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Vivemos em um país que abriga cerca de 254 povos indígenas diferentes,

que falam cerca de 150 línguas e habitam todas as regiões de nosso território.
Desde há muito tempo a sociedade vem buscando conhecer esses povos e
compreender suas culturas, o que resultou no estabelecimento de um conjunto
de direitos que tenta lhes garantir a sobrevivência enquanto povos culturalmente
diferenciados. No entanto suas descobertas para a ciência ainda são pouco
fundamentas e difundidas, como por exemplo, a relação dos indígenas com a
química.

Para compreender o porquê disso é necessário voltar ao tempo das


explorações e conquistas europeias, nesse período o mundo era eurocêntrico,
ou seja, a Europa no centro de tudo. Os índios, antes mesmos dos europeus
invadirem seu território já usava seus conhecimentos químicos para transformar
e manipular substâncias, como por exemplo, bebidas fermentadas, os corantes
retirados do pau-brasil e urucum, e os venenos. Entretanto eles ficaram
conhecidos como “selvagens primitivos”, e todo reconhecimento e contribuição
para o desenvolvimento da química é baseado na parte teórica desenvolvido na
Europa.

Os índios não tinham um conhecimento teórico a respeito das coisas, mas


tinham um excelente e invejável conhecimento empírico, ou seja, conhecimento
adquirido pela observação e experiência. Eles dominavam, e dominam ainda
hoje, os mais variados recursos relacionados a natureza.

Os indígenas dominavam os processos de extração de corantes naturais


e do tingimento corporal, eles sabiam como extrair o corante vermelho do
urucum, a Bixa orellana, e a seiva dos frutos da árvore Genipa americana, de
nome genipapo, que ao reagir com a pele, produz uma coloração negro-azulada
e com os quais é produzido um licor muito apreciado, até os dias de hoje, em
todo o Brasil.

Além disso, as principais contribuições dos índios para a química, foi na


área da saúde. Os indígenas não tinham médicos, não tinham laboratórios e não
conheciam o átomo, os orbitais e as ligações químicas. Tudo o que tinham eram
as plantas, as raízes, o que a natureza fornecia. O profundo conhecimento
químico da natureza, pelos indígenas pode ser considerado fator fundamental
para descobrimento de substâncias tóxicas e medicamentosas ao longo do
tempo. A convivência e o aprendizado com os mais diferentes grupos étnicos
trouxeram valiosas contribuições para o desenvolvimento da pesquisa em
produtos naturais, do conhecimento da relação íntima entre a estrutura química
de um determinado composto e suas propriedades biológicas.

Algumas das ervas medicinais que os povos indígenas utilizam com tanta
sabedoria e curam muitas enfermidades com sucesso são:

1. Casca de Murapuama – funciona como tônico neuro-muscular e até


afrodisíaco e é utilizado em casos de fraquezas, gripes, impotência,
reumatismo crônico, etc.
2. Pó de Guaraná – é usado como estimulante, tônico estomáquico, contra
distúrbios gastro-intestinais e diarreias. Ele ativa as funções cerebrais e
combate a arteriosclerose, as enxaquecas, as nevralgias e detém as
hemorragias, além de atuar como calmante para o coração.
3. Casca de Barmitão – potente anti-hemorrágico e anti-inflamatório.
4. Casca de Moruré – contribui para o alívio das dores reumáticas, artríticas
e da coluna vertebral, é estimulante do sistema nervoso e muscular.
5. Saracura-mirá – é energético, por isso usado no tratamento de cansaço
físico e sexual, insônia, nervosismo e também falta de memória.
6. Óleo de Copaíba – suas propriedades medicinais atuam no combate aos
catarros vesicais e pulmonares, bronquites e desinterias.
7. Catuaba – este também é poderoso tônico energético usado no
tratamento de cansaço físico e sexual, nervosismo, insônia e falta de
memória. Possui, ainda, propriedades anti-sifilíticas.