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Universidade da Paraíba

Instituto Educacional Santo Agostinho

Curso de Graduação em Pedagogia

Ádyla Márcia Paulino da Silva

Sandra Maria Cardoso da Silva

Contribuição dos filósofos para Educação

Umbuzeiro

2018
Ádyla Márcia Paulino da Silva

Sandra Maria Cardoso da Silva

Contribuição dos filósofos para Educação

Trabalho de pesquisa ao curso de

Pedagogia do Instituto Educacional Santo Agostinho,

como parte dos requisitos avaliativos da referida

disciplina de Filosofia da Educação.

Prof. Me. Fagner Veloso

Umbuzeiro

2018
Sócrates

O ponto central do pensamento socrático e dos sofistas envolve a questão de como educar ou
preparar as pessoas para viver na cidade. Esse objeto (o como e para quê educar) perpassa
toda a filosofia ocidental, indo de Platão a Hegel. Para Sócrates era necessário revisar o
sistema educacional que preparava o jovem para ser guerreiro, ou seja, ter uma boa e gloriosa
morte em um campo de batalha. Também era preciso rever o fato dos ensinamentos morais e
intelectuais serem objetos acessíveis apenas aos considerados de sangue puro e divino. O
filósofo entendia que os tempos haviam mudado e que a educação centrada na formação de
guerreiros era ultrapassada. Com o desenvolvimento da cidade, o objetivo da educação seria
então o de preparar pessoas para viver plenamente o sistema democrático que vigorava na
Pólis, o objetivo deveria ser o de preparar cidadãos. Nesse momento, Sócrates e os sofistas
começam então a questionar as verdades até então absolutas. Eles promoviam debates em
praça pública, onde o saber é disseminado através da oposição de argumentação e oposição
de ideias, algo que a sistema democrático permite e até tem como uma de suas bases. A
educação, nesse sentido, assume o papel de responsável pela formação humanística, pelo uso
hábil da palavra e argumentação e se torna centrada em objetivos e em conteúdos
pragmáticos. É possível notar que o pensamento educacional da época sai de uma lógica
cosmológica, no qual as verdades absolutas não podem ser questionadas, para um
pensamento antropológico. A preocupação de Sócrates era a de despertar nas pessoas a
importância do autoconhecimento, o que, sem dúvida, as conduziria à sabedoria e à prática do
bem.

A grande proposição entre Sócrates e a educação é encarar o diálogo como método de


investigação ou de esclarecimento mais profundo de certas perguntas e indagações. Essa
forma de propagar um saber ou conhecimento é vista por muitos como o cerne da atividade
de um professor à maneira clássica. Quero dizer, um professor que tenha a habilidade de fazer
com que seus alunos, no decorrer do desenvolvimento intelectual, sejam capazes de pensar
por si mesmos. O Mestre seria então aquele que ilumina o caminho do discípulo, não uma
fonte emissora de conhecimento e saberes .
Kant

Para Kant é somente a partir da educação que o homem pode alcançar, com plenitude, sua
humanidade, pois a educação o “constrói”, fazendo com que ele seja capaz de gozar sua
liberdade. A liberdade plena só pode ser alcançada a partir do momento em que o homem
compreende que deve cumprir a lei moral e é capaz de cumpri-la. O papel da educação é
aperfeiçoar as disposições que o homem já traz dentro de si referentes a essa lei . Não
podemos deixar de considerar a influencia de Kant na educação. Seus pressupostos permeiam
o cenário escolar até os dias de hoje e são refletidos na prática docente. No entanto, é
importante ressaltar que a pedagogia de Kant, bem como sua filosofia, partem do princípio da
universalidade do ser humano, sem considerar o contexto específico em que se desenvolve
sua moralidade. Isso, de fato, dificulta sua aplicação na prática já que a educação é um
processo repleto de especificidades. O homem nasce com disposições naturais para o bem, no
entanto estas disposições desenvolvem-se enquanto virtudes a partir do contato com a
Educação Prática. A Educação Prática de Kant consiste em trabalhar no homem sua habilidade,
sua prudência e sua moralidade – aspectos que somados estão diretamente relacionados à
formação de seu caráter. Quanto às virtudes podemos compreendê-las como a capacidade
que o homem desenvolve em si de agir conforme o dever estabelecido por ele mesmo por
meio da razão. É a razão que nos permite conhecer a lei moral que encontra-se em nós. Tal lei
é um imperativo categórico, pelo fato de ser uma ação boa em si mesma, um princípio
ordenado por nossa razão
Descartes

Descartes é considerado pela historiografia filosófica como um dos maiores pensadores


modernos. Foi ele quem lançou as bases da filosofia e da ciência moderna . A obra de
Descartes, enquanto um clássico do pensamento ocidental traz estas contradições e
possibilidades que podem contribuir para a elucidação, clareza, problematização e ou
superação de alguns de nossos problemas atuais. Pois, Descartes edificou um sistema filosófico
e o alcance da sua obra ainda encontra-se por ser explorado. Descartes pode ser conhecido
pelas implicações do sistema cartesiano. Uma dessas implicações é a visão idealista da relação
sujeito/objeto. Sujeito e objeto são componentes autônomos, não é a relação que os constitui.

O sujeito é sempre independente do objeto. Isto porque para o autor existe uma separação
entre a consciência e o mundo da materialidade, considerados como substâncias
independentes e autônomas, ou seja, a consciência é um substância, uma res cogitans,
independente do mundo dos objetos, da res extensa. Outra implicação da concepção
cartesiana que se apresenta problemática é a idéia de que o método deve se impor no
processo de investigação. Com essa idéia estabelece-se uma exterioridade entre o sujeito e o
objeto e entre o método e a verdade. E o saber não é algo a ser produzido, mas um conjunto
de regras a ser seguidas, e, é produto do controle, da razão metódica. Mas estes são alguns
dos aspectos do pensamento do filósofo. Descartes criou o Cogito, e com ele iniciou a
concepção de homem enquanto consciência; instituiu a dúvida como método de busca da
verdade ; e, imprimiu a radicalização das formas racionais de constituição do conhecimento.
Com isso Descartes iniciou a construção de uma nova mentalidade social. A reflexão que
proponho aqui será feita a partir dos fundamentos da filosofia de Descartes que fazem dele
um revolucionário e contestador da ordem social e do pensamento estabelecidos. Os aspectos
do filósofo que serão lembrados aqui são do Descartes revolucionário, inquieto, contestador e
comprometido com o seu tempo, com a ciência e com o pensamento de sua época. É com a
ilustração desse espírito do filósofo que serão buscadas as contribuições deste à educação.
Deleuze

Quem vem por lá, no meio da neblina? Quem entra sem bater, sem se anunciar, sem dizer o
nome próprio? Quem chega ao jardim de infância da Educação? As crianças assustam-se, pois,
vêem, é um homem de saúde frágil, a quem freqüentemente falta ar. Elas gritam por socorro,
ao olharem suas unhas longas, não aparadas, que protegem a falta de impressões digitais.
Todos se perguntam: – O que ele vem fazer aqui? O que quer da Educação? Cometerá
violências contra a sua educação, ao fazê-las aprender a pensar sem imagens e a desaprender
o que já aprenderam? Quem ele acha que é, para vir se meter com elas, até agora
tranqüilamente fixadas em formas essenciais e saturadas por definições substanciais? Quanto
atrevimento por parte de quem nunca atribuiu à infância qualquer valor, enquanto fonte do
sujeito, origem do sentir e do pensar adultos! Quanta invasão de quem jamais deu qualquer
importância à infância-arquivo, à criança-lembrança ou ao infantil-universal, por privilegiar
somente um de vir criança do mundo! Que ousadia a desse homem intrometer-se na
Educação, justamente ele que, enquanto aluno, foi uma nulidade na escola... (Até descobrir a
filosofia podia ser tão desafiadora e divertida quanto qualquer obra de arte!)

Os professores tentam acalmar as crianças, mas elas choram de medo, quando o homem lhes
fala com sua voz rouca e dicção fatigada, como as de um feiticeiro. Então, mostram-lhes que
este pensador traz, para todos, belas, novas e fortes lufadas de enunciação, que nos levam a
pensar e a viver a Educação do mesmo modo que um artista pensa e vive a sua arte.

Explicam-lhes que se trata de um filósofo que prossegue a tarefa (que Spinoza começou e
Nietzsche continuou) denos levar a detestar todos os poderes ligados à tristeza, os quais
transmitem a ideia de vivermos em estado perpétuo de dívida infinita. De alguém que tem
horror a tudo que apequena e entristece a vida, isto é, dos poderes de quem trabalha para
diminuir ou nos separar das forças ativas de que somos capazes; e que, com isso, buscam
conduzir nossas vidas à resignação, à má-consciência, à culpa, recheandoas de afetos tristes e
imobilizadores, de queixas e de ressentimentos .
(Sócrates) (Kant)

(Descartes) (Deleuze)
Referência :
https://demonstre.com/socrates-e-a-educacao/

https://www.webartigos.com/artigos/a-educacao-em-kant/23199/

https://pt.slideshare.net/christrarbach/

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