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ANAIS

PATROCÍNIO

ORGANIZAÇÃO
Cooperativismo
agropecuário no Brasil
1.597
Cooperativas

1 milhão 161,7 mil


Cooperados Empregados
istockphotos
As cooperativas agropecuárias estão inseridas
em todos os elos das cadeias produtivas:

Produção Armazenagem Varejo


Fornecimento 30 milhões de Promovem a venda
e repasse de toneladas de da produção de seus
insumos, máquinas capacidade cooperados, gerando
e equipamentos aos estática de melhores condições
cooperados armazenagem de negociação, atuando
no Brasil como balizadoras e
referência de preços
no mercado

Base dez/2013
Sumário

2 Artigos Técnicos
18 Palestras
55 Trabalhos Científicos
• Ambiência e Bem Estar Animal
• Nutrição
• Processamento
• Produção
• Sanidade
• Sustentabilidade

Artigos Técnicos
Controles analíticos na cadeia de frangos, ovos e suínos.......................................16
J.C. de Angelo – zootecnista, gerente técnico de Aves e Suínos do
Grupo Guabi Nutrição e Saúde Animal
Como criar um programa de vacinação no incubatório
de boa qualidade?..................................................................................................................................21
Stephane Lemire – Gerente de Produto de Avicultura / Merial

Palestras
Adequações da indústria brasileira de frangos de corte às exigências
de bem-estar animal do mercado: ênfase em normas privadas.......................30
Ana Paula de Oliveira Souza - Laboratório de Bem-estar Animal,
Universidade Federal do Paraná; Médica Veterinária, Esp., MSc.
Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos.............42
André Marca – Copacol, Cafelândia/PR
Animal welfare measures and international trade law and practice............57
Carolina T. Maciel, Ph.D – Wageningen University, Porto Alegre/RS
Genética suína: onde estamos e até onde podemos chegar..............................61
Fernando A. Pereira – engenheiro agrônomo, M. S.,
presidente Executivo da Agroceres
Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens...............65
Filip Van Immerseel – Department of Pathology, Bacteriology and Avian
Disease, Faculty of Veterinary Medicine, Ghent University,
Merelbeke, Belgium
The prospects of genetic selection to improve the well-being and
productivity in poultry and pork production..................................................................77
Gerard A. A. Albers – European Forum of Farm Animal Breeders, Brussels,
Belgium – Hendrix Genetics, Boxmeer, The Netherlands
Principais entraves no processo de registro de
estabelecimentos avícolas comerciais.................................................................................80
Izabella Gomes Hergot – IMA Instituto Mineiro de Agropecuária
Marketing como ferramenta para aumentar o consumo de ovos -
experiência na América Latina.....................................................................................................83
James Abad – presidente del ILH
Programa sanitário para avicultura familiar..................................................................86
Luiz C. Demattê Filho, Diretor Industrial da Korin Agropecuária, Coordenador
Geral do Centro de Pesquisa Mokiti Okada e Secretario executivo da Associação
Brasileira da Avicultura Alternativa – AVAL e Dayana Cristina de Oliveira Pereira
Mestranda em Engenharia de Biossistemas ESALQ-USP e Zootecnista do CPMO
Genética suína: onde estamos e até onde podemos chegar?.........................104
Mariana A. Andreis - Gerência de Melhoramento Genético /DB Genética Suína
A proteína animal na próxima década...............................................................................109
Mário Lanznaster - presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos
Nutritional challenges to maximise performance – pork production.................113
Michael A. Varley – The Pig Technology Company
Novos desafios da bronquite infecciosa: poedeira comerciais.......................116
Nair Massako Katayama Ito, Claudio Issamu Miyaji, Sandra O. Miyaji
Spave – Consultoria em Produção e Saúde Animal
Enfermidades em suínos emergentes e reemergentes: no Brasil................134
Nelson Morés e Janice Reis Ciacci-Zanella – Embrapa Suínos e Aves,
Laboratório de Sanidade e Genética Animal, Concórdia, SC
Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das nfecções
paratifoides em aves........................................................................................................................143
Paulo Martins – Facta, Campinas/SP
Programa sanitário para avicultura familiar..................................................................162
René Dubois – médico veterinário / Ministério do Desenvolvimento
Agrário (MDA), Brasília/DF
Sustentabilidade: ações das cooperativas agropecuárias
no Estado do Paraná.........................................................................................................................166
Silvio Krinski, M.Sc. Engenheiro Agrônomo - Gerência Técnica e Econômica
do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná

Tifosis aviar...............................................................................................................................................176
Yosef Daniel Huberman, Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária
Ministerio de Agricultura, Ganderia Y Pesca - Argentina

Trabalhos científicos

Ambiência e bem estar animal


Análise termográfica de frangos caipiras mantidos sob
diferentes temperaturas
KT Andrade Araújo, D Araújo Furtado, R Costa Silva, TG Pereira Araújo,
F Gomes Correia......................................................................................................................................188

Avaliação da resistência da casca de ovos durante o transporte


R Costa Silva, KT Andrade Araújo, D Lopes de Oliveira,
JW Barbosa do Nascimento, N Luiz Camerini........................................................................192

O estresse agudo por calor compromete o desempenho de


suínos em crescimento
RF Oliveira, RF Chaves, M Resende, BPVP Ribeiro, RHR Moreira,
MP Gionbelli, RA Ferreira....................................................................................................................195
Programas de luz sobre o comportamento de suínos em crescimento
RA Ferreira, RF Oliveira, BPVP Ribeiro, EJ Fassani, VS Cantarelli, MLT Abreu..........199

Faixas de conforto térmico em função da idade dos frangos


A Coldebella, PG de Abreu, JI dos Santos Filho....................................................................203.

Nutrição
Ácido ascórbico in ovo e alta temperatura de incubação sobre
parâmetros sanguíneos de frangos de corte criados em estresse térmico
S Sgavioli, TI Vicentini, CH de F Domingues, JBM Júnior, VR de Almeida,
GL Zaniratu, RG Garcia, IC Boleli.....................................................................................................208
Adição de erva mate na ração de frangos de corte não altera o
sabor da carne de frango de corte
R Belintani, RG Garcia, IA Nääs, F Caldara, B Roriz, C Ayala, S Sgavioli.......................212
Efeito da inclusão do bagaço de uva sobre o desempenho e
características de carcaça de suínos em terminação
BC Silveira-Almeida, TM Bertol, MCMM Ludke, JV Ludke, A Coldebella,
DM Bernardi...............................................................................................................................................216
Efeito da inclusão de óleo de linhaça e antioxidantes naturais no
desempenho e qualidade da carcaça e da carne de suínos em terminação
DM Bernardi, TM Bertol, A Coldebella, BC Silveira-Almeida, F Dieterich,
LD Paris, VC Sgarbieri.............................................................................................................................220
Validação de uma equação para predição do valor energético do milho
com diferentes graus de moagem e métodos de formulação das dietas
T.M. Bertol, J.V. Ludke, D.L. Zanotto, A. Coldebella.................................................................224
Desempenho produtivo e qualidade dos ovos de poedeiras
comerciais alimentadas com levedura hidrolisada
NTG Koiyama, CG Lima BRS Locatelli, MA Bonato, R Barbalho,
CSS Araújo, LF Araújo............................................................................................................................228
Desempenho produtivo, qualidade dos ovos e viabilidade econômica do
uso de parede celular de levedura na dieta de poedeiras comerciais
NTG Koiyama, NBP Utimi, BRS Locatelli, MA Bonato, R Barbalho,
AH Gameiro, CSS Araújo, LF Araújo..............................................................................................232
Método expedito para determinação do diâmetro geométrico
médio das partículas do milho moído
DL Zanotto, JV Ludke, A Coldebella, TM Bertol, A Cunha Junior...............................236
Equação de predição da energia metabolizável do milho para suínos
DL Zanotto, A Coldebella, JV Ludke, TM Bertol...................................................................240
Efeito da contaminação múltipla do milho por micotoxinas sobre
desempenho, frequência de diarreia e área de vulva de leitões recém-
desmamados e eficácia de um aditivo tecnológico adsorvente
LB Costa, ADB Melo, A Oliveira, GR Oliveira, C Andrade,
PC Machado Junior e K Mazutti.....................................................................................................244
Rendimento de carcaça e cortes de frangos alimentados com
diferentes promotores de crescimento antibiótico
JPF Oliveira, A Oba, ACF Assis, JA Barbosa Filho, M Almeida, FR Bueno,
AKF Carneiro, VP Dinalli, EJL Ribeiro, G Spialtini....................................................................248
Utilização de diferentes promotores de crescimento antibiótico
sobre o desempenho de frangos de corte
JPF Oliveira, A Oba, ACF Assis, M Almeida, T Dornellas, AC Hoffmann,
FR Bueno, B Colcetta, VP Dinalli, S Trocato................................................................................252
Beterraba como pigmentante na dieta de codornas de postura
à base de arroz integral
LS Guido, MLS Castro, C Bavaresco, RC Dias, DCN Lopes, EG Xavier.........................256
Uso de pigmentantes naturais em dietas com arroz
integral para codornas japonesas
BK Gomes, MLS de Castro, RC Dias, LDS Gguido, JS Júnior,
DCN Lopes, EG Xavier..........................................................................................................................260
Análise sensorial de ovos de codornas alimentadas com
farelo de arroz integral
AC Meggiato, E Gopinger, C Bavaresco, DV Garcia, IA Esrorino,
DCN Lopes, EG Xavier...........................................................................................................................264
Efeito do armazenamento do farelo de arroz integral no
desempenho de frangos de corte aos 21 dias de idade
DG Vasconcelos, E Gopinger, T Stefanello, IA Estorino, RC Dias,
DCN Lopes, EG Xavier, MC Elias......................................................................................................268
Urucum utilizado como pigmentante natural na dieta de
codornas alimentadas com arroz integral
RC Dias, MLS Castro, E Gopinger, AP Roll, C Bavaresco,
DCN Lopes, EG Xavier..........................................................................................................................275
Composição de ovos de codornas alimentadas com farelo
de arroz integral estabilizado com ácidos orgânicos
RC Dias, E Gopinger, C Bavaresco, BCK Gomes, DG Vasconscelos,
V Ziegler, EG Xavier................................................................................................................................279
Desempenho produtivo de codornas de postura alimentadas
com farelo de arroz integral com ou sem a adição de ácidos
orgânicos em diferentes tempos de armazenamento
SN da Silva, E Gopinger, RC Dias, AC Megiatto, BCK Gomes,
DCN Lopes, EG Xavier...........................................................................................................................283
Parâmetros sanguíneos em frangos de corte
suplementados com minerais orgânicos e vitamina E
C Sanfelice, AA Mendes, BB Martins, TC Trentin, EL Milbradt,
EF Aguiar, MRFB Martins, DM Rodrigues, ICL Almeida Paz............................................287
Avaliação das vísceras comestíveis de frangos de corte
aos 21 dias alimentados com farelo de arroz integral submetido
a diferentes períodos de armazenamento
IA Estorino, E Gopinger, TB Stefanello, SN Silva, C Bavaresco,
DCN Lopes, EG Xavier, VFB Roll......................................................................................................291
Histomorfometria intestinal de pintos de corte suplementados
com níveis crescentes de lisina digesível, provenientes de ovos
com mesmo peso e diferentes idades de matrizes
JH Stringhini, MB Café, JS Santos, TD Matias, MA Andrade,
TC Araújo, NLN Mendonça................................................................................................................295
Manejo de diferentes pesos iniciais de frangos de corte
Label Rouge visando a recuperação de desempenho
BC Morais, DA Netto, JR Alves, AC Manentti, AT Mundim,
MS Rosa, P Rocha, HJD Lima............................................................................................................298
Efecto de diferentes niveles de fibra cruda en la dieta sobre el
comportamento productivo de gallinas de postura comercial
en la segunda fase de produccion
E Salvador, B Huamaní, C Caballero, C Gallardo....................................................................301
Efecto de la relacion energia metabolizable: lisina en la dieta sobre
da respuesta productiva de pollitos de engorde en la fase pre-inicial
E Salvador, C Caballero, Y Loza, C Gallardo..............................................................................304
Feno de alfafa como pigmentante da gema de ovos de codornas
japonesas alimentadas com dietas contendo arroz integral
C Bavaresco, MLS Castro, E Gopinger, T Santos, DCN Lopes,
VFB Roll, EG Xavier..................................................................................................................................308
Qualidade da carne de codornas alimentadas com dietas
contendo farelo e óleo de canola
C Bavaresco, RC Dias, E Gopinger, PO Moraes, DCN Lopes,
VFB Roll, EG Xavier.................................................................................................................................312
Desempenho de frangos Label Rouge submetidos a
dietas com diferentes níveis de cevada
JR Alves, HJD’A Lima, DA Neto, MS Rosa, P Rocha, LGM Reginatto,
ALN Malhado, AC Manentti..............................................................................................................312
Características de carcaça de frangos Label Rouge alimentados
com diferentes níveis de cevada
DA Netto, JR Alves, BC Moraes, MS Rosa, LGM Reginatto,
DAN Junior, HJD Lima.........................................................................................................................315

Processamento
Analyses of different temperatures and immersion times in relation
to water absorption by broiler carcasses in the pre-cooling system
AR Bailone, RO Roça, RC Borra, M Harris...................................................................................319
Efeito da inclusão do bagaço de uva sobre o perfil lipídico, concentração
de ∂-tocoferol e estabilidade oxidativa do toucinho de suínos
BC Silveira-Almeida, TM Bertol, MCMM Ludke, JV Ludke,
DM Bernardi, A Coldebella................................................................................................................323
Qualidade de ovos provenientes de poedeiras criadas com galos,
em duas condições de armazenamento
GV Pereira, CS Tsuda, DCO Pereira, LC Demattê Filho........................................................327
Análise sensorial de kibes elaborados com codornas de descarte
e inclusão de diferentes níveis de bacon
TC Euzébio, SM Marcato, V Zancanela, CE Stanquevis,
DO Grieser, MLRS Franco....................................................................................................................331

Qualidade da carne de codornas de corte suplementadas com


níveis de vitamina A dos 14 aos 35 dias de idade
CA Stanquevis, AC Furlan, SM Marcato, V Zancanela, DO Grieser,
TC Euzébio, PM Ribeiro.......................................................................................................................334

Avaliação da influência dos diferentes manejos pré-abate sobre


a incidência de hematomas nas asas de frangos de corte
JI Pinto, A Oba, M Almeida, T Dornellas, AC Hoffmann, FR Bueno,
VP Granjo, L Bersot, FJDB Miranda, M Rufatto.......................................................................337

Perdas de asas decorrentes de diferentes fatores em planta frigorífica


JI Pinto, A Oba, M Almeida, ACF Assis, FR Bueno, JSP Ribas, L Bersot,
FJDB Miranda, BF Lucchesi, AF Silva............................................................................................340

Effect of density of nutrient diet on the incidence


of white striping (WS) in broiler breast
L Kindlein, L Gross, VP Nascimento, LE Moraes, RD Sainz, SL Vieira...........................344

Qualidade de carcaça e da carne em frangos de corte


suplementados com minerais orgânicos
C Sanfelice, SF Bilgili, JB Hess, BB Martins, ICL Almeida Paz...........................................348

Histomorfometria do músculo pectoralis major em


frangos de corte acometidos com Wooden Breast (WB)
L Gross, R Sesterhenn, TZ Ferreira, D Driemeier, SL Vieira, L Kindlein........................352

Qualidade de ovos com 10 dias e oviposto submetidos


a diferentes embalagens e temperatura
TB Amorim, A Potença, RA Martins, JN Leite, MG Ferrari, DR de Aquino,
DLQN Braga, MG Ferrari, CR Daniel, AC Manentti, LC de Albuquerque,
CMC Lamenha, ASA Assunção, W Bertoloni...........................................................................355
Qualidade de ovo com 17 dias de oviposto submetido
a diferentes temperaturas e embalagens
A Potença, RA Martins, JN Leite, MG Ferrari, TB Amorim,
DR Aquino, DLQN Braga, MG Ferrari, CR Daniel, AC Manentti,
LC Albuquerque, CMC Lamenha, W Bertoloni, A Sávio...................................................359
Qualidade de ovos de codorna comercializados no município de Cuiabá
LAZ Souza, HJD Lima, LGM Reginatto, ACS Martins, MM Fonseca............................363

produção
Avaliação de diferentes densidades populacionais sobre o
desempenho de poedeiras leves em fase de cria com 4 a 6
semanas de dade
A Romani, LSE Santo, JM Tavares, GSS Corrêa, JGC Junior, GMM Silva,
MA Oliveira, CFS Oliveira.....................................................................................................................368
Avaliação de diferentes densidades populacionais sobre o
desempenho de poedeiras leves em fase de recria com 7 a 9
semanas de idade
A Romani, LSE Santo, JM Tavares, GSS Corrêa, JGC Junior, GMM Silva,
BS Santos, FP Sartor................................................................................................................................372
Suplementação com vitamina D (25-OHD3) melhora a viabilidade
e a proporção de coração em frangos de corte
GAA Baldo, ICL Almeida Paz, EA Garcia, AB Molino, MS Amadori,
JA Vieira Filho, DS Souza, GS Prado, UA Generoso..............................................................376
Linhagem, sexo, peso e espondilolistese podem influenciar
a frequência de gait score em frangos de corte
ICL Almeida Paz, GAA Baldo, MS Amadori, EA Garcia, AB Molinho,
RG Garcia, JA Vieira Filho, FR Caldara, JN Sakoda.................................................................380
Effect of slaughter weight on growth performance and carcass
traits of immunologically castrated pigs fed ractopamine
TM Bertol, JI dos Santos Filho, A Coldebella, AL Marinho.............................................384
Desempenho de frangas comerciais submetidas
a métodos de debicagem
AB Molino, EA Garcia, R Albuquerque, JA Vieira Filho, GAA Baldo,
ICL Almeida Paz, DS Souza...............................................................................................................388
Métodos de debicagem para poedeiras e seus
efeitos na fase de produção
EA Garcia, TA Santos, K Pelícia, AB Molino, JA Vieira Filho ,
GAA Baldo, ICL Almeida Paz, DS Souza......................................................................................392
Concentrações de crioprotetores no congelamento de sêmen suíno
MQ Santos, M Schuch, P Moreira, B Hertzberg, MJ Flach, T Lucia Jr,
RG Mondadori, AD Vieira ,I Bianchi..............................................................................................396
Diferentes densidades e gaiola sobre o desempenho
de poedeiras em fase de recria
LSE Santo, A Romani, JMN Tavares, GSS Correa, GMM Silva,
FM Vieites, BS Vieira, AV Alves..........................................................................................................400
Desempenho de frangas comerciais leves submetidas
a diferentes densidades de produção
LSE Santo, A Romani, JMN Tavares, GSS Correa, GMM Silva,
FM Vieites, AR Arruda, FP Sartor.....................................................................................................403
Efecto de la suplementación con cantaxantina sobre las
características del semen de codorniz (coturnix coturnix japónica)
en condiciones de producción
RH García, RA Suárez, AG Wills.........................................................................................................406

sanidade
Ecobiologia de hemosporídeos em aves silvestres e domésticas
em povoados adjacentes ao sítio migratório de Panaquatira,
município de São José de Ribamar, MA, Brasil
JB Silva Filho, ACG Santos, FC Lima, FA Melo, CTR Improta, DP Rios,
PA Batista Filho, FHV Da Silva...........................................................................................................411
Detecção de Salmonella spp. em equipamentos de entreposto
de ovos comerciais através das técnicas de cultivo bacteriano e
PCR em tempo real
DM Cardoso, TD Matias, MA Andrade........................................................................................414
Presença de endoparasitos das famílias Eimeriidae e
Ascarididae em codornas japonesas na região metropolitana
do Vale do Rio Cuiabá, MT
MS Rosa, GMR Campos, MVS Camargo, MS Aquino, HJD Lima,
ALS Freitas, RC Pacheco, LAZ Souza.............................................................................................418

sustentabilidade
Gerador emergencial solar para pequenas propriedades rurais:
cogeração elétrica e térmica
LS Scartazzini, DE Zilio, A Migliavacca........................................................................................423
Avicultura e suinocultura como fontes de desenvolvimento
dos municípios brasileiros
JI dos Santos Filho, A Coldebella, GN Scheuermann, TM Bertol,
L Caron, DJD Talamini..........................................................................................................................427
Contribuição do drawback para a sustentabilidade
da cadeia produtiva de suínos do Brasil
DJD Talamini, GN Scheuermann, RA da Silva, JI dos Santos Filho,
VG de Carvalho.......................................................................................................................................431
Contribuição do drawback para a sustentabilidade da
cadeia produtiva de frangos do Brasil
DJD Talamini, GN Scheuermann, RA da Silva, JI dos Santos Filho.............................435
Artigos Técnicos
15 a 28
- 16 -

CONTROLES ANALÍTICOS NA CADEIA DE


FRANGOS, OVOS E SUÍNOS

JC de ANGELO*1
1
Zootecnista, Gerente Técnico de Aves e
Suínos do Grupo Guabi Nutrição e Saúde
Animal, Campinas/SP

O Brasil, um dos principais players no sorológicos e virológicos para identifi-


segmento de aves e suínos, difunde ino- car doenças e eficácia de vacinação. As
vação e tecnologia em todas as áreas validações concedidas possibilitam que
do ciclo de produção. O país tem foco as proteínas, de origem animal, sejam
multidisciplinar e possui estratégias re- colocadas na mesa dos consumidores
conhecidas de controles sanitários, que com qualidade e segurança.
visam atender as rigorosas barreiras
fitossanitárias internacionais, criar con- Em todas as fases produtivas, há muitas
dições para o crescimento sustentável variáveis que devem ser avaliadas, ana-
e prover proteínas globalmente, o que lisadas, conhecidas, controladas e cor-
torna esta cadeia um dos principais pi- rigidas, pois a agroindústria necessita
lares da economia brasileira. ter um panorama completo das áreas
produtivas. Em adição, necessita aplicar
Dentro deste setor produtivo merece medidas corretivas eficazes e assertivas
ser ressaltada a importância dos Labo- para construir índices zootécnicos po-
ratórios na construção da confiabilida- tencializados, otimizar a lucratividade,
de na cadeia tecnológica de produção perenidade e crescimento da empresa.
animal. Estes contribuem de forma
ampla fornecendo laudos técnicos de Os níveis de controles analíticos aplicados
controles físico-químicos, bromatoló- para garantir a rastreabilidade, atender as
gicos, microbiológicos, ausência de re- instruções normativas (IN´s) e segurança
síduos e contaminantes, diagnósticos do produto final são utilizados em todo

Anais SIAVS 2015 - Controles analíticos na cadeia de frangos, ovos e suínos


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processo produtivo, como nas áreas de As informações dos resultados ana-
nutrição, maternidade, incubatórios, gran- líticos permitem ao nutricionista ali-
jas e frigoríficos, o monitoramento minu- mentar de forma precisa seu sistema
cioso destes elos da cadeia são primor- de formulação, com devida precisão,
diais para alcançar a eficácia desejada nos acurácia e segurança. Na sequência, é
vários processos envolvidos. Dentro deste fundamental realizar a análise do pro-
contexto a nutrição representa aproxima- duto acabado para checar se os níveis
damente 65% dos custos de produção e nutricionais previamente definidos são
esta área exerce papel fundamental para obtidos ao final do processo. Estes pro-
o máximo aproveitamento do potencial cedimentos permitem garantir que não
genético das aves e suínos. houve variações nos níveis nutricionais
oriundas da inclusão, mistura e/ou pro-
Dentre as ferramentas disponíveis, na cessamento.
busca da nutrição de precisão, merece
destaque os controles das matérias-pri- Dentro deste contexto, os micro-ingre-
mas (MP´s). Por meio destes controles dientes como as vitaminas, minerais, su-
é possível monitorar a qualidade físi- cedâneos lácteos e aditivos, que farão
co-química, sendo que as análises bro- parte do “premix” e “núcleo” devem re-
matológicas (proteína, extrato etéreo, ceber especial atenção e requerem mo-
cálcio, fósforo, fibra, umidade e ácidos nitoramento analítico. É necessário mo-
graxos) e perfis de aminoácidos (me- nitorar os lotes de vitaminas, minerais,
tionina, lisina, treonina, triptofano e de- aminoácidos, melhoradores de desem-
mais aminoácidos) são determinantes penho, anticoccidianos, antioxidantes,
para estabelecer ou corrigir as matrizes sucedâneos lácteos, antibióticos, enzi-
nutricionais dos ingredientes. São es- mas e demais aditivos para checar se os
tes resultados analíticos que validam a níveis de garantia e os limites aceitáveis
composição química de lotes de ingre- de metais pesados estão dentro dos pa-
dientes de origem vegetal e animal uti- drões permitidos. Por fim, estes “premi-
lizados na composição de rações. xes” e “núcleos” são igualmente respon-
sáveis pelo êxito das fórmulas enviadas
Partindo do princípio que há grande va- para as fábricas de rações e, juntamente
riabilidade nutricional nos ingredientes com os macro-ingredientes (fonte de
de origem vegetal ou animal, controles energia, proteína, fibra, cálcio, fósforo e
por lote são fundamentais. Dependen- sódio) compõem a responsabilidade
do da origem, forma de produção, da pelo retorno em desempenho zootéc-
adubação ou extração, as MP´s podem nico e garantia do bom status sanitário.
apresentar níveis nutricionais diferen-
tes do “standard” de recebimento. Estas As análises para controle de micotoxinas
variações podem provocar desvios nos (aflatoxinas, fumonisinas, zearalenona, tri-
níveis nutricionais e desempenho zoo- cotecenos e ocratoxina) são fundamen-
técnico, caso o monitoramento técnico tais para assegurar à qualidade do lote
não seja assíduo. de matérias primas recebidas e da ração

Anais SIAVS 2015 - Controles analíticos na cadeia de frangos, ovos e suínos


- 18 -
produzida. Esta classe de contaminação Destaque especial deve ser dado para
proporciona grandes perdas econômicas as análises de detecção de resíduos quí-
em função de causarem redução no ga- micos em carnes, ovos e leite. O uso de
nho de peso, piora da conversão alimentar, antimicrobianos para animais de pro-
desuniformidade nos lotes, imunossupres- dução tem sido motivo de preocupa-
são, incidência de hemorragia petequiais e ção quanto à segurança alimentar por
hematomas, problemas de qualidade na parte da opinião pública, em função
casca dos ovos, queda de postura, eclodi- dos possíveis riscos da presença de re-
bilidade e problema reprodutivo nas ma- síduos destes compostos nos alimentos
trizes suínas. Contudo, o monitoramento em níveis prejudiciais à saúde humana
analítico proporciona condições para o ou que possam sugerir indução de re-
nutricionista elaborar um planejamento sistência bacteriana.
estratégico com medidas efetivas para mi-
tigar o impacto das micotoxicoses. A comprovação que não há violações
nos níveis aceitáveis de resíduos é fato
As análises de MP´s são um dos prin- chave para evitar embargos a carne
cipais pontos a serem observados no brasileira ou desconfianças no merca-
setor da nutrição animal, pois além de
do interno. A saúde dos consumidores
qualificar a composição química, possi-
está relacionada com a segurança na
bilitam verificar a pureza, sejam elas de
qualidade desses alimentos, sendo fun-
natureza orgânica ou inorgânica.
damental garantir que a quantidade de
Dentro de todo o ciclo de produção, resíduos presentes nos produtos deri-
desde o recebimento das MP´s, aloja- vados de animais medicados com pro-
mento das aves ou suínos, das fases dutos farmacêuticos de uso veterinário
de produção até o abate, os controles seja menor do que os valores de limites
analíticos se fazem presentes por meio máximos de resíduos (LMR) estabeleci-
de análises imprescindíveis. Tais análises dos para cada princípio ativo específico.
permitem verificar a presença de mi-
crorganismos patogênicos (Salmonella Entende-se por LMR de um fármaco, ou
spp, Clostrium perfrigens, Escherichia de seus metabólitos, a concentração
coli, Stapylococcus aureus, Psedoumo- máxima de resíduos considerada segu-
nas aeruginosa, Enterobactérias, Ba- ra à saúde dos consumidores, preconi-
cillus, Micoplasma, Coliformes Totais, zada pelas agências regulatórias - como
bactérias, bolores e leveduras, entre ou- o Codex alimentarius, Agência Européia
tros) por meio do diagnóstico laborato- (EMEA) e Agência Japonesa (Japan Po-
rial microbiológico, determinados por sitive List - JPL), assim atendendo as le-
avaliações bacteriológicas, sorológicas, gislações vigentes. Com base nos resul-
micológicas, virológicas e biológicas tados dos LMR, o período de carência
moleculares com objetivo de garantir a pode ser determinado para o abate de
sanidade do plantel e a segurança ali- animais medicados, destinados ao con-
mentar do consumidor. sumo humano.

Anais SIAVS 2015 - Controles analíticos na cadeia de frangos, ovos e suínos


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Em recente Workshop em Chapecó/SC, É fundamental que estes resultados e
sobre Resíduos Químicos em Produtos laudos sejam emitidos por um labora-
Cárneos, as principais moléculas eleitas tório respeitado no mercado, creden-
de interesse para pesquisa na cadeia de ciado no MAPA, habilitado na Rede
Suínos foram as beta-agonista, antimi- Brasileira de Laboratórios Analíticos em
crobiano, antiparasitário, contaminan- Saúde, PNCRC (Programa Nacional de
tes inorgânicos, sulfonamidas e dioxina. Controle de Resíduos e Contaminantes)
Em Avicultura, as que receberam maior e que faça parte de programas interla-
interesse foram os anticoccidianos, an- boratoriais.
timicrobiano, contaminantes inorgâni-
A avicultura e suinocultura evoluíram
cos, roxarsone, antiparasitário (benzimi-
muito nas últimas duas décadas, sus-
dazois), dioxina e organoclorados.
tentada pelas áreas de genética, nutri-
Neste sentido, se torna cada vez mais ção, manejo e ambiência. Porque não
importante o segmento contar com incluir o setor Laboratorial pela primeira
Laboratórios credenciados para deter- vez neste conjunto de fatores de suces-
minações de resíduos químicos dentro so? Deixo esta reflexão para os envolvi-
do Plano Nacional para Controle de Re- dos nesta inovadora instituição Aves&-
síduos (PNCRC) do MAPA, bem como Suínos.
atender às mais exigentes normas inter-
Os laudos analíticos não devem sim-
nacionais, empregando metodologias
plesmente fazer parte dos controles,
aceitas e reconhecidas pelos principais
mas sim, serem explorados de forma
órgãos reguladores internacionais (FDA,
estratégica ao longo de toda a cadeia
EMEA, CODEX e FAO), incluindo o méto-
de produção.
do multirresíduos.
Concluindo, a indústria de carne, ovos e
É de responsabilidade do segmento
leite sempre precisará de competência
laboratorial produzir laudos analíti-
técnica, rigor científico, agilidade nos re-
cos seguros e confiáveis, por meio das
sultados, infraestrutura tecnológica de
qualificações dos seus profissionais,
ponta e segurança para o levantamento
infraestrutura e tecnologias emprega-
de informações das características mi-
das. Na área de nutrição e frigoríficos é
crobiológicas, nutricionais, patológicas
possível contar com tecnologias como: e sanitárias para tomada de decisões,
NIR´s, Cromatografia em Fase Gasosa e assim estes laudos analíticos são ferra-
Líquida, Espectrometria de Massa aco- mentas imprescindíveis para medidas
plada ao HPLC e Plasma Induzido. Estes assertivas no processo produtivo.
laudos subsidiam Agroindústria e são
instrumentos obrigatórios nas tomadas Estamos prontos para atender as de-
de decisão nos pontos críticos de con- mandas do setor e contribuir para o seu
trole, ou melhor, nos “fatores críticos de progresso em todas as áreas produtivas
sucesso”. e devemos trabalhar cada vez mais para

Anais SIAVS 2015 - Controles analíticos na cadeia de frangos, ovos e suínos


- 20 -
manter o status sanitário alcançado e tantes destas cadeias produtivas bra-
nos preocuparmos com a manuten- sileiras referenciadas como sinônimo
ção desta liderança nas exportações de qualidade no mundo, pois a defesa
do complexo das carnes “Aves e Suínos”, destes interesses deve ser tratada como
conquistadas “a duras penas”.
uma questão de segurança nacional
Desta forma, juntos em prol de um ob- por conta de sua importância à econo-
jetivo comum, tornar os produtos resul- mia brasileira.

Anais SIAVS 2015 - Controles analíticos na cadeia de frangos, ovos e suínos


- 21 -

Como criar um programa de vacinação no


incubatório de boa qualidade?

Stephane Lemire
Gerente de Produto de Avicultura/Merial

Resumo
A associação de vacinas deve ser feita
A imunossupressão, com frequência
de forma que o programa estabeleci-
observada na avicultura comercial, se
do para o incubatório esteja de acordo
deve a muitos fatores; estes incluem,
com o histórico da área em termos de
porém não se limitam, às doenças de
desafio microbiológico e estimativa de
origem viral. Perdas econômicas signifi-
risco epidemiológico.
cativas são frequentemente atribuídas à
imunossupressão, e a obtenção de uma
sólida base imunitária não apenas forta-
lece o sistema imune, como estabelece 1. Introdução
barreiras nas vias de infecção utilizadas O objetivo deste boletim informativo é
por patógenos. Ao planejar um progra- divulgar formas de estabelecer progra-
ma de vacinação para o primeiro dia de mas de vacinação tanto para aves de
vida, deve-se estudar a compatibilidade corte como para matrizes e poedeiras.
entre vacinas para que as associações
sejam feitas corretamente. Ao fazer de Atualmente, a tendência é que diver-
VAXXITEK HVT+IBD o principal compo- sas vacinas, anteriormente aplicadas no
nente do programa de vacinação no campo, migrem para o incubatório. A
incubatório, o sistema imune da ave vacinação no incubatório pode ser feita
estará apto a receber outras vacinas de in ovo, aos 18 dias de incubação, ou ao
forma concomitante ou subsequente. primeiro dia de vida.

Anais SIAVS 2015 - Como criar um programa de vacinação no incubatório de boa qualidade?
- 22 -
O uso de vacinas vetoriais aumenta sa. Estes vírus são conhecidos por cau-
constantemente em programas de sar efeitos deletérios diretamente no
vacinação no incubatório. Vacinas que sistema imune, desta forma, aumentan-
têm HVT como base, protegendo con- do a suscetibilidade da ave a outras do-
tra a Doença de Marek (MD) e contra enças, e interferindo na resposta vacinal.
outras doenças de origem viral, tais
como Gumboro (IBD), Newcastle (ND),
ou Laringotraqueíte infecciosa (ILT). 2.2. Consequências da
Programas de vacinação no incuba- Imunossupressão
tório podem contar com a tecnologia Em aves imunossuprimidas, a resposta
de equipamentos que administram in vacinal pode ser diminuta, e pode no-
ovo ou fazer uso de vias convencionais, tar-se a presença de reações pós-vaci-
como spray, gota ocular, ou injeções nais exacerbadas após a administração
subcutâneas. Nem todas as vacinas exis- de vacinas vivas contra doenças do
tententes podem ser administradas no trato respiratório. Infecções bacterianas
incubatório, porém, a tendência é que secundárias podem ocorrer, tratando-se
cada vez mais vacinas sejam licenciadas, frequentemente de E. coli (2), o que re-
de forma que a demanda seja suprida. quer tratamento antibiótico.

2.3. Prevenindo a
2. Imunossupressão
A imunossupressão acomete ambientes Imunossupressão
de produção avícola devido à exposição a A prevenção de perdas econômicas
fatores estressantes e doenças infecciosas está diretamente relacionada ao con-
que prejudicam a imunidade, bem como trole da imunossupressão na produção
comprometem o estado geral e a perfor- avícola, especialmente em se tratando
mance da ave. Múltiplos fatores estressan- de frangos de corte (3). Diminui-se a
tes no ambiente de produção, incluindo mortalidade, melhora-se o desempe-
doenças de origem viral, são nocivos ao nho, e a produção é impactada positi-
sistema imunitário. As principais consequ- vamente com o abate de aves com me-
ências disto são perdas econômicas. nos problemas de saúde.

2. Base Imunitária
2.1. Causas de
A presença de uma base imunitária
Imunossupressão sólida não apenas reforça o sistema
Dentre as causas de imunossupressão imunitário, mas também faz com que
na avicultura, destacam-se o vírus de sejam estabelecidas barreiras nas vias
Gumboro, Marek e da Anemia Infeccio- de infecção mais comuns. O primeiro

Anais SIAVS 2015 - Como criar um programa de vacinação no incubatório de boa qualidade?
- 23 -
passo é fazer uso de programas de demonstrativas do benefício causado
vacinação de matrizes, que proporcio- por VAXXITEK HVT+IBD (4).
nam proteção passiva à progênie. O
segundo passo é proteger as aves em 2.2. Interação bem
crescimento contra as doenças imu- sucedida com outras
nossupressoras e suas consequências
vacinas
econômicas (3). A base imunitária con-
tra as doenças de Marek e Gumboro, as Ao examinar a eliminação de vacinas
principais causas de imunossupressão vivas contra bronquite percebe-se mais
de origem viral, é melhor induzida uma vantagem de caráter protecional
quando se faz vacinação precoce, ou para VAXXITEK HVT+IBD. Aves vacinadas
com VAXXITEK HVT+IBD apresentaram
seja, em presença dos anticorpos ma-
bolsas intactas com detecção signifi-
ternais. Um conceito singular em vaci-
cativamente menor do vírus causador
nação foi introduzido a nível global no
da Bronquite Infecciosa (IB) em órgãos
ano de 2006: a injeção, feita in ovo, ou
-alvo do vírus. Outros grupos de aves
ao primeiro dia de vida, da vacina ve-
vacinadas no mesmo experimento
torial com base na cepa HVT: VAXXITEK
apresentaram atrofia de bolsa e taxas
HVT+IBD.
maiores de re-isolamento de vírus vaci-
nais da IB. Isto reflete a importância da
integridade da bolsa quando na elimi-
2.1. Protegendo a função nação de vírus vacinais (5).
imunológica
A bolsa de Fabrícius é o principal pilar
da imunidade da ave. É o local de ori- 3. Compatibilidade de
gem de linfócitos B e plasmócitos que VAXXITEK HVT+IBD e outras
produzem anticorpos. Quando a bolsa
vacinas
é lesionada, ocorre depressão no siste-
ma imune. Geralmente, estas lesões são Ao definir um programa de vacina-
atribuídas ao vírus de Gumboro. O vírus ção, deve-se obter informações sobre
de Marek também pode prejudicar a a compatibilidade entre vacinas. Ao
bolsa e causar imunossupressão (1). As conhecer estes estudos, associações
primeiras lesões notadas em casos de vacinais podem ser feitas com maior
Gumboro e de Marek têm aparência segurança.
muito semelhante. O uso de VAXXITEK 3.1. Com esquemas de vacinação contra
HVT+IBD protege consideravelmente a a Doença de Marek
saúde da bolsa, com resultados mensu-
ráveis na imunidade humoral e nos lin- A compatibilidade entre VAXXITEK HV-
fócitos B circulantes e intra-bolsais. Me- T+IBD e vacinas contra a Doença de
didas indiretas, como o monitoramento Marek cepa Rispens é possível e foi de-
da vacinação contra ND, também são monstrada (6) (Tabela 1).

Anais SIAVS 2015 - Como criar um programa de vacinação no incubatório de boa qualidade?
- 24 -
3.2. Com vacinas 4.1. Com vacinas HVT
contra Bouba Aviária, Vacinas vetoriais HVT-IBD não devem ser
convencionais ou associadas a outras vacinas utilizando a
cepa HVT, uma vez que ambas as cepas
vetoriais
vacinais competirão entre si, in vivo, cau-
A compatibilidade entre VAXXITEK HV- sando diminuição na resposta vacinal (ve-
T+IBD e vacinas vetoriais contendo rificado em estudos internos da Merial). O
Bouba e Influenza Aviária também foi mesmo ocorre para vacinas HVT + Rispens,
demonstrada (7) (Tabela 1). assim como para HVT + SB-1 (Tabela 3).

3.3. Com vacinas vivas 4.2. Com vacinas vetoriais HVT


contra afecções Vacinas vetoriais HVT-IBD não devem
respiratórias ser associadas a outras vacinas vetoriais
utilizando a cepa HVT. Vacinas HVT+ND,
A compatibilidade entre VAXXITEK HV-
por exemplo, que possuam inserção
T+IBD e a administração no incubató-
gênica na proteína F (verificado em es-
rio de vacinas vivas contra as principais
tudos internos da Merial). Também não
afecções respiratórias presentes na avi-
se deve associar HVT-IBD com vacinas
cultura também foi demonstrada (8)
contra LTI com inserção gênica de gli-
(Tabela 2).
coproteínas virais (Tabela 3).

5. Programas vacinais
3.4. Com vacinas “à la carte” utilizando
inativadas com adjuvante VAXXITEK HVT+IBD
oleoso Ao fazer de VAXXITEK HVT+IBD a base
A compatibilidade entre VAXXITEK HV- de um programa vacinal, o sistema imu-
T+IBD e vacinas inativadas, com ad- ne será preparado para receber outras
juvante oleoso, contra a Doença de vacinas de forma concomitante ou adi-
Newcastle também foi demonstrada (9) cional. A arte de combinar vacinas em
(Tabela 2). um programa de incubatório deve estar
de acordo com o histórico da produção
4. Incompatibilidades de referente ao desafio na área e estimati-
VAXXITEK HVT+IBD
va de riscos epidemiológicos correntes.
Pode-se fazer uso de mais de uma va-
cina com vetores HVT concomitante-
mente no incubatório, todavia, o prin- 5.1. Matrizes
cipal problema é a incompatibilidade O programa de vacinação tendo como
entre elas. base a VAXXITEK HVT+IBD é válido em

Anais SIAVS 2015 - Como criar um programa de vacinação no incubatório de boa qualidade?
- 25 -
âmbito mundial. A administração de aves de ciclo curto, e proteção da bolsa
VAXXITEK HVT+IBD in ovo ou ao pri- de Fabricius. Desta forma, o benefíco é
meiro dia de vida pode ser associada à demonstrado através do melhor con-
aplicação de outros sorotipos vacinais trole de infecções bacterianas secundá-
contra a Doença de Marek, como SB-1 e/ rias no ambiente de produção, e conse-
ou Rispens. VAXXITEK HVT+IBD é usada quentes menores taxas de condenação
como primer para imunizar, associando à no abate (12), ou do uso decrescente de
revacinação recomendada, com vacinas antibióticos na produção (13).
inativadas contra IBD, antes da postura.
Dois principais objetivos são alcançados:
proteção contra IBD durante o período
5.3. Poedeiras
de maior risco (recria) e priming, de for-
ma a otimizar a produção de anticorpos O programa de vacinação de poedeiras
contra IBD e transmissão destes à progê- baseado em VAXXITEK HVT+IBD foca na
nie para obtenção de imunidade passiva imunização contra Marek e Gumboro
(10). Manejo e arraçoamento são fatores ao primeiro dia de vida, devendo ser
indispensáveis para o sucesso em uma complementada com outra vacina de
produção de matrizes; o impacto gerado diferente sorotipo de Marek (por exem-
pelo sistema de arraçoamento, progra- plo, Rispens). O maior benefício relacio-
mas de vacinação contra Salmonella En- nado à utilização VAXXITEK HVT+IBD
teritidis e eliminação de E. coli é mínimo em poedeiras é a proteção à funcionali-
quando na utilização de VAXXITEK HV- dade do sistema imune e a indução de
T+IBD + SB-1 (11). resposta por parte de anticorpos contra
os componentes cruciais do programa
vacinal que visa a melhor produção de
ovos (por exemplo, a doença de New-
5.2. Frangos de Corte castle, Síndrome da Queda de Postura,
Programas de vacinação para frangos Bronquite Infecciosa) (14). O benefício é
de corte que têm como base a aplica- demonstrado através do aumento sig-
ção de VAXXITEK HVT+IBD focam no nificativo da produção de ovos, além da
impedimento da ocorrência de efeitos melhora na qualidade da casca, quan-
imunossupressores causados pelas do- do compara-se VAXXITEK HVT+IBD com
enças de Marek e Gumboro. O tipo de vacinas clássicas contra IBD utilizando
produção e desafio local pode deman- vírus vivo modificado (15).
dar a utilização de mais uma cepa, a
exemplo da Rispens, para a prevenção
da Doença de Marek. A vacinação com
5.4. Ênfase na prevenção
VAXXITEK HVT+IBD proporciona o de-
sencadeamento precoce da proteção da Doença de Newcastle
contra IBD, e, consequentemente, pro- Programas de vacinação em países nos
teção precoce para o sistema imune em quais a forma velogênica do vírus de

Anais SIAVS 2015 - Como criar um programa de vacinação no incubatório de boa qualidade?
- 26 -
Newcastle é endemica, a aplicação de os dois tipos de vacinas, o que é de-
VAXXITEK HVT+IBD e vacina inativada monstrado indepenedentemente do
contra ND com adjuvante oleoso é re- sistema de injeção (9). O principal bene-
comendada. As vacinas não são miscí- fício de tal associação feita no incubató-
veis, mas podem ser administradas no rio é a melhor absorção da vacina con-
mesmo momento, ao primeiro dia de tra Newcastle, resultado da utilização de
vida. Existe total compatibilidade entre VAXXITEK HVT+IBD (14).

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Garcia D, Torrubia Diaz J, Herreras Viejo R, Fernan- tion performances in comparison with a live IBD
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HVT-IBD vector vaccine on bolsa Fabricii, produc- 2013; in-press.

Anais SIAVS 2015 - Como criar um programa de vacinação no incubatório de boa qualidade?
- 28 -

SAME MAREKS DILUENT


Serotype 1 Mareks vaccines, Rispens strains

SAME MAREKS DILUENT


Serotype 2 Mareks vaccines, SB-1 strains
VAXXITEK HVT+IBD
Immune foundation
SAME MAREKS DILUENT
Fowlpox vaccines
SAME MAREKS DILUENT
Fowlpox vector vaccines
FP AIV-H5, etc.
Tabela 1: Poultry hatchery vaccine most commonly recommended associations – miscible vacci-
nes with VAXXITEK HVT+IBD.

SPRAY CABINET
Live respiratory vaccines
Newcastle disease vaccines
VAXXITEK HVT+IBD IB vaccines, etc.
Immune foundation ON-MISCIBLE VACCINE INJECTIONS
Inactivated in oil adjuvant vaccines
Newcastle disease
Avian influenza, etc.
Tabela 2: Poultry hatchery vaccine most commonly recommended associations – non miscible
vaccines with VAXXITEK HVT+IBD.

SAME MAREKS DILUENT


HVT serotype 3 vaccines

SAME MAREKS DILUENT


HVT + Rispens vaccines

VAXXITEK HVT+IBD SAME MAREKS DILUENT


Immune foundation HVT + SB-1 vaccines

SAME MAREKS DILUENT


HVT-ILT vector vaccines

SAME MAREKS DILUENT


HVT-ND vector vaccines
Tabela 3: Poultry hatchery vaccine forbidden associations.

Anais SIAVS 2015 - Como criar um programa de vacinação no incubatório de boa qualidade?
Palestras
29 a 185
- 30 -

Adequações da indústria brasileira


de frangos de corte às exigências de
bem-estar animal do mercado:
ênfase em normas privadas

Ana Paula de Oliveira Souza*


Laboratório de Bem-estar Animal,
Universidade Federal do Paraná;
Médica Veterinária, Esp., MSc.

INTRODUÇÃO
Os dados da Organização das Nações animal no país, e a obtenção de tais in-
Unidas para Agricultura e Alimentação formações parece não ser simples (ITAVI,
indicam que a população mundial de 2012). As regulamentações em bem-es-
aves de produção é de aproximada- tar animal no Brasil estão mais desen-
volvidas nos processos de abate, como
mente 23,4 bilhões de animais (FAO,
a IN 3/2000 do Ministério da Agricul-
2013). Segundo a Associação Brasileira
tura, Pecuária e Abastecimento (MAPA,
de Proteína Animal, o Brasil se man-
2000). A IN 56/2008 do MAPA (2008)
tém como maior exportador e terceiro
estabelece os procedimentos gerais
maior produtor mundial de carne de
de recomendações de boas práticas de
frango, atrás de China e Estados Unidos bem-estar para animais de produção
(ABPA, 2014). De toda a produção do e de interesse econômico, no entanto
Brasil, um volume de aproximadamente sem especificidade para cada cadeia
68% é destinado ao consumo interno produtiva no âmbito da propriedade
e 32% para exportações, no entanto as rural. Além disso, a informação técnica
exigências de mercados externos apre- disponível sobre o grau de bem-estar
sentam alta relevância na cadeia produ- de frangos de corte no nosso país é es-
tiva brasileira. Devido ao destaque do cassa. O bem-estar animal é um assun-
Brasil na produção mundial de carne de to emergente na América Latina devido
frango, alguns mercados externos bus- ao impacto na saúde animal, comércio
cam conhecer as condições de criação internacional, viabilidade econômica

Anais SIAVS 2015 - Adequações da indústria brasileira de frangos de corte às exigências de bem-estar...
- 31 -
industrial e percepção dos consumido- mento de frangos de corte (EUROPEAN
res (TADICH; MOLENTO; GALLO, 2010). COMMISSION, 2007) e as que proibiram
Parece consenso que o bem-estar ani- tanto o uso de gaiolas em baterias para
mal (BEA) será um assunto de crescente poedeiras (EUROPEAN COMMISSION,
importância no comércio internacional 2003) como o uso de celas de gestão
(RUSHEN; BUTTERWORTH; SWANSON, em suínos (EUROPEAN COMMISSION,
2011). Uma vez que a forma de criação 2001). Neste cenário, é crescente a pre-
pode influenciar o comportamento ocupação dos produtores locais da UE
de compra dos consumidores, a cer- com relação à competitividade de seus
tificação em bem-estar tem sido usa- produtos frente àqueles oriundos de pa-
da como atributo de qualidade pelas íses com menor regulamentação de BEA
empresas, sendo que redes varejistas (FIBL, 2010; VAN HORNE; BONDT, 2013).
e empresas de alimentação têm de-
senvolvido estratégias para promover Segundo o levantamento da Prote-
e defender padrões de BEA em seus ção Animal Mundial, o Brasil recebeu a
produtos (MAIN, 2008). O Brasil tem classificação C em uma avaliação sobre
demonstrado disposição e capacidade proteção animal, onde A é a melhor e G
para atender às exigências estrangeiras, é a pior condição (WPA, 2014). No item
incluindo as europeias (BRACKE; HOR- específico sobre leis de proteção foram
NE; FIKS, 2009). Desta forma, este texto feitas considerações sobre a necessida-
visa discutir o bem-estar de frangos de de de mais detalhamento na legislação
corte no Brasil sob os aspectos da situa- brasileira para aumentar seu potencial
ção atual e das exigências do mercado. na proteção animal, sendo consonante
com o resultado de outros trabalhos
nacionais e internacionais (FIBL, 2010;
SILVA; NÄÄS; MOURA, 2009; VAN HORNE;
DISCUSSÃO
ACHTERBOSCH, 2008). Sem um emba-
Contextualização samento técnico disponível, a inter-
As discussões sobre bem-estar de ani- pretação internacional sobre o BEA no
mais de produção são crescentes no ce- Brasil permanece excessivamente vul-
nário mundial. Nas duas últimas décadas nerável à influência do peso econômico
os países da União Europeia (UE) têm da questão. O resultado disso pode ser
sofrido pressões dos consumidores para prejudicial para o país, que acaba tendo
melhorar o grau de BEA, e essa pressão o BEA deduzido a partir do número de
tem se traduzido em regulamentações publicações e normatizações encontra-
mais restritivas e na exigência de redes das ou de fato compreendidas. Como
varejistas para que os produtores sejam exemplo, observa-se esta citação de Van
certificados em algum protocolo que in- Horne & Bondt (2013): “No Brasil não há
clua BEA (INGENBLEEK et al., 2012). Como muita informação disponível sobre bem
exemplo, cita-se a regulamentação euro- -estar animal uma vez que este assunto
peia que limitou a densidade de aloja- não recebe muita atenção no país”.

Anais SIAVS 2015 - Adequações da indústria brasileira de frangos de corte às exigências de bem-estar...
- 32 -
Bem-estar de frangos de ropeia e contempla medidas dentro de
corte no Brasil quatro princípios fundamentais de BEA:
boa alimentação, bom alojamento, boa
Recentes trabalhos começaram a escla-
saúde e comportamento apropriado (fi-
recer o grau de bem-estar de frangos de gura 1). Os resultados obtidos nas granjas
corte no Brasil (SOUZA et al., 2015; TUYT- foram transformados em escores que va-
TENS et al., 2014). Tuyttens et al. (2014) riam de zero a 100, onde 100 é a melhor
compararam o grau de BEA em granjas do condição de bem-estar. A figura 2 ilustra
Rio Grande do Sul e da Bélgica por meio os tipos de granjas avaliadas nos dois es-
do protocolo Welfare Quality® (2009). Este tudos, sendo elas no tipo convencional
protocolo foi desenvolvido na União Eu- no Brasil e galpão escuro na Bélgica.

Tabela 1: Análise econômica da produção de ovos de poedeiras suplementadas com parede


celular de levedura de 48 a 68 semanas de idade.

Bom Comportamento a
Boa alimentação Boa saúde
alojamento propriado

Ausência prolongada Conforto para Boa relação ser


Ausência de injúrias
de sede descansar humano-animal

Limpeza de penas, Claudicação e


Nº de bicos Teste do toque
cama , poeira dermatites de contato

Ausência Conforto Estado


Ausência de doenças
prolongada de fome térmico emocional positivo

Avaliação
Aves ofegantes e Mortalidade,
Caquexia1 comportamental
amontoadas eliminação
qualitativa (QBA)

Facilidade de
movimentação

Desidade de
alojmamento

1
Dados do SIF

Figura 1: Critérios de avaliação do protocolo Welfare Quality® (2009) para frangos de corte em
sistema industrial

Anais SIAVS 2015 - Adequações da indústria brasileira de frangos de corte às exigências de bem-estar...
- 33 -

A B
Figura 2: Granjas de frango de corte avaliadas pelo protocolo Welfare Quality® no Rio Grande do
Sul (A) e na Bélgica (B).

Na comparação entre granjas do Rio tado de uma das medidas do princípio


Grande do Sul e da Bélgica, as granjas do de boa alimentação, que é a avaliação da
Brasil apresentaram maiores escores em proporção número de aves por bico de
três dos quatro princípios: boa alimenta- bebedouro, está demonstrado na figura
ção, bom alojamento e boa saúde. Para 3. É possível observar variação de escore
exemplificar as diferenças encontradas entre as granjas da Bélgica e homoge-
entre os dois sistemas avaliados, o resul- neidade entre as granjas do Brasil.

Figura 3: Escores e medianas de avaliação de bem-estar de frangos de corte no Brasil (A) e na


Bélgica (B), medida da proporção de número de aves por bico de bebedouro (FEDERICI, 2012).

Embora as diferenças entre os cenários tar de frangos de corte de uma forma


estudados no Brasil e na Bélgica sejam geral. O critério ausência de lesão, que
significativas, observa-se a necessida- contempla dermatites de contato e
de de melhorias no grau de bem-es- claudicação, apresentou, em diferen-

Anais SIAVS 2015 - Adequações da indústria brasileira de frangos de corte às exigências de bem-estar...
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tes estudos, baixos escores na escala para o BEA, desde que haja treinamen-
de zero a 100. Dessa forma, a discussão to adequado do integrado em relação
entre os sistemas ocorre em um con- ao manejo e BEA. Nas integrações aví-
texto de escores que demonstram re- colas, o aprimoramento de práticas de
duzido grau de bem-estar em todos os manejo para reduzir problemas sani-
resultados publicados. tários e ambientais também tem sido
importante na promoção de melho-
rias para o bem-estar das aves. Essas
práticas, no entanto, podem ficar limi-
tadas quando alguns problemas de
BEA são característicos das linhagens
de crescimento rápido, conforme
apontado no relatório do European
Food Safety Authority (EFSA, 2010). De
um modo geral, pontos críticos ainda
precisam ser melhorados na avicultu-
ra de corte, como conforto térmico,
problemas do aparelho locomotor e
pododermatite (FEDERICI, 2012; MAR-
TINS et al., 2013; MENEZES et al., 2010;
SOUZA et al., 2015).

Figura 4: Escore do critério de ausência de Certificação em bem-


lesão do protocolo Welfare Quality® em gran-
jas de frango de corte do Paraná certificadas estar de frangos de
GLOBALG.A.P.® (A), granjas não certificadas do corte no Brasil
Paraná (B), granjas do Rio Grande do Sul (C;
Federici, 2012), granjas da Bélgica (D; Federici, No setor da avicultura de corte há uma
2012), Granjas do Brasil, União Europeia e Rei- tendência de inclusão de questões de
no Unido (E; Welfare Quality®, 2011) BEA nas negociações de importação
por grandes redes varejistas ou de lan-
As granjas no Brasil têm uma condi- chonetes. Desta forma, a certificação
ção característica que pode ser be- em bem-estar animal tem se tornado
néfica para o BEA, que é a presença uma realidade em algumas empresas
constante do integrado na proprie- brasileiras, e tem sido adotada como
dade. No Paraná, por exemplo, 89,5% forma de aproximar as condições de
dos produtores residem no local da produção entre países exportadores e
criação dos frangos (GARCIA, 2006), o importadores, principalmente quando
que permite a inspeção constante das os importadores têm maiores exigên-
aves. Isso já é um diferencial positivo cias de BEA (INGENBLEEK et al., 2012).

Anais SIAVS 2015 - Adequações da indústria brasileira de frangos de corte às exigências de bem-estar...
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Segundo RUA (2014), duas normas pri- Na UE há aproximadamente 67 pro-
vadas são mais comumente usadas em tocolos de certificação de bem-estar
granjas e abatedouros de frangos de cor- de animais de produção nos países
te no Brasil, sendo estes o GLOBALG.A.P.® membros (ARETÉ RESEARCH & CON-
e o protocolo da rede McDonald’s, res- SULTING IN ECONOMICS, 2010). No
pectivamente. No entanto, outros dois Brasil não há um protocolo desenvol-
protocolos estão disponíveis no Brasil, vido localmente para certificação das
sendo um o Certified Humane® (2009), granjas de frango de corte. Em 2008
que abrange granja, transporte e abate- a ABPA, na época União Brasileira de
douro; e outro privado de um organismo Avicultura (UBA), organizou um co-
certificador, específico para abatedouros, mitê técnico com membros de em-
baseado na norma norte americana Na- presas de avicultura, universidades,
tional Chicken Council (NCC, 2010). organismos certificadores, Ministério
da Agricultura, empresas de fomento
O número de propriedades certifica-
à pesquisa e associações de proteção
das em protocolos específicos ou que
incluem BEA no Brasil é baixo em rela- animal. O trabalho culminou com a
ção ao número de propriedades exis- publicação de dois documentos téc-
tentes. Estima-se que as propriedades nicos: o Protocolo de Bem-estar de
certificadas representam aproximada- Frangos e Perus (UBA, 2008a) e a Nor-
mente 1,9% do total de propriedades ma Técnica de Produção Integrada de
nos três estados da região Sul do país, Frango de Corte (UBA, 2008b). Ambos
que é a região que concentra todas abrangem as granjas, transporte e
as propriedades certificadas do país abate, e contemplam itens de am-
(SOUZA, 2014). Em alguns países a pro- biente, manejo, biossegurança e bem
porção de propriedades de criação de -estar animal. O segundo protocolo,
frangos de corte certificadas em BEA no entanto, inclui uma lista de che-
é maior. O Reino Unido, por exemplo, cagem com itens obrigatórios, reco-
tem 90,0% dos produtores certifica- mendáveis, permitidos com restrição
dos no protocolo Assured Food Stan- e proibidos (tabela 1). Os protocolos
dard, que mantém um esquema de basearam-se, entre outros documen-
certificação de qualidade assegurada tos, na diretiva europeia CE/43/2007
envolvendo segurança alimentar, ras- (EUROPEAN COMMISSION, 2007) e no
treabilidade e BEA em toda a cadeia de protocolo GLOBALG.A.P.® na versão
produção (AFS, 2012). O sucesso do al- disponível na época. Os protocolos
cance desta certificação pode estar re- da ABPA funcionam como um código
lacionado com o fato do protocolo ter de prática de caráter informativo, sem
sido desenvolvido localmente e pela valor legal, e apresentam uma visão
demanda dos consumidores, que são do setor sobre os itens considerados
expressas por meio das exigências das como boas práticas de produção ani-
redes varejistas. mal pelo setor avícola brasileiro.
Anais SIAVS 2015 - Adequações da indústria brasileira de frangos de corte às exigências de bem-estar...
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Tabela 1: Exemplos de requisitos obrigatórios, recomendados, permitidos com restrição e proibi-
dos na criação de frangos de corte, conforme Norma Técnica de Produção Integrada de Frango
de Corte (UBA, 2008b).

Nível Requisito
Densidade de alojamento máxima de 38 kg/m2
Obrigatório
Mínimo de 10 lux por pelo menos 8h em 24h
Nível máximo de amônia (25 ppm), dióxido de carbono
(5000 ppm), monóxido de carbono (50 ppm), sulfato de
Recomendado hidrogênio (10 ppm) e poeira inalável (10 mg/m3)
Registar mortalidades e eliminações diárias
Jejum alimentar máximo de 12 horas antes do abate
Quando carregar aves pelas pernas, segurar no máximo
Permitido com três aves por mão
restrição Usar outro programa de iluminação para corrigir problemas
de comportamento anormal
Acesso de outros animais ao galpão
Proibido Carregar aves pela cabeça, pescoço, asa ou cauda
Agredir as aves ou usar práticas que causem dor ou sofrimento

A certificação GLOBALG.A.P.® é adotada das GLOBALG.A.P.® e não certificadas no


por algumas empresas no Brasil princi- Estado do Paraná por meio do protoco-
palmente para atender a demanda de lo Welfare Quality (2009). Observou-se
redes varejistas e de lanchonetes da que a certificação promoveu melhorias
UE. Este protocolo foi inicialmente de- no acesso à água, qualidade de cama
senvolvido na União Europeia e se ca- e estado emocional positivo das aves
racteriza por uma certificação de qua- (figura 5). Com relação aos outros pon-
lidade assegurada da fazenda, ou seja, tos críticos de bem-estar na avicultura
atende no mínimo a regulamentação de corte, como claudicação, dermatites
local, contém um módulo de BEA, mas de contato, estresse térmico por calor e
tem o foco em outros assuntos como densidade de alojamento, não houve
segurança alimentar, qualidade do pro- diferença entre as granjas certificadas
duto e rastreabilidade (BOCK; LEEUWEN, e não certificadas (SOUZA et al., 2015).
2005). Esta norma abrange os proces- Estes resultados sugerem que as gran-
sos de matrizes de recria e produção, jas apresentavam o padrão mínimo de
incubatório, granjas de crescimento de bem-estar animal para atender a certi-
frango e apanha para abate (GLOBAL- ficação, independentemente desta. As-
G.A.P.®, 2013a). O impacto desse proto- sim, parece relevante que haja avaliação
colo na melhoria do grau de bem-estar de bem-estar animal local no Brasil para
de frangos de corte foi recentemente entender quais os requisitos de bem
estudado. SOUZA et al. (2015) compara- -estar devem fazer parte dos protocolos
ram o grau de BEA em granjas certifica- de certificação a serem usados no país.

Anais SIAVS 2015 - Adequações da indústria brasileira de frangos de corte às exigências de bem-estar...
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Tabela 1: Figura 5. Mediana (mín.-máx.) de escores de dez granjas de frangos de corte certificadas
e dez não certificadas do Paraná avaliadas por meio do protocolo Welfare Quality®, em Agosto de
2013, onde 100 é a melhor condição de bem-estar animal. * significa diferença estatística (P<0,05)
no teste unilateral de Mann-Whitney; QBA (Qualitative Behaviour Assessment) significa Avaliação
Comportamental Qualitativa.

De acordo com Webster (2009), os pro- oferecer aos animais uma vida que va-
tocolos de certificação normalmen- lha à pena ser vivida ao invés de somen-
te baseiam-se no conceito das Cinco te protegê-los de sofrimento desneces-
Liberdades da Farm Animal Welfare sário (LUNDMARK et al., 2014).
Committee (FAWC, 2013). Há uma ten-
dência de enfatizar-se as liberdades No protocolo Certified Humane®
nutricionais, ambientais e sanitárias nos (2009), por exemplo, o enriquecimento
protocolos, no entanto observa-se que ambiental (EA) nas granjas de frango
a inclusão de componentes relaciona- de corte é mandatório. No protocolo
dos com as esferas mentais e compor- GLOBALG.A.P.® (2013b) foi desenvolvi-
tamentais dos animais de produção co- do o módulo voluntário específico de
meçam a fazer parte dos esquemas de BEA, que também apresenta requisitos
certificação. Com o crescente interesse para uso de EA e de iluminação natu-
neste tema, observa-se que os próxi- ral nas granjas com vistas à melhoria
mos passos parecem ser na direção de do grau de BEA. Pesquisa recente tem

Anais SIAVS 2015 - Adequações da indústria brasileira de frangos de corte às exigências de bem-estar...
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apontado a iluminação natural como CONSIDERAÇÕES FINAIS
item positivo para o bem-estar de fran- Os questionamentos sobre o grau de
gos de corte (BAILIE; BALL; O’CONNELL, bem-estar dos animais de produção no
2013). No Reino Unido, bloco que lide- Brasil são evidentes. Pesquisas iniciais
ra as discussões e regulamentações de mostram que o bem-estar de frangos
BEA, a adoção de luz natural em gal- de corte no Brasil em sistemas indus-
pões tornou-se obrigatório para todos triais não é inferior ao de outros países.
os fornecedores de carne de frango de No entanto, os resultados favoráveis ao
uma rede varejista (MORRISONS, 2013). Brasil nos estudos apresentados pare-
Assim, segundo Prescott (2004), as aves cem ser reflexo do sistema de produ-
poderiam se beneficiar de um sistema ção em granjas convencionais, caracte-
climatizado e ainda ter acesso à ilumi- rizadas pelo uso da iluminação natural
nação natural. Estes fatos podem for- e por uma menor densidade de aloja-
necer uma perspectiva sobre um dos mento em comparação com granjas
pontos nas futuras discussões sobre tipo galpão escuro.
bem-estar na avicultura de corte.
As demandas de BEA alteram-se cons-
Se por um lado as exigências de merca- tantemente em função de novas desco-
do não tiveram o mesmo impacto no bertas da ciência, novos anseios da so-
Brasil em relação à adoção dos proto- ciedade sobre a forma como os animais
colos de certificação nos moldes como devem ser tratados, mudanças nos ce-
tem ocorrido nos países da UE, por outro nários econômicos, entre outros fatores.
lado observa-se que esta exigência tem É preciso estar atento aos sinais dessas
sido benéfica no aumento de capacita- demandas. A movimentação em massa
ção em bem-estar animal nas empresas. de alteração nos galpões convencionais
A diretiva 1099/2009 da UE considera brasileiros rumo aos galpões escuros
que haja pessoal qualificado e formado parece controversa, no sentido de que
adequadamente para melhorar as con- em alguns aspectos representa a busca
de objetivos que os países desenvolvi-
dições como os animais são tratados
dos sinalizam como obsoletos. Desta
durante o abate (EUROPEAN COMMIS-
forma, o atual atendimento às exigên-
SION, 2009). Neste sentido, o programa
cias de BEA de mercados externos pode
STEPS, desenvolvido pela parceria do
ficar prejudicado futuramente.
MAPA e da Proteção Animal Mundial,
tem promovido o treinamento em abate A simples adoção de padrões estrangei-
humanitário, e já alcançou mais de 1800 ros não parece ser o melhor caminho
pessoas diretamente, entre funcionários para melhorar o grau de BEA no Brasil. É
de frigoríficos e professores (WPA, 2011). necessário que o país desenvolva seus
A partir disso é possível a formação de próprios critérios e monitore-os, mas
multiplicadores dentro das próprias em- para isso torna-se essencial conhecer o
presas e universidades, repassando os grau de bem-estar das aves nos diferen-
conceitos de BEA. tes sistemas brasileiros de produção. O

Anais SIAVS 2015 - Adequações da indústria brasileira de frangos de corte às exigências de bem-estar...
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país precisa também avançar em regu- forma, o país poderá se fazer valer do seu
lamentação de bem-estar de animais potencial produtivo e dividir a liderança
de produção na propriedade rural, em na discussão internacional dos assuntos
complemento ao que está sendo desen- relacionados ao bem-estar de frangos
volvido nos processos de abate. Desta de corte.

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Anais SIAVS 2015 - Adequações da indústria brasileira de frangos de corte às exigências de bem-estar...
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Ações de manejo para melhorar o resultado


de produção de frangos

André Marca
Copacol, Cafelândia/PR

Introdução vão, caso não se realize de maneira ade-


Ao longo dos anos, se tem buscado cada quada ou se estas ações de manejo não
vez melhorar a produção nos diver- sejam coerentes com a nutrição, genéti-
sos ramos da agropecuária. Isto ocorre ca ou ganho de peso trabalhados.
pela necessidade de ser cada vez mais
Para um melhor entendimento deve-
eficiente na utilização dos recursos, eli-
mos delimitar o que é manejo das aves
minar menor quantidade de resíduos,
e qual sua importância como sendo um
ser mais competitivo, ter qualidade e
dos elos que compõe a cadeia avícola.
sanidade superior. Não tem sido dife-
rente na avicultura de corte onde para Definições de manejo
atingir tais objetivos lançamos mão de
diversas ferramentas como: melhoria e Segundo o Dicionário Michaellis manejo é:
seleção genética, nutrição de precisão, 1 Ato de manejar. 2 Exercício manual.
biosseguridade, controle sanitário, me- 3 Gerência, administração, direção. 7
lhoria no manejo das aves e ambiência. Zootécnico. Ato de submeter os ani-
mais a cuidados de alimentação, trato
O manejo das aves é de fundamental e higiene, a fim de torná-los mansos,
importância para o êxito da atividade limpos e sadios e produtivos.
avícola de corte, sendo a última etapa
que ocorre antes do abate, desta ma- Segundo o Dicionário inFormal (SP)
neira todos os outros esforços serão em manejo é:

Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
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É a ação de conjugar as atividades Aves apresentam faixas de conforto tér-
manuais com a tecnologia avançada, micos que variam de maneira sensível
com o objetivo de definir ou traçar ao longo das semanas, devido à rápida
decisões a serem tomadas em um mudança das mesmas com aumento
sistema de produção agropecuário. de massa corporal e cobertura de penas.
Desta forma para manejarmos de ma-
neira adequada as aves e obtermos
os melhores resultados zootécnicos e Histórico
econômicos, precisamos primeiro nos De acordo com Albino e Tavernari
aprofundar nos conhecimentos de fi- (2010), a domesticação da galinha teve
siologia das aves, meteorologia e clima- origem na Índia e as atuais variedades
tologia da região onde pretendemos foram originadas da espécie asiáti-
atuar, modelo de criação, modelo de ca selvagem Gallus gallus, conhecida
galpão, insumos disponíveis para nu- também como Gallus bankiva e Gallus
trição, aquecimento, ventilação, cama,
ferrugineus. Primeiramente, foi utilizada
mão-de-obra, entre outros.
como animal de briga ou como objeto
de ornamentação.

No Brasil, segundo estudiosos, a produ-


História da avicultura
ção de aves teve início em 1532, com a
industrial vinda das primeiras raças trazidas pelos
Origens: colonizadores portugueses. Eram cria-
As aves são animais que possuem das soltas nos quintais ou arredores das
penas e são, pela evolução dos verte- casas, onde se alimentavam com resto
brados, descendentes dos répteis (AL- de comida caseira, grãos e insetos.
BINO; TAVERNARI, 2010), devido à pre- No ano de 1900, iniciou-se a criação
sença de escamas nas canelas e outras das aves em sítios e fazendas, represen-
semelhanças de natureza anatômica
tando fonte de renda, mas somente no
(LANA, 2000).
ano de 1930 passou a ser vista como
atividade lucrativa, ou seja, a produção
de aves para venda de carne e ovos. Os
avicultores, estimulados pelo aspecto
econômico, começaram a tentar novos
acasalamentos entre as raças diferentes,
visando o aprimoramento da espécie.

Atualmente, a avicultura brasileira é exem-


plo de atividade e de cadeia produtiva de
sucesso, sendo o setor que mais tem se
Fonte: Revista Época destacado no campo da produção ani-
Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
- 44 -
mal. A avicultura gera renda, melhora o • rápido ganho de peso;
nível social da população e pode ser ati-
vidade de pequeno produtor. • crescimento uniforme;

A vantagem de implantar a avicultura é • empenamento precoce;


a necessidade de pequena área de terra • peito largo;
a ser usada para a implantação da granja,
podendo estar localizada em terra fraca • pernas curtas;
e desvalorizada. O ciclo de produção é
rápido, dando um bom retorno num pe- • resistir a doenças;
ríodo relativamente curto (LANA, 2000). • boa pigmentação de pele.
A importância social da avicultura no Em busca de melhores índices zootécni-
Brasil se verifica também pela presença cos, foram criadas, a partir de cruzamentos
maciça no interior do país. Em muitas ci- entre as melhores raças, marcas comer-
dades a produção de frangos é a princi- cias ou linhagens de aves para produção.
pal atividade econômica, como é o caso
de Cafelândia-PR, cidade com cerca de Linhagens de frango de corte atual-
15.000 habitantes, onde fica a sede da mente criadas no Brasil em sua maioria
Copacol - Cooperativa Agroindustrial são: Cobb, Hubbard, Ross/AP.
Consolata que emprega 8.800 colabora-
As aves são animais vertebrados carac-
dores na região e realizou faturamento
terizados por terem o corpo coberto de
de mais de R$ 2,5 bilhões em 2014.
penas. Pertencem ao grupo dos animais
onívoros de estômago simples e pos-
suem grande capacidade de identificar
Evolução genética os alimentos, porém, baixo senso gusta-
tivo (BERTECHINI, 1994).
das aves
Linhagem: plantel de aves que pos- A galinha possui o sistema nervoso bastan-
suem algum parentesco. As linhagens te desenvolvido, apresentando excelente
são produtos de reprodução de uma visão, audição e tato, porém com pouco
empresa genética. olfato e capacidade gustativa (LANA, 2000).

Algumas características são esperadas


nas aves de produção, segundo Albino
e Tavernari (2010).

Características desejáveis nas aves para


produção de carne:

• boa conversão alimentar;


Evolução Genética das linhagens de frangos
• rendimento de carne; de corte.

Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
- 45 -
Sistemas de criação. Sistema intensivo
As explorações que se dedicam à avi-
Sistema extensivo cultura intensiva requerem maiores in-
Quando os frangos são criados em li- vestimentos, tanto de capital como de
berdade e podem bicar e esgravatarem mão de obra. O tamanho dos lotes de
livremente à procura de comida, fala-se aves no sistema de produção intensi-
de avicultura extensiva. va normalmente situa-se entre 15.000
– 50.000 aves. Tal foi alcançado através
dos avanços na investigação sobre in-
cubação artificial, necessidades nutri-
cionais e controle das doenças.

Modelos de exploração
Sistema semi-intensivo
A avicultura contempla os três modelos
No sistema de produção avícola semi de exploração existentes no Brasil: inde-
-intensivo, também conhecido como pendente, verticalizado e integrado.
produção de pátio ou quintal, o nú-
mero de aves por lote varia entre 50 a • Modelo independente: o avicultor de
200. É uma criação em pequena escala. frango de corte se responsabiliza por
Nos sistemas semi-intensivos, as aves todas as fases da produção, desde a
encontram-se confinadas a um espaço aquisição dos pintinhos, sua criação até
aberto vedado com arame. Existe um o ponto de abate.
pequeno galinheiro onde as galinhas
podem permanecer à noite. O criador • Modelo verticalizado: várias fases de
das aves fornece praticamente toda a produção estão inseridas em uma mes-
ma empresa, por exemplo, criação dos
comida, a água e outras necessidades.
pintinhos, abate e comercialização.

• Modelo integrado: apresenta algumas


características diferenciais de acordo com
a integradora. Tradicionalmente, a inte-
gradora dispõe de frigorífico e fábrica de
rações, fornecendo insumos e assistência
técnica aos produtores integrados, que
produzem em suas próprias áreas e en-

Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
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tregam a produção à empresa integra- do, onde possam manifestar todo
dora. Em outros casos, a empresa aluga seu potencial genético em uma área
galpões de sua propriedade a pequenos confortável. Alguns cuidados devem
produtores. Então, com o alojamento dos ser observados aos se definirem a es-
pintinhos, surge a relação de integração. colha do local e a construção das ins-
talações avícolas. O clima é um dos
mais importantes fatores a serem
Instalações considerados na hora de projetar um
As instalações devem fornecer as galpão, também chamado de aviário
aves um ambiente limpo e protegi- para frangos de corte.

Modelo de disposição de instalações avícolas.

O galpão deve ser construído em local ário é fundamental para compreensão


alto, ventilado, seco, afastado de rodo- dos mecanismos de controle do am-
vias, povoamento e setores industriais. biente, visando economia de energia e
Deve possuir rede elétrica e água de maior desempenho das aves. Sempre
qualidade e quantidade suficiente para temos que procurar minimizar as in-
estoque de consumo no mínimo de terferências do ambiente externo, para
três dias (ALBINO; TAVERNARI, 2010). termos melhores condições de manejo
Para a escolha do modelo de aviário, das aves.
matérias-primas e equipamentos, de- Uma das principais definições para
ve-se levar em conta o clima da região,
orientar as ações de manejo em frangos
faixas de peso que se deseja produzir
de corte é a densidade de aves, descrita
de acordo com orientações da empresa
como quilos de aves por metro quadra-
integradora.
do, esta diretriz deve estar alinhada com
O conhecimento das particularidades o modelo de aviário, orientações de ma-
das instalações e dos arredores do avi- nejo e mercados a serem atendidos.

Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
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Lana et al (2001) recomenda para fran- fase do período de produção das aves,
gos de corte, machos, no período de 1 manejando as ferramentas que temos a
a 42 dias de idade, a densidade de 16 disposição.
aves/m2, independentemente do pro-
grama de alimentação, para se obter O conceito atual de ambiência leva em
melhor desempenho produtivo e das conta não somente as condições termo
aves, desde que haja bom controle do dinâmicas do galpão (trocas térmicas
ambiente e adequado manejo alimen- secas e úmidas – calor sensível e calor
tar. Desta forma a densidade de criação latente) e a velocidade do ar, mas tam-
das aves, que impacta diretamente na bém a interação destas com dados de
viabilidade econômica do negócio, fica poeira em suspensão e gases produzi-
dependente do nível de manejo dos pela cama. Pode-se então definir
ambiente interno ideal como aquele
que permite, com o equilíbrio e har-
monia entre tipologia, termodinâmica
Ambiência e velocidade do ar, uma qualidade de
Ao longo dos últimos anos, o Brasil tem ar com condições ótimas para as aves
se mantido na liderança das exporta- alojadas. Naas (2004)
ções da carne de frango. Também se Neste contexto torna-se cada vez mais
destaca como um dos principais pro- necessário a utilização de ferramentas
dutores mundiais de frangos de corte. de medição para gases, poeira, veloci-
Este avanço se deve ao esforço conjun- dade do ar, umidade, temperatura, lumi-
to da cadeia avícola no que se refere ao nosidade, pressão estática entre outros
melhoramento genético das linhagens, para direcionar as ações de manejo das
desenvolvimento expressivo da sanida- aves de forma mais precisa e efetiva.
de animal e também na determinação
precisa das exigências nutricionais. Antes de conhecer as técnicas de con-
trole do ambiente para frangos de cor-
Ao mesmo tempo a área de ambiência te, é necessário saber quais são as faixas
e suas tecnologias ganharam cada vez ambientais de temperatura e umidade
mais importância na avicultura de corte. de conforto para frangos de corte.
A variedade de recomendações vai muito
além do ambiente térmico, sendo que a
Faixa de
ambiência, por conceito, possui alcance TCI ZTN TCS UR
idade
quanto à qualidade do ar, luz, água, tipos
Inicial 28ºC 30 - 32ºC 38ºC 65 -
de materiais de construções e galpões
Adulto 15ºC 21 -24ºC 32ºC 70ºC
avícolas, assim como o trabalhador e suas
interações com os animais durante o ma- Tabela 1: Temperatura crítica inferior (TCI),
zona de termoneutralidade (ZNT), tempera-
nejo, segundo Paranhos da Costa (2000).
tura crítica superior (TCS) e umidade relativa
O foco principal deve estar voltado em do ar (UR) recomendada para frangos de corte.
conseguir uma ambiência ideal a cada Fonte: Curtis, 1983; Macari; Furlan, 2001.

Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
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A zona de termo neutralidade (ZTN) é a Quando a temperatura ambiental en-
faixa térmica na qual a ave não possui contra-se fora da temperatura crítica
gastos elevados com controle térmi- superior (TCS) e/ou da umidade relativa
co corporal. Com isto, economiza-se a de conforto, as aves apresentam os se-
energia metabólica que a ave utilizaria guintes comportamentos:
para enfrentar uma situação de estresse
e, ao invés disso, o frango converterá em • Eriçamento de penas e afastam as
maior produção (Figura 1). asas do corpo;
Figura 1: Variação do ganho de peso (g), con- • Ofego, ou seja, bicos abertos forçan-
sumo de ração (g) e conversão alimentar (g/g) do a respiração mais rápida;
preditos em função da temperatura de criação.
• Aumento do consumo de água;

• Diminuem o consumo de alimento;

• Buscam por locais frescos no aviário,


mantendo distância das demais aves.

Dependendo da intensidade do frio ou


calor (abaixo de 15ºC ou acima de 32ºC
para aves adultas), bem como o tempo de
Fonte: Adaptado de Bigheti et. al., 2000.
exposição (acima de 1 hora), as aves são
Fora desta zona, porém dentro dos limi- gradativamente levadas a óbito, por con-
tes das temperaturas críticas (inferior - TCI sumir todas as reservas energéticas mus-
e superior - TCS), o animal consegue rea- culares, o que torna o quadro irreversível.
lizar trocas térmicas, todavia, retornando Desta forma, o avicultor deve ficar atento
ao seu estado de conforto anterior. quando a temperatura e umidade relativa
do ar estejam fora das faixas recomenda-
Fora da temperatura crítica inferior (TCI) das na tabela 1 ao longo do tempo.
e/ou da umidade relativa de conforto, o
frango apresenta os principais sintomas
físicos de estresse por frio: Trocas térmicas em aves
• Tremores musculares; As aves possuem dois tipos básicos de
trocas térmicas, as quais naturalmente são
• Agrupamento com outras aves para utilizadas para que possam regular sua
tentar o aquecimento; temperatura interna: trocas sensíveis e tro-
ca latente. As trocas sensíveis correspon-
• Encolhimento;
dem aos processos de radiação, condu-
• Diminuição do consumo de água; ção e convecção. Quando a temperatura
ambiente se encontra elevada (acima de
• Aumentam o consumo de alimento. 25ºC), as trocas sensíveis passam a não ser

Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
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mais eficientes. Desta forma, as aves recor- Os fatores térmicos representados por
rem à troca latente, que é representada temperatura do ar, umidade, radiação e
pela evaporação (ofego). Segue abaixo as movimentação do ar são aqueles que
características de cada uma: afetam mais diretamente o desempe-
nho da ave, pois comprometem sua
função vital mais importante: a manu-
tenção da sua própria temperatura.
Trocas sensíveis
• Condução: exige contato entre dois
corpos. Para que haja esta troca de
calor é necessária a diferença de tem- Condições térmicas
peratura entre as superfícies. Aves em da água
contato com a cama no aviário realiza A água exerce importância fundamen-
troca por condução. tal nos processos de digestão, respi-
• Radiação: não exige contato entre os ração, excreção de resíduos, dentre
animais, bem como com as superfí- inúmeros fatores. Entretanto, uma das
cies materiais. O calor é transmitido utilidades principais da água na avi-
via ondas eletromagnéticas de infra- cultura é a regulação térmica das aves.
vermelho termal. Desde um animal Quando o frango sente calor, um dos
exposto ao sol ou duas aves próximas primeiros recursos é aumentar o consu-
trocam calor por radiação. mo de água. Em ambientes quentes, o
consumo é muito maior do que o usual.
• Convecção: troca de calor devido à Segundo Viola et al.(2011), o consumo
movimentação do ar. O ar mais frio é de água pelo frango aumenta em torno
mais denso e, portanto mais pesado. de 7% para cada 1ºC acima da tempera-
O ar quente, por ser menos denso, tura do conforto térmico.
sobe facilmente. Com esta movimen-
tação entre ar frio e quente, a ave tro- Desta forma, o avicultor deve cuidar da
ca calor com o meio. O uso de venti- temperatura da água dentro do aviá-
lação ou exaustores no galpão é um rio, pois a ingestão diminui quando a
exemplo deste tipo de troca de calor. água está aquecida. Segundo Silva e
Sevegnani (2001), o cuidado maior com
a água deve ser tomado principalmen-
te no verão, quando a temperatura da
Trocas latentes
água na caixa d’água atinge valores
• Evaporação: ao evaporar a água, ocorre muito próximos ou maiores que 36ºC.
retirada de calor, diminuindo a tempe-
ratura corporal do animal. Como as aves A temperatura da água dos bebedou-
não possuem glândulas sudoríparas ros no aviário deve estar inferior a 24ºC,
ativas, elas utilizam do mecanismo de sendo o ideal em torno de 15 a 20°C em
ofego para realizar este tipo de troca; períodos mais quentes.

Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
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Para evitar aumentos na temperatura prejuízo em termos de produtividade,
da água, deve ser feito uma proteção ou como também alteração na fisiologia e
sombreamento para as caixas d’água no bem-estar das aves, podendo levar
ou reservatórios. as mesmas à mortalidade ou descarte.
Por fim, outros fatores são importantes,
Em termos de manejo, uma técnica de como o mercado (partes inteiras, rendi-
ambiência importante é a renovação de mento de carcaça), idade de abate, cus-
água na tubulação de água, ou também to da alimentação, densidade de aves e
conhecida como flushing. Em muitos tipo de alimento.
aviários modernos, este mecanismo já é
acoplado a um sistema de automação. O mais recomendável é entre 17 a 20
Em aviários sem o equipamento auto- horas de luz, sendo não recomendável
mático, a técnica pode ser realizada de programas em torno de 23 horas de luz
maneira manual, com custo baixo e alta (exceto nos primeiros dias), o que pre-
eficiência. judica o desempenho e bem-estar das
aves. Sempre siga rigorosamente o pro-
O flushing é recomendado para fran- grama estabelecido pelos técnicos da
gos de corte com idades mais baixas empresa integradora, fornecido a cada
e aquecimento do ambiente, especial- alojamento do lote.
mente quando a temperatura interna
do aviário se encontra acima de 24°C No primeiro dia, é recomendado 24
(CERATTO, 2011). horas de luz, visando estimular as aves
para maior consumo de ração e inges-
tão de água. Após isto, deve-se diminuir
gradativamente até chegar ao progra-
Iluminação ma de luz desejável. Outra recomen-
A luz possui grande importância fisio- dação é com relação a intensidade de
lógica para frangos de corte. Sabe-se luz. Segundo recomendações da Cobb
período de luz prolongado para aves (2013), devem ser atendidos 30 a 40 lux
aumenta o desempenho produtivo, na primeira semana e depois 5 lux no
com base no aumento de consumo e lugar mais escuro ao nível do piso.
melhoria da conversão alimentar. Toda-
via, a regra não é tão simples. Segundo
a AVIAGEN (2010), primeiramente o
produtor deve considerar a linhagem, Medidas das condições
sexo e qual a idade em que se trabalha térmicas no aviários
com um dado programa de luz. Aves
Temperatura, umidade e
mais adultas são mais adaptáveis a pe-
ríodos mais curtos de luz do que aves velocidade de vento
mais jovens. Em segundo lugar, se o Com o avanço tecnológico na avicul-
aumento for exagerado, ou seja, acima tura e o surgimento da automação nos
de 20 horas de luz, não somente haverá aviários, muitos avicultores deixam de

Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
- 51 -
lado a medição das variáveis térmicas, sensação de ‘abafamento’, também
por acreditar que o sistema automáti- aumentando o estresse por calor.
co de climatização e seus sensores fa- Além disso, pode ocorrer condensa-
rão isto por eles. De fato, tais sistemas ção de água (passagem do estado
possuem eficiente rede de sensores de de vapor para líquido) na superfí-
temperatura, umidade e pressão para cie do forro e na cortina/parede,
controlar desde o aquecimento, o fun- aumentando o risco de desenvol-
cionamento dos painéis evaporativos, vimento microbiano e excesso de
bem como também o acionamento umidade na cama;
dos exaustores. Porém, deve-se fazer um
controle diário, mesmo com tais senso- • Alta umidade e baixa temperatura:
res instalados, pois além destes pode- aumenta a sensação térmica por
rem apresentar falhas de funcionamen- frio nas aves. A água conduz mais
to, estes equipamentos são instalados calor do que o ar, provocando uma
em pequeno número do galpão, o que perda de energia térmica mais for-
acarreta numa determinação média de te nas aves do que em condição de
condições térmicas. O trabalhador deve conforto;
medir em vários pontos, nos animais e
na estrutura de alvenaria, para facilitar • Alta velocidade do vento: benéfico
a tomada de decisão sobre o melhor no verão para aves adultas. Todavia
procedimento de ambiência naquela o excesso pode provocar descon-
ocasião. forto e perda excessiva de calor. Tal
situação é mais crítica para animais
As variáveis mais importantes para as
jovens e também no frio. Deve-se
aves são a temperatura, umidade rela-
apenas ter a ventilação mínima nes-
tiva e velocidade do vento. Apesar da
tas etapas;
grande importância da temperatura do
ar e esta consistir na primeira preocu- • Baixa velocidade do vento: o nível
pação do avicultor em termos de am- de gases que são tóxicos para as
biência, ela nunca deverá ser analisada aves, especialmente a amônia e o
separadamente das demais. São as três dióxido de carbono podem alcan-
em conjunto que determinam o con- çar níveis alarmantes para o desen-
forto térmico nas aves:
volvimento das aves. Em épocas
• Baixa umidade e elevada tempera- quentes, as aves são mantidas em
tura: podem provocar desidratação estresse térmico por mais tempo,
nas aves, aumentando o estresse por dependendo das faixas de tempe-
calor. ratura e umidade do ar.

• Alta umidade e elevada tempera- Na Tabela 3 encontram-se os valores reco-


tura: impede o resfriamento eva- mendados de velocidade do vento para
porativo das aves, aumentando a frangos em diferentes idades (semanas).

Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
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Tabela 3: Velocidade do vento em relação às umidade. Requer uso de computador


diferentes idades do frango. para programação e transferência de
Velocidade do
dados e possui alta precisão no regis-
Idade (semanas) tro. Alguns tipos não podem ser utili-
vento ideal (m/s)
zados em ambientes externos ou em
1ª semana 0,2
ambiente com umidade relativa acima
2ª semana 0,5 de 90%. Para alguns modelos de equi-
3ª semana 0,8 pamento, o custo é alto e precisa ser
4ª semana 1,5 calibrado periodicamente.
5 - 7ª semana 2,5
Fonte: Cobb, 2013. • Termômetro de infravermelho: mui-
to útil para medições de superfícies,
como cama do aviário, temperatura
Equipamentos de medição superficial das aves, telhados, forros
Os avicultores especializados devem e qualquer superfície de alvenaria
investir na aquisição de alguns equipa- dentro do galpão. Possui baixo custo
e pode ser utilizado em qualquer situ-
mentos para mensurar a temperatura,
ação. Todavia, exige treinamento para
umidade relativa e velocidade do ven-
posicionar o equipamento de forma
to. Tal aquisição possibilita a tomada de
correta, evitando leituras erradas.
decisão do avicultor com base em va-
lores concretos, em ‘pistas’ que possam • Anemômetro ou medidor de veloci-
ajudá-lo a corrigir desvios na climatiza- dade do vento: este equipamento é
ção. Segue abaixo alguns dos equipa- fundamental para verificar o fluxo de
mentos utilizados: ar no galpão, o quanto está chegando
de ar nas aves e o funcionamento dos
• Termo higrômetro analógico ou me-
exaustores. Possui médio custo e fácil
didor de temperatura e umidade: tra-
aplicação dentro e fora do aviário.
ta-se de um equipamento com dois
bulbos, os quais juntos possibilitam a • Controladores de ambiente: Também
determinação tanto da temperatura, conhecidos por painel controlador,
quanto da umidade relativa do ar. Seu o equipamento contém uma central
uso está sendo descontinuado em inteligente que é capaz de monitorar
substituição ao digital. Baixo custo de todos os parâmetros acima, além da
aquisição, podendo ser instalado tanto pressão estática.
em ambiente interno quanto externo.

• Termo higrômetro digital com função


automática de registro de temperatu- Tabela de Entalpia
ra e umidade (data logger): atualmen- Na ambiência avícola, existem muitos
te consiste em um dos mais modernos índices para avaliação do ambiente
tipos de medidores de temperatura e térmico das aves. Ou seja, uma equa-

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ção que possibilita juntar em um único PEA/ESALQ/USP), o índice consiste em
indicador todas as variáveis térmicas uma equação que possui como variável
de interesse e seus efeitos. Esta faci- de entrada a umidade relativa e tempe-
lidade de ter um número atribuído a ratura. Todavia, a grande vantagem des-
uma faixa que possa indicar aos pro- te índice é que foi elaborado um con-
dutores qual momento para tomada junto de tabelas que facilitam a análise
de ações para melhoria do conforto dos técnicos e produtores de frangos de
térmico das aves. Todavia, a maioria corte. As tabelas práticas de entalpia são
dos índices utilizam variáveis bem di- divididas por semanas de criação, devi-
fíceis de serem medidas no dia a dia do à necessidade diferenciada quanto à
do produtor. Outros consistem em mo- temperatura combinada com a umida-
delos bastante complexos, que são de de. Em cada uma existem quatro faixas
difícil interpretação. de cores, que simboliza as transições
entre as situações de conforto e estres-
Desta forma, um dos índices de fácil uso se térmico, a saber: verde (situação de
para os produtores é o Índice Entalpia conforto térmico), amarela (situação de
de Conforto Térmico (H). Elaborado pelo alerta), laranja (situação crítica) e verme-
Núcleo de Pesquisa em Ambiência (NU- lha (situação letal para frangos).

Tabela prática para avaliação do ambiente de galpões de frangos de corte


Faixa de conforto para frangos de corte (1ª semana) - H variando de 80 a 86,6 KJ/Kg ar seco
Temperatura (ºC)
UR(%) 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41
40 66,8 68,4 70,1 71,8 73,5 75,3 77,1 78,9 80,8 82,8 84,7 86,8 88,8 90,9
45 68,1 69,8 71,5 73,3 75,2 77,0 78,9 80,9 82,9 84,9 87,0 89,1 91,3 93,6
50 69,4 71,2 73,0 74,9 76,8 78,7 80,7 82,8 84,9 87,1 89,3 91,5 93,9 96,3
55 70,7 72,5 74,4 76,4 78,4 80,5 82,6 84,7 86,9 89,2 91,5 93,9 96,4 98,9
60 72,0 73,9 75,9 77,9 80,0 82,2 84,4 86,6 89,0 91,4 93,8 96,3 98,9 101,6
65 73,3 75,3 77,4 79,5 81,7 83,9 85,2 88,6 91,0 93,5 96,1 98,7 101,4 104,2
70 74,6 76,7 78,8 81,0 83,3 85,6 83,0 90,5 93,0 95,6 98,3 101,1 104,0 106,9
75 75,8 78,0 80,3 82,6 84,9 87,3 89,8 92,4 95,1 97,8 100,6 103,5 106,5 109,6
80 77,1 79,4 81,7 84,1 86,5 89,1 91,7 94,3 97,1 99,9 102,9 105,9 109,0 112,2
85 78,4 80,8 93,2 85,6 88,2 90,8 93,5 96,5 99,1 102,1 105,1 108,3 111,5 114,9
Fonte: Adaptado de Barbosa Filho et. al. 2006.

Tipos de climatização primeiros dias após o alojamento, bem


como em regiões no sul do país que
Aquecimento
possuem invernos rigorosos, com faixas
O aquecimento na avicultura é um re- de temperatura média nesta época abai-
curso importante, especialmente nos xo de 18ºC. A uniformidade de um lote

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pode ser afetada se os pintainhos forem Visando o alojamento e o conforto tér-
mantidos em ambientes fora da faixa de mico dos animais, o aviário deve ser
conforto (abaixo de 28ºC). As característi- aquecido com 6 a 24 horas de antece-
cas dos animais que justificam um bom dência buscando a temperatura ideal
sistema de aquecimento são: de ambiente e cama.

• Falta de empenamento; Quanto ao tipo de aquecedores, se-


gundo Abreu (2003), existem dois gru-
• Baixo peso corporal; pos de aquecimento com o objetivo
• Sistema termo regulatório ainda ima- de manter a temperatura dentro da
zona de termo neutralidade para as
turo;
aves: aquecimento central e aqueci-
• Conversão alimentar é mais eficiente mento local.
na fase inicial.
• Aquecimento central: possui como
O aquecimento envolve preparo prévio princípio de funcionamento o
do aviário, como por exemplo, a utili- aquecimento homogêneo do vo-
zação da forração no piso. Esta técnica lume de ar do galpão. Atualmente,
auxilia na troca térmica por condução, os aviários mais modernos e auto-
além de conservar melhor o calor den- matizados utilizam este mecanis-
tro do galpão. Deve ser forrado de 80 a mo, consistindo em uma central de
100% do pinteiro, sendo que a duração aquecimento externo ou interno
desta forração deve ser de dois a três ao galpão e a distribuição através
dias. Os materiais recomendados são: de tubos metálicos para a região
de interesse, também chamados de
• Papel forração (ou também chamado turbo aquecedores. Muito utilizado
papel pardo): este é o melhor mate- em regiões frias e em galpões com
rial, devido à característica de maior elevado nível tecnológico;
conservação de calor durante o perí-
odo inicial; • Aquecimento local: muito utilizado
em círculos de proteção, quando se
• Jornal: este deve ser evitado e utiliza- deseja o aquecimento de uma su-
do somente em último caso, devido perfície reduzida no galpão. Muito
aos possíveis problemas de biossegu- eficiente quanto à economia de ener-
ridade; gia, visto que o sistema é dimensiona-
do apenas para aquecer o local onde
Além de auxiliar no conforto térmico ficam as aves. Utilizado em aviários
dos animais, a forração estimula o con- convencionais ou com baixo nível
sumo rápido de ração, evita o consu- tecnológico de climatização.
mo da cama e evita que o pintainho
fique em contato com a umidade da Existem no mercado diversos tipos de
cama. 45 aquecedores que atendem às diversas

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condições de produção avícola no Bra- Ventilação
sil. Dentre eles, destacam-se os seguin- A ventilação é o principal recurso de cli-
tes equipamentos (ABREU, 2003): matização utilizado na avicultura indus-
trial. Todo o investimento na nutrição e
• Aquecedores à lenha: um dos mais melhoramento genético pode ser inútil
antigos sistemas utilizados na avi- se a renovação de ar em um galpão for
cultura. Possibilita a combustão da mal gerenciada. Apesar das tecnologias
madeira e a suplementação de calor de automação presentes nos galpões, o
via condução, por meio da instalação produtor e o técnico devem ficar aten-
de tambores ou sistemas de distribui- tos à variação da velocidade do vento
ção de calor em tubos. Atualmente dentro dos aviários.
os aquecedores passaram a também
realizar combustão de carvão. A prin- A boa ventilação traz os seguintes be-
cipal desvantagem deste sistema nefícios para as aves:
consiste na queima incompleta da • Reduz a temperatura retal das aves,
lenha, gerando altas concentrações mantendo em torno de 41,5ºC;
de gás carbônico, podendo resultar
em fumaça dentro do galpão se mal • Reduz a taxa respiratória (maioria
dimensionado; das aves sem bico aberto por muito
tempo);
• Aquecedores a gás: um dos mais co-
muns para aquecimento local nos • Introduz oxigênio no galpão, extrain-
aviários. Consiste na combustão de do o excesso de CO2 e amônia;
gás natural ou GLP (gás liquefeito
• Previne o acúmulo de amoníaco, pelo
de petróleo). Pode ser utilizado com
controle da umidade da cama e do ar;
campânulas, localizados próximos
às aves em círculos de proteção. A • Economia na energia elétrica, devido
desvantagem é o aquecimento não ao uso eficiente e de precisão dos
uniforme, e os gases provenientes da ventiladores ou exaustores.
combustão podem prejudicar o apa-
relho respiratório dos pintainhos;

• Aquecedores elétricos: consistem no Tendências no manejo de


uso de resistências elétricas ou lâmpa- frangos de corte
das infravermelhas, destinado para aves Com o passar dos anos observa-se um
criadas em grupos reduzidos. A grande incremento nos índice produtivos de
vantagem deste sistema é a ausência frangos de corte, que são sustentados
de gases nocivos às aves. A desvanta- pela: evolução genética, nutrição balan-
gem é o custo elevado de energia elé- ceada, controle sanitário e manejo que
trica, o que reduziu ao longo do tempo forneça o ambiente adequado para que
sua utilidade na avicultura atual. as aves desempenhem todo seu poten-

Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
- 56 -

cial genético, assim sendo podemos nificação em todos os setores de cadeia


esperar cada vez maiores níveis de tec- avícola.

Referências bibliográficas

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Anais SIAVS 2015 - Ações de manejo para melhorar o resultado de produção de frangos
- 57 -

Animal welfare measures and


international trade law and practice

Carolina T. Maciel, Ph.D


Wageningen University, Porto Alegre/RS

Over the past few decades, the regula- Ever since the establishment of the
tory framework for animal protection World Trade Organization (WTO) in
in many countries have been modified 1995 there have been controversies
so to include minimum welfare requi- regarding the possibility of import tra-
rements for the use of animals. This de requirements to be adopted on the
means that besides legal provisions on grounds of animal welfare concerns.
animal cruelty, many jurisdictions have This is because the rules embodied in
also adopted measures to protect and the WTO are very restrictive regarding
promote the physical, behavioral and product differentiation based on me-
psychological needs of animals. In light thods of production. The uncertainty
of this evolving governance of animal regarding the compatibility of WTO
welfare issues, discussions arose regar- law and animal welfare measures have
ding the relationship between animal led to a high degree of cautions on the
welfare measures and international part of some legislators, which ultima-
trade law. In particular, discussions have tely resulted in many animal welfare
been held on whether and how animal regulatory measures been amended
welfare measures could be incorpora- or postponed (Cook and Bowles, 2010;
ted in international trade relations. Stevenson, 2009). In the coming years,

Anais SIAVS 2015 - Animal welfare measures and international trade law and practice
- 58 -
however, some legislators may find 25 November 2013) and the Appellate
themselves tempted to drop this cau- Body (on 22 May 2014) upheld the EU’s
tion attitude since in a recent WTO dis- public morals defence under Article
pute it was decided that animal welfare XX(a).
concerns fall within the scope of the
exceptions listed in Article XX of the The decision taken by the WTO adju-
dicatory bodies, undoubtedly, set an
General Agreement on Tariff and Trade
important legal precedent for future
(GATT).
assessment of animal welfare measures
This decision was taken within the under the WTO framework. This deci-
context of a trade dispute initiated by sion indicates that within the multilate-
Canada and Norway against the Eu- ral trading system there is space to ac-
ropean Union (EU) measures relating commodate moral concerns regarding
to seal products, namely Regulation the treatment of animals. Nonetheless,
(EC) n. 1007/2009 and Regulation (EC) cautions on the part of legislators are
n. 737/2010. In brief, these Regulations still necessary when drafting animal
prohibit the marketing of products welfare measures, specially import
derived from seals on the EU market. bans. This is because the EC-Seal Pro-
Canada and Norway, who are among ducts case concerned a specific situ-
the largest producers of seal products, ation of hunting where environmental
claimed that the above measures are conditions render it impossible to apply
inconsistent with the obligations of the and enforce requirements of huma-
European Union under the multilateral ne killing methods in an effective and
trading system because, among other consistent manner. Thus, the reasoning
provisions, these measures violate Ar- adopted by the Panel (and endorsed by
ticle I:1, III:4 and XI: 1 of GATT 1994. In the Appellate Body) was that an import
ban, which is the most trade-restrictive
its defence, the EU invoked the ‘public
measure a country can adopt, were ne-
morals’ exception in GATT Article XX(a).
cessary measure to ensure the desired
According to the EU, the Seal Regime is
level of animal protection.
necessary to protect deep and longs-
tanding moral concerns of the EU pu- However, in circumstances of a con-
blic with regard to the presence of seal trolled environments, as in the case of
products on the EU market that may farm animals, import bans may not be
have been obtained from animals kil- deemed necessary and thus less-trade
led in a way that causes excessive pain, restrictive measures like certification
distress, fear or other forms of suffering and labeling requirements will need to
to the animals. Despite repeated argu- be adopted instead. Within such con-
mentation by Canada and Norway that text, it is important for legislators not to
the EU has failed to show that addres- lose sight of the standards developed
sing public moral concerns is the objec- by the World Organisation for Animal
tive of the EU Seal Regime, the Panel (on Health (OIE).

Anais SIAVS 2015 - Animal welfare measures and international trade law and practice
- 59 -
Since an OIE Animal Welfare Working fication drafted on the basis of OIE ani-
Group was inaugurated at the 70th mal welfare will redress a major concern
General Session of the OIE in May 2002, regarding the use of private standards,
ten chapters on animal welfare recom- that is the lack of scientific basis.
mendations have been incorporated
in the OIE Terrestrial Code and ano- Addressing societal concerns through
ther four in the OIE Aquatic Code. Even private standards has become a com-
though these recommendations have mon practice in domestic and inter-
not (yet) been formally granted the national trade relations. Research has
same special status that OIE animal he- shown that such practice has contribu-
alth standards have in relation to WTO ted to spread animal welfare practices
legal framework1, in practice these re- and policies within and across several
commendations have been offering a countries (Maciel, et al 2015; Fulponi,
good benchmark for importing and ex- 2006; Lindgreen and Hingley, 2003).
porting countries to reach a common Nonetheless, concerns have mounted
understanding on animal welfare. A about potential negative effect of pri-
well known example is the trade agre- vate standards that are implemented
ement between European Union and on the basis of pure commercial con-
the Republic of Chile2, which asserted siderations. Some of these concerns
OIE animal welfare standards as a refe- relate with the inadequacy of imple-
rence for establishing equivalence in menting standards of one region in
import requirements (Stuardo and Ma- another given the potential for a loss
ciel, 2013). OIE animal welfare standards (in contrast with a increase) in animal
are also currently serving as a basis for welfare. Another concern regarding the
the International Organization for Stan- lack of scientific basis in private stan-
dardization (ISO) to draft an technical dards, refers to a potential arbitrariness
specification for animal welfare. The ex- in the discrimination of products, whi-
pectation is that an ISO technical speci- ch would constitute an unlawful trade
barrier. To avoid these negative poten-
1
The OIE, along with the Codex Alimentarius Com- tials is that OIE is collaborating and for-
mission and the International Plant Protection Con-
vention, is one of the so-called “three sisters”, whose ming partnerships with organisations
standards, guidelines and recommendations are representing all relevant sectors of the
specifically recognised in the World Trade Organi- production and distribution chain for
zation’s Sanitary and Phytosanitary (SPS) agreement.
This means that OIE standards for animal health and animals and animal products to deve-
zoonosis serve as a references to international trade lop and promote the OIE animal welfare
system. As such, when a country defines import re- standards as the key reference for natio-
gulation in conformity with OIE recommendations
there is a presumption of conformity with the SPS nal, regional and international trade. In
Agreement. doing so, Members of the OIE seek to
2
European Union –Republic of Chile Agreement on ensure that both public and private
Sanitary and Phytosanitary Measures Applicable to
Trade in Animals and Animal Products, Plants, Plant standards for animal welfare are consis-
Products and Other Goods and Animal Welfare. tent with the OIE standards.

Anais SIAVS 2015 - Animal welfare measures and international trade law and practice
- 60 -
Following on from this, one sees that arrangements for ensuring high stan-
animal welfare are increasingly gaining dards of animal welfare. Nonetheless,
space in the law and practice of inter- caution is needed to so ensure that also
national trade. That gives policy make- the principles of multilateral trading
rs greater scope to develop regulatory system are not disregarded.

List of references

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Anais SIAVS 2015 - Animal welfare measures and international trade law and practice
- 61 -

Genética Suína:
onde estamos e até onde podemos chegar

Fernando A. Pereira
Engenheiro Agrônomo, M.Sc.
Presidente Executivo da Agroceres

Breve retrospecto poníveis naquela época – algo que já


Se analisarmos as últimas décadas da vinha ocorrendo com maior intensida-
suinocultura brasileira, identificaremos, de em alguns outros países, principal-
com certa facilidade, alguns marcos re- mente da Europa e América do Norte.
levantes da contribuição genética para o Tais métodos priorizavam a melhoria de
expressivo crescimento dessa atividade, características de alta relevância eco-
em todos os seus principais indicadores nômicas na atividade, tais como a taxa
de mercado e de eficiência zootécnica. de crescimento, eficiência de conver-
são alimentar e espessura de toicinho,
A primeira mudança de expressão, no em substituição aos tradicionais méto-
que se refere ao aspecto genético, re- dos de seleção fenotípica, baseados na
monta os anos sessenta e setenta, quan- escolha dos melhores animais, tendo
do ocorreu a maior transição do tipo de como critério uma avaliação visual.
animal utilizado, migrando do chamado
“tipo banha” para o “tipo carne”. Já nos anos oitenta, disseminou-se o
conceito de aproveitamento do vigor
Ainda nos anos setenta, teve início no híbrido com o uso de fêmeas cruzadas;
Brasil a aplicação de métodos cientí- ocorreu, também, o desenvolvimento
ficos de seleção, usando técnicas dis- de linhas genéticas distintas para pro-

Anais SIAVS 2015 - Genética suína: onde estamos e até onde podemos chegar
- 62 -
duzir machos reprodutores (linhas pa- cursos hoje disponíveis em Tecnologia
ternas) e para produzir matrizes (linhas da Informação.
maternas), mediante a adoção de obje-
tivos distintos de seleção.

Talvez o maior marco dos anos noventa, Onde estamos?


no que se refere à genética, tenha sido A grande evolução da tecnologia de
o surgimento dos marcadores molecu- genotipagem, que possibilitou atingir o
lares, o que configura a primeira tecno- atual estágio de desenvolvimento dos
logia da genética molecular aplicada ao métodos de avaliação e seleção dos
melhoramento genético de suínos. É o suínos, já em uso comercial, está bem
caso do marcador para o Gene Halota- explicada por Herring W. (2015), como
no, para eficiência reprodutiva (ESR) e veremos a seguir.
para conversão alimentar (PT1).
Até recentemente nós utilizávamos pai-
Neste novo milênio já tínhamos, por- néis com poucos marcadores de DNA,
tanto, conhecimentos aplicados da em razão do alto custo de genotipagem
genética quantitativa, convivendo lado de cada animal e da tecnologia disponí-
a lado com aqueles da genética mole- vel. Em 2009, um novo chip tornou-se
cular. Mas as tecnologias dessas duas comercialmente disponível, permitindo
áreas de conhecimento não estavam uma rápida descrição de aproximada-
ainda adequadamente integradas em mente 60 mil genótipos distribuídos no
um único sistema que possibilitasse genoma de cada suíno avaliado. Contu-
tratá-las como um processo único e oti- do, esse novo chip era ainda caro (cerca
mizado de seleção. Além disso, nessas de US$150 por animal) na ocasião de
três décadas aqui comentadas, ocorre- seu lançamento. Nesse mesmo período
ram também evoluções expressivas nas Legarra et al. (2009) desenvolveram um
técnicas que já vinham sendo utilizadas, algoritmo para utilizar informações de
com vantagens importantes nos ga- alta densidade de marcadores, a partir
nhos econômicos auferidos nos bons de um novo chip que descreve de for-
programas de seleção. ma mais precisa os segmentos do ge-
noma que os animais têm em comum.
O período seguinte, que nos remete à Seus modelos tinham e têm ganhos de
realidade com a qual nos deparamos escala, uma vez que a tecnologia bara-
no momento atual, foi marcado por teia e modifica com o passar do tempo.
grande evolução das ferramentas da Em termos práticos, isto possibilita esti-
genética molecular e pela integração mar os segmentos gênicos que dois in-
dessas duas áreas de conhecimento divíduos têm em comum, com base no
no campo do melhoramento genéti- resultado dos seus genótipos em vez
co: a genética quantitativa e a genética da expectativa teórica decorrente do
molecular. E o sucesso dessa integração fato de que cada pai transfere, ao acaso,
decorre, em grande parte, dos fartos re- metade dos seus genes a cada filho.

Anais SIAVS 2015 - Genética suína: onde estamos e até onde podemos chegar
- 63 -
Exemplo de um sofisticado e eficiente animal ou porque só se manifestavam
processo de seleção que incorpora to- em um dos sexos.
dos esses desenvolvimentos é descrito
por Culbertson & Nascimento (2014). Esta recente aceleração do progresso
Os principais componentes deste pro- genético gerou também a oportunida-
cesso são: de e viabilidade da adoção de técnicas
que proporcionam drástica redução no
1.
Sequenciamento do genoma de atraso genético entre as Granja Núcleo
todo o plantel de reprodução das (granjas onde são selecionadas as linhas
granjas núcleo e de todos os suínos puras) e as granjas comerciais, com ex-
nela avaliados; pressivos ganhos econômicos. Isto é
feito por um processo que monitora o
2. Obtenção das informações fenotípi- valor genético dos suínos usados para
cas para as características, objeto da reprodução e que utiliza métodos al-
seleção, para cada indivíduo avaliado; tamente eficiente de disseminação de
genes de reprodutores que têm valor
3. Obtenção de informações de indiví-
genético muito alto. Novas tecnologias
duos parentes, avaliados em granjas
de reprodução como, por exemplo, a
comerciais;
Inseminação Intrauterina e o uso eficaz
4. Utilização de um amplo banco de da- de sêmen com menor concentração
dos de indivíduos parentes daqueles espermática, também contribuem para
sendo avaliados; aumentar tais ganhos.

5. Estabelecimento da Matriz de Paren-


tesco, baseada na análise de genoma;
O futuro
6. Cálculo do valor genético de cada in- Os recentes desenvolvimentos aqui
divíduo na proporção real dos genes apresentados possibilitam concluir que
comuns entre eles. estamos em uma fase de transição de
tecnologia aplicada na seleção de suí-
Os cálculos mostram que esse processo
nos, cujos benefícios só agora come-
resulta em um incremento de 35% no
çam a chegar ao produtor comercial.
progresso genético, em relação ao que
Como consequência, veremos nos pró-
se obtinha anteriormente. Além disso,
ximos anos a genética contribuindo
agora é possível auferir um progresso
com ganhos de eficiência superiores
genético expressivo em características
àqueles percebidos em anos anterio-
que apresentavam baixa taxa de res-
res. Além disso, essas novas tecnolo-
posta à seleção, fosse porque tinham
gias abrem espaço para o surgimento
baixa herdabilidade (relação entre a va-
de outras áreas de oportunidade que
riabilidade genética e a variabilidade fe- já têm ou terão importante relevância
notípica), fosse porque não eram possí- econômica. Dentre elas, podemos ci-
veis de serem avaliadas diretamente no tar: seleção para reduzir incidência de

Anais SIAVS 2015 - Genética suína: onde estamos e até onde podemos chegar
- 64 -
leitões com baixo peso ao nascimento; ciência de conversão da ração utilizada
seleção para aumento da habilidade de pelas matrizes e para redução de per-
produção de leite; para melhoria de efi- das no transporte.

Referências bibliográficas

Legarra A, Aguilar I, Misztal I: A relationship ma- Seminar 2015 (https://www.banffpork.ca/)


trix including full pedigree and genomic in- Culbertson M, Nascimento J D: Tendências do
formation. J. Dairy Sci 2009, 92: 4656-4663 Melhoramento Genético de Suínos. Revista
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Anais SIAVS 2015 - Genética suína: onde estamos e até onde podemos chegar
- 65 -

RECOMMENDATIONS ON the USE OF SALMONELLA


VACCINES IN CHICKENS

De Cort, W.
Ducatelle, R.
Van Immerseel, F.
Department of Pathology, Bacteriology
and Avian Diseases, Faculty of Veterinary
Medicine, Ghent University, Merelbeke, Belgium

Salmonella as a chicken store (room temperature), handle and eat


product-derived human (uncooked) eggs, Salmonella Enteritidis
had and still has a major impact on hu-
pathogen
man health. While total Salmonella conta-
The annual number of Salmonella infec-
mination levels are decreasing in recent
tions in humans is high worldwide. The-
years in many countries (e.g. EU), the anti-
se infections are caused by the so called
microbial resistance of the Salmonella iso-
non-host specific or broad-host range
lates is still increasing. Especially serotype
Salmonella serotypes, i.e. serotypes that
Typhimurium is causing concerns. Salmo-
can colonize the gut of many animal
species, including humans. Salmonella nella Typhimurium infections are derived
Enteritidis is one of these serotypes, and from consumption of porcine and poultry
is of particular importance because it can meat. In addition to the human infections
spread to the reproductive tract and con- caused by the 2 predominant serotypes,
taminate eggs. A worldwide egg-associa- Enteritidis and Typhimurium, also other
ted salmonellosis pandemic has started serotypes can cause human gastroente-
in the ‘70s and is currently fading away ritis. These are mainly derived from meat
in many countries, thanks to huge efforts sources, and the nature of the serotypes
of policy makers and the poultry indus- depends on the geographical location,
try. This pandemic has been specifically and changes during time. Serotypes such
caused by the serotype Enteritidis. Due to as Hadar, Infantis, Paratyphi B, Heidelberg,
its preferential association with hen eggs, Minnesota and many others can be deri-
combined with the way humans tend to ved from poultry meat.

Anais SIAVS 2015 - Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens


- 66 -
Salmonella as a resorptive epithelial cells are involved.
chicken pathogen The bacteria are also shed intermit-
tently in the faeces. A crucial step in the
Some Salmonella serotypes are parti-
pathogenesis of Salmonella is the pro-
cularly causing systemic disease in 1
cess of invasion into intestinal epithelial
animal species. These serotypes are the
cells. Upon contact with intestinal epi-
so-called host-specific serotypes and
thelial cells, Salmonella bacteria inject a
include, among others, Salmonella Typhi
(humans), Cholerasuis (pigs), and Salmo- set of bacterial proteins into host cells.
nella Gallinarum and Pullorum (chicke- The main effect of the injected proteins
ns). Salmonella Gallinarum causes fowl is the rearrangement of the cytoskele-
typhoid, a severe septicaemic disease ton of the intestinal epithelial cells, in
in layers that is still a major problem in such a way that bacteria are engulfed
the Middle East, Asia (including China), by ruffles on the host cell membrane,
South America and Africa (and still oc- resulting in uptake by the epithelial cell.
casionally in the EU and US). Symptoms This process is called invasion. The pro-
in layers include anorexia, diarrhea, ane- teins that are injected in the eukaryotic
mia, a decreased laying percentage, but cells also play a role in the attraction of
the major issue is the high mortality immune cells to the gut wall. The ma-
it can induce in both chicks and adult crophages may take up bacteria pene-
hens, with mortality rates reported to trating through the caecal mucosa. This
above 50% of a flock. is the start of the systemic phase of the
infection. Salmonella bacteria can be in-
ternalized by phagocytosis into macro-
phages. Salmonella bacteria can survive
The pathogenesis of within and replicate in macrophages.
Salmonella infections These cells can go back into the blood
stream and can thereby spread the bac-
in poultry
teria to the internal organs, such as liver,
1) Non host-specific serotypes spleen, ovary and oviduct, where the
Chickens usually are infected by oral bacteria can be found in large numbers.
uptake of bacteria from the environ- Contamination of poultry meat can
ment. Salmonella bacteria are able to thus be caused by contamination in the
survive gastric acidity and can therefore slaughterhouse when faecal material or
pass the stomach to reach the intestinal gut content (or internal organ material)
tract of the animal. In the chicken, the is contaminating the carcasses during
caeca are the predominant sites of Sal- the slaughter process (for example evis-
monella colonization. The bacteria can ceration, defeathering).
adhere to intestinal epithelial cells by
specific adhesin-receptor interactions Eggs can be contaminated either ex-
in which bacterial fimbriae and man- ternally (on the shell) or internally. Shell
nosylated residues on the mucous and contamination is caused by contamina-

Anais SIAVS 2015 - Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens


- 67 -
tion during or after lay, because faecal rotypes because they do not colonize
material or Salmonella bacteria present the gut extensively, but cause systemic
in the environment contaminate the ou- infection and bacteraemia, leading to
ter shell. Internal egg contamination can death in severe cases. The actual reasons
be caused by Salmonella bacteria that for the different pathogenesis is not
are transported through the eggshell completely clear, but S. Gallinarum is not
after shell contamination. In addition, in- evoking inflammation in the gut, pro-
ternal egg contamination can be caused bably because they do not cause TLR5
by Salmonella bacteria that are incorpo- activation because of the lack of flagella.
rated in the forming egg during passage They persist in splenic macrophages
in the oviduct. Salmonella can colonize and seem to modulate the avian immu-
the oviduct after systemic spread and ne response away from a protective Th1
thus easily contaminate the egg com- response (Chapell et al., 2009).
ponents, depending on the site of colo-
nization (magnum, egg white; isthmus,
shell membrane). While all Salmonella Non host-specific
serotypes are able to colonize the gut
serotype distribution in
and internal organs, Salmonella Enteriti-
dis is far more capable to persist in the layers and broilers
oviduct as compared to other serotypes. The high prevalence of serotype Ente-
In addition, Salmonella Enteritidis strains ritidis in table eggs (more than 90% of
have been shown to be superior in egg Salmonella positive eggs are contami-
white survival. The egg white is very anti- nated with strains from the serotype
bacterial (high pH, a variety of antimicro- Enteritidis) is not completely consistent
bial proteins and peptides) and is killing with the serotype distribution in laying
most bacteria, including most Salmo- hens. For example, in 2006, 4.8% of the
nella serotypes, but Enteritidis strains are EU laying hen flocks were found Sal-
rather resistant. These characteristics of monella positive, and about 75% of all
Salmonella Enteritidis explain its success isolates were serotype Enteritidis strains
in contaminating and infecting humans. (EFSA, 2007). More than 10% were Sal-
In addition, Salmonella Enteritidis is not monella Typhimurium strains, and a
growing in egg white, but only staying range of other serotypes was found in
alive and thus no sensory or visual chan- laying hen flocks. A large-scale baseli-
ges occur in the contaminated eggs. ne study of the European Food Safety
Consumers are thus not alerted. Authority (EFSA) in 2005 revealed the
presence of Salmonella spp. in 30.7%
of 4561 large-scale laying hen holdings
in the EU (EFSA, 2006). More than 51%
2) Host-specific serotypes of all Salmonella isolates of the EFSA
Host-specific serotypes are different as baseline study were Salmonella Enteri-
compared to the broad host-range se- tidis strains. The fact that different non

Anais SIAVS 2015 - Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens


- 68 -
-Enteritidis serotypes can be isolated a clear relation between the serotype
from 25-50% of the Salmonella infected distribution in broiler flocks and broiler
laying hen flocks, while more than 90% meat, and the proportion of human
of all isolates from eggs are serotype Salmonella infections that is caused by
Enteritidis strains (and the other 10% consumption of broiler meat (relative
are derived from a minority of member to egg consumption) cannot be easily
states), implicates that the serotype En- estimated.
teritidis harbors some intrinsic charac-
teristics that lead to a specific interac-
tion with either the reproductive tract
Monitoring and control
of chickens, or the egg components, as
discussed above. programs
Monitoring programs are of utmost
For broilers, a Salmonella baseline sur- importance in a global strategy of con-
vey, carried out under supervision of trolling Salmonella, because they as-
EFSA from October 2005 till September sess the prevalence of infected flocks
2006, observed a mean EU Salmonella (or even the within-flock prevalence,
prevalence of 23.7% (EFSA, 2007). The depending on the method used) and
five most frequently isolated Salmo- detect changes in prevalence. They can
nella serotypes at the EU level (in the thus be used to evaluate the efficacy of
baseline study) were Enteritidis, (37.1%), control methods and programs. Perio-
Infantis (20.4%), Mbandaka (7.9%), dic testing using bacteriological detec-
Typhimurium (4.6%) and Hadar (4.1%). tion methods is the most widely used
Many more different serotypes are cir- method, but serological methods can
culating in the broiler population as also be of value. Bacteriological testing
compared with laying hen flocks. When methods are often based on excretion
the data from Hungary are excluded of Salmonella, and thus have inherent
(more than 50% of all EU broiler meat problems with sensitivity because in-
samples were from Hungary), Salmo- fected chickens shed Salmonella in-
nella Enteritidis was the most frequent termittently. This can partly be overco-
meat-contaminating serotype, followed me by using mixed faecal samples so
by Paratyphi B var. Java, Infantis, Brede- that faecal material of many animals is
ney and Typhimurium. Besides these, analysed. The within-flock prevalence
many other serotypes can contaminate can however also be low, and if only a
broiler meat. With respect to prevention low number of animals shed Salmonella,
of human Salmonella infections, in the- this method will most likely often not
ory all serotypes should be controlled in detect these infections. The sampling
the primary poultry production, as all of method and analytical method are thus
these can potentially be transmitted to having a crucial role. Environmental, fa-
humans by meat contamination in the ecal, cloacal and even organ samples
slaughterhouse. There is however not can be used for monitoring purposes.

Anais SIAVS 2015 - Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens


- 69 -
Although it is difficult to calculate the Antibody detection tests are available
exact number of pooled samples that in ELISAs and typically detect either O
needs to be taken to be able to de- antigens (LPS) or H antigens (flagelllin).
tect a certain within-flock prevalence, While bacteriological detection me-
in general the lower the within-flock thods have a higher chance to detect
prevalence, the more samples need positive animals in the early period
to be taken. If a number of samples is post-infection due to higher excretion,
analysed and 1 sample is positive, the serological tests can detect positive ani-
flock is considered to be Salmonella po- mals a long time post-infection and do
sitive. This positivity is thus not giving not detect antibodies in the early pos-
information about the actual number t-infection period due to the dynamics
of infected animals and the coloniza- of antibody production after infection.
tion level in the animals. The analytical Not all animals however generate an ef-
methods used to detect Salmonella are ficient antibody response, and also here
based on enrichment of the samples for the number of samples to be taken is
Salmonella and plating of the enriched not easy to calculate, and this depends
material on different selective media, on the actual minimal to be detected
often followed by serotype identifica- within-flock prevalence and the accu-
tion. The frequency of the sampling is racy that is defined beforehand. Both
depending on the animal type (bree- methods thus have advantages and di-
ders, layers, broilers) and the produc- sadvantages.
tion stage (e.g. pullets vs layers). Often
the frequency is higher for breeders as Although control tools are available to
compared to layers, because these ani- reduce Salmonella colonization, there
mals can contaminate the whole pro- needs to be a general strategy on the
duction chain by vertical transmission. control methods to be used and defi-
As an example, under EU legislation ning the situations in which specific
(2160/2003), sampling and detection measures need to be implemented,
of all Salmonella serotypes with public but also on the actual consequences of
health significance should be done ac- finding Salmonella positive samples. For
cording to the following schemes: (a) example, for breeding flocks this can
breeding flocks: day-old, 4 weeks, 2 we- mean that the hens need to be eradica-
eks before transport to the laying unit ted when certain Salmonella serotypes
and every 2 weeks during lay; (b) laying are detected. For layers and broilers the
hens : day-old, 2 weeks before transport finding of certain serotypes could imply
to the laying unit and every 15 weeks that the eggs or meat has to be treated
during lay; (c) broilers : before transport in way that kills the bacteria before
to the slaughterhouse. In addition to the feed is being marketed. For exam-
bacteriological detection, also antibo- ple, in the EU (Regulation 2160/2003)
dy responses in serum can be used to in case of an infection with Salmonella
monitor the Salmonella status of a flock. Enteritidis or Typhimurium in breeding

Anais SIAVS 2015 - Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens


- 70 -
flocks, non-incubated hatching eggs flocks. General targets (maximum num-
should be destroyed or used for human bers of positive flocks per region), set by
consumption following treatment in a governments, on the Salmonella status
manner that guarantees the elimination of flocks in regions or countries, can be
of Salmonella Enteritidis and Typhimu- helpful. This is what was done in the EU
rium. All birds from these flocks must and control measures in the individual
be slaughtered or destroyed, even the countries were established in relation
day-old chicks. Eggs derived from these to these targets. For example, in coun-
birds that are still present in a hatchery, tries with a very low prevalence eradi-
also have to be destroyed or treated cation of Salmonella positive flocks can
as described above. Another specific be an option, while vaccination can be
requirement is that eggs must not be important in countries with high preva-
used for human consumption as fresh lence (so vaccination of -layer flocks in
table eggs unless they originate from regions with a Salmonella status above
a commercial layer flock subject to a a certain threshold of positive flocks).
national control programme. Moreover,
eggs originating from flocks with unk-
nown health status, suspected of being
Vaccination and the use
infected or from infected flocks may
only be used for human consumption if of vaccines in poultry
treated in a manner that guarantees the A lot of experimental vaccines have
elimination of all Salmonella serotypes been produced for chickens, but also
with public health significance. The a variety of commercial vaccines are
use of control methods on the farms available on the market. These compri-
can be made obligatory, either or not se both live and inactivated vaccines.
depending on the Salmonella status of The currently available live vaccines are
the flocks, or even the Salmonella status produced by chemical mutagenesis or
of the flocks in a region. For example, in are selected on culture media as slow
the EU, vaccination programs against growing natural mutants (metabolic
Salmonella Enteritidis reducing the drift mutants). In general, it is believed
shedding and contamination of eggs that live vaccines induce better pro-
are applied at least during rearing to all tection because they stimulate both
laying hens in Member States as long as cell-mediated responses and antibody
they did not demonstrate a prevalence responses, while inactivated vaccines
below 10%. National control programs mainly induce antibody production. The
can for example impose measures in cell-mediated immune response howe-
broiler flocks, again either or not rela- ver is crucial in Salmonella control. Triple
ted to the Salmonella status of the flock. dose vaccination schemes are common
An example is the obligation to set up for layers and breeders, and also com-
a biosecurity program by an external binations of live and inactivated vacci-
company in Salmonella positive broiler nes are given. Live vaccines are mostly

Anais SIAVS 2015 - Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens


- 71 -
administered in the drinking water (or Another live vaccine for prophylactic
using a coarse spray) and inactivated use against S. Enteritidis is based on a
ones need to be administered paren- rough strain of S. Gallinarum. It has been
terally. Autologous vaccines are used in shown to reduce the flock level inciden-
some countries, made by killing a strain ce of S. Enteritidis infections in a large
isolated from the flock where the vac- scale study in The Netherlands (Febe-
cine is administered. Cross-protection rwee et al., 2001). Gantois et al. (2006)
is shown to be occur but it is believed showed that oral vaccination with live
that intra-serotype and intra-serogroup vaccines at day 1, week 4 and week 16
protection is more pronounced. This decreased internal organ colonization,
is because of the similarities in the O- including reproductive tract coloniza-
and H-antigens within a serogroup. As tion, and egg contamination. Although
an example, Salmonella Gallinarum and it is very difficult to prove reduction of
Enteritidis are serotypes from the same egg contamination following vaccina-
serogroup. tion under field conditions owing to
the low and variable percentage of con-
Vaccines have been used extensively taminated eggs laid, the EFSA baseline
in laying hens and should a) reduce study showed that vaccinated layer flo-
or prevent the intestinal colonisation cks were less frequently contaminated
resulting in reduced faecal shedding by Salmonella as compared to non-vac-
and thus egg shell contamination and cinated flocks (4% vs 12%). In theory an
b) prevent systemic infection resulting ideal live vaccine strain should possess
in a decreased colonization of the re- following characteristics:
productive tissues, in this way reducing
internal egg contamination. Inactivated • Induce a high degree of protection
vaccines are often used in parent flocks. against systemic and intestinal infection
Parenteral administration of inactivated
• Protect against a variety of important
Salmonella vaccines to breeder birds
serovars (serogroups)
will induce a strong production of an-
tibodies. These antibodies will be trans- • Show adequate attenuation for poul-
ferred to the progeny. The maternally try, other animal species, humans and
transferred antibodies persist a few the environment
weeks but, although there seems to be
some protective effect against disease • Be easy to administer without animal
in the early post-hatch period, there is welfare issues
little effect on intestinal colonisation by • The inactivated and live vaccines
challenge strains (Methner and Steinba- should not affect growth of the animal
ch, 1997; Methner et al., 1994). There is
a report on the efficacy of inactivated • Vaccine strains should not be resis-
vaccines in prevention of egg contami- tant to antibiotics (or contain resis-
nation in layers (Woodward et al., 2002). tance genes)

Anais SIAVS 2015 - Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens


- 72 -
• Vaccines have markers facilitating the and shedding. An issue is to administer
differentiation from Salmonella wild- the strains as early post hatch as possi-
type strains ble to the birds, what is not ideal using
drinking water applications but can be
• Application of vaccines should not done using coarse sprays (De Cort et al.,
interfere with Salmonella detection 2014). Thus also this characteristic can
methods be included in the list of vaccine criteria:
• Humoral antibody response after vac- Attenuated live Salmonella vaccine
cination should be distinguishably strains should be able to induce a rapid
from a Salmonella wild-type response colonisation-inhibition effect
to allow the use of serological detec-
tion methods

Multiple scientific groups have repor- Advantages and


ted a phenomenon, in which oral admi-
disadvantages of
nistration of Salmonella wild type and
attenuated strains can confer resistance vaccination and
to infection by a virulent Salmonella recommendations
challenge strain within 24 h of adminis- Unlike the traditional vaccines used to
tration. This ‘competitive exclusion’-like protect animals against virulent viruses,
phenomenon is called colonization-i- which are always administered to non
nhibition. These data suggest that it -infected animals, Salmonella vaccines
might be possible to administer live are often administered to populations
Salmonella vaccine strains to newly of animals for which the Salmonella sta-
hatched chicks such that they would tus at the time of administration is unk-
colonize the gut extensively and very nown. Bacterial vaccines in general and
rapidly, inducing a profound resistan- Salmonella vaccines in particular usually
ce to colonization by other Salmonella don’t induce sterile immunity. They only
strains of epidemiological significance, reduce the level of colonization. Ideally,
which may be present in the poultry a Salmonella vaccine should reduce the
house or may also have arisen from the level of colonization and shedding to
hatchery (Van Immerseel et al., 2005). the point that the transmission rate be-
Colonization of the gut by the coloni- comes <1, which will lead to fading out
zation-inhibition strains would prevent of the infection. Moreover, this implies
gut colonization by virulent strains, that vaccination needs to be combined
while invasion in the gut tissue would with other (hygienic, feed decontami-
evoke an inflammatory response that nation, etc) measures. Vaccines can re-
would prevent invasion to the internal duce shedding and gut and internal or-
organs by virulent strains. This means gan colonization by Salmonella. A lower
that live vaccines can thus also be used reproductive tract colonization and a
in broilers to control gut colonization decreased shedding in laying hens will

Anais SIAVS 2015 - Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens


- 73 -
lead to a decrease in internal and exter- models. An important aspect with res-
nal egg contamination. In breeders this pect to live vaccines is that they should
aids in preventing vertical transmission not persist in the animals so that they
and thus transmission of Salmonella to can contaminate eggs or meat and
the progeny. In layers and broilers, vac- thus become introduced in the food
cination thus lowers transmission of the chain. Whether consumption of vacci-
bacteria to the eggs and to meat (by re- ne strains is a real problem or not de-
ducing slaughterhouse cross-contami- pends on the virulence for humans but
nation) and to the human food chain. anyhow the consumers’ attitude is that
There are thus clear benefits of using they do not want live Salmonella vac-
Salmonella vaccines with respect to pu- cines in food products. This implicates
blic health and these have been clearly that certain criteria need to be met re-
documented using both experimental garding the duration of shedding that
and field trials. Also the strong decrease is acceptable, for organ colonization
in Salmonella prevalence in layer flocks levels and duration, and for withdrawal
(and consequently in human cases cau- periods. Also environmental contami-
sed by egg consumption) in EU coun- nation and survival in the environment
tries in which vaccination was made are important issues (e.g. transmission
obligatory suggests a strong protective to wild animals), and ideally the live
effect. Also vaccination can in theory strains are not to be detected in the en-
have a clear advantage in terms of ani- vironment of the animals to which the
mal welfare, although the broad-host strains are administered. Again, whether
range serotypes only induce symptoms this is a real problem or only perception
in young animals in some occasions. is an open question that is determined
For the host-specific serotypes such as by possible residual virulence of the live
Gallinarum vaccination can clearly im- vaccine strains for animals.
prove animal welfare.
An important point in relation to vac-
The potential safety risk associated cine safety is the presence of antimi-
with vaccines is often considered as a crobial resistance genes and genetic
disadvantage, although there are cle- elements on the genome that can
ar criteria against which the safety risk potentially be transferred to other
can be benchmarked. First of all vacci- bacteria. First of all, one needs to take
nation should not affect production into account that virulence genes can
performance, including growth, egg spread from wild type strains to vacci-
production and feed conversion. Clearly ne strains. Using live attenuated strains
no disease or disease symptoms indu- that harbour multiple attenuations is
ced by the vaccines are tolerated. Also advisable in this regard, as they are li-
virulence for other animal species, in- kely to remain attenuated or will surely
cluding humans, is a potential risk, and be less virulent as compared to the wild
this should be tested in relevant animal type strains when foreign genes are
Anais SIAVS 2015 - Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens
- 74 -
taken up. A major concern is the use of in practice when the flock prevalence is
antimicrobial resistance markers in live very low. Even in these conditions it can
vaccine strains that can potentially be be decided to vaccinate and not era-
transferred to other strains. Ideally, no dicate in order to maintain a low pre-
transposable resistance genes should valence that can be enough to avoid
be present (e.g. genes located on mo- public health problems. The benefits
vable DNA elements, such as propha- of vaccination should thus be weighed
ges or transposons), but also the use of against some specific disadvantages
point mutations that result in resistance being 1) the interference with detec-
(e.g. in case of rifampicin or nalidixin tion methods (serological or bacterio-
acid resistance) is under debate. How logical) for wild-type strains and 2) the
realistic the spread of the latter (and the fact that vaccines will reduce coloniza-
first) is, is not completely clear. Another tion levels and will decrease shedding,
issue is reversion to virulence. When resulting in flocks that are considered
only one or a very limited number of as Salmonella negative because of the
point mutations is introduced to pro- low sensitivity of detection methods
duce a vaccine strain, or when one uses and/or intermittent shedding, but actu-
live vaccines without any knowledge ally are still positive, although to a low
on the nature of the mutations, there level. The interference with detection
is always a risk of reversion. The risk of methods is because live vaccine strains
reversion is however possibly of limited can be isolated and make samples (e.g.
importance in regions with high Salmo- litter samples) Salmonella positive. This
nella prevalences, where the advantage can in theory be solved because live
of reducing Salmonella prevalence in vaccines can have markers that can di-
outweighing the very limited risk of re- fferentiate them from wild-type strains.
version of the live vaccines to a virulent Anyhow, even when there are differen-
phenotype. tiating markers, the detection can have
consequences (e.g. prohibition to sell
A major discussion point with regard to eggs, or recall of meat) because of the
the use of live vaccines is the compa- time needed to differentiate the strains.
tibility with monitoring and detection Serological markers can also be intro-
methods and other control measures. duced in live Salmonella vaccines (such
The epidemiological status in a region as genes ensuring the lack of expres-
or country is there for crucial. If a re- sing certain O- or H-antigens) so that
duction of Salmonella prevalence and ELISA tests do not consider vaccinated
a reduction in colonization levels is the flocks as Salmonella positive. All this
aim, vaccines are clearly of value. If one depends on the nature of the detec-
wants to eradicate Salmonella from chi- tion methods used in certain regions
ckens (e.g. in breeders) it can be wise of the world and the true prevalence
not to vaccinate but to cull Salmonella of Salmonella in the different chicken
positive flocks. Thus can only be done types to determine whether vaccina-

Anais SIAVS 2015 - Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens


- 75 -
tion is advantageous and which types although some are already marketed.
of vaccines can be used. In fact this is a Many research groups have designed
case by case consideration. The possible genetically modified live vaccines with
incompatibility with other control me- a very good safety and efficacy profile,
asures (e.g. acids, prebiotics, antibiotics) and with markers that are differentia-
is often considered as a problem, but in ting the strains and the serological res-
an intelligent design of the control pro- ponse from wild type strains and serum
gram or on-farm strategy this can never responses, respectively. In relation to
be a problem. emerging phenotypes and the variety
of Salmonella phenotypes in broilers,
It is difficult to speculate about the natu-
developing vaccines against other se-
re of future vaccines but good methods rotypes can become a need, but the
are available to rationally design live registration process is long, hampering
vaccines that have defined mutations development of these vaccines.
so that both detection methods and sa-
fety aspects are highly controlled. These A selection of references that was used
are however genetically modified orga- in the paper and some review papers
nisms and their use is still under debate with more details can be consulted:

List of references
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Anais SIAVS 2015 - Recommendations on the use of Salmonella vaccines in chickens


- 77 -

The prospects of genetic selection to


improve the well-being and productivity in
poultry and pork production

Gerard A. A. Albers
European Forum of Farm Animal Breeders,
Brussels, Belgium
Hendrix Genetics, Boxmeer, The Netherlands

Introduction and supported by statistics. In general, dise-


ase incidence and mortality of animals
historical perspective
kept for production purposes have
The productivity and efficiency of poul- decreased over the same time period
try and pork production have increased of some 50 years. This is mainly due to
tremendously over the past decades. improved management of the livestock.
Increases of 1% and more per year
have been quite normal and Hume et At higher productivity levels, livestock is
al. (2011) reported increases of produc- in general more vulnerable to sub-op-
tivity of up to 100% from 1960 to 2005. timal management, simply because
Havenstein et al (2003) showed that as the animals are more dependent on
much as 80% of these improvements in perfect conditions with regard to nu-
broilers had not been possible without trition, health management, climate etc.
genetic improvement of the livestock. to allow them to fully express their high
genetic potential.
Even though it is often suggested that
these improvements of yield and effi- Breeding programs have been adapted
ciency have been at the cost of health significantly over the past decades. First
and welfare of the animals, this is not of all to accommodate the increased

Anais SIAVS 2015 - The prospects of genetic selection to improve the well-being and productivity in...
- 78 -
production potential of the animals sure on producers to adapt or outri-
such as through culling of animals with ght forces them to change production
leg defects or inferior locomotion qua- specifications, either with or without
lity which has been critical to species financial compensation for the increa-
where continued selection for meat sed cost of production. As an example,
yield has increased body weights of the an agreement between Dutch retailers
animals at market age (broilers, turke- will ban the sale of any broiler meat that
ys, pigs). Furthermore, as described by is produced by broilers growing faster
Neeteson et al (2013) in a recent article, than 50 grams per day.
since the 1950’s when productivity was
the overriding breeding goal, other se- Many subjects are on the list of concer-
lection traits have become increasingly ns that the public may have with com-
important with product quality and effi- mon practices in animal production:
ciency being the first to follow produc- improper euthanasia of animals with
tivity and robustness traits following defects or of all animals of the non-de-
suit. sired sex, such as day old males in layers,
castration of piglets without anesthe-
sia, etc. The ever continuing focus of
the production industry on cost price
Today per unit of product makes it very hard
Today, production and efficiency of for the industry to pro-actively address
poultry and pork production have ri- such societal concerns.
sen to very high levels. But demand for
Personally, I also think that the increa-
animal protein is still increasing while
sing impact of infectious diseases with
at the same time there are other and
epidemic-like characteristics such as AI
often conflicting demands regarding
in poultry and PED in pigs is not only
health and welfare of the animals and
bad for the predictability and reliabi-
regarding the sustainability of the ani-
lity of supply to consumer outlets but
mal protein production systems per se
could also raise public concern about
due to limited global resources of land,
the vulnerability of the global supply
energy and water.
chains for animal protein products in
Public concerns about animal welfare general.
in large scale animal production are no
longer only expressed by NGO’s, but
increasingly become part of national
The future and the role
and supra-national (such as European
Union or OIE) legislation and agree- of animal breeding
ments. Moreover, the (perceived) con- There is no escape: production, pro-
cerns of consumers are being included duction efficiency and reliability of su-
by retailers and food companies in their pply must increase to accommodate
“marketing mix”.This increases the pres- the growing global demand for animal

Anais SIAVS 2015 - The prospects of genetic selection to improve the well-being and productivity in...
- 79 -
protein, while at the same time require- period of consolidation in the breeding
ments for increased health and welfare, industry - all but completed in poultry
and sustainability in general must be breeding, progressing at increasing
dealt with. pace in pig breeding – the breeding
companies now have the capacity to
I am optimistic about the role that ani- put these novel technologies to work.
mal breeding can play to support the Plant breeding has shown us the way
global industry in dealing with these how to use innovation for the good of
challenges. the global production industry and we
can also learn of their mistakes.
Technological developments in the
field of genetics, and especially DNA During my presentation I will show a
technologies, have been truly revolu- number of examples of how and where
tionary and, similarly, we have increa- animal breeding can exploit the novel
sed our capabilities for large scale and technological capabilities to address
automated data collection and data the issues that are facing the global ani-
handling equally impressively. After a mal production industry.

List of references

Havenstein, G.B., Ferket, P.R. and Qureshi, M.A. productivity and sustainability. Journal of Agricul-
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Anais SIAVS 2015 - The prospects of genetic selection to improve the well-being and productivity in...
- 80 -

Principais entraves no Processo de Registro


de estabelecimentos Avícolas Comerciais

Izabella gomes hergot


IMA Instituto Mineiro de Agropecuária

Introdução lização das granjas avícolas comerciais


A Instrução Normativa nº 56, de dezem- e a emissão do certificado de registro
bro de 2007, Instrução Normativa nº destes estabelecimentos.
59, de dezembro de 2009 e Instrução
Aqueles que não atenderam ao prazo
Normativa nº 36 de dezembro de 2012,
para registro, foram classificados como
todas do Ministério da Agricultura, Pe-
cuária e Abastecimento, estabelecem inaptos e incluídos no Programa de
os Procedimentos para Registro, Fiscali- Gestão de Risco Diferenciado, estabele-
zação e Controle de Estabelecimentos cido pela Instrução Normativa nº 10 de
Avícolas de Reprodução e Comerciais Abril de 2013, no qual determina como
em todo território nacional. obrigatório o monitoramento para pre-
sença de Salmonella.
No Estado de Minas Gerais, as Portarias
nº 1.080/2010 e nº 1.158/2011, dispõem
sobre a obrigatoriedade e os procedi-
mentos para registro e fiscalização de Procedimentos
estabelecimentos avícolas comerciais. Em Minas Gerais a emissão dos registros
O IMA - Instituto Mineiro de Agropecu- é realizada pela Gerência de Defesa Sani-
ária realiza a análise documental, a fisca- tária Animal a partir do envio dos docu-

Anais SIAVS 2015 - Principais entraves no processo de registro de estabelecimentos avícolas comerciais
- 81 -
mentos necessários, providenciados pe- comum nos depararmos com granjas
los produtores e Responsáveis Técnicos, construídas próximas a estradas, bar-
acompanhados do Termo de Vistoria e rancos ou então que apresentam gal-
“Roteiro para Inspeção Física e Sanitária pões muito próximos uns dos outros,
para Registro de Estabelecimento Aví- inviabilizando a construção de cercas
cola Comercial”, ambos preenchidos na com distância mínima de 5 metros.
propriedade no momento da vistoria
oficial. Este Roteiro foi elaborado especi- Outro entrave, talvez um dos mais dis-
ficamente para esta finalidade, auxilian- cutidos desde a publicação das norma-
do o Fiscal Agropecuário a seguir um tivas referentes ao registro, é a instala-
padrão no momento da vistoria e pos- ção de telas com malha não superior a
uma polegada (2,54 cm) nos vãos ex-
sibilitando que fique documentado em
ternos livres dos galpões. Para diminuir
formulário próprio se a granja está apta
o custo com material e mão de obra,
ou não a receber o registro.
alguns produtores optaram pela sobre-
É importante salientar que a granja será posição de telas ao invés da substitui-
registrada somente se a estrutura física ção da antiga pela nova com malha não
for considerada apta e se a documenta- superior a 2,54 cm. Esta sobreposição
ção estiver completa, de acordo com a não foi motivo de objeção pelo serviço
legislação vigente. oficial, porém foi orientado a todos os
produtores e responsáveis técnicos que
Finalmente, o “Certificado de registro” e a mediante acúmulo de sujeira, o risco de
pasta de processo contendo todos os do- ocorrência de doenças aumentaria e
cumentos relacionados a este certificado por isso a granja se tornaria inapta ao
são encaminhados para a unidade local. registro. Ainda com relação às telas, os
Responsáveis Técnicos pelas granjas de
Portanto, podemos separar o processo
postura que possuem galpões auto-
de registro em três fases distintas: 1ª
matizados, relutam em instalar as telas.
fase- Inspeção na propriedade; 2ª fase-
Segundo eles, a criação de aves de múl-
Conferência de Documentos; 3ª fase -
tiplas idades não permite a realização
emissão e encaminhamento do certifi-
de vazio sanitário e por isso não é pos-
cado de registro.
sível realizar limpeza e desinfecção nas
telas de forma adequada. O acúmulo
de resíduos na tela prejudicaria muito
Principais entraves em a qualidade do ar, predispondo as aves
às doenças respiratórias, e consequen-
cada fase do processo de
temente à queda na produção de ovos.
registro
1ª fase- Inspeção na propriedade Ao longo deste processo de registro de
granjas, foi observado que há uma gran-
Grande parte das granjas do Estado de de migração dos produtores entre as
Minas Gerais é antiga e por isso é muito empresas integradoras e arrendatários

Anais SIAVS 2015 - Principais entraves no processo de registro de estabelecimentos avícolas comerciais
- 82 -
de granjas, com consequente cance- ideais para um bom e adequado fun-
lamento de um registro e inicio de um cionamento de um estabelecimento
novo processo, o que demanda envio de avícola. Alem de fugir da realidade da-
novos documentos e de novas vistorias. quela granja, faz com que o documento
perca o sua função.
Foi observado também que granjas que
fazem parte de integrações se esforçam 3ª fase - Emissão e encaminhamento
mais para adequar suas granjas às exigên- do Certificado de Registro
cias estabelecidas pelas normativas, seja
por entender a importância do registro, Muitas vezes os produtores e responsá-
seja pela simples imposição da empresa. veis técnicos não entendem que desde
Ao contrário, produtores independentes a entrega dos documentos na Unidade
alegam não ter recursos para atender es- Local, vistoria da propriedade e conclu-
tas exigências e em outras situações se são do registro existe um tempo míni-
justificam com a simples falta de interesse. mo necessário para que os certificados
sejam emitidos.
2ª fase- Conferência de Documentos
Apesar de todos os esforços que o SVO
Nesta fase, o principal entrave encon- tem feito para acelerar o processo de
trado pelo Serviço Veterinário Oficial registro, nem sempre é possível atender
são os documentos vencidos ou inade-
demandas inesperadas em curto espa-
quados apresentados para o registro de
ço de tempo, o que torna um grande
granja. Entre os documentos vencidos,
entrave para o registro.
o mais comum é o exame de agua. En-
tre os inadequados, as plantas baixas e
de localização, e o memorial descritivo.
Considerações finais
A falta de padrão na documentação
apresentada também pode se tornar Apesar das dificuldades relatadas neste
um entrave do registro, pois dá espa- documento, o registro de estabeleci-
ço a subjetividade, uma vez que nem mentos avícolas comerciais está sendo
sempre é o mesmo fiscal que avalia os realizado no Estado de Minas Gerias de
documentos. forma ininterrupta, elevando o índice
de granjas registradas.
O objetivo do memorial descritivo é
descrever da forma mais completa pos- Produtores e empresas avícolas tem se
sível todas as ações realizadas na granja, conscientizado que uma granja regis-
desde a produção até os cuidados sani- trada não serve apenas para atender
tários. Porém, alguns Responsáveis Téc- uma burocracia do SVO, mas sim certi-
nicos apenas citam procedimentos que ficar que aquele estabelecimento está
são considerados pela literatura como em dia com suas obrigações sanitárias.

Anais SIAVS 2015 - Principais entraves no processo de registro de estabelecimentos avícolas comerciais
- 83 -

Marketing como ferramenta para


aumentar o consumo de ovos -
experiência na América Latina

James Abad
Presidente del ILH

El problema de la mala alimentación de educación alimentaria! Esta ausencia


abarca dos dimensiones fundamenta- tiene como consecuencia que la pobla-
les: La primera es la pobreza en la que ción no opte por los alimentos que se-
vive gran parte de la población, y la rían beneficiosos para su salud, sino que
segunda es la falta de promoción de en cambio consuma alimentos de bajo
educación alimentaria en contraste con nivel nutricional. Dicha afirmación se
la gran maquinaria publicitaria de dife- puede ver plasmada en el contraste de
rentes productos de consumo masivo. los datos de la cantidad total de inversi-
La inversión publicitaria es cuantiosa en ón en pro una alimentación saludable
productos que ofrecen poco o ningún en los países latinoamericanos -la cual
valor nutricional, sin beneficios para la es de US$ 200 millones- contra la cifra
salud, y que por el contrario pueden de la inversión en campañas publici-
afectarla, estamos ante una situación tarias de las principales compañías de
especialmente delicada que requiere el chocolates y gaseosas, la cual asciende
compromiso de todos los sectores para a US$ 25 000 millones. Esta enorme de-
cambiarla. sigualdad ayuda a comprender por qué
una persona elige comprar productos
Lo planteado nos lleva al segundo pro- de baja densidad nutricional en lugar de
blema en cuestión: ¡la falta de campañas alimentos saludables a pesar de que su

Anais SIAVS 2015 - Marketing como ferramenta para aumentar o consumo de ovos - experiência na América...
- 84 -
valor nutricional es mucho más alto. Si a terna, por tanto, son las que mejor se
esto le sumamos que una parte impor- absorben. Asimismo, el huevo contiene
tante de la población vive en pobreza todos los minerales y vitaminas que el
y/o pobreza extrema, se podría enten- cuerpo necesita, a excepción de la vita-
der, por más ilógico que parezca, por mina C, y aporta cantidades importantes
qué una persona que gana menos de de antioxidantes y colina, un nutriente
US$ 2 diarios utiliza los escasos ingresos muy importante para el desarrollo ce-
que obtiene en comprar productos que rebral, que unido a las proteínas de alto
no le proveen ningún beneficio para su valor biológico del huevo y a sus grasas
salud, sino que inclusive pueden tener principalmente monoinsaturadas, pue-
efectos nocivos para su organismo, en den contribuir a un mejor desarrollo in-
vez de un alimento natural, que además telectual y a la prevención de las enfer-
de tener un bajo precio le proveería los medades crónicas no transmisibles (ej.:
nutrientes necesarios para un buen fun- diabetes, obesidad, síndrome metabóli-
cionamiento del cuerpo, previniendo la co, etc.) que aparecen en la edad adulta
aparición de enfermedades crónicas no como consecuencia de la desnutrición
transmisibles. crónica padecida en la infancia.
Los países latinoamericanos se caracte- Otro punto a destacar, es que el huevo
rizan por tener, en su mayoría, elevadas no es sólo un alimento nutritivo, sino
tasas de desnutrición crónica en sus que está al alcance de toda la población
niños menores de 5 años, así como de por su bajo costo y ofrece la mejor re-
deficiencia de micronutrientes, espe- lación costo-beneficio, que ningún otro
cialmente de hierro. Esto se traduce en producto o alimento conocido puede
niños que no solo durante la infancia van igualar, por lo que su ecuación de valor
a tener un menor rendimiento escolar, es insuperable.
sino cuyo desarrollo intelectual va a estar
limitado para el resto de sus vidas. Otro punto relevante a analizar es las
campañas de marketing de los produc-
Es en este contexto que el HUEVO, dada tos sustitutos directos del huevo. Vamos
su alta densidad nutricional y relativo a exponer qué ofrecen estos y compa-
bajo costo, aparece como la mejor opci- rarlo con lo que ofrece el huevo:
ón para combatir la mala alimentación
en la región y convertirse en un aliado Leches Enriquecidas: Los comerciales
estratégico en la lucha contra la desnu- de leches enriquecidas prometen niños
trición crónica, tanto en la prevención más inteligentes a través de la adición
de la misma, como en la prevención de de nutrientes como la colina y los áci-
algunas de sus consecuencias. dos grasos esenciales de la familia ome-
ga, 3 y 6 (EPA, DHA y ARA).
El huevo es un alimento altamente pro-
teico; además, sus proteínas son las de El huevo es fuente natural de los nu-
mejor calidad después de la leche ma- trientes que ofrecen ambos productos,

Anais SIAVS 2015 - Marketing como ferramenta para aumentar o consumo de ovos - experiência na América...
- 85 -
e incluso los contiene en cantidades En síntesis, los beneficios que ofrece el
mayores y en una matriz que permite huevo son muy superiores a los que ofre-
una mejor asimilación de los mismos. cen sus competidores y sustitos direc-
tos, los cuales lo convierten en la mejor
Avena: Los comerciales de avena ofre- opción para combatir los problemas de
cen una elevada cantidad de fibra solu- desnutrición de la región, producto de
ble para asociarlo con bajos niveles de la mala alimentación, y en un elemento
colesterol. que debería estar siempre presente en
la mesa de las familias latinoamericanas.
El huevo es un alimento cardiosaludable;
no por su contenido de fibras, sino por la Todos los puntos a favor del huevo,
predominancia de las grasas monoinsa- tanto sus atributos nutricionales y sus
turadas, similares a las del aceite de oliva, ventajas frente a los sustitutos, así como
y a la elevada cantidad de antioxidantes su bajo precio, podrían y deberían uti-
que contiene, los cuales lo convierten en lizarse en campañas de promoción del
un alimento favorable para la protección mismo, y de esta manera promover su
frente a la formación de placas ateroma- consumo y aumentar su demanda. La
tosas y prevención el desarrollo de enfer- promoción del consumo de huevos
medades cardiovasculares. debería ser vista como un punto central
de todas nuestras agendas a nivel de
Cereales: Los comerciales de cereales gremios y de productores.
para el desayuno por lo general resal-
tan que están enriquecidos con todas Tenemos que unirnos, levantar nuestras
las vitaminas y minerales que el cuerpo voces y hacer que en toda Latinoamé-
necesita para mantener la salud rica se conozca la verdad sobre el hue-
vo, destacar que es el mejor aliado para
El huevo las contiene de forma natural, combatir la desnutrición y lograr que
en cantidades óptimas y con una bio- sea reconocido como el mejor alimento
disponibilidad superior. después de la leche materna.

Anais SIAVS 2015 - Marketing como ferramenta para aumentar o consumo de ovos - experiência na América...
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Programa sanitário para avicultura familiar

Luiz Carlos Demattê Filho


Diretor Industrial da Korin Agropecuária,
Coordenador Geral do Centro de Pesquisa
Mokiti Okada e Secretario executivo
da Associação Brasileira da Avicultura
Alternativa – AVAL

Dayana Cristina de O. Pereira


Mestranda em Engenharia de Biossistemas
ESALQ-USP e Zootecnista do CPMO

1. Introdução vimento de resistência bacteriana, resí-


Inegavelmente há no cenário mundial duos potencialmente alergênicos nos
uma crescente preocupação com re- alimentos e a dispersão de moléculas
lação à produção de alimentos e suas antibióticas nos sistemas de produção
interações com o meio ambiente, a através do uso de fertilizantes oriundos
qualidade dos alimentos produzidos, dos animais.
com o bem estar e a prosperidade so- Neste pano de fundo acima descrito so-
cial e econômica dos produtores rurais, mam-se as preocupações com relação
oriunda da necessária dinamização da às doenças zoonóticas de transmissão
vida e da cultura rural, demonstrada alimentar como as infecções alimenta-
também pela reprodução social das fa- res (salmonelas, coliformes, enterobac-
mílias no campo. terias) e os agentes potencialmente
capazes de promover contaminação
De forma mais impactante no momen-
interespécies e vertical como os da In-
to, surge às discussões acerca do inten-
fluenza Aviária.
sivo uso de antibióticos, promotores de
crescimento nos sistemas produtivos. Neste aspecto, as discussões igualmen-
Sobre este assunto a preocupação se te crescentes sobre o bem-estar dos
estende para as questões de desenvol- animais de produção, inicialmente no

Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar


- 87 -
âmbito dos consumidores e mais recen- certificações de conformidade. Os se-
temente mudanças nos setores de pro- los oriundos desta certificação auxilia-
dução das agroindústrias, alimentam ini- ram no reconhecimento dos sistemas
ciativas produtivas diferenciadas como mais zelosos com o meio-ambien-
é o caso da produção de frangos e aves te, com os animais, com a saúde do
caipiras, frangos orgânicos e frangos consumidor e com a população rural.
isentos de antibióticos, quimioterápicos. Além disso, estes atribuem mais espe-
cificidades aos produtos, agregando
Tais produções, muitas vezes apontadas valor aos mesmos. Desta forma, o pro-
como de risco sanitário, possuem atual- cesso de diferenciação vem se conso-
mente elementos importantes de con- lidando progressivamente, revelando
trole e de organização de seus atores, riquezas até então não explorados
que no nosso entendimento são capa- (PECQUEUR, 2005).
zes de se desenvolverem plenamente,
seguindo requisitos sanitários básicos, Todo este complexo produtivo, em opo-
tornando-se uma importante fonte de sição à comoditização cria e desenvolve
trabalho, de bem estar sócio econômico cadeias de valor importantes para a sus-
de seus agentes, e uma importante fonte tentabilidade de tais atividades no longo
alimentar para as comunidades rurais, as- prazo, com repercussão inclusive no sen-
sim como para a oferta no mercado. tido de melhorar os aspectos sanitários
de tais processos, e quiçá contribuir com
A Conferência das Nações Unidas em melhorias na sanidade do rebanho aví-
1992 no Rio de Janeiro (Rio 92) esta- cola em sistemas convencionais.
beleceu um marco nas discussões re-
lativas ao chamado desenvolvimento
sustentável e contribuiu enormemente
para a disseminação de muitas ideias, 2. Associação Brasileira
alimentando um debate acerca de for- de Avicultura Alternativa
mas de agricultura mais coerentes com A Associação Brasileira de Avicultura Al-
a preservação ambiental, a alimentação ternativa – AVAL foi fundada em 2001,
de qualidade, e a saúde e bem estar com o objetivo de fortalecer a repre-
econômico e social de produtores e sentatividade dos produtores perante
consumidores. o Ministério da Agricultura Pecuária e
Abastecimento, às entidades de classe
As demandas criadas a cerca da sus-
da avicultura e também perante o pú-
tentabilidade motivaram empresas blico consumidor, concretizando ações
do setor avícola a se alinharem a es- de defesa da qualidade dos produtos e
tes propósitos, criando um ambien- assegurando a seriedade e credibilidade
te adequado para a emergência de dos sistemas de produção das empresas.
novos modelos de produção avícola,
o que promoveu o desenvolvimento Com uma visão ampla, atentos às mu-
de soluções inovadoras, tais como as danças no perfil do consumidor, que

Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar


- 88 -
vem exigindo cada vez mais alimentos entidades ligadas ao setor empreen-
seguros e saudáveis, isentos que resídu- deram esforços para a normatização
os e contaminantes, os atuais 48 asso- do sistema de produção caipira. Assim,
ciados têm como aspiração comum o juntamente com a Associação Brasileira
fortalecimento do segmento de produ- de Normas Técnicas - ABNT elaborou-
ção de carne e ovos com atributos de se uma normatização para a produção,
qualidade diferenciada. abate, processamento e identificação
do frango caipira e de seus respectivos
cortes e miúdos comestíveis. A norma
intitulada AVICULTURA – PRODUÇÃO,
ABATE, PROCESSAMENTO E IDENTIFICA-
ÇÃO DO FRANGO CAIPIRA, COLONIAL
OU CAPOEIRA (ABNT/CEE 214) encon-
tra-se atualmente sob consulta pública.
Abaixo descrevemos alguns tópicos
constantes nesta norma:

a) Requisitos básicos para os sistemas


de produção:

• Obtenção de pintos de um dia de


Figura 2: Localização dos associados. estabelecimentos avícolas de repro-
dução registrados no Ministério da
Tendo como objetivo a regulamenta- Agricultura, Pecuária e Abastecimen-
ção oficial dos sistemas de criação alter- to e em conformidade com os regu-
nativos, considerando a necessidade de lamentos do Programa Nacional de
aprovação dos pedidos de rotulagens Sanidade Avícola (PNSA)
das empresas produtoras, a Associação
• Os pintos devem ser provenientes de
através de várias reuniões de seu De-
linhagens ou raças de crescimento
partamento Técnico, concluiu o docu-
lento para corte.
mento final que normatiza toda a pro-
dução do frango antibiotic free (AF). A • Os estabelecimentos devem ser
obtenção deste documento foi a base registrados conforme legislação vi-
para consolidar o reconhecimento ofi- gente e atender as normas de bios-
cial deste produto e para a criação de seguridade:
um sistema de certificação. Em anexo
encontra-se descritas as substâncias • No incubatório, não é permitido apli-
permitidas e não permitidas na produ- car antibióticos ou quimioterápicos
ção de frangos e ovos AF. nos pintos em caráter preventivo.

Mais recentemente a AVAL juntamente Nota 1 Recomenda-se que os pintos


com o MAPA, o MDA, a ABPA e outras de um dia destinados à produção sob o
Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar
- 89 -
sistema caipira sejam vacinados contra cleos, devendo haver um intervalo
a coccidiose no incubatório. entre lotes de no mínimo dez dias.
7.8 Devem-se estabelecer proce-
Nota 2 Recomenda-se que as aves sejam dimentos e instruções de trabalho
vacinadas contra a doença de Newcastle contemplando a higienização dos
• Os estabelecimentos com menos de equipamentos, instalações e veícu-
1 000 aves com finalidade comercial los, tratamento da água e controle
devem estar cadastrados no Serviço de pragas.
Veterinário Oficial (SVO) e atender às • As aves mortas devem ser recolhidas
demais legislações vigentes. no mínimo uma vez por dia. 7.10 A
b) No que se refere ao controle sanitário destinação das carcaças de aves mor-
as orientações incluem: tas ou descartadas deve ser feita em
local apropriado para compostagem
• Manter as áreas internas dos galpões ou outros métodos capazes de inati-
e dos núcleos limpas e organizadas. var agentes patogênicos.

• Controlar e registrar o trânsito de veí- • A higiene pessoal deve ser controla-


culos e acesso de pessoas ao estabe- da, como o uso de calçados e roupas
lecimento, incluindo a colocação de específicas para o núcleo.
sinais de aviso, para evitar a entrada
de pessoas estranhas ao processo • O uso de antibióticos, anticoccidianos
produtivo. e quimioterápicos deve ser prescrito
pelo médico veterinário responsável,
• Proteger com cercas de segurança e somente para finalidades de trata-
estabelecer, nas vias de acesso, fluxo mento de doenças cujas prescrições
operacional e medidas higiênico-sa- devem ser arquivadas, por um perío-
nitárias, a fim de evitar a entrada de do mínimo de dois anos, para fins de
pessoas, animais e veículos na área de auditoria.
produção.
• É proibida a aspersão de desinfetan-
• Adotar procedimento adequado para tes não registrados para este fim nas
o destino de águas utilizadas, aves instalações dos aviários, durante o pe-
mortas, ovos descartados, esterco e ríodo de criação.
embalagens.
• Os produtos utilizados na limpeza e
• Elaborar e executar programa de desinfecção das instalações e equipa-
higienização a ser realizado nos gal- mentos do sistema de criação devem
pões e equipamentos após a saída de ser registrados ou autorizados nos
cada lote de aves. respectivos órgãos competentes.

• O sistema de produção de frango • É obrigatória a observância ao perí-


caipira deve ser mantido em nú- odo de carência dos medicamentos
Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar
- 90 -
eventualmente utilizados durante a Principais sistemas de
produção dos lotes de aves, sob res- produção alternativos
ponsabilidade do médico veterinário.
Os principais sistemas alternativos de
• Estabelecer procedimentos para a produção de aves estão definidos abai-
desinfecção de veículos, na entrada e xo, conforme descritos nas normas de
na saída do estabelecimento. produção da Associação Brasileira da
Avicultura Alternativa - AVAL.

Sistema de produção
Antibiotic free:
É o sistema de produção de aves sem res-
trição de linhagem, criado sem o uso de
antibióticos, anticoccidianos, melhorado-
res de desempenho de base antibiótica,
quimioterápicos e ingredientes de ori-
Figura 2: Ilustração de um sistema de desinfe- gem animal na dieta. Os frangos podem
çção de veículos com sensores de passagem ser totalmente confinados ou com aces-
localizado em uma unidade de produção de
frangos orgânicos.
so á áreas de piquete. No caso da produ-
ção de ovos, o confinamento é permitido
c) É vetado o uso de: nas delimitações do galpão, mas jamais
pelo confinamento em gaiolas (Figura 3);
• Todos e quaisquer insumos, produtos e
medicamentos veterinários não autori-
zados ou não registrados para uso em
aves conforme a legislação vigente;  

• Azul de metileno, formol e violeta de


genciana, usados como desinfetan-
tes, antibacterianos e antifúngicos
aspergidos sobre as aves e/ou nos
aviários, e usados pela ração ou água
de bebida;

 • Óleos vegetais reciclados (de cozinha


industrial ou restaurantes) como in-
grediente de rações;  

• Antimicrobianos com finalidade pre-


ventiva e como melhorador de de- Figura 3: Sistema de produção de frangos e
sempenho. ovos AF respectivamente

Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar


- 91 -
Sistema de produção a produção de carne e miúdos. Neste
orgânico: sistema de produção, todas as aves têm
acesso às áreas livres para pastejo em
Sistema de produção de aves de
sistema semiextensivo e recebem ra-
corte definido pela lei nº 10.831, de
ção isenta de melhoradores de desem-
23/12/2003 (BRASIL, 2003) e regula-
penho de base antibiótica.
mentado principalmente pelas IN nº46
de 06/10/11 (BRASIL, 2011) e IN n°17 de
18/06/2014 (BRASIL, 2014b) do MAPA,
nas quais se faz referência aos produtos
obtidos pelo sistema orgânico, ecológi-
co, biológico, biodinâmico, natural, sus-
tentável, regenerativo e agroecológico;

Figura 5: Sistema de produção caipira

3. Programa Nacional de
Sanidade Avícola – PNSA
A Portaria Ministerial nº 193 de 19 de
Figura 4: Sistema de produção de frangos e setembro de 1994, consolidou e es-
ovos AF respectivamente truturou o Programa Nacional de Sa-
nidade Avícola (PNSA), do Ministério
da Agricultura Pecuária e do Abasteci-
Sistema de
mento - MAPA, considerando a impor-
produção caipira tância da produção avícola nacional
Sistema de criação de aves comerciais no contexto nacional e internacional,
destinadas à produção de carne, atra- e a necessidade de normatização das
vés de raças e linhagens de crescimen- ações de acompanhamento sanitário,
to lento e à produção de ovos através relacionadas ao setor avícola, observan-
de raças e linhagens selecionadas para do o processo de globalização mundial
postura que ao final de seu ciclo de em curso, e quanto, a necessidade de
postura, sejam destinadas ao abate para estabelecimento de programas de coo-

Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar


- 92 -
peração entre as instituições públicas e • Assistência aos focos das doenças de
privadas (ADEAL, 2014). controle oficial;

É importante salientar que muito em- • Padronização das medidas de biosse-


bora a produção alternativa seja co- guridade e de desinfecção;
mumente associada à criação de fundo
de quintal, todos os elos desta cadeia • Realização de sacrifício sanitário em
produtiva, ou seja as empresas de ge- caso de ocorrência de doenças de
néticas, de nutrição assim como as uni- controle oficial;
dades de produção são regidas pelas • Fiscalização das ações de vazio sani-
normas do Ministério da Agricultura tário;
Pecuária e Abastecimento, sendo estas
ultimas inclusas nos programas sanitá- • Controle e fiscalização de trânsito de
rios avícolas (PNSA). animais susceptíveis;

A atuação do PNSA está pautada na • Realização de inquérito epidemioló-


execução das seguintes atividades gico local;
(ADEAL, 2014):
• Vigilância sanitária realizada pelo VI-
Vigilância epidemiológica e sanitária GIAGRO, no ponto de ingresso (por-
das principais doenças aviárias desta- tos, aeroportos e postos de fronteiras)
cando-se as doenças de notificação de material genético;
obrigatórias à Organização Mundial da
Saúde Animal, em todas as unidades da • Fiscalização e registro de estabeleci-
Federação. A profilaxia, o controle e a mentos avícolas;
erradicação dessas doenças consistem • Monitoramento sanitário nos plan-
na aplicação das seguintes medidas de téis de reprodução para certificação
defesa sanitária animal: dos núcleos e granjas avícolas como
• Atenção à toda comunicação de sus- livres de salmoneloses (S. Gallinarim,
peitas de doenças em aves, com a apre- S. Pullorum, S Enteritidis e S. Typhimu-
rium) e micoplasmoses (M. gallisepti-
sentação de uma ou mais das seguin-
cum, M synoviae es M. melleagridis),
tes sintomatologias: depressão severa,
em todas as unidades da Federação.
inapetência, edema facial com crista e
barbela inchada e com coloração arro-
xeada, dificuldade respiratória com des-
carga nasal, queda severa na postura de 4. Experiência de sucesso
ovos, mortalidade elevada e diminui-
na produção alternativa
ção do consumo de água e ração;
No Brasil dentre as varias cadeias pro-
• Atenção às notificações de suspeita de dutivas de alimentos a avicultura desta-
influenza aviária, doença de Newcastle ca-se como uma das mais fortemente
e demais doenças de controle oficial; orientadas para a produção e para a re-

Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar


- 93 -
dução de custos, gerando uma estrutu- Inicialmente a criação de frango na em-
ra dominada pelas grandes agroindús- presa surgiu com a ideia de diversifica-
trias do setor. Neste modelo, é notória a ção da então pequena propriedade ru-
dificuldade que se tem em distribuir os ral. Contudo devido à percepção da boa
benefícios marcadamente em direção oportunidade de negocio a mais de 10
ao produtor. Há uma acirrada disputa anos a mesma família dedica-se exclusi-
de preços, reduzindo margens, que na vamente a esta atividade. Utilizando um
maioria das vezes esmaga o pequeno sistema de produção moderno e não
agricultor (Demattê, 2014). intensivo, a aplicação de tecnologias de
produção e manejo se fazem presentes
Assim uma estratégia de escopo, e contemplam principalmente as práti-
como no caso da produção diferen- cas nutricionais e sanitárias.
ciada com atributos específicos de
qualidade, pode permitir que o prê- Em 2001 a instalação de um abatedou-
mio de preço pago pelo consumidor ro artesanal, marcou o inicio das ati-
vidades comerciais do Frango Caipira
possa se transmitir à montante, ren-
Ivaiporã. Atualmente, sob a vigilância
tabilizando o produtor, favorecendo
do serviço de inspeção do Paraná (SIP/
o desenvolvimento rural sustentável.
POA), a empresa fornece frango caipira
Além dos benefícios a estes peque-
a todo o Estado, inclusive pela certifica-
nos produtores a adoção de manejos
ção do SISBI, vem também estendendo
de produção alternativos consistem suas atividades para além das fronteiras
em uma estratégia para as empresas estaduais.
do setor, driblarem esta acirrada con-
corrência existente no mercado de Outro exemplo de empresa que so-
produtos comoditizados. brevive no mercado devido aos seus
diferenciais de produção e a Korin
Localizada na região central do Paraná Agropecuária Ltda1. Fundada em 1994,
e de origem familiar, a empresa Fran- a empresa implantou um sistema de
go Caipira Ivaiporã atua desde 1998 na produção diferenciado cujo objetivo
produção de frangos caipira. Pautada final abrange não só a produção de ali-
na qualidade e na produção artesanal mentos, mas também a saúde de pro-
a empresa desenvolve técnicas de pro- dutores e consumidores, a preservação
dução que visam preservar a rusticida- do meio ambiente e a responsabilidade
de das aves, sendo este um dos seus social, valores estes, alinhados às ten-
diferencias de produção. A preocupa- dências mundiais atuais (Brasil, 2014a).
ção com a saúde, com o meio ambien-
te a com a ética animal fez com que o 1
Empresa brasileira seguidora dos princípios da
produto caísse no gosto dos consumi- Agricultura Natural, modelo de produção preconiza-
dores que não abrem mão da qualida- do por Mokiti Okada (Japão, 1882-1955), filósofo e
espiritualista japonês que elaborou um extenso tra-
de e do sabor tradicional e marcante balho abordando assuntos ligados à política, econo-
deste produto. mia, educação, arte, medicina, religião e agricultura.

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- 94 -
Inicialmente inúmeros foram os desafios de produção livre de antibióticos é o
para se estabelecer um sistema de pro- respeito às normas de bem-estar ani-
dução diferenciado. Chamava atenção a mal. A sua importância, além das ques-
alta morbidade dos desafios sanitários. tões éticas, se deve principalmente a in-
Questões sanitárias como a coccidiose e fluência que este tem sobre a resiliência
clostridiose, acarretavam perda de peso e dos animais. Em situação de ausência
elevada conversão alimentar, diminuindo de bem-estar, a ação das catecolaminas
a eficiência das aves. Nesta época, alterna- e dos glicocorticoides tem repercus-
tivas aos aditivos tradicionais não existiam, sões negativas no sistema imunológico,
por isso ao longo de anos foram desenvol- tornando os animais mais susceptíveis
vidas internamente e junto a fornecedores às enfermidades (MENDL et al., 2001;
externos novas estratégias e novos produ- PALME et al., 2005; CARRAMENHA &
tos. Alguns produtos naturais com pro- CARREGARO, 2012).
priedades antimicrobianas passaram a ser
pesquisados com frequência, tais como os O gráfico a seguir, proposto por Demat-
ácidos orgânicos que são facilmente ab- tê Filho e Pereira (2015), ilustra a cone-
sorvidos pelas bactérias, danificando seu xão entre o não uso de antibióticos e as
DNA e impedindo que elas se dividam questões de bem-estar animal.
(LANGHOUT, 2005). Da mesma forma ou-
tros insumos como os probióticos, prebi-
óticos e simbióticos passaram a integrar
o portfólio da empresa, devido principal-
mente aos seus efeitos benéficos na ma-
nutenção do equilíbrio da microbiota gas-
trointestinal dos hospedeiros (BIELECKA,
et al. 2002; DEMATTÊ FILHO, 2004). Como
alternativa aos coccidiostáticos alguns
tipos de vacinas, principalmente as vivas
virulentas e atenuadas, passaram a ser es-
tudadas para o controle da coccidiose. Ao
mesmo tempo introduziu-se, não de for-
ma rotineira, a prática fitoterápica.
Figura 6

O bem-estar animal
como estratégia para
a produção livre de
antibióticos
Outro ponto considerado essencial
para a sanidade das aves em sistemas

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- 95 -
os sistemas não convencionais a complexi-
dade microbiológica deve ser incentivada,
pois é fundamental que o indivíduo (ave)
encontre o seu equilíbrio com o meio ao
qual está inserido. Este é um ponto critico,
pois implica em mudanças importantes
sobre o manejo da cama (reuso e fermen-
Figura 7: Aves de postura criadas em ambien- tação) e sobre o emprego estratégico e
te adequado para a expressão dos comporta- não corriqueiro de desinfetantes e sani-
mentos naturais da espécie. tizantes nas granjas. Além disso, o uso do
histórico detalhado dos desafios sanitários
Além das questões ambientais, genéti- pregressos e o emprego de microrga-
cas, nutricionais e de qualidade de ma- nismos benéficos via ave e via ambiente
nejo no aviário é sabido que as dinâmi- constituem pontos fundamentais para o
cas populacionais dos microrganismos, sucesso em tais modelos. Almeja-se, por-
tanto no ambiente interno das aves tanto nestes sistemas de produção o equi-
(sistema gastrointestinal) como no am- líbrio das populações microbiológicas em
biente externo (galpões, cama, piquete detrimento da abordagem convencional
entre outros), interferem diretamente que procura elimina-las provocando a re-
no status sanitário das aves. Sendo as- dução da biodiversidade.
sim a compreensão desta dinâmica
constitui um ponto chave no entendi- Os gráficos a baixo ilustram as melho-
mento e na estabilização dos resultados rias nos índices produtivos obtidos ao
produtivos em tais sistemas. longo de 14 anos na produção de fran-
go de corte e os bons resultados obti-
Com a experiência de longos anos de tra- dos por um lote de poedeiras criadas
balho e pesquisas, percebemos que para no sistema livre de antibióticos.
GPD (g)

1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
Ano
Figura 8: Linha de tendência do ganho de peso diário (GPD) média mensal entre os anos de 1999
e 2013, obtidas nos lotes de frango de corte criados sob manejo alternativo. Legenda (-) Linha de
tendência. Fonte: Korin Agropecuária.

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CA

1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
Ano
Figura 9: Linha de tendência do ganho de peso diário (GPD) média mensal entre os anos de 1999
e 2013, obtidas nos lotes de frango de corte criados sob manejo alternativo. Legenda (-) Linha de
tendência. Fonte: Korin Agropecuária.

100
90
80
70
Produção (%)

60
50
40
30
20
10
0

18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46 48 50 52 54 56 58 60 62 64
Semana
Figura 10: Curva de produção de ovos de poedeiras criadas em sistema alternativo. Legenda (-)
produção pelo Guia de Manejo de Linhagem. (-) produção real. Fonte: Korin Agropecuária

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6

5
Mortalidade (%)

0
18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 44 46 48 50 52 54 56 58 60 62 64

Semana
Figura 11: Curva de mortalidade preconizada de poedeiras em sistema alternativo. Legenda
Mortalidade (-) preconizada pelo Guia de Manejo de Linhagem. (-) Mortalidade real. Fonte: Korin
Agropecuária.

5. A inspeção de produtos
rios quanto mais unidades de inspeção
de pequenas escala existirem no país,
de origem animal. uma vez que a existência da inspeção
direciona a produção para que fatores
de controle e de rastreabilidade sejam
realizadas mesmo que de forma simpli-
ficada. Desta forma as exigências fun-
cionam como um fator de melhoria na
gestão sanitária e na gestão do negocio
como um todo, contribuindo para a me-
lhoria de renda dos produtores, na me-
dida em que eles passam a acessar e a
Um dos grandes entraves para a regu- expandir seu mercado de atuação.
larização da atividade de criação de
aves em modelos familiares e de menor Neste sentido o Brasil dispõe do Sistema
escala, é a regularização da inspeção Unificado de Atenção à Sanidade Agro-
sanitária de tais produtos. Desta forma pecuária (SUASA). O SUASA é um siste-
iniciativas que viabilizem modelos de ma de inspeção, organizado de forma
inspeção sanitária para pequenos aba- unificada, descentralizada e integrada
tedouros e entrepostos de ovos são vis- entre a União (através do Mapa) os es-
tas como essenciais para o sucesso e a tados e Distrito Federal, e os municípios.
legalização das atividades. Fazem parte do SUASA quatro sub-sis-
temas brasileiros de inspeção e fiscaliza-
Poderemos inclusive, vislumbrar ga- ção, dentre os quais destacamos o Siste-
nhos significativos em termos sanitá- ma Brasileiro de Inspeção de Produtos

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de Origem Animal – SISBI-POA. Seus a reprodução socioeconômica das fa-
principais objetivos são: harmonização mílias rurais; a promoção da segurança
e padronização de procedimentos de alimentar das próprias famílias e da so-
inspeção no país; ampliação do âmbi- ciedade; a manutenção do tecido social
to de comercialização dos produtos de e cultural e a preservação dos recursos
origem animal; garantia da inocuidade naturais e da paisagem rural.
dos produtos de origem animal; contri-
buição com a saúde pública e promo- A complexidade inerente ao sistema al-
ção do desenvolvimento e da inclusão ternativo o torna naturalmente voltado
social em todas as regiões brasileiras. e atento para as questões sociais e eco-
nômicas dos seus agentes, assim como
para as questões de equilíbrio ambien-
tal dos seus locais de produção.
Regionalização das
Para os sistemas alternativos a saúde
unidades de inspeção
das aves deve ser holisticamente traba-
Uma vez que tais sistemas de produ- lhada. O respeito às normas de bem-es-
ção e de inspeção estejam melhores tar aliado a utilização de linhagem mais
interligadas, haverá seguramente um rusticas e o conhecimento dos agentes
incentivo para o desenvolvimento lo- participantes deste sistema, embasados
cal, desenvolvimento este que muito em práticas sanitárias obrigatórias e re-
provavelmente resultará na formação comendadas, são os principais fatores
de Sistemas Agroalimentares Localiza- da manutenção de um status sanitário
dos - SIAL. Estudos apontam que tais adequado.
sistemas contribuem para que praticas
multifuncionais de agricultura se esta- Os bons resultados obtidos até o
beleçam, as quais sinergicamente re- momento servem como um ben-
sultam em um desenvolvimento rural chmarking, mostrando a clara possibi-
sustentável (PECQUER, 2005; MORUZZI lidade de atingi-los, e que poderemos
MARQUES, 2009; DEMATTE FILHO, 2014). em curto e médio prazo vislumbrar-nos
a possibilidade de termos um merca-
do cuja participação de produtos com
estas características diferenciadas veja
6. Considerações finais
muito mais relevante em termo de con-
A dinâmica destes modelos de produ- sumo, geração de trabalho e maior ofer-
ção de avicultura familiar contribui para ta de alimentos de elevada qualidade.
que aspectos sustentáveis da agricul-
tura se concretizem devido ao seu ca- Por fim, é recomendado que mais estu-
ráter multifuncional o qual prima por dos nesta área sejam realizados, reduzin-
quatro funções principais quais sejam: do a nítida carência que ora observamos.

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- 99 -

Referências bibliográficas

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Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Acesso em 04 jun. 2015

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- 100 -

Anexos

Anexo 1: Lista de substâncias proibidas para produção de


ovos certificados antibiotic free, segundo as normas da Aval.

São proibidas, as seguintes classes de antibióticos, promotores


de crescimento e agentes anticoccidianos:
Oxitetraciclina Neomicina
Clortetraciclina Bacitracina de Zinco
Lincomicina Avilamicina
Espiramicina Virginamicina
Eritromicina Ácido 3-Nitro
Tilosina Halquinol
Gentamicina Colistina
Dihidrostreptomicina BMD (Bacitracin Methylene Disalicylate)
Nitrofuranos Sulfonamindas
Desinfetantes, antibacterianos e antifúngicos, para uso em
água de bebida, ração ou aspersão sobre as aves:
Azul de metileno
Sulfato de cobre e formol
Violeta de genciana
Desinfetante para aviário:
Formol
Ingredientes de origem animal na dieta, como óleo de vísceras e farinhas de:
Carne Peixe
Ossos Resíduos de incubatório
Penas
Óleos vegetais reciclados
Vísceras
como ingrediente de rações
Sangue
Produtos para tratamento de água:
Triclorotriazina

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Anexo 2: Lista de substâncias permitidas para produção de


ovos certificados antibiotic free, segundo as normas da Aval.

Ácidos orgânicos e seus sais como conservantes de ingredientes ou


rações, como aditivos alimentares:
Fórmico Sórbico
Acético Cítrico
Lático Fosfórico
Propiônico Fumárico
Aditivos de ração:
Prebióticos Simbióticos
Probióticos Produtos de exclusão competitiva
Adsorventes de micotoxinas
Antioxidantes como aditivos de ingredientes ou rações:
Vitamina E BHA (butil hidroxianizol)
Ácido ascórbico Etoxiquim
BHT (butil hidroxitolueno), TBHQ (Terc-Butil hidroquinona)
Enzimas
Extratos de plantas e óleos essenciais
Imunoestimulantes naturais
Pigmentantes naturais

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- 102 -

Anexo 3 : Lista de substâncias proibidas para produção de frangos


certificados alternativos, segundo as normas da Aval.

Antimicrobianos
Avilamicina Halquinol (clorohidroxiquinolina)
Bacitracina de zinco Flavomicina (flavofosfolipol
e bacitracina metileno disalicilato ou bambermicina)
Colistina (sulfato de) Lincomicina
Clorexidina (cloridrato de) Tilosina (fosfato ou tártaro de)
Enramicina Virginamicina
Espiramicina
Coccidiostáticos
Amprólio Maduramicina + Ác. 3-Nitro
Amprólio + Etopabato Monensina sódica
Clopidol Monensina + Ác. 3-Nitro
Clodipol + Metilbenzoquato Narasina
Decoquinato Nicarbazina
Diclazuril Narasina + Nicarbazina
Halofuginona Robenidina (Cloridrato de)
Lasalocida Salinomicina sódica
Lasalocida + Ác. 3-Nitro Salinomicina + Ác. 3-Nitro
Maduramicina amônio Semduramicina
Maduramicina + Nicarbazina Semduramicina + Nicarbazina

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Anexo 4 : Lista de substâncias permitidas para produção de frangos


certificados alternativos, segundo as normas da Aval.

Ácidos orgânicos e seus sais como conservantes de ingredientes


ou rações, como aditivos alimentares:
Fórmico Sórbico
Acético Cítrico
Lático Fosfórico
Propiônico Fumárico
Aditivos de ração:
Prebióticos Simbióticos
Probióticos Produtos de exclusão competitiva
Adsorventes de micotoxinas
Aglomerantes naturais
Aminoácidos
Antioxidantes como aditivos de ingredientes ou rações:
Vitamina E BHA (butil hidroxianizol)
Ácido ascórbico Etoxiquim
BHT (butil hidroxitolueno) TBHT
Aromatizantes
Corantes e pigmentantes naturais
Emulsificantes naturais
Enzimas
Extratos de plantas e óleos essenciais
Imunoestimulantes naturais
Oligoelementos ou compostos de oligoelementos
Palatabilizantes: Produto natural obtido mediante processos físicos, químicos,
enzimáticos ou microbiológicos apropriados a partir de materiais de origem vegetal.
Vitaminas, provitaminas e substâncias quimicamente definidas de efeitos similares.

Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar


- 104 -

Genética Suína:
Onde estamos e até onde podemos chegar?

Mariana Anrain Andreis


Gerência de Melhoramento Genético – DB
Genética Suína

Os avanços constantes no melhora-


mento genético geraram ganhos cres-
centes no desempenho dos animais e
aliados aos efeitos de nutrição, sanidade
e ambiência, proporcionaram ganhos
em todas as características de impor-
tância econômica da suinocultura.

A evolução em desempenho reprodu-


tivo pode ser ilustrada nessa figura que
apresenta o aumento do número de
leitões desmamados/fêmea/ano em Figura: Evolução do número de leitões des-
granjas participante de um concurso de mamados/fêmea/ano (DFA) ao longo de sete
edições do prêmio Melhores da Suinocultura
desempenho de Unidades Produtoras
Agriness.
de Leitões (UPLs) no Brasil, destacando Fonte: www.melhoresdasuinocultura.com.br.
o ganho de 0,86 desmamados ao longo
das sete edições.
de alto impacto econômico, como é o
Abaixo seguem gráficos apresentando caso de conversão alimentar e ganho
a evolução em outras características de peso diário.

Anais SIAVS 2015 - Genética suína: onde estamos e até onde podemos chegar?
- 105 -
redução de custos com ganho de efici-
ência e qualidade, e isso pode ser feito
de várias formas. Redução da conversão
alimentar e aumento da prolificidade,
por exemplo, são dois pontos chave,
dado seu grande impacto no desempe-
nho econômico dos produtores. Aliados
a isso, o aumento da produção de car-
ne, mantendo ou incrementando a sua
qualidade sensorial e industrial, é tam-
Figura: Conversão Alimentar dos 30-100 kg bém uma crescente exigência da indús-
em machos terminadores. Fonte: Dados DB tria. Além destes, rotineiramente surgem
Genética Suína. novas demandas aos programas de me-
lhoramento, como resistência a doen-
ças, adaptação a diferentes sistemas de
produção entre várias outras.

Com tantos objetivos de seleção, uma


das possibilidades para convergir todas
estas características em um animal que
seja bom é o melhoramento genético
utilizando índices de seleção. Neste sis-
tema, usa-se o valor genético dos indi-
víduos para cada característica, o qual é
Figura: Ganho de peso diário dos 30-100 kg multiplicado pela porcentagem (impor-
em machos terminadores. Fonte Dados DB tância, relevância ou peso relativo) que
Genética Suína
cada característica tem na composição
Analisando as linhas de tendência des- do índice. O conjunto do valor genético
tas curvas, questiona-se qual seria o li- do animal é agrupado em apenas um
mite para a evolução dos resultados da número (índice), sendo que os animais
suinocultura moderna, e questiona-se de maior índice são utilizados para re-
em que devemos ainda avançar e em produção com vistas ao melhoramen-
que velocidade isso pode ser obtido. to balanceado para as características
que compõe aquele índice específico.
As principais demandas da área de me- O peso de cada característica na com-
lhoramento genético, na verdade, são posição final do índice é normalmente
direcionadas pelos produtores e indús- dado pela importância econômica de
tria. Nesse arranjo, o melhoramento ge- cada característica, ou de acordo com o
nético é um caminho necessário para objetivo final de seleção da linhagem. É
maximizar os ganhos da suinocultura. importante salientar que, à medida que
Atualmente, a principal mensagem é a se aumenta o número de características

Anais SIAVS 2015 - Genética suína: onde estamos e até onde podemos chegar?
- 106 -
no índice de seleção, há redução na ve- A colaboração do melhoramento ge-
locidade de ganho genético em cada nético na composição destes índices
característica igualmente, por isso a econômicos é feita também através do
inclusão das características no índice é cálculo da herdabilidade das caracte-
meticulosamente estudada pelas equi- rísticas, ou seja, o melhoramento pode
pes de melhoramento genético. dizer quanto se pode avançar e em
quanto tempo, afim de calcular a pon-
Mas mesmo as características e a pró- deração mais rentável para característi-
pria ponderação destas evolui ao longo ca de seleção.
dos anos, conforme evoluem os plan-
téis e as demandas do mercado. Na fi- A espessura de toucinho pode ser mais
gura abaixo, são mostrados dois índices um exemplo de seleção que muda ao
de seleção de uma empresa de melho- longo do tempo. Inicialmente, essa ca-
ramento genético de suínos, calculadas racterística tinha alta herdabilidade, de
para os anos 2088-2011 e 2012-2015. até h2=0,7, ou seja, as mudanças gené-
ticas e fenotípicas puderam ser feitas
rapidamente. Há 40 anos, facilmente
se encontravam em uma população
de suínos animais com 10 e 40 mm de
toucinho, ou seja, com amplitude de
30 mm. Hoje os números variam mui-
to pouco, entre 6 e12mm de maneira
geral, ou seja, a variância fenotípica di-
minuiu muito, o que leva igualmente a
Figura: Índices de seleção de linhas maternas. redução da variância genética, já que
hoje as populações são muito mais
Nesses gráficos é possível perceber homogêneas. Com isso, a espessura de
que, ao longo do tempo, mudam-se toucinho já deixou de ter um grande
as intensidades de seleção para as ca- peso nos índices de seleção por dois
racterísticas. Por exemplo, Leitões vivos motivos: redução da herdabilidade, por
ao quinto dia (LV5) representa 37% do redução da variabilidade, e porque esta
índice de seleção de uma determinada característica começa a chegar ao seu
linhagem e passou a 27% no segundo limite fisiológico, já que reduzir ainda
momento, ao passo que a conversão mais a espessura de toucinho começa
alimentar passou de 29% da composi- a comprometer a qualidade de carne
ção final do índice para 42%. O objetivo e as reservas lipídicas das fêmeas para
gestação e lactação.
final da seleção baseada em índices de
seleção é alcançar o animal ou linha- Muito se questiona em torno do limite
gem que tenham composição genética para o melhoramento genético. Esse li-
direcionada para a expressão fenotípica mite existe? Qual é o limite para cada
mais rentável possível. característica? Estudando a estrutura

Anais SIAVS 2015 - Genética suína: onde estamos e até onde podemos chegar?
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do DNA, sabe-se que cada gene possui GPD ou 0,1 leitões/geração na média
certo número de alelos, sendo alguns do plantel, e isso faz com que os limites
favoráveis para a característica e outros nunca sejam alcançados.
não. Sabendo que cada indivíduo pos-
sui somente dois alelos (duas variantes) Entretanto, pensando atualmente no
para cada gene, a partir do momento que se tem alcançado em melhora-
que todos os indivíduos da população mento genético e em desempenho
já tenham os dois alelos favoráveis para zootécnico de granjas de alta produtivi-
a característica de interesse, foi alcança- dade, podemos vislumbrar uma granja
do o limite para o melhoramento da- hipotética com desempenho excepcio-
quela característica para aquele gene, nal, se forem tomados por base parâ-
considerando não haver mutação. Po- metros de desempenho já conseguidos
rém, as principais características de in- em alguns animais e linhagens. Nesse
teresse são determinadas por muitos cenário hipotético, poderíamos dizer
genes de pequeno efeito, que também que é biologicamente possível alcançar
interagem entre si, já que alguns genes o seguinte resultado zootécnico: 
bloqueiam rotas metabólicas, ou quan-
CA = 1,600 (dos 25 aos 110 kg)
do se expressam inibem a expressão de
outro gene qualquer. O número de ale- Idade aos 100 kg = 125 dias
los de cada gene também pode mudar,
pois a cada geração são criadas novas Desmamados/fêmea/ano = 40 leitões
variantes de alguns alelos, por meio da
Porcentagem de carne magra = 62%
mutação que acontece durante a for-
mação dos gametas. Assim, consideran- Se fosse alcançado um desempenho
do o conjunto dos genes, assumindo o médio como este, granjas como estas
modelo infinitesimal e a existência de estariam produzindo mais de 4.500kg
fontes de nova variação genética vin- de suínos/fêmea/ano, ou seja,  cerca
das das mutações, poderíamos afirmar de 1.300 kg/fêmea/ano (cerca de 35%)
que não há como definir um limite para acima do que hoje é considerado um
o melhoramento genético das carac- bom resultado. E com eficiência alimen-
terísticas quantitativas. Porém, sabe-se tar muito melhor, garantindo produção
que existem limites fisiológicos para o crescente de proteína de qualidade a
melhoramento de suínos. Por exemplo, baixo custo.
o ganho de peso diário é limitado pela
capacidade máxima de ingestão de ra- É fascinante perceber que hoje já se
ção que o animal possui. O tamanho de encontra facilmente animais individu-
leitegada é limitado pela capacidade ais que alcançam esses dados fenotípi-
máxima de leitões que podem ser le- cos, separadamente, em bons plantéis
vados até o parto dentro do útero da de melhoramento genético. O desafio
fêmea. Porém, sempre existe espaço é transformar esses dados em índices
para se ganhar mais 0,5 grama/dia no médios de plantéis de granjas comer-

Anais SIAVS 2015 - Genética suína: onde estamos e até onde podemos chegar?
- 108 -
ciais, e para isso, visualiza-se muito tra- cidos totais e redução da mortalidade,
balho pela frente. obtidos em bancos de dados cada vez
maiores. Novas características fenotípi-
A crescente demanda por aumento cas, avanços na modelagem e aumento
de produtividade e redução de custos das informações com uso de ferramen-
torna necessária a utilização de novas tas genômicas vão permitir que o me-
tecnologias. Dentro dos atuais avan- lhoramento genético permita à produ-
ços da genética, tem-se a utilização ção e indústria alcançarem patamares
de informações genômicas, que pos- cada vez maiores de produtividade e
sibilitam informações mais precisas do rentabilidade.
parentesco dos indivíduos, cálculos dos
GEBVs - Valores Genéticos Estimados Existe limite? Para cada característica,
“Genômicos”,e obtenção desses valores individualmente, sim, mas para o plan-
genéticos em animais jovens de forma tel, em seus índices zootécnicos, pode-
mais acurada. Para tornar a coleta de in- mos dizer que não ou, pelo menos, que
formação fenotípica mais precisa, novas o limite ainda se encontra muito dis-
estratégias estão sendo implantadas no tante! Sempre haverá algumas frações
sistema de produção, como é o caso da a serem ganhas em conversão, ou em
conversão alimentar obtida em baias porcentagem de carne magra, enfim.
coletivas, com o uso dos alimentadores Sempre haverá o desafio de conver-
automáticos FIRE (Feed Intake Recor- gir os ganhos genéticos em diferentes
ding Equipment), que permitem que a características (prolificidade, unifor-
conversão alimentar e o ganho de peso midade de leitegada, ganho de peso,
diário sejam calculados individualmen- conversão alimentar, qualidade de car-
te e diariamente para os animais, simu- ne, etc) para um mesmo programa de
lando melhor o ambiente real das baias cruzamentos. E, por fim, sempre haverá
de terminação. A coleta de informação o desafio de interagir o potencial gené-
de Leitões Vivos ao Quinto Dia, bem tico com as novas condições de criação
como sua subsequente utilização em que são desenvolvidas, como é o caso
programas de melhoramento genético, das construções adaptadas ao bem es-
também está mostrando sua eficiência tar animal. Este é o desafio do melho-
com resultados cada vez melhores na ramento genético: buscar os limites e,
sobrevivência e qualidade dos leitões, ao mesmo tempo, redefinir continua-
além das correlações genéticas favorá- mente o que são de fato os limites, se
veis, com aumento do número de nas- eles realmente existem. 

Anais SIAVS 2015 - Genética suína: onde estamos e até onde podemos chegar?
- 109 -

A proteína animal na próxima década

MÁRIO LANZNASTER
Presidente da Cooperativa Central
Aurora Alimentos

Apesar das dificuldades que marcam o nanceiras terão encargos mais pesados,
cenário econômico de 2015, o setor pri- com juros mais altos e menor oferta de
mário da economia terá um ano relativa- crédito.
mente bom para as cadeias produtivas
de suínos, aves e leite. Esperamos que O segmento de carnes viverá um bom
o governo intervenha menos na eco- ano com crescentes exportações de car-
nomia e dê autonomia para a equipe nes bovina, suína e de aves. A eclosão de
econômica recolocar nos eixos os fun- epizootias e em alguns países continua-
damentos macroeconômicos do País. rá favorecendo o Brasil, que aproveitará
os resultados da conjugação de vários
Teremos boas safras no Brasil e nos fatores: qualidade reconhecida, preço
Estados Unidos, o que assegurará o competitivo potencializado pelo câm-
suprimento de milho, soja e farelo de bio favorável, capacidade de produção
soja para a transformação em proteína e relativa escassez de carne no merca-
animal. Os custos de produção aumen- do mundial. Novos mercados surgirão
tarão - especialmente em face do enca- no continente asiático; a China voltará a
recimento da energia elétrica, do diesel crescer acima de 7% e a Índia caminha
e de outros insumos - e as operações fi- para se tornar grande parceiro comercial.
Anais SIAVS 2015 - A proteína animal na próxima década
- 110 -
Para analisarmos a situação mercadoló- para 111,845 milhões de toneladas esti-
gica década é necessário estudarmos a madas para 2015. Nesse período 2012-
posição do segmento brasileiro de pro- 2015, o comportamento do consumo
dução de carne suína. Em 2014, o con- (106,437 milhões para 111,174 milhões
junto do agronegócio verde-amerelo de toneladas); da importação (6,890
– incluindo carnes, grãos, leite etc – ex- milhões para 6,323 milhões de tonela-
portou para 75 países e obteve divisas das) e da exportação (7,271 milhões
da ordem de US$ 96,75 bilhões de dóla- para 7,196 milhões de toneladas) carac-
res. A suinocultura contribuiu com 1,7%, terizam um mercado equilibrado.
o que correspondeu a US$ 1,6 bilhão de
dólares e meio milhão de toneladas. Dentre os principais produtores mun-
diais de carne suína, o Brasil ocupa a
Esses números são a expressão mais quarta posição. A China, com seu imen-
altissonante de nossa cadeia produ- so mercado interno, produz 56,5 mi-
tiva e comprova que temos uma das lhões de toneladas; a União Europeia,
mais avançadas indústrias suinícolas 22,4 milhões de toneladas; os Estados
do mundo. Esse status resulta da asso- Unidos, 10,3 milhões de toneladas; Bra-
ciação de seis fatores essenciais: recur-
sil, 3,4 milhões de toneladas e, os demais
sos naturais, disponibilidade de grãos,
países, no conjunto, somam 18 milhões
sistema de produção integrada indús-
de toneladas ao ano.
tria/ criador, privilegiado e reconhecido
status sanitário, flexibilidade e varieda- Os Estados Unidos, maior player do
de de marcados e permanente investi- mercado planetário, projetam impor-
mento em tecnologia. tante crescimento de 5% na produção,
O sistema integrado de produção é que evoluirá das 10,329 milhões de
uma experiência altamente exitosa que toneladas produzidas em 2014 para
envolve, no campo, o produtor integra- 10,858 milhões de toneladas projetadas
do e, na cidade, a indústria de abate e para 2015. Suas exportações crescerão
processamento de suínos. O peque- 2,65%, ou seja, das 2,321 milhões de to-
no produtor é responsável pela cons- neladas de 2014 para 2,381 milhões de
trução dos criatórios de suínos e pela toneladas neste ano.
criação, ou seja, o manejo dos planteis.
No continente europeu, produção e
A agroindústria, por seu turno, fornece
consumo recuarão, mas, as exportações
os insumos na forma de leitões, rações,
crescerão. A União Europeia prevê leve
assistência técnica etc.
diminuição de -0,16% na produção
O movimento de oferta e demanda de (para 22,365 milhões de toneladas) e
carne suína no mundo revela, no último de -0,43% no consumo (para 20,175 mi-
quadriênio, um cenário de relativa esta- lhões de toneladas). A exportação, con-
bilidade. A produção global passou de tudo, elevar-se-á em 2,33% para 2,200
107,016 milhões de toneladas em 2012 milhões de toneladas em 2015.

Anais SIAVS 2015 - A proteína animal na próxima década


- 111 -
Apesar do quadro de otimismo que doméstico e 14% exportados. O consu-
impregna o agronegócio, estou con- mo per capita interno vem crescendo
vencido que a produção de carnes no lentamente: era 11,6 kg/habitante/ano
Brasil não aumentará e a base produti- em 2005, atingiu seu ápice em 2011 e
va continuará no mesmo nível. Os pro- 2012 com 14,9 kg e chegou em 2014 a
dutores e as indústrias atingiram um 14,6 kg. A presença da carne suína na
saudável ponto de equilíbrio, resultado dieta do brasileiro é influenciada pelos
da aprendizagem – depois de décadas preços relativos das demais carnes. O
de erros – sobre os efeitos perversos aumento do preço das carnes bovinas
da gangorra (picos de alta e de baixa e de aves estimula o aumento do con-
produção na proporção inversa de al- sumo da carne suína.
tos e baixos ganhos).
Acredito que vamos ampliar fortemen-
Fundamenta essa visão o número de te nossa presença no mercado externo.
matrizes industriais em produção no Abrimos o mercado japonês e disputa-
Brasil que, desde 2013, situa-se em 1,5 mos o seu abastecimento com Estados
milhão de cabeças e deve crescer pou- Unidos, Canadá, Dinamarca, México e
co mais de 1% em 2015. Em conseqüên- Chile. Essa competição será definida pe-
cia, o abate industrial nacional deve los aspectos técnicos de atendimento
manterse em 41,3 milhões de cabeças. aos padrões exigidos, o cumprimento
de prazos e demais condições estabele-
O regime de oferta e demanda no Brasil cidas nas negociações. Temos potencial
reflete muito bem o cenário de equilí- capacidade e credibilidade para aten-
brio. A produção em 2015 crescerá 1,5%, der uma boa fatia deste mercado, con-
atingindo 3,524 milhões de toneladas. solidando o longo trabalho de muitas
Consumo per capita permanecerá em pessoas e instituições. Acredito que po-
pouco mais de 14 kg por habitante/ano. demos atender no longo prazo até 20%
As exportações devem crescer 5%, pas- da demanda Japonesa de carne suína.
sando de 495 mil toneladas para 520
mil toneladas. A nossa carne suína conquistou, tam-
bém, o mercado norte-americano, o
O sul do País continua a região de maior maior e um dos mais exigentes do
contribuição à produção dessa proteína: planeta. Essa conquista tem um valor
Santa Catarina responde por 23,1%, Rio simbólico muito grande e resulta de
Grande do Sul por 18% e Paraná 15,3%. sérios e compenetrados esforços das
Seguem Minas Gerais com 13,7%, Mato agroindústrias, dos produtores rurais e
Grosso com 6,1%, Goiás com 4,8%, São do governo.
Paulo com 4,4% e Mato Grosso do Sul
com 3,3%. Não chegamos a este estágio de forma
gratuita. Construímos o mais respeita-
Do volume total gerado em solo brasi- do status sanitário junto à Organização
leiro, 86% são consumidos no mercado Mundial da Saúde Animal (OIE) como

Anais SIAVS 2015 - A proteína animal na próxima década


- 112 -
área livre de aftosa sem vacinação e área As perspectivas e tendências para o
livre de peste suína clássica. Este é um consumo mundial de proteínas são al-
status sanitário superior e diferenciado. vissareiras. Não há mais dúvidas de que
os países em desenvolvimento irão ca-
Os Estados com maior participação tapultar a demanda futura por carne.
no esforço exportacionista são Santa África e Ásia concentrarão cerca de 90%
Catarina com 37%, Rio Grande do Sul do crescimento demográfico até 2020.
30,3%, Goiás 9,6%, Paraná 9,3%, Minas Dos 28 países com consumo menor que
Gerais 8,5%, depois, Mato Grosso do Sul 2 kg/habitante/ano, 19 estarão na África
3,4%, São Paulo 1% e Mato Grosso com e Ásia. Toda elevação econômica dos
0,9%. Os principais destinos são Rússia paises africanos e asiáticos representará
(186 mil toneladas), Hong Kong (110 aumento no consumo de carnes.
mil toneladas), Angola (52 mil tonelada),
Singapura (32 mil toneladas) e Uruguai Em face desse quadro, a FAO e a OCDE
(20 mil toneladas). Os outros mercados projetam vigoroso crescimento no
compram 81 mil toneladas. consumo mundial de alimentos para
o horizonte de 2022: a demanda por
Os maiores importadores mundiais carne suína crescerá 13%, de carne de
– que se abastecem do Brasil e de ou- aves 19% e de carne bovina 14%, de
tros grandes países fornecedores – são cereais 15%, de oleaginosas 20% e de
Japão, México, China. Rússia. Coréia do lácteos 20%.
Sul e Estados Unidos. O Japão comprou
em 2014 o formidável volume de 1,320 Obstáculos à exportação continuarão
milhão de toneladas; o México 815 mil sendo as nossas deficiências logísticas.
toneladas e a China 810 mil toneladas. A De acordo com o Fórum Econômico
Rússia adquiriu 460 mil, a Coréia 440 mil Mundial, entre 148 países pesquisados, o
e os norte-americanos 430 mil toneladas. Brasil está em 71o lugar em termos de
infraestrutura, na educação e treinamen-
A produção total das quatro principais to de mão de obra, em 72a posição e em
proteínas animais do Brasil aproximase eficiência de mão de obra, 92º lugar.
das 30 milhões de toneladas ao ano. De
acordo com as projeções da ABPA e da Por isso, é um fato extraordinário a
ABIEC, em 2015 serão produzidas 13,3 agropecuária nacional exportar quase
milhões de toneladas de carne defrango 100 bilhões de reais por ano e, assim,
(crescimento de 4,31% em relação ao ano literalmente salvar a balança comer-
anterior), 10,26 milhões de toneladas de cial brasileira. Esse desempenho ocorre
carne bovina (+0,29%), 3,52 milhões de apesar da falta de incentivo, da péssima
carne suína (+1,44%) e 2,28 milhões deto- infraestrutura, dos gargalos logísticos e
neladas de carne de peixe (+2.70%). da restritiva legislação.

Anais SIAVS 2015 - A proteína animal na próxima década


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Nutritional Challenges to Maximise


Performance – Pork Production

MICHAEL A. Varley
The Pig Technology Company

There are considerable challenges in most of the energy required but also
modern pork production and it is the the protein and amino acid for growth
objective of this paper to review the and reproduction.
nutritional challenges involved.
In some parts of the world the corn was
The production of pork products is a hi- replaced by wheat and for some feeds
ghly complex process and the attempt maybe sorghum, barley, oats and rice
is always to produce the high quality were used. Coupled with synthetic ami-
meat products that consumers will buy no acids that became ever cheaper and
but also aiming for least cost produc- the application of high quality premi-
tion – a considerable challenge. xes including vitamin, minerals and any
feed additives required, then we could
The first element of the challenge is to formulate very high performance feeds
identify raw material sources that will indeed.
fit the bill. For many years now we have
relied heavily on corn and soya bean More recently, the supply and hence the
products as mainstays in the overall fe- price of many of these raw materials has
eding programs. These raw materials become generally very high and very
were widely available and relatively volatile. This has created an enormous
cheap and together they contributed challenges to both feed companies and

Anais SIAVS 2015 - Nutritional challenges to maximise performance – pork production


- 114 -
to the pig production farm businesses to overcome the difficulties with rea-
involved. The reasons for these shor- ring young piglets. Undoubtedly this
tfalls in the supply of basic feedstuffs is a major challenge and going forward
are well known but factors such as the we will not be able to resort to the use
expansion in pork production in Asia of high level antibiotic programs to
(and especially China that has over 50 counter the effects of using poorer qua-
million sows), climate change (making lity feed materials.
the supply of both corn and soya beans
very unpredictable) and of course, bio The answer is in totally re-thinking the
-ethanol and bio-diesel production. whole pig production cycle. The ‘simple’
move for example, to 28 day weaning
This latter transformation has diverted from our established 21-23 day systems
very significant amounts of feedstuff ma- enables a whole new and cheaper pro-
terials into fuel production rather than gram of nutritional inputs for both pi-
feed and food production. In the main, glets and for growing pigs.
it has been driven by political decisions
rather than pure economic rationale. In addition if we focus carefully on the
management of health status on the
The swine industries around the world production farms we can again make
therefore have to meet this challenge real savings in feed inputs and the
and search long and hard for alternati- achieved FCRs and ADG values will
ves. The use of DDGS and co-products pay dividends in return. In production
from these new bio-ethanol industries technology terms, we learnt a lot from
has been taken up vigorously and the the recent diseases worldwide. PMWS,
availability of new products that are PRRS and PEDv have all made a very
around 30% crude protein and high significant impact on our production
energy cannot be ignored. There are performance in recent years. We have
problems such as the sheer variability learnt to use AIAO (All In All Out) techni-
in protein and amino acid content and ques on farms coupled with batch far-
the mycotoxins problems but it just rowing systems to control health and
means that formulators and technical hygiene. We also can use higher levels
managers have to work that much har- of bio-security systems on farms as a
der to achieve the consistency and per- further tool towards better and cheaper
formance required. production.

We have also always known that the In the future we must learn with some
early life nutrition of the young piglet urgency how to use these health tools at
is crucial to overall high performance. a higher level. The goal is to still achieve
Here, the challenge is much greater and the carcase value that consumers requi-
in the past we had good availability of re but we can push our costs down sig-
skim milk powders, whey powders, high nificantly by being able to operate with
quality oils and cooked cereal products lower feed costs (that are around 70-80%

Anais SIAVS 2015 - Nutritional challenges to maximise performance – pork production


- 115 -
of total costs). This can be done but it the swine production industries. The
required considerable lateral thinking future will certainly be ‘technology
on the part of production directors. Nu- driven’ just as it has been in the past.
tritionists do understand some of the
We have wonderful genetics nowa-
relationships between nutrition-immu-
nity-health status and production per- days on the dam line side as well as
formance but we need more research in for sire lines, but to harness this gene-
this area before we can be very precise in tic potential we will have to work hard
our formulation applications. in the pursuit of new raw materials
The future challenges therefore pre- and also in the formulation of new fe-
sent a very interesting opportunity for eding programs

Anais SIAVS 2015 - Nutritional challenges to maximise performance – pork production


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NOVOS DESAFIOS DA BRONQUITE INFECCIOSA:


POEDEIRAS COMERCIAIS

Nair Massako Katayama Ito


Claudio Issamu Miyaji
Sandra O. Miyaji
Spave - Consultoria em Produção e
Saúde Animal

Introdução regulatória da transcrição (TRS) depois


O vírus da bronquite infecciosa das da região N, 3 ORFs adicionais são ob-
galinhas (IBV), envelopado, arredon- servados nos Deltacoronavirus (Woo
dado e com 75 a 160 nm de diâmetro, et al., 2009b) (Figura 1).
é um Coronavírus, Família Coronaviri- O IBV e o Coronavirus do peru (TCoV),
dae, Sub-família Coronavirinae, gênero respectivamente com genoma de
Gammacoronavirus, espécie Coronaví- 27608 bp e 27657 bp, são da mesma
rus aviário. Na subfamília Coronavirinae espécie porque tem mais de 90% de
estão incluídos os gêneros Alfacorona- similaridade no domínio da replicase
vírus e Betacoronavírus que ocorrem pp1ab do ORF1. Gammacoronavírus
entre os animais domésticos, homem e detectados em faisão, pato, marreco,
morcegos, e os Deltacoronavírus isola- pombo, maçarico do papo vermelho,
dos de pássaros da China (ICTV, 2013). galinha d’angola (Cavanagh, 2007), gato
Gammacoronavírus e Deltacoronaví- leopardo asiático e ferret (Dong et al.,
rus são filogeneticamente relaciona- 2007) ainda não foram classificados
dos e diferem entre si, na sequência (ICTV, 2013).

Anais SIAVS 2015 - Novos desafios da bronquite infecciosa: poedeiras comerciais


- 117 -

O IBV, espécie de referência dos Co- Por análise do genoma completo dos
ronavírus aviários, foi descoberto em Coronavírus aviários existem basica-
1932 por Schalk & Hawn nos Estados mente 2 genotipos: Mass clássico e
Unidos. A primeira amostra foi denomi- tipo T (N1/88, V18/91/Q3/88) da Aus-
nada de Beaudette 66579 (M-42), que é trália, divergentes entre si nos genes
uma amostra atenuada por passagem que codificam as proteínas estruturais
sucessiva em ovo embrionado (238 S e N. O TCoV que causa enterite em
passagens), e que cresce em cultura de perus, considerada apatogênica para
células de embrião de galinha, mas tem pintinhos, é um vírus do tipo Mass que
reversão de patogenicidade após cultivo
tem no gene S, dois pontos de recom-
em anéis de traquéia. A amostra Massa-
binação com uma sequência não iden-
chusetts M-41 caracterizada como vírus
tificada de um outro Coronavírus (Ja-
­respirotrópico, isolada em 1941 por Van
Roeckel, se expandiu para a Europa, Ásia ckwood et al., 2010). Na China, onde o
e Brasil na década de 50. A amostra H IBV-Mass ocorre desde 1951, são descri-
(Huyben) isolada na Holanda em 1955, tos IBVs nefropatogenicos e genotipos
deu origem à vacina H52 e H120, consi- que causam proventriculite (tipo QX ou
derada do tipo Massachusetts é um vírus J2) e amostras com diversidade na pro-
que tem resistência a tripsina. A amostra teína N e S recombinantes que tem o
T isolada na década de 60 na Austrália do gene N do tipo Mass dos EUA e S do
tem tropismo para o sistema respiratório vírus T da Austrália (Liv et al., 2006; 2008;
e é uropatogênica (Cumming, 1963). Wit et al., 2011).

Anais SIAVS 2015 - Novos desafios da bronquite infecciosa: poedeiras comerciais


- 118 -

IBVs são vírus que replicam no citoplas- tidases (APN) como aceptor; o vírus da
ma, após ligação da glicoproteína S1, hepatite dos camundongos (MHV), gli-
fusão da glicoproteína S2 com a pare- coproteínas da família dos antígenos
de e endocitose. Após descapsidação e carcinoembriônicos e supõe-se que o
ligação do ssRNA no ribossomo, é pro- SARS-CoV se ligue na N-aminopeptida-
duzida a RNA polimerase e o complexo se (Stadler et al., 2003).
replicativo -ssRNA e são sintetizados 16
polipéptides de 15.000 a 135.000 Da Todos IBVs ligam a proteína S1 em
por 8 mRNAs. A fosfoproteína estrutural aceptores sialilados, diasolida ∂2,3 do
N é incorporada na fita +ssRNA e forma glicano, mas as amostras nefropato-
o nucleocápside e as proteínas M, E e S gênicas ou mais virulentas também
são transportadas para o complexo de utilizam receptores celulares do tipo
Golgi. O virion é montado no aparato lectina presentes nos cílios das células
de Golgi e internalizado em vesículas e epiteliais respiratórias e do oviduto ou
exocitado (Figura 3, na próxima página). nas microvilosidades das células epite-
liais dos túbulos contornados (Wickra-
A glicoproteína S que forma as grandes masinghe et al., 2011). A glicoproteína
projeções expostas na superfície do vi- S da maioria dos Coronavirus, tem 2
rion (Figura 1), tem uma cabeça globosa repetições heptatídicas no domínio S2
altamente glicosilada denominada S1 que modula a fusão do envelope viral
que se liga a um aceptor célula espe- na membrana celular após ligação e
cífica. Alfacoronavírus usam aminopep- separação da proteína S1, por isto, an-

Anais SIAVS 2015 - Novos desafios da bronquite infecciosa: poedeiras comerciais


- 119 -
ticorpos neutralizantes inibem a fusão ligação S1-S2, afeta a infectividade mas
e o desencadeamento da replicação; não impede a fusão (Cavanagh, 2007). A
entretanto em algumas amostras de aglutinação das células e a taxa de liga-
Betacoronavírus e Gammacoronavírus, ção e fusão da glicoproteína S na mem-
as glicoproteínas S1 e S2 não estão co- brana celular é aumentada por enzimas
valentemente ligadas, porque a proje- como a fosfolipase e sialidase.
ção é clivada durante a maturação do
virion, e a clivagem da projeção não in- O desvio do metabolismo celular du-
fluencia na infectividade, pelo contrário, rante a síntese das proteínas virais cau-
aumenta a fusão (Stadler et al., 2003). O sa enfraquecimento da célula e dimi-
tratamento do IBV com urease cliva a nuição da função (eg. ciliostase, troca

Anais SIAVS 2015 - Novos desafios da bronquite infecciosa: poedeiras comerciais


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de fluidos, secreção, etc). As proteínas Desde a década de 90, nos EUA como
estruturais S, E e M presentes nas vesí- na Europa, predomina a crença de que
culas citoplasmáticas e toda proteína S o anticorpo é o principal fator que con-
que não é incorporada no virion e que fere proteção ao desafio, por isto, preco-
fica retida na parede da célula, estimu- niza-se até hoje, hiperimunização ativa
lam as células citotóxicas. As proteínas com múltiplas amostras e reforços. Por
não estruturais NSP são as frações que exemplo, nos EUA, frangos de corte são
induzem a síntese de IFN-∂ do tipo I, ∂ vacinados com 1 dia e 17 a 18 dias de
e ß e impede a invasão célula a célula. idade, com pelo menos duas amostras
distintas de IBV vacinal.

Em 1993, com a introdução do diagnós-


Histórico mundial tico por RT-PCR (Reverse transcripta-
Até 1956, considerava-se que a bronqui- se-polymerase chain reaction) e RFLP
te infecciosa era causada somente por ví- (Restriction fragment polymorphism) e
rus do tipo Mass M-41, mas com o passar análise da região hipervariável do gene
do tempo, foram identificadas nos EUA S1 nos EUA, observou-se um aumento
e na Europa, muitas amostras antigeni- brutal de amostras com padrões RFLPs
camente diferentes, diferenciadas pelo diferentes dos vírus de referência, deno-
teste de neutralização, em 8 a 10 “soroti- minadas de variantes. Por definição, es-
pos”.A amostra Beaudette M-42 mutante tabeleceu-se que amostras com menos
imunogênica somente quando injetada, de 80% de semelhança em tamanho
foi a primeira vacina utilizada nos EUA. A ou número de bandas após digestão
vacina Mass Van Roeckel M-41 atenuada enzimática da proteína S1, são “varian-
em ovo embrionado foi introduzida na tes” moleculares ou subtipos ou “qua-
década de 50, e na década de 60, a va- si-espécies”. Por análise de amostras de
cina Conn. Na Europa, em 1969 foi intro-
IBVs dos EUA, onde as aves comerciais
são imunizadas com Mass, Conn, Ark
duzida a vacina H52 e H120, derivada da
e DE072 e outras variantes regionais, a
amostra H (Huyben) isolada na Holanda
cada ano, foram detectadas novas va-
em 1955. Na década de 70, nos EUA, com
riantes. Em 2004, foram detectados ví-
a emergência dos vírus de escape soro-
rus ArKDPI (42,4%), Conn (13,4%), Mass
lógico, foram desenvolvidas as vacinas
(10,2%), mistura de vírus (3%) e 7,8% de
B48 tipo Mass (Winterfield, 1975), em
85 variantes distintas (Jackwood et al.,
meados da década de 80, ArK99 (ArK-
2005). Em outros países também tem
99DPI/81) e em 1993, DE072 (Delmarva
se observado emergência de variantes
DE/492/90). Paralelamente, na Europa,
(Wit et al., 2011).
na década de 80 foram desenvolvidas as
vacinas D274 (também conhecida como Baseado no ciclo replicativo, todos Co-
D207) e D1466 (ou D202) e na década ronavírus tem propensão natural para
de 90, a vacina 4/91 (ou CR88 ou 793B), efetuar mutação da ordem 1,2x10-3
Mass Ma5 e M48 (Wit et al., 2011). substituições sinônimas por ponto por

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ano, por isto, teoricamente todos IBVs que tem uma inserção de um gene da
são vírus mutantes, recombinantes ou vacina DE072 introduzida em 1993, que
variantes. A evolução natural dos Co- teve uma taxa de mutação e evolução
ronavírus ocorre por erro de tradução muito rápida da região hipervariavel
da RNA polimerase RNA-dependente do gene S1, respectivamente de 2,5%
(RdRp), mutação e recombinação gêni- e 1,5% por ano (Lee & Jackwood, 2001)
ca durante a replicação. A evolução e se- e 1,5 x 10-2 substituições por ponto por
leção natural dos vírus é favorecida por ano por pressão da vacinação (Lee, Hilt
transmissão inter-espécie de hospedei- & Jackwood, 2001). A amostra DE/072/92
ros, coexistência de genotipos distintos que deu origem à vacina DE072 antige-
de vírus na natureza e no hospedeiro e nicamente relacionada com a amostra
variação fenotípica para adaptação ou vacinal D1466 (D202) introduzida na Eu-
evasão imune do parasita no microam- ropa na década de 80, contribuiu para o
biente tissular. Por exemplo, na galinha
aparecimento da variante GA.
SPF inoculada com a vacina ArK por via
naso-ocular, durante a replicação são
gerados pelo menos 5 populações dife-
rentes de virions com modificações não Como surgem as
sinônimas no gene S1, de frequência
variantes:
variável conforme tecido (lágrima, tra-
quéia, oviduto/testículo, tonsila cecal e Todas as vacinas vivas sofrem mutações
rim) e fornecedor da comercial (Gallar- e seleção do epitopo S1 após vacina-
do, Van Santen & Toro, 2010). ção, e entre as vacinas existem diversi-
dade entre marcas e frascos (McKinley,
A vacinação com amostras “variantes” Hilt & Jackwood, 2008), e a aplicação
distintas ou com vacinas do mesmo de cepas diferentes, acelera a taxa de
sorotipo com diversidade molecular, evolução. A taxa de mutação e seleção
associado com fatores intrinsicos do positiva da vacina Mass e Conn que
hospedeiro (enzimas proteolíticas, imu- era de 10-4 substituições por ponto por
nogenes, diferença de receptores nas ano nos primeiros 41 anos, foi para 10-6
células dos tecidos) e extrínsicos do substituições por ponto por ano nos
meio ambiente (infecção intercorrente, últimos 25 anos (McKinley et al., 2011).
temperatura, umidade, etc), aumentam A variabilidade fenotípica das vacinas
a velocidade de evolução dos IBVs. A
comerciais de uma mesma amostra e a
cada geração de replicação “in vivo”,são
imunização ativa com múltiplas cepas
produzidos virions com variação geno-
por fornecimento de material genéti-
típica e fenotípica que por seleção na-
co, corroboram para rápida seleção de
tural tornam-se predominantes (Toro,
subpopulações com mutação ou com
Van Santen & Jackwood, 2012).
mudança de nucleotídios e da posição
A amostra GA98 que emergiu entre de aminoácidos no gene S1 e variação
1997-2000 na Georgia, é uma variante de antigenicidade (Toro et al., 2012).

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A pressão de seleção é maior quanto cinal e variação da taxa de proteção ao
mais se tem variações fenotípicas en- desafio com Ark não atenuado em aves
tre marcas de uma mesma vacina ou vacinadas com 1 e 17 dias com Ark e
se efetua múltipla vacinação, porque DE072, variando de 37,5% a 62,5% e de
a oferta de material genético para re- 87,5% a 100% de proteção após desafio
combinação gênica é maior. Já faz um com a amostra DE072 (Jackwood et al.,
certo tempo que sabemos que a va- 2009), deve ser analisado com cuidado.
riação e variabilidade antigênica das Conforme a teoria do pecado original
vacinas vivas e vírus que tem elevado antigênico, o vírus vacinal DE072 pode
polifenismo, tendem a desencadear ter sido o vírus primo-sensibilizante do-
um fenômeno conhecido como pe- minante por isto conferiu proteção por
cado original antigênico que favorece resposta imune secundária. Por análise
a persistência de clones mutados ou ultraestrutural, vírus vacinais tem me-
mais invasivos ou de um eventual vírus nos projeções no envelope comparati-
de campo que não tem antígenos em vamente ao não atenuado, menos de
comum (Ito, Miyaji & Okabayashi, 2006). 50% e 25%, respectivamente, para ArK
Por exemplo, a falta de uma boa co- e Mass (Roti et al., 2015), portanto, em
bertura de um programa de vacinação um programa de vacinação Ark-Mass, o
múltiplo, com persistência de vírus va- vírus dominante será Mass.

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Do ponto de vista imunológico, é preci- exposição a uma dose muito alta, a to-
so entender que para um vírus estimular lerância da zona alta, na primo-infecção
o sistema imune, é necessário que ocorra e ao recontato ao mesmo antígeno (Ja-
a replicação e a produção de uma quan- neway et al., 2002), para poupar o sistema
tidade suficiente de antígenos. A exposi- imune e evitar o estresse imunológico e
ção a uma dose muito baixa de antíge- a destruição tissular pelo próprio sistema
nos induz a tolerância da zona baixa e a imune alertado por sinais de perigo.

Bronquite infecciosa Mass. As vacinas H52 e H120 foram as


do Brasil primeiras amostras licenciadas. No fi-
nal da década de 80, as doenças respi-
O Brasil é um dos poucos países, se- ratórias eram endêmicas nas galinhas
não o único, que apesar de ser um de postura, reprodutoras comerciais e
dos maiores produtores de galinhas frangos de corte vacinados com H120
de postura e frangos de corte, desde e/ou H52, porque não havia um pro-
1979, só autoriza vacinas vivas do tipo grama compulsório para monitoria e

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erradicação do Mycoplasma gallisep- As amostras isoladas em 1995, de fran-
ticum e M. synoviae nas reprodutoras. gos de corte não vacinados (1/10) e
Quadros como a “síndrome do ovo vacinados com H120 (1/10) e galinhas
sem casca”, baixa produção de ovos e comerciais sem histórico de vacinação
traqueo-bronco-pneumonia ocorriam (3/4) e vacinados com H52, H120, e vaci-
por todo pais, porque o vírus da do- na ArK/Mass inativada, do Sul e Sudeste
ença de Marek (não estava aprovada do Brasil, não tinham identidade antigê-
a vacina CVI988/Rispens) e da leucose nica com Mass, D207, Conn e FR84221
linfóide e mielóide e M. gallisepticum (Di Fabio et al., 2000). Não sabemos
favoreciam invasividade e persistência quando foi licenciada a produção da
das vacinas. Vacinas invasivas como a vacina inativada ArK no Brasil.
H52 são contraindicadas quando as
A despeito de no 2º Simpósio Interna-
aves tem imunodeficiência persistente
cional sobre bronquite infecciosa reali-
e micoplasmose. Com o passar do tem-
zado na Alemanha em 1991, Cavanagh
po, a vacina H52 foi sendo substituída
ter enfatizado que a vacina H120 era a
pela H120 e por vacinas comerciais,
mais indicada para o controle dos casos
oficiosamente H70 e H90 que foram
de bronquite, vacinas vivas tipo Mass,
retiradas do mercado nos anos 2005. A
B48, Ma5 e M48 foram licenciadas no
introdução da vacina inativada oleosa
Brasil no final da década de 90.
foi muito importante para reduzir os
casos de “queda de produção”. Por análise genômica RFLP-PCR, no
período de 2003 a 2010, apareceram
Na década de 90, os casos de traque-
novas variantes antigênicas S1. Por
íte linfoproliferativa e nefroses eram
análise de 60 amostras no período de
frequentes entre frangos de corte, e
2010, 2011 predomina o genotipo BR-I
aventava-se que os casos de escapes
(69,4%) (Fraga et al., 2013) descrito pre-
sorológicos deviam-se à existência de
viamente por Montassier et al. (2008), e
variantes (Wit et al., 2011), mas tam-
em 2005, em SP, PR, RS (Villarreal et al.,
bém naquela época, micoplasmas não
2007) e 2007 ( Villarreal et al., 2010). As
estavam sob controle compulsório e
variantes BR-IIs detectadas em 2010, na
não habia monitoria para micotoxinas.
tonsila cecal de aves do Mato Grosso, fi-
Amostras de vírus isolados antes de logeneticamente do tipo Unicamp 830
1989 foram caracterizadas sorologica- 2008 descrito por Fellipe et al. (2010) foi
mente como sendo do tipo Mass (Ito, caracterizado como tipo Holte (Fraga et
Miyaji & Okabayashi 2006). Por análise al., 2013)
genômica do gene N (388 bp), as amos-
tras isoladas no período de 1972 a 1989 Pela ultima análise de amostras coleta-
em Minas Gerais tinham similaridade das em 2010-2011, 69,1% das amostras
de nucleotídeos e aminoácidos com os foram variante BR-I; 8,2% variante BRII/
vírus M41, M42, TII, H120 e H52 (Abreu Unicamp 830 (todos de MT) e 22,4% do
et al., 2006). tipo Mass (Fraga et al., 2013). Amostras

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do tipo D207, detectadas nas galinhas são vírus tipo Mass com evolução na-
do Sudeste, no período de 2003 a 2009 tural. A variante 4/91 ou 793B ou CR88,
(Fellipe et al., 2010), não foram detecta- diagnosticada na França e no Reino
das no período de 2010 a 2011. Unido em reprodutoras com mortalida-
de, frangos refugados e com miopatia
Bronquite infecciosa nas peitoral não é um vírus que causa uma
galinhas de postura patologia típica de IBV (Cook, Jackwood
IBVs “variantes” também existem entre & Jones, 2012). A taxa de evolução do
as galinhas de postura. Entre os traba- gene S1 da amostra 793B é de 3x10-3
lhos publicados sobre análise genômi- substituições por ponto por ano (Toro,
ca do IBV incluídos nesta revisão, so- Van Santen, Jackwood, 2012)
mente 3 publicações citaram a origem Urolítiase, miopatia peitoral e epididimi-
do material analisado. Assim do total de te foram diagnosticados em reprodu-
10 casos em galinhas de postura, temos: toras e frangos de corte e em galinhas
2005, 1 material de pintinhos de 20 dias de postura com urolítiase, imunizados
do RS com variante BR (Villarreal et al., com vacina tipo Mass. Vacinas do tipo
2007); 2007, 2 variante BR (S,NE) e 1 com
Mass tem maior avidez por células
Mass; 2008, um lote do SE com variante
da traquéia (++++), pulmão, intesti-
tipo 4/91 (793B a CR88) (Villarreal et al.,
no e rim (++) do que a H120 que tem
2010), e em 2011, 5 amostras coletadas
maior afinidade por células do intesti-
de galinhas com sintomas respiratórios
no (+++), traquéia (++) e menos para
(PR, RS, MG, SC, SP), todos do tipo Mass
o rim e pulmão (+) (Wickramasinghe et
(Torres et al., 2013). Apesar deste núme-
al., 2011); por isto, devem ter evolução
ro não ser estatisticamente significativo,
adaptativa e seleção natural de clones
baseado na distribuição geográfica dos
conforme distribuição nos diferentes
frangos de corte, perus, reprodutoras e
órgãos. Fatores como frio, sexo, dieta e
galinhas de postura, podemos pressu-
raça precipitam a uremia induzida pe-
por que nas regiões Sul, ou com maior
los IBVs (Cumming, 1963). A diferença
concentração de frangos de corte e pe-
de susceptibilidade para uremia entre
rus, predominem variantes BR.
as galinhas isogênicas e congênicas
A detecção da variante tipo 4/91 em White Leghorn está relacionado com
um lote de galinha de postura e outra o CPH-B: homozigotos B21 (resistente
de reprodutora do Sudeste (Villarreal et à DM) são mais resistentes que B13 e
al, 2010) e de variante tipo D207 no Su- B21 e as galinhas congênicas da linha
deste (Fellipe et al., 2010) devem ser in- 7.1 (B2B2), B15.P-13 (B13B13) e 15-N21
terpretadas com reserva, porque D207 (B21B21) são mais susceptíveis que
(ou D274) e 4/91 são vacinas não licen- 15I15 (B15B15). As galinhas comerciais
ciadas no Brasil, que podem escapado B21B21 tem melhor resposta imu-
de algum centro de pesquisa ou intro- ne contra IBV que B2B19 (Joiner et al.,
duzida para teste ou que simplesmente 2007). Galinhas White Leghorn são mais

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susceptíveis ao IBV-M41 que Australorp, pombos; criação conjunta com codor-
White Rock e Rhode Island Red (Chong nas, e elevado risco para micoplasmose
& Apostolov, 1982; Ignjatovic, Reece & e ILT. Em pombos urbanos de Campinas
Ashton, 2003), porque tem expressão foram detectados vírus com similarida-
elevada de IL-6 no rim (Asif et al., 2007). de genômica S1, Mass e Conn (Fellipe
et al., 2010) e em pássaros selvagens e
Os casos de nefrite-nefrose dos EUA fo- codornas, amostras antigenicamente
ram originalmente associados com in- relacionadas com H120 e Ma5 (Torres
fecção por IBDV e IBV Mass (Holte-Gray). et al., 2013).
A amostra do tipo PA/Wolgemuth 98
isolada na Pennsylvania, entre 1997- A variante CAV/CA56b/91 detectada na
2000 de galinhas com uremia em 2011 Califórnia em 1991, deu origem à varian-
em Delmarva (Gelb et al., 2013), causa te Cal99 que foi detectada em frangos
desciliação epitelial na traquéia, bron- de corte e ave de caça com nefrite, e em
copneumonia e nefrite na fase aguda 2003, evoluiu para a variante CA557/03,
e crônica da infecção, principalmente C706/03 e CA1737/04 com 81,8% de
na região medular e a amostra ARKDPI, similaridade genotípica com CAV/CA
também derivada de amostra do tipo 56b/91 (Jackwood et al., 2007). A taxa
Mass, causa traqueíte linfoproliferativa de mutação da variante CAL foi esti-
com infiltração de heterófilos mais per- mada para 10-2 a 10-3 substituições por
sistente, e menos significativamente, ponto por ano, 10x mais elevada que a
nefrite intersticial na córtex renal na fase estabelecida para Mass e Conn (McKin-
tardia da infecção (Wood et al., 2009). ley et al., 2011). Amostras com epitopo
similar ao do CA/1737/04, com escape
É muito importante ponderar que as sorológico para ARKDPI, DE072, GA98 (≤
granjas de galinhas de postura do Su- 75% de similaridade antigênica) e com
deste estão relativamente distantes das 80% de similaridade com Conn e Mass
regiões com alta concentração de fran- foram detectados em 2006, em frangos
gos de corte e tradicionalmente se vaci- de corte normais (DMV/1421/106), com
na com H120 e vacina oleosa. Em Goiás, ILT (DMV 1718/06) e com colibacilose e
não se relata casos de IBV, mesmo onde dermatite gangrenosa (DMV/5642/06,
se aloja frangos de corte, porque não é DMV/5582/06). Estas vacinas não são
uma prática comum se vacinar frangos virulentas porque causam traqueíte ex-
de corte, ou quando vacinados, predo- sudativa até 4 dias pós inoculação ex-
mina H120. perimental (Wood et al., 2009).

Independente da região ou do estado,


os fatores de risco para emergência de
variantes ou doença respiratória tipo IBV Discussão técnica:
nas galinhas de postura são: proximida- Como vimos, o epitopo S1 é um dos
de com centros urbanos e coexistência componentes dos IBVs que induz a sín-
com aves sinantrópicas, por exemplo, tese de anticorpos neutralizantes, mas

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não é uma glicoproteína essencial para na superfície da célula, é composta de
invasão celular e nem é o único com- 2 subunidades S1 e S2. Cada partícula
ponente que alerta o sistema imune e viral tem 2 a 3 cópias da glicoproteína
confere proteção ao desafio. O RFLP para S1 (90 kDa) que liga em receptores sia-
a proteína S não diferencia vírus atenua- lilados ∂ 2,3,diasolida ∂ 2, 3 glicano ou
dos dos não atenuados e também não em receptores do tipo lectina (Wickra-
permite reconhecer diferenças de viru- masinghe et al., 2011). A fração S2 (84
lência das amostras de campo e vaci- kDa), ligada na proteína S1 pela sua ex-
nais. O que enfraquece a célula e alerta tremidade C-terminal e inserida no cap-
o sistema imune é a taxa de replicação e sídeo, é a glicoproteína da fusão conser-
o que debilita a galinha é a distribuição vada em todos IBVs, que desencadeia a
do vírus nos diferentes tecidos e a per- endocitose e o ciclo replicativo. Como
da de função induzida pela replicação e nos NDVs e AIVs, proteases liberadas
destruição das células infectadas pelas por bactérias ou secretadas na mucosa,
células citotóxicas e a citotoxicidade me- clivam a proteína S1 e S2 e favorecem
diada por anticorpos e complemento. a endocitose. Por exemplo, o tratamen-
to da amostra Mass com fosfolipase C
Como exposto, existe risco elevado de
do Clostridium perfringens, aumenta a
aparecimento de variantes em galinhas
expressão de aglutininas na superfície
de postura, mas isto não significa que
do virion, e a neuraminidase interfere
todas doenças respiratórias e quedas
com a adesão na célula epitelial (Wi-
de produção são causadas por IBVs va-
ckramasinghe et al., 2011). Mycoplasma
riantes. Produção sub-ótima epidêmica
gallisepticum sintetiza neuraminidase
deve ser checada para falha de vacina-
(Setti & Muller, 1972), e principalmente
ção ou do programa preventivo.
o M. synoviae, liga-se nos receptores sia-
Casos de doença respiratória com- lilados porque sintetiza a sialidase (May,
plicada em galinhas de postura são Kleven & Brown, 2007), por isto, Mg e Ms
decorrentes de infecção múltipla por favorecem a disseminação e persistên-
vírus respiratórios vacinais (ART, NDV, cia dos IBVs.
ILT) e má ambiência ou associação de
Concluindo, cada país tem variantes an-
IBV vacinal com M. gallisepticum e/ou
M. synoviae. Fatores que favorecem a tigênicas próprias e a introdução de ce-
síntese de proteases nas vias aéreas e pas vacinais diferentes e fatores como
a inalação profunda, por exemplo por manejo, dieta, geografia, higiene e de-
taquipnéia ativa, favorecem a bron- sinfecção aceleram a evolução dos IBVs.
copneumonia, viremia e dispersão dos O aparecimento de variantes não deve
vírus para o sistema genito-urinário ou ser encarado como assustador, porque
infecção persistente. a maioria das variantes não são virulen-
tas e nem mesmo se tem provas que ví-
A glicoproteína S da projeção respon- rus como 4/91 causem miopatia e que
sável pela aderência e fusão do virion as amostras tipo QX cause proventricu-

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lite. A tecnologia PCR levou a um au- Os anticorpos neutralizam o vírus, im-
mento substancial de novas variantes e pedem a invasão e o desencadeamen-
alguns vírus difíceis de isolar, passaram a to da infecção e limitam a disseminação
ser detectados facilmente, por exemplo, endógena e excreção da progênie viral,
a variante It-02 (Itália) (Wit et al., 2011). contudo, para vírus como os IBVs que
replicam nas superfícies mucosas cor-
Não se pode ignorar que todos os seres porais, a ação dos anticorpos é limitada.
vivos procariotos e eucariotos evoluem. Anticorpos séricos da classe IgY e IgM
A probabilidade de um vírus ssRNA ge- só chegam ao sitio da infecção após
rar um mutante não é tão alta quanto o desencadeamento da infecção, e se
a de um dsRNA (IBDV, AIV, ALV). O IBV é houver aumento da permeabilidade
um vírus RNA que tem o maior genoma vascular e extravasamento da plasma
entre todos RNAs vírus (27608 bp) e se no tecido conjuntivo intersticial. Anti-
a RNA polimerase RNA dependente faz corpos da classe IgA não são secretados
um erro de leitura a cada 10.000 nucle- na mucosa de um epitélio com meta-
otídeos, a cada geração são produzidas plasia cuboidal desprovida de células
um número imprevisto relativamente caliciformes e secretoras de muco que
elevado de partículas “defeituosas” que polimerizam a IgA monomérica e secre-
contribuem para variações antigênicas tam a IgA dimérica ativa. A deficiência
bruscas (“antigenic shift”) por rearranjo de células e atrofia glandular causada
genético ou por deleção ou substitui- pela deficiência de nutrientes, poluen-
ção de nucleotídios. Para completar o tes, micoplasmas e vírus patogênicos
ciclo de vida no hospedeiro, todos os como NDV, ILTV e IBV interferem com a
vírus sofrem variação antigênica gradu- secreção de IgA.
al (antigenic drift), deletando, inserindo,
substituindo ou mudando a posição Procedimentos simples de higiene e
do aminoácido para evadir da resposta desinfecção são suficientes para elimi-
imune e dos fatores séricos e tissulares, nar IBVs do meio ambiente, entretanto,
para se excretar, infectar e se adaptar a a coexistência de diferentes subpopu-
um novo hospedeiro e seguir vivendo. lações de vírus, de espécies animais
Então baseado na teoria da evolução susceptíveis e o aumento da densida-
de Darwin, quando tentamos impedir de populacional, são fatores que favo-
que um vírus se multiplique em um recem a emergência de “novos” vírus
hospedeiro por imunização ativa, esta- muito virulentos como o SAR-CoV que
mos fomentando o aparecimento de matou 774 humanos, infectou 8.098
variantes antigênicas. Os vírus vacinais pessoas, expandiu para 29 países e qua-
também fazem mutação (McKinley, se paralisou a economia asiática (Sta-
Hilt & Jackwood, 2008), e isto dificulta dler et al., 2003). É importante lembrar
a mensuração precisa da diversidade e que IBVs são vírus que persistem por
taxa de mutação dos Coronavirus aviá- muito tempo no organismo (Ito, Miyaji
rios (McKinley et al., 2011). & Okabayashi) e que também replicam

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no sistema reprodutor do galo e são (Woo et al., 2009 ab). Existe possibilida-
transmitidos venereamente (Gallardo de dos Gammacoronavirus serem vírus
et al., 2011). Por isto “guardar” machos que divergiram dos Deltacoronavirus
sem vacinar é um procedimento errado. detectados em pássaros selvagens da
China, convivendo no mesmo habitat
O contato íntimo e a transmissão cru- dos morcegos frugivores e insetívoros
zada entre espécies hospedeiras de um (Montassier, 2010). A facilidade com que
nicho ecológico comum são fatores que RNA virus efetuam recombinação gêni-
favorecem a evolução adaptativa por ca pode levar rapidamente à emergên-
mutação e recombinação genômica dos cia de novos Coronavírus e novas doen-
RNAs vírus (Holmes & Rambaut, 2004). ças Coronavirais, enfatiza a importância
Hipotetiza-se que os morcegos sejam de limitar a exposição com reservatórios
os reservatórios dos Alfacoronavirus e que podem servir como fonte de mate-
Betacoronavirus e as aves silvestres, dos rial genético para emergência de novos
Gammacoronavirus e Deltacoronavirus vírus (Jackwood et al., 2010).

Figura 4: Relação filogenética dos Coronavirus. A= por comparação da sequência proteica da RNA polimerase
RNA-dependente, o SARS-CoV pertence a um novo grupo e o SW1 é um vírus do grupo 3, B = pela análise
da sequência do domínio S1 da projeção, o SARS-CoV pertence ao grupo 2 (adaptado de Stadler et al., 2003 e
ICTV 2013). No gênero Alfacoronavirus estão incluídos 4 espécies de Coronavirus isolados de morcegos e no
gênero Betacoronavirus, mais 4 espécies isoladas de morcegos.

Legenda: SARS-CoV = coronavírus da Síndrome Respiratória Aguda infecta o homem e isolado do morcego,
guaxinim e civeta; MHV = vírus da hepatite dos camundongos; SDAV = vírus da sialocrioadenite dos ratos;
BCoV = coronavírus do bovino (enterite neonatal dos bovinos); PHEV = vírus hemaglutinante da encefalomie-
lite dos suínos; OC43 = coronavírus do resfriado do homem; TGV = vírus da gastroenterite dos suínos; FIPV =
vírus da peritonite dos felinos; CCV = coronavírus canino, HCOV- 229E = coronavírus do resfriado do homem;
PEDV = vírus da diarréia epidêmica dos suínos; TCoV = coronavírus dos perus; ECoV = coronavírus do equino;
IBV = vírus da bronquite infecciosa das galinhas; SW1 = coronavírus da baleia beluga (Delphinapterus leucos);
BuCoV = coronavírus do pássaro Bulbul; ThCoV = coronavírus do pássaro preto Turdus merula; MuCoV =
coronavírus isolado do pássaro munia (Tonchura spp); construção por alinhamento de múltiplas sequências
consenso do grupo 1 (G1 cons) e consenso do grupo 2 (G2 cons).

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China, onde iniciou e persiste até hoje causando proventriculite em frangas de
o vírus da influenza aviária H5 e onde 25 a 70 dias de idade, vacinadas e não
surgiu o SARS, veiculado por suíno em vacinadas com H120 e frangos de corte
contato com morcegos, controlado vacinados com H120 ou Mass ou com
por medidas radicais de quarentena H120 + Mass (Yu et al., 2001). Até hoje
dos doentes e educação da população. cocirculam na China 3 genotipos de
A experiência com SARS foi o marco IBV: Mass, Gray nefropatogênico e LX4/
para refletir sobre a evolução dos IBVs TJ96/01 (Liu et al., 2004) e depois surgiu
(Jackwood et al., 2010) e reavaliação o vírus recombinante nefropatogênico
dos programas de vacinação e desen- com Mass (Liu et al., 2008). A amostra
volvimento de vacinas (Liu et al., 2008). SNU8067 nefropatogênica, isolada em
A bronquite infecciosa do tipo Mass 2008 na Coreia, de traquéia e tonsilas
surgiu na China em 1953 e vinha sendo cecais de pintinhos HyLine Brown de
controlada com vacina viva tipo Mass 11 dias de idade com sintomas respira-
desenvolvida no pais (HK, W93, D41) e tórios e mortalidade elevada, também é
H52/H120 (possivelmente após a mor- uma “variante” com o esqueleto (ORF 1,
te de Mao Tsé Tung, 1976 e abertura S2, E, M 5 e N) do KM91 que tem uma
econômica). Na década de 70 para 80, pequena inserção de aminoácido da
houve aumento da incidência de ne- amostra LX4 no gene S1, com S1, 3a e 3b
frite do tipo Gray (SDW, H4) e em 1996, diferente, que pode ter derivado de um
o aparecimento do IBV tipo QX ou LX, vírus não conhecido (Hong et al., 2012).

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Enfermidades em suínos emergentes e


reemergentes: no Brasil

Nelson Morés
Janice Reis Ciacci-Zanella
Embrapa Suínos e Aves, Laboratório de
Sanidade e Genética Animal, Concórdia/SC

Introdução Qualquer doença é o resultado de um


Por que, atualmente, recrudescem ou contínuo processo de interação entre
surgem novas doenças na produção de agente-hospedeiro-ambiente, conside-
suínos? Por que na produção intensiva rando o espaço e tempo. Isso significa
é difícil produzir suínos sem utilizar an- entender a dinâmica evolucionária das
tibióticos em determinadas fases? Por- doenças. Se olharmos o passado da
que ocorrem tantos problemas sanitá- medicina em suínos verificamos que
rios (doenças complexas multifatoriais), muitas doenças surgiram ou recrudes-
mesmo com uso elevado de vacinas e ceram enquanto outras desapareceram
medicações? Talvez muitos de nós ve- ou tornaram-se pouco importantes
terinários e demais técnicos que lidam com ou sem intervenção humana. E
na suinocultura, freqüentemente, nos isso ocorreu em humanos e nas diver-
fazemos essas perguntas. Para entender sas espécies animais. Há 20 séculos, a
as respostas a essas questões é preciso Associação Americana de Saúde Pú-
pensar e refletir na evolução experi- blica relacionava no seu “handbook”
mentada pela suinocultura pelo menos cerca de 40 doenças comunicáveis e
nas últimas décadas. atualmente relaciona mais de 300. Os

Anais SIAVS 2015 - Enfermidades em suínos emergentes e reemergentes: no Brasil


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suínos modificaram-se completamente questões econômicas e de logística
quanto a sua constituição genética para em detrimento de questões associadas
maior produtividade, especialmente à transmissibilidade de agentes infec-
em número de leitões produzidos por ciosos. Nesse aspecto houve e ainda
porca, no ganho de peso, na conversão ocorre brutal mistura de leitões de dife-
alimentar e na quantidade de carne na rentes origens em duas oportunidades,
carcaça. Consequentemente, duas coi- no desmame e/ou no inicio do cresci-
sas aconteceram: a relação da capacida- mento, geralmente para satisfazer as
de cardiorrespiratória dos animais em exigências de padronização por peso,
relação ao restante do corpo mudou e sexo e número de animais. Terceiro:
a ecologia intestinal também mudou, com essas alterações, somando-se a
em grande parte devido aos tipos de necessidade de cada vez produzir mais
ingredientes utilizados na fabricação em relação ao capital aplicado, os ani-
das rações e pelos ingredientes usados mais são submetidos a vários fatores
como promotores de crescimento ou estressantes e de risco que favorecem
preventivos de doenças que são adicio- a manifestação patológica de agentes
nados às rações. infecciosos que fazem parte da micro-
biota dos suínos, que em condições de
Somando-se a isso, houve brutal mu- bem estar e baixa densidade habitam
dança na escala de produção e nos os animais em equilíbrio.
próprios modelos produtivos, privile-
giando a produtividade e uso menor Mas por que, vez por outra, emer-
possível de mão de obra. Partimos de gem ou reemergem doenças na sui-
criações pequenas em ciclo completo nocultura? As mudanças evolutivas
para criações em grande escala e em impostas pelo homem nos sistemas
diferentes sistemas de produção. Pri- produtivos exercem pressão de seleção
meiro problema: houve aumento da acentuada sobre os agentes infeccio-
densidade animal em pequenas áreas, sos, os quais adquirem distintos fatores
muitas vezes de forma exponencial, au- ou características que modificam sua
mentando os riscos de contaminações capacidade patogênica e sua expressão
e transmissões de agentes infecciosos clínica. Nas últimas décadas não surgi-
no interior das granjas, cuja ecologia é ram novos agentes infeciosos na sui-
do próprio suíno. Segundo problema: nocultura, o que aconteceu é que eles
a criação de suínos em dois ou três sí- mudaram para formas mais agressivas
tios realizados por diferentes elos da e, em muitos casos, acabam adquirindo
cadeia produtiva, com movimentação fatores de virulência importantes para
e mistura de leitões, embora apresente manifestações de síndromes patológi-
o beneficio inquestionável da segrega- cas, antes desconhecidas. É assim que
ção por idade, favorece a transmissão muitos subtipos/sorotipos de agentes
horizontal de muitos agentes infec- infecciosos patogênicos surgiram e
ciosos. Isto é realizado privilegiando continuarão surgindo.
Anais SIAVS 2015 - Enfermidades em suínos emergentes e reemergentes: no Brasil
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Exemplos de enfermidades que emer- alta, rápida disseminação no rebanho,
giram/reemergiram nos últimos anos de curso muito rápido e atingindo
no Brasil são: Influenza suína, circo- animais de todas as idades. Porém,
virose suína (PCV2), morte de leitões com o desenvolvimento natural de
com diarreia e vesículas sem etiologia imunidade de rebanho, ela tornou-se
estar completamente esclarecida, mas endêmica na produção de suínos com
associado ao Seneca Valley Vírus (SVV) surtos ou repiques que geralmente
e disenteria suína. Outro problema, na ocorrem a cada 3 a 6 meses e atingem
maioria das vezes de origem não infec- especialmente os suínos de creche ou
ciosa, e que tem aumentado nos últi- crescimento/terminação. Essa forma
mos anos é a mortalidade de porcas. de apresentação tem favorecido em
Observa-se também que outras enfer- muito a manifestação de outras enfer-
midades multifatoriais estão cada vez midades respiratórias nos suínos como
mais difíceis de serem controladas nos a pneumonia enzootica, pasteurelose
rebanhos. Exemplos dessas doenças de doença de Glässer. Monitorias so-
são: Doença de Glässer, pasteurelose, rológicas realizadas em muitas regiões
meningite por S. suis e enteropatia produtoras de suínos do Brasil mos-
proliferativa e diarreia por Clostridium tram que, atualmente, a infecção pelo
na maternidade. vírus influenza está endêmica.
Baseados em nossa experiência e em
Nesses estudos, além do vírus H1N1,
alguns trabalhos científicos relatare-
outros subtipos como o H1N2 e H3N2,
mos o que aconteceu historicamen-
anteriormente inexpressivos, passaram
te com algumas dessas doenças que
também a causar problemas na suino-
emergiram/reemergiram no Brasil nos
cultura. Atualmente, estima-se que a
últimos anos.
influenza suína é a principal infecção
respiratória dos suínos, contribuindo
para a ocorrência de vários outros pro-
Influenza blemas. Nesse aspecto, o modelo pro-
Anticorpos para os subtipos H1N1, dutivo adotados na maioria das regiões
H1N2 e H3N2 do vírus da influenza produtoras, com mistura de leitões de
existem há muito tempo na suinocul- diferentes origens, dificulta seu controle
tura brasileira, porém a doença não e facilita a disseminação do vírus entre
era expressiva. A partir de 2009 com rebanhos. Facilitado por esse modelo
a entrada da amostra pandêmica do produtivo, variantes ou recombinações
subtipo H1N1 a doença tornou-se uma do vírus influenza já foram identificados
preocupação constante na produção na população suína, a exemplo de uma
de suínos. Inicialmente essa amostra cepa H1N2, semelhante ao humano, de-
ocasionou surtos importantes típicos rivado do vírus pandêmico H1N1 isola-
da influenza conforme aprendemos do de um surto de doença respiratória
nas universidades, cursando com febre em suínos no Brasil.

Anais SIAVS 2015 - Enfermidades em suínos emergentes e reemergentes: no Brasil


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Circovirose PCV2 mudou radicalmente a percepção
A percepção sobre PCV2 como patóge- de doença epidêmica e passou ser um
no significativo marcadamente mudou agente endêmico, bem controlado pelo
nos últimos 15 anos. A natureza ubíqua uso de vacinas. Atualmente, as vacinas
do vírus, a evidência retrospectiva desta contra o PCV2 são as mais amplamente
infecção muito antes de sua associação utilizadas na suinocultura mundial.
com manifestações patológicas, a etio- Em 2005-2006 surgiram na América do
patogênese multifactorial da doença Norte casos de circovirose em suínos de
e à falta de demonstração consistente 10 a 18 semanas de idade em rebanhos
dos postulados de Koch, causou gran- que regularmente vacinavam contra
de polêmica sobre a capacidade pato- PCV2. A doença ocorreu na forma cli-
lógica real deste virus. Por outro lado, nica-patológica típica da doença e foi
como o vírus causador da doença ain- associada a uma amostra mutante de
da é uma questão científica complexa PCV2b antes não identificada naquela
não explicada totalmente, o momento região. A amostra isolada tinha 99,9% de
da infecção e a receptividade do animal homologia com uma mutante descrita
ao próprio vírus (questões genéticas) na China em 2010. Segundo os autores
são fatores fundamentais a serem con- é possível que as vacinas comerciais
siderados para explicar as síndromes feitas com PCV2a não protegiam os lei-
patológicas ocorridas em um nível in- tões completamente contra esta nova
dividual. O surgimento da circovirose amostra. Nesses rebanhos uma amostra
como uma epidemia no final da década emergente de parvovirus tipo 2 (PPV2)
de 1990 e meados da década de 2000, foi detectado em 55% das amostras
pode ser relacionado com um número de soro, talvez explicando que o PPV2
de variáveis, algumas ​​conhecidas e ou- pode sido um cofator nestes casos.
tras desconhecidas.
No Brasil também tem ocorrido alguns
Na década de 90 o PCV2 surgiu como casos de circovirose mesmo em reba-
um problema epidêmico na suino- nhos vacinados. Em 2013 ocorreu um
cultura mundial. Com base nos dados episódio em um crechário envolven-
disponíveis, o comércio internacional do leitões em final da fase de creche,
de suínos pode ter desempenhado um com manifestação de dispneia, tosse,
papel fundamental na disseminação do linfonodos inguinais aumentados de
virus durante esse período. No Brasil, a volume, definhamento, diarreia e mor-
circovirose foi diagnosticada pela pri- talidade em torno de 5%. O quadro pa-
meira vez no final de 1999. Deste então tológico observado foi de circovirose
se disseminou rapidamente na suino- típica com imunohistoquímica positiva
cultura tecnificada, causando enormes para PCV2 nos tecidos lesados. A análise
prejuizos até o surgimento das vacinas filogenética do material mostrou o en-
que ocorreu a partir do final de 2007. volvimento de uma variante de PCV2b,
Com o a utilização das vacinas contra com possível rompimento ao redor do

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resíduo 178, importante sitio para o re- foram diagnosticados nos leitões, mas
conhecimento de anticorpos. Hipote- estes não explicavam o quadro clínico
ticamente essa alteração poderia ser a -epidemiológico observado. Em meados
causa da falha na vacinação, porem isso de 2015, pelo menos três laboratórios
precisa ser comprovado. identificaram o Seneca Valley Vírus (SVV),
especialmente no líquido de vesículas.
Este vírus, já tem sido associado à doen-
ça vesicular idiopática em suínos em ou-
Mortalidade de leitões tros países, porém não conseguiram re-
Em setembro de 2014, um problema produzir a doença com o agente. O SVV
patológico começou ser observado em explica a ocorrência de vesículas, todavia
alguns rebanhos suínos no Brasil, oca- não explica a ocorrência de diarreia e de
sionando mortalidade de leitões e ve- elevada mortalidade de leitões.
sícula em alguns suínos de todas as fai-
xas etárias. O problema se disseminou Recentemente, o Dr. Daniel Linhares,
rapidamente e atingiu granjas de vários subsidiado por outros profissionais da
estados importantes produtores de su- área, propôs uma nova nomenclatura
ínos com pique de ocorrência no inicio para essa enfermidade: “Síndrome de
deste ano e redução importante a partir Perdas Neonatais Epidêmicas Tran-
de abril de 2015. Clinicamente a doen- sientes – PNET”, a qual parece bem
ça afetou principalmente leitões de 1 a adequada ao quadro observado no
7 dias de idade com manifestação de campo. Embora SVV identificado está
diarreia profusa, alguns sinais nervosos associado às lesões vesiculares, muitas
(tonteira) e algumas vesículas nos cas- dúvidas ainda permanecem: 1º - O SVV
cos e no focinho. O problema apresen- é o agente primário único envolvido
tou características epidemiológicas de ou está associado a outro(s)? 2º - O SVV
infecciosidade, difusão rápida, curso é um agente secundário associado a
curto e mortalidade de leitões entre 5 um agente primário ainda não identi-
a 70% dos lotes afetados. Nos animais ficado? 3º - O SSV identificado é uma
adultos, principalmente reprodutores, variante mais patogênica que possa
verificou-se febre discreta e passagei- explicar todo o quadro patológico? 4º.
ra e vesículas nos cascos e focinho em Como explicar a ocorrência de vários
apenas alguns animais. surtos em diferentes Estados, sem liga-
ção epidemiológica conhecida. As pes-
Várias tentativas de diagnóstico foram quisas continuam...
realizadas afastando-se a possibilida-
de de tratar-se de febre aftosa, outras
doenças vesiculares importantes no
diagnóstico diferencial com aftosa, diar- Disenteria suína
reia epidêmica suína (PED), rotavirus, Na década de 70 o Brasil importou
techovirus e peste suína clássica. Casos da Europa e dos Estados Unidos uma
positivos para clostridiose e colibacilose quantidade expressiva de suínos vivos

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geneticamente superiores com o intui- tetraciclinas, tiamulinas e lincomicinas,
to de alavancar a produção com ani- também com boa ação contra o agente
mais geneticamente superiores. Naque- da DS. Provavelmente tenha sido essa a
la época no Brasil pouco se conhecia a razão porque a DS vagarosamente co-
respeito do estado portador de suínos meçou a se manifestar de forma espo-
saudáveis para determinados agentes rádica, porém crescente a partir do ini-
infecciosos. Assim foi que provavelmen- cio deste século. De 2010 a 2012 foram
te a Disenteria Suína (DS) e outras enfer- relatados surtos de DS em vários estado
midades importantes entraram no re- Brasileiros (Minas Gerais, Mato Grosso,
banho suíno brasileiro. Então, na década São Paulo, Paraná e Santa Catarina).
de 70 a DS afetou gravemente muitos
rebanhos e se disseminou através do Quando em 2012 essa doença atingiu
comércio e movimentação dos animais um rebanho que distribuía material ge-
e, provavelmente devido às precárias nético, a DS se disseminou rapidamen-
condições de biossegurança das gran- te atingindo grandes integrações na
jas naquela época. Em seguida surgiram produção de suínos, especialmente na
várias drogas com boa atuação contra região sul. Nessa época 18 novos surtos
a Brachyspira hyodysenteriae, agente foram identificados, porem muitos ou-
da DS, as quais passaram ser utilizadas tros casos provavelmente ocorreu, não
amplamente nas rações fornecidas aos foram relatados, mas foram controlados.
suínos, especialmente nas fases de cre- Na análise molecular das cepas de B.
che e crescimento, fazendo com que a hyodysenteriae (sequenciamento do
doença fosse amplamente controlada. gene nox) isoladas desses surtos recen-
Isso ocorreu principalmente da metade tes nenhuma diferença foi detectada,
da década de 80 até o final da década comprovando a relação epidemiológi-
de 90. A partir do ano 2000 houve res- ca entre elas. Então, a partir de 2012 DS
surgimento/aumento da ocorrência da tornou-se uma doença emergente, cujo
DS. Especula-se que esse aumento este- controle/erradicação foi prejudicado
ja relacionado ao desenvolvimento de porque as amostras de B. Hyodysente-
resistência do agente aos antimicrobia- riae isoladas apresentavam multi-resis-
nos e/ou diminuição do seu uso nas ra- tência aos principais antimicrobianos
ções fornecidas aos suínos. Realmente, utilizados no seu controle. Mesmo as-
no Brasil a partir de 2000 houve drástica sim, utilizando doses elevadas de anti-
redução no uso de antimicrobianos nas microbianos, associado a aplicação de
rações com ação contra a B. hyodysen- enérgicas medidas de biossegurança,
teriae, tanto por proibição do seu uso a doença foi controlada/erradicada em
no Brasil, como foi o caso do carbadox, muitos rebanhos. Atualmente não há
nitrofuranos e imidazoles, ou por retira- relatos de novos surtos, porém episó-
da das rações de determinadas drogas dios de reinfecção têm ocorrido espo-
usadas amplamente como promoto- radicamente, provavelmente devido
ras/preventivas de doenças, como as a resistência do agente as condições

Anais SIAVS 2015 - Enfermidades em suínos emergentes e reemergentes: no Brasil


- 140 -
ambientais, baixa biossegurança em al- Um dado histórico interessante Esta-
gumas granjas, movimentação/mistura dos Unidos mostra que a taxa de MP
de leitões e presença de vetores como aumentou de 3,3% para 6,0 % de 1978
ratos nas granjas. Além disso, deve-se a 2003. Atualmente no Brasil é comum
considerar a possibilidade de ingresso encontrar rebanhos com taxa de mor-
no rebanho brasileiro de novas cepas talidade de porcas acima de 8,0%, es-
patogênicas e/ou resistentes aos anti- pecialmente nas regiões mais quentes.
microbianos, já identificadas em outros Alguns autores consideram uma taxa
países, como é o caso da B. hampsonii. de MP aceitável de até 8,0%. Todavia
Atualmente, em vários países existe um esse número em nossa opinião é muito
aumento da incidência de DS junta- elevado e devemos ter como meta taxa
mente com a redução na susceptibili- menor que 5,0%. Então, podemos con-
dade a antimicrobianos. siderar a MP como um problema emer-
gente muito associado às modernas
técnicas produtivas, redução da mão
Mortalidade de porcas
de obra e a escala de produção elevada,
pois nessas condições o atendimento
A viabilidade das porcas nos rebanhos individualizado dos reprodutores fica
é um dos indicadores econômicos mais muito prejudicado.
importantes para o setor de suínos, pois
além do impacto econômico direto, Considerando o surgimento e/ou re-
afeta a prolificidade geral do rebanho e crudescimento de algumas doenças na
a moral das pessoas ligadas à atividade. suinocultura temos que refletir sobre
A MP um pouco acima do alvo é, fre- algumas questões:
quentemente, ignorada pelos gerentes,
proprietários de granjas e pela indústria 1. Há realmente novas doenças apare-
de suínos. Todavia, isso deve soar como cendo ou estamos apenas descobrin-
um alarme na produção. As perdas eco- do doenças que sempre existiram?
nômicas diretas devido a MP em um
2. Se há novas doenças, como elas sur-
rebanho foram estimadas nos Estados
gem?
Unidos em 275 a 350 dólares, devido
ao alto custo de reposição e custo de 3. Porque atualmente, muitas doenças
oportunidade. No Brasil os impactos são consideradas como sendo multi-
econômicos são bastante distintos para fatoriais?
cada granja. Em 2007 o custo médio as-
sociado a morte de uma matriz que se 4. Porque algumas doenças aparecem
encontra na metade da vida reproduti- com diferentes manifestações em di-
va foi estimado em R$ 790,91. ferentes locais ou em diferentes épo-
cas, enquanto outras são semelhan-
Nas últimas décadas houve um aumen- tes?
to importante na taxa de MP. Para fins
de interpretação essa taxa é anualizada. 5. Como pode um agente tido como
Anais SIAVS 2015 - Enfermidades em suínos emergentes e reemergentes: no Brasil
- 141 -
apatogênico causar doença em algu- deiro multiplicador (spillover) na qual a
mas situações enquanto em outras manutenção da infecção depende de
não? continua transferência das espécies re-
servatórias para o suíno.
6. Os sistemas modernos de produção
intensiva induzem novas doenças com Nos atuais sistemas produtivos em que
severidade que antes não ocorria? a única espécie em contato permanen-
te com suínos é o humano, é esperado
7. O aumento progressivo no tamanho que alguns agentes infecciosos huma-
dos rebanhos adiciona riscos para o nos são transferidos para o suíno. O ví-
agravamento de doenças? rus H1N1 da influenza e o vírus da he-
patite E que afetam suínos e humanos
8. Há outras mudanças que alteram a ma-
são exemplos disso, onde há alto grau
nifestação de determinadas doenças?
de homologia entre os vírus isolados
9. Porque algumas doenças são mais das duas espécies, e a infecção entre es-
frequentes e graves em rebanhos de sas espécies pode ocorrer em uma ou
elevada saúde do que em rebanhos ambas as direções. Os vírus RNA mos-
convencionais? tram alta variabilidade genômica e po-
dem tornar-se rapidamente adaptados
10 . O que devemos fazer para proteger a um determinado hospedeiro e iniciar
nossos rebanhos suínos de novos uma nova doença. Um exemplo disso é
problemas de saúde? o vírus da PRRS cuja origem ainda não é
completamente conhecida.
Quando uma nova doença entra numa
determinada população animal, as espé-
cies selvagens são atualmente reconhe-
cidas como a principal fonte do agente. Conclusão
O suíno é uma espécie de alto risco para Os sistemas produtivos modernos de
o estabelecimento de nova infecção. criação de suínos possuem protocolos
Uma doença endêmica em uma ou mais de biossegurança que impedem o con-
espécies selvagens, somente é transferi- vívio com outras espécies o que é bom
da para animais domésticos ou homem do ponto de vista de transmissibilida-
quando a separação espacial normal de de agentes interespécies. Por outro
entre as espécies é quebrada. Um exem- lado, o aumento da escala de produção
plo dessa situação são os morcegos que cada vez maior e o confinamento com
serviram como fonte do vírus de Nipath, grande quantidade de animais vivendo
Melangle vírus e paramixovirus (Doença no mesmo ambiente, exerce um efeito
do olho azul). Os morcegos são conside- propicio ao desenvolvimento de pato-
rados ricas fontes de patógenos para ou- logias complexas, muitas vezes de difícil
tras espécies. Para muitas doenças cuja controle. Quando algum agente infec-
fonte de infecção é animais selvagens, cioso adquire determinados fatores de
o suíno permanece como um hospe- patogenicidade, encontra condições

Anais SIAVS 2015 - Enfermidades em suínos emergentes e reemergentes: no Brasil


- 142 -
propícias para toda sua manifestação tinuarão a evoluir, o cenário de hoje não
patológica nos sistemas modernos de será o de amanhã e novas emergências
produção. Os agentes infecciosos con- sanitárias surgirão.

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Anais SIAVS 2015 - Enfermidades em suínos emergentes e reemergentes: no Brasil


- 143 -

Uso de antimicrobianos na prevenção e


controle das infecções paratifoides em aves

Paulo Martins
Facta, Campinas/SP

Considerações iniciais nios & frangos”, para o consumidor. Pois


O que a humanidade quer? Saciar sua bem, graças a esta “heresia”, o market
fome ou atender aos caprichos de con- share daquele ousado player ganhou
sumidores “mimados”? A resposta a esta vários pontos e foi, de imediato, seguido
questão pode estar contida nos dois por alguns concorrentes.
parágrafos seguintes. Ainda nesta linha, semanas antes da
Nos últimos meses assistimos uma “ba- produção deste texto, uma gigante
talha”nas mídias especializadas do agro- mundial dos refrigerantes, mudou o
negócio quando um importante player adoçante de seu produto light – aban-
da cadeia de produção avícola brasileira, donou o aspartame e adotou a sucralo-
se – porque o consumidor acha que é
literalmente se rendeu ao apelo de seu
melhor para sua saúde. O interessante é
departamento de marketing e estam-
que este mesmo consumidor pode ser
pou em sua embalagem de frangos a
um fumante que inala em cada tragada,
seguinte frase:“Sem uso de hormônio,
conscientemente, cerca de 4.700 subs-
como estabelece a legislação brasi-
tâncias tóxicas, nenhuma com índice
leira”. Muitos empresários, associações
seguro de resíduo.
do setor, experts no agronegócio e téc-
nicos, incluindo eu, nos sentimos traídos, Hoje, portanto, quando o consumidor
pois em todas as oportunidades sempre “acha” algo de um produto, a empresa,
tentamos dissociar o binômio “hormô- se tem juízo, obedece.

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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Introdução de Salmonelas Paratíficas (SPT). Sob
A segurança e a qualidade alimentar são certas condições, algumas infec-
itens cada vez mais importantes, não so- ções por SPT podem causar severa
mente em saúde pública, mas também morbidade e alta mortalidade em
na percepção do consumidor. Dentre as aves jovens (Gast, 2008), além de re-
toxinfecções alimentares mais frequen- presentar um risco potencial para o
tes, em todo o mundo, as salmoneloses consumidor dos produtos avícolas
de origem animal ocupam sempre um contaminados (carne e ovos). As SPT
lugar de destaque. Prevenir a contami- constituem uma das principais toxin-
nação de um rebanho ou plantel por fecções alimentares com quadros de
bactérias do gênero Salmonella é sem- enterocolite no homem, que podem
pre a melhor opção e também a de me- evoluir para infecções sistêmicas em
nor custo. Entretanto, às vezes, o técnico crianças, pessoas de idade e imuno-
responsável tem que buscar uma so- comprometidos (EFSA, 2004).
lução, para um plantel já contaminado.
A fim de facilitar o desenvolvimento do
Uma das alternativas passa pelo uso de
tema “Uso de antimicrobianos na pre-
antimicrobianos e este fato, cada vez
venção e controle de salmonelas pa-
mais, desagrada o consumidor. ratíficas” de forma mais prática, iremos
As salmoneloses aviárias podem ser dividi-lo em oito tópicos principais:
divididas em dois grandes grupos, com 1. Importância do tema para a indústria
base em sua patogenia: avícola brasileira
I. O primeiro grupo é composto por dois 2. O trato digestório como principal
sorotipos Salmonella Pullorum (SP) e meio de contato entre o meio interno
Salmonella Gallinarum (SG), específicos e externo
das aves (galinhas, perus, codornas),
com potencial de provocar doenças 3. Microbiota, um órgão extra das aves:
clínicas com alta morbidade e morta- cuide bem deste órgão
lidade, respectivamente Pulorose e Tifo
Aviário. Entretanto, nenhuma das duas 4. Princípios gerais de antibioticoterapia
oferecem riscos à saúde pública. em avicultura

II. O segundo grupo compreende cer- 5. Uso de antimicrobianos na preven-


ca de 2.500 sorotipos, que colonizam ção e controle de salmonelas paratí-
principalmente o trato digestório de ficas
uma ampla gama de hospedeiros: 6. Modelo prático de abordagem mul-
mamíferos, répteis e aves. Ao redor tifatorial para controle de salmonelas
de 200 sorotipos de salmonelas in- paratíficas
fectam as aves com maior frequência.
São denominadas de infecções não 7. Riscos no uso de antimicrobianos
tifoides, ou paratifoides, daí o nome para a avicultura brasileira

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
- 145 -
8. Medidas preventivas para evitar a uti-
lização de antimicrobianos no incu-
2. O trato digestório como
batório e na primeira semana de vida
principal meio de contato
entre o meio interno e
1. Importância do tema externo das aves
para a indústria avícola O Trato Digestório (TD) representa a
maior superfície de comunicação entre
brasileira
a ave e o meio externo. As rações, água,
O tema atual e oportuno, proposto pelos grãos, cascalho, cama das aves, fezes, in-
organizadores do Workshop, deve-se à setos, restos de carcaças, além de outros
prática de utilização de antimicrobianos eventuais materiais estranhos, ganham o
(AMC), pelos técnicos do setor, na tenta- interior das aves através do TD. Somen-
tiva de prevenir ou controlar as infecções te a superfície epitelial do intestino das
paratifoides nas aves. A palavra “tentativa” aves representa mais de 50 m2, uma
foi utilizada, pois nenhum livro texto de enorme área de contato, susceptível a
ornitopatologia informa que podemos ser colonizada por microrganismos, co-
eliminar o portador das SPT (ou mesmo mensais ou patogênicos (Macari 2011).
SG e SP) através da utilização de AMC. O Talvez, por esta razão, o TD constitui-se
que na prática de campo se faz é utilizar os num dos mais importantes órgãos do
AMC, de forma metafilática ou terapêutica, sistema imune das aves. Mais de 70% das
para reduzir a excreção fecal, mitigar os células produtores de imunoglobulinas
eventuais sinais clínicos e/ou mortalidade está aí localizada, e, por isso, é conside-
produzidos pelas SPT. No âmbito legal, a rado importante órgão efetor da imuni-
Instrução Normativa nº 78, de 03 de no- dade humoral e de mucosas. Posto isto,
vembro de 2003, no Capítulo IX, resolve sempre que a imunidade local for im-
que é permitida a antibioticoterapia do portante na proteção contra um agente
lote de reprodutoras, quando positivo na infeccioso, cuja via de invasão principal é
monitoria para duas SPT: Salmonella Ente- a oral, o estímulo do Tecido Linfoide As-
ritidis (SE) e Salmonella Typhimurium (ST). sociado ao Trato Digestório (GALT), por
Após o tratamento, caso o lote mostre-se antígenos vivos, deve ser considerada.
negativo em dois retestes, o núcleo ou
estabelecimento avícola poderá receber
a certificação de “Controlado para SE e ST”.
3. Microbiota, um órgão
O tema reveste-se ainda de maior im-
extra das aves: cuide bem
portância, desde que se relaciona com
a Saúde Pública: as salmoneloses hu- deste órgão!
manas constituem uma das mais pre- Todo o TD é habitado por uma grande
valentes toxinfecções alimentares de massa de microrganismos, composta
caráter zoonótico, em todo o mundo. por mais 500 espécies, em equilíbrio

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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entre si e em simbiose com o hospe- da energia diária necessária às aves
deiro. A manutenção desta microbiota (mesmo que alguns técnicos, ainda
– considerada por muitos pesquisadores hoje, argumentem que a microbiota
como um real órgão extra do organismo “rouba” nutrientes do hospedeiro)
– é fundamental tanto para a saúde do
animal como para seu desenvolvimento, Outras funções ainda estão em fase de
produtividade e, até mesmo, bem-estar. pesquisa nas aves, como exemplo, o
São várias as funções já reconhecidas da estudo do eixo bidirecional intestino-
microbiota intestinal normal: cérebro, que integra as atividades do
intestino e do sistema nervoso central.
• Produção de ácidos orgânicos de ca- Maiores estudos na área poderão con-
deia curta, peróxido de hidrogênio e tribuir com conhecimentos relaciona-
bacteriocinas; dos ao comportamento e bem-estar
das aves.
• Estimula precocemente os mecanis-
mos de defesa do sistema imune lo- Aprender a manipular a microbiota
cal (GALT) e sistêmico; intestinal, e mesmo recuperá-la, após
episódios de desequilíbrio (disbiose),
• Estimula a produção de mucina que principalmente após antibioticotera-
ajuda a evitar a translocação bacteria- pia (contínua, esporádica ou repetitiva,
na (bactérias patogênicas); comum nos dias atuais), reveste-se de
• Exerce a função de “Exclusão Com- grande importância, se desejamos me-
petitiva” (EC) através da ocupação de lhorar a performance e qualidade sani-
sítios de ligação; tária das aves, incluindo a prevenção da
colonização do TD por SPT.
• Compete por nutrientes com eventu-
ais microrganismos patogênicos; Os principais agentes / produtos que
auxiliam na modulação deste órgão,
• Algumas bactérias presentes na mi- chamado microbiota, são:
crobiota modulam a expressão de
genes envolvidos com a absorção, I. Microbiota de exclusão competi-
metabolismo e maturação de células tiva (EC), internacionalmente conhe-
da mucosa intestinal; cidos por NAGF (Normal Avian Gut
Flora).
• Auxiliam na metabolização de carboi-
dratos, proteínas, lipídeos, sais minerais; II. Probióticos, compostos por micror-
ganismos definidos, internacional-
• Sintetizam vitaminas do complexo B, mente conhecidos por DFM (Direct
além de vitaminas, A, C, K e ácido fólico; Feed Microbial).

• Digerem as fibras e celulose o que leva III. Prebióticos, que são oligossacaríde-
a liberação de ácidos graxos voláteis, os de cadeia curta que constituem
que podem suprir parte significativa o alimento da microbiota normal, in-

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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cluindo as probióticas, promovendo II. Profiláticos – Utilizado em lotes de aves
sua multiplicação e atividade. sadias, em doses terapêuticas para pre-
venção ou potencial risco da ocorrência
IV. Simbióticos, que nada mais é que de uma enfermidade, em momentos
a associação de I. EC ou II. Probiótico ou períodos definidos, não superiores a
mais III. Prebiótico.
7 dias. É largamente utilizado em nosso
4. Princípios gerais de antibioticote- meio, em algumas circunstâncias:
rapia em avicultura
• Em embriões de 18 dias de incuba-
Para uma abordagem mais técnica do ção, adicionados às vacinas adminis-
tema, é fundamental lembrar de alguns tradas “in ovo”;
conceitos práticos da antibioticotera-
• Em pintos de um dia, adicionados às
pia, desde que vão estar intimamente
vacinas administradas via subcutâneas;
ligados à utilização criteriosa dos AMC.
Em medicina veterinária existem quatro • Já nos primeiros dias de vida dos
principais usos dos AMC, que se dife- planteis, na água ou na ração;
renciam, a princípio: (i) pelo estado sa-
nitário do plantel; (ii) pela dose do AMC • Periodicamente, de forma pré-defini-
utilizada; (iii) duração do tratamento: da, em lotes de aves de vida longa, na
água ou na ração.
I. Melhoradores de Desempenho – Os
antibióticos melhoradores de desem- III. Metafiláticos – Conceitualmente é o
penho (AMD) são utilizados nas rações, tratamento entre 3 a 5 dias, na água
em lotes de aves sadias, em baixas dosa- ou ração, com doses terapêuticas, as-
gens (doses sub-terapêuticas) e longos sim que se identifique sinais clínicos
períodos de aplicação. Não são absorvi- ou suspeita de uma enfermidade, em
dos (não deveriam ser) e atuam, princi- algumas aves do plantel. Este método
palmente em bactérias Gram Positivas, foi largamente utilizado na avicultura
portanto não atuam em bactérias do industrial, no passado, para estimular
gênero Salmonella (Gram Negativas). O o desenvolvimento da imunidade
objetivo, como o nome diz, é o de me- contra coccidiose, em poedeiras e
lhorar o desempenho, principalmente reprodutoras, antes do advento das
ganho de peso, conversão alimentar vacinas de coccidiose.
ou produção de ovos, através modu-
lação (não eliminação) da microbiota IV. Terapêuticos – Utilizado na água
intestinal. Pelo princípio da precaução, ou ração, em lotes onde uma per-
estas drogas tiveram seu uso proibido centagem das aves já apresenta si-
na Comunidade Europeia em 2006. nais clínicos ou sintomas de alguma
Até mesmo nos EUA, várias empresas enfermidade. As doses utilizadas são
já sinalizaram a interrupção do uso dos terapêuticas e por período definidos,
AMD nos próximos anos. geralmente entre 5 a 7 dias.

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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Na visão dos consumidores, autorida- dentro do lote bem como sua taxa de
des de saúde pública e saúde animal, excreção e contaminação do ambiente.
além de legisladores – nacionais e in- Com isso, a probabilidade de contami-
ternacionais – os principais problemas nação ou transmissão horizontal e ver-
relacionados ao crescimento da resis- tical das SPT poderá ser reduzida. O ris-
tência aos AMC estão ligados, princi- co desta terapia antimicrobiana é que
palmente, aos dois primeiros usos dos ela pode reduzir o estado de portador
AMC: I. Melhoradores de Desempe- bem como a excreção de SPT abaixo do
nho e II. Profiláticos. Felizmente, nes- nível de detecção, prejudicando a sen-
tas duas classes de uso, reside o enorme sibilidade dos programas regulares de
potencial de substituição dos mesmos monitoria, isolamento e confirmação
através da aplicação de medidas pre- da infecção. Note que esta posição da
ventivas de biosseguridade, alterações EFSA é conflitante com a Instrução Nor-
de manejo e ambiência e utilização de mativa nº 78 do MAPA, mencionada no
produtos substituto dos AMC. Estes últi- item 1 deste texto.
mos, além de melhorar o desempenho
zootécnico, atuam na microbiota do TD Richard Gast, autor do “Capítulo 16
com consequente favorecimento do – Infecções por Salmonelas” do livro
controle das infecções por SPT. texto “Diseases of Poultry” (GAST, 2008)
cita que sulfonamídicos, tetraciclinas e
aminoglicosídeos são utilizados para
diminuir os sintomas e excreção e mor-
5. Uso de antimicrobianos talidade causadas pelas infecções por
na prevenção e salmonelas. Afirma, entretanto, que
nenhuma droga, ou combinação de-
controle de salmonelas
las, foi capaz de eliminar a infecção
paratíficas de um lote tratado. Ainda neste ca-
De acordo com o parecer da Comis- pítulo, o autor comenta que a eficácia
são de Riscos Biológicos da Autoridade e prudência da antibioticoterapia para
Europeia de Segurança dos Alimentos prevenir ou tratar as infecções por SPT
(EFSA, 2004), relacionado ao uso de é um tópico de muitos debates entre
AMC para o controle de salmonelas em os pesquisadores. Traz ainda algumas
aves industriais, eles podem ser úteis na informações, entre outras: países com
redução da morbidade e mortalidade avicultura madura e desenvolvida não
nas infecções por SPT nessa espécie. En- utilizam os AMC como forma de con-
tretanto a utilização de AMC nunca é trole das salmoneloses devido aos re-
totalmente efetiva, para o controle sultados inconsistentes de controle; o
destas infecções, porque não é pos- fornecimento de cultura de exclusão
sível eliminar todos os microrganis- competitiva para restaurar a microbiota
mos de um lote infectado. Porém, seu normal de proteção após o tratamento
uso poderá reduzir a prevalência de SPT com fluoroquinolonas reduziu a excre-

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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ção fecal de SE por matrizes, frangas de que não é possível eliminar todos os
postura em recria e galinhas poedeiras microrganismos de um lote infecta-
em muda; a interrupção do uso de AMD do. No entanto, o uso de AMC pode
na Dinamarca foi seguido de uma dimi- reduzir a prevalência dentro do lote,
nuição na prevalência de SPT em fran- reduzir a excreção e contaminação
gos de corte. ambiental. Assim a probabilidade de
propagação a outros lotes diminui de
Para BERCHIERI e FREITAS (2009), o tra- maneira horizontal e vertical.
tamento contra as SPT pode reduzir
as perdas por mortalidade, mas não • Durante o tratamento com AMC a
impede que as aves permaneçam proporção de bactérias resistentes
portadoras. Além disso, os portadores excretadas no meio ambiente irá au-
poderão eliminar Salmonella nas fezes mentar. As fezes, cama, esterco e de-
por períodos mais prolongado que aves mais resíduos estarão contaminados
sem tratamento. com estas bactérias e também com
resíduos dos AMC e seus metabolitos.
Ainda de acordo com a Comissão Eu-
ropeia que estabeleceu os riscos bioló- • Microrganismos resistentes podem
gicos relacionados à utilização de AMC sobreviver por longos períodos no am-
no controle de SPT (EFSA, 2004), alguns biente interno e externo às instalações
aspectos não podem ser ignorados: e podem ser transportados através da
poeira, sistemas de água e bebedouros
• As vantagens da utilização de AMC
para esta finalidade deve ser compa- • Caso um lote de reprodutoras, conta-
rada com os riscos associados no de- minado por SPT, desenvolva resistên-
senvolvimento, seleção e propagação cia ao AMC utilizado, há risco de dis-
da resistência antimicrobiana, bem seminação do microrganismo através
como o impacto de tais microrganis- dos ovos incubáveis, do ambiente de
mos resistentes na saúde pública. incubação, bem como de toda a ca-
deia de produção, até a carcaça.
• A utilização de AMC em avicultura
industrial aumenta o risco de apare- • No caso de poedeiras comerciais, que
cimento e propagação de resistência possuem longos ciclos de produção,
em bactérias zoonóticas como Sal- geralmente em granjas de múltiplas
monella spp. e Campylobacter spp. idades, o uso de AMC apresenta um ris-
Nos casos em que as SPT produzam co em manter um ciclo de infecção per-
infecções clínicas nas aves, os agentes manente na propriedade, bem como
AMC podem ser uteis na redução da promover o desenvolvimento, seleção
morbidade e mortalidade. e disseminação de microrganismos re-
sistentes através dos ovos comerciais.
• É importante estar ciente que os
agentes AMC não são totalmente efi- • Em lotes de frangos de corte conta-
cazes para o controle das SPT posto minados por SPT, os AMC não trazem
Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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grande vantagem devido aos resíduos da área médica e veterinária, e conti-
que podem ficar na carcaça, além da nuarão a ser uma ferramenta essencial
potencial transmissão de microrganis- para o tratamento de doenças animais
mos resistentes no produto final. e humanas neste século. Qualquer li-
mitação de seu uso – metafilático ou
• A probabilidade de desenvolvimento
terapêutico – para controlar as doen-
ou aquisição de resistência em lotes
ças dos animais, poderá causar grande
infectados e tratados com doses tera-
impacto na saúde animal, comprome-
pêuticas de AMC é considerado me-
tendo a segurança alimentar dos hu-
nor que o uso de doses sub-terapêu-
manos (SEAL, 2013).
ticas, ou preventivas de longo prazo.
Entendemos a posição do médico
• Lotes clinicamente afetados, que so-
freram tratamento por agentes AMC, veterinário, responsável técnico da
devem ser ainda considerados conta- empresa, quando se depara com um
minados por Salmonella spp. resultado laboratorial positivo para Sal-
monella spp. num lote de aves comer-
• O tratamento com AMC não pode ser ciais. Compreendemos a pressão que
utilizado como substituto de biosse- ele que sofre de seus superiores para
guridade e boas práticas de produ- “resgatar” aquele lote de reprodutoras
ção, principalmente em propriedades e trazê-los novamente para o “status”
de idades múltiplas. de “Controlado para SE ou ST”, confor-
me legislação corrente (BRASIL, 2003).
• O uso indevido de AMC pode com-
Provavelmente ele conhece também
prometer a eficácia de vacinas bac-
as posições conflitantes sobre este as-
terianas vivas, produtos de Exclusão
Competitiva e Probióticos. sunto de grandes autores, pesquisado-
res e entidades internacionais, mencio-
• A utilização de AMC deve estar em nadas anteriormente no item 5. (EFSA,
conformidade com condições for- 2004; GAST, 2008; BERCHIERI & FREITAS,
mais e oficialmente definidas que ga- 2009). Por este motivo, o melhor pro-
rantam a proteção do consumidor e cedimento virá com maior volume de
saúde pública. informações disponível.

Devemos nos lembrar que estamos


lidando com um microrganismo que
6. Modelo prático de pode ser transmitido, sob o ponto de
abordagem multifatorial vista epidemiológico, por duas vias:
para controle de
a. Vertical: através do ovário, oviduto
salmonelas paratíficas ou mesmo o ovo que se contamina
Os AMC constituem uma das desco- ao passar pela cloaca de reprodutoras
bertas mais importantes do século XX, infectadas;

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
- 151 -
b. Horizontal: adquirido no ambiente Com base nestas informações, advém
do incubatório ou da granja, através a necessidade de abordagem racional
matéria fecal da cama das aves, mas e estratégica ao agente infeccioso, em
também ração, água e poeira. Ainda várias frentes, e que, por este motivo,
pela via horizontal não podemos es- deverá ser multifatorial. Um esquema
quecer os vetores mecânicos e bioló- sugestivo e resumido destas ações
gicos, além de animais sinantrópicos multifatoriais está contido na Figura 1.
e domésticos, que podem contami- De acordo com a experiência de cada
nar o ambiente da criação. técnico, outros produtos poderão ser
adicionados, na ração ou água, com o
Ao invadir a ave pela via fecal-oral, as SPT cuidado de verificar a existência de pos-
tendem a se instalar no TD, preferen- sível antagonismos entre estes agentes.
cialmente no cécum. Podem também
penetrar na mucosa, se multiplicar nos É fundamental lembrar que toda a estru-
macrófagos, entrar no sistema circula- tura desta abordagem multifatorial terá
tório e, através dele, atingir e se alojar mais chance de êxito se paralelamente
em órgãos internos: fígado, baço, ovário forem aplicados os princípios básicos de
e oviduto. Como são patógenos intrace- biosseguridade, principalmente estrutural
lulares facultativos, as salmonelas con- e operacional. A biosseguridade deve atu-
seguem se evadir, não somente de altas ar em duas direções: (i) evitar a entrada de
concentrações de AMC circulantes, mas agentes patogênicos nas instalações; (ii)
também de anticorpos humorais, indu- evitar o escape de agentes patogênicos e
zidos pelas vacinas inativadas. contaminação de outras instalações.

Figura 1: Sugestão de esquema de abordagem multifatorial – auxiliar da antibioticoterapia – para


o controle das infecções por salmonelas paratíficas.
Antibioticoterapia: além dos AMC são utilizados pelos médicos veteriná-
tradicionais, mencionados na literatura rios, no Brasil, para controle das infec-
para controle das SPT – sulfonamídicos, ções por SPT, mostrados na Quadro 1. A
tetraciclinas e aminoglicosídeos (GAST, seleção do AMC deve ser criteriosa, téc-
2008; BERCHIERI, 2009) – outros AMC nica e atender alguns itens, tais como:

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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• Recomendação da bula: o produto • Tempo de tratamento: importante
está recomendado para a espécie em conhecer se o AMC selecionado é
questão? dose / concentração dependente ou
tempo dependente.
• Espécie a ser tratada: existe algum
trabalho ou informação técnica refe- • Período de carência: os AMC apre-
rente a farmacocinética e farmacodi- sentam diferentes períodos de carên-
nâmica do AMC selecionado, para a cia (para o abate ou aproveitamento
espécie objeto de tratamento (gali- de ovos) de acordo com a espécie
nhas, perus, codornas)? animal e tipo de ave: reprodutora, po-
edeira comercial, frango de corte.
• Sensibilidade da amostra isolada:
algumas amostras de SPT apresen- Outro procedimento, não raro encon-
tam elevado grau de resistência a trado no campo, é a associação de an-
vários AMC, daí a importância de se timicrobianos na ração, para tratar os
realizar o antibiograma para seleção lotes infectados por SPT. É muito impor-
do AMC. tante o médico veterinário conhecer se
• Absorção via digestiva do AMC existem indicações técnicas que deem
selecionado: os aminoglicosídeos e suporte a estas associações, antes de
polipeptídeos possuem baixa absor- lançar mão destes tratamentos.
ção por via oral e não atingem con- Tratamento da cama. Aves infectadas
centrações terapêuticas sistêmicas,
por SPT excretam, por longos períodos,
quando administrados por esta via.
o microrganismo via fezes. O tratamen-
to com AMC pode prolongar ainda mais
Grupo o tempo de excreção (BERCHIERI, 2009),
Antimicrobiano
farmacológico no meio ambiente e cama. A utilização
- Amoxilina de Cal Virgem, ou óxido de cálcio (CaO),
ß-Lactâmicos - Cefalexina a partir de 600 g / m² de cama, provoca
- Ceftiofur (in ovo) a redução significativa de Salmonella
Fosfomicina - Fosfomicina
spp. na cama, já a partir do sétimo dia
do tratamento. A elevação do pH da
Polipeptídeos - Colistina
cama e redução da atividade água, pela
- Enrofloxacina utilização da Cal Virgem, influenciam di-
Quinolonas
- Ciprofloxacina retamente a sobrevivência dos micror-
Tetraciclinas - Doxicilina ganismos (DAI PRA, 2009).
- Gentamicina
(in ovo) Outra maneira de diminuir a viabilidade
Aminoglicosídeos
- Neomicina
das SPT na cama é através da adminis-
Quadro 1 – Principais antimicrobianos utili-
tração de produtos de EC e probióticos
zados no controle de infecções paratíficas em no lote, via água ou ração. De acordo
aves, nas condições comerciais brasileiras. com PEDROSO (2014) a administração

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
- 153 -
destes produtos pode alterar a com- dade não específica e o aumento em
posição bacteriana da cama, aumentar IgA secretória local, que podem contri-
a abundância de bactérias benéficas e buir para o aumento da resistência da
reduzir a prevalência de alguns patóge- mucosa contra infecções por patóge-
nos no meio ambiente. nos entéricos. O tratamento dos lotes
com produtos de EC já é utilizado em
Uso de produtos de exclusão com- alguns países como parte de um pro-
petitiva e probióticos. Várias publica- grama integrado de controle de salmo-
ções, trabalhos de pesquisa, e revisões nelas e precisa ser complementado por
de meta-analises sugerem o uso de elevados padrões de higiene e desin-
produtos de EC e probióticos, como fecção em todas as fases da cadeia de
auxiliares na redução de patógenos, produção (REVOLLEDO 2006).
incluindo Salmonella spp. (ANDREATTI,
2015; PEDROSO, 2014; NUOTIO, 2013; A utilização de microbiota de EC con-
REVOLLEDO, 2013; KERR, 2013; NUTIO, sistentemente reduziu, mais que a com-
2013; TELLEZ, 2012; OIE, 2010; FAO 2009; binação de vacinas vivas e inativadas, a
FLINT, 2009; EFSA, 2004). Estes produtos contagem de salmonelas, não somen-
exercem sua ação de diversas formas, te no cécum, mas também no fígado,
dentre elas: produção de ácidos orgâni- baço e coração de aves desafiadas com
cos e bacteriocinas, ocupação de sítios amostras antibiótico resistentes de SE e
de ligação, reduzindo a capacidade de ST (BAILEY, 2007). Este fato demonstra a
fixação de algumas bactérias patogê- importância de uma abordagem multi-
nicas à mucosa, produção de mucina e fatorial no controle das SPT, incluindo o
competição por nutrientes com micror- uso de EC.
ganismos patogênicos.
Para alguns pesquisadores a microbio-
Mudanças na composição da micro- ta indefinida da EC (NAGF) mostrou-se
biota induzidas pela terapia antibióti- superior aos probióticos de microbiota
ca, por tetraciclina ou estreptomicina, definida (DFM) na redução da coloniza-
foram rápidas e bastante severas (VI- ção de SPT no cécum (FLINT, 2009; AN-
DENSKA, 2013). A recuperação imedia- DREATTI, 2000; HOFACRE, 2000).
ta da microbiota com uso de EC, após
antibioticoterapia, constitui, portanto, Segundo ANDREATTI (2012) um núme-
uma ferramenta importante para evitar ro maior de espécies bacterianas, apa-
uma possível reinfecção das aves pelas rentemente, determina um probiótico
salmonelas da cama e meio ambiente, mais efetivo, quando comparado com
excretadas antes e durante o tratamen- produtos que apresentam número
to (OIE, 2010; FAO 2009). reduzido de espécies. Nas operações,
com dificuldades de adição de produ-
Talvez um dos efeitos anti-infeccioso tos de EC e Probióticos na ração, devi-
mais importantes dos produtos EC e do a logística, uso de ácidos orgânicos
probióticos é a estimulação da imuni- na forma líquida na ração, extrusão e /

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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ou peletização, estes produtos podem por quase 40% das exportações mun-
ser utilizados na água de bebida, para diais de frango, onde o consumo de
administrá-los logo após o término da carne e ovos representa a maior fonte
medicação. de proteínas animais para a população,
a indústria avícola esteja ainda priva-
Controle sistemático de vetores bioló- da das vacinas vivas orais de SE e ST.
gicos e animais domésticos. Os animais Estes imunógenos complementariam,
sinantrópicos (insetos, ácaros, roedores de forma técnica, a ação das vacinas
e pombos) são, comprovadamente, inativadas comerciais e autovacinas de
fontes de infecção das SPT. Da mesma Salmonellas spp. As vacinas inativadas
forma, gatos e cães, que caçam e se desenvolvem efetivamente a resposta
alimentam de roedores, são também imune humoral, que possibilita a redu-
transmissores de SPT, através de suas ção e transmissão do patógeno via ovo,
fezes. Portanto, os animais domésti- porém é insuficiente para eliminação
cos, incluindo os pássaros de vida livre, do agente do TD.
não devem ter contato com nenhuma
instalação da cadeia produtiva avícola: 7. Riscos no uso de
granjas, fábricas de ração, incubatórios e
antimicrobianos para a
abatedouros. Núcleos e instalações cer-
cados e à prova de pássaros, nas portas avicultura brasileira
de acesso, no sistema de ventilação e Na condição de maior exportador de
eliminação de água de serviço, auxiliam carne de aves do mundo, o Brasil é um
neste objetivo. dos principais abastecedores deste
produto para a Comunidade Europeia,
Vacinas vivas de SE e ST: Os países de além de outros mercados extremamen-
avicultura madura e desenvolvida, que te exigentes no que se refere a seguran-
já obtiveram êxito na redução das SPT, ça alimentar. No último Relatório Anual
tanto na avicultura de ovos comerciais do Sistema Rápido de Alerta Europeu
como em granjas de reprodução, inicia- para Alimento e Rações (RASFF, 2014), o
ram a utilização das vacinas vivas orais Brasil ocupa o primeiro lugar na lista de
de SE e ST, há quase duas décadas. Estes fornecedores com produtos de origem
produtos são os únicos a desenvolver aviária contaminados por Salmonella
efetiva: (i) imunidade de mucosas (lo- spp. e por Salmonella Heidelberg. É
cal), para prevenir e deduzir a coloniza- bem provável que esta condição esteja
ção intestinal e excreção fecal; (ii) imuni- ligada ao maior market share do Brasil
dade celular, tida como fundamental na neste segmento. Mas isso serve de aler-
eliminação das salmonelas do hospe- ta e a indústria avícola brasileira deve se
deiro (REVOLLEDO, 2013; REVOLLEDO e manter atenta. Em outras palavras, os
FERREIRA, 2012). acertos e erros produzidos pela utiliza-
Não há lógica que, no Brasil, terceiro ção dos AMC nas aves, pelos Médicos
maior produtor avícola, que responde Veterinários, nas granjas de reprodução,

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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no incubatório e nas granjas comerciais, ladas de granjas avícolas ao Ceftiofur
poderão ou não prejudicar as exporta- foi observada por CAMARGO (2013) no
ções de produtos avícolas. Brasil, conforme mostra a Quadro 2.

A análise dos dados de literatura mun-


Antimicro-
dial revela não só o crescimento do iso- Amostras 1989 a 1999
biano
lamento de S. Heidelberg na cadeia de
Inter-
Resistente mediário Sensível
produção avícola, mas também o de-
senvolvimento crescente de resistência Ceftiofur 0 41% 59%
deste sorotipo aos AMC, dentre eles um Ciprofloxacina 0 0 100
em especial, o Ceftiofur, cefalosporina
Cloranfenicol 0 0 100
de terceira geração, principal droga uti-
lizada no tratamento de humanos nos Enrofloxacina 0 0 100
casos de salmonelas invasivas. No Bra- Florfenicol 0 0 100
sil, MEDEIROS (2011) encontrou baixa Gentamicina 0 0 100
prevalência de salmonelas nas carcaças Antimicro-
de aves abatidas (2,7%), entretanto, os Amostras 2008 a 2010
biano
sorotipos isolados mostraram elevados Inter-
Resistente mediário Sensível
índices de amostras resistentes a mais
de 3 AMC: S. Heidelberg e S. Enteritidis. Ceftiofur 28% 56% 16%
As amostras de S. Heidelberg mostram Ciprofloxacina 3% 22% 75%
a maior porcentagem de resistência Cloranfenicol 2% 0 98%
ao Ceftiofur: 43,8%. Outras salmonelas Enrofloxacina 2% 28% 70%
isoladas mostraram também elevada
Florfenicol 2% 0 98%
resistência a este AMC. O aumento de
Gentamicina 7% 2% 91%
resistência temporal, de amostras de
Quadro 2: Porcentagem de amostras de Sal-
S. Heidelberg ao Ceftiofur, também foi monella de diferentes décadas caracterizadas
observado nos EUA, conforme mostra como resistentes, resistência intermediária e
a Figura 2. sensíveis para os antimicrobianos criticamen-
te importantes em medicina veterinária e/ou
humana (CAMARGO, 2013).
Qual o motivo do aumento de resistên-
cia das salmonelas ao Ceftiofur, se este
AMC não é utilizado de forma metafilá-
tica ou terapêutica em avicultura indus-
trial no Brasil e nem mesmo possui apre-
sentação para uso de água ou ração?
Figura 2: Aumento de Salmonellas resistentes
ao Ceftiofur nos EUA, isoladas no abate (GIL-
Uma possível resposta, que carece de
BERT, 2012)
maiores estudos entre nós, é o que en-
A mesma tendência de aumento tem- contramos na literatura internacional
poral de resistência das salmonelas iso- e na legislação da Comunidade Euro-

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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peia (HEINRICH, 2013), onde o produto bula destes produtos), definitivamente há
é destinado apenas ao tratamento de algo errado no processo. Na natureza, os
infecções respiratórias de suínos e bo- pintos eclodem em ninhos, sem nenhum
vinos, ou então no texto da bula deste princípio de higiene ou biosseguridade,
AMC: “este produto não deve ser admi- com o ônfalo (umbigo) tocando a palha
nistrado em aves (incluindo ovos) devi- do ninho, repleta de matéria orgânica, e
do ao risco de propagação de resistên- não apresentam onfalite ou mortalidade
cias antimicrobianas a humanos”. na primeira semana. Qual o segredo? A
resposta é que a gema está bem absor-
Do outro lado do Atlântico, o Programa vida no nascimento e o umbigo cicatri-
Integrado Canadense para Vigilância zado! Se isso não ocorre no incubatório,
para Resistência Antimicrobiana (CIPARS) há que se rever o processo, desde a granja
identificou uma forte correlação entre a de reprodutores, até a granja das aves co-
resistência ao Ceftiofur por S. Heidelberg merciais. Sugerimos, a seguir, apenas um
de ambas as fontes, humanas e aves in- roteiro básico para facilitar a abordagem
dustriais, no varejo em Quebec e Ontário. do problema. O ideal é sempre buscar a
Como mostra a Figura 3, a retirada vo- ajuda de um especialista.
luntária de Ceftiofur, utilizado “extra la-
bel”associado à vacinação de Marek, nos a) Se há transmissão vertical de E. coli,
incubatório em Quebec foi logo seguido Staphylococcus aureus ou Pseudo-
por uma acentuada redução na propor- monas spp., para o ovo incubável, a
ção de S. Heidelberg e Escherichia coli ação para reverter o processo deve
isoladas de seres humanos e de frangos começar na granja de reprodução.
no varejo resistentes ao Ceftiofur (DUTIL, Para isso é fundamental melhorar a
2010; SCOTT, 2010). Em maio de 2014 a qualidade intestinal das reproduto-
utilização de Ceftiofur pelos incubató- ras com utilização de produtos de
rios no Canadá foi abolido. EC de forma estratégica ou constan-
te. O impacto será diretamente ob-
servado: na qualidade das fezes, na
qualidade de cama, na porcentagem
8. Medidas preventivas de ovos sujos e até mesmo porcen-
para evitar a utilização tagem de nascimento.
de antimicrobianos no b) Caso o problema seja contaminação
incubatório e na primeira do lote de reprodutoras por SPT, su-
semana de vida. gerimos uma abordagem multifatorial,
conforme descrito no item 6.
Se há necessidade real da utilização de
AMC junto a vacina de Marek para con- c) Para reduzir o risco de transmissão de
trole das infecções por E. coli e Staphylo- SPT para a progênie, é fundamental
coccus aureus e mortalidade dos pintos, a imunização das reprodutoras com
na primeira semana (como informa a vacinas de SE, ST ou autovacinas.

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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d) As vacinas inativadas reduzem a trans- dos ovos, na sua passagem natural
missão transovariana de SPT, porém pela cloaca, quando estes entram em
não evitam a contaminação externa contato com resíduos das fezes cecais.

Figura 3: Retirada voluntária de Ceftiofur associado a vacina de Marek nos incubatórios, em Quebec
e prevalência de amostras de S. Heidelberg e Escherichia coli resistentes ao Ceftiofur (DUTIL, 2010)

e) Para redução da colonização do cé- Pseudomonas spp. Caso isso ocorra


cum e TD por SPT é necessário o uso reveja: (i) sistema de desinfecção dos
de vacinas vivas orais contra SE ou ST, ovos incubáveis, da granja e do incu-
prática utilizada, há quase 20 anos, batório; (ii) limpeza e desinfecção da
nos países que conseguiram melhor planta de incubação, pois bactérias
controlar as infecções por SPT nas do gênero Pseudomonas são pro-
aves industriais: reprodutoras, poedei- dutoras de biofilmes extremamente
ras comerciais e frangos de corte. resistentes; (iii) desinfecção do equi-
f ) Utilizar sempre produtos de EC, para pamento de vacinação de Marek.
recuperação da microbiota, após an-
h) Colonizar, ainda no incubatório, o tra-
tibioticoterapia nas reprodutoras.
to digestório dos pintos de um dia
g) Um importante agente causador de com produtos de EC, por spray; caso
ovos “bomba”,no incubatório, é a con- não for possível administre produtos
taminação dos ovos incubáveis por de EC na primeira ração.

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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i) Monitore e avalie a eficiência de seu de incubação), receberão a aplicação
sistema de incubação através da qua- da vacina “in ovo” também de forma
lidade dos pintos. alterada, devido à condição anatômi-
ca de penetração da agulha.
j) Qual o escore de pintos com umbigos
mal cicatrizados? Este número não o) Outra forma de verificar a qualidade
deveria ultrapassar 1%. dos pintos ao nascimento é através
do comprimento do pintinho vivo
k) Qual a percentagem de gema resi- (ponta do bico à ponta do dedo). A
dual no nascimento? Sacrifique uma medições devem ser executadas
amostra representativa de pintinhos sempre por uma mesma pessoa no
e separe a gema da “carcaça” do pin- incubatório, que poderá até traçar os
tinho. Em condições normais (“janela padrões esperados para a linhagem
de nascimento” entre 24 e 28 horas), e para a idade das reprodutoras, nas
quanto maior a porcentagem de condições do seu incubatório. Como
gema em relação a carcaça, há ten- sugestão, é desejável: (i) no mínimo
dência de pior desenvolvimento do 19 cm no terço inicial de produção
pintinho e pior qualidade. da reprodutora; (ii) 19,5 cm no terço
l) Se a gema pesar mais que 5 gramas, intermediário da produção; (iii) mais
é provável que seu sistema de incu- de 20 cm no terço final da produção.
bação não esteja distribuindo calor p) Para máquinas de incubação de es-
uniformemente. tágio múltiplo de carrinhos – mas
m) Não se surpreenda se encontrar ge- principalmente de prateleiras – é fun-
mas de até 9 gramas, ou mais, ao damental utilizar uma sala exclusiva
nascimento, em ovos incubados em e realmente eficiente para o pré-a-
algumas regiões da incubadora de quecimento dos ovos. Com isso po-
cargas múltiplas. Neste caso você deremos melhorar de maneira geral
irá realmente necessitar utilizar um as condições internas da incubado-
AMC em dose terapêutica na vacina- ra, reduzir a “janela de nascimento”
ção de Marek, “in ovo” ou no primeiro e, como consequência, a qualidade
dia. Esta é a melhor forma de tentar dos pintos. Certifique-se que todos os
evitar elevada mortalidade e refuga- ovos, de toda a carga, possuem tem-
gem na primeira semana, causadas peraturas internas semelhantes,
por microrganismos que penetraram imediatamente antes da incubação.
através do umbigo mal cicatrizado ao Lembre-se, para a transferência de ca-
nascimento. lor entre os sólidos três condições são
necessárias: (i) fonte de temperatura
n) Um detalhe importante é que, em- uniformemente distribuída; (ii) ven-
briões com menor desenvolvimento tilação eficaz; (iii) alta umidade (sem
fisiológico no 18º dia de incubação molhar os ovos). Consulte um espe-
(apresentam tamanho real de 17 dias cialista, se necessário.

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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Considerações Finais por produtos avícolas – aves & ovos – pro-
O consumidor de hoje decide o que ele duzidos sem a utilização de AMCs é cres-
não quer comer. A “bola da vez” está rela- cente. As grandes cadeias de “fast food” e
cionada aos “alimentos produzidos sem de supermercados já descobriram que “o
uso de hormônios & antibióticos”,não im- público consumidor faz as leis de merca-
porta o quanto isso possa ser infundado e do”,o legislador, de bom senso, posterior-
incoerente tecnicamente. As novas ferra- mente as segue. É de bom senso também
mentas para substituir os AMCs utilizados as grandes, médias e pequenas empresas,
como melhoradores de desempenho e produtoras avícolas, exigirem uma res-
profiláticos já estão disponíveis no mer- posta proativa de seu departamento téc-
cado, algumas, há décadas. Há farta lite- nico, e lembrá-los que o futuro não está
ratura técnico-científica para dar suporte distante. Do contrário, o departamento de
à utilização destes produtos. A demanda marketing o fará.

Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
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Anais SIAVS 2015 - Uso de antimicrobianos na prevenção e controle das infecções paratifoides em aves
- 162 -

Programa sanitário para


avicultura familiar

René Dubois
Médico veterinário
Ministério do Desenvolvimento
Agrário (MDA)
Brasília/DF

Histórico la de Veterinária. Ele próprio, três anos


As ações de Defesa Sanitária Animal depois (1764), instalou a segunda em
vêm sendo desenvolvidas há milênios. Maisons-Alfort, nos arredores de Paris.
Os cuidados zoossanitários surgiram Essas duas Escolas se constituíram em
quando o homem começou a domesti- verdadeiros polos irradiadores para as
car os primeiros animais. Os mais simples demais nações do mundo.
atos visando ter em sua companhia ani- Um século depois a Defesa Sanitária
mais saudáveis eram os embriões que Animal teve uma súbita dinamização.
deram origem a tantos e tão sofisticados Para chamar a atenção da comunidade
ramos das atuais ciências biológicas. A internacional para os riscos da invasão
Defesa Sanitária Animal nasceu, portan- da Europa por enfermidades contagio-
to, na agricultura familiar primitiva. sas dos animais, especialmente a peste
Os mais antigos registros dessa ativida- bovina, o Professor John Gamgee, da
de datam do Século XVIII AC: são as in- Escola de Veterinária de Edimburgo –
formações gravadas no Papyrus Veteri- Reino Unido, liderou a organização do
narius de Kahum, com várias referências I Congresso Internacional de Veterinária
sobre a “medicina animal”. que se realizou em 1863, na Cidade de
Hamburgo, na Alemanha. O objetivo do
A veterinária moderna teve origem em memorável evento foi o de discutir e
1761 quando Claude Bourgelat criou determinar as primeiras regras de pre-
em Lyon, na França, a primeira Esco- venção das enfermidades epizoóticas.

Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar


- 163 -
O próprio Professor Gamgee apresen- tro módulos fiscais (unidade de medi-
tou uma proposta para que fosse cria- da agrária instituída pela Lei nº 6.746,
do um organismo internacional, nos de 10 de dezembro de 1979, expressa
moldes da atual OIE. O seu sonho con- em hectares, sendo fixada para cada
cretizou-se mais de meio século depois município, com variações de 5 a 110
com a criação da Organização Mundial hectares)”
de Saúde Animal (na época denomina-
da “Office International des Épizooties”) 2. “A mão de obra utilizada nas ativida-
em 1924, da qual o Brasil é membro des econômicas desenvolvidas é pre-
fundador, com mais 27 países. dominantemente da própria família”;

3. “A renda familiar é predominante-


mente originada das atividades vin-
Programa sanitário culadas ao próprio estabelecimento”;
Trata-se de uma atividade predomi- 4. “O estabelecimento ou empreendi-
nantemente preventiva, com adição de mento é dirigido pela família”.
ações corretivas que devem ser desen-
volvidas em conjunto com atores públi-
cos e privados partícipes da respectiva
cadeia produtiva. O inter-relacionamen- Programa sanitário para
to e a interdependência entre esses avicultura familiar
atores constitui a síntese da Defesa Sa- Na opinião do autor, um programa sa-
nitária Animal. nitário voltado para a avicultura familiar
O seu objetivo básico é prevenir, con- deve ter um caráter predominante-
trolar e, quando possível, erradicar as mente educativo, com a indispensável
doenças animais. O conjunto de estra- adoção da metodologia participativa.
tégias adequadas à utilização junto às Os avicultores familiares devem ser le-
diversas cadeias produtivas é o que se vados a discutir as normas sanitárias e
denomina de Programa Sanitário. delas se apropriar pelo natural conven-
cimento dos benefícios a serem auferi-
dos.

Avicultura familiar As ações de Assistência Técnica e Ex-


Entende-se por Avicultura Familiar a ativi- tensão Rural – ATER se desenvolvem no
dade avícola desenvolvida em unidades Brasil há mais de meio século. Tais ações
rurais que se enquadram nos critérios es- vêm se aprimorando e atualmente enti-
tabelecidos pela Lei 11.326 de 24/07/2006 dades públicas e privadas colocam em
(Lei da Agricultura Familiar), a saber: campo milhares de extensionistas rurais
(agentes de ATER). Esses profissionais,
1. “A área do estabelecimento ou em- educadores por excelência, fazem che-
preendimento rural não excede qua- gar à agricultura familiar as alternativas

Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar


- 164 -
de inovações tecnológicas, as diversas rio recebeu missões específicas. Ao MDA
linhas de financiamentos, as formas mais foi delegado “Promover, através do sis-
adequadas e rentáveis de comercializa- tema de ATER, treinamento de exten-
ção, os estímulos ao associativismo etc. sionistas rurais no sentido de levar aos
agricultores familiares, assentados da
Um programa sanitário destinado à reforma agrária, trabalhadores rurais
avicultura familiar, para ter sua eficiên- e comunidades rurais, as orientações
cia, eficácia e efetividade asseguradas, específicas relacionadas à prevenção
terá de ser incorporado às ações de e controle das influenzas aviária, suína
ATER, oficiais e privadas. Desta forma os e equina e da pandemia de gripe”.
princípios da Bio-seguridade, cuidado-
samente adaptados às condições pecu- Uma das grandes preocupações na
liares à avicultura familiar, respeitadas as época era a possibilidade do vírus
características de cada região, poderão A(H5N1) da influenza aviária, de alta
ser melhor apropriados pelos avicul- patogenicidade, adaptar-se ao ser hu-
tores que exercem suas atividades na mano passando a ser transmitido de
forma prevista pela Lei da Agricultura forma sustentável pessoa-a-pessoa. As
Familiar (Lei 11.326/2006). atenções sanitárias mundiais estavam
voltadas, prioritariamente, para essa
Existe um programa específico de Edu-
possibilidade quando eclodiu um surto
cação para Enfrentamento das Gripes
de gripe por outra cepa viral, o vírus de
Aviária, Suína e Equina em andamen-
origem suína A(H1N1). A enfermidade
to, iniciado em 2010, sob a égide do
espalhou-se pelo mundo com impres-
Ministério do Desenvolvimento Agrário
sionante rapidez transformando-se em
em parceria com a Embrapa e participa-
pandemia, assim declarada pela OMS.
ção efetiva das entidades estaduais de
ATER, descrito a seguir. Essa emergência epidemiológica levou
o governo brasileiro a editar a Medida
Exemplo de um Programa Provisória nº 463 de 20/05/2009, abrin-
de Educação Sanitária do Crédito Extraordinário para ações
voltado à Avicultura emergenciais a serem desenvolvidas
pelos Ministérios componentes do GEI.
Familiar
Coube ao MDA desenvolver um pro-
1) Retrospectiva grama de educação sanitária, junto aos
Em atendimento à recomendação da agricultores familiares, para prevenção
Organização Mundial da Saúde – OMS, o e enfrentamento das influenzas.
Governo Federal criou o Grupo Executivo 2) Atividades desenvolvidas em par-
Interministerial – GEI, através do Decreto ceria MDA / EMBRAPA
de 24/10/2005, englobando 16 Ministé-
rios, entre os quais o Ministério do Desen- A Secretaria de Agricultura Familiar do
volvimento Agrário – MDA. Cada Ministé- MDA buscou parceria com a Embrapa

Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar


- 165 -
para implementar o plano que consis- to em conteúdos teóricos e práticos
tiu em uma Campanha de Educação específicos, com alto nível científico e
Sanitária específica para a prevenção e técnico. Considerando as especificida-
controle das influenzas aviária, suína e des e complexidade dos temas aborda-
equina e enfrentamento da pandemia dos, esses cursos tiveram como público
de gripe. A Campanha continua a se beneficiário veterinários vinculados a
desenvolver, uma vez que tem caráter instituições estaduais de ATER e oficiais
permanente e continuado, através da veterinários do Exército. A parte prática
incorporação nas atividades rotineiras foi feita no Laboratório de Anatomia do
dos extensionistas rurais, a de levar aos Curso de Medicina Veterinária da Uni-
agricultores familiares as informações versidade de Brasília – UnB.
pertinentes. Para tanto, foi efetuado o
treinamento de Agentes de ATER em A segunda etapa teve como público
todos os Estados da Federação e no alvo agentes de ATER com os diversos
Distrito Federal, elaborado e distribuído perfis profissionais para atuação junto
amplo material didático. à agricultura familiar. Os técnicos parti-
cipantes da primeira etapa ministraram
51 cursos em todos os Estados da Fede-
ração e no Distrito Federal, com o trei-
Treinamento dos Agentes namento de 1.859 agentes.
de Ater
A preparação de agentes de ATER con-
sistiu na indispensável reciclagem na Considerações finais
área epidemiológica para atuação na Esta Campanha de Educação Sanitária
campanha. Procedeu-se em duas eta- poderá ser ampliada transformando-
pas, a primeira, denominada de “For- se em um amplo Programa Sanitário
mação de Formadores”, destinou-se a para a Avicultura Familiar, a ele se in-
médicos veterinários extensionistas. corporando outros segmentos estatais
Nesta fase foram realizados dois cursos e privados.
teóricos e práticos em Brasília, no mês
de novembro de 2009, com a duração Levar este tema à discussão aprimoran-
de 40 horas e participação de 89 ex- do a ideia, o que está sendo feito neste
tensionistas de todos os Estados da 24º Congresso Brasileiro de Avicultura e
Federação. A proposta desses cursos foi Suinocultura será de extraordinária va-
a qualificação em ações de educação lia para a avicultura familiar e industrial,
sanitária, como atividade estratégica assegurando sustentabilidade da pro-
e instrumento de defesa contra as In- dução avícola, um dos sustentáculos da
fluenzas. Buscou-se o aperfeiçoamen- economia nacional.

Anais SIAVS 2015 - Programa sanitário para avicultura familiar


- 166 -

SUSTENTABILIDADE: AÇÕES DAS COOPERATIVAS


AGROPECUÁRIAS NO ESTADO DO PARANÁ

Silvio Krinski
M.Sc. Engenheiro Agrônomo
Gerência Técnica e Econômica
Sindicato e Organização das Cooperativas
do Estado do Paraná

1. INTRODUÇÃO produção e suprimento de suas neces-


As cooperativas nos últimos anos tem sidades de consumo e crédito. Além da
apresentado sólido crescimento de forte atuação no ramo agropecuário, as
suas atividades, consolidando impor- cooperativas também foram sendo or-
tante papel no desenvolvimento eco- ganizadas nas áreas de crédito, saúde,
nômico do país. Esta realidade foi re- trabalho, infraestrutura, transporte, con-
conhecida pela ONU (Organização das sumo, educação, habitação e turismo
Nações Unidas), ao declarar o ano de (SETTI, 2006 e OCEPAR, 2011).
2012 como Ano Internacional do Co-
No Estado do Paraná o cooperativis-
operativismo. O reconhecimento está
mo ressalta-se como um instrumento
em função do trabalho desenvolvido
de ascensão social dos cooperados e
pelas cooperativas para a redução da
pobreza, geração de emprego e inte- também de promoção de desenvolvi-
gração social entre seus cooperados e mento regional com base em cadeias
comunidades que atuam. agroindustriais de grande competitivi-
dade, agregando valor à produção de
O cooperativismo paranaense tem suas grãos e cereais. Atualmente, fazem par-
raízes na cooperação praticada nas co- te do Sistema Ocepar 223 cooperativas,
munidades de emigrantes europeus, com mais de 1 milhão de cooperados
que procuraram organizar estruturas e responsáveis por R$ 50,9 bilhões de
comuns para a compra e a venda da faturamento.

Anais SIAVS 2015 - Sustentabilidade: ações das cooperativas agropecuárias no Estado do Paraná
- 167 -
Destaca-se o ramo agropecuário com Neste sentido este trabalho tem como
75 cooperativas, que respondem por objetivo analisar como as cooperativas
aproximadamente 56% da produção agroindustriais do Paraná estão inse-
agropecuária do Estado do Paraná. ridas no contexto da economia verde,
(OCEPAR, 2015). No ano de 2013 a re- tendo como referencial as suas ações
ceita bruta deste ramo chegou a or- realizadas no conceito de desenvolvi-
dem de R$ 38,6 bilhões, além de ser mento sustentável.
responsável na produção de grãos, por
72% da safra de soja, 64% da safra de
Milho e 67% da safra de trigo no Esta-
do. Já, a produção animal responde por 2. SUSTENTABILIDADE,
31% da produção de carne de frango, ECONOMIA VERDE E
35% da produção de carne suína e COOPERATIVISMO
48% da produção leiteira.
As discussões sobre o conceito da sus-
Este crescimento, firmado na produ- tentabilidade e as maneiras de atingi-la
ção agrícola e pecuária, está alinhado a não são recentes e tem se destacado na
uma estratégia de verticalização, agre- atualidade devido a maior conscienti-
gando valor para a propriedade rural e zação da sociedade, preocupada com a
construindo uma cadeia agroindustrial utilização dos recursos naturais e a qua-
de grande competitividade. Atualmen- lidade de vida das pessoas.
te as cooperativas possuem uma capa-
cidade instalada de processamento de A sua origem esta relacionada ao termo
37% para carne suína, 42% para carne “desenvolvimento sustentável”, usual-
de aves, 51% para laticínios, 47% para mente definido como “o desenvolvi-
fábrica de rações, 38% para o esmaga- mento que satisfaz as necessidades
mento de soja e 100% para a produção presentes, sem comprometer a capa-
do malte. cidade das gerações futuras de suprir
suas próprias necessidades”, proposto
Com números significativos de expan- pela Comissão de Brundtland (Nosso
são, cresce também a preocupação Futuro Comum, 1987). Muitas vezes
com o meio ambiente e a busca por este conceito é associado às discussões
produtos e serviços mais eficientes, que puramente de cunho ambiental, mas o
empregam tecnologias mais limpas, termo vai muito além. A sustentabilida-
transformando os passivos ambientais de deve integrar de forma harmônica e
em ativos. Neste sentido, o tema eco- inter-relação dos aspectos econômicos,
nomia verde vem ganhando destaque. ambientais e sociais.
A responsabilidade socioambiental dei-
xa de ser uma “moda passageira” e se Com base neste tripé, conhecido como
transforma em um modo de agir, trans- “triple bottom line”, qualquer projeto
formando pequenos hábitos cotidianos de desenvolvimento sustentável deve
em uma nova ética verde. considerar o tratamento simultâneo

Anais SIAVS 2015 - Sustentabilidade: ações das cooperativas agropecuárias no Estado do Paraná
- 168 -
do respeito ao meio ambiente, da efici- A pesquisa e desenvolvimento têm me-
ência econômica e da equidade social. lhorado a qualidade e disponibilidade
Neste contexto, surge o potencial de dos produtos verdes. O emprego da
uma economia verde, proporcionando tecnologia é direcionado para a criação
novas oportunidades para as empresa de produtos inovadores, a fim de buscar
e as organizações (ELKINGTON, 2001 e novas fontes de energia renováveis, re-
SHARF, 2004). duzir as cargas orgânicas dos processos,
utilizar ingredientes menos tóxicos e
Segundo o PNUMA (Programa das Na- materiais mais biodegradáveis.
ções Unidas para o Meio Ambiente),
a economia verde pode ser definida As empresas que trabalham sob a ótica
como sendo “Uma economia que re- da economia verde conseguem entre-
sulta em melhoria do bem-estar da laçar seu desenvolvimento com renda,
humanidade e igualdade social, ao inclusão social e redução dos impactos
mesmo tempo em que reduz, signifi- ambientais. De acordo com Gallo et al
cativamente, riscos ambientais e escas- (2012), esta economia preconiza o estí-
sez ecológica”. mulo em atividades com baixo teor de
emissão de carbono, racionalização dos
Segundo Louredo (2012), o conceito de recursos, integração social, proteção e
economia verde não substitui o con- reforço da biodiversidade e dos servi-
ceito de desenvolvimento sustentável, ços fornecidos pelos ecossistemas.
mas atualmente existe um crescente
reconhecimento de que a realização Na “Conferência das Nações Unidas
da sustentabilidade se baseia quase sobre Desenvolvimento Sustentável –
que inteiramente em conseguir o mo- Rio+20” foi discutida a economia verde
delo certo de economia. Mesmo que com foco na erradicação da pobreza,
a sustentabilidade seja um objetivo de avaliando o progresso e lacunas que
longo prazo, é necessário que a nos- ainda existem na implantação dos re-
sa economia se torne mais verde para sultados dos principais encontros sobre
conseguir atingir esse objetivo. desenvolvimento sustentável, além de
abordar os novos desafios na área de
Na economia verde, processos em- segurança alimentar, recursos hídricos,
presariais ineficientes e produtos que energias, cidades, florestas e biodiversi-
poluem estão sendo revistos, abrindo dades, mudanças climáticas, educação,
espaço para outros mais eficientes e entre outros.
quem empreguem tecnologias mais
limpas. Os problemas ambientais tais Como resultado destas discussões o
como mudanças climáticas, estão sen- cooperativismo foi reconhecido na
do vistos cada vez mais como oportu- declaração final do evento, intitulada
nidades de inovação, estímulos a novos “O Futuro que Queremos” como um
produtos, processos, mercados e mode- importante modelo para a inclusão
los empresariais (Barbieri, 2007). social e a redução da pobreza, em par-

Anais SIAVS 2015 - Sustentabilidade: ações das cooperativas agropecuárias no Estado do Paraná
- 169 -
ticular nos países em desenvolvimen- Faturamento (IF); Índice de Sobras (IS);
to. Da mesma forma, entende-se que Índice Investimentos Econômicos (IIE);
é necessário fomentar as cooperativas Índice Investimentos Sociais (IIS) e Índi-
e cadeias de valor agrícola forte para ce Investimentos Ambientais (IIA).
contribuir na segurança alimentar, nu-
trição e agricultura sustentável (ONU,
2012).
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Análise dos investimentos econô-
micos
3. METODOLOGIA
Para analisar como as cooperativas O cooperativismo está consolidado
agroindustriais do Paraná estão inse- como modelo de desenvolvimento
ridas no contexto da economia verde, econômico no setor de agronegócios
buscou-se através de pesquisa explo- no Estado do Paraná. Além de represen-
ratória fazer um levantamento das prin- tar boa parte da produção de grãos e
cipais ações realizadas dentro do con- cereais, as cooperativas são responsá-
ceito de desenvolvimento sustentável, veis, também, pela agregação de valor
considerando seus investimentos eco- aos produtos primários por meio da
nômicos, sociais e ambientais. agroindustrialização em setores estra-
tégicos.
A metodologia utilizada para esta re-
flexão levou em consideração alguns Em 2011, as cooperativas agropecuárias
indicadores de desempenho das coo- foram responsáveis por aproximada-
perativas, apresentados no Balanço Eco- mente 55% da produção agropecuária
nômico e Social, tais como: Faturamen- do Paraná, contribuindo para o desen-
to; Sobras; Investimentos Econômicos; volvimento econômico do estado, a ge-
Investimentos Sociais e Investimentos ração de empregos e a distribuição de
Ambientais. O período de análise dos renda para seus cooperados.
indicadores utilizado foi entre os anos O desenvolvimento econômico das co-
de 2002 a 2011. operativas tem se fortalecido nos últi-
Para facilitar esta análise foi criado um mos anos pelo aumento de sua receita
índice para cada indicador, com base no bruta (faturamento) e a capacidade de
seu respectivo desempenho no ano de investimento econômico em suas pró-
2002. Assim sendo possível verificar a prias atividades. Esta percepção pode
evolução de cada indicador no decorrer ser identificada quando é avaliado o
do período e fazer a comparação entre seu desempenho nos últimos 10 anos,
eles. analisando o Índice de Faturamento (IF)
e o Índice de Investimento Econômico
Os índices criados para análise do de- (IIE) das cooperativas do ramo agrope-
sempenho são os seguintes: Índice de cuário na Figura 01.
Anais SIAVS 2015 - Sustentabilidade: ações das cooperativas agropecuárias no Estado do Paraná
- 170 -

Figura 01. Comparação do Índice de Investimento Econômico (IIE) frente ao Índice de Faturamen-
to (IF) das cooperativas do ramo agropecuário do Estado do Paraná, entre os anos de 2002 e 2011,
em base 100 (Ano 2002=100). Fonte: Ocepar, 2012

O faturamento das cooperativas no Sobras (IS) das cooperativas do ramo


período (2002-2011) saltou de R$ 9,3 agropecuário, nos últimos anos, pode
bilhões para 26,6 bilhões, aumentando ser verificado na Figura 02.
em mais de 187%. Enquanto o investi-
A distribuição direta das sobras aos co-
mento econômico realizado nas coope-
operados saltou de R$ 416 milhões em
rativas passou de R$ 350 milhões para
2002 para R$ 849 milhões em 2011, au-
R$ 1,1 bilhão, aumentando em 214% os mentando em mais de 104%. O Índice
investimentos no mesmo período. de Sobras (IS) apresentou a mesma ten-
A distribuição de riquezas das coopera- dência de crescimento, evidenciando
tivas também pode ser analisada pela sua relação positiva e a preocupação
do cooperativismo na distribuição de
sobras distribuídas ao final de cada pe-
renda e a busca pela igualdade social.
ríodo. Estes resultados são deliberados
em Assembleia Geral, pelos próprios O menor crescimento do Índice de
cooperados, quanto ao seu destino. O Sobras acontece principalmente pela
recurso pode ser direcionado para a maior competitividade entre os merca-
capitalização da própria cooperativa ou dos e redução das margens na produ-
distribuído aos cooperados. O Índice de ção agrícola e pecuária.

Anais SIAVS 2015 - Sustentabilidade: ações das cooperativas agropecuárias no Estado do Paraná
- 171 -

Figura 02. Comparação do Índice de Sobras (IS) frente ao Índice de Faturamento (IF) das coopera-
tivas do ramo agropecuário do Estado do Paraná, entre os anos de 2002 e 2011, em base 100 (Ano
2002=100). Fonte: Ocepar, 2012

Análise dos investimentos mais de 53 mil colaboradores e 132 mil


sociais cooperados.
Para o perfeito desenvolvimento de Em 2011, as cooperativas agrope-
uma cooperativa, além dos aspectos cuárias aplicaram em investimentos
econômicos, precisam existir aspectos sociais mais de R$ 1,6 bilhão, repre-
sociais nas suas diretrizes de negócios. sentando 6,2% do faturamento des-
É importante ressaltar que uma co- tas cooperativas. Este recurso é dire-
operativa não possui uma finalidade cionado, tanto para os colaboradores,
lucrativa própria, como uma empresa quanto para os cooperados, em ações,
comercial, pois seu objetivo está vol- principalmente, relacionadas à educa-
tado à rentabilidade da atividade de ção, saúde e atividades para familiares
cada cooperado. e para a comunidade.
O investimento social para as coope- O desenvolvimento social das coope-
rativas faz parte dos princípios que rativas tem aumentado consideravel-
norteiam a sua atuação. As ações de- mente nos últimos anos. Analisando o
senvolvidas pelas cooperativas no âm- Índice de Investimento Social (IIS) das
bito social são direcionadas tanto para cooperativas do ramo agropecuário, en-
o seu público interno (colaboradores), tre os anos de 2002 e 2011, verificamos
quanto para seu público externo (coo- que houve um aumento de 265% (Figu-
perados). As 81 cooperativas do ramo ra 03), sendo esse superior ao indicador
agropecuário envolvem diretamente econômico - Índice de Faturamento (IF).

Anais SIAVS 2015 - Sustentabilidade: ações das cooperativas agropecuárias no Estado do Paraná
- 172 -
Dentre os parâmetros calculados nes- encontro dos princípios e valores do
te trabalho, o Índice de Investimento cooperativismo e a importância que o
Social (IIS) apresentou o maior desem- desenvolvimento social representa ao
penho. Este comportamento vai ao sistema.

Figura 03. Comparação do Índice de Investimento Social (IIS) frente ao Índice de Faturamento (IF)
das cooperativas do ramo agropecuário do Estado do Paraná, entre os anos de 2002 e 2011, em
base 100 (ano 2002=100). Fonte: Ocepar, 2012

Análise dos investimentos Em 2011, as cooperativas agropecuárias


ambientais aplicaram em investimentos ambientais
R$  44,6  milhões. Os investimentos são
A preocupação com a gestão dos recur-
voltados para projetos de geração de
sos naturais e a exigência dos consumi-
energia renovável, reflorestamento, tra-
dores por produtos com menor poten- tamento de efluentes e resíduos, com-
cial de agressão ao meio ambiente tem bate à poluição atmosférica, melhoria
aumentado e direcionado a estratégia da qualidade da água e recolhimento
das empresas. de embalagens vazias. O objetivo é bus-
O cooperativismo por princípio possui, car a implementação de tecnologias
para promover a inovação nos sistemas
como pilares norteadores de suas ativi-
industriais das cooperativas e realizar
dades, o crescimento econômico aliado
programas voltados aos cooperados e
ao desenvolvimento social. Quando
à comunidade.
agregamos a este modelo os conceitos
ambientais, passamos a ter as três bases O Índice de Investimento Ambiental
necessárias para o desenvolvimento (IIA) das cooperativas do ramo agro-
sustentável. pecuário, no período de 2002 a 2011,

Anais SIAVS 2015 - Sustentabilidade: ações das cooperativas agropecuárias no Estado do Paraná
- 173 -
apresentou uma tendência de cres- Faturamento aumentou 187%. Esta
cimento maior quando comparado relação demonstra a importância que
ao Índice de Faturamento (IF) (Figura as questões ambientais têm apresen-
04). O crescimento do Investimento tado para o cooperativismo nos últi-
Ambiental foi de 224%, enquanto o mos anos.

Figura 03. Comparação do Índice de Investimento Ambiental (IIA) frente ao Índice de Faturamen-
to (IF) das cooperativas do ramo agropecuário do Estado do Paraná, entre os anos de 2002 e 2011,
em base 100 (Ano 2002=100). Fonte: Ocepar, 2012

Na análise do Índice de Investimento pactos e promover o desenvolvimento


Ambiental (IIA) foi verificado um maior de ações de tecnologias mais limpas.
investimento em ações ambientais en-
Estas iniciativas entre as cooperativas
tre os anos de 2007, 2008 e 2009. Nes-
tem fortalecido a economia do biogás,
tes anos o aumento foi justificado pelo
principalmente na região oeste do Pa-
maior investimento em projetos de ge- raná. A busca por fontes alternativas
ração de energia renovável. de energias renováveis estão entre os
principais pontos trabalhados entre os
A matriz energética tem sido um dos
quesitos ambientais que levam à eco-
principais pontos de pesquisa e investi-
nomia verde.
mento das cooperativas agropecuárias.
O objetivo é buscar novas tecnologias
e desenvolver projetos inovadores no
tratamento de resíduos orgânicos da 5 CONCIDERAÕES FINAIS
atividade agroindustrial e da produção O tema sustentabilidade tem se fortale-
agropecuária, permitindo mitigar os im- cido devido aos grandes problemas com

Anais SIAVS 2015 - Sustentabilidade: ações das cooperativas agropecuárias no Estado do Paraná
- 174 -
as mudanças climáticas e a escassez dos tendência de crescimento e uma evolu-
recursos naturais. Neste contexto, as ção superior ao Índice de Faturamento
empresas estão mudando suas ações (IF) das cooperativas do ramo agrope-
estratégicas com a visão de transformar cuário. Já, o Índice de Sobras (IS) apre-
os seus problemas em novas oportu- sentou a mesma tendência, porém com
nidades, por meio da inovação de seus um crescimento menor frente ao Índice
processos impulsionando o desenvolvi- de Faturamento (IF) atribuído principal-
mento de uma economia verde. mente pela maior competitividade do
mercado.
Este pensamento tem influenciado di-
retamente a produção de alimentos O comportamento dos índices analisa-
nas cooperativas, que além da transfor- dos nos últimos anos demonstra que
mação da proteína vegetal em proteína as cooperativas agroindustriais apre-
animal, agregando valor aos coopera- sentam um considerável esforço para
dos e viabilizando a pequena proprie- o desenvolvimento econômico e social
dade rural, inserem o aspecto ambien- dos seus associados e colaboradores,
tal em sua tomada de decisão. sem esquecer os impactos ambientais
de suas atividades, destacando sua pre-
Na conjuntura da economia verde o ocupação com o desenvolvimento sus-
cooperativismo, teve seu reconheci- tentável e a implantação de tecnologias
mento, quando na Conferência das Na- limpas em seus processos. Este movi-
ções Unidas sobre o Desenvolvimento mento vai ao encontro do conceito de
Sustentável (Rio+20) foi declarado que organização sustentável, definido por
as cooperativas são um importante mo- Barbieri (2007), como a organização que
delo de inclusão social e de redução da simultaneamente procura ser eficiente
pobreza, em particular nos países em de- em termos econômicos, respeitar a ca-
senvolvimento, bem como reconhecida pacidade de suporte do meio ambiente
sua contribuição na segurança alimentar, e ser instrumento de justiça social.
nutrição e agricultura sustentável.
Neste contexto podemos dizer que o
Na análise dos indicadores calculados cooperativismo se encaixa nos precei-
neste trabalho, o Índice de Investimento tos defendidos pela economia verde
Econômico (IIE), o Índice de Investimen- e se evidencia seu papel como mode-
to Social (IIS) e o Índice de Investimento lo econômico para o desenvolvimen-
Ambiental (IIA) apresentaram a mesma to regional.

Anais SIAVS 2015 - Sustentabilidade: ações das cooperativas agropecuárias no Estado do Paraná
- 175 -

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Anais SIAVS 2015 - Sustentabilidade: ações das cooperativas agropecuárias no Estado do Paraná
- 176 -

Tifosis aviar

Yosef Daniel Huberman


Instituto Nacional de Tecnologia
Agropecuária Ministerio de Agricultura,
Ganadería y Pesca – Argentina

Introducción últimas pueden funcionar como reser-


La tifosis y la pullorosis aviar son en- vorio natural de los agentes. La pullo-
fermedades específicas de las aves, rosis afecta fundamentalmente a los
respectivamente causadas por Salmo- pollitos recién nacidos mientras que
nella enterica serovariedad (serotipo) las aves adultas la enfermedad tiende
Gallinarum biovariedad Gallinarum (S. a ser crónica. En cambio en la tifosis
Gallinarum) y biovariedad Pullorum (S. aviar pueden enfermar tanto aves muy
Pullorum). Ambos microorganismos jóvenes como aves adultas de cual-
presentan una estructura antigénica quier edad y condición productiva. De
similar (pertenecen al mismo serotipo). cualquier manera, la sintomatología
Actualmente Pullorum no se considera de ambas enfermedades es muy simi-
más una serovariedad pero pueden di- lar en los pollitos BB y por lo tanto es
ferenciarse mediante pruebas bioquí- necesario realizar la biotipificación del
micas. Estas bacterias se encuentran agente etiológico para lograr el diag-
sumamente adaptadas al hospedador nóstico. Ambas enfermedades tienen
y no causan enfermedad a otras espe- el problema de que una vez que las
cies animales distintas de las aves. Am- aves adquieren la infección permane-
bas enfermedades son típicas de los cen como portadoras de por vida. Por
pollos, pavos y faisanes, si bien ciertas ello, una vez que ingresan en la explo-
aves silvestres también pueden infec- tación avícola la granja afectada queda
tarse. Esta característica es relevante permanentemente contaminada y la
para la epidemiología ya que estas única forma de lograr terminar con la

Anais SIAVS 2015 - Tifosis aviar


- 177 -
infección es con la aplicación de cos- EEUU, Japón, Australia y varios países
tosos planes de erradicación que in- europeos han erradicado la pullorosis
cluyen la eliminación de todas las aves y tifosis aviar de los criaderos indus-
enfermas de la granja o establecimien- triales, mientras que en varios países
to agropecuario. de América Central, Sudamérica, Asia y
África aún presentan infecciones en sus
granjas avícolas estando la enfermedad
parcialmente controlada, pero subsis-
Incidencia y distribución tiendo como una infección endémica
En varios países desarrollados la tifosis en gallinas ponedoras, siendo las más
ha sido erradicada de granjas industria- afectadas las gallinas de las líneas color
lizadas, aunque en algunas granjas de pues estas aves son mucho más sus-
aves de traspatio se han mencionado ceptibles que las líneas blancas. En los
algunos casos esporádicos de pullo- países que tienen estas enfermedades
rosis. En Latinoamérica la tifosis aviar, en forma endémica generalmente las
si bien es una enfermedad que, en tienen controladas en aves reproduc-
general, está controlada en aves repro- toras pero persisten explotaciones de
ductoras, aún ocurre con frecuencia en gallinas ponedoras.
algunas granjas de gallinas ponedoras.
La pullorosis es una enfermedad mu-
cho menos común que la tifosis, sien-
do muy pocos los casos que han sido Patogenia
reportados. A pesar de estos esfuerzos La enfermedad que producen estas sal-
para eliminar la tifosis aviar, la enferme- monelas muy adaptadas a las aves
dad ha reaparecido esporádicamente
en varios países que la habían erradi- es esencialmente sistémica y la coloni-
cado. De este modo ha sido necesario zación intestinal recién ocurre después
invertir cuantiosos recursos en una vi- de la septicemia. Estas salmonelas pe-
gilancia epidemiológica permanente y netran desde el lumen intestinal hacia
en la eliminación de las aves afectadas la lámina propia, utilizando tres meca-
en cada brote que se presenta. nismos diferentes de invasión desde el
lumen intestinal hacia la lámina propia:
Tanto la tifosis aviar como la pullorosis mediante la captura de las bacterias por
se encuentran mundialmente distri- las “células M” del sistema linfático, a tra-
buidas. Los países que han aplicado vés del enterocito y a través del espacio
estrictos planes control han logrado intercelular de los enterocitos median-
erradicar a estas enfermedades de las te una célula dendrítica. En todos estos
explotaciones industriales, aunque en procesos de internalización celular, a
algunos casos se detectan estas bac- diferencia de otros patógenos bacteria-
terias en poblaciones de aves silves- nos, no están libres en citoplasma sino
tres o domésticas criadas en pequeños que permanecen dentro unas vacuolas
establecimientos de campo. Canadá, especiales llamadas “vacuolas contene-

Anais SIAVS 2015 - Tifosis aviar


- 178 -
doras de salmonelas”,donde se multipli- de los lotes e infecciones concurren-
can y quedan protegidas de la acción tes. Las mayores tasas de mortalidad,
de los anticuerpos y de los antibióticos que en algunos casos pueden llegar al
que no penetran las células. En todos 100%, se han registrado en pollitos de
los casos la invasión la realizan median- alrededor de dos semanas de vida, con
te procesos no destructivos que, de ese una rápida disminución luego de las
modo, no inducen una respuesta inmu- tres o cuatro semanas de edad. El estrés
ne durante la primera etapa de la infec- causado por el transporte de los anima-
ción En la lámina propia son ingeridas les es un importante factor que aumen-
por macrófagos que las trasladan por ta la mortalidad de los pollitos. Puede
el torrente circulatorio hacia varios ór- registrarse una alta mortalidad en galli-
ganos internos. Entre ellos tiene mucha nas ponedoras no inmunes, pues son
importancia el hígado, donde coloniza muy susceptibles debido al estrés que
sus células y ductos biliares para luego, implica la intensa producción de hue-
cuando la infección avanza, producir vos. Cuando la enfermedad ocurre en
una infección endógena a través del aves reproductoras en producción la
conducto colédoco y volcar masiva- mortalidad es altísima por el estrés de
mente las salmonelas hacia la luz intes- reproducción y debido a su alto grado
tinal. Recién cuando esto ocurre, alrede- de trasmisión vertical a los pollitos de
dor del 5° día post-infección, es cuando las progenies y a imposibilidad de eli-
las salmonelas colonizan el intestino y minar la infección de las granjas, en es-
son eliminadas por materia fecal. Reci- tos casos se deben eliminar a todas las
én luego de ese periodo de prepaten- aves infectadas y realizar un vaciamien-
cia es cuando se inician los síntomas de to, higiene y desinfección sanitaria de
la enfermedad. Las bacterias quedan de las granjas afectadas durante el periodo
por vida acantonadas en los órganos que sea necesario hasta lograr la elimi-
del sistema retículo endotelial y los ór- nación total de S. Gallinarum.
ganos reproductivos, de modo que las
gallinas una vez infectadas pondrán Las pérdidas económicas causadas por
un tercio de sus huevos internamente pullorosis y tifosis aviar pueden ser muy
contaminados con S. Gallinarum, lo que altas, no sólo por la pérdida de animales
posibilita las transmisión vertical de la debido a la mortalidad, sino también
infección a las progenies de pollitos. por los costos veterinarios involucrados,
eliminación de las aves muertas, sane-
amiento de las instalaciones infectadas,
etc. En los países donde estas enferme-
Morbilidad y mortalidad dades han sido erradicadas, los costos
La morbilidad y mortalidad debidas a la provocados por la pullorosis y la tifosis
pullorosis y la tifosis aviar dependen de aviar se deben principalmente a los fon-
distintas variables: edad y estado nutri- dos destinados a los planes de monito-
cional e inmunitario de las aves, manejo reo y vigilancia epidemiológica.

Anais SIAVS 2015 - Tifosis aviar


- 179 -
Patogenicidad de las ces a la cloaca. En pollitos BB afectados
salmonelas de pullorosis es característico observar
concreciones de materia fecal deshidra-
Al trabajar con una cepa originalmente
muy patógena de S. Gallinarum INTA 91, tada adherida a la cloaca que, al impedir
nuestro grupo de investigación demos- la defecación, producen una notable
tró que los pasajes sucesivos en aves dilatación abdominal. Las aves tienden
incrementan la patogenicidad. Cuando agruparse debido a que sufren frío cau-
esta cepa fue recientemente aislada de sado por la intensa fiebre. Los síntomas
un ave enferma se produjo un 50% de generalmente se manifiestan después
mortandad (DL50) al inocular oralmente del 7º día post-infección. Los pollitos
pollitos de 21 días de edad con 2 x 108 pueden presentar retraso del crecimien-
bacterias viables por ave, mientras que to al afectarse el tracto entérico, lo que se
se requirieron 5 veces más bacterias (1 x hace muy notorio en las líneas de pollos
109 = 5 DL50) cuando la misma cepa su- parrilleros puesto que estas aves presen-
frió varios cultivos en el laboratorio. Esto tan un desarrollo corporal muy rápido.
demuestra que en realidad estas bacte- La disminución de la tasa de crecimiento
rias tienen la propiedad de adaptarse fe- estaría relacionada con deficiencias en
notípicamente muy bien al medio am- la absorción intestinal de nutrientes. Los
biente en que se encuentran. Se puede pollitos afectados suelen presentar el
decir que son muy conservadoras y no vientre hinchado lo que dificulta o inclu-
gastan energía extra en evidenciar sus so impide su movilidad.
atributos de patogenicidad si es que no
La tifosis es una enfermedad septicé-
los necesitan. Se adaptan rápidamente
mica siendo los órganos más afectados
por generaciones sucesivas (1 generaci-
ón = 20 minutos) de un ambiente a otro el hígado, bazo y corazón. En los casos
en forma reversible. Esto significa que agudos de la enfermedad, el hígado y el
las salmonelas adaptadas a vivir en el bazo aparecen agrandados y congesti-
ambiente son fenotípicamente distintas vos. Puede ocluirse el conducto colédo-
de las que se aíslan de un ave enferma, co lo cual produce extravasación biliar
aunque genotípicamente conservan y el hígado adquiere un típico color
(inexpresados) todos sus atributos de verdoso. Cuando la enfermedad es cró-
virulencia y los expresan cuando se mul- nica, pueden aparecer focos necróticos,
tiplican en el ave que se infecta. que se ven como nódulos blanquecinas
que están incluidos en el parénquima
del órgano. A medida que evoluciona
la enfermedad, estos nódulos pueden
Síntomas y lesiones ocupar todo el parénquima. Se puede
Las aves pueden manifestar depresi- observar esplenomegalia con máculas
ón, somnolencia, anorexia, alas caídas, puntiformes blancas en la superficie del
deshidratación, respiración dificultosa, órgano. El corazón se ve especialmente
diarrea, debilidad y adherencia de las he- afectado en los estadios crónicos de la

Anais SIAVS 2015 - Tifosis aviar


- 180 -
enfermedad y a veces presenta nódulos cuando las aves ya están infectadas y a
blanquecinos en las regiones pericárdi- malas maniobras de manejo, resulta en
cas y miocárdicas que incluso pueden una espiral de difusión de la enferme-
llegar a deformar al órgano. Los pulmo- dad que anualmente suma enormes
nes pueden presentar una ligera con- cifras contabilizadas como pérdidas por
gestión, presentando focos necróticos mortalidad y falta de producción. En el
en sus caras costales y dorsales. caso de la tifosis se registran pérdidas
muy elevadas pues se requiere la elimi-
Los órganos reproductivos son los más nación de todas las aves reproductoras
afectados en los estadios crónicos. En del lote como único método posible
los ovarios pueden encontrarse lesio- de erradicación de la enfermedad y
nes tales como pequeños folículos en gallinas en postura no vacunadas la
ováricos regresivos. En las gallinas por- mortandad suele ser muy elevada.
tadoras crónicas generalmente apa-
recen algunos pocos óvulos císticos Vacunas inactivadas
deformados y decolorados, a veces he- Las vacunas inactivadas se utilizan
morrágicos, que se encuentran entre en aves reproductoras para transferir
otros de apariencia normal. Usualmen- inmunidad materna a la progenie. Su
te, la luz del oviducto contiene exuda- empleo en gallinas ponedoras dismi-
dos caseosos. En algunos casos puede nuye la excreción fecal de salmonelas y
observarse salpingitis, siendo frecuen- por ende disminuye la contaminación
te el hallazgo de huevos en la cavidad de los huevos. Además los huevos de
abdominal. En los machos, los testícu- gallinas así vacunadas adquieren anti-
los pueden contener nódulos blancos. cuerpos humorales pasivos que impi-
den por un tiempo la multiplicación de
Medidas de control las salmonelas en el huevo. Al respecto,
Es importante explicar brevemente las las vacunas inactivadas contra S. Ente-
características de la tifosis y pullorosis ritidis o S. Gallinarum, con adyuvante
de las aves para justificar la necesidad oleoso de doble emulsión o con gel de
de estudiar estas alternativas biológicas hidróxido de aluminio, son muy útiles
de contralor. Estas enfermedades tie- para este propósito. Para prevenir la tifo-
nen muy baja posibilidad de curación sis aviar la administración de proteínas
y son altamente transmisibles por vía purificadas de la membrana externa de
vertical. Este hecho determina la inter- S. Gallinarum excluye a las salmonelas
rupción del ciclo productivo del esta- patógenas de los órganos internos de
blecimiento y por consiguiente una las aves experimentalmente desafiadas,
elevada pérdida económica por lucro siendo su efectividad aún mayor que
cesante. Asimismo la contaminación con la cepa viva 9R. Sin embargo, quizás
de poblaciones de gallinas ponedo- por razones económicas este tipo de
ras de huevos para consumo, sumado vacunas no se ha podido comercializar.
a la irregular respuesta de las vacunas Recientemente se ha logrado, mediante

Anais SIAVS 2015 - Tifosis aviar


- 181 -
el bacteriófago PhiX174, introducir un más en el organismo animal o en el
gen que produce el vaciamiento de S. medio ambiente por tener defectos
Gallinarum, y esa bacteria muerta pre- genéticos o necesitar de algunos nu-
senta inalterados sus antígenos superfi- trientes que son inexistentes en las cé-
ciales, de modo que es posible utilizarlas lulas del hospedador.
como vacunas que no requieren mo-
dificación espacial de sus estructuras
antigénicas superficiales al no requerir Vacuna viva basada en la
el uso de los agentes inactivantes que
usualmente se emplean en las vacunas cepa S. Gallinarum 9R
muertas por métodos químicos. Si bien experimentalmente se han
evaluado distintas vacunas vivas e inac-
tivadas para el control la tifosis y para-
tifosis, debido a la gran difusión de la
Vacunas vivas
tifosis aviar en varios países latinoame-
En general, por ser la Salmonella un ricanos sólo ha tenido uso generalizado
parásito intracelular que permanece la vacuna viva basada en la cepa de S.
protegido dentro de la célula, la acción Gallinarum 9R, que es la única aproba-
de los anticuerpos circulantes o humo- da por las autoridades sanitarias de al-
rales es poco eficiente y es necesario gunos de los países para la prevención
generar además inmunidad celular. de la tifosis aviar, aunque sólo para ser
También para evitar la multiplicación aplicada en gallinas ponedoras. Con
entérica es necesaria la acción de la esta vacuna se ha demostrado que el
inmunidad de mucosas que sólo pro- empleo combinado de las vías oral e
porcionan las bacterias vivas. Para ello inyectable brinda una protección bas-
es imprescindible administrar vacunas tante completa contra la enfermedad
vivas atenuadas. En su estado natural, y la mortandad, aún frente a una muy
cuanto más atenuada es una cepa de alta exposición. Sin embargo esta va-
Salmonella menor protección ofrece y cuna no elimina la infección sino que
cuanto más patógena mayor inmuni- las aves protegidas por la vacuna per-
dad. Un artilugio al que se ha acudido manecen de por vida infectadas como
para producir cepas bacterianas que portadoras que mantienen la infección
sean poco peligrosas por su buen gra- en la granja. Por este motivo, la vacu-
do de atenuación pero que al mismo nación con esta cepa está prohibida
tiempo se multipliquen lo suficiente en países que han iniciado planes de
dentro de los órganos de las aves, es erradicación con eliminación de aves
una transformación genética. La mis- infectadas. Este sería un tipo de vacuna
ma permite que estas salmonelas pue- muy efectiva aunque con cierto poder
dan multiplicarse y difundirse en las patógeno residual, siendo por ello sólo
aves al principio de su desarrollo pero recomendable cuando las aves se crían
que luego no puedan multiplicarse en zonas endémicas y con alto riesgo

Anais SIAVS 2015 - Tifosis aviar


- 182 -
de contaminación. Esta vacuna también niendo 1-5 x 108 UFC/ave, administra-
protege contra S. Enteritidis pero no se das al 1° día, a la 6° y a la 16° semana
recomienda su aplicación para ese pro- de edad) con la vacuna atenuada de
pósito en aves libres de tifosis aviar. Salmonella Enteritidis mutante al azar
(Rif12/Sm24/Ssq), fueron protegidas
Este poder patógeno residual puede ex- contra la inoculación oral de 2 × 105
presarse en casos de enfermedad sólo CFU de la cepa patógena de S. Galli-
cuando las aves vacunadas sufren estrés, narum INTA 91 (correspondiente a 1
siendo por ello desaconsejable vacunar DL50). En los grupos oralmente vacuna-
antes de efectuar una muda forzada dos la tasa de mortalidad fue del 5,9%
y esta vacuna sólo debe ser aplicada mientras que en el grupo control, sin va-
luego de que las aves se recuperan y cunar, la mortalidad fue de 94,1%. Cuan-
comienzan su producción. Debido a su do las aves recibieron 2 vacunas orales
patogenicidad para pollitos esta vacuna y una vacuna subcutánea no murió
sólo puede ser administrada desde la ninguna de las aves que fueron vacu-
4° semana de vida en adelante. Tiene la nadas y posteriormente desafiadas. En
desventaja que se elimina tanto por ma- estos ensayos se comprobó que cepas
teria fecal como por vía trans-ovo y de clonalmente muy relacionadas, como
ese modo contamina el ambiente y los S. Enteritidis y S. Gallinarum, tienen un
huevos. Debido a su elevada transmisión muy alto grado de protección cruzada
vertical está prohibida su utilización en ya que S. Gallinarum no pudo ser aisla-
aves reproductoras y no debe ser em- da de ninguno de los órganos internos
pleada en granjas libres de tifosis aviar examinados (hígado, bazo, ovario y co-
para el control de S. Enteritidis. Como la razón) en las aves vacunadas que sobre-
cepa 9R carece de parte de sus antíge- vivieron y la excreción de S. Gallinarum
nos superficiales, tiene la ventaja de que disminuyó del 100% al 20% (con 3 dosis
las aves vacunadas no producen anti- orales) y al 10% (con 2 dosis orales y 1
cuerpos con el antígeno somático y de dosis subcutánea). Además, en estos
ese modo la vacunación con esta cepa ensayos se demostró que es necesario
no interfiere con las pruebas de aglutina- revacunar a las gallinas en postura cada
ción rápida en placa con sangre entera 3 meses, puesto que los desafíos reali-
utilizando antígeno Pullorum teñido. zados tres meses después de la última
dosis de vacuna no brindaron protecci-
Vacuna viva de
ón. Esta cepa vacunal tiene la ventaja de
Salmonella Enteritidis que sólo se excreta durante la primera
Nuestro grupo de investigación demos- quincena de vida, no se elimina por los
tró experimentalmente que gallinas huevos y no sobrevive en el ambiente.
ponedoras de 28 semanas de edad va- Adicionalmente es muy estable pues
cunadas con tres dosis orales o con dos posee 3 mutaciones cromosomales
dosis orales y la última dosis inyectada que previenen cualquier posible rever-
por vía subcutánea (cada dosis conte- sión que pudiese recobrar la virulencia.

Anais SIAVS 2015 - Tifosis aviar


- 183 -
Asimismo, esta cepa vacunal se diferen- pecto al lote control. Por lo tanto, los tra-
cia fácilmente de las cepas salvajes de tamientos orales de las aves con desin-
S. Enteritidis mediante simples pruebas fectantes deben ser administrados con
de resistencia a antibióticos. sumo cuidado y siguiendo estrictamen-
te las instrucciones del fabricante, pues
dosis más altas que las recomendadas
pueden producir exacerbación de la en-
Tratamiento
fermedad y aumento de la mortandad
El tratamiento con drogas antibióticas por eliminación de la microbiota com-
debe ser la última opción, ya que siem- petitiva del tracto entérico.
pre se debe intentar la erradicación de
la enfermedad mediante el correcto
manejo, la administración de microbio-
ta comensal competitiva y la vacunaci- Desinfección
ón. Ninguna droga o combinación de Para eliminar las salmonelas de las ins-
drogas es capaz de eliminar la infecci- talaciones de un establecimiento lo
ón de los lotes tratados y debe consi- más importante es despoblar los gal-
derarse que el tratamiento de las aves pones y establecer un periodo de des-
muchas veces produce resistencia a las canso y desinfección de por lo menos
drogas empleadas. cuatro semanas. Antes de desinfectar se
Nuestro grupo de investigación de- debe lavar para arrastrar la materia or-
mostró que la administración de un gánica. Al seleccionar un desinfectante
tratamiento con amonio cuaternario en se deben priorizar aquellos con capaci-
el agua de bebida redujo significativa- dad de penetrar “biofilms” bacterianos.
mente la mortandad e impidió la trans- Los implementos avícolas deben ser
misión horizontal de S. Gallinarum, cepa muy bien lavados y desinfectados antes
INTA 91. Para ello, se realizó un ensayo de volver a utilizarse. También se debe
en el cual pollitos infectados estuvieron complementar la desinfección con pla-
en estrecho contacto con otros pollitos nes de desinsectación y con el uso de
sanos, libres de tifosis. Los resultados fue- acaricidas y rodenticidas. La producción
ron comparados con otro lote de aves de “compost”a partir de la cama de aves
control (sin la administración del desin- contaminada elimina completamente a
fectante), aunque similarmente expues- las salmonelas, lo mismo que su pro-
tas a la infección, demostrándose una ducción por medio de la lombriz roja
significativa reducción de la mortandad californiana (Eisenia foetida).
en el grupo tratado. Sin embargo, en
este trabajo también se demostró que
la administración de altas dosis del de-
sinfectante fue contraproducente, pues Erradicación
se incrementó la mortandad en los lotes Los planes de erradicación deben
tratados con el desinfectante con res- basarse en la eliminación de las aves

Anais SIAVS 2015 - Tifosis aviar


- 184 -
portadoras, centrando el control en 2. Los lotes de aves reproductoras sos-
los lotes de aves reproductoras. Sin pechosas de estar infectadas deben
embargo, el mero hecho de eliminar mantenerse en estricta cuarentena y
la infección en los planteles de aves cuando se demuestre que las aves es-
reproductoras no garantiza la elimina- tán infectadas deben ser eliminadas.
ción de la infección de país o región, La futura comercialización de ese es-
pues los pollitos libres pueden luego tablecimiento afectado debe realizar-
infectarse en las granjas de producci- se bajo estricta supervisión y control.
ón que estén contaminadas. Por otro
lado, una vez eliminada la infección es 3. La reglamentación de importaciones
necesario efectuar un constante mo- debe requerir que los cargamentos
nitoreo serológico y bacteriológico de huevos y pollos provengan de
combinados de los reproductores y las fuentes consideradas libres de Sal-
aves en producción, empleando téc- monella. De allí la importancia de ins-
nicas tradicionales y otras más efecti- taurar estas nuevas pruebas de diag-
vas y rápidas como, por ejemplo ELISA nóstico rápidas y confiables como,
combinado con PCR. Por este motivo, a por ejemplo aquellas basadas en la
las aves reproductoras no se les debe- biología molecular. Debe requerirse
ría administrar ningún tipo de vacunas, la total participación de las granjas de
ya sean vivas o muertas, puesto que incubación y cría en los programas
las mismas interfieren con las técni- nacionales de control de la tifosis y
cas serológicas citadas anteriormente. pullorosis.
Sin embargo, mediante la detección
4. Una vez controlada la enfermedad
de estas salmonelas por bacteriología
en las aves reproductoras sería muy
estándar o bien por PCR, es posible
importante realizar monitoreos bac-
establecer un diagnóstico certero, aún
teriológicos o moleculares en granjas
cuando las aves reproductoras hayan
de ponedoras y establecer estrictas
sido previamente vacunadas. En estos
medidas de cuarentena para evitar la
casos puede aumentarse la sensibili-
difusión de esta enfermedad.
dad del diagnóstico mediante el em-
pleo combinado de técnicas de enri- A pesar de que los países desarrolla-
quecimiento para el aislamiento de la dos han limitado la presencia y pro-
bacteria. pagación de la tifosis en los criaderos
Los pasos básicos que deberían seguir- comerciales, estas enfermedades aún
se en un plan de erradicación son los persisten en las granjas familiares. La se-
siguientes: paración entre la avicultura comercial
y no comercial no ha sido totalmente
1. La presencia de S. Gallinarum debe efectiva para prevenir la transmisión
ser informada en forma obligatoria al de los biotipos S. Gallinarum y S. Pullo-
organismo de contralor sanitario cor- rum entre estas dos poblaciones de
respondiente. aves, puesto que las pequeñas granjas

Anais SIAVS 2015 - Tifosis aviar


- 185 -
familiares infectadas continúan consti- libres de Salmonella de los que países
tuyendo una amenaza para la avicultu- en los cuales estas enfermedades si-
ra comercial. Por lo tanto, aún es nece- guen siendo endémicas en las gallinas
sario el monitoreo continuo de las aves ponedoras, los controles sanitarios de-
en las explotaciones comerciales de ben ser mucho más estrictos, evitando
los países que ya han eliminado estas el ingreso a las granjas de personal o
salmonelosis de las granjas industriales. implementos avícolas procedentes de
En las granjas de aves reproductoras otros establecimientos.

Anais SIAVS 2015 - Tifosis aviar


Trabalhos
científi cos
186 a 438
Ambiência e
bem estar animal
187 a 206
- 188 -

ANÁLISE TERMOGRÁFICA DE FRANGOS CAIPIRAS


MANTIDOS SOB DIFERENTES TEMPERATURAS

KT Andrade Araújo*1, D Araújo Furtado1,


R Costa Silva2, TG Pereira Araújo2,
F Gomes Correia1
1
Unidade Acadêmica de Engenharia Agrícola;
Universidade Federal de Campina Grande;
Campina Grande/PB
2
Universidade Federal Rural de Pernambuco;
Serra Talhada/PE

Abstract perature of broiler chickens increases


with increasing air temperature and di-
The production of broilers is of great
ffer statistically with respect to different
importance in the Brazilian economy,
levels of ambient temperature.
according to the Brazilian Poultry Union
the country is the third largest produ- Keywords: production, poultry farming,
cer and the largest exporter of chicken ambience.
meat. One of the barriers of the activity
is the environmental heat stress, which
negatively impacts the production. The
objective of this study was to measure Introdução
the average surface temperature of four A interação animal-ambiente deve ser
strains of broiler chickens in a control- considerada quando se busca maior
led environment, through thermogra- produtividade e as diferentes respostas
phic images. Surface temperatures me- do animal às peculiaridades de cada
asured with thermography in broilers região são determinantes no sucesso
can serve as a basis to infer inadequate avícola. Assim, a identificação dos fato-
housing conditions in the production res que influenciam na vida do animal,
environment. The average surface tem- como o estresse, imposto pelas flutua-

Anais SIAVS 2015 - Análise termográfica de frangos caipiras mantidos sob diferentes temperaturas
- 189 -
ções estacionais do ambiente, permite toda a área da ave na foto, utilizando o
ajustes nas práticas de manejo possibi- programa computacional SmartView®,
litando dar-lhes sustentabilidade e via- obtendo assim a temperatura média da
bilidade econômica (Costa et al., 2012). área selecionada. A emissividade utiliza-
Nas imagens termográficas, é possível da para frango de corte, representando
observar a espacialização da tempera- a pele e a cobertura de penas é de 0,95
tura em curvas de superfície associadas de acordo com Cangar et al. (2008) e
a cores, sendo identificadas nas zonas Nääs et al. (2010). Os resultados de TSM
coloridas, por faixas de amplitude tér- obtidos por meio das imagens térmicas
mica, os pontos críticos com os maiores foram comparados com as equações
valores de temperatura. propostas por Richards (1971)(Eq. 1) e
por Dahlke et al. (2005)(Eq. 2) para esti-
mar a TSM de frangos de corte. As tem-
peraturas superficiais de cada parte do
Material e Métodos corpo das aves foram medidas nas pró-
O experimento foi conduzido em uma prias imagens termográficas, conforme
câmara climática pertencente ao Labo- método proposto por Nääs et al. (2010).
ratório de Construções Rurais e Ambi-
TSM = (0,12 TA) + (0,03 TCA) + (0,15
ência do Departamento de Engenharia
TP) + (0,70 TD) Eq. 1
Agrícola da Universidade Federal de
Campina Grande – UFCG, divida em TSM = (0,03 TC) + (0,70 TD) + (0,12
quatro boxes com piso de maravalha TA) + (0,06 TCA) + (0,09 TP) Eq. 2
de madeira, comedouros e bebedouros
por box, iluminação diária com lâmpa- Em que: TSM = Temperatura superficial média
(ºC); TA = Temperatura da asa (ºC); TCA = Tem-
das fluorescentes. Alojou-se 28 aves, peratura da cabeça (ºC); TP = Temperatura das
sendo quatro aves por linhagem, Carijó, pernas (ºC); TD = Temperatura do dorso (ºC);
CPK, Pescoço Pelado e Tricolor, subme- TC = Temperatura da crista (ºC). As equações
tidas a quatro temperaturas do ar, que apresentam pesos diferentes para cada parte
foram de 18,5 °C, considerada abaixo do corpo da ave, com exceção do dorso (0,70)
e asa (0,12).
da zona de conforto térmico; 23,1 e
28,4 °C, considerada dentro da zona de Utilizando o registro da temperatura
conforto térmico e 33,1 °C, considerada superficial média das aves, foi calculada
no limite do conforto, sendo a umidade a média de interação entre as diferen-
relativa e velocidade do vento constan- tes temperaturas ambiente e as quatro
te, com média de 62% e 0,5 m/s, res- linhagens. Os dados de TSM, utilizando
pectivamente. O período experimental termografia infravermelho, foram com-
para cada temperatura foi de sete dias, parados pelo teste de Tukey, com 95%
sendo cinco dias de adaptação da ave a de confiança, com os resultados obtidos
temperatura e dois de coleta de dados. nas equações propostas por Richards
A termografia foi utilizada para medir a (1971) e Dahlke et al. (2005). A variação
TSM dos frangos de corte, selecionando da TSM e da temperatura superficial das

Anais SIAVS 2015 - Análise termográfica de frangos caipiras mantidos sob diferentes temperaturas
- 190 -
partes dos frangos de corte por tempe- tura de penas maior será temperatura
ratura do ar foram analisadas pelo teste superficial. Em relação a 23 e 28°C não
ANOVA, com grau de confiança de 95%. houve diferença significativa (P<0,05)
Na evidência de diferença estatística entre carijó e pescoço pelado, com di-
significativa, as médias foram compara- ferença significativa destas linhagens
das pelo teste de Tukey a 5%, utilizando em relação a tricolor e cpk, que foram
o programa estatístico ASSISTAT® 7.7. semelhantes, com maior temperatu-
ra para as primeiras linhagens citadas.
Observou-se que para a maior tempe-
ratura ambiente há diferença significa-
Resultados e Discussão tiva entre as linhagens pescoço pelado,
As médias de temperatura superficial cpk e tricolor, entretanto não observa-
das aves por linhagem apresentaram mos diferença entre carijó e cpk. Anali-
diferenças significativas (P< 0,05) entre sando a TSM das linhagens em relação
as diferentes temperaturas. Por tempe- às temperaturas, observou-se que as
ratura, aos 18°C houve diferença signi- médias apresentam diferenças signifi-
ficativa da linhagem pescoço pelado cativas (P <0,05), para todas elas, onde
em relação às demais, ficando mais ele- com o aumento da temperatura houve
vada, isto pode ser explicado pelo fato elevação da TSM. Segundo Cangar et al.
dessa linhagem apresentar menor co- (2008) a vascularização superficial está
bertura de penas, e esta cobertura age diretamente relacionada ao acréscimo
como uma camada isolante, portanto da temperatura superficial em aves,
animais mantidos em temperaturas que é diretamente afetado pela tem-
abaixo da ZCT, quanto menor a cober- peratura do ar (Tabela 1).

Tabela 1. Média de interação temperatura X linhagens.


Temperatura Pescoço
Carijó CPK Tricolor
ambiente pelado
18°C 27,8 dB 27,4 dB 28,7 dA 27,7 dB
23°C 29,6 cA 29,0 cB 30,0 cA 29,1 cB
28°C 32,3 bB 33,0 bA 32,1 bB 32,9 bA
32°C 36,9 aB 36,6 aB 37,9 aA 36,0 aC
Não foi aplicado o teste de comparação de médias por que o F de interação não foi significativo.
Letras minúsculas diferentes nas colunas representam diferenças significativas ao nível de 5%
de probabilidade pelo teste de Tukey. (dms=0,54). Letras maiúsculas diferentes nas linhas repre-
sentam diferenças significativas ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. (dms=0,54)

Conclusão apresentam variação na temperatura


A partir do mapeamento infraver- de superfície, conforme a região cor-
melho pode-se concluir que as dife- poral, sendo as áreas desprovidas de
rentes linhagens de frangos caipiras penas importantes sítios de termólise,

Anais SIAVS 2015 - Análise termográfica de frangos caipiras mantidos sob diferentes temperaturas
- 191 -
em altas temperaturas. A temperatura tura do ar e difere estatisticamente em
superficial média de frangos de corte relação a diferentes níveis de tempera-
aumenta com o aumento da tempera- tura ambiente.

Referências bibliográficas

COSTA, E. M. S.; Dourado, L. R. B.; Merval, R. R. Medi- mai./jun. 2005.


das para avaliar o conforto térmico em aves. Pu- NÄÄS, I. A. et al. Broilers surface temperature dis-
blicações em Medicina Veterinária e Zootecnia,
tribution of 42 day old chickens. Scientia Agricola,
v.6, 2018, 2012.
Piracicaba, v. 67, n. 5, p. 497-502, sep./oct., 2010.
DAHLKE, F. et al. Empenamento, níveis hormonais
de triiodotironina e tiroxina e temperatura corpo- RICHARDS, S.A. The significance of changes in
ral de frangos de corte de diferentes genótipos the temperature of the skin and body core of the
criados em diferentes condições de temperatu- chicken in the regulation of heat loss. Journal of
ra. Ciência rural, Santa Maria, v. 35, n. 3, p. 664-670, Physiology, v. 216, n. 1, p. 1-10, jul. 1971.

Anais SIAVS 2015 - Análise termográfica de frangos caipiras mantidos sob diferentes temperaturas
- 192 -

AVALIAÇÃO DA RESISTÊNCIA DA CASCA DE OVOS


DURANTE O TRANSPORTE

R Costa Silva2; KT Andrade Araújo*1;


D Lopes de Oliveira1; JW Barbosa do Nascimento2;
N Luiz Camerini3
1
Unidade Acadêmica de Engenharia Agrícola;
Universidade Federal de Campina Grande; Campina Grande/PB
2
Universidade Federal Rural de Pernambuco; Serra Talhada/PE
3
Universidade Federal Fronteira do SulErechim/RS - UFFS

Abstract Introdução
With the evolution and development A produção de ovos de galinha, acom-
in the Brazilian poultry sector, not only panhando a evolução de pesquisas e
the quality of the welfare of the birds desenvolvimento de projetos inovado-
but also eggs for human consumption res, vem ganhando espaço expressivo a
has been studied in order to provide cada ano no mercado nacional e inter-
better food safety for consumers. Thus, nacional, bem como o melhoramento
this research aimed to evaluate the ex- do bem-estar das aves, o que possibilita
ternal quality parameter egg, the shell, melhores condições na produção. O
to their resistance with respect to the Brasil sendo um país de clima tropical
breakdown after the eggs are submit- e quente em maior parte do seu territó-
ted to the transport between the farm rio, dentro do contexto de pós-postura,
and warehouse. The results showed no não oferece a normativa para refrigera-
significant difference for this parameter ção de ovos, os quais são acondiciona-
in the studied trips. dos desde o momento da postura até

Anais SIAVS 2015 - Avaliação da resistência da casca de ovos durante o transporte


- 193 -
a distribuição final, em temperaturas os ovos está localizada no município de
que são muito variáveis dependendo Esperança, sendo transportados para
da região e da estação do ano. Assim, três cidades: Queimadas, Juazeirinho e
o objetivo desse trabalho foi de avaliar Serra Branca, durante os meses de abril
o parâmetro resistência à compressão (período seco) e setembro (período
da casca dos ovos após submetidos ao chuvoso) de 2013. As análises labora-
transporte. toriais foram feitas no Laboratório de
Construções Rurais e Ambiência (La-
CRA), na Universidade Federal de Cam-
pina Grande – PB. Foram utilizados ovos
Material e Métodos de poedeiras semipesadas da linhagem
O trabalho foi realizado nas regiões do Lohmann (Brown). As distâncias, o tem-
Agreste, Cariri e Seridó do estado da Pa- po de duração e o horário do transpor-
raíba, e a granja onde foram coletados te dos ovos estão descritos na Tabela 1.

Tabela 1. Trajetos, distâncias percorridas e tempo de duração das distribuições de ovos da granja
até o entreposto.
Cidades Distância (km) Tempo de duração (h) Horário
Esperança – Queimadas 43,0 1,00 8:15 – 9:15
Esperança – Juazeirinho 100,0 3,50 9:00 – 12:30
Esperança – Serra Branca 120,0 4,00 8:30 – 12:30

Amostras testemunhas foram coletadas ferro e parafusos, tornando-a adequada


na própria granja e analisadas no labo- para mediação da força compressiva de
ratório. O caminhão de transporte utili- ruptura da casca do ovo. Os ovos eram
zado foi um caminhão modelo F4000 apoiados nos sentidos longitudinal e
da Ford, possuindo carroceria revestida transversal entre as placas, e a máquina,
com lona de vinil impermeável, onde ao ser ligada, fazia com que as hastes
não apresentava nenhum sistema de fossem arrastadas com velocidade de 2
aclimatação interno controlado. Para a mm.min-1, realizando a compressão no
determinação da resistência da casca ovo até haver a ruptura de sua casca
dos ovos foi utilizado uma máquina de
cisalhamento conectado a um com-
putador (para transmissão dos dados
através de um sistema de aquisição de Resultados e Discussão
dados - Spider 8) interligado ao equipa- Os valores médios de resistência à
mento de cisalhamento, no Laboratório compressão da casca do ovo nos sen-
de Construções Rurais e Ambiência (La- tidos longitudinal (diâmetro maior) e
CRA). A máquina recebeu uma adapta- transversal (diâmetro menor) dos ovos
ção para o experimento com ovos, sen- (Tabela 2) não apresentaram diferença
do adicionadas duas placas e hastes de significativa em ambos os períodos nas

Anais SIAVS 2015 - Avaliação da resistência da casca de ovos durante o transporte


- 194 -
distâncias avaliadas. A média dos valores do entre as condições bioclimáticas e
das testemunhas da granja foi de 31,86 o tempo das viagens não foi suficiente
N e 29,79 N no período seco e chuvo- para afetar a força necessária para ocor-
so, respectivamente. O efeito combina- rer a ruptura da casca dos ovos.

Tabela 2. Média dos parâmetros de qualidade dos ovos: resistência à compressão longitudinal
dos ovos (R Long) e resistência à compressão transversal dos ovos (R Trans) em comparação entre
as amostras finais e as testemunhas.
Período seco Período chuvoso Período chuvoso
Distância R Long (N) R Trans (N) Distância R.Long (N) R. Trans (N)
Testemunha 31,86 27,53 Testemunha 29,79 31,05
1 29,91 25,53 1 26,90 28,58
2 29,06 27,78 2 28,76 29,84
3 29,03 29,69 3 31,75 31,16
C.V(%) 17,18 15,24 C.V(%) 11,90 13,78
As médias seguidas por um asterisco diferem significativamente da testemunha, a 5% de proba-
bilidade, pelo teste de Dunnett.

OLIVEIRA (2012) explana que o estudo da ram valores de resistência longitudinal


determinação de resistência à compres- entre 25,28 e 30,88 N e para a resistência
são da casca do ovo é de grande impor- transversal de 25,04 a 27,38 N.
tância para o setor avícola, haja vista que
a maioria das avaliações de qualidade
da casca é relacionada com resistência
à compressão, porque quebras e perfu- Conclusão
rações são as principais causas de perda No parâmetro de qualidade externa
econômica. SILVA et al. (2012), analisando dos ovos resistência a compressão (à
a influência da temperatura do ambien- quebra) nos dois períodos avaliados,
te e da água na força de ruptura da casca não houve diferença estatística entre as
dos ovos de galinhas poedeiras, verifica- viagens.

Referências bibliográficas

OLIVEIRA, D. L. Desempenho e qualidade de SILVA, R.C.; NASCIMENTO, J.W.B.; OLIVEIRA, D.L.,


ovos de galinhas poedeiras criadas em gaiolas CAMERINI, N.L.; A. FURTADO, D.A. Força de ruptu-
enriquecidas e ambiente controlado. 2012, 87f. ra da casca do ovo em função das temperaturas
Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola) da água e do ambiente. Associação Brasileira de
- Universidade Federal de Campina Grande, Cam- Educação Agrícola Superior - ABEAS - v.27, n.1,
pina Grande, 2012. p.13-18, 2012.

Anais SIAVS 2015 - Avaliação da resistência da casca de ovos durante o transporte


- 195 -

O ESTRESSE AGUDO POR CALOR COMPROMETE O


DESEMPENHO DE SUÍNOS EM CRESCIMENTO

RF Oliveira*; RF Chaves; M Resende; BPVP Ribeiro;


RHR Moreira; MP Gionbelli; RA Ferreira,
Departamento de Zootecnia (DZO), Universidade Federal de Lavras (UFLA)
Lavras,/MG

Abstract Introdução
This work had up to evaluate the effect Nas criações brasileiras, na maior par-
of acute heat stress on performance of te do ano, os suínos estão sujeitos aos
growing pigs. We used 24 pigs cross- efeitos negativos do estresse por calor
bred barrows, distributed in a randomi- sendo as fases de crescimento e termi-
zed block design, with two treatments nação mais prejudicadas em razão de
being: 1 treatment, thermal comfort sua alta termogênese. As previsões de
(22ºC) and treatment 2, heat (34°C), with mudanças climáticas globais projetam
six replications. The animals were hou- um aumento de temperatura ambien-
sed for 48 hours in growth chambers te com o passar dos anos, com isso os
with total control of temperature, relati- problemas do calor relacionados ao es-
ve humidity and air exchange. The acu- tresse na produção animal, irão aumen-
te heat stress induced a reduction of tar no futuro. Quando a temperatura
average feed intake after 48 hours of ac- ambiente se aproxima da temperatura
commodation and reduction of mean corporal, a manutenção da homeoter-
weight gain during the first 24 hours mia torna-se difícil para o animal.
compared to the host animals housed
in a thermal comfort. Acute heat stress A redução no consumo de ração de suí-
in 48 hours affects the performance of nos sob estresse por calor é o um meca-
pigs in the growth phase. nismo importante para manter o equi-

Anais SIAVS 2015 - O estresse agudo por calor compromete o desempenho de suínos em crescimento
- 196 -
líbrio térmico, especialmente quando cos casualizados, constituindo-se dois
a temperatura ambiente está acima tratamentos (conforto térmico de 22ºC e
da crítica superior para a categoria. Isto estresse por calor de 34ºC), com seis re-
ocorre porque o declínio do consumo é petições por tratamento sendo a unida-
o mecanismo mais eficaz para diminuir de experimental composta por dois ani-
a termogênese (Collin et al., 2001). mais na baia. O peso inicial foi utilizado
como critério para formação dos blocos.
Os suínos quando mantidos na zona
O período experimental teve duração de
de conforto térmico a produção de
48 horas. Todos os animais receberam
calor é relativamente estável e maior
dieta formulada a base de milho e farelo
proporção da energia ingerida pode
de soja, suplementada com vitaminas e
ser direcionada para expressão de seu
minerais, para atenderem às exigências
potencial genético de desempenho.
mínimas sugeridas pelas Tabelas Brasi-
Por outro lado, animais alojados em am-
leiras de exigências nutricionais para su-
biente quente necessitam gastar ener-
ínos editadas por Rostagno et al. (2011).
gia para resfriar o corpo, tendo como
Foram considerados as recomendações
consequência, piora no desempenho.
para machos castrados de alto potencial
Desta forma, foi avaliado se o estresse
genético com desempenho médio dos
agudo por calor influencia o desem-
30 a 60 kg. A temperatura e a umidade
penho e parâmetros fisiológicos de
relativa das câmaras foram monitoradas
suínos na fase de crescimento, além de
demonstrar em que ponto eles iniciam durante todo o período experimental,
sua adaptação fisiológica. com uso de termohigrômetros e termô-
metros de globo negro. Os equipamen-
tos foram instalados à meia altura dos
animais no galpão experimental. Os va-
Material e Métodos lores registrados foram, posteriormente,
Um experimento foi conduzido no se- utilizados para o cálculo do ITGU (Índice
tor de suinocultura da Universidade de Temperatura de Globo e Umidade). A
Federal de Lavras (UFLA) utilizando-se ração fornecida, as sobras e o desperdí-
24 suínos híbridos comerciais machos cio foram pesados para determinação
castrados, de alto potencial genético. Os do consumo de ração médio (CRM). Os
animais, com peso médio inicial de 30,47 animais foram pesados no início, após 24
kg, foram alojados em duas câmaras cli- horas e 48 horas, para determinação do
máticas com capacidade de controle ganho de peso médio diário (GPM). Os
de temperatura, umidade e ventilação. dados foram analisados através de um
Cada câmara possui seis baias experi- modelo misto contendo o tratamento
mentais com piso de concreto, área útil como efeito fixo e baia como efeito ale-
de 2,3 x 1,5m, dotadas de comedouros atório. Todas as análises foram realizadas
semi-automáticos e bebedouros do tipo utilizando-se o procedimento MIXED do
chupeta. Os suínos foram distribuídos SAS (SAS System, Cary, NC) a 5% de pro-
em delineamento experimental de blo- babilidade de ocorrência do Erro Tipo I.

Anais SIAVS 2015 - O estresse agudo por calor compromete o desempenho de suínos em crescimento
- 197 -
Resultados e Discussão
Os resultados de desempenho obser- agudo por calor são apresentados na
vados em suínos mantidos em estresse Tabela 1.

Tabela 1: Valores de desempenho observados de suínos em crescimento mantidos em estresse


agudo (48h) por calor
Variável (kg) Conforto Calor EPM* P-valor**
Peso inicial 30,5 30,5 0,6 0,81
Peso 24h 32,1 31,4 0,6 0,06
Peso 48h 33,2 32,5 0,7 0,02
0-24h
Consumo de ração 2,0 1,8 0,1 0,06
Ganho de peso 1,7 0,9 0,3 0,05
24-48h
Consumo de ração 1,7 1,5 0,1 0,05
Ganho de peso 1,1 1,1 0,2 1,00
0-48h
Consumo de ração 1,9 1,7 0,1 0,03
Ganho de peso 1,4 1,0 0,1 0,02
*Erro padrão da média /**Médias diferem estatisticamente entre si, ao nível de 5% de probabilidade.

Pode-se observar, de maneira geral, que O estresse agudo por calor também pio-
o estresse agudo por calor provocou rou o GPM nas primeiras 24 h de alojamen-
piora tendenciosa no CRM no primei- to (P=0,05), o que refletiu na piora do GPM
ro dia de alojamento (P=0,06), e uma total (p=0,02). O GPM dos animais man-
redução comprovada no segundo dia tidos em estresse por calor foi em média
(P=0,05), refletindo em piora no CRM no 47% menor nas primeiras 24 h, refletindo
período total (p=0,03). De acordo com em uma média de 28% menor do GPM
os resultados houve uma redução de total, provocando um peso final (48h) in-
37% no CRM no primeiro dia, 11,7% no ferior comparado com os animais alojados
segundo dia e 10 % no período total. A em conforto térmico (p=0,02). A redução
redução do consumo de alimento ob- do ganho de peso verificada neste estudo
servada em suínos submetidos a tem- confirma a hipótese de que animais man-
peraturas ambientais elevadas, prova- tidos em ambiente com temperatura aci-
velmente, é um mecanismo de defesa ma da faixa de termoneutralidade utilizam
do organismo para redução da produ- ajustes comportamentais e fisiológicos
ção de calor resultante dos processos para favorecer o balanço de calor, o que
digestivos e metabólicos (Le Bellego et compromete o seu desempenho (Kiefer
al., 2002). et al., 2005). No entanto, de acordo com
Anais SIAVS 2015 - O estresse agudo por calor compromete o desempenho de suínos em crescimento
- 198 -
os resultados de ganho de peso obtidos, Conclusão
o efeito negativo dos ajustes metabólicos O estresse agudo por calor em 48 horas
sobre o desempenho dos animais expos- compromete o desempenho de suínos
tos a alta temperatura foi em função da na fase de crescimento.
intensidade do estresse.

Referências bibliográficas

COLLIN, A.; J. VAN MILGEN; S. DUBOIS; J. NOBLET.. sileira de Zootecnia, v.34, p.104-111, 2005.
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Anais SIAVS 2015 - O estresse agudo por calor compromete o desempenho de suínos em crescimento
- 199 -

PROGRAMAS DE LUZ SOBRE O COMPORTAMENTO


DE SUÍNOS EM CRESCIMENTO

RA Ferreira; RF Oliveira*; BPVP Ribeiro;


EJ Fassani; VS Cantarelli; MLT Abreu
Departamento de Zootecnia (DZO),
Universidade Federal de Lavras (UFLA), Lavras/MG

Abstract of dark for day (15L:9D), 19L:5E: 19 hours


It was done on an experiment aiming of light per day (19L:5D), 23L:1E: 23hou-
to evaluate the use of lighting pro- rs of light per day (23L:1D). The expe-
grams on the behavior and performan- riment lasted 45 days.The diets were
ce of growth pigs. The experiment was formulated to meet the requirements
conducted at the swine sector of UFLA, of the animals according to the Brazi-
Lavras, MG, Brazil, using 48 castrated lianTables 2011.The variables analyzed
male pigs with an average initial weight were the animals’ behavior(drinking,
of 29.99±0.05kg and 76.66±0.84kg. The rooting, leisure and eating). The use of
animals were housed in groups of two lighting programs for growing pigs
in each pen, forming the experimental caused a modification in their behavior,
unit. The animals were distributed in making them more active, especially at
randomized blocks, according to the ini- night. Programmes light did not affect
tial weight in four treatments (lighting the behaviour of these animals, making
programs): LN: natural light (control-LN), un necessary the use of supplemental
15L:9E: 15 hours of light and nine hours light for growing pigs.

Anais SIAVS 2015 - Programas de luz sobre o comportamento de suínos em crescimento


- 200 -
Introdução Material e Métodos
A suinocultura se torna a cada dia uma Um experimento foi realizado no setor
atividade mais produtiva devido ao de suinocultura da Universidade Fede-
avanço nas áreas de nutrição, genética ral de Lavras, localizada no município de
e manejo. Atualmente, as questões am- Lavras, MG.
bientais, a segurança alimentar e o bem
O experimento foi conduzido com 48
estar animal vem sendo considerados
suínos híbridos comerciais em fase de
os três maiores desafios do setor. Com
crescimento, com peso médio inicial de
isso, a cada dia, há maior preocupação
29,99±0,05kg. Os suínos foram alojados
com o efeito que o ambiente pode
em galpão de alvenaria possuindo 24
exercer sobre o comportamento dos baias. As baias, com 3m2 de área útil
animais. cada, possuíam piso de concreto com-
O fotoperíodo tem grande importância pacto, equipadas com bebedouros do
em muitas espécies de interesse zoo- tipo chupeta e comedouro semi-auto-
técnico. Os ritmos diários de atividade mático.
dos animais são fortemente influencia- As condições ambientais do galpão
dos e determinados pelas condições foram monitoradas diariamente sendo
de iluminação no prazo de 24 horas. observadas temperatura de bulbo seco,
Embora o ritmo circadiano endógeno umidade relativa, temperatura de globo
seja influenciado por fatores externos, negro por meio de estação meteoroló-
incluindo a luz, a literatura sobre os efei- gica portátil modelo Oregon Scienti¬c
tos da iluminação, em suínos, é relativa- WMR928NX e termômetro de globo
mente escassa. negro instruterm, sendo os dados utili-
zados para cálculo do ITGU (índice de
Os estudos sobre a influência da luz su- temperatura de globo e umidade).
plementar em relação ao bem-estar dos
suínos são poucos e contraditórios. No Os animais foram distribuídos em deli-
Brasil, poucos estudos foram realizados neamento em blocos casualizados, de
avaliando os efeitos do fornecimento acordo com o peso inicial, em quatro
de luz para suínos (Sousa Jr, et al. 2011). tratamentos (programas de luz) sendo
a unidade experimental composta por
Assim, estudos são necessários para dois suínos machos por baia com seis
que melhor se compreenda o efeito de repetições por tratamento. Os quatro
agentes ambientais sobre o comporta- tratamentos foram: luz natural (LN com
mento de suínos. Para tanto, um estudo 12h de luz); programa de luz com su-
foi conduzido com o objetivo de avaliar plementação de luz artificial totalizando
a influência de diferentes programas 15 horas de luz e nove horas de escuro
de luz sobre as características compor- (15L:9E); programa de luz com 19L:5E e
tamentais de suínos em fase de cresci- programa de luz com 23L:1E. A ilumi-
mento. nação artificial foi provida por meio de

Anais SIAVS 2015 - Programas de luz sobre o comportamento de suínos em crescimento


- 201 -
lâmpadas fluorescentes compactas de mais, os resultados de observação das
25 W cada, sendo utilizada uma lâmpada imagens foram digitalizados em planilha
para três baias, sobre a parede divisória eletrônica elaborada com as atividades
das mesmas, a uma altura de 2 m do piso, pré-determinadas baseado nos atos de
responsáveis pelo fornecimento médio comer, beber, fuçar e ócio. Foi utilizada
de 29 lux ao nível dos olhos dos suínos. estatística não paramétrica, descreven-
A ração foi formulada à base de milho do os comportamentos em frequência
e farelo de soja de modo a atender as de realização (%) sendo os dados anali-
exigências dos animais (Rostagno, et al., sados pelo teste de Friedman com sig-
2011). A ração e a água foram fornecidas nificância de 5%, utilizando-se o pacote
à vontade. Uma vez por semana foram computacional Action 2.0.
verificadas as características de com-
portamento dos suínos por meio do
uso de etograma específico com avalia-
Resultados e Discussão
ção de imagens captadas em intervalo
de um minuto durante o período de 24 A temperatura média, umidade relativa
horas ininterruptas sendo capturadas do ar e o ITGU foram respectivamente:
por câmaras digitais da marca sony ins- 21,2±2,92ºC, 71,0±10,80%, 67,9±3,64. O
taladas em todo galpão experimental e valor está próximo à zona de conforto
as imagens eram armazenadas em gra- térmico (ZCT) para suínos em cresci-
vador modelo Stand Alone DVR. mento (Ferreira, 2011).

Para se obter a frequência percentual Os resultados da avaliação comporta-


do repertório comportamental dos ani- mental são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1: Ocorrência (%) dos comportamentos observados em suínos em crescimento mantidos


em diferentes programas de luz ao longo do período nictemeral
Programas de luz 1
Comportamento
LN 15L:19E 19L:5E 23L:1E
Fuçando2 3.57 3,54 3,50 3,17
Comendo2 7,24 7,30 6,84 7,86
Bebendo2 1,44 1,77 1,34 1,85
Ócio2 87,75 87,39 88,32 87,12
Total (%) 100 100 100 100
1
LN: Luz natural; 15L:9E (15 horas de luze nove de escuro); 19L:5E (19 horas de luz e cinco de escu-
ro); 23L:1E (23 horas de luz e uma de escuro).
2
Não diferiram estatisticamente pelo teste de Friedman (P > 0,05).

Pode-se observar, de maneira geral, que 87,64% do período, o que corresponde


todos os animais passaram a maior par- a 21,03 horas por dia ou 21horas e 02
te do seu tempo em ócio, em média minutos por dia (21h02min/d). A se-

Anais SIAVS 2015 - Programas de luz sobre o comportamento de suínos em crescimento


- 202 -
gunda maior atividade mostrada foi in- do e dormindo, quando submetidos ao
gestão de ração (01h45min/d), seguida confinamento.
pelo ato de fuçar (00h50min/d) e, por
Ao analisar os resultados, nota-se que
último, “beber” (00h23min/d).
o fornecimento de luz artificial não in-
Este período de ócio é importante, fluenciou (P>0,05) o comportamento
também, para reparação dos níveis nor- dos animais.
mais das atividades neuronais (Guyton
& Hall, 2006). O resultado apresentado
está de acordo com (Broom & Fraser, Conclusão
2010), que mostram que dentre todos O uso de programas de luz para suí-
os animais de produção, os suínos são nos em crescimento não influenciou o
os que gastam mais tempo descansan- comportamento dos animais.

Referências bibliográficas

BROOM D.M.; FRASER, A. F. Comportamento e ROSTAGNO, H. S. (editor); ALBINO, L. F. T.; DONZELE,


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Anais SIAVS 2015 - Programas de luz sobre o comportamento de suínos em crescimento


- 203 -

Faixas de conforto térmico em função


da idade dos frangos

A Coldebella; PG de Abreu; JI dos Santos Filho*


Pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves

Abstract poultry houses with nine different tech-


Currently, small incremental gains ac- nological standards, located in the sta-
count for large impacts on supply tes of Santa Catarina and Paraná. The re-
chains of large scale, such as in the case sults obtained in this study allowed the
of poultry production in Brazil. This also identification of environmental comfort
applies to the ambience of the poultry ranges for rearing chickens that allow
houses. The recommended comfort better association with the economic
ranges for chicken production are old efficiency index (EEI) than those recom-
and, besides, are based in experiments mended by the literature.
carried out abroad. Furthermore, the
chicken raised in the 70’s and 80’s was
different from the current chicken. The-
refore, the aim of this study was to de- Introdução
termine the thermal comfort ranges for A avicultura de corte teve o seu desen-
the enthalpy and for the black globe volvimento no Brasil e no mundo alicer-
temperature and humidity index, using çado pela grande evolução na geração
field data. Air temperature, relative hu- e adoção de tecnologias. Se até o sécu-
midity and growth performance of 50 lo passado a genética, sanidade e nutri-
lots of chickens were obtained in nine ção foram os grandes expoentes desta

Anais SIAVS 2015 - Faixas de conforto térmico em função da idade dos frangos
- 204 -
evolução no século XXI a ambiência para coletar os dados de temperatu-
ganha destaque. Desta forma é neces- ra e umidade do ar, a cada duas horas,
sário cada vez mais conhecer os impac- durante o período de criação das aves.
tos da melhoria em ambiência sobre Também foram obtidos dados de peso
o desempenho técnico e econômico corporal médio, viabilidade, conversão
dos planteis. O controle ambiental das alimentar e idade das aves ao abate.
instalações está se tornando cada vez
mais uma realidade dentro das criações, Para definir as faixas de conforto térmico
sendo necessário reavaliar os parâme- em função da idade dos frangos, foi cons-
tros de conforto térmico e ambiental truído um modelo para calcular o coefi-
considerando dados diretamente da ciente de correlação entre o percentual
produção. Os parâmetros referenciais de avaliações dentro da faixa de conforto
de conforto térmico dos frangos uti- e o índice de eficiência econômica (IEE). A
lizados atualmente são baseados em ideia central do problema era maximizar a
informações antigas (década de 70 e correlação entre o conforto (baseado em
80), produzidas no exterior e de forma faixas semanais) e o desempenho zootéc-
experimental. Por outro lado, com base nico baseado no IEE.
no conhecimento empírico, empresas A % de conforto térmico de cada lote
criaram suas próprias tabelas de faixa de frango foi calculado como segue –
de conforto térmico. Desta forma, o ob- sendo que: é uma variável igual a 0 se
jetivo do presente trabalho foi definir a temperatura estiver fora da faixa de
faixas de índices de conforto térmico conforto; e igual a 100 se a temperatura
que maximizem o desempenho zoo-
estiver dentro da faixa de conforto; é o
técnico da produção de frangos.
número total de avaliações realizadas
por todos os dataloggers em cada lote.

O IEE foi calculado utilizando-se a se-


Material e Métodos
guinte equação:
Os dados utilizados no trabalho foram
provenientes do acompanhamento de A partir dos valores iniciais de faixas
nove aviários com diversos padrões tec- temperatura ambiental recomendadas
nológicos (convencional, pressão nega- por Curtis (1983) (35oC na primeira se-
tiva, dark-house e blue-house), os quais mana com redução de 3oC por sema-
estavam localizados no Oeste do Paraná na), foi utilizado o algoritmo genético
e de Santa Catarina. Os aviários foram do software Evolver (Palisade Corpora-
acompanhados durante seis lotes nos tion, 2010) para maximizar a correlação
anos de 2012 à 2014, totalizando 50 lo- linear entre a % de conforto térmico e
tes de frango, cujo abate ocorreu dos 37 o IEE, através da simulação dos parâ-
até os 55 dias de idade das aves. Foram metros das faixas de conforto térmico,
utilizados 15 dataloggers distribuídos pressupondo uma redução linear da
ao longo de cada aviário programados temperatura de conforto mínima e da

Anais SIAVS 2015 - Faixas de conforto térmico em função da idade dos frangos
- 205 -
amplitude de conforto até atingir um A Entalpia foi calculada como segue
platô, mantendo a temperatura míni- sendo:
ma e a amplitude de conforto a partir
desse platô. Foram efetuadas 200 mil
simulações para cada um dos índices Resultados e Discussão
utilizados.
As faixas de conforto que maximizaram a
O mesmo procedimento foi utilizado correlação entre o percentual de tempo
para encontrar as faixas de conforto em que as aves foram mantidas dentro
para o índice de temperatura de globo do conforto e o IEE são apresentadas na
e umidade (ITGU) e para a Entalpia. O Tabela 1. A correlação obtida é superior
ITGU foi calculado como segue (Buffin- àquela obtida usando as recomendações
gton 1981): de Curtis (1983), no caso da temperatu-
ra, cujo coeficiente de correlação foi de
ITGU=TGN+0,36.TPO-330,08, 0,509. Como pode ser verificado na tabela
1, a amplitude térmica obtida na simula-
Sendo: TGN = 0,456+1,0335.TBS+273, a ção em cada semana foi de 4,7, 4, 3,5, 3,
temperatura do globo negro em ºK es- 2,5 1,9 e 1,4oC, respectivamente, enquan-
timada conforme explicitado em Abreu to que para as recomendações de Curtis
. (2011); (1983) a amplitude da temperatura para
cada semana era fixa e de 3oC. Dentre os
TPO=((TBS-(14,55+0,114.TBS).(1-(0,01. índices avaliados o ITGU foi o que apre-
UR))-((2,5+0,007.TBS).(1-(0,01*UR)))3- sentou maior valor de correlação com o
(15,9+0,117.TBS).(1-(0,01.UR))14))+273 IEE, seguido da Entalpia e temperatura.
a temperatura do ponto de orvalho em Dessa forma, sugere-se considerar o ITGU
ºK; TBS a temperatura do bulbo seco em como sendo o melhor índice de referên-
ºC e UR a umidade relativa do ar (%). cia para obtenção do maior IEE.

Tabela 1: Limites mínimos e máximos de Temperatura, ITGU e Entalpia que permitem maior cor-
relação com IEE.
Idade Curtis (1983) Temperatura (ºC) ITGU Entalpia
(Semana) Mínimo Máximo Mínimo Máximo Mínimo Máximo Mínimo Máximo
1 32 35 30,8 35,5 82,7 100,2 77,4 92,0
2 29 32 28,4 32,4 78,5 92,9 73,5 86,0
3 26 29 25,9 29,4 74,3 85,7 69,7 79,9
4 23 26 23,4 26,4 70,1 78,5 65,9 73,9
5 20 23 20,9 23,4 65,8 71,3 62,1 67,9
6 20 20 18,5 20,4 61,6 64,1 58,3 61,8
7 ou mais 20 20 16,0 17,4 61,6 64,1 58,3 61,8
Correlação
0,509 0,5912 0,6463 0,6435
com IEE

Anais SIAVS 2015 - Faixas de conforto térmico em função da idade dos frangos
- 206 -
Conclusão frangos que permitem melhor associa-
Os resultados obtidos no presente tra- ção com o índice de eficiência econô-
balho permitiram identificar faixas de mica do que aqueles recomendados
conforto ambiental para criação de pela literatura.

Referências bibliográficas

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Anais SIAVS 2015 - Faixas de conforto térmico em função da idade dos frangos
Nutrição
207 a 317
- 208 -

ácido ascórbico IN OVO E alta


temperatura de incubação SOBRE PARâMETROS
SANGUÍNEOS de frangos de corte CRIADOS
EM ESTRESSE TÉRMICO

S Sgavioli1*; TI Vicentini2; CH de F Domingues2;


JBM Júnior2; VR de Almeida2; GL Zaniratu2;
RG Garcia1; IC Boleli2
1
Faculdade de Ciências Agrárias, Universidade de Grande Dourados,
Dourados/MS
2
Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal, Faculdade de
Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista,
Jaboticabal/SP

Abstract
values were higher with the temperatu-
One thousand hatching eggs of broiler re increase. The pH of the chicken eggs
breeding stock (Cobb®) were subjected incubated at 39°C and injected with AA
to three treatments during incubation were higher in hot temperature when
(eggs were incubated at 37.5°C without compared to the cold temperature.
injection of ascorbic acid (AA); eggs in- High incubation temperature, with or
cubated at 39°C without injection of AA; without injection of AA during the pre
eggs incubated at 39°C and injected -incubation, had induced adaptations in
with 6 μg of AA/100 uL of water). After the electrolytic balance of the birds, not
hatching, these chicks were raised under promoting the occurrence of respiratory
cold, thermo-neutral and hot tempera- alkalosis in chickens that were raised un-
ture. Blood parameters of broilers at 41 der the hot temperature.
days of age were analyzed. The pvCO2
values were higher in birds raised in the Keywords: hatching eggs, epigenetic
hot temperature than the chicks raised adaptation, hot, stress, thermal manipu-
under the cold temperature. The pvO2 lation, vitamin C

Anais SIAVS 2015 - Ácido ascórbico in ovo e alta temperatura de incubação sobre parãmetros sanguíneos...
- 209 -
Introdução antes da incubação) e 3 temperaturas
O crescimento pós-eclosão das linha- de criação (fria, termoneutra e quente).
gens de frango com alta taxa de cresci- Para isso, 1.000 ovos férteis de frango
mento pode ser influenciado por estres- de corte (Cobb®) (Globoaves, Itirapina,
se por calor, devido à sua alta produção SP), provenientes de matrizes com 47
de calor metabólico e dificuldade para semanas de idade, foram distribuídos
manter sua normotermia sob altas tem- homogeneamente pelo peso em cin-
peraturas de criação. Manipulação da co incubadoras/tratamento (Premium
temperatura de incubação (Selim et Ecológica, IP200). Após eclosão, 540
al., 2012, Loyau et al., 2013) e aplicação pintos com um dia de idade (Cobb®),
de ácido ascórbico in ovo (Ghonim et machos e fêmeas, foram distribuídos
al., 2009; Sgavioli et al., 2013) têm sido em três câmaras climáticas, com 15
analisadas quanto seus efeitos como parcelas/câmara, 12 aves por parcela,
indutor de adaptação epigenética e resultando em 5 repetições por trata-
como antiestressor, respectivamente, mento. Os pintos foram criados do 1º
em frangos submetidos à condições de ao 42º dia de idade. As temperaturas
estresse por calor. Contudo, os efeitos de criação foram mantidas por meio
da associação entre alta temperatura de manejo de campânulas, monoblo-
de incubação e injeção de ácido ascór- cos e exaustores, e apresentaram os
bico in ovo sobre a resposta do frango valores da primeira até a sexta sema-
ao estresse por calor durante seu cres- na para cada temperatura de criação:
cimento pós-eclosão ainda não foram 1) fria: 32, 30, 26, 22, 18 e 14°C; 2) ter-
analisados. No presente estudo, foi ana- moneutra: 32, 31, 29, 27, 25, e 23°C, e 3)
lisada manipulação térmica contínua quente: 32°C durante todo o período.
durante a incubação (39°C), associada Durante todo o período experimental,
ou não à injeção de AA (6µg/100μL as aves receberam água e ração à von-
água) sobre parâmetros sanguíneos de tade. As rações foram à base de milho e
frangos de corte criados sob tempera- farelo de soja, reajustadas para as fases
tura fria, quente e termoneutra (preco- de criação (inicial: 1 a 21 dias; cresci-
nizada para a linhagem). mento: 22 a 42 dias de idade), seguindo
as exigências nutricionais estabelecidas
por Rostagno et al. (2011).
Material e Métodos Aos 41 dias de idade, 10 aves/tratamen-
O delineamento experimental foi in- to (2 aves/repetição) foram utilizadas
teiramente casualizado, em esquema na análise das variáveis sanguíneas: pH,
fatorial 3x3, com 3 tratamentos du- pressão venosa parcial de dióxido de
rante a incubação (ovos incubados à carbono (pvCO2, mmHg), pressão ve-
37,5ºC; ovos incubados à 39ºC; ovos nosa parcial de oxigênio (pvO2, mmHg),
incubados à 39ºC e injetados com 6 excesso de base (BEecf, mmol/l) e bicar-
μg de ácido ascórbico/100 μL de água bonato (HCO3-, mmol/l). Os dados das

Anais SIAVS 2015 - Ácido ascórbico in ovo e alta temperatura de incubação sobre parãmetros sanguíneos...
- 210 -
variáveis sanguíneas foram obtidos em Houve interação significativa (P<0,05)
analisador clínico portátil (i-STAT ®Co. entre os tratamentos da incubação e
– Abbott Laboratories – EUA, cartucho as temperaturas de criação para o pH
Cg8+®) imediatamente após coleta, uti- sanguíneo das aves. De acordo com a
lizando-se sangue retirado da veia ju- interação, pH sanguíneo dos frangos
gular com seringa contendo heparina de ovos injetados com AA e incubados
sódica. Os valores de pH, pvCO2, pvO2 à 39ºC foi maior sob criação à tempe-
foram corrigidos pela temperatura cor- ratura quente (7,44) do que à tempera-
poral superficial média (TSM), calculada tura fria (7,35).
pela fórmula: TSM = (0,12 x Tasa) + (0,03
x Tcabeça) + (0,15 x Tcanela) + (0,70 x O aumento no valor de BEecf, mas ain-
Tdorso), descrita por Richard (1971). da negativo, observado no presente
estudo, indica que os frangos de ovos
Os dados foram submetidos à análise incubados a 39ºC e injetados com AA
de variância através do procedimento estavam perdendo menos base que os
General Linear Model (GLM) do progra-
frangos de ovos incubados a 37,5ºC.
ma SAS® (SAS Institute, 2002). Em caso
de efeito significativo (5%), a compara- O aumento da pvO2 com o aumento
ção de médias foi realizada pelo teste da temperatura de criação deve ser
de Tukey. resultante do aumento da taxa respi-
ratória, haja vista que, está é uma das
respostas fisiológicas elicitadas pelas
Resultados e Discussão aves estressadas pelo calor para resta-
belecer sua temperatura corporal in-
Houve efeito significativo (P<0,05) das
terna (Salvador et al., 1999). Simultane-
temperaturas de criação sobre a pvCO2
amente ao aumento da pvO2, todavia,
e pvO2 sanguíneo de frangos, os valo-
res de pvCO2 foram maiores nas aves era esperado que também ocorresse
criadas sob temperatura quente (36,47 redução na pvCO2, em decorrência da
mmHg) do que fria (31,81 mmHg) e os hiperventilação pulmonar, mas isso
valores de pvO2 foram maiores com o não foi observado e, em vez disso,
aumento da temperatura de criação houve aumento simultâneo de pvO2 e
(27,43; 33,00; 41,20 mmHg, para fria, pvCO2 no sangue. Aumento na pvCO2
termoneutra e quente, respectivamen- gera queda de pH, mas isso só foi re-
te). Efeito significativo (P<0,05) dos gistrado para aves de ovos incubados
tratamentos de incubação ocorreram à 39ºC e injetados com AA. Contraria-
sobre os valores de BEecf , o qual foi mente ao esperado fisiologicamente,
maior nos frangos incubados à 39ºC não foram observados aumento de
(-3,80 mmol/l) do que à 37,5 ºC (-5,67 HCO3- (P>0,05) e redução na perda
mmol/l), não diferindo dos frangos de bases em resposta ao aumento de
de ovos incubados injetados com AA pvCO2 causado pelo aumento da tem-
e incubados à 39 ºC (-4,53 mmol/l). peratura de criação.

Anais SIAVS 2015 - Ácido ascórbico in ovo e alta temperatura de incubação sobre parãmetros sanguíneos...
- 211 -
Conclusão aves, não favorecendo a ocorrência da
Alta temperatura de incubação, asso- alcalose respiratória em frangos criados
sob temperatura quente. O manejo es-
ciada ou não à injeção de ácido ascór-
tabelecido durante a incubação auxilia
bico pré-incubação, induziu adaptações no controle de alterações fisiológicas de
epigenéticas no balanço eletrolítico das frangos de corte aos 41 dias de idade.

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Anais SIAVS 2015 - Ácido ascórbico in ovo e alta temperatura de incubação sobre parãmetros sanguíneos...
- 212 -

ADIÇÃO DE ERVA MATE NA RAÇÃO DE FRANGOS


DE CORTE NÃO ALTERA O SABOR DA CARNE
DE FRANGOS DE CORTE

R Belintani1; RG Garcia1; IA Nääs1;


F Caldara1; B Roriz1; C Ayala1; S Sgavioli1*
1
Faculdade de Ciências Agrárias,
Universidade de Grande Dourados,
Dourados/MT

the wing meat. Data were subjected to


Abstract
analysis of variance using the General
One of the biggest challenges for the Linear Model procedure (GLM) of SAS®
meat industry is to meet the consumer’s (SAS Institute, 2002). In case of signifi-
demands, in a market increasingly strin- cant effect (5%), the comparison of me-
gent which evaluates beyond product ans was performed by Tukey test. There
quality, factors such as variety, nutritio- were no statistical effects (P> 0.05) the
nal value and sensory characteristics. inclusion of mate leaves in the diet of
The objective of this trial was evaluating chicken cuts and the sensory analysis of
the inclusion of mate leaves (Ilex para- chicken: breast (standard ration: 5.62; ra-
guariensis) and the sensory analysis tion with mate: 5.00) and the wing meat
(flavor) of the bird chest and wing meat. (standard ration: 6.87; ration with mate:
The experimental design was comple- 5.89). The mate leaves can be used as
tely randomized with two treatments: feed for broilers with inclusion of 0.1%
standard food and diet with inclusion of without change the taste of the broiler
0.1% of mate leaves (Ilex paraguariensis) chest and wing meat.
from 01 to 42 days. At 42 days of age, 12
birds / treatment were used in sensory Keywords: antioxidant, Ilex paragua-
analysis (flavor) of the broiler chest and riensis, plant extract, sensory analysis

Anais SIAVS 2015 - Adição de erva mate na ração de frangos de corte não altera o sabor da carne de...
- 213 -
Introdução Recentes pesquisas apontam a capa-
A oxidação lipídica é um dos principais cidade antioxidante da erva mate in
problemas em produtos cárneos e leva vitro e in vivo equivalente ou superior
à formação de diversos subprodutos, a substâncias comumente utilizadas
cuja consequência pode variar de um como padrão para essa propriedade.
simples gosto ou odor indesejado, pas- Gugliucci & Stahl (1995) verificaram
sando por perda nutricional, destruição que extratos aquosos e alcoólicos de
de vitaminas, perda da atratividade vi- Ilex paraguariensis inibiram a oxidação
sual, modificação na textura, chegan- da lipoproteína de baixa densidade in
do até a carcinogenia e teratogenia. vitro, comparável ao ácido ascórbico.
A utilização de antioxidantes, além de Saldanha (2005) observou elevada ati-
retardar a rancidez oxidativa, protege vidade antioxidante em diferentes ex-
carotenoides, vitaminas A e D e outros tratos de erva mate (verde e tostada) e
ingredientes insaturados (Camel, 2010). de chá verde, indicando o potencial uso
dessas plantas como antioxidantes ali-
Na nutrição animal os aditivos fitogêni- mentícios.
cos são utilizados de forma a melhorar
o aproveitamento dos nutrientes die- No entanto, são escassos os estudos
téticos, permitindo que os animais ex- in vivo que correlacionem a utilização
pressem o seu máximo potencial gené- do extrato de erva mate na alimenta-
tico de produção de carne. O principal ção de frangos de corte sobre a análise
benefício da utilização destes aditivos sensorial dos cortes nobres. Neste sen-
fitogênicos envolve os impactos positi- tido, o objetivo deste trabalho foi ava-
vos que causam na saúde animal, agin- liar a inclusão do extrato de erva mate
do na microbiota intestinal, controlan- da espécie Ilex paraguariensis na ração
do o crescimento de microrganismos de frangos de corte sobre a análise sen-
patogênicos, promovendo diminuição sorial do peito e meio da asa das aves,
na produção de amônia, maior produ- alimentadas durante 42 dias.
ção de muco no intestino e melhoran-
do a capacidade digestiva (Windisch et
al., 2008).
Material e Métodos
Dentre os aditivos fitogênicos destaca- O delineamento experimental foi inteira-
se a erva mate (Ilex paraguariensis), uti- mente casualizado, com dois tratamen-
lizada como antioxidante na alimenta- tos: ração padrão e ração com inclusão
ção de frangos de corte (Padilha, 2007; de 0,1% de erva mate (Ilex paraguarien-
Camel, 2010). A erva mate possui com- sis) durante 42 dias de idade. Os frangos,
postos como polifenois, flavonóides, machos, de linhagem Coob (70%) e Ross
saponinas e xantinas com propriedades (30%), com idade média de 42 dias de
antiflamatórias (Lanzetti et al., 2008), an- vida, foram provenientes de granjas co-
timicrobianas (Filip et al., 2001) e antio- merciais, cujo sistema de criação é ver-
xidantes (Bracesco et al., 2010). ticalizado e a ração oferecida às aves

Anais SIAVS 2015 - Adição de erva mate na ração de frangos de corte não altera o sabor da carne de...
- 214 -
de procedência 100% vegetal. Durante para entendimento da escala estrutu-
todo o período de criação, as aves rece- rada de nove pontos e da definição e
beram água e ração à vontade, sendo o consenso do atributo avaliado (sabor
nível nutricional da ração fornecida ajus- de frango). 1- extremamente menos
tado de acordo com a fase de criação. As intenso que o padrão; 2- muito menos
aves foram criadas em aviário comercial intenso que o padrão; 3- moderada-
sistema túnel: com ventilação negativa; mente menos intenso que o padrão;
painel evaporativo; exaustores; nebuli- 4- ligeiramente menos intenso que o
zadores de alta pressão; controladores padrão; 5- sabor de frango igual ao pa-
de ambiente; lâmpadas fluorescentes; drão; 6- ligeiramente mais intenso que
cortinas laterais de polietileno amarelas; o padrão; 7- ligeiramente mais intenso
sistema de aquecimento manual, à le- que o padrão; 8- muito mais intenso
nha; posicionados no centro do pinteiro, que o padrão e 9- extremamente mais
distribuídos por tubos metálicos; para o intenso que o padrão.
controle da temperatura e umidade du-
rante a criação das aves. Os dados foram submetidos à análise de
variância através do procedimento Gene-
Aos 42 dias de idade, 12 aves/tratamen- ral Linear Model (GLM) do programa SAS®
to foram utilizadas na análise sensorial (SAS Institute, 2002). Em caso de efeito sig-
da carne do peito e da asa de frangos de nificativo (5%), a comparação de médias
corte. As amostras foram previamente foi realizada pelo teste de Tukey.
salgadas com 1,5% de NaCl em relação
ao seu respectivo peso e em seguida
assadas em forno tipo padaria pré-a-
Resultados e Discussão
quecido a 170°C, por cerca de 1,5 hora,
cobertos em papel alumínio, no qual Não houve efeito significativo (P>0,05) da
permaneceram até que a temperatura inclusão de extrato de erva mate na ração
interna da carne atingisse 75°C. Após de frangos de cortes sobre a análise sen-
padronização (tamanho e temperatura) sorial do peito do frango (ração padrão:
das amostras (~2 cm de arestas), estas 5,62; ração com erva mate: 5,00) e da asa
foram distribuídas em pratos plásticos (ração padrão: 6,87; ração com erva mate:
codificados com números aleatórios 5,89) das aves. Em estudo semelhante Pa-
de três dígitos, distribuição balanceada, dilha (2007), ao incluir 0; 0,3; 0,5; 0,7% de
juntamente com amostra do branco extrato de erva mate na ração de frangos
(água potável e biscoito salgado). de corte não observou alteração para a
textura, cor, odor, aceitabilidade e sabor
O teste foi realizado com dez provado- para cortes do peito e coxa de frangos de
res selecionados, com capacidade de corte, no entanto, observou que o antio-
discriminação entre as amostras, não xidante natural pode garantir a qualidade
necessariamente treinados em frango. oxidativa, proporcionando uma diminui-
O teste consistiu na aplicação de um ção na velocidade do processo oxidativo
treinamento prévio aos provadores, e modificação no perfil lipídico.

Anais SIAVS 2015 - Adição de erva mate na ração de frangos de corte não altera o sabor da carne de...
- 215 -
Devido à escassez de dados na literatu- Conclusão
ra, destaca-se a necessidade da realiza- A erva mate pode ser utilizada na ali-
ção de trabalhos com outras inclusões mentação de frangos de corte com in-
de erva mate na ração de frangos de clusão de 0,1% sem causar prejuízos no
corte, para avaliação da análise sensorial sabor da carne do peito e meio da asa
e oxidação da carne. da carne de frangos de corte.

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Anais SIAVS 2015 - Adição de erva mate na ração de frangos de corte não altera o sabor da carne de...
- 216 -

EFEITO DA INCLUSÃO DO BAGAÇO DE UVA SOBRE O


DESEMPENHO E CARACTERÍSTICAS DE CARCAÇA DE
SUÍNOS EM TERMINAÇÃO

BC Silveira-Almeida1*; TM Bertol2;
MCMM Ludke1; JV Ludke1; A Coldebella2;
DM Bernardi3
1
Universidade Federal Rural de Pernambuco,
departamento de Zootecnia, Recife/PE
2
Pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia/SC
3
Universidade Estadual de Campinas, departamento de
Alimentos e Nutrição, Campinas/SP

Abstract the percentage of lean meat. The die-


The study aimed to evaluate the poten- tary inclusion of grape pomace enables
tial of using different levels of inclusion positive results in growth performance
of grape pomace on growth perfor- parameters, however, it provides greater
mance and carcass traits of 1/8 Mou- fat thickness and lower percentage of
ra pigs. Thirty six pigs (83,23±6,03 kg) lean meat.Introdução
were used.The treatments consisted of A nutrição é uma das áreas que mais
a control diet and two diets containing têm se aprimorado nas últimas déca-
5 and 10% of dehydrated grape poma- das, através de pesquisas desenvolvidas
ce, with six replicates per sex, allotted para o melhor aproveitamento dos ali-
according to thecomplete randomized mentos. Devido a isso e outros fatores
block design. The dietary inclusion of a produção suinícola no país é uma
grape pomaceresulted in greater wei- atividade econômica de muito sucesso.
ght gain and feed intake.The higher O bagaço de uva, resíduo da indústria
level of inclusion of grape pomacein- vitivinícola, é rico em compostos fenó-
creased the fat thickness and reduced licos e pode representar uma alterna-

Anais SIAVS 2015 - Efeito da inclusão do bagaço de uva sobre o desempenho e características de carcaça...
- 217 -
tiva na alimentação animal, porém, sua 49 dias com a avaliação semanal de de-
utilização na alimentação de suínos e sempenho. Ao final do período experi-
seu efeito sobre o desempenho e as ca- mental os animais foram abatidos em
racterísticas de carcaça ainda carecem abatedouro comercial. Vinte e quatro
de estudos. Yan & Kim (2011) observa- horas após o abate foi feita a avaliação
ram que a suplementação dietética de das carcaças. A espessura de toucinho
30g/kg de bagaço de uva fermentado e a profundidade do lombo foram me-
em rações para suínos, melhorou o de- didas por meio de pistola de tipificação
sempenho, alterou o padrão de ácidos eletrônica e a porcentagem de carne
graxos na gordura subcutânea e afetou magra foi estimada pela equação em
alguns atributos da carne. Este expe- uso no frigorífico onde os animais fo-
rimento teve como objetivo avaliar o ram abatidos. Os dados de consumo
efeito da inclusão de 5 e 10% do baga- foram ajustados para 88% de MS. Os da-
ço de uva, na alimentação de suínos em dos foram submetidos à análise de vari-
terminação, sobre o desempenho e as ância, através do procedimento GLM do
características de carcaça. SAS, incluindo-se como fontes de varia-
ção o tratamento, sexo e a interação tra-
tamento vs. sexo. As médias foram com-
paradas pelo teste t protegido (P<0,05).
Material e métodos
O experimento foi realizado na Embra-
pa Suínos e Aves, em Concórdia-SC. Fo-
ram utilizados 36 animais (18 fêmeas e Resultados e discussão
18 machos castrados), com peso médio Os resultados das variáveis de desem-
inicial de 83,23±6,03kg, totalizando seis penho e características de carcaça de
repetições por sexo, distribuídos em todo o período experimental estão dis-
um delineamento em blocos ao aca- postos na Tabela 1. Não houve efeito
so. Os tratamentos consistiram de uma (P>0,05) dos tratamentos sobre o peso
dieta controle a base de milho e farelo vivo final e a conversão alimentar. Foi
de soja, e outras duas dietas contendo observado um maior ganho de peso
5% ou 10% de inclusão do bagaço de (P<0,05) para ambos os níveis de inclu-
uva, todas isoenergéticas e isoproteicas. são do bagaço de uva na ração, porém, a
Os valores da composição química do utilização da maior concentração deste
bagaço de uva foram determinados na ingrediente, não diferiu do tratamento
Embrapa Suínos e Aves.O ingrediente controle (P>0,05). Os dois níveis de in-
continha 1931kcal/kg de energia me- clusão do bagaço de uva proporciona-
tabolizável, 12,53% de proteína bruta, ram (P<0,05) maior consumo de ração.
34,48% de fibra bruta e 11,25% de ex- Quando testado o fator sexo nas variá-
trato etéreo em 90,88% de matéria seca veis de desempenho, apenas o consu-
(MS). Água e ração foram fornecidas à mo de ração apresentou valores supe-
vontade. A pesquisa teve a duração de riores significativos para os machos.

Anais SIAVS 2015 - Efeito da inclusão do bagaço de uva sobre o desempenho e características de carcaça...
- 218 -
Tabela 1. Médias dos valores de peso vivo (PV), ganho de peso diário (GPD), consumo de ração
diário ajustado (CRDAJ),conversão alimentar (CA), espessura de toucinho (ET), profundidade de
lombo (PROFLO) e porcentagem de carne magra (PCM).
Tratamentos Sexo CV (%) Prob F
Variável 5% 10% Trat x
Controle F M Trat Sexo
bagaço bagaço Sexo
PV (kg) 129,4 133,9 133,2 131,9 132,4 4,24 0,1273 0,7573 0,7918
GPD (kg) 0,944b 1,036a 1,019ab 0,982 1,016 10,18 0,0796 0,3239 0,6702
CRDAJ (kg) 3,286b 3,540a 3,593a 3,367 3,578 8,43 0,0372 0,0400 0,4431
CA 3,53 3,49 3,43 3,44 3,53 6,68 0,5637 0,2647 0,9086
ET (mm) 22,63b 23,73ab 26,50a 21,44 27,13 16,02 0,0313 <,0001 0,9370
PROFLO (mm) 57,77a 59,30a 58,20a 60,24 56,60 8,21 0,7249 0,0314 0,8848
PCM, % 53,18a 52,87a 51,10b 54,34 50,42 3,87 0,0394 <,0001 0,9714
Médias seguidas de letras maiúsculas na mesma linha diferem estatisticamente pelo teste t prote-
gido P<0,05); CV = coeficiente de variação; Trat= tratamento; F = fêmea; M = Macho.

Os resultados corroboram com os en- deos e alcoóis na composição favorecer


contrados com Yan & Kim (2011), que o efeito palatabilizante e aromatizante
observaram um maior ganho de peso nas rações, estimulando o consumo.
(p<0,05) para suínos na fase de cres- As fêmeas apresentaram menor es-
cimento alimentados com bagaço de pessura de toucinho comparadas aos
uva fermentado, bem como obtive- machos. Este fato pode ser explicado
ram melhor digestibilidade do nitro- pelos machos castrados apresentarem
gênio com o ingrediente em relação maior consumo de ração em relação às
às outras dietas. Huang et al. (2003) fêmeas, justificando a maior deposição
trabalhando com grãos de destilaria de gordura na carcaça (ET). As fêmeas
fermentado também observaram me- apresentaram valores superiores de
lhoria no desempenho de suínos em profundidade de lombo e porcenta-
crescimento. gem de carne magra (P<0,05).

O nível de inclusão de 10% do baga-


ço de uva na ração resultou em maior
espessura de toucinho (P<0,05), o que Conclusão
por outro lado proporcionou menor A inclusão do bagaço de uva na alimen-
porcentagem de carne magra (P<0,05) tação de suínos em terminação melho-
em relação ao tratamento controle, es- ra o consumo de ração e o ganho de
tando associado ao maior consumo e peso de suínos 1/8 Moura, no entanto,
ganho de peso dos animais. Ferreira et a inclusão de 10% do ingrediente pro-
al. (2007) associam o maior consumo de porciona maior espessura de gordura
rações contendo o bagaço de uva com subcutânea e menor porcentagem de
a possibilidade da concentração de lipí- carne magra.

Anais SIAVS 2015 - Efeito da inclusão do bagaço de uva sobre o desempenho e características de carcaça...
- 219 -

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Anais SIAVS 2015 - Efeito da inclusão do bagaço de uva sobre o desempenho e características de carcaça...
- 220 -

EFEITO DA INCLUSÃO DE ÓLEO DE LINHAÇA E


ANTIOXIDANTES NATURAIS NO DESEMPENHO
E QUALIDADE DA CARCAÇA E DA CARNE DE
SUÍNOS EM TERMINAÇÃO

DM Bernardi1*; TM Bertol1; A Coldebella2;


BC Silveira-Almeida3; F Dieterich4;
LD Paris4; VC Sgarbieri1
1
Universidade Estadual de Campinas, Departamento de Alimentos
e Nutrição, Campinas/SP
2
Embrapa Suínos e Aves,Concórdia/SC
3
Universidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de
Zootecnia, Recife/PE
4
Falbom Agroindustrial Ltda.Toledo/PR

Abstract with 3% LO+ 0.04% vitaminE. Average


The study aimed to evaluate the effect daily gain(GPD), feed intake(CRD) and
of dietary inclusion of linseed oil and feed conversion (CA), back fat thickness
natural antioxidants on growth perfor- (ET), loin depth (ProfL), lean meat per-
mance, carcass traits and pork quality. centage (PCM), pH loin(45minutes and
Ninety sixpigsaged 127.39±4.29 days 24 hours), driploss(Drip L) and marbling
were distributed in 6 treatments, for 42 score (Marm) were evaluated. There
days: (C) control diet; (L) diet with 3% was no significant effect of treatments
of linseed oil (LO);(LBU) diet with 3% in any of the evaluated variables. The
of LO+10% grape pomace; (LEU) diet inclusion of3% linseed oil and natural
with 3% LO+0.0022% grape seed ex- antioxidantsin the dietof pigs did nota-
tract; (LH) diet with 3% of LO+5% tila- ffect growthperformance, carcass traits
pia protein hydrolysate, and (LVitE) diet and meat quality.

Anais SIAVS 2015 - Efeito da inclusão de óleo de linhaça e antioxidantes naturais no desempenho...
- 221 -
Introdução tos: (C) ração controle a base de milho
Alimentos funcionais são aqueles que e farelo de soja sem incorporação de
além da função de nutrir também pos- óleo; (L) ração com 3% de óleo de li-
suem substâncias, em quantidades sufi- nhaça (OL); (LBU) ração com 3% de
cientes, que possam atuar positivamen- OL + 10% bagaço de uva; (LEU) ração
te em diferentes vias do organismo. O com 3% de OL + 0,0022% de extrato
Omega-3 (π-3) é um exemplo de com- de semente de uva; (LH) ração com 3%
posto funcional. A concentração natu- de OL+ 5% hidrolisado proteico de ti-
ral de π-3 nos alimentos é baixa, desta lápia e (LVitE) ração com 3% de OL +
forma, sua adição/incorporação vêm 0,04% de vitamina E. O experimento
ganhando muito interesse, especial- teve a duração de 42 dias, com água
mente em carnes. Uma das formas de e ração ad libitum. Foi realizada avalia-
aumentar a concentração de π-3 nesta ção semanal de desempenho: ganho
matriz alimentícia é a incorporação de de peso diário (GPD), consumo diário
matérias primas ricas neste ácido graxo de ração (CDR) e conversão alimentar
na dieta dos animais, tais como o óleo (CA). No final do período experimental
de semente de linho. Porém, o aumento os animais foram abatidos em abate-
de π-3 em alimentos não traz apenas douro comercial. Quarenta e cinco mi-
efeitos positivos, também pode reduzir nutos após o abate, foi medido o pH
a estabilidade do produto, pelo aumen- do lombo (pH45L) e após 24 horas rea-
to da suscetibilidade oxidativa, e para lizou-se as demais avaliações: espessu-
minimizar este efeito uma boa estraté- ra de toucinho (ET), profundidade de
gia é a adição de antioxidantes na ração, lombo (ProfL), cálculo de porcentagem
para que sejam incorporados na carne e de carne magra (PCM), pH do lombo
possam atuar como agentes protetores. (pH24L), perda por gotejamento (Dri-
Assim, o presente trabalho teve como pL) e escore de marmoreio (Marm).
objetivo, avaliar o efeito da inclusão de Os dados foram submetidos à análise
óleo de linhaça e de antioxidantes na- de variância, através do procedimento
turais na alimentação de suínos, sobre o GLM do SAS, incluindo-se como fontes
desempenho, características de carcaça de variação o tratamento, sexo e a in-
e qualidade da carne. teração tratamento vs. sexo. As médias
foram comparadas pelo teste t prote-
gido (p≤0,05).
Material e métodos
Foram utilizados 96 suínos (48 machos
castrados e 48 fêmeas) do genótipo Resultados e discussão
Embrapa MS115XF1, com idade média Não houve efeito dos tratamentos
de 127,39±4,29 dias, distribuídos em (P>0,05) sobre as variáveis de desem-
delineamento de blocos completa- penho, características de carcaça e
mente casualizados, com 6 tratamen- qualidade da carne (Tabela 1). Assim,

Anais SIAVS 2015 - Efeito da inclusão de óleo de linhaça e antioxidantes naturais no desempenho...
- 222 -
a inclusão de óleo de linhaça e de an- varam efeitos sobre o desempenho e
tioxidantes, nas respectivas concentra- qualidade da carcaça. Em relação aos
ções, não influenciaram as respostas antioxidantes, Boler et al. (2009) não
para nenhuma das variáveis. Bertol et observaram efeito de diferentes con-
al. (2013) adicionaram 3% de 3 dife- centrações de vitamina E sobre o pa-
rentes fontes lipídicas na dieta de su- râmetros de desempenho, excetono
ínos e observaram que os tratamentos peso final dos animais com 0,04%de
não influenciaram nos parâmetros de vitamina E, quando comparados ao
desempenho, carcaça e qualidade de grupo controle. Yan & Kim (2011) adi-
carne, exceto para marmoreio, que foi cionaram 3% de bagaço de uva e tam-
menor na dieta com linhaça e canola. bém não observaram diferença signi-
Realini et al. (2011) adicionaram 10% ficativa para nos parâmetros avaliados
de 6 diferentes fontes lipídicas, na de desempenho e qualidade de carne
dieta de suínos e também não obser- dos animais em terminação.

Tabela 1: Médias dos valores de peso final (PF), ganho de peso diário (GPD), consumo de ração
diário (CRD),conversão alimentar (CA), espessura de toucinho (ET), profundidade de lombo (ProfL),
porcentagem de carne magra (PCM), pH do lombo 45 minutos após o abate (pH45L), pH do lom-
bo 24 horas após o abate (pH24L), perda por gotejamento (DripL) e escore de marmoreio (Marm).

Variável Tratamentos Sexo CV Probabilidade F


C L LBU LEU LH LVitE F M (%) Sexo TtoX-
Tto Sexo
PF (Kg) 122,5 121,8 121,4 119,8 121,7 122,3 119,8 123,4 4,24 0,7152 0,0011 0,9174
GPD (Kg) 1,012 0,995 0,986 0,947 0,991 1,008 0,973 1,007 12,32 0,7145 0,1805 0,9117
CRD (Kg) 3,384 3,189 3,276 3,111 3,168 3,248 3,072 3,387 8,63 0,1081 <,0001 0,6485
CA 3,35 3,23 3,34 3,31 3,21 3,23 3,18 3,38 7,73 0,4435 0,0002 0,3747
ET (mm) 24,89 22,16 21,74 23,47 22,37 23,24 20,38 25,53 19,19 0,3520 <,0001 0,3977
ProfL(mm) 59,96 62,26 63,42 62,31 61,94 65,88 63,38 61,86 11,18 0,3254 0,3671 0,2642
PCM (%) 52,49 54,52 54,97 53,78 54,34 54,51 55,80 52,43 5,94 0,2985 <,0001 0,8549
pH45L 6,42 6,42 6,40 6,40 6,36 6,43 6,43 6,38 2,55 0,8468 0,2799 0,3850
pH24L 5,39 5,41 5,44 5,44 5,38 5,38 5,41 5,41 1,93 0,3824 0,9834 0,9977
DripL (%) 4,71 4,06 3,68 3,44 4,09 4,46 3,71 4,41 38,33 0,1817 0,0382 0,8449
Marm 2,20 2,00 1,81 1,81 1,81 2,13 1,74 2,17 31,22 0,3328 0,0012 0,4092
CV = coeficiente de variação; F = fêmea; M = Macho; Tto = tratamento.

Os machos apresentaram maior PF, CRD, ferença significativa (p>0,05) no pH do


CA e ET(p≤0,05). Por outro lado, as fême- lombo entre os gêneros. Os resultados
as apresentaram maior PCM e menor encontrados no presente trabalho cor-
DripL (p≤0,05), mesmo não havendo di- roboram com Bertol et al. (2013).

Anais SIAVS 2015 - Efeito da inclusão de óleo de linhaça e antioxidantes naturais no desempenho...
- 223 -
Conclusão dieta de suínos não provocou altera-
A inclusão de 3% de óleo de linhaça ções significativas no desempenho,
e diferentes antioxidantes naturais na qualidade de carne e de carcaça.

Referências bibliográficas

Bertol TM, Campos RM, Ludke JV, Terra NN, Figuei- Meat Sci. 2009, 83:723-730.
redo EA, Coldebella A, dos Santos Filho JI, Kawski Realini CE, Duran-Montgé P, Lizardo R, Gispert M,
VL, Lehr NM. Effects of genotype and dietary
Oliver MA, Esteve-Garcia E. Effect of source of die-
oil supplementation on performance, carcass
tary fat on pig performance, carcass characteris-
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fferent dietary levels of natural-source vitamin E Growth Performance, Nutrient Digestibility and
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Anais SIAVS 2015 - Efeito da inclusão de óleo de linhaça e antioxidantes naturais no desempenho...
- 224 -

VALIDAÇÃO DE UMA EQUAÇÃO PARA PREDIÇÃO


DO VALOR ENERGÉTICO DO MILHO COM
DIFERENTES GRAUS DE MOAGEM E MÉTODOS DE
FORMULAÇÃO DAS DIETAS

TM Bertol1*, JV Ludke1, DL Zanotto1,


A Coldebella1
Embrapa Suínos e Aves, Concórdia/SC
1

Abstract le only for corn with coarse particle size,


One hundred and sixty eight pigs (84 requiring adjustments for the remaining
gilts and 84 barrows; 29,54±3,69 kg sizes of particle. In addition, the effect of
and 73,01±4,52 days) were allotted in the adjustment of ME values of corn de-
an experiment to evaluate three parti- pends on gender and can be influenced
cle size of corn (DGM 483 – fine; 632 – by housing and climate conditions.
medium; 904 µm - coarse) in a factorial
arrangement with two methods of diet
formulation differing in the ME value of
corn (TABELADO- fixed value from tab- Introdução
le; AJUSTADO- corrected value for each A produção de suínos no Brasil baseia-
particle size using the predicting equa- se no binômio milho-farelo de soja,
tion). The adjustment of ME of corn for sendo o milho o ingrediente de maior
diet formulation affected growth per- volume nas rações destes animais. Em
formance only in gilts, impairing the virtude disso, o conhecimento da va-
feed conversion rate in the diet with fine riabilidade de sua composição e valo-
particle size and improving it in the diet res de energia, bem como dos fatores
with coarse particle size. These results que os afetam é fundamental para o
indicate that the equation evaluated to desenvolvimento de ferramentas que
predict the ME value of corn was suitab- permitam o ajuste destes valores para a

Anais SIAVS 2015 - Validação de uma equação para predição do valor energético do milho...
- 225 -
formulação de rações. Entre estes fato- de de 733,6 e 8,76% de PB. Os valores
res estão a composição química, a den- calculados de EM para o milho através
sidade e o processamento dos grãos. das equações foram 3334, 3280 e 3145
Portanto, o conhecimento das carac- kcal/kg para DGM de 483, 632, 904 µm,
terísticas físicas e químicas, incluindo respectivamente. As dietas experimen-
a estimativa do conteúdo de EM do tais foram formuladas para atender os
milho em tempo real para formulação requerimentos nutricionais para a fase
de rações poderá melhorar a eficiência (NRC, 2012). Todas as rações foram for-
de seu uso na alimentação dos suínos, muladas para conter 3230 kcal EM/kg,
reduzindo o custo de produção. Este porém, quando corrigidos pelo valor
trabalho foi conduzido com o objetivo de EM do milho ajustado pela equação,
de validar uma equação de predição do os valores de EM das rações TABELADO
valor energético do milho para suínos foram decrescentes com o aumento da
que leva em conta a granulometria, a granulometria: 3237, 3200 e 3107 kcal/
densidade (DENS) e o conteúdo de pro- kg no crescimento I, 3237, 3198 e 3098
teína bruta (PB) do grão. kcal/kg no crescimento II e 3238, 3196
e 3090 kcal/kg na terminação, para as
granulometrias fina, média e grossa,
respectivamente. O peso de abate foi
Material e métodos 115,81 ± 8,31 kg. Foi feita análise de va-
Foram utilizados 168 suínos (84 fêmeas riância dos dados de desempenho utili-
e 84 machos castrados) com peso ini- zando-se o procedimento GLM do SAS,
cial de 29,54 ± 3,69 kg e idade inicial separadamente para cada sexo, incluin-
de 73,01 ± 4,52 dias, alojados em baias do-se bloco, granulometria (GRAN),
individuais, seguindo o delineamento método de formulação (FORM) e a in-
experimental de blocos casualizados, teração GRAN x FORM como fontes de
com 14 suínos de cada sexo por trata- variação. As médias foram comparadas
mento. Foram avaliadas três diferentes pelo teste t protegido (P<0,10).
granulometrias do milho (DGM 483
Resultados e discussão
– fina; 632 – média; 904 µm - grossa)
em esquema fatorial com dois méto- Nas fêmeas foi observada interação
dos de formulação diferindo no valor (P<0,10) GRAN x FORM sobre o consu-
utilizado para a EM do milho [TABE- mo diário de ração (CRD) e a conver-
LADO: valor fixo de tabela (3324 kcal/ são alimentar (CA; Tabela 1). Nas dietas
kg, Rostagno et al., 2011, ajustado para TABELADO as fêmeas que receberam
87,07% MS); AJUSTADO: valor corrigido a dieta com granulometria grossa
para cada DGM por equação de predi- apresentaram maior CRD e pior CA do
ção]. A equação de predição utilizada que as que receberam as rações com
foi (Zanotto et al., 2015): com R² = 0,76 granulometria média e fina. Não hou-
e erro de predição = 1,05% ou 35 kcal. ve efeito da granulometria nem do
O milho utilizado apresentava densida- método de formulação sobre o con-

Anais SIAVS 2015 - Validação de uma equação para predição do valor energético do milho...
- 226 -
sumo diário de EM (CDEM), nem sobre no interior da instalação de 22,55 ± 3,85
o ganho de peso diário (GPD; P>0,10), e 15,23 ± 2,93 °C, respectivamente. Por-
demonstrando que as fêmeas ajus- tanto, além do sexo, as condições am-
taram o consumo de ração de forma bientais favoreciam um elevado consu-
a compensar o menor valor de ener- mo de ração. É possível que os fatores
gia da dieta de granulometria gros- acima mencionados tenham superado
sa, quando esta não foi corrigida. Ao o limite de sensibilidade para ajuste do
ajustar-se o valor de energia do milho consumo pela densidade energética
pela equação de predição, as rações da ração. Porém, é importante ressaltar
TABELADO elaboradas com milho de que, embora os tratamentos não te-
granulometria grossa continham 130, nham afetado o CRD de forma signifi-
139 e 148 kcal/kg a menos do que as cativa, verifica-se um ajuste parcial do
elaboradas com milho de granulome- consumo, já que o CDEM não sofreu
tria fina, nas fases de crescimento 1, efeito significativo dos tratamentos.
crescimento 2 e terminação, respec-
tivamente. A ausência de efeito da
granulometria sobre a CA nas dietas
Conclusões
AJUSTADO indicam que a equação foi
eficiente em corrigir os valores de EM A granulometria e o método de formula-
do milho com granulometria grossa. ção das dietas influenciaram o desempe-
Por outro lado, a maior CA na média nho dos suínos de maneira dependente
das dietas AJUSTADO comparada do sexo, afetando somente as fêmeas.
com as dietas TABELADO em algumas O aumento da granulometria do milho
fases (dados não apresentados) indica piorou o desempenho nas dietas formu-
que o ajuste do valor de EM do milho ladas com valor tabelado de energia. O
pela equação utilizada neste estudo ajuste do valor de EM do milho para for-
pode não ter sido eficiente para todas mulação das dietas piorou a conversão
as granulometrias avaliadas. alimentar na dieta de granulometria fina
e melhorou na de granulometria grossa.
Nos machos não foi detectado efeito Estes resultados indicam que a equação
(P>0,10) da granulometria, nem do mé- avaliada para predição da EM foi ade-
todo de formulação sobre o desempe- quada somente para o milho de gra-
nho. O CRD é influenciado por diversos nulometria grossa, portanto, ajustes na
fatores. Em média os machos castrados equação proposta são necessários para
consomem 4,91% a mais de energia di- que se obtenha a mesma acurácia em
gestível por dia do que as fêmeas (NRC, diferentes granulometrias. O resultado
1987). Além disso, neste estudo os ani- prático do ajuste dos valores de energia
mais foram alojados individualmente do milho depende do sexo e pode ser
e o período experimental ocorreu em influenciado pelas condições de aloja-
época fria (abril a julho), com tempera- mento e clima, em função de seu efeito
turas médias das máximas e mínimas sobre o consumo de alimento.

Anais SIAVS 2015 - Validação de uma equação para predição do valor energético do milho...
- 227 -
Tabela 1: Efeito da granulometria e do método de formulação sobre o desempenho de suínos
fêmeas e machos castrados (média ± desvio padrão).

Tabelado Ajustado Significância


Variável
DGM 483 DGM 632 DGM 904 DGM 483 DGM 632 DGM 904 GRAN FORM GRAN x FORM

Fêmeas

GPD, kg 0,969±0,020 0,957±0,024 0,991±0,023 0,983±0,025 0,933±0,028 0,976±0,027 NS NS NS

CRD, kg 2,453±0,067b 2,495±0,073b 2,672±0,066a 2,604±0,070ab 2,493±0,093b 2,526±0,073ab NS NS 0,06

CA 2,53±0,034c 2,61±0,033abc 2,70±0,030a 2,65±0,047ab 2,67±0,050ab 2,59±0,035bc NS NS 0,008


CDEM1,
7,942±0,216 7,979±0,234 8,278±0,205 8,410±0,228 8,053±0,302 8,160±0,235 NS NS NS
Mcal
Machos castrados

GPD, kg 1,034±0,019 1,040±0,024 1,035±0,017 1,033±0,020 1,044±0,020 1,038±0,022 NS NS NS

CRD, kg 2,827±0,062 2,885±0,076 2,882±0,060 2,879±0,067 2,883±0,058 2,862±0,068 NS NS NS

CA 2,73±0,041 2,77±0,027 2,78±0,030 2,79±0,042 2,77±0,048 2,76±0,034 NS NS NS


CDEM1,
9,151±0,201 9,224±0,242 8,928±0,187 9,300±0,217 9,313±0,189 9,243±0,221 NS NS NS
Mcal

Médias seguidas de letras diferentes diferem (P<0,10) pelo teste t protegido.


ab

Calculado levando-se em conta a EM ajustada pelas equações para todos os tratamentos.

Referências bibliográficas

National Research Council. Nutrient Require- Rostagno, H.S.; Albino, L.F.T.; Donzele, J.L.; Gomes,
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Anais SIAVS 2015 - Validação de uma equação para predição do valor energético do milho...
- 228 -

DESEMPENHO PRODUTIVO E QUALIDADE DOS


OVOS DE POEDEIRAS COMERCIAIS ALIMENTADAS
COM LEVEDURA HIDROLISADA

NTG Koiyama1*, CG Lima1, BRS Locatelli2,


MA Bonato3, R Barbalho3, CSS Araújo4,
LF Araújo1
1
Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos,
Universidade de São Paulo, Pirassununga/SP
2
Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia, Universidade Federal
da Grande Dourados, Dourados/MG
3
ICC Industrial Comércio Exportação e Importação Ltda.
São Paulo/SP
4
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de
São Paulo, Pirassununga/SP *Bolsista do CNPq – Brasil

exhibited cubic polynomial response.


Abstract The highest egg production was ob-
This study evaluated the hydrolysed ye- tained with the inclusion of 3.11 Kg/t
ast levels in the laying hens diets from hydrolysed yeast. The egg weight, al-
52 to 68 weeks period on productive bumen height and eggshell thickness
performance and egg quality charac- presented positive linear response and
teristics. 256 laying hens were distribu- feed conversion per dozen eggs nega-
ted in a completely randomized design tive response with increasing levels of
with four treatments (0, 1, 2 e 4 Kg/t yeast. The Haugh unit and yolk color
hydrolysed yeast levels), 8 replications, showed no effects of treatments. The in-
and 8 birds each one. Feed intake, eggs clusion of the average value of 3.11 Kg/t
production, eggs mass, feed conversion hydrolysed yeast in the diet of laying
per egg mass, and eggshell strength hens 52-68 weeks of age, have a posi-

Anais SIAVS 2015 - Desempenho produtivo e qualidade dos ovos de poedeiras comerciais alimentadas...
- 229 -
tive effect on productive performance oito repetições de oito aves cada. As
and egg quality. dietas foram formuladas com os níveis
nutricionais praticados pela indústria. As
aves receberam água e ração à vontade
e foram submetidas a um programa de
Introdução
luz de 16 horas diárias. Foram avaliados
A levedura hidrolisada é obtida através o desempenho produtivo (consumo de
da lise da parede celular, melhorando ração, produção de ovos e conversão
a digestibilidade e favorecendo a libe- alimentar por Kg/dúzia e Kg/massa de
ração dos nucleotídeos, polipeptídios, ovos) e a qualidade dos ovos. A cada
ácido glutâmico e vitaminas do com- 28 dias foram considerados um ciclo,
plexo B; por tornar o conteúdo intra- realizando no 26° e 27° dia a amostra-
celular prontamente assimilável. Possui gem dos ovos e as análises no Digital
ação imunomoduladora, aglutinante de Egg Tester (Nabel) de altura do albú-
bactérias patógenas e promove melho- men, unidade Haugh, peso do ovo, co-
ria no desempenho dos animais. O uso loração da gema (DSM Yolk Colour Fan),
de levedura hidrolisada em frangos de resistência e espessura da casca. Foram
corte pode melhorar o ganho de peso, realizadas análise de regressão polino-
a conversão alimentar e aumentar as mial para os níveis de levedura através
vilosidades intestinais (Muthusamy et do SAS. Variáveis sem distribuição nor-
al., 2011). Para poedeiras até o momen- mal aplicou-se o teste de Kruskal-Wallis,
to não foram encontrados pesquisas mantendo as médias amostrais.
com o seu uso, mas com o uso de ou-
tras formas da levedura, apresentando
efeito sobre o desempenho produtivo,
qualidade dos ovos e na imunidade Resultados e Discussão
(Ayanwale et al., 2006; Yalçin et al., 2010). O consumo de ração (Y = 97,94962
Dessa forma, objetivou-se avaliar os ní- – 5,43435x + 5,11228x2 – 0,89942x3;
veis de levedura hidrolisada na dieta de R2 = 0,20), a produção (Y = 78,83357 –
poedeiras, durante o período de 16 se- 2,86904x + 6,28465x2 – 1,24981x3; R2 =
manas sobre o desempenho produtivo 0,32) e massa de ovos (Y = 49,93429 –
e qualidade dos ovos. 3,52961x + 5,77184x2 – 1,11714x3; R2 =
0,41) apresentaram resposta polinomial
cúbica (Tabela 1). Através da derivada
das equações foram encontrados os va-
Material e Métodos lores de máximo, o consumo de 96,33
Foram alojadas 256 poedeiras Hy-Line g ao nível de 3,15 Kg/t de levedura hi-
W-36 de 52 a 68 semanas de idade, dis- drolisada, produção de ovos de 93,10%
tribuídas em delineamento inteiramen- ao nível de 3,11 Kg/t e massa de ovos
te casualizado, em 4 tratamentos (0, 1, de 61,18 g/ave/dia ao nível de 3,11 Kg/t
2 e 4 Kg/t de levedura hidrolisada) com do aditivo.

Anais SIAVS 2015 - Desempenho produtivo e qualidade dos ovos de poedeiras comerciais alimentadas...
- 230 -
A conversão alimentar por dúzia de a conversão alimentar, o peso e as ca-
ovos (Y = 1,43673 – 0,01900x; R2 = 0,09) racterísticas de qualidade interna dos
demonstrou uma resposta linear de- ovos foram superiores com a adição de
crescente com o aumento dos níveis de 0,75% de levedura seca. Semelhante-
levedura, com destaque para a inclusão mente, ­Yalçın et al. (2010) também não
de 2 Kg/t de levedura que apresentou encontraram efeito sobre o consumo,
o mesmo valor da inclusão de 4 Kg/t. espessura da casca, altura do albúmen
Semelhantemente, a conversão alimen- e unidade Haugh das poedeiras que
tar por massa de ovos (Y = 1,91654 + receberam levedura autolisada. Porém,
0,10252x – 0,14350x2 + 0,02726x3; R2 = os níveis de 2, 3 e 4 g/kg de levedura
0,26) foi significativa, apresentando res- proporcionaram acréscimo na eficiên-
posta cúbica e valor de mínimo de 1,67 cia alimentar, resposta imune humoral,
Kg/Kg ao incluir 3,11 Kg/t de levedura. produção e peso dos ovos, além de
uma diminuição do nível de colesterol
O peso (Y = 63,31142 + 0,35846x; R2 da gema e dos níveis séricos de coles-
=0,05), altura do albúmen (Y = 7,76307 terol e triglicérideos das aves. É notá-
+ 0,12487x; R2 = 0,02) e espessura da vel que as formas de levedura expres-
casca do ovo (Y = 0,35385 + 0,00177x; sam resultados não idênticos, contudo,
R2 =0,01) apresentaram resposta linear o seu uso não tem apresentado efeitos
crescente com o aumento dos níveis negativos sobre as poedeiras, mas sim
de levedura hidrolisada. Não foi pos- melhoria de algumas características de
sível observar efeitos dos tratamen- produção, qualidade dos ovos e imu-
tos sobre a unidade Haugh e cor da nidade.
gema. A resistência da casca do ovo
(Y = 3,24625 + 0,54433X – 0,34819x2 +
0,05574x3; R2 = 0,02) demonstrou efeito
cúbico, sendo seu valor máximo 3,50 Conclusão
Kgf ao nível de 1,04 Kg/t de levedura. Desempenho produtivo satisfatório
Contrariamente, Ayanwale et al. (2006) pode ser obtido com a inclusão do va-
não verificaram efeito sobre o consu- lor médio de 3,11 Kg/t de levedura hi-
mo, produção, espessura da casca, al- drolisada na dieta de poedeiras de 52 a
tura do albúmen de poedeiras alimen- 68 semanas de idade, com ganhos na
tadas com levedura seca. Entretanto, qualidade dos ovos.

Anais SIAVS 2015 - Desempenho produtivo e qualidade dos ovos de poedeiras comerciais alimentadas...
- 231 -
Tabela 1: Variáveis de desempenho produtivo das poedeiras de 52 a 68 semanas de idades sub-
metidas a níveis de inclusão de levedura hidrolisada.

Níveis de levedura hidrolisada


0 1 2 4 EPM Valor de P
Consumo (g/ave/dia) 97,95 96,73 100,33 100,45 0,59 <0,0001
Produção (%) 78,83 81,00 88,24 87,92 13,31 <0,0001
Massa (g/ave/dia) 49,93 51,06 57,03 56,67 8,49 <0,0001
CA/dúzia (Kg/dz) 1,44 1,43 1,37 1,37 0,02 0,0018
CA/massa (Kg/Kg) 1,92 1,90 1,77 1,76 0,02 <0,0001
Peso do ovo (g) 63,41 63,14 64,65 64,57 0,42 0,0199
Altura do albúmen (mm) 7,71 7,83 8,20 8,18 1,30 0,0053
Unidade Haugh 86,41 87,73 89,23 89,05 0,65 0,1506
Espessura (mm) 0,35 0,36 0,36 0,36 0,003 0,0485
Resistência (Kgf ) Cor da gema 3,25 3,50 3,39 3,42 0,17 0,0364
Cor da gema 5,01 5,04 5,05 5,19 0,09 0,5097

Efeito significativo a 5% de probabilidade. EPM – Erro padrão da média.

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Anais SIAVS 2015 - Desempenho produtivo e qualidade dos ovos de poedeiras comerciais alimentadas...
- 232 -

DESEMPENHO PRODUTIVO, QUALIDADE DOS


OVOS E VIABILIDADE ECONÔMICA DO USO
DE PAREDE CELULAR DE LEVEDURA NA DIETA
DE POEDEIRAS COMERCIAIS

NTG Koiyama1*; NBP Utimi1; BRS Locatelli2;


MA Bonato3; R Barbalho3; AH Gameiro4;
CSS Araújo4; LF Araújo1
1
Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos,
Universidade de São Paulo, Pirassununga/SP
2
Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia, Universidade
Federal da Grande Dourados, Dourados/MS
3
ICC Industrial Comércio Exportação e Importação Ltda.
São Paulo/SP
4
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de
São Paulo, Pirassununga/SP
*Bolsista do CNPq - Brasil

Abstract 8 birds each one. The albumen height


This study evaluated the yeast cell wall and Haugh units increased with the use
levels in laying hens diets during the of the additive, the average inclusion le-
period of 20 weeks on the economic vel was 532 g/t. Gross profits increased
viability, productive performance, and at 450 g/t level. It was not observed ef-
egg quality characteristics. 256 laying fects of treatments on productive per-
hens were allocated completely rando- formance, yolk color, thickness, and egg
mized design with 0, 225, 450 e 900 g/t resistance. The inclusion of the yeast cell
yeast cell wall and 8 replications with wall in the diet of laying hens from 48 to

Anais SIAVS 2015 - Desempenho produtivo, qualidade dos ovos e viabilidade econômica do uso de parede...
- 233 -
58 weeks of age improved the internal dústria. Foram avaliados o desempenho
quality of the eggs and showed to be produtivo (consumo de ração, produção
economically viable. de ovos e conversão alimentar por Kg/
dúzia e Kg/massa de ovos) e a qualidade
dos ovos. A cada 28 dias foram conside-
rados um ciclo, realizando no 26° e 27°
Introdução
dia a amostragem dos ovos e as análises
A parede celular de levedura (PCL) Sac- no Digital Egg Tester (Nabel) de altura do
charomyces cerevisiae é um prebiótico albúmen, unidade Haugh, peso do ovo,
rico em carboidratos não digestíveis coloração da gema (DSM Yolk Colour
como o mananoligossacarídeo e os Fan), resistência e espessura da casca.
ß-glucanos, que favorecem o desem- Foram realizadas análise de regressão
penho dos animais por estimular o polinomial para os níveis de PCL através
sistema imune e reduzir as bactérias do SAS. Variáveis sem distribuição nor-
patogênicas, o qual é um subproduto mal aplicou-se o teste de Kruskal-Wallis,
da produção do etanol, obtido por via mantendo as médias amostrais.
fermentativa através da autólise da cé-
lula e separação das partes insolúvel Para os cálculos dos custos das rações,
e solúvel por centrifugação (Hassan & os preços nominais históricos repre-
Ragab, 2007). Tem sido utilizado como sentativos do milho, farelo de soja e
alternativa ao uso de antibióticos me- da dúzia de ovos tipo grande foram
lhoradores de desempenho (Hashim coletados do Instituto de Economia
et al., 2013), apresentando uma melhor Agrícola (IEA/APTA) e corrigidos pelo
eficiência econômica (Hassan & Ragab, Índice Nacional de Preços ao Consumi-
2007), aumentando a produção de ovos dor (INPC), do IBGE, para setembro de
e diminuindo a taxa de mortalidade 2014 (Hoffmann, 2006). Obtendo-se os
(Çabuk et al., 2006). Objetivou-se avaliar preços médios reais: milho 0,46 R$/Kg;
os níveis de PCL na dieta de poedeiras farelo de soja 1,03 R$/Kg; dúzia de ovos
comerciais durante o período de 48 a tipo grande 1,80 R$/Dúzia. Os demais
68 semanas. ingredientes, por não se dispor de séries
históricas públicas, utilizou-se os preços
pagos na sua aquisição que também
foram corrigidos pelo INPC para setem-
Material e Métodos bro de 2014: fosfato bicálcico 2,14 R$/
Foram alojadas 256 poedeiras Hy-Line Kg; calcário 0,43 R$/Kg; sal 0,16 R$/Kg;
W-36 de 48 a 68 semanas de idade, dis- premix 8,55 R$/Kg e a PCL 5,88 R$/Kg.
tribuídas em delineamento inteiramente Procedeu-se os cálculos dos indicado-
casualizado com 0, 225, 450 e 900 g/t da res econômicos, para a margem bruta
inclusão de PCL e oito repetições de oito foram subtraídos apenas os custos com
aves. As dietas foram formuladas com a alimentação, pois considerou-se que
os níveis nutricionais praticados pela in- todos os outros custos de produção
Anais SIAVS 2015 - Desempenho produtivo, qualidade dos ovos e viabilidade econômica do uso de parede...
- 234 -
foram os mesmos para todos os trata- tação de PCL conferiu maior número de
mentos. Calculou-se a variação percen- dúzia de ovos produzidos e consequen-
tual do custo total da alimentação, re- temente, gerou uma maior receita bruta
ceita bruta total e margem bruta com a em relação ao controle. No nível de 450
inclusão de PCL em relação ao controle. g/t de PCL a variação da receita bruta
chegou a 4,02% em relação ao controle.
O consumo de ração total médio e o seu
custo foi maior sem o uso de PCL. A va-
Resultados e Discussão riação do custo da alimentação demons-
As variáveis de desempenho produtivo tra que as inclusões do aditivo apresen-
juntamente com a cor da gema, espes- taram um menor custo em relação ao
sura e resistência do ovo não apresenta- controle. A variação da margem bruta
ram efeitos dos tratamentos. Hashim et com o uso do aditivo foram superiores
al. (2013) não encontraram diferença no ao controle, sendo que o nível de 450 g/t
consumo, conversão alimentar por dú- de PCL foi 9,57% superior. Semelhante-
zia e na produção de ovos de poedeiras mente, Hassan & Ragab (2007) constata-
suplementadas ou não com PCL (250 e ram melhor eficiência econômica com a
500 g/t). Porém, houve uma melhora na suplementação de mananoligossacarí-
qualidade da casca dos ovos com o uso deos na dieta de poedeiras.
de 500 g/t de PCL.
Esses dados apontam a viabilidade eco-
A altura do albúmen (Y = 7,75436 + nômica do uso de PCL na produção de
0,00173x – 1,64.10-6x2; R2 = 0,07) e uni- ovos, pois proporcionam melhor pro-
dade Haugh (Y = 86,50089 + 0,01131x dução de ovos com menor consumo
– 1,054.10-5x2; R2 = 0,07) demonstraram de ração, resultando em aumento da
efeito quadrático, sendo os valores máxi- margem bruta mais que proporcional-
mos de 8,21 mm para altura do albúmen mente.
ao nível de 527,44 g/t de PCL e 89,53
unidade Haugh para o nível de 536,53
g/t de PCL. De acordo com o manual da
Conclusão
linhagem de 48 a 68 semanas de idade
a unidade Haugh esperada é de 88,9 a A inclusão de parede celular de leve-
86,2 UH, portanto, o uso de PCL pode be- dura na dieta de poedeiras comerciais
neficiar a qualidade dos ovos. de 48 a 58 semanas de idade melhora
a qualidade interna dos ovos ao nível
Os custos por quilograma de ração dos médio de 532 g/t. Apresentou ser v­ iável
tratamentos com a inclusão de PCL fo- economicamente, sendo que o nível de
ram os mesmos do controle (Tabela 1), 450 g/t do aditivo proporcionou incre-
devido o baixo custo da inclusão desse mento da margem bruta, aumentando
aditivo. O custo médio para produzir a rentabilidade de produtores de aves
uma dúzia de ovos foi numericamente de postura que buscam a maximização
menor com 450 g/t de PCL. A suplemen- de lucros.

Anais SIAVS 2015 - Desempenho produtivo, qualidade dos ovos e viabilidade econômica do uso de parede...
- 235 -
Tabela 1: Análise econômica da produção de ovos de poedeiras suplementadas com parede
celular de levedura de 48 a 68 semanas de idade.
Parede celular de levedura (g/t)
Indicadores 0 225 450 900
Custo da ração (R$/Kg) 0,66 0,66 0,66 0,66
Conversão alimentar média por dúzia (Kg/dz) 1,43 1,44 1,40 1,42
Custo médio para produzir uma dúzia de ovos (R$) 0,94 0,95 0,92 0,94
Dúzia de ovos produzidos total médio (dz) 73,76 74,25 76,73 75,71
Receita bruta total média (R$) 132,77 133,65 138,11 136,28
Consumo de ração total médio (Kg) 107,79 106,21 106,94 106,64
Custo da alimentação total médio (R$) 71,14 70,10 70,58 70,38
Margem bruta total média (R$) 61,63 63,55 67,53 65,89
Variação do custo da alimentação total média (%) 0,00 -1,46 -0,79 -1,07
Variação da receita bruta total média (%) 0,00 0,66 4,02 2,64
Variação da margem bruta total média (%) 0,00 3,12 9,57 6,91

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Anais SIAVS 2015 - Desempenho produtivo, qualidade dos ovos e viabilidade econômica do uso de parede...
- 236 -

MÉTODO EXPEDITO PARA DETERMINAÇÃO


DO DIÂMETRO GEOMÉTRICO MÉDIO DAS
PARTÍCULAS DO MILHO MOÍDO

DL Zanotto1*; JV Ludke1; A Coldebella1;


TM Bertol1; A Cunha Junior1
Embrapa Suínos e Aves, Concórdia/SC
1

Abstract 4.65%, with R² = 0.933. It was concluded


This study was carried out in order to that this methodology can be used to
develop an alternative methodology, estimate the DGM of ground corn with
simple, fast and accurate to determine good accuracy in real time with the
the DGM of ground corn. One hundred grinding of corn and simultaneous diet
and fourteen samples of ground corn compounding.
were evaluated for DGM using two me-
thods: the conventional methodology
and the percentage of cumulative re- Introdução
tained sample (PRA) with six different A alimentação representa 75% do cus-
sieves: 0.149, 0.297, 0.595, 1.190, 2.000, to de produção de suínos e aves, sendo
and 4.000 mm opening. By regression que o milho participa da composição
analysis an equation was set up for es- das rações com 70% em volume. Qual-
timating the DGM, from the 0.595 mm quer melhoria na utilização do milho
sieve (greater amplitude of PRA) with tem importante contribuição para a
(R2=0.982). The validation of the equa- sustentabilidade da produção destas
tion by manual sieving of corn sam- espécies. A granulometria do milho
ples with a single sieve (0.595 mm) and pode apresentar variação do diâmetro
sieving-time of one minute, showed geométrico médio (DGM) das partícu-
exactness of -4 µm and accuracy of las entre 400 e 1200 πm, com implica-

Anais SIAVS 2015 - Método expedito para determinação do diâmetro geométrico médio das partículas...
- 237 -
ção sobre alguns parâmetros técnicos Material e Métodos
e/ou econômicos da produção animal. Para avaliar o potencial de utilização de
O aumento do DGM do milho têm re- uma única peneira para predizer o valor
sultado na melhoria do rendimento de do DGM do milho, 114 amostras de mi-
moagem e na diminuição do consu- lho em grão foram, proporcionalmente,
mo de energia elétrica, contribuindo distribuídas para moagem em moinho
para redução do custo de moagem e de martelos, através das seguintes pe-
também da ração. Embora não se ob- neiras: 1,5; 1,8; 3,0; 4,5 e 8,0 mm de aber-
serve efeito de DGM sobre variáveis tura de furos. As amostras, na matéria
biológicas para frangos de corte, tem- natural, foram submetidas a analise de
se sugerido o uso de milho com DGM granulometria para determinação do
entre 850 e 1050 µm, dada a economia DGM com metodologia convencional
com o processo de moagem. Para suí- (Zanotto & Bellaver, 1996a), envolvendo
nos, a redução do DGM do milho, têm as etapas: 1) Pesagem de 100 a 130 g
melhorado a eficiência de utilização do da amostra; 2) Transferência da amostra
alimento (Wondra et al., 1995) e tam- para o topo de um conjunto de penei-
bém o desempenho animal (Zanotto ras ABNT (dimensões: 20,3 cm diâmetro
et al. 1996b), sendo sugerido utilização x 5,1 cm altura) sobrepostas em ordem
de milho com DGM entre 450 e 600 crescente de abertura dos furos, a saber:
µm. Portanto, a utilização de milho com prato; 0,149; 0,297; 0,595; 1,190; 2,000 e
4,000 mm; 3) Posicionamento do con-
DGM específico para cada espécie ani-
junto de peneiras mais amostra num
mal, pode contribuir para melhoria do
equipamento para peneiramento com
setor produtivo. Entretanto, o ajuste das
vibração eletromagnética; 4) Realização
condições de moagem para obtenção
do peneiramento por 10 minutos; 5)
de um DGM específico desejado, está
Pesagem da fração da amostra retida
na dependência de um monitoramen-
em cada peneira; 6) Cálculo do DGM
to contínuo do processo de moagem, (EMBRAPA, 2013). Além do cálculo de
realizado através de análise de granu- DGM, determinou-se também a % de
lometria de acordo com metodolo- amostra retida (PR) acumulada em cada
gia convencional (Zanotto & Bellaver, peneira (PRA), da seguinte forma: PRAi
1996c). Apesar de incontestável a pre- = PRi + PRi+1 + ... + PRn; sendo: PR a
cisão e a exatidão de tal metodologia, % retida em dada peneira, “i” a peneira
a mesma tem apresentado limitação de menor abertura relativa que se quer
quanto a agilidade para produzir resul- estimar o PRA e “n” a de maior abertura.
tados, em tempo real com o processo Os dados de DGM e de PRA foram sub-
de moagem. O presente trabalho foi re- metidas análise estatística exploratória,
alizado com o objetivo de desenvolver para identificar a peneira do conjunto
uma metodologia alternativa simples, que melhor estimasse o DGM, com base
rápida e precisa para determinação do no PRA de cada peneira. Após a sele-
DGM de milho moído. ção da peneira com melhor relação de

Anais SIAVS 2015 - Método expedito para determinação do diâmetro geométrico médio das partículas...
- 238 -
PRA com DGM, foi proposta e ajustada ça de PRA igual a zero. A equação para
uma equação para predição do DGM, predição de DGM em função de PRA na
em função do PRA. Para validação da peneira com 0,595 mm, apresentou R²
equação de predição, 29 amostras de elevado (0,982) (Figura 1b) indicando
milho foram moídas, nas mesmas con- seu grande potencial para uso prático.
dições descritas acima, e submetidas a O experimento de validação demons-
peneiramento manual, usando a penei- trou que a equação apresentou bons
ra selecionada para geração da equação, resultados para qualquer tempo de
com três tempos de peneiramento: 1, 2 peneiramento, porém com o tempo
e 3 minutos e três repetições (diferentes de 1 minuto se obteve melhor exati-
operadores). Foi calculado o coeficiente dão (-4µm) e precisão (4,65%), com R²
de variação para avaliar a repetibilidade = 0,933. Entretanto, a repetibilidade do
do método, em comparação com o mé- método proposto foi um pouco pior
todo convencional. Além disso, os dados (coeficiente de variação igual a 5,16%),
médios de retenção para cada amostra quando comparada ao método con-
de milho foram utilizados para calcular o vencional (coeficiente de variação igual
coeficiente de determinação (R²), a exa- a 2,89%), sem comprometer a eficácia
tidão e o erro de predição da equação. de uso do método, uma vez que em
termos absolutos tal repetibilidade é
satisfatória, considerando as faixas de
recomendação para DGM do milho.
Resultados e Discussão
Os milhos apresentaram matéria seca (A)
(MS) variando de 86,22 até 87,60%,
sendo considerada normal para uso
em rações; o DGM variou entre 421 e
1235 µm, abrangendo a amplitude de
granulometria na prática. A dispersão
dos dados para o cruzamento entre a
% de amostra retida acumulada (PRA)
(B)
em cada peneira com o DGM medido,
é apresentada na Figura 1a, na qual se
evidencia que a peneira com abertu-
ra de 0,595 mm apresenta maior faixa
de distribuição de PRA (23,9 a 81,7%),
tendo melhor potencial para estimar o
DGM. Entre as demais peneiras, a de 1,2
mm apresentou faixa de variação mais
Figura 1: (a) DGM versus % de amostra retida acu-
ampla e poderia também ser utilizada, mulada em cada peneira e (b) equação e intervalo
porém haveria problemas para estimar de predição (95%) do DGM em função da % de
DGMs abaixo de 500 µm, pela presen- milho moído retido na peneira de 0,595 mm.

Anais SIAVS 2015 - Método expedito para determinação do diâmetro geométrico médio das partículas...
- 239 -
Conclusão com boa precisão e exatidão o DGM do
Concluiu-se que a metodologia desen- milho moído, em tempo real com o pro-
volvida pode ser utilizada para estimar cesso de moagem e produção de ração.

Referências bibliográficas
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Anais SIAVS 2015 - Método expedito para determinação do diâmetro geométrico médio das partículas...
- 240 -

EQUAÇÃO DE PREDIÇÃO DA ENERGIA


METABOLIZÁVEL DO MILHO PARA SUÍNOS

DL Zanotto1*; A Coldebella1;
JV Ludke1; TM Bertol1
Embrapa Suínos e Aves, Concórdia/SC
1

and on the basis of the AIC criterion, an


ABSTRACT equation was defined to estimate the
In spite of the known effects of variabi- value of EM, based on the explanatory
lity in physico-chemical composition of variables: DGM, PB and Density (R2 =
corn on its nutritional value for pigs, still, 0.76 and prediction error = 1.05% or 35
in feed formulation routines, a mean kcal). It was concluded that the equa-
value of metabolizable energy (ME) on tion developed can be used to estimate
the basis of feed composition tables is with good accuracy the EM value, spe-
used independent of the particle size cific for each individual batch and DGM
of milled corn. The objective of the re- of corn.
search was to develop an equation to
estimate the value of ME for pigs using
the physical and chemical composition
and geometric mean diameter (DGM) Introdução
of corn. Eight batches of corn associa- O milho é principal ingrediente da ali-
ted with five DGM were evaluated for mentação de suínos, participando da
the following variables: MS, PB, EE, EB, composição das dietas com 75%. Em
FB, FDA, FDN, CZ, Density, DGM and EM. decorrência da variabilidade genética
Through the regression analysis the set das sementes, condições de cultivo e
of mathematical models were adjusted de moagem pós-colheita, o milho pode

Anais SIAVS 2015 - Equação de predição da energia metabolizável do milho para suínos
- 241 -
apresentar grande variação de com- tando baixa precisão. Para consolidação
posição físico-química, que interferem de uma nutrição energética de precisão
no seu valor nutricional. Dietas à base é necessário estabelecer equações para
de milho com diferente composição estimar o valor de EM, específica para
físico-química têm demonstrado efei- cada partida e DGM de milho, como
to sobre o desempenho e caracterís- base na sua composição físico-química,
ticas de carcaça de suínos dos 21 aos o que caracteriza o objetivo do presen-
113 kg (Moore et al., 2008). Os efeitos te trabalho.
da granulometria do milho sobre a di-
gestibilidade de nutrientes, da energia
e desempenho de suínos, tem sido ob-
jeto de intensivos estudos, sendo, de Material e Métodos
modo geral, observado concordância Oito partidas de milho em grãos adqui-
entre resultados. Cita-se, por exemplo, ridas comercialmente, foram submeti-
as evidências de melhorias observadas das à moagem através de moinho de
na digestibilidade de nutrientes e EM martelos, cinco peneiras de diferentes
(Wondra et al., 1995), e no desempenho aberturas de furos: 1,5; 1,8; 3,0; 4,5 e 8,0
de suínos (Wondra et al., 1995; Zanotto mm, compondo 40 lotes de milho moí-
et al., 1996b), em função da redução do do. Os lotes de milho foram submetidos
DGM das partículas do milho. Apesar de à determinação de composição físico-
bem conhecidos os efeitos da variabili- química e valor de EM para suínos. A
dade de composição físico-química do composição físico-química foi deter-
milho, sobre seu valor nutricional para minada em laboratório, considerando
suínos, ainda se utiliza, na formulação as seguintes análises, com respectivos
de ração, um valor médio de EM com métodos analíticos: Granulometria (Za-
base em tabelas de composição de ali- notto & Bellaver, 1996a); cálculo de DGM
mentos, para qualquer partida e DGM de partículas (EMBRAPA, 2013); densida-
de milho. Em contra partida, a avaliação de, matéria seca (MS), proteína bruta
da EM específica para cada partida e (PB), extrato etéreo (EE), fibra bruta (FB),
DGM de milho, através de equação de fibra detergente ácido (FDA), fibra de-
predição poderá contribuir para melho- tergente neutro (FDN), cinzas (Cz), ener-
ria da precisão de balanceamentos de gia bruta (EB) segundo (AOAC, 2000). A
dietas, se refletindo positivamente so- EM foi determinada por meio de expe-
bre o desempenho e custos de produ- rimentos de metabolismo com coleta
ção de suínos. As equações atualmente total de fezes e urina. Foram utilizados
disponíveis, além de não serem especí- 384 suínos com peso médio inicial de
ficas para milho, não contemplam DGM 55 kg na condução oito experimentos
(alta correlação com EM), portanto de sucessivamente. Cada experimento foi
uso limitado. Excetuam-se equações es- conduzido com 48 suínos, 01 partida
pecificas para milho (Li et al., 2014), po- de milho com as respectivas 05 granu-
rém as mesmas omitem DGM, apresen- lometrias, segundo delineamento casu-

Anais SIAVS 2015 - Equação de predição da energia metabolizável do milho para suínos
- 242 -
alizado em blocos (peso do suíno), com dia de 3320 kcal/kg), ficando a média
seis tratamentos consistindo de 01 Die- muito próximo do valor tabelado (3340
ta Referência (DR) e 05 Dietas Teste (DT), kcal/kg). Abaixo, é apresentada a equa-
sendo cada DT composta por 60% DR ção e as estimativas dos parâmetros do
e 40% de um dos milhos representado modelo escolhido para estimar o valor
pelas respectivas cinco granulometrias, de EM do milho para suínos:
com oito repetições de um animal alo-
jado em gaiola metabólica. Os valores R² = 0,76 e erro de predição = 1,05%
de EM foram calculados (Matterson et ou 35 kcal.
al., 1965). As variáveis físico-químicas e Pode-se observar que a equação con-
o DGM foram utilizadas como variáveis templa com variáveis preditoras o DGM,
independentes para predizer a EM con- a Densidade e a PB do milho. Ademais,
siderando os 40 lotes de milho moído. ela é composta por dois segmentos,
Foram avaliadas 300 possibilidades de tendo em vista que a redução do DGM
modelos lineares para predizer a EM do milho para valor menor do que 523
do milho por meio dos procedimentos µm deixou de contribuir para a melho-
GENMOD e NLMIXED (SAS, 2008). A es- ria da EM. Desta forma, o primeiro seg-
colha do melhor modelo foi baseada no mento da equação, não contemplando
Critério de Informação de Akaike (AIC). a variável DGM, se aplica quando o valor
Para o modelo escolhido foi calculado o de DGM for menor ou igual que 523 µm,
coeficiente de determinação e os erros mantendo a EM estável para uma mes-
de predição (absoluto e relativo). ma condição de Densidade e PB. O se-
gundo segmento é aplicável quando o
valor de DGM for maior do que 523 µm.
A equação apresentou R2 = 0,76 e erro
Resultados e Discussão
de predição de 35 kcal. Estas estatísticas,
De modo geral, as variáveis físico-quími- além de serem melhores do que as de
cas apresentaram considerável amplitu- outras equações para milho (Li et al.,
de de variação entre valores mínimos e 2014), indicam que a equação explica
máximos, sendo os valores médios com- razoavelmente bem a variabilidade de
paráveis com os padrões estabelecidos EM, bem como estima com boa preci-
em tabela de composição de alimentos são o valor de EM do milho para suínos.
(Rostagno, et al., 2011). Excetua-se o
DGM e Densidade, não contempladas
em tabela, as quais apresentaram varia-
ção na faixa de 421 a 1038 µm (média Conclusão
de 666 µm) e de 706 a 757 g/L (média Concluiu-se que a equação desenvol-
de 730 g/L), respectivamente. Ademais, vida neste trabalho pode ser utilizada
a EM apresentou valores com variação, para estimar com boa precisão o valor
também não contemplada em tabela, de EM para suínos, específico para cada
na faixa entre 3118 e 3482 kcal/kg (mé- partida e DGM de milho moído.

Anais SIAVS 2015 - Equação de predição da energia metabolizável do milho para suínos
- 243 -

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Anais SIAVS 2015 - Equação de predição da energia metabolizável do milho para suínos
- 244 -

EFEITO DA CONTAMINAÇÃO MÚLTIPLA DO


MILHO POR MICOTOXINAS SOBRE DESEMPENHO,
FREQUÊNCIA DE DIARREIA E ÁREA DE VULVA DE
LEITÕES RECÉM-DESMAMADOS E EFICÁCIA DE UM
ADITIVO TECNOLÓGICO ADSORVENTE

LB Costa*; ADB Melo; A Oliveira; GR Oliveira;


C Andrade; PC Machado Junior e K Mazutti
Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR,
São José dos Pinhais/PR
Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, Ilhéus/BA

Abstract corn with aflatoxin B1 (390 ppb), fumo-


Dietary mycotoxins have been shown nisin B1 (2556 ppb), fumonisin B2 (850
to cause detrimental effects in swine ppb) and zearalenone (244 ppb) and;
health and production. The objective of T3-the same diet of T2 plus an adsor-
this study was evaluate the performan- bent additive (0.25% of Elitox® - Impex-
ce, diarrhea frequency and vulva size of traco Latin America). The animals were
weanling pigs exposed to diets simulta- observed daily by the same observer
neously contaminated by mycotoxins. for visual assessment of the consistency
Fourthy-eigh piglets were used (24 cas- of stool, using a rating scores of 0 to 3,
trated males and 24 females) with ave- with the score: 0-normal feces, 1-pasty
rage about weight of 6 kg, distributed in feces; 2-feces pasty/liquid and 3-watery
a randomized block design with three stools. Data were analyzed using the
treatments and eight replicates each, Statgraphics® 4.1 software program.
which the experimental unit was com- The parametric data were analyzed by
posed of two animals (male/male and ANOVA and diarrhea frequency data
female/female). The treatments provi- were analyzed by chi-square and Fisher
ded ad libitum were T1-basal diet (con- tested, both considering 5% to level of
trol); T2-a basal diet with contaminated significance. There were no effects of

Anais SIAVS 2015 - Efeito da contaminação múltipla do milho por micotoxinas sobre desempenho...
- 245 -
the diet to piglet’s performance and objetivou-se avaliar o desempenho, a
vulva size (P>0.05). However, higher área de vulva e a frequência de diarreia
diarrhea frequency was observed in T2 de leitões recém-desmamados expos-
group compared to T1 and T3 (P<0.05). tos a dietas com múltipla contamina-
These date suggest the potential effect ção por micotoxinas.
of Elitox® to reduce diarrhea in piglets
exposed to mycotoxins.
Material e Métodos
O experimento foi conduzido nas ins-
Introdução talações de creche da Unidade de
Micotoxinas são metabólitos secundá- Pesquisa em Suinocultura da Fazenda
rios produzidos por fungos que podem Experimental Gralha Azul da PUCPR.
contaminar uma variedade de cereais Foram utilizados 48 leitões recém-des-
envolvidos na dieta animal. Dentre os mamados (24 machos e 24 fêmeas de
principais cereais que sofrem conta- 21 dias de idade). Cada unidade expe-
minação por fungos estão o milho e rimental foi composta por dois animais,
a soja, utilizados em diversos países distribuídos por sexo, divididos em três
como base da ração animal (Binder et tratamentos, 8 repetições cada, sendo
al., 2007). Os suínos são vistos como 4 repetições de fêmeas e 4 repetições
os animais mais sensíveis às micotoxi- de machos. Os tratamentos foram com-
coses, sendo aflatoxina, fumonisina e postos por T1: Dieta basal, sem conta-
zearalenona algumas das micotoxinas minação por micotoxinas e sem adição
mais encontradas em alimentos na- de adsorvente; T2: Dieta basal contendo
turalmente contaminados. A ingestão milho contaminado por micotoxinas
dessas micotoxinas podem promover sem adição de adsorvente e; T3: Dieta
desordens agudas ou crônicas, depen- basal contendo milho contaminado
dendo da concentração e tempo de ex- por micotoxinas em concentrações
posição. Tais desordens podem resultar idênticas ao T2, mais a adição de 0,25%
em menor desempenho dos animais de aditivo adsorvente Elitox® (Impex-
associados à efeitos hepatotóxicos, ne- traco Latin America). O milho utilizado
frotóxicos e imunossupressores, além na composição das rações T2 e T3 apre-
de distúrbios reprodutivos e edema sentou os seguintes níveis de micoto-
pulmonar (Bennett & Klich, 2003). Os in- xinas: 390 ppb de Aflatoxina B1, 2556
gredientes da ração podem apresentar ppb de Fumonisina B1, 850 ppb de Fu-
co-contaminação por diferentes mico- monisina B2, 244 ppb de Zearalenona.
toxinas, sendo poucas as informações As dietas e água foram fornecidas ad
atribuídas ao efeito tóxico (sinérgico, libitum durante 14 dias. Ao final do perí-
aditivo ou antagônico) da interação de odo experimental, o peso dos animais e
contaminações múltiplas (Speijers & das sobras de ração foram compilados
Speijers, 2004). Dentro desse contexto, para análise das variáveis de desempe-

Anais SIAVS 2015 - Efeito da contaminação múltipla do milho por micotoxinas sobre desempenho...
- 246 -
nho (peso final, ganho médio diário de ausência de trabalhos testando as mes-
peso, consumo médio diário de ração e mas micotoxinas estudadas no presen-
conversão alimentar) e mensurou-se a te estudo dificultam as discussões. No
altura e largura da vulva para os cálculos entanto, efeitos sinérgicos entre afla-
de área de vulva (altura x largura/2). O toxina e fumonisina têm sido relatado
monitoramento da frequência de diar- com surgimento de células canceríge-
reia foi realizado diariamente no perío- nas, pronunciada indução de apoptose,
do da manhã, sendo atribuídos às fezes alterações na resposta imune, elevado
encontradas em cada baia os seguintes efeito oxidativo e dano ao DNA (Klaric,
escores: 0-fezes normais, 1-fezes pasto- 2012). Dilkin et al. (2003) encontraram
sas, 2-fezes pastosas/aquosas e 3-fezes reduzido consumo de ração e piora na
aquosas. Os dados foram analisados conversão alimentar quando leitões
pelo programa Statgraphics® 4.1. Os receberam dietas contaminadas com
dados de desempenho e área de vulva fumonisina e aflatoxina por 28 dias.
foram apresentados em médias e erro Quanto à frequência de diarreia, o T2
padrão, as quais foram submetidas à que possui milho contaminado sem
análise de variância (ANOVA). A frequ- aditivo adsorvente em sua composi-
ência de diarreia foi determinada em ção, aumentou (P<0,05) a frequência de
número de amostras fecais observadas diarreia quando comparado ao T1 e T3.
em cada escore e analisada por chi- Tais resultados sugerem a capacidade
quadrado, seguido pelo teste de Fischer, do Elitox® (Impextraco Latin America)
utilizando 5% de probabilidade. em reduzir a frequência de diarreia dos
leitões. A exposição de leitões recém-
desmamados à fumonisina (0,5 mg/
Kg de peso vivo/dia) durante 6 dias
Resultados e Discussão resultou em aumento da colonização
Os tratamentos contendo milho con- intestinal por Escherichia coli patogê-
taminado por aflatoxina, fumonisinas e nica (Oswald et al., 2003). Segundo os
zearalenona ou aditivo adsorvente (T2 autores, alterações no metabolismo dos
e T3) nas concentrações indicadas, não esfingolipídios do epitélio intestinal,
afetaram o desempenho dos animais e promovida pela ingestão de fumonisi-
a área de vulva (P>0.05) quando com- na, poderiam favorecer a colonização
parados ao tratamento controle (T1) de bactérias patogênicas no trato gas-
(Tabela 1). Co-ocorrência de aflatoxina e trintestinal. Dessa forma, o consumo
fumonisina tem sido relatada em amos- de dietas contaminadas por fumonisi-
tras de milhos no Brasil (Kawashima & na poderia aumentar a frequência de
Soares, 2006). Embora alguns estudos diarreia e consequentemente reduzir o
apontem para co-ocorrência de mico- desempenho dos animais. No entanto,
toxinas, poucos estudos têm abordado o aumento da frequência de diarreia
a simultânea toxicidade em leitões. Os observado neste experimento não re-
variados modelos experimentais e a duziu o desempenho dos leitões.

Anais SIAVS 2015 - Efeito da contaminação múltipla do milho por micotoxinas sobre desempenho...
- 247 -
Conclusão recém-desmamados alimentados com
O adsorvente Elitox® foi eficiente em re- rações contendo milho contaminado
duzir a incidência de diarreia em leitões com aflatoxina, fumonisina e zearalenona.

Tabela 1: Desempenho, área de vulva e frequência de diarreia de leitões recém-desmamados


expostos a rações contendo milho contaminado por aflatoxina, fumonisina e zearalenona
Variáveis Tratamentos Erro padrão P<0.05
T1 T2 T3
P14 (Kg) 10,46 10,37 10,46 0,36 0,53
CDR 0,41 0,41 0,35 0,03 0,40
GDP 0,26 0,29 0,26 0,02 0,69
CA 1,58 1,40 1,41 0,08 0,22
Área de vulva (mm2) 76,87 87,56 68,49 8,49 0,30
Frequência de diarreia 30a 57b 30a - 0,0002
ab: Letras diferentes na mesma linha, representam diferença estatística P<0,0002.

Referências bibliográficas

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Anais SIAVS 2015 - Efeito da contaminação múltipla do milho por micotoxinas sobre desempenho...
- 248 -

RENDIMENTO DE CARCAÇA E CORTES DE FRANGOS


ALIMENTADOS COM DIFERENTES PROMOTORES DE
CRESCIMENTO ANTIBIÓTICOS

*JPF Oliveira1; A Oba1; ACF Assis1; JA Barbosa Filho1;


M Almeida1; FR Bueno1; AKF Carneiro1; VP Dinalli1;
EJL Ribeiro1; G Spialtini2
1
Departamento de Zootecnia – Universidade Estadual de Londrina/UEL –
Londrina/PR
2
Facultad de Veterinaria – Universidad Nacional del Centro de la Provincia de
Buenos Aires/UNICEN
Tandil, Buenos Aires, Argentina.

Abstract Keywords: poultry, cuts yield, enramy-


In Brazil, the use of growth promoting cin, virginamycin, avilamycin ycin
additives is permited. This study aimed
to analyze the carcass and cuts yields
supplemented with different types of
antibiotics. 96 broilers were slaughte- Introdução
red at the age of 43 days, divided into O uso de antibióticos como promotor
6 treatments (control, zinc bacitracin, de crescimento tem sido utilizado desde
enramycin, halquinol, virginamycin and a década de 50. Estes ao longo dos anos
avilamycin). Were analyzed carcass and tem mostrado grande eficiência no con-
cuts yields and the results showed that trole de agentes patogênicos que po-
different treatments do not influenced dem prejudicar o desempenho das aves.
the carcass yield. About the cuts yield, it Porém devido a pesquisas que apontam
was noted that only legs yield was diffe- que o uso deste pode levar ao desenvolvi-
rent, and the treatment with enramycin mento de bactérias resistentes, estes tem
afforded a higher legs yield than avi- sido questionados quanto a sua utiliza-
lamycin. ção na produção animal. Porém no Brasil,

Anais SIAVS 2015 - Rendimento de carcaça e cortes de frangos alimentados com diferentes promotores...
- 249 -
o uso destes promotores de crescimento tes tratamentos: controle (sem antibi-
antibióticos é liberado (MAPA, 2014). óticos); bacitracina de zinco (55g/ton);
enramicina (10g/ton); halquinol (30g/
Os promotores de crescimento antibió- ton); virginamicina (16,5g/ton) e avila-
ticos tem a função de controlar o cres- micina (10g/ton). Foi utilizado um deli-
cimento de determinadas populações neamento inteiramente ao acaso, com
microbianas que prejudicam o animal, cinco tratamentos e 24 repetições.
proporcionando assim uma mucosa in-
testinal mais saudável e menos espessa, O manejo pré-abate utilizado consis-
o que proporciona melhor absorção de tiu em um jejum alimentar de 8 horas
nutrientes e menos gastos na sua ma- e para o abate as aves foram insensi-
nutenção, fazendo com que o animal bilizadas por eletronarcose, através de
tenha uma melhor desempenho. Ainda aparelho da marca Fluxo, modelo FX
segundo Engberg et al. (2000), ocorre a 2.0. Em seguida foram sangradas, escal-
redução dos metabólicos tóxicos libe- dadas, depenadas, evisceradas e retira-
rados pelas bactérias patogênicas que das a cabeça mais o pescoço e pés, que
podem habitar o trato gastrointestinal correspondeu ao peso de carcaça, da
das aves. Segundo Pedroso et al. (2003) o qual foi determinado o rendimento de
uso de enramicina e avilamicina melho- carcaça. Para o rendimento de carcaça
ram em 3 e 2,4% o ganho de peso e em utilizou-se o peso da ave viva antes do
2,9 e 2,5% a eficiência alimentar, respec- abate e o peso da carcaça eviscerada
tivamente. Ao avaliar diferentes aditivos, sem cabeça+pescoço e pés. Em segui-
Albino et al. (2006) observaram que as da a carcaça foi submetida aos cortes
aves que receberam dietas com avilami- comerciais (pernas, peito, asas e dorso),
cina apresentaram maior ganho de peso, além da gordura abdominal, sendo que
rendimento de peito e menor gordura o rendimento de cortes foi em relação
abdominal do que as aves do tratamen- ao peso da carcaça eviscerada, sem ca-
to controle. Assim, este trabalho tem por beça+pescoço e pés. A gordura abdo-
objetivo avaliar o rendimento de carca- minal contabilizada contava com todo
ça e cortes de frangos alimentados com tecido adiposo presente desde a moela
dietas contendo diferentes promotores até o conteúdo presente ao redor da
de crescimento antibióticos. cloaca e bursa de Fabricius.

Os resultados obtidos foram submeti-


dos à análise de variância e posterior-
Materiais e métodos mente ao teste de Tukey ao nível de 5%
O experimento foi conduzido na Unida- de significância.
de de Pesquisa em Nutrição de Frangos
da Universidade Estadual de Londrina. Resultados e Discussão
Foram utilizados 96 frangos de corte Os resultados de rendimento de car-
machos da linhagem Cobb-500®, de 43 caça e cortes (Tabela 1) mostram que
dias de idade, provenientes dos seguin- para rendimento de carcaça, peito,

Anais SIAVS 2015 - Rendimento de carcaça e cortes de frangos alimentados com diferentes promotores...
- 250 -
asas, dorso e gordura abdominal não traram diferenças para rendimento de
houve diferença significativa entre os carcaça e cortes comerciais em frangos
tratamentos. Somente houve diferença de corte alimentados ou não com an-
(p<0,05) no rendimentos de pernas, no tibióticos melhoradores de desempe-
qual a suplementação com enramicina nho. Enquanto que Albino et al. (2006)
apresentou maior rendimento que o
observaram que ao alimentar frangos
tratamento com virginamicina.
com dietas adicionadas de avilamicina
Resultados semelhantes foram obtidos apresentaram maior rendimento de
por Loddi et al. (2000), onde não encon- peito e menor de gordura abdominal.
Tabela 1: Rendimento de carcaça (RC), rendimento de peito (RP), rendimento de perna (RPE),
rendimento de asas (RA), rendimento de dorso (RD), rendimento de gordura abdominal (RG) de
frangos de corte machos alimentados com diferentes promotores crescimento antibióticos e aba-
tidos com 43 dias de idade.
Tratamentos
Bacitracina
Variáveis Controle Enramicina Halquinol Virginamicina Avilamicina CV (%)
de zinco
RC (%) 75,37 76,10 74,78 74,73 76,07 75,67 2,01
RP (%) 37,85 37,76 37,85 38,47 38,94 38,59 4,50
RPE (%) 29,84 ab 30,25 ab 30,59 a 29,99 ab 29,21 b 29,76 ab 3,87
RA (%) 9,84 9,80 9,87 10,12 9,92 9,90 4,42
RD (%) 19,68 19,44 19,05 18,81 19,09 19,20 4,69
RG (%) 2,77 2,72 2,63 2,58 2,82 2,52 18,59
* Médias seguidas por letras diferentes nas linhas apresentaram diferença significativa pelo teste
de Tukey a 5%.
tico proporcionaram apenas um maior
Conclusão rendimento de pernas nas aves alimen-
Assim, pode-se concluir que os diferen- tadas com enramicina em relação a vir-
tes promotores de crescimento antibió- ginamicina.

Anais SIAVS 2015 - Rendimento de carcaça e cortes de frangos alimentados com diferentes promotores...
- 251 -

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Anais SIAVS 2015 - Rendimento de carcaça e cortes de frangos alimentados com diferentes promotores...
- 252 -

UTILIZAÇÃO DE DIFERENTES PROMOTORES DE


CRESCIMENTO ANTIBIÓTICO SOBRE O DESEMPENHO
DE FRANGOS DE CORTE

*JPF Oliveira1; A Oba1; ACF Assis1; M Almeida1;


T Dornellas1; AC Hoffmann1; FR Bueno1;
B Colcetta1; VP Dinalli1; S Trocato1
1
Departamento de Zootecnia
Universidade Estadual de Londrina/UEL
Londrina/PR.

Abstract ciency index. There were no differences


The use of additives in poultry feed can between treatments in the rest of the
increase the growth performance of tested parameters.
these animals, and its use is permitted Keywords: avilamycin, feed conversion
in Brazil. Therefore, it was used 624 chi- ratio, poultry, virginamycin, weight gain
cks for a period of 42 days, and adopted
a completely randomized design. It was
used six treatments (control, zinc baci-
tracin, enramycin, halquinol, virginamy- Introdução
cin and avilamycin), with 4 replicates O uso de antibióticos promotores de
and 26 birds in each repetition. It was crescimento apesar das restrições do
measured weight gain, feed intake, feed mercado comum Europeu, ainda é uti-
conversion, production viability and lizado por determinadas empresas no
productive efficiency index. The results Brasil, visto que a legislação brasileira
were submitted to ANOVA and subse- permite o uso destes. Sua ação está
quently Tukey’s test at 5% significance relacionada ao controle de microrga-
level. The results showed better per- nismos patogênicos no trato gastroin-
formance of avilamycin in weight gain, testinal do animal, diminuindo a carga
feed conversion and productive effi- microbiológica e consequentemente

Anais SIAVS 2015 - Utilização de diferentes promotores de crescimento antibiótico sobre o desempenho...
- 253 -
as toxinas inerentes a essas bactérias, exigências mínimas preconizadas por
maximizando a absorção de nutrien- Rostagno et al. (2011) e foram formula-
tes e levando o animal a sua excelên- das a base de milho e farelo de soja. Foi
cia produtiva e zootécnica (Toledo et utilizada cama de segundo lote, sendo
al., 2007). Atualmente existem linhas que para aumentar o desafio sanitário,
de pesquisa que condenam o uso de foi coletada amostra de cama em gran-
antibióticos como promotores de cres- ja comercial e distribuída em todos os
cimento, devido ao receio de ocorrer boxes experimentais.
alguma seleção bacteriana nos animais,
ou uma seleção cruzada em humanos Os tratamentos experimentais consistiam
(Traesel et al., 2011). Porém, estudos de- em: controle (sem antibióticos); bacitraci-
monstram que em países onde ocorreu na de zinco (55g/ton); enramicina (10g/
o banimento de antibióticos promo- ton); halquinol (30g/ton); virginamicina
tores de crescimento, houve aumento (16,5g/ton) e avilamicina (10g/ton).
do uso de anticoccidianos antibióticos
Foi adotado um delineamento inteira-
e antibióticos de uso terapêutico nos
mente casualizado, com seis tratamen-
animais (Castanon, 2007), além de uma
tos e quatro repetições de 26 aves por
queda no desempenho zootécnico das
unidade experimental. Para avaliação
aves (Jones & Racke, 2003).
das características de desempenho
Assim, este trabalho tem por objetivo zootécnico, foram determinados os se-
avaliar os principais antibióticos pro- guintes parâmetros: ganho de peso/
motores de crescimento utilizados na ave, consumo de ração/ave, conversão
avicultura sobre o desempenho zoo- alimentar, viabilidade criatória e índice
técnico das aves. de eficiência produtiva.

Os resultados obtidos foram submeti-


dos à análise de variância e posterior-
Materiais e métodos mente ao teste de Tukey ao nível de 5%
O experimento foi conduzido na Unida- de significância.
de de Pesquisa em Nutrição de Aves, da
Universidade Estadual de Londrina. Fo-
ram utilizados 624 pintainhos de corte Resultados e discussão
macho, da linhagem Cobb-500®, por 42
dias, sendo divididos em duas fases de Os resultados de desempenho estão
produção, a primeira fase foi de 1 a 21 apresentados na Tabela 1. Pode-se ob-
dias e a segunda de 22 a 42 dias. servar que os resultados de consumo
de ração e viabilidade criatória não di-
As aves receberam manejo conforme feriram (p>0,05) entre si. Os resultados
práticas comerciais, com alimentação e de ganho de peso mostram que a avi-
água ad libitum durante todo o perío- lamicina proporcionou o melhor ga-
do experimental. As dietas atendiam as nho significativamente, enquanto que

Anais SIAVS 2015 - Utilização de diferentes promotores de crescimento antibiótico sobre o desempenho...
- 254 -
a enramicina, halquinol e virginamicina mentar. Quanto ao índice de eficiência
apresentaram os piores ganhos, e o tra- produtiva, observa-se que a avilamicina
tamento controle e bacitracina de zinco apresentou o melhor índice e a enrami-
não diferiram dos demais tratamentos. cina, halquinol e virginamicina os piores
Ao analisar a conversão alimentar, ob- (p<0,01) e a bacitracina de zinco e o
serva-se que a avilamicina proporcio- controle não diferiram dos demais tra-
nou a melhor (p<0,01) conversão ali- tamentos.

Tabela 1: Ganho de peso (GP), consumo de ração (CR), conversão alimentar (CA), viabilidade cria-
tória (VC) e índice de eficiência produtiva (IEP) de frangos de corte machos suplementados com
diferentes tipos de antibióticos, no período de 1 a 42 dias
Tratamentos
Bacitracina
Variáveis Controle Enramicina Halquinol Virginamicina Avilamicina CV (%)
de zinco
CR (g) 4974 4827 4628 4676 4749 4951 3,41
GP (g) 2915 ab 2841 ab 2707 b 2668 b 2723 b 3066 a 4,57
CA 1,70 a 1,70 a 1,71 a 1,75 a 1,74 a 1,61 b 1,86
VC (%) 98,07 97,11 89,42 93,27 95,19 97,11 6,93
IEP 399 ab 386 ab 339 b 338 b 354 b 439 a 9,55
* Médias seguidas por letras diferentes nas linhas apresentaram diferença significativa pelo teste
de Tukey a 5%.

Os resultados encontrados mostram observaram melhores resultados de


que a avilamicina foi o promotor de consumo de ração, ganho de peso e
crescimento antibiótico que proporcio- conversão alimentar no período de 1 a
nou o melhor desempenho zootécnico 40 dias quando comparado ao controle
as aves e a enramicina, halquinol e virgi- sem aditivos, discordando do presente
namicina não se mostraram eficientes, trabalho.
sendo iguais ao tratamento controle.
Estudando a utilização de halquinol, Os dados apresentados discordam de
avilamicina e prebiótico em frangos, Toledo et al. (2007), no parâmetro de con-
Guasti (2012) observou que o uso so- versão alimentar, pois houve diferença
mente de halquinol proporcionou me- entre o antibiótico avilamicina e o con-
nor ganho de peso das aves, em relação trole, mas concordam em ganho de peso
do uso de halquinol mais a avilamicina e índice de eficiência produtiva, quando
ou prébiotico, mostrando assim, que o não houve diferença entre avilamicina e
halquinol não era um bom promotor controle. A variação encontrada perante
de crescimento antibiótico, o mesmo os resultados demonstrados na literatura,
resultado foi observado neste experi- sobre o uso de antibióticos promotores
mento. Quanto ao uso da bacitracina de crescimento, pode ser atribuída a dife-
de zinco, Contreras-Castillo et al. (2008) rença da população de microrganismos

Anais SIAVS 2015 - Utilização de diferentes promotores de crescimento antibiótico sobre o desempenho...
- 255 -
no ambiente onde foi realizada, influen- Conclusão
ciando no perfil microbiológico do trato Pode-se concluir que a avilamicina
gastrointestinal do animal, e consequen- apresentou melhores resultados zoo-
temente apresentando efeito nos resulta- técnicos que os demais antibióticos
dos observados (Reis, 2011). avaliados.

Referências bibliográficas

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Anais SIAVS 2015 - Utilização de diferentes promotores de crescimento antibiótico sobre o desempenho...
- 256 -

BETERRABA COMO PIGMENTANTE NA


DIETA DE CODORNAS DE POSTURA À BASE
DE ARROZ INTEGRAL

LS GUIDO1*; MLS CASTRO1; C BAVARESCO1;


RC DIAS1; DCN LOPES1; EG XAVIER1
1
Universidade Federal de Pelotas,
Departamento de Zootecnia,
Grupo de Estudos em Aves e Suínos da Universidade Federal de
Pelotas (GEASPEL), Campus Capão do Leão
Pelotas/RS

Abstract
A trial was conducted to evaluate the ments were studied: TC (diet based on
use of sugar beet (Beta vulgaris L.) as a whole rice and soybean meal); T2 (TC +
natural pigment in laying quails (Cotur- 4% sugar beet); T3 (TC + 8% sugar beet);
nix coturnix japonica) diets containing and T4 (TC + 12% sugar beet). Each tre-
whole rice as the main energy source. A atment had five replications and the ex-
total of 40 laying quails were used. The perimental unity was the cage with two
birds were in the second production cy- birds each. All diets were isoproteic and
cle and housed in metallic cages with isoenergetic. The egg yolk color was
nipple waterers and manual feeders. measured with a colorimeter (Minolta
Feed and water were fed ad libitum. The CR-200 b). No effect of sugar beet on
quails were fed with a control diet ba- the parameters luminosity, intensity of
sed on whole rice during 15 days befo- red color, intensity of yellow color and
re the beginning of trial to discolor the croma was observed. In conclusion, the
egg yolks. The effect of inclusion of in- addition of up to 12% of sugar beet in
creased levels of dry and grinded sugar diets containing whole rice does not af-
beet was evaluated. The following treat- fect egg yolk color of laying quails.

Anais SIAVS 2015 - Beterraba como pigmentante na dieta de codornas de postura à base de arroz integral
- 257 -
Introdução Zootécnica Professor Dr. Renato Rodri-
A criação de codornas é uma atividade gues Peixoto da Universidade Federal
que vem crescendo em ritmo acelera- de Pelotas, no período de 15 a 30 de
do no Brasil, despertando a atenção de maio de 2014. Foram utilizadas 40 co-
pesquisadores da área avícola, no sen- dornas de postura, no segundo ciclo
tido de desenvolver trabalhos que ve- de produção, alojadas em gaiolas me-
nham a contribuir para o maior aprimo- tálicas com bebedouros tipo nipple e
ramento e fixação desta cultura como comedouros manuais, recebendo água
uma fonte rentável na produção avícola e ração ad libitum. As aves receberam
(Furlan, 1998). uma dieta controle com arroz integral
durante 15 dias antes do início do ex-
O milho é o principal ingrediente utili- perimento, para despigmentação das
zado como fonte energética na formu- gemas.
lação de dietas para os animais, porém
outros alimentos vêm sendo testados Avaliou-se o efeito da inclusão de níveis
para substitui-lo total ou parcialmente crescentes de beterraba (seca e moída),
(Soto-Salanova & Fuende, 1997). O arroz resultando em quatro tratamentos: TC
integral é uma alternativa na alimen- (dieta à base de arroz e farelo de soja);
tação animal quando ocorre um exce- T2 (TC + 4% de beterraba); T3 (TC + 8%
dente da sua produção, podendo ser de beterraba); T4 (TC + 12% beterraba).
substituto ao milho, como fonte ener- Cada tratamento teve cinco repetições,
gética. Entretanto, Lancini (1994) obser- sendo a unidade experimental a gaiola,
vou a dependência da intensidade da composta por duas aves. As dietas fo-
coloração da gema pelo pigmento xan- ram isoproteicas e isoenergéticas.
tofila presente no milho, o qual dá a to-
Ao final do período experimental, 13
nalidade alaranjada para a gema. Como
ovos de cada tratamento foram levados
o arroz integral é pobre neste pigmen-
ao Laboratório de Análise Sensorial do
to, promove uma coloração mais clara
Departamento de Zootecnia da UFPel,
às gemas.
onde procedeu-se a análise colorimé-
Por isso, este experimento visa testar trica das gemas com o colorímetro Mi-
a beterraba (Beta vulgaris L.) como nolta (CR-200 b), previamente calibrado
pigmentante natural em dietas de co- em superfície branca de acordo com
dornas japonesas (Coturnix coturnix ja- padrões pré-estabelecidos (Bible & Sin-
ponica) em que a principal fonte ener- gha, 1993). A leitura de cores é realizada
gética é o arroz integral. em um sistema tridimensional, avalian-
do a cor em três eixos, onde o eixo L*
(luminosidade) avalia a amostra do pre-
to ao branco, o eixo a* (intensidade da
Materiais e métodos cor vermelha) da cor verde ao vermelho
O experimento foi desenvolvido no La- e o eixo b* (intensidade da cor amarela)
boratório de Ensino e Experimentação da cor azul ao amarelo. A partir dessas

Anais SIAVS 2015 - Beterraba como pigmentante na dieta de codornas de postura à base de arroz integral
- 258 -
informações foi realizada a determi- Resultados e discussão
nação do croma, obtido pela fórmula A avaliação colorimétrica das gemas
­croma = a2+b2 dos ovos é apresentada na tabela 1. Não
Para avaliação do efeito dos níveis de houve efeito dos níveis de inclusão de
beterraba, os dados foram submetidos beterraba sobre os parâmetros de lumi-
a ANOVA e à regressão polinomial a 5% nosidade, intensidade da cor vermelha,
de significância. intensidade da cor amarela e croma.

Tabela 1: Valores médios e desvio padrão dos parâmetros L*, a* e b* do colorímetro Minolta de
gema de ovos de codornas de postura alimentadas com diferentes níveis de beterraba (Beta
­vulgaris L.)
Níveis de inclusão
L* a* b* Croma
de beterraba (%)
0 67,07 ± 3,08 -7,62 ± 0,63 24,03 ± 3,21 25,22 ± 3,19
4 67,59 ± 2,92 -7,87 ± 0,51 22,78 ± 2,58 24,11 ± 2,58
8 67,22 ± 3,77 -7,46 ± 0,33 23,65 ± 2,15 24,81 ± 2,05
12 66,61 ± 3,88 -7,28 ± 0,79 23,43 ± 4,52 24,57 ± 4,38
P* 0,68 0,06 0,83 0,76
P* nível de significância pela regressão polinominal a 5%; (L*) variação de luminosidade de
branco (L=100) ao preto (L=0); (a*) coloração na região do vermelho ao verde; (b*) intervalo
entre amarelo e azul.

Os pigmentos encontrados mais abun- de beterraba não afeta os parâmetros


dantemente na beterraba são as betala- da cor dos ovos.
ínas (Chetanas; Nayak; Raghavaro, 2007),
sendo a betanina a principal (Kanner;
Harel; Granit, 2001). As betalaínas são so-
Conclusão
lúveis em água (Stintzing; Trichterborn;
Carle, 2006), portanto são eliminadas, o A inclusão de beterraba em até 12% em
que impede a sua deposição do pig- dietas com arroz integral não afeta a co-
mentante junto a fração lipídica, como loração da gema dos ovos de codornas
na gema do ovo. Desta forma, a inclusão de postura.

Anais SIAVS 2015 - Beterraba como pigmentante na dieta de codornas de postura à base de arroz integral
- 259 -

Referências bibliográficas

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Anais SIAVS 2015 - Beterraba como pigmentante na dieta de codornas de postura à base de arroz integral
- 260 -

USO DE PIGMENTANTES NATURAIS EM DIETAS COM


ARROZ INTEGRAL PARA CODORNAS JAPONESAS

BK GOMES1*; MLS de Castro1; RC DIAS1;


LDS GUIDO1; JS JÚNIOR2; DCN LOPES1; EG XAVIER1
1
*Universidade Federal de Pelotas, Departamento de Zootecnia,
Grupo de Estudos em Aves e Suínos da Universidade Federal de
Pelotas (GEASPEL), Campus Capão do Leão, Pelotas/RS
2
Pesquisador Embrapa Clima Temperado, Pelotas/RS

Abstract of the natural pigments alfalfa hay and


This study evaluated the effects of na- annatto to Japanese quails diets based
tural pigments in diets with whole on whole rice increased the color of the
rice for Japanese quails on the color egg yolk.
of egg yolks. A total of 30 laying quails
were randomly distributed in three tre- Introdução
atments with five replicates each: TC O uso de alimentos alternativos em
(diet based on whole rice and soybean substituição aos tradicionalmente utili-
meal); T2 (TC + 12% alfalfa hay); and T3 zados na coturnicultura busca diminuir
(TC + 12% annatto). A completely ran- os custos dos insumos utilizados na die-
domized design was used. Data were ta dos animais, que alcança até 70% na
analyzed by ANOVA and Tukey test at produção avícola (Barbosa et al, 2007).
5%. The birds had ad libitum access to Assim, fontes proteicas e energéticas,
food and water throughout the expe- que não o farelo de soja e o milho, são
rimental period. The variables analyzed adicionadas à dieta de codornas japo-
were: L*(luminosity), a*(red color) and nesas (Coturnix coturnix japonica), ten-
b* (yellow color). The inclusion of 12% do reflexo direto na produção de ovos.

Anais SIAVS 2015 - Uso de pigmentantes naturais em dietas com arroz integral para codornas japonesas
- 261 -
O arroz integral pode ser utilizado com comedouros metálicos manuais
como substituto ao milho, desde que, e bebedouros automáticos tipo ni-
do ponto de vista econômico, seja vi- pple. As aves receberam alimento e
ável. Apesar disso, a inclusão do arroz água ad libitum durante todo o perío-
apresenta como consequência inde- do experimental. Foram testados três
sejável à produção de ovos a despig- tratamentos: TC (dieta à base de arroz
mentação das gemas, devido à ausên- integral e farelo de soja); T2 (TC + 12%
cia de carotenóides. Como forma de feno de alfafa); e T3 (TC + 12% colorífi-
eximir este efeito indesejável, pode-se co de urucum). Cada tratamento teve
adicionar pigmentantes, atendendo cinco repetições, sendo cada unidade
ao desejo do mercado consumidor experimental representada por uma
(Moura et al., 2009). Pigmentantes gaiola com duas codornas, perfazen-
naturais vêm sendo buscados como do um total de 10 aves por tratamen-
aditivos às dietas, devido a barreiras to. O experimento teve a duração de
impostas pelo mercado internacional 15 dias, onde a cada período de 5 dias
quanto ao uso de carotenóides sin- foram realizadas coletas dos ovos, que
téticos. Como fontes naturais destas foram analisados em laboratório de
substâncias pode-se citar o colorífi- nutrição animal, da Universidade Fe-
co de urucum e o feno de alfafa, que deral de Pelotas
contêm carotenóides, substâncias
que intensificam a coloração amarela A coloração das gemas dos ovos foi
da pele dos frangos e da gema do ovo determinada usando um colorímetro
(Miranda Jr, 2014). (Minolta CR-200b, Osaka, Japan), previa-
mente calibrado em superfície branca
Em vista disso, este trabalho busca ana-
de acordo com padrões pré-estabeleci-
lisar a pigmentação de ovos de codor-
dos (Bible & Singha, 1993), que faz a lei-
nas japonesas alimentadas com dietas
tura de cores em um sistema tridimen-
contendo como única fonte energética
sional, avaliando a cor em três eixos. O
o arroz integral, com a adição de feno
de alfafa ou colorífico de urucum. eixo L* avalia a amostra do preto ao
branco, o eixo a* da cor verde ao verme-
lho e o eixo b* da cor azul ao amarelo.
Além disso, foi realizada a determinação
Materiais e métodos do croma, relação entre os valores de
O experimento foi realizado no Setor a* e b*, em que se obtém a cor real do
de Avicultura do Laboratório de Ensino objeto analisado. Para cálculo do croma
e Experimentação Zootécnica Professor foi utilizada a fórmula matemática C* =
Dr. Renato Rodrigues Peixoto, da Univer- (a*² + b*²)¹/².
sidade Federal de Pelotas.
Os dados foram submetidos à ANOVA e
Trinta codornas japonesas foram alo- as médias comparadas pelo teste Tukey
jadas ao acaso em baterias metálicas, ao nível de 5% de significância.

Anais SIAVS 2015 - Uso de pigmentantes naturais em dietas com arroz integral para codornas japonesas
- 262 -
Resultados e discussão mento com o pigmentante urucum
Não houve diferença no teste de Tukey (T3), seguida pelo feno de alfafa (T2),
a 5% do parâmetro Luminosidade (L*) sendo a menor média a do tratamento
entre os tratamentos controle e utiliza- controle (TC). A pigmentação vermelha
ção de pigmentante urucum na dieta (a*), por sua vez, teve sua maior média
(tabela 1). Já a pigmentação amarela no tratamento contendo o feno de alfa-
(b*), demonstrou-se melhor no trata- fa (T2) como pigmentante na dieta.

Tabela 1: Avaliação colorimétrica de gemas de ovos de codornas de postura alimentadas com


dieta à base de arroz integral com ou sem a adição de pigmentantes naturais*.
Tratamentos L* a* b*
Tratamento controle (TC) 69,74a -7,81b 26,08c
Feno de alfafa* (T2) 62,25b 0,216a 45,55b
Urucum* (T3) 66,99a -0,07b 51,35a
P* 0,04 0,05 0,04
*Médias seguidas de letras minúsculas diferentes, na coluna, diferem significativamente pelo teste
de Tukey a 5% de probabilidade. P* nível de significância a 5%; (L*) variação de luminosidade de
branco (L=100) ao preto (L=0); (a*) coloração na região do vermelho ao verde; (b*) intervalo entre
amarelo e azul.

Os menores valores de b* observados alfafa se deve ao fato de uma maior de-


para o tratamento controle corroboram posição de xantofilas, que contribuem
com os resultados encontrados por Vi- para produção de gema de coloração
dal (2009), que utilizou farelo de casta- alaranjada.
nha de caju, ou por Pinheiro et al. (2012),
ao utilizarem nabo forrageiro, dois ali-
mentos com pouca concentração de
Conclusão
carotenóides. A coloração vermelha se
deve ao fato do urucum conter em suas A inclusão de 12% de feno de alfafa e co-
extremidades um corante majoritário lorífico de urucum à dieta de codornas
denominado bixina (Henry, 1992). japonesas, tendo como fonte energética
principal o arroz integral, possibilitou o
Segundo Garcia et al. (2002), maior va- incremento da coloração das gemas, de-
lor de a* com a dieta contendo feno de vido à fixação de carotenoides.

Anais SIAVS 2015 - Uso de pigmentantes naturais em dietas com arroz integral para codornas japonesas
- 263 -

Referências bibliográficas

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