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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ - UFPI


CENTRO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA - CCN
DEPARTAMENTO DE QUÍMICA - DQ
TÓPICOS EM SEGURANÇA E NORMAS DE LABORATÓRIO
PROF. DR. JOSÉ MILTON ELIAS DE MATOS

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM


LABORATÓRIO DE ENSINO E PESQUISA QUÍMICA

ESLEY ANDRADE
WANDERLEY GONÇALVES

Teresina-PI, 2013.

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA


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UFPI-CCN-DQ

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM


LABORATÓRIO DE QUÍMICA

Wanderley M. Gonçalves
Esley Andrade
José Milton E. de Matos

TERESINA-PI, 2013
MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA
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FICHA CATALOGRÁFICA

GONÇALVES, Wanderley Matos; ANDRADE, Esley; MATOS,


José Milton Elias, Manual de técnicas de segurança em
laboratório de química. UFPI-Teresina, 2013.

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA


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PREFÁCIO

Este manual foi criado e estruturado para graduandos e pós-graduandos das


diversas áreas das ciências exatas e da terra, bem como das engenharias, em
especial as que envolvem a química como meio fundamental de tecnologia,
conhecimento e estudo, uma vez que a base de muitas práticas, técnicas, teorias e
elucidações possuem "traços" desta "ciência mãe", no intuito de expor e orientar
para a segurança e avaliação dos riscos associados de um laboratório de química.
Não obstante foi notar a carência em termos de literatura especifica para este
assunto e ainda de pouca experiência deste por parte dos cursos iniciais em
diversas academias e institutos de ensino.

Neste manual, "guia" simplificado de pesquisa e estudo, serão abordados


vários temas corriqueiros da química geral, analítica, de controle de qualidade,
industrial, pesquisas avançadas e transferência de tecnologia, bem como de normas
e sanções em matéria de segurança, meio ambiente e saúde ocupacional e ainda de
leis que "fiscalizam" tal laboratório, sendo que neste último será também dados
comentários, explicações e sugestões para estas.

Neste trabalho, ainda que inicial e incipiente, estará tópicos de segurança,


normas básicas e técnicas de laboratório e consonância com o que foi abordado em
disciplinas de segurança do trabalho e tópicos de segurança, servindo assim como
material ab-initio de leitura. Feito todo em texto simples e didático com exemplos a
atualizações de temas.

Por fim será dado também um forte "apreço" e estimulo no que concerne a
construção e adaptação de laboratórios para a química. visto que não existe um
consenso e nem uma interdisciplinaridade entre a "engenharia" da construção com
as necessidades das ciências naturais, levando até a um menoscabo. Tendo notado,
do ponto de vista econômico, "mais monumento, menos movimento".

Wanderley Matos Gonçalves

Teresina-PI, 6 de fevereiro de 2013

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LISTA DE FIGURAS E SEUS RESPECTIVOS CRÉDITOS

FIGURA 1 – www.facebook.com.br/fabricioalmeida pag. 30

FIGURA 2 - www.facebook.com.br/fabricioalmeida pag. 31

FIGURA 3 – www.google.com.br/imagesexplosaolabs pag. 31

FIGURA 4 - www.google.com.br/pipestanaboca pag. 31

FIGURA 5 - www.google.com.br/explosaoUFMG pag. 33

FIGURA 6 - http://www.vidy.com.br/noticias.html pag. 33

FIGURA 7 - www.google.com.br/queimaduraquimicos pag. 33

FIGURA 8 - www.google.com.br/criancasemlab pag. 33

FIGURA 9 - www.google.com.br/labsdeescolapublicas pag. 33

FIGURA 10 - www.google.com.br/labcheiodemais pag. 33

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LISTA DE ABREVIATURAS

MTE = Ministério do Trabalho e Emprego

NR = Norma Regulamentadora

NBR = Norma Brasileira Regulamentadora feita pela ANVISA

ANVISA = Agência Nacional de Vigilância Sanitária

LAB = Laboratório químico

FISPQ = Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos

EPI = Equipamento de Proteção Individual

EPC = Equipamento de Proteção Coletiva

OIT = Organização Internacional do Trabalho

CIPA = Comissão Interna de Prevenção de Acidentes

MS = Ministério da Saúde

PPRA = Programa de prevenção de Riscos Ambientais

CLT = Consolidação das Leis Trabalhistas

PVC = Policloreto de Vinila

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RESUMO

Pesquisas e estudo na área de segurança em laboratórios (Lab) foram feitas,


para montar um manual de técnicas de segurança de laboratório de pesquisa e
ensino de química, no intuito de orientar alunos e professores a ter bons hábitos e
práticas em laboratório (inclusive o comportamento centrado). Foram traçados as
mais frequentes "gafes" dúvidas de várias naturezas, onde foi construída uma
estrutura para a investigação das necessidades de um Lab químico, também foram
discutidos assuntos fundamentais vistos no decorrer dos cursos de química em
academias.

Palavras-chave: Segurança em laboratório; Higiene e saúde ocupacional; Ensino de


química.

ABSTRACT

Searchings and investigations into security on laboratory (lab) were made. For
bulk a manual of techniques of security in lab of search and education of chemistry,
in order teach students and masters having good habits e practices into lab. Most
frequently vacillations and doubts were shown, which was built a frame for
investigations of needs of the chemical lab also was discussed fundamental matter
visa (or for see) into college of chemistry on University.

Key-words: Lab security; hygiene and occupational health; teaching chemistry.

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................. 09

2. OBJETIVOS .................................................. 11

3. REVISÃO DA LITERATURA .................................................. 13

4. JUSTIFICATIVAS ................................................... 16

5. O MANUAL Sui generis ................................................... 17

6. MAIORES "GAFES" EM LABORATÓRIOS ................................................... 28

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................... 34

8. REFERÊNCIAS ................................................... 35

BONUS: COMO CONSTRUIR SEU LAB. ................................................... 36

O MAPA DE RISCOS DO DQ-UFPI ................................................... 44

A política atual no progresso da ciência (pesquisa e ensino na visão das 48


empresas)

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1. INTRODUÇÃO

Ao iniciar este despretensioso manual de segurança em laboratórios, não


poderia deixar de abordar o assunto “segurança” de maneira mais ampla já que,
com os incríveis avanços da tecnologia, cada vez mais o homem desenvolve
produtos químicos, materiais e meios de locomoção mais rápidos tais como motos,
automóveis e outros, mas, em contra partida, às vezes é vítima desses
desenvolvimentos.

Podemos observar que é difícil haver uma família, no sentido mais amplo,
(irmãos, tios, primos) em que não se tenha uma criança que não tenha sofrido
acidente no lar com produtos domissanitários, queimaduras ou fraturas, ou um
parente que tenha sofrido acidentes com moto ou outro veículo qualquer.
Seguramente 70% desses acidentes poderiam ter sido evitados se os equipamentos
utilizados no lar, no trabalho e no trânsito, fossem adequadamente seguros e se
todos recebessem “treinamento” para as questões de segurança.

O Brasil é um dos recordistas mundiais de acidentes no trabalho, o que


acarreta grandes prejuízos para nossa economia. Em função disso, órgãos
competentes tais como Ministério do Trabalho, Sindicatos e empresas mais
conscientes do problema têm desenvolvido programas de treinamento com
resultados muito compensadores.

Os benefícios de se trabalhar em condições de segurança não podem ser


vistos apenas pelo lado das empresas, pois os dias perdidos de trabalho, mutilações
e muitos acidentes fatais deixam marcas profundas em pessoas e famílias. Para os
trabalhadores nos laboratórios e indústrias químicas, temos que abordar não só os
acidentes que podem causar mutilações, mas também o sério problema da
exposição a produtos químicos provenientes dos reagentes nos processos
analíticos, inclusive com o uso de digestores e reatores frequentemente encontrados
em laboratórios, bem como nas áreas de fabricação.

O homem moderno, vivendo nas cidades, recebe uma carga de agentes


químicos contidos no ar que respira, na água, nos alimentos “in natura”, que são
tratados com inseticidas e herbicidas, nos alimentos industrializados com seus
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corantes e aditivos, nos alimentos artificiais tais como refrigerantes, guloseimas etc.,
nos medicamentos e, finalmente, nos próprios cosméticos que entram em contato
direto com a pele.

Uma pessoa que trabalha num laboratório 8 horas por dia – e isso representa
quase 1/3 de sua vida profissional – recebe uma carga contaminante muito maior
que a média das pessoas, pois está exposta a agentes químicos nocivos que se
somam aos mencionados no parágrafo anterior. Assim sendo, faz-se necessário que
nós, profissionais que exercemos funções em laboratórios, busquemos as melhores
condições possíveis de trabalho, para diminuir os riscos e prolongar nossa
expectativa de uma vida longa e saudável.

A exposição a agentes agressivos ou tóxicos, por ser a mais frequente e a


que muitas vezes causa sérias consequências após longos períodos de exposição
aparentemente inofensiva, é de que primeiramente iremos tratar. No laboratório,
sempre que abrimos um frasco de um reagente químico, este, por sua pressão de
vapor maior ou menor, estará emitindo vapores em níveis prejudiciais, dependendo
da natureza do produto.

O mesmo se dá com amostras que devem ser analisadas, dependendo do


tipo de indústria. Não é preciso dizer que os laboratórios de indústrias agroquímicas,
de tintas, petroquímicas e diversas outras, que usualmente fornecem para análise
amostras de produtos tóxicos. Assim sendo, os operadores que manipulam essas
amostras poderão se contaminar lentamente através da respiração, contato com a
pele ou via oral. Embora o operador não sinta a gravidade do problema num período
inicial, após algum tempo poderá sofrer uma intoxicação crônica, que é a que se dá
num longo período de exposição. Diversos serão os sintomas que poderão se
apresentar e difícil será fazer um diagnóstico de qual ou quais agentes químicos
estão causando o problema, para cada indivíduo.

Temos outros casos em que, por um acidente no laboratório, ou uma


operação realizada sem os devidos cuidados ou sem o uso dos equipamentos de
proteção, o operador se expõe a uma concentração elevada de um agente químico
tóxico por curto período de tempo. É o que chamamos de intoxicação aguda. Neste
caso é mais fácil para o médico diagnosticar o problema, apesar de muitas vezes ser
ainda mais grave, podendo levar o indivíduo à morte.
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2. OBJETIVOS

Independentemente do tipo de atividade exercida em um laboratório químico,


são diversos os riscos existentes nesses ambientes de trabalho onde podemos citar
os riscos químicos: vapores, poeiras, fumos, névoas, gases, compostos ou produtos
químicos em geral. Riscos físicos: ruídos, vibrações, radiações ionizantes, não
ionizantes, frio, calor, pressões anormais. E em alguns casos há presença de riscos
biológicos tais como: vírus, bactérias, protozoário, fungos, parasitas, bacilos entre
outros. Em relação aos riscos mencionados os acidentes em laboratórios ocorrem
principalmente pelas seguintes causas: falta de organização do local de trabalho,
uso incorreto de equipamentos ou substâncias; estocagem e transporte inadequados
de produtos químicos; uso de vidrarias defeituosas; desconhecimento ou negligência
das técnicas corretas de trabalho; trabalhos realizados por pessoa não habilitada em
determinadas técnicas, não observância das normas de segurança, utilização
incorreta ou o não uso de equipamentos de proteção coletiva e individual adequadas
ao risco; manutenção inexistente ou inadequada do laboratório. Os acidentes que
advém destas causas geralmente estão envolvidos com intoxicação, queimaduras
térmicas, cortes, queimaduras químicas, choque elétrico, incêndios, explosões,
contaminação por agentes químicos, e exposição às radiações ionizantes e não
ionizantes.

Esses riscos podem ser minimizados ou até mesmo eliminados mediante: O


uso de proteção coletiva, fornecimento de equipamentos de proteção individual
adequados ao risco. Treinamento se segurança para o laboratorista sobre o uso
correto de equipamentos de proteção coletiva (EPC), uso de equipamentos de
proteção individual (EPI) adequados ao risco, prevenção e combates a princípios de
incêndio, abandono de áreas, primeiros socorros, treinamentos sobre os perigos de
estocagem, manuseio, derramamento e descarte de produtos químicos, treinamento
e conhecimentos sobre o uso prévio da Ficha de Informação de Segurança de
Produtos Químicos – FISPQ NBR- 14728 (edição atualizada) e atendimento de
Ordens de Serviços de acordo com a Portaria 3.214 de 08/06/1978 MTE. Além do
cumprimento do disposto na Instrução Normativa Nº1de 11/04/1994.

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Emprego e planejamento deste a construção do laboratório, considerando-se


os locais adequados para armazenamento de produtos químicos, descarte de
resíduos, localização das bancadas, instalação de equipamentos, iluminação
adequada, instalação elétrica à prova de explosão em capelas, bancadas, coifas,
armários ou almoxarifado de inflamáveis respeitando-se as normas pertinentes,
instalação de capelas com vazão de ar adequada, refrigeradores para inflamáveis à
prova de explosão, sistema de ventilação local exaustora, instalação de capelas,
chuveiros de emergência e lava-olhos, caixas de primeiros socorros, mantas abafa
chamas, escudos de segurança, sistema de detecção e alarme de incêndios,
extintores de incêndio adequados às classes de incêndios do laboratório, sinalização
de extintores, sinalização de rotas de fugas, iluminação de emergência, saídas de
emergência com barras antipânico, números de telefones de emergência, por
exemplo: Corpo de Bombeiros, Pronto Socorro (Hospitais).

Mas o problema básico permanece, o laboratorista é um profissional com


educação especializada, no entanto com pouco conhecimento em segurança e
saúde no trabalho, talvez por causa de um sentido alimentado de maneira equívoca
de que nada deve interferir na liberdade acadêmica não importando o quão sérias
sejam as consequências desta liberdade. É liberdade formular e expressar ideias
científicas, mas em momento algum à prevenção de acidentes, doenças do trabalho
e contaminação do meio ambiente causará transtorno a essa liberdade acadêmica.

Poucas instituições escolares têm feito tentativas sérias em matéria de


Segurança e Medicina do Trabalho para integrar o conhecimento prático abrangendo
materiais e processos perigosos em sua grade de ensino, tornando os alunos aptos
a reconhecer e evitar exposições a agentes químicos, físicos e biológicos acima dos
níveis de tolerância sem as devidas medidas de proteção a sua integridade física.

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3. REVISÃO DA LITERATURA

A preocupação com a segurança e saúde do trabalhador vem sendo


registrada há bastante tempo. No século IV a.C., Aristóteles (384 – 322 a.C.) cuidou
do atendimento e prevenção das enfermidades dos trabalhadores. Platão, na
mesma época, constatou e apresentou enfermidades específicas do esqueleto que
acometiam determinados trabalhadores no exercício de suas profissões. Já Plínio
publicou a “História Natural”, na qual, pela primeira vez, foram tratados temas
referentes à Segurança do Trabalho, discorrendo sobre o chumbo, mercúrio e
poeiras e menciona o uso de máscaras pelos trabalhadores dessas atividades.
Hipócrates (460 – 370 a.C.) revelou a origem das doenças profissionais que
acometiam os trabalhadores nas minas de estanho. Galeno (129 – 201 d.C.)
preocupou-se com o saturnismo. No século XIII, Avicena (908 – 1037), se preocupa
com o saturnismo e o indica como causa das cólicas provocadas pelo trabalho em
pinturas, pois se usava tinta à base de chumbo. No século XV, Ulrich Ellembog
editou uma série de publicações nas quais preconizava medidas de Higiene de
Trabalho. Paracelso (1943 – 1541) divulgou estudos relativos às infecções dos
mineiros do Tirol. Na Europa, no século XVI, foram criadas corporações de ofício
que organizaram e protegeram os interesses dos artífices por eles representados.

Por volta de 1601, na Inglaterra, foi criada a Lei dos Pobres. O Rei Carlos II,
(1943 – 1541) em virtude do grande incêndio de Londres, proclamou que as novas
casas fossem construídas com paredes de pedras ou tijolos, e a largura das ruas,
que nessa época eram muito estreitas, fosse aumentada de modo a dificultar a
propagação do fogo. Bernardino Ramazzine (1833 – 1714) divulgou sua obra
clássica “De Morbis Articum Diatriba” (As Doenças dos Trabalhadores). Em 1802, na
Inglaterra, houve a substituição da Lei dos Pobres pela Lei das Fábricas. Ainda na
Inglaterra, no período de 1844 a 1848, houve a aprovação das primeiras leis de
Segurança no Trabalho e Saúde Pública, regulamentando os problemas de saúde e
de doenças profissionais. A seguir, em 1862, na França, houve a regulamentação de
Higiene e Segurança do Trabalho. Em 1865, na Alemanha, foi criada a Lei de
Indenização Obrigatória aos Trabalhadores, que responsabiliza o empregador pelo
pagamento dos acidentes. Em 1883, Emílio Muller fundou, em Paris, a Associação
de Indústrias contra Acidentes de Trabalho. Após o incêndio de Cripplegate, na
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Inglaterra, em 1897, foi fundado o Comitê Britânico de Prevenção, e iniciou-se uma


série de pesquisas relativas a materiais utilizados em construções na França. No
mesmo ano, foram dadas maiores atenções aos problemas de incêndios após a
catástrofe do Bazar de Caridade. Nos Estados Unidos da América, em 1903, foi
promulgada a primeira Lei sobre Indenização dos Trabalhadores, limitada ao
empregador e trabalhadores federais.

Originado do Tratado de Versalhes, em 1919, foi criada a Organização


Internacional do Trabalho (OIT), com sede em Genebra, e que substitui a
Associação Internacional de Proteção Legal ao Trabalhador. Em 1921, nos Estados
Unidos da América, foram estendidos os benefícios da Lei de 1903 a todos os
trabalhadores, através da Lei Federal. Em 1927, na França, foram iniciados estudos
de laboratórios relacionados a inflamibilidade dos materiais e estabeleceram-se os
primeiros regulamentos específicos que adotaram medidas e precauções a serem
tomadas nos locais de trabalho e nos locais de uso prático (Brasil ,MS, 1995, p. 24-
25).

No Brasil, em 1943, é regulamentado o Decreto nº. 5.452, de 01/05/1943, do


Capítulo V, do Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativo à Segurança
e Medicina do Trabalho; e em 1944, o Decreto-Lei nº. 7.036, de 01/11, diz que a
empresa com mais de 100 empregados deverá ter organizado o Comitê de
Segurança. Em 1953, pela Portaria 155 de 27/11, sai a oficialização da sigla CIPA –
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. Em 22 de dezembro de 1977, a Lei
nº. 6.514 altera a Capítulo V, do Título II, das Consolidações das Leis do Trabalho,
relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Em 1978, com a Portaria nº. 3.214,
de 08 de junho, é criada as Normas Regulamentadoras, NR, do Ministério do
Trabalho, Capítulo V, do Título da CLT (Anexo 01). Em 1983, a Portaria nº. 33, de 27
de outubro, altera as NRs 04 e 05, considerando que a experiência mostrou a
necessidade de adequação das Normas Regulamentadoras vigentes à evolução dos
métodos a ao avanço da tecnologia. A partir de 1994, com a Portaria nº. 25, de 29
de dezembro, é instituído o Mapa de Riscos e Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais – PPRA – considerando a necessidade de melhor orientar a adoção de
medidas de controle de Riscos Ambientais nos locais de trabalho. Também no
mesmo ano, considerando a necessidade de atualizar as medidas preventivas de
medicina do trabalho, adequando-se aos novos conhecimentos técnico-científicos
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com a Portaria nº. 24, de 29 de dezembro, é instituído o PCMSO – Programa de


Controle Médico de Saúde Ocupacional (NR-7) –, a qual é alterada em 1996, pela
Portaria nº. 08, de 08 de maio. Instituída as Normas sobre condições e Meio
Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção, com a Portaria nº. 04, de julho de
1995, e a Portaria nº. 865, de 14 de setembro do mesmo ano, foram estabelecidos
critérios de fiscalização de condições de trabalho constantes de Convenções ou
Acordos Coletivos de Trabalho. Em 1998, com o Decreto nº. 2.657, de 03 de julho, é
promulgada a Convenção nº. 170, relativa à segurança na utilização de produtos
químicos no trabalho, assinada em Genebra, em 25 de junho de 1990 (Segurança e
Medicina do Trabalho, 2000, p. 614).

A palavra “segurança” vem do latim “Segurus-Se” + Cura. O termo refere-se


“às medidas destinadas à garantia da integridade das pessoas, dos bens e das
instituições”. Segurança do Trabalho “é o conjunto de medidas técnicas,
educacionais, médicas e psicológicas, empregadas para prevenir acidentes, quer
eliminando as condições inseguras do ambiente, quer instruindo ou convencendo as
pessoas da implantação de práticas preventivas” e, ainda, “é o conjunto de
atividades relacionadas com a prevenção de acidentes e com a eliminação de
condições inseguras de trabalho” (Chiavenato, 1997, p. 448). Segundo Heimstra
(1978, p. 4-7), “Existe uma crescente preocupação com a maneira pela qual o
ambiente físico influi no comportamento humano – tanto o construído como o
natural”, e, “determinadas qualidades associadas a um ambiente particular podem
ter amplo efeito sobre o comportamento e a personalidade do indivíduo” e ainda, “O
ambiente construído pode ser considerado como um sistema composto de muitos
subsistemas. Embora esses subsistemas variem tremendamente em dimensão
física, função e quantidade de relacionamento social que neles ocorre, cada um
pode ser dividido em elementos que podem afetar o comportamento humano no
sistema”. “E isso, consequentemente, afeta o funcionamento da empresa”. A
implantação de um programa de segurança e saúde do trabalhador deve ser de
grande interesse tanto para as Instituições Privadas como Públicas, por ser menos
oneroso o investimento educativo e preventivo do que arcar com os afastamentos e
aposentadorias precoces.

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4. JUSTIFICATIVAS

O Laboratório de química é antes de mais nada uma edificação que segue


normas de segurança para construção civil, instalações elétricas e hidráulicas,
Equipamento de Proteção Individual os EPI e os Equipamentos de Proteção
Coletiva, EPC. Logo quando se menciona a construção de um laboratório químico se
entende desde seu projeto até seu funcionamento com segurança.

A montagem do laboratório deve incluir todos os requisitos de segurança.


Para tanto, é fundamental a elaboração de um projeto detalhado para que haja
funcionalidade, eficiência, segurança e se minimizem futuras alterações. Assim, não
podem ser desprezados itens como a topografia do terreno, orientação solar, ventos,
segurança do edifício e do pessoal, bancadas, capelas, estufas, fornos do tipo
muflas, tipo de piso, materiais de revestimento das paredes, iluminação e ventilação
do ambiente. Deve-se levar em consideração, ainda, a legislação referente aos
portadores de necessidades especiais, conforme a LDB – Lei no 9.394, de 20-12-
1996, capítulo V, artigos 58 a 60.
Este trabalho será um pequeno guia de demonstração da importância do
conhecimento bilateral de tópicos de engenharia de segurança e de química para a
perfeita construção de um laboratório de química que atenda aos requisitos exigidos
pelos órgãos competentes e para trazer a tona este problema da aquisição de
laboratórios químicos.

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5. O MANUAL Sui generis

Saúde E Higiene

As Boas Práticas de Laboratório exigem que se respeitem as seguintes


diretrizes básicas ao utilizar os laboratórios da área da Saúde:

1. Utilizar proteção apropriada para os olhos quando necessário.


2. Usar outros equipamentos de proteção conforme for necessário.
3. Não usar cabelo solto, quando for longo.
4. Jamais pipetar com a boca solventes ou reagentes voláteis, tóxicos ou que
apresentem qualquer risco para a segurança. Usar sempre um pipetador.
5. Evitar a exposição a gases, vapores e aerossóis. Utilizar sempre uma capela ou
fluxo para manusear estes materiais.
6. Lavar as mãos ao final dos procedimentos de laboratório e remover todo o
equipamento de proteção incluindo luvas e aventais.
7. Nunca consumir alimentos e bebidas no laboratório. A separação de alimentos e
bebidas dos locais contendo materiais tóxicos, de risco ou potencialmente
contaminados pode minimizar os riscos de ingestão acidental desses materiais.
Consumir alimentos e bebidas apenas nas áreas designadas para esta
finalidade.
8. Não guardar alimentos e utensílios utilizados para a alimentação nos laboratórios
onde se manuseiam materiais tóxicos e perigosos.
9. Não utilizar os fornos de micro-ondas ou as estufas dos laboratórios para
aquecer alimentos.
10. A colocação ou retirada de lentes de contato, a aplicação de cosméticos ou
escovar os dentes no laboratório pode transferir material de risco para os olhos
ou boca. Estes procedimentos devem ser realizados fora do laboratório com as
mãos limpas.
11. Aventais e luvas utilizados no laboratório que possam estar contaminados com
materiais tóxicos ou patogênicos não devem ser utilizados nas áreas de café,
salas de aula ou salas de reuniões.
12. Antes de sair do laboratório, lavar sempre as mãos para minimizar os riscos de
contaminações pessoais e em outras áreas.

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No laboratório sempre devem existir locais para a lavagem das mãos com
sabonete ou detergente apropriado e toalhas de papel descartáveis.

Estocagem e Manuseio

Muitos riscos potenciais são associados com a estocagem e manuseio de


materiais usados em laboratório químico. Estes riscos sempre existirão mas os
acidentes podem ser eliminados por maior conhecimento das propriedades dos
materiais estocados e manuseados: planejando procedimentos de segurança para
estocagem e segurança e informando todas as pessoas que entrarão em contato
com estes materiais dos riscos envolvidos e as medidas de segurança que devem
ser tomadas. O grande número de problemas de estocagem em laboratório químico
deve-se à diversidade de produtos químicos que devem ser estocados.

A estocagem descuidada associada com a falta de planejamento e controle é


um convite para acidentes pessoais e danos materiais. Por outro lado, uma área de
estocagem cuidadosamente planejada e supervisionada pode prevenir muitos
acidentes. Os produtos químicos que necessitam estocagem podem ser sólidos,
líquidos e gasosos, podem estar contidos em embalagens de papel, plástico, vidro
ou metal que podem ser caixas, garrafas, cilindros ou tambores. A natureza de cada
produto pode ser considerada individualmente ou em relação a outros produtos
estocados na mesma área. Para facilitar as considerações feitas anteriormente, os
produtos químicos podem ser agrupados nas seguintes categorias gerais:
Inflamáveis; Tóxicos; Explosivos; Agentes Oxidantes; Corrosivos; Gases
Comprimidos; Produtos sensíveis à água; Produtos incompatíveis.

Manuseio do Material de Vidro

Lavagem: Todo material de vidro, que tenha sido usado, deve ser lavado
imediatamente. Nunca reaproveitar um recipiente sem antes lavá-lo, mesmo que ele
venha a conter a mesma substância. Em laboratórios que empreguem pessoas cuja
função é somente de lavagem de materiais e peças de vidro, deve o laboratorista,
sempre que usar uma substância química, fazer uma lavagem preliminar antes de
entregar a peça de vidro para limpeza final. Isto serve para ácidos, álcalis, solventes,
substâncias e elementos químicos perigosos e nocivos à saúde. A pessoa que
estiver no encargo de lavagem de material de vidro deve usar luvas de borracha ou

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de plástico (neoprene ou pvc) com superfície externa antiderrapante, para dificultar o


deslizamento de vidro entre as mãos. O uso de luvas neste encargo também evita a
dermatite pelo contato contínuo com vários produtos químicos.

Precauções no uso dos solventes

Uso de óculos de segurança.

Escolha cuidadosa do solvente e substituição, se for o caso.

Evite o contato com a pele.

Nunca pipete com a boca.

Trabalhe na capela.

Longe de fontes de calor.

Não estoque no laboratório: clorofórmio, éteres, dissulfeto de carbono.

Evite os halogênios. Fogo e/ou calor podem formar fosgênio (COCl2) e HCl.

Não jogue os solventes diretamente na pia.

Recupere os solventes.

Separe os halogenados dos não-halogenados.

Guarde-os em frascos escuros rotulados:

“Resíduos clorados” “Resíduos inflamáveis”

“Resíduos de hidrocarbonetos” “Resíduos de metais pesados”

Descarte

Vidros quebrados devem ser descartados em recipientes apropriados

Os resíduos de solventes devem ser colocados em frascos apropriados para


descarte, devidamente rotulados. Evite misturar os solventes. Sugere-se a
seguinte separação:

solventes clorados, hidrocarbonetos, álcoois, cetonas

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Os resíduos aquosos ácidos ou básicos devem ser neutralizados antes do


descarte.

Para o descarte de metais pesados, metais alcalinos e de outros resíduos,


consulte antecipadamente uma bibliografia adequada.

Regras no manuseio de gases:

Armazenar em locais bem ventilados, secos e resistentes ao fogo.

Proteger os cilindros do calor e da irradiação direta.

Manter os cilindros presos à parede de modo a não caírem.

Separar e sinalizar os recipientes cheios e vazios.

Utilizar sempre válvula reguladora de pressão.

Manter válvula fechada após o uso.

Limpar imediatamente equipamentos e acessórios após o uso de gases


corrosivos.

Somente transportar cilindros com capacete (tampa de proteção da válvula) e


em veículo apropriado.

Não utilizar óleos e graxas nas válvulas de gases oxidantes.

Manipular gases tóxicos e corrosivos dentro de capelas.

Utilizar os gases até uma pressão mínima de 2 bar, para evitar a entrada de
substâncias estranha.

Plano de evacuação

Na ocorrência de um alarme generalizado, é obrigatória a evacuação do


edifício. A evacuação deverá ocorrer seguindo a sinalização presente no edifício
após a verificação dos seguintes pontos:

a) Todos os equipamentos elétricos devem ser desligados e todas as garrafas com


gases inflamáveis devem ser fechadas. As experiências que estejam a decorrer

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA


21

devem ser deixadas em segurança, isto é, desligando fontes de calor e sistemas de


vazio ou pressão.

b) Antes de sair do laboratório, gabinete ou sala a pessoa responsável pelo espaço


deve verificar que a evacuação foi completa e depois fechar todas as portas.

c) Todos devem dirigir-se calmamente para as saídas do edifício utilizando as


escadas. Não se deve utilizar o elevador, pois é provável um corte de energia.

d) Os docentes de aulas práticas devem indicar a saída aos alunos e são


responsáveis por deixar todas as experiências em segurança.

e) Não reentrar no edifício até que a Comissão de Segurança diga que é seguro
fazê-lo.

Equipamentos Elétricos

Só opere o equipamento quando os fios, tomadas e plugs estiverem em


perfeitas condições; o fio terra estiver ligado; tiver certeza da voltagem correta
entre equipamentos e circuitos;

Não instale nem opere equipamentos elétricos sobre superfícies úmidas;

Verifique periodicamente a temperatura do conjunto plug-tomada. Caso esteja


quente, desligue o equipamento e chame o serviço de manutenção;

Não deixe equipamentos elétricos ligados no laboratório, fora do expediente


(exceto geladeiras e freezer) sem comunicar ao setor de zeladoria;

Remova frascos inflamáveis das proximidades do local onde será utilizado


equipamento elétrico;

Enxugue qualquer líquido derramado no chão antes de operar o equipamento

O uso de chama no laboratório:

Preferentemente, use chama na capela e somente nos laboratórios onde for


permitido;

Não acenda o bico de Bunsen sem antes verificar e eliminar os seguintes


problemas:
MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA
22

Vazamentos; Dobra no tubo de gás; Ajuste inadequado entre o tubo de gás e suas
conexões; Existência de materiais ou produtos inflamáveis ao redor do bico;

Nunca acenda o bico de Bunsen com a válvula de gás muito aberta.

O USO DE CAPELAS

A capela somente oferecerá proteção ao usuário se for adequadamente


utilizada;

Nunca inicie um trabalho sem verificar se:

 O sistema de exaustão está funcionando;

 O piso e a janela da capela estejam limpos;

 As janelas da capela estejam funcionando perfeitamente;

Nunca inicie um trabalho que exige aquecimento sem antes remover os


produtos inflamáveis da capela;

Deixe na capela apenas o material (equipamentos e reagentes) que serão


efetivamente utilizados, remova todo e qualquer material desnecessário,
principalmente produtos químicos.

A CAPELA NÃO É LOCAL PARA ARMAZENAMENTO DE PRODUTOS E


EQUIPAMENTOS

Mantenha as janelas das capelas com o mínimo possível de abertura;

Use, sempre que possível, um anteparo resistente entre você e o


equipamento, para maior segurança;

NUNCA coloque o rosto dentro da capela;

SEMPRE instalar equipamentos ou frascos de reagentes a pelo menos 20 cm


da janela da capela.

Em caso de paralisação do exaustor, tome as seguintes providências:

Interrompa o trabalho imediatamente;

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA


23

Feche ao máximo a janela da capela;

Coloque máscara de proteção adequada, quando a toxidez for considerada


alta;

Avise ao pessoal do laboratório o que ocorreu;

Coloque uma sinalização na janela da capela, tipo:

“CAPELA COM DEFEITO, NÃO USE”;

Verifique a causa do problema, corrija-o ou procure o setor de manutenção


para que o façam;

Somente reinicie o trabalho no mínimo 5 minutos depois da normalização do


sistema de exaustão.

ROTULAGEM - SÍMBOLOS DE RISCO

Facilmente Inflamável (F)

Classificação: Determinados peróxidos orgânicos; líquidos com pontos de


inflamação inferior a 21ºC, substâncias sólidas que são fáceis de inflamar, de
continuar queimando por si só; liberam substâncias facilmente inflamáveis por ação
de umidade.

Precaução: Evitar contato com o ar, a formação de misturas inflamáveis gás-ar e


manter afastadas de fontes de ignição.

Extremamente inflamável (F+)

Classificação: Líquidos com ponto de inflamabilidade inferior a 0 °C e o ponto


máximo de ebulição 35 °C; gases, misturas de gases (que estão presentes em forma
líquida) que com o ar e a pressão normal podem se inflamar facilmente.

Precauções: Manter longe de chamas abertas e fontes de ignição.

Tóxicos (T)

São produtos que causam sérios problemas orgânicos, tanto por ingestão,
inalação ou absorção pela pele, podendo tornar-se fatais em alguns casos.

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA


24

Informações Gerais

Para manipulação de produtos tóxicos em laboratórios torna-se necessário


conhecermos os riscos apresentados e tratarmos adequadamente:

• Não manipular sem conhecer sua toxidade (VIDE FISPQ do produto).

• Usar os EPI’s adequados.

• Trabalhar em capela com boa exaustão.

• Evitar qualquer contato com o produto seja por inalação, ingestão ou contato com a
pele.

• Em caso de algum sintoma de intoxicação, avise sua supervisão e procure


atendimento médico informando-o sobre as características do produto.

ANTES de iniciar qualquer tipo de operação, procure informações toxicológicas


(toxidez e via de ingresso no organismo) sobre todos os produtos que serão
utilizados e/ou formados no trabalho a ser executado.

Fontes de informação:

- Rótulo do produto - The Merck Index - MSDS (Material Safety Data Sheets) ou
FISPQ (Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos)

 Trabalhe somente com a capela

 Não descarte na pia os resíduos de produtos tóxicos

 Não descarte no lixo material contaminado com produtos tóxicos (papel de filtro,
papel toalha, etc.)

 Use luvas apropriadas ao uso

 Interrompa o trabalho imediatamente, caso sinta algum sintoma, como dor de


cabeça, náuseas, etc.

Muito Tóxico (T+)

Classificação: A inalação, ingestão ou absorção através da pele, provoca danos à


saúde na maior parte das vezes, muito graves ou mesmo a morte.
MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA
25

Precaução: Evitar qualquer contato com o corpo humano e observar cuidados


especiais com produtos cancerígenos, teratogênicos ou mutagênicos.

Corrosivo ( C )

Classificação: por contato, estes produtos químicos destroem o tecido vivo, bem
como vestuário.

Precaução: Não inalar os vapores e evitar o contato com a pele, os olhos e


vestuário.

Oxidante (O)

Classificação: Substâncias comburentes podem inflamar substâncias combustíveis


ou acelerar a propagação de incêndio.

Precaução: Evitar qualquer contato com substâncias combustíveis. Perigo de


incêndio. O incêndio pode ser favorecido dificultado a sua extinção.

Nocivo (Xn)

Classificação: Em casos de intoxicação aguda (oral, dermal ou por inalação), pode


causar danos irreversíveis à saúde.

Precaução: Evitar qualquer contato com o corpo humano, e observar cuidados


especiais com produtos cancerígenos, teratogênicos ou mutagênicos.

Irritante (Xi)

Classificação: Este símbolo indica substâncias que podem desenvolver uma ação
irritante sobre a pele, os olhos e as vias respiratórias.

Precaução: Não inalar os vapores e evitar o contato com a pele e os olhos.

Explosivo (E)

Classificação: Este símbolo indica substâncias que podem explodir sob


determinadas condições.

Precaução: Evitar atrito, choque, fricção, formação de faísca e ação do calor.

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA


26

Aquecimento de Material de Vidro

Apesar de a maior parte dos materiais de vidro de laboratório ser resistentes


ao calor, é necessário um cuidado especial do laboratorista no que se refere à forma
de aquecimento. Sempre deverá haver um material intermediário entre o recipiente
de vidro e a chama, a não ser em casos especiais, como tubos de ensaio e tubos de
vidro. Este material é normalmente a tela de amianto. Além de isolar o ataque do
fogo ao vidro, a tela dispersa o calor e o aquecimento é uniforme em toda a
superfície de contato tela-vidro.

Para evitar que líquidos entrem em ebulição de forma violenta, deve se


colocar, no recipiente, pérolas ou pedaços de vidro ou de cerâmica porosa. As
operações que envolvem aquecimento por chama devem ser feitas na capela. No
caso de aquecimento de tubos de ensaio, é boa prática trabalhar com a janela
parcialmente fechada, deixando apenas um espaço para a entrada dos braços do
laboratorista. No caso de explosão, o vidro de segurança defenderá a pessoa que
estiver ali trabalhando. As mãos deverão estar sempre protegidas por luvas.

Ao aquecer um recipiente, procure segurá-lo por meio de uma pinça de


madeira ou metal para evitar ser queimado ou atingido por respingos do material que
está sendo aquecido. A boca do tubo deverá estar sempre voltada para o lado
oposto ao do manipulador, isto é, para o lado interno da capela. Para aquecer a
substância por igual, pode-se agitar ou girar o tubo, cuidadosamente para evitar
respingos. Existem substâncias, no entanto, cujo aquecimento por intermédio de
chama é muito perigoso; assim lança-se mão de outros métodos, como banho-
maria, banho de areia ou por chapas e mantas. O aquecimento de substâncias com
“Ponto de Fulgor” ou “Flash Point” (temperatura na qual o material pode se inflamar
se estiver próximo a uma fonte de ignição, embora a chama não se sustente) baixo
pode ser feito no banho-maria, usando-se água ou óleo. Mesmo quando se utiliza o
banho-maria, deve–se evitar o aquecimento por chama (Bico de Bunsen e
maçaricos). Informe-se sobre o ponto de fulgor em catálogos apropriados; certos
catálogos comerciais (Aldrich) apresentam os pontos de fulgor de muitas
substâncias.

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27

EQUIPAMENTOS E PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA

1. Os equipamentos comuns de segurança e emergência incluem extintores, kit de


primeiros socorros, estação de lavagem de olhos e chuveiros de emergência,
kits para o derramamento de determinados reagentes e saídas de emergência.
É necessário que os usuários saibam onde estão e como manejar os
equipamentos de segurança, aprendam o que fazer em uma emergência e se
familiarizem com estes procedimentos.
2. Um lava-olhos e um chuveiro de emergência devem estar acessíveis a todo o
momento nos laboratórios onde reagentes perigosos para a pele e os olhos são
usados. Os funcionários devem estar a menos de 25 m e devem atravessar no
máximo uma porta para chegar ao local onde estejam o lava-olhos e o chuveiro
de emergência.
3. Os laboratórios devem estar equipados com um número suficiente de extintores
de incêndio do tipo correto para ser usado nos materiais que estão sendo
manipulados.
4. Todos os equipamentos de emergência devem ser checados periodicamente. Os
lava-olhos e os chuveiros devem ser testados anualmente. Os extintores de
incêndio devem ser inspecionados mensalmente. Um registro das inspeções
deve ser colocado numa etiqueta afixada ao equipamento.

PRIMEIROS SOCORROS

O líder do laboratório é responsável por conhecer e aplicar as técnicas de


primeiros socorros e por verificar que todo o pessoal de laboratório esteja
familiarizado com a localização dos kits de primeiros socorros. Os funcionários
devem ser treinados a prestar primeiros socorros.

Após o primeiro atendimento, o funcionário deve ser conduzido à enfermaria


ou mesmo ao hospital, dependendo da gravidade do caso.

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28

6. MAIORES "GAFES" EM LABORATÓRIOS

Acidentes Mais Comuns

Um laboratório de Química pode ser umas das áreas de trabalho mais


perigosas. Desta maneira, é muito importante que sejam conhecidos os
procedimentos de segurança que devem ser usados quando ocorrem determinados
acidentes.

aqui estão os acidentes que podem ocorrer com maior frequência em


laboratórios de Química e quais as providências que devem ser tomadas
imediatamente. É de vital importância conhecer a localização das pessoas e
equipamentos necessários quando o acidente exigir assistência especializada.
Números de telefones, como os de ambulância, bombeiros, posto médico, hospital e
médico mais próximos devem estar visíveis e facilmente acessíveis ao responsável
pelo laboratório. Todos os acidentes de laboratório devem ser imediatamente
comunicados à supervisão, de maneira que se tomem medidas para que eles não
voltem a se repetir. É importante também que o acidentado, remetido ao tratamento
especializado tenha um acompanhamento durante certo período de tempo, variável
segundo o acidente que sofreu.

A grande maioria dos reagentes de laboratório é tóxica. É bom que se


conheçam os sintomas provocados pela intoxicação com as diversas substâncias
químicas, de maneira a saber, por exemplo se o vômito deve ou não ser provocado.
No caso de ingestão de venenos corrosivos não se deve provocar vômito, pois isto
fará com que a substância tóxica retornasse mais uma vez através dos delicados
tecidos do aparelho digestivo. Neste caso, deve ser feita a diluição da substância
corrosiva pela ingestão de grandes quantidades de líquidos. Ministra-se leite ou
água, na quantidade de 1 a 2 xícaras, no caso de crianças de 1 a 5 anos e até 1
litro, para maiores de 5 anos.

Treinamento

O líder de laboratório deve providenciar treinamento específico para a


localização dos equipamentos de emergência e sua utilização, para o manuseio e
descarte de reagentes de risco específicos e para a operação segura de
equipamentos especializados.
MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA
29

PROCEDIMENTO EM CASO DE INCÊNDIOS

1. Incêndio - CLASSE A

Material de fácil combustão e que deixa resíduo como: tecidos, madeiras,


papéis, fibras. Combater utilizando água e espuma. Quando o fogo está no início
utilize pós químicos secos ou gás carbônico.

2. Incêndio - CLASSE B

Produtos que queimam somente na superfície como: vernizes e solventes.


Combater com abafamento, pós químicos, gás carbônico e espuma.

3. Incêndio - CLASSE C

Equipamentos elétricos energizadores. Combater com gás carbônico, pós


químicos. Quando cortar a energia combater como a Classe A e B

4. Incêndio - CLASSE D

Produtos como magnésio, zircônio, titânio. Combater com abafamento com


limalha de ferro fundido ou areia.

Proposta de Ficha de Segurança

1. Identificação da substância e da Empresa

No. de catálogo:

Nome da substância:

Empresa

Nome:

Endereço:

Telefone:

Nº Telefone de Emergência:

2.Composição/informação sobre os componentes

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30

No.-CAS: No.-Index-EC:

Massa molar: No-EC:

Fórmula molecular:

Fórmula química:

3. Identificação dos perigos

4. Primeiros socorros

Após a inspiração:

Após contacto com a pele:

Após contacto com os olhos:

Após ingestão:

6-Medidas em caso de fugas acidentais

Medidas de proteção para as pessoas:

Medidas de proteção ambientais:

Método de limpeza/absorção:

FIGURA 1 – Nunca faça aniversários em laboratórios.

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31

FIGURA 2 – Nunca dance dentro dos laboratórios.

FIGURA 3 – Acidente no Lab. de Lavoisier.

FIGURAS 4 e 5 – Se não for maconha, não faça isto no


laboratório
.

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32

Queimaduras Químicas

As vestimentas contaminadas do acidentado devem ser imediatamente


removidas e a área da pele afetada, lavada com água por pelo menos quinze
minutos. Nestes casos não se devem usar óleos, gorduras ou bicarbonato de sódio
na área contaminada a não ser que seja especificamente determinado pelo médico.
Não se devem ser também aplicadas pomadas no local, pois estes medicamentos
podem aumentar a absorção da pele. É indicado o uso de sabões, especialmente se
o contaminante for fenol ou seus derivados. A vítima deve ser imediatamente
transportada para um hospital.

Pipetagem de Soluções

Normalmente, quando certas soluções são ingeridas deve-se induzir o vômito.


A melhor maneira para provocá-los é a excitação mecânica da garganta. Em alguns
casos, o vômito não deve ser provocado, como nas intoxicações em consequência
da ingestão de substâncias cáusticas e derivados de petróleo.

Intoxicação por Ácido Cianídrico e Cianetos

O ácido cianídrico mata por parada respiratória; assim, a ação para


salvamento deve ser rápida. O acidentado deve ser levado imediatamente para
ambiente bem arejado. Em seguida, deve ser efetuada a respiração artificial e a
aplicação de oxigênio.

Choque Elétrico

A vítima que sofreu um acidente por choque elétrico não deve ser tocada até
que esteja separada da corrente elétrica. Esta separação deve ser feita
empregando-se luva de borracha especial. A seguir deve ser iniciada imediatamente
a respiração artificial, se necessário. A vítima deve ser conservada aquecida com
cobertores ou bolsas de água quente.

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA


33

FIGURA 6 – Uma pequena explosão no lab. da UFMG.

FIGURA 7 – Queimaduras por produtos químicos FIGURA 8 – “Guris” no lab. não dá certo.

FIGURA 9 – LABORATÓRIO OU REFEITÓRIO? FIGURA 10 – Nunca se distraia no LAB!

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34

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este manual é nada mais nada menos do que uma compilação sui generis e
fidedigna dos conceitos e práticas de segurança e proteção em laboratórios gerais,
em especial, os laboratórios de química seja ele de ensino ou de pesquisa. Em
segurança não tem existido meios termos de conjecturas e dogmas sendo muitas
vezes bem pragmática e incisiva, como por exemplo, se costuma falar “quando não
oito é oitenta”. Este manual não é muito diferente, mas desta vez tentou-se abordar
os temas em tópicos sumarizados e didáticos e ainda como exemplos e
contextualizações sobre o que foi discutido e exposto.

Neste trabalho é mostrado também uma evolução histórica e uma revisão da


literatura no intuito de mostrar o estado da arte em segurança do trabalho tanto no
mundo como no Brasil em particular. Uma introdução para dá embasamento do
assunto foi muito importante, pois poucos diferenciam os laboratórios químicos e
seus riscos associados.

Por fim este manual deixa em aberto uma oportunidade de ampliar os


conceitos de segurança para laboratórios de instituições de ensino que são
verdadeiras usinas de delitos e “gambiarras” laborais. Para os laboratoristas este
manual deverá ser apreciado ou ainda depreciado como um pré-lab e como aporte
simplificado para consulta e pesquisa rotineira, pois só existem os heróis por que
muito ainda não fazem sua parte.

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA


35

8. REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (Brasil). Acessibilidade:


NBR 9050. Rio de Janeiro: ABNT, 2004.

Lynch: Técnicas de Laboratório - Autor Stanley S. Raphael.


Ed Marrole Ltda, São Paulo.

AZEVEDO, Fausto A. e COLACIOPPO, Sérgio - Guia sobre as necessidades


mínimas para um laboratório de ecotoxicologia. Metepec, ECO, OPS, OMS, 1986.

BATISTUTI, P.; 1998. Transparências da Palestra: Boas Práticas de Segurança


em Laboratório. II Simpósio de Segurança em Laboratório. IBILCE/UNESP.
Campus de São José do Rio Preto. 47 pp.

CICCO, Francesco.De Manual sobre sistemas de gestão da segurança e


saúde no trabalho – A nova norma BS 8800. volume II, São Paulo: Risk
Tecnologia, 1996, 88 p.

NOVAES, Tereza Carlota Pires - Carcinógenos e mutagênicos em laboratórios. São


Paulo, 1986, 45 p.

Norma PN - 1.601.05-006 - 1993 (Avaliação de agentes químicos no ar)

Norma NBR - 10152/ABNT - (Trata de resíduos em laboratórios)

IUPAC – Chemical Safety Matters. Camridge University Press, 1992.

ARLINE SIDNÉIA ABEL ARCURI / LUIZA MARIA NUNES CARDOSO “Limite de


Tolerância” - Revista Brasileira de Saúde Ocupacional n. 74 – Vol. 19
Julho/Dezembro - ano 1991.

DA SILVA, J. E. P., Segurança do trabalho. Engenharia de segurança do trabalho.


Disponível em: www.educamundo.com.br. Acessado em 19/02/2013.

História da segurança do trabalho, Disponível em:


<http://www.temseguranca.com/2009/03/historia-da-seguranca-do-trabalho.html>
Acessado no dia 20 de fevereiro de 2013.

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BONUS: COMO CONSTRUIR SEU LAB.

Projeto Civil e Arquitetônico

Cada profissional de projeto desenvolve sua própria forma de pré-


dimensionamento para uma obra. Sabemos, no entanto, que o processo mais
seguro é o pré-dimensional de dentro para fora, ou seja, definir cada uma das micro-
estruturas, ordená-las e obter o macro. As informações micro são as listas de
equipamentos, por atividades, processos, ou setores definidos no organograma e
obtidas dos fluxogramas das análises/amostras.
O projeto arquitetônico do laboratório leva em conta aspectos idênticos a
qualquer outra edificação: atividade desenvolvida, áreas necessárias para tais
atividades, áreas de apoio, vias de acesso e circulação. A diferença principal é que
nos laboratórios o nível de detalhes a se levar em conta deverá ser bem maior do
que em edificações comuns, como por exemplo, preocupação com contaminação,
ventos predominantes, substâncias inflamáveis e/ou corrosivos, guarda de amostras,
rotas de fuga, central de gases, etc.
Na definição dos materiais construtivos, alguns cuidados ou preocupações
devem ser tomados. Vejamos alguns:
a) Piso: Avalie os tipos de materiais e serviços que serão realizados no setor de
modo que eles não sejam incompatíveis com o piso. Garanta que o piso possa ser
limpo e que esta limpeza não comprometa o piso ou o material de rejuntamento (se
houver). Sempre que possível, reduza o número de juntas. Garanta a sua
manutenção e substituição eventual. Garanta que ele aceite reparos. Garanta que
ele seja o mais anti-derrapante possível.
b) Paredes: Avalie os tipos de materiais e serviços, de maneira idêntica ao que foi
feito com o piso. Utilize material lavável e que evite incrustações. Não utilize material
brilhante e sempre que possível, utilize cores claras e neutras. Considere a relação
custo / benefício entre paredes de alvenaria e divisórias moduladas que dão muito
mais flexibilidade no “Lay-Out”. Considere, onde possível, a instalação de visores
entre as salas.

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA


37

c) Teto: Avalie a necessidade (ou não) de forro com relação, a passagem de


tubulação, luminárias e grelhas, a acústica, a estática, o pé direito, o acabamento e
cor.
d) Janelas: Deverão ser previstas sempre que possível e em posições que evitem a
incidência direta do sol ou com brises ou outro tipo de barreira externa. Evite a
colocação de cortinas ou persianas. Caso isto não seja possível, não instale
sistemas com tecido ou outros materiais inflamáveis.

FIGURA 1 – Planta de um laboratório químico e outras instalações.

Projeto elétrico/Iluminação

Ao se realizar o projeto elétrico deve-se ter em conta os padrões e os conceitos


existentes. Isto será bastante útil na definição do tipo de distribuição, que podera
obedecer a diversos princípios, podendo ser aérea ou enterrada, aparente ou
embutida tanto para tomadas como para a iluminação.
O projeto elétrico será baseado no levantamento ou lista de equipamentos,
que é o primeiro passo na elaboração do projeto do laboratório.
É importante que seja previsto locais de fácil acesso para desativar os
circuitos sem interromper a alimentação de todo o laboratório. Caixas de disjuntores
localizadas junto às bancadas, derivadas do painel central, são bastante úteis para
este fim.

MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA


38

Utilize tomadas padronizadas e diferenciadas facilmente identificadas, para as


diversas tensões impossibilitando que se ligue um aparelho 110 V em uma tomada
220 V e identificação dos circuitos no quadro elétrico.
As tomadas deverão ser construídas e instaladas de tal maneira que um
derramamento de líquido não venha a provocar um curto-circuito. Devem ser
atendidas a norma regulamentadora 10 (NR 10) e as normas ABNT NBR 5410,
ABNT NBR 5413, ABNT NBR 5418 e ABNT NBR 5419.
Um laboratório normalmente é projetado para ter vida útil de 15 anos. Tenha
isso em mente ao definir a carga elétrica, prevendo expansões e futuras instalações.
O nível de iluminação recomendado está entre 500 e 1000 lux
convenientemente adequados à necessidade da atividade a ser desenvolvida
conforme pela norma ABNT NBR 5413. É importante que se evite sistema com
incidência de focos de luz sobre áreas de trabalho, contrastes excessivos ou
reflexos em monitores, embora não pareçam relacionados a segurança do ambiente,
podem causar doenças ocupacionais como fadiga visual se o projeto for mal
dimensionado.
Considere a necessidade do sistema de iluminação de emergência ligado a
circuito de emergência ou luminárias independentes de acordo com a NBR 10898
NB 652 sistema de iluminação de emergência. . Verifique também a necessidade
(ou não) de sistemas de alimentação de emergência “No Break ”. Juntamente com o
projeto elétrico deve-se definir os projetos de comunicação (fone, dados/ informática,
som).

Projeto hidráulico / Utilidades

Via de regra, a solução adotada se aproxima mais de uma instalação industrial


do que uma predial. Sempre que possível a instalação deverá ser aérea e aparente.
Isto permitirá maior flexibilidade na hora de um remanejamento ou ampliação.
A previsão de válvula de bloqueio é bastante importante para que se possa
efetuar manutenção ou modificação em uma dada bancada ou capela sem se
interromper a atividade do resto do laboratório. Avalie a compatibilidade dos fluidos
com os materiais utilizados nas tubulações.
O esgoto, via de regra, merece maior cuidado do que as instalações
residenciais, pois muitas vezes recebe resíduos sólidos em grande quantidade,
MANUAL DE TÉCNICAS DE SEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE QUÍMICA
39

assim como produtos por vezes bastante agressivos. Precisa-se também observar a
temperatura do esgoto, pois frequentemente existe nos laboratórios equipamentos
cuja descarga pode chegar a 100ºC ou mais.
Além das preocupações normais com o projeto hidráulico deve-se prever as
redes de gases especiais em função da pureza requerida. Não só requer cuidados
especiais na limpeza e manuseio da tubulação como tipos especiais de solda e
conexões quando da instalação.

Projeto de segurança

A segurança deve estar presente em cada decisão do projeto em todas as


disciplinas, além desta premissa deve ser atendida à legislação local (inclusive
normas internas) para extintores, hidrantes, sinalização, detetores de gás, fumaça e
calor, alarmes, sistemas automáticos de combate, etc.
É necessário, no início do projeto, que a equipe de segurança da empresa
seja consultada de modo a prevenir erros de especificações ou contrariedades às
“normas estabelecidas”. As normas de segurança, normalmente, levarão em
consideração os seguintes aspectos:
1. Especificações dos materiais utilizados.
2. Rotas de acesso e saídas de emergências.
3. Portas corta fogo, por exemplo, entre os laboratórios, administração e
almoxarifado de produtos químicos, se situadas em um mesmo prédio.
4. Acondicionamento de reagentes.
5. Utilização de coifas de captação direta e capelas nas operações em que houver
risco ao usuário;
6. Níveis de ruídos permitidos e EPI’s necessários;
7. Normas e procedimentos em caso de acidentes;
8. Chuveiros e lava-olhos de emergência;
9. Refrigeradores para acondicionamento de produtos inflamáveis com baixo “flash-
point”.
Cabe ao projetista manter-se atualizado sobre a evolução tecnológica no setor,
que tem sido bastante acelerada, bem como deve atentar, em cada projeto, para a
“cultura de segurança” de cada empresa adequando-se a ela e propondo melhorias
sempre que necessário.
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40

Sinalização

Toda área de laboratório deve estar sinalizada de forma a facilitar a


orientação dos usuários e advertir quanto aos riscos existentes.
A adoção de cores nos locais de trabalho nos laboratórios, é utilizada na
prevenção de acidentes, especialmente quando em área de trânsito para pessoas
estranhas ao trabalho, seja identificando os equipamentos de segurança,
delimitando áreas ou identificando as utilidades tanto para líquidos e gases.
As cores adotadas pela NR-26 são as seguintes:
Vermelho: usado para distinguir e indicar equipamentos e aparelhos de proteção e
combate a incêndio; ( porta de saídas de emergências, extintores e sua localização,
hidrantes)
Amarelo: empregado para indicar Atenção. (faixas no piso, pilastras, colunas.)
Branco: deverá ser empregado para delimitar áreas. (localização de bebedouros,
coletores de resíduos).
Preto: usado em coletores de esgoto ou lixo e em substituição ao branco ou
combinado a estes, quando condições especiais o exigirem.
Azul: empregado nos avisos contra o uso e movimentação de equipamentos que
deverão permanecer fora de serviço. Será também empregados em canalizações de
ar comprimido.
Verde: empregado para identificar dispositivos de segurança tais como chuveiros,
lava-olhos, macas, localização de EPI, caixas contendo EPI, avisos de segurança,
caixas de primeiros socorros, canalizações de água.

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Laranja: deve ser empregado para identificar partes móveis de maquinas e


equipamentos.
Púrpura: usado para identificar os perigos provenientes das radiações
eletromagnéticas penetrantes de partículas nucleares, recipientes de materiais
radioativos.
Lilás: usado para indicar canalizações que contenham álcalis.
Cinza: a) cinza claro – deverá ser usado para identificar canalizações em vácuo;
b) cinza escuro – deverá ser usado para identificar eletrodutos;
Alumínio: em canalizações contendo gases liquefeitos, inflamáveis e combustíveis
de baixa viscosidade.
Marrom: pode ser adotado, a critério da empresa, para identificar qualquer fluído
nãoidentificável pelas demais cores.
A sinalização luminosa é empregada para indicar a presença de pessoas em
áreas confinadas tais como, câmaras escuras, salas de imunofluorescência,
câmaras assépticas, laboratórios fotográficos e outras.
As saídas de emergências bem como as rotas de fuga – no caso de ser
necessário uma desocupação rápida da área – deverão também ser providas de
sinalização luminosa, conectadas a um fonte de suprimentos de energia de
emergência.

Ergonomia

Segundo Couto, Rios (1999 p.27) “Ergonomia é um conjunto de ciências e


tecnologias que procura a adaptação confortável e produtiva entre o ser humano e
seu trabalho, basicamente procurando adaptar as condições de trabalho às
características de ser humano.” Artigo da Revista Office (1997) “ A ergonomia aplica
conceitos de fisiologia, anatomia e psicologia na adaptação do ambiente e das
condições de trabalho ao ser humano, ou seja, proporciona integração e harmonia
entre o indivíduo e seu local de trabalho, gerando conforto total para o empregado e
aumento de produtividade para a empresa.”
A ergonomia segundo a Revista Office (1997) estuda questões como as
cores, iluminação, ruídos, umidade e temperatura. Nos equipamentos vai desde a
caneta e o lápis, até o vestuário, o mobiliário, teclados, monitores e telefones. Em
outras palavras, o posto de trabalho deve envolver o trabalho como uma
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“vestimenta” bem adaptada, em que ele possa realizar a sua tarefa com conforto,
segurança e eficiência. É concluí que, “O conforto é diretamente proporcional à
produtividade e a segurança”.
A ergonomia analisa quantitativa e qualitativamente o trabalho numa
empresa, a fim de melhorar as condições de trabalho e aumentar a produtividade,
basicamente é o estudo da organização racional do trabalho.
Os laboratórios químicos devem atender as exigências ergonômicas definidas na
norma regulamentadora 17 (NR-17), levando em consideração a atividade específica
executada, principalmente em relação às condições de iluminação, nível de ruído,
conforto térmico e mobiliário.
Os equipamentos e postos de trabalho devem ser projetados de forma a
proporcionar conforto aos trabalhadores.
A adequação da altura das bancadas é um fator importante, principalmente para os
equipamentos altos e cujo uso envolve situações de risco, como no caso de fornos e
estufas. A instalação com altura ergonomicamente projetada evita que o trabalhador
assuma posturas inadequadas.
A altura a ser considerada para o cálculo da altura da bancada deve ser a média
antropométrica do brasileiro.
Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada, o posto de
trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta posição, sendo a altura do
assento da cadeira regulada de acordo com a altura da bancada e o encosto
regulado com forma levemente adaptada ao corpo, para proteção da região lombar.
O trabalhador deve apoiar os pés no chão ou em descanso de pés.
Seu emprego é hoje fundamentado em lei, através da Portaria nº 3. que aprova as
Normas Regulamentadora – NR – do Capítulo V do Titulo II; sendo a Norma
Regulamentadora 17 a que dispõe sobre os aspectos Ergonômicos.
Segue alguns pontos importantes da Norma :

A NR 17
17.1. Esta Norma Regulamentadora visa estabelecer parâmetros que permitam a
adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos
trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e
desempenho eficiente.

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17.1.1. As condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento,


transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições
ambientais do posto de trabalho, e a própria organização do trabalho.
17.1.2. Para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características
psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise
ergonômica do trabalho, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de
trabalho, conforme estabelecido nesta Norma Regulamentadora.
17.3 Mobiliário dos postos de Trabalho.
17.3.1. Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada, o posto de
trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta posição.
17.3.2. Para trabalho manual ou eu tenha de ser feito em pé, as bancadas, mesas,
escrivaninhas e os painéis devem proporcionar ao trabalhador condições de boa
postura, visualização e operação e devem atender aos seguintes requisitos mínimos:
Ter altura e características da superfície de trabalho compatíveis com o tipo de
atividade, com a distancia requerida dos olhos ao campo de trabalho e com a altura
do assento; Ter área de trabalho de fácil alcance e visualização pelo trabalhador;
Ter características dimensionais que possibilitem posicionamento e movimentação
adequados dos segmentos corporais.

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O MAPA DE RISCOS DO DQ-UFPI

PARTE 1:

Frente do Depto. Proxímo a rua e a parada de ônibus

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PARTE 2:

Meio do depto, onde estão a maioria dos laboratórios de pesquisa e ensino.

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PARTE 3

Fundo do depto, onde se localizam as salas dos docentes.

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A política atual no progresso da ciência


(pesquisa e ensino na visão das empresas)

A organização do ensino de Ciências tem sofrido nos últimos anos inúmeras


propostas de transformação. Em geral, as mudanças apresentadas têm o objetivo de
melhorar as condições da formação do espírito científico dos alunos em vista das
circunstâncias histórico-culturais da sociedade. As alterações tentam situar a ciência
e o seu ensino no tempo e no espaço, enfatizando em cada momento um aspecto
considerado mais relevante na forma de o homem entender e agir cientificamente no
mundo por meio de um conhecimento que, de modo geral, está além do senso
comum.

Até os anos 60, por exemplo, o ensino de Ciências passou por uma longa
fase em que a ciência era apresentada como neutra e o importante eram os
aspectos lógicos da aprendizagem e a qualidade dos cursos era definida pela
quantidade de conteúdos conceituais transmitidos. Nos anos seguintes valorizou-se
a participação do aluno no processo de aprendizagem do método científico através
de atividades práticas de laboratório.

Na década de 70, a crise econômica mundial e os problemas relacionados


com o desenvolvimento tecnológico fizeram surgir no ensino de Ciências um
movimento pedagógico que ficou conhecido como “ciência, tecnologia e sociedade”.
Essa tendência no ensino é importante até os dias de hoje, pois leva em conta a
estreita relação da ciência com a tecnologia e a sociedade, aspectos que não podem
ser excluídos de um ensino que visa formar cidadãos. Nos anos 80 a atenção
passou a ser dada ao processo de construção do conhecimento científico pelo
aluno. Inúmeras pesquisas foram realizadas nesse campo e o modelo de
aprendizagem por mudanças conceituais, núcleo de diferentes correntes
construtivistas, é hoje bem aceito pela maioria dos pesquisadores. No entanto,
lembram os Parâmetros Curriculares Nacionais.

Esse modelo tem merecido críticas que apontam a necessidade de reorientar


as investigações para além das pré-concepções dos alunos. Não leva em conta que
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a construção de conhecimento científico tem exigências relativas a valores


humanos, à construção de uma visão de Ciência e suas relações com a Tecnologia
e a Sociedade e ao papel dos métodos das diferentes ciências.

Na atualidade, penso que a preocupação dos que investigam novos caminhos


para o ensino de Ciências não está na simples superação da mera descrição de
teorias e experiências científicas, nem na visão de que o conhecimento é algo que
se constrói. Este último é um ponto relevante e fonte de importantes trabalhos
acadêmicos, porém, tem apresentado visível desgaste como campo de pesquisa. As
atenções da educação estão hoje basicamente voltadas para a idéia de cidadania e
para a formação de professores com novos perfis profissionais, mestres em
condições de trabalhar com uma visão interdisciplinar da ciência, própria das
múltiplas formas de se conhecer e intervir na sociedade hoje.

Neste sentido, as propostas mais adequadas para um ensino de Ciências


coerente com tal direcionamento devem favorecer uma aprendizagem comprometida
com as dimensões sociais, políticas e econômicas que permeiam as relações entre
ciência, tecnologia e sociedade. Trata-se, assim, de orientar o ensino de Ciências
para uma reflexão mais crítica acerca dos processos de produção do conhecimento
científico-tecnológico e de suas implicações na sociedade e na qualidade de vida de
cada cidadão. É preciso preparar os cidadãos para que sejam capazes de participar,
de alguma maneira, das decisões que se tomam nesse campo, já que, em geral, são
disposições que, mais cedo ou mais tarde, terminam por afetar a vida de todos. Essa
participação deverá ter como base o conhecimento científico adquirido na escola e a
análise pertinente das informações recebidas sobre os avanços da ciência e da
tecnologia.

Apesar de se constatar um consenso praticamente unânime entre os


professores sobre a formação para a cidadania, vale lembrar que, em geral, os
textos sobre o assunto não apontam uma metodologia específica, uma “receita”
perfeita para se conseguir formar cidadãos críticos, autônomos e participativos.
Primeiro porque essa “receita”, de fato, não existe. E segundo, porque a relação
entre professor e aluno não é uma relação que caiba em uma receita. Os valores, o

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estilo, a personalidade, a maneira de encarar o mundo do professor no momento em


que atua como professor delimita qual será a metodologia (receita) mais conveniente
para atingir seus objetivos. Assim, não pretendemos aqui estabelecer nenhuma
receita aos professores, mas apenas fazer uma reflexão sobre a noção de espírito
crítico dentro da área do ensino de Ciências e exemplificar como esse objetivo pode
ser alcançado.

Ao se pretender estabelecer uma perspectiva mais interdisciplinar para o


ensino de Ciências, três pontos parecem dificultar a realização desses objetivos. O
primeiro refere-se à forma tradicional como a escola e alguns dos elementos que
compõem os currículos estão organizados. Refiro-me às rígidas divisões das áreas
de conhecimento em disciplinas estanques: Física, Química, Biologia, Matemática,
História... A essa divisão acrescentam-se outras, como no caso da Física, que é
ensinada em blocos distintos de conhecimentos: Mecânica, Termologia, Eletricidade,
Óptica... Muitas vezes essas divisões impedem que os estudantes reconheçam
como esses conhecimentos se relacionam e, mais, como podem afetar suas vidas,
tornando, assim, difícil uma discussão abrangente e produtiva sobre a ciência.

Paulo Roberto Dos Santos

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