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Cronologia: Eras do Japão

Para entender melhor o Japão atual, é preciso conhecer sua história, desde os períodos remotos.
Se retrocedermos no tempo, poderemos chegar até os homens que viveram em cada época e seu estilo
de vida. Nessa primeira edição vamos mostrar como é dividida a história japonesa através dos períodos
ou eras. Convidamos todos a fazerem essa viagem no tempo.

1. Era Jomon - Os homens viviam da caça e pesca, alimentando-


se com carnes de veado, porco do mato, atum, salmão,
mariscos e frutas como uvas e castanhas. No início, levavam
uma vida nômade, descobrindo com tempo, o modo de
produzir vasos de barro. Com isso, conseguem conservar e
cozer os alimentos. Aos poucos, vão se agrupando e formando
aldeias, fixando-se em determinados lugares. Nessa época,
não havia nem ricos nem pobres.

2. Era Yayoi - O cultivo de arroz e instrumentos de metal são


transmitidos do continente. Com a intensificação das
atividades agrícolas, e aumento da populacão, nascem as
diferenças sociais, a classe dos ricos e pobres. Pela primeira
vez, o Japão é mencionado numa escritura chinesa.

3. Era Kofun - Nesta época, foram construídos muitos túmulos


gigantescos em forma de montículos (Kofun), pelos clãs
poderosos. Neles foram enterrados muitos objetos de metal,
bonecos de barro, pedras preciosas, entre outros tesouros. No
início do século 6, o budismo é transmitido ao Japão, sendo
introduzida a escrita junto com sutras.

4. Era Asuka - Forma-se a dinastia Yamato, após sucessivas


lutas entre os clãs. Em meados do século 7, seguindo o
exemplo da dinastia Tang (China), realiza a “Reforma de
Taika”, definindo a organização política, o sistema tributário,
etc. O príncipe Shôtoku institui os “17 códigos da
Constituição”, norteados nas doutrinas de Shintoísmo,
Budismo e Confucionismo.

5. Era Nara - o Código Administrativo do Japão é outorgado. O


budismo torna-se religião oficial. Por 7 vezes, são enviadas
delegações culturais à China para absorver a sua cultura. Ao
voltarem, elas divulgam budismo, confucionismo, estratégias
militares, músicas tocadas na corte imperial, rituais das
cerimônias, e, trazem inclusive inúmeros sutras, imagens de
Buda e instrumentos musicais. É compilada a primeira
antologia de poemas “Man’yoshu”, são escritos primeiros
livros de história do Japão, “Kojiki” e “Nihon shoki”, e ainda,
foi editado o primeiro tratado de geografia japonês, o
“Fudoki”.
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6. Era Heian - Os japoneses começam a criar cultura própria, após ter assimilado durante anos a
cultura chinesa. A permissão de apropriação das terras para uso particular dos nobres e dos templos
esfacelou o ideal do Código Administrativo do Japão, que era o de Estado controlar o povo e as
terras. A criação do “kana” (fonogramas), permitiu o florescimeto da literatura, sendo escrito nessa
época, o “Genji Monogatari”, que foi traduzido depois em várias línguas. Foi a época áurea da
nobreza, em que foram criadas muitas obras de arte.

7. Era Kamakura - Surgimento da classe dos samurais e estabelecimento do shogunato. O budismo


passa a ser cultuado pelo povo também. Os mongóis tentam invadir o Japão por duas vezes,
liderados pelo poderoso Khubilai Khan, mas nas duas vezes, o Japão foi salvo por vendavais
(kamikaze = vento divino) que dizimaram a frota mongol. Surgem os monges Shinran, Nichiren e
Dogen, fundadores das seitas budistas.

8. Era Muromachi - Época conturbada por guerras civis. Durante um curto período, houve até dois
imperadores no comando do país. As intermináveis guerras entre os senhores feudais, permitiram a
ascenção dos mais fortes, mesmos daqueles de classe inferior. Início do comércio com a dinastia
Ming (China), desenvolvendo as atividades econômicas feitas com moedas, importadas da China.
Ocorre o primeiro contato com os portugueses que chegam à deriva no sul do Japão, trazendo a
arma de fogo e o cristianismo.

9. Era Azuchi Momoyama - Nobunaga Oda e Hideyoshi Toyotomi vencem inúmeras batalhas e
conseguem unificar o Japão. Nessa época, os japoneses têm o primeiro contato com países da
Europa e recebem influência do cristianismo. Para demonstrar o poder, são construídos grandes
castelos, decorados com extremo luxo e requinte. Por outro lado, nessa mesma época, surgem a
cerimônia do chá e o teatro Noh, que pregam a elegância da simplicidade .

10. Era Edo - Uma era bastante peculiar em que o país conheceu a paz durante mais de dois séculos.
Houve o fechamento dos portos para as nações estrangeiras e a proibição do cristianismo. Para
manter o shogunato, a família Tokugawa, adota medidas rígidas e conservadoras, estabelecendo
quatro classes sociais distintas: samurais, agricultores, artesãos e comerciantes. O Japão adota a
filosofia confucionista e institui escolas nos feudos e templos. A queda do shogunato Tokugawa é
provocada por dificuldades internas e pela abertura dos portos.

11. Era Meiji - Com a queda do shogunato Tokugawa e a restauração do poder imperial, faz-se uma
ampla reforma. A ocidentalização do Japão ocorre a olhos vistos, tal como a adoção do calendário
ocidental. A guerra sino-japonesa e a russo-japonesa implanta patriotismo no povo, reforçando o
militarismo. O país passa da economia agrícola para industrial.

12. Eras Taisho, Aisho e Heisei - O Japão passa por amargas experiências nas duas Grandes Guerras
Mundiais. Ainda por cima, o povo sofre com danos causados pela natureza - o grande terremoto
que atingiu Tokyo e imediações, e outro, mais recente, na cidade de Kobe. Torna-se o único país na
face da Terra a ser bombardeado com bombas atômicas. Consegue se erguer da destruição quase
que total do país, após a 2ª Guerral, chegando a fazer parte de um dos países mais rico do mundo.
Passa por crises econômicas, que estão sendo superadas com a adoção do sistema de network de
meios de comunicação eletrônica para produção e distribuição e da tecnologia de micro-electronics
(ME) nas várias modalidades industriais.
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O Alvorecer do Japão

Era Glacial

Há mais de 10 mil anos atrás, quando a Terra ainda era coberta


por grossa camada de gelo, o Japão ainda estava ligado ao continente
asiático. Nessa época, os homens chegaram até o extremo leste do
continente asiático atrás dos mamutes e outros animais, manejando
lanças e arpões com pontas de pedra. Eles moravam à sombra das
rochas ou nas cavernas. Ao longo dos anos, foram criando língua e
cultura em comum, formando o povo japonês.

Era Jomon

Com o fim da Era Glacial, há cerca de 10 mil anos, o nível da água do mar foi subindo, e com
isso, o Japão foi separado do continente, formando o arquipélago japonês.
À medida que a Terra foi se aquecendo, os mamutes e outros animais gigantescos vão sumindo,
e os veados, porcos do mato e outros animais menores vão aumentando. Como são animais mais
ligeiros, os homens começam a utilizar muito o arco e a flecha. Além dos animais, eles se alimentavam
de frutas, castanhas, peixes e mariscos.
Os homens começam a produzir utensílios de barro, inicialmente utilizados para cozinhar
alimentos e, mais tarde, para armazenar e conservar alimentos. A maioria dos utensílios dessa época
possui ornamentações (MON) impressas com leve pressão de cordas (JÔ ou NAWA) sobre a sua
superfície. Daí o nome Jomon, ou seja, ornamentações de marcas da corda.
Os homens passam a se agrupar, cavam covas e, sobre elas, armam tetos cobertos com sapé nos
locais propícios à caça e pesca, formando pequenas aldeias. Na época não havia distinção entre ricos e
pobres. Todos dividiam os alimentos que provinham da natureza. Assim os homens respeitavam e ao
mesmo tempo temiam a fúria da natureza. Para aplacar a fúria, eles criam rituais. Eram animistas,
acreditando na existência de alma em tudo, nos rios, nas montanhas, nas pedras, etc.
Com a crescente migração do povo altamente desenvolvido do continente asiático, o Japão
conhece o cultivo de, inicialmente, trigo e sorgo, e posteriormente, arroz. Encerrando assim, a era
Jomon.

As relíquias
Além de utensílios de uso prático, como vasos, potes e tijelas, os homens da Era Jomon
produziram muitos bonecos de animais e homens, assim como estatuetas de terracota, que
provavelmente foram utilizados para rituais, cerimônias ou ainda como amuletos.

Itens (da esquerda para a direita): vaso do início da


Era Jomon – as rachas indicam que o vaso foi feito
sobrepondo os rolos de barro; vaso de meados da Era
Jomon – foram encontrados nas escavações
arqueoólgicas muitos vasos com as “asas” nas bordas
em forma de chamas; boneco com feição de uma coruja
(mimizuku-gata doguu) - fins da Era Jomon. Possui 3
coques no alto da cabeça e brincos incrustados nas
orelhas, talvez a moda da época?
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Enquanto isso no mundo...

• As pequenas nações em volta do Rio Nilo são unificadas, surgindo a civilização egípcia (3000 anos
A.C.). Eles criam o calendário, que subdivide o ano em 365 dias.
• Entre o Rio Tigre e o Rio Eufrates surge a civilização mesopotâmica(2350 anos A.C.). Eles criam
letras cuneiformes, sistema de 7 dias da semana, leis, etc.]
• Às margens do Mar Mediterrâneo e suas ilhas costeiras surge a civilização grega. Deixa legados
inestimáveis de obras de arte que data de século 11 A.C. a século 1 A.C.
• No século 1 A.C. os romanos dominam a região do Mar Mediterrâneo e estabelece o império romano.
Asfaltaram as ruas com paralelepípedos, criaram sistema de canalização das águas.
• Às margens do Rio Indu, há aproximadamente 2500 anos A.C., nasce a civilização Indu, sendo
invadido pelos arianos, o povo é submetido ao rígido sistema hierárquico de castas.
• Nas bacias do Rio Amarelo habitavam o povo Han, mais tarde unificado por dinastia Han (206 A.C. a
220 D.C.). Criam muitas obras de bronze, e os ideogramas.
• Surge o filósofo chinês Confúcio (551 A.C. a 479 A.c.)
• Surge Sidarta Gautama(463 A.C. ? a 383 A.C.?), o Buda, fundador do Budismo.
• Construção da grande Muralha da China (iniciada em 202 A.C. e estendida até a dinastia Ming) , com
aproximadamente 2.400 km.

A criação do mundo segundo a mitologia japonesa

Era Glacial

Cada povo tem a sua mitologia. Porém, ela foi sendo eliminada das
salas de aula, pelo fato de não ter uma fundamentação científica. A
mitologia japonesa já não consta mais nos livros didáticos da história do
Japão publicados após a Segunda Guerra Mundial.
Alguns estudiosos não concordam com essa posição de se banir
totalmente a mitologia dos livros de história, acreditando que ela faz parte
do desenvolvimento da humanidade. Como exemplo, temos o antropólogo
Claude Lévi-Strauss, que atuou como professor na Universidade de São
Paulo. Ele explicou racional e matematicamente a lógica da mitologia.
Assim, o tema mitologia tem sido reconsiderado sob o ponto de
vista de “sistema de pensamento universal da humanidade = pensamento
primordial”.
Segundo o professor Masakuni Kitazawa, “a mitologia é expressão da forma como os povos
lidavam com a natureza que os cercava, o seu clima, condições geográficas, ambiente e o universo.” Os
deuses, os heróis, assim como o espelho, a espada, o corvo, a canforeira, e outros elementos, foram a
maneira que os antigos encontraram para codificar racionalmente os seus pensamentos. Ele ainda
afirma: “Mesmo que a mitologia seja esquecida pelos seus povos, enquanto o clima, as condições
geográficas e o ambiente que os envolve não mudarem também, a lógica contida na mitologia
continuará a agir no subconsciente do indivíduo e delinear o pensamento dos povos.”

A criação do mundo

Os deuses começaram a habitar primeiramente em um lugar chamado Takamagahara. Quando


chegou a sétima geração desses deuses, o deus chamado Izanagi, ou o Pai do Céu, e a deusa chamada
Izanami, ou a Mãe da Terra, receberam do Senhor do Céu uma lança e, sobre uma ponte flutuante do
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céu (Ama-no-ukihashi), mexeram o mar com essa lança. Das gotas de sal que caíam e se solidificavam,
formou-se uma ilha chamada de Onokoro. Os dois desceram até a ilha, escolheram a coluna celeste e
construíram um palácio.
Izanami deu uma volta na coluna celeste e, ao ver Izanagi, falou: “Que homem bonito!”. A
seguir, Izanagi disse: “Que mulher bonita!”. E assim os dois se tornaram um corpo só e começaram a
criar outras ilhas. Porém, quando olharam para elas, perceberam que não estavam muito boas. Então,
voltaram ao céu para consultar os outros deuses. Eles explicaram aos dois que não é bom que uma
mulher dite as primeiras palavras. Assim, o casal retornou ao palácio e, dessa vez, foi Izanagi quem
dirigiu as primeiras palavras à Izanami. Unidos dessa forma, começaram a nascer belas ilhas, uma após
a outra. Primeiro nasceu a ilha de Awaji, depois a de Shikoku, em seguida a de Honshu e as demais,
totalizando oito ilhas. Além delas, Izanami procriou o Deus da Montanha, do Mar, do Vento, e mais 35
deuses. Ao dar à luz ao seu último deus, o Deus do Fogo, morreu queimada.

O mundo dos mortos

Não conseguindo esquecer Izanami, Izanagi vai até o


mundo dos mortos para encontrá-la. Izanami fica feliz e deseja
muito retornar à Terra, mas pede a Izanagi para não olhá-la até
que o Deus da Morte lhe dê permissão para retornar. Ansioso
demais para revê-la, Izanagi quebra a promessa e acaba olhando
para sua amada. Qual não foi o seu susto! O corpo dela estava
coberto de vermes e com oito tipos de trovão. Assustado,
Izanagi começa a fugir. A mulher tenta aprisioná-lo enviando a
tropa dos deuses do trovão. Na fuga, Izanagi apanha três
pêssegos e atira-os contra os perseguidores, que são afugentados pelo seu poder mágico. Ele fecha a
entrada do Mundo dos Mortos com uma pesada rocha que demandaria a força de mil homens para
removê-la. Bastante irada, Izanami roga uma praga, dizendo de trás da rocha: “Para me vingar de você,
matarei por dia, 1 mil homens do seu país!”. Izanagi retruca: “Então farei com que nasça 1,5 mil
crianças por dia!”.

O nascimento da deusa do Sol, Amaterasu

Izanagi purifica o seu corpo maculado por ter ido até o mundo dos mortos, através de outros
relacionamentos. Nessa ocasião também nasceram muitos deuses. Por último, enquanto ele lavava seu
rosto, do olho esquerdo nasceu a Deusa Amaterasu (a Deusa do Sol) a quem concede o domínio de
Takamagahara e, do olho direito nasce Tsukuyomi-no-mikoto, a quem concede o domínio da noite, e
do nariz nasce Susano-no-mikoto a quem concede o domínio do mar. Para a Deusa Amaterasu, ele
ofereceu um colar feito de pedras. Com o nascimento desses deuses, que fornecem energia para o sol,
para a lua e para o mar, dando-lhes vida e movimento, iniciam-se as atividades do universo.
A Deusa Amaterasu é a figura central e de maior importância na mitologia japonesa. Foi ela
quem deu origem à família imperial. Ela é cultuada no Templo Ise, pertencente à família imperial. Até
antes da Segunda Guerra, os japoneses acalentavam o desejo de visitar o local menos uma vez na vida.
Não por ser o templo da família imperial, mas para rezar e pedir por uma farta colheita à deusa
Amaterasu, fonte da vida, ao Deus da Água Sarutahiko, e à Deusa dos Cereais, Toyouke.
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Era Yayoi

Desenvolvimento Japonês

Origem do cultivo de arroz

Por volta de século III A.C., devido às dificuldades enfrentadas em torno


da política da Dinastia Han (atual China), muitos chineses migraram para
o Japão, atravessando a Península Coreana. Esses chineses introduzem no
Japão o cultivo de arroz. Assim, aos poucos, os nativos do arquipélago
deixam a vida nômade de caça e pesca, e começam a fixar residência. As
primeiras moradias fixas consistiam em covas rasas, cobertas com sapê.
Pode-se dizer que foi o primeiro marco da revolução no campo.
Logo, o cultivo do arroz foi ganhando terreno, e, ao longo dos 100 anos
seguintes, passou a predominar como a principal atividade econômica das regiões de Kinki(1),
Kanto(2) e Tohoku(3). Em 1943, foram descobertas 12 habitações nas escavações arqueológicas de
Toro (província de Shizuoka) e, nos arredores do arrozal ali localizado, encontraram-se canais, celeiros
de palafitas, poços e utensílios feitos de madeira. Um detalhe curioso é que nas pilastras dos celeiros
havia uma espécie de aba de proteção estrategicamente colocada junto ao celeiro, a fim de impedir a
entrada de ratos.
Até a descoberta das ruínas de Toro, embora houvessem algumas citações em Koji-ki e Nihon-shoki
(registros históricos escritos no século 8) referentes às habitações, utensílios e estilo de vida da época,
tudo não passava de lenda, pois não existiam provas concretas. Porém, através dos vestígios de arrozais
encontrados nas escavações de Itatsuki, na cidade de Fukuoka, em 1980, pode-se deduzir que os
homens da Era Yayoi utilizavam enxadas de madeira para arar a terra, fazer valetas e caminhos,
jogavam sementes na terra, e na colheita, ceifavam as espigas com facas feitas de pedra. Sabe-se que
eram cultivados também trigo, sorgo e soja, entre outros.

Os vasos em estilo Yayoi e utensílios de cobre

Receberam a denominação de vasos em estilo Yayoi, porque os primeiros foram


descobertos no bairro de Yayoi. Caracterizam-se por serem mais finos, duros e
possuírem menos adornos do que os vasos da Era Jomon. Os seus formatos diferem
conforme o seu emprego, ou seja, se são destinados para cultos religiosos, cozimentos,
conservas, recipientes para água ou alimentos.
A partir dessa era, começam a surgir utensílios de ferro, cobre, etc. O ferro foi utilizado
para fazer instrumentos agrícolas, facas, espadas, lanças e entre outros. Os espelhos de
cobre encontrados nas tumbas de grandes clãs foram utilizados, inicialmente, como presentes e como
um dos objetos sagrados para cultos religiosos.
Os sinos de cobre também foram utilizados como parafernália de cerimônia religiosa, ou talvez,
também como instrumento musical. Na superfície dos sinos observam-se as mais variadas figuras que
nos levam a ter idéia da vida daquela época, tais como: homens caçando, mulheres sovando os cereais
no pilão e as palafitas que serviam como celeiro ou depósito. A escolha de cobre para cunhar lindas
figuras parece ser comum em quaisquer civilizações.
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Os cadáveres nos contam

Na sociedade cuja atividade principal é o cultivo de arroz, naturalmente, com o tempo, acabam-
se criando a classe dos mais favorecidos e a dos menos favorecidos. À medida que a diferença entre os
pobres e os ricos se acentua, surgem a classe dominante e a dominada que vão se agrupando e
formando aldeias, que por sua vez se unem em pequenos países. O surgimento das diferenças sociais é
o momento também do início das lutas pelo poder. As valas em volta da aldeia comprovam as lutas
entre as aldeias. Além disso, foram encontrados esqueletos humanos com pontas de flecha feitas de
pedras trespassando os ossos.
Nas tumbas dos clãs foram encontrados também muitos objetos de adornos feitos de jade, ágata,
ouro, cristal ou argila, com orifícios na parte superior para passar um cordão.
Pelas análises dos ossos encontrados nas escavações, podemos supor que os homens das
remotas épocas também sofriam dos males semelhantes aos que enfrentamos hoje, como fratura dos
membros, sinusite, poliomielite e artrite, etc. Ainda, segundo os antropólogos, o índice de
sobrevivência de indivíduos de até 15 anos era de 40%. Conseqüentemente, a idade média de vida,
tanto para o homem como para a mulher, deveria ter sido de 20 a 30 anos. Além disso, pelas arcadas
dentárias é possível supor que as mulheres arrancavam os dentes incisivos e caninos quando se
casavam ou na segunda núpcia.
Um dos fatos do final da Era Yayoi que podemos saber com certeza é sobre o país chamado
Yamatai-koku e a sua rainha Himiko que consta no registro da China intitulado Gishiwajin-den.

Rainha Himiko – A Lendária rainha de Yamatai que foi escolhida para governar a nação no século III

Este episódio do Japão, encontrado em manuscritos da China, é famoso


por contar a história de um governo que restaurou a paz no arquipélago japonês,
antes dominado por sangrentas batalhas.
Por volta do anno Domini (século I), havia em Wa (denominação dada
pelos chineses ao arquipélago japonês) mais de cem pequenas nações (tribos).
A partir do final da Era Yayoi (século III), estas pequenas nações começaram a
ser, pouco a pouco, subjugadas por outras mais poderosas. Dentre elas,
destacou-se a nação Yamatai, governada por uma rainha chamada Himiko, que
dominava mais de 30 nações.
A nação Yamatai, no início, era governada por um homem. Porém, as
intermináveis batalhas que tomavam conta de todo o país fizeram com que os
chefes das nações pertencentes a Yamatai elegessem uma mulher como líder.
Assim, início do século III, Himiko foi escolhida para governar a nação.
Uma aura de mistério foi criada à volta de Himiko, pois ela morava num
casarão cercado por muros altos e fortemente protegido por soldados, tendo a
seu serviço perto de mil escravos. Ela nunca se casou e manteve-se isolada do
mundo exterior. Todas as mensagens eram transmitidas por seu irmão, um fiel
aliado e seu assessor direto. Himiko tornou-se uma espécie de xamã da nação,
pois, sempre que lhe era pedido um conselho, ela retirava-se no oráculo, rezava a noite inteira e
transmitia as revelações divinas na manhã seguinte, por intermédio de seu irmão. Acredita-se que ela
realmente possuía o poder de prever o futuro, pois as medidas e as decisões tomadas mostravam-se
sempre corretas.
Após a elevação de Himiko ao governo de Yamatai, a paz reinou no Japão. Para consolidar o
seu poder, em torno de 239, Himiko mandou uma missão à distante Wei, uma das nações da China.
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Nesta época, a região estava dividida em três nações: Wu (em japonês “Go”= ), Shu (em
japonês “Shoku”= ) e Wei (em japonês Gi = ), sendo esta última considerada a mais poderosa
dentre as três.
A missão fez uma viagem de muitos meses pelo mar e depois por terra, finalmente chegando à
capital Loyang. Lá, conseguiram uma audiência com o imperador de Wei e entregaram-lhe os presentes
oferecidos pela rainha Himiko. Segundo o registro desse país, os presentes oferecidos foram: quatro
escravos, seis escravas e tecidos. O imperador de Wei, por sua vez, retribuiu os presentes enviados pela
rainha, concedendo-lhe o título de Shingiwao, ou seja, “Rainha de Wa (Japão), da nação aliada de
Wei”. Além do título, presenteou-a com um selo de ouro e cem espelhos de cobre considerados
sagrados.
A paz que havia voltado ao Japão após o reinado de
Himiko foi rompida pela rebelião da nação vizinha Kunakoku. A
batalha foi bastante violenta e, para conter o inimigo, por volta de
247, a rainha Himiko pediu ajuda ao reinado de Wei (China). O
imperador declarou o seu pronto apoio enviando ao Japão a tropa
chinesa comandada por Chang Cheng. Com esse reforço do país aliado, Himiko conseguiu superar a
crise.
Não se sabe com exatidão quantos anos a rainha Himiko viveu, porém, supõe-se que ela tenha
tido uma vida bastante longa. Quando Himiko morreu, um grande túmulo foi construído e foram
enterrados com ela mais de cem escravos.
Após a sua morte, um homem assumiu o poder em Yamatai. Entretanto, logo reiniciou-se a
guerra das nações pelo poder. O conselho reuniu-se e resolveu colocar no trono uma outra mulher. A
escolhida foi Iyo, uma menina de apenas 13 anos, que conseguiu em seu governo restabelecer a paz
seguindo a mesma linha política adotada pela rainha Himiko.
Sabe-se da existência da nação chamada Yamatai e da rainha Himiko por registros da história
de Wei (China); entretanto, até hoje é desconhecida a localização exata da nação Yamatai no
arquipélago japonês. Existem duas teorias quanto à sua localização: uma é a de que ela existiu ao norte
da ilha de Kyushu (abrangendo as províncias de Oita, Fukuoka, Saga, Nagasaki, Kumamoto,
Kagoshima e Miyazaki); e a outra, na região de Kinki (abrangendo as províncias de Quioto, Nara,
Shiga, Osaka, Hyogo, Mie e Wakayama).

Como viviam os japoneses no século III?

Registro de Wei – relatos sobre Wa (Gishi Wajin-Den).


Os homens de Wa não usavam chapéus, amarravam uma tira de tecido na testa e cobriam-se
com tecidos enrolados ao corpo e amarrados na cintura. As mulheres vestiam roupas feitas com tecido
bem largo, com um corte no meio do pano, por onde passavam a cabeça para vesti-las. Plantavam pés
de arroz e cânhamo e criavam bichos-da-seda. Quando as pessoas de hie-rarquia superior passavam
pela rua, as de classes inferiores escondiam-se atrás de moitas e, ao dirigirem-lhes a palavra,
ajoelhavam-se com as mãos apoiadas no chão.

O que Himiko comia?

A rainha de Yamatai teve, para a época, uma vida muito longa, alimentando-se basicamente de
soja, verduras e arroz. Além desses pratos triviais, peixes também eram servidos, ou seja, desde aquela
época, os pratos principais dos japoneses eram à base de arroz, soja, verduras e peixes.
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Era Kofun

Tumbas: símbolo do poder

A Era Kofun ganhou esse nome em virtude das grandes tumbas


antigas do final da Era Yayoi. Elas estão em Quioto, Nara, Osaka,
Okayama, Shimane, Fukuoka, etc. Como mencionado no capítulo
anterior, sabe-se que a rainha Himiko governou a nação Yamatai
mantendo intenso intercâmbio com a China. A Era Kofun inicia-se
depois desse episódio.

A cultura transmitida pelos migrantes (torai-jin)

A chave para a construção das gigantescas tumbas reside


nos migrantes (torai-jin) que chegaram ao arquipélago japonês Em cima: os diversos tipos de
pela península coreana. Acolhidos quando a península coreana tumbas antigas.
estava em guerra, os migrantes, que receberam cargos de elite na Embaixo: objeto de terracota
corte de Yamato, transmitiram a tecnologia da construção de encontrado no interior das
tumbas e também de grandes templos, além de técnicas de tumbas.
forjadura, de sericultura, de tecelagem, de cerâmica e outras.
Esse movimento migratório data desde a época da mudança da
Era Jomon para Yayoi, quando muitos migrantes chegaram ao Japão. Atualmente,
a teoria predominante da origem do povo japonês é de que ele surgiu da
miscigenação do homem Jomon com os migrantes.

Em cima: casa
reproduzida em
terracota e homem
comandando
trabalhadores na
construção dos
grandes túmulos.
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A corte de Yamato

Poderosos clãs construíam tumbas já por volta do século V, principalmente os clãs da região de
Yamato. O governo era liderado pelo imperador e dividia as funções administrativas, instituindo o
sistema de uji (grupo de pessoas da mesma linhagem) e de kabane (hierarquia dos clãs regionais que
serviam à corte). Os clãs regionais forneciam produtos da terra à corte. Os grupos de uji cultuavam os
seus deuses, tinham suas propriedades, controlavam o seu povo e serviam à corte.
Na hierarquia, existia o equivalente à pária (camada mais baixa do sistema de castas da Índia).
Eram os nuhi, da corte e dos templos, homens e mulheres escravos vendidos livremente.
No final do século IV, a corte de Yamato expandiu seu território até a região de Kara (sul da
península coreana), alcançando poder militar suficiente para guerrear contra nações coreanas como
Kokuri e Shiragi, aliando-se a Kudara.

Tumba Daisen

A tumba Daisen, do imperador Nintoku, em Osaka, é a maior do mundo, com 475 metros.
Supondo que 6.800 mil pessoas tenham trabalhado na construção do túmulo, mobilizando 2 mil pessoas
por dia, a obra levaria quinze anos para ser concluída. O montante gasto é calculado em 79.600 bilhões
de ienes. Mesmo com a atual tecnologia, seriam necessárias 29 mil pessoas, dois anos e seis meses,
com o custo total de 2 bilhões de ienes. Na foto abaixo, a famosa tumba:

O imperador Akihito, durante pronunciamento de


abertura da Copa do Mundo de Futebol Japão–
Coréia, em 2002, disse que a mãe do imperador
Kanmu (737-806) era torai-jin (migrante).
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Era Asuka

A Era Asuka (593–710) não é apenas uma subdivisão da Era Kofun,


como pensam alguns historiadores. É um período importante da história
japonesa, em especial da arte e da cultura do país. Foi nessa Era que
floresceram obras de arte búdicas de relevante valor artístico. A transição de
uma nação orientada pelo credo xamanista para uma nação
institucionalizada, norteada pelas doutrinas confucionista e budista, em que
grandes clãs começaram a substituir tumbas monumentais por templos
budistas aconteceu na Era Asuka. São templos construídos com extremo
requinte, com imagens de Buda que são verdadeiras obras de arte. Entre
esses, destaca-se o templo Hôryû-ji (607), construído totalmente em
madeira, considerado patrimônio da humanidade desde
1993.
Vista aérea do templo Na Era Asuka, a corte de Yamato, proveniente da região de
Hôryû-ji (construção de mesmo nome (atual Nara e suas imediações), foi solidificando sua
madeira mais antiga do estrutura política, dominando os demais clãs. A
mundo). figura central do Ôkimi (Grande Soberano)
liderava a corte de Yamato. Clãs possuíam a
função de ministros. Criaram-se cargos distintos, que passaram a ser
hereditários, transformando-se de nação de caráter mágico-ritualístico, do
tempo da rainha Himiko, para a de estrutura administrativa que se aproxima
da moderna.
Quando a soberana Suiko (592–628) tomou posse, em fins do século
VI, seu sobrinho, o príncipe Shôtoku (574–622) tornou-se regente e, junto
com o poderoso clã Soga-no-Umako, desenvolveu uma política para
consolidar o sistema governamental do país. Assim, no ano de 603, foi criado,
pelo príncipe Shôtoku, o Kan’i jûnikai (doze graus de hierarquia burocrática),

para a valorização de burocratas. Em 604, ele instituiu o Kenpô


Jûshichi-jô (17 Códigos da Constituição), mais preceitos morais Príncipe Shôtoku, estadista
norteados nas doutrinas de, principalmente, Budismo e revolucionário responsável
Confucionismo. Com o objetivo de absorver o novo sistema político pela criação de um novo
e cultural mais avançado, foram enviadas à China (na época, sistema político e pela
governada pela dinastia Sui) cinco missões de estudiosos e monges, construção de vários templos
budistas, como o Hôryû-ji.
o chamado kenzui-shi (missão a Sui, em japonês “ -Zui”).
Com a morte do príncipe Shôtoku, o clã Soga aumentou seu
poder. Insatisfeito com isso, o príncipe Naka-no-Ôoe (mais tarde, imperador Tenji), em conspiração
com Nakatomi-no-Kamatari (posteriormente Fujiwara-no-Kamatari), destruiu o clã Soga (645) e,
consultando aqueles que tinham ido estudar na China (na época, governada pela dinastia Tang),
iniciaram a reforma política para construir uma nação sólida. Essa reforma ficou conhecida como
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Reforma de Taika, pois nesse ano foi instituído o sistema de nengô, nome dado a certo período de anos
e adotado até hoje. O primeiro nengô foi da era Taika (645–650).
A Reforma de Taika transformou os terrenos de propriedade particular da família imperial e dos
clãs em propriedade pública. O povo (agricultores) também passou ao controle do poder central
(imperador). Instituiu-se, assim, um novo sistema de controle nacional, bem como de cobrança de
impostos, feito pelo registro de família (koseki).
Com a morte do imperador Tenji, iniciaram-se as guerras pelo poder, vencidas pelo imperador
Tenmu, que continuou com a reforma política e o fortalecimento do poder imperial. Sua sucessora, a
imperatriz Jitô, instalou-se na região de Asuka (planície de Nara) e concluiu a reforma em 701
(primeiro ano da Era Taihô), que chamou de Taihô Ritsuryô, originando o sistema político norteado por
ritsu (judiciário) e ryô (legislativo), que perdurou por muito tempo.
O sistema político ritsuryô determinou o poder ao imperador, instituiu oito ministérios, cujos
ministros foram escolhidos dos grandes clãs que despontaram desde a época da Reforma de Taika. A
eles, foram atribuídos direitos, inclusive o título de nobreza, que passou a ser hereditário, criando,
assim, classes sociais distintas. O Japão foi dividido em 60 koku (circunscrições), e cada koku foi
subdividido em gun (comarcas); os gun, em pequenos ri (vilas). Cada koku era governado por um
kokushi enviado pela capital, que, por sua vez, indicava os clãs para a administração do gun (gunji) e
do ri (richô).
O ritsu estabelecia cinco penalidades de acordo com a gravidade do crime, sendo a mais leve a
pena de açoite, e a mais pesada a pena de morte. Os crimes leves eram julgados pelos chefes da
comarca (gunshi); e os graves, pelos ministros, ou mesmo pelo imperador. No norte da ilha de Kyushu,
foi instalado, excepcionalmente, o dazaifu, para a defesa nacional, assim como para governar toda a
ilha.
A cada seis anos, a corte renovava o koseki (registro de família), atribuindo a todo indivíduo a
partir de 6 anos de idade a sua parcela de arrozal (kubunden), que era devolvida à corte por ocasião de
sua morte para sua redistribuição. Os agricultores, além de pagar imposto por seu kubunden, eram
recrutados para prestar serviços em obras diversas e obrigados a prestar serviço militar. Em 710, foi
construída uma nova capital em Nara, a oeste da atual cidade de mesmo nome, iniciando-se a Era Nara.
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Príncipe Shôtoku

Panorama da época

O budismo foi introduzido ao Japão por volta de 538 (ou 552, segundo algumas teorias) pelos
migrantes (torai-jin), quando no país já existia o shintoísmo, fé nativa. Desde o século V, os intelectuais
liam o Analecto de Confúcio (uma coleção de escritos e ditos célebres de Confúcio) trazido por Wani,
um torai-jin coreano de Kudara, recebendo, inclusive, estudiosos que chegaram à terra japonesa para
ensinar a doutrina confuciana.
Na corte de Yamato, houve um conflito entre os partidários que defendiam o budismo (clã
Soga) e os que o repudiavam (clã Mononobe). Em 587, o clã Soga derrota o clã Mononobe, e uma
mulher é indicada para ocupar o supremo cargo, a imperatriz Suiko. Assim como nos tempos de
Himiko, ela obteve muitos êxitos na construção de uma nação melhor estruturada, respaldada por seu
sobrinho, o príncipe Shôtoku, nomeado seu regente. Juntos, ao longo de 36 anos, eles modernizaram o
sistema político, econômico e diplomático e ainda colaboraram para a difusão do budismo.

Perfil do príncipe Shôtoku

O ídolo da História Antiga do Japão nasceu em 574, tendo como


pai o imperador Yômei e como mãe Anahobe. O seu verdadeiro nome,
Umayado (literalmente, porta do estábulo), deve-se, segundo a lenda, ao
fato de Anahobe ter começado a sentir as contrações do parto na frente
do estábulo real. Após a idade adulta, Umayado recebeu o cognome de
Toyotomimi (ouvidos sábios), por sua inteligência aguçada e sabedoria
ímpar. Uma lenda diz que ele conseguia ouvir reinvidicações de dez
pessoas ao mesmo tempo e encontrar soluções satisfatórias para todas.
Desde a tenra idade, ele dedicava-se aos estudos, demonstrando rara
inteligência. Era totalmente devotado ao budismo e, juntamente com sua tia, a imperatriz Suiko,
realizou inúmeras reformas políticas.
“Shôtoku”, cujo sentido literal é “virtude sagrada”, foi o cognome que se irradiou após o seu
falecimento, em 622, devido aos seus feitos. Na velhice, afastou-se da política e dedicou-se à difusão
do budismo, escrevendo obras sobre as interpretações de sutra, entre elas, San-gyôgisho.

Kan’i jûnikai (doze graus de hierarquia burocrática)

Este foi o primeiro sistema hierárquico do Japão, criado em 603 pelo príncipe Shôtoku que, por
sua vez, recebeu forte influência da China. Chamou-se kan’i (hierarquia por chapéu), porque a
distinção das hierarquias era feita pelo uso de chapéu de diferentes cores, e jûnikai (doze classes), por
causa da divisão em 12 classes hierárquicas. Estas eram concedidas para pessoas de real valor e não
eram hereditárias. No início, destinavam-se aos súditos diretos da corte, ou ainda aos chefes de clãs da
região de Nara e suas imediações, onde se instalou a corte imperial. Porém, com o passar do tempo,
essas classes hierárquicas foram estendidas aos chefes de clãs de todo o Japão.

Criação do Kenpô Jûshichi-jô (17 códigos da Constituição)

Não se pode dizer que esta seja uma “constituição” em seu real sentido, ou nos moldes atuais, e
sim preceitos morais que serviam de diretriz para a conduta dos “funcionários públicos”.
No Kenpô Jûshichi-jô, nota-se nitidamente a forte influência dos pensamentos budista e confucionista.
A ênfase à conduta conciliatória é bastante peculiar dentro do sistema de imperialismo absoluto.
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Difusão do budismo

Por incentivo do príncipe Shôtoku, vários templos foram construídos no Japão. As construções
proporcionavam a difusão em larga escala de técnicas de confecção de papel, pintura e outras formas
de arte. O Templo Hôryû-ji (província de Nara), considerado o mais antigo templo de madeira do
mundo, foi construído em 607. No início, era uma espécie de templo-escola para estudar o budismo. O
templo Shitennô-ji (província de Osaka) foi alvo de admiração das delegações chinesas e coreanas que
contemplaram, de seus navios, a sua magnífica construção. Nesse período, foram introduzidos no
arquipélago muitos livros sobre budismo, astronomia, etc., iniciando-se a compilação da História do
Japão tal como Tennô-shi (História dos Imperadores).

Relações diplomáticas

Em 607, o príncipe enviou o alto funcionário da corte, Ono-no-


komachi para Sui como portador do documento credencial, abrindo, dessa
forma, o caminho para relações diplomáticas em pé de igualdade com a
China. Foram enviados os promissores funcionários jovens e monges
eruditos para absorverem a cultura avançada da dinastia Sui (China). Esses
preciosos recursos humanos levaram à Reforma de Taika.

Kenpô Jûshichi-jô

• Código 1 – Deve-se respeitar a harmonia e a hierarquia. A política deve ser conduzida com cooperação.
• Código 2 – Deve-se cultuar os três tesouros, que são: Buda = o sábio; as leis = os ensinamentos do Buda;
sacerdote = o grupo que aceita com alegria os ensinamentos e os pratica.
• Código 3 – Deve-se obediência ao seu senhor. O senhor é o Céu, e o súdito é a Terra.
• Código 4 – Os funcionários da corte devem ser cordiais com o povo.
• Código 5 – Ao julgar a queixa (denúncia) do povo, deve se proceder com imparcialidade.
• Código 6 – Fomentar o bem e aplicar o corretivo nos maus atos servirá de exemplo ao povo. Elogiar o superior e
falar mal dos erros de seus súditos não é ser fiel ao seu senhor.
• Código 7 – Cada um tem a sua missão a cumprir, e tudo sairá bem se o cargo público for ocupado por alguém
competente.
• Código 8 – Os funcionários da Corte deverão chegar cedo e voltar tarde. Se chegarem tarde, não conseguirão
atender aos imprevistos e, se voltarem cedo, não conseguirão terminar o serviço do dia a contento.
• Código 9 – Se os funcionários forem íntegros, qualquer empreendimento terá êxito. A integridade é a base da
justiça.
• Código 10 – Deve-se conter a ira e deixar de lado o ódio, não se aborrecendo por causa da discórdia.
• Código 11 – Observe atentamente o bem e o mal. Sempre se deve premiar o bem e castigar o mal.
• Código 12 – Os chefes de comarcas não poderão receber presentes, nem recrutar mão-de-obra por conta própria.
Para o povo, não deve haver dois senhores.
• Código 13 – Todos deverão estar a par dos trabalhos realizados pelos colegas, pois não se deve deixar parado
um trabalho, caso alguém tenha que faltar por estar doente.
• Código 14 – Os funcionários da corte não deverão ter ciúme, pois ele cega-os perante a competência alheia.
• Código 15 – Deve-se procurar os benefícios públicos, abandonando os sentimentos pessoais.
• Código 16 – Deve-se recrutar o povo levando em consideração a época. Utilizem o trabalho do povo no inverno,
quando há mais tempo livre. Da primavera a outono, é a época de trabalho no campo ou da sericultura.
• Código 17 – Os problemas graves devem ser discutidos exaustivamente entre os funcionários, para a busca de
uma solução.
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Era Nara

Ao conquistar a estabilidade com o sistema político de Ritsuryô, a corte


imperial mudou a capital para cidade de Heijô, a oeste de Nara, dando início à
Era Nara, em 710.
A cidade de Heijô foi construída seguindo o modelo da capital chinesa da
época, Changan, com ruas simetricamente dispostas como em um tabuleiro de
xadrez. A cidade chegou a contar com mais de 100 mil habitantes e, nas ruas
principais, perfilavam-se as mansões dos nobres, os templos budistas e também
as casas do povo. Criaram-se feiras controladas pela corte, intensificando o
comércio, que deu origem às primeiras moedas japonesas, embora no interior os
tecidos e o arroz ainda desempenhassem a função de moedas.
A agricultura também ganhou novo alento com a difusão de ferramentas agrícolas e o progresso
nas obras de irrigação. Além disso, os minérios são explorados em maior escala, tais como ouro da
região de Mutsu (atualmente, províncias de Fukushima, Miyagi, Iwate e Aomori) e cobre da região de
Suô (atualmente, província de Yamaguchi), fatos que também contribuíram para o início da cunhagem
de moedas.
Com o aumento do poder da corte Yamato, sua área de domínio passou a abranger regiões mais
longínquas. A corte dominou desde o povo Emishi, ao norte do Japão, até o povo Hayato, ao sul da ilha
de Kyûshû.

Kentô-shi (Missão a Tang)

Na Era Nara, para absorver a cultura avançada da dinastia Tang (China), foram enviadas várias
missões.
Normalmente, a missão partia numa frota de 4 navios e era composta por 100 a 250 pessoas,
embora uma missão tenha chegado a ter 500 pessoas. Nem o perigo das ondas revoltas do Mar do
Japão ou do Mar da China desanimou essa delegação, composta por estudiosos, monges e bolsistas, que
tinha uma grande vontade de aprender a cultura chinesa, nova e mais avançada. Assim, as missões a
Tang contribuíram muito para o desenvolvimento político e cultural do Japão.
Ainda, nessa época, o Japão manteve intensa relação diplomática com Shiragui (Coréia) e Pohai, uma
nação que existiu ao norte da China entre 698 ~ 926.

As mulheres no poder

A Era Nara também é conhecida como era das imperatrizes, já que houve muitas mulheres
governantes que se destacaram por sua sabedoria e sagacidade. Nos 74 anos da Era Nara, cerca de 30
anos ficaram sob o governo das imperatrizes Genmei (707~715), Genshô (715~724), filha da
imperatriz Genmei, e Kôken (749~758) que, mais tarde, assumiu novamente o poder sob o nome de
imperatriz Shôtoku (764~770).
A construção da capital em Heijô (Nara), a cunhagem da moeda e a edição das obras Koji-ki
(história do Japão) e Fudo-ki (geografia do Japão) ocorreram no mandato da imperatriz Genmei. No
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governo de Genshô, foram concluídos o Código de Direito Yôrô Ritsuryô (obra com alterações parciais
do Taihô Ritsuryô) e o livro de história oficial do Japão, o Nihon Shoki.
Os 25 anos de governo do imperador Shômu (724~749) não podem ser contados sem mencionar
sua esposa, a imperatriz Kômyo, filha do poderoso clã Fujiwara-no-Fuhito. Conhecida por sua alma
caridosa, ela construiu instituições como Seyaku-in, para medicar e ajudar os doentes, e Hiden-in para
abrigar os pobres, doentes e órfãos. Devota do budismo, Kômyo contribuiu para a construção do
templo Tôdai-ji, conhecido pela imagem gigantesca do Buda.
A Era Nara, a exemplo de outros tempos governados por mulheres, conheceu a paz e o
florescimento da cultura.

Cultura Tenpyô

Recebe este nome por ter florescido na era Tenpyô (729~749). Sob forte influência chinesa,
foram criadas muitas obras búdicas e muitos templos foram construídos, entre eles, o famoso templo
Tôdai-ji, que ainda hoje possui um acervo fabuloso de obras de arte, inclusive obras indus e persas que,
passando pelo caminho da seda (Silk Road), foram levadas a Tang (China), e mais tarde, ao Japão.

O perseverante monge Ganjin (688 ~ 763)

Para fomentar o budismo, o Japão convidou Ganjin, monge chinês conhecido por suas virtudes,
para divulgar os preceitos do budismo. Ele aceitou o convite e tentou chegar ao Japão, mas foi náufrago
por cinco vezes, sendo levado de volta às praias de Tang, e ficou cego. Mesmo assim, ele não desistiu
de propagar o budismo e, na sexta tentativa, ele conseguiu chegar ao Japão, em 753. Ganjin construiu,
em Nara, o templo Tôshôdai-ji, dedicando os últimos anos de sua vida à propagação do verdadeiro
budismo entre os japoneses.

O sofrimento dos camponeses

Devido à alta taxa de impostos, serviço militar obrigatório e recrutamento para trabalhos
diversos, os camponeses moravam em casebres e levavam uma vida miserável, passando fome, mal
tendo com que se alimentar durante o ano todo. Para aliviar a carga tributária, surgiram os
falsificadores do registro de família, ou mesmo aqueles que abandonaram o campo, fugindo para outras
terras.
Quando os arrozais começaram a dar sinais de abandono, ou tornaram-se insuficientes para a
redistribuição, a corte consentiu a posse privada dos terrenos desmatados para o plantio. Em 743, com a
lei de posse definitiva dos arrozais recém-explorados, que permitiu a posse de terras, se transformadas
em terreno produtivo em três anos, nobres e templos começaram a aumentar as suas propriedades
rurais, fato que corroeu, aos poucos, o alicerce do sistema político de Ritsuryô.

O despontar das literaturas

Com o objetivo de deixar os fatos do passado para a posteridade, foram compiladas no período
obras de referência histórica, geográfica e literária do Japão, depois de anos de intenso trabalho
As primeiras obras de História do Japão (Kojiki e Nihon Shoki), de Geografia (Fudoki), e a
antologia de poemas (Man’Yôshu) foram compiladas na Era Nara. Além delas, foram escritas outras
obras de menor importância pelos clãs regionais ou a mando deles, já que o homem sempre teve o
desejo de deixar para a posteridade os seus feitos.
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Kojiki

É o livro de História do Japão considerado o mais antigo. A obra foi concluída em 712, a mando
da imperatriz Genmei. Foi compilado por Ô-no-Yasumaro, com auxílio de Hieda-no-Are. Trata-se de
uma obra em três volumes. No primeiro, são relatadas as peripécias dos deuses, desde a criação do
arquipélago japonês; no segundo e terceiro volumes, as biografias dos imperadores, desde o primeiro
soberano do clã Yamato, o imperador Jinmu, que subiu ao trono em 660 a.C., embora considerado
pelos historiadores como um personagem fictício para legitimar a linhagem divina da família imperial,
já que ele é considerado descendente direto da deusa do sol Amaterasu Ômikami. A obra termina com
o governo da imperatriz Suiko (592~628).
No Kojiki, são relatados episódios como o do capricho da deusa do sol, Amaterasu Ômikami,
que se escondeu na caverna deixando o mundo mergulhado nas trevas; a aventura de Susanô-no-
Mikoto, que mata a gigantesca serpente de 8 cabeças usando sua astúcia; e outras histórias.

Nihon Shoki

Primeiro livro oficial de História do Japão, foi concluído em 720 e compilado pelo príncipe
Toneri Shinnô, terceiro filho do imperador Tenmu, e muitos outros. É uma obra de 30 volumes, que
começou a ser compilada na época do imperador Tenmu (673 ~ 686) e levou 39 anos para ser
concluída. Como há muitas citações de obras chinesas e coreanas, acredita-se que houve a participação
de muitos kika-jin (intelectuais estrangeiros naturalizados) em sua confecção. Assim como Kojiki,
relata desde os tempos dos deuses até a imperatriz Jitô (645~702), esposa do imperador Tenmu, que
ocupa o trono após a morte do marido (690~697).

Fudoki

Em maio de 713, a imperatriz Genmei ordena que sejam feitos relatórios de cada região (fudoki)
seguindo os cinco itens abaixo:
• Colocar o nome nas comarcas formado por dois ideogramas auspiciosos;
• Relatar todos os produtos (tudo que se colhe da natureza, excetuando-se os produtos agrícolas e
manufaturados), plantas, peixes, aves e animais da comarca;
• Detalhar as condições dos solos; se são férteis ou não; terras produtivas e as que possam se tornar
produtivas;
• Descrever montanhas, rios, campos e explicar a origem de seus nomes;
• Anotar as lendas contadas por anciãos.

Dessa forma, devem ter sido entregues fudoki de mais de 60 regiões, mas foram conservados
até os dias de hoje apenas 5 fudoki, a saber: de Izumo-no-Kuni, Hitachi-no-Kuni, Harima-no-Kuni,
Bungo-no-Kuni e Hizen-no-Kuni. Dentre eles, o único que existe ainda hoje na íntegra é o Izumo-no-
Kuni, fudoki concluído em 733, no qual constam as descrições de Izumo-no-Kuni, atual província de
Shimane, e de seus templos xintoístas e budistas, montanhas, rios, estradas e produtos da natureza.
Harima-no-Kuni (atual província de Hyogo) fudoki, um dos primeiros a ficar pronto, foi concluído por
volta de 715, com registro de muitas lendas populares num estilo bastante singelo. O fudoki de Hitachi-
no-Kuni (atual província de Ibaraki) deve ter sido concluído entre 717 a 724, e os de Bungo-no-Kuni
(atual província de Oita) e de Hizen-no-Kuni (atuais províncias de Saga e Nagasaki), por volta do ano
739.
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Man’Yôshu

É a antologia de poemas japoneses mais antiga, contendo mais de 4.500 poemas distribuídos em
20 volumes. Não se sabe ao certo quem reuniu e compilou todos os poemas, mas supõe-se que, no
início da Era Nara, já houvesse um original reunindo os diversos poemas, ao qual o nobre Ôtomo-no-
Yakamochi juntou a antologia de poemas da sua família, fez a revisão geral e concluiu a obra por volta
de 760.
Nos últimos volumes, constam os poemas da autoria de Ôtomo-no-Yakamochi escritos após 746. Além
dele, a antologia reúne poemas de imperadores, nobres, humildes camponeses, poetas da corte e outros
tantos poemas de autoria desconhecida.
Destacam-se, por seu alto teor literário, os poemas de Nukata-no-Ôkimi, amada do imperador Tenmu,
Kakinomoto-no-Hitomaro, poeta da corte, Yamanoue-no-Okura, filósofo de grande conhecimento que
fez parte de uma das missões a Tang (China), e muitos outros poetas.
Os poemas foram escritos em kanji (ideograma), porém, levando em conta apenas as suas
leituras, ou seja, utilizando-os apenas como fonogramas (kana). Assim, esse tipo de recurso da escrita
recebeu a denominação de man’yô-gana, ou seja, fonogramas de man’yô-shu. Das escritas cursivas
desses man’yô-gana, criaram-se, mais tarde, os fonogramas hiragana.

Diferenças entre Kojiki e Nihon Shoki

KOJIKI NIHON SHOKI


Ano de Conclusão 712 720
Volumes 3 volumes 30 volumes
Compiladores Ô-no-Yasumaro com auxílio de Toneri Shinnô e outros.
Hieda-no-Are.
Conteúdo 1) Tentativa de unificação 1) Objetivo de mostrar o
ideológica. poder do país para outros
2) Valorização de mitos, povos.
lendas e poemas. 2) Descrição objetiva dos
3) Alto teor literário, com fatos históricos.
3) Formatação de um livro de
expressões singelas da vida
e sentimentos do povo. história, estruturado em
ordem cronológica.
Estilo Escrito em kanji, mas com a Escrito em estilo de texto chinês
mistura de leitura chinesa e clássico, com narrações objetivas e
japonesa. Estilo narrativo. lógicas.
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Era Heian

Chama-se Era Heian o período que se inicia em 794, com a


mudança da capital para a cidade de Heian (atual Quioto), até 1185, quando
Yoritomo, chefe do clã Minamoto, instala-se em Kamakura (atual província
de Kanagawa). Ao todo, foram praticamente 400 anos nos quais a nobreza
reinou com requinte e glamour.

Política

No final da Era Nara (710~794), para tentar fugir da vida miserável, os camponeses procuraram
refúgio nos latifúndios dos nobres, em grandes templos e em clãs regionais, ou abandonaram suas
terras e optaram por uma vida sem rumo. Os latifúndios eram chamados de shôen e surgiram como
resultado da flexibilização das leis que norteavam o sistema político de ritsuryô.
Os shôen originaram-se do aumento da população e da conseqüente falta de terreno para distribuição
entre os habitantes. Para solucionar a falta de terras públicas produtivas, a corte abrandou as leis do
ritsuryô e permitiu a privatização dos terrenos para exploração, expedindo a lei que isentava o
pagamento de impostos sobre os terrenos recém-explorados. Assim, templos xintoístas e budistas, clãs
regionais e nobres foram ampliando cada vez mais os seus shôen, tendo à disposição maior número de
mão-de-obra e de utensílios agrícolas. Entre os pequenos proprietários, alguns optaram por doar suas
terras para grandes senhores de shôen, a fim de se tornarem funcionários públicos e administradores
dos latifúndios.
Com dificuldades, os camponeses venderam suas terras aos nobres, aos templos e aos grandes
clãs, transformando-se em arrendatários. Assim, buscavam livrar-se do pesado imposto, que passou a
ser responsabilidade do senhor do shôen, cabendo aos arrendatários o pagamento de um pequeno
tributo fundiário anual ao senhor das terras. Isso diminuiu o arrecadamento de impostos e afetou o
cofre público. A corte cobrava impostos sobre as terras, e não sobre a pessoa física. Entretanto, a falta
de autoridade dos kokushi (espécie de governador) estimulou os senhores de terras a encontrarem
formas de impedir a entrada daqueles em suas propriedades, agindo à revelia do governo ao não
pagarem impostos e exercerem o direito de policiamento dentro dos shôen. Os senhores de terras
ficavam em Quioto, enquanto seus administradores tomavam conta dos shôen. Recebendo treinamento
voltado para o combate militar, esses administradores organizavam-se em grupos chefiados por
herdeiros de famílias nobres, que, mais tarde, dariam origem à classe dos samurais.

Economia

Além da economia monetária, em fins dos séculos X e XI, a agricultura teve o impulso do
desenvolvimento tecnológico. Os utensílios de ferro, anteriormente exclusivos de nobres e senhores de
terras, foram popularizados, chegando aos camponeses. Bois e cavalos passaram a ser utilizados na
agricultura e, como fertilizante, iniciou-se o emprego do adubo animal, além do capim e das cinzas.
Tudo isso aumentou a produção das colheitas. As atividades madeireira e pesqueira também foram
intensificadas nesse período.
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A ascensão da família Fujiwara

Descendente de Nakatomi-no-Kamatari (posteriormente Fujiwara-no-Kamatari), que


contribuiu para a consolidação da Reforma de Taika, a família Fujiwara ampliou o
seu poder político respaldada pela fortuna proveniente de seu imenso shôen.
Fujiwara-no-Michinaga (966~1027) conseguiu a façanha de casar suas cinco filhas
com imperadores. Na qualidade de parente afim, ele tornou-se regente do neto
(sesshô) e, após o crescimento do imperador, tornou-se plenipotenciário (kanpaku).
Assim, foi introduzido o sistema de governo com participação indireta do imperador.

Extinção de kentô-shi (missão a Tang)

Com o enfraquecimento político da dinastia reinante na China, as missões a Tang foram


suspensas. A chegada constante de navios carregados de mercadorias todos os anos ao Japão permitia a
absorção de novos conhecimentos por meio dos mercadores. Assim, o fim das missões representava
também economia de gastos e riscos. A extinção de kentô-shi partiu de Sugawara-no-Michizane
(845~903), conhecido até hoje como o deus dos estudos e da sabedoria. Michizane foi um estudioso
que chegou ao grau máximo da hierarquia, ou seja, udajin (primeiro-ministro). O comércio com a
China voltaria a intensificar-se cinqüenta anos depois, já na dinastia Sung.
Sugawara-no-Michizane tornou-se vítima de uma conspiração da poderosa família Fujiwara e
foi deportado para a comarca do norte da ilha de Kyushu, o forte de Dazai (atual província de
Fukuoka), onde faleceu. Posteriormente, espalhou-se a crença de que sua alma, injustiçada em vida,
trouxe doenças à capital, forçando a criação de muitos templos xintoístas, a fim de acalmar sua suposta
fúria e deter a praga. Ainda hoje, muitos estudantes fazem romaria a esses templos para pedir a graça
de Michizane e obter bons resultados nos estudos.

O Surgimento dos Samurais

A Era Heian marcou o surgimento e a ascensão dos samurais e de seus


principais clãs, que entraram para a história do arquipélago com suas lutas e
revoltas, episódios nos quais eles mediram forças na luta pelo poder. Essa nova
classe passou a integrar a estrutura social da época ao lado da nobreza
tradicional.

Surgimento da classe dos bushi (samurai)

Enquanto a nobreza, liderada pela família Fujiwara, levava uma vida de


muito luxo e requinte, os senhores rurais, donos de shôen, foram aumentando o
seu poder de combate treinando guerreiros primeiro para proteger suas terras da
invasão alheia, depois para conquistar novas terras. Esses senhores rurais se tornaram funcionários de
kokushi (espécie de governador), administradores rurais ou guardiães das terras, recebendo títulos de
nobreza ínfima. Eles passaram a liderar grupos de guerreiros, ou seja, de bushi, que nutriam grande
admiração pela vida luxuosa da capital. Assim, os nobres enviados ao interior como kokushi pela corte
Yamato recebiam tratamento especial, extremamente respeitoso.
Dessa forma, entre os nobres mandados para o interior como kokushi, surgiram aqueles que
preferiram permanecer no campo, mesmo após o término do seu mandato, já que não havia perspectiva
de uma vida melhor na capital. Alguns nobres que optaram pela vida rural formavam seus grupos de
bushi (samurai), formando tropas de combate e tornando-se seus líderes, iniciando, dessa forma, a
criação dos clãs.
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A Revolta de Masakado

Em 939, Taira-no-Masakado reuniu os bushi insatisfeitos com os enviados da corte que


governavam as suas regiões e voltou-se contra o poder da capital. Declarou-se imperador e iniciou a
revolta contra os nobres da capital, atribuindo poderes aos bushi, seus seguidores.
A revolta de Masakado foi contida por Fujiwara-no-Hidesato, outro nobre que tinha se
instalando no interior (atual província de Tochigi) e por seu primo, Taira-no-Sadamori. Masakado
morreu durante a batalha.

Famílias Minamoto e Taira

Com o objetivo de reconquistar o controle do país e refrear o poder da


família Fujiwara, o imperador Gosanjô (1034~1073) criou o sistema de insei,
pelo qual foi introduzido o cargo supremo de jôkô, que conferia ao imperador
que abdicou o poder de governar em nome do novo imperador.
Assim, Gosanjô abdicou do trono em favor de Shirakawa
(1053~1129) e tornou-se jôkô, governando o país pelo sistema diárquico. Por
não ter nenhum parentesco com a família Fujiwara, Gosanjô conseguiu
governar o país livremente ao longo de 43 anos como jôkô de três
imperadores, contando com a proteção de Minamoto-no-Yoshiie. Enviada
para combater os povos de Ezo, a família Minamoto pediu auxílio aos guerreiros da região leste da ilha
principal do Japão, com os quais conseguiu vencer a batalha e criou fortes laços. Para conter o
crescente poder dos Minamoto, Gosanjô encarregou também a família Taira do serviço de proteção.
Uma guerra entre as famílias destacou-as no panorama político pela primeira vez na história do
Japão, em 1156, com a Revolta de Hôgen. Em 1159, a Revolta de Heiji colocou frente a frente os
Minamoto e os Taira na luta pelo poder. A batalha foi vencida pela família Taira, que passou a
controlar politicamente o Japão. Em 1168, Taira-no-Kiyomori (1118~1181), chefe da família Taira,
ocupou o cargo de ministro, dajô-daijin, tornando-se o primeiro samurai a ocupar tal posição. A família
Genji ficou, então, à espera da revanche.
Minamoto-no-Yoritomo da família Genji, que havia sido exilado em Izu-no-Kuni (província de
Shizuoka), junto com seu sogro, Hôjô Tokimasa, atacou a família Taira em Izu-no-Kuni, mas foi
derrotado. Porém os comandantes de guerreiros da região de Kantô juntaram-se a Minamoto-no-
Yoritomo. Seu irmão, Yoshitsune, conhecido por sua bravura, também saiu de Ôshu-Hiraizumi
(província de Iwate) e passou a lutar ao lado de Yoritomo, que conseguiu, lentamente, instalar-se em
Kamakura.
Acometido por uma febre alta, Kiyomori faleceu pedindo, em seu leito de morte, a cabeça de
Yoritomo, em 1181.
O último confronto entre os sobreviventes da família Taira e as tropas de Genji aconteceu na
Baía de Dan-no-Ura (província de Yamaguchi). A batalha foi vencida pelas tropas de Genji, em 1185.
O pequeno imperador Antoku, neto de Taira-no-Kiyomori, morreu junto com sua mãe, filha de
Kiyomori, nessa batalha, encerrando, assim, a Era Heian. Em 1192, Minamoto-no-Yoritomo instalou-
se em Kamakura, dando início ao shogunato Kamakura. Esse foi o começo da era dos samurais no
Japão.
A ascensão e a queda da família Taira, ou seja, Heike, pois a leitura chinesa do ideograma da
família Taira é = Heike, foi narrado pelos biwa-hôshi, uma espécie de menestrel. Sua narrativa é
conhecida como Heike-Monogatari (contos da família Heike), cujo tema central é a efemeridade da
vida.
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A vida na corte

Enquanto os bushi levavam uma vida austera, dedicando-se ao treinamento de artes marciais, os
nobres se esmeravam em luxo e requinte. Eles vestiam várias camadas de roupas e valorizavam as
combinações das cores que se entreviam em golas, mangas e barras, no caso das mulheres. Assim, além
da qualidade do tecido, os nobres preocupavam-se também com as cores e seus efeitos. Existiam
algumas cores usadas conforme a classe social do indivíduo.
Os nobres dessa época carregavam na maquiagem. Depilavam as sobrancelhas e desenhavam-
nas com tinta de carvão. As mulheres adultas tingiam os dentes de preto.
O perfume de incenso, que foi introduzido no Japão junto com o budismo, era usado no dia-a-
dia pelos nobres. Cada um criava seu próprio perfume misturando no mínimo dois tipos de incensos.
Os nobres perfumavam os seus trajes queimando os incensos para que suas roupas ficassem
impregnadas com o perfume criado.
A beleza feminina era medida pelo comprimento dos cabelos, que deviam ser longos, negros e
sedosos. O máximo de beleza era ter cabelos mais longos que a própria altura, não ser muito magra e
ter a pele bem branca.

Hábitos alimentares dos nobres

A alimentação da nobreza era modesta. O prato principal era o arroz, cozido com a água ou no
vapor, acompanhado de peixes, carne de aves, verduras, algas e frutas. Os peixes eram, em sua maioria,
secos ou conservados na salmoura. Por influência do budismo, muitos não consumiam peixes ou
carnes, ficando desnutridos e doentes. A refeição era feita duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde.

Casamento na nobreza

Os nobres não moravam juntos ao se casarem. O homem possuía residência própria e


freqüentava a casa da mulher, que tinha o dever de, com sua família, criar os filhos. A família da
mulher também cuidava do marido, vestindo-o e alimentando-o. Tanto a mulher como o homem
podiam manter relação com outros parceiros, porém sempre tratando a todos com igual respeito e
consideração.
Esse tipo de casamento explica o grande poder e influência que o sogro exercia sobre o
imperador, ao casá-lo com sua filha, muito embora o monarca construísse uma residência para suas
esposas, em vez de visitá-las na casa de seu sogro.

Hiragana, Katakana e a Literatura

A necessidade de expressar livremente os sentimentos do povo japonês impulsionou a escrita e a


literatura da Era Heian, dominada pelas grandes mulheres.

Por que surgiram os fonogramas hiragana e katakana?

Os japoneses não conheciam a escrita até ter os primeiros contatos


com a cultura chinesa, por volta do século V. À medida que os japoneses
foram dominando a escrita (kanji ou ideogramas), a língua e a literatura
chinesas, eles começaram a sentir as limitações de se adotar essas formas de
comunicação de um outro povo. Assim, para atender à necessidade de
expressar livremente os sentimentos do povo japonês por escrito, foram
criados os fonogramas hiragana e katakana, elaborados a partir do kanji.
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Origem de Man’yôgana

Durante muito tempo, os japoneses liam os kanji à moda chinesa e tentavam entender o
significado de cada letra, já que os kanji são ideogramas, ou seja, a transcrição da idéia e não do som,
como é o caso da maioria das letras existentes. Pouco a pouco, os japoneses passaram a escolher a
palavra adequada para cada kanji e lê-lo à moda japonesa. Por exemplo, o kanji que significa inverno é

, sendo a leitura chinesa “dong”; porém, como em japonês inverno se diz “fuyu”, o kanji passou a
ser lido “fuyu” também.
À medida que as palavras japonesas também foram filtradas e unificadas, os japoneses tiveram
a idéia de transcrevê-las aproveitando apenas o som, ou seja, a sua leitura, desprezando a idéia ou o

significado do kanji. Por exemplo, “hana” (flor – ) passou a se escrever também , já que

tem a leitura “ha” e , a leitura “na”. Esses ideogramas (kanji) empregados apenas como
fonogramas receberam o nome de man’yôgana, já que foram utilizados na transcrição dos poemas
japoneses reunidos na antologia intitulada Man’yôshu.

Criação do hiragana

A caligrafia empregada deixou de ser letras de traços retos e


definidos, adotando o estilo cursivo, o chamado sôsho-tai, criado na
China. Porém, no Japão, o estilo foi adquirindo características
próprias, “simplificando” de tal forma os kanji a ponto de ficarem
bem diferentes das letras originais. Desse estilo cursivo
“simplificado”, nasceu o hiragana. Assim, o hiragana é um conjunto
de letras mais curvilíneas.

Criação do katakana

Assim como o hiragana, o katakana também foi criado a partir dos kanji, mas possui características
diferentes. O katakana surgiu como sinais gráficos para auxiliar na leitura de textos chineses, ou ainda,
para serem inseridos nos poemas ou textos em estilo chinês, a fim de facilitar sua leitura e
compreensão. Essas “letras complementares” ofereceram aos japoneses uma maior expressividade, já
que podiam escrever com maior desenvoltura até diferenças delicadas e nuanças dos sentimentos.
O katakana foi criado com base em uma parte dos kanji, por isso seus traços são mais retos e rígidos.
O uso tanto do hiragana como do katakana consolidou-se no início do século X, em meados da Era
Heian, e são empregados até os dias de hoje, concomitantemente com os kanji.

A literatura em kana = literatura da nobreza

Após a criação dos fonogramas kana, a literatura entre os


nobres conheceu o seu apogeu, constituindo a era áurea dos waka –
poemas japoneses. Esses poemas que enaltecem a natureza, as
diferentes facetas das quatro estações e os elementos da natureza
foram criados graças à existência dos kana. O modo de expressão dos poemas contribuiu muito na
formação da consciência estética dos japoneses. Nos palácios do imperador e dos nobres, as reuniões
para compor e apreciar os poemas tornaram-se cada vez mais freqüentes, deixando de ser apenas um
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simples passatempo das mulheres. Saber compor poemas tornou-se um importante requisito para
manter um convívio social entre os nobres da corte. A falta de interesse pela política ocorreu na mesma
proporção em que se ampliou o círculo literário da nobreza.

Obras clássicas

O Tosa nikki (Diário de Tosa) foi escrito por volta do ano 934, por Ki-no-Tsurayuki e
incentivou muitas mulheres a escreverem diários, estimulando a criação de muitas literaturas do
gênero.
Genji-Monogatari (Contos de Genji), escrito por Murasaki-Shikibu, por volta do ano 1001, é
conhecido como uma obra literária clássica de maior volume. Descreve a elegante e requintada vida da
corte, os sentimentos do personagem principal, Hikaru Genji, em relação às mulheres com quem se
envolve e as intrigas pelo poder. Não se trata de uma simples ficção, mas se observa a preocupação de
descrever os usos e costumes, assim como os pensamentos da Era Heian.
Makura-no-sôshi é uma crônica escrita por Sei-Shônagon sobre a vida na corte, que descreve de
forma vivaz, com sensibilidade aguçada e com genialidade, os hábitos do cotidiano da corte.
Kokin Waka-shû é uma antologia de 20 volumes que reúne 1.100 poemas compilada por ordem
imperial (chokusen-shû), datada do ano de 905.

Rivalidade entre duas literatas

Tanto a autora de Genji-Monogatari, Murasaki-Shikibu, como a de Makura-no-sôshi, Sei-


Shônagon, pertenciam à classe média da nobreza e serviram à família imperial na mesma época. Foram
duas mulheres que lideraram as tertúlias realizadas na corte. Sei-Shônagon possuía gênio forte, fazendo
questão de exibir o seu talento. Murasaki-Shikibu, uma mulher mais recatada e retraída, escreveu
críticas severas em relação a essa atitude “exibicionista” de Sei-Shônagon em seu diário.
Por serem os poemas a forma de literatura mais valorizada na Era Heian, as obras dessas duas
mulheres, mesmo conquistando muitos leitores, ficaram relegadas a um segundo plano, encaradas
como um passatempo de mulheres da corte. Ainda assim, a literatura da Era Heian floresceu graças às
grandes mulheres.

Era Heian e o Budismo

A história do budismo no arquipélago foi sedimentada pelo príncipe Shôtoku e encontrou sua
sublimação com o monge Ganjin.

O ser humano nasce puro e começa a viver em busca da plenitude no


decorrer da vida, quando passa por altos e baixos, experimenta emoções e
sentimentos diversos. Na juventude, só há olhos para a vida; com o amadurecimento,
iniciam-se os questionamentos sobre a vida e o significado da morte. No empenho
para se obter uma resposta, várias religiões foram criadas.
No Japão, embora já existisse uma crença nativa entre o povo, o budismo foi
acolhido e difundido entre a nobreza, por possuir um embasamento teórico mais
racional e por estar mais adequado ao temperamento pacífico dos japoneses e à integração com a
natureza.
A história do budismo no arquipélago foi sedimentada pelo príncipe Shôtoku e encontrou sua
sublimação com o monge Ganjin. Entretanto, foi na Era Heian que essa religião se transformou em uma
cultura genuinamente nacional, isso porque foi no início desse período que foram introduzidas no Japão
as seitas Tendai e Shingon.
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Os ensinamentos de jôdo (Terra Pura) do budismo foram difundidos em meados da Era Heian
pelo desejo de deixar esta vida serenamente, entregando-se às mãos de Amidabutsu (divindade budista
mais popular no Japão), e encontrar a paz eterna no paraíso.

Monge Saichô e monge Kûkai

No início da Era Heian, as seitas budistas que mais conquistaram


adeptos foram a Tendai e a Shingon, lideradas pelo monge Saichô
(767~822) e pelo monge Kûkai (744~835), respectivamente. Nessa época,
o budismo ainda era a crença apenas da nobreza, não sendo cultuado pelo
restante do povo. O sincretismo entre a doutrina budista e a crença
xintoísta acentuou-se, chegando à construção de um templo budista no
pátio de um templo xintoísta e à cultuação de uma divindade regional
como protetora de um templo budista. Criou-se também a crença de que
os diversos deuses eram a reencarnação do Buda, que vinha para este
mundo sob diversas formas para salvar os homens.
O monge Saichô teve sua iniciação religiosa atraído pela doutrina da seita Tendai, fundada pelo
grande mestre chinês Chigi (Tendai-Daishi Chigi), levada para o Japão pelo monge Ganjin. Saichô
aproximou-se do imperador Kanmu e conseguiu, em 804, integrar a missão a Tang (kentô-shi) como
missionário oficial, com direito a intérprete e a todas as mordomias de um representante oficial do país.
O monge Kûkai também conseguiu viajar à China junto com essa missão, mas na qualidade de um
simples bolsista particular.
Durante os oito meses nos quais permaneceu na China (Dinastia Tang), Saichô reuniu sutras da
seita Tendai, artes búdicas e estudou o budismo esotérico. Quando voltou ao Japão, ele se dedicou de
corpo e alma à fundação da seita Tendai no arquipélago.
O monge Kûkai, por sua vez, permaneceu na China por aproximadamente três anos, visitando
vários templos e encontrando-se com o famoso e conceituado monge chinês Keika, no Templo Seiryû,
em Changan, do qual recebeu ensinamentos sobre o budismo esotérico. Kûkai também aprendeu
sânscrito antes de voltar ao Japão, trazendo consigo além dos vastos conhecimentos adquiridos na
China, diversas obras búdicas, como quadros, objetos sagrados e mandala.
A morte do imperador Kanmu acabou com o prestígio que o monge Saichô tinha junto à
nobreza, porque o imperador Saga, sucessor de Kanmu, demonstrou maior simpatia pelo monge Kûkai,
que se consolidou como autoridade máxima do budismo esotérico. Em Quioto, Saichô começou a
transmitir os ensinamentos da seita Tendai instalando-se no Monte Hiei, e Kûkai fundou no Monte
Kôya a base do budismo esotérico: a seita Shingon.
Saichô e Kûkai, os dois grandes gênios do mundo religioso, sempre tiveram a proteção dos
nobres e dedicaram suas vidas a manter a paz e a glória da nobreza e da corte. Eles foram os primeiros
a receberem o título de Grande Mestre no Japão. O monge Saichô recebeu o título de Grande Mestre
Dengyô (Dengyô Daishi); e o monge Kûkai, o de Grande Mestre Kôbô (Kôbô Daishi).

O monge Kûya e a seita Jôdo

No início do século X, com o enfraquecimento da corte de Yamato, os nobres que fixaram


residência no interior e os grandes clãs regionais começaram a adquirir maior poder, iniciando lutas –
que se tornaram cada vez mais acirradas com o passar dos anos – para aumentar os seus feudos.
Nesse cenário de incertezas, surgiu o monge Kûya (903~972). Ele pregava entre o povo de
Quioto, que vivia sobressaltado com as lutas constantes, os flagelos provocados pela natureza e a fome.
Kûya pregava a salvação pelo nenbutsu (oração budista), invocando o Buda Amidabutsu. Ele
influenciou vários grandes monges e conquistou muitos adeptos entre o povo, pois levava uma vida
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ascética, compartilhando suas incertezas e seus sofrimentos, diferente dos monges confortavelmente
protegidos pela nobreza. Entretanto, quem consolidou essa doutrina de salvação pelo nenbutsu para
alcançar a Terra Pura (Jôdo) foi o monge Genshin (942~1017), que escreveu Ôjo Yôshu, uma obra que
explica, num estilo primoroso, a teoria e a prática de salvação da alma pós-morte.
O mappô shisô pregado pelo budismo, a progressiva crença no fim do mundo, fazia com que o
povo de Quioto, vítima constante de assaltos, epidemias e outras provações, tentasse encontrar a paz
espiritual pelos ensinamentos da seita Jôdo, ou seja, a salvação no mundo da Terra Pura. Dessa forma,
começaram a surgir várias “biografias” de pessoas que encontraram a suposta salvação, reunidas numa
coletânea conhecida como Ôjo-den.
Com a difusão da seita Jôdo – fundada pelo monge Hônen (1133~1212) em 1175, final da Era
Heian – sua arte também prosperou. Foram esculpidas muitas imagens do Buda Amidanyorai e
construídos templos suntuosos, na tentativa de recriar o gokuraku (paraíso dos budistas), sendo um dos
mais conhecidos o Hôôdô do Templo Byôdoin, em Quioto.
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Era Kamakura

Consolidação da Política dos Samurais

Depois de receber o título máximo dos samurais, Yoritomo faleceu e deu início ao regime
regencial, comandado pelo clã Hôjô.

Após a vitória de Minamoto-no-Yoritomo (1147–1199)


na Batalha de Dan-no-Ura – que pôs fim à Era Heian –,
Yoritomo impôs o reconhecimento dos cargos de shugo
(comandante de segurança nacional instalada em cada “nação”)
e de jitô (administrador de shôen e cobrador de impostos),
dando início à nova era dos samurais, ou seja, ao xogunato de
Kamakura. O sistema de xogunato sobreviveu ao longo do
tempo, até a restauração Meiji, em 1868.
Os vassalos de Minamoto-no-Yoritomo eram chamados
de gokenin, indivíduos que tiveram reconhecidas as terras
herdadas há várias gerações como propriedade particular, ou aqueles que receberam terras. Os vassalos
beneficiados dessa forma passavam a dever fidelidade e serviços a Yoritomo. Foi assim que começou a
era feudal japonesa, com Yoritomo nomeando seus principais gokenin para shugo e jitô, a fim de ficar
com o controle das terras públicas e dos shôen (latifúndios), aumentando seu poder político. Em
Kamakura, ele instalou os três poderes: o militar, denominado samurai-dokoro; o executivo,
responsável pela administração e pelas finanças, denominado mandokoro; e do judiciário, denominado
monchujo.
Em 1192, Yoritomo recebeu o título máximo dos samurais, o de seii
taishôgun, falecendo sete anos depois, em 1199, devido à sequela obtida quando
caiu de um cavalo. A partir daí, uma série de assassinatos entre os homens que se
revezavam no poder abriu espaço para a implementação do regime regencial: o
filho primogênito de Yoritomo, Minamoto-no-Yoriie (1182–1215), de 18 anos,
sucedeu-o no cargo, tornando-se o segundo xogum. Entretanto, ele foi assassinado
por Hôjô Tokimasa (1138–1215), sogro de Yoritomo, pai de sua esposa Masako
(1157–1225). Em 1203, Minamoto-no-Sanetomo (1192–1219), segundo filho de
Yoritomo, tornou-se o terceiro xogum, mas foi assassinado por seu sobrinho, filho
de Yoriie. Depois disso, outros xoguns assumiram o poder, mas o controle de fato ficou com o clã Hôjô
e seu séquito, formado por 13 principais gokenin, com o chefe do executivo detendo o poder. Foi o
início do regime regencial.
A pena de exílio foi comutada pela primeira vez na História do Japão em 1221, quando a revolta
liderada pelo imperador Gotoba foi contida; e o imperador, exilado. Bens e propriedades de nobres e de
samurais que apoiaram o imperador Gotoba foram confiscados, e os gokenin que se destacaram na
opressão da revolta foram nomeados jitô dessas terras confiscadas. Depois desse episódio, foi criado,
em Quioto, na cidade de Rokuhara, o Rokuhara Tandai, órgão do xogunato de Kamakura onde
funcionavam os três poderes: militar, executivo e judiciário, para vigiarem a corte e controlarem os
samurais da região oeste.
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Criação do Goseibai Shikimoku

Em 1232, Hôjô Yasutoki (1183–1242), regente da época, instituiu o Goseibai Shikimoku, uma
lei com 51 cláusulas, pois as leis vigentes, estabelecidas há mais de 500 anos, por sua complexidade,
não eram compreendidas pelos samurais que viviam no interior, e isso poderia acarretar algum
julgamento equivocado.

Ataque mongol

No século XIII, mais um nome fez história na Ásia: Gêngis Khan (1167–1237), líder do povo
nômade da planície mongol, que unificou a Ásia Central. Seus descendentes deram continuidade ao seu
trabalho e foram ampliando o território dominado. O quinto sucessor do império mongol, Khublai
Khan (1215–1294), instalou-se em Pequim e mudou o nome do país para Yuan, depois de aniquilar a
dinastia Sung e de dominar toda a China, estendendo seu império até a península coreana. Khublai
enviou, por diversas vezes, mensageiros ao Japão, o único país do Oriente a manter sua independência,
com o intuito de subjugá-lo. Porém, Hôjô Tokimune (1251–1284), xogum dessa época, matou o
mensageiro, atraindo a ira de Khublai, que atacou por duas vezes o Japão, em 1274 e 1281.
Na primeira vez, Khublai Khan desembarcou com sua tropa na Baía de Hakata, província de
Fukuoka, Ilha de Kyushu. O Japão teve dificuldades para conter os inimigos, porque os samurais não
estavam preparados para um ataque em massa. Outro fator contra os japoneses eram as armas de fogo
da força inimiga, até então desconhecidas no arquipélago. Entretanto, um tufão dizimou a frota inimiga,
fato que foi encarado como sorte pelos japoneses. No segundo ataque ao arquipélago, Khublai levou
duas tropas, contudo, o Japão estava melhor preparado, pois tinham erguido uma muralha de pedra e
defenderam-se bravamente do ataque inimigo. Além disso, mais uma vez o Japão foi salvo por um
tufão e os soldados mongóis foram tragados pelas altas ondas do mar.
Os japoneses denominam os tufões que salvaram o Japão da invasão mongol de kamikaze, ou
seja, vento divino, pois passaram a acreditar que os deuses mandaram o vento forte para salvar o país.
Apesar dessas derrotas, Khublai tinha planos para atacar novamente o Japão, mas eles não se
concretizaram.
De acordo com estudiosos, essa tentativa de invasão estrangeira estimulou a consciência
nacional entre os japoneses, assim como o fortalecimento do senso de defesa do país em relação às
nações estrangeiras.
Os dois ataques mongóis fizeram com que os gokenin, os nobres e os monges empregassem
muito dinheiro e esforço espiritual para defender os territórios japoneses, e o xogunato de Kamakura
não dispunha de mais terras a serem distribuídas para aqueles que se destacaram na batalha. Dessa
forma, cresceram as insatisfações e, em 1333, o clã Hôjô foi destituído por Ashikaga Takauji (1305–
1358), que era um dos gokenin. Foi o fim o xogunato de Kamakura, que perdurou durante mais de 150
anos.

Yoshitsune, Benkei e Shizuka-gozen

Personagens históricos são muito queridos pelo povo japonês por seus finais trágicos, por sua
ingenuidade e por defenderem seus princípios, mesmo diante das autoridades.

Yoshitsune (1159~1189) e Benkei são figuras muito populares no Japão, sendo representadas
exaustivamente no teatro Kabuqui. Isso se deve ao gosto do povo japonês pelos personagens fortes,
justos e que tiveram mortes trágicas.
Ushiwaka-maru, posteriormente chamado de Yoshitsune, foi o nono filho de Minamoto-no-
Yoshitomo, morto na Batalha de Heiji, vencida pelo clã Taira. A partir daí, os Taira tomaram o
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controle político do Japão, perseguindo ferozmente os descendentes do clã Minamoto. Assim, a mãe de
Yoshitsune, que tinha origem humilde, refugiou-se em Yamato, voltando mais tarde para Quioto, onde
o garoto passou a infância. Tempos depois, ele foi mandado com seus dois irmãos para o Templo de
Kurama, a fim de se tornarem monges.
Os irmãos tornaram-se monges, mas Yoshitsune recusou-se a seguir esse caminho e, aos 16
anos, fugiu para Ôshu (região nordeste do Japão). Durante seis anos, ele foi protegido por Fujiwara-no-
Hidehira e, quando soube que seu irmão por parte de pai, Yoritomo, havia iniciado uma campanha para
derrubar o clã Taira, resolveu unir-se ao irmão. Apesar da oposição veemente de Hidehira, Yoshitsune
não cedeu. Assim, Hidehira designou dois de seus súditos para acompanharem Yoshitsune em sua
empreitada.
Yoshitsune é conhecido por diversos episódios heróicos. Um deles é a Batalha de Ichi-no-Tani
travada contra o clã Taira. Ele atacou a tropa dos Taira com mais de 70 samurais descendo o vale a
cavalo por um declive quase vertical, por onde nenhum homem desceria em sã consciência. Com esse
ataque surpresa, Yoshitsune conseguiu uma grande vitória, aumentando sua fama cada vez mais entre o
povo de Quioto e inquietando o seu irmão Yoritomo.
Guerreiro sem malícia, Yoshitsune lutava apenas para vingar seu pai e para obter o
reconhecimento de seu irmão. Entretanto, Yoritomo o via como uma ameaça ao seu poder. O prestígio
de Yoshi-tsune aumentava proporcionalmente à desconfiança de seu irmão, quando a família Taira foi
destruída na Batalha de Dan-no-Ura, que teve a participação fundamental de Yoshitsune.
Sem traquejo político, Yoshitsune acabou vítima de conspirações e não soube dissipar a desconfiança
de seu irmão. Alegando insubordinação, Yoritomo proibiu sua entrada em Kamakura, confiscou suas
terras e iniciou uma perseguição a Yoshitsune.
Durante sua fuga, além de contar com a proteção constante de seu fiel súdito, o monge Benkei,
Yoshitsune foi ajudado por muitos simpatizantes. Ele procurou mais uma vez a proteção de Fujiwara-
no-Hidehira, do poderoso clã da região de Ôshu, que faleceu em 1187. Em seu leito de morte, Hidehira
pediu a seus filhos a destituição de Yoritomo, sob o comando de Yoshitsune. Porém, Fujiwara-no-
Yasuhira, filho de Hidehira, temendo represália, matou Yoshitsune, sob ordens de Yoritomo.
Yoritomo, que ambicionava o domínio total do Japão apesar de Fujiwara-no-Yasuhira ter demonstrado
fidelidade, enviou uma grande tropa para destruir o clã da região de Ôshu. Como a cabeça de
Yoshitsune levou mais de 40 dias até chegar em Kamakura, espalharam-se boatos de que ele estaria
vivo.

Benkei

O monge Benkei, fiel súdito de Yoshitsune, nasceu na atual província de Wakayama, filho de
pais nobres. Seu nome de infância era Oniwaka, literalmente jovem demônio, pois desde pequeno
possuía uma força descomunal, sendo uma criança extremamente violenta. Seu pai, que era monge,
preocupado com o futuro de seu filho, mandou-o para o Templo Enryaku, em Hieizan, Quioto, a fim de
iniciá-lo nos estudos religiosos. Porém, após vários abusos, Oniwaka deixou Hieizan e foi para Harima,
onde, depois de brigar com um monge, incendiou o templo. Em Quioto, o rapaz conheceu Yoshitsune.
Embora Benkei seja um personagem real, sabe-se muito pouco sobre ele. Apesar de existirem muitas
versões sobre suas façanhas, dramatizadas nas peças de Kabuqui, Nô, etc., há pouco registro sobre sua
vida. Mesmo sobre seu encontro com Ushiwaka-maru (mais tarde, Yoshitsune), há algumas versões. A
mais provável é que eles tenham se encontrado no Templo Kiyomizu, e Benkei tenha simpatizado com
Yoshitsune, tornando-se seu súdito. No Templo Kiyomizu, há calçados e cajado de ferro usados por
Benkei, tão pesados que só um homem de força descomunal poderia usá-los.
Outro episódio muito conhecido, representado diversas vezes no teatro Kabuqui, é a morte em
pé de Benkei, tentando proteger Yoshitsune. Há a lenda de que Benkei, na Batalha do Rio Koromo-
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gawa, tentando proteger seu senhor Yoshitsune, ficou em pé sobre a ponte, apoiando-se em seu cajado
de ferro e impedindo o avanço inimigo, tornando-se alvo de suas flechas.

Shizuka-gozen

Shizuka foi uma dançarina do estilo de dança tradicional shirabyôshi, em Quioto. Yoshitsune
apaixonou-se por Shizuka quando a viu dançando, transformando-a em sua concubina.
Quando Yoshitsune fugiu da perseguição do irmão, Shizuka foi levada para Kamakura junto com sua
mãe para ser interrogada sobre o paradeiro de seu amado, o que ela se negou a revelar.
Yoritomo pediu a Shizuka para dançar e cantar, pois queria conhecer a arte que tanto encantava o povo
de Quioto. No inicío, ela recusou-se, mas, por persistência de Masako, esposa de Yoritomo, acabou
cedendo, e dançou entoando o famoso poema que falava de sua paixão por Yoshitsune, fato que
provocou a ira de Yoritomo.
Shizuka permaneceu alguns meses em Kamakura e deu à luz um menino, filho de Yoshitsune,
que foi assassinado por Yoritomo, apesar da intervenção de sua esposa Masako.
Shizuka voltou para Quioto e, segundo a lenda, faleceu jovem, com pouco mais de 20 anos.
Yoshitsune, Benkei e Shizuka são personagens da história muito queridos pelo povo japonês, por sua
alma pura, que beira à ingenuidade, por seus finais trágicos e por não cederem, mesmo perante à
autoridade para defender seus princípios.

Habitações da cidade medieval de Kamakura

Alto nível cultural da classe dos samurais é comprovado pelas descobertas das escavações;
guerreiros trajavam-se de forma simples e faziam uso de diversos utensílios na vida diária.

A cidade de Kamakura tem uma localização privilegiada. De um lado, as montanhas; de outro, o


mar, ou seja, um verdadeiro forte criado pela natureza.
Na principal avenida da cidade, 30 metros de largura unem o mar ao Templo Tsurugaoka
Hachiman, onde se cultua o deus protetor da família Minamoto. Ao longo dessa avenida, perfilavam-se
as residências dos principais samurais e, perto do templo, erguiam-se os edifícios do xogunato. A
família Hôjo possuía a morada principal de Kamakura e uma casa de campo na periferia da cidade.
As residências dos samurais tinham, normalmente, cerca de 3.600 m2 e eram cercadas por
valetas ou muros de barro de formato quadrado ou retangular. Exceto nos templos budistas, as telhas
ainda não eram usadas. Dentro do cercado, ficava a casa principal; nos fundos, o depósito e o estábulo,
assim como alguns poços. Poucos recintos eram forrados com o tatame, a maioria tinha piso de madeira
no chão.
Observam-se algumas padronizações nos materiais de construção das residências. Esse tipo de
construção era chamada de estilo samurai, ou seja, bukezukuri. Nas casas de campo, eram realizados
saraus, festas e reuniões para jogar o sugoroku, um jogo de dados.
Sanetoki Kanazawa, do clã Hôjo, dedicou-se à educação dos monges e dos filhos de samurais,
construindo uma escola e uma biblioteca no terreno de sua casa de campo. Kanazawa importou sutras e
livros com ensinamentos de Confúcio. Uma parte desse acervo resistiu ao tempo e pode ser vista ainda
hoje.

Trajes

Os trajes dos samurais – chamados de kariginu – eram bem mais simples que os da nobreza e de
fácil movimentação. O povo também, a exemplo dos samurais, trajava-se de forma simples. As
mulheres não usavam junihitoe, os vários quimonos sobrepostos que as mulheres nobres vestiam. Elas
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usavam o quimono simples e leve chamado de kosode. Calçavam uma espécie de chinelo de palha
chamado zôri; ou tamanco, chamado geta. As camadas mais pobres da população andavam descalças.

Hábitos alimentares

Os poços de uso do povo não eram cavados em terreno rochoso, eles utilizavam água de poços
de terreno arenoso, com cerca de 2 metros de profundidade. A qualidade das águas da região de
Kamakura não era boa. Há o registro de que a água era comercializada em carroças.
Com o desenvolvimento das técnicas de escavações arqueológicas, podemos saber muitos dos hábitos
alimentares do povo da época. Eles se alimentavam de: carne de veado, javali e texugo; diversos tipos
de peixes; moluscos e crustáceos; cereais e frutas. As arcadas dentárias com desgaste dos dentes
molares comprovam que os alimentos dessa época eram mais duros. Foram encontrados em escavações
pratos, moringas, tigelas com sulcos (ralador) de cerâmica e, ainda, porcelanas importadas da China.
As refeições eram feitas duas vezes ao dia. Como adoçante, eram utilizados mel, pó de caqui seco e
cipó doce (amakazura). O hábito de tomar chá foi difundido pelos monges da seita zen-budista.

Atividades literárias

Utensílios e objetos tais como apetrechos para cerimônia do chá e objetos religiosos, como terço
de contas, tabuleiro de gô (xadrez japonês) encontrados nas escavações indicam o alto nível cultural da
classe dos samurais.
Na escultura, destacam-se os nomes de Unkei (?–1223) e Kaikei (1183–1236), os dois maiores
escultores da Era Kamakura que criaram estátuas (niou) para o templo Todaiji, em Nara. Ambos
deixaram verdadeiras obras-primas desse período histórico japonês.
Na literatura, foi compilado por Fujiwara-no-Teika (1162–1241), em 1205, a antologia de
poemas Shin Kokin Waka Shû (Nova antologia de poemas oficiais), de 20 volumes. Os poemas são
tecnicamente muito bem elaborados, prezando demais a estética. A antologia Hyakunin Isshu (Um
poema de cem poetas) – apreciada durante muito tempo por nobres e samurais – também foi compilada
por Fujiwara-no-Teika. O terceiro shogun, Minamoto-no-Sanetomo (1192–1219), por sua vez, deixou
para posteridade a antologia de poemas de alto valor literário Kinkai Waka Shû (Antologia de poemas
de um ministro de Kamakura). Não se pode deixar de mencionar o famoso romance Heike Monogatari
(Contos da família Heike), uma obra-prima da era medieval do Japão. O enredo é centrado na glória e
na decadência do clã Taira. As cenas de guerra são narradas com emprego abundante de kango
(palavras de origem chinesa) e onomatopéias que dão ao texto maior dinamismo. A obra Heike
Monogatari tornou-se conhecida no Japão todo devido aos biwa hôshi (espécie de menestrel ou monge
de baixa classe, que ganhava o seu sustento narrando histórias ao som de instrumento de corda
chamado biwa).
Yoshida Kenkô (1283–1350) fala da vida dos samurais da região de Kantô, dos povos nômades
e da política em suas crônicas reunidas no livro Tsurezure-gusa (Crônicas de um ocioso). Ele critica o
sistema político vigente, que leva o povo à miséria, obrigando-o a tornar-se fora da lei e ainda aplica
penas por seus crimes.
Outra obra de destaque dessa época, é Hôjô-ki (Diário de um eremita), de Kamo-no-Chômei,
com suas expressões introdutórias muito conhecidas: “A correnteza do rio nunca cessa, e as águas
nunca são as mesmas”, numa alusão à efemeridade da vida. As sutras e os textos de obras chinesas
eram lidos em grande quantidade pelos monges que tinham ido à China para estudar.
A Era Kamakura foi a época de transição, em que as artes, exclusividade da nobreza, passaram
a fazer parte da camada dos samurais, dos monges e do povo em geral.
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Novo budismo em Kamakura

Popularização do budismo facilitou o surgimento de seitas religiosas que tinham diversas


particularidades e, em comum, a busca pela salvação.

A Era Kamakura, liderada por samurais, caracterizou-se pelo


surgimento de novas tendências religiosas e pelas intensa busca de apoio
espiritual, levando o budismo até o povo. Até a Era Heian (794~1192), essa
forma de religião era praticada quase que exclusivamente pelos nobres. Com a
popularização da crença budista, entretanto, surgiram várias seitas
denominadas “Novo Budismo de Kamakura”.
O aparecimento de novas seitas foi impulsionado pela idéia de fim do
mundo (mappô shisô) que se espalhou em fins da Era Heian, provocada pela
instabilidade social – conseqüência da guerra entre os clã Taira e Minamoto –,
a miséria e as calamidades.
Os monges Eisai (1141~1215) e Douguen (1200~1253) estudaram na
China (Dinastia Sung) a seita Zen, que prega a meditação para atingir o
nirvana e, quando voltaram ao Japão, fundaram respectivamente as seitas
Rinzai-shû e Sôtô-shû.
Shinran (1173~1262), discípulo do monge Hônen (1133~1212), fundou
a seita Jôdo-shinshû e, na época do ataque dos mongóis, o monge Nichiren
(1222~1282) fundou a seita Nichiren-shû, que pregava a salvação da alma e do
país.
Todas essas novas seitas têm em comum a simplicidade e a ausência de prática ascética
rigorosa, tornando possível a qualquer pessoa o seu exercício para encontrar a salvação da alma
humana.

A seita Zen

Rinzai-shû, facção da seita Zen, tinha características esotéricas, e seus monges eram vistos mais
como uma espécie de curandeiros.
A difusão da genuína seita Zen foi promovida entre os samurais com a vinda do monge chinês
Rankei Dôryu, em 1247. Ele pregava o ensinamento do zen-budismo chinês seguindo à risca os seus
preceitos, conquistando muitos fiéis entre os samurais, que tinham em comum a filosofia de vida
austera e despojada de luxo.
A seita Zen na China tinha o respaldo da classe alta, tendo um conteúdo bastante elevado e de
influência confuciana. Assim, mesmo no Japão, a seita Zen encontrou adeptos entre os samurais da
classe alta.

A seita Jôdo (Terra Pura)

A seita Jôdo, que começou a se difundir entre o povo a partir de fins da Era Heian, adquiriu
novo alento na Era Kamakura. Diferindo da seita Zen, que exige uma disciplina rigorosíssima, aos fiéis
da seita Jôdo, bastava ter uma crença incondicional em Buda e rezar com todo o fervor para obter a
salvação.
O monge Shinran, fundador da seita Jôdo-shinshû, pregava a salvação de todos, seja malfeitores
seja prostitutas. Provavelmente esse tipo de pregação conquistou também os samurais que viviam entre
a vida e a morte. Esses guerreiros precisavam do ensinamento da seita Zen para se disciplinar, mas
também precisavam acreditar que conseguiriam a salvação da alma após a sua morte. Assim, nos
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templos da seita Jôdo existentes em Kamakura, observam-se as influências da seita Zen; e nos de seita
Zen, as influências da seita Jôdo.

A seita Nichiren-shû

O monge Nichiren, filho de um pescador de Awa (atual província de Tokushima, Ilha de


Shikoku), estudou o budismo em Hieizan, Quioto, e mudou-se para Kamakura a fim de divulgar o
ensinamento da sutra de Hokekyô, o budismo Mahayana. Ele criticava duramente o ensinamento da
seita Jôdo, que pregava apenas a oração, profetizando a invasão do Japão por uma nação estrangeira e a
revolta desta. Essa profecia acabou se concretizando com a tentativa da invasão mongol e a revolta de
Hôjo Tokiura. Porém, por causa das críticas ao xogunato e a outras seitas, Nichiren foi exilado para Izu
e, mesmo após a anistia e a volta para Kamakura, continuou com suas críticas, sendo novamente
exilado, dessa feita, para a Ilha de Sado. Após sua segunda anistia, dedicou-se à educação de seus
discípulos no Templo Kuon, no Monte Minobu, província de Yamanashi.
A seita Nichiren-shû é a única que leva o nome do seu fundador, demonstrando quanto ele era
venerado por seus seguidores. Até hoje, os fiéis fazem romaria ao Monte Minobu, onde se encontra o
seu túmulo, fato raro também na história do Japão.

O grande Buda de Kamakura

O gigantesco Buda de Kamakura, o segundo maior do Japão, feito de bronze com 11,5 m de
altura, é envolto em muitos mistérios. Supõe-se que tenha sido construído por volta de 1252 por um
escultor da linhagem de Unkei, grande escultor da Era Kamakura. Comparado ao grande Buda do
Templo Tôdai-ji (cidade de Nara), o maior do Japão, ele possui feição mais suave e sua postura mais
curvada causa a impressão de estar ouvindo atentamente as orações dos seus fiéis.
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Era Muromachi

Era de duas cortes e “Restauração Kenmu”

O governo da Restauração Kenmu só durou dois anos e meio, pois surgiram divergências entre
o imperador Godaigo, que priorizava os interesses da nobreza, e Takauji, que representava os
samurais.

Após meados da Era Kamakura, a família imperial travava


uma disputa entre seus próprios membros pela divisão dos bens.
Ainda entre os samurais, também havia muitos que estavam
descontentes com o clã Hôjô. Aproveitando-se dessa situação, o
imperador Godaigo (1288–1339) tramou uma revolta contra o
xogunato de Kamakura em 1324, porém, a conspiração acabou
chegando aos ouvidos inimigos e fracassou. Sem esmorecer, em
1331, ele planejou outro levante, mas fracassou novamente, sendo
exilado para Oki em 1332.
As tentativas de Godaigo não cessaram e, em 1333, o
imperador conseguiu o seu intento e derrubou o xogunato de
Kamakura com a ajuda de Ashikaga Takauji (1305–1358), que
havia sido designado justamente para combater as forças revoltosas. O imperador Godaigo retornou a
Quioto e restaurou o poder imperial. Esse período foi denominado Restauração Kenmu, pois, em 1334,
o nengô (era ou período) passou a se chamar Kenmu. Esse governo durou apenas dois anos e meio, pois
surgiram divergências entre o imperador Godaigo, que sempre deu prioridade aos interesses da
nobreza, e Ashikaga Takauji, que representava a classe dos samurais. Eles entraram em conflito por
causa da distribuição de terras e prêmios.
Os conflitos culminaram com a destituição do imperador Godaigo provocada por Ashikaga
Takauji, que se instalou em Quioto. Takauji estabeleceu as diretrizes de seu governo, indicou um novo
imperador e tornou-se xogum em 1338. Godaigo refugiou-se em Yoshino, província de Nara, ainda
declarando ser o verdadeiro imperador do Japão. Dessa forma, coexistiram nesse período a corte de
Quioto e de Nara, fato que recebeu a denominação de Era da Corte Norte (Quioto) e da Corte Sul
(Nara), ou seja, Nanboku-Chô Jidai, por sua situação geográfica. Essa era foi marcada pela disputa de
poder e perdurou por quase 60 anos, até 1392.

Início do xogunato Muromachi

Para Ashikaga Takauji, o melhor mesmo seria instalar-se em Kamakura, base do clã Ashikaga,
mas, preocupado com a revolta do imperador Godaigo, ele instalou-se em Quioto, para conter o poder
da Corte Sul.
O período controlado pela família Ashikaga foi conhecido como Era Muromachi, devido à
construção do palácio Hana-no-Gosho (Palácio das Flores), sede do xogunato Ashikaga (1336–1573),
na cidade de Muromachi. O palácio foi construído em 1378.
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A cidade de Quioto transformou-se em campo de batalha na época das duas cortes, quando a
tropa da Corte Sul, liderada pelo nobre Kitabatake Chikafusa (1293–1354), tentou invadir a cidade de
Quioto, na tentiva de reverter a situação.
Em 1352, o segundo xogum, Ashikaga Yoshiakira (1330–1367), outorgou a lei denominada
hanzei-rei (lei da repartição ao meio), que repartia a metade das terras dos latifúndios (shôen) de
propriedade dos nobres e templos por tempo indeterminado, transformando-as em feudos dos samurais.
Com isso, Yoshiakira conseguiu, até certo ponto, fortalecer o poder do xogunato Ashikaga.
O terceiro xogum, Ashikaga Yoshimitsu (1358–1408), iniciou o comércio com Ming (China)
sob o título de “Rei do Japão”. O arquipélago passou a importar moedas de cobre e tecido de seda,
exportando enxofre, cobre e espadas, obtendo grandes lucros. Essa riqueza fez com que florescessem as
culturas Kita-Yama e futuramente Higashi-Yama (que serão tratadas no próximo capítulo). Iniciou-se
ainda a economia baseada em dinheiro, com a moeda de cobre circulando no país. O fato de observar o
aumento dos casos de pagamento dos impostos em dinheiro significa que, nessa época, havia um
mercado ativo de compra e venda de arroz.

Revolta dos camponeses

O século XV foi marcado também por anomalias climáticas, ocorrendo em várias regiões do
Japão o tempo frio atípico, a falta de alimentos e as epidemias. Principalmente durante o grande flagelo
de 1461, houve cerca de 84 mil mortes só em Quioto. Nessa época, houve vários levantes de
camponeses que ficaram conhecidos pelo nome de tsuchi ikki. Em 1428, por exemplo, houve, na região
de Kinki, o primeiro levante na história do Japão reivindicando a anistia. Com a péssima colheita,
foram anos de verdadeiro pesadelo para os camponeses.
O aumento do poder do povo, proveniente do desenvolvimento da agricultura, incentivou a luta
pela diminuição da carga tributária. A falta de arroz e a conseqüente elevação de seu preço fizeram com
que os transportadores, também passando por dificuldades, se unissem aos agricultores. Esses fatores,
aliados aos juros altos cobrados sobre às dívidas, impulsionaram as grandes revoltas. A falta de uma
diretriz política firme por parte do xogunato Ashikaga durante esse período causou a sua queda após
perdurar por 15 gerações.

O rebaixamento da posição da mulher na sociedade

A partir dessa época, a alteração da forma de casamento também mudou o lugar da mulher na
sociedade. A mudança de muko-tori (marido indo morar na casa da noiva) para yome-iri (esposa
fazendo parte da família do marido) tirou das mãos do pai o controle sobre sua filha após o casamento.
Dessa maneira, a divisão dos bens para a filha deixou de existir, rebaixando cada vez mais a posição
socioeconômica da mulher.

A era dos países em guerra

Sucessão ao trono de xogum deu início à Revolta de Onin, que levou o Japão a um período de
mais de cem anos de intermináveis batalhas.

Quando Yoshimitsu, o terceiro xogum do clã Ashikaga, instalou-se em Quioto, no início da Era
Muromachi, o Japão conheceu relativa paz e prosperidade, quebrados pela Revolta de Onin, que
promoveu o surgimento dos sengoku daimiôs, literalmente, os senhores feudais dos países em guerra,
que conquistaram o poder através da força, levando o Japão a mais de cem anos de intermináveis
batalhas.
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A Revolta de Onin (1467~1477)

A sucessão ao trono de xogum (supremo comandante dos samurais) foi o motivo da Revolta de
Onin. Hino Tomiko (1440~1496), esposa do oitavo xogum, Ashikaga Yoshimasa (1436~1490), queria
que seu filho Yoshihisa (1465~1489) fosse o ocupante do trono. Para isso, ela pediu ajuda ao shugo
daimiô (comandante de segurança nacional) Yamana Mochitoyo, mais tarde, monge Sôzen
(1404~1473).
No entanto, Yoshimasa já havia designado seu irmão Yoshimi (1439~1491) como seu sucessor, já que
seu filho primogênito havia falecido ainda criança, e o casal não tinha filhos há mais de dez anos.
Porém, logo após Yoshimi ser designado sucessor, Tomiko engravidou e deu à luz um menino.
Yoshimasa pediu ajuda a Hosokawa Katsumoto (1430~1473) – até então kanrei (espécie de
primeiro-ministro) –para manter seu irmão como sucessor. Este conflito serviu como pretexto para que
os dois grandes senhores feudais medissem forças pela conquista de maiores poderes.
O saldo da Revolta de Onin paraQuioto foi péssimo, pois a cidade ficou em cinzas. Os dois
líderes, Sôzen e Katsumoto, morreram por motivo de doença. Hino Tomiko, porém, enriqueceu durante
a guerra, emprestando dinheiro aos senhores feudais mediante cobrança de juros. Além disso, a vontade
da esposa de Yoshimasa prevaleceu, e seu filho Yoshihisa tornou-se o nono xogum do clã Ashikaga.

Hino Tomiko (1440~1496)

Filha de nobres, Tomiko casou-se com o xogum Ashikaga Yoshimasa aos 16 anos. Yoshimasa,
então com 21 anos, já tinha várias concubinas e filhos.
Tomiko é conhecida como uma das vilãs da história do Japão, por ter causado a Revolta de
Onin, fato que levou o arquipélago a uma guerra de mais de cem anos, até a unificação do país,
conseguida por Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi. A esposa de Yoshimasa não só foi uma das
principais responsáveis pelo incidente de Onin, como também praticou agiotagem com daimiôs que
vinham a Quioto participar da revolta, e criou o imposto de trânsito para pessoas e produtos que
entravam na capital. O imposto, uma medida abusiva, foi abandonado após a rebelião de camponeses,
transportadores e comerciantes.
Apesar de sua fama e de suas atitudes polêmicas, Tomiko foi uma mulher forte e culta, que com
sua fortuna sustentou a arte que floresceu nessa era e que perdura até os dias atuais. Embora tenha tido
participação marcante no cenário político japonês, como mulher, Tomiko foi muito infeliz. Seu
casamento não foi bem-sucedido e também não teve sorte com os filhos. Seu primogênito faleceu ainda
criança; o segundo filho, Yoshihisa, não foi bom nem como filho nem como político, mesmo com
todos os esforços que Tomiko empreendeu para torná-lo xogum; o terceiro filho, a quem ela amou e
depositou grandes esperanças, faleceu aos 16 anos. Mesmo Yoshihisa, com quem Tomiko não tinha
boas relações, faleceu aos 25 anos.
Aos 56 anos, Tomiko faleceu, seis anos após a morte de seu marido Yoshimasa, e depois de
participar da sucessão do décimo xogum, Yoshiki, filho de Yoshimi.

Sengoku-jidai – A era dos países em guerra (1467~1573)

Enquanto os senhores feudais (shugo daimiô) lutavam em Quioto, seus vassalos, que ficaram
nos seus feudos, usurparam o poder, dando início a uma guerra entre os mais fortes para tentar a
conquista do domínio do Japão suplantando seus superiores, ou traindo os amigos e parentes para
adquirir mais poder e terras. Esses novos ascendentes eram chamados de sengoku daimiôs. Eles
construíam castelos no alto da montanha, onde poderiam ter boa visibilidade em caso de ataque
inimigo, mas normalmente moravam em casarões construídos na parte plana, no sopé da montanha, em
torno do qual surgiram cidades.
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Dentre esses sengoku daimiô, destaca-se Oda Nobunaga de Owari (província de Aichi), um
grande e frio estrategista, que destruiu um a um os seus inimigos, chegando ao cúmulo de mandar
incendiar o Templo Enryaku-ji, por seus monges terem desobedecido às suas ordens.
Em 1573, Nobunaga expulsou o décimo quinto xogum, Ashikaga Yoshiaki (1537~1597), de
Quioto, encerrando dessa forma a Era Muromachi.

A chegada dos portugueses ao Japão

Os países da península ibérica, Portugal e Espanha, viviam uma época de grande expansão
marítima, com o navegador português Vasco da Gama chegando à India em 1498, contornando o
continente africano; Cristóvão Colombo descobrindo a América em 1492, financiado pela Espanha; e o
navegador português Fernão de Magalhães chegando ao Oriente atravessando o Oceano Atlântico,
contornando a América do Sul e atravessando o estreito que hoje leva o seu nome, para atingir o
Oceano Pacífico. Por fim, Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil em 1500.
Quarenta e três anos após o descobrimento do Brasil, em 1543, os portugueses chegaram à Ilha
de Tane-ga-shima, ao sul da Ilha de Kyushu, levados pela tempestade. Eles foram os primeiros
ocidentais que os japoneses conheceram. Nessa ocasião, os ocidentais transmitiram conhecimentos
sobre armas de fogo como a espingarda aos japoneses. Como o arquipélago estava em guerra, esse
novo recurso propagou-se rapidamente pelo país. Com o tempo, a espingarda passou a ser fabricada nas
cidades de Sakai (província de Osaka) e Kunitomo (província de Shiga), pois os custos para sua
importação eram muito altos.
Coincidentemente, em 1549, no mesmo ano em que o jesuíta Manuel da Nóbrega chegou à
Bahia, o também jesuíta Francisco Xavier chegou em Kagoshima, Ilha de Kyushu, para difundir o
cristianismo. Muitos outros religiosos chegaram ao Japão, conseguindo converter até mesmo alguns
daimiôs ao cristianismo.

Cultura Kitayama e Higashiyama

Arte japonesa tradicional foi sedimentada nessa fase da história do Japão; manifestações foram
levadas a várias regiões por nobres e monges.

A consolidação e a elevação da qualidade da arte em muitas de


suas formas ocorreu na Era Muromachi. Manifestações culturais
praticadas por nobres, samurais e pelo povo de uma forma geral
sobreviveram ao longo do tempo e podem ser apreciadas até hoje. A
cultura japonesa dita tradicional – cerimônia do chá (cha-no-yu),
arranjo de flores (ikebana), pintura a nanquim (suiboku-ga ou sumiê),
teatro Nô, etc. – sedimentou suas bases nessa fase da história do
Japão.
O suntuoso edifício dourado Kinkaku (pavilhão de ouro),
construído pelo terceiro xogum, Ashikaga Yoshimitsu, em fins do
século XIV, em Kitayama, ao norte de Quioto, simboliza a glória do
clã Ashikaga. Assim, as manifestações culturais dessa época são
conhecidas como cultura Kitayama. Enquanto intermináveis batalhas
aconteciam em Quioto, o oitavo xogum, Yoshimasa, construiu, em
Higashiyama, a luxuosa casa de campo Ginkaku (pavilhão de prata),
indiferente ao sofrimento do povo. A cultura representada pelo
edifício Ginkaku é conhecida como Higashiyama-bunka.
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Kinkaku (pavilhão de ouro) e Ginkaku (pavilhão de prata)

O Kinkaku, construído pelo xogum Yoshimitsu em 1397, com a fortuna adquirida através do
comércio com a China (Dinastia Ming), era totalmente folheado a ouro. Construção de três andares,
sendo o piso térreo e o primeiro andar destinados à moradia e o segundo andar para culto religioso,
possui uma estética simétrica harmoniosa. Após a morte de Yoshimitsu, segundo sua vontade, a
construção foi convertida em um templo budista denominado Rokuon-ji, embora seja popularmente
conhecido pelo nome de Templo Kinkaku. Em 1950, o templo foi totalmente destruído pelo fogo,
sendo reconstruído em 1955. O incêndio foi provocado por um jovem monge lunático, obcecado pela
beleza arquitetônica do templo, fato que inspirou o romance O templo do Pavilhão Dourado, escrito por
Yukio Mishima, em 1956.
Por sua vez, o Ginkaku (pavilhão de prata), como diz o próprio nome, era para ser folheado a
prata, o que não se concretizou por falta de verbas. Sua construção foi ordenada pelo oitavo xogum do
clã Ashikaga em 1460, completando-se, porém, somente em 1482, devido à Revolta de Onin. O seu
estilo arquitetônico, com o piso inteiramente forrado de tatami, presença de shôji (divisórias corrediças
com caixilhos de madeira forrados com papel) e tokonoma (uma espécie de nicho com prateleiras para
enfeitar com obras de arte), é o que há de mais representativo na construção tradicional japonesa da
atualidade. As obras de arte para adornar o tokonoma fizeram florescer o suiboku-ga (mais conhecido
por nós como sumiê) e o ikebana (arranjo de flores).
Após a morte do xogum Yoshimasa, o pavilhão transformou-se no Templo Jishô-ji, porém é
conhecido popularmente como o Templo Ginkaku.

Suiboku-ga (Sumiê)

Pintura em austero estilo monocromático, criada na China e introduzida no Japão durante a


Dinastia Song (960~1279) e Yuan (1279~1368), encontrou grandes adeptos entre os monges da seita
zen dos templos de Kamakura e Quioto.
No século XV, o pintor Sesshu Toyo (1420~1506) criou um estilo japonês próprio, inspirado na pintura
monocromática da China. A sua obra mais representativa é Ama-no-hashidate (1501, acervo do Kyoto
National Museum).
No fim da Era Muromachi, um novo gênero de suiboku-ga foi desenvolvido por artistas da
escola Kanô. A escola Kanô foi iniciada por Kanô Masanobu (1434~1530) – pintor oficial do xogunato
Muromachi – e continuada por seu filho Kanô Motonobu (1476~1559). O seu estilo mais decorativo e
a sua sensibilidade plástica tiveram grande influência nos pintores das épocas posteriores.

Ikebana

Chamado também de kadô, ou seja, caminho das flores, teve origem nos arranjos de flores
oferecidos durante a cerimônia budista. No século XV, desenvolveu-se a ponto de se tornar uma arte
com estilo próprio. A seleção apurada das flores e vasos, a disposição dos galhos e a simetria entre eles
e as flores têm distinguido esta arte da utilização das flores com simples intuito decorativo.
Atualmente, no Japão, há cerca de 3 mil estilos, sendo os mais populares o Ikenobô, o Ohara e o
Sogetsu.

Teatro Nô

Dos teatros exibidos até os dias de hoje, o Nô é o mais antigo do mundo. Nascido no século
XIV, o teatro Nô preserva o que outros importantes teatros perderam: a origem ritualista, refletindo a
visão do budismo. Normalmente, os personagens são fantasmas que completaram o seu ciclo de
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existência terrena e intermedeiam o outro mundo, o mundo divino, com o terreno. É um teatro misto de
dança, drama e musical, cujo ator principal usa máscara.
A transformação para os moldes existentes atualmente ocorreu na Era Muromachi, com o
surgimento de Kan’ami (1333~1384) e seu filho Zeami (1363~1443), que tiveram a proteção do xogum
Ashikaga Yoshimitsu. A filosofia de Zeami sobre os vários aspectos do teatro é seguido até hoje pelos
atores do teatro Nô.
O Kyôgen, comédia representada entre os atos de teatro Nô, também surgiu no início da Era
Muromachi.

Outras manifestações culturais

Renga, poema criado em grupo, ou seja, uma primeira pessoa cria os versos formados por 17
sílabas (5, 7 e 5 sílabas) e a seguinte prossegue, com versos de 14 sílabas (2 versos com 7 sílabas cada),
e assim sucessivamente até criar cem versos, foi transformado em uma arte literária de alto nível pelo
mestre Sôgi (1421~1502), que criou uma série de regras complexas.
Da Era Muromachi até início da Era Edo, foram escritos contos denominados otogi-zôshi
(literalmente, coletânea de contos de fadas), popularizando cada vez mais a cultura. Entre esses contos,
existem muitos que são conhecidos até os dias de hoje, como por exemplo, o Issun-bôshi, no qual um
rapaz do tamanho de um polegar salva uma princesa dos demônios e cresce graças ao mágico uchide-
no-kozuchi (martelo encantado), versão oriental do condão de fada, casa-se com a princesa e vivem
felizes para sempre. Este conto mostra bem os anseios do povo que nunca mudam nem no tempo, nem
no espaço.
As manifestações culturais dessa época foram levadas a várias regiões do Japão pelos nobres e
monges que procuraram abrigo entre os clãs regionais para se refugiarem da Revolta de Onin, que
devastou a cidade de Quioto.

Tempos de piratas, comércio e expansão

Período é marcado pela violência dos wakô, os temíveis piratas japoneses, e pela intensificação
das relações comerciais com países vizinhos.

Em fins do século XIV, época em que o xogunato de


Muromachi consolidou o seu poder, o Leste Asiático sofria
intensas transformações. E uma das causas, embora indireta,
dessas transformações ocorreu por conta da atuação dos
temíveis grupos de piratas japoneses denominados pelos
chineses e coreanos de wakô.

Wakô, os piratas japoneses

Os wakô viviam na região norte da Ilha de Kyushu e nas


redondezas da Baía de Seto. Com frotas que variavam de 3 a 500 navios, invadiam terras vizinhas e
queimavam casas, matando todos aqueles que tentavam resistir. Outra prática constante era a pilhagem
de bens e o seqüestro de homens, mulheres e crianças.
Os ataques freqüentes dos piratas contribuíram para a decadência do reino de Kôrai (Coréia).
Em 1392, Yi Song-Gye (1335~1408) conseguiu expulsar os wakô das terras coreanas, derrubar o reino
de Kôrai e fundar a dinastia Yi (1392~1910). O comércio entre Japão e Coréia iniciou-se quando Yi
enviou uma carta para Ashikaga Yoshimitsu (1358~1408), solicitando o combate aos wakô e o
comércio entre as duas nações, no que foi prontamente atendido pelo xogunato japonês.
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A queda da dinastia Yuan na China, em 1369, também impulsionou o rigor no combate aos
wakô. A dinastia Ming, sucessora de Yuan, proibiu o comércio privado e permitiu o comércio
internacional apenas com os países que tinham acordo com o reinado Ming.
Os wakô readquiriram força com o enfraquecimento do xogunato de Muromachi. Suas
pilhagens continuaram até a unificação do Japão por Toyotomi Hideyoshi.

Comércio com China e Coréia

A atividade comercial entre Japão e Coréia foi muito rica. Entre os produtos vendidos pelo
arquipélago, estavam cobre, enxofre e artigos dos mares do sul, como pimenta, medicamentos e plantas
perfumadas, trazidos pelos navios mercantes de Ryukyu (atual Okinawa). As compras consistiam em
tecidos, principalmente o algodão, que os nipônicos não produziam. Nessa época, os japoneses usavam
roupas feitas de tecido de cânhamo. Como o tecido de algodão era mais eficiente no inverno que o de
cânhamo, ele se tornou um item muito apreciado no Japão, com importações em grande quantidade e
forte influência nos hábitos do povo do sol nascente.
No início, as transações comerciais eram feitas em Hakata, cidade ao norte da Ilha de Kyushu.
Entretanto, durante a Era Muromachi, duas cidades cresceram rapidamente: a própria Hakata e Sakai,
situada na Baía de Osaka.
O dazaifu, repartição do governo central para cuidar de assuntos diplomáticos com a China e a
Coréia, bem como para defender o Japão dos ataques inimigos, estava instalado na cidade de Hakata
desde tempos antigos. No entanto, com o passar do tempo, a cidade prosperou com o comércio de
importação e exportação, o que a tornou alvo de disputa entre os daimiôs, os senhores feudais da época.
Já Sakai não passava de um pequeno povoado, que servia de estalagem para os romeiros a caminho de
Kumano. Entretanto, a Revolta de Onin, ocorrida no início da Era Muromachi, foi um estímulo ao
crescimento da cidade, pois, nessa ocasião, muitos nobres buscaram refúgio no local, que passou a
receber também as sacas de arroz cobradas como tributo, fazendo de Sakai uma importante cidade
portuária.
O comércio era feito com as moedas de cobre importadas da China. No entanto, por escavações
arqueológicas, descobriu-se que muitas moedas que circularam nessa época eram falsas e foram
produzidas em Sakai. O fato de essas moedas falsas, fabricadas em grande escala, terem circulado sem
problemas, mostra o poder dos comerciantes, capaz de calarem até mesmo as leis, que previam rigorosa
punição para tal infração.
Tanto Hakata como Sakai prosperaram, a ponto de conseguirem manter certa autonomia e paz,
indiferentemente às guerras travadas entre os senhores feudais. Com seu poder econômico, ambas
fizeram florescer manifestações culturais como a cerimônia do chá, os poemas japoneses – Waka e
Renga –, o teatro Nô, entre outras.

O reino de Ryukyu

O arquipélago de Ryukyu foi habitado desde tempos remotos. No antigo livro de história do
Japão, consta que o país havia recebido visitas de representantes das ilhas do sul por volta dos séculos
VII e VIII. No Zuisho, o livro de história da China de 636, também há a citação de Ryukyu como sendo
um país fora do domínio chinês.
Por volta do século XII, o surgimento dos clãs regionais, denominados aji, afeta a relativa paz
em que viviam os ilhéus. Lutando entre si, os aji construíam fortes chamados gusuku.
A ilha principal de Ryukyu ficou sob o domínio de três grandes clãs – Sanboku, Sannan e
Chûzan –, cujos líderes se declararam reis no século XIV. Essa era de três reis continuou até o xogum
de Chûzan, Shô Hashi, unificar o país e instituir o Reino de Ryukyu, no início do século XV. O clã Shô
conseguiu fazer com que o país prosperasse por meio do comércio com nações vizinhas, subordinando-
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se à dinastia Ming (1368~1644). A rota de comércio do Reino de Ryukyu expandiu-se das ilhas do
Sudeste Asiático até além do Estreito de Málaca, com o comércio de diversas mercadorias como
marfim, especiarias e cavalos.
Com a perda de poder da dinastia Ming, em meados do século XVI, comerciantes chineses e
japoneses passaram a desenvolver comércio diretamente com o Sudeste Asiático. Para o reinado Ming,
tornou-se difícil controlar o tráfego dos navios pelos mares e desenvolver o comércio exterior. Assim, o
Reino de Ryukyu também começou a declinar.

O povo de Ezo

Ao norte do Japão, habitava um povo que não se submeteu ao poder da corte de Yamato,
denominado ezo ou emishi. Entre os séculos XIV e XV, esse povo atravessou o Estreito de Tsugaru e
habitou o sul de Hokkaido. Eles eram chamados de wajin pelos ainos, os nativos da ilha. À medida que
os wajin adquiriam poder, surgiam conflitos com os ainos. Em 1457, aconteceu uma rebelião dos ainos
contra os wajin, comandada por Koshamain ( ? ~ 1457). O episódio foi contido pela tropa japonesa, e
seu líder foi morto numa emboscada.
Pode-se dizer, assim, que a Era Muromachi coincidiu com a época em que o mundo despertou
para a expansão externa.
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Era Azuchi-Momoyama

O início da Unificação Japonesa

Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi lideraram processo de unificação com medidas de


controle a camponeses e terras.

A partir de meados do século XVI, após o fim da Revolta de Onin, os principais senhores
feudais, ou seja, os daimiôs, tentaram ampliar os seus poderes travando guerras sangrentas. Dentre
esses daimiôs, destaca-se a figura de Oda Nobunaga.
Nobunaga derrotou os daimiôs das redondezas e, chegando em Quioto, aniquilou o xogunato de
Muromachi, em 1573. Em seguida, ele construiu um magnífico castelo em Azuchi (província de
Shiga), próximo de Quioto, e iniciou a obra de unificação do país, destruindo um a um seus inimigos.
Entretanto, antes de concluir essa tarefa, Nobunaga foi traído por seu vassalo Akechi Mitsuhide e
morreu no Templo Honnô-ji, em Quioto.
Quando a morte de Nobunaga foi comunicada a seu fiel vassalo Hashiba Hideyoshi
(posteriormente Toyotomi Hideyoshi), com um golpe de mestre ele derrotou o traidor Mitsuhide,
tornando-se o herdeiro da obra de unificação do país.
Hideyoshi, então, construiu um gigantesco castelo em Osaka, o Osaka-jô, e, em 1590, alcançou
a tão sonhada unificação do país, derrotando o clã Hôjô. Ele não deu início a um novo xogunato, mas
tornou-se um kanpaku (plenipotenciário) para governar o país.
O período de aproximadamente 30 anos nos quais esses dois grandes estrategistas unificaram o
Japão é conhecido como Era Azuchi-Momoyama, cujos nomes foram tirados dos castelos construídos
respectivamente por Oda Nobunaga e Toytomi Hideyoshi (Momoyama-jô, situado no bairro de
Fushimi, em Quioto).

Oda Nobunaga (1534~1582)

Nobunaga era um dos 19 filhos de Oda Nobuhide, senhor feudal de


quatro aldeias de Owari (província de Nagóia). Aos 16 anos, casou-se com
a filha de Saitô Dôsan, senhor feudal de Mino (atual província de Gifu), em
uma aliança de conveniência promovida por seu pai para evitar os conflitos
em terras fronteiriças dos dois feudos. Mais tarde, seu sogro, Saitô Dôsan,
foi assassinado por seu próprio filho, Tatsuoki. Como represália, Nobunaga
expulsou Tatsuoki do castelo.
Com a destruição do xogunato Muromachi e a instalação no castelo
de Azuchi, Nobunaga tomou uma série de medidas:

• Aboliu o sistema de sekisho (posto de fiscalização das estradas), permitindo livre acesso de trânsito.
• Tentou desenvolver a indústria e o comércio, isentando os impostos dos que mantinham atividades
nas circunvizinhanças do castelo.
• Protegeu o cristianismo.
• Introduziu a arma de fogo em suas batalhas, combatendo com furor seus inimigos.
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• Acabou com a soberania da cidade comercial de Sakai.


• Incendiou o Templo Enryaku-ji, por seus monges terem desobedecido às suas ordens.
• Combateu as rebeliões da região norte e nordeste.
• Destruiu o poderoso clã Takeda, de Kai (atual província de Yamanashi).

Traição de Akechi Mitsuhide (1528~1582)

Existem algumas versões sobre o motivo pelo qual Mitsuhide traiu o seu senhor. Uma delas é a
de que ele delatou o ataque que Nobunaga planejava a Takeda Katsuyori e, com medo de ser
descoberto, atacou-o antes que fosse morto.
Outra versão conta que Mitsuhide teria sido envergonhado na presença de muitos por
Nobunaga, que o teria repreendido duramente por sua falha na recepção a Tokugawa Ieyasu, fato que
teria motivado Mitsuhide a voltar-se contra o seu senhor.
Entretanto, Mitsuhide deve ter sido motivado à traição pela imprudência do próprio Nobunaga,
que teria se alojado no Templo Honnô-ji com pouquíssimo séquito, quando seus vassalos fiéis estavam
em terras distantes, combatendo forças revoltosas. Vendo uma ótima chance para tornar-se o novo
governante do país, Mitsuhide teria atacado Nobunaga com a tropa recrutada para combater o clã Môri,
da região de Chûgoku, a mando de seu senhor. Conseguindo encurralar Nobunaga, Mitsuhide teria
incendiado o templo e o levado ao suicídio.
Há também os que dizem que a crença de Nobunaga de que a doutrina budista seria nociva para
a modernização do país teria motivado a alma dos monges por ele assassinados a incorporar em
Mitsuhide, levando-o a cometer um ato tão insano.

Toyotomi Hideyoshi (1537~1598)

Pouco se sabe sobre sua verdadeira origem e suspeita-se de que


muitos dos episódios contados na literatura a seu respeito sejam falsos.
Muitos podem ter sido criados pelo próprio Hideyoshi, cujo pai foi um
simples soldado de Oda Nobuhide, mas tornou-se camponês ao voltar
ferido à sua terra natal.
Hideyoshi tornou-se empregado de Nobunaga, começando como
guarda-calçados (zôri tori). Com sua astúcia e simpatia inata, foi
conquistando a confiança de seu senhor, participando de várias batalhas e passando a comandar as
tropas, vencendo muitos confrontos até chegar a ser senhor de um castelo, aos 37 anos.
Hideyoshi foi comunicado da morte de Nobunaga na distante região de Chûgoku, onde estava
em guerra contra o clã Môri. Usando de toda a sua astúcia, fez um acordo de paz com o clã e voltou o
mais depressa que pôde com sua tropa. Depois de derrubar Mitsuhide, Hideyoshi tornou-se sucessor de
Nobunaga na tarefa de unificação do Japão.
Para controlar melhor os camponeses e suas terras, Hideyoshi estabeleceu um padrão de
medidas, unificando inclusive o tamanho da caixinha de madeira para medir o arroz (masu). Mandou
medir todos os arrozais, verificar a qualidade do solo, registrar todas as informações e redistribuiu as
terras cobrando tributo conforme sua capacidade de produção (koku-daka).
Com a medida de uma terra para um lavrador, no sistema de shôen (latifúndio), em que havia
muitos “sócios” dividindo os lucros das colheitas, os poucos latifúndios que ainda sobreviviam
desapareceram, ficando os camponeses sob o controle de um senhor feudal. Esta medida ficou
conhecida como taikô kenchi.
Hideyoshi ainda realizou o katana-gari, ou seja, confiscou e proibiu o porte de armas pelos
camponeses e monges. Não satisfeito em controlar apenas o Japão, Hideyoshi tentou derrubar a dinastia
Ming, da China, e por duas vezes enviou tropas para a Coréia, que ficava no meio do caminho para a
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China. No entanto, o povo coreano resistiu bravamente a esta invasão e deixou as tropas enviadas por
Hideyoshi em desvantagem cada vez maior. Somando a isso o falecimento de Hideyoshi, em 1598, os
soldados japoneses retiraram-se da Coréia. Esse envio de tropas para o exterior desfalcou o cofre do
país e constituiu-se em um dos motivos que levou à queda de Toyotomi.

Namban Bôeki

Comércio com europeus, florescimento de novas culturas e construção de castelos suntuosos


marcaram a época.

Na época de Nobunaga e Hideyoshi, floresceram as culturas mais


ousadas e luxuosas, criadas por influência das mentes guerreiras dos
samurais – classe reinante da época – e também pela cultura ocidental
introduzida no país por meio do comércio com portugueses, espanhóis e
italianos, o chamado nanban bôeki, ou seja, comércio exterior com os
bárbaros do sul, direção em que vinham os navios mercantes. O termo refere-
se também ao comércio realizado pelos navios japoneses com os países das
ilhas do sul, como Luzon (uma das ilhas das Filipinas), Java (na Indonésia),
entre outras. Durante essa era da história japonesa, o comércio foi mantido,
principalmente, com os portugueses.
Os europeus traziam ao Japão produtos como sedas chinesas, armas de fogo, pólvora, couro,
especiarias e produtos de vidro, e compravam ouro, cobre, enxofre e principalmente prata, que passou a
ser extraída em maior volume nesse período. O hábito de fumar também se difundiu e, no início do
século XVII, o pé de tabaco passou a ser cultivado no Japão.
Os costumes dos nativos da Europa dessa época podem ser observados em figuras desenhadas
nos biombos chamados de nanban byôbu. Há desenhos de caravelas, adestramento de cavalos, aves,
outros animais e diversos objetos comercializados no período.

Momoyama bunka (Cultura Momoyama)

As diversas manifestações culturais dessa era são conhecidas como Momoyama bunka. Trata-se
de uma época em que a paz foi restabelecida, o comércio se intensificou e os novos daimiôs
ascendentes e os comerciantes que se enriqueceram gastaram a sua fortuna para ostentar o seu poder ou
a sua riqueza. Foram construídos por diversos daimiôs muitos castelos com belos e imponentes
tenshukaku, ou seja, torres que serviam de mirante.
Tanto Oda Nobunaga (1534~1582) quanto Toyotomi Hideyoshi (1537~1598) construíram
gigantescos e luxuosos castelos. Nobunaga construiu o Castelo Azuchi-jô, perto do Lago Biwa, na
província de Shiga, entre 1576 e 1579; entretanto, a edificação foi destruída pelo fogo em 1582,
durante a Revolta de Akechi Mitsuhide.
Hideyoshi, por sua vez, iniciou a construção do Castelo Ôsaka-jô, em 1583, e levou três anos
para concluí-lo. Também esse castelo foi destruído em 1615 pelo fogo, durante a guerra que provocaria
o suicídio de Toyotomi Hideyori, herdeiro e filho único de Hideyoshi, e de sua concubina, Yodogimi
(sobrinha de Nobunaga). Hideyoshi ainda construiu em Quioto o Castelo Jurakudai (1587), que foi
destruído posteriormente (1595), e o Castelo Fushimi-jô, também conhecido pelo nome de
Momoyama-jô, em 1594, onde o guerreiro viveu seus últimos anos de vida. Com a morte do pai,
Hideyori mudou-se para o castelo de Osaka, ficando o castelo de Fushimi sob a guarda de Tokugawa
Ieyasu.
Todos esses castelos eram suntuosos e enfeitados com ouro em todos os seus detalhes, com
divisórias (fusuma) e biombos pintados com colorido refulgente. Das obras pintadas, destacam-se as de
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Kanô Eitoku (1543~1590) e Kanô Sanraku (1559~1635), da escola Kanô, que desenvolveu a arte em
estilo Momoyama, combinando a técnica de suiboku-ga (sumiê) e de pintura tradicional japonesa
(yamato-e). Uma das obras mais representativas de Kanô Eitoku é o biombo Kara-jishi byôbu, com a
pintura de dois leões.
O Castelo de Himeji, na cidade de mesmo nome localizada na província de Hyogo, serviu como
residência de Hideyoshi na época em que ele ainda se chamava Hashiba Hideyoshi. O Castelo de
Himeji – cuja construção foi iniciada no século XIV e finalizada no século XVII – foi reformado e
ampliado pelo senhor feudal da Era Edo Ikeda Terumasa, ficando pronto em 1609. A construção de
Himeji, também conhecida como Shirasagi-jô, sobreviveu aos bombardeios da Segunda Guerra
Mundial e, atualmente, é um dos castelos tombados como patrimônio nacional.

Cha-no-yu e Sen-no-Rikyu (1522~1591)

Enquanto muitos samurais e nobres ostentavam o luxo, Sen-no-Rikyu transformou o cha-no-yu


(cerimônia do chá), praticada até então com os objetos requintados importados da China, em apreciação
do chá dentro de ambiente de refinada simplicidade, utilizando apetrechos comuns feitos no país. O
chá, que antes era preparado numa sala à parte e servido à visita numa outra sala, passou a ser
preparado diante do visitante. Foi criado todo um cerimonial para apreciação do chá num ambiente
simples, mas de extremo bom gosto.
Sen-no-Rikyu foi o fundador da arte da cerimônia do chá da escola Senke e nasceu na cidade
portuária de Sakai, em 1522. Seu antepassado foi Sen-ami, que serviu ao xogum Yoshimasa, oitavo da
linhagem do clã Ashikaga. “Ami” era um título concedido aos sacerdotes com vasto conhecimento de
diversas artes. Sen-ami mudou-se para a cidade de Sakai durante a Revolta de Ônin.
Rikyu nasceu em uma família de comerciantes abastados e desde cedo se interessou pela cerimônia do
chá. Fez amizade com Imai Sôkyu (1520~1593) e Tsuda Sôtatsu (1504~1566), dois grandes mestres do
chá e também grandes comerciantes.
Aos 49 anos, ele foi apresentado a Oda Nobunaga por Imai Sôkyu e a partir daí começou a sua
ascensão social. Com grande sabedoria, ele conquistou importância cada vez maior para seu senhor,
Nobunaga, e transformou a cerimônia do chá em um evento imprescindível em muitos acontecimentos
sociais, elevando, conseqüentemente, o status de seus mestres. Após a morte de Nobunaga, Rikyu
passou a servir a Hideyoshi, conquistando também a sua simpatia.
Nessa época, mesmo em campo de batalha, eram realizadas as cerimônias do chá. Assim, Sen-
no-Rikyu acompanhou Hideyoshi em suas guerras contra Shimazu, em Kyushu, e no ataque ao castelo
de Odawara, aproveitando para trocar conhecimentos com os comerciantes influentes da região e
divulgar a cerimônia do chá.
Após unificar e dominar o Japão, para fazer saber o seu poder, Hideyoshi realizou um grande
cha-kai, reunião para apreciar o chá, em 1587, comandado por Sen-no-Rikyu, com apoio de outros dois
grandes mestres do chá, Imai Sôkyu e Tsuda Sôgyu, filho de Sôtatsu. Foram montados cerca de 800
lugares para realizar a cerimônia do chá no pátio do Templo Tenman-gu, contribuindo muito para
aumentar o número de apreciadores dessa arte.
Rikyu tornou-se um homem muito influente. Tanto é que o senhor feudal cristão de Kyushu
Ôtomo Sôrin escreveu numa das suas cartas: “os assuntos particulares de Hideyoshi devem ser tratados
com Rikyu; e os oficiais, com Hidenaga, irmão mais novo de Hideyoshi”.
Apesar de ter se tornado um homem de confiança de Hideyoshi, Rikyu atraiu sua ira em 1590 e foi
levado a praticar o seppuku (suicídio) no ano seguinte.
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Batalha de Sekigahara

Aliados de Toyotomi tentaram deter a ascensão de Tokugawa, mas não obtiveram êxito; mais
tarde, ele daria início ao xogunato de Edo.

Preocupado com seu filho Hideyori (1593~1615), antes de


morrer, Toyotomi Hideyoshi (1536~1598) instituiu o gotairô, um
conselho superior formado pelos cinco senhores feudais mais
poderosos (tairô): Tokugawa Ieyasu, Maeda Toshiie, Môri
Terumoto, Ukita Hideie e Kobayakawa Takakage (tio de Môri
Terumoto e enteado do grande guerreiro Uesugi Kenshin), que
depois da morte de seu padrasto recebeu o nome de Uesugi
Kagekatsu. O gotairô tinha como principal função fiscalizar os
trabalhos do gobugyô, uma espécie de conselho executivo formado
por cinco bugyô (cargo público abaixo do tairô), tais como Ishida Mitsunari, Asano Nagamasa, Maeda
Gen’i, Mashita Nagamori e Natsuka Masaie.
Dentre os conselheiros do gotairô, talvez o mais fiel à família Toyotomi tenha sido Maeda
Toshiie (1538~1599), homem de confiança de Hideyoshi e seu amigo de longa data. Após a morte de
Hideyoshi, em 1598, Maeda tentou manter a paz auxiliando Hideyori no castelo de Osaka, mas adoeceu
e faleceu um ano após a morte do amigo.
Tokugawa Ieyasu (1542~1616), filho primogênito do senhor feudal do castelo de Mikawa (atual
província de Aichi), não possuía a frieza e a audácia de Oda Nobunaga, nem a esperteza e a argúcia de
Toyotomi Hideyoshi, mas era um homem paciente e oportunista. Após a morte de Hideyoshi, ele
aumentou seu poder de influência, conseguindo fazer com que muitos senhores feudais passassem a
apoiá-lo.
Preocupado com o poder de Ieyasu, o ferrenho defesor de Toytomi Hideyori Ishida Mitsunari
(1560~1600) tentou detê-lo, mas não conseguiu a adesão de muitos guerreiros para a causa. Protegido
de Hideyoshi, Ishida era mais burocrata do que guerreiro, seguindo sua carreira valendo-se basicamente
de sua inteligência, e não de grandes feitos em batalhas. Além disso, sempre pairaram suspeitas acerca
da paternidade de Hideyori, já que seu pai, Hideyoshi, não teve filhos com sua esposa Nene, nem com
suas inúmeras concubinas. Entretanto, já em idade avançada, ele teve dois filhos com a bela e geniosa
Yodogimi, sobrinha de Oda Nobunaga. Hideyori foi o seu segundo filho; o primeiro, Tsurumatsu,
faleceu ainda pequeno.
Em junho de 1600, Tokugawa Ieyasu entrou em conflito com Kobayakawa Takakage (Uesugi
Kagekatsu), iniciando uma batalha com o suposto intuito de provocar Ishida Mitsunari e levá-lo a
confronto. Em julho, quando as tropas de Ieyasu avançaram até Shimotsuke-no-kuni (província de
Tochigi), Mitsunari decidiu combater as forças de Ieyasu tendo a seu lado as tropas dos guerreiros e do
senhor feudal cristão Konishi Yukinaga (1558~1600) e o monje Ankokuji Ekei (?~1600), ambos
homens de confiança de Toyotomi Hideyoshi. A batalha adquiriu dimensões cada vez maiores,
obrigando os senhores feudais a decidirem de que lado deveriam lutar: juntar-se às tropas lideradas por
Ishida Mitsunari, que lutava em nome de Toyotomi Hideyori, ou apoiar Tokugawa Ieyasu, poderoso
senhor feudal em ascensão.
Kuroda Nagamasa (1568~1623), Katô Kiyomasa (1562~1611) e Fukushima Masanori
(1561~1624), grandes guerreiros acolhidos por Toyotomi Hideyoshi e de sua esposa Nene, lutaram ao
lado de Tokugawa Ieyasu, em parte convencidos pela própria Nene, a quem consideravam como mãe.
Ela, por sua vez, aliou-se a Ieyasu talvez motivada pelo ressentimento contra a mãe de Hideyori,
Yodogimi, a quem seu esposo dedicou grande afeto nos últimos anos de vida; ou ainda é possível que
os longos anos de convivência com o grande estrategista e guerreiro tenham cultivado em Nene a
habilidade de reconhecer um vencedor.
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O confronto final ocorreu na tarde do dia 15 de setembro de 1600, em Sekigahara, atual provícia
de Gifu, quando a tropa de Kobayakawa Hideaki (1582~1602), sobrinho de Nene, mudou de lado e
atacou os soldados até então aliados. Confusas, as tropas comandadas por Mitsunari perderam o rumo e
acabaram vencidas pelos inimigos, liderados por Tokugawa Ieyasu.
Ishida Mitsunari foi preso e decapitado juntamente com Konishi Yukinaga e Ankokuji Ekei em
Rokujô-gawara, Quioto.

Osaka – Fuyu-no-jin, Natsu-no-jin

Em 1603, Tokugawa Ieyasu, vencedor da batalha de Sekigahara, foi agraciado com o título de
generalíssimo (seii-taishôgun), dando início ao xogunato de Edo, atual Tóquio. A única ameaça,
entretanto, era Toyotomi Hideyori e sua mãe, Yodogimi, que foram poupados por consideração a
Toyotomi Hideyoshi, com o argumento de que a batalha tinha sido idéia de Ishida. Mãe e filho, mais a
esposa prometida a Hideyori, Sen-hime, neta de Tokugawa Ieyasu e filha do segundo xogun,
Tokugawa Hidetada, viviam no castelo de Osaka, cercado duplamente pelos fossos e muralhas de
rochas.
Em novembro de 1614, Ieyasu decidiu destruir a família Toyotomi e ordenou aos senhores
feudais aliados de todo Japão o ataque ao castelo de Osaka, começando a batalha denominada Osaka,
Fuyu-no-jin, ou seja, a batalha de inverno em Osaka. Porém, os aliados da família Toyotomi, como
Sanada Yukimura (1567~1615) defenderam bravamente o castelo. Por fim, eles concordaram em
terminar a guerra, com a condição de aterrar o fosso externo do castelo. No entanto, Ieyasu mandou
aterrar o fosso interno também.
Como se isso não bastasse, no ano seguinte, ele exigiu que Hideyori saísse do castelo,
provocando um novo confronto, a chamado Osaka, Natsu-no-jin, ou seja, a batalha de verão em Osaka.
Sem a proteção dos fossos, as forças aliadas de Hideyori tiveram de sair do castelo e enfrentar as tropas
de Ieyasu, numericamente bem superiores e melhor preparadas. Então, no dia 8 de maio de 1615, o
castelo de Osaka ardeu em chamas, engolfando Hideyori e sua mãe, que optaram pelo suicídio,
encerrando assim a batalha de verão.

Ninjas e Tokugawa Ieyasu

Os espiões dos tempos antigos, chamados de ninjas ou shinobi-no-mono, surgiram


provavelmente no fim da Era Muromachi, quando se iniciaram as guerras entre diversos clãs. Todavia,
pouco se sabe sobre os ninjas, já que todo espião que se preze vive e morre no anonimato. Porém, é
sabido que Ieyasu fazia uso dos ninjas, tanto os do grupo Iga como de Kôga.
O relacionamento de Ieyasu com o grupo Iga começou quando ele foi salvo pelos samurais de
Iga, em 1582, quando voltava às pressas da cidade de Sakai para sua terra, Okazaki, após saber do
atentado de Akechi Mitsuhide contra seu senhor, Oda Nobunaga. Assim, ao se instalar em Edo, Ieyasu
empregou-os, juntamente com os ninjas do grupo Kôga, para espionar os senhores feudais, ou seja, os
daimiôs, para poder controlá-los.

As mulheres que viveram na era das guerras

Algumas mulheres viveram seguindo sua própria vontade, sobrepuseram-se ao seu destino e
fizeram a diferença na história.

Com o objetivo de ajudar seus maridos, suas famílias, ou mesmo trabalhando em prol de suas
próprias ambições, muitas mulheres agiram nos bastidores do cenário sangrento das intensas guerras,
época na qual apenas os mais fortes sobreviviam. Aqui, serão destacadas algumas das mulheres que
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viveram seguindo a própria vontade, não se subjugando ao destino, mas sobrepondo-se a ele.
A posição social da mulher está intrinsecamente ligada ao tipo de casamento e aos direitos aos bens da
família. Nos tempos em que os noivos iam visitar a casa das noivas para manter relações matrimoniais,
as mulheres também tinham direitos aos bens da família. Mas os conflitos militares e a instabilidade
social passaram a envolver as famílias ligadas por laços de casamento, mudando a forma de
matrimônio. O casamento tornou-se um importante meio de arrebanhar aliados. A mulher começou a
morar na casa do marido, pois seria uma forma de mantê-la como refém, garantindo a aliança militar.

Oichi-no-kata (1547~1583)

Filha de Oda Nobuhide e irmã de Oda Nobunaga, Oichi nasceu como uma das 6 filhas e 11
filhos de Nobuhide. Oda, um pequeno clã da atual província de Aichi, dominou a região valendo-se do
poder de Saitô Dôsan, sogro de Nobunaga.
Oichi-no-kata, uma bela mulher de traços delicados, casou-se aos 20 anos com Asai Nagamasa,
senhor do castelo de Otani, atual província de Shiga. Tratava-se de um casamento de conveniência, em
que se esperava dela a manutenção de informações sobre todos os atos de seu marido. Em 1570, Oichi
avisou o irmão Nobunaga sobre a traição de seu marido. Em vez de mandar uma carta a respeito de tal
ato traiçoeiro, ela enviou um saquinho de feijão azuki com duas pontas amarradas. Ao recebê-lo,
Nobunaga logo decifrou o alerta de que seria cercado e atacado em duas frentes. Antes que isso
acontecesse, ele atacou o cunhado e o destruiu. Oichi-no-kata e suas três filhas foram salvas e passaram
a viver com Nobunaga.
Em 1582, com a morte de Nobunaga, Oichi-no-kata casou-se com Shibata Katsuie, vassalo da
família Oda. Em 1583, Katsuie foi derrotado por Toyotomi Hideyoshi. As três filhas foram salvas, mas
Oichi optou pelo suicídio junto com o marido, no castelo de Kita-no-shô, atual província de Fukui.

Yodogimi (1567~1615)

Filha primogênita de Oichi-no-kata, Yodogimi perdeu o pai, Asai Nagamasa, aos 4 anos e
passou a viver na casa da família Oda. Aos 14 anos, ela perdeu a mãe e o padrasto, quando Toyotomi
Hideyoshi atacou Shibata Katsuie. Ela e suas duas irmãs menores foram novamente salvas e
começaram a viver sob a proteção de Hideyoshi. Suas irmãs casaram-se antes dela, respectivamente
com Tokugawa Hidetada (1579~1632), segundo xogun da Era Edo, e Kyôgoku Takatsugi
(1563~1609), senhor feudal, antigo aliado de seu pai, Asai Nagamasa.
As três filhas de Oichi-no-kata herdaram a beleza da mãe, especialmente Yodogimi, dona de
uma beleza vivaz e ímpar, foco da atenção de Hideyoshi, que acabou fazendo dela a sua concubina
predileta. Na época, ela contava com 20 anos e Hideyoshi 53 anos. O primeiro filho do casal morreu
doente com 1 ano de idade, mas, em 1593, ela presenteou o poderoso senhor Hideyoshi com outro
filho, Hideyori.
Hideyoshi dedicou todo o seu amor a esse filho único, mas faleceu quando Hideyori tinha
apenas 6 anos de idade, pedindo aos seus principais vassalos para cuidarem e protegerem o seu filho
amado. Entretanto, Tokugawa Ieyasu não cumpriu a palavra dada a Hideyoshi, atacando Hideyori e
derrotando-o na batalha de Sekigahara, provocando a morte de Yodogimi e de seu filho na Batalha de
Verão de Osaka.
Yodogimi podia ter escolhido a rendição e talvez viver modestamente com seu filho em algum
feudo distante, mas ela preferiu a morte a viver sob a proteção do homem que havia usurpado o poder
que deveria pertencer ao seu filho. Ela, que passou por várias vicissitudes da vida, sabia que Hideyori,
uma ameaça constante ao clã Tokugawa, jamais seria poupado.
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Kita-no-mandokoro (1541~1624)

Kita-no-mandokoro, esposa de Toyotomi Hideyoshi, nasceu como filha de um humilde samurai


que servia o clã Oda. Casou-se com Hideyoshi em agosto de 1561, época em que ele não passava de
um humilde servo de Oda Nobunaga, chamava-se Kinoshita Tôkichirô; e ela, Nene. Ela sempre esteve
presente na vida do marido, apesar de ele ter tido diversas concubinas. Após a morte do esposo, Kita
aliou-se a Tokugawa Ieyasu, fundador do xogunato Tokugawa, que perdurou por 15 gerações, até 1867.
Quando Hideyoshi recebeu o título de plenipotenciário, ou seja, kanpaku, grau máximo da nobreza, ela,
Nene, também recebeu o título máximo da nobreza, chamando-se Kita-no-mandokoro.
Após a morte de seu marido, ela tornou-se monja, seguindo o costume da época. Mais tarde, ela
recebeu de Tokugawa Ieyasu um templo em Quioto, o Kôdai-ji, onde viveu até os 83 anos.

Hosokawa Tamako – Garasha Fujin (1563~1600)

Filha de Akechi Mitsuhide, que levou à morte o seu senhor, Oda Nobunaga, Tamako era bela e
também muito culta. Casou-se aos 16 anos com Hosokawa Tadaoki (1563~1645), também com 16
anos. O pai de Tadaoki, Hosokawa Yûsai (1534~1632) era um conhecido erudito versado na arte de
compor poemas waka.
Após quatro anos de vida de casada, com um filho e uma filha, ela vivia dias felizes ao lado do
seu dedicado marido, quando o seu pai se rebelou contra Oda Nogunaga e foi levado a se matar
praticando o seppuku ou harakiri, dez dias após a rebelião. Nessa ocasião, os principais vassalos da
família Hosokawa aconselharam Tadaoki a separar-se da esposa, ou fazer com que ela praticasse o
suicídio, a fim de proteger o clã da desgraça maior. Porém, Tadaoki não deu ouvidos aos seus súditos e
protegeu-a, fazendo com que ela vivesse em reclusão num local afastado, dentro do seu feudo, na
península de Tango, Quioto. Após dois anos de reclusão, com a interferência de Toyotomi Hideyoshi,
ela deixou a erma península de Tango e foi viver em Osaka.
Tamako passou a se interessar pelo cristianismo, talvez por influência de sua serva, a cristã
Maria Kiyohara. Logo após a proibição da prática do cristianismo, em 1587, Tamako tornou-se
católica, recebendo o nome de batismo, Garasha (talvez do latim gratia).
Durante a batalha de Sekigahara, Ishida Mitsunari tentou obrigá-la a viver no castelo de Osaka
como refém, mas ela se recusou, suicidando-se. Logo depois disso, alguns servos fiéis a ela atearam
fogo na casa e também se suicidaram. Essa sua atitude extremada intimidou Mitsunari e levantou o
moral da tropa de Tokugawa.
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Era Edo

O início do isolamento japonês

Tokugawa Ieyasu deu início a um governo que se estendeu por mais de 250 anos, controlando
senhores feudais e samurais.

O sistema feudal japonês foi sedimentado por Tokugawa Ieyasu, cujo clã teve o domínio
político do Japão por mais de 250 anos. Entretanto, qual foi a estratégia utilizada por ele para controlar
senhores feudais e samurais?

Xogunato Tokugawa e suas estratégias de controle

Para a manutenção do xogunato, era imprescindível a cobrança de tributos. Para tanto, era
necessário rigor na vigilância dos senhores feudais. Assim, como primeiro passo, foi feita a
classificação dos senhores feudais (samurais com feudos superiores a 10 mil koku* – medida para
indicar a receita obtida pelos daimiôs em sacas de arroz) em três categorias: shinpan, fudai e tozama.
Shinpan eram os daimiôs (senhores feudais) que tinham parentesco com o clã Tokugawa. Estes
receberam terras nas redondezas de Edo, Osaka e Quioto. Fudai eram os daimiôs que serviam o clã há
muitas gerações, ou os aliados que se mantiveram fiéis a Tokugawa desde antes da vitória do clã na
Batalha de Sekigahara. Já Tozama eram os daimiôs inimigos de Tokugawa até o evento de Sekigahara.
Estes receberam terras em regiões ermas, cercadas de feudos dos fudai daimiôs.
Em 1615, foi estabelecido o sistema de um castelo para um feudo. O xogunato Tokugawa
reconhecia apenas um castelo como sede de cada daimiô, fazendo com que os demais fossem
desmontados, para reduzir sua capacidade de defesa.
Também neste ano, foi outorgada a lei para controlar os daimiôs denominada Buke Shohatto.
Anunciada pelo primeiro xogum, Tokugawa Ieyasu, no Castelo de Fushimi, a lei era composta por
regras de comportamento para os daimiôs, com restrições quanto: reforma de castelos; proibição de
construção de novos castelos; pedidos de permissão para casamentos; e sistema de sankin kôtai, ou
seja, a obrigatoriedade de os daimiôs morarem um ano em Edo e outro em seu feudo, alternadamente,
com suas respectivas esposas e herdeiros residindo em Edo.
Até o terceiro xogum, Tokugawa Iemitsu, 120 daimiôs tiveram seus feudos extintos por
infrações à lei de Buke Shohatto. Quando isso ocorria, todos os seus súditos perdiam o emprego e
tornavam-se rônin, ou seja, samurais sem senhor a quem servir. Dessa forma, eles procuravam
empregos em outros feudos; os mais estudados tornavam-se médicos, professores, ou yôjinbô (guarda,
segurança) de casas comerciais. Eles podiam ainda se tornar agricultores ou comerciantes.
A acumulação de bens por parte dos daimiôs era controlada com as contribuições obrigatórias
nas reformas do Castelo de Edo, obras de canalização, construção de vias públicas e pontes.
Os súditos diretos do xogum eram subdivididos em dois grupos: os hatamoto e gokenin. Os
hatamoto eram cerca de 5 mil samurais de elite, súditos que tinham permissão para estar na presença do
xogum. Os gokenin somavam em torno de 17 mil samurais, que não tinham permissão de estar na
presença do xogum.
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O sistema social estabelecido foi o de shi-nô-kô-shô, que determinava a divisão da população


em classes de samurais, agricultores, artesãos e comerciantes, sendo todas as funções de caráter
hereditário. O casamento de pessoas de classes diferentes era proibido.

Ôoka Tadasuke (1677~1751) – o samurai mais bem-sucedido

Nascido como filho de um hatamoto, em Edo (atual Tóquio), Ôoka Tadasuke foi o único de sua
classe a alcançar o posto de daimiô. Trabalhou como juiz em sua terra e julgou com imparcialidade um
caso com envolvimento do clã Tokugawa, impingindo sentença desfavorável ao clã, sem se deixar
influenciar por seu poder.
Quando Tokugawa Yoshimune tornou-se o oitavo xogum de Edo, lembrou-se do juiz
incorruptível e escolheu-o como magistrado da cidade Edo, em 1717. O cargo de magistrado de Edo
(Edo bugyô) era de suma importância e englobava os poderes legislativo, executivo e judiciário.
Durante os 19 anos em que Tadasuke foi magistrado, ele proibiu a prática de tortura, criou
medidas para evitar acusações falsas e julgou criminosos com sabedoria e misericórdia. Seus casos
judiciais estão descritos no livro intitulado Ôoka seidan. Tadasuke ainda criou, junto com o xogum
Yoshimune, o grupo de bombeiros e o sistema de prevenção de incêndios; tentou refletir a opinião do
povo na política, com a criação da caixa de opiniões do povo; construiu um hospital em Koichikawa,
liberando-o aos pobres; e contribuiu ainda para liberar a introdução de livros holandeses, promovendo
o desenvolvimento da ciência denominada de rangaku, ou estudos holandeses.

Proibição do cristianismo e fechamento dos portos

Presença de estrangeiros no arquipélago, propagação do cristianismo e boatos sobre


colonização foram ameaças ao xogunato Tokugawa.

Tokugawa Ieyasu (1542~1616), a exemplo de Toyotomi Hideyoshi (1536~1598), proibiu o


culto ao cristianismo, mas, ciente das riquezas provenientes do comércio exterior, sua fiscalização era
branda e bastante receptiva à vinda dos navios portugueses e espanhóis. Posteriormente, os navios
holandeses e ingleses também passaram a freqüentar os portos japoneses. Aos navios mercantes
japoneses pertencentes a senhores feudais e grandes comerciantes, foi concedido o alvará com o selo do
clã Tokugawa, denominado shuin-jo, fomentando o comércio exterior com as ilhas do Sudeste
Asiático, onde foram criadas algumas cidades japonesas.
Com a intensificação do comércio com Portugal e Espanha, o número dos que se converteram
ao cristianismo também aumentou, fato que levou sacerdotes xintoístas e monges budistas a forçarem a
proibição do cristianismo. Além de senhores feudais, alguns samurais e servos subordinados
diretamente ao clã Tokugawa se converteram ao cristianismo. Por outro lado, os ingleses e os
holandeses que chegaram ao Oriente depois de portugueses e espanhóis, por volta de 1601, para
recuperar o atraso, tentaram atrapalhá-los, passando a espalhar o boato de que lusos e hispanos nutriam
a ambição de colonizar o território japonês. Despontaram, ainda, alguns senhores feudais que
enriqueceram com o comércio e adquiriram mais poder. Diante de tal panorama, o xogunato Tokugawa
sentiu-se ameaçado.
Dessa forma, Tokugawa Ieyasu proibiu a prática do cristianismo com maior rigor, destruindo
igrejas e expulsando os padres do Japão. O segundo xogum, Hidetada (1579~1632), limitou o comércio
com os europeus apenas à região de Hirado e Nagasaki. O terceiro xogum, Iemitsu (1604~1651),
proibiu a entrada dos portugueses, que teriam rompido com o arquipélago de qualquer maneira, em
virtude da atividade pirata holandesa. Os ingleses fecharam a casa de comércio de Hirado e retiraram-
se do Japão em 1623, encontrando outros pontos comerciais mais lucrativos. Os espanhóis também
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abandonaram o comércio com o Japão, por não vislumbrarem tanta vantagem, permanecendo apenas os
holandeses na terra do sol nascente.
Em 1630, foi proibida a importação de livros chineses e europeus, a navegação dos que não
fossem goshuin-sen (navio mercante autorizado pelo xogum), a saída dos japoneses ao exterior, a volta
dos que moraram por mais de cinco anos no exterior e o aportamento dos navios estrangeiros. Foi
construído ainda um aterro, ou seja, uma ilha artificial em Nagasaki chamada Dejima (1634),
restringindo a atividade comercial e a permanência dos holandeses apenas a essa ilha.
A perseguição de Tokugawa aos cristãos incluía o oferecimento de cem moedas de prata para
quem denunciasse o esconderijo de padres, culminando com o aprisionamento, a tortura e a morte de
cristãos, que, eram identificados quando titubeavam ou se recusavam a pisar sobre quadros de madeira
ou de bronze com imagens de Cristo ou da Virgem Maria (fumi-ê).

Revolta de Shimabara

A Revolta de Shimabara (1637~1638) foi a última turbulência enfrentada pelo xogunato de Edo
antes da estabilização de seu sistema do seu governo.
Existiam muitos cristãos na região de Shimabara e Amakusa (norte da Ilha de Kyushu), por ela
ter pertencido a Harunobu Arima e Konishi Yukinaga, senhores feudais cristãos, antes da Batalha de
Sekigahara. Entretanto, os novos daimiôs da região, Matsukura Shigemasa e Terazawa Katataka,
perseguiram os cristãos e aplicaram-lhes severas punições, como a morte na cratera de vulcões, ou
ainda o envolvimento de seus corpos numa capa feita com palha de arroz, sobre a qual ateavam fogo.
Tal morte era chamada de mino odori, ou seja, dança da capa de palha, e causava extremo divertimento
aos senhores feudais, que gostavam de ver os condenados debaterem-se envoltos em chamas.
Matsukura e Terazawa cobravam altos tributos dos camponeses, mesmo sabendo que a região
estava sendo castigada pela seca e, conseqüentemente, a colheita fosse escassa. A fome fazia muitas
vítimas, mas, mesmo assim, os senhores feudais nada fizeram para ajudar o povo. Foi nesse cenário que
se espalhou o boato de que um filho de Deus surgiria para salvar as pessoas. Esse salvador foi
identificado como Masuda Shirô Tokisada, que, por ter nascido em Amakusa, ficou conhecido pelo
cognome de Amakusa Shirô.
Amakusa Shirô liderou os camponeses rebelados de Shimabara e Amakusa que lutaram contra
os cruéis senhores feudais e as tropas enviadas pelo xogunato Tokugawa. A rebelião de 37 mil pessoas
só foi contida quando o governo de Edo enviou uma tropa de 120 mil samurais comandada por
Matsudaira Nobutsuna, homem de confiança do xogum Iemitsu.
Após conter a rebelião, o governo puniu com a pena de morte os senhores feudais de Shimabara
e Amakusa. A região tornou-se praticamente desabitada. Dessa forma, o governo forçou a migração de
muitos camponeses para este local e adotou medidas políticas que beneficiavam os menos abastados,
como a redução de tributos. Cinqüenta anos após o conflito, a região transformou-se em uma das zonas
rurais mais ricas e modernas do Japão.

Amakusa Shirô (1621~1638)

Um padre expulso de Amakusa havia feito a profecia de que um jovem de 16 anos salvaria o
povo quando o céu queimasse as nuvens de leste a oeste, o solo desabrochasse flores fora da época, a
terra tremesse e o povo e a natureza perecessem.
Mais de duas décadas após a profecia, o céu tingiu-se de vermelho, as flores de cerejeiras
desabrocharam – apesar de ser outono – e as doenças da época fizeram muitas vítimas. O povo passou
a comentar que a profecia estava se concretizando. Nessa época, morava em Amakusa um menino de
16 anos, filho de Masuda Jinbê, que havia servido a Konishi Yukinaga. Era um menino muito esperto,
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de traços delicados e carismático, que logo se tornou muito respeitado na região. Sabia falar latim e era
versado na doutrina cristã, assim como na filosofia confucionista.
Uma vez escolhido como líder do movimento, ele lutou bravamente à frente da força revoltosa,
agiu com sabedoria, incentivou o grupo com a fé cristã e fez com que os camponeses lutassem sem
temer a morte. Com a derrota da força revoltosa, ele foi capturado e decapitado.

Fome, revoltas e novas políticas

Aumento de rônin, ordem social conservadora e instabilidade emocional fizeram o xogunato


mudar a diretriz do governo.

A administração política do Japão foi desenvolvida com base em um gigantesco poderio militar
do momento em que Tokugawa Ieyasu (1542~1616) implantou seu xogunato e se estabeleceu na cidade
de Edo (atual Tóquio), até a atuação do terceiro xogum, Tokugawa Iemitsu (1604~1651). Por causa de
um rigoroso controle e vigilância, muitos senhores feudais tiveram suas terras confiscadas e muitos clãs
foram extintos, aumentando, dessa forma, o número de samurais errantes (rônin), que ficaram sem um
senhor a quem servir. Em 1651, a insatisfação de muitos desses samurais, que chegaram ao número de
400 mil, deu início a um plano para a derrubada do xogunato.
Em janeiro de 1657, mais um acontecimento contribuiu para o descontentamento geral. O
Furisode Kaji (literalmente, incêndio de furisode) destruiu grande parte da cidade de Edo e foi
provocado por um furisode, ou seja, um quimono luxuoso de donzelas, que estava sendo queimado em
um templo, em razão de suas três últimas donas terem falecido em seqüência. A roupa foi carregada
pelo vento ainda em chamas, causando o incêndio.
O aumento do número de rônin, somado à insatisfação com uma ordem social conservadora,
que não permitia a promoção ou a ascensão das pessoas conforme sua capacidade, bem como a
instabilidade emocional provocada pelo grande incêndio fizeram com que o xogunato Tokugawa
mudasse a diretriz do governo – norteada pela força militar –, implantando uma política baseada na
doutrina do filósofo chinês Confúcio. Essa alteração foi responsável pela época áurea do xogunato
Tokugawa e sustentou a manutenção do quarto ao sétimo xogum de Edo, embora a política adotada
pendesse para o idealismo, tornando-se a causa dos conflitos sociais posteriores.

“Inu xogum” (xogum cachorro) – o quinto xogum: Tokugawa Tsunayoshi (1646~1709)

Inicialmente, Tsunayoshi foi um bom governante, mas, depois de outorgar, em 1685, a primeira
“lei de misericórdia a todos os seres viventes”, seguida de mais 60 determinações semelhantes durante
os seus 24 anos de poder, perdeu o prestígio e ganhou o apelido de “inu xogum”, ou seja, xogum
cachorro.
Tudo começou com a perda de seu herdeiro, em 1683. Depois disso, o xogum não conseguia
mais ter outros filhos homens. Um famoso monge, entretanto, disse que o fato era devido ao xogum ter
matado animais em sua vida anterior e que, se ele desejava ter um herdeiro, deveria dedicar mais amor
aos animais. Assim, como Tsunayoshi havia nascido no ano do cachorro, de acordo com o horóscopo
chinês, passou a proteger, principalmente, esses animais.
Para proteger cachorros abandonados, Tsunayoshi chegou a criar 80 mil desses animais em um
terreno imenso, alimentando-os com arroz, quando o povo morria de fome. Uma de suas leis
determinava que quem matasse um cachorro seria exilado em ilhas longínquas. O “inu xogum”
desejou, em seu leito de morte, que as leis de proteção aos animais perdurassem por mais cem anos,
mas o seu sucessor, o sexto xogum, suspendeu as leis antes mesmo de terminar o funeral de
Tsunayoshi.
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O sexto xogum, Tokugawa Ienobu (1663~1712) restabeleceu a ordem empregando o filósofo


confucionista Arai Hakuseki. Seu filho Ietsugu (1709~1716) tornou-se o sétimo xogum aos 4 anos,
assessorado por Arai Hakuseki, mas morreu aos 8 anos. O oitavo xogum foi Tokugawa Yoshimune, do
clã de Kii-Tokugawa.

A vingança dos Akô-rôshi

No dia 15 de dezembro de 1702, os 47 conjurados, ex-vassalos do extinto feudo Akô atacaram a


residência de Kira Kozukenosuke Yoshinaka e, após duas horas de batalha, conseguiram a cabeça de
Kira, retiraram-se do local e dirigiram-se até o túmulo de seu antigo senhor feudal, Asano
Takuminokami, para presenteá-lo com a cabeça do inimigo que o fez cair em desgraça. O xogunato
vacilou ao punir os 47 conjurados, mas, no final, todos foram sentenciados com a pena de haraquiri.
Tudo começou em março de 1701, quando Asano Takuminokami atacou repentinamente Kira,
no corredor do Castelo de Edo, onde era proibido desembainhar a espada. Não há nenhum registro do
motivo que levou Asano a cometer um ato tão insano, mas tudo indica que o incidente foi provocado
por Kira, que sempre dirigia palavras mordazes aos seus desafetos. Kira não deve ter poupado palavras
para criticá-lo pelas supostas falhas cometidas ao recepcionar o mensageiro do imperador. Asano
Takuminokami foi condenado a praticar o haraquiri, e seu feudo foi extinto.
Mesmo a doutrina confucionista da China pregava a vingança dos vassalos e familiares como
uma obrigação. O xogunato Tokugawa emitia a licença de vingança, e os senhores feudais costumavam
pagar um custo de vida aos familiares dos seus vassalos até conseguirem vingar a morte dos seus entes
queridos. Após a vindicação dos conjurados de Akô, esse hábito se estendeu até a classe dos plebeus.
Os que conseguiam seu objetivo, tornavam-se heróis aos olhos do povo.

O oitavo xogum, Tokugawa Yoshimune (1684~1751)

Yoshimune restaurou e desenvolveu o xogunato. Suas medidas


ficaram conhecidas como a Reforma de Kyôho, em virtude de o
xogum ter assumido o poder e iniciado a reforma no primeiro ano da
era Kyôho, ou seja, em 1716. Yoshimune seguia a política de
Tokugawa Ieyasu e recomendou uma vida austera a camponeses e
civis, além do incentivo aos treinos de artes marciais, para elevar o
moral dos samurais.
O oitavo xogum explorou arrozais e valeu-se do poder
financeiro dos comerciantes para aumentar a taxa da carga tributária.
Ele ainda criou um sistema de promoção aos funcionários do baixo
escalão conforme sua capacidade. No entanto, a carga tributária era
pesada, e o campo foi assolado sucessivas vezes por um clima
traiçoeiro, provocando muitos motins de camponeses. Muitos feudos Após provocação, Asano ataca
tomaram medidas para a sobrevivência, tais como diminuir o Kira com uma espada no
pagamento de seus vassalos, monopolizar a venda de seus produtos e Castelo de Edo
emitir moedas de circulação apenas interna, mas os samurais tiveram
de enfrentar uma vida difícil. Muitos feudos contraíram dívidas vultosas de grandes comerciantes das
metrópoles.
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Os grandes impérios do Ocidente invadem o Oriente

Colonização européia na Ásia oriental tornou ainda mais poderosas as potências que já
dominavam o restante do mundo; frágil, o Japão foi obrigado a ceder à pressão.

O mundo evoluía para a modernidade, enquanto o Japão


gozava de uma relativa paz dentro da redoma criada com o
fechamento dos portos às nações estrangeiras. Tal atitude foi a base
para a criação de uma cultura própria e peculiar.
Grande parte dos países das Américas haviam conquistado a
independência, inclusive o Brasil, no ano de 1822. Entretanto, a
Revolução Industrial, iniciada em meados do século XVIII, na
Inglaterra impulsionou a busca européia por novas colônias. Assim, a
Inglaterra, por exemplo, invadiu e colonizou a Índia, a Birmânia
(atual Mianmá), Hong Kong (cedida pela China após a Guerra do Ópio) e a Península Malaia; a França
colonizou o Vietnã, o Camboja e o Laos; a Holanda, as Ilhas da Indonésia; Portugal, Goa, Ilhas
Molucas, Macau, Timor Leste e outros territórios; enquanto a Espanha tomou as Filipinas.
Tais notícias provavelmente chegaram ao xogunato Tokugawa pelos holandeses – que
mantinham relações comerciais com o Japão –, deixando-o receoso.

Navios americanos (kurobune) nos mares do Japão

Quando a esquadra americana composta por quatro navios de guerra comandados pelo almirante
Matthew Calbraith Perry (1794~1858) aportou em Uraga (província de Kanagawa), apontou seus
canhões para as terras japonesas e entregou uma carta do presidente dos Estados Unidos com o objetivo
de assinar um tratado de comércio com o arquipélago, o governo Tokugawa ficou alarmado, mas
conseguiu adiar sua resposta por um ano.
Assim, em 1854, Perry ancorou no Golfo de Edo para cobrar uma resposta japonesa. O
xogunato, enfraquecido e desgastado ao longo de 260 anos de comando, não pôde recusar a imposição
americana e acabou assinando o Tratado de Kanagawa, em 31 de março de 1854, o qual permitiu aos
Estados Unidos a abertura de portos em Shimoda e Hakodate, o abastecimento de combustíveis e
produtos alimentícios aos navios americanos e a instalação do consulado americano na terra do sol
nascente.
O Tratado de Comércio e Navegação foi assinado em 1858 e deu aos americanos poderes para
aportarem seus navios em Kanagawa, Nagasaki, Niigata e Hyogo. Uma vez cedida à pressão
estrangeira, o xogunato Tokugawa teve que assinar tratados semelhantes com Inglaterra, Rússia e
Holanda. Dessa forma, desmoronou a política de isolamento das nações estrangeiras, e outros fatores se
encarregaram de corroer o sistema político que sustentava o poder do xogunato japonês.

Evasão rural

Por volta do século XVIII, a circulação cada vez maior de moedas influenciou muito não apenas
a economia urbana, mas também a rural. Em vez de plantarem apenas para seu próprio consumo, a
moeda permitiu aos agricultores o comércio de suas colheitas, com a compra de novos e melhores
equipamentos e sementes de produtos como algodão e colza (para extração de óleo). Essa
modernização provocou desníveis sociais, porque os agricultores conseguiram enriquecer com a
comercialização de seus produtos e compraram terrenos de pessoas menos abastadas, ignorando a
proibição imposta pela lei vigente. Muitos dos que perderam suas terras abandonaram o campo e foram
para as grandes cidades, causando fissuras nas bases da então sociedade conservadora.
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Expansão das atividades manufatureiras

A atividade têxtil também foi adquirindo novo fôlego, com o desenvolvimento do brocado
nishijin na região de Quioto e Kiryû (província de Gunma) e do tecido de algodão nas imediações de
Osaka e Owari. Os comerciantes de tecidos começaram a procurar camponeses para o trabalho na
entressafra, alugando teares, fornecendo a linha e adquirindo tecidos a preços irrisórios.
Comerciantes ou proprietários de terras mais abastados, ou mesmo alguns senhores feudais,
passaram a reunir camponeses num local montado com todos os equipamentos necessários para a
fabricação de tecidos para a realização do trabalho em equipe, com subdivisão de tarefas. Surgiam,
assim, as primeiras “fábricas”.
A vida dos camponeses não melhorou, apesar de todas essas atividades econômicas. Houve,
inclusive, a piora das condições de sobrevivência, pois os camponeses começaram a sofrer a influência
da flutuação dos preços dos produtos agrícolas, além dos tributos, que ficaram mais onerosos.

A desintegração do sistema de xogunato Tokugawa

Em fins do século XVIII, na tentativa de recuperar a estabilidade política do xogunato, o rôchû


Matsudaira Sadanobu implementou a Reforma de Kansei (1787~1793), que se constituía em:
construção de armazéns para o arroz, a fim de ter reservas, em caso de carência de víveres; limitação de
lavoura de produtos comerciáveis; incentivo de estudos e práticas de artes marciais dos samurais;
unificação do ensino, proibindo os estudos que não fossem de filosofia confucionista; anistia de uma
parte das dívidas contraídas dos comerciantes pelos hatamoto, pregando a estes uma vida mais austera.
Com o abrandamento da política do xogunato causado pelo afastamento de Sadanobu, no início
do século XIX, os comerciantes adquiriram cada vez mais poder econômico; em contrapartida, o
número de samurais empobrecidos aumentou. Muitos plebeus compraram o título de samurai, fazendo
com que seus filhos se tornassem herdeiros de famílias de samurais.
As insatisfações contra a sociedade desestruturada e a demonstração de fraqueza do xogunato
Tokugawa perante as nações estrangeiras que forçaram a abertura dos portos causaram o surgimento de
ideais revolucionários entre os jovens samurais, culminando com a restauração do poder imperial, em
1868.

As três fases culturais

Período histórico inspirou o surgimento de grandes expoentes de várias áreas da cultura


japonesa.

A Era Edo teve três fases distintas, sob o ponto de vista cultural.
A primeira delas, denominada Cultura Keichô-Kan’ei, abrangeu a
primeira metade do século XVII; a segunda fase, chamada de Cultura
Genroku, foi de meados do século XVII até o início do século XVIII; a
terceira fase, denominada Cultura Kasei, começou em fins do século
XVIII e terminou no início do século XIX.
A Cultura Keichô-Kan’ei é representada por obras suntuosas e
luxuosas, como segmento da Era Azuchi-Momoyama, observando-se
também a influência da cultura ocidental. A cultura dessa fase foi
sustentada por samurais e nobres.
Como obra representativa dessa época, há o Templo Toshogu, construído em homenagem a
Tokugawa Ieyasu, na província de Tochigi, cidade de Nikko. Ao falecer, Ieyasu foi enterrado primeiro
no Monte Kunôzan, na província de Shizuoka, em 1616, porém, no ano seguinte, sob conselho do
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monge Tenkai (1536~1643), seu filho e segundo xogum, Hidetada, transferiu o corpo de Ieyasu para
Nikko. O templo foi reformado e ampliado pelo terceiro xogum, Iemitsu, entre 1634 e 1636. Fazendo
contraste com o suntuoso Templo Toshogu, encontra-se em Quioto a vila imperial Katsura-Rikyu,
construída entre 1620 e 1624, despojada de luxo, porém denotando refinamento ímpar.
A Cultura Genroku floresceu, principalmente, em Osaka, sustentada por grandes comerciantes e
samurais. Nas obras desse período, observam-se a ideologia pragmática e realista. Os artistas
representativos dessa época são: no campo da pintura, Ogata Kôrin (1658~1716) e Hishikawa
Moronobu (1618~1694), conhecido como criador das xilogravuras ukiyoye; e, no campo da literatura,
Matsuo Basho (1644~1694), que sublimou o haicai; Ihara Saikaku (1642~1693), que descreveu a vida
do povo com vivacidade; e Chikamatsu Monzaemon (1653~1724), que compôs peças para Jôruri e para
teatro Kabuki.
A Cultura Kasei, última da Era Edo, foi criada por samurais e pelo povo de Edo, que adquiriu
estabilidade econômica e política. Nas obras dessa época, transparecem o gosto pelo prazer mundano,
refletindo a política degenerada e corrupta. Destacaram-se nessa época muitos pintores de ukiyoye, tais
como: Utamaro (1753~1806) e Sharaku (?~fins do século XVIII) – que pintaram muitos artistas do
teatro Kabuki e mulheres consideradas bonitas na época –, Hokusai (1760~1849) e Hiroshige
(1797~1858), que pintaram paisagens. Na literatura, tivemos Jippen Shaikku (1765~1831), autor da
comédia Tôkaidô Hizakurige, o romancista Takizawa Bakin, e os poetas de haicai Yosa Buson
(1716~1783) e Kobayashi Issa (1763~1827).

Ukiyoye

Um dos fatores que impulsionou o surgimento da japonologia – estudos sobre a cultura


japonesa –, na Europa, durante o século XIX, foi a descoberta do ukiyoye pelos europeus. A influência
do ukiyoye é observada, por exemplo, nas obras do pintor Vincent van Gogh (1853~1890).
Ukiyoye é a denominação da pintura que retrata a vida do povo da época. Eram quadros
pintados com o próprio punho, bastante caros, adquiridos apenas por senhores feudais ou grandes
comerciantes. Com o desenvolvimento de técnica de xilogravuras, o ukiyoye popularizou-se. No início,
era empregado como ilustração de romances populares e eram figuras monocromáticas, que se
tornaram coloridas com o tempo. O ukiyoye era idealizado primeiro pelo editor; depois, o pintor
desenhava conforme o pedido; a seguir, ele era esculpido nas pranchas de madeira, conforme as cores;
e, por último, passado para o impressor, que tirava as cópias. À medida que aumentava o número de
publicações e a técnica de impressão também avançava, o ukiyoye tornava-se acessível ao povo
também, que o adquiria para apreciá-lo, ou para levá-lo como lembrança de viagem.
Sharaku, que criou um etilo próprio de homens caricaturados, conseguindo transmitir os
sentimentos humanos, não foi muito apreciado na época. Suas obras passaram a ser valorizadas apenas
na Era Meiji, quando Ernest Francisco Fenollosa (1853~1908), que apresentou as obras de arte
japonesa nos Estados Unidos, reconheceu o seu valor artístico.

Literatura – yomihon

Os romances lidos pelo povo na Era Edo eram conhecidos pelo nome de yomihon e existiam em
diversos gêneros, para todos os gostos: kana-zôshi escrito em hiragana (fonogramas); ukiyo-zôshi,
sobre amores e vida do povo; share-bon, que retrata a vida dos prostíbulos; kokkei-bon, romance que
aborda o lado cômico do povo; ninjô-bon, histórias de amor; kusa-zôshi, contos ilustrados para o
público infantil e o feminino; e kibyôshi, romance ilustrado para adultos. Todos esses livros eram
muito lidos pelo povo, mas, nessa época, em vez de comprá-los, o povo alugava-os nas livrarias de
aluguel.
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O xogunato interferia até mesmo nos conteúdos desses romances, proibindo a publicação
daqueles que poderiam atentar contra os bons costumes da época, ou aqueles que continham teor de
crítica ao sistema vigente, punindo os editores e autores que, no início, eram samurais de baixo escalão,
pois ainda não conseguiam sobreviver somente como escritores.

Kokugaku (Estudos Clássicos Japoneses) e Yôgaku (Estudos das Ciências Ocidentais)

Após o oitavo xogum, Yoshimune, ter liberado a importação das literaturas ocidentais
traduzidas para o chinês, o número daqueles que estudavam as ciências do Ocidente aumentou.
O médico alemão Siebold (1796~1866), que chegou ao Japão no ano de 1823, para trabalhar
como médico da Casa Comercial Holandesa (Horanda-Shôkan), fundou, na periferia da cidade de
Nagasaki, no ano seguinte à sua chegada, a escola Narutaki-juku, formando vários estudiosos de
Yôgaku.
Nessa época, surgiu também um movimento para pesquisar os pensamentos do povo japonês,
remetendo aos tempos primordiais, que antecederam a introdução do budismo e do confucionismo.
Esse movimento recebeu o nome de Kokugaku. Entre os estudiosos de Kokugaku, destacaram-se
Kamo-no-Mabuchi (1697~1769) e Motoori Norinaga (1730~1801). O Kokugaku difundiu-se mesmo
entre os camponeses e o povo, encontrando seu seguidor na figura de Hirata Atsutane (1776~1843),
que remeteu a sua linha de pensamento até o xintoísmo – filosofia essa que foi adotada pelos
imperialistas em fins de xogunato Tokugawa.

Popularização de algumas formas de arte

Durante o período, algumas manifestações culturais difundiram-se socialmente e


consolidaram-se, sendo preservadas no Japão até os dias atuais.

Haiku – o poema de 17 sílabas

Isolado do restante do mundo, o Japão consolidou e popularizou muitas


formas de arte peculiares durante a Era Edo. Algumas delas são praticadas até
hoje com maestria e requinte. Uma delas é o haiku, um poema composto por
versos de 5, 7 e 5 sílabas (totalizando 17), cujo assunto é um tema sazonal.
A denominação haiku foi difundida por Masaoka Shiki (1867~1902),
mas pode se referir também, no seu sentido lato, à primeira estrofe do poema
do haikai, que se popularizou na Era Edo. O haiku e o poema tanka, de 31
sílabas, constituíram as duas principais correntes literárias genuinamente
japonesas.
O haikai, originalmente, era uma literatura que explorava a comicidade.
O povo da Era Edo compunha esse tipo de poema para explorar o lado cômico
da vida. Quem elevou o nível da arte foi Matsuo Bashô (1644~1694). Um dos
seus poemas mais conhecidos representa o seu estilo literário simplista, porém NINGYÔ
contém toda a visão oriental de wabi (serenidade plena) e sabi (refinamento ou JÔRURI – Arte
brio envolto por camada de refinamento): Furuike ya, Kawazu Tobikomu, Mizu cênica foi
no Oto (No velho açude, o pulo do sapo que quebra o silêncio). precursora do
Além de Bashô, o haikai, precursor do haiku, teve outros grandes poetas Bunraku atual.
que se destacaram na Era Edo, como: Yosa Buson (1716~1783) e Kobayashi
Issa (1763~1827).
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Senryû – Uma variedade de haiku com tema humorístico

O senryû é um poema de 17 sílabas em linguagem coloquial, de conteúdo cômico, irônico ou


satírico, que teve muita evidência a partir de meados da Era Edo. Em fins desse período, surgiu uma
facção de tendência vulgar que recebeu o nome de kyôka.
Esse tipo de poema antes era chamado de maeku (primeira estrofe) e fazia parte do haikai. Era
uma espécie de jogo em que se acrescentava o maeku de 17 sílabas para a segunda estrofe, de 14
sílabas, dada como tema.

Matsuo Bashô (1644~1694)

Nascido na cidade de Ueno, em Iga (atual província de Mie), a famosa


terra dos ninjas, quando jovem, Bashô serviu ao filho do chefe dos samurais do
feudo de Ueno, Yoshitada, mas, após a sua morte, no ano de 1666, decidiu dar
uma guinada em sua sua vida, partindo para Edo, a fim de se tornar um poeta do
haikai.
No início, ele morou no bairro de Shinbashi, no centro da cidade de Edo,
mas, em 1680, mudou-se para o bairro de Fukagawa, morando numa casa
simples, à qual deu o nome de bashô-an (cabana de bananeiras japonesas). De
seu bashô-an, ele saiu em viagem para várias partes do Japão, compondo poemas
durante o caminho e fazendo muitos discípulos, que deram seguimento ao haikai de alto teor literário
criado por Bashô.
Durante uma das suas inúmeras viagens, Bashô caiu doente e faleceu na cidade de Osaka, em
1694, deixando o poema “Tabi ni yande, Yume wa kareno o kakemeguru” (No leito da enfermidade, os
sonhos correm soltos pelo campo seco).

Ningyô Jôruri – Teatro de bonecos

Jôruri, à semelhança das trovas e dos cânticos da era medieval européia, são composições
cantadas com o acompanhamento de shamisen, instrumento musical de três cordas. Sua origem
remonta à Era Muromachi (1336 ou 1338?~1573). Por volta da Era Edo (1603~1867), o Jôruri passou a
ser apresentado junto com os bonecos, encenando as histórias cantadas, daí o nome de ningyô (boneco)
Jôruri.
O Ningyô Jôruri atingiu grande popularidade apenas na Era Edo, com o surgimento de dois
grandes gênios: Takemoto Gitayû, cantor e compositor de Jôruri, e Chikamatsu Monzaemon, escritor
das tramas de Jôruri. Juntamente com o teatro Kabuki, o Jôruri constituiu-se numa arte cênica muito
popular da Era Edo, muitas vezes superando o Kabuki, com os dramas cantados com maestria.
Na Era Meiji, quando o Ningyô Jôruri começava a perder popularidade, Uemura Bunrakuken fundou o
teatro Bunraku-za, em 1872, reconquistando o público. Com a popularidade dos Ningyô Jôruri
apresentados no teatro Bunraku-za, o nome do teatro, ou seja, o Bunraku, passou a ser sinônimo de
Ningyô Jôruri.

Chikamatsu Monzaemon (1653~1724)

Filho de samurai, Monzaemon sempre demonstrou maior afinidade pela literatura do que pelas
artes marciais. Desde 20 e poucos anos, começou a escrever peças para Jôruri e também para Kabuki.
A sua obra representativa é Sonezaki shinjû (Pacto de morte em Sonezaki), escrita em 1703,
tendo como tema o duplo suicídio da meretriz Ohatsu e do jovem aprendiz de uma casa comercial
ocorrido na cidade de Osaka, no bosque de Sonezaki-tenjin. A criatividade de Chikamatsu, que
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escolheu como personagens principais as pessoas do povo, e não figuras históricas famosas, e a sua
abordagem lírica, mostrando o sofrimento do casal que não teve outra escolha a não ser a morte para
imortalizar o amor, mobilizam um grande público para assistir ao espetáculo.
Monzaemon é conhecido como o Shakespeare (1564~1616) do Japão.

Teatro Kabuki

O Kabuki, uma das artes cênicas japonesas mais conhecidas no mundo, teve origem no início da
Era Edo, como segmento da dança denominada Kabuki Odori, criada por Izumo-no-Okuni (séculos
XVI e XVII), em Quioto. A dança criada por essa mulher foi imitada por muitas meretrizes, até ser
proibida, em 1629, por atentar contra os bons costumes da época. Com essa proibição, o Wakashu
Kabuki, dança de jovens bem apessoados, que surgiu por volta de 1615 tomou fôlego, mas também foi
proibido em 1652, por fomentar o homossexualismo.
No ano seguinte, porém, o xogunato de Edo acabou cedendo, com a permissão do Yarô Kabuki,
ou seja, a representação cênica somente de atores do sexo masculino sem franjas, característica essa
para identificar os jovens que não atingiram a idade adulta.
Com o passar do tempo, o Kabuki foi se aprimorando, transformando-se numa arte cênica
peculiar, cuja encenação não perdeu o refinamento estético das danças.
Mantendo a tradição, até hoje o Kabuki é apresentado apenas pelos atores do sexo masculino.
Os atores que fazem papel de mulher são conhecidos como oyama.

Os revolucionários e a queda do xogunato Tokugawa

Ao perceber as falhas de seu governo, Tokugawa devolveu o poder à corte imperial.

Por volta de 1850, os EUA e os países da Europa que tinham


passado pelo processo da Revolução Industrial viam nos países da Ásia
uma oportunidade de expandir seu mercado. Assim, tentaram forçar a
abertura dos portos em um momento que coincidiu com o deterioramento
do poder do xogunato Tokugawa, que vinha perdurando por mais de 260
anos. Pressionado pelos imperialistas, que aspiravam um novo sistema
liderado pelo imperador, o xogunato também enfrentava os camponeses
insatisfeitos, que provocavam motins em várias regiões, desencadeando
uma onda de revoltas por todo o país.
No início, o motivo da indignação foi o preço do arroz, mas o
movimento foi crescendo e, no fim, o povo desejava a renovação do
arquipélago. Muitos jovens que souberam da situação do país vizinho, a
China, totalmente dominado por europeus e americanos, protestaram para
que o Japão não tomasse o mesmo rumo. Em sua maioria, eram jovens
oriundos da classe baixa dos samurais, filhos de camponeses e comerciantes. Os primeiros passos para
a construção de um novo país foram dados por esses jovens, que, inclusive, impediram a colonização
do país pelas nações do Ocidente.

Sakamoto Ryôma (1835~1867)

Nascido em Tosa (atual província de Kôchi), Sakamoto era o segundo filho de um samurai
“reformado” (gôshi) que vivia no campo. Durante a infância, não foi um aluno muito aplicado, mas, ao
presenciar a falta de disciplina do xogunato Tokugawa diante da chegada da esquadra americana
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comandada pelo almirante Perry, Sakamoto passou a se dedicar aos estudos, pensando no futuro do
país.
Em 1862, Sakamoto desertou do feudo de Tosa e tornou-se discípulo de Katsu Kaishu
(1823~1899), um homem de grande visão, e dedicou-se à fundação do quartel da Marinha. Com o
apoio do feudo de Satsuma (atual província de Kagoshima), ele organizou o regimento da Marinha
(kaihei-tai) e também dedicou-se ao transporte marítimo.
Graças aos esforços de Sakamoto, os feudos de Satsuma e de Chôshu tornaram-se aliados na
luta para derrubar o xogunato Tokugawa. Ele ainda elaborou o seu ideal de novo governo, conhecido
pelo nome de senchu hassaku, que era: 1) a devolução do poder ao imperador; 2) o governo da corte
imperial ouvindo a maioria e instalando um parlamento; 3) a admissão em larga escala de pessoas
capacitadas; 4) a condução da política externa ouvindo a maioria; 5) a criação de uma constituição; 6) a
ampliação do poder da marinha; 7) a formação de uma força armada do governo; 8) o estabelecimento
de um câmbio com a moeda estrangeira.
Sakamoto mostrou o senchu hassaku a Gotô Shôjirô (1838~1897), do feudo de Kôchi, que, por
sua vez, convenceu Yamauchi Toyoshige (1827~1872), do mesmo feudo, a levar as premissas do novo
governo ao conhecimento do décimo quinto e último xogum, Tokugawa Yoshinobu. Ao perceber a
falha de sua administração, Tokugawa assinou o tratado que devolvia o poder à corte imperial.
Sakamoto Ryôma sofreu vários atentados e foi assassinado aos 33 anos, durante um encontro sigiloso
com Nakaoka Shintarô, outro revolucionário, dez meses antes da Restauração Meiji.

Shinsengumi

O povo japonês sempre demonstrou mais simpatia pelos perdedores. Um desses exemplos,
símbolo de grande simpatia, é o Shinsengumi, um grupo de jovens que dedicaram fidelidade ao
xogunato Tokugawa até o último momento. Embora todas as dramatizações sobre a história do
Shinsengumi no teatro, no cinema e em telenovelas conquistem grande audiência, mesmo nos tempos
atuais, sua trajetória não consta nos livros didáticos de história do Japão.
Inicialmente formado por Kiyokawa Hachirô (1830~1863), o grupo chamava-se Rôshigumi e
tinha como objetivo controlar os samurais desocupados que viviam na cidade de Edo (atual Tóquio),
em fins de 1862. Porém, quando o grupo de jovens chegou a Quioto para os preparativos da viagem do
xogum a esta cidade, Kiyokawa declarou que o verdadeiro objetivo do grupo era apoiar os
imperialistas. O xogunato ordenou a volta do grupo para Edo, mas alguns de seus membros eram
contrários à conduta de Kiyokawa e permaneceram em Quioto, formando, assim, o Shinsengumi,
liderado por Kondô Isami (1834~1868), filho de camponeses.
O grupo, então, passou a pertencer ao feudo de Aizu, com a intermediação do governador de
Quioto, Matsudaira Katamori (1835~1893), e consolidou-se pela postura antiimperialista de seus
componentes. Em nome da paz, o Shinsengumi assassinou muitas pessoas em Quioto e dedicou
fidelidade a Matsudaira Katamori, que foi contra a devolução do poder à corte imperial.
Em 1864, o grupo conseguiu vencer a tropa do feudo de Chôshu, mas foi derrotado na batalha
de Toba e Fushimi, em 1868. Os sobreviventes foram presos e decapitados. A batalha ainda se alastrou
por um ano e meio entre os partidários do xogunato Tokugawa e o novo goveno, conhecido como
boshin sensô.
Após a Restauração Meiji, Matsudaira Katamori tornou-se sacerdote-mor do Templo Nikko
Toshogu, jazigo de Tokugawa Ieyasu. O último xogun, Tokugawa Yoshinobu, retirou-se para Mito
(província de Ibaraki), após deixar o castelo de Edo, recebendo, posteriormente, o título de duque.
Muitos dos jovens imperialistas que foram contemplados com algum título após a Restauração Meiji
eram de origem humilde, em sua maioria dos feudos de Satsuma, Chôshu e Tosa.
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Era Meiji

O imperador assume o poder

Que nação o novo governo tentou construir, diante das pressões e do perigo de se tornar uma
colônia das nações européias e americana?

Quatorze anos após a delegação do almirante Matthew Calbraith Perry


exigir a abertura dos portos, em 1853, o xogunato Tokugawa, que durou cerca
de 260 anos, solicitou a devolução do poder político à corte, na chamada
Taiseihôkan (restituição do poder à corte imperial).
O imperador Meiji, então com 16 anos, assumiu o trono como o 122º
imperador, marcando o fim do sistema feudal e da política da classe militar, que
durou 700 anos, desde o xogunato Kamakura. Que tipo de nação o novo
governo tentou construir, diante das pressões e da sensação de perigo geradas
pelo risco de se tornar uma colônia das nações européias e americana, que
visavam ao mercado econômico do continente asiático?
Para o estabelecimento de um moderno Estado, nos moldes das nações
ocidentais, o novo governo lançou inúmeras políticas, que serão tratadas a
seguir. É chamada de Restauração Meiji a grande reforma que abrangeu aspectos políticos,
econômicos, militares e educacionais. A expressão “revolução” foi evitada, porque a reforma foi
realizada por militares, samurais do sistema feudal pertencentes a categorias inferiores, e não pelas
camadas populares.

A devolução dos feudos à coroa (Hansekihôkan), a abolição dos clãs e a criação das províncias
(Haihanchiken)

Em 1869, a corte impôs a devolução dos territórios (hanto) sob domínio dos senhores feudais
(hanshu, da categoria dos daimiôs), bem como da população e de seus registros (koseki). Os 261 feudos
(han) foram transformados em 3 províncias metropolitanas (fu) e 302 províncias (ken), além de
Hokkaido. Depois, foram reduzidas a 72 províncias. No início, não houve muitas mudanças, pois
manteve-se a figura do hanshu da Era Tokugawa. Por esta razão, em 1871, extinguiu-se os han,
mudando-se a denominação para ken. Os governadores das províncias metropolitanas (fuchiji) e os
governadores das demais províncias (kenrei) eram enviados pelo poder central. Consolidou-se, então, a
base de uma nação com poder centralizado, que teve o imperador como vértice.
O pilar do governo era composto pelos feudos monarquistas de Chôshû (atual Yamaguchi),
Satsuma (atual Kagoshima), Tosa (Kochi) e Hizen (Saga).

Igualdade entre as classes (shimin byôdô)

O novo governo extinguiu a divisão das quatro classes sociais (shinôkôshô) existente na Era
Edo, porém manteve a figura do imperador (tennô), das classes dos nobres da corte (kizoku) e dos
daimiôs, formando a aristocracia (kazoku), que recebia tributos (hôroku) em arroz ou moeda. No
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entanto, devido às dificuldades financeiras, esses pagamentos foram cortados em 1876 e foram
substituídos por pagamentos anuais dos juros sobre o valor nominal dos tributos correspondentes a um
certo número de anos. Mas esse valor não era suficiente para a manutenção da classe dos samurais
(shizoku). Isto fez com que essas classes fossem desfeitas, com exceção da família imperial, dando
início à proletarização da população.
Os samurais das classes inferiores (kakyuu bushi), os camponeses (nômin) e os pequenos
comerciantes (chônin) formavam a classe do povo comum, heimin. Aos párias, chamados de eta e
himin, foi concedida legalmente a emancipação em 1871, sendo reconhecidos como pertencentes à
categoria dos heimin.

Revisão dos impostos sobre as terras e incremento da produção

O novo governo, para corrigir a situação de dificuldade do tesouro público, permitiu a compra e
a venda de terras, revisou o valor das terras com base na produção anual, determinando um novo preço,
impondo uma lei segundo a qual 3% desse valor deveria ser pago em dinheiro como imposto. Como
resultado, os camponeses que não podiam pagá-lo renunciavam às terras.
Por outro lado, a cobrança por parte dos proprietários em relação ao rendeiro, que lhes levava
metade da produção de arroz em espécie, tornou a vida dos camponeses mais difícil do que foi no final
da Era Edo, acarrretando freqüentes revoltas (nômin ikki).
Com o auxílio financeiro dos países ocidentais, o governo construiu fábricas sob administração
estatal, ampliando suas atividades para os ramos da indústria de fiação, ferrovia e comunicação. Em
1880, já havia fábricas e manufaturas de capital privado, afirmando o sucesso do projeto de transformar
o país numa nação rica.

Serviço militar obrigatório (Chôheiseido)

Visando a tornar-se um país rico e militarmente forte, o novo governo tomou como modelo a
organização militar do ocidente europeu – Alemanha, França e Inglaterra –, formando um exército nos
moldes ocidentais, instituindo, em 1873, o serviço militar obrigatório. Ele foi imposto à população
masculina adulta, inicialmente isentos o chefe de família, os herdeiros, os funcionários públicos e os
indivíduos que pagassem um determinado valor ao governo. Entre os alistados, os mais numerosos
eram os segundos e os terceiros filhos das famílias camponesas. Temendo perder seus trabalhadores, os
camponeses organizaram revoltas contrárias ao serviço militar em vários lugares.

O xintoísmo como religião nacional

A política de se congregar o xintoísmo e o budismo, existente desde a Era Edo, resultou no


xintoísmo estatal (kokka shintô). Por isso, os adeptos do budismo foram perseguidos, inúmeros templos
incendiados ou destruídos e imagens búdicas históricas danificadas ou vendidas. Por outro lado, estes
acontecimentos proporcionaram uma chance de o budismo renascer como uma religião moderna,
livrando-se de um sincretismo religioso simplista. Especialmente a partir de 1873, com o fim da
proibição do cristianismo, e de 1889, com a liberdade religiosa reconhecida legalmente, muitas
religiões se empenharam em sua modernização.
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O despertar da modernidade

Mudanças profundas na sociedade japonesa foram permeadas entre protestos e conflitos, o que
não impediu a consolidação de um Japão como sociedade moderna.

A Era Meiji foi o despertar do Japão para a modernidade. Porém, para


que isso ocorresse houve muitos entraves, já que muitos perderam os seus
privilégios conquistados ao longo de séculos. A seguir, veremos a trilha para
a modernidade japonesa:

Gokajô no goseimon (Juramento de cinco cláusulas)

Logo após a devolução do poder ao imperador Meiji, no dia 14 de


março de 1868, são editadas em nome do imperador, as diretrizes básicas do
novo governo, denominadas Gokajô no goseimon (Juramento de cinco
cláusulas): 1) Promover uma ampla assembléia, respeitando a opinião
pública; 2) As medidas governamentais deverão ser tomadas em comum
acordo; 3) Todos, desde os burocratas até os civis, devem concretizar suas aspirações, sem
sobrecarregar-se física ou espiritualmente; 4) Abandonar os velhos costumes restritivos e agir
abertamente, baseando-se nos bons costumes; 5) Procurar pelo mundo afora amplos conhecimentos
para o bem da nação.
Sob essas diretrizes o novo governo tenta modernizar o país, introduzindo o sistema ministerial
(dajôkan seido), instituindo os três poderes, ou seja, o legislativo, executivo e o judiciário, seguindo o
modelo americano.

Promulgação do sistema educacional

A difusão do ensino contribuiu em muito para a modernização do Japão.


No ano de 1872 (ano 5 da era Meiji), o governo promulgou o sistema educacional em que
estabelece a obrigatoriedade do ensino primário a todas as crianças a partir de 6 anos. Como a
construção da escola e a mensalidade ficaram sob a responsabilidade da região, no início o número de
alunos não foi grande, mas com o tempo essa situação foi revertida.
Foram criadas muitas instituições de ensino superior, tal como a Universidade de Tóquio,
contratando-se muitos professores estrangeiros e muitos estudantes receberam bolsas para estudarem
nos países europeus e nos EUA.
Em 1886 é divulgada a diretriz de educação do imperador Meiji, o famoso kyôiku chokugo, que
passa a ser lido em todas as escolas até o fim da segunda gerra. O texto prega o amor fraternal, a
amizade, o amor ao próximo, a dedicação aos estudos, o cultivo de conhecimentos, o trabalho para o
bem social, obediência às leis para a manutenção da ordem social e a sincera dedicação para a paz e a
segurança da nação.

Incentivo à produtividade

O novo governo japonês empenha-se em desenvolver a produtividade industrial implantando


fábricas de capital estatal, tal como fábricas de fiação na província de Gunma, e tenta difundir novas
tecnologias através de exposições.
As redes de transporte e de comunicação, imprescindíveis para o desenvolvimento econômico
também são levadas em conta. Assim, em 1872, é inaugurada a linha ferroviária que liga o bairro de
Shinbashi (Tóquio) à cidade de Yokohama, e dois anos depois, a linha que liga as cidades de Kobe e
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Osaka. Nas costas japonesas os navios à vapor passam a navegar com maior freqüência e os velhos
mensageiros (hikyaku) são substituídos por modernos sistemas de correio e telégrafos.

A revolta dos shizoku (samurais destituídos)

Ôkubo Toshimichi, estadista que se tornou a figura principal do novo governo, ao mesmo
tempo em que se empenha no desenvolvimento da produção nacional, reforça seu domínio sobre o país,
controlando com rigor o povo. Isso causa a insatisfação de muitos que sonham com um país mais livre,
surgindo várias revoltas contra o novo governo.
Com a instituição de províncias em substituição aos feudos, os shizoku, ou “ex-samurais”,
perdem seu ponto de apoio, e em 1876, o pagamento do roku (salário de samurai) também é extinto,
com a recompensa de um pequeno valor (kinroku kôsai). Ainda, com a instituição da lei de igualdade,
eles perdem o privilégio do porte de espada, assim como o valor de guerreiro, já que o serviço militar
torna-se obrigatório a todos os jovens.
Entre as várias revoltas, a de maior proporção e repercussão foi a revolta conhecida por seinan
sensô (guerra do sudoeste) comandada por Saigô Takamori, um dos revolucionários que restituiu o
poder imperial e que havia defendido o envio de tropas japonesas à Coréia para desviar a frustração e
insatisfação dos samurais. O levante começa em fevereiro de 1877, com a participação de mais de 30
mil shizoku de Kagoshima, ilha de Kyushu, e termina em setembro do mesmo ano, com a derrota da
força revoltosa perante a tropa de soldados recrutados pelo novo governo, e Saigô Takamori acaba se
suicidando, praticando o harakiri.

Constituição Japonesa

No dia 11 de fevereiro de 1889, é anunciada sob o nome do imperador Meiji, a Constituição do


Grande Império Japonês (Dai Nippon Teikoku Kenpô).
Pela Constituição, ficou estabelecido que o imperador governaria o país como mandante
supremo, detendo a autoridade para convocar ou dissolver a Dieta Imperial (Teikoku Kokkai -
parlamento imperial), comandar o poder militar, assinar tratados e decidir sobre iniciar ou não uma
guerra.
A Dieta Imperial, inaugurada em 1890, seria composta por parlamentares da nobreza (kizokuin)
e câmara dos deputados (shûgiin) eleitos pelo povo, que começa a ter participação na política, embora
com restrições.

Coréia: muralha de proteção

O Japão enfrentou guerras contra a China e a Rússia. Ambas tiveram como principal objetivo
impedir a expansão russa rumo ao sul, evitando a ocupação da península coreana.

Durante a Era Meiji, o povo japonês enfrenta duas guerras: a Sino-Japonesa (1894~1895) e a
Russo-Japonesa (1904~1905). Ambas as guerras tiveram como um dos principais objetivos impedir a
expansão russa rumo ao sul, evitando dessa forma a ocupação da península coreana. Isto causaria uma
ameaça constante ao Japão, já que as ilhas japonesas avizinham-se com a Coréia.

Guerra Sino-Japonesa

O governo Meiji tenta obter influência sobre a Coréia para fazer deste país a muralha de
proteção dos ataques estrangeiros. Porém, essa estratégia só serviu para criar atritos políticos com a
China, que se achava o país protetor da Coréia.
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Nesse interim, ocorre a revolta dos camponeses coreanos, insatisfeitos com a situação sócio-
econômica do país, onde a corrupção corria solta. A insurreição assume proporções gigantescas,
ocorrendo grande distúrbio no país. Foi a oportunidade esperada pela China e pelo Japão intervirem,
enviando suas tropas para “conterem os rebeldes”. Inicia-se dessa forma a Guerra Sino-Japonesa, em
agosto de 1894. A guerra termina com a vitória japonesa que tinha aprimorado sua capacidade bélica
em pouco mais de 20 anos, após a Restauração Meiji. Em abril de 1895 (ano 28 da Era Meiji), é
assinado o Tratado de Paz em Shimonoseki, pelo qual a China: 1) reconhece a independência da Coréia
como uma nação; 2) cede ao Japão as ilhas de Formosa e a península de Liaotung; 3) compromete-se a
pagar uma indenização ao Japão no valor de 310 milhões de ienes, aproximadamente.
O governo japonês controla através da força a revolta do povo chinês da ilha de Formosa,
iniciando-se a colonização da ilha.

Guerra Russo-Japonesa

A Rússia que tentava ocupar a parte nordeste da China, junta-se à Alemanha e França para
forçar a devolução da península de Liaotung à China. O Japão que não possuía poder suficiente para
enfrentá-los, acaba devolvendo a península à China. Esse episódio cria um forte antagonismo do povo
japonês contra a Rússia. Porém, o que o governo japonês temia era a expansão russa até às portas do
Japão através da península coreana. Assim, o governo japonês consegue aliar-se à Inglaterra e declara
guerra contra a Rússia em fevereiro de 1904.
As tropas japonesas enfrentam dificuldades, mas conseguem levar vantagem sobre as tropas
inimigas, conquistando várias vitórias nas batalhas. Em março de 1905, por exemplo, as tropas
japonesas lideradas pelo general Oyama, conseguem expulsar os exércitos russos da província da
Manchúria. Ainda, a marinha japonesa consegue derrotar a poderosa esquadra do Báltico composta por
gigantescos navios de guerra russos, no estreito da Coréia, perto da ilha de Tsushima.
Porém, o poder bélico japonês estava no seu limite, quando ocorre a revolução na Rússia,
impedindo a continuidade da guerra. Assim, com a intermediação dos Estados Unidos, é assinado o
Tratado de Paz de Portsmouth. Embora o tratado não fosse nos termos que satisfizessem o povo, o
Japão consegue fundar a Companhia Ferroviária da Manchúria, ampliando a sua área de influência até
o sul da Manchúria.

Colonização da Coréia

Após a vitória sobre os russos, o Japão intensifica cada vez mais o movimento para a
colonização da Coréia.
Em 1905, o Japão anula os direitos diplomáticos da Coréia, e em 1907, o imperador coreano é
obrigado a abdicar, forçando dessa forma, a dissolução do exército coreano. Essas medidas do governo
japonês causam a revolta do povo coreano, surgindo vários levantes e resistências. Em 1909, o primeiro
ministro japonês, Itô Hirobumi, o primeiro a ocupar o cargo de chefe de gabinete ministerial do Japão,
é assassinado por um coreano, durante a sua viagem à Manchúria. Porém o movimento para a anexação
da Coréia segue o seu processo e em 1910 (ano 43 da Era Meiji), a Coréia é anexada ao Japão. É
fundada uma capitania para desenvolver a política de colonização. Nas escolas coreanas são ensinadas
a língua e a história do Japão, forçando-os a assimilar a cultura japonesa.
Em 1919, houve um grande movimento para a independência da Coréia, mas somente após a
derrota do Japão na segunda guerra mundial, ou seja, após a rendição incondicional do Japão no dia 15
de agosto de 1945 é que a Coréia torna-se independente. Porém, apesar de conquistar a independência,
devido a manipulação das grandes potências, a Coréia acaba sendo separada em Coréia do Norte e
Coréia do Sul.
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Yosano Akiko (1878~1942) e o poema pacifista

Grande poetisa japonesa, Yosano Akiko nasce na cidade de Sakai, província de Osaka, em
1878, como terceira filha de um abastado casal de comerciantes. Viveu a era Meiji, Taisho e Showa
sempre produzindo poemas, encantando o povo de sua época com o seu brilhante talento.
Quando o povo japonês entusiasmava-se com a vitória japonesa nas guerras, ela publicou em
1904 o famoso poema pacifista “Kimi shinitamau koto nakare” (Não pereça em vão) de seguinte teor:

“Oh, meu irmão, não pereça em vão!


Tu que nasceste como filho caçula,
Recebeste todo o carinho dos pais.
Os teus pais ensinaram-te a pegar na arma e a matar?
Criaram-te até 24 anos para matar e a se matar?”

Trabalho e sociedade

Técnicas industriais e conhecimentos trazidos do Ocidente alavancaram a sociedade, mas


tiveram um preço caro para os japoneses.

Visando ao mesmo poder das potências como Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, o
governo Meiji contraiu uma grande dívida junto a esses países, introduziu suas tecnologias nas
indústrias de base, como a siderúrgica e a têxtil, concentrando esforços na implantação de ferrovias,
redes de comunicações e de transporte.

Os estrangeiros

Para transferir a tecnologia – nas áreas de cunhagem de moeda, construção e arquitetura,


ferrovia e construção naval – e o conhecimento humanístico do Ocidente, no início da Era Meiji,
inúmeros estrangeiros contratados com altos salários foram recebidos pelo Japão. Conhecidos como
oyatoi gaikokujin, eles recebiam remunerações equivalentes à do primeiro-ministro e à dos demais
ministros de estado.
Ao longo da Era Meiji (1868-1912), foram recebidos mais de 3 mil estrangeiros. Entre os anos
6 e 8 (1873 a 1875), o índice anual chegou a 500 estrangeiros. As figuras mais conhecidas dessa época
são: nas belas artes, Ernest Francisco Fenollosa e Antonio Fontanesi; na zoologia, Edward Sylvester
Morse; na medicina, Erwin von Balz; e na educação, William Smith Clark.
Na segunda metade da Era Meiji, predominou o ideal do wakon yoosai (espírito japonês e
habilidade ocidental), segundo o qual a introdução da tecnologia e do conhecimento ocidentais
deveriam ser feitas por pessoas com embasamento confucionista. Ou seja, o país deveria assimilar a
arte, o conhecimento e a técnica do Ocidente, mantendo a moral oriental, aprofundando os
ensinamentos de Confúcio.

A trágica história das operárias da fábrica de fiação de Tomioka

Os principais problemas enfrentados no estabelecimento da gigantesca fábrica de fiação na


cidade de Tomioka, província de Gunma, eram o tijolo e o cimento. Como era impossível importar
grandes quantidades de tijolos, utilizou-se a técnica de produção de telhas japonesas para substituí-los.
Como na época não havia cimento, ele foi substituído por argamassa.
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As molduras de ferro das janelas dependiam das importações. Para operar as máquinas de
fiação, de fabricação francesa, foram contratadas mais de 300 operárias. Dizem que, no início, em sua
maioria, elas eram filhas de famílias de guerreiros da Era Edo (1603-1867).
Na Era Meiji, a exportação de linhas de seda crua representava um terço do valor do comércio
internacional. Por esta razão, nas fábricas de fiação de seda de várias partes, meninas de
aproximadamente 13 anos constituíam sua força de trabalho, selecionadas com base num contrato de
cinco a oito anos.
Para as famílias dos agricultores, era uma importante fonte de renda em espécie. Porém, duras
jornadas de 12 a 14 horas, baixos salários, falta de higiene nos alojamentos e alimentação precária
levaram ao adoecimento de muitas operárias. Dizem que, para impedir sua fuga, colocavam-se grades
de ferro nas janelas dos quartos.
Aquelas mais produtivas, que em um ano conseguiam ganhar cem ienes (valor da época),
compravam um tan de terras (um tan equivale a 991,7 m2, aproximadamente 10 alqueires) para suas
famílias. Segundo registros do livro de não-ficção Nomugui toogue (Desfiladeiro Nomugui), as
operárias atravessavam este desfiladeiro de 1.672 m, localizado em Hida (atual província de Gifu),
percorrendo um caminho de 140 km até a fábrica em Suwa, província de Nagano. Quando retornavam
para suas casas no final do ano, esse caminho íngreme se cobria de neve e muitas moças morriam.

Shozo Tanaka (1841-1913) e a primeira questão ambiental do Japão

O caso da poluição da mina de cobre de Ashio, no município de


Kamitsuga, na província de Tochigi, refere-se à contaminação da nascente do
Rio Watarase pelos resíduos da mina, afetando a pesca local. A mina de Ashio
era explorada desde o início do século 17, mas seu desenvolvimento acelerou-
se somente em 1877, com a administração do grupo empresarial Furukawa.
Porém, a partir do ano seguinte, passaram a ocorrer enchentes –
decorrentes dos desmatamentos realizados para o refino de cobre, que passou a
dificultar o escoamento da água – que faziam com que os resíduos escorressem
para o rio, matando os peixes, que passaram a cobrir sua superfície. Em 1880,
foi decretada a proibição da pesca no Rio Watarase pelo governo da província
de Tochigi.
Em 1891, o senador Shozo Tanaka, eleito pela província de
Tochigi (na época apenas os contribuintes na faixa acima de 15 ienes
anuais tinham direitos eleitorais e políticos), questionou pela primeira vez TANAKA – O
no Parlamento Imperial o caso da contaminação da mina de Ashio. Em primeiro a
1897, cerca de 2 mil agricultores afetados pela poluição do rio foram a questionar a
Tóquio para efetuar uma petição. O governo fez com que o grupo contaminação da
Furukawa realizasse obras para eliminar a poluição, mas os danos não mina de Ashio.
diminuíram. Em fevereiro de 1900, houve um conflito entre a polícia e
milhares de vítimas a caminho de Tóquio para requerer a petição.
Irado com o episódio, Shozo Tanaka renunciou ao cargo de parlamentar e entregou uma petição
sobre o caso ao imperador. Tanaka foi tratado como louco, porém, sua atitude fez com que a opinião
pública e os meios de comunicação da época pedissem ao governo sua rápida resolução.
Quando faleceu, em 1913, os pertences de Shozo Tanaka eram apenas um chapéu de sugue
(junça, planta ciperácea) e uma sacola contendo a Constituição japonesa, a Bíblia e seu diário. Nascido
numa família rica, ele doou toda a sua fortuna para o combate da questão ambiental do local. Além
disso, deixou a marca de sua liderança e pioneirismo em movimentos pela democratização e publicação
de jornais locais.
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Os problemas ambientais continuaram, por exemplo, com a doença de Minamata, na década de


1970, e outras, causadas pela incapacidade de solução do binômio desenvolvimento econômico e
preservação ambiental. Tornou-se evidente que as raízes desses problemas se encontram na política do
governo Meiji, de construir uma nação rica e poderosa. Porém, existem atualmente tendências de
avanço em políticas de preservação ambiental em escala global, como o acordo para o controle de
emissão de CO2.

Gakumon no susume (Convite ao saber)

Obra de Fukuzawa Yukichi contribuiu para incutir no povo o espírito de liberdade e de


independência.

Como foi mencionado nos capítulos anteriores, o início da Era Meiji foi marcado por avidez do
povo em absorver a cultura ocidental, assimilá-la e engajar-se numa campanha para promover e
difundir novos pensamentos e conhecimentos. Daí despontaram grandes nomes, como o de Fukuzawa
Yukichi (1835~1901), Nakamura Masanao (1832~1891), Nishi Amane (1829~1897), Niijima Jo
(1843~1890) e outros. Principalmente, a obra de Fukuzawa intitulada Gakumon no susume (Convite ao
saber) contribuiu muito para incutir no povo o espírito de liberdade e de independência. A famosa frase
introdutória da obra de Fukuzawa “A Providência não criou o homem superior nem inferior” foi
elucidativa para o povo da época. Porém, essa filosofia que contém um pragmatismo absoluto,
esqueceu-se de que o lado psicológico do homem nunca acompanha a velocidade do progresso
material. Nesse cenário, a literatura retomou o papel de antítese ao utilitarismo.
Por volta do ano 10 da Era Meiji, para fazer frente ao Dai-shinbun (Grande Jornal) dirigido aos
leitores de classe intelectualizada, surgiu o Shô-shinbun, com muitas ilustrações e escrito numa
linguagem que se aproximava do coloquial, narrando os fatos reais com certo grau de dramaticidade.
Nessa mesma época, muitas obras literárias do exterior começaram a ser traduzidas com grande
receptividade por parte dos leitores japoneses que buscavam na literatura não somente o lazer, mas
também a aquisição de novos conhecimentos. Uma obra muito lida nessa época foi A volta ao Mundo
em 80 Dias, de Júlio Verne (1828~1905).

Genbun Itchi (Nivelação da linguagem escrita e da falada)

Outro fato que merece ser destacado é o movimento de aproximar a linguagem escrita da falada
(genbun itchi). E também, em observância à literatura ocidental, a literatura japonesa passou a ser
encarada como uma arte independente, e não um meio político ou de moralização. Dois grandes
literatos que encabeçaram esse movimento foram: Tsubouchi Shôyô (1859~1935) e Futabatei Shimei
(1864~1909).
Tsubouchi Shôyô renovou o conceito da literatura, escrevendo ensaios, romances e peças para
teatro, firmando o conceito de realismo na literatura e rejeitando o moralismo em que o bem vence o
mal. Ele lançou Waseda Bungaku (Círculo Literário de Waseda) no ano 24 da Era Meiji (1891), uma
revista que teve grande influência no movimento literário. Uma de suas obras mais conhecidas é Tôsei
Shosei Kishitsu (O temperamento do aprendiz atual).
Futabatei Shimei foi um grande admirador de obras literárias russas, sendo a sua obra
representativa o romance Ukigumo (Nuvens efêmeras), escrito em estilo coloquial com análise
detalhada do lado emocional dos personagens. Essa obra serviu de modelo para os escritores como um
parâmetro de romance moderno.
Passada a febre pela cultura ocidental, renasceram aos poucos o nacionalismo e os pensamentos
mais conservadores. Na literatura, os valores das obras clássicas foram revistos, como a dos autores da
Era Edo Chikamatsu Monzaemon e Ihara Saikaku.
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Aos poucos os japoneses foram encontrando o ponto de equilíbrio entre os dois extremos, e a
literatura também foi conquistando o seu espaço como uma forma de manifestação artística, surgindo
as famosas obras Konjiki Yasha (A feiticeira dourada), de Ozaki Kôyô (1867~1903), Hototogisu (O
cuco), de Tokutomi Roka (1868~1927), e muitos outras que tiveram influência em escritores
posteriores, como Kawabata Yasunari (1899~1972), Prêmio Nobel da Literatura em 1968.
Em meados da Era Meiji, surgiu a escritora Higuchi Ichiyô (1872~1896), autora de obras
imortais, como Takekurabe (O crescimento) e Ôtsugomori (Fim de Dezembro).

Natsume Sôseki (1867~1916) e Mori Ôgai (1862~1922)

Em fins da Era Meiji despontaram dois grandes nomes da literatura japonesa cujas obras são
muito lidas até os dias de hoje. São eles: Natsume Sôseki e Mori Ôgai.
Natsume Sôseki nasceu em Tóquio, estudou na Inglaterra e tornou-se professor de escola
superior após a sua volta. Suas primeiras obras, Wagahai wa neko dearu (Sou um gato) e Botchan (O
filhinho de papai), ironizam a sociedade e o homem num tom leve e humorístico. As obras posteriores,
quando já tinha deixado o magistério, como Sanshirô, Sorekara (E depois) e Mon (O portão), fazem
entrever a solidão do homem moderno e a tentativa de encontrar a si mesmo.
Mori Ôgai, formado em medicina, estudou na Alemanha na qualidade de médico das forças
armadas japonesas. Paralelamente, dedicou-se à vida literária, publicando obras imortais, como Mai-
hime (A dançarina) e Gan (O ganso selvagem). Após a Guerra Russo-Japonesa, passou a escrever obras
de fundo histórico. Tanto Sôseki como Ôgai buscaram “algo” que transcendia o individualismo
moderno.

Poemas da era moderna

No iníco da Era Meiji, os literatos tentaram sair do casulo dos poemas tradicionais e criaram um
estilo de poemas denominados shintai-shi, ou seja, poemas de estilo novo, em oposição aos tradicionais
poemas escritos em ideogramas (kanshi). Shintai-shi ganhou seu espaço no círculo literário com as
publicações de poemas de alto teor artístico de renomados autores, como Mori Ôgai, Shimazaki Tôson,
casal Yosano, ou seja, Yosano Akiko, mencionada já no capítulo anterior, e o seu marido, Yosano
Tekkan. Atulamente, quando se fala em shi (poema), trata-se de shintai-shi.
No campo de poemas tradicionais, o poeta Masaoka Shiki (1867~1902) consolidou a base do
haiku (poemas de 17 sílabas) moderno. Ele orientou a publicação da revista literária Hototogisu (O
cuco), que teve grande influência no movimento literário japonês, principalmente na formação dos
haicaístas e poetas de tanka (poema de 31 sílabas).
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Era Taisho

“Política com correção” (1912–1926)

Lutas: em 1920, no Parque Ueno, houve a primeira comemoração do 1º de Maio, reunindo 5


mil pessoas, que votaram pela jornada de 8 horas.

Com o falecimento do imperador Meiji, em 30 de julho de 1912, o príncipe Yoshihito sobiu ao


trono. O período de 15 anos que se sucedeu é chamado Taisho. Este nome foi extraído do Ekikyoo (um
dos Cinco Clássicos do Confucionismo) contendo o significado: “O Céu aceitará as palavras do povo e
a política será conduzida com correção”.

Imperador Taisho.

A 1ª Guerra Mundial e o Japão

Tendo como estopim o assassinato do arquiduque Ferdinando da Áustria, teve início a guerra
envolvendo o Império austro-húngaro e a Alemanha contra os países aliados. No início, os combates
lembravam batalhas medievais envolvendo cavalarias e soldados empunhando armas, mas,
posteriormente, exércitos de ambos os lados passaram a utilizar armamentos modernos como aviões,
tanques, submarinos e até mesmo gases venenosos.
O Japão, por ser aliado da Inglaterra, envolveu-se na guerra, tomando, em primeiro lugar, Ching
Tao, que era uma colônia alemã, e as ilhas dos mares do sul, que se tornariam ponto de apoio para seu
avanço em direção à China. Em 1915, fez a exigência de 21 cláusulas à República chinesa, forçando-a
a aceitá-las. Elas envolviam a alienação de direitos e interesses estabelecidos pela Alemanha,
ampliando os direitos japoneses sobre o território chinês. Tendo como motor o grande crescimento das
exportações para a Europa – nos setores de construção naval, têxteis, aço e ferro – durante o período da
1ª Guerra, a situação econômica tornou-se extremamente favorável, e o Japão foi incluído entre as
cinco maiores economias mundiais, transformando-se numa potência imperialista. A indústria de
construção naval desenvolveu-se pela escassez mundial de navios para o transporte de materiais de
guerra, alcançando o Japão a terceira posição nesse setor, atrás da Inglaterra e dos EUA. Em 1920, foi
criada a Liga das Nações, da qual o Japão também fez parte, proposta pelo presidente americano
Woodrow Wilson, que tinha como objetivo a paz mundial. Entre 1921 e 1922, realizou-se a
Conferência de desarmamento de Washington, com a participação de EUA, Inglaterra, França, Japão,
entre outros, que firmaram o Tratado das Nove Potências, o qual incluía a não invasão da China.
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A democracia Taisho

Aconteciam, entre o período após o final da Guerra Russo–Japonesa (1904–1905) e o final da


Era Taisho (1912–1926), pequenos movimentos de luta pela democracia. Esse período é chamado de
Taisho democracy. Porém, a realidade foi marcada por vários conflitos entre empresas e operários, que
aumentaram com o desenvolvimento industrial gerado pela guerra. Em 1920, realizou-se, no Parque
Ueno, a primeira comemoração do Primeiro de Maio, reunindo 5 mil pessoas, que votaram pela jornada
de 8 horas. Por outro lado, na zona rural ocorriam também conflitos entre os grandes proprietários de
terra e os pequenos lavradores que trabalhavam em terras arrendadas, os quais se revoltavam com os
pesados impostos. A população sofria com a alta repentina do preço do arroz, cujos estoques eram
detidos pelos grandes comerciantes, gerando tumultos em vários lugares. Esses movimentos se
alastraram por todo o país, tendo sido iniciados em 1918, por donas de casa da província de Toyama
que pediam a redução do preço do arroz. Por essa razão, derrubou-se o governo militar, tornando-se
primeiro-ministro o presidente do partido Seiyukai, Takashi Hara, que conquistou a maioria dos votos
dos deputados. Formou-se, então, o primeiro governo partidário.

Repressão ideológica

Desde a Era Meiji (1868–1912), o governo tomava medidas coercitivas em relação aos
movimentos pelos direitos civis, proibindo reuniões e censurando jornais e semanários, mas com o
surgimento, na segunda metade da Era Meiji, dos movimentos socialistas, a repressão mudou o seu
alvo. Em 1917, estabeleceu-se o governo socialista soviético e, em 1922, o Partido Comunista Japonês
formou-se na ilegalidade. Temendo a infiltração do comunismo, o governo instituiu, em 1925, a Lei de
Segurança Pública, que penalizava os que criticavam o sistema, ou que não reconheciam o sistema de
propriedade privada. Em 1922, os burakumin (grupos de pessoas discriminadas, desde a época feudal,
por preconceitos não explícitos), criaram uma associação denominada Zenkoku suiheisha, buscando a
igualdade.

O terremoto de Kanto

Em 1º de setembro de 1923, ocorreu um terremoto de 7 graus na região de Kanto (Tóquio e


províncias vizinhas). Os danos foram grandes, especialmente em Tóquio e Yokohama. Foram 140 mil
mortos e desaparecidos, 700 mil residências destruídas, chegando a 3,4 milhões o número de vítimas do
desastre em toda a região de Kanto. Houve ainda o assassinato de muitos socialistas e coreanos, em
função de boatos sobre desordens que supostamente teriam sido provocadas por eles.
Antes que a sociedade pudesse se recuperar, muitos bancos foram à falência por causa da crise
econômica. O medo provocado pela crise de 1927 marcou o início da ascensão do exército, que levaria
o país à Guerra da Manchúria e à passagem para um período militaristaaté 1945, com o envolvimento
na Segunda Guerra Mundial.

O grande terremoto de Kanto:


período de grande agitação.
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Era Showa

Craque de Wall Street

Muitas empresas foram à falência e, no campo, a


baixa de preços e o frio excessivo ajudaram a crise no
Japão.

A crise econômica de 1929 (ano 4 da Era Showa)


que abalou o mundo, conhecida como o “Craque de Wall
Street” ou “Grande Pânico”, provocou um grande golpe
financeiro no Japão também. Muitas empresas foram à
falência, e a cidade ficou tomada por desempregados. No
campo, também a situação não era diferente. Com a
baixa de preço dos produtos agrícolas e do fio de seda, a
zona rural também enfrentava uma crise econômica.
Ainda para piorar a situação, em 1931, o frio excessivo
causava baixa na colheita, principalmente na região Kamikaze-tokkôtai: missão
nordeste e na ilha de Hokkaido. Sem ter o que comer, os suicida,
camponeses chegam a vender suas filhas em troca de um criada pela aeronáutica
punhado de comida. Por outro lado, os grandes grupos japonesa, em que jovens pilotos
financeiros, como Mitsui, Mitsubishi e Sumitomo, se jogavam contra naves
cresciam, incorporando as empresas e os bancos menores, inimigas.
monopolizando os lucros.

Invasão da Manchúria

Aproveitando-se da insatisfação do povo diante da crítica situação, as forças armadas


propagaram entre o povo a idéia de que poderiam encontrar uma vida melhor, se o Japão avançasse até
o continente, ou seja, invadisse a China. Em 1932, as tropas japonesas acampadas na Manchúria
iniciaram a guerra contra a China, após o incidente de explosão da linha ferroviária (Manshû jihen). O
exército japonês dominou a Manchúria e colocou no poder o último imperador da Dinastia Ching,
controlando-o à vontade, criando um Estado-fantoche, denominado Manshû-koku.
As forças armadas japonesas adquiriram maior poder, inclusive com os incidentes provocados
por jovens oficiais idealistas, exaltados como o assassinato do primeiro-ministro da época, Inukai
Tsuyoshi, em 15 de maio, e a invasão temporária da cidade de Tóquio, em 26 de fevereiro. Com a
invasão da Manchúria e o crescimento da indústria bélica, o Japão conseguiu recuperar-se
economicamente.

Segunda Guerra Sino-Japonesa

Em julho de 1937 (ano 12 da Era Showa), as tropas japonesas e chinesas confrontaram-se em


Pequim, iniciando a segunda guerra sino-japonesa. Apesar da ocupação japonesa, o povo chinês resistiu
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bravamente, valendo-se da tática de guerrilha. À medida que a guerra se estendia, os militares passaram
a controlar o povo japonês com maior rigor. O parlamento perdeu a sua função, os sindicatos dos
trabalhadores também foram dissolvidos, as escolas, assim como a liberdade de expressão, foram
rigorosamente controladas por militares.

Segunda Guerra Mundial

A Liga das Nações (ONU, posteriormente) não conseguiu impedir a guerra expansionista de
Japão, Alemanha e Itália. Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha de Hitler invadiu a Polônia. Dois
dias depois, Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha, transformando, novamente a Europa
em campo de batalha. Iniciou-se a 2ª Guerra Mundial. Enquanto isso, as tropas japonesas enfrentavam
dificuldades na China, devido à resistência do povo. Sob a suspeita de que a força de resistência
chinesa estivesse recebendo apoio dos EUA e da Inglaterra, o governo japonês cogitou dominar toda
essa região, aliando-se à Alemanha e à Itália.
Em 1941, o general Tôjô Hideki (1884~1948) formou um novo ministério e, em 8 de dezembro
do mesmo ano, o Japão atacou a frota americana em Pearl Harbor, fazendo com que os EUA entrassem
na guerra. Em meio ano, as tropas japonesas dominaram todo o Sudeste Asiático, mas perante a
ofensiva americana, aos poucos foram obrigados a recuar, sendo as suas tropas massacradas nas ilhas
oceânicas, nas Filipinas e na Birmânia. Numa tentativa desesperadora, a aeronáutica criou a missão
suicida “kamikaze-tokkôtai” para os jovens pilotos jogarem-se contra naves inimigas. O termo
kamikaze (vento divino) foi usado pelos militares japoneses, na esperança de que acontecesse
novamente o milagre do vento divino que dizimou a esquadra mongol, salvando por duas vezes o
Japão, da invasão dos mongóis (1274 e 1281).
Em 1945, os bombardeios americanos sobre o céu de Tóquio tornaram-se quase diários. No dia
10 de março, no grande ataque aéreo americano, mais de cem mil pessoas morreram em Tóquio.
O ataque americano culminou com a bomba atômica lançada sobre a cidade de Hiroshima e de
Nagasaki, em 6 e 9 de agosto, respectivamente, induzindo à rendição japonesa no dia 15 de agosto de
1945. Encerrou-se, assim, a longa guerra que perdurou 15 anos, desde a invasão de Manchúria. Em 1º
de janeiro de 1946, o imperador Showa (1901~1989), em declaração ao povo, negou sua origem divina,
crença mantida ao longo do tempo, desde a instituição da corte Yamato, no século IV.
Em 3 de novembro de 1946, foi promulgada a nova Constituição Japonesa baseada em: 1)
respeito à opinião do povo, 2) preservação dos direitos humanos e 3) desarmamento militar.

Bomba atômica

Marco da história do Japão, o episódio foi o ponto de partida para a reconstrução que resultou
na sociedade atual.

Batalha de Okinawa: muitos


civis e militares perderam a
vida.

Já faz 60 anos desde o fim da Segunda Guerra e o Japão tornou-se a segunda potência
econômica mundial. Por outro lado, o país tem passado por desastres naturais, como o terremoto de
Kobe, e incidentes como o lançamento de gás sarin no metrô de Tóquio, que pode ser considerado um
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tipo de atentado terrorista. Podemos dizer que, mesmo no contexto mundial, a população leva uma vida
estável em termos sociais, econômicos e políticos, sendo a desigualdade menos acentuada que em
países como o Brasil. É certo que tragédias decorrentes da Segunda Guerra – especialmente episódios
como o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, bombardeios em cidades como
Tóquio e Kobe – constituíram o ponto de partida para a reconstrução que resultou na sociedade
japonesa atual.

Obras sobre a bomba atômica

Mangás e animês japoneses são adorados em todo o mundo. Gen: pés descalços (em 10
volumes), mangá sobre o bombardeio de Hiroshima tem edição em português e faz sucesso no Brasil.
O autor, Keiji Nakazawa (1939), descreve as condições sociais da época a partir do olhar de uma de
suas vítimas, criando o protagonista infantil Gen com base em sua própria experiência. Trata-se de um
mangá contra a guerra, que vai além do entretenimento.
No Parque do Memorial da Paz, em Hiroshima, há a estátua de uma menina que ergue um grou
em dobradura de papel. Na lápide, a seguinte mensagem: “este é o nosso clamor, esta é nossa prece,
para construir a paz no mundo”.
Dentre as obras que descrevem a tragédia da bomba atômica em Nagasaki, o best seller é o livro
Sinos de Nagasaki. O autor, Takashi Nagai (1908–1951), como médico militar, serviu na Guerra da
Manchúria. Por exposição excessiva à radiação, Nagai adquiu leucemia medular crônica. Sofreu efeitos
da radiação da bomba atômica, por se encontrar num raio de 700 m de seu lançamento, onde se
localizava a Universidade de Nagasaki. Continuou a escrever mesmo acamado, denunciando a tragédia
da bomba atômica, fazendo renovar a percepção das pessoas em relação ao amor humanitário e à paz.
Em 1949, recebeu a visita do imperador Showa (Hirohito).

Bombardeios aéreos

Já perto do fim da guerra, em cidades como Tóquio e Kobe, muitos morreram nos inúmeros
bombardeios do exército americano utilizando o B29. Há muitas obras baseadas nesses episódios.
Citamos aqui Hotaru no haka (Cemitério dos vaga-lumes), de 1967. Ganhador de inúmeros prêmios, é
um best seller de 1,3 milhão de exemplares vendidos. A versão animê foi feita pelo diretor Takahata
Isao, que vivenciou bombardeios em Okayama. Na Kobe de 1945, os irmãos Setsuko, de 4 anos, e
Kiyota, de 14 anos, aguardam a volta do pai, convocado para a guerra, temendo os bombardeios aéreos
que nunca sabiam quando poderiam acontecer. Um dia, perdem a mãe em um desses bombardeios e
vão viver com a tia, mas são tratados como intrusos, por não poderem trabalhar e apenas consumir os
alimentos. Os dois resolvem, então, começar sozinhos uma vida num abrigo antiaéreo. A obra só
poderia resultar do desejo de não apagar a memória da tragédia e a chama da vida das pessoas que se
empenharam ao máximo para sobreviver.

A tragédia de Okinawa

Apenas Okinawa tornou-se campo de batalha entre os exércitos japonês e aliado, onde um
grande número de civis e militares perderam a vida. Especialmente em 1945, no final da guerra,
quando 297 pessoas, entre estudantes e funcionárias da Primeira Escola Feminina de Formação de
professores de Okinawa e do Colégio Feminino da Província de Okinawa foram mobilizadas para
servir como enfermeiras militares na Guerra de Okinawa. Serviam no Hospital do Exército, mas, com o
agravamento da guerra, receberam ordens para se retirar. Passaram a servir num abrigo subterrâneo
instalado numa caverna. Em 18 de junho, ao receberem ordens de dissolução do destacamento, 219
pessoas optaram pelo suicídio coletivo a sofrer com bombas de gás do exército americano, ou com as
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humilhações dos militares das tropas inimigas. O incidente causou grande impacto nas pessoas. No
local do antigo abrigo, foi construído um monumento em homenagem ao Destacamento Himeyuri,
como fora chamado esse grupo, sendo visitado por muitas pessoas. Okinawa foi devolvida oficialmente
ao Japão, porém a presença da base militar americana num dos pontos principais da ilha até hoje
obscurece a sua história.

Órfãos de guerra

O número de órfãos, segundo levantamento de 1948 do Ministério da Assistência Social e


Saúde, é de 123.511 pessoas (excluindo Okinawa). Em 1954, Okinawa registrava 3 mil órfãos. Diz-se
que 87% deles tinham idades entre 8 e 20 anos e que foram adotados por parentes ou encaminhados a
orfanatos. Mas, como o número dessas instituições era insuficiente, muitos se tornaram errantes,
passando a viver nas ruas, chegando a 35 mil em 1947.
Não há família que não tenha sido atingida pela guerra. Todas sofreram algum dano material ou
psicológico. Não se pode esquecer que a sociedade opulenta hoje conhecida foi construída com o
sacrifício das pessoas que perderam a vida na guerra, nos bombardeios ou com a bomba atômica.

Tempo de reconstrução

Instituídas as reformas constitucionais, a partir de 1946, o Japão procurou trilhar caminhos


mais democráticos para reerguer o país.

Panorama pós-guerra

Após o término da Segunda Guerra Mundial, muitos países da Ásia que


estavam sob o domínio japonês iniciaram as suas campanhas para a
independência. Indonésia, Vietnã, Birmânia (atual Myanma), Filipinas e outros
declararam a sua independência. Ainda a Índia, que estava sob o domínio inglês,
tornou-se um país independente.
Surgiram muitos países socialistas na Europa oriental, resultando na
divisão do mundo em três blocos, ou seja, o bloco ocidental, liderado pelos
Estados Unidos da América, o bloco oriental, liderado pela União Soviética
(atual Rússia), e o terceiro bloco, formado por países em desenvolvimento do
hemisfério sul.

A ocupação americana e as reformas pós-guerra

Terminada a Segunda Guerra, o território japonês ficou restringido às ilhas de Hokkaido,


Honshû, Shikoku, Kyûshû e pequenos territórios adjacentes, baseada na Declaração de Potsdam,
firmada em 26 de julho de 1945, após a conferência de cúpula dos países aliados, ou seja, EUA,
Inglaterra e União Soviética (atual Rússia), em Potsdam, periferia de Berlim. Os arquipélagos de
Okinawa e Ogasawara ficaram sob o domínio dos EUA. As mais de 30 ilhas do arquipélago de
Ogasawara foram devolvidas ao Japão em 1968 e, atualmente, pertence ao distrito de Tóquio. Okinawa
foi incorporada ao Japão em 1972, mas ainda há muitas bases militares americanas instaladas nas suas
ilhas.
Após a rendição incondicional, o Japão foi dominado pelos países das Forças Aliadas, liderados
pelos EUA. O Quartel General das Forças Aliadas (GHQ) instalado em Tóquio, comandado por general
MacArthur (1880~1964) forçou o governo japonês a adotar medidas que não comprometessem a paz
mundial através de desmilitarização e democratização do país. Militares e políticos considerados
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responsáveis pelos crimes de guerra foram julgados pelo tribunal militar internacional (Tôkyo Saiban),
exonerados dos cargos públicos, condenados a prisão ou à pena de morte.
No panorama político, houve o reconhecimento da liberdade de atividades políticas e a de
expressão. O direito a voto estendeu-se para homens e mulheres maiores de 20 anos, sem restrições.
A democratização ocorreu na área econômica também. Os trustes como Mitsubishi e Mitsui
foram desmantelados e, em 1947, o governo proibiu a formação de cartel para evitar o domínio do
mercado financeiro por grandes empresas. Ainda no campo, ocorreu a reforma agrária, que fez dos
arrendatários de até então pequenos proprietários rurais.

A nova Constituição japonesa

O cerne da reforma para ter um país mais democrático consistia na reforma constitucional. O
governo japonês eleborou a reforma constitucional baseada nas sugestões de GHQ, que foi promulgada
em 1º de janeiro de 1946, após ser aprovada pelo congresso nacional. A nova Constituição passou a
vigorar a partir de 3 de maio de 1947.
Com a nova Constituição, baseada em respeito à opinião do povo; preservação dos direitos
humanos e desarmamento militar, muitas leis e regulamentos sofreram alterações. Foram criadas leis
que asseguravam a igualdade de direitos entre homens e mulheres no Código Civil, a autarquia regional
com a eleição direta dos governadores das províncias e as Leis Básicas da Educação fundamentada
para uma educação mais democrática.
A posição social da mulher também melhorou. Na primeira eleição em que as mulheres
puderam votar, em 1946, foram eleitas 39 deputadas. Ainda com a reforma do Código Civil de 1947, o
sistema conservador de família foi abandonado. Instituídas as reformas constitucionais, o Japão trilhou
novos caminhos para um país mais democrático e livre, com o povo empenhado na reconstução de uma
terra estraçalhada pela guerra.

Comparando as constituições
Diferenças Constituição do Grande Império Japonês Constituição do Japão
Promulgação 11 de fevereiro de 1889 3 de novembro de 1946
Cláusulas 7 capítulos e 76 cláusulas 11 capítulos e 103 cláusulas
Regime Imperial Democrático
Soberania Imperador Povo
Imperador Soberano da nação Figura simbólica
Ministros conselheiros – responsabilidade Parlamentarismo – responsabilidade do
Gabinete
do imperador congresso nacional
Forças Autonomia, obrigatoriedade de serviço Desarmamento militar, manutenção da
Armadas militar paz
Direito do
Restrições legais Garantia de direitos humanos básicos
povo
Reforma Direito do Imperador tomar a decisão Direito do Congresso tomar a decisão
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A sociedade no pós-guerra

No dia 7 de janeiro de 1989, com o falecimento do imperador Hirohito, agora denominado


imperador Showa, encerrou-se a conturbada Era Showa, que durou mais de seis décadas.

De 1945 a 1955

A população japonesa no pós-guerra diminuiu para 70 milhões,


porém havia um contingente de militares desmobilizados e repatriados
da Manchúria, Sibéria e Sudeste Asiático confinado num país pequeno e
pobre em recursos naturais. A população sofreu com a escassez de
alimentos e outras provisões, devido à situação de destruição das
instalações de produção pelos bombardeios e ataques aéreos. As pessoas
trocavam quimonos por alimentos, surgiam mercados negros por toda a
parte e ocorriam manifestações trabalhistas.
Com a eclosão da Guerra da Coréia, em 1950, o Japão
criou a Força Policial de Reserva, para a qual afluíram milhares
de candidatos devido ao desemprego, sendo recrutados 70 mil Crescimento: construção de
deles. A situação econômica melhorou com a demanda especial trem-bala, de hotéis e outras
em função da guerra e empreendimentos públicos, como a instalações para receber os
hidrelétrica de Sakuma favoreceram a recuperação e fizeram a Jogos Olímpicos de 64.
economia japonesa entrar nos eixos. Da conferência de paz de
1951, realizada em São Francisco (EUA), participaram 49
países. Com isso, o Japão retornou à comunidade internacional. As imigrações para o Brasil foram
retomadas em 1952. Em 1955, o governo anunciou que, excetuando a questão da moradia, o Japão
tinha alcançado o patamar econômico do período anterior à Segunda Guerra.

De 1956 a 1975

Em 1957, quatro anos após o início das transmissões televisivas, a venda de TVs ultrapassou 1
milhão de aparelhos e, em 1959, os estoques foram liquidados pela população, que desejava assistir ao
casamento do príncipe herdeiro com a princesa Michiko. Em 1961, as vendas registraram 10 milhões
de unidade. Com a difusão de outros aparelhos, como ventilador, lavadora, aspirador de pó, panela
elétrica para arroz, iniciou-se a era dos eletrodomésticos.
Em 1958, a Tokyo Tower, de 333 metros, fruto do domínio das mais avançadas técnicas de
construção, superou a Torre Eiffel, tornando-se a mais alta do mundo, simbolizando o crescimento
econômico japonês. Em 1959, a venda do rádio transistor da Sony ultrapassou 10 milhões de unidades,
e o Japão entrou na era da automação tendo como base o computador.
Para os Jogos Olímpicos de Tóquio realizados em 1964 (dos quais participaram 94 países, um
recorde histórico), foi investido 1 trilhão e 80 bilhões de ienes na construção do trem-bala (Shinkansen)
e da malha viária, instalações para competições desportivas e de hotelaria, estimulando a economia. A
mudança do avião à hélice para o jato, a diminuição do tempo de viagem entre Tóquio e Osaka de 6h30
para 3h30 e a construção de vias expressas elevadas foram configurando a era da velocidade.
Com o crescimento do comércio exterior, em 1968, o Produto Nacional Bruto japonês era o
terceiro do mundo. Em 1966, a população ultrapassou os 100 milhões. Teve início a concentração nas
grandes cidades, e Tóquio, que, no pós-guerra, tinha 4 milhões de habitantes, ultrapassou, nos anos 70,
os 10 milhões. Em 1966, quanto à posição das mulheres no mercado de trabalho, 50,5% delas eram
casadas, dando início à questão da escassez de mão-de-obra jovem e do trabalho em tempo parcial das
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donas de casa. Em 1970, foi realizada a Expo 70 em Osaka tendo como tema “O progresso e a
harmonia da humanidade”, com participação de 77 países.
Na década de 70, pagou-se o preço pela política que priorizava o desenvolvimento econômico,
com o surgimento de problemas de poluição ambiental. Casos envolvendo doenças como a asma na
cidade de Yokkaichi, a doença de Minamata (doença neurológica causada pela intoxicação de metais
via água), nas províncias de Niigata e Kumamoto, itaiitaibyoo (atualmente conhecida como
osteoporose), na província de Toyama, foram para os tribunais. Avançaram as mudanças na estrutura
produtiva, na reorganização da distribuição e no processo de globalização.
Porém, o grande crescimento econômico chegou ao fim quando o Japão foi atingido pela crise
do petróleo em 1973, resultante da Guerra no Oriente Médio e, em 1974, registrou o primeiro
crescimento negativo desde o pós-guerra. Em 1975, depois de 15 anos, chegou ao fim a guerra do
Vietnã. Devido ao Tratado de Segurança com os EUA, ao Japão cabia prover os submarinos nucleares
e porta-aviões que faziam escala em seus portos, nas bases militares de Okinawa e Yokohama.

De 1976 a 1989

Nesse período, seguiram-se eventos internacionais, como Expo Okinawa (1976), Reunião de
Cúpula de Tóquio (1979) e Expo Tsukuba (1985). A Expo Tsukuba mobilizou 20 milhões de pessoas,
apresentando superávit de 8 bilhões e 400 milhões. Em 1980, a produção de automóveis, de cerca de 11
milhões e 45 mil veículos, chegou a ser a maior do mundo, superando os EUA. Por essa razão,
intensificaram-se os sentimentos de hostilidade em relação ao Japão, gerando atritos nas relações
comerciais com os EUA. Em 1981, após 36 anos, órfãos de guerra japoneses que permaneceram na
China reencontraram seus familiares. O número estimado desses órfãos era de 60 mil só na China.
Quando se conseguia localizar os familiares, essas pessoas conseguiam retornar ao Japão e obter
residência permanente, porém, enfrentavam diversos problemas com a língua e os costumes. Em 1985,
com a aprovação da lei de igualdade de oportunidades de emprego para homens e mulheres,
aumentaram as contratações femininas.
Com a opulência econômica, o povo japonês passou a pensar em qualidade de vida. Em 7 de
janeiro de 1989, com o falecimento do imperador Hirohito, agora imperador Showa, encerrou-se a
conturbada Era Showa, que durou mais de 60 anos.

Surgem os movimentos literários

Literatura Proletária e Grupo Nova Sensibilidade são dois movimentos importantes na década
de 20.

Um ano após o grande terremoto de Kanto – que atingiu Tóquio, Yokohama e imediações, em
1º de setembro de 1923, fins da Era Taisho, causando a morte de mais de 90 mil pessoas (140 mil
vítimas entre mortos, feridos e desaparecidos) –, surgiram duas correntes literárias: Puroretaria
Bungaku (Literatura Proletária) e Shin-kankaku-ha (Grupo Nova Sensibilidade).

Puroretaria Bungaku (Literatura Proletária)

A difusão da ideologia democrática na Era Taisho fez brotar a literatura escrita pela classe
proletária. Nasceu a tendência de fazer da literatura um meio para a luta de classes, criando a ilusão de
que a revolução social em si fosse uma arte.
A Literatura Proletária adquiriu grande força em meio à crise econômica pela queda da bolsa de
valores de Nova York, fazendo surgir grandes nomes. Um deles, Takiji Kobayashi (1903~1933),
escritor do Kani kôsen (Navio-oficina de pesca ao caranguejo), romance que relata as condições
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subumanas em que viviam os tripulantes do navio-oficina que contava com a proteção da marinha
japonesa. Foi detido, torturado e morto na prisão. As obras de Kobayashi, que primam por suas
descrições da natureza e do cenário de forma simples, mas precisas, nortearam muitos escritores de
tendências esquerdistas e adeptos do movimento democrático.
Porém, com o tempo, surgiram conflitos entre os escritores marxistas com formação
universitária e os mais simplórios, da classe operária. Além disso, muitos enfrentaram a repressão dos
militares que passaram a controlar com maior rigor quaisquer movimentos ideológicos.
Ainda como marco da passagem da Era Moderna para a Era Contemporânea da Literatura
Japonesa, é citado o suicídio de dois grandes escritores: Takeo Arishima (1878~1923) e Ryûnosuke
Akutagawa (1892~1927). O suicídio de Arishima, que declarou a sua inércia perante a luta social, e o
de Akutagawa, que escreveu numa nota antes de se suicidar: “a apreensão indistinta perante o futuro”,
apontam indícios de impasse em que se encontravam os literatos da época.

Shin-kankaku-ha (Grupo Nova Sensibilidade)

Com a nova era consumista introduzida dos EUA, novos movimentos despontam entre os
literatos japoneses, estimulando o surgimento, inclusive, de muitas revistas literárias. Esses escritores
com novas sensibilidades são denominados Shin-kankaku-ha (Grupo Nova Sensibilidade) pelo crítico
Kameo Chiba (1878~1935). Como um dos escritores representativos dessa época, podemos citar
Yasunari Kawabata (1899~1972).
Uma das primeiras obras de Kawabata, Izu no odoriko (A dançarina de Izu), conhecida por ter
sido filmada para o cinema por diversas vezes, protagonizadas por atrizes famosas de cada momento da
Era Shôwa, revela o seu talento lírico, tornando-o a figura principal de shin-kankaku-ha. Como suas
obras representativas, podemos citar: Yukiguni (País das Neves), Senbazuru (Mil grous), Yama no oto
(O som da montanha) e Kyoto (Quioto – velha cidade). Kawabata foi o primeiro japonês a receber, em
1968, o Prêmio Nobel da Literatura e suicidou-se em 1972.

Prêmios literários

O grande escritor popular e fundador da revista Bungei Shunju (Primavera e outono da arte
literária), Kan Kikuchi (1888~1948), para homenagear os dois grandes amigos e escritores que tiveram
morte precoce, Ryûnosuke Akutagawa (suicida em 1927) e Sanjûgo Naoki (1891~1934) instituiu dois
prêmios literários: Akutagawa-shô, para autores de Jun-bungaku (Literatura Pura), e Naoki-shô, para os
autores de Taishû Bungaku (Romances Populares). Ambos os prêmios são entregues anualmente até os
dias de hoje.
O primeiro a receber o Akutagawa-shô foi Tatsuzô Ishikawa (1905~1985), com a obra Sôbô,
que retrata a vida dos imigrantes em busca de uma vida nova no Brasil. O primeiro Naoki-shô foi
concedido a Matsutarô Kawaguchi (1899~1985), com a obra Tsuruhachi Tsurujirô, que descreve a vida
e o amor do casal que se dedica à arte popular shinnai gatari (uma espécie de trovador).
A fixação de Dazai (1909~1948) pelo prêmio Akutagawa é bastante conhecida. Comparado ao
escritor russo Anton Pavlovich Tchekov (1860~1904), o escritor de Shayô (Decadência) é lido até hoje
por muitos e acabou se suicidando com sua amante em 1948, sem receber o prêmio tão almejado.
Shayô retrata o drama da nobreza que vai se destruindo perante a sociedade mutante.

Yukio Mishima (1925~1970)

Escritor polêmico, que chocou o mundo ao praticar o seppuku no quartel de Forças de


Autodefesa em 1970. Escreveu romances buscando temas em crimes ocorridos na vida real, como em
sua famosa obra Kinkaku-ji (Templo Dourado), um romance sobre o fascínio do jovem bonzo pela
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beleza estética do Templo Dourado, a ponto de atear fogo no templo e ser destruído por sua própria
fantasia.
Mishima escreveu ainda muitos romances lidos no mundo inteiro, tais como Kamen no
kokuhaku (A revelação mascarada), Shiosai (O marulhar das ondas), Yûkoku (O patriotismo) e outros.
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Era Heisei

Akihito deu início ao período

O filho mais velho do imperador Hirohito foi entronizado no dia 12 de novembro de 1990.

Família imperial

No dia 7 de janeiro de 1989, faleceu o imperador Hirohito, vítima de câncer no duodeno, aos 87
anos, encerrando a Era Showa, que durou 64 anos. No dia 12 de novembro do ano seguinte, foi
realizada a cerimônia de entronização do atual imperador Akihito, filho mais velho de Hirohito,
seguindo o estilo antigo. Compareceram à cerimônia de entronização 2,5 mil representantes de 158
países, na qual o novo imperador expressou o desejo de seguir a Constituição. Na Era Heisei, houve
uma sucessão de fatos auspiciosos na família imperial. Em junho de 1989, o segundo filho do
imperador, o príncipe Fumihito Ayanomiya, na época, de 24 anos, casou-se com Kiko Kawashima, 23,
estudante de pós-graduação em psicologia social. Em 1992, o imperador visitou, pela primeira vez, a
China, restaurando as relações de amizade e fraternidade abaladas pelo passado e pela Segunda Guerra.
No ano seguinte, o príncipe herdeiro, Naruhito, casou-se com Masako Owada, formada pela
Universidade de Harvard e futura diplomata. Sua postura intelectual e maneira refinada de se vestir
tornaram-se moda. Em 2001, a princesa Masako deu à luz a princesa Aiko. Como atualmente não há
herdeiros masculinos na família imperial, vem crescendo entre a população a idéia de conceder às
mulheres o direito de sucessão ao trono.

Terremoto e terrorismo

O grande terremoto de Hanshin, ocorrido em janeiro de 1995, resultou


em 6.433 mortos, 43.792 feridos e mais de 300 mil desabrigados, na maior
catástrofe desde o terremoto de Kanto (1912). O número de casas destruídas
foi de 250 mil; o de atingidas por incêndio, de 7.483, e o total de perdas
chegou a ¥ 10 trilhões. Pelo fato de a catástrofe ter atingido uma área
metropolitana e por ter sido seguida de incêndio, linhas vitais de
abastecimento e comunicação, estradas, ferrovias, eletricidade, água, gás e
telefone foram cortados e tiveram a reparação atrasada. País sujeito a
terremotos, construções de grande porte foram obrigadas a ter estrutura à
prova de terremotos, porém, não foi possível evitar os danos. Shoko Asahara: líder
Nessa ocasião, ganhou destaque o trabalho de voluntários vindos de de seita que lançou gás
todo o Japão e de vários países do mundo. Desde então, iniciou-se a atuação sarin
de organizações sem fins lucrativos e organizações não-governamentais.
Em março de 1995, ocorreu o episódio do gás sarin no metrô de Tóquio, lançado por uma seita
fanática, que resultou em 12 mortes, entre passageiros e funcionários, e 5.510 feridos. Foi um ato
indiscriminado com uso de arma química que chocou o mundo. Após dois dias, a polícia obteve a
confissão de um dirigente da seita Aum esclarecendo os aspectos do caso. Seu líder, Shoko Asahara, e
o dirigente Chizuo Matsumoto foram detidos, julgados e condenados à execução.
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O episódio de 11 de setembro nos EUA resultou em 6 mil mortes, mas, antes dele, uma
sucessão de casos de atentados terroristas, conflitos e guerras fez com que as Nações Unidas
estabelecessem uma operação para a manutenção da paz (Peace Keeping Operation). Passou-se a
realizar ações de auxílio emergencial por meio de exércitos e organizações de diversos países.

Sociedade, cultura e esportes

Desde a premiação de Kenzaburo Oe (prêmio de literatura), em 1994, seguiram-se muitos


ganhadores do Prêmio Nobel. Em 2000, Hideki Shirakawa (Química); em 2001, Ryoji Noyori
(Química); em 2002, Masatoshi Koshiba (Física e Química) e Koichi Tanaka (Química), totalizando 12
laureados. Nos esportes, foram realizadas as Olimpíadas de Inverno de Nagano, em 1998, e a Copa do
Mundo, em 2002, em conjunto com a Coréia do Sul, que resultou num evento de grande popularidade.
Em junho de 1989, faleceu a cantora Misora Hibari, aos 52 anos, de complicações de hepatite crônica e
fratura no fêmur. Ela foi a primeira mulher a receber o Prêmio Nacional de Honra.
Em dezembro de 1990, o repórter Toyohiro Akiyama, 48, da TBS (Tokyo Hoso), embarcou na
nave espacial soviética Soyuz TM-11. Foi o primeiro jornalista do mundo a se lançar no espaço.
Em 1994, a astronauta Chiaki Mukai foi a primeira mulher asiática a participar de um vôo
espacial.

Política e economia

Até meados da década de 1980, o Japão era a segunda potência econômica do mundo e fazia
elogio de sua riqueza material e de sua paz, mas, na Era Heisei o país assistiu ao fim da economia da
bolha e à falência de inúmeras empresas, que foram compradas por empresas americanas ou européias.
Por essa razão, intensificou-se não só a internacionalização das empresas como o intercâmbio de
pessoas. O aumento de trabalhadores dekassegi, que se dedicavam aos trabalhos chamados de 3K
(kitsui, duro, penoso; kitanai, sujo; kiken, perigoso) proporcionou à sociedade japonesa contato com
outras culturas, porém com aumentado do número de crimes cometidos por estrangeiros
desempregados, em decorrência de condições de trabalho instáveis. A economia encontrava-se
estagnada, com o registro de índices negativos no crescimento a partir de 2000.
O primeiro-ministro Junichiro Koizumi, que assumiu em 2001, propôs uma “reforma estrutural
acompanhada de dor”, fazendo apelos à população por compreensão e paciência.
Ao voltarmos o olhar para a Ásia, encontramos países como China, Coréia do Sul, Malásia,
Cingapura e Vietnã ganhando expressão econômica, atraindo investimento de todo o mundo. O Japão
possui tecnologia de informação e científica capazes de superar a concorrência internacional, mas se
encontra num momento de necessidade de maior investimento em educação e tecnologia e de
dedicação ao desenvolvimento de alta tecnologia. Tendo em mente um mundo cada vez mais
globalizado, com a difusão da internet, o Japão deve construir uma sociedade verdadeiramente
abundante, dinâmica e diversa, junto com os trabalhadores estrangeiros, valendo-se dos diferentes
talentos de cada pessoa. Essa deve ser a contribuição do Japão ao mundo, o que poderá levar ao
caminho da convivência e da paz.