Você está na página 1de 71

Harald ôchaly

EôTUD
DOPACTO

V EDIÇÃO
A
EôTUDO
DOPACTO
DASIGREJAô
PATIôTAcS
/MD I C £
Pa\
^ { r õ c U /c ^ 05
06
- ?* JrO
i. t 6+Y^ronrvc^Afyvt*A"0
Z* u^\ , a. y h h f j v v r
3 S <i-rm m lc r & l C i/ }k $ ZÉ>
k *~ <I // C& Í J Í VY' Ms>- ^
yx y v
5 2- tf H rry V A ^ f VMB b tV tf., 4 ~ j
<0S M ia jjn rw tY y x a

7^ 61 i) [r<.Jcorr& Jo £ w 5
í « C Í 2 d c / r^ c a ^
aà z y
»m fioifíioí (h jk v í.& D
-j O *->-*• '
M

ÚmelhoEditorialdaJldERP
ti*H 11...... lauvio Aguiar de Vasconcelos, Joaquim de Paula Rosa, Joelcio
«••ililguiM liiniri.., John I.anders. José dos Reis Pereira, Josemar de Souza Pinto,
M»n llii> tW Oliveira Pilho, Margarida Lemos Gonçalves, Merval de Souza Rosa, Myrtes Mathias,
Nainilia.* Jo«í Vieira, Nlander Winter, Orivaldo Pimentel Lopes, Oswaldo Ferreira Bomfim,
Himi i tu Alves ilc Souza, Zaqueu Moreira de Oliveira

J
ESTUDO
00PACTO
DAÔIGQEJAS
BATISTAS
Harald âchaly
2.a Edição

*A
Todos os direitos reservados. Copyright © 1990 da Junta de Educação
Religiosa e Publicações da CBB.

Schaly, Harald
S298e Estudo do pacto das igrejas batistas/Harald
2ed. Schaly. 2jed. — Rio de Janeiro: JUERP1992.
68p.
i HaiUiaK - catecismo e credos. I. Titulo.
CDD - 286.038

( Mi* Nlli/u Pinheiro


Código I*miw IVdldm 225.014

Jtinla «I» Idiii açAo Kcliuloaa e Publicações da


ConvcnçAn llatlula llruNilciru
Kiui SilveVfrk 711, Cavalcánti - CEP:21370-360
Ca iu RMtal 320 - CEP:20001 970
Rio de Janeiro, KJ. BriiNil

3.000/1992

Impresso cm gráficas próprias.


0$ )

Um pacto consiste num acordo voluntário entre duas


ou mais pessoas. Difere ele de um contrato, por poder ser
este levado à justiça para que sejam cumpridas as
condições estabelecidas.
Um pacto consiste num acordo moral cuias únicas
garantias dependem do caráter e da atitude dos
compactu antes.
’ Umãlgreja batista é uma sociedade local de crentes em
Cristo, batizados por-1imersão, sob sua profissão de fé,
que cultua corretamente a Deus, que prega Sua Palavra,
e que ministra devidamente as suas ordenanças neotes-
tamentárias. -J
O Pacto das Igrejas Batistas é o acordo com que se
comprometem^ todos os membros fundadores de uma
igreja batista, e ao qual aderem, ainda que tacitamentè?
todos os que posteriormente a ela se filiarem e cuja garan­
tia de seu cumprimento depende do caráter de cada
membro.
Este pacto deveria ser lido cuidadosamente e aceito
individualmente por todas ãs pessoas que posteriormente
se unirem à igreja. Infelizmente esta prática tem sido
negligenciada, a ponto de muitos membros de igrejas
batistas não saberem que tal pacto existe, até lerem no
verso de seu certificado de batismo.

5
Agora o Pacto
Tendo sido levados pelo Espírito de Deus a aceitar o
Senhor Jesus Cristo como nosso único e suficiente
Salvador, e tendo sido batizados, sob profissão de fé,
\em nome do Pai, do FíUiõ ê do Espírito Santo,
decidimo-nos unânimes, como um corpo em Cristo,
firmar, solene e alegremente, na presença de Deus e
desta congregação, o seguinte Pacto:
Comprometemos-nos a, auxiliados pelo Espírito
Santo, andar sempre unidos no amor cristão; traba­
lhar para que esta igreja cresça no conhecimento da
Palavra, na santidade, no conforto mútuo e na espiri­
tualidade; manter os seus cultos, suas doutrinas, suas
ordenanças e sua disciplina; contribuir liberalmente
para o sustento do ministério, para as despesas da
igreja, para o auxílio aos pobres e para a propagação
do evangelho em todas as nações. Comprometemo-nos
também a manter uma devoção particular, a evitar e
condenar todos os vícios, a educar religiosamente os
nossos filhos, a procurar a salvação de todo o mundo,
a começar de nossos parentes, amigos e conhecidos; a
ser corretos em nossas transações, fiéis em nossos
compromissos e exemplares em nossa conduta; a ser
diligentes nos trabalhos seculares, a evitar a detração,
a difamação e a ira, sempre e em tudo visando à
expansão do Reino do nosso Salvador.
Além disso, comprometemo-nos a ter cuidado uns
dos outros; lembrar-nos uns dos outros nas orações;
ajudar-nos mutuamente nas enfermidades e necessida­
des; cultivar relações francas e a delicadeza no trato;
estar prontos a perdoar as ofensas, buscando, quanto
possível, a paz com todos os homens.
Finalmente iQom£rometemQjiQí a, quando sairmos
desta localidade para outra, unir-nos a uma outra
igreja da mesma fé e ordem, em que possamos obser­
var os princípios da Palavra de Deus e o espírito deste
pacto.
. O Senhor nos abençoe e proteja para que sejamos
fiéis e sinceros até a morte.

6
1. “Tendo sido levados, como cremos, pelo Espírito
Santo, a aceitar o Senhor Jeçys Cristo^como nosso único
e suficiente Salvador.”-^, (N ^ J f* 0'™ ')_
Só crentes professos èevem entrar neste Pacto. Só | .
crentes professos devem fazer parte de uma igreja cristã. I
Só verdadeiros crentes devem permanecer na comunhão
da igrsiâ. -
A igreja não é nunca um lugar, mas sempre um grupo
dé-pessoas; nunca um apnsco, mas sempre um rebanho;
tiunca um edifício sagrado, mas uma assembléia de
crentes. Á igreja soisTos que orais, e não um lugar onde
se ora. Um prédio não é uma igreja, assim como uma .
roupa não é uma pessoa. l'X o '•
2. A força moral deste pacto consiste no fato de que ele
é o resultado dã vontade consciente do compactuante. ,
Religiões há que batizam crianças e essas estão 4.
inconscientes do compromisso que padrinhos por elas 4
assumem. Cada indivíduo quando chegar ao "pleno uso
da razão deveria refletir sobre a validade de tal com -
promisso assumido por seus pais, Tndependentemente de
sua vontade, quanto à filiação a uma igreja. Mesmo
indivíduos que se submeteram conscientemente ao batis­
mo, mas depois chegaram a alguma convicção diferente,
deveriam expor suas dificuldades, e se não puderam
resolvê-lás conscienciosamente deveriam pedir seu des­
ligamento, evitando assim que sejam excluídos da igreja.
A maior parte dos pastores estão convencidos de que
ao menos alguns membros de suas igrejas dão evidência
de que nunca foram convertidos. É quase certo que em
toda igreja, mesmo onde a prática duma profissão de fé
é exigida para sua aceitação, existam membros não
convertidos.
Para não desanimarmos, Jesus nos relata a Parábola
do Trigo e do Joio. O inimigo de Deus também semeia o
joio entre o trigo da Seara de Deus.
Portanto, como ninguém é perfeito, as igrejas não de­
vem ser precipitadas jeci eliminarem o joio ate que seus
frutos tornem óbvio que nãosão convertidos.
Passemos agora a considerar e elaborar os compro­
missos compactuados.

7
Cornprometemo-nos a, auxiliados pelo Espírito
Santo, andar sempre unidos no amor cristão.

a expressão “comprometemo-nos” está implícita


uma promessa mutua, entre o indivíduo e á
coletividade Individualmente. Um por todos e
todos por um.
Promessa é dívida, e esta dívida é sagrada e firmada
na Invocação da presença de Deus e do testemunho da
_epngregação presente na organização da nova igreja.
”* Esta promessa de andar sempre unidos no .amor
çnstão não é fácil de ser cumprida, e por isso é invocado
o auxílio do Espírito Santo, pois mesmo entre crentes
^sinceros torna-se às vezes difícil andar no amor cristão.
Duas famílias crentes numa zona rural estavam se
visitando um dia. fcnquanto os adultos conversavam na
sala, a meninada frrincava numa das dependências da
casa. Depois de algum tempo, os adultos ouviram .a
meninada falando alto e gritando irritados. Os pais
então disseram: “parece que nossos filhos estão brigan­
do, vamos lá ver’’.
Ao abrir a porta, o dono da casa falou: “Que^é isto,
vocês estão brigando?” A resposta foi: “Não, papai, nós
estamos brincando" áe iereia. e agora ~e a sessão de
jiegócios.” '
* Outro exemplo vem de um certo político do município.
que num domingo de manhã, passando com seu carro
diante de uma igreja, teve a atenção despertada para o
pastor que na porta do templo despedia o povo. Ele
parou, foi cumprimentar o pastor após a congregação
haver saído, e então perguntou-lhe: — Quantos mem­
bros há em sua igreja? *
O pastor respondeu-lhe:
— Duzentos e sessenta.
— E quantos sãojitivos? — tornou o político.
— todos ativos — respondeu-lhe o pastor.
— Quejnaravilha, ecomq conseguiu isto?
— E que a igreja está dividida — e arrematou: — A
metade é por mim e a outra metade é contra mim,
Henry Ward Beecher, famoso pastor norte-americano,
escreveu: “ NãoTialiada tão difícil como viver hem com o
próximo. Nada que requeira tanta boa educação, habiU-
dade, esforço e renúncia como a arte de viver bem com os
outros. Saber tirar sons harmoniosos dum violão não é
nada comparado a saber tornar harmoniosas
relações com o nosso próximo.
O homem transforma veneno em remédios, ácidos
em bálsamos (poderiamos acrescentar que hoje está
conquistando ò espaço e criou artefatos que podem
destruir nossa terra) mas não aprendeu a viver em paz.
Só o auxílio direto de Deus pode ajudar o ser humano a
andar juntamente no amor cristão.
A opinião prevalecente é que as igrejas primitivas,
apostólicas, eram diferentes. Mas no Novo Testamento
encontramos documentados problemas tão sérios como
nas nossas igrejas atuais.
Em J ^ ^ o g n ü g s J ^ U J ^ , lemos da parte de Paulo:
“Pois arespêiuw JevosTirrnãos meus, fui informado
pelos da família de Cloé que há contendas entre vós.
Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de
Paulo; ou, Eu de Apoio; ou, Eu de Cefas; ou, Eu de
Cristo. Será que Cristo está dividido?” No 5:1 “Geral­
mente se ouve que há entre vós imoralidade (....) que
nem mesmo entre os gentios se vê.” E m Jj^ J^ M a s vai
um irmão ajuizo contra outro irmão ( ...),.
Em II Timóteo 4:14, lemos: “Alexandre, o latoeiro,
( -fu r tiv o )
9
me fez muito mal; o Senhor lhe retribuirá segundo as

* I suas obras.”
5 Em III João, v. 9. lê-se: “Escrevi alguma coisa à igreja,
C”_ . 3mas(L)iótrefesJque gosta de ter entre eles a primazia, não ^
9. '""tj

^ ^1
^ t- ^ nos recebe’1, o que mostra que mesmo entre a liderança
5apostólica existiram sérios conflitos.
aS-j Entre Paulo e Barnabé, lemos em Atos 15:36-39:
Decorridos alguns dias, disse Paulo a Barnabé: Torne-
P l mos a visitar os irmãos por todas as cidades em que
temos anunciada a palavra do Senhor, para ver conjo
yVão. OrafJJarnabé Queria que levassem também a(João^) ^
j. c,j chamado Marcos. Mas a Paulo não lhe parecia razoável {
; 1 que tomassem consigo aquele que desde a Panfília se
tinha apartado deles e não os tinha acompanhado no t
jf r í trabalho. E houve entre eles tal desavença que se separa-
^ £ L ram um do outro,^Barnabé/ levando consigo a Marcos, °
navegou para Chipre. Masi/Paulo,"} tendo escolhido a ^
Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça do
Senhor. E passou pela Síria e Cilícia, fortalecendo as
igrejas.”
Entre Pedro e Paulo, lemos em Gálatas 2:11-14:
‘‘Quando, porém,(Cefã?veio a Antioquia, resisti-lhe na
cara, porque era repreensível. Pois antes dé chegarem
alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios; mas ■\ ]|
uando eles chegaram, se foi retirando, e se apartava [
S eles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros a |
judeus também dissimularam com ele, de modo que até
Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação.” Ti
Este andar juntamente no amor cristão não é uma
graça que nos é conferida repentinamente com a conver-
' são. Com a conversão vem o deseio de andar no amor
cristão, mas este precisa ser cultivado conscientemente S-^i
por um esforço perseverante e paciente, cuidandópãra *1
que nunca sejamos ferinos no falar e estejamos sempre _i
prontos para perdoar. o~ t
Numa igreja morta muitas vezes há paz porque o ma­
rasmo prêaõnmiãT" *
' Anos atrás, quando passávamos nosso semestre sabá-
tico do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil
fazendo uma pesquisa sobre a história dos anabatistas na
Suíça, reservamos uma manhã de domingo para uma

10
visita à histórica igreja donde Zwínglio promovera a
reforma na Suíça alemã. Era um templo arquitetonica­
mente admirável, com um belo santuário que, ao som
dum órgão, inspirava reverência. O coro apresentou-se
muito bem, e o sermão foi excelente. Naquele amplo .
auditório, porém, não havia mais dç cem pessoas, a
maioria composta de pessoas idosas.
Certo crente contou que sonhara estar de volta a s u a ^ V
cidade natal e que passava diante de duas igrejas evangé­
licas que conhecia, isto na hora do culto noturno, e que
na escadaria da frente de uma delas havia um diabo
sentado sèmT-ádormecido; mas, diante da outra, ele vira
três diabos afobados, correndo daqui para lá, e às vezes
parando a cochicharem entre si. A primeira dessas
igrejas ele conhecera como uma,igreja morta, mas a
segunda ele conhecera como viva e animada." __
NuniíTigreja viva, o diabo está sempre procurando [
algo ou alguém que lhe possa servir para trazer discórdia
à igreja. ""
Os crentes são muitas vezes comparados a um exército
militante engajado numa guerra contra as hostes satâni­
cas, e isto transparece em vários de nossos hinos, como
■põFexemplo:
“Um pendão real vos entregou o Rei, a vós soldados
seus.. A*,
“Vamos batalhar, juntos pelejar, todos guerrear, va­
mos já ...”
Se um soldado, no quartel, resolvesse, por não ter
dormido benfTnão se levantar para o exercício matutino;
se outro'dissesse: “Hoje à tarde, o sargento tenha
paciência, mas eu não posso perder esse bom programa
de televisão” ; e ainda outro dissesse: "Quer õ~ meu
batalhão quêira, quer não, amanhã eu vou pescar” , cjue^
exército desmoralizado não seria este?
Mas em nossas igrejas encontramos membros indisci­
plinados que se desculpam por sua ausência nos cultos,
alguns dizendo: “ Eu trabalhei a semana toda; hoje,
domingo, vou ficar em casa.” Outro, “Eu agora tenho um
sítio onde tenho que ir nos fins de semana” , etc.
Imagine se um soldado dissesse; “Eu amo a minha
pátria e estou pronto â lutar por ela quando for neces-

11
sário, mas não suporto ser comandado por um sargento:
‘Atenção! Marche; direita ou esquerda, ou meia-volta,
volver?’ Se minha pátria precisar de mim, eu vou
comprar meu próprio fuzil e vou lutar por minha conta.”
O crente que acha que pode lutar sozinho com as
forças satânicas, já está derrotado.
Ainda outros, o diabo consegue contagiar comficterí-
p V — cia) espiritual, e assim passam a ver tudo amarelo: não
gostam do professor da Escola Dominical; os sermões do
pastor não são o que deveríam ser ou são longos demais;
outros ainda se queixam que na igreja agora sempre se
está falando em dinheiro; é o dízimo, são ofertas espe­
ciais para missões, para educação feminina, etc. É
sempre um dar, dar e nunca acabar de dar,_
y A um membro de igreja, que aborrecido.respondeu por
Ts escriTTP a um áp'èlo por ajuda condigna a favor de algo
importatile, dizendo que estava cansado deste negócio na
Igreja de dar e nunca acabar de dar, o pastor
respondeu: “Muito obrigado por sua carta porque de
fato na igreja é mesmo um nunca acabar de dar. É Deus
nos dando vida, saúde, trabalho, família, filhos, culmi­
nando em nos dar seu próprio Filho para nos salvar. ” _
— C^erty iri^ivíduo queixava-s^de sua esposa, dizendo:
- " t í n ^ i à o a a g ü e n t o mais, pois é todo dia sempre
pedindo dinheiro.
— E o que ela faz com tanto dinheiro? — perguntou o
companheiro.
— Não sei, porque eu nunca lhe dou nada. Ela tem ^
parentesrícos, que ela se arrume com eles.
Não haverá também membros de igreja que se quei­
xam de tantos apelos de oferta e não dão nada, ou quase
nada, e querem que a igreja se arranje só com os
membros mais influentes, e se alguém lhes perguntasse o
que a igreja faz com tanto dinheiro responderíam: Eu
nem sei, pois eu não assisto às sessões, nem leio os
relatórios. ----- *
O amor cristão não consiste necessariamente em gostar^
de todos, maslTantes uma atitude incondicional de boa
vontade para com todos, crentes ou não-crentes, e até '
para com nossos inimigos. Não podemos gostar de todos, (
menos ainda de nossos inimigos, e para com estes
/
12
especialmente devemos manter uma atitude incondicio-^L.
nal de boa vontade, para vencermos o mal com o bem. $
Quando respondeu a um doutor da lei que lhe
perguntara quem era o seu próximo a quem ele deveria •
amar como a si mesmo, Jesus propositadamente contou a
Parábola do Bom Samaritano.
Agora é interessante perguntar: Os judeus e samari-
tanos se entendiam bem? Uma das maiores ofensas~&um
judeu era chamá-lo de samaritano, isto é exemplificado
em João8^48, quando os judeus responderam a Jesus:
“Nã^aizemos com razão que és samaritano e que tens
demônio?” E a mulher samaritana, e n ^ o ã c v j^ dizendo
a Jesus: “Ccmo sendo tu judeu, me^5ec!esT!e beber a
mim, que sou mulher samaritana?”
O samaritano certamente não gostava de judeus, e
sabia que os judeus não gostavam dele. Mas Jesus, nessa
parábola, fala a respeito desse judeu que foi assaltado
e deixado ferido junto da estrada, tendo sido visto de
passagem por um sacerdote e depois por um levita judeu,
que passaram de largo sem prestar-lhe auxílio. Um
samaritano, porém, condoeu-se dele e o socorreu. E
quando Jesus findou a parábola, e perguntou ao doutor
da lei: ‘‘Qual pois destes três te parece ter sido o próximo
daquele, que caíra na mão dos salteadores?” o doutor da
lei respondeu, “Aquele que usou de misericórdia” , mas
evitou dizer “o samaritano” , porque só este nome já lhe
era detestável.
Há muitos anos ouvi esta experiência do pastor
Diomédio Alves. Diomédio era o filho mais velho de um
proprietário de sítio nas proximidades de Martins, no Rio
Grande do Norte, e ali viera para estudar na Escola
Batista, onde se converteu. Seu pai, já idoso, faleceu, e
sendo Diomédio o filho mais velho, teve que interromper
seus estudos para ir tomar conta do sítio da família.
Quando lá chegou, crente novo e entusiasmado pelo
evangelho, quis festejar sua posse oferecendo a Deus um
culto festivo acompanhado de um churrasco, para os
quais convidara todos os parentes e amigos da família e
também o pastor João Coimbra, de Martins.
No dia marcado, quando tudo já estava sendo prepa­
rado, um jipe que havia sido contratado para buscar o

13
pastor em Martins pifou, e não houve jeito de pô-lo a
funcionar. Lembraram-se então que nas imediações
morava um comprador de algodão que possuía uma
motocicleta. Diomédioe mais dois parentes foram pedir-
lhe que fosse buscar o pastor e que eles lhe pagariam o
que fosse razoável. Mas o dono da motocicleta foi
grosseiro, c chegou a dizer-lhes que enquanto a motoci­
cleta fosse dele nenhum crente iria montá-la.
Pode-se imaginar a decepção do irmão Diomédio. Na
ocasião do churrasco, Diomédio, crente novo e inexpe­
riente, leu uma passagem das Escrituras, cantou um
hino e falou algo sobre o evangelho, mas sentiu-se
profundamente frustrado.
Algumas semanas mais tarde, estava Diomédio, com
alguns homens, trabalhando na sua propriedade, ao
longo da estrada, quando viram uma motocicleta che­
gando com duas pessoas montadas, sendo uma delas o
referido pers magetn. Havia chovido muito, e um riacho,
que logo adiante atravessava a estrada, havia transbor­
dado e impedia a travessia da motocicleta. O dono da
moto acenou chamando Diomédio e seus homens. Dio­
médio então chamou quatro que eram crentes, para
acompanhá-lo.
Chegando lá, arrumaram uns paus fortes, amarraram
a moto e a puseram do outro lado. Depois carregaram os
dois tripulantes nos ombros e ali os puseram a pé enxuto.
Os dois passageiros quiseram pagá-los, mas Diomédio
recusou a oferta e lhes disse que tinham prazer em tê-los
ajudado, porém acrescentou: “O senhor não me está
reconhecendo, mas, há algumas semanas atrás, fui a sua
casa com alguns companheiros pedir-lhe que fosse a
Martins a fim de buscar um pastor, para uma festa já em
andamento, porque o jipe que iria buscá-lo falhara, mas
o senhor negou-se a socorrer-nos, e ainda acrescentou
que enquanto a motocicleta fosse sua, nunca um crente
haveria de montá-la, e eu lhe quero informar que foram
quatro crentes que puseram a sua motocicleta e a vocês
a pé enxuto aqui deste lado.”
O homem sentiu-se embaraçado, não disse nada,
agradeceu e foram embora.
Semanas mais tarde, Diomédio encontrou-se com o

14
estranho numa feira, quando ele então expressou sua
tristeza pelo modo grosseiro que os havia tratado, e como
apreciava sua nobreza por apesar de tudo ele o ter
ajudado naquela ocasião tão crítica, e pediu que Diomé-
dio o perdoasse, apertando-lhe a mão.
O amor cristão se manifesta em nunca retribuir o mal
com o mal, mas em vencer o mal com o bem.
Há um exemplo importante na história clássica da
Grécia. A Grécia era um país então dividido em peque­
nos estados autônomos. A poderosa Pérsia, que lhe tinha
declarado guerra, estava invadindo-a com um exército
tão numeroso que para a maioria daqueles pequenos
estados gregos parecia que a resistência lhe seria fatal, e
portanto deveríam pedir condições para qualquer
submissão. Mas dois desses pequenos estados gregos,
Esparta e Atenas, sob a chefia de Euribíades e Temísto-
cles, determinaram resistir, considerando sua vantagem
os apertados-vales por onde o exército persa teria que se
espremer através daquele território montanhoso.
Na véspera da batalha que deveria ser decisiva, os dois
generais discordaram violentamente sobre os planos de
batalha, e Euribíades, com seu bastão de general, bateu
no rosto de Temístocles, que empalideceu e exclamou:
“Euribíades, bata-me quanto quiseres, mas não sacrifi­
quemos a Grécia!” No outro dia, juntamente com seus
exércitos, enfrentaram e derrotaram os persas.
Se dois generais, apesar de terem discordado violen­
tamente, por amor de sua pátria, combateram e vence­
ram o inimigo comum, quanto mais nós, que fazemos
parte do reino de Deus, quando houver discórdia, pos­
samos também dizer: Não sacrifiquemos a harmonia de
nossa igreja, mas, unamo-nos para que Satanás não nos
possa derrotar.
Isto quer dizer que andar juntamente no amor cristão
não nos permite fazer cara feia a ninguém, muito menos
a um irmão ou irmã em Cristo, mas antes deve nos levar
a cumprimentar a todos, especialmente aqueles que nos
aborrecem, e tratar com a melhor boa vontade exata­
mente os que não gostam de nós ou de quem nós não
gostamos, para assim vencermos o mal com o bem.

15
Se alguém ouvir algo de mal sobre algum irmão,
deve não falar disso a outros, mas ir a ele pessoal­
mente, procurando saber a verdade para ajudá-lo.
Para podermos andar unidos no amor cristão, ainda
que discordemos, devemos mostrar boa vontade para com
todos, pois o profeta Amós pergunta: “Acaso andarão
dois juntos, se não estiverem de acordo?” (3:3).
O apóstolo Paulo adverte: “ Rogo-vos, irmãos, que
noteis os que promovem dissensõcs e escândalos contra a
doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (Rom.
16:17).
Em conclusão, queremos agora citar a suprema exce­
lência do amor, do capítulo 13 de I Coríntios:
“ Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos
anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou
como o címbalo que retine.
E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse
todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse
toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e
não tivesse amor, nada seria.
E ainda que distribuísse todos os meus bens para
sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo
para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me
aproveitaria.
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o
amor não se vangloria, não se ensoberbece; não se porta
inconvenientemente, não busca os seus próprios inte­
resses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija
com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo
sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor
jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas;
havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desapare­
cerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profeti­
zamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é
em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava
como menino, sentia como menino, pensava como meni­
no; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as
coisas de menino. Porque agora vemos como por
espelho, em enigma, mas então veremos face a face;
agora conheço em parte, mas então conhecerei plena­
mente, como também sou plenamente conhecido. Agora,

16
pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três;
mas o maior destes é o amor.”
Conclusão: Amor cristão não é sentimentalismo nem
emoção espontânea que não podem ser determinados, .
mas antes “uma atitude incondicional de boa vontade
para com todos, até para com nossos inimigos” , e esta
pode e deve ser praticada para com todos, e isto é “andar
sempre unidos no amor cristão” , para a edificação da
igreja como agência solidária da promoção do reino de
Deus.
Concluamos então com algumas perguntas sobre como
seria a nossa igreja: ’
Se todos se amassem como eu os amo?
Se todos convidassem como eu convido? h |\
Se todos falassem como eu falo? (J* d ' ' 1 ' ’
Se todos orassem como eu oro?
Se todos contribuíssem como eu contribuo?
Se todos tivessem a atitude que eu tenho para com
a igreja?
Q u e Deus nos ajude para reconhecermos sinceramente
u nossa posição eclesiástica, para que possamos realizar a
nossa parte, para a nossa própria felicidade e para o
progresso da nossa igreja na promoção do reino de
Deus.

17
2
Comprometemo-nos, auxiliados pelo Espírito
Santo, a trabalhar para que esta igreja cresça no
conhecimento da Palavra, na santidade, no confor­
to mútuo e na espiritualidade.

1. Trabalhar para que esta igreja cresça

ma igreja não pode ficar parada, ela progride ou


regride, conforme seus membros trabalharem ou
não. Não depende só de ter um bom templo, boas
dependências ou até de um bom pastor. Há igrejas onde
às vezes seus membros parecem ter aderido a uma greve
branca. Muitos não vêm, outros só vêm para ficar senta­
dos, ou só se puderem aparecer, como Diótrefes, que,
segundo o apóstolo João, gostava de ter entre eles a
primazia (III João 9). Outros animam-se às vezes nalgum
concurso ou maratona mas não estimulados por amor a
Cristo ou a sua igreja.
Nós estamos envolvidos numa guerra total contra
Satanás e suas hostes, e quando dez indivíduos organiza­
dos podem mais do que cem desorganizados. Nós, alia­
dos de Cristo e organizados numa sua igreja, estamos
prontos a promover seu reino pela conversão de almas.
Ninguém sozinho poderá vencer, todos terão que se vol­
ver a Cristo e incorporar-se à sua agência que é a sua
igreja, cuja idoneidade é autônoma sob a direção do Es­
pírito Santo.

18
Convenções, onde igrejas se reúnem para melhor coope­
rarem entre si na guerra contra Satanás, não têm
autoridade sobre as igrejas locais, antes são servas das
igrejas; nenhuma de suas deliberações é obrigatória,
mas suas recomendações, geralmente úteis e sábias,
deverão ser submetidas à aprovação das igrejas.
Também todas as organizações internas da igreja devem
permanecer sujeitas à autoridade da igreja para não
dividi-la e impedir que ela cresça.
Infelizmente surgem organizações paraeclesiásticas
bem intencionadas que, em vez de cooperarem com as
igrejas, estão competindo com elas, desviando da coope­
ração valiosa da igreja elementos consagrados e compe­
tentes.
Existe no Rio Grande do Sul uma grande fábrica de
roupas, com que já tive contato, que possui filiais em
quase todos os estados do Brasil. Se algum freguês do
Recife quisesse comprar ou resolver algum negócio
diretamente, ela mandaria que ele tratasse do assunto
primeiramente com o seu representante no Recife, pois
se assim não fizesse o representante se sentiria desmo­
ralizado.
Cristo não vai desautorizar sua igreja de seu trabalho
especial opmo agência de seu reino por qualquer organi­
zação humana ainda que bem intencionada.
Todo oficial da igreja ocupa um cargo de confiança na
promoção do programa da igreja. Nenhum irmão eleito
deve abusar dessa confiança ensinando doutrinas es­
tranhas à Declaração de Fé das Igrejas Batistas ou se
opor a qualquer decisão administrativa aprovada pela
sessão da igreja. Os donos da igreja são vocês — os ofi­
ciais são servos de vocês, membros da igreja (veja pacto
dos obreiros da Escola Dominical (Col. 2:23).
A igreja pode ser comparada a uma firma comercial
com seus departamentos: departamento de compras,
sessão de embalagem, escritório. O escritório não pode
agir independentemente do de compras; o departamento
de compras, da mesma forma, não pode agir independen­
temente do departamento de marketing e vice-versa, etc.
Nenhuma organização pode contribuir valiosamente
pura o reino sem ser integrada nas igrejas.

19
• . . /
O evangelismo pessoal, independente da igreja, pode
obter decisões, mas estas serão perdidas se não forem
cultivadas dentro da igreja.

2. Trabalhar para que esta igreja cresça no conheci­


mento da Palavra

Para isto a igreja providencia suas organizações, como


Escola Dominical, as Uniões de Treinamento, as Socie­
dades Missionárias Masculina e Feminina, etc. Tudo isto
visa a um conhecimento progressivo de Cristo e uma
disposição e capacidade de melhor testemunho por
palavra e exemplo.
Alguém ilustrou a vida dos membros de uma igreja
comparando-os com três tipos de barcos: alguns são
como barcos que possuem motor próprio; outros como
barcos a vela, que dependem dos ventos, e outros ainda
com batelões que precisam ser rebocados.
Infelizmente, toda igreja arrasta consigo um peso
morto. Apesar de terem se comprometido a trabalhar,
fazem pouco ou nada na igreja e em vez de trabalhado­
res, tornam-se trabalhosos.
Seus nomes continuam no rol de membros da igreja,
mas, apesar de morarem ainda na cidade, nunca apare­
cem na igreja, ou surgem apenas em ocasiões especiais
como no Dia das Mães, no Natal, ou na noite de vigília
do novo ano. Não testemunham de sua fé aos vizinhos e
muitas vezes dão mau testemunho; se contribuem finan­
ceiramente, isto o fazem esporadicamente; quando pro­
curados, prometem freqüentar os cultos, talvez venham
algumas vezes e depois desaparecem novamente.
Outros comparecem à igreja com o espírito de quem
vai a um teatro, esperando que o coro cante como se
fosse um coro profissional, ou que o sermão seja uma peça
de retórica clássica, ou que o ambiente se mostre o de uma
festa social e que assim mesmo sejam trazidos à igreja
por algum convite especial. Tais pessoas fazem-me
lembrar de um preguiçoso que disse que gostava do
trabalho, pois, às vezes, passava um tempão assistindo
às pessoas trabalharem.

20
Outros desanimados são lembrados pelo hino:

Quantos que corriam bem


De Ti agora longe estão.
Outros seguem, que também
Frios e sem amor estão.

Alguém sonhou ou inventou um sonho que Lúcifer


estava liquidando seu negócio, e num dia predetermina­
do, expôs todos os seus utensílios à venda com os preços
marcados. Ali se encontravam a malícia, a inveja, o
rancor, etc. E entre as mercadorias via-se uma ferramen­
ta, já bem usada e aparentemente inofensiva, em forma
de cunha, cujo preço parecia exorbitante. Alguém per­
guntou então por que era tão cara. “É o desânimo” , foi a
resposta. ‘‘Ele não parece pecaminoso, mas inofensivo,
serve porém para forçar a entrada daquilo que me
apraz.”
A ociosidade é a oficina de Satanás. O Diabo tenta a
todos, e o crente ocioso tenta até o próprio Satanás a
torná-lo uma pedra de tropeço dentro da igreja.
Outros membros de igrejas foram comparados com
barcos a vela. Navegam bem quando o vento lhes é
favorável. Ouvem um sermão inspirativo e emocional
sobre algujjia atividade cristã, se animam a trabalhar,
aceitam algum cargo, ou assumem alguma responsabili­
dade. Mas, como sempre, é natural que suijam empeci­
lhos, e esses crentes, ao invés de procurarem a ajuda de
Deus pela oração, desanimam e desistem. Outros ainda
vão na onda com algo que a todos anima, mas o entusias­
mo é superficial e passageiro.
Alguns acham que poderíam mover montanhas se
alguém lhes removesse as pedras do caminho.
As igrejas geralmente ocupam um templo onde cada
pedra, tijolo ou telha tem seu lugar e sua função. Num
certo templo, uma telha cuja utilidade parecia ser tão
insignificante escorregou; com as chuvas formou-se ali
uma goteira que causou um curto circuito na luz,
molhou e prejudicou o órgão e manchou um belo tapete;
uma telha que parecia ser tão útil, falhou trazendo um
grande prejuízo à igreja. Um crente que falha no seu

21
compromisso com a igreja de Deus, ainda que pareça
insignificante, pode prejudicar seriamente a sua igreja.
Li que durante a Idade Média, em certa guerra, uma
cidade murada estava prestes a ser sitiada por um forte
exéii ilo inimigo e mandou um mensageiro a uma cidade
próxima, sua aliada, para pedir socorro. Um dos cravos
da ferradura do cavalo por não ter sido bem fixado
soltou se, afrouxando a ferradura. Esta caiu e pouco
depois o casco da pata do cavalo se desgastou, ocasio­
nando um ferimento. A partir daí o animal não mais
pftde andar, o que atrasou a entrega da mensagem. Ao
chegar à cidade aliada com o pedido de socorro, o
mensageiro tomou ciência de que era tarde demais.
Outros crentes foram comparados a um barco a
motor: são os que têm em si uma força alimentada por
sua comunhão com Deus. Estes são “os que esperam no
Senhor e renovarão as suas forças, subirão com asas
como águias; correrão e não se cansarão, andarão e não
se fatigarào” (Is. 40:31).
Um vaqueiro crente assim falou numa reunião de
oração: “Eu trabalho para seu Vicente, mas ainda que
eu passasse todo o tempo só falando dele como o melhor
patrão do mundo, e, sabendo que ele gosta de músicas
folclóricas, pegasse meu violão e lhe fizesse serenatas, e
desleixasse minha responsabilidade com meu trabalho
de cuidar de seu gado, ele me despediría.”
Jesus sabia que iríamos cantar o seu louvor, mas não
foi isso que Ele nos exortou fazer, mas sim mandou que
trabalhássemos porque “ Importa que façamos as obras
daquele que me enviou’’ (João 9:4). Não é só cantar:
“Vamos nós trabalhar, somos servos de Deus” , mas é
trabalhar mesmo como servos de Deus para que a igreja
cresça.
Um destacado servo de Deus na outra América,
Washington Carver, conta que certa ocasião sentiu que
Deus tinha uma missão para ele cumprir, mas que ele
estava tão atarefado, que disse a Deus que mandasse
outro ou que esperasse até que estivesse menos ocupado.
Eu não sei como Deus se arrumou.
' Semanas depois eu estava precisando muito que Deus
me ajudasse e era para logo, e Deus me fez lembrar do

22
que eu lhe dissera, “ que estava muito ocupado e que
mandasse outro” ; foi uma lição severa porém preciosa
para mim, pois de agora em diante as minhas coisas
podem esperar, mas as de Deus procuro fazer logo.
Em conclusão, gostaria que você respondesse em que
tipo de barco você se classificaria: como um batelão que
precisa ser rebocado; como um veleiro que depende de
ventos favoráveis ou como um barco a motor que tem a
motivação de Deus em seu coração?
Mantenhamo-nos conscientes de nosso compromisso
de trabalhar para que a igreja cresça, no conhecimento
da Palavra, na santidade, na espiritualidade e no confor­
to mútuo.
1. Cresça no conhecimento da Palavra — Essa é a
finalidade do Departamento de Educação Religiosa da
igreja, com sua Escola Dominical, União de Treinamen­
to, etc. para progressivamente promover um conheci­
mento mais profundo de Cristo até que o crente possa
sentir que:
Jesus é tudo para mim,
Viver, gozar, cantar.
Ê minha força, meu bordão,
• Sem Ele, que penar.
Com o conhecimento da Palavra vêm a firmeza das
convicções bíblicas, a base segura das doutrinas e adver­
tências contra heresias, excessos carismáticos e o reconhe­
cimento do que está certo na vida cristã.
2. Cresça na santidade — A palavra santidade é
derivada de santo, isto é, separado e dedicado a Deus. O
templo da igreja, os seus móveis, a Bíblia, o hinário e
tudo mais que é dedicado a Deus é santo, assim como
nós também somos santos, como o apóstolo Paulo men­
ciona os crentes em suas epístolas. Exemplo: “ Saudai a
Filólogo e a Júlia, a Nereu e a sua irmã, e a Olimpas e a
todos os santos* que com eles estão” (Rom. 16:15. Vide
ainda Rom. 1:7,8:27,12:13, etc.) Crescer na santidade
quer dizer crescer na dedicação a Deus. Devemos ter
consciência de que estamos no mundo, mas não mais

* Grifo nosso (N. do A.)

23
somos do mundo, assim como um barco deve estar na
água, mas a água nào deve estar dentro do barco.
A santidade manifesta-se:
No lar, como bondade;
Nos negócios, como honestidade;
Na sociedade, como delicadeza;
No trabalho, como lealdade;
Para o necessitado, como compaixão;
Para o fraco, como conforto;
Para o mau, como oposição;
Para os fortes na fé, como confiança;
Para os penitentes, como perdão;
Para os felizes, como congratulação;
Para com Deus, como reverência e obediência;
A falta de santidade é manifesta em atitudes opostas
às citadas acima, e ocorrem às vezes com pessoas que
professam serem crentes mas que nas adversidades, em
vez de se apegarem a Deus, procuram até xangozeiros,
centros espíritas, etc.
Isto me faz lembrar de uma ilustração que ouvi anos
atrás:
Um viandante, tendo entrado num atalho de trecho
acidentado, chegou a um riacho que com as recentes
chuvas cavara uma brecha profunda que interrompia a
passagem. Para se contornar o problema, uma ponte
fora improvisada com um tronco lavrado. Temeroso de
cair, ele ia se equilibrando e dizendo a cada passo:
“Deus é bom” . Em um dado momento, como quase
perdesse o equilíbrio, ele pensou: o diabo pode estar por
aí e me derrubar, então ele avançava um pé e dizia:
“Deus é bom, mas o diabo não é mau; Deus é bom, mas
o diabo não é mau.”
Quantos crentes professos não sacrificam a sua santi­
dade comprometendo-se com práticas mundanas que
escandalizam o evangelho?
3. Cresça no conforto mútuo — Confortar quer dizer
fortalecer, animar, isto é, animarmo-nos mutuamente.
Este hábito deve começar com o pastor, que muitas
vezes precisa ser animado e confortado. Eu como pastor
quantas vezes me sentia desanimado com o meu sermão,

24
e na saída algum irmão ou irmã me apertava a mão e me
dizia: “Este sermão hoje foi para mim” , ou “Hoje eu
aprendi uma coisa que vinha me perturbando” .
Quando um novo crente ou jovem tímido for solicitado
pela primeira vez a orar em público, ou cantar um solo,
discutir um ponto na União de Treinamento, não deve­
mos rir ou zombar por ele manifestar seu acanhamerrto.
Eu me lembro quão tímido eu era quando pela primeira
vez fui solicitado a orar em público, quando preguei o
meu primeiro sermão, e como me senti confortado por
algumas palavras elogiosas que então me foram ditas.
Há em todas as igrejas pessoas que precisam ser
confortadas devido a enfermidades, problemas sérios,
por morte de entes queridos, etc. Como é bom nessas
ocasiões estarmos preparados com passagens bíblicas
apropriadas para serem lidas, como por exemplo:
Romanos 8, Salmo 23, etc.
4. Cresça na espiritualidade — Em vários lares cristãos vi
um quadro onde se lia:
O cabeça desta casa é Cristo, Nosso Senhor,
Hóspede bem-vindo em todas as nossas refeições;
Ouvinte silencioso de todas as nossas palavras;
Vigia constante, ainda que invisível, de todas as
nossas ações.
Se os moradores das casas onde se encontra o quadro
acima num lugar bem visível apropriarem-se do seu
conteúdo a ponto de ele se tornar parte do seu inconscien­
te, essa casa se tornará um verdadeiro templo de Deus,
que constantemente os levará a pensar na mansão que
Cristo já lhes tem preparado e onde Deus lhes enxugará
dos olhos toda lágrima, e se preocuparão mais com
caráter do que com dinheiro, mais com mérito do que
com posição, mais com segurança eterna do que com a
segurança na velhice, mais com a recompensa de Deus
do que a dos homens.
Leia novamente: “Comprometemo-nos a trabalhar
para que esta igreja cresça no conhecimento da Palavra,
na santidade, no conforto mútuo e na espiritualidade.”
Agora, pergunte-se cada um: Se todos trabalhassem
para o progresso desta igreja como eu faço, como seria
ela?

25
Comprometemo-nos a manter os seus cultos, suas
doutrinas, suas ordenanças e sua disciplina.

romessa é dívida e o seu cumprimento é a pedra

P de toque de caráter de uma pessoa de palavra.


Estas pessoas que cumprem suas promessas, mes­
mo em face de dificuldades, são os sustentáculos da igre­
ja. Ê a estes que se refere a passagem que diz: “A quem
vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde
jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus,
a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu
Deus, e também o meu novo nome” (Ap. 3:12).
1. Comprometemo-nos a manter os seus cultos
Alguém afirmou que por uma estatística aproximada
5% dos membros arrolados não existem.
10% não se conhece seu paradeiro.
15% acham que todas as igrejas são iguais.
15% nunca vão à igreja.
40% não são arrolados na Escola Bíblica Dominical.
40% não são contribuintes.
20% não sabem por que são batistas. />?3<1
70% não vão ao culto de oração. , . isf* ^
90% não fazem o culto doméstico. '1
80% nunca procuram ganhar uma alma para Cristo.

26
Tantas ovelhas do rebanho do pastor... da Igreja de...
estão afastadas, que ele publicou o seguinte anúncio:

Perdidas — Errantes — ou Roubadas


Um grande número de ovelhas batistas transviadas.
A última vez que foram vistas, andavam na estrada da
indiferença. Se alguém souber dessas ovelhas, encami­
nhe-se para o seu aprisco, e será amplamente compen­
sado.
Se recusarem-se a voltar, levai-as ao aprisco mais
próximo e notificai ao pastor...

Este comprometimento de manter os seus cultos não é


condicionado ao fato de seu pastor ser ou não ser um
exímio pregador, ou ter a igreja um bom coro. O crente
fiel a seu compromisso vem de qualquer modo, ou pede a
sua transferência para outra igreja batista mais próxima,
se tiver mudado de residência, ou para outra que lhe
pareça mais congenial.
Infelizmente alguns crentes pegaram uma “domingui-
te crônica” : não falham ao trabalho secular durante a
semana toda, mas aos domingos de manhã sempre acor­
dam com uma indisposição semanal, pois nas segundas-
feiras podem ir trabalhar normalmente. Outros acham
que, para o seu bem-estar psíquico, aos domingos devem
ir caçar, pescar, fazer um piquenique, ou dar um passeio
no seu carro.
Alguns há, também, que vêm à igreja, mas portam-se
com irreverência: conversam durante a pregação, assim
perturbando os crentes e visitantes mais próximos, ou
chegam atrasados, e saem adiantados.
Aqui apresentamos os Dez Mandamentos da Boa
Conduta na Casa de Deusj ‘
"" 1? — Não chegue tarde ao culto.
2? — Não entre pisando com força.
3 ?— Não entre enquanto alguém estiver orando ou
lendo a Palavra de Deus.
4? — Não se sente nos últimos bancos, e não mude de
lugar durante o culto.

27
5? — Nào deixe de fazer uma oração silenciosa antes de
cumprimentar os vizinhos.
6? — Não solte as crianças no auditório.
7?— Não olhe para trás quando alguém estiver
entrando. ,
8o— Não converse, não leia, não escreva e não cochile
durante o culto.
9? — Não mantenha uma atitude de oração enquanto
o pastor estiver pregando.
10? — Não se levante precipitada e ruidosamente após a
oração final.

2. Comprometemo-nos a manter suas doutrinas


Há doutrinas mantidas em comum com toda a cristan-
dade como as expressas no credo apostólico: “Creio em
Deus Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra; e em
Jesus Cristo seu único Filho, Nosso Senhor; o qual foi
concebido por obra do Espírito Santo, nasceu da virgem
Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi
crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades e ressus­
citou ao terceiro dia; subiu ao céu, e está sentado à mão
direita de Deus Pai, todo-poderoso; donde há de vir a jul­
gar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na San­
ta Igreja Católica; na comunhão dos Santos; na remissão
dos pecados, na ressurreição da carne; e na vida eterna.
Amém!*
Há ainda doutrinas peculiares aos batistas que não são
comuns a algumas outras denominações. Estas são: A
necessidade indispensável de uma conversão pessoal
para ser salvo, e esta deve ser evidenciada pelo novo
nascimento (João 3:3-7). Outra é a segurança eterna da
salvação assim obtida, e ensinada por Cristo em João
10:27,28: “ As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as
conheço, e elas me seguem; e eu lhes dou a vida eterna, e
jamais perecerão, e ninguém as arrebatará de minha
mão.”

* O termo católico quer dizer universal; nào se refere necessariamente à Igreja


de Roma.

28
.?. Comprometemo-nos a manter suas ordenanças
As ordenanças não são essenciais à salvação mas são
importantes para a vida cristã. Não são sacramentos como
se operassem magicamente a transformação da pessoa
adulta ou criança, como pelo batismo, de pagã para
cristã. Há pessoas que se escandalizam por nós batistas
nos recusarmos a batizar nossos filhos quando ainda
recém-nascidos, pois essas pessoas estão convencidas de
que se essas crianças morrerem sem batismo não poderão
ir para o céu, mas que, segundo eles, também não vão
para o inferno, e sim para o Limbus Infantus, um lugar
agradável porém não tão feliz como o céu. No entanto,
Jesus, referindo-se a crianças que ainda não podiam
crer, e por serem judias não eram batizadas, disse:
“Deixai vir a mim as crianças (...), porque de tais é o rei­
no de Deus” (Luc. 18:16).
O batismo é, como nós batistas cremos, uma cerimô­
nia simbólica, quando a imersão representa a morte e
sepultamento do novo crente para o mundo e sua
ressurreição para uma vida nova. E este batismo só é
válido quando o batizando já for crente por convicção;
isto é evidente pela narração encontrada em Atos 8:26-38
quando Filipe, tendo entrado no carro do eunuco etíope,
após evangelizá-lo, ao chegarem eles a um lugar onde
havia água, o eunuco lhe disse: “Eis aqui água, que impe­
de que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de
todo o coração. E respondendo ele, disse: Creio que Jesus
Cristo é o Filho de Deus. Mandou parar o carro, e desce­
ram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e Felipe
o batizou.”
O batismo bíblico é por imersão, pois é este o signifi­
cado da palavra grega donde se deriva batismo.
O crente para fazer parte de uma igreja batista precisa
ser batizado biblicamente, sob sua profissão de fé, e
sob a autorização da igreja.
A ceia do Senhor é a ordenança de que devem
participar os que tjyerem sido batizados por imersão sob
uma profissão correta de sua fé e que estejam em
comunhão com a sua igreja batista. Portanto, a ceia do
Senhor não deve ser franqueada a qualquer pessoa
presente ao culto que desejar dela participar nem a

29
crentes de outras denominações e que portanto divergem
de nossas doutrinas e práticas. Pois ceia aberta é a porta
aberta ao ecumenismo, que tolera divergências e práticas
básicas fundamentais, com as quais os batistas não po­
dem concordar.
4. Comprometerno-nos a manter sua disciplina
A disciplina pressupõe um padrão de conduta moral e
espiritual satisfatória.
Disciplina é a comporta que impede que o mundanis-
mo invada a igreja. Disciplina pode ser aplicada poi
indiferença, discórdia ou por pecado notório.
1) Indiferença — Abandono injustificável dos cultos
depois de tentativa delicada para sua reintegração, e
precedida de advertência da parte da igreja.
2) Discórdia — Atitude caracterizada por discordância
ativa e prejudicial à administração pacífica da igreja,
ou, do ponto de vista doutrinário, divergências sobre as
doutrinas e práticas, consideradas fundamentais a
uma igreja batista.
3) Pecado notório ou escandaloso — Por mais sério e
escandaloso que tenha sido o pecado, se o membro
faltoso tiver sido procurado por uma comissão
criteriosa, e ele se expressar sinceramente arrependi­
do e prometer, se possível, fazer a reparação.devida,
não deverá ser eliminado, nem seu pecado publicado.
Na minha experiência pastoral fui procurado por um
homem, membro da igreja, profundamente abatido
pedindo a sua eliminação da igreja por ter cometido adul­
tério. Ele o havia confessado a sua esposa e esta o per­
doara; o caso não era público e notório, e o homem pro­
fessava profundo arrependimento. Eu o aconselhei que
não o dissesse a mais niguém, e, perdoado por Deus,
procurasse viver como um crente sincero.
Agora, quando houver suspeita ou conhecimento de
pecado comprometedor, o método bíblico recomendado
em Mateus 18:15 é o seguinte: “Ora, se teu irmão pecar,
vai, repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho
teu irmão; mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou
dois para que pela boca de duas ou três testemunhas

30
toda palavra seja confirmada. Se recusar ouvi-los, dize-o
à igreja; e se também recusar ouvir a igreja, considere-o
como gentio e publicano.”
Há grande diferença entre cair em pecado e viver em *
pecado. Todos estamos sujeitos a cair em pecado. Esta
circunstância requer atenção especial, como quando
uma pessoa cai doente ou é acidentada. Em tal casP o
crente caído precisa ser ajudado, e, se for possível, sua
falta deve ser mantida em sigilo.
Quando o membro da igreja está vivendo em pecado, e
o fato for comprovado, ele deve ser procurado, e se não
quiser ou puder se corrigir, para evitar embaraços
maiores ele deve ser induzido a pedir sua eliminação,
talvez sem necessidade de entrar em detalhes, para
evitar maiores complicações, e alguns membros da igreja
que conhecem o caso poderão propor que o pedido seja
votado sem discussão.
Este compromisso de manter a disciplina da igreja
deve ser um dever desagradável mas necessário.
Comprometemo-nos a manter os seus cultos, suas
doutrinas, suas ordenanças e sua disciplina.

31
4
Comprometemo-nos a contribuir liberalmente para
o sustento do ministério, para as despesas da igreja,
para o auxílio aos pobres e para a propagação do
evangelho em todas as nações.
S

omprometemo-nos a contribuir. Contribuir signi-


I fica participar nas despesas da igreja. Todo
membro da igreja deve contribuir, quer seja rico
ou pobre, criança ou adulto, todos devem contribuir e
seus nomes devem constar na lista mensal dos contri­
buintes.
Um pastor foi falar com um irmão cujo nome quase
nunca aparecia na lista dos contribuintes, e a explicação
recebida era que de fato não estava contribuindo porque
nos fins de mês sempre estava tão endividado com a
venda, aluguel, luz, escola, prestações, etc. que não podia
dar nada à igreja. O pastor então lhe perguntou: “Você
.acha que não deve nada a Deus?” , ao que o homem
respondeu: “Devo sim, mas Deus não me aperta como
meus outros credores.”
Deus está interessado que os crentes prosperem, mas
ele tem que pô-los à prova, pois “quem é fiel no pouco
também é fiel no muito; quem é injusto no pouco
também é injusto no muito” (Luc. 16:10). E Jesus quer
nos ensinar a prosperar materialmente quando diz:
“ Dai. e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudi­
da e transbordando vos deitarão no regaço” (Luc. 6:38).

32
E em Malaquias 3:10, Deus nos desafia a pô-lo à prova:
“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que
haja mantimento na minha casa e depois fazei prova de
mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as
janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção que
dela vos advenha a maior abastança.”
A família crente geralmente prospera, pois seus inte­
grantes não fumam, não jogam e se abstêm de ativida­
des supérfluas e prejudiciais; mas Deus promete àqueles
que contribuírem para a igreja com o dízimo retribuição
não só com “ medida recalcada, sacudida e transbordan-
te” , “mas lhes abrirá as janelas do céu para derramar-lhes
bênção tal que dela vos advenham a maior abastança” . E
se duvidar, diz Deus: “Ponde-me à prova disso.”
“É difícil um rico entrar no reino do céu” , disse Jesus.
Muitos aqui no Brasil que se converteram pobres foram
enriquecidos mais do que com dinheiro, mas por terem
visto seus filhos progredirem e formando-se em cursos
superiores e chegando a ocupar cargos de projeção, tais
como pastores, médicos, advogados, docentes em cursos
superiores, etc.
Mas temos casos em que dizimistas tornaram-se ri­
quíssimos. Na Bíblia vemos os casos de Abraão (Gên.
13:2) e de'Jacó (Gên. 30:43), ambos dizimistas (Gên.
14:20 e 28:22). Temos conhecimento de vários casos nos
Estados Unidos, nestas últimas gerações.
1. John D. Rockefeller( 1839-1937).
Era ele filho de uma modesta família crente que vivia
da agricultura. Durante as férias escolares, ele traba­
lhava nos roçados dos vizinhos. O primeiro pagamen­
to que recebeu, e que era pouco, trouxe-o alegre
para a casa e jogou-o no colo da mãe,que então lhe
ensinou que ele deveria dar o dízimo a Deus através
da igreja. Com os anos Rockefeller tornou-se o
homem mais rico do mundo. Sempre foi membro
ativo de alguma igreja batista, e tornou-se talvez o
maior filantropo, chegando a doar em vida a
empreendimentos religiosos e filantrópicos cerca de
540 milhões de dólares, que hoje seria mais de 22
trilhões de cruzados.

33
2. Outro crente fiel dizimista foi Colgate, que tendo
aprendido com seu pai a fazer sabão caseiro, começou
uma pequena indústria, que desenvolveu-se com vá­
rios produtos higiênicos, dentre os quais o mais
famoso é sua mundialmente conhecida pasta denti-
frícia.
3. Alexandre Kerr converteu-se com as pregações de D.
L. Moody. Lendo ele o livro de Gênesis, impressio­
nou-se com o voto que Jacó fizera a Deus, após um
sonho que teve quando fugia da casa paterna (Gên.
28:10-22) “Se Deus for comigo (...) e me der pão para
comer, e vestes para vestir, de modo que eu volte em
paz à casa de meu pai (...) e de tudo quanto me deres,
certamente te darei o dízimo” , “considerando que
vinte anos mais tarde, tendo começado com nada,
tornou-se um dos homens mais ricos da região, em
gado, servos” , etc.
Kerr, com algumas dúvidas sobre a prática do dízi­
mo, resolveu aceitar o desafio. E ele o fez numa
ocasião em que se achava em aperturas financeiras.
Assim que começou a dizimar, recursos econômicos
começaram a lhe surgir de várias partes, a partir
de uma pequena indústria de jarros de vidro para
conservas de frutas e isto em São Francisco da
Califórnia. Em 1906, a região foi sacudida por um
terrível terremoto, seguido de enorme incêndio no
distrito onde sua fábrica estava montada. Por essa
ocasião, Kerr encontrava-se em viagem quando rece­
beu a notícia, informando-o de que o terremoto havia
destruído vários prédios e que o incêndio estava
acabando, e que ele preparasse seu espírito para sua
ruína total.
Quando Alexandre Kerr recebeu esta notícia, ex­
pressou-se mais ou menos nestes termos: “Duvido!
pois eu tenho sido fiel nos meus dízimos e ele
prometeu-me que me faria prosperar” .
Com o término do incêndio, o lugar tornou-se
acessível e constatou-se que por três quilômetros ao
redor tudo estava arruinado, porém a fábrica fora
poupada e permanecera quase intacta.
Em 1912, Alexandre Kerr escreveu e publicou um

34
tratado: A Cura de Deus Para a Pobreza e mais tarde,
ainda, A Amorosa Regra de Deus para a Prosperidade
Financeira.
Temos ainda outros casos que deixamos de elaborar,
mas mencionaremos ainda um do Sr. Roberts, que
chegou a ser presidente da Convenção Batista do Estado
de Geórgia, e mais tarde fez fortuna com a Coca-Cola e
contribuiu com 1.250.000 dólares para colégios batistas.
Uma das surpresas agradáveis para um dizimista é
fazer a estimativa de quanto ele contribuiu para a causa
de Deus dizimando 10, 20, 30 ou mais anos e pelo
aprofundamento espiritual de sua vida, por destinar a
primeira parte de sua receita mensal para a causa de
Deus, e ainda mais a certeza de que está acumulando um
tesouro no céu “onde nem a traça nem a ferrugem conso­
mem, e onde os ladrões não minam nem roubam” .
Consideremos qual teria sido o destino do jovem rico
mencionadoem Mateus 19:16 que não quis deixar tudo em
troca de um tesouro no céu. Por ser jovem, suponhamos
que tivesse vinte e dois anos. Uns quarenta e cinco anos
depois, Jerusalém foi destruída, cerca de cento e dez mil
judeus foram mortos, todas as suas propriedades e‘
outros beps foram perdidos, salvaram-se no entanto os
cristãos que saíram de Jerusalém devido à advertência de
Jesus de uns trinta anos antes: “Mas, quando virdes
Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chega­
da a sua desolação. Então, os que estiverem na Judéia
fujam para os montes, e os que estiverem dentro da
cidade, saiam” (Luc. 21:20). E esse, que fora o jovem
rico que Jesus convidou a segui-lo, se não pereceu, como
é provável, certamente perdeu tudo o que tinha.
Nos Estados Unidos, por volta da segunda e terceira
década deste século, inúmeras pessoas que confiaram em
suas riquezas viram-se da manhã para a noite na mais
completa ruína, em razão da crise financeira que se
abateu sobre aquele país e que foi relatado em um artigo
de uma revista sob o título “Dez Possantes Colunas Que
Ruíram por Terra” conforme segue:
“Em 1923, uma reunião muito importante foi realiza­
da no Hotel Edgewater Beach em Chicago. Assistiam a

35
esta reunião dez dos mais bem-sucedidos financistas do
mundo.
O presidente da maior indústria independente de aço.
O presidente do National City Bank. .
O presidente da maior companhia de energia elétrica.
O presidente da maior companhia de gás.
O maior negociante de trigo do mundo.
O presidente da bolsa de Nova York.
Um dos membros do gabinete do presidente dos
Estados Unidos.
O maior financista de Wall Street.
O diretor do maior monopólio econômico do mundo.
O presidente do Banco de Ajustes Internacionais.
Teremos que concordar que aí achava-se reunido um
grupo de pessoas das mais economicamente bem-sucedi­
das do mundo.
Depois de vinte e cinco anos, vejamos as condições em
que se achavam. ‘
— O presidente da maior indústria de aço — Charles
Schwab — manteve-se nos últimos cinco anos de
empréstimos.
— O presidente da maior companhia de energia
elétrica — Samuel Insull — faleceu foragido da
polícia num país estrangeiro, na miséria.
— O presidente da maior companhia de gás —
Howard Hopson — enlouquecera.
— O maior negociante de trigo do mundo — Arthur
Cotton — faliu e morreu no estrangeiro.
— O presidente da bolsa de Nova York — Richard
Whitney, passou anos na Penitenciária de Sing-
Sing.
— O membro do gabinete presidencial dos Estados
Unidos — Albert Fali — foi indultado — para
deixar a prisão e morrer em casa.
— O maior financista de Wall Sreet — Jesse Livermo-
re — suicidou-se.
— O presidente do Banco de Ajustes Internacionais
— Leon Frases — suicidou-se.
Esta foi a sorte de pessoas que não se portaram
corretamente porque confiavam nas riquezas e não em
Deiís.

36
1. Comprometemo-nos a contribuir liberalmente para o
sustento do ministério.
Em I Timóteo 5:18, o apóstolo Paulo escreveu: “Digno
é o obreiro de seu salário” . Fui pastor de uma igreja do
interior de Pernambuco que todas as semanas enviava
mantimento de feira a um irmão que se encontrava
enfermo e cuja família passava por necessidades. Fora
ele dono de um pequeno comércio. Como membro da
igreja, quase nada contribuía, e alegou quando lhe
falaram disso que “não tinha dinheiro para comprar
gravata para pastor” . Agora, na necessidade, estava
sendo ajudado pela igreja para a qual quase nada
contribuira.
Irmãos há que acham que o pastor deve sustentar-se
pelo menos parcialmente, por alguma outra atividade, a
exemplo de Paulo que fazia tendas, baseados em Atos
18:1-5 que prassamos a transcrever: “Depois disto Paulo
partiu de Atenas e chegou a Corinto. E encontrando um
judeu por nome Àqüila, natural do Ponto, que pouco
antes viera da Itália, e Priscila, sua mulher (porque
Cláudio tinha decretado que todos os judeus saíssem de
Roma), foi ter com eles, e, por ser do mesmo ofício, com
eles morava, e juntos trabalhavam; pois eram, por ofício,
fabricantes de tendas. Ele discutia todos os sábados na
sinagoga, e persuadia a judeus e gregos. Quando Silas e
Timóteo desceram da Macedônia, Paulo dedicou-se in­
teiramente à Palavra, testificando aos judeus que Jesus
era o Cristo.”
O que teria acontecido com a chegada de Silas e
Timóteo da Macedônia, que Paulo pôde dedicar-se
integralmente ao ministério? A resposta encontra-se em
II Coríntios 11:7-9. “Pequei porventura, humilhando-me
a mim mesmo, para que vós fôsseis exaltados, porque de
graça vos anunciei o evangelho de Deus? Outras igrejas
despojei, recebendo delas salário, para vos servir; e
quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a
ninguém fui pesado; porque os irmãos quando vieram da
Macedônia supriram a minha necessidade.” Portanto,
quando Silas e Timóteo vieram da Macedônia trou­
xeram-lhe o necessário para deixar de fkzer tendas e
dedicar-se inteiramente à Palavra...

37
H compreensível que numa igreja muito pequena o
pastor tenha que complementar seu salário exercendo
outra atividade paralela. Injustificável, porém, é que isso
ocorra nas igrejas de porte médio para cima, quando
alguns membros, ainda que dispondo de recursos, não
contribuem liberalmente para o sustento do ministério,
obrigando o pastor a socorrer-se em algumas atividades
seculares. Se esse pastor for diligente, por certo irá desin-
cumbir-se das atividades seculares com bastante zelo,
não dando mau testemunho ao mesmo tempo em que a
igreja não venha a ser negligenciada.
Alguns pastores nessas condições têm como se desa­
pertarem, outros porém passam necessidades, ou contra­
em dívidas. Certa ocasião, em uma sessão da igreja foi
proposto que dobrassem o salário do pastor, ao que o
pastor se opôs alegando já trabalhar demasiadamente
para justificar o que recebia da igreja que não se via em
condições de assumir mais esta responsabilidade.

2. Comprometemo-nos a contribuir liberal e regular­


mente para as despesas da igreja.
Eis aqui o plano de uma igreja que não precisa de
dinheiro: Nos cultos vespertinos, cada membro traga um
candeeiro ou lanterna elétrica. Os membros voluntaria­
mente se ofereçam para pregar sermões, dirigir os cultos
de oração ou ministrarem as cerimônias fúnebres ou de
casamentos. As irmãs venham mais cedo e tragam
vassoura, espanador, panos de limpeza para prepararem
o auditório e as outras dependências. Qualquer conserto
necessário, faça-se um apelo aos irmãos que entendam do
assunto, a fim de que tragam suas ferramentas e contri­
buam com o material necessário. E considerem a boa
impressão que deixarão na comunidade, vendo os irmãos
trazerem seus candeeiros e as irmãs os baldes, panos,
vassouras, desse modo zelando pelo templo.
O crente que não concordar com isso terá que apoiar o
compromisso de contribuir liberalmente para o sustento
do ministério, para as despesas da igreja, etc.
A contribuição que o crente promete deve ser metódica
e regular. “No primeiro dia da semana” , escreve o

38
apóstolo Paulo: “cada um de vós ponha de parte o que
puder conforme tiver prosperado” (I Cor. 16:2). Esta
recomendação de pôr de parte a contribuição no primei­
ro dia da semana aplica-se ainda hoje aos que recebem
seu salário semanalmente, e os que recebem mensalmen­
te devem logo separar o dízimo como as primícias dos
seus compromissos, “porque desde a antiguidade não se
ouviu, nem com os ouvidos se percebeu, nem com os
olhos se viu um Deus além de ti, que opera a favor
daquele que nele espera” (Is. 64:4).
O dízimo deve ser entregue integralmente à igreja. Se
quiser doar uma Bíblia, não a desconte do dízimo, assim
também qualquer oferta especial deve ser independente
do dízimo. Alguns, às vezes, se parecem com o menino
que saindo para a igreja levava duas notas de dez
cruzados, sendo uma delas para Deus na contribuição e
a outra para comprar um sorvete. Aconteceu porém que
perdendo uma das notas exclamou: “Lá se foi a oferta do
Senhor” .

3. Comprometemo-nos a contribuir para o auxílio aos


pobres.
Um membro da igreja não deve pedir esmola, pois a
igreja deve. auxiliá-lo. Mas existem muitos pobres que
preferem viver à custa de outros para não terem que
trabalhar, e infelizmente encontramos alguns desses em
nossas igrejas. A Palavra de Deus diz, em II Tessaloni-
censes 3:10, “se alguém não quer trabalhar, também não
coma” . É comum também surgirem pessoas desconheci­
das, que se apresentam como crentes pedindo ajuda.
Estas não devem ser atendidas a não ser que apresentem
alguma referência de sua igreja ou de seu pastor, pois
ajudar a quem não merece é pecaminoso, pois os vicia a
explorarem o seu próximo.
Vou concluir esse capítulo traduzindo uma carta que
um ancião gravemente enfermo escreveu a um pregador
de cujos sermões irradiados era ele um assíduo ouvinte.
“Domingo vindouro, conforme anunciou, o senhor irá
falar sobre o céu. Eu estou interessado em ouvi-lo, pois
há mais de cinqüenta anos possuo ali uma propriedade.
Eu não a comprei, ela me foi dada sem dinheiro e sem

39
preço. Mas o doador comprou-a com um enorme sacrifí­
cio. Por mais de meio século tenho mandado recursos
para lá e o Supremo Arquiteto do universo tem usado
para construir-me uma mansão, que nunca precisará de
reparos e que o cupim não poderá minar. Fogo não
poderá queimá-la, nem os ventos e as torrentes poderão
arrebatá-la.
Lá não haverá ferrolhos nem fechaduras, pois nenhu­
ma pessoa má entrará naquele lugar onde está situada a
minha mansão eterna; agora ela está quase completa,
para eu ir ocupá-la eternamente.
Existe o vale da sombra da morte entre o lugar onde
estou morando agora e o da minha mansão celestial, pelo •
qual ainda terei que passar, mas não o temo, porque o
meu melhor amigo Jesus por ele já passou e dissipou todo
o seu terror. Ele me tem sido fiel por estes cinqüenta
anos e tenho comigo o seu testamento por escrito que me
assegura que nunca me deixará nem me abandonará.
No domingo vindouro, espero ouvir pelo rádio o seu
sermão sobre o céu, na minha casa aqui em Los Angeles,
mas não tenho certeza de que o ouvirei. Minha passagem
para o lar celestial não tem data marcada, e não dá
direito de levar bagagem. Estou preparado para partir,
talvez não mais lhe ouvirei no domingo vindouro falar
sobre o céu, mas hei de encontrá-lo ali algum dia.”
“Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem
no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos
seus trabalhos, pois as suas obras os acompanham.”

40
5
Comprometemo-nostambému manter uma devoção
particular e familiar e a educar religiosamente os
nossos filhos.

1. Devoção particular
esus não condena a oração pública e coletiva, a
menos que seja feita para ser vista pelos homens.
A prova da sinceridade da oração é a oração
secreta. “Mas tu quando orares entra no teu aposento e,
fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu
Pai, que vê em secreto, te recompensará.”
A oração é a arma contra a qual o diabo não tem
defesa e é derrotado. Ele não teme a nossa eloqüência,
nem nossas belas vozes, nem os outros dons com que
tenhamos sido dotados — a não ser que a pessoa também
ore em secreto. Grandes evangelistas como Moody,
Finney, Billy Graham sempre dependeram mais da
oração do que de qualquer outro meio para trazerem
homens ao arrependimento.
Uma das provas do poder da oração foi a experiência
de George Müller com o seu orfanato de Bristol, pois
dizia ele: “Agora se eu, um homem pobre, estrangeiro,
sem posição social, puder, só pela oração e fé, sem pedir
auxílio financeiro a ninguém, estabelecer um orfanato,
será isso uma prova visível do interesse de Deus pelos

41
acontecimentos humanos, que refutaria os cínicos e
despertaria os indiferentes.”
Miiller nunca pediu ajuda a ninguém, expunha só a
Deus, em oração secreta, as necessidades de seus prote­
gidos, e fazia a ele mesmo todos os sacrifícios possíveis
pela causa dos órfãos. Ao morrer em 1895, Müller
mantinha 10.624 órfãos, 81.501 alunos em sua escola
gratuita, distribuindo 1.399.266 Bíblias ou porções bíbli­
cas, e sustentava 115 obreiros.
Oração notável também foi a proferida por Moisés
pelo povo de Israel, que na sua ausência fizera e adorara
um bezerro de ouro: “Agora, pois, perdoa o seu pecado;
ou se não, risca-me do livro que tens escrito” (Êx. 32:32).
Provavelmente muitos já leram a oração atribuída a
Francisco de Assis: “ Senhor, faze-me instrumento da tua
paz. Onde houver rancor, ajuda-me a semear amor;
onde ofensa, perdão; onde houver dúvidas, fé; onde
houver desespero, esperança; onde enfermidade, alegria.
Ó Mestre Divino: concede-me antes consolar do que ser
consolado; a entender do que ser entendido; concede-me
antes amar a ser amado. Pois é no dar que recebemos; é
no perdoar que somos perdoados, e é no morrer que
nascemos, para a vida eterna.”
O diabo teme e não pode resistir à oração e faz tudo
para impedi-la, e permite que os servos de Deus sejam
sobrecarregados de atividades altruístas para que não
tenham tempo para orar.
A oração matutina é a ideal, pois começa o dia com
uma atitude mais propícia, e mesmo de Jesus lemos que
“De madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e
foi a um lugar deserto, e ali orava” (Mar. 1:35).
- Se achar difícil arrumar um local ou hora, não venha
orar só na igreja, pois é provável que sua oração ali não
seja sincera. .
Um pastor um tanto extravagante veio a uma igreja
para uma série de conferências, em que ele mesmo fazia
questão de dirigir todo o trabalho. Tendo sido apresen­
tado a um certo diácono, foi depois advertido pelo pastor
que não o convidasse para orar em público, porque suas
orações geralmente eram demasiadamente prolongadas.
À norte, para surpresa do pastor, o evangelista convidou

42
o dito irmão para orar e como lhe era costume ele fez
uma longa oração. Logo depois dos anúncios, foi convi­
dado a orar novamente, então sua oração já foi mais
curta. Depois do coro cantar, ele pediu de novo ao
mesmo irmão para orar, quando esse então fez uma
oração bem curta. O pregador então lhe disse: “Agora o
irmão pôs as suas orações em dia. Não mais se atrase
com elas.”

2. Comprometemo-nos também a educar religiosamente


os nossos filhos -▼ £ £ 4 -.

O meio mais eficiente de educar os filhos na religião é


começar com um culto doméstico, o que deve ser diário,
de preferência de manhã cedo antes de saírem para a
escola ou o trabalho. Se não for possível de manhã,
procurem outra hora mais conveniente, ainda que nem
todos possam estar presentes. Usem uma revista apro­
priada, e deixando que, quanto possível, todos partici­
pem da leitura da revista, nas citações bíblicas, esco­
lhendo hinos, ou dizendo alguma coisa.
No meu pastorado conheci algumas famílias que prati­
cavam o culto doméstico e em contatos posteriores com
membros 'dessas famílias verifiquei que, com poucas
exceções, quase todos eram crentes, e já haviam consti­
tuído lares cristãos e alguns se preparavam ou já eram
obreiros evangélicos.
A educação doméstica deve também ser dada pelo
exemplo em casa. As crianças devem desde cedo apren­
der a obedecer e a não mentir.
Alguém que não queria receber certa pessoa em casa
informou aos filhos que, quando a referida pessoa viesse,
dissessem que ele não estava em casa. Quando a mencio­
nada pessoa chegou, o menino que atendeu à porta disse:
“ Papai mandou dizer que não estava em casa” . Este
incidente foi um tanto humorístico, mas ilustra a atitude
de pais que pretendem ensinar os filhos a não mentirem,
mas na prática estão ensinando o oposto.
Um outro exemplo da influência negativa dos pais é
ilustrada com a atitude doméstica para com a Bíblia.
Uma família possuía uma Bíblia ilustrada muito bonita

43
que ficava sobre uma mesinha na sala. E um dos filhos
perguntou a sua mãe:
— Aquele livro é de Deus?
A mãe respondeu:
— Ê, sim, meu filho.
O menino então disse:
— E por que não o devolvem, pois ninguém o está
lendo.
Duas coisas que as crianças desde pequeninas preci­
sam aprender: a obedecer e a não mentir. E para isso
precisam ser disciplinadas, e de preferência por castigo
físico. Em Provérbios 13:24 lemos: “Aquele que poupa a
vara aborrece a seu filho; mas quem o ama, a seu tempo
o castiga.” O castigo físico é o mais eficiente corretivo: a
criança apanha, dói, chora e passa, mas seu efeito
psicológico é muito mais eficiente do que privá-la de
algo que gostaria de fazer ou de participar. Soube de
uma menina que fizera algo errado e que a mãe a
castigou mandando-a ficar num canto do quarto, dizen­
do-lhe: “Fique aí no canto e envergonhe-se.” Depois de
uns dez minutos ela perguntou a sua mãe: “ Mamãe, eu
já me envergonhei bastante?”
O castigo não deve ser aplicado com ira. Quando
menino ainda, não me lembro por que, minha mãe
bateu-me com uma vara de marmelo, cujas vergastadas
são muito dolorosas. Depois que parei de chorar e entrei
na casa, eu vi minha mãe chorando, e eu perguntei por
que estava chorando, e ela me respondeu: “ Porque tive
que te bater.” E eu repliquei: “Mas foi em mim que
doeu.” Ao que ela finalizou: “Mas em meu coração doeu
mais ainda.”
Todos nós filhos, já adultos ou idosos, somos gratos
porque nossos pais nos criaram com severidade, pois
nenhum de nós envergonhou o nome de nossos pais.
O que não obedece no lar, não obedecerá na escola,
nem na igreja, nem no emprego, nem na sociedade, e
sendo em tudo indisciplinado terá que sofrer as conse­
quências. Eu tenho pena de uma criança mal-educada,
porque ninguém vai gostar dela, mas os culpados são os
pai^ que não souberam educá-la.
Um psicólogo de nome Dugdale, nos Estados Unidos,

44
fez uma pesquisa de duas famílias e sua descendência
entre os anos 1703 e 1850. Uma dessas foi a de
Maximiliano Jukes (nome suposto, para não afetar nin­
guém com o verdadeiro nome de família) e a outra, de
Jonathan Edwards, um pastor evangélico, que apesar de
aperturas financeiras tornou-se famoso com a publicação
de seus sermões e tratados teológicos.
Dos 1.220 descendentes de Maximiliano Jukes, em 150
anos, em números arredondados, 300 morreram na
infância, 310 morreram em asilos, 440 foram de vidas
degeneradas, 130 foram ladrões, 50 prostitutas, 7
assassinos, 20 aprenderam ofícios e 10 desses cumpriram
pena na prisão.
Dos 1.394 descendentes de Jonathan Edwards, após
150 anos, 13 foram reitores de universidades, 65 pro­
fessores de cursos secundários ou superiores, 60 médicos,
100 pastores ou missionários, 75 oficiais militares, 60
escritores ou jornalistas, 30 juizes, um vice-presidente dos
Estados Unidos, 3 senadores, e alguns foram prefeitos e
diplomatas. Só muito poucos não honraram o nome da
família.
Queremos concluir este capítulo transcrevendo parte
de um ÍQlheto que nos chegou às mãos com o titulo •
“Perdido Dentro do Lar” . Estava dirigindo conferências
numa igreja do meu estado e observei que um rapaz de
aspecto triste assistia aos cultos. Resolvi, portanto,
acompanhá-lo após o culto e dirigir-lhe a seguinte
pergunta:
— Você já é crente em Cristo?
— Não, não sou crente, não, senhor.
Sua indiferença me surpreendeu. Procurei ajudá-lo
para que se convertesse. Usei de todos os argumentos
possíveis e todos os textos bíblicos que pude recordar,
visando despertá-lo para Cristo. Tudo parecia inteira­
mente inútil. O rapaz era impassível em seu desinteresse.
Resolvi fazer-lhe uma derradeira pergunta:
— São vivos seus pais?
Diante da resposta positiva, decidi formular nova
pergunta na esperança de que me possibilitasse ajudá-lo:
— São crentes ou não?
Sua resposta não se fez esperar.

45
— Não sei se meu pai é crente, mas sei que é um dos
mordomos da igreja há muitos anos. Também não sei se
minha mãe é crente, mas ela tem servido como diretora
da Escola Bíblica Dominical há vários anos. Tenho
igualmente uma irmã, mas não sei se ela é crente. Ela é
do Departamento Primário da Escola Bíblica Dominical
já há muito tempo.
Confessei minha estranheza ante as respostas. Entre
atônito e emocionado prossegui nas minhas inquirições:
— Seus pais oram antes das refeições?
— Não, senhor, não oram.
— Já teriam eles lhe perguntado pela sua alma?
— Não, senhor, nunca meu pai ou mãe ou irmã me
inquiriu sobre a salvação. O senhor julga que eles
pensam que eu estou perdido?
Dileto leitor: Quem sabe haverá algum parente ou
conhecido que ignora o seu interesse pela sua salvação?
Não seria lamentável e triste que tais pessoas fossem para
o inferno, ainda que vivendo em companhia de crentes?
Portanto, para mantermos nossos lares cristãos, e
transmiti-los a nossos filhos mais tarde, “Comprome-
temo-nos também a manter uma devoção particular e
familiar, e a educar religiosamente os nossos filhos. ”

46
6
Comprometemo-nos, com o auxílio do Espírito
Santo, a procurar a salvação de todos, a começar de
nossos parentes, amigos e conhecidos.

m todos os flagelos experimentados pela humani­

E dade, manifestos através de terremotos, enchen­


tes, secas, etc, observam-se os pedidos dramáti­
cos de socor,ro.
A maioria dos seres humanos vive sob o perigo de
perecer etemamente, e por isso a Palavra de Deus nos
exorta dizendo: “Livra os que estão sendo levados à
morte, detém os que vão tropeçando para a matança. Se
disseres: Eis que não o sabemos; porventura aquele que
pesa os corações não o percebe? Aquele que guarda a tua
vida não o sabe? e não retribuirá a cada um conforme a
sua obra? “(Prov. 24.11,12).
Se virmos uma parenta ou pessoa do nosso relaciona­
mento cortejada por um sedutor, não iremos nós preve­
ni-la? Se um parente ou amigo nosso estiver para fechar
um contrato econômico com um vigarista, não nos
cumpre alertá-lo? E quando nossos parentes, amigos e
conhecidos estão sendo levados inconscientemente para a
perdição eterna, não seria a nossa obrigação
moral adverti-los? Se não o fizermos não teremos
desculpa justificável. Ainda que contribuamos para
missões, e sejamos ativos na igreja, devemos, segundo o

47
nosso compromisso, começar por procurar a salvação de
nossos parentes, amigos e conhecidos.
Na Suíça, durante o inverno, são praticadas várias
modalidades de esportes próprios da estação. Um desses
geralmente é o alpinismo, em que grupos de vários hotéis
próximos a algumas montanhas regeladas competem
entre si para ver se seu grupo representativo será o
primeiro a implantar sua bandeira no cume da mon­
tanha em apreço. Geralmente cada alpinista usa calçado
com trava de aço. Andam também providos de um
bastão de ponta metálica. Além disso, fazem a escalada
em grupos de três ou quatro, que estão ligados entre si
com cordas, para que se algum deles perder o equilíbrio
ou deslizar, os outros poderem ajudá-lo a se firmar
novamente.
Num desses festivais de inverno, a competição era entre
os hotéis próximos do monte Matterhem. Os quatro
alpinistas de um desses hotéis saíram de madrugada, e
na hora matutina, da primeira refeição, os hóspedes
já podiam vê-los como pequenas figuras negras
contrastando com a alvura da neve da montanha.
Repentinamente ouviu-se um “ai” da turma que os obser­
vava: Um deles aparentemente escorregara, e, pendente da
corda que o prendia aos outros, tentava firmar os pés
quando a corda partiu-se e ele caiu num profundo
abismo. Noutro dia pela manhã, como ninguém se
dirigisse aos três alpinistas sobreviventes, estes então
procuraram saber o que estava acontecendo, quando
alguém lhes disse que quando acharam o corpo da vítima
verificaram que a corda havia sido cortada.
Em nossa peregrinação acidentada por este mundo,
Tiós estamos relacionados com outros pelos laços de
parentesco, de amizades, de coleguismo escolar ou
empregatício, e quando não lhes falamos do evangelho,
estamos cortando a corda que poderia impedir sua
trágica ruína final e eterna.
Em certa região dos Estados Unidos existe um rio
caudaloso que se despeja numa violenta cachoeira. Às
margens desse rio, que é muito piscoso, há um lugar
aprazível para excursões e piqueniques; mas dali em
diante a correnteza do rio toma-se tão forte que uma

48
placa bem visível adverte que nenhuma embarcação
passe daquele local. Mas dois jovens, dos quais um deles
adquirira um pequeno barco com um motor possante,
distraíram-se e ultrapassaram o limite da segurança,
e apesar da força do motor, a embarcação era inexo­
ravelmente arrastada para a cachoeira. Pouco antes
da cachoeira havia uma ponte cruzando o rio. Alguém
que do seu carro, ao longe da estrada que acompanhava
o rio, teve a atenção despertada para a tragédia iminen­
te, tocou-o a toda velocidade para a ponte, onde num
extremo havia uma casa de comércio rural. Ali ele parou
e clamou a todos presentes que pegassem todas as
cordas de que dispusessem e corressem para a ponte a
fim de socorrer os tripulantes do barco prestes a ser
lançado na cachoeira. Os dois jovens foram resgatados
ilesos.
Todos nós#estamos sendo levados pela correnteza da
vida em direção à morte inevitável, que para a maioria
será a morte eterna. Desse modo, precisamos estender-
lhes a corda da salvação do evangelho antes que seja
tarde demais. Portanto, irmão: “Fala e não te cales” .

Como dçvemos cumprir este nosso compromisso


sagrado

(1) Pelo testemunho de uma vida exemplar, pela


oração, por citações bíblicas, por opiniões sensatas
sobre problemas sérios e convites para a assistência de
culto na igreja. Há um ditado popular que diz: Santo
de casa não faz milagres. Mas verificamos que isto não
é bem assim. Quantas famílias inteiras de nossas
igrejas foram ganhas por um de seus membros que se
converteu. Foi o testemunho de uma menina israelita
escravizada que fez com que Naamã, chefe do
exército do rei na Síria, procurasse Elizeu, e fosse
milagrosamente curado da lepra e se convencesse
dizendo: “Eis que agora sei que em toda a terra não há
Deus senão em Israel.” Foi Noemi que levou sua nora
Rute a dizer-lhe: “O teu povo será o meu povo, e o teu
Deus será o meu Deus” (Rute 1:16). Pedro foi trazido
a Cristo pelo seu irmão André (João 1:40,41).

49
(2) Em visitação evangelística leve sua Bíblia assinala­
da na primeira ou última página em branco, com
textos apropriados, sendo que cada dificuldade que a
pessoa possa ter é respondida por uma série de versícu­
los bíblicos que tratam do mesmo problema, e que
daremos juntamente com a explicação de como mar­
car a Bíblia e como achar as passagens.
Cada assunto é tratado começando pela primeira
citação, e no fim dessa primeira citação da sua Bíblia,
marque a segunda citação, e no fim desta, a terceira, e
assim por diante. Para facilitar em achá-las na Bíblia,
pinte cada série com uma cor com lápis de cera, que
mantém legível o texto: Por exemplo: Indiferentes: —
Mateus 22:36-38: “Mestre, qual é o grande manda­
mento na lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor
teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e
de todo o teu entendimento. Este é o grande e
primeiro mandamento” . Romanos 3:23: “Porque to­
dos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ;
João 3:36: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o
que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas
sobre ele permanece a ira de Deus.”

Agora a lista
Indiferentes — Mat. 22:36; Rom, 3:23; Is. 53:5; João
3:36; Heb. 2:3.
Ansiosos — Is. 53:6; João 1:12.
Pecador demais — I Tim. 1:15; I João 1:6,7; Is. 1:18;
Jer. 31:34b e Miquéias 7:18,19.
Deus não me receberá — Luc. 19:10; João 6:37b; Is.
43:25; Jer. 31:34b.
Tarde demais — II Cor. 6:2; Heb. 3:13; Deut. 4:30; Luc.
23:42,43.
y Não poderei perseverar — Is. 41:10; I Cor. 10:13; Judas
24.
^Sou fraco demais — II Cor. 12:9a; Fil. 4:13; I Cor.
10:13; Judas 24.
Não posso — meus hábitos — Gál. 6:7,8; Is. 41:13;
I Cor. 10:13.
A vida do crente é difícil — Mat. 11:30; Prov. 3:17.

50
>r Terei prejuízos econômicos — Mar. 10:29,30; Mar. 8:36;
Luc. 12:16-21 e 18:29,30.
y r Terei de me abster de muito — Mat. 16:26; Fil. 3:8; Sal.
84:11; Rom. 8:32.
• Respeitos humanos — Prov. 29:25; Jer. 1:8 e 17; Mar.
8:38.
Perseguir-me-ão — II Tim. 3:12; Mat. 5:10-12; Mar.
8:35; Rom. 8:18.
s* Não sinto — Gál. 5:22; Ef. 1:13; Atos 16:31.
< Meu coração é duro — Ez. 36:26,27; Sal. 51:10; II Cor.
5:17.
-Procuro, não encontro — Jer. 29:13; Luc. 19:10; João
6:37.
• Deus é bom demais — Rom. 2:2-5; Ez. 33:11; João 5:40;
II Pedro 3:9.
sv Procurando ser crente — João 1:12; Atos 16:30, 31.
y t Sinto e sei que me salvarei — João 3:36; Luc. 18:9; Prov.
14:12.
y Corruptos que pensam se salvar — I Cor. 6:9-11.
« Não tenho certeza de salvação — I João 5:12,13; João
5:24; João 3:36.
/ Encobrem seus pecados — Prov. 28:13; Sal. 32:1-5.
Desviados endurecidos — Jer. 2:13,19; II Pedro 2:20-22.
✓ Desviados^arrependidos — II Crôn. 7:14 e 15:3,4; I João
1:9; Luc. 18:9-14.
Zombadores — I Cor. 1:18; I Cor. 2:14; II Cor. 4:3,4;
Sal. 14:1.
« Incrédulos sinceros — João 7:17.
p Dúvidas da Bíblia — Mat. 24:35; Mat. 5:18.
• Dúvidas da existência de Deus — Sal 14:1.
(3) Assim mesmo alguém ain^la poderá dizer: “Eu
não tenho este dom de falar. E estranho que crentes
que de tudo falam desembaraçadamente se acanhem
de falar do evangelho.
Em Êxodo 4:10-14, quando Deus mandou Moisés
falar com Faraó, “Disse Moisés ao Senhor: Ah, Senhor,
eu não sou eloqüente, nem o fui dantes, nem ainda
depois que falaste ao teu servo, porque sou pesado de
boca e pesado de língua. Ao que replicou-lhe o Senhor:
Quem faz a boca do homem? Não sou eu, o Senhor? Vai,

51
agora, e eu serei com tua boca e te ensinarei o que hás de
falar. Ele, porém, disse: Ah! Senhor, envia, peço-te, por
mão daquele a quem tu hás de enviar. Então se acendeu
contra Moisés a ira do Senhor.”
“Fala e não te cales” , diz-nos o Senhor, não vos
preocupeis com o que haveis de dizer; porque naquela
hora vos será dado o que haveis de dizer.
Sugestões
— Procure de preferência pessoas de seu sexo e aproxi­
madamente de sua idade.
— Sempre que possível fale com a pessoa a sós.
— Confie no Espírito Santo e no poder da Palavra de
Deus.
— Insista que a pessoa mesma leia as passagens mencio­
nadas.
— Às vezes é melhor usar uma só passagem e fazê-la
valer.
— Seja cortês.
— Não entre em argumentos acalorados ou atacando a
religião do ouvinte.
— Nãc interrompa, se for outro que estiver evangeli-
zando.
— Não tenha pressa.
— Se possível e prudente, ajoelhe-se com a pessoa
diante de Deus.
— Se nada conseguir, vá para casa, ore e estude para
saber por que falhou.
— Quando tiver conseguido levar alguém a se decidir
por Cristo, ajude-o a se entrosar na vida cristã.

Conclusão
Felizes aqueles que aceitaram a Cristo a qualquer preço;
alguns talvez tenham tido que deixar o emprego, outros
talvez tiveram que romper os laços familiares, mas Jesus
promete dizendo: “Em verdade vos digo que ninguém há
que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais,
ou filhos, por amor do reino de Deus, que não haja de
recebçr no presente muito mais, e no mundo vindouro a
vida eterna” (Luc. 18:29,30).

52
7
Comprometemo-nos, com o auxílio do Espírito San­
to, a ser corretos em nossas transações, fiéis em
nossos compromissos, e exemplares em nossa con­
duta; a ser diligentes nos trabalhos seculares.

1. Ser corretos em nossas transações

er corretos significa sermos irrepreensíveis. Isso

S quer dizer que não devemos dar a falar negativa­


mente de nosso procedimento. Nisto comprome-
temo-nos a ser íntegros, honestos e dignos. O homem ou
a mulher falto de dignidade perde seu valor, mas o crente
indigno é ainda muito pior.
É nas pequenas coisas que precisamos tomar cuidado,
pois quem é fiel no pouco, será fiel no muito, e quem é
infiel no pouco será também infiel no muito.
Isso deve começar em casa. Há mulheres que no caso
de um aperto tomam emprestado da vizinha café, açúcar
ou ovos, e depois esquecem de pagar. Outros não se
acanham em pedir emprestado guarda-chuvas, livros, ou
utensílios domésticos, e não os devolvem. Outros ainda
não se acanham de pedir emprestado bicicletas, máqui­
nas fotográficas, eletrolas, ampliadores de som, e às
vezes não só demoram a devolvê-los, como não se cons­
trangem em devolvê-los com defeitos. O ,crente deve
evitar de tomar quaisquer coisas emprestadas a menos
que seja absolutamente necessário.

53
2. F iéis em nossos com prom issos
O Pacto das Igrejas Batistas é um desses compro­
missos. Quantos serão os crentes que realmente o levam a
sério?
Quase todos os formandos de um curso superior juram
publicamente um compromisso de exercerem a sua
profissão honesta e conscienciosamente, mas quantos
deles levam este compromisso a sério? Alguns advogados
estudaram Direito mais para evadir a lei do que para
fazerem-na cumprida. Quantos contabilistas, que
juraram serem honestos no exercício de sua profissão, se
prestam para lesar o fisco sem o menor constrangimento
e quantos políticos em vez de servirem o povo servem-se a
si mesmos? O crente porém deve ser sempre correto em
suas transações, exemplar em sua conduta, custe o que
custar, e Deus não o desamparará.
Abraão Lincoln, apesar de proceder de um lar muito
humilde e pobre, chegou a ser um dos grandes presiden­
tes dos Estados Unidos. Como advogado, Lincoln levava
a honestidade a sério. Certa ocasião, ao defender uma
questão que pelas informações ele considerava justa, veio
a perceber, em pleno julgamento, que fora enganado.
Abandonou o caso na hora. Quando alguém argumentou
com ele depois que assim ninguém poderia ser honesto
como advogado, Lincoln refutou: “Deixe de ser advoga­
do, mas seja honesto.” Muitos cínicos afirmam que um
negociante não pode ser sempre honesto. Ora, se um
negociante crente não puder ser honesto, então, que
deixe de ser negociante mas seja honesto.
Quantas pessoas que lidam com dinheiro têm sido
tentadas, em caso de aperto, a lançar mão de dinheiro
alheio sob a sua responsabilidade com a intenção de
repô-lo logo, e depois não conseguem fazê-lo. Sua falta é
descoberta e ela fica conhecida como desonesta. Isto já
tem acontecido até com tesoureiros de igrejas.
O crente também deve ser cauteloso em prestar fiança,
mesmo por algum crente que não conheça muito bem.
Os crediários, com suas vendas em prestações, têm
constituído uma tentação para algumas pessoas se
comprometerem além das suas possibilidades. As vendas
em prestações realmente tomam possível a aquisição de

54
artigos úteis e necessários que não poderiam ser obtidos
de outra maneira, mas precisam ser usados com cautela
para não escandalizar o bom nome dos crentes.

3. Diligentes nos trabalhos seculares


Há muita gente que quer emprego mas não quer
trabalho. Ainda Abraão Lincoln diz: “Aquele que não
faz mais do que lhe pagam, nunca lhe pagarão mais do
que faz.” O crente deve ser um empregado exemplar: ser
pontual e trabalhar todas as horas de seu expediente. Se
não tiver serviço suficiente, procure ajudar algum colega
sobrecarregado, pois o crente deve fazer mais do que dele
esperam, assim não estará dando somente um bom
testemunho, mas certamente, ou será promovido, ou
procurado por outra firma, pois o melhor negócio para
qualquer patrão é ter bons empregados.

4. Exemplares em nossa conduta


No lar, não ter segredos entre esposa e marido. Ter
hora certa para sair e voltar, e quando isso não for
possível, o caso deve ser explicado. Evitar alterações que
escandalizem a vizinhança. Que a esposa, se não traba­
lhar fora de casa, capriche para que o lar seja confortá­
vel, com boas refeições e isto com a máxima economia. O
marido expresse seu apreço pelo esforço de ser uma boa
esposa e mãe, e de vez em quando a surpreenda com
algo de que ela goste.
Portanto, l,Comprometemo-nos a ser corretos em
nossas transações, fiéis em nossos compromissos, e
exemplares em nossa conduta, a ser diligentes nos traba­
lhos seculares”.
8
Comprometemo-nos, com o auxílio do Espírito
Santo, a evitar a detração, a difamação, e a ira,
sempre e em tudo visando à expansão do reino do
nosso Salvador.

arece estranho a inclusão desse item no Pacto das


Igrejas Batistas, “evitar a difamação e a ira” , e se
assim acontece é porque estas atitudes condená­
veis também podem ocorrer nas igrejas.
Como para alguns crentes, em pequenos lugares,
quase todo o contato é com outros membros da igreja, e
como a tendência de falar mal de outros parece ser inata,
Satanás procura incentivá-la entre os crentes e muitas
vezes a pretexto de zelo pela igreja.
Suponho que a história seguinte seja imaginária, mas
como ilustra esta tendência, passo a narrá-la.
- Três diáconos, num retiro de oração, levando a sério a
admoestação de Tiago 5:16: “Confessai, portanto, os
vossos pecados uns aos outros” , passaram a se confessar
entre si. O primeiro confessou que seu problema era o
dinheiro, e por isso era envolvido em algumas trapaças,
que de quando em quando caía nalgumas delas. O
segundo confessou que sua fraqueza era mulheres, pois
que quando via uma mulher bonita, passava a cobiçá-la.
O terceiro disse que sua fraqueza era a fofoca e que
agora mesmo ele já estava sendo tentado a contar a
outros o que ouvira de seus colegas.

56
Em Tiago 3:5-18 lemos: “Assim também a língua é
um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede
quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A
língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de
iniqüidade, colocada entre os nossos membros, contami­
na todo o corpo (...). Pois toda espécie, tanto de feras
como de aves, tanto de répteis como de animais do mar,
se doma, mas a língua nenhum homem a pode domar. E
um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal. Com
ela bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos
os homens feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca
procede bênção e maldição. Não convém, meus irmãos,
que se faça assim. Porventura a fonte deita da mesma
abertura água doce e água amargosa? (...), mas, se ten­
des amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso cora­
ção, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade (...).
Porque onde*há ciúme e sentimento faccioso, aí há con­
fusão e toda obra má (...). Ora, o fruto da justiça semeia-
se em paz para aqueles que promovem a paz.”
1. Comprometemo-nos a evitar a detração, a difamação
e a ira
Já li de alguém de quem se dizia: “Essa mulher, todas
as manhãs escova os dentes e afia a língua” . Muitos
conhecem a sugestiva estatueta dos três macaquinhos,
um deles tapando a boca, outro tapando os ouvidos e o
outro os olhos. Há muitas coisas que não devemos querer
olhar, nem ouvir, nem falar.
Ninguém deve emitir opinião ou tomar partido sobre
questões pessoais sem conhecimento do outro lado da
história. Não se deve ser pessoa “de primeira informa­
ção” .
Sabemos que no tempo em que não era bem vista a
presença de um crente em cinemas, um irmão foi visto ao
entrar numa sala de projeção. Na mesma semana quase
toda a igreja tomou conhecimento do fato. Ao ser
inquirido, explicou que sua filha que estava enferma
entrou em crise, e ele fora à residência de seu médico,
onde lhe informaram que ele havia ido a um determina­
do cinema, para onde então ele se dirigiu, comprou o
bilhete e entrou para buscar o médico.

57
Noutro caso, certa igreja foi abalada pela informação
de que um jovem casaj tivera uma criança antes do
tempo aprazado, e sabendo disso apresentou o certifica­
do hospitalar de que a criança era de sete meses.
Talvez já tenha ouvido esta rima:
Eu quero dar um conselho,
A quem o quiser tomar,
Quem quiser viver no mundo,
Há de ouvir, ver e calar.
2. Evitar a difamação
Contam que alguém que fora muito prejudicado por
séria calúnia estava prestes a morrer, e que o calunia­
dor, pressionado pelo remorso, sentiu que deveria procu­
rar o perdão do moribundo e declarar publicamente que
estivera errado no juízo que expressara. E assim o fez. O
moribundo o perdoou, mas entregou-lhe seu tra­
vesseiro de penas, pedindo-lhe que fosse à torre de uma
igreja próxima e ali rasgasse o travesseiro para que o
vento carregasse as penas. Depois disso feito, o mori­
bundo o mandou ajuntar agora todas as penas espalha­
das. O outro retrucou que isto era impossível, ao que o
moribundo lhe disse: “Você declarou publicamente que
o que dissera a meu respeito fora falso, mas como poderá
desfazer totalmente a calúnia espalhada?”
3. Evitara ira
A maior indigestão nos advém de ter que engolir o qpe
dissemos, mas pior ainda é a conseqüência de não se
retratar de algo errôneo que se tenha dito, quer tenha
sido por má informação, ou má interpretação.
A vítima de alguma opinião difamatória não deve
reagir com violência, pois tal atitude muitas vezes só
agrava a situação, e por isso Jesus nos ordena dizendo:
“ Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão
nos céus; porque assim perseguiram os profetas que
foram antes de vós” (Mat. 5:12). Mas alguns acham que
devem exaltar-se e irar-se.
Esta inclinação à maledicência parece inata, e em
lugares menores, onde todos os crentes se conhecem e o

58
relacionamento com os não-crentes é raro, o diabo
* muitas vezes consegue explorar esta tendência, a ponto
de um certo pastor expressar que ele preferiría que os
crentes não se visitassem, pois muitas vezes era dali que
apareciam algumas das fofocas na igreja.
r Devemos portanto viver de tal maneira que as pessoas
que nos conhecem de perto não acreditem em qualquer
calúnia contra nós, e se formos vítimas de qualquer
difamação, façamos como o famoso filósofo grego Pla­
tão, que, ao lhe dizerem que fora alvo de calúnia quando
estivera fora, respondeu que na sua ausência podiam até
bater nele.
Se bem-aventurados são os pacificadores porque eles
serão chamados filhos de Deus, então malditos devem
ser os atiçadores que por fofoca e maledicência estão a
serviço de Satanás.
4. Sempre e em tudo visando à expansão do reino de
nosso Salvador
Isso só pode ser feito através do testemunho verbal
apoiado no testemunho vital de verdadeiros crentes.
Por isso, comprometemo-nos, com o auxílio do Espíri­
to Santo, a evitar a detração, a difamação, e a ira, sem­
pre e em tudo visando à expansão do reino de nosso
Salvador.

59
9
Além, disso, comprometemo-nos a ter cuidado
uns dos outros; lembrar-nos uns dos outros nas
orações; ajudar-nos mutuamente nas enfermidades
e necessidades; cultivar relações francas e a delica­
deza no trato, estar prontos a perdoar as ofensas,
buscando, quanto possível, a paz com todos os
homens.

1. Comprometemo-nos a ter cuidado uns com os outros

er cuidado não de uns com os outros, mas uns dos

T outros, portanto no sentido positivo, isto é, para


podermos dar-lhes assistência quando necessária ê
possível, tanto por comiseração como por congratulação.
Por exemplo, se não estiverem aparecendo nas reuniões
da igreja, procurar informar-se do problema que estiver
causando a ausência, e o que se possa fazer para que se
tornem assíduos nos trabalhos da igreja. Talvez seja por
falta de roupa ou calçados adequados. Se for este o caso,
provavelmente não será diticil providenciá-lo, ainda que
seja roupa já usada, mas que ainda esteja em boas
condições. Se a dificuldade for o transporte, talvez
algum- irmão que tenha carro, e more naquele mesmo
rumo, possa dar-lhes uma carona, ou a comissão de

60
beneficência possa provê-los com os meios para pagarem
o transporte de ônibus, ou até sugerir-lhes que se trans­
firam para uma igreja mais acessível. Se algum irmão
estiver sofrendo proselitismo por parte de algum outro
grupo religioso devem ser tomadas providências ne­
cessárias.
2. Lembrarmos uns dos outros em nossas orações
Certamente não é possível lembrarmos de todos em
nossas orações, mas mesmo assim nossas orações não
devem ser simplesmente por “todo o mundo” . Certa­
mente que nas orações domésticas devem ser lembrados
os membros da família, especialmente os que estão
espalhados, lembrar o pastor, o professor da Escola
Dominical, pessoas a quem estamos evangelizando, e
aquelas que sabemos estarem passando por dificuldades.
3. Ajudar-nos mutuamente nas enfermidades
Crentes bem-intencionados existem, mas que não
sabem ajudar os enfermos com suas visitas. h;sfãs~visitas
geralmente qevem ser breves, e não excessivamente
numerosas, e se o doente estiver internado, e as visitas
Forem proibidas, ou por tempo limitado, os visitantes
não devem insistir em fazê-las ou prolongá-las. Ao pastor
geralmente é permitida a visita, mas mesmo ele deve
abreviá-la para não preocupar as enfermeiras.
* Nenhum vnsitante deve insinuar dúvida sobre o médica
'responsável ou sobre qualquer prescrição medicinal e<
, evitar a tendência natural de sugerir remédios caseiros, j
Uma irmã, aconselhada a mandar chamar um curan­
deiro carismático, respondeu mui sabiamente: ‘T)eus,
sendo meu pai e eu, como sua filha, precisarei que outro
peça por mim?” No entanto, a Palavra de Deus reco­
menda: “Orai uns pelos outros, para serdes curados. A
súplica de um justo pode muito na sua atuação” (Tiago
5:16b).
4. Cultivar relações francas e a delicadeza no trato e
estar pronto a perdoar as ofensas
Nossa franqueza e delicadeza deve ser cordata e ex­
pressa com uma espontânea naturalidade, para não

61
parecer afetada e insincera, e não demasiadamente efusiva
de nosso apreço em expressões improváveis em ações.
Este perdão, aqui mencionado, não está necessaria­
mente relacionado com algum reconhecimento do ofen-
sor nem do seu pedido de perdão. Mas a atitude de
perdão do crente deve ser permanente conforme reco­
mendada pelo apóstolo Paulo em Efésios 4:32: “Antes
sede bondosos uns para com os outros, compassivos,
perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos
perdoou em Cristo.”
Na oração do Pai Nosso, Jesus ensina-nos a dizer:
“ Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também
temos perdoado aos nossos devedores” e ainda Jesus
acrescenta: “ ...se, porém, não perdoardes aos homens,
tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas” (Mat. 6:12
e 15).

5. Buscando quanto possível a paz com todos os homens


Esta paz não deve ser a qualquer preço. Há situações
em que somos obrigados a reprovar ou discordar, e às
vezes violentamente, com alguém que queira nos impor
algo que reconhecemos estar errado. Isto pode ocorrer
mesmo entre crentes sinceros como pode ser visto pela
reprovação de Paulo, mencionada em Gálatas 2:11,12:
“Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe na
cara, porque era repreensível. Pois antes de chegarem
alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios; mas
quando eles chegaram, se foi retirando, e se apartava
deles, temendo os que eram da circuncisão” (Veja
ainda At. 15:36-41).
-Assim também nas próprias sessões da igreja o mem­
bro tem obrigação de se opor a qualquer proposta que
lhe pareça evidentemente errada, ainda que isto lhe seja
penoso. O negociante crente deverá se opor a seu sócio,
em qualquer ação comercial desonesta que este desejar
pôr em prática. Também o funcionário ou emprega­
do crente deve recusar-se a fazer qualquer coisa desones­
ta que for exigida por seu patrão, ainda que isto lhe custe
seu emprego. Em alguns casos, o patrão reconhece a
honestidade inquebrantável do seu empregado e por isso
lhe confia cargos de maior responsabilidade. Outros há
q u e p e r d e m o e m p re g o p o r esse m e s m o m o tiv o . D e u s
te m a s s u m id o a r e s p o n s a b ilid a d e p e la s u a f id e lid a d e e
c o n se g u e -lh e s e m p re g o s m e lh o re s .
Mesmo no próprio lar deve haver discórdia quando um
dos cônjuges ou algum dos filhos desejar fazer algo que é
decididamente errado.
Portanto nem sempre é possível a paz com todos os
homens, e muitas vezes a discórdia é obrigatória a bem
da verdade e da justiça. Mas quanto possível, devemos
buscar a paz com todos os homens.

63
10
Finalmente comprometemo-nos a, quando sair­
mos desta localidade para outra, unir-nos a uma
outra igreja da mesma fé e ordem , em que possamos
observar os princípios da Palavra de Deus e o
espírito deste Pacto.

A . conclusão do Pacto trata da transferência de


membros de uma igreja batista para outra da
JL A mesma fé e ordem. Não apenas para uma igreja
batista, ^pois igrejas há que não são da mesma fé e
ordem, como as igrejas batistas renovadas, as igrejas
batistas regulares, igrejas batistas bíblicas, mantendo
peculiaridades que, em casos específicos, as aproximam
mais de outra denominação. Algumas das igrejas batis­
tas renovadas, sendo carismáticas, assemelham-se em
práticas e doutrinas aos grupos pentecostais; outras
divergem da nossa declaração de fé, quanto à escatolo-
gia, e ainda outras não se identificam com os planos
cooperativos da nossa Convenção Batista Brasileira.
S.e alguém se mudar para outro lugar, e se ali houver
mais de uma igreja batista, informe-se se são da mesma
fé e ordem. Se não houver outra igreja batista da mesma
fé e ordem, freqüente a que ali houver, ou mesmo de outra
denominação evangélica, e apele a sua própria igreja a
começar uma congregação em sua casa. Muitas igrejas

64
batistas do interior começaram assim na casa de alguma
família batista.
Existem, porém, crentes batistas que se mudam
para outro lugar porém não tomam a iniciativa de pedir
sua carta de transferência da igreja que não podem mais
freqüentar.
Seguem-se algumas desculpas de alguns, com as quais
procuram justificar o seu compromisso, no caso de uma
mudança para outro lugar, de não pedirem a sua
transferência para a igreja local:
1. Ainda somos desconhecidos. É evidente que o melhor
meio de se tornarem conhecidos é identificando-se com
a igreja local, e participando das suas organizações,
tais como Escola Bíblica Dominical, Sociedade Femi­
nina Missionária, Escola de Treinamento, etc.
2. Queremos primeiro visitar e conhecer as igrejas batis­
tas que nos são acessíveis. Isso é aceitável até
certo ponto, mas há um ditado popular que diz:
“Quem muito escolhe pouco acerta.”
3. Outros querem justificar-se dizendo que não querem
tirar a sua carta daquela igreja que é nosso primeiro
amor, onde fomos batizados, onde viveram e estão
sepultados nossos pais;
4. Queremos mandar nossas contribuições para lá onde
mais delas precisam. Às vezes são sinceros, mas
alguns não contribuem nem cá, nem lá, mas lá parece
que estão contribuindo aqui, e aqui parece estarem
contribuindo para lá.
Irmãos que assim às vezes se justificam e realmente
assim procedem devem estar conscientes de que é esta
igreja local que lhes fornece a assistência pastoral, o
ensino da Palavra, o templo, a bancada, luz, literatu­
ra, música, etc. Não é justo que aceitem todos os
benefícios da igreja e não ajudem a carregar a carga.
5. Transferência de membros de igrejas na mesma cida­
de. Pode ser razoável a transferência para uma igreja
mais acessível, ou onde houver maior afinidade social
e cultural, ou mesmo, como válvula de segurança, por
divergência de administração, ou incompatibilidades
pessoais.

65
6. Cartas compulsórias não devem ser dadas simples­
mente para que tenham de disciplinar algum
membro. E a igreja a que for solicitada a acei­
tá-la deve informar-se das razões de uma tal carta,
que no meu parecer nunca deve ser concedida
em mão, mas sempre ser solicitada e conhecida pelas
igrejas envolvidas.
Nenhuma igreja é obrigada a pedir ou receber por
carta algum membro que seja conhecido como traba­
lhoso ou inconveniente.
7. A tr a n s f e r ê n c ia d e m e m b r o s d e ig re ja n ã o im p lic a
transferência automática de cargos eclesiásticos. Se
for um diácono, poderá ser atualizado como tal, na
sua nova igreja, depois de conhecido e eleito como tal
e naturalmente sem necessidade de nova ordenação.

66
u
*
Endereços IUEW
JUNTA DE EDUCAÇAO RELIGIOSA E PUBLI­ RIO DE JANEIRO - RJ
CAÇÕES Rua Mariz e Barras, 39 — Loja D 3 8 /3 9
DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA Praça da Bandeira
Rua Silva Vale, 781 — Cavalcánti 2 0 2 7 0 — Rio de Janeiro, RJ
2 1 3 7 0 -3 6 0 — Rio de Janeiro, RJ Tel.: (021) 2 7 3 -0 4 4 7
Correspondência Rua do Ouvidor, 130 — Sobrelota 215/216 e
Caixa Postal 3 2 0 217
2 0 0 0 1 -9 7 0 — Rio de Janeiro, RJ Centro -j
Tel.: (021) 2 6 9 -0 7 7 2 2 0 0 4 1 -0 0 0 — Rio de Janeiro, RJ
Representante Exclusiva Ffera o Brasil da: Tel.: (021) 2 5 2 -2 6 2 8
CASA BAUTISTA DE PUBUCACIONES - El Rua Silva Vale, 781 — Cavalcánti
Paso, TEXAS — USA 2 1 3 7 0 -3 6 0 — Rio de Janeiro, RJ
ASOCIACIÔN EDICIONES LA AURORA - Tel.: (021) 2 6 9 -0 7 7 2 .
ARGENTINA
SALVADOR — BA
BELÉM — PA Av. V isconde de Sêo Lourenço, 6 —
Travessa Padre Prudôncio, 61 — Loja 3 Campo Grande
6601 0 -1 5 0 — Belém, PA — Centro 4 0 0 8 0 -0 1 0 - Salvador, BA
Tel.: (091) 2 2 3 -6 2 9 7
Tel.: (071) 321-9 3 2 6
BELO HORIZONTE — MG
Rua dos Tamolos, 481 — Centro SANTARÉM — PA
Terreo — 27, 37, e 4 o Pavimentos Av Barão do Rio Branco 4 0 4 — Loja F
3 0 1 2 0 -0 5 0 — Belo Horizonte, MG 6 8 0 0 5 -3 1 0 — Santarém, PA
Tel.: (031) 0 1 -0 0 2 2 3 / (031) 2 0 1 -4 9 8 Tel: (091) 5 22-1332

BRASlLIA — DF SAO LU IS - MA
SDS - BI G, Lojas 13/17 Av. Sâo Pantaleáo, 195 — Lojas A e B —
Conjunto Bacarat — Asa Sul Centro
7 0 3 9 2 -9 0 0 - Brasília, DF 6 5 0 1 5 -4 6 0 - Sâo Luls , MA
Tel.: (061) 2 2 4 -5 4 4 9 Tel.: (098) 222-1135
CAMPINAS - SP SAO PAULO - SP
Rua Ferreira Penteado, 2 72 — Centro Av. Sâo Joâo, 8 1 6 /8 2 0 — Centro
1 3 010-040 — Campinas, SP 01036-100 - Sâo Paulo, SP
Tel.: (0192) 3 2 -1846 Tels.: (011) 2 2 3 -3 4 3 3 /2 2 3 -3 6 4 2
CAMPO GRANDE - MS
VITÓRIA — ES
Av. Afonso Pena, 1897 — Sala 12
Rua Barão de Itapemirim, 2 0 8 — Centro
Executive Center
290 1 0 -0 6 0 - Vitória, ES
7 0 9 0 2 -0 7 0 — Campo Grande, MS
Tel.: (027) 2 2 3 -2 8 9 3
Tel . (0 6 7 )3 8 3 -1 9 6 3
CURITIBA — PR Representante no Exterior:
Rua Desembargador Westphaien, 4 4 3 — PORTUGAL
Centro CEBAPES - CENTRO BAPTISTA DE PUBLI
8 0 0 1 0 -1 1 0 - C u r itib a , PR CAÇÕES. LDA
. Tel.: (041) 2 2 3 -8 2 6 8 Lisboa PORTUGAL
DUQUE DE CAXIAS - RJ IMPRENSA BlBLICA BRASILEIRA
Av. Nilo Peçanha, 441 — Centro Rua Silva Vaie, 781 — Cavalcánti
25010-141 — Duque de Caxias, RJ 21 3 7 0 -3 6 0 — Rio de Janeira RJ
Tel.. (021) 771 -2 3 5 8 Tel.: (021) 2 6 9 -0 7 7 2
MACEIÓ — AL O JORNAL BATISTA
Rua Joaquim Tàvora, 2 7 4 — Centro Rua Silva Vale, 781 — Cavalcánti
5 7 0 2 0 -2 4 0 — Maceió, AL 2 1 3 7 0 -3 6 0 - Rio de Janeiro, RJ
Tel.: (0 8 2 )2 2 3 -5 1 1 0 Tel : (021) 2 6 9 -0 7 7 2
MANAUS - AM
Rua Rui Barbosa, 139 ACAMPAMENTO BATISTA SÍTIO DO
6 9 0 1 0 -2 2 0 - Manaus, AM SOSSEGO
Tel.: (0 9 2 ) 2 3 3 -8 2 6 3 Estrada BR 101, S/N°, Km 193 - Rio Dourado
2 8 8 6 0 -0 0 0 — Caslmlro de Abreu, RJ
NITERÓI - RJ Tel.: (101) Pedir á Telefonista Rio Dourado 2
Rua XV de Novembro, 4 9 — Loja 102 — Centro
2 4 0 2 0 -1 2 0 - Niterói. RJ ACAMPAMENTO BATISTA FAZENDA PALMA
Tel. (021) 717-2917 Distrito Varpa
NOVA IGUAÇU - RJ 17 6 2 5 -0 0 0 — Município de Tupâ, SP
Tel.: (0144) 42-2812 — Ramal 33
Rua Otávio larquínio. 178 — Centro
2 6 2 1 0 -1 7 0 — Nova Iguaçu, RJ JUERP CAPELAS E MÓVEIS
Tel.: (021) 7 6 7 -8 3 0 8 Estrada Boa Vista, S/N •
PORTO ALEGRE — RS 2 8 9 7 0 -0 0 0 — Araruama, RJ
Av Cristóvão Colombo, 1155 — Floresta T e l: (0246) 65-1517
9 0 5 6 0 -0 0 4 — Porto Alegre. RS (021) 2 6 9 -0 7 7 2
Tel.: (0512) 22-3171
CORREIO JUERP
RECIFE — PE Rua Silva Vai®, 781 — Cavalcánti
Rua do Hospício, 187 — Boa Vista Caixa Postal 3 2 0
5 0 0 6 0 -0 8 0 — Recife, PE 2 1 3 7 0 -3 6 0 - Rio de Janeira RJ
Tfel.: (081) 2 2 1 -5 4 7 0 Tel.: (021) 2 6 9 -0 0 4 8
“O Pacto das Igrejas Batistas é um acordo básico
com que se comprometem todos os membros funda­
dores de uma igreja batista, e ao qual aderem, ainda
que tacitamente, todos os que posteriormente a ela se
filiam.
Este pacto deveria ser lido cuidadosamente e aceito
individualmente por todas as pessoas que se unem à
igreja. Infelizmente esta prática tem sido negligencia­
da, a ponto de muitos membros de igrejas batistas não
saberem que tal pacto existe, até lerem no verso de seu
certificado de batismo” .
Harald Schaly vem, através deste estudo do pacto das
igrejas batistas, permitir que igrejas e pastores com­
preendam melhor o teor de cada declaração desse
compromisso e se conscientizem de que da sua fiel
observância depende, em grande parte, a estabilidade
espiritual de nossas igrejas. Neste sentido, a leitura
desse livro e seu uso na igreja se tornam obrigatórios.