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MARCELLA SCHNEIDER FARIA

As interfaces virtuais do social


Imersão e extensão em ambientes virtuais: Second Life e
BarCamp.

São Paulo
2008

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MARCELLA SCHNEIDER FARIA

As interfaces virtuais do social


Imersão e extensão em ambientes virtuais: Second Life e
BarCamp.

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-


Graduação em Ciências da Comunicação, Área de
Concentração Interfaces Sociais da Comunicação,
Linha de Pesquisa Tecnologias da Comunicação e
Redes Interativas, da Escola de Comunicações e
Artes da Universidade de São Paulo, como
exigência parcial para obtenção do Título de Mestre
em Ciências da Comunicação, sob a orientação do
Prof. Dr. Massimo Di Felice.

São Paulo
2008

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BANCA EXAMINADORA:

__________________________________________________

__________________________________________________

_________________________________________________

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AO MEU QUERIDO THIAGO

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AGRADECIMENTOS

No momento de finalização de um trabalho desta natureza fico extremamente


sensível ao me dar conta que tudo isso se materializa acima de tudo no afeto que recebi
das pessoas que estiveram ao meu lado durante sete anos, quando decidi me aventurar
pelos caminhos do conhecimento. Agradeço em especial ao meu grande companheiro e
marido, Thiago pelo incentivo, apoio, amor, carinho, e principalmente por sua parceria,
especialmente nessa fase final. Por todas as suas pertinentes colocações e revisões, e
ainda pelas madrugadas trabalhando ao meu lado.

Agradeço ao Prof. Dr. Massimo Di Felice, orientador desta pesquisa, pelo


constante incentivo, pela oportunidade, confiança, paciência e principalmente por me
ajudar a encontrar caminhos para a realização desta dissertação.

Agradeço muito à minha família, quem me acolheu sempre e principalmente nos


momentos mais difíceis. Em especial minha mãe pelo amor e amizade; meu avô (in
memoriam) que foi a minha grande inspiração; à minha avó por sua preocupação; ao
meu irmão Caio quem me ouviu e vibrou a cada conquista; à minha madrinha que mesmo
de longe, me incentivou e apoiou; a “irmã” Radharani, quem passou horas me
tranqüilizando e finalmente a João Carlos -“Joca”, meu padrasto tão presente e prestativo
nas horas em que mais precisei. Agradeço em especial a Nancy e Ricardo pelo enorme
carinho, incentivo e dedicação, sobretudo neste momento final. Agradeço também à
Ângela e Cláudio pela troca de experiências e conselhos.

Agradeço de coração às minhas amadas amigas, Daniela; Fabrícia; Daphne;


Camila; Louise; Pimenta; Ana Lúcia; Carina; Ana Carolina; Karla; Kathellyn; Letícia;
Braine; Priscila; Simone e Luciana pelo ombro e o afeto nos momentos difíceis e a
energia, nos necessários, momentos de descontração. Agradeço também aos colegas de
trabalho do Consórcio Atlântico pela torcida. Agradeço a todos os amigos do Centro de
pesquisa ATOPOS, Adilson, Mariana, Julliana, Eliete, Juliana K., Leandro, Cadú, Fábio
M., Fábio B., Adriana, Iara, Camila, Paulinha, Raoni e a mais nova mamãe Cláudia, pelas
discussões filosóficas e pela escuta.

Agradeço ao pessoal da secretaria e comissão de pós-graduação da ECA em


especial à Elaine, Márcia, Miriam e Roseli que durante todo esse tempo acompanharam
meu processo e me deram todo o suporte, principalmente na realização de meu
intercâmbio com a Universidade de Lisboa. Agradeço à Andrea da Comissão de

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Relações Internacionais da ECA - USP que na época de meu intercâmbio auxiliou todo o
processo.

Agradeço em especial a todos que me receberam tão bem na Universidade Nova


de Lisboa, onde aprendi muito. Em especial à Sofia, do Núcleo de relações
internacionais, quem viabilizou minha estadia na Universidade Nova de Lisboa; ao Prof.
Dr. José A. Bragança de Miranda, pelas fundamentais contribuições, pela acolhida e pelo
enorme aprendizado; assim como ao Prof. Dr. Antonio Fernando Cascais pelas pontuais
interpretações e sugestões de bibliografia e à Profª. Dra. Graça Rocha Simões pelas
observações dispensadas à minha pesquisa.

Agradeço aos professores da Universidade de São Paulo, que contribuíram para a


construção desse meu percurso, em especial, a Profª. Dra. Lourdinha (in memoriam); à
Profª. Dra. Maria Cristina Castilho Costa que gentilmente aceitou participar de minha
banca de qualificação contribuindo sobremaneira para a finalização deste trabalho; ao
Prof. Dr. Crio Marcondes Filho, pela atenção e leitura de textos; à Profª. Dra. Ana Cláudia
Rocha Marques, com quem aprendi muita, por ter contribuído de maneira singular na
finalização deste trabalho e ainda por participar de minha banca de qualificação; e ao
Prof. Dr. Paulo Vasconcelos pelas contribuições ao longo desse percurso.

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RESUMO

Considerando as tecnologias digitais de comunicação como parte condicionante


do ambiente social contemporâneo, esta pesquisa teve como objetivo realizar um estudo
exploratório sobre a sociabilidade no e do ambiente virtual, através do cruzamento entre
a experiência narrada e vivida pela pesquisadora nesses ambientes e diferentes teorias
sociais. Através da imersão em dois tipos distintos de agrupamento virtual, Second Life e
BarCamp, buscou-se encontrar elementos que possibilitassem um diálogo entre a
concepção de “situação social” e como ela se apresenta em ambientes virtuais. Para
tanto, procurou-se considerar a discussão acerca da dualidade entre conceitos de real e
virtual, que muitas vezes pode invalidar a importância de novos tipos de relações sociais,
simplificando sua complexidade e impedindo melhor análise de suas especificidades.

Palavras-chave: sociabilidade virtual, ambientes virtuais, interfaces sociais, tecnologias


do social, virtualidade.

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ABSTRACT

Considering digital technology for communication as a conditioning factor of


contemporary social environment, this research is seeking to perform an exploring study
about sociability within and from virtual environment, through the intersection between the
experiences narrated and lived by the researcher and different social theories. Elements
which could enable a dialog between the conception of “social situation” and how it is
displayed in virtual environments were examined through immersion in two distinct types
of virtual groups, Second Life and BarCamp. In that direction, the discussion concerning
duality of concepts about real and virtual was considered, although that might invalidate
the importance of new types of social relationship, oversimplifying its complexity and
obstructing better analysis of its specificity.

Keywords: virtual sociability, virtual environments, social interfaces,virtuality.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO..............................................................................................................P. 13

CAPÍTULO I – DA SITUAÇÃO SOCIAL MODERNA PARA A SITUAÇÃO SOCIAL


MIDIÁTICA....................................................................................................................P. 19

1. A situação social moderna.................................................................................P. 19


1.1 A estrutura e a objetividade como arquitetura do social..............................P. 23
1.2 Classe social................................................................................................P. 27
1.3 A busca pelo equilíbrio social.......................................................................P. 28
1.4 O pensamento sobre a esfera micro social..................................................P. 31
1.5 Sobre as considerações da sociologia clássica...........................................P. 35

2. A metrópole comunicativa: o surgimento da situação social


tecnológica................................................................................................................P. 37
2.1 A comunicação entre sociologia e sociedade de
massa.................................................................................................................P. 38
2.2 Os meios de comunicação como experiência social...................................P. 39

3. As crises das teorias sociais modernas.....................................................................P. 44


3.1 Crise do sujeito............................................................................................P. 47
3.2 Crise da estrutura.........................................................................................P. 52
3.3 Crise da razão..............................................................................................P. 55
3.3.2 As novas formas de agregação.....................................................P. 57

4. Quando a informação se torna arquitetura do social.................................................P. 59


4.1 Goffman e o interacionismo simbólico.........................................................P. 59
4.2 Meyrowitz e a situação social midiática.......................................................P. 63

CAPÍTULO II – DA SITUAÇÃO SOCIAL MIDIÁTICA PARA A


VIRTUALIDADE.............................................................................................................P.67

1. A situação social midiática: convergência e interatividade........................................P. 67


1.1 Fortalecimento das novas mídias digitais....................................................P. 72

2. A sociedade em rede.................................................................................................P. 73
2.1 O paradigma da sociedade da informação..................................................P. 73
2.2 A internet......................................................................................................P. 74
2.3 Concepções sobre rede...............................................................................P. 76
2.4 O ciberespaço como parte da realidade social e espaço
cognitivo.............................................................................................................P. 78
2.5 A cultura digital.............................................................................................P. 80
2.5.1 O início da cultura das comunidades virtuais................................P. 81
2.5.2 O sujeito e a sociabilidade na cibercultura....................................P. 83
2.5.3 A emergência da interface.............................................................P. 84

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2.5.4 Inteligências coletivas, psicotecnologias e inteligência
conectiva................................................................................................P. 85

3. Além do “real”: a virtualidade social...........................................................................P. 88


3.1 A Da comunicação como sistema à comunicação como ambiente
social.................................................................................................................P. 88
3.2 O virtual como a perda de referenciais e o fim da história...........................P. 91
3.3 O virtual e a perda da superfície..................................................................P. 93
3.4 A cultura da virtualidade real........................................................................P. 94
3.5 O virtual como atualização...........................................................................P. 95
3.6 Além do simulacro........................................................................................P. 96

CAPÍTULO III – A SITUAÇÃO SOCIAL VIRTUAL DO SECOND LIFE E DO


BARCAMP....................................................................................................................P. 99

1. A escolha dos ambientes estudados Second Life e BarCamp..................................P. 99


2. Discutindo o método possível...................................................................................P.100
2.1 O método da pesquisa...............................................................................P. 102

3. Mapeamento da experiência de pesquisa em ambientes virtuais...........................P. 104


3.1 Second Life (SL)………………………………………………………………..P. 104
3.2 BarCamp (BC)……………………...........................................................…P. 130
3.2.1 Resumo das atividades realizadas junto às comunidades BarCamp
Brasil e BarCamp SP............................................................................P. 140
3.2.1 Resumo das atividades das listas de discussão - BarCamp Brasil e
BarCamp SP.........................................................................................P. 143
3.2.2 Resumo das entrevistas..............................................................P. 144

4. Discutindo a situação social virtual de Second Life e BarCamp: possibilidades de


imersão e extensão.................................................................................................P. 146
4.1 Perspectivas dos estudos sobre as comunidades virtuais.........................P. 146
4.2 Second Life................................................................................................P. 150
4.3 BarCamp....................................................................................................P. 156

CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................P. 160

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................P. 165

REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS................................................................................P. 169

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA.................................................................................P. 170

ANEXOS......................................................................................................................P. 172

GLOSSÁRIO...............................................................................................................P. 174

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LISTA DE FIGURAS

Fig. 1 - Página inicial do site www.secondlife.com.....................................................p. 108

Fig. 2 - Página inicial do site brasileiro do Second Life,


www.mainlandbrasil.com.br........................................................................................p. 109

FIG. 3 - Página de entrada do Second Life.................................................................p. 110

FIG. 4 - Caixa de diálogo para a configuração do avatar............................................p. 110

Fig. 5 - Avatar grávida.................................................................................................p. 112

Fig. 6 - Primeira versão (baseada no software de inicialização do SL) da avatar “Filomena


Graves”........................................................................................................................p. 113

Fig. 7 – Segunda versão da avatar Filomena Graves.................................................p. 114

Fig. 8 – Terceira versão da avatar Filomena Graves..................................................p. 114

Fig. 9 - Workshop de programação do SL…...............................................................p. 115

Fig. 10 – Freeshoop SL...............................................................................................p. 118

Fig. 11 - Passeio de gôndola em Veneza – SL...........................................................p. 121

Fig. 12 - Poseballs - animação para ações no SL no Bubblegum Factory –


SL................................................................................................................................p. 122

Fig. 13 - Tela padrão SL na qual estão todas as funcionalidades do


programa......................................................................................................................p. 122

Fig. 14 - Caixa de diálogo – SL...................................................................................p. 123

Fig. 15 - Ilha para a realização de casamentos – SL..................................................p. 124

Fig.16 - Logotipos do BarCamp ao redor do mundo...................................................p. 128

Fig. 17 - Página inicial do BarCamp mundial..............................................................p. 131

Fig. 18 - Página inicial do site BarCamp Brasil...........................................................p. 134

Fig. 19 - Página inicial do site BarCamp Brasil...........................................................p. 135

Tab. 1 - Valores de conversão Linden Dolar – Real – Dolar.......................................p. 116

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LISTA DE ABREVIATURAS

MCM - Meios de comunicação de massa

CMC - Comunicação mediada por computador

WIMP – sistema de interface visual da internet - windows, icons, mouse, pointer, interface

ICR - Internet Relay Chat

TIC - Tecnologias de informação e comunicação

MUD - Multi-user dungeon

BBS - Bulletin Board System

BC - BarCamp

IP - Internet Protocol

FTP - File Transport Protocol

RPG - Role-playing game

SL - Second Life

RL - Real Life

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INTRODUÇÃO

A proposta de reflexão apresentada neste trabalho está integrada a investigações


realizadas pelo Centro de Pesquisa ATOPOS, da Escola de Comunicação e Artes - ECA
da Universidade de São Paulo - USP, coordenado pelo Prof. Dr. Massimo Di Felice.

O que significa o virtual? Como é possível estudá-lo? Que perguntas fazer para
olhar esse novo espaço de interação que se apresenta? O social virtual pode ser
invalidado devido a tele-presença? Em que proporção as relações sociais virtuais fazem-
se efetivas? O que é e como se apresenta o espaço de interação virtual? É possível
categorizar tipos de relações que acontecem num espaço fluido, não geográfico e
informativo do campo virtual? O virtual pode se constituir como campo de análise social?

Estas são questões presentes e instigantes, próprias do início do século XXI, na


discussão sobre o ciberespaço e a situação social tecnológica (DI FELICE, 2007). A
pesquisa que aqui se apresenta inspirou-se e foi balizada por tais indagações - sem
pretender respondê-las, no sentido de esgotá-las. Nesse sentido, o estudo propõe-se
como uma contribuição ao mapeamento de situações sociais “no” e “do” ambiente virtual,
levantando possíveis considerações de pressupostos analítico-metodológicos sobre a
compreensão da sociabilidade contemporânea.

Nos últimos anos, parte do cotidiano de nossas vidas desloca-se em rede de


Internet, em circuitos eletrônicos e em metas-espaço digitais, fazendo com que um novo
campo de estudo se abra no que diz respeito ao pensamento sobre relações entre
homem, mídia e sociedade.

O interesse sobre a dinâmica social do ciberespaço vem crescendo entre


produções acadêmicas brasileiras e internacionais. Desde o final da década de 1990,
pensadores de todo mundo começaram a olhar esse universo virtual ainda em formação,
tamanha foi sua expansão para a vida do homem comum. Inicialmente, questionava-se
sobre o aparato virtual e sua substancialidade em relação à vida “real”. Desde então,
muitas críticas a favor ou contra as novas tecnologias foram proferidas, e temas sobre
relações sociais, interações e sociabilidades virtuais entraram em pauta como possíveis
fatores de alteração da epistemologia ocidental (LÉVY, 2000; SANTOS, 2003;
BAUDRILLARD, 2005).

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Pesquisar sobre a sociabilidade em termos virtuais exige ultrapassar óticas
conceituais sobre relações sociais tradicionais, para alcançar um entendimento das
relações sociais num novo universo - o contexto do ciberespaço, aquele constituído pelas
novas tecnologias de comunicação. Diferentemente da época da comunicação em massa
(emissor/receptor), no ciberespaço acontece uma relação com a tecnologia dentro de um
processo interativo, com conseqüente diferença na organização e no próprio sentido do
“social”. Além de fatores relativos ao espaço físico e ao sujeito (o “sujeito moderno”),
outros elementos passam a interferir no novo processo de agregação social do
ciberespaço, problematizando a especificidade das relações, que passam a não estarem
somente ligadas à determinação face-a-face e em modelo territorial.

No final da primeira década do século XXI, as tecnologias comunicativas fazem


parte da vida cotidiana nas mais variadas esferas de atuação, transformando
constantemente as significações sobre formas que conhecíamos de sociabilidade, de
identidade, de alteridade e de relação social. Segundo Lévy (2000), a comunicação digital
pode ser portadora de outras possibilidades de agenciamento, interação e significação.
No processo social, ela inclui não só a natureza humana, mas também a natureza
tecnológica, resultando numa condição híbrida e/ou numa relação simbiótica. Nesses
termos, o cotidiano passa a acontecer num espaço tecnológico fazendo com que a
sociabilidade pareça mais ligada aos fluxos informativos do que às geografias ou
instituições. Nunca se viveu um período com essas características em que a velocidade
das trocas comunicativas resulta em múltiplos espaços de atuação social, modificando
seus próprios pressupostos. Ao lado da forma presencial, a deslocação das pessoas
passa a se dar em “metageografias informativas” (DI FELICE, 2008d, p. 24).

Para pensar sobre o recente, porém muito significativo fenômeno social das
formas de agregação digital, a revisão de caminhos trilhados pela sociologia - ciência na
qual surgiram as primeiras teorias do social - parece ser de fundamental ajuda. Dessa
maneira, este estudo vai retomar idéias clássicas das ciências sociais, especialmente da
sociologia, na proposta de estabelecimento de balizas para o diálogo com a situação
social presente, especificamente aquela acontecida no mundo ocidental a partir dos anos
de 1990 - período chamado de pós-modernidade (VATTIMO, 1992; LYOTARD, 2002),
modernidade tardia (JAMESON, 1996), super modernidade (ÁUGE, 1994), ou ainda fase
fluída da modernidade (BAUMAN, 2001).

A revisão de conceitos clássicos da sociologia - presentes nas diferentes


concepções de comunidade, sociedade, emancipação, sujeito, identidade, instituições -

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sempre vai comportar uma idéia de social. Esse conceito de social, entretanto, pode ser
criticado enquanto representar certo “mito da totalidade” (MARCONDES FILHO, 1996, p.
88) decorrente das teorizações que movimentaram as ciências sociais no final do século
XVIII, período das primeiras cidades industriais.

A problemática em torno das relações sociais virtuais abrange, de modo geral,


uma importante questão de fundo - a transposição de conceitos clássicos das ciências
sociais na análise da sociedade globalizada e da informação - a sociedade baseada nas
trocas comunicativas.

Segundo Abruzzese (2006), análises sociais sobre comunicação na internet


tendem a repetir modelos científicos dos anos de 1930, aqueles baseados na sociedade
de massa. Entretanto, após a proliferação dos meios de comunicação digital, o campo
científico foi pressionado por esses novos modelos nas formas de agregação, de espaços
e de temporalidades sociais. Estudos acerca da comunicação digital e do cotidiano
tecnológico passaram a incluir a revisão de conceitos sociológicos baseados nos ideais
iluministas do século XVIII, na Revolução Francesa, e no positivismo da revolução
científica do século XVI - aqueles que definiam o homem como sujeito único, como o
centro, como o ser da razão e da ação política, expressão da vontade individual
(KERCKHOVE, 1997; LÉVY, 2000; HALL, 2002; SANTAELLA, 2004; DI FELICE, 2008b).
Re-significações impunham-se diante dos novos fenômenos trazidos pelo ciberespaço
(LATOUR, 1994; LYOTARD, 2002; DI FELICE, 2008c).

Devido à situação de conectividade mundial condicionada pelo processo de


globalização, e também ao avanço das tecnologias digitais de comunicação, o campo das
ciências sociais sofreu certa reviravolta topológica e epistemológica. Categorias como
território e interação presencial eram pressupostos que formavam cientificamente esse
campo, e que não mais esgotavam os fenômenos de comunicação digital, mediados por
computador (CMC) e que passaram a ser parte preponderante nas novas formas de
organização social (KERCKHOVE, 1997; LÉVY, 2000; CASTELLS, 2005; DI FELICE,
2008).

Com o surgimento da metrópole, no início do século XX, as análises sociais se


interligaram com a análise dos meios de comunicação e marcaram, de certa forma, todas
as interpretações sobre eles, estreitando vínculos entre a sociologia e as teorias da
comunicação. Por outro lado, o aporte filosófico antropocêntrico e platônico já envolvia a
discussão da existência de um “real” e de um “simulacro”, o que influenciou sobremaneira
as análises sobre a “situação social tecnológica” contemporânea (DI FELICE, 2007).

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A articulação cartesiana que coloca o sujeito e o objeto em diferentes níveis se
torna insustentável num ambiente de pesquisa no qual a única forma de conhecer é
imergir, interagir, e viver a experiência com toda a subjetividade e sensorialidade
permitida pelo ambiente. São diversos os autores que vêm questionando a dicotomia
cartesiana em sua contradição com fenômenos de comunicação em rede (MIRANDA,
1988, 1998, 2002; KERCKHOVE, 1997; PERNIOLA, 2000, 2005; SERRES, 2001, 2003;
DELEUZE; GUATTARI, 2004; SANTAELLA, 2004; ABRUZZESE, 2005, 2006; DI FELICE,
2005). Esses estudos mostram possibilidades de contemplar novos cruzamentos teóricos
capazes de problematizar as tradicionais formas de análise dos meios de comunicação
em sua relação com a sociedade, hoje vista como a sociedade da informação, da rede, e
da comunicação digital.

Muitos estudos realizados sobre as interações, sociabilidade e dinâmica social na


cibercultura focam suas análises nas práticas das comunidades virtuais (RHEINGOLD,
1996; LÉVY, 2000; SANTAELLA, 2004; CASTELLS, 2005). No Brasil, essa natureza de
estudos concentra-se em trabalhos de pesquisadores da área antropologia
(principalmente de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, e Bahia), ainda que
existam contribuições de trabalhos em áreas da comunicação, psicologia e sociologia.

Alguns estudos brasileiros elegem como objeto as interações virtuais e as


analisam através do seu discurso, com base em diálogos trocados pelos cibernautas,
focalizando o conteúdo ou a relação entre o discurso e as intenções do sujeito
(GUIMARÃES JR., 2000, 2004; DOMINGUES, 2004; DORNELLES, 2004; JUNGBLUT,
2004;). Outros estudos analisam as interações virtuais a partir do pensamento pós-
moderno, que elege o sentimento de pertença, o presentismo, a afetividade, o anonimato,
o tribalismo e as questões de identidade como as grandes alterações oferecidas por
essas novas formas de relação (DOMINGUES, 2004; LEMOS; PALACIOS, 2004;
NUSSBAUMER, 2004; RIBEIRO, 2004). Ainda sobre as interações virtuais, existem
estudos que analisam a validade dessas relações como atividade de participação política
(BURGOD, 2004). Alguns artigos utilizam uma linha sociológica conceitual para pensar
as comunidades virtuais, questionando se o próprio conceito de comunidade é o mais
indicado para definir essas novas formas de agrupamento (COSTA, 2005; RECUERO,
2008). A temática das interações virtuais também foi tratada a partir da teoria das redes,
com foco em vínculos e na natureza na sociedade digital (RECUERO, 2007); nessa
proposta há uma tendência de análises sobre laços fracos, débeis e sem ética,
manipulados pelo poder econômico, sublimado pela narrativa da livre ação.

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Em sua maioria, essas referências brasileiras - que trabalham com o conceito de
“comunidade virtual” e “rede social”- são basicamente centradas numa visão
antropomórfica, ou seja, tratam o homem como centro e a técnica como instrumento, com
premissas de que a comunicação é apenas linguagem, e os meios de comunicação são
apenas instrumentos. Essas perspectivas parecem atribuir aos meios, apenas uma
funcionalidade ritualística, presente nos processos sociais. Conseqüentemente, grande
parte desses estudos não indica avanço no questionamento da concepção dualista:
homem / meio ou pouco parecem se esforçar no reconhecimento do papel cultural e
transformador das tecnologias perante a reprodução do social.

As expressões “comunidades virtuais” e “redes sociais” remetem a uma


concepção da interação com a tecnologia como algo dependente e ancorado na ação das
pessoas. Costa (2005) criticou o uso do termo “comunidade”, próprio dos âmbitos das
ciências sociais e propôs a terminologia de “redes sociais”, na busca de deslocar o
sentido de território, que a terminologia “comunidade” carregava. Entretanto, a própria
antropologia já trabalhava com o conceito de “rede social” muito antes do surgimento da
internet.

Na sociologia clássica, especialmente em Durkheim, uma espécie de


sociabilidade foi pensada como uma forma social que expressava relação (e não
necessariamente interação). O sentido de relação era o de algo que implicava a
incorporação de regras, e que acontecia entre o sujeito e a estrutura, ora econômica, ora
moral e/ou institucional. Nesse âmbito, a ciência era o discurso da experiência. Com
Weber e depois com Goffman, a sociabilidade passou a ser pensada pela esfera do micro
social, expressa pela relação entre indivíduos (subjetividade / identidade / alteridade) e
culturas. Com Meyrowitz (1985), a sociabilidade passou a não mais ser pensada apenas
por um aspecto antropocêntrico, mas agregada a novos elementos - os meios de
comunicação e o ambiente - de forma que há um entendimento de ”audiências”, em que
diferentes pessoas passam a fazer parte do contexto de troca social. Nesse percurso, o
social perdeu um pouco de sua aura, já que foi deslocado de sua única fonte de análise -
o homem. A partir de então, a sociabilidade pode ser expressa pela interface, não só
exclusivamente como interação ou relação.

A reflexão sobre a temática das relações sociais virtuais, neste trabalho, será
apresentada no capítulo 1, intitulado “Da situação social moderna para a situação social
midiática”, onde são revistos alguns dos pressupostos formadores das ciências sociais -
principalmente aqueles acerca da concepção de “social,” que acabaram por delimitar os

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conceitos das relações entre homem, mídia e sociedade. Considerações sobre a
sociedade de massa, na qual a mídia se torna expressão do social, também são
apresentadas nesse capítulo 1, procurando alcançar uma perspectiva da sociedade
midiática e informativa dos anos de 1980, pela ótica do pensamento de Meyrowitz. No
capítulo 2, “Da situação social midiática para a virtualidade”, serão abordadas as
principais diferenças entre os tipos de fluxo comunicativo permitido pelas mídias
eletrônicas. Nesse capítulo 2, também se explora a idéia do ambiente da sociedade
tecnológica, marcada pelo paradigma informacional, com possibilidades de ampliações
ou criticas a conceituação do virtual. Por último, no capítulo 3, será abordada a
exploração de dois ambientes virtuais - Second Life e BarCamp, na procura de
exemplificação e elucidação de possíveis alterações nas formas sociais tradicionais de
interação.
Nos diversos tipos de virtualidade, o social não aparece como algo uniforme e
único. Pelo contrário, as inúmeras formas de agregação e construção do conhecimento
das plataformas interativas, dos softwares colaborativos, a circulação das tags, ampliam
a tradicional forma do espaço. A escolha de duas comunidades distintas pode permitir a
exploração de múltiplas facetas que diferentes conceitos de virtual revelam sobre
relações sociais em ambientes virtuais. Second Life foi escolhida por oferecer aos seus
participantes a possibilidade de construção de um espaço comunicativo, visual e
sensorial no qual, instâncias de “realidade” e “virtualidade” se inter-relacionam através
das interfaces do avatar1 e do dinheiro. Já e escolha de BarCamp deveu-se ao fato de
tratar-se de um espaço híbrido de relação social que, sem aspectos lúdicos, acontece
entre ambientes físicos e virtuais, voltados à construção colaborativa de conhecimento.

A presente pesquisa buscou uma ampliação da noção de situação social - de um


sentido antropomórfico e local, para um sentido híbrido, comunicativo e interativo. No
estudo, houve opção preferencial pelo uso do termo interface para designar fenômenos
“sociais” virtuais, encaminhando a discussão sobre formas virtuais do social, para o
pensamento “rizomático” e “pós-humano” do qual falam Deleuze e Guattari (2004), Serres
(2001), Latour (2005, 2006), Santaella (2004, 2007) e Di Felice (2008b).

1
Em informática, avatar é a representação gráfica de um utilizador em realidade virtual. O avatar pode ser
um sofisticado modelo 3D até uma simples imagem. O termo tem origem na cultura oriental com significado
de representante corpóreo de uma divindade.

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CAPÍTULO I - DA SITUAÇÃO SOCIAL MODERNA PARA A SITUAÇÃO SOCIAL
MIDIÁTICA

Uma releitura, que a seguir se apresenta, sobre a composição da situação social


na época moderna - quando do surgimento das primeiras análises do social emitidas com
base na legitimidade das ciências do social - pretende fornecer subsídios para reflexão
sobre as novas formas de interação, aquelas presentes a partir do advento da sociedade
tecnológica. Essa releitura apóia-se em textos da sociologia, antropologia e história da
sociologia (EVANS-PRITCHARD, 1972; HAWTHON, 1982; TEDESCO, 1999; BOUDON;
BOURRICAUD, 2001; CASTRO, 2002; CRUZ, 2004; GALLINO, 2005).

1. A situação social moderna

O contexto da época moderna foi tecido por profundas transformações sociais,


iniciadas no final do século XV, com a queda do sistema feudal, passando por etapas
como: o renascimento (retomada da cultura grega humanista e antropocêntrica), a
revolução científica do século XVI (fortalecida pelas descobertas de Copérnico sobre o
movimento heliocêntrico da Terra), a revolução social (o surgimento dos Estados-Nação),
e finalmente, os movimentos iluminista e positivista (que profundamente trouxeram a
racionalidade instrumental nas análises do social).

O surgimento da sociologia está vinculado às muitas transformações e invenções


da época moderna: as alterações nas formas de habitar o espaço coletivo, a criação de
novos objetos, o acesso ao conhecimento, a mobilidade física e social, e as trocas
materiais. Os primeiros tratados da sociologia foram motivados pelas formas de relação
geradas pelo “trabalho”, visto como uma nova categoria de integração social. Enquanto
categoria, o trabalho serviu como pressuposto para a compreensão na nova estrutura
social industrial, ora para identificar a “sociedade” como complexa e portadora funções
especializadas, ora para afirmar que a relação do homem com sua produção material
definiam sua existência. Por sua vez, a questão das atividades materiais englobou várias
análises, como aquelas referentes à da produção material, da especialização das tarefas,
do fim da organização comunitária, da relação com a técnica e com as máquinas, da
diferenciação social, do mercado, e principalmente, da relação com a terra e com as
possibilidades de transformação desse espaço.

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Nesse período moderno, o homem deu um salto em relação ao comportamento
crítico e emancipou-se definitivamente de antigos dogmas da Igreja. Na época industrial e
medieval, ao contrário, o homem não proferia uma narrativa sobre o mundo. Ele era
narrado pela natureza e por “Deus”, representantes das instâncias de referência
simbólica. Natureza e religião foram grandes fronteiras que limitaram a ação do homem
sobre o espaço e exatamente a relação do homem com tais fronteiras sofreu definitivas
alterações com o fortalecimento do racionalismo, do iluminismo e do positivismo.

Sem autonomia para contar “sua história” e sem acesso ao conhecimento, o


homem medieval vivia de acordo com os limites impostos por um estamento legitimado
pela força divina. Pelo olhar de seus contemporâneos, a noção de “relação social” era
entendida a partir da perspectiva do sistema feudal, definido pela seguinte situação
social: produção material limitada, vida guiada pelos dogmas da Igreja, trocas comerciais
em pequena escala, restrição do conhecimento (que só acontecia dentro dos mosteiros),
relação metafísica com a natureza e mobilidade social escassa que culminava num único
tipo de relação social. O “suserano” (dono da terra, propriedade estabelecida pela ordem
divina) e o “vassalo” (o camponês, escravo por não ter o direito de possuir terra) eram os
elementos dessa relação. As categorias de suserano e vassalo davam conta da
estruturação da esfera macro social e o clero controlava a esfera, íntima, privada e
subjetiva da esfera micro social.

Esse sistema entrou em crise, principalmente após o advento da navegação, que


representava um importante incentivo para a movimentação social. A quantidade de
mercadores aumentava e o poder econômico do rei diminuía. A partir desses novos
movimentos, a situação social mudava: o rei precisava de novos aliados para
manutenção de seu poder econômico e os mercadores buscavam os incentivos de quem
fosse aliado do rei. Dessa maneira, outros elementos, que não os religiosos, passavam a
fazer parte da paisagem social, culminando na ruína do sistema feudal de controle da
terra e da população.

O fim desse sistema de estruturação (a partir da relação com a terra) representa a


ascensão de uma nova classe social - a burguesia - com o início do colonialismo, o
fortalecimento dos ideais antropocêntricos em contraposição à forma de vida dogmática/
teocêntrica. Messe novo momento, a natureza passa a ser vista como física/material e,
principalmente, o homem passa ser concebido como ser “naturalmente” racional. A
mudança na forma de apropriação da terra e na relação entre homem e religião, levou a
novas relações entre homem e natureza/espaço, entre homem e organização social,

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entre homem e política. Surgem as primeiras cidades livres ou os primeiros Estados
Nacionais.

A formação dos Estados Nacionais foi alicerce para a construção de um novo


modo de estar no mundo - ligado à razão aplicada e ao progresso mediado pela ciência.
O homem - o centro e o foco - passa a questionar a autoridade religiosa sobre sua vida
cotidiana. Não é mais a vontade divina responsável por criar a sociedade, mas sim a
vontade humana.

O novo espaço social passa a ser permeado por um novo tipo de paisagem,
marcado pelo movimento do mercantilismo e pela circulação de novos objetos. As
primeiras universidades, criadas ainda na lógica da Idade Média (e, portanto, sob os
muros dos mosteiros), foram expandidas para fora da esfera do poder do clero com a
invenção da imprensa. Também a prensa acaba por oferecer oportunidades ao
letramento de outras esferas sociais, como acontecido no movimento da Reforma
religiosa, implantado por Lutero, onde o homem comum pode ter acesso à leitura dos
textos sagrados. Ao lado (ou a partir) partir dessa “nova subjetividade”, advinda da
relação individual, a perspectiva surge nas artes - uma nova forma de expressão alia
conhecimento e arte, o que fortalece a representação do ponto de vista do artista sobre
sua realidade, e não mais a mimese. Na ciência, motivado pelas descobertas de
Copérnico, Galileu e seu telescópio inauguram um novo método de conhecimento, o
baseado na experimentação.

Se para os antigos gregos, a racionalidade era contemplativa e não especulativa,


no contexto moderno industrial, no qual surge a sociologia, o conhecimento passa a ser o
resultado de uma racionalidade aplicada, que se serve dos instrumentos da técnica para
medir e para observar os fenômenos da natureza. O pressuposto para se pensar a
sociedade era de que o social e suas relações tornam-se o resultado de ações humanas
e de escolhas racionais.

No novo sistema que se apresenta - o industrial - o espaço social é marcado pela


presença de novas máquinas, de novas funções e de novas possibilidades de agregação.
De certa forma, a fase de transição de sistemas feudal/industrial é marcada pelo fluxo
caótico da consolidação das novas cidades e pelo abandono da vida campestre. Houve
uma supervalorização da ciência e dos métodos especulativos, já que se tornou
necessário um esforço projetivo capaz de levar a sociedade ao progresso, de maneira
que fosse possível a reprodução constante dos modelos. Os principais focos eram o

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projeto de homem emancipado e o projeto de Estado - que se estabeleciam através da
ciência de modelos, tanto de homem quanto de Estado.

A concepção do movimento Iluminista está muito ligada à mudança da relação de


propriedade com a terra. Quando o homem é emancipado (por ele mesmo ou por outros),
a terra passou a ser um problema, já que ela não era mais articulada pela relação
monárquica: suserano x vassalo. O esforço dos grandes libertadores iluministas da época
pós-feudalismo concentra-se em criar uma nova forma territorial capaz de nomear os
grupos, o espaço e as relações entre eles - enfim, a sociedade.

Hobbes, Rousseau e Montesquieu esforçaram-se para legitimar a história do


homem moderno, inserindo-o em modelos de natureza humana. A partir dessa natureza
humana, ou seja, de sua relação com o espaço e com o grupo, estabeleceu-se um
modelo de organização interessante para a manutenção da sociedade.

Para Hobbes, o homem é naturalmente competitivo, egoísta e por isso precisa da


figura de um Estado forte que o faça abdicar da violência para viver em grupo.
Representado na obra de Hobbes pela figura de “Leviatã”, o Estado era a instância eleita
de forma legitima, através da ação racional para gerir a natureza humana competitiva,
que levava o homem à situação da sociedade industrial.

Partindo de postulado contrário, para Rousseau, o Estado devia funcionar


democraticamente como o grande reformador, o defensor da propriedade, o gestor do
contrato que garantia a boa convivência, já que o homem se se tornara competitivo
devido à situação social de transição econômica, contrariando seu “estado de natureza” -
uma natureza boa.

A partir da contraposição entre “estado de natureza e estado civil” constitui-se o


ideal moderno de política e ciência - o Estado administrador das relações, da
propriedade, da vida privada e da violência. Tanto Hobbes quanto Rousseau atribuem o
poder regulador à figura do Estado - um poder representativo baseado na expressão da
razão, já que o novo coletivo está voltado à especialização das atividades e produção de
recursos e não mais à vida da comunidade primária, menos especializada. A figura do
“contrato social” é importante para percebermos o intenso esforço em manter a
sociedade integrada rumo ao progresso.

Em “O espírito das Leis” (obra de 1748), Montesquieu reforça a idéia de contrato


dizendo que as leis são a expressão da razão e a razão é a essência do homem, ou seja,
o período moderno foi marcado pela necessidade de institucionalizar a organização social

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através do poder do Estado motivado pela razão, num fluxo hierárquico, intelectuais,
povo.

A noção de social na época moderna passa a ser vista a partir da categorização


do comportamento em virtude do fortalecimento do novo Estado.

1.1 A estrutura e a objetividade como arquitetura do “social”

Ao transportar o método positivo para a análise da organização social, Auguste


Comte (1789 - 1857) inaugura a ciência do social. A crise dos valores morais, da
organização do espaço e da relação com a terra do final da Idade Média, levou a
sociedade a um tipo de agrupamento considerado caótico, para os teóricos do recente
movimento racionalista e iluminista. As formas de agregação começavam a tomar formas
ainda mais estranhas com a revolução industrial, colocando em questão as formas
sociais vigentes, levando Comte a repensar o valor do humano, sua essência e a
capacidade para se reproduzir e manter.

Comte desenvolve o método sociológico a partir do método positivo e assim


concebe seu “modelo de social”. Como o homem é um ser racional por excelência, ele
deve exercer sua racionalidade para manter o equilíbrio do grupo em que está inserido,
este homem tinha o dever de usar sua racionalidade para melhor organizar seu espaço e
relações. Um pressuposto para a sociologia positiva é que o homem se tornou
individualista, mas nem por isso se tornou auto-suficiente, ele precisa da estrutura do
social para manter-se vivo.

A sociologia se torna a ciência do presente e principalmente do futuro. Seu maior


objetivo era prever situações contrárias ao progresso. Comte desenvolve uma ciência
preocupada em resolver as questões sociais trazidas pelo êxodo rural, pela concentração
populacional nas áreas urbanas, pelas novas formas de organização do trabalho e da
economia. E faz isso transpondo o método das ciências naturais (física, matemática,
biologia) para a reformulação do social. Primeiro o investigador encontra uma situação
problema (que só se apresenta ao investigador quando este volta sua atenção a ele),
depois, guiado por hipóteses pré-liminares, observa o fenômeno. Em seguida o classifica
segundo categorias comuns, verifica a ocorrência de regularidade entre eles e, caso seja
constatada a regularidade, ela é generalizada, estendida e aplicada a fenômenos
semelhantes. O resultado da sistematização racional são as “leis”, universais e objetivas.

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Em 1855 em “Apelo aos conservadores”, Comte definiu a palavra positivo a partir
de sete características: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático. “Real”
significa possível de ser verificado empiricamente; “útil” significa que poderá ser aplicado
ao conhecimento da vida social; “certo” assim como “preciso” denota a necessidade de
se obter dados objetivos alcançando a realidade através das sucessivas observações; o
relativismo aparece como exercício da dúvida (iniciado lá atrás na filosofia cartesiana);
“orgânico” sugere a perspectiva supra, transcendente da estrutura social e por fim
“simpático” mostra que o método positivo aplicado às análises sociais tinha como objetivo
melhorar a condição das relações sociais e conduzir o homem ao constante progresso.
Comte esperava encontrar no social e no comportamento dos homens constantes
universais como nas leis da natureza, por meio da relação sucessiva dos “fatos”. A partir
de sua obra “Sistema da filosofia positiva” (1826 -1842), Comte busca a unidade moral
humana e institui a aplicação dos métodos das ciências naturais para a resolução e
entendimento dos comportamentos sociais. A sociologia positiva tinha o “interesse em
fornecer uma explicação natural, não meramente sobre o indivíduo, seu status e suas
relações com o Estado, mas também sobre a sociedade na qual ele adquiriu tal status e
foi capaz de manter tais relações” (HAWTHORN, 1982, p. 25).
A radicalização da objetividade das análises científicas positivas levou o cientista
social a condicionar sua subjetividade ao método, ou seja, deve direcioná-la ao uso
racional em nome do desenvolvimento social. O positivismo sociológico busca o “como”
das coisas e não os “porquês”. E assim esclarece seu propósito funcionalista, fazer
ciência para dominar o social, corrigir erros para dar continuidade ao desenvolvimento

Os textos produzidos pelos novos cientistas sociais do século XVIII abordaram de


modo geral a questão da nova condição social que sustentou a modernidade. Apoiados
na diferenciação entre as características da recente sociedade industrial em relação à
antiga forma da organização social, baseada nos dogmas da Igreja e na ignorância do
homem comum, proferiram afirmações que legitimaram todo o contexto científico racional
da época. Todo um sistema teórico foi criado para explicar a forma de funcionamento
dessa nova sociedade, como uma forma de prescrever como deveria acontecer a
organização social. A sociologia surge como a ciência ligada ao momento presente,
justifica algumas de suas categorias como, por exemplo, “sociedade” pela contraposição
com o passado e analisa de forma sistêmica o presente para especular sobre a evolução
e o progresso social.

A perspectiva evolucionista e progressista marcou toda a construção do objeto da


ciência social no período de seu nascimento desde o momento em que a sociologia

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demarcou fronteiras entre o que era uma organização social complexa, portanto civil e
uma organização tradicional/primitiva ou comunitária. Sendo assim, a antropologia
acreditava que a partir do estudo das sociedades primitivas poderia compreender o
surgimento das instituições (tarefa da antropologia social), concebendo-as como parte do
sistema social, “estruturalmente simples e culturalmente homogêneas” (EVANS-
PRITCHARD, 1972, p. 17).

Ferdinand Tönnies (1855 - 1936) escreveu “Comunidade e Sociedade”, o primeiro


texto que tratava cientificamente os conceitos de comunidade e sociedade, articulando-os
a partir do olhar da “vontade humana”, seguindo o cartesianismo e o antropocentrismo da
época.

Pela ótica de Tönnies, a vontade humana era a base para a relação social,
separando-a em duas tipologias: vontade essencial e a vontade arbitrária, a primeira foi
caracterizada como natural, psíquica, subjetiva e a segunda como artificial, objetiva,
aplicada (da ordem da ação), presa as regras do contrato, incorporada através da troca
que sempre vislumbra algum benefício específico. Nessa circunstância a situação social
nasce da vontade de trocar objetos e serviços, e assim representam o estímulo para o
grupo atuar em favor da colaboração, tanto para dentro dele mesmo, quanto para fora
dele. A partir do cruzamento entre a vontade influenciada pela situação econômica e
outro, surge a motivação para se estabelecer uma relação. A partir do tipo de motivação
definiu-se o tipo de situação e conseqüentemente o que significava uma formação
“comunitária” / comunidade e uma formação “social” / sociedade.

Comunidade era a formação da ordem do essencial, do real, do orgânico


(inseparável do homem); enquanto que a sociedade era uma formação da ordem do
conceito, construção ideal, mecânica. A comunidade é doméstica, da vida íntima, algo
comum a toda humanidade. A sociedade é da ordem do que é público, exterior,
contratual, não natural, não comum a todos. Estar em sociedade é uma escolha, é uma
ação forçada, é justaposição de pessoas. A comunidade é antiga, convivência
permanente. A sociedade é nova, passageira, um agregado mecânico e político, ou seja,
da ordem da disputa do poder, da hierarquia, da dialética.

Influenciado pela antropologia, para Tönnies, as relações na comunidade estavam


vinculadas à ligação por ascendência ou sexo, garantindo a vida vegetativa, do
nascimento. A vida em comunidade sustentou as relações primárias entre membros da
família, do clã e as formas de subsistência. Na comunidade se fortalecia o sentimento de
pertença, de família, crucial para a manutenção da organização e perpetuação. As

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relações previstas na comunidade eram: relação mãe e filho, homem e mulher e entre
irmãos. A primeira (mãe e filho) é baseada na relação espiritual e não física que evoca
gratidão pelo esforço da mãe e memória de felicidade para reafirmar sempre esse
sentimento. A segunda (homem - mulher) baseada no instinto sexual é reforçada pela
presença do filho que exige habitação mútua e sentimento de pertença comum, já que
não é baseada nos laços de sangue, nem nos comportamentos enraizados como os da
próxima categoria de relação que define a vida em comunidade. Por fim, na terceira
ligação (entre irmãos) não há afeição instintiva original nem conhecimento mútuo, o que
mantém a afetividade é a associação das memórias de felicidade baseadas nos laços de
sangue.

Já as relações da sociedade foram vistas dentro da perspectiva da ausência de


vínculos afetivos, baseada na solidão e competitividade, “cada um está só e em estado
de tensão contra todos os restantes”. O conflito funciona como pressuposto para definir
as relações arbitrárias da sociedade, ao mesmo tempo em que separa, une pela
necessidade de troca e interdependência econômica. A sociedade estava ligada a um
tipo de interação resultante da execução de atividades individuais especializadas, o
trabalho. A sociedade é a concretização da troca desejada por ambas as partes, mediada
pelas convenções contratuais, geradas pelo símbolo comum que nasce no momento da
troca.

A sociologia influenciada pelo contexto da revolução industrial concebe a


organização social a partir da forma como a população se organiza em torno das
atividades de subsistência atrelada à relação com as máquinas.

De forma geral, o trabalho representou a diferenciação social responsável pela


formação das primeiras metrópoles e do que chamamos de sociedade ou sociedade
complexa, para utilizar um termo durkhemiano. A idéia era a de que quanto maior fosse a
especialização das tarefas, mais os indivíduos ficariam separados, atomizados e
egoístas, situação na qual perdem a noção de comunidade e ética naturais da vida em
grupos pequenos ou sociedades tradicionais.

Nessas condições, o estudo sobre a situação social esteve apoiado


principalmente nas vertentes de pensamento de Karl Marx (evidenciado através da
perspectiva das lutas de classes), de Émile Durkheim (através da visão institucional) e
ainda de Max Weber (que deu início à corrente compreenssivista) (CRUZ, 2004).

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1.2 Classe social

Segundo o dicionário de sociologia dirigido por Luciano Gallino, relação social


pode significar “laço, conexão, interdependência entre dois ou mais sujeitos individuais ou
coletivos, ou condição comum a eles, por causa da qual as partes são induzidas ou
forçadas a agir de determinado modo, e não de outro independente de suas preferências
e do fato de estarem ou não conscientes das condições que as vinculam” (GALLINO,
2005, p. 533).

Com Marx, as relações sociais tornam-se categoria fundamental para analisar


qualquer tipo de formação econômico social (GALLINO, 2005, p. 533). Para uma
sociedade estar identificada por sua história, ela deve ser constituída por relações. A
relação entre as classes acontecia de forma desigual fundamentada na ideologia da
consciência de classe ancorada numa perspectiva histórica, forjada pelos proprietários de
terra. Gallino constata que “não existe nenhum tratado sistemático do conceito de relação
social fora dos textos marxistas” (GALLINO, 2005, p. 533).

A situação industrial levou Marx a pensar as relações sociais estabelecidas de


forma crítica. Marx foi o primeiro autor a falar em “classe social”. Preocupado com a
forma de organização capitalista, olhou a estrutura social como reflexo das forças
econômicas. Para Marx, a sociedade se constituía com base no resultado da produção
material de uma época, responsável também por criar o tipo de subjetividade de sua
população. Suas preocupações versaram sobre a necessidade de criar uma filosofia
pragmática capaz de fornecer meios para que o homem comum se torne livre e recupere
sua dignidade. Toda a organização social estava comprometida pela diferença entre as
classes fundada da propriedade das terras e das máquinas. Apenas uma classe
comandava a produção, tirando do homem comum o direito à terra e à produção privada.
Toda essa condição de dependência do sistema econômico causava alienação, ou seja,
o homem perdia a total noção de sua situação e continuava sempre dependente e parte
da engrenagem deste sistema.

A partir da perspectiva das “classes sociais” e da posse dos meios de produção,


as relações sociais foram entendidas como a matéria-prima para a articulação da
modernidade burguesa e a forma de reprodução social se apoiou na escala hierárquica
entre burguesia e proletário, aquela baseada na ideologia da alienação da realidade.

Com Marx, pela primeira vez, a natureza da tecnologia (máquinas) é considerada


instrumento ideológico para efetivar a manutenção das relações sociais, imprescindíveis

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para dar continuidade ao dispositivo econômico. Todo seu pensamento versa sobre a
falta de conhecimento real de uma condição social gerada pela nova sistematicidade
mecânica - a da relação entre homem comum e produção material. Em outras palavras,
para Marx, as relações sociais cotidianas estavam imersas na falsa consciência da
realidade por parte da classe desfavorecida - uma falsa consciência fortalecida pela
repetição, pelo tempo mecânico da tarefa que a máquina oferecia. Todas as instâncias da
vida social, na época industrial, foram organizadas a partir do controle do tempo e do
espaço. O homem comum foi “obrigado” a trabalhar de acordo com o tempo da máquina
e de acordo com o objetivo da produção estabelecido por alguém externo a seu meio. A
sistematização do tempo de trabalho repercutiu na construção do tempo e do espaço de
lazer, que por sua vez foi reduzido a categoria do consumo. Fechando o ciclo e
esquematizando o dispositivo industrial capitalista. O dispositivo era invisível ao homem
domesticado, confinado. Marx acreditava que o homem comum, a partir do momento que
não pode se apropriar dos processos de produção material perde o contato com o
exercício de existir. A vida se torna artificial.

A sociologia de Marx é marcada pela centralidade do conceito de mudança social.


Diferentemente de outros sociólogos positivistas que viam perigo e desequilíbrio nas
mudanças sociais, na ótica marxista a mudança era a única forma de se concretizar uma
sociedade composta por homens em igual condição de consciência e ação. Ou seja, a
mudança social deveria acontecer através do conflito.

A sociedade seria então o reflexo da contraposição constante das classes, nela a


mais simples categoria econômica como o valor de troca, supõe a população, supõe
certo gênero de família, comunidade, Estado e etc. A única forma de transformar as
subjetividades alienadas pelo sistema seria por meio da revolução, através da qual o
homem exercita sua natureza humana a partir da práxis. Não era a partir dos conceitos
filosóficos que o homem transformaria sua situação no mundo.

1.3 A busca pelo equilíbrio social

Durkheim (1858 – 1917) é considerado o fundador da sociologia, influenciado e


inserido nas perspectivas positivistas de A. Comte e H. Spencer (o maior expoente do
“darwinismo social”, que via a sociedade como um organismo). Em sua vida acadêmica,
Durkheim preocupou-se em estudar a regulação social e a moral que regia os

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comportamentos sociais, transpondo o método das ciências da natureza para realizar
uma ciência da moral.

Para estudar o social, Durkheim parte do pressuposto que as relações sociais


devem ser vistas como um “fato social” isenta de qualquer julgamento moral por parte do
pesquisador. O fato social deve ser reconhecido pela generalidade, exterioridade e
objetividade científica.

O pensamento de Durkheim sobre as formas de organização e constituição social


foram muito mais influenciados pelo projeto de emancipação política iluminista do que em
Marx. A legitimação dos Estados Nacionais estava fortemente ligada à institucionalização
das estruturas de poder, e às leis, estas que se tornaram expressão da razão humana,
representantes da ação humana sobre seu espaço, o que influenciou Durkheim a
conceber o social e as instituições de maneira holística, como instância transcendental.

Este social funciona como uma instância superior que paira sobre o coletivo. O
principal objetivo social é a manutenção das estruturas. Mantendo-as em funcionamento
é possível manter o corpo social e a sua reprodução. O próprio processo de socialização
depende dessa entidade moral supra-individual (as regras/leis) que fornece padrões às
relações. Todo movimento, qualquer ação social, é antes de tudo institucional, visa à
adequação e a integração / dissolução do diferente. Se o objetivo é integrar-se, pois fora
dessa dinâmica não se pertence ao social, cada membro da sociedade é coagido,
convencido, a pensar como “sua” a vontade de ser aceito e assim absorve essa
moralidade social. Essa moral social é histórica, decorrente da vontade de
autopreservação do sistema e desse espírito coletivo imbuído de força integrativa se
estabelecem regras e a moral. São palavras de Durkheim:

Não queremos extrair a moral da ciência, mas fazer a ciência da moral


[...]. Os fatos morais são fenômenos como os outros; consistem em
regras de ação que se reconhecem por certos caracteres distintos; deve,
portanto ser possível observá-los, descrevê-los, classificá-los e procurar
as leis que os expliquem. (CRUZ, 2004, p. 313)

O ponto de partida para se pensar o estágio de sociedade complexa é a divisão


do trabalho (categoria responsável pela integração). Segundo Durkheim, Comte foi o
primeiro sociólogo a pensar na divisão do trabalho não como um fenômeno apenas
econômico, mas viu nele a condição essencial da vida social. O trabalho social se torna
“a causa elementar da extensão e da complexidade crescente do organismo social”. A
partir da especialização das tarefas relacionadas à subsistência do grupo, as

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necessidades coletivas materiais e simbólicas vão se modificando, “como podem ser eles
mais pessoais e mais solidários?” (CRUZ, 2004, p. 317).

Para explicar os motivos morais e sociais de coesão / relação de um grupo social,


Durkheim se baseia no conceito de solidariedade social classificando-a em duas
modalidades: no caso das sociedades tradicionais, a solidariedade é mecânica e no caso
da sociedade industrial, a solidariedade é orgânica. Nessa forma de análise social a
personalidade do indivíduo sempre será resultado das características da estrutura.

Dentro do pensamento durkheimiano, a sociabilidade (formas de agregação do


social) está ligada ao sentido de preservação do sistema, coesão. Visa integrar
comportamentos contrários, saberes contrários, enfim tudo aquilo que pudesse desviar a
dinâmica social do seu curso padrão ou estágio de equilíbrio, o que por sua vez legitima
as diversas instituições sociais, a justiça, o direito, a religião, a escola, a família, o
trabalho. Para Durkheim, o Estado era o único que poderia exercer essa função coercitiva
legitimamente, em nome do bem geral. Além disso, a manutenção do equilíbrio está
diretamente ligada ao nível de identificação de cada indivíduo com a moralidade das
instituições. Esse indivíduo dissolvido na coletividade incorpora como próprio os valores
vigentes.

Seguindo em parte a construção de Tönnies, a solidariedade mecânica pertence à


ordem da sociedade tradicional; ela se dá por meio da semelhança: o indivíduo se
percebe como semelhante ao outro, possuindo apenas uma consciência rudimentar
sobre sua individualidade, como na família, na religião, na aldeia, e nos costumes. No
que competem as formas de produção, qualquer membro pode ser substituído por outro,
porque nesta situação não há papéis especializados, funções diferenciadas, nem
interesses individuais, nem competências individuais distintas. Já a solidariedade
orgânica está ligada às formas de relação características da sociedade em estágio
avançado de evolução, por sua vez definida pela falta de equilíbrio natural. Nesta
situação, o grupo necessita de estruturas que regulem a dinâmica dos relacionamentos, e
esses grupos são as instituições que representam o Estado.

A solidariedade orgânica é condição definidora do estágio das sociedades


complexas, nas quais a divisão do trabalho social determina o funcionamento do grupo.
Segundo Durkheim essa divisão se desenvolve de maneira contínua no decorrer da
história, como um processo mecânico de evolução, o crescimento da densidade moral e
social leva ao aumento de papéis sociais, que cada vez diferenciam-se mais, exigindo
das normas já estabelecidas uma constante modificação e essa mudança por sua vez

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alimenta o crescimento da densidade moral (instância exterior – social, das normas e
regras já estabelecidas pela sociedade tradicional, de forma automática e mecânica),
resultando num processo de especialização das atividades sociais, nas quais os
indivíduos são cada vez mais egoístas e distantes da antiga solidariedade que já não o
satisfaz moralmente. A organização a qual está inserido é tão maior e com diversos
objetivos que a única forma de garantir a coesão, é manter a perspectiva orgânica, na
qual o bom funcionamento de cada parte é imprescindível para o funcionamento do todo
e vice-versa.

Ou seja, o espaço social para Durkheim é o resultado da apropriação das regras e


da moral coletiva visando integração e manutenção do sistema. O indivíduo existe pelo
social, “é simples suporte de normas e valores coletivos, é apenas uma materialização
das estruturas, Durkheim nunca quis atribuir o status de indivíduo como um sujeito que
age” (BOUDON E BOURRICAUD, 2001, p. 183).

Esse institucionalismo de Durkheim mais tarde, nos anos 70 do século XX,


influenciou Talcot Parsons a conceber a “teoria do sistema social” e “teoria geral da
ação”, gerando uma espécie de individualismo institucional que ligava os fatos às
pessoas, como se o ator fosse um organismo agindo em um meio em favor da
integração. A ação social tem a finalidade de manter os modelos e objetivar a
estabilidade e a reprodução dos valores e das normas (TEDESCO, 1999, p. 54, 55).

1.4 O pensamento sobre a esfera micro social

Weber inaugurou a corrente compreenssivista da sociologia oposta ao positivismo


de Durkheim, e ao fazer isso retoma conceitos básicos como “comunidade” e “sociedade”
para redefinir o posicionamento teórico a respeito do social e principalmente da ação do
homem na sua continuidade.

O que distingue uma comunidade de uma sociedade não está em função do que é
natural/antigo ou artificial /novo, como Tönnies definiu, mas recai sobre as diferentes
ações que as constituem. O social é o resultado das trocas culturais, imbuídas de
racionalidade e decisão individual consciente. O desenvolvimento do conceito de “ação
social” é central na forma como Weber concebe o indivíduo, localizando-o como entidade
central nas interações sociais, o ator social se manifesta ao interagir e age porque vê
sentido na ação.

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A sociologia weberiana considera as “intenções, as motivações dos atores sociais
(...) e o efeito agregado de sua ação no plano social e cultural. (...) É radicalmente
pluralista na medida em que reconhece ao mesmo tempo no ator e no observador uma
pluralidade de orientações: toda compreensão é uma escolha que o ator ou o observador
faz, por sua conta e risco, entre as intenções de outrem” (BOUDON; BOURRICAUD,
2001, p. 618).

O pensamento weberiano traz ao terreno da sociologia a esfera do micro social, a


importância da negociação entre sujeito e estrutura (para ele a cultura) na composição da
ação social. Ao focar o aspecto da negociação, considera também a importância do
ambiente e a ação da subjetividade (mesmo que considerada como instrumento da
criação da ação objetiva). Ou seja, com Weber o movimento social é deslocado das
estruturas econômicas e institucionais essencialmente. Ao invés de focar a relação
(explicação da ação social pelas estruturas e pelas instituições), ele foca a interação,
objetivando a compreensão dos motivos que levaram o sujeito a entrar em contato com
outro em determinada situação (marcada pelas diferenças culturais, pelas diferenças na
linguagem).

Weber acredita na escolha consciente, e assim compõe a teoria da ação social,


afastando-se um pouco da intenção positiva, mas nem tanto do método, define quatro
tipos de ações: “tradicional”, “afetiva”, “racional em função de um objetivo” e “racional em
função de valor”. As duas primeiras são típicas da formação comunitária e as duas
últimas são típicas da sociedade centrada em maior grau de racionalização.

A ação tradicional é baseada em normas e costumes, não há decisão, é


automática (exemplo: educação); a ação afetiva parte das ligações sentimentais, dos
laços afetivos (exemplo: cuidar do pai doente); a ação racional praticada em função de
objetivos busca a obtenção de algo em troca, o comportamento é definido e baseado na
expectativa de reciprocidade e de ganho (exemplo: procurar emprego); por fim, a ação
racional praticada em função do valor é movida pela convicção, pela crença no valor em
si mesmo, está no limite da racionalidade, podemos dizer que é uma tipificação de
comportamentos esperados frente a determinadas situações (exemplo: chamar a
ambulância para alguém que está passando mal).

Longe de considerar essa subjetividade essência do sujeito, “o método weberiano


tem ambição analítica e generalizante”, portanto a racionalidade weberiana está
vinculada a capacidade de avaliação entre meios e fins, “consiste simplesmente em
supor que o sentido de nossas ações se determine em relação a nossas intenções e em

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relação a nossas expectativas, referentes às intenções e às expectativas dos outros”
(BOUDON; BOURRUCAUD, 2001, p. 616). Nesse sentido,

Tal como entende Weber, a sociologia é uma disciplina interpretativa


(deutend verstehen). Mas essa interpretação não é, como se diria
atualmente, um “deciframento” ou uma hermenêutica. Ela não se propõe
liberar o imaginário, fazer aflorar o “vivido” social “aprisionado” em
moldes e convenções. Leva-nos apenas a não nos limitarmos a
descrever a respectiva posição dos agentes na sociedade, mas a
considerar também o sentido que os atores atribuem à suas próprias
posições. (BOUDON; BOURRICAUD, 2001, p. 615, 616)

O agrupamento de variadas culturas num mesmo território e a metrópole leva o


homem à ação, à prática da interação baseada na necessidade de compreensão das
diferentes formas culturais, onde a ação de um se orienta na ação do outro. Ao dizer isso
Weber é criticado pelo relativismo de seu método sociológico, o que segundo Boudon e
Bourricaud (2001), não é legítimo já que este considera o contexto histórico como a
medida desses significados culturais, caso contrário, se as diferentes culturas não fossem
passíveis de comparação, não haveria território social, só comunitário. A liberdade de
escolha do ator social se transforma em responsabilidade, em consciência.

Diferentemente de Durkheim, que pensava o lugar do social baseado na


moralidade das regras representadas pelas instituições, Weber vê o social como o
território da interação e socialização, baseado na diferenças culturais, olhando o indivíduo
racional em situação. Seus estudos mais tarde serviram de fonte para o grupo de
sociólogos e antropólogos formarem a corrente do “individualismo metodológico” nos
anos de 1979. Os adeptos do individualismo metodológico vêem a interação no âmbito
micro social das relações e pensam as instituições têm origem no indivíduo
(contrariamente a Durkheim) pela imitação, pelos fenômenos corporais, pelos ritos e pelo
sistema nervoso central (modelo biologista da corrente) (TEDESCO, 1999, p. 49), ou
seja, mantém a idéia de que a esfera das diferenças culturais é a base para a interação.
O reconhecimento da esfera cultural como constituinte das relações sociais também
influenciou o sociólogo Anthony Giddens na releitura da noção de “classe social”, criando
a idéia de “estilo de vida” como elemento cultural que manifesta grupos de status
(TEDESCO, 1999, p. 63).

Georg Simmel (1858 – 1918) pode ser considerado um sucessor das idéias de
Max Weber, estendendo seus estudos à situação social da metrópole em fase madura.
Sua sociologia é chamada de sociologia formal, pois ele acreditava que o método
sociológico só seria efetivo, a partir de tipificações e padronizações capazes de dar forma

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à realidade cotidiana, organizando a situação caótica da mesma. Simmel aplicava essa
padronização também às interações, concebendo-as como produtos das formas sociais
“(...) a vida social implica numa formalização da realidade (...) pelos próprios atores (...)”
(BOUDON; BOURRICAUD, 2001, p. 500). Simmel, assim como Weber reforçou a
necessidade de analisar o ambiente microscópico para acessar os dados macroscópicos.
Para ambos os autores a sociologia positivista não era capaz de explicar o que realmente
acontece porque a explicação é sempre uma reconstrução resultante de um modelo
ideal.

Um dos principais conceitos estudados por Simmel é o de sociabilidade. De


acordo com este autor, a sociabilidade seria uma forma pura de interação, sem um fim
nela mesmo, isenta de interesses políticos e econômicos. A sociabilidade seria a forma
buscada no momento da interação, a partir da reunião de padrões de ações forma-se a
estrutura da sociabilidade, apropriada para o ato de entrar em relação social, de associar-
se. É importante ressaltar que para Simmel entrar em relação social não significa apenas
a assimilação das regras.

Numa perspectiva diferente sobre a especialização do trabalho, Georg Simmel


defende a idéia de que a individualização aumenta a força dos processos gerais e que o
maior símbolo capaz de gerar coesão social e padrões de interação é o dinheiro. “O
dinheiro revela o tecido normativo (formas sociais) da sociedade moderna”, não só a
racionalidade das instituições simbólicas é capaz de criar coesão entre os homens, “até
porque as relações entre os homens convertem-se em relação dos objetos” (TEDESCO,
1999, p. 40).

Para Simmel o homem se constitui numa instância individual que se desenvolve


em interação com sua instância social, esta voltada para a manutenção do grupo. O
contrato social é a forma de existência do indivíduo através da participação cotidiana, ou
seja, é condição de existência, é a própria sociedade, “as regras e obrigações desse
contrato social são meios não fins” (TEDESCO, 1999, p. 41), diferente de Durkheim e um
pouco mais distante do projeto iluminista que viu as regas e obrigações como fins últimos
do social. Para Simmel o homem que conhece, age e se representa, faz parte dos
processos de interação. Ele tem consciência dos benefícios da socialização e assim a
absorve de acordo com seu interior. Ser socializado não é sinônimo de perder a
individualidade porque esta é também social.

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1.5 Sobre as considerações da sociologia clássica

Como evidencia Vieira de Castro (2002), ao longo do pensamento ocidental, duas


imagens oscilam e determinam as discussões acerca da estrutura e funcionamento
social. Uma delas está voltada para uma perspectiva individualista e outra, para um visão
holística:

A primeira funda-se no contrato, necessário para colocar indivíduos


atômicos e ontologicamente independentes em boa convivência. Nessa
perspectiva, sociedade é a mesma coisa que artifício, resultado da
adesão consensual dos indivíduos guiados racionalmente por seus
interesses, universalista e nela a causa final é o Estado (contratual
constitucional e territorial). A segunda perspectiva funda-se na idéia de
corpo orgânico, preexistente empiricamente e moralmente a seus
membros, que dele emanam e retiram sua substância. Funciona como
uma unidade, orientada pro valor transcendente, é particularista,
substantivista, na qual a ordem final é o parentesco como princípio
fundador natural na constituição da moral e do coletivo, nação integrada
culturalmente. (CASTRO, 2002, p. 300).

A perspectiva holística da sociedade tem raízes num pensamento naturalista e


positivista (Comte) intencionado em explicar o social formulando proposições sintéticas
válidas de forma universal, diferente da perspectiva individualista que traz resquícios do
culturalismo responsável por produzir interpretação, voltando-se ao particular e admitindo
as diferenças entre sociedade.

A partir das duas grandes orientações da sociologia, o social foi pensado de


diferentes formas. Com Durkheim, a sociedade é um fenômeno exclusivamente humano,
é uma realidade supra-individual e supra-biológica sui generis, de natureza moral e
simbólica. Ela é dotada de uma totalidade irredutível às suas partes, com finalidade
própria, uma consciência coletiva superior e exterior às consciências individuais. Com
Weber, a sociedade é o instrumento de transmissão de cultura entre os indivíduos. Aqui a
cultura é a realidade extra-somática, é individual e supra-biológica, é uma entidade
nominal redutível ao comportamento adquirido.

Em geral, a discussão sobre a natureza da organização social pauta-se e oscila


dentre dicotomias como: a) sociedade x comunidade (dentro de uma perspectiva
evolucionista, a partir de pressupostos da antropologia, presente em conceitos de
diferentes modelos sociedade - tradicional, de coletores, bárbara, primitiva, baseada no
parentesco, no dom, no status, holística); b) sociedade x indivíduo (perspectiva na qual o
indivíduo é tido como incompleto e só se constitui no coletivo, na presença do grupo); e c)
sociedade x cultura (perspectiva na qual a cultura é entendida como natureza humana,

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supra-biológica, enquanto a sociedade é a representação da somatória dos indivíduos,
como condição do peso supra-individual).

Segundo as principais teorias sociais, a situação social da modernidade levou os


cientistas a um tipo de construção teórica específica, marcada principalmente pela
emergência da racionalidade e do Estado Nação. Sendo assim, a sociabilidade foi vista
pelo ângulo da relação entre as estruturas, econômica, institucional e cultural; a história -
memória social, narrativa linear, explicação para o progresso e o sujeito - ora como
suporte e reflexo das estruturas, ora como agente da ação, racional e consciente. Na
maior parte das análises sociológicas predominou o olhar às estruturas e movimentos da
esfera macro social, concebendo o sujeito como o resultado das relações entre elas. De
certa forma, eram as estruturas que davam forma ao ambiente, que materializavam seu
significado a priori de qualquer presença e relação social. Sempre movimentada pela
linearidade dos períodos históricos, a sociologia se firma sobre uma posição intelectual,
racional e científica sobre o mundo, completamente oposta à situação social anterior, da
época medieval na qual a relação do homem com a natureza, a alteridade primária a
partir da qual o homem concebeu suas formas de expressão, era permeada pelo respeito
e obediência ao Deus maior. A ciência do social pretendeu enrijecer o “real” para
reproduzi-lo e sustentá-lo, rompendo com todas as formas tradicionais do valor.

Como afirma Boaventura de Sousa Santos, ainda vivemos com base nos valores
que foram construídos ao longo do século XIX. Dessa forma, realizar uma releitura sobre
os elementos teóricos constitutivos das análises das relações sociais em suas formas
incipientes emitidas pela sociologia clássica pode ajudar a compor o instrumental para
explorar possíveis padrões sociais nas relações ocorridas em ambiente virtual.

[...] se fecharmos os olhos e voltarmos a abrir, verificamos com surpresa


que os grandes cientistas que estabeleceram e mapearam o campo
teórico em que ainda hoje nos movemos viveram ou trabalharam entre o
século XVIII e os primeiros vinte anos de século XX, de Adam Smith e
Ricardo a Lavoisier e Darwin, de Marx e Durkheim a Max Weber e
Pareto, de Humboldt e Planck a Poincaré e Einstein. E de tal modo é
assim que é possível dizer que em termos científicos vivemos ainda no
século XIX e que o século XX ainda não começou, nem talvez comece
ante de terminar. (SANTOS, 2003, p. 5, 6).

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2. A metrópole comunicativa: o surgimento da situação social tecnológica

De acordo com a descrição de algumas correntes sociológicas, é possível notar


que na época moderna a relação com o espaço foi marcada pela imposição da
racionalidade científica, preocupada em concretizar seu projeto para o progresso e dessa
forma o espaço foi organizado a partir da sociedade contratual. De certa maneira a
sociologia buscou ordenar o espaço social caótico através de suas análises sociais. Num
primeiro momento o espaço da metrópole se desenvolve ao redor das indústrias e se
expande para fora dos muros tradicionais da Idade Média. A extrema racionalização das
categorias sociológicas buscou controlar o território social ao comportamento
normatizado.

Muitos autores a pensaram através da crítica de suas relações impessoais e


fugazes, tomados pela idealização romântica das relações camponesas e assim
atribuíram à metrópole a culpa pelo distanciamento e isolamento dos indivíduos. Esse
pensamento foi muito bem materializado nas obras de Edgar Alan Poe, em “O homem da
multidão” (1993), e de Charles Baudelaire “As flores do Mal” (obra de 1857).

Poe retratou as transformações da metrópole moderna, principalmente em relação


ao surgimento da fotografia e com ela a supervalorização do instante. Ele chega a
comparar as grandes vias da metrópole com “grandes artérias”, tamanha à importância
do movimento neste espaço complexo, repleto de detalhes. Na metrópole o homem se
perde no fluxo do movimento a sua volta, desenvolve um tipo de habitar empático (DI
FELICE, 2008b), ou seja, se relaciona com o espaço da metrópole através da paisagem
produzida por uma subjetividade conduzida pelo movimento dos transportes e pela
circulação das informações nos meios de comunicação. Apesar de Poe olhar o espaço da
metrópole como espaço caótico, ele percebe que esta situação faz surgir um novo tipo de
sujeito, aquele que pretende se deixar levar pelo fluxo, aquele que quer se perder e não
se encontrar, aquele que através do anonimato busca vestir diferentes identidades sem
ser descoberto, resumindo, ele vê no “homem da multidão” o desejo de não se fixar às
estruturas. Ao pensar a metrópole. Simmel disse que o cidadão metropolitano era mais
caracterizado pela figura do estrangeiro do que pela figura do sujeito moderno. A
metrópole é o espaço que permite o homem olhar os lugares e viver as experiências
sempre de uma maneira diferente, com o olhar de um estrangeiro, tamanho é seu fluxo e
a mistura de culturas. O sujeito que antes dominava seu espaço, agora é conduzido por
ele, é conduzido pela eletricidade que movimenta a metrópole.

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O surgimento da fotografia, depois da prensa e do livro, foi um dos grandes
pontos de clivagem da modernidade, principalmente para a arte e no que diz respeito à
forma do sujeito lidar com sua própria subjetividade. Através das lentes e do mecanismo
fotográfico, a subjetividade veio à tona. Com as possibilidades de iluminação não só
objetos são reproduzidos, mas instantes do comportamento social puderam ser flagrados
e observados de uma forma diferente do olhar humano, a partir de certo distanciamento,
levando o homem a estabelecer relações deslocadas do momento presente e da
presença das pessoas. O homem passa a olhar a situação social através da narrativa da
máquina fotográfica, através da fragmentação de sua própria identidade na paisagem
sugerida pela metrópole. A introdução dos meios de comunicação no contexto das
relações sociais complexifica a compreensão do espaço e do outro e passa a ser
discutida pelos pensadores da época da modernidade madura.

2.1 A comunicação entre sociologia e sociedade de massa

A partir dos anos de 1920, algumas teorias sobre a relação entre meios de
comunicação e sociedade começaram a ser produzidas. A principal corrente nasce na
Alemanha e se torna conhecida intelectualmente como Escola de Frankfurt. De certa
maneira, o tipo de relações sociais da metrópole acaba por ser visto principalmente pela
noção de multidão num sentido negativo (junção de muitos corpos sem identidade),
tornando-se referência para a construção do conceito de “massa”.

Atrelado à noção de multidão, o conceito de massa data também dos estudos de


Alexis Tocqueville sobre a recente sociedade democrática americana, (“A democracia na
América”, de 1835). Tocqueville nota certa tendência totalitária nas sociedades
democráticas, que ao admitirem a igualdade de direitos, fortalecem a noção de multidão.
A partir dessa base democrática, o Estado se tornará o responsável pela promoção pelo
bem-estar social. Tocqueville pensava que se a independência individual era garantida
pelo Estado, a revolução não tinha mais sentido, criando uma sociedade acomodada -
um grupo conduzido pelo tirano, disfarçado de “tutor”. A partir daí nota que as antigas
referências culturais, a corte, por exemplo, deixam de ser consideradas e passando para
os meios de comunicação essa tarefa, funcionando com portadores dos valores do
Estado democrático, portanto “portadores” da vontade do povo. Tocqueville vê surgir o
poder tutelar, aquele que age sem ajuda de ninguém, age por automatismo, por
burocracia.

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Mais tarde, influenciados pelo fortalecimento de regimes totalitaristas na Europa
principalmente pela ascensão do nazismo, o conceito de massa e as análises sociais
tomam contornos do pensamento marxista. Massa é sinônimo de indivíduo alienado,
desorganizado, de povo conduzido, de perda da individualidade, da autonomia, da
racionalidade. A análise dos meios associada à análise do efeito do trabalho mecânico
como instrumento de manipulação e controle, favoreceu a utilização política partidária
desses meios. Se o objetivo era atingir a “massa”, utilizaram os meios de massa, capazes
de comunicar uma mensagem ao maior número de pessoas ao mesmo tempo.

Unindo marxismo com psicanálise, Max Horkheimer e Theodor Adorno em 1940,


propõem o conceito de “indústria cultural”. Influenciados pela “Teoria da Bala Mágica”
(corrente americana desenvolvida nos anos trinta preocupada em explicar a influencia
dos meios de comunicação na manipulação política do nazismo), conceberam o fluxo de
comunicação da mesma forma: o emissor (dono do meio, com objetivos específicos de
manter a dominação econômica, responsável pela manipulação da informação) envia
uma mensagem para o receptor (alienado devido a sua situação de trabalho), que
obrigatoriamente atinge a “massa”, como se o fato do indivíduo estar exposto ao meio
fosse o bastante para que a mensagem fizesse efeito.

Ao longo do desenvolvimento do campo comunicacional, o debate se concentrou


na relação do homem com a tecnologia e da mídia com a sociedade, representado pela
dicotomia entre apocalípticos ou tecnofóbicos e os integrados ou tecnófilos (ECO, 1991,
p. 19), devido à recente situação social de consumo.

2.2 Os meios de comunicação como experiência

Com outro direcionamento surgem os pensamentos de Walter Benjamin e


posteriormente Marshall McLuhan, inclinados ao olhar não dicotômico ou separatista
entre os homens e as máquinas.

Benjamin, apesar de ser localizado como expoente da Escola de Frankfurt devido


às fortes influências do marxismo, tinha uma postura diferente, viu nos meios de
comunicação, principalmente na câmera fotográfica e no cinema, a possibilidade de
abertura, de circulação, de apropriação simbólica e também física (espaço-temporal) da
arte, da cultura que antes estava restrita a uma elite e a um tipo de apreciação moral.
Para Benjamin as reproduções tecnológicas dessas obras de arte implodem toda essa
estrutura e esse modelo social hierárquico, enfraquecendo a dicotomia original x cópia,

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que centralizou o fluxo simbólico e conseqüentemente organizacional da sociedade
moderna, ligada às grandes fontes de saber. A obra perde sua “aura” e circula em
ambientes nunca antes imaginados, fora dos museus passa pela visão de pessoas que
nunca tiveram contato com uma pintura ou lugares e a grande novidade não está
simplesmente no fato do acesso, mais sim no fato de que esse acesso traz novas
possibilidades de percepção e relação com a realidade, com a história, com os valores e
referenciais, o que conseqüentemente cria novas formas de expressão, de apropriações
e organização social, uma nova cultura.

Para ele isto significava o fim da experiência social única (como na modernidade,
legitimada pela racionalidade da ciência), o que problematiza todos os pressupostos que
organizavam a sociedade iluminista, humanista. A qualquer momento e em qualquer
lugar o homem comum poderia apropriar-se da obra.

No período industrial, assim como época da tecnologia digital, as informações


chegam até as pessoas, e estas não conhecem (e nem estão voltadas para isso) o
caminho que percorreram para chegarem até elas, impedindo a instauração de uma
relação de propriedade sobre o valor ou a ação. Benjamin apostava no caráter
pedagógico da metrópole e da circulação dos objetos. Sem ter uma origem prévia, não é
possível manipular ou discriminar, tudo isso se torna pequeno diante da possibilidade da
livre apropriação cognitiva, a classe dita inferior perde os fios que a associavam à
materialidade histórica contada pela classe dominante.

Os nossos botecos, as ruas das nossas metrópoles, os nossos


escritórios, os nossos quartos decorados, as nossas estações, as nossas
fábricas, pareciam nos fechar irremediavelmente. Depois chegou o
cinema e com a dinamite dos décimos de segundo fez explodir este
mundo parecido a uma prisão; assim nos podemos tranquilamente iniciar
aventurosas viagens no meio das suas ruínas. [...] Com o primeiro plano
dilatam-se o espaço, com a tomada lenta dilata-se o movimento. [...]
Entende-se, assim, como a natureza que fala para a câmara seja distinta
daquela que fala para o olho. (BENJAMIN, 1992, p. 104).

O pensamento de McLuhan surge influenciado também por essa mesma linha de


pensamento na qual a mídia é vista por um ângulo diferente da manipulação e da
sociedade do espetáculo. Ele propõe justamente que os meios de comunicação, assim
como as invenções, os objetos não estão ou não são separados da categoria humana,
mas que na realidade são extensões do humano (1964). Dessa forma ele acredita no
potencial transformador da tecnologia. Ele viu a mídia através da experiência
proporcionada pela luz elétrica. “Os efeitos da tecnologia não ocorrem nos níveis das

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opiniões e dos conceitos. Eles se manifestam nas relações entre os sentidos e nas
estruturas de percepção, sem qualquer resistência” (MCLUHAN, 1979, p. 34). As
tecnologias midiáticas condicionam um tipo de mudança nos níveis da percepção mais
intrínsecos, como o sistema nervoso central, que passa a fazer conexões impulsionadas
por estímulos de diferentes origens, da ordem do inorgânico e do artificial.

Quando articulou o impacto dos meios de comunicação no homem, McLuhan


concebeu uma diferença entre meios de comunicação: quentes e frios. Os meios quentes
envolvem empaticamente, com envolvimento de sedução na relação; já os meios frios
induzem à ação. Ou seja, o meio quente pode estar relacionado às relações de poder, à
hierarquia social. E os frios estão associados à eletricidade, porque prolonga mais de um
sentido humano e força o homem a preencher o ambiente da troca com informações
também, porque ela não fornece um conteúdo específico.

O simples fato de a tecnologia ser parte constituinte dos meios de comunicação a


coloca ao lado das análises de mercado, da indústria. Como cita McLuhan, “só
percebemos o meio como meio quando está a serviço de uma função” (MCLUHAN, 1979,
p. 23). Ou seja, estamos acostumados a pensar os meios enquanto mensagens e não
estamos acostumados a pensar a luz elétrica como meio, [...] não percebemos a luz
elétrica como meio de comunicação simplesmente porque ela não possui conteúdo
(MCLUHAN, 1979, p 23), estamos acostumados à cultura tipográfica.

Diferentemente da informação, a mensagem tem finalidade e conteúdo, depende


da delimitação de um público alvo por parte do emissor. “A luz elétrica é informação pura,
meio sem mensagem” Então, informação é meio e não mensagem. “O conteúdo de
qualquer meio é outro meio, o conteúdo da fala é o pensamento, da escrita é a fala”
(MCLUHAN, 1979, p. 12). Se informação é meio, ela é conteúdo de outro meio, como a
TV, por exemplo. É como se a informação fosse uma forma de linguagem, um código
interface, que permite a interação entre as coisas - a informação é um meio de interação.

No esforço de pensar a mídia sob outra ótica, voltada à experiência sensória,


McLuhan acredita que “a mensagem de qualquer meio ou tecnologia é a mudança de
escala, cadência ou padrão que esse meio ou tecnologia introduz nas coisas humanas”
(MCLUHAN, 1979, p. 22). Ele aposta que a cultura tipográfica conduziu o homem à falta
de sensibilidade às formas. “Os meios trazem mudança na psicologia humana, o homem
da sociedade letrada e homogeneizada já não é sensível à diversa e descontínua vida
das formas” (MCLUHAN, 1979, p. 34). Para McLuhan, a forma atinge o homem antes do

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conteúdo, ela é apreendida de uma forma quase que inconsciente, fazendo com que o
homem absorva aquele tipo de forma de expressão diferente.

Os meios de comunicação de massa foram pensados como parte da cultura escrita,


tipográfica, associada à idéia de autonomia religiosa (quando surge o movimento
protestante), participação política (consciência e conhecimento dos fatos e leis), ao
individualismo e ao surgimento da opinião pública (quando o jornal aparece como o
catalisador das opiniões sociais). Por isso foram vistos como conteúdo na maior parte do
tempo. Assim como o livro e a escrita trouxeram leis universais e controle direto do
conhecimento, os meios de comunicação eletrônicos também foram pensados como
homogeneizantes e instrumentos de controle e de manutenção do poder.

O ambiente criado pela tecnologia gradualmente se constitui como algo


inteiramente novo. Tal tipo de ambiente não é passivo, mas representante de processos
ativos, permeados pela realidade da luz elétrica. Esta que diferentemente dos efeitos da
imprensa trouxe a aceleração do tempo e o encurtamento das distâncias. O mundo
moderno foi estruturado pelo alfabeto fonético e todas as implicações que esta forma de
expressão trouxe. Com a luz elétrica se criou outro ambiente, outra estrutura social, por
exemplo, a possibilidade de jogar uma partida de futebol a noite transforma as antigas
regras de lazer.

McLuhan apostava no peso da experiência proporcionada pela simples existência


dos meios de comunicação. A simples existência de um ator não humano já altera de fato
o tipo de aparelho perceptivo, e não só no que diz respeito às imagens e ao som, mas ao
foco em si, o homem não é o centro e não está no comando, outros aspectos também
fazem parte, assim como o telescópio do Galileu ou a lente fotográfica.

Se pensarmos a partir do pensamento de Bateson sobre o meio ambiente ou


ainda com Wiener sobre os inúmeros códigos de informação, podemos considerar todos
os componentes do processo como fontes de vida e influência - lembrando a teoria ator-
rede de Bruno Latour (1994), que reconhece a ação de agentes não humanos.

Unindo o pensamento de Benjamin e McLuhan, têm-se uma visão da mídia que


contempla sua natureza, sua agência, não a definindo como manipulação, mas
colocando-a no fluxo das relações como outro agente qualquer, tentando não tratar nem
um lado nem outro de forma majoritária. Aqui parece existir uma boa possibilidade de
abertura para se pensar a dinâmica social virtual, abarcada pelo pensamento de Latour.
A importante noção de agência é a chave para se pensar a dinâmica social atual. Ao

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conceber a rede numa perspectiva ontológica, Latour a aproxima da noção de rizoma
desenvolvida por Deleuze e Guattari (2004), que pode trazer outra forma de expressão
no fazer científico. Como Latour mesmo coloca no diálogo sobre o término de uma tese, o
argumento da teoria ator-rede é um argumento negativo, porque visa a diferença, a
difusão de perspectivas e não o foco ou a unicidade. É uma teoria não aplicável, porque
se assim for, vai se tornar positiva, estabelecendo os componentes, suas ações e o
grande objetivo de se fundir no social, para o “social” (LATOUR, 2006).

Nem sempre a comunicação ou os meios de comunicação foram considerados


como fatores preponderantes nas análises sociais. Somente na época da Segunda
Guerra Mundial que se começa a pensar na mídia e em seu efeito social. Segundo
Abruzzese (2007), “o grande erro da sociologia foi analisar o ator social separado do ator
midiático”. Enquanto categoria sociológica, a mudança social sempre aconteceu a partir
da vontade do homem, da vontade política, da troca simbólica entre diferentes classes,
da reorganização de uma regra ou instituição, ou ainda baseada na funcionalidade do
conflito, o que sublimou a comunicação ao campo da significação lingüística, como se
fosse apenas um recurso humano para garantir a convivência.

Muniz Sodré (2006) reconhece que o campo da comunicação sempre esteve


como parasita das outras disciplinas, sociologia, antropologia, filosofia, psicologia,
significando competência ou habilidade humana. Ao mesmo tempo ele percebe que essa
ligação com as ciências sociais firmou a crítica as relações mediadas, como se para a
sociologia não houvesse mediação nas relações, como se elas se estabelecessem de
forma direta. Ao olhar para a metrópole do século XIX não se vê relações “diretas”, a
interação cara-a-cara com certeza se apóia numa elaboração institucional, cultural,
mental para acontecer, a exemplo da hermenêutica, ou seja, a experiência social é
sempre mediada por diversos componentes. O problema todo está na consideração
desses componentes que para a sociologia clássica sempre foram os homens (no sentido
humanista, iluminista, do antropocentrismo), mesmo que representados pelas instituições
econômicas ou pela cultura. Para as teorias da comunicação também, porque viam os
meios como instrumento do homem, independente da visão ser apocalíptica ou integrada.

De uma forma geral o sentido dado à comunicação foi explicitado como:

[...] tudo aquilo que se estudou no passado sob o rótulo de formação de


consciência, de processos doutrinários, de trabalho ideológico, em suma,
de interferência no pensamento, na ação e na energia de atuação,
voltada para a obtenção de vantagens e poderes políticos, sociais,
religiosos e culturais, foi sempre assunto da comunicação, desse campo
de acesso às mentes, de sua persuasão e sedução, em suma, do

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convencimento dos homens para fins de dominação. (MARCONDES
FILHO, 2005, p. 57)

A conceituação das análises dos meios de comunicação pela perspectiva da


dicotomia criada por Eco em 1964, a dos “apocalípticos” e “integrados” - pode ser
limitadora no que diz respeito à definição da tecnologia como instrumento, pois mantém a
separação cartesiana entre sujeito x objeto.

Como já referido, muitos autores questionam tal dicotomia (MIRANDA, 1988,


1998, 2002; PERNIOLA, 2000, 2005; SANTAELLA, 2004; ABRUZZESE, 2005, 2006; DI
FELICE, 2005;). Para eles, essa separação deve ser superada, já que o homem sempre
esteve ligado aos objetos, e a relação homem-objeto constitui um ecossistema
(BATESON, 1987) no qual, diversos agenciamentos ocorrem entre tempo presente,
passado, futuro, homens e coisas.

3. As crises das teorias sociais modernas

O pensamento pós-moderno surge como reação principalmente ao movimento


iluminista que por tanto enaltecer a autonomia e emancipação pela racionalidade acaba
por fazer de seus princípios verdadeiros dogmas. O fato de ter transformado seus
esforços em dogmas, sem se dar conta, fez com que o movimento iluminista moderno
ganhasse, aos olhos de seus contemporâneos, o mesmo peso que os dogmas religiosos
significaram contra a emancipação do homem.

Alguns pensadores evidenciam o enfraquecimento de certas estruturações


epistemológicas entre elas: enfraquecimento do sentido único da história e queda das
grandes narrativas (Jean-François Lyotard), queda do sujeito único em virtude da
multiplicidade da identidade (Stuart Hall), enrijecimento das relações em virtude da
necessidade forçada de emancipação (Zygmunt Bauman), fortalecimento da afetividade
como categoria agregadora em detrimento das categorias racionais (Michel Maffesoli) e a
queda do colonialismo, do eurocentrismo a partir da contribuição da mídia (Gianni
Vattimo).

Sendo assim, categorias como identidade fixa única, sujeito centralizado,


organização racional e institucional são colocadas em xeque, pressionadas pela recente
possibilidade de circulação simbólica e de conhecimento, pelo desenvolvimento das
tecnologias da informação e de comunicação que passam a implodir os limites da

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localidade e das fronteiras tão bem estabelecidas na época moderna. A partir do
momento em que a tecnologia é deslocada, desvinculada do fazer industrial e chega à
vida cotidiana através do cinema, fotografia, rádio, TV e mais tarde do computador, a
circulação de informação passa a fazer parte da vida do homem comum e essa
apropriação define novas realidades e não apenas a contada por um emissor.

A partir da tele interação cultural promovida pela televisão especializada na


difusão através da imagem, a troca cultural acontece. E acontece no nível da percepção,
muitas vezes sem passar pela “racionalidade programada”. Essas imagens circulam
destacadas de sua cultura local, enfraquecendo os muros e membranas que as limitam.

De acordo com Gianni Vattimo (1989), a sociedade moderna já havia trazido


consigo a emergência das relações comunicativas e a importância social das formas de
expressão cultural atreladas aos meios de comunicação, mas este aspecto não foi
abordado por seus teóricos preocupados com a emancipação do homem através da
razão científica, positiva, objetiva. O foco eram as relações políticas, de poder,
institucionais e principalmente econômicas.

O filósofo Gianni Vattimo atribui ao surgimento da cultura de massa e a queda do


colonialismo um momento de crise da cultura ocidental e portanto dos ideais clássicos da
modernidade. A mídia tem papel central na circulação da informação e
conseqüentemente no enfraquecimento do sentido único da história, ou seja, a
proliferação dos canais de comunicação e a possibilidade de visibilidade de outras
culturas, que não a européia antropocêntrica, faz com que ocorra uma multiplicação de
vozes. Com a mídia se promove a circulação de culturas e essa circulação favorece a
presença do outro, num sentido de tele-presença, suficiente para causar desconfiança de
toda verdade absoluta, de todo modelo. Os meios de comunicação proliferam os pontos
de vista, complexifica o substrato social e demonstram a forma caótica dele e nessa
percepção do caos é que teremos alguma chance de emancipação. Outros autores como
Santaella (2004) e Castells (2005), acreditam que a cibercultura surgiu a partir das
transformações sofridas pelos meios de comunicação de massa, principalmente aliados
as tecnologias de processamento de informação e criação de microprocessadores.

Esta multiplicação vertiginosa da comunicação, esta “tomada da palavra”


por parte de um número crescente de subculturas, é o efeito mais
evidente dos mass media e é também o fato que – interligado com o fim
ou, pelo menos, com a transformação radical do imperialismo europeu –
determina a passagem da nossa sociedade para a pós-modernidade
(VATTIMO, 1989, p. 14).

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Lyotard é um dos primeiros pensadores a falar numa alteração de condições
sociais culturais e a falar no surgimento da condição da pós-modernidade. Em seu
célebre texto, “A condição pós-moderna” (obra de 1979) analisa o mundo dos anos de
1980, a partir da crise dos discursos científicos responsáveis pela legitimação dos ideais
da modernidade.

O pensamento de Lyotard tem como foco a questão da modernidade tratada como


discurso, ou seja, para implantar o projeto de emancipação do sujeito racional, o
desenvolvimento da riqueza, foi necessário a institucionalização do discurso científico em
oposição ao simples relato. Quando a racionalidade se torna importante, a ciência se
fortalece como discurso capaz de legitimar as ações políticas, econômicas e sociais da
época. O processo de legitimação dos 0discursos acontecia a partir da generalização da
história, articulando a “verdade” de uma forma unitária passível de ser controlada através
do contrato. Quando estruturalistas, como Michel Foucault, passam a questionar o
domínio e o poder da linguagem sobre a organização dos corpos e dos sentires, Lyotard
verifica que a modernidade foi totalmente marcada pela transformação no discurso
científico em metalinguagens ou mais especificamente, metanarrativas preocupadas em
institucionalizar a concepção de uma verdade única, de um sentido único na história, de
um sujeito consciente, reconhecendo que a informatização do mundo dos anos oitenta do
século XX permite a construção de um tipo de conhecimento descentralizado, que
emerge de esferas minoritárias.

Ele caba por notar a transformação também através do salto desenvolvimentista a


partir de algumas transformações no campo da ciência. Boaventura de Sousa Santos
identifica alguns desses pontos: Einstein e a mecânica quântica, a relatividade da
simultaneidade; a descoberta das próprias limitações da ciência (ponto que só foi
alcançado devido a todos os estudos que concluiu), o caráter local da mediação,
fortalecidos através das pesquisas de Heisenberg e Bohr “não conhecemos do real senão
o que nele introduzimos, ou seja, que não conhecemos do real senão a nossa
intervenção nele” (SANTOS, 203, p. 25), acabando por demonstrar que a estrutura do
sujeito influencia o objeto observado; o teorema da incompletude que diz a
impossibilidade, em certas circunstâncias, de encontrar dentro de um dado sistema
formal as provas da sua consistência, mostrando que nem sempre as proposições
matemáticas fornecem dados passíveis de comprovação; e por último evidencia a crise
do paradigma newtoniano a partir dos avanços no conhecimento da micro física, biologia
e química. Ilya Prigogine com a teoria das estruturas dissipativas e o princípio da ordem
através das flutuações, estabelece que “sistemas que funcionam nas margens da

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estabilidade, explicam-se por flutuações de energia [...] nunca inteiramente previsíveis,
desencadeiam espontaneamente reações [...] não lineares” (SANTOS, 2003, p. 28).

Aos poucos, a própria ciência deu condição para o questionamento de seu próprio
paradigma. Assim como ocorreram alterações na identidade fixa, única e racional do
sujeito moderno, houve alterações nas formas de conhecimento. Na maior parte das
vezes, os estudos de pensadores contemporâneos relacionam a transformação de
relações sociais ao acesso à informação. O movimento protestante é um grande marco
nesse sentido, onde o homem comum passa a ter direito de saber ler as escrituras
sagradas e depois disso toda a estrutura social muda.

À medida que se expandiram as tecnologias, principalmente as de comunicação,


quando essas tecnologias de comunicação passam a se integrar com outras mídias,
acontecem uma resignificação dos usos sociais, dos conteúdos e das formas de
reprodução social.

Autores como Stuart Hall, Michel Maffesoli e Zygmunt Bauman representam o


pensamento sociológico voltado ao questionamento dos valores da modernidade e
sinalizam uma nova fase de desagregação social, concebendo esta a partir de relações
fluídas, interpeladas pela mídia, sem estruturação rígida ou prévia. Possivelmente
sinalizadas pela cibercultura, pelas comunidades virtuais, pela queda das fronteiras
culturais, encurtamento das distâncias globais e sociabilidades tecnológicas. O
pensamento pós-moderno vai em direção a pensar a sociedade a partir de suas formas
culturais e acima de tudo afetivas.

3.1 Crise do sujeito

O conceito de identidade é assunto de diversos campos de estudo como a


psicologia, antropologia, sociologia e história e sendo assim, cada área possui um olhar
diferente sobre sua definição. O que todas têm em comum é que fazem parte do corpo
das ciências do social marcadas pelos ideais do iluminismo e dos projetos de
desenvolvimento e modernização, “[...] nosso modo atual de entendermos nossa
experiência como indivíduo autônomo não é natural nem necessário, mas sim parte de
um movimento de amplas transformações pelas quais o homem tem passado em sua
história, sobretudo na Modernidade” (FIGUEIREDO; SANTI, 2003, p. 23), na qual o
homem racional se torna centro do mundo, considerando-o cada vez menos como
sagrado e mais como objeto de uso. A experiência da subjetividade privatizada ou

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identidade voltada para o individualismo, data da passagem do Renascimento à
Modernidade. A época do Renascimento sinaliza a falência do mundo medieval e a
abertura do ocidente europeu ao mundo, às outras culturas. Na época Medieval o homem
se sentia amparado e pertencente a uma ordem superior e inexplicável, criando o
comportamento de aceitação universal dos preceitos que os indicados por Deus traziam.
Segundo Kobema Mercer, “a identidade somente se torna uma questão quando
está em crise, quando algo que se supõe como fixo, coerente e estável é deslocado pela
experiência da dúvida e da incerteza” (HALL, 2002, p. 9). Na passagem da Idade Média
para a modernidade, a identidade que antes era determinada pelo seu grupo religioso, ou
grupo primário, a comunidade, ligada ao cultivo da terra e limitada territorialmente, já não
se construía com base nos mesmos valores.
As novas formas de organização social tecnológicas aportam uma nova fase para
a re-significação da identidade, diferente daquela que outrora aconteceu nos séculos
XVIII e XIX, no qual, havia um grupo de intelectuais liderando, introduzindo os conceitos
na conduta humana através da racionalidade científica a fim de reformar a sociedade.
Hoje, as mudanças na estruturação do social vêm do terreno da experiência imersiva dos
ambientes virtuais, da dispersão e do compartilhamento de conhecimento.
Stuart Hall percebe as mudanças ocorridas no campo da identidade através da
linha histórica que passa por três concepções de identidade ligadas: 1) ao sujeito do
iluminismo - centrado, unificado, racional, consciente, capaz de agir; seu centro é seu
núcleo interior; ele nasce com sua identidade e morre com ela; 2) ao sujeito sociológico -
concepção a qual reflete que o centro individual não é tão autônomo e auto-suficiente
quanto parece; a identidade é formada na relação com as pessoas ou estruturas; e 3) o
sujeito pós-moderno - sem identidade fixa, essencial ou permanente; uma identidade
“formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos
representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam” (HALL, 2002, p.
13).
Um tipo diferente de mudança estrutural está transformando as
sociedades modernas no final do século XX. Isto está fragmentando as
paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e
nacionalidade, que no passado, nos tinham fornecido sólidas
localizações como indivíduos sociais (HALL, 2002, p. 9).

O grande esforço das ciências sociais na racionalização da vida humana foi o de


fazer da subjetividade fonte de verdade universal e querer obter, através dela, respostas
absolutamente verdadeiras, transformando-a em objetividade. Inúmeros foram os
tratados sobre a objetividade científica, tanto é que baseada neste aspecto a psicologia
luta para ser reconhecida como tal. Ou seja, o cientista social acreditava sempre que sua

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postura perante o social era afastada e distante de julgamentos pessoais. Ao longo do
tempo, a objetividade da ciência passou a ser questionada, assim como todo seu
discurso de emancipação, desenvolvimento, progresso e ordem social. Hall identifica
alguns pontos dessa clivagem:

[...] as velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo


social, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e
fragmentando o indivíduo moderno, até aqui visto como um sujeito
unificado. A assim chamada ‘crise da identidade’ é visto como parte de
um processo mais amplo de mudança, que está deslocando as
estruturas e processos centrais das sociedades modernas e abalando os
quadros de referência que davam aos indivíduos uma ancoragem estável
no mundo social (HALL, 2002, p. 7).

O sujeito soberano, portador de uma identidade fixa e única, nasce com o


humanismo do Renascimento, do século XVI, e o Iluminismo, do século XVIII,
representando a grande ruptura com o passado dogmático. A concepção de sujeito
pensante, consciente, único e indivisível além de estar ligada ao humanismo, a reforma
religiosa, ao protestantismo e às revoluções científicas, está ligada também a distinção
entre corpo e mente calcada por Descartes.
Hall mostra o fortalecimento do sujeito distinto da religião mais ou menos até o
final do século XIX. Na segunda metade do século XX começa a surgir um novo
movimento de descentramento daquele sujeito moderno e a metrópole é a grande figura
de fundo, e com ela a mídia, os meios de transporte e o consumo. Do ponto de vista
crítico, com a metrópole vem a multidão e a figura do indivíduo atomizado, isolado,
exilado, alienado, anônimo. Sob outro prisma, o de Burke e Briggs (2004), tem-se que
com a metrópole as distâncias foram encurtadas, conseqüentemente a circulação e
proliferação de outras culturas começa a acontecer em outra escala acessível ao homem
comum. Os novos meios de comunicação criam uma possibilidade de imaginário coletivo
popular, ampliam as possibilidades de visões e expressões, o homem comum é levado a
interagir com o meio ambiente a partir muitas vezes da realidade midiática, como
aconteceu com os jornais, na época da constituição do Estado moderno. A fotografia
altera a memória individual e coletivamente, além de alterar o mundo da arte, este que a
partir dela começa a questionar sua própria funcionalidade. A natureza e as formas de
interação na metrópole são outras, não só ligadas ao círculo de socialização primária e
secundária, a interação passa a acontecer de uma forma não presencial e a partir dos
objetos.
Baudelaire, Benjamin, Kafka, Edgar Alan Poe, Simmel foram alguns dos autores
que se dedicaram a pensar essa nova situação social, povoada por um novo tipo de

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sujeito, não mais aquele sociológico ou cartesiano. Esse movimento de descentramento
do sujeito acontece a partir de uma série de rupturas nos discursos do conhecimento
moderno, e Hall reconhece cinco contribuições como grandes avanços nas teorias sociais
responsáveis por esta re-significação.
Apesar de datarem do século XIX e não do século XX, os escritos de Marx foram
redescobertos nos anos de 1960 pelo seguinte ponto: “os homens fazem a história, mas
penas sob as condições que lhe são dadas” (HALL, 2002, p. 35), deslocando a hipótese
de agência individual do homem moderno, já que o homem só pode agir em condições
criadas por outros homens, com diferentes interesses.
Hall coloca que, com Freud, tem-se a descoberta do inconsciente, ou seja, a
razão é colocada em cheque. “[...] nossas identidades, nossa sexualidade e a estrutura
de nossos desejos são formadas com base nos processos psíquicos e simbólicos do
inconsciente, que funciona de acordo com uma lógica muito diferente daquela da razão
[...]” (HALL, 2002, p. 36). Enquanto a ciência positiva se esforçou para tornar a
subjetividade algo mapeado, classificado, objetivo, Freud viu a subjetividade, como o
produto de processos psíquicos inconscientes.
Conforme Hall, a partir dos estudos de Saussure, com o estruturalismo lingüístico
surge a idéia de que o homem não é o autor daquilo que fala ou dos significados que cria,
concebendo a língua como um dos sistemas da nossa estrutura social, ela preexiste a
nós (domínio dos conceitos – discurso científico legitimador). Os sentidos que damos
através da língua aos nossos discursos são limitados pelo significado de cada palavra,
carregada de um histórico de significações, sendo assim o homem moderno tinha a
ilusão que poderia controlar tudo em seu favor.
De acordo com Hall, os estudos de Foucault, trouxeram uma espécie de
genealogia do sujeito moderno, que destaca a teoria do “poder disciplinar” no século XIX
e início do século XX. O poder disciplinar é um tipo de poder que visa a regulação e a
vigilância da espécie humana. Este se encontra nas instituições modernas: hospitais,
quartéis, escolas, prisões e entre outros. Baseado no poder dos regimes administrativos,
do conhecimento fornecido pelas disciplinas científicas da moderna ciência do social, tem
como objetivo principal fazer do ser humano um corpo dócil, ou seja, sua maneira de
intervir na realidade social é tal que ambos, dominador e dominado são vítimas dos
interesses disciplinares, da individualização característica da modernidade. Quando
Foucault analisa a estrutura de tratamento das prisões e hospitais, percebe que a
sociedade cria condições para que o indivíduo burle alguma lei, especificamente para
poder colocar aquele sujeito em laboratório e estudar seu comportamento, assim como

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com as doenças. A estrutura moderna estava baseada no cumprimento da vida social
como ciência.
Por último, Hall cita o feminismo dos anos de 1960 como o quinto fator que
colaborou com a percepção da queda daquele sujeito único, fixo e consciente da
modernidade. O feminismo questionou assim como muitos movimentos da mesma época
(movimento estudantil, culturas juvenis da contracultura e etc), questões sobre a
separação entre público e privado, contestou politicamente arenas da vida social, a
família, a sexualidade, o trabalho doméstico. Esse movimento questionava as formas
burocráticas de organização, refletindo o enfraquecimento ou fim da classe política.
Sendo assim, o sujeito da dita pós-modernidade ganhava outro contorno e outro tipo de
força social, passando a ser resultado de identidades abertas, múltiplas, que circulam
diversas áreas sociais de participação, formas inacabadas, fragmentadas.
A globalização é outro fator identificado por Hall, como um propulsor de mudança
na modernidade, trazendo a possibilidade de contato generalizado e assim um impacto
sobre a identidade cultural. Para ele as sociedades modernas são, portanto, por
definição, sociedades de mudança constante, rápida e permanente.

A arquitetura do social foi também transformada pela natureza das mídias e pelos
fluxos de informação constantes. “As práticas sociais são constantemente examinadas e
reformadas à luz das informações recebidas sobre aquelas próprias práticas, alterando,
assim, constitutivamente, seu caráter” (GIDDENS apud HALL, 2002, p. 15).
A partir do momento em que a tecnologia circula não somente na esfera da
produção e do trabalho, a estrutura social muda, o acesso a uma forma diferente cria
novas formas de relação e percepção. Além disso, essas novas tecnologias trazem a
possibilidade do acesso cruzado ao passado, passado este que não faz parte
exclusivamente da versão majoritária da história. As distâncias se encurtam e locais que
antes seriam isolados passam a ter contato com culturas diferentes.
Nas sociedades da modernidade tardia, um sujeito pode instalar-se em diferentes
posições e a estabilidade da tradição e da estrutura transforma-se em mobilidade.

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3.2 Crise da estrutura

A famosa frase sobre “derreter os sólidos”, quando cunhada há um


século e meio pelos autores do manifesto comunista, referia-se ao
tratamento que o autoconfiante e exuberante espírito moderno dava á
sociedade, que considerava estagnada demais para seu gosto e
resistente demais para mudar e amoldar-se a suas ambições – porque
congelada em seus caminhos habituais. Se o “espírito” era “moderno”,
ele o era na medida em que estava determinado que a realidade deveria
ser emancipada da mão morta de sua própria história – e isso só poderia
ser feito derretendo os sólidos[...]. (BAUMAN, 2001, p. 10).

Bauman (2001) fala da modernidade pela sua característica líquida e, portanto,


sobre a fluidez como a característica que faz do líquido um estado de movimento,
mudança e suscetibilidade às tensões. A modernidade aos olhos de Bauman sempre
esteve ligada ao processo do derretimento daquilo que era sólido. Ao mesmo tempo
atribuiu à primeira fase desta sociedade o peso do “sólido”, como se esta fosse a
estrutura motivadora de todo o movimento de liquefação. Derreter para construir novas
formas, o esforço moderno foi o de se desligar da religião e da filosofia metafísica, dos
ideais e da vida comunitária da idade média para se ligar em novos conceitos apoiados
pela razão científica. A nova sociedade moderna tinha o objetivo racional de controlar e
minimizar o estado de comunidade em nome da ciência, evolução e desenvolvimento
econômico.
Os primeiros sólidos a derreter e os primeiros sagrados a profanar eram
as lealdades tradicionais, os direitos costumeiros e as obrigações que
atavam pés e mãos, impediam os movimentos e restringiam as
iniciativas. [...] “Derreter os sólidos” significava, antes e acima de tudo,
eliminar as obrigações “irrelevantes” que impediam a via do cálculo
racional dos efeitos. (BAUMAN, 2001, p. 10)

As regras de ação e os critérios de racionalidade comandavam os ideais


modernos, “estabelecendo uma nova ordem na qual a base da vida social outorgava
todos os outros domínios o estatuto de superestrutura, isto é, um artefato da base, cuja
única função era auxiliar sua operação suave e contínua” (BAUMAN, 2001, p. 10).

Por fim, o autor coloca que a busca pelo derretimento dos valores comunitários foi
tão meticulosamente arquitetado que as “sociedades complexas se tornaram rígidas a
ponto de tornar a tentativa de reflexão sobre suas normas, banal. Dessa forma Bauman
concentra sua crítica sobre o excesso de estruturação, “Por mais livres e voláteis que
sejam os “subsistemas” dessa ordem, isoladamente ou em conjunto, o modo como são

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entretecidos é rígido, fatal e desprovido de qualquer liberdade de escolha. A ordem das
coisas não está aberta à opções [“...]” (BAUMAN, 2001, p. 11).
O que ele tenta explicar é que o discurso da modernidade baseada na liberdade
individual acabou por cair numa rigidez sistêmica, na qual seria possível categorizar
qualquer forma de comportamento, resultando num tipo de sociedade orgânica, portadora
de uma sociabilidade engessada, não muito diferente daqueles dogmas da Idade Média.
Dessa forma ele introduz a idéia do surgimento de uma nova fase dessa modernidade
(ao invés de nomeá-la como pós-modernidade), “se o tempo das revoluções sistêmicas
passou, é porque não há edifícios que alojem as mesas de controle do sistema”. A
organização social atual não parece ser uma sociedade sistêmica, mas sim uma
sociedade fluída de fato, múltipla.

O que está acontecendo hoje é, por assim dizer, uma redistribuição e


realocação dos poderes de derretimento da modernidade. [...] Na
verdade, nenhum molde foi quebrado sem que fosse substituído por
outro; as pessoas foram libertadas de suas velhas gaiolas apenas para
ser admoestadas e censuradas caso não conseguissem se realocar,
através de seus próprios esforços dedicados, contínuos e
verdadeiramente infindáveis, nos nichos pré-fabricados da nova ordem
[...] (BAUMAN, 2001, p. 13).

Os padrões, regras e códigos alcançados com o esforço da primeira fase do


derretimento da modernidade, hoje se tornaram escassos. Não vivemos mais na época
dos grupos de referência, caracterizados por fornecerem os dados necessários para a
integração do indivíduo “livre” num grupo capaz de representar seus interesses. Hoje com
a globalização as fronteiras culturais passam a ser móveis ou inexistentes, já que
qualquer ponto do globo tem acesso á realidade de qualquer outro ponto. A noção de
distância não faz mais sentido e por isso Bauman acredita que se vive hoje na era da
comparação universal. Sendo assim a autoconstrução do indivíduo, outrora baseada nos
valores institucionais representantes da organização e responsáveis pela preservação do
Estado, está endêmica, não é dada de antemão. “Os poderes que liquefazem passaram
do “sistema” para a “sociedade”, da “política” para as “políticas da vida” – ou desceram do
nível “macro” para o nível “micro’ do convívio social” (BAUMAN, 2001, p. 14).
Zygmunt Bauman prefere chamar a contemporaneidade de “segunda
modernidade” de acordo com Ulrich Beck, porque ele ainda define este período como
parte da formação fluída da modernidade sólida, inicial. Justamente porque ainda hoje as
mudanças, o derretimento, acontecem o tempo todo de modo que é quase impossível ter
a mesma postura científica diante do estudo dos fenômenos da sociedade atual marcada
pelo fluxo da informação, baseado em categorizações e afirmações universais. Como é

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possível produzir afirmações universais perante um tipo de sujeito que possui identidades
múltiplas, um tipo de sociedade sem fronteiras, baseadas numa estrutura de rede, na
qual qualquer ponto conversa e influencia qualquer outro ponto, deixando de lado as
distâncias e os corpos. Talvez hoje o maior derretimento esteja acontecendo ao nível das
formas de comunicação, circulação e armazenamento de informações “chegou a vez da
liquefação dos padrões de dependência e interação” (BAUMAN, 2001, p. 14). A
sociabilidade não mais é fornecida pelo sentido do lugar, repleto de territorialidade
cultural e comportamental prévios. Dessa forma, “a modernidade anterior seria então uma
categoria zumbi, com instituições zumbis, porque estão mortas e vivas ao mesmo tempo,
por exemplo: a família, as classes, os bairros” (BAUMAN, 2001, p. 14) ainda fazem parte
da rede social atual. Bauman percebe a necessidade de verificação se os conceitos
zumbis, que marcaram a época moderna clássica - clássica no sentido de primeira
modernidade, podem e devem ser reaproveitados ou enterrados de vez.
As estratégias da modernidade afetaram de forma importante a percepção do
tempo e do espaço. Estes foram transformados em categorias científicas e formas,
separados da vida prática, da experiência da vida comum, sendo também manipulados e
controlados por meio da história. O tempo adquire história e assim determina o espaço
através dela, enrijecendo qualquer percepção do mesmo diferente daquela narrativa. A
cidadania moderna foi construída com base no assentamento, na fixação, na nomeação,
na origem definida, caso o indivíduo se encontrasse fora dessa estrutura territorial capaz
de protegê-lo politicamente, era considerado como elemento externo. A forma de vida
nômade nunca foi bem vista pelo estágio “sólido”, “pesado” da modernidade. “Estamos
testemunhando a vingança do nomadismo contra o princípio da territorialidade e do
assentamento. [...] Manter as estradas abertas para o tráfego nômade e tornar mais
distantes as barreiras remanescentes tornou-se hoje o meta-propósito da política”
(BAUMAN, 2001, p. 20).
Bauman denuncia como os ideais da modernidade tornaram-se enrigecedores,
mas ao mesmo tempo, não rompe com certa postura antropocêntrica, ao reconhecer as
mudanças ainda através da iniciativa dos homens.

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3.3 Crise da razão

Para Maffesoli as questões sociais tratadas pela sociologia, de certa forma sempre
tenderam a olhar o social através das categorias da economia e da política, fazendo da
organização social um sistema hierárquico, baseado na contraposição de poderes e
desejos voltados ao êxito sempre econômico. Para ele, a cultura seria hoje a grande
metalinguagem capaz de fornecer dados para a compreensão dos novos tipos de relações
sociais.

Assim como Bauman, Maffesoli acredita que a crise da modernidade resulta no


“declínio do individualismo nas sociedades de massa”. Ambos os autores versam sobre a
questão da emancipação. A individualidade foi a característica mais enfatizada da
modernidade, o sujeito consciente, decidido era a figura que representava o objetivo do
projeto da modernidade.

Maffesoli é autor do campo da chamada sociologia pós-moderna. Suas teorias


foram influenciadas por “Simmel na sociologia das formas; Pareto com a noção de
resíduo, Weber no campo da sociologia compreensiva; Durand em sua, sócio-antropologia
do imaginário, Durkheim nas noções de formas e solidariedades; Schultz na questão da
tipicalidade entre outros”. (TEDESCO, 1999, p. 129)

Em seu livro “O tempo das tribos”, Maffesoli deteve-se em pensar a dinâmica


social desta sociedade contemporânea e tem como foco principal de seu trabalho o
esforço em pensar uma sociologia numa perspectiva afetiva, questionando as formas
tradicionais de análise social voltada a racionalização positiva. Dessa forma, se propõe
pensar a sociedade pós-moderna, suas formas de agregação a partir do pensamento de
autores clássicos, buscando outra interpretação de conceitos como “solidariedade
orgânica” em Durkheim, “forma e sociabilidade” em Simmel, “comunidade” em M. Weber
e para isso começa sua análise introduzindo um novo conceito, o de “ambiência”, para
trazer luz ao que de fato pode ser esse dinamismo social. Como ele mesmo diz sobre seu
estudo: “segue-se uma reflexão de fôlego que, através das noções de potência, de
socialidade, de quotidiano, de imaginário, pretenda estar atenta ao que constitui, em
profundidade, a vida corrente de nossas sociedades, neste momento em que se conclui a
era Moderna” (MAFFESOLI, 2000, p. 1)

Maffesoli defende a idéia de que a direção das análises sociais deve acontecer
pelo caminho da cultura, ao invés do tradicional caminho da economia ou da política. É
na cultura que se encontra a chave do entendimento da sociedade contemporânea, a
tônica de seu estudo está voltada para a vida comum, para os diversos rituais cotidianos,

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para as sensibilidades coletivas, etc. Ele faz uma escolha, a lente pela qual ele olha a
sociedade é diferente daquela tradicional, apesar de partir de conceitos clássicos. Fazer
um recorte conceitual da sociedade que se apresenta é difícil, afinal é o próprio objeto
que pede que se faça uma transgressão, assim se empenha em deixar de lado a
compartimentalização disciplinar. O olhar de Maffesoli retoma a análise de forma
holística, na qual o global está unido ao diversos elementos que o constituem. Está
ocorrendo uma mudança importante, “da ordem social mecanicista para a uma estrutura
complexa e a dominante orgânica [...] pelo fato do dinamismo social não estar mais
trilhando os caminhos da modernidade, não significa que esse dinamismo não exista
mais dentro dela” (MAFFESOLI, 2000, p. 5).

O autor explora uma nova dimensão do social, buscando a contraposição aos


processos que procuram uma metodologia teórica para compreender a vida cotidiana.
Mesmo se aproximando da sociologia compreensiva, procura entender e não estruturar e
limitar as intencionalidades do cotidiano.

Para Simmel, as formas nascentes de socialidade surgem da estruturação de


experiências vividas pelos indivíduos que não são pré-existentes. A socialização
corresponde à atualização rotineira das situações que orientam o âmbito social
reciprocamente. Essas atualizações geram tipificações que são necessárias para a
continuidade dos relacionamentos sociais. Ele ainda introduz a noção de confiança e
fidelidade para garantir o processo de socialização. Se os indivíduos não confiarem uns
nos outros e não forem fiéis às tipificações, o processo de socialização estará
comprometido.

Aproximando-se ainda mais da teoria de Simmel, Maffesoli “tenta mostrar a força


das emoções para a manutenção ou a desintegração das relações sociais, ou melhor, das
formas de associação ou de socialização” (TEDESCO,1999, p. 131).

Maffesoli não acredita que o excesso de científico consiga explicar a complexidade


do cotidiano atual, baseando-se nas minúsculas situações do cotidiano, no imaginário e no
não-racional como base de estudo. Sua epistemologia é essencialmente empírica, analisa
a profundidade dos fatos, chegando a ser relativista.

O cotidiano se apresenta como território e espaço onde as relações sociais


acontecem sem ter a conotação negativa de dominação, manipulação, estruturação e
tipificação no sentido de se estabelecer papéis sociais. Este é cheio de duplicidade,
ambigüidade, polissemia, banalidade e insignificância no qual o indivíduo age e relaciona-
se sem a pretensão de lutar contra os componentes naturais da vida.

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O tempo presente está aí para ser vivido. Para que o cotidiano tenha uma
conotação de realidade é necessário haver aceitação da vida, diferenças, silêncio e
astúcia como meio de resistência social, afetividade e sociabilidade. Maffesoli não aborda
esses itens como fórmulas das interações, ele simplesmente constata a pluralidade de
sentimentos e atitudes que envolvem a vida cotidiana sem a pretensão de estruturá-la e
nem de aprendizagem individual. A cotidianidade é livre, as coisas não acontecem
propositalmente, elas simplesmente acontecem e os diversos grupos que fazem parte dela
agem sem fórmulas pré-existentes.

Dentro dessa perspectiva, os mitos, os ritos e as imagens têm a função de fazer


com que os diversos grupos de socialização continuem existindo. Dessa forma se mantém
a coesão do mesmo. Através da atualização desses mitos e ritos a vida se enche de
sentido, porque o que conta é a experiência e sua significação.

Conclui a constatação da vida cotidiana com a “noção de ‘estrutura do doméstico’


como depressão da idade política, do vazio deixado pela ausência de projetos, pelo
relativismo, pluralismo e hedonismo pós-moderno” (TEDESCO, 1999, p. 142).

Maffesoli recebe inúmeras críticas pelo excesso de sentimentalismo, por não se


contrapor aos processos de burocratização da organização social tecnocrata, por não
levar em conta os aspectos históricos, pelo presentismo e imediatismo no qual baseia sua
análise, por ter um olhar estético demais, por colocar fim a presença do relativismo
individualista e por ter a idéia de que o cotidiano é o aqui e agora que tem que ser vivido.

3.3.1 As novas formas de agregação

Maffesoli acredita que o “desencantamento do mundo” projetado pela época


moderna acabou por trazer extrema racionalização e desumanização e dessa forma
acabam or não conseguir mais ver as redes de solidariedades existentes no social. A
modernidade privilegia o indivíduo e suas ações contratuais racionais, hoje se acentua
mais a dimensão afetiva e sensível das ações. “De um lado está o social, que tem uma
consistência própria, uma estratégia e uma finalidade. Do outro lado, a massa onde se
cristalizam as agregações de toda ordem, tênues, efêmeras, de contornos indefinidos”
(MAFFESOLI, 2000, p.10).
Maffesoli fala que a massa caracteriza um tipo de relação tátil, na qual a
moralidade não mais faz parte como na perspectiva de Durkheim. Observa-se nessa
nova relação uma ordem de combinações e de associações indefinidas e indiferenciadas.

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Estas relações depois de diversas sedimentações criam uma ambiência, “união em
pontilhado”.
Ao invés de utilizar o termo social para falar da sociedade contemporânea, fala em
socialidade, como reflexo de um tempo de comunhão, flexível e firme que assegura um
copo. Maffesoli acredita que a relação na contemporaneidade depende da empatia e
assim conseqüentemente da presença face-a-face que a cria, ou seja, para ele as novas
relações sempre possuem algo de sensível. Isso facilmente se aplica às manifestações
juvenis contemporâneas, como por exemplo, as festas rave. Maffesoli, assim como Hall,
questiona, as modernas formas de categorização da identidade, e questiona a
“individualidade” assim como Bauman, chegando a dizer que a sociedade
contemporânea está baseada numa espécie de neotribalismo, na recusa do projeto
político, do projeto de emancipação, racionalização, sem a menor finalidade. A única
preocupação é viver o presente coletivamente, porque é a partir do contato com o outro
que se estabelece a socialidade e não o “social”.
Com a teoria das identificações, inspirada por Scheler (ética da simpatia) Maffesoli
aposta num raio-X social marcado pela racionalidade coletiva, ou seja, a não
racionalidade específica, a ação dionisíaca e estabelece da seguinte forma a análise do
social moderno e da socialidade pós-moderna:
Característica do social: o indivíduo podia ter uma função na sociedade,
e funcionar no âmbito de um partido, de uma associação, de um grupo
estável.
Característica da socialidade: a pessoa (persona) representa papéis,
tanto dentro de sua atividade profissional quanto no seio das diversas
tribos de que participa. Mudando o seu figurino, ela vai, de acordo com
seus gostos (sexuais, culturais, religiosos, amicais) assumir o seu lugar,
a cada dia, nas diversas peças do Thetrum mundi. (MAFFESOLI, 2003,
p. 108)

A sociedade simboliza a coexistência social, que poderia ser a forma lúdica da


socialização, mostrando sua crença na existência da solidariedade inexplicável que
mantém o grupo unido. Fala então em proxemia, como a materialização anterior de
grupos coletivos que registram de certa forma sua história, suas maneiras cotidianas.
A proxemia sinaliza a potencialidade da socialidade. O cotidiano é portador da
proxemia que mostra a possibilidade da socialidade em diversos momentos. Não
devemos confundir proxemia com unanismo, força uniformizante, ela demonstra o
enorme investimento coletivo da vida diária para se chegar a socialidade. Por isso
considera importante a ambiência, porque vê o espaço como “tempo concentrado”, ou
seja, o espaço concreto transmite a possibilidade de agregação porque guarda as marcas
daquele movimento anterior, mostrando os caminhos que foram feitos nunca como
estrutura e regra. Ou seja, acredita na hipótese da centralidade subterrânea que

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concentra a socialidade. “Daí a importância do gênio do lugar; este sentimento coletivo
que conforma um espaço, o qual retroage sobre o sentimento em questão” (MAFFESOLI,
2003, p. 179).
No quadro do paradigma estético, que me é caro, o lúdico é aquilo que
nada tem a ver com a finalidade, utilidade, praticidade, ou com o que se
costuma chamar realidade. É, ao invés, aquilo que estiliza a existência,
que faz ressaltar as características essenciais desta. Assim, a meu ver, o
estar-junto é um dado fundamental. Antes de qualquer outra
determinação ou qualificação ele consiste nessa espontaneidade vital
que assegura a uma cultura sua força e sua solidez específicas. Em
seguida, essa espontaneidade pode se artificializar, quer dizer, se
civilizar e produzir obras (políticas, economias, artísticas) notáveis.
Sempre será necessário, entretanto, mesmo que seja apenas para
apreciar suas novas orientações (ou re-orientações), retornar a forma
pura que é o estar-junto à toa. (MAFFESOLI, 2003, p. 115)

4. Quando a informação se torna arquitetura do social

4.1 Goffman e o interacionismo simbólico

A corrente de pensamento dos interacionistas mostra um primeiro movimento da


sociologia em direção ao estudo das relações sociais através das interações cotidianas,
acima de tudo como comunicativas, entendidas como um processo de troca de
informações, podendo ser chamado também de “psicologia social” da sociologia. Seus
principais expoentes foram Goffman, Garfinkel e Cicourel.

Diferente da sociologia tradicional, o interacionismo constata que a organização


da estrutura social se desenvolve a partir das interações dos sujeitos, ou melhor, de um
comportamento coletivo, no qual a interpretação de cada ação se dá a partir de uma
reciprocidade simbólica. Esta que acontece no momento da interação, afastando-se de
vez das análises macro sociais. Em seus estudos Goffman partiu da concepção de
“pessoa” / persona, para compreender a relação psicológica entre a ação das “máscaras”
/ papéis sociais, sobre a definição da alteridade e a partir dela a definição do próprio “eu”.

Além das noções de pessoa e máscaras que ajudam a definir uma análise
psicológica, Goffman trabalha com outras noções: cenário, ator e audiência, para definir a
esfera formadora da situação social. A partir da metáfora da situação social midiática, as
interações sociais acontecem como num processo comunicativo, e envolvem o imaginário
coletivo audiovisual criado pelo cinema e pela TV, a interpretações de papéis e a
necessidade de interatividade para estabelecer o fluxo de informação.

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Partindo do pressuposto que os significados sociais (conteúdo da interação) são
criados a partir da interação entre os indivíduos em determinadas situações, Goffman se
preocupa em pensar a incorporação das regras, “a comunicação, a manifestação visual,
a postura e o movimento do corpo, o interesse espontâneo e a cooperação que
acontecem na interação face-a-face” (TEDESCO, 1999, p. 70), deixando de lado a
origem ou a estrutura dessas regras.

A situação social concebida pela ótica interacionista foi constituída pelas pessoas,
seus corpos, pela relação entre o corpo e a psique. A fonte de informação capaz de
fornecer dados era basicamente o corpo. Por isso os interacionistas deram tanta
importância ao contato face-a-face e definiram que a interação era dependente do
contato presencial e da localização física. É como se Goffman unisse o pensamento de
Maffesoli sobre a importância da afetividade como ponto de motivação para a interação,
às teorias da psicanálise Lacaniana, que interpretaram os significados da alteridade na
constituição do eu e certo institucionalismo durkheiminiano por reconhecer o papel das
regras em suas análises.

Assim como Simmel, pensou as relações a partir das formas / interfaces


(sociabilidade) disponíveis para a troca social, responsável por manter a coesão e a
reprodução social, Goffman e o grupo de interacionistas pressupõem que só existe social
a partir da interação, considerada também como “ato de socialização. Toda a
socialização depende da significação que por sua vez é definida diante da circunstância
social na qual ocorre a troca, bem como da percepção situacional dos indivíduos, as
quais podem chamar, de percepção da realidade social. Interessante notar que os
interacionistas passam a conceber o momento da interação como um momento
comunicativo, dependente do fluxo de informação entre as pessoas envolvidas. E por
esse motivo o ambiente se torna importante para limitar o espaço da interação e facilitar o
fluxo de informações que um indivíduo precisa. Com Goffman a informação passa a ser
agente central das interações sociais.

[...] As informações sobre o indivíduo ajudam a definir a situação,


permitindo aos outros saberem de antemão o que espera o indivíduo
deles e o que poderão eles esperar do indivíduo. Se dispuserem das
informações adequadas, os outros saberão melhor como devem atuar a
fim de obterem do indivíduo a resposta que desejam. (GOFFMAN, 1993,
p. 11)

Para que o processo social ocorra é necessário que exista certo tipo de código
que comande a interação garantindo a eficiência e a continuidade da vida cotidiana. Esse
código existe devido às incertezas do cotidiano. Como garantir que o outro compreenda

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uma atitude subjetiva que diz respeito apenas a uma das partes? Para garantir a
funcionalidade da relação, os atores sociais criam estratégias para a comunicação,
gerando padrões de comportamentos e os hábitos do cotidiano. Ou seja, a comunicação
das informações passa a ser o objetivo da interação e a partir dessa troca de informações
acontece o processo de socialização. O estabelecimento de rituais, cerimônias, regras,
contribui para que se estabeleça dentro da sociedade em geral alguns códigos de
“cognoscibilidade compartilhada” (TEDESCO, 1999, p. 73) que vão auxiliar na
interpretação da interação na qual o ator está envolvido.

A individualidade de cada sujeito é determinada por meio das escolhas que são
feitas no ato da interação. Os efeitos da realidade circunstancial determinam a identidade
subjetiva e a interação, assim como a percepção do sujeito em relação à situação e
fazem este ter um conhecimento mais profundo da realidade social, que é constituída
pelas relações de interdependência entre os atores sociais.

Este indivíduo pode ser chamado de ator por incorporar certas regras / papéis /
roteiros, antes do momento da interação prevendo como é o outro e se defendendo da
mesma maneira. Goffman está convencido que o “cinismo” faz parte desse processo e o
nomeia como “comercialização de si mesmo” (TEDESCO, 1999, p. 76). Para Goffman
existe uma “moral” reguladora das interações sociais, não no sentido ético, mas no
sentido de incorporar papéis e estratégias para se esconder, para convencer e manipular
o outro garantindo o resultado da interação. Nas palavras de Tedesco: “a sociologia de
Goffman coloca a nu as estratégias implementadas pelos homens no sentido de
aparentar, persuadir, convencer, impressionar, proteger e não descuidar para que
determinada definição da interação/situação possa estar a contento e ser aceita”.
(TEDESCO, 1999, p. 77).

Pensando pela perspectiva do cinismo imanente às interações, Goffman coloca


em questão a existência de uma “realidade individual” completamente diferente do
desempenho ou até mesmo omitida do momento da interação. Ou seja, aquilo que circula
no território social nem sempre, ou quase nunca representa a essência do indivíduo.
Quem age socialmente é a pessoa, a máscara, os interesses práticos e imediatos. O
“verdadeiro” conteúdo só é acessível indiretamente ou involuntariamente por um
descuido (GOFFMAN, 1993, p. 12). Pela primeira vez ao conceber as interações sociais,
aparecem dois níveis de realidade individual entre o fluxo da atividade expressiva, a
transmissão e a emissão, como no fluxo comunicativo característico das teorias
funcionalistas e críticas sobre os meios de comunicação de massa, onde um emissor

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transmite a mensagem para o receptor, estando os dois em níveis diferentes de
conhecimento, consciência e acesso à realidade. O ator ora simula, ora dissimula seus
interesses e sua essência. Mais adiante será visto que essa concepção de realidade
juntamente com a concepção dos meios de comunicação de massa foram pressupostos
importantes para Baudrillard considerar a época contemporânea como a época da
“desaparição do real”.

O interacionismo simbólico assume uma perspectiva fenomenológica, com


métodos que privilegiam a intersubjetividade, sem levar em consideração processos
macro sociais e generalizantes, além de considerar elementos físicos e espaciais para a
composição do ambiente da interação. Essa teoria possui uma “visão interativa de
internalização e externalização”. As “determinações circunstanciais são sempre
contingentes, casuais e fatalistas” (TEDESCO, 1999, p. 74).

Então a metodologia interacionista de análise se baseia na pesquisa de campo,


na observação presente e no conhecimento prático, interpretando sempre a realidade
social através dos “olhos do ator”. A existência social está diretamente ligada ao saber
comum e as tipificações. Goffman se preocupa com a estruturação das experiências
individuais da vida social e não com a estrutura social em si.

Resumindo em linhas gerais, para os interacionistas o macrossocial é produzido


pelos sistemas microssociais. O processo de socialização, apreensão dos hábitos
simbólicos de um grupo, é além de tudo um teatro, marcado pelo espaço da cena, pela
tentativa do personagem se fazer parecer aquilo que ele precisa que o outro acredite.
Acreditando que os indivíduos são formados independentemente das estruturas
macrossociais que estabelecem sua vida cotidiana, essa corrente não tem como foco a
função da história e privilegia sempre o momento presente, no qual existe uma memória
coletiva recente, ou melhor, a existência de estratégias comportamentais pré-
estabelecidas, contendo as significações das ações dentro de determinada interação.

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4.2 Meyrowitz e a situação social midiática

Apesar de o interacionismo vislumbrar de certa forma a esfera comunicativa,


ainda o faz numa perspectiva de comunicação interpessoal e por isso trabalha com o
pressuposto da presença, do contato face-a-face como os componentes de uma situação
social.

Por outro lado, os estudos de Meyrowitz (1985) afirmam o aspecto naturalmente


midiático da vida cotidiana, inserindo os meios de comunicação eletrônicos no debate
sobre o entendimento da situação social. Sua obra “No Sense of Place”, escrita nos anos
80 tenta trazer ao debate do cotidiano a presença dos meios de comunicação eletrônicos,
principalmente a televisão. Dessa forma ele, busca entender os meios como propulsores
de ambientes culturais.

A partir da revisão das obras de McLuhan (1996) e Goffman (1993), que em sua ótica
eram insuficientes para explicar as mudanças que as mídias eletrônicas traziam à
dinâmica social, propõe uma reconfiguração na definição da situação social, tendo em
vista que a interação se dá num ambiente que ao mesmo tempo proporcionava a
interação entre homens e entre homens e mídia eletrônica, ou seja, num espaço social
híbrido. A partir dessa idéia se esforçou para pensar a situação social como um sistema
informativo (não só quanto ao fluxo entre pessoas), no qual as diversas audiências e as
mídias eletrônicas transformam-se em dados constituintes dessa situação, dessa
interação.

Provavelmente uns dos motivos pelo quais os teóricos da situação e dos


papéis optaram por considerar estáveis as situações sociais, é a
raríssima eventualidade de uma improvisação, mudança de posição de
portas e paredes, na configuração de uma cidade ou de outra estrutura
arquitetônica e geográfica. Mas as mudanças que acontecem nas
situações e nos comportamentos quando se abrem e se fecham as
portas e quando se constroem e se deslocam paredes, hoje
correspondem ao leve golpe de um microfone que se liga ou a um
televisor que se põe em função, ou ao toque do telefone ao qual se
levanta o recebedor para atender a uma chamada. (MEYROWITZ, 1985,
p. 65)

Ou seja, Meyrowitz se propõe olhar a relação entre mídia, o comportamento e a


situação. Pretende expandir o olhar sobre a situação definida em relação à posição.
“Enquanto sociólogos como Goffman tendem a pensar os padrões sociais em termos de
lugares que determinam as performances, eu acredito que a mídia eletrônica tem
enfraquecido a forma tradicional de relação entre configuração física e situação social”
(MEYROWITZ, 1985, p. 7, tradução nossa).

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Envolvido pelo pensamento de McLuhan e pelas teorias dos meios (mídias são
capazes de criar ambientes culturais), Meyrowitz questiona como as mudanças na mídia
podem mudar os ambientes sociais. Influenciado pelos situacionistas (o comportamento
social é formado por e nas situações sociais) reflete “qual efeito uma mudança no
ambiente social pode ter sobre o comportamento das pessoas” (MEYROWITZ, 1985, p.
15, tradução nossa).

Em “No sense of place”, introduz a questão do impacto da presença da mídia na


composição da situação social (ambiente), falando sobre o assassinato de Lee Oswald
na TV e conclui que as pessoas se referiam ao fato como se tivessem visto em primeira
mão, como se estivessem presentes, ou seja, a TV funcionou como a “representante
legal” da pessoa numa situação coletiva / pública / social, o que o leva a pensar que a
mídia eletrônica altera o significado da presença física na experiência de viver um evento
social. Dessa forma ele questiona Goffman e a importância do face-a-face. Não que esta
relação não seja importante, mas não é só esse tipo de relação que compõe a situação
social.

Até pouco tempo, a presença física era pré-requisito para se ter uma experiência
de “primeira mão” (first hand experience). O ato de ler ou ouvir outra pessoa contar um
fato, define uma experiência de segunda mão. Havia uma distância entre viver a
experiência e a mediação de outra pessoa ou do livro, mas com as mídias eletrônicas
essa distância deixa de ser representativamente negativa (no sentido de ausência e de
relação isenta de compromisso). Essa percepção diferenciada sobre o impacto dos meios
eletrônicos na vida cotidiana tem muita influência do pensamento de Marshall McLuhan.
O pensador que refletiu de forma geral sobre o impacto da eletricidade na percepção
humana. As formas de expressão movidas pela luz, pela eletricidade criaram outra forma
de habitar no mundo, outra forma de perceber a vida e com isso múltiplas possibilidades
de circulação e acesso à informação, manipulação do espaço e a própria concepção de
tempo se alteram.

Hoje é possível haver comunicação sem presença. A estrutura física sempre


separou a sociedade em diferentes espaços de interação, por exemplo, as paredes das
casas das famílias delimitavam o que era espaço privado e o que era público. Estar
dentro de sua própria casa implica que você poderá ter uma série de comportamentos
que na rua ou na casa de desconhecidos, não teria. Meyrowitz percebe que com a TV, a
casa familiar não é o único limite ou meio ambiente do eu, porque os membros da família
conseguem acessar através de rádio, TV e telefone outras pessoas em outros lugares.

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Mais uma vez o ambiente “privado / íntimo” se torna público e não é mais uma referência
fechada ou única.

“Mesmo dentro de casa, a mídia reformou o significado social do quarto individual.


Antes quando os pais queriam repreender um comportamento do filho isolando do
contato social, o mandavam para seu quarto, hoje no quarto da criança existem telefones,
TVs, rádios e computadores” (MEYROWITZ, 1985, p. 2, tradução nossa). Ou seja, o
contato social não ganha significado apenas pela presença física e pela definição física
do lugar da interação, mas também ganha significado a partir da mídia que se utiliza. A
mídia eletrônica alterou o tempo e o espaço da interação social.

A presença física e o contato sensório direto continuam sendo formas


primárias de experiência. Mas a esfera social definida por paredes e
pontes são hoje apenas um dos tipos dos ambientes de interação. Se
uma câmera, um microfone, um telefone estão presentes num espaço
suas barreiras deixam de existir e de impedir a interação. (MEYROWITZ,
1985, p.2, tradução nossa)

Goffman sempre viu a situação definida em relação à posições/cenários físicos


estáticos. Porque para ele as leis, instituições, regras fazem parte da esfera macro social
e, portanto não sofrem alterações a não ser pela ação simbólica dos homens em
interação face-a-face.

Meyrowitz por outro lado, acredita que a mídia eletrônica afeta o comportamento
social não por causa da mística sensorial (referindo-se aqui ao trabalho de McLuhan),
mas sim porque ela causa um rearranjo dos estágios sociais nos quais jogamos /
representamos com nossos padrões. Como resultado, o senso de comportamento
apropriado muda, ao mudar a audiência, e assim mudam as performances sociais. Na
interação face-a-face raramente ocorre o encontro de audiências distintas, tanto é que a
mídia eletrônica extrapolou o know-how que homens e mulheres têm para interagem com
o sexo oposto. Seu pensamento quer sugerir que a reestruturação das arenas sociais e
das performances, representa pelo menos uma parte importante responsável pelas
tendências sociais.

Ao fazer uma comparação entre a mídia impressa e a mídia eletrônica percebe,


que a primeira coloca as pessoas em diferentes níveis e a segunda diminui as diferenças
entre os espaços de circulação de informação mudando a situação geográfica. Os meios
de comunicação eletrônicos cada vez mais nos colocam na presença de audiências não
presentes fisicamente.

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Meyrowitz acredita profundamente que uma nova ordem social se constitui
quando várias audiências, distintas entre si, têm a possibilidade de olharem (também pela
tele-presença) umas as outras. O comportamento de cada um passa a ser influenciado
pela presença de alguém diferente, com outros pontos de vistas, outros objetivos sociais.
A mídia eletrônica faz sumir as paredes, mistura os espaços e conseqüentemente as
performances e a percepção das pessoas. Não que a distância suma, mas ela
certamente muda.

A relação entre homem e mídia foi pensada nos anos de 1920 majoritariamente a
partir da teoria da bala mágica. Depois nos anos de 1930 e de 1940 a maioria das
pesquisas americanas estudou as variações entre estímulos e repostas. De modo geral,
o foco do estudo sempre foi a mensagem e não o como os diferentes componentes da
informação fluem pelas mídias.

Assim como McLuhan, Meyrowitz não concorda em pensar a mídia como sistema
de entrega neutro, no qual, a mensagem o define. Os estudos se preocuparam mais com
o conteúdo da mensagem que a TV leva para as casas, do que com o fato de a TV ter
transformado a casa e as outras esferas sociais num novo ambiente social com novas
parceiras de ação social, sentimentos e crenças.

A mídia eletrônica afeta o comportamento social não pelo poder de suas


mensagens, mas porque esses meios reorganizam o cenário da
interação social no qual as pessoas atuam. A estrutura do cenário social
se mostra como um elemento chave para a identificação de cada grupo.
(MEYROWITZ, 1985, p. 15, tradução nossa)

A mídia eletrônica mudou as variáveis envolvidas na comunicação. Nós podemos


experienciar um evento à distância e Meyrowitz considera a tele-presença como variável
da experiência e não como a perda da experiência, como por exemplo, num jogo de
futebol.

Contrariamente à Goffman, Meyrowitz (1985) sugere que a interação social não


está dependente de um cenário físico e estático, responsável pela ambientação da
percepção, mas à simples realidade de uma tele presença capaz de modificar a natureza
dos comportamentos e interações. Com a tele-presença, as mídias eletrônicas trazem um
novo tipo de relação entre espaço social e pessoas. As diversas audiências são
chamadas a interagir num mesmo espaço, híbrido, formado por múltiplas interfaces de
interação. “A natureza da interação não é determinada pelo meio ambiente físico
enquanto tal. Mas pelos modelos de fluxos informativos.” (MEYROWITZ, 1985, p. 75,
tradução nossa).

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CAPÍTULO II - DA SITUAÇÃO SOCIAL MIDIÁTICA PARA A VIRTUALIDADE

A partir da exposição sobre a consolidação da sociedade midiática, espera-se


fornecer elementos para a compreensão das principais características que modificaram
os tradicionais processos de comunicação, especialmente com a internet, as novas
interfaces de comunicação e a nova forma de compartilhar informação. Nesse contexto
evidencia-se também o cenário no qual se desenvolve a sociedade em rede, culminando
nas diversas concepções sobre a virtualidade e sua relação com a realidade. Essa
exposição apóia-se em textos que tratam das teorias de comunicação, da sociedade em
rede e da virtualidade (WIENER, 1954; VIRILIO, 1993; LÉVY, 1996, 2000, 2007;
KERCKHOVE 1997; PÉRNIOLA, 2000; SANTAELLA, 2004; BAURDILLARD, 2005;
CASTELL, 2005; DI FELICE, 2005, 2007, 2008).

1. A situação social midiática: convergência e interatividade

Assim como a prensa manual no século XVI e a fotografia no século XIX


exerceram um impacto revolucionário no desenvolvimento das
sociedades e culturas modernas, hoje estamos no meio de uma
revolução nas mídias e uma virada nas formas de produção, distribuição
e comunicação mediadas por computador que deverá trazer
conseqüências muito mais profundas do que as anteriores. [...]
Quaisquer meios de comunicação ou mídias são inseparáveis das
formas de socialização e cultura que são capazes de criar, de modo que
o advento de cada novo meio de comunicação traz consigo um ciclo
cultural que lhe é próprio. (SANTAELLA, 2004, p. 62).

A construção do discurso moderno, como pensou Lyotard, foi marcada pelo


esforço de legitimar e estruturar a política e economia para a reprodução e progresso das
novas formações sociais urbanas e industriais. A época considerada midiática, de
maneira diferente, tem como centro de referência e estruturação a cultura, que se torna
um meio de reprodução dos valores da política e da economia. Santaella (2004) reforça
que o ponto de clivagem foi o apogeu da sociedade de massa, com a introdução dos
meios de comunicação na vida cotidiana do homem comum. Até meados do século XIX,
havia uma separação entre duas culturas, “de um lado a cultura erudita das elites, de
outro a cultura popular, produzida no seio das classes dominadas” (SANTAELLA, 22004,
p. 52). Com a cultura de massa, essas audiências foram colocadas nos mesmos
ambientes.

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Um meio de comunicação como o cinema, por exemplo, levou a população a um
tipo de evento cultural coletivo em grande escala. Com ele surge um tipo de sociabilidade
coletiva baseada no compartilhamento da imagem, veiculada num espaço específico e
acima de tudo público. Esse espaço passa a ser construído também por um novo tipo de
imaginário coletivo, compartilhado e empático, fazendo com que o cinema se tornasse
uma forma de conexão cultural. Com o cinema, assim como na metrópole, o sujeito é
levado a viver uma narrativa que não a sua e nem a de seu amigo ou familiar, mas vive a
realidade de uma cultura distante, contada a partir da montagem de imagens, a partir de
um tempo totalmente artificializado. O cinema acaba por criar um tipo de subjetividade
com a qual ele entra em contato empaticamente e coletivamente. Surge um tipo de
sociabilidade pela identificação afetiva e pela personificação do desejo fora de si, na qual
o sujeito não tem o controle racional.

Assim como o jornal teve sua participação na formação da coletividade intelectual


e no surgimento da “opinião pública” na época do protestantismo, o rádio, inicialmente
instalado em locais públicos, também proporciona o encontro de diferentes audiências
num espaço centralizado na reprodução da voz. Ou seja, neste momento, a coletividade
entra em contato através de uma tele presença. Com a expansão dos meios de
comunicação, a noção de espaço delimitado passa a não mais ter tanta força estrutural,
como se o local pudesse ser expandido através dos meios de comunicação, promovendo
a mistura e a troca cultural.

Com o fortalecimento dos investimentos e o aprimoramento das tecnologias de


reprodução dos meios de comunicação, principalmente depois da Segunda Guerra
Mundial, período no qual eles tiveram grande função social e política, caem os preços e o
homem comum passa a ter a possibilidade de levar o rádio, e mais tarde a televisão, para
dentro de sua casa. Um universo de culturas passa a habitar a casa daquele sujeito
definido anteriormente por uma identidade fixa, marcada pela separação do
comportamento entre espaço público versus o comportamento do espaço privado. Com
isso, os próprios hábitos sociais e pessoais são alterados. A televisão traz ao mesmo
tempo a cultura do outro e a possibilidade de consumo individual. Com todo esse
desenvolvimento, investimento e cruzamento cultural, a distinção entre cultura popular e
erudita torna-se cada vez mais fraca, dando margem à consolidação da cultura de
massa.

Nos anos oitenta do século XX, a intersecção cultural estava instalada, e foi
fortalecida a partir da criação de novos meios eletrônicos. Videocassetes, fotocopiadoras,

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videoclipes, videogames, controle remoto e mais tarde os CDs e a TV a cabo, chamados
por Santaella como tecnologias do disponível e descartável (SANTAELLA, 2004), passam
a oferecer um novo tipo de relação entre homem e mídia.

Essas novas “tecnologias do disponível” apresentam como característica principal


a personalização do uso e da relação com o meio. Com eles o “telespectador” tem a
possibilidade de escolher a programação, mesmo que ainda de forma mais limitada. Com
o videocassete, o papel de espectador passivo passa para o papel de agente
manipulador. O homem se apropria do meio ao se afiliar às suas especificidades
criativas, gerando seu próprio conteúdo. Escolhe onde e como esta produção será
distribuída. O videoclipe, por sua vez, inaugura um novo tipo de linguagem. Uma pré-
forma hipertextual, na qual texto, imagem e música, conformam uma perspectiva.

Essas novas mídias enfraquecem a noção de indústria cultural, porque de alguma


forma proporcionaram uma abertura da relação entre o meio e o receptor. A influência do
emissor passa a ser vista de forma limitada, porque de espectador manipula diretamente
o meio. O meio não está exclusivamente dependente de um único emissor. A relação
entre emissor e receptor, estabelecida pela antiga teoria hipodérmica (a mensagem
sempre atinge a massa), passa a não ser a única forma de avaliar a relação entre homem
e mídia. A situação social, marcada pela presença desses novos meios, torna-se
complexa, culminando no surgimento de diferentes estudos sobre o meio e sobre o
receptor, em detrimento das primeiras teorias que olhavam apenas o emissor.

Dessa forma, a sociedade midiática traz como característica fundamental a


interatividade e a aproximação dos meios de comunicação à vida particular. A “cultura
das mídias” está estritamente ligada ao novo tipo de dinâmica, na qual a interatividade
“possibilitou aos seus consumidores a escolha entre produtos simbólicos alternativos”
(SANTAELLA, 2004, p. 53). Os anos de 1980 são marcados pela consolidação da
televisão e do papel do consumidor.

Neste contexto, a interatividade é vista como possibilidade de apropriação e


reconfiguração de mensagem, numa transação de informação (LÉVY, 2005) e pode
também ser chamada de feedback (realimentação). Sua ação não é vista como algo que
surge exclusivamente do meio, ou como ação exclusivamente mental. A interatividade, na
perspectiva da “cultura das mídias”, representa a possibilidade de encontro e conversa
entre meio e pessoa. Mesmo porque a palavra “interatividade” se origina dentro da

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corrente cibernética2, que concebe tanto o homem quanto a máquina como sistemas
inteligentes e ativos na construção da situação de informação.

Segundo McLuhan, a passagem dos meios de massa para os meios eletrônicos


interativos só foi possível quando a mídia passou a ter como base a luz elétrica e não a
energia mecânica, pois se assim fosse, as possibilidades de transformação seriam
limitadas e nunca trariam um elemento novo no processo comunicativo, como foi o caso
do feedback e do controle remoto.

Castells chega a dizer que “no século XX a cultura audiovisual, renegada, na


época da modernidade, tem sua revanche com a TV, o rádio, o cinema”. Existe certa
tensão entre “a nobre comunicação alfabética e a comunicação sensorial não meditativa,
aquela que experimentamos com o corpo” (CASTELLS, 2005, p. 411). Castells acredita
que a revolução tecnológica da informação se assemelha ao impacto da invenção do
alfabeto na antiguidade, devido à capacidade de integração entre várias formas de
comunicação, escrita, oral, audiovisual e eu diria ainda, sensória.

Considerando a comunicação e os meios de comunicação como linguagem e


também a realidade como resultado da linguagem, Castells acredita que quando mudam
as formas de expressão, mudam as crenças e códigos produzidos historicamente. Como
já referido, de acordo com Santaella (2004), “toda mídia não está separada das formas
de socialização e cultura que ela é capaz de criar”.

De modo geral, a principal diferença, elucidada pelos autores que escrevem sobre
os meios de comunicação, entre a sociedade de massa e a época da cultura das mídias,
está no fato de que na sociedade de massa o sistema comunicacional pressupunha uma
audiência estática e um fluxo comunicativo unidirecional (emissor receptor). Na época
da cultura das mídias, com os novos meios descartáveis e à disposição, a audiência se
complexifica.

Segundo Castells, a cultura televisiva, que estabeleceu a teoria da indústria da


cultura, muda o hábito social. A difusão da TV nos anos de 1950, no pós-guerra, criou
uma nova galáxia de comunicação. A partir da TV, os outros meios de comunicação
foram reestruturados. A programação de rádio ganha flexibilidade e penetrabilidade,
adaptando-se ao ritmo da vida cotidiana, os filmes se adaptam às audiências da TV,
jornais e revistas se especializam em aprofundar e diversificar conteúdo.

2
Teoria desenvolvida no campo das tecnologias da informação, no período da Segunda Guerra
Mundial, principalmente por Norbert Wiener.

Página | 70
Para Castells, a TV representou o fim da Galáxia de Gutenberg, ou seja, o fim de
um sistema de comunicação “essencialmente dominado pela mente tipográfica e pela
ordem do alfabeto fonético” (CASTELLS, 2005, p. 471). Enquanto componente social, a
força da televisão está em trazer o componente sensorial, ela “arma o palco para todos
os processos que pretendem comunicar à sociedade em geral, de política a negócios,
inclusive esportes e arte” (ECA; POSTMAN apud CASTELLS, 2005, p. 80).

A tipografia enaltece a racionalidade, a ordem, a precisão, o distanciamento, o


desligamento e a objetividade. A comunicação na TV é caracterizada pela sedução e pela
estimulação sensorial da realidade. Olhando para a situação na qual a televisão foi
inserida, pode-se perceber que o espectador não a assiste de forma exclusiva, porque ao
ver TV o espectador pode desempenhar tarefas domésticas, familiares e interação social.
Vivemos com a mídia e pela mídia. A audiência não está desesperada e a mídia não é
toda poderosa. A teoria em evolução sobre os efeitos modestos e condicionais da mídia
“ajuda a relativizar o ciclo histórico do pânico moral a respeito do novo meio de
comunicação” (CASTELLS, 2005, p. 419).

Para Santaella (2004), vivemos numa espécie de Idade da Mídia, não mais ligada
apenas à natureza discursiva e lingüística do social culturológico ou dos meios de
comunicação de massa unidirecionais e catalisadores. O espectador não é inerte e
impotente sobre a mídia, ele interage com ela de qualquer forma, acionando seu
conteúdo referencial. Na maior parte das críticas sociais elaboradas por pensadores que
defendem a mudança social, as pessoas são vistas como “receptáculos passivos de
manipulação ideológica, na verdade inibindo as idéias de movimentos e mudanças
sociais, exceto sob o modo de eventos excepcionais singulares gerados fora do sistema
social” (CASTELLS, 2005, p. 420).

“O impacto da televisão funciona de modo binário: estar ou não estar”


(CASTELLS, 2005, p. 421). Ou seja, o fato de estar ou não na TV, determina o tipo de
relação entre TV e espectador, porque a partir do momento em que a mensagem está
nela, pode ser modificada, transformada, ou mesmo subvertida, não há como controlar o
processo mental. O que está na TV está inserido no inconsciente coletivo. A mídia
representa o conteúdo simbólico da vida social, e, sendo assim, afeta a consciência e o
comportamento. Segundo McLuhan afeta a própria estrutura do sistema nervoso central.

[...] o fato de a audiência não ser objeto passivo, mas sujeito interativo
abriu caminho para sua diferenciação e subseqüente transformação da
mídia que, de comunicação de massa, passou à segmentação,
adequação ao público e individualização, a partir do momento em que a

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tecnologia, empresas e instituições permitiram essas iniciativas
(CASTELLS, 2005, p. 422).

As análises da sociedade midiatizada oscilam entre aqueles que percebem a


interatividade, a alteração do fluxo comunicativo e entre aqueles que viram a esfera
midiática como metalinguagem da realidade, impedindo o contato direto com a realidade.
Mas, de acordo com Meyrowitz, a estrutura da situação social muda quando o social
passa a ser interpelado pela realidade das relações mediadas pelos meios de
comunicação capazes de promover contato à distância. O espaço “social”, o “estar junto”
ganha contornos que vão além da presença e além das instituições. Quando um meio de
comunicação está em um lugar, ele pode colocar diferentes “classes”, “tribos” em contato
e ao promover a mistura de pessoas, culturas e idades, amplia a relação entre o
comportamento, a subjetividade e as regras sociais.

1.1 Fortalecimento das novas mídias

Alguns autores acreditam que a condição midiática da sociedade de massa, aliada


ao desenvolvimento das tecnologias da informação aplicadas aos relacionamentos
sociais, foram os pressupostos da cibercultura. Com o surgimento do controle remoto ou
do hábito do “surfing”, essas novas práticas permitiram “a criação de um mosaico visual”.

A integração dos diversos tipos de linguagens trouxe aos meios de comunicação


de massa a interatividade, que por sua vez revolucionou a forma como a sociedade se
relacionava com os meios de comunicação. A partir daí a integração de linguagens e
tecnologias levaria a sociedade midiática a um estágio mais avançado de interatividade,
colocando tecnologias da informação em contato com tecnologias de comunicação.

O surgimento da internet está ligado a esse fluxo de integração entre plataformas


de comunicação e de informática. O processo de formação e difusão desta foi marcante
para moldar sua estrutura, arquitetura, cultura e padrões de comunicação. A rede tem
uma arquitetura controlável até certo ponto, porque é aberta. “A abertura do sistema
também resulta do processo inovador constante e da livre acessibilidade imposta pelos
primeiros hackers de computadores (em seu sentido original) e pelas centenas de
milhares de pessoas que ainda usam a rede como hobby” (CASTELLS, 2005).

É interessante que essa cultura universitária, científica, curiosa e exploradora,


resulta numa prática coletiva de “esforço constante” para melhorar as condições da rede,

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através da cooperação tecnológica espontânea. Segundo o autor, as redes de
comunicação mediadas por computador podem ser caracterizadas por: “penetrabilidade,
descentralização multifacetada e flexibilidade. Alastram-se como colônias de
microorganismos”.

Castells interpreta essa mistura cultural, essa circulação das mensagens em rede
global como uma forma de viver numa aldeia global, só que num sentido de isolamento
domiciliar sob medida, “globalmente produzidos e localmente distribuídos” (CASTLLES,
2005, p. 426).

O que permanece das origens contraculturais da rede é a informalidade


e a capacidade auto-reguladora de comunicação, a idéia de que muitos
contribuem para muitos, mas cada um tem a própria voz e espera uma
resposta individualizada [...] Na verdade, há mais pontes do que os
especialistas em comunicação normalmente reconhecem entre as
origens contraculturais da CMC e o geral dos internautas de hoje [...]
(CASTELLS, 2005, p. 441, 442).

2. Sociedade em rede

2.1 O paradigma da sociedade da informação

O termo sociedade em rede deriva de um paradigma ainda mais abrangente, que


é o da sociedade da informação. Pode-se considerar que o paradigma da informação
nasce com Norbert Wiener, mas só se estabelece como tal a partir da transformação
ocorrida no uso dos computadores que culmina na criação da internet.

Em meados dos anos de 1940, Wiener começa a estudar física probabilística,


preocupado em compreender a imprevisibilidade da atividade de algumas partículas,
chegando à conclusão de que a causalidade linear, utilizada pela física como método
científico, não pode ser aplicada em todas as circunstâncias. Intrigado por essa questão,
Wiener passa a estudar a autonomia dos sistemas que se auto-regulam e assim nasce a
concepção de retroalimentação ou feedback. O circuito de saída se transforma em
circuito de entrada, e assim sucessivamente. Ou seja, quem recebe se torna emissor e
vice-versa. A possibilidade de feedback aliada à convergência entre informática e aos
meios de comunicação inaugura uma nova forma de interação via computador, a internet.

Antes de Goffman pensar a importância dos fluxos informativos da interação


social face-a-face, Wiener, ao conceber a corrente cibernética, extrapolou a condição

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humana à condição de qualquer outro sistema, como as máquinas ou os animais,
enfraquecendo a autonomia do homem perante as máquinas ou a natureza. Para ele, um
fenômeno é processo e o estuda a partir da informação que o compõe e de sua
transmissão. Para Wiener a informação é tão importante quanto a matéria ou a energia.
Dessa forma, o paradigma informacional que abarca as características da sociedade em
rede apóia-se na auto-regulação dos sistemas e na extinção da diferença entre emissor e
receptor. O fluxo comunicativo passa a ser constante e acontece em múltiplos sentidos.

A convergência entre microeletrônica e telecomunicação culmina na criação de


um inédito sistema de interação entre máquinas e fontes de dados, chamado,
posteriormente, de internet. A forma de compartilhamento da informação entre máquinas
– no qual a tecnologia digital age sobre a manipulação de informação a partir da própria
informação como código, (como um metadado, dado que fala sobre outro dado),
possibilitou novo tipo de interação entre as pessoas e entre pessoas e máquinas. Nesse
modelo de interação, a rede de relacionamentos é marcada pelo próprio movimento de
processamento concentrado em múltiplos fluxos.

A sociedade em rede é marcada pelo acesso e pela circulação da informação.


Dando à rede a possibilidade de distribuição, disseminação, manipulação,
compartilhamento e construção colaborativa do social, do conhecimento e da afetividade.

A percepção vinda da física, apropriada pela cibernética, de que a complexidade


pode acontecer a partir de sistemas simples e de processos não lineares, marcou o
entendimento da internet como uma rede que ultrapassa a função de transmissão ou de
repositório social. Sendo assim, os meios de comunicação digital proporcionam a
apropriação e a manipulação dos espaços e tempos da comunicação. Na sociedade em
rede a ecologia humana passa a acontecer por simbiose com o sistema de informação
das máquinas.

2.2 A internet

Desde os anos de 1960 já se predizia o surgimento dos serviços públicos de


informação, mas a convergência entre as diferentes técnicas não era satisfatória. O
desenvolvimento da fibra ótica, do videofone de Biarritz, da rede Transpac de
comunicação por pacotes e, sobretudo dos serviços Teletel, com o advento do célebre
Minitel, não foi o bastante para garantir a exportação de informação para outros sistemas.
Problemas com a qualidade do terminal de recepção e com o excesso de tempo para

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execução das transações ainda persistiam. O esforço em desenvolver uma tecnologia
capaz de integrar máquinas e sistemas expôs o interesse coletivo de compartilhar
informações e de prestar serviços interativos de informação, tanto para as empresas
internamente quanto para o público em geral.

A idéia da rede de computadores surge em 1964 de um pesquisador. Paul Baran,


da Rand Corporation, que criou um sistema baseado em blocos de informações que
circulariam entre redes, num tipo de roteamento dinâmico para evitar congestionamento.
A evolução desse processo se deu a partir de 1966 quando Bob Taylor, diretor da
DARPA (Departamento de pesquisas avançadas da agência de defesa americana),
pensava em criar um sistema de comunicação invulnerável a ataque nuclear. Colocando
seus computadores em rede, criou um microprocessador de mensagens que gerenciava
a comunicação entre as máquinas, fazendo surgir a famosa ARPANET (rede da
Advanced Research Projects Agency). Mais tarde, esse sistema foi aberto principalmente
às universidades e centros de pesquisa, para o compartilhamento de informações, tanto
científicas quanto pessoais.

Nos anos de 1970, a necessidade de compartilhar informação levou a diversos


grupos trabalharem no aprimoramento desse sistema e também na sua ampliação. Foi
quando surgiu a comunicação entre computadores através de linha telefônica. Toda vez
que uma mídia se mistura a outra, surgem possibilidades inusitadas de comunicação e
essas misturas trazem à cultura diversidade e hibridismo. O idioma dos computadores foi
criado em 1983, quando pesquisadores de Berkeley adaptaram o sistema Unix dos
laboratórios Bell, criado em 1969, para o protocolo TCP/IP, possibilitando que a rede
doméstica pudesse ser estendida a ambientes maiores.

A difusão da comunicação mediada por computador, que começou nas


universidades no início dos anos de 1990, amplia-se em alta escala entre pós-
graduandos e docentes. O amplo uso da internet deu-se a partir de 1993, com o primeiro
browser, possibilitando a navegação da rede.

Atualmente navegamos pela rede através de um sistema básico de interface


visual, o sistema WIMP (windows, icons, mouse, pointer, interface). Tanto esta interface,
quanto os dispositivos informacionais próprios para a transferência de arquivos,
propiciaram o tipo de navegação hipertextual. O ambiente da internet permite que
múltiplos espaços, textos, imagens sejam manipulados ao mesmo tempo, através da
simples atividade de abrir e fechar as janelas e menus.

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Ao definir a internet, Negroponte (apud SANTAELLA, p. 156 - 57) a compara ao
formato dos patos voando. “Mesmo na inexistência de um comando, suas peças se
ajustam de modo admirável”.

Muitos autores criticam a internet dizendo que ela é o resultado de uma


experiência militar e dos interesses comerciais. Mas percebe-se que a partir do momento
em que o novo sistema de comunicação passou a fazer parte da esfera universitária, a
rede tomou a forma colaborativa e aberta, imprevista pelos militares.

A explosão da rede se explica porque ela nunca serviu apenas a fins


militares. Ao contrário, ela sempre serviu a redes científicas,
institucionais e pessoais que cruzavam não só o Departamento de
Defesa, mas também a Fundação Nacional de Ciência, as principais
universidades ligadas à pesquisa e núcleos de geração de idéias
especializados em tecnologia, nos Estados Unidos. (SANTAELLA,
2004, p. 87).

2.3 Concepções sobre rede

Diversas áreas do conhecimento se debruçaram sobre conceito de rede, antes


mesmo de Manuel Castells lançar sua importante obra sociológica, intitulada “Sociedade
em rede - a era da informação: economia, sociedade e cultura”. O conceito de rede
esteve atrelado à representatividade gráfica e à cartografia das formas de interação
humana, muito antes de adquirir os contornos filosóficos materializados nas obras de
Deleuze, Guattari (2004) e Latour (1994). A denominação “rede” foi utilizada pela
matemática e pela antropologia como forma de radiografar os vínculos entre pessoas, e
não como metáfora da dinâmica social.

Na matemática, a concepção de rede surge com base na teoria dos grafos criada
pelo matemático Ëuler – na qual a rede é representada por um conjunto de nós
conectada por arestas. Ëuler introduz a noção primordial de conexão entre pontos para a
constituição da rede. Nos anos de 1990, a teoria dos grafos é desenvolvida através
estudos de Albert-László Barabasi, professor de física na Universidade de Notre Dame
(Indiana-EUA).

Barabasi inaugura a noção de “redes sem escala”, sugerindo uma dinâmica na


estruturação das redes geradas de uma forma aleatória e não apenas um mapa estático
das ligações, constatando que os pontos com mais ligações permanecem com maior
número de vínculos – “rich get richer” (2003).

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A concepção de rede no campo da antropologia surge nos anos de 1970,
tornando-se uma ferramenta no auxílio do trabalho de campo. A rede foi utilizada para a
compreensão da dinâmica das ligações dentro de um grupo específico. Essas novas
análises consideraram o movimento da rede além da relação numérica de conexão e
expansão, e pensaram a rede como uma forma de representação cartográfica - um mapa
ou foto - das relações humanas. A partir da concepção desse mapa, o antropólogo
poderia determinar qual a dinâmica e quais os vínculos que marcavam a essência do
grupo.

Os primeiros trabalhos foram realizados pela chamada Escola de Manchester,


nomeadamente pelos trabalhos de Max Gluckman e J. Clyde Mitchell. A prática de
pesquisa era a observação dos atores sociais, seus papéis e suas ligações, como
dimensões integradas num mesmo sistema. Dessa forma a ciência social privilegia a
agência das pessoas e o significado de suas ações.

Com exceção do trabalho de Latour (1994), interessado em questionar o método


da ciência ocidental, a noção de rede extrapola à dinâmica e agência de diversos
componentes, que não só o homem e seus valores. Latour desenvolve a teoria “ator-
rede”, como alternativa à prática antropológica. Reconhece assim a complexidade da
situação social e busca aproximar o trabalho de campo da complexidade das relações na
pós-modernidade. Nesse caso a tecnologia pode ser vista como um agente da rede que
influencia sua dinâmica.

A rede, para Castells, é a própria expressão da formação social baseada na


conexão generalizada, global. “Está fundamentada na disjunção sistêmica entre o local e
o global para a maioria dos indivíduos e grupos sociais” (Castells, 2005, p. 27). Castells
concebe a noção de rede apoiada na manipulação e circulação da informação como
estruturação da vida social. Entretanto, suas perspectivas perecem ainda não sair do
campo sociológico tradicional, focando as relações de trabalho e a geração de recursos a
partir da informação como nova moeda social.

As concepções de rede citadas acima não esgotam as perspectivas para seu


entendimento.

[...] As formas experienciais das deslocações técno-comunicativas que


criam e multiplicam espaços e materialidades eletrônicas socialmente
ativas, tornam oportuno o surgimento de um novo léxico capaz de relatar
as experiências sociais que se criam a partir das novas formas de
superação de fronteiras entre o orgânico e o inorgânico (DI FELICE,
2005, p. 16 -18).

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2.4 O ciberespaço como parte da realidade social e espaço cognitivo

A palavra ciberespaço deriva da teoria cibernética, mas o termo foi popularizado a


partir do romance “Neuromancer’, escrito por Willian Gibson, no ano de 1982. A partir de
então, inúmeras foram as problemáticas em torno dessa palavra, que define a cultura
contemporânea.

No primeiro parágrafo da “Declaração de independência do ciberespaço” (obra de


1996), Perry Barlow afirma que “o ciberespaço é a nova casa da mente. Ou seja, é por
excelência um espaço cognitivo. Entretanto, com os novos ambientes de interação
digitais, esse espaço não é somente cognitivo, mas também sensório, pois gera
sensação através de um tipo de toque artificializado. Para Perry Barlow, a sociedade
industrial reduziu o homem e seu pensamento à estrutura totalizante do capitalismo, da
economia, e o ciberespaço para ele representa ao contrário, a livre circulação de idéias.
A internet está longe de ser perseguida pelos interesses da política capitalista. Esse
espaço não suscita de maneira alguma a coação ou imposição de valores pela força da
dominação econômica, mas sim promove ligações em rede impossíveis de serem
controladas pelos governantes.

Na ótica de Barlow, assim como na ótica de Lévy (2000), o ciberespaço é


pensado como lugar de auto-reapresentação, de independência e autonomia. Este é o
lugar da transitoriedade. Nele, não há diferença entre classe social, preconceitos de raça
ou imposição de força pelo poder, aqui o que importa é a experiência proporcionada pela
interação entre os diversos elementos envolvidos no momento da interação.

Alguns autores (BAUDRILLARD, 2005; SODRÉ, 2006), ao tratarem do tema,


apontam o ciberespaço como um espaço separado da realidade social, um espaço
limitado à relação com o computador pessoal e paralelo. Estes, acostumados a perceber
os meios de comunicação como instrumentos do sistema econômico, acabam por
transpor as teorias sobre a sociedade do espetáculo na análise da sociedade em rede e
assim consideram o ciberespaço como uma ficção, como uma simulação de um social
igualitário, acabando por localizar o ciberespaço como ferramenta exclusiva de imposição
do capitalismo. Essa análise sobre o ciberespaço está intimamente ligada às teorias
sobre o virtual desenvolvidas por Baudrillard (2005). Baudrillard esteve sempre
preocupado com a busca da verdade e da experiência imediata.

Autores como Lévy, Kerckhove e Santaella levam as análises sobre o ciberespaço


na direção da hibridação entre homem e máquina. A partir da emergência da cibercultura

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e do ciberespaço, repensam toda a estrutura do pensamento ocidental. Com eles, o
ciberespaço pode ser pensado como mais um espaço social sensório e cognitivo, que
proporciona formas diferentes de interação baseadas principalmente num fluxo de
informação caótico, diferente daquele estabelecido pela relação entre emissores e
receptores.

Para Lévy (2000), a tecnologia não está separada de um fenômeno cultural da


mentalidade coletiva. Ou seja, a tecnologia é resultado e ao mesmo tempo ambiente de
um esforço coletivo cognitivo e afetivo. Lévy atribui a cisão entre tecnologia e fenômeno
social à visão da tecnologia como instrumento.

Não é possível atribuir unicamente à indústria automotiva e às


multinacionais do petróleo o impressionante desenvolvimento do
automóvel individual neste século [...]. O automóvel respondeu a uma
imensa necessidade de autonomia e de potência individual. [...] Se não
tivesse encontrado desejos que lhe respondem e a fazem viver, a
indústria automobilística não poderia, com suas próprias forças, ter feito
surgir esse universo. O desejo é motor (LÉVY, 2000, p. 123)

A partir do pensamento de Lévy, é possível estabelecer outro ponto de vista a


respeito da situação social tecnológica, ou melhor, das tecnologias do social. Tem-se que
além da vontade econômica, existe a vontade coletiva de comunicação recíproca e de
inteligência coletiva que impulsiona a instalação de dinâmicas sociais permeadas pela
cultura do ciberespaço como um novo espaço social de interação.

A dinâmica das interações digitais acontece pela dinâmica da rede. Não há ponto
inicial de onde parte a informação enquanto mensagem. Segundo McLuhan, a
mensagem reflete a forma de pensar a informação como algo que deve atingir um
objetivo específico, como algo dotado de um propósito. No caso do ciberespaço, o social
está mais próximo de ser um ecossistema global, a rede metaforicamente pensada pela
figura do rizoma (DELEUZE; GUATTARI, 2004; LATOUR, 2005).

Na narrativa ocidental, a construção material do espaço sempre refletiu a


construção simbólica da sociedade, fixando a relação entre conceito e imagem na qual o
conceito deveria fixar as imagens e extinguir a multiplicidade de significados. Desde a
sociedade de massa, os meios de comunicação criaram alterações na relação com o
espaço físico e simbólico.

O ambiente do ciberespaço aporta outro tipo de interação com o lugar, um habitar


informativo (DI FELICE, 2008b) - possivelmente melhor descrito pela noção de interface,
um tipo de pele que constantemente permite a mistura das superfícies (computadores,
informações e homens).

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O ambiente social do ciberespaço não é topológico nem geográfico, é múltiplo e
fluido, baseado nas trocas informativas e na relação não exclusivamente antropomórfica
com o corpo e com a alteridade. O social do ciberespaço não visa representar fielmente o
real simplesmente, porque ele não faz essa distinção (Lévy, 2000). O ciberespaço é
disseminado na interação com a técnica - não é cópia nem original.

A história das revoluções comunicativas nos mostra como a introdução


de uma nova tecnologia comunicativa altera não somente a forma de
perceber o mundo, introduzindo extensões mecânicas capazes de
amplificar os nossos sentidos, mas, sobretudo, como revelado por
Benjamin, torna-se capaz de modificar a forma do espaço alterando a
localidade e introduzindo espacialidades técnicas e informativas antes
inéditas. (DI FELICE, 2008a, p. 70).

2.5 A cultura digital

Partindo da cronologia criada por Lévy (2007), os anos de 1950, marcaram a


época do computador enquanto máquina de calcular; os anos de 1980 foram época da
internet, quando se iniciou a inter relação entre computadores; já nos meados dos anos
de 1990, aconteceu a época da web, do computador pessoal e da rede como forma de
interação. Por fim, Lévy coloca que, nos anos de 2015, estaremos vivendo a cibercultura,
como um espaço semântico.

Comunicação em tempo real, quebra das fronteiras geográficas, navegação através


do hipertexto, transferência de arquivos e ausência das figuras de emissor e receptor
foram as características da integração entre sistemas de informação que acabaram por
constituir uma nova cultura. Para Lévy “passamos da noção de canal e rede a uma
sensação de espaço envolvente [...] todo o espaço se tornaria um canal interativo”
(LÉVY, 2000, p. 127).

Na sociedade atual, o dinamismo social se dá por movimentos imprevistos, ou


melhor, por conexões ou agenciamentos não vinculados a uma moral social institucional,
nem controlados pela razão iluminista do sujeito “moderno”. São movimentos isentos da
pretensão de significar ou simbolizar um sentido holístico ou de integração social.

O homem sempre se relacionou com a máquina, mas agora, com o surgimento


dessas unidades microscópicas formadas por luz, energia, números e funções, o homem,
para se expressar, pela primeira vez interage com os contornos da máquina,
diferentemente da época industrial, na qual a relação com a máquina mecânica se deu
através das linhas de montagem. A máquina eletrônica e digital torna o processo de

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vinculação e comunicação social mais complexo, porque além do homem trocar
informação com qualquer outro ser humano, troca informações com a linguagem da
máquina. Homem e máquina são cyborgs (HARAWAY,1991), já que ambos são
representados e constituídos também pela linguagem algorítmica. A linguagem digital
trouxe à cultura tipográfica, a sensorialidade, através da conexão que as interfaces
proporcionam.

Lévy (2000) é um dos autores contemporâneos que vê nas relações sociais


digitais a possibilidade de existência de um novo tipo de social / sociabilidade e constata
que habitualmente as discussões a respeito do fenômeno das relações virtuais, não
consideram “social” aquilo que vem, principalmente, de um fenômeno técnico-cultural.

2.5.1 Os substratos da cultura das comunidades virtuais

Castells atribui à “cultura dos campi” das universidades norte-americanas dos


anos de 1960, o grande progresso tecnológico evidente nos anos de 1970. As
universidades americanas prezavam pela liberdade, inovação individual e iniciativa
empreendedora, dando ênfase aos dispositivos personalizados, à interatividade, a
formação de redes e a incessante busca por inovações tecnológicas. Na maioria das
vezes, esse movimento não pertencia ou não compactuava com os interesses do
mercado. Dessa forma, a cultura digital é decorrente de uma fusão de intenções entre
elas: estratégia militar, cooperação científica, iniciativa tecnológica e inovação contra
cultural.

Muitas das aplicações da internet tiveram origem em invenções inesperadas de


seus usuários pioneiros, o que deu à internet características essenciais. Os objetivos
militares que iniciaram as pesquisas abriram caminho para outros tipos de usos
inesperados e distantes do uso militar, como por exemplo, a criação do modem, atribuída
aos usuários.

A partir da transferência direta de arquivos entre computadores e interligação de


computadores via linha telefônica, a internet passou a ser usada como um fórum online
de conversas sobre informática, que logo se tornou um dos primeiros sistemas de
conversas eletrônicas em larga escala. Em 1983 os primeiros sistemas de conversas
eletrônicas funcionavam como um quadro de avisos.

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Mais tarde com o aprimoramento das tecnologias e o lançamento do software
“Windows”, a interação via rede de computadores tornou-se acessível a usuários não
iniciados. Esse foi o grande avanço da internet. Softwares mais simples foram
desenvolvidos para que usuários não iniciados pudessem manipular a tecnologia da
internet. Essa é uma tendência que se fortaleceu ao longo do tempo, culminando na fase
atual, na qual a internet é chamada de “web 2.0”. Com a web 2.0, a internet e a
tecnologia focalizaram em proporcionar cada vez mais formas do usuário manipular a
menor função disponível num software. A tendência é a de que sejam produzidos cada
vez mais programas de código aberto e livre utilização.

O universo da web que conhecemos hoje se tornou efetivo a partir da movimentação


social que ocorreu em meados de 1995. A partir disso, novos hábitos sociais começaram
a surgir e desde então estudos são realizados com a finalidade de conhecer um pouco
mais sobre as formas sociais da rede.

É difícil chegar a um consenso acerca do significado social que a comunicação via


internet ganha como fenômeno social, dado que é algo recente para a ciência se
pronunciar, embora algumas pesquisas empíricas anteriores a 1995 já tratassem desse
assunto (RHEINGOLD, 1996). Em 1990, quando a internet mais expressivamente é
utilizada no Brasil, havia questionamentos sobre a possibilidade de a internet trazer ou
não isolamento social, podendo cortar laços com o “mundo real”.

Em 1993, Howard Rheingold publicou sob forma de livro sua experiência de


conviver com um grupo de pessoas via sistema de teleconferência por computador, na
rede WELL (Whole Earth ‘Lectronic Link). A esse grupo atribuiu o termo “comunidade
virtual” devido ao tipo de relação emocional (comunidade), proporcionada a partir da tela
(virtualidade), marcada pela não-presença física. As telas dos computadores
estabelecem uma interface entre a eletricidade biológica e a tecnológica, entre o
utilizador e as redes. “Na medida em que o usuário foi aprendendo a falar com as telas,
através dos computadores, telecomandos, gravadores de vídeo e câmeras caseiras, seus
hábitos exclusivos de consumismo automático passaram a conviver com hábitos mais
autônomos de discriminação e escolhas próprias” (SANTAELLA, 2004, p.81, 82).

Nesse contexto, quando se fala nos dinamismos da rede e nas novas formas de
agregação, a noção de “comunidade virtual” assume o sentido da sociabilidade dos
ambientes virtuais. Com base nos relatos de Rheingold, Castells caracteriza as
comunidades virtuais como “uma rede eletrônica autodefinida de comunicações

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interativas e organizadas ao redor de interesses ou fins em comum, embora às vezes a
comunicação se torne a própria meta” (CASTELLS, 2005, p. 443).

2.5.2 O sujeito e a sociabilidade

Castells acredita que embora os sistemas de informação e a formação de redes


aumentem a capacidade humana de organização e integração, eles também subvertem o
conceito ocidental tradicional de um sujeito separado, independente.

A mudança histórica das tecnologias mecânicas para as tecnologias da


informação ajuda a subverter as noções de soberania e auto-suficiência
que serviam de âncora ideológica à identidade individual desde que os
filósofos gregos elaboraram o conceito, há mais de dois milênios. Em
resumo, a tecnologia está ajudando a desfazer a visão do mundo por ela
promovida no passado. (CASTELLS, 2005, p. 58).

Nesse contexto, Castells vê a situação do ser na era da sociedade em rede como


uma situação solitária e irrecuperável de perda de referências, gerando a busca de nova
conectividade na identidade partilhada, reconstruída. Dessa forma, Castells caracteriza o
estado atual da cultura social, formado pela lógica das comunidades virtuais. O homem
apresenta hoje a “necessidade de criar um novo ser coletivo” (CASTELLS, 2005, p. 58).

Por sua vez, Santaella (2004) pensa que a constituição do sujeito na cibercultura
se dá através de softwares. Quando o homem passa a fazer parte de uma estrutura
simbólica complexa, re-significa sua própria estrutura simbólica. E vê a cibercultura de
uma maneira mcluhaniana, na qual a rede se torna homem e o homem se torna rede.

A figura do eu, fixo no tempo e no espaço, capaz de exercer controle


cognitivo sobre os objetos circundantes não mais se sustenta. A
comunicação eletrônica sistematicamente remove os pontos fixos, as
fundações que eram essenciais à teorias modernas. (...) A cultura é
crescentemente simulacional no sentido de que a mídia sempre
transforma aquilo de que ela trata, embaralhando identidades e
referencialidades. Na nova idéia da mídia a realidade se tornou múltipla.
O efeito das mídias, tais como internet e realidade virtual entre outras, é
potencializar as comunicações descentralizadas e multiplicar os tipos de
realidade que encontramos na sociedade. Toda a variedade de práticas
inclusivas na comunicação via redes – correio eletrônico, serviço de
mensagens, videoconferências etc. – constituem um sujeito múltiplo,
instável, mutável, difuso e fragmentado, enfim, uma constituição
inacabada, sempre em projeto. (SANTAELLA, 2004, P. 128)

Página | 83
Em muitos estudos, as comunidades virtuais aparecem como se fossem
expressão humana, num ambiente tecnológico como o do ciberespaço. Essas formas de
agregação presentes nas comunidades virtuais, por um lado, mantém resquícios dos
valores sociais tradicionais, por conta da necessidade de agrupamento e de objetivos em
comum partilhados. Por outro lado, sinalizam uma ruptura com a relação entre o
agrupamento e o local, já que agregam pessoas do mundo inteiro. Para a sociologia
clássica, que definiu o conceito de sociedade e comunidade, o social é da ordem do
artificial, de algo que precisa de convenção e estruturas de poder para gerir o grupo. Já a
comunidade sociologicamente definida é da ordem das relações por proximidade
sanguínea, do orgânico, do qual não se pode escapar de uma estrutura limitadora para a
subjetividade e a escolha individual. Este não é o caso das comunidades virtuais, pois
nesse tipo de agregação social não existem regras constituintes. Um grupo de pessoas
se encontra e exercita a participação social de acordo com o momento e com as
informações que estão circulando naquele momento. A participação social virtual não tem
nada a ver com aquele tipo de participação política do projeto moderno de emancipação.
A participação social nas formações virtuais é totalmente fluída e baseada nas
informações que circulam em múltiplas direções.

2.5.3 A emergência da interface

Interface é o ambiente de resposta, onde se constrói o feedback não importando


em qual sentido, entre homem-máquina, computador ou usuário. Entretanto, é possível
pensar que a interface proporciona contato entre hardwares, entre softwares ou entre
homens e hardware e software. Há ainda a ótica da interface como um agente simbólico.

A interface entre máquina e homem pode ser vista a partir da ação da visão. O
que demonstra a perspectiva híbrida que a interface pode conotar, ligando sensações
(visão) ao objeto (computador). Nesse caso, a visão é o sentido que funciona como porta
de entrada e saída.

No campo da informática, entre seus desenvolvedores, a interface expressa a


possibilidade de conexão entre programas e equipamentos diferentes. Sendo assim,
pode-se considerar como interface os periféricos do computador e telas dos monitores, e
também a atividade humana conectada aos dados através da tela.

Expandindo o conceito de interface para além da materialidade, tem-se que a


interface é uma espécie de membrana que se coloca entre o homem e a máquina. Nesse

Página | 84
sentido a interface elimina relações de hierarquia ou ordem. As interfaces “são as zonas
fronteiriças sensíveis de negociação entre o humano e o maquínico” (SANTAELLA, 2004,
p. 92).

Nesse aspecto filosófico, Santaella se refere à interface como o momento no qual


“duas fontes de informação encontram-se face-a-face, mesmo que seja um encontro da
face de uma pessoa com a face de uma tela” (SANTAELLA, 2004, p. 91). Somente a
partir desse encontro é que ambas as partes passam a existir uma para a outra. Nesse
caso, se estabelece uma relação simbiótica entre homem e máquina, no sentido de que a
máquina precisa do homem para entrar na rede e o homem precisa da máquina para
estar na rede. O momento da conexão é definitivo tanto para a ação do homem quanto
da máquina, tornando-os um só. É o encontro pela interface que determina o tipo de
relação e quais significados estão em jogo.

Interface não é mediação, nela não há diferença entre experiência de primeira


mão ou de segunda, como fala Meyrowitz. Ou seja, não importa se a interação é
estabelecida com o original ou não. Esta pesquisa buscou aproximar o conceito de forma,
que evoca certa estruturação, para o conceito de interface enquanto ambiência e
encontro. Dessa forma parece possível descrever o tipo de interação que acontece nos
ambientes virtuais.

O surgimento de um ambiente tecno-informativo e dinâmico nos obriga a


superar a tradicional distinção entre natural e artificial e a pensar uma
nova ecologia, nem antropocêntrica nem somente biológica, na qual a
tecnologia apresenta-se não mais como técnica externa ou invasiva, mas
como Genious Loci capaz de fornecer identidade e de determinar o
sentido temporário de lugar. (DI FELICE, 2008a, p. 70).

2.5.4 Inteligências coletivas, psicotecnologias e inteligência conectiva

A primeira versão do livro “Inteligência coletiva – por uma antropologia do


ciberespaço”, data de 1994. Assim se define: “é uma inteligência distribuída por toda
parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma
mobilização efetiva das competências” (LÉVY, 2007, p. 28)

Ao examinar as tecnologias da inteligência, principalmente depois da sociedade


em rede, Pierre Lévy passou a caracterizar a dinâmica da rede como forma de expressão
de uma inteligência global, distribuída pelo mundo. Identifica que a internet possibilita
uma nova forma de se relacionar com o conhecimento. Não há dúvidas de que sempre

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que uma sociedade passou a ter acesso às informações, ocorreram mudanças sociais,
como no caso da sociedade do livro.

[...] O ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que amplificam,


exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas: a
memória (banco de dados, hiperdocumentos, arquivos digitais de todos
os tipos), imaginação (simulações), percepções (sensores digitais, tele
presença, realidades virtuais), raciocínios (inteligência artificial,
modelização de fenômenos complexos) (LÉVY, 2005, p. 157).

O autor vê nessas formas as tecnologias da inteligência que levam a novas


formas de acesso, novos tipos de raciocínio e de conhecimento. O próprio processo de
aprendizagem é totalmente resignificado. A forma como um internauta pode lidar com um
texto, é hipertextual, nada que está na rede está fora da dinâmica do hipertexto. Nela é
possível explorar diversos documentos, navegar para a página de uma referência sem
mesmo ter lido o texto anterior até o final etc. O fato das pessoas terem a percepção de
que a informação circula na rede desmistifica a idéia de que existe um “reservatório de
conhecimento transcendente, e o saber não é nada além do que as pessoas sabem”
(LÉVY, 2005, p. 29).

O centro de estudo de Lévy são as alterações humanas, que acontecem a partir


da fusão entre o homem e a rede. A característica principal da inteligência coletiva está
ligada às possibilidades de intercâmbio entre computadores surgidos com a internet em
meados dos anos noventa. Desde o seu surgimento, a internet passou de repositório de
informações a espaço de acesso generalizado, atualmente passando pela fase do
compartilhamento, tanto de dados quanto de conteúdo. É nessa esfera de
compartilhamento que se firma um novo tipo de coletividade interessada em trocar
informações, em gerar informações e fazer com que elas circulem. Com o conceito de
inteligência coletiva, Pierre Lévy busca elucidar um conhecimento horizontal, em
detrimento do conhecimento piramidal.

[...] No lugar de uma representação em escalas lineares e paralelas, em


pirâmides estruturadas em níveis, organizadas pela noção de pré-
requisitos e convergindo para saberes ‘superiores’, a partir de agora
devemos preferir a imagem de espaços de conhecimentos emergentes,
abertos, contínuos, em fluxo, não lineares. (LÉVY, 2005, p. 158).

Assim, a inteligência coletiva se expressa através da ação emergente, aquela


ação inesperada, que resulta dos agenciamentos imprevistos que acontecem no meio
caótico da rede. Valoriza a inteligência enquanto projeto e força criativa, mas é
importante destacar que a emergência da inteligência coletiva não pressupõe o
conhecimento do todo, o ciberespaço. A cibercultura não tem essa pretensão social,

Página | 86
muito pelo contrário, ela mostra as estruturas totalizantes da modernidade, que o “todo
está definitivamente fora de alcance” (LÉVY, 2005, p. 161).

A realidade da comunicação em tempo real, e da interconexão generalizada


favorece todos esses processos, assim como a mobilidade da significação. Neste
processo fica evidente que a separação entre emissor e receptor não funciona para
pensar a esfera colaborativa da rede.

O ideal mobilizador da informática não é mais a inteligência artificial


(tornar uma máquina tão inteligente quanto, talvez mais inteligente que
um homem), ma sim a inteligência coletiva, a saber, a valorização, a
utilização otimizada e a criação de sinergia entre as competências, as
imaginações e as energias intelectuais [...]. (LÉVY, 2005, p. 167).

A utilização social da rede dá a ela o caráter de coletividade, e, portanto de


proximidade e afinidade entre seus agentes. Essa coletividade, de certa forma, vem dizer
ao homem que ele não constrói sozinho.

De forma diferente, Derrick De Kerckhove pensa a dinâmica da rede, muito


influenciado pelas idéias de McLuhan sobre a força da eletricidade na constituição de
importantes mudanças sociais. Para isso inaugura o termo Psicotecnologias. Kerckhove
olha para a relação entre homem e tecnologia de uma maneira mais visceral, como se ela
sempre tivesse feito parte dele. “A nossa realidade psicológica não é uma coisa ‘natural’.
Depende parcialmente da forma como o nosso ambiente, incluindo as próprias extensões
tecnológicas, nos afeta” (KERKCKHOVE, 1997, p. 33).

A definição de psicotecnologias diz respeito à tecnologia que emula, estende ou


amplifica o poder da mente humana. Para isso considera o ambiente como o resultado da
interação e a interação também como resultado do ambiente. Nesse caso o ambiente de
interação é criado junto com os meios, Kerckhove destaca,

[...] essas tecnologias não apenas prolongam aas propriedades de envio


e recepção da consciência, como penetram e modificam a consciência
dos seus utilizadores. A realidade virtual ainda está mais ajustada a nós.
Acrescenta o tacto à visão e a audição e está mais próxima de revestir
totalmente o sistema nervoso humano do que alguma tecnologia já o fez.
Com a realidade virtual e a tele presença [...] literalmente ara o exterior a
nossa consciência [...]. Com a televisão e os computadores mudamos a
localização do processamento de informação de dentro dos nossos
cérebros para ecrãs à frente dos nossos olhos, em vez de por detrás.
(KERKCKHOVE, 1997, p. 34).

Página | 87
Kerckhove acredita que essa condição de envolvimento entre tecnologia e homem
traz a coletivização, mas com receio do peso do “comunitário”, prefere chamar a dinâmica
da rede de inteligência conectiva, termo que desvincula a rede do sentido de resultado,
como se a inteligência coletiva buscasse sempre por um resultado de sua troca. O termo
inteligência conectiva pode significar apenas um processo, algo que não visa efetivação
específica.

Essa idéia de conectividade está ligada também à proliferação do uso das Tags3
(forma surgida com a idéia de Web 2.0 - formas de articulação e softwares colaborativos),
na construção dos sites colaborativos. Com elas, a estrutura de busca e associação da
informação na web é alterada, já que as tags atribuem significado sem a ordem
hierárquica tradicional do conhecimento. As tags foram criadas para dar conta desse
processo caótico e contínuo em detrimento da categoria.

3. Além do “real”: a virtualidade social

3.1 Da comunicação como sistema à comunicação como ambiente social

O conceito de virtual, na maior parte das vezes, é entendido dentro da


problemática dos processos de codificação e significação, abordados pelas correntes da
semiótica, do estruturalismo, da lingüística e do pós-estruturalismo. Tais correntes
evidenciam a impotência do “sujeito” diante do sistema da linguagem. Na perspectiva
estruturalista saussuriana, as estruturas são sempre definidas a partir da relação de
correspondência, de identidade pela diferenciação e pela arbitrariedade existente entre
significado e significante (partes constituintes do signo, a primeira corresponde à parte
mental, ao conceito, ao conteúdo, à epistemologia e a segunda corresponde à parte
física, expressiva e à semiótica). Saussure articula o conceito de signo a partir da
importância do conceito, diferente de Pierce (na semiótica) que articula o signo a partir de
sua expressão. Partindo da introdução das mídias na vida cotidiana, as formas de
expressão e representação sociais assumem uma característica midiática. Entretanto,
autores do positivismo lógico, ao partirem da análise dos sistemas de informação e da
física, vêem a comunicação numa perspectiva exclusivamente humana, fechada no
indivíduo.

3
Em programação, Tags são estruturas de linguagem de marcação que consistem em breves instruções.
Enquanto metadado, Tag é uma palavra-chave ou termo associado com uma informação.

Página | 88
Para tais autores, a noção de sistema implica num modelo humano fechado em si
mesmo, numa auto-referencialidade circular interna, que acaba por implicar numa
desvalorização da estrutura externa, ou do social como estrutura do sujeito. De certa
forma o positivismo lógico pensa o sujeito como sistema autopoiético4 e, portanto, ligado
a um modelo menos dependente das estruturas sociológicas (política, moral, economia,
leis). A visão do outro, do externo, está sempre ligada à minha expectativa.

Para Heinz von Foerster (apud MARCONDES FILHO, 2007), o indivíduo é um


sistema fechado que cria a realidade do ambiente exterior a partir da captação das
intensidades, que por sua vez, só são percebidas a partir do interesse desse sistema (a
pessoa), com capacidade para perceber determinada intensidade, pois se o sistema não
está apto, ele não percebe e não registra a intensidade como informação. Dessa forma,
não há comunicação fora do interesse e da possibilidade do observador. Por essa
perspectiva, a comunicação não acontece de fato. Nela não existe a possibilidade de
mútuo entendimento, de uma percepção, porque cada sistema tem sua própria maneira
de fabricar a realidade. Isso não tira a necessidade da existência do outro, externo,
responsável por impulsionar o ciclo criativo do sistema, evitando assim que se caia no
solipsismo. Esse ciclo criativo só funciona quando a comunicação traz informação, ou
aquilo que é capaz de trazer à comunicação o não trivial.

Ao mesmo tempo em que Maturana (apud MARCONDES FILHO, 2007) reclama


que o poder limitante da linguagem causa o impedimento de um pensamento novo,
acaba aceitando a verdade determinista da vertente lingüística que concebe o mundo
como resultado de articulações entre os signos, só que em seu caso, referenciados no
sistema – indivíduo, e não na estrutura social. Sendo assim, também concebe o indivíduo
como um sistema fechado, autônomo, auto-referente, que constrói a si mesmo. Nesse
sistema ocorre um esforço muito grande para manter o equilíbrio mesmo diante de uma
variável, há sempre uma busca pela preservação da identidade (conceito de estabilidade
em Parmênides), e da essência mesmo que mude a aparência. Não há uma finalidade
que motive o viver, o ser apenas sobrevive.

Para Gregory Bateson (1987), ao contrário do que pensa Foerster, é impossível


não se comunicar, pois este autor vê a comunicação como interação além da linguagem
exclusivamente verbal. Para Bateson existe outro plano da comunicação que nem
sempre está previsto. É um espaço, no qual outros agentes de informação atuam, que
não aqueles controlados pela organização verbal. Este espaço é o lugar dos sentidos,
4
Autopoiesi – termo cunhado pelos biólogos e filósofos, Francisco Varela e Humberto Maturana – exprime a
capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios.

Página | 89
das expressões extralingüísticas. Dessa forma concebe a comunicação a partir da
relação entre sistemas (homem e coisas) abertos. Ele percebe a importância do ambiente
como componente da significação e do ato de comunicar criando uma nova concepção
de ecologia transversal.

Diferentemente de Maturana e Foesters, Serres (2001) começa a ver na


tecnologia a possibilidade de contato e troca entre as pessoas, de uma forma
desordenada, sem separação entre as esferas pública e privada e sem a necessidade da
utilização lingüística rígida. Para Serres, as novas tecnologias implodem essas antigas
necessidades atribuídas à comunicação e às relações sociais. A escrita, a fala, e o
aparelho sensório mudam a cada momento, já que interfaces novas são criadas
constantemente, trazendo novo sentido à comunicação à distância, que antes não era
possível. Antes, a comunicação era vista como um mecanismo, no qual a distância
exercia poder através da legitimidade de suas estruturas, como a imagem do Estado-
Nação. Hoje a tele presença não tem mais o mesmo peso e a mesma utilização, as
distâncias foram encurtadas e não valorizadas, o contato depende das diversas
temporalidades que se abrem a partir da conexão dos diferentes planos, agenciados por
um sujeito híbrido, por máquinas e espacialidades abertas para estabelecerem o caminho
da interação.

Diante da situação social tecnológica virtual, é necessário pensar a comunicação


como um acontecimento complexo, no qual não só palavras, significados ou máquinas
participam. Entra também o componente humano do extralingüístico e do imprevisível,
que aparecem na prática social – vista como dinâmica multifacetada e fragmentada. A
situação social da virtualidade reflete o ambiente envolvente do qual fala Lévy (2000), a
respeito da cibercultura.

A construção de um social em rede, caracterizado por circuitos


informativos, obriga-nos a repensar as formas e as práticas das
interações sociais fora da concepção funcional-estruturalista, baseada
em relações comunicativas analógicas. O próprio papel da tecnologia
comunicativa no interior das relações sociais deve ser completamente
repensado (DI FELICE, 2008d, p. 23).

Deleuze e Guattari (2004) localizam o problema da linguagem na construção


arborescente e hierarquizada de significados. A partir dessa constatação de limitação,
deslocam o universo da significação da lingüística e do estruturalismo para a dinâmica da
rede, que funciona como um rizoma.

Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio,


entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é
aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo ‘ser’, mas o rizoma

Página | 90
tem como tecido a conjunção ‘e...e...e’. Há nesta conjunção força
suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser. [...] Entre as coisas
não designa uma correlação localizável que vai de uma pessoa para
outra reciprocamente, mas uma e outra, riacho sem início nem fim, que
rói suas duas margens e adquire velocidade no meio (DELEUZE;
GUATTARI, 2004, p. 37).

Esses autores propõem um tipo de cruzamento epistemológico que extrapola os


limites do conhecimento cartesiano e disciplinar, ao deslocar o centro das análises para a
importância dos movimentos, dos cruzamentos, da fluidez e da falta de fronteiras. Essa
contemporaneidade é permeada pela rede, pela ultrapassagem da barreira do tempo,
pela supressão das distâncias, pela importância da não identificação, e pela circulação de
informação. Pensando em constantes territorializações e desterritorializações, Deleuze e
Guattari olham para um sujeito sem identidade, para um tempo sem história, e para um
espaço sem arquitetura. “A lingüística e a psicanálise [...] fecham a significação, elas são
representações arbóreas não rizomáticas” (apud MARCONDES FILHO, 2007, p. 90)

De forma diferente, autores contemporâneos pensam a comunicação como


resultada da relação entre homem e mídia e homem e ciberespaço. Jean Baudrillard,
Paul Virilio e Manuel Castells, ao analisarem a sociedade dos anos de 1990, partem do
pressuposto estruturalista que vê a forma social como resultado da construção lingüística,
vista como discurso e meta-narrativa. Pierre Lévy, de certa forma, aproxima-se da idéia
de construção social lingüística ao conectar o conceito de virtual à representação e
construção simbólica. Numa perspectiva diferente sobre o virtual, Mário Perniola estuda o
conceito de simulacro, localizando-o junto ao pensamento platônico. A partir disso, o
autor elabora uma a crítica à dialética que articula verdade/original versus
aparência/imagem/cópia, para definir esse espaço de interação. Acaba por chegar à
conclusão de que a dicotomia entre os conceitos de cópia e original não expressa a
complexidade da relação entre realidade e virtualidade.

3.2 O virtual como a perda de referenciais e o fim da história

Ao falar sobre o virtual na obra “Tela total”, Baudrillard (2005) cita uma
manifestação realizada por estudantes numa estação de trem chamada Angoulême, e a
reconhece como efeito da “desertificação sem precedentes do espaço real”
(BAUDRILLARD, 2005, p. 17). A própria ação política/social que “teoricamente” deveria
ser percebida e realizada por seus agentes como ação de transformação, torna-se uma
ação sem ação, uma atitude vazia, influenciada pela espetacularização dos valores e

Página | 91
reprodução de significados ao infinito, ligadas ao capitalismo e aos meios de
comunicação.

O fluxo de informação e a reprodução de imagens são tão grandes e tão


“forçados”, segundo Baudrillard, que perdemos a relação de identidade entre o
significante e significado. É como que se o corpo, o trabalho e a cultura perdessem suas
funções originais. “Tal distorção não cria, porém, nova situação política de verdadeira
crise, pois a memória apaga-se ao mesmo tempo em que o real” (BAUDRILLARD, 2005,
p. 49). Baudrillard atribui o início desse estado de ficção à publicidade, por separar o
objeto de sua funcionalidade. Nela, a relação entre sujeito e objeto não se dá de forma
direta, só existe acesso à “aparência”.

A supressão do tempo histórico pelo tempo “real” e a multiplicação das


informações, acabam causando a perda de referenciais. A multiplicação só é positiva
num sistema de acumulação, que na ordem simbólica, equivale a uma subtração.

“O sistema social produz somente seres mentalmente clonados [...] Já é


quase impossível distinguir o comportamento propriamente humano de
sua projeção na tela, de seu duplo em imagem e de suas próteses
informáticas [...] E a realidade virtual no seu conjunto não é uma imensa
clonagem técnica do mundo dito real? (BAUDRILLARD, 2005, p. 156,
157).

Para Baudrillard, as idéias de conexão generalizada e de globalização, levam a


uma visão do social como totalidade, reduzindo a experiência real à narrativa dos meios
de comunicação - “o virtual nada mais é do que o exercício do “telecapitalismo”, que
depende da intoxicação midiática (2005, p. 19).

O virtual é uma transparência, algo sem superfície e sem pretensão para


acontecer. Com o virtual não existe nem verdadeiro nem falso, porque tudo repousa
sobre a credibilidade instantânea. Não há história, fixação ou significação capaz de
permanecer.

[...] a informação é mais verdadeira que o verdadeiro por ser verdadeira


em tempo real. [...] no espaço da informação ou no espaço histórico
quanto no espaço fractal, às coisas não têm mais uma, duas ou três
dimensões: flutuam numa dimensão intermediária. Logo nada mais de
critérios de verdade ou de objetividade, mas uma escala de
verossimilhança. (BAUDRILLARD, 1996, p. 45)

Considerando-se o virtual como pura simulação - instância que deriva de diversos


dados de um cenário modelo – entende-se que a realidade adaptou-se às especulações.
A virtualidade significa a aparência do mundo, a sombra da caverna, separação do
mundo exterior, uma película de vidro que simula a realidade. O virtual eliminou o

Página | 92
pensamento e o tempo, porque não tem história. A simultaneidade faz a realidade
objetiva e sua articulação com a história desaparecer. Nesse contexto, Baudrillard
problematiza a interatividade porque a vê como uma tela. Para ele a imersão é algo
oferecido e controlado pelo computador. O grande problema das formas de interação
virtual é que na interatividade e na imersão, o homem entra em interação com algo que
não tem significado histórico, que não tem separação e nem identidade e resultando no
fim da ação real, “[...] o espectador só se torna realmente ator quando há estrita
separação entre palco e platéia, o real perdeu seu correspondente” (BAUDRILLARD,
1996, p. 130). O real desaparece porque o virtual não suscita substância para opô-lo
dialeticamente, gerando a síntese, entende-se, transformação.

3.3 O virtual como a perda da superfície

Virilio vê a concepção de virtual como um problema gerado pela aceleração do


tempo e desterritorialização do espaço urbano, provocados pelas novas tecnologias
comunicativas. Não existe mais uma porta física ou um caminho real que leve à cidade,
ela perdeu seus limites. “Da paliçada à tela, passando pelas muralhas da fortaleza, a
superfície-limite não parou de sofrer transformações, perceptíveis ou não, das quais a
última é provavelmente a da interface” (VIRILIO, 1997, p.9).

Para Virilio, a física e a arquitetura têm a funcionalidade de reproduzir os


significados sociais. Ele vê problema quando o espaço social passa a ser reproduzido por
imagens, pela imaterialidade, principalmente ligadas às forças do capitalismo. As
relações midiáticas e virtuais resultam na perda de superfície e com isso a implosão da
estrutura espaço-tempo. O homem perde sua estrutura ontológica. Com o virtual não a
diferença de posições, os referenciais são perdidos. “A partir de então ninguém pode se
considerar separado por obstáculo físico ou por grandes ‘distâncias de tempo’, pois com
a interfachada (grifo do autor) dos monitores e telas de controle o algures começa aqui e
vice-versa. A arquitetura urbana deve, a partir de agora, relacionar-se com a abertura de
um ‘espaço-tempo tecnológico’ [...] o protocolo de acesso da telemática sucede o portão”.
(VIRILIO, 1997, p.10).

Página | 93
3.4 A cultura da virtualidade real

O pensamento sobre a virtualidade real sugerido por Castells acompanha as


teorias de Roland Barthes e Jean Baudrillard, que vêem que as formas de comunicação
são baseadas na produção e consumo de sinais, sendo assim não há separação entre
“realidade” (grifo do autor) e representação simbólica.

A humanidade tem existido utilizando-se do campo simbólico. Os meios de


comunicação eletrônicos são constituídos por todos os modos de comunicação, “do
tipográfico ao sensorial”. Esse sistema eletrônico não induz a uma realidade virtual, mas
sim à construção da realidade virtual. Pela explicação que Castells tira do dicionário,
virtual é o que existe na prática, e real é o que existe de fato. É como se o virtual fosse o
aqui e agora, com possibilidades de mudanças e o real fosse algo imutável, acabado,
legitimado e absoluto. A verdade é aquilo que pode ser definido pela rigorosidade da
racionalidade da teoria.

“A realidade, como é vivida, sempre foi virtual, porque sempre foi percebida por
intermédio de símbolos formadores da prática, com algum sentido que escapa à sua
rigorosa definição semântica” (CASTELLS, 2000, p. 459). A linguagem codifica a
ambigüidade e dá abertura a uma diversidade de interpretações, que tornam a cultura
distinta do raciocínio formal. O fato de possuirmos uma variação cultural de significados
nos permite interagir numa multiplicidade de dimensões.

Portanto, quando os críticos da mídia eletrônica argumentam que o novo


ambiente simbólico não representa a “realidade”, eles implicitamente
referem-se a uma absurda idéia primitiva de experiência real “não
codificada” que nunca existiu. Todas as realidades são comunicadas por
intermédio de símbolos. E na comunicação interativa humana,
independente do meio, todos os símbolos são, de certa forma, deslocados
em relação ao sentido semântico que lhes são atribuídos. De certo modo,
toda a realidade é percebida de maneira virtual. (CASTELLS, 2000, p.
459).

Castells define como “virtualidade real” a situação social condicionada pelos


sistemas de comunicação eletrônica e digital. Neste sistema o que acontece com a
realidade é que ela é “totalmente captada, imersa em uma composição de imagens
virtuais no mundo de faz-de-conta, no qual as aparências não apenas se encontram na
tela comunicadora da experiência, mas se transformam na experiência” (CASTELLS,
2000, p. 459).

O espaço de fluxo toma o espaço lugar. As sociedades tornam-se de fato


desencantadas porque todos os milagres estão online e porque podem ser

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autoconstruídas. Nesse sistema de comunicação, no qual as expressões culturais estão
presentes, as mensagens funcionam de um modo binário: presença/ausência, como no
sistema de informática - o 0 (zero) desencadeia uma função, e o 1 (um) desencadeia
outra, e nesse momento acontece a diferenciação da mensagem presente e da não
presente. Todavia, pode não ser possível desconsiderá-la. “São os interagentes e os
receptores da interação no novo sistema, usando a terminologia cujo significado foi
anteriormente sugerido, que em grande parte delineiam o sistema de dominação e os
processos de liberação na sociedade informacional”. (CASTELLS, 2000, p. 461). Sendo
assim, o mundo da comunicação digital enfraquece o poder simbólico e a estrutura
comunicacional dos tradicionais emissores da sociedade de massa.

3.5 O virtual como atualização

Para Pierre Lévy, a virtualização indica um processo de transformação e, portanto,


uma dinâmica, fluidez e movimento. Lévy articula o conceito de virtualização a partir da
perspectiva de que ela sempre fez parte da construção (histórica) do homem. Dessa
forma, não é interessante contrapor o virtual ao real, porque o virtual faz parte da
instância social. O problema do virtual, visto como algo separado do homem está ligado à
concepção platônica de imagem como falsificação, duplicação. Nesse caso, a dinâmica
da duplicação afasta o sentido real de significação pelo deslocamento, que por sua vez,
impele um tipo de relação por mediação e representação, e não pelo contato real com o
original inserido na sua estrutura (tempo, lugar, história).

O autor aposta na idéia de que o virtual ou o processo de virtualização sempre


fizeram parte do processo de humanização. Para ele, o texto, o corpo, a economia e a
inteligência passam constantemente por processos de virtualização e mais, a categoria
humana se constitui como tal através de três processos de virtualização: a linguagem
(virtualização do presente), a técnica (virtualização da ação) e o contrato (virtualização da
violência).

Sendo assim, o virtual não extingue o real, e nem o real tem o estatuto de
materialidade única. O real é também virtual. Ele propõe pensar a realidade social como
instância marcada pela possibilidade de concretização daquilo que circula nas relações e
não é necessariamente imposto por regras morais historicamente instaladas, mas sim
tangente à perspectiva de Maffesoli, sobre a força da prática cotidiana na vida comum.

Página | 95
Lévy articula o conceito de virtual em oposição à atualização, e não mais ao real,
para fazer uma crítica à noção de identidade clássica, às definições, determinações,
exclusões e inclusões impostas pelo pensamento moderno. Sendo assim, o virtual é uma
vertente do real que está em oposição à atualização, a definição, ao caminho para a
concretização. A virtualização é uma dinâmica e o virtual é a existência dessa dinâmica.

“[...] o virtual é como um complexo problemático, o nó de tendências ou


de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto
ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolução: a
atualização. [...] A atualização aparece então como a solução de um
problema, uma solução que não estava contida previamente no
enunciado. A atualização é criação, invenção de uma forma a partir de
uma configuração dinâmica de forças e de finalidades.” (LÉVY, 1996, p.
16).

O conceito de real está ligado à atitude de definir uma situação e por isso ele é
oposto ao conceito do possível. O que é “possível” insiste em acontecer a partir da
cronologia histórica, e, portanto da temporalidade linear que define o espaço (LÉVY,
1996, p. 138).

A velocidade, a superação das distâncias e a desterritorialização são graus de


virtualização e a marcam com uma espécie de “efeito moebius” (LÉVY, 1996, p. 25),
movimento fluido que leva as instâncias internas a passarem a externas e vice-versa, não
reduzindo a complexidade das relações e dos sentidos à objetividade pura e
simplesmente.

3.6 Além do simulacro

Mário Perniola olha a situação midiática e informativa através da articulação do


conceito de imagem e constata que seu problema teórico é sua relação com o original.
Para compreender a complexidade da função da imagem, o autor retoma a distinção que
há muitos anos perseguiu o homem na religião, a postura em relação às imagens
sagradas. Nesse contexto a imagem ocupou duas posições, ora baseada na identificação
(relação metafísica) com o original (iconófilos), ora na ocultação ou simulação deste
(iconoclastia).

Para os iconófilos, aqueles que acreditam que a imagem representa o real, ela
ganha contorno de original, pois com ele estabelece uma relação de representação
legítima e autorizada. Os iconoclastas, por sua vez, buscam a pureza do conceito original
e, portanto, para eles a imagem é a instância falsa que simula uma relação de

Página | 96
correspondência, de legitimação que não existe. O fato de existir uma réplica quer dizer
que o original foi copiado, uma vez que “o original” é único e estabilizado historicamente.

Na época midiática, os iconófilos ou hiper-realistas defendem a relação de nexo


entre a notícia e o fato. Estes acreditam que o fato pode ser disseminado sem alterar sua
natureza. Os iconófilos modernos reclamam pela verdade e acreditam que os meios de
comunicação podem ser aliados na divulgação da verdade. Estes acreditam que podem
chegar a ela, já que para eles fato e notícia são a mesma coisa, uma vez que os meios
de comunicação oferecem uma imagem realista da situação social.

Os hiper-futuristas ou a iconoclastia moderna apresentam-se como revolucionária.


Pensa no futuro da sociedade e na continuidade da reprodução histórica. E para isso o
original deve ser preservado enquanto tal, para que seu valor não se perca. Entretanto, a
realidade veiculada pelos meios de comunicação de massa são as imagens do
espetáculo. A ação da mídia de reproduzir imagens através da tela invalida aquilo que
transmite. Tornando sua programação uma narrativa, distante da realidade material. Os
iconoclastas propõem que esta realidade seja descartada em detrimento da pureza do
estado de consciência e da moral.

Ao final Perniola percebe que tanto hiper-realistas quanto os hiper-futuristas

“[...] assemelham-se porque têm a pretensão de ser algo mais do que


imagens, de representar uma substância presente ou futura, um original.
[...] ambas convergem na pretensão metafísica de estabelecer uma
relação entre a imagem e o original; quer seja a relação de identidade
[...], quer seja de diferença. [...] No entanto, a imagem produzida pelos
meios de comunicação de massa não possui original”. (PERNIOLA,
2000, p. 133, 134).

Perniola propõe pensar a imagem contemporânea a partir da noção de simulacro,


desenvolvida por Bellarmino: o simulacro “é uma imagem que não possui protótipo, é a
imagem de algo que não existe”. Nessa relação não há pretensão de fazer metafísica, de
estabelecer uma relação de representação como identidade ou como desvalorização. “A
imagem não depende diretamente do protótipo, mas é dotada de uma autonomia própria
(per se) e de uma especificidade própria (proprie)” (PERNIOLA, 2000, p. 135). A relação
que estas imagens proporcionam dá um novo sentido, que não está ligado nem ao
original nem a cópia. A circulação e reprodução de imagens distanciam-nas do original de
certa forma, tanto da vertente da identidade quanto da falsificação ou desaparição.

Perniola retoma a história de Roma e identifica em seu primeiro registro de arte,


que a produção de um artista chamado Mamúrio é capaz de dissolver a dialética entre os
conceitos de verdadeiro e falso. A história da arte de Mamúrio está ligada à história de

Página | 97
uma cidade assolada pela peste, que, de repente, recebe um escudo de bronze dos céus
para se proteger. Dessa forma, a ordem dos deuses foi à criação de 11 réplicas para que
ninguém pudesse reconhecer aquele que veio do céu. Mamúrio fez onze réplicas tão
perfeitas que ninguém conseguiu encontrar o original. Para Perniola,

a arte de Mamúrio não é portanto, uma criação original, independente e


autônoma, nem a imitação falsificadora do modelo divino, mas uma
repetição tão exata que anula o protótipo ao mesmo tempo que o
preserva. A sua arte não se opõe ao que é dado pelos deuses, pela
natureza, nem aceita um papel subordinado ou dependentes; ela se põe
ao lado de tudo o que é oferecido, multiplicando-o, deslocando-o,
introduzindo-o num trânsito do mesmo para o mesmo (PERINOLA, 2000,
p. 222).

Dessa forma a concepção de simulacro toma contorno distinto daquele atribuído


pelos iconoclastas e hiper-futuristas. Nesse caso o simulacro direciona a noção de
simulação à complexidade de não funcionar exclusivamente como identidade ou como
ausência de identidade. O simulacro acaba por modificar o próprio original, colocando as
duas possibilidades lado a lado e não em ordem de prioridade e legitimidade.

As interações dinâmicas entre sujeito e território mediadas por softwares


e interfaces digitais criam interações que remetem a uma experiência
atópica do espaço e da forma de habitar: ‘a atopia não é um novo tipo de
espaço nem um território simulacro – mais que isso: poderia ser definida
como uma pós-territorialidade, no sentido que supera as formas físicas
do espaço, substituindo-as por uma forma informativa, digital e
transorgânica [...] cujos elementos constitutivos são as tecnologias
informativas digitais e as redes sociais, composta da fusão dos coletivos
inteligentes e das formas híbridas dos dinamismos das linguagens
transorgânicas (DI FELICE, 2008a, p. 70).

Página | 98
CAPÍTULO III – A SITUAÇÃO SOCIAL VIRTUAL DO SECOND LIFE E DO BARCAMP

1. A escolha dos ambientes estudados: Second Life (SL) e BarCamp (BC)

Algumas re-elaborações epistemológicas sobre a sociedade contemporânea vêm


acontecendo em discussões acadêmicas sobre as novas formas de comunicação do
universo tecnológico. A partir de 2005, pude participar de algumas dessas discussões em
diferentes cenários, como na Universidade Nova de Lisboa (Portugal), em congressos
internacionais, e sobremaneira, na Universidade de São Paulo, em disciplinas, grupos de
estudo e atividades de pesquisa desenvolvidas pelo Centro de Pesquisa ATOPOS, da
Escola de Comunicação e Artes (ECA/USP).

As novas formas de comunicação trouxeram ao campo da ciência diversos


questionamentos sobre a apreensão do social. Através das interações sociais nesses
novos ambientes virtuais, categorias como presença, identidade, tempo e espaço foram
colocadas em cheque pela própria ambiência do ciberespaço, e pela possibilidade das
máquinas promoverem experiência sensível através dos tipos de interfaces atuais.

Nos limites deste trabalho, duas experiências relativas a essas novas formas de
comunicação serão exploradas: o Second Life (SL) e o BarCamp (BC).

O Second Life (SL) é intitulado por seus participantes como “metaverso”, ou seja,
um meta universo - um universo 3D totalmente criado por seus residentes5, que simula o
espaço social geográfico. Nele é possível ganhar dinheiro “real”, construir uma
residência, casar e ter filhos através da vida do avatar de cada residente (denominação
dada ao usuário). Já o BarCamp (BC) é uma iniciativa de cunho alternativo, voltada para
a construção coletiva do conhecimento, baseada na troca de informações online (via
emails, listas de discussão, e-groups e blogs) e também presenciais (através de
“desconferências”). A desconferência é uma prática criada por hackers da Califórnia
(EUA) com o intuito de organizar encontros temáticos sem fluxo hierárquico, aquele no
qual um só especialista leva seu conhecimento aos supostos “leigos”. Desde 2006, o
BarCamp possui comunidade brasileira, espalhada por vários estados. Essas células do
BarCamp movimentam-se de forma independente, criando uma situação social num
espaço plural e disseminado.

5
Os integrantes do Second Life são chamados de residentes ao invés de usuários porque o espaço e as
regras de relação são totalmente construídos pelos habitantes, apesar da existência da legislação quanto a
crimes virtuais e segurança monetária.

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Meu contato com o SL aconteceu através de um amigo que, ao se tornar
“residente” do SL, deixou seu trabalho “real” para se desenvolver numa carreira voltada
exclusivamente ao metaverso - indicando que o SL não é apenas um ambiente virtual de
simulação, mas uma forma de experienciar o social tecnológico atual.

De forma diferente, aconteceu meu contato com o BarCamp. Numa discussão em


sala de aula sobre dinâmicas da internet, uma das alunas mencionou a dinâmica
horizontal e colaborativa dos membros desta comunidade.

Assim, partindo das especificidades de formas de expressão e interação


pertinentes a esses dois ambientes virtuais, procuramos explorar possibilidades de
discussão sobre algumas concepções de sociedade e do social, aquelas baseadas no
território, presença e história. SL e BC são dois ambientes com conotações diferentes
acerca do virtual, e ao mesmo tempo, podem mostrar uma quebra da dicotomia entre
“real” e virtual. Neles há interfaces sociais que mostram a heterogeneidade e
complexidade do mundo virtual. Mais que um fato unitário, no SL e n BC, o virtual
aparece como uma realidade múltipla, complexa e variada.

2. Discutindo o método possível

Um dos grandes desafios deste trabalho foi o de encontrar um método compatível


com o disponível no universo científico da ciência social. Ao estudar o campo social, a
pesquisa das ciências sociais incorporou objetivos de quantificação, mensuração,
categorização e universalização, além de métodos utilizados pelas ciências naturais, com
adaptação de alguns de seus instrumentos.

Com o método descritivo, chamado etnográfico, a antropologia inovou esse


campo, ao estudar comunidades distantes e não urbanas. A prática etnográfica
determinava a seguinte situação: comunidade geograficamente distante da “civilização” e
uma cultura tecnologicamente diversa (outra relação com a terra, com a natureza, com o
conhecimento e o repasse de informações), totalmente diferente da do pesquisador.

Não há consenso sobre a postura científica mais adequada para estudar o


ciberespaço, e um grande debate sobre a possibilidade de aplicação do método
etnográfico nesse ambiente. “Para James Clifford, esse novo contexto representa para a
antropologia um desafio, onde a prática etnográfica não é abandonada, mesmo perdendo

Página | 100
seu elemento tradicional, o campo e a viagem a algum lugar exótico” (CLIFFORD apud
SILVA, 1999, p.91).

Parece existir um impasse na questão da utilização do método etnográfico para a


pesquisa de campo no ciberespaço, principalmente com relação à adequação do método
ao tipo de territorialidade do ciberespaço - virtualidade, imaterialidade, fluxo
comunicacional. Muitas vezes, numa perspectiva tradicional, o ciberespaço não é
considerado uma alteridade, porque não tem espaço delimitado, nem “substância”. De
acordo com a tradição antropológica, a etnografia é realizada para grupos corporificados,
marcados pela sua relação com o território e pela identidade cultural única. Para
utilização do método etnográfico, é necessário inicialmente avaliar se suas premissas têm
adequação para o estudo dos ambientes virtuais. Já que a etnografia foi utilizada para
descrever espaços geográficos distantes, e claramente delimitados - em que medida ela
poderia ser aplicada ao ambiente do ciberespaço?

Para a cultura ocidental, a ação de conhecer foi concebida por meio da relação
entre o sujeito e o objeto, tendo o sujeito a posição privilegiada - enquanto origem da
ação, e o objeto era a instância exterior e passiva do processo - aquele que recebe a
nomeação. A relação de conhecimento foi concebida dessa forma antropocêntrica e
hierárquica na qual o sujeito impele no objeto seu ponto de vista. As novas formas sociais
estudadas nesta pesquisa mostram outro caminho de construção do conhecimento - o de
formas colaborativas e transversais.

Conhecer o ciberespaço significa antes de tudo deixar-se influenciar pela natureza


tecnológica do ambiente, agindo e participando numa relação de simbiose na qual,
contornos entre pesquisador e objeto de estudo se misturam até perderem sua superfície.
Significa também manipular, imergir e somar-se ao campo. Nessa situação, a aplicação
do método etnográfico da descrição teria de levar em conta a mistura entre as superfícies
do pesquisador e do pesquisado - como se a prática etnográfica permitisse a (re)
invenção do outro e ao mesmo tempo a (re) invenção si mesmo.

Olhar apenas para as relações enquanto conteúdo de significação pode levar a


uma análise apenas dos aspectos humanos e estruturais. Olhar as relações sociais
virtuais implica primeiro olhar o espaço no qual elas acontecem, ou melhor, o espaço
atópico (DI FELICE, 2008b) - aquele sem lugar, no qual elas estão inseridas e pelo qual,
são constituídas. Embora os espaços de socialização do Second Life e do BarCamp
sejam totalmente diferentes, eles estão permeados pela característica de um ambiente no
qual é impossível manter a separação entre emissor/sujeito e receptor/objeto. No

Página | 101
ciberespaço, a forma de conhecer é a vivência, é a atividade, é o envolvimento de todas
as partes - a inorgânica, a orgânica e a esfera de significação.

O próprio objeto desta pesquisa quebra a barreira hierárquica do método


cartesiano, ou mesmo aquela do método etnográfico de Malinowski. Nos espaços
virtuais, a observação possível é aquela na qual a distinção identitária com o objeto de
pesquisa torna-se inviabilizada, pelo tipo de interações que se produzem na rede.

Além das fronteiras e das definições inquestionáveis é possível pensar


as formas e as experiências de uma materialidade viva, de uma
‘organicidade inorgânica’ e existência de formas de protagonismos de
um tipo de materialidade propiciadora de benefícios, de mensagens, de
experiências e relações sociais. (DI FELICE, 2005, p. 12).

A observação participativa acaba inevitavelmente assim por se firmar numa


relação fluida entre a pesquisadora e os ambientes virtuais - situação mais relevante no
caso específico do Second Life. A experiência de viver nesse ambiente é marcada pela
novidade da interface de relação/expressão, o avatar. Este formato extrapola qualquer
pretensão de observação e desde o primeiro momento leva, acima de tudo, à pesquisa
de si mesmo.

Para descrever a dinâmica do ciberespaço, é necessário fazer parte dele, nele


habitar e se tornar parte de sua arquitetura - nenhuma distância é possível. Esta é a
primeira categoria metodológica que compromete a escolha de um método capaz de não
limitar o objeto em questão, mas que seja sim influenciado por sua dupla natureza -
social/humana e social/tecnológica.

2.1 “O método” da pesquisa

Os ambientes virtuais escolhidos como objeto desta pesquisa elucidam diferentes


tipos de expressão do mundo virtual. A partir da discussão sobre até que ponto é possível
manter distância entre o sujeito e o objeto, os métodos escolhidos para a pesquisa foram
o de imersão, especialmente no caso do Second Life, e o de descrição, participação e
realização de entrevistas, no caso do BarCamp.

A imersão no ambiente do Second Life foi iniciada em maio de 2007 e se


estendeu até agosto de 2008. A experiência da pesquisadora/avatar foi relatada através
de anotações num diário de campo do qual, posteriormente, através da memória dos
relatos da experiência, foi possível extrair considerações acerca das relações sociais
nesse ambiente virtual. Toda interação com os avatares aconteceu em forma de diálogos

Página | 102
via chat e foram armazenadas em formato de arquivo digital, da mesma forma ocorrendo
com algumas imagens dos espaços experienciados.

A imersão aconteceu em dias aleatórios, variando entre a periodicidade diária,


semanal e mensal, de acordo com os eventos disponíveis na plataforma. Os horários
também foram: na parte da manhã, da tarde e pela madrugada, normalmente entre
segunda e sexta-feira. De acordo com os relatos do diário de campo virtual (anexo 1), a
duração da imersão variou entre duas a seis horas, dependendo do desenrolar das trocas
sociais. Os locais visitados foram escolhidos aleatoriamente, de acordo com a adequação
e curiosidade da pesquisadora/avatar, já que nesse universo, é o usuário quem faz seu
caminho. Houve o esforço de tentar participar dos ambientes mais variados possíveis,
desde cafés filosóficos, night clubs, eventos especiais como casamentos e palestras,
praias, shopping centers até reproduções de cidades como São Paulo ou Veneza, por
exemplo.

A experiência referente ao BarCamp foi iniciada em agosto de 2007 e também


encerrada em 19 de agosto de 2008. As trocas sociais aconteceram através de sites,
blogs, egroups, listas de discussão e emails. Para acompanhamento da dinâmica do
BarCamp, foi necessário realizar um registro na comunidade, através de seu site. Depois
de me tornar membro do BC, escolhi dois de seus grupos de discussão: BarCamp Brasil
e BarCamp São Paulo. Feito o registro nessas duas comunidades, o acompanhamento
do movimento social deu-se através do recebimento diário (em uma conta pessoal) dos
emails trocados pelo grupo. Além disto, foi realizado acompanhamento semanal através
do site geral da comunidade brasileira www.BarCamp.blaz.com.br e também dos grupos de
discussão abrigados pela plataforma googlegroups, BarCamp Sampa
(http://groups.google.com.br/group/BarCampsp?hl=pt-BR) e BarCamp Brasil
(http://groups.google.com.br/group/BarCampbrasil?hl=pt-BR&lnk=), pelo período de
agosto de 2007 até agosto de 2008.

Durante esse período, foi enviado às duas comunidades de discussão e a nove


pessoas (via email pessoal ou blog) um pequeno questionário para documentar a opinião
e a experiência de participação de um evento BarCamp do maior número de pessoas.
Foram concretizadas três participações em eventos BarCamp (MetaBarCamp, Campus
Party e NewsCamp).

Nessa circunstância, foi realizado o registro da experiência em diário de campo


das conversas e das discussões. Muitas das informações sobre BarCamp foram

Página | 103
adquiridas através da troca de emails com os participantes, porque quase nunca, com
exceção dos eventos, foi possível encontrá-los presencialmente.

3. Mapeamento da experiência de pesquisa em ambientes virtuais

Depois de várias releituras do material redigido no diário de campo acerca das


memórias da experiência imersiva no campo virtual (vide anexo 1 e 2), algumas
descrições da experiência imersiva em ambos os ambientes puderam ser apresentadas.

O objetivo da experiência imersiva não foi o de conhecer as motivos individuais


que levaram as pessoas ao universo de Second Life ou do BarCamp, mas sim o de
explorar as interfaces sociais advindas do cruzamento entre meio ambiente, tecnologia e
pessoa.

3.1 Second Life

Criado em 2003 pela Linden Lab (empresa de programação em informática), São


Francisco / Califórnia, o Second Life (SL), o SL é um mundo virtual inspirado na cultura
cyber punk - gênero da ficção científica focado na cultura hightech e low-life, baseada
numa construção narrativa de uma realidade social ligada no que há de mais avançado
em tecnologia e ao mesmo tempo relacionado à uma fatia social pouco considerada
(viciados em drogas, traficantes, agiotas, rejeitados socialmente, etc). O nome cyberpunk
surge como termo de marketing cunhado por Bruce Bethkede, uma mistura entre
cibernética e punk6, representando o conflito entre a cultura hacker, inteligência artificial e
grandes empresas. Seus principais expoentes são: Willian Gibson (criador do termo
cyberespace), Bruce Sterling, Pat Cadigan, Rudy Rucker e John Shirley. A cultura punk
traz muitos elementos que vemos hoje na cultura cibernética, hacker. Esta última, surge
nos anos de 1970 como movimento social que marca o modelo de “tribo urbana”, focada
na cultura alternativa, marginal, na autonomia (“faça você mesmo”), na atitude agressiva,
aparência simples mas chocante, sarcástica, subversão dos costumes do dia-a-dia. Ela é
atrelada fortemente à cultura dos fanzines, produzidos de forma alternativa a partir da
linguagem dos quadrinhos, divulgando os mais diferentes conteúdos ligados à cultura
underground, ou melhor, àquilo que não circulava no mainstream.

6
Estilo cultural e musical dos anos de 1980.

Página | 104
Dentro dos resquícios desse espectro cultural está a cultura que criou Second Life
- ambiente de realidade virtual no qual pessoas de várias partes do mundo convivem num
ciberespaço comum a todos, construído através de animações gráficas em 3D. O ideal da
cultura hacker “faça você mesmo” é o grande intuito desse ambiente. No SL, as pessoas
podem construir suas experiências, os espaços, as formas de auto-reapresentação da
forma como desejarem, mas de acordo com as ferramentas de informática disponíveis e
também em conformidade com legislações globais (contra racismo e pedofilia, por
exemplo).

Na experiência cotidiana do SL, não existe uma memória com função social
histórica, nem mesmo no seu site oficial (este contém instruções de como funciona a
plataforma). Para o residente que acaba de entrar, não existe um meio de ter acesso ao
passado e não existem projetos futuros - a vida simplesmente acontece. Através do livro
“Guia Oficial” é possível conhecer as transformações pelas quais passou o SL. Segundo
os criadores e programadores do ambiente, o SL permite que as pessoas desenvolvam
habilidades que virtual não seriam possíveis fora desse ambiente, como por exemplo,
tornar-se um designer de objetos ou de roupas (RUMASZEWSKI et al, 2007, p.10).

O ambiente do SL foi divulgado pela primeira vez em 2002, mas apenas como
teste, e com utilização extensível apenas aos membros da Linden Lab. Conforme outras
pessoas ficavam sabendo da plataforma, mais gente queria entrar, até que o ambiente
foi aberto ao público. O Linden Lab denominou o ano de 2002 como a época da sua
criação e experimentação. Isso levou ao primeiro confronto entre os residentes mais
antigos e os recém chegados acostumados à cultura dos jogos, principalmente do “World
War II”. A convivência entre esses grupos tornava-se cada vez mais difícil, chegando ao
ponto de criar um “muro” que separava o território dos “jogadores” e dos “residentes”.
Estava estabelecida a diferença entre a cultura do SL e a cultura dos jogos multiplayers
online, mesmo que os MUDs7 (e também as BBS8) tenham sido o disparador para a
existência desse tipo de ambiente interativo, e acima de tudo, imersivo. Em 2003, inicia-
se uma segunda era, marcada por uma revolução chamada de “Rebelião da caixa de
chá”, na qual um grupo de residentes americanos lutou contra a política tributária da
Linden Lab. Eles começaram a reivindicar direitos autorais sobre suas criações, o que
culminou numa terceira era do SL, baseada na livre criação, onde cada residente tem
propriedade sobre aquilo que cria.

7
MUD - Multi-user dungeon (RPG de multijogadores normalmente executado em uma BBS ou em um
servidor na Internet).
8
BBS - Bulletin board system (sistema informático/ software que permite a conexão via telefone a um sistema
através do computador e interagir com ele, como se faz com a internet).

Página | 105
A partir deste momento, o SL dá um grande salto, tornando possível que seus
residentes ganhem dinheiro real através da comercialização dos objetos/pertences
construídos dentro do metaverso. A moeda virtual do SL, chamada de linden Dolar, passa
a possuir uma cotação com o dólar americano. Os usuários, que antes apenas pagavam
“pequenas quantias” para adquirir os seus bens no SL, passam também a receber essas
“pequenas quantias” por objetos vendidos dentro do mundo virtual. Neste momento, o SL
assume um modelo similar ao comércio do “mundo real”. A aquisição de terrenos virtuais,
com potencial de valorização, e a construção de residências sofisticadas tornam-se
negócios rentáveis, assim como no mercado imobiliário “real”. Diversas lojas são abertas
pelos próprios residentes, comercializando todos os tipos de objetos utilizados dentro do
SL, de maneira similar ao varejo tradicional. Esta nova regra de propriedade, aliada ao
crescimento do número de residentes, cria uma situação onde a dedicação em tempo
integral ao trabalho dentro do SL passa a ser lucrativa para muitos residentes. O grande
número de usuários também chama a atenção de empresas do mundo real, que passam
a investir em ações publicitárias dentro do SL.

Em 2005, as criações dos residentes foram totalmente incorporadas, fluxo de


áudios foram disponibilizados e ficou instituído uma ética comportamental que permitiu o
banimento de pessoas com atitudes inapropriadas.

Somente em 2006 foram criadas as contas gratuitas, e a partir disso, o número de


residentes triplicou. O SL começou apenas com 16 servidores e 1000 usuários; após
quatro anos de existência, chegou aos 9 milhões de usuários, e em outubro de 2008,
registra 15 milhões.

Phiplip Rosedale, CEO (diretor geral) e fundador da Linden Lab, diz que o objetivo
de criar um ambiente virtual desse tipo era dar às pessoas a possibilidade de recriar o
mundo de acordo com seus desejos (RUMASZEWSKI, et al., 2007, p.10). As pessoas
que não experimentam a vida neste ambiente normalmente referem-se aà ele como um
jogo, mas seus criadores e residentes explicam que existe uma diferença fundamental
entre o SL e os jogos, que é a não existência de um objetivo pré-definido, de uma missão
ou ainda de avatares especificamente criados como personagens padrão. O Second Life
não possui começo, meio ou fim e muito menos um objetivo facilmente conhecido. Ele é
vivido e sentido como um ambiente interativo, uma forma diferente de socialização, outra
forma de viver a experiência social da rede.

Por tudo isso, a descrição que se segue sobre a experiência imersiva no ambiente
do Second Life diz respeito à vivência da pesquisadora, o que, como já colocado, não

Página | 106
esgota as inúmeras formas de habitar este ambiente. As informações relatadas a seguir
representam um resumo do diário de campo virtual da pesquisadora/avatar, disponível
integralmente no anexo 1.

Página | 107
Fig. 1 – Minha Avatar Filomena Graves, em sua última “versão”.

Página | 108
• Como iniciar a participação no Second Life:

Fig. 2 – Página inicial do site www.secondlife.com (note, meu nome no canto superior direito
“welcome, Filomena Graves”, uma vez cadastrada como residente quando acesso o site, ele
reconhece minha identidade).

Página | 109
Fig. 3 – Página inicial do site brasileiro do Second Life - www.mainlandbrasil.com.br.

FIG. 4 - Esta é a página de entrada do Second Life, na qual se coloca nome, sobrenome e
senha, depois de ter realizado o download da plataforma e depois de ter se inscrito como
residente.

Página | 110
Para fazer parte ddo SL, é necessário fazer o download do programa pela
internet, através do site: www.secondlife.com. (é indicado que o residente possua uma
configuração mínima em seu computador e em sua conexão para que sua experiência
não seja comprometida; detalhes sobre os requisitos básicos encontram-se no anexo 1).
A partir de 23 de abril de 2007, foi disponibilizado o servidor exclusivamente brasileiro,
através da parceria entre a empresa Kaizen Games e o provedor de internet IG. Com
isso, os interessados em viver no metaverso, passaram a ter a opção de se cadastrar
pelo site brasileiro, www.mainlandbrasil.com.br, em língua portuguesa, com transações
monetárias feitas em real. Diferente dos servidores da Linden Lab, que trabalham na
língua inglesa (no site e para instalação do software, existem também as opções das
línguas alemã, japonesa e chinesa) e com cotações em dólares americanos.

Para iniciar uma vida no SL, a primeira coisa a ser feita é a criação de uma conta,
da mesma forma como uma conta de email. O residente se cadastra, escolhe as formas
de participação e depois faz o donwload do programa. Uma das grandes novidades é a
interface do ambiente em 3D e a interface de experiência, chamada de avatar. Antes do
termo avatar ser utilizado no Second Life, ele já era utilizado em ambientes de
comunidade virtuais que funcionam através de chats ou em jogos multiplayers online,
para designar de forma gráfica, através de um ícone a representação das características
que o usuário desejava demonstrar. Entretanto, a maior diferença entre os antigos
avatares e os avatares do SL é que neste, o residente pode manipular as características
do seu avatar, criando novas propostas para sua aparência e identidade, independente
das limitações das ferramentas disponíveis na plataforma. Ele pode criar texturas em
programas de criação gráfica (assim como o PhotoShop) e importar para o ambiente do
SL para compor seu avatar, assim como com suas construções (objetos). As ferramentas
para construção dos ambientes no SL já possuem uma forma apropriada para que novos
processos sejam anexados aos já estabelecidos - não se trata de um código aberto9, mas
acontece devido ao tipo de interface oferecida pelo programa.

O SL inovou de muitas formas: o intuito da vivência neste ambiente não tem


objetivo, começo, meio ou fim; há circulação de dinheiro com valoração na bolsa; há
ampliação nas possibilidades de relação entre residente e avatar. Além disso; o SL traz
às pessoas não iniciadas a possibilidade de manipular a programação do espaço virtual,
onde elas se encontram, onde elas desejam interagir.

9
Código aberto: é um tipo de software que possui seu código fonte de programação aberto para
modificações, incluindo livre distribuição e licença. Nesse caso, é valorizada a propriedade das alterações
realizadas por qualquer pessoa.

Página | 111
Logo de início, o residente deve escolher como será seu avatar - a forma de seu
corpo, todos os detalhes de sua aparência e seu nome. Uma lista de sobrenomes
existentes é fornecida pela organização do site e, de acordo com a combinação entre
nome e sobrenome, existem opções disponíveis ou não disponíveis. O avatar pode ser
modelado em diversos aspectos “físicos”: tipo de cabelo (cor, comprimento); tipo de rosto,
olhos, lábios (pintados ou não, grossos, finos e etc); tipo de corpo (alto, baixo, magro,
gordo, musculoso e etc); tipo de roupa. Se alguém quiser vestir seu avatar com roupas
diferentes daquelas básicas, as oferecidas pela estrutura do programa, terá que comprá-
las com a moeda própria do SL, ou construí-la; caso contrário, ficará apenas com a
configuração inicial do avatar.

FIG. 5 - Esta é a caixa de diálogo para a configuração do avatar. Todos os itens ao lado da
imagem são as possibilidades de manipulação oferecidas pelo software.

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O avatar é a forma de vida no ambiente virtual do Second Life - através dele o
residente irá se movimentar e se relacioar com o espaço e com as pessoas. No entanto,
as atividades realizadas pela ação do avatar são atividades que acontecem via
comandos de computador.

Foram realizados diversos contatos com avatares. Tentei inicialmente


acompanhar a rotina de cinco avatares (“VL”, “N”, e três deles, que fazem parte de
minha vida fora do Second Life: “AZ”, “GBG” e “TRD”), mas depois de certo tempo, não
foi possível manter contato, devido à incompatibilidade de horários. Durante o período de
imersão não encontrei com avatares idosos; vi duas avatares grávidas e três avatares
crianças, que aparentavam uns oito anos de idade.

Fig. 6 – Na Ilha Brasil, a ruiva de cabelo comprido é Filomena. Áfrente dela, à esquerda aparace
a avatar grávida.

Minha avatar mudou de aparência (e nesse caso, digo corpo e pele) por três
vezes, através de doações de avatares (conhecidos ou não). A mudança de roupa e de

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acessórios aconteceu quase sempre com a ajuda de avatares desconhecidos, com os
quais cruzei apenas uma vez, dentro do SL.

Fig. 7 – Esta é a primeira versão (baseada


no software de inicialização do SL) da
minha avatar “Filomena Graves” e este
sentado com ela é o avatar do meu marido
(“real”), “AZ”.

Estão em Veneza passeando de gôndola.

Fig. 8 – Esta é Filomena depois de 5


meses como residente. O corpo foi
doado por uma colega “VL”. O local que
aparece é o Bubblegun Factory, um
club para dançar. Neste dia o cenário
estava selvagem de acordo com o tema
das fantasias. Acima existe uma bolinha
azul escrito “dance”. É uma “poseball”,
um objeto que permite animar um
avatar, ou seja, é só cilcar nele para
dançar.

Página | 114
Fig. 9 – Filomena depois de sete
meses de muitas tentativas de se livrar
de seu corpo exagerado. Ganhou este
corpo e esta pele de seu amigo “GBG”.
O cabelo já havia sido alterado antes.

De modo geral, os avatares matém o corpo e a pele (que lhes dão a principal forma
da aparência) e mudam de acessórios ou roupas dependendo das situações: quando vão
a festas temáticas, ou quando o trabalho exige. Nos shoppings do SL, os itens mais
comercializados são roupas, acessórios, cabelos, corpos e peles. Algumas vezes, ao
comprar um corpo, é possível comprar um órgão sexual, o raras vezes pude observar. É
muito comum encontrar lojas que vendam roupas temáticas, como, por exemplo, roupas
dos anos cinquenta, e fantasias.

Todos os objetos do avatar ficam gravados em seu inventário. O inventário é a pasta


onde estão arquivados todos os seus pertences, criações e também todas as mensagens
recebidas (avisos de festas ou alertas que o seu avatar ganhou um objeto de alguém).

• Sistema monetário:

A possibilidade de articulação do dinheiro é uma das grandes inovações do


Second Life, o que possibilita a criação de uma economia espefíca e consequentemente
de novos tipos de trabalhos e formas de ganhar recursos extenssíveis à vida “real”. A
moeda do SL flutua como numa bolsa de valores, veja a seguir os valores aproximados10.

10
Fonte: sites www.secondlife.com e www.mainlandbrasil.com.br. De acordo com cotação de 03/10/08.

Página | 115
TAB. 1 - COTAÇÃO MONETÁRIA SECOND LIFE – DÓLAR E REAL

Linden Dolar - L$ Real - R$


R$

CO
76,00 1,00
R$
VE
236,00 1,00

Linden Dolar - L$ Dólar- U$


$
CO

290,00 1,00
VE

$
184,00 1,00

O residente tem a opção de pagar uma taxa em dólar, debitada direto de seu
cartão de crédito, para ter direito a receber mensalmente uma quantia de lindens. Não há
obrigação de pagamento, já que existe a opção de ser um residente free, não pagante,
“basic membership”. O cadastramento como “premium memberchip” custa US$ 9,95
/mês; o vínculo mensal custa US$ 7,50 /mês; pode-se escolher um vínculo pela
periodicidade, a cada quatro meses, ou US$ 6,00 /mês, ou mesmo, um vínculo anual.
Pagar uma taxa por mês significa receber uma quantia em lindens, ter possibilidade para
construir ambientes e customizar seu avatar; apenas se o residente optar pelo vínculo
anual, terá direito de ter propriedades. Em média, 5 milhões de dólares circulam por mês
na economia do SL (RUMASZEWSKI, et al. 2007).

Tornar-se um membro pagante, no SL, não é a única forma de ganhar dinheiro.


Conforme a expansão do ambiente, foram surgindo novas oportunidades, como por
exemplo a oferecida pela ilha “Money Island”, na qual o avatar cumpre uma tarefa (como
dançar, ficar sentado e etc) por determinado tempo e com isso ganha uma quantia em
“linden” - por exemplo, “dance por 15 minutos e ganhe 30 lindens”. Essa quantia vai
automaticamente para a conta do avatar no Second Life (mesmo que de residente não
pagante). Permaneci como residente não pagante por quase 10 meses; nesse meio
tempo procurei informações através do site e do blog do SL para saber como procurar
por esses lugares. Indicaram-me a utilização de uma ferramenta de busca do SL
“search”, e digitação “camping” ; com isso, encontrei a Money Island. Minhas três
tenativas renderam em 24 L$, que gastei comprando uma tatuagem (que não gostei) e

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uma roupa dos anos cinquenta (que me pareceu péssima para o tipo de corpo de minha
avatar Filomena Graves). Tornei-me residente com vínculo mensal, e tive direito a 300L$
por mês, os quais esperava fazer render - infelizmente meu “tino para os negócios” não
foi muito desenvolvido no SL.

Essas informações sobre valores dos lindens e tipos de “membership”, foram


adquiridas através da navegação no site do SL e não através da plataforma, embora
exista a opção de procurar por tais informações em sites fora do ambiente do SL.
É possível estar no SL e estar realizando outras tarefas na internet.

Quase sempre, quando eu fazia contato com outros avatares que estavam
conectados, eles estavam fora de seus ambientes de trabalho da “vida real”.

• Tipos de atividades remuneradas:

Os próprios tipos de ambientes criados pelos residentes levaram ao surgimento


de atividades específicas do universo Second Life. A maioria das atividades remuneradas
está ligada à boa aparência e ao alto número de contatos. Profissões como modelo,
acompanhante, segurança, desenvolvedor e programador, designer (de roupas,
acessórios, avatares, de interiores), musico, DJ, jornalista, anfitrião ou hostes,
organizador de festas e eventos culturais são os empregos que permitem ao residente
uma atividade remunerada. As formas e horas de trabalho são completamente diferentes
- não existe um chefe que exija oito horas de trabalho, mas muitas vezes é possível
ultrapassar 10h/diárias, dependendo da tarefa e da negociação com o contratante. Todas
as atividades citadas acima estão de certa forma, ligadas ao consumo e à publicidade de
produtos para utilização no próprio metaverso, além de ligados à criação de ambientes e
aprimoramento do visual dos avatares e de promoção de contatos sociais.

Também existe espaço para as ações empreendedoras, ligadas ao comércio e ao


varejo. A compra e venda de “imóveis virtuais” tornou-se a atividade mais rentável, o que
permitiu que, em 2007, um avatar ultrapassasse a marca de 1 milhão de dólares
americanos lucrados dentro da economia do SL.

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• Criação de ambientes e população:

Ao longo dos diálogos NO sl, notei algumas abreviações que me eram


desconhecidas. Com um avatar amigo, que já era um residente mais experiente, pude
tirar muitas de dúvidas, especialmente: como a rede de servidores funcionava, a
diferença entre a rede e a rede brasileira, como funcionava o processo de compra, de
terra e o pagamento de impostos, e como funcionavam os direitos autorais. Esses não
são assuntos comuns no SL, a não ser entre pessoas interessadas em programar.
Através da vivência ao longo do tempo, um residente vai se tornando mais experiente e
conhecendo o ambiente. Pelos ambientes que “andei”, não percebi o hábito de um avatar
ensinar o que sabia para outro (como um tutor) - aquilo que o avatar sabe depende de
seu prórpio esforço. Por outro lado, é freqüente que um avatar dê objetos para outro, sem
mesmo conhecê-lo, e apenas por ter achado que o outro precisa. Isso não acontece (não
pude observar) no tocante a mexer mais profundamente com as ferramentas da
plataforma; para tanto, é possível aprender através dos “workshops”. Constantemente
acontecem workshops no SL, bastando procurar pela ferramenta de busca.

Fig. 10 – Filomena e seu


marido, participando de
workshop sobre
programação no SL,
onde foi ensinado como
criar uma função de
animação para um
objeto. (Mais detalhes
no anexo 1, página, 34).

O ambiente do Second Life é divido pela nomeação de ilhas ou sistemas (ou a


abreviação - SIM), o que facilita a manipulação e criação em determinado ambiente.
Normalmente um computador servidor comporta duas ilhas e isso permite em média que
100 residentes estejam online, ao mesmo tempo. O ideal para garantir a performance do
software é um número de 50 residentes por ilha. Assim, pode-se imaginar a grande

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quantidade de servidores e a qualidade de conexão que a Linden Lab deve possuir para
deixar o Second Life num estado de bom funcionamento.

Para construir qualquer forma no Second Life, são utlizados os “primitivos” -


figuras geométricas básicas. A partir de um quadrado, triângulo ou circulo, é possível
criar qualquer objeto, desde o chão e a parede de um lugar, até o corpo de um avatar.
Cada ilha permite um determinado número de “prims”. Em média, cada ilha pode conter
até 15 mil primitivos. Se você compra um terreno, sua extensão é compatível com um
número certo de primitivos, por exemplo 512 mq comportam 167 primitivos (segundo as
informações e experiência do avatar “N”). Ao adquirir um terreno ou uma ilha, o residente
deve pagar um imposto mensal chamado de “tier”.

Dados de agosto a outubro de 2008, fornecidos pela Linden Lab, indicam que o
número de residentes chega a 15 milhões11. Segundo informações do site da Kaizen
Games12 (www.kaizengames.com.br), em setembro de 2007, três meses após sua
inauguração, os registros na MainLand Brasil mostraram 480 mil novos registros. Em
julho de 2007, os dados da Linden Lab mostravam que o Brasil detinha 8,55% (oitavo
lugar na escala de residentes) dos registros em compração com 26,55% dos Estados
Unidos (primeiro lugra na escala de residentes). Após a inauguração da MainLand Brasil,
a comunidade brasileira subiu para o segundo lugar na escala do número de residentes,
o que, para muito empresários, mostrou a natureza brasileira do interesse por
relacionamentos.

O residente pagante pode comprar ilhas e a partir desse momento ele se torna
responsável pelo o que acontece nesse ambiente. Este residente pode estabelecer se a
ilha dele terá livre acesso ou será restrita apenas a convidados.

No Brasil, muitas empresas aderiram ao metaverso para divulgar seus produtos.


Esaas empresas acreditam que o fato do avatar poder vivenciar, experimentar o produto,
gera bons retornos. Um exemplo: a empresa Meta Mídia Digital desenvolve diversos
projetos para o SL e contratado por empresas “reais” (como mais detalhado em
entrevista, no anexo 1).

No SL, não é permitido criar em qualquer lugar - ou você é dono de espaço, ou vai
à uma sandbox (a explicação segue no próximo item). Existem ilhas específicas para
jogos multiplayers online desenvolvidos pelos próprios residentes, asssim como ilhas

11
Dados obtidos através do site (em 03/10/08) www.secondlife.com
http://secondlife.com/whatis/economy_stats.php.
12
Fonte: http://www.kaizengames.com.br/noticias_completo.aspx?c=10. Acessado em 16/06/08 às 17h13.

Página | 119
especialmente voltadas para educação à distância. São diversas as universidades
brasileiras que atuam no SL. A Universidade Anhembi Morumbi (SP), por exemplo, criou
um espaço para que adolescentes possam conhecer através da imersão e
experimentação as diversas carreiras oferecidas para a faculdade. Centros de fisioterapia
utilizam o SL para mostrar aos pacientes como devem ser feitos os exercícios. Para
auxiliar entidades, existe o Second Life Grid - rede que dá suporte à educadores,
desenvolvedores open source, e negociantes.

Apesar do enorme número de residentes, há momentos no SL que parecemos


estar sozinhos - os espaços de interação são muitos e o tempo de estadia, navegação de
cada avatar são irrelevantes para constatar o intercâmbio social. No SL, não existe uma
fórmula para se movimentar - a cada vez que o residente entra, novas criações podem ter
sido agregadas e outras extintas, por vontade de cada um. A arquitetura do SL é
totalmente efêmera.

Em muitos momentos em que eu ia me conectar, o software “pedia” para fazer


download de uma versão mais nova. Estas atualizações são constantemente
disponibilizadas por se tratarem de melhorias nas questões de segurança do aplicativo, e
às vezes também trazem novas funcionalidades para os residentes.

• Espaço para testes de criação:

No SL, existem locais chamados de “sandbox” (tradução literal de “caixa de areia”,


aquele espaço infantil no qual as crianças brincam livremente). Os desenvolvedores de
software costumam chamar de sandbox os espaços criativos para que possam “brincar”
antes de conceber definitivamente um programa. No Second Life, os sandboxes ganham
a conotação de ambientes vazios, destinados à livre criação e a testes para aquilo que
uma residente queira criar.

A Standard Comunity (Linden Lab) não tem total controle desse espaço, onde
cada um é responsável pelo que cria. Disso decorre um tipo de regra/ética, pela qual,
cada um deve limpar sua criação se não for utilizá-la, para não comprometer o
funcionamento do sistema (memória)13.

13
Como aprendi ao participar do Campus Party Brasil, 2008, ao realizar um workshop sobre
criação para leigos.

Página | 120
• Interfaces, interação, formas de comunicação:

A interface de utlização do programa do SL, no que diz respeito aos menus de


tarefas, é visualmente igual a qualquer programa do Windows. Ela possui uma barra de
ferramentas na parte superior da tela, contendo as funcionalidades disponíveis para o
usuário (File, Edit, Tools, Help, etc). Todas as ações e criações no ambiente do SL
acontecem através do manuseio do mouse e do teclado. Basicamente, para se
movimentar, utilizam-se os botões direcionais do teclado, para voar (sim, no SL
“podemos voar”!) o botão page up e page down. É possível tocar objetos, através do
clique com o botaõ direito sobre ele – imediatamente, o braço do avatar se move em
direção ao objeto, e então, abre-se um cículo com as funções disponíveis. No caso de um
banco, por exemplo, eu devo clicar com o botão direito sobre ele e imediatamente
aparecem as opções; entre elas, por exemplo, “sentar”, e assim, o avatar senta-se no
banco.

Fig. 11 – Filomena voando sobre


um free shop (loja de vendas de
peles, corpos e roupas). Ela ganhou
essa localização (coordenadas x, y,
z, de um avatar desconhecido).

Página | 121
Esse tipo de ação depende de um script de animação e normalmente eles são
criados pelo proprietário da ilha. São identificados como “poseballs”, bolas coloridas que
ativam animações no ambiente e no avatar. Como no caso da figura 11, clicando na
bolinha azul, posso fazer meu avatar dançar. Ou como no caso da figura 10, posso beijar
meu marido em Veneza. Esta ação não dependeu de minha criação, mas da criação dos
residentes que construiram Veneza.

Fig. 12 – Filomena e seu marido,


namorando em Veneza.

Fig. 13 – Filomena no local mais


frequentado por ela, o Bubblegum
Factory, um tipo de um discoteca
que tocava rock. Em todo o salão
estão os “poseballs” (bolinhas
azuis e rosas) próprios para
animação dos avatares.

A forma básica de comunicação entre avatares acontece via chat (conversação


em tempo real através da digitação do diálogo). A partir de 2007 foi disponibilizado o
serviço de voz sobre IP. Este serviço além de possibilitar a conversa por voz, possibilita a
realização de shows de bandas e de musicais ao vivo.

Página | 122
É possível receber mensagens de outros avatares ou do próprio ambiente em que
está presente. Este último costuma enviar mensagens sobre a conduta permitida pelos
avatares naquele local, sobre produtos comercializados e também anúncios de festas e
eventos. O residente tem a opção de guardar ou descartar as mensagens após a leitura.
Quando o residente recebe objetos ou comunicados de outros avatares enquanto está
offline, estar aparecem para ele assim que ele se reconecta

O software do SL memoriza a configuração do computador onde aconteceu o


último acesso e sempre conecta o residente a partir do último espaço visitado.

Na maior parte das vezes, quando se chega à um ambiente, o avatar recebe as


boas vindas do anfitrião do local. Este “cartão de visita” pode ou não estar acompanhada
das regras do local. Mesmo quando não existe nenhum avatar “anfitrião ou hostess” do
local, é possível receber automaticamente informações via caixa de diálogo e aceitação
da mensagem. Existe uma opção de visualização do espaço através do mapa da região.
Neste é possível ver a própria localização, a extensão do espaço costruído (não o detalhe
das construções) e a identificação das pessoas online naquele momento.

FIG. 14 – Ângulo de visão de Filomena Graves (em sua primeira versão), na Ilha Brasil.
Esta é a tela padrão na qual estão todas as funcionalidades do programa. O chat geral
para comunicação aparece no canto inferior esquerdo e no canto superior direito aparece
uma caixa de mensagens de aviso de oferecimento de objeto por outro avatar.

Página | 123
Fig. 15 – Ângulo de visão de Filomena Graves. Ao lado esquerdo aparece a caixa de
14
diálogo das instant messages (IM) . Tanto na parte de cima da tela quanto na de
baixo, aparecem os comandos para ações.

• Comportamento e diálogos:

No SL, o diálogo é efêmero, e aqueles que acontecem no IM não prevêem um


registro formal, a não ser que o avatar escolha salvar todos os seus diálogos em seu
computador. Essa função é ativada apenas no computador que se estava conectado
quando fez a opção. Por exemplo, por vezes conectei-me através de outros
computadores (que não o da minha casa) e não pude ativar a opção de registrar os
diálogos. Os diálogos trocados via chat, em geral, são arquivados no histórico do Second
Life.

A comunicação via chat normalmente tem um ritmo rápido, ou mesmo confuso,


quando acontece no chat geral. Entretanto, o fato do diálogo ocorrer via chat torna
possível a observação e a análise crítica no momento da interação, como exemplificado
no trecho transcrito abaixo (este diálogo completo encontra-se no anexo 1).

14
As instant messages são mensagens particulares trocadas entre dois avatares sem que as mesmas sejam
publicadas no chat geral da aplicação.

Página | 124
Object: Ola, FG seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:41] Object: Ola, dream Svoboda seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:41] Object owned by BMC gave you 'Info_Sobre_Buzios' (


http://slurl.com/secondlife/Buzios/158/137/21 ).

*(NESTE MOMENTO RECEBI INFORMAÇÕES E REGRAS DE COMPORTAMENTO SOBRE O


LOCAL VIA CAIXA DE DIÁLOGO E ESTA FICOU ARMAZENADA EMMEU INVENTÁRIO)

[14:41] AL: *** Boa noite, seja bem-vindo (a) a Ilha Búzios. ***

[14:41] Object: Ola, hiady Magic seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:41] You: ola

[14:41] JF: oi

[14:41] Object: Ola, dream Svoboda seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:41] Object: Ola, Lutske Andel seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:42] Object: Ola, FG seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:42] AL: Precisando de ajuda? Nós do Staff da Ilha Búzios, estamos aqui parar
ajuda-los.

[14:42] You decline 'Info_Sobre_Buzios' (


http://slurl.com/secondlife/Buzios/158/137/21 ) from Object.

[14:42] Object: Ola, LS seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:42] You: legal ana lucia!

[14:42] You: aqui na ilha buzios parece ter um pessoal que se conhece e sempre
está aqui...

[14:43] Object: Ola, raissa Vlodovic seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:43] AL: verdade

[14:43] AL: Buzios oferece: Praia, Wind surf, asa delta, amigos e muita diversão.

[14:43] AL: Também temos: Camping pela ilha - praia e lojas - Festas, boate, shopping.

[14:43] LS: oi

[14:43] LS: lembra de mim

[14:43] You: ana lucia, como vcs fazem para tocar a muscia aqui no ambiente, vc
sabe?

[14:44] ES: parabéns vc tem uma voz linda

[14:44] WYLL Footman: Esqueceu de dizer que temos Seresta também, Ana Lucia. risos
divertidos

[14:44] Object: Ola, JF seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

Página | 125
[14:44] AL: eles estão tocando violão e cantando normalmente no voice

[14:44] AL: ao vivo

[14:44] You: nossa

[14:44] You: serio?

[14:44] You: que demais!

[14:44] AL: uhum

[14:44] You: quem ta cantando?

[14:44] AL: fernando, o wyll

[14:45] You: bom jeito de divulgar o trabalho!

[14:45] GM: oi

[14:45] AL: eles sempre fazem isso

[14:45] GM: voltei

[14:45] GM: caiu aqui

[14:45] AL: oi cindy

[14:45] AL: boa noite

[14:45] cindy Tinkel: oi

[14:45] cindy Tinkel: boa

[14:45] GM: ]eu?

[14:45] AL: pois não

[14:45] GM: vcs conhecem queem?

[14:45] GM: queen?

[14:45] GM: ebaaa

[14:45] GM: so um momento telefone aqui na rl

Somente na Ilha Búzios e na Ilha Brasil tive contato com a voz de algum avatar. O
diálogo acima colocado mostra o momento em que eu entro no ambiente e me deparo
com um grupo de desconhecidos “reais”, mas conhecidos virtuais, tocando instrumentos
musicais e cantando a mesma música. Cada um num lugar e com instrumentos
diferentes, cantavam a mesma musica; alguns aplaudiam e outros, como eu,
participavam com opiniões via chat.

Página | 126
É difícil acompanhar as conversas e ao mesmo tempo estar num ambiente em
movimento. O ambiente do SL é totalmente móvel: carrega-se aos poucos e à medida
que o avatar se movimenta. Nunca se está num lugar estático ou que mostre toda a sua
extensão. Assim como nos diálogos via chat, o som desaparece à medida que nos
afastamos. Entretanto, quase sempre um local é acompanhado de música.

Um dos locais visitados, o “The Carven Club” em Liverpool, é conectado a uma


espécie de programação de estação de rádio digital, algo criado pelo proprietário daquele
espaço.

Presenciei um diálogo entre uma estudante de sociologia e uma dançarina de


boate - a estudante perguntava o que motivava as pessoas para ficarem naquele
ambiente, e vários avatares, rapidamente, responderam que o objetivo era conhecer
pessoas, se divertir e passar um tempo de lazer diferente (relato completo, no anexo 1).

Para saber informações sobre o perfil de um avatar basta clicar com o botão
direito sobre ele - assim é possível ter acesso ao seu “profile” (ficha fornecida pelo próprio
sistema). Com isso, sabemos os locais onde ele costuma ir, onde costuma comprar, seus
objetivos no SL, e alguma informações sobre a “primeira vida”.

A primeira vida - ou real life (RL) como os residentes costumam falar - não é muito
citada, a não ser quando ela interrompe um diálogo. Tudo vai depender do tipo de
relação que se estabelece com o outro avatar ou com um grupo. Nos meus diálogos com
“GBG”, “TRD”, “VL”, “N” e “AZ”, era comum citarmos a RL, talvez porque todos sabiam de
minha pesquisa; eles falavam de suas experiências, principalmente quanto a
relacionamentos afetivos e quanto a trabalho.

No início de minha imersão, eu costumava perguntar de onde eram as


pessoas/avatares com quem eu conversava - eu pergutava muitas coisas, sobre os
motivos deles estarem no SL e como eram suas rotinas. Meus amigos avatares
alertaram-me que, no SL, essa não é a melhor forma de estabelecer contato e conhecer
gente. A partir dessa informação, passei a tocar no assunto RL somente quando me
perguntavam, o que pareceu mais comum na situação de um avatar tentar uma “investida
afetiva” comigo/avatar Filomena. Nesse caso, ele tentou saber de que país eu era, e qual
minha idade, até que começamos a conversar sobre a minha pesquisa.

Os avatares “TRD” e “GBD” eram vivenciados pela mesma pessoa - um avatar


completamente diferente do outro, com distintos objetivo dentro do SL. Um deles tinha
objetivos estritamente profissionais (“GBG”); tinha um visual mais “confiável” para

Página | 127
representar sua empresa de desenvolvimentos dentro do SL, em reuniões comerciais e
congressos. O outro, apesar de também trabalhar programando ou criando objetos,
circulava no submundo do SL, participava de jogos de RPG15, e tentava viver como se
fosse um anti-herói. Segundo ele, frequentava esses ambientes para “salvar” as pessoas
de relações sadomazoquistas, da escravidão, chegando a salvar jovens do suicídio na
vida “real”, segundo seus relatos.

No SL, e muito comum acontecerem casamentos entre avatares. Existem locais e


roupas apropriados para tais eventos. Fui convidada para ir ao casamento de “N”, mas
quando cheguei, estranhamente não havia ninguém, e eu fui embora. Depois de adquirir
mais experiência, supus que nesse dia, minha conexão com a internet não estava boa e
por isso não vi nenhum outro avatar. Num dos passeios pelo SL, novamente procurei por
esses locais onde aconteciam casamentos e cheguei a presenciar um.

Fig. 16 – Filomena visita local


próprio para a realização de
casamentos.

Fui convidada para conhecer duas residências: uma era um barco em uma ilha e
outra um casarão de arquitetura bem moderna. O barco havia sido construído por seu
próprio residente e a casa foi comprada já completamente construída. Dentro desses
espaços o avatar pode fazer o que quiser desde atividades mais simples como dançar ou
descansar em um sofá, até fazer sexo ou utilizar drogas, mas tudo sempre depende de
cada programador ter desenvolvido um script que simule a ação desejada em seu
terreno.

15
RPG - Role-playing game (ou jogo de interpretação de personagens) - tipo de jogo em que os jogadores
assumem os papéis de personagens e de forma colaborativa criam narrativas.

Página | 128
Passei por alguns momentos muito afetivos enquanto estive no SL. Quando me
sentia sozinha naquele ambiente, procurava por meus amigos ou ia a lugares que me
faziam sentir bem, como o Bubblegum Factory, onde sempre tocava música boa e
sempre era possível dançar (da mesma forma como os outros avatares, como nos salões
de música country americana). Fiquei bastante emocionada, cheguei a chorar ao dançar
com meu marido (SL e RL), tendo em vista que estávamos em cidades diferentes (RL).

As possibilidades de imersão são infinitas, não um modo correto ou único para


viver essa experiência, por isso a dificuldade de encontrar um método que pudesse dar
conta das possibilidades desse universo ou metaverso.

• Regras de comportamento e controle:

Os organizadores do Second Life preocupam-se com a segurança do próprio


software para garantir uma boa navegação aos residentes. Para isso existe uma
comunidade chamada de “Standards Comunity”, que regula as ilhas para que não ocorra,
indecência, distúrbio da paz, cópia de conversas sem que os envolvidos tenham
consciência, intolerância, furto (ao inventário), comportamento ofensivo, hackeamento da
vida de outra pessoa ou do próprio programa.

Existem duas redes (ou como é chamado no site “grid”): “mature’ e “nom mature”.
A primeira é voltada a maiores de idade e a outra a menores. Os menores de idade
podem se registrar no Second Life desde que autorizados pelos responsáveis.

Há sempre a possibilidade de reportar qualquer tipo de abuso na própria


ferramenta. Normalmente nos ambientes existe a opção “report an abuse”. Se o residente
fizer alguma coisa errada, tiver um comportamento considerado indevido por outros
residentes ou tiver uma atitude ilegal comercialmente, primeiro recebe um aviso, depois
suspensão e poderá ser banido definitivamente do SL.

Página | 129
3.2 BarCamp

BarCamp é um evento com discussões, demonstrações e interação


direta entre os participantes. Não há lista de palestrantes, nem
programação fechada - o modelo é de desconferência. Trata-se de estar
envolvido diretamente em uma estrutura de conversação horizontal e
16
emergente.

O nome BarCamp é uma alusão à uma palavra do vocabulário hacker “foobar”,


que na linguagem de programação se refere ao assunto/tema abordado em um
determinado programa. Enquanto evento, o BarCamp surgiu na Califórnia, Palo Alto, em
agosto de 2005, baseado no Foocamp – encontros de hackers voltados à discussão
sobre “open source”17, promovidos por Tim O’Reilly – fundador da O’Reilly Media,
empresa voltada a construção de programas com código aberto, que podem ser
alterados por outros programadores.

A presença do BarCamp na rede, vinculado a utilização de softwares


colaborativos, tornou possível a proliferação da cultutra BarCamp, da “desconferência”18
ao redor do mundo. Existem comunidades ativas na América do Norte, América do Sul,
Europa, Asia e Austrália (vide figura 16).

16
Definição da própria página da internet: http://www.BarCamp.blaz.com.br/.
17
Código aberto em linguagem de programação
18
Os interessados participam de fóruns digitais de discussão, em seguida programam encontros para que
sejam discutidos assuntos comuns. A desconferência é planejada no momento dos encontros motivados
pelos debates para só depois cada participante contribuir com sua bagagem de conhecimento.

Página | 130
Fig. 17 – Logotipos do BarCamp no Brasil e no mundo.

Página | 131
Outro aspecto novo no BarCamp, a prática da desconferência, vai de encontro as
novas concepções do conhecimento, da “inteligência coletiva” (Lévy, 1994). Os encontros
presenciais acontecem após trocas comunicativas baseadas em listas de discussões via
email ou blogs, sem organização prévia, pauta única e fixa ou a partir de um único
palestrante. Todos os participantes de uma detrminada comunidade (com foco em
assuntos temáticos, como arte, jonalismo colaborativo, mídia social e etc) podem dar sua
contribuição à temática, que é escolhida de forma democrática e nunca fechada em um
único perfil. Por exemplo, dentro do grupo sobre blogs existem diversos assuntos
relacionados: o desenvolvimento de ferramentas de programação para aprimorar a
tecnologia, o reconhecimento dos blogs como uma forma importante de comunicação
social e assim por diante.

A idéia de realizar um BarCamp no Brasil surge em agosto de 2006, através da


iniciativa de um dos criadores do portal de entretenimento Blaz (dedicado ao
desenvolvimento de softwares colaborativos), do Rio Grande do Sul, André Avório. André
teve a oportunidade de conhecer esse tipo de evento quando esteve em Londres para
estudar e participou do primeiro BarCamp Amsterdã. O portal Blaz é apresentado pela
seguinte mensagem:

Oi! Somos uma agência de internet onde se respira inteligência coletiva.


Trabalhamos com estratégias centradas em comunidades e ambientes
colaborativos, desenvolvendo produtos e serviços online que dão poder
às pessoas. Não acreditamos no virtual - somos pessoas reais, de carne
e osso. Entendemos o online como potencializador do offline. Muito
prazer :)

O primeiro BarCamp Brasil ocorreu em setembro de 2006, na Faculdade Federal


de Santa Catarina, com o obejtivo de compartilhar experiências e colaborar para o
conhecimento das tecnologias digitais para o desenvolvimento humano. Os temas mais
recorrentes foram: comunicação participativa, gestão de conteúdo, software livre,
plataformas online de colaboração, web 2.0, Linux, Copyright, ensino e educação,
descentralização, comunidades online, compartilhamento de músicas via web, entre
outros. Todos os tópicos foram abordados de forma empírica e a partir da necessidade
individual.

Inúmeros foram os comentários onde ficou clara a superação das expectativas


quanto à metodologia da desconferência. Seguem trechos de trocas de emails com
opiniões sobre a realização do primeiro BarCamp Brasil..

Oi, gente!

Página | 132
Já estou com saudades de todos e do BarCamp hehehehe

Queria parabenizar o André Avório pela iniciativa


do BarCamp, à todo pessoal que ajudou na
preparação de tudo e à todos nós que conseguimos
comprovar que a cooperação é possível tanto no
online, quanto off-line, já que, na minha opinião, o BarCamp foi um sucesso!

Fui pra Floripa bem desacreditada do BarCamp, mas


posso dizer que voltei com a opinião totalmente
reformulada. A diversidade de pessoas, de ares do
conhecimento, do mercado, da academia, etc e tal
propiciou uma troca de informações extremamente
rica e a qualidade das discussões superou muito
congresso acadêmico que eu tenho ido nos últimos
tempos. A preocupação de todos que estavam lá,
com o andamento da Internet, da web ficou muito
clara e a pertinência das idéias mostrou o quanto
a gente ainda tem pra crescer em termos de "ciberespaço" heheh.

Só queria dizer que adorei, que por mim teria um


BarCamp por mês e que o pessoal daqui de POA
voltou empolgadíssimo com a possibilidade de
fazermos um BarCamp por aqui. Quem quiser ajudar
fale com a gente! Por mim esse BarCamp em poa não
tem escolha, sai, ou sai hehehe!!!!

-------------

Oi!
Também queria parabenizar o André e a todos os que participaram... Pra mim
foi um grande prazer ajudar a organizar as coisas, mas principalmente poder
conviver com todos vocês. Pensei muito ontem a noite depois que cheguei em
casa e posso garantir que aprendi muito nesses dois dias. Muitas coisas
tomaram uma nova perspectiva para mim.
Poucas vezes tive o prazer de conviver com tantas pessoas inteligentes,
interessantes, com tanto conteúdo e tanta disponibilidade de compartilhar e
ouvir.
Não vejo a hora que aconteçam novos BarCamps e também outros encontros
presenciais com todo esse pessoal! Contem com a minha ajuda para organização
e divulgação de qualquer iniciativa, seja um BarCamp ou não, em qualquer
lugar... E, por enquanto, continuemos nossos contatos online.
Obrigada a todos mais uma vez pelo fim de semana maravilhoso, pelos contatos
profissionais, mas, principalmente, pelos novos amigos que fiz.

Grande beijo

Para fazer parte da comunidade do BarCamp Brasil é preciso se cadastrar como


usuário no site http://BarCamp.blaz.com.br. Daí em diante você pode escolher quais
comunidades de assuntos quer se vincular e assim pasará a fazer parte das listas de
discussão sobre variados temas, sugeridos aleatoriamente por todos os participantes.
Sempre que um membro quiser acessar informações sobre o BarCamp, deverá fazê-lo

Página | 133
via internet, entrando no site com seu nome de usuário e senha. Também é possível
acompanhar as discussões do grupo através do email pessoal cadastrado ou ainda pelo
site googlegroups. A idéia central é colocar em prática a “inteligência coletiva”: pessoas
se encontram para discutir assuntos de interesse comum e nesse encontro todos têm
com o que contribuir. Nestas discussões é abolida idéia de um único fluxo e
armazenamento de informação, pois o objetivo é o compartilhamento das informações e
a valorização de cada experiência e opinião. (Página inicial, vide figura 3 e 4).

FIG. 18 – Página inicial do BarCamp mundial.

Página | 134
FIG. 19 – Página inicial do site BarCamp Brasil.

A ocorrência do primeiro BarCamp suscitou bastante movimentação no grupo de


discussão, incluisve sobre seu modelo. Alguns participantes do primeiro BC gostariam de
realizar BC temáticos específicos:

(emails de 17 de julho de 2007 às 22h02).

Olá pessoal,

No BarCamp SP percebi que a grande maioria dos participantes eram


blogueiros. Por esse motivo, gostei muito da idéia da amigo “M”
Netto<http://www.tecnocracia.com.br>,
e estou ajudando a divulgar o BlogCamp, seguindo o modelo do BarCamp, mas
focado em Blogs.

Apesar do artigo abaixo, a data proposta agora são os dias 25 e 26 de


Agosto, Sábado e Domingo. Estamos definindo o local, mas a preferência por
enquanto é São Paulo, devido a maior concentração de blogueiros. No meu site,
também fiz um artigo<http://oitopassos.com/2007/07/17/blogcamp-2007-whos-with-me/>e
coloquei uma enquete para sabermos onde preferem que seja realizado o
evento. Peço à todos que
votem<http://oitopassos.com/2007/07/17/blogcamp-2007-whos-with-me/>
!

Abaixo copia do artigo


publicado<http://www.tecnocracia.com.br/arquivos/blogcamp-2007-vamos-organizar>no

Página | 135
site Tecnocracia para divulgação:

Com a crescente *visibilidade* que os blogs têm atingido - embora ainda não
sejam merecidamente reconhecidos como *geradores de conteúdo* e *fonte de
informação*, acredito fortemente que alguns assuntos merecem ser discutidos,
conversados, elocubrados, expostos. E já que inventaram um tal "*Dia do Blog
*" (BlogDay <http://blogday.org/>) e o mesmo é *31 de agosto* - pela
semelhança que 3108 tem com a palavra Blog - poderíamos aproveitar e montar
um *BarCamp sobre Blogs <http://BarCamp.blaz.com.br/node/50>*. Que tal?

Centenas de assuntos podem ser discutidos nessa desconferência, embora


alguns sejam reconhecidamente necessários e podem ajudar tanto os blogs a
começarem ou continuarem a gerar bons conteúdos e se profissionalizarem,
como mostrar os blogs a quem não os conhece, tentando minimizar a associação
com diários virtuais (somente). Sugestões:

- Blogs são diários virtuais?


- Rentabilização em blogs
- Posicionamento dos blogs em relação à midia tradicional
- Furos de notícias por blogs
- Blogs como ferramentas de acesso ao público
- Promoções e Concursos em Blogs
- Como anda a conversação nos blogs brasileiros
- Blogs como negócio. O quanto você investe no seu?
- Blogs coletivos. Isso funciona?
- Quando deixa de ser blog e vira site?
- Probloggers vs Funbloggers
- Programas afiliados. Você é fiel?
- Memes, Tags e Buzz
- Artigos patrocinados. Deixar claro?
- Blogs como ferramentas de socialização.
- Feeds. Você usa/incentiva?
- Desmistificando os Trackbacks e pingabacks

Conclamo-os, blogueiros, ex-blogueiros e futuros blogueiros, sejam


probloggers, funbloggers ou qualquer outra denominação, a fazer acontecer
esse evento. Vamos discutí-lo no grupo criado para
isso<http://BarCamp.blaz.com.br/node/50>,
dar sugestões, mobilizarmo-nos e criar esse que, se conseguirmos fazer bem,
pode se tornar anual e referência no tema. *Quem topa?*

**

*Abraço!*

----------

Resposta em 18 de julho de 2007, às 15h28

"Blogs são diários virtuais?"

putz. ouvi essa em 2002.

Página | 136
efe

-----------------------

Resposta em 18 de julho de 2007, às 22h50


Po, pergunta velha é que da resposta boa!

G, acho a idéia legal. Mas montar o evento com perguntas pré-determinadas


foge a lógica da desconferencia BarCampiana.

Em todo caso, vamos tocando ficha. Não sei a quantas andam mas se
topar, uma reunião nessa semana que vem agora pode agilizar a
produção.

abs,
P

----------------

Prezados colegas BarCampeiros,

Em nome de vários outros colegas designers e programadores da lista.


Gostaria de sugerir que montem um BarCamp apenas jornalismo.
Acho que ajudaria a filtrar o assunto a quem mais é interessado pelo mesmo.

Um dos fatos mais citados fora do BarCamp entre os participantes, foi ter sempre o jornalismo
participativo e outros sempre como "ponto principal".
O que não quer dizer que o assunto é de interesse de todos os outros participantes, me incluído
dentro desse grupo.

Fica um tanto chato ter que ficar lendo ou apagando dezenas de emails de assuntos que não lhe
interessam.

Agradeço a compreensão.

Um abraço

--------------

Oi E...!

O ponto central do BarCamp é *internet*, e não jornalismo ou


programação. É a *rede* que une áreas tão ou mais diversas.

Perceber as conexões potencializadas pela internet é o foco.

A diversidade é o bem mais importante da comunidade do


BarCamp, a meu ver, e gostaria que ela continuasse presente.

Não consigo imaginar avanços na compreensão do mundo em


que vivemos sem que exista diversidade de pensamento e a

Página | 137
noção básica de que tudo está conectado. É esse caráter holístico
do BarCamp que o mantém vivo e com um mega potencial.

Existem listas sobre programação, design e jornalismo muito


melhores que esta do BarCamp. ;)

A partir do primeiro BarCamp Brasil, surgiram tentativas de realização de novos


eventos, sendo que nem sempre a dinâmica via net aconteceia exclusivamente pelo
grupo de discussão ou pelo próprio site. Sua segunda versão aconteceu em Porto Alegre
em março de 2007 e as temáticas em questão dessa vez eram “Educação e novas
tecnologias”, direitos autorais e software livre. Este encontro recebeu apoio da
Associação Software livre e Laboratório de Estudos Cognitivos da URRGS. Não
ocorreram muitas trocas de mensagens via listas de discussões do site para a realização
deste evento, mas é provável que as trocas tenham acontecido via blog ou outras listas,
já que o modelo não é fechado.

O terceiro encontro aconteceu em São Paulo, também em maio de 2007. Dessa


vez o evento teve apoio da Faculdade Casper Líbero e do espaço Gafanhoto. A temática
principal foi blog, e por isso mesmo esse “Camp” se chamou “BlogCamp”. A comunidade
paulistana é muito ativa na rede e, além de ter grande participação de jornalistas, a maior
parte dos campers (membros da comunidade) possuem blogs pessoais..

É difícil contabilizar a ocorrência exata de desconferências BarCamps, já que a


dinâmica é descentralizada. Pessoas de diferentes lugares, que não participaram
presencialmente mas ouviram falar sobre o evento através da midia ou do boca-a-boca,
podem criar um evento baseado na desconferência auxiliados pelos softwares
colaborativos. A dinâmica das idéias vai além do espaço da comunidade BarCamp. Por
vezes elas circulam nos mesmo momentos mas em espaços paralelos, como blogs
pessoais e outras listas de discussão. A troca de emails que se segue demonstra bem o
tipo de participação dos membros da comunidade. Bastou um membro enviar um convite
para uma teleconferência para surgir a idéia de colocar o evento em contato com o
BarCamp Zurich, que André participaria no mesmo período.

*Email enviado ao grupo de discussão em 22/02/07


Oi P e BarCampers (continuando no off topic - convite)

Estou de uma certa forma envolvida na Web 2.0 na educaco ja que uso
muitas das ferramentas sociais na escola no ensino do ingles.

Página | 138
Neste domingo, dia 4 de Marco as 21 GMT (18:00 horas em Brasilia)
estarei recebendo Christopher Sessums para o Blogstreams Salon, uma
sessao sincrona de chat que organizo uma vez por mes na plataforma
educacional Tappedin (http://tappedin.org).

Estao todos convidados - tanto a sessao quanto o acesso a plataforma sao gratis.

A discussao sera em ingles e o tema:


School 2.0: Medium & Message: Teaching & Learning

Aqui a bio do convidado


Christopher D. Sessums is Director of Distance Education in the
College of Education at the University of Florida. He is currently
working on a doctorate in Curriculum and Instruction focusing on
teacher education and educational technology. Christopher has
participated in educational presentations and workshops around the
globe and recently received an Edublog Award for Best Individual Blog
( http://elgg.net/csessums/weblog/).

Um abraco,
B

------------------------

On 28 Feb 2007, at 14:13, Maira Carvalho wrote:

> 24 de março é o dia do BlogCamp em Zurich, do qual vou participar!


> Que tal combinarmos alguma interação, hein?

Acho uma boa, como sempre! O que pode dificultar um pouco


as coisas é a nossa conexão. Mas podemos tentar algo, claro!

Como você imaginou a interação?

> E daqui vem uma sugestão para o site do BarCamp Brasil: alguma
> listagem de eventos relacionados (quais BarCamps estão acontecendo
> por agora no mundo? Discutindo o quê?) e uma maneira de integrar
> os eventos que possam acontecer no mesmo dia, nem que seja um
> link para a página do evento simultâneo.

Ótima idéia! Pensei em agregar tudo com Eça, mas aí o problema


seguinte a solucionar é como organizar isso aí 'interface-mente'.

Alguma idéia? Usamos o mesmo calendário, com filtros?

> (Já vou me intrometer na lista de discussão do BarCamp SP para ver


> se conseguimos fazer os BarCamps simultâneos!)

Manda ver!

http://groups.google.com/group/BarCampsp/

Beijo grande,

-a

--------------------

Página | 139
Será que não dá para usar feeds das páginas e blogs do acontecimentos
juntamente com o agregador do Drupal para este tipo de informação de
outros lugares?
Estarei participando online de uma unconference em Adelaide, AU e do
Womanadelaide a semana que vem (em ingreis) - não sei se interessa -
mas poderia talvez delinear os principais temas no blog do Drupal em
português
- do not know.
Bee

------------------------------

Oi B,

Aí que tá: interface. Ainda não sei como poderíamos criar essas
seções 'extras' dentro do site do BarCamp Brasil, que foi concebido
até então com a intenção de agregar os eventos e comunidades
locais, sem que esse foco principal seja perdido ou comprometido.

Idéias? Rascunhos? Diagramas? Rabiscos? :)

-a

3.2.1 Resumo das atividades realizadas junto às comunidades


BarCamp Brasil e BarCamp SP

Cheguei ao BarCamp através de uma aluna em uma aula sobre sociedade em


rede. Ela citou o modelo de desconferência e o vínculo entre pessoas e redes como
forma de articulação social. Por meio dessa aluna tentei participar do BarCamp
(BlogCamp) São Paulo que aconteceu em 2007, mas infelizmente não foi possível por
não haver mais tempo para inscrição. Passei a procurar pela rede informações sobre
BarCamp e comecei a entender sua origem e objetivos. De modo geral um “camp” é um
encontro de interessados por tecnologia que visam trocar experiência, aprimorar,
conhecer e criar novos projetos que não façam parte do cotidiano mainstream do
mercado de trabalho tradicional. Os “campers” de todo mundo parecem buscar inovação
nas formas de construção e utilização de novos de softwares.

Em agosto de 2007 fiz meu registro como membro da comunidade BarCamp


Brasil, a partir de então pude acompanhar pelo site a movimentação dos grupos de
discussão. O site do BarCamp, assim como um blog, mostra numa ordem cronológica os
eventos e assuntos dos mais atuais para os mais antigos. Apenas os membros podem
postar mensagens, mas qualquer visitante do site ter acesso a leitura das mesmas.

Na página inicial do site existem links para os eventos, para as comunidades, e


para a “nuvem de tags” (temas abordados pelos participantes, quanto mais abordado
maior o tamanho da palavra, como por exemplo: colaboração e web 2.0 apareciam como

Página | 140
as mais visitadas). Ao “logar” com meu nome de usuária e senha, aparecem as
possibilidades de navegação entre os grupos e posso ser redirecionada para o site do
googlegroups onde ocorrem as discussões. Existem também as possibilidades de
configurar minha conta, postar eventos ou conteúdo, verificar o calendário de atividades
do grupo e também convidar um amigo a ingressar.

Iniciei minha participação me filiando ao grupo de discussão BarCamp São Paulo.


Enviei uma mensagem ao grupo me apresentando como pesquisadora e pedindo mais
informações sobre o BarCamp Rio que iria acontecer.

No total, presenciei três desconferências do BarCamp: MetaBarCamp (2007),


Campus Party (2008) e NewsCamp (2008). Após estes eventos, mantive trocas de emails
fora da lista de discussão com três pessoas da comunidade. A descrição completa da
participação nos eventos está no diário de campo, vide anexo 2.

O encontro MetaBarCamp aconteceu em 24/10/2008 no Centro Cultural São


Paulo. Segue o relato deste que foi o primeiro contato presencial com os membros da
comunidade BarCamp Brasil e BarCamp São Paulo:

“Ao chegar ao Centro Cultural não sabia e nem imaginava quem eram as pessoas ou
como poderia reconhecê-las. Esperava encontrar por uma placa de identificação, como
vemos nos filmes aquelas pessoas buscando desconhecidos no aeroporto. E realmente
foi assim que aconteceu. Ao me aproximar da cantina, vi uma mesa grande, com uma
folha de sulfite no centro escrito MetaBarCamp. Respirei fundo, criei coragem e fui.
Aproximo-me devagar, as pessoas ficam me olhando esperando saber se vou me juntar a
eles ou não, enquanto isso na minha mente passa um filme de como eu deveria me
apresentar, o que eu iria falar? Enfim, dei oi, perguntei para o rapaz que parecia
comandar o movimento se ele era o André, ele disse sim e eu falei, sou a Marcella, que
está fazendo mestrado sobre o BarCamp. Fui bem recebida, mas sentei-me numa
cadeira bem na ponta da mesa, lugar de quem chegou por último. Ainda esperávamos
por alguns atrasados. Esperamos e então André sugeriu fazermos as apresentações para
quem não se conhecia ao invés de eu falar sobre mim alguém seria o responsável por me
apresentar, nesse caso o único que me conhecia era ele, então foi André que me
apresentou ao grupo. Disse como eu tinha chegado à comunidade e falou sobre minha
pesquisa. Foi uma maneira muita boa de me fazer sentir integrada.”

O objetivo do MetaBarCamp, que surgiu por iniciativa dos participantes, era


discutir o que era de fato o BarCamp, como fortalecer o método da desconferência e qual
a relação entre a comunidade BarCamp e a realização dos eventos.

Nesse encontro a maioria das pessoas já se conhecia presencialmente, apenas


alguns eram novatos de encontro, mas todos eram participantes das discussões via
internet. Diversos assuntos foram abordados, afinal não é interessante a concentração de
um único tema. Os principais temas foram: as diferenças entre o BarCamp Brasil e

Página | 141
BarCamp mundial; lições aprendidas com o BlogCamp; necessidade de um espaço
amplo que comporte vários grupos de discussão; a presença da lousa num local de fácil
acesso para incentivar a manipulação/sugestão dos temas por todos os membros; a
importância da participação de novos membros na construção das temáticas, entre
outros. O encontro durou aproximadamente 3 horas e ao fim André retomou os pontos
discutidos para amarrá-los e assim constataram que: as ferramentas online devem
facilitar o método porque fazem com que a pessoa entre na esfera colaborativa; não é
necessária a preocupação excessiva com a realização do evento, o que importa é
compartilhar e trocar informações; a dinâmica deve funcionar por contaminação, nada de
ordem ou condução de novatos.

A presença do BarCamp no Campus Party no início de 2008 não aconteceu da


melhor forma “BarCampiana”, porque a prática da desconferência foi pouco praticada.
Devido à forma do evento, que possuía a divisão temática por stands de palestras, o
grupo do BarCamp precisou preencher a programação de “conferências”. Da melhor
maneira possível o grupo tentou fazer dos encontros bate-papos mais informais, mesmo
com a presença de uma apresentação PowerPoint conduzindo a conferência. De
qualquer forma, pelo menos no quesito “conteúdo”, as temáticas foram “BarCampianas”,
voltadas ao incentivo de utilização de softwares colaborativos para construção de
conhecimento e como formas de apropriação. Participei de três conferências: sobre blogs
e educação, sobre integração de redações (jornalismo colaborativo) e sobre o software
open source Drupal. A divulgação da presença do BarCamp no Campus Party se deu via
lista de discussão e também a partir dos contatos pessoais de cada ponto da rede, seja
presencialmente ou por blogs.

A terceira versão do NewsCamp, da qual participei, também não aconteceu da


melhor forma “BarCampiana”. Os organizadores acharam interessante propor sessões
temáticas e com isso chamaram pessoas previamente para comentarem suas
experiências, dividindo as salas por meio dos “workshops”. Tomei conhecimento do
evento através de comentário no site do BarCamp. Esta redirecionava ao blog do evento:
http://newscamp.wordpress.com. O evento teve duração de um dia inteiro. As salas foram
iniciadas como previstas, mas no meio do percurso alteraram a temática das discussões,
pessoas saíam e entravam livremente. O NewsCamp visou a discussão específica sobre
mídias sociais e jornalismo colaborativo. Nos grupos que participei muitas vezes as
discussões acabaram por tratar o “valor do jornalista”, a validade das notícias enviadas
pelo público e novas formas de preparar o estudante de comunicação. De qualquer
forma, ao longo do dia foram se formando e desintegrando diversos grupos e os

Página | 142
organizadores tratavam de acompanhar as discussões para manter a lousa atualizada.
Sempre que surgiam novos temas, eles eram imediatamente inseridos na lousa e
qualquer participante de qualquer sala podia entrar na discussão.

3.2.2 Resumo das atividades das listas de discussão - BarCamp Brasil


e BarCamp SP

Acompanhei a lista de discussão entre 16/09/07 até 19/08/08, onde recebi em


média 90 emails pela conta de email da comunidade BarCamp Brasil e São Paulo,
lembrando que estes emails já apareciam deforma compilada, com até 25 mensagens
trocadas no dia. Em meu email particular cadastrado no site do BarCamp Brasil recebi,
também de forma compilada, 136 emails entre o período de 09/09/07 à 19/08/08,
incluindo aqui emails pessoais, trocados fora da lista de discussão.

A comunidade BarCamp Brasil teve maior atividade no período em que foi criada,
provavelmente porque foi a ferramenta de auxiliou na construção colaborativa do primeiro
BarCamp do Brasil, ocorrido em setembro de 2006. O grupo de discussão do BarCamp
Brasil tem um total de 249 membros, nem todos são ativos e inclusive, atualmente, o
grupo é considerado com nível baixo de atividade (informação contida nos dados sobre o
grupo). O site google nos fornece a informação de quais são os membros mais ativos,
aqueles que postam mais mensagens e no caso desse grupo são nove pessoas as mais
ativas, incluindo suas movimentações desde setembro de 2006 até agosto de 2008.
André Avório é o membro mais ativo, tendo enviado 65 mensagens (isso não inclui todas
as respostas causadas por suas mensagens ou as suas respostas às mensagens
propostas por outros membros) apenas entre os meses de setembro e dezembro de
2006, quase a mesma quantidade do total de mensagens do ano de 2007 (foram
postadas 86). Neste primeiro ano de BarCamp, a comunidade registrou um total de 2.034
mensagens. Em 2007 registrou 692, sendo que o pico de foi entre maio e junho, período
de ocorrência do 1º BlogCamp São Paulo. No ano de 2008 a comunidade registrou o
movimento de 87 mensagens, com pico de circulação entre janeiro e abril, coincidindo
com o período do evento Campus Party, que teve, espaço dedicado ao BarCamp.

A comunidade é identificada tematicamente com as categorias ativismo,


sociedade, computadores e net. Qualquer pessoa tem acesso às discussões, mas
somente os membros podem postar mensagens, fazer uploads de arquivos ou editar a
página. As mensagens de novos membros estão sujeitos à moderação.

Página | 143
Os assuntos registrados nas conversas de 2006 estão quase sempre ligados a
realização de evento, 1º BarCamp Brasil.

Os assuntos nos anos de 2007 e 2008 oscilam entre divulgação de eventos e


reportagens, algumas discussões sobre o conteúdo das reportagens ligadas à legislação
da internet ou comentários sobre a tecnologia. Houve também alguma movimentação
sobre a realização de um novo BarCamp em São Paulo no ano de 2008. Atualmente a
comunidade está pouco ativa, mas apesar do movimento das listas de discussão ser
baixo, diversos eventos aconteceram: três edições de EduCamp e três edições do
NewsCamp. A cada edição foi criado um blog de divulgação e organização, distintos das
listas e do site do BarCamp.

A lista de discussão BarCamp São Paulo, contém 117 membros e está


configurada com as mesmas condições citadas acima da lista do BarCamp Brasil. Sua
atividade começa no ano de 2007, onde circularam 942 mensagens, sendo que só em
março foram trocadas 661. O assunto principal foi a organização do BlogCamp que
aconteceu em março de 2007. No ano de 2008 a lista trocou 41 mensagens até o mês de
abril e atualmente encontra-se pouco ativa. Em ambos os anos André foi o membro que
mais propôs assuntos - 139 mensagens, seguido por Bárbara com 72.

3.2.3 Resumo das entrevistas

Foram enviadas oito perguntas abertas ao email particular de oito membros com
quem tive maior contato pessoal, e também para as duas listas de discussão das quais
eu participava. As perguntas versaram sobre como os membros conheceram o BarCamp,
qual a relação com tecnologia, se participaram ou organizaram eventos com base na
desconferência, como foi esse processo, o que eles pensam sobre a desconferência,
qual a percepção pós participação de um BarCamp e se é possível obter um perfil sobre
os membros. O conteúdo completo das respostas dos questionários encontra-se no
anexo 2.

Obtive apenas uma resposta de um membro que recebeu a entrevista via email da
lista de discussão. Responderam a entrevista enviada ao email pessoal três dos oito
membros. Segue o questionário com um resumo das repostas:

Página | 144
Questão 1 – Qual sua ligação com a tecnologia, o que você faz?

R: três jornalistas, um historiador e uma professora de línguas.

Questão 2 – Como conheceu o Barcamp?

R: Um conheceu por amigos, três por grupos ou listas de discussão e um através da


participação de outra desconferência fora do país.

Questão 3 – Organizou ou participou de quais BarCamps?

R: Duas pessoas organizaram eventos em média de dois à três. Todos participaram de


dois à quatro.

Questão 4 – Como foi esse processo?

R: O Processo foi identificado como colaborativo, legal, união de pessoas diferentes.

Questão 5 – Normalmente o processo criativo acontece como, nas listas de discussão,


blogs, outros meios eletrônicos ou via contato pessoal?

R: Todos responderam que o processo criativo acontece via lista de discussão oficial,
mas também via blogs, MSN, email e contato pessoal. Não há um só meio.

Questão 6 – Depois de participar de um BarCamp, qual sua impressão sobre essa forma
colaborativa de construção do conhecimento?

R: Todos responderam que do modelo horizontal de interação é uma forma mais


interessante para se construir conhecimento. Uma as entrevistadas notou a dificuldade
da maioria das pessoas em lidar com a falta de estrutura.

Questão 7 – Para você, qual a relevância dos BarCamps (baseados na “desconferência)


para a sociedade atual?

R: Todos citaram o enorme ganho das possibilidades de conhecer pessoas, de surgirem


projetos, de ter contato com diferentes opiniões, que pode ser instrumento de educação,
para trazer as estruturas tradicionais de conhecimento menos burocracia.

Questão 8 – É possível dizer que existe um perfil dos participantes?

R: Estar conectado, buscar colaboração e troca de conhecimento, deve ser um “nativo”


digital, pessoas que trabalham com mídia social e softwares colaborativos, mas segundo
uma das entrevistadas é difícil ter uma regra, depende da comunidade que se formou.

Página | 145
4. Discutindo a situação social virtual de Second Life (SL) e BarCamp (BC):
possibilidades de imersão e extensão

4.1 Perspectivas dos estudos sobre as comunidades virtuais

A partir do momento em que foi possível ocorrer a comunicação em tempo real via
chat, a comunicação mediada por computador (CMC) ganhou outro significado. De fato, a
tradicional máquina de calcular acabou por integrar-se à vida pessoal e cotidiana; e mais
tarde, com a possibilidade de transmissão de voz sobre IP, a utilização diária desse novo
tipo de comunicação veio a popularizar-se.

A partir de estudos sobre duas comunidades virtuais francesas, já no início da


década de 1990, Rheingold (1993) afirmava que a ICR (internet relay chat) fazia surgir
uma estrutura global erigida sobre três pilares fundamentais: identidades artificiais (porém
estáveis), rapidez de raciocínio e construção verbal de um contexto de diálogo comum. O
autor considerava a artificialidade da identidade por não haver certeza de quem estava
“por trás”, ao mesmo tempo em que apontava haver uma razoável garantia de
estabilidade da relação entre o pseudônimo e o seu detentor, ao longo do tempo.
Tomando essa referência, no caso do Second Life (SL), a relação não acontece apenas
entre um pseudônimo e uma pessoa. Nesse caso, a relação identitária toma outros
contornos quando o avatar é a forma de existência do ambiente virtual, e, além disso,
porque a vivência no SL não tem um objetivo prévio definido.

Os estudos atuais sobre comunidades virtuais mantêm a linha de pensamento


iniciada com o relato de Rheingold. Influenciado pelas experiências nos anos de 1970,
Rheingold faz referência à J. C. R. Licklider e Robert Taylor (naquela época, diretores da
ARPANET) que chamaram de comunidades virtuais os agrupamentos que aconteciam
por afinidade e interesses em comum, apesar de definirem uma comunidade pelo
compartilhamento apenas dos interesses, e não do espaço. Licklider e Taylor
consideravam que, na maioria dos casos, essas comunidades eram constituídas por
membros geograficamente separados, por vezes agrupados em pequenos aglomerados,
e outras vezes, trabalhando individualmente. Eram comunidades assentes no interesse
comum e não na partilha de um espaço comum (apud RHEINGOLD, 1993, p. 41). Nesse
contexto, o “espaço” do qual falam é o espaço geográfico ainda ligado ao conceito
sociológico de comunidade e território. Já nos casos do Second Life (SL) e do BarCamp
(BC), o “espaço” virtual ou ciberespaço não é um território, físico, mensurável, com

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fronteiras definidas. Em SL e BC o “espaço” é compartilhado e construído
colaborativamente, e as relações emergem a partir de tal interação. Podendo ser
chamado de “metageografia” (DI FELICE, 2008d), ou seja, um espaço ambientado por
bits, informações e sensações.

Até hoje fazem parte dos estudos sobre as novas formas de agregação
questionamentos propostos por Rheingold no sentido de indagar sobre quais seriam os
elementos mínimos de comunicação necessários à criação do sentido de comunidade por
parte do grupo humano. Rheingold também indagava sobre que tipos de cultura surgiriam
quando desaparecessem do discurso humano todos os artifícios culturais, com exceção
da palavra escrita.

O conceito de Pierre Lévy, sobre “inteligência coletiva”, vai de encontro às


análises sobre a dinâmica das comunidades virtuais de Rheingold. Essas análises
indicam que o computador condiciona uma nova forma de atividade coletiva, e um grupo
seria mais inteligente do que seus membros em separado. Para Rheingold e Lévy, este
seria o motor propulsor das relações, nas chamadas comunidades virtuais: o aspecto
coletivo, colaborativo e móvel do conhecimento que alcança níveis nunca antes vistos.
Costa (2005) afirma que as comunidades virtuais funcionam como “verdadeiros filtros
humanos inteligentes” (COSTA, 2005, p. 238). Entretanto, acima de tudo, as análises das
comunidades evocam a questão do envolvimento emocional e da afetividade,
decorrentes da sensação de pertencimento à coletividade.

Muitas vezes, os tipos de relação social experimentadas no ciberespaço são


analisados pelo pensamento de Maffesoli (2002), apesar do autor não mencionar o
componente digital ou inorgânico em suas contribuições. Para Maffesoli as atuais formas
de agregação são baseadas na simples vontade de compartilhar, do sentir junto, do viver
a experiência do presente - o tempo do efêmero. Maffesoli acredita na hipótese de uma
“centralidade subterrânea” que concentraria uma “socialidade” que fornece os dados para
a interação. Daí a importância do gênio do lugar - “este sentimento coletivo que conforma
um espaço, o qual retroage sobre o sentimento em questão” (MAFFESOLI, 2003, p. 179).

Por outro lado, ao estudar as interfaces virtuais do social, e não o significado


pessoal das interações, pode surgir outra forma possível de análise - a de pensar
comunidades virtuais (ou redes sociais) a partir da relação entre os diversos agentes
sociais, principalmente a partir da situação social tecnológica que acontece em novos
ambientes de interação. A concepção de ambiente pode englobar o entendimento de
aspectos que iriam além do antropocentrismo, em direção a um hibridismo.

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Também Rogério Costa propôs estudar essas formas de interação a partir da
noção de redes sociais, porém seu foco ainda eram as agências humanas.

Lévy afirma que a interconexão é a base das novas formas de interação na rede
digital, o que traz ao conceito de interação a noção de ligações pontuais, e ao mesmo
tempo significativas (LÉVY, 2000). Esta perspectiva é diferente daquela adotada pela
sociologia clássica, que as relações como papéis sociais estáticos e permanentes. Pela
sociologia clássica não qualquer ligação efêmera não tinha conotação de relação e,
portanto não era considerada integrante do sujeito. O paradigma da relação sempre foi
pensado a partir de uma necessidade de representatividade pública/social, necessária
para estabelecer os padrões, as regras e a moral de conduta. Na perspectiva da
sociedade em rede, há interação, porque ela é baseada na contribuição interna do agente
social em troca constante com o ambiente e a máquina. Ela acontece em espaços fluídos
e híbridos entre planos, sem a preocupação de conotar modelo social.

Essas são características importantes dos novos tipos de agregação social: a


despreocupação quanto a seguir modelos pré-definidos, a necessidade de criar caminhos
um pouco mais independentes dos que traçamos até então, e a possibilidade de
reconhecer a tecnologia como ponto propulsor de experiência sensível - diferente da
concepção da comunicação de massa, que atribuiu à tecnologia o papel de agente de
alienação. Na situação social tecnológica virtual, marcada pela comunicação digital em
rede, nem sempre se encontra um “receptor” e um “emissor” - pelo contrário, podem-se
encontrar muitas informações circulando sem destino específico, disponíveis à
modificação e à apreensão, sem determinação de tempo de validade.

Ampliando o conceito inaugurado por Licklider e Taylor, Castells, Lévy e


Santaella, concordam que as comunidades virtuais são formas de agregação construídas
a partir da “afinidade de interesses, de conhecimentos, sobre projetos mútuos, em um
processo de cooperação e de troca, independente das proximidades geográficas e das
filiações institucional” (CASTELLS, 1998, p. 160).

Principalmente através da experiência na comunidade BC percebe-se que a


interação digital não exclui as formas presenciais. Esse tipo de interação não substitui o
outro, mas complexifica e amplia o círculo de amigos e o conhecimento sobre algo em
comum. Como se as relações do BC pudessem ser vistas pela perspectiva da extensão.

De qualquer forma, Castells ainda se preocupa com a questão da identidade,


elegendo-a não como uma categoria central, mas como item presente e necessário para

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a interação. Ele afirma que as relações digitais não forçam necessariamente o anonimato
e as identidades falsas, mas na verdade levam a uma identidade fluída, que circula nos
espaços digitais e assim se constitui. Ou seja, ele “enfraquece” as estruturas, mas não se
livra delas. Castells acredita que a comunicação é resultado da troca de significados e,
portanto se preocupa com a excessiva circulação destes. Preocupa-se que com a
possibilidade da perda dos referenciais a ação social digital/virtual não seja efetiva. Esse
pensamento parece se aproximar de um modelo de comunicação e de política marcados
pela hierarquia e pela necessidade de constituição de um grupo corporificado.

Entre características das comunidades virtuais, Castells ainda destaca: a rede de


laços interpessoais, um sistema de relações baseado no indivíduo, comunidades
personalizadas, redes centradas no eu, individualismo em rede, sociabilidades
construídas em torno de interesses específicos, com formas flexíveis na expressão.

A interação acontece conforme o interesse e os estímulos. Ou seja, nessas


formações a sociabilidade é construída no momento da interação. Não existe uma base
referencial de onde se possa extrair a forma de comportamento adequado. Tanto no BC
quanto no SL esta situação se expressa, não existe uma memória ou uma estrutura que
ensina como se comportar ou sua “função/papel” dentro da comunidade. Em ambas as
comunidades, os novatos se inserem pela observação ou pela amizade de alguém que
dê as dicas. A maneira de conhecer a sociabilidade desses ambientes é fazer parte dele.
Nos ambientes virtuais não existem as tradicionais instituições sociológicas responsáveis
por conformar a ordem simbólica, material e o corpo. Não há uma fonte “original” e
legítima que transmita as regras de comportamento. Os ambientes virtuais são marcados
pelo experimentalismo e pelo tempo do efêmero.

Castells acredita nos benefícios trazidos pelas novas formas de se estabelecer


sociabilidades, no entanto parece ainda fazer referência à vertente positiva da palavra
sociabilidade, conotando equilíbrio e integração. Essa perspectiva se afasta da de Lévy e
vai de encontro às reivindicações do respeito, da ética e do compromisso político perante
á coletividade.

Lévy (2000) concebe a sociedade em rede como uma mistura de planos


diferenciados por temporalidades diferentes. Para ele, não mais existe a separação física
do território ou a categoria da presença: as relações acontecem à distância de qualquer
forma, marcadas pelo momento dos agentes envolvidos, pelo tempo da máquina, dos
circuitos elétricos, do cérebro. Nesse sentido, a dinâmica da máquina é sinônima do
rizoma, ela não é apenas uma representação ou um mapa de uma conexão. Essa

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dinâmica não está baseada num modelo de lógica espacial/ territorial/ racional/ cultural de
relação entre homens conscientes - aquela que acontece a partir de fluxos organizados
num único plano ou sentido (como algumas correntes da antropologia estabeleceram). Ao
contrário, a rede é pleno movimento, é puro atopismo (a-lugar), é transorganicidade,
porque nela, durante todo o tempo, os agentes perdem e ganham contornos diferentes.
As interações em rede são como extensões dos momentos individuais.

Santaella (2004) elucida o caráter evidente da transorganicidade do social digital,


sem desqualificar ou invalidar a situação presencial e as instituições tradicionais. Mas
identifica que na situação digital não importa se haverá ou não a interação cara-a-cara, já
que, na verdade, o encontro se estabelece a partir dos interesses trocados fazendo com
que isso não atrapalhe nem desqualifique esse tipo de relação. O “rosto”, representante
fiel da presença, nesse caso não é a única fonte de afetividade, não é o único meio de
estabelecer vínculo. Para a autora, a maior diferença pertinente está no fato de que
“fazemos tudo que fazem as pessoas quando se encontram, mas o fazemos com
palavras e na tela do computador, deixando nossos corpos para trás” (SANTAELLA,
2004, p. 122).

Dessa maneira, as novas formas de associações são fluídas, flexíveis e ligam-se


através de fios invisíveis. Diferente daqueles “fios associativos” criticados por Benjamin
como “formas de estabelecer relação de classe”, relação entre a origem e a reprodução.
Ao circular num espaço e tempo fluidos e sem fronteiras os referenciais se desligam da
origem transformando-se em novas formas flexíveis. Essas novas interfaces sociais da
sociedade tecnológica contemporânea permitem a articulação espontânea do social no
digital, evidenciando a possibilidade de modificação de estruturas de relacionamento.

4.2 Second Life

As interações no SL proporcionam a ambigüidade de uma existência entre as


regras, moral e percepção humanos, de um lado, e as regras, moral e percepção de um
espaço povoado pelo virtual híbrido. A primeira situação que a imersão no ambiente de
SL coloca está ligada a um tipo de experiência social condicionada por uma ambiente no
qual estão envolvidos aspectos novos: novas formas de expressão, de comunicação, de
representação, de tempo, espaço e de memória.

Logo no primeiro momento, o usuário deve trocar/metamorfosear sua habilidade


social pela habilidade da informática. Uma das vertentes da pessoa que emerge nesse

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ambiente deve estar em constante sintonia com os comandos que a plataforma possui
para que ela possa ser e fazer qualquer coisa neste universo. Durante todo o tempo, o
usuário/residente interage com sua própria alteridade, a partir da troca e tradução da
máquina.

Neste ambiente, uma parcela dos residentes é composta por pessoas com
conhecimentos tecnológicos avançados, adquiridos antes da sua entrada neste espaço
3D, o que pode facilitar seu “aproveitamento social”. Outra parte dos residentes é
formada por uma parcela da sociedade que recentemente passou a conviver com
computadores e se apropriar dessas interfaces tecnológicas.

De qualquer forma a estrutura do programa é voltada à livre apropriação e


criação, portanto no SL não só os chamados “iniciados” podem criar ou interagir
socialmente. O SL faz parte de uma série de novos tipos de softwares construídos para
que justamente pessoas leigas possam se apropriar da linguagem de programação e
construir. Nesse sentido existe uma esfera colaborativa, herdada da “ética hacker” que
facilita a disseminação do conhecimento através de workshops e palestras. No ambiente
do SL o conhecimento está disponível, basta procurar. O interesse de cada um determina
sua interação com o lugar. Mas nem sempre participar de um workshop significa que um
avatar vai se tornar programador.

No SL não há uma relação de causa e efeito pré-estabelecida como na RL. Na


“vida real” quando fazemos um curso quer dizer necessariamente que procuramos aplicar
esse conhecimento. No SL não necessariamente isso acontece. Com tantas
possibilidades o interesse de uma avatar pode mudar constantemente.

A questão monetária no SL acaba por extrapolar os conceitos de trabalho


tradicional. Vários residentes deixam de trabalhar da maneira tradicional/ presencial (no
“mundo real”), para se dedicar a atividades exclusivas no SL, passando muitas vezes a
estar conectados por mais de 12 horas.

Sentimentos de pertença e de companhia podem florescer no SL principalmente


pela possibilidade de comunicação em tempo real. O fato de ser um ambiente mundial,
partilhado por milhares de pessoas, o residente sempre tem a oportunidade de encontrar
ou estabelecer contato. O sentimento de solidão pode ser preenchido pela imersão no
ambiente do SL. No meu caso específico, criei vínculo com um lugar em espacial dentro
do SL. Quando estava conectada em ambientes que não me pareciam agradável ou não
me transmitiam sensação de integração, rapidamente ia ao “Bubblegum Factory”. Local

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no qual que compartilhava o mesmo gosto musical. Este ambiente me trazia a sensação
de vínculo e de proximidade com os outros avatares. Todos tinham algo em comum, “a
música”, o gosto pelo “rock”. As conversas neste ambiente estavam voltadas para o
compartilhamento da vida cotidiana fora do SL e a criação em conjunto de festas
temáticas que agregavam os avatares na busca pela melhor fantasia. Este ambiente
explorava o Sl como lugar do lúdico, da experimentação e do compartilhamento de
gostos em comum.

No SL, as tradicionais relações de identidade são enfraquecidas a partir da


interface entre residente e avatar e por sua vez implicam numa relação sensória/racional
com a materialidade do computador e das interfaces. Pela primeira vez existe a
possibilidade do “homem” entrar em contato com múltiplas versões de “identidade” fora
de si mesmo. O avatar permite a existência objetiva de qualquer característica identitária.
Transformando a “identidade” infoentidades. A própria possibilidade de ser mais de um
avatar ou mesmo a possibilidade de criar e recriar apenas o mesmo avatar torna a
subjetividade ligada à experiência externa da interface. Diferente do imaginário coletivo
criado pela TV, o imaginário coletivo do SL é completamente móvel, manipulável,
independe da expressão coletiva. Está ligado à experiência individual e simbiótica com o
espaço informativo. O fato do recurso da voz ser pouco utilizado talvez seja porque a voz
liga o avatar a uma única pessoa, a uma identidade.

O próprio significado comum de “avatar” para a informática entra em questão já


que o avatar no SL, não é um personagem pré-estabelecido de acordo com funções de
um jogo, ou uma forma gráfica simples que representa o participante de um fórum digital.
Não há modelo de comportamento para o avatar no SL: cada avatar é sua própria
referência. No caso do mesmo residente interagir com dois avatares, é ele quem decide
que comportamentos cada um vai ter, de acordo com seu objetivo e também de acordo
com suas experiências.
De acordo com diferentes concepções sobre o virtual, é possível pensar a relação
entre residente e avatar em três distintas vertentes: se ela representa uma falsificação
(perversão – simulacro para Baudrillard) do eu, uma expansão (extensão como em Lévy)
do eu, ou uma nova versão (como para Perniola, nem cópia nem falsificação) do eu.
Pensar o avatar como falsificação, é pensá-lo na forma determinista de Baudrillard e
Virilio, que vêem nas relações virtuais a “não relação”. Ao pensarmos como expansão,
vamos de encontro à Lévy, e o avatar pode significar a atualização constante de uma
essência. Por outro lado, pela perspectiva de Perniola, vemos o avatar nem como

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negação nem como afirmação do eu, mas sim uma dimensão desconhecida, que
acontece formada no momento da interação pela interface de silício e bits.
Para Marcondes Filho, o avatar está ligado à lógica dicotômica do conceito de
imagem como representação e portanto falsificação, sedução.

No avatar, eu me mantenho vestido, mas dispo-me de meus atributos


físicos; meu discurso já não é mais corpo produzido culturalmente pela
moda, pelos costumes, pela estética do momento, mas apenas um
discurso despido. Eu mostro-me além da vestimenta, além da aparência;
mostro-me aparentemente como ente. Mas eu estou buscando a fusão,
porque procuro o amor, o sexo, logo, não posso ser rosto, que é não-
fusionalidade. Meu corpo tampouco fala por si, eu o construo pela
linguagem, ele é um “dito”, um formato culturalmente impregnado, é
discurso sobre o amor e a dor, não é eles mesmos. Ele não é, menos
ainda, transparência pura. Linguagem sem signos, “a-sígnica”, mas
veículo de minha auto-propaganda. Ele não mexe com o outro
incomodando-o, ele seduz o outro pelos signos da aproximação e do
acoplamento, buscando a simetria (MARCONDES FILHO, 2008, p. 28).

Nessas considerações, Marcondes Filho vincula o avatar à significação dada pelo


“discurso” (como exercício de dominação), como uma metanarrativa da sedução. O autor
vê no avatar uma construção/linguagem que se aproxima do outro a partir de uma
relação sedutora - uma relação que pressupõe diferenças quanto a posição dos
envolvidos (“homens”) diante da verdade da situação, e diferenças nas condições de
consciência. Nesse caso, o avatar se torna uma caricatura, uma perversão da realidade.

Para Marcondes Filho, não há diálogo na relação eletrônica mediada pelo avatar.
“A caverna orbital é uma caverna de espelhos, onde o outro desaparece na repetição
eterna do eu” (2008, p. 28). O avatar seria: a comprovação da circularidade do eu,
enquanto sistema humano; o reflexo de uma relação na qual o outro é significado apenas
pela expectativa do “eu” num fluxo unidirecional de comunicação. O avatar é apenas a
imagem, a cópia distorcida e sem valor de um original enfraquecido.

A idéia de ultrapassar, ir além do sentido de simulacro, dada por Perniola pode ser
contextualizada na situação do intérprete descrita por Serres. Ao falar sobre uma relação
mediada por um intérprete, Serres nos diz que pode haver um momento em que a
conversa acelere, quando conforto e facilidade ficam instalados, e nenhum dos
interlocutores dirija-se mais ao intérprete - “você olha no rosto sem saber quem fala e
quem responde, enquanto desaparece o corpo, a voz e a entonação do tradutor” (apud
MARCONDES FILHO, 2008, p. 28, 29). Serres afirma que em tais momentos, tem-se a
impressão de compreender o incompreensível e de “chegar a tocá-lo”. Pensar a relação

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entre residente e avatar, analogamente à situação apresentada por Serres sobre o
intérprete, é pensar que há momentos em a ligação com o residente (como o intérprete)
se torna supérflua. A forma ou função do intérprete (ou do residente) pouco ou não
importa – o avatar torna-se outro, sem a pretensão de copiar o original (residente), ou
mesmo falsificá-lo.

É difícil atribuir como simples representação, o sentido de um avatar. Ele vai além,
trazendo integração dos sentidos (visão, tato, audição) à tecnologia. Na imersão no
campo virtual, quando um avatar se aproximava do meu, eu/ meu avatar dava
(dávamos?) um passo atrás, e da mesma forma, pude perceber outros avatares fazerem
o mesmo movimento. Disso decorre a idéia de que nossos sentidos possam ser
conectados aos circuitos sensíveis do computador, fazendo que o avatar responda ao
toque em tempo real. De acordo com Meyrowitz, não há diferença entre a experiência
imediata (first hand) e a experiência “de segunda mão” (second hand), na construção da
situação social - a sensação de presença tem o mesmo peso da presença.

No ambiente de SL, a experiência extrapola a lógica cartesiana que opõe corpo e


mente. O corpo se torna, ao mesmo tempo, carne e mente devido à experiência sensória
de viver através da forma lúdica e gráfica, permeada pela troca entre circuitos elétricos,
mentes, corpo e sensações. Diferente do sujeito moderno científico, a carne sente e não
apenas pensa – as interfaces digitais trouxeram afetividade aos circuitos elétricos.

No SL, o modo de existência se dá pela interatividade da interface, pelo ponto de


contato que não diferencia o material do imaterial - a interface simplesmente permite
conexão, o movimento. Quando Baudrillard critica o virtual e a interatividade, ele o
concebe apenas como resultado da circulação de signos e como falta de fixação, sendo
que esse signo deveria ser visto como representante do conceito puro, da verdade. Para
Baudrillard, a interação via tela normalmente é tida como uma mediação, algo que impõe
distância da origem. Marcondes Filho entende que o avatar é protegido por uma
“assepsia da tela”, não sendo um rosto, mas sim o rosto da presença (2008).

Por outro lado, o vínculo virtual pode ser entendido não só em sua dimensão
visual no âmbito da imagem platônica, porque o visual no SL é também sensorial. No
ambiente virtual, as relações com a alteridade se complexifica, na medida em que os
componentes da situação social são múltiplos, orgânicos e inorgânicos. A situação social
virtual do SL faz surgir muitas possibilidades de formas de expressão, aquelas
construídas pela simbiose entre circuitos, carne e sentimentos.

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No SL, a relação com o espaço é marcada pelas condições de: tele-presença,
construção do próprio ambiente social, ausência da distância devido à possibilidade do
tele transporte, espaço móvel e paisagem inacabada. A exploração do ambiente se dá de
forma aleatória, auxiliada pela ferramenta “search’’, por indicação de amigos ou pela
interface, com o mapa da região visitada. Pela interface do mapa, podemos saber onde
estão as pessoas daquele lugar, e a partir da interação com o espaço que se apresenta
ao movimento, pode-se definir objetivos: aonde ir, o que fazer, com quem falar.

Diferente do que possa se pensar a respeito da simulação da vida real,


materializada na possibilidade de casar, ter filhos, casa e trabalho, no SL, não existe
rotina nem formas sociais estabelecidas.

O SL possibilita uma nova forma de manipular os dados que compõem o ambiente


social, porque esse ambiente não é limitado, favorecendo um número muito grande de
referenciais em circulação, até mesmo os de culturas distantes.

No SL os sentimentos e desejos são externalizados numa dinâmica diferente da


proposta pela sociedade da modernidade. Influenciado pela cultura do livro, o homem
moderno estava acostumado a interiorizar comportamentos, através das experiências da
leitura, das instituições, da moral social ou de processos de racionalização da experiência
e da subjetividade. Misturando-se aos circuitos elétricos e as possibilidades fluidas do SL,
a subjetividade encontrou novo caminho para uma expressar mais próxima do desejo.
Em formas anteriores, o sujeito se relacionava empaticamente com o imaginário coletivo,
colocando para fora de si, suas expectativas. O imaginário coletivo do SL parece ser
exotópico (DI FELICE, 2008b), por acontecer fora do sujeito e na interface. A experiência
é sentida na externalização e não na interiorização.

O SL vai em direção a um tipo de habitar comunicativo (DI FELICE, 2008b),


diferente do habitar ocidental, arquitetônico, intelectual, baseado num projeto ideal. A
emoção é ativada e compartilhada pela especificidade da interface.

O espaço do SL configura-se de acordo com a movimentação de cada avatar. As


ilhas existem enquanto dado, mas são carregadas e disponiveis para a interação a partir
da ação do avatar. No SL, o ambiente é totalmente mutável: a cada momento, ilhas
podem deixar de existir e outras podem ser construídas. Por isso podemos entender seu
“espaço” como uma espécie de “pós-geografia”, já que ele está situado no fluxo
informativo do ciberespaço e não se encontra fixado numa terra. Sua pós-geografia
extrapola os limtes do lugar, das paredes e dos territórios. Ela é baseada em bits, na

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inetrface gráfica, que dá a possibilidade de vizualização e delimitação do ambiente e do
avatar.

A simulação do ambiente presente no SL é um tipo de simulação que não visa


imitar o real ou reduzi-lo a falsificação - ela simplesmente age sem nenhum vínculo ou
pretensão dessa natureza, como no conceito de simulacro desenvolvido por Perniola. O
SL fala diretamente à percepção e aos sentidos. A imagem e a visão não são nem
originais nem cópias - elas são a própria experiência que proporcionam.

4.3 BarCamp
A mensagem inicial do portal Blaz que hospeda o site da comunidade BarCamp
Brasil propõe uma postura de pensar a internet não exclusivamente como um fenômeno
técnico, mas como um fenômeno humano. Isso quer dizer que para os integrantes da
comunidade, sem a parceria entre homem e máquina, a rede não teria o mesmo impacto.
De modo geral, é possível perceber pelo conteúdo dos emails do BC que os participantes
acreditam que a apropriação da tecnologia representa uma forma de ampliar e aprimorar
a experiência social.

A dinâmica do BarCamp pode ser entendida também pela perspectiva da


comunidade virtual, porque depende da atividade das pessoas, da afinidade entre elas,
de interesses comuns e também de contatos aleatórios. Nem sempre as pessoas se
falam pela lista de discussão temática, e na maior parte das vezes as relações se
estendem ao encontro físico. No BarCamp, existe a proposta da comunidade se
encontrar para debater sobre tecnologia, e a partir de interesses comuns, poderem criar
projetos coletivos. Se pensarmos como Lincklider e Taylor, o fato da comunicação não
acontecer em tempo real pode enfraquecer o sentimento de pertença, mas de acordo
com Rheingold (1996), tal sentimento pode existir apenas pelo compartilhamento de
interesses em comum.

Shery Turkle (1997) pensa o comunitarismo virtual como algo ligado à


permanência, mas o modelo de interação do BarCamp (BC) foge exclusivamente deste
modelo, já que as trocas sociais não acontecem apenas por uma lista de discussão ou
pelo site oficial da comunidade. Essa característica reflete a mentalidade da utilização de
diferentes softwares colaborativos praticada pelos membros do BC.

As formas de contato são variadas e móveis, ocorrendo uma circulação muito


grande de pessoas. Os participantes do MetaBarCamp, por exemplo, são totalmente

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diferentes dos participantes do NewsCamp. A dinâmica de participação varia de acordo
com os interesses de cada um, o que Castells (2005) poderia chamar exercício do
individualismo em rede ou privatização da sociabilidade.

A organização de novos BarCamps acontece de maneira horizontal. Os membros


da comunidade são livres para proporem e organizarem novos eventos. A própria
dinâmica de troca de mensagens via comunidade mostra a variedade do processo:
porque um membro é ativo via rede não quer dizer que estará presente em outros
eventos. Não há regras de comportamento ou uma sociabilidade estabelecida
previamente. Ela acontece no contato.

A dinâmica das mensagens via comunidade oficial está muito ligada à


organização de BarCamps ou à divulgações de notícias de interesse comum. O que
demonstra que o site da comunidade, ou a lista de discussão não são necessariamente
obrigatórios para as trocas de interesse. A lista é mais utilizada para comunicados gerais.

Pude perceber que com passar do tempo, os vínculos presenciais tornaram-se


fortes, fazendo com que outras redes digitais sociais fossem utilizadas, como os blogs
por exemplo. Resultando também na construção de projetos em comum. Projetos
pessoais muitas vezes encontram apoio no grupo.

Os membros do BarCamp, em sua maioria, utilizam não só um software


colaborativo. Ao invés disso, eles participam de várias outras redes, como por exemplo
Orkut, Blogs, Delicius, Flickr, e Twiter. O grupo do BarCamp é heterogêneo, com
componentes de diversas áreas profissionais, mas o uso de tecnologias colaborativas e
inovadoras acaba sendo seu denominador comum. De forma geral, os cinco
entrevistados para o trabalho de campo identificaram a participação, a disponibilidade e a
colaboração como os elementos mais presentes num “camper”.

Ainda de acordo com esses entrevistados, o ponto forte do BC é a proposta da


desconferência, motivo principal de agregação das pessoas ao BC. De modo geral, os
usuários do BC conheceram essa metodologia virtual via amigos ou por outras listas de
discussão, nas quais várias pessoas comentam sobre essa comunidade. A questão da
construção á muitas mãos e da emergência de pontos de vista diferentes motivam a
maior parte dos membros.

No Meta BarCamp, a comunidade indicou uma expressão caracteristicamente


voltada para a busca de novas formas de troca de informações e de criação de projetos.
Nesta desconferência sobre o BC, teoria e prática acerca do método pareceram conter

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certa tensão: alguns usuários solicitavam, mesmo que sem perceber, uma proposta mais
estruturada.

Entretanto, em suas diferentes formas, o BC propõe a criação de ferramentas


tecnológicas que ajudem a manter a dinâmica dos assuntos pela lista de discussão, de
uma maneira mais aberta e horizontal.

A comunidade do BC tem a preocupação em abrir espaços para “novatos”


opinarem, mas ao mesmo tempo, há indicativos de que nem toda a sugestão será
considerada: assuntos tidos pelo grupo como “superficiais” ou “pouco interessantes” nem
sempre conseguem se desenvolver discussão. Por vezes, um “novato” pode entrar em
desacordo com alguém ou com o grupo, trazendo discussões não necessariamente
destrutivas. No BarCamp, quando alguém não está satisfeito, pode sair do grupo, sem
grandes movimentos negativos.

No Meta BarCamp, parte da comunidade se interessa em pensar ferramentas


digitais capazes de facilitar o entendimento sobre o método da desconferência,
principalmente para aquelas pessoas que entram sem conhecer alguém previamente, ou
para aqueles que desconhecem os mecanismos da comunidade. O objetivo maior do
BarCamp no Brasil, segundo seu facilitador, é o de proporcionar momentos interessantes
e profundos de troca de informação, antes dos encontros presenciais acontecerem.
Existe certo questionamento por parte dos participantes se no BarCamp é o evento ou
são as trocas virtuais que importam.

Em geral, os participantes do BarCamp parecem acreditar que a internet é uma


“rede social”. Com as novas ferramentas de web 2.0, os softwares se tornaram
“amigáveis” e as pessoas podem colocar “seu conteúdo” dentro da rede. Ou seja, o
BarCamp é um tipo de virtual que expande e amplia as possibilidades da realidade.

Uma característica dos membros da comunidade é a de grande atividade social:


eles sempre estão em contato com muitas pessoas, organizando eventos, debates,
dando opinião ou criticando. Pela análise de alguns participantes, quando um BarCamp
tem muita gente, mais facilmente pessoas ficam inibidas, pela própria presença de
alguém estranho. E “estranho” aqui significa alguém que não “teclou” com ninguém do
grupo antes.

O grupo do BarCamp investigado, reuniu-se através de conhecidos em comum:


amigos que levavam outros amigos/conhecidos que acabavam por encontrar
conhecidos/amigos no grupo. Mesmo sem ter encontro regulares, aquelas pessoas

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pareciam possuir laços de certa confiança - tornaram-se pessoas que se poderiam
contar.

Num período de um ano de observação, no trabalho de campo, aconteceram por


volta de 10 eventos BarCamps, com temáticas variadas, dependentes do interesse e
disponibilidade dos participantes. As temáticas exploradas em eventos do BlogCamp,
EduCamp e NewsCamp indicaram que a comunidade brasileira parece mais voltada à
utilização social e “humana” de novos softwares, diferente da maior parte dos BarCamps
mundiais, mais focados no desenvolvimento da tecnologia colaborativa, muitas vezes de
código aberto. Alguns dos entrevistados não acharam interessante a experiência do
BlogCamp e do NewsCamp, porque essas desconferências não possuem somente uma
postura colaborativa e partem para defesa de posições - o que não é intuito do BC.

Nas trocas de emails do BarCamp, circula todo tipo de opinião, mesmo aquelas
que parecem colocar o BC dentro de uma proposta mais próxima das conferências e de
listas de discussão tradicionais (as menos horizontais). O diálogo, a dinâmica dialógica
parecem ser a marca do BC. Esta comunidade é extremamente vinculada à uma postura
extensiva, na qual o virtual não substitui, mas amplia possibilidades humanas. A
comunidade internacional parece estar ligada a necessidade do compartilhamento de
informação de forma distinta das tradicionais fontes de conhecimento.

No BarCamp, as ações sociais são emergentes, porque no momento do


contato/interação, surge um tipo de ação que não segue um padrão determinado. Ao
mesmo tempo em que as normas são estabelecidas, elas podem ser questionadas,
desafiadas, reinventadas e rearranjadas.

Tanto no BarCamp quanto no SL, o contato com as regras é bastante próximo,


não funcionando a partir de uma institucionalização padrão, baseada na hierarquia e no
poder. As regras ali se estabelecem na interação, por meio da experimentação.
Principalmente em ambientes de simulação virtual, essas regras são, em sua maioria,
negociáveis com características mais íntimas humanas: o desejo e o narcisismo, que
buscam a satisfação da vontade única e exclusivamente individual.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para a sociologia clássica, o conceito de sociabilidade foi definido por um tipo de


ação social ligada a regras, moral, estrutura de poder, classes e hierarquia, ou ainda,
definida pela racionalidade cultural. A sociabilidade foi sempre pensada através de
fatores externos ao humano, já que no tempo da sociologia clássica, o subjetivo não era
valorizado fora da instância do objetivo. Para Durkheim, a sociabilidade dependia da
estrutura da convenção moral dada pelo Estado. Para Marx, a sociabilidade dependia da
estrutura de poder, baseada na economia capitalista que controlava uma nova forma
instrumental de trabalho e produção de riqueza. Para Weber, a sociabilidade acontecia
devido às diferenças culturais e aos diferentes significados sociais que conviviam no
mesmo espaço. Com Simmel, a sociabilidade começa a ser marcada por seu ambiente, o
modo de vida da metrópole.

Goffman, por sua vez, influenciado por Weber e Simmel, inaugura um tipo de
análise social que foca o universo micro social, e não o macro social; Goffman pensa nos
motivos envolvidos no local da interação, percebendo assim o social como resultado de
movimentações e interações, entre o interno e o ambiente construído pelos significados.
Entretanto, somente com Meyrowitz, os agentes da interação passaram a ser moldados
não só por características humanas, mas também pelos meios de comunicação - pelas
interfaces.

Em decorrência, pode ser limitante pensar a mídia apenas como instrumento ou


canal (concepção moderna, positiva), e a rede, somente como simples emaranhado e
circulação de informações. Ambas, mídia e rede, transformam-se em experiência
sensível, a partir do tipo de ambientações imersivas e interações extensivas, como as
proporcionadas por Second Life e BarCamp, respectivamente.

Muitas das análises pertinentes à rede trazem a postura antropocêntrica. Este


estudo buscou caminhar com Latour (1994), que estabelece como agente, tanto um
objeto quanto um sujeito, não fazendo diferença entre emissor (meio, técnica, estrutura) e
receptor (homem, sujeito moderno). Como elucida Boaventura de Sousa Santos (2003), o
pensamento pós-moderno identifica uma série de crises ao desarticular a dicotomia entre
homem e objeto, ou ao desarticular a determinação do sujeito pelas “estruturas”.

De modo geral, nas análises sociais, as categorias responsáveis pela arquitetura


do social estão ligadas à relação do homem com ele mesmo (relações de identidade), à

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relação do homem com a alteridade (outra pessoa, instituições, regras), à relação do
homem com o espaço, e á relação do homem com o tempo (a história). Após a releitura
das memórias contidas no diário de campo desta pesquisa, pode-se perceber que essas
relações entram em crise diante da situação social tecnológica. Tanto o SL quanto o BC
mostram uma dinâmica social, na qual as relações de identidade, de alteridade, espaciais
e temporais são totalmente re-significadas.

A realidade social virtual foi pensada através do modelo da cultura tipográfica, que
limitava a afetividade às formas de expressão conceituais de uma mente que pensa,
fazendo uso do discurso. O que muitas vezes inviabiliza a compreensão da complexidade
das novas interfaces sociais. No âmbito da cultura tipográfica moderna, a doutrina da
introspecção é uma forma de acesso privilegiado aos estados internos da mente. Pela
introspecção, o mundo da mente observa a exterioridade; em contrapartida, o mundo
físico apresenta-se em pedaços observáveis e púbicos. A visão instrumental da
tecnologia identificada por Heidegger (2002) alertava que o problema da técnica era sua
visão utilitária gerada pela mentalidade moderna positivista, aquela que se concentra no
dispositivo de funcionamento; assim ele identificava um automatismo e uma dinâmica que
aprisionava o devir das relações com a técnica. A técnica moderna esteve ligada às
funções mecânicas, que por sua vez ligam-se às máquinas industriais que exercem
funções baseadas em construções teóricas abstratas, forjadas pela narrativa da ciência.

Já na situação atópica (DI FELICE, 2008b), a experiência é deslocada para fora


do sujeito, num estado em que o ambiente e a interface permeiam a significação. A maior
parte das análises sociais, na época moderna, considerava o homem como mediação; na
época da sociedade de massa, com o pensamento de Adorno e Horkheimer sobre a
indústria cultural, a mídia tornou-se a grande narradora, mantendo, entretanto, uma ótica
antropocêntrica. De forma diferente, o conceito de interface traz outra vertente para a
compreensão do social virtual que se apresenta. Com McLhuan (1979), aprendemos que
a luz elétrica é um meio sem forma - é informação pura, não tem conteúdo ou
mensagem, porque não ilumina algo específico e não transmite algo específico. Tal
ambiência da luz assemelha-se à ambiência da interface porque tanto luz quanto
interface vão além da superfície de contato, ativando ligações entre material e imaterial,
sem estabelecer diferença entre eles. Na interface, gestos, pensamentos e sentidos são
comunicáveis.

Ao estabelecerem a noção de situação social, autores clássicos da sociologia não


consideraram a técnica como espaço possível de socialização, a não ser quando a

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associavam aos objetivos do homem moderno. Da mesma maneira, o conceito de virtual
esteve diretamente ligado a uma concepção dualista da técnica - ora como instrumento
de controle, ora como instrumento do progresso. Assim, o campo virtual parecia limitado
à falsificação - uma depreciação da categoria do “real”. Nessa perspectiva, o conceito de
virtual opera como um adjetivo dado ao ciberespaço (Lévy, 1996), para definição positiva
ou negativa do que habita e acontece nele - uma forma semelhante ao conceito de social
trabalhado em toda a ciência social.

Second Life e BarCamp são dois tipos distintos de organização virtual colaborativa
que, inseridas na perspectiva da sociedade contemporânea, podem ser estudadas a
partir de diferentes concepções sobre a virtualidade. O ambiente virtual não tem
pretensão de se opor ao social, ou ser melhor que ele, o ambiente virtual é apenas mais
um espaço para o encontro, conexão dos cyborgs. Entretanto o ambiente do SL parece
trazer um tipo de sociabilidade imersiva, totalmente ligada à interface como resultado da
expressão. Já o BC, parece mostrar um tipo de sociabilidade extensiva, que amplia a
condição “humana” nesta sociedade tecnológica.

Ao explorar a sociabilidade no e do ambiente virtual, através de relações no


Second Life e BarCamp pode-se encontrar novas formas de interação entre homem,
máquina e ambiente. A idéia de interface permeou uma possibilidade de configuração
dessa virtualidade. Nela, os contornos das superfícies de contato eram misturados ao
ambiente e à sensorialidade do espaço virtual. Partindo dessa noção, a rede não deve
ser pensada apenas como repasse de informação, mas também como espaço de
sensações. Os espaços de significação que se abrem no Second Life e no BarCamp não
buscam instituir-se numa estrutura histórica - eles buscam a ação - sem sedução, ou luta
de posições hierarquizadas, a sensação cyborg e a circulação de conhecimento. No
Second Life e no BarCamp, a troca de conhecimento é prioritária e com ela surge a
sensibilidade tecnológica. Trata-se de caminhos de conectividade, mais do que de
coletividade.

Olhar para as relações de Second Life e BarCamp implica olhar também o espaço
no qual elas acontecem, se inserem e pelo qual são constituídas. Um espaço atópico,
sem lugar, não delimitado previamente por um “projeto” constituído a partir do universo
simbólico como em toda a modernidade. Embora os espaços de socialização do Second
Life e do BarCamp sejam diferentes, ambos estão permeados pela característica de um
ambiente no qual é impossível manter a separação entre emissor/receptor e
sujeito/objeto.

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A concepção de Perniola sobre simulacro pode evidenciar com mais clareza o
papel da virtualidade na constituição das formas de expressão sociais atuais,
nomeadamente as aqui citadas. Essas expressões representam possibilidades de viver
na sociedade contemporânea, em sintonia com as interfaces tecnológicas digitais.

No Second Life, a experiência é ambígua, lúdica, imersiva e comunicativa. Ela


está relacionada à construção da infoentidades e de interações sociais através da
combinação de dados digitais e tecnológicos, que o tempo todo negocia com novas
interfaces híbridas. Dessa maneira, diversas instâncias simbólicas, orgânicas e
inorgânicas, apontam para a emergência de um novo tipo de habitar social virtual
imersivo, no qual, as superfícies se confundem e se misturam numa forma de cibercultura
delimitada por elementos informativos.

No BarCamp, a experiência acontece em espaços múltiplos e abertos,


principalmente marcados pela dinâmica colaborativa, deslocativa e conectiva. Nele, a
construção do conhecimento e a extensão do espaço de interação social é compartilhada
de forma horizontal.

Nos dois ambientes, o vínculo social se dá pela (através) interface, e também com
a interface tecnológica. Nesses espaços, estabelece-se uma relação de confiança, de
parceria, de simbiose entre homem e máquina. Um grande vínculo com o virtual parece
decorrer da possibilidade de sentir através de outra corporalidade. A situação social
tecnológica e virtual não depende de um cenário físico responsável pela ambientação da
percepção direcionando-a, mas sim da simples realidade de uma tele presença capaz de
modificar a natureza dos comportamentos e interações. As mídias digitais trazem um
novo tipo de relação entre espaço social, o virtual e entre pessoas. Os diversos grupos
são chamados a interagir num mesmo espaço, híbrido, formado por múltiplas opções de
interação. “A natureza da interação não é determinada pelo meio ambiente físico
enquanto tal. Mas pelos modelos de fluxos informativos” (MEYROWITZ, 1985, p. 75).

As vertentes imersiva e extensiva do virtual, presentes nos ambientes e nas


formas de interação do Second Life e BarCamp trazem àquela situação social moderna o
deslocamento das estruturas definidoras, científicas e discursivas. Na qual os contornos
deixam de ser definidos exclusivamente pela racionalidade ou estruturas previamente
arquitetadas.
A situação social tecnológica faz emergir um tipo de interação com a tecnologia e
entre seres “humanos” na qual ambos são sistemas informativos sensíveis, diferente da

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idéia de espetáculo. Por isso a importância de pensar o social como situação, como
movimento de múltiplos agentes.
A virtualidade marca a multiplicação de tais situações sociais caracterizadas pela
dinâmica emergente da interface. O “social” virtual permite agenciamentos locais e
globais, desvinculados do sentido da “história”. A virtualidade provoca dessa forma a
desmistificação da perspectiva clássica antropocêntrica que buscou fixar a condição
humana. Os ambientes virtuais permeados pelo encontro na e pelas interfaces
demonstram uma “situação” onde as tradicionais formas de presença, tempo e espaço
não mais existem como durante séculos a sociologia pensou, levando-nos a repensar os
significados de “natural” e de “artificial”.

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Página | 171
ANEXOS
__________________________

Página | 172
Página | 173
GLOSSÁRIO
__________________________

Página | 174
SECOND LIFE

Residente – pessoa que se inscreve no site e passa a existir enquanto avatar no SL

Avatar – representação gráfica do residente

Local Chat – conversas em tempo real através de diálogo escrito

IM (Instant message) – caixa de diálogo para conversas privadas

TP - Tele transporte, modo de locomoção básico do SL

Neckos – são os avatares meio gente, meio animal

Tier – imposto sobre a propriedade de um terreno

Noobie - novato

Script – linguagem de programação para criar (determina funções aos objetos)

Rezbox – imagem temporária de um objeto (ao invés dele existir)

Primitivos (prim) – unidade geométrica básica para criação

Freebies – objetos de vários tipos doados sem custo aos avatares

Search – ferramenta de busca, utilizada quando o avatar está online

Camp ou camping – atividade para ganhar dinheiro

Friendsheep – oferta de amizade entre os avatares, sempre que o avatar amigo estiver
online o outro saberá.

BARCAMP

Campers – membros da comunidade

Blogueiro – pessoas que utilizam blogs constantemente

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ANEXOS
_______________________________________________________________________

Página | 1
Anexo 1 – DIÁRIO DE CAMPO de Filomena Graves no SECOND LIFE

Bem-
em-vindo ao
Metaverso

Página | 2
*IMPORTANTE:

• Todos os nomes dos avatares citados neste relato foram abreviados pelas
iniciais de seus nomes, a fim de preservar suas identidades.

• Nos “local chats” (aqueles que não são IM – instant message) meus
diálogos aparecem em negrito, minha fala é reconhecida como “you”.

• Durante os diálogos ou nos relatos, as intervenções realizadas após a


transcrição do diário pela pesquisadora estão sublinhadas.

• Utilizei abreviações para me referir à:

 Second Life – SL ou sl;

 Real Life – RL ou rl;

 Teletransporte – TP ou tp.

FIG. 1- Página inicial do Second Life, na qual se coloca nome, sobrenome e senha, depois
de ter realizado o download da plataforma digital e depois de ter se inscrito como residente.

Meu nome é Filomena Graves. Nasci em 7 de maio de 2007. Na verdade nasci


somente depois de ter construído um corpo de bits e silício... O software do SL me
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oferece um modelo de avatar que eu posso manipular depois. Sou magra, alta, tenho
cabelos lisos e compridos e ruivo. Meus olhos são amendoados e verdes, acho que essa
combinação fica legal, “ruiva de olhos verdes”. Nariz pequeno, boca grande relativamente
grossa e rosada, pele branca... Vou colocar as maças do rosto coradas... Nossa eu posso
escolher até o brilho do meu rosto e a profundidade... Se eu quiser posso até ter
olheiras... As possibilidades são inúmeras. Você pode ser corcunda, baixo, gordo,
metade animal... Braços longos, finos assim como as pernas. Rosto levemente
arredondado. Coloquei seios relativamente grandes, quadril um pouco largo, estilo violão
mesmo. Depois de manipular o tipo de corpo que eu gostaria de ter, vou escolher minhas
roupas. As opções são bem básicas... Escolhi uma calça jeans, uma blusa comum
vermelha e um casaco preto por cima. Nada vulgar, queria uma coisa mais rock’n roll.
Agora só falta o sapato... Não vejo nada muito interessante... Vou colocar uma sandália
preta baixa, estilo chinelo. Pronto, agora é só começar a explorar o lugar... Quando
nascemos somos transportados para uma região específica do SL para que possamos
criar nossa forma, depois disso é que estamos liberados para navegar no ambiente. O
que eu vejo? Nada ainda que a minha mente capte... Realmente não faço idéia como os
avatares fazem para se socializar ou para encontrar coisas à fazer. Não sei nada desse
ambiente. Não faço a menor idéia de onde ir ou de como poderei encontrar pessoas.
Nem quais são as funções deste programa... Vai ser uma longa jornada...

Que sensação de estranhamento, estar num ambiente e não local que nunca
consigo ter a noção de sua dimensão completa.

A partir de umas dicas externas ao SL consegui saber que a ferramenta search, é


o que pode me ajudar a encontrar lugares pessoas, atividades, eventos e etc. Então
comecei a usar a ferramenta search, o que procurar? Quero ver outros avatares,
interagir. Vou procurar pelos lugares mais populares... Encontrei vários lugares, mas
achei a Ilha Búzios um lugar interessante, vou me tele transportar pra lá.

Hehehe, Nossa! Mal entrei e um avatar me ofereceu “friendsheep”, isso quer dizer
que quando eu ou/e ele estivermos online saberemos e poderemos manter contato via IM
(instant message), mesmo se estivermos em locais diferentes. Existe a opção de eu
autorizar esse “amigo” a modificar meus objetos e saber em qual localidade estou. Ainda
não entendi como funciona essa questão dos meus objetos, se eu preciso comprar, e
onde coloco. Acho que o cara não sabe mexer e me adicionou sem querer... Será?

Andando pela Ilha Búzios vejo um outdoor divulgando crianças desaparecidas.


Aqui nessa Ilha, tudo está em português e a grande maioria dos avatares é brasileira.
Olha, uma propaganda de uma rádio, MIX FM 102.1, será que ela existe aqui?

Ando mais um pouco e vejo uma oferta, uma bolinha que diz: “dance por 35min e
ganhe L$6. Ignorei...

Nossa, uma loja de bijuterias. Quanta coisa legal, mas não posso comprar nada
porque não tenho dinheiro.

Estou passando por um shopping... Cadê os avatares desse lugar? Ah, agora
apareceram 3 mulheres. Puxei conversa com uma delas:

Filomena: “Você está sempre aqui no Second Life?”

Elas não me responderam...

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Desconectando, são 1h20 da manhã (RL).

----

Estou na Ilha Brasil...

Numa quadra muitos avatares sentados em almofadas, o SL está lento... Vejo


inúmeras propagandas do Bradesco Seguros, muitas lojas, sempre vendendo corpos,
objetos, roupas.

Vejo um aviso num cartaz: “Semana do amor”, (clicando com o botão direito fico
sabendo do que se trata) cada pessoa pode pegar um bótom se quiser, verde para quem
está aberto a relações e procurando alguém, amarelo para quem está aberto mais não
totalmente, e vermelho para quem não está disponível.

Ninguém está conversando nesse ambiente... Xi, não consigo andar... Está
travando... Melhorou...

Comecei a pesquisar para ir a outro lugar...

Cheguei à “Afrodite”, uma discoteca alemã eu acho, todos que estavam no


ambiente me deram “oi” via chat geral do local... Andando pelo lugar vi novamente uma
“bolinha” daquelas que oferecem coisas... E nessa dizia: “dance 15 minutos para ganhar
L$3”. Mas era para dançar tipo “stripper”... Não fui não... Fiquei envergonhada...

Está travando o programa...

Desconectei 20h32 (RL).

----

Conectei...

Estou na Ilha T online Beach.

Os avatares conversam em alemão, e às vezes em inglês. Alguém ta pedindo


emprego.

Alfa Roelofs (T online security) fala comigo... Pergunta de onde eu sou e quantos
anos eu tenho, respondi... A conversa (em inglês) parou por aí...

Troquei idéia com uma brasileira (Milla Roux) que estava lá perdidona... rsrsrs era
a primeira vez dela no SL, é de Santa Catarina. Ela me perguntou sobre as roupas e
como conseguir dinheiro... Expliquei o pouco que eu sabia, que na verdade para termos
outras roupas, diferentes daquelas que agente nasce, temos que comprar ou ganhar de
um amigo.

Nossa uma menina com uma tatuagem muito legal, vou perguntar à ela como ela
conseguiu. Eu sempre quis fazer uma tatuagem, mas nunca tive coragem. Quem sabe eu
faço agora...

Ela me respondeu que comprou utilizando seu cartão de crédito. Estou vendo que
logo, logo vou precisar de dinheiro para melhorar a aparência. Como vou conseguir
dinheiro eu ainda não sei. Esqueci de comentar que conversamos como se fosse pelo
MSN, através de uma janela, um chat.

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Vejo um outdoor da Mercedes...

Desconectando...

------

Conectei...

Nasci em maio, e só voltei a escrever neste diário no final de junho... por quê?
Não sei... Este é uma ambiente tão novo, tão diferente, que acaba não dando tempo de
escrever pelo que eu passo, tudo o que vejo, tudo o que sinto... As coisas aqui são muito
dinâmicas, aliás, dependem desse dinamismo, porque se eu ficar parada num mesmo
local de nada adianta estar aqui. No SL, me parece que cada avatar escolhe seu
caminho, escolhe como se diverte, se vai namorar, ou se vai ampliar contatos de trabalho
ou sevai criar uma nova profissão. Não existe uma caminho típico ou único, ele é
completamente móvel, fluído, hipertextual, complexo. E os motivos que te levam a
escolha desse caminho são inúmeros e múltiplos.

*Percebi pelas conversas que tive, que o pessoal ao se referir ao Second Life,
utiliza a abreviação “SL” e para se referir a vida real, utilizam “RL” (real life).

Engraçado, vivo a pouco tempo neste universo, mas sinto uma sensação física de
estranhamento. Quando algum avatar se aproxima de mim, não sei o que fazer... não sei
se dou um passo atrás... não sei se eu falou ou não, ou o que falar, imagino se ele quer
falar comigo ou não. Se não fala nada, imagino que deve estar estampado na minha testa
que sou uma novata... não sei se esses avatares que eu vejo estão nas mesmas
condições que eu ou não, se começaram agora ou se sabem tudo deste universo. Não fiz
nenhuma amizade, então eu não tenho nenhuma referência de como as coisas
acontecem aqui...

--------------

27/06/07 - 00h40 (RL) – Ilha Brasil

Cheguei... lá vou eu passear por aqui... como é difícil saber o que fazer ou aonde
ir. O fato de eu estar no ambiente não me dá a menor sensação de onde estou, do que é
o lugar, do que fazem nesse lugar. Eu ainda não tenho familiaridade com os locais aqui...
me sinto completamente perdida... não sei como me comportar, como me aproximar das
pessoas, não sei se minha conversa será bem recebida. Eu vejo tantos avatares bonitos,
com corpos, rostos e roupas tão diferentes desse corpo básico que tenho... será que é
por isso que não consigo criar vínculos com ninguém?

Engraçado, escuto o barulho de outras pessoas teclando... se tem outras pessoas


conversando próximas a mim eu posso ouvir o som delas teclando, mas se me distancio
de quem está se comunicando já não escuto nada. Aliás pela janela “local chat”, tenho
acesso ao que está sendo falado pelas pessoas próximas à mim...

Tem outra aba nessa janela, que mostra os meus contatos. Não são muitos até
agora... Sou esposa do “AZ”. Ele é um contato de antes do SL, ele veio da RL.

Vejo neste espaço, um relógio que marca a hora do SL e a hora da RL,


engraçado, se não fosse por esse relógio com patrocínio do Bradesco, eu nem saberia
que existe um outro tempo fora daqui... Aqui no ambiente do SL, não existem tantas
referências da RL, ou melhor, referências que separem a RL da SL. Se bem que na Ilha
Brasil vejo até propaganda em outdoors da novela da globo das 20h...
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Andando mais um pouco me deparo com algumas lojas... que vendem coisas para
que vc possa montar sua loja virtual ou que vendem coisas para os avatares utilizarem
neles mesmo, como biquínis e corpos (shape).

Deixa eu explicar um pouco essa questão dos corpos, aqui no SL a gente pode
escolher outro corpo quando quiser e modificá-lo, ainda não sei bem quais são os
procedimentos tecnológicos que devo ter para fazer isso... mas logo logo descobrirei...
quero mudar meu corpo... preciso melhorar a aparência.

Por enquanto não vejo muitos diálogos longos aqui...

Desconectando

--------------

25/08/07 – sábado – 12h (RL)

Estou na Ilha Brasil... resolvi procurar outros locais para conhecer... Achei Cote
D´Azur,na França. Aparecia no “search” como um local bastante visitado.

Estou aqui... Andando, por uma praia... Um cara puxou papo... “TYN”, fala
português, disse que era novo aqui e perguntou se podia me acompanhar no passeio...
eu deixei, conversamos sobre o SL por um tempo, expliquei umas coisas que eu sabia
sobre este ambiente. Depois dei um jeito de ir à outro lugar, cansei de falar com o cara,
no final ele ia me paquerar e eu não ia saber o que fazer... ainda não me sinto muito
confortável com as abordagens de outros avatares.... nunca sei o que esperar ou o que
fazer. Sou novata nessas formas de interação...

Busco no “search”... um local que eu gostaria de ir, conhecer algum lugar que
nunca fui. Busquei por Nova Iorque, achei a Time Square... lá fui eu... me teletransportei
(é só clicar no endereço que aparece na descrição do local disponível na caixa de diálogo
da função “search”. Aqui no SL a gente simplesmente se teletransporta para os locais, ou
seja, não existe o problema de distância ou dinheiro para ir a outros países por exemplo...
e além disso podemos visitar outras épocas da história.

Como não consegui falar com ninguém, vou voltar à Ilha Brasil e ver o que está
acontecendo lá...

Para variar na Ilha Brasil, a maioria do pessoal é brasileiro, tem também uns
gringos... a conversa entre as pessoas nesta ilha é mais freqüente, normalmente o
pessoal fala de coisas sobre o universo SL, ou sobre coisas corriqueiras, ou então
simplesmente compartilham o momento.

Nossa, um avatar chamado “Jumentolhos Barbosa”... o que será que ele quer
mostrar com esse nome? rsrsrsrs...

Conversei com uma avatar “CK” e ela me disse que era segurança aqui da Ilha
Brasil, então perguntei à ela como conseguiu isso. Ela me explicou que quando um
avatar está a bastante tempo no SL e já é “Hostes” (recepcionista, promoter, anfitrião de
um local) numa localidade, ele pode ser chamado pelos administradores do local para ser
segurança. Não entendi muito bem quem são esses administradores, o dono daquela ilha
ou o pessoal da Linden Lab, mas achei melhor não perguntar demais para não espantar
a mulher... se bem que terminamos nosso papo aí.

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Dei uma procurada nos grupos de universidades existentes aqui... Achei Anhembi-
Morumbi, Universidade do Brasil Virtual, USP, Universidade Brasileira, Universidade do
Porto, do Minho, todos grupos que sempre sabe se um membro está conectado ou não.

Desconectei....

--------------

29/08/07 – quarta-feira – 16h35 (RL)

Conectei... Sempre conecto no último lugar que estive, isso é a regra do sistema.
Lá fui eu para a Ilha Búzios.

Olha! Tem uma propaganda de uma exposição de fotos e de uma instalação. Não
fui ver, achei melhor continuar andando.

Vejo um avatar com um note book. Que legal! Vou perguntar onde ele comprou,
vou dizer a real de que sou novata aqui e preciso de umas dicas. Perguntei pela caixa de
diálogo das conversas locais, chamei-o pelo nome e fiz a pergunta... Ele me ignorou...
credo... Deixa eu ir andando...

Estou vendo um outdoor de uma empresa com o balanço do mês. Interessante, que
empresa será esta?

Fiquei um pouco desanimada, desestimulada. Quando será que vou conseguir


alguma expressividade social, criar uma rede de amigos? Acho que preciso me soltar
mais e agir de outra forma. Normalmente passo despercebida pelos avatares.

Desconectei...

----

30/11/07 – 10h45 RL – SL 05h02

Fui em busca de ganhar algum dinheiro. Achei um lugar chamado Hippiepay –


Woodstook Free, que é um local que pede algumas ações para o avatar conseguir
ganhar dinheiro, sem utilizar o cartão de crédito. Para poder ganhar alguns lindens, eu
tinha que tinha que tirar uma foto na RL e mandar por email para o grupo que tem um
site.

Tirei a foto, mas acabei que não enviei ao site indicado...

Desconectei...

-----

Terça-feira 12h RL

Conectei....

Ganhei uma “LandMark” de um desconhecido, o que é isso? Como que o cara


pode me mandar isso? Deve ser pelo inventário. Sei isso porque meu marido AZ que
manja mais desse local. Ele me explicou que tudo o que é meu, meus objetos, ficam
nesse inventário que é mais uma janela do programa. Ainda não manipulo ele muito
bem...

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Essa oferta de landmark aparece via uma caixa de diálogo dizendo que o avatar
tal, me ofereceu tal coisa, e me pergunta se eu quero aceitar ou não. Eu aceitei, parece
que ele me passou a localização de um shopping... será que é porque estou com a
aparência muito básica ainda?

Peguei a localização e me TP... Nossa, que lugar interessante... é um shopping...


Perguntei (em inglês) a outros avatares que lugar era aquele.... Ninguém me respondeu...

Fig. 2 – eu no freeshop indicado por um avatar desconhecido.(visão em terceira pessoa ativada)

Andei um pouco e depois e desconectei...

----------

11/12/07 – 19h30 (RL)

Abro o programa... não consigo conectar.. Recebo a mensagem de que o SL está


ativo somente para pessoas que trabalham no Linden Lab...

Acabei entrando num fórum de discussão (http:\\forum.gruposecondlife.com.br.)


sobre dúvidas no SL, para ver se eu aprendo mais alguma coisa, se pego algumas
práticas.

Estou na discussão: “novatos, acabei de entrar no SL e não sei nada”.

Entrei no tópico de “dicas” »Como ganhar dinheiro.

No SL é possível ganhar dinheiro fazendo “camping”, que quer dizer que você é
pago por “acampar” num local por certo tempo. Esse “acampar” significa ficar parado em
algum local, como por exemplo bancos de praças, discotecas ou ainda você pode ficar
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dançando numa dessas discotecas, basta ela ter uma animação própria para isso,
programada e prevista pelo residente que inventou o lugar. Outras formas de ganhar
dinheiro são: sendo dançarina em boates, programando animações e ambientes, sendo
designer ou modelador 3D, sendo recepcionista de lojas, empresas, ou promoters de
bares, ilhas etc. O dinheiro que ganhamos no SL pode ser trocado por dinheiro da nossa
moeda.

Nesse fórum descobri que os residentes também freqüentam sites como o Ebay,
para vender ou comprar coisas referentes ao SL.

Há e eles dão dica de que não se deve perguntar muita coisa a um avatar. Fica
muito na cara que você é um novato. E isso pode afastar você de conhecer pessoas
interessantes.

São 20h... vou tentar conectar novamente...

o SL volta a ficar disponível apenas às 22h30...

Conecto...

Chego na Ilha Brasil... mas nem dou atenção ao que está acontecendo ao meu
redor, hoje estou empenhada em conhecer mais um pouco sobre as ferramentas
disponíveis no programa... Conheci menus que eu não estava acostumada a mexer...

Desconectei.... 23h40 (RL)

-------

Conectando ... 20h45

Ativo minha ferramenta para falar por voz... Procuro “AZ”... vejo que ele está
online pela janela onde estão salvos os meus contatos, começo a conversar com ele pelo
chat. Onde vamos? O que vamos fazer? Resolvemos ir à Veneza...

Ele foi primeiro, depois me manda um TL... chego em seguida... que emoção de
encontrá-lo... ficamos andando pelo local próximo aos canais... pensando no que
poderíamos fazer... “AZ” me ajudou a conhecer melhor as ferramentas do SL.
Procuramos uns cursos para aprender a programar aqui, ele já sabe isso, mas eu não. É
comum outros avatares mais experientes darem cursos para os novatos, promoverem
palestras, discussões para aprender a mexer nas ferramentas daqui. Nós dois nos
inscrevemos para participar de um curso num local chamado Lisboa...

Nossa “AZ”, me deu um cigarro... que delícia fumar.... fazia tempo que não fazia
isso. Andando mais um pouco vimos uma gôndola disponível para passeio, sem precisar
pagar!

Mas antes disso, vimos uma animação (aquelas bolinhas) para beijo...hahaha,
eba!!! O beijei pela primeira vez aqui no SL... Foi emocionante... posso sentir o afeto que
existe entre nós...

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Fig. 3 – Primeiro beijo em SL.(visão em terceira pessoa ativada)

Começou nosso passeio. Enquanto passeamos, escuto “AZ” tocar a música tema do
Poderoso Chefão no cavaquinho. Será que “AZ” tem a mesma visão que eu?

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Fig. 4 – eu e AZ passeando de gôndola em Veneza.(visão em terceira pessoa ativada).

Desconectei 00h39.

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14/12/07 conecto hoje com o intuito de encontrar o avatar que conheço fora do SL, mas
que já está aqui faz um tempinho.

Primeira conversa com “TRD” – avatar importante pelo tempo que está aqui, tem muitas
experiências e observações importantes.

Nos cruzamos através de “AZ” que o conhece. “TRD” me adicionou e logo me


mandou um TP para que eu fosse a seu encontro. Cheguei, não sei bem que lugar é
esse, não tem ninguém nesse local, pelo menos no meu raio de visão. Começamos uma
conversa longa, “TRD” sabe que sou novata e que preciso de umas dicas e de algumas
explicações para conseguir viver melhor nesse local... Para ele, pergunto todas as
dúvidas que tenho... Aliás, são 3 os avatares que me abro totalmente... “AZ”, “TRD” e
“GBG”, ainda não o conheci formalmente, só de meus amigos falarem. Nesses três
avatares eu confio de olho fechado!

“TRD” me colocou em contato com outra moça, para que eu conhecesse mais
gente... Seu nome é “NF”. Ela é muito bonita, é designer de avatar, constrói objetos,
roupas e corpos. Ela é alta, com roupas ousadas, saia curta, bota comprida, tatuada, um
estilo meio punk. É amiga de “TRD” de lugares mais restritos. “TRD” é um avatar bonito,
muito bem produzido, com cara de bravo, tatuagem, tem um ar de misterioso, necessário
para poder entrar em certos círculos do SL. “TRD” as vezes é perseguido ou proibido de
entrar em alguns locais. Ele está envolvido em ilhas que os avatares jogam RPG estilo da
época medieval e então muitas vezes “salva” alguns avatares de situações estranhas,
Página | 12
não entramos muito nesse detalhe, mas são relações de escravatura e sadomasoquismo.
Ele chama essa sua tarefa como trabalho de recuperação. TRD me contou que existem
pequenas máfias e para fazer parte delas é necessário ter convite.

TRD: quando eu comecei no sl eu comecei com um pensamento de pesquisa de


tecnologia, minha área de trabalho, meu avatar era bem ruizinho

[16:45] TRD: rs

[16:45] TRD: depois conheci uma pessoa que precisava de ajuda, eu tive
(forçosamente) que mudar um pouco para poder entrar em círculos para poder ajudá-la

[16:46] TRD: depois que eu mudei mesmo

[16:46] TRD: eu fui aceito, conheci mais pessoas desequilibradas

[16:46] TRD: resumindo

[16:46] TRD: meu empenho era ajudar muito os outros com problemas na vida
real

[16:46] TRD: então na lista foram

[16:46] TRD: 1 salvamento de suicido e acompanhamento posterior

[16:47] TRD: 1 trabalho de localizar e recuperar uma pessoa na vida real

[16:47] TRD: 2 suicídios

[16:47] Filomena Graves: nossa

[16:47] TRD: 1 tirar uma moça (polonesa) das mãos de um escravagista dentro
do Sl que obrigava ela a ficar presa na RL

[16:47] Filomena Graves: nossa mais uma vez...

[16:48] Filomena Graves: q loucura...

[16:48] Filomena Graves: como a mulher se deixou influenciar?

[16:48] TRD: ajudei uma ong a lidar com pessoas que eram escravagistas aqui no
SL que usavam o programa para reconhecer possíveis presas na RL

[16:48] TRD: vc não acredita o que as pessoas deixam fazer

[16:48] Filomena Graves: e rola uma regra, lei, fiscalização?

[16:48] TRD: enfim, o meu visual foi importante para eu entrar nesses círculos
sociais

[16:48] TRD: aqui dentro não

[16:49] TRD: é algo básico, uma anarquia controlada...

[16:49] TRD: se vc importunar alguém ele te denuncia e é aberta uma


investigação podendo ser aplicada uma pena leve de retratação ou ser banido

[16:49] Filomena Graves: ninguem sabe tudo o q rola, né?


Página | 13
[16:49] TRD: não

[16:49] Filomena Graves: ok

[16:49] TRD: mas eu conheço agentes do FBI, Cia e interpool aqui dentro

[16:50] TRD: disfarçados

[16:50] Filomena Graves: qual vcs acham q é o objetivo do pessoal q esta no


SL?

[16:50] TRD: socialização

[16:51] Filomena Graves: ser aceito ou conhecer mais gente, ou conhecer gente
diferente?

[16:51] TRD: bom NF dá sua opinião

[16:51] TRD: já volto, vou acompanhar pelo histórico

[16:51] Filomena Graves: ok

[16:52] Filomena Graves: NF como vc chegou ate o SL?

[16:52] NF: televisão

[16:52] Filomena Graves: serio? onde?

[16:53] NF: ai entrei e em uma semana tinha amigos suficiente pra trabalhar
como promoter... chamar pessoas pra festas

[16:53] NF: sim passou uma reportagem no fantástico

[16:53] NF: ai comecei a conhecer pessoas do mundo inteiro.. achei espetacular


issu

[16:53] Filomena Graves: como vc se tornou promoter?

[16:54] NF: mas hoje naum trabalho mais com isso

[16:54] Filomena Graves: logo q entrou ja fez teu visual assim tão legal?

[16:54] TRD: voltei com café!

[16:54] Filomena Graves: rs

[16:54] NF: sim conheci pessoas q me ajudaram.. ai logo comprei lindens e


arrumei um visual

[16:54] Filomena Graves: comprou com teu cartão mesmo?

[16:55] NF: não na primeira vez comprei de um avatar

[16:55] NF: depositei na conta dele e ele me passou os lindes

[16:55] NF: lindens*

[16:55] Filomena Graves: conta real?


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[16:55] NF: sim

[16:56] TRD: NF, é vc na foto do profile?

[16:56] Filomena Graves: eu não entendo como funciona isso da grana... me


explica?

[16:56] NF: sim.... na da 1º vida sou eu

[16:56] TRD: wow

[16:56] TRD: volta prá rl

[16:56] TRD: ehuheheheu

[16:56] NF: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

[16:56] Filomena Graves: hhahahahahaha

Conversei com a “NF”, queria saber o que ela fazia aqui, a quanto tempo está
aqui, o porquê entrou aqui e como era sua rotina. Ela me disse que tem um namorado
aqui e outro na RL que também está aqui no SL. Ela vai casar em breve com o namorado
SL, aqui no SL.

“NF” conheceu o SL por conta de uma reportagem que passou na TV, no


Fantástico. Entrou, e em uma semana se tornou promoter de festas. Hoje ela só trabalha
como designer, não tem mais atividade profissional fora do SL.

Segundo “NF” e “TRD”, o avatar funciona como uma isca para os


relacionamentos, motivo elencado por ambos como o mais freqüente dos avatares que
aqui estão. Por isso é importante ter um visual moderno, uma boa aparência. Tendo isso
qualquer relação fica mais fácil, rsrsrsrsrsrs. Deve ser por isso que sou um fracasso.

Notei que enquanto eu falo, faço o gesto de quem está digitando, mas “TRD” e
“NF” não fazem, perguntei o porquê. “TRD” me respondeu que existem formas de inibir
as animações padrões do SL, e como ele é programador e tem experiência aqui, já sabe
como fazer isso.

Conversamos também sobre como funciona esse negócio de ter um terreno aqui
com uma casa... “TRD” me contou que podemos comprar um terreno para construir o que
quisermos, mas é necessário pagar uma taxa, como se fosse um “IPTU”, chamada “Tier”.
Esses espaços construídos, são chamados de “ilhas” ou “sistemas”. Cada servidor
comporta 2 ilhas e cada ilha comporta 15 mil “prim” (são as menores unidades de
construção, são as unidades básicas para construir qualquer coisa, desde objetos e
prédios até avatares). Os “prim” são ferramentas próprias do SL, criadas pelos
administradores do Linden Lab, são formas geométricas simples (círculos, quadrados e
triângulos).

Tanto “NF” quanto “TRD” ficam conectados em média 12h e muitas vezes mais.

Perguntei como consigo acompanhar o cotidiano de uma avatar ou saber em que


lugares ir. TRD me disse para olhar no perfil do avatar. Clicando com o botão direito em
cima do avatar tenho acesso a seu “perfil” e então posso olhar os locais que ele costuma
ir, seus objetivos, suas preferências. É uma boa estratégia para abordar alguém... no
ícone “classified” eu vejo em quais lojas o avatar costuma comprar...

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Eu sou considerada uma “noobie”, ou seja novata... meu comportamento, minha
fala, meu visual...tudo...rs... eles vão me ajudar a fazer um upgrade...rsrsrs

Enfim, fiquei conversando com a “NF” se o relacionamento dela aqui no SL não


atrapalhava o da RL, e se o namorado real não se importava. Ela disse que não mistura
as coisas... sei... ela já fez sexo virtual com o namorado aqui da SL... Mas talvez esse
seja o grande barato para ela do SL... pensa que no virtual não tem problema...

TRD: N?

[17:25] NF: oi

[17:25] TRD: uma curiosidade

[17:25] TRD: ou algumas

[17:25] NF: sim

[17:25] TRD: esse seu namorado/amigo

[17:25] TRD: vc já teve algum contato intimo com ele aqui dentro?

[17:26] NF: meu namorado SL.. sim..

[17:26] TRD: e seu namorado RL viu?

[17:26] NF: no SL somos namorados

[17:26] NF: meu RL tb tem namorada SL

[17:26] TRD: sim, mas ele viu?

[17:27] NF: mas sabe

[17:27] NF: naum

[17:27] TRD: hmmmmmm

[17:27] TRD: mas se visse ia ficar com ciúmes

[17:27] Filomena Graves: e ai? ciúmes?

[17:27] NF: temos relacionamento aberto ate na RL

[17:27] TRD: entendi

[17:27] TRD: curiosidade parte 2

[17:28] NF: kkkkkkkk

[17:28] NF: sim

[17:28] Filomena Graves: rs

[17:28] TRD: se eu estiver indo muito adiante vc pode pedir prá parar

[17:28] TRD: rs

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[17:28] TRD: ok?

[17:28] NF: ok

[17:28] TRD: vc já usou o Sl para ter prazer sexual na rl?

[17:28] TRD: EheheUHEUHEUHUEHUHEUHEUHEU

[17:28] NF: sim

[17:28] TRD: desculpe

[17:28] TRD: tudo pelo bem da ciência

[17:28] TRD: ok ok

[17:28] Filomena Graves: que interessante!

[17:28] NF: axo q ate apimenta a RL

[17:28] Filomena Graves: como?

[17:29] TRD: acredito que masturbando-se

[17:29] NF: e voz

[17:29] TRD: uhum

[17:29] Filomena Graves: mas tem lugares reservados pra isso?

[17:29] Filomena Graves: aqui no SL

[17:29] NF: sim

[17:30] TRD: aqui sim

[17:30] NF: melhor no seu terreno..ahuahuah

[17:30] Filomena Graves: então não é visto por todo mundo que ta no mesmo lugar?

[17:30] TRD: hipoteticamente, se vc estiver em um área que permita vc usar as poses vc


pode usar em qq lugar

[17:30] NF: sim

[17:31] TRD: eu conheço uns lugares que rolam orgias

[17:31] NF: existe bolinhas de animações de ate pra 4 avatares

[17:31] NF: tem de tudo

[17:31] TRD: rs

[17:31] TRD: pode crer...de tudo mesmo

[17:32] TRD: vc pode ir para um motel

[17:32] TRD: na sua casa

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[17:32] Filomena Graves: então é controlado...

[17:32] TRD: ou se conseguir até atrás de uma árvore

[17:32] Filomena Graves: haha

[17:32] TRD: depende de onde vc estiver

[17:32] TRD: euheuhueh

[17:32] NF: kkkkkkkkkk

[17:32] TRD: cada local costuma ter suas regras

[17:32] Filomena Graves: gente, mas e as casas de vcs, onde ficam?

[17:33] TRD: bom...eu tenho uma em uma praia particular

[17:33] TRD: uma numa montanha nevada

[17:33] NF: querem ir na minha casa

[17:33] TRD: hmmm.....

[17:33] Filomena Graves: comprou terreno e depois construiu?

[17:33] TRD: show...

[17:33] TRD: sim

[17:33] Filomena Graves: se não for incomodo, quero sim!

[17:33] NF: mando tp

[17:33] TRD: a ultima pergunta curiosa que faço prá vc N

[17:34] TRD: perai

[17:34] TRD: euhehueuheuh

[17:34] TRD: preparada?

[17:34] NF: sim

[17:34] NF: =S

[17:34] Filomena Graves: rs

[17:34] TRD: não é a toa que sou um demonio

[17:34] TRD: euheuheeuh

[17:34] TRD: tá na cara que vc gostou do seu contato intimo com seu namorado, isso
nem se discute

[17:35] TRD: mas essa satisfação não te levou a pensar, não que vc vá fazer, mas a ter
curiosidade sobre ele na RL?

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[17:35] TRD: compliquei?

[17:35] Filomena Graves: rs

[17:35] NF: bom a gente se fala no msn e tudo jah nos vimos na webcam tb

[17:35] TRD: hmmmm

[17:35] TRD: mas teve ou não?

[17:35] Filomena Graves: nossa...

[17:36] TRD: curiosidade

[17:36] NF: poderia ate ficar com ele na RL.. se meu namorado RL deixasse

[17:36] NF: kkkkkkkkkkkkkk

[17:36] TRD: então tem sim...

[17:36] TRD: :)

[17:36] Filomena Graves: hahaha

[17:37] TRD: euhehueuhe

[17:37] NF: vou pro meu barquinho e mando tp

Bom, “NF” me deu um “corpo e pele novos”, ainda não vesti... estão no meu inventário...

Nos despedimos porque os dois iam trabalhar e fazer outras coisas...

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2/01/2008 – ano novo, vida nova... agora com um novo visual....

Fig. 5 - Essa sou eu no meu novo corpo. (visão em terceira pessoa ativada).

Como eu ainda não tinha roupas mais interessantes a não ser as que eu nasci,
continuei com elas. Mas meu corpo ficou completamente “turbinado”... Para falar a
verdade ele não faz o meu estilo, mas é melhor do que o continuar com o corpo “padrão
inicial” do Second Life. Mas gosto de meu cabelo. Ganhei de uma menina... Depois de eu
iniciar uma conversa com ela para saber onde comprar boas roupas, ela acabou me
passando um monte de coisas, um corpo e pele de “brasileira”, esse cabelo comprido e
liso. Não me lembro o nome dela, ela era recepcionista de alguma ilha... Não fizemos
amizade e não falei mais com ela.

Fiquei sem registrar minhas atividades por um período neste diário... Por estar
buscando encontrar caminhos de me aproximar com este ambiente, muitas vezes eu
conectava e nada acontecia, a não ser eu procurar por lugares que não conhecia e tinha
vontade de conhecer.

Na maioria das vezes os avatares que conheci e me adicionaram como “amiga”,


não falavam comigo quando estavam conectados ao mesmo tempo que eu. Via de regra
era eu quem puxava papo, perguntando coisas corriqueiras do dia-a-dia do tipo: vc está
bem? Muitas vezes não calhava meu horário com o desses avatares que ficam muitas
horas na madrugada.

Mudando de assunto, aquela avatar que conheci por intermédio de TRD, a NF,
enviou-me, o convite de seu casamento (recebi um notecard, que assim que conecto ele
aparece na minha tela). Provavelmente num momento em que eu não estava conectada,
porque o convite foi direto à meu email.

Esse casamento aconteceu no final do ano passado. Eu conectei no dia certo, fui
ao local indicado no notecard, era uma espécie de igreja... Quer dizer, ao ar livre, com
grama, um espaço cercado. O corredor estava todo enfeitado com flores. Mas cadê todo
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mundo? O espaço estava deserto... Nenhuma das cadeiras dispostas de frente para o
altar estavam preenchidas. Nunca tinha estado numa ilha assim antes... Essa ilha parece
ser própria para esse tipo de atividade. Resolvi aguardar mais um pouco... Será que
entendi as informações erradas? Deve ter sido, porque pelo tempo que permaneci (não
sei dizer quanto, mas não foi muito, porque fiquei sem paciência e tinha outros
compromissos fora do Second Life) não aconteceu casamento nenhum... Depois, em
outra ocasião tento falar com a NF.

Fig. 6 – Visita a espaço específico para casamentos. (visão em terceira pessoa ativada).

Voltando ao dia 2 de janeiro de 2008, são 21h30 (RL), conectei já na Ilha São
Paulo, local que achei procurando por pura curiosidade de ver como São Paulo
apareceria aqui. Tenho a meta de conseguir ganhar algum dinheiro aqui e fazer
amizades. Vamos ver se me saio melhor com uma aparência mais atraente.

Ilha São Paulo.... Estou na área denominada “Jardins”, o que vejo? Uma praça por
enquanto... poucos avatares... Não sei se já disse isso, mas aqui o ambiente vai
aparecendo conforme eu ando, sempre que a gente se move o ambiente se constrói, a
partir de nosso movimento. O chão é preto e branco, existem uns bancos, árvores, um
relógio com hora do SL e RL... Vejo uma central de informação... tem um totem na
frente... vou tocá-lo para que possa obter alguma informação do local. “Regras e dicas”,
cliquei com o botão direito, recebo uma notificação para eu aceitar ou não o notecard,
aceitei e daí vieram as informações. Dicas para novatos no local, é importante vc saber
as regras de cada ilha. Bom, tem umas dicas de como ganhar dinheiro e obter objetos de
graça...

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Outra dica boa para novatos é que dizem o seguinte,”não pergunte muita coisa a
uma pessoa só, pergunte uma ou duas coisas para cada pessoa diferente. Porque irrita”.

Mais dicas, para ganhar dinheiro procurar por “camping” ou “emprego”. Diz para
tomarmos cuidado com os “scripts” que ganha de um estranho... Scripts são funções,
programações em linguagem de computador. Podem ser usados para criar gestos em
avatares, ações para avatares e ambientes.

Nossa, eu ganhei de um avatar desconhecido um monte roupas e acessórios,


cabelos... sei lá por qual motivo ele fez isso... mas deve ter me dado essas coisas
quando eu não estava conectada, porque assim que conectei, em outra ocasião anterior
a essa, recebi um notecard que “fulano de tal” tinha me oferecido essas coisas. Eu aceitei
porque não tinha dinheiro e estava mesmo querendo ter acesso a esses objetos
diferentes... Até estou usando um brinco oferecido por ele... não aconteceu nada de
estranho... até agora pelo menos.

Observei um pessoal conversando... vi uma gíria nova... “TP” o que será isso? Acho que
deve ser teletransportar. UF, aparece como o “officer” do local. São aqueles avatares que
se preparam para receber quem chega na ilha, quem apresenta o local e teoricamente
coloca pessoas em contato... Não conheci ninguém através dele. Desconectando...

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25/01/08 – 10h RL

Em outra ocasião fui apresentada avatar “VL”, também amiga de TRD. VL, está
sempre conectada, todo dia, tem um namorado. Fiquei “amiga” dela, ou seja, sabemos o
status uma da outra, online ou não. Ela tem um corpão, aliás ela me deu um corpo igual
ao dela porque o corpo que eu ganhei daquela menina desconhecida era muito
exagerado, uma bunda enorme, um seio gigante... Bom, se bem que o dela não é tão
diferente, mas é um pouco melhor. Continuo com uma bunda muito grande e o seio
também... que é a foto que está acima...

Quando a conheci falei muito rápido e marcamos de nos encontrar qualquer dia
para trocar idéias. Hoje eu entrei e ela estava online, puxei papo, perguntei se ela entrava
todo dia, ela disse que sim, sempre toda noite... mas que hoje só deu uma passada
porque vai viajar para a praia na RL... parou de me responder... porque foi atender o
telefone...

desconectei também... 12h45 RL

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Conectei... Onde vou hoje? Comecei a buscar grupo ou locais que tivessem
alguma relação com os “Beatles”... Achei uns grupos... quero achar um local legal, uma
discoteca... achei um... vou me TP para lá (descobri, TP quer dizer mesmo
teletransportar)...

Cheguei... adoro esse barulhinho do TP...

Ué, parece mais um shopping... tem uma praça com plantas, ao redor muitas lojas
vendendo roupas e acessórios, como sempre. O negócio aqui é você manipular seu
avatar... O chão parece de tijolo... Bem na minha frente tem uma máquina para trocar
dinheiro... como será que funciona?

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Olha, estou vendo uma avatar... vou trocar uma idéia com ela... Vc sabe se vai ter
algum show por aqui? Ela me disse que ontem teve uma mulher tocando beatles e que
foi muito bom. Que pena... mas parece que é um lugar que vou voltar mais vezes...

Bom, vou entrar na discoteca... Ainda é dia, é um espaço tipo galpão, com muitos
quadros de rock, beatles, led zeppelin, pink floyd... E vende também camisetas. Muito
legal!

Fig. 7 – Eu pela primeira vez no galpão do Bubblegum Factory.(Visão em terceira pessoa


ativada).

Não ouço nada... Tem um pessoal dançando... Nossa que legal... Opa, me deram
boas vindas... em inglês... interessante, esse é um ambiente estrangeiro. Mas, como eu
faço para dançar? Caramba....

Não estou ouvindo nada... vou perguntar para o “Host’ do local, que me deu boas
vindas, foi uma moça... aliás, aqui tem poucos avatares, somos em 5, mas os avatares
são diferentes dos espaço brasileiros... Mais magros, com roupas mais diferentes, no
sentido lúdico, como se fossem fantasias mesmo. Os cabelos são bem diferentes...
parece que ser bonito não é o objetivo.... o pessoal é diferente... parece que coloca para
fora os desejos do tipo ser um rock star... Acho que o pessoal experimenta mais, sem se
preocupara em paquerar, como sinto nos ambientes brasileiros...

Bom, vou perguntar por que não escuto e porque não danço quanto toco na animação da
pista de dança e nada...

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Ela me respondeu... Eu preciso ativar o botão do volume para escutar a música que toca
no local... e para dançar devo tocar no globo (círculo azul) que fica no teto.

EEEEEEE, estou dançando junto com o grupo.... Que delícia! Adorei! E só toca música
boa! Vou ficar aqui só curtindo...

Depois de umas 3h desconectei...

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Hoje foi mais difícil de conectar, foi necessário fazer um download da nova versão.

Reconectei-me no freeshop que já citei anteriormente, fui tentar comprar uns


vestidos diferentes. Mas não consigo comprar nada, porque ainda não tenho dinheiro.
Preciso fazer atividades de camping... vou procurar no “search”... ihh, está com
problemas técnicos.

Acabei indo à um local que sempre vou... Em busca de música boa! Bubblegum
Music Factory & Shops. Me sinto à vontade lá... se eu não quiser falar não falo, ninguém
fica com papinho chato... As pessoas falam de seus cotidianos, comentam de suas
lembranças.

Nossa para variar só toca música boa, rock dos anos 60, 70, clássicos!

Ganhei boas vindas da avatar ML, ela é hostess do local. É bem simpática, com um
cabelo colorido grande, liso, está de saia curta e botas compridas, a roupa é bem
diferente, nada vulgar.... Começamos a conversar, perguntei de onde ela era, ela disse
Flórida, e eu disse que era do Brasil, ela achou o máximo.

Comecei a dançar com o grupo, nós todos iguais, voar faz parte da coreografia.

Enquanto dançava continuei conversando com ML. Falei sobre a minha vontade
de mudar meu corpo... este é muito exagerado... ML riu...

VL está online... vou chamar ela pelo IM (janela para conversas fechadas). VL é
do Rio de Janeiro. Dei um oi... ela demorou a responder... Quando respondeu perguntou
onde eu estava. Então à convidei para vir até o Bubblegum. Vieram ela, o namorado e a
irmã (todos vínculos exclusivos SL). Até que enfim conheci o namorado dela...

Eles conversaram algumas coisas entre si... Logo a irmã dela saiu.

Eu comentei com ela que queria fazer uma tatuagem, perguntei se ela conhecia
um legal que vendesse. Ela ficou por um tempo no Bubblegum... Até que ela disse que ia
para uma outra discoteca de um amigo. Perguntei se podia ir... era minha chance de eu
participar do cotidiano de outra pessoa... VL se foi... teletransportou e me mandou um TP
depois de um tempinho... Me despedi do pessoal do Bubblegum, elogiei muito o DJ,
porque as músicas foram ótimas.

Cheguei nessa outra discoteca... também parece um galpão... mas este tem um
bar /balcão com banquinhos, o chão é de madeira, tem uns sofás e umas mesas... não
tem a mesma decoração rock in roll que Bubblegum.

Mas as músicas estão boas, só rock também... só que bem na hora que eu
cheguei o DJ estava falando (com voz) com as pessoas da discoteca e estava se
despedindo, disse que ia dormir. Fiquei dançando por lá... O TRD conectou... falei com
ele...
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Fazia tempo que não falava com ele...Me chamou e me mandou um TP para eu ir
a seu encontro... Cheguei no espaço “OD”, um local próprio para realização de cursos,
palestras e debates. TRD também conhece GBG o responsável pela manutenção deste
local (na verdade os dois são a mesma pessoa, que possui avatares diferentes para
objetivos diversos). Enfim, TRD me contou sobre seus projetos profissionais aqui no SL.

Está com uns projetos na área de educação à distância. Me contou que aconteceu
um debate sobre relacionamentos no SL, a parte de legislação, a parte da traição
(discussão se relacionamentos do SL são considerados traição na RL).

TRD me contou que desistiu de casar parece que a menina estava querendo
confundir a RL com a SL... Mas ele não estava muito preocupado, já tinha uma nova
paixão...rsrsrsrsrs Depois vai me apresentar.

TRD desconectou... também vou sair....mas antes disso voltei o Bubblegum...

Desconectei...

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16/04/08 – Conectei... estou no último lugar que me conectei... Bubblegum...

Nossa, mal cheguei e um rapaz (KC) puxou papo comigo no diálogo privado.... Tivemos
uma conversa longa...

KC: hi how are you doing

FG: im fine!

KC: where ar e you from?

FG: brazil, and you?

KC: wow australia

KC: how long have you been on sl

FG: thats nice!

FG: my english is not verry good

KC: no problem, my portugese is very bad

FG: haha

KC: your avatar is attractive

FG: yeh...

KC: how old are you

FG: but i m loockin to change my appearance...

FG: i dont like very much...

KC: what are you going to do?

FG: a friend give me some itens of yours inventory... so...


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FG: i need another body and maybe another skin...

FG: but i dont have money...

KC: yeah know what yo mean

KC: hard to spend money in here, you can go crazy

FG: you are a pay any tax to stay here in SL?

KC: no, do you

FG: no

KC: what do you like to do for fun

FG: well,

FG: i like music, this place is very good

KC: how old are you if you don't mind my asking

FG: i like rock n roll music,than i find this place when i looking for something about
beatles...

FG: 28

KC: cool

KC: I'm 34

FG: and you?

FG: im married

KC: yeah married too

FG: cool

FG: cool

FG: why you in the sL?

KC: just to chat and meet ppl

FG: but you are shy in rl?

FG: somethig like this, or not... you have many friends in rl?

KC: no not really shy

FG: cool

KC: yeah a few friends in rl'

KC: what about you

FG: do you in another comunities or chtas?

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KC: i just float around different places

FG: i have many friends... and i´ve never participate virtual comunities or chats...

FG: sl is the first... im very analogic people...

FG: hahaha

FG: and you?

KC: what do you mean

FG: how often do you go in this communits or chats?

FG: mean about what? analogic peaple?

KC: what is analogic

FG: not very close the digitals tecnologys

KC: ah OK

KC: no i am up with it

FG: now this situation have changed...

FG: because im a researcher about new technologys...

KC: ah I see

FG: what is your work? do you work in SL?

KC: who for

KC: no i work in IT

KC: computers

FG: i see, my husband too, CRM

FG: im doing my master´s

KC: what are you trying to learn about sl

FG: about the social relations

KC: what exactly about them

FG: i´m working with the hipotesis that the new technologys possibilits another forms the
social...

FG: other space and other conception of time

KC: like virtuel sex i suppose

KC: but i guess there is more to it

FG: and this not means not real or not worse the "real" life

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FG: sory, worse than the real life... or not significant...

FG: now a days the socity is technology...

KC: ok not so much what kind of relationships then

FG: i mean social relations not relationscheep

KC: swure

FG: social behavior...

FG: social functions

FG: well....

KC: wel what do you know about me then

FG: not much... in this moment i ´m trying to know what peaple doing in here...

KC: k

FG: my objective here is live in this place...

FG: only...

FG: learn about universe

KC: cool

FG: this universe

FG: do you create things in here? a home? clothes?

FG: i was learn but not do yet...

KC: no but i would like to, not willing to spend money here though

FG: yeh..

FG: now i dont have much time to spend with creations...

FG: where are you?

FG: i dont see you

KC: in a danc bar

FG: kaery... i have to go lunch...

KC: no probs, nice to meet you been nice chatting

KC: and your enligh is pretty good

FG: thanks!

KC: np

KC: my pleaseure
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FG: in feel minutes i come back, is rigths the verbal tense?

FG: call me when you in sl

KC: no not the right tense

KC: ok will do

Saí... mas não desconectei... fui ao profile do TRD para tentar ir à alguns lugares
que ele freqüenta. Fui numa ilha... não tinha ninguém, mas era bonita... fiz um tour numa
borboleta... interessante... mas vou embora, não tem mais o que fazer aqui.

Vou tentar fazer “camping”. Passei por três lugares, não consegui fazer dar certo...
mas fui paquerada por um cidadão italiano... não falava inglês... não deu para continuar a
conversa.

Fiquei pensando, será que se eu continuasse com a aparência antiga seria


assediada? Duvido muito...

Desconectei...

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17/04/08 – Conectei comigo dividem o SL 51mil residentes são 5:05 PM (SL)

Pra onde vou? Para o bom e velho Bubblegum Factory... Aqui, é um ambiente
mais aconchegante, as pessoas curtem coisas em comum, nesse caso, o bom e velho
rock’n roll. É impressionante, aqui só toca música boa.

Puxa, ainda não descobri como funciona o esquema do DJ. Como ele coloca a
música, quem pode ou pode ser DJ e porquê. Gostaria muito de comandar uma noite...

Hoje é noite temática “anos 20”. Tem um monte de pessoas fantasiadas. Muito
legal! Aliás, aqui sempre tem noites temáticas e eu gostaria muito de comprar fantasia
para vir numa delas. O pessoal aqui investe nisso. Mesmo porque sempre ao final de um
período acontece uma premiação para a melhor caracterização.

Fico curiosa com uma coisa, o tipo de dança que dançamos aqui nunca muda...
Poderia haver outro... mas depende da vontade de alguém para criar. Estão rolando
algumas conversas sobre o que cada um irá fazer no final de semana.

Uma delas disse que ia colher pimentas e outra disse que ia à praia comemorar
seu aniversário. Aí ela recebeu um parabéns coletivo...

Esta tocando aquelas músicas orquestradas do anos 20... BH, a hostess de hoje
comentou que lembrou de quando era criança e dançava essas músicas com o avô... o
que me fez lembrar de minha avó que cantava essas músicas enquanto cozinhava...
todos rimos... foi bom lembrar disso e falar sobre isso com esse pessoal (todos
estrangeiros). Agora está tocando Led Zeppelin... que maravilha!

Comecei a procurar por “camping”... Achei na Ilha Brasil, Shopping Morumbi...

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As 5h33 PM (SL), sentei num banco numa praça patrocinada pela fundação
Mapfre Seguros para ganhar 4L$ a cada 15 minutos (isso não é nada...mas). Fui
ficando... ganhei ao todo 16L$.

1 dólar = aproximadamente 250L$

VL está online... me chamou... milagre... me convidou para ir a seu encontro...


parei com o camping ... e fui... Chegando lá (naquela discoteca que já havia ido com ela)
ela estava no maior namoro ... acabei dando apenas um oi... e me mandei novamente
para o Bubblegum para ver se ouvia alguma música nova.

Quem está tocando é o DJ “DS”, acho que ele é um dos melhores que já ouvi
aqui... Perguntei a hostess de hoje sobre qual era o mecanismo para ser DJ e colocar a
música para tocar naquele ambiente... mas ela não soube responder.

Preciso sair, estou cansada... mas fico com pena de sair porque a música e a dança são
muito boas... estou muito cansada...

Desconectei....

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19/04/08 – 14h27(RL) 10h28 (SL)

Conectando... Money Island...

A paisagem não é nítida a primeira vista. O espaço, o ambiente, se configura à


medida e, que ando e que me aproximo dos objetos... é como se o ambiente existisse a
partir da minha interação, do meu olhar...

Vou tentar ganhar uns 10 L$ e para isso terei que ficar sentada num banco de
uma praça por 10 minutos. Tem um monte de gente sentada neste banco e em todos os
outros... Por isso que a ilha está sempre cheia de gente... todo mundo tentando ganhar
algum... mas ninguém conversa pelo chat geral...estranho... devem estar conversando
pelo IM (instant message – chat privado.)

Nossa o programa está travando muito hoje... vou sair...

Desconectando...

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23/04/08 - 5h29 hora SL

Estou na Money Island, fazendo camping e por aqui vou permanecer hoje... quero
ganhar mais um dinheirinho qualquer... a oferta não está muito boa, mas é melhor que
nada... vou ficar sentada num banco, numa praça, onde já estão muitos avatares... Vou
ganhar 2 L$ por 45 minutos...

Já estou aqui a 1h... Vejo todos os tipo de avatares. Pela aparência tem poucos
“noobies”, ou “novatos”. Acho mais fácil de perceber se um avatar é noobie ou não pela
aparência no caso das mulheres... No caso dos homens as vezes confundo se um cara é
novato ou não... o corpo modificado é mais próximo do corpo que nascemos.

Normalmente quando um avatar homem tem uma aparência melhor, ele é forte,
anda sem camisa, tem tatuagens, o cabelo é bem estiloso... As mulheres... nossa... Cada
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coisa legal ... os cabelos são os mais diferentes possíveis... compridos, lisos, curtos,
coloridos, arrepiados... nunca vejo gente de cabelo cacheado... é bem mais difícil...

Nas ilhas brasileiras, o padrão dos avatares é mais o menos o mesmo... bonitos...
Nas ilhas estrangeiras, vejo mais diversidade... Os avatares investem em looks
diferentes... tem mais avatares duende, raposa...

Enquanto estou aqui sentada, fico pensando... como será o cotidiano desses
avatares que estão aqui?

Bom, já faz 2h que estou aqui... parece que não estou conseguindo reverter o
dinheiro que ganhei... na minha tela, canto superior direito marca a quantia de Lindens
que possuo... não está marcando o acréscimo que ganhei com esse camping...
estranho... será que da próxima vez que eu entrar vai aparecer... não sei.... só sei que
estou cansada... vou sair...

Desconectei...

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30/04/08 – Reconecetei na Money Island...

Estou afim de conhecer uma “Sandbox”... ver como o pessoal cria as coisas aqui.
Tudo aqui é construído pelos seus próprios residentes e a grande novidade é que é
possível trocar dinheiro de verdade...

Pela ferramenta “search”, procurei os locais de Sandbox... Achei uma ... vou me
TP...

Cheguei...

O ambiente está carregando, como sempre... ainda não leu tudo o que está
próximo a mim... nossa... aqui é realmente um espaço vazio... quer dizer, vazio porque
não tem construções, a não ser os “rascunhos” que foram criados... e aqui especialmente
não há muitos não... Vejo uma avatar bonita, com um vestido meio medieval... puxa,
queria um desses... ela está criando alguma coisa que ainda não identifiquei... Perguntei
a ela onde ela tinha comprado sua roupa e ela me disse que foi ela quem fez... Muito
legal... Nem conversei mais nada... ela era estrangeira também.

Ando mais um pouco e vejo outro avatar criando um carro... que interessante...
Aqui no SL tudo se cria a partir de formas geométricas simples, cubos, quadrados,
círculos... Primeiro é preciso criar a forma e depois com as próprias ferramentas do
programa é possível dar cor, textura, profundidade, iluminação... O SL é um universo em
3 dimensões, por isso temos a sensação de profundidade, que faz ficar mais próximo das
construções “reais”. Criamos um objeto nas dimensões, X, Y e Z.

Tem uma coisa que ainda não entendi... Como um sapato, por exemplo, que tem
como base uma forma geométrica (que depois ganha detalhes e formas específicas)
consegue ficar acoplado a um avatar sem aparecer que é uma forma geométrica? Deve
ser por causa das texturas. Meu cabelo, por exemplo, muitas vezes que eu conecto ele
carrega e eu consigo notar que ele é um conjunto de cubos, anexado à um círculo...

Teve um dia no qual fui ao Bubblegum Factory e o ambiente demorou para


carregar... e foi possível ver a forma primitiva do local... como foi programado aquele
espaço, os bancos, as paredes...
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Bom, agora quero experimentar os corpos e roupas que ganhei... quero mudar
minha aparência, vamos ver se com o que eu tenho em meu inventário dá... aqui posso
ficar sem roupa sem correr o risco de tomar uma advertência... Vamos lá...

Deixa eu experimentar um corpo... vou ao inventário, clico no ícone do corpo com


o botão direito e aparecem as funções disponíveis para tal item... Clico no comando
“wear”... Ops... estou mudando... credo... ficando mais baixa... nossa esse rosto é muito
feio... o rosto anterior é melhor... vou ver outro corpo... e assim fui eu... passaram-se 1h e
eu não estou satisfeita com nada que tenho... Sabe de uma coisa, eu gosto do meu
rosto... Sou bonita... não sou pálida, não tenho cara de barbie... Apesar do bumbum e
dos seios serem muito exagerados... vou ficar assim mesmo... Vou tentar olhar em algum
shopping um corpo mais do meu gosto... Mas tenho que ter em mente que mudando o
corpo, o rosto muda um pouco... Mudar a pele dá muita diferença também... porque a
pele é que nos dá tonalidade, nos deixa mais bonitos...

Vou desconectar... depois continuo minha busca por uma aparência melhor...

--------------

07/05/08 – 22h 09 hora RL / 6h08 PM SL

Conectados agora: 50.392

Conectados nos últimos 60 dias: 1.144.530

Volto ao lugar que mais gosto de ficar... quando não estou muito empolgada para
fazer expedições no SL venho para cá... Bubblegum... Hoje o tema das fantasias é “anos
50”. Eu adoro essas roupas... Vou perguntar para o pessoal onde eles compraram.

Me passaram quatro localizações para comprar roupas:

Artilleri, Vintage Clothing & Hair (coordenadas 144,113,29), Crushed Velvet e DJ


Anboo – Bossa Nova Freebies. Todas essas localizações foram oferecidas por dois
avatares. Então recebi notecard me notificando do recebimento da oferta, eu aceito e
imediatamente a janela com a localização e apresentação do local ficam salvas no meu
inventário.

Abri a primeira janela e cliquei no Teleport.

Teleport completed.... cheguei... Bossa Nova: Tarezi 197, 29, 111 ASH STYLE

Está tocando uma música. O local parece vazio, não tem ninguém para me
atender...

Vou dar uma circulada pelo local... ando por uma praça... o chão parece de tijolo...
neste espaço tem uma loja de roupas cada uma com um estilo diferente, roupas de
esporte, tênis, botas, outra de pele, de plantas, de acessórios do tipo cintos, de cabelos,
essa é muito legal, tem estilo jamaicano de cabelo...um café... que está vazio... um
cachorro... Sigo andando, subo uns 4 degraus de escada e dou uma volta... Tem outras
lojas já montadas, mas vazias, devem estar para alugar... diz no letreiro “Shop District”...
sigo andando, dou a volta por trás da praça que cheguei.

Mais perto da praça passo por uma loja de objetos para casa, do tipo, persianas,
vazo de flores, relógios... Sigo andando... Uma loja de biquínis... vou entrar... Além de

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biquínis, a lojinha vende também uns pacotes com 5 posições diferentes... Tem até uma
animação para que agente experimente as posições...

Sigo andando... Vou entrar nessa loja de roupas... achei legal o estilo...

Fig. 8 – entrada da loja de roupas. (estou com a visão em primeira pessoa ativada).

Voltei a praça inicial... Entrei no café... tem um cachorro na porta... Tem uma avatar
tomando café...

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Fig. 9 – avatar tomando café. (estou com a visão em primeira pessoa ativada).

Esse local é japonês, chinês ou coreano... estão falando pelo chat... que legal!
Estou diante de pessoas do outro lado do mundo... Como deve ser o teclado de
computador de um japonês, chinês ou coreano?

Olha essa loja.... “Asian handsome”, só de avatares japoneses... aqui agente pode
escolher tudo... até a raça que você quer pertencer ou mostrar que pertence...Eu devo
estar numa ilha construída por um japonês.

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Fig. 10 – loja com avatares asiáticos. (estou com a visão em primeira pessoa ativada).

Achei uma loja de tatuagens! Como eu queria comprar... Mas as tatuagens não
são num local muito legal...

Acabei de tomar uma decisão...Vou me tornar uma residente pagante... porque


assim tenho direito a uma quantidade de Lindens por mês e vou poder comprar o que
quiser. Posso fazer isso conectada, vou na ferramenta “world” e “management my
account”, logo se abre o site do secondlife.com e faço meu upgrade... Tenho que dar um
número de cartão de crédito e aguardar para ser aceito meu upgrade. A qualquer
momento posso parar de pagar... Fiz um upgrade mais básico, pago 9,95 dólares
mensal... Vou ganhar uns 300$L / mês, já é alguma coisa...

Vou sair... aguardar meu upgrade...

Vou para os outros endereços...

Cheguei no Marlys, vintage clothes & hair Envy, 1563,110, 21 - made in Italy. Mas
aqui só tem roupas masculinas... O host do local falou para eu dar uma volta que
encontro roupas femininas, fora dessa loja claro... lá fui eu... mas não estou gostando
muito não... Mas olha, um local que vende texturas...são elas que dão a aparência final
de um objeto...

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Fig. 11 – loja que vende texturas. (estou com a visão em primeira pessoa ativada).

Vou para o outro endereço...

Nossa esse lugar tem fantasias de todos os tipos... legal, quando eu precisar volto aqui.

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Fig.12 – loja de fantasias (estou com a visão em primeira pessoa ativada).

Enjoei de ficar zanzando... vou sair... outro dia procuro mais coisas diferentes...

Desconectando...

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08/05/08 – 22h22 RL – 6h22 SL

Conectei... no shopping que estava... AZ está online.. que surpresa, que bom!
Minha melhor companhia... Nunca o encontro... por isso quando o vejo fico emocionada...

Sinto uma alegria tão grande, não me sinto sozinha e perdida quando ele está
comigo.

Ele entrou para procurar aprender a programar aqui... Achou um curso de


programação para iniciantes. Me chamou para fazer com ele... é claro que eu fui! É bom
aprender isso... Vamos ver se vou conseguir acompanhar...

Aqui no SL é engraçado, nós podemos conectar com um objetivo fixo, ou conectar


e procurar o que fazer... não há uma estrutura ou uma regra de como viver socialmente
sua vida aqui... Num momento você pode estar sério, em outro pode querer curtir... não
temos nenhuma obrigação.

O curso é dado com power point, e o professor vai digitando via chat o conteúdo...
os slides ele manda depois para nosso inventário.

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Fig. 13 – Auditório com workshop para programar.(visão em terceira pessoa ativada).

AZ: se liga, tá começando uma aula de programação grátis

FG: vc não ta available “Eu”


FG: ativa ai o negocio de voz “AZ”
FG: como vc soube?

AZ: onde é mesmo

AZ: ??

FG: no canto direito em baixo da tela

AZ: busquei por programming

FG: legal

FG: thi, vc vai nesse curso aí?

AZ: to

FG: ja?

FG: oi!

AZ: será que rola..

AZ: ?

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FG: ai meu deus...

AZ: troço estranho

FG: é... experiência legal...

AZ: eu não vejo o fessor

FG: como não?

FG: ele ta no palanque,...

FG: de terno marrom

AZ: não vejo

AZ: ele tá falando algo?

FG: falou que se atrasou pq tava sem conexão

AZ: opa

AZ: ouvi

AZ: mas não vehi

FG: pra todos sentarem q logo ele começa..

AZ: vamos ouvir

FG: vai na janela do locc

FG: local chat*

FG: olha ai o que ele disse

AZ: thats the problem

FG: Good day and welcome to this, the sixth class, in the PGM series Fundamentals of
Programming. [18:11] Stergio Semaphore: The purpose of this class is to discuss how to
use functions and variables as well as program control methods with Linden Scripting
Language (LSL).

AZ: iso eu to vendo

FG: qual é o probelma?

AZ: o prerequisito das aulas 104 e 105

FG: então... eu ja fiz um curso simples no campusparty...

FG: sera que vai ter problerma agente ficar?

FG: fala aí q vc é programador e q deve conseguir acompanahr

FG: meu esse negocio de transformar algumas coisas em notepads ... é interessante, vi
no site do sl... só que não li como...

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AZ: vamos usar essas 3 funções no nosso objeto

FG: só peguei duas... hahahaha

AZ: as 3 do slide

AZ: é muito basico esse curso

FG: saquei

AZ: entendeu?

FG: to entendendo... mas não sei se vou lembrar...

AZ: é só salvar o texto da aula no notepad e o ppt ...

AZ: esse exemplo foi legal

FG: e como faz isso?

AZ: ele já vai mostrar

FG: não entendi esse negocio do inventario

AZ: ele deve dar alguma coisa (exemplo: arquivo de pesquisa, ou de instruções) para um
avatar que toque no objeto

FG: saquei... o questionario vai estar no meu inventario e qdo o outro avatar tocar no
"quadrado" que eu criar para fazer a conexão dele com meu questionario, vou passar do
meu invetario para o do tal avatar, é isso?

AZ: é

AZ: é uma possibilidade pro questionário..

FG: e fez-se a luz...

AZ: mas existem outras, talvez mais indicadas

FG: ok

FG: que bonito seu pescoço! to com saudade...hahahaha

AZ: linda!

AZ: eu não vejo ninguem

AZ: tá com pau

FG: ta com pau mesmo... ta falhando o chat...

AZ: olhando no link que o fessor passou, tem vários tutoriais e exemplos por lá..

AZ: a aula é muito básica, quer sair fora??

AZ: ou quer completar só pela experiencia?

AZ: vc ganhou os lindens?


Página | 40
FG: é isso eu ja sabia... desse link...]]

FG: eu queria completar pq pra mim esse mundo é novo... e eu to entendendo a teria
pelo menos

AZ: legal

AZ: que bom!

AZ: o curso é pra não programadores...

AZ: agora deve ficar um pouco mais chato, mas eu te ajudo se vc precisar

AZ: e os lindens, chegaram?

AZ: e os lindens, chegaram?

FG: um cara chegou atrasado aqui na palestra e me pediu uma copia do local chat....
como mando pra ele?

FG: só por email?

AZ: oi gata

AZ: ele tá querendo é o teu email

AZ: tem que dar ctrl+c ctrl+v

FG: putz... idiota... eu...

AZ: xii, falie alto

AZ: falei alto

FG: falou alto...

FG: que merda... então não vou mandar...

FG: vai a nossa conversa junto, tem certez?

AZ: vai tudo que estiver no ctrl+c ctrl+v

AZ: afinal, vc recebeu o $$$?

FG: acho q no

AZ: é só olhar ai o teu saldo

AZ: bora?

FG: não tenho nada

AZ: bora??

FG: vamo...

FG: foi essa raposa ai que me pediu o bagulho...

Página | 41
FG: ta olhando minha bunda....hahahaha

FG: ja pensou se ela fosse assim.... hahahahahahaha

AZ: hehe

FG: vida como eu consigo te mandar teleporte pra ca?

AZ: clica em contacts

FG: cade vc?

FG: oi vida

AZ: cade vc?

FG: é aqui q eu frico sempre... mas neste momento não ta rolando coisa legal

FG: vc foi embora.... eu tava na sua frente

FG: aqui

AZ: oi

FG: ta em cima de mim, quase

AZ: vamos falar?

FG: aqui nesse l ugar não pode...

AZ: xii

AZ: vamos pra outro?

FG: uuuu proposta indecente

FG: hahaha

FG: vamos falar pelo skype?

AZ: não, por aqui!

FG: so apaixonada ate pelo seu avatar... olha que bonitinho vc é...

FG: pq?

AZ: pra ter a experiencia!

AZ: vamos pra algum lado pá

FG: ai meu deus...

FG: vou botar o teu nome nomeu trabalho vui... hahahaha meu anjo da guarda

AZ: hehe

AZ: bora!

FG: bele., onde?


Página | 42
FG: mo legal essa musica!

FG: não aguentei... to dançando...

AZ: haa te peguei

FG: lindo!

FG: te amo tanto!

FG: dança um pouquinho comigo vai!

AZ: cade o globo?

FG: é clicar na bola azul escrito dance

AZ: ah tá

FG: eba!

FG: da oi!

AZ: vamos dançar salsa juntos?

AZ: não acho o dance

AZ: tá ali, salsa next

FG: vamo como é o negócio então...

AZ: e ai?

AZ: vou ficar aqui com cara de bobo?

AZ: saiu?

FG: pronto... deu certo agora?

FG: ai que lindo!

FG: a musica é linda!

FG: fiquei feliz

FG: tava ouvindo a musica?

AZ: tava

FG: mo legal1

FG: essa tb!

FG: classe a essa musicas... nao consigo sair...

AZ: to vendo uma materia sobre o TRDtube no jornal da globo..

FG: legal?

AZ: muito
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AZ: com os criadores

AZ: ganharam mais de 1 bilhao de dolares em um ano..

AZ: e o TRDtube nunca deu lucro

AZ: e ai minha linda dançarina!

AZ: lets talk on another place??

AZ: a mora private place?

FG: ai que convite mais gostoso...

FG: vamo ai... vc me leva?

AZ: bora

FG: vc ta tão pertinho de mim... que não queria parar...

FG: to com saudade!

AZ: xii desculpa

AZ: teleportei sem querer!!

FG: hahahaha

FG: manda pra mim um tl!

FG: ei cheguei

Calling...

Connected, click End Call to hang up

AZ: vc me ouve?

AZ: ???

AZ: filooo

AZ: ??

AZ: ta ai?

FG: to

FG: nao to te ouvindo

AZ: pq naõ me responde po?

FG: mas eu tp respondendo

FG: vc não ouve

AZ: tá com o som ligado?

AZ: eu não recebi


Página | 44
AZ: eu te ouço

AZ: ouvi agora

Call ended

AZ: eu eu

AZ is offline.

Ele foi embora... bom... vou sair ...

Desconectando...

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18/06/08 – 7:07 PM SL – conectados agora 51 mil / conectados nos últimos 60 dias


1.195.545

Conectando... Bubblegum

O SL está fazendo 5 anos ... fui até o site secondlife.com e fiquei olhando as
reportagens sobre as atividades na semana do aniversário do SL. Vi alguns vídeos sobre
alguns locais do SL. Achei um local que fazia referência a
Edgar Alan Poe... Me TP...

Miami 210, 79, 297 – the Raven by Edgar Alan Poe

Algum residente criou esse ambiente baseado num poema de Poe. Chego num
local amplo, desço do meu vôo bem na porta de uma construção... toquei na porta para
eu entrar...

Entrei numa sala sombria, parou o barulho de chuva que estava lá fora...aqui
dentro só fica o barulho do vento... as janelas estão abertas e as cortinas de veludo e cor
púrpura se mexem... dá para ver uma floresta pela janela... O chão é de madeira, e há
uma estante grande com livros... toquei neles, mas nada aconteceu... Enquanto estamos
aqui dentro um a voz bem sombria recita o poema de Poe... Tem dois avatares sentados
no chão ouvindo... Vou me sentar também...

Chegou outra mulher na sala... está tentando explorar o local, tocando em tudo e
vendo as funções disponíveis...

Aparece outro avatar, um homem sem camisa, com tatuagens, botas, calça jeans,
moreno... Ele tem uns gestos legais, será que foi ele que programou?

Mais uma avatar chegou, o vestido dela é bem bonito, anos cinquenta, rosa de
bolinhas brancas, saia rodada, cabelo de cavalo... Mais um... esse local tá bem
movimentado... chegou um cara do “mau”, cabelos compridos, cara daquelas pessoas
que gostam de jogos medievais...

Um moça me abordou para saber onde achar coisas para fazer. Disse a ela que
procurasse na ferramenta “search”.

Página | 45
Acabou o poema, começou novamente... vou para outro lugar... volto a procurar
no site uma sugestão de lugar de cultura e arte...

Me teletransportei sem me preocupar com o endereço... havia um link pelo site...

Está tocando uma música clássica linda... estou num BookShop “Shakespeare
and Company”, vejo o mar e um arco e dentro desse arco vejo não muito nitidamente
uma mulher dançando e um homem sentado. Vou me aproximar para ver...

Vejo mais 3 avatares...nossa... agora começam a parecer todo o resto... o local


está lotado de gente... difícil ver isso aqui... acontecem várias conversas paralelas... no
chat local. Todos falam em inglês...

Esse local é um tipo de bar com lugar para dançar... Tem vários ambientes,
músicas diferentes rolando nesse espaço que muda de acordo que eu me aproximo de
um ambiente diferente. Tem a pista de dança, na qual uma “dançarina” se apresenta,
numa dança sexy; tem o local com mesas para tomar café, o local das poltronas, divã e
lareira, um cara está sentado em cima dela... Ao lado das poltronas tem um carrinho com
um bule de chá... será que posso tomar? Toquei nele... não deu...

A maioria dos avatares que estão no local onde a dançarina se apresenta são
mulheres, mas há também um robô apreciando... nunca tinha visto um aqui...Tem uma
avatar com os seios de fora... nessa região deve ser liberado... está parecendo um
travesti... será que aqui existem travestis?

Neste momento passa por mim uma avatar “SG” ela vem andando afoita, com
pressa... de repente pára... e começa a dizer (em inglês) que é estudante de sociologia e
entrou no SL para saber o porquê das pessoas se conectarem ao SL.

A dançarina é a primeira a responder: “estamos aqui para conhecer pessoas, é


engraçado, relaxa”... outra avatar diz que é como ir ao shopping. A dançarina continua
dizendo que adora fazer parte da família SL.

A socióloga pergunta se é uma forma de escapar da realidade.

A dançarina responde: “eu sou eu no SL, eu penso que sou um vetor e não que
estou vestindo um”.

O robô está dizendo que com o preço da gasolina, as pessoas não sairão mais de
casa...

Saí dali... entrei em uma exposição que me levou a outro local (Mill Pond 117,
231, 26). Cliquei num quadro que gostei e tive a opção de me TP para a galeria da
artista.

Briar Rose Two Gallery, Mil Pond (117, 231, 26)... o próprio ambiente me moveu
para outro espaço... apareceram 3 opções para eu TP... Lá fui eu para outro local “Small
Word Gallery” – 63, 44, 36. Vejo uns quadros bonitos, parece um pouco impressionista,
as paisagens retratadas são bonitas, vejo uma sala vazia... a artista é boa... os quadros
dela estão à venda... Um espaço de arte interativa... mais quadros... muito bons...

Deixa eu trocar o comando para a minha visão ficar em primeira pessoa... sigo
andando... Mais um link para outra galeria... lá fui eu...Gallery os Camarotz – 240, 125,
102

Página | 46
Há um palco, mas está vazio, assim como o ambiente... está tocando uma música
clássica. Avisto um “museu do hiperformalismo”. Fiquei curiosa, vou lá... Cliquei no local
e de repente comecei a cair sem parar como se fosse um abismo... enquanto caía pensei
que aqui tudo muda muito rápido... ambientes podem deixar de existir de uma dia para
outro... Nunca tenho uma idéia total do que é esta realidade, aqui não a história não tem
função, não é imprescindível que alguém nos conte como era a vida aqui e não há
preocupação em pensar como será... os residentes decidem e mudam de opinião sempre
que quiserem... As regras são locais e decidias por quem criou o local, mas é claro que
existe um consenso do que não é permitido...

Depois dessa experiência me inspirei e resolvi buscar por algum lugar onde eu
pudesse encontrar um debate filosófico... isso aqui é uma imensidão de possibilidades,
tudo depende da vontade do residente.

Achei um local que estava tendo um fórum de discussão... chama café filosófico
Sócrates (Tntafel 22, 26, 99 – Verum’s Place...) cheguei...vejo uma parede pintada com e
um coreto, parece um local místico... tem uma placa indicando: “Teleport to the socrates
cafe. This way” e uma mão ao estilo Michelangello aponta para que eu toque no coreto e
me TP...

Fig. 14 – entrada para o café filosófico.(visão em primeira pessoa)

Lá fui eu... Quando chego está vazio, é um local amplo, nele há um círculo com
almofadas, ao redor colunas gregas e ao centro, uma tocha pegando fogo... acho que
aqui deve ser o local onde acontecem os debates... mas eu devo ter visto o horário
errado, não está rolando nada aqui...

Página | 47
Minha investida filosófica foi em vão... Vou buscar outro local... Procuro por
Liverpool... adoro Beatles... quem sabe consigo conhecer a cidade e o The Carven Club...
Achei!!!! Home of the Beatles – 142, 134, 32 PG

Cheguei!!! Vou entrar no Carven Club... tem umas duas pessoas dançando, nos
locais apropriados com animação... droga queria dançar... está tocando beatles, é claro...
Twist and Shout... a música vem através de uma rádio, acho que digital...

Vou ficar por aqui ouvindo música...minha expedição foi muito intensa hoje...

Desconectando...

-----------------------

23/06/08 – semana de aniversário do SL, 5 anos de existência – Haverá comemorações


por toda a semana de 23/06 à 07/07.

Entrei no site para obter informações sobre os eventos da semana comemorativa.


Achei um link, cliquei.... Vim parar numa discoteca, um café estilo anos 80, “BlackHearts
Cafe”.

Está tocando só músicas dos anos 80... que vontade de dançar... Acho que esse
local faz parte dos locais construídos só para as semanas comemorativas dos 5 anos do
SL.

Na primeira semana de aniversário foram construídos locais relacionados à


cultura e arte, na segunda semana serão construídos locais que abordem a temática da
educação e dos negócios.

Fui à outro local sugerido pelo site: Snugglers Gove Ballroom, estou situada no
“dance floor” – SL5B Avatar 178, 120, 23. Dance floor já deve querer dizer que é um
andar, espaço próprio para dançar... embora não esteja vendo ninguém dançar...

Encontrei duas pessoas: um rapaz muito simpático “KJ” e uma moça “MD”.
Começamos a conversar sobre os 5 anos de SL. Perguntei se tinha sido ele que tinha
criado aquele local em comemoração, ele me disse que sim... me explicou um pouco
sobre isso e depois falamos sobre a vida aqui em SL. Ele é um residente ativo, constrói
espaços e objetos... MD também é. Foram muito abertos na conversa.

Cansei de andar por aí... vou embora... descontando...

-------------

27/06/08 – 9 AM (SL)

Desde o início dessa semana notei que o status da minha conta subiu... depois de
eu ter feito o upgrade da minha contribuição há quase um mês, só agora caiu o dinheiro
na minha conta... e acho que foi retroativo, porque tenho 609L$ e eles nos pagam 300L$
mensais.

Senti vontade de explorar as formas de movimentação agora... não quero olhar


para as pessoas, para o que falam, se devo falar algo ou não... quero apenas me
relacionar com as interfaces de que disponho para existir aqui nesta realidade... Estou
voando e interagindo com o espaço através do mapa do local, sempre que estou numa
ilha tenho a opção de vê-la como um mapa, e os pontos amarelos me mostram onde tem

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avatares. Até mesmo o mapa se constitui a medida que eu me movimento. A paisagem
depende de meu movimento, do movimento do meu olhar para se constituir.

Eu utilizo pouco a visão do mapa local ou a visão em primeira pessoa... Gosto de


olhar para mim mesma e ter a sensação que tem mais alguém observando meus
passos... Ops... Cheguei num limite... nesta ilha não há mais espaço construído só mar...

Caramba... começou a dar pau no ambiente... Meu corpo não está mais
obedecendo minhas ações... Quero andar... e ele não vai... fica parado, está travando...

Fiquei pensando, enquanto não podia me movimentar, eu gostaria de acompanhar


um processo criativo, gostaria de ver alguém construindo sua residência ou uma loja...

Eu vou sair... travou tudo...

Ahh, ontem fiquei olhando os profiles das pessoas que passam por mim... não
registrei nada, qual era o local e o horário... Mas é incrível como parece que a maioria
das pessoas está aqui para conhecer outras pessoas, e algumas para conseguir
trabalhar.

Desconectando...

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30/06/08 18h30 RL - 2h20 PM hora SL – online agora 62 mil pessoas.

Estou tentando fazer compras hoje... está difícil porque não estou conseguindo
me TP para nenhum shopping... O que será que houve... A imagem está demorando
demais para carregar.

Cheguei num shopping... na verdade é uma loja... olhei um corpo... Mais magro,
menos exagerado... me interessei para comprar... Comprei... acabei de receber um
notecard para confirmar minha compra... aceitei e o corpo foi para meu inventário... Agora
quando eu quiser trocar é só ir através do inventário e vesti-lo. Achei um pouco confuso
porque não vi o processo de pagamento... Bom, mesmo com um corpo novo, não queria
mudar meu rosto.

Xiii, está dando pane no computador... o programa fechou socizinho...

Vou desconectar.....

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14/07/08 – 10h40 RL

Sempre que entro recebo um monte de notecards do Bubblegum Factory,


anunciando as festas temáticas da semana e os prêmios para os melhores fantasiados,
sou membro do grupo” e somos chamados de “groupies”.

No dia 12 teve uma festa temática do filme da disney “Toy Story” e quem tivesse a
melhor fantasia ganhava 200L$. Eu perdi...

Preciso trocar mais de roupas, mexer com mais frequência no visual... vou a um
shopping... Roosa 245, 17, 27 – Comercial Boulevard – Azure Island. Nossa, muito
bacana essas roupas com estilo anos 50... Vou comprar... tenho dinheiro mesmo... não
pago contas, não tenho casa... Posso gastar...
Página | 49
Deixa eu vestir... nossa... ficou péssimo... meu corpo não combina com isso...
Caramba é melhor ficar com o básico de sempre mesmo... Mas quer saber... vou mudar
meu cabelo... achei aqui no meu inventário um cabelo preto mais curto e com um
penteado bem moderno... É esse mesmo! Cansei de ser ruiva...

Caramba... gastei uma grana e não aproveitei nada... Estava com 1.090L$ e
agora tenho 674L$.

Ei, AZ está online! Ótimo... quero mesmo pedir uma opinião dele sobre em que investir
meu dinheiro...

FG: Oi tudo bem?

FG: Quanto tempo... Estava com saudades!

AZ: Oi, eu tb!

AZ: O que estava fazendo?

FG: Fui procurar um lugar para comprar uma roupas estilo anos 50, pra quando tiver uma
festa eu ter...

AZ: festa, onde?

FG: sempre tem festas temáticas no Bubblegum, aquela discoteca que te levei...

AZ: ahh

AZ: achou alguma coisa?

FG: Achei, comprei, mas quando vesti ficou horrível... gastei a toa...

FG: até queria te pedir uma opinião em que eu devo investir, agora que tenho uns
trocados... estou pensando em comprar uma casa...

AZ: meu, vc foi gastar teu dinheiro com roupa... que bobagem... Tinha é que criar alguma
coisa pra vender... vc deve investir em algo que te dê retorno...

FG: pois é... não sei o que...

AZ: filo, preciso sair... é tarde e tenho que dormir...

FG: mais já... ficou tão pouco...

AZ: passei para dar só um “oi”... Outro dia agente continua...

FG: ok...

FG: valeu! um bjo então!

Az: bjo! fui...

AZ está offline......

Ai que pena... como eu adoro quando encontro com ele...

Vou pensar nisso... preciso investir meu dinheiro...

Página | 50
Cansei desse shopping... Vou voltar a um lugar popular e que fale português...
Vou a Ilha Búzios...

TP............. Cheguei... sempre que chego neste local recebo boas vindas do host
... Andei até a praça central onde vejo, através do mapa, que tem maior concentração de
gente. Pela janela das conversas locais dei oi... ninguém me respondeu... a não... DBB
me deu oi... pelo menos um... Logo de cara me ofereceu “friendsheep”... eu aceitei... e
começamos a conversar...falamos sobre o cotidiano daqui...

Bom, paramos a conversa... ele teve que trabalhar...

Caramba... tem um cara atrás de mim... acho que está me perseguindo... o que
será que quer... iiih, já me ofereceu friendsheep sem nem trocar uma palavra comigo...
porque será?

L J: Desculpa a perseguição de à pouco. Só comecei há 5 minutos.

Filomena Graves: imagina...

Filomena Graves: começou agora no second life?

LJ: sim... não percebo nada disto, o que posso fazer e como...

Filomena Graves: é português?

L J: sim!:D dá para ver

Filomena Graves: é que morei em Lisboa por um ano e sei bem como os
portugueses falam e escrevem...

L J: a maioria já nem escreve assim, agora é de formas abreviadas... eu não gosto


:/

Filomena Graves: fui fazer intercambio no mestrado e acompanhar meu marido


que trabalhou aí, numa empresa portuguesa...

Filomena Graves: eu tb não tenho costume de escrever com abreviações, só


algumas palavras...

L J: qual é mesmo o objectivo da second life?

Filomena Graves: olha boa pergunta... estou aqui pq estou fazendo minha
pesquisa de mestrado sobre isso... e o que sei é que não existe um objetivo definido, por
isso o SL não é um jogo...

L J: então é mesmo uma vida...

Filomena Graves: o que as pessoas dizem é que o pessoal busca amigos,


relacionamentos, ser aquilo que não é na vida real....

Filomena Graves: como vc ficou sabendo do SL?

Filomena Graves: é acho que tem muita gente que está sempre aqui e já formou
uma comunidade de amigos...

L J: um colega disse-me que viesse experimentar... ele anda todo contente por
poder ser o maior corrupto e gangster
Página | 51
Filomena Graves: hahaha, estas a ver?

Filomena Graves: as pessoas adoram essa brincadeira, essa ilusão...

LJ: as pessoas são também cada vez mais fracas de espírito, e já me estou a
sentir afectado por isso

Filomena Graves: como assim? Pq entrou no secondlife?

LJ: experimentar... não sou muito dado a segundas realidades, mas resolvi ver...

Filomena Graves: eu tb não sou não... mas como isto se tornou meu objeto de
estudo do mestrado...

Filomena Graves: vc trabalha com informatica?

Filomena Graves: de que lugar de portugal vc é?

LJ: não trabalho, mas estou bastante habituado a lidar com estas máquinas,
porque o meu pai é informático...

L J: sou do porto

Filomena Graves: sei... então em pouco tempo vai dominar as ferramentas


disponíveis no SL...

Filomena Graves: estive aí! sua cidade é muito bonita!

L J: é linda de morrer, a cidade...

Filomena Graves: hahaha

Filomena Graves: aqui no SL, algumas pessoas, ou talvez muitas delas,


aprendem a mexer com as ferramentas de criação e começam a vender objetos que
criam, texturas...

Filomena Graves: ou conseguem trabalho como dançarina de boates,


recepcionistas dos locias...

LJ: é realmente uma segunda vida... mas como consigo isso?

Filomena Graves: vc é um residente que paga alguma quantia ao mes, ou optou


por não pagar nada?

L J: nada

Filomena Graves: eu era assim, a dois meses eu estou pagando uma quantia para
ter alguns lindens (o dinheiro daqui)

Filomena Graves: aqui no SL existem os locais chamados "Sandbox" onde os


residentes podem criar os objetos com a tecnologia disponível aqui...

Filomena Graves: tudo o que vemos é criado pelos residentes, usuários

LJ: Sandbox... terei de procurar isso... humm... e cada um cria o que quer, dentro
de leis e isso.

Página | 52
Filomena Graves: todos os objetos são criados a partir de formas geométricas,
essas formas são chamadas de "PRIM" abreviação de primitivos

Filomena Graves: é sim

Filomena Graves: eu não sei bem como são as leis para vc colocar um obejto seu
a venda, deve depender do local também...

Filomena Graves: a maior parte das texturas, são criadas fora, no phtoshop e
depois são importadas pra cá e ficam armazenadas no seu inventário

Filomena Graves: todas as ferramentas de criação estão no menu principal, na


barra de ferramentas

Filomena Graves: preciso sair agora, vou almoçar... depois nos falamos!

Filomena Graves: Tchau

Meu, estou ouvindo a música do local... perguntei na caixa de diálogo geral como
faziam isso... ninguém me respondeu... será que eu posso colocar uma música para tocar
num espaço que eu não criei? Meu, tenho que parar de fazer perguntas... o pessoal vai
se virando aqui... ninguém sabe tudo...

Desconectando...

-------------------------

16/07/08 ... sem registro de hora...

Carregando o programa... recebo o aviso que ele está carregando as alterações


no meu corpo e na minha aparência... acho que recebi esta informação porque a última
vez que conectei-me a este computador eu usava outro corpo. Está um pouco lento
hoje...

Estou na Ilha Búzios, na última vez que estive aqui eram outras pessoas que
faziam parte do ambiente... será que conforme o horário existe uma turma?

TRD está online...

Como é bom encontrar os amigos... Comecei a falar com ele... ihh, ele pediu para
esperar que ele estava ocupado... muita gente chamando ele ao mesmo tempo... ele tem
que fazer umas coisas para colaborar com o GBG... TRD está offline...

Ai que droga, ele saiu... logo hoje que gostaria de acompanhá-lo...

Estou sentada num banco da praça, observando as pessoas... vendo com quem
eu posso falar...

Um cara puxou papo...

Oi, vc tá triste?

PQ?

Começamos a falar e eu nem cheguei a ver quem ele é... Me ofereceu


friendsheep... eu aceitei... e ao mesmo tempo eu pensei... preciso parar de fazer muitas
perguntas... ele me levou numa loja... Pô o cara me traz aqui só pra eu comprar uma
Página | 53
calça e depois se manda dizendo que o chefe chegou... pensei que ia ter um colega...
bom, quem sabe em outras vezes que agente se encontrar...

A VL está online... acho que vou falar com ela... fico meio sem graça de puxar
papo... não sei bem se ela vai com a minha cara... não quero ser “mala”... Por isso nem
sempre que ela está online agente se fala. Ela nunca puxa papo... sempre sou eu que
começo a conversa... mas enfim, vou chamá-la...

Ela me respondeu... está dizendo que casou e fez uma festa com vestido de noiva e
tudo... Agora ela mora numa casa com seu marido...

Está mandando fotos dela de noiva... legal o vestido dela... mas para o meu gosto é um
pouco bufante, tipo bolo de noiva...rsrsrsrs Fiquei curiosa para saber como é o cotidiano
deles...

FG: é fácil casar aqui né? Só alegria....

VL: é sim! Qdo eu não to afim de vê-lo é só não conectar...

Ela está me chamando para ir à sua casa...

Me mandou um tp... Nossa que legal a casa dela... vou subir umas escadas para
conseguir entrar. O espaço total parece não existir... aqui acho que só tem a casa dela
aqui... A casa é toda envidraçada... toquei na porta para entrar... desci mais um pequeno
lace de escada...

VL: fique a vontade!

FG: nossa, sua casa é muito bonita!

VL: gostou?!

FG: muito! foi vc que fez?

VL: naum, comprei mesmo...

FG: posso dar uma volta pra conhecer?

VL: claro fica a vontade...

FG: teu marido não tá em casa?

VL: naum...

FG: Nossa muito legal a decoração...

Fui andando pela casa... passo pela sala... é bem ampla, como se fosse um
galpão. Cheia de objetos, vasos, mesa de centro, sofá... mais à frente tem uma parede
de vidro com água em movimento... muito legal! Tem um andar em cima que são os
quartos... nem fui... fiquei sem jeito de ficar olhando... enquanto isso VL disse que foi
chamada na RL... sumiu... ué... vou desconectar, mas antes vou sair da casa dela,
porque senão da próxima vez que eu entrar estarei ligada a este local...

Ihhh to tentando ir para outro local mais está dando pau... não consigo me TP...
desconectou...

----------------------
Página | 54
18/07/08 - online now: 62.288

De volta... Estou na casa da VL...Saí...

TP para ilha Búzios...

O pessoal está falando... nem todos os que estão com o serviço de voz ativos
estão falando... Começaram a cantar e tocar violão... rsrsrsrsrs... que engraçado...

Perguntei a hostess do local, AN quem estava cantando... Ela me disse os


nomes... aí eu fui olhar quem eram... burra, mas eu podia ter visto pela aba dos ativos
com voz... quando alguém fala marca quem é...

A “G” está cantando Queen, tem um cara tocando teclado e outro violão... cada
um num local diferente do outro... Que barato... esse pessoal não tem a menor
vergonha... bom mesmo pq a “G” está cantando bem... Ela tem o maior vozeirão.

Um cara tá falando comigo... será que eu sou sua primeira tentativa, será que e
porque me achou bonita, ou será que já tentou falar com várias pessoas e ninguém deu
atenção? Nessas horas agente não tem como saber... o negócio é trocar idéia... só
depois é que sabemos...

Um dos cantores está indo embora, deu tchau, disse que gostou muito, que o
grupo deve repetir isso mais vezes... Passou seu endereço de MSN e disse que é
professor de física, caso alguém precise de aula particular...

A maior parte do pessoal não fala, alguns estão teclando... a não ser pelo “W” ele
ainda está cantando e tocando violão... só músicas bregas... tem uma menina que troca
idéia com ele... diz que está muito bom...

“W” vai sair... disse que já está conectado a três horas... e que gostou muito de ter
tocado com o pessoal.

Object: Ola, FG seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:41] Object: Ola, dream Svoboda seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:41] Object owned by BMC gave you 'Info_Sobre_Buzios' (


http://slurl.com/secondlife/Buzios/158/137/21 ).

[14:41] AL: *** Boa noite, seja bem-vindo (a) a Ilha Búzios. ***

[14:41] Object: Ola, HM seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:41] you: ola

[14:41] JF: oi

[14:41] Object: Ola, dream Svoboda seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:41] Object: Ola, LA seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:42] Object: Ola, FG seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:42] AL: Precisando de ajuda? Nós do Staff da Ilha Búzios, estamos aqui parar
ajuda-los.

Página | 55
[14:42] TRD decline 'Info_Sobre_Buzios' (
http://slurl.com/secondlife/Buzios/158/137/21 ) from Object.

[14:42] Object: Ola, LS seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:42] you: legal AL!

[14:42] you: aqui na ilha buzios parece ter um pessoal que se conhece e sempre
está aqui...

[14:43] Object: Ola, RV seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:43] AL: verdade

[14:43] AL: Buzios oferece: Praia, Wind surf, asa delta, amigos e muita diversão.

[14:43] AL: Também temos: Camping pela ilha - praia e lojas - Festas, boate, shopping.

[14:43] LS: oi

[14:43] LS: lembra de mim

[14:43] you: AL, como vcs fazem para tocar a música aqui no ambiente, vc sabe?

[14:44] ES: parabéns vc tem uma voz linda

[14:44] WF: Esqueceu de dizer que temos Seresta também, AL. risos divertidos

[14:44] Object: Ola, JF seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:44] AL: eles estão tocando violão e cantando normalmente no voice

[14:44] AL: ao vivo

[14:44] you: nossa

[14:44] you: serio?

[14:44] you: que demais!

[14:44] AL: uhum

[14:44] you: quem ta cantando?

[14:44] AL: F, o W

[14:45] you: bom jeito de divulgar o trabalho!

[14:45] GM: oi

[14:45] AL: eles sempre fazem isso

[14:45] GM: voltei

[14:45] GM: caiu aqui

[14:45] AL: oi CTK

Página | 56
[14:45] AL: boa noite

[14:45] CTK: oi

[14:45] CTK: boa

[14:45] GM: ]eu?

[14:45] AL: pois não

[14:45] GM: vcs conhecem Queen?

[14:45] GM: Queen?

[14:45] GM: ebaaa

[14:45] GM: so um momento telefone aqui na rl

[14:46] Object: Ola, ZBR seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:46] Object: Ola, FG seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:46] Object owned by BMC gave TRD 'Info_Sobre_Buzios' (


http://slurl.com/secondlife/Buzios/158/137/21 ).

[14:46] GM: i want to breake free

[14:47] GM: ai

[14:47] Object: Ola, ZBR seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:47] SS: auusente*

[14:47] AL: *** Boa noite, seja bem-vindo (a) a Ilha Búzios. ***

[14:47] AL: *** Desfrutem desta maravilhosa Ilha de Buzios. Fizemos o possível para
retratar o aspecto e o espírito praiano da

[14:47] AL: Carioca Armação de Búzios. Esperamos que gostem de sua estadia!***

[14:48] AL: ** Atenção!! É proibido em Búzios, armas , drogas, nudez, palavrões,


desrespeito, flood e propaganda de outras ilhas **

[14:49] AL: *** Tendo dúvidas sobre o jogo, procure um Staff da Ilha Búzios. Estamos
aqui parar tirar suas dúvidas. ***

[14:49] GM: vcs agora

[14:51] Object: Ola, GWH seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:51] Object: Ola, YTW seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:51] AL: Precisando de ajuda? Nós do Staff da Ilha Búzios, estamos aqui parar ajuda-
los.

[14:52] FDH: xxxxx@hotmail.com

Página | 57
[14:52] AL: ** Atenção!! É proibido em Búzios, armas , drogas, nudez, palavrões,
desrespeito, flood e propaganda de outras ilhas **

[14:52] Object: Ola, NA seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:53] AL: ║▌│█│║▌║││█║▌│║▌║ ATENÇÃO ║▌│█│║▌║││█║▌│║▌║

[14:53] AL: REGRAS DE BÚZIOS

[14:53] AL: ➣ 1. Prostituição e Pedofilia – a ILHA BÚZIOS diz “NÃO!!!”


[14:53] AL: ➣ 2. Manere seu linguajar dentro do território da ILHA BÚZIOS.

[14:53] Object: Ola, HYL seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:53] AL: ➣ 3. A utilização de armas de qualquer tipo está Proibida na ILHA DE


BÚZIOS.

[14:53] AL: Infringindo as regras você estará passivo a sofrer suas conseqüências.

[14:54] Object: Ola, TBB seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:54] Object: Ola, JP seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:54] Object: Ola, JP seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:54] Object: Ola, JP seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:54] AL: *** Tendo dúvidas sobre o jogo, procure um Staff da Ilha Búzios. Estamos
aqui parar tirar suas dúvidas. ***

[14:54] JP: ola a todos

[14:54] Object: Ola, JP seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:54] ES: olá JS

[14:55] AL: Precisando de ajuda? Nós do Staff da Ilha Búzios, estamos aqui parar ajuda-
los.

[14:56] Object: Ola, WGL seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:56] Object: Ola, WGL seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:56] AL: parabéns W

[14:57] NA: AL

[14:57] AL: uhum

[14:57] AL: oi NA

[14:57] NA: to parecendo uam criança ?

[14:57] AL: não

[14:57] Object: Ola, DM seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

Página | 58
[14:57] NA: nu mtem com odiminuir mais

[14:57] AL: o que?

[14:57] NA: eu

[14:58] Object: Ola, DDV seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:58] CT: oie

[14:58] MF: Oi AL

[14:58] Object: Ola, BS seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:58] AL: oi M tudo bem?

[14:58] PC: Oi CT

[14:58] DM: bom dia gente

[14:58] CT: oi PC

[14:58] AL: oi detonador, bom dia pra vc

[14:58] PC: Tudo bem?

[14:58] NA: e agora AL

[14:58] CT: tudo e vc?

[14:59] NA: AL me da o kit

[14:59] AL: dou sim

[14:59] AL: um min

[14:59] Object: Ola, FOH seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:59] DM: bom dia AL

[14:59] NA: Detonador

[14:59] CT: *$* LoL *$*

[14:59] DM: vou dar uma volta

[14:59] DM: fala NA

[14:59] Object: Ola, BS seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:59] NA: esse meu 2 Char

[14:59] AL: ok

[14:59] Object: Ola, NYS seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[14:59] AL: Buzios oferece: Praia, Wind surf, asa delta, amigos e muita diversão.

[14:59] DM: aff,kkk


Página | 59
[14:59] AL: Também temos: Camping pela ilha - praia e lojas - Festas, boate, shopping.

[15:00] CT: oi PC

[15:00] NA: xD

[15:00] Object: Ola, ZL seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:00] PC: Oi

[15:00] Object: Ola, BS seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:00] Object: Ola, NYS seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:00] Object: Ola, LJ seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:00] HM: a melhor ilha do sl

[15:00] DM: oi CT

[15:00] AL: .

[15:00] AL: achei muito maneiro esse avatar teem

[15:00] LJ: kd vc

[15:00] NA: ana nu mveio o kit

[15:00] ZL: kd os staffs?

[15:00] LJ: caii

[15:00] AL: então não deve poder

[15:01] AL: mas eu mandei

[15:01] Object: Ola, ZL seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:01] NA: mas nu mta aki

[15:01] HM: é ao vivo?

[15:01] NA: nu mrepsisa achei

[15:01] AL: ok

[15:01] AL: é sim HM

[15:01] HM: uauuuuuuuu

[15:01] SS: OII GALERAAA!!

[15:01] Object: Ola, EB seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:02] Object: Ola, EB seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:02] HM: por isso q gosto de Búzios

[15:02] Object: Ola, EB seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios


Página | 60
[15:02] AL: *** Boa noite, seja bem-vindo (a) a Ilha Búzios. ***

[15:02] AL: *** Desfrutem desta maravilhosa Ilha de Buzios. Fizemos o possível para
retratar o aspecto e o espírito praiano da

[15:02] AL: Carioca Armação de Búzios. Esperamos que gostem de sua estadia!***

[15:02] EB: ?

[15:02] VVL: cade vc

[15:02] SS: ALGUEM PODE ME DIZER COMO CONSEGUIR MOEDAS?

[15:02] Object: Ola, HM seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:02] SS: PF

[15:02] Object: Ola, GA seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:02] AL: vc pode fazer camp na praia

[15:02] Object: Ola, ZL seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:03] LJ: ta pequena HM

[15:03] Object: Ola, PA seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:03] BS: toca algo animado

[15:03] BS: cara

[15:03] HM: 00000aqui q eu conheci o P

[15:03] Object: Ola, EB seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:03] HM: ele tava nesse banco

[15:03] Object: Ola, EB seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:03] EB: HM

[15:03] Object: Ola, EB seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:03] HM: oi

[15:03] EB: vou sair

[15:03] EB: daki

[15:03] EB: xau

[15:03] AL: *** Tendo dúvidas sobre o jogo, procure um Staff da Ilha Búzios. Estamos
aqui parar tirar suas dúvidas. ***

[15:03] PUA: lidia vc pode me levar ate onde tem roupa de graça?

[15:03] HM: ok bye

Página | 61
[15:03] HM: kisses

[15:04] EB: bjs

[15:04] HM: vai em uma freebie

[15:04] PC: AL

[15:04] Object: Ola, NA seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:04] AL: oi

[15:04] PUA: Z

[15:04] PC: Vc lembra a K?

[15:04] PUA: ...

[15:04] ZL: q

[15:04] EB: af nem vo

[15:04] AL: sim

[15:04] EB: n tem onde ir

[15:04] EB: k

[15:04] HM: beijão edu

[15:04] PUA: vc pode me leva ate onde tem roupa de graça?

[15:04] AL: seu eu lembro dela ou ela?

[15:04] PC: Ela num entra no SL mais?

[15:04] EB: nemm vouu

[15:04] ZL: vo te dar uma land

[15:04] EB: nam tem outro lugar para ir

[15:04] AL: não sei

[15:04] ZL: [ai cv teleporta

[15:04] EB: uahsusa

[15:04] PUA: ok

[15:05] PC: Q droga

[15:05] PC: :/

[15:05] ZL: vc ker uam bota?

[15:05] ZL: eu faço

[15:05] HM: é só ir em search e escolher


Página | 62
[15:05] PUA: quero

[15:05] ZL: vo te dar uma aki

[15:05] HM: depende do q vc quer

[15:05] PUA: ok

[15:05] HM: praia

[15:05] ZL: vc consegue me ouvir?

[15:05] PUA: to

[15:05] PUA: to te ouvindo

[15:05] HM: quem ta cantado

[15:05] AL: W

[15:06] LJ: amigaaa

[15:06] you: uhhhhhh fagner!

[15:06] VVL: vc sabe onde tem caixa 24h

[15:06] HM: oi miga

[15:06] AL: em copa tem

[15:06] HM: onde tem dabelo bunitão

[15:06] LJ: nao sei

[15:06] LJ: vc ta pikena

[15:06] HM: minina to procurando q nem doida

[15:06] HM: mas só acho feião

[15:06] HM: rsrs

[15:06] PUA: vc pode me lavar la?

[15:06] Object: Ola, SPZ seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:07] HM: aqui naum

[15:07] PUA: nas roupas de graça?

[15:07] HM: ta normal

[15:07] LJ: kkkkk

[15:07] Object: Ola, EB seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:07] LJ: e o seuu

[15:07] Object: Ola, EB seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios


Página | 63
[15:07] AL: *** Tendo dúvidas sobre o jogo, procure um Staff da Ilha Búzios. Estamos
aqui parar tirar suas dúvidas. ***

[15:07] LJ: edita

[15:07] PUA: valeu

[15:08] HM: valeu W

[15:08] CT: tu canta muiuto

[15:08] VVL: sabe onde tem cx 24h

[15:08] CT: pow gostei

[15:08] CT: vem mas vezs

[15:08] CT: pode vim foi bom

[15:08] AL: mandei e vc rejeitou VVL

[15:08] AL: aceite

[15:09] AL: keep

[15:09] HM: amiga vamos fazer oq?

[15:09] PC: AGORA ME DEU MEDOOOOOOOOOOO!!!!

[15:09] THA: Boa Noite pessoal :)

[15:09] AL: ok

[15:09] LJ: praia

[15:09] ES: boa noite th

[15:09] AL: oi TH boa noite

[15:09] THA: Boa noite AL!!! vim te dar uma Força

[15:09] HM: ok

[15:09] HM: qual

[15:09] AL: ok amigo

[15:09] HM: aqui mesmo?

[15:10] AL: Precisando de ajuda? Nós do Staff da Ilha Búzios, estamos aqui parar ajuda-
los.

[15:10] Object: Ola, GWH seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:10] AL: que isso TH?

[15:11] HM: pra vc ainda to pequena amiga?

Página | 64
[15:11] Object: Ola, PAseja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:11] THA: Av de um cara americano que sou fã aqui do SL

[15:11] LJ: ta simm

[15:11] PUA: LJ...

[15:11] HM: rsrs

[15:11] AL: muito bem feito o avatar, parabéns

[15:11] LJ: oi

[15:11] PUA: me manda um cabelo igual ao seu

[15:11] THA: obrigado rs

[15:11] HM: rsrs

[15:11] AL: rss

[15:11] AL: *** Tendo dúvidas sobre o jogo, procure um Staff da Ilha Búzios. Estamos
aqui parar tirar suas dúvidas. ***

[15:11] you: AL, vc que fez seu avatar?

[15:11] PUA: vc me manda???

[15:12] AL: sim e não

[15:12] HM: volto ja

[15:12] you: como aasim?

[15:12] LJ: simm

[15:12] PUA: em LJ?

[15:12] PUA: ok

[15:12] PUA: pode mandar

[15:12] AL: eu equipei mas não fiz

[15:12] LJ: posso

[15:12] PUA: to esperando

[15:13] you: ahhh, achei que vc tinha feito o corpo, tudo...

[15:13] Object: Ola, AA seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:13] AL: não

[15:13] Object: Ola, AA seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:13] DM: miko miko nurse! madamada iku yo~~~!!

Página | 65
[15:13] DM: miko miko nurse! miko miko nurse! namamugi namagome miko miko nurse!!

[15:13] DM: miko miko nurse! miko miko nurse! kaeru pyoko pyoko miko miko nurse!!

[15:13] LJ: vou prociuurar

[15:13] AL: nem tem como fazer skin essas coisas

[15:13] PUA: ok

[15:13] DM: miko miko nurse! miko miko nurse! sexual violet miko miko nurse!!

[15:13] DM: miko miko nurse! miko miko nurse! soul train miko miko nurse!!

[15:13] DM: miko miko nurse! miko miko nurse! anesan rokkaku miko miko nurse!!

[15:13] AL: .

[15:13] AL: ** Atenção!! É proibido em Búzios, armas , drogas, nudez, palavrões,


desrespeito, flood e propaganda de outras ilhas **

[15:13] DM: miko miko nurse! miko miko nurse! riichi ippatsu miko miko nurse!!

[15:13] DM: miko miko nurse! miko miko nurse! miko miko nurse! miko miko nurse! miko
miko nurse! miko miko nurse! miko miko nurse!

[15:13] DM: saigo ni mou icchou~, hai! miko miko nurse!

[15:13] you: não tem?

[15:13] AL: ** Atenção!! É proibido em Búzios, armas , drogas, nudez, palavrões,


desrespeito, flood e propaganda de outras ilhas **

[15:13] Object: Ola, JDRseja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:13] you: dá pra fazer no photoshop, não?

[15:13] AL: pra mim que não sei, não

[15:14] THA: rs

[15:14] LJ: foi

[15:14] Object: Ola, JDR seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:14] Ultimate Flight Band: All Go

[15:14] you: ahh, ok... eu tb não sei nada disso...

[15:14] AL: quem domina legal o photoshop tem sim

[15:14] you: esse pessoal q cantou tá sempre aqui? muito legal!

[15:14] AL: ta sim

[15:14] PUA: ainda nao chego

[15:14] AL: eu sim


Página | 66
[15:14] DM: tamo escutando mano

[15:14] you: faz tempo q essa galera SE CONHECE?

[15:14] PUA: mas me mmanda tbm uma sandalia de salto?

[15:15] DM: ta meio ruim seu microfone

[15:15] AL: cebolaaa ta com muito ruido o seu voice

[15:15] CF: HUM. OBRIGADO PELO AVISO.

[15:15] PUA: em?

[15:15] AL: ok

[15:15] you: vcs ja se conheciam antes, ou foi tudo aqui?

[15:15] DM: cindy

[15:15] LJ: chegoi

[15:15] AL: tudo aqui alguns

[15:15] DM: vc nem reparou nomeu pearcing neh

[15:15] PUA: e q sou novata enao tenho nada

[15:15] PUA: ainda nao chego

[15:15] you: legal!

[15:15] LJ: afff

[15:15] LJ: pera

[15:15] PUA: ok

[15:15] you: vcs vão ficar aqui hj ate mais tarde?

[15:15] LJ: deixa eu perguntar minha amiga como mando

[15:15] CT: nao to vendo nao

[15:15] AL: ate as 22

[15:15] you: eu vou precisar sair agora...

[15:15] Object: Ola, GIC seja bem-vindo(a) a Ilha Buzios

[15:16] you: ok, mais tarde eu volto

[15:16] AL: ok

[15:16] you: valeu o papo!

[15:16] AL: seja bem vinda

[15:16] DM: nw da pra ver


Página | 67
[15:16] you: brigada!

Eu sair... vou me sentar no banquinho...

desconectando...

---------

São 13h06 RL – 9h06 AM SL time

Conectando... tem uma nova versão do SL para baixar... ahh não quero fazer isso
agora porque vai demorar e eu não vou poder conectar...

Estou recebendo uma aviso de que o último local em que eu estava conectada
está indisponível e que por isso vão me mandar para um local próximo...

Cheguei... é um ambiente estrangeiro... Parece que o pessoal está falando


alemão... só vejo aquilo que está próximo de mim... ainda não identifiquei que tipo de
lugar é esse... nem onde estou... Tem um cara com roupa de cavaleiro medieval...
engraçado, nos ambientes brasileiros que vou nunca veja uma coisas assim... é mais
difícil... Nossa tem outro que parece o “He-Man”, está de tanga, sem camisa e de
botas...rsrsrsrs. Esse lugar está cheio de gente... vira e mexe chega alguém e sai
rapidamente... Tem uma cara com uma metralhadora enorme e sobretudo... Estou me
sentindo muito diferente dos demais... as mulheres aqui são bem mais magrinhas... nada
de “bundão” e “peitão” como eu...

O cara de sobretudo fez alguma magia... Agora colocaram umas músicas


africanas...

Que saco, tem um pessoal que não pára de colocar uma animação de uma
gargalhada chata.... todo mundo que está perto deles é obrigado a ouvir essa chatice... O
que será que quer dizer: “Wie geil is das denn!” Junto com a gargalhada chata vem uma
voz que diz isso... é um autômato...

Tem uma menina igual a Lara Croft ou como é mais conhecida do mundo dos
vídeos games “Tomb Rider”. Ela está armada e pelada... será que aqui pode...

Eu estou numa plataforma, algum lugar alto... vou andar até a borda para ver o
que tem ao redor...ufa... já não escuto mais aquelas risadas chatas e nem a música...

Caramba, apareceu um dragão gigante... que legal! Sumiu... E agora acaba de


aparecer um cara nu... sumiu... estranho, o pessoal entra e sai muito rápido deste local...

Vou dar um vôo por aí... Estou num local histórico... “Temple of Iris” (Iris – 199,
136, 30) Para mim parece mais um templo chinês... Agora que estou longe da plataforma
vejo que tem vários andares e o telhado é como dos templos chineses... são de madeira,
com a borda pintada de vermelho...

Vou voltar à plataforma... De novo... aquelas risadas chatas... Alguém pediu para
esta cidadã parar com isso... a menina está fazendo mais ainda... Vou dar outro vôo...
muito chato ficar ouvindo isso... não sei como o pessoal aguenta ficar aqui...

A paisagem vai se formando lentamente... vejo um barco... parece um barco de


pirata, todo de madeira, enorme... acho que é uma caravela... descendo... Tudo ao meu
redor é água... O barco está vazio e não tem ninguém... aliás perece que só tem gente

Página | 68
naquela plataforma... volto a voar... na não vejo onde eu estava... sigo em frente e avisto
uma baleia orca... parada... Vôo mais um pouco e avisto uma igreja... Desci...

Tem uma placa à frente da igreja dizia: “Iam (logo do Second Life). Click here”.
Cliquei, recebi um notecard com as informações do local.

Este templo existe desde 2005... Neste local tem um famoso farol de Alexandria.
Tem umas cabanas todas interligadas por uma pontes e madeira... vou entrar numa
delas...

Não tem nada, está vazia... Pra que serve isso? Pra que serve esse local?

Vou voar para outra direção... Avisto um cemitério... e ao lado um lugar de


tortura... Tem também uma fogueira e um caldeirão... está pegando fogo... sinistro...

Alguém me mandou uma “landmark”, não sei quem, não vejo ninguém... o local
chama “House of Sadako” – Macabre Noctur e junto tem uma foto de mulher nua com
correntes... (a localização Secret Simle 9, 240, 237) Não vou até esse local não... dá um
pouco de medo do que vou encontrar lá... mas quem sabe depois..

vou sair... gostei de ter sido direcionada para um local inesperado... eu não
busquei por ele, fui levada...

Desconectando...

-----------

14/08/08 – 18h

Conectando... vou voltar ao Bubblegum... TP... Cheguei... Está chovendo... GBG está
online... logo me chamou... e mandou um tp para onde ele estava...

[5:11] Connected

[5:11] you decline Bubblegum Music Factory & Shops, Torva (157, 128, 43) from A group
member named TMC.

[5:12] Come visit owned by ALAL gave TRD 'FIAT LATINO AMERICA' (
http://slurl.com/secondlife/MMD2/56/20/23 ).

[5:17] you decline Bubblegum Music Factory & Shops, Torva (157, 128, 43) from A group
member named TMC.

[5:17] you decline Bubblegum Music Factory & Shops, Torva (131, 126, 44) from A group
member named MLL.

[5:46] GBG is Online

[5:48] Teleport completed from http://slurl.com/secondlife/Istar/88/1/23

[5:48] Connecting to in-world Voice Chat...

[5:48] Connected
Página | 69
[5:48] GBG: oi

[5:48] GBG: :)

[6:09] GBG gave you Corpo (Shape) - Glamour.

[6:12] GBG gave you Glamour - Sandalia Preta Direita.

[6:12] GBG gave you Glamour - Sandalia Preta Esquerda.

[6:12] GBG gave you Oasis Digital CFA - Casual.

[6:12] GBG gave you Oasis Digital CFA - Dance Days.

[6:12] GBG gave you Oasis Digital CFA - Executiva.

[6:12] GBG gave you Oasis Digital CFA - Executiva 2.

[6:12] GBG gave you Oasis Digital CFA - Glamour.

[6:12] GBG gave you Oasis Digital CFA - Pop.

Ele casou... já faz 6 meses... e contratou uma moça para trabalhar com ele, fazer
contatos para agendar as palestras e fazer a divulgação... Ele ficou impressionado com a
mudança no meu visual... mas me achou muito “galinhona”... Resolveu me dar opções de
corpos legais e roupas... tudo feito pela sua esposa, que é designer de avatares.

Escolhi a versão executiva... muito melhor o corpo... diminuiu tudo... eba, até que
enfim... ele parou um pouco de falar porque está criando uns animais para uma amiga...
dois coelhos grandes... interessante... mas eu não vejo quais comandos ele faz...

Página | 70
Fig. 15 – Sou eu, de corpo, roupas e cabelos novos.(visão em terceira pessoa).

FG: oi!

FG: que legal seu terno!

GBG: saudades

GBG: show

FG: pois é...

FG: faz um tempão que agente não se fala...

GBG: pode crer

GBG: como estão as coisas

FG: aquele dia, nossa reunião não deu certo... por causa do feriado...

GBG: rs

FG: olha, estão caminhando...

GBG: então, contratei uma pessoa prá organizar a agenda de cursos, fazer a ligação com
os grupo fora do sl para trazer prá cá etc e tal

FG: nossa, que ótimo!

GBG: está em sampa?


Página | 71
FG: to sim

FG: mas vou descer hoje pq tenho medico...

GBG: legal e meu querido irmão?

FG: rotina...

GBG: rs

GBG: apareça aqui

FG: ele tá bem! muito de saco cheio de ficar longe, mas tá bem. trabalhando muito

GBG: no Rio ainda?

FG: sim

GBG: po tu deu um "tapa" no seu avi

GBG: classe a

GBG: rs

FG: pois é...

FG: acabei que fiquei com esse corpo mesmo e essa skin... dei uma olhada em outros
pra comprar, mas eram todos feios... fiquei assim mesmo...

GBG: classe a

FG: mudei o cabelo... preferi assim

GBG: mas o shape a ALY te dá um que vc goste

FG: ALY não era a tua noiva?

GBG: é

GBG: mas do TRD

FG: ainda é?

GBG: EuhEUEUHEUHEUEHEUHE

GBG: sim é

FG: a é... claro...

GBG: 5 meses de casado

GBG: rs

FG: serio? casou?

GBG: nossa estranho isso

GBG: uhum

Página | 72
GBG: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

FG: kakakaka

FG: meu deus....

FG: lua de mel, então?

GBG: é um relacionamento longo pros padrões second life

GBG: lua de mel

GBG: sempre

GBG: rs

FG: é mesmo... contando casamento, noivado e namoro... qto tempo faz?

GBG: ela n tem que lavar minhas cuecas e nem eu aguentar as tpm dela

GBG: assim é fácil

GBG: rs

FG: pode crer...

GBG: 6 meses

FG: legal

FG: mas qto tempo normalmente duram os relacionamentos aqui?

GBG: 3 semanas

GBG: rs

GBG: 1 mês

FG: nossa...

FG: vc já teve muitos?

GBG: a mais longa que eu tive está sendo essa

GBG: as outras ficaram na média de 3 meses

FG: qto tempo vc ta aqui no sl mesmo?

FG: vc ta trabalhando agora?

FG: não quero atrapalhar...

GBG: faço 3 anos

GBG: eu acho

GBG: rs

FG: caramba
Página | 73
GBG: rs

GBG: ano passado eu fiz 2 no final do ano

GBG: rs

FG: deixa eu te perguntar um negocio idiota...

GBG: claro

FG: baixar o programa, SL, do site "secondlife.com", tem alguma diferença de baixar no
"mainland Brasil"?

GBG: sim

GBG: a diferença é que o da mainland está com a tradução errada das funções do jogo

GBG: operacionalmente são os mesmo

FG: eu não entendo muito bem... os avatares vivem nos mesmo espaços, certo?

GBG: opa, não tem pergunta idiota...rs.....

GBG: sim

GBG: estamos na mesma rede

FG: sei

GBG: cadastrando pela mainland ou pela secondlife

GBG: vc fica no mesmo banco de dados cadastral e participa da mesma rede de acesso

FG: legal!

GBG: a mainland é só um atravessador que tenta vender assinaturas pros usuários

FG: sei...

GBG: nada mais

GBG: rs

FG: e vem cá, eu fico meio sem entender a geografia da coisa... quem tem controle do
espaço total do second life é o linden lab?

GBG: sim

GBG: eles são os donos e mantenedores da rede de computadores onde o Second life
opera

FG: eles tem um limite de utilização do espaço virtual?

FG: é uma loucura isso né... parece que o espaço virtual é infinito...

GBG: conceitualmente não, a expansão (ou escala) é feita agregando mais


computadores a rede

Página | 74
GBG: o que limita são as bandas de conexão de acesso, elas têm um espaço limitado

GBG: um exemplo é a sua conexão de casa

GBG: ela tem uma banda que pode variar de 1 mega até 8

GBG: dependendo do pacote que vc compre

FG: e a memória do computador, tem relação com este espaço?

GBG: eles têm uma medição maior, em terabytes

FG: nossa... parece grande...rsrsrsrs

GBG: a divisão (em relação a memória) é de quantos usuários podem estar na mesma
região ao mesmo tempo

GBG: e é

GBG: rs

FG: ok

FG: entendi...

GBG: prá vc entender mais simples

GBG: essa ilha que eu tenho

GBG: ela está em 1 servidor dedicado, basicamente vc compartilha 1 servidor em 2 ilhas

GBG: esse servidor tem 2 processadores + uma batelão de memória...rs

GBG: o que me permite colocar no máximo 100 usuários ao mesmo tempo aqui

GBG: a quantidade ideal é de 50, daí prá cima tem perda de performance

FG: sei

GBG: qdo vc cria uma ilha eles colocam no banco de dados o endereço da ilha (que é o
número ip da máquina dentro da rede second life)

GBG: toda vez que alguém acessa sua ilha ele é direcionado para esse servidor

GBG: por isso que parece infinito

GBG: rs

FG: saquei!

FG: eba! é bom entender um pouco isso...

GBG: sim

GBG: rs

FG: mas normalmente o residente não se interessa por essas coisas né

Página | 75
FG: ?

GBG: poucos

GBG: mas é legal como administrador para vc entender o que acontece

FG: claro

GBG: caraca vc tá com quase 3 metros de altura

GBG: rs

FG: hahaha

FG: é mesmo...

GBG: kkkkkkkkkk

GBG: e olha que eu sou alto aqui

GBG: kkkkkkkkkkkkkkkkkk

GBG: me sinto um anão

FG: meu, nunca tinha reparado...

GBG: kkkkkkkkkkkkkkkkkk

GBG: é o sapato

GBG: rs

FG: eu to com o corpo que a VL me deu, lembra?

FG: deve ser...

GBG: nossa...deixa eu te dar um corpo mais ajeitadinho

FG: manda aí... mas a cara da filomena vai mudar?

GBG: mmmmmmmm

GBG: boa pergunta

GBG: rs

GBG: se acostumou com ela é?

GBG: rs

FG: eu não pesquei se é o corpo ou a skin que muda o rosto...

GBG: se ficar ruim vc volta ao shape

GBG: os dois

FG: ela é mó bonita, perto das avatares que vi pra vender...

GBG: o corpo muda bastante a fisionomia


Página | 76
GBG: é sim

GBG: rs

GBG: rs

FG: ok

GBG: mmmm mudou muito nao

FG: nossa, melhorou!!!!!!!!!

FG: me livrei daquela bunda enorme!!!!!!!!!rsrsrsrsrsrsrs

GBG: agora saquei, vc tá num degrau (Aqui GBG está se referindo ao tipo de design do
corpo de filomena)

GBG: rs

GBG: sim

GBG: EuheuheuheUheUheUheHEUHEUheHEUhEHEUheHUE

GBG: aquele shape tava meio "galinhona"

GBG: euheuhehueheheheueh

FG: total né...

GBG: bunduda, peituda

GBG: EUheUheUhEHEUhEUhEHEUEUH

FG: preciso mudar o sapato tb...

GBG: aposto que todo mundo mandava im prá vc

FG: eba! valeu!

GBG: 6 estilos diferentes

GBG: tem até uma morenaça

GBG: rs

FG: vc que criou?

GBG: a ALY

FG: ela trabalha com computação gráfica?

GBG: as roupas e sapatos são de outros o shape e a skin ela melhorou

GBG: uhum

GBG: ela é designer de avatares

FG: nossa que maximo!

Página | 77
GBG: é

GBG: ela deu uns tapas no meu avatar

GBG: rs

FG: agora vc fica direto aqui, né?

GBG: to trabalhando bastante

GBG: primeiro organizando a empresa

FG: sei... e o TRD tem ficado muito aqui no sl?

GBG: tem sim

GBG: a noite

FG: o homem das trevas...rsrsrsrs

GBG: euheuheuheuheuheuheuhehhue

GBG: pode crer

FG: a ALY sabe e conhece o GBG?

GBG: sim

FG: legal

GBG: ela é colaboradora da empresa

FG: meu, lembra daquela menina q vc me apresentou que ia casar a N?

FG: nunca mais vi... ela me "descartou"...

FG: rsrsrsrs

GBG: mmmmmm

GBG: eu tb nao

GBG: rs

GBG: eUheUEUhEUHEUHEUHEUEUHEUHEUHE

GBG: ela descartou o TRD tb

GBG: EUheUHeUHUEHEUEHHEUEHEUHE

GBG: louca ela

FG: mas me conta uma coisa, essa pessoa que vc chamou pra trabalhar com vc, foi pela
RL ou achou aqui mesmo

FG: ?

GBG: RL

Página | 78
GBG: é um amigo meu que trabalha com redes sociais

GBG: ele está aqui na incubadora comigo

FG: que ótimo! e vai ser uma mulher avatar?

GBG: nao!

GBG: rs

GBG: um homem

FG: hahaha

GBG: euheUEUhEUhEUHEUhEUhEUEHEUHEUEUE

FG: meu, aqui nunca se sabe né... sabe de algum caso desses?

GBG: vários

GBG: rs

GBG: tem muita gente que conhecemos na RL (conhecemos eu e vc) que está aqui com
outro sexo

GBG: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

FG: nossa... que engraçado...

GBG: kkkkkkkkkk

GBG: hilário

FG: serio mesmo?

GBG: sério

FG: ai meu deus... quem é?

GBG: ahhhhhhhh aí vc tá querendo saber muito

GBG: rs

FG: sabia que vc não ia falar...

GBG: kkkkkkkkk segredo de consultório

GBG: rs

GBG: o pior que nem a pessoa sabe que eu sei

GBG: rs

GBG: de tão segredo

GBG: mas é engraçado

GBG: eUhEuEHuHEuEHUEHUEHueHuEEHUEUEEUHUEHUHEU

Página | 79
FG: como vc descobriu?

GBG: kkkkkkkkkkkk

GBG: o poder da observação

FG: foi juntando as coisas?

GBG: uhum

FG: imagino

GBG: e observando

GBG: as pessoas mudam os avatares mas não os maneirismos

GBG: a forma de falar (digitar, expressar por texto)

GBG: de agir

FG: claro... não é tão simples esconder o que é...

GBG: uhum

GBG: kkkkk

FG: deixa eu te perguntar uma coisa, aproveitando que tua mulher é designer de avatar

GBG: uhum

GBG: pergunte

FG: perai

GBG: claro

GBG: manda

FG: qdo ela cria alguma coisa, ou até mesmo vc, e depois faz upload pro SL, como fica a
questão dos direitos autorais? e quem dá as regras do que pode ou não fazer numa
land?

GBG: ok

GBG: primeira pergunta: tudo que vc cria o direito autoral é seu

GBG: quanto as lands, se vc for o proprietário vc define o que pode ou não

GBG: se vc usar a land de alguém segue as regras dele

FG: teve gente que criou algum jogo e colocou aqui?

GBG: quanto ao conteúdo vigiado pela Linden Lab acho que só os que contem temas
racistas, segregários ou ideológicos como Nazismo

GBG: vários

Página | 80
GBG: assim como tivemos várias ilhas com o tema nazista que era usado para propagar
a idéia

GBG: esses foram fechados

FG: o Linden Lab está sempre vigiando então...

GBG: pq existem leis internacionais que regem e proíbem a prática desse tipo de coisa

GBG: sim

GBG: sempre

FG: e a politica com menores de idade...

GBG: agora conteúdo violento, sexual (que não seja pedofilia) e outros são regidos pelas
regras do dono da land

GBG: existem 2 redes (grids)

GBG: uma adulta que é a nossa (mature)

FG: funciona colocar a indicação que uma land é própria ou imprópria?

GBG: e a infanto-juvenil (teen)

GBG: sim

GBG: funciona porque sabemos quando é um menor de idade usando

FG: lands diferentes?

GBG: mas funciona mais nos reportarmos ele para a Linde Lab

GBG: sim

GBG: lands e redes diferentes

FG: como vcs sabem?

GBG: conversando

GBG: é fácil de saber

GBG: usuários mais antigos têm uma percepção maior

FG: ahhh

FG: claro

GBG: mas acho que vc saca um teen bem fácil

FG: certo

GBG: é só observar

GBG: kkk

Página | 81
FG: tá criando é?

FG: legal!

GBG: uhum preciso entregar um script

GBG: mas pode ficar aqui

GBG: sem problemas

FG: vou ficar aqui olhando...

GBG: claro

GBG: pode papear tb

GBG: :)

FG: nossa q legal isso...rs

FG: pra que vc ta cirando isso?

GBG: uma amiga precisa

GBG: vou mandar prá ela

FG: legal!

FG: meu, preciso sair

FG: valeu por tudo sempre!

FG: bom trabalho

GBG: vc é bem vinda

FG: 0brigada!

GBG: prá vc tb e muito obrigado

GBG: :)

FG: posso ficar aqui sentada numa cadeira?

GBG: claro!

FG: eba

FG: fui

--

Chat geral:

Object: Lendo configurações, aguarde.

[8:46] Object: 0: [UUID]

[8:46] Object: 1: a202ea4f-509a-8d38-cca4-9d7ebb4656a6


Página | 82
[8:46] Object: 2: 3ac91d2b-b406-d118-c213-e3e7e9a6a678

[8:47] Object: 3: 9f07bdfd-5b15-346b-cfb5-3b4d480e539e

[8:47] Object: 4: b6e03762-71af-46dd-3593-1813655c7cd1

[8:47] Object: 5: ac50bfd3-9a70-1c7b-c79e-599cd72b3418

[8:47] Object: 6: 5fcf1ce3-49df-c01a-659c-d86e871599b5

[8:47] Object: 7: d344a84a-95b8-5454-5207-67111907ce06

[8:47] Object: 8: 2eeaf033-5b08-a562-fbb7-c63eeedb2ed5

[8:47] Object: 9: [Tempo]

[8:47] Object: 10: 10

[8:47] GBG: :) é um painel de fotos

[8:47] GBG: sou eu e a ALY

[8:47] GBG: de gatinhos

[8:47] GBG: rs

[8:47] GBG: fiz o painel prá um amigo

[8:47] GBG: rs

[8:48] Object: Could not find texture ''.

[8:48] Object: Could not find texture ''.

[8:48] Object: Could not find texture '[UUID]'.

[8:49] CKP is Offline

[8:49] Object: Lendo configurações, aguarde.

-------

Resolvi não atrapalhá-lo... vou a outro lugar... Ahh, lembrei de um lugar que faz tempo
que eu não volto... Ilha São Paulo – Jardins.

Busco a localização no search... achei, vou me tp...

GBG is Offline

[9:15] DBB is Offline

[9:50] you decline Bubblegum Music Factory & Shops, Torva (157, 130, 43) from A group
member named AFL.

[10:15] Teleport completed from http://slurl.com/secondlife/Oasis%20Digital/150/140/403

[10:15] Connecting to in-world Voice Chat...

Página | 83
[10:15] Connected

[12:40] Connecting to in-world Voice Chat...

[12:40] Connected

[12:45] DJK is Online

[12:58] DBB is Online

[13:04] D&M Camper Collection - Money Chair Orange: Thank TRD chasse Magne, TRD
worked 60 min and earned L$4 !

[13:08] D&M Camper Collection - Money Chair Red: Thank TRD Mara Alekseev, TRD
worked 60 min and earned L$4 !

[13:26] DJK is Offline

[14:31] Connecting to in-world Voice Chat...

[14:31] Connected

[14:35] Teleport completed from http://slurl.com/secondlife/Burmilla/76/188/38

[14:35] Connecting to in-world Voice Chat...

[14:35] Connected

Cheguei...

Nossa que fim de tarde bonito... o dia está laranja... caminho até a praça onde tem
mais gentes... tem um cara dando uma chamada em outro... dizendo que ele aborda as
meninas de uma maneira muito grosseira, que ele está incomodado...

Agora chegou outro cara... aquele que estava dando uma bronca no cara chato,
agora está pedindo ao outro para construir uma arma para ele... credo... pra que uma
arma...

Eles só falam através de gírias... mas perece que querem roubar um banco... eu
nem estou vendo nenhum banco... Caramba agora apareceu um helicóptero... eles vão
opção isso para fugir...rsrsrs será mesmo????

[14:31] Connected

[14:35] Teleport completed from http://slurl.com/secondlife/Burmilla/76/188/38

[14:35] Connecting to in-world Voice Chat...

[14:35] Connected

[14:35] MPX: nem

[14:35] MPX: eu ti conheci aki em jardins sp

[14:35] EBI: ** Bem Vindo(a) a Ilha Brasil Sp Jardins **

Página | 84
[14:35] EBI: ** Ilha de relacionamentos onde rolam as melhores festas, lojas e eventos **

[14:35] EBI: ** Qualquer duvida basta falar com um de nossos Officers **

[14:36] ANW: oii

[14:36] JLA: mamisssssss

[14:36] JLA: ta tao pequenuxa

[14:36] MPX: ate ki vc flo ki tinha namorado i ele naum flava com vc a 2 dias

[14:37] MPX: mais ki baixinha gotosa

[14:39] YW: Oi Jam

[14:39] JC: eae rapaziada

[14:39] JC: ooi

[14:39] JLA: tioooo jammmmmmmmmmmmm

[14:39] JC: cheguei pra por ordem nessa bagunça

[14:39] RSH: hahahahahah

[14:39] RSH: e ae... blza?

[14:39] JLA: rsrsrs

[14:39] JLA: muito bem tiooooooo

[14:40] ANW: ow mage vc tem que se situar ...

[14:40] ANW: eu ja te avisei...

[14:40] ANW: vc brinca sem noção...cara

[14:40] JC: oi ju

[14:40] JLA: oi tio

[14:40] JLA: tudo bom?

[14:40] JLA: tava c saudade

[14:40] ANW: fala umas coisas pesadas

[14:40] JC: oq ta rolando?

[14:41] YW: Nada

[14:41] ANW: o mage naum ta entendendo...

[14:41] JC: rapha

[14:41] JC: lembra do coldre q eu te falei?

[14:41] MPX: ou jamaica


Página | 85
[14:41] RSH: coldre?

[14:41] MPX: aparece ai

[14:41] JC: c falou q tinha a amanha de fazer um coldre se eu arrumasse a pistola

[14:42] RSH: ahh faço sim

[14:42] RSH: ;D

[14:42] MPX: ou jamaica

[14:42] JC: vou mostrar o estilo do coldre e v se tu consegue fazer e me da o preço

[14:42] MPX: vc conhece a DSH

[14:42] RSH: precisa paga nao veiu

[14:42] RSH: husahusahusa

[14:42] JC: olha

[14:43] MPX: jamaica vc conhece a DSH

[14:43] RSH: estilo esse na?

[14:43] JC: conheço pq?

[14:43] JC: acham

[14:43] MPX: ela e minha prima vei

[14:43] EBI: olá Rapha

[14:43] RSH: Oi fi!

[14:43] JC: mas q bagunça q ta rolando aqui mage?

[14:43] MPX: ela fla di vc pra caramba

[14:43] ANW: vo embora...

[14:43] RSH: jam vc quer igual?

[14:43] JLA: tb vo mae

[14:43] JC: tem q caber nessa arma q vou por ..olha

[14:44] ANW: uhumm

[14:44] LYK: OH MY GOD!!!

[14:44] LYK: OMG

[14:44] LYK: q isso

[14:44] LYK: hsiahusa

[14:44] ANW: luminhaaaaa;...vc com filhooo?


Página | 86
[14:44] MPX: ou jamaica vamu ser amigo

[14:44] ANW: omggggg

[14:44] LYK: hsiahusa

[14:44] MPX: mi add na lista de amigos

[14:44] EBI: oi Filomena

[14:44] JLA: mae vai p onde?

[14:44] you: oi

[14:44] BBY com sono.

[14:44] EBI: oi L

[14:45] ANW: baby boy

[14:45] RSH: nossa alguem tem um aparelho PRETO ai?

[14:45] ANW: hauahauahau

[14:45] BBY esta com sono.

[14:45] LYK: Oi

[14:45] RSH: ou uma cor escura?

[14:45] LYK: huhsHAUHsuhAUSHuahushUSHUAHSuhAUShuAHSUHASuhaushAHU!!

[14:45] BBY com sono.

[14:45] BBY dormindo. ....zzzzzzzzzz....

[14:45] ANW: naum sei ainda JY

[14:45] BBY bebendo seu leite.

[14:45] BBY: Voce pode fazer isso denovo

[14:45] MPX: ou jamaica vc tem uma boca ne??

[14:45] MPX: la no rio

[14:45] ANW: hhahahahaha

[14:45] BBY esta sendo alimentado.

[14:45] RSH: O.o

[14:45] EBI: gelllll

[14:45] ANW: a boca dele fica no avatar mesmo

[14:45] JLA: entao depois a gente se ve, num gostei desse omi ai nao

[14:45] JLA: bbeijo mae


Página | 87
[14:46] RSH: huashusauhsahusa

[14:46] ANW: vo resolver com ele...

[14:46] JC: se liga no coldre

[14:46] ANW: podexaa

[14:46] LYK: huhsHAUHsuhAUSHuahushUSHUAHSuhAUShuAHSUHASuhaushAHU!!

[14:46] JC: se der pra fazer igual mas sem a pistola

[14:46] RSH: ahh

[14:46] RSH: sussa

[14:46] RSH: igualzin?

[14:46] MPX: J discola uma dessa pra min

[14:46] MPX: ???

[14:46] JC: s

[14:46] JC: n

[14:47] MPX: pq vei

[14:47] MPX: ??

[14:47] MPX: faço uq vc kise

[14:47] ANW: luminha=´´(

[14:47] LYK: Oi

[14:47] ANW: to xorandooo

[14:47] LYK: pq?

[14:47] ANW: vc é mae solteira .....luminha?...te fizeram mal foi?

[14:47] RSH: J vo numa sand

[14:47] LYK: agora sou

[14:47] RSH: daki a uns 15 minutos meia hora tah pronto

[14:47] RSH: ;D

[14:47] LYK: *$* LoL *$*

[14:47] EBI: ** Bem Vindo(a) a Ilha Brasil Sp Jardins **

[14:47] EBI: ** Ilha de relacionamentos onde rolam as melhores festas, lojas e eventos **

[14:47] EBI: ** Qualquer duvida basta falar com um de nossos Officers **

[14:47] JC: blz..quer q eu passe a pistola


Página | 88
[14:47] JC: pra ja ver como eh?

[14:47] EBI: olá R

[14:48] RSH: Ok

[14:48] RGB: oi fifi

-----

Fui dar uma andada... tem outros avatares no local mais ninguém diz nada... Um cara tá
falando comigo...Puts, o mala veio pra cima dele dizendo que a “área” é dele... e as
“mina” também... credo... que pentelho... bobo... saí fora... e chamei o cara que eu estava
conversando... o mala não deixou agente em paz e ficou dizendo que tava afim de mim...
que pentelho...

[15:36] CKR: oi

[15:37] you: oi

[15:38] MPX: jamaica para com isso velho por favor

[15:38] you: CKR, vc ta sempre aqui

[15:38] you: ?

[15:38] CKR: sim

[15:39] you: conhece muitos outros lugares aqui?

[15:39] CKR: sim

[15:39] you: dá uma dica de um lugar pra conhecer

[15:39] MPX: oi

[15:39] you: fala...

[15:41] you: nossa ele não te deixa em paz...

[15:41] CKR: verdade

[15:41] you: ó lá

[15:41] you: rsrsrsrsrsrs

[15:41] CKR: cara chato

[15:41] MPX: ta resmunganu oq caralho

[15:41] you: rsrsrsrsrs

[15:41] MPX: vazza

[15:41] MPX: vaza

[15:42] you: muito legal teu tenis! vc q fez ou comprou?

Página | 89
[15:42] MPX: cai fora maluko

[15:42] CKR: comprei

[15:42] you: onde?

[15:42] MPX: J?

[15:42] MPX: xega ai

[15:43] MPX: vem comigo

[15:43] CKR: p-shop

[15:43] you: isso é um local? ou só o nme do lugar?

[15:44] CKR: local

[15:44] you: vou buscar, valeu!

[15:44] CKR: vc tem namorado?

[15:44] you: tenho

[15:45] you: pq?

[15:45] CKR: igual o meu nao tem

[15:45] you: como assim?

[15:45] CKR: ele e full

[15:45] you: e ele ta sempre aqui?

[15:45] you: o meu tem entrado pouco...

[15:46] CKR: oq?

[15:46] CKR: c e muito lindinha

[15:46] VLO is Online

[15:46] you: valeu!

[15:47] MPX: mlk essa area tem dono

[15:47] CKR: c vc nao tivece namo....

[15:48] MPX: mlk cai foraaaaaaa

[15:48] you: nossa to recebendo um pedido de namoro?

[15:48] MPX: porra cai fora

[15:48] CKR: eeeee

[15:48] you: pois é... mas eu tenho...

[15:48] MPX: mlk vc ta tiranu


Página | 90
[15:48] CKR: sai u ceee

[15:48] MPX: essa area tem dono seu poha

[15:48] MPX: naum intendi

[15:48] you: gente credo...

[15:48] MPX: vasa

[15:48] you: calma...

[15:49] you: esse lugar é publico, não é?

[15:49] CKR: o comedia q começo

[15:49] you decline Bubblegum Music Factory & Shops, Torva (157, 128, 43) from A
group member named WLU.

[15:49] MPX: mlk o xicote vai estrala pro seu lado

[15:49] MPX: ta incaranu

[15:49] CKR: sai radiculo

[15:49] CKR is Online

[15:49] CKR: ridiculo

[15:50] MPX: mlk essa mina tem dono

[15:50] you: vou pra outro lugar...

[15:50] CKR: falo bjao

[15:50] MPX: i aki ninguem ajita nauum

[15:50] MPX: oiiiiii

[15:50] MPX: tdbm gata

[15:50] you: qual é?

[15:51] you: vc é doido

[15:51] MPX: to afim de vc gatinha

[15:51] MPX: esse cara ta ti enxenu

[15:51] MPX: ???

[15:51] you: nao

[15:51] MPX: c tive do um jeito agora

[15:52] MPX: entaum

[15:52] you: to fora

Página | 91
[15:52] MPX: tenho xance com vc???

[15:52] you: tenho namorado

[15:52] MPX: mais eu naum tenho ciumes

[15:52] CKR: frase feita

[15:53] Teleport completed from


http://slurl.com/secondlife/Brasil%20Sp%20Jardins/73/109/26

[15:53] Voice not available at your current location

[15:53] GGT: Hello FG! Welcome to Bubblegum! We kindly ask no nudity or swearing.
That out of the way, LET'S PARTY!!

[15:53] Voice not available at your current location

[15:53] LBR: yw

[15:53] SLE: WELCOME FILOMENA

[15:53] SLE: hi APC

[15:53] APC: hiya SLE

[15:53] SLE: (`'•♪..♪.¸*~`'•♪..♪.¸(`'•.¸ ♪..♪¸.•'´) ¸♪..♪.•'´~*¸♪..♪.•'´)

[15:53] SLE: (`'•♪..♪.¸*~ WELCOME TO THE BUBBLEGUM!!! ~*¸♪..♪.•'´)

[15:53] SLE: (`'•♪..♪.¸*~`'•♪..♪.¸(`'•.¸ ♪..♪¸.•'´) ¸♪..♪.•'´~*¸♪..♪.•'´)

[15:53] LBR: oh, sory yes thats it Lee

---------------

*Já em outro ambiente eu e CKR trocamos idéia... eu estava num lugar e ele em outro...

FG: oi c

FG: vc ainda esta na ilha jardins? com aquele pentelho?

CKR: nao

FG: nossa, o que aqconteceu?

FG: ele te fez alguma coisa?

CKR: sei la

CKR: eli e doido

CKR: to indu ai blz?????

CKR: ?????

FG: pera

Página | 92
CKR: qqq?????

CKR: vo sai

FG: ahh

FG: ta bom!

FG: qdo entrar de novo manda noticias

CKR: blz

CKR: bjao

FG: bjo

CKR: ei

---------------------------------------------------

Página | 93
Anexo 1.1 - *Entrevista com o criador da Ilha Buzios – Roberto Santos, da empresa Meta
Mídia digital. / avatar: Beto Mochi - 15/02/08

1) Como você entrou no SL?

R: Primeiro, eu sou um aficcionado por tecnologia, tanto eu quanto Rodrigo, meu


sócio. O Rodrigo sempre atuou no ramo e eu atuava numa área totalmente
distinta e o SL apareceu para mim por meu interesse como diversas outras áreas
da tecnologia. Eu me encantei, isso foi no final de 2005, em 2006 comecei a
utilizar com muita frequência, e no início de 2007 agente percebeu que o
crescimento que o SL estava apresentando, abria uma possibilidade comercial.
Percebemos um potencial de mídias e de formação de redes sociais. Daí agente
se envolveu, criou nossa empresa, a Mídia Digital, com a proposta de ser uma
empresa “full service”. Qualquer pessoas que queira fazer uma ação dentro do SL
agente dispõe das ferramentas para realizá-las. Ações instantâneas, a longo
prazo, modelagem 3D, ou seja, tudo o que é necessário para a pessoa estar lá,
aparecer e criar algo que seja efetivamente relevante.

2) Que tipo de trabalho vocês têm desenvolvido?

R: Desde que começamos, fizemos ações instantâneas e ações de longo prazo.


Nosso primeiro trabalho foi para o Senac, mais especificamente, a Escola de
Moda do Senac Rio de Janeiro. Eles fazem a cada dois anos a publicação de um
livro de tendências de moda e nós fomos desenvolver um vídeo promocional para
essa convenção no SL. Então criamos um espaço grande, com uma tenda, bem
estilo do espaço dos desfiles do SP Fashion Week. Foi a nossa primeira
experiência, foi muito interessante porque utilizamos usuários do SL como
participantes, meninas como modelos e aí já fizemos todo um trabalho de
desenvolvimento de roupas... Foi muito interessante porque foi um trabalho
grande, envolvendo divulgação, assessoria de imprensa (dentro e fora do SL),
desenvolvimento do espaço, das roupas...

Depois disso agente passou a ser bem requisitado, porque este evento teve
bastante repercussão. Passamos a ser procurados pelo próprio ramo da moda e
fizemos outros trabalhos como o Fashion Week Rio, desenvolvemos ações para
lojas de biquínis (Bum Bum – do Rio).

3) E as empresas procuram vocês para lançar produtos somente no SL, elas têm a
mentalidade que vão aumentar as vendas a partir desse canal de divulgação?

R: Sim. Logo depois de termos feito o FW Rio, o proprietário da Bum Bum nos
procurou para desenvolvermos um espaço para divulgar a marca no SL. Então
recriamos os biquínis da coleção de 2007 para os avatares femininos e foi um
sucesso estrondoso. Distribuímos mais ou menos 10 mil pares de biquínis nos
três primeiros meses. Mantemos a loja na nossa ilha que tem uma boa frequencia
e além disso temos visto o interesse de outras comunidades internacionais. Ou
seja, em termos de marketing é super efetivo, tanto é que já recriamos a coleção
2008 e estamos partindo para uma nova ação, que será um ação conjunta com
jornais do Rio, nós vamos fazer um desfile e um concurso... vai ter muita coisa
interessante.

4) E existe algum estudo sobre perfil do consumidor no SL? Como vocês sabem
quais lugares são interessantes, quais tem gente? Porque eu enquanto avatar,
muitas vezes não faço idéia onde ir.
Página | 94
R: Na verdade, a ferramenta de busca no SL ainda é primária, não é tão
desenvolvida quanto o google, por exemplo. Mas agente trabalha com a facilidade
de por meio das palavras chaves aparecerem os locais com maior volume de
tráfego. Ou seja quando alguém está procurando por roupa de praia e digita
“biquini”, vão aparecer os locais, as pessoas, lojas, que tem biquini em seu
conteúdo numa ordem, do mais acessado até o menos acessado.

5) Então você acha que a vida cotidiana de um avatar depende muito do interesse
da pessoa?

R: Total. Normalmente o avatar tem uma pessoa de carne e osso, que possui
interesses específicos. E muitas vezes interesses íntimos que se mostram muito
facilmente nessa segunda vida. Ou seja, uma segunda chance para criar e
desenvolver interesses. Então eu acho que as pessoas se agrupam por interesse,
como no orkut por exemplo, elas buscam por comunidades. Tem gente que gosta
de motocicleta, então naturalmente a pessoa vai buscar comunidades que tenham
algo relacionado. E neste local vai encontrar coisas fantásticas e pessoas com os
mesmos interesses e daí formam-se comunidades e sempre em tempo real.

6) E em relação a tua experiência como avatar, como é teu cotidiano no SL, o que
você já pode perceber sobre os avatares, eles ficam muitas horas por dia ou não,
como é isso?

R: Tem de tudo. Tem pessoas que tem uma imersão total. Algo que a meu modo
de ver não é naturalmente sadio. Tem pessoas que têm interesse em ter uma
experiência de relação nesse meta verso. Tem pessoas que desenvolvem
carreiras, que não condizem com o que ela faz na vida real e conseguem muito
sucesso. A minha história lá dentro, é a convivência, eu sempre fui interessado
nesse universo de relação.

7) Você tem uma casa?

R: Sim. Sou residente pagante. Na verdade nós temos algumas ilhas. Para isso
paguei uma taxa inicial e pago outra mensal. É engraçado, esse negócio de ter
uma ilha, parece negócio de senhor feudal. Rsrsrsrsrsrs. Mas o nosso interesse lá
dentro é que o usurário que visite nossos espaços se sintam a vontade e queiram
voltar.

8) Mas teu interesse inicial não era comercial?

R: Não, não era de um entusiasta da tecnologia...

9) Qual tua profissão antes de criar a Mídia Digital?

R: administrador de empresas.

10) E teu contato com tecnologia foi por afinidade?

R: Sim. Eu conheço a linguagem e então tenho afinidade e facilidade na


comunicação com os profissionais que realmente fazem a coisa acontecer. Por
exemplo, com os modeladores, programadores.

11) Que tipo de investimento afetivo você faz no SL? E os avatares em geral?

Página | 95
R: As pessoas que entram no SL desenvolvem laços afetivos, criam novas
amizades que podem expandir ou não para a vida real. Eu noto nos avatares, nas
pessoas a tentativa de manter certo distanciamento entre a vida real e a vida no
SL. Até porque eu acho que a vida no SL, deve ser vivida como uma segunda
vida que não interfira na primeira.

12) Será que é possível esse distanciamento? O que você acha?

R: É complicado, porque a pessoa tem que ter uma cabeça muito boa para que
isso não aconteça.

13) Qual você acha que é a expectativa dos avatares em geral?

R: Eu vejo o SL com muito otimismo, como uma ferramenta com diversas


possibilidades, habilidades que podem ser explorados socialmente,
principalmente por não ter fronteiras geográficas. Eu acho que é uma tendência
de transformação da web, como agente conhece em 2 dimensões para uma web
em 3D. Afinal o ser humano vive em três dimensões, naturalmente e por isso vai
ter uma atração maior por esse universo.Acho que comercialmente vai ser
possível ser explorado. Com o avança da tecnologia, de uma forma muito mais
interativa, ou seja, as empresas, o ensino, as ongs... Tem muita possibilidade de
relacionamento e sim, porque não todo o lado da natureza humana, a busca por
expressar emoções, sexualidade, tudo isso de uma forma diferente,
desconhecida... Agente vai observar daqui para frente como vai ser. Mas eu acho
que veio para ficar. O SL pode não ser a plataforma, mas o conceito é o futuro na
minha opinião.

14) Se você tivesse que definir o SL, como seria?

R: O SL é realmente uma ferramenta de interação social é uma ferramenta de


entretenimento, é uma plataforma excelente para o desenvolvimento de projetos
de ensino à distância. De uma certa forma tudo o que já foi criado na vida real tem
uma tendência de ser criado no metaverso.

Página | 96
Anexos 1.2 – Páginas do site com instruções sobre o Second Life

Fig.16 – página do site (WWW.secondlife.com) requisitos básicos para instalar o SL.

Página | 97
Fig. 17 – página explicativa do que é o SL.

Página | 98
Fig. 18 – página explicativa sobre o SL.

Página | 99
Fig. 19 – página com dicas de como explorar o ambiente.

Página | 100
Fig. 20 – página com dicas de como se divertir no SL.

Página | 101
Fig. 21 – página do site com dicas de como conhecer pessoas.

Página | 102
Fig. 22 – página com dicas de como comprar terrenos/ilhas.

Página | 103
Anexo 2 – DIÁRIO DE CAMPO DO BARCAMP

Página | 104
*IMPORTANTE:

• Todos os nomes das pessoas citadas neste relato foram substituídos pelas
iniciais de seus nomes, afim de preservar suas identidades.

• Utilizei abreviações para me referir à:

 BarCamp – BC

Agosto 2007

Comecei a fazer parte da comunidade em 29 de agosto de 2007. Minha ação por


enquanto é acompanhar a troca de emails e as listas de discussão pelo Google groups.
Normalmente o pessoal que faz parte das listas de discussão do BarCamp Brasil ou
Barcamp Sampa, que são as duas comunidades das quais faço parte e estudo, possuem
blog e são profissionais que utilizam as novas tecnologias como ferramenta de trabalho e
ferramenta social. No sentido de que através de softwares e plataformas esse pessoal
troca informações e adquire informações para suas ações cotidianas. Existe sempre um
grupo que acaba liderando uma discussão, ou seja, nem sempre todos os membros
participam. O envolvimento e participação ativos acontecem de acordo com o interesse
de cada um, dependendo da afinidade.

Setembro 2007

No próximo mês de outubro vai acontecer um BlogCamp no Rio de Janeiro, neste


mês de setembro, os emails que estão circulando pelo grupo são referentes a
organização deste Camp. Enquanto trocam e-mails sobre a atividade, o BlogCamp Rio,
circulam emails sobre outros eventos; palestras; pessoas que precisam de gente para
trabalhar; sobre utilidade pública, como doação de sangue; matérias relacionadas a
temática dos softwares livres; entre outros. Apesar de não conhecer ninguém da
comunidade pessoalmente, parece que muitos trabalham com educação ou órgãos
relacionados e utilizam muito as novas plataformas de comunicação digital em aula.

Enviei um email ao grupo, me apresentando, dizendo que estava fazendo uma


pesquisa sobre sociabilidade virtual e que iria estudar o BarCamp como uma das
possibilidades de sua expressão. Aproveitei para perguntar mais informações sobre o
evento do Rio de Janeiro. Obtive resposta. “A” (a pessoa que trouxe o BarCamp ao
Brasil) se interessou pelo meu trabalho e me enviou um email para que eu falasse mais
sobre ele.
Página | 105
Mas não consegui ir até o Rio de Janeiro para participar, terei que esperar uma
próxima edição. Fiquei tranquila porque estavam rolando uns e-mails sobre a
organização de um BarCamp em São Paulo e não BlogCamp. Tenho entrado em meu
email pessoal para verificar as discussões desse grupo uma vez por semana e nem
sempre há conversa. Aliás a troca de emails aumenta sempre nos momentos em que as
pessoas querem organizar um evento.

Outubro 2007

24/10/08

Vai acontecer um “MetaBarcamp”. Recebi um email de “A” me convidando para


participar do MetaBarCamp (uns dois dias antes), quando perguntei a ele sobre quando
aconteceria um novo Barcamp aqui em São Paulo. Achei que seria uma oportunidade
ótima para conhecer o ambiente e as pessoas. O que seria esse “MetaBarcamp”? Uma
reunião para que os membros, interessados e disponíveis conversem sobre o que
realmente é o Barcamp, e como ele funciona. Devido à BarCamps anteriores o pessoal
sentiu necessidade de discutir seu formato e principalmente pensar a desconferência.
Estavam preocupados em encontrar uma melhor formatação para os próximos encontros,
no que diz respeito a troca de informações e contribuições na construção dos temas a
serem discutidos. A pauta sugerida via email: “O que é o Barcamp?”, “Barcamp é igual a
Blogcamp?” e “Como fortalecer o método e estruturar melhor a comunidade?”. Muitos
concordaram e confirmaram presença. A reunião será realizada no Centro Cultural São
Paulo, um espaço aberto ao público e próximo ao metrô.

Saio de minha casa, vou andando até lá, porque moro próximo... na expectativa
de saber como reconhecer as pessoas com quem troquei alguns e-mails... No caminho
fui pensando no que iria acontecer... Será que o grupo já se conhece a bastante tempo?
Será que terei que me apresentar? Como serei recebida...

Enfim, estou chegando... me direciona a cantina... Me aproximo e vejo um grupo


grande sentado numa mesa com uma folha de caderno escrita “MetaBarcamp”... e foi
assim que eu descobri onde eu tinha que ir... Fui me aproximando... todos me olharam...
devem ter pensado nunca vi esta menina, será que é amiga de alguém? Dei oi e me
apresentei dizendo que eu era Marcella, tinha trocado uns emails com o “A”, quem me
convidou para participar do MetaBarcamp. Foi o próprio “A” que perguntou quem eu era...

Página | 106
Ele estava coordenando mais ou menos a chegada das pessoas, deve ser porque foi ele
que iniciou o Barcamp aqui no Brasil. Enfim, sentei na roda e aguardamos mais algumas
pessoas.

Enquanto alguns membros não chegavam, fomos fazendo algumas


apresentações. Porque assim como eu, haviam pessoas que nunca haviam participado
presencialmente de nenhum encontro anterior. Um apresentava o outro e depois o
apresentado poderia completar alguns dados sobre si mesmo. Quem me apresentou foi o
próprio “A” e depois eu completei mais algumas informações, dizendo qual era a temática
de meu mestrado e porque escolhi o Barcamp para estudar.

Assim que o restante do grupo chegou, mudamos para um local mais reservado.
Afinal éramos muitos, umas 25 pessoas. As pessoas estavam lá por diversos motivos,
mas o que as unia em volta do Barcamp de modo geral era a utilização das tecnologias
digitais de comunicação para ampliar conhecimento, trocar informações, aumento da
participação social e política ou melhoria das ferramentas de informática para o uso
social. A maioria chegou ao Barcamp através de outro universo digital, por meio de blogs
e outros amigos, ou porque amigos em comum conheciam alguém do grupo inicial. Outra
coisa que essas pessoas têm em comum é que elas vivem seus cotidianos, suas
relações sociais e de trabalho no ambiente do ciberespaço.

“A” começou falando que BarCamp Brasil é diferente de BarCamp mundial, eles
apenas se apropriaram de sua metodologia. Ele colocou duas questões, Barcamp é só
tecnologia? Desconferência não é tecnologia? O Barcamp não discute só a tecnologia.
Embora tenha começado assim, com um grupo de pessoas que trabalhava com
tecnologia e queriam pensar sobre ela e acima de tudo aprender mais sobre ela trocando
experiências de forma transversal.

“A” seguia dizendo: “Barcamp é uma comunidade e desconferência é uma


metodologia”. Agora falam de um tipo de ferramenta, wiki, para organizar coletivamente
os encontros, previamente e não só pelas listas de discussão.

“J”, pensando sobre o Blogcamp SP, diz que houveram ótimas discussões, mas
que faltou ecossistema para apoiar isso, a lousa com temas e tempo para as discussões.

“A” retoma: “vamos falar sobre o método”.

Página | 107
Eles têm a preocupação de fazer circular a informação. Acharam ruim que sempre
estão presentes as mesmas pessoas, acham que precisam chamar blogueiros, no caso
da análise do BlogCamp e não profissionais... “J” diz: “tem que ter diversidade para
validar o ecossistema”.

“B”, coloca “BlogCamp cabe dentro do barcamp e vice-versa?”

Várias pessoas não gostaram do BlogCamp por falar especificamente sobre um


assunto.

“J” diz: “falta estudante de sociologia, filosofia, para que façam surgir temas
aleatórios”.

Outra pessoa (não lembro quem) volta a falar em desconferência, e diz: “não tem
como fazer uma desconferência sem moderador”. Alguém completa: “deveria ter uma
‘vigia’ do método, no bom sentido”. Outros dizem que o problema do método da
desconferência é o tempo. Outros dizem agora que o volume de pessoas e o espaço são
importantes para fazer valer a desconferência. E alguém completa: “a lousa em constante
alteração de temas é a bússola do BarCamp”.

“B”, preocupada com o método transversal, diz que ter um centro, mesmo que
seja a lousa é “subversivo”. “L” é contra o controle e diz que a comunidade é responsável
por si, e por levantar as tags, os temas.

É engraçado, as pessoas, e me considero parte delas, falam no método


horizontal, mas a postura adotada em alguns momentos volta à centralidade, as vezes
acabamos buscando por estruturas, porque sem elas não muitas vezes sem ela, não
temos sensação de aproveitamento, de ordem. Até agora eu não disse nada... gostaria
de participar... mas qual seria a forma menos impactante, já que sou estreante? Acabei
de chegar, ainda não tenho uma participação ativa no grupo... falo com quem? “B” parece
um bom canal, ela está a meu lado e muitas vezes comenta seus pensamentos comigo.
Ela é muito ativa na comunidade. Percebo um grupo de figuras importantes. Isso quer
dizer que se comunicam mais através do canal, Barcamp, “A”, quem trouxe o Barcamp
para o Brasil, “J”, “L”, “B”, “P”, “D”... parecem ser o grupo que está tentando organizar
outro BarCamp.

Voltam a falar de ferramentas que ajudariam a manter o método, como por


exemplo um painel online. Que por sua vez potencializaria o encontro presencial.

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"G" comentou que os novatos deveriam participar mais, até para reciclar as
discussões, afinal a cultura da rede é mais importante do que a ferramenta.

O tempo passou e o MetaBarCamp está chegando ao fim porque o Centro


Cultural fecha... as conclusões do grupo foram citadas por “A”:

- O objetivo das ferramentas online é facilitar o método, porque gera um aprendizado


prévio sobre ele.

- Para que se reunir? Ampliar conhecimento e compartilhar coisas antes delas


acontecerem. Não devemos ter preocupação excessiva com o evento em si.

- Barcamp é a origem da ação para um evento ou o contrário?

- A coisa deve funcionar por contaminação, quanto mais contato melhor.

*OBS: este evento foi acompanhado por anotação e não por gravação. Sendo
assim elucido que o diálogo não foi transcrito na íntegra.

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Fevereiro 2008

Em fevereiro de 2008 aconteceu em São Paulo, no pavilhão da Bienal o maior


encontro sobre tecnologia, o Campusparty.

Segunda-feira, 11/02

Estou na fila para entrar no CampusParty, hoje é o primeiro dia. Estou aqui faz
mais ou menos duas horas... conversei com quatro grupos de pessoas diferentes... um
pessoal que trabalhas e nos telecentros, outro que trabalha no “acessa São Paulo”, um
jovem trazido pela empresa, ele é do sul, para conhecer as novidades no mundo da
tecnologia, e outro que veio jogar, este trouxe seu computador. Consegui entrar no
espaço da Bienal... o primeiro andar está disposto por stands e depois por mesas,
divididas pelas temáticas do evento, games, software livre, desenvolvimento, mooding,
robótica, criatividade, música, campus blog barcamp, astronomia, simulação e espaços
especiais.

Fui até lá com a expectativa do acontecer um BarCamp. Mas parece que hoje não
vai acontecer nada além da cerimônia de abertura.

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Quarta-feira, 13/02

Hoje na arena do BarCamp terá uma palestra da “B”, sobre educação e as novas
tecnologias. Ela fez uma apresentação mostrando as mudanças dos paradigmas das
organizações e também da tecnologia. Focou em dizer que a web 2.0 tornou a rede, a
internet social, “participe globalmente e aja localmente”. Os software são amigáveis e as
pessoas se apropriam facilmente e podem agregar “seu” conteúdo à rede. Apresentou
seus projetos, todos ligados ao desenvolvimento de blogs na área da educação.

Depois da apresentação da “B” fui até as mesas do BarCamp conversar com o


pessoal e verificar se havia acontecido alguma discussão. Ontem teve um pessoal que
saiu de uma palestra e estenderam para uma discussão na arena do BarCamp para
sobre produção de vídeo via celular. Este é o intuito do Barcamp, trazer discussões
soltas, mas para ficar de acordo com a programação de palestras marcaram algumas
apresentações, menos horizontais.

Logo chegaram outras pessoas e começamos a conversar sobre as dificuldades


de fazer um BarCamp naquele lugar. “P” acha que o BarCamp precisa de um espaço
mais adequado para formar vários grupos pequenos, e a presença de um painel aberto é
fundamental para isso. E eles não conseguiram fazer um painel de fácil acesso. A não
ser pelo incentivo do pessoal do Jornal de Debates. “P” mais um grupo de pessoas, ficam
circulando pelo Campusparty e diariamente elaboram uma espécie de jornal
questionando as coisas que vêem lá. A distribuição é gratuita.

O pessoal do Barcamp que converso agora, são as mesmas pessoas que


estavam presentes no MetaBarcamp. “G” me falou que esse não é o melhor exemplo de
Barcamp para eu estudar. Quando tem muita gente as discussões se dispersam, se
formam nichos ou as pessoas ficam inibidas.

Daqui a pouco vai acontecer um bate-papo sobre mídias sociais na arena do


BlogCamp. Vou dar uma passada por lá. Enquanto isso eu circulo... Todos aqui ficam o
dia inteiro conectados ao computador e se comunicam através dele, mesmo estando no
mesmo espaço. O computador aqui é uma interface social, ele é a forma de
sociabilidade.

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Estou passando por uma oficina de blog... sentei... vou ficar um pouco... mas o
cara que dá dando a palestra é um jornalista blogueiro... ele fala muito como uma tribo,
vou sair...

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Quinta-feira 14/02 – “A” vai falar na arena do BarCamp sobre um software, “drupal”, que é
um sistema de gestão de comunidades e tem código aberto.

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Sexta-feira 15/02 – Hoje na arena do BarCamp a “F”, organizou um bate-papo sobre


convergência de redações. Depois fiz uma entrevista com ela para saber de sua relação
com o BarCamp.

Entrevista com “F”:

1) Qual sua relação com tecnologia?

R: Bom, eu trabalho com web desde 95. Fui uma das primeiras jornalistas que
teve envolvimento profissional com web, comecei a trabalhar no Brasil Online,
antigo, que não tem nada a ver com o Brasil Online de hoje. Fui para o UOL
quando teve a fusão, entre ele e serviço online, integrei a equipe que fez o
primeiro site, as primeiras versões de site das revistas da abril e passei por outras
iniciativas também. Então quer dizer minha vida profissional é toda ligada à web
claramente e por tabela eu acabo sendo ligada á tecnologia também.

2) E neste momento com o que você está trabalhando especificamente, conteúdo?

R: Sim, com conteúdo. Meu trabalho hoje é mais voltado a estratégia de negócio
web e trabalho com arquitetura da informação e também estou envolvida com
outras áreas, com marketing e publicidade. Trabalho na editora Abril e sou
responsável por alguns sites, os sites segmentados da empresa.

3) E como você conheceu o Barcamp?

R: Eu conheci o Barcamp através dos amigos. A primeira vez que tive contato
com o Barcamp tem mais ou menos dois anos. Foi numa edição realizada em
Florianópolis. Um amiga minha que também trabalha nesta área ia e me deu um
toque. Eu fui, conheci o pessoal, acabei me integrando e então estou aqui.

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4) E como a tua amiga apresentou a idéia à você?

R: “Estou indo para Florianópolis no Barcamp, você já ouviu falar? É muito


bacana. Vai ter gente legal para conversar, tem uma proposta diferente baseada
em conversa, não está baseada em palestra, tem uma programação temática
específica, vamos lá?” E eu fui.

5) E hoje tua participação no Barcamp como é? Você participa das listas de


discussão, propõe temáticas?

R: As coisas podem acontecer por lista de discussão, mas também


presencialmente, tudo depende do momento. Isso é que é legal, tem uma
flexibilidade. Por exemplo o que eu propus hoje, não era previsto, eu propus
presencialmente para um grupo de pessoas que pareciam interessadas, no
lançamento do “Ponto?” E daí eu pensei, como é que eu não propus isso antes?
Não precisei esperar a lista de discussão para fazer a proposta de um debate.

6) Mas normalmente os assuntos aparecem nas listas de discussão e depois disso


surgem as propostas de encontro?

R: Sim, de certa forma as coisas acontecem primariamente online e depois as


pessoas vão se articulando, seja presencialmente, seja por outros meios online
que não a lista de discussão.

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Sábado 16/02 – Estou num workshop sobre criação no Second Life.

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Julho 2008

Em 28 de junho aconteceu o primeiro EduCamp de São Paulo, o primeiro


encontro dos professores blogueiros. Através da lista de discussão consegui acompanhar
uma pequena parte da dinâmica de formação da idéia. A maioria das mensagens eram
trocadas via blog pessoal ou via o blog do evento (http://educamp.worpress.com). Os
participantes desta vertente de BarCamp não são necessariamente as pessoas que já
participam das listas do BarCamp, que por sinal andam muito quietas. O pessoal

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raramente tem se manifestado. Muitos deles acabam se falando através de outras
plataformas interativas, mais dinâmicas.

Pelos comentários do blog, o evento foi ótimo. Os professores trocaram muitas


idéias, porque têm uma experiência muito rica.

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Através do site de BarCamp, fiquei sabendo que irá acontecer a quarta edição do
NewsCamp agora em 19 de julho, o encontro é voltado para a discussão sobre o
jornalismo da era digital. As duas primeiras edições (março e abril de 2008) ocorreram
aqui em São Paulo, e pela lista de discussão não houve nenhuma movimentação. A
terceira edição aconteceu no Rio de Janeiro.

19/07/08 – No Newscamp

Chego no espaço Gafanhoto, um grupo de pessoas está na porta que ainda não
foi aberta.

A impressão que tenho é que o sentimento que impera neste momento pré
NewsCamp, é de estranhamento coletivo... Todos compartilham da mesma situação, nem
todos se conhecem, mas trocaram emails. Ninguém sabe quem é quem ainda. Optei por
ficar quieta por enquanto. Além de mim tem mais 3 pessoas sozinhas, tem também mais
uma dupla de amigos e o tal grupo maior que devem ser os organizadores do evento.
Todo mundo se olha mas não se fala...

Nenhuma das pessoas presentes aqui fazem parte daquele primeiro grupo que
conheci no MetaBarCamp, nem “A” está por aqui. Os BarCamps não acontecem de uma
forma hierárquica, pessoas se apropriam do método e criam o evento. Os pontos da rede
são independentes, mas têm em comum a desconferência e a temática da tecnologia.

Como será que começou essa idéia de NewsCamp? Normalmente acontece


através de uma pessoa que conhece outra que participou alguma vez de algum
BarCamp, ou teve um amigo que participou e contou. Desse vínculo nasce uma idéia e
aos poucos vão se agregando pessoas. Quase sempre essas pessoas se conhecem
através do universo dos blogs ou blogosfera, das listas de discussão de fóruns ou por
comunidades de interesse.

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As pessoas estão equipadas com seus celulares, iphones, laptops de todos os
tipos...

A porta se abriu. Fomos todos entrando. Comecei a puxar conversa com uma
mulher. Logo que entramos já estavam marcados os temas das conversas. Esse
NewsCamp teve algumas alterações do formato original do BarCamp. Houveram
algumas oficinas marcadas previamente com pessoas convidadas, ou seja, o formato
palestra aconteceu em alguns momentos. No final das contas, não foram palestras, mas
pessoas que iniciavam os debates. Os temas foram escolhidos pelo grupo previamente e
no decorrer do dia, novos temas surgiram das discussões gerando grupos temáticos
novos.

“C”, quem iniciou a idéia, havia participado de um BarCamp, onde fez contatos e
formou uma rede de relacionamentos, esta que possibilitou os contatos para agilizar este
BarCamp.

“C” faz uma breve apresentação do esquema BarCamp para quem não conhece.
Existem 3 salas no local, em cada uma serão discutidos os temas. A cada 2h começa um
tema novo, mas se nesse meio tempo surgir um pessoal querendo discutir outro tema
que não esteja na pauta, fecha-se mais uma sala ou espaço para a discussão. Tudo isso
será guiado pela lousa na recepção do local.

“C”: “cada um é responsável por fazer o encontro interessante, cada uma faz seu evento.
Normalmente não há programação prévia, mas não é por isso que a participação será
menor, o pessoal achou que em edições anteriores as discussões ficam muito perdidas.”

Na filosofia do Barcamp o conteúdo é gerado pelo usuário, o conteúdo é emergente.

--

Entrei na sala de debates sobre a formação do jornalista. Dois caras irão conduzir
o debate. Primeira coisa que pedem é para que cada um se apresente. Somos um grupo
de 13 pessoas sentados em roda.

Um dos rapazes começa o debate falando de suas experiências e colocando suas


questões... daí começamos o debate... o pessoal participa. Acabou de entrar na sala uma
menina que conheci no MetaBarcamp, mas acho que ela não lembra de mim.

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Enquanto falamos tem umas 3 pessoas que cuidam em receber o pessoal que
chega e em atualizar a lousa com as discussões que estão acontecendo. A sala em que
eu estava extrapolou os horários... tivemos que mudar de sala porque o próximo debate
precisa de infra-estrutura daquele local... fomos almoçar.

De volta a tarde, a lousa já está bem diferente... olho para ver qual discussão é
mais interessante... Vou participar da discussão sobre mídia colaborativa.

Encontrei mais duas pessoas que estavam no MetaBarCamp e um rapaz que


estava no Campusparty falando sobre blogs. Conversei um pouco com as meninas,
depois resolvi ir embora porque os assuntos se tornaram muito específicos.

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Anexo 2.1 – Entrevistas

Entrevista com “L”

1. Qual sua ligação com a tecnologia, o que você faz?

R: Sou blogueira, jornalista, nano-empresária (www.conectiva.inf.br). Minha


ligação com tecnologia é de usuária compulsiva, transmissora - dou ajuda a
pessoas para usarem novas tecnologias.

2. Como conheceu o Barcamp?

R: Num grupo de discussão

3. Organizou ou participou de quais camps?

R: Participei do BarCamp SP (2007) e dos NewsCamp (2008).

Organizei: BlogCamp (2007/2008); EduCamp (2008) e LuluzinhaCamp (2008)

4. Como foi esse processo?

R: Participação no primeiro Barcamp foi sensacional, um disparo para outro


jeito de estar no mundo: mais colaborativo, uma construção conjunta.

Organizar um camp, principalmente os temáticos, dá muito trabalho - facilitado


por ferramentas variadas, como formulários do google e blogs gratuitos por aí
para centralizar informações.

O que mais tem me chamado a atenção nos últimos eventos é a falta de


comprometimento dos inscritos - inscrições muitas e faltas gigantescas, para
mais de 50% em alguns casos.

5. Normalmente o processo criativo acontece como, nas listas de discussão,


blogs, outros meios eletrônicos ou via contato pessoal?

R: Eu acho que o processo criativo vem de uma conjunção de todas estas


formas: listas+blogs+conversas por IM/e-mail + contato pessoal. Mas é o
contato pessoal que concretiza parcerias, dispara encontros, forma alianças e
se transforma em novos produtos, lugares, idéias na rede.

6. Depois de participar de um Camp, qual sua impressão sobre essa forma


colaborativa de construção do conhecimento?

R: A enorme dificuldade que as pessoas têm de realmente construir


conhecimento coletivo sem a imposição "de cima". Quando conseguem, cria-
se uma potência gigantesca de produção coletiva.

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7. Para você, qual a relevância dos Camps (baseados na "desconferência”) para
a sociedade atual?

R: Aprender a construir conhecimento coletivamente, respeitar as diferenças,


criar novos campos de compartilhamento.

8. É possível dizer que existe um perfil dos participantes?

R: Sim e não. Por um lado há a regra genérica de que "campeiros" São


pessoas por natureza curiosas, generosas e compartilhadoras. Por outro, tudo
depende da comunidade, da experiência, da vontade ou necessidade de
conversa numa determinada área.

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Entrevista com “B”

1. Qual sua ligação com a tecnologia, o que você faz?

R: Sou professora de inglês e comecei a usar tecnologia na sala de aula em


1997, através de projetos interescolares usando email e de 2003 a 2007 usei
blogs com os alunos como eportfolios e agora faço palestras, formação de
professores e facilito oficinas online.

2. Como conheceu o Barcamp?

R: Fui convidada a participar em uma desconferencia na Nova Zelândia em


Setembro de 2006. No fim de semana que estava voando para lá, acontecia
aqui o primeiro barcamp em Florianópolis organizado pelo “A”. Entrei em
contato com “A” assim que soube e encontrei com ele logo depois que
cheguei.

3. Organizou ou participou de quais camps?

R: Participei de vários barcamps (Nova Zelandia, Florianópolis e um


MetaBarcamp onde te conheci), blogcamps (2 em São Paulo) e um
educacamp (em São Paulo) desde então.

4. Como foi esse processo?

R: Um mix interessante de pessoas que normalmente não encontraríamos e


que tem um espaço para poder comunicar seus interesses e o que fazem.

5. Normalmente o processo criativo acontece como, nas listas de discussão,


blogs, outros meios eletrônicos ou via contato pessoal?

R: Acho que as idéias vêm quando conversamos com os outros e mais tarde
quando recontactamos através de listas ou fazemos o seguimento através de
blogs.

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6. Depois de participar de um Camp, qual sua impressão sobre essa forma
colaborativa de construção do conhecimento?

R: Mais eficiente e democrática do que uma conferência tradicional, durante a


qual geralmente só uma voz é ouvida - a do conferencista e onde as melhores
conversas acontecem no café. Muitos projetos podem vir à tona trazendo
pessoas de várias áreas do conhecimento.

7. Pra vc, qual a relevância dos Camps (baseados na "desconferência”) para a


sociedade atual?

R: Oferecem a possibilidade de uma conversa mais próxima e servem como


ponto de contato para podermos nos conectar em várias redes (possibilitam
um mix de diferentes tribos), uma comunicação e ação mais rápida, dinâmica
do que em instituições tradicionais e burocráticas.

8. É possível dizer que existe um perfil dos participantes?

R: São geralmente jovens, entre 20 e 34, envolvidos em novas tecnologias e


mídias. Uma maioria são jornalistas, alguns trabalham em ONGs ou projetos
sociais, alguns são empresários sociais e também encontrei alguns
educadores.

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Entrevista com “J”

1. Qual sua ligação com a tecnologia, o que vc faz?

R: putz, boa pergunta. Não sei responder. Sou um historiador que trabalha
com mídias sociais.

2. Como conheceu o Barcamp?

R: Pela Rede, não lembro exatamente.

3. Organizou ou participou de quais camps?

R: Não organizei nenhum. Participei de um barcamp e de dois blogcamps.

4. Como foi esse processo?

R: qual processo?

5. Normalmente o processo criativo acontece como, nas listas de discussão,


blogs, outros meios eletrônicos ou via contato pessoal?

R: para mim, em todas essas opções, mas ajuda muito encontrar pessoas que
tenham a ver comigo, com quem eu me identifico intimamente.

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6. Depois de participar de um Camp, qual sua impressão sobre essa forma
colaborativa de construção do conhecimento?

R: o barcamp foi uma descoberta fascinante, os blogcamps deixaram a


desejar.

7. Pra vc, qual a relevância dos Camps (baseados na "desconferência”) para a


sociedade atual?

R: Pra a sociedade, não sei. Pra mim, é uma metodologia de conversação que
eu aprendi a usar e que vira-e-mexe me serve para promover conversas
horizontalmente.

8. É possível dizer que existe um perfil dos participantes?

R: pro barcamp, sim, tem que ser nativo digital, pra desconferencia, não.

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Entrevista com “C”

1. Qual sua ligação com a tecnologia, o que vc faz?

R: minha relação com a tecnologia ainda é de analfabeta, apesar de eu ter


idealizado um site, feito vários blogs, hoje atualizo dois blogs e ainda sou
quem penso na arquitetura de site e reestruturação da programação do CMs
do meu site Desabafo de Mãe.

2. Como conheceu o Barcamp?

R: via listas, email, Messenger

3. Organizou ou participou de quais camps?

R: organizei newscamp e educamp. Participei do barcamp-sp, blogcamp-sp e


campus party.

4. Como foi esse processo?

R: uma delícia. Pura troca de conhecimento, novos amigos, relacionamento


mais forte entre os amigos virtuais e capacidade de formular novas perguntas.

5. Normalmente o processo criativo acontece como, nas listas de discussão,


blogs, outros meios eletrônicos ou via contato pessoal?

R: todos meios. Não é possível identificar quem participa do meu processo


criativo porque é literalmente uma ecologia digital onde o que penso é
influência do que leio, escuto, vejo, enfim, o processo criativo acontece a partir
da minha capacidade de absorver e coletar as informações da rede e explorá-
las para meus projetos.

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6. Depois de participar de um Camp, qual sua impressão sobre essa forma
colaborativa de construção do conhecimento?

R: acho que o camp permite mergulhar em águas rasas, mas a continuidade


das conversas criadas nos camps pode lhe trazer conhecimento mais
analítico. O camp é o espaço para brainstorm, colocar as perguntas na roda e
sair de lá com novas perguntas pra serem respondidas.

7. Pra vc, qual a relevância dos Camps (baseados na "desconferência) para a


sociedade atual?

R: os camps têm potencial imenso para educação da sociedade como um todo


porque permite o diálogo, permite expor conteúdos diferentes sobre mesmo
tema, o que amplia a possibilidade das pessoas reconhecerem diferentes
verdades e pontos de vistas, há uma chance de sair d zona de conforto da
verdade cristalizada e criar debates produtivos onde os participantes sintam
cidadãos de fato.

8. É possível dizer que existe um perfil dos participantes?

R: no mínimo, o perfil de um ser conectado disposto a conversar que está


disposto a assumir uma postura de participação - coisa rara no mundo em que
vivemos onde reina a cultura da acomodação.

Anexo 2.2 – Emails

• Troca de emails a respeito da realização de um Blogcamp em agosto de 2007

Olá pessoal,

No BarCamp SP percebi que a grande maioria dos participantes era


blogueiros. Por esse motivo, gostei muito da idéia do amigo “M”
Netto<http://www.tecnocracia.com.br>,
e estou ajudando a divulgar o BlogCamp, seguindo o modelo do BarCamp, mas
focado em Blogs.

Apesar do artigo abaixo, a data proposta agora são os dias 25 e 26 de


Agosto, Sábado e Domingo. Estamos definindo o local, mas a preferência por
enquanto é São Paulo, devido à maior concentração de blogueiros. No meu site,
também fiz um artigo<http://oitopassos.com/2007/07/17/blogcamp-2007-whos-with-me/>e
coloquei uma enquete para sabermos onde preferem que seja realizado o
evento. Peço a todos que
votem<http://oitopassos.com/2007/07/17/blogcamp-2007-whos-with-me/>
!

Abaixo copia do artigo


publicado<http://www.tecnocracia.com.br/arquivos/blogcamp-2007-vamos-organizar>no

Página | 120
site Tecnocracia para divulgação:

Com a crescente *visibilidade* que os blogs têm atingido - embora ainda não
sejam merecidamente reconhecidos como *geradores de conteúdo* e *fonte de
informação*, acredito fortemente que alguns assuntos merecem ser discutidos,
conversados, elucubrados, expostos. E já que inventaram tal "*Dia do Blog
*" (BlogDay <http://blogday.org/>) e o mesmo é *31 de agosto* - pela
semelhança que 3108 tem com a palavra Blog - poderíamos aproveitar e montar
um *BarCamp sobre Blogs <http://barcamp.blaz.com.br/node/50>*. Que tal?

Centenas de assuntos podem ser discutidas nessa desconferência, embora


alguns sejam reconhecidamente necessários e podem ajudar tanto os blogs a
começarem ou continuarem a gerar bons conteúdos e se profissionalizarem,
como mostrar os blogs a quem não os conhece, tentando minimizar a associação
com diários virtuais (somente). Sugestões:

- Blogs são diários virtuais?


- Rentabilização em blogs
- Posicionamento dos blogs em relação à mídia tradicional
- Furos de notícias por blogs
- Blogs como ferramentas de acesso ao público
- Promoções e Concursos em Blogs
- Como anda a conversação nos blogs brasileiros
- Blogs como negócio. O quanto você investe no seu?
- Blogs coletivos. Isso funciona?
- Quando deixa de ser blog e vira site?
- Probloggers VS Funbloggers
- Programas afiliados. Você é fiel?
- Memes, Tags e Buzz
- Artigos patrocinados. Deixar claro?
- Blogs como ferramentas de socialização.
- Feeds. Você usa/incentiva?
- Desmistificando os Trackbacks e pingabacks

Conclamo-os, blogueiros, ex-blogueiros e futuros blogueiros, sejam


probloggers, funbloggers ou qualquer outra denominação, a fazer acontecer
esse evento. Vamos discutí-lo no grupo criado para
isso<http://barcamp.blaz.com.br/node/50>,
dar sugestões, mobilizarmo-nos e criar esse que, se conseguirmos fazer bem,
pode se tornar anual e referência no tema. *Quem topa?*

**

*Abraço!*

----------

"Blogs são diários virtuais?"

putz. ouvi essa em 2002.

“E”

Página | 121
-----------------------
Po, pergunta velha é que da resposta boa!

“G”, acho a idéia legal. Mas montar o evento com perguntas pré-determinadas
foge a lógica da desconferencia barcampiana.

Em todo caso, vamos tocando ficha. Não sei a quantas andam, mas se
topar, uma reunião nessa semana que vem agora pode agilizar a
produção.

abs,
“P”

----------------

As perguntam não definem nada. São só para dar uma idéia do que pode ser
abordado no evento.

“F” o termo "diários virtuais" ainda é muito usado em todos os portais.

“P”, você disse em outra lista, que não me recordo qual, que o “A” está
na Europa. Existe alguém mais que tenha os contatos para tentarmos o espaço
Gafanhoto?

Abraço.

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• Troca de emails via googlegroups no grupo do Barcamp Brasil após a


relização do primeiro Barcamp – Agosto 2007.

Oi, gente!

Já estou com saudades de todos e do Barcamp hehehehe

Queria parabenizar o “A” pela iniciativa


do Barcamp, a todo pessoal que ajudou na
preparação de tudo e a todos nós que conseguimos
comprovar que a cooperação é possível tanto no
online, quanto off-line, já que, na minha opinião, o Barcamp foi um sucesso!

Fui pra Floripa bem desacreditada do Barcamp, mas


posso dizer que voltei com a opinião totalmente
reformulada. A diversidade de pessoas, de áres do
conhecimento, do mercado, da academia, etc e tal

Página | 122
propiciou uma troca de informações extremamente
rica e a qualidade das discussões superou muito
congresso acadêmico que eu tenho ido nos últimos
tempos. A preocupação de todos que estavam lá,
com o andamento da Internet, da web ficou muito
clara e a pertinência das idéias mostrou o quanto
a gente ainda tem pra crescer em termos de "ciberespaço" heheh.

Só queria dizer que adorei, que por mim teria um


Barcamp por mês e que o pessoal daqui de POA
voltou empolgadíssimo com a possibilidade de
fazermos um Barcamp por aqui. Quem quiser ajudar
fale com a gente! Por mim esse Barcamp em poa não
tem escolha, sai, ou sai hehehe!!!!

-------------

Oi!
Também queria parabenizar o “A” e a todos os que participaram... Pra mim
foi um grande prazer ajudar a organizar as coisas, mas principalmente poder
conviver com todos vocês. Pensei muito ontem a noite depois que cheguei em
casa e posso garantir que aprendi muito nesses dois dias. Muitas coisas
tomaram uma nova perspectiva para mim.
Poucas vezes tive o prazer de conviver com tantas pessoas inteligentes,
interessantes, com tanto conteúdo e tanta disponibilidade de compartilhar e
ouvir.
Não vejo a hora que aconteçam novos barcamps e também outros encontros
presenciais com todo esse pessoal! Contem com a minha ajuda para organização
e divulgação de qualquer iniciativa, seja um barcamp ou não, em qualquer
lugar... E, por enquanto, continuemos nossos contatos online.
Obrigada a todos mais uma vez pelo fim de semana maravilhoso, pelos contatos
profissionais, mas, principalmente, pelos novos amigos que fiz.

Grande beijo

-----------------

Olá a todos,

Depois de dois dias de debates e discussões bastante agradáveis e


interessantes sobre o que nos ocupa no dia-a-dia (a web), voltei para casa
cansado mas bastante satisfeito deste primeiro encontro.

Já entrei em contato com meus parceiros e com outras pessoas deste encontro
e sei que disto nascerão parcerias interessantes.

Devo dizer que superou minhas expectativas. Não estava esperando muito de um
incontro em Floripa sobre a web brasileira. Bom, graças a Deus, estava eu
redundamente enganado ;-)

Obrigado a todos pelo fim de semana inusual, interessante e profícuo.

Página | 123
Aguardo com saudade para o próximo e, enquanto isso vai fortalecer meus
conhecimentos de web e reforçar as parcerias e as amizades que criei nestes
dois dias.

Gostaria de parabenizar o “A” que conseguiu moderar excelentemente os


debates todos, participando do evento de uma maneira plúrima (estava sempre
presente) e toda a galera que se prodigou para que o evento saísse do jeito
que saiu.

Mais uma vez: obrigado.

Até à próxima e abraços

----------

...foi uma surpresa total. Achei ótima a presença de muita gente de fora do
"gueto" TI/programadores. O evento ter suscitado discussões e preocupações
sociais com o uso da tecnologia também foi um ponto incrível.

Você tocou num ponto interessantíssimo, “T”. :)

Por mais que o tal "gueto" não tenha tomado conta do evento, muita
gente técnica estava presente, pode ter certeza. No entanto, com essa
mistura de backgrounds, o que eu esperava é que essas pessoas
pensassem sobre o seu trabalho não só como código ou banco de dados,
mas como ferramenta com potencial social mega extensível.

E foi o que aconteceu, ainda bem.

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To começando a nao gostar desses títulos de gueto de boa!

E mesmo nao morando em uma favela a carapuça ta servindo...

e gente técnica? em que será que eu me encaixei entao?

atrapalhei em algo?

é bom saber que pensam desse modo, porque ja desisto do próximo agora mesmo

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Acho que você está confundindo as coisas! Eu tinha entendido o barcamp como
um evento que seria MUITO interessante, especialmente se não ficasse FOCADO
apenas na tecnologia, se fosse além disso. E foi o que aconteceu!

Da mesma forma que existe um "gueto" de tecnologia, existem os "guetos" de


jornalistas e de outras profissões, onde todos se conhecem e onde os mesmos
assuntos circulam quase sempre da mesma forma.

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O que eu quis dizer (e o “A” também, aparentemente) foi que o evento não
ficou "limitado" a questão técnica, ele foi além, falando das pessoas que
são afetadas pela tecnologia, de como isso interfere na vida delas e de como
podemos usar a tecnologia (web 2.0, plataformas colaborativas, etc) para
melhorar as coisas para todos, para gerar lucros, para consertar problemas
que o "mundo real" não consegue.

Veja os questionamentos do “D” (extremamente válidos), a presença de


jornalistas em peso, do “D” falando da Rádio Campeche, enfim... teve
muita coisa além de tecnologia. Eu, particularmente, acho isso fantástico.

Para finalizar esse e-mail já enorme, saiba que eu TAMBÉM sou do "gueto
técnico", sou desenvolvedor há 10 anos, trabalho com ColdFusion, PHP, ASP,
bancos de dados MySQL, SQL Server, Oracle e ainda sei fuçar um tanto quanto
no Linux e em servidores Windows. Ninguém aqui está dizendo que é ruim ser
técnico ou qualquer coisa assim, apenas que foi excelente o evento não ter
ficado "apenas" na questão técnica.

Enfim...

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blz, mal entendido.


entendi sua colocacao agora
desculpe a "agrecao".
mas ainda me sinto um pouco fora do contexto de alguns.
a pergunta é: porque será?

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Olá Pessoal,

Como todos (acho eu) tbém fiquei muito entusiasmada com tudo o que
aconteceu neste fim de semana (contatos, pessoas, relacionamentos,
informações, idéias mil, etc...)
Uma das coisas que realmente me interessou e estou "tentando" me
interar melhor é sobre o Drupal. Eu não conhecia este sistema. Há
alguns meses conheci o Joomla e estava começando a me interar de como
ele funciona.
Tentei instalar aqui no meu servidor mas não estou conseguindo. Alguns
dos amigos que entendem melhor sobre o Drupal pode me dar uma
mãozinha??

Abraços a todos

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• Após realização do Barcamp surgiu a idéia de criar um portal

Acabei de receber de um colega da faculdade, mas não consegui abrir o


site... Parece interessante pro nosso projeto do portal de viagens.
Beijos!

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• Torca de emails sobre criar um Barcamp depois da participação do Barcamp

Olá pessoal!

Conversando com um amigo meu agora há pouco, ele me falou do World


Usability day (que é 14 de novembro, terça-feira, véspera de feriado) e
de sua vontade de realizar algum evento no dia. Eu, lógico, sugeri um
Barcamp aqui em Brasília, mas, pela característica do evento, talvez
seria legal até que houvessem diversos Barcamps com o tema Usabilidade
em várias cidades no Brasil, conectadas. Já comecei a pensar onde o
evento poderia ser, onde hospedar pessoas e outras coisas mais.

Que acham?

Sobre o evento (que eu achei tudo a ver com o espírito do Barcamp):

"What is World Usability Day?

“Why doesn’t this work right? What am I supposed to do with this now?”
This is an Earth-Day-style event, focused on easy-to-use technology,
which last year involved 115 events in 35 countries.

World Usability Day promotes the value of usability engineering,


user-centered design, and every user's responsibility to ask for things
that work better.

The Usability Professionals' Association is doing that by encouraging,


organizing, and sponsoring 36 hours of activities at the local level
around the globe, all occurring on November 14, 2006."
(http://www.worldusabilityday.org/)

Beijos!

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Oi “M”,

Ano passado a USP realizou um evento nacional. Bem certinho. Tipo


congresso de TI mesmo.

:-)

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Poxa, eu fiquei totalmente por fora dos eventos do ano passado. Você
foi, Passamani? Gostou? Eu, que estou totalmente maravilhada com a idéia
de Barcamp, prefiro que neste ano seja mais próximo do que tivemos em
Floripa. Ao menos em Brasília =)

Beijo!

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“M”,

E um Barcamp assim reuniria apenas pessoas interessadas em Usabilidade? Como seria


o quorum pra isso em Brasília? Não seria mais legal reunir um grupo pequeno de
usabilidoidos e
decidir um escopo para uma discussão só, com começo, meio e fim?
Preparar um report no fim e compartilhar isso pela web? Alguma coisa
mais pontual?

“-a”

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• Troca de emails sobre mudanças no Barcamp

Prezados colegas Barcampeiros,

Em nome de vários outros colegas designers e programadores da lista.


Gostaria de sugerir que montem um barcamp apenas jornalismo.
Acho que ajudaria a filtrar o assunto a quem mais é interessado pelo mesmo.

Um dos fatos mais citados fora do barcamp entre os participantes, foi ter sempre o
jornalismo participativo e outros sempre como "ponto principal".
O que não quer dizer que o assunto é de interesse de todos os outros participantes, me
incluído dentro desse grupo.

Fica um tanto chato ter que ficar lendo ou apagando dezenas de emails de assuntos que
não lhe interessam.

Agradeço a compreensão.

Um abraço

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Oi “E”,

O ponto central do BarCamp é *internet*, e não jornalismo ou


programação. É a *rede* que une áreas tão ou mais diversas.

Perceber as conexões potencializadas pela internet é o foco.

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A diversidade é o bem mais importante da comunidade do
BarCamp, a meu ver, e gostaria de que ela continuasse presente.

Não consigo imaginar avanços na compreensão do mundo em


que vivemos sem que exista diversidade de pensamento e a
noção básica de que tudo está conectado. É esse caráter holístico
do BarCamp que o mantém vivo e com um mega potencial.

Existem listas sobre programação, design e jornalismo muito


melhores que esta do BarCamp. ;)

“A”

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Você tá me chamando de idiota?

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Claro que não

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Ih, começou. Tava demorando.

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e acha que nao conheço listas de tudo que é coisa que seja?
ou apenas está me subestimando ?

acha mesmo que sou tao idiota a ponto de nao saber o sentido do barcamp ?

acontece que o jornalismo é o que se tem mais falado nos barcamps.

ou seja, está caindo apenas em um assunto sempre.

o que para quem não se interessa no assunto, fica um saco.

e olha que o opinião não é apenas minha, pode estar certo.

por isso, muitos nao foram no barcampFloripa. Esse foi o principal motivo.

alem de que julgaram também um monopolio de informacoes e opinioes.

bem...

sem mais delongas

tenho bastante o que fazer ao invés de tentar mudar o mundo.

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Página | 128
Então me parece que estamos entendidos.

Sinta-se à vontade para criar filtros da maneira que achar mais


conveniente, claro, e que as conversas continuem por aqui de
forma tão produtiva e agregadora, como sempre têm sido.

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Inclusive, duas listas novas sobre jornalismo digital foram criadas


por membros da comunidade do BarCamp, e lá são abordados
assuntos específicos do jornalismo, com pessoas que fazem e
pessoas que não fazem parte da comunidade do BarCamp.

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Oi “E”,

como sou jornalista acabo me sentindo um pouco "chamada" a te responder


isso: eu não tenho interesse em participar de mais uma lista de jornalismo
porque no barcamp posso ouvir essa sua insatisfação e aprender com você
sobre algo que nunca ouvi falar. não sei qual é sua área, mas a sua crença,
a forma de colocar as coisas assim tão intensas me faz pensar que vc gosta
muito do que faz. tem paixão pelo que faz e só pessoas assim, apaixonadas
por aquilo que fazem, podem me mostrar a verdadeira realidade seja da
tecnologia, da programação, engenharia, direito. e isso talvez possa ser
incompreensível no primeiro momento, mas depois muito útil...Falo isso pq
assino o radinho que é tbem é uma lista plural e lá os assuntos que mais
pipocam é sobre Tecnologia e eu não entendo nada de SEO, CMS, ou qualquer
coisa que tenha sigal, mas já aprendi muito lá e tem hora que até sei
discutir sobre tema. TI é importante para jornalista, mas eu não conhecia
muita coisa que foi webdesigners, programadores que são apaixonados e
discutiam como louco e eu só lia que me ensinaram o pouco que sei.... talvez
eles nunca vão saber disso, mas foi muito válido!

por isso, queria poder falar de jornalismo aqui onde não tem só
jornalista...mas alguém que possa acrescentar um OUTRO OLHAR ou observar ou
gritar assim como vc vem fazendo me dando a oportunidade de poder ouvir o
tema que lhe interessa. talvez pode me interessar tbem

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acontece que o jornalismo é o que se tem mais falado nos barcamps.


ou seja, está caindo apenas em um assunto sempre.

considerando que são os próprios participantes que decidem os assuntos


a ser tratados no barcamp e o peso que terão, creio que sua crítica
não faz muito sentido. ou falam muito de jornalismo porque os
jornalistas frequentam mais que os programadores, ou porque grande
parte dos programadores se interessa pelo tema.

se tem pouca discussão a respeito de programação nessa lista, é porque


os programadores não enviam mais mensagens a respeito.
Página | 129
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Concordo com o “M”.

Essa "vida própria" que o espírito do Barcamp tem, confesso, me deixou com
medo de pensar em um "Barcamp sobre Jornalismo Colaborativo". Achei que isso
fosse "manipular" um modelo de conversação que não pode ser "rotulado" de
modo tão específico. Mas para a minha (feliz) surpresa, mesmo sem rotular
pelo jornalismo colaborativo, esse foi um tema que emergiu com tanta
naturalidade quanto força no Barcamp.

E a única razão para isso, ao meu ver, é a grande adesão de jornalistas à


idéia e o interesse da própria comunidade.

O dia em que jornalistas se afastarem OU que profissionais de outras áreas


se dedicarem mais, acho provável e até saudável que o foco do Barcamp
mude...

Mas a gente realmente não tem COMO, individualmente, interferir nisso... beijos

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2.3 – Imagens relacionadas ao Barcamp

Fig. 23 - Site Barcamp Brasil.

Fig. 24 - Como postar assuntos.

Página | 131
Fig. 25 - Página dentro do site sobre o grupo de discussão sobre arte e tecnologia.

Fig. 26 - Página diretório de grupos – aqui é possível navegar sobre as discussões e afiliar-se.

Página | 132
CampusParty 2007

Fig. 27 - Stand para conversas sobre Blogs.

Página | 133
Fig. 28 – Jornal produzido pela equipe JD, inserida no stand do Barcamp.

Página | 134
Fig. 29 - Jornal produzido pela equipe JD, inserida no stand do Barcamp.

Página | 135
Fig. 30 - Jornal produzido pela equipe JD, inserida no stand do Barcamp.

Página | 136
Fig. 31 - Jornal produzido pela equipe JD, inserida no stand do Barcamp.

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Newscamp 2008

Fig. 32 – Fotografia da lousa contendo a


programação de conversas. Os temas, salas e
horários são alterados conforme o fluxo das
discussões. A lousa é o guia do evento.
Qualquer um pode alterar.

Fig. 33 - Grupo de pessoas numa das salas de


discussão.

Fig. 34 – Grupo de pessoas numa das salas de


discussão.

Página | 138