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Ess e Od~ questões e de-
trabalho po~ estar direta-
- racionados ao que o respei-
a' psicólogo norteamerican0 Ste-
peian B. Poulter chama de "fator pai". 1

O tator pai é o entendimento e a cons-


cencia do impacto que sua relação com
seu pai teve, ainda tem ou poderia ter
no desenvolvimento de sua carreira e
em seu futuro. Poulter define detalha-
damente os cinco principais estilos de
paternidade. Desde o pai excessivamen-
te exigente - que, inflexível ao esperar
o melhor do filho, pode transformá-lo
em uma pessoa frustrada - até o que é
uma bomba-relógio: explode por qual-
quer coisa, transmitindo medo e inse-
gurança. Analisa também o pai passivo,
que mal tem contato com os filhos, e
apresenta ainda a herança deixada por
um pai fisicamente ausente. Por fim,
expõe as atitudes do pai compreensivo,
que demonstra verdadeiro interesse no
desenvolvimento de seus descendentes.

Ao identificar a influência, negativa


ou positivas de seu pai na forma corno
reage a determinadas situações e pes-
soas no ambiente de trabalho, você
será capaz de superar os obstáculos da
carreira, dando um grande e acertado
passo na direção do sucesso.
O'FATOR PAI
Como o legado paterno
afeta a sua vida profissional

t
Stephan B. Poulter

O FATOR PAI
Corno o legad.o paterno
afeta a sua vida profissional

Tradução
Magda Lopes

)I( Academia
Título oriiiiu/: T/Jefitbertlao/: de Steplian 8, Poulrer
Copvrght © 2006 Prome.teLEs Boc)ks Ptiblishe.rs. Àiiihcrst
Publicado orginaltnentc por Proiiie.te.ias Books Puhlishe.rs, Aanhei-sr NY -
prornetheusbooks.com
Copvright cia tradução em portu -us © 200, Ecílironi Academia de Intellirêncla, um
selo cia Editora Planeti do Brasil Ltda.
Este livro foi negociado atracis cia Ute Krncr L.iterarv Barcelona -
www.uk.] i tag.coiii

C00/7leuéfç/io cdito'iii/: Délnra Co teririan


Ediçuio (Je t•It?. preparação e )-t'-- j\-eio Fí tiina Conto
Capa: 1)I)T
L)/oriçjcJo: \'ivian Pcn.nafiel e E)avi Caseira

Dados Tn Lerilacionais dc Cata1oaço na Publicação (CI P)


(Cniara Brasileira do Livro, SP. Brasil)

Puulttr, Slephau B.
E) Íator pai como o Legado paterno afeta a sua
vida proflssu.mal / Stcphan ft Poulter tradução
Magda Lopes- -- So Pauto Fditora Academia de
t

Inte1icncEa, 2008,

Título original: The fatlicr factor : Iiowvour


r'ather's tcgacy iinpacts your carcer.
FSRN 78-85-600%-09- 1

1 Auto-aval jaco 2. Carreira - l)e5en\Q1vjj-nento


Aspectos psicológicos 3. Influ'ncas dos pais
1. Pai - Aspectos psiColi)60cos 5. Psicologia
industrial 6. Socializaco 1. Títulos,

08-06163 CDD-158.6

Lndic-es para catiíloo sistcmitico:


1. Ec dlia prokissiona] e iii t1uncia do pai
Pscii1rigii aplicada 15S.6
2. lntliiucia do pai e escolha prosional
Psicologia a[}liL1d1 1 5S.6

2008
RH.lO.5os direitos desta edição reservados ii
Editora Academia de lnreHgncia
Avenida Francisco M ata razo, 15 00 - 3 andai- - conj 3 2B
Edi ficio New ïork
0001-l00— Suo Paulo-SP
w\vacadenhiacicint'eijencja.com,hr

veiiclas@cditoraplancta.coni.hr
NOTA DO AUTOR

Todas as histórias e VOZeS contidas neste livro derivam em parte


da minha experiência clínica, investigação, carreira na aplicação da
lei e experiência ministerial. Entretanto, os nomes, lugares e outros
detalhes contidos neste livro foram alterados para proteger a pri-
vacidade e o anonimato dos indivÍduos a que se referem. Por isso.
qualquer scinei hança entre os nomes e histórias das pessoas descritas
neste livro e suas famílias com aqueles de. pessoas conhecidas pelos
leitores é involuntária e mera coincidência.
USO neste livro de pronomes masculinos e referências especí-

ficas somente aos pais tem o proposito único de escrever, educar e.


ilustrar apenas o tema cm questão. A importncia e re1evncia das
mães neste terna eterno também estão cobertas,
ÍNDICE

Agradecimentos 9

Prólogo li

Parte 1: Os princípios do fator pai


110 que
Capítulo 1. Os pais São importantes - O impacto de seu pai
você faz e no nmdo como faz 17

Capítulo 2. Conexão - Como o eStilo de afeto de seu pai repercute

C111 suas relações profissionais 43

Capítulo 3. O que você pode fazer a respeito Cc:mo o (:(-)'lhe cimento


e o insi'ht lhe do poder sobre. suas escolhas profissionais e seu
d esenipenho no trabalho 71

Parte 2: Estilos de paternidade do fator pai


Capítulo 4. Superfilho e superfilha - O estilo de paternidade
superexigente 103
14

ÍNDICE

Agradecinentos 9

#ro1ot() ii

Parte 1: Os princípios do fator pai


Capítulo I. Os pais São importantes - O impacto de seu pai no que
você faz. e no modo como faz 1.7

Capítulo 2. Conexão - Como o estilo de afeto de seu pai repercute


em suas relações profissionais 43

Capítulo 3. O que você pode fazer a respeito - Como o conhecimento


e o insight lhe do poder sobre suas escolhas profissionais e
desempenho no trabalho 71

Parte 2: Estilos de paternidade do fator pai


Capítulo 4. Superfilho e s Liperfilha - () estilo de paternidade
superexigente 103
Capítulo 5. O estilo de pate.t-nidade "explosivo" - Superaço do
medo e evaso 130

Capítulo 6. Mulheres e homens passivos - Fechar a brecha 156

Capítulo 7. Filhas e filhos sem pai - Encontre seu poder e sua


posição profissional. 176

Capítulo 8. Filhas e filhos de pais mentores-compreensivos


() fator pai com estilo 199

Parte 3: O fator pai em ação


Capítulo Ç• As regras do pai durante o crescimento - Influências a
longo prazo em filhos e filhas 217

Capítulo 10. Obtenha sua vantagem competitiva - Qual é a força cio


seu cstilo 234

Capítulo 11. Coloque sua vida profissional em alta velocidade. -


A próxima etapa 23

Capítulo 12. Além do seu pai - União de todos os elementos 275

Notas finais 287

Bibliografia 289
Capítulo S. O estilo de paternidade "explosivo" - Superaço do
niedo e evasão 130

Capítulo 6. /\hulhcres e homens passivos - Fechar a brecha 156

Capítulo 7. Filhas e filhos sem pai - Encontre, seu poder esua


posição profissional 1.76

Capítulo S. Filhas e filhos de pais mentores-compreensivos


() fator pai com estilo 199

Parte 3: O fator pai em ação


Capítulo 9. As regras do pai durante o crescimento - Influências a
longo prazo cm filhos e filhas 217

Capítulo 10. Obtenha sua vantagem competitiva - Qual é a força do


seu etiIlo 234

Capítulo 11. Coloque sua vida profissional em alta velocidade. -


A próxima etapa 253

Capítulo 12. Além do seu pai - Unido de todos os elementos 275

Notas finais 287

Bibliografia 289
GRADECIAIENTOS

A•:uito obrigado a todas as pessoas que contribuíram direta ou


indiretamente para a criação deste livro. Obrigado especialmente
a algumas pessoas Fundamentais cujo apoio Foi crucial durante este
processo: Celia .Rocks, P01 me estimular a formular O fator- pai e
CO1C)Cí-1()
por escrito; minha editora, Linda Greenspan. Regan, que
rue deu a oportunidade de criar este livro; Julia \•V1fe, por ser mi-
nha mentora profissional e espiritual, K.ve Helimers, por escrever o
prólogo e apoiar o papel do pai na vida de seus 11hos; e, tnaltuente.
minha família, por seu apoio.
Tambni quero agradecerá minha extensa rede de apoio e àque-
les que contribuíram com o fator pai: Kve e Kathleen I-Illmers,
\VilliaTI] e \1ary Klein, Barrv \VeicIiriian. Ed MacPherso. i\like
Costa, lEileen e jon Galio, Robert Brodv, Marlene Clar. Dortie
De.hart, Bruce \Vexler, i\lark R.ubin, Rorv Zaks, \Vinston Gooden,
Alike Jones, [)ave Lehr, E.d Vaderflet, Sandra \.Tásquez Evan Carter,
.Irs. Chester e J. A. Seniel e Tamika Eldredge. Sem es:es diferentes
tipos de pessoas na minha vida (passada e presente e proïisso. eu
jamais teria me aventurado fora da minha especialidade prohssiona]
e abordado um tema tão importante como este. Este livro não seria
o que é sem o esforço e a dedicação de todos os em-olvidos. Meus
agradecimentos a todos.
PRÓLOGO

Você se lembra das emoções que experimentou quando seu pai


lhe ensinou a andar de bicicleta? E possível que ao mesmo tempo
tenha recebido informações importantes que mais tarde o ajudariam
a moldar suas relações interpessoais... no trabalho Segundo o dr.
Stephan B. Poulter. a resposta é Ulil eflfátiC(.) sim:
Neste seu ultimo livro, Poulter mios pede que penetremos na rela-
ção pessoal que cada uni de nós teve com seu pai desde a primeira in-
fância e que aprendamos a entender o impacto que ela teve em nossa
vida profissional. Você perceberá que ele não flOS aplica golpes baixos
quando pede que cada um de nós enxergue com despojamento e ho-
nestidade o "tipo" de pessoa que era o seu pai, e que nos demos conta
e aceitemos como esse "tipo" determinou a forma como interaimos
com os demais.
A niensagem primordial de Poulter é: "Os pais são irnporuntes".
Portanto, quer a relação tenhas ido boa, má ou de qualquer outra
qualidade, os pais são muito mi portantes. e isso i-
sgnitca que rios afê-
tani muito.
() fator pai nos apresenta os cinco "estilos primários de pater-
nidade, desde os piores pais, o "violento" e o explosivo. até o mais
desejvel o "mentor-compreensiv )". Pode um pai exibir traços de
vários estilos? E claro que sim. Francamente, seria difícil imaginar
alguém que não os exibisse. Mas cada pai tem urna predisposição para
um estilo fundamental. E, especialmente, este permanece - segundo
Poulter - "onipresente, sólido e COntÍnUO".
Este é para mim o cerne do Fattr pai. Todos e cada um de nós
estamos impregnados de condutas derivadas do estilo de IIOSSO pai.
Estas vão se desenvolver a partir de experiências compartilhadas,
desde o primeiro abraço até uma perda total ou ausência de contato.
E, gostemos OU não, agora essas experiências fazem parte de nos. Não
c!c maneira tão física como nossa altura ou cor de pele, mas muito
próximo disso; é mais como um programa de computador instalado
há muito, muito tempo, que constantemente se atualiza. Com razão
essa relação tem tantas consequencias.
Parece que atualmente as pessoas cada vez mais questionam
sua vida profissional em novos termos e, curiosamente, em termos
que não são financeiros, porem mais abstratos e humanos, termos
em que o sucesso parece mais impulsionado pelos valores e menos
pelo dinheiro. Você não está tão certo disso? Bem, já escutou ai-
guéni dizer: "Não gosto do meu chefe e acho que meus colegas e
eu somos um bando de bobos, mas me pagam bem, e por isso amo
o meu trabalho": E claro que não. Certamente você pode adorar
seu campo ou tipo de trabalho, inclusive pode ser que goste da
empresa, e esperamos que esteja financeiramente satisfeito. Mas
se não tiver relações positivas, bem construídas, estendendo-se em
todas as direções. que lhe proporcionem reconbecli —nento e urna
retroalimentação adequada, não é possível que você ame o seu tra-
balho. Pode ser também que esteja se preparando para fracassar
involuntariamente.
Mais que nunca antes, as pessoas se encontram trabalhando em
ambientes supercarregados, onde constantemente devem se ajustar a
eventos sobre os quais fl() têm nenhum controle real - coisas como
hora'rios mais longos, menos dias de férias, menos benefícios e carga
de trabalho cada vez maior. A forma como se enfr.ntani esses proble-
mas depende, em grande parte, das relações de trabalho,
Também sabemos que diariamente surgem no trabalho inúmeros
outros fatores que devem ser manejados de igual nia neira. De natai-
reza transitária, imprevisíveis e com freqüência sobrepostos uns aos
outros (ou quase), estes talvez sejam até mais importantes1 porque
constituem a base dos tijolos que usamos para construir e manter
nossas relações interpessoais. Pense 1:) seguinte: é. cedo, você acaba de
sair da sala de seu chefe, que o felicitou por um trabalho bem-feito
("Sou um sucesso]"), quando uma colega. Joan, o aborda. aborrecida
porque você não cumpriu uru prazo ("Sou um fracasso"). ..\leu Deus!
Você acaba de chegar a intersecçio entre duas avaliações opostas e
conflitantes sobre .seu desempenho. Vocé vai reagir. A'ém disso. tam-
bém vai reagir aos muitos outros exaos, fracassos, irritações. alegrias
e decepções que com certeza vai encontrar ao longo do dia, provavel-
mente antes do almoço.
O /itor pai indica a maneira de assimilar e reagir a essas situa-
ções sem resvalar na mí interpretação, na auto-recriminação ou no
fracasso, mas de uma maneira projetada para melhorar a constru-
ção e a iiianiu'cnço de relações adequadas, e finalmente promover
UM desenvolvimento positivo da vida profissional e. da satisfação no
trabalho.
Esta é, portanto, a razão fundamental por que acredito que O
fator píli é tão importante: ele abre a porta para a autodescoberra mais
reveladora e importante p.ssei, aquela que se refere ao modo e à ra-
zão pelos quais ifltera'I111(I)S com os demais da forma como o fizemos,
e rios leva a realizar- uma mudança positiva.
O que mais mc agradou no Fator pai foi a oporrunidade de reviver
limitas das maravilhosas recordações de nicu pai. Vou lhes apresen-
tar alguns antecedentes: sou o niai.s velho de três filhos; minha i rulã
e cii fomos adotados, e meu irmão mais moço é filho biológico de
meus pais. Meu pai morreu cru 19831 e minha mãe no ano seguinte.
Lembro-me de meu pai de várias maneiras: como unia pessoa has-
tante rude que provinha de uni dos Setores mais pobres cio Brooklyn,
em Nova Ydrk; como um veterano da Seunda Guerra íVIundial que
conduziu tanques através da Europa .-,como unia pessoa que terminou
o seg- undo grau; como um conipanhei ro; como uni hoineni apelidado
de Holandés" (uni urna época menos conflituosa, quando esse tipo
de apelido era considerado afetuoso). Era alguém cujo exterior áspero
escondia uma grande gentileza, que sempre tinha tempo, que coloca-
va a família em primeiro iuLrar, e cuja esposa e filhos nunca passaram
tome, Frio ou desamparo. Ele também tinha defeitos, e seus defeitos
afetaram minha infincia e. minha vida pessoal e profissional, assim
como suas qualidades. Eu o amo e sinto muito a sua falta.
Dito cm termos simples. Poulte r é uma das pessoas mais bem
qualificadas que conheço nesta área de estudo. E uma aut:Ori(Iade re-
conhecida nas relações entre pais e fil}ios, cuja educação. capacitação1
experiência e temperamento o tornam adequado para oferecer unia
ajuda experimentada. E talvez o mais importante: é. o pai dedicado e
amoroso (do estilo mentor-compreensivo) de Jonathan e i\Iadison,
seus filhos. E também é meu amigo.
Creio que um de fOSSOS maiores dons é a capacidade de compre-
ender. Considerando isto. 0 flitor pai nos ajUda _C-1
a tender a nós mes-
mos e aos demais melhor do que se tivéssemos de faz-lo sozinhos.
Obrigado, Stephan.
E. obrigado a você também, meu pai.

KV.E HELL.I\IERS, pai e filho


Outubro de 2005
PARTE 1
OS PRINCÍPIOS DO
FATOR PAI
Capítulo 1
OS PAIS SÃO IMPORTANTES
O IMPACTO .DE SEU PAI No QUE VOCÊ
FAZ E NO MODO C(I)MO FAZ

So depois que tive meu terceiro conflito pessoal em seis meses com
11/11 .V//pï visor iiiiiciilin e (11R1 observei um padrõo problemír/co.
achei que minha te/ação com mcii pai wdería rer aio a
O L:ilt(70

ver com os problemas que enfrento em minha vida profissional.


Linda. 29 anos

' emp -e (lese/ei e ii1sq/iei (1 aprovação e o ilpolo de mcii pai. Rara-


mente ele OS deu, e às vezes ainda procuro obtê-los de me/is COleQZS
e clientes. E um círculo z.;icioso: desejo o (ípolo de meu pai e sei ie
isso nunca acontecerá da fbrma que cii quero; ele /1i70 é e5$C' tipo
de bom em.
A1 ke. 3 anos

ikumas pessoas são muito céticas em relação ao impto oue


seus pais t:iveram cm sua vida profissional, especialmente e escolhe-
ram um trabalho diferente do deles. Sou advogado, e meu pai era
e1etricista portanto, obviamente ele, não rue influerciou em nada",
é urna resposta típica a perLrunta: seu pai teve a1uma lfltPaeflCia na
escolha de sua carreira?
O fator pai exerce influência de muitas maneiras diferentes, éi•
não apenas no caso de você ter seguido os passos profissionais de seu
Is O FATOR PAI

pai. Pode criar sua fragilidade mais sigiiifcativa no trabalho, assim


corno sua mais significativa fortaleza, Pode determinar seu nível de
satisfaço no trabalho. E isso se aplica tanto às muhcres como aos
homens, e tanto aos já mais maduros quanto aos muito jovens. E urna
influência atemporal que você deve entender corretamente se deseja
maximizar seu potencial e sua habilidade individuais em sua carreira
e em sua vida pessoal. Como findzimento da direçíio de sua znída profiío-
o fator pai gImi consciente e112c0n.rc,entemente a esco/hi, e o dese,iz.olv/-
711C11t0 da SIW Cll/7C//i bem CO//lo 5(111 capiicidiide de obter êxito e ileseiiz;oh.er

relações p / oftssio/l1is sig'nificaí ivas. O 1/iodo de seu pai exeiïera pilteniic/iu/c


constitui a base que o fitoi-pzii estabelece 1117 sua vida pofiio;ual.
Se ainda duvida, fliça uma experiência. Pense e111 algum confli-
to que tenha tido recentemente com um chefe ou um subordinado.
Talvez seu chefe o tenha chamado a seu escritório para se queixar do
seu desempenho em um projeto recente. Talvez tenha tido que pôr
algum subordinado prova. Sem levar cm conta o que o episódio
C1W()IVCII, resuma-o em um pargra fo, concentrando-se em suas pa-

lavras e sentiment.o,s desse momento. Por exemplo:

Eu disse. a joan que nàí toleraria qi ela voltasse a t'àlar asperamente


Com nosso principal c] icnte. Expliquei-lhe que sabia que esse cliente
Podia ser urna dor dc cabeça, mas que a conduta dela era irnperdo-
ive1. Mais ou menos durante os quinze minutos seguintes, eu falei
enquanto ela escutava. Apresentei-lhe unia série de regras sobre a
maneira de. tratar I10SSOs clientes: Serviço ao cliente, primeira aula.
Disse-lhe: Sei que você acha esse cliente um idiota, ruas (leve ser
madura o suficiente para não despejar toda a sua raiva sobre ele
como fez". Ao Filar com ela, mc senti um pouco culpado, porque
loan é uma boa pessoa e lima fuiicioniiria competente, e o cliente
realmente foi muito rude,
S TE- PEIAN 11 POLILJ'F1 19

Depois dc escrever seu partgra fo, responda is seguintes


perguntas:

• que você disse nesse CflCOfltíO lembrou-lhe de alguma


mtincit-a a fórma como seu pai falava com você quando era
criança?
Algo do que disse Foi exaranie.nte idêntico ou oposto ao tom e
substância das conversas de seu pai C0111 você?
3. Seus sentimentos nesse encontr foram si rui lares ou exata-
mente opostos aos que experimentava quando tinha um con-
flito com seu pai quando era criança?
t

E. muito provável que, sem passar por este exercício formal. você
tenha vivido situações em que suas palavras ou sentimentos no traba-
lho lhe recordaram algum encontro COlfl seu pai. As pessoas relatam
comumente que falam com seus subordinados exatamente da mesma
maneira que seu pai talava com elas, a ponto de usarem as mesmas ex-
pressões. E. tamhém se relacionam com o chefe do mesmo modo que
se relacionavam com o pai. flui Outros casos, no emanto, o impacto
de uni pai na conduta de uni filho adulto no trabalho é mais sutil
do que muitos esperariam. Esse efeito é o rema dc todo este livro.
e nós o examinaremos a partir de muitas perspectivas e. em diversas
c:ircunst nelas.
Entretanto, o fundamental é reconhecer que existe um i.pacto.
Só se no o reconhecer ou descobrir, o fator pai será algo negati-
vo em sua vida profissional. Quando você está consciente dele e
aprende a manejá-lo, esse fator se converte em uma forca positiva.
Portanto, vejamos alguns dos problemas que devem torná-lo mais
consc.cnte do profundo impacto de .'eu pai na sua vida pessoal e
profissional.
C) REï)R P:\T

Ui\i L\•'IPACTO QUE. TRANSCENDE A


MORTE, O GÊNERO E A INTIM 1 1)A.DE.

Um obstáculo que pode impedi-lo de apreciar o profundo efeito


do fator pai é. clIlilina-lo com racionalizações. Por exemplo:

• Meu pai já morreu há quinze anos. Como ele poderia Conti-


nuar tendo impacto na minha vida profissional?
• Sou rnulher, e portanto tem mais sentido pensar que minha
nite, e nao meu pai, tenha influído na escolha da minha car-
reira e no meu desempenho no trabalho.
• Nun.c:a fui particularmente próximo de meu pai, e por isso
n.o Creio que cie tenha muito impacto sobre mim.
• V1eu pai não era um profissional arrojado e trabalhou no mes-
mo empre'odurante 42 anos, até que se aposentou. Eu sou
um profissional arroia.do , já realizei duas mudanças de carrei-
ra e nunca trabalhei mais de quatro anos na mesma empresa.
• Nunca respeitei a ética ou a história profissional de meu pai.
Sou completamente diferente cicie.

Vejamos por que cada uma dessas racionalizações é cnanosa.


Se. seu pai morreu, isso rum significa que os sentimentos perti-
nentes a essa relação tenham morrido. Muitas das relações mais im-
portantes que temos na vida sio atemporais. Carregamos o impacto
dessas relacões em nossa mente e em nosso coraco. Quando home ris
e mulheres de qualquer idade me falam da morte do pai, mesmo os
que afli-mam não ter tido unia relação próxima com ele dizem ter
ficado surpresos com o modo corno isso os afetou. Às pessoas usam
rotineiramente termos como desolaço" Ou perda esmagadora"
para descrever suas reações. No é estranho. então, que filhas e filhos
passem a ter depressão e a se sentir desesperancados, ou que come-
5tEPIL1..' i 21

cem a questionar o significado da vida. Tainhéni é. comum os adultos


questionarem e ponderarem sua vida profissional depois da inore
do pai. Repentinamente, um tral)ahO de que gostavam pode parecer
trivial e irrelevante.
Anos mais tarde, essa morte ainda tem um poder e uma iii Iuèn-
cia enormes. Algumas pessoas que pensam em abandonar um empre-
go muito depois de o pai ter morrido afirmam que se sentem como
se ouvissem a voz dele dizendo: Não eduquei nenhum filho meu
para ser um desertor". Outros, quando decidem fazer uma mudança
importante na carreira, aiuiide o explicam dizendo: Eu não queria
terminar como meu pai, que morreu sem fazer o oue que-ria. Porta n-
to, não subestime o impacto de seu pai em s v- profissionaL Se
ele estiver mortc, lembre-se da enormidade de se sentimentos no
momento de sua morte. Se ele estiver vivo. fale c_ iio e colegas
de comi liança cujos pais morreram e oerunte-IE-s se :s decisões
profissionais foram afetadas pela recordação de
Muitas mulheres - e na verdade a1uns - ±tarn que a
mne teve mais influência do que o pai no adulto ixo ssona1 em que
se converteram. Ninguém discutiria o aro iro de que
ecorIGUca
as mães são valiosas no desenvolvimento dos 1h_ Xi 'rrdide. no
mundo de nes que ficam em casa e pais co ± t -ria sentes
emocional ou hsicaiuente cru que muitos de nós:erm s mães
tiveram o míxnuo irnj)acto em flO55 vida, pelo 'tt' fixo de esta-
vem ali a maior parte do tempo. As es an:e aodelos
para as filhas, e seria absurdo sugerir que os s so o mesmo tipo
de modelo para elas. E., devido à dtdi que existe nas relações de
muitos pais com as filhas, a iinportãnza e infl.cia dos pais em sua
vida profissional a longo prazo não é tão ar-ande.
Lntrctantc) apesar de tudo isso, a maioria dos que nasceram ria
Lrcraçio dos anos 1960 proavelniente foram educados numa tanií-
lia cru que o homem era o Principal. sustento da família. No nhiCle()
O VAlOR PAI

iami1iar típico Ou em aguma combinação relacionada, o pai usava


roupa de trabalho ou uniforme e ia trabalhar todos os dias, enquanto
a tTiC se encarregava do lar. E se a nie trabalhava, provavelmente
era considerada explícita ou sutilmente, de segunda importância da
perspectiva financeira e do trabal Fio.
Trad icionalmente1 os homens ganhavam mais dinheiro, nio
(leixavaln de trabalhar para ter ou criar filhos C. ti nhani uni traba-
lho "de verdade" (médico, advogado, comerciallte), diferentemente
das mulheres, que de início se i ncliifain nas profissões de assistência
(professora. enfermeira, assistente social). E extrema mente impor-
tante observar que ser professora, enfermeira ou assistente social Sob
do que as
nenhuma circ:unstncia é. menos exigente ou iIT11)Ortaflte
profissões tradicionalmente iiicliriii. Havia, e às vezes ainda há,
uma tendência cultural contra as mulheres. Embora as coisas te-
nham niudado muito nos últimos anos, tradic.ionalmente os homens
ainda ganham mais do que as mulheres, inclusive em carreiras como
aclvocacta medicina, eng:enharia e adïn i nistraço (especialmente nos
níveis corporativos elevados); ainda é pouco pro\l que o homem
fique em casa e cuide dos filhos. As mulheres continuam sendo con-
sideradas o progenitor principal para seus filhos, ifl(1e1)CClCfltCfliC11-
te do seu status profissional. As mulheres educadas em um lar tra-
dicional precisam entender o legado de suas mães no lar e também11
o legado de seus pais no mundo dos negócios, já que essas filhas
enfrentam a vida profissional com espadas de dois gumes. De um
lado estão o papel e a ética de trabalho do pai. De outro, o enfoque
e o ponto de vista da nie sobre a mulher que trabalha. ..vital que
todas as filhas entLndllII as crenças de cada uru de seus pais sobre
o lar otrahalho Pode ser muito difícil para urna filha concil ar
as conquistas profissionais de seu pai caiu sua própria competencia
profissional e os pontos de vista de sua me sobre o que urna mulher
deveria fazer.
S1'FPRN [3, IOUL1I:R

Por essas razões., junto com milhares de anos de história da hu-


manidade, os pais em geral tiveram um impacto mais significativo do
que as mães na escolha de carreira e hábitos
de trabalho de uin filho.
O lugar de trabalho sempre foi um riiodelo masculino e uma arena
para os homens, e estes rêm sido definidos exclusivaniente por seu
trabalho e por seusucesso nele. A maioria dos homens ainda acha que
um fracasso cm uma oportunidade profissional é um erro pessoaL e
muitas mulheres pensam o mesmo sobre os homens que nio têm su-
cesso no trabalho. O lar, por outro lado, teni sido uni modelo femini-
no para as mulheres. As mulheres têfli sido definidas pela comuetên-
cia com que criam os filhos e atendem às ohriaçõcs cio lar. s
correto equivocado ou qu alquer Outra Coisa, essas crenças c:a:s
são muito fortes e vigoram hí milhares de anos, Sempre se e-sper:-i
(.IUC OS pais traha lhas sem a terra ou, desde a Revolução Indusrra.
(]1JC trabalhassem tora de casa e arcassem com todas as necessjdad
financeiras e lescjos de sua família. Entretanto nos tribunais de vara
de família, a maioria dos casos de c:ustódia de menores são decididos:
no sentido de que a nie tenha tanto a custódia legal corno fsic dos
filhos. A razão disso é que, independentemente da saúde eniof:ra
ou mental do pai, as mulheres são vistas corno melhores pro g. i::
primários. Cada vez, mais homens e mulheres estão desaiar,: e-se
tipo de estereótipo cultural, miias um Cilho ou filha pode ob:er — :
1.)edoria considerável ao entender o e fel to da ética de trahaI
pais em relação às suas crenças sobre sua própria vida projL
Em termos da terceira objeção, de que, como o _____ nw
perto do pai, provavelmente, este não teve muito 1rTí-
o oposto é em geral a verdade. Vivemos em uma 'Ei: que os (
pais com freqüêiicia estão ausentes eiuociona!me:e. e es
muitas (las responsabilidades da criação dos ma ne- /
ide psicológica eemoc ional natural de qe anibos os roei,
tç€stejam presentes, e quando um deles não está, isso pode ter um
24 O FX[(.)R MA

efeito negativo. Quando OS país esrao ausentes, O efeito é sentido com


maior probabilidade em áreas como a ética profissional, a ambição e a)
relação com figuras iiubuídas de autoridade. Os pais são importantes
para seus filhos, e. todos os filhos naturalmente anseiani que seus pais
se envolvam na sua x,ida.
G:ertainc.nte, a ausência no é. o único aspecto que pode causar
problemas na vida profissional de um tUbo. LTina relação problema-
t.ica, tensa ou cheia de ira e desaprovação entre pai e filho pode ter
UM efeito profundo cm tudo, desde a escolha da carreira até as re-
lações COifi OS colegas. Por mais negativo que isso pareca, existe um
lado positivo. A relação com o pai (ou pai adotivo, ou qualquer figura
paternal masculina) pode proporcionar-lhe urna riqueza de ínforma-
ções e visão, e isso também inclui as más relações Você pc.xle usar
essa informação e visão para x,oltar a se colocar no rumo certo ou
para progredir. Entender o legado de seu pai em termos de relações,
trabalho e finanças pode ser um recurso poderoso e. um trampohm
para sua vida profissional.
Acreditar que.] vida profissional de ..ii pai não influi na sua é com
Freqüência urna postura perigosa. Digamos, por exemplo, que seu pai
começou a trabalhar na General Elec.tric bem depois da guerra e per-
nianece.0 na empresa por 48 anos, em um cargo não-administrativo,
até se. aposentar. Você cursou a universidade, fez pós-graduação, tra--
balhou cru vários cargos administrativos e foi duas vezes despedido
devido a fusões corporativas. A primeira vista, parece que a vida pro-
fissional de seu pai e a sua nada têm em comum. Considere, durante
um minuto, a motivação de seu pai, suas opções de carreira, a estabi-
lidade/duração do seu trabalho e seu estilo de relação. Essas condutas
não-verbais diárias contribuíram para a estrutura e o fundamento
do seu próprio fator pai. Inclusive, se você é mulher, tem seu próprio
fator pai, que é a maneira como se comporta profissionalmente e em
outras ii reas - que foi influenciada por seu pai. Você observou a caí-
S]1PE!AN E. P':ULTER

reira de seu pai e o viu sobreviver no mesmo l u rar durante 48 anos.


A conduta de seu pai no trabalho deu-lhe valiosos indicadores sobre
o seu próprio modo de se conduzir na vida profissional. Podem-se
encontrar verdadeiras jóias de i nformaço e sabedoria na forma como
seu pai sobreviveu CIII seu trabalho e lidou com supervisores difíceis,
e no fato de ele ter permanecido no mesmo cargo durante tantos
anos. No descarte a vida profissional dele por parecer ser muito di-
ferente da sua. As mesmas ferramentas que foram úteis para seu pai
podem ajudar você a sobreviver cm sua carreira.
Finalmente, seu pai pode no ter tido um modelo de conciuta ou
um tipo de pessoa a quem imitar em sua vida profissional. Muitas
filhas e filhos, no importa a sua idade, caem na escorregadia ladeira
da ira, do ressentimento e cia raiva nessa relação, tentando desespe-
radamente tornar-se os profissionais que os pai nunca Foram. Esse
enfoque na vicia prolissional é uma reação ao trauma familiar que
VOCÔ experimentou ao crescer. Existe uma margem de agressividade e
frieza nos profissionais que nunca se reconciliaram com o que foram
seus pais. A força que impulsiona a vida profissional desse filho ou ti-
Iba é o repúdio total do que seu progenitor foi como pai, profissional
adulto e companheiro de sua me.
O legado profissional está superando a decepção ca clesiluso do
homens. A. confiança nas figuras iml.uídas de.autoridade é algo dircii
para os profissionais que tiveram esse tipo de relação com os ais.

COMO FUNCIONA O FATOR PAI:


AS MUTTAS FONTES DO SEU PODER

O fator pai pode funcionar a seu flivor Ou i::ï voc; rddc' vai de-
pender de se você o entende e o aprecia, ou se o ignora. Suponhamos
que prefira a primeira opção. A chave para entende-lo e apreciá-lo
26 O FATOR PAI

rj
depender de ver a relação entre pai e filho apartir das seguintes
pCrS)eCt.]VaS:

1. Os quatro tipos de afeto (çeu vhciiIo emocional com seipaD. Os


quatro tipos (j nterm itente, evasivo, deprimido e seguro)
ofereceni. chaves para você entender corno se conecta nas
relações pessoais e profissionais (descritas em detalhe fl() Ca-
pítulo 2). Não deveria nos surpreender o fato de as pessoas
que criaram um laço forte com o pai quando crianças em ge-
ral desfrutarem de relações fortes e benéficas, tanto íntimas
quanto no trabalho- Um laço seguro sinifica que um filho
e seu pai estabele cera m um vínculo desde o princípio da re-
lação e. mantiveram essa conexão, o que deu ao filho urna
forte sensaço- de segurança e o fez sentir-se amado. Esse
afeto propotciono1m uma base para todas as relações Futuras,
permitindo que o filho adulto se mostrasse abei-to, con
nicativO e confiante diante de outras pessoas. Certamente,
nem todos os afetos são igualmente. positivos, mas se você.
entender esse vínculo,, mesmo sob as piores circunstâncias
ainda poderá desenvolver laços emocionais seguros e fortes
com outras pessoas.
2 () livro d / g;a de eu piu regni cpiíci zs_ejmplzzras de rei,
paie dÊg~tavôsol;re o trabalho, as relações a étira e as questões de
dinheiro. O trabalho duro, a aml)içãO e o ganho são condutas
aprendidas na família. O mais provável que. se você, é extl'e-
mamente bcT1-sueedido seu pai e seu avô tarnhéni o tenham
sido anteriorniente Embora existam muitas exceções a esta
regra, em geral os filhos e as filhas se uem os passos dos pais
e avôs no que se relaciona a trabalho. Mais previsíveis ainda
são as regras sobre os modos de se relacionar que se baseiam
em seu livro de regras internas. Isto abarca poderosas regras
STEF1IÃNB, POUTu1•jLR 27

expressas e. nc) expressas, que guiam sua conduta, seus pen-


samentos e suas crenças. Ijitia vez que você está consciente
do livro de regi- as de se-vi pai, deve atualiz-lo, reescrevê-lo e
torná-lo seu. A maioria dos adultos vive rei(la por esse livro.
mas raramente considera mudar as condutas obsoletas OU iin-
produtivas nele existentes. Seu pai entregou-lhe esse livro,
mas ele deve ser relido. reescrito e reavaliado para que sua
vida profissional avance.
Oestilo paterno (J/lteraç?Jes, condutas e comunicarões diárias com
seu pai). (i)s cinco esd los basicos de paternidade. SO o super-
exigente, o explosivo, o pai passvo/ne( l igente, o pai ausente
e o mentor compreensivo (que estão detalhadainente explica-
dos nos capítulos 3 a 8). Estes têm uni efeito tremendo em seu
estilo dc trabalho, em seu estilo de relação e nas regras sob as
quais você vive. O fito de você ser uni chefe rude e exigente
ou ficfl de lidar vai dependem- cru grande medida do estilo de
paternidade de seu pai. Saber de que forma seu pai interaiu
COM você é fundamental para que você entenda o que ajudou
a moldar sua escolha atual de carreira, suas relações profissio-
nais e seu potencial profissional. A cornpreen.so dos estilos
de paternidade constitui o fundamento para a compre-
----do fator pai e, portanto, da sua vida pessoal e proflssicia.

/1 historia de 5am

Para lhe dar urna idéia de tomo estas três ireas de tC2CO di-
ria, conduta e com cá com seu pai influem em se trabalho e
ciii sua vida profissional, vamos examinar o caso de Sam, de 3S anos
de idade, sócio de, unia pequena firma de advogados de Cleveland.
0 pai de. Sam, Tedd, era um vendedor que viajava frequentemente.
O FATOR Pf

Sam recorda que passava semanas sem ver nem ouvir falir do pai,
que viajava por toda o Meio-oeste vendendo peças de. substituiço
niecinjcas a ak,rumas fihricas. Mas mesmo quando Teddv estava cm
casa. no se reJacionava particularmente com Satn, exceto quando se
tratava de esportes. Desportista ávido e
ex-lançador da liga menor,
llddy só dava atenção a Sa i,, quando este jogava na lia infantil: ia
a todos os jogos e, se estava viajando. telcionava para Saiu depois da
partida para lhe perguntar como havia sido.
Apesar de Téddy estar fora com freqiiência devido ao seu traba-
lho, sua atividade no era particulat'mcnte irdua, ou pelo menos as-
sim parecia a 5am. Ni verdade, despediram-no da empresa de peças
de reposição porque a colupan hia achou que ele no estava dando
tudo o que podia". Sam lembra-se de ter escutado a frase durante
UM -,1 discuss-j entre seus pais. J1)u1-a11te os dez anos seujntes, mais
ou menos, Teddv passou por vrios trabalhos de venda, sem jamais
ganhar muito dinheiro nem expressar .satisfaco com o seu trabalho;
seu coirientário mais comuin quando deixava urna enipresa ou perdia
um posto era: "E só um trabalho'.
5am, boiii estudante, soube deste cedo que queria ser advogado.
Tinha uma lógica muito aguda e era excelente nos debates; quando
estivera na equipe de oratória da escola, ganhara prèmnios, e poste-
riormente freq{ientara urna das mais iniportantes escolas de direito
do país, razão pela qual obteve o posto mais alto outorgado aos me-
lhores estudantes de direito. Quando se formou, ofereceram-lhe um
lugar muito bem pago em uma das maiores firmas de advocacia de
Cleveland. POUCO depois, casou-se e teve dois hlhos,
1 ri fel izinente, a carreira de.S am no deslanchou corno parecia que
o faria. Desde o início, disse sua e.posa que se Sentia totalmente
deslocado na firma de advocacia. incomodava-lhe a firnia degradante
radante
os sóc.ios tratavam os associados, e, depois que seus filhos nasce-
ram, negou-se pereJnptoriameite a viajar mais de uma vez por mês a
fl j:iç TfI1'p

trabalho, apesar de
os outros associados viajarem pelo menos o dobro
disso. Em mais de
TM Sam teve o que chamava de conflitos
pessoais" com, os sócios, em geral pi coisas que rido tinham nada a
Ver CUIfl O
traba iho e tudo a ver corri suas atitudes" Quaricio ficou
sabendo que n5o lhe ofcreceram sociedade, Sam deiiiitiu-se e dksc
à sua esposa que queria trabalhar par a urna firma menor, onde a cul-
tura fosse mais civilizada e o horário mais razoável. Entretanto teve
problemas em todas as peque nas
Íirnias para as quais trahalhoia. Em
uma deles, seu chefe era fraco e Incompetente Eni Outra, o trabalho
não era subejenteniente mteressante Embora no tenha mudado de
empresa com tanta frcqiência
quantos pai, em doze anoç trabalhou
para cinco fim 5, e 11cr,
huma delas lhe ot.receu sociedade.
De que forma Teddv impactou a carreira profissional, o desempe-
nho e a satisfç de Saiu COffl
o trabalho? Em primeiro lugar, Teddv
era um pai emocjonaliiiiti intermitente ou evasivo. Seu estilo de
paternidade era principalment e
ausente, embora pai e hli() \:rivesseln
juntos. Na melhor das hipót5. è.dd era um pai passivo para Sam.
Foi-
isso, este cresceu sem jamais estabelecer um vinculo emocional
seguro com o pai, e tendia a Suspeitar da maioria das pessoas, espe-
ciainiente dos cheks. Nunca confiavi totalmente neles nem acreditava
no que lhe diziam (o resultado de uni pai ausentt.). Sam tendia a
muito cedo as firiiias de advocacia, talvez porque inconscien:e=
não queria que o despedisseiui corno parecia ter acontecida
sei
P ai. Em seLrundo lugar, Tddv nunca foi i. im modelo de CO12
tiva em sua relaço com o dinheiro ou com a ani.biço:
-M~ hra
fliultO
nem parecia se preocupar muito com os ganhos.
'oa xre-
riorniente Saiu qUISeSSe ter êxito e evitar a história oE
de seu
P21 - havia escolhido estudar direito rijo Somente porqae Jra talen-
to para isso, mas talnl)ám porque lhe. parecia que Doderi-a ganhar mais
dinheiro e viajar menos do que com as outras profissões sempre deu
a impress - de sabotar-se profissiona]nente
30 OLVTOR PU

Quase todo chefe reconhecia o talento dele, mas era sua atitude
que o impedia de ir além de um stat'ts marg-inal. Parecia que Satii es-
tava sempre se queixando de algo, e sua atitude afetava negativamente
suas relações com os clientes. Em mais de urna ocasio, Os clientes
Iliencionarani aos colegas ou chefes de. .Sam que este aparentava de-
sinteresse ou falta de cnvolviinento, Isso pode mui-co bem ter sido
resultado do estilo de paternidade evasivo/ausente de T.dd: exceto
quando Sani jogava beisebol. Tcddv raras vezes demonstrava emoção
ou interesse pelo filho. Apesar de Sani estar muito mais consciente e
envolvido emocionalmente com seus filhos, no trabalho ele se com-
portava de maneira diferente, afastando-se dos demais. Tinha uma
cabeça excelente para as leis e seu trabalho era sólido, mas não se
Coflec:tava com seus clientes ou colegas. Parecia-se mais com seu pai
no trabalho do que jamais teria imaginado, desejado ou adivinhado.
Ao pensar nos problemas de Sain, você deve ter percebido que ele
estava desconcertado e. profundamente Írustrado por sua incapacida-
de de se desenvolver no nível esperado, depois de ter sido uru astro
na fculdadc de direito. Só depois de doze anos de desajustes em sua
carreira profissional, e corri o benefício da reflexão e da psicoterapia,
5am começou a ver corno o fator pai o havia afetado. Não admira que
ele finalmente tenha ficado sócio de uma firma de advogados de porte
médio, quando percebeu corno Tèddy ainda influenciava sutilmente
suas escolhas profissionais e suas atitudes. Mediante sua crescente
conscientizacão, Sam assumiu o controle do seu fator pai e o con-
verteu em uma influência positiva. Ele teve muito cuidado em não
culpar o pai ou sua tensa relação por suas frustrações profissionais.

As REALIDADES E FALI-IAS DE. PERCEPÇÃO DOS PAIS

Em grande parte, as pessoas têm dificuldade para superar os lega-


dos negativos em sua vida profiss i onal porque não percebem como os
sIlP1-1ÀN I. POULTER 31

acontecimentos que tiveram lugar tantos anos antes cm casa podem


afetar a tal ponto sua vida profissional atual. Isso é algo que muito
comumente se ignora no deseiivolviment:o profissional. Por exciïi-
pio. Sam tinha muitas idéias equivocadas, rido apenas acerca do pai e
do impacto dele em seu trabalho, nias também sobre questões mais
importantes entre pai e filho. Esses erros de percepção nos fazem
rnininiizar OU depreciar coisas que nossos pais disseram ou fizeram
quando éramos crianças. Aluitos de nós só nos concebemos eoiiiü
existentes no presente., e achamos que o passado no tem importin-
cia. Ironicamente, essa atitude dá aos acontecimentos passados mais
poder do que teriam normalmente. Ao mesmo tempo que tentamos
acreditar que o fato de ter uni pal dominante, humilhador, exigente
ou violento nio tem efe.ito sobre nós agora, inconscienremente pode-
nios largar um emprego em que o chefe é 'duro ou critico', perdendo
COM isso grandes oportunidades profissionais sem nunca entender
P°' que.
No entanto, quando você se torna consciente da realidade em
co.ntraposiç.ao às idéias equivocadas, é muito mais p rov\ I que Te

possa reconhecer de que modo seus impulsos inconscientes afetam


suas decisões profissionais e possa lazer algo construtivo a respeito.
Essa consciência também irá ajudá-lo a aproveitar todas as idéias e
ferramentas das quais varno.s falar. Ao entender seu fator pai, você
começara a aumentar seu nível de satisfaçio pe.ssoal e profissional, e
niaximizara seu potencial no trabalho.
As seuintcs afirmações (verdadeiras ou falsas) remetem a alguns
dos cdl UIVOCOS mais comuns relacionados aos pais e. a seu impacto na
personalidade de uma filha ou filho. Marque um \.,• ÚLI m F ao lado
de cada frase, depois consulte as respostas para avaliar como foi seu
desempenho. No é importante que passe por este questionário com
as qualificações máximas, mas que comcce a ver quais dos temas
dos relação entre pai e filho o tornarao mais consciente do rrjacto
O FATOR RA

que as palavras e. atos de seu pai tiveram nas suas escolhas e. no seu
desempenho profissional.

.
1. Os pais e as mães'têm o mesmo papel na criação dos filhos
2. (I)s filhos e as filhas aprendem a assertividadc e a contiança
de seu pai e a inteligência emociona de sua mãe (a inteligên-
cia emocional é a capacidade de ter empatia, entendimento e
compreensão de suas interações e impacto nos demais,).
3. Os pais biológicos não têm mais influência nos filhos do que
os pais adotivos ou outras fig:uras paternas não-biológicas.
4. As mulheres e os homens podem superar um passado sem pai
e desenvolver um modelo positivo do fator pai.
5. Os pais afetam os filhos e filhas durante a vida toda.
6. E impossível homens ou muflieres aprenderem algo de valor
de pais aos quais odeiam ou odiaram.
7. Nem todas as meninas OU meninos necessitam ou desejam
uma relação positiva com os pais.
S. Quando os homens e as mulheres chegam a tinia certa idade,
não desejam a aprovação do pai.
9. As lesões emocionais e mentais que as pessoas sofreram quan-
do crianças impedem que tenham êxito na vida profissional.
1(11. Mesmo quando muito pequenos, os fi'hos presrnm muita
atenção às atitudes e conduta dos pais em relação ao trabalho
e ao valor do dinheiro.
11. As aressões verbais de um pai são muito menos prejudiciais
do que a violência física.
12. Embora as pessoas que parecem ter resolvido uma relação en-
tre pai e filho negativa apresentem uma fachada de tranqüi-
lidade no trabalho, na verdade sob a superfície quase sempre
estão prestes a explodir.
I()[x1:i'rr

R esp estas

1. FAJso. Os pais ftincionam como modelos de conduta para os


li lhos e 111 h,,-i s e re1aço forma como enfi-
en taii o trabalho,
o uso de suas habilidades para resolver problemas e a busca
dos ohpetvo profissionais. As mã es também servem como
riiodeííis de conduta, mas pnmordialiiielite em questões de
valores e relações e Ct.)rno um contrapeso
feminino i influ-
éncia do pai. Cada pro,rcI1ito1- teIli um papel valioso,porém
distinto, no desenvolvi mentc) do filho. E importante
comecar
a entender a contribuição de seu pai no seu (Iesefl:olviniento
profissional. Seu pai realmente desempenha um papel na sua
vida profissionaL
2. FÀLSO. As três CnlO:Ôes primí rias sio o amor, o medo e a
raiva, e quanto mais niri pai for capaz de comunicar essas
emoções aos fi lhos de maneira saudSvel e produtiva,
m2i5
provável será que desenvolvam a inteligência emociona] no
trabalho como adultos. Os conflitos de personalidade entre
cÜle.as no trabalho podem remontar à nossa incapacidade de
expressar e entender essas três emoções primárias.
3. ERDADEJRO. A paternidade no se limita ao biológico. O
\ T

termo pai adotivo" é um termo legal, luas no contexto rea-


cional. o fato de ser adotivo pouco tem a ver com a verdadeira
eficácia de um homem como pai. Suas escolhas de craI)alho
e sua personalidade profissional podem ser influenciadas por
um liomem que no é seu paibiológico. mas que cleserupe-
nhou uni papel importante na sua ccIucaço. Também é pos-
sível que mais de uma pessoa, um pai biolóLrico e 11W adotivo,
possam ter um 1-'(:)rte impacto em suas escolhas e atitudes re-
lacionadas ao trabalho.
STEPI-IAN W POULFF.R

Rpostis

1. Fio. Os pais funcionam como modelos de conduta para os


filhos e filhas em relação à forma como enfrentam o trabalho,
o uso de suas habilidades para resoh:er problemas e a busca
dos objetivos profissionais. As niàes tauibém servem como
modelos de conduta mas primordia1nielite em questões de
valores e relações e como um contrapeso feminino à influ-
ência do pai. Cada progenitor tem um papel valioso, porém
distinto, no (leSCflVOlvirflefltu
do filho. E importante começar
a entender a contribuição de seu pai no sei deseflvoIvjrnento
profissional. Seu pai realmente desempenha um papel na sua
vicia profissional.
2. ELso. As três enloções primárias sào o amor, o medo e a
raivas e quanto mais um pai for capaz de comunicar essas
emoções aos filhos de maneira saudável e produtiva, mais
Provável será que desenvolvam a inteligência emocional no
trabalho Como adultos. Os conflitos de personalidade entre
colegas no trabalho podem remontar à nossa incapacidade de
expressar e entender essas três emoções primárias.
3. VERDADEIRO. A paternidade no se limita ao biológico. O

termo "pai adotivo" é um termo legal, mas no contexto rela-


cionaL o fato de ser adotivo pouco tem a ver com a verdadeira
eficácia de uni homem Como pai. Suas escolhas de trabalho
e sua personalidade profissional podem ser influenciadas por
um homem que não é seu pai biológico, mas que desempe-
nhou um papel importante na sua educação. Tinihém é pos-
sível que mais de tinia pessoa, um pai biológico e um adotivo,
possam ter um forte impacto em suas escolhas e atitudes re-
lacionadas ao trabalho.
34 i.) IA fOR iu

4. VERDADEIRO. No ter pai ou ter unia relação horrível com


ele no condena você a repetir o passado ou a persistir no
legado negativo. cê pode realizaras mudanças necessárias
para se destacar no trabalho, assim corno na vida pessoal e
nas relações. Sua capacidade de entender em vez de culpar
seu pai é uma das chaves cio êxito, e é a base para seu modelo
de fator pai. Enquanto i ira e O ódio podem ser fortes motiva-
dores a curto prazo, essas duas emoções não podem sustentar
sua vida profissional nem satisfazer todas as exigências neces-
sárias para desenvolvê-lo profissional ou pessoalmente.
5. VERDADEIRO. Inclusive depois que seu pai morrer. dc. Con-
tinuará afetando suas relações profissionais e o desenvol-
vimento de sua carreira. No importa o que os flieninoS C
as meninas digam aos Pais cm um rompante de raiva (por
exemplo: "Nunca serei como você). nem que tentem se dis-
tanciar quando adultos, seus pais ainda iin podem projetar
sobre eles unia grande sombra. Tradicona1mente, as pessoas
subestimam o impacto do pai em sua vida até que ele mor-
ra. 1\lesrno então, muitos homens e mulheres não percebem
corno a influência de um pai se estende além das característi-
cas pessoais para o mundo profissional. Os valores que você
carrega no que se refere ao trabalho foram formados há mui-
tos anus no contexto de sua relação com seu pai.
6.Fuso. Todos os filhos e filhas aprendem uma enormidade
de coisas com o pai. E finito) possível colocar-se emocional-
mente além da raiva e do ódio por seu pai. Analisar a relação
entre seu pai e você pode gerar urna valiosa compreensão que
o ajudará a ser um melhor gerente supervisor e pai. Essa
compreensão pode ajudii-lo a fazer os ajustes necessários em
suas relações profissionais e a progredir na carreira.
$4 O IAÇE)R RU

4. VERDADEIRO. Não ter pai ou ter unia relação horrivel com


ele não condena você a repetir o passado ou a persistir no
legado negativo. Você pode realizar as mudanças nccessirias
para se destacar no trabalho, assim como na vida pessoal e
nas relações. Sua capacidade de entender em vez de culpar
seu pai é urna das chaves do êxito, e é a base para seu modelo
de fator pai. Enquanto a ira e O ódio podem ser fortes motiva-
dores a curto prazo, essas duas emoções não podem sustentar
sua vida profissional nem satisfazer todas as exigências neces-
sárias para desenvolve-lo profissional ou pessoalmente.
5. VERDADEIRO. inclusive depois que seu pai morrer, ele con-
tinuará afetando suas relações profissionais e o desenvol-
vimento de sua carreira. Não importa o que os meninOS C

as meninas digam aos pais em um rompante de raiva (por


exemplo: "Nunca serei como você""). nem que tentem se dis-
tanciar quando adultos, seus pais ainda assim podem projetar
sobre eles unia grande sombra. Tradicionalmente, as pessoas
subestimam o impacto do pai em sua vida até que ele mor-
ra. Mesmo então, muitos homens e mulheres não percebem
como a influência de um pai se estende além das característi-
cas pessoais para o mundo profissional. Os valores que você
carrega no que se refere ao trabalho foram formados há mui-
tos anus no contexto de sua relação com seu pai.
6. FAISO. Todos os filhos e filhas aprendem urna enormidade
de coisas com o pai. Ë inuito possível colocar-se emocional-
mente além da raiva e do ódio por seu pai. Analisar a relação
entre seu pai e você pode gerar unia valiosa compreensão q'-'
o ajudará a ser um melhor gerente, supervisor e pai. Essa
compreensão pode ajudii-lo a fazer os ajustes necessários em
suas relações profissionais e a progredir na carreira.
1. FPT-Lv\ 13. POIlThR

7. FALSO. As vezes parece que alguns meninos no necessita-


tão do pai, especialmente às vésperas de um divórcio amargo
ou de um repentino segundo casamento. Algumas meninas
também parecem ser tão independentes ou tão próximas da
mãe que mantêm a ilusão de que a relação com o pai não tem
conseqüências. Na verdade, todo filho ou filha busca e ne-
cessita urna relação com o pai. A sede de um laço emocional
paterno precisa ser emocionalmente reconhecida. Negar esse
impulso natural cria um vazio que se expressa em Lircuns-
tâncias relacionadas ao trabalho. As pessoas que negam isso
provavelmente também negam a necessidade de construir
relações fortes com clientes, subordinados e outras pessoas.
8. FALSO. N7o importa a idade, todos desejamos a aprovação do pai.
A aprovação é parte da nossa construção psicológica e uma
ocorrência natural da dinâmica que envolve pai e filho. Infe-
liznientc, e Possível que você, colho muitas crianças, nunca
tenha recebido aprovação enquanto crescia, ou raras vezes a
tenha recebido. A solução é que você mesmo se auto-aprove,
se auto-aceite e tenha amor-proprio, mas muitas pessoas-
essoas
buscam
buscam essas qual idades em outras pessoas com quem tra-
balham. Aluitas vezes buscam a aprovação paternal de um
chefe, o que, como veremos mais adiante, cria todo tipo de
problemas profissionais e pessoais. Os problemas que resul-
tam de pais ausentes nunca serão adequadamente resolvidos
no trabalho.
9. FALSO. Crescer com uru pai incompatível e agressivo não
é razão para repetir os pecados do passado e continuar se
castigando por meio de suas escolhas profissionais. Você
não tem que fugir de chefes que lhe proporcionem criticas
Construtivas nem se aproximar de chefes fracos e ineficientes.
nein tampouco tem que ser agressivo com seus subordina-
O i•'vtoit P.\J

dos corno resposta às agressões que recebeu na infância. Vài


controlar suas escolhas profissionais através da cornpreens o
da forma cofio o educaram e do estilo de paternidade que
moldou sua infância.
10. V'.RIADE1RO. Filhos e filhas observam os pais com olhos de
lince quando se trata de assuntos em que intervenham o tra-
balho e o dinheiro. Muitos filhos desenvolvem a habilidade
de observar essas condutas relacionadas com o trabalho Sem
que se note, à distância. Muitas pessoas declaram que na ver-
dade nunca deram muito atenção a essas questões enquanto
cresciam, mas em geral só estão bloqueando o que poderiam
ser experiências desagradívcis: o pai que grita com a mãe por
ela ter gasto todo o dinheiro que ele ganhou com tanto esfor-
ço, ou o pai que se queixa de que seu chefe o sobrecarregou
de projetos e que por isso está pensando em se demitir. Sua
perspectiva com relação ao dinheiro e à ética de trabalho pro-
vém diretamente da observação das atitudes. ações e crenças
de seu pai nessas duas áreas.
11 FALi. Por mais terrível que seja a violência física, as agres-
sões verbais são igualmente destrutivas do ponto de vista da
vida profissional. Atormentar constantemente um filho e di-
riir-Ihe palavras cruéi.s diminui sua percepção do self e leva
a problemas com a autoridade e a confiança. Os chefes que
humilham e menosprezam seus empregados com freqüência
provêm de lares em que os pais eram aressivos essas pessoas
necessitam humilhar as outras para se fortalecer (é um ciclo
constante de agressões). Além disso. as agressões verbais são
invisíveis. Diferentemente da maioria das crianças que sofrem
violência física, as crianças que sofrem agressões verbais cres-
cem achando que tiveram uma infância normal. Essa falta de
consciência as torna vulneráveis aos efeitos dessas agressões
SI'EPr 1A'; li P()ELFER

110
trabalho e ranibém nas relações íntimas.
freqüência
Co111
não buscam ajuda Profissional pelo dano causado à sua auto-
estima e janlais expressam ou reconheceni o constrangj fl(=
provocado pela conduta do pai, tanto passada como presente.
Dada a falta de. unia evidência física clara (braços quebrados,
equinloses, rosto inchado),elas ten(lefll a tninirnizar o dano
que as agressões provocam a longo prazo. Em conseqüência
disso, carregam o sofrimento emocional e a dor tanto para a
vida pessoal c01-110 para a carreira profissional.
12.
VER DADJJR() As pessoas em postos de direção com freqüência
aperfeiç11111
a arte de parecer calmas exteriormente quaido
estão sob pressão, enquanto interiormente a pressão aumen-
ta. Esses Sintomas podem causar noites de insnia. úlceras e
ansiedade, assim como problemas físicos que chegam a afetar
sua capacidade de tomar decisões ou até a levá-
las a se demitir. Uni pai carinhoso que proporcione ao filho
apoio emocional dá-lhe os recursos necessários para Suportar
todo tipo de estresse, incluindo as pressões relacionadas com
o trahah. Ajude seu filho a obter auto-estima e aptidão para
enfrentar suas responsabilidades; isso lhe será útil na escola,
no trabalho e nas relações adultas. Algumas dessas crianças
podem responder ao estresse coni raiva, depressão ou ansie-
dade. mas interiormente são capazes de manear o estresse e
COfltjflhj2r atuando efetivamente

COMO ENTENDER A CONDUTA DO PAI


COM RELAÇÃO Às ATITUDES E AÇÕES
PROFIsSIoy5 DO FILHO ADULTo

Dependendo do tipo de afeto, do estilo de paternidade e de seu


livro de regras,
uni pai pode afetar de milhares de maneiras as ded-
O FATOR PAI

sões de tral)alllo ou condutas profissionais de seu filho. Entretanto,


os efeitos estão longe de ser uniformes OU claros para filhos e filhas.
Inclusive se a criança tem dois pais (um que se divorciou e outro que
se casou com sua mãe depois) com os mesmos tipos de afeto, os esti-
los de paternidade podem impactá-las de maneiras dferentcs - por
exemplo, um pai adotivo que á mais emocional do que o pai biológico
em seu estilo ativo de paternidade. A genética e o ambiente de tra-
balho (tipo de empresa, cultura, chefe, etc.) taml)éni desempenham
papéis importantes. De todo modo, podemos estabelecer claras cone-
xões entre o modo como uni pai educou seus filhos e os pontos fortes
e fracos que estes exibem como profissionais.
Para ajudá-lo a ver essas conexões, criei a seguinte "prova". \oce.
encontrará uma situação que descreve um filho. seu pai, os metodos
que o pai usou para educá-lo, e depois três possíveis resultados para
o filho, quando ele se converter em um profissional adulto. Veja se
consegue fazer a conexão entre o alho, o método de educá-lo e C)
resultado mais provável.

L Andrew, alto executivo corporativo que trabalhava ardu-


amente e tinha um desempenho muito bom na sua firma,
dava à filha Allison tudo o que ela pedia. Em parte o faziá
porque tinha de realizar muitas viagens de negócios e com
frequência se sentia culpado por não estar com ela muitas
vezes. Por isso, cada vez que voltava de uma viagem, trazia
UM Presente para Alhson. Na verdade, presenteou-a com um
W\1\V esporte novo quando ela completou 16 anos, além das
aulas particulares de tênis e golfe e das viagens à Europa du-
rante o verão com seus amigos da universidade. Adorava Alli-
son e raramente - se é que alguma vez o fez — levantava a voz
para ela, inclusive quando esta se envolvia em problemas por
ficar fora do internato depois da hora estipulada, quando era
STEPI lAN B. POULTF:R

multada por dirigir de maneira imprudente, exceder o limite


de velocidade ou dirigir alcoolizada. Andrew estava certo de
que Allison era unia garota fantistica, com valores sólidos, e
que o melhor que podia fazer como pai era confiar nela. No
lhe impôs nem exigiu dela nenhum limite emocional de
011
conduta. Antes de qualquer coisa, queria ser amigo da filha.

a) Allison converteu-se em uma bem-sucedida executiva Corpo-


rativa, tal como seu pai. Escolheu seguir seus passos porque
ele a tratou com muita generosidade e lhe comunicava sua
felicidade em sua vida profissional e o SUCCSSo que isso lhe
proporcionava. Chegou a atingir uru alto cargo executivo que
a fazia viajar muito e trabalhar arduamente, e estava satisfeita
com as recompensas de urna posição de destaque e de um
ótimo salário.
b) Ali ison repudiou o mundo corporativo e o rnaterialisriio cm
geral, rebelando-se de certo modo após a adolescência. Con-
verteu-se em professora de ensino elementar em urna escola
do interior.
C.) Alisou mudou várias vezes de trabalho e de carreira. sem
permanecer em nenhum emprego tempo suficiente para ob-
ter verdadeiro exito ou real segurança. Embora COmeçaSse
COM entusiasmo unia nova carreira ou uni novo emprem ra-
pidamente se cansava disso e ficava ansiosa por buscar outra
coisa. Tinha um problema financeiro crônico e um péssimo
histórico de crédito. Fia precisava que seu pai lhe adiantasse
grandes quantidades de dinheiro anualmente.

RESPOSTA CERTA: c. Um pai ausente, demasiado complacente,


pode produzir um filho que não encontre nenhum chefe ou orga-
nizaçio que o trate tão bem quanto o fazia seu pai. Nunca receberá
O FAiï)J. PAI

reconhecimento suhcjente e seu salári


o fltInca será o bastante 'fa- m
bém desco
brjrj que seu trabalho nunca é to fíci1 ou divertido corno
achava que seria, Resultado: busca constanteme
nte a carreira ou o
emprego ideal, Urna busca intítil. Esse
Esse tipo de pai produz urna
filha
ou um filho dependente corno
do seu estilo) de paternidade
passivo/ausente demasia(k) conde.sccndeiite e guiado pela culpa.

2. Michacl,
encanador independette era muito crítico e irascí-
vel com seu filh o Akx. Na liga infantil,
Micha1 era o tipo de
pai que gritava do alambrado Com o tubo quando
este Come-
tia alutn erro, e lhe dizia
consta ntemejite como ele deveria
jogar. Quando Alex trazia as notas para casa m
\Iichaej nunca
cava satisfeito, sem se importar com quantos dez
:ICX obti-
vesse. Micliael explodia com o filho por qualquer desrespeito
seu às regras da
família, e gritava Coni ele diante de seus arni-
gos e de outros menibros da
família. \lichael fazia isso em
parte porque ele próprio fora criado dessa maneira; seu pai
lhe deixara muito claro que os filhos precisam de pais rudes,
pois do contrário se envolverão em terríN eis problemas

a) Alex iniciou seu próprio emnpreendjnento um


negúcj
(]uenu que operava em sua própria casa. Conseuia ganhar a
vida, mas deixou passar muitas oportunidades de expandir
O
negócio e ganhar muito rnai,s porque. Como
dizia aos outros,
não queria assumir riscos desnecessários. Ale era muito
111-
seguro e 1120 queria se arriscar.

h Alex converteu-se em um chefe tirano ao estilo dos antigos


líderes autoritários que berravam as ordens e se asseguravam
de que as pessoas soubessem quando eles não estavam con-
tentes com seu desempenho.
STEPIIÁNWpoLIrrfr 41

c) Alex converteu-se em um bem-sucedido corretor da bolsa de


valores que adorava assumir grandes riscos e fazer as ações
render, demonstrando ao mundo (e a seu pai) que não mere-
cia ser criticado.

RESPOSTA CORRETA: a. Corno resultado da educação que teve, Alex


tinha pavor de assumir riscos e ser criticado caso falhasse. Um negócio
pequeno e seguro Clii casa lhe garantia que não teria muitas pessoas
irritadas com ele ou criticando-o pelo que fazia. Alex não conseguia
tolerar o descontentamento das pessoas em relação ele e se esforçava
muito para se dar bem com todo mundo. O fato de ser autônomo evi-
tava que tivesse de lidar com qualquer tipo de chefe autoritário.

3. Cari, um dentista, tornou algumas decisões desde o início


para lhe possibilitar passar muito tempo com o filho, Louis.
Situou seu consultório relativamente perto de casa e con-
tratou dois dentistas associados assim que lhe foi financei-
ramente possível, para poder assistir aos recitais e concertos
de Louis, que tocava piano. Cari não só passava muito tempo
com Louis corno era um pai emocionalmente presente: não
temia expressar suas emoções diante do filho, não ocult.iva as
lágrimas se lhe acontecia algo triste, e também dizi.i Louis
quando estava decepcionado com ele. Cari não era perfeito,
inclinava-se a fazer coisas por Louis que este deveria fazer por
si mesmo, ruas sempre foi compreensivo e esteve presente.

a) Louis nunca conseguiu sair da mediocridade em sua carreira,


em parte porque seu pai o ajudava e apoiava demais. impe-
dindo-o de ser empreendedor. Tentou ser também dentista,
mas lhe faltava a iniciativa necessária para administrar seu
consultório de maneira eficiente. Louis necessitava do apoio
44 OEATOR PAI

emocional do pai para atuar na vida profissional, sem o qual


era ineficiente,
b) Louis escolheu urna ocupação totalmente diferente da do pai:
transtorll-)c)u-se cru maestro titular dc uma importante or-
questra sinfônica, e adorava o que fazia. Escolheu uni campo
cm que as posições de destaque eram relativamente poucas,
mas confiava em sua capacidade de obter êxito em algo de que
gostava e para o qual sabia estar capacitado. Como executi-
vo dinâmico e criativo, Louis ajudou sua orquestra a operar
sempre Corti números positivos, ao passo que a maioria das
orquestras era deficitária.
c) Louis converteu-se em um músico de estúdio, função que de-
sempenhava com eficiência, embora sempre quisesse tornar-se
UM músico de primeira linha. Gari era tão compreensivo que
roubou de Louis o fogo necessário para que ele se destacasse.

RESPOSTA CORRETA; b. Como já observei, Cari não era um pai


perfeito, mas sempre esteve emocionalmente disponível quando o
lilbo precisava cicie, e por isso desfrutavam de uma relação segura e
estável. Isso não somente fortaleceu a auto-estima de Louis como lhe
servia de esteio caso fracassasse. Seguiu urna carreira que adorava e,
apesar de as probabilidades de sucesso não serem muito altas, possuía
a confiança necessária para se concentrar em uma meta ambiciosa e
alcançá-la. \. confiança de Gari em seu papel de pai lhe dava seguran-
ça para aceitar de maneira positiva as diferenças entre ele e seu filho.
Na vida real, estes exemplos seriam, evidentemente, muito mais
complexos, mas de todo modo são bastante exatos. A fim de explicar
um terna, simplifiquei as causas e efeitos reais. Muito provavelmente,
você percebeu as Conexões subentendidas, não observadas ou plena-
mente entendidas entre a conduta de um pai e as decisões e condutas
de uni filho adulto cm relação à carreira profissional.
Capítulo 2
CONEXÃO
COMO o ESTILO DE AFETO DE SEU PAI
REPERCUTE EM SUAS RELAÇÕES PROFISSIONAIS

Uma das primeiras coisas de que me recordo é de estar em meu


berço, chamando por mcii meu pai aos prantos. Realmente não
existem palavras para descrever o que eu sentia, era horrível.
L5emjne que penso na minha inffincia e em meu pai, começo ii
Sentir meda, e esse medo se transforma em raiva contra os homens.
Onde estava meu pai? Sei que minha relação com ele até agori
contin lia me aftando.
Debbie, 52 anos (gerente, niíe e duas vezes divorciada)

Cresci sabendo que meu pai era minha rede de segurança. _\/
época eu não sabia, mas ele sempre estava ao meu lado. Sempre
tive a sensação de que as coisas sairiam bem e de que não me acon-
teceria nenhum mal. Sei que a ,ninba confiança em meu êxito
profissional e pessoal resulta do fito de meu pai sempre me ter
apoiado e cuidado. Eu não poderia ter sucesso nos negócios sem o
apoio emocional de ?IICI( pal.
Charles, 38 anos
(dono de urna loja, pai e casado há cinco anos)
44
O FXFO R PÀI

As pessoas me perguntam com freqüência qual . o segredo psico-


lógiCo
do sucesso no mundo dos negócios. Qual é esse Ingrediente que-
podem usar para
avançar rapidamente em sua vida profission1 e atin-
gir as metas amhicijnads: Sempre lhes digo que, de qualquer pers-
pectiva (comercial, legal, social, pessoal e psico]óca), o fundame
nta l é
entender o tremendo poder e a iniportájicia das relações. Se você quer
entender esse poder, precisa entender o conceito do afeto. em especial
com relaçãoa seu pai. Todas as relações se baseiam no afeto.
Mais especificainentc você deve estar consciente da interação
ocorrida entre seu pai e
você no início do processo do afeto. Como a
palavra Sugere, afeto implica o modo corno você se relacionou e se co-
nectou com seu pai quando era criança. O dicionrjç) em inglês define
afito como "o sentimento que une as
pessoas entre si; devoção", que
são boas formas de resumir o conceito
Sem afeto no existiriam as
relações significjvç O afeto é a nossa base para nos relacionam10
5
com o mundo, com Sócios futuros, filhos, companheiros de trabalho
,
Clientes, supervisores e conosco ,lês,,,(),,;.
E importante recordar que
SOmos geneticamente constituídos para as relações. Uma das medidas
de sadc emocional e mental é a capacidade de formar e manter i
-ela-
Çõcs em todas as facetas da nossa vida.
Noquero simplificar o Conceito do afeto, nem tampouco sobre-
canegí-10 com teorias ou terminolo
gias psicoló-icas desnccessjj
Portanto, vamos nos concentrai- no
papel que ele desenipenha em
nosso desenvolvil]Ieflt() Cotlio seres humanos

UNIA RESpQi', NVFURAL.


POR QUE XOS

O pioneiro da investigaçc) e
da teoria do afeto é o dr. John
BowJb, Psiquiatra inglês que observou que nenhuma
eperiêncja
STF PI-Luç B POUla'ER
45

tem efeitos mais duradouros no desenvolvImento


da personalidade
do que as experiências de unia criança dentro de sua família". A
experiência inicial do vinculo com nosso pai é o primeiro anibito em
ue começamos a criar o sentido do que SOmos, em especial com rela-
ção a outras pessoas. As nies e os pais são cruciais no processo de es-
tabeJecjnieitçj de vínculos. E vital que um bebê seja carregado, abra-
çado e alimentado para poder se sentir seguro e à vontade no mundo.
Nós desejamos de maneira natural nos Vincular, flOS relacionar e nos
afeiçoar às pessoas eni nosso mundo. O impulso e a necessidade de afeto
nunca diminuem em toda a nossa vida.
-Mesmo quando somos adultos,
o barômetro da nossa saúde mental e emocional sempre se baseia na
nossa capacidade de criar afetos significativos.'
De acordo com Bowlh, nosso primeiro afeto paternal(pai—filho)
tem o poder de criar expectativas sobre todas as nossas relações sub-

qüentes. Isso implica que se o nosso par/companheiro nos parece


confiável ou nianipu1aclor, nosso chefe exigente ou um bom apoio,
nossos associados úteis ou não -merecedores da nossa confiança essas
experiências atuais se originam na relação entre pai e filho. Mais es-
pecificamente, o modo
corno nos apegamos ao nosso pai afeta nossas
relações atuais. E de capital importância observar que o processo de
afeto com nossa mãe é igualmente crucial. O impacto dessas primei-
ras relações não deve ser subestimado ou descartado. Entretanto o
Processo do afeto paternal tende a ser negligenciado, subestimado
e menos entendido. A razão dessa distorção cultural será explicada
no item relativo aos estilos de paternidade. Nosso enfoque agora é
entender melhor corno o estilo de afeto de seu pai repercutiu em
você e de que modo ele continua influindo atualmente cru sua vida
profissional.
Entender a natureza desse processo de afeto nos proporciona
com freqüência urna compreensão surpreendente de nossas condu-
tas e escolhas profissionai s . Se você observar os líderes das organi-
4()
() FA] OkPJ

zações, verá que muitos deles provem de lares em que tinham uma
relação próxima com uni pai forte. Certamente tarribém encontrará
alguns líderes que tiveram relações afetivas distantes com o pai. A
falta de calidez emocional faz com que os deste último grupo ado-
tem um estilo
de liderança frio e agressivo, e se inclinem a pensar
inconscienteiflente) que exibir emoções diante de seus subordinados
não seria natural. Do mesmo modo, alguém que teve uma relação
afetiva insegura com seu pai procura trabalhar com um chefe que
seja um pai substituto, pessoas que dêciii urna grande atenção a seus
subordinados e exibam urna
grande elnpatia. Também há pessoas que
tiveram relações afetivas tão débeis com o pai que lhes falta a auto-
estima neccssária para se expressar com força e criatividade, o que as
prejudica em sua vida profissional.
Esses são apenas alguns dos muitos modos de afeto que podem
ter impacto na vida profissional. Vamos através de dois estudos de
casos, por que o afeto tem um efeito tão poderoso.
Marv, de 36 anos, está passando pelo processo de entrevistas para
um cargo de direção nacional de uma empresa. Ela tem curso superior
em administração e um excelente histórico profissional, a experiência
adequada e o apoio de seu chefe na promoção. Durante a entrevista
de dois dias, Mary teve muita dificuldade em fazer Contato visual com
o comité de seleção. Apesar de tentar desesperadamente ser agradável
e se esforçar para que a vejam como qualificada para o cargo, parece
retraída e distante. Mary, sente que o comitê de seleção já se decidiu
por outro candidato e que só estão seguindo o protocolo.
O que o comitê de seleção não sabe é que este é o modo habitual
de AMary se comportar quando enfrenta possíveis modificações e in-
certeza. Diante da perspectiva de perder suas conhecidas relações de
trabalho e de ter que formar novas, torna-se inclusive mais fechad a
do que normalmente é. No fundo, Mary, está convencida de que as
pessoas não a acham agradável nem competente. Por isso ela se retrai
47
S1EPHAN B. POLLTEK

cando se vê em uma situação em que as pessoas tentam conhece-


Ia - por exemplo, tio processo de entrevistas do comitê de seleção.
Apesar do seu sucesso anterior, Marv descarta seus ganhos dizendo a
si mesma que foram urna combinação de sorte e trabalho árduo. Ela
nunca se olhou internamente para tentar entender a origem de sua
rsisteflte insegurança pessoal e profissional.
Entretanto quando \Iarv VC1O me ver, começamos este proces-
so de exploração e descobrimos que seu pai estava gravemente de-
primido durante a maior parte da infância dela. O pai ia trabalhar1
voltava para casa, sentava -Se em uma poltrona e lia o jornal sem se
comunicar com ela nem com ninguém mais da família. Marv nunca
e sentiu importante para seu pai nem achou que ele se preocupasse
realmente com ela, e teve muito pouco contato) emocional ou inte-
ração com Seu pai enquanto) crescia. Por incrível que pareça1 ela não
se lembra de jamais seu pai ter-lhe feito qualquer pergunta sobre sua
vida, seus sciltirnelitoS ou interesses, até estar nos 1ltiIT1Os anos do
colégio. Depois de adulta, \lary só fala com o pai quando lhe tele-
fona1 o que geralmente acontece duas vezes por ano, no aniversário
dele e no Dia de Ação de Graças.
As necessidades humanas naturais de A'Tarv de amor, aprovação e
segurança não foram satisfeitas por seu pai. Por isso, suas relações no
trabalho têm sido tão instáveis e inseguras. Quando ela era criança,
nunca teve esse núcleo interior de segurança emocional e competên-
cia que uru pai pode ajudar o hlho a adquirir. A separação emocional
voluntária de seu pai de sua vida fê-la sentir que algo nela no ia bern.
Apesar de sua inteligência1 capacidade e ética profissional. ela ainda
continua experimentando a mesma falta de confiança. em especial
quando enfrenta a p0ss ihilidade de urna mudança sj2nificativa como
o cargo de diretora nacional.
flOV()
Até Marv entender e conseguir se reconciliar com seus ante-
cedentes afetivos e o estilo de seu pai, vai ter dificuldades nas cir-
48 O FATOR 1A1

cunstancias profissionais e não atingirá seu potencial. Corno era


de se imaginar, ela não conseguiu o posto que queria, mas está
fazendo progressos em compreender de que forma se relacionou
com o pai. A clareza crítica que ela obtiver irá se traduzir no modo
de ver a si mesma no trabalho e na forma corno se relacionará Com
os colegas.
Mike, de 52 anos, tem uni estilo de relação afetiva com seu pai
diferente do de \íarv, porém seu impacto em sua vida profissional é
igualmente significativo. Mike é diretor de animação por computador
em um importante estúdio de filmagem e desenha cenas para cada
quadro em um filme de desenhos animados - um trabalho muito téc-
nico e realmente tedioso. Eleperdeu o emprego recentemente como
resultado de seus contínuos conflitos pessoais com outros produtores
do estúdio. Os executivos cio estúdio para os quais tral)alllava acha-
vam que Mike tinha talento, mas era difícil trabalhar com ele. Antes
de demiti-lo, seu chefe pediu-lhe que tentasse ser mais um membro
da equipe em vez de simplesmente se concentrar em fazer o trabalho.
Quando o demitiram, Mike estava convencido de ser vítima dos ci-
úmes e da discriminação devido à sua idade, e de que ninguém apre-
ciava seu talento na animação por computador.
Quando ele foi me ver, pedi-lhe que mc falasse do relacionamen-
to afetivo que mantinha com o pai em sua primeira infância. Alike
disse: "Quando eu era criança, meu pai raramente estava em casa
porque estava divorciado de minha mãe. Eu o via periodicamente e
adorava os momentos que passávamos juntos, mas depois passava lon-
gos períodos sem vê-lo". Mike também explicou que se sentia com-
pletamente seguro, feliz e contente quando estava com o pai. Mas
quando não o via durante semanas e às vezes meses, ele se deprimia
e se afastava dos amigos e dos familiares. As ausências aleatórias do
pai faziam Mike sofrer, e essas emoções poderosas e confusas em tão
tenra idade criaram-lhe unia sensação de insegurança. Mike disse:
STEPHXN R. POLI:ÍER 49

Eu sempre ficava surpreso e feliz ao ver meu pai. E sempre achava


UC ele flao Voltaria mais".

A partir desses apegos e desapegos precoces com seu pai, Mike


preferia manter urna distancia emocional de seus superiores e subor-
dinados. Seu auto-isolamento era urna resposta à ambivalência e tris-
teza de sua relação Com o pai. Devido precisamente ao fato de desfru-
tar tanto do tempo que passava com ele, era terrivelmente doloroso
quando ele se ausentava por períodos prolongados. Para se proteger,
i\Iike optou por manter urna personalidade "de gelo" (corno o des-
creviani seus colegas) no trabalho. Curiosamente, i\like era ardente
e anioroso eni suas relações pessoais próximas. O legado de seu pai
não foi de todo ruim; o tempo que passou com Mike foi um tempo de
qualidade, e ensinou a \iil<e o valor da intimidade e da comunicação
nas relações.
Para que \'Tike demonstre seu lado humano nas relações profis-
sionais, deve aprender a suportar as Conexões e desconexões emocio-
nais que ocorrem naturalmente no curso dos negocios. Os empre-
gados se demitem ou são despedidos, os chefes são promovidos ou
transferidos, os clientes vêm e vão, os desacordos com os membros
da equipe acontecem, os projetos começam e terminam, e assim su-
cessivamente. Mike deve separarua história de afeto paternal inicial
de suas relações atuais no trabalho. Eu o estou ajudando a ver como a
dualidade de sua relação com o pai se reflete em suas relações pessoais
e profissionais. Ele precisa compreender a experiência natural de
fazer conexões e depois experimentar desconexões. O modo como
\like desfrutava da maravilhosa relação com o pai quando estavam
juntos traduziu-se nas grandes relações de que desfrutava em sua
vida pessoal. Similarmente, quando o pai no estava perto. ele ficava
retraído e deprimido, c ainda mostra as mesmas reações negati as
quando enfrenta mudanças rias relações de trabalho. Reconhecer
essa dualidade e fazer um esforço sério e consistente para estar mais
Çi) () 1i.\1OR PAI

consciente do modo corno se fecha diante dos demais irá ajudá-lo


a superar os problemas de relação que o têm assediado e que têm
consumido toda a sua vida proflssiorial.

DE QUE MODO AS QUESTÕES LIGADAS AO AFETO


ESTÃO ) LhE CAUSANDO PROBLEMAS NO TRABALHO?

E possível que você tenha tido urna relação afetiva forte e posi-
tiva com seu pai - e, nesse caso, provavelmente sua vida profissional
foi beneficiada. Entretanto, o mais provável é que sua relação fosse
urna mistura. A maioria dos genitores de uma ou duas ÇYerações atrás
no sabia tanto sobre ser pais como sabemos agora, e por isso com
freqüência mio estabeleciam o tipo de relação proxirria com os filhos
que os pais de hoje estão mais aptos a fazer.
1 boa notícia e que, independentemente do tipo de relação íifètiva que
tenha tido, rocé pode superar seus e/'itos negativos. O primeiro passo para
reverter o dano é determinar sua vulnerabilidade. Para isso, coloque
uma marca ao lado das condutas que se apliquem a você. O primeiro
conjunto de condutas relaciona-se com o trabalho; o segundo envolve
seu pai. Ao examinar a lista que se segue, tenha presente que urna
conduta merece receber urna marca se representa uni tema recor-
rente ou padrão em sua vida; você não tem que exibir essa conduta o
tempo todo. e seu pai fl() tinha que agir de um determinado modo
diariamente.

Problemas attivos

• \.-()cê tem dificuldade em confiar e se ligar emocional mente


aos colegas, supervisores, provedores e clientes.
• E emocionalmente distante e afastado dos demais no trabalho.
S1FPH \N W P()(lJr-'R
.51

• Tem problemas para desenvolver e manter urna sociabilidade


positiva
• Tem dificuldade com o hm
qualquer relação emocional e/
de

ou mudança no trabalho (festas de despedida, transferências,


alterações nos planos de negócios).
• Demonstra ambivalência no que range a formar relações pro-
fissionais de longo prazo.
• Tem dificuldade de exibir ou expressar enipatia para com os
colegas1 chefes, clientes 011 provedore s.
• Exibe uma tendência a ser agressivØ ou pouco independente
quando está sob pressão no trabalho.
• E extremamente competitivo com os colegas, a ponto de isso
prejudicar sua vida profissional.
• Tem problemas pessoais COM
chefes e outras pessoas imbui-
das de autoridade no trabalho (isso inclui qualquer estrutura
hierárquica de trabalho).
• Sente-se inseguro a respeito cio emprego,
do seu
nho no trabalho e/ou com seus Colegas.
• Escolhe empregos ou atribuições que iiio
representem uni
desafio.
• Evita deliberadamente qualquer tipo de expressão emocional
positiva com colegas, chefes e clientes.

COM o pai

• Seu pai muitas vezes no estava emociona1nente disponível


durante sua infância.
• Seu pai com freqüência esteve fisicamente ausente durante
sua infância.
• Seu pai só se mostrava aborrecido e frustrado nunca expres-
sava outras emoções.
5fF PH \N B. POIJflFR

• Têni problemas para desenvolver e manter urna sociabilidade


positiva.
• Terii dificuldade com o fim de qualquer relação emocional e/
ou mudança no trabalho (festas de despedida, transferências,
alterações nos planos de negócios.
• Denloristra arnbivaléncia no
tange a formar relações pro-
fissionais de longo prazo.
• Tem dificuldade de exibir ou expressar enipatia para com os
colegas, chefes, clientes 011 provedores.
• Exibe uma tendência a ser agressivo ou pouco independente
quando está sob pressão no trabalho.
• E extren1arneI1t( competitivo com os Colegas, a ponto de isso
prejudicar sua vida profissional.
• Tem problemas pessoais com chefes e outras pessoas imbuí-

das de autoridade no trabalho (isso inclui qualquer estrutura


hierárquica de trabalho).
• Sente-se inseguro a respeito do emprego, do seu desempe-
nho no trabalho e/ou com seus colegas.
• Escolhe empregos ou atribuições
que não represente m um
desafio.
• Evita deliberadarnente qualquer tipo de expressão emocional
Positiva com colegas, chefes e clientes.

Probleijias com o pai

• Seu pai muitas vezes não estava emocionalmente disponível


durante sua infância.
• Seu pai com freqüência esteve fisicamente
ausente durante
sua infância,
• Seu pai só se mostrava aborrecido e frracio nunca expres-
sava Outras emoções.
52 O FATOR PU

• Seu pai não tinha amigos ou relações próximas no trabalho.


• Seu pai raramente expressava emoções positivas, especial-
mente eiii relação i você.
• À relação que seu pai mantinha com você não era constante
(às vezes ele estava presente, às vezes não, tanto física quanto
emocional mente).
• Seu pai com freqüência parecia triste ou deprimido quando
você estava perto.
• Seu pai não tinha muita energia e em eral não participava de
atividades com você.
• Seu pai estava envolvido em sua infância de uni modo ps-
vo. Não sabia muito sobre você, nem sobre seus interesses ou
seus amigos.
• Seu pai nunca expressou satisfação pessoal ou orgulho por
sua vida profissional.

Se você não marcou nenhum itemem nenhuma seção, provavel-


mente desfrutou de uma relação afetiva segura com seu pai, e é pouco
provável que as questões afetivas se reflitam negavamentc em sua
vida profissional (embora outros aspectos do seu estilo de paternidade
possivelmente possam tê-lo feito - o que veremos nos capítulos 4 a
Se você marcou apenas um ou dois itens cru cada seção. as questões
afetivas podem ter se refletido em sua vida profissional ruas não pare-
cem constituir um problema. Se marcou três ou mais em cada seção, é
provável que tenha graves problemas afetivos queestejam provocani
1
nuportantes repercussões em sua vida profissional. Os problemas afe-
tivos podem ser unia das razões pelas quais sua carreira está parali-
sada. Entretanto, sua vida profissional sempre poderá ser revivida ou
redirecionada mediante um novo entendimento do afeto.
Obviamente, algumas das características da lista poderiam ser
resultado de outros fatores além do fator pai, mas o que procuro aqui
W POIJLTER 53

- = lar um diagnóstico definitivo, mas fazê-lo pensar sobre os im-


ntes ternas relativos às relações de trabalho. Muitos de nós não
até que ponto nos apegamos ao nosso pai, e, se o tazcrnos, é
: ico provável que o relacionemos ao nosso estilo de afeto no traba-
lho ou às nOSSaS dificuldades na vida profissional. Esta lista é apenas
um modo de começar a fazer ilações e a entender essas condutas apa-
rentemente díspares. Existe uma relação direta entre seu êxito e sua
frustração e a relação que você mantém com seu pai.
Se marcou vários itens da lista, não se desespere nem considere
que sua relação com seu pai é desprezível ou incorrigível. O mais
provavel é que você, corno a maioria das pessoas, tenha al2um êxito
na relação afetiva que mantém com seu pai. O 'afeto" é um continuuin
ue abarca desde a inexistência até a segurança e a constáncia, e pro-
vavelrncnte você está em algum ponto dessa escala. Por mais espora-
dica e instável que tenha sido sua relação Com SCU pai. provavelmente
:.arnhérn houve momentos em que você desfrutou da presença dele,
emocional, física e mentalmente.
Lembre-se taiiibérn de que o passado é passado. Sua vida estd
a;ante de você, não airiís. O que importa agora é o que pode fazer para
melhorar suas perspectivas profissionais e seu desempenho no traba-
lho. Felizmente, você pode fazer muito. Não importa qual tenha sido
a qualidade da sua relação afetiva, \.rocê pode usá-la para fazer melho-
res escolhas relativas ao seu trabalho, hoje e no futuro. Para ajuda-lo
nisso, definamos seu tipo particular de relação afetiva com base nos
quatro estilos: intermitente, evasivo, dpi-imido ou seguro. Cada esti-
lo tem suas próprias características e perspectiva que afetam nossa
infância e idade adulta. A pergunta a que você deve responder é: é
LO5SivC1 que o estilo de relação afetiva que eu tinha com meu pai con-
::nue sendo uni obstáculo na minha vida profisiona1 E importante
que obtenha Lima compreensão profunda de sua carreira e a utilize
Rara mudar sua vida profissional presente e futura.
54 O FATOR RU

O ESTTL(i) INTERMITENTE

Como implica o nome, o estilo intermitente de relação é aleató-


rio, inconstante e imprevisível. As vezes as crianças sentem que suas
necessidades emocionais (amor, apoio, cuidado), físicas (alimento, lar)
e mentais (contato visual, conversar) são satisfatórias. Outras vezes,
os pais não atendem a essas necessidades primárias. É a falta disso na
vida, desde o nascimento até os 10 anos, que modela a forma como
urna pessoa vivencia o mundo. Se unia menina chega em casa depois
da escola com lágrimas nos olhos e o pai não percebe isso, ou o que é
pior, percebe mas não pergunta o que aconteceu, essa menina come-
çará a se sentir pouco importante. Se a negligência continuar, irá se
sentir não apenas irrelevante, mas também começará a agir como se
seus atos não tivessem importância.
0 que tem grande impacto cm você quando criança é que seu pai às
vezes note suas lágrimas e lhe ofereça consolo, reaja adequadamente e
você se sinta amado, cuidado e seguro. Mas, infeliznente, as três vezes
seguintes em que se sente assustado, deprimido ou cmocionado, seu pai
não reage de maneira positiva. Essa incerteza e inconstância paterna
alimenta o temor infantil de que o mundo não seja um lugar seguro.
A constância e previsibilidade emocional constroem a confiança, e a
confiança é a base de todo o afeto e de todas as relações da vida de Urna
criança e de um adulto. Sem confiança, é quase impossível formar al-
gum tipo de relação funcional na vida profissional. O extremo desse
estilo de relação afetiva é a formação de urna personalidade paranóica.
Esses são os filhos e filhas que assumem que todo mundo está atrás
deles e fl() se pode confiar em ninguém. A paranóia. em qualquer grau,
é um verdadeiro obstáculo para o desenvolvimento, a satisfação e o pro-
gresso profissional.
Alguns pais são ocasionalmente inconstantes, enquanto outros o
são sempre. Os filhos do segundo tipo não somente tendem a descon-
STEPI lAN B. POL'Lt'ER

5w dos demais, mas também acham que no lhes ocorrcro coisas


Os pais constantes, por outro lado, flOS ajudam a nos sentir
rio mundo e rioS permitem confiar nos demais. Eles dcrnons-
MAIn que sabem como nos sentimos, e chegamos a esperar isso deles.
Sua sensibilidade e cuidado nos permitem sair para o mundo com
nança em nós mesmos.
De que maneira o estilo de afeto inconstante de um pai se re-
nas COfldUt1S do filho adulto em sua carreira e rio ambiente de
1
uabai ho?
Primeiro, esse indivíduo tende a ser cauteloso corri os demais. Se
é um chefe, raramente se coloca no nível de seus subordinados, pois
ha que as coisas só devem ser informadas para aqueles que precisem
e seu pessoal em geral no tem que saber de tudo. Esse in-
divíduo com freqüência tem problemas com as equipes guarda suas
idéias para si mesmo e riio está disposto a permitir que outros com-
partilhem o crédito quando alguma idéia funciona. Segundo, esse
filho que é resultado de uma relação afetiva inconstante pode rece-
r urna informaçi.o dc desempenho que indique que nem sempre se
pode contar com ele para o resultado final, e que ele atua de modos
diversos em diferentes dias: às vezes á amistoso e trabalha arduamen-
te: outras, á intratável e apresenta poucos resultados. Terceiro, essa
pessoa é COfl) freqüência pessimista e cínica e geralmente interpreta
acontCCilTLCIltOS de forma negativa. Os chefes a consideram inca-
paz de motivar OS outros ou de exercer liderança no trabalho.
Joan, cujo pai tinha com ela uma relação afetiva inconstante, é
uma programadora de computador muito talentosa que se demiriu do
trabalho em uma importante empresa para iniciar sua própria firma.
Ela tinha um magnífico produto de software e recebeu iam respaldo
siniticativo de uma empresa de capital de risco. Entretanto, sua em-
presa oscilava, principalmente devido à incapacidade deJoan de man-
ter bons empregados e de estabelecer relações profissionais sólidas
só 0 FATOR PM

COM seus clientes. Ela se isolava dos empregados por supervisionar o


trabalho deles nos mÍnifm)S detalhes, e dos clientes por sua atitude
negativa. Mas nunca percebeu isso nem achava que os problemas da
companhia pudessem estar relacionados à Sua atitude; na verdade o
alto nível de rotatividade de pessoal em sua empresa e a perda dos
clientes mais importantes reforçavam sua visão de mundo pessimista
e insegura.
Para avaliar se sua carreira profissional como a de Joan, csLí so-
frendo as conseqüências das manifestações inconstantes de afeto de
seu pai para com você, considere as seguintes perguntas:

1. Voce tem dificuldade de confiar nas pessoas em seu


trabalho?
2. Quem é a principal pessoa em seu trabalho em quem confia
e com quem está emocionalmente conectado (que no seja
VOCê mCSITIO)?

3. Você sabe ou suspeita de que essa pessoa em quem confia tem


alguma idéia de que ela é sua principal confidente?
4. Acha que sua atitude e suas ações para com seus colegas va-
riam consideravelmente, dependendo do humor cm que se
encontra? Se alguma vez recebeu um feedback de 3600** por
parte deles, notou que eles nunca sabem qual de suas perso-
nalidades vai aparecer?
5. Acha que nunca vai cumprir suas metas profissionais? Trata
cada revés como um acontecimento catastrófico?

* Ofeedback de 3600 é urna técnica usada nas empresas coifiO parte de


seus programas de desenvolvimento de pessoal, em que os chefes, compa-
nheiros, subordinados, clientes e provedores expressam sua percepção do
indivíduo em questão. (N. T,)
, 8. 1)11JFR
STEPI L\\

\oce se afasta de seus companheiros de trabalho quando est


eniociOflal0
aborrecido, triste, Sol) pressão 013
tipos de relaciona ment
Tende a evitar alguni ou todos OS
emocional com seus co mpanheiros de trabalho?
ligação afet
Quando desenvolve
v algum tipo dc relação ou
com isso ma
va no trabalho arrepende-se ou preocupa -Se
tarde?

Quanto mais respostas afirmativas você tiver dado, maior a prol


inconstante de s
cdidade de estar sob a influência do estilo de afeto
econhecimento esta em usá-lo p
A sabedoria e a beleza desse r
, atuais e fazer melhores escolhas
mudar seus problemas e condutas

O ESTILO EWSTV()

No estilo de afeto evasivo, o pai carece de expreSSO emOciOl


municação exterior de empatia. Abraçar, segu
contato físico ou co
a mao, beijar e outros tipos de conduta afetiva não fazem parte do
", afastado", "ei
eso. Os filhos adultos usam palavras como "frio
cionalmcntc distante" ou "incapaz de expressar aflu)r" para descri
homens amam seus Ii.
esses pais. Certamente, quase todos esses
verhalmeflt1
filhas, mas têm dificuldade de expressar seu amor
um tjpo de em onstraÇã0. Como resultado, muito
,,,,diante al g
o
e apren
seus filhos se acostumam com o isolamento emOCional
vez de c
a suportar os altos e baixos da vida por sua conta, em
Qu
1 partilhar seus pensamentos e sentimentos com os demais.
e assustam, se aborrecem ou se preocupam é mais provável q'
retraiam em vez de buscar o apoio da família e dos amigos. O i
mento é o âmbito seguro dessa filha ou filho em momentos de c
Como adultos, os filhos de pais evasivos também se afasta
mocional continua a c
rrblho, A expressão e
O FATOR PA

]os constrangidos e por isso raramente se mostram agressivos com


os demais e é provável que mudem de tema se um colega ou subordi-
nado começar a falar mal de um chefe ou companheiro. Têm dificul-
dades para estabelecer ou manter relações baseadas em urna ligação
emocional; por isso muitas vezes não conseguem lidar bem com os
neutra-
clientes; são conhecidos como burocratas e f'uncionírioS e sua
idade emocional é às vezes confundida com falta de interesse e de
envolvimento no trabalho e com os companheiros. Como gerentes,
ao departamento de recursos
geral mandam os problemas h' pessoal
humanos em vez de eles próprios lidarem com eles. Embora essas
pessoas possam gerar resultados concretos magníficos e ser contri-
bui ntes individuais excelentes sua íalta de habilidade pessoal lhes im-
põe um limite profissional artificial. Esses filhos e filhas têm enormes
dificuldades com as relações humanas e com interações enlocionais
de qualquer tipo. Esse é o maior obstáculo em sua ascensão e desen-
volvimento profissional.
Outra preoC)aÇãO
U que resulta de um estilo evasivo do pai é que
visto com freqüência corno um recluso. um lobo
o filho ou filha é
solitário ou um estranho no ambiente emocional da companhia!
trabalho. Essa auSênCia de ligação afetiva e relutância em ser emo-
cioflalTfleflte vulnerável impede qualquer crescimento profissional
importante. As pessoas não reagem bem a um cliente, colega ou su-
pervisor que seja emocionalmente afastado e distante. A confiança e o
desenvolvimento profissional são construídos em torno de conexões
humanas proximas, e as crianças e os adultos evasivos não gostam
desse tipo de relações.
joc, por exemplo, cresceu com seu pai, que era contador. Ele con-
tou que seu pai parecia avaliar os filhos com o mesmo olhar frio e
calculista com que avaliava seus clientes. jue recorda que seu pai só O
avô. Ele não seguiu
abraçou uma vez em sua vida, no funeral de seu
o exemplo do pai, e se assegura de abraçar seus filhos e expressar-
SIEPHAN B. POULTER

i amor regularniente. Entretanto, para ele é difícil mostrar-se


diante das pessoas no trabalho. Joe trabalha numa grande
canurt-sa de relações publicas de Nova York, mas suas principais res-
zbi1idades são nos bastidores (escreve comunicados de imprensa,
ii-diretas eletrônicas e discursos; cria estratégias de mídia e coisas
sz tipo). Sua empresa valoriza sua competência, nias sabe que ele
) tnterage muito bem com as pessoas, os clientes ou repórteres, e
r isso só tem alcançado um êxito modesto em seu campo. Durante
anos, esteve convencido de que sua falta de progresso se devia às
-- excelentes habilidades como escritor e analista da mídia; achava
cILZ a empresa riio queria promove-lo para um cargo administrativo
"que neste ele no poderia continuar usando essas habilidades para
i empresa em tempo integral. Só recentemente começou a entender
que o verdadeiro pm11ciiia é que instintivamente afasta as pessoas
quando estas se aproximam e evita as conversas com os demais, espe-
alrnente quando as pessoas se aborrecem ou ficam muito animadas
com alguma realização.
Será que foi o estilo de afeto evasivo de seu pai que ocasionou ou
contribuiu para seus problemas no ambiente de trabalho? As pergun-
tas que se seguem vão ajudá-lo a explorar mais profundamente esses
temas:

1. Você prefere trabalhar dc maneira independente? Tem di-


ficuldade para colaborar, ou isso lhe parece uma perda de
tempo?
2. Existe alguém no seu escritório com quem possa se abrir
emocionalmente sobre problemas relacionados ao trabalho e
à vida profissional?
3. Quando está sob pressão, voe se percebe evitando expressar
seus sentimentos relacionados a situações estrcssantes (por
exemplo compartilhar seus tcmores sobre perder seu cm-
60 O EXIOR P.0

prego devido à próxima reestruturação da companhia, por


não ter cumprido um prazo ou devido a um enfrentamento
pessoa!)?
4. Acha que no trabalho ninguém na verdade o conhece?
5. Quando um companheiro de trabalho se aproxima de você
choroso ou magoado, iniediatamente tenta afastar a cmoçao
e se concentrar apenas nos fatos?
6. Quando você está pessoas que começam a falar com
COfll

simpatia de companheiros que fbram despedidos ou promo-


.'idos a outros postos, tenta mudar o assunto para outro mais
neutro emocionalmente?
7. Mesmo que tenha sucesso no trabalho e ocupe um bom car-
go, sente-se vazio e insatisfeito?
8. Evita qualquer Up() de expressão emociona] sobre sua própria
vida profissional com seu fiel hor amigo do trabalho-
rabalho?-
9. \oce se percebe como unia pessoa que se sente ' vontade com
suas emoções e C0fl1 as emoções e opiniões dos demais?

Novamente, quanto mais respostas afirmativas você tenha dado,


mais provável será que o estilo de afeto evasivo de seu pai se reflita
no seu trabalho.

O ESTILO DEPRIMIDO

Embora seu pai pudesse não estar clinicamente deprimido (in-


capaz de funcionar cotidianamente em todas as áreas), talvez tivesse
pouca energia, agisse distraidamente e não fosse particularmente
sensível às suas necessidades. Pode ser que no tenha sido assim o
tempo todo, mas seu estilo de afeto depressivo pode ter-se acentuado
quando perdia um emprego ou tinha algum contratempo nancei-
ro. Uni estilo de afeto depressivo também pode ter sido causado por
sl1:PI1.-'CÇB. POLITER

zu—m enfermidade,por abuso de substncias ou por Urna história


& rcôes afetivas problemáticas em sua família. Se o seu estado
ressivo se baseava em eventos externos ou era crônico, o mais pro-
'vel é que demonstrasse urna falta de interesse em você. Os filhos
--_ se do conta de que a infelicidade ou a depressão dos pais não tem
a ver COlil eles. Aos olhos do hibo, O Pai parece insensível por
sua culpa. Com frequência, os filhos personalizam a conduta dopai
no resultado do que Fazem ou dizem. Em conseqüência, sofrem de
ohlemas de auto-estima e podem tentar compensá-los chamando
3 atençio por meio de um comportamento exagerado ou fechando-
numa concha (porque acham que nada do 4UC Façam merece ser
tado).
Segue-se um exemplo típico desse estilo de afeto. Urna filha che-
ga C-m casa da pré-escola com unia pintura feita com os dedos e a
mostra a seu pai. Ele a vê, a coloca de lado, talvez faça nm aceno com
a cabeça, mas nunca felicita ou agradece a sua filha, nem interage
Com ela ou com sua obra de arte. Essa filha aprende desde pequena
que ela não é importante e que seus esforços não são valorizados. A
suposição é incorreta, danosa e enfraquece seu desenvolviniento. Em
Conseqüência. a menina crescerá tendo que enfrentar importantes
problemas de negligência emocional e abandono. Se um menino não
os enfrenta antes de se tornar adulto, sentira constantemente suas
repercussões no trabalho.
Não importa quanto sucesso tenhamos tido na escola ou na vida
profissional, possuímos uma necessidade básica de nos sentir valo-
rizados e queridos por nossos pais. Se seu pai era depressivo, ambi-
valente ou distraído e não demonstrava quanto o valorizava quando
era menino, você interiorizou () sentimento dc nau ser querido, Mais
tarde isso pode surgir na forma de dúvidas insistentes sobre seu pró-
prio valor, de urna sensação de não agradar aos demais e de que o que
faz no tem importância. Quando adultos, esses indivíduos também
O FXOR PAi
2
por acharem que não rncrCcelJl ser
werg0fl1l05
podem se sentir
considerados. Essa sensação persistente de não ser "sui1ciC''
para unia vida profissional positiva.
é uni poderoso detrator
bom'1
esse estilo particular de afeto faz com que as pessoas
No trabalho
necessidades emocionais através de melhoras
procurem satisfazer SUaS objetivOS profisSiO
salariai de alcançar postos mais altos e atingir
pais, em vez. de fazêlo por meio das relações pessOaiS. ronica1fle1t
etas poucO
metas
11. com que
esse enfoque com freqüência f, onfiantes ou decididos. As dúvidas
c
ambicioSa5 porque não parCCefl
próprio valor, a vergonha (o sentimento exagerado
internas sobre O decisõeS adequadas
segu raflÇa sobre tomar as
de ser defeitu0S) e a j
os prejudica prOhSSi0flhh1t
Anne, por exemplO foi duas vezes preterida para um alto cargo
jpistraÇãO de sua cor poração apesar do seu brilhante recorde
na mpresa. Não parecia ao comitê de ministraÇã0
de 0trihuiçoes e
e rança". Não porque fosse mulher; a
que ela tivesse "espírito de. lid
diretora-geral da empresa era mulher. Era a percepÇ() de que Anne
onseguia motivar o pessoal. O feedhac que Anne
era indecisa e não c ma ravilhosa ou
recebeu foi de que mesmo quando tinha uma idéia
uma estratégia excelente, ela a apresentava quase que pedindo des-
de tentar Con-
antes as falhas do projeto. em
culpas e manifestava
pontos fortes.
vencer as pessoas de SCUS
tilo de afeto depresV0 lhe soam fami-
Se os resultados de U11-1 VOCê
reações no trabalho se aplicam a
liares, observe se as seguintes

Fxperi11etta sensações de vergonha seni razão aparente



quando estia SOb pressão no trabalho profisS10m cOfl-
• Se atingiu algum grau de êxito em sua vida
tinua se sentindo uma fraude, como se houvesse enganado
todo mundo para que pensassem que é competente?
STEJHANR. Poi LJER

• vita assumir riscos profissionais por temer fracassai- ou pa-


:cer incompetente?
• Terii dificuldade de aceitar o reconhecimento e desconfia que
Sóo estão elogiando por causa do cargo que ocupa ou porque
querem algo de você?
• \o meio de urna reunião ou quando está diante de seu ga-
hinete de trabalho, sente-se de repente demasiado triste sem
causa aparente?
• Subestima suas habilidades, influência e importância para os
demais em seu escritório?
• Alguma vez tem fantasias de que se transforma em alguém
realmente importante e bem-sucedido, cujo trabalho todos
apreciam?

Estas perguntas furam ojetadas para destacar que você possa


ter um estilo depressivo ao se relacionar consigo mesmo e com as
ssoas que cercam sua vida profissional. Um estilo depressivo de
ifeto paternal tende a produzir depressão pessoal em uni filho ou
ilha. A depressão pessoal pode ser iiiii importante obstáculo para
o seu crescimento profissional (ver O capítulo 6 Sobre os estilos de
ternidade depressivos).

ESTILO SEGURO

O estilo seguro é o estilo ideal de afeto caracteriza-se por ser


emocionalmente capaz de "ler", escutar e aprender as necessidades
do filho. Esse tipo de pai satisfaz constantemente as necessidades
incipientes (físicas, emocionais e mentais) dos filhos, de tal maneira
que estes aprendem a confiar nele. Essa ligação inicial de confiança e
sciurança é o fundamento de todo o desenvolvimento futuro da per-
nalidade, do crescimento intelectual e das escolhas profissionais.
114 O I\FOR J\J

As crianças que iiiantêin com o genitor urna relação afetiva segu-


ra aprendem que são importantes no mundo devido à constante aten-
ção, preocupação e gestos de amor que o pai lhes dedica. Apesar de a
grande maioria das crianças receber algumas dessas demonstrações
positivas nio importa qual seja o estilo de afeto do pai, muitas vezes
essas demonstrações são esporádicas, A constância é crucial para que
a criança tenha certeza de que pode esperar amor e apoio por par-
te do pai. Certamente, os conflitos e outros problemas são parte da
relação entre pai e filho, mas mesmo que existam tensões e brigas, o
filho sabe com certeza que seu pai o ama; nunca perde a confiança
nele, mesmo que fique furioso quando ele o castiga por trazer notas
ruins. Esse filho desenvolve naturalmente força interior e recursos
emocionais.
Como resultado desse estilo de afeto, quando crescem, essas
crianças chegam a ter um clesenipenho excelente no emprego e al-
cançam metas ambiciosas na vida profissional. Têm a capacidade
de se ligar emocional niente, de assumir riscos, ter empatia, confiar
rios companheiros de trabalho e ajudar a fomentar unia percepção
de inclusão. Projetam um ar de confiança e decisão que as torna
candidatos lógicos para postos de administração e liderança. Tam-
bém reconhecem a necessidade de seus companheiros de trabalho,
empregados e clientes cstat.eiccereni relações afetivas seguras com
as pessoas que os rodeiam, e se esforçam por formar e facilitar
essas relações.
Por e\ernplo, o pai de Bill tinha um estilo de afeto seguro. Em-
bora nio fosse particularmente endinheirado ou bem-sucedido, seu
estilo de paternidade desempenhou um papel significativo para que
Bili se convertesse no presidente de urna importante firma constru-
tora de centros comerciais. Bill estudou em uma escola estatal, foi um
bom aluno, mas não espetacular, e carecia do tipo de contatos que
muitos outros diretores tinham. Mas foi rapidamente promovido em
STT'.PHAN B. POUI.TLR

ie de empregos e o selecionaram para o cargo mais alto, por-


. nas palavras do comitê de seleção do diretor-geral da empresa,
Ee Podia fazer tudo". Bili mostrou habilidade para conseguir que as
cnisis acontecessem em toda a sua vida profissional ruas o mais im-
-t2nte é que também exibiu valores fortes, de acordo com a cultura
da companhia. Era sagaz quando se tratava de finanças, mas também
dicava o seu tempo e atenção a criar relações dentro da companhia
e com clientes e provedores. Também estava disposto a assumir ris-
cos o que ajudava a empresa a capitalizar oportunidades
& uma forma que um executivo mais conservador não teria ousado
zer. Ao mesmo tempo, Bili nunca assumiu riscos absurdos. Em re-
mo, era o tipo de líder focado, confiante e competente que toda
=presa deseja, mas que não é fácil de encontrar.
Seu pai teve uni estilo de afeto seguro com você? Observe como
responde às seguintes perguntas relacionadas com o trabalho:

• Você oferece apoio emocional constante a seus colegas de


trabalho?
• Sente que seus colegas confiam em você, e que estão dispos-
tos a compartilhar temores, dúvidas e queixas que não dividi-
riam com uma pessoa menos digna de confiança?
0 Acredita assumir riscos razoáveis para capitalizar oportu-
nidades comerciais? Pode mencionar dois ou três riscos que
tenha assumido nos últimos anos que tiveram resultados po-
sitivos para sua orgaflizaço?
• Em revisões de desempenho e fecdback de seus companhei-
ecidido?-
ros e supervisores, eles o consideram decidido
• Você é bom para Fazer contatos? Construiu relações fortes
dentro e fora de sua companhia que o tenham ajudado a al-
cançar metas profissionais?
O FATOR PM

• Encontra força pessoal e profissional em suas relações


profissiona is -,

Quanto maior o número de respostas afirmativas, melhor, \'iesmo


que sua relação com seu pai não tenha sido plena. é possível conduzir
seu estilo de administração e de se relacionar com os demais em uma
direção mais favorável. Os passos descritos abaixo e ao longo deste li-
vro resumem corno converter seu fator pai em urna força positiva cm
sua vida profissional para maximizar seu potencial. () primeiro passo
é reconhecer o estilo particular de afeto de seu pai (ver capítulos 4
a 8) e quais das suas regras de vida derivam de seu pai (ver capítulo
9). L:ina vez que tenha discernido estas duas coisas, a mudança não
apenas é possível, mas produzira uni grande alívio.

DE. QUE MODO A COMPREENs() Do AFETO


PODE A;1 (JDÁ.L() E\I S L1A VI1)A PROFTSSJOL

Os afetos são alienas unia das peças (10 quebra-cabeça cio fator pai,
mas constituem unia peça Importante. Ter consciência do estilo de
afeto de seu pai e de seu impacto em suas condutas de trabalho não vai
resolver todos os problemas da sua vida profissional, mas pode propor-
cionar-lhe unia valiosa percepção que pode ser o princípio de uma so-
lução positiva. Percebi que as pessoas se surpreendem constantemente
ao descobrir que os Obstáculos que enfrentaram em todos os empregos
que tiveram podem desaparecer totalmente quando entendem os pri n-
cípios do afeto. Por exemplo, o simples fato de estar Consciente de suas
vulnerabilidades devido ao estilo de afeto intermitente de seu pai já lhe
dá uma boa ferramenta para lidar com esse problema.
E muito provável que já possa identificar o estilo de afeto coni o
qual cresceu. Dado esse estilo, estas são algumas idéias e coisas que 1
você Pode fazer para se contrapor a seus efeitos negativos.
s'rEpnr B. POL El iR

• Faça
um diário com cinco novas condutas de trabalho, com
a meta de praticá-las constantemente. Elas podem incluii-
comparecer a reuniões, responder a telefonemas de nlancj-
ra oportuna, acompanhar o desenvolvimento dos negócios,
marcar encontros para almoçar com um colega e terminar as
tarefas antes da data limite.
• Pratique cumprimentar as pessoas no trabalho por seus es-
trços, mesmo que iSSO
seja raro ou fingido, Experimente
durante unia semana notar e reconhecer todos os dias algo
que um empregado, colega ou cliente tenha feito que você
aprove. Assuma o risco e expresse verbalmente o seu apreço
a seus companheiros de trabalho.
• Faça urna lista de pessoas que acompanhar, especialmente
aquelas que tenham expressado preocupações OU que tenham
solicitado sua ajuda. Domine o seu impulso de enterrar bem
fundo esses problemas, esperando que desapareçam. 'Você
não tem que resolver os problemas de todos, mas deve acom-
panhar o seu progresso, mantê-los atualizados, apoiá-los e
responder a suas perguntas. Essa é urna rnaneii-a eficaz de
transmitir às pessoas que você se preocupa com seus proble-
mas e esforços.

• Faça uma lista da sua capacidade de reciprocidade emocional.


Isso significa observar as ocasiões em que ri com seus Colegas,
expressa raiva ou temor em re1aço a situações de trabalho e
exibe alegria ou satisfação por algum trabalho ou avanço na
vida profissional. Se descobrir que está registrando pouca ou
STEPIL&N B. POLTLT&R

• Fç-a um diário com cinco novas condutas de trabalho, com


à
mera de praticá-las constantemente. Elas podem incluir
comparecer a reuniões, responder a telefonemas de nianei-
ra oportuna, acompanhar o desenvolvimento dos negócios,
marcar encontros para almoçar com um colega e terminar as
tarefas antes da data limite.
• Pratique cumprimentar as pessoas no trabalho por seus es-
forços, mesmo que isso seja raro ou fingido. Experimente
durante urna semana notar e reconhecer todos os dias algo
que um empregado, colega ou cliente tenha feito que você
aprove. Assuma o risco e expresse verbalmente o seu apreço
a seus companheiros de trabalho.
• Faça urna lista de pessoas que acompanhar, especialmente
aquelas que tenham expressado preocupações OU que tenham
solicitado sua ajuda. Domine o seu impulso de enterrar bem
fundo esses problemas, esperando que desapareçam. Você
não tem que resolver os problemas de todos, mas deve acom-
panhar o seu progresso, mantê-los atualizados, apoiá-los e
responder a suas perguntas. Essa é urna maneira eficaz de
transmitir às pessoas que você se preocupa com seus proble-
mas e esforços.

• Faça uma lista da sua capacidade de reciprocidade emocional.


Isso significa Observar as ocasiões em que ri com seus colegas,
expressa raiva ou temor em relação a situações de trabalho e
exibe alegria ou satisfação por algum trabalho ou avanço na
vida profissional. Se descobrir que está registrando pouca ou
O FVJ Ok PAI

nenhuma reciprocidade emocional, faça um esforço Conscien-


te para obter alguma. Comece com um pequeno intercâmbio
emocional uma vez por semana durante um mês. Pouco a
Pouco, isso o ajudará a estabelecer e fortalecer relações.
Faça 11111 diário de seus sentimentos e pensamentos em conjun-
turas de trabalho. Descreva uma situação. a razão de ter se sen-
tido de determinada maneira e o que pensou sobre suas reações.
Cada registro deve ter pelo menos uma página completa. Esse
exercício irá ajudá-lo a se pôr em contato com suas emoções e a
torná-las "mais seguras". Urna vez que as expresse por escrito,
com Freqüência será mais fácil expresãlas verbalmente.
• Quando um colega, cliente ou supervisor se expressar emo-
cumalmente Com relação a você, observe e tente reagir de ma-
neira similar. Esforce-se para ser ernocionalmellte receptivo
em seu trabalho. Este passo requer que elabore perguntas que
erivolvani OS sentimentos e as emoções de alguma pessoa.
• Preocupe-se pelo menos urna vez por dia em iniciar uma fra-
se dizendo: "Sinto que..." sobre uma conjuntura de trabalho,
os clientes e suas relações pessoais. Essa declaração delibera-
da de sentimentos pode começar a liberar sua capacidade e
habilidade emocionais.

Depressivo

• Incremente o tempo que passa interagindo com pessoas em


um nível significativo fl()
trabalho; no horário das refeições,
em conversas privadas e em atividades depois do trabalho,
faça uni esforço para estabelecer relações que vão além da
troca superficial de informações; troque tinia porcentagem
significativa de sua correspondência eletrônica ou conversas
telefônicas por conversas pessoais.
STEPHAN B. P(I)UU

-Acompanhe suas realizações; faça um diário de suas conquis_


us. mencionando objetivos pequenos e grandes que conse-
uiu atingir mediante seus esforços; observe quando outras
pcssoas - chefes, subordinados, clientes, provedores lhe
fizerem elogios específicos, e por quais de suas habilidades
ou qualidades o estiverem felicitando.
• Yo perlilaneça isolado de seus companheiros de trabalho.
Estabeleça mais interações pessoais com seus Clientes e Co-
legas. Isso pode implicar subir um andar para ir até outro
escritório e responder a urna perunta.
• Quando achar que se isolou no trabalho, marque um encon-
tro para falar com alguém sobre sua frustração. Esse passo o
porá dentro do círculo interior do seu escritório. As pessoas
estabelecem vínculos quando discutem as situações de for-
ma emocional. Você precisa procurar as pessoas e sair de sua
"toca" emocional.

Também pode usar esta informação sobre a psicologia dos afetos


ra examinar de que modo se relaciona Com OS dctnai,s no trabalho.
Alzurnas pessoas descobrem que seu estilo de afeto reflete o de seus
pais. enquanto outras percebem que se relacionam no estilo oposto ao
seus pais. Obviamente, tem sentido esforçar-se para ter um estilo de
relacionamento seguro com os colegas mas a maioria de nós desenvol-
ve urna mistura de estilos seguros e inseguros. Por exemplo, podemos
ter afetos seguros com nossos subordinados e evasivos com os chefes.
Reserve uru momento para determinar seu estilo de afeto com os
• chefes;
• subordinados.
• colegas;
• clientes;
• provedores.
O FJOR PAI

Pode ser que um determinado tipo de pessoa o impulsione para


ntraproducente. Os chefes, em particular re-
uni estilo de afeto co
presentatil figuras paternas para muitas pessoas e podem desencadear
Tenho atendido muitas pessoas que tinham
nelas condutas ne gativas.
de indivíduos acima
relações maravilhosas com OS outros quatro tipos
o faziam
mencionados, mas com seus chefes se relacionavam como
com SeUS pais. Também conheci pessoas que tinham relações seguras
chefes, mas tinham problemas com subordinados,
e fortes COfli OS
clientes, companheiros ou provedores. As relações humanas são com-
plexas, e os estilos de afeto no trabalho refletem essa complexidade.
Existe um mito duplo: que as relações no trabalho não importam (só
lucroS, e que a nossa base para essas relações não começou com
OS
nosso pai (sou independente da minha relação com meu pai).
0, unia mudança
Não espero que você execute um giro de 180
imediata em seu estilo de afeto. O que espero é que seja consciente
COflSL-
dos problemas de afeto aqui mencionados e que se abra para
dcrar mudar. 'Tenha em mente que até mesmo pequenas mudanças
positivas em seu estilo de afeto podein lhe proporcionar dividendos
importantes. O fato de mostrar um pouco mais de confiança quando
chefes e uma pitada de empatia quando falar
estiver diante de SeUS
seus subordinados pode ter urna influência positiva em seu de-
COM
sempenho no trabalho e em suas perspectivas na vida profissional.
-
Ao trabalhar para conseguir estabelecer vínculos de afeto segu
onal (e em sua vida
ros, lembre-se de que todos em sua vida profissi
pessoal) têm a mesma necessidade dos cinco randes elementos de
unia relação: confiança, percepção de inclusão, interesse, segurança e
mam a base de todo
amor. Lembre-se também de que as relações for
crescimento profissional. Qualquer quantidade de tempo, energia e
mudança que você invista em melhorar a qualidade de suas relações
afetivas é tempo bem empregado e lhe trará grandes benefícios hoje

e nO futuro.
Capítulo 3

O QUE VOCÊ PODE


FAZER A RESPEITO
COMO O CONHECIMENTO E O INSIGHT LHE DÃO
PODER SOBRE SUAS ESCOLHAS PROFISSIONAIS
E SEU DESEMPENIT() N(I) TRABALHO

Nunca obtenho a promoção e o reconhecimento que mereço. Ourr


pessoa sempre os obtém em meu lugar Sinto-me milito i'v10raíU '
despercebida no trabalho. Isso me parece muito injusto, mas é aI
com que tenho de aprender a convivei:
Jane, 45 anos

Meu pai era viciado em trabalho: trabalhava seis dias por smr_
e viíjava seis meses por ano. Agora me percebo frzendo o
e isso está arruinando minha vida pessoal. Raramente z
filhos, e minha mulher marca hora para me ver no trahilM_ i1r
chefè adora a minha dedicação, mas isto está me mjumã& e
Vejo o /1U' posso 7/111d111
Mike.. 36

já dissemos que entender seu fator pai no trabalho c &


portncia. Este conceito, raramente entendido e e o irie
segredo para você conseguir poder pessoal e ter énto em --metas
profissionais e pessoais. Unia vez que entenda suas reIçõ com seu
pai, obterá informações práticas que pode usar em sua vida profissio-
O FATOR RAJ

nal. O fundamental é começar a compreende r


o legado de seu pai.
A mudança, tanto Profissional Como
pessoal. pode ser conseguida se
usar o seu fator pai a seu favor. Oque acontece é que muitas vezes os
pequenos problemas e o comportamento em sua vida profissional são
os grilhões que o impedem de Conseguir a promoção, a nova oportu-
nidade que deseja. A solução
e as mudanças que quer sempre parecem
escapar de você. Sente que na realidade só um milagre poderia mudar
sua situação no trabalho. Os mesmos proh1ern
.i. detalhes e frustra-
ções de sempre Contimjn interFerind
o Para usar uma velha expres-
são, qual é o elefante branco que você está ignorando Seu fator pai é
O
imenso elefirnte branco que interfere em muitas dessas situações de
sua vida profissional aparentemente sem saída.
câ verá que existem mudanças legítimas que podem ser imple-
mentadas para alavancar
sua vicia profissional. Primeiro, ternos que
entender esses probleiiiaç identificá-los e considerar a possibilidade
de uma mudança. Depois podemos começar a ver o pape] valioso
que o fator pai desempenha nesses probkrnas profissionais aparente-
mente desconexos. E til
ulto Comum passar por cima deles e ignorar
sua relação com seu jai especialmente se não esteve perto dele ou se
nunca o teve.

Nos próxinio.s cinco capítulos, vou expor os diferentes estilos de


paternidade e dc1T1oflstIr
corno cada um deles tem pontos fortes e
fracos e de que forma isso influencia urna pessoa em seu trabalho.
Neste capítulo,
é importante começar a estabelecer
algumas relações
entre o modo corno vem se desenvolvendo sua vida profissional
OS
obstácuj05 que vem enfrentando, Suas metas e seu pai.
Já examinaiiios floS
dois liltinios capítulos corno) Suas relações afe-
tivas, tanto pessoais como profissionais têm origem em seu pai. \u
ilustrar aqui a relação direta entre muitos dos problemas que Você
encontra no trabalho e suas raízes em sua relação com Seu pai. Estes
problemas ou pequenos incômodos aparenteii]ciite eternos podem ser
TEP1LAN ]3 PO JTLR

se os entendemos corretalilelite Mudar é a meta deste


EM aiái de auxiliá-lo a usar o legado de seu pai para obter êxito e
o profissionais
%'2mos explorar sete tios problemas mais Comuns no trabalho -
QU podem parecer não estar relacionados com seu fator pai, mas na
Iffinhie estão. Você tem profundos vínculos emocionais, mentais e
lentes com seu pai que com freqüência se manifestam corno
-ditos profissionais, corno obstáculos no seu desemrolvimento pro-
Inúmal e como dúvidas sobre você mesmo. Você poderá compreen-
melhor as soluções práticas unia vez
que reconheç2 consciente-.
'e que esses problemas podem ser enfrentados e que é possível
ificá-jos.
Corno psicólogo, com freqüência verifico em minha experiência
rossionaJ que 80 por cento dos problemas da vida profissional comi-
m em mero reconhecimento e apenas 20 por cento constituem a
anudança pró-ativa. A resistência emocional e a negação psicológica
levam a evasivas são os maiores obstáculos a enfrentar, que afe-
m até os profissionais mais conscientes. Esses sofisticados meca-
:mos de defesa emocional podem interferir na mudança efetiva,
itando o seu potencial e frustrando seus objetivos profissionais.
O propósito deste capítulo é tornar conscientes as condutas incons-
cientes que o autodestroein e autolimitam. Urna vez expostas e reco-
nhecidas essas condutas, as mudanças podem ser implementadas. O
insiht conduz à mudança na psicologia e em toda conduta humana.
Sem insight e sem tornar conscientes esses importantes vínculos, é
muito provável que os Obstáculos que limitam sua vida profissional
permaneçam onde estão.
O Conceito de mudança pode não ser novo, mas a adaptabilidade
é agora mais crítica cio que nunca. Seu fator pai, ou seja, a influência
fundamental particular que seu pai teve sobre você, e que se traduziu
em sua conduta e em seu estilo, pode precisar de um ajuste para que
-f o FATOR PAI

você consiga obter êxito. Para ser eficiente na solução de problemas,


um indivíduo deve desenvolver habilidades coniuvas, emocionais e
intelectuais que lhe permitam começar a ver a raizes de um pro-
blema ou situação. Aluitas vezes, uma atitude crítica, urna crença
negativa ou urna conduta em particular são a raiz de um problema
no ambiente de trabalho. Com freqüência, esses sistemas de crenças
negativas estão profundamente enraizados no passado e nunca foram
reconhecidos como lirnitantes. Compreender a natureza dessas ve-
lhas crenças sem culpar seu pai ou condenar sua história familiar vai
lhe proporcionar as ferramentas psicológicas necessárias para fazer as
mudanças indispensáveis em sua vida profissional e pessoal.

Os SETE GRANDES PROBLEMAS DO FATOR


PAI EM TODA VIDA PROFISSIONAL

Alguns dos problemas mais comuns no trabalho são: vergonha,


duvidar de si mesmo, falta de enfoque, falta de motivação, falta de
responsabilidade pessoal, imaturidade emocional e medo do fracasso.
Esses sete problemas comuns no trabalho encontram-se cm todos os
níveis e áreas do inundo profissional, e tanto no setor público corno no
privado. Ocorrem em toda parte: nos negócios familiares, nas salas de
conselho corporativo, nas escolas públicas, na profissão militar, nos
esportes profissionais, no governo, nas vendas e na mercadotecnia, na
indústria do entretenimento e nos campos do direito e da medicina.
Nenhuma profissão escapa de ter indivíduos que lutam com urna ou
mais dessas sete condutas comuns que produzem obstaculos. A per-
gunta fundamental, mais urna vez, é: você pode começar a entender e
reconhecer o obstáculo que interfere em seu trabalho?
Muitos testes psicológicos tentam medir esses problemas, mas
com freqüência são insuficientes ou não atingem o alvo. Um teste
com lápis e papel nem sempre produz o tipo de informação necessária
S1'EPUAN 13. POTJLTER

cada indivíduo entenda sua vida pessoal ou profissional. Por


lido, o reconhecimento emocional e mental (obtido mediante pergun-
nu sondagem e reflexão) expõe condutas e crenças autodestrutivas pie
pskrn mudar o curso da vida pessoal e profissional de alguém. Vejamos
iiis histórias da vida real de indivíduos altamente eficientes e bem-

edidos em suas respectivas profissões, ambos inconscientes do


pacto negativo de seu fator pai sobre eles.

AS HISTÓRIAS DE JANE E MIKE

Por exemplo, Jane, cujas palavras abriram este capitulo, é a ca-


çula de quatro filhos. Quando menina, sentia com freqüência que
u pai, um bem-sucedido homem de negócios, a deixava de fora e a
ne1igenciava. ji adulta, passou por uma série de cargos em sua com-
anhia e sempre se sentiu menosprezada e subvalorizada. A dúvida e a
vergonha sempre a assaltaram. Infelizmente, ela dispôs de ta] modo a
sua vida profissional que suas ações iflCc)flscicfltCS refletiam essa inse-
urança e sua baixa auto-estima. Entretanto, começou a reconhecer
que fl() trabalho ela fala e atua de um modo que reflete sua falta de
uto-estiiia.
Jane faz, constantemente comentários negativos sobre a qualidade
do seu trabalho, suas habilidades de liderança e sua aparência diante
de seus colegas e supervisores. Seu senso de humor é muito obscu-
ro, demasiado pessoal e repleto de comentários de autodepreciaço.
seus companheiros a acham muito engraçada e inteligente. De todo
modo, Jane admite que a falta de confiança em si mesma gera sua
insegurança profissional. Nunca solicitará nem se oferecerá vo1un
tariarnente para nenhuma tarefa que seja nova ou desconhecida para
ela. Sente-se encurralada e sozinha cru uma esquina da sua vida pro-
fissional. Através da terapia e dos passos indicados na segunda parte
deste livrojane esta começando a explorar a dinâmica de sua relação
76 O E ATOR PAI

com seu pai. Está começando a ver que a eonexo entre a negligência
de seu pai para com ela em sua iii lncia e a profunda dor que isso
provocava nela têm uni profundo impacto cru sua vida pessoal e pro-
fissional de hoje. No ânibito pessoal, Jane se Casou e se divorciou duas
vezes, e sempre saiu com homens vinte anos mais velhos do que ela.
Esses padrões muito óbvios de vergonha, insegurança e imaturidade
emocional estão diretamente ligados ao estilo de paternidade com o
qual cresceu.
A história de Jane pode parecer demasiado básica para ilustrar
essa questão, mas não se deixe enganar. O essencial é lembrar que há
25 anos Jane vem lutando com esses confusos problemas profissionais
provocados por seu fator pai, e que essa questão é muito comple-
xa. Ela está tão acostumada com eles que os considera parte de sua
personalidade e não acredita na possibilidade de mudança. Na ver-
dade, Jane é uma profissional muito bem-sucedida, uma mãe que se
mantém sozinha e uma mulher fisicamente ativa. Entretanto, a única
coisa que ela enxerga é urna profunda sensação de abandono. O estilo
de paternidade de seu pai era passivo; ele estava fisicamente presente,
mas era como se não estivesse (exposto em detalhes no capítulo 6).
Agora que Jane começa a enfrentar pela primeira vez seus três gran-
des proI)Ien-ias pessoais e profissionais de insegurança, vergonha e
, maturidade emocional, juntamente com o estilo de paternidade de
seu pai, sua vida profissional e sua percepção a respeito de si mesma
estão tomando um rumo positivo.
Jane vem se perguntado há anos por que sempre encontrou urna
fbrma de sabotar passivamente, no momento exato, qualquer avan-
ço em sua vida profissional. Por exemplo, inconscientemente se es-
quecerá de responder ao telefonema de uni cliente novo, falhará no
cumprimento de iiiii prazo e faltará a urna reunião fundamental de
planejamento exatamente antes de urna possível promoção. Todas
essas condutas têm reforçado seus problemas pessoais de vergonha,
STEPHAN II, POLILTFR

1rana e imaturidade emocional. Agora que finalmente está co-


a enxergar os padrões básicos a partir da perspectiva do
pai, parece-lhe que o progresso de sua vida profissional se vis-
muito positivo. jane não acredita que sua conduta profissional
.nuará levando-a de volta ao aparente beco sem saída do qual
caí cansada. Para ela, a faniosa gaiola de vidro eram suas próprias
dirásões e problemas não resolvidos com seu fator pai.
A história profissional de àLW é tão interessante quanto a de
Jar. mas os problemas dele são diferentes. Conheci i\like porque ele
é iciado em trabalho, e Maria, sua esposa, lhe deu um ultimato: ou
se envolvia mais com a família ou ela e os filhos o abandonariam.
A princípio, ele não acreditou em Maria, até que ela pegou os dois
1hos e saiu de casa sem avisar. Isso foi depois de uma viagem de
negócios de dez dias que Me havia lhe prometido que não faria.
Quando ele voltou para casa, encontrou um bilhete na mesa da cozi-
a que dizia que, a menos que parasse de tentar conseguir a apro-
o de seu pai e participasse mais da vida familiar, de
deixaria de
uma família. A premeditada crise funcionou e fez com que Mike
parasse para enfrentar seu enraizado niedo do fracasso. FAc sabia que
ünha alguns problemas emocionais não resolvidos com seu pai que o
estavam conduzindo a unia crise profissional e pessoal. Admite que
bia que sua obsessão pelo trabalho e pelo ganho não era normal e
o consumia demais, especialmente em comparação com o comporta-
mento dos colegas e dos membros do conselho de diretores.
Mike foi desde sempre impulsionado pela necessidade de obter
êxito. Seu pai, Stan, trabalhava 24 horas por dia, e raramente ficava
em casa durante a semana. A mãe de Mike sempre disse a ele e a seus
dois irmãos que o pai tinha um cargo importante que exiia toda a
sua atenção. Mas Mike sentia falta do amor e do apoio do pai, e não
e lembra de Stan ter ido alguma vez à escola do filho para nenhum

evento ou ocasião especial (inclusive nas competições esportivas).


() 11(:)R PAI

\iike sabia que o pai tinha muito sucesso profissional e financeiro, e


isso permitiu à íamília mudar de casa e trocar de carro várias vezes.
Cada casa se situava cm um bairro mais caro, era maior que a ante-
rior, e os carros eram melhores. Stan disse a Mike que todas as COiSaS
boas da vida só chegavam através do trabalho árduo, e que era preciso
pagar um preço por isso. Mike recorda-se de que sua mãe sabia que o
Custo do sucesso profissional do marido era a ausência da família. Ele
também está dolorosamente consciente de que o pai acreditava que,
a menos que fosse diretor ou proprietário de urna empresa seria um
fracassado.
Stan também era muito crítico com relação às notas que \likc e
os irmãos tiravam na escola. Se não obtinham a nota máxima, paga-
riam caro quando Stan chegasse em casa no fim de semana. O pai era
muito intolerante com qualquer resultado que não fosse perfeito ou
COM más notas na escola. Embora Mike raramente visse o pai quan-
do menino, suas atitudes superexigentes oprimiam a família inteira.
Mike chegou uma vez em casa do curso de verão com um nove em
inglês. Stan explodiu, chamou o filho de 'idiota e fracassado" e o cas-
tigou pelo resto do verão. Mike teria que ler sete romances cLissicos
americanos até o começo do ano letivo seguinte ou enfrentaria a ira
e a desaprovação do pai. Por isso, ele se esforçava para obter uni certo
grau de sucesso na escola, nos esportes ou em alguma Competição, a
(m de conseguir a atenção e o amor do pai. Os breves momentos de
aceitação, interesse e aprovação genuínos de Stan foram muito pou-
cos e espaçados na vida infantil e adulta de Mike. Quando ele obteve
o título de mestre em unia prestigiada faculdade de administração,
tudo o que Stan disse foi: "Vamos ver se finalmente VOCê vai fazer
algo da sua vida e ganhar tanto dinheiro como eu". Mesmo agora que
Stan está aposentado e vive na Flórida, quando telefona para Mike
sempre lhe pergunta primeiro pela vida profissional e pelos negócios,
e raramente sobre OS netos ou a nora.
.rF.p}jN E. POL'IrFR

ike. diferentemente de seus irmãos, optou por se converter no


rfeito" e senil
m -ire tentou obter a aprovação do pai através do
:ec6s conquistas profissionais. Seus outros dois irmãos S() Ira-
-s clássicos e têm tido grandes dificuldades no trabalho. Stan
I
nenhuma relação com eles, devido à sua ética profissional
a=Sc-jenre e ao seu baixo desempenho no trabalho. Mike herdou do
recessidade constante dc êxito e a converteu cm seu próprio
:'ielo profissional. Trabalha na área de tecnologia da companhia
ô qual é vice-presidente e despende no emprego um mínimo de 65
por semana, incluindo um dia do irn de semana. Mike é muito
winco em relação aos colegas que não se comportam de acordo com
a mesnia ética profissional, dedicando menos tempo à empresa. E
sivo, obcecado por dinheiro e intolerante com qualquer grau
& expressão emocional no trabalho. Alais de urna vez, foi criticado
por companheiros devido à sua falta de compreensão e empatia para
os empregados e colegas. \íuito parecido com Stan, é emocio-
Jmente evasivo e não compreende as pessoas e as complexidades

Mike sabe que sua insegurança interior e seu medo do Fracasso e


ergonha de não ser suficientcmente bom" o levaram ao ponto de
-I poder trabalhar mais algumas horas para compensar esses pro-
mas obsessivos. Ele tem de enfrentar, examinar e sentir, finalmen-
esses conflitos não resolvidos sobre seu fator pai. Devido ao golpe
:10 qual passou e à perspectiva real de perder a fainflia e enfrentar
doloroso divórcio (todo divórcio é doloroso, independentemente
±i circunstncias), começou a aceitar seus problemas com o fator pai
e está se modificando. Agora se dá conta de que é —suficientemente
bom" e que o trabalho não é o melhor lugar para resolver os confli-
tos ocasionados pela relação com seu pai. Quanto maior a percepção
que tiver do impacto de seu pai em sua vida protissional e em suas
relações pessoais, mais poder terá para mudar o rumo da sua vida.
80

perexigente de seu pai com uma nova


Mike está superando o estilo su
capítulo 4, com mais detalhes o estilo de
visão e novas ações. (Ver no
paternidade superexigente.)
Tanto \Iikc como Jane têm tido que enfrentar os sete grandes
problemas do fator pai no trabalho, e perceberam que sua satisfação
COili O resultado.
pessoal e profissional está diretamente relacionada
Aora chegamos a um diagnóstico dos problemas do fator pai em sua
estar identificados ou ter sido
vida profissional que poderiam fl()
ompreendidos. As definições e listas dos sete grandes proble-
mal c
mas foram planejadas para ajudá-lo a começar a ver os meandros e
que se repetem em suas relações pessoais
os padrões de prOl)lefl)aS
Se quiser passar por qualquer mudança significativa
e prO tlss101iS.
duradoura, o primeiro passo é estar consciente desses problemas e
realmente entender que estão enraizados em sua relação com seu pai.
das peoaS negiigncia este ponto e pensa que o pai
Infelizmente ii nnlioril
recomendo que reconsidere seriamente essa
ão é um pro/'Ieiníi. Eu
questão.

A LISTA DE RTFICAÇ.\O DO FATOR PAi:


M
O QUE ESTA ACON TCNJO CO OCÊ?

e segue dos sete grandes problemas do fator pai foi


A lista que s
projetada para lhe apresentar um modelo de como funcionam alguns I-

dos padrões de conduta mais coniumnente associados a cada problema


e mocionaL mental
psicológico. A menos que você Comece a enxergar
xtremamente difícil fa-
e psicologicamente esses problemas, será e
proSSiOflal. Seja
zer qualquer mudança, seja ciii sua vida pessoal mi
puder estar
honesto consigo meSmO se qualquer desses prOl)leIflaS
mandar algumas situ-
relacionado com você e puder descrever coMO
ações relacionadas com o trabalho. os clientes e as figuras imbuídas
de autoridade. E importante destacar que nenhum desses problemas
sTEPILN B. POULTER 8 1

éAnuiuto - o que significa que nem sempre ocorre o problema, a


a conduta ou a crença em particular. A melhor maneira
&car este 'inventário de reconhecimento psicológico" é pensar
como você reage diante de algumas circunstâncias Sol) I)CSS() OU
ndo se sente ansioso. A ansiedade tende a ampliar esses problemas.
Vindo você se sente tranqüilo, tende a não exibir esses sintomas em
-iu passível de sabotar sua vida profissional.

FE.GONHA. O mais destrutivo, problemático e menos compreendi-


de £s sete problemas profissionais. A vergonha é essencialmente o
rimento, o pensamento e a crença íntima de que você é deficiente,
-=: é suficientemente bom, é um fracasso, uma pessoa incompetente,
nacapaz, horrível, indigna, um engano: um material danificado. En-
nou a todo mundo para que acreditem que é diferente do que in-
esses terríveis sentimentos interiores. Não importa o qi.ic faça,
nca é suficientemente bom para que se livre desses sentimentos de
rgonha. Dadas as circunstâncias apropriadas, cm um segundo esses
sentimentos vergonhosos inundarão sua mente e seu coração. Nem
wdo o dinheiro, as promoções, as relações profissionais, os carros
esportivos, a casa nova, as férias, os negócios, o sexo ou as lisonjas
do mundo apagarão esse tipo de vergonha da mente e do coração de
uma pessoa.
Quando a vergonha assoma sua horrível cabeça, produz uma
noção paralisante que em um segundo tirará qualquer adulto de
sua rota caso não a entenda e a cure adequadamente. A vergonha não
é igual à culpa. A culpa está sempre associada a urna ação ou conduta.
A culpa pode ser iimito produtiva e útil para dirigir a conduta ética e
moral de uma pessoa. A culpa sempre pode ser resolvida e eliminada
mediante uma justificativa ou a correção de urna conduta externa. A
culpa pode servir a um propósito positivo. \luitas vezes é meramente
uma forma de avaliar, através da conduta, a moral de uma pesso.
() F.VI'OR MM

A vergonha entretanto, não tem nenhum propósito funcional


nem utilidade na vida pessoal OU profissional. A partir de qualquer
perspectiva ou teoria de saúde mental, a veronha não serve para
nada - é desnecessária e problemática. Uma sensação interior de de-
feito que não se baseia em nenhum tipo de conduta, evento, realidade
ou ação - a vergonha é uma emoço que paira livremente e a qualquer
momento inesperado pode dominar sua vitima. Pode assumir a for-
ma de um ataque de ansiedade quando penetra desenfreada na vida
de urna pessoa, fazendo-a tomar urna decisão impulsivamente ou não
tomar nenhuma. Pior ainda, a vergonha pode se traduzir em condutas
altamente irracionais para com colegas e clientes. A vergonha debilita
emocional, mental. psicológica e prohssionalrnente seus súditos.
No item relativo a estilos de paternidade veremos COmO a ver-
gonha se desenvolve e chega até a idade adulta e ao trabalho. E im-
portante ter uma compreensão funcional do que os psicólogos con-
sideram um cancer emocional. Se as raizes da vergonha mão forem
tratadas, seu poder continuará crescendo na vida da pessoa hostil
até o ponto em que sua saúde mental, emociona' e física possam se
ver adversamente afetadas. A. vergonha tem origem na relação entre
pai e filho, e deve ser entendida desde o início. Coloque urna marca
junto às perguntas que se seguem caso se apliquem, a você em seu
ente
trabalho, em momentos críticos de estresse ou quando você se sente-
muito angustiado.

Lista da vergonha

• Você às vezes se sente inferior a seus companheiros de traba-


lho sem razão ou causa aparente?
• Você se preocupa porque acha que é muito fllCflOS capaz - in-
clusive incompetente - do que aparenta, e que os colegas que
o cercam podem descobri-lo?
STtPHA\ E. P(.)IEFER 83

PI- • Considera-se urna "mercadoria defeituosa" e por isso acha


que não merece um excelente trabalho ou promoção?
• Acha que até agora, em sua vida profissional, seu desempe-
nho não passou de urna excelente "representação"?
• Sente periodicamente uma enorme vergonha quando algo
que o fez sentir-se humilhado OU uma possível fraqueza pes-
soal ou pro-fissional ficou exposto?
• Evita alguns clientes, desafios e oportunidades de negócios
para poupar-se de sentimentos de vergonha?
• Aigiima vez falou com alguém sobre si mesmo e sobre seu
desempenho profissional?
• Acredita que sua vida profissional seria diferente se resolvesse
ergonha?-
seus sentimentos, magoas e crenças relacionados à vergonha-
•* O que é que lhe dá mais vergonha? (Isto poderia ser algo que
nunca teve a coragem de admitir para si mesmo.)
• Você usa parte da sua energia profissional para assegurar-se
de que ninguém descobrirá a verdade a seu respeito?

Cinsidere seriamente as perguntas anteriores e sua relevncia em


percepção pessoal e profissional de si mesmo em sua vida diária.
Se respondeu a essas perguntas afirmativamente, considere a possi-
klidade de que seus sentimentos de vergonha estejam detendo seu
desenvolvimento emocional. Isto pode soar ou demasiado
mples, mas não permita que a vergonha evite que você se cure dela.
O papel da vergonha deve se converter em urna força cada vez menor
na sua vida

INSEGURANÇA. Prima próxima da família da vergonha, a inseguran-


ça é corno um incômodo ruído no fundo de sua mente a convencê-
lo de que você é incapaz, incompetente ou não-qualificado para um
cargo. um processo de tomada de decisões ou uma promoção em sur
84 O FATOR PM

vida profissional. Você sempre tem um alto grau de incerteza em re-


1aço a cada decisão que toma. Carece de confiança em si mesmo e de
clareza sobre o seu papel e sua posição no trabalho. Essa insegurança
se faz presente sempre que você tem de tornar qualquer tipo de deci-
são Ou compromisso, ou determinar limites para um funcionário ou
um cliente. A insegurança é diferente da vergonha pois é uma falta
de segurança emocional baseada em seu desempenho e em seu papel
profissional. É urna condição que Faz com que você se sinta descon-
fortável consigo mesmo na hora de assumir urna postura definida.
Não está certo de corno mandar situações em que tenha de tomar
alguma decisão, dizer não a um subordinado, expressar sua opinião
ou ter a palavra final em um projeto. Não questiona seu papel ou seu
cargo no trabalho corno o fazem seus colegas envergonhados. Só se
sente inseguros incerto e cheio de dúvidas com relação às suas ações
profissionais. Você se preocupa excessivamente em tornar urna decisão
equivocada, a ponto de não ser capaz de decidir nada na oportunidade
correta. As preocupações constantes consistem em duvidar das pró-
prias habilidades mentais, emocionais e profissionais. Esse bloqueio
emocional finalmente se contrapõe a seus avanços profissionais.
Considere as perguntas que se seguem sobre as dinâmicas da in-
segurança e do papel que ela desempenha em sua vida profissional.
E normal ter um certo grau de dúvida. O que descrevemos aqui é
urna quantidade excessiva que se converte em um obstáculo poderoso
a impedir seu desenvolvimento profissional C, no pior dos casos, a
comprometer seu funcionamento diário. A insegurança provoca urna
ansiedade que nem sempre é evidente. Para fins de esclarecimento,
lembre-se de que a vergonha é unia condição emocional que está qua-
se sempre presente e operando. A inseurança é difícil de entender
porque cria a iltisão de que "tudo está como sempre foi", de modo
a evitar que você se dê conta dos sentimentos de ansiedade que ela
provoca.
STEPI{.\N B. POULI12R
85

Lista da insegurança


Você sempre hesita e questiona qualquer decisão de
11 egócios?


Em geral sofre terrive111ente antes de tornar urna decisão?

Com o objetivo de manter baixa a sua ansiedade devido à sua
insegurança, você cede à vontade das pessoas?

Evita tornar decisões, fazer escolhas ou ter que dizer não a
um cliente, subordinado ou supervjsor

Às vezes deixa de expressar sua opinião ou pensamentos para
evitar uma situação incômoda?

Concorda com a opinião geral para que flingué no trabalho
o questione ou à sua posição sobre o assunto?

Quando está inseguro, muda sua decisão para fazer baixar
sua ansiedade, sem pensar nas Conseqüências?
• Ignora seu boi-
ri Senso, suas Convicções pessoais e sua experi-
ência profissional quando torna urna decisão?

Evita deliberadarnente urna circunstância relacionada ao tra-
balho, um cliente ou um problema pessoal para esquivar-se
de Sentir (]ualquer grau de insegurança?

Pergunta a si mesmo como seria sua vida profissional se a
insegurança não se manifestasse em momentos críticos?

Se respondeu afirmativamemue a algumas dessas perguntas


ou se
elas se parecem muito com a forma como se Sente no trabalho. consi-
dere o papel que a insegurança ocupa em sua vida profissional.

FALTA DE CONCENTRAÇÃO OU ENFOQUE.


Esta é a Conseqüência
dos problemas mencionados acima na sua vida profissional. É muito
difícil se concentrar na vida profissional quando se esta cheio de an-
siedade
(insegurança) ou se está tomado de vergonha ou de qualquer
O FATOR PAI

outra emoção debilitante depresso. medo de mudança pânico). A


falta de enfoque é em geral resultado de outros problemas emocio-
nais que no estão resolvidos ou devniente e mendos na sua vida-
O sintoma é a incapacidade de se concntrZT ou de permanecer foca-
do em uma tarefa, projeto ou plano de neóc i O problema não é a
sua vida, que o impede
concentraçao é algo subiacente. implícito
de conseguir permanecer no presente Sa fi!ta de atenção pode ser
-5 ou psicológicas.
o resultado de problemas ou preOcUpaÇ
Pode haver rnn medo do abandono espreitando -- fundo da sua men-
te que constantemente o impeça de criar raize e se tirmar em seu
trabalho atual. Você pode estar sofrendo uma perda emocional que se
reflete no seu tral)alhO mi no seu relacionanflt0 com os clientes.
A falta de enfoque pode muitas vezes scr nrna medida da neces-
sidade de mudar. Muitos profissionai' caem -- rotim e se sentem
entediados. ou se tornam desinteressados e demasiado acomodados
para fazer as mudanças necessírias. Esses tipos de sentimentos e pen-
samentos devem ser considerados um aviso da necessidade de uma
transformação na vida profissional. Considere sua incapacidade de
se concentrar em uma tarefa como uma fonte de informação. Sua
conduta está lhe dizendo algo. A falta de 2tençio se deve sempre a
uma falta de interesse provocada por uma preocupação ou por um
sennrneflto de opressão. Essa conduta não é um sintoma cio diagnós-
tico popular de déficit de atenção do adulto. que é antes um problema
Por outro lado, a falta
médico e em geral se trata com medicamentOs.
de enfoque se refere a no conseguir responder a um telefonema no
trabalho. a ficar sentado diante da escrivaninha, a dar seguimento
ao atendimento dos clientes ou a terminar um projeto. Hí algo que
falta, um passo ou uma saída em falso na forma como você realiza as
a lhe
tarefas o trabalho ou os projetos. Sua conduta profissional esti
causando problemas porque você sabe que tem um potencial maior e
que pode se sair melhor.
Tk:P1f\

dere as seguintes perguntas e de que modo sua conduta atuar


poderia ser um sinal de que há Outros assuntos pendentes
na prohssional Muita.s filhas e filhos descobriram que, unia
f
rentam os problemas SUE)jacefl5
Suas preocupações e as
de sua vida sua capacidade de
conce1it1aço aumenta
ieravelrnentc Muitas vezes a falta de concentração é algo re-
que. com OS meses
ou nos ultimos dok ou três anos
foi pouco
ace piorando. Concerltrar_se não é um problema que incomoda
a ~ria dos adultos; a falta de concentração se dá cru momentos
da vida, alertando sobre um problema

Li de falta de concentração 0// enfoque


\o:ê começou a notar urna incapacidade para se concentram-
nas questões do trabalho?

Ignorou alguns de seus Pensamentos e desejos nos últimos
ITICSCS OU
anos?

Sonha acordado em ter outro trabalho, cargo ou carreira?
Qual seria esse trabalho e Como se veria nele?
• Sente-se oprimido em seu cargo
011 na sua vida profissional
atual?

Sua falta de concentração tem sido urna preocupaço para
Seus supervisores, Clientes e colegas?
• Encontra maneiras de evitar seu trabalho:

Tem sido com treqíiêr1cia muito difícil chegar no horário ao
seu trabalho:

Cria rnallejras de evitar trabalhar e assumir mais responsabi-
lidades profissionais?

No há nada no trabalho que o emocione e prenda a sua
atenção:
88 O 1X!OR PAI

• Você acha que a capacidade de se concentrar poderia fl10(lifi-


car sua vida pessoal e profissional`
• Acredita que possa ter uma profissão que o mantenha com-
pletamente interessado?
• Quais são os problemas emocionais que o mcomodain em sua
vida pessoal?

Considere como poderia começar a se concentrar nas coisas que


são importantes para você em seu desenvolvimento profissional. As
perguntas anteriores foram elaboradas para ajudá-lo a enfrentar al-
guns dos temas subjacentes que o distraem do tipo de trabalho e sa-
tisfação que deseja. Concentrar-se está com freqüência relacionado
COM o modo corno nos sentimos sobre nós mesmos. nossa vida pro-
fissional e nosso potencial. O segredo da falta de enfoque poderia ser
rastreado até a ansiedade, que às vezes pode ser muito sutil. Resolver
a ansiedade e entender o estilo de paternidade de seu pai são ques-
tões fundamentais para ajudá-lo a recuperar o enfoque e o impulso
profissional.

MOTiVAÇÃO. Se existe uma palavra conrnm que se usa mais que qual-
quer outra para descrever um funcionário excelente, essa palavra é
"motivado". 1\'Iuitas carreiras se constroem e desmoronam pela per-
cepçiio da nossa motivação no trabalho. À palavra "motwaçao" signi-
fica impulso, incentivo, uma necessidade ou desejo que faz com que
uma pessoa atue. Ir trabalhar todos os dias, escolher uma carreira em
particular, tomar algumas decisões e se comportar de certa forma -
todos esses atos são medidas de sua motivação interior. Quando uma
pessoa tem um claro desejo de algo, seja um novo cargo ou urna meta
a longo prazo, é a motivação que a alimenta.
Foram realizadas muitas investigações sobre a dinâmica da mo-
tivação, e tudo se reduz ao que você deseja que se converta em sua
S1FPIIAN B. IOULTE!
89

força motriz. Há muitas áreas na vida de urna pessoa (profissional,


pessoal, sentimental e financeira), cada tinia com seu próprio Conjun-
to de motivações,, necessidades e desejos. E. importante saber o que o
impulsiona diária e até anualmente, para que se sinta capaz. Urna vez
que tenha esse discernimento, pode conseguir o que desejar.
De acordo
com o famoso psicólogo e pesquisador Cari Rogers,
algumas necessidades devem ser satisfeitas na vida de urna pessoa
para ela ter motivações de níveis mais altos, corno o êxito profissio-
nal, a estabilidade financeira e a realização
pessoal e profissional. O
problema de muitos profissionais é que sua motivaco se perdeu ou já
não está mais enfocada na direção correta para sua vida profissional,
o que lhes rouba o estímulo no trabalho. Apesar de a falta de moti-
vação e a falta de Concentração serem milito similares, também são
muito distintas. Esses dois obstáculos que interferem na vida pro-
fssional devem estar separados nesta explicação, para que sua irn-
portncia fundamental possa ser mais bem entendida da perspectiva
do fator pai. \cê pode estar motivado, mas pode lhe faltar enfoque
para suas metas. É. muito difícil estar enfocado sem um niotivo e
direção claros.
Quer tenha um pequeno negócio familiar ou trabalhe em urna
grande corporação, ou cru casa, o indivíduo niotivado quase sempre
vai bem. Esta exposição não é um julgamento moral sobre que ti-
pos de motivação são bons ou maus. Tem-se assumido que qualquer
proposta sincera de motivação provém da perspectiva de enriquecer
a vida de urna pessoa e beneficiar as pessoas que a cercam. Muitos
profissionais experimentam mudanças significati\ as em sua vida fora
do trabalho, tais como o casamentos o nascimento dos filhos e a par-
ticipação ativa na educação deles. Essas iniportantes mudanças de
vida requerem que as motivações pessoais e os objetivos profissionais
sejam realinhados. E prudente atualizar e reexaminar sua motiva-
ção no trabalho COfll base em todas as variáveis da sua vida. Sua vida
O FATO
90

ofissional e motiVaÇão pessoal serão diferentes aos 45 anos do que


pr
mesn se apIic a a1uéni de 28 com-
eram quando você tinha 30. (1)
parado a alguém de 54.
motiv0 a vida prohsSiOflai
Se você descobre que falta
onsidere as seguintes perguntas para aiBdí-h) recuperar o enfoque
c
Ao processo-

Lista de motivação
trabalho?
• Você sabe o que o motiva atualmeflt
imt2fltes em sua vida
• Cite três coisas que sejam muito
pr ofissional atual.
suaS rrUS pro€ssioflaiS em
• Você tem uni plano para atingir
um, três e çinCO anos?
em relação a sua
• EStá COSC1fltC
fl C do seu desejo mais prof
vida pro hssl(flalr
Há um modelo) de motivação funciooil em sua carreira

proti ssOflal
Os dias em que sente pavor de ir trabalhar são mais freqiicn-

tes que os outroY
Quanto esforço concentra cm sua vida pmfissiOflal atual cru

comparaçao com cincO anos atrás?
• Você se Onsi(lcra tão motivado corno se companheiros no
ãinbito prohssiofla ir
Seus colegas, supervisores e clientes o considerariam um

profissional motivado?
rofissional.
• Deseja mudar de carreira, de vida p
• Tem paixão por sua vida prol ssionai
O eStÍTiiUlO proSSi0mhl
e o enfoque desempe-
• A motivaçao
nham um papel importante na sua vida diária de trabalho?
STEPfLrç B. PoULuFR
9

Estas perguntas foram elaboradas para abordar o tema de suas


preocupações motivacjonajs e o estímulo em seu trabalho e em sua
Vida
pessoal. Ë. impossível estar motivado cm urna área de sua vida
sem que isso se estenda para as outras áreas. motivação pode ser o
COrnl)UStível de propulsão no tanque da sua
vida profissional ; e a sua
falta, os grilhões que o impedem de avançar. O desaparecimento da
motivação na vida profissional é sutil, e ninuém está imune à sua
ocorrência. A compreensão da intuência de seu pai sobre você pode
levá-lo a um insight que o leve a manter um alto nível de motivaç

A RESPONS1B1LID IDE PLSSjí


Esta é urna das influências mais
fortes do fator pai na vida das pessoas. É a capacidade de assumir a
responsabilidade pelos tropeços e por muitas das dificuldades emo-
cionais e bloqueios mentais que prejudicam o desenvolvimento da
vida profissional das pessoas. Por exemplo, a responsabilidade pessoal
por sua vida profissional não diz respeito a culpar seu pai ou culpar
outras pessoas por urna promoção que você não Conseguiu, ou ain-
da a evitar sua participação pessoal em numa circunstância difícil
de trabalho;
significa examinar e compreender o seu papel em unia
dada situação, boa ou ruim. Urna pessoa que não culpa os demais no
trabalho tem urna força muito poderosa. A responsabilidade pessoal
produz conduta e pensamento éticos, solução criativa para os pro-
blemas e anteviso de qualquer tipo de decisão OU ação. Sua energia
emocional e mental não se perde em defender suas ações ou posição
nem em tentar convencer as pessoas da sua inocência em urna dada
situação.
E impossível ter algum grau de integridade profissional sem o
entendimento e a prática da responsabilidade pessoal. Nenhum pro-
gresso significativo ocorre na sua vida profissional a menos que essas
qualidades interiores e a compreensão funcionem em sua vida. Os
escândalos corporativos dos últiros anos são dolorosas recordações
0 FATOR PAI

do que acontece quando as pessoas acham que os atos e as decisões


que tomam no trabalho não têm conseqüências, como se ocorressem
no vácuo. Essas pessoas causam um sofrimento incrível a milhões
de outras porque não se sentem pessoalmente responsáveis por seus
pensamentos e atos.
A insegurança profissional, a baixa auto-estima, a vergonha, a
falta de concentração, e a insegurança são fatores que influem na iii-
capacidade de uma pesjm assumir plena responsabilidade por suas
fornias-
ações. Tornar-se mais responsável por seus atos é unia das
pelas quais se pode diminuir a ansiedade e o estresse na vida profis-
siona e impor resto imediato no trabalho. A falta de responsabi-
lidade pessoal é o wobkma mais subestimado e a razão da maioria
das carreiras z*Iia-s. Tornar-se responsável por todas as suas
escolhas pron315 pode ser ao mesmo tempo opressor e extre-
mamente libe--ruão - Compreender isso coloca o desenvolvimento da
sua vida protsoÀi de novo em suas niios. A respoiisabilidade pessoal
gera poder css.d
Quando os adultos aceitam que não há ninguém a quem cul-
par pelo que a~tce em sua vida profissional, criam poder pessoal.
situação de tra-
Quantas vez yv:5 as pessoas descreverem sua
balho como se elas não tivessem nada a ver com seu término ou
sensaçã de reaIizo É sempre culpa de outra pessoa ou de algo
fora do seu conuole. Esse tipo de crença raras vezes é real, e para um
adulto essas ep1iões são por demais ingênuas. Entender onde co-
meça e termina a sua responsabilidade em uma dada circunstância,
em uru negócio ou em um projeto permite a você e a seus colegas
atuar com todo o seu potencial. O fato de um adulto não duvidar de
sua responsabilidade por suas ações e escolhas é O símbolo de seu
alto nível de atuação.
Se as perguntas que se seguem gerarem cru você preocupação 1
sobre sua capacidade de ser pessoalmente responsável por seus atos,
S1I.P!JAN H. POULTER

co iidere como mudar o padrão. Nunca é tarde demais para come çar
a ser o tipo de pessoa responsável por sua própria vida profissional e
p-xr todas as decisões que acompanham essa ação.

LISTA DE RESPONSABILIDADE PESSOAL

• Quando surge um problema no trabalho, você se torna auto-


maticamente defensivo e diz que a culpa é de outra pessoa?
• Você culpa alguém ou se exime da responsabilidade por um
problema ou uma oportunidade de negócios perdida?
• E difícil para você receber feedhack crítico sobre seu
desempenho?
• Você se considera o tipo de pessoa que assume a responsabi-
lidade pessoal em todas as áreas da sua vida?
• Quando uni cliente tem razão sobre um problema e você está
equivocado, reconhece o seu erro ou tenta dar desculpas?
• A culpa e o ressentimento desempenham algum papel lia SU
vida profissional?
• Você fala mal de alguém diante de um supervisor ou colega
para melhorar sua posição?
• Você se considera ético em sua vida profissional?
• Seu pai assumiu muita responsabilidade pessoal por suas es-
colhas na sua vicia profissional?
• Você sabe (ou imagina) se seu pai era ético em sua vida pro-
fissional e seus negócios?
• Torce a verdade deliberadarnente para apresentar melhor sua
posição ou seu produto?
• Que papel desempenha a responsabilidade pessoal no de-
sempenho da sua vida profissional diária e no futuro do seu
desenvolvimenro
O FATOR PAI

Estas perguntas são muito importantes para ponderar se você vai


superar seus obstáculos profissionais e maximizar seu conhecimento
do fator pai. Sua capacidade de ser responsável por suas ações e deci-
sões é o caminho para conquistar as coisas que deseja em sua carreira
profissional e, mais iinportante na sua vida pessoal.
isto pode parecer deslocado, mas é
IMATUR]DlDE E\[OcIOL.
um elemento tão fundamental no ambiente de trabalho como tudo
omentamos até agora. Poderia ser mais fácil descrever uma
o que c
jiniente madura e suas respostas no trabalho do que
pessoa emocio 11-
fazer o contrário: a capacidade de manejar, sem reagir e processar e
entender as einoçS. posições e pensamentos de alguém. A pessoa
madura tem a capacidade de vera perspectiva, o sistema de crenças
c a opinião de outras pessoas que são diferentes de sua própria pers-
seus sentimentoS pensamentos nos demais.
pectiva. Não pro$cta
Não assume que tiks pensam e reagem cio mesmo modo que ela em
uma situação tensa- Para se sentir bem consigo mesma em relação a
um problema pessL não precisa que todo mundo esteja de acordo
coin ela.
emocional é. a capacidade de processar, enten-
O aínadurediMeTI0
der e expressar os pensamefltoS sentimentOs e necessidades próprios
A imaturidade emocional' a incapacidade de
de forma construti'-
expressar os sentin)efltos e entendê-los sem projetá-los em todo mun-
do no trabalho. A raiva crônica é sinal de imaturidade emocional. E
a incapacidade de entender racionalmente a perspectiva de outros e
de expressar a frustração sobre urna situação em particular. A raiva
não é um problema. a menos que seja a única forma de comu.nicar
pensamentos e sentimentos,
Outro elemento da imaturidade emocional é baixa tolerância à
frustração. As pessoas que sofrem de baixa tolerância à frustração
"pouca paciência" com re-
têm o que se conhece comumente colijo
STF >E-I AN R. POULTEF

lação a tudo que não ocorra conforme suas expectativas. A baixa 11-
1rãncia à frustração impede a capacidade de ver as coisas a parur
de urna perspectiva mais ampla. Desenvolver um nível mais alto de
tolerância à frustração permite a uma pessoa tornar-Se paciente
compreensiva, cm vez de a verem no trabalho Como UIT12 pessoa de
mperamento irascível. Todo comportamento dependente é guiado
:e1a incapacidade emocional de tolerar qualquer grau de frustração
u aflição. Para poder escapar desses incômodos sentimentos, essas
:essoas usam e abusam de drogas estimulantes ou substâncias legais
:u ilegais (por exemplo, álcool., maconha, analgésicos). A meta de
uso excessivo de drogas é encobrir os sentimentos de frustração.
iesesperança e dor emocional. O nível de amadurecimento ernocio-
nal maioria dos comportamentos dependentes é de quinze anos.
Esse bloqueio emocional inantéin a pessoa fechada no pensamento
Jolescente e reagindo excessivamente aos desafios da vida. O tra-
a1ho se Converte em urna fonte continua de frustraço. As pessoa
que são emocionalmente imaturas tentarão evitar qualquer situaçâ
que represente um desafio e seja potencialmente frustrante. Simp-
mente nio podem manejar ou processar os altos e baixos da vida_ o
trabalho e as relações.
O pensamento claro e permanecer em calma refletem a cr
pessoal de que o mundo é um tugar seguro, o que permite qar a
:cssoa desenvolva a força emocional para suportar os imc
o trabalho, os clientes e os supervisores. A incerteza, o r~ e a
especulação) são elementos do fator pai e se relacionam ao
mento emocional das loas. Considere sua capacid2& & ctL
o estresse, a ansiedade, a decepção e a frustração no traI -
diante as perguntas que apresentamos a seguir. Seu 2T tO

emocional é fundamental para você progredir em -_a vi& Pe~I e


profissional. Todos estes ternas se relacionam com o modo como o
rator pai opera em sua vida diária.
96 O FATOR PAI

[ jStll da imaturidade emocional

• Você tem dificuldade para expressar sua frustração com seus


colegas de trabalho?
• Tem tendência a explodir por erros aparentemente minúscu-
los no trabalho?
• Alguma vez uni colega de trabalho, supervisor OU cliente já
lhe disse que você é explosivo" ou urna pessoa irritável?
• Sabe se as pessoas têm medo de você. são reticentes ou evi-
tam confrontá-lo em situações de trabalho devido às sua
reações?
• VbCê se pieocupa com freqüência com o modo corno lida emo-
cionalmente com situações tensas em sua -ida profissional?
• Tem dificuldade de lidar emocional e mentalmente com as
mudanças no trabalho?
• \ocê tem dificuldade de tolerar a frustração com as coisas
que acontecem no trabalho?
• Como lida emocionalmente com as decepções no trabalho?
• Alguma vez ficou tão ansioso com alguma situação no traba-
Ibo que acabou se demitindo ou teN e de pedir licença para se
ausentar?
• Considera-se uma pessoa emocionalmente madura tio traba-
onflito?-
lho? Se é assim, como lida com o conflito
Qual
Qual é sua fonte de frustração no trabalho atua lmente? Como
está lidando com essa situação de maneira produtiva?

O foco destas p emocional


tas é o seu estado psicológico e emocional
de saúde e felicidade. Todo mundo tem frustrações decepções e de-
silusões. O importante é o modo como você enfrenta essas situações
aparentenlente intermináveis. Sua vida profissional gira em torno de
suas reações e respostas emocionais às circunstâncias de trabalho. 0
STIPHAN JL POL[TER

-cvTetio da maturidade emocional está na compreensão da sua relação


com seu pai e no modo corno essa interação estabeleceu a plataforma
nocionaJ para o estado atual da sua carreira profissional.

MEDO DO FR4CSSo. Este é a raiz dos seis problemas que enfoca-

mos até agora. A maioria dos profissionais admitirão abertamente


que houve nomentos críticos em que temeram o fracasso e agiram
cm base nisso ou, em outras ocasiões, ignoraram o medo e agiram
do mesmo jeito. Todo mundo entende o medo do fracasso, mas muito
poucos o enfrentarão de maneira aberta e honesta. Os profissionais
que encaram o fracasso da perspectiva de que ele pode beneficiar sua
vida profissional são os que conseguem o maior grau de realização e
os níveis mais elevados de satisfação pessoal.
É muito importante lembrar que o termo "fracasso" é muito
relativo - na verdade não existe um verdadeiro padrão ou medida
do fracasso pessoal ou profissional. Por exemplo, o sucesso de urna
mulher poderia muito facilmente ser o fracasso de outra. O medo do
fracasso deve ser entendido da perspectiva histórica de cada indiví-
duo. As mensagens sobre o sucesso e o fracasso são temas centrais
do fator pai. Em toda relação entre pai e filho OU entre pai e filha ha
um entendimento particular do que é ou não Fracasso. Sua mw-
çào profissional, seu comportamento diante dos riscos, suas edh
profissionais e sua saúde emocional entram em jogo com seu fmxde
medo no trabalho.
O que você aprendeu sobre o sucesso e o fracasso na vida ci
com você e com seu pai. É muito importante enteridcr e deirodificar
essas mensagens ao refletir se você encara sua vida con pesseu
bem-sucedida ou um fracassado. Homens e mulheres qir se sentem
paralisados pelo medo do fracasso infelizmente só estão cuidando do
sintoma do seu problema. O medo do fracasso é sinal de um problema
mais profundo não diagnosticado, tal como depressão, ansiedade, ver-
()FATOR PAI

gonha, abandono ou perda de amor. O fracasso é obviamente um pro-


1
blema pessoal que só você pode entender. O erro que muitas pessoa s
cometem é comparar o desenvolvimento de sua vida profissional com
o progresso de outra pessoa. As regras, crenças e metas de sucesso
são exclusivamente pessoais. Além disso. essas crenças São questões
que você aprendeu ao crescer com ou sem seu pai. A maioria dessas
crenças é inconsciente, o que significa que terminam se desenvolven-
do flO trabalho. Quanto mais consciente você estiver do fracasso e do
sucesso, mais escolhas e poder terá sobre sua vida profissional.
Quanto mais reconhecer que seu medo do fracasso, de assumir
riscos e de perseguir seus sonhos começou com sua relação com seu
pai, mais perto estará da liberdade pessoal e profissional. É impe-
rativo que comece a ver esses obstáculos do tipo fator medo corno
problemas que podem ser resolvidos e eliminados do seu caminho
em direção ao desenvolvimento profissional. E uma tragédia quando
um homem ou urna mulher permitem que esses medos aprendidos
governem sua vida profissional. Mais urna vez lembre-se de que o
medo é um termo relativo, e que só pode ser entendido no contexto
da sua relação com seu pai. As perguntas que se seguem tratam de
coisas que você aprendeu sobre o medo, o fracasso e o sucesso ob-
servando, escutando e conhecendo seu pai. Não subestime o poder
dessas observações nos desafios da sua vida profissional atual. \iesrno
que nunca tenha conhecido seu pai ou nunca tenha se relacionado
com &e, de todo modo aprendeu coisas valiosas sobre ele através dos
mitos familiares que o cercam. Sua mãe, seus parentes e os amigos da
família conheceram seu pai e lhe darão infbrmações sobre ele.

Lista sobre o medo do fracasso

• Qual é a opinião de seu pai, expressa ou não, sobre as pessoas


que tentam algo e as coisas não saem corno o esperado
99
STEPHA B PO1JUUER

• %ocê tem conhecimento de algum risco que seu pai tenha


isumido, pessoal ou profissiotialInente?
• O que aprendeu com seu pai sobre o sucesso e o fracasso? 1
• Em sua família, quais são as regras do fator pai sobre sucesso
e fracasso?
• Sua percepção de si triesmo CornO indivíduo está muito viii-
culada à necessidade de ter sucesso na carreira?
• Que papel o dinheiro desempenha em sua percepção do su-
cesso ou do fracasso como profissional?
• Como seu pai lidava com o fracasso?
• Como seu pai lidava com o sucesso?
• O que é que você mais teme ou que o preocupa na ua
carreira?
• Qual é sua definição de sucesso e de fracasso?
• Corno você lida com seu medo do fracasso?
• Corno lida com seu medo do sucesso, pessoal e profissionalmente?
• Você pode citar algo que realizou e o fez sentir-se vitorioso?

Pense nestas perguntas porque as respostas ditaram muitas das


drá5ões jnflSCjCflteS que tomou no passado. Quanto mais entender
srspectiva do seu pai sobre o trabalho, o SUCeSSO, o fracasso e o fato
ëssuniir riscos no trabalho, mais fácil será escolher as coisas que
Le permitirão avançar em sua carreira profissional. Estas perguntas
ntaflh
para o cerne da dinâmica do fator pai. A forma como você
i criado por seu pai é urna fase; outra fase é o que aprendeu de seu
i sobre a vida profissional e sobre o modo de navegar no omplexo
hbirinto do mundo profissional. Estamos trabalhando da periferia
Para o centro do seu fator pai interiorizado. O medo do fracasso é um
s grilhões mais fortes que unem as pessoas em momentos críticos.
O segredo, por assim dizer, é livrar-se da corrente, e isso requer ata-
ar de frente os problemas do sucesso e do fracasso.
O FA1OI PAI

RE SUI\'T()

Pondere quais dos sete problemas do fator pai estão operando


atualmente na sua vida profissional. Não se sinta decepcionado ou
desencorajado se exibiu alguns padrões de conduta improdutivos enf
seu trabalho. A meta deste capítulo era apresentar-lhe alguns de seus
problemas, questões e preocupações ocultos. Muitos dos ternas an-
teriores o afetam há muito tempo e precisam ser diagnosticados e
enfrentados. A única maneira de ocorrer urna mudança significativa
em sua vida profissional é você entender plena e totalmente os impe-
di inentoS que interferem em sua carreira e contra os quais tem lutado
em um momento ou outro da sua vida profissional.
Nos próximos cinco capítulos, na segunda parte do livro, vamos
ralar sobre o estilo particular de paternidade de acordo com o qual
você foi educado. Cada estilo é relevante para o outro, e começa-
remos explicando como os sete grandes problemas relacionados ao
fator pai começaram a se desenvolver em sua vida. Na terceira parte
do livro vamos enfocar os preceitos que lhe indicarão a maneir a dc
enfrentar, corrigir, mudar e o ajudarão a apoderar-se da vida profis-
sional que deseja. Quanto mais você souber sobre seu próprio fator
pai, mais este pode funcionar como uma influência positiva em sua
vida pessoal e profissional.
E

PARTE 2
ES TIL OS DE
PATERNIDADE
DO FATOR PAI
Capítulo 4
SUPERFILHO E SUPERFILHA
O ESTILO DE PATERNIDADE SUPEREXIGENTE

Sempre fiui muito ambicioso e nunca me senti realmente bem-


sucedido nem achei que tiz..'esse tè ii o o suficiente. 11/leu pai era e é
muito crítico a respeito de tudo o que faço. JnfWizmente, tendo a
ser igual com meus subordinados e com minha família. Nada é
suficien tem ente bom para mim.
joci, 29 anos

IM iIIiOS me acusam de ser uma mulher implacdzei. Trato os ne-


gócios de um ponto de vista masculino, apesar de ser uma mulher
realmente feminina. Minha atitude franca diante do trabalho
nem sempre tem me ajudado. As pessoas esperam que eu seja sen-
sível e compreensiva. Deixo aos outros gerentes esse tipo de quali-
dade acolh edo ra.
Dorothv 32 anos

INTRODUÇÃO AOS ESTILOS DE PATERNIDADE

Os cinco capítulos seguintes descrevem em detalhe os estilos de


ernidade mais comuns que as crianças experimentam ao crescer.
Capítulo 4 -
SUPERFILHO E STJPERFILHA
O ESTILO DE PATERNIDADE SERJGENTE

Sempre fui muito ambicioso e nunca me senti realmente bem-


sucedido nem achei que tivesse frito o suficiente. Meu pai era e é
muito crítico a respeito de tudo o que fliço. Infelizmente, teizio a
ser igual com meus subordinados e com minha família. Nada é
suficientemente bom puni mim.
bel, 29 anos

Há tinos me acusam de ser uma mulher implacável. Trato os ne-


gócios de um ponto de vista masculino, apesar de ser urna malhei -
realmente feminina. Minha atitude franca diante do trabalho
nem sempre tem me ajudado. As pessoas esperam que eu seja sen-
sível e compreensiva. Deixo aos outros gerentes esse tipo de quali-
dade acolhedora.
Dorothv. 32 anos

INTRODUÇÃO AOS ESTILOS DE PATERNIDADE

Os cinco capítulos seguintes descrevem em detalhe os estilos de


paternidade mais comuns que as crianças experimentam ao crescer.
Capítulo -
SUPERFILHO E SUPERFILHA
O ESTILO DE PATERNIDADE PEREXIGENTE

Sempre fii milito ambicioso e nunca 1)/e senti realmente bem-


sucedido nem achei que tivesse . feito o suficiente. Meu pai era e é
muito crítico a respeito de tudo o que faço. Infelizmente tendo a
ser igual com meus subordinados e com n,inha família. Nada é
suficientemente bom para mim.
Joel, 29 anos

1-Id anos me acusam de ser uma mulher implacdvel. Trato os ne-


gócios de um ponto de vista masculino, apesar de ser lunil mulher
realmente feminina. Minha atitude franca diante do trabalho
nem sempre tem me ajudado. As pessoas esperam que eu seja sen-
sível e compreensiva. Deixo aos outros gerentes esse tipo de quali-
dade acolhedora.
Dorothy, 32 anos

INTRODUÇÃO AOS ESTILOS DE PI'FRNTDAL)F1

Os cinco capítulos seguintes descrevem em detalhe os estilos de


paternidade mais comuns que as crianças eperimefltam ao crescer.
O FATOR PAi
104

Cada estilo de paternidade, embora independente e individuaL pode se


unir aos outros quatro. Na verdade, você pode achar que seu pai tinha
urna combinação de vários estilos diferentes, o que não é raro. Esses
padrões de
cincoestilos, cada um com suas distintas características, p
conduta, regras e enfoques, com o tempo se convertem no núcleo do
seu fator pai em sua vida pessoal, em sua carreira e no seu mundo em
geral. Por exemplo, a carreira que escolher e o sucesso que tiver nela
estão diretamente vinculados ao seu fator pai. I ndependentemente das
circunstâncias que o cercam e ao seu (por exemplo divórcio, morte.
Fia rmon ia, segundo casamento, agressões verbais), os elementos que
constituíram a relação inicial entre seu pai e você criaram o Funda-
mento em que 'você baseou sua vida profissional. Além do seu trabalho.
sua vida amorosa cOm freqüência sofre a influência de sua relação com
o fator pai, já que os homens e as mulheres com freqüência escolhem
companheiros que têm características similares às de seus pais. Ao ler
los emocio-
esta parte. começará a notar que as interconexõeS, os víncu
nais subjacentes, os padrões de conduta, os obstáculos e os degraus da
sua vida profissional remetem-se todos à sua relação com seu pai.
Estude atentamente cada estilo. Começará a ver vínculos atem-
porais entre seu pai e você. As lembranças esquecidas os vínculos
emocionais subjacentes, os afetos significativos e as chaves para
desencadear seu potencial profissional estão todos ali, com seu pai.
Nesta parte pode ser difícil recordar alguns eventos, sentitileflto)S c
pensamentos sobre seu pai. Mas valerá a pena o esforço de recordá-
los, já que seu fator pai tem muitas das respostas para as persis-
tentes perguntas sobre a razão por que algumas coisas acontecem
ou no em sua vida profissional. Ao ler cada estilo de paternidade
também notará que cada um deles pode ter uma influência positiva
em sua carreira.
O desafio está em reconhecer corno cada tipo de estilo de paterni-
dade também pode criar alguns obstáculos em sua vida profissional.
FEPRN B POUIJVER 105

je cada capítulo da Parte 3, falaremos do uso de ferramentas


ofereceremos sugestões sobre a maneira de evitar e trans-
esses previsíveis - e com freqüência frustrantes - ohstcu1os.
aio entendermos o estilo de paternidade de nosso pai, ficaremos
com metade da informação sobre como progredir cm nossa
soal e profissional. Necessitamos dessa valiosa informação
pacorrer com sucesso o terreno da nossa vida adulta e da nossa
profissional sem criar mais dor emocional, frustração e
o desnecessários.
Não encontrei nada que acalme mais rapidamente uma conver-
que quando as pessoas falam sobre a forma como seus pais as
ram. Independentemente do -s-tatus profissional de um homem
urna mu1her, o tema do pai iguala os níveis. Ninguém é neutro
~carente de opinião a respeito do pai. Urna mulher em um de meus
inários me disse: "Meu pai era rude e me deixou um sentimen-
- to negativo sobre os homens que nunca superei sua influência".
untei-lhe de que tipo era seu pai e, sem hesitar, ela respondeu:
,Era um superexigente do tipo A, e nunca aceitou menos que a per-
úmio mirn trabalho muito, e agora sou parecida com ele.". Essa
_r me deixou sem fala, porque era a coordenadora do programa
C parecia bastante tranqüila. Sua reação na discussão sobre os estilos
é paternidade expôs seus conflitos e sentimentos não resolvidos SO-
re seu pai, tanto em seu inundo profissional como no pessoal.

O STTLO DE PATERNIDADE SUPEREXIGENt1'E:


AS APARÊNCIAS E O SUCESSO

A duas qualidades paternas de aparência e êxito são as bases deste


estiIo de paternidade freqüentemente denominado "superexigente".
O estilo de relacionamento e sua motivação baseiam-se na força im-
jlsora das aparências, na realização e no êxito, mas o verdadeiro tom
1 ') O FATOR PA!

emocional subjacente é o da falta de auto-estima. À.5 crianças que são


educadas nesse tipo de lar se ensina a enorme importância de ter sem-
pre tinia boa aparência, de ser conscientes de sua imagem e de vencer.
Há muitos exemplos desse tipo de pai nos meios de comunicação.
No romance O gnznde Santini. de Pat Conroy, um pai é emocio-
nalmente incapaz de aceitar que seu filho venha a supera-lo física.
mental e intelectualmentc. O filho recebeu constantemente a mensa-
gem de que deve ser excelente e conseguir tudo. a qualquer custo; do
contrário, não seií nada. O problema é a conflituosa mas igualmente
poderosa mensagem não-verbal: ".\las não seja melhor do que eu".
Esse conflito converte -Se no combustível de uma contínua luta de
poder entre pai e filho. O resultado desse estilo de paternidade é que
o espírito da criança se abate, e o desenvolvimento da sua vida profis-
sional sofrerá com isso um impacto negativo. Se Conrov escrevesse
uma seqüência, esta versaria sobre como esse filho se converteu no
tipo de profissional que tem constantes litígios no trabalho com figu-
ras imbuídas de autoridade, colegas e qualquer pessoa que o desafie.
A importância das aparências não pode ser minimizada para o
filho ou filha desse tipo de paternidade pois nele as aparências e o
êxito são tudo. O pai superexigente só verá e reagirá emocionalmente
diante das qualidades que se sobressaem em sua filha no terceiro grau
escolar. A ênfase excessiva do pai no triunfo durante OS dez primei-
ros anos de vida da filha começa a afetar adversamente a percepção
do êxito no desenvolvimento dela, e sua necessidade de explorar o
mundo mais amplo. A necessidade de um pai de se satisfazer diante
do êxito e de ter o controle sobre o filho deixa uma marca profunda
na imagem que o filho está formando de si mesmo. Quando um filho
reconhece que o sistema de valores de seu pai coloca as aparências
(apresentar uma boa imagem aos olhos do mundo) e o êxito como
a prioridade máxima, logo isso se torna a força motriz da sua vida.
Esse filho começa a dar mais importância ao que OS outros possam
STEPILANB, POLJLTER iLr

nsar dele do que ao que ele próprio pensa ou sente. Fazer com que
a perspectiva da importãncia das qualidades interiores se sobreponha
as exteriores (honestidade, amor, esperança. compreensão. empatia) é
3ifícil cm qualquer idade.
Por exemplo, na tarde de seu baile de formatura, Maggie sai de
seu quarto em meio a uma nuvem de perfume. com o cabelo arruma-
do e usando um vestido preto justo. Seu pai. Stan. a vê com expres-
são preocupada e declara: "Querida, esse vestido a deixa gorda e não
quero que a vejam assim. O coração de \Iag-ie se aperta diante do
comentário insensível de seu pai. Como essa jovenzinha pode se sen-
tir bem consigo mesma quando seu pai está tão dolorosamente afeta-
do Com sua aparência? Vinte e cinco anos mais tarde, como i\Iaggie
vai lidar com qualquer tipo de feedhack profissional que implique
que seu desempenho tenha sido menos do que excepcional? Maggie
aprendeu desde a infância que seu valor COiflo pessoa se resume à Sua
aparência e ao seu sucesso no trabalho.
Se seu próprio pai enfatiza a atração física e o exito e a estimula
a agir sempre de modo a ser bem vista, a mensagem que chega até
você é que a forma exterior como você se apresenta é niuito mais
importante do que o que sente por dentro. Jss() pode ter feito COM
que você comece a desenvolver um padrão emocional de ignorar seus
sentimentos e pensamentos, especialmente quando se contraponham
ao imperativo de ser atraente. Esse modo de se relacionar coni'o
mesma converte-se em uma base para suas futuras interações no tra-
balho. O reforço constante pelas ações, comentários e sentimentos de
seu pai sobre Suas epcctativas de que você seja bem vista, não impor-
ta o que faça, tornam-se parte do seu fator pai no desenvolvimento da
sua vida profissional.
Esse estilo de paternidade enfatiza para filhos e filhas que as opi-
niões dos outros são muito mais importantes do que as suas próprias.
E um processo sutil, porque o êxito ou a ausência dele sempre cons-
STE11 H\5 B. I0LLTER

pensar dele do que ao que ele próprio pensa ou sente. Fazer coni que
a perspectiva da importai-leia das qualidades interiores se sobreponha
às exteriores (honestidade, amor, esperança. compreensão, empatia) é
difícil cm qualquer idade.
Por exemplo, na tarde de seu baile de formatura, 1\Iaggie sai de
seu quarto em meio a urna nuvem de perfume. com o cabelo arruina-
do e usando um vestido preto justo. Seu pai. Stan. a .-é com expres-
são preocupada e declara: Querida. esse vdo a deixa corda e não
quero que a vejam assim. O coração de \1aie se aperta diante do
comentário insensível de seu pai. Corno essa jovenzjnha pode se sen -
tir bem consigo mesma quando seu pai está to dolorosamente afeta-
do com sua aparência? Vinte e cinco anos mais tarde. como \Iaggie
vai lidar com qualquer tipo de feedhack profissional que implique
que seu desempenho tenha sido menos do que excepcional? \Iaggie
aprendeu desde a infância que seu valor como pessoa se resume à sua
aparência e ao seu sucesso no trabalho.
Se seu próprio pai enfatiza a atração física e o êxito e a estimula
a agir sempre de modo a ser bem vista, a mensagem que chega até
você é que a forma exterior como você se apresenta é muito mais
importante do que o que sente por dentro. Isso pode ter feito Com
que você comece a desenvolver um padrão emocional de ignorar seus
sentimentos e pensamentos, especialmente quando se contraponham
ao imperativo de ser atraente. Esse modo de se relacionar consigo
mesma converte-se em uma base ia suas futuras interações no tra-
balho. O reforço constante pelas ações, comnentá rios e sentimentos de
seu pai sobre suas expectativas de que você seja bem vista, no impor-
ta o que faça, tornam-se parte do seu fator pai no dcseii olvimento da
sua vida profissional.
Esse estilo de paternidade enfatiza para filhos e filhas que as opi-
niões dos outros Si() milito mais importantes do que as suas próprias.
E um processo sutil, porque o êxito ou a ausência dele sempre cons-
08 O FATOR PM

tituirá o invólucro exterior baseado no qIIal as pessoas que o vejam


o aprovem ou desaprovem. Como adultos, os filhos dos pais supere-
xigentes têm urna profunda sensação de insegurança sobre o que sio
e o que podem fazer. Sua verdadeira personâídade - o que sentem,
pensam e desejam - não foi nutrida, e =es está muito perdi-
da no mundo profissional dos adultos. Lnite. é muito provável
que seu pai e você tenham tido discus o acaloradas sobre o
que os vizinhos pensariam de seu de suas ações, suas
qualificações, seus êxitos, sua carreira ou - .rência. Os famosos
vizinhos ou o grupo de amigos de seu po u'im um enorme impac-
to na maneira como se supõe que você tkia i'er e aparecer. Esses
tipos de conflito podem ter início em umi idaick precoce e persistir
na idade adulta e no trabalho.
Desde os inocentes desacordos sobre o c um , menino ou urna
menina de 3 anos deve vestir para ir aoparque- como está seu cabe-
!o, até a decisão da universidade que vai ~ir. a carreira que
escolhe, sua promoção mais recente. etc-, ~ esses são elementos
do fator do pai superexigente. E importante menaonar que esse pai
tem apostado muito psicologicamente em manter a aparência correta
e o nível de sucesso para si mesmo e para seus filhos. Seus esforços
estão direcionados a enfrentar sua própria dor emocional, provocada
pela crença de que ele não seja suficientemente bom. mantendo assim
sob controle sua sensação de vergonha. Se nido estiver muito bem e
o sucesso exterior estiver na perspectiva correta. ele pode encontrar
consolo para seu próprio conflito não resolvido no seu fator pai.

O TESTE DE APARÊNCIA E SUCESSO: 21 PERGUNTAS

O teste de aparência e sucesso é apresentado a seguir para ajudá-


lo a entender melhor seu fator pai. Este é um auto-exame simples
110 O }1OR PU

• Que papel desempenha em sua vida profissional a obtenção


de êxito a qualquer custo?
• Você tende a ver as pescas COmO objetos e meios para atingir
um tim?
• Que importância tem as aparências e o êxito em sua vida pro-
fissional atual?
• Qual você crê que tenha sido o impacto psicológico das aparên-
cias e do êxito no desenvolvimento da sua vida profissional?
• Você com freqüência sente vergonha de seus êxitos e de sua
aparência no trai?
• Fica muito enverhado de fracassar e de se ver mal diante
dos outros no traIho?
• Você duvid2 frntemente de si mesmo a respeito de temas
ou opiniões importantes para sua vida profissional?
• As vezes se pergunta quem é na verdade, apesar de sua perso-
nalidade p~ terfeita?
• Que papel desemnha o tema das "aparências e êxitos" em
suas relações pesis e tu sua vida privada?
• Qual é a rnensem mais importante que recebeu de seu pai
enquanto crescia sobre sua imagem perante os demais e pe-
rante sua fmília?
• Atualmente. coax se sente a respeito das aparências e dos
êxitos em sua vida profissional?

Estas perguntas. elaboradas para ilustrar se você incorporou mui-


to ou pouco das crenças paternas, apenas roçam a superfície do im-
pacto que. para o filho de um pai superexigente, representa aparentar
estar sempre bem. (1) segundo componente desse estilo de paternida-
de, que se enfatizou em seus anos de desenvolvimento, é o poderoso
Papel das realizações e do êxito a qualquer custo. Essa atitude se vê
apoiada pela necessidade constante de demonstrar uma determinada
!FOR PA-1

• Que papel desempenha em sua vida profissional a obtença(--)


de êxito a qualquer custo?
• Você tende a ver as pessoas como objetos e meios para atingir
um fim?
• Que importância têm as aparências e o êxito em sua vida pro-
fissional atual?
• Qual você crê que tenha sido o impacto psicologico das aparên-
cias e do êxito no desenvolvimento da sua vida profissional:
• Você com freqüência sente vergonha de seus êxitos e de sua
aparência no trabalho'
• Fica muito enreronhado de fracassar e de se ver mal diante
dos outros no trIho
• Você duvida freqtementc de si mesmo a respeito de temas
ou opiniões imponarne. para sua vida profissional?
• As vezes se perunta quem é na verdade, apesar de sua perso-
nalidade pública perfeita?
• Que papel desempnha o tema das "aparências e êxitos" em
suas relações ssis e na sua vida privada?
• Qual é a insgem mais importante que recebeu de seu pai
enquanto cria hre sua imagem perante os demais e pe-
rante sua fmiiia?
• Atualmente. como se sente a respeito das aparências e dos
rotissionak-
êxitos em sua vida profissional'

Estas
Estas perguntas. elaboradas para ilustrar se você incorporou mui-
to ou pouco das crenças paternas apenas roçam a superfície do im-
pacto que, para o filho de um pai superexigente, representa aparentar
estar sempre bem. (1) segundo componente desse estilo de paternida-
de, que se enfatizou em seus anos de desenvolvimento, é o poderoso
papel das realizações e do êxito a qualquer custo. Essa atitude se vê
apoiada pela necessidade constante de demonstrar urna determinada
STFPH\ B. POLJ:rFR
!1I
i:ncia sejani quais forem as
cirduhl stãncias O impulso e a pressão
M ~I Constantes pelo
SUCCSSO e pelas aparência s
:êncja, da fachada de não passani1 em
problemas emocionais mais profundos e iião
rfto () problema
relacionado a essa obsessão pelas
e éxiros é a sensação de aparências
iio ser nunca suficienteniente bom". O lado
0, ta1 desse estilo de patcriijdjde é
1 a seaço crônica de que no
::porta o que faça, você nunca
será "suficientejepte bom" ou estará
altura das expectativas
Isso se torna problemático no trabalho por-
que a necessidade de parecem- competente e bem-sucedido é anulada
Por sua prpría insegurança insidiosa de nunca estar à altura dos pa-
drões de seu pai.
1

À CARGA IX) ÊXITO DO PAI;


POR QUE ELA É TÃO

A ênfase constante de seu pai no êxito e Da perfeição tem ori-


gem na infincja de/e.
Garanto-lhe (estou me arriscando, mas dê-me
OpOrtunidade) que a única forma através da qual
seu pai recebeu
qualquer tipo de amor, aprovação ou apoio do pai dele
(seu avô) foi
por meio de seus exitos. E importante que você
avô— mesmo que você não o tenha Conhecido se (lê conta de que Se u
ou não simpatize IflUitO
orn ele teve unia i1-11portã11ci3 enorme
-

na siii infâ ncia. Esperava-se


q ue a nlaioria dos homens que
cre.sceraIi entre os anos 1930 e 1950
Fossem ecelentcs,
que conse2ujsseiii tudo e superassem a Grande
Depressão (1929-19) e a Segunda
Guerra A[undial (1939-1945),
Lrno tit—111,11-11 feito os
pais deles.
Esse período turbulento ensinou a uru grande grupo de homens
do mundo todo que o melhor e único modo de educar
tflCfljflOS sau-
iiveis e altamente eficazes seria mediante altas expectativas pessoais
profssionais Essa crença não é descabida nem
uirn, mas brilha nte
e muito útil. Entretanto, no se pode ignorar
112 O FATOR PAI

outros componentes da educação tia vida de um filho ou filha (quando


é assim, isso se converte no problema desse estilo de paternidade).
Por exemplo, os vínculos emocionais com os filhos tradicional-
mente lhe foram transmitidos pela mãe, o que na melhor das hipó-
teses satisfaz apenas 50 por cento das necessidades emocionais dos
filhos pequenos. Esse estilo de paternidade cria urna rClaÇi() muito
desigual, já que os superexigentes medem o êxito por meio de uni
gabarito linear, que inclui apenas as três errandes preocupações do
trabalho: dinheiro, posição epoder. Para os filhos cuja educação visava o
sucesso, o pai superexigente se converteu no único gabarito válido no
mundo dos negócios. Portanto, esse enfoque da paternidade se limi-
tou principalmente ao terreno econômico, e a como atingir o topa (Ia
escala profissional. Todas as outras áreas da vida de urna criança eram
secundárias em termos de importância para o Í.
As expectativas paternas concentravam-se principalmente no
sucesso escolar e no êxito profissional. Os filhos que se casaram e ti-
veram filhos entre os anos 1950 e 1970 receberam esse poderoso con-
dicionamento salvador de seus avós e pais. que. CO() todos, haviam
ficado traumatizados pela Grande Depressão. Como resultado dessa
convulsão social e econômica, a necessidade de serem sempre capazes
de se manter passou a ser a principal prioridade dos pais durante as
quatro décadas seguintes.
Cinqüenta anos mais tarde, filhas e filhos se perguntam por que
essa fórmula do êxito está causando tanta dor emocional, frustração
no trabalho e fracasso nas relações. Os filhos adultos desse estilo de
paternidade enfrentam obstáculos cm sua vida pessoal e profissional.
O êxito é muito mais do que dinheiro, posição e podei: () êxito comple-
to e realizador inclui a educação, os vínculos emocionais, os afetos
seLruros, a comunicação, o apoio, a aprovação e a empatia. Isso não
constituia urna preocupação para a maioria dos pais hi trinta anos,
um luxo a que não se podiam permitir. Mualmente, é necessário
STEPR\N B. P0UL11R 113

- voce inclua entre suas necessidades esse Componente humano, OU


as mesmas frustrações e obstáculos continuarão persistindo em sua
i-ia pessoal e em sua profissão.
E impossível desenvolver-se naturalmente, sentir-se competente
rnocionalmente seguro quando se esti enfocado exclusivamente
temas Superficiais, como as finanças. A visão estreita do pai supe-
xiente cria o efeito oposto ao êxito em seus filhos. Em vez de se
r"..Irei-li fortes e capazes no ambiente de trabalho e em relação a seus
c.rnpanhciros, eles semem uma dúvida e uma insegurança pernicio-
. As pessoas são muito mais complexas do que sua linha de crédito,
ida líquida ou status profissional. Não é natural enfrentar a vida a
rreira e as relações pessoais sem o discernimento e a compreensão
da necessidade de educação, aprovação, empatia e apoio mental. Estes
c:rnponentes São o material essencial para que você se expanda além
&z valores de seu pai, equilibrando sua vida pessoal e profissional, o
ie evoluirá para uma sensação de satisfção pessoal.
\ introdução do equilíbrio no aspecto emocional da vida per-
mite que os filhos de pais superexigentes sejam excelentes e se
convertam no que sempre quiseram ser. O legado de seu pai e sua
tivação consistiam cm criar filhos eficientes. Agora, cm sua vida
profissional, você vai fazer com que esse estilo de paternidade evo-
lua e se transforme em eficácia e cura. Seu avô e seu pai foram
iucados numa época em que a estabilidade e a segurança não eram
consideradas Como algo certo e indiscutível. A luz de um inundo em
constante mutação e de maiores pressões no lar (o fato de os dois
progenitores trabalharem; a educação dos filhos; a administração
da vida profissional, da família e das relações, é preciso entender a
pessoa corno um todo. Já não há lugar apenas para o eníoque cogni-
Úvo da vida, com exclusão dos aspectos emocionais e psicológicos.
Nenhuma profissão, flã() importa de que tipo seja, pode prosperar
sem que se compreenda e valorize o lado emocional e a empatia de
(.1) IAT()R PAI
114

uma pessoa. O enfoque desumanizado dos negócios e das relações


já é anacrônico.

COMO EQUILIBRAR O PADRA() Do


ÊXITO E DA APARÊNCIA

Os filhos e filhas de pais superexigentes podem ter sentido algum


grau de proteçaO corno resultado de se ver, obter êxito e se comportar
de acordo com os desejos e as exigências de seus pais. Mas, ao chegar
à idade adulta, esse filhos carecem de urna sensaço de segurança
interior e de auto - aceitação . Mui tas vezes, CSSCS profissionais sentem
UM
"buraco" ou vazio no coração, e continuam se sentindo desloca-
dos no mundo profissional.
Apesar de você ter crescido vendo as coisas de outra forma, agora
existe urna necessidade acumulada de apoio, aprovação e einpatia para
com seus scntimefltOs e seus mais profundos segredos e desejos. Seu
fator pai está relacionado à sua capacidade de entender esse compo-
nente de empatia. Mukos filhos adultos tendem a seguir urna de duas
direções em sua vida pessoal e profissional. A primeira é. ouvirem o
conselho do pai e ultrapassarem os sonhos e desejos dele. \'Ias até
mesmo nesse caso continua faltando a tão necessária aprovação do
pai, porque em certa medida eles se coriverterafli no pai. Infelizmen-
te, o inundo não acolhe de braços abertos essa conduta profissional.
Na verdade, o repúdio dos demais e o enfoque agressivo nos negócios
e nas pessoas custaram ao filho adulto superexigente oportunidades
desconhecidas.
O segundo enfoque consiste no completo repúdio dos valores pa-
ternos (apesar de estar respondendo a eles). Ao conrrrio dele, você
é um empregado, colega ou supervisor difícil. Seu comportamento
desconfiado e rebelde, sua atuação aquém da sua capacidade e sua
atitude negativa são um obstcu10 importante cm sua carreira, não
SEPH\' B. N)1.TL1VR

na de seu pai. Sua rc1)elda contra seu pai no ficou na infância. Es


disputa entre pai e filho o atormenta insistentemente no trabalho.
Você está enredado em urna guerra civil com seu pai, independente-
mente da sua idade, e sua vida Profissional reflete essa tensã o interna.
O conflito com a autoridade, a iiisubordjnaç0 e o ressentimento são
alguns dos diferentes tipos de conduta exibidos por esse filho OU
filha
no trabalho.

Conforme os filhos amadurecem, pode sei- que não percebam que


vêm buscando a aprovaçi() doanhigï) íntimo ou cio colega de trabalho,
do supervisor ou de qualquer outra autoridade no trabalho. Se você
fl()
obteve essa aprovação ou, pior ainda, se passou despercebido,
pode ter sentido urna profunda vergonha. Essa necessidade crônica de
aceitação e aprovação provém de anos de negligência emocional que
advém do conflito entre ter ou não a aparência 'adequada" e de estar
ernpre oscilando entre o êxito e a rebelião. Em decorrência disso, os
adultos têm uma sensação interior de "haver falhado" ou de que algo
neles esta errado 011 estragado. Sua vida profissional parece reforçar
seus medos interiores porque algumas coisas eventos e oportunida-
es tomaram outro rumo. A falta de proteção e apoio emocional por
parte do pai criou neles urna grande insegurança quanto a sua capa-
cidade, talentos e metas profissionais.
E muito difícil que alguém progrida. quando não pensa, hão S -
não acredita merecer o sucesso, mesmo que aparentemente possa
nhecer a fórmula do êxito. Pode ser que desde que você visceu lhe
nhani martelado na cabeça e no coração a importância de t -
\T0
sabe tudo sobre os três fatores importantes do rrI
&nheiro, poder e posição. Entretanto, ao niesmo tempo. decon-
z fôrmula do êxito interior e pessoal. As partes internas da sua
iidade nunca foram desenvolvidas ou exploradas em Outro s
: não fosse o das aparências e do êxito. Pode ser que %xxi - àm
zer urna folha de cálculo de negócios. uma maravilhosa
1 O FATOR PAI

Ç() de PowerPoint e como abrir o capital de sua empresa ao público)


na Bolsa de Válores. Apesar d.ses êxitos incríveis, talvez ainda se
pergunte por que se sente vazio por dentro. Todos esses sentimentos
opressores, seja você rebelde ou dócil, têm origem no mesmo proble-
ifla: a Ver-gonha.
Sua vergonha se desencadeia no trabalho, e agora é o maior efeito
secundário da influência de seu pai. Pode ser que seus colegas e subor-
dinados o vejam corno uma koínotiva ou como um rolo compressor.
Você foi assim rotulado COmO resultado da perspectiva obsoleta que
adotou de seu pai e aplicou no trabalho. As pessoas tentam evitar qual-
quer Conflito potencial com océ devido às suas desumanas reações
reflexas diante de probkmas e situações. Ninguém tem idéia de que
voce carrega nocoraçkotcIrhe1peso de fracassare que temparalisa-
dores acessos de Não conhece a resposta para o seu dilema
interior e se pergunta que direço tornar para resolver esse problema.
Considerou mudar de carreira_ de sócios. de cidade, mas, ainda que o
tenha feito. ai mesmas questões ctntinuam a i ncomodá-lo.
Essa rotina pro1isskiial e essa luta pessoal podem ser a melhor
situação para voc As pessoas só mudam de vida e de propósito
quando a quantidade de dor e sofrimento ultrapassa o seu nível de to-
lerância. Estamos 2enetic-alnente programados para realizar grandes
mudanças quando a nossa dor emocional e o nosso sofrimento fogem
ao fOSSO controle. Lembre-se de que a frustração prolongada e a dor
emocional são dois dos melhores motivadores da mudança.

A bistória de 7im

Jim, de 47 anos, foi me ver depois que sua esposa, Com quem ele
esteve casado durante dezoito anos. foi embora de casa e lhe pediu o
divórcio. A primeira vista, parecia que ele não tinha nenhum proble-
mas. Era um profissional que se expressava muito bem e tinha uma
S]Epk- ç 8. POTJ[jj
117

bxmaço muito abranbgeite. Planei


ava fazer Unia importante muda n-
Ça de carreira antes de chegar aos 50 anos. Ele mc cOnti alguns dos
antecedentes do SCU
casamento e o estresse que cercava sua vida.
se casou com Kathy, mas nunca quis ter lhos. Sentia jim
Intade _se pouco à
diante da responsahj1jdde e do compro-
ío. Kath (Jileria ter de educar um
filh5 e se ressentia com Jim
devido à sua de-
e' disso,
ele mudava de emprego a cada ano e
meio ou dois
os desde que se fbrmara, 25 anos antes de me procurar. 1 Ia via
urna
tensão tícita na voz de jim quando começou a me falar da sua vida
profissional e dos numerosos obstáculos que havia encontrado. Ele
velou que seu pai era superexigente e uni
hOTflCm de COflVjVj2
muito difi. Criticai jiin por tudo o
que este fazia, desde as pinta-
s com
os dedos que fez na primeira série até uma porçã o
de cargas
m futuro que ocupara no correr dos anos. Jiin disse:

Já fi z
de tudo. Fui carpinteiro diretor de cinema,
cozinheiroo e pro-
grarnador de computador em um banco. Atualmente,
SOU instrutor
de ioga. Nos Últimos quinze anos trabalhei em doze lugar es
. to me
esforcei em nada seriamente desde que estavario
quinto ano. Nessa
ocasião tirei as melhores notas meu pai riu e disse que não era gran-
de coisa, e COfltjflUju
dizendo) isso durante o resto de meus estudos
Quando eu tinha 11 anos, disse a
mim mesmo: "Jí chegai" A partir
daí, a escoja era só para passai' o tempo; isso aborrecia imelisanlente
meu pai, luas a mim me encantava. No segundo grau, conheci duas
drogas nlagnfujcas. o surfe e a maconha. Desde a quinta série tenho
tido uma vida instável, e agora tenho quase
50 anos. Sei que tenho
de mudar as Coisas; a maior parte do tempo sinto-me um fracassado.
Meu pai foi to duro conl.igo na minha infncia porque sabia que eu
era mais inteligeiit do que ele, e no conseguia aceitar isso. Agora
tem 82
anos, é multjmj1jnário e Continua rue irlcornodan(Jo Minha
ex-
esposa me acha um bicho raro, mas no á isso, é que
sinip1e51_
1
O FXI{ OR P.LI
1H

te não quero ser como ele; isso me aterroriza. Por isso nO quero ter
filhos ou levar uma carreira a sério.

jirn começou a fazer terapia comigo para falar do seu vício em


maconha. da depressão c2usa6 por seu casamento fracassado e das
constantes mudanças & ca.rr::i. Começou a perceber que havia
sponsabilidade em
passado grande parte da vida adulta evitando a re
Jirn sabia que
reação à critica crônica do pai e a seus eternos êxitOS.
Ira que algum dia viesse a ter uma carreira estável, um ganho cons-
tante e filhos, teria que ~r seu fator pai negativo. Começou a
c ompreender o valor da educação e da empatia e a entender a obscs-
'ão de seu pai com o dinheiro e as -aparências. jim mudou seu fator
um adulto
pai do clássico filho re4kk e de baixo rendimento para
que ele seguiu são descritos no final
enfocado e tolerante o
deste capítulo).

A história de Pan;

Pam foi educada por uru pai que. durante toda a sua infância,
viajava três de cada quatro scmanas. O pai de Pam, Paul, era um
negociante sulista muito dinâmico e exigente ConsigO meSmO. Paul
era urna pessoa nmito) agradável cuja prioridade máxima era a satis-
fação do cliente. A família e os prazeres pessoais fica vamn em segundo
plano. Nunca podia dizer não a um clientes Supervisor ou empregado,
porque sabia que o trabalho duro requer sacrifícios. Pam, urna deco-
amhiçO
radora de interiores de 32 anos, tinha a ética de. trabalho, a
ai,, no tinha a personalidade
C- o impulso profissional de seu pai. p
amistosa do pai; era fria e distante quando falava. Seus dois irmãos
mais velhos ainda moravam com o pai e dependiam dele financeira-
mente. Pam sempre foi a luz e o orgulho do pai. Ela dizia que com
STF:PEN B. POU[TER
nu

freqüência se sentia como um homem no corpo de urna mulher, devi-


do à tbrnia corno enfrentava os negócios e os clientes. Pani foi me ver
porque estava tendo ataques crônicos de pânico ao ter de enfrentar
\arios clientes que lhe deviam dinheiro por trabalhos que ela já ha-
via terminado. Toda a vida profissional de Rim se baseava em satis-
fazer as pessoas, criar uma aparência bonita e conseguir o máximo
C111
qualquer coisa que tentasse. Seu modelo de negócios funcionou
até que ela perdeu seus três principais clientes cru uni mês. Em suas
palavras,

Perdi meus três clientes mais importantes porque estava demasiado


concentrada no projeto, e não nas pessoas envolvidas. Dois dos clien-
tes me disseram que eu era luna mulher arrogante ao falar com as
empresas contratadas que estavam fazendo os diferentes projetos de
reforma. O terceiro cliente inclusive se recusa a falar comigo porque
diz que sou Muito exigente e mandona. Fiquei muito surpreendida,
porque sempre tentei satisfazer o cliente e realizar o trabalho. ão
sou casada e dedico à minha carreira 110 por cento do meu esforço.
O modelo de trabalho duro de meu pai foi o meu, e agora o sinto va-
zio. Tudo o q LLC faço é trabalhar, responder aos telefonemas e (Jorrn ir.
Não tenho vida social porque não tenho tempo. Agora perdi 60 por
cento dos meus ganhos deste ano porque os clientes decidiram ter-
minar as reformas com outros decoradores Estou arrasada. Nunca
tive um fracasso como esse ria minha carreira. Antes já havia perdido
outros projetos menores, mas nunca com tal perda monetária. Não
tenho idéia cio que saiu mal, só sei que essas famílias já miâo gostam
do meu trabalho e dos projetos que fiz para a casa deles.

Na terapia, Pani Começou a se dar conta de que seu fator pai es-
tava fora de equilíbrio e lhe criava importantes obstáculos profissio-
nais. Pam jamais havia considerado o lado humano, compreensivo e
1». 0!ATOR PAI

eniocional da sua carreira. Antes da crise, seu enfoque de negóck


baseava-se em conseguir os projetos, as construções e os móveis
adequados para as casas. \Ias Parn começou a valorizar () eiifoqu
de ei-npatia, proteção e apoio emocional que estavam fazendo falta
sua vida profissional. Timbém começou a tirar urna tarde livre por
Semana para tolilar lanche com urna amiga não relacionada ao seu
trabalho. Esses lanches eram e -itamente para diversão, não urna
oportunidade cie fazer contatos. Pani ficou surpreendida com sua oh-
Sessão pelo dinheiro (embora ja fivessetido virios reveses simiIarc
antes devido ao seu exterior rude, nunca tivera esse tipo de impacto
monetário). Admitiu ter co1enu2do suas energias profissionais es-
tritamente em conseguir cem srjtus financeiro em vez de dcsei-wol-
ver vínculos emocionais ou reIões de amizade em seu ramo, com
seus colegas. Ironicamente.. ao Se concentrar apenas no dinheiro, ela
o perdeu. O fato de dar men imporncia aos negócios e abraçar o
espectro completo das emoções e da amizade constituiu um grande
alívio para ela.

A MLTDANCA DE UM SUPEREXIGETF:
PARA UM SER EQUILIBRADO

A maneira de sair da síndrome do superexigente é começar a


enfrentar o problema subjacente da vergonha. Todas as Coisas que
temos discutido até agora, todas as preocupações com as aparências,
o desempenho e o fato de ser suficientemente bom, diligente e bem-
sucedido podem levar um filho ou filha ao desespero e à vergonha.
O poder da vergonha pode parecer uma superestrada de dez pistas
arrasada por uma poderosa tempestade. Uma vez passada a tormenta,
não resta sinal da estrada. A vergonha em uru adulto opera de manei-
ra muito similar: deixa a vítima sem caminho a seguir. Para muitos
são 11ecessrios horas, dias, semanas ou até meses para superar um
STfI3 H_\y B. PC) LITi

rravc acesso de vergonha no trabalho. O efeito residual é a rcticência


.1
insegurança, o medo e o traLmia de voltar a experimciit_Jcj. Com
u
tempo, as pessoas furão o que puderem para evitar esses aconteci-
mentos no trabalho. Essa evasão se converte em outro imenso obstá-
CUJO
em seu (icsenvolvjmento profissional. Suas escolhas profissionais
são aora governadas por condutas baseadas na vergon ha
O estilo de pateriiida1e supere.t-igente é a base emoi-
ional para o ílesen-
:oivimen de uma peisonaiidade baseada na :ergonba. Uma das razões
do desenvolvimento da sua vergcrnha era a ênfase constante na apa-
rência de sucesso e nas real"zaç
Grande parte da sua personalida-
de, da sua auto-estima e da sua independência emocional tendem a
ficar subdesenvolvidas e ignoradas pela obrigatoriedade constante de
ser excelente e de ter boa aparência. Agora, corno executivo, gerente
de nível médio, consultor independente, proprietário de um negócio,
assistente pessoal ou empregado, quando encontrar um problema no
escritório de repente vai se Sentir oprimido por urna avalancha de
emoçõe.s ver onhosas que vão desde se sentir indigno, mau, engano-
so e fraudulento até acreditar que é uma pessoa horrível e que deve
se demitir inicd iatanlente. Esses sentimentos estão profundamente
enraizados na tentativa de viver aci rna das expectativas estabelecidas
há muitos anos por seu pai superexigente. Seráimpossível transpor
esse obstáculo até que o problema da vergonha seja sanado entendido
e ativamente eliminado.

UNIA DEFiNIÇÃO EFICAZ DA VERGONHA

A vergonha é um dos problemas emocionais mais insidiosos que


os adultos têm que enfrentar para sanar sua vida pessoal e a carreira
profissional. Não existe maneira mais rápida de desenvolver uma per-
son alidade produtiva e eficiente no trabalho do que resolver nossos
sentimentos de vergonha e iflSUficiência. Muitos prossionais de sa-
O FATOR PM

de mental (psicólogos, psiquiatras. assistentes sociais e o pessoal de


recursos humanos) consideram a vergonha o maior câncer emocional
que urna pessoa desenvolve na infância. e que pode durar até bem
adiantada a sua idade adulta. A lista que se segue ajudará a descre-
ver esse problema nebuloso e a enxergir seu funcionamento em suas
relações profissionais e pessoais. A vergonha é unia constante força
negativa na vida profissional até que fica exposta e se cura. É. mi-
portante observar que, apesar da sua percepção da vergonha, sempre
é possível saná-la e conduzir sua carreira em uma direção positiva.
Nunca é cedo ou tarde demais para rnud2r condutas improdutivas e
autode strutiva s.

Como funciona a vergonha em sua z'ida profissvwl

• Você tem excessivos sentimentos de inferioridade e culpa.


sem razão aparente. Esses sentimentos vêm à tona quando
você está estressado ou preocupado com sua imagem e com
sua aparência.
• Você acredita que é 'mercadoria defeituosa". Ninguém sabe
a verdade sobre você. Gasta grande quantidade de tempo e
energia evitando que os outros se inteirem de sua total falta
de capacidade, inteligência e competência profissional.
• Acredita que é urna fraude ou um birnpostorpara as pes-
soas que o cercam ou que estio envolvidas em sua vida pro-
fissionaL e que possivelmente o estimam. Você não é o que as
pessoas acreditam que seja nem em seu trabalho nem em sua
vida pessoal.
• Você acha que no pode fazer nada por sua vida pessoal OU
profissional. Essa crença é contraria ao apoio e as opiniões de
seus companheiros. Mais ainda, apesar de tudo o que coilSe-
122 O FATO RPM

de mental (psicólogos, psiquiatras. assistentes sociais e o pessoal de


recursos humanos) consideram a vergonha o maior câncer emocional
que urna pessoa desenvolve na infincia. e que pode durar até bem
adiantada a sua idade adulta. A lista que se segue ajudará a descre-
ver esse problema nebuloso e a enxergar seu funcionamento em suas
relações profissionais e pessoais. A vergonha é uma constante força
negativa na vida profissional, até que fic-a exposta e se cura. E mi-
portante observar que, apesar da sua percepção da vergonha, sempre
é possível saná-la e conduzir sua carreira em uma direçio positiva.
Nunca é cedo ou tarde demais para mudar condutas improdutivas e
autodestrutiva s.

Como funciona a vergonha em sua zida p1siw1

• Você tem excessivos sentimentos de inferioridade e culpa.


sem razão aparente. Esses sentimentos vêm à tona quando
você está estressado ou preocupado com sua imagem e com
sua aparência.
• Você acredita que é "mercadoria defeituosa". Ninguém sabe
a verdade sobre você. Gasta grande quantidade de tempo e
energia evitando que os outros se inteirem de sua total falta
de capacidade inteligência e competência profissional.
• Acredita que é urna fraude ou um "impostor" para as pes-
soas que o cercam ou que estio envolvidas em sua vida pro-
fissionaL e que possivelmente o estimam. Você não é o que as
pessoas acreditam que seja nem em seu trabalho nem em sua
vida pessoal.
• Você acha que não pode fazer nada por sua vida pessoal ou
profissional. Essa crença é contrária ao apoio e às opiniões d
seus companheiros. Mais ainda, apesar de tudo o que conse-
STEPEIÀN B. POLILTER 123

uiu, continua a achar que não é bom o bastante e a se sentir


Corno um fracassado. Nada é suficientemente bom para sua
crítica VOZ, interior.
o Tem a sensação de que não importa o que tente, jamais dará
certo, apesar de seus esforços e de sua capacidade. \oce se
sente deprimido com a direção e o propósito de sua vida, e
luta inutilmente contra esse sentimento.
• No fundo do seu coração. você se considera um fracassado.
Suas realizações e êxitos nunca apagaram essa crença infantil
inicial.
• Preocupa-se que seus colegas, clientes ou upervisores descu-
hram que vocênão á Como se apresenta no trabalho.
• Seus colegas de trabalho sabem que você não serve para
nada. São amáveis e respeitosos porque são profissionais e
e du ca dos.
• Seus amigos mais proximos não sabem de seus sentimentos
a respeito de suas supostas fragilidades profissionais e desco-
nhecem seu medo secreto do fracasso. Voce flca aterrorizado
em compartilhai' suas inseguranças e fragilidades pessoais e
profissionais corri os demais, inclusive com seu par.
• \ocê tenta evitar que as pessoas saibam ou vejam o lado "mau
da sua vida profissional.
• \Jocê sabe que não existe nenhuma quantidade de Álcool. dro-
gas, sexo ou dinheiro que possa apagar a sensação de vergo-
nha da sua mente e do seu coração.

Estes doze elementos da vergonha são apenas uma amostra do


=ror emocional que uma pessoa pode experimentar quando conic -
ça ter esses horríveis pensamentos. A chave para deter a reação de
nca se sentir suficientemente bom é descobrir o que a ocasiona.
Quais são as circunstàncias que desencadeiam esse incêndio flores-
O FAFOR PAI

tal na sua mente e no seu coraÇãO Você pode se sentir oprimido


imentoS pensamentos e imagens, mas deve aprender
com esses sent
e vergonha. Infelizmen-
a reconhecer o detonador dessa resposta d
epetição você passou a acreditar, com o passar dos
te, mediante a r
anos, que esses sentimentos são parte da sua vida e no podem ser
cepção que sua conduta de vergonha lhe
resolvidos. Essa é a pior de
e dete mudar esse ciclo de respostas para melho-
ensinou. Você pode
rar sua qualidade de vida.
Outro modo de descolwir essa mina pronta a explodir na sua
interior que
vida profissional é encarar a vergonha como a crítica VOZ
grita em certos momentOS- Quando escuta esaa voz na sua mente.
o ciclo de conduta: por exemplo, você fica de imediato in-
inicia-Se
de pensar com clareza, de se manter
capaz de tornar Uma decisix
enfocado no assunto. de lidar com um cliente difíei1 de tomar uma
decisão necessária porém desagradáVel ou de confrontar um empre-
e
gado ou um cliente. Sua sensação interna de poder, sua confiança
ponsabiiklallf ficam completamente anulados quan-
seu senso de r-es
do esses sentimentoS- pensamentos e emoções baseados na vergonha
surgem e começam a assumir o controle.
Nesses momentos críticos em que a vida prot-isSional de uma
pessoa pode continuar progredindo ou ficar paralisada são negligen-
portunidades potenciais de progresso. Mesmo que na maior
cia(laS o
parte do tempo seu nivel de eficiência no trabalho seja ele quase cem
0 5jOflaT11fltC
alguma experiência desagradável vai dis-
por cefltO
baseada na vergonha. E precisamente nesses nio-
parar sua conduta
mentOS que você necessita equilibrar a influência de seu pai.
saída desse labirinto de desespero é reconhecer que ver-
gonha é o resultado do descuido de seu pai. Você tem de começara
encarar a educação como uma força curadora em resposta ao ciclo da
vergonha que domina sua vida pessoal e profissional. Não importa
qual seja sua prohssão1 sempre terá que se relacionar com pessoas.
STEPIIAN B. POULFER

Ainteração com companheiros, clientes ou supervisores pode dis-


rar o ciclo da vergonha. Silo muito poucas as pessoas que podem
isolar e não experimentar o angustiante sentimento dc vergonha.
Não permita que o medo de estar exposto o tire de seu caminho
profissional.

COMO CURAR O LEGADO DA \TRGOXHA

A cura da sua vergonha e da sua insegurança e o apoderamento


& sua vida profissional começam e terminam com z'ocê. Estas são as
boas notícias e uma das premissas mais importantes deste livro - você
n a chave do seu futuro. Lembre-se de que não existem lados ne-
gativos nesse processo de mudança. Tudo é positivo! Desligar a sua
ítica VOZ interior, os pensamentos, desvencilhar-se das antiquadas
crenças da sua infância e do fato de se sentir indigno, tudo ISSO) come-
ça mediante o reconhecimento do papel e da influência dessas coisas
em sua vida profissional.
O primeiro passo pode parecer óbvio, mas dê '11/ais 1/mil olhada udas.
Durante as próximas duas semanas comece a fazer uni diário dos
seus pensamentos de autocritica. Escreva os pensamentos negativos
& um lado da folha, e no outro lado escreva urna refutação dessas
crenças obsoletas. Isso pode parecer artificial, mas é o início de urna
mudança cognitiva. Quase todos os seus sentimentos e pensamen-
s vergonhosos se originam em seu sistema de crenças sobre você
mesmo) e cm sua relação inicial com seu pai. O modo mais poderoso
e duradouro de mudar suas crenças vergonhosas é mudar as crenças
~"]e]] tais sobre você mesmo. A chave está em começar a se aceitar
a gostar de si mesmo. A vergonha e a necessidade de perfeição se
- eiam na auto-aversão. VoCê precisa expor essas equivocadas cren-
tutidainemitais escrevendo-as. Urna vez que as coloque por escrito r
:ião lhe parecerão tão poderosas ou emocionalmente desgastantes.
consigo mesmo.
Segundo: no trabalho, 115 pessoas têm defletir se rem ventando constante-
mente para sua vida P 1 oflssionalprogredi,: O segredo está em reinventar
o modo Como você se sente pensa a respeito de si mesmo. No huá -

forca
força mais poderosa do que seus sentimentos fundamentais sobre sã
mesmo e sobre seu lugar no mundo. São as pessoas que atualizam
suas crenças da infância que realizam as aspirações profissionais e
desfrutam de um êxito genuíno. É obrigatório fazer um diário de
seus pensamentos interiores e das refutações positivas a essas inexa-
tidões negativas. Lembre-se de que seus pensamentos precedem e influen-
ciam seus sentimentos. Suas crenças precedem seus pensamentos, e por
isso é imperativo entendê-las. Muito poucos profissionais se dão ao
trabalho de fazer essa elaboração interna, mas ela é necessária para
mudar a influência de seu pai.
Terceiro,crie um mantra, lema ou refrão que lhe recorde seus navaç
Sentimentos, pensamentos e ações mais profundos. Esse mantra pode ser
como você quiser - por exemplo: "Posso fazer isto"; "Sou suficien-
temente bom: 'Tudo está bem e sairá bem no meu trabalho hoje.
"Não há nada de ruim em mim, embora eu me sinta mal e assusta-
do". Seja criativo com seu mantra, porque ele se converterá em um
recordação inconsciente de como você está mudando a influência de
seu pai para uma visão mais equilibrada de si mesmo. Escreva esse
mantra e mantenha uma cópia em sua carteira, em sua bolsa e em se-- e:
automóvel.
automóvel. Consulte-a várias vezes por dia durante algumas sern-
nas. Vai se surpreender com a rapidez com que pode voltar a treinar
a mente para deixar de pensar negativamente.
Quarto, considere o :'a/or de se cultivar ou educar a si mesmo. Isso sig-
nifica você ser mais tolerante e receptivo com suas capacidades, don
e sonhos, e lhes dar mais apoio. Cultivar-se costuma ser um termo
milito mal entendido. Gultjvar-se (ou educar-se) iio é uni conceito
OFÀT()R P.M
12 IS

emocionais e mentais de maneira produtiva. O egoísmo é urna debi-


lidade pessoal e profissional. Uma conduta educada fortalece porque
se baseia no insight no discernimento e na compreensão daquilo que
você é e do que necessita. O aspecto educado do seu fator pai interior
é o caminho para o êxito C a raliação pessoal e profissional. Ninguém
floresce emocional, mental e fisicamente seni o componente ativo
das características protetoras. As pesquisas demonstram que os be-
bês recém-nascidos morrem se não experimentarem certo grau de
proteção diariamente. Corno adultos no trabalho, como poderíamos
ser diferentes? Não o somos. e é por isso que cultivar a si mesmo é
um dos segredos para converter o impacto do seu pai em urna força
positiva cm sua vida profissional.

RESUMO

Examinamos alumas das influências positivas e negativas do es-


tilo de paternidade superexigente. Sua meta é encontrar o equilíbrio
entre a ambição e a auto-educação. O estilo superexigente de paterni-
dade tem pontos fortes e fracos em re ação ao desenvolvimento da sua
vida profissional. A força está na capacidade de criar um plano de jogo
para realizar o que você deseja; a meta á não se perder no processo de
aparentar ser bem-sucedido. Em nossos exemplos, tanto Pam como
jim aprenderam o valor de se cultivar e de sanaras relações baseadas
na vergonha que adquiriram do pai e adaptaram a si mesmos. Apesar
de nunca terem levado em consideração o impacto do pai sobre eles.
agora começaram a entender como eles influíram em suas escolhas
e circunstâncias de trabalho. Ambos implementaram os primeiros
cinco passos para resolver o legado negativo do pai e convertê-lo em
uma força positiva.
Os cinco passos para transformar esse interiorizado fator pai
superexigente em algo positivo vão ajudá-lo em sua vida pessoal e
6
i 1
- O FATOR PAI

Essa refutação será necessária para que você inicie uni no'o diálogo
consigo mesmo.
Segundo: no trabalho, as pessoas rm defiarse reinventando constante-
mente para sua vida profissionalprogre'dir. O segredo está em rei rwentar
o modo como você se sente e pensa a respeito de si mesmo. Não há
força mais poderosa do que seus senumentos fundamentais sobre si
mesmo e sobre seu lugar no mundo São as pessoas que atualizam
suas crenças da infância que reaIiim as aspirações profissionais e
desfrutam de um êxito genuíno. É obrigatório fazer uni diário de
seus pensamentos interiores e ihs retutações positivas a essas inexa-
tidões negativas. Lembre-se de q.e ww pewíamentos precedem e influen-
ciam seus sentimentos. Suas crenças precedem seus pensamentos, e por
isso é imperativo entendê-las. Muito poucos profissionais se dão ao
trabalho de fazer essa eIaboraço interna, mas ela é necessária para
mudar a influência de seu pai.
Tc;ïeii-o. crie um mantra. kma ou n-frsio que lhe recorde seus novos
sentimentos, pensamentos e ações mais pru(índos. Esse mantra pode ser
torno você quiser - por exemplo: Posso fazer isto"; "Sou suficien-
temente bom"; "Tudo está bem e sairá bem no meu trabalho hoje";
"Não há nada de ruim em mim, embora eu me sinta mal e assusta-
do". Seja criativo com seu mantra, porque ele se converterá em uma
recordação inconsciente de como você está mudando a influência de
seu pai para urna visão mais equilibrada de si mesmo. Escreva esse
mantra. e mantenha urna cópia em sua carteira, em sua bolsa e em seu
autonióvel. Consulte-a várias vezes por dia durante algum as sema-
nas. Vai se surpreender com a rapidez com que pode voltar a treinar
a mente para deixar de pensar negativamente.
Quarto, considere o valor de se cultivar ou educar a si mesmo. Isso sig-
nifica você ser mais tolerante e receptivo com suas capacidades, dons
e sonhos, e lhes dar mais apoio. Cultivar-se costuma ser um termo
muito mal entendido. Cultivar-se (ou educar-se) não é um conceito
STEI'HA'\ B. POL UFER 1

tranho que implique que tenha de ir ao deserto e se sentar sob urna


4I'cha durante anos para conseguir um pouco de paz interior; desem-
Denha um papel fundamental na geração de novas crenças profundas
sobre você mesmo. Se começar a acreditar que pode aceitar, agradar
e tolerar a si mesmo, então estará mudando as vozes críticas que lhe
dominam a mente. Lembre-se de que uni dos fatores ausentes do
:ti10 superexigente de seu pai foi o fato de ele não ter cultivado uma
relação niais estreita com você. Educar a si mesmo vai lhe permitir
descobrir dc) que gosta, o que realmente pensa e sente sobre as coisas
e o que fazer CO1TI sua vida pessoal e profissional.
Como cultivar a si Mesmo. Faça urna lista de vinte coisas que você
calmentc gosta de fazer, de ser, e nas quais goste de pensar. A lista
)Ode incluir pessoas, lugares, atividades (por exemplo, dirigir, viajar,
fazer exercício) e acontecimentos. Considere qualquer coisa que lhe
dê urna sensação de poder ou que renove sua energia e suas perspec-
tivas. Você não precisa ir de férias ao Havaí para chegara esse tipo de
estado; em vez, disso, considere as coisas da vida diária. Cultivar-se é
dar a si mesmo a oportunidade de experimentar as coisas que ci fa7.enl
sentir-se bem consigo mesmo. Quanto mais coisas você descobrir
que gosta, mais começara a pensar cm si mesmo de um modo favorí-
vel. Ninguém tem de gostar nem concordar que cultivar a si mesmo
é adequado ou correto; trata-se, isso sim, de saber, entender e aceitar
essas partes internas de si mesmo que nunca receherarn a atenção e o
cuidado apropriados.
Depois de um tempo, você começara a perceber quando não está
se cultivando ou sendo benevolente consigo mesmo. Cultivar-se OU

reeducar-se não iniplica estar absorto em si mesmo ou ser egoísta


- muito ao contrário. Quando se sente bem consigo mesmo você
pode ser generoso e compreensivo com aqueles que o cercam em sua
vicia profissional. As pessoas que são egoístas no trabalho realmen-
te carecem das ferramentas para se encarregar de suas necessidades
128 O FATO R R1

emocionais e mentais de maneira produtiva. O egoísmo é urna debi-


lidade pessoal e profissional. Urna conduta educada fortalece porquc
se baseia 110 insight no discernimento e na compreensão daquilo que
vocé é e do que necessita. O aspecto educado do seu fi.itor pai Í//tcriOí
m para o êxito e a realização pessoal e profissional. Ninguém
o cainho
floresce emocional, mental e fisicamente sem o componente ativo
das características protetoras. As pesquisas demonstram que OS be-
bês recém-nascidos morrem se não experimentarem certo grau de
proteção diariamente. Como adultos no trabalho, COO poderíamos
ser diferentes? Não o somos, e é por isso que cultivar a si mesmo é
um dos segredos para converter o impacto do seu pai em urna força
positiva em sua vida profissional.

RESUMO

Examinamos algumas das influências positivas e negativas do es-


tilo de paternidade superexigente. Sua meta é encontrar o equilíbrio
entre a ambição e a auto-educação. O estilo superexigente de paterni-
dade tem pontos fortes e fracos em. relação ao desenvolvimento da sua
vida profissional. A força está na capacidade de criar um plano de jogo
para realizar o que você deseja; a meta é não se perder no processo de
aparentar ser bem-sucedido. Em nossos exemplos, tanto Pam corno
Jim aprenderam o valor de se cultivar e de sanar as relações baseadas
na vergonha que adquiriram do pai e adaptaram a si me sinos. Apesar
de nunca terem levado em consideração o impacto do pai sobre eles,
agora começaram a entender CO() eles influíram em suas escolhas
e circunstâncias de trabalho. Ambos implenientaram OS primeiros
cinco passos para resolver o legado negativo do pai e converte-lo em
uma torça positiva.
Os cinco passos para transformar esse interiorizado fator pai
superexigente em algo positivo vão ajudá-lo em sua vida pessoal e
ST1IPIPS B P0JLTFR 129

oiissionaL Seja paciente consigo mesmo conforme vai corneçan-


do a reconhecer e modificar seus processos mentais e emocionais e
mais eficiente emseu trabalho e em sua casa. O contínuo tema
mudança o propósito e a nova consciência de si mesmo come-
m quando você, reconhece e resolve sua A busca eterna
da perfeição e do sucesso é simples, porém míope e vazia. Sua 'vida
rtesssoal. e profissional é um tema complexo que deve ser entendido
--diante o maior conhecimento do seu fator pai. 0primeiro pas-
so nesse caminho começa pelo registro de seus pensamentos em sua
mente e no papel. Desvendar as crenças erm'adas sobre seus defeitos
1 e limitações profissionais são passos ImeflsOS no sentido de descobrir
us tesouros pessoais e seu potencial inexplorado. Agora é impor-
tante que \,,- ocê se concentre em suas possibilidades profissionais. e
o cm aceitar ou lutar contra suas falsas limitações. fim frente, e
bom trabalho
-Capítulo
O ESTILO DE PATERNIDADE
"EXPLOSIVO"
ÚPERAÇAO DC) MEDO E EVASÃO

Cresci com pavor de meu pai e de seu cardtei Sempre evitei qual-
Minha vida profissional se
quer tipo de con flito e L-onfrrntJÇ4.
estagflol( devido ao meu medo de rnmodar as pessoas. Permiti
u erisoTrs me pisoteasseifl. É muito mais
que alguns dos piores s
,r Ode o a confrrintJ° e sempre carei calada.
flhcil ficar
Betty Lou, 38 anos

Sempre achei que todo inundo era educado do mesmo modo que
Meu pai chegava bêbado e irritado em casa, e sempre me
eu fui.
batia. Nunca imaginei que as outras famílias não fissem tãovio-
lentas ou aterrado'iaS como a minha. As rezes no trabalho tenho
começo a gritar
o mesmo mau caráter de meu pai. Simplesmente
com as pessoas, e isso não é nada agradável
Michael, 29 anos

prob1efl1at1c0 e, no
O estilo de paternidade explosivo é fllUjt()
entanto, pode ser ao mesmo tempo produtivo para um filho ou uma
filha. O principal problema é que esse estilo se baseia no medo, na
intimidação e na instabilidade emocional Esse pai expressa sem he-
sitaço sua ira para com seus filhos, esposa colegas e o mundo em
"gr1ta1hãø" sendo dado a ataques incs
geral. E conhecido como 11111
srEP}IAN B. POULTER 131

perados de raiva, que assustam as crianças pequenas, constantemente


expostas a essa volatilidade emocional crônica. Uni dos modos corno
esse pai mantém a ordem e o controle sobre Os filhos é mediante o
tom de voz alterado, a ameaça de urna explosão ou alguma forma
de agressão, que as vezes pode ser auto-infligida, corno atra\é.s do
alcoolismo e do abuso de drogas. Além disso, pode fazer USO de uni
amplo espectro de agressões emocionais, mentais, físicas, conjugais
e sexuais. Embora a imarem desse pai possa ser associada à de um
trem descarrilando na Rússia, pode ser que inadvertidamente ele
também tenha criado características positivas igiial iii ente poderosas
em seus filhos.
Muitos filhos e filhas de pais explosivos desenvolvem desde cedo
a capacidade de interpretar as pessoas. Para sobreviver à infância e
evitar os inipulsos de ira do pai, aprenderam a julgar rapidamente es-
tados de animo e ações— urna conduta ditada pelo instinto de sobrevi-
vência. A capacidade emocional de prever a reação do pai e desativá-la
Com êxito pode ser comparada ao sistema de radares que protege a
frota naval do Pacifico no Havaí. O sistema de radar é tão sofisticado
que pode detectar qualquer movimento no oceano Pacífico cm um
raio de 5 mil milhas de distancia de Pea.rl Harbor. Como algumas
dessas crianças que foram vítimas constantes de agressões verbais ou
físicas desenvolveram o mesmo radar emocional e talento para iden-
tificar, entender e enfrentar qualquer situação cm casa, ao crescer
se Convertem em excelentes negociadores, consultores corporativos
ou de negócios, doutores, pessoal de recursos humanos, assistentes
sociais,prniissionais de saide mental e professores. Alguns dos que
sobrevivem a esse ambiente enlouquecedor têm notáveis habilidades
Sociais e com as pessoas. Também têm excelentes capacidades intui-
tivas a respeito dos problemas que cercam uma pessoa ou situação em
particular. Podem sentir no ar tensões não expressadas em qualquer
situação profissional ou encontro pessoal.
STEP1-L_\ fl. POLITER 1,11

rados de raiva, que assustam as crianças pequenas, constantemente


expostas a essa volatilidade emocional crônica. Uni dos niodos como
esse pai, mantém a ordem e o controle sobre os filhos é mediante o
tom de voz alterado, a ameaça de urna explosão ou alguma forma
de agressão, que às vezes pode ser auto-infliida. corno através do
llCOOlISIflo e cio abuso de drogas. .Alérn disso, pode fazer uso de um

implo espectro de agressões emocionais, mentais, físicas, conjugais


e sexuais. Embora a imagem dse pai possa ser associada à de um
cern descarrilando na Rússia, pode ser que inadvertidarnente ele
tirnhém tenha criado características positivas igualmente poderosas
cm seus filhos.
Muitos filhos e filhas de pais explosivos desenvolvem desde cedo
a capacidade de interpretar as pessoas. Para sobreviver à infância e
evitar os impulsos de ira do pai, aprenderam a1 ulgar rapidamente es-
udos de ânimo e ações - urna conduta ditada pelo instinto de sobrevi-
vencia. A capacidade emocional de prever a reação do pai e desativá-la
com êxito pode ser comparada ao sistema de radares que protege a
frota naval do Pacífico no Havaí. O sistema de radar á tio sofisticado
que pode detectar qualquer movimento no oceano Pacífico em um
raio de 5 mil milhas de distância de Pcarl Harhor, Como algumas
dessas crianças que foram vítimas constantes de agressões verbais ou
físicas desenvolveram o mesmo radar emocional e talento para iden-
ficar, entender e enfrentar qualquer situação em casa, ao Crescer
e convertem em excelentes negociadores, consultores corporativos
Li
de negócios, doutores, pessoal de recursos humanos, assistentes
sociais, profissionais de saúde mental e professores. Alguns dos que
Dbrevivcni a esse ambiente enlouquecedor têm notáveis habilidades
s&ciais e com as pessoas. Também têm excelentes capacidades intui-
vas a respeito dos problemas que cercam uma pessoa OU situação em
irticular. Podem sentir rio ar tensões não expressadas em qualquer
:ruaçao profissional ou encontro pessoal.
O F.J()R PA)

O lado negativo inconsciente desse estilo de paternidade é o esfor-


ço constante do filho para manter a paz e interpretar o pai. Essa con-
duta de pacifista faz com que, ao crescer, ô filho não cumpra muitas
etapas normais e naturais do desenvolvimento. Muitos desses filhos
comumente se convertem em "filhos arern -AIS . O termo descreve o
papel não natural que um filho menor assume para se converter no
adulto emocional e mentalmente responsável pela família. Os filhos
paternais não têm uma infância ou adolescência típica, não se rebelam
nem faltam às aulas, nem se comportam 2rosseirameflte com nenhum
professor. Estão de tal modo obcecados e preocupados em ser bons e
responsáveis que no se permitem assnmir as condutas normais de um
adolescente em desenvolvimento ou de um adulto jovem. Atingem uni
nível muito alto de estresse se chegam apenas cinco minutos atrasados
à escola ou deixam de fazer uma tarefa no semestre.
X razão dessa resposta psicológia extrema é o medo intenso que
esses filhos experimentaram diariamente. Quando se tornam adultos,
acham muito difícil recordar com clareza a enormidade do medo, do
pânico e do terror que sentiam quando crianças. Esses adultos estão
em todos os níveis e postos no trabalho: evitam Conflitos, gritos e
expressões de qualquer grau de aborrecimento ou frustração, tensão
emocional ou lidar com conflitos não resolvidos no trabalho. Sua vida
profissional tende a ser governada pela necessidade de evitar as situ-
ações interpessoais emOCiOflaiS intensas. Não obstante, muitos deles
são altamente eficientes no trabalho ou em seus negócios pessoais.
Infelizmente, carregam pesados grilhões emocionais de culpa quan-
do têm que dizer não ou não podem satisfazer os demais.

TUDO DIZ RESPEITO À SEGURANÇA

Manter a paz e conseguir urna sensação de segurança emocio-


na! é o mais importante para o filho de um pai de estilo explosivo.
S'IEPJ L-\--N B. POLJITER

A. saúde mental normal e o desenvolvimento emocional ad


baseiam-se no grau de segurança emocional e estabilidade que umi
criança experimenta ao crescer. Desde muito pequenas, as crianças
aprendem que não estão seguras quando os adultos gritam sem razão,
batem nelas, gritam com elas ou agridem um ao outro. Para evitar
que ocorram essas situações fora de controle, adotam qualquer tipo
de comportamento que mantenha a paz.
Se você passou por uni problema semelhante, fazer seu pai feliz
era o tema predominante da sua infância. Sua vida girava em torno
das mudanças de humor de seu pai e da sua capacidade para controlar
a cólera dele. Como resultado dessa necessidade natural de manter a
paz com seu pai, é possível que você tenha desenvolvido uma obsessão
por controle. Às vezes os outros descrevem essa conduta dizendo que
você age Como um controlador compulsivo. Um dos seus problemas
no trabalho pode ser sua luta com as questões de controle, confiança
e evasão. Todas essas condutas têm origem na opressiva ansiedade
que você sentia quando criança. Como adulto, recorrerá a qualquer
coisa para evitar esses sentimentos aterradores.' Quase todos os
transtornos de ansiedade originam-se nesse estilo cie paternidade. O
problema básico está na imprevisibilidade emocional de seu pai. Essa
incerteza sobre oseu futuro, por exemplo, pode ter ocorrido quando
seu pai chegava a casa do trabalho ou quando suas notas chegavam da
escola. Esses eventos ajudaram a criar um estado constante de terror
cm sua mente e em seu coração. Como duraram muito tempo. esses
niedos se enraizaram em sua mente, e assim se criou seu transtorno
de ansiedade. A gravidade dessa resposta de pânico em relação ao
futuro baseia-se na experiência que você teve com seu pai quando era
criança. Sua ansiedade pode se estender desde um nível quase inexis-
tente até o extremo. Todo mundo foi construído para ter um certo
grau de ansiedade com respeito à incerteza, mas aqui não me refiro
à ansiedade normal e adequada. 0 tipo de ansiedade que estou dcs-
OF1 OR PAI
134

creve rido é opressivo e pode impedir significativamente sua eficiência


diária no trabalho. Sua ansiedade. a necessidade de controlar e a conduta
evasiVa estão relacionados à conduta de seu pai.

CoMo SE VÊ E COMO AGE UM PAI EXPLOSIVO:


CINCO PEQUENAS HISTÓRIAS

As cinco situações que se seguem podem ajudara ilustrar como


este tipo de pai operava em casa e como ele agia no trabalho. Tente
causado em você. Não se surpreenda
ver o impacto que isso pode ter
com seu grau de negação (sua incapacidade de confrontar a verdade
sobre a influência que seu pai teve em sua vida). Lembre-se de que
a nossa meta é desenvolver intuição e discernimento q fie dará
Poder sobre seu potencial profissional e suas escolhas futuras. Todas
essas experiências de paternidade inodelaram. seu comportamento
atual no trabalho.

PRLVft.IRA STTtAÇÃO. Seu pa i chetava em casa e imediatamente co-


meçava a gritar por causa do lixo que estava no jardim. Sua ira estava
tão fora de controle que ao se aproximar de você, ele lhe batia na
cabeça. E dizia que não chorasse ou apanharia mais. Qual era a única
coisa que havia no pátio? Sua bicicleta. Seu pai passava o resto da
noite brigando e discutindo co m sua mãe e seus irmO5. Você evitava
seu pai saindo de casa OU se escondendo no seu armáriO. No dia se-
guinte seu pai chegava cedo do trabalho e ninguém comentava nada
sobre as brigas e os golpes da noite anterior, lodo dia na escola vocé
se preocupava com o que aconteceria à noite quando seu pai voltasse
para casa. Ninguém na escola sabia nada sobre o seu pãfliCo) devido
às mudanças de humor de seu pai e a sua conduta violenta. Os casos
mais graves desse tipo de paternidade têm o elemento adicional do
uso e abuso de álcool ou drogas (por exemplo, maconha, medicamen-
STEPHAN B. POUETER 1"

tos controlados, estimulantes ilegais), que só aumentavam o perigo


m casa. Quando seu pai estava em casa. sua vida nunca parecia emo-
cional, mental ou fisicamente segura. Sua infância se concentrou em
evitar seu pai e seus acessos de raiva. Essa preocupação precoce com
o medo de seu pai é a base do desenvolvimento de uma grande ansie-
dade em suas relações adultas. tanto pessoais como profissionais.

SEGUNDA SITUAÇÃO. Seu pai chegava do trabalho embriagado. Sua


mãe se aborrecia e mandava seu pai embora de casa. Seu pai o via e
dava-lhe um tapa no rosto, tão forte que você caía no chão; dizia que
diZia
o havia desrespeitado mas VOCê não tinha idéia de por que ele
isso, já que a única coisa que havia feito fira assistir à briga de seus
pais. Estava totalmente intimidado pela fúria e agressão constantes
de seu p Via seus pais brigarem quase toda noite. No dia seguinte,
eu pai não se lembrava de ter-lhe batido nem gritado e reclamado
durante cerca de uma hora pela vida difícil que levava por ter de man-
ter a família. Infelizmente, você se lembrava perfeitamente de todo o
acontecido; na verdade, lembrava-se de todos os traumáticos inciden-
tes que aconteciam toda noite COM seu pai. Entretanto, parecia que
ninguém mais em casa recordava nada desses dramas noturnos.
Alguma manhã depois de outra dessas brigas familiares, seu pai
11 levava para comprar roupa e comiam com prazer e em paz. Vocês
falavam da escola e de como iam as coisas com seus amigos. Essa mu-
dança completa na conduta emocional e mental de seu pai o confun-
dia muito. Por experiência você sabia que não devia confiar no lado
sóbrio e tranqüilo de seu pai, porque era apenas questão de tempo
até ele chegar à próxima explosão. Ninguém na sua família falava dos
ataques emocionais e físicos de seu pai ou sobre seu vício. A evasão de
da.
sua Família sobre o estilo e o temperamento de seu pai era deliberada.
dnica meta coletiva familiar era manter a paz e o status quo. De
acordo com sua mãe, seu pai tinha um bom trabalho e só se compor-
O FroR PAI

tava assim em casa. Dizia que seu pai tinha demasiadas tensões e quL
alguns tragos depois do trabalho o ajudavam a relaxar.
As três situações que se seguem so sobre o impacto atual de sei
pessoal. Estas S() situ-
pai em seu trabalho, em sua casa e na sua vida
que luta para mudar seu fator pa
ações da vida real-1c filhas e filhosm
interiorizado. Descubra como sua sida profissional pode ser afetada
impacto negativo que
pelo fato de você não se ter dado conta do
estilo de seu pai pode ainda ter na sua 'vida.
ara
NioNU-~~ TO PRESENTE. Você volta para-
TFRCL!RA S1TUAÇA0 NO
casa do trabalho e seus filhos e cônjuge o estão deixando louco. Escu-
casa
ta a briga das crianças e seu cônjuge pede sua ajuda aos gritos. Você
cTianças
> e com seu cônjuge
começa imediatamente gritar com as
plodido no escritório
porque a casa está desarrumada. Antes havia ex
ião.
Por uni comentaria agressivo que alguém lhe fez em uma reun
Estava to enojado pela falta de respeito de seus colegas que perdeu
forra com o encarregado do correio por não
as estribeiras e foi à
De volta a casa, começou a se
recolher sua correspondência à tarde-
otas que andavam pela
sentir um monstro ao volante devido aos idi
seu carro começou a gritar
rua durante aquele horrio de pico. Em
com os outros motoristas, mas sem baixar os vidros, para que nin-
guém ouvisse o colapso nuclear que eclodia em sua mente. Quando
sentia unia incrível tensão e firia. Como seu pai.
entrou em casa1
começo1 a gritar com sua família. Infelizmente seus filhos têm medo
de você mas você não) percebe e continua gritando Passa o resto da
tarde diante do computador lendo e-maus e trabalhand0 o que só
contribui para aumentar sua raiva e ressentimento.

TÂNCI AS
A QUARTA SITUAÇÃO SE REFERE TA\IBÉM ÀS CIRCUNS
GOl ÍDI ANAS DO TRABALhO. Antes de sair do trabalho uma sexta-
feira à tardei um chefe autoritário) e rude lhe pede que termine para
ÇITPHAN B. P01LTER

uma semana mte':


unda-feira um projeto que requer pelo menos
trabalho. Você não lhe menciona que tinha planos de viajar com
-rs amigos no fim de semana e que inclusive já pagcm as passagcflS
avião e o hotel. Corno teme urna reação furiosa de seu chefe e
je
provação concorda desgostoSO e cancela a viagem. Seu che-
ia desa
fé não tem idéia do sacrifício pessoal que você fez para satisfaze-10
ncontranesse tipo de situação, e não quer
Você com freqüência se e
decepcionar ninguém. Sua vida sempre está relacionada ao que seus
colegas clientes ou amigos pensarão dc você independente1flete
do que você pense ou sinta. Raras vezes dirá não a alguém ou em
pessoal. Devido à sua incapacidade para
eu trabalho ou em sua v i da
sente-se menosprezado, e seus com-
iar limites claros no trabalho,
upervisores se aproveitam de você.
anheiros e s

Esta é sobre seu tei-u perá mento com


OT.:TNTA E. -Ú 1 --1'MA S1TÀÇAO.
clientes, colegas e supervisOres. Sua intenção não é ser déspota ou
VOC O)
. Seu chefe recebe queixas c0115-
crítico Com SCU pessoaL mas
tantes de sua atitude brusca e agressiva para com seuS companheiros.
compreensão pela
Você trabalha muito e não tem muita simpatia ou
o je teve urna discussão no traba-
mcompetêflcia ou pela preguiça. H
lho com um subordinado e seu -vice-presidente lhe disse que fosse
para casa porque não queria que as coisas se agravassem. Esta não é a
primeira vez que você recebe. urna reprimenda no escritório por uma
exibição dc emoção agressiva e hostil. Na verdade, 'árias vezes você
porque a adminis-
foi descartado para uma importante promoção
cupa com seu histórico de explosões
traçãO com justa razão, se p reo
comportamento
verbais contra os colegas. Você tenta explicar esse
como parte de seu estilo gereflcial moderno. Seu estilo de fator pai é
nIo o de um bom general de guerra (mentalmente duro, agressiVO,
sem medo de nada e desejoso de ganhar a todo custo). O problema
a
zona de guerr e nin-
C(),,, seu enfoque é que o trabalho não é urna
OFATORP&1

guérn quer tratar com você. Sua companhia admira sua excelente áti-
ca profissional e sua produtividade. Mas esses freqüentes confrontos
emocionais acalorados com seus clientes e colegas impedem o seu
progresso. \')ce sabe que "tem génio forte", mas em deterniinadas
circunstâncias é difícil controlá-lo.
Os primeiros dois tipos de situação explosiva lhe pareciam
normais e fizeram parte da sua vida diíria na infncia. Ninguém
questionava a conduta de seu pai ou achava que ela fosse anormal
ou prohleniática. Na verdade, você pensa que pode estar louco por
lembrar-se do trauma diário, pois ninuém mais cm sua família acha
que o problema foi to grrave- Até meados dos anos 1990, as agressões
verbais e de outros tipos, com exceção do abuso sexual, eram consi-
deradas uma conduta paterna normal. Agora você se pergunta como
pode controlar seus sentimentos de maneira positiva para não agir
como seu pai em casa ou no trabalho. SzU medo interior é que, dadas
algumas circunstãncias. sua reação ao estresse do trabalho possa se
parecer com a conduta de seu pai. Você deseja transformar a conduta
de seu pai em uma influência positiva. Entretanto, essas 'explosões"
continuam ocorrendo, e sua vida profissional sofre constantemente
COM isso.

As outras três situações que se referem ao momento atual são


também reações típicas de filhos educados por iiiii pai explosivo.
Em geral, esses filhos se tornarão adultos passivos e complacen-
tes, ou, ao contrario, se mostrarão furiosos, tensos e explosivos no
trabalho e em casa. Enfrentam Problemas de controle da ira, pro-
blemas de ansiedade e problemas compulsivos (por exemplo, o vício
do álcool ou do trabalho). Há duas reações típicas dos filhos desse
estilo dc paternidade. Uma delas é evitar completamente as pessoas,
tornar-se temeroso das confrontações ou de decepcionar as pessoas
e fugir de qualquer situação nova ou potencialmente estressante.
A outra é se tornar mais agressivo e compulsivo do que era seu
STEPHAN B. POLI TER LM

:1osivo pai. Esse estilo de paternidade não é neutro nem


ihurn filho educado nesse tipo de ambiente é indiferente ao -
a sofrido. Não obstante, a maioria dos fllhos adultos do estilo de
:-.aternidade explosivo prefere não recordar OU discutir suas experi-
ências de infância. Alas, .ara realizar mudanças a longo prazo, essas
experiências devem ser realmente trabalhadas e entendidas antes
: se Í 1 iciar o processo de urna mudança positiva na vida pessoal e
ofissional.

FATORES EXPLOSIVOS E\T SUA VIDA PROFISSIONAL

Os filhos adultos de pais explosivos parecem ter algumas carac-


zrística.s por terem sido educados em um lar explosivo e instável. A
ameaça constante de perigo (emociona], mental, físico ou sexual) ou a
\periência real de violência cria algumas características dc conduta
nos filhos. As pessoas que cresceram nesse ambiente amedrontador
entram no trabalho armadas de suas experiências e reações. O que
liga todas os comportamentos crenças e sentimentos de reação às
manifestações explosivas é que essas crianças viveram durante anos
expostas repetidamente a um lar instável. É importante fazer notar
que mesmo que seus pais estivessem divorciados e você Só Vise U
pai a cada três semanas, ainda assim ele pode ter um grande impacto
na sua vida. Não pense que, como não morava com ele ou não o via
diariamente, seu estilo de paternidade deixou de influir no que você é
agora. De todo iiiodo, esteve exposto ao estilo de paternidade expio-
1v0 que impacta sua vida atualmente.'

A lista que se segue contém algumas das condutas mais comuns


de filhos do estilo de paternidade explosivo no trabalho. Coloque
uma marca junto a cada frase que descreva ocasionalmente sua con-
duta no trabalho.
OFVfOR PAI

LisrÁ DOS FILHOS DE PAIS EXPLOSIVOS

• Você se isola no trabalho por medo das pessoas e de qualqu


tipo de autoridade.
• E emocionalmente distante no trabalho (independcntenic nfr
das suas condições de trabalho: em casa, escritório, en:
110
um pequeno negocio, viajando) para evitar qualquer tipo d
conflito, Isso inclui amigos, colegas, clientes e supervisores.
• Sempre busca a aprovação dos demais, no importa qual seja
o seu posto no trabalho Isso cria problemas de identidade
pessoal e profissional para você. Precisa ter a aprovação d
todos.
a Evita qualquer tipo de conflito pessoal e profissional. A
pessoas furiosas e a crítica pessoal em particular o assustam.
Para você. discutir é urna experiência muito atemorizante.
tanto ao participar dela como ao prcsenci-la.
• Você mesmo se transformou em uni tipo explosivo, ou tem
uni consorte explosivo, ou ambos. Unia variação seria a atra-
ção por unia outra personalidade compulsiva, como um vi-
ciado cm álcool 011 em trabalho.
• Experimenta fortes sentimentos de culpa associados à defesa
de seus direitos. É muito mais fácil ceder às exigências dos
demais do que expressar suas opiniões ou desejos. Você tem
uma enorme dificuldade para dizer não a qualquer pessoa,
especialmente a urna pessoa que tenha autoridade sobre você.
Dizer não também lhe provoca uma grande ansiedade.
• Você se julga duramente 110 trabalho e em sua vida pessoal.
Sofre de baixa auto-estima. lèni problemas para valorizar o
que faz e deseja em sua vida profissional.
• Muitas fbntes em seu trabalho, próximas de você, lhe disse-
ram que é viciado CTT1 raiva. Você fl() leva a sério esses co-
SIEPITAN B. POL.TLTER

mentarios, considerando-os más interprctaçõe do


Seu cônjuge e seus lilhos acham que você grita deniais. em
casa, sem raiao alguma.
• Seus companheiros de trabalho o vêem como justo e imar-
cia!, ou Corno arrogante e dominante, e corno alguém com
quem é difícil trabalhar.
• Seu estilo inspira ou aterroriza seus companheiros de
trabalho.

E importante que você entenda essas dez frases sobre caracter-1-5-


ucas e condutas comuns de filhos de pais explosivo para poder iniciar
o processo de mudança. Para que sua vida profissional progrida.
fiindamental entender e modificar as se'uintes situações e sentimen-
:os: tentar agraciar às pessoas, evitar conflitos, as condutas compul-
sivas, a baixa auto-estima e a culpa excessiva ao estaheleccr limites
pessoais. Em nenliunia profissão essas características podem taZ-lO
ascender no escalão corporativo. Independentemente da sua situado
no trahalho. essas condutas são contraproducentes para sua vida e
eU I)efll-estar. A razão para mudar é que esses problemas se tornam
mais intensos a cada ano e a cada crise pessoal. Algumas das frais
anteriores têm a ver com sua persoiialidadc e conduta no trabaI ou
na vida pessc)al
Ter um pai explosivo o assustou, e o medo tem muitas riun
de permanecer ativo na sua vida profissional atual. Por ei o
horror de sobreviver a todas as diferentes formas de agres -
dicou profundamente a imagem interior que tem de si
VOCê
que pode ser passiva ou agressiva - mas o ideal é que tosseequi-
librada e profissional. Urna das metas deste livro é m!kiar stm lura-
em interior de si mesmo e suas crenças, para que no reaja mais aos
desencadeadores emocionais, mentais ou físicos da sua relação com
seu pai. Cada estilo de paternidade carrega sua própria bagagem: esse
142 O FATOR PAI

estilo em particular carrega o segredo emocional e nflo diaqnosttca(10 Li


ansiedade. A quantidade de ansiedade que você mantém sempre à tona
é considerável. Quer você se encontre no trabalho, impondo o seu
poder pessoal OU assustando 0)5 amigos e colegas com sua ira, suas
condutas são guiadas por urna ansiedade escondida e não tratada.

O SEGREDO DA GRANDE ANSIEDADE

Nos primeiros quatro capítulos falamos de alguns dos impedi-


mentos psicológicos mais importantes que resultaram da conduta
de seu pai. Esses problemas, se não forem atendidos, prejudicarão
o crescimento profissional, a satisfação pessoal e o potencial de urna
pessoa. No capitulo 3 expusemos os sete obstáculos principais que
impedem a construção de urna vida profissional bem-sucedida e po-
derosa vergonha. insegurança, falta de concentração, falta de moti-
vação. falta de responsabilidade pessoal, imaturidade, emocional e ira,
medo do fracasso). A insegurança e a falta de concentração são dois
desses obstáculos e duas características psicológicas da ansiedade.
Qualquer discussão sobre a ansiedade deve ser entendida no contexto
desse estilo de paternidade explosivo. Antes de continuar avançando
em nossa discussão sobre a ansiedade e relacionar tudo com você, é
importante não minimizar o terror que, como criança, você experi-
mentou com esse tipo de pai.
Christinc é urna mulher solteira de 26 anos, filha de um pai explo-
sivo. Ela veio me ver devido a sua ansiedade, sua perniciosa insegurança
e a falta de perspectiva em sua vida pessoal e profissional. Sabia que algo
andava mal e já era tempo de enfrentá-lo. Desde o bacharelado, Chris-
tine seguia um padrão de sempre agradar is pessoas, tentar resolver 0)5
problemas de todo mundo e se preocupar demais com o que os outros
pensavam dela. Ela se sentiu totalmente oprimida pela temporada de
comemorações de um certo final de ano e por todas as atividades que
S1LiP1-LS W POCI LER

:so implicava. Trabalhava pelo menos cinqüenta horas por semana


como proprietária e profissional de um salão de beleza, e atuava como
a 'figura materna" para as outras dez profissionais. Apesar de só ter 26
anos, Christine sempre experimentou um grande prazer pessoal cru
cuidar de suas colegas. de sua clientela - predorninanteme11tC masculi-
na - e de seu grupo de amigas. Mas as coisas haviam mudado; o antigo
padrão de agradar às pessoas já não estava funcionando, e isso estava
lhe causando grandes problemas pessoais e profissionais.
Christine tinha no salão um profissional Bili, que ela suspeitava
de que a roubava. Ela o confrontou, mas ele negou; na verdade, suge-
riu que ela o "assediava sexualmente" porque ele era o inico homem
no saldo. Christine declarou:

Nunca ninguém me acusou de ser desonesta ou esquiva. Quando


mediatamente mc senti corno urna
Rui começou a gritar comigo.. I
nienininha. Quase lhe pedi desculpa por ter pensado que ele pode-
ria ter feito algo assim. A insistência de Bili em sua inocência me fez
duvidar imediatamente de meus próprios pensamentos e opiniões.
com
Ele me agrediu verbalmente da mesma forma que meu pai fazia
minha niãe e comigo. Minha fraqueza me deixou tão abalada que
nio despedi Bili. Pior ainda, disse-lhe que certamente havia co-
metido um erro. Felizmente, poucas semanas atrás ele se demitiu.
Preocupa-me não ter capacidade de reação quando as pessoas SC
aborrecem comigo. Se um cliente espera mais de dez minutos para
ser atendido, não lhe cobro.

Pedi a Christine que me descrevesse o estilo de paternidade de

seu pai. Fia respondeu:

\ieu pai era uni pesadelo.. Chegava em casa do trabalho embriagado

011 de mau humor. Depois começava a brigar com minha mãe. Sem-
144 O I1IO1. PAI

pre que meus pais brigavam, eu me assustava e me preocupava. Fies


se divorciaram quando eu tinha 13 anos. e fl1iflha mie desmoronou.
Depois disso, eu me encarreguei dela, e até agora o faço. Eu fazia
o trabalho da casa, preenchia os cheques e pagava as contas. Ne-
nhum de meus amigos sabia de tudo o que eu fazia em casa. Minha
M ãe ficou um ano sem sair do quarto. Eu ia ver meu pai todo fim
de semana, e ele gritava comigo 1xr no ter a devida consideração
Por ele. Quando se aborrecia demais insultava-me horrivelmente.
Nunca estava contente cornio i cn o que eu fazia. Agora critica
a forma como conduzo ü meu : sempre tentei aiudar meu
pai e minha mãe a serem fe1ize. Parece que nunca funcionou.

Depois de me descrever o esrio de paternidade de seu pai e a


carga emocional que havia sustentado na família, Christinc come-
çou a enxergar as conexões desses fatos com seu próprio estilo no
presente.
Nos meses seguintes ela começou a considerar sua Falta de pers-
pectiva, as dáviclas sobre si mesma e a incapacidade para ter opinião
própria como sintomas de sua angústia subjacente. Ela se empenhou
em enfrentar os problemas provocados pelo relacionamento com seu
pai. O passo mais importante que deu foi começar a se tornar cons-
ciente de que a sua conduta no trabalho era urna reação ao tempera-
mento explosivo do pai. Pela primeira vez na vida Christinc entendeu
que muitas de suas atividades e escolhas no trabalho e em sua vida
pessoal eram guiadas por sua ansiedade não tratada. Ela se deu conta
de que o fato de se esquivar dos conflitos. de ser sempre a pessoa que
mantinha a paz, de ser tão inseurança. de ter urna baixa auto-estima
e de necessitar da aprovação dos demak. tudo isso estava relaciona-
do ao seu fator pai. Uma vez que percebeu essa relação, Christine
melhorou seu desempenho no salão de beleza, com os pais e, o mais
importante, consigo mesma-
STEPFL.ç i. POL1TER

A conduta de Christine é muito comum em um filho de pai ex-


plosivo. Muitas pessoas trabalham bastante para compensar sua an-
siedade, que tem raízes na infância. Observe as seguintes descrições
de condutas ansiosas e qualifique a si mesmo e ao grau de ansiedade
que carrega para o trabalho.

VOCÊ É ANSIOSO? O CICLO DA ANSIEDADE


E O PENSAMENTO ANSIOSO

A ansiedade é considerada urna reação normal se ocasionada por


um perigo real e dissipada quando o perigo deixa de estar presen-
te. Se o grau de ansiedade é demasiado desproporcional ao risco e
à possibilidade do possível perigo, e continua mesmo quando já não
existe o perigo objetivo, então a reação é considerada anormal.` Por
esta descrição você pode ver que as raízes da sua ansiedade podem ser
rastreadas em suas experiências com seu pai explosivo.
As perguntas e descrições que se seguem foram elaboradas para
mostrar corno você lida com sua ansiedade na sua vida profissional e
em seus pensamentos. Tente observar de que forma a ansiedade afeta
suas escolhas profissionais e pessoais.

MINIMTZAÇÃO. Este é o processo de pensamento mediante o qual


podemos reduzir a importância das nossas competências no trabalho,
em casa e na nossa vida pessoal. Menosprezamos nossos recursos pes-
soais, talentos e potencial profissional. Convencemo-nos de que, na
realidade, não somos tão capazes e inteligentes ou de que não ternos os
conhecimentos ou a experiência para realizar o trabalho ou lidar com
a situação. Não importa qual seja o caso, não somos suficientemente
(preencha o espaço). A sensação de ser inade-
quado constitui urna ansiedade subjacente que pode manter sua vida
profissional paralisada durante muito tempo, e é muito frustrante.
146 O FAtOR PAI

ABSTRAÇÃO SELETIVA. Este é o processo pelo qual supereStiTflalfloS


nossas supostas debilidades profissionais. E normal sentir-se incô-
modo em novas situações de trabalho: o problema é evitar constante-
mente os novos desafios, trabalhos ou promoções devido a uma séria
suhestimação de suas habilidades ou talentos. Você atribui mais valor,
energia e poder aos seus pontos fracos do que a seus pontos fortes.
Você se concentra no que não pode fazer, em vez de fazê-lo naquilo
que pode. Fica muito niais à vontade quando defende suas limitações
do que seu potencial profissional. Es processo de pensamento lhe
parece tão natural como respirar. você riem sequer questiona a irra-
cionalidade desse raciocínio.

MAGNIFICAÇÃO. Isto é "fazer tempestade em copo digua". Enquan-


to a abstração seletiva implica você se concentrar em suas supostas
debilidades, a magnificação significa que exagera a iniportància e o
valor dessas débil idades ou problemas. Você está sempre preocupado
de que seus amigos vejam suas debilidades COmO falhas pessoais ou
de ética. Por exemplo, você tem medo de falar em público? E. muito
provável que evite qualquer situação ou posição que requeira falar em
público. Você exageraria a importância do seu medo de falar porque
as pessoas poderiam pensar que você é pouco inteligente ou um mau
administrador. O fato de não ser um orador talentoso significaria que
seus colegas pensariam mal de você ou não o respeitariam. A idéia
de conseguir ajuda para se converter em uni melhor orador possivel-
mente nunca lhe passaria pela cabeça. Você esta convencido de que
essa limitação paralisa sua carreira. O rohlemíi real e'o modo como pensa
a respeito disso e sua incapacidade para superar esse bloqueio mental e
emocional.

C.VI'\STROFISi\IO. Isto é a ampliação da magnificação. É o impul-


so incontrolável de exagerar a nnportancia de uma ação, problema,
STFPH-AN W POULTER

conflito pessoal em particular e imediata-


circunstancial situação) OU
imaginar o mais terrível resultado que jamais poderia ocorrer.
mente
Quaiquer tensão se converte em uma 'criSe" com esse tipo de reação.
uma minis-Série de desastres, um
Sua vida prolssio11al cotidiana é
atrás do outro. A capacidade de manter uma perspectiva clara em
proSSiOflàl e pessoal estão
ntualidade é inexistente. Sua vida
uma eve
, real ou inaginrio. Este estilo)
sempre cheias de iminente "drama" VOCC
muito desgastaflte emocional e mental eflte, para
de reação é
cerCalil. Uni dos probleIis a longo prazo é
e para as pessoas que O
s venham a chama-lo de a1armista". Depois de tantos
que seus colega
o levem a sério se estiver diante
falsos alarmes, pode ser que á não
de um verdadeiro perigo iminente, devido à sua história de reações

excessivas e pro blemas no trabalho. resposta


O diagrama que se segue rode explicar melhor o ciclo de
interna que seu fator pai representa em sua vida prohssionaL O funda-
(cognitit't' behavkral tbcrapy).
dor da terapia comportail ntal cognitiva
lis desenvolveu unia sequência de reações em quatro pas-
Albert El
Tente observar no padrão de pensamento como) os quatro tem:i
[uma resposta natural
inenCiOfl110 se COflVCFtCll e,,-
anteriormente
ossiomaL Este procesSO de pensamento é o probkma
em sua vida pr
daqueles que sofrem de ansiedade e têm reações exageradas.

Pensamento - Sentimento -+ Comportafl1to


Evento --¥

vCfltO. OSO a co-


ido o que experimentamos na vida é um
O passo eguine é: o que
levant13r1105
meça com o evento de nos
característica do pai ex-
achamos desse evento? 1nfeliymCfltC, outra
pcnsalllento negativ0 que produz sentunentOS negativos
plosiv() é O -
Urna vez escutei urna patética analogia sobre a an
e autodestrUtv 5. segue11/
segue/li seus pensafl!efltoS co/no os patiiibs
siedade: Suas emOçoes
que ri mdc saiba aonde zai. Como sempre esta-
sua mãe. Isso no .signfi71
O FATOR PAT

mos pensando todos nós baseamos nossos sentimentos e condutas n


que pensamos em resposta aos eventos. Essa cadeia de pdnsamcntc
de quatro passos é universal e funciona todos os dias no trabalho.
Os adultos ansiosos tendem a ter pensamentos negativos e em geral
não consideram a possibilidade ou oportunidade de que exista outra
opção ou resultado positivo. (1) resultado dessa forma de pensar é
a nossa conduta, q impacta nossas escolhas profissionais,nossas
decisões diárias de negócios e nosso funcionamento profissional.
Afinal, os sentimentos, condutas e reações ansiosos provém de
nossos pensamentos negativos. desenvolvidos na ii'tfância sobre
o nosso potencial profissional. o mundo e o nosso lugar nele. Para
poder rastrear o ciclo negativo de pensamentos e sentimentos, é ex-
tremamente valioso entender as experiências emocionais precoces
que tivemos com nosso pai. \LUS uma vez é importante assinalar que
todo o nOSSO discurso sobre os pais não é para culpá-los ou acusá-
los. O línico objetivo que vale a pena é ol:ter intuição e sabedoria
para conseguir a coragem de mudar nosso fator pai interiorizado no
trabalho. E muito tentador deixar-se arrastar pelo caminho da culpa.
mas ele não leva a lugar algum e é muito difícil abandoná-lo urna
vez que comecemos a trilhá-lo. Quantas pessoas conhecemos que
constantemente culpam os progenitores - em especial o pai - por
seus relacionamentos desastrosos. escolhas deficientes no trabalho e
investi mentos perdidos?
Compreender que você pode mudar, expandir-se e criar novos
pensamentos sobre sua vida pessoal e profissional é a saída para solu-
cionar um estilo de vicia ansioso e reativo. Os adultos não se colocam
flCSSC 1mhito de pensamento negativo constante em que o mundo é
viSto com ansiedade de manhã à noite. Os rompantes de raiva. o VÍCiO
em substâncias a necessidade de agradar às pessoas e evitar confli -
tos, tudo isso tem origem nesse simples ciclo de pensamento ansioso.
\Tudar sua conduta, o que obviamente mudará o curso da sua vida
STEPHAN 13. POIJLTER 14(J

profissional, o potencial de ganhos, a posição de responsabilidade e a


auto-estima - tudo começa com seus pensamentos. A exposição crô-
nica a um pai explosivo que não o apoiava, não aprovava o que VOCê
fazia nem era paciente com você inculcou-lhe crenças defeituosas e
ansiosas sobre você mesmo que se traduziram em seu papel no tra-
balho e cm sua vida pessoal. Seus pensaineflt5 são o rntor da sua vida
e seus sentimentos sempre vêm depois, e mio o conTrÉriG A ezes nossos
pensamentos são tão rápidos e inconscientes que nio os reconhece-
IfloS; só reagimos diante deles e os sentimos. E dificil começar a deter

os pensamentos e redirecion-los.

DETER OS PENSAMENTOS E REDIRECIONA-LOS:


MARLA & GARTH

A melhor maneira de ilustrar o poderoso conceito de deter os


pensamentos e desviá-los depois de anos de condicionamento é me-
diante os exemplos de Maria e Garth. A primeira história trata de
Marla que era regularmente propensa a ser explosiva, enquanto
Garth era propenso a ser um gerente 'nervoso", o dia todo. todos
os dias. Os dois profissionais encontraram um meio de mudar seus
padrões de pensamento e de recriar seu pai interiorizado como uma
força positiva cm seu trabalho.

A história de iar1a

\'Tarla tem 34 anos, é assistente social, formou-se na Universida-


de da Califórnia e trabalhou por mais de dez anos no condado de Los
Angeles. \1arla é solteira porque, dada a opressão do seu trabalho,
não quer ter a responsabilidade adicional de uma relação. Sua carreira
ficou estagnada devido à sua reputação de ser agressiva com os cole-
150 (.) FATOR kU

gas, clientes e supervisores. Recentemente recebeu sua revisão anu-


--
nua
de desempenho, em que foi descrita como urna mulher destruidon
dc
A razão de a supervisora de L\Iarla ter sido tuio (lura em sua crítica é o
enfoque essencialmente direto e prático de Maria perante o trabalho.
OS clientes e os colegas. Seu limite de tolerância para com os proble-

mas que encontra é muito baixo, e ela não é considerada urna pessoa
calorosa ou enipática. Com o passar dos anos, as pessoas disseram a
Maria que ela tende a ser verbalmente agressiva, exigente, inflexível,
intolerante para com as diferenças profissionais e aniquiladora. \1arla
foi me ver por sugestão da sua supervisora.
Perguntei a MarIa sobre sua relação com seu pai, e esta foi a sua
resposta:

Quando eu era menina, meu pai sempre estava aborrecido. Tudo lhe
parecia uma crise no trabalho ou um desastre cru casa, Parecia que
nada nunca estava bem. Quando papai se irritava, gritava e insulta-
va minha mãe e a mim. Ocasionalmente, aborrecia-se de verdade e
batia na minha mãe. Sempre havia tensão em casa, até que meu pai
morreu, quando eu tinha 16 anos. O dano já estava feito; ambas,
minha me e eu, tínhamos ficado traumatizadas com toda aquela
raiva e as agressõe'. \int' anos mais tarde, ainda OUÇO a voz de
meu pai no fundo da mente quando faço algo errado. Realmente me
espanto quando me vejo gritando com os clientes e com os colegas
Cdflflo papai fazia comigo.

Perguntei-lhe se via conexão entre sua vida atual, suas circuns-


tâncias de trabalho e sua relação com seu pai, apesar de ele ter mor-
rido vinte anos atrás. Marla disse: "Sempre me perguntei que tipo de
impacto essa gritaria noturna teriam tido no meu psiquismo. Alinha
mãe é depressiva e nunca se recuperou da morte e das agressões de
meu pai. Eu me tornei agressiva tomo ele porque sou urna mulher em
STFIHAY B. pouI:1ER 151

um mundo de homens. É duro ser mulher e os homens não acredita-


rem no meu potencial. Essa é urna das razões pelas quais me preocu-
po em ser líder no trabalho e com meus clientes".
Depois de debater a seqüência de pensamentos ansiosos, que é
constante, Maria se deu conta dos efeitos a lono prato do fato de ter
sido criada por uni pai explosivo e do modo como isso afetou sua vida
profissional. Começou a ver que o seu próprio comportamento explo-
sivo nulo era efetivo ou positivo em sua vida. Na verdade, a dor e a sen-
ação de rejeição que experimenta\ a no trabalho e suas avaliações de
desempenho deficientes foram o catalisador para que ela começasse a
:epensar sua atitude. Também pôde entender que sua raiva constante,
.1 baixa tolerância para com a frustração, a insegurança e a falta de con-
'entraço em sua vida profissional eram o resultado de ela se preocupar
excessivamente com suas circunstâncias. Sua ansiedade baseava-se no
ambiente violento e explosivo ao qual sobrevivera. Nunca tinha parado
para pensar que muitas de suas respostas no trabalho se baseavauii em
suas experiências precoces da infiincia, e que estas nioklavam muito
mais do que imaginava suas relações e seu desempenho no trabalho.
Nos meses seguintes, Maria tentou uma abordagem diferente,
muito mais cooperativa de empatia e paciência com seus compa-
nheiros e clientes. Descobriu que sentia muito) menos ansiedade e
era muito mais eficiente e produtiva. Maria também descobriu que
alguns homens que considerava atraentes estavam agora interessados
em sair com ela. Sua ansiedade diminuiu consideravelmente, e sua
relação agressiva com as pessoas mudou bastante.

.4 bistórii de Garth

Garth, de 42 anos, é advogado de um escritório de advocacia de


Chicago. Desde o segundo grau, luta contra urna ansiedade para-
lisante, ataques de pânico (que incluem sintomas de aceleração do
O FAT( )R PAI

coração falta de ar, perda da visão , medo de morrer), fobias sociais


(medo de interagir com as pessoas e medo de lugares públicos), timi
dez excessiva e lilCd() crônico da rejeição. Esse quadro sempre se am-
pliava quando os prazos das ações do tribunal estavam para vCflCCt.
COM
os depoimentos que devia colher e ao interagir com seus colegas
ou com o advogado da outra parte.
Garth cresceu como o mais velho de três filhos ciii unia peque-
ria comunidade litornea no norte da Califórnia. Seu pai, David, foi
engenheiro aero-espacial entre 1950 e 1980, até que se aposentou em
1988. David era o clássico pai explosivo, que disciplinava os filhos aos
gritos. Garth cresceu com medo das explosões verbais do pai com
seus irmãos, sua mãe e com ele próprio todas as noites. Garth conta
que, como era o mais velho, era o que ouvia os piores insultos do
pai. O incomum dessa história é que Garth é o extremo oposto no
espectro dos filhos de pais explosivos. Maria é do tipo agressivo e
aniquilador1 e Garth é o menino passivo e obediente. As diferenças
flO
trabalho pareceriam resultado de diferentes tipos de paternidade
mas esse não é o caso. Maria e Garth têm reações diferentes ao mes-
mo tipo de estilo de paternidade aterrorizante.
Garth é muito) inteIigente se expressa muito bem, é um exce-
lente escritor e ótimo negociador. Recentemente foi rejeitado para
uma promoçao na firma devido às suas características complacentes
(evasão de con fl itos., incapacidade de dizer não, passividade, bus-
ca de aprovação dos demais). Garth trabalhou sem descanso tios
u1timos quinze anos para ser promovido. Sua média é de 2.500 a
.600 horas/cliente faturáveis ao ano, o que significa mais de 50
horas/cliente por semana, algo incrível cm qualquer firma de ad-
vocacia. Devido à rejeição que sofreu . Garth começou a ter ataques
de pnico quando ia ver algum cliente. Quando trabalhava em Los
Angeles, ele foi me ver para descobrir e entender o que estava acon-
tecendo com etc.
STEPI-{AN B POUtrEi. 153

Perguntei-lhe o que mais o assustava no fato de não ter sido pro-


movido dois meses antes. Esta foi a sua resposta:

Toda a minha vida tive medo de no ter êxito. Toda a minha iden-
tidade gira em torno desse trabalho e de me convidarem para ser
sócio da firma. Meu pai riu muito do meu fracasso e me disse que

nunca serei um bom advogado. Alinha esposa também me critica


limito e diz que preciso tomar aulas de assertividade para que não
tornem a me ignorar no próximo ano.
Essa decepção foi terrível
para mim. Trabalhei em média seis dias por semana para obter essa
promoção, e agora temo que jamais vá consegui-Ia. O diretor
SÓCiO
que está rio escritório de Chicago disse que perdi por dois votos1
devido às minhas características e comportamento complacentes.
Os dois sócios que votaram contra mim acham que não sou sufi-
cientemente forte para lidar com a pressão de ser sócio de uma firma
internacional de advogados. É verdade, sou muito complacente, e
isso sempre funcionou até agora. Consigo ter paz no trabalho, na
minha casa e com meu pai.

Perguntei a Ganli se a sua ansiedade crônica, os Sentimentos


negativos e o pensamento catastrófico eram condutas novas. Ele
respondeu:

De modo algum Venho me sentindo assim hÁ anos, mas obter a


promoção para sócio era uru riiodo de manter meus sentimentos sob
controle. Agora temo que meus colegas, associados, clientes e sócios
não me respeitem ou pensem que não SOUuni advogado capaz. Te-
nho vontade de desistir da advocacia e me converter em instrutor de
pesca em Montana. Sei que parece estranho, mas estou tão cansado
das pessoas e do que pensem de num e de ser obrigado a ter êxito,
que estou chegando ao meu limite. Desde a votação, minha esposa
54

tem atido e me tratado como o fazia meu pai quando eu era garotei-
Acha que eu sou estúpido e covarde por não enfrentar os socios que
votaram contra mim. o estou de acordo, e me sinto ressentido
com meu pai e com ela porque estao sempre me criticando.

Durante os doze meses seguintes, Garth ia me ver quando esta--i


na cidade e começou a enfrentar seus pensamentos ansiosos. Pela pr-
meira vez começou a se dar conta de que seu estilo de trabalho @ es-
tava impedindo de progredir e de que precisava mudar rapidamente.
Também foi a primeira vez que ele estabeleceu um vínculo cognitiv:
entre a influência de seu pai e sua ansiedade crônica. Garth tornou—se
assertivo e menos preocupado, com a opinião que seus colegas
tinham dele, e conseguiu deter o cicio de pensamento negativo que
havia desenvolvido como resultado de suas experiências na infância
\indou a maneira de enxergar a si mesmo, a seu trabalho e a sc
mundo pessoal. () pai e a esposa de Garth não conseguiam acredita-
na sua transformação e na sua demonstração de poder pessoal. N
votação seguinte, Garth foi finalmente eleito sócio da firma.

REsuMo

O primeiro passo para mudar o impacto de seu pai é você tomar


consciência do padrão de resposta normal de uni adulto a um evento
cotidiano, conforme o diagrama de Alhcrt Ellis.

Evento - Pensamento - Sentimento - Comportamento

Esta fórmula do funcionamento da nossa mente faz ou desfaz


nossa qualidade de vida. Parece muito simples, mas é de capital im-
portância para entender e mudar seu ciclo de pensamento. ()s pen-
sarnentos que você tem quando está ansioso ou estressado podem
STEPI A\ 1 F()[. Li[1R

ocorrer tio rapidamente que chegam a parecer incontrohuvejs e imu-


veis. Quando começar a reconhecer e rechaçar os pensamentos ne-
tivos que geralmente lhe passam pela mente durante unia situação
P
Tj)moda, seus novos sentimentos PoSitivos Corporais e emocionais)
T20
se converter ciii informações e ferramentas para a mudança. Este
diagrama pode começar a explicar por que você age, reage e se com-
porta de determinada maneira. O mistério se reduz muito quando
VOCê entende Como operam seu diálogo
e seu pensamento i nternos.
Jentro deste m odelo co nitivo de pensamento.
Outro segredo importante é entender seus pensamentos e creu-
ças. Escreva nurri papel as crenças que governam sua conduta. Por
exemplo, pode acreditar que se não for agradável, as pessoas não vão
apreciá-lo. Também pode acreditar que (leve ser capaz de lidar com
sua vida profissional sern nenhuma ajuda ou apoio externo. Esse tipo
de crença compõe o material que limita suas escolhas e seu funcio-
namento no trabalho. Em seu diário de crenças pessoais você pode
usar os te rmos descritos neste capítulo (minimiaçdo, abstração seIeti,,
mani/iciçào e catíistrofismo) para ajudá-lo a identificar seu modo de
pensar e sua atuação profissional.
Agora que você entende melhor o estilo de seu pai, pegue as in-
formações e aplique-as em sua vida atual. Sua maneira de pensar é
a mola propulsora da mudança do seu fator pai interiorizado e da
direção da sua vida profissional. Ao descobrir os mecanismos do
seu processo mental e emocional, a direção da sua vida está em suas
mãos. A maioria das pessoas finalmente deseja ter esse tipo de con-
trole e poder pessoal. Você também? Se respondeu afirmativamente,
continue lendo. Se esse conceito o assusta, volte a ler este capítulo e
veja qual pode ser o bloqueio mental e emocional.
—Capítulo 6
1\'IULHERES E HOMENS PASSIVOS
FECHAR A BREChA

Sempre penso em meu pai. Ele nunca parecia milito emocionado


ou triste: simples-mente. nllnfd demon.rtrava seus sentimentos. Se
o tivesse feito. isso teria me ajudado. Era firme e estdvel. Eu an-
siava ter seu enfoqu? simples e direto da -L-ida. Meu pai nunca en-
tenderia todas as cxigê;zias da minha vida pessoal e profissional.
David, 37 anos

Sempre que lllt'U paz chegava em casa, ia diretamente para a


poltrona da sali. Passava toda a tarde ali, lendo Jornal e vendo
televisão. Idos brincávamos dizendo que se ele não estava morto,
com certeza havia dormido novamente na poltrona. É assim que
me lembro de meu pai. Gostaria que ele tivesse me dado mais
atenção. .-1cho que, definitivamente, minha vida seria difirente.
Brencla, 43 anos

O estilo passivo de paternidade é claramente diferente dos dois es-


tilos anteriores. Este pai não é particularmente agressivo OU altamente
expressivo em nenhum assunto faniiliar, profissional ou pessoal. Ele
personifica o pai estável, firme, trabalhador, calmo e emocionalmente
reservado OU ausente. Esse homem nunca contemplaria ou participa-
ria de nenhum tipo de conduta destrutiva ou linguagem violenta Com
STEPI-L\N B. POU LTER

i iha h11io colegas de trabalho ou amigos. Inclina-se mii a Sier


bservador da vida e um membro periférico da. família. O concà-
itual de expressar os sentimentos lhe teria K1(1 totalmente etranho
eio faria parte da sua visão de mundo.
O pai passivo era emocioriàlmcflte distante de seus filhos. A ne-
ces,sidade humana básica de C0flCXO emocional entre uni pai e seus
os ti nau mente desencadeou urna revoluÇãO cultural de amor e inti-
hde a partir do final dos anos 1960. Mas nem todos os pais segui-
ram esse caminho. O pai distante fez com que os f1hos satisfizessem
Sul-i, necessidades emocionais fora dessa relação primária. Os filhos de
um pai passivo tendem a duvidar da sua capacidade para se comunicar
e ter relações pessoais e profissionais significativas. Existem muitas
coisas que os filhos de pais paSSiVOS fazem bem (têm uma excelente
ética profissional e valores estáveis e comprometidos) mas o legado de
distancia emocional é um problema crítico que devem resolver.

QUEM É O PAI PASSIVO?

O pai passivo trabalhou regularmente na mesma companhia des-


de que a guerra terminou até a aposentadoria, quarenta anos mais ais-

tarde. Sua ética projis.vioiial baseava-se em compromisso, honestidade e res-


ponsabilidade. Esses valores centrais sólidos foram adotados por você.
Esse tipo de pai valorizava sua vida profissional em termos de estabi-
lidade e a tornava sua prioridade máxima. Criar os filhos significava
ser um excelente provedor financeiro. A. mãe era o agente emocional
da família, enquanto o pai financiava seus projetos e decisoes. O pai
passivo raramente se envolvia na vida emocional da família, parti-
cularmente nos aspectos formativos da paternidade. Era um acordo
tácito nesse tipo de dininica familiar que as mulheres cuidassem dos
filhos enquanto os homens trabalhavam fora de casa. Essa era a prá-
tica familiar e a divisão de trabalho padrão.
15 S O FfOR PAI

O pai passivo jamais iria às consultas odontológicas de seus filhos


não assistiria às reuniões de pais e mestres nem planejaria uma fest
de aniversário. Sua aparente falta de participação n() era por falta
de amor ou interesse: simplesmente, esse tipo de conduta Formativ
paterna não fazia p-arte da perspectiva da sua geraç1o. Os lionien
dessa época não davam muita atenção às questões essenciais do bem-
estar da família, que eram claramente parte das atribuições materna
Fie tipificava a separação entre família e trabalho (que não é nnhitr
diferente da separação entre a Igreja e o Estado. Cada uru tinha seu
próprio reino. O pai colocava sua energia na sala de reuniões não na
sala de estar (metaforicamente).
Em finais dos anos 1960 e prmcipios dos 1970 foi iniciado um
lento repúdio dos papéis típicos dos homens e das mulheres no tra-
balho, no lar e no terreno social. As mulheres e os filhos passarafli a
ver o pai passivo como uma força opressiva e um obstáculo para o seu
crescimento emocional. Esses pais em geral não tinham idéia de que
a sua conduta causava tanta dor e conflito emocional na família. \Tui-
tos deles nem sequer imaginavam que ser um "bom provedor" incluía
a formação psicológica e a participação ativa na vida dos filhos.
.'Vota de adzertência: Ninuérn deve culpar o estilo de paternidade
passivo que foi culturalmente abraçado e estimado tanto por homens
quanto por mulheres. E importante evitar as acusações quando se faz
qualquer tipo de revisão histórica de nossos pais e família. Isso não
ajuda a progredir e cria mais ressentimento.

O PAI PASSIVO: QUEM É ELE?

Todas as atividades e crenças culturais dos pais Pàssios criavam


unia separação indesejável entre eles e seus filhos. A marca distintiva
110) pai passivo é que ele demo/isti i_Ll SCU amor
através de ações, em vez
de palavras. Esse padrão de conduta definiu, para toda urna geração
çrFpHA R. POULIER

ar p€I ::sionais, como agir e tratar as pessoas no trabalho e - -


-
Para os filhos e filhas de pais passivos, a crise se deve ao fato
& terein incorporado os valores dos pais ciii seus próprios pa-
conio profissionais, pais e maridos. E a incapacidade aprendida
se expressar e traduzir seus valores, peiinici'os e sentimentos
em linguagem emocional que Constitui O legado do estilo de pa-
rnidade passivo. Esse bloqueio emocional é muito problemático
ra pessoas de todas as idades tanto na vida pessoal e como na
profissional.
As habilidades de se comunicar com os de.inai.s e estar emocional-
nte ligados a uni projeto, aos colegas e a um (lese nvolvlmento pro-
são necessárias
as para se atingir qualquer grau de êxito. Entre-
:ato, essas qualidades tão necessárias não são OS pontos fortes desse
:tilO de paternidade. O padrão recorrente de ser emocionalmente
tante é um obstáculo importante. O pai passivo nunca enfrentou
i exigências emocionais que tantos profissionais enfrentam hoje em
::a. Os desafios que representam várias mudanças de carreira, o casa-
'.ento contemporâneo e sua divisão de obrigaçõesno lar, assim como
necessidade de uma maior expressão emocional e intimidade, pro-
issional e pessoalmente,têm enchido de pânico muitos filhos e filhas
•Je pais passivos. A ética profissional e a experiência vital de seus pais
?arecelii não os capacitar para isso nem ser urna fonte de consolo. Sua
rofunda desesperança pode ser sentida nas salas de diretorias nos
escritórios, nas reuniões de negócios e em outros aspectos da vida
desses profissionais. A pergunta mais Comum é: como me conecto,
uonmnico e interpreto emocionalmente os pensamentos e sentimen-
tos dos demais? Há muitas coisas que esses filhos e filhas obtiveram
dos pais, mas o grande erro é o alheamento emocional que define esse
estilo de relação.
16() (1) FATOR PAI

PAT, MARK, LAURA: TRÊS GERAÇÕES D(I) FXFOR PAI

Para entender plenamente as implicações de ter sido criado -


um pai passivo, vejamos a relações entre o avó aposentado Pat -1
anos), seu filho Mark 56 anos), um profissional, e a neta, recéiii-r-
mada na universidade. Laura (23 anos). Pat, um clássico pai passiva.
teve tinia vida pessoal e profissional admirável. Esteve casado e feliz
com a mesma mulher durante mais de 55 anos; teve urna excelente e
satisfatória carreira na indústria aeroespacial, na área de de.sen o-
vimento de satélites, e manteve boas relações com os três filhos. N
verdade, i\iark não consegue recordar nenhum momento em quc
seu pai tenha se queixado de algo ou tenha se aborrecido seriamente
com alguém da família. Quando menino. \íark estava convencido de
que o pai tinha toda a vida resolvida. \ao obstante, a. experiência de
vida de NIark é totalmente diferente da de seu pai, e isso o preocupa
profundamente.
A vida pessoal e profissional de Mark tem sido mais difícil do qu:
Lhe pareceu ser a vida de seu pai. Gerente de investimentos, Mar.
foi recentemente despedido de uma companhia de que gostava. Te!--
err
lutado para administrar emocionalmente esse revés e as resultante,
perdas financeiras que se seguiram a ele. Além disso, divorciou-se
há alguns anos da mãe de Laura. Apesar de ter tornado a se casar.
continua enfrentando os problemas típicos posteriores ao divórcio,
corno, por exemplo, o Sustento de sua ex-esposa e a "competição" pelo
tempo e o afeto da filha. Mark veio se consultar comigo porque sabia
que tinha que fazer sérias mudanças na sua vida pessoal e profissional
para continuar progredindo. Ele me disse que corri freqüência se sente
Como um fracassado e se deprime. Sempre compara sua vida com a d
seu pai e se sente inferiorizado. Essas comparações entre pai e fi1h
são muito deprimentes e criam nele urna sensação de desesperança.
rEpi 1 A\ B. POULFF.R

Sua filha e sua ex-esposa têm dito com freqüência a Mark que ele
= rnocionalmeritc distante e frio. Laura lhe disse repetidas vezes que
- ca trabalharia para eie porque ele não se comunica. Esses comeu-
:iios sobre seu estilo de comunicação não são novidade nem surpre-
para ele; na verdade, antes de ser demitido, .\lark foi advertido de
que os colegas fl o achavam amistoso e de que ele no parecia estar
Inão
t'rticu]a 1-mente interessado nos proietos deles. \lark disse que esta
realmente interessado nos demais. Segundo ele, é uma pena que não
unsiga externar verbalmente a aprovação, o apoio e as impressões
positivas que os outros lhe provocam.
Mark tem tentado conversar Coni o pai, Pat. sobre seus problemas
de cornunicaço pessoais e profissionais, mas Pat faz o que fez a vida
toda sempre que Mark tenta conversar de coração aberto: inchna-se
para a frente como se lhe doesse a cabeça e diz a Miark que não se
reocupe que tudo vai acabar bern. E justamente esse tipoimpas-
(IC
e emocional que tem ensinado Mark a não compartilhar seus senti-
mentos ou pensamentos sobre nenhum problema revestido de carga
mocional. Uma vez, quando tinha 10 anos, A"lark se recorda de ter
ficado amargamente decepcionado porque no entrou na equipe de
astros da liga júnior de beisebol. CheLou chorando em casa e correu
para o pai. Fui vez de consolar o filho e lhe permitir expressar sua de-
cepção. ou mesmo gritar com ele por ser um chorão, Pat ignorou suas
:igi- irias e começou a falar de um assunto completamente diferente.
Essa era a reação cniocioiial normal de Pat com relação aos filhos, à
esposa ou aos colegas.
A tbrma de enfrentar a vida pessoal e profissional de Mark foi
moldada por esse tipo de decepções emocionais que sofreu desde
cedo. 1\'lark está muito preocupado com o fato de sua filia ter o mes-
mo estilo que ele e seu pai. Quando Laura é inquirida a respeito,
torna-se verbalmente agressiva com o pai e o culpa por ser um mau
modelo de conmriicador. Mark trouxe a filha à terapia para falar sobre
162
O }-T-\TOR PAI

o legado paterno de ni() se comunicar e ser emocionalmnefite incons-


ciente com outras pessoas. Corneçarai-n a compartilhar seus pensa-
mentos e sentimentos sobre o divorcio, a vida profissional de ambos
suas relações. Estão de acordo em que o estilo passivo de paternidad:•
ter11
muitos pontos fortes (por exemplo, unia forte ética prohssion
e estabilidade). A distância emocional e a falta de comunicação é qi
S() difíceis de superar.

Através cia terapia, Mark- começou a mudar seu comportamento


no trabalho e para com à filha. Está muito mais Consciente dos senti-
mentos dos outros e da importância de mostrar empatia. Agora qu
foi contratado, o novo caro como gerente de uma conta corporati
de fundos mútuos o deixou muito satisfeito. No processo de entrevi-
tas, Contou que estava desenvolvendo sua capacidade de se Comunicar
e deixando aflorar a empada que tinha pelos colegas. Esse tipo d
revelação foi a qualidade mais apreciada por seu empregador. Es
intuição emocional o distinguiu dos demais candidatos e lhe propor-
cionou um excelente trabalho e um grande progresso na carreira.
Pela primeira vez em sua relação. Latira e Mark saem para jantar
semanalmente e falam de seus problemas pessoais e familiares. Até
então, suas conversas nunca haviam ido além de temas superficiais
coisas sem importância. Laura relata que sua
maneira de se aproximar
dos companheiros e supervisores melhorou. Ela também se deu conta
da distância que mantinha em relação aos colegas de trabalho, assim
Como em suas relações pessoais e românticas. Latira passou mui tc
tempo da adolescência e dos primeiros anos da idade adulta culpando
o pai por ser fisicamente distante e eniocionaltnerlte inacessível para
ela. Agora que Mark está tentando aprofundar sua relação Com Latira.
tem que resolver sua própria reticência emociona! e melhorar seu esti-
lo de comunicação precário. Into Mark corno Laura estâo mudando
ao se tornar mais conscientes do valor e da importância de se envolve-
rem enlocjonalmnente em suas relações pessoais e profissionais.
STEPHAN R POULI'F;R 16-11

\ tUDANÇA DO LEGADO: SUPERAR A NEGLIGÊNCIA

Os filhos de pais passivos crescem perguntando-se como resol-


:r. entender e comunicar seus pensa nientos e sentimentos. As con-
:as aprendidas de ignorar, menosprezar ou evitar as emoções e OS
ntiinentos geram a longo prazo a sensação de negligência para com
a vida pessoal e profissional) Os parmctros de toda saúde mental
e emocional giram em torno de (1) a capacidade de se ter clareza e
discernimento a respeito dos pensamentos e sentimentos pessoais (a
ncgligência impede que se tenha o tipo de clareza necessária para
obter sucesso profissional contínuo); e (2) a capacidade para expres-
r esses pensamentos e sentimentos com um algo grau de paixão e
empatia. No capítulo 5 falamos do ciclo cognitivo divulgado por Ai-
ert Ellis sobre o modo como reagimos: eventos o pensamentos
sentimentos Comportamento. Parte do entendimento desse ciclo
ognitivo é a nossa capacidade para compreender e processar tanto o
que pensamos como o que sentimos.
Vamos dar urna olhada séria na razão pela qual é tão difícil para
tantos adultos superar o legado de um estilo de paternidade passivo,
que por definição ajuda a criar dois dos Sete principais obstáculos tio
ksenvolvimento profissional: falta de motivação e medo do fracas-
- que resultam da negligência pessoal e emocional de que foram
vítimas.
Se quando criança não o envolvem mental, emocional ou fisica-
mente, você acabará por se habituar a negligenciar suas necessidades
desejos pessoais. Isso se refletirá no seu desempenho no ambiente
le trabalho fazendo com que você negligencie o relacionamento com
seus colegas e o seu desenvolvimento profissional. A negligência é
fenómenopsicológico sutil, muito difícil de entender ou modifi-
car. Superficialmente sua vida parece estar bem, mas faltam algumas
peças emocionais, e existe urna ausência de pensamentos positivos
1M O lATO R PAI

a seu próprio respeito. A falta de motivação e o medo do fraca


Possivelmente só aparecerão em momentos críticos no trabalho e
oportunidades de promoçio.
O conceito de ter sido vitima de negligência pode se assemelhar -
areia: é muito difícil reter areia na mãos. E. igualmente difci1 enter-
der a dinãmica da negligência emocional. Outro modo de cntendê-h
é examinar Corno VOCC se sente em relação a suas necessidades e dese-
]OS tanto fl() mflh1)itO
pessoal quanto no profissional. Ao verificar que
importância você dá aos seus pensamentos íntimos, SOflhJs e desejo.
você inicia o processo de sanar o ciclo da negligência em sua vida.
Muitos adultos preferem falir sobre qualquer outro assunto a revelar
a negligência que sofreram na infância.
Uni dos exemplos clássicos que POSSO citar sobre negligência
emocional paterna foi o da minha cliente Gina (42 anos). que nasceu
e cresceu cm Chicago. No inverno, todas as quartas-feiras à tarde,
dos 6 aos 13 anos de idades ela tomava aulas de patinação no gelo.
Duas de cada quatro quartas-feiras seu pai se atrasava de 30 a 45
minutos para buscá-la depois de terminada a aula, de modo que ela
era a áltima criança a ser apanhada pelo pai. LlTll vez por mês, ele se
esquecia completa mente de buscá-la. Gina telefonava para casa urna
hora depois do fui da aula para lembrar o pai de pegá-la. Fia se re-
corda de ficar parada na neve esperando que ele fosse buscá-la. Sentia
vergonha porque as outras crianças eram apanhadas imediatamente
após a aula. já adulta, Gina tem ditculdade para fa/,er e manter re-
lações emocionais próximas com colegas e amigos. Ela acredita que
ninguém está realmente interessado nela, cm seus desejos ou na sua
pro fissão . Começou a resolver a profunda sensaçio de ser vítima de
negligência pessoal e profissional ao realizar OS exercícios do final
deste capítulo. Admite que muitas vezes ainda se sente como urna
menina de 9 anos, parada na rua escura e fria em meio à neve, espe-
rando P°' seu pai.
STEPI I.N B pol.1:Ii-:R

A autoriegligencia resulta naturalmente de um estilo de 1


:.ade passivo. As crianças se sentem amadas cuidadas e apoiadas
ando os adultos responsáveis por elas as notam e se envolvem COIT1
c_ Gina nunca se sentiu amada ou cuidada pelo pai; eia achava que
não fazia nada por ela além de se encarregar de suas necessidades
sicas. Um dos problemas emocionais que surgem da negligência
é a depressão que afeta diretamente nossa motivação profissional e
sencadeia o medo do fracasso no trabalho. O termo "negligência" é
muitas vezes usado para indicar depressão. Para superar a negligência
emocional, precisamos enfrentar nossa própria sensação de negligên-
ia e depressão. Pense na seguinte seqüência de eventos relacionados
1 depressão adulta:

Negligência - Falta de motivação Medo do fracasso - - Depressão

COMO RECONHECER A DEPRESSO

À depressão resulta da negligência emocional. Os adultos que so-


ataques de depressão também mse sentelTi vítimas da negligência
das pessoas que amam. A depressão é o processo emocional e mental
constante de sentir que ninguém nos ama ou se preocupa conosco:
é urna sensação de perda emocional. Esses sentimentos se baseiam
em urna crença central de que você não merece que aconteçam boas
coisas na sua vida pessoal e profissional. Quando uma pessoa se sente
deprimida, é quase impossível que tenha coragem e esperança para
assumir um risco profissional ou um novo trabalho, ou que seja criati-
va na sua profissão. A depressão esgota a energia daqueles que sofrem
dela e das pessoas que os rodciam. Há muitos graus de depressão, e é
importante compreender todos eles.
u sofrem urna morte na família, ou
É natural que as pessoas qe
que passam por uru divórcio ou urna perda súbita de emprego, se
O FI1OR PÁ!

sintam deprimidas. Essas circunstâncias são em geral limitadas no


tempo e são diferentes do sentimento contínuo de tristeza e letargia
que ataca os adultos deprimidos. A angústia também é urna forma
importante de depressão diretamente relacionada a um incidente ex-
terno ou a um evento trágico. Falamos aqui do tipo de depressão que
não está diretamente relacionada a um evento externo recente e que
fli()tem causa direta.
The J)igiosíic and Statistical Linual of Mental Disorder IManual
dia gnóstko e estatLtico dos transtornos mentais], publicado pela Associa-
ção Americana de Psiquiatria descreve a depressão como um trans-
torro crônico do estado de ânimo que ocorre quase todos os dias.
durante a maior pai- te dos dias pelo menos por dois anos. Os adultos
cru estado de depressão descrevem seus sentimentos como tristeza
OU COFfl() urna sensação de total des-nimo. Durante esses períodos
apresentam-se pelo menos cinco dos sintonia s adicionais relaciona-
dos a seguir. Faça urna marca ao lado de cada sintonia que tenha
experimentado recentemente:

• pouco apetite OU fome em excesso - desejo de comer coisas


consoladoras (por exemplo, pizza, frituras, chocolates, todo
lJp() de porcaria");
• insônia ou excesso de sono
• baixa energia e fadiga crônica:
• mudanças rápidas de humor - sentir-se maravilhosamente e,
de repente, sentir-se triste; ataques incontroláveis de choro;
• baixa auto-estima, apesar dos sucessos pessoais ou profissio-
nais atuais;
• concentração deficiente ou dificuldade para tomar decisões;
• sentimentos de desesperança:
• autocrítica extrema;
STF P1-lAN B. POUJJFER

-
• perceber-se como poLico interessante ou incapaz. d
nar no trabalho;
• incremento no uso e abuso de álcool ou de drogas legais ou
ilegais;
• problemas com a i inagerfl pessoal; preOCupaÇa() irracional
com perda ou gailho de peso;
• perda de interesse no trabalho, nos passatempos, nos amigos
e na família;
• evitar os amigos próximOS ou os familiares, assim como os
colegas e clientes no trabalho;
• fantasias sobre morrer;
• fantasias sobre partir e começar urna nova vida;
• mudança súbita na rotina sem uma razão tangível ou lógica;
• ênfase excessiva no trabalho, na carreira no dinheiro, com
exclusão de outras questões pessoais;
iTiudanÇa de estado de
• as pessoas próximas de -você notam sua
animo (por exemplo1 seu cônjuge, seus colegas,seus filhos);
• sua energia no trabalho é baixa, VOCê tem dificuldade para
responder aos telefonemas e realizar suas atividades normais
de trabalho.

Quantos desses dezenove sintomas voCê tem? Seus colegas o qua-


lificariam do mesmo modo que você se qualifica? Se teve peio menos
dois últimos
cinco desses sintomas, na maioria dos dias, durante os
está lutando contra um cicio depressivo. Sua vida pessoal e profis-
anos,
sional estão diretamente afetadas por esse cicio de humor. Quem em
ue você. está passando por um ciclo depressivo? Depois
sua vida sabe q
de ler este capítulo assegure-se de contar a seu cônjuge ou a um
amigo próximo sobre seu estado emocional atual. Poder falar com
outras pessoas sobre o seu segredo (a depressão é com frequência um
problema silencioso) é parte da saída desse vale de desesperança. Per-
66 O FATOR PAI

manecer calado e emocionalmente retraído só prolongará os efci


negativos desse ciclo depressivo.
Para muitos filhos de pais passivos, a depressão é considerada u
sinal de debilidade e algo a ser evitado. Entretanto, a depressão não
urna falta de caráter. uma limztaç-o ética ou um sinal de personalid-
de fraca. Essas percepções da deprsão são anacrônicas e unia fon
clssica de negação. Um ciclo de depressão é uma luz de advcrtênL
em sua vida de que é tempo de mudar as coisas e empreender urna
aça diferente. Muitas pessoas ainda resistem à noção de que um ciclo
depressivo é uma experiência de vida que deve ser enfrentada, e não
evitada. O pai dos anos 1950 jamais consideraria a depressão corw
urna ocorrência natural ou um sinal de negligência emocional.
O grau de gravidade e a duração desses sintomas é que forniai:i
uma personalidade depressiva. E normal sentir-se às vezes "infeliz.
como é normal sentir-se outras vezes -ótimo". mas a duração dos pe-
ríodos maus deve se assemelhar à dos bons. A longo prazo, o process
de experimentar constantemente sintomas depressivos é problemáti -
co. É importante notar que a combinação de pensar negativamente
sentir-se vítima de negligência e se autocriticar (os sintomas mencio-
nados antes), e além disso ressentir-se do que lhe coube na vida, sem-
pre gerará depressão. Os adultos deprimidos em geral não gostam do
seu trabalho e toleram mal qualquer mudança nele. \ao se dão conta
de que têm o poder de mudar a direção da sua vida profissional. O
maior segredo da sua vida Pessoal e profissional é você tem o poder
de mudá-la! Independentemente de como se sinta neste momento, a
verdade, mais urna vez., é que está em você o poder e o potencial para
mudar o curso da sua vida pessoal e profissional.
A depressão constitui uma rica fonte de descobertas a flOSSO pró-
prio respeito, e temos muito a aprender com ela. Nossas relações pro-
fissionais e pessoais e o desempenho no trabalho são profundamente
afetados por nossas violentas mudanças de humor. Se você estiver
s1EI:IL\ B. POUITER

eprimido não é hora de mudar de trabalho ou se demitir, mas de


nfrentar os pensamentoS e circunstâncias que estejam causando seu
cicio descendente e essa melancolia.
Com base na minha experiência profissional sei que os elemen-
medo do fracasso são problemas superfi-
tos de falta de motivaÇãO e
de ter sido
ciais entre os filhos de pais passivOS. A profunda sensação
vítima de negligência emocional pode ser sanada ao ser entendida
como a causa fundamental da sua sensação de isolamento e melan-
colia. Os pensamentos aUtodestruti\T0s provocados por ela é que o
impedem de desenvolver a motivação e assumir riscos cm sua vida
prohssioflal.

COMO MUDAR SEU ESTADO DE ÃNIMO E SEU RUMO

Na terceira parte deste livro1 vou discutir em detalhes como


realizar as mudanças necessárias para colocar sua vida profissional
nos trilhos da alta velocidade. Para enfrentar adequadamente as ca-
racterísticas de negligência e depressão de um estilo de paternidade
passivo dois obstáculos devem ser eliminados: o mned: do fracasso e

a falta de motivação.
Já vimos o estilo passivo de paternidade e suas conseqüências: a
falta de vínculo emocional cria um vazio que às vezes pode se refletir
fe.ita ie paixão, Jrlta de nwti'açïio e pouco estl
em seu trabalho como
A restauração de suas forças internas depende de você
mulo intrflO.
e do seu estado emocional. Quando você começar a reconhecer que
a negligência ca depressão desempenham uru papel importante em
sua vida profissional, perceberá natural mente quais são as coisas que
precisam mudar. Gerentes, diretores, supervisores, professores, sa-
cerdotes1 treinadores e investigadorcs todos se perguntam por que
as e outras não, e por que aluns correm
algumas pessoas são motivad
riscos enquanto outros os evitam como se fossem pragas.
1;O

Quando você começa a sua viagem para mudar de estado d


mo. muitas coisas começam a acontecer. Uma é que começarã
a si mesmo sol) uma luz mais positiva. Duvidar de si mesmo e pe1 -
negativamente em sua vida sïo as formas mais rápidas para pt
necer deprimido e desesperançado em seu trabalho. Sua rnot:v
profissional está diretamente vinculada à sua percepção de si m
e à sua emotividade. Se você nao se envolver emocionalmente corr
pessoas, será muito difícil se motivar e lutar pelas coisas que des...
em sua vida pessoal e profissional. As pessoas que declaram estar ani--
madas e não deprimidas estão disponíveis para assumir riscos raz-
veis perseguir seus sonhos e seguir sua carreira com paixão. A fa.
de vínculo emocional é que o impede de desenvolver sua rnotivaç
É possível desenvolver a niotivaçã.o e superar o medo paralisar-
te de fracassar. Como filho adulto de um pai passivo, você deve se
dar conta de que toda mudançasignificativa, pessoal e proftssional, tcn:
partir de você. O pré-requisito mais valioso para O aiitodescobrirnc
é não se julgar, ser abertamente curioso para explorar sua vida pro:
sional e ter um níveh de discernirnento que vá além das acusações.
culpa e do sentimento de depressão relativo a suas escolhas. Seria mia-
to láeH para Mark e para Laura se cada um culpasse seu pai por toci
as dificuldades experirneiitadas. Gina poderia passar o resto da via.
culpando o pai pela extrema negligência para com suas necessidack
emocionais e infantis. Em troca, Mark e Gina estão alcançando ur
novo ii íveI de consciência que OS tem conduzido a urna nova posiçà
na vida profissional e no aml)ito pessoal que transcende a acusação.

C0M0 LIDAR COM A DEPRESSÃO


EM SUA VIDA PROFISSIONAL

Taura, \Iark e Pat lutaram contra a depressão e a melancolia.


Cada uni deu os passos relacionados a seguir para revelar suas erno-
STEPT [N B. POuLff.R

ções e comprovar que têm a capacidade de se vincular emocional,


mental e profissionalmente com os demais. Para Mark e Gina, o alar-
gameflU) de perspectiva conquistado por meio da compreensão e do
autoconhecimento eliminou o medo do fraca e a baixa motivação
no trabalho. Em vez de se afastar das pessoas e das oportunidades,
ambos estão se aproximando delas.
Segue-se uma pequena lista de mudanças mentais que o aludarão
a começar a eliminar a depressão e a negligência do seu trabalho.
Faça unia cópia dos temas desta lista que quiser explorar durante OS
próximos catorze dias.

• Toda mudança começa com você mesmo. Só você pode mu-


dar o que acreditar possível. Pense GRANDE
• Não julgue o seu passado presente ou futuro. O pensamento
depressivo sempre olha para trás e não para a frente e para
uma perspectiva positiva.
n dependentemente
• Se acredita que tem a vida à sua frente (i
da sua idade circunstâncias de vida ou fracassos passados),
que tal eia lhe parece?
iderou
• Explore possíveis opções de trabalho que sempre cons
além do seu alcance.
• Evite o jogo da culpa; VOCC jã é adulto.
• Faça urna imagem mental de si mesmo; pense em você cm
termos do seu potencial, e não do que lhe têm dito.
• Avance na direção da oportunidade. (você, sabe o que fazer) em
VCZ de se afastar dela. Aprenda a tolerara preSS() do êxito.
que está acontecendo. En-
• Quando estiver "mal" pense t'I()
tender seu estado de ânimo é fundamental para que tenha
êxito em sua vida profissional. Não aceite que não tem ideia
da razão de se sentir de determinada maneira. Sempre existe
um sinal ou um indício do problema e da solução.
O FATOR PAI

Estes passos podem parecer difíceis porque eles o fazem encari:


seus reais sentimentos e idéias a respeito de si mesmo. A percepçã.:
positiva de si mesmo começará a se contrapor ao estilo de patern:-
dade negligente, depressivo e problemático do qual você Procede
Outro passo importante é permitir a si mesmo ter confiança na SUi
carreira profissional. Devido ao fato de você provir de um ambient
passivo, onde não havia muita reação aos estínrnlos, isto pode lhe p-
recer impossível. Perceber que a opinião mais importante sobre vo
é a sua é outro passo adiante na sua vida profissional. Que caminho
acha que a sua carreira deve seguir nos próximos dois anos? Como
pode converter o legado de seu pai em uma força mais positiva no seu
trabalho e no seu futuro? Que emoções e ações você evita? Este tipo
de pergunta está orientado para que você assuma o controle do seu
futuro. Lembre-se de que se você não assumir o tontrole eker as mudaicas
em seu flitor pai interiorizado, quem ofzrd?
Por exemplo, sempre é interessante escutar homens ou niulhere
que dizem que não lhes importa o que o pai pense deles ou de sua
escolha de carreira. Em geral, a verdade é exatamente o oposto. E
claro que lhes importa muito, mas quando enfrentam um pai passivo.
estão perdidos. A chave é reconhecer que ter poder- pessoal e perce-
bê-lo fl() é um fator externo, mas vem de dentro de você. Nenhuma
opinião sobre você é mais importante e valiosa do que a sua, e isso
inclui a de seu pai. Mesmo que a relação com seu pai não seja tensa.
considere o novo conceito de que a sua vida é urna série de escolhas
que você faz, e ninguém mais.
Quando os profissionais de qualquer nível corporativo começam
a se dar realmente conta de suas próprias aspirações, de sua baixa mo-
tivação e do medo do fracasso (causados pelos problemas secretos de
negligência e depressão), estes deixam de ser um problema. Quando
uma pessoa visualiza o seu passado, presente e futuro, isso se con-
verte no fundamento para que ela construa sua carreira profissional.
STFP1IN B. PO LIER

:itar os problemas de negligência e depressio é o único modo de '1


:1ver adequadamente qualquer grau de medo e baixa fflOtiVaÇO

seu trabalho. E interessante notar que um amplo segmento da p(-, -


ilação entre as idades de 35 e 60 anos luta contra a depressão. Uma
incidência to o- rande muito possivelmente está vinculada ao estilo
passivo de paternidade com o qual a maioria desses adultos cresceu
entre os anos 1950 e 190.
No há nada no legado de seu pai que necessite detê-lo. Você não
estaria lendo este livro se já não estivesse dando um rumo positivo a
sua vida pessoal e profissional. Quando as pessoas começam a orien-
tar a energia para o seu potencial e suas necessidades emocionais, os
medos básicos do êxito ou do fracasso se evaporam. Trabalhar apenas
com problemas de motivação, sem ver os sentimentos, pensamentos e
idéias depressivos que os originam, é um enfoque muito superficial. A
história de Tim ilustra corno a baixa motivação e o medo do fracasso
prejudicaram sua carreira.

A MUDANÇA DOS ACONTECIMENTOS NA VTDA DE JIM

A história de jim começa no segundo grau. Ele terIfliliou Com


urna média de 20 (reprovadora) em urna pequena escola particular
para adolescentes problemáticos. Em seguida entrou na universidade
estadual, de onde saiu depois cio primeiro semestre. Tlarvey, pai de
Jim, mandou-o fazer terapia para descobrir o que estava provocando
sua baixa iiiotivaçio e a ausência de ambição profissional. Quando
conheci Jim, ele tinha 19 anos e precisava se sustentar, depois de ob-
ter urna média de 1,5 no primeiro semestre da universidade. Conse-
guiu um trabalho no qual lidava com os alimentos congelados em uni
grande supermercado do centro de Los Angeles. jim era o único em-
pregado com menos de 30 anos de idade sem antecedentes criminais.
Logo percebeu que se não assumisse o controle da sua vida, nunca
14 OF-dOR PAI

sairia dali. Harvey era um pai passivo e amoroso que raramente se


aborrecia com Jim. e não tinha idéia de como ajudar ou filho, exceto
deixando de mantê-lo financeiramente.
jim se inscreveu em um coleo comunitario loca] e começou
assistir às aulas à noite. Na terapia. C0ITfleÇOU a perceber que dcsc
menino tinha uma relação eiona1mente muito distante de s.
pai; nunca conseguira obter rnukta atenção ou tempo dele. jim tam-
bém desenvolvera o hábito de fumar maconha para reduzir o medo
e a depressão. Começou a tratar e entender sua depressão, que havia
afetado sua capacidade de amadurecer e de seguir urna carreira bem-
sucedida. Em um segundo momento. Jim se deu conta de que o vícic
da maconha era urna automediçio para a depressio e o medo dí
futuro. Deixou de fumar, embora esse hábito fosse muito comum en-
tre seus amigos. Jim mudou sua imagem pessoal de um "maconheiro
para urna pessoa orientada para sua profissão. Essa mudança mental
ajudouJm a superar seus bloqueios emocionais e a falta de motivação
em relação ao futuro.
Outro passo importante foi que ele deixou de esperar que seu pai
fosse o líder emocional e mental que ele sempre quis e desejou. Em
vez disso, jim assumiu a responsabilidade da sua carreira e começou
a segui-lá com vigor. Era a primeira vez na vida em iiie ele sentia
paixão e entusiasmo por alguma coisa. Sempre havia sido passivo e
temeroso de qualquer coisa nova ou desafiadora. Sempre duvidara
da sua capacidade criativa, do seu talento para a liderança e da sua
inteligência, apesar de sempre ter querido seguir carreira na indústria
cinematoráfica. Em dois anos obteve unia média de 40 (o máximo) e
58 créditos transferíveis para a Faculdade de Cinema da Universidade
de Nova York (NYIJ). Foi aceito na universidade e dois anos mais
tarde se formou com a melhor média da sua classe.
Atualmente, jim trabalha em um grande estúdio em Hollvwood
e produziu vários filmes importantes nos dois últimos anos. Agora
SFEPHAN B POULTER

:zm 29 anos e converteu o legado de seu pai Clii Urna torÇimer—


m diz que quando lhe perguntam sobre a mudança do,
ntos em sua vida, responde:

Eu precisava fracaar para compreender realmente que meu pai


não ia me salvar nem ser fiel apoio emocional. Njijéiii poderia
me salvar, portanto eu mesmo tive que fazê-lo. Até hoje às vezes
tenho de lutar para estar jiiotivado e ter confiança. Trabalho muito
cacho que cii construo a minha própria sorte. Meu pai tem de mim
a imagem de unia pessoa que luta para progredir, e no mais de um
drogado e de urna pessoa passiva.

A evolução deJim pode parecer simples e fáci1, mas nio foi. Trata-
de um homem que, aos 20 anos, percebeu que não podia enfrentar
Vida cio mesmo modo que seu pai. jini reconheceu sua depressão e
mudou a maneira de ver a si mesmo e à sua vida profissional. Depois
de superar a depressão e o medo do futuro e do passado, Jim percebeu
que o céu era o limite.
Qual é o 1imite da sua vida profissional: Se você não tem uru
legado de passividade nem tem medo do futuros que risco pode assu-
mir? Lembre-se de que nunca é. cedo demais nem tarde demais para
mudar o legado de seu pai e o curso da sua vida profissional. Mesmo
aos 20 anos, jim soube que era tempo de ajustar sua visão do mundo
e criar melhores opções para sua vida pessoal e profissional.
O legado de negligincia passividade, distanciamento emocional
e falta de paixão não precisa ser o fundamento da sua personalidade.
Ao contrário ,você pode encontrar o lado oposto das mesmas moedas
e dirigir-se rumo à paixão aos vínculos emocionais satisfatórios à
alta motivação e a urna imagem positiva de si mesmoedo mundo.
-
—Capítulo 7—
FILHAS E FILHOS SEM PAI
ENCONTRE SEU PODER E SUA POSIÇAO PROFISSIONAL

1/1771
Estou c1i11sad0 de me sentir ml com relação a meu pai e a
mesmo. As crianças sobre:i:em a coisas muito piores da que não
ver nunca ou não ter um pai. A ausêiicia de meu pai foi quase tão
importante quanto se ele tivesse sido atuante na minha vida. Em
todo caso, meu pai realmente me influenciou. Nunca conheci meu
pai, e isso e urna pena.
Curtis, 49 anos

Morei com meu pai até os 9 anos. quando ele e minha mãe se
divorciaram. Raras vezes falei com meu pai ou soube milito a
respeito dei, antes ou depois do dkórcio. Depois da separação, ele
foi morar na costa leste. Sinta-me muito magoada de nunca ter
tido meu pai perto de mim. Na verdade, ele nunca me conheceu
nem se importou com a nossa flimília. Voltou a se casar e formou
outra família. Não nos falamos há anos; entretanto, sinto filta
dele, 'mesmo/a sendo adulta.
7V1elinda, 33 anos

Se você é filha ou filha de um pai ausente, já sabe como lidar com


isso em sua pessoal e pn)tissional. Como já explicamos, o estilo
de paternidade ausente pode ser figurativo ou literal. Em sua forma
STEPHAN 13. pouEUER 17 1

mais sutil, o pai ausente ë similar ao pai passivo dos anos 1950, que
não se envolve emocionaliflente com seus lilhos. Entretanto, dife-
ntcrnente do pai passi'o, o pai ausente decide abandonar a família
e livrar-se das responsabilidades que a acompanham. Não é que se
mantenha simplesmente afastado do ponto d \ista emocional: pare-
-e não se importar, OU algo pior. Não tem interte cru interagir com
s filhos, nem sequer no nível mais básico. Esse pai saiu da vida de
cus filhos.
Em contraste com os três estilos anteriores de paternidadesupe-
:exigCflte explosivo e passivo), o pa ausente leva as coisas um passo
adiante ao abandonar fisicamente seu filho ou filha. Todos podemos
Compreender um divórcio desastroso, urna situação complicada devi-
do à custódia dos filhos ou um casamento difícil, mas para muitos de
nós a rejeição total de u m filho ou filha é absolutamente inconcebível.
Os problemas provocados por esse estilo de paternidade vão além do
divórcio porque urna percentagem significativa dos pais se envolve
mais com os filhos depois de se divorciar.' O pai ausente promove
U`111111 CFiSC
emocional, mental e física nos filhos: a experiência e a per-
cepção da re jeição paterna. Tndependentemerite da idade, suportar
o profundo impacto da falta de interesse de seu pai, do abandono
de sua obrigação e da rejeição só pode ser comparado ao choque de
um míssil contra um prédio. O efeito psicolOgico) é muito profundo
e afeta o desenvolvimento da sua vida profissional. Essa experiência
infeliz - porém demasiado comum - na relação entre pai e filho ou
entre pai e filha é urna das principais razões pelas quais as pessoas que
passam por isso nunca se referem aos pais. E demasiado doloroso e
emocionalmente opressivo.
Outro exemplo extremo de pai ausente é o pai que não serve para
nada. O governo federal aprovOti nos anos 1990 uma legislação que
obriga à manutenção de um filho até que este complete 18 anos. ISSO)
á um sinal social de que o fenômeno do pai ausente é mais amplo do
OF;TORRU

que qualquer um de nós jamais imaginou. Os homens que abando-


liam seus filhos, física ou financeiramente, causam mais que um dai
psicológico; negam-lhes as oportunidades educativas, culturais e
outro tipo que são essenciais para seu desenvolvimento e para o êxito
futuro de sua vida profissionaL _Mas proporcionar apenas apoio fi-
nanceiro sem suporte emocional também causa uma enorme seqüeli
num filho ou numa filha. AJem disso, é danoso estar fisicamente pró-
sente (viver na mesma casa), mas estar emocional ou intelectualment
lhos,-
ausente. Esses pais não têm idéia do que acontece na vicia dos filho
Urna
Uma das coisas que lhes escapa completamente, que eles não enten-
dem ou não lhes interessa, é a mensagem negativa que esse estilo d
paternidade transmite: seus filhos não lhes importam.
Como declarou Curtis na citação que abre este capítulo, a ausên-
cia de seu pai teve um impacto tão rande em sua vida como teria tido
sua presença ativa. Trata-se de uma declaração muito profunda e de
urna observação muito precisa. Os filhos que suportaram o terrível
caminho da rejeição de um pai t&m de enfrentar muitos problema
Um deles é que o abandono gera ressentimento, que conduz ao ran-
cor e à fúria. E interessante observar que o denominador comum da
gangues violentas é a ausência de pais. Esses adolescentes, a partir
dos 12 anos, despejarão seu rancor na sociedade e entre si. A ausência
do pai na vida de uni filho cria automaticamente uma sensação de
perda que, se não for resolvida, sanada e entendida, só se deteriorara.
Os adultos sem pai muito provavelmente terão o desafio de sofrer
problemas com o controle da raiva ou com tendências violentas d
personalidade se ignorarem a importância dessa relação primária.
A ausência do pais que vai da indiferença ao abandono físic:'.
provocara desde uma profunda tristeza, na melhor das hipóteses, ate
problemas de rancor, na pior: violência, conduta criminosa, delitos
de e:olarinho branco. A reação psicológica natural diante cia perda em
uma relação entre pal e filho ou entre pai e filha é em primeiro lugar
p )ULTER 179

medo, em seguida a dor e finalmente o rancor que encobrirá a Ferida


STEPHAN B.
:icional e mental. Os filhos de todas as idades que experimentam a
:-da do pai passam por esse processo natural de luto. E importante
j. tinguir entre urna perda natural e uma perda deliberada. A morte
& um pai é uma perda, mas sua partida involuntária (diferentemente
uma saída voluntária) cria um efeito diferente em um filho.

OS PAIS Ii\TPORTAM - DUAS HISTÓRIAS

Alan, de 38 anos, veio me ver porque estava tendo dificuldade


para manejara pressão e as exigências de seu nOVO cargo como chefe
de um departamento. Tinha um tipo de personalidade muito amável,
expressava-se bem, era passivo, mas seu estilo gerencial era muito
forte. Alian tinha grandes dificuldades para contratar novos funcio-
nários e despedir os anteriores. Perguntei-lhe sobre seu pai e ele me
respondeu:

Quando eu tinha 11 anos, mataram meu pai. Meus pais tinham urna
loja em Oakland, na Califórnia; certa sexta-feira pela manha, cm
maio de 1977, dois homens entraram ria loja para assaltá-la e atira-
ram em meu pai. Desde então tenho tentado lidar com sua morte, e
sei que essa perda realmente mudou a minha vida. Imediatamente,
na escola, na quinta série, todos os meninos ficaram meus amigos
e ninguém jamais inc incomodou até o segundo grau. Nio consigo
contratar nem despedir pessoal no trabalho. Iu me identifico com
a perda e a decepção deles, e meu julgamento fica comprometido.
Venho saindo com a mesma moça há quatro anos e não consigo
terminar com ela. O fim de um relacionamento rue choca, e isso em
geral me impede de agir.
180 O FATOR PAI

Alian está sufocado emoc lona lrnentc a ponto de se sentir perdi


confuso e decepcionado, quase corno se sentia aos 11 anos. Não sei
raiva nem ódio pela morte do pai; diz sentir um vazio no coração jo
pensar nele, quase trinta anos mais tarde. Allari é muito compreensi'.
tem empatia e compreende os sentimentos e. desafios que afetam a vi&
dos outros. E muito eficiente, com exceção desse medo de decepcion
OS outros e do fato de se sentir sempre responsável pelos sentimentiir
de perda de outras pessoas. A própria sensação de perda de Alian com
freqüência prejudica seu julgamento e sua atuação profissional. É di-
fícil para ele deixar de se indentificar com as perdas e decepções dos
outros, apesar de não serem to severas como sua própria tragédia.
Perguntei a 111am como ele e sua família lidaram com a perda do pai

Eu era só um menino. Não tinha ninguém coiii quem falar sobre


a perda de meu pai. Minha me nunca me deixou chorar depois do
funeral, apesar de sentir falta dele. Lembro-me de Como achava a
casa vazia depois da sua morte. Todos os domingos à noite víamos
na televisão o Reino selz iagem, e era horrível. Odiava o vazio de não

ter meu pai perto de num. Os pais dos meus colegas assistiam a
todos os nossos jogos de beisebol, e eu só tinha minha mãe. Foi urna
época difícil para ela e para mim, até que cheguei à universidade.
Depois (Ia morte de meu pai, minha mãe começou a trabalhar em
tempo integral no banco local para nos sustentar.

Alian começou a resolver os problemas da falta do pai seguindo


os passos descritos logo adiante e também os do irem 3. Apesar de as
circunstâncias da vida de ulan terem sido diferentes das vividas pela
maioria de nós, criaram um imenso va7]() tanto cm sua vida pessoal
como na profissional.
Melinda veio me ver porque estava tendo problemas para con-
trolar a raiva que sentia do namorado e dos seus supervisores no
STEPILN B. POULTER

ifabalhø. Ela trabalhava na equipe de vendas de urna companha de


fD_ares. Considerava seu chefe estúpido incompetente e indigno de
nfança. Nenhum de seus superiores merecera seu respeito pro-
fissional. Quando pedi a i\íelnda que me contasse um pouco da sua
relação com seu pai, ela ficou visivelmente alterada: seu rosto ficou
vermelho e seus olhos se encheram de lágrimas.

Meu pai saiu de casa quando eu tinha 9 anos. À partir daí, só o via
urna vez ao ano até meus 15 ou 16 anos. Depois disso ele suspendeu
toda coniunicaÇao. Sua nova esposa, uma desgraçada, não queria ver
nem a meu ftrnão nem a mim. Meu pai não pagou as passagens de
avião para que fôssemos para sua casa ficar algumas semanas com
ele no verão corno havia prometido. Não falei mais com meu pai
até que me formei na universidade. Foi minha mãe que pagou meus
estudos, pois meu pai disse que não poderia pagá-los. Creio que foi a
tensão de manter dois filhos sozinha que matou minha mãe quando
eu tinha 25 anos. Não veio meu pai desde o funeral da minha mãe,
há oito anos. No lhe telefono, e ele também não inc telefona. Estou
furiosa com ele por ter-me abandonado e não falar comigo. En-
tendo o divórcio, mas o fato de ele não se comunicar é inaceitável.
Não confio nos homens. São todos iguais: brincam com os nossos
scrititflefltøS e nos usam. já me partiram o coração, chega.

Perguntei a Melinda como a ausência de seu pai a tinha afetado


pessoal e profissionalmente, e ela respondeu:

Isso é fácil; sempre saí com homens quinze ou vinte anos mais
velhos que eu. Não me casei e não quero ter filhos. Não quero
que meus filhos tenham que passar pelo que eu passei e senti. Os
homens mais velhos com querri saio são amáveis, generosos e me
apóiam muito, à minha carreira e a mim. No trabalho, sou urna
1
18
c: ivroi j

espécie de furacão, e acho que a maior parte do tempo consigo


controlar minha fúria. Sei que as pessoas no trabalho me evitam
Porque têm medo das minhas reações, o que não é limito bom. No
inti ruo, SOU realmente ni ole.

..\Ielinda admite que precisa resolver a raiva que sente pela partida
de seu pai e deixar de ser tão agressiva no trabalho. Ela sabe que o
modo Como reage aos colegas de trabalho, agressivo e raivoso, está
vinculado à sua relação com o pai.
E claro que Àllan e Melinda foram profundamente afetados pela
ausência do pai, por razões totalmente distintas, mas apesar disso
ambos sentem a perda. Melinda, diferentemente de Alian, tem o peso
adicional da raiva por ter perdido o amor, a aprovação e a aceitação
do pai. Os pais ausentes criam cm seus filhos Sentimentos contradi-
tórios que são difíceis de entender e de resolver. A reação psicológica
natural diante de uma perda importante (tanto do pai quanto da mãe)
é em prinleiro lugar o medo, em seguida a dor e depois a raiva, para
encobrir a mágoa e o vazio. Os filhos de qualquer idade que experi-
mentam a perda do pai passam por esse processo)
Filhos e filhas naturalmente se pergunrani se as características de
desconfiança que marcaram a partida de seus pais também ocorrerão
em sua vida pessoal e profissional. No fundo, questionam: "Eu farei
o mesmo que nicu pai fez?" F:les presenciaram o ressentinicnto e a
raiva da uie em relação ao pai por este a ter deixado educar os filhos
sozinha. Muitas vezes, o ressentimento e a raiva da esposa abandona-
da acabam por abarcar todos os homens. Corno a metade do mundo é
constituída de homens, os filhos têni que reparar a experiência da sua
relação com o pai para atuar de modo pleno na carreira profissional.
Esse legado paterno confunde o filho porque metade dele próprio
provém do pai, que abdicou da responsabilidade como pai e corno
marido. 0 filho homem se contunde com a ausência do pai porque
1
51EPRN B. 1C)ULflR

a mãe o ama, e ele se perguntam irá se converter no homem que a mãe


;eia. A filha também se confunde porque se pergunta se OS holTiens
a amarão e também a abandonarão. Nos dois casos, os filhos de pais
ausentes sofrem de ausência e negligência. Por favor, tenham em
mente que este argumento não pretende converter em vítimas todos
os filhos sem pais; a única intenção é entender claramente o profundo
impacto dos homens sobre seus filhos.

TEMPO DE REAÇÃO

Independentemente da idade, o filho de pais ausentes tradi-


cionalmente lida com a mágoa de várias maneiras. Primeiro, ele
pode se esforçar demais para ser a pessoa que o pai não foi. e assim
agradar à mãe e ?i família (as filhas muitas vezes se tornam bem-
sucedidas para compensar o legado de decepção dos pais). Segundo,
filho e filha podem personalizar a indiferença e o repúdio do pai, e
assumir que eles é que S() responsáveis por sua partida. Terceiro,
podem descarregar sua raiva na sociedade e nas pessoas mais pró-
ximas deles.
1 Quarto, os filhos de pais ausentes podem ter dificuldade para es-
tabelecer relações confiáveis, tanto pessoais corno profissionais. Por
iSSO muitos filhos adultos de pais ausentes trabalham por sua conta
ou desejam poder fazê-lo. É difícil confiar em pessoas que exercem
autoridade, em supervisores ou em qualquer tipo de superior quando
a experiência primária com a autoridade foi tão dolorosa e decep-
cionante. Esses adultos com freqüência buscam a autonomia porque
não querem se arriscar a ter que interagir novamente com outro ho-
mem ou (qualquer) pessoa que exerça autoridade que poderia feri-
los tanto quanto o fez seu pai. Muitas vezes esses profissionais não
entendem por que sentem tanta desconfiança, temor ou desagrado
por qualquer autoridade. É a sua falta de discerniniento sobre seu
154 () FYlOR 1AJ

fator pai que está agindo. Para OS colegas de trabalho parece absurdo
que estejam sempre discutindo sobre a estrutura da autoridade no
trabalho, mas para os filhos adultos desses pais ausentes isso é sim-
plesmente uma questão de sobrevivência e vingança.
Estas quatro reações problemáticas (esforçar-se demais, persona-
lizar OS problemas, ter urna atitude agressiva e não ter confiança na
autoridade) são coisas que contribuem para desenvolver unia persona-
lidade irascív e urna abordagem agressiva no trabalho. O problenia
abordag agressiva
do rancor é a chave para resolver os quatro fatores relacionados com
a ausência e a rejeição do pai. O rancor é de longe o maior obstáculo
para urna carreira bem-sucedida no futuro. Enquanto a vergonha é o
sentimento interior mais forte que deriva de um pai ausente, o rancor
é a maniFestação externa dessa profunda sensação de inadaptação. As
pessoas irascíveis nunca se sentem bem com relação a si mesmas ou
às suas reações diante dos demais.

REVELE SEU RANCOR E SUA DOR

A lista que se segue ilustra como os quatro sintomas da carência


de pai alimentam a criação de um problema de controle da raiva e
urna sensação de desesperança. É essencial reconhecer a tristeza
pela ausência de seu pai para que você possa sanar a profunda sensa-
ção de abandono e rejeição. Faze-lo lhe perniitrí progredir em sua
vida pessoal e profissional. Ninguém quer reviver constantemente
o doloroso passado. Coloque urna niarca em cada pergunta que des-
creva suas reações, pensamentos ou sentimentos em certas ocasiões,
cm seu trabalho, em casa e com outras pessoas. Pense nas perguntas
e pondere corno poderia estar reagindo à sua interiorização de seu
pai ausente.
Si'F:PHAN B. POIJLTRR

Lãta do pai ausente

• Você sente com freqüência que nada do que fizer no trabalho


será suficiente?
• Teme não ser bem-sucedido em sua vida profissional?
• Quanta energia você consome no medo de não vir a atingir
suas metas profissionais?
• As pessoas lhe têm dito que você se esforça excessivamente
no trabalho?
• Qual o seu pior medo no trabalho?
• Você tende a assumir os problemas, decepções e frustrações
dos outros corno se fossem culpa sua?
• Pede desculpas por coisas que não foram sua culpa:
ulpa?-
*• Sente-se demasiado inseguro de que o abandonem em suas
relações (pessoais e profissionais)?
• 1èrn medo de ficar perto de colegas ou supervisores?
• Quanto ressentimento ou amargura você tem diante da auto-
ridade em seu trabalho?
• Você grita com as pessoas e as assusta quando se enraivece?
• Algum de seus colegas de trabalho já lhe disse que você pre-
cisa controlar a raiva?
• Tem dificuldade em expressar a raiva ou a decepção para
amigos, colegas ou familiares?
• Com quanta freqüência tem dito "Odeio meu pai"? Agora
que é adulto, pergunta a si mesmo se é igual a seu pai?
• Alguma vez se envolveu em urna altercação física no
trabalho?
• Alguma vez discutiu tão acaloradamente no trabalho a ponto
de deixar seus colegas preocupados?
• Seus colegas, clientes ou supervisores se preocupam com suas
reações agressivas às decepções e mudanças?
1 5(i O iTroR PAI

• Você quebra as regras deliberadaniente no trabalho?


• Alguma vez foi ou o acusaram de ser insubordinado?
OL
. Cria prOl)lCfllaS intencionalmente para seus supervisores
para as pessoas às quais eles se reportam?
1?
• Alguma vez alguni chefe o descreveu corno "difícil'
• Alguma vez o despediram de um trabalho devido à sua raiva
ou agressividade para com os outros?
• Você se considera um empregado, supervisor ou profissional
flexíver'?

Estas 24 perguntas foram elaboradas para ilustrar alguns dos


problemas ocultos da carência de pai que podem assediar sua vida
pessoal e profissional. Se você respondeu afirmativamente a mais de
50 por cento das perguntas continue lendo. Se alguma vez atingir
plenamente seu potencial, será sem um enfoque agressivo ou urna
atitude hostil para com o mundo e para com você mesmo. Lembre-
se de que a raiva é apenas um sinal emocional de que algo não está
funcionando em sua vida ou está fora de equilíbrio. Tente visua-
lizar sua raiva sua irritação ou seu ressentimento como informa-
Ç() de que algo mais profundo em sua vida necessita de atenção e
cuidado.
Ë claro que a raiva tem muitas formas. assim como a insubor-
dinação1 o rompimento de regras as discussões crônicas, a agTes-
sividade para com os demais e o ódio pela incompetência. A carga
emocional desse estilo de conduta é o rancor não resolvido que se
cria pela decepção emocional de er um filho sem pai. Apesar de já
ser adulto, a perda paterna é significativa e não pode ser descartada
COMO
inexistente. Pode ser que as pessoas lhe digam muitas vezes que
todos carecemos de pai (no sentido de que não temos urna relação
pais), e isso pode ser verdade para muitos, mas
próxima com nOSSOS
não rnodfica nem cura a dor do seu coração.
çiEP1IB. POUUI'ER

A meta aqui é trabalhar para resolver a raiva de urna maneira


ndijtiva porque isso lhe servirá em sua vida pessoal e profissional.
- o existe papel OU
tempo suficientes para explicar os efeitos adver-
de urna personalidade irascível e o dano a longo prazo que causa
às pessoas e ao seu trabalho. Todos sabemos de atletas profissionais,
rnpreSáriOS, colegas, amigos ou políticos que terminaram a carreira
::ematuramentC devido a problemas de raiva.
Toda semana sai uma notícia nos jornais sobre alguém que perde
is estribeiras e saca uma arma para se vingar ou resolver uma disputa.
Infelizmente, essa raiva é tão intensa que amiúde resulta em um eu-
ontro mortal. Nenhum de nós deseja isso. O resto deste capítulo se
dedica a sanar e resolver sua raiva. Os problemas relacionados à raiva
5u um importante obstáculo para qualquer desenvolvimento pessoal
pro1issonaI.

CGMO EXTIRPAR A RAIVA DE SUA VIDA PROFISSIONAL

cia de seu
Apesar de super{cialmcflte não parecer verdade, a ausên
pai na infância, na adolescência e na juventude teve uma forte influên-
cia na escolha de sua carreiras na sua conduta e na sua eficiência. Essa
premissa parecia mais palpível quando sua relação com seu pai não
era tão tensa, distante ou, para alguns, inexistente. Por mais que você
conscientemente rejeite a ausência de seu pai, continha estando sob
seu domínio. A maioria dos filhos adultos de pais ausentes têm uma
enorme quantidade de raiva não resolvida que, infelizmente em geral
dirigem para outras pessoas, coiegas, amigos, familiares e a si rneIflO.
O bom senso pressupõe que você necessita enfrentar sua raiva
para evitar os contínuos bloqueios emOciOnaiS, mentais e prolissio -
nais que ela cria inerentemente. Sua vida profissional é diretamente
influenciada e moldada por esse tipo de preocupações emocionais. A
raiva é apenas uma cortina de fumaça para encobrir as verdadeiras
1 15
O FATOR PAI

feridas que seu pai ausente lhe causou,


qUe São abandono, neqligêncii
e rjeiçdo.
A lista que se segue vai ajudá-lo a desativar e esclarecer
os problemas emocionais inexplorados relativos a seu pai que afetam
negativarnente seu coniportarnento pessoal e profissional.
Para ajudá-lo a identificar e falar de sua raiva, esta lista está
orientada para evocar os senrimentos pensamentos e lembranças
profundamente arraigados que ainda interferem na sua vida pessoal
e profissional atual. Observe quantos destes pontos são ou têm sido
verdadeiros para você.

Com respeito ao abandono

• Seu pai o deixou devido a um divórcio ou a outros problemas


Conjugais.
• Seu pai passava unia quantidade anormal de tempo no escri-
tório, com problemas de trabalho ou viajando a negócios.
• Seu pai gastava grande quantidade de tempo
e energia longe
da família, cuidando de seus interesses
pessoais cm vez de
estar com você.
• Nunca conheceu seu pai.
• Seu pai voltou a se casar, formou urna nova família e no o
incluiu.
• Seu pai evitou suas tentativas de contatá-lo ou de ter uma
relação com ele.
• Tem limito pouco contato emocional, mental
OU físico com
seu pai.
• Seu pai negou-se a ser um 'pai" para você e evitou essa
responsabilidade.
STEPHAN B POLTLTER 15

Gim respeito à negligência

• Seu pai lhe dá pouca ou nenhuma atenção quando você tem


algo importante a dizer ou fazer.
• Seu pai ignora ou não nota suas solicitações de fecdback so-
bre suas preocupações, pensamentos e decisões na vida.
• Seu pai iiiio assistia, hão sabia OU não se interessava por suas
apresentações na escola, em eventos esportivos ou por seu
progresso escolar.
• Seu pai não tomava conhecimento de suas decepções. come-
morações ou atividades diárias.
• Seu pai não conhecia nenhum de seus amigos, incluindo seu
melhor amigo ou suas relações amorosas.
• Seu pai não o protegia de situações perigosas OU riscos.
• Seu pai não esteve presente em eventos importantes da
sua vida (festas de aniversário, formaturas, cerimônias de
prem iação.
• Seu pai sabia de suas condutas autodestrutivas (abuso de dro-
gas, notas ruins, gravicIez fuga decasa, conduta criminal), às
quais você recorria para obter seu amor e atenção e não fez
nada a respeito.
• Nada do que fizesse de negativo ou positivo conseguia cha-
mar a atenção, provocar preocupação ou obter a aprovação e
o amor de seu pai.

Temas relativos rejeição

• A negativa de seu pai cm expressar-lhe seu amor com ações


OU palavras

• Seu pai lhe diz que vá embo ra e deixe de incomodá-lo (um


padrão de rejeição).
1 Q1 1 R -AI

• Seu pai menospreza suas idéias e sentimentos.


• No importa qual fosse sua siuiaço conjugal (casado
div1 --
dado, casado novamente), seu pai imo queria urna reL:T
COfli você.

• Seu pai não o manteve tinanceiramentc nem quando cr-


ça, nem na universidade, nem de maneira nenhuma.
• Seu pai se negou a participar da sua vida quando criança.
• Seu pai evitou deliberadarnente todo tipo de contato c

VOCê.

• Apesar das tentativas de sua nie, seu pai no participava


sua vida.
• Nunca conheceu seu pai.

Obviarncnte esses são apenas alguns fatores, circunstncjas tra:-


máticas e situações que entram na receita de como criar um lho _
filha irascívejs. E
a combinação cli) sentimento de abandono, de s-
rlcgliLrenciado e rejeitado que se converte em urna bola de fogo n
vida de um filho pequeno. Anos de acúmulo desses sentimentos do-
lorosos ajudam a criar rancor. E necessário milito anladu reei ment(
reflexão e coragem para evitar que esses três elementos arruínem su
vicia pessoal, profissional e familiar.
Use estes exemplos para estimular a recordação das vezes em qu
sentiu raiva de seu pai na infância. \Iais uma vez, é fundamental re-
fletir sobre essas recordações e falar delas. Se lhe custa muito esforço
falar a respeito com uni colega de confiança, um amigopróximo, seu
Cônjuge ou um membro de sua família, tente a seguinte técnica.

I3 iiJieJro Passo: sanar a raiva

mia
ginc que está com seu pai e tem a oportunidade de lhe di-
zer corno ficava zangado Com ele quando era criança, adolescente ou
191
STEPHAN 8. POULTER

:to jovem. No o culpe pelo que fez nem use este exercício para se
±safogar. Ao contrário, sua intenÇãO é comunicar Com precisão setis
2tirnentos e pensamefltC) você quer que ele entenda plenamente o
mo o fez sentir-se
:e foi que ele fez exatamente que o magoou.e co
ndonado, negligenciado ou rejeitado. Expresse-lhe como se
lustrar seus sentimentos, inclua
c por que se sentiu assim. Para i
incidentes específicos. Apresentamos agora um \emplo dessa
i.uflS

tuaç ão:

Quando eu era criança você me fez sentir que eu não merecia sua
em casa, sempre estava com a cara
atençã: porque. quando estava
en1ada na página de finanças do jornal ou se trancava no escritório.
Eu achava que na verdade não tinha, importância para você. Sempre
a carga. Depois' que você e nianiãc se divorcia-
me sentirn como u
ram, quando eu tinha 7 anos, foi como se voCê tivesse se divorciado
também de mim. Nunca mais voltei a vê-lo ou a falar com você.
Lembro-me de que uma vez.lhe telefonei porque meu namorado
havia terminado comigo quando eu estava no segundo ano do curso
o'taria a me ligar em dez minutos e
secundário; você disse que v
nunca o fez. Eu sempre quis que me amasse e tivesse orgulho de
mim. Parece que não importava o que eu iz.esse não lhe causava a
assar os próximos trinta anos da vid a
menor impressãO. Não quero p
magoada com você - hi passei anos demais magoada. Papai quero
você me fez falta enquanto eu crescia.
que saiba que na verdade
Ainda sinto inveja das minhas amigas que têm uma boa relação com
pai. Sei que nós também poderíamos ter tidom u bom COnVÍViO.

Sara tem 3 anos é divorciada e mãe de duas ilhas ineas de


e ngravidou.
anos. Frank, o marido de Sara, a deixou quando ela
rank envia a Sara pek) correio um cheque mensal para suas despesas
ue mal cobre as necessidades das crianças. Ele n() quer saber das
OFATORPAI

meninas e foi para outro estado. Sara está furiosa consigo me----
por ter-se casado com Uru homem que é exatamente igual a seu
Entretanto, está nrnit() contente com suas duas belas filhas, Amane
e Alison.
Depois de fazer o exercicio anterior vária.s vezes cm ineu con
tário, Sara começou a Sentir certo alívio, firmeza e paz em relação
pai ausente. Descobriu que, ao comunicar com clareza seus pcn-
mentos e sentimentos sobre suas experiências na infância, começou
deixar para trás a dor da rejeição.

Segundo: colo qile-o por escrito

Depois de representar a situação e ter essas conversas tão inten-


sobre o pai, Sara achou que seria produtivo colocar por escrito sei
sentimentos. Escreveu urna carta ao pai na qual expressou seus per-
sarnentos, seus sentimentos e suas preocupações mais íntimas. F
não usou esse exercício de escrita como urna oportunidade para ata-
car, culpar ou acusar o pai por ter-se tornado unia grande decepç
em sua vida. Estava cansada de estar sempre amargurada, ressenti
ente pai a ajuda-la a re-
e niagoada com o pai. e queria fazer algo diferente
solver sua dolorosa sensação de rejeição. Em vez disso, escreveu cor::
muito cuidado os pensamentos que havia carregado consigo desde c
-1- anos de idade.
Sara enfrentou sua sensação de rejeição, negligência emocional
abandono masculino OU paterno. Demorou várias semanas para es-
crever a carta. Depois de fazê-lo, leu-a para sua mãe, para sua amiga
mais antiga, para um colega de confiança e para mim. Depois de nos
quatro lermos a carta, ela a guardou durante duas semanas. Depois
voltou a lê-Ia e decidiu enviá-la o
Ao colocar a carta no correio, Sara estava plenamente consciente
de que poderia voltar a abrir a porta para ter urna relação com o pai.
STEPHAN 13. POLTIER 1
Da sabia que era um risco calculado e que valia, a pena tentar. Seu pai
~ca havia visto as netas nem falado com elas.
Seguem-se sugestões e alguns delineamentos para você escrever
a carta para seu pai ausente.
Escreva vários rascunhos antes.

• Quando tiver uma versão final, leia-a para ao menos três


pessoas importantes na sua vida, desde que uma delas seja
alguém que conheça pessoalmente seu pai (por exemplo, sua
mãe, um amigo uni tio ou tia, os avós, irmãos, primos, meio-
irniãO/irma).
• Leia-a para alguém emquem confie que não conhece seu pai,
mas que seja um amigo próximo seu e com cujo apoio você
possa contar.
• Leia-a pelo menos para uma figura masculina adulta próxima
de você. A razão disso é a transferência automática dos pro-
blemas com seu pai a um homem con fiável, amigo, colega OU
parente (isto se aplica a filhas e filhos).
• Escrever essa carta fl() implica necessariamente que precise
enviá-la a seu pai ou se colocar em contato com ele. Com esse
processo tenta-se deixar para trás seus sentimentos de dor e
raiva e propiciar uma transformação em relação a você mes-
mo e a seus sentimentos para com seu pai. Considere a idéia
de enviar a carta depois de várias semanas ou meses.
• Você não tem obrigação de procurar seu pai. O único propó-
sito é que deixe esvair a dor dessa relação que vem carregan-
do há tanto tempo.
• Mesmo que seu pai tenha falecido, escreva a carta e siga os
passos anteriores porque isso o ajudará psicológica e emocio-
nalmente a lidar com seus anos de dor e sofrimento.
O FAIOR PAi
194

Sara fez este exercício e enviou a carta ao pai. Escreveu a sen


carta que mostramos anteriormente, e seu pai lhe respondeu i-
diatamnte (toda a sua família e eu achávamos que cia nunca m
ouviria falar dele). O pai, Pete, estava aberto para receber notícias d.áL
netas. mas fl() queria discutir o passado. Ele achava que a cart
Sara era mais do que suficiente sobre o seu passado :ompartilha
Sara começou a visitá-lo quando ia à costa leste C continuou
lhando em seus problemas de controle (Ia raiva. Ela trabalha pari
urna companhia Internacional de grande porte e tem usado sua ser-
sação de rejeição, abandono e negligência para se motivar a supL:
sua dolorosa infância.
A carreira de Sara na companhia recentemente chegou a estagr
Sara está tão pre -
devido à sua reputação de ser urna mi,lhrf}micão.
cupada com sua imagem que achaque a companhia poderia despct;
la. Sente-se muito limitada por sua incapacidade de sei' compreCflSi1
--
e paciente e deixar de reagir à infância sem pai. Desde que explore
ativamente sua raiva e os problemas relativos ao pai, ela obser' YL
algumas melhoras em suas relações no trabalho. Na verdade, seu
superior i mediato a felicitou por manter a compostura em uma reu-
fli()
quafl(l() outro gerente a acusou de ser negligente com um ótimo
cliente. Nenhuma dessas mudanças foi simples ou isenta de dor em': -
cionaL mas os resultados ultrapassaram a expectativa.

Terceiro passo: volte a t'ê-i()

Um dos modos mais produtivos de controlar a raiva é lembrar a


si mesmo que o legado que seu pai lhe deixou mão foi totalmente ne-
de esquecer quando a
gativo. Este ponto vital, não emOCR)flal, é fácil
fária por seu passado sem pai começa a ferver e inundar sua memória.
Acusar odiar e se ressentir de seu pai pelas coisas 'ruinS" que ele (lis-

se e fez não vai ajudá-lo a ter uma vida profissional mais satisfatória
STF PIIkN 13. EOULTFR

r: relações adultas mais positivas. Entretanto, o que o ajudani será


s pazes com quem ele era. Só vocé pode mudar a imagem de seu
carreça no seu coração. Se você não a inudar, quem o fará? Para
:
• responda às seguinte perguntas sobre seu pai:

Quais são as qualidades pelas quais a pessoas o cunh1)rime1


tam que refletem características ou atitudes positivas que
passaram de seu pai para você?
• Que conselho seu pai lhe deu que resultou valioso?
• Qual é o melhor dia que você se lembra de ter passado com
seu pa durante sua infncia? O que ele fez ou disse que con-
tribuiu para que fosse um grande dia?
pCSSOa. Quais
• Quais eram os pontos fortes de seu pai como
eram seus pontos fortes profissionais,'
• ()que admirava em seu pai quando era criança?
O
• Pense em urna coisa positiva que seu pai tenha feito e que
impactou.

mulheres tiveram pais total e exclusivamente


Poucos homens OU
1vados ou absolutamente horríveis. Mesmo que tenho sido 'ruins"
ovavelmente tinham pelo menos agumaS
iisentes ou negligcntcs) p r
:aracteríSticaS paternas positivas, e é possível que estas o tenham feito
; perin1efltar alguns bons momentos. Essas boas recordações lem-
-adas com urna nova visão, podem diminuir um pouco a amargura
estou sugerindo
e sente em relação a seu pai. Mais unia vez, nO
apague o seu passado ou que minta para voee mesmo sobre quem
o que era sem pai; quero apenas que se assegure conscientelliente de
que está a par das características boas e más de seu pai. No espere
ue essa consciência ocorra da noite para o dia, mas repetir esses
exercícios de vez em quando irá ajudá-lo a dissolver gradualmente
1gumas das emoções negativas que voce abriga e que o afetam pes-
196 O FATOR PAI

soai e profissionalmente. Lembre-se de que transformar seu pai


vilão não tornará sua vida mais feliz nem melhor. Existe um v_
provérbio chinês que diz que se você odeia alguém (seu pai), é melrtf
que cave duas tumbas: uma para essa pessoa e outra para você!

Quarto passo: reduzir seus pontos conflirivos

Para a raiva se converter em um problema cada vez menor .-


sua vida profissional, voc deve ser proativo e aprender quais são
coisas que a desencadeiam. Essa é a chave para mudar seu rumo prc
hssional: tornar-se consciente das coisas que o " infla niam" com se
colegas, seus clientes e as pessoas que o rodeiam. O fato de conhece
seus desencade adores emocionais lhe permitirá evitar a infiuêncu
negativa de seu pai em sua vida profissional. Se, em vez de rea
coni Íúria e raiva em uma determinada circunstância, você pude:
considerar outras opções, conseguirá controlar sua vida. Se tiver
controle cia sua vida emocional, poderá tomar decisões melhores em
todas as áreas.
Escreva três ou quatro coisas que sempre o irritam no trahalh
como a falta de apoio, o pagamento insuficiente, clientes que nã
respondem aos telefonemas, não ser convidado para uma reuniã
importante, as posturas políticas rígidas de alguém, um medo de re-
jeição ou de abandono, não obter o reconhecimento adequado em um
projeto ou um colega em particular que o incomoda. Escreva quais
são os desencadcadores e o que os aciona. Depois consulte a escala da
ira que vem a seguir para ver Corno poderia reduzir esses problemas
até o ponto de não reagir, não se aborrecer ou não se enfurecer. Mui-
tos profissionais são astutos ao se perguntar como seria interpretada
a sua conduta caso se desfizessem da sua raiva. Use essa escala para
entender como os desencadcadorcs emocionais que anteriormente o
enfureciam podem ser redirecionados e entendidos.
STFIPHAN B Pc)LI:I:R

do co;i / role da raiva

NLVHLI1LTI RARA: Você se sente neutro sobre a situação, pessoa ou


drcunstncia. '1m urna opinião ou uma resposta, mas não urna re-
ação aberta. Você se sente e funciona da melhor maneira com esta
quantidade de irritação. No existe nenhuma situação ou problema
ssoal que você não possa manejar nesta etapa. Pode ser que a vida
io seja perfeita, mas ela é visivelmente suportável.

IRRIT4ÇÃO LEVE: Você tem opiniões profissionais e pessoais sobre


ste terna. Sua percepção da rejeição ou da carência do pai não atua
ui. VOCê considera objetivamente os dois lados da questão e se sente
seguro
- de sua posiçao a respeito. Não quer reagir excessivamente,
mas se perder a perspectiva isso pode acontecer.

RAIVA MODERADA: Você tem uma opinião forte. Embora seja bas-
tante objetivo, sua segurança a respeito deste assunto está diminuin-
do, e sua insegurança está aumentando. Não se sente seguro, ouvido
ou entendido nesta situação ou problema.

RA1!21 EKJ'RE%L4: Sua objetividade já não está mais emocionalmente


1 disponível, não está mais Funcionando; você está inundado dos velhos
e familiares sentimentos de rejeição e abandono. Sente-se preso nesse
volátil ciclo emocionai e nesta circunstância. Infelizmente, não tem
consciência de que esta situação simplesmente está desencadeando
urna velha mágoa. Sua raiva pertence 80 por cento ao passado e 20
por cento ao presente, e não o contrário. E fundamental que se lem-
bre destas porcentagens para resolver seu rancor.

() principal propósito desta sequência de quatro partes é ilustrar


oriio seus problemas com seu pai podem arruinar sua capacidade
191
t) FAT(.T)R P.\[

de atuar em sua plena capacidade profissional. Quando estes velhos


ternas da inf.ncia fluem por sua mente, é quase impossível que você
aja adequadamente ou torne boas decisões. O trabalho preventivo que
vocé pode realizar através do entendimento de seus "desencadeado
res é uma das chaves para transforuiar completamente seu fator pai
e: uma força positiva e poderosa em sua vida pessoal e protissional.
O capítulo que se segue sobre os estilos de paternidade trata do
nível de desenipenho que a nialoria de nós gostaria de ter. Sua vida
é muito mais do que os sentimentos de raiva e fúria relativos a suas
experiências com seu pai enterrados dentro de você. Sua vida gira em
torno da transformação, e a dor emocional de ser um filho sem pai
pode se tornar urna ferramenta muito poderosa para ajudí-10 a en-
tender as complexidades e os esforços interpessoais que todo mundo
tem em algum ponto da vida pessoal e profissional. O outro la(1O da
raiva é a compreensão e o amor, características que tornam () mundo
uni lugar melhor, e que podem fazer o mesmo por você.
Cap`tulo'
FILHAS E FILHOS DE PAIS
MENTORESC IPRF-E'-\-SI'\-rOS
O FATOR PAI COM ESTILO

meu pai sempre fazia com que cii iiie sentisse


De a/ç'unii nia,ieira
importante e amada. Tinha algo que azia as pessoas se sentire/li
melhor Sinto-me muito atortuiiada por ter sido criada por ele;
ele era o melhor; foi realmente um grande homem. Ainda conto
COM seu apoio.
Lauren1 34 anos

Os pais de meu pai ,norrewi/ quando ele tinha 16 anos. Ele se


converteu no pai que sempre desejou sei; comigo e com meu ir-
que
mão. De modo algum eu poderia assumir os riscos de flL? OCiOS
que fliço no trabalho sem o aviar e o apoio de
llSll 11/0 e 115 CO/SUS
meu pai. Ele sempre acreditou em vim. Realmente. não existe
njnguéfli como mcii pai.
Jeff, 48 anos

O ESTILO DE P.VFERNIDADE
\IENTOROMNTSI\. O

o homem que todos os meninos do bairro queriam ter


Este pai é
como pai. Ele fazia coisas para os filhos que os outros pais achavam
O EVÍOR PAI

desnecessárias ou para as quais não tinham tempo. Ele se demori


COM o hlho armando um carrinho, ajudava a filha com sua tarefa
c
caa. ia as reuniões de alunos e professores.
Estava adiantado para
ejca. em termos de entender seu papel de valorizar a vida d os
1h e educá-los. A experiência profissionaJ me diz que cerca de l
por cento de todos os pais conformam esse grupo de homens. Oc
outros 90 por cento das relações entre pai e filha e pai e filho est:
descritos nos quatro capítulos anteriores. Cada um dos outros qui-
tro estilos de paternidade tem algmnas das características do estik
me rito rcompreensivo que reúnc os pontos fortes dos demais esti-
los. () Inent r-c nlprcensivo é o protótipo do gerente excelente, de
executivo Compreensivo, do negociante prospero e da pessoa para 2
qual todos querem trabalhar. Não é perfeito, mas encontra a forni,
de permaflecet ernocionallnerite em contato com seus filhos, assim
como com os coicras com os empregados e com as demais pessoas
que o rodeiaui. As pessoas desejam se sentir importantes e ernocio-
nalmente vinculadas aos outros o pai mentor-compi-cenisivo entende
essas necessidades imperiosas.
Chamamos iii entor-compreen sivo a este estilo de paternidade por
muitas razões. Este pai deu poder aos filhos e tilhas para que perseguis-
sem seus sonhos, suas potencialidades e esperanças de uma Irlaneira
saudável, Ele entende que seu papel na vida dos filhos é insubstituível e
Fundamental para o desenvolvimento futuro deles. Não importa o seu
estado conjugal (casado, divorciado, padrasto ou outro) ou profissional,
o afeto deste progeilitor é firme e constante; ele criou em seus filhos
urna sensação de segurança e apoio, e uma percepção de que as coisas
sempre terminarão bern. Este constante vínculo emocional, mental e
psicológico permitiu que seus filhos desenvolvesseiii muitas qualidades
e habilidades úteis e importantes. Este pai é um mentor natural para
OS
outros devido à sua capacidade de lhes dar poder para alcançai- suas
metas e sonhos.
Ii
STEPHAN B. POULTER

-mentos do flitor pai mentor-compreensivo


£Ã

• Os adultos mentores-compreensivos têm a habilidade psi-


cológica, a intuição e a sabedoria para entender, respeitar e
apreciar que seus empregados, colegas e clientes têm sua pró-
pria perspectiva no trabalho (confiança pessoal /profissional).
• Toleram e aceitam as diferenças pessoais e profissionais. Isso
inclui disparidades religiosas, éticas, relacionais e profissio-
nais (entendimento/intuição).
• São emocionalmente capazes de entender os sentimentos,
pensamentos e preocupações de outras pessoas sem ser de-
fensivos nem julgar ninguém. Valorizam o propósito e o pa-
pei dos vínculos emocionais (inteligência emocional - discer-
nimento e intuição a respeito do próprio processo emocional
e do dos demais).
• Demonstram qualidades de liderança, incluindo a capacidade
de dizer não diante da pressão dos companheiros indepen-
dentemente das conseqüências sociais e profissionais (força
de caráter).
• Confiam em suas crenças pessoais e em suas convicções
(auto-estima).
• Perseguem seus próprios sonhos e metas e assumem riscos
pessoais e profissionais (coragem).
• Seus filhos e filhas sentem-se amados e afortunados de ter
essa relação com o pai. São capazes de ser atenciosos e com-
preensivos com os demais no trabalho (compaixão). Sabem
que a maioria dos adultos não foi educada nesse estilo de
paternidade.

A confiança interior do pai é transmitida a seus filhos e filhas des-


de que chegaram ao mundo até o presente. Uma das qualidades mais
OFATOR PAI

surpreendentes deste estilo de paternidade é a ausência da


carta & raiva, negligência, ressentimento e necessidade de aprcw..
ç. A ausência desses problemas que esgotam emocionalmente e
mem energia que permite o desenvolvimento de qualidadm
positivas e afirmativas, que incluem, junto às acima mencionadas *
auto-estima, a empatia, a coragem, a segurança emocional e a est-
bilidade, relações pessoais e profissionais fortes e uma perspectiva ia
vida pessoal e da carreira profissional.
O estilo mentor-compreensivo é o modelo adequado para que
você desenvolva um estilo positivo em suas próprias relações pessoas
e profissionais. Começa pela base de que o mundo é um lugar seguro.
de que suas necessidades pessoais estão ou serão satisfeitas e de que
as coisas vão sair bem. Independentemente de qual seja sua ocupação.
estes filhos e filhas se sentem bem consigo mesmos, e transmitem
esse bem-estar às pessoas que os cercam. Os filhos de um pai mentor-
compreensivo têm intuição e discernimento para entender os demais.
relacionar-se com pessoas cujas opiniões são contrárias às suas e co-
municar suas crenças de maneira positiva. Podem fazê-lo porque esse
foi o exemplo que tiveram ao longo da vida.

SINTONIA EMPÁTICA: O ENFOQUE ADEQUADO

Quando um pai ajuda os filhos a se separar e a construir sua


própria vida, coisas boas começam - e em geral continuam - a lhes
acontecer. A compreensão paterna dos filhos lhes permite desenvolver
sentimentos de amor, auto-estima e confiança na própria competência
(por exemplo, serem capazes de assumir riscos e terem disposição para
tanto). O apoio paterno muitas vezes estabelece a diferença entre um
filho ser reprovado na escola, abusar de drogas cronicamente, ser um
empregado irresponsável e infeliz no trabalho ou ser um adulto bem-
sucedido. Essas diferenças são notavelmente claras e demonstram ca-
STEPHAN B. POULTER 203

bialmente se o filho ou filha conta ou não com o apoio, a aprovação e o


mor do pai. Expusemos detalhadamente os sete principais obstáculos
à vida profissional que derivam da ausência desses elementos de apoio
na vida de uma criança. Agora vamos nos concentrar no que acontece
quando estes elementos críticos da relação entre pai e filho (amor,
eiração, empatia, orientação) estão presentes. Mais adiante vamos
examinar como estes elementos podem se converter em parte do seu
fator pai interiorizado em sua vida pessoal e profissional.
O primeiro passo para você se converter no profissional e no bom
pai que sempre quis ser é entender o papel da sintonia emocional (a
habilidade para entender o estado emocional de uma pessoa e reagir
idequadamente) e da empatia. O pai mentor-compreensivo (ao qual
vamos nos referir de agora em diante como M-C) tem a natureza e
a consciência intuitivas de corno apoiar os filhos em sua rotina diá-
ria. Esse tipo de entendimento, anteriormente mencionado, permite
à criança desenvolver sentimentos de auto-estima e competência.
Lembramos que, para uma criança pequena, a sensação de ser amada é
mais importante do que a quantidade de amor que ela recebe. A criança
desenvolverá naturalmente um senso de segurança emocional pelo
fato de se sentir amada e cuidada. Ela sente isso pela freqüência com
que o pai pára para ouvi-Ia contar que alguém a magoou no recreio
no primeiro grau, ou que sentiu medo quando dormiu fora de casa
pela primeira vez no acampamento de verão.
O pai M-C não é perfeito, mas está alerta aos estados emocionais e
às mudanças de humor de seus filhos. Tentar saber o que está inco-
modando um filho ou filha adolescente é fundamental para sua saúde
mental. Agir adequadamente, com base nessa informação, cria uma
rede de apoio emocional para eles. O principal fundamento de todos
os estilos efetivos de paternidade - que também pode ser aplicado
na administração - é a capacidade de se concentrar em um filho ou
filha como indivíduo, em vez de em uma conduta particular. Ao es-
OFÀTOR PAi

tabelecer um vínculo com seu filho, em vez de se concentrar em um


comportamento negativo, você lhe transmite firmemente a idéia de
que de é importante para você. Esse enfoque apropriado permite que
ambas as partes tenham unia linha aberta de comunicação contínua
e estabeleçam um vínculo emocional ininterrupto. Essa é a base para
que um filho desenvolva uma percepção positiva do mundo e do seu
lugar nele.
Um grande exemplo de sintonia empática é a capacidade de
acompanhar outra pessoa em seu estado de entusiasmo, mesmo que
você não sinta a mesma coisa a respeito. Quando crianças, Lauren
e Jeff (citados no início deste capítulo) chegavam em casa com uma
estrela por serem a melhor em ortografia e o maior marcador de gois
da classe, e seus pais compartilhavam sua emoção. Esse tipo de sin-
tonia fomenta a auto-estima de uma criança. Essa auto-estima, por
sua vez, converte-se em confiança interna - permitindo que ela venha
a enfrentar futuros desafios - e aprofunda a sua crença de que as
pessoas se preocuparão com ela. Quando essa criança cresce, pode
compartilhar o êxito dos demais e apoiar os feitos de seus colegas sem
se sentir insegura ou assustada.
O fato de o pai M-C se colocar repetidamente no mesmo nível
de seus filhos lhes comunica um inestimável senso de segurança e
1
amor. Todos sabemos como é doloroso e decepcionante o fato de uma
pessoa importante em nossa vida (pai, cônjuge, colega) não intuir ou
compartilhar o nosso entusiasmo por uma tarefa, um acontecimento
ou um êxito em particular. A carência emocional é dolorosa e nos faz
pensar se alguma vez voltaremos a compartilhar a nossa emoção com
essa pessoa. A criança que experimenta repetidamente esse tipo de
decepção emocional com o pai pode a longo prazo deixar de experi-
mentar sentimentos positivos com relação a ele. A decepção emocio-
nal é demasiado dolorosa, e por isso deve ser a todo custo evitada. Os
filhos do pai M-C não carregam esse tipo de mágoa.
205
STFPHAN B. POULTER

Não nos esqueçamos de que o pai M-C também tem falhas, mo-
mil -- os de explosão emocional e sentimentos negativos. Mas desde
mito cedo a criança sabe que o pai a ama (independentemente de
existirem algumas circunstãnCias que ela absolutamente não enten-
é) especialmente se ele a apóia entre os 13 e os 22 anos, em meio a
mudanças de humor e momentos de carência emocional. Esse
~,
íIho ou filha sabe que terá a orientação e o amor do pai para sustentá-
k) através de períodos de grande dificuldade e mudança pessoal. Esse
OiO
recorrente e tácito permite às pessoas vincular-se emocional-
mente ao pai. Cria uma profunda sensação de segurança que lhes
na vida, tomar decisões importantes e encarar
permite aventurar-Se
desafios profissionais. Esse tipo de atitude corajosa é possível devido
do pai. Essa sensação de confiança é contagiosa e um
in apoio ativo
grande motivador pessoal no trabalho.
É muito importante lembrar que, se o estilo de seu pai e sua in-
fincia não refletirem esse tipo de experiência positiva você não deve
perança. Você pode criar o tipo de am-
desanimar nem perder a es
biente pessoal e profissional que fomente essa confiança e essa força
fazê-lo
interior dentro de você e de seus filhos. Agora veremos como
no final deste capítulo e na seção seguinte.

A PATERNIDADE SENSÍVEL

O estilo de paternidade M-C tem a característica especial de uma


história pessoal positiva. A falta de rancor do pai, que teria surgido de
sua relação com seu próprio pai, lhe permite ver os filhos através de
uma perspectiva clara e objetiva. Essa clareza é crucial para que ele
responda às necessidades particulares que os filhos têm de individu-
alidade e de tomar as próprias decisões, incluindo escolher a carreira
profissional. Esse pai tem o prazer e o hábito de dar apoio verbal e
esenvolvimento de
não-verbal a cada uma das personalidades em d
20(
O FATOR PAi

seus filhos, e um senso de individualidade; esse homem entende o va-


lor de ser emocional, mental e Psicologicamente receptivo aos filhos
em todas as etapas da vida.
Um amigo chegado. Mike, me contou a seguinte história sobre
sua filha, que esta no primeiro ano da universidade:

Jennifer chegou em casa depois do seu primeiro semestre na escola


(a 4 mil quilômetros de casa). me viu e imediatamente começou a
chorar. Fiquei sentado no quarto dela durante as duas horas seguin-
tes, enquanto ela chorava, com medo de perder seu lugar seguro
em casa e seu grande circulo de amigas íntimas do segundo grau.
Essa noite eu precisava responder a vários telefonemas, mas sabia
que ela precisava de mim para ficar simplesmente em seu quarto e
ouvi-Ia com atenção. Gostei de fazer isso, e também de que Jennifer
soubesse que nada havia mudado na nossa relação.

Mike é um pai M-C, e durante anos fez esse tipo de coisas para
seus filhos. Este exemplo pode parecer trivial, mas ilustra como de-
vemos reagir aos nossos filhos quando eles precisam de nós, e não o
contrário, Essa Sintonia emocional, esse entendimento e essa capaci-
dade de empatia são características vitais que o filho adulto adota e
traduz em êxito com colegas, clientes e supervisores.
O interessante é que Mike não foi educado por um pai M-C, mas
por um pai ausente. Durante toda a sua infância, seu pai foi viciado
em analgésicos. O abuso crônico desses medicamentos evitou que
Mike e o pai tivessem uma Conexão emocional próxima. Ele traba-
lhou muito duramente para superar esse passado "sem pai" (apesar
de ter vivido com ele e tê-lo visto todos os dias). O pai de Mike usou
os medicamentos e seu assoberbado horário de trabalho para perma-
necer afastado da família. Mike perseverou e desenvolveu um estilo
positivo de paternidade M-C, apesar da infância dolorosa. Ele usou
207
STEPHAN B. POULTER

muitos dos exercícios deste livro, e os que estão no final deste capí-
tulo, para se converter em um pai M-C para seus filhos. O fator pai
que criou dentro de si reflete sua capacidade emocional e mental para
entender e ter empatia com as pessoas. Como a maioria de nós, de
início Mike não tinha um estilo de paternidade M-C, mas decidiu se
converter nesse tipo de pessoa no trabalho e em casa.
unia longa lista de sonhos insatisfei-
O M-C é um pai que não tem
se teve, trabalhou para
tos ou r essentimentos sobre o seu passado - ou
atuar no presente com seus filhos e desse modo
supera-1a. É capaz de
esmo. O senso de coragem e competenCl3 do
permitir-lhes fazer o m
pai M-C é transmitido ao filho, e constitui o fundamento que permite
nterdependentes; eles
a ambos ser simultaneamente independentes e i
rofundamente
têm a capacidade de ficar separados e ao mesmo tempo p
vinculados. Os filhos adultos de um pai M-C não sentem a influência
dos sonhos ou desejos insatisfeitos de seus pais. Aqueles que carrega-
ram as decepções, frustrações, depressões e ressentimentos dos pais
conhecem essa carga na vida pessoal e profissional
E muito difícil progredir na vida profissional quando você sente
êxito profissional e
que seu pai tem ciúme e ressentimento de seu
crescimento pessoal. O pai M-C transmite aos filhos, por meio de
palavras e ações, a liberdade de criar a própria vida contando com a
gurança do seu apoio e do seu amor. Isso não quer dizer
rede de se
que pai e filho estejam sempre de acordo, mas que se permitem ter
diferenças em sua relação. A aceitação da discordância cria espaço
para que a auto-estima do filho (independentemente da sua idade)
tolere as rejeições, decepções e frustrações- Esse pai e filho ou filha
aprenderam que podem discutir temas fortes, como a sexualidade,
o dinheiro, a paternidade as decisões e o crescimento profissionalt
sem ter de lutar para que suas opiniões, pensamentos e sentimen-
tos sejam ouvidos. Eles aprenderam a ouvir e apoiar uns aos outros,
mesmo que não tenham as mesmas preferências pessoais. Uma at-
20$ O FATOR PAI

mosfera de aceitação tácita é a base do crescimento e do florescimen-


to dos filhos.
Quando esses filhos se tornam adultos, sua vida profissional não
é uma série de "desastres" emocionais ou insidiosas dúvidas sobre sua
capacidade de se desincumbir no trabalho e de atuar em sua capaci-
dade máxima. Essa confiança interior atinge as relações amorosas e
outros vínculos emocionais importantes da idade adulta.

COMO MISTURAR O ESTILO DE


PATERNIDADE M-C EM SEU FATOR PAI

A lista de qualidades e dons emocionais que o pai M-C propor-


ciona aos filhos é interminável. E importante entender que se você
de fato teve um estilo de paternidade M-C, haverá uma possibilidade
muito alta de que seus companheiros de trabalho, clientes, superviso-
res e amigos não tenham tido o mesmo tipo de experiência na infân-
cia. Na verdade, as pessoas tendem a se ressentir com você ou a achar
que você não tem idéia da sua dor, decepção e, às vezes, dos horrores
por que passaram. Não obstante, o fato de não ter tido uma relação
dolorosa com seu pai não limita a sua capacidade de ter compreensão,
entendimento e vínculo emocional com seus colegas. A experiência
não é um elemento necessário para o entendimento emocional. A in-
tuição e a empatia são com freqüência igualmente valiosas.
O que você experimentou em termos de aprovação, entendimen-
to, apoio emocional e amor são as mesmas coisas pelas quais anseiam
esses homens e mulheres que trabalham com você. Todos temos a
mesma constituição de DNA para que essas necessidades emocio-
nais, desejos e esperanças sejam atendidos e desenvolvidos em nossa
vida. O filho do pai M-C tem a capacidade de saber que as pessoas
necessitam dessas qualidades interiores vitais. Não é muito fácil ser L

o líder de trabalhadores que não crêem que seus líderes realmente se


209
STEPHAN B. POULTER

cupam com eles. Você tem experiência pessoal suficiente para


r que o apoio e a aprovação são grandes motivadores e muito
xperiência pró pria que de-
ortanteS no trabalho. Você sabe por e
empoderar as
strar empatia é a forma mais rápida de fortalecer e
pessoas que o cercam.
Leve em conta que a maioria das pessoas não percebe a influência do
de seu trabalho ou
em suas decisões, no progresso e no
Os estilos de paternidade p0-
em suas relações pessoais e profissionais.
xperiência positiva M-C de que estamos falando
&rn variar desde a e
oblemáticos e dolorosos que vimos nos
ws estilos extremamente pr
completamente
capítulos anteriores. Uma aparente falta de insight é
mpreensívelt já que tantos adultos têm tido relações tão decepcio-
co
rbulentas ou dolorosas com seus pais. Para a maioria das
nantes, tu talmente do tema do pai.
pessoas parece muito mais fácil fugir to
Mi opção.
A última meta deste livro, particularmente desta seção, é mostrar
termináveis e invisíveis conexões, condutas, atitudes e crenças liga-
as i n
das à sua relação com seu pai. Nenhum filho, não importa a sua idade,
é neutro com relação a seu pai ou ao modo como foi educado. Urna das
dificuldades ao se discutir o estilo de paternidade M-C e o fator pai é a
lpabilidade e a raiva que podem despertar. É sempre
desesperança, a cu
valioso ter em mente que acusar e atacar o pai é uma reação improdu-
tiva a mágoas profundas. Mais uma vez, é essencial lembrar sempre
o velho provérbio chinês que diz que se você vai se desentender com
alguém, é melhor que construa duas tumbas: uma para a outra pessoa e
outra para você. Você perde em todas as áreas da sua vida quando opta
por culpar, ressentir-se e enfurecer-se com seu pai.
Sua relação com seu pai é meramente um ponto de partida, uma
e não o ponto final. Você
base para o desenvolvimento do seu fator pai,
sponsável pela maneira como o fator pai evolui, funciona e influi
é o re
em sua vida. Isso é bom, porque nenhum estilo de paternidade pode
O FATOR PAI

impedi-lo de ser a pessoa que sempre desejou ser ou de ter o trabalho


que sempre quis. Você tem o poder - e agora o discernimento - de
mudar seu comportamento autodestrutivo, suas crenças cínicas e as
1uks negativas que fizeram sua vida profissional se estagnar. Es-s-
tassão afirmações sólidas a respeito do seu potencial. Eu realmente
acredito que os adultos têm uma certa noção de que sua vida profis-
sional pode progredir se algumas pequenas coisas mudarem ou forem
ligeiramente ajustadas.
Até este momento passamos bastante tempo falando dos diferen-
tes problemas, das crises e da paternidade negligente e dolorosa que
todos nós experimentamos. Este capítulo mostra-lhe que você está
mais perto do que pensa de suas metas. Quanto mais depressa você
entender e começar a incorporar o estilo M-C e seus muitos pontos
positivos em sua vida, mais depressa progredirá sua vida profissional.
Para entender melhor o estilo M-C, considere as perguntas que se
seguem. Por favor, responda a elas com o primeiro pensamento que
lhe venha à mente.

Perguntas do fator pai M-C

• Pense em cinco coisas que teria gostado de fazer com seu pai
antes de terminar o segundo grau.
• Pense em duas coisas que gostaria de fazer com seu pai agora
que já é adulto (não importa se ele está vivo ou morto).
• Pense em cinco coisas de que você gostava em seu pai quando
era criança. (Pense de modo amplo, e não com base em sua
dor emocional ou nas limitações de seu pai.)
• Agora que já é adulto, o que é mais importante para você em
uma relação entre pai e filho?
• Se existisse uma coisa que pudesse pedir a seu pai ago-
ra, independentemente de o pedido ser ou não realista,
STEPHAN B. POULTER 211

o que seria? (Responder "nada" é uma postura defensiva


indevida.)
• Que limitação, característica ou fraqueza você tem que esteja
diretamente vinculada a seu pai
• Qual de seus pontos fortes pessoais e profissionais está rela-
cionado com a influência de seu pai
• Qual das qualidades do estilo de paternidade M-C você gos-
taria de usar com mais freqüência em sua vida profissional?
• Cite um comportamento, atitude ou crença que sabe que pre-
cisa mudar em suas relações de trabalho.
• O que você gostaria de receber de seu pai em relação às esco-
lhas relativas a sua vida pessoal e profissional?
• Com que freqüência você pensa em seu pai em momentos
críticos do dia, durante decisões importantes relativas a sua
carreira e em sua vida pessoal?
• Cite uma coisa (positiva ou negativa) que tenha aprendido
com seu pai a respeito das relações pessoais e profissionais.

Estas perguntas são muito importantes, e foram elaboradas para


-itWbelecer uma discussão pessoal com você mesmo sobre a influên-
. o impacto e o legado de seu pai em sua vida atual. Esta discussão
wnilar a descascar uma cebola; há muitas camadas, uma sobre a
:..zra. O propósito de cada capítulo e lista de perguntas é continuar
ando ao cerne da sua relação com seu pai e à sua influência residual em
z vida até este ponto. Sua vida é uma combinação de eventos ilimi-
milhões de experiências e influências críticas transcendentais.

VocÊ É O SEU FATOR PAI

Seu pai é uma das forças mais poderosas do seu passado, presente
e futuro. As pessoas conhecem esta verdade, mas não sabem o que
'1
O FATOR PAI

fazer com a imensa cova em forma de pai que há em seu coração. A


gligência e todos os outros problemas relacionados
dor. o pao a ne
podem em grande medida ser resolvidos. Não importa o
com o prai
que tenha se passado entre vocês dois, você deve fazer as pazes com
seu pai. A forma como isso vai ocorrer deve ser uma discussão aberta e
reconciliação, repa-
um processo contínuo. Definitivamente, qualquer
ntendimento começa e termina com você mesmo. Na
ração, perdão e e
verdade, não importa o que seu pai pense ou fale, só importa o que
z'ocê fizer em seu coração e em sua mente e o modo como agirá com
relação a ele. Você tem de fazer o trabalho interno desse processo de
sponsabilidades são parte da vida adulta que vem
recuperação. As re
vai salvar
com os privilégios oportunidades e capacidades. Seu pai não
é a verdade. A
.rua vida nem mudar sua sorte; você é que fará isso, essa
melhor nem sequer falar com seu pai sobre
maior parte do tempo é
suas novas mudanças pessoais e profissionais Essa precaução baseia-
se na minha experiência profissional de observar as pessoas muda-
que os pais não entendem essa necessidade de mudar e
rem e verificar
com freqüência um golpe profundo.
evoI.. r; essa indiferença é
Não cometa o erro comum e ingênuo de assumir que suas relações
pessoais, profissionais e familiares não são profundamente influencia-
uma força com a qual você
das pela relação natural com seu pai. Ele é
deve se reconciliar, e este é o momento de fazê-lo. (Sua mãe é outra
pessoa que merece seu tempo e atenção. Por favor, consulte a biblio-
grafia para encontrar excelentes recursos relacionados a esse tema.)
O estilo de paternidade M-C é o modelo que todos podemos tentar
dutivamente em nossa vicia profissional. Para atingir
alcançar e usar pro
essa meta, você precisa se reconciliar com o impacto que seu pai teve
em sua vida. O discernimento, a resolução e a mudança de convicções
têm de ser seus e apenas seus. Seus sentimentos, pensamentos e recor-
dações não podem se basear em um mito familiar ou na opinião que
sua mãe tinha de seu pai, que também são fatores importantes, mas
213
STEPHAN B. POLTER

você passar algum tempo pensando


que continuam não sendo seus. Se
cm seu pai, poderá encontrar os problemas que precisa resolver para
poder progredir na vida. Não descarte nenhum pensamento passageiro
sobre seu pai ou coisas que nunca tenha considerado sobre ele. Este é o
momento de resolver esses velhos problemas com seu pai.
Honestamente, se você vai de fato mudar seu fator pais deve come-
çar pela completa verdade que carrega em sua mente e em seu coração
sobre seu pai e você. Não é fácil para um filho ou filha finalmente re-
conhecer o que aconteceu em sua infância e de que modo isso poderia
afetar sua vida profissional atual. Ninguém quer enfrentar o fato de
repercussões de
sua carreira ter estagnado - ou algo pior - devido a
quantas outras promoções perdidas
sua relação com seu pai. Com
trabalhos mal pagos, frustrações diárias no trabalho e na sua vida
profissional você quer conviver antes de enfrentar a verdade? Ainda
assim, é necessário e oportuno abandonar os impedimentos passados
orajosamente uma sensação de paz e satisfação. Antes de
e buscar c
terminar este capítulo, considere estas três perguntas hoje:

• Quem era meu pai?


• Quem sou eu em relação a meu pai?
• Quem quero ser na minha vida pessoal e profissional e com
meus amigos, família e filhos?

Pondere estas perguntas porque na seção seguinte do livro va-


aracterísticas do fator pai
mos falar dos sete obstáculos e das sete c
nteriormente citadas têm um lado positivo.
M-C. As dificuldades a
O capítulo que se segue é um pouco diferente dos anteriores.
nas regras explícitas e implícitas que você aprendeu
Concentra-Se
com seu pai sobre como ser e agir no mundo. E importante que você
leia e compreenda o capítulo das "regras" antes de passar à fase de
ação do livro. Todos vivemos de acordo com certas regras. Você sabe
quais são as regras do seu fator pai interiorizado'
PARTE 3
O FATOR PAI EM
AÇÃO
'1
Capítulo 9
AS REGRAS DO PAI
DURANTE 0 CRESCIMENTO
INFLUÊNCIAS A LONGO PRAZO
EM FILHOS E FILHAS 1

as de meu pai. Nunca me


Sempre vivi de acordo com as regi-
dei conta de quantas regras, crenças e opiniões de meu pai
dinheiro e a vida. Sinto-fie real-
adotei sobre o trabalhos o
uebro essas regras e nem sequer sei quais
mente mal quando q
são todas elas.. Bárbara, 44 anos

Toda essa história de regras sempre me causou problemas na


ofissional. Meu pai era militar, e du-
minha vida pessoal e pr
q uebrar as regras e ser
rante toda a minha infância tentei não
um bom menino. Certamente, na maior parte da minha vida
adulta eu lhe desobedeci. Brad, 32 anos

Seguir as regras é como respirar: é algo que fazemos sem no-


ronipirfleflt0 de urna regra
tar, até que surge um problema o
não expressam como sempre dizer sim a uma pessoa que tenha
utoridade sobre você. Por exemplo, você diz não a um pedido
a spoStO. Fica
a se sentir indisposto.
de seu chefe e de imediato começa
surpreendido diante da sua estressada reação interna diante de
218 O FATOR PAI

uma simples pergunta. Passa a hora seguinte preocupado com o


de talvez ter ofendido seu chefe com sua conduta pouco ha
Resolve sua ansiedade indo procurá-lo para lhe dizer que fará,
que ele lhe pediu.
As regras fazem parte de cada um dos estilos de paternidade
vimos examinando; os cinco estilos(superexigente, explosivo, pas
ausente e mentor-compreensivo) têm seu próprio conjunto de r
- explícitas e implícitas. O interessante é que a maioria dos filhos
filhas nem sequer percebem o impacto de uma regra aprendida d
muito pequenos em sua conduta, até que violam algumas delas. Aqw
vamos nos concentrar no espectro das regras que abarcam a cond
no trabalho e na carreira, nas relações pessoais e profissionais, De
dinheiro, na ética e na paternidade. Cada uma destas cinco áreas &
funcionamento diário é em grande parte moldada por sua re1aç
com seu pai.
Antes de passarmos à seção seguinte, que versa sobre a maneira d
incorporar o estilo de paternidade mentor-compreensivo a seu fator p
interiorizado, precisamos examinar as regras de acordo com as qua:
você vive pessoal e profissionalmente. As regras são como os móveis d
casa: cada um tem um lugar e uma função. Cada regra também terra
uma função prática, um lugar exato e um propósito específico na suba
vida. É necessário que você saiba quais são suas regras e como elas fun-
cionam para que ocorram mudanças em seu Fator pai interiorizado.

O LIVRO DE REGRAS DO PAI

Cada estilo de paternidade tem seu próprio conjunto de regras,


pelas quais todos os membros da família são regidos. Algumas pas-
sam de geração em geração de relações entre pai e filho. As regras
de seu pai, que formam seu estilo de paternidade, influem em todas
as suas condutas da vida diária, na escolha de seu par e na sua vida
219
STEPHAN B. POULTER

profissional. Elas afetam a maneira como você se comporta e como vê


1 o mundo e seu lugar nele. Para realmente entender a si mesmo, você
m que entender as regras que governam sua vida. O desafio é ficar
extremamente consciente de que regras o influenciaram e contribuí-
ram para que você se tornasse quem você é agora.
Todo mundo vive de acordo com algum conjunto particular de
regras (ninguém está isento do legado de regras do pai. e isso inclui
adolescentes e adultos). Quantas vezes ouvimos adolescentes rebeldes
e furiosos dizer em meio a uma discussão acalorada: Xunca voltarei a
decer a suas regras!"? O pai fica parado enquanto o adolescente - ou
menino de 3 anos - sai furioso do quarto. A verdade
o adulto, ou o
é que todos vivemos em boa medida segundo as regras do nosso pai;
elas são um suproduto natural da relação entre pai e filho.
Um dos papéis mais importantes que um pai desempenha é o de
-determinar as regras". Os filhos devem aprender com seus progeni-
tores como funcionam as coisas e onde estão os limites naturais da
vida. Outra obrigação dos pais é prepará-los para o mundo adulto, o
que inclui o trabalho, as relações, o dinheiro e a ética - proporcio-
nando regras para ajudá-los a atuar de maneira efetiva nessas áreas e
no mundo em geral. Por exemplo, as crianças aprendem desde cedo
que mexer num fogão aceso não é uma boa idéia. A maioria das regras
onscientemente, são apro-
que seguem hoje em dia, consciente e i nc
priadas, práticas e com freqüência chamadas de "bom senso".
Tente recordar quando foi que questionou seu pai sobre não que-
rer ir para a cama às 8 da noite, sobre não querer escovar os dentes
antes de ir para a escola ou sobre colocar um casaco antes de sair de
um processo
casa no inverno. O clássico "por quê?" de uma criança é
normal que continua na idade adulta. Você aprendeu desde pequeno
quais eram as regras que seu pai valorizava e como viver dentro des-
ses limites em paz. Seguir as regras ajudava a criar uma sensação de
seurança para com seu pai e para você e toda a sua família. Existiam
220
O FATOR PAI

- e pode ser que ainda existam - enormes benefícios emocionais e


psicológicos de seguir as regras em Casa, na escola e no trabalho. As
Pessoas respeitam os que seguem as regras porque isso demons
um caráter
forte, assim como o fato de quebrar as regras em certa
ocasiões. O segredo é saber quais as regras que você deve mudar e
quais as que não deve.

Todos os pais vivem de acordo com certas regras. Isso é fato,


independentemente do ní
vel de saúde mental ou do êxito de seu pai
no trabalho. Por exemplo, com um pai explosivo
, quando alguém
se aborrece, a regra implícita pode ser "Culpe imediatamente outra
pessoa; sempre tem alguém que fez alguma besteira". E uma regra
auxiliar seria "É normal gritar e Culpar os outros", O pai passivo
poderia ter a regra implícita "Nunca demonstre emoção" ou "Os
adultos nunca choram;
nunca fale sobre suas emoções; os homens
não choram", O pai superexigente pode ter a regra "Nunca falhe em
nada" ou "Ganhar é a única coisa importante na vida". O pai ausente
poderia ter a regra implícita "As relações não são importantes" ou "A
raiva é um mau sentimento que não se deve ter ou expressar perante
os outros". Mesmo quando essas regras não são ótimas, pode ser que
tenham sido aquelas com as quais você cresceu.
Pense em algumas das regras, explícitas ou
implícitas, que apren-
deu com seu pai. Anote pelo menos Cinco regras (de qualquer área da
sua vida) que você aprendeu com seu pai e que
estão atualmente ativas
na sua vida. Tudo bem rabiscar este livro (uma velha regra da minha
escola primária era "Nunca escreva em um livro"):
1.

3.
4.
5.
6.
STEPHAN B. POULTER 221

S.

REGRAS IMPLÍCITAS: A FORÇA SILENCIOSA


As regras que você escreveu são elementos muito poderosos de
u fator pai interno. As regras explícitas influem na sua vida, mas
u poder empalidece ao ser comparado com o das regras implícitas
que existem e funcionam no coração e na mente de todos os filhos,
não importa que idade tenham. As reras implícitas são as mais po-
derosas da sua vida diária. Apesar de terem uma enorme influência
no modo como você funciona, ditando caladamente suas ações, con-
dutas e crenças diárias, elas tendem a ser inconscientes. As regras
explícitas podem ser leis, normas sociais, políticas da companhia e
códigos de conduta. Por exemplo, as pessoas sabem conscientemente
que beber e dirigir é muito perigoso, possivelmente mortal. Seria ir-
racional argumentar que você desconhecia as conseqüências de con-
duzir em estado de embriaguez. Em contraste, a regra implícita, por
mais questionável que seja, poderia ser que, se você não bebe cinco
raças de vinho por dia antes das 4 da tarde, isso significa que não
tem problema com a bebida. As regras implícitas são muito pessoais
e constituem os delineamentos internos mediante os quais você se
relaciona com seus colegas, clientes e consigo mesmo.
Elas são parte integrante do seu sistema básico de crenças sobre de
que maneira atuar em cada área da sua vida diária. Essas crenças im-
plícitas foram aprendidas na infância, observando seu pai ou notando
sua ausência. As crianças têm uma câmera mental que nunca pára, e
gravam toda conduta, comentário e atitude de seus progenitores. Os
pais tendem a negligenciar esse fenômeno natural e suas influências.
Ainda que você tenha crescido com o estilo de paternidade ausente,
222 O FATOR PAI

mesmo assim aprendeu muitas regras implícitas sobre as relações, c


1hos. os 1mens. o trabalho e as emoções. Apresentamos em segui-
da alguns exemplos de maneiras de se comportar e regras implícita,_
qw os alhos aprendem com os pais. Essas regras passam de um para
ourm e contribuem com grande parte da sua conduta atual nas suas
rdões pessoais e profissionais.
Camo atuam os homens e as mulheres em relação uns aos outros? Você
se torna assertivo, passivo ou submisso? Pede o que quer ou espera
que o outro descubra? Consegue expressar seus desejos aos outros ou
considera isso egoísta? Acredita que homens e mulheres não possam
ser amigos sem existir entre eles uma relação física, um encontro ro-
mântico ou uma tensão sexual? Acredita que os homens e as mulheres
são construídos de maneira distinta em termos de desenvolvimento
profissional? Acredita que homens e mulheres nunca podem coexistir
em paz no trabalho?
Co-mo atuam as mulheres junto a outras mulheres? Você tem que
competir com outras mulheres pela atenção, pelo amor, pelo reconhe-
cimento dos homens (influência do pai ausente)? As mulheres podem
, ,,
pedir o que quiserem sem parecer agressivas ou "más
mas"?? E apropriado
as mulheres terem êxito no trabalho e serem mais bem-sucedidas do
que os homens? Você pode confiar em outras mulheres? As mulheres
a apoiariam? Alguma vez as "boas moças" se divertem ou são sempre
sérias no trabalho? É muito importante para as mulheres falar de
homens e de relações?
Como acha que os homens devem atuar em relação uns aos outros?
Você tem de se vangloriar sobre o seu trabalho, seus ganhos, seu
desenvolvimento profissional e suas habilidades atléticas para ter o
apoio e a aprovação masculinos? Acha que OS homens são sempre
competitivos? Acha que os homens não choram nem demonstram
emoções "suaves" e sentimentos diante de outros homens? Acha que
nunca deve dizer a uma mulher que gosta mais dela do que ela de
STEPWIN B. pOULTER

e? Acha que nunca deve permitir que um colega conheça todos os


rofissionais? Acha que ser um
is segredos habilidades, e contatos p
nem "bem-sucedido" significa ter muito dinheiro e uma posição
p0-
~ai elevada? Acha que os homens só respeitam o dinheiro e o
? Acha que a maioria dos homens não são dignos de confiança e
em ser mantidos à distância?
ese z'oltirnePltO e seus colegas?
Co mo se sente sobre o seu traha1ho seu d
Consegue desfrutar do seu trabalho e valorizar o que faz? As pessoas
aproveitam de
que têm autoridade sobre você no trabalho sempre se
nfluência do pai passivo)? O trabalho é
9ias capacidades e talentos (i
superex1geflte As
a coisa mais importante da sua vida (influência do
mulheres devem preferir ser mães a ter uma carreira? Os homens são
SUCCSSO ou fracasso p rofissional? Os adultos
definidos apenas por seu
divertir e desfrutar do seu trabalho? Você consegue se sen-
devem se
:ir realizado com o que faz ou trabalha apenas pelo que lhe pagam?
Acha que ganhar dinheiro é
Como se sente a respeito do dinheiro?
ecompensa pelo trabalho? Acha que o dinheiro é a raiz de
a única r compensadas
rrupção? Acha que as pessoas devem ser
todo mal e co compa-
or seu trabalho, por suas idéias e pelo que valem para uma
p Acha que ningflém deve-
nbia (influência do ga-
ria trabalhar apenas pelo dinheiro? Acha que os homens devem
manter a família?
nhar mais do que as mulheres porque eles têm que
nto de salário
Acha que as mulheres nunca devem solicitar um aume
ou ser inteligentes em questões de dinheiro? Acha que as mulheres
não devem competir com os homens por dinheiro, poder ou direitos
influência do pai passivo)? Acha que ganhar dinheiro é aceitável e
valioso (influência do mentor_C0mPens1\T0 Acha que se preocupar
por questões de dinheiro é normal?
sexz,alidade? Você
Corno os adultos devem se sentir e pensar sobre a sua
ualidade? As mulheres nunca devem ser
consegue desfrutar da sua sex
? Os homens sempre devem buscar uma
assertivas em relação ao sexo
24 O FATOR PAI

parceira sexual (influência do pai superexigente)? Sua parceira sexual


deve saber o que você gosta e não gosta sem que você precise falar
disso? Sente-se ambivalente a respeito da sua sexualidade? Sente-se
vontade para expressar sua orientação sexual? Acha que a comuni-
cação sobre ternas sexuais não é muito importante nem necessária
porque ninguém fala de sexo?
Quer um pai saiba ou não, seus filhos o observam durante toda a
sua vida. A conduta de um pai se converte no manual de instruções
básico de corno funcionar no trabalho, no mundo e na vida.
Se você fosse um estranho que observasse o impacto das regras
implícitas de seu pai nos membros da sua família, poderia acreditar
estar vendo um filme elaborado, orquestrado por um diretor invi-
sível. Essas regras que foram comunicadas por seu pai a você e aos
outros membros da sua família converteram-se automaticamente em
parte do que você é agora e na razão e direção da sua vida.
O maior problema das regras implícitas é que elas também consti-
tuem crenças implícitas que guiam a sua vida. A maioria das regras im-
plícitas são boas e produtivas, e é importante mantê-las. Concentremo-
nos nas regras básicas, implícitas e explícitas, que atualmente guiam oseu
fator pai interior e que incluem seu trabalho, suas relações, o dinheiro e
a ética. Escreva de novo no livro algumas das regras, crenças e condutas
conscientes e inconscientes que você segue nestas áreas:

VIDA PROFISSIONAL/TRABALHO Quais são seus sentimentos e pen-


samentos sobre seu trabalho atual? Qual é a regra que o guia no
trabalho? Sua carreira tem algo que lhe pareça especial? Acha que
está no trabalho adequado para você? Em caso negativo, que trabalho
seria mais adequado para você e para o seu talento? Acha que a única
opção que tem na vida profissional é ser viciado em trabalho? Qual
destes termos descreve melhor sua maneira de enfrentar o trabalho:
persistente, determinado, relaxado, entediado ou motivado?
STEPHAN B. POULTER 22

RELAÇÕES. Que importância têm para você seus contatos, suas ami-
des e seus colegas pessoais e profissionais? Qual é a sua definição de
uma boa relação profissional? Você consegue ser autêntico com seus
colegas de trabalho? Qual é o propósito das relações pessoais na sua
vida? Quem é seu melhor amigo atualmente? Você tem o mesmo tipo
de relação com seus colegas e subordinados que seu pai tinha com
você? Quem era o melhor amigo de seu pai na sua infância? O que
você aprendeu com essa relação-

DINHEIRO. O que aprendeu com seu pai sobre o dinheiro? O que


aprendeu em sua infância sobre ganhar e gastar dinheiro? Você tem
problemas emocionais em relação ao dinheiro, tais como culpa, medo,
privação e ansiedade? Você se preocupa por não ter dinheiro sulicien-
te? As questões de dinheiro são um tema de discussão? Quais eram as
atitudes sobre dinheiro na sua casa quando você era criança (tensão
entre seus pais, brigas, gastos)? Você é generoso com seu dinheiro,
seu tempo e suas emoções? Pode solicitar um aumento?

ÉTIc4. Que segredos você guarda sobre seu pai, sua família e sobre
você mesmo? Seu pai era um homem honesto? Você se considera
uma pessoa particularmente ética? Até que ponto é importante sua
integridade e honestidade para com seus colegas, amigos, cônjuge e
filhos? O que aprendeu com seu pai sobre ser ético no trabalho? Com
que freqüência facilita as coisas dizendo "mentiras inocentes" ou es-
conde pequenos detalhes de seus colegas, clientes ou supervisores?
Você valoriza a importância e o papel da ética em sua vida?

Temos falado de muitos tipos de regras paternas que estão vincu-


ladas à relação entre pai e filho ou entre pai e filha. A principal questão
deste capítulo é: que regras você acha que devem mudar em sua vida pessoal
e profissional? É muito fácil mudar uma regra uma vez que reconhece
que ela não é essencial ou que está fora do seu alcance. 0 problema em
226 O FATOR PAI

geral não está em mudar uma regra, mas no vínculo emocional que
você tem com seu pai. Muitas regras da sua infância, tanto implícita
como explícitas. são fáceis de mudar quando você percebe que elas
não são úteis para você. O fundamental é descobrir quais as regra
implícitas que governam seu fator pai interiorizado. Investigar as re-
gras que -erium sua vida. Consciente ou inconscientemente, vale o
esforço e a dor emociorul que isso pode desencadear.
O terceiro ~o 40 primeiro foi sobre as regras de seu pai, e ü
segundo, sobre as regras implícitas) compreende as emoções relacio-
nadas com roin. mudar e deixar de seguir suas regras desatuali-
zadas. Isso se C~Crte em uni desafio para muitas pessoas porque as
mudanças tcn&M a er ansiedade, medo e outros sentimentos e
pensamentos i1ro&áveis. Por exemplo, é necessário coragem para
mudar a maiira co 'ocê se relaciona com pessoas que tenham
autoridade sobre vtxe se seu pai o agredia muito verbalmente (in-
fluência do pai expIosu. O medo de não agradar às pessoas é outra
regra bastante cxnum que faz com que muitos profissionais fiquem
paralisados ou se desviem do seu caminho (influência do pai supe-
rexigente). VOCê não pode agradar a todos, e isso requer uma nova
capacidade de tolerar os sentimentos de mudança.

MUDAR AS REGRAS: POR QUE E COMO

Corrigir e mudar seu livro de regras é crucial para você deslanchar


em sua carreira. Não há como mudar seu fator pai sem implementar
algumas mudanças significativas na forma como você vê a si mesmo.
a seus companheiros e a sua vida profissional. Essas percepções, cren-
ças, condutas e atitudes estão ligadas ao seu livro de regras pessoal.
Seu litro de regras abarca seu estilo de zfèto, todos os aspectos do seu próprio
estilo, suas crenças sobre o trabalho e, certamente as regras de seu pai. Cada
uma dessas áreas é importante e está relacionada com sua maneira
STEPHAN B. POJJIIER 227

de pensar, sentir e agir no trabalho todos os dias. Todos nós temos


ses de amnésia parcial e nos esquecemos de que somos a soma de
todos esses fatores quando estamos presos em um congestionamento
de trãnsito, quando chegamos atrasados a um encontro, quando pro-
curamos novos clientes, quando discutimos sobre questões de pater-
nidade ou quando estamos para fechar um negócio. Nosso livro de
regras pessoal guia todos esses eventos e decisões diários.
Em psicologia, a mudança é considerada a tarefa mais desafiadora
que um adulto pode tentar. Corrigir e atualizar ScU livro de regras
pessoal pode lhe causar ataques de pânico (rubores. aumento da fre-
qüência cardíaca, respiração ofegante, pensamentos e sentimentos
incoerentes e medo de morrer). A primeira causa psicológica fun-
damental dos ataques de pânico é a percepção da perda de controle.
Outros sintomas físicos e emocionais relacionados à mudança são um
estado de animo deprimido, perda ou aumento de peso. falta de sono,
irritabilidade, perda de concentração, explosões de raiva e ataques
de medo. Seus pensamentos sobre como as coisas devem mudar na
sua vida podem desencadear essas alarmantes e incômodas reações
emocionais e físicas.
A razão dessas reações emocionais e físicas tão fortes é que você
está entrando no cerne da sua zona de segurança o inconsciente) e
mudando os móveis de lugar ou talvez retirando as coisas velhas (re-
gras) e colocando móveis novos (regras). Você pode escolher a metá-
fora, mas a verdade das coisas não muda. É ,,ecessdrio atualizar seu li:ro
de regi-as. Este passo tem de acontecer em sua vida profissional. Existe
um velho ditado nas empresas que diz que são necessários quinze
anos para que aconteça uma mudança da noite para o dia. mas que as
mudanças graduais podem ser feitas muito mais depressa.
Tente ser paciente consigo mesmo sobre o processo de mudança e
transformação da sua vida profissional. Os passos que você der podem
estabelecer a diferença entre a realização profissional ou a destruição
228
O FATOR PAI

da sua
carreira, O primeiro passo importante
é: lflore os cínicos, O
pessimismo os pensamentos negativos
zona aruJ de comodidade , o medo da mudança e sua
se rebelam contra a mudança do seu livro
de regras— Nunca é tarde ou cedo demais para fazer mudança
vida s em sua
pessoal, profissional e em Suas relações. A idade, o gênero, os
erros passados no trabalho e as decepções nas relações profissionais
C
pessoais são motivos para mudar. Sua Conduta anterior não é uma
sentença de morte nem uma garantia de que você
uma decisão que i fl o possa tomar
mpulsione Sua carreira para a frente. Sua história
pessoal e profissional nem sempre o ajudará a prever seu êxito ou fra-
casso futuros. Na verdade, suas novas escolhas e pensamentos são os
melhores indicadores de Sucesso de sua vida profissional Considere
os passos que se seguem COmO
um guia para VOCê
sincero de seu livro de regras e começar um exame
interiorizado do impacto dele em seu fator pai
E não se surpreenda caso se sinta culpad
as regras. o por mudar

O LIVRO DE REGRAS REAL

Os passos que se segucn são parte


de um programa maior para
desenvolver seu fator pai na direção que deseja. Essa evoluçã
o con-
centra-se em sua vida e em todas as áreas a ela
Conectadas: vida pro-
fissional relações pessoais e profissionais, afetos, dinheiro, família
e Sua sensação de bem-estar. Pare um minuto e imagine o seguinte
(mais urna vez, tudo bem escrever neste livro
; ele é parte do seu novo
livro de regras).

• Se tivesse seu flOvO


livro de regras à mão,
CO(flO ele seria?
(Grande, de bolso, encapado de couro, encadernação macia,
rasgado, usado, guardado sob chave, etc.)
o
STEPHAN B. POULTER

• De que cor ele é?


• Você sempre o leva com você quando vai trabalhar?
• Seu cônjuge já o leu?
• Qual foi a última vez que você escreveu nesse livro?
• Quantas páginas ele tem?
• O que está escrito na capa? Ou ela está em branco?
• Você fala com seus colegas de trabalho sobre seu livro de
regras?
• O que está escrito na página do titulo?
• Qual é a primeira regra escrita nele? Você a segue? Essa re-
gra continua sendo útil na sua vida profissional atual?
• O que está escrito na última página de seu livro de regras?
• A quem está dedicado esse livro? Por que a essa pessoa?
• Qual é a regra mais importante que você gostaria de mudar
ou ignorar?
• Cite uma regra que você tem de cumprir.
• Que regra você gostaria de acrescentar a esse livro?
• Até que ponto você segue as regras explícitas do seu livro?
• Que regras implícitas você sabe que já no são benéficas para
TOCêatualmente?
• Que regras implícitas você tem medo de mudar em suas re-
lações pessoais?
• Que regra você gostaria que seu pai tivesse no livro dele?

A APLICAÇÃO DAS NOVAS REGRAS

É importante visualizar seu livro de regras. A maioria dos adultos


gosta da idéia de poder mudar algumas das regras que limitam seu
crescimento e suas oportunidades. Agora que começou a imaginar
essa força nuclear na sua vida, considere os dez passos que se seguem
2O OFATOR PAI

ao reescrever seu livro de regras. Não considere esses passos dês-


necessários nem os trate como algo que possa fazer mais tarde. O
momento é este. Você não continuaria lendo este livro se não qui-
sesse mudar seu fator pai. Para você, seu livro de regras pessoais é
mais valioso do que suas realizações periféricas (por exemplo, estudos
profissionais. posto de trabalho, relações de negócios) e seus talentos
naturais. Suas rezras ditam o modo corno você vai administrar sua
vida pessoal e profissional. corno vai atuar junto às pessoas que ama e
como vai educar seus filhos. Termine o que começou: agora trata-se
do seu próprio livro!

Primeiro passo. Quais são as cinco regras (você pode mudar todas as
que quiser, mas não se oprima com um livro de regras completa-
mente novas) que você precisa mudar? Você necessitará de tempo,
paciência, repetição e persistência para mudar sua conduta. Quais são
as regras que você precisa mudar com maior urgência? Considere por
um ??,omdnto a magnitude da mudança que estd realizando no curso da sua
vida. Pensar nas diferentes mudanças proporciona muito poder e mo-
tivação. Seja persistente para implementar as mudanças nas regras.

Segundo passo. Ao observar e pensar criticamente sobre o modo como


vai mudar sua perspectiva, você está repelindo as barreiras que du-
rante anos o restringiram. Esse processo está relacionado à maneira
como você atua no trabalho e na sua vida em geral. Diz respeito a
você e a ninguém mais - nem sequer a seu pai. Refere-se a mudar
algumas regras para fazer sua vida progredir. Não se alarme com a
sensação de perda e desconforto que possa sentir ao deixar de lado
algumas condutas e iniciar urna nova. Se sua motivação for baixa du-
rante a mudança, não se preocupe; você recuperará sua energia.

Terceiro passo. Conte a alguém que o apóie e em quem você confia


sobre as cinco mudanças de regras que está realizando hoje. Seja bas-
231
STEPHAN B. PO1JLTER

ante específico sobre a sua natureza. Explique com detalhes ao seu


irnigo por que essas mudanças são tão necessárias e importantes na
sua vida pessoal e profissional.

QUJ?1O passo. Considere seriamente os resultados positivos que a rea-


ização dessas mudanças terá na sua vida profissional. Iso inclui todos
os seus diferentes tipos de relações pessoais e profissionais. Imagine
como as coisas podem mudar na sua vida pelo fato de você se tornar
mais proativo.

Quinto passo. Faça um programa e uma lista de verificação para mudar


essas regras e implementar as novas adequadamente. Quanto mais
específico você for, melhor. A atualização diária, semanal ou mensal
é muito boa para a aplicação e a criação de novas regras. Dê-se tempo
para absorver essas mudanças de conduta e de atitude.

Sexto passo. Escreva todas as mudanças no novo livro de regras real


que está criando. Esse livro pode ser um diário, um caderno ou uma
pasta de folhas perfuradas. Por favor, assegure-se de que exista um
livro real no qual escreve essas mudanças para melhorar sua vida
profissional. A adoção dessas mudanças vai predispô-lo ao sucesso.
Lembre-se de que o tempo que dedicar para fazer um plano o ajudará
a alcançar seus objetivos.

Sétimo passo. Durante os meses seguintes leve este livro com você ao
trabalho em seu portfóiio ou em algum lugar em que ele esteja segu-
ro, mas acessível durante as horas de trabalho. Você ficará surpreso
ao comprovar quantos pensamentos5 crenças, sentimentos e idéias
começarão a surgir em sua mente agora que abriu seu livro de regras
implícitas. Nos próximos meses, seu inconsciente lhe revelará muitos
pensamentos e idéias novas.
232 O FATOR PAI

Oitavo passo. Paciência, paciência, paciência. Existem mais razões de


que páginas neste livro para que seja paciente consigo mesmo duran-
te esse processo de transformação da sua vida pessoal e profissional-
rofissionaL
Pense nisto como se estivesse remodelando sua casa. Tudo se suja, se
enche de pó e muda de lugar à medida que expande a sua casa. Sua
vida interior não é diferente. A mudança pode desordenar as coisas.
mas a longo prazo sua vida retornará a um equilíbrio e melhorará.

Nono passo. Algumas regras existentes podem ser ainda mais funcio-
nais e produtivas em sua vida se você as expandir. Não se limite ape-
nas à sua vida profissional; considere também sua vida amorosa, sua
família, suas finanças, seus passatempos, seus modos de passar os fins
de semana e seu corpo.

Décimo passo. Mesmo que só haja algumas poucas regras a modificar,


faça-o. Este processo refere-se a mudar, não a competir e conquistar
outra pessoa. Lembre-se de que você é um participante da sua vida
profissional, não uma vítima. Ninguém vai salvá-lo; seu pai não vai
salvá-lo. Não é papel nem responsabilidade dele. Você vai dar uma
guinada na sua carreira e direcioná-la para onde sempre quis. Tudo
é por você e para você! Este é um investimento que você não quer
deixar passar nem deseja que ninguém mais faça por você.

Considere por um momento como o resultado de muitos eventos


esportivos tem sido afetado pela aplicação rígida das regras do jogo.
As equipes profissionais de esportes vivem e morrem pela decisão de
um árbitro que se apega às regras escritas. Quantas regras implíci-
tas se aplicam ao jogo de golfe? As pessoas passam anos jogando até
chegar a conhecer e entender plenamente todas as regras de etiqueta
aplicadas em um jogo aparentemente tão simples. Há milhares de
regras implícitas - para as mulheres em particular - sobre como se
deve agir no trabalho. Considere todas as regras implícitas e explíci-
STEPHAN B. POULTER 233

existentes na cerimônia e na recepção de um casamento. Este é o


de regra que todo mundo conhece ou pelo menos reconhece que
te, quer concorde ou não com elas. Duas perguntas:
1. Quais são suas regras?
2. Essas regras funcionam atualmente no seu trabalho?
Capítulo 1 O -
OBTENHA SUA VANTAGEM
COMPETITIVA
QUAL É A FORÇA DO SEU ESTILO?

Sempre fui tímida e passiva em minha carreira profissional. 1 íc


Pai era uma pessoa intratiível, e eu mio queria ser como ele n:
relacionamento com as pessoas. Tenho sido o oposto, mas não esto
progredindo, e preciso mudar isso.
Jean, 33 anos

Era questão de tempo que eu relacionasse minha carreira pro-


fissional com a ausência de meu pai. Ele esteve ausente durante
toda a iiiinha vida, e isso me impulsionou a ser o homem que ele
não foi para mim e para 7/linha família. O problema é que sou
demasiado competitivo com todas as pessoas com quem trabalho
com quem Collito.

Kyle, 44 anos

Expusemos, examinamos e exploramos os diferentes modos Coma


o seu fator pai interior se desenvolveu até este ponto em sua vida
profissional e adulta. Se tivéssemos que resumir todos os
s:ghts, verdades, estilos, regras e sabedoria em três palavras,nOSSOS iii-
esta frase
bastaria: os pais importam.
Seu pai importa de modos que talvez você
não tenha sequer imaginado. A
meta deste livro é ajudá-lo a atingir.
como adulto profissional ou não, os objetivos que sempre quis na sua
STEPHAN B. POULTER ,35

vida pessoal, profissional, financeira e em seus relacionamentos. Para


tanto, você deve começar a descobrir o mistério enterrado dentro de
você sobre seu pai e sua enorme influência em sua vida - presente,
passada e futura. Existe um velho ditado que diz que são necessá-
rios apenas três ou quatro troncos para sustentar toda uma carga de
troncos em um rio. Este é o momento de nos concentrarmos nesses
troncos: os problemas com seu fator pai que atrasam sua vida.
Esses problemas, seu estilo e sua perspectiva diante da vida já
estão prontos para que você os aborde e os modifique. Esta seção
do livro não é um programa de auto-ajuda. Trata de profundas mu-
danças psicológicas, emocionais, mentais e pessoais que você desejou
fazer durante anos, mas não soube muito bem como realizar. Mudar
seu fator pai requer começar de dentro, com sua mente, seu coração e
sua vida interior, e mais tarde levar a mudança ao seu mundo exterior.
Muito poucas coisas ficarão intactas com essa mudança de paradig-
mas. Consideremos as perguntas que se seguem sobre o estilo de seu
pai, o efeito dele nas suas perspectivas e os pontos fortes e fracos des-
sas perspectivas. Sempre vale a pena mencionar que os cinco estilos
de paternidade têm pontos fortes e fracos inerentes.

Os OBSTÁCULOS DO ESTILO DE PATERNIDADE

Quando você leu os capítulos anteriores sobre os cinco diferen-


tes estilos de paternidade, qual foi o que realmente descreveu sua
experiência de infância? Reflita sobre os estilos explosivo. supere-
xigente, passivo, ausente ou mentor-compreensivo). Se precisar re-
visar o capítulo que melhor descreveu sua experiência com seu pai
antes de responder a estas perguntas, por favor, não deixe de fazê-lo.
Considere as perguntas que se seguem e observe como suas respostas
proporcionam mais informações valiosas e insights práticos de sua
vida profissional.
236 O FATOR PAI

• Qual era o estilo básico de seu pai quando você era criança?
• Corno esse estilo se reflete na sua vida profissional em termos
das suas condutas, crenças e relações?
• Qual dos sete obstáculos (vergonha, insegurança, evasão, moti-
vação, responsabilidade/ética profissional, raiva, medo do fracasso
é o padrão de conduta mais ativo em sua vida profissional
corno resultado do estilo de seu pai?
• Qual é seu principal ponto forte em sua vida profissional?
• Dentre as regras que você mantém, quais estão conectadas
com o estilo de seu pai?
• Qual é o fio condutor do legado de seu pai que perpassa a sua
vida toda? (Lembre-se de que existem muitos fios, ou seja.
condutas)
• Que estilo de ligação afetiva (intermitente, evasivo, depressivo
0(1 estável/seguro) é o mais próximo de você? Você tem dife-

rentes estilos de ligação afetiva que usa tanto em sua vida


pessoal como profissional?
• Que comportamento, problema ou terna autodestrutivos
atormentam sua vida pessoal ou profissional?
• Qual é a fraqueza que você mais quer modificar em seu fator
pai interiorizado?
• Como tem usado o estilo que adotou de seu pai em suas rela-
ções pessoais, profissionais e amorosas?
• Que estilo de paternidade melhor descreveria o modo corno
você administra suas relações no trabalho?

Estas onze perguntas foram elaboradas para esclarecer os pon-


tos comuns que perpassam suas relações pessoais, profissionais e
amorosas. Cada estilo de paternidade tem uma enorme influência
na maneira como você funciona no trabalho. Independentemente de
você ser dono de urna companhia, supervisionar 2 mi/pessoas, ou de ocupar
STEPHAN B. POULTER 1
3 -

Posição de gerente outra qualquei; as condutas aprendidas em sua


011

primeira inftncia impactam seu funcionamento profissional atual. Cada


um dos cinco estilos de paternidade tem seus efeitos colaterais parti-
culares, e conhecer os negativos e os positivos pode reduzir bastante
os sintomas e problemas de sua vida profissional. Para começar, ve-
jamos os cinco estilos de paternidade, seus efeitos colaterais negati-
vos e seus pontos fortes centrais não aproveitados. Depois veremos
como esses pontos fortes e esses obstáculos, uma vez resolvidos com
sucesso, poderão colocar sua vida profissional com mais energia na
direção adequada.

QUAL É O ESTILO DE PATERNIDADE DE SEU PAI'-


AI?

0O estilo de paternidade superexigente enfatiza as aparências, as


conquistas e os comporta nientos que sempre se apresentam bem".
A pressão pelos resultados é incrível. Você sempre sentiu que tinha
que estar à altura dos padrões de seu pai ou arcar com sua enorme
decepção. Nenhum filho quer decepcionar o pai. O resultado dessa
relação baseada no desempenho é o desenvolvimento da vergonha,
considerada uma das forças mais negativas na vida de um adulto. Ela
pode paralisar qualquer um a qualquer momento, independentemen-
te de seu posto, poder e riqueza. A vergonha é o resultado de nunca
considerar a si mesmo ou ao que faz "suficientemente bom". Esse
sentimento de inadequação é opressivo; tem início na escola primária
e continua vida afora, transformando-se em um autêntico medo do
fracasso. A dor emocional de algo percebido como um revés quase
que ultrapassa o nível da compreensão, porque os sentimentos con-
tínuos de vergonha contaminam sua experiência exterior. Por puro
instinto de sobrevivência, você passa a evitar qualquer tipo de risco
ou desafio.
238 O FATOR PAI

Vergonha e medo do fracasso versus Intuição e entendimento

Eliminar a vergonha e o medo do fracasso de sua vida profissio-


nal requer implementar intuição e discernimento. Estas qualidades
interpessoais são as marcas do estilo de paternidade mentor-com-
preensivo. A vergonha encobre a sua intuição e o seu discernimento
a respeito de seus amigos, seus colegas e seus clientes. Também di-
ficulta a sua cacidade de atuar e ver claramente suas ações, opções
e idéias. Esses sentimentos podem oprimi-lo em momentos críticos,
levando-o a pensar em qualquer circunstância que você não é sufi-
cientemente bom, esperto. rico, etc. A vergonha sempre o deixa com
uma sensação profunda e incômoda de que você simplesmente não é
bom o bastante. Isso se aplica à sua inteligência, à sua capacidade pro-
fissional, às suas relações. à sua aparência, à sua capacidade cognitiva
e às suas finanças, e não se limita apenas a essas áreas. Infelizmente, a
vergonha abarca todos os seus atos, sentimentos e pensamentos.
Vera é um bom exemplo de filha de um pai superexigente que
transformou sua vida. Aos 7 anos de idade, ela continuou morando
com o pai depois que ele se separou de sua mãe. O pai de Vera, Ran-
dali, era professor universitário em uma importante universidade
da costa leste, e voltou a se casar quando eia tinha 9 anos. Segundo
\Tera ,Janet era o protótipo da madrasta malvada da história de Cm-

derela. Quando Vera entrou no segundo grau, a tensão entre ela,


seu pai ejanet ficou insuportável. Randail estava furioso com Vera
por ter obtido uma média menor que C em seu segundo ano. Sua
falta de interesse pelos estudos, pelas conquistas e pelas aparências
deixavam seu pai furioso. No verão de 1990, seu pai a expulsou de
casa e lhe disse que nunca mais voltasse. Randail ficou oito anos sem
falar com Vera.
Foi preciso Vera se formar na universidade para se recuperar com-
pletamente do terrível golpe emocional de perder o amor, o apoio e a
STEPHAN B. POULTER 239

aprovação do pai. Isso se deveu ao fato de ela não possuir os valores,


regras e crenças de seu pai superexigente quando era adolescente.
Mas Vera passou por urna mudança interior no fim de seu segundo
ano na Universidade Estadual de San Francisco; ela percebeu que sua
sensação de vergonha e de se sentir inadequada era, afinal, problema
u, não de seu p• Essa intuição imediatamente mudou suas qualifi-
cações, sua auto-estima e o rumo de sua vida pessoal e profissional.
Vera percebeu que sua sensação de vergonha, seu medo do fracasso e
o fato de nunca se sentir bem consigo mesma eram injustos. Sentia-se
mal por decepcionar seu pai, mas isso não significava que ela não fos-
se capaz, não tivesse valor ou não fosse "suficientemente boa" como
estudante ou como filha.
Vera se esforçou muito nos dois anos seguintes do colégio para
alcançar uma média A. Esse esforço fez com que ela fosse aceita em
uma faculdade de direito muito boa da costa oeste. Vera se deu conta
de que as regras de seu pai sobre o desempenho, as conquistas e a
perfeição a qualquer custo eram as regras dele, não dela. Apesar de
ter se esforçado para obter a média A. fez isso por si mesma, para
permitir a si mesma seguir a carreira que queria. Também desco-
briu que podia passar o resto da vida odiando o pai e a madrasta, ou
que podia em vez disso tentar compreender a sua própria forma de
ver a vida. Atualmente, o estilo de Vera é mais na linha do modelo
mentor-compreensivo. Ela sabe a importância do apoio emocional
e da compreensão nas relações pessoais e no trabalho. Hoje em dia,
em seu quarto ano corno advogada, Vera eliminou da vida adulta o
obstáculo da vergonha e o medo do fracasso. Ela incorporou alguns
dos pontos fortes do estilo superexigente de seu pais mas com uma
abordagem mais compreensiva dos problemas, dos clientes, dos cole-
gas e dos amigos.
240 O FATOR PAI

Os pontos fortes dos filhos de pais supe ?xigen tes

• Têm uma forte ética profissional e conhecem o valor de se


comprometer com uma carreira.
• Valorizam o trabalho duro e estão dispostos a assumir novos
desafios, a mudar de trabalho ou a dar os passos corretos na
carreira profissional.
• Entendem o papel das realizações e de estabelecer metas pes-
soais c proiissonais.
• Têm urna atitude persistente e um sistema de crenças, e não
se dão por vencidos facilmente.
• Têm um livro de regras rígido para o êxito e as conquistas -
mas ainda assim conseguem motivar os demais.
• Sabem como funcionam as regras implícitas no trabalho e
podem segui-las com êxito.
• Podem ser grande motivadores dos demais, ao dar o exemplo
para conseguir realizar tarefas difíceis.
• Têm uma perspectiva corajosa do trabalho e dos negócios.
• Têm potencial para ser líderes desde que exista um equilíbrio
entre a realização. as aparências e o êxito.
• Têm espírito empreendedor e energia para iniciar uma em-
presa, converter uma idéia em realidade, conseguir recursos
e fazer investimentos.

O estilo de paternidade explosizo produz filhos que precisam su-


perar o medo e a tendência a esquivar-se de sentimentos e conflitos.
Os filhas educados por esse tipo de pai foram traumatizados por seu
humor extremamente instável. A imprevisibilidade de suas reações e
explosões inoportunas atormentava a família todas as noites. Aqueles
que tiveram esse tipo de pai aprenderam muito cedo a "interpretar"
as pessoas e seu estado emocional a qualquer momento. Esse talento
STEPHAN B. POULTER 241

era providencial para lidar com o incrível mau humor de seu pai,
seus constantes gritos e seu comportamento agressivo. Se você teve que
conviver com um pai gi-italbão, sobreviveu a muitos tipos de agressão,
incluindo dois dos piores - os emocionais e os mentais. Você luta
contra a ansiedade, a evasão e o medo do futuro. Outras vezes confia
em suas próprias habilidades, dons naturais e talentos profissionais.

Evasão versus confiança em si mesmo

O seu desafio é tentar não passar a vida em busca de segurança


e de refúgio. Todas as suas relações, pares românticos, decisões de
negócios e escolhas profissionais refletem sua abordagem demasiado
cautelosa e precavida diante do desconhecido. As reações emocionais
de seu pai em relação a você eram muito instáveis. Essa instabilidade
o fez prometer a si mesmo sempre optar pela segurança. Muitos anos
mais tarde, inconscientemente, você evita qualquer empreendimento
de alto risco. O problema é que tudo em sua vida é percebido como
um risco e como algo a ser evitado. Sua ansiedade chegou a tal ponto
que sua primeira reação ao desconhecido é não! Você prefere per-
manecer em um trabalho sem futuro, em uma relação ruim e em
qualquer coisa que pareça remotamente cômoda, familiar e segura.
Você aprendeu a evitar o conflito e a não comunicar seus pensa-
mentos, pois teme que se o fizer possa acontecer algo de ruim. A idéia
de expressar seus verdadeiros pensamentos a outra pessoa é muito
incômoda, e você quase nunca o faz. É muito mais fácil satisfazer
as pessoas e fazer o que os outros querem - e você estabeleceu esse
tipo de relação em função de sua infância traumática. Esse padrão de
relação faz com que você se pergunte o que realmente quer na vida.
Comprometer-se também o assusta porque pode torná-lo emocio-
nalmente vulnerável. Prefere isolar-se e sentir-se "seguro" - e esse
tem sido o seu padrão desde a infância até o momento presente.
242 OFATOR PAI

Mano é o filho adulto de um pai explosivo, Lou, que transformou


sua vida. Quando Mano era criança, Lou chegava do trabalho e batia
nos filhos se a casa não estivesse limpa. Mano, o mais velho, cortava
a grama do jardim da frente até deixá-la perfeita. Lou era alcoólatra e
às vezes se tornava agressivo com Mano e seus irmãos. Mano apren-
deu a neutralizar Lou todas as noites, mantendo a casa imaculada, o
quintal arrumadíssimo e seus irmãos dentro do quarto. Ele conse-
guia interpretar a expressão do pai e saber em quinze segundos como
transcorreria a noite. Passava o dia todo ansioso na escola, antecipan-
do a chegada diária de seu pai e sua reação para com a família. Essa
constante dispersão fazia com que tirasse notas ruins no colégio, e o
fez acreditar que era incapaz de aprender e de atingir seus objetivos.
Mano terminou o segundo grau com média C- (1,5 sobre 4). Es-
tava mais preocupado em manter a paz e se sentir seguro em casa do
que em ser um bom estudante. Estudar não era sequer uma opção,
porque o caos em casa requeria todo o seu esforço e era o pesadelo
noturno de toda a família. Mano se casou aos 25 anos e começou
a frequentar a faculdade local. Cinco anos mais tarde ele se tornou
fisioterapeuta e dono de várias clínicas de terapia. Apesar disso, tem
dificuldade de se comunicar com a esposa, Linda, e com seus em-
pregados. Prefere evitar totalmente um conflito emocional do que
se indispor com outras pessoas. Quando alguém se aborrece com
Mano, ele entra em pânico devido às regras implícitas sobre a cóle-
ra que aprendeu com seu pai. O livro de regras de Mano dizia que
quando alguém estava irritado com ele, sua vida estava em perigos e
inevitavelmente lhe aconteceriam coisas ruins. Agora ele escreveu em
seu livro: "Quando as pessoas se aborrecem, minha vida não está em
perigo e não é responsabilidade minha resolver sempre o problema.
A cólera é uma emoção natural e não algo a ser temido".
Mano também abusou de drogas para tentar esquecer o legado
de agressões de sua infância, mas superou isso nos últimos dez anos.
STEPHAN B. POULTER 243

Apesar da infância difícil, ele encontrou um modo de superar os obs-


táculos e viver de uma forma mais saudável mental e fisicamente,
tanto no âmbito pessoal quanto no profissional.

Pontos frtcs dos filhos de pais explosivos

• Têm excelentes habilidades para o relacionamento com as


pessoas (como cornunicadores, administradores e gerentes
de recursos humanos).
• Compreendem o âmbito do trabalho e conhecem as necessi-
dades profissionais, mentais e emocionais de cada indivíduo.
• Estão altamente sintonizados com as mudanças e com as di-
ficuldades que elas provocam na vida pessoal e na carreira
profissional de uma pessoa.
• Sabem comunicar-se de maneira apropriada, sem se deixar
dominar pela cólera e por emoções passageiras. Evitam as
atitudes negativas no trabalho, os insultos e comportamentos
agressivos em relação aos colegas e a si mesmos. Sabem in-
tervir diplomaticamente em discussões e situações delicadas
no trabalho.
• São maravilhosos para lidar com problemas relativos aos em-
pregados, clientes, supervisores ou membros da família.
• São excelentes para trabalhar no departamento de recursos
humanos e como motivadores pessoais.
• Conhecem a necessidade emocional de os adultos trabalha-
rem num ambiente estável, seguro e cômodo para terem a
máxima produtividade e obterem sucesso.
• Conhecem a importância de agir adequada e respeitosamente
e se comportar de maneira profissional com colegas, clientes
e empregados.
244
O FATOR PAI

• Entendem as regras da ética profissional e as responsabilida-


des de cada posto de trabalho.
• São muito perspicazes e intuitivos com as pessoas em todos
os níveis do trabalho.
• Entendem o que é ser "vítima" de pessoas agressivas que
exercem cargos de autoridade, e têm compreensão pelos in-
divíduos que passam por isso no ambiente de trabalho.

Agora vamos recordar o estilo de paternidade passivo. Este pai


trabalhou, chegou em casa e saiu para trabalhar no dia seguinte sem
parar durante 45 anos. Nunca teve nenhum problema de motivação
ou com a ética do trabalho - na verdade, ele era um modelo de es-
tabilidade em sua vida profissional, exercendo a paternidade e nas
relações pessoais e profissionais; entendia o valor e o propósito de se
comprometer em tudo o que fazia ou tentava, O credo principal desse
estilo de paternidade é demonstrar seu amor mediante ações, e não por
palavras. Filhos e filhas de um pai como esse sabem que ele os ama,
mas ainda assim têm necessidade de ouvir as palavras "eu o amo e o
apóio", o que raramente acontece, se é que acontece. O fato de nunca
ouvir palavras de apoio e amor magoa todos os filhos, independen-
temente da sua idade. O abismo emocional entre o pai passivo e seus
filhos cria muitos bloqueios potencialmente perigosos. Alguns dos
bloqueios do fator pai São:
a sensação de ser vítimas de negligência
(pessoal e profissional), depressão, problemas de comunicação inter-
pessoal, insegurança e falta de motivação/paixão.
O modelo dos anos 1950 de relação emocionalmente distante
entre pai e filho continua sendo uma dinâmica muito popular hoje
em dia. Os filhos desse estilo não entendem por que seus pais se dis-
tanciaram emocionalmente deles. Essa tendência a não compartilhar
pensamentos ou sentimentos na família na verdade converteu-se
em um legado paterno muito forte nos últimos 150 anos. A falta
de
STEPHAN E. POULTER 245

feedback emocional, mental e psicológico faz com que esses filhos se


sintam desamados, vítimas da negligência e destituídos de paixão. A
atenção e o afeto do nosso pai devem ser comunicados verbal e não
verbalmente para que saibamos que somos importantes para ele e
para o mundo. Sem esse tipo de apoio muitas pessoas têm dificuldade
de se sentir fortes na vida profissional.
A necessidade de serem comprometidos, apaixonados e emocio-
nais são os principais problemas desses adultos. A ausência desses
sentimentos gera insegurança e falta de motivação. Sem paixão e sem
compromisso emocional com sua vida profissional, com você mesmo
e com suas relações, é muito difícil sentir-se motivado e progredir
nessas áreas vitais. Sua vida pode parecer boa, mas você sente que lhe
falta algo, um vínculo emocional com as coisas que você faz.

Falta de motivação e insegurança z'ersus caragem e força de cardter

Na primeira parte deste livro falamos do valioso papel das rela-


ções em todos os aspectos da vida de uma pessoa. Nada do que você
faça prescinde do uso de habilidades relacionais e do conhecimento
de sua aplicação. Seu potencial profissional vive e morre por sua capa-
cidade de ser apaixonado ou por sua tendência a ser passivo. O vazio
emocional que você pode sentir em sua relação com seu pai se revela
muitas vezes em outras relações como falta de paixão, falta de inte-
resse ou pouca intensidade e desejo. Não obstante, essas percepções
externas de seus colegas, amigos e empregados são até certo ponto
incorretas. Sua conduta pública não representa adequadamente suas
verdadeiras intenções e suas ambições ocultas.
Sua imagem pública pode se modificar porque os pontos fortes e
potenciais de seu núcleo não foram explorados. O outro lado da sua
falta de paixão em seu trabalho diário, da sua insegurança recorrente,
de seus sentimentos de rejeição e de sua depressão é a coragem e a
246 OFATOR PAI

força de caráter. Esta última é a capacidade de firmar um compromis-


so emocional e mental com alguém, com algo ou consigo mesmo, e
de manter esse compromisso. A coragem não só gera compromisso,
mas também paixão por um projeto ou um curso de ação em particu-
lar. Essas duas qualidades são os pontos fortes do núcleo de seu fator
pai, junto com as outras que incluímos a seguir.
Conhecemos Gina no capítulo 6; seu pai tinha o estilo de pa-
ternidade passivo e, por isso. ela sofria devido à extrema negligência
dele. Gina lutou grande parte da sua vida contra a depressão e a in-
segurança. Esforçou-se muito para superar sua atitude passiva na sua
vida profissional, nas suas relações amorosas e no que concernia a ela
mesma. Gina casou-se há quatro anos e sabia que, caso se comprome-
tesse com um parceiro amoroso, alguém a quem realmente amasse,
sua insegurança diminuiria consideravelmente. Agora é mãe de uma
adorável menina de 2 anos. Gina admite que a maternidade tem-lhe
ensinado muito sobre ser participativa e ativa com sua filha e seu
marido. Sente-se dividida entre ser uma mãe em tempo integral e
uma profissional em tempo integral. Preocupa-lhe que, devido a suas
duas carreiras, a de mãe e a profissional, sua filha, Kimberley, possa
experimentar o mesmo tipo de negligência paterna que ela sofreu.
Gina é muito ativa em sua carreira profissional - trabalha em sua casa
de três a quatro dias por semana -, e fica em casa todas as noites. Está
encontrando modos de fazer com que sua carreira funcione parale-
lamente à sua função de mãe em tempo integral, que é sua principal
prioridade. Para ter o tipo de vida que deseja, tem que recorrer às
suas reservas internas de assertividade e de ação.
Gina tem se esforçado muito para comunicar seus sentimentos,
pensamentos e necessidades mais diretamente a seu marido e aos cole-
gas. Ela não segue o estilo passivo de seu pai - não é passiva e distante
com sua filha e com seu marido. Está consciente de que seu marido
estaria mais do que disposto a se encarregar da maior parte da educa-
247
STEPIIAN B. POULTER

ço de Kiinberley, mas ela não quer isso. Os novos compromissos de


Gina em sua vida pessoal (o casamento e a maternidade) ironicamente
impulsionaram sua carreira. A paixão e a motivação que suscitaram se
comunicou a sua vida profissional. Seu exemplo reflete os dons inter-
nos que o filho de um pai passivo pode descobrir. Esses pontos fortes
internos surgem como resposta em oposição ao estilo do pai.

Os pontos fortes dos filhos de pais passivos

• Entendem a importância de se comprometer com a excelên-


cia e de desenvolver uma vida pessoal e profissional estável e
relações significativas a longo prazo.
• Têm uma perspectiva mental equilibrada sobre as situações
mutáveis, os novos desafios e as mudanças.
• Quando estão emocionalmente comprometidos com
o tema em questão têm a capacidade de ser excelentes
comu n icadores.
• Exibem qualidades naturais de liderança no trabalho e em
casa; têm compromisso1 visão e metas. São estáveis, firmes e
pacientes.
• Valorizam as pessoas, dando-lhes mais importância do que a
meros empregados ou colegas.
• Vêm os problemas e desafios de uma perspectiva descontra-
ída, e permitem que os outros se sintam apoiados e seguros
devido a sua conduta calma.
• Não ficam nervosos com facilidade e não se perturbam rapi-
damente em situações tensas ou de crise.
• Têm uma atitude positiva e a demonstram perante todos no
trabalho.
• São muito confiáveis e fiéis a seus colegas, amigos e
familiares.
248 O FATOR PAI

• Têm um enfoque sincero e honesto para resolver problemas


e conflitos de pessoal.

Um dos mais problemáticos estilos de paternidade é o do pai au-


sente. Este tipo de pai cria grande quantidade de problemas em seus
filhos. No capítulo 8 falamos longamente dos muitos problemas psi-
cológicos (cólera, ódio, agressividade) criados por um pai ausente. O
mais doloroso é a cólera, o que mais rapidamente coloca sua vida pro-
fissional, conjugal, paternidade e amizades em uma espiral descenden-
te. As pessoas temem a síndrome do "empregado furioso" no trabalho,
em casa e em público. A maneira mais segura de estagnar sua vida
profissional é ficar furioso e pôr em ação seus impulsos agressivos.
A cólera é uma reação natural a uma profunda mágoa que não foi
sanada no filho sem pai. Esses mesmos filhos vítimas da negligência
podem levar o seu ressentimento até a idade adulta e ao trabalho.
Apesar de você ter esse tipo de pai, seu legado ainda assim pode mudar
e minimizar o dano colateral ocorrido. Você pode superar sua pró-
pria resistência à mudança e ultrapassar o ponto da dor e os bloqueios
causados pela cólera.
Gerentes, colegas, companheiros, cônjuges, filhos, professores e
vizinhos temem enfrentar um empregado, cliente ou amigo furioso.
A cólera é o sinal de um conflito emocional mais profundo, não re-
solvido. A cólera não resolvida pode se manifestar como insubordina-
ção, rebelião, comportamentos contra a autoridade ou a companhia e
ressentimento com relação aos demais.

Cólera versus compreensão e estabilidade

Um dos exemplos clássicos de um filho irascível sem pai é Ka-


thy - 54 anos, solteira e corretora de valores. Ela já não esta furiosa
nem com seu pai nem com o mundo. Nasceu e cresceu em um bom
STEPILAN B. POLTER
49

bairro de Manhattan; seus pais se divorciaram quando ela tinha 5


anos de idade, e a partir daí Kathy só via seu pai uma vez por ano,
durante um almoço. Ele só lhe permitia vê-lo em um determinado
restaurante e nunca a deixou ir à sua casa ou ao seu trabalho. Só podia
ligar para ele em sua fábrica de roupas. O pai voltou a se casar quando
ela tinha 10 anos, e ela nunca conheceu seus três meios-irmãos desse
casamento- Segundo Kathy, ela nunca existiu na vida do pai depois
do divórcio. Perdeu completamente o contato com ele quando era
adolescente e desde então nunca mais voltou a falar com ele, há mais
de quarenta anos. Kathy passou a maior parte do tempo entre os 20 e
os 30 anos bebendo muito e tentando se entorpecer emocionalmente.
Pouco a pouco descobriu que a carência de pai era seu principal blo-
queio, e que isso estava levando sua vida ao fracasso. Sua raiva por ter
sido abandonada a impelia a constantes litígios no trabalho; perdeu
oportunidades de emprego e fracassou em suas relações amorosas
(divorciou-Se duas vezes). Ela resolveu sua profunda sensação de re-
jeição (ver o capítulo 7) e começou a ser a mulher que almejava ser em
sua vida pessoal, profissional e familiar. Conseguiu inclusive compre-
ender o pai e a si mesma. Essa mudança da raiva para a compreensão
permitiu-lhe começar a desenvolver uma vida muito mais estável e
uma carreira muito mais produtiva.
Atualmente, Kathy é uma filha sem pai em recuperação. Mudou-
se para a Califórnia há doze anos para deixar de pensar e se obcecar
com a negligência do pai em Nova York. Mudou sua atenção sua
energia emocional e seus pensamentos rancorosos, e isso a fez tornar-
se mais compreensiva com relação aos outros e a si mesma. Kathy se
maravilha diante da sua transformação a respeito do de seu fator
pai4

pai e de si mesma. Já não está mais presa na armadilha de odiar ao pai


e a si mesma.
Eu sinceramente duvido que você necessite que o convençam
ou lhe dêem evidências empíricas ou uma lista de perguntas falso/
25() O FATOR PAI

verdadeiro para saber se você era um filho sem pai. Se esse foi o seu
passado, você o sabe. O que desconcerta tantos filhos adultos sem
pai é a questão de como enfrentar o desgaste emocional e o desespe-
ro precoces que viveram. Além disso, você pode se perguntar como
evitar esses tipos de circunstâncias emocionais que desencadeiam a
cólera no trabalho. Quando se sente magoado a raiva se manifesta
dentro de você com o ímpeto de um rio na primavera. Não há como
desfazer o dano emocional sofrido nesses momentos críticos. Mas
nem tudo está perdido. Aprofundar essas questões constitui a base
para transformar seu fator pai.
Entretanto. há pontos fortes legítimos que provêm do fato de não
ter tido uma figura paterna ativa na sua vida. Considere-os e observe
os outros que 'você deve ter desenvolvido.

Os pontos fortes dos fil&s de pais ausentes

• Entendem a importância de dizer não no trabalho.


• Têm a capacidade emocional de entender e aliviar a tensão
existente entre companheiros de trabalho.
• São muito fiéis aos que os apóiam, e proporcionam oportuni-
dades apoio e aprovação profissional.
• Têm um bom discernimento a respeito do modo de resolver
os objetivos dos clientes, do negócio e do trabalho sem se
vincular emocional mente ao resultado.
• Conhecem o valor e o perigo de expressar emoções fortes no
trabalho e nas relações pessoais.
• Estão conscientes do valor limitado da cólera e da fúria no
trabalho. A cólera é uma solução a curto prazo para proble-
mas de longo prazo na vida pessoal e profissional.
• Valorizam o trabalho árduo e as práticas estáveis de negócios
que são realizados diariamente.
S'M)HAN B. POITLTER

• Podem ser muito objetivos, racionais e claros sobre o modo


como deve progredir seu trabalho, seu negócio e a vida pro-
fissional de seus colegas.
• Têm qualidades de liderança devido à sua carência de pai;
estão conscientes da importância de apoiar e outorgar sua
aprovação aos demais.
• Seus companheiros de trabalho gostam da sua postura de
compreensão e da sua capacidade de se defender e de defen-
der os outros.
• Conhecem as regras (não abandonam suas responsabilidades)
sobre serem comprometidos e firmes no trabalho e em qual-
quer relação em que se envolvam.

Às vezes Somos culpados de não nos concentrarmos no lado po-


sitivo ou não pensar nos bons valores que recebemos de nossos pais
quando éramos crianças. Infelizmente, é em geral depois da morte de
alguém ou de um acidente sério que nosso ressentimento muda e libe-
ramos as velhas feridas e os mal-entendidos dolorosos. Por mais tensa
e dolorosa que tenha sido a relação com seu pai, existe, em quase todos
os casos, algum grau de benefício e fortaleza que se pode extrair dela.

O FATOR PAI DA AÇÃO

Primeiro, considere seu enfoque nos negócios e na vida e pergun-


te a si mesmo quais são seus pontos fortes. Estes, incluídos ou não na
lista, são a base sobre a qual você deseja construir seu novo fator pai.
Que pontos fortes faltam :à sua vida pessoal e profissional atual? Toda
base tem seu ponto forte fundamental. Qual é o seu?
Segundo, como você pode afastar o seu bloqueio - derivado de
seu pai - da sua vida pessoal, profissional e familiar? Que medidas
precisa tomar para se desfazer dele?
252 O FATOR PAI

Terceiro, que regras específicas de seu pai se transformaram no


principal estorvo à sua carreira? Como você reescreveria a regra para
sua situação profissional atual?
Quarto, qual é o legado do seu fator pai que você deseja compar-
tilhar com seus companheiros, clientes, família e consigo mesmo:
Pense em qual você quer que seja o seu legado e no modo de reforçar
esse tema em seu trabalho.
Como iã vimos, apesar da sua relação com seu pai - ou, em alguns
casos, graças a ela -. vocë adquiriu forças que lhe serviram na vida e
no trabalho. Veianxis mais a fundo como fomentá-las e agregar novas
forças para que desenvolver seu potencial.
Capítulo 11
COLOQUE SUA VIDA
PROFISSIONAL
EM ALTA VELOCIDADE
A PRÓXIMA ETAPA

Uma das coisas que mais tem iie assustado fazer em minha vida
é ir além do sucesso profissional de meu pai e me converter real-
mente na pessoa que sempre quis ser no trabalho, em casa e com as
Pessoas que me rodeiam. Ainda me parece intimidante ter sucesso
e tentar explicá-lo a meu pai.

Hank, 47 anos

Mal conheci meu pai quando era criança; ele trabalhava o tempo
todo, e tinha se diz orciado de minha mãe. Tanto minha mãe como
meu pai trabalharam arduamente na fábrica Ford local. Nin-.
guém jamais imaginou que eu me tornaria uma empresária e
criaria n'juba Própria empresa. Eu nunca pensei que o faria, mas
me alegro por tê- to feito.

Margaret, 39 anos

QUEM TEM AS CHAVES?

Uma de suas metas pessoais ao ler este livro é fazer com que
sua vida pessoal, sua carreira e suas relações íntimas e profissionais
254 O FATOR PAI

evoluam para uma nova etapa de desenvolvimento. Qual é essa etapa`


A próxima etapa é vista e sentida da seguinte maneira: há mais ele-
mentos para a realização, e você atinge seu potencial ou se aproxima
muito mais dele, e tudo - ou quase tudo - funciona bem para você.
Portanto. a pergunta do dia é: qual é próxima etapa de desenvolvimen-
to e mudança nas três principais áreas da sua vida: profissional, pessoal e
financeira?
A essa altum você sabe que não há como chegar aonde você quer
sem enfrentar as carteristicas, os costumes, as regras e comporta-
mentos de seu pai e o efeito deles sobre você. Já dissemos que, meta-
foricamente uidas as carreiras passam pela casa de seu pai, que é a
mesma em que você vivia quando era criança. Sua relação com seu pai
guarda :zIs zra abrir tanto o seu êxito pessoal como o seu
poder pr/ii. Essa ro não pode ser ignorada. Seus problemas
em relação a seu pai ~ colocá-lo no caminho do êxito ou arrui-
nar o seu futuro. Os aJukos enfrentam essa encruzilhada em algum
momento da sua vida pessoal e profissional, em seu casamento, com
suas amizades e relações e com seus próprios fi lhos.
Sua meta aa é o&er essas chaves (de informação) de seu pai
e abrir seu futuro. N existe nada que dê mais poder à vida das
pessoas do que quando assumem plenamente sua responsabilidade
e a posse de sua vida em todas as suas diversas formas. Quanto mais
informação. intuição e conhecimento você reunir sobre sua relação
com seu pai. mais depressa poderá pegar as chaves e abrir o futuro.
Uma das premissas mais importantes de todo este livro é: Você, não
seu pai, tem as cbazes do sru futuro. Se. por alguma razão, não as tiver,
este é o momento de tomá-las em suas mãos. Pense no que sente
quando tem nas mãos as chaves do seu carro, de sua casa, de seu
escritório existe um poder inconsciente - assim como uma confiança
interna - que acompanha a simples posse. Com que presente todos
nós sonhamos quando fazemos 18 anos? Certamente não é uma rou-
STEPFLAN B. POULTf:R
2"

pa ou unia viagem ao Caribe, mas as chaves do nosso próprio carro.


Os adultos anseiam tanto por liberdade quanto os adolescentes.
A mesma verdade se aplica à sua vida e à evolução do seu fator pai.
Nada é melhor do que segurar as chaves do próprio carro, da casa, do
escritório ou do quarto de hotel nas férias; isso faz com que nos sinta-
mos extremamente bem. Todos conhecemos o efeito Oposto quando
perdemos as chaves e não conseguimos encontrá-las em parte alguma
da casa, da bolsa ou do escritório. O pânico repentino e o ataque de an-
siedade são os mesmos sentimentos profundos que carregamos quando
não sabemos onde estão as chaves do nosso futuro. O que desencadeia
mais pânico ainda é não ter idéia de corno obter as chaves do nosso
pai ou, essencialmente, corno nos converter na nossa própria pessoa
e assumir o controle da nossa vida. Os ataques de pánico ocorrem em
momentos em que nos sentimos impotentes na vida. uma sensação que
nenhum de nós deseja viver. Ninguém quer se sentir impossibilitado
de mudar ou fazer progredir sua vida. Essa sensação de crise pessoal e
profissional acontece quando nós não temos nossas chaves!
Todos ternos colegas e amigos no trabalho que negarão termi-
nantemente que a relação deles com o pai seja um fator que contribua
de urna ou de outra maneira em sua vida pessoal e profissional. As
pessoas que pensam assim também não levam em consideração opo-
der (positivo ou negativo) que tiveram suas experiências prévias em
moldar o que hoje são. Felizmente, você pensa de outro modo. Agora
já sabe quem deve ter as chaves para dar o próximo passo: você. Este
reconhecimento nos permite juntar todas as influências de seu pai e
fazer com que toda a sua vida avance.

COMO CONSEGUIR SUAS CHAVES

A literatura contém muitas histórias sobre o poder de arrebatar


dos pais suas chaves e a luta subsequente. Para podermos continuar,
256
O FATOR PAI

vamos considerar a idéia de que você vai conseguir as chaves sem bri-
gar com seu pai. O pai mentor-compreensivo mostra a seus filhos,
desde pequenos, corno funcionam suas chaves, como abrir suas pró-
prias portas e seus próprios tesouros. Esse pai tem seu próprio jogo
de chaves e reconhece o valor de os filhos terem essa mesma experi-
ência de poder. Filhos e filhas do pai M-C chegam à idade adulta no
dia em que ocorre a transação emocional, mental e psicológica de se-
gurar as próprias chaves. Os Outros quatro tipos de pai não percebem
a importância de mostrar aos filhos como funcionam as chaves. Na
verdade, muitos desses pais se aferram a elas, seja porque não confiam
completamente nos filhos, seta porque não acham necessário que eles
tenham tanta liberdade e poder pessoal.
Para recuperarmos nossas chaves, ternos que considerar o con-
ceito de perdoar. Seg-undo um sábio provérbio, o dia em que perdoas
teu pai é o dia em que te trrnas adulto. Ser adulto significa possuir suas
chaves. No capítulo -. falamos sobre escrever uma carta a seu pai
como uma forma de deixar para trás a raiva e o ressentimento. Exis-
tem tantas formas de perdoar quanto pessoas no mundo. O resultado
de qualquer grau de perdão é você encontrar um modo de liberar
seu pai. Isso seria perdoar a dívida emocional e mental que ele nun-
ca poderá pagar. Muitos de nossos pais nos devem muito mais do
que jamais poderíamos escrever ou expressar ao nosso amigo mais
chegado. Podemos escolher entre nos aferrar à mágoa ou encontrar
um modo de ser mais agradável a nós mesmos e liberar nosso pai da
nossa dor e decepção da infância. O perdão ajuda você a se perdoar
para eliminar alguns dos velhos sentimentos de raiva ou de inade-
quação baseados na vergonha. Liberar seu pai eleva sua inteligência
emocional e aptidão mental. Outro aspecto é que liberar seu pai vai
lhe permitir deixar de ter um pé no passado e outro no presente. Essa
ação coloca toda a sua energia, emoções e pensamentos nos eventos e
nas estruturas da sua vida atual.
STEPHAN R. POULTER

O perdão sempre beneficia muito mais aquele que o outorga do


que aquele que o recebe. Suas exigências internas, desejos de amar
seu pai ou de obter sua aprovação são pesos mortos em sua vida emo-
cional e o impedem de progredir. Esse peso emocional não resolvido
afeta diretamente suas relações pessoais e profissionais. Aceitar o que
você é agora em seu trabalho, em suas relações e em sua família ajuda
a resolver os incômodos sentimentos de nunca se considerar "sufi-
cientemente bom". Dizer ao homem que mais influência tem em sua
vida que o perdoa e perdoa sua dívida lhe proporciona muito poder.
O perdão genuíno requer coragem e compreensão a respeito de si
mesmo e de seu pai.
A qualidade da sua vida vai melhorar imediatamente quando
você deixar de exigir que seu pai pague sua dívida para eliminá-la
pai
por completo (porque ele jamais terá condições de pagá-la). Seu
está emocionalmente destroçado. Não há nada que você possa fazer para
sanar isso. Exigir que ele lhe pague só retardará seu desenvolvimen-
to e crescimento pessoal. A maioria dos pais, se tivessem condições
emocionais de fazê-lo, pagaria sua dívida emocional e curaria a feri-
suas crenças religiosas ou não, ou sua
da. Não importa quais sejam
orientação espiritual -o perdão é uma verdade universal amplamente
reconhecida como um evento que transforma a vida. A pessoa cuja
vida muda é você! Lembre-se de que obter de seu pai as suas chaves é
uma experiência transformadora, mas que requer o perdão.

IMAGINE ESTA CENA

Você se encontra com seu pai na casa da sua infância, em um de-


terminado restaurante, na praia, na montanha ou em qualquer lugar
onde se sinta seguro para tomar posse de suas chaves. Sabe que seu
pai tem a única chave que abre o tesouro que contém seus talentos,
sua riqueza pessoal, a realização de suas relações e seu êxito futuro.
O I\TOR PAI

Quando você vê seu pai, inicia urna conversa Com as palavras mais im-
portantes de sua vida adulta: Pai, eu o perdôo. Essa conversa continua
e dura muito mais do que você jamais considerou possível. Enquanto
fala, dizendo a seu pai o que sempre quis lhe dizer, surpreende-111u
sobremaneira que esse encontro tenha sido poss ivl. Mesmo que seu
pai esteja morto, ou que jamais o tenha conhecido, ou que nunca
pudesse ter com ele esse tipo (te discussão cara a cara, considere a va-
lidade de realizar este exercício poderoso. Você começa a abordar os
temas não resolvidos que o vêm incomodando há anos. A medida que
fala, nota que seus sentimentos estão SOb controle, seus pensamentos
O
estão claros e o tempo transcorre lentamente. Está falando com
coração na conversa mais honesta que já teve com seu pai.
inclina-se para a frente e diz a seu pai que quer as chaves da sua
vida e todas as outras coisas que ele conservou trancadas. Sua voz
torna-se tensa e seu ressentilTleflt() começa a surgir. Seu P em um
momento de lucidez, diz-lhe: Eu não tenho as suas chaves; elas sem-
pre estiveram com você, só que você não sabia disso". Você faz uma
pausa e retruca: Então, quem tem as chaves da minha liberdade, da
Seu pai o olha diretamente nos olhos
minha paz e do meu SUCCSSOr"
e lhe responde- "Perdoar é a chave com que você vai abrir sua vida, e
você sempre teve esse poder". Você não acredita no que ouve e acha
que seu pai ficou louco. Depois de ponderar os comelitarJos de seu
pai, concorda que a aprovação, o amor e a aceitação S() as portas que
de perdão abre as outras por-
você tem de abrir para perdoá-lo. Seu
tas que achava que seu paiosse
f responsável por manter trancadas. A
chave que sempre desejou esteve o tempo todo ao seu alcance. A chave
início quando você resolveu perdoar
é perdoar, e o rocesso pai Obtê-la teve
seu pai.
Você pergunta a si niesmo: Por que não fiz isso antes?" A
única resposta é que agora está pronto para abrir todas as portas,
talentos e tesouros da sua vida. Agradeça a seu pai pelo presente do
perdão, levante-se e vá embora. Ao se afastar, perceber que sua vida
STEPUA.N B. POULI'ER

nunca mais será a mesma depois desse breve encontro com seu pai.
Agora você sabe como passar a urna nova etapa de desenvolvimento
do seu trabalho e de todos os outros aspectos da sua vida.

A VERDADEIRA CONVERSA

Seu poder pessoal sua liberdade profissional e sua motivação o


habilitam a passar à próxima etapa. isso não evita que tenha de reali-
zar o trabalho árduo ou fazer malabarismos com dez coisas ao mesmo
tempo, incluindo sua outra carreira: sua família.
Os passos que se seguem foram elaborados para você ter essa
conversa com seu pai. Não é importante que de fato fale com ele e
nem sequer que comente com ele esta conversa interpessoal de paz.
Você vai dirigir esta discussão encarando um espelho e a terd consigo mesmo.
Estas costumam ser as conversas mais poderosas que se pode ter: as
conversas consigo mesmo.

1. Procure um lu gar com um espelho. Qualquer lugar é bom,


mas assegure-se de que seja privado e suficientemente grande
para poder caminhar nele.
2. Faça uma lista de pelo menos três coisas niais de dez, pois
do contrário se torna demasiado) que precisa discutir com seu
pai e há anos vem evitando. Não se assuste ao pensar na res-
posta que imagina que ele vá dar ou com sua própria hesitação
em falar de certos temas. O tema pode variar desde as brigas
crônicas de seus pais até as discussões da sua infância, ou a
razo pela qual seu pai nunca aprovou nada que você fizesse.
3. Pare, sente-se diante do espelho e comece com a única frase
de que necessita: "Pai, eu o perdôo...' Continue falando até
que já nio reste emoção ou energia para seus problemas, pre-
ocupaçOcS temas ou sentimentos.
(,n O 1A 1 (.)R PM1

4. Não use palavras como "sempre", é sua culpa ou "nunca


Não o rotule, fl() o acuse nem o recrimine. Expresse seu
sentimentos e pensamentos sem tentar destruir verbalmente
seu pai. Não precisa chegar à última discussão com uma pa-
lavra agressiva: a briga terminou. Todo mundo ganha. Evite
culpar seu pai por todas as suas limitações e intervenções
indevidas: isso só deterá sua transformação e sua mudança.
ualidade
Continuar culpando seu pai não fará com que a qualidade-
da
da sua vida pessoal ou profissional melhore. Não se esqueça
de que seu pai provavelmente está bem consciente de suas
limitações e intervenções indevidas.
ressentimentos.
5. Agora perdoe i si mesmo por guardar esses
decepções e rancores. Aceite o fato de que até agora você não
estava pronto para melhorar.
6. Agradeça as-eu. pai por escuta-lo e por mostrar-lhe quem re-
almente tem as chaves do seu futuro: zocê!
7. Depois de realizar este exercício, não deixe de revisá-lo, dis-
cuti-lo ou exarniná-lO com um amigo, com seu cônjuge ou
com seu terapeuta.

Este é um exercício muito intenso, que não pode ser feito às pres-
sas ou passivamente. Perdoar o pai por suas transgressões passadas é
uni passo psicológico enorme que a maioria dos adultos jamais dará,
geralmente evita rá e, com freqüências nem sequer levará em consi-
deração. Eles simplesmente enterram a dor e se arrastam pela vida
toda com o grande vazio no coração provocado ) por sua relação com o
pai. Para a maioria, a simples lembrança do pai envenena, e portanto
considera-Ia como unia influência transformadora está fora dc ques-
tão. Os anos que passaram sofrendo são demasiados para que possam
lidar com eles ou sequer falar a respeito. Entretanto, ninguém tem
de continuar vivendo a vida adulta desse modo. A grande chave do
STEPIIAN B. POUIJTR
:61

perdão que você agora possui é algo que ninguém nem circunstância
alguma jamais lhe poderá arrebatar. Está em seu coração, em sua
mente e em seus pensamentos. Sua relação interna com seu pai nunca
será a mesma, porque você revisou o seu fator pai.
A chave do perdão abre o caminho para que você junte as peças
do seu fator pai revisado, emendado e reconstruído. Esse passo inclui
incorporar eni sua vida elementos do estilo de paternidade mentor-
compreensivo Vários especialistas de todas as áreas de estudo (psi-
cologia, sociologia, negócios, comportamento afetivo) consideram os
elementos incluídos a seguir valiosos e tão necessários como respirar
para o desenvolvimento humano e as relações sauclveis. Ser uma pes-
soa, chefe, cônjuge ou pai do tipo M-C é urna força muito poderosa
que transformará todas as áreas da sua vida e das suas relações com
as pessoas que o cercam.

COMO TRANSPOR SEUS ETRA\ES INTERNOS


E TRANSFORMÁ-LOS EM POTEÇCI.\jS

Sua relação com seu pai tem elementos das dez variáveis positi-
vas incluídas neste capítulo. Os pontos fortes do legado que seu pai
lhe proporcionou são fundamentos sobre os quais é vital que você
Continue construindo. Você está no processo de transformar os en-
traves mais importantes de cada estilo de paternidade em potenciais
valiosos:

• a vergonhj em ifltuiÇa() e discernirnento;


• o medo e a evasão em autoconfiança e segurança;
• a baixa motivação e a insegurança cm coragem e força de
caráter;
• a cólera em compreensão e estabilidade,
• a desesperança e a ansiedade em liderança e visão.
O iAi()R PAI
2

A combinação dessas peças da sua nova vida, incluindo o per-


dão, conforma seu fator pai transformado. Mediante o perdão e ao
liberar seus ressentimentos, você conheça, a transformar a vergonha
em intuição e discernirnento, o medo e a evasão em autoconfiança e
coragem e força de
segurança. a baixa motivação e a insegurança CITI
carãter, a cólera em compreensão e estabilidade, a desesperança e a
ansiedade em liderança e visão. Todo mundo tem as mesmas peças e
ferramentas de sua respectiva relação com seu pai, mas nem todos as
usam ou entendem adequadamente seu valor ou propósito. O estilo
de paternidade M-C é o equilíbrio, a combinação e a implementação
adequados dos poteciai-s acima incluídos. () modelo 1\i-C vai-lhe
permitir ter e pôr um toque pessoal em seu trabalho
e em todos os aspettos da sua vida.
Mas com'.' você incorpora esses valores, condutas e habilidades
na sua vida? Por exemplo. de que modo deixa de operar como a filha
superexigente depois de tê-lo feito a vida toda? E muito difícil res-
ponder a essa pergunta. A solução a curto prazo é VOCê só se concen-
trar nas qualidades poslcivas enumeradas e deixar de fazer as coisas
autodestrutivas que impedem o progresso da sua vida profissional. A
solução a longo prazo é você mudar algumas de suas condutas mudar
seus pensamentos e se conscientizar de seus entraves no trabalho.
As duas respostas estão corretas, e ambas precisafli ocorrer em sua
vida.
Vejamos como aplicar diretamente suas condutas M-C junto com
suas fortalezas particulares em seu mundo de trabalho. independen-
temente da sua idade, de seu cargo, de sua cxperii1cia profissional
das condições de seu lívro de regras, da sua educação e da sua história
com seu pai, você pode incorporar as dez qualidades M-C em sua
vida. Vamos dedicar um momento a lembrar que a nossa vida é mais
que o nOSSO) trabalho, nosso cargo corporativo, nosso nível de ga-
nhos e nosso poder no trabalho. Sua vida são todos esses elementos e
STEPHAN B. POLJITFR 263

:ambéiii a forma como você interage com seu mundo: o modo COIflO
:rata sua família, seus filhos, seus amigos e as demais pessoas. Essas
iferentes partes mais seu estilo de relação pessoal e profissional é
que compõem a substância da sua vida.
A lista seguinte é a aplicação direta das condutas M-C rio tra-
balho, assim como na vida diária. Essas qualidades é que compõem
a vantagem competitiva que as pessoas estão sempre buscando, mas
que raramente encontram em si mesmas e nos outros. Esses talentos,
características e condutas, o fundamento para impulsionar sua car-
reira hoje, foram popularizados em um livro brilhante sessenta anos
à frente de seu tempo, denominado como fizer amigos e influenciar
csoas, de Dale Carnegie, que escreveu sobre o valor da amizade e
como tratar e trabalhar com as pessoas em todas as facetas da vida.
É surpreendente que esse livro tenha sido escrito no auge da Grande
Depressão, quando a taxa nacional de desemprego era de 33 por cen-
to e as pessoas não davam muita importância as relações de trabalho.
He foi o primeiro de muitos autores a reconhecer o imenso valor de
r urna pessoa compreensiva e um mentor para as pessoas na vida
cssoal e na carreira profissional. E esse tipo de visão atemporal que
UM impacto de longo alcance na vida e no desenvolvimento das
pessoas. Carnegie tinha uni fator pai mentor-compreensivo, e sua
mensagem continua atual setenta anos depois.'

Os DEZ FATORES \l-C COMPETTTTVOS


PARA TODAS AS CARRITTRAS

A lista que se segue é uma aplicação direta das dez qualidades que
você precisa assimilar em seu comportamento diário no trabalho, em
conversas informais, nas reuniões matutinas, nas reuniões de pessoal,
nas sessões para formar equipes, nos jantares com ci ientes, nas reu-
niões de vendas e em suas conversas íntimas à tarde. Essas qualidades
24 O FVFï.)T PAI

são a base que se converterá 110 fundamento de qualquer caminho


profissional que você construa. Em segundo lugar, não existe urna
relação ou situação que você possa encontrar durante o dia que não
requeira um dos estilos ou ações M-C citados a seguir. Em terceiro
lugar, a meta é unir suas qualidades particulares com esses traços
M-C. que desenvolverão sua personalidade e seus potenciais de tra-
balho e evitarão que suas velhas limitações o detenham.
Os conflitos de personalidade, os assuntos pessoais e os mal-
entendidos com os colegas são alguns dos problemas silenciosos que
prejudicam diariamente a produtividade de uma companhia. Esses
problemas com frqÕéncia se manifestam em dias em que alguém
está doente ou fi1i por motivo de enfermidade. Dificilmente al-
guém sabe o que faier com esses conflitos, e para muitos parece mais
fácil faltar alzuns dias ou semanas ao trabalho e evitar por completo
o problema. Muito poucas pessoas estão equipadas para lidar com os
desafios desses irxõrnodos problemas de pessoal.
O trabalho em si tende a ser muito mais fácil do que lidar com to-
dos os diferentes probinas de relações presentes em cada ambiente
de trabalho. Em qualquer lugar em que você trabalhe há problemas
pessoais. "questões política e preocupações com recursos humanos,
já que sempre estamos tralhando com gente. Isso faz parte da ex-
periência humana e não podemos evitá-lo. Por isso é tão importante
que você compreenda esses traços _NI-C e os carregue com você para
o seu mundo. A lista que se seue foi elaborada para livrá-lo desses
problemas comuns de pessoal nos quais ninguém ganha por meio de
medidas proativas do fator pai M-C.
Ferramenta 1 - Permite que a flexibilidade, o perdão e a compre-
ensão influam no seu estilo g?rencial. na.: relações com seus co1eí.'as e com
seus clientes. Esses três traços criam urna linha aberta de comunicação
entre você e quem o escuta. Qualquer circunstância potencialmente
explosiva no trabalho é automaticamente desativada com esses três
STEPHAN B. POLTLTER

traços de conduta. O fator M-C é a aplicação da intuição e do discer-


nimento em vez da vergonha e de seu efeito paralisante. A vergonha
sempre eliminará sua capacidade de pensar com clareza e de tomar
a melhor decisão. A vergonha bloqueia sua capacidade emocional de
ser compreensivo, objetivo. e de perdoar em qualquer situação.
Aplicação do fator M-C:

• Superexigente. Não insiste em ter a razão ou dizer a última


palavra na questão. Não se concentra na necessidade de ser
perfeito e correto. Abandona o papel de sabe-tudo. Tenta en-
tender a perspectiva da outra pessoa.
• Explosivo. Não reage exageradamente diante de um problema
ou de um contratempo no trabalho. Compreende que nem
todas as coisas acontecem segundo seus planos. Resiste à ten-
tação de gritar e ser agressivo com seus colegas, supervisores
ou empregados. E flexível e compreensivo para com os esfor-
ços e o trabalho árduo dos colegas.
• Passivo. Participa mental e emocionalmente da discussão ou
do problema. Torna-se parte da solução. Está emocional-
mente consciente dos problemas relacionados à questão em
particular ou às pessoas envolvidas. Compreende profunda-
mente seus colegas.
• Ausente. Não evita nem descarta o problema como se este não
importasse. A questão é importante porque envolve seus co-
legas ou clientes. Usa sua flexibilidade para entender melhor
por que a questão ou o projeto são importantes. Destaca-se
emocional e mentalmente no trabalho.

Ferramenta 2 - A capacidade de se comunicar de uma maneira clara


e direta, sem se deixar dominar pela raiva, tem um valor pessoal e profis-
sional ilimitado para você. Seus sentimentos com relação aos outros
266 O FATOR PAI
1
(compreensão e empada) devem ser usados como informação e p0-

dem ser muito úteis para entender o pessoal, os clientes ou a situação


de trabalho. Você aprendeu a confiar em seus instintos, sentimentos
e pensamentos sobre as pessoas, as decisões e os relacionamentos. E
cada vez mais consciente do fator "humano" nu trabalho e nas pes-
soas coni quem lida todos os dias.
Aplicação do fator pai i\I-C às comunicações:

• Super ienrc-. Você vê seus colegas como jessois que têm opi-
niões próprias. Vê as pessoas como algo mais do que engre-
nagens do trabalho.. É compreensivo para Com seus colegas,
o que o ajudará a criar estabilidade na carreira profissional.
Você precisa escutar e entender as opiniões deles. E. muito
provável que aprenda algo com isso.
• Explosito: Resiste à tentação de gritar ou de se comunicar
de maneira déspota. Respeita os direitos e perísamentos
dos outros como ) urna forma de controlar sua cólera e sua
frustração.
a Passivo. Participa dos sentimentos e pensamentos de seus
colegas. Começa a criar laços e a estabelecer relações mais
fortes com as pessoas com quem trabalha. Começa a mos-
trar compreensão e estabilidade emocional em todas as suas
relações.
• :iusente. Está consciente das necessidades emocionais básicas
de todas as pessoas quanto a amor, apoio e aprovação. Você
tem essas três qualidades ativas em suas interações com as
pessoas em todas as áreas da sua vida. Esses três fatores emo-
cionais M-C aparecem cm seu comportamento compreensivo
e de empatia no trabalho e em casa, com sua família.
STEPHAN B. POLLTEg

Ferramenta 3 - As relações são importantes.' Sua capacidade de se


conectar, entender e ter empada para Com os demais automaticamen-
te o fará progredir no trabalho. Sua confiança em si mesmo e sua
segurança em relação ao seu trabalho o capacitam para fizer parte
da equipe. Ao abraçar o modelo \'I-C. coloca as relações como prio-
ridade número um do seu trabalho. Conhece o valor a longo prazo
de acalentar as necessidades das pessoas e seu senso de incluso. Essa
mudança mental lhe permite ser um mentor e um líder para todos OS
que você apóia emocional e mentalmente.
Ao aplicar o modelo NI-C às suas relações de trabalho, qualquer
dos estilos superexigenre explosivo, passivo e ausente
- desenvolverá
um maior entendimento das necessidades que as pessoas têm de re-
lações positivas. estáveis e consistentes, independentemente da sua
idade, gênero, poção ou riqueza. Seus companheiros o respeitarão
e ao seu compromisso com eles e com o trabalho deles. As pessoas
terão mais boa vontade para com você e poderão ajudá-lo no desen-
volvimento da sua vida pessoal e profissional. Ao apoiar os outros,
você demonstrará sua autoconfiança para desenvolver relações com
todas as pessoas que o cercam.
Ferramenta 4 - prcehe que todo mundo, no trabalho e na vida,
tem uma dinâmica tztor pai". Entende e valoriza a influência que seu
fator pai teve sobre você, o que o levou a desenvolvê-lo e corrigi-lo.
Agora pode realmente entender a política no escritório devido às in-
fluências subjacentes que os pais de todos tiveram na vida deles. Você
tem discernimento, sabedoria e conselhos práticos sobre a maneira
de transformar os entraves do "fator pai" de seus colegas na vida pes-
soal e profissional deles. Sua experiência ao se relacionar coin seu pai
naturalmente lhe permite ser um mentor para os homens e mulheres
envolvidos em sua vida, sem que se transforme em alguém que vive
"passando sermões". Ser mentor sempre se baseia em experiências
de vida e percepção, Coisas que você pode oferecer à sua família, aos
o xi OR PAI

anugos e aos colegas. Terá um conhecimento funcional dos diferen-


tes estilos de paternidade e de corno eles atuam nas relações em todas
as áreas da sua vida.
A aplicação do papel de mentor em seu fator pai M-C
tra n storniado:

• Siiperexi gente: Dá às pessoas espaço e experiência para crescer


e aprender Com seus erros e desafios. Oferece apoio e aprova-
ção, independentemente dos resultados. Decide ser um men-
tor em vez de se concentrar nos resultados ou nos ganhos.
Para você, o interior das pessoas é mais significativo do que
o seu aspecto.
• Evblosi:o: Entende a necessidade de as pessoas desenvolverem
um senso de competência e do próprio valor mediante suas
conquistas. No é crítico nem exige que os resultados sejam
sempre os mesmos. Abandona a necessidade de controlar
tudo. No tenta controlar o fator pai das outras pessoas no
trabalho. Dá apoio quando lhe pedem.
• Passiz.o: Está consciente de que todos no trabalho e na sua
vida necessitam de apoio para se desenvolver e. mudar. Não é
emocionalmente distante ou inacessívc.i para ser uni mentor
de seus colegas e amigos.
• Ausente: Entende a importância de ser um mentor para sua
família, seus amigos e seus colegas. E presente e atuante para
com as pessoas de suas relações. A sensaçio de raiva por iiio
ter tido um pai/líder está resolvida. \dcê se transformou no
tipo de mentor que sempre quis ser.

Ferra menta 5 - As potencialidades e friilidades profissionais podem


ser mais bem entendidas quando se conhece o livro de regi-as de uma pessoa e
o modo como ele ope-ra. Saber e compreender que todo mundo é guiado
SIEPHAN B. POULTER 1
-0

pelas regras implícitas e explícitas de seu pai é uma ferramenta muito


poderosa. Perceber que a razão de alguém fazer algo se baseia no
livro de regras de seu pai é valioso em qualquer relação. Esse grau
de intuição, discernimento. percepção e apreciação das lutas que as
pessoas travam para reescrever seu próprio livro de regras não tem
preço. Isso permite aos gerentes \1-C desenvolver o potencial daque-
les que os cercam e elimina o elemento de vergonha e insegurança
dos demais.
A aplicação do seu fator pai M-C a um novo sentido de
entendi mc n to:

• Superexigente: Aprecia as lutas emocionais que as pessoas


travam para se separar do livro de regras implícitas de seu
pai. Entende que o valor de urna pessoa é mais do que suas
conquistas. posição ou riquezas. O que realmente importa é
que se torne dona de si mesma como uma força positiva em
sua vida pessoal e profissional.
• Explosivo: Paciência, paciência, paciência; esse é o maior pre-
sente que você pode dar às pessoas que o rocleja iii C ii lLlta
delas com seus livros de regras. Você tern capacidade para
entender que não é importante as pessoas fazerem o que você
acha que devem fazer. Sabe que elas muitas vezes no conhe-
cem o profundo impacto psicológico do livro de regras do pai
em sua conduta de adultos.
• Passivo: Sem fazer proselitismo, você apóia ativamente as
pessoas em seu trabalho, ajudando-as cm silêncio a reescre-
ver seu livro de regras e a passar para a etapa seguinte cio
desenvolvimento prohssioiial. Sabe que seu compromisso
emocional é vital para seus colegas, arnios e faniilhires. Seu
envolvimento é urna força muito poderosa e ajuda a estimular
uma mudança positiva nas pessoas que o rodeiam.
1-0
O r-
-1 PAI

• Ausente: Ninguém pode ter sucesso recusando-se a participar


ativamente na vida das pessoas com quem se relaciona l)CSSo-
ai e profissionalmente. Você resiste à tentação de se manter
distante e afastado das necessidades de seus colegas. Entende
a importância de ajudar os candidatos que de-sejam reescrever
seu livro de regras e seguir algumas regras novas.

Ferramenta 6 —Adultos. colegas, cônjuge, membros da famului e super-


visores sempre reagem positivamente ao modelo AI- C. -Você ad )ta ativa-
mente as dez potencialidades do modelo M-C em sua vida pessoal e
profissional. Sabe que o de----envolvimento, de sua vida pessoal e de sua
carreira será devido a esses elementos. Não existe argumento interno
ou entrave emocional que o impeça de ser o profissional que sempre
quis ser. VOCê sabe que qualquer que sehi seu entrave emocional ou
psicológico. o estilo M-C o resolverá.
Aplicação do fator pai M-C, com intensidade e segurança:

• Superexigenre. VOCê já não se aferra à crença antiquada de que


a única medida de uma pessoa é seu status profissional. Sabe
que uma pc~ é muito mais do que suas conquistas e sua
aparência exterior.
• Explosivo. \Cê se permite converter-se na pessoa, no Cônju-
ge, no pai e no profissional que sempre quis ser desde menino:
paciente. compreensivo. seguro e forte. Você desenvolve força
emocional para tolerar as diferenças e opinloes contrarias,
• Passivo. Você não se permite cair na velha rotina Familiar
de ficar à margem da sua vida pessoa.], profissional e de suas
relações. Você aplica as potencialidades do Fator M-C e par-
ticipa ativamente de todas as áreas da sua vida. Não descarta
as necessidades e preocupações emocionais das pessoas como
irrelevantes.
SiEPHA B. POUTTER

• Ausente. Você conhece o dano emocional causado por sua


evasão anterior de suas responsabilidades pessoais e prolis-
sionais. Aplica ativamente as potencialidades M-C e evita o
desastre de abandonar as pessoas que o rodeiam.

equilíbrio
Ferramenta 7 - %'iediaute o 7 10de10 -11- C t'oé consegue um
de assertiv idade entre os extremos de passividade e agressividade. Todas as
crianças aprendem Corno resultado de sua relação com o pai, a ser
passivas ou agressivas no trabalho. O melhor equilíbrio entre esses
dois extremos é o equilíbrio de serem assertivas e corajosas. A as-
sertividacle é a capacidade de expressar seus desejos ou opinloes de
maneira firme e construtiva. O gerente M-C pode ser assertivo sem
isolar ou afastar seus empregados ou colegas.
Aplicação do modelo i\l-C às áreas da coragem e da segurançiu

• Superexige'nte. Você está aprendendo que magoar as pessoas


ou impor suas opiniões é o modo menos produtivo de obter
os resultados que deseja. Seu uso da coragem e da segurança
em forma de assertividade é apropriado no trabalho.
• Explosiz'o. \bcê sabe que as pessoas reagem melhor às suas
decisões as.sertivas. As pessoas respeitam sua coragem e se-
gurança emocional ao apresentar seus pedidos de maneira
positiva e assertiva, porém não beligerante.
• Passivo. Você tem opiniões desejos e visões sobre os quais
possui urna forte convicção. Está aprendendo que ser asser-
tivo é sua melhor ferramenta de comunicação em todas as
áreas da sua vida. já não ignora seus pensamentos e senti-
mentos nem os dos demais.
• Ausente. Você está se tornando emocionamcnte participati-
vo em todas as áreas da sua vida pessoal e profissional O
enfoque equilibrado de ser assertivo com as pessoas requer
VAI O R PAI

que você interaja constantemente e permaneça ligado a elas.


Sua presença ativa requer coragem e segurança em sua vida
profissional.

Ferramenta 8 - .cê não busca a aprovação dos outros para suas ações
ou decisões. Tem o discernimento e o entendimento emocional de que
a conduta de buscar aprovação debilita o desenvolvimento da sua
vida profissional e a forma como se sente a respeito de si mesmo. ()
empregado M-C sabe que buscar a aprovação ni é u círcu
lo vicioso
de sentimentos de impotência e insegurança. Você desenvolveu unia
percepção saudável de quais são seus desejos emocionais, pessoais e
profissionais e de como satisfazê-los. Ao trabalhar dessa maneira po-
sitiva, não precisa de validação.
Aplicação do modelo .\I-C de intuição e discernimento em ter-
mos de aprovação:

• Superexigente. Você aprendeu que dar o seu apoio e aprovação


aos esforços dos demais constitui urna força muito positiva
(embora você mesmo não seja dependente dessas condutas).
Esse tipo de comportamento de apoio pode mudar a direção
da vida de outras pessoas e impulsionar o desenvolvimento
profissional delas.
• Explosivo. O uso de afirmações positivas, de insight e de ações
de apoio transformará as pessoas que o rodeiam. Sua pers-
pectiva positiva com relação às pessoas com as quais você
tem vinculos pessoais e profissionais vai ajudá-lo a criar um
ambiente de trabalho produtivo.
• Passivo. Seu apoio ativo verbal e não-verbal a seus colegas cria
uma base para o crescimento e a mudança. Você compreende
o poder de ser positivo e de constituir uni apoio para os ou-
Sii: P1-lAN B. POUL{ER

tros. O estilo M-C transforma sua carreira em uma poderosa


força de potencial ilimitado,
Ausente. Você conhece e aplica o insight psicológico que to-
dos têm, independentemente da idade ou do status profissio-
nal: a necessidade básica de amor e apoio (aprovação). Você
conhece essa verdade M-C e a aplica em sua vida pessoal e
profissional.

Ferramenta 9 - Fcê sabe que o senso de competência de urna pessoa e


sua motivação pessoal se estabelecem inlcíalmente na relação entre pai e fi-
lho. Esse entendimento é crucial para que você enxergue seus colegas
não no vazio, mas plenamente, no contexto cio seu desenvolvimento.
O adulto M-C sabe que as ações, as motivações, a energia profissional
e a autoconfiança de uma pessoa estão vinculados ao estilo de pater-
nidade com o qual ela foi educada. A observação compreensiva lhe
permite perceber melhor todas as variveis que entram na formação
da vida e da carreira de uma pessoa. Você deixa de julgar seus com-
panheiros e, em troca, se concentra em aprender mais sobre eles de
maneira positiva.
A aplicação da compreensão e da estabilidade através do uno-
delo XI-C:

Todos os que tiverem fator pai superexi gente, exjilosizo, passivo


e ausente têm o potencial de enxergar os demais no contexto
de seu próprio fator pai. Essa visão explica as diferentes mo-
tivações, impulsos, regras e crenças das pessoas no trabalho;
e urna visão abrangente de por que e como as pessoas atuam
na vida diária é estratégica para o desenvolvimento da sua
própria vida profls.sional. Sciii essa visão compreensiva e ins-
piradora a respeito tias pessoas, sua influência e seu potencial
profissionais se veriam muito reduzidos. A firma COIflO as
2- 4 O FATOR PAI

pessoas atuam na carreira é um tema complexo a fllOtiVaÇaO


pessoal, a competência para se destacar e a sensação de bem-
estar de urna pessoa começam em sua relação com o pai e
continuam a partir dali). Quanto mais você souber a respeito
dessa dinâmica, maior será sua influência inspiradora na vida
de seus colegas.

Ferramenta 10 - Em todos os nízeis de uma corporação, de urna coopera-


tira ou de qualquer departamento de trabalho, as pessoas precisam dos mcmnos
três elementos: apoio. em patz e apro-vação. A pessoa M- C conhece o peso
desses três valores centrais que são o fundamento da vida de um adulto,
e passarão a vida inteira buscando esses três elementos. ()s pais propor-
cionam esses elementos em diferentes graus, dependendo do seu estilo
de afetividade, de paternidade e dos delineamentos de seu livro de re-
gras. A pessoa _NI-C. homem ou mulher, pode ser a boa figura paterna
que a maioria dos adultos ruo teve quando criança. Se você teve uni pai
M-C, sabe muito bem o valor intrínseco de ser esse tipo de gerente,
colega ou amigo dos outros. A pessoa \'l-C traz urna força positiva
para a vida e as circunstâncias de todo mundo. As pessoas seguem um
indivíduo M-C devido às suas excelentes habilidades e conhecimento
das pessoas. Toda criança anseia ser amada, apoiada e compreendida;
por que seria diferente com os adultos? A resposta óbvia é que todos
somos iguais e esses valores são eternos. Apesar de que o gerente M-C
apreciaria receber esse tipo de conforto da parte de ,e us supervisores,
ele não depende disso, e sabe que seu valor vem de dentro.
A aplicação da ferramenta 10 é o resumo da fórmula do sucesso do
seu recém-transformado fator pai. Tudo em sua vida será imediata-
mente beneficiado pela implementação desses valores fundamentais.
Sua vida profissional irá se desenvolver muito mais por meio dessa
abordagem, e suas relações com as pessoas serão mais profundas em
todas as facetas da sua vida.
Capítulo 12
ALEM DO SEU PAI
UNIÃO DE TODOS OS ELEMENTOS

Ii1eu pai me disse que especialidade da medicina escolher. Lu sabia


que não era a opção adequada para mim; ele queria que eu fiSSe
cirurgiã geral, mas eu achava que a minha vocação era ser pe-
diatra e ajudar os bebês a nascerem. Estou 'muito filiz de não ter
seguido a opinião de meu pai nessa questão.
A11ison 44 anos

Hoje eu estava sentada em um restaurante e escrevi todas as coisas


em que me pareço com meu pai. E surpreendente como sou passiva
e evasiva no trabalho e nas 'relações. Sou como meu pai. Tenho que
me tornar mais ativa e não temer o compromisso; esse é o mcii
padrão de conduta.
Lonu le, 43 anos

Imagine que você está sentado em seu escritório certa quarta-


feira à tarde, sentindo-se relaxado e realizado, ou em urna retinio
de negócios com um cliente, fazendo urna apresentação, e se sente
confortável e plenamente confiante no que está fazendo. já não car-
rega o peso de nenhum dos sete entraves do fator pai ciii sua vida.
Não há efeitos secundários negativos do legado de seu pai operando
cm sua vida pessoal ou profissional. Você funciona em sua plena ca-
O FATOR PAI

pacidade pro1ssional, com talentos e potencialidades M-C que vem


aperfeiçoando. Usa todos os seus recursos e potencial no trabalho.
\ão está sonhando Esta é - ou será - a sua vida. A pergunta eterna
que as pessoas fazem quando este panorama lhes é mostrado é: mas
como isso acontece?
A resposta estd em todas as pdginas deste livro: você. Você é a res-
posta e, se o escolher, é também o problema. A maioria dos adul-
tos ouve essa resposta e reflexivamente se pergunta como pode
ir do ponto A ao ponru B sem repetir as decepções passadas, as
frustrações habituais e as infinitas mudanças de trabalho que OS
levaram a lugar nenhum. A diferença é você. Desde que descobriu
OS entraves ocultos e mudou as regras, sua vida agora progride
na direção que deseja. Essas três variáveis sozinhas melhorarão
as oportunidades profissionais de qualquer pessoa, independen-
temente de seus fracassos passados OU presentes. Agora você est
entrando em uma etapa da sua vida com o tipo de realização e po-
der pessoal com que sempre sonhou. A partir daqui vai deixar de
olhar para seus colegas e amigos e se perguntar por que as coisas
não saem como você quer. E: é o momento de progredir. Todas
as ferramentas estio aí pçara que as use e as ajuste à sua situação
particular de trabalho.
A importância da relação com seu pai é algo que evoluirá ao
longo da sua vida. O autonhecimento e o crescimento interior
fazem parte de um processo Contínuo para o qual não há ponto fi-
nal. A chave é recordar que não importa o que tenha ou não ocorri-
do, sua vida pessoal e sua carreira protssional precisam progredir.
No final do dia não há substituto para a ação. você, tem todas as
ferramentas, o discernimento e o perdão necessários para progre-
dir na vida.
TEP[IAN H. P )LLT[R

A MLTDANÇA D FATOR PAI:


C) MOMENTO É ESTE

Afinal, o que á o seu fator pai E o entendimento e a percepção


consciente do papel importante que seu pai desempenhou na forma-
ç() do seu caminho, da sua conduta profissional e de suas relações
pessoais e profissionais. Entender isto afeta no só o seu trabalho,
mas todos os aspectos da sua vida, incluindo sua vida amorosa, a es-
colha do parceiro ou da parceira, as habilidades paternas e a imagem
corporal. Na verdade, não existe urna área da sua vida que no tenha
sido tocada pela influência de seu pai. No importa qual tenha sido
a qualidade da sua relação com seu pai quando era criança, você se
beneficiou muito dela: quanto mais aprender sobre esse benefício,
melhor será a sua vida.
Como bem sabemos a esta altura, há cinco estilos principais de
paternidade, cada um com suas potencialidades e fragilidades. O esti-
lo de paternidade mais produtivo, o mentor-compreensivo, é o mode-
lo do gerente ideal, do empregado revestido de poder e do negociante
autornotivado. e estas pessoas refletem esse estilo de se relacionar e
de ser. Essa poderosa perspectiva é o fator pai mais saudável e colo-
cará sua vida profissional em alta velocidade. As oito potencialidades
do M-C são as chaves que podem ser usadas repetidamente para fazer
deslanchar o seu potencial nos âmbitos pe.ssoal e profissional. Você
pode chamar essas potencialidades como quiser, mas elas prciarn
ser parte de suas ferramentas profissionais diárias.

As potencialidades do seu flitor pai

• intuição e entendimento;
• autoconfiança e segurança
O 1 Xi OR PAI

• coragem e força de caráter;


• compreensão e estabilidade.

Lembre-se de recorrer todos os dias a essas potencialidades no


trabalho, com sua família e com seus entes queridos.
Você está prestes a tei-minar de ler este livro, e agora a mudança
está cm seu futuro imediato. Sabe quais são seus entraves(vergonha,
medo OU evasão, falta de motivação, insegurança, cólera e falta de
responsabilidade ética), e deseja impulsionar sua vida para a frente.
Na verdade, resolveu realizar essas mudanças hoje. Os onze capítulos
anteriores foram uma avalanche de idéias, sugestões e promessas de
corrigir sua conduta no trabalho. Os diferentes detalhes para superar
os bloqueios do seu próprio estilo foram abordados repetidamente
em cada capítulo.
Abrir a porta do seu futuro está totalmente em suas mãos. Você
tem o poder de se realizar, sem importar suas crenças e regras passa-
das. Urna das partes que mais o apavora em ser adulto é o fato de você
ser absolutamente. 100 por cento responsável por sua vida e pelas
opções que faz. Nosso paijí não é nem remotamente responsdvcl por nossa
vida agora - a responsabilidade é totalmente nossa! Seu pai é sem dúvida
urna influência importante em sua vida, mas não é a sua vida. Um dos
fundamentos deste livro é que a brincadeira dc culpar o pai acabou
e já nau é uma alternativa. De fato, provavelmente você já não pode
tolerar que seus amigos ou companheiros continuem destruindo o
proprio pai. Não tem sentido tentar matar os horríveis sentimentos
que abrigamos por nosso pai. A única maneira de sair dessa rotina é
revisar totalmente seu fato pai e todos os elementos a ele vinculados.
A chave para fazer deslanchar o seu futuro é se desvincular de seu
pai. Como dissemos anteriormente, seu pai não tem os meios emo-
cionais para lhe pagar a dívida que tem para com você; mas a conta é
sua, e você sabe como apagá-la de seus livros. Permita-se a liberdade
- P1 RN B. POULTI•:R 2-ç

de não andar carregando essa dívida que ninguém mais do que você
é capaz de cancelar.
Estes sete passos são o plano pragmático e linear para mover
montanhas em sua vida profissional. Não há nada que VOCê não possa
conseguir com este plano direto e fundamental.

Os sete passos do sucesso

I. Comprometa-se a iin,dai: Existe um velho e sábio ditado em


psicologia: 'Você é tão forte corno o mais frágil de seus com-
promissos". Se existe algo que pode fazer para alterar o curso
cia sua vida pessoal e profissional, é simpesmentc estabele-
cer o compromisso de mudar. Seu compromisso irá ajudá-lo
a enfrentar os momentos difíceis de ansiedade, incerteza e
medo. Você sabe quais são suas fragilidades no trabalho e por
que elas precisarri mudar. Também sabe que estas condutas,
regras e relações afetivas estão ligadas ao seu estilo.

Neste momento, primeiro identifique cinco metas para sua vida


pessoal e profissional. Alargue suas perspectivas. Segundo, estabele-
ça prazos realistas para atingir cada uma dessas metas. Escreva como
essas metas podem ser atingidas e medidas. Terceiro, escreva as con-
dutas que sabotam seu progresso em seu trabalho e em suas relações.
Se achar este passo difícil, peça ajuda a seu cônjuge, a um amigo
chegado ou a um colega de confiança eles também conhecem suas
potencialidades e fragilidades.

2. Ielhore sua autoconsciência. Faça um diário das suas emoções.


Escrever suas reações vai obrigá-lo a parar e tornar conscin-
cia de seus sentimentos e pensamentos inconscientes. Isso o
IS(
O FATOR PAI

ajudará a prosseguir quando sabotar a si mesmo Com críticas


e sentimentos negativos. Relate cuidadosamente as circuns-
tâncias de trabalho que deseja mudar, incluindo confron-
tações boas e ruins, sentimentos e coisas em geral que tem
querido fazer. Reserve alguns minutos para escrever como
quer lidar com uma determinada situação da próxima vez.
Com o tempo, essa prática vai revelar-lhe um fllOd() mais
positivo de administrar situações problemáticas. Lentamente
você voltar a exercitar seus pensamentos, reações e ações
automáticas para ter um enfoque mais mentor-compreensivo
ao enfrentar a situação. Reforçará a percepção de criar cons-
cientemente novos e mais produtivos padrões de conduta
profissionais e pessoais. Escrever suas reações irá obrigá-lo a
parar e tomar consciência de seus pensamentos e sentimentos
lnCOnSClCflteS.

\oce também poderá usar este diário para escrever novamente


o livro de regras de seu pai ver o capítulo 9), que é algo fundamen-
tal para incrementar a consciência de si mesmo. As regras iniplicitas
de seu pai são com freqüência as pedras em que tropeça ao tentar
avançar. Quanto mais conhecer essas regras, mais depressa poderá
escrever seu próprio livro de regras para viver sua vida.

3. Identifique seus desencadeadores Enumere dez coisas que sem-


pre o fazem disparar como um míssil desgovernado. Conhe-
cer quais são seus desencadeadores no trabalho, em casa e em
suas relações reduzirá incrivelmente sua raiva e sua frustra-
ção. Por exempio, se você sabe que alguns comportamentos o
incomodam - por exemplo, não receber urna resposta a uma
pergunta direta -, pode planejar ante cipadaniente unia rea-
ção diferente.
S'1FiPiLN R. PC)U1TER

Coni o tempo, VOCênão só mudará seu comporta niento corno


também descobrirá que as pessoas reagem a você de maneira diferen-
te. Não subestime o impacto que a mudança em seu comportamento
terá no modo de: as pessoas pensarem e se relacionarem com você.
A identificação de seus próprios desencadeadores irá torná-lo mais
Consciente de como reduzir seus comportamentos e sentimentos de
raiva e autodestruição. Esta lista é muito importante porque você
assume a responsabilidade, o controle e ações preventivas sobre seus
Comportamentos vergonhosos. Perder a paciência o deixa sujeito a
pensamentos e sentimentos negativos e autodestrutivos. 0 pai crí-
tico que existe dentro da sua cabeça usa esse tipo de situaço para
condenar, frustrar e deter o seu progresso. Use sua nova visão e co-
nhecimento do fator pai para ajudá-lo a antecipar e desativar eventos
futuros.

4. Não permita que seus erros ou reveses no trabalho impeçam seu


Compromisso de mudar O que vai fazer quando um de seus de-
sencadeadores explodir no futuro? A curva de aprendiza reiii
é mais pronunciada nas primeiras semanas de qualquer tipo
de modificação de conduta. Acontecerão coisas frustrantes,
em geral
t, no início de um novo programa. A resposta é de-
antecipadamente um plano para desativar situações
com mim potencial problemático. Quanto mak preparado
você estiver para o inesperado ou para um problema inco-
mum, mais depressa poderá retomar seu novo curso de ação
e funcionamento. A mudança em seu fator pai tenta reagir
às velhas situações de trabalho Com uma nova perspectiva e
abordagem.

Por exemplo, quando sentir que está perdendo as estribeiras ou


começa a se frustrar, faça lima pausa de três minutos. Em uma situ-
F FOP 11A1

ação estressante pense sempre cm termos de mudar suas circuns


tâncias físicas. A mudança física permite que a nossa reação liite
OU

fusa" deixe de funcionar e que recuperemOs o controle cogflitivO.


Outra idéia é beber água e romper o ciclo emocional de sua mente e
de seus pensamentos. A. psicologia que está implícita no ato de fazer
uma pausa é que ele permite agir e pensar com mais consciência e
propósito. Também provoca uni curto-circuito no ciclo de uma velha
reação em sua mente e evita que você seja tomado pela raiva. Coloque
seu plano cm algum lugar visível para poder olhá-lo freqientementC
durante o dia - por exemplo, ao lado do seu computador. A meta é
imprimir em sua mente seu novo fator pai AI-C.

\Ji)
5. Tome cOflSCiênclIl dos velhos cotumesfamiharts do fitov
p7

é apenas humano; portanto, tente ser compreensivo consi-


go mesmo. As coisas às vezes sair() mal caso se apresentem
seus desencadeadores da lista anterior. Este passo trata prin-
cipalmente de seus costumes inconSciefltes, que impedem o
seu progresso profissional. Por exemplo, se o seu problema
é tentar sempre ao-radar is pessoas, buscar aprovação ou se
sentir inseguro, faça um plano que aborde essas condutas
quando elas puderem ocorrer. Há situações no trabalho que
o fazem incorrer nessas condutas autodestrutivas; por isso,
reserve um tempo para identificá-las previamente. Esses
planos preventivos são vitais para a iiiudaiiça. Em um lado
de uma folha, faça urna lista dos costumes mais importantes
de seu fator pai que lhe causam os piores, problemas, dificul-
dades, frustração e dor emocional. Esta lista é a chave para
fazer com que seu trabalho evolua para uma nova etapa de
desenvolvimento. Na outra metade da folha faça urna lista
com suas potencialidades no trabalho. Observe o contraste.
Não descarte suas potencialidades porque sua abordagem foi
1 EIHAN B. P()L'LTER

passiva e voce quer ser uma pessoa \i-C. Todos os dias você
esta agregando ferramentas a seus talentos e potencialidades
ii existentes.

Você sabe com que estilo de paternidade foi predoimnantemen-


te educado, com suas potencialidades e debilidades inerentes. Tome
consciência das coisas que impulsionam sua vida profissional e da-
quelas que a fazem afundar. (_) capítulo que descreve seu fator pai
com Suas potencialidades lhe proporciona ferrameni.as para que você
melhore. Quanto se perceber voltando a usar velhos padrões, pare
antes que isso volte a se tornar um hábito. Seu plano de recupera-
ção pode ser tão simples corno no dizer sim cada vez que se sentir
iflCOfllOd() OU inseguro. Outro exemplo é nø se tornar verbalmente
agressivo quando se sentir magoado ou intimidado por colegas ou
clientes. Quando tomar consciência desses sentimentos, seu plano é
ser assertivo e expressar seus sentimentos da melhor maneira possí-
vel, porém com calma e clareza.

Acione /1/)! sistema de apoio. Nio h colho passar por este


processo sem apoio. Este é o passo em que muitas pessoas
desistem. Seja por que razão for, os adultos com freqüência
sentem vergonha de expor suas necessidades a outros adultos.
E desconcertante que as pessoas tenham todo esse trabalho
interno para mudar seu fator pai e fazer sua vicia profissional
evoluir para a etapa seguinte rumo ao desenvolvimento, tuas
se recusem a deixar que alguém tome conhecimento disso. Se
este é uni problema para você, precisa enfrentá-lo. Se no h
ninguém com quem possa compartilhar seus sonhos e metas
na vida, esse é um sério obstáculo para o progresso da sua
vida pessoal e profissional. Permitir que as pessoas estejam
-1,.i 4 O F\ FOI PAI

encionalmente próximas de você e Um traço M-C e um

grande recurso para o seu futuro.

Suas oportunidades de continuar tendo êxito serão muito maiores


Com apoio emocional e psicológico. Procure um amigo, seu cônjuge
ou um mentor com quem possa falar abertamente sobre seu plano do
fator pai, de preferência um amigo leal do seu trabalho. Deixe que
quem o apóia (ou seja, seu sistenla de apoio) saiba quais são seus obc-
tivos e de que modo vai atingi-los. Seu sistema de apoio pode aud á-lo
a se tornar responsável e a motiví-lo. Se descobrtr que precisa de
mais apoio ainda para superar seus bloqueios, pense em procurar a
ajuda de um psicólogo.

7. Determine de que modo percebe o sucesso e estabeleça suas metas

atingi-lo. Como você pode se tornar responsável, saber


P77,17
que está mudando ou evoluir, se não existe uma forma dc
medir o seu progresso? Crie um programa de avaliação para
suas metas e apegue-se a ele o máximo poível. Seu sistema
de apoio também deve conhecer essa ferramenta de medi-
ção. Por exemplo, você pode contabilizar quantas vezes por
semana se aborrece. Depois, tente reduzir esse resultado em
50 por cento em duas semanas. Talvez possa revisar seu pro-
gresso com seu sistema de apøo) (amigo[s. ] chegido[sU a cada
dois meses para receber feedback. Pode sempre pedir a seu
cônjuge que comente com você sobre seu progresso e mu-
dança. As pessoas com quem vivemos tenderão a nos ajudar a
ver todo o panorama quer gostemos ou flaO. Com o) tempo,
você, logo descobrirá que sua nova abordagem do fator pai
- na forma como se revela em suas novas condutas criadas
conscientemente - começa a se tornar um costume.
FPHAW P1 LT1EP

Saber como se percebe o sucesso é um dos modos mais rápidos de


al. Cada um tem sua idéia de como
fazer progredir sua vida profission
limite a considerar
percebe o sucesso pessoal e profissional. Não
como a única medida do sucesSo. ()
apenas OS ganhos CCOflômiCos
sucesso vem de muitas formas, através de diferentes eventos e tipos
de relações em evolução.

RFSUM()

Quero deixá-lo com uma de minhas citações preferidas. Não há

nada que ocupe o l ugar da

Persi*stencid
zda no mundo pode oeupaï o lugar da persistência. Não o
fimi
o talento: não bií nada tão comum como homens talentosos sem
slIctV
Xão o irá o gênio: o gênio não reconheculo e quase um
prozérbio. Não o fimí a educaçao: o mundo está cheio de estudio-
Somente a peri.VtêflCU1 e u determinação são
sos rnarginalizados.
onipotentes.
Calviri Coolidge

citação de Calviri Coolidge é vaTio. eterna


Esta maravilhosa , Lia vida
e muito verdadeira: Não há nada que vOcê possa fazer na
etermiflaÇ0. Os pilares
profissional que não requeira persistência e
dos
do seu fator pai revisado terão estes dois traços em algum
c.pe.ndcneme11te da sua educação
alicerces
alicerces ou da planta baixa. md inegur ançaS
dos seus talentos, das suas potencialidade aparentes
VOCê s6 conseguira
ou dolorosa e traumática relação cor', SCU pai,
atingir seus objetivos por meio da persistência. O mundo reage bem

à persiStêflCia ela quase sempre prevalece.


2 86 O F\JOR PM

Descobri que qualquer um que aplique os sete passos menciona-


dos para o sucesso e os combine com um entendimento amplo do se
fator pai, acrescentando determinação e persistência, não só ultrapas-
sará suas metas como encontrará seu lugar na vida. Existem muit
maneiras de fazer evoluir sua vida pessoal e sua carreira profissiona.
suas relações e suas fliianças, e todas estão relacionadas à sua persis-
tência e determinação. Você não estaria lendo esta última página su
não quisesse progredir na vida. Agora tem um entendimento mais
profundo dos problemas que vêm assediando sua vida e de corno su-
perá-los. O que não posso lhe proporcionar é a persistência necessá-
ria para terminai- este projeto denominado sua vida. Isso está dentro
de você, e só você pode fazer as coisas acontecerem. Agora você tem
todas as chaves, os conhecimentos, os elementos e a coragem para
realizar as mudanças que sempre quis.
Finalmente, não importa o que faça, tnasfiça algo. Não permita
que um casamento fracassado, urna relação de negócios rompida, um
enfrentaniento pessoal, urna bancarrota, urna prisão, más escolhas
profissionais ou uma demissão continuem detendo você. Esta é sua
oportunidade de avançar. A vida está cheia de gente que se deu por
vencida e pode argumentar de maneira inteligente por que você de-
veria fazer o mesmo. Se não agir cm prol dos seus maiores interesses,
não há drogas suficientes que possa tomar para fazer desaparecer de
seu rosto a sensação de arrependimento e depressão. Eu lhe recomen-
do insistentemente que reconsidere sua vida e continue evoluindo.
Lembre-se de que já não há um substituto para a ação. Você tem as
chaves. Urna vez que tenha as chaves, pode abrir todas as portas que
quiser.
- - - NOTAS FINAIS - -

CAPÍTULO 2

john Bow1hv a Secure Base: Parent- (]hiid /ittac/.n/lCnt and


1. Basic Books, l988)
Hcalthy Runian Devclopmclit (Nova York:

1. 89-99.
Attachment and Loss (Nova York: Basic Books
2. John Bow1bv,
J9(i9) pp. 156-75.

CAprruL() 4
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T)fl
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1

e.

IP

W . Este livro foi composto emJason Text


para a Editora Academia de Inteligência
em agosto de 2008
Psicólogo há 24 anos, Stephan B. Poul-
ter é especializado em relacionamentos
familiares. A partir de urna experiência
pessoal - foi filho de um pai ausente -
decidiu pesquisar e analisar os laços en-
tre pai e filho, e corno eles afetam o de-
senvolvimento pessoal e profissional do
indivíduo. Ê autor de Father yol..r son:
How to become the father you've always
wanted to /w e co-autor de Mending the
broken bough: Restoring the proniise of
the ino ther and da ugli ter rela tio nsh ip.
Poulter realiza conferências e seminá-
rios e participa regularmente, como
comentarista, de programas de rádio
e televisão. Mora em Los Angeles, nos
Estados Unidos.
Se você acha que seu pai só influenciou sua vida profissio-
nal caso tenha seguido a mesma carreira que a dele está
completamente enganado. Em uma abordagem inédita
sobre a relação entre pais e filhos, o renomado psicólo-
go norte-americano Stephan B. Poulter mostra como o
estilo de paternidade molda seu comportamento no tra-
balho e é decisivo para seu fracasso ou sucesso.

A maioria de suas reações pode ser explicada pelo relacio-


namento que você teve com seu pai. Ele era exigente de-
mais? Ausente? Compreensivo? Se você parar para pensar
sobre como lida com chefes, colegas e empregados, e bem
provável que identifique comportamentos parecidos.

Mas, em vez de jogar a culpa de seus problemas nas cos-


tas de seu pai, coloque em prática as idéias expostas
neste livro para superar seus pontos fracos, como an-
siedade, insegurança, agressividade, falta ou excesso de
confiança - possivelmente as mesmas características que
você, quando jovem, criticava em seu pai. Assim, você
vai desenvolver relacionamentos mais harmoniosos e
proveitosos, que certamente impulsionarão sua carreira.

O tempo passou, e seu pai pode ter deixado um impor-


tante legado, mas não é mais responsável por sua vida
- a responsabilidade agora é toda sua.

II II.
9 788560 096091

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