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VINICIUS BUZATO

Métodos de Prospecção Geoquímica e Técnicas de Amostragens.

Atividade apresentada à
disciplina de Prospecção
geofísica e geoquímica, do
curso de Engenharia de
Minas do Instituto Federal do
Espírito Santo, como critério
parcial de avaliação.

Orientador: Prof.º. Luiz


Bezerra

Cachoeiro de Itapemirim
2017

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1. Introdução

Métodos geoquímicos de exploração tem sido intensamente


utilizados desde há 60 anos, com os trabalhos desenvolvidos na antiga
União soviética. Foram particularmente utilizados nesse período os
métodos baseados na detecção dos halos pela sua desagregação e
decomposição pela ação doa agentes do intemperismo. A aplicação
dessas técnicas, sobre territórios vastos e geologicamente variados,
conduziu a descoberta de um grande número de depósitos minerais.
Os principais fundamentais do conhecimento acerca da migração,
dispersão e concentração dos elementos químicos na crosta foram
estabelecidos por V. I. Verndaski, A. E. Fersman e V. M. Goldschmidt e
constituem as bases cientificas da prospecção geoquímica. Desse
embasamento fazem parte as particularidades da distribuição dos
elementos químicos em diferentes tipos litológicos, solos, águas naturais
e plantas, bem como suas relações com as condições geomorfológicas e
climáticas.
A possibilidade de aplicação dos princípios geoquímicos, baseados
em dados quantitativos acerca da distribuição dos elementos químicos em
materiais geológicos, conduziu a introdução da nova metodologia
cientifica na exploração mineral e mesmo na sua sequência de aplicação.
Métodos matemáticos e estatísticos utilizados na manipulação dos dados,
levantando em consideração as regularidades geoquímicas e geológicas,
acrescentam eficácia e precisão aos trabalhos de prospecção mineral,
fornecendo suporte cientifico aos critérios de seleção de alvos.

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2. Métodos de prospecção geoquímica

a. Gases
i. A determinação de radioatividade-gama: pesquisa de
urânio, tório, potássio e berílio;
ii. A determinação de emanações gasosas na atmosfera, nas
proximidades do solo superficial ou em amostras do próprio
solo: pesquisa de elementos extremamente voláteis como o
mercúrio, o iodo e o rádio, mas que pode ser usada também
para outros compostos voláteis;
iii. A determinação de todos os elementos químicos contidos na
poeira atmosférica;
iv. A determinação dos vapores dissolvidos em águas
subterrâneas.

b. Geobotânica (plantas)
i. Detectar halos de dispersão secundária de corpos
mineralizados:
–Distribuição dos elementos químicos indicadores,
presentes na vegetação: raízes, caules, galhos ou
folhas, dependendo de onde ocorra a maior
capacidade de absorção e acumulação.
ii. Sistemática:
–Determinar a espécie vegetal com capacidade de
absorver o metal pesquisado.
–Recolher amostras de diferentes partes da planta:
dosagem em laboratório, quase sempre sobre as
cinzas resultantes da queima da planta
–Partes que apresentam maior capacidade de
acumulação e melhores contrastes são então
selecionadas para a coleta sistemática de amostras.

c. Litogeoquímica (rocha)
i. Mais útil na exploração de detalhe para corpos individuais e
ocorrências e na exploração de reconhecimento de corpos
ígneos “produtivos”.
ii. Vantagem:
–Medida direta das feições de dispersão profunda,
pouco afetadas pelas complicações do ambiente
superficial, ou seja –máximo de anomalia geralmente
situa-se sobre o corpo mineralizado, independente da
topografia e de outros fatores externos.
iii. Usos:
–Trabalhos de detalhe, para verificar a posição exata
de um nível mineralizado no interior de uma unidade
petrográfica ou estratigráfica contendo mineralização
já conhecida.
iv. Exemplo:
–Definição dos horizontes auríferos em um
conglomerado com dezenas de metros de espessura.

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d. Hidrogeoquímica (águas superficiais e subterrâneas)
i. Baseados na descoberta de halos dispersão secundária de
corpos mineralizados na água:
–A hidrodinâmica superficial e subterrânea,
–As condições hidrogeológicas e paleo-
hidrogeológicas da formação e destruição.
ii. Aplicação:
–Para depósitos sulfetados e não sulfetados (B, Be,
Li, W, F, U, etc.)
iii. Superficiais
–Difícil interpretação das anomalias devido ao grande
número de fatores envolvidos: clima, temperatura,
presença de chuvas, pH, etc.
iv. Subterrâneas
–O aumento do teor de metais pode ser indicação
segura da presença de mineralização.
–Indícios indiretos são: íon sulfato, baixo pH, aumento
na relação entre os íons sulfato e cloreto.

e. Pedogeoquímica (Solo)
i. Solos residuais:
–Mais amplamente utilizados
–Confiança que adquiriram as anomalias de solo
como guias de prospecção.
–Independentemente das condições climáticas e
geológicas: alguma feição química será apresentada
pelos solos residuais produzidos pelo intemperismo
da zona mineralizada.
ii. Aplicação:
–Locais onde a geofísica ou a geoquímica de
sedimento de corrente indicaram zonas anômalas;
–Faixas onde já se conhecem indícios de
mineralização;
–Testar a continuidade de corpos mineralizados já
conhecidos em áreas cobertas por sedimentos mais
recentes ou por manto de intemperismo.

3. Técnicas de amostragem
a. Amostragem de rocha
i. As amostras de rocha deverão ser obtidas das porções
menos intemperizadas dos afloramentos
ii. Os vários litótipos devem ser representados por amostras
compostas, isto é, vários fragmentos
iii. A amostra deve ser corretamente identificada
iv. Preenchimento da ficha de campo com os códigos
estabelecidos
b. Amostragem de solos
i. Como regra geral, 20 a 50 gramas de amostra fornecem
material suficiente para analise, exceto para análise de
outro, quando é necessário um mínimo de 500 gramas.

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ii. Os solos devem ser coletados em estações definidas, em
malhas regulares ou não, observando-se as recomendações
de profundidade ou horizonte oriundas dos estudos
orientativos, ou da experiencia em situações semelhantes
iii. Manter a uniformidade e homogeneidade do processo de
amostragem em toda a campanha
iv. Preenchimento das fichas de campo com os códigos
estabelecidos
v. Acondicionamento das amostras em sacos previamente
numerados
c. Amostragem de sedimentos ativos de drenagem
i. Localização do córrego e da estação de amostragem
planejada
ii. Coleta da amostra do sedimento ativo de drenagem,
composta de material tomado em cinco locais afastados
entre si em cerca de 5 m, compondo um total de cerca de
250 gramas
iii. Não amostrar pequenos cursos d’água muito próximo de
sua confluência com rios de maior magnitude, para evitar a
contaminação, provocada pela deposição da carga em
suspensão da corrente maior durante as épocas de cheias.
Também para prevenis contaminações, as amostras devem
ser coletadas sempre a montante de pontes, travessias ou
passos
iv. Usar a mão para coleta do material, evitando qualquer
ferramenta de metal
v. Medir o pH da água com papel indicador
vi. Preencher cuidadosamente a ficha de campo, utilizando os
códigos estabelecidos, anotando quaisquer anormalidades
com o material coletado
vii. A estaca ode amostragem deve ser marcada no campo para
facilitar verificações e eventuais reamostragens.
d. Amostragem de concentrados de bateia
i. Coletar a amostra do sedimento da drenagem nos locais
onde haja uma perda brusca da energia da corrente onde
predominem partículas de aproximadamente o,5 cm de
diâmetro.
ii. Coletar o material com ferramentas como pás ou
escavadeiras, a cerca de 20 cm de profundidade e com
volume constante, utilizando um balde plástico de 20 litros
iii. Peneirar o material na malha determinada, rejeitado a fração
grossa, após inspeção visual cuidadosa, com seleção dos
grãos minerais de interesse, que serão guardados junto com
o concentrado
iv. Concentrar a fração menos que a malha da peneira numa
bateia, preferencialmente de alumínio e sem emendas.
Durante o bateamento, devem ser tomados cuidados para
evitar perder algumas fases minerais importantes de baixa
densidade como a fluorita, ou na forma de palhetas como o
ouro fino

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v. Acondicionar os concentrados em sacos de plástico
previamente numerados e com a menor quantidade de agua
possível
vi. Marcar a estação no campo, do mesmo modo que para os
sedimentos de drenagem
e. Amostragem de agua de drenagem
i. O amostrador deve ficar de frente para a cabeceira da
drenagem para evitar contaminações da amostra no
momento da coleta, e se posicionar no centro do canal da
drenagem, onde o fluxo d’água seja constante
ii. Lavar as mãos com agua corrente da drenagem
iii. Abrir o recipiente e lavá-lo duas ou três vezes com agua
corrente da drenagem
iv. Medir o pH da água com papel indicador
v. Encher o recipiente com a água
vi. Se for o caso, adicionar a quantidade necessária de
acidulante para manter os elementos em solução até a
chegada ao laboratório
vii. Preencher cuidadosamente a ficha de campo, utilizando os
códigos estabelecidos, anotando quaisquer anormalidades
com o material coletado
viii. E interessante que a estação de amostragem seja indicada
no campo, para facilitar as verificações e eventuais
reamostragens
ix. Se medir o Eh, tomar providencias para evitar a
contaminação com o oxigênio atmosférico
f. Amostragem de vegetais
i. Para obter resultados mais confiáveis, é recomendável
tomar duas ou três amostras das plantas mais
representativas. Isso é essencial em áreas desconhecidas e
onde uma investigação esteja começando
ii. Se forem selecionados arvores e arbustos, é recomendável
tomar as amostras de apenas um órgão, como as folhas, e
que estejam igualmente distribuídas em todos os lados da
planta
iii. A quantidade de material deve ser suficiente para as
análises. 50 gramas para analises simples e para analises
mais complexas cerca de 200 gramas.
iv. A amostragem deve ser realizada em um pequeno período
de tempo, para evitar variações indesejáveis, sazonais ou
vegetativas.