita);


𝜇
• Λ𝜈 é o elemento na linha 𝜇, coluna ν.
• Λ é a matriz de transformação de Lorentz e é dada por:
Um tensor de segunda ordem é um objeto com dois índices que se
transformam com dois fatores de Λ (um para cada índice):

𝑡′𝜇𝜈 = Λ𝜆 𝜇 Λ 𝜎 𝜈 𝑡 𝜆𝜎

Um tensor (4 dimensões) tem 16 componentes e pode ser


representado como:
Os 16 elementos de um tensor não precisam ser todos diferentes.

Por exemplo, um tensor simétrico tem a propriedade:

𝜇𝜈 𝜈𝜇
𝑡 = 𝑡
Há 10 componentes diferentes; desses 10, 6 são repetições:
(𝑡 01 = 𝑡 10 , 𝑡 02 = 𝑡 20 , 𝑡 03 = 𝑡 30 , 𝑡 12 = 𝑡 21 , 𝑡 13 = 𝑡 31 , 𝑡 23 = 𝑡 32 )
No tensor antissimétrico temos:
𝑡𝜇𝜈 = −𝑡 𝜈𝜇

Esse tensor terá apenas 6 elementos distintos. Dos 16 originais, 6


são repetições só que com sinal negativo e 4 são nulos.
O tensor de campo 𝐹𝜇𝜈 é dado por: