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Prepare seu plano de voo

Edição nº 257 Ano 45


Julho / Agosto / Setembro - 2018

20

Força Aérea
CAPA
Você luta como

Aérea
Agência
treinou

Batista / Força
Exercício Operacional

/ Agência
Tápio simulou cenário
de guerra irregular en-

Bruno
André Feitosa
contrado em missões

Cb Sargento
de paz da ONU
Divulgação Ânima Educação

08 ENTREVISTA
Ozíres Silva
Um dos fundadores da
14 REESTRUTURAÇÃO
Ala do futuro
Saiba como a Ala 2, em Anápolis
Embraer fala sobre o papel da (GO), está se preparando para
FAB no desenvolvimento da receber as novas aeronaves da
indústria aeronáutica brasileira FAB – Gripen NG e KC-390

EXPEDIENTE

Publicação oficial da Força Aérea Brasileira, a Chefe do CECOMSAER: Estão autorizadas transcrições integrais ou parciais
revista Aerovisão é produzida pela Agência Brigadeiro do Ar Antonio Ramirez Lorenzo das matérias, desde que mencionada a fonte.
Força Aérea, do Centro de Comunicação Social
da Aeronáutica (CECOMSAER). Vice-Chefe do CECOMSAER: Distribuição Gratuita
Coronel Aviador Flávio Eduardo Mendonça Tarraf Acesse a edição eletrônica:
www.fab.mil.br/publicacao/listagemAerovisao
Chefe da Divisão de Comunicação Integrada:
Impressão: Gráfica Pallotti ArtLaser.
Coronel Aviador Paulo César Andari

Esplanada dos Ministérios, Bloco M, 7º Andar Chefe da Subdivisão de Produção e Divulgação:


CEP: 70045-900 - Brasília - DF Tenente-Coronel Aviador Bruno Pedra
Tiragem: 18 mil exemplares.
Período: Julho / Agosto / Setembro Edição: Tenente Gabriélli Dala Vechia
(Jornalista Responsável - 16128/RS)
2018 - Ano 45

4 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Veja a edição digital

28 DEFESA ANTIAÉREA
M a i o r p r e c i s ã o,
melhor combate

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


Militares da FAB desen-
volvem dispositivo para
registrar automaticamente
os tiros realizados com os
mísseis IGLA e IGLA-S

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


Veja na FAB TV
RISCO BALOEIRO
Nova edição do programa destaca campanha sobre
o risco baloeiro. Além de ser crime ambiental, a prática
32 ENSINO
Vida de aluno
Em fotos, conheça um pouco
da rotina dos alunos da
é perigosa para a aviação e pode causar acidentes aéreos Escola de Especialistas de
Aeronáutica (EEAR)

38 TECNOLOGIA
Do espaço aos nossos pés
FA B c o n t r a t a q u a t r o
novos satélites, de órbita
baixa, para fornecimento
de imagens da superfície
terrestre do país

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 5
Aos Leitores

Evolução
Sejam todos muito bem-vindos à mais nova edição da revista
oficial da Força Aérea Brasileira - a Aerovisão – desta feita, com um
conteúdo que poderia ser considerado de edição histórica.
Isso porque a revista deste trimestre retrata em suas páginas como
a atividade aeronáutica, e particularmente a FAB, evoluiu tanto em
tão pouco tempo. Por mais ousado e visionário que Alberto Santos-
-Dumont fosse, dificilmente ele imaginaria que a Força Aérea do
seu país estaria, já em 2018, não só avançada na aviação em si, mas
também especializada na área espacial.
A evolução dos treinamentos realizados pelas nossas equipagens,
a excelência na formação de nossos homens e mulheres, o respeito
à memória de nossos antepassados e o olhar sempre voltado para
a modernidade e eficiência permeiam todas as matérias que vocês
estão prestes a desvendar.
Seja por meio do legado do nosso patrono, seja pelo exemplo ins- “Nossa capa:
pirador de Ozíres Silva - entrevistado desta edição - não há como não Esta edição da Aerovisão destaca o Exercício
se orgulhar ao percorrer cada uma das reportagens aqui apresentadas. Operacional Tápio, desenvolvido através
Esse orgulho é um sentimento que gostamos de compartilhar de estudos do Comando de Preparo para
com todos aqueles que não fazem parte da família Força Aérea se adequar à FAB após seu processo de
Brasileira de modo direto, mas que certamente nos acompanham Reestruturação.
por meio de todas as nossas mídias, e é por isso mesmo que os
convidamos para mais essa viagem nas páginas da Aerovisão.

Boa leitura a todos!

Brigadeiro do Ar
Antonio Ramirez Lorenzo
Chefe do Centro de Comunicação
Social da Aeronáutica

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 7
ENTREVISTA

“Pode chamar
isso de sorte. Eu
chamaria tudo isso de
persistência”
Aos 37 anos, Ozíres Silva viu seu sonho alçando voo, literalmente.
À época Major Aviador da Força Aérea Brasileira (FAB) e engenheiro
formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ele
encabeçou a pequena equipe de profissionais que acreditava ser
possível projetar e fabricar um avião no Brasil. Isso há exatamente meio
século, poucos anos após a instalação da indústria automobilística
no país, quando mais da metade da população ainda vivia na zona
rural. Ozíres e sua equipe logo comprovaram que estavam certos: o
Bandeirante, primeiro avião nacional, fez seu voo inaugural em 22
de outubro de 1968 e impulsionou a criação da Embraer.
Em 2018, Ozíres, agora com 87 anos, acompanha o cinquentenário
do Bandeirante e o fato de a Embraer ter se colocado como a terceira
maior indústria aeronáutica do mundo, logo atrás da Airbus e da
Boeing. Em entrevista à Aerovisão, ele avalia que o sucesso do avião se
deu ao fato de os profissionais terem encontrado um filão de mercado
ainda não explorado internacionalmente, o da aviação regional.
Relembrando alguns pontos de sua carreira, que sempre esteve
ligada à aviação, ao Estado e à educação, Ozíres diz que não
acredita em sorte: “eu chamaria isso tudo de persistência”
TENENTE JORNALISTA GABRIELLI DALA VECHIA

8 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Divulgação Ânima Educação
Atualmente, Ozíres
ocupa o cargo de Reitor
do Centro Universi-
tário São Judas Tadeu
- Campus Unimonte,
em Santos (SP)

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 9
Em 2018, completa-se meio século prir a própria Força, além de interesses
desde o primeiro voo do avião C-95 comerciais. A história da construção
Bandeirante, processo do qual o senhor aeronáutica no Brasil, iniciada em
participou e foi um dos protagonistas. “A maioria falhou 1910, quatro anos após o histórico voo
Como foi para a FAB e para o país de Santos-Dumont em Paris, foi um
desenvolver um avião naquela época? na tentativa de grande estímulo aos pioneiros. Mas a
A iniciativa da FAB, criando o ITA
[Instituto Tecnológico de Aeronáutica]
criar e produzir maioria falhou na tentativa de criar e
produzir aviões similares aos estran-
como unidade de educação para a aviões similares aos geiros, dos Estados Unidos e da França.
formação de engenheiros aeronáuticos Eram derrotados pela competição desi-
e o CTA [então Centro Técnico de Ae- estrangeiros, dos gual entre a industrialização brasileira
ronáutica, atualmente Departamento e a americana ou europeia. O ITA e o
de Ciência e Tecnologia Aeroespacial] Estados Unidos e da CTA, anos mais tarde, demonstraram
como unidade de pesquisas, foi funda- que a visão da FAB foi correta. Assim,
mental para a evolução da construção França” em 1965, uma pequena equipe de ape-
aeronáutica no Brasil, a partir de 1950. nas quatro engenheiros formados pelo
A decisão da Força justificava-se, pois ITA, trabalhando em pesquisas no CTA,
a instituição entendeu que seria muito por meio de estatísticas internacionais e
difícil formar engenheiros no exterior, intelectual nacionais. Previu-se que en- nacionais, encontrou a oportunidade de
trazê-los para o Brasil e, só então, dar genheiros formados no país poderiam criar um avião diferente, não fabricado
partida aos estudos para a fabricação ser sementes de iniciativas locais que, pelas concorrentes de outros países.
de aviões de marca e propriedade apoiadas pela FAB, começassem a su-
Como foi a concepção da nova
Divulgação Embraer
aeronave?
A equipe de engenheiros pesquisou
e verificou que, em face da criação dos
motores a jato, a indústria passou a
desenvolver aviões mais velozes, os
quais precisavam de pistas mais longas
e preparadas. Com isso, deixou-se de
atender a milhares de cidades nos Esta-
dos Unidos e centenas no Brasil com o
transporte aéreo regular. Por essa razão,
os engenheiros da FAB acreditaram que
faria sentido criar um projeto e realizar
a construção de um protótipo no CTA
- um novo tipo de avião de transporte
aéreo, voltado para a aviação regional,
até então inexistente, o Bandeirante. A
iniciativa foi fortemente apoiada pela
FAB e o protótipo-demonstrador da
tese, que comprovou a viabilidade de
se desenvolver a aviação regional no
Divulgação Embraer

Brasil e no mundo, voou em 22 de Ou-


tubro de 1968, há exatamente 50 anos.
Acima, início das instalações
da linha de montagem da Em- O Bandeirante ainda é um impor-
braer em São José dos Campos
tante vetor da aviação de transporte da
(SP), projetadas para fabricar
o primeiro avião brasileiro, o FAB. A que o senhor atribui o sucesso
Bandeirante - também cha- da aeronave?
mado de EMB 110 (ao lado) Os desafios técnicos foram vencidos

10 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
pelos engenheiros do ITA, que soube-

Divulgação ITA
ram caminhar sozinhos e se apoiando,
no que fosse necessário, em fornecedo-
res estrangeiros. A iniciativa deu certo
graças à identificação de um vazio no
mercado e ao oferecimento de um pro-
duto novo e competitivo. Ela conectou
um projeto técnico a uma previsão co-
mercial viável. Com isso, foi encontrada
uma base nos mercados nacional e
mundial para a criação da Embraer em
1969, também muito apoiada pela FAB.

Como foi esse papel da FAB na


criação da Embraer?
À época, conseguimos conquistar
a confiança de altos oficiais da FAB,
inclusive do Ministro da Aeronáutica,

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea


Marechal Marcio de Souza e Mello, e
de sua equipe, que foram fundamentais
para a criação da empresa, como uma
Sociedade de Economia Mista. A lei de
criação previu 51% do capital como
governamental e 49% como capital
privado, permitindo a dedução de 1% Acima, instalações do Instituto
Tecnológico de Aeronáutica
do Imposto de Renda para a subscrição (ITA) - escola de engenharia
de ações como capital da nova empresa. da FAB onde se formou Ozíres
Silva. Ao lado, C-95 Bandei-
rante, da FAB, em atividade
Como o senhor avalia as parcerias nos dias atuais
entre os setores público e privado para
alavancar a indústria aeronáutica? Es- duas ou mais empresas para realizar
tão acontecendo? Estão funcionando? uma atividade econômica comum] com
Infelizmente, a legislação brasileira o setor privado. Não creio que uma
se complicou em demasia, nestes últi- “Se a Embraer fosse solução como a da criação da Embraer,
mos 50 anos – e continua se complican- uma Sociedade de Economia Mista
do – tornando difícil montar qualquer criada hoje, teríamos incentivada, possa ocorrer atualmente.
proposta de parcerias público-priva- Se a Embraer fosse criada hoje, teríamos
das. Mesmo que sejam indústrias con- que lutar muito que lutar muito mais e não teríamos su-
tando com seguras demandas civis ou cesso! Assim, quando se pergunta “qual
militares. As notícias que temos sobre
mais e não teríamos o caminho?”, teria de afirmar: não sei.
as tentativas de comandos militares,
nos últimos anos, de dar apoio para
sucesso!” Qual sua avaliação sobre os prin-
novas iniciativas, não vingaram. Se cipais projetos aeronáuticos que o
não tivermos oportunidade de eleger Brasil está conduzindo hoje - Gripen
para Presidente da República um lí- NG e KC-390?
der renovador, acompanhado de uma De que forma o Estado poderia se O projeto do novo avião supersôni-
equipe competente e com vontade de articular para fomentar novas inicia- co para a FAB foi conseguido por meio
mudar o extraordinário elenco de leis tivas como a Embraer? Qual seria o de uma luta de 12 anos, com diferentes
limitadoras, dificilmente iniciativas caminho? governos, para se chegar a uma deci-
como a da Embraer terão sucesso nos A legislação está muito restrita e são final. O KC-390 é um avião extraor-
próximos anos. veda muitas joint ventures [união de dinário, bem mais moderno, eficiente

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 11
e rápido do que os famosos Lockheed ção e corajosos o suficiente poderiam
C-130 por exemplo. As principais em- encarar tais tarefas, realmente difíceis
presas do setor, incluindo a própria
Embraer, estimam um expressivo cres-
“ É importante salientar em qualquer país do mundo. É impor-
tante salientar que o ITA foi criado, em
cimento do mercado mundial para os que o ITA foi criado, 1950, com apoio do MIT – Massachusetts
cargueiros da classe do KC-390. Além Institute of Technology, dos Estados Uni-
disso, há um ano, foi celebrado um em 1950, com apoio do dos, unidade educacional entre as mais
acordo com a Boeing para fazerem o MIT – Massachussetts avançadas do mundo em conhecimento
marketing e as vendas do nosso KC-390 aeronáutico. Ao longo de sua existência
em todo o mundo. Institute of Technology, até hoje, o ITA vem mantendo seu alto
nível de ensino e aprendizagem, prepa-
Em diversos momentos de sua
dos Estados Unidos, rando brasileiros capazes que, em larga
carreira, o senhor fala sobre a im- unidade educacional entre escala, são contratados pela Embraer.
portância da educação para o país e
está atuando, hoje, à frente de uma as mais avançadas do Quando o senhor estava no então
instituição de ensino. Como o senhor
mundo em conhecimento CTA, fazendo cálculos junto com os
entende o papel do ITA e de seus outros engenheiros e sonhando em
engenheiros no desenvolvimento aeronáutico” projetar um avião, imaginou que
tecnológico brasileiro? isso se tornaria no que é hoje? Como
Sem o ITA, nada teria sido possível. é olhar pra trás e se ver como parte
Quando se fala em criar um avião, dessa história?
estamos nos referindo a um produto fabricado sem responder a requisitos No final de 1947, fui aprovado no
profundamente complexo, que carre- internacionais severos quanto à perfor- concurso da Escola de Aeronáutica,
ga praticamente todas as tecnologias mance, garantias em geral e segurança que ficava no Campo dos Afonsos, no
disponíveis. Tal equipamento não dos passageiros e de terceiros. Somente Rio de Janeiro. Graduei-me, em 1951,
poderia ser concebido, projetado e especialistas com alto grau de forma- como Oficial Aviador e Piloto Militar.

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


Cinquenta anos após o voo
do Bandeirante, uma nova
parceria entre FAB e Em-
braer está prestes a colocar
no mercado internacional
o cargueiro KC-390

12 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Divulgação Embraer

A E m b ra e r o c u p a ,
hoje, a terceira posição
mundial como maior
indústria aeronáutica,
ficando atrás apenas da
Airbus e da Boeing

Nessa época, soube da criação do ITA taríamos nos dirigindo a um mercado


em 1950, onde a FAB oferecia, para esquecido por eles.
os oficiais, bolsas de estudos para um Usando a estrutura do CTA, entre
curso em período integral. Em 1958,
“(...) começamos a oferecer 1965 e 1969, construímos um protótipo
consegui a vaga. a produção do avião para que voou com sucesso no final 1968. A
Já formado e trabalhando no então partir desse voo, começamos a oferecer
CTA, comecei a discutir com meus co- empresas privadas, já que a produção do avião para empresas
legas de graduação e, pouco a pouco, privadas, já que o CTA era proibido
montamos um pequeno grupo de qua- o CTA era proibido por por lei de fabricar produtos. Podia
tro “Iteanos” [engenheiros formados
lei de fabricar produtos apenas fazer pesquisas e inventar. Mas
pelo ITA], convencidos de que pode- não encontramos nenhuma que se in-
ríamos lançar, no CTA, o projeto para (...), mas não encontramos teressasse, pois todas eram de pequena
criar um novo avião. Desde o início, dimensão. Achavam o desafio muito
estudávamos qual tipo se enquadra- nenhuma que se grande: fabricar um avião, de projeto
ria no nosso interesse. Sabíamos que nacional e o vender em todo o mundo.
a competição mundial era dura, de
interessasse” Daí para diante, começamos a lutar
modo que precisávamos identifi car para criar a Embraer.
um avião cujas vendas não fossem Na sequência, desenvolvemos o
prejudicadas por um concorrente. Tucano, avião de treinamento militar,
Nossa proposta simplesmente su- simples, econômicos, que pousassem hoje sucesso mundial, voando em 17
punha que, se fôssemos capazes de pro- nos aeroportos abandonados, pode- Forças Aéreas no mundo, em particular
jetar e fabricar aviões menores do que ríamos ter êxito fora da concorrência na França e Inglaterra.
os grandes jatos, para o transporte de dos grandes fabricantes mundiais. Eles Pode chamar isso de sorte. Eu cha-
passageiros ou pequenas cargas, mais não se incomodariam conosco, pois es- maria tudo isso de persistência.

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 13
REESTRUTURAÇÃO

A Ala do futuro
A Ala 2, em Anápolis (GO), é a futura
sede das novas aeronaves da Força
Aérea Brasileira - ela está se preparando
para integrar o KC-390 e o Gripen NG
TENENTE JORNALISTA RAQUEL ALVES

Aeronaves no pátio da Ala 2,


em Anápolis (GO), durante
Operação Cruzex, em 2006,
que envolveu outros países.
Atualmente, a unidade pos-
sui esquadrões de Reconhe-
cimento, Caça, Transporte e
aguarda a chegada das aero-
naves Gripen NG e KC-390

14 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Ala 2

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 15
KC-390

A
s unidades da FAB vêm tação e doutrina das aeronaves são   A equipe do Grupo Kilo já
passando por modificações de responsabilidade de dois grupos: concluiu o 1° Curso de Emprego da
que fazem parte do proces- o Grupo Kilo, voltado ao KC-390, e o Aviação de Transporte (CEAT) que
so de Reestruturação da instituição, Grupo Fox, para o caça Gripen NG. capacitou o grupo para atuar em
que tem como objetivo tornar a FAB No dia 12 de junho deste ano, o ações de Força Aérea com as carac-
mais operacional, além de aumentar Esquadrão Cascavel (1º GTT), anterior- terísticas de sustentação ao combate.
a efetividade dos recursos disponí- mente sediado na Ala 11, no Rio de Ja-
veis. Assim, esquadrões aéreos se neiro (RJ), iniciou suas atividades como Grupo Kilo
uniram em outras sedes, bases aéreas Esquadrão aéreo em Anápolis, absor- O KC-390 é o maior avião multi-
se transformaram em Alas, houve vendo as ações do Grupo Kilo referentes missão já produzido no país, que está
remanejamento de pessoal e trans- à implantação do KC-390. O Grupo Fox em fase final de testes e de certificação,
ferências de aeronaves. Essas foram permanece sediado no COMPREP. antes de ser entregue à FAB. A aeronave
apenas algumas das transformações Com a Reestruturação, a Ala 2 vai servir como elo entre as Aviações
que permitem projetar a dimensão da possui, agora, dois esquadrões de de Caça, Patrulha, Reconhecimento,
estratégia planejada para a FAB nos Reconhecimento. Além do Esquadrão Transporte e Asas Rotativas e, para
próximos anos. Guardião (2°/6° GAV), que opera os isso, requer uma equipe qualificada. O
A Ala 2, em Anápolis (GO), foi aviões E-99 e R-99, foi transferido para grupo de militares, que já está instalado
ativada em 2017 e subordinada ao o local o Esquadrão Carcará (1º/6º na Ala 2, é composto, até o momento,
Comando de Preparo (COMPREP). Ela GAV). Equipado com os jatos R-35A por  12 aviadores e 32 graduados que
é uma das unidades que passou pelo e R-35AM, o esquadrão estava sedia- possuem especialidades distintas.  O
processo de Reestruturação e será a do no Recife (PE) há mais de 60 anos Presidente do Grupo Kilo, Major Avia-
sede das futuras aeronaves da FAB: o e, agora, amplia sua capacidade de dor Luiz Fernando Ferraz, destaca que
KC-390 e o Gripen NG. A implemen- atuação nacional em Anápolis (GO). a equipe já está elaborando a doutrina

16 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea
de operação da aeronave. “Estamos escolha da sede do KC-390 foi feita pelas
estudando para entender as capacida- necessidades de testes que o vetor aéreo
des do avião, de modo que possamos precisaria. “Várias capacidades seriam
nos preparar para a sua chegada”, inoperantes se colocássemos o jato para
disse. Toda a idealização e organização voar no Galeão, no Rio de Janeiro. A
desse modelo adotado para receber o cultura organizacional da Ala 11 [RJ]
KC-390 é do COMPREP - organização é de transporte logístico e percebemos
da FAB que concentrou as atividades que o avião precisaria de muito mais
de treinamento, avaliação e doutrina. estrutura para iniciar os testes de voo,
De acordo com o Comandante do como por exemplo, os de baixa altura,
COMPREP, Tenente-Brigadeiro do Ar decolagem abortada, enfim, uma série
Antonio Carlos Egito do Amaral, a de testes para avaliar se a aeronave que
mescla de militares com conhecimentos estamos adquirindo atende aos requisi-
diversificados no Grupo Kilo foi devido tos estabelecidos pela FAB”, frisou.
à necessidade operacional da aeronave.
“Nos reunimos durante três meses, es- Grupo FOX
tudamos todas as capacidades do jato Com a missão de gerenciar a im-
e concluímos que o KC-390 não seria plantação operacional do caça Gripen
apenas o substituto do C-130 Hércules. NG na FAB, o Grupo Fox, criado em
A nova aeronave é muito mais do que 2016, é composto por seis militares da
esperávamos, e para atuarmos em todas aviação de caça experientes em voar as
as frentes propomos formar um grupo aeronaves F-5, Mirage e A-1.
com experiências mistas, pois com a O clima e a localização geográfica
integração de competências de outras são alguns dos pontos estratégicos para
aviações, levaremos menos tempo para colocar o Gripen na Ala 2, no ponto de
implantar as demais capacidades do vista do Presidente do Grupo, Coronel
KC-390”, explicou. Aviador Ricardo Guerra Rezende. “O
Ainda de acordo com o oficial- clima da região de Anápolis contribui
-general, é preciso deixar claro que a para a preservação da aeronave, além

Ala 2

Para receber as novas aero-


naves da FAB, Gripen NG e
KC-390, a Ala 2 está passan-
do por mudanças estruturais

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 17
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea
Fotos tiradas durante a Operação
Centro-Oeste, em 2008. Acima,
é possível conhecer um pouco da
estrutura da Ala 2. Abaixo, decola-
gem do avião R-35A, do Esquadrão
Carcará, que foi transferido para
Anápolis (GO) no processo de Re-
estruturação

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

18 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Stefan Kalm
Gripen NG
da flexibilidade de estarmos localizados o apoio operacional estão sendo cons- Uma comitiva composta por
no centro do país, proporcionando truídas, assim como a sala onde ficará especialistas em engenharia e lo-
um rápido desdobramento para ou- o simulador do Gripen. O Esquadrão gística da empresa Saab, fabricante
tros lugares”, comentou. Outro fator Guardião (2º/6º GAV) será remanejado sueca dos caças Gripen NG, já visi-
positivo é a possibilidade de agregar para um novo prédio, juntamente com tou as futuras instalações na Ala 2
experiências com os tripulantes dos o Esquadrão Carcará (1º/6º GAV) e o este ano. Foi a quarta visita técnica
outros esquadrões. Esquadrão Cascavel (1º GTT). (Site Survey) da empresa a Anápo-
O Grupo Fox tem a tarefa de geren- Entre as principais obras plane- lis, onde acompanharam o estado
ciar a implantação da aeronave na parte jadas estão a duplicação do pátio de das modificações nas instalações
de doutrina. Já a operação da aeronave estacionamento, a construção da sede do 1° Grupo de Defesa Aérea (1°
ficará a cargo do 1º Grupo de Defesa Aé- administrativa dos esquadrões aéreos, GDA), que operará o Gripen a
rea (1º GDA), primeiro esquadrão que a construção de 96 unidades de mora- partir de 2021. O evento também
deve empregar as novas aeronaves Gri- dia para oficiais e graduados, a refor- possibilitou que a empresa enten-
pen NG. As primeiras unidades estão ma do Hangar 1 do Grupo Logístico desse como a FAB treina e opera
previstas para chegar em outubro de (GLOG) e dos prédios do 1° GDA e do aeronaves de caça, permitindo a
2021. Oito pilotos foram selecionados 2°/6° GAV, adequação das instalações emissão de um plano de infraes-
para pilotar versões diferentes do Gri- do Pelotão Contra Incêndio (PCI) e trutura para absorver o projeto.
pen (modelos C/D). Esses treinamentos aquisição/construção de mais 14 han-
ocorrerão na Suécia, em 2020, país onde garetes para a linha de voo. País. “Com a chegada das aeronaves de
fica a fábrica da empresa Saab, e terá O Comandante da Ala 2, Coronel tecnologia superior, a Ala 2 será o maior
duração de um ano. Aviador Antonio Marcos Godoy Soa- complexo operacional da Força Aérea
res Mioni Rodrigues, destaca que, com Brasileira. Concentraremos nossos esfor-
Adaptações estruturais a chegada das aeronaves, a Reestrutura- ços nas atividades operacionais para que
Para que o novo caça da FAB tenha ção da Força Aérea Brasileira concentra todos os envolvidos nos projetos estejam
a infraestrutura necessária, a Ala 2 está esforços nas atividades operacionais e bem instalados e que possam executar
se adequando. Novas estruturas para muda organizações militares em todo o suas missões com sucesso”, conclui.

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 19
OPERACIONAL
Militares em treinamento
de Busca e Salvamento em
Combate, durante o Exercício
Operacional Tápio

Você luta
como treinou
Mais de mil horas voadas e sucesso superior
a 90% nas missões realizadas: esse é o balanço
do Exercício Operacional Tápio, que aconteceu
pela primeira vez na Força Aérea Brasileira.
O treinamento simulou um cenário como o
encontrado em missões de paz da ONU e
reuniu diferentes tipos de aeronaves e 700
militares na Ala 5, em Campo Grande (MS)
TENENTE JORNALISTA GABRIÉLLI DALA VECHIA

20 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Aerovisão
Jul/Ago/Set/2018
21
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea
O
barulho das aeronaves era
uma constante. Embora o
ronco de diversos motores es-
tivessem presentes, um ouvido atento
poderia distinguir o acionamento dos
rotores do helicóptero AH-2 Sabre e
o táxi do avião-radar E-99 – sempre o
primeiro a decolar e o último a pou-
sar. Na sequência dele, começavam as
outras saídas, encadeadas, de mais de
20 aeronaves: C-95 Bandeirante, caças
A-29 Super Tucano e A-1 (esse último,
também na função de aeronave de reco-
nhecimento), C-105 Amazonas, SC-105
SAR, além dos helicópteros H-36 Caracal
e H-60 Black Hawk.
Durante o Exercício Operacional
Tápio, que aconteceu na Ala 5, em
Campo Grande (MS), de 25 de abril a
11 de maio, essa foi a rotina. Em torno
de 1.200 horas de voo foram executadas
com o suporte de 700 militares, ope-
rando 42 aeronaves. O objetivo foi o de
simular um cenário de guerra irregular,
ou seja, quando o combate é contra
forças insurgentes ou paramilitares,
comumente encontrado em missões da Interação entre diferentes aviações
marcou o Exercício Operacional
ONU. Segundo o Ministro da Defesa,
Tápio. Aeronaves como o caça A-29
Joaquim Silva e Luna, o país já foi Super Tucano (à direita) e o heli-
convidado para integrar as tropas de cóptero H-60 Black Hawk (cabine)
paz na República Centro Africana e no participaram de atividades conjuntas
Congo. “O Brasil precisa estar prepara-
do para isso. Se a decisão se repetir no
ano que vem, nossos militares poderão
estar presentes nesse tipo de teatro de
operações”, avaliou o ministro.
Ao todo, foram treinadas 16 ações
de Força Aérea, ou seja, atividades
determinadas, previstas em legislação,
que estabelecem a combinação adequa-
da de pessoal e meios para alcançar
determinado efeito. Uma avaliação
preliminar do Diretor do exercício,
Brigadeiro do Ar Augusto Cesar Abreu
dos Santos, indicou que mais de 90%
das missões planejadas para a Tápio
foram cumpridas com sucesso. “Temos
dados qualitativos e quantitativos para
revisar ou ratificar as doutrinas que
foram sedimentadas na Tápio”, afirma.

22 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea
Busca e Resgate em Combate
O CSAR é um exemplo de ação de
Força Aérea que, no caso da Tápio,
ditou a linha mestra das atividades
realizadas. A sigla, que está em inglês
(em referência a Combat Search and
Rescue), também é conhecida como
Busca e Salvamento em Combate. Na
prática, significa que há militares,
feridos ou não, que precisam ser loca-
lizados e resgatados de um ambiente
hostil. Pode acontecer em casos de
aeronaves abatidas, quando o piloto
“O Brasil precisa estar conseguiu ejetar-se, por exemplo.
Para realizar esse tipo de ação, é
preparado para isso. Se a necessária uma complexa coordenação
decisão se renovar para entre diversas aeronaves, de diferentes
tipos, além de outras equipes de apoio
o ano que vem, nossos – a depender do cenário encontrado:
os militares a serem resgatados podem
militares poderão estar estar gravemente feridos e, portanto,
não colaborativos, podem estar em
presentes nesse tipo de
área de difícil acesso e as aeronaves
teatro de operações”, podem estar sujeitas a ataques. “Tam-
bém há a possibilidade de as equipes
Ministro Silva e Luna de resgate, ao tentarem levar o ferido
para dentro do helicóptero, ficarem
sob fogo das tropas inimigas”, explica
o Comandante do Esquadrão Pelicano
(2º/10º GAV) Tenente-Coronel Luciano
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

Marchiorato. É por isso que se fala em


Força-Tarefa CSAR.
Em um dos cenários treinados pela
Força Aérea Brasileira (FAB) na Tápio,
a simulação previa um piloto ferido
que precisava ser resgatado. Para isso,
a Força-Tarefa CSAR foi composta por
caças e helicópteros. Enquanto os H-36
Caracal eram responsáveis pelo resgate
em si, os AH-2 Sabre faziam a escolta
anexada, protegendo as aeronaves. Na
mesma missão, os caças A-29 Super Tu-
cano fizeram a escolta destacada, ou seja,
decolaram antes para identificar possí-
veis forças inimigas na rota prevista.
Os helicópteros H-36 Caracal esta-
vam levando, a bordo, “resgateiros”
aptos a realizarem o chamado Aten-
dimento Pré-Hospitalar (APH). “Não
adianta resgatarmos os militares e

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 23
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

Exercício Operacional Tápio


aconteceu na Ala 5 em Cam-
po Grande (MS) e reuniu
42 aeronaves. Entre elas, o
helicóptero AH-2 Sabre e o
SC-105 SAR - fotos ao lado

eles falecerem na aeronave”, explica o Composite Air Operations


Tenente-Coronel Marchiorato, sobre a O termo “COMAO” foi um dos mais
importância dos procedimentos feitos pronunciados durante a Tápio. Isso
em solo para estabilizar os feridos e porque esse procedimento teve grande
aumentar as chances de sucesso no relevância no treinamento. A sigla faz
retorno. referência à expressão Composite Air
Nesse exercício, pela primeira vez, Operations - que tem sido chamada, na
pôde ser treinado o chamado APH FAB, de “missões de pacote”. Acontece
tático, ou seja, quando há necessidade quando diversas aeronaves – geralmen-
de se fazer frente à ameaça inimiga. As- te de 20 a 30 – são empregadas pratica-
sim, além do kit de primeiros socorros, mente ao mesmo tempo para cumprir
os militares precisam estar armados. objetivos comuns ou complementares.
“Como nem sempre a equipe de resgate O Major Aviador Murilo Salvatti,
é totalmente composta de médicos, Comandante do Esquadrão Poker
foi necessária uma articulação entre o (1º/10º GAV), é responsável pelo Cur- riente que é responsável por gerenciar
Ministério da Defesa e o Ministério da so de Planejamento de Missões Aéreas a complexa dinâmica desse tipo de
Saúde, que gerou uma nova legislação, Compostas do Comando de Preparo missão, que envolve muitas aeronaves
aprovada este ano, permitindo este trei- (COMPREP) desde 2013. Ele explica em um espaço aéreo limitado e com
namento essencial para nós”, explica o que cada COMAO possui um mission um tempo exíguo para o cumprimen-
Comandante do Pelicano. commander, ou seja, um piloto expe- to dos objetivos. “A palavra-chave do

24 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
(ou seja, infiltração de tropas paraque-

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


distas). Também foram contempladas
no treinamento ações ligadas à Aviação
de Caça, especificamente relacionadas à
detecção e destruição de alvos de solo
em que há necessidade de “precisão ci-
rúrgica”, segundo o Major Salvatti. Isso
porque em situações como as missões
da ONU, o conflito pode se desenvol-
ver em espaços ainda ocupados pela
população civil e, portanto, os efeitos
colaterais precisam ser minimizados
tanto quanto possível.
Para atingir essa máxima precisão,
os militares treinaram as ações de
Controle Aéreo Avançado (CAA) e
Guiamento Aéreo Avançado (GAA)
- quando outros elementos orientam
a aeronave de caça responsável por
abater o alvo sobre o seu posiciona-
mento. No caso do CAA, esse ele-
mento é uma outra aeronave de caça
e, no caso do GAA, são militares em
solo que passam as coordenadas. Veja,
nas próximas páginas, um resumo
das principais atividades de cada um
dos vetores aéreos que participaram
da Tápio, além da atuação da Defesa
Antiaérea que, no exercício, simulou
fazer as vezes de força inimiga.

desenvolvimento doutrinário”, expli- Planejamento


Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

ca o Major Salvatti. O Exercício Operacional Tápio é


Para que tudo saia como previsto, o resultado do processo de Reestrutu-
mission commander inicia a organização ração pelo qual a Força Aérea vem
No exercício, os militares
dos Grupos de Defesa do COMAO com 24 horas de antece- passando desde 2015, com o objetivo
Antiaérea atuaram simu- dência, quando recebe as orientações de otimizar sua atuação, trazendo
lando as forças inimigas, sobre como a missão deve ser forma- maior operacionalidade e eficiência à
criando barreira à exe- instituição. O Comandante da Força
cução das missões aéreas tada e quais são os objetivos a serem
cumpridos. É nesse momento que Aérea Brasileira, Tenente-Brigadeiro
acontece o primeiro dos três briefings, do Ar Nilvado Luiz Rossato, explica
com todos os envolvidos. Isso sem que não só a estrutura organizacional
contar o debriefing, em que, posterior- foi transformada, mas foram feitos
mente, os atores da missão se reúnem estudos para repensar os exercícios
para avaliar os erros e acertos. dentro dessa nova estrutura. “Com a
COMAO é coordenação; são diversos Na Tápio, pelo seu perfil, definido a desativação das FAEs [Forças Aéreas]
vetores aéreos, pertencentes a diferen- partir do cenário simulado, os COMAOs e a criação do COMPREP, os exercícios
tes tipos de aviações, em um espaço- ficaram em torno de atividades de Busca ficaram menos fragmentados, possibi-
-tempo reduzido. Mas os ganhos no e Salvamento em Combate e ações liga- litando uma maior interação entre as
treinamento são muito significativos: das à Aviação de Transporte, como lan- diferentes aviações, como observamos
há uma maior integração e, portanto, çamento de cargas e assalto aeroterrestre na Tápio”, afirma.

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 25
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea
Aeronave A-1, além de
participar de ações ligadas
à Aviação de Caça, também
fez ações de reconheci-
mento em colaboração,
compondo a Força-Tarefa
CSAR
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

Aeronave de caça A-29 Super


Tucano realizou ações como
Controle Aéreo Avançado
(CAA) e também participou
da Força-Tarefa CSAR, reali-
zando escolta dos helicópteros
responsáveis pelo resgate

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


Helicópteros AH-2 Sabre e
H-36 Caracal (ao fundo) rea-
lizaram ações de Busca e Sal-
vamento em Combate. Troca de
conhecimento entre tripulações
foi um dos pontos de destaque
do exercício
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

Aeronave E-99 do Esquadrão Guar-


dião (2°/6° GAV) era sempre a pri-
meira a decolar e a última a pousar.
Ela reforçava a cobertura-radar do
espaço aéreo e também funcionava
como ponte de comunicações entre
rádios de diferentes aeronaves

26 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea
Cargueiro C-130 Hércules reali-
zou missões como lançamento de
carga heavy (pesada). Trata-se
de uma atividade complexa, pois,
a partir de determinado ponto,
a carga fica solta no comparti-
mento e o piloto não pode fazer
muitas manobras, já que se corre
o risco de o peso ser deslocado,
mudando a posição do centro de
gravidade da aeronave

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


Aeronaves como C-105
Amazonas fizeram lan-
çamento de cargas e de
paraquedistas durante a
Tápio. Os C-95 Bandei-
rante também treinaram
esse tipo de atividade
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

O SC-105 SAR do Esquadrão


Pelicano (2°/10° GAV) é a
mais nova aeronave da FAB.
Ela possui alta tecnologia
embarcada e serve a toda a
população, em ações de Busca
e Salvamento

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

O helicóptero H-36 Caracal foi


o principal vetor utilizado nas
ações de Busca e Salvamento
em Combate durante o Exer-
cício Operacional Tápio. Era a
bordo dessa aeronave que iam
as equipes responsáveis pelo
Atendimento Pré-Hospitalar
(APH), por exemplo

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 27
DEFESA ANTIAÉREA

Militares do Terceiro Grupo


de Defesa Antiaérea em
ação durante o Exercício
Operacional Tápio, em
Campo Grande (MS)

28 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea
Maior precisão,
melhor combate
Militares da Força Aérea Brasileira criam dispositivo
que auxilia no treinamento dos operadores dos mís-
seis IGLA-S, registrando, automaticamente, todos os
dados gerados nos disparos
TENENTE JORNALISTA JOÃO ELIAS

E
m uma missão real, a defesa Unidade de Tiro. São informações
antiaérea atua em conjunto importantes como coordenadas geo-
com as aeronaves para de- gráficas de operação, configurações
fender o espaço aéreo e as áreas de de emprego, hora de acionamento
interesse no teatro de operações. Para do sistema, azimute de pontaria,
que a missão seja cumprida da melhor grau de inclinação e hora de disparo
forma possível, é necessário que o do míssil. Agora, um dispositivo
atirador de um míssil antiaéreo esteja eletrônico, incorporado aos con-
capacitado a operar o equipamento juntos de treinamento dos Sistemas
com maior precisão. Portáteis de Lançamento de Mísseis
Antes, todos os dados obtidos IGLA-S, é capaz de registrar, com
no treinamento dos operadores de precisão, todos esses dados. É o
defesa antiaérea eram registrados Dispositivo Automático de Registro
manualmente pelo Comandante da de Tiro (DART).

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 29
As atitudes tomadas pelo atirador nar 100% de sua atenção à identificação terra-ar e ar-solo, com dados tão confi-
são registradas por meio de dados do alvo e à comunicação com o Centro áveis quanto os registrados pelos equi-
obtidos por satélites, além de senso- de Operações Antiaéreas (COAAe), pamentos embarcados nas aeronaves
res distribuídos por todo o conjunto pois o desonera da anotação dos dados envolvidas. Dessa forma, eliminamos
de treinamento, o que contribui com no momento do engajamento. Em um os erros humanos que por ventura pos-
uma melhor avaliação dos operadores treinamento, os pilotos também são sam ocorrer e chegamos a uma correta
do sistema. A coleta automática des- beneficiados, uma vez que não precisam avaliação do emprego das equipagens
ses dados possibilita também que os se adequar a nenhum outro sistema e po- aéreas e antiaéreas. Além disso, os dados
pilotos das unidades aéreas avaliem dem direcionar suas atenções exclusiva- são registrados em formato compatível
de forma científica e consistente a mente ao cumprimento de suas missões. com o PMA2, possibilitando o debrie-
eficiência das suas táticas de emprego, fing do emprego de forma precisa e
com base em informações confiáveis, e Desenvolvimento integrada às unidades aéreas”, explica.
ainda, utilizando uma ferramenta de O DART foi desenvolvido durante Isso é importante porque o PMA2 é o
avaliação a qual já estão acostumados seis meses, desde a concepção inicial mesmo programa utilizado para avaliar
a operar, o Programa de Planejamento até a entrega do projeto. Ele foi criado os parâmetros de atuação dos pilotos e
de Missões Aéreas (PMA2). pelo Sargento Wallace Mergulhão de aeronaves em um treinamento.
As informações são armazenadas Almeida Bartholomeu, Especialista em Inicialmente, foram montados 30
em cartões de memória a bordo das Eletrônica, que trabalha há dez anos dispositivos, sendo dez para cada Gru-
aeronaves e nos dispositivos de treina- com esse tipo de equipamento. Atual- po de Defesa Antiaérea, mas podem
mento da defesa antiaérea, compiladas mente, ele serve no Terceiro Grupo de ser montados na quantidade que for
e transmitidas à célula de avaliação do Defesa Antiaérea (3° GDAAE), em Aná- necessária, de acordo com a demanda.
exercício e são importadas diretamente polis (GO), onde realiza a manutenção Militares especialistas em Material
para o PMA2. Com isso, é possível ana- de equipamentos de comunicações e Bélico, Comunicações e Eletrônica
lisar o desempenho das unidades aéreas de tecnologia da informação, além do dos três Grupos foram treinados na
e antiaéreas envolvidas nos exercícios. desenvolvimento de sistemas. montagem, utilização e manutenção
Além disso, o DART possibilita ao “O registro preciso dos dados possi- do equipamento. A capacitação durou
Comandante de Unidade de Tiro direcio- bilita uma melhor avaliação do combate cerca de um mês. Após isso, retorna-

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


O DART é um dispositivo
tecnológico que, integrado
aos mísseis IGLA e IGLA-S,
permite o registro automático
e preciso de todos os dados
que importam ao atirador

30 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea
O Sargento Almeida foi o
desenvolvedor do DART.
Em seis meses, o militar Mus, volor aspicia quatur
realizou a concepção, o de- autati comnim quiam a
senvolvimento e a entrega ipicitatur magnatiis do-
do dispositivo lupta am volupta tistem
es ex erum aut voluptio-
rem. Sint odias eossequas
explaborio cum fugiam
netur, conseceprae. Nam,
quiam et

ram às suas unidades e disseminaram Grupos de Defesa Antiaérea foram


o conhecimento adquirido para todos empregadas em um contexto de Força
os seus integrantes, em especial aos Oponente, possibilitando às aeronaves
operadores do sistema. o treinamento das Ações de Força Aérea
Os três Grupos de Defesa Antiaérea
“O DART foi primordial em ambiente hostil. As equipagens,
são vinculados à Primeira Brigada de para que os Grupos dotadas do Sistema Antiaéreo IGLA,
Defesa Antiaérea (1ª BDAAE). “Fruto do estavam dispostas no terreno de forma
dinamismo e da abnegação dos militares de Defesa Antiaérea a tentar impedir que esquadrões cum-
do Terceiro Grupo de Defesa Antiaérea, prissem suas missões.
o DART permite analisar diversos parâ- envolvidos no Exercício “O DART foi primordial para que os
metros relativos ao lançamento simula- Grupos de Defesa Antiaérea envolvidos
do dos mísseis IGLA-S, contribuindo
Operacional pudessem no Exercício Operacional pudessem for-
para uma avaliação mais precisa das fornecer dados precisos de necer dados precisos de engajamento dos
táticas adotadas pelas diversas aviações vetores aéreos, por parte das Unidades
da Força Aérea Brasileira”, destaca o engajamento dos vetores de Tiro. Dessa forma, as unidades aéreas
Comandante da 1ª BDAAE, Brigadeiro puderam aprimorar diariamente suas tá-
de Infantaria Luiz Marcelo Mayworm. aéreos, por parte das ticas e técnicas baseadas em informações
confiáveis, registradas eletronicamente
Operação Tápio
Unidades de Tiro (...)” em tempo real, sem a interferência huma-
O DART foi utilizado, pela pri- na”, conclui o Comandante Interino do 3°
meira vez, no Exercício Operacional GDAAE, Major de Infantaria Fernando
Tápio. Nele, as Unidades de Tiro dos Mauricio Gomes.

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 31
ENSINO

Vida de aluno em

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


cinco imagens
A edição anterior da Aerovisão trouxe
uma reportagem sobre os bastidores
da vida de cadete da Academia da
Consulte a
Força Aérea (AFA). Desta vez a revista reportagem

viaja até Guaratinguetá, no interior


de São Paulo, para mostrar um pou-
co da rotina dos mais de mil alunos
que realizam a formação militar e/ou
técnica na Escola de Especialistas de
Aeronáutica (EEAR)
TENENTE JORNALISTA CYNTHIA FERNANDES

Aluno da especialialidade
de Material Bélico (BMB)
em atividade de manuten-
ção de armamento

32 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea
Cabo André Feitosa / Agência Força Aérea
Em 2018, 45 mil candidatos se inscreveram nos processos seletivos da
1 Escola de Especialistas em busca de um sonho. A concorrência, dependendo
do curso, chegou a 138 candidatos por vaga. E, depois do ingresso, a rotina
é árdua: começa por volta das 5h da manhã e vai até as 22h. O prédio da foto abriga
o Comando da Escola e é nesse pátio que ocorrem as cerimônias de formatura ao
término dos cursos.

A parceria da Força Aérea com


2 outros países permite à EEAR o inter-

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


câmbio com alunos estrangeiros. Em
2018, oito candidatos de nações amigas foram
selecionados e buscam a finalização do curso
no Berço dos Especialistas. É o caso de Ismaila
Sow, que veio do Senegal e está na terceira série
da especialidade de Estrutura e Pintura (BEP).
Cabo André Feitosa / Agência Força Aérea

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 33
O crescimento do
3 número de mulheres na
EEAR é uma realidade.
Segundo dados da escola, dos
1.373 alunos, 535 são mulheres.

O Grupo de Ordem Uni-


4 da Elite Especialista é um
dos grandes destaques nas
apresentações e formaturas da Es-
cola. Com treinamentos diários, que
acontecem nos intervalos das aulas,
alunos voluntários fazem acrobacias
com o mosquetão – armamento de
desfile e sem poder de fogo, que pesa
aproximadamente 4,5 kg.

34 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Os centros de tradições são um ambiente
5
Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

reservado para os alunos atenuarem a sau-

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea


dade de casa, das comidas regionais e, tam-
bém, descontrair e conversar com amigos. Na EEAR,
são três: Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Centro
de Tradições Norte e Nordeste (CTNN) e Centro de
Tradições Mineiras e Goianas (CTMG).

Sargento Bruno Batista / Agência Força Aérea

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 35
TECNOLOGIA

38 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Deimos imaging
O
Brasil tem mais de 5.500 mu-
nicípios em um território con-
tinental de 8.515.759,090 km²
– de acordo com o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – considerando
apenas a área de terra. Se você fosse pre-
feito de uma dessas cidades e precisasse
decidir onde construir uma nova estação
de tratamento de água ou autorizar a
implementação de um empreendimento,

Do espaço aos
passaria, agora, a contar com a mais mo-
derna tecnologia de imageamento para
ajudar em sua escolha.

nossos pés
Nesse sentido, o Comando de Opera-
ções Aeroespaciais (COMAE), por meio
do Centro de Operações Espaciais (COPE),
passou a operar, no segundo semestre des-
O Brasil passa a contar com novos satélites, que te ano, quatro satélites de órbita baixa que
fornecem diferentes tipos de imagem do
produzem imagens da superfície terrestre e vão
nosso território. O Comandante de Ope-
trazer benefícios para a segurança de cidades, na rações Aeroespaciais, Tenente-Brigadeiro
vigilância de fronteiras, no manejo ambiental e em do Ar Carlos Vuyk de Aquino, explica
outras áreas que forem necessárias. Os satélites que foram contratadas tecnologias que
produzem imagens do tipo multiespectral
recém-contratados pela Força Aérea Brasileira (tomadas em diferentes comprimentos
(FAB) serão operados por militares das três de ondas eletromagnéticas, como ultra-
Forças Armadas a partir do Centro de Operações violeta ou infravermelho), SAR (sigla em
inglês para Radar de Abertura Sintética)
Espaciais (COPE) em Brasília (DF)
e ótica (semelhante ao que é oferecido
pelo Google). “Existem informações que
TENENTE JORNALISTA EMÍLIA MARIA
normalmente não são visíveis a olho nu,
então não podemos nos ater a uma única
tecnologia. A conjunção de todas estas in-
formações, de todos estes modelos é capaz
de oferecer coisas muito interessantes”,
aponta o Tenente-Brigadeiro Aquino.
Um dos satélites contratados é o
Imagem da orla de Copaca- israelense Eros-B, da empresa Imagesat,
bana, no Rio de Janeiro (RJ), que já foi operado pelo COPE na época
capturada por um dos saté- dos Jogos Olímpicos Rio 2016. A experi-
lites da empresa espanhola
Deimos - cuja logomarca ência dos militares há dois anos permitiu
aparece na parte superior a elaboração, agora, de uma licitação
esquerda desta imagem que atendesse às necessidades do país.
“Quando operamos na Olimpíada, por

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 39
meio do serviço prestado por Israel, de- ção, promovendo ampla divulgação
senvolvemos a capacidade de entender no ramo aeroespacial. “Durante a fase
o que temos que fazer e os problemas inicial, foram realizadas interações com
que poderemos ter. Assim, os contratos 18 empresas sediadas nos continentes
já foram formulados a partir de uma americano, europeu e asiático. Passada
experiência prévia onde buscamos a fase de divulgação, foram recebidos
reduzir ao máximo a possibilidade de os envelopes de habilitação e de pro-
problemas na implantação, na capaci- postas de preços, no dia 21 de fevereiro
tação do pessoal e no processamento e, dentro do cronograma estabelecido,
das imagens”, ressalta o oficial-general. os trabalhos seguiram para a etapa
de análise documental de habilitação
A contratação técnica e administrativa das empresas
Para a utilização de meios orbitais licitantes e abertura dos envelopes de
no sensoriamento remoto por satélite, propostas de preços”, relata o Chefe
o COMAE elaborou um Projeto Básico da CABE, Coronel Aviador Roberto da
contendo elementos calculados com Cunha Follador.
alto nível de precisão. Os documentos Todo o processo licitatório foi realiza-
foram enviados à Comissão Aeronáu- do sob coordenação do Comando-Geral
tica Brasileira na Europa (CABE), com de Apoio (COMGAP), por meio do Cen-
sede em Londres (Inglaterra), que ini- tro Logístico da Aeronáutica (CELOG).
ciou o processo licitatório no dia 10 de Após a análise das propostas, foram
janeiro de 2018. O certame foi realizado cumpridas as fases de adjudicação, ho-
em quatro lotes, obedecendo aos princí- mologação e assinatura dos contratos
pios básicos da Lei nº 8.666, que regula
Cataratas do Iguaçu, na
as normas para licitações e contratos da fronteira com a Argen-
Administração Pública. tina, fotografadas pelo
A CABE deu publicidade à licita- satélite israelense Eros-B

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea


Militares do Comando
de Operações Espaciais
(COPE) fazendo o monito-
ramento do satélite Eros-B
durante os Jogos Olímpicos
Rio 2016

40 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
com as empresas vencedoras do proces-

imagesat
so licitatório para cada lote. O primeiro
foi obtido pela empresa Imagesat, com
sede em Israel; o segundo e o terceiro
pela Deimos Imaging, da Espanha; e o
quarto lote foi vencido pela empresa
MDA, com sede no Canadá.
Segundo o Coronel Follador, a
licitação promoveu um alto grau de
competitividade no mercado mundial.
“Será fornecido ao Brasil e à Força
Aérea Brasileira o melhor produto no
preço mais vantajoso, observando as
peculiaridades locais das regras inter-
nacionais de aquisição de material e
serviços no exterior”, afirma.
Para o Comandante de Operações
Aeroespaciais, a contratação foi im-
prescindível. “Essa questão da licitação
era uma necessidade do Comando da
Aeronáutica (COMAER) já há bastan-
te tempo”, conta. Ele explica que a
criação da Comissão de Coordenação
de Implantação de Sistemas Espaciais
(CCISE) e a elaboração do Programa Es-
tratégico de Sistemas Espaciais (PESE)
surgiram da carência desse tipo de
tecnologia no Brasil. “Havia um plane-
Deimos imaging

jamento que, basicamente por questões


econômicas, não conseguimos dar o
andamento adequado para produzir
os engenhos espaciais que fornecem
as informações que precisamos. Então,
não houve alternativa a não ser fazer
a licitação. Estamos nos antecipando
em virtude de nossa inviabilidade
ou indisponibilidade de um engenho
totalmente nacional. Esse foi o grande
fator motivador”, completa.
Os contratos foram assinados pelo
prazo de até três anos e com número de
horas específicas de operação. Significa
que, dependendo da aceitabilidade, a
utilização das horas pode ser maior e,
consequentemente, o contrato termina-
ria antes do prazo máximo. “Eviden-
temente, se observarmos que há uma

Aeroporto chileno pronto para o início


da FIDAE 2018 - feira internacional de
aviação que contou com a presença do
KC-390 e da Esquadrilha da Fumaça

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 41
Deimos imaging

formar a intenção de obter uma imagem


em determinada coordenada ou polígo-
no georeferenciado. A captação se dá
quando o engenho espacial – percor-
rendo sua órbita prevista – passa pelo
território brasileiro. As informações
capturadas são enviadas para a estação
de recepção gerenciada pelo COPE e,
depois, os militares passam a trabalhar
no processamento das imagens.
“Cada uma daquelas tecnologias
tem formas de tratamento diferen-
tes, softwares diferentes, capacidades
diferentes. Então temos ferramentas
e pessoal especializado para fazer o
tratamento das imagens e fornecê-las
de acordo com a necessidade e o ob-
jetivo de quem as solicitou”, pontua o

MDA
Tenente-Brigadeiro Aquino.
Em virtude das dimensões do
Brasil, o oficial-general explica ser ne-
cessário trabalhar com a recepção em,
pelo menos, mais uma localização. Por
isso, a operação inicia-se em Brasília –
considerando a ampla capacidade que
a posição geográfica proporciona – e
há previsão de instalação de outra
antena em Manaus (AM), o que vai
ampliar a dimensão física da obtenção
de imagens.
Acima, o Sydney Opera House, na capital
australiana, capturada pelo satélite Deimos-2.
Abaixo, a cidade de Prince George, no Ca- A aplicação
nadá, fotografada pelo RADAR-SAT 2, da As imagens captadas pelo COPE
empresa MDA. Esse tipo de imagem serve serão utilizadas não apenas pelo Mi-
para monitorar mudanças no uso da terra
em grandes áreas nistério da Defesa e pelas Forças Arma-
das – Marinha, Exército e Força Aérea,
aceitação e uma necessidade, nada partir de Brasília (DF). Ainda no primeiro mas também por outros ministérios e
impede que façamos um novo contrato mês de implantação, quando são neces- órgãos públicos que solicitem. Ou seja,
para continuidade. Tudo isso reverte sários diversos procedimentos de instala- serão supridas as necessidades dentro
em resultados para a sociedade bra- ção de antena e transferência de conexão, do portfólio proporcionado pelos sa-
sileira”, reforça o Tenente-Brigadeiro as empresas já disponibilizam acesso aos télites contratados. “Poderemos aten-
Aquino. Ele complementa, ainda, que sistemas nos respectivos países. “Até que der, por exemplo, ao Ministério das
o Governo Federal está investindo na eles tenham tempo – para engenharia e Cidades, à Polícia Federal, à Embrapa
área, tendo em vista que parte do re- logística – e concluam a instalação aqui [Empresa Brasileira de Pesquisa Agro-
curso para contratação dos satélites de no Brasil, já podemos programar o satéli- pecuária], à Funai [Fundação Nacional
órbita baixa vem da Casa Civil. te, fazer a recepção das imagens por rede do Índio], entre tantas outras. É uma
e processá-las”, comenta o Comandante ferramenta de capacidade muito gran-
A operação de Operações Aeroespaciais. de e que, se bem usada, trará excelentes
Mesmo recebendo as imagens de A operação dos satélites pelo COPE retornos”, acredita o Comandante de
satélites de outros países, a operação será consiste em algumas etapas que têm Operações Aeroespaciais.
realizada pelos militares brasileiros a início com a programação, ou seja, in- Ele ressalta que o material fornecido

42 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
pelos satélites de órbita baixa vai colabo-
rar ainda mais para o trabalho conjunto
e a interoperabilidade entre as Forças
Armadas. “O imageamento satelital
será uma ferramenta de grande valia
para melhoria da capacidade de con-
trole da zona de exploração econômica
dentro do nosso mar territorial. Isso vai
ajudar no cumprimento da missão da Vila Olímpica,
Marinha e pode resultar em voos espe- Rio de Janeiro
cíficos de patrulhamento, para citar ape-
nas um uso. Existe uma oportunidade
muito grande de um ganho operacional
substancial no emprego conjunto dessa
informação”, exemplifica.

O SGDC
O COMAE, por meio do COPE, é Monitoramento de
responsável também pela operação da agricultura no México
banda militar – correspondente a 30%
da capacidade total – do Satélite Geoes-
tacionário de Defesa e Comunicações Es-
tratégicas (SGDC). Diferente dos satélites
recém-contratados, o SGDC não produz
nenhum tipo de imagem e, sim, serve
para a transmissão segura de dados.

Dubai,Emirados Árabes
Eventos discutem tecnologias
satelitais
Nos dias 12 e 13 de junho, o Mi-
nistério da Defesa, em parceria com a
Comissão de Coordenação e Implan-
tação de Sistemas Espaciais (CCISE)
e com a empresa Airbus, realizou o
Simpósio de Observação da Terra –
Reaching new heights. O evento reuniu
representantes de ministérios e de
empresas ligadas à área espacial para
debater soluções e novas tecnologias.
Nos dias 14 e 15 de agosto, a CCISE
participa, no Rio de Janeiro, do Congresso
Latinoamericano de Satélites. A iniciativa
busca aproximar a indústria das ativi-
dades governamentais de planejamento
estratégico para tecnologias satelitais.
Durante o evento, serão realizadas apre-
sentações que, se selecionadas, poderão
servir como base de assessoramento no
processo decisório do Estado Brasileiro
na área de defesa com tecnologias base-
adas em satélites.

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 43
OPERACIONAL

Céu blindado nas


fronteiras do país
Entenda como o trabalho da Força Aérea Brasileira
(FAB), em parceria com outras instituições de
segurança do país, tem colaborado no combate
ao tráfico de drogas. Somente entre os meses de
março e junho deste ano, quatro voos interceptados
levavam a bordo quase 1,7 toneladas de cocaína
TENENTE JORNALISTA ALINE FUZISAKI

C
onsiderando apenas os meses de março a
junho de 2018, quase 1,7 toneladas de cocaí-
na foram apreendidas por meio de Medidas
de Policiamento do Espaço Aéreo (MPEA). Sempre
que um avião suspeito é identificado pelos radares
e não há possibilidade de checar sua procedência
por outros meios, o Comando de Operações Aero-
espaciais (COMAE), orgão da FAB localizado em
Brasília (DF), aciona os esquadrões de defesa aérea
para realizarem a interceptação da aeronave.
Em março deste ano, um bimotor que cruzou a
fronteira do Brasil na divisa com a Bolívia, foi intercep-
tado com mais de 500 kg de cocaína. Quando a defesa
aérea estava prestes a comandar o tiro de aviso, o avião
pousou na área rural de Nova Fernandópolis (MT).
Ainda no mês de março, a FAB detectou um avião com
cerca de 330 kg de cocaína que foi acompanhado até
uma pista clandestina, próximo a Jacareacanga (PA).
Em abril, a FAB interceptou, no norte de Corumbá
(MS), uma aeronave que vinha da Bolívia com apro-
ximadamente 500 kg de pasta base de cocaína. A ação Aeronave F-5M em proce-
de interceptação seguiu todo o passo a passo previsto, dimento de interceptação.
Sempre que um tráfego
incluindo o tiro de advertência e o tiro de detenção. aéreo irregular é identifi-
Foi a segunda vez que a FAB tomou essa medida, cado pelos radares da FAB
forçando a aeronave, que não tinha plano de voo e e não há possibilidade de
checar sua procedência
estava com uma matrícula falsa, a pousar, quando a por outros meios, um
carga da aeronave foi apreendida pela Polícia Federal. avião de caça decola para
Já no início do mês de junho, um avião prove- realizar o procedimento
niente da Bolívia com cerca de 300 kg de pasta base

44 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Aerovisão
Jul/Ago/Set/2018
45
Cabo André Feitosa / Agência Força Aérea
Tenente Enilton Kirshhof / Agência Força Aérea
Em uma interceptação, se as orientações
dadas pelos pilotos de caça não forem A medida de destruição
observadas, há a possibilidade de disparar O Código Brasileiro de Aeronáu-
tiro de aviso e tiro de detenção contra a
aeronave hostil. Ao lado, imagem do visor tica (Lei nº 7.565), instituído em 1986,
do piloto de Defesa Aérea segundos antes já previa os casos em que aeronaves
de um tiro de detenção suspeitas poderiam ser submetidas
à detenção, interdição e apreensão
por autoridades. A lei foi modificada
ve, como matrícula, documentação e em 1998 para incluir a hipótese de
plano de voo. Na sequência, são feitos detenção da aeronave considerada
sinais visuais e contato por meio de hostil, sob autorização do Presidente
rádio, orientando o piloto da aeronave da República ou por uma autoridade
suspeita a mudar de rota ou pousar em por ele delegada. No entanto, para
um local indicado pela FAB. que a Força Aérea pudesse atuar de
de cocaína também foi interceptado e Se nenhuma das orientações for maneira eficaz no combate ao tráfico
efetuou um pouso forçado em uma área seguida, os aviões de interceptação nas fronteiras e aprimorar a seguran-
próxima da Serra de Tapirapuã (MT). podem disparar tiros de aviso, com ça no país, o governo brasileiro fez
Em todos os casos de interceptação, munição traçante - ou seja, que produz modificações na legislação.
é feito o reconhecimento da aeronave, sinalização luminosa, de modo que O decreto nº 5.144/2004 estabelece
quando são coletadas informações seja percebida pelo piloto. Esses tiros os procedimentos a serem seguidos
para serem checadas no sistema da são disparados em trajetória paralela com relação a aeronaves hostis ou
Agência Nacional de Aviação Civil à da aeronave, mas sem atingi-la, com suspeitas de tráfico de drogas, define
(Anac), com o objetivo de averiguar a o objetivo de fazer o piloto obedecer conceitos e meios coercitivos, esclarece
possível situação irregular da aerona- às orientações da FAB. procedimentos de persuasão, medidas

46 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
de interceptação e detenção, além de Aquino, a regulamentação de uma
atribuir responsabilidades às autori- legislação específica ampara as ações de
dades envolvidas. A competência para
autorizar a medida de destruição da
Se nenhuma das policiamento do espaço aéreo no país.
“A questão da segurança jurídica, entre
aeronave considerada hostil foi dele- orientações for outras coisas, tem que ser observada.
gada ao Comandante da Força Aérea A lei evoluiu e permitiu que se fizesse
Brasileira pelo decreto nº 8.265/2014. seguida, os aviões de efetivamente o emprego da força por
O tiro de detenção é considerado meio do tiro de detenção. O narcotráfico
uma medida extrema durante a inter- interceptação da FAB é uma ameaça real e precisamos ter esse
ceptação e somente é usado quando poder para empregar legalmente. Não
todos os procedimentos anteriores não podem disparar tiros desejamos, mas não há dúvida de que
surtiram efeito. O objetivo é provocar não hesitaremos. Desde que tenhamos
danos na aeronave, forçando o pouso.
de aviso, com munição cumprido todo o processo legal, vamos
O caça A-29 Super Tucano foi o
responsável pelos tiros de aviso e
traçante (...). Esses realmente empregar a força para deter
a progressão desse tipo de transgressão
de detenção nos casos citados nesta tiros são disparados à legislação brasileira”, afirma.
reportagem. No entanto, também par-
ticipam das operações de interceptação em trajetória paralela
o avião-radar E-99 e o caça F-5M, além
dos helicópteros H-60 Black Hawk e à da aeronave, mas
AH-2 Sabre.
Segundo o Comandante de Opera- sem atingi-la
ções Aeroespaciais (COMAE), Tenente-
-Brigadeiro do Ar Carlos Vuyk de

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea


Acima, carga apreendida pela Polícia
Federal após interceptação de aeronave
feita pela FAB em abril deste ano na ci-
dade de Corumbá (MS). O avião levava
a bordo 500 kg de pasta base de cocaína.
Esse tipo de interceptação é realizado com
aeronaves A-29 Super Tucano, como essa
da foto abaixo

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 47
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea
Aeronave-radar E-99 em
atuação durante a Opera-
ção Ostium. Ela é capaz
de detectar aviões que
voam muito baixo e pode-
riam passar despercebidos
pelos radares de solo

Ações conjuntas no combate ao para a sociedade brasileira, tivemos


narcotráfico nas fronteiras do país que fazer um planejamento e montar
Desde a sua regulamentação, o tiro de uma estrutura que realmente tivesse
detenção foi um recurso empregado duas capacidade de responder a essa nova
vezes pela FAB. A primeira foi em outu- ameaça. Essa capacidade, esse remo-
bro de 2015 e a segunda em abril de 2018. delamento, essa questão da avaliação
No entanto, as interceptações acontecem doutrinária, nós batizamos de Ostium,
diariamente nos céus do Brasil. que tem um foco muito específico e tem
Além de contar com uma legislação trazido os resultados que estão sendo
específica, a intensificação nas ações de apresentados à sociedade à medida em
interceptação também foi favorecida pela que os fatos vão ocorrendo”, explica o
Ostium, uma operação de vigilância do Tenente-Brigadeiro Aquino.
espaço aéreo sobre a região de fronteira A operação teve início em março
do país, realizada de forma permanente de 2017 e é coordenada pelo COMAE.
pela FAB com o objetivo de coibir voos Todas as ações da FAB na fronteira
irregulares que possam estar ligados a seguem o que é previsto no decreto
crimes como o narcotráfico. 8.903/2016, que instituiu o Programa
“A defesa do espaço aéreo sempre de Proteção Integrada de Fronteiras
foi a missão da FAB. No entanto, à (PPIF) e prevê a atuação integrada e
medida que essas pequenas aeronaves coordenada dos órgãos de segurança
utilizadas para o transporte de drogas e pública, dos órgãos de inteligência, da
de armas se tornaram uma real ameaça Secretaria da Receita Federal do Brasil

48 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
do Ministério da Fazenda e do Estado- A CGPRE/DPF explica que as pri-
-Maior Conjunto das Forças Armadas sões, a destruição das drogas e o confisco
contra ilícitos transfronteiriços. de bens resultantes dessa atividade são
“ A Força Aérea Para o Comandante de Operações
Aeroespaciais, a coordenação entre diver-
exemplos de penalidades aplicadas pelo
Estado para desestimular o crime de trá-
está comprometida sos órgãos de segurança e de inteligência fico de drogas, já que os objetivos desta
tem sido fundamental. “Essa cooperação prática são o lucro financeiro extraordi-
com a sociedade nos dá indicadores bastante positivos: a nário e a rapidez com que é alcançado.
integração aumenta a probabilidade de Para a Polícia Federal, o apoio
brasileira no sentido sucesso e é isso que está ocorrendo nos prestado pela FAB ao exercer o poli-
dias de hoje”, avalia o oficial-general. ciamento aéreo na região de fronteira,
de combater todos os De acordo com a Coordenação-Geral aliado ao esforço conjunto de órgãos de
de Polícia de Repreensão a Drogas, ór- segurança federais e estaduais, têm sido
ilícitos que venham gão da Polícia Federal (CGPRE/DPF), essenciais nas ações de combate ao trá-

a comprometer a uma carga de 500 kg de cocaína tem


valor estimado de 7,5 milhões de reais,
fico de drogas. “A imprevisibilidade é
uma das características do tráfico aéreo
estabilidade e a mas pode alcançar a cifra de 60 milhões ilícito. O curto tempo de reação exigido
de reais se chegar até a Europa, por é atendido pela pronta-resposta graças
segurança do nosso exemplo. Ao serem apreendidas no Bra- ao excelente nível de disponibilidade e
sil, as substâncias ilícitas costumam ser posicionamento estratégico de aerona-
país”, garante o incineradas por determinação da Justiça. ves da Força Aérea Brasileira, incluindo
O piloto e outros tripulantes da o transporte das equipes táticas da Po-
Tenente-Brigadeiro aeronave podem ser presos e respon- lícia Federal empregadas nas medidas
der pelo crime de tráfico de drogas. Já de controle de solo. A capacidade de
Aquino as aeronaves apreendidas nas ações resposta dos meios aéreos da FAB tem
de interceptação ficam à disposição sido preponderante no incremento
da Polícia Judiciária, aguardando a das ações de interdição e consequente
decisão da Justiça. aumento das apreensões de drogas”,
afirma a instituição em resposta aos
questionamentos desta reportagem.
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea

O Comandante de Operações Ae-


roespaciais considera que as ações de
interceptação de aeronaves hostis ou
suspeitas e as apreensões de entorpe-
centes representam o cumprimento
pleno da missão da FAB na garantia da
soberania do espaço aéreo brasileiro.
“E eu asseguro que vamos continuar
cumprindo todas as missões, pois a
Força Aérea está comprometida com
a sociedade brasileira no sentido de
combater todos os ilícitos que venham
a comprometer a estabilidade e a
segurança do nosso país”, garante o
Tenente-Brigadeiro Aquino.

Os caças da FAB que realizam procedimentos


de interceptação levam, em local visível, a
frequência internacional 121,5. É a partir dela
que os militares dão as orientações aos pilotos
em processo de interceptação

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 49
BUSCA E SALVAMENTO

Bastidores SAR
O serviço de busca e salvamento é frequentemente
associado à equipe que se desloca até o local de
incidentes - mas essa é apenas a ponta da lança.
Por trás de toda operação para encontrar e resgatar
vidas existe um complexo sistema “para que
outros possam viver”
TENENTE JORNALISTA FELIPE BUENO

52 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea
E
m 26 de outubro de 2014, o Cessna integrantes só têm um pensamento: a
PP-FFR decola de Santa Maria do rapidez é essencial.
Boiaçú (RR) com destino a Boa “É importante que todos os elos
Vista (RR), mas não aterrissa no local do sistema estejam atualizados e
planejado. Quatro dias depois, a aero- treinados para uma boa execução do
nave é localizada com apenas um bilhete serviço. É fundamental que todos os
dos tripulantes, que deixaram o local envolvidos no tratamento de alertas
debilitados, com fome e medo de onças. de emergência atuem em acordo com
No dia seguinte, eles são localizados padrões internacionais e necessidades
a 200 km da capital roraimense: cinco, do país”, afirma o Tenente Engenheiro
incluindo uma gestante e um bebê, todos Ronan Souza Freitas, Chefe do Cen-
bem. Participaram da missão de busca e tro Brasileiro de Controle de Missão
salvamento um avião SC-105 Amazonas (BRMCC), que integra uma rede
SAR do Esquadrão Pelicano (2°/10° GAV) mundial de colaboração, monitorando
e um helicóptero H-60 Black Hawk do possíveis incidentes 24 horas por dia,
Esquadrão Harpia (7º/8º GAV). pronta para buscar e salvar vidas.
Quando se fala em socorro a pes-
soas desaparecidas, a imagem de Origem
aeronaves buscando e resgatando Os primeiros relatos de buscas
sobreviventes é o que vem à mente do e resgates de pessoas em situação
público. Porém, essa é apenas uma par- de perigo remontam à Idade Média,
te de todo um sistema desenvolvido quando expedições saíam em busca de
pela Força Aérea Brasileira para salvar embarcações desaparecidas. Propria-
o máximo de vidas possível. Nos bas- mente, a história do serviço de Busca e
tidores, uma rede mundial monitora Salvamento (SAR, do inglês Search and
qualquer sinal de que alguém precisa Rescue) começou na Segunda Guerra
de ajuda. E quando são acionados, seus Mundial. Na Grã-Bretanha, a Royal

Cabo André Feitosa / Agência Força Aérea

Para que resgates como o mostrado na foto


à esquerda possam ocorrer, há um intenso
trabalho de bastidores que envolve uma rede
integrada que monitora possíveis incidentes
24h por dia. Acima, militar da FAB atua no
Centro Brasileiro de Controle de Missão

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 53
Air Force vinha sofrendo perdas signi- 12 abordou exclusivamente as medidas Ajuda satelital
ficativas em seu efetivo ao defender o relativas ao serviço SAR. Em 1979, foi assinado um memoran-
território britânico e ao realizar ataques No Brasil, o então Ministério da do de intenções para se desenvolver um
contra a Alemanha. A preocupação era Aeronáutica criou, no fim de 1950, o Sistema SAR com o auxílio de satélites.
humanitária, mas também estratégica: serviço de Busca e Salvamento em cada A conjunção de agências da União Sovi-
os aviões abatidos eram repostos mais Zona Aérea. Uma aeronave Catalina, ética, Estados Unidos, Canadá e França
rapidamente que os pilotos, já que no- pertencente à Base Aérea de Belém, gerou a união do Sistema Espacial de
vos tripulantes precisavam passar por foi colocada à disposição para missões Busca de Embarcações em Situação de
formação e treinamentos. SAR. Dois eventos foram importantes Emergência (do russo Comischeskaya
A partir daí, foi organizada uma rede para a evolução do serviço no país: em Sistyema Poiska Avarivnich Sudov) e do
de comunicações especial para orientar 1947, um voo do Correio Aéreo Nacio- Sistema de Busca e Salvamento por
pousos forçados e saltos de paraquedas nal (CAN) caiu numa área pantanosa Rastreamento de Satélite (do inglês
em áreas mais adequadas para o resgate. de Porto de Moz (PA) e as experiências Search and Rescue Satellite-Aided Tracking
Os resultados foram positivos: o efetivo adquiridas pelos militares que entraram System). O resultado da união ficou
passou a contar com pilotos mais expe- na mata para prestar socorro os levaram conhecido como COSPAS-SARSAT e
rientes e o moral da tropa foi fortalecido a perceber a necessidade de organizar e entrou em operação em 1985 para todos
pelo sentimento de que as chances de preparar melhor o trabalho; e, em 1967, os países, sem discriminação. Outras
salvamento eram boas em caso de abate. cinco sobreviventes foram resgatados nações se associaram ao programa,
Em 1944, representantes de 54 na- 11 dias após a queda do voo FAB 2068, contribuindo com estações terrestres de
ções compareceram à Convenção de em um C-47 encontrado próximo a Tefé recepção, aumentando a eficiência do
Aviação Civil Internacional (CACI) (AM). Nesta ocasião, foram envolvidas sistema - entre eles, o Brasil.
para estabelecer normas reguladoras 35 aeronaves da FAB e da Força Aérea O sistema é composto por satélites
para o transporte aéreo. Do encontro Americana (USAF), 347 pessoas e mais em órbitas geoestacionárias, polares
em Chicago (EUA) nasceu a instituição de mil horas de voo. Um dos resgatados, baixas e em média-altitude, além de
que se tornaria a Organização de Avia- ao avistar a equipe da FAB, disse a frase antenas de recepção. Essas instalações
ção Civil Internacional (ICAO) e, no que se tornaria um bordão: “eu sabia que são capazes de detectar balizas de
documento referente à CACI, o Anexo vocês viriam!”. emergência transmitidas por diferentes

Cabo André Feitosa / Agência Força Aérea


Infraestrutura de ante-
nas, montada em Bra-
sília (DF), recebe os
sinais de satélite emiti-
dos após a recepção de
algum sinal de baliza

54 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
equipamentos. O Emergency Locator
Transmitter (ELT), utilizado em aero-
naves; o Emergency Position-Indicating
Radiobeacon (EPIRB), por embarcações;
Personal Locator Beacon (PLB), para uso

Cabo André Feitosa / Agência Força Aérea


pessoal; e o Ship Security Alert System
(SSAS), acionado apenas em casos de
terrorismo ou pirataria em embarcações.

Em solo
Quem recebe esses sinais de alerta é
o Centro Brasileiro de Controle de Mis-
são (cuja sigla, em inglês, é BRMCC),
localizado no Primeiro Centro Integra-
do de Defesa Aérea e Controle de Trá-
fego Aéreo (CINDACTA I), em Brasília
(DF). De lá, os alertas são distribuídos
entre cinco Centros de Coordenação
de Salvamento Aeronáutico (ARCC),
localizados nos CINDACTA, ou seja: Equipamento capaz de transmitir balizas
Brasília, Curitiba (PR), Manaus (AM) de emergência utilizado a bordo de embar-
cações, conhecido pela sigla EPIRB
e dois no Recife (PE). A unidade da
capital pernambucana sedia os ARCC

Sargento Johnson Barros / Agência Força Aérea


Recife e Atlântico, este responsável pelo
serviço na área oceânica sob o controle
do Brasil. Os ARCC também são conhe-
cidos como SALVAERO.
Após o acionamento de todo esse
sistema é que entram em cena as
missões de busca e/ou de salvamento.
Quem opera nos bastidores afirma: a
sensação de ajudar a salvar uma vida
é o mesmo para quem atua no início
ou no fim do processo. ”A satisfação
é a mesma, pois, apesar de não estar
na execução do resgate, o trabalho de
coordenação é fundamental para que
o objeto da busca seja localizado e os
sobreviventes resgatados. Cada deci-
são errada pode utilizar recursos de
maneira inadequada e comprometer
uma operação de busca e salvamento”,
conta o Tenente Ronan. Helicóptero H-1H, utilizado pelo Esqua-
drão Pelicano, em ação de resgate. Esse
Esquadrão de Busca e Salvamento procedimento só acontece após o trabalho
de inúmeras outras estruturas de bastidor,
A FAB possui um esquadrão es- nham suas tripulações com treinamento que compõem o sistema SAR
pecialmente treinado para cumprir específico. Algumas unidades de asas
missões SAR: o Pelicano (2°/10° GAV), rotativas cumprem ainda missões de cóptero em alerta para decolagem em
localizado na Ala 5, em Campo Gran- salvamento. O Pelicano opera aviões poucos minutos, equipados para aten-
de (MS). Outros esquadrões também SC-105 Amazonas e helicópteros H-1H, der a qualquer situação de emergência,
fazem missões de busca, desde que te- mantendo sempre um avião e um heli- seja na terra ou no mar.

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 55
56 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 57
MEMÓRIA FAB

58 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
1º/1º GT
Operação Artemis:
FAB em conflito
real
Há exatos 15 anos, duas aeronaves
Hércules C-130 deixavam o solo
brasileiro. A bordo, 41 militares
com a missão de imposição da
paz na República Democrática do
Congo. O Brasil integrava o efetivo
da ONU para apoio ao transporte
de pessoal, material e viaturas na
região de conflito
TENENTE JORNALISTA CRISTIANE DOS SANTOS
TENENTE JORNALISTA JONATHAN JAYME

Militares do Esquadrão
Gordo na base da ONU
durante o conflito, que foi
instalada no antigo aeropor-
to de Entebbe, em Uganda

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 59
O
quadro era de instabilidade:
um país africano, com histó-

1º/1º GT
rico de graves conflitos civis,
via sua situação humanitária ficar cada
vez mais debilitada. Para garantir a se-
gurança da população civil, a retomada
do processo de paz e o pleno funciona-
mento das instituições do governo, o
Conselho de Segurança da Organização
das Nações Unidas (ONU) autorizava,
com a Resolução nº 1484, de 30 de
maio de 2003, juntamente com a Força
de União Europeia (EUFOR), a missão
brasileira para o processo de pacificação
na República Democrática do Congo.
A Operação Artemis, como foi bati-
zada, estava a cargo da União Europeia
e era liderada pelos franceses. O Brasil
foi acionado e, assim, a Força Aérea Bra-
sileira (FAB) começou a escrever mais
uma página na história das missões de
ajuda humanitária e manutenção da paz.
O Primeiro Grupo de Transporte de
Tropa - Esquadrão Coral (1º GTT) e o
Primeiro Esquadrão do Primeiro Gru-
po de Transporte - Esquadrão Gordo
(1º/1º GT) formavam o Grupo Aéreo
1º/1º GT

Esquadrão Coral (1º GTT) e


Esquadrão Gordo (1º/1º GT)
formaram o Grupo Aéreo 120.
Aeronaves brasileiras faziam
o transporte aerologístico até
a região de Bunia, no Congo

60 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
Operação Artemis foi uma missão militar
autorizada pelo Conselho de Segurança
das Nações Unidas, liderada pela União
Europeia na República Democrática do
Congo durante o conflito de Ituri.

120. Há 15 anos, no dia 6 de julho, duas

1º/1º GT
aeronaves Hércules C-130 deixavam
o solo brasileiro, com 41 militares a
bordo, rumo ao ao continente africano.
Junto com outros países, integraram a
Força da União Europeia (EUFOR) no
apoio ao transporte aerologístico de
pessoal e material, como munição e
viaturas operacionais.
A base da tripulação brasileira foi
instalada no país vizinho, Uganda,
no antigo aeroporto de Entebbe, onde
ficou por 55 dias. O Grupo Aéreo 120,
formado por pilotos, especialistas
em manutenção e telecomunicações,
profissionais de saúde e observadores,

Aerovisão Jul/Ago/Set/2018 61
A missão na República

1º/1º GT
Democrática do Congo
permitiu um avanço
significativo na Aviação
de Transporte

apreensiva com a escalada da crise tanto os mecânicos, quanto os líderes.


humanitária. “O número de refugia- “A tarefa exigia uma equipe treinada.
dos no aeroporto de Entebbe crescia Nossa atenção estava em equipar bem
de maneira exponencial e os conflitos o avião, com pessoas e materiais em
entre as etnias eram comprovados por condições de garantir a segurança de
meio dos relatórios de inteligência dos todos e o sucesso da missão”, completa.
franceses”, lembra. O coronel diz que Antes de seguir para a República
Distintivo utilizado no somente quando o Grupo Aéreo 120 Democrática do Congo, as aerona-
uniforme pelos militares
da operação chegou à África percebeu a importân- ves passaram por um processo de
cia e o grau de risco do cumprimento blindagem das cabines e de alguns
realizava voos diários com destino a daquela missão. sistemas essenciais para o voo seguro.
Bunia, onde ocorriam os conflitos. “As A experiência no trato com tropas De acordo com o ex-comandante do
missões eram de apoio ao combate, estrangeiras, a destreza no emprego em Esquadrão Coral, isso foi realizado
transportávamos todo e qualquer tipo lugares inóspitos e o vasto conhecimen- visando à proteção da cabine, especial-
de material. Para isso, recebíamos dia- to sobre o avião Hércules C-130 foram mente para a segurança dos pilotos e
riamente um briefing da inteligência, critérios para integrar a operação. No preservação do cilindro de oxigênio.
as necessidades de cumprimento da Esquadrão Coral, a preocupação do O Coronel Paulo Augusto conta que,
missão, as ordens e toda a evolução de comando, após o acionamento para a mesmo acompanhando as atividades
cenário”, relembra o Coronel Aviador missão, foi a formação de uma equipe a distância, do Brasil, por vários mo-
Mauro Cezar de Azevedo Pereira, à com essas habilidades. Segundo o en- mentos percebeu a tensão transmitida
época capitão e integrante da missão tão Comandante do Esquadrão, hoje pelos brasileiros. Os relatos informavam
pelo Esquadrão Gordo. Coronel da reserva Paulo Augusto com frequência sobre aviões que eram
O militar recorda a grave situação Oliveira de Assis, os militares foram se- alvejados no pouso em Bunia. “Nossas
encontrada pela tripulação, que estava lecionados com alto nível de exigência, aeronaves tinham que voar alto até a ca-

62 Jul/Ago/Set/2018 Aerovisão
beceira da pista, pouco antes da descida. “Será que estávamos preparados? permitiu um avanço significativo no
Eram pousos que exigiam o máximo de Sempre me questionava. Mas hoje, aspecto operacional da aviação de
esforço para evitar os ataques das linhas olhando para trás, vejo que todo o transporte, incluindo a modernização
inimigas”, lembra. treinamento foi válido para ser empre- das aeronaves. “Não tenho dúvida que
O Suboficial Claudio de Azevedo gado naquela ocasião. Voltamos sem esta experiência melhorou, inclusive, o
Mecenas, que integrou a Operação nenhuma avaria na aeronave e sem projeto do KC-390”, diz, em referência
Artemis pelo Esquadrão Gordo, tinha nenhuma baixa entre o efetivo”, relata. ao projeto desenvolvido pela Embraer
entre suas atribuições a manutenção e Para o Coronel Cezar, a missão para a produção da nova aeronave
o auxílio no transporte de cargas. “Pou- na República Democrática do Congo militar multimissão.
sávamos em zonas de conflito, fazendo
manobras para desviar dos ataques an- Militares da FAB

1º/1º GT
tiaéreos”, recorda o Suboficial Mecenas. participaram na
Operação Artemis
em 1960
Dedicação e Reconhecimento
Ao fim da missão, os militares brasi-
leiros receberam a Security and Defence
Policy Service Medal. A condecoração
militar internacional foi concedida
pelo Comitê de Segurança da União
Europeia a militares e civis, em reco-
nhecimento aos serviços prestados às
ações de segurança e defesa.
O retorno do Grupo Aéreo 120 ao Bra-
sil ocorreu no dia 3 de setembro de 2003,
na antiga Base Aérea do Galeão, no Rio de
Janeiro. O momento foi marcado por uma
cerimônia militar, com participação de
autoridades, familiares e os integrantes
dos Esquadrões Gordo e Coral.
O ex-comandante do Esquadrão
Coral, Coronel Paulo Augusto, ava-
lia que a experiência da tripulação FAB também participou de missão de paz no Congo nos anos 1960
brasileira foi determinante para o su-
cesso da missão. “Esperamos sempre Em junho de 1960, quando foi proclamada a independência do Congo,
aplicar nosso conhecimento em uma uma guerra civil entre grupos étnicos se instalou. A disputa pelo poder, aliada
missão real. Nossos militares estavam ao despreparo dos nativos para a organização estatal, está entre os motivos
preparados e demonstraram que a da eclosão dos conflitos – que resultou em quase 100 mil mortes.
aviação de transporte é primordial Em meio ao caos, a nova república recorreu à ONU, para que ali houvesse
na logística empregada em condições a intervenção de uma força de manutenção da paz. De acordo o Instituto
reais de combate”, afirmou. Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER), o Brasil participou, entre os
O Suboficial Mecenas sintetiza a anos de 1960 e 1964, por solicitação do Conselho de Segurança da ONU, com
experiência como a mais marcante da quatro contingentes, totalizando 179 militares da FAB, sendo 69 oficiais e 110
carreira militar. Mesmo com vivência suboficiais, sargentos e cabos.
anterior em missão de apoio huma- Os grupamentos, a bordo de aeronaves C-47, se empenharam nas mis-
nitário, ele reitera que a Operação sões de transporte de material logístico, medicamentos e mantimentos, na
Artemis foi a primeira situação de evacuação da população, no transporte de refugiados, no rodízio de tropas,
conflito real, de grande porte e com no reconhecimento aéreo e no lançamento de folhetos.
longa duração. Segundo ele, os dias A FAB cumpriu a missão sob fogo aéreo e antiaéreo. A experiência dos
que antecederam o embarque para o pilotos e mecânicos com o C-47 e a semelhança meteorológica e geográfica
continente Africano foram marcados do campo de operações congolês com as condições do Brasil contribuiu para
por muitas expectativas e dúvidas. a construção da doutrina da Aviação de Transporte no emprego operacional.

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AERONAVE HISTÓRICA

C-95 Bandeirante
Desenvolvido em 1965, Com a criação da Empresa
ser entregues em 1973.
Na FAB, as aeronaves cum-
prem missões de transporte de
cargas e de passageiros, lança-
no Instituto de Pesquisas e Brasileira de Aeronáutica mento de suprimentos e para-
Desenvolvimento (IPD), do (EMBRAER), em 1969, a quedistas e formação de pilotos
então Centro Técnico Aero- aeronave foi aperfeiçoada e para as aviações de Transporte,
espacial (CTA), o protótipo passou a ser produzida em Patrulha, Reconhecimento e
do C-95 Bandeirante realizou série. Naquele mesmo ano, Busca e Salvamento.
seu voo oficial de demonstra- a Força Aérea Brasileira já As versões modernizadas
ção em 22 de outubro de 1968, encomendaria 80 unidades começaram a ser entregues a
em São José dos Campos (SP). do C-95, que começariam a partir de 2011.

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Sargento Johnson Barros/ Agência Força Aérea
Ficha técnica
Envergadura: 15,32m
Comprimento: 14,23m
Altura: 4,73m
Peso máximo: 5.900kg
Velocidade máxima: 454km/h
Teto operacional: 8.448m
Alcance: 1.927km
Fonte: Embraer

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VOO MENTAL Os artigos publicados nesta coluna são de responsabilidade exclusiva de seus autores e
não representam necessariamente a opinião do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica

Alcides Costa Vaz para o enfrentamento dos elevados

Foto: internet
Professor do Instituto de Re- indicadores de violência e de variadas
lações Internacionais da Uni-
versidade de Brasília (UnB)
fontes de insegurança. Contudo, tal
Presidente da Associação tendência não é objeto privilegiado de
Brasileira de Estudos de De- diálogo político regional.
fesa (ABED)
A rápida ascensão do tema na agen-
da das políticas públicas de segurança
no Brasil coincide com as dificuldades
que enfrenta a defesa em veicular à
sociedade em geral, suas preocupações
com o estancamento dos esforços de
fortalecimento do aparato militar bra-

Forças Armadas e Segurança sileiro. Este importante aspecto tem


sido negligenciado no contexto político
Pública: desafios para a gerado pela intervenção federal no
estado do Rio de Janeiro e pela forma
Defesa Nacional com que se deram sua decretação e

A
implementação. Ao chamar atenção
s controversas interfaces entre defesa e segurança pública também para este fato, não se pretende, em ne-
defesa e segurança pública re- vêm adquirindo relevância na agenda nhum sentido, menosprezar as razões
presentam um grande desafio das políticas de segurança e corrobora que tornam imperiosas uma decidida
para o Estado e a sociedade brasileira. os diagnósticos recorrentes sobre as resposta aos desafios de segurança
É questão que deve ser refletida não limitações dos Estados quanto à sua ins- pública no estado do Rio de Janeiro e,
apenas como questão de governo, mas titucionalidade no campo da segurança eventualmente, em outros estados da
de Estado. Dois aspectos fundamentais e aos recursos humanos, materiais, Federação, mas, antes, de alertar para
recomendam necessária cautela em seu tecnológicos e financeiros disponíveis os riscos e vulnerabilidades que se
trato: em primeiro lugar, o emprego de acentuam, caso persista a indiferença
meios militares no campo da segurança para com as necessidades da defesa.
pública como parte do elenco de res- O País assiste passivamente à de-
postas possíveis, de parte do Estado, a fasagem de meios materiais e de
graves e iminentes ameaças à lei e à or- tecnologias de defesa se ampliar acen-
dem é já evidência de fortes limitações
O País assiste tuadamente em seu desfavor em um
do Estado e dos instrumentos consti- passivamente à defasagem ambiente internacional que se mostra
tuídos para promover e salvaguardar cada vez mais instável e imprevisível,
a segurança da população. Por ser o de meios materiais e de sendo particularmente preocupante
ente que usufrui do monopólio legal tecnologias de defesa se que os principais projetos estratégicos
dos meios coercitivos, o Estado não tem das forças armadas, sobretudo os que
a quem recorrer internamente, senão a ampliar acentuadamente são fundamentais para a consecução de
si mesmo, em situações de iminentes e em seu desfavor em um objetivos contemplados nas operações
graves ameaças à segurança e à ordem de garantia da lei e da ordem, estejam
pública. Em segundo lugar, o recurso a ambiente internacional muito atrasados em sua implementação
meios militares e à luz dos aspectos aci- que se mostra cada e sem perspectivas de que tal atraso
ma e dentro de parâmetros condizentes venha a ser superado. É, sim, muito
com a preservação do estado democrá- vez mais instável e importante que as Forças Armadas
tico de direito, afigura-se como opção
aceitável, mas de caráter excepcional e
imprevisível brasileiras estejam aptas a apoiar o en-
frentamento às ameaças à segurança da
contingencial. população, mas isso não deve se dar às
Importante lembrar que em toda expensas dos seus objetivos e recursos
a América Latina as interfaces entre enquanto forças de defesa.

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