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Aula

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ELEMENTOS E FATORES DO CLIMA(I)

OBJETIVOS

Ao final da aula, o aluno deverá:

- identificar as principais variáveis climáticas

- analisar a importância dos fatores estáticos e dinâmicos do clima

- correlacionar os elementos e fatores climáticos na análise climática.

UFPE

CURSO DE CIÊNCIAS AMBIENTAlS

2018
1- As Variáveis Climáticas

As variáveis climáticas compreendem os elementos e os fatores geográficos. Os


elementos são as principais características físicas do ar atmosférico sobre uma
determinada área. Englobam a temperatura do ar, a pressão atmosférica, a umidade do
ar, as precipitações e os ventos. Os fatores climáticos, que modificam os elementos do
clima, podem ser estáticos e dinâmicos. Os estáticos são a altitude, a latitude, a posição
geográfica do lugar com relação aos oceanos e mares, a exposição do lugar aos fluxos
de ar úmido, natureza da superfície ( massas líquidas ou continentes), cobertura vegetal
etc. Os dinâmicos, que são responsáveis pelas mudanças freqüentes do tempo,
relacionam-se à circulação geral ( massas de ar) e à circulação secundária (ondas de
leste, zonas de convergência, centros móveis de altas e baixas pressões etc).

.1- A variável temperatura do ar e a insolação

O calor é a forma de energia que se concretiza pela maior ou menor agitação das
moléculas. Ele pode ser também conceituado como sendo “ a energia térmica em
trânsito entre corpos que possuem diferentes temperaturas.” Quando, por exemplo,
um corpo que se encontra mais aquecido é colocado em contato com outro corpo
menos aquecido, as moléculas e átomos que possuem maior velocidade comunicam a
sua agitação para as moléculas do corpo vizinho. Isso é o que nos ensina a Física
clássica e o que a realidade mostra.

O calor contido num corpo depende bastante da natureza da substância que o


compõe esse corpo. Assim, surgiu o conceito de calor específico, que representa a
quantidade de energia que é necessária para elevar 1°C a temperatura de 1g de uma
dada substância. Oceanos e continentes possuem calor específico diferente. Esse fato
acarretará importantes conseqüências meteorológicas e climáticas.

O calor específico das massas líquidas é bem superior ao das das massas
rochosas. Vejamos a tabela a seguir, onde é observado o calor específico de várias
substâncias terrestres, à pressão constante de 1 atm.
Tabela 1- Exemplos de calor específico

SUBSTÂNCIA CALOR ESPECÍFICO (cal/g.°C)

Água 1,0

Álcool 0,6

Ar 0,24

Rochas 0,21

As massas continentais se aquecem e se resfriam, portanto, mais rapidamente


que as massas oceânicas. Isso proporcionará diferentes quadros térmicos e barométricos
e explicará, como será visto adiante, complexos mecanismos da circulação atmosférica
terrestre.

A água para sofrer uma mudança de fase, como por exemplo, do estado líquido
para o estado gasoso (evaporação), necessitará de uma quantidade de calor por unidade
de massa. Esse calor necessário para a mudança de fase denomina-se calor latente.

Quando há a condensação do ar, verifica-se uma importante liberação do calor


latente para a atmosfera. Esse fato, de natureza eminentemente física, justifica o
aquecimento do ar vizinho, notabilizando os furacões que, por exemplo, agem no
Caribe. O ar assim aquecido expande-se ainda mais, diminuindo a pressão atmosférica
no local.

1.2- Os Processos de Transferência de Calor


São três os processos de transferência de calor: a)radiação, b)convecção e c)
advecção.

A radiação é a propagação da energia pelo espaço, através de ondas


eletromagnéticas. Neste caso , não há contato entre os corpos. O Sol emite uma imensa
quantidade de radiação de onda curta ou , como denominam os meteorologistas, a ROC.
Grande parte dessa ROC atinge a superfície terrestre, aquecendo-a mais ou menos
rapidamente, em função da latitude do lugar e da natureza do terreno, sobretudo. A
superfície terrestre aquecida pela ROC transmite calor para o ar atmosférico. E´ a
radiação de onda longa ou ROL(longwave radiation)- Figura 8.
Figura 8- Radiação de Onda Longa (ROL) emitida para o espaço, em dezembro/2007.
(Fonte: CPC/NCEP/NWS)

A atmosfera terrestre proporciona diversos efeitos sobre a ROC, diminuindo a


quantidade desta que poderia atingir a Terra. Entre esses efeitos, podem ser
mencionados os seguintes: difusão seletiva, reflexão difusa e absorção. A difusão
seletiva ocorre pela interferência de partículas opacas e poeiras finas. A reflexão e a
absorção dependem sobremaneira da inclinação dos raios solares e da transparência da
atmosfera.

No estudo da absorção da ROC pela superfície terrestre, faz-se necessário um


exame do contraste da distribuição das terras e das águas. A água absorve menos
depressa a ROC. Isso ocorre porque é um líquido, pelo seu calor específico, como foi
visto anteriormente, e por ser um corpo transparente. Este último fator contribui para
que a ROC penetre profundamente a substância. A existência de climas marítimos e
climas continentais justifica-se por esse fato.

A convecção é a transferência de calor pela agitação das moléculas do ar. E´ um


processo essencial nas áreas de baixas latitudes. A convecção, ao aquecer o ar
atmosférico, provoca o aumento de volume deste e diminui a sua densidade e a pressão
atmosférica. As nuvens de grande desenvolvimento vertical ( cúmulos-nimbos Cb)
exemplificam essa explicação ( Figura 9).
Figura 9- Nuvem cúmulo-nimbos, um belo exemplo de nuvem de convecção e grande
desenvolvimento vertical