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UNIDADE 1

Conceito de Tensão

Objetivos de aprendizagem
„„ Compreender o conceito de tensão e
aprender a calcular tensões.

„„ Saber aplicar o coeficiente de segurança


no projeto de estruturas.

Seções de estudo
Seção 1 Conceito de Tensão, Cálculo de Tensão Normal
e de Cisalhamento

Seção 2 Tensão admissível e coeficiente de segurança


Universidade do Sul de Santa Catarina

Para início de estudo


Esta unidade terá por base o estudo do livro BEER, F. P.;
JOHNSTON, R. E. Resistência dos Materiais, 3. ed. São
Paulo: Makron Books do Brasil, 1995. 1255p

Estudaremos o conceito de tensão e você calculará tensões


normais e de cisalhamento. É a partir dela que você terá
condições de afirmar se uma determinada estrutura suporta uma
carga externa sem romper. Será visto o coeficiente de segurança e
sua aplicação no dimensionamento de estruturas

Seção 1 – Conceito de Tensão. Tensão Normal e


de Cisalhamento

Ao estudar esta seção, você deve ler em paralelo o


livro adotado da página 1 à 18, ou seja, da seção 1.1 à
1.6 do livro.

Caro aluno, durante os estudos, você compreenderá se uma


determinada estrutura, sujeita a uma carga axial, é capaz de
suportar esta carga sem romper. Isso se dará por meio da tensão,
que você conhecerá nesta unidade.

Nesta seção, iremos introduzir o conceito de tensão. É a partir


dela que você terá condições de afirmar se uma determinada
estrutura suporta uma carga externa sem romper. Para isso,
vamos analisar uma estrutura muito simples, composta por
duas barras, AB e BC, que suportam uma carga concentrada.
Verificaremos se a estrutura suporta com segurança a carga de
30 kN, aplicada em B.

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Resistência dos Materiais I

Figura 1.1 - Exemplo de estrutura


Fonte: Beer & Johnston (1995, p 2).

Com os conhecimentos da estática, você deve saber que a


barra AB está sujeita a uma força de compressão de módulo FAB,
e a barra BC está sujeita a uma força de tração de módulo FBC,
como mostrado a seguir. Fazendo um diagrama de corpo livre
no ponto B, temos as três forças concorrentes. Utilizando o
triângulo de forças, temos:

Figura 1.2 - Triângulo de forças


Fonte: Beer & Johnston (1995, p. 2).

FAB FBC 30000


= =
4 5 3

FAB = 4 . 10000 = 40 kN

FBC = 5 . 10000 = 50 kN

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Conclui‑se, então, que a carga externa de 30 kN faz com que


a barra AB fique comprimida por uma força de 40 kN, e a
barra BC tracionada por uma força de 50 kN.

Notou que apenas o conhecimento do valor da força em cada


barra não é suficiente para saber se a mesma romperá sob a ação
da força? É necessário saber também o tipo de material da barra e
a área da seção transversal da barra.

Definimos tensão como sendo a força por unidade de área,


representada pela letra grega (sigma). A tensão em uma barra
de seção transversal A, sujeita a uma força axial P é:

P
=
A

Figura 1.3 - Representação da tensão


Fonte: Beer & Johnston (1995, p. 4).

Vamos voltar à nossa estrutura. Imagine que a barra BC tem


diâmetro de 20 mm e foi construída em aço, com tensão máxima
de tração de 200 MPa.

A = r2 = . 0,012 = 314,16 × 10-6 m2

P FBC 50 10 3
= = = 6 = +159,15MPa
A A 314,16 10

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Resistência dos Materiais I

Este valor de tensão deve ser comparado com o valor máximo


que pode ser aplicado com segurança ao aço. Como o valor da
tensão calculada (159,15 MPa) é menor que o valor máximo
de tensão do aço (200 MPa), podemos afirmar que a barra BC
suporta com segurança a carga de 30 kN aplicada em B.

Agora, vamos trocar o material da barra BC de aço para


alumínio, com tensão máxima de tração de 150 MPa.
Qual deverá ser o diâmetro da barra BC para suportar a carga
de 30 kN?

P 50 10 3
= 150 10 6 =
A r2

50 10 3
r=
150 10 6

r = 10,3 × 10-3 m

d = 2r = 20,6 × 10-3 m = 20,6 mm

Você deve ter notado que as forças analisadas aqui têm linha de
ação paralela ao eixo das barras. Por este motivo, estas forças são
chamadas de forças axiais. Já a tensão age perpendicularmente à
seção transversal da barra e é chamada de tensão normal.

Quando as forças são aplicadas em uma


barra na direção transversal a ela, ocorre
um tipo diferente de tensão, chamada de
tensão cisalhante. Esta tensão é chamada
de cisalhante porque tende a cisalhar
(cortar) a barra. Ela é representada pela
letra grega (tau) e tem a mesma unidade
que a tensão normal, Pascal [Pa]. A força P
é chamada de força cortante.

P Figura 1.4 - Tensão cisalhante


= Fonte: Beer & Johnston (1995, p. 11).
A

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Vamos retomar à nossa estrutura vista no início


da seção 1. Imagine que a barra circular BC tem
as extremidades achatadas com seção transversal
retangular de 20 por 40 mm. A barra BC é fixa em
C por um pino de 25 mm de diâmetro. A barra AB tem
uma seção transversal retangular, de 30 por 50 mm.
No ponto A, a barra AB é fixada no apoio também por
um pino de 25 mm de diâmetro. No ponto B, a barra AB
é dividida em duas partes para permitir o encaixe da
barra BC. Isso é visto na figura a seguir:

Figura 1.5 - Exemplo de tensão


Fonte: Beer & Johnston (1995, p 15).

Você já sabe que a força na barra AB é de compressão e


de intensidade 40 kN. A força na barra BC é de tração e
de intensidade 50 kN. A tensão normal na barra BC é de
159,15 MPa. Agora, o que acha que acontece com a tensão
nas extremidades achatadas da barra BC? É a mesma? Vamos

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Resistência dos Materiais I

conferir: no ponto onde a barra é furada para a passagem do


pino, sua área é:

A = 20 (40 − 25)mm2 = 300 × 10 −6m2

A tensão neste ponto é:

P 50 10 3
BC = = = 167MPa
A 300 10 6

Analisando agora a barra AB, você sabe que ela está


comprimida com uma força de 40 kN. A área da barra é
A = 50 . 30 mm2 = 1500 × 10 −6 m2. A tensão resulta, então:

P 40 10 3
BC = = = 26, 7MPa
A 1500 10 6

Vamos analisar as tensões de cisalhamento nos pinos A e C.


O pino A está sujeito ao corte duplo, como pode ser visto na
figura a seguir:

Figura 1.6 - Pinos dos apoios


Fonte: Beer & Johnston (1995, p. 17).

A força compressiva de 40 kN é equilibrada por duas forças


cortantes P e conclui‑se que P = 20 kN. A área do pino A é:

A = πr 2 = π . 0,01252 = 491 × 10 −6 m2

A tensão cisalhante média no pino resulta em:

P 20 10 3
A = = = 40, 7MPa
A 491 10 6

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Já o pino C está sujeito a corte simples, como pode ser visto na


figura abaixo:

Figura 1.7 - Pinos dos apoios


Fonte: Beer & Johnston (1995, p. 16).

A força de tração de 50 kN é equilibrada por uma força cortante


P e conclui‑se que P = 50 kN. A área do pino C é igual a do pino
A. A tensão resulta, então em:

P 50 10 3
C = = = 102MPa
A 491 10 6

Analise e estude o problema resolvido 1.1.

Seção 2 – Tensão admissível e coeficiente de segurança

Ao estudar esta seção, você deve ler em paralelo o livro


adotado da página 37 à 46, ou seja, a seção 1.9 do livro.

Você deve saber que, nas aplicações práticas, a determinação de


tensões é um passo necessário para o desenvolvimento de dois
importantes estudos:

a) análise de estruturas e máquinas já existentes, com o


objetivo de prever o seu comportamento sob condições
de cargas especificadas;

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Resistência dos Materiais I

b) projeto de novas máquinas e estruturas, que deverão


cumprir determinadas funções de maneira segura
e econômica.

Em ambos os casos, é necessário saber como o material


empregado vai atuar sob as condições de carregamento, seja na
tração, compressão, flexão, cisalhamento e torção. A atuação
de cada material é determinada por intermédio de uma série de
ensaios específicos a cada tipo de solicitação, na qual obtemos
dados importantes como as tensões de escoamento e ruptura.

No projeto de um elemento estrutural ou componente de


máquina, deve‑se considerar que a carga última do material seja
maior que o carregamento que este irá suportar em condições
normais de utilização. O carregamento menor é chamado de
admissível de trabalho ou de projeto. Quando se aplica a carga
admissível, apenas uma parte da capacidade do material está
sendo solicitada, a outra parte é reservada para garantir ao
material condições de utilização segura.

Note que a relação entre o carregamento último e o carregamento


admissível é chamada de coeficiente de segurança (Sg). Esse
conceito também é valido para tensões, e podemos definir o
coeficiente de segurança como:

carga última tensão última


Sg = =
carga admissível tensão admissível

A tensão admissível será, então, menor que a tensão real que


o material suporta. O coeficiente de segurança é utilizado
no dimensionamento dos elementos de construção visando a
assegurar o equilíbrio entre a qualidade de construção e seu custo.
Coeficientes de segurança muito elevados encarecem o projeto, já
as dimensões da estrutura estão superdimensionadas. Por outro
lado, o uso incorreto do Sg pode levar a estrutura ao colapso.

A fixação do coeficiente de segurança é feita nas normas de


cálculo e, muitas vezes, pelo próprio projetista, baseado em
experiências e de acordo com seu critério. A determinação do
coeficiente de segurança adequado para diferentes aplicações
requer uma análise cuidadosa, que leve em consideração diversos
fatores, tais como:

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1. material a ser aplicado;

2. tipo de carregamento;

3. frequência de carregamento;

4. ambiente de atuação;

5. grau de importância do membro projetado.

As especificações para coeficientes de segurança


de diversos materiais e para tipos diferentes de
carregamentos em vários tipos de estruturas são dadas
pelas Normas Técnicas da Associação Brasileira de
Normas Técnicas <ABNT>.

Analise e estude o exemplo resolvido 1.2.

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