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DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DOS CIDADÃOS (Bill of Rights/1689)

"Os Lords, espirituais e temporais e os membros da Câmara dos Comuns declaram, desde logo,
o seguinte:

1. Que é ilegal a faculdade que se atribui à autoridade real para suspender as leis ou seu
cumprimento.

2. Que, do mesmo modo, é ilegal a faculdade que se atribui à autoridade real para dispensar as
leis ou o seu cumprimento, como anteriormente se tem verificado, por meio de uma usurpação
notória.

3. Que tanto a Comissão para formar o último Tribunal, para as coisas eclesiásticas, como
qualquer outra Comissão do Tribunal da mesma classe são ilegais ou perniciosas.

4. Que é ilegal toda cobrança de impostos para a Coroa sem o concurso do Parlamento, sob
pretexto de prerrogativa, ou em época e modo diferentes dos designados por ele próprio.

5. Que os súditos tem direitos de apresentar petições ao Rei, sendo ilegais as prisões vexações
de qualquer espécie que sofram por esta causa.

6. Que o ato de levantar e manter dentro do país um exército em tempo de paz é contrário a lei,
se não proceder autorização do Parlamento.

7. Que os súditos protestantes podem Ter, para a sua defesa, as armas necessárias à sua
condição e permitidas por lei.

8. Que devem ser livres as eleições dos membros do Parlamento.

9. Que os discursos pronunciados nos debates do Parlamento não devem ser examinados senão
por ele mesmo, e não em outro Tribunal ou sítio algum.

10. Que não se exigirão fianças exorbitantes, impostos excessivos, nem se imporão penas
demasiado deveras.

11.Que a lista dos jurados eleitos deverá fazer-se em devida forma e ser notificada; que os
jurados que decidem sobre a sorte das pessoas nas questões de alta traição deverão ser livres
proprietários de terras.

12.Que são contrárias às leis, e, portanto, nulas, todas as doações ou promessas de doação do
produto de multa ou de confisco infligidos a pessoas que não tenham sido antes julgadas e
condenadas.

13. Que é indispensável convocar com frequência os Parlamentos para satisfazer os agravos,
assim como para corrigir, afirmar e conservar as leis.

Reclamam e pedem, com repetidas instâncias, todo o mencionado, considerando-o como um


conjunto de direitos e liberdades incontestáveis, como também, que para o futuro não se
firmem precedentes nem se deduza consequência alguma em prejuízo do povo.

A esta petição de seus direitos fomos estimulados, particularmente, pela declaração de S. A. o


Príncipe de Orange (depois Guilherme III), que levará a termo a liberdade do país, que se acha
tão adiantada, e esperamos que não permitirá sejam desconhecidos os direitos que acabamos
de recordar, nem que se reproduzam os atentados contra a sua religião, direitos e liberdades."
DECLARAÇÃO DE DIREITOS DO BOM POVO DA VIRGÍNIA (1776)

Em sua Seção I constava: “Todos os homens são, por natureza, igualmente livres e
independentes e têm direitos inatos, os quais, entrando em sociedade, não podem, mediante
convenção, privar ou espoliar a posteridade, a saber, o gozo da vida, da liberdade, mediante a
aquisição e a posse da propriedade, e o direito de buscar e obter felicidade e segurança”.

DECLARAÇÃO DE DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO


Íntegra:
Os representantes do povo francês, reunidos em Assembléia Nacional, tendo em vista que a ignorância, o
esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas causas dos males públicos e da
corrupção dos Governos, resolveram declarar solenemente os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do
homem, a fim de que esta declaração, sempre presente em todos os membros do corpo social, lhes lembre
permanentemente seus direitos e seus deveres; a fim de que os atos do Poder Legislativo e do Poder
Executivo, podendo ser a qualquer momento comparados com a finalidade de toda a instituição política,
sejam por isso mais respeitados; a fim de que as reivindicações dos cidadãos, doravante fundadas em
princípios simples e incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da Constituição e à felicidade geral.
Em razão disto, a Assembléia Nacional reconhece e declara, na presença e sob a égide do Ser Supremo,
os seguintes direitos do homem e do cidadão:
Art.1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-
se na utilidade comum.
Art. 2º. A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do
homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade a segurança e a resistência à opressão.
Art. 3º. O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na nação. Nenhuma operação, nenhum
indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.
Art. 4º. A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo. Assim, o exercício dos
direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros
da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela lei.
Art. 5º. A lei não proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Tudo que não é vedado pela lei não pode ser
obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.
Art. 6º. A lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente
ou através de mandatários, para a sua formação. Ela deve ser a mesma para todos, seja para proteger,
seja para punir. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos e igualmente admissíveis a todas as dignidades,
lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção que não seja a das suas
virtudes e dos seus talentos.
Art. 7º. Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de acordo
com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar ordens
arbitrárias devem ser punidos; mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve obedecer
imediatamente, caso contrário torna-se culpado de resistência.
Art. 8º. A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém pode ser
punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.
Art. 9º. Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, se julgar indispensável prendê-
lo, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei.
Art. 10º. Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua
manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.
Art. 11º. A livre comunicação das idéias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem. Todo
cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta
liberdade nos termos previstos na lei.
Art. 12º. A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública. Esta força é, pois,
instituída para fruição por todos, e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada.
Art. 13º. Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável uma
contribuição comum que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades.
Art. 14º. Todos os cidadãos têm direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, da necessidade
da contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar a repartição, a
coleta, a cobrança e a duração.
Art. 15º. A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.
Art. 16.º A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação
dos poderes não tem Constituição.
Art. 17.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser privado, a não ser
quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia
indenização.