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Premissas para o desenvolvimento de competências

socioemocionais na escola
Mesmo que se consiga obter relativa convergência sobre quais as características que
compõem uma educação integral, é possível identificar inúmeros caminhos para colocar
em prática essa visão nas escolas, com diferentes aplicações dos princípios, e de
prioridades para cada aspecto que pode ser acionado para esse objetivo. Daí a grande
variedade de iniciativas reconhecidas para isso no Brasil e no mundo, todas igualmente
interessadas em conectar a escola a uma visão contemporânea de educação integral,
tendo como propósito a formação para a autonomia, mas com estratégias e premissas
que refletem posições diversificadas.
Portanto, longe de representar uma resposta fechada e unívoca sobre como
desenvolver a educação integral nas escolas, é importante considerar este um tema em
construção e aberto a colaborações de diversos atores envolvidos em educação, e
sempre com possibilidades de novas contribuições. Torna-se essencial também
explicitar quais são as premissas que orientam uma proposta específica de
implementação da educação integral. É o que se procura fazer com este documento,
que traz a fundamentação do Instituto Ayrton Senna em relação ao desenvolvimento de
competências socioemocionais nas escolas, como aspecto essencial do avanço na
fronteira da qualidade na educação.
Vale ressaltar que o Instituto, em sua atuação com parceiros em todo o Brasil, entende
que a educação é a melhor maneira de transformar vidas e preza por dar oportunidades
às pessoas para que elas possam desenvolver seus potenciais. Para tanto, elas precisam
ter oportunidade de escolhas e, além de acesso de qualidade ao conhecimento, também
poder desenvolver as demais dimensões que formam o sujeito autônomo.
Daí a relevância de desenvolver as competências socioemocionais, esse conjunto de
capacidades individuais do ser humano que dão base para que ele mobilize, articule e
coloque em prática conhecimentos, valores, atitudes e habilidades para relacionar-se
com os outros e consigo mesmo, estabelecer e atingir objetivos, e enfrentar desafios
para atingir esses objetivos.
É com essa chave de compreensão da educação integral que o Instituto constrói
abordagens em busca de responder ao cenário mundial complexo, multifacetado e
incerto, que atualmente exige das pessoas mobilização de competências para acessar,
selecionar e construir pontos de vista frente ao volume substancial de informações e
conhecimentos disponíveis, elaborando soluções criativas para os problemas e fazendo
escolhas coerentes com seus projetos de vida.
O Instituto acredita que a escola oferece inúmeras oportunidades de identificar,
desenvolver e colocar em prática essas competências, pois é lá que o jovem passa parte
significativa do seu tempo, em contato com o saber, os colegas e os professores,
enfrentando desafios, seja em relação ao aprendizado, seja em relação ao convívio
social, ou até mesmo em relação ao modo como o estudante vê a si mesmo e as
situações no seu entorno. Conhecer a si mesmo e lidar com as próprias emoções pode
ajudar o jovem a encarar esses e outros desafios que se colocam na vida dele.

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O processo de aprendizado de conteúdos e de competências exige também constância
e apoio das mais diferentes formas. Na visão do Instituto, além de implementar
iniciativas em escolas, é essencial tratar a educação integral como política pública. Dessa
forma, é possível que as ações alcancem todos os alunos da rede, atingindo a escala
necessária para transformar realidades de forma sustentada, por meio da mobilização
de servidores, coordenadores, gestores escolares, professores e demais membros de
equipes nos diferentes níveis.
As iniciativas do Instituto Ayrton Senna estão em consonância com as premissas que
desde 1994 norteiam a atuação da instituição na geração de conhecimento e
experiências inovadoras na área educacional. São elas:
 Potencial e Escolhas Todas as pessoas, sem exceção, têm potencial e o direito
de desenvolvê-lo. Para tanto, elas precisam de oportunidades e de preparação
para fazer escolhas.
 Oportunidade A educação é a oportunidade estruturante para desenvolver
integralmente o potencial humano, transformando-o em competências para a
vida. A educação, por si mesma, não promove todas as condições para o
desenvolvimento humano, porém sem ela não existe desenvolvimento
sustentável.
 Corresponsabilidade O direito à educação deve ser assegurado com o
envolvimento de todos pela educação, numa ética de corresponsabilidade entre
todos os setores da sociedade. Mobilizados de forma coletiva e solidária, todos
se empenham na resolução dos problemas.
 Duplo desafio A educação que potencializa as oportunidades de
desenvolvimento no século 21 é aquela que enfrenta simultaneamente as
dívidas do passado – que ainda hoje reprovam, excluem e atrasam os estudantes
– e as exigências contemporâneas – que pedem um novo patamar de
competências para a vida, o convívio e o trabalho.
 Protagonismo Promover o protagonismo docente e estudantil é decisivo para
que professores e alunos se vejam e sejam vistos como parte da solução, não do
problema. Melhorar a qualidade do sistema de ensino, da escola e das aulas
requer um novo olhar para a formação de gestores, educadores e estudantes, e
condições para que desempenhem esse protagonismo.
 Autonomia O objetivo maior da educação integral é a formação para a
autonomia, entendida como o empoderamento dos estudantes para fazer
escolhas fundamentadas em seus próprios planos.
 Competências para a vida A formação para autonomia se faz por meio do
desenvolvimento de competências que combinam, entre outros, os aspectos
cognitivos e socioemocionais, possibilitando aos estudantes capacitarem-se para
o autoconhecimento, a colaboração, a criatividade, a resolução de problemas, o
pensamento crítico, a abertura para o novo e a responsabilidade para alcançar
seus objetivos.
 Avaliação A avaliação é parte indissociável do desenvolvimento dos aspectos
cognitivos e socioemocionais associados à aprendizagem. Desse modo, assim
como o desenvolvimento, a avaliação cognitiva e socioemocional não é um fim
em si mesmo, mas um caminho e um subsídio para a formação em busca da
autonomia.
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