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GRUPO I – DEFINIÇÃO.

OS DIREITOS HUMANOS DEFINIDOS

Quais são os seus direitos humanos?

Comecemos com algumas definições básicas:

Humano: substantivo
Um membro da espécie Homo sapiens; um homem, mulher ou criança; uma pessoa.

Direitos: substantivo
Coisas às quais você tem direito ou que lhe são permitidas; liberdades que são
garantidas.

Direitos Humanos: substantivo


Os direitos que você tem simplesmente porque é humano.

Se perguntasse às pessoas na rua: “O que são os direitos humanos?” obteria muitas


respostas diferentes. Elas dir–lhe–iam os direitos que conhecem, mas muito poucas
conhecem os seus direitos.

Como se trata nas definições acima, um direito é uma liberdade de algum tipo. É algo ao
qual você tem direito por ser humano.

Os direitos humanos estão baseados no princípio de respeito em relação ao indivíduo. A


sua suposição fundamental é que cada pessoa é um ser moral e racional que merece ser
tratado com dignidade. Estes são chamados direitos humanos porque são universais.
Enquanto as nações ou grupos especializados usufruem dos direitos específicos que se
aplicam só a eles, os direitos humanos são os direitos aos quais todas as pessoas têm
direito, não importa quem sejam ou onde morem, simplesmente porque estão vivos.

Contudo, muitas pessoas, quando se lhes pede para citarem os seus direitos, apenas
enumeram a liberdade de expressão e de crença e talvez um ou dois mais. Não há
dúvida que estes são direitos importantes, mas o alcance total dos direitos humanos é
muito amplo. Significam a opção e a oportunidade. Significam a liberdade de conseguir
um trabalho, adotar uma carreira, escolher um parceiro e criar crianças. Incluem o
direito de viajar livremente e o direito ao trabalho remunerado sem perseguição, abuso e
a ameaça de ser despedido de forma arbitrária. Eles até abarcam o direito ao lazer.

Em eras passadas, não havia direitos humanos. Depois surgiu a ideia de que as pessoas
deveriam ter certos direitos. E essa ideia, no final da Segunda Guerra Mundial, resultou
finalmente no documento chamado Declaração Universal de Direitos Humanos e nos
trinta direitos a que todas as pessoas têm direito.

Os direitos humanos existem, tal como são expressados na Declaração Universal dos
Direitos do Homem e em todo o corpo da lei de direitos humanos internacional. São
reconhecidos pelo menos em princípio por parte da maioria das nações e formam a
essência de muitas constituições nacionais. Não obstante a situação atual no mundo
dista muito dos ideais imaginados na Declaração.

Para alguns, a realização completa dos direitos humanos é uma meta remota e
inalcançável. Inclusive as leis de direitos humanos internacionais são difíceis de impor,
e seguir uma denúncia pode levar anos e custar uma grande quantidade de dinheiro.
Estas leis internacionais servem como função de contenção, mas são insuficientes para
prover uma proteção adequada de direitos humanos, tal como evidencia a crua realidade
dos abusos perpetrados diariamente.

A discriminação está a crescer por todo o mundo. Milhares estão na prisão por dizerem
as suas ideias. A tortura e a prisão por motivos políticos, com frequência sem
julgamento, são comuns, corriqueiras e são praticadas inclusive em alguns países
democráticos.

O que são os direitos humanos?


Os direitos humanos são
direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo,
nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição.

Os direitos humanos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de


expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre e muitos outros. Todos merecem
estes direitos, sem discriminação.

O Direito Internacional dos Direitos Humanos estabelece as obrigações dos governos de


agirem de determinadas maneiras ou de se absterem de certos atos, a fim de promover e
proteger os direitos humanos e as liberdades de grupos ou indivíduos.

Desde o estabelecimento das Nações Unidas, em 1945 – em meio ao forte lembrete


sobre a barbárie da Segunda Guerra Mundial –, um de seus objetivos fundamentais tem
sido promover e encorajar o respeito aos direitos humanos para todos, conforme
estipulado na Carta das Nações Unidas:

“Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta da ONU,


sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano e na
igualdade de direitos entre homens e mulheres, e que decidiram promover o progresso
social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, … a Assembleia
Geral proclama a presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal
comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações…”

Preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948


Contexto e definição dos direitos humanos

Os direitos humanos são comumente compreendidos como aqueles direitos inerentes ao


ser humano. O Humanos reconhece que cada ser humano pode desfrutar de seus direitos
humanos sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outro
tipo, origem social ou nacional ou condição de nascimento ou riqueza.

Os direitos humanos são garantidos legalmente pela lei de direitos humanos, protegendo
indivíduos e grupos contra ações que interferem nas liberdades fundamentais e na
dignidade humana.

Estão expressos em tratados, no direito internacional consuetudinário, conjuntos de


princípios e outras modalidades do Direito. A legislação de direitos humanos obriga os
Estados a agir de uma determinada maneira e proíbe os Estados de se envolverem em
atividades específicas. No entanto, a legislação não estabelece os direitos humanos. Os
direitos humanos são direitos inerentes a cada pessoa simplesmente por ela ser um
humano.

Tratados e outras modalidades do Direito costumam servir para proteger formalmente


os direitos de indivíduos ou grupos contra ações ou abandono dos governos, que
interferem no desfrute de seus direitos humanos.

Algumas das características mais importantes dos direitos humanos são:

o Os direitos humanos são fundados sobre o respeito pela dignidade e o valor de cada
pessoa;
o Os direitos humanos são universais, o que quer dizer que são aplicados de forma igual e
sem discriminação a todas as pessoas;
o Os direitos humanos são inalienáveis, e ninguém pode ser privado de seus direitos
humanos; eles podem ser limitados em situações específicas. Por exemplo, o direito à
liberdade pode ser restringido se uma pessoa é considerada culpada de um crime diante
de um tribunal e com o devido processo legal;
o Os direitos humanos são indivisíveis, inter-relacionados e interdependentes, já que é
insuficiente respeitar alguns direitos humanos e outros não. Na prática, a violação de um
direito vai afetar o respeito por muitos outros;
o Todos os direitos humanos devem, portanto, ser vistos como de igual importância,
sendo igualmente essencial respeitar a dignidade e o valor de cada pessoa.
Normas internacionais de direitos humanos

A expressão formal dos direitos humanos inerentes se dá através das normas


internacionais de direitos humanos. Uma série de tratados internacionais dos direitos
humanos e outros instrumentos surgiram a partir de 1945, conferindo uma forma legal
aos direitos humanos inerentes.

A criação das Nações Unidas viabilizou um fórum ideal para o desenvolvimento e a


adoção dos instrumentos internacionais de direitos humanos. Outros instrumentos foram
adotados a nível regional, refletindo as preocupações sobre os direitos humanos
particulares a cada região.

A maioria dos países também adotou constituições e outras leis que protegem
formalmente os direitos humanos básicos. Muitas vezes, a linguagem utilizada pelos
Estados vem dos instrumentos internacionais de direitos humanos.

As normas internacionais de direitos humanos consistem, principalmente, de tratados e


costumes, bem como declarações, diretrizes e princípios, entre outros.

Tratados

Um tratado é um acordo entre os Estados, que se comprometem com regras específicas.


Tratados internacionais têm diferentes designações, como pactos, cartas, protocolos,
convenções e acordos. Um tratado é legalmente vinculativo para os Estados que tenham
consentido em se comprometer com as disposições do tratado – em outras palavras, que
são parte do tratado.

Um Estado pode fazer parte de um tratado através de uma ratificação, adesão ou


sucessão.

A ratificação é a expressão formal do consentimento de um Estado em se


comprometer com um tratado. Somente um Estado que tenha assinado o tratado
anteriormente – durante o período no qual o tratado esteve aberto a assinaturas – pode
ratificá-lo.
A ratificação consiste de dois atos processuais: a nível interno, requer a aprovação pelo
órgão constitucional apropriado – como o Parlamento, por exemplo. A nível
internacional, de acordo com as disposições do tratado em questão, o instrumento de
ratificação deve ser formalmente transmitido ao depositário, que pode ser um Estado ou
uma organização internacional como a ONU.

A adesão implica o consentimento de um Estado que não tenha assinado anteriormente


o instrumento. Estados ratificam tratados antes e depois de este ter entrado em vigor. O
mesmo se aplica à adesão.

Um Estado também pode fazer parte de um tratado por sucessão, que acontece em
virtude de uma disposição específica do tratado ou de uma declaração. A maior parte
dos tratados não são auto-executáveis. Em alguns Estados tratados são superiores à
legislação interna, enquanto em outros Estados tratados recebem status constitucional e
em outros apenas certas disposições de um tratado são incorporadas à legislação interna.

Um Estado pode, ao ratificar um tratado, formular reservas a ele, indicando que, embora
consinta em se comprometer com a maior parte das disposições, não concorda com se
comprometer com certas disposições. No entanto, uma reserva não pode derrotar o
objeto e o propósito do tratado.

Além disso, mesmo que um Estado não faça parte de um tratado ou não tenha
formulado reservas, o Estado pode ainda estar comprometido com as disposições do
tratado que se tornaram direito internacional consuetudinário ou constituem normas
imperativas do direito internacional, como a proibição da tortura. Todos os tratados das
Nações Unidas estão reunidos em treaties.un.org

Costume

O direito internacional consuetudinário – ou simplesmente “costume” – é o termo usado


para descrever uma prática geral e consistente seguida por Estados, decorrente de um
sentimento de obrigação legal.
Assim, por exemplo, enquanto a Declaração Universal dos Direitos Humanos não é, em
si, um tratado vinculativo, algumas de suas disposições têm o caráter de direito
internacional consuetudinário.

Declarações, resoluções etc. adotadas


pelos órgãos das Nações Unidas

Normas gerais do direito internacional – princípios e práticas com os quais a maior parte
dos Estados concordaria – constam, muitas vezes, em declarações, proclamações,
regras, diretrizes, recomendações e princípios.

Apesar de não ter nenhum feito legal sobre os Estados, elas representam um consenso
amplo por parte da comunidade internacional e, portanto, têm uma força moral forte e
inegável em termos na prática dos Estados, em relação a sua conduta das relações
internacionais.

O valor de tais instrumentos está no reconhecimento e na aceitação por um grande


número de Estados e, mesmo sem o efeito vinculativo legal, podem ser vistos como
uma declaração de princípios amplamente aceitos pela comunidade internacional.

A Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, por exemplo,
recebeu o apoio dos Estados Unidos em 2010, o último dos quatro Estados-membros da
ONU que se opuseram a ela.

Ao adotar a Declaração, os Estados se comprometeram a reconhecer os direitos dos


povos indígenas sob a lei internacional, com o direito de serem respeitados como povos
distintos e o direito de determinar seu próprio desenvolvimento de acordo com sua
cultura, prioridades e leis consuetudinárias (costumes).
GRUPO II – HISTÓRIA.

UMA BREVE HISTÓRIA DOS


DIREITOS HUMANOS

O Cilindro de Ciro (539 a.C.)

Os decretos que Ciro fez em matéria de direitos humanos foram gravados em acadiano
num cilindro de barro cozido.

Ciro, o Grande, o primeiro rei da Pérsia, libertou os escravos da Babilónia em 539 a.C.

Em 539 a.C., os exércitos de Ciro, O Grande, o primeiro rei da antiga Pérsia,


conquistaram a cidade da Babilónia. Mas foram as suas ações posteriores que marcaram
um avanço muito importante para o Homem. Ele libertou os escravos, declarou que
todas as pessoas tinham o direito de escolher a sua própria religião, e estabeleceu a
igualdade racial. Estes e outros decretos foram registados num cilindro de argila na
língua acádica com a escritura cuneiforme.

Conhecido hoje como o Cilindro de Ciro, este registo antigo foi agora reconhecido
como a primeira carta dos direitos humanos do mundo. Está traduzido nas seis línguas
oficiais das Nações Unidas e as suas estipulações são análogas aos quatro primeiros
artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A Divulgação dos Direitos Humanos

Com início na Babilónia, a ideia de direitos humanos espalhou–se rapidamente para a


Índia, Grécia e por fim chegou a Roma. Ali surgiu o conceito de “lei natural”, na
observação do facto de que as pessoas tendiam a seguir certas leis não escritas no curso
da vida, e o direito romano estava baseado em ideias racionais tiradas da natureza das
coisas.

Os documentos que afirmam os direitos individuais, como a Carta Magna (1215), a


Petição de Direito (1628), a Constituição dos Estados Unidos (1787), a Declaração
Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789), e a Declaração dos Direitos dos
Estados Unidos (1791) são os precursores escritos para muitos dos documentos de
direitos humanos atuais.

A Carta Magna (1215)

Carta Magna, ou “Grande Carta”, assinada pelo rei da Inglaterra, em 1215, foi um ponto
de viragem nos direitos humanos.
A Carta Magna, ou a “Grande Carta”, foi possivelmente a influência inicial mais
significativa no amplo processo histórico que conduziu à regra de lei constitucional hoje
em dia no mundo anglófono.
Em 1215, depois do Rei João da Inglaterra ter violado um número de leis antigas e
costumes pelos quais Inglaterra tinha sido governada, os seus súbditos forçaram–no a
assinar a Carta Magna, que enumera o que mais tarde veio a ser considerado como
direitos humanos. Entre eles estava o direito da igreja de estar livre da interferência do
governo, o direito de todos os cidadãos livres possuírem e herdarem propriedade, e
serem protegidos de impostos excessivos. Isto estabeleceu o direito das viúvas que
possuíam propriedade a decidir não voltar a casar–se, e estabeleceu os princípios de
processos devidos e igualdade perante a lei. Isto também contém provisões que proíbem
o suborno e a má conduta oficial.

Amplamente visto como um dos documentos legais mais importantes no


desenvolvimento da democracia moderna, a Carta Magna foi um ponto de viragem
crucial na luta para estabelecer a liberdade.

Petição de Direito (1628)

Em 1628, o Parlamento Inglês enviou esta declaração de liberdades civis do rei Carlos I.
O seguinte marco miliário registado no desenvolvimento dos direitos humanos foi a
Petição de Direito, feita em 1628 pelo Parlamento Inglês e enviada a Carlos I como uma
declaração de liberdade civis. A rejeição pelo Parlamento de financiar a política exterior
impopular do rei tinha causado que o seu governo exigisse empréstimos forçados e
aquartelasse tropas nas casas dos súbditos como uma medida económica. Prisão
arbitrária e aprisionamento por oposição a estas políticas produziram no Parlamento
uma hostilidade violenta a Carlos e a Jorge Villiers, o Duque de Buckingham. A Petição
de Direito, iniciada por Sir Edward Coke, baseou–se em estatutos e cartas anteriores e
afirmou quatro princípios: (1). Nenhum tributo pode ser imposto sem o consentimento
do Parlamento, (2). Nenhum súbdito pode ser encarcerado sem motivo demonstrado (a
reafirmação do direito de habeas corpus), (3). Nenhum soldado pode ser aquartelado
nas casas dos cidadãos, e (4) a Lei Marcial não pode ser usada em tempo de paz.

Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776)


Em 1776, Thomas Jefferson redigiu a Declaração de Independência dos Estados Unidos
da América.
A 4 de julho de 1776, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Declaração de
Independência. O seu principal autor, Thomas Jefferson, escreveu a Declaração como
uma explicação formal do porquê o Congresso ter votado no dia 2 de julho para declarar
a independência da Grã-Bretanha, mais de um ano depois de irromper a Guerra
Revolucionária Americana, e como uma declaração que anunciava que as treze Colónias
Americanas não faziam mais parte do Império Britânico. O Congresso publicou a
Declaração de Independência de várias formas. No começo foi publicada como uma
folha de papel impressa de grande formato que foi largamente distribuída e lida pelo
público.

Filosoficamente, a Declaração acentuou dois temas: os direitos individuais e o direito de


revolução. Estas ideias tornaram–se largamente apoiadas pelos americanos e também se
difundiram internacionalmente, influenciando em particular a Revolução Francesa.

A Constituição dos Estados Unidos da América (1787) e a Declaração dos Direitos


(1791)

A Declaração dos Direitos da Constituição dos EUA protege as liberdades fundamentais


dos cidadãos dos Estados Unidos.
Escrita durante o verão de 1787 em Filadélfia, a Constituição dos Estados Unidos da
América é a lei fundamental do sistema federal do governo dos Estados Unidos e o
documento de referência do mundo Ocidental. Esta é a mais antiga constituição
nacional escrita que está em uso e que define os órgãos principais de governo e suas
jurisdições e os direitos básicos dos cidadãos.

As dez primeiras emendas da Constituição, a Declaração dos Direitos, entraram em


vigor no dia 15 de dezembro de 1791, limitando os poderes do governo federal dos
Estados Unidos e para proteger os direitos de todos os cidadãos, residentes e visitantes
no território americano.
A Declaração dos Direitos protege a liberdade de expressão, a liberdade de religião, o
direito de guardar e usar armas, a liberdade de assembleia e a liberdade de petição. Esta
também proíbe a busca e a apreensão sem razão alguma, o castigo cruel e insólito e a
auto–inculpação forçada. Entre as proteções legais que proporciona, a Declaração dos
Direitos proíbe que o Congresso faça qualquer lei em relação ao estabelecimento de
religião e proíbe o governo federal de privar qualquer pessoa da vida, da liberdade ou da
propriedade sem os devidos processos da lei. Em casos de crime federal é requerida
uma acusação formal por um júri de instrução para qualquer ofensa capital, ou crime
infame, e a garantia de um julgamento público rápido com um júri imparcial no distrito
em que o crime ocorreu, e proíbe um duplo julgamento.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789)

Em 1789 o povo de França levou a cabo a abolição da monarquia absoluta e o


estabelecimento da primeira República Francesa. Somente seis semanas depois do
assalto à Bastilha, e apenas três semanas depois da abolição do feudalismo, a
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (francês: Déclaration des Droits de
l'Homme et du Citoyen) foi adotada pela Assembleia Constituinte Nacional como o
primeiro passo para o escrito de uma constituição para a República da França.

A Declaração proclama que todos os cidadãos devem ter garantidos os direitos de


“liberdade, propriedade, segurança, e resistência à opressão”. Isto argumenta que a
necessidade da lei provém do facto que “… o exercício dos direitos naturais de cada
homem tem só aquelas fronteiras que asseguram a outros membros da sociedade o
desfrutar destes mesmos direitos”. Portanto, a Declaração vê a lei como “uma expressão
da vontade geral”, que tem a intenção de promover esta igualdade de direitos e proibir
“só ações prejudiciais para a sociedade”.

A Primeira Convenção de Genebra (1864)

O documento original da primeira Convenção de Genebra, em 1864, estipulava o


cuidado de soldados feridos.
Em 1864, dezesseis países europeus e vários estados americanos assistiram a uma
conferência em Genebra, a convite do Conselho Suíço Federal, com a iniciativa do
Comité de Genebra. A conferência diplomática foi celebrada com o objetivo de adotar
uma convenção para o tratamento de soldados feridos em combate.
Os princípios fundamentais foram estabelecidos na Convenção e foram mantidos pelas
Convenções posteriores de Genebra especificando a obrigação de ampliar o cuidado,
sem discriminação, ao pessoal militar ferido ou doente, mantendo o respeito para com
eles e com a marca de transportes de pessoal médico e equipa distinguidos pela cruz
vermelha sobre um fundo branco.

As Nações Unidas (1945)

Em 1945, cinquenta nações reuniram–se em San Francisco e formaram a Organização


das Nações Unidas para proteger e promover a paz.
A Segunda Guerra Mundial tinha alastrado de 1939 até 1945, e à medida que o final se
aproximava, cidades por toda a Europa e Ásia estendiam–se em ruínas e chamas.
Milhões de pessoas estavam mortas, milhões mais estavam sem lar ou a passar fome. As
forças russas estavam a cercar o remanescente da resistência alemã na bombardeada
capital alemã de Berlim. No Oceano Pacífico, os fuzileiros estado–unidenses ainda
combatiam firmemente as forças japonesas entrincheiradas em ilhas tais como Okinawa.
Em abril de 1945, delegados de cinquenta países reuniram–se em San Francisco cheios
de optimismo e esperança. O objetivo da Conferência das Nações Unidas na
Organização Internacional era formar um corpo internacional para promover a paz e
prevenir futuras guerras. Os ideais da organização foram declarados no preâmbulo da
sua carta de proposta: “Nós os povos das Nações Unidas estamos determinados a salvar
as gerações futuras do flagelo da guerra, que por duas vezes na nossa vida trouxe
incalculável sofrimento à Humanidade”.

A Carta da nova organização das Nações Unidas entrou em efeito no dia 24 de outubro
de 1945, uma data que é comemorada todos os anos como o Dia das Nações Unidas.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)


A Declaração Universal dos Direitos do Homem tem inspirado um número de outras
leis e tratados de direitos humanos em todo o mundo.
Em 1948, a nova Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas tinha captado a
atenção mundial. Sob a presidência dinâmica de Eleanor Roosevelt, a viúva do
presidente Franklin Roosevelt, uma defensora dos direitos humanos por direito próprio
e delegada dos Estados Unidos nas Nações Unidas, a Comissão elaborou o rascunho do
documento que viria a converter–se na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Roosevelt, creditada com a sua inspiração, referiu–se à Declaração como a Carta Magna
internacional para toda a Humanidade. Foi adotada pelas Nações Unidas no dia 10 de
dezembro de 1948.
No seu preâmbulo e no Artigo 1.º, a Declaração proclama inequivocamente os direitos
inerentes de todos os seres humanos: “O desconhecimento e o desprezo dos direitos
humanos conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade, e o
advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos
do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem... Todos
os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. ”

Os Estados Membros das Nações Unidas comprometeram–se a trabalhar uns com os


outros para promover os trinta artigos de direitos humanos que, pela primeira vez na
história, tinham sido reunidos e codificados num único documento. Em consequência,
muitos destes direitos, de várias formas, são hoje parte das leis constitucionais das
nações democráticas.
GRUPO III – A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM.

A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS


DIREITOS DO HOMEM

UMA INTRODUÇÃO

A 24 de outubro de 1945, no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, as Nações Unidas


surgiram como uma organização intergovernamental com o propósito de salvar as
gerações futuras da devastação do conflito internacional.

Representantes das Nações Unidas de todas as regiões do mundo adotaram formalmente


a Declaração Universal dos Direitos do Homem em 10 de dezembro de 1948.

A Carta das Nações Unidas estabeleceu seis corpos principais, incluindo a Assembleia
Geral, o Conselho de Segurança, o Tribunal Internacional de Justiça, e em relação aos
direitos humanos, um Conselho Social e Económico (ECOSOC).

A Carta da ONU concedeu à ECOSOC o poder de estabelecer “comissões para os


assuntos económicos e sociais e para a proteção dos direitos do homem. ” Uma delas foi
a Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que, sob a presidência de
Eleanor Roosevelt, viu a criação da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

A Declaração foi redigida por representantes de todas as regiões do mundo e abarcou


todas as tradições legais. Inicialmente adotada pelas Nações Unidas a 10 de dezembro
de 1948, é o documento dos direitos humanos mais universal em existência, delineando
os direitos fundamentais que formam a base para uma sociedade democrática.

A seguir a este ato histórico a Assembleia exigiu a todos os países membros que
publicassem o texto da Declaração e que “fizessem com que fosse disseminada, exibida,
lida e explicada principalmente nas escolas e noutras instituições educacionais, sem
qualquer distinção baseada no estatuto político dos países ou territórios”.
Hoje em dia, a Declaração é um documento vivo que foi aceite como um contrato entre
um governo e o seu povo em todo o mundo. De acordo com o Livro de Recordes
Mundiais do Guinness, é o documento mais traduzido no mundo.

PREÂMBULO

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente e dos direitos iguais e


inalienáveis de todos os membros da família humana é o fundamento da liberdade,
justiça e paz no mundo,

Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos


bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo no
qual os seres humanos gozem de liberdade de expressão e de crença e da liberdade do
medo e da miséria, foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,

Considerando que é essencial, para que o Homem não seja obrigado a recorrer, como
último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão, que os direitos humanos sejam
protegidos pelo estado de direito,

Considerando que é essencial para promover o desenvolvimento de relações amistosas


entre as nações,

Considerando que os povos das Nações Unidas, na Carta, reafirmaram a sua fé nos
direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na
igualdade de direitos entre homens e mulheres, e que decidiram promover o progresso
social e melhores condições de vida em maior liberdade,

Considerando que os Estados–Membros se comprometeram a promover, em


cooperação com as Nações Unidas, a promoção do respeito universal e observância dos
direitos humanos e liberdades fundamentais,

Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da maior


importância para o pleno cumprimento desse compromisso,

Agora, portanto,

A Assembleia Geral,

Proclama a presente Declaração Universal dos Direitos do Homem como um ideal


comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos
e todos os órgãos da sociedade, tendo–a constantemente no espírito, se esforcem, pelo
ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por
promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu
reconhecimento e a sua aplicação universais e efetivas tanto entre as populações dos
próprios Estados–membros como entre os povos dos territórios colocados sob a sua
jurisdição.

Artigo 1.º
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de
razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Artigo 2.º
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na
presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, cor, sexo, língua,
religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou
outro estatuto.

Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou
internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou
território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de
soberania.

Artigo 3.º
Todas as pessoas têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4.º
Ninguém pode ser mantido em escravidão ou em servidão; a escravatura e o comércio
de escravos, sob qualquer forma, são proibidos.

Artigo 5.º
Ninguém será submetido a tortura nem a punição ou tratamento cruéis, desumanos ou
degradantes.

Artigo 6.º
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento como pessoa perante a lei.

Artigo 7.º
Todos são iguais perante a lei e, sem qualquer discriminação, têm direito a igual
proteção da lei. Todos têm direito a proteção igual contra qualquer discriminação que
viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo 8.º
Todas as pessoas têm direito a um recurso efetivo dado pelos tribunais nacionais
competentes contra os atos que violem os seus direitos fundamentais reconhecidos pela
Constituição ou pela lei.

Artigo 9.º
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10.º
Todas as pessoas têm direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública
julgada por um tribunal independente e imparcial em determinação dos seus direitos e
obrigações e de qualquer acusação criminal contra elas.

Artigo 11.º.

1. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume–se inocente até que a sua
culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em
que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
2. Ninguém será condenado por ações ou omissões que, no momento da sua
prática, não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional.
Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável
no momento em que o ato delituoso foi cometido.

Artigo 12.º
Ninguém deverá ser submetido a interferências arbitrárias na sua vida privada, família,
domicílio ou correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais
intromissões ou ataques todas as pessoas têm o direito à proteção da lei.

Artigo 13.º

1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no


interior de um Estado.
2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o
seu, e o direito de regressar ao seu país.

Artigo 14.º

1. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de


asilo em outros países.
2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente
existente por crime de direito comum ou por atividades contrárias aos fins e aos
princípios das Nações Unidas.

Artigo 15.º

1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.


2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito
de mudar de nacionalidade.

Artigo 16.º

1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de


constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião.
Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.
2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos
futuros esposos.
3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à
proteção desta e do Estado.

Artigo 17.º

1. Toda a pessoa, individual ou coletiva, tem direito à propriedade.


2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.

Artigo 18.º
Todas as pessoas têm direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião;
este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de credo, assim como a
liberdade de manifestar a sua religião ou credo, sozinho ou em comunidade com outros,
quer em público ou em privado, através do ensino, prática, culto e rituais.

Artigo 19.º
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, este direito implica
a liberdade de manter as suas próprias opiniões sem interferência e de procurar, receber
e difundir informações e ideias por qualquer meio de expressão independentemente das
fronteiras.

Artigo 20.º

1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas.


2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo 21.º

1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios públicos do
seu país, quer diretamente, quer por intermédio de representantes livremente
escolhidos.
2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções
públicas do seu país.
3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos; e deve
exprimir–se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio
universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que
salvaguarde a liberdade de voto.

Artigo 22.º
Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode
legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais
indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia
com a organização e os recursos de cada país.

Artigo 23.º

1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições


equitativas e satisfatórias de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe
permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e
completada, se possível, por todos os outros meios de proteção social.
4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se
filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.

Artigo 24.º
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e, especialmente, a uma limitação
razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas.

Artigo 25.º

1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à
sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao
vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços
sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na
invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de
subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as
crianças, nascidas dentro ou fora do matrimónio, gozam da mesma proteção
social.

Artigo 26.º

1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos
a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é
obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos
estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do
seu mérito.
2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço
dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a
compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos
raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações
Unidas para a manutenção da paz.
3. Os pais têm um direito preferencial para escolher o tipo de educação que será
dada aos seus filhos.

Artigo 27.º

1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da


comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos
benefícios que deste resultam.
2. Todos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais ligados a
qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.

Artigo 28.º
Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma
ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades enunciadas na
presente Declaração.

Artigo 29.º

1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o
livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.
2. No exercício deste direito e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito
senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover
o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de
satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa
sociedade democrática.
3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente
aos fins e aos princípios das Nações Unidas.

Artigo 30.º
Nada na presente Declaração pode ser interpretado de maneira a conceder a qualquer
Estado, grupo ou indivíduo o direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar
algum ato destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.
GRUPO IV – LEI INTERNACIONAL DE DIREITOS HUMANOS.

LEI INTERNACIONAL DE
DIREITOS HUMANOS

Em 1948, a nova Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos captou a
atenção do mundo. Sob a presidência dinâmica de Eleanor Roosevelt, a viúva do
presidente Franklin Roosevelt, uma campeã de direitos humanos por direito próprio e
delegada dos Estados Unidos nas Nações Unidas, a Comissão elaborou o rascunho do
documento que viria a converter–se na Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Roosevelt, creditada com a sua inspiração, referiu–se à Declaração como a "Carta
Magna internacional para toda a Humanidade". Foi adotada pelas Nações Unidas no dia
10 de dezembro de 1948.

No seu preâmbulo e Artigo 1.º, a Declaração proclama inequivocamente os direitos


inerentes de todos os seres humanos: “O desconhecimento e o desprezo dos direitos
humanos conduziram a atos de barbárie que revoltaram a consciência da Humanidade e
o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer,
libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem...
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. ”

Os Estados–Membros das Nações Unidas comprometeram–se a trabalhar uns com os


outros para promover os trinta artigos de direitos humanos que, pela primeira vez na
história, tinham sido reunidos e codificados num único documento. Em consequência,
muitos destes direitos, de várias formas, são hoje parte das leis constitucionais das
nações democráticas.

A CARTA INTERNACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS

A Declaração Universal dos Direitos do Homem é um padrão ideal sustentado em


comum por nações no mundo inteiro, mas não possui nenhuma força de lei. Assim,
desde 1948 até 1966 a tarefa principal da Comissão de Direitos Humanos das Nações
Unidas foi criar um corpo de lei de direitos humanos internacional baseado na
Declaração, para estabelecer os mecanismos necessários para fazer cumprir a sua
implementação e uso.

A Comissão de Direitos Humanos elaborou dois documentos principais: o Pacto


Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos
Económicos, Sociais e Culturais. Ambos se tornaram lei internacional em 1976.
Juntamente com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, estes dois Pactos
constituem o que é conhecido como a “Lei Internacional de Direitos Humanos”.

O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos enfoca questões como o direito à
vida, à liberdade de expressão, à religião e votação. O Pacto Internacional dos Direitos
Económicos, Sociais e Culturais enfoca a alimentação, a educação, a saúde e o refúgio.
Ambos os pactos proclamam estes direitos para todas as pessoas e proíbem
discriminação.

O artigo 26.º do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos estabeleceu uma
Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Composta por dezoito peritos
em direitos humanos, a Comissão é responsável por assegurar que cada signatário do
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos cumpre os seus termos. A Comissão
examina relatórios enviados pelos países de cinco em cinco anos, para se assegurar que
eles estão a cumprir o Pacto, e emite conclusões sobre o funcionamento de um país.

Muitos países que ratificaram o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos
também concordaram que a Comissão para os Direitos Humanos pode investigar
alegações de indivíduos e organizações cujos direitos foram violados pelo estado. Antes
de apelar à Comissão, o queixoso deve esgotar todos os recursos legais nos tribunais
desse país. Depois de investigação, a Comissão publica os resultados. Estas conclusões
têm grande força. Se a Comissão mantém as alegações, o Estado deve tomar medidas
para remediar o abuso.

DOCUMENTOS DE DIREITOS HUMANOS SUBSEQUENTES

Em adição aos pactos contidos na Carta Internacional dos Direitos Humanos, as Nações
Unidas adotaram mais de vinte tratados principais elaborando ainda mais os direitos
humanos. Estes incluem tratados para prevenir e proibir abusos específicos tais como
tortura e genocídio e para proteger populações vulneráveis específicas tais como
refugiados (Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados, 1951), mulheres
(Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as
Mulheres, 1979), e crianças (Convenção sobre os Direitos da Criança, 1989). Outros
tratados cobrem a discriminação racial, a prevenção de genocídio, os direitos políticos
de mulheres, proibição de escravidão e tortura.

Cada um destes tratados estabeleceu uma comissão de peritos para regular a


implementação das disposições do tratado pelos seus estados constituintes.

CONVENÇÃO EUROPEIA DOS DIREITOS HUMANOS

A Declaração Universal dos Direitos do Homem serviu como inspiração para a


Convenção Europeia dos Direitos Humanos, um dos mais significativos acordos na
Comunidade Europeia. A Convenção foi adotada em 1953 pelo Conselho da Europa,
uma organização intergovernamental estabelecida em 1949 e composta de quarenta e
sete Estados Membros da Comunidade Europeia. Este corpo foi formado para reforçar
os direitos humanos e promover a democracia e o estado de direito.

A Convenção é feita cumprir através do Tribunal Europeu de Direitos Humanos em


Estrasburgo, França. Qualquer pessoa que afirme ser vítima de uma violação em
qualquer um dos países da Comunidade Europeia que assinaram e ratificaram a
Convenção poderá procurar ajuda no Tribunal Europeu. A pessoa deve primeiro ter
esgotado todos os recursos no tribunal do seu país natal e ter apresentado um pedido no
Tribunal Europeu de Direitos Humanos em Estrasburgo.

INSTRUMENTOS DE DIREITOS HUMANOS PARA AS AMÉRICAS, ÁFRICA


E ÁSIA

Na América do Norte e do Sul, África e Ásia, documentos regionais para a proteção e


promoção de direitos humanos estendem a Carta Internacional de Direitos Humanos.

A Convenção Americana sobre Direitos Humanos pertence aos estados interamericanos,


as Américas, e entrou em vigor em 1978.

Os Estados Africanos criaram a sua própria Carta dos Direitos Humanos e dos Povos
(1981) e os Estados Muçulmanos criaram a Declaração dos Direitos Humanos do Cairo
no Islão (1990).

A Carta Asiática dos Direitos Humanos (1986) foi criada pela Comissão Asiática dos
Direitos Humanos, fundada nesse ano por um grupo de juristas e ativistas de direitos
humanos em Hong Kong. A Carta é descrita como “uma carta do povo”, porque
nenhuma carta governamental foi emitida até ao momento.
GRUPO V – VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS.

VIOLAÇÕES DOS
DIREITOS HUMANOS

Os promotores dos direitos humanos estão de acordo em que, anos depois da sua
emissão, a Declaração Universal dos Direitos do Homem ainda é mais um sonho que
uma realidade. Existem violações da mesma em qualquer parte do mundo. Por exemplo,
o Relatório Mundial de 2009 da Amnistia Internacional, Relatório Mundial e de outras
fontes mostram que os indivíduos são:

 Torturadas ou maltratadas em pelo menos 81 países


 Enfrentam julgamentos injustos em pelo menos 54 países
 A sua liberdade de expressão é restringida em pelo menos 77 países

As mulheres e as crianças, em especial, são marginalizadas de muitas formas, a


imprensa não é livre em muitos países e os dissidentes são silenciados, com frequência
de forma permanente. Ainda que tenham sido conseguidas algumas vitórias em 6
décadas, as violações dos direitos humanos ainda são uma praga no nosso mundo atual.

Para ajudar a informar da situação real em todo o mundo, esta secção fornece exemplos
de violações dos seis artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (UDHR):

ARTIGO 3.º — O DIREITO À VIDA

“Todos têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. ”

Estima–se que 6500 pessoas foram mortas em combate armado no Afeganistão em


2007, quase a metade delas foram mortes de civis não combatentes nas mãos de
insurgentes. Centenas de civis também foram mortos em ataques suicidas por grupos
armados.

No Brasil em 2007, conforme os números oficiais a polícia matou pelo menos 1260
pessoas, o total mais elevado até à data. Todos os incidentes foram qualificados
oficialmente como “atos de resistência” e receberam pouca ou nenhuma investigação.
No Uganda, 1500 pessoas morrem a cada semana nos acampamentos de pessoas
internamente refugiadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 500.000
morreram nestes acampamentos.

As autoridades vietnamitas levaram à força pelo menos 75.000 dependentes de drogas e


prostitutas para 71 acampamentos de “reabilitação” superlotados, qualificando os
detidos como “de alto risco” de contrair HIV/SIDA, mas sem prover nenhum
tratamento.

ARTIGO 4.º — NÃO À ESCRAVIDÃO

“Ninguém deverá ser mantido em escravidão ou trabalho forçado; a escravidão e o


comércio de escravos foram proibidos em todas as suas formas. ”

No Uganda do norte, as guerrilhas do LRA (sigla do inglês de Lord’s Resistance Army


que em português significa Exército da Resistência do Senhor) sequestraram 20.000
crianças nos últimos anos e forçaram–nas a servir como soldados ou como escravos
sexuais do exército.

Na Guiné–Bissau, traficam–se crianças tão jovens como de 5 anos tirando–as do país


para trabalhar em campos de algodão no Senegal do Sul ou como mendigos na capital.
No Gana, crianças de 5 a 14 anos são enganadas com falsas promessas de educação e
futuro para trabalhos perigosos, e sem remuneração na indústria pesqueira.

Na Ásia, o Japão é o maior país–destino para mulheres traficadas, especialmente


mulheres oriundas das Filipinas e Tailândia. A UNICEF estima que hajam 60.000
crianças na prostituição nas Filipinas.

O Departamento de Estado dos EUA estima que entre 600.000 a 820.000 homens,
mulheres e crianças são traficados nas fronteiras internacionais todos os anos, metade
dos quais são menores e incluindo um número recorde de mulheres e crianças a fugir do
Iraque. Em quase todos os países, incluindo Canadá, EUA e Reino Unido o exílio ou a
perseguição são as respostas usuais do governo, sem nenhum serviço de ajuda para as
vítimas.

Na República Dominicana as operações de um bando de tráfico de pessoas levaram à


morte por asfixia de 25 trabalhadores emigrantes haitianos. Em 2007, dois civis e dois
oficiais militares receberam sentenças de prisão indulgentes pela sua participação na
operação.

Na Somália em 2007 mais de 1400 etíopes e somalienses deslocados morreram no mar


em operações de tráfico de pessoas.
ARTIGO 5.º — NÃO À TORTURA

“Ninguém deverá ser submetido à tortura ou a tratamento ou castigo cruel, desumano ou


degradante. ”

Em 2008, as autoridades dos EUA continuaram a manter 270 prisioneiros na Baía de


Guantánamo, Cuba, sem acusação ou julgamento, sujeitos a "water–boarding," uma
tortura que simula o afogamento. O antigo Presidente, George W. Bush, autorizou a
CIA a continuar com a detenção e interrogação secretas, apesar das mesmas violarem a
le internacional.

Em Darfur a violência, as atrocidades e o sequestro são predominantes, e a ajuda


externa está praticamente cortada. Em especial as mulheres são vítimas de ataques
incessantes, com mais de 200 violações na vizinhança de um acampamento de pessoas
refugiadas num período de 5 semanas sem nenhum esforço por parte das autoridades
para castigar os autores.

Na República Democrática do Congo serviços de segurança do governo e grupos


armados cometem rotineiramente atos de tortura e maltrato, incluindo espancamentos
contínuos, facadas e violação dos que estão detidos por eles. Os detidos são mantidos
incomunicáveis, às vezes em lugares de detenção secretos. Em 2007 a Guarda
Republicana (guarda presidencial) e a divisão de polícia de Serviços Especiais em
Kinshasa deteve e torturou arbitrariamente numerosas pessoas qualificadas como
críticas do governo.

ARTIGO 13.º — LIBERDADE DE MOVIMENTO

“1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no
interior de um Estado.

“2. Todos têm o direito a abandonar qualquer país, incluindo o seu próprio, e de voltar a
seu país.

Em Myanmar, milhares de cidadãos foram detidos, incluindo 700 prisioneiros de


consciência, destacando a prémio Nobel Daw Aung San Suu Kyi. Em retaliação às suas
atividades políticas, nos últimos dezoito anos ela tem estado no total doze anos presa ou
sob prisão domiciliária, e recusou todas as ofertas do governo de libertação que
exigissem que ela abandonasse o país.

Na Argélia, refugiados e pessoas em procura de asilo foram vítimas frequentes de


detenção, expulsão ou maus tratos. 28 pessoas de países africanos subsaarianos com
status oficial de refugiados por parte do Alto Comissariado das Nações Unidas para
Refugiados (ACNUR) foram deportados para o Mali após serem falsamente julgados,
sem um advogado ou intérprete, sob acusações de entrar ilegalmente na Algéria. Foram
largados numa cidade do deserto, sem comida, água nem ajuda médica onde estava
ativo um grupo armado Mali.

No Quénia as autoridades violaram a lei internacional de refugiados quando fecharam a


fronteira a milhares de pessoas que fugiam do conflito armado na Somália. Os que
procuravam asilo foram detidos ilegalmente na fronteira do Quénia, sem acusações ou
julgamento e foram devolvidos à força para a Somália.

No norte do Uganda, 1,6 milhões de cidadãos permaneceram em campos de deslocados.


Na sub-região de Acholi, a área mais afetada pelo conflito armado, 63 porcento dos 1.1
milhões de pessoas deslocadas em 2005 ainda viviam em campos em 2007, com apenas
7.000 que regressaram definitivamente aos seus lugares de origem.

ARTIGO 18.º — LIBERDADE DE PENSAMENTO

“Todos têm liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a


liberdade de mudar a sua religião ou crença e a liberdade de manifestar a sua religião ou
crença no ensino, na prática, no culto e no cumprimento, quer seja só ou em
comunidade com outros e em público ou em privado. ”

Em Myanmar o conselho militar esmagou manifestações pacíficas conduzidas por


monges, fez buscas e fechou mosteiros, confiscou e destruiu propriedade, disparou,
golpeou e deteve manifestantes e acossou e deteve como reféns amigos e familiares dos
manifestantes.

Na China os praticantes de Falun Gong foram escolhidos para tortura e outros maus
tratos enquanto estavam em detenção. Os cristãos foram perseguidos por praticarem a
sua religião fora dos canais aprovados pelo Estado.

No Cazaquistão, as autoridades locais numa comunidade perto de Almaty autorizaram a


destruição de 12 lares, todos pertencentes a membros de Hare Krishna, alegando
falsamente que o terreno em que tinham sido construídas as casas tinham sido
adquiridos ilegalmente. Só foram destruídos lares pertencentes a membros da
comunidade Hare Krishna.

ARTIGO 19.º — LIBERDADE DE EXPRESSÃO

“Todos têm o direito à liberdade de opinião e de expressão. Este direito inclui a


liberdade para ter opiniões sem interferência e para procurar, receber e dar informação e
ideias através de qualquer meio de comunicação e sem importar as fronteiras. ”

No Sudão, dezenas de defensores dos direitos humanos foram presos e torturados pelos
serviços secretos nacionais e forças de segurança.
Na Etiópia, dois proeminentes defensores dos direitos humanos foram condenados por
falsas acusações e sentenciados a quase três anos na prisão.

Na Somália foi assassinado um proeminente defensor dos direitos humanos.

Na República Democrática do Congo o governo ataca e ameaça os defensores dos


direitos humanos e restringe a liberdade de expressão e de associação. Em 2007,
disposições do ato de Imprensa de 2004 foram usadas pelo governo para censurar os
jornais e limitar a liberdade de expressão.

A Rússia reprimiu a dissidência política, exerceu pressão sobre meios de comunicação


independentes ou fechou e perseguiu organizações não governamentais. Manifestações
públicas pacíficas foram dispersadas à força e advogados, defensores dos direitos
humanos e jornalistas foram ameaçados e atacados. Desde o ano 2000, os assassinatos
de 17 jornalistas, todos críticos das políticas e ações do governo, ainda permanecem por
resolver.

No Iraque, pelo menos 37 empregados iraquianos das redes de meios de comunicação


foram assassinados em 2008 e um total de 235 desde a invasão de março de 2003, o que
faz do Iraque o lugar mais perigoso do mundo para os jornalistas.

ARTIGO 21.º — DIREITO À DEMOCRACIA

“1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios públicos do seu
país, quer diretamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.

“2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas
do seu país.

“3. A vontade das pessoas será a base da autoridade do governo; esta vontade será
expressada em eleições periódicas e genuínas que serão universais e de sufrágio
igualitário e que serão realizadas mediante voto secreto ou procedimentos de voto livre
equivalentes. ”

No Zimbabwe, centenas de defensores dos direitos humanos e membros do principal


partido opositor, o Movimento para a Mudança Democrática (MCD), foram presos por
participar de reuniões pacíficas.

No Paquistão, milhares de advogados, jornalistas, defensores dos direitos humanos e


ativistas políticos foram encarcerados por exigirem a democracia, um Estado de Direito
e um poder judicial independente.

Em Cuba, no final de 2007, continuavam presos 62 presos políticos pelos seus pontos
de vista políticos ou atividades não–violentas.