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Templo do Conhecimento - Onde o Antigo Imaginário Humano Tem Seu Refúgio

Mitologia Eslava e seu Panteão


Categoria : Eslava
Publicado por Daniel_Silva em 18/1/2007

Por Daniel Silva


Análise Histórica
Difícil, para qualquer pessoa na atualidade situar com certeza em que local nasceram os povos
eslavos, diante da miríade de teorias e hipóteses, e a falta de um estudo mais sério e dirigido para
esse povo forte e de cultura marcante.
Os eslavos são o mais numeroso grupo étnico e lingüístico da Europa atual. Os “povos Eslavos”
estão espalhados pela região conhecida como Europa Central e Europa Oriental, alem de uma parte
da Ásia, nos mais diversos paises, como Polônia, Bulgária, Áustria, Eslováquia, etc.
Considera-se que sua migração para a Europa se deu a partir dos séculos V e VI, seguindo a
trilha dos povos Germânicos. É claro, porém, que sua civilização é bem anterior a isso, tendo origem
nas estepes russo-ucranianas. No principio de nossa era, o grupo os Eslavos eram prováveis
habitantes da margem Oriental do rio Vístula. De fato, somente parte dos povos eslavos seguiram
os Germânicos, pois um ramo, conhecido por antes passou a habitar a atual Rússia. Os Eslavos que
seguiram os Germanos se estabelecem no grande vazio deixado pela sua ida ao Ocidente,
preenchendo a atual região da Europa Oriental, incluindo a Sérvia, a Romênia, a antiga Iugoslávia, a
Macedônia, etc. eram organizados em tribos, cada uma cultivando um pequeno terreno fértil em
volta, usando de engenhos elementares. Sua sociedade é difícil de esboçar, mas parece ter a
família como base. Eram sedentários, mas eventualmente erguiam-se para cultivar terrenos mais
férteis, talvez sendo essa uma das lembranças do tempo de nomadismo. As tribos tinham seus
chefes, e esses chefes eram unidos em pequenas confederações, lideradas por um príncipe, que
organizava a defesa geral. Tal organização é mais clara de ser vislumbrada depois do fim das
correntes migratórias, por volta dos séculos VI-VII d.C.
A grande “onda Eslava” foi tão importante para a Europa quanto a Germânica. Seu efeito foi
notável, existindo ataques a províncias bizantinas e o escasso povoamento da região entre o
Adriático e os Carpatos. Assim, dos Eslavos como povo “Bárbaro”, os registros são menos
escassos, haja vista mais de uma vez terem atacado o império Bizantino, nas províncias alem do rio
Danúbio. Tais expedições podem ter sido geradas pelas incursões de búlgaros e avaros, que
empurraram os eslavos mais para o Ocidente. Primeiro Estado Eslavo digno desse nome parece ter
surgido com um certo Samo, no último quartel do século VII, quando ele construiu um reino desde
os Alpes Austríacos até o mar Báltico, com seu núcleo constituído de Sérvios, Morávios, e
eslovacos. Porem tal reino não dura, seguindo-se um longo peirodo de divisão, em que os eslavos
foram absorvendo os povos da região, como os romanos da Iliria, os dálmatas, os bizantinos entre
outros. Certos aspectos culturais começam- muito lentamente – a se insuflar no povo Eslavo.
Também é preciso que se cite os eslavos que emigraram para a Rússia. Esses, segundo nossos
registros, deram origem a grandes entrepostos comerciais, como Kiev e Novgorod. Os povos
Eslavos e da Europa Oriental entraram, então, numa verdadeira idade das trevas, tendo em vista
que não houve um processo de aculturação muito destacado até a disseminação da religião Cristã.

Religião Eslava
São conhecidos poucos registros escritos tratando dos Eslavos dos séculos antes da
cristianização. Entre outras fontes é comum se apelar para o controverso Livro de Veles é um texto

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sagrado dessa religião. O Saxo Grammaticus é outra fonte de autenticidade disputada. O Chronicon
Slavorum por Helmold é em geral aceito como uma fonte genuína, tratando de cultura Eslava do
primeiro milênio depois de Cristo, mas dele só se tem poucos fragmentos na. Apesar disso, nos
escapa quem detinha o poder sacerdotal na religião eslava, ou mesmo a cosmologia desse povo.
Outras fontes usadas são os épicos dos povos eslavos (bogatyrs) preservados quando a
cristianização com a transformação de seus protagonistas em virtuosos heróis cristãos, mas sem
retirar dos épicos a existência de mágica ou de certas entidades fantásticas.
A grande fonte da antiga religião eslava é, portanto, o imaginário e o folclore desse povo, como
retratou magistralmente Bran Stoker em seu célebre Drácula: Vampiros, Lobisomens, bruxas e
espíritos. Esses conceitos subsistiram mesmo depois da cristianização dos Eslavos em sua cultura.
Uma outra maneira de estudar a mitologia eslava é observar os grandes arquétipos herdados por
eles de sua herança indo-européia.
Assim é com o deus do céu, e com a existência de Deuses pares, um representando o bem e o
outro o mal.

Panteão
Os Deuses Principais: Deuses que eram cultuados por todos os povos Eslavos:

Svarog: Deus do céu, possivelmente de inspiração indo-européia, era considerado o criador do


mundo, era o pai de todos os Deuses, o criador dos mortais e o doador de todas as artes aos
homens.

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Mati-Syra-Zemlya: a deusa da terra, seu nome significa “úmida mãe terra”. Era muito cultuada,
com seus fieis pedindo constantemente por boas colheitas, por fertilidade entre outras coisas. A
maneira de cultuá-la, era cavando um buraco e falando nele, para a partir dos sons emitidos
descobrir se seriam boas ou não as colheitas.

Baba Yaga: Deusa da morte, era famosa por seu olhar mortal,costumava emboscar os homens
de coração ruim, matá-los e levá-los para sua casa, onde os devolvia a vida e os comia. Guardava
seus ossos, com os quais construía sua casa, e os dentes que usava para a fechadura. Era famosa
também por montar num almofariz, e usar um pilão para impulsioná-lo. Tinha uma vassoura, que
usava para apagar o rastro de sua casa.

Koshchei, o sem morte: seu nome significa velho ossudo. Como Baba Yaga, de quem era
contraparte masculina, era um gênio mal, famoso por viajar pelas aldeias, matando as pessoas que
encontrava em seu caminho. Era imortal, guardando sua vida num ovo, dentro de um pato, dentro
de uma lebre, dentro de uma cuba, escondida debaixo de um carvalho. Quem o matou foi o príncipe
bogatyr (herói) Ivan, que alvejou com uma seta o pato, quebrando o ovo, depois de achar a cuba e
matar uma lebre, para impedir Koshchei de matar os aldeões de uma pequena vila.

Perun: deus do trovão e dos raios, Perun era o responsável por fertilizar a terra. Era um Deus
temperamental, associado aos carvalhos. Tinha outro papel como divindade da guerra, ocasião na
qual cavalgava pelos céus numa carruagem puxada por um bode gigantesco. Era representado com
uma estatua de carvalho, com cabeça de prata e bigode de ouro. Outro símbolo que era usado para
Perun era o dragão.

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Yarilo: Deus da fertilidade e do sexo, era representado como um jovem de grande beleza. Era
adorado especialmente na primavera, depois da colheita, quando uma das virgens era coroada
como sua rainha, na esperança de que ele abençoasse as sementes recém plantadas.

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