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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA COMARCA DO

MUNICÍPIO DE ...

Processo de nº
Promovente:
Promovido:

FULANO DOS ANZOIS, vem, perante Vossa Excelência, através de seus


advogados constituídos conforme instrumento de outorga anexo, apresentar...

CONTESTAÇÃO
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...em face da Cobrança de Título Extrajudicial de nº. , ajuizada por, brasileiro, casado,
agricultor, residente na..., pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos.

I.DA GRATUIDADE PROCESSUAL:

1. Como se sabe, a Carta Magna assegura a todos os postulantes o


acesso ao Judiciário, consoante se depreende do seu art. 5º, LXXIV: “O Estado prestará
assistência integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos”.

2. Neste caminho, o Código de Processo Civil garante assistência


judiciária à parte processual:
Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com
insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os
honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei.

§ 1º A gratuidade da justiça compreende:

I – as taxas ou as custas judiciais;

[...]

3. Informa-se, por oportuno, que a situação econômica do


Promovente não lhe permite pagar as custas e taxas da presente ação sem o
comprometimento de sua manutenção, e para tanto, reune acervo documental das
inúmeras dívidas que colaciona, oriundas do difícil período que enfrenta, ante a
vigente crise financeira.

4. Por tais razões, pleiteia-se os benefícios da Justiça Gratuita,


assegurados pela Constituição Federal, artigo 5º, LXXIV e pela Lei 13.105/2015 2
(CPC), artigo 98 e seguintes.

II.DOS FATOS ALEGADOS:

RESUMO DOS FATOS

III.DOS VERDADEIROS FATOS

5. DISCORRER SOBRE VERSÃO DO PROMOVIDO

ESTES OS FATOS NECESSÁRIOS.


IV.DIREITO

V.1 – ENTREGA DE CHEQUE CAUÇÃO PARA GARANTIA DE


NEGÓCIO - AUSÊNCIA DA REALIZAÇÃO DO NEGÓCIO –
INEXISTÊNCIA DE PROVAS QUANTO À PERFECTIBILIZAÇÃO
DO NEGÓCIO – INCERTEZA E INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO -
EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO:

6. É incontroversa a emissão do cheque pelo réu, figurando o


promovente como beneficiário/favorecido.

7. In casu, a emissão do cheque teria origem na compra e venda de


gado, contudo, tal negócio não fora efetivado por falha do próprio exequente.

8. Embora o cheque seja, “ex vi legis”, conceituado como ordem de 3


pagamento à vista, é cediço que, na prática, tem sido aceito como garantia de
obrigação. E não ocorrendo a obrigação – compra e venda de gado – como é o caso
dos autos, não haveria como fazer-se cobrar o cheque, sem causa, em típico
enriquecimento indevido e injusto.

9. E se a lei garante o uso da via judicial para impor-se a


restituição de quem recebeu indevidamente, sem causa, qualquer valor, com mais
razão há de admitir que, comprovado como está a litigância de má-fé do autor, de
sorte a forçar pela via da ação de cobrança o recebimento daquilo que não tem causa,
possa, mercê da contestação, comprovando-se a situação real da emissão, atacar-se a
exigibilidade do crédito ali representado.

10. Inexigível a dívida, por perda de objeto (não realização do


negócio), evidente que o respectivo cheque, então emitido condicionalmente, como
garantia da compra do gado, não poderá, jamais, admitir o pretendido êxito à
presente demanda.
11. Configurada, assim, situação patente de ausência de causa,
viciado está o título questionado a servir de base a presente demanda, como pretende
a parte, validando, mercê da presente contestatória, à arguição do fato, a
desconstituir-se o infundado direito de receber o que não faz jus.

12. De feito, ainda que o cheque represente ordem incondicional de


pagamento de determinada quantia (art. 1º, inciso II, da Lei do Cheque, nº. 7.357, de
02.09.1985), sendo as obrigações ali assumidas autônomas e independentes (art. 13) e
o respectivo valor, pagável à vista, ignorando-se nesse aspecto qualquer registro feito
em sentido contrário (art. 32), é facultada, em determinadas situações, a
investigação da causa subjacente, que deu origem à emissão da cártula, a fim de
que se possa aferir a pertinência de sua exigibilidade, especialmente porque
inexiste notícia de o título ter circulado.
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13. A propósito idônea jurisprudência adverte:

"O cheque ostenta a natureza de título de crédito, portanto, é


não-causal (CPC, art. 585, I), ou seja, em decorrência de sua
autonomia e abstração, não comporta discussão sobre o negócio
jurídico originário. Entretanto, se o cheque não houver
circulado, estando, pois, ainda atrelado à relação jurídica
originária estabelecida entre seu emitente (sacador) e seu
beneficiário (tomador), é possível que se discuta a causa
debendi." (STJ-4' Turma, REsp-1228180-RS, Reg. nº.
2011/0002135-3, J 17.03.201 1, Rel. Min. RAUL ARAÚJO).

"COMERCIAL E PROCESSUAL CIVIL. CHEQUE.


INVESTIGAÇÃO DA CAUSA DEBENDI. CIRCUNSTÂNCIAS
ESPECIAIS, QUE O PERMITEM. LEI N.º 7.357/85. EXEGESE.
HONORÁRIOS. FIXAÇÃO EQUITATIVA. CPC, ART. 20, §4º.
I. A autonomia do cheque não é absoluta, permitida, em certas
circunstâncias especiais, como a prática de ilícito pelo
vendedor de mercadoria não entregue, após fraude notória na
praça, a investigação da causa subjacente e o esvaziamento do
título pré-datado em poder de empresa de 'factoring', que o
recebeu por endosso.
(...)
III. Recurso especial não conhecido." (STJ-4º Turma, REsp nº.
434.433-MG, Reg. nº. 2002/0013565-3, J. 25.03.2003, Rel. Min.
ALDIR PASSARINHO JUNIOR) .

14. Assim, impunha-se a análise do negócio jurídico subjacente que


motivou a emissão do título a fim de apurar a regularidade de sua cobrança.

V.DA LITIGÂNCI DE MÁ-FÉ – APLICAÇÃO DE MULTA 5

15. Ao cobrar dívida inexistente, o autor age com litigância de má-


fé.
16. Nesse sentido dispõe o NCPC:

Art. 79. Responde por perdas e danos aquele que litigar de má-fé
como autor, réu ou interveniente.
Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que:
(…)
II - alterar a verdade dos fatos;
III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal;

Art. 81. De ofício ou a requerimento, o juiz condenará o litigante de


má-fé a pagar multa, que deverá ser superior a um por cento e
inferior a dez por cento do valor corrigido da causa, a indenizar a
parte contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a arcar com os
honorários advocatícios e com todas as despesas que efetuou.
17. Sendo assim, requer a aplicação de multa no percentual
máximo de 10% sobre o valor da causa, ante o objetivo escuso e inverídico pleiteado
pelo autor.

VI.PEDIDOS:

18. Ante todo o exposto, requer:

a) pugna pelo recebimento da presente contestação;

b) requer a TOTAL IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO, posto


que a parte autora não faça qualquer prova do alegado;

c) Requer a aplicação de multa no percentual de 10% sobre o 6


valor da causa em face do autor, ante a litigância de má-fé;

d) Requer os auspícios da Justiça Gratuita, declarando não


poder arcar com as custas processuais sem prejuízo próprio e
de sua família.

19. Protesta-se pela produção de todos os meios de prova em


direito admitidos.

20. Termos em que, dando à causa o valor de R$ 25.000,00 (vinte e


cinco mil reais reais).

Pede deferimento.

Santa Luzia, 26 de fevereiro de 2018.


ADVOGADO
OAB