Você está na página 1de 85

Psicopatologia na Infância e na Adolescência…

(Coordenação científica: Ana Sani )

Psicopatologia na infância e adolescência.


Modelos para diagnóstico e intervenção

Laura M. Nunes
UFP
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
27 Outubro – 09:00/13:00 e 14:00/18:00
Apresentação do tema, pertinência e breve contextualização histórica e epistemológica

Conceitos gerais e origem


Sintomatologia e semiologia
Do “normal” ao patológico
Alguns modelos (somático, sociológico, psicológico, psicanalítico, comportamentalista)
Paradigmas fenomenológico e classificativo-descritivo
Abordagens de classificação nosológica, fenomenológica e psicométrica

De Jaspers à fenomenologia actual


Questões desenvolvimentais da infância e da adolescência
A análise clínica e a complementaridade da análise estruturada

Entrevista clínica, entrevista do DSM e Observação – especificidades da infância e da


adolescência
Anamnese; Exame de Estado Mental; Exame Neuropsicológico – de Luria à actualidade

Apresentação, análise e debate de um caso prático – construção de uma árvore de


decisões a respeito dos modelos, instrumentos e técnicas a adoptar
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Apresentação do tema, pertinência,
contextualização histórica e epistemológica
1. As origens nas “culturas primitivas”:
Antropólogos têm analisado a existência de
manifestações psicológicas nas culturas tribais
contemporâneas…

2. A doença mental vista como colapso do sistema


mágico-religioso por violação de tabus, obrigações
ritualistas, possessão demoníaca, …
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Apresentação do tema, pertinência,
contextualização histórica e epistemológica
3. Na Antiguidade: Egipto, o tratamento das
perturbações mentais incluía as componentes física,
psíquica e espiritual, numa visão tendencialmente
holista do Homem…

4. Na Antiga Grécia, Hipócrates tinha uma concepção


médica da perturbação mental, interessando-se pela
personalidade e pelo seu estudo. A “loucura” seria
resultante da perturbação da interacção dos quatro
“humores corporais” (sangue, bílis, linfa e fleuma)…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Apresentação do tema, pertinência,
contextualização histórica e epistemológica
5. Aristóteles propôs o tratamento de certas
perturbações mentais através da libertação das
emoções reprimidas…

6. Os Romanos abriram caminho à Psiquiatra Forense,


definindo leis e analisando os estados patológicos
mentais dos que praticavam crimes…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Apresentação do tema, pertinência,
contextualização histórica e epistemológica
7. Na Idade Média: Predomínio do misticismo e do
obscurantismo. O tratamento do doente mental era
encarado como um mistério mágico-religioso, com
tratamentos que passavam pelas sangrias e
unguentos, bem como por práticas obscuras de
eliminação de bruxarias e de possessões…

8. No Renascimento: Procedeu-se ao isolamento do


doente mental (primeiro para proteger as sociedades
dos perturbados… depois para proteger os
perturbados das sociedades) …
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Apresentação do tema, pertinência,
contextualização histórica e epistemológica
9. A partir do século XIV, foram surgindo instituições
em que doentes e criminosos se misturavam
frequentemente…

10. Leonardo Da Vinci estudou o encéfalo de


cadáveres e propôs explicações de base
psicofisiológica para a doença mental…

11. Nos séculos XIX/XX: A emergência da Psiquiatria


contemporânea acabou por abarcar, também a ideia de
Psicopatologia…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Apresentação do tema, pertinência,
contextualização histórica e epistemológica
Evolução mais recente
Século XVIII Século XIX Século XX
Asilos. Rev. Ind. ,pobreza Neurose: soldados I Gde
Enclausuramento Guerra
Pinel: o louco com Aumento asilados Psicopatologia e hospital
tratamento diferenciado Mau funcionamento psiquiátrico
Psicodiagnóstico sob Legislação e controlo II Gde Guerra…
comportamentos estatal Psicofármacos…
manifestos Anti-psiquiatria
Asilos e manicómios Observações Deslocamento:
… longitudinais Indivíduo…comunidade
Loucos e criminosos Tratamento…prevenção
… Técnico…equipa
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Apresentação do tema, pertinência,
contextualização histórica e epistemológica
»»Anti-psiquiatria…
Inicia-se na década de 50 do séc. XX
Contributos para o arranque do movimento: Laing,
Cooper e Esterson

»»Origens:
Desenvolvimento e uso crescente de
psicofármacos
Protestos contra os muros limitadores das
instituições
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Apresentação do tema, pertinência,
contextualização histórica e epistemológica
»» Anti-psiquiatria
Protestos contra a repressão, controlo e isolamento
social do doente mental institucionalizado

Protestos contra as consequências da


institucionalização prolongada

Possibilidade de, com tratamento farmacológico,


manter o indivíduo na sua comunidade
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Apresentação do tema, pertinência,
contextualização histórica e epistemológica
»» Anti-psiquiatria
Questionamento do modelo médico-psiquiátrico, do
isolamento e da segregação inerentes à
institucionalização (França)

As Ciências Psíquicas deveriam trabalhar os aspectos


sociais associados à patologia mental

Urgência de gerir a perturbação mental sem exclusão


ou isolamento, mas com responsabilização do
indivíduo
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Apresentação do tema, pertinência,
contextualização histórica e epistemológica
»»Classificação adoptada ao nível das Ciências
Médicas e Cirúrgicas mas menos aceite no contexto
das Psíquicas:

Medicina
Ramos Disciplinas básicas Patologias

Cirurgia Anatomia Anatomia


Patológica
Medicina Interna Fisiologia Patologia Geral

Psiquiatria Psicologia Psicopatologia


Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais

»» A Psicopatologia tem raízes no século XIX e impôs-


se no século XX como ciência independente, sob o
impulso dos trabalhos de Jaspers.

»»“… evidencia a não especificidade da relação entre


sintoma/síndrome…”
(Scharfetter, 2005, p. 24).

»» Os sintomas como típicos, mas não


necessariamente específicos de determinada categoria
de patologias…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
»» A Psicopatologia procura:

»Compreender o sintoma… contextualizado…


» Observar/Descrever…
» Abarcar o Homem na sua globalidade…
» Não se “tem” o sintoma, vive-se uma experiência…
do “diferente”…
» Ser descritiva e, também, dinâmica…
» Dimensões: interactiva (Ser social…), social
(processo de socialização…) e cultural (Psiquiatria
transcultural…).
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
»» A Norma/Desvio; São/Patológico

»“Normal” pode remeter para a adaptação e o


desenvolvimento, mas os comportamentos mais raros
não são, necessariamente, “anormais”

» A noção de normalidade pode associar-se a um


estado de adaptação funcional no seio da estrutura da
personalidade do indivíduo. A patologia poderia, então,
considerar-se como uma quebra nesse equilíbrio
(Bergeret, 1991)
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
»» A Norma/Desvio; São/Patológico

» Exibe subjectividade
» Apresenta diferentes facetas:
» A estatística (curva gaussiana),
» A ideal,
» A forense,
» A social,
» A cultural,…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
»» A Norma/Desvio; São/Patológico

» Na perspectiva de Scharfetter (2005) o indivíduo


mentalmente saudável é aquele que vive com
sucesso, mesmo sofrendo de patologia somática ou
da sobrecarga inerente à sociedade em que se
insere

» … Outros autores definem doença mental como


uma perturbação das funções mentais e/ou da
eficiência global.
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
»» A Norma/Desvio; São/Patológico

» Dois sentidos em que os comportamentos se


desviam do normal:

Positivo: sobredotados, com dotes máximos numa


esfera racional ou artística, ou com dotes intuitivos
especiais…
Negativo: atraso, fracasso, inadaptação ou qualquer
desvio à norma que cause sofrimento para o próprio
e/ou para os demais…
…Podem co-existir num mesmo indivíduo…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
»» A Norma/Desvio; São/Patológico

»“ Sã é a pessoa que, sob determinadas


circunstâncias, e apesar da pressão exercida pelo
sofrimento provocado por uma doença somática
e/ou contra a pressão exercida pelo que é norma
numa sociedade, atinge os objectivos da sua vida
(a sua auto-realização), corresponde às exigências
da sua própria essência (autenticidade) e do
mundo, e é capaz de estar à altura das suas tarefas
(adaptação, coping): alguém que se afirma na
vida.”
(Scharfetter, 2005, p. 34).
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
»» A Norma/Desvio; São/Patológico

Normal Anormal

Sentido Sentido
Saudável positivo negativo
Não Comport.
doente desviante
Doente Doente
Sentido Sentido lato
médico
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
»» A etiologia: dificuldades acrescidas

» As dificuldades aumentam ao considerarmos a


patologia objectiva e o objecto de estudo da
Psicopatologia, a par da sensação subjectiva de
sofrimento ou dolência
» A complexidade e multiplicidade dos factores
causais implicam a consideração das causas próximas
e remotas
» Acrescente-se a necessidade de considerar que a
etiologia de um determinado estado integra (ou pode
integrar) factores predisponentes, precipitantes e de
manutenção
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
Causas Herança genética
constituição
Vida intra-uterina
Factores Somáticos
predisponentes desenvolvimento Psicológicos
Sociais
Somáticos
biográficos
Factores Psicológicos
precipitantes Sociais
circunstanciais Somáticos
Psicológicos
Factores
Sociais
manutenção Laura M. Nunes/UFP
circunstanciais
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
Paradigmas e abordagens da Psicopatologia
…Nem sempre exclusivos, mas antes
complementares…
»»Perspectiva fenomenológica

Penetrar na realidade subjectiva do indivíduo, capturar


a sua percepção dos acontecimentos e procurar uma
análise que não se centre nas “coisas em si” mas
antes na vivência de tais “coisas” pelo indivíduo
(Ver bem Jaspers…Texto complementar…
Paim, I. (2006). História da psicopatologia. São Paulo: Editora
EPU.)
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
»» Dotar os objectos de um significado, considerando
três noções fundamentais (Abreu, 2006):

1) A consciência tem um fim intencional, ao dirigir-se


ao objecto ao qual atribui um significado;
2) Sem esse significado, o objecto simplesmente não
existe para a consciência;
3) A consciência supera-se, transforma-se, no
movimento em direcção ao objecto
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais
»» Numa abordagem fenomenológica, mas já na
perspectiva do modelo descritivo-classificativo,
considera-se o seguinte:

1) Não importa tanto a realidade objectiva e concreta,


mas a forma como o indivíduo a percebe, interpreta e
significa
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais

2) Ao longo do ciclo vital, podem surgir perturbações


ou patologias que se manifestem mais ou menos
abruptamente após um período de desenvolvimento,
como também se podem confundir com o próprio
processo desenvolvimental

3) A semiologia descritiva constrói-se dos


comportamentos, da sua ausência, dos sinais e dos
sintomas
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais

4) Há necessidade de apelar à nossa própria


subjectividade para aceder à do outro (dupla
subjectividade)

5) Sinais, sintomas e comportamentos isolados não


são indicadores absolutos da presença de
psicopatologia. São as constelações ou conjuntos de
sintomas (síndromes) que habitualmente se associam,
que podem indiciar a presença de psicopatologia
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Conceitos fundamentais

6) À análise sobre sinais e sintomas, há necessidade


de juntar a anamnese (conjunto de informações, sobre
o passado do indivíduo, necessárias para que se
estabeleça uma avaliação clínica) cronológica da
perturbação, a sua contextualização biográfica e
familiar, o exame do estado físico e mental, o historial
clínico e a descrição global do indivíduo, para se
formular um diagnóstico (nosológico e de
personalidade)
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Paradigmas e abordagens da Psicopatologia

1. Modelo somático
Apenas se aplica quando se trata de uma perturbação
para a qual é postulada uma causa orgânica. Trata-se
de um modelo cujo foco central se encontra sobre os
aspectos biológicos e na relação causal entre os
factores de natureza biológica e o desenvolvimento da
perturbação
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Paradigmas e abordagens da Psicopatologia

2. Modelo sociológico
Este modelo centra-se, essencialmente, nas relações
entre o indivíduo com perturbação e o terapeuta. Aqui,
remete-se para o sujeito que, por determinação
sociocultural, tem consciência do seu estado de
doença e procura alguém que o possa ajudar no
processo de cura (médico, médico-especialista,
psiquiatra ou psicoterapeuta)
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Paradigmas e abordagens da Psicopatologia

3. Modelo psicológico
Este modelo focaliza-se nas experiências, nas
influências sentidas ao longo do desenvolvimento e
nos aspectos favorecedores de estados de maior
vulnerabilidade e predisposição conducentes à
perturbação. Entre estes modelos, destacaremos o
psicanalítico e o comportamentalista
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Paradigmas e abordagens da Psicopatologia

4. Modelo psicanalítico
a) Um método de investigação de processos psíquicos
pouco acessíveis;
b) Um método de tratamento de distúrbios neuróticos,
tendo como base a investigação e as informações daí
retiradas;
c) Uma série de concepções psicológicas que,
progressiva e conjuntamente, se vão desenvolvendo
até constituírem uma discussão científica
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Paradigmas e abordagens da Psicopatologia

4. Modelo psicanalítico
d) Formação dos sintomas decorre das alterações
drásticas provocadas, por exemplo, pela mobilização
do recalcamento ou de outros mecanismos de defesa,
de forma a conduzir a um estado de bloqueio do
indivíduo, por acção de obstáculos internos e externos
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Paradigmas e abordagens da Psicopatologia

5. Modelo comportamentalista
Comportamento patológico é aprendido
As experiências desagradáveis podem levar o
indivíduo a tentativas de fuga ou evitamento
(retraimento social, comportamentos bizarros…)
Urge é analisar esses comportamentos observáveis e
tratar dos sintomas através de técnicas que levem o
sujeito a aprender outras condutas
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Objectivos Descrição específica de procedimentos
Classificação
Comparação dos comportamentos com os da população geral. quantitativa…
simples
Comparação acompanhada da interpretação das diferenças encontradas.
Descrição
identificação de pontos fracos e de pontos fortes…
Classificação Teste de hipótese iniciais, através da comparação com critério referenciais de
nosológica diagnóstico…
Análise Determinação do funcionamento da personalidade, das condições do
compreensiva sistema de defesas, dos níveis de funcionamento…
Entendimento Pressupõe um nível superior de inferência clínica e permite chegar a
dinâmico explicações de aspectos comportamentais…
Procura a identificação precoce de problemas, avaliar riscos, estimar
Prevenção
necessidades e recursos…
Prognóstico Busca a determinação do curso mais provável do quadro patológico.
Diagnóstico Investigação das incongruências e inconsistências do quadro em análise para
diferencial diferenciar alternativas diagnosticas…
Perícia Fornece dados para questões relacionadas com situações de “insanidade”,
forense competência para o exercício de funções…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção

O método clínico em Psicopatologia


O termo “clínico” tem a sua origem no latim (clinicus)

(Macedo & Carrasco, 2005)


que, por sua vez, provém do grego (klinicos),
pretendendo designar aquele que visita o doente à
cabeceira. A Psicologia clínica, ao recorrer ao termo
“clínico” e ao método clínico, refere todo aquele que
presta assistência, directa e de cabeceira, ao doente
O objectivo do método clínico consiste na recolha
exaustiva de informação precisa sobre o indivíduo e a
perturbação que o afecta, mediante um processo
sequencial de etapas lógicas
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Abordagem clínica em Psicopatologia (não estruturada)
Pode considerar-se que o método clínico consiste na
interacção participada entre investigador e investigado,
em que o primeiro carece de uma edificação
progressiva da dinâmica interactiva, com apelo a uma
base teórica adequada à situação concreta do segundo
»» Entrevista clínica com observação de
comportamentos não verbais
»» Requer análise ao percurso existencial do sujeito
»» Recolha da anamnese
»» Exame de estado mental
»» Exame neuropsicológico
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Abordagem estruturada em Psicopatologia
O grau de subjectividade da vertente clínica implicou o
desenvolvimento de propostas alternativas de
avaliação, baseadas no recurso a instrumentos
padronizados, mais ou menos estruturados

»» Efectivamente, trata-se de uma abordagem que


conta com instrumentos detentores de fidelidade e
validade (Dawes, Faust e Meelh, 1989), que recolhem informação
mediante um processo algorítmico, específico e
replicável (Grove et al., 2000), de que fazem parte os chamados
instrumentos de avaliação psicométricos
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Abordagem estruturada vs subjectiva

»» Consideração dos dados qualitativos, obtidos


através da condução da entrevista em que se recolheu
a história do sujeito, organizada em termos
cronológicos e estruturada nos acontecimentos e
circunstâncias que se revelaram como determinantes
para o próprio que os viveu, bem como nos aspectos
da anamnese que se inscrevem, também, num eixo
cronológico
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Abordagem estruturada vs subjectiva

»» Nesse esquema do percurso existencial do


indivíduo, caberão ainda os aspectos ligados à história
do mesmo, bem como todos os factos narrados que se
revelem importantes no trajecto construído. As tais
informações deverão juntar-se as alcançadas pelo
exame de estado mental e, eventualmente, pela
avaliação neuropsicológica. Todos os dados
qualitativos deverão, então, ser complementados com
os resultados obtidos através de instrumentos
psicométricos
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção

»» Pode considerar-se que o método clínico consiste


na interacção participada entre investigador e
investigado, em que o primeiro carece de uma
edificação progressiva da dinâmica interactiva, com
apelo a uma base teórica adequada à situação
concreta do segundo

»» A entrevista clínica
Na entrevista, distinguem-se entrevistador e
entrevistado, perseguem-se objectivos previamente
estabelecidos e aceites pelos intervenientes, e
procede-se com base numa técnica de
questionamento, muito embora não se trate de um
mero interrogatório
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
»» A entrevista clínica
»» A entrevista pode ser classificada, quer em função
do seu maior ou menor grau de estruturação (aspecto
formal) e directividade, quer em função dos seus
objectivos

Classificação em função da estruturação e


directividade:
a) Entrevistas estruturadas (e directivas)
Privilegiam a objectividade e o entrevistador adopta
uma condução mais directiva;
Perguntas predominantemente fechadas ou
delimitadas a aspectos circunscritos;
Busca de respostas específicas e directas;
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
…Estruturadas (e directivas)
As perguntas menos fechadas associam-se a
sistemas classificatórios operacionais;
O guião da entrevista é seguido de forma objectiva
e sem grandes possibilidades de fuga;
Visam a recolha da máxima informação objectiva;
Não têm as necessidades do entrevistado como
preocupação central;
Geralmente, são de pouca utilidade clínica.
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação em função da estruturação e
directividade:
b) Entrevistas semi-estruturadas (e semi-directivas)
Privilegiam a obtenção de informação padronizada,
atendendo, também, às necessidades do sujeito;
Oscilam entre a directividade e a abertura para
captar dados de natureza objectiva e subjectiva;
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação em função da estruturação e
directividade:
… Semi-estruturadas (e semi-directivas)
Recorrem a perguntas fechadas e abertas, numa
condução menos directiva;
Seguem um guião previamente elaborado de forma
menos rígida;
Perseguem a criação de registos e a construção de
bases de dados;
São particularmente úteis em contextos de saúde
pública, como centros de saúde, hospitais, clínicas
sociais, …
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação em função da estruturação e
directividade:
c) Entrevistas não-estruturadas ou de livre
estruturação (e não-directivas)
Devem ser previamente preparadas, não
dispensando um guião que, não sendo rigidamente
seguido, orientará o entrevistador na condução da
entrevista;
As perguntas são, predominantemente abertas;
Exigem uma clara definição dos objectivos e
grande cuidado para que aqueles não sejam
perdidos de vista;
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação em função da estruturação e
directividade:
… Não-estruturadas (e não-directivas)
A condução da entrevista não é directiva, mas
antes de carácter conversacional;
O entrevistado é mais livre de se expressar e de
transmitir aspectos da sua realidade subjectiva;
São extraordinariamente úteis em termos clínicos,
possibilitando a captura de informações
inacessíveis de outra forma;
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação em função dos objectivos(Craig, 1989):
a) Entrevistas de recolha de dados
São também …entrevistas de rastreio psicológico;
Visam a obtenção da máxima informação para:
» Reunir dados do caso clínico;
» Clarificar a natureza dos serviços que a
instituição pode oferecer para aquele caso;
» Comunicar regras da instituição;
» Determinar tratamento e terapeuta adequado
ao caso;
» Obter dados para registos da instituição;
» Encaminhar para outros recursos.
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação em função dos objectivos(Craig, 1989):
b) Entrevistas de estudo de caso
Analisam cada caso, tendo em vista o seu estudo
exaustivo e obedecem aos seguintes procedimentos:

» Escolha do caso (função de factores como o


interesse particular que desperta, a existência de
aspectos que possam estar a escapar,…);
» Apresentação do caso;
» Definição do contexto ou setting da entrevista;
» A orientação teórica;
» A descrição do decurso da entrevista;
» Discussão do caso com formulação de hipóteses;
» Conclusão.
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação em função dos objectivos(Craig,
1989):
c) Entrevistas de avaliação do estado mental
Analisam diversos aspectos que podem ser
indicadores do estado mental do indivíduo:
» Apresentação;
» Expressão facial;
» Padrões de sono, controlo de esfíncteres, rotinas
alimentares, …;
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação em função dos objectivos(Craig,
1989):
d) Entrevistas de teste e re-teste
Implicam a administração repetida de instrumentos
psicométricos, quer para avaliar as qualidades
psicométricas do instrumento, quer para avaliar o
desempenho do indivíduo em diferentes fases do
desenvolvimento, quer mesmo para indagar sobre
a evolução do sujeito em diferentes etapas de um
processo terapêutico.
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação em função dos objectivos(Craig,
1989):
e) Entrevistas de avaliação
Usadas em contextos educativo-pedagógicos e
também em contextos clínicos;
Em contexto clínico procura-se analisar as
necessidades do sujeito, os recursos e as
informações que permitirão definir um plano de
intervenção.
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação em função dos objectivos(Craig,
1989):

f) Entrevistas de conclusão
Servem, essencialmente, para encerrar uma
relação contratualmente estabelecida e visam:
» Fazer um balanço do trabalho desenvolvido;
» Analisar os resultados obtidos e compará-los
com os esperados;
» Averiguar os aspectos que podem vir a ser
melhorados noutras intervenções;
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação em função dos objectivos(Craig,
1989):
… Entrevistas de conclusão
» Averiguar os aspectos mais positivos para os
adequar a outras situações futuras;
» Rever/Averiguar os objectivos em termos de
maior ou menor alcance dos mesmos.
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Técnicas (Craig, 1989):
Questionamento; Reflexão; Reformulação;
Clarificação; Confrontação; Auto-revelação;Silêncio;
Exploração; Reestruturação; Interpretação; Humor;
Focagem

A observação/Os comportamentos não verbais…


limitações:
pode levar à tendência para criar impressões
favoráveis/desfavoráveis no observador, podendo
enviesar a informação recolhida; eventuais
imprevistos podem interferir na tarefa do observador;
nem todas as ocorrências se verificam na presença
do observador.
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação da observação, quanto aos
meios:
a) Observação não estruturada ou assistemática
(Espontânea, ordinária, informal, simples, livre,
ocasional ou acidental);

b) Observação estruturada ou sistemática


(planeada, controlada e armada com
instrumentos de registo).
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação…, quanto a participação do
observador:
a) Observação não participante (o observador
presencia a ocorrência sem participar nela nem
se deixar envolver na mesma,);
b) Observação participante (o observador integra-
se e participa real e activamente das vivências do
grupo a observar. Pode ser Natural – o
observador pertence ao grupo ou comunidade
que investiga, pode ser Artificial – o observador
integra-se no grupo com o fim de o investigar).
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação…, quanto ao número de
observadores:
a) Observação individual (conta com um único
observador, o que limita as possibilidades de
controlo);

b) Observação em equipa (com mais do que um


observador, possibilitando a inclusão de
diferentes pontos de vista).
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Classificação…, quanto ao local:
a) Observação em contexto real (o observador
presencia as ocorrências no próprio meio em que
eles acontecem naturalmente);

b) Observação laboratorial (com criação de um


meio artificial que se aproxime ao máximo do
contexto real das ocorrências).
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
A observação/Os comportamentos não verbais…
Os instrumentos de registo
O observador pode não confiar apenas na
recordação que guardou dos fenómenos observados,
recorrendo os instrumentos de registo
Nem sempre é possível (sendo muitas vezes
inconveniente) tomar notas no momento em que se
observa o fenómeno
Podem anotar-se os dados imediatamente após a
observação, grelhas de registo dos comportamentos
observados.
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
A observação/Os comportamentos não verbais…
Os instrumentos de registo
as grelhas de registo muito formalizadas e
estruturadas facilitam a interpretação e aumentam a
objectividade dos dados. Não obstante, tais grelhas
podem cair no risco de se tornarem demasiado
superficiais e mecânicas, perdendo a riqueza e
complexidade dos processos analisados. Daí que,
muito frequentemente se recorra à elaboração de
grelhas que acompanhem a flexibilidade das
observações e que funcionem como complemento de
outras formas de avaliação.
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Psicopatologia – Diagnóstico e Intervenção
Especificidades da entrevista com cças:
Material lúdico como ponto de partida… selecção…
1ª entrevista … de conhecimento, a cça não pode sair com
sensação de vazio… jogo, desenho…
2ª entrevista… jogo para alcançar mais… desenho da
família… da casa… eventualmente, testes…
Entrevista da história da cça (com a mãe … e pai…)…
observação díade mãe/cça…
Entrevista de devolução (com pais)… esclarecimentos,
explicações, proposta de tratamento (para o qual os
pais têm de estar absolutamente decididos)…
contrato terapêutico, com frequência, duração
provável, horários, honorários, anonimato,
confidencialidade, … plano terapêutico…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção

Especificidades da entrevista com cças e


adolescentes/Entrevistas na escola:
» Genograma
Masculino Feminino Cça p/ nascer
Paciente identificado ou
Relação marital União livre
Conjunto de irmãos Irmãos adoptados
Gémeos Aborto Elemento falecido
Separação Rel. Distante Divórcio
Subsistema (unidade familiar)
Rel. Conflituosa Fraca Coesa
Fusional Fusional e conflituosa
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Avaliação neuropsicológica
Entrevista semi-estruturada para realização de
anamnese
Entrevista prévia

Estado de consciência
Que fizeste hoje?
Orientação E ontem?
Qdo se celebra Natal?
Nome? Onde moras?
Idade e Data de Nascimento? Em que escola andas?
Em que dia estamos? Ano?
Mês? Vais sozinho para a escola?
Ano? Quem te leva?
Horas? O que fazes nos recreios?
E ontem…?
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Avaliação neuropsicológica
Entrevista semi-estruturada para realização de
anamnese
Nível pré-mórbido

Conjugar com análise memória Atitude face à situação

E antes disso? Como se sente?


O que faz ao fim-de-semana? Onde se encontra?
Actividades do seu interesse? Qdo cá chegou?
Qual o seu médico?
Quem sou eu?
Conhecia-me antes?
Realiza bem o trabalho habitual?
Tem dificuldades?
Quais?
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Avaliação neuropsicológica
Entrevista semi-estruturada para realização de
anamnese
Queixas

Principais queixas (SUBJ) Queixas generalizadas

Dores cabeça?
Sentes algo que esteja mal? Como são?
Explica? Onde são?
Localiza? Desde quando?
Desde quando? Perdas de visão?
Padrão de sono? Desde quando?
Fome? Audição?
Sede? Outras queixas?
Quais?
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Avaliação neuropsicológica
Entrevista semi-estruturada para realização de
anamnese
Queixas sintomas específicos episódicos
Queixas
Desmaios?
Como são esses acontecimentos?
Queixas generalizadas
Onde são?
Sentes-te cansado? Pareceu-te estar a ver coisas?
Tem dificuldades de memória? Quais? Descreve?
quais, explica? Os objectos parecem mudar…?
Esqueces-te de onde coloca as Descreve?
coisas? A música torna-se ruído?
Pareceu-te estar a ouvir coisas?
sabores/odores especiais?
sensações corporais?
em partes do seu corpo?
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Avaliação neuropsicológica
Entrevista semi-estruturada para realização de
anamnese
Queixas

Queixas sintomas Ctes evolutivos

Sentes dificuldades em orientar-te?


Esqueces-te de para onde ias?
em despir-se/vestir-se?
em ler e/ou escrever?
descreve?
Segue conversa com esforço?
Custa-te responder espontaneamente?
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Exame de Estado Mental (Kaplan, Sadock & Grebb, 2003)
É a avaliação clínica que descreve o somatório de
observações, incluindo a descrição da aparência,
a fala, e os pensamentos…
Esboço do EEM:
1. Descrição geral» aparência, comportamento e
actividade psicomotora e atitude face ao
examinador
2. Humor e afectos» humor, afectos e adequação
3. Fala»Discurso»Forma e conteúdo
4. Pensamento» Forma e conteúdo
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
5. Sensório e cognição» alerta e nível de vigília,
orientação espacial e temporal, memória,
concentração, pensamento abstracto, inteligência
6. Controlo de impulsos
7. Julgamento e Insight
8. Confiabilidade
____________________________________________
Aparência»tipo físico, gestos, roupa, higiéne, jovial,
envelhecido, infantil, bizarro, desleixado,…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
___________________________________________
Comportamento e actividade psicomotora» tiques,
maneirismos, gestos peculiares, contracções
faciais, estereotipias, ecopraxia (mimetização do
movimento), lentificação, agitação, flexibilidade,
rigidez, …
__________________________________________
Atitude face ao examinador» cooperativa, amigável,
atenta, interessada, franca, sedutora, defensiva,
rancorosa, perplexa, apática, hostil, evasiva,
reservada,…
____________________________________________
Sensório cognição» funções cerebrais, inteligência
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
____________________________________________
Humor (emoção abrangente e constante que cobre a
percepção do indivíduo em relação a si e ao
mundo)» deprimido, desesperançado, irritável,
ansioso, irado, expansivo, eufórico, disfórico,
vazio, culpado, fútil, auto-denegridor,
amedrontado, atordoado, instável…
___________________________________________
Afectos (expressão externa da resposta emocional do
sujeito, pode ser congruente ou incongruente com
o humor)» constrito (reduzidas variações e
intensidade de expressões faciais), embotado, até
plano,…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
____________________________________________
Adequação (concordância entre expressão emocional
e tópico abordado)» adequado, inadequado
__________________________________________
Fala» análise de fluência, débito elocutório, aspectos
prosódicos (tom, ritmo, acento e silêncios)»
arrastada, hesitante, confusa, sussurrada,
afectada, ecolália, coprolália…
____________________________________________
Percepção» alucinações hipnagógicas (durante o
sono) e hipnopômpicas (durante a vigília)
percepção sem objecto, despersonalização e
desrealização (distanciamento de si e do meio)
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
____________________________________________
Pensamento/Forma» afrouxamento ou descarrilamento
de associações, fuga de ideias, desenfreados,
tangencialidade, circunstacialidade, incoerência,
reverberante, circunloquial, vago, bloqueado,…
____________________________________________
Pensamento/Conteúdo» delírio (falsa crença, não
partilhada por ninguém), paranóia, preocupação,
obsessão/compulsão, fobia, ideação suicida ou
homicida, pobreza de conteúdo,…
____________________________________________
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
_____________________________________________
Alerta e estado de consciência» obnubilação (estado
transitório de incapacidade de atender ao meio,
ao comportamento e ao pensamento objectivo),
sonolência, estupor, coma, letargia, alerta,…
____________________________________________
Orientação» espacial e temporal, perguntas simples
sobre onde mora, em que dia, mês e ano
estamos, nome, nomes dos que estão em volta,…
____________________________________________
Sensório cognição» avaliação de funções cerebrais e
de inteligência
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
____________________________________________
Memória» análise à memória remota, passada e
recente…perguntar sobre o que comeu ao
almoço, sobre o nome do examinador, sobre
informações da infância, pedir para repetir seis
dígitos por ordem crescente e depois
decrescente,…
…Para ocultar/contornar… negação, confabulação,
reacção catastrófica, circunstancialidade,…
____________________________________________
Concentração/Atenção» pequenos cálculos, soletrar
palavras de trás para a frente, dar cinco nomes de
objectos iniciados por uma letra…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Capacidade para leitura e escrita» compreensão,
leitura, escrita copiada, ditada e espontânea
sobre um tema,…
____________________________________________
Capacidade visuo-espacial» cópia de figuras como
mostrados de relógio ou fig. Geométricas que se
cruzam,…
____________________________________________
Pensamento abstracto (capacidade para lidar com
conceitos)» perturbação dessa capacidade,…
____________________________________________
Controlo de impulsos» informações da história
recente…
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
____________________________________________
Julgamento» compreensão do próprio comportamento
e das suas consequências, situações
imaginárias… dilemas…
____________________________________________
Insight» (grau de consciencialização e de
compreensão do seu estado patológico)»
negação, consciencialização com negação da
necessidade de ajuda, consciencialização com
culpabilização externa, insight intelectual e
emocional,…
____________________________________________
Confiabilidade» relato acurado, …
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
A Entrevista Clínica Estruturada para o DSM
1º Aval. Preliminar (informações gerais, dados socio-
demográficos, história escolar/laboral, composição
familiar,…)

2º facilitação do Rapport…

3º colocação de perguntas claras e específicas (seguir


critérios diagnóstico) criação de espaço para
expressão voluntária…

4º) seguir critérios de diganóstico e instruções…


Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção

Laura M. Nunes/UFP
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção

Laura M. Nunes/UFP
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção

Laura M. Nunes/UFP
Árvore de Tomada de Decisões . Algoritmo de Avaliação e Proposta de Intervenção

Análise preliminar Se não Possível


Entrevista
Se encaminhado encaminhamento
Estruturada
Análise relatório / (triagem)
documento
Plano avaliação
Se reúne indicadores de …
Se não Saúde pública Saúde privada
Entrevista
Estruturada DSM Entrevista Clínica Entrevista Clínica
Semi-estruturada Livre estruturação
Se reúne
Avaliação
indicadores …
Determinação foro neuropsicológica
factores neuropsicológico EEM
predisponentes, Substâncias (de
precipitantes, abuso ou uso Informação
Se não
manutenção terapêutico - médico/psiquiatra
Prosseguir psicofarmacologia) (Função de indicadores reconhecidos)

Anamnese (adaptar…) (Regime de complementaridade) Avaliação estruturada


Resultados da avaliação – conclusão e psicodiagnóstico
Proposta terapêutica

Adaptação/Conciliação diferentes modelos X Atender sempre a objectivos e natureza do pedido


X Considerar intervenção multidisciplinar X Privilegiar fenomenologia … Jaspers…
Psicopatologia na Infância e na Adolescência…

Psicopatologia na infância e adolescência.


Modelos para diagnóstico e intervenção

Laura M. Nunes
UFP
Psicopatologia na infância e adolescência. Modelos para
diagnóstico e intervenção
Bibliografia Complementar

• Abreu, J. (2006). Introdução à psicopatologia compreensiva (4ª Ed.). Lisboa: Fundação


Calouste Gulbenkian.
• American Psychiatric Association. (2002). Manual de diagnóstico e estatística das
perturbações mentais- DSM-IV-TR (4ª Ed., J. Almeida, Trad.). Lisboa: Climepsi. (Original
publicado em 2000).
• Cunha, J. (2003). Psicodiagnóstico – V (5ª Ed.). Porto Alegre: Artmed.
• Kaplan, H., Sadock, B. & Grebb, J. (2003). Compêndio de psiquiatria. Ciências do
comportamento e psiquiatria clínica (7ª Ed.; D. Batista, Trad.). São Paulo: Artmed. (Original
publicado em 1994).
• Macedo, M. & Carrasco, L. (2005). (Com)textos de entrevista. Olhares diversos sobre a
interação humana. São Paulo: Casa do Psicólogo.
• Scharfetter, C. (2005). Introdução à psicopatologia geral (3ª Ed.; O. Leitão, Trad.) Lisboa:
Climepsi. (Original publicado em 2002).
• Maia, L., Correia, C. & Leite, R. (2009). Avaliação e intervenção neuropsicológica. Estudos
de casos e instrumentos. Porto: Lidel.