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INDICE

Índice de tabela.............................................................................................3

INTRODUÇÃO..........................................................................................4

OBJECTIVO................................................................................................4

CAP I- A HISTORIAL...............................................................................5

1.1. A ÉTICA E A HUMANIDADE.......................................................5

Ética romana e Cícero...............................................................................6

Ética cristã na Idade Média.......................................................................6

São Tomás de Aquino...............................................................................7

Idade Moderna..........................................................................................7

1.2. RELAÇÃO DA ÉTICA COM OUTRAS CIÊNCIAS........................8

Ética e política..........................................................................................8

Bioética.....................................................................................................9

Ética e Sociologia.....................................................................................9

Ética e Direito...........................................................................................9

CAP II- VALORES PROFISSIONAIS E CÓDIGOS DA ÉTICA E DA


DEONTOLOGIA..............................................................................................10

2.1. Fundamentos da ética......................................................................10

2.2. Código Da Ética E Deontológico Profissional.................................11

2.3. Profissão E Deontologia Profissional...............................................11

CAP - III A DEONTOLOGIA DA ENGENHARIA TÉCNICA............12

3.2. o comprometimento e suas abordagens............................................14

3.3. Comprometimento com a Profissão.................................................14

CAP - IV A ÉTICA APLICADA A ÉTICA PROFISSIONAL...............16

4.1. Os Antecedentes do Comprometimento.............................................16


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4.2. Deveres do engenheiro param com a comunidade...............................17

4.2 a ética profissional e os códigos de ética...........................................18

3.1 Composição e Preceitos....................................................................20

CAP - V DEVERES DO ENGENHEIRO NO EXERCÍCIO DA


PROFISSÃO DESTACANDO O CÓDIGO DE ÉTICA................................21

5.1 SÃO DEVERES DOS PROFISSIONAIS DE ENGENHARIA......22

5.2. REGULAMENTO DE CÓDIGO DE ÉTICA E DEONTOLOGIA


DO PROFISSIONAL DE ENGENHARIA....................................................23

5.3. Considerações Finais.......................................................................28

CONCLUSÃO..........................................................................................29

A ética Profissional.....................................................................................29

Anexos........................................................................................................30

Bibliografia.................................................................................................31

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Índice de tabela
Quadro 1: de Comparação dos estudos de ……………………………………………23

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INTRODUÇÃO
O presente estudo objectiva oferecer uma reflexão para o profissional de
engenharia a sua relação com a ética e deontologia na prática. O texto está
distribuído em quatro capítulo, a saber: Iº a Historia da ética, onde se aborda o
contexto ético da Humanidade destacando como caso na Grécia antiga; IIº
valores profissionais e códigos da ética e da deontologia; IIIº a deontologia da
Engenharia técnica; IVº a ética aplicada a ética profissional, Vº deveres do
Engenheiro no exercício da profissão destacando o código de ética, e por último,
a consideração final.

OBJECTIVO

Objectivo Geral

Estudar a ética e a sua Importância para as profissões dos Engenheiros

Objectivo específico

Como objectivo especifica temos:

 Estudar a historial da ética


 Definir os valores profissionais e códigos da ética e da deontologia
 Descrever a deontologia da engenharia técnica
 Fundamentar a ética aplicada a ética profissional
 Descrever os deveres do engenheiro no exercício da profissão destacando
o código de ética

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CAP I- A HISTORIAL

1.1. A ÉTICA E A HUMANIDADE


Falar sobre ética é lembrar os antigos ensinamentos de uma época em que
o homem começou a conviver em sociedade e, a partir dessa experiência, passou
a estabelecer normas de comportamento e convívio. Dessa convivência dos
grupos societários surgiu a ética, cujos valores até hoje permanecem e vão se
modificando, sendo questionados e até mesmo banalizados ou esquecidos.

Segundo o dicionário de Língua Portuguesa, ética é “o estudo dos juízos


de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação, do
ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja
de modo absoluto” (HOLANDA, 1999, p. 848).

Para entender o que a ética representa nos tempos atuais, vamos começar,
mesmo que sucintamente, com os ensinamentos dos primeiros filósofos.

Dentre os objectos mais importantes na história humana pode ser dito que
a ética ocupa uma das posições mais significativas por tamanha ser a sua
relevância nas relações entre os indivíduos e também na formação dos valores e
princípios inerentes ao próprio homem. Desde o início das civilizações é
reflectida a existência da ética, mesmo nos cenários mais fundamentais, onde
ainda não existia descrição sistemática de pensamento (SINGER, 1994). Porém,
é ainda mais compreensível que somente com ela tornou-se possível que as
sociedades evoluíssem até chegarem ao contexto actual. Posto que a ética se
transformasse dentro do tempo e espaço.

Os primeiros passos no estudo da ética foram dados na Grécia Antiga,


onde a filosofia procurou compreender o verdadeiro valor ético e em qual este
estava inserido. Para Sócrates a ética era constituída a partir dos comportamentos
humanos, onde o confronto entre o justo e o injusto decidiria a realização e
obtenção da felicidade. Diante de Platão, no entanto, a ética era uma
consequência da justiça, que seguiria o plano universal sempre se assemelhando a
perfeição dos deuses. Em Aristóteles, de então, a ética deveria andar lado a lado
com os indivíduos em via da busca pela sociedade política (CHALITA, 2007).
Dentre todas as ideias, o factor relevante e comum desses grandes pensadores é a
presença da ética permeando o meio social, de modo que a justiça e o
desenvolvimento se consagrariam com a prática do bem entre todos.

Ética ao longo da história

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Ética romana e Cícero
Entre os filósofos romanos da Antiguidade, podemos citar Marco Túlio
Cícero, que nasceu em 106 a.C. e morreu em 43 a.C. Além de filósofo, foi
também orador, escritor, advogado e político romano.

Quando Julio César desencadeou a guerra que o levaria a dominar todo o


império, tratou de eliminar seus últimos adversários. Dentre estes estava Cícero,
que, na época, era senador e figura proeminente da política romana. Vendo-se
obrigado a deixar a vida pública, Cícero recolheu-se à vida privada e retomou a
meditação filosófica. Discutiu diferentes doutrinas gregas sem, no entanto,
vincular-se inteiramente a nenhuma. Seu conhecimento sobre a filosofia grega
fora decorrente do período em que estudou em Atenas. Uma de suas frases mais
célebres diz que “a filosofia é o melhor remédio para a mente.”

Os filósofos romanos dessa época, de um modo geral, convergiam para a


mesma preocupação com a conduta humana, com o carácter do indivíduo e com
seus costumes. Todos esses aspectos em conjunto recebem o nome de moral.
Esses filósofos também acreditavam que o principal objectivo das acções
humanas está na própria virtude, pela sua rectidão ou honestidade. A moral foi
para os romanos

um conjunto de deveres que a natureza impôs ao homem, seja pelo respeito


a si próprio, seja pela relação com os outros homens.

Ética cristã na Idade Média


Por volta do século III a.C., o Império Romano passou por uma enorme
crise económica e política.

A corrupção instalada no Senado e os gastos exorbitantes com artigos de


luxo escassearam os recursos a serem investidos no exército romano, fato que
atingiu negativamente o Império. Com o enfraquecimento da instituição militar
romana, somado à crise política avassaladora, no ano de 395 a.C., o imperador

Teodósio resolveu dividir os limites de seu império. Dava-se, com isso, o


fim da Antiguidade e o início da Idade Média.

Nessa época, a religião cristã assumiu o papel de determinar os valores


morais e éticos a serem seguidos por boa parte do Ocidente. Ganham ênfase as
revelações dos livros sagrados traduzidos pelo clero e, a partir deles, passam a ser
determinadas as regras de conduta sociais. A figura messiânica de Jesus de
Nazaré tornou-se o grande arauto de uma nova ética: a do amor ao próximo. A
Igreja Católica e seus dogmas7 se mantiveram por longos anos.

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São Tomás de Aquino
protecção religiosa da sociedade. Seu maior mérito foi aplicar a visão
aristotélica na doutrina cristã, fato que colaborou com o surgimento da
Escolástica9. De acordo com Aquino, era a união do corpo com a alma que
formava a identidade e dignidade de uma pessoa. O autor também acreditava que
somente por meio do exercício da razão humana aliado à revelação divina o
homem poderia atingir a perfeição das virtudes. Essa vertente afirma que Deus
era o legislador, e os padres, os intérpretes da lei. Para Tomás de Aquino, a fé e a
razão estavam unidas e não poderia haver contradição entre ambas, pois estavam
sempre dirigidas rumo a Deus. Esse pensador também afirma que toda a criação é
boa, tudo o que existe é bom quando se está sob a orientação dos mandamentos
de Deus. Ele também afirmou que o mal é a ausência de uma perfeição divina.

Idade Moderna
A partir do século XVI, durante a transição da Idade Média para a Moderna,
a Igreja Católica começou a cair no descrédito da população devido ao
protestantismo e a outros movimentos que eclodiram com a Reforma Religiosa
do século XVII.

Destaca-se dentro desse contexto a figura de Martinho Lutero, monge que


viveu entre os anos de 1483 a 1546 e lutou pela reforma da Igreja Católica.
Questionou a falta de ética na venda das indulgências e de relíquias sagradas,
como pedaços do manto de Jesus Cristo e de minúsculos fragmentos da sua cruz.

Lutero foi a Roma e lá presenciou o comportamento antiético de alguns


membros da Igreja. Percebeu que a venda de indulgências poderia confundir as
pessoas e levá-las a confiar apenas nas indulgências, deixando de lado a
confissão e o arrependimento verdadeiros. Além dessa questão, Lutero criticava o
fato de a Bíblia ser pouco acessível à população geral, pois poucos conheciam o
idioma em que estava escrita (Latim), e os poucos exemplares do livro sagrado
que existiam encontravam-se fechados nos conventos e igrejas. Ao contrário de
uma elite eclesiástica, a grande maioria da população não conhecia a Bíblia.

Lutero, no seu movimento reformista, promoveu a educação para todos,


inclusive para camponeses e mulheres. Traduziu a Bíblia do Latim para o
Alemão, dando a oportunidade para que todos a conhecessem.

O aperfeiçoamento da imprensa por Gutenberg também ajudou a divulgar a


sagrada escritura dos cristãos.

Na Idade Moderna, foram consideráveis as transformações de ordem social,


económica e política, como as viagens às Índias e às Américas e a revolução
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científica, proporcionada por Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Newton, dentre
outros.

A partir desse contexto, alguns filósofos modernos resgataram aspectos do


pensamento filosófico greco-romano no tocante à necessidade de toda a
humanidade alcançar a sabedoria e a felicidade, principalmente pautando-se no
equilíbrio e na razão.

Immanuel Kant (1724 –1804) foi um filósofo prussiano, considerado o


último grande filósofo dos princípios da Era Moderna. Kant teve um grande
impacto no Romantismo alemão e nas filosofias idealistas do século XIX. Para
Kant, a ética é autônoma, ou seja, corresponde à lei ditada pela própria
consciência moral. Esse filósofo deu prosseguimento à construção da própria
idéia moral, afirmando que aquilo que o homem procura está dentro dele mesmo.
Muitos foram os filósofos que seguiram Kant.

1.2. RELAÇÃO DA ÉTICA COM OUTRAS CIÊNCIAS

Ética e política
Estão relacionadas pela natureza do poder. Se pensarmos em democracia 12,
como nos ensina Zajdsznajder (1994, p. 96), a grande preocupação das pessoas
que elegem o político refere-se ao uso indevido do poder, quando o eleito coloca
seus interesses particulares acima dos interesses do povo, desviando os recursos
em benefício próprio ou para pagar promessas feitas durante a campanha
eleitoral.

É uma das questões éticas mais relevantes no campo da política.

Bioética
Bioética enfoca as questões referentes à vida humana e às melhorias na
qualidade de vida do homem. É composta por estudos multidisciplinares na área
da Biologia, da Medicina e da Filosofia. Com o notável avanço da Medicina, em
especial na pesquisa genética, surgiram grandes preocupações no campo da ética.
A clonagem humana e a fecundação artificial são novas práticas genéticas que
vêm alterar conceitos e realidades da sociedade de hoje. Por exemplo, com as
descobertas da biociência, passou-se a questionar muitos pilares sobre os quais a
família moderna está baseada.
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Tem-se por família o resultado da união de uma mulher e um homem. No
entanto, notícias como as veiculadas no jornal O Globo de 12/01/03 (Caderno da
Família, p. 2), tratam exactamente de um novo conceito familiar. Vejamos:
«Uma clínica na Austrália mantém dois embriões congelados de um casal de milionários
mortos num acidente de carro em 1983. Ao saber da fortuna em jogo, numerosas mulheres
ofereceram-se para gerar os bebés. Mas a justiça da Austrália decidiu manter os embriões
congelados.»

Ética e Sociologia
Estão estreitamente ligadas, pois a sociologia trata das leis que regem o
desenvolvimento e a estrutura das sociedades humanas. Além disso, estuda o
indivíduo inserido no meio social, de quem se espera um comportamento ético
para o bem coletivo. As transformações sofridas nos tempos modernos atingem o
homem em sociedade. A evolução das máquinas no campo e na indústria causam
o alto índice de desemprego, a evasão rural e a superpopulação nas cidades. A
Sociologia, por sua vez, está cada vez mais próxima da ética para encontrar
soluções para esses problemas presentes na vida do indivíduo contemporâneo.

Ética e Direito
A relação entre essas áreas refere-se ao próprio fato de que o homem está
sujeito às normas que regulamentam as condutas sociais. Os homens necessitam
das leis e de sanções para manterem a ordem na sociedade. A exemplo disso,
tem-se o Código de Trânsito Brasileiro. A sociedade também precisa de estatutos
para determinar regras de convívio, deveres e direitos, como o que está disposto
nos estatutos da Criança e do Adolescente e do Idoso, todos da década de 1990.

CAP II- VALORES PROFISSIONAIS E CÓDIGOS DA


ÉTICA E DA DEONTOLOGIA

2.1. Fundamentos da ética


O significado da palavra ética vem do Grego ethos, referente ao modo de
ser do indivíduo, ou ao carácter do ser humano. Na Grécia Antiga, período que
coincide com o século IV a.C., os filósofos gregos foram os primeiros a pensar o
conceito de ética, associando a tal palavra a ideia de moral e cidadania.

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Precisavam de honestidade, fidelidade e harmonia entre seus cidadãos,
porque suas cidades-Estado estavam em desenvolvimento.

O próprio conceito de trabalho dignifica o homem como cidadão livre e


responsável pelas suas acções, usufruindo de direitos e deveres em sociedade.
Basta relembrar o direito ao trabalho nos artigos 23º e 25º14 da Declaração
Universal dos Direitos do Homem e um direito igualmente estipulado na
Constituição da República Portuguesa nos artigos 47º e 58º.

A deontologia é uma palavra de raiz grega composta de dois vocábulos:


“Deon” ou “Deontos” que significa “o que fazer” e “Logos” que significa
“tratado” traduzindo-se assim como a “Ciência dos Tratados” (Dias, 2004).
Poderá então, definir-se que:
«O objecto da Deontologia consiste em ensinar o homem a dirigir os seus
afectos, de maneira a que eles sejam o mais possível subordinados ao bem-
estar. Cada homem tem as suas penas e os seus prazeres, que lhe são próprios,
e com os quais o resto dos homens não tem qualquer relação; há, também, os
prazeres e as penas que dependem das relações com os outros homens, e os
ensinamentos do Deontologista têm por objectivo aprender, num como noutro
caso, a dar ao prazer uma direcção tal que lhe permita ser produtivo para
outros tipo de prazer; e a dar uma tal direcção à pena que a torne, na medida
do possível, uma fonte de prazer ou, pelo menos, que ela seja o menos pesada
possível, suportável e, assim, tão transitória quanto possível.” (Bentham
[1834] apud Dias, 2004, pg.167).»

O primeiro Código Deontológico foi proposto por Thomas Percival em


1794 em forma de panfleto e direccionado para a área da Medicina. Este surge
numa época em que a ética normativa era praticamente inexistente imperando
conceitos como a virtude, a honra e o carácter (Baker, 1999).

2.2. Código Da Ética E Deontológico Profissional


A Engenharia é uma profissão que coloca o conhecimento científico ao
serviço da sua utilização prática. No exercício da sua profissão, os Engenheiros
criam impactos na qualidade de vida das pessoas, no ambiente e em todos os
sectores da Economia. Por isso, exige-se aos Engenheiros um comportamento
ético impecável para garantir o sucesso da profissão e impedir situações de
corrupção.

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2.3. Profissão E Deontologia Profissional
O conceito profissão inicia e fundamenta o presente trabalho e sem o
definir dificilmente se justificaria a sua realização. Este é o ponto de partida para
uma discussão que pretende ser ampla e interligar diversos conceitos
convergindo na Ética Profissional.

Cabral (s.d.) sugere o seguinte: “O termo «profissão» no português


moderno abrange toda e qualquer actividade, identificando ocupações não
remuneradas, locais de trabalho, ramos de serviço e sectores de organização
político-económica.”. Sendo que, toda a profissão se reveste de uma dimensão
social, de utilidade comunitária, que suplanta a concreta dimensão individual ou
o mero interesse particular. Acrescenta-se ainda que:

«considera-se como profissão de um indivíduo, o ofício ou a


Modalidade de trabalho, remunerado ou não, a que corresponde
um determinado título ou designação profissional, constituído por
um conjunto de tarefas que concorrem para a mesma finalidade e
que pressupõem conhecimentos semelhantes, que este efectua ou
efectuava, se se tratar de um desempregado à procura de novo
emprego.” (Glossário Estatístico, s.d.)»

CAP - III A DEONTOLOGIA DA ENGENHARIA


TÉCNICA
O aumento da complexidade dos negócios, da velocidade das inovações
tecnológicas e da informação, impõem ao mundo corporativo novas maneiras de
realizar transacções empresariais e profissionais. As crescentes disparidades e
desigualdades obrigam os componentes da sociedade a rever o desenvolvimento

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num contexto geral, ou seja, económico, político, social e profissional. Esse
desenvolvimento desencadeia e catalisa a concorrência, tornando empresas e
profissionais membros permanentes de uma robótica do meio. Agora, todos esses
buscam novos meios, processos de gestão e actuação, investindo e reinventando,
objectivando diferenciar-se competitivamente e tentando redimensionar a
imagem do complexo que é a relação com as pessoas e a sociedade.

Nesse contexto, os indivíduos que exercem uma profissão aberta ao


mercado devem possuir elementos capazes de colocá-lo numa posição
diferenciada em relação aos seus pares. E isso se materializa na sua capacidade
técnica, seu compromisso social e profissional, e com a sua postura ética,
exigências latentes no mundo dos negócios. Esses últimos elementos,
compromisso e postura ética, destacam- se pela peculiaridade existente na acção
do profissional, conforme delimita Ashley et al. (2005).

Essas exigências, também, são preocupações existentes na carreira


profissional em contabilidade, que no Brasil foi regulamentada através do
Decreto-lei 9.295 de maio de 1946. Esse ato institucionalizado criou o Conselho
Federal e os Conselhos Regionais de Contabilidade que representam os
profissionais e têm o poder de regulamentar as normas e os actos da profissão. O
mesmo decreto dividiu a profissão em duas categorias: técnicos e contadores,
caracterizados pelo nível de formação académica e por um conjunto de
prerrogativas profissionais estabelecidas através da Resolução CFC nº. 560 de
1983.

Nesse sentido, é necessário que os Engenheiros estejam preparados


tecnicamente, e possuam um nível de comprometimento capaz de identificá-los
como profissionais diferenciados e que não estejam abertos à participação ou
coniventes com actos e acções reconhecidas pela sociedade como imorais ou
ilícitas, o que só pode ser alcançado com a introjecção e consequente
demonstração, através de suas acções, dos seus valores e deveres éticos pessoais
e sociais.

Lisboa et al. (1997), tratando da ética profissional, apresentam um conjunto


de elementos que devem estar inseridos nas acções dos profissionais em
Engenharia técnica, materializados no código da profissão, que envolve questões
de obediência às regras da sociedade, ao servir com lealdade e diligência, e ao
respeito próprio. Para os autores são quatro os preceitos mínimos a serem
considerados no exercício profissional e num consequente manual de conduta:

a) Competência.

b) Sigilo.
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c) Integridade.

d) Objectividade.

Esse conjunto de preceitos engloba a actuação do profissional que deve


manter um comportamento adequado às exigências que lhe faz a sociedade.
Lisboa et al. (1997, p. 61).

Enfatizam, dizendo que não basta ao profissional a preparação técnica, mas


encontrar uma finalidade social superior nos serviços que executa, defendendo os
princípios e valores éticos da profissão, de tal forma a produzir uma imagem
verdadeira do que ela se constitui, Lisboa et al.(1997, p. 62).

No que tange à pesquisa do comprometimento, ela vem sendo largamente


estudada no campo organizacional.

Os estudos têm um referencial histórico caracterizado pela descoberta de


um conjunto de componentes múltiplos que formam o que se delimita como
“construtor do comprometimento”, Medeiros (2003).

Os componentes até agora estudados reportam-se aos vínculos mantidos


pelo empregado com a organização e são divididos em quatro:

 Os Afectivo, que delimitam o sentimento dos indivíduos de


permanecerem numa organização porque eles querem.

 Os Instrumental, que dizem que indivíduos permanecem numa


organização porque eles precisam; o Normativo, que aponta que
indivíduos permanecem numa organização porque se sente
obrigados.

 Os Afliativo, que estabelece que os indivíduos permanecem numa


organização porque se sentem parte dela.

 O enfoque que, igualmente, preponderou nos estudos do


comprometimento foi o Instrumental, derivado dos estudos de
Becker (1960).

3.2. o comprometimento e suas abordagens


O estudo do comprometimento vem sendo trabalhado em muitas áreas,
inclusive nos aspectos profissionais.

Ele vai muito além de uma postura de lealdade, mais que isso, envolve uma
busca constante pelo bem comum, seja numa organização ou numa profissão

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(MOWDAY, STEERS, e PORTER, 1979; MOWDAY, PORTER e STEERS,
1982).

A ligação do indivíduo com uma organização materializa- se pela


introspecção por parte daquele das crenças e valores desta, de forma tal que se
crie um sentimento de afeição, fazendo-o desejar permanecer ou continuar a
exercer suas funções, Bastos e Costa (2001).

A predominância do enfoque afectivo destacou-se nos trabalhos


desenvolvidos pela equipe liderada por Lyman Porter (MOWDAY, STEERS e
PORTER, 1979; MOWDAY, PORTER e STEERS, 1982). O comprometimento,
para esses autores, supera o sentimento de lealdade passiva, pois envolve,
também, um relacionamento ativo que busca o bem-estar da organização.

3.3. Comprometimento com a Profissão


O enfoque das pesquisas do comprometimento com as profissões não chega
a representar uma linha consistente de pesquisa, como afirma Bastos (1994).
Apesar dessa informação, esse enfoque vem alcançando níveis acentuados de
importância, de forma que Blau (2003) e outros autores chegam a afirmar que a
direcção dos estudos atuais saem do foco na organização e tendem à profissão e à
carreira.

Um problema comum às pesquisas, nesse campo, refere-se à terminologia


aplicada aos estudos: ocupação, profissão ou carreira? Bastos (1994) faz um
levantamento das principais pesquisas na área e apresenta os principais conceitos
para os três termos na visão de alguns pesquisadores.

O autor, ainda, aponta que os termos são usados como sinónimos, sem a
diferenciação necessária à abrangência de cada um. Esse pensamento é
consubstanciado por Meyer et al. (2003).

As três abordagens apresentadas, também, são focos de tentativas da


delimitação de um construtor, às vezes utilizando-se a junção dos termos
ocupação, carreira e profissão.

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CAP - IV A ÉTICA APLICADA A ÉTICA
PROFISSIONAL

4.1. Os Antecedentes do Comprometimento


O estudo do comprometimento engloba as pesquisas relacionadas a
elementos que o precedem, estão a ele atrelados ou mesmo são consequências da
sua existência. São o que a literatura chama de antecedentes, correlatos e
consequentes do comprometimento. Esses três elementos são estudados como
variáveis que influenciam ou são influenciadas pelo comprometimento em
diversos estudos, inclusive no campo das profissões.

Relativamente à profissão e às carreiras, Steers (1977) afirma que quanto


maior for o nível de educação do indivíduo menor será seu comprometimento
com a organização e maior será com a sua carreira ou com a sua profissão. Os
estudos de Steers e outros pesquisadores não são consensuais na indicação das
variáveis antecedentes. A Confirmação dá-se em pesquisas conjuntas do próprio
autor, que concordou com Mowday et al. (1982), que os antecedentes do

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comprometimento estão classificados em quatro categorias: características
pessoais, características do trabalho, experiências do trabalho e características
estruturais.
«Mathieu e Zajac (1990) apontam, como antecedentes do comprometimento, as
características pessoais, as relações grupo versus líder, as características
organizacionais e os estados de percepção da função (role states).

O estudo de Medeiros (2003) apresenta a abordagem das características


organizacionais como antecedentes ao comprometimento dos indivíduos.»

O Código Deontológico da Ordem dos Engenheiros tem por objectivo


manter padrões elevados de conduta pessoal e profissional dos Engenheiros e
garantir um comportamento ético no exercício das suas actividades de forma a
dar resposta cabal à responsabilidade social dos Engenheiros perante a sociedade,
a nação e o mundo, e fazer todos os esforços para combater a corrupção sob
qualquer forma e a qualquer nível.

O Código Deontológico aplica-se a todos os membros da Ordem dos


Engenheiros independentemente da categoria ou nível dos mesmos e do país em
que se encontrem.

Nestes termos, ao abrigo do artigo 64, nº2 dos Estatutos da Ordem dos
Engenheiros «por exemplo de Moçambique», a Assembleia Geral determina para
todos os seus membros:

4.2. Deveres do engenheiro param com a comunidade


1. O Engenheiro deve procurar as melhores soluções técnicas, ponderando a
economia e a qualidade do produto sob sua responsabilidade.

2. O Engenheiro deve defender a saúde pública, o ambiente e a utilização


racional dos recursos naturais.

3. O Engenheiro deve garantir a segurança do pessoal executante das obras,


dos utentes das mesmas e do público em geral.

4. O Engenheiro deve opor-se à utilização fraudulenta, ou contrária ao bem


comum, do seu trabalho.

II - Deveres do engenheiro para com a entidade empregadora e para com o


cliente

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1. O Engenheiro deve contribuir para a realização dos objectivos
económicos e sociais das organizações em que se integra, promovendo o
aumento da produtividade, a melhoria da qualidade dos produtos e das condições
de trabalho.

2. O Engenheiro deve respeitar o segredo profissional e de informações


confidenciais obtidas no exercício das funções, salvo se, em consciência,
considerar poderem estar em sério risco exigências de bem comum e interesse
público, e nunca em benefício próprio.

3. O Engenheiro só deve responsabilizar-se e ser pago pelos serviços que


tenha efectivamente prestado e tendo em atenção o seu justo valor.

4. O Engenheiro deve recusar a sua colaboração em trabalhos que


impliquem situações ambíguas ou de conflitos de interesse.

III - Deveres do engenheiro no exercício da profissão

1. O Engenheiro deve executar o seu trabalho com competência,


honestidade, empenho, objectividade e isenção.

2. O Engenheiro só deve aceitar trabalhos para os quais seja competente e


tenha disponibilidade.

3. O Engenheiro deve pugnar pelo prestígio da profissão e impor-se pelo


valor da sua colaboração e por uma conduta irrepreensível, usando sempre de boa
fé, lealdade e isenção, quer actuando em associação quer individualmente.

4. O Engenheiro deve opor-se a qualquer concorrência desleal.

5. O Engenheiro deve usar da maior sobriedade nos anúncios profissionais


que fizer ou autorizar.

6. O Engenheiro deve desenvolver o seu conhecimento profissional,


procurando manter-se permanentemente actualizado.

IV - Dos deveres recíprocos dos engenheiros

1. O Engenheiro não deve prejudicar a reputação profissional ou as


actividades profissionais de colegas, devendo, quando chamado a apreciá-los,
fazê-lo com elevação e salvaguardando a dignidade da classe.

2. O Engenheiro deve recusar substituir outro engenheiro, numa posição


contratual ou em negociação, só o fazendo quando as razões dessa substituição
forem correctas e dando ao colega a necessária satisfação.

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3. O Engenheiro deve apoiar na medida das suas possibilidades a formação,
treino e desenvolvimento profissionais de outros engenheiros.

4. O Engenheiro deve contribuir para a boa reputação da Ordem dos


Engenheiros de Moçambique e para o alargamento da sua influência.

5. O Engenheiro deve informar a Ordem de qualquer ofensa criminal ou


acto de corrupção ou desvio.

4.2 a ética profissional e os códigos de ética


O objecto da Ética é o estudo do comportamento humano e o seu objectivo
é estabelecer níveis de convivência aceitáveis entre os indivíduos de uma
sociedade, Lisboa etal. (1997).

Aristóteles (2002) diz que o convívio social é o principal indicador da


adesão de um indivíduo à ideia de um conjunto.

O autor preconiza o objectivo geral da ética quando afirma que “Na ordem
natural, o Estado antepõe-se à família e a cada indivíduo, visto que o todo deve,
obrigatoriamente, ser posto antes da parte.”, Aristóteles (2002, p. 14). Afirma,

ainda, que o indivíduo que não consegue conviver em sociedade pode ser
comparado a uma ave de rapina, pois não é capaz de se submeter a nenhuma
obediência.

Morgan (1996, p. 153) diz que os empregados [...] trazem para o local de
trabalho aspirações e visões daquilo que o seu futuro deve ser, fornecendo as
bases para interesses de carreira que podem ser independentes do trabalho que
está sendo desempenhado. Parece divergente o pensamento dos dois autores, mas
quando se fala em ética e comportamento individual e social o que é dito por
Morgan não supera a proposição de Aristóteles, e o que é proposto por Aristóteles
não invalida o pensamento de Morgan. O comportamento ético alia a filosofia
dos dois autores, pois as aspirações individuais apontadas por um, quando se fala
em ética, na verdade, estão dentro das aspirações colectivas referenciadas pelo
outro.

Nesse sentido, agir eticamente é saber conviver em sociedade, aceitando o


conjunto como precedente à parte.

Essa aceitação não significa perda de valores individuais, mas antes,


crescimento colectivo. E esse crescimento, obtido pela acção ética consciente,
reveste-se como indicador e diferencial indispensáveis não só na actuação das
pessoas, mas de empresas e profissionais.

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As atitudes delineadas pelo autor referem-se ao conjunto de preceitos éticos
que um profissional tem de possuir e aplicar na sua actuação. Na visão de Lisboa
et al.(1997), isso engloba o nível de conhecimento a respeito de assuntos técnicos
da profissão, a integridade no agir, o respeito aos pares e à própria classe, o grau
de reserva com as informações em decorrência do seu exercício profissional,

e com o grau de objectividade que mantém nas informações que presta aos
seus contratantes e colaboradores.

Na visão de Sá (2001), uma profissão supera a utilidade individual para


quem a exerce e destaca-se por suas características sociais e morais. O autor
apresenta como factores esclarecedores desse pensamento, o proposto por
Cuvillier:

1. É pela profissão que o indivíduo se destaca e se realiza plenamente,


provando sua capacidade, habilidade, sabedoria e inteligência, comprovando sua
personalidade para vencer obstáculos.

2. Através do exercício profissional, consegue o homem elevar seu nível


moral.

3. É na profissão que o homem pode ser útil à sua comunidade e nela se


eleva e destaca, na prática dessa solidariedade orgânica. Sá, (2001, p. 129).

«A ética profissional pode, então, ser conceituada como o conjunto de


condutas técnicas e sociais exigidas por uma determinada classe aos membros
que a ela são ligados. A obediência ao código de conduta identifica o
profissional como ético e ele, por seu comportamento, alcança o reconhecimento
dos demais membros da própria classe e da sociedade em geral.»

A ética reporta-se, necessariamente, a toda prática humana, seja ela


profissional ou não. O rigor, existe, ou deveria existir, uma ética aplicada a cada
actividade profissional.

A ética profissional nasce da progressiva especialização das actividades


humanas, como afirma Aguiar (2003).

3.1 Composição e Preceitos


de um Código de Ética Os códigos de ética representam o conjunto de
elementos que caracterizam o comportamento das pessoas dentro de um grupo
social. Dentre esses elementos, destacam-se os deveres legais normativos e
positivos e as regras de boa conduta no trato com as pessoas.

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Analisando o conteúdo de 17 códigos de empresas originadas no Brasil,
Arruda (2002), com base num modelo de análise e comparação de códigos de
conduta proposto pelos pesquisadores holandeses Tulder e Kolk (2001),
apresenta os principais enfoques dados pelas organizações sobre a preocupação
ética. A autora elenca 27 itens para análise, adaptado do modelo de Tulder e
Kolk, que enfatiza critérios relativos a questões éticas com as pessoas, relativos
ao foco, à mensuração e de compliance, Arruda (2002,p. 24 e 25).

Lisboa et al. (1997) apresentam um conjunto de preceitos mínimos que


devem constar de um código de ética.

A conclusão tem como base a análise do código de ética do contador


gerencial do Institute of Management Accountants.

Os autores destacam 4 elementos que sintetizam o objectivo principal de


um código de ética:

Quadro 2: de Comparação dos estudos de Arruda, Nash e Lisboa Et al.


CAP - V DEVERES DO ENGENHEIRO NO
EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DESTACANDO O
CÓDIGO DE ÉTICA

O sector da construção civil potencia o crescimento económico mas


também de bem estar social e qualidade de vida. Relacionar questões éticas com
este sector numa altura de crise financeira revela-se de extrema importância.

Este estudo avalia o conhecimento e a aplicação de comportamentos éticos


no sector da construção civil em Angola através de um levantamento no site da
ordem dos engenheiros de Angola recolheu-se os deveres no exercício da
profissão.

Os principais resultados permitem-nos concluir que os Engenheiros


Angolano em particular da construção civil revelam preocupação por questões
éticas e consideram que um código de ética é importante para a sua profissão.
Contudo, a maioria não tem acesso a qualquer código de ética, nem nunca
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aplicou nenhum. Por outro lado a existência de comportamentos antiéticos neste
sector é explicada pela elevada carga fiscal e contributiva e pela forte
concorrência existente no sector, aliada à crise económica nacional e
internacional a que se assiste actualmente por tanto destaca-se aqui os deveres
que orientam a ordem dos engenheiros de Angola.

5.1 SÃO DEVERES DOS PROFISSIONAIS


DE ENGENHARIA

1°- Interessar-se pelo bem público e, com tal finalidade, contribuir com os seus
conhecimentos, capacidade e experiência para melhor servir a humanidade.
2°- Considerar a profissão como um alto título de honra e não praticar nem
permitir a prática de actos que comprometam a sua dignidade.
3°- Não cometer nem contribuir para que sejam cometidas injustiças contra
colegas.
4°- Não praticar qualquer acto que, directa ou indirectamente, possa prejudicar os
legítimos interesses de outros profissionais.
5°- Não solicitar nem submeter propostas contendo condições que constituam
competição desleal de preços por serviços profissionais.
6°- Actuar dentro da melhor técnica e do mais elevado espírito público, devendo,
quando consultor, limitar os seus pareceres às matérias específicas que tenham sido
objecto da Consulta.
7°- Exercer o trabalho profissional com lealdade, dedicação e honestidade para
com os seus clientes, e superiores hierárquicos, e com espírito de justiça e equidade para
com os contratantes e empreiteiros.
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8°- Ter sempre em vista o bem-estar e o progresso funcional dos seus empregados
e subordinados, tratando-os com rectidão, justiça e humanidade.
9°- Colocar-se a par da legislação que rege o exercício profissional da Engenharia,
visando cumpri-la correctamente e colaborar para a sua actualização e aperfeiçoamento.

5.2. REGULAMENTO DE CÓDIGO DE ÉTICA


E DEONTOLOGIA DO PROFISSIONAL DE
ENGENHARIA

Art.1°
Interessar-se pelo bem público e, como consequência, contribuir com seus
conhecimentos, capacidades e experiências para melhor servir a humanidade.
Em conexão com o cumprimento deste Artigo, deve o profissional:
Cooperar para o progresso da colectividade, mediante a sua contribuição
intelectual e material para as obras de cultura, ilustração técnica, ciência aplicada
e investigação científica.
b) Despender o máximo dos seus esforços no sentido de auxiliar a
colectividade na compreensão correcta dos aspectos técnicos e assuntos relativos
á profissão e ao seu exercício.
c) Não se expressar públicamente sobre assuntos técnicos sem estar
devidamente capacitado para tal. Quando solicitado a emitir a sua opinião,
somente fazê-lo com conhecimento da finalidade da solicitação e sempre em
benefício da colectividade e respeito pelo interesse público.

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Art. 2°
Considerar a profissão como um alto título de honra e não praticar nem
permitir a prática de actos comprometedores da sua dignidade.
Em anexão com o cumprimento deste Artigo deve o profissional:
Cooperar para o progresso da profissão, mediante o intercâmbio de
informações baseado nos seus conhecimentos, aprendizagem e trabalho para as
associações da classe, escolas e órgãos de divulgação técnica e científica.
Prestigiar as entidades da classe, contribuindo, sempre que solicitado, para
o sucesso da suas iniciativas em proveito da profissão, dos profissionais e da
colectividade.
Não nomear nem contribuir para que se nomeiem pessoas que não tenham a
necessária habilitação profissional para cargos rigorosamente técnicos.
Não se associar a qualquer empreendimento de carácter duvidoso ou que
não se coadune com os princípios da ética.
Não aceitar tarefas para as quais não esteja preparado ou que não se ajustem
às disposições vigentes, ou ainda que possam prestar-se a malícia ou dolo.
Não subscrever, não expedir, nem contribuir para que se expeçam, títulos,
diplomas, licenças ou atestados de idoneidade profissional, se não à pessoas que
preencham os requisitos indispensáveis para exercer a profissão.
Realizar de maneira digna a publicidade que efectue, da sua empresa ou
actividade profissional, impedindo toda sua e qualquer manifestação que possa
comprometer o conceito da sua profissão ou dos seus colegas.
Não utilizar a sua posição para de modo irregular prejudicar terceiros, e
obter vantagens pessoais, ou facilitar terceiros, quando ocupar um cargo ou
função, em organização profissional.

Art. 3°
Não cometer nem contribuir para que sejam cometidas injustiças contra
colegas.
Em conexão com o cumprimento deste Artigo, deve o profissional:
Não prejudicar, de maneira falsa ou maliciosa, directa ou indirectamente, a
reputação, a situação ou actividade de um colega.
Não criticar de maneira desleal os trabalhos de outro profissional ou as
determinações de quem tem atribuições superiores.
Não se interpor entre outros profissionais e os seus clientes sem ser
solicitado a sua intervenção e, nesse caso, evitar, na medida do possível, que se
cometa injustiça.
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Art. 4°
Não praticar qualquer acto que, directa ou indirectamente, possa prejudicar
os legítimos interesses de outros profissionais.
Em conexão com o cumprimento deste Artigo deve o profissional:
Não se aproveitar nem concorrer para que se aproveitem de ideias, plano ou
projectos de autoria de outros profissionais, sem a necessária citação ou
autorização expressa.
Não injuriar outro profissional, nem criticar de maneira desprimorosa a sua
actuação ou de entidades da classe.
Não substituir um profissional em trabalho já iniciado, sem o seu
conhecimento prévio.
Não solicitar cargo desempenhado por outro profissional.
Não procurar suplantar outro profissional depois de este ter tomado
providências para obtenção de emprego ou serviço.
Não tentar obter emprego ou serviço com base em menores salários ou
honorários nem pelo desmerecimento da capacidade alheia.
Não rever ou corrigir o trabalho de outro profissional, salvo com o
consentimento deste.
Não intervir num projecto em detrimento de outros profissionais que já
tenham actuado activamente em sua elaboração, tendo presentes os preceitos
legais vigentes.

Art. 5°
Não solicitar nem submeter propostas contendo condições que constituam
competição desleal por serviços profissionais.
Em conexão com o cumprimento deste Artigo deve o profissional:
Não competir por meio de reduções de remuneração ou qualquer outra
forma de concessão.
Não propor serviços com redução de preços, após haver conhecido
propostas de outros profissionais.
Manter-se actualizado quanto a tabelas de honorários, salários e dados de
custo recomendados pelos órgãos da Classe competentes e adoptá-los como base
para serviços profissionais.

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Art. 6°
Actuar dentro da melhor técnica e do mais elevado espírito público,
devendo, quando Consultor, limitar seus pareceres às matérias específicas que
tenham sido objecto de consulta.
Em conexão com o cumprimento deste Artigo deve o profissional:
Agir com absoluta imparcialidade e não levar em conta nenhuma
consideração de ordem pessoal, se actuar como consultor, perito ou árbitro
independente;
Somente expressar a sua opinião se baseada em conhecimentos adequados e
convicção honesta, quando servir em julgamento, perícia ou comissão técnica.
Não actuar como consultor sem o conhecimento dos profissionais
encarregados directamente do serviço.
Observar as normas vigentes sobre a conduta profissional, quando actuar
como consultor em outro país. No caso de inexistência de normas específicas
nesse país, deverá adoptar as estabelecidas pela FMOI (Fédération Mondiale des
Orrganisations d´Ingénieurs), se actuar como consultor em outro país.
Não utilizar nenhum processo de promoção, publicidade ou divulgação do
que não for admitido pelas normas do país ao qual prestar serviços.

Art. 7°
Exercer o trabalho profissional com lealdade, dedicação e honestidade para
com os seus clientes e superiores hierárquicos, e com espírito de justiça e
equidade para com os contratantes e empreiteiros.
Em conexão com o cumprimento deste Artigo deve o profissional:
Deve considerar como confidencial, toda a informação técnica, financeira
ou de outra natureza, sobre os interesses de seu cliente ou empregador, colocada
à sua disposição.
Deve receber somente de uma única fonte de honorários ou compensações
pelo mesmo serviço prestado, salvo se, para proceder de modo diverso, tiver
havido consentimento de todas as partes interessadas.
Não deve receber de empreiteiros, fornecedores ou entidades relacionadas
com a transacção em causa, comissões, descontos, serviços ou outro tipo de
favores, nem apresentar qualquer proposta nesse sentido, salvo os serviços
oficialmente previstos.
Deve prevenir o seu superior hierárquico, colega interessado ou cliente, das
consequências que possas advir do não acolhimento de parecer ou projecto de sua
autoria.

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Não deve praticar quaisquer actos que possam comprometer a confiança
que lhe é depositada pelo seu cliente, empregador ou superior hierárquico.

Art. 8°
Ter sempre em vista o bem-estar e o progresso funcional de seus
empregados ou subordinados e trata-los com rectidão, justiça e humanidade.
Em conexão com o cumprimento deste Artigo, o profissional:
Deve facilitar e estimular a actividade funcional de seus empregados, não
criando obstáculos aos seus anseios de promoção e melhoria.
Deve defender o princípio de fixar para os seus subordinados ou
empregados, sem distinção, salários adequados à responsabilidade, à eficiência e
ao grau de perfeição do serviço que executam.
Deve reconhecer e respeitar os direitos de seus empregados ou
subordinados no que concerne às liberdades civis, individuais, políticas, de
pensamento e de associação.
Não deve utilizar a sua condição de superior hierárquico para desrespeitar a
dignidade de subordinados seus, nem para induzir um profissional a infringir
qualquer disposição deste Código.

Art. 9°
Colocar-se a par da legislação que rege o exercício profissional da
Engenharia, visando cumpri-la correctamente e colaborar para sua actualização e
aperfeiçoamento.
Em conexão com o cumprimento deste Artigo, o profissional:
Deve manter-se em dia com a legislação vigente e procurar difundi-la, a fim
de que seja prestigiado e defendido o legítimo exercício da profissão.
Procurar colaborar com os órgãos incumbidos da aplicação da Lei e da
regulamentação do exercício profissional e promover, pelo seu voto, nas
entidades de classe, a melhor composição daqueles órgãos.
Ter sempre presente que as infracções deste Código de Ética serão julgadas
pelos Órgãos competentes instituídos na República de Angola e pela Ordem dos
Engenheiros de Angola – OEA

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5.3. Considerações Finais

Ética no exercício da Profissão tem como lema: Integridade.


Independência. Competência. Embora neste lema não esteja incluída a palavra
deontologia, é por demais evidente, que a ética, está subjacente a estas três
características.

No âmbito do tema desta sessão, “A importância da ética e deontologia


pratica Profissional da Engenharia”, escolhe-se a Ética para a apresentação
final.

 Ter Ética é fazer a coisa certa com base no motivo certo.

 Ter Ética é ter um comportamento que os outros julgam como


correcto.

A noção de Ética é, portanto, muito ampla, e no caso da nossa actuação,


enquanto Revisores, inclui vários princípios básicos e transversais que são:

1. O da Integridade – Devemos agir com base em princípios e valores e não


em função do que é mais fácil ou do que nos trás mais benefícios.

2. O da Confiança/Credibilidade – Devemos agir com coerência e


consistência, quer na acção, quer na comunicação.

3. O da Responsabilidade – Devemos assumir a responsabilidade pelos


nossos actos, o que implica, cumprir com todos os nossos deveres
profissionais.
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4. As de Justiça – As nossas decisões devem ser suportadas, transparentes e
objectivas, tratando da mesma forma, aquilo que é igual ou semelhante.

5. O da Lealdade – Devemos agir com o mesmo espírito de lealdade


profissional e de transparência, que esperamos dos outros.

6. O da Competência – Devemos apenas aceitar as funções para as quais


tenhamos os conhecimentos e a experiencia que o exercício dessas
funções requer.

7. O da Independência – Devemos assegurar, no exercício de funções de


interesse público, que as nossas opiniões, não são influenciadas, por
factores alheios a esse interesse público.

CONCLUSÃO

Na história da humanidade, a reflexão sobre a ética e deontologia no exercício


profissional sempre esteve presente em todas as sociedades e culturas. Ainda que não se
concentrasse em um corpo organizado de princípios teóricos racionais, os valores
morais já prescreviam a identidade de um ethos na história. Essa forma do saber ético,
como um saber tradicional encontrado nas primeiras civilizações, prescreveu as
categorias fundamentais da ética filosófica.
A Ética, que é a ciência da moral, buscou orientar a conduta do homem como
um ser integrante de um Estado, de um Cosmo e de um grupo social-religioso e
técnico no exercício da sua profissão para o bem da Sociedade em que vive .
Essa ciência estendeu sua reflexão axiológica ao se direccionar às ciências
particulares e técnicas que hoje, no século XXI, ampliou o quadro de discussões para a
legitimação das normas morais, a fim de conceder um melhor convívio nos grupos
sociais e planetário.
A importância da ética filosófica numa pesquisa científica concerne a uma
trajectória do pensar e do agir do homem em todos os tempos. Ela expressa não somente
os anseios e problemas oriundos de cada época, mas expressa a

A ética Profissional
consiste no estudo e reflexão dos valores e princípios morais que regem a
conduta do ser técnico em sociedade. O objectivo da ética, de acordo com
Aristóteles, é o alcance da finalidade da vida humana. Kant, por sua vez, apresenta uma
visão utilitarista da ética, isto é, a ética tem que ter uma consequência, uma utilidade. É

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Através dela que se deve promover o bem-estar geral da sociedade. No entanto,
tem que se possuir um factor de consciencialização e distinção do que é certo e do que é
errado, do que é o bem e do que é o mal. A ética é objectiva e universal, devendo
ser sempre uma atitude reflectida .
A ética empresarial, uma aplicação da ética Profissional ao mundo empresarial,
nasceu nos anos setenta e teve a sua origem na crise de confiança gerada por uma série
de escândalos que afectaram a sociedade americana, quer na esfera política quer na
esfera Económica. Para além desta crise, que levou ao aparecimento da designada ética
Empresarial, actualmente as empresas vêem-se perante problemas para os quais
não há soluções pré-definidas (Cabral, 2000).

Anexos

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Bibliografia

OEA. PRINCÍPIOS E REGULAMENTOS DA ORDEM DOS


ENGENHEIROS DE ANGOLA

(A sessado em: https://www.ordemengenheiros.ao/Ordem.aspx?i=4287)

HISTÓRIA DA ÉTICA - VIDEOLIVRARIA

A sessado em: www.videolivraria.com.br/pdfs/11675.pdf

ADELAIDE, Dias. Ética Profissional em Terapêutica da Fala

A sessado em: www.rtev.com.br/pdfs/25675.pdf

PAULO, Freita : COMPROMETIMENTO E ÉTICA PROFISSIONAL:


Um estudo de suas relações juntos aos contabilistas

Por : ERIVAN BORGES Professor Assistente do Departamento Ciências Contábeis do Centro


de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – RN E-mail:
erivan@ufrnet.com.br

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