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Seminário Presbiteriano

Renovado Brasil Central


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I N T R O D U Ç Ã O A O N O V O T E S T A M E N T O

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Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo
a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança,
recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.
Hebreus 9.15
APRESENTAÇÃO

O estudo do Novo Testamento é uma tarefa


magnífica, no entanto, desafiadora. Há um
distanciamento temporal muito grande entre nós e
os autores neotestamentários. Eles escreveram para
ouvintes do primeiro século da era cristã,
portanto, toda a mensagem está inserida naquela
contexto histórico.
A tarefa de reduzir esse distanciamento
cabe a nós, estudiosos da Bíblia. A disciplina O Partenon ou Partenão (em grego antigo
Introdução ao Novo Testamento é a primeira Παρθενών, em grego moderno
Παρθενώνας) foi um templo da deusa
ferramenta que temos à mão para um estudo sério
grega Atena, construído no século V a.C.
das Escrituras, por isso busca-se aqui fazer um na acrópole de Atenas. É o mais
levantamento e familiarização do ambiente e conhecido dos edifícios remanescentes da
conteúdo do Novo Testamento, bem como, Grécia Antiga e foi ornado com o melhor
focalizar os principais problemas críticos como: a da arquitetura grega

origem dos evangelhos, fontes, autoria, data,


destino, propósito e canonicidade; concedendo assim, ferramentas para que o aluno possa
ampliar seu conhecimento histórico-teológico do Novo Testamento.
Diante de um contexto, em que as regras básicas de interpretação têm sido ignoradas
pelos pseudo-pregadores, precisamos reafirmar a importância de se buscar a intenção do
autor bíblico, mantendo-se sempre fiel à Palavra de Deus. Fica claro a necessidade de um
estudo conciso de todo o contexto histórico, político, econômico e social do mundo antigo do
Novo Testamento, pois sem esse “contexto” e sem o seu “ambiente" as palavras das Escrituras

podem tomar rumos diferentes daqueles almejados pelos autores. Desejamos um bom curso
para todos. Pr. Wendel Porto & Pr. Sergio Dario.

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INTRODUÇÃO

A expressão grega Η Καινη Διαθηκη (Hê Kainê Diathêkê),


significa "A Nova Aliança" ou Testamento. Foi originalmente usada
pelos primeiros cristãos para descrever suas relações com Deus (2 Co
3.6-15; Hb. 9.9-20) e posteriormente para designar uma coleção
específica de 27 livros.
Ao falarmos em testamento, estamos falando em “pacto”,
“aliança”. Temos a velha aliança (Antigo Testamento) e a nova
aliança (Novo Testamento). O Novo Testamento fala do
cumprimento que o Antigo promete, Cristo. Que veio inaugurar o
novo pacto.
Novo Testamento quer dizer “Novo Pacto” – contrastando com o antigo pacto,
Deus perdoava transgressões à vista de sacrifícios de animais. Um testamento passa a
ter validade com a morte do testador, assim, o Novo Pacto entra em vigar em face da
morte de Jesus (Hebreus9.15-17).
Ao contrário do Antigo Testamento, que levou mais de mil anos para ser escrito,
o novo foi escrito em cerca de 50 anos.
- Escrito em grego (com algumas porções em aramaico).
- Autores:
- Apótolos: - Não Apóstolos:
- Pedro - Marcos
- João - Lucas
- Mateus - Tiago
- Paulo - Judas

Os livros não foram escritos da forma que temos hoje na Bíblia.

DIVISÃO DO NOVO TESTAMENTO

A. Evangelhos (4)
a. Sinóticos: b. João
i. Mateus i. S
ii. Marcos ii. E
iii. Lucas iii. s

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B. Histórico (1)
a. Atos dos Apótolos

C. Epístolas (21)
a. Epístolas Paulinas: 13
i. Romanos vii. Colossenses
ii. I Coríntios viii. I Tessalonissenses
iii. II Coríntios ix. II Tessalonissenses
iv. Gálatas x. I Timóteo
v. Efésios xi. II Timóteo
vi. Filipenses xii. Tito
xiii. Filemon

b. Gerais: 8
i. Hebreus! v. I João
ii. Tiago vi. II João
iii. I Pedro vii. III João
iv. II Pedro viii. Judas

D. Profético (1)
a. Apocalipse

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CONTEXTO HISTÓRICO DO NOVO TESTAMENTO

Para um estudo adequado do Novo Testamento é necessário ter em mente:


• A situação política (domínio romano, as divisões da Palestina)
• A dispersão judaica (judeus em cada cidade principal do Império Romano)
• Uma sociedade Urbana
• A língua (grego e aramaico; hebraico limitado aos eruditos)
• Exclusivismo judaico
• Enfase sobre a Torá
• O Sinédrio
• A Sinagoga e a escola
• Seitas religioso-políticas (saduceus, fariseus, essênios, escribas, zelotes.
Herodianos, zadoqueus, etc.)
• Literatura extra-canônica (apócrifos e pseudo-epígrafos)
• O fim da idolatria (monoteísmo)
• Doutrina explícita da ressurreição
• Doutrina de anjos, demônios, etc.

Portanto, faz-se necessário analizar três classes distintas para entendermos melhor o
contexto do Novo Testamento: a história política, as instituições e as seitas religiosas.

PERÍODO INTERBÍBLICO1

Esse período teve a duração de aproximadamente 450 anos. Normalmente se faz


referência a esse tempo como uma época em que Deus esteve em silêncio para com o
seu povo. Nenhum profeta de Deus se manifestou ou, pelo menos, nenhum deixou
escritos que tenham sido considerados canônicos.

O Antigo Testamento se encerra com Israel sob dominação Persa. No Novo


Testamento o domínio é dos Romanos. Neste período entre o Antigo e o Novo
Testamento existem 4 épocas distintas:

a. O Império Persa
b. O Império Grego
c. O Domínio Macabeu (ou hasmoneu)
d. O Império Romano

1
Este tópico (Período Interbíblico) é resultado de anotações das leituras deste professor e do material colhido no
site: http://espacodevida.blogspot.com/2008/02/perodo-interbblico.html - acessado em 22/01/2009.

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I. O IMPÉRIO PERSA - FINAL DO V.T. – 538 A 332 A.C.

Relembrando: O Reino do Norte (Israel)


havia sido conquistado pelos Assírios em Estensão do Império Persa
722 a.C por Sargão, II Reis 16.6.
• Judeus foram deportados para
Assíria e outros lugares.
• Outros povos foram importados
para povoarem Samaria.
OBS: A política de dominação da Assíria
era de destruir principalmente a
linguagem nacional do povo dominado.
(Unir todos os povo em um só)
O Reino do Sul (Judá) havia sido conquistado pelos Babilônios em 605 a.C. Em 612 os
Assírios foram conquistados pelos babilônios com nabopolassar.
• Membros da família real e líderes ricos foram levados para a Babilônia
o Surgimento da sinagoga
o Ênfase no ensino da Toráh – sábado, circuncisão e jejum

O Velho Testamento termina com as palavras de Malaquias, o qual profetizou


entre 450 e 425 a.C.. Nesse tempo, a Palestina já estava sob o domínio do Império Persa
que se estendeu até o ano 332 a.C..

Ciro deu ordem para os judeus voltarem para sua terra. Cerca de 50.000
voltaram. A maioria ficou na Babilônia, pois já haviam se estabelecido, conquistado
posição de autoridade e bens.

Na palestina, o momento é marcado por uma forte divisão entre samaritanos,


devida a tentativa de construção de um templo no monte Gerizim.

Embora o rei Ciro tenha autorizado os judeus a retornarem do exílio, o domínio


Persa continuava sobre eles. De volta à Palestina, o povo judeu passou a ter um governo
local exercido pelos sumo sacerdotes, embora não houvesse independência política.
Eram comuns as disputas pelo poder. Contudo, os judeus foram leais ao governo persa.

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II. O IMPÉRIO GREGO - 331 A 167 A.C.

Paralelamente ao Império Persa,


crescia o poder de um rei macedônico,
Felipe, o qual empreendeu diversas
conquistas na Ásia menor e ilhas do mar
Egeu, anexando a Grécia ao seu domínio.
Desejando expandir seu território, entrou
em confronto com a Pérsia, o que lhe
custou a vida. Foi sucedido por seu filho,
Alexandre Magno, que também ficou
conhecido como Alexandre, o Grande, o qual havia estudado com Aristóteles.
Alexandre tinha 20 anos quando começou a governar. Seu ímpeto imperialista lhe levou
a conquistar a Síria, a Palestina (331 a.C.) e o Egito.

No Egito, Alexandre construiu uma cidade em sua própria homenagem, dando-


lhe o nome de Alexandria, a qual se encontrava em local estratégico para o comércio
entre o Mediterrâneo, a Índia e o extremo Oriente. Essa cidade se tornou também
importante centro cultural, substituindo assim as cidades gregas. Entre suas
construções destacaram-se o farol e a biblioteca.

Alexandre o Grande

Em 331, Alexandre se dedicou a libertar algumas cidades


gregas do domínio da Pérsia. Seu sucesso militar foi tão grande que
considerou-se capaz de enfrentar a própria capital do império. E
assim conquistou a Pérsia. Contudo, nessa batalha, que ficou
conhecida como Arbela ou Gaugamela, as tropas gregas tiveram de
enfrentar um exército de elefantes, os quais foram usados pelo rei da
Pérsia. Alexandre venceu o combate, mas os elefantes foram motivo
de grande desgaste para seus soldados. Alexandre se denominou
então "Rei da Ásia" e passou a exigir para si o culto dos seus
subordinados, de conformidade com as práticas babilônicas.

Em 327 a.C., em suas batalhas de conquista rumo ao Oriente, Alexandre encontra


outro exército de elefantes, o que fez com que seus soldados se amotinassem,
recusando-se a prosseguir. Terminaram-se assim as conquistas de Alexandre Magno.
Em 323 a.C., foi acometido pela malária, que lhe encontrou com o organismo debilitado

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pela bebida. Não resistiu à doença e morreu naquele mesmo ano. Não deixou filhos,
embora sua esposa, Roxane, estivesse grávida.

Este período ficou marcado pelo crecimento rápido da cultura grega, que se
epalhou rapidamente por meio do comércio e colonização. A língua grega se tornou
franca – usada no comércio e na diplomacia. Alexandre fundou mais de 70 cidades, com
elas ele levou a cultura, a religião, os esportes e a filosofia.

Quanto aos judeus, Alexandre os tratou bem e teve muitos deles em seu exército.
Após a sua morte, o Império Grego foi divido entre os seus generais em quatro partes:

1. Egito – Ptolomeu
2. Síria – Seleuco
3. Macedônio – Cassandro
4. Trácia – Lisimaco

Os que nos interessam são Ptolomeu, a quem coube o governo do Egito, e


Seleuco, que passou a governar a Síria.

O Governo dos Ptolomeus

O governo Ptolomeu centralizava seu poder no Egito e a capital era Alexandria.

A palestina foi dominada pelos Ptolomeus por 122 anos (320 a 198 a.C.)

Eis os nomes que se sucederam enquanto a Palestina esteve sob o seu governo
(323 a 204 a.C.):

Ptolomeu I (Sóter) - 323 a 285 a.C.

Ptolomeu II (Filadelfo) - 285 a 246 a.C. – Durante o seu governo foi elaborada, em
Alexandria, a Septuaginta, tradução do Antigo Testamento para o grego. Filadelfo foi
amável com os judeus.

Ptolomeu III (Evergetes) – 246 a 221 a.C.

Ptolomeu IV (Filópater) - 221 a 203 a.C. - Ao voltar de uma batalha contra a Síria,
Filópater visitou Jerusalém e tentou entrar no Santo dos Santos. Contudo, foi acometido

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de um pavor repentino que o fez desistir do seu propósito. Foi um grande perseguidor
dos judeus.

Ptolomeu Epifânio – 203 a 181 a.C. – Tinha 5 anos de idade quando seu pai,
Filópater morreu. Aproveitando a situação, Antíoco - o Grande, rei da Síria, toma o
poder sobre a Palestina no ano 204.

O Governo Dos Selêucidas

O governo Selêucida centralizava seu poder no Síria e a capital era Antioquia.

Os reis da Síria, descendentes do general Seleuco, foram chamados Selêucidas.

De 204 a 166 a.C., a Palestina esteve sob o domínio da Síria. Eis a relação dos
selêucidas do período:

Antíoco III - O Grande – 223 a 187 a.C. Em 198 a.C. Antíoco III derrotou o Egito.

Seleuco IV (Filópater) – 187 a 175 a.C.

Antíoco IV (Epifânio) - 175 a 163 a.C. - Em Israel, o governo local era exercido por
Onias, o sumo sacerdote. Contudo, Epifânio comercializou o cargo sacerdotal,
vendendo-o a Jasão por 360 talentos. Epifânio se esforçou para impor a cultura e a
religião grega em Israel, atraindo sobre si a inimizade dos judeus. Tendo ido ao Egito,
divulgou-se o boato da morte de Epifânio, motivo pelo qual os judeus realizaram uma
grande festa. Ao tomar conhecimento do fato, o rei da Síria promoveu um grande
massacre, matando 40 mil judeus.

Em 168 a.C., Antíoco Epifânio sacrifica uma porca sobre o altar em Jerusalém e
entra no Santo dos Santos. Ordena que o templo dos judeus seja dedicado a Zeus, o
principal deus da mitologia grega, ao mesmo tempo em que proíbe os sacrifícios
judaicos, os cultos, a circuncisão e a observância da lei mosaica.

Segue-se então um período em que não houve sumo sacerdote em atividade em


Jerusalém (159 a 152 a.C.). Realiza-se então um processo de helenização radical na
Palestina. Foi erguido um ginásio com pistas de corridas, onde judeus despidos se
exercitavam (causando escândalo aos judeus piedosos); Foram implantados teatros
gregos, vestimentas, cultura; Acontecem cirurgias para tirar as marcas da circuncisão e
mudança de nomes hebreus para gregos; tempo de um politeísmo profundo.

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Neste contexto surgem os “hassidins” = “piedosos”, eles se opõem a tudo o que
está acontecendo.

Após regressar à Síria, em 168 a.C. Antíoco enviou seu general Apolônio com
22.000 homens para:

1. Coletar impostos,
2. Tornar ilegal o judaísmo,
3. Estabelecer o paganismo (à força)

Com o objetivo de consolidar seu império e refazer seu tesouro.

1. Saquearam Jerusalém
a. Derrubaram suas casas e muralhas
b. Incendiaram o que sobrou
2. Homens judeus foram mortos, mulheres e crianças foram escravizadas.
3. Tornou-se ofensa capital
a. Circuncidar
b. Observar o sábado
c. Celebrar as festividades judaicas
d. Possuir cópias do A.T. (Foram queimadas)
4. Sacrifícios pagãos se propagaram
a. A Dionízio – o deus do vinho.
b. Foi consagrado um altar a Zeus no Templo
5. Animais imundos foram colocados no Templo e a prostituição “sagrada”
passou a ser praticada no recinto do Templo (desolação total).

Vendo todos os seus valores nacionais sendo destruídos e profanados, os judeus


reagiram contra Epifânio.

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O GOVERNO DOS MACABEUS - 167 A 37 A.C.

Território Governado Pelos Asmoneus (Macabeus)

Surge no cenário judaico uma importante família da


tribo de Levi: os Macabeus. Em 167, o macabeu Matatias se
recusa a oferecer sacrifício a Zeus. Outro homem se
ofereceu para sacrificar, mas foi morto por Matatias, o qual
organiza um grupo de judeus para oferecer resistência
contra os selêucidas. Tal movimento ficou conhecido como
a Revolta dos Macabeus. A Palestina continuou sob o
domínio da Síria. Contudo, a Judéia voltou a possuir um
governo local, exercido pelos Macabeus. Ainda não se
tratava de independência, mas já havia alguma autonomia.
A seguir, consta nomes de governantes macabeus e alguns
de seus atos em destaque.

Matatias (167-166 a.C.)

Judas (filho de Matatias) (166-160 a.C.) - Purifica o


templo, conquista liberdade religiosa, restabelece o culto.

Jônatas (filho de Matatias) (160-142 a.C.) – Reinicia a atividade de sumo


sacerdote.

Simão (filho de Matatias) (142-135 a.C.) - Reforça o exército e consegue isenção de


impostos. Nesse momento a Síria se encontrava fraca, e a Judéia se torna independente.
A independência durou entre 142 e 63 a.C.. Simão foi sumo sacerdote e rei da Judéia.
Pediu apoio de Roma contra a Síria.

João Hircano (filho de Simão) (135-104 a.C.) – Tinha tendência imperialista.


Conquistou a Iduméia e Samaria. Destruiu o templo samaritano e sofreu oposição dos
"hassidim", seita dos "santos".

Aristóbulo I – (104-103 a.C.) – prendeu a mãe e matou o irmão.

Alexandre Janeu (103-76 a.C.) - conquistou costas da Palestina – O território de


Israel chegou a ter extensão semelhante à que tinha nos dias do rei Davi. Janeu sofreu a
oposição dos fariseus.

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Alexandra Salomé (esposa de Alexandre) (76-67 a.C.) – foi uma governante
pacífica.

Aristóbulo II - (67-63 a.C.) briga pelo poder com seu irmão, Hircano II.

Em 63 a.C., Aristóbulo provoca Roma. Pompeu invade Jerusalém, deporta


Aristóbulo e coloca Hircano II no poder.

Hircano II (63-40 a.C.)

Em Roma, o governo é exercido por Pompeu, Crasso e Júlio César, formando o


primeiro Triunvirato. O três brigam entre si pelo poder. Júlio César vence e torna-se
Imperador Romano. Em seguida, nomeia Antípatro, idumeu, como procurador sob as
ordens de Hircano. Faselo e Herodes, filhos de Antípatro, são nomeados governadores
da Judéia e Galiléia.

Um ano depois, Antípatro morre envenenado. Passados 3 anos, o Imperador


Júlio César morre assassinado. Institui-se um novo triunvirato, formado por Otávio,
sobrinho de César, Marco Antônio e Lépido. Marco Antônio e Herodes eram amigos.

Herodes casa-se então com Mariana, neta de Hircano, vinculando-se assim à


família dos macabeus.

Na tentativa de tomar o poder, Antígono, filho de Aristóbulo II, corta as orelhas


de Hircano II, impossibilitando-o de continuar a exercer o sumo sacerdócio.

Antígono (40-37 a.C.) - Uma de suas ações foi perseguir Herodes, o qual dirigiu-
se a Roma, denunciou a desordem e foi nomeado rei da Judéia (37 d.C.). Antígono foi
morto pelos romanos.

Termina assim, a saga dos macabeus, cujo princípio foi brilhante nas lutas contra
a Síria. Entretanto, foram muitas as disputas pelo poder dentro da própria família.
Perderam então a grande oportunidade que os judeus tiveram de se tornarem uma
nação livre e forte. Acabaram caindo sob o jugo de Roma.

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O IMPÉRIO ROMANO – 63 A. C. A 134 D.C.

Sendo nomeado por Roma como rei da


Judéia, Herodes passou a governar um grande
território. Contudo, sua insegurança e medo
de perder o poder o levaram a matar
Aristóbulo, irmão de Mariana, por
afogamento. Depois, matou a própria esposa e
estrangulou os filhos.

A violência de Herodes provocou a revolta dos judeus. Para apaziguá-los, o rei


iniciou uma série de obras públicas, entre as quais a construção (reforma) do templo,
que passou a ser conhecido como Templo de Herodes.

O domínio direto do Império Romano sobre a Palestina iniciou-se no ano 37 a.C.,


estendendo-se por todo o período do Novo Testamento.

Dois momentos do governos romano:

1. Sob Herodes, o Grande 63 a.C. a 04 a.C.


a. Em 63 o general Pompeu entrou em Jerusalém e designou a Antipater
como procurador e Hircano como Sumo-Sacerdote.
b. Os filhos de Antipater:
i. Fasael – governador da Judéia.
ii. Herodes – governador da Galiléia
c. Em 40 a.C. Herodes recebeu o título de “Rei dos Judeus”.
2. Sob os procuradores 4 a.C. a 70 d.C.
a. 14 homens designados para governar a Judeia (procuradores)
b. Culminou na Revolta Judaico-Romana em 66 d.C. a 70 d.C.
i. Jerusalém foi tomada
ii. O templo foi destruído
iii. E o sacrifício foi encerrado até hoje.

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AMBIENTE RELIGIOSO

O Judaísmo

A fé judaica era tolerada e respeitada nestes países estrangeiros. E até atraía


convertidos. Os judeus gozavam de privilégios especiais, como a permissão de observar
o “Sabbath”, coletar e administrar impostos para seu próprio uso e arbitrar disputas
legais entre membros do seu grupo. Por acordo,estavam isentos de prestar sacrifícios
aos deuses nacionais e cívicos. Ser judeu significava seguir a Lei Mosaica e reconhecer o
Templo em Jerusalém, como centro legitimador de sua tradição, enviar o imposto anual
de manutenção do Templo (meia moeda de prata), e ir a Jerusalém pelo menos para
uma das três festas anuais de peregrinos. Em geral, a Diáspora deve ter oferecido
oportunidade ao menos tão boa quanto a existente na Palestina, visto que pelo século I
D.C., havia mais judeus vivendo fora da Palestina do que nela, o que acontece até hoje.

Grupos Religiosos dos Judeus

Como já vimos antes, com a conquista de Alexandre, o helenismo mudou a


mentalidade do Oriente Médio, alguns judeus se apegaram ainda mais tenazmente do
que antes à fé de seus pais, ao passo que outros se dispuseram a adaptar seu
pensamento às novas idéias que emanavam da Grécia. Por fim, o choque entre o
helenismo e o judaísmo deu origem a diversas seitas judaicas.

Escribas

Existiam no V.T., não formando uma classe como nos dias de Jesus, mas como
secretários dos reis ou do exército. Registravam as histórias, as genealogias e as batalhas
com seus sucessos e derrotas (II Rs 25:19, ICr 2:55, Ed 7:6, Ne 8:1-4). No exílio os escribas
se fortaleceram.

Antes do cativeiro Babilônico existiam poucas cópias da Lei. Atuando como


copistas, os escribas supriram a falta dos livros da Lei, dos Salmos e dos Profetas. Essa
circunstância acabou conduzindo os escribas de mero copistas a intérpretes da Lei.
Quando os judeus voltaram de Babilônia, Esdras e depois Neemias tornaram-se grandes
escribas-intérpretes (Ed.7:6 , Ne.8:14). No tempo de Herodes , os Escribas eram
considerados autoridades na interpretação das Escrituras, tanto assim que o poderoso
monarca incumbiu-lhes de descobrir onde nasceria o Cristo ( Mt. 2:4 ).

Os Escribas que se ocupavam do ensino eram chamados Rabi ou Rabino.


Exerciam grande influência e gozavam de distinção entre o povo. Eles, juntamente com
os Sacerdotes e os Anciãos, formavam o Sinédrio.

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Fariseus

O termo significa “Separados“ . O nome fariseu não consta no V.T. Surgiram


provavelmente no período interbíblico . O historiador Flávio Josefo menciona-o em 145
a .C. como uma seita já existente. O nome fariseu foi dado á seita em virtude de sua
rígida observância aos preceitos da Lei de Moisés. Era o partido maioral nos dias de
Jesus, no entanto foram responsabilizados por Jesus por tantos crimes, injustiças e
hipocrisia. O povo os considerava como grandes mestres e homens piedosos. José de
Arimatéia, Simão, Nicodemos, Gamaliel e Saulo de Tarso eram Fariseus, sendo que
alguns se converteram ao cristianismo.

Os Fariseus eram conceituados entre os judeus, enquanto os Saduceus o eram


entre os romanos. Mantinham um zelo fanático pela Lei das Purificações evitando o
contato com os pecadores, isto é, com pessoas que abertamente violavam a lei. Um
exemplo é a mulher pecadora que entra na casa de Simão á hora do jantar. Ela unge os
pés do Senhor e chora sobre eles, provocando a censura velada do fariseu... (Lc. 7 : 36 a
50).

Crenças dos fariseus

Acreditavam na doutrina da ressurreição do corpo, na existência de Anjos e


achavam que a alma é imortal e espiritual. Criam que a Lei Oral, dada por Deus a
Moisés sobre o monte Sinai, transmitida à posteridade por meio das tradições, têm a
mesma autoridade que a Lei Escrita. Observando esta lei, o homem não somente obtém
justificação de Deus, mas pode alcançar obras meritórias. Os jejuns; esmolas; oblações,
etc... Expiam suficientemente o pecado. Criam em Deus como criador e governador de
tudo. Criam na existência de espíritos bons e maus, na vida após a morte onde os justos
serão galardoados e os maus castigados. Um Fariseu não podia comer na casa de um
pecador (alguém que não praticasse o farisaísmo) embora pudesse acolher um pecador
em sua própria casa, dando-lhe vestes adequadas. A observância do sábado era ponto
de honra.

Saduceus

Origem incerta. Crê-se que as doutrinas e práticas peculiares dos Fariseus, deram
naturalmente origem ao sistema dos Saduceus.

Segundo Enéas Tognini, em seu livro “O Período Interbíblico”, os Saduceus


saíram dos judeus liberais da Babilônia, que se acomodavam às circunstâncias daquele
país e contra quem levantou o grupo reacionário dentre os Escribas, primando pela

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pureza da Lei de Jeová. Os primeiros no decorrer dos tempos se tornaram os Saduceus e
os últimos os Fariseus.

O ponto fundamental do pensamento dos Saduceus era a negação da Lei Oral,


admitida pelos Fariseus como dada por Deus a Moisés. Isto significa negar a Tradição,
ponto saliente da doutrina farisaica. Para o Saduceu, só é Lei, a Lei Escrita.

Os saduceus freqüentavam regularmente o templo e tomavam parte no culto,


onde os profetas eram lidos.

Crenças dos saduceus

Sustentavam algumas doutrinas tais como : “a Mortalidade da Alma.”

O Novo Testamento nos retrata essa crença (Mt 22:23, Mc 12:18, Lc 20:27, At 23:8).
Os saduceus eram céticos, materialistas, livres pensadores dos dias de Jesus e não
acreditavam na ressurreição. Outra doutrina na qual eles não criam, era na existência
dos anjos. A seita dos saduceus era pequena, porém muito conceituada, pois os
membros que a integravam eram ricos e influentes.

Eram mais políticos que religiosos. Juntamente com os fariseus faziam parte do
Sinédrio.

Essênios

Eram separatistas, isto é, não faziam parte do corpo eclesiástico judaico,


formando uma congregação distinta, inteiramente à parte tanto do judaísmo como das
outras crenças existentes. Não foram mencionados no N.T. e o que sabemos sobre eles
está nos escritos de Flávio Josefo, Plínio e Filon. No livro apócrifo de I Macabeus 7:13
aparece o termo “chasid” = puritanos, de onde derivou a palavra essênio .Eram ascetas e
místicos. Afastaram-se dos demais judeus e viviam em comunidades nas ermas regiões
do mar morto. Como judeus da Palestina e Síria, falavam o aramaico. Os essênios
apareceram como uma reação natural ao mundanismo e imoralidade dos grandes
centros. Muitos eram celibatários e dedicavam-se a curas por meio de plantas.

Possuíam hábitos alimentares muito simples. Sustentavam além das doutrinas


tradicionais do judaísmo, certas doutrinas secretas que lhes estavam vedadas revelar a
quem não fosse membro da seita.

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Herodianos

Formavam um partido mais político do que religioso. Eram um com os saduceus


em religião, divergindo apenas em alguns pontos políticos.

Em Mt 16:6, Jesus previne os discípulos contra o fermento dos fariseus


(hipocrisia) e em Mc 8:15 previne contra os herodianos (extorsão, crime, violação e
injustiça). Esta seita nasceu com Herodes “o grande” cuja política era de subserviência
aos romanos, portanto, sustentavam que os judeus deviam pagar tributo a César. Em Dt
17:15 lemos: “ certamente estabelecerás como rei sobre ti, aquele que Jeová teu Deus
escolher. A um dentre os teus irmãos estabelecerás como rei sobre ti; Não poderás por
sobre ti um estrangeiro que não seja teu irmão”. Herodes e seus descendentes eram
Idumeus, por tanto, usurpadores do trono judeu, dignos do ódio dos conservadores
fariseus.

Fariseus e herodianos eram inimigos irreconciliáveis, no entanto, se uniram


contra Cristo e urdiram planos para O apanharem (Mt 22:17). Os herodianos admitiam a
construção de templos de idolatria aos romanos o que era um insulto aos judeus,
causando revoltas.

Zelotes

Josefo diz que os zelotes descendem de Judas de Gâmala que incitou os judeus a
uma revolta contra os romanos, na ocasião de taxar os impostos no ano de 6 a.C. Os
zelotes são conhecidos como galileus porque o fundador da seita era da Galiléia. O
termo Zelote significa: homem de ação ou de Zelo, indicando o fanatismo em observar a
Lei de Moisés.

Achavam que a Lei devia ser guardada mesmo à custa da espada, carregavam
sempre uma pequena espada romana chamada sica que com o tempo acabou dando
nome ao grupo (sicários). Terminantemente se recusavam a pagar tributo a César e
faziam levantes para resistir aos romanos (At 5:37 ). O grupo foi se degenerando até se
tornarem bandidos e salteadores. Jesus teve um apóstolo que pertenceu a esta seita.
Lucas o apresenta como Simão chamado zelote (Lc 6:15), Mateus e Marcos o chamam de
Simão Cananita , equivalente aramaico do grego zelote. Jesus não apoiou os zelotes pois
pagou tributo e ensinou respeito às leis, submetendo-se Ele mesmo como homem às leis
de seu povo e daqueles que governavam a Palestina.

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Instituições Judaicas

As principais instituições dos judeus nos dias de Jesus eram: o Templo, as


Sinagogas e o Sinédrio.

O Templo

Modelo do Templo de Herodes


O templo de Jerusalém era a coroa de glória dos
judeus. Situado no monte Moriá, dominava a paisagem
por sua grandiosidade e beleza. O primeiro templo foi
construído por Salomão e destruído pelas tropas de
Nabucodonozor em 586 a.C.. O segundo templo
começou em 537 a.C. onde é mencionado por Ageu e
Zacarias, profetas desta época. Foi concluído em 516
a.C. (Ed 6: 13-15). Este templo durou até os dias de
Herodes que no ano 37 a.C. tomou a cidade e algumas
partes do templo foram incendiadas.

O novo prédio foi sendo construído e o velho demolido gradativamente. A obra


durou 46 anos (João 2:20). As grandes festas atraíam multidões à cidade e a adoração
centrava-se no templo. Havia cultos às 9:00, 12:00 e 15:00 horas. Os sacerdotes serviam
por turmas e observava-se um elaborado ritual de sacrifícios por diversos tipos de
pecados. Os judeus tinham autorização dos romanos para terem um corpo de polícia
destinada a manter a ordem dentro do recinto sagrado. O destacamento era entregue a
um capitão do templo (At 4:1). É possível que tenha sido esse destacamento que
prendeu Jesus bem como Pedro e João.

A Sinagoga

Ruínas de uma Sinagoga dos Tempos de Jesus


O termo “Sinagoga” significa Reunião ou Casa
de Reunião. Elas apareceram enquanto os judeus
estavam exilados na Babilônia e logo se espalharam
por todo o mundo onde havia Judeus esparsos. Pensa-
se que em Jerusalém nos dias de Jesus, havia centenas
de Sinagogas. Em cada bairro, vila ou aldeia havia
uma conforme o número da população e exercia uma
influência poderosa e benéfica sobre a comunidade. A

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Sinagoga era controlada por 10 oficiais de boa reputação e cultura, inclusive aptos para
o estudo da Lei.

Três deles eram chamados de “Chefes da Sinagoga” e compunham um tribunal


para a solução de questões internas como dívidas, roubos, perdas, restituições,
admissão de prosélitos, eleições, etc... Outro era o Oficial ou Mensageiro da Sinagoga e
sua tarefa era dirigir as orações, superintender a leitura da Lei e conforme a ocasião,
pregar. Três deles serviam de diáconos, cuidavam dos pobres e cobravam esmolas de
casa em casa. Outro era o “Targumista” ou Intérprete atuando sempre quando a leitura
das escrituras era feita. Outros dois não tinham função muito bem definida. O
subalterno ou hazzan, atuava como conservador da propriedade e tinha o dever de
cuidar do edifício e de tudo quanto dentro dele havia. O assistente tinha o dever de
trazer o rolo para que a leitura fosse feita e depois retorná-lo no seu nicho, numa espécie
de Arca (Lc 4:20).

O culto na Sinagoga consistia na recitação do credo judaico ou Shema: “ouve ó


Israel; Jeová nosso Deus é o único Deus. Amarás, pois, a teu Deus de todo o teu coração,
e de toda a tua alma, e de toda as tuas forças.” (Dt 6:4-5).

Frases de louvor chamadas “Bekarot” que começavam com a palavra Bendito,


surgiam de todos no auditório. A seguir o Chefe da Sinagoga orava em voz alta. Depois
havia um momento de oração silenciosa, seguia-se a leitura das Escrituras, no
Pentateuco ou nos profetas, seguida de um sermão explicativo. O culto era encerrado
por uma bênção pronunciada por algum membro sacerdotal.

A sinagoga por dentro

As sinagogas são de uma beleza impressionante. Contudo, essa não é uma


grande preocupação de seus arquitetos. A despeito desse aspecto estético exterior, há
três fatores essenciais que devem ser rigorosamente observados no que se refere às
mobílias de uma sinagoga:

Arca

Esse componente é tido como o “sacrário da Torá”, ou seja, nela é guardada os


rolos da Torá, os cinco primeiros livros de Moisés, onde se baseiam as leituras aos
sábados.

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Bimá

É uma espécie de tribuna onde o ministrante faz a leitura da Torá e dos Profetas e
profere bênçãos (da Torá) sobre os presentes. Esdras, ao ensinar a Palavra de Deus ao
povo de Israel, ministrou sobre um estrado, o que equivaleria a uma tribuna das
sinagogas atuais: “E Esdras, o escriba, estava sobre um púlpito de madeira, que fizeram
para aquele fim; e estava em pé junto a ele...” (Ne 8.4).

Assentos

O assento mais importante é o que a Bíblia chama de “cadeira de Moisés”: “Então


falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, dizendo: Na cadeira de Moisés estão
assentados os escribas e fariseus” (Mt 23.1,2). E era justamente nessa cadeira que se
sentava o presidente da sinagoga. Segundo alguns, a distribuição dos assentos seguia
uma ordem, uma organização. Por exemplo, os anciãos se sentavam próximo à Arca, de
frente à platéia, os membros mais distintos à frente, os mais jovens atrás, e assim por
diante.

O Sinédrio
Quadro de Uma Reunão do Sinédrio
Era a Corte Suprema dos judeus. Segundo Josefo, o
Sinédrio apareceu em 57 a.C., quando Gabino, governador
romano da Síria, dividiu a Palestina em 5 províncias e em
cada uma instalou um Tribunal de Justiça .

Compunha-se de 70 membros normalmente entre os


fariseus, saduceus, membros da família do sumo sacerdote
e escribas. O sumo-sacerdote era o seu presidente. Antes da dominação romana, o
Sinédrio tinha o direito de condenar à morte e executar o condenado. Os romanos
cassaram aos judeus, o poder de executar alguém. Podiam condenar mas a sentença
caberia ao governador romano, salvo casos de blasfêmia, como o de Estevão (At 7) em
que o Sinédrio executava a vítima sem a interferência de Roma por apedrejamento.

O Sinédrio não podia reunir-se à noite senão depois do nascer do sol.

O julgamento de Jesus pelo Sinédrio foi ilegal pois se processou à noite (Mc
14:53-65, Mt 26:57, Lc 22; 54-65, João 18:24). O Sinédrio desaparece como instituição no
ano 70 d.C. quando Jerusalém é destruída . Apesar das diversas tendências, partidos e
seitas, havia pontos fundamentais que todos os judeus sustentavam, como o
monoteísmo e a esperança messiânica.

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O CÂNON DO NOVO TESTAMENTO

I – Definindo Cânon.

A palavra grega kanw,n significa “vara”, “cano”. Daí surgiu um outro significado
“vara de medir”, mas com o passar do tempo adquiriu o sentido de “padrão”.

No século IV a palavra passou a ser adotada para os escritos do Novo


Testamento, tratava-se do padrão segundo o qual os escritos que são universalmente
reconhecidos como apostólicos e poderiam, portanto, serem lidos nos cultos em todas as
igrejas cristãs.

Hoje a palavra é usada para designar a diferença entre os escritos que são
fundamentos para a fé, o ensino e a vida das igrejas cristãs, e os outros escritos dos
primeiros tempos que servem apenas como fundamentos da história da igreja ou da
história das heresias.

II – Surgimento do Cânon do Novo Testamento.

Já nos escritos dos pais da igreja: Clemente de Roma, Inácio, Policarpo e Papias
descobrimos que suas discussões se baseavam não somente em Jesus Cristo, mas
também nas Escrituras2.

Temos informações um pouco mais exatas nos anos 130 a 140 d.C. por meio de
Policarpo e Clemente de Alexandria, que nos seus escritos fazem menção dos
evangelhos de Mateus e Lucas. Isso poderia ser uma indicação de que na metade do
século II já havia uma coletânea dos quatro evangelhos, que vinham cada vez mais
sendo reconhecidos nas igrejas da antiguidade, enquanto também evangelhos apócrifos
e tradições orais sobre Jesus eram difundidos.


2Como Escrituras aqui temos o Antigo Testamento e os Evangelhos. Os escritos paulinos também eram aceitos
como autoridade reconhecida, mas não havia nenhum indício de um cânon definido naquela época. Mesmo
assim, já deve ter existido uma coletânea das cartas de Paulo, pois em I Clemente (95 d.C.) já há citações de
Romanos e de I Coríntios. Possivelmente as cartas de Paulo já foram reunidas antes disso, como parece indicar a
observação em II Pedro 3.16.

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A primeira definição dos escritos-padrão para a igreja cristã vem de Marcion em
145 d. C. ele era “paulinista” e por isso só reconhecia 10 cartas de Paulo (excluía as
pastorais) e uma versão do evangelho de Lucas purificada das influências vétero—
testamentárias e judaizantes.

No final do século II começa a se delinear o cânon do Novo Testamento nos


Escritos de Irineu, Tertuliano e Clemente de Alexandria. É um cânon em formação ao
qual pertencem os quatro Evangelhos, Atos dos Apóstolos, 13 cartas de Paulo, I Pedro,
Hebreus, Tiago e III João. E contém o escrito “Sapientia Salomonis” e o Apocalipse de
Pedro, com a observação “...que alguns de nós não querem ler na igreja”.

Algo de grande valor nesse Cânon é que descobrimos os critérios usados para
formação do cânon. Um critério era autoria apostólica; Lucas e Marcos são reconhecidos
como discípulos de apóstolos, por isso são aceitos. Hebreus não é aceito porque a
autoria paulina é questionada. Ser testemunha ocular é muito importante, além disso,
outro critério era se o livro era aceito por todas as igrejas, e a consistência doutrinária do
livro. É surpreendente notar a importância que a igreja do século II dava ao aspecto de
Jesus Cristo estar no centro da mensagem do escrito em consideração.

Já no final do século II havia sido concluída a formação do cânon para os


evangelhos e para as cartas paulinas. Com relação as outras ainda permanece aberta.

O processo de formação do cânon só chega ao fim no século IV. A igreja declarou


canônicos por meio de 39a carta pascal de Atanásio em 367 d.C. os 27 livros que temos
hoje no Novo Testamento. No final do mesmo século (397), o Concílio de Cartago
prescreveu uma lista idêntica, e em 419 novamente em Cartago foi ratificada.

III- Critérios para a formação do Cânon.

Quem autorizou a igreja a definir quais seriam Escrituras Sagradas? O que


aconteceu foi que, por meio de um processo de várias centenas de anos, se cristalizou
em consenso de toda a igreja o que deveria estar no cânon e o que não poderia. Foram
travadas discussões teológicas dificílimas para que chegasse ao que temos hoje. Mas D.
A. Carson, D. J. Môo e L. Morris dizem com propriedade: “Não foi a igreja que fez a
seleção dos livros que iam para o cânon e dos que não iam, mas o cânon fez a sua
própria seleção”.

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Os três critérios principais para a composição deste cânon foram:

1. O critério da originalidade - autoria apostólica.


2. O critério da concordância com os fundamentos da fé - consistência
doutrinária (harmonia com o Antigo Testamento).
3. O critério do reconhecimento geral - aceitos por todas as igrejas.

O Texto do Novo Testamento. O material de escrita da maioria (talvez de todos)


dos livros do Novo Testamento foi o papiro. Os autores e amanuenses se utilizavam do
antigo formato do rolo, embora alguns livros possam ter sido escritos em forma de
códex, com páginas separadas e vinculadas como livros modernos. Era prática comum
um autor ditar a um amanuense.

No inicio, quando pessoas e igrejas desejavam ter cópias, um leitor ditava com
base em um exemplar para uma sala repleta de copistas. Por isso gradualmente, erros
de vistas e sons, omissões e reinterações inadvertidas, notas marginais e
“melhoramento” teológicos e gramaticais deliberados foram penetrando no texto. O
número de erros foram aumentando cada vez mais.

Com o desenvolvimento da igreja e dos tempos, um material mais durável e de


melhor qualidade passou a ser usado nas copias: pele de vitela (velum) e pele de
carneiro (pergaminho). De início os manuscritos eram escritos em letras maiúsculas,
mais tarde surgem os manuscritos em letra cursiva. Não havia divisões de palavras,
sinais de pontuação e nem divisões de capítulos, versículos, que só foram acrescentados
em tempos posteriores3.

Das mais de 5.500 cópias em grego de várias partes do Novo Testamento não
existem duas iguais. Os manuscritos mais confiáveis datam do terceiro e quarto
séculos4. A maior parte das variantes, diferenças tem a ver com soletração, ordem de
palavras, presença e ausência da conjunção “e” e o artigo definido.

OBS: Se você quer saber mais sobre os manuscritos propriamente ditos, veja as
páginas 41 a 51 de “HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo testamento. São
Paulo: Hagnos, 2001”. E/ou as páginas 01 a 53 de “The Greek New Testament: Fourth
Revised Edition”(em Castellano).


3 Estevão Langton (morto em 1228) dividiu o texto em capítulos; R. Stphanus, em versículos, em sua edição
impressa de 1551.
4 Um dos mais antigos manuscritos gregos é o Códex B(Códex Vaticanus), data do século IV d. C.

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OS EVANGELHOS

A fonte principal de informações sobre a vida, obra e o sofrimento de Jesus Cristo


são os quatro evangelhos do Novo Testamento. Eles têm importância fundamental
como fonte de conhecimento sobre o nascimento, ministério, morte e ressurreição de
Cristo.

O estudioso católico do Novo Testamento Alfred Wikenhauser escreve na sua


introdução ao N.T: “Os evangelhos são os livros mais importantes do Novo Testamento. A eles
devemos quase que exclusivamente tudo que sabemos sobre Jesus Cristo, sobre a sua vida e
ministério, sofrimento e morte.”5

De fato nos outros escritos do N.T. descobrimos pouco sobre a vida e ministério
de Jesus. Paulo interpreta a morte e a ressurreição de Jesus nas suas cartas. Ele
transforma em cânticos de louvor suas percepções sobre a humanidade, a vida, a morte
na cruz e a exaltação de Jesus em Filipenses 2.6-11. Ele cita as palavras que Jesus
pronunciou na instituição da ceia (I Co 11.23-25). Ele faz uma lista das testemunhas que
viram o Cristo ressurreto (I Co 15.3-8). Em três passagens ele se baseia em palavras de
Jesus: I Co 7.10; 9.14; I Ts 4.15ss. E a exemplo destes textos existem outros em Hebreus, I
e II de Pedro, Atos, etc.

Os evangelhos recebem esse nome, não porque são biográficos. Aliás os dados
biográficos são escassos. Eles não apresentam uma sequência cronológica exata dos
fatos. Em vez disso os evangelhos são proclamação sobre Jesus Cristo em forma
escrita no sentido de registrarem os atos e as palavras de Jesus, com o objetivo de
despertar e fortalecer a fé (cf. Jo 20.31).

Os autores desses livros não são escritores que relatam histórias ou reflexões
próprias, parte deles são testemunhas oculares dos fatos ou discípulos de testemunhas
oculares. Eles estão comprometidos com as palavras faladas e com os atos de Jesus. Os
quatro evangelhos nos transmitem o ministério público de Jesus de forma semelhante.
Começa com o batismo de João Batista, e tem seu fundamento nos registros de seus
discursos e atos. No fim de seu ministério, está a história do sofrimento que se encerra
com o relato do encontro do Cristo ressurreto com seus discípulos.

Daí conclui-se que a igreja estava certa ao denominar os evangelhos como:


Evangelho segundo Mateus, Evangelho segundo Marcos, Evangelho segundo Lucas e

5 A. Wikenhauser & J. Schmid, Einleitung (Introdução), p. 203. IN: HOSTER, Gerhard. Introdução e Síntese do
Novo Testamento. Curitiba: Editora Evangélica Esperança, 1996. pag 08.

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Evangelho segundo João. O Evangelho único foi recebido por várias testemunhas que
o registraram de forma escrita e o transmitiram adiante; cada um com um enfoque em
particular.

Com a morte dos apóstolos, surgiu a necessidade de forma escrita dos


evangelhos. O texto era dirigido aos novos convertidos a Jesus – eles precisavam saber
quem era Jesus, o que ele disse e o que ele fez. Os evangelhos surgiram, portanto, das
necessidades práticas da igreja cristã emergente que levava a sério e cumpria a sua
tarefa missinária e discipuladora. Os evangelhos eram e são até hoje o fundamento da
proclamação a respeito de Jesus Cristo.

O “Problema Sinótico”

Até o século XVII, a Biblia era considerada absolutamente como palavra


inspirada e ditada por Deus, e portanto, ninguém duvidava de nada.

A partir de 1776, começou a ser despertada uma crítica do texto bíblico, motivada
por problemas levantados por filósofos racionalistas6.

No século XVIII, um alemão chamado J.J. Griesbach, pela primeira vez chamou
os três primeiros evangelhos de sinóticos (sunopsij = ver em conjunto, visão simultânea).
O estudo crítico demonstrou que no texto dos evangelhos há divergências e diferenças
que evidenciam o trabalho do pessoal do escritor. O problema sinótico se funda na
constatação de que os três primeiros Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas) têm muitos
aspectos em comum; por outro lado, têm também muitas diferenças. As semelhanças
chegam a ser desde palavras a textos inteiros. As diferenças estão no fato de alguns
narrarem certos detalhes e outros omitirem, além de haver discrepâncias em alguns
detalhes.

Em números, o problema sinótico apresenta-se da seguinte forma:

a) Dos 661 versículos do Evangelho de Marcos, 600 estão também no de Mateus,


e 350 estão no de Lucas.

b) Os evangelhos de Mateus e Lucas, tem 240 versículos em comum, e que não


constam no Evangelho de Marcos.

6O racionalismo já estava influenciado pelo iluminismo, defendendo a autosuficiencia do homem e começou por
negar no Evangelho tudo que era transcendental, restando assim pouca coisa.

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c) Além disso, tanto Mateus como Lucas tem versículos próprios a cada um.

Como exemplos destas semelhanças, podemos citar uma passagem em gue


Marcos descreve assim: "caindo a tarde, quando o sol descia..."; no Evangelho de
Mateus está apenas a primeira parte; no de Lucas está a segunda. Há diversas outras
passagens assim.

Em geral as semelhanças envolvem o alto grau de semelhança na forma de


apresentar o ministério de Jesus:
• Estrutura
• Conteúdo
• Enfoque

De forma geral a sequência do ministério de Jesus nos sinóticos é geográfica:

• Ministério na Galiléia – Mt 4.12; Mc 1.14; Lc 4.14.


• Retirada para o norte (clímax: confissão de Pedro) – Mt 16.13; Mc 8.27; Lc
9.18.
• Ministério na Judéia e Peréia, e a partida de Jesus para Jerusalém – Mt
21.1; Mc 11.; Lc 19.28

Em João isso não aparece de forma clara.

Quanto ao conteúdo as semelhanças são:


• Curas
• Expulsão de demônios
• Ensinos por parábolas

João não se preocupa com parábolas e nem com expulsão de demônios.

Alguns episódios que João não menciona:


• O envio dos doze – Mt 10.5; Mc 6.7; Lc 9.1.
• A transfiguração – Mt 17.1; Mc 9.2; Lc 9.28.
• O sermão profético – Mt 24.32; Mc 13.28; Lc 21.29.
• A narrativa da última ceia – Mt 20.26; Mc 14.22; Lc 22.19.

Em contraste com João, os “Sinóticos” apresentam Jesus constantemente em


atividade, e destacam suas ações, especialmente os milagres e ensinos curtos. Ao passo
que João faz longas dissertações em vez de parábolas curtas ou declarações breves e
expressivas.

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Bom descoberto o problema, surge então a pergunta: “Como se pode explicar
isto?” De onde vêm a concordância entre os três? De onde vêm as concoredâncias de
quais quer dois contra um terceiro? No caso da infância de Jesus, por exemplo, Marcos
não diz nada. Mateus diz alguma coisa, enquanto Lucas apresenta diversas
informações.

Numa concepção tradicional, não haveria esta dificuldade, porque todos


acreditavam que os apóstolos ouviram tudo de Jesus e depois escreveram o que sabiam
quase decorado, usando por isso até as mesmas palavras. Mas descobriu-se que os
Evangelhos foram escritos bastante tempo depois da morte de Cristo, em épocas
diferentes, baseados em tradições orais. Como pode ter acontecido de terem os
Evangelistas usado as mesmas palavras, estando em lugares diferentes e até em épocas
diferentes?

Surgiram várias explicações, a partir da crítica histórica.


1. Tradição Oral. Haveria uma 'fonte' ou tradição oral antiga, e baseado nesta
tradição cada autor escreveu os fatos ao seu modo. O uso independente por
cada evangelista.
2. Harmonização: Taciano – ênfase nas semelhanças; Agostinho – prioridade de
Mateus, que teria sido usado por Marcos e ambos por Lucas.
3. Fragmentos: Testemunhas oculares deixaram fragmentos escritos, que foram
usados pelos evangelistas. O que parece se encaixar com o que diz Lucas7,
Lucas faz-nos supor 3 estágios na formação do Evangelho: a) há as
testemunhas oculares, que contaram o que presenciaram; b ) há os que
tentaram compilar isso, as pequenas fontes; como diz Lucas "muitos
empreenderam... "; c) a obra do evangelista; como diz Lucas, "escrevi a
exposição ordenada dos fatos".
4. Teorias dos Documentos: Houve fontes comuns usadas pelos evangelistas: nos
evangelhos sinóticos podemos perceber três fatores: 1. Aquelas passagens que
são narradas pelos três evangelistas; 2. Aquelas passagens que são narradas
apenas por dois dos três evangelistas; 3. Aquelas passagens narradas apenas
por um dos três evangelistas.


7 Lucas 1:1-4 “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se
realizaram, 2 conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da
palavra, 3 igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito,
excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, 4 para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído”.

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a. Teoria dos dois documentos (bi-documentária)
A crítica defende que o primeiro
evangelho a ser escrito foi Marcos, por ser
mais rústico e incompleto, em
contraposiçao aos outros, mais
elaborados e mais evoluidos. Foi escrito
em Roma, porque ele não explica certos
termos latinos, enquanto os outros
explicam. A data aproximada é entre 60 e
70, mas seguramente antes de 70, pois
este foi o ano da destruiçao de Jerusalém,
e eles ainda confundiam este acontecimento com o fim do mundo. Os outros
já nao fazem assim. Por tudo isto se concluiu que Marcos escreveu primeiro,
provavelmente baseado na pregaçao de Pedro e na tradiçao oral.
Os outros dois (Mateus e Lucas) copiaram de Marcos, melhorando o texto e
adaptando conforme e ocasião, usando também uma tradição oral. Assim se
explica o fato de coincidencia entre os três evangelistas.

b. Teoria dos quatro documentos


(tetra-documentária)
Para as semelhanças, esta teoria prega
que os autores dos evangelhos devem
ter se inspirado em outra fonte, talvez já
em grego (não se sabe se oral ou escrita)
que servia de base para um ensino
primitivo. É a chamada "FONTE Q" (de
Quelle, em alemão, fonte). Esta fonte só
foi conhecida de Mateus e Lucas.
Para as diferenças, cada escritor fez uso de certas fontes que havia em suas
regiões, e que os outros não conheceram.

5. Eclética: Período de tradição oral relativamente curto, mas longo o suficiente


para fixar o esquema básico; sugere datas em torno de 45-50 para Mateus, 59-
60 para Lucas e 64-65 para Marcos.
6. Interdependência: Como o próprio nome sugere, cada escrito surgiu de
forma independente um do outro. As semelhanças e diferenças se explicam
da forma ilustrada abaixo:

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Conclusão: A teoria das duas fontes (bi-documentária) é mais aceita de forma


geral, por que, segundo estudiosos, responde melhor ao relacionamento entre os
evangelhos. Contudo, diante de um processo tão complexo, conclui-se que não há teoria
que seja totalmente satisfatória. O que se precisa levar em consideração é o fator
“inspiração”, que as vezes passa desapercebido neste processo todo, e neste caso há
uma forte razão para se crer na independência de cada escrito. (não excluindo a
hipótese de um “conhecer o outro, ou um dos outros”, mas não necessariamente
“depender” um do outro)

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QUADRO COMPARATIVO DOS SINÓTICOS

MATEUS MARCOS LUCAS


Prefácio e dedicatória
História da infância Prelúdio
Prelúdio História da Infância
Pregação de João Batista João Batista Pregação de João Batsita
Batismo Batismo Batsimo
Tentação de Jesus Tentação Tentação
Primeira Parte Primeira Parte Primeira Parte
Ministério de Jesus na Galiléia Ministério de Jesus na Galiléia Ministério de Jesus na Galiléia
Segunda Parte Segunda Parte Segunda Parte
Pregação ambulante Ministério de Jesus Viagem da Galiléia para Jerusalém
Viagem da Galiléia para Jerusalém Enfase fora da Galiléia
Terceira Parte Terceira Parte Terceira Parte
Ultimos dias de Jesus em Última Ceia Últimos dias de Jesus em Jerusalém
Jerusalém
Crucificação Crucificação Crucificação
História da ressurreição Ressurreição História da ressurreição

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QUESTIONÁRIO (RESPONDER E ENTREGAR NO DIA DA AULA)

1. Dê a divisão do Novo Testamento.


2. Quem são os autores, e em qual idioma foi escrito o Novo Testamento?
3. Quais eram os elementos indispensáveis do culto na sinagoga?
4. Qual a função e como era formado o Sinédrio?
5. Qual a importância do Templo para o povo judeu?
6. Compare e contraste Saduceus e Fariseus?
7. Quem eram os Zelotes?
8. Dê o significado da palavra Cânon. Qual o significado atual?
9. Quais critérios foram usados para a formação do cânon do N.T.?
10. Qual o material usado para cópias do NT. ?
11. Quem e quando pela primeira vez definiu os três primeiro evangelhos como
“sinóticos”?
12. Onde estão as maiores semelhanças entre os sinóticos?
13. Que episódios João não relata em seu evangelho?

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O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS

JESUS, O REI MESSIAS. O PROMETIDO PELOS PROFETAS NO ANTIGO TESTAMENTO.

Numa data bem primitiva, Mateus recebeu o titulo kata Matthaion (kata maqqaion)
“Segundo Mateus”. Pode se dizer que Mateus é um evangelho escrito por um judeu,
para os judeus, sobre um judeu.

Através de uma série de citações do Antigo Testamento, Mateus registra a


reivindicação de Jesus ser o Messias, o prometido pelos profetas. Sua genealogia,
batismo, mensagens e milagres, tudo aponta para uma inescapável conclusão: Cristo é o
Rei. Mesmo sua morte, aparente derrota se converte em vitória mediante a
Ressurreição, a mensagem final é: o Rei dos judeus esta vivo.

Autoria

A igreja primitiva atribuiu este Evangelho a Mateus, não há tradição que se opõe
a isto. Embora tenha surgido argumentos contrários a autoria de Mateus para este
escrito, são mais fracos que as evidencias externas e internas. Desde o princípio, este
livro foi aceito e reconhecido pela igreja primitiva. Em sua história (323 d. C.), Eusébio
citou a declaração de Papias (140 d. C.) de que Mateus escreveu logia – ditos em aramaico.
Há quem diga que Mateus escreveu uma versão abreviada dos ditos de Jesus antes de
escrever seu evangelho.

Quem foi Mateus?

Mateus é uma contração de Matatias, que, no hebraico, significa “presente de


Deus”, era um nome comum nos tempos do Antigo Testamento. Mateus, filho de Alfeu
(Mc 2.14), ocupou o impopular cargo de coletor de impostos em Cafarnaum para o
governo romano. Mateus foi escolhido como um dos doze apóstolos, e a última vez que
seu nome aparece na Bíblia é em Atos 1.13.

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Data e Cenário

Não e fácil datar Mateus, há uma enorme quantidade de sugestões entre 40 e 140
d.C. As expressões “até o dia de hoje” (27.8) e “até este dia” (28.15), indicam que algum
tempo já havia se passado até a escrita deste Evangelho. Mas parecem apontar para uma
data antes da queda de Jerusalém em 70 d.C.

Mesmo que Mateus tenha dependido de Marcos como fonte, há tempo para
Mateus ter sido escrito antes de 70 d.C. Uma data antes da década de 70 é defendida
também pelo fato de Mateus não fazer menção dos escritos paulinos.

Estudiosos modernos acreditam ser antes de 70, a data da publicação deste


Evangelho (Gundry). Não há nenhum argumento convincente a favor de uma data mais
tardia para Mateus. Em sua maior parte, os dados sugerem que Mateus foi publicado
antes de 70, com maior probabilidade durante os anos 60.

Local de Origem

Hoje em dia, a maioria dos estudiosos sustenta Antioquia da Síria como sendo o
local de escrita de Mateus:

• Antioquia ostentava uma população judaica muito grande.


• Foi o primeiro grande centro que procurou alcançar o mundo gentílico.
• Essas duas realidades se acham em Mateus.

Além disso, Mateus é atestado, de modo convincente, pela primeira vez nos
escritos de Inácio, Bispo de Antioquia, nos primeiros anos do século II.

Há outras propostas, menos sustentadas: Alexandria, Cesárea Marítima, Edessa e


Fenícia. Porém, a Síria é a mais plausível.

Destinatários

Mateus foi escrito para os judeus cristãos da Síria. A intenção de dirigir-se


primeiramente ao judeu, vê-se pelos seguintes fatos:

33
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1. O grande número de citações do Antigo Testamento - há cerca de 60 dessas.
Alguém que prega aos judeus deve provar a sua doutrina pelas Escrituras antigas.
Mateus faz dessas citações a verdadeira base do seu evangelho.

2. As primeiras palavras do livro “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de


Davi, filho de Abrão”, sugerem imediatamente ao judeu os dois pactos que contêm
promessas do Messias- o davídico e o abraâmico ( 2 Samuel 7: 8-16 ; Gênesis 12 : 1-3).

Propósito

Proclamar as palavras e obras de Jesus Cristo, a fim de que o leitor pudesse tomar
uma decisão a respeito dele. A genealogia leva o autor ao Antigo Testamento, mostrando
que o Messias prometido já havia chegado.

Há também um propósito de instruir: ele apresenta as reivindicações, as


credenciais, a autoridade, os ensinos éticos e os ensinos teológicos de Jesus.

Aceitação no Cânon

Mateus foi universalmente recebido assim que foi publicado, e durante séculos,
foi o evangelho mais citado.

Cristo em Mateus8

Mateus apresenta Jesus como o Rei messiânico prometido a Israel (1.23; 2.2, 6;
3.17; 4.15-17; 21.5, 9; 22.44-45; 26.64; 27.11, 27-37).

A expressão, “o reino do céu” aparece 32 vezes em Mateus, mas em nenhuma


parte do Novo Testamento, a fim de mostrar que Jesus preenche as qualificações exigidas
pelo Messias. Mateus usa citações e alusões do Antigo Testamento (quase 130. Ex. Para
que se cumprisse o que foi dito pelo profeta…- 9 vezes ).


8
WILKINSON, BRUCE & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. Pág 336.

34
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Desenvolvimento

Uma única mensagem atravessa este Evangelho : Jesus Cristo, Rei dos judeus. O
capítulo 1 apresenta as credenciais genealógicas do Rei Jesus. No capítulo 2, o Menino
Rei recebe a homenagem dos sábios do Oriente, suscitando a inveja de outro monarca,
Herodes. O capítulo 3 apresenta-nos Jõao Batista, o mensageiro e precursor do Rei. Em
Mateus 4, o próprio Jesus Cristo anuncia a iminência de Seu reino.

Os capítulos 5-7, revelam os princípios fundamentais desse reino “ O sermão da


montanha”. Os capítulos seguintes 8 e 9 demonstram que esse reino de Deus “ não
consiste em palavras, mas em poder” (curas e sinais na natureza); eles relatam uma
sucessão de milagres messiânicos. Os capítulos 10 - 12 descrevem-nos a missão dos
enviados do Rei, o assasinato de Seu precursor, e a decisão tomada pelas autoridades
eclesiásticas de rejeitar o seu Rei. Mateus 13 traz as parábolas do reino dos céus.

Os capítulos 14 a 16 narram as circunstâncias da rejeição do Messias. Esse tema é


ainda mais salientado nos capítulos seguintes (17 a 23), em que Jesus Cristo sobe a
Jerusalém; Ele entra em Sua cidade como Rei, montado em um jumentinho (21: 5-9). É
aclamado pela multidão, mas proscrito pelos chefes religiosos que, cheios de inveja,
planejam matá-Lo (21:46 ; 26:3-5). Depois, dois capítulos proféticos (24 e 25) deixam
entrever as circunstâncias que precedem a vinda de Cristo e Seu reino de glória aqui na
terra.

O final do Evangelho (capítulo 26 a 28) é inteiramente dedicado à paixão do Rei


do judeus, pregado na Cruz do Gólgota (cp 27 : 32- 37), e à Sua ressurreição dentre os
mortos.

Afirmações-chave: (10. 32-33; 28. 18b-20).

10:32-33 32 Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei
diante de meu Pai, que está nos céus; 33 mas aquele que me negar diante dos homens, também eu
o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.

28:18 -20 18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e
na terra. 19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do
Filho, e do Espírito Santo; 20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E
eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

35
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ÊNFASES TEOLÓGICAS DE MATEUS

Jesus, O Rei Messias


“A rejeição do Rei do judeus estende as bênçãos do Reino prometido a todas as nações na expectativa de
seu estabelecimento definitivo9”

APRESENTAÇÃO DO REI REJEIÇÃO DO REI


1.1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 11.1 11.2 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 28.20

O Rei O Rei O Rei O Rei Morte e


O Rei
O Rei é Proclama sofre prepara instrui ressurreição
demonstra
Apresentado sua forte seus seus
seu poder do Rei
mensagem oposição discípulos discpulos
1.1 - - - - 4.25 5.1 - - - - - - 7.29 8.1 - - - - - - - -11.1 11.2 - - - - 13.53 13.54- - - - - - 19.2 19.3 - - -25.46 26.1- - - - - -28.20

Ensinando as multidões Ensinando os Doze

Temático Cronológico
Local: Data:
Antioquia da Síria 60ss

1. Cristologia.

O aspecto principal em Mateus é o ensino sobre Jesus – a cristologia. Parar Ele,


importa demonstrar que Jesus de Nazaré é o Messias tão esperado pelos judeus.

§ Jesus é o Filho de Davi ( 12. 23; 15. 22; 21. 9, 15)


§ A árvore genealógica em Mateus começa com Abraão (o homem com
quem Deus iniciou a história de Israel 1.1ss).

2. Particularismo X Universalidade.

Um segundo aspecto muito enfatizado tem origem na tensão entre o


particularismo e a universalidade.


9 PINTO, Carlos Osvaldo. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008. pág 61.

36
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§ O particularismo se mostra nas palavras de Jesus que reforçam a verdade
de que seu ministério se restringe a Israel.
• 10. 5-6 (...Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; 6 mas,
de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel;).
• 15. 24, 26 (...Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel... ele,
respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.).

§ Por outro lado, a universalidade está presente em Mateus desde o início.


• 2. 1-12 (efeito sobre todas as pessoas, até sobre os astrólogos do oriente)
• 13. 38 (o solo é o mundo)
• 22. 9 (todos)
• 24. 14 (todos os povos)
• 28. 19 (todas as nações)

§ A tensão entre esses dois aspectos pode indicar que este evangelho foi
escrito por uma testemunha de Jesus Cristo.
• Jesus dedicou sua vida e ministério aos judeus.
• Mas os discípulos têm a tarefa de levar o evangelho a todas as
pessoas.

3. Eclesiologia.

§ Somente o evangelho de Mateus traz declarações específicas sobre este


tema.
• 16. 18 (edificarei minha igreja)
• 18. 15-17 (como lidar com os membros da igreja em pecado)

§ A igreja precisa se posicionar quanto ao ensino ético de Jesus. Ela não


pode somente aprender a crer, mas precisa demonstrar a sua fé ao fazer o
que Jesus ensinou.

• 7. 21-23 (Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele
que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me:
Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não
expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23 Então, lhes direi
explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.)

37
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• 25. 31-46 (a vinda do Messias será um tempo de acerto de contas, em que para uns
estará reservada a vida eterna, para outros, o castigo eterno)

4. Escatologia.

§ Dois capítulos de Mateus se propõem a falar das coisas do fim (24 e 25).
São significativamente mais abrangentes que Marcos e contêm tradições
somente encontradas aqui em Mateus.

§ Não apresentam material que permita definir com exatidão o desenrolar


do final dos tempos.

§ Na verdade só nos permite ter um ensino equilibrado, porém sem


detalhes.

§ Seu objetivo é exortar os seus leitores a estarem vigilantes e preparados a


seguir os ensinos de Jesus.

§ O propósito é preparar a igreja para o retorno de Jesus por meio da vida


prática e coerente do discipulado.

38
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O EVANGELHO DE MARCOS

JESUS, O SERVO. A ATIVIDADE REMIDORA DE JESUS.

Marcos10 é o mais breve e o mais simples dos quatro evangelhos, apresenta um


relato conciso e de cenas rápidas da vida de Cristo. Conta a história do Servo que está
constantemente em movimento ao pregar, curar, ensinar e, por fim, morrer pelos
pecadores. Seu ministério começa com a multidão, mas logo se restringe aos discípulos
e finalmente culmina na cruz. Ali, o Servo que “não veio para ser servido, mas para
servir” faz o supremo savrifício de serviço, dando “sua vida em resgate de muitos”
(10.45). Esso padrão de vida altruísta se torna o modelo para aquele que queseguir os
passos do Servo.

Autoria

Marcos é anônimo. O título kata Markon (kata markon) “segundo Marcos”.


Provavelmente foi acrescentado quando os evangelhos foram reunidos e houve a
necessidade de distinguir a versão de Marcos dos demais evangelhos, possivelmente no
século II.

O testemunho de Papias11 é o mais importante e o mais antigo acerca da autoria


de Marcos, escrito em 325 d.C. por Eusébio.

“E o presbítero costumava dizer isto: Marcos tornou-se intérprete (hermeneutes) de Pedro e


escreveu com exatidão tudo aquilo de que ele se lembrava, é verdade que não em ordem
das coisas ditas ou feitas pelo Senhor. Pois ele não tinha ouvido o Senhor nem havia-o
seguido, mas mais tarde, de acordo com o que eu disse, seguiu Pedro, que costumava
ministrar ensino conforme se tornava necessário, mas não organizado, por assim dizer, os
pronunciamentos do Senhor, de sorte que Marcos nada fez de errado ao pôr por escrito
fatos isolados à medida que se lembrava deles. De uma coisa ele cuidou: não deixar de fora
nada do que ouvira e não fazer nenhuma afirmação falsa12”

Testemunhos de cristãos posteriores confirmam que Marcos é o autor e que ele


dependia de Pedro:

1. Irineu, Adv. Haer. 3.1.2 (180 d.C.)



10
WILKINSON, Bruce & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. (com algumas mudanças deste autor)
11 Papaias foi bispo de Hierápolis, na região da Frígia, Ásia Menor, até cerca de 130 d.C.
12 História Eclesiástica 3.39.15.

39
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2. Tertuliano, Adv. Marc 4.5 (200 d.C.)
3. Clemente de Alexandria, Hypotyposes (200 d.C)
4. Orígenes, Comum. On Matt. (Início do século III)
5. E provavelmente o cânon de muratori consta em sua lista o avengelho
segundo Marcos, (190 d.C.)

Marcos não foi testemunha ocular, mas obteve informações com Pedro, apóstolo
de Cristo.

Quem era Marcos?

De acordo com Atos 12.12, a mãe de Marcos possuía uma casa onde era costume
a igreja de Jerusalém se reunir. Ao que parece, Pedro costumava freqüentar (At 12.13-
15). Em I Pe 5.13, Pedro o chama de “meu filho Marcos”. Marcos era também primo de
Barnabé (Cl 4.10), essa convivência com os apóstolos, especialmente com Pedro, que
traz autoridade apostólica nos escritos de Marcos. Acredita-se que Marcos faz menção
de si mesmo em Mc 14.51-52.

Paulo e Barnabé levaram Marcos quando voltaram de Jerusalém para Antioquia


(At 12.25) e quando iniciaram a primeira viagem missionária (At 13.5), muito embora,
Marcos tenha desistido e voltado pra Jerusalém precocimente (At 13.13), o que
provocou desacordo entre Paulo e Barnabé, quando pela segunda vez Barnabé queria
levar Marcos na segunda viagem missionária (At 15.36). Mais tarde, em Cl 4.10,
percebemos que houve um reaproximamento de Paulo e Marcos, pois Paulo o cita como
estando com ele em sua prisão em Roma. Já no fim de sua vida Paulo diz em II Tm 4.11:
“ele me é útil para o ministério”.

Local de Origem

A tradição mais antiga (não unânime) inclina-se para Roma. Essa é a opinião de
Irineu; Clemente de Alexandria e Eusébio – eles acreditavam que Marcos estivesse “nas
regiões da Itália” quando escreveu seu evangelho.

Entre os estudiosos contemporâneos há outros dois locais:

1. Para J. Vernon Bartlet, Marcos foi escrito em Antioquia da Síria, devido sua
proximidade com a Palestina.
2. Outros acreditam que foi escrito em algum lugar do Oriente.

40
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Data

Existem quatro hipóteses diferentes: os anos quarenta, os anos cinqüenta, os anos


sessenta e os anos setenta.

Anos quarenta:

1. Para C. C. Torrey, a “a abominação da desolação” (Mc 13.14), é iuma


referência à tentativa feita em 40 d.C. pelo imperador Calígula de tentar
colocar sua imagem dentro do Templo de Jerusalém, e que Marcos foi escrito
após essa data.
2. José O’Callaghan baseia-se em três fragmentos encontrados em Qumran com
data aproximada do ano 50.

Anos cinqüenta:

1. Alguns estudiosos acreditam que Lucas (61 d.C) utilizou Marcos como fonte,
então, Marcos deve ter sido escrito no mais tardar até os anos 60.

Anos sessenta:

1. A maior parte dos estudiosos atribui Marcos a uma data entre os anos
sessenta por três razões:
a. As tradições mais antigas favorecem uma data posterior à morte de
Pedro.
b. Uma data de durante ou logo depois da perseguição em Roma, cerca
de 65 d.C.
c. Afirma-se que Marcos 13 reflete a situação na Palestina durante a
revolta judaica, antes dos romanos entrarem na cidade, portanto foi
escrito entre 67 e 69.

É difícil estabelecer uma data exata para este evangelho, contudo, se


considerarmos a primazia de Marcos para Lucas-Atos, teremos uma data antes de 60
d.C; mas se desconsiderarmos esta hipótese, há espaço para uma data posterior.

Destinatários

Um público cristão gentílico, em Roma. Se Marcos escreveu seu evangelho em


Roma, provavelmente escreveu para os romanos.

41
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Propósito

Dentre tantas propostas, é melhor considerar que Marcos tinha o propósito de


equipar os seus leitores cristãos com o conhecimento das “boas notícias da salvação”.

Cristo em Marcos13

Cristo é apresentado em Marcos como Servo ativo, compassivo e obediente, que


constantemente ministra as necessidades físicas e espirituais dos outros. Visto ser esta a
históeia de um Servo, Marcos omite seus ancestrais e o nascimento de Jesus e se move
em direção ao seu ativo ministério público. A palavra chave neste livro é
“imediatamente”, ela aparece com mais freqüência neste evangelho (42 vezes) do que
ocorre no restante do Novo Testamento. Cristo se move constantemente para um alvo
que está oculto a quase todos. Marcos claramente mostra o poder e autoridade deste
Servo, identificando-o como Filho do próprio Deus (1.1, 11; 3.11; 5.7; 9.7; 13.32; 14.61;
15.39).

Afirmações Chaves

1:15 15
dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede
no evangelho.

10:45 5
Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua
vida em resgate por muitos.

14:61-62 61 Ele, porém, guardou silêncio e nada respondeu. Tornou a interrogá-lo o sumo
sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito? 62 Jesus respondeu: Eu sou, e
vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu.


13
WILKINSON, BRUCE & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. Pág 348.

42
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ÊNFASES TEOLÓGICAS DE MARCOS

Jesus, O Servo
“O padrão do discipulado cristão se encontra no Servo de Deus, cujo serviço autentica Sua mensagem,
e cuja vida é um sacrifício por toda a humanidade14”.

SERVIR SACRIFICAR
1.1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 10.52 11.1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 16.20

Apresentação Oposição Instrução Rejeição Ressurreição


do ao pelo do do
Servo Servo Servo Servo Servo
1.1 - - - - - - 2.12 2.13 - - - - - 8.26 8.27 - - - - - -10.52 11.1 - - - - - - - - - - - - - - - - 15.47 16.1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - 16.20

Ditos e Sinais Sofrimento

Galiléia e Peréia Judéia e Jerusalém


Local: Data:
Roma 55/65

A Cristologia de Marcos é admirável, ele possuía um entendimento


surpreendente acerca de quem Jesus era, fazendo observações, narrando detalhes, atos e
reações do Senhor em momentos específicos de seu ministério.

1. Marcos apresenta Jesus como sendo verdadeiro homem. Na Cristologia de


Marcos Jesus é perfeitamente humano. Ele precisava orar (1:35; 6:31), comer (2:16),
beber (15:36), sentia fome (11:12), tocava nas pessoas (1:41), e era tocado por elas (5:57),
ele se entristecia (3:5), e se indignava (10:14), sentia sono por causa do cansaço e era
despertado após momentos de cansaço (4:38-39). Enquanto homem o seu conhecimento
é limitado (13:32), de modo que se volta para ver quem lhe tocou (5:30), possuí corpo
humano (15:43), um espírito humano (2:8), e inclusive poderia morrer (15:37).15

2. Marcos apresenta Jesus como sendo verdadeiramente Deus. Na Cristologia


de Marcos não há negação da sua divindade. Ele descreve Jesus como tendo domínio

14 PINTO, Carlos Osvaldo. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008. pág 104.
15
Guilhermo Hendriksen, El Evangelio Según San Marcos, pp. 25-26

43
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soberano sobre o reino da enfermidade (1:40-45; 8:22-26; 10:46,52;), dos demônios (1:32-
34), e da morte (5:21-24,35-43), sobre os elementos da natureza (4:35-41; 6:48; 11:13-
14,20); prediz o futuro (8:31; 9:9,21; 10:32-34; 14:17-21), conhece o coração das pessoas
(2:8; 12:15), vencendo a morte (16:6).16 De acordo com Marcos as duas naturezas de
Cristo, divino e humano, se encontram em perfeita harmonia na pessoa de Jesus. E isto
pode ser percebido nas seguintes passagens (4:38-39; 6:34,41-43; 8:1-10; 14:32-41).

3. Marcos apresenta Jesus como o Filho de Deus. Esse título é usado para
descrever a sua messianidade. Marcos inicia seu Evangelho identificando João Batista
como o cumprimento da profecia de Ml 3:1 e Is 40:3, como aquele que viria e prepararia
o caminho para o “Messias”. A voz que surge do céu dizendo “Tu és o meu Filho
amado; em ti me agrado” (1:11 NVI). Jesus é aquele a quem os anjos servem (1:13). O
seu sangue é oferecido em favor de muitos (10:45, cf. 14:24). Ele batiza com Espírito
Santo (1:8), nomeia os seus próprios embaixadores (3:13-19), tem autoridade para
mandar que os homens lhe sigam e o recebam (8:34; 9:37); na transfiguração manifesta
parcialmente a glória futura (9:11); e declara que virá outra vez na glória de seu Pai
(8:38), nas nuvens com grande poder e glória, quando enviará seus anjos para recolher
seus eleitos (13:26-27).17 Precisamente foi condenado por ter confirmado a sua divina
filiação (14:61-63).

4. Marcos apresenta Jesus como o Redentor. Jesus numa de suas declarações


afirma que ele veio para “dar a sua vida em resgate por muitos”(10:45). Marcos
descreve um Cristo que haveria de sofrer, e dedica uma grande porção de sua narrativa
para expor a Paixão de Cristo, mais do que os outros Evangelhos.18


16 Guilhermo Hendriksen, p. 26
17 Ibdem, p. 26
18 Donald Guthrie, New Testament Introduction, p. 57

44
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O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS

JESUS, O FILHO DO HOMEM. O EVANGELHO DO SALVADOR DOS HOMENS.

Lucas19 é o mais extenso e abrangente dos quatro Evangelhos, apresentando Jesus


Cristo como o Homem Perfeito que veio buscar e salvar os pecadores. Em Lucas, fé e
crescente oposição se desenvolvem lado ao lado. Os que crêem em suas reivindicações
são desafiados a assumir o preço do discipulado; os que se opõem a ele não ficarão
satisfeitos até que o Filho do Homem penda sem vida numa cruz. Porém, a ressurreição
assegura que seu propósito se cumprirá: “buscar e salvar o que se havia perdido” (19.10), e
continue na pessoa de seus discípulos, uma vez que estejam equipados com seu poder.

“Segundo Lucas” é o título que foi acrescido a este Evangelho numa data muito
remota. O nome grego “Lucas” aparece três vezes no Novo Testamento (Cl 4.14; 2Tm
4.11; Fm 24). O início do Livro de Atos dos Apóstolos evidencia que este livro e o
evangelho de Lucas formam uma unidade. O autor tomou a humanidade de Jesus, o seu
ministério, sofrimento, morte e ressurreição, como também a propagação do evangelho
de Jerusalém até Roma, e fez de tudo o tema de um relato geral.

A Mensagem do Evangelho de Lucas


Este Evangelho é o mais extenso dos sinóticos. Lucas sendo homem de ciência
não nega os milagres. Dos quatros evangelistas, é ele que narra maior número de curas
realizadas pelo divino médico.
Lucas dá maior ênfase à oração, ao ministério do Espírito Santo, ao papel da
mulher crente na comunidade cristã, etc.
Somente em Lucas aprendemos que ao descer sobre Jesus o Espírito Santo no
Jordão, Ele estava “a orar” (3:21); que ao afastar-se das multidões que o assediavam
continuamente, ele “orava” (5:16); que antes de escolher os doze, passou sozinho “noite
orando a Deus” (6:12); que na ocasião em que perguntou aos doze “Quem dizeis que eu
sou?” ele estava “orando em particular” (9:18); que na sua transfiguração Jesus subira
ao monte “com o propósito de orar” (9: 29); que justamente antes de ensinar a hoje
chamada “ Oração Dominical” ele se achava “orando em certo lugar” (11:1); que Ele
assegurou a Pedro, “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (22:32);
que no Getsêmani ele “orava mais intensamente” (22:44); que na cruz tanto o seu
primeiro como último pronunciamentos foram orações ( 23:34,36). Devemos também
notar as orações feitas por: Zacarias, Ana, os discípulos de João,etc. As mulheres são


19 WILKINSON, Bruce & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. (com algumas mudanças deste autor)

45
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mencionadas em Lucas mais vezes do que em qualquer dos outros três evangelhos, e as
viúvas mais do que nos outros três juntos.

Autoria
A maioria dos críticos concorda que Lucas e Atos procedem do mesmo autor.
Atos 1.1 refere-se a Teófilo e ao “primeiro livro”, dando a entender que Atos é o
segundo volume de uma obra em dois volumes. Os dois livros têm o estilo e o
vocabulário semelhantes de um mesmo autor e não há nenhum motivo para se
questionar isso.

Evidências da autoria lucana:


ü Marcião, por volta do século II – em um prólogo de Lucas e pelo Cânon de
Muratori.
ü Autores tais como: Ireneu e Tertuliano escrevem como se não existisse
nenhuma dúvida acerca da autoria lucana desses livros.
ü Os mais antigo manuscrito de Lucas, o papiro Bodmer XIV, citado como p75, e
datadode 175-225 d.C., atribui o livro a Lucas.
ü A tradição não associa nenhum outro nome a esses escritos.
Lucas20 era um gentio (ou, pelo menos, um judeu helenista), podendo ter se
convertido em Antioquia da Síria. Seu nome é de origem grega. Sua facilidade com no
uso do idioma grego sugere que era gentio (ou pelo menos judeu helenista), seu estilo
grego, juntamente com o estilo da epístola aos Hebreus, é o mais refinado de todo o
Novo Testamento.
Paulo chama Lucas de “médico amado”, em Colossenses 4:14, essa descrição é
confirmada pelo interesse acima do normal que Lucas, mediante seu uso freqüente de
termos médicos21.

Local de Origem
Pode-se afirmar que Lucas foi escrito fora da Palestina. De acordo com o prólogo
antimarcionita, Lucas era natural de Antioquia e escreveu seu evangelho “nas regiões
de Acaia”.
Em alguns Manuscritos posteriores Roma aparece como o local em que esse
evangelho foi escrito22.

20GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. 2a edição. São Paulo, Vida Nova. 2003. pp 101.
21Veja por exemplo, o comentário de Lucas sobre o fato que a mulher hemorrágica gastara todo o seu dinheiro
com médicos (8.43).

46
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Há muitas especulações, mas em suma, temos de admitir que não há provas
suficientes para vincular esse evangelho definitivamente a qualquer região em
particular. Este autor adota Roma como sendo o local mais provável.

Destinatário
A civilização grega é antropocêntrica; e Lucas, escreve para o seu amigo grego,
Teófilo, faz a apresentação de Jesus Cristo como homem perfeito. A frase “filho do
homem” aparece muitas vezes.
O prefácio literário dá a entender que desde o início o objetivo era que o livro
fosse lido, não por um pequeno grupo de crentes, mas por um grande público. O
cuidado com que Lucas organizou uma quantidade tão grande de informações parece
indicar que ele tinha em vista um público mais amplo. Seus dois volumes foram escritos
para dar valiosas informações ao público cristão sobre a vida, morte, ressurreição e
ascensão de Jesus e sobre a história seguimentos da igreja cristã até a época em que
Paulo esteve preso em Roma.
Ele teve em mente cristãos predominantemente gentílicos23, conforme se percebe
a partir de:
(1) a dedicatória a alguém com nome grego,
(2) a maneira como ele mostra claramente a relevância da salvação para pessoas
fora da comunidade de Israel, e
(3) o estilo greco-romano de seu prefácio.

Data
Temos de considerar a data de Atos junto com a de Lucas, pois o evangelho não
pode ter sido escrito depois do segundo volume. Algumas considerações favorecem
uma data no início dos anos sessenta para o evangelho.
• Atos não menciona a perseguição por Nero nem acontecimentos como a
destruição de Jerusalém ou as mortes de Paulo e Tiago (62 d.C.).
• Não menciona qualquer evento posterior ao ano 62.
• Provavelmente, Lucas teria mencionado a soltura ou a execução de Paulo, se
ela já tivesse acontecido. Ele conclui Atos com Paulo preso em Roma.

22Mas não se sabe em que se baseia essa afirmação.
23Ele evita principalmente palavras aramaicas como “Rabi” (Mc 9.5) e “Aba” (Mc 14.36), é claro que aquilo que
ele disse era de interesse de cristãos judeus, mas ao que parece não era dirigido a eles em primeiro lugar.

47
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• Lucas não narra a queda de Jerusalém, o que indica que ela ainda não havia
acontecido.
Embora haja argumentos a favor de datas posteriores24, parece que mais
convincentes são os argumentos a uma data mais remota.

Cristo em Lucas25
Lucas apresenta a mais completa narrativa dos ancestrais de Cristo, seu
nascimento e desnvolvimento. Ele é o Filho do Homem ideal, o qual se identificou com
o sofrimento e a luta dos pecadors a fim de levar nossas dores e oferecer-nos o dom
gratuito da salvação. Jesus cumpre perfeitamente o ideal grego de perfeição humana.

Parábolas e Incidentes não Registrados Pelos Outros Evangelhos


1 22 A
contecimentos dos capítulos 1 e 2; omparação : construtor de torre em potencial 14:
2 28-30 A
1ª rejeição do Mestre em Nazaré 4:14-32 23
3 ova comparação : o rei A que pretende fazer guerra
pesca maravilhosa 5: 1:11 14: 31-33
4 24 A
ressurreição do filho da viúva de Naim 7:11-17 arábola tríplice (2) a moeda perdida 15: 9-10
5 25 O
s pés de Jesus ungidos pela pecadora 7: 36-50 arábola trípice (3) o filho pródigo 15: 11-32
6 26 A
s mulheres que serviam a Jesus com seus bens 8:1-3 arábola do administrador infiel 16: 1-15
7 27 R
eferência a Moisés e Elias falando com Cristo no rico e Lázaro 16: 19: 31
monte da transfiguração 9:30-31 28
8 lustração : o senhor e o servo
C 17: 7 -10
ensurada a ira de João e Tiago 9: 51-56 29
9 cura dos dez leprosos 17:C11-19
omparação com o arado para o provável seguidor 30
9:61-62 esposta relativa ao reino de Deus 17: 20-21
10 31 A
missão dos setenta 10: 1-24 arábola do juiz iníquo 18: 1-8
11 32 P
arábola do Bom Samaritano 10: 25-37 arábola do fariseu e publicano 18: 9-14
12 33 C
ensurada a preocupação de Marta 10:38-42 ericó : conversão de zaqueu 19: 1-10
13 34 P
arábola do amigo importuno 11: 5-10 arábolas das minas e dos servos 19: 11-27
14 35 P


24 As datas giram em torno de desde os anos 80 até o século II.
25
WILKINSON, BRUCE & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. Pág 357.

48
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arábola do rico insensato 12: 13-21 Salvador chora sobre Jerusalém 19: 41-44
15 36 R
esposta sobre os assasinados por Pilatos 13: 1-5 suor como gotas de sangue 22 : 44
16 37 P
arábola da figueira estéril 13: 6-9 risto perante Herodes 23:8
17 38 M
ulher curada de sua enfermidade 13: 10-17 alavras de Cristo às mulheres de Jerusalém 23 : 28
18 39 R
esposta aos fariseus sobre Herodes 13: 31-33 ladrão arrependido 23 : 40
19 40 C
ura do hidrópico no sábado 14: 1-6 ois discípulo no caminho de Emaús 24 : 13-31
20 41 P
arábola dos convidados 14: 7-14 scensão de Jesus 24: 50-51
21 P
arábola da grande ceia 14:15-24

Versos-chave: 2.10,11; 15.24; 19.10.

2:10-11 10 O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande
alegria, que o será para todo o povo: 11 é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é
Cristo, o Senhor.

15:24 24
porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E
começaram a regozijar-se.

19:10 10
Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.

49
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ÊNFASES TEOLÓGICAS DE LUCAS

Jesus, O Filho do Homem


“A mensagem soberana do Reino foi estendida a todas as nações por meio de rejeição de Isarel para com
Jesus, o Filho do Homem, como seu Messias26”

INTRODUÇÃO DO MINISTÉRIO DO FILHO A REJEIÇÃO DO FILHO CRUCIFICAÇÃO E RESSURREIÇÃO


FILHO DE HOMEM
OMEM DO HOMEM DO HOMEM DO FILHO DO HOMEM
(Advento) (Atividades) (Antagonismo e Admoestações) (Aplicação e Autenticação)
1.1 - - - - - - - - - 4.13 4.14 - - - - - - - - - - - - - - 9.50 9.51 - - - - - - - - - - 19.27 19.28 - - - - - - - - - - - - - 24.53
A comiissiona e ensina seus

O Filho do Homem ressurge


O nascimento e infância de

O Filho do Homem ascende


Instruções aos discípulos e
O anúncio de João Batista,

ouvintes acerca da vida no

estejam alertas – questões

Jerusalém e o discurso de
poder, Jesus é rejeitado

Traição e crucificação
O Reino está próximo,
Apesar das provas de
Ministério de ensino e
confronto aos lideres

A entrada trinufal em
oposição dos lideres
Contínua rejeução e
acerca de Jesusem

juízo contra Israel


dsiscípulos

dos mortos
religiosos

religiosos

aos céus
Prólogo

éticas
Jesus

Reino

1.1 - 4 1.5 - 2.52 3.1 - – 4.13 4.14 - - 6.49 7.1 - - - - - 8.56 9.1- - - 50 9.51- -11.54 12.1 - 17.10 17.11-19.27 19.28-21.38 22.1 -- 23.56 24.1- - 49 24.50-53

Buscando os perdidos Salvando os perdidos

Milagres Proeminentes Ensino Proeminentes


Local: Data:
Roma 60ss


Lucas apresenta Jesus como o Senhor (Lucas 2.10,11). Todo o ministério de Jesus
em Lucas deve ser visto a partir desta perspectiva. Vejamos alguns pontos teológicos
em Lucas:

1. Jesus é o Salvador.
Lucas tem muito a dizer sobre salvação – ele faz uma ligação entre a salvação e os
eventos da história (Lucas considera a história como um âmbito da atividade redentiva
de Deus). Através dele vemos a salvação divina manifestada na vida, morte,


26 PINTO, Carlos Osvaldo. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008. Pág 132.

50
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ressurreição e ascensão de Jesus e também na vida diária da igreja (Lc 1.1-4; 2.1-2; 3.1 –
Deus salva em meio aos acontecimentos).
É impossível ler Lucas e não entender que Jesus veio para salvar, por exemplo, a
palavra “hoje” aparece 11 vezes em Lucas, contra 8 em Mateus e 3 em Marcos; a palavra
“agora” aparece 14 vezes, contra 4 em Mateus e 3 Marcos. A palavra swthria
(soteria)”salvação” aparece 4 vezes, e depois somente em João 1 vez. Lucas utiliza o
verbo “salvar” mais do qualquer outro livro do Novo Testamento, neste processo não
há privilégios, aliás, Lucas sempre descreve Jesus com os marginalizados, pecadores,
pobres, etc. A salvação em Lucas depende de quem foi Jesus e o que ele fez, mas não
encerra com sua morte, ela prossegue na vida da igreja, é contida no seu evangelho e
continuada em atos dos Apóstolos.

2. Jesus da atenção aos menos favorecidos.


Um segundo aspecto muito enfatizado é seu interesse por aqueles que eram
vistos como sem valor no primeiro século: mulheres, crianças, pobres e pessoas de má
fama. Os rabinos não ensinavam mulheres, mas Lucas registra a preocupação de Cristo
com elas (10.38-42; 8.2-3; 7.11-12; 13.11; 7.37-50) Lucas considera natural que as
mulheres tenham uma grande participação no plano de Deus. O mesmo acontece com
as crianças, pra começar só Lucas relata a infância de Jesus (2.39-52), ele dá ênfase
também a outros relatos (7.12; 8.42; 9.38, 47; 10.21; 17.2; 18.16). algo digno de glória em
Lucas também é seu interesse pelos pobres (7.22, outros textos com referência aos
pobres 1.53; 6.30; 14.11-13, 21; 16.19-31), não há dúvidas de que o Jesus de Lucas revela
um grande interesse e uma profunda compaixão pelos pobres, visto que essa classe era
muito desprezada pela sociedade antiga.
Algo importante também na teologia lucana é sua advertência contra as
riquezas, ele registra um “ai” contra os ricos (6.24), diversas parábolas que advertem os
ricos: o rico insensato (12.16-21), o mordomo infiel (16.1-12), e o rico e o Lázaro (16.19-
35), há também muitos exemplos a serem seguidos: o exemplo de Zaqueu (19.1-10), a
viúva pobre (21.1-4). Lucas não valoriza as riquezas, para ele Deus tem uma maneira
especial de transformar as diferenças sociais em situações de bênçãos e promoção da
salvação e do reino de Deus.
Isso se vê em seu interesse pelos de má fama. Quem recebeu a mensagem dos
anjos quando Jesus nasceu foram os pastores de ovelhas – essa classe era desprezada na
sociedade, a tradição diz que os pastores faziam pequenos furtos enquanto andavam no
pasto atrás das ovelhas, não eram considerados pessoas de confiança e nem podiam ser
testemunhas nos tribunais. Isso sem mencionar a relação de Jesus com os publicanos e
pecadores (5.29-32), em Lucas uma pecadora unge os pés de Jesus (7.36-50), há também

51
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parábolas com referências aos iníquos (7.31-32; 12.13-21; 16.12,19-31; 18.1-8,9-14). Fica
claro que Lucas tinha um profundo interesse pelo fato de que Jesus veio salvar
pecadores.

3. A ênfase ao Espírito Santo.


Lucas tem um profundo interesse pelo Espírito Santo. Esse fator fica mais claro a
partir de Atos, mas se comparado a Mateus e Marcos, Lucas é o que mais fala do
Espírito (1.15; 1.41,67; 2.25-27), de diversas maneiras o Espírito Santo está vinculado ao
ministério de Jesus: em sua concepção (1.35), no batismo (3.22), no deserto para ser
tentado (4.1), no seu regresso para a Galiléia (4.14), no seu sermão em Nazaré (4.18),
Jesus ficou alegre pelo Espírito Santo (10.21), o Espírito ensino o que falar (12.12), o
poder do Espírito envolveria a todos futuramente (24.49). O papel do Espírito Santo em
Lucas é glorificar a Jesus, contudo tudo o que Jesus faz é pelo o Espírito Santo.

4. A ênfase dada à oração.


O povo de Deus deve buscar constantemente n’Ele o suprimento de suas
necessidades através da oração. Em Lucas encontramos Jesus orando em diversas
ocasiões. Quem lê Lucas não tem dúvidas da importância da oração, um exemplo
clássico é a parábola do fariseu e do publicano (18.9-14).

5. A ênfase dada à alegria.


Lucas também é caracterizado pela presença de cânticos e júbilo. Regozijo –a
marca registrada de Lucas. Lucas apresenta mais ocorrências que falam de regozijo do
que qualquer outro livro no Novo Testamento. Freqüentemente encontramos em Lucas,
pessoas se regozijando, ou dando glória a Deus, ou louvando a Deus (1.14,44,47; 2.20;
7.16; 10.21; 13.13). Lucas fala de riso (6.21), de um pulo de alegria (6.23) de alegria ao
encontrar o que estava perdido (15.6-7, 9-10), de festas (15.23,32), etc. Em Lucas, quem
encontrou o evangelho conhecia algo maravilhoso, esse era o motivo de tão grande
alegria.

52
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O EVANGELHO SEGUNDO JOÃO


JESUS, O FILHO DE DEUS. O VERBO SE FEZ CARNE E VEIO TRAZER GRAÇA E VERDADE.

O Evangelho de João é singular. Mateus, Marcos e Lucas são chamados sinóticos


porque, a despeito de suas ênfases individuais, descrevem muitos dos mesmos eventos
da vida de Jesus.
João se volta principalmente para eventos e discursos não comuns aos outros
evangelhos, com o objetivo de mostrar a seus leitores que Jesus é Deus encarnado, a
eterna Palavra vinda a terra, que nasceu para morrer como sacrifício oferecido a Deus
para tirar o pecado do mundo. Sete sinais miraculosos provam que “Jesus é o Cristo, o
Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (20.31). Jamais se
escreveu um tratado evangélico mais excelente que a maneira inspirada que elaborou
sobre a vida, morte e ressurreição de Cristo.

Autoria27

As tradições da Igreja primitiva indicam que o apóstolo João escreveu este


evangelho, já no término do primeiro século.

Tanto dentro do cristianismo histórico quanto dentro do gnosticismo existiam


vários documentos que aludiam este evangelho à pessoa de João.
• Teófilo de Antioquia (cerca de 181 d.C.).
• Já antes disso vários outros escritores, como Taciano (um aluno de Justino
Mártir), Cláudio Apolinário (bispo de Hierápolis) e Atenágono, fazem claras citações do
quarto evangelho, tratando o como fonte de autoridade.
Irineu, discípulo de Policarpo, que por sua vez foi discípulo de João, atribui este
Evangelho a João, o apóstolo. Policarpo foi martirizado em 156, com a idade de 86 anos.
• Irineu conheceu pessoalmente Policarpo, e é por meio de Policarpo que
temos as mais importantes informações a respeito do evangelho de João. Escrevendo a
Florino, Irineu recorda:

“Recordo-me dos acontecimentos daqueles dias com mais clareza do que aqueles que
têm ocorrido recentemente, pois aquilo que aprendemos enquanto somos crianças
cresce junto com a alma e fica unida a ela, de modo que posso falar até mesmo do
lugar em que o abençoado Policarpo se sentava para os debates, como entrava e como

27Para maiores informações sobre autoria, evidencias interna e externa, leia: CARSON, D. A. Introdução ao Novo
Testamento. 1a edição. São Paulo: Edições Vida Nova. 2002. pp. 155 a 171.

53
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saía, o caráter de sua vida, a aparência de seu corpo, a mensagem que pregava ao
povo, como contava suas conversas com João e outros que haviam visto o Senhor,
como se lembrava das palavras deles, quais eram as coisas concernentes ao Senhor
que ouvira deles, inclusive os milagres e os ensinos dele, e como Policarpo havia
recebido isso da parte das testemunhas oculares da palavra da vida e relatou todas as
coisas de conformidade com as Escrituras” (H.E. 5.20.5-6)28.

Para Irineu, o nome do quarto evangelista é João e deve ser identificado com o
discípulo amado referido em João 13.23. Ele (Irineu) escreveu: “João, o discípulo do
Senhor, que recostou-se em seu peito, publicou o evangelho enquanto residia em Éfeso, na Ásia”
(Adv. Haer. 3.1.2).
Não só Irineu, mas Clemente de Alexandria e Tertuliano fornecem sólidas
evidências no século II em favor da convicção de que o apóstolo João escreveu esse
evangelho29.
Jesus deu a João e a seu irmão Tiago o apelido de “filhos do Trovão” (Mc 3.17).
Seu pai era Zebedeu, e sua mãe, Salomé, serviu a Jesus na Galiléia e estava presente em
sua crucificação (Mc 15.40-41). João era um dos galileus que seguiram João Batista até
serem chamados a seguir Jesus no início de seu ministério público (1.19-51)30.
Depois da ascensão de Jesus, João se tornou um dos “pilares” da igreja em
Jerusalém, juntamente com Tiago e Pedro (Gl 2.9).

Data
A data do evangelho de João tem sido assinalada desde 40 d.C. até 140 d.C., e até
mais tarde. Sabe-se, pela descoberta do fragmento de Rylands, que preserva um pedaço
de João 18. 31-33,37,38, que João estava em uso provavelmente na metade do 2o século.
A melhor solução parece ser a que sustenta que João, em Éfeso, ao fim do 1o
século (entre 85/95 d.C.), quando a igreja tinha atingido certa maturidade e havia
necessidade de se ensinar a respeito da natureza da fé.


28 A maioria dos estudiosos reconhece que esse João, certamente uma referência ao apostolo João, o filho de
Zebedeu.
29 De acordo com Eusébio (H. E. 6.14.7), Clemente escreveu: “Mas aquele João, por último, cônscio de que os fatos

exteriores foram expostos nos evangelhos, foi instado por seus discípulos e, divinamente movido pelo Espírito, escreveu um
evangelho espiritual”.
30 Estes galileus mais tarde foram convocados a se tornarem discípulos em tempo integral do Senhor (Lc 5.1-11), e

João estava entre os doze homens que foram selecionados para serem apóstolos (Lc 6.12-16).

54
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Lugar
A teoria tradicional é de que João foi escrito em Éfeso. Essa teoria ganha peso
pelo testemunho da patrística.
• Eusébio (H. E. 3.1.1).
Diz que a Ásia [i.e., Ásia Menor] a João quando os apóstolos foram dispersos no irromper
da Guerra dos Judeus (66-70 d.C.).
• Irineu (Adv. Haer 3.1.231).
Diz que: “João, o discípulo do Senhor, que recostou-se em seu peito, publicou o evangelho
enquanto residia em Éfeso, na Ásia” (Adv. Haer. 3.1.2).

Embora haja também outros três lugares propostos: Alexandria32, Antioquia33 e


Palestina34, nenhum desses locais têm o apoio dos Pais da Igreja: eles indicam Éfeso
como sendo o Local da escrita deste evangelho.

Destinatário
João não trás em si qualquer menção a seus destinatários, o que se tem é
inferências de acordo com a autoria e o propósito. Sendo João, filho de Zebedeu, o
escrito e se escreveu de Éfeso, pode-se inferir que preparou seu livro para leitores dessa
região do império. O autor pode também ter esperado uma circulação mais ampla,
embora não se possa provar isso. Em suma João escreveu seu evangelho para cristãos e
não cristãos da região ao redor de Éfeso.

Propósito
João tem seu propósito bastante explícito: “Estes foram escritos para que vocês creiam
que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome”. Jo 20.31.
João selecionou os sinais que usou com o propósito apologético de gerar convicção
intelectual (“para que creiam”) e espiritual (“para que, crendo, tenham vida”) acerca
do Filho de Deus. O verbo chave em João é “crer”, o que requer tanto conhecimento
(8.32; 10.38) quanto determinação da vontade (volição) (1.12; 3.19; 7.17).

31
Alguns acham que Irineu confunde o João apóstolo e outro João.
32
Alexandria é defendida por alguns com o argumento de que João possui certas afinidades com Filo. Esse
argumento cai por terra quando se entende que Filo poderia ser lido fora de Alexandria.
33
Antioquia tem sido proposta com o argumento de João possui afinidades com as Odes de Salomão, obra escrita
em siríaco procedente dessa região.
34
A Palestina é sugerida devida à grande familiaridade de João com detalhes culturais e topográficas.

55
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O tema predominante deste evangelho é a dupla resposta de fé e confiança na
pessoa de Jesus Cristo. Aqueles que põem sua fé no Filho de Deus têm a vida eterna,
mas os que o rejeitam permanecem sob a condenação de Deus (3.36; 5.24-29; 10.27-29) –
este é o resultado básico.

Cristo em João35
João apresenta o mais poderoso exemplo, em toda a Bíblia, da Deidade do Filho
de Deus encarnado. “Um homem chamado Jesus” (9.11) é também “Cristo, o Filho do
Deus Vivo” (6.69). a Deidade de Cristo pode ser vista em suas sete afirmações “Eu Sou”:
”E u sou o pão da vida” – 6.35,48; “Eu sou a luz do mundo” – 8.12; “Eu sou a porta” –
10.7,9; “Eu sou o bom pastor” – 10.11,14; “Eu sou a ressurreição e a vida” – 11.25; “Eu
sou o caminho e a verdade e a vida” – 14.6; “Eu sou a videira verdadeira” – 15.1,5. Os
sete sinais (1-12) e os cinco testemunhos (5.30-40) também destacam seu caráter divino.
Em certas ocasiões Jesus se equipara ao “EU SOU” do Antigo Testamento, ou com o
YAHWEH (4.25-26; 8.24, 28, 58; 13.19; 18.5-6, 8. Algumas das afirmações mais cruciais
de sua Deidade se encontram em 1.1; 8.58; 10.30; 14.9; 20.28.
Mas fica claro também que o Deus Jesus, era homem: em seu cansaço (4.6); sede
(4.7); dependência (5.19); sua tristeza )11.35); sua alma perturbada (12.27) e sua angústia
e morte (cap. 19).

Versos Chaves em João: 1.12-14; 3.16; 20.31.

1:12-14 12 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a
saber, aos que crêem no seu nome; 13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne,
nem da vontade do homem, mas de Deus. 14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de
graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

3:16 16
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo
o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

20:31 31
Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e
para que, crendo, tenhais vida em seu nome.


35
WILKINSON, BRUCE & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. Págs 367,368.

56
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ÊNFASES TEOLÓGICAS DE JOÃO

Jesus, O Filho de Deus


“A encarnação do Filho de Deus revela Sua glória divina àqueles que, a despeito da oposição
generalizada, desfrutam graça e verdade mediante a fé em Jesus como a provisão divina para o pecado
do mundo36”

JESUS SE REVELA POR SINAIS E


ESUS SE REVELA POR SINAIS E JESUS SE REVELA NA CRUZ E PELA
ESUS SE REVELA NA CRUZ E PELA
PRÓLOGO EPÍLOGO
PALAVRAS EXALTAÇÃO
1.1- - 18 1.19 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 12.50 13.1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 20.31 21.1-25
preexistente, que veio viver aqui

mesmo, por seus discípulos e


Climax: Poder sobre a morte

Ressurreição de Cristo e
Sinais, Obras e Palavras

Climax: Jesus ora por si

Julgamento e Paixão de
Discurso de despedida

restauração de Pedroe a
A pesca maravilhosa, a
Confrontação radical

e predição da Paixão
Jesus: o Filho de Deus

Oposição crescente

por todos os crente

confissão de Tomé

grandeza de Cristo
entre nós

1.1 - - - 18 1.19 - 4.54 5.1 - - 7.53 8.1- - 10.40 11.1- -12.50 13.1 -16.33 17.1- - - - - -26 Jesus
18.1 - - 19.42 20.1- - - 31 21.1- - - 25

Sete Milagres Discurso no Cenáculo Milagre Supremo

“Para que Tenhais Vida”


“Para que Creais”
(“Estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o
(A palavra “Crer” aparece 98 vezes)
Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida
em seu nome” Jo 20.31).
Local: Data:
Éfeso 85/90ss


Em João alguns pontos teológicos vão além dos sinóticos, seu vocabulário
simples e repetitivo mostra muito de sua teologia, vejamos:

36 PINTO, Carlos Osvaldo. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008. pág 169.

57
Proibido Reproduzir Sem Autorização
• Pisteu,w (pisteuo, “crer”) aparece 98 vezes;
• Ko,smoj (kosmos, “mundo”) aparece 78 vezes;
• Verbos com o sentido de “enviar” (pe,mpw [pempõ] e avposte,llw [apostellõ])
aparecem 60 vezes;
• “Pai” 137 vezes (a maioria com referência a Deus)
• Palavras relacionadas com “amor” aparecem 57 vezes.

1. Cristologia.
A apresentação que João faz de quem é Jesus: O Cordeiro de Deus, Verbo, Eu Sou.
João mostra Jesus como o Filho de Deus, esse título é enriquecido através de seu
relacionamento com o Pai. Ele está subordinado ao Pai e faz e diz somente aquilo que o
Pai lhe dá para fazer e dizer, mas ele faz tudo o que o Pai faz, pois o Pai lhe mostra tudo
o que ele próprio faz (5.19). A obediência perfeita de Jesus e a natureza incondicional de
sua dependência tornam-se esferas em que Jesus revela as palavras e obras do Pai.
João é o evangelho da fé, essa fé salienta supremamente a divindade de Jesus, ele é
preexistente (1.1 - VEn avrch/| h=n o` lo,goj kai. o` lo,goj h=n pro.j to.n qeo,n kai. qeo.j h=n o` lo,goj),
que em obediência a seu Pai tornou-se ser humano (1:14 Kai. o` lo,goj sa.rx evge,neto kai.
evskh,nwsen evn h`mi/n) a fim de morrer pela humanidade.
O próprio Jesus fez exigências cristológicas, utilizando expressões “Eu Sou”.
• ”E u sou o pão da vida” – 6.35,48.
• “Eu sou a luz do mundo” – 8.12.
• “Eu sou a porta” – 10.7,9.
• “Eu sou o bom pastor” – 10.11,14.
• “Eu sou a ressurreição e a vida” – 11.25.
• “Eu sou o caminho e a verdade e a vida” – 14.6.
• “Eu sou a videira verdadeira” – 15.1,5.
Além dessas reivindicações, ha aquelas declarações que envolvem a Expressão
“Eu sou”, não seguidas por qualquer complemento, e que sugerem a reivindicação de
ser Ele o eterno EU SOU – Javeh do Antigo Testamento (4.25,26; 8.24,28,58; 13.19; que
pode ser comparados com 6.20; 7.34,36; 14.3; 17.24; Êxodo 3.13ss)

2. Soteriologia.
Apesar da ênfase em Jesus, a salvação não vem (como no gnosticismo)
meramente por meio da revelação. A obra de João é um evangelho em que todo o
andamento da trama é em direção da cruz e da ressurreição. A cruz não é simplesmente
um momento revelador, é a morte do pastor por suas ovelhas (cap. 10), é o sacrifício de

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uma pessoa por sua nação (cap. 11), a vida é dada em favor do mundo (cap. 16), a
vitória do Cordeiro de Deus (cap. 1), o triunfo do Filho obediente que, como
conseqüência, lega sua vida, sua paz, sua alegria, seu Espírito (caps. 14-16).
Sem fé e relacionamento pessoal com Cristo não existe acesso à salvação, sua
morte substitutiva é o fundamento para a salvação (3.16; 4.42). Em João “Crer” significa
reconhecer as palavras de Jesus como vindas de Deus, que as revelou, e assim também
reconhecer e se associar à pessoa de Jesus. Quem crer será salvo.

3. Escatologia.
Em João a escatologia está ligada ao uso que faz do termo “tempo, hora” (kairo,j).
A escatologia presente está em constante tensão com a escatologia futura. Por um lado
Jesus proclama: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna,
não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (5.24). Isso parece indicar que para o
crente a morte está vencida e a vida eterna tomou o seu lugar. Por outro lado, Jesus
anuncia aos seus seguidores a vida eterna no futuro quando diz: “De fato a vontade do
meu Pai é que vir o Filho e nele crer, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”
(6.40). A ênfase na salvação no tempo presente é forte em João, mas, fica claro também
que ainda irá se cumprir: a ressurreição dos mortos (6.40), o juízo vindouro (5.28,29) e a
volta de Jesus (21.22). Sem deixar evidente que na pessoa de Jesus a salvação está
presente.

4. Pneumatologia.
Assim como os sinóticos, João tem um ensino acerca do Espírito Santo. Contudo,
algumas particularidades são encontradas aqui: em João, Jesus não só traz e outorga o
Espírito Santo mas, ao legar o Espírito escatológico, ele se desincumbe da tarefa de
trazer aquilo que é característico segundo a nova aliança (3.5; 7.37-39). No discurso de
despedida (caps. 14 a 16), o Espírito, o Consolador, claramente é outorgado como
conseqüência da morte e exaltação de Jesus.

5. Eclesiologia.
O termo igreja não aparece em João, mas a eclesiologia surge quando nos
associamos com a pessoa de Jesus por meio da fé. Há muito sobre eleição, vida, origem
natureza, testemunho, sofrimento, frutificação, oração, amor e unidade do povo de
Deus.

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O discurso do pastor (“Eu sou o bom pastor”) realça o relacionamento de Jesus
com aqueles que o Pai lhe confiou – ele sabe que é responsável por essa comunidade.
O discurso da videira (‘Eu sou a videira verdadeira”) fala da ligação entre os
ramos e a videira – não podem viver independente um do outro.
A oração sacerdotal descreve sua intercessão por seu círculo mais próximo de
discípulos. Ele capacita esse círculo com o Espírito Santo, com autoridade para perdoar
pecados e os envia ao mundo – consagra Pedro como pastor para cuidar desse povo.

6. Antigo Testamento.
João não cita o Antigo Testamento na mesma proporção de ouros evangelistas,
e.g., Mateus. Mas, faz um número de alusões ao Antigo Testamento, onde Jesus assume
o lugar de personagens e instituições reverenciadas na antiga aliança (e.g., templo,
videira, tabernáculo, páscoa).

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VISTA COMPARATIVA DOS QUARTO EVANGELHOS

Variações quanto ao modo de apresentar Jesus e seu ministério


Evento Mateus Marcos Lucas João
Sua preexistência - - - 1.1-3
Nascimento e
Caps 1,2 - Caps 1,2 -
infância
O testemunho de
Cap 3 1.1-8 Cap 3 1.6-42
João Batista
A Tentação 4.1-12 1.12-13 4.1-13 -
O 1º milagre - - - 2.1-11
Jesus na Judéia - - - 2.13-4.3
Jesus em Samaria - - - 4.4-42
Jesus na Galiléia 4.12 a 19.1 1.14 a 10.1 4.14 a 9.51 4.43-54 e 6.1 a 7.1
Visita a Jerusalém - - - 5.1-47
Jesus na Peréia Caps 19,20 Cap 10 9.51 a 19.28 -
Fim na Judéia - - - 7.1 a 11.57
Ultima Semana Caps 21-27 Caps 11 a 15 19.29 a 24.1 Caps 12 a 19
Após a
Cap 28 Cap 16 Cap 24 Caps 20,21
ressurreição

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O LIVRO DE ATOS DOS APÓSTOLOS

O IRRESISTÍVEL AVANÇO DO EVANGELHO, DE JERUSALÉM ATÉ ROMA.


O livros de Atos é único no Novo Testamento. O autor não tinha nenhum modelo
a seguir, embora existissem relatos sobre qualidades e ações de homens de Deus, mas
nada que se compare a Atos, pois o centro aqui é a ação de Jesus mediante o Espírito
Santo.

A palavra “atos” (,praxeij) denotava no mundo antigo um gênero ou subgênero


reconhecido, caracterizado por livros que descreviam os grandes feitos de um povo ou
cidade. Embora os atos relatos em Atos sejam dos apóstolos, quem está por detrás disso
é o aespirito Santo.

A primeira parte de Atos ressalta como o evangelho foi aceito inicialmente em


Jerusalém, como nasceu a igreja e como ela viva, bem como o avanço do evangelho para
Samaria e Antioquia da Síria. A segunda parte descreve as viagens missionárias de
Paulo, que mostram como, passo a passo, o evanmgelho de Cristo vai penetrando o
império romano.

Praticamente no meio do livro está o capítulo 15, que descreve a disputa acerca
da questão, se os gentios podem pertencer ao povo de Deus sem se tornarem judeus. A
igreja responde afirmativamente a essa questão, apóia a estratégia missionária de Paulo,
derrubando barreiras entre judeus e gentios, assim, muitas igrejas são fundadas. Apesar
do aprisionamento de Paulo, Atos cunclui com as palavras de vitória: Paulo “pregava o
reino de Deus e ensinava a respeito de Senhor Jesus Cristo Abertamente, e sem impedimento
algum” (At 28.31 NVI)

Autoria

Lucas37, o médico amado.

Evidências Internas: o uso do pronome “nós” (16.17 e 20.4,5; cap 27, 28.15), indica
que o autor era companheiro de Paulo nas suas viagens missionáris. O livro começa
com uma dedicatória a Teófilo, tal qual no evangelho que leva seu nome.


37 Ver tópico sobre : “Evidências da autoria lucana”.

62
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Evidências Externas: o testemunho desde Irineu é unânime em atribuir tanto
Atos como o terceiro Evangelho a Lucas. Tertuliano (200 a.C.), Clemente de Alexandria,
Eusébio (325 a.C.) e outros reafirmam a autoria lucana de Atos.

Data

Atribui-se a Atos uma data aproximada em 62//63, pelas seguintes razões: 1. As


últimas palavras (28.30,31) nos permitem supor que a história de Atos vai até cerca de
62//63 aproximadamente (antes da paerseguição). 2. Não fala do incêndio de Roma em
64, nem da perseguição dos cristãos a partir dessa data, bem como da destruição de
Jerusalém em 70 a.C. 3. Foi escrito após o evangelho, 60s.

Lugar

Desde os tempos de Jerônimo (345) , a tradição favorece Roma como sendo o


local de origem de Atos. Visto que Lucas acompanhou Paulo até ali, em cerca de 21//62.

Destinatários

Teófilo38, e gentios cristãos. De certa forma a toda a igreja.

Tema

O livro traça o triunfal progresso do evangelho a partir de Jerusalém, onde teve


início, até Roma ,a acapital do império.

“O irresistível avanço do evangelho, de Jerusalém até Roma.

Cristo em Atos39

O Salvador ressurreto é o tema central dos sermões e defesas em Atos. A


Escrituras do Antigo Testamento, a ressurreição histórica, o testemunho apostólico e o

38 Ver tópico sobre: “Destinatário” no capítulo de Lucas.
39
WILKINSON, BRUCE & BOA, Kenneth. Descobrindo a Bíblia. Candeia. Pág 383.

63
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poder convincente do Espírito Santo, tudo testifica que Jesus é o Senhor e o Cristo (ver
sermões de Pedro 2.22-36; 10.34-43). “A ele todos os profetas dão testemunho de que
todo aquele que crê receberá remissão dos pecados pelo seu nome” (10.43). “Em
nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre
os homens, em que devamos ser salvos” (4.12).

Versos-chave: 1.8; 9.31; 28.30,31.

1:8 8
mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas
tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

9:31 31 A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e
caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número.
28:30-31 30 Por dois anos, permaneceu Paulo na sua própria casa, que alugara, onde recebia
todos que o procuravam, 31 pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento
algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo.

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ÊNFASES TEOLÓGICAS DE ATOS

O Irresistível avanço do Evangelho, de Jerusalém até


Roma...
“A mensagem soberana doReino iniciada por Jesus encontra culminação autorizada em sua
proclamação por todo omundo gentio40”

A MENSAGEM É PROCLAMADA PARA OS


MENSAGEM É PROCLAMADA PARA OS A MENSAGEM É PROCLAMADA PARA OS
MENSAGEM É PROCLAMADA PARA OS
JUDEUS GENTIOS
1.1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 12.24 12.25 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 28.20

Apesar dos Apesar de


Com
Estêvão, desafios, a constantes
sucesso,
Os Doze Felipe e Pedro mensagem oposições,
amensagem
anunciam a Saulo anuncia a do Reino a
do Reino é
mensagem anunciam a mensagem chega ao mensagem
proclama e
do Reino mensagem do Reino centro da do Reino
chega aos
do Reino cultura chega à
gentios.
grega Roma
1.1 - - - - - - - - - - 6.7 6.8 - - - - - - - - - 9.31 9.32 - - - - - - -12.24 12.25 - - - - - - - 16.5 16.6 - - - - - - - 19.20 19.21- - - - - -28.31

Pedro (Estevão, Felipe) Paulo (comitiva missionária)

Jerusalém, Judéia e Samaria Confins da Terra


Local: Data:
Roma 62


Atos é de suma importância por seu valor histórico, apologético e teológico, bem
como sua ênfase ao poder e à direção do Espírito Santo na Igreja.

1. Evangelização/apolética. Lucas inclui vários discursos evangelísticos e


descreve vários milagres, mostrando as credenciais dos pregadores e despertando a fé
em seus leitores. Um aspecto enigmático em Atos é a quantidade de tempo que Lucas
gasta para descrever, em detalhes, os julgamentos e defesas de Paulo – quase um quarto
de todo o livro (cap.22 – 28). Alguns estudiosos respondem essa questão dizendo que
Lucas queria provar a cidadãos romanos que o cristianismo era uma religião que devia

40 PINTO, Carlos Osvaldo. Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008. pág 199.

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ser tolerada – uma religião lícita. Pois, Roma via o cristianismo como uma ameaça,
principalmente política.

2. Historicidade. Dentre os livros do Novo Testamento, Atos é o o que mais


de perto se assemelha à narrativa histórica e é uma fonte para a maior parte daquilo que
narra, se fazendo assim, uma fonte histórica séria e confiável. Por exemplo: Colin
Hemer, um estudioso do Novo Testamento, compara Lucas favoravelmente com os
mais altos padrões da historiografia antiga. Segundo ele, Lucas demonstra seu
conhecimento e exatidão de detalhes políticos, sociais e geográficos do século I.

3. Contribuição teológica e pastoral. O propósito básico de Lucas é edificar


cristãos, narrando como o plano de Deus, tendo se cumprido em Jesus, continuou a se
desenrolar na igreja primitiva. É muito importante para Lucas a harmonia da
proclamação apostólica da palavra de Deus com a palavra que Jesus ensinou e cumpriu.
Desse modo a “Palavra de Deus” dá coesão aos dois volumes de Lucas, quando a
Salvação que o anjo inicialmente proclamou na noite do nascimento de Jesus, na Judeia
(Lc 2.10-12) é finalmente levada à capital do Império Romano.

Lucas apresenta “os fatos que entre nós se realizaram” (Lc 1.1) como uma
continuação da história da salvação no Antigo Testamento, mostrando como essa
história alcança seu ponto culminante emCristo e como ela, por intermédio dos
apóstolos dirigidos pelo Espírito, flui de Cristo para uma nova fase, a igreja como povo
escatológico de Deus. Dessa maneira, Lucas deu a Teófilo (e continua a dar a cada
cristão que lê seus dois volumes) uma certeza histórica de que a fé está firmememnte
alicerçada nos atos de Deus na História e de que a mensagem que cremos é a mesma
mensagem enviada de parte de Deus. Lucas descreve o crescimento progressivo do
evangelho e a expansão da igreja, tendo Paulo como o principal meio para esse fator,
para ele Paulo temn um papel fundamental na nova fase da história da salvação.

4. O EspíritoSanto em Atos. Nos evangelhos, o papel do Espírito Santo é


glorificar Jesus, tudo o que Jesus disse e fez, ele o faz pelo Espírito, em Atos não é
diferente, mas agora quem faz são os apóstolos, em nome de Jesus. Em Atos o Espírito
Santo vem como cumprimento da promessa messiânica de Joel 2.28-32. Atos 2.17
inaugura a era messiânica profetizada por Joel.

O Espírito Santo se manifesta não para dar à pessoa uma credencial de santidade
ou superioridade, nem para proporcionar êxtase, ele vem para dar ousadia, coragem.
Em Atos, ser cheio do Espírito significa sofrer a se preciso for até morrer em favor da
expansão do Evangelho. Ex. Estêvão, Paulo, Silas, etc. sem o Espírito Santo não há
poder milagroso, não há testemunho eficaz e nem expansão do reino, somente com ele o
evangelho chegará até aos confins da terra.

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Outro fator importante ´que em Atos o Espírito Santo é o Espírito da verdade, ele
não permite nenhum engano no meio da igreja, desvenda os mistérios da magia,
advinhações, e por causa de mentiras, pune com pena de morte, Ananias e Safira, com o
propósito de proporcionar temor na igreja que nascia (5.11).

5. Edificação. Um número crescente de estudiosos acreditam que Lucas


escreveu com propósitos específicos em mente e que esses fazem parte de um propósito
mais amplo e geral – a edificação de cristãos. No prólogo, Lucas diz que a confirmação
do evangelho é seu propósito maior e ao usar a palavra kathcew “ensinar”, deixa
implícito que essa confirmação é dirigida a um cristão, talvez um novo convertido.
Talvez tenhamos de ver esse leitor alvo como alguém que já antes era temente a Deus,
como Cornélio (At 10), sem se tornar um judeu. Lucas alcança seu propósito ao
descrever o fundamento histórico da fé cristã e ao mostrar, mediante sua investigação
histórica, que a igreja de seus dias, e de Teófilo, é o ponto culminante da história bíblica.
A salvação de Deus foi revelada e tornou-se disponível, em seu Filho, Jesus Cristo. A
mensagem dessa salvação foi confiada pelo próprio Cristo a seus apóstolos e estes,
mediante o poder e direção dados pelo Espírito Santo, agora levaram essa mensagem e
a salvação da qual ela é mediadora “até aos confins da terra”. Paraleo a isso, Lucas
defende a legitimação da igreja aos olhos dos romanos, a defesa de Paulo aos olhos de
cristãos judeus, a evangelização e outros.

67
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APÊNDICE:
CRONOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO
Por Johannes Bergmann - Considerando principalmente o ministério público de Paulo e a origem dos Escritos do NT.

ACONTECIMENTO REFERÊNCIAS DATA ESCRITO


Inicio do Ministério de João Batista Mt 3.1-12 (e textos paralelos) 25/26
Jesus Cristo inicia Seu ministério Mt 3.13-17 (e textos paralelos) 26/27
Paixão, morte e ressurreição de Jesus Cf. Novo Testamento
29/30
Ascensão de Jesus Lc 24.50-53 e Atos 1
Pentecoste Atos 2
Apedrejamento de Estêvão, c/ a presença do jovem fariseu Saulo Atos 7.58; 8.1,3 30/31
Conversão de Saulo, nas proximidades de Damasco At. 9.1-19; 22.3-16; 26.9-18; Gl 1.13-16 31
Saulo viaja de Damasco para a Arábia e volta Gl. 1.17, (At 9.20-25) 31/32
Saulo foge de Damasco para Jerusalém At 9.20-25; 2Co 11.32-35
1ª viagem à Jerusalém (3 anos depois da conversão; conhece 33/34
Gl 1.18-24; At 9.26-30
Pedro, Tiago e Barnabé); de Jerusalém viaja para Tarso
Mateus
Barnabé leva Saulo para Antioquia, onde ficam 1 ano At 11.19-26 46 (aramaico)
Tiago
2ª visita à Jerusalém (14 anos depois da 1ª , cf Gl 2.1) c. 40ss
Gl 2.1-10; At 11.27-30; 12.25 47 40-49
acompanhado de Barnabé e Tito, com uma oferta da igreja de Antioquia publicado
Chamados e enviados pelo E.S., Saulo e Barnabé partem para a 1ª antes do
At 13.1-13 47/48 ano 63
Viagem Missionária.
1ª Viagem

Nascem igrejas no da Galácia, entre os “Gálatas”. At 13.14-14.25; Gl 2.6-10


Retorno para Antioquia At 14.26-28 48 Galatas
Discussão com Pedro acerca da circuncisão At 15. 1-2; Gl 2.11-16 48/49
Concílio de Jerusalém At 15. 2.35
c. 49
Começo da 2ª Viagem missionária, com Silas At 15.36-17.34
Nascem igrejas em Filipos, Tessalônica, etc. At 16. 9-40; 17. 1-9 49/50
2ª Viagem

I Tessalonicenses 50
Paulo em Corinto por 18 meses At 18. 1-17; cf. 1Co 2.1-5 50/52
II Tessalonicenses 50/52
Retorno para Antioquia via Éfeso (com Áquila e Priscila), Cesaréia e
At 18.18-22
Jerusalém 52
Começo da 3ª Viagem missionária: até Éfeso At 18. 23-19.1
Paulo em Éfeso, 3 meses ensinando na sinagoga, 2 anos na escola de
At 19.1-20 (cf. At 20. 17-35) 52-55 I Coríntios 54/55
Tirano
Visita a Corinto (depois de escrever 1 Corintios) 2Co 12.14; 13.1-2. 54/55
3ª Viagem

Continuação da 3ª viagem missionária: perigo de morte na Ásia, da At 20.1-2; 2Co 1.8-10; II Corintios 55/56
56
Ásia para Macedônia, de onde visita o Ilírico 2.12-13; 7.5; 9.2; (Rm 15.19) ... Macedônia
3ª visita a Corinto (onde passa o inverno) At 20.2b; Rm 15.22ss 56/57 Romanos 55/57
Via Trôade e Mileto (despedida dos anciãos de Éfeso) contina para
At 20.3-38; 21.1-14
Jerusalém 57
Chegada e detenção em Jerusalém At 21.15-23.11
Paulo é levado para Cesaréia (testemunho perante Félix e Festo) At 23.12-26.32 57/59 Lucas
Viagem para Roma (do outono até a primavera) At 27.1-28.16 59/60 58/61
Col 62 (Cesaréia ou
Fm 62 Roma)
Paulo preso em Roma por 2 anos inteiros At 28.17-31 60/62 Ef 62
Fp 62/63 Atos 62
Paulo provavelmente liberado por Nero, antes da persegção dos cristãos
Fp 1.25ss; 2.24 62/63
(que começou em 64)
Pedro em Roma? I Pe Marcos
Renovada atividade missionária de Paulo; visita às igrejas (Rm 15.24-28); Tt 3.12-15; I Tm 65/66 63/64 (Roma?)
63/66 64/67
fundadas na Grécia, Creta e Ásia Menor 2Tm 4.10-22 Tt 65/66 II Pe
2ª prisão de Paulo em Roma 2 Tm 4.6-8 66/67 2 Tm 66/67 66/67
Martírio de Paulo e de Pedro sob o imperador Nero (datado por Eusébio
(2 Tm 4.6-8) 67 Judas
em 67 e Jerônimo em 68)
67/80
Hebreus 68/70
Queda do Templo em Jerusalém 70
Apocalipse 94/95 Patmos
Ministério do apóstolo João em Éfeso Até c.
João 96/98 Éfeso

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(com exílio temporário em Patmos) 100 I, II, III João 96/100 Éfeso

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