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ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA

Dr. A. S. L. F. A. – OAB/xx
Dr. J. J. R. – oab/xx

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO JUIZADO ESPECIAL DA


FAZENDA PÚBLICA DACOMARCA DE xxxx/xxx.

“Ajustiça sustenta numa das mãos a balança que


pesa o Direito, e na outra, a espada de que se
serve para o Defender. A espada sem a balança é
a força brutal, a balança sem a espada é a
impotência do direito” (Rudolf VomJhering).

JOÃO DOS SANTOS, brasileiro, casado, funcionário público


municipal, portador da Cédula de Identidade RG sob o número XX e portador do CPF sob o
número XX, residente e domiciliado na Rua JOÃO SANTOS, n° 1, Centro, na Cidade e
Comarca de XXX, neste Estado, por seu procurador que esta subscreve, (mandato anexo, com
endereço profissional impresso abaixo, o qual ratifica), onde recebe intimações, notificações e
citações, vêm com o máximo respeito e acatamento à presença de Vossa Excelência, para
propor a presente

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO REPOSIÇÃO SALARIAL

em face da MUNICÍPIO DE XXXXX, pessoa jurídica de direito


público, inscrita no CNPJ sob o n.º XXXXXXXX, com sede administrativa sito a XXXX, n.º
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XXX, nesta cidade e Comarca de XXXX – PR, na pessoa do seu representante legal, o Prefeito
o Senhor XXXXXXXXXX, pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos:

DA COMPETÊNCIA
A presente demanda possui os requisitos essenciais para tramitar
perante a Justiça Comum Estadual, já que este é o entendimento da Súmula do Superior
Tribunal de Justiça, n.º 137, estabelece:
"Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar ação de
servidor público municipal, pleiteando direitos relativos ao
vínculo estatutário."
Já entendimento do STF, “é a natureza jurídica do vínculo
existente entre o trabalhador e o Poder Público, vigente ao tempo da propositura da ação, que
define a competência jurisdicional para a solução da controvérsia, independentemente de o
direito pleiteado ter se originado no período celetista .” (Rcl 8909 AgR/MG, rel. orig. min.
Marco Aurélio, red. p/ o ac. min. Cármen Lúcia, julgamento em 22-9-2016).
Dessa forma, claramente se observa que a relação contratual
presente nesta demanda é estatutária, pois o contrato existente entre as partes é regido pelo
Estatuto do Servidor Público Municipal de Mangueirinha n.º 1.905/2015.
Ainda, quanto ao critério do juízo de pequenas causas, nos termos
do art. 2º, §1º da Lei 12.153/ 09 dispõe que “É de competência dos Juizados Especiais da
Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito
Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos.”
Assim, o Juizado da Fazenda se faz competente para julgar a
presente demanda.

DOS FATOS
O Autor é funcionário público efetivo do Município de XXXX,
desde 8/08/1900, registrado sob a matrícula número XXX, tendo sido admitido por intermédio
de concurso público para exercer o cargo de motorista, regime estatutário, recebendo como
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salário base a importância de R$ 3.250,14 (Três mil, duzentos e cinqüenta reais e quatorze
centavos), conforme comprova o demonstrativo de pagamento correspondente ao mês de abril
de 2018, documentos juntados com esta petição.
Portanto, a presente ação se destina a proteção dos direitos
laborais do servidor público efetivo do Município de XXXXX.
Lamentavelmente, em nosso país, existem gestores que agem com
total desprezo as Leis, inclusive apropria Constituição da República Federativa do Brasil.
No entanto, sabemos que gestores não são “donos” da coisa
pública, mas apenas servidores públicos temporários e como tal, se sujeitam, como todos os
demais cidadãos ao ordenamento jurídico pátrio. Frisa-se que o município aqui demandado
vem recebendo normalmente as quotas do FPM, FUNDEF E ICMS, bem como as demais
receitas tributárias a que faz jus, tanto é que sua receita de 200000 de acordo com a AMSOP é
de quase R$ 26 milhões.
Doutor Julgador, não se trata de caridade ou esmola, mas sim, do
direito à percepção de verba de natureza alimentar, decorrente de compensação pelo trabalho
prestado.
Dessa forma a presente ação busca o recebimento das
diferenças salariais no período de XXX/XXX até XXX/XXXXX.
Tal diferença conforme já debatido se faz em virtude da desídia
do Poder Executivo Municipal em cumprir com a obrigação legal e constitucional de conceder
a Revisão Geral Anual da remuneração dos servidores do Executivo Municipal, sendo que o
aumento somente ocorreu após a recomendação do Ministério Público, em anexo, no dia
22//22/2222, quando o correto deveria ter sido em 30 de janeiro de XXXX, conforme preceitos
legais.
A resenha, é fática e objetiva, já que busca o pagamento dos
valores que não se realizaram, em virtude da negligência normativa municipal.
Contudo, em virtude da Lei Municipal n.º XXX/DDDD, a qual
veio estabelecer o reajuste anual no percentual de DDDD% (XXXXXXXX centésimos por
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cento), é que nasceu aos servidores municipais o direito de receber a diferença salarial referente
aos meses que se deixaram de adimplir.
Portanto, busca o Requerentesocorro ao judiciário para ver seus
direitos resguardados.
DO DIREITO
Inicialmente cumpre estabelecer, o descumprimento
constitucional, que ocorreu durante 18 meses, pois este foi o período em que não houve o
pagamento referente ao reajuste anual, sendo que tal reajuste vem devidamente normatizado no
artigo 37, inciso X da Constituição Federal, senão vejamos:

“Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos


Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o §
4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei
específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada
revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de
índices;”

A notável professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro, não deixou


tal situação passar em branco e bem observou o supracitado comando constitucional entabulado
no artigo 37, X:

"Os servidores passam a fazer jus à revisão geral anual, para todos na
mesma data e sem distinção de índices (estas últimas exigências a
serem observadas em cada esfera de governo). A revisão anual,
presume-se que tenha por objetivo atualizar as remunerações de
modo a acompanhar a evolução do poder aquisitivo da moeda; se
assim não fosse, não haveria razão para tornar obrigatória a sua
concessão anual, no mesmo índice e na mesma data para todos. Essa
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revisão anual constitui direito dos servidores, o que não impede


revisões outras, feitas com o objetivo de reestruturar ou conceder
melhorias a carreiras determinadas, por outras razões que não a de
atualização do poder aquisitivo dos vencimentos e subsídios.

Essa revisão não pode ser impedida pelo fato de estar o ente político no
limite de despesa de pessoal previsto no artigo 169 da Constituição
Federal. Em primeiro lugar, porque seria inaceitável que a aplicação
de uma norma constitucional tivesse o condão de transformar outra, de
igual nível, em letra morta. Em segundo lugar, porque a própria Lei
de Responsabilidade Fiscal, em pelo menos duas normas, prevê a
revisão anual como exceção ao cumprimento do limite de despesa:
artigo 22, parágrafo único I, e artigo 71". (g.n.)Di Pietro, Maria
Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 17ª edição. São Paulo: Editora
Atlas. P. 456.

Nesse mesmo sentido foi o entendimento do Ministério Público


do XXXX, em sua recomendação que também solicitou que se regularizasse tais ocorrências
indevidas, senão vajamos:
“(...)
II – Oficie-se ao Prefeito de XXXXX/XXX para que informe se
desencadeou o processo de elaboração da lei anual de revisão geral da
remuneração dos servidores e agentes públicos, ativos e inativos, bem
como dos pensionistas, quanto aos anos de XXX e XXX, visto que tal
medida incumbe exclusivamente a ele, assim, como para que presentes
os esclarecimentos que considerar pertinentes. (...)” Processo
Administrativo n.º MPXX-XXXXXXXX.

Após tal recomendação, o Executivo municipal proferiu a Lei


Municipal n.º XXXX, a qual concedeu o aumento de XXXX% (oXXXXXXX centésimos por
cento), aos servidores públicos municipais.
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Tal recomendação se baseou nos princípios constitucionais, bem


como na norma municipal, as quais claramente demonstram o direito líquido do Autor.
Já quanto da Lei Municipal n.º XXXXXX, a mesma traz em seu
bojo o presente texto normativo:
“Art. 1º. O Art. 37 da Lei Municipal n.º 1.906 de 21 de dezembro de
2015, passa a vigorar com as seguintes alterações:
Art. 37. As despesas decorrentes com a implantação desta Lei correrão
à conta do orçamento geral vigente.
Art. 2º. Fica concedida revisão geral anual da remuneração aos
Servidores Públicos Municipais de que trata o Art. 37, incisos X e XI
da Constituição Federal, e não contemplados com a Revisão Geral
Anual no ano de 2016 por força da disposição do Art. 37 da Lei
1.906/2015.
Art. 3º. A Revisão de que trata o artigo anterior, ficará na ordem de
11,28% (onze inteiros e vinte e oito centésimos por cento) levando-se
em conta a variação do INPC/IBGE, acumulado no período
compreendido de janeiro a dezembro de 2015, em conformidade com a
data base fixada pela Lei Municipal n.º 1.771 de 02 de julho de 2013,
que serão acrescidos ao vencimento base referência do Quadro Único
dos servidores abrangidos por esta lei.
Art. 4º. A revisão salarial de que trata o artigo anterior abrangerá os
ativos, inativos e pensionistas.
Art. 5º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Gabinete do Prefeito Municipal de Mangueirinha, Estado do Paraná,
aos vinte dias do mês de junho de 2017.” (g.n.)

Nitidamente se observa que a atual gestão olvidou-se em


determinar o pagamento do reajuste anuário desde o dia em que se deixou de proceder o
pagamento.
Ora, a referida Lei apenas procedeu com o pagamento dos
reajustes em XXXXXXX, todavia, deixou de proceder com o pagamento dos meses de
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XXX/XXX até XXXX/XXXX, dessa forma a Requerida está inadimplente quanto ao presente
período para com seus funcionários, os quais fazem jus ao recebimento do reajuste anual, bem
como já devidamente previsto, na Lei Municipal n.º 1.XXX/XX e 1.XXXX, já devidamente
debatida, sendo assim, o montante devido no presente período de é de R$ 8.252,20 (Oito
mil, duzentos e cinqüenta e dois reais e vinte centavos), conforme planilha de cálculos em
anexo, frisa-se que o referido valor já consta as devidas atualizações.

Como se observa a jurisprudência estabelece que faz jus os


servidores quando a pagamento do reajuste anual, ainda como já explanado, o Ministério
Público, em sua recomendação endente nesse sentido, e como a atual gestão já se manifestou
para com seus funcionários sobre o pagamento, não resta outra alternativa senão a presente para
salvaguarda seus direitos salariais devidamente previstos constitucionalmente.

Vale enfatizar os preceitos doutrinários quanto ao tema, e nesse


sentido também preceitua:

“SERVIDOR PÚBLICO E DATA-BASE – PRINCÍPIO DA


PERIODICIDADE. A Emenda Constitucional nº 19/98 alterou a
redação do inciso X do art. 37 determinando que a remuneração dos
servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente
poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a
iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual,
sempre na mesma data e sem distinção de índices. (...) Nesse sentido,
decidiu o Supremo Tribunal Federal, em sede de ação direta de
inconstitucionalidade por omissão, tratar-se de “norma constitucional
que impõe ao Presidente da República o dever de desencadear o
processo de elaboração da lei anual de revisão geral da remuneração
dos servidores da União, prevista no dispositivo constitucional em
destaque, na qualidade de titular exclusivo da competência para
iniciativa da espécie, na forma prevista no art. 61, § 1º, II, a, da CF”;
concluindo que “seu atraso configurou-se desde junho/1999, quando
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transcorridos os primeiros doze meses da data da edição da referida


EC nº 19/98 (STF – Pleno – Repercussão Geral – RE nº 592377/RS –
Rel. orig. Min. Marco Aurélio – Red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki
– 4-2-2015 (RE-592377).)”. Moraes, Alexandre de Direito
constitucional / Alexandre de Moraes. – 33. ed. rev. e atual. até a EC nº
95, de 15 de dezembro de 2016 – São Paulo: Atlas,2017.

O Supremo Tribunal Federal entende que a concessão da "revisão


geral anual" a que se refere o inciso X do art. 37 da Constituição deve
ser efetivada mediante lei de iniciativa privativa do Chefe do Poder
Executivo de cada ente federado. Segundo a Corte Maior, essa "revisão
geral anual" enquadra-se no disposto no art. 61, § 1.0 , 11, "a", da
Carta Política (iniciativa privativa do Presidente da República que,
simetricamente, é de observância obrigatória para os demais
integrantes da Federação). (...) A parte final do inciso X do art. 37 da
Carta Política assegura "revisão geral anual" da remuneração e do
subsídio dos servidores públicos sempre na mesma data e sem distinção
de índices. (...) A revisão geral anual tem o objetivo, ao menos
teoricamente, de recompor o poder de compra da remuneração do
servidor, corroído em variável medida pela inflação. Não se trata de
aumento real da remuneração ou do subsídio, mas apenas de ·.1m
aumento nominal - por isso chamado, às vezes, "aumento
impróprio".Paulo, Vicente, 1968-Direito Constitucional desco!T(llicado
I Vicente Paulo, Marcelo Alexandrino. - 15. ed. rev. e atual. - Rio de
Janeiro: Forer.se; São Paulo: MÉTODO: 2016.

Vale salientar que os cálculos foram atualizados monetariamente


nos termos da Súmula 682 do STF.
Não ofende a Constituição a correção monetária no pagamento com
atraso dos vencimentos de servidores públicos.

DOS PEDIDOS
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Diante do todo exposto e o mais que certamente será suprido e


enriquecido pelo notório saber jurídico de V. Exa., Requer:
a) O recebimento da presente demanda para que seja julgada
totalmente procedente e ao final condenando o Município de
XXXXXX ao pagamento dos valores complementares
referente a revisão geral anual que se deixou de pagar no valor
correspondente à R$ 8.252,20 (Oito mil, duzentos e cinqüenta
e dois reais e vinte centavos), e assim, cumprindo os
normativos constitucional e municipal;
b) A citação do MUNICÍPIO DE XXXXX, por seu Procurador
Geral e no endereço incialmente indiciado, ou onde se fizer
necessário para encontra-lo, para que no prazo legal,
querendo, conteste o feito sob pena de revelia;
c) Protesta-se pela produção de provas em direito permitidas,
juntada de documentos, oitiva de testemunhas, perícia e
depoimento pessoal das partes sendo necessário, sob pena de
confessa

Nestes termos, dando-se a causa o valor de R$ 8.252,20 (Oito mil,


duzentos e cinqüenta e dois reais e vinte centavos).

Pede deferimento.

Mangueirinha – PR, 15 de maio de XXXXXX.