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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO 3º

JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE CAMPO GRANDE/MS.

Processo nº 0805320-22.2018.8.12.0110
URGENTE – TRAMITAÇÃO PRIORITÁRIA

DELZA ANTUNES DA SILVA, já qualificada


nos autos em epígrafe que move em face de Itaú Seguros
S.A., por intermédio de seu procurador que esta
subscreve, vem respeitosamente perante Vossa
Excelência, propor a presente impugnação à
contestação, diante dos fatos novos alegados em
contestação.

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II- DO MÉRITO

A- Dos Danos Materiais

Alega a parte reclamada que apenas foi


informada do falecimento do segurado em 13/07/2015,
conforme o Dossiê de Sinistro apresentado em
contestação.

Contudo, esta alegação não deve


prosperar, pois de acordo com documentos em anexo, a
reclamante por diversas vezes ligou e enviou e-mails,
informando sobre o falecimento de seu cônjuge,
contrariando totalmente a seguradora que em sua
contestação declara ter sido informada apenas quando
houve a reclamação administrativa, o que não é
verídico.

B- Contradição em relação a validade


do contrato.

Inicialmente faz-se necessário


analisar que a ré se contradiz nas próprias alegações,
em momento algum a autora pleiteia o valor do prémio
do seguro, apenas litiga sobre os valores descontados
de sua conta conjunta indevidamente.

É muito cômodo à seguradora alegar má-


fé do cliente, com um contrato de adesão, porque a ré
faz milhares de contratos deste por dia, aceitando o

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seguro sem previamente atentar-se, e ainda assim,
debitando o valor na hora da contratação.

Inclusive, a contradição da ré, salta


aos olhos, quando ela defende a inexistência do
contrato por litigância de má-fé, todavia é
absolutamente omissa no tocante a devolução dos
valores pagos indevidamente.

Ora, excelência, neste raciocínio, se


a reclamada, alega a má-fé por parte da autora, logo,
não deveria efetuar os descontos referentes as
parcelas do seguro, onde foi previamente avisada do
falecimento do segurado. (conforme documentos em
anexo). Causando enriquecimento sem causa, portanto a
autora faz jus a devolução dos valores.

Em derradeiro, repita-se, trata-se de


ação de repetição de indébito, portanto o que a autora
guerreia são os valores debitados indevidamente. Tão
somente isto.

C- Dos Requisitos para Repetição de


Indébito.
A ré tenta, na contramão da mais
moderna e abalizada doutrina e torrencial
jurisprudência, em vão, argumentar que não há relação
de consumo que embase o pedido de aplicação do Código
de Defesa do Consumidor. Vejamos:

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Em total consonância com o Art. 940 do
Código Civil, o Art. 42 do Código de Defesa do
Consumidor, em seu parágrafo único, preceitua que “o
consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à
repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que
pagou em excesso, acrescido de correção monetária e
juros legais, salvo hipótese de engano justificável.”
Conforme demonstrado em documentos em
anexo, houve sim cobrança indevida por parte da ré,
que incansavelmente informava sobre o ocorrido com o
segurado.
Em relação aos valores descontados
indevidamente da conta conjunta da autora, segue a
lista de pagamentos e suas respectivas datas:

1- 26/09/2014

2- 27/10/2014

3- 26/11/2014

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4- 26/12/2014

5- 26/01/2015

6- 26/02/2015

7- 26/03/2015

8- 27/04/2015

9- 26/05/2015

Diante do quanto exposto, a autora


comprova que foram pagos os valores indevidos, cabendo
a ré devolver os valores cobrados erroneamente em
dobro, conforme dispõe o Código de Defesa do
Consumidor.

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D- Dano Moral

Quanto a existência do dano moral, a


Autora, reitera os argumentos da inicial.
É lamentável, Excelência, o
comportamento da ré em face de seu consumidor, que
após todos estes meses, a autora, por diversas vezes,
tentou solucionar o problema, ligando, mandando e-
mails, e mesmo assim a seguradora a ignorava e
prosseguia debitando valores indevidamente, além
disso, todo o transtorno que teve de enfrentar
lembrando de seu falecido cônjuge com este litígio
judicial, é resguardado seu direito de pleitear tal
indenização.

E- Inversão do Ônus da Prova

Alega que o caso em tela não reúne os


requisitos necessários para haver o ônus da prova. De
fato, dada as circunstâncias em que ocorrem os danos
ao consumidor, geralmente é o fornecedor que possui
os meios (registros, ligações, e-mails) de provar o
que de fato houve naquela relação, ficando muitas
vezes o consumidor sem meio algum de comprovar os
defeitos e falhas praticados contra a autora.
Em diversos dispositivos legais em
nosso ordenamento se perfaz perfeitamente a

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caracterização da inversão do ônus da prova, como
rezam os artigos 6º, VIII e 14, § 3º CDC, c/c o art.
333, II, por se tratar de fato modificativo de direito
e se tratando de relação consumerista, sendo a autora
parte hipossuficiente na demanda e tendo amplo escopo
de verossimilhança e amparo legal todas as suas
alegações.
Oportuno ressaltar, que a ré não
trouxe aos autos, o protocolo das diversas ligações,
gravações ou e-mails, encaminhados pela parte autora,
informando o falecimento do segurado constantemente.

III- DOS PEDIDOS

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