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Direito Tributário – Prof.

Omar Chamon

Introdução e Princípios

02/08/2017

- Súmulas (de acordo com a legislação atual):


STF: 70, 112, 239, 323, 331, 547, 563, 591, 656, 657, 659, 661, 662, 667, 669, 670, 688, 724,
730, 732.

Súmulas vinculantes: 19, 21, 28, 29, 31, 32, 41, 48, 50, 52 e 53.

STJ: foto no celular.

- Bibliografia:
a) Direito Tributário Brasileiro - Luciano Amaro - Saraiva.

b) Direito Tributário Esquematizado - Ricardo Alexandre - Método.

c) Curso de Direito Tributário Completo - Leandro Paulsen - Saraiva (tem processo


tributário e crimes tributários).

d) Código Tributário Nacional Comentado - Artigo por Artigo, Inclusive ICMS e ISS - Vladimir
Passos de Freitas e outros - RT (consulta).

e) Impostos federais, estaduais e municipais - Leandro Paulsen e José Eduardo Soares de


Melo - Livraria do Advogado (consulta).

f) Execução Fiscal - Paulo César Conrado - Saraiva (consulta).

 Livro de perguntas e respostas do professor (simples) - se quiser, pedir para ele por e-
mail: ochamon@gmail.com

_____________________________

Conceito de direito tributário: ramo do direito público que estuda a disciplina legal do
tributo (Luciano Amaro). Natureza obrigacional, estuda as relacoes entre o fisco e o
contribuinte.

Sistema Constitucional Tributário: conjunto ordenado de normas constitucionais que


tratam da matéria tributária (as limitacoes constitucionais ao poder de tributar, normas de
competência tributária, princípios constitucionais tributários e imunidades tributárias).

A nossa CF é muito detalhada no campo tributário. Isso porque a nossa Federação é


atípica - temos quatro entes políticos. Tem que ser super detalhado para evitar guerra fiscal e
conflitos de competência.

Princípios constitucionais tributários (são cláusulas pétreas - STF ADIN 939).

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Não podemos ter uma emenda que tente abolir qualquer princípio const tribut, são
direitos e garantias individuais.

a) Princípio da capacidade contributiva (artigo 145, parágrafo 1, CF)

Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a
capacidade econômica do contribuinte.

Os impostos (é adequado ler tributos - precedentes do STF), sempre que possível (de
limitada aplicação para taxas e contribuições de melhoria) devem respeitar a capacidade
econômica (capacidade do contribuinte de produzir riquezas).

Capacidade contributiva é o potencial para produzir riquezas. Exemplo: para nascer e


para morrer, não se paga taxa. Contribuição previdenciária - tributo que prestigia o princípio da
capacidade contributiva. 11 ou 8 por cento, de acordo com quanto ganha. Quem pode mais,
paga mais, quem pode menos, paga menos.

Este princípio concretiza-se por meio de alíquotas progressivas ou nas hipóteses em que
se aplica a mesma alíquota sobre diferentes bases de cálculo. Ele está atrelado ao princípio da
isonomia tributária, mas com ele não se confunde. Alguns até acham que seja subprincípio
deste. Sua aplicação gera a Justiça Fiscal.

Dele decorre o princípio da personalização dos impostos (o IRPF é o melhor exemplo,


autorizando abatimento de despesas específicas para cada contribuinte, tais como saúde,
educação, pensão alimentícia, etc). Este (sub)princípio já é o requinte, pois analisa a situação
concreta de cada contribuinte.

b) Princípio da estrita legalidade tributária (artigo 150, I, CF) - CAI MUITO

Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos


Estados, ao DF e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça
(prevalece o entendimento que a redução de tributo, em regra, exige lei, apesar de não ser
pacificado. É opinião da doutrina, não há juris sobre o assunto). Art. 97 do CTN - foi, na sua
totalidade, recebido pela CF.

Tributo consentido (autorização popular) - o povo deve aceitar ficar mais pobre,
autorizar a invasão em seu patrimônio em função do bem comum. Como? De acordo com a
democracia representativa, pelo Poder Legislativo que foi eleito pelo povo.

A instituição de tributos exige lei em sentido formal (em regra lei ordinária) - não é
qualquer norma! A majoração da base de cálculo também exige lei. Porém, a majoração ou
redução de alíquotas, dentro dos parâmetros legais, pode acorrer por meio de decreto nos
seguintes tributos (atenuação ou exceção ao princípio da legalidade):

i. Imposto de Importação

ii. Imposto de Exportação

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Para entender: o decreto é muito mais rápido que a lei. O II e o IE são impostos
extrafiscais, são regulatórios. Servem para arrecadar, mas principalmente para regular a
economia. Essa flexibilidade é importante para momentos econômicos críticos.

iii. Imposto sobre Produtos Industrializados

O IPI também é extrafiscal. O IPI do cigarro e da bebida alcoólica é altíssimo, por


exemplo.

iv. Imposto sobre Operações Financeiras

v. CIDE (importação ou comercialização de petróleo, álcool combustível ou gás natural) -


pode reduzir a alíquota original da lei e restabelecer. Se quiser aumentar, tem que ser por meio
de lei.

vi. ICMS monofásico sobre combustíveis e lubrificantes (pode reduzir e restabelecer por
meio de convênio CONFAZ - Conselho Nacional de Política Fazendária).

Método mnemônico: COPIE (a segunda letra da sigla de cada imposto está na palavra
"copie").

Salvo as exceções acima, precisa constar na lei: a alíquota, base de cálculo, sujeito
passivo, a hipótese de incidência e a multa (ver CTN art. 97).

Medidas provisórias: podem instituir e majorar impostos (entender como tributos) que
não exijam lei complementar. Isso vale para qualquer matéria, não só para Direito Tributário.

JURISPRUDÊNCIA:

1. O prazo para recolhimento pode ser alterado, em prejuízo do contribuinte, por


decreto - STF - RE 253.395 - o art. 97 do CTN foi recepcionado pela CF/88 e é exaustivo. Fazia
diferença o prazo, pois, à época, a inflação era de 30 por cento ao mês.

2. A base de cálculo do IPTU pode ser reajustada por decreto (na hipótese em que nao
houver majoração e sim reajuste da base de cálculo - art. 97, par. 2 do CTN - súm. 160 do STJ).

b.1) Subprincípio da legalidade: tipicidade tributária

Todos os elementos da hipótese de incidência tributária (fato gerador, base de


cálculo, alíquota e sujeitos) devem estar exaustivamente e de forma detalhada previstos em lei.
A lei deve definir tipo fechado de modo a não deixar espaço que possa ser preenchido pela
administração tributária.

Ainda no pr. da legalidade: o papel da lei complementar no Direito Tributário. É


essencial, porém, residual, pontual. Reserva de lei complementar (ou seja, não pode ser
regulamentado por lei ordinária):

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- normas gerais de Direito Tributário - trata-se de instrumento de harmonização entre a
legislação de todos os entes federativos, de tal modo que seja um tributo federal, estadual ou
municipal, a hipótese de incidência, o contribuinte e a base de cálculo dos impostos; a definição
de tributos e suas hipóteses. A LC trata de aspectos que, pela sua importância, devem ser
nivelados por todo o País. Depois, os detalhes, cada ente federativo trata como quiser.

...mais temas: conceito de obrigação, crédito e lançamento tributário; conceito de prazos


para contagem da prescrição, decadência obedecem, em termos conceituais, a mesma disciplina
legislativa. Ex: a prescricao e a decadencia do ISS de qualquer municipio do Brasil é quinquenal e
se conta de acordo com o CTN.

- sistema simplificado optativo e mais favorável à microempresa e empresa de pequeno


porte (sistema nacional LC 123/06).

- tratamento tributário mais favorecido ao ato cooperativo (não foi editada).

- limitações ao poder tributar (regras para reconhecimento de imunidade - CTN artigo


14). A imunidade é CF, mas a sua regulamentação é LC.

- dirimir conflitos de competência tributária (ex: a LC 116/03 evita conflito de


competência entre o município em que está sediado o contribuinte e o município onde o serviço
é prestado).

- tributar de forma diferenciada contribuintes do mesmo setor, como instrumento


facilitador da livre concorrência (não foi editada).

Art. 146-A da CF/88.

- instituição de: IGF (imposto sobre grandes fortunas), empréstimo compulsório, novas
fontes de financiamento da seguridade social, impostos residuais - não foram editadas.

- para definir qual Estado será competente para exigir o ITCMD caso o doador resida no
exterior ou ainda se o de cujus era domiciliado no exterior, se havia imóvel ou se o inventário
tramitou no exterior.

São Paulo, 09 de agosto de 2017

-> Continuação: Princípio da Legalidade.

Lei Complementar.

ICMS: a lei complementar que tratar de normas gerais de ICMS também regulará a
substituição tributária, regime de compensação do imposto (LC 87/96 – Lei Candir) e ainda a
forma como serão concedidos os incentivos e benefícios fiscais para evitar a guerra fiscal (LC
24/75).

O ICMS, dada sua natureza, é o imposto que mais é regulamentado por lei
complementar, justamente para evitar a guerra fiscal entre os Estados.

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Jurisprudência:

(i) O CTN foi, em grande parte, recepcionado como lei complementar pelas CF de 1967 e
1988.

O CTN é fruto da Constituição de 1946, razão pela qual a sua regulamentação foi
originariamente como lei ordinária.

O mais técnico é dizer que a maioria dos dispositivos do CTN (normas gerais de direito
tributário) foi recepcionada como lei complementar (são formalmente lei ordinária e
materialmente lei complementar), mas alguns dispositivos permanecem formal e
materialmente como leis ordinárias, a exemplo dos dispositivos que tratam de matéria
processual, procedimento e relacionada à Administração Tributária e fiscalização.

(ii) As contribuições sociais não exigem leis complementar para a sua instituição e
majoração de alíquotas, salvo novas fontes de custeio de seguridade social (STF: AgRg no AI nº
739.715).

A partir da interpretação do art. 195, §4º, CF o STF entendeu que somente as novas
fontes de custeio da seguridade social necessitam de lei complementar para instituição e
majoração.

3) PRINCÍPIOS ( continuação... )

c) PRINCÍPIO DA ISONOMIA (art. 150, II, CF)

A isonomia, segundo a redação da CF, pode ser dividida em duas partes:

(i) Isonomia material clássica: tratar igual os iguais e desigualmente os desiguais.

- A norma tributária deve ser igualmente aplicada aos contribuintes que se encontrem
em situação equivalente, independentemente da profissão ou da denominação dada aos
rendimentos ou direitos.

(ii) Princípio da proibição dos privilégios odiosos: “proibida qualquer distinção em razão
de ocupação profissional ou função por eles exercida”

Este princípio foi oriundo da discriminação que havia pra juízes e membros do MP que
não pagavam IRPF, em face da irredutibilidade de vencimentos. Isso foi extinto e vedado pela
CF/88.

Isonomia material: deve haver relação de adequação (discriminação racional) e


proporcionalidade (diferença entre os contribuintes ou situações) – “é tratar diferente na
medida exata da diferença”.

Jurisprudência:

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(i) Lei complementar estadual que isente magistrados e servidores do poder judiciário do
recolhimento das custas judiciais e emolumentos extrajudiciais (taxas) fere a isonomia (STF –
Adin 3334).

(ii) A contribuição previdenciária patronal das instituições financeiras pode ter alíquotas
maior que das demais empresas (SFT – RE 598.572).

d) PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA (art. 150, III, “a”, CF)

- “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cobrar tributos em
relação a fatos geradores anteriores ao início da vigência da lei que os houver instituído ou
aumentado” (ou seja, não se aplica a lei nova a fatos geradores pretéritos).

- Relação com a segurança jurídica

- Art. 105, CTN: a legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores
futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não
esteja completa nos termos do art. 116.

Fatos geradores: situações que revelam riquezas, que tem previsão na legislação e tem
espaço no mundo real.

Fato gerador pendente: é o fato gerador em formação. NÃO É FATO GERADOR


(entendimento da doutrina) à se falta algum fato jurídico para que o fato gerador se concretize,
quer dizer que ele ainda não existe.

- Art. 106, CTN: Quando a lei pode retroagir a fatos pretéritos:

I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de


penalidade à infração dos dispositivos interpretados;

II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:

a) quando deixe de defini-lo como infração;

b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde
que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;

c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da
sua prática.

- Súmula 584, STF: institui que deve-se usar a lei em vigor na data de entrega da
declaração.

- A doutrina entende que essa Súmula não foi recepcionada pela CF (há julgados nesse
sentido).

e) P. DA ANTERIORIDADE ANUAL ou DO EXERCÍCIO FINANCEIRO (art. 150, III, “b”, CF) *tema
cai bastante

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Exercício financeiro = ano civil

- Está fundamentado no segurança jurídica

- Em resumo, é um tempo para que o contribuinte organize suas finanças (para pagar o
imposto).

Regra geral: cria a lei hoje. O tributo só poderá ser cobrado em 1º de janeiro do ano
seguinte ou em 90 dias (nonagessimal).

f) P. DA ANTERIORIDADE NONAGESSIMAL ou NOVENTENA (art. 150, III, “c”, CF)

- Veda a cobrança, antes de 90 dias da publicação da lei.

Via de regra, o tributo poderá ser cobrado ou em 1º de janeiro do ano seguinte ou em 90


dias da publicação da lei – será escolhida a opção que mais favoreça o contribuinte.

➢EXCEÇÕES:

EXCEÇÃO À ANTERIORIDADE ANUAL: não aplica a ideia de cobrar somente em 1º de janeiro


do ano seguinte – arts. 150, § 1º c/c 177, § 4º, I, b c/c 155, § 4º, IV, CF

- A ideia é que o tributo é muito necessário e o Estado está precisando desses valores, com
urgência.

- Tal regra vale para : II, IE, Imposto de guerra, IPI, IOF, ICMS e CIDE – combustíveis,
Empréstimo Compulsório para guerra ou calamidade, Contribuições para Seguridade Social.

EXCEÇÃO À ANTERIORIDADE NONAGESSIMAL:

- Tal regra vale para: II, IE, Imposto sobre guerra, Imposto de Renda, IOF, Base de cálculo
do IPTU, Base de cálculo do IPVA, Empréstimo Compulsório para guerra ou calamidade.

➢MEDIDAS PROVISÓRIAS e o PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE:

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar


medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.

(...)

§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os


previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte
se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.

- Regra geral, a criação ou aumento de tributo mediante medida provisória, só se falará


em anterioridade quando da lei de conversão da medida provisória, excetuados os tributos
extrafiscais previstos no dispositivo.

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- Para a maioria dos doutrinadores, essa regra só se aplica para os impostos. Para os
demais tributos, inicia-se com a contagem a partir da edição da medida provisória (Leandro
Paulsen), salvo se houver alteração no texto da medida provisória.

Jurisprudência:

(i) Súmula Vinculante nº 50 (STF): normal legal que altera o prazo de recolhimento de
obrigação tributária não se sujeito ao P. da Anterioridade.

(ii) A alteração da base de cálculo do IPTU não necessita respeitar o P. da Anterioridade.

g) PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO (art. 150, IV, CF)

- A tributação não pode ser tão severa que termine por negar a vigência ao direito de
propriedade e por desestimular a livre iniciativa.

Jurisprudência:

(i) STF entende que também se aplica as multas tributárias (ADI 1.075-MC- STF)

(ii) Alíquota de contribuição previdenciária de Regime Próprio de Previdencia Social igual


a 25% é confiscatória (ADI 2010-2, STF)

(iii) O caráter confiscatório do tributo há de ser avaliado em função do sistema, vale


dizer, em face da carga tributária resultante dos tributos em conjunto (Hugo de Brito Machado;
no mesmo sentido, STF)

h) PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE GEOGRÁFICA (art. 151, I, CF)

Art. 151 - É vedado à União:

I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique
distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento
de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do
desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País;

16/08/2017

O princípio da uniformidade geográfica está fundado no pacto federativo. Incentivos


fiscais são exceção a esta regra, expressamente prevista no texto constitucional. Eles equilibram
as desigualdades entre os entes federativos. Ex: zona franca de Manaus, art. 40 da DCT.

i) Princípio da não discriminação

A ideia é não haver favoritismos entre os entes políticos. Tributar de uma forma ou outra
o produto de acordo com de onde ele vem (SP ou RJ, por exemplo).

j) Princípio da uniformidade da tributação da renda - art. 151, II

Dirigido à União, pois é ela que tributa a renda.

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Art. 151 - É vedado à União:

II - tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes públicos, em
níveis superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes;

Obrigações da dívida pública: para pagar as suas dívidas, os entes federativos emitem
títulos da dívida pública. Quem os compra está emprestando dinheiro para o Estado, a juros pré
determinados. Não pode tributar de maneira diferente os títulos dos entes federativos, pois isso
passaria para o mercado que comprar um título é melhor do que comprar outro, o que geraria
desigualdade orçamentária.

k) Princípio da proibição de isenção heterônoma - art. 151, III

Também tem fundamento no princípio federativo. A União não pode conceder


exonerações fiscais de tributos dos Estados, do DF e dos Municípios. Também não é possível os
Estados concederem isenções dos tributos de competência dos seus Municípios.

A União não pode isentar tributos de outros entes federativos (isenção heterônoma),
salvo na hipótese de lei complementar que isente ISS de destinatários localizados no exterior
(CF art. 156, par. 3º, inciso II) ou por meio de tratado internacional (STF ADIN 1600). O principal
argumento do STF para declarar isso constitucional é que quando a União ratifica um TI, ela não
faz como parte, mas como todo. Nessa hora, ela é pessoa política de direito externo, e não
interno. Ademais, os tratados prevalecem em relação à legislação tributária interna.

Obs.: embora não expressa na CF/88, vale também para os Estados em relação aos seus
municípios.

Decorrência deste princípio é a proibição da União Federal de isentar tributos estaduais


de suas autarquias. Súmula 178 do STJ. Custas e emolumentos judiciais são taxas, têm natureza
tributária. O INSS não goza de isenção do pagamento dessas taxas nas ações acidentárias e de
benefícios propostas na Justiça Estadual.

l) Princípio da liberdade de tráfego - art. 150, inciso V

Não se pode limitar o tráfego de pessoas ou bens por meio de tributos, salvo o pedágio e
o ICMS interestadual.

Pedágio é tributo, na modalidade taxa, ou tarifa/preço público? Esses últimos não são
compulsórios, enquanto o tributo é. Luciano Amaro: pedágio é uma sexta modalidade de
tributo, é algo completamente diferente.

Num primeiro momento, o STF entendia que era tributo. Mais recentemente, na ADI
800, o STF entendeu que não é taxa, mas sim preço público, não estando a sua instituição
sujeita ao princípio da legalidade estrita.

m) Princípio da transparência dos tributos - art. 150, par. 5º.

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A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos
impostos que incidam sobre mercadorias e serviços (regulamentado pela Lei 12.741/12).

n) Princípio da exigência de lei específica para concessão de benefícios fiscais - art. 150, par.
6º.

Obs.: Especificamente o ICMS exige lei complementar para tratar de benefícios. É a Lei
24/75 que criou o CONFAZ. Convênio do CONFAZ - autorização dos entes federativos para
autorizar o benefício. E, então, vem lei estadual para regulamentá-lo. Portanto, para o ICMS =
convênio + lei.

Se o tributo for constituído por lei complementar, deve ser lei complementar para
isentar.

Princípios implícitos

a) Proibição de sanções políticas: proíbe a fazenda de condicionar o prosseguimento da


atividade empresarial ao pagamento dos tributos em atraso.

Súmula 323 do STF: é inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo


para pagamento de tributos.

Súmula 70 do STF: é inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo


para cobrança de tributo.

Jurisprudência: ADIN 5135 - levar a protesto CDA (Certidão de Dívida Ativa) não
caracteriza sanção política. Nem todas as dívidas tributárias são objeto de ajuizamento de
execuções fiscais, pois pode não valer a pena pelo custo do processo comparado ao valor
pequeno da dívida. Mas as CDAs são levadas a protesto, para proporcionar um mínimo de
coercibilidade do contribuinte. O STF entendeu que não inviabiliza a atividade empresarial,
apenas dificulta. Portanto, não fere o princípio.

b) Princípio da anualidade tributária (não foi recepcionado pela CF/88!)

Se quisesse aumentar o tributo, tinha que ter previsão na lei orçamentária. Isso não
existe mais no tributário.

c) Garantia do mínimo existencial: o poder de imposição tributária do Estado não pode


negar ao indivíduo o direito à subsistência com um mínimo de dignidade.

Muitas isenções são concretizações deste princípio, como a pessoa que ganha salário
mínimo não precisar pagar IR.

d) Princípio da praticabilidade: instrumento para a eficiência do sistema. Ex: pautas


fiscais, substituição tributária, etc.

Competência tributária

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A CF é minudente neste assunto. Para definir a competência, a CF leva em consideração
a divisão de riquezas e, às vezes, a finalidade. A CF não cria tributos, mas autoriza sua
instituição por meio de lei. Obs.: a CF/88 traz o arquétipo, a regra-matriz, a moldura dos vários
tributos, especialmente dos tributos.

Conceito: é o poder constitucional para instituir tributos, em regra, por meio de lei
ordinária.

Privativas federais: IOF, IE, II, IR, IPI, ITR (a União quer controle sobre a política agrária no
País, sobre o latifúndio improdutivo. Esse imposto é Federal tão somente por razão extrafiscal),
IGF, Impostos Extraordinários, Contribuições Sociais para o financiamento da seguridade social,
CIDE - contribuição de interesse das categorias profissionais e empréstimo compulsório.

Privativas estaduais/DF: ICMS, IPVA e ITCMD.

Privativas municipais/DF: ISS, ITBI, IPTU e COSIP (contribuição de iluminação pública).

Território federal: não tem competência para instituir tributos. Cabe à União, salvo se for
dividido em Municípios. Neste caso, o mun. fica com os dele e a União fica com o resto.

Competência residual: União (impostos e novas fontes de financiamento da seguridade


social). Imposto residual ocorre quando o ente precisa de mais dinheiro e para tal riqueza não
há previsão constitucional. Seria o caso da legalização dos cassinos no Brasil.

Competência comum: taxas, contribuição de melhoria e contribuição para o


financiamento dos regimes próprios de previdência social.

Princípios e regras relacionados à competência

1. Princípio da indelegabilidade

Art. 7º, CTN: a competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de
arrecadar ou fiscalizar tributos.

Próxima aula: terminar estes princípios e imunidades.

18/08/2017

2. Não caducidade pela ausência de exercício (art. 8º do CTN).

O fato de um ente político não exercitar o poder constitucional de instituir um tributo,


não gera a perda deste direito.

3. Facultatividade: podendo sofrer sanções em face do não exercício (Lei de


Responsabilidade Fiscal artigo 11).

Município é obrigado a instituir IPTU? duas correntes. 1) Não, o Município é autônomo.


2) É obrigatória a instituição pelo menos daqueles tributos que você terá que repartir com
outros entes políticos. Você não pode renunciar ao que não é seu. Prevalece a facultatividade.

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Contudo, há sanções para o administrador que não instituir o tributo. Tanto é essa a
predominante que não questionamos o fato de a União ainda não ter disciplinado o IGF.

4. Bitributação: é a dupla cobrança sobre a mesma situação jurídica por entes políticos
diversos. Isso pode, desde que autorizado pelo texto constitucional, o que ocorre.

5. Bis in idem: dupla tributação pelo mesmo ente político sobre o mesmo fato gerador.
Ambas hipóteses a princípio são proibidas, salvo previsão expressa na Constituição.

Bitributação permitida pela CF: impostos extraordinários sobre a guerra.

Bis in idem autorizado constitucionalmente: existem contribuições que incidem sobre o


faturamento e a receita. Duas delas são a PIS e a COFINS. Ambas incidem sobre o faturamento e
a receita. O STF julgou, em 1993, que era constitucional ambas incidirem sobre o faturamento.

6. Art. 110 do CTN.

Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de
institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela
Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal
ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.

Exemplo: conceito de propriedade, de faturamento, de mercadoria. O Direito Tributário


não pode alterar essas definições, mas buscá-las no Direito Civil.

7. Diferença entre capacidade tributária ativa (aptidão que possui o Estado para
arrecadar e fiscalizar tributos) e competência (capacidade de instituir). A competência é
indelegável, já a capacidade tributária ativa é delegável.

A delegação da capacidade tributária constitui o que é chamado de parafiscalidade. ITR é


clássico exemplo. Se houver convênio da União com o Município, este poderá arrecadar e
fiscalizar. O mesmo para as contribuições do Sistema S (SENAI, SESI, etc). Fiscalidade é
arrecadatória, visa dinheiro. Extrafiscalidade é usar tributação para ter uma sociedade melhor:
regular a economia, promover a preservação do meio ambiente, proteger o trabalhador, etc.

Partilha do produto dos tributos

Arts. 157 e seguintes da CF.

Quem fica com o dinheiro pode ser diferente daquele que detém a competência e
daquele que arrecada.

Tributos federais (passados para estados e municípios):

a) IOF (sobre o ouro, utilizado como ativo financeiro): estado (30%) e município (70%)
onde ocorreu a operação;

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b) IRRF (imposto de renda retido na fonte): servidores estaduais e municipais. Súmula
447 do STJ;

c) Imposto de renda e IPI (49%) para o fundo de participação dos estados (21,5%) e
municípios (22,5% + 1% + 1%) além 3% para fundos de financiamento para as regiões norte,
nordeste e centro-oeste;

d) ITR (50% para municípios ou 100% se fiscalizar e cobrar o tributo, desde que não
conceda benefícios fiscais - ver lei 11.250/05. Lei que regulamenta o convênio entre o Município
e a União caso ele queira ficar com a parafiscalidade). Se uma fazenda ocupa 2 municípios, vai
para aquele onde fica a sede do imóvel;

e) Impostos residuais - há riquezas previstas na CF que são divididas entre os entes


políticos. Novas riquezas são chamadas de impostos residuais. 20% para os estados e DF. Nunca
foram implementados no Brasil;

f) CIDE (29% sobre a contribuição cobrada nas operações de importação de petróleo, gás
e álcool para os estados e desse montante vai 25% para os municípios);

g) IPI (10% aos Estados e ao DF, proporcionalmente ao valor das respectivas exportações
de produtos industrializados. Desse montante os Municípios ficam com 25%).

Tributos estaduais

a) IPVA: 50% para os municípios;

b) ICMS: 25% para os municípios daquele estado.

Formas de exoneração fiscal

a) isenção: é a dispensa legal do pagamento de um tributo. Constitui-se o crédito


tributário e vem uma lei dispensando o recolhimento. É o entendimento que prevalece no STF.
Sempre precisa de lei;

b) não incidência: todos os fatos não alcançados pela tributação. É o fato atípico
tributário. Ex: sobre as verbas de natureza indenizatória não incide IR, isso porque não há
enriquecimento, acréscimo patrimonial. Súmula 498 do STJ: não incide sobre indenização de
danos morais;

c) Alíquota zero: instrumento de regulação da economia. Na prática, é o mesmo que


isenção. Nasce a obrigação tributária, mas em razão do cálculo, não há nada a ser pago.

d) Imunidade

Legislação: art. 150, VI e 195, par. 7º. É limitação ao poder de tributar. Conceito:
proibição constitucional de tributar determinadas matérias, pessoas e situações fáticas. Alguns
doutrinadores chamam de hipótese de incompetência constitucional, hipótese de não
incidência constitucional.

13
Isenção tá na lei, imunidade na constitucional. Por que existem ambos? Devido ao
caráter axiológico das imunidades. Para o constituinte, aqueles valores são essenciais, razão
pela qual estão previstos constitucionalmente. Partidos políticos, sindicatos, igrejas, livros, etc.
Protege-se a democracia, a liberdade religiosa, liberdade da expressão, etc.

Existe valoração e, por essa razão, a interpretação é quase sempre extensiva. Já a


isenção deve ter interpretação literal, restritiva.

Na CF/88 art. 195, par. 7º: está escrito isenção, mas aquilo é imunidade! Às vezes a
própria CF usa termos pouco técnicos.

Permanece obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias ou deveres


instrumentais (são aspectos burocráticos). Você não recolhe tributo, mas não está liberado de
toda a documentação fiscal. Também subsiste a fiscalização, até para saber se aquele tem
mesmo direito à imunidade.

Classificação:

a) objetiva (livro) e subjetiva (fundação pública). Imunidade mais localizada na coisa ou


na pessoa;

b) condicionada (ex: entidades assistenciais ou autarquias. Só têm imunidade naquilo


que represente as suas atividades essenciais) e incondicionada (ente político).

Hipóteses (impostos, taxas e contribuições):

A. Imunidades genéricas

1. Imunidade recíproca. É a dos entes políticos. Visa fortalecer a federação. Abrange


autarquias e fundações públicas, mas apenas aquilo que tiver relação às suas atividades
essenciais. Aqui, é condicionada.

Obs: exclui os entes da administração direta e indireta nas atividades econômicas regidas
por regime jurídico de direito privado. Não abrange concessionárias de serviços públicos e
permissionários. Não exime o promitente comprador de recolher o IPTU.

2. Imunidade de templos de qualquer culto: abrange as atividades essenciais e não


apenas os prédios das instituições (STF e doutrina). Visa garantir a liberdade religiosa.

Obs: não se estende à maçonaria/estende-se aos cemitérios de sua propriedade.

3. Imunidade dos livros, jornais e periódicos e do papel utilizado em sua confecção.


Aplica-se aos impostos que incidem sobre sua produção, distribuição e comercialização.
Liberdade de expressão e incentivo à cultura. Não abrange a empresa jornalística ou a editora.
Abrange listas telefônicas, apostilas, filmes e papes fotográficos necessários para a confecção
dos jornais - súmula 657 do STF. Não abrange encartes comerciais em revistas e jornais. Não
abrange tintas e máquinas das empresas jornalísticas.

14
4. Imunidade das entidades de assistência social e educacional, partidos políticos e suas
fundações e sindicatos de trabalhadores quanto às suas atividades essenciais. Fundações
partidárias: art. 53 da lei dos partidos políticos 9.096/95. São pessoas jurídicas de direito privado
que são escolas de política, direito constitucional, direito eleitoral, principalmente para os
filiados aos partidos políticos. Eventualmente podem ter cursos para não-filiados.

Entidades assistenciais e educacionais: devem atender requisitos do art. 14 do CTN, isto


é, não distribuir lucros ou parcelas do seu patrimônio, contabilidade em ordem e não remeter
recursos para o exterior.

Não incide ICM sobre a importação de bens pelas entidades assistenciais (juris do STF AI
621.506).

Se uma entidade assistencial vende bens para arrecadar fundos, não paga ICMS (juris
STF). Contudo, se comprar o bem, haverá tributação. Isso porque, de acordo com o STF, a
imunidade atinge só contribuinte de direito, e não o contribuinte de fato.

Partidos políticos e suas fundações devem ter as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral.
Se não forem aprovadas ou não forem rejeitadas, há suspensão da imunidade.

Súmula vinculante 52 e súmula persuasiva 724. Mesmos sentido. Leading case foi a Santa
Casa de Misericórdia em São Paulo. Ela tem muitos imóveis alugados para pessoas que não têm
imunidades. O Município exigia o IPTU. Supremo disse que não, havia imunidade, pois o
dinheiro do aluguel ia para atividade essencial da Santa Casa.

Mas se uma entidade beneficente aluga uma casa, vai pagar iptu. O contribuinte, em
tese, é o proprietário, mas por contrato é sempre o locatário que paga. Juris entende que paga o
iptu mesmo assim. Contrato não tem tanta força no direito tributário.

5. Imunidade musical. Exclusiva para artistas nacionais. Inclui os arquivos digitais.


Exemplo: um cantor brasileiro grava um CD com músicas de sua autoria. Não incidirá ICMS na
venda das lojas para o consumidor final.

23/08/2017

B. Imunidades específicas

1. Impostos

Não incide:

• IPI - produtos industrializados destinados ao exterior

• ITR - pequena gleba rural

• ISS - exportação de serviços

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• ICMS - exportação de mercadorias para o exterior e serviços de transporte e
comunicação para o exterior

• ICMS: operação que destine a outros estados petróleo inclusive lubrificantes,


combustíveis líquidos e gasosos dele derivados e energia elétrica.

• Serviços de comunicação de rádio e televisão aberta.

• Quaisquer impostos: transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma


agrária.

• ITBI: sobre a transmissão de bens decorrentes de realização de capital, fusão, cisão,


incorporação ou extinção de empresa. Só vai incidir se o objeto social da sociedade for a compra
e venda de imóveis.

• Somente incide ICMS, II e IE sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de


telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis.

2. Taxas

• Assistência judiciária gratuita (quando o juiz defere a justiça gratuita para a parte,
estamos trabalhando com imunidade, pois custas têm natureza tributária. Visa incentivar o
acesso à justiça);

• Certidão de nascimento e óbito (esse emolumentos têm natureza tributária);

• Habeas corpus e habeas data;

• Custas na ação popular


3. Contribuições especiais

• Aposentadorias e pensões de regime próprio de previdência social ("caixa" de


previdência dos servidores) cujos proventos sejam inferiores ao teto do RGPS (Regime Geral de
Previdência Social);

• Aposentadorias e pensões do RGPS (art. 195, II, CF/88);

• Contribuições sociais e CIDE sobre receitas decorrentes de exportações (CF/88 - art. 149
par. 2º);

• Contribuições sociais para o financiamento da seguridade social das entidades


beneficientes de assistência social (abrange previdenciárias, PIS/COFINS, CSSL e COFINS-
IMPORTAÇÃO).

JURISPRUDÊNCIA

1. Imunidade recíproca - Correios e Casa da Moeda (são empresas públicas): o STF


diferencia empresa pública que exerce atividade econômica de empresa pública que presta
serviços públicos essenciais, monopolizados e de caráter não concorrencial (STF - RE 407099).

16
Da mesma forma para as sociedades de economia mista, tais como entidades do ramo da saúde
(STF – RE 580264).

Ideia do STF: Correio é empresa pública de acordo com a lei, mas na verdade ele é
autarquia. Por isso, está abarcado por esta imunidade. O mesmo para a Casa da Moeda. Depois
estendeu para sociedades de economia mista (a primeira foi a INFRAERO).

2. Os sindicatos patronais não têm imunidade de impostos (STF).

3. Há imunidade para os livros eletrônicos, inclusive o suporte físico (CD) e o os leitores


de livros eletrônicos. (STF Recursos Extraordinários 330817 e 595676).

4. A decisão que reconhece a imunidade tributária possui natureza declaratória e não


constitutiva, razão pela qual produz efeitos retroativos ao momento em que preenchidos os
requisitos legais para a concessão do benefício (STJ AgInt no REsp 1596529).

5. A OAB é imune ao recolhimento de impostos. Afinal, é autarquia.

6. *** STF ADIN 2028 - “os requisitos para o gozo de imunidade, das entidades
beneficentes, devem estar previstos em lei complementar”.

7. STF Súmula 730 - A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social


sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, "c", da Constituição, somente alcança as entidades fechadas
de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários.

Na prática, fundo de pensão tem que recolher impostos.

8. STF Súmula 591 - A imunidade ou a isenção tributária do comprador não se estende ao


produtor, contribuinte do imposto sobre produtos industrializados.

Ex: o orfanato comprou um carro e é imune. A indústria automobilística não é. Evidente


que a imunidade de um não se estende, não se transfere, para o outro.

9. A imunidade não afasta a condição de responsável tributário. Por exemplo, a União


Federal teve que recolher o IPTU atrasado da RFFSA (STF - Recurso Extraordinário 599.176).

10. Na hipótese da Constituição se referir a “patrimônio, renda ou serviço” (art. 150, VI,
CF), o STF interpreta como “que comprometa o patrimônio renda ou serviço”. Se fosse assim,
não se aplicaria ao ICMS. Aplica-se pois ao ICMS, IPI, ITBI, II, IE etc. O STF sempre faz uma
interpretação mais extensiva das imunidades.

11. Abrange cemitérios que sejam de propriedades de igrejas (STF RE 578562).

12. Abrange estacionamentos de igrejas, inclusive se locados para empresas do ramo,


desde que os recursos sejam integralmente utilizados em atividades religiosas.

13. “O templo não deve ser apenas a igreja, sinagoga ou edifício principal, onde se
celebra a cerimônia pública, mas também a dependência acaso contígua, o convento, os anexos

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por força de compreensão, inclusive a casa ou residência especial, do pároco ou pastor,
pertencente à comunidade religiosa” (Aliomar Baleeiro - Direito Tributário Brasileiro, 1ª ed. pág.
91).

Conceito de Tributo - art. 3º e 4º do CTN

Tributos são receitas derivadas (derivam do patrimônio do contribuinte, dos particulares,


em contraposição às receitas originárias, que decorrem da exploração dos bens ou serviços do
estado, tais como tarifas) pois nascem do patrimônio do particular e servem para financiar as
despesas públicas.

1. Prestação pecuniária compulsória.

O direito tributário é de natureza obrigacional. A obrigação tributária principal tem por


objeto uma prestação de dar (necessariamente dinheiro).

As obrigações nascem da lei ou de um contrato. O tributo é "ex lege" e, por isso, é


compulsório (por isso os royalties de mineração, de petróleo, ou ainda as tarifas não são
tributos).

Os recursos servem para financiar atividades estatais (por isso o FGTS não é tributo
embora seja compulsório e previsto em lei). Por esse motivo, não se aplicam as disposições do
CTN para o FGTS (STJ – súmula 353 - nas execuções fiscais de FGTS, não se aplica o CTN).

2. Em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir - pode ser indexado (UFIR).

3. Que não constitua sanção de ato ilícito.

Não se confunde com multa (o fato gerador do tributo é sempre um ato lícito)

Por esse motivo não pode haver tributo com efeitos confiscatório pois confisco no Brasil
é sanção por ato ilícito.

4. Instituída em lei.

5. Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

O ato administrativo de fiscalização e cobrança de tributos é vinculado, sem


discricionariedade para o administrador. A autuação é necessária, o fiscal não decide se a fará
ou não.

Artigo 4º CTN - a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador
da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la: I - a denominação e demais
características formais adotadas pela lei; II - a destinação legal do produto da sua arrecadação.

A denominação não é relevante, mas sim o fato gerador.

18
Para o empréstimo compulsório e as contribuições sociais, também é relevante a
destinação dos recursos (Leandro Paulsen e Luciano Amaro. Há julgados do STF nesse sentido).
Atenção, pois o CTN é antigo.

Para identificar o tributo não basta o fato gerador mas importa também a base de
cálculo. Ex. Taxa cuja base de cálculo for a mesma de um imposto será inconstitucional.

Classificação dos tributos

xx1. Fiscais (arrecadação) e extrafiscais (incentivar ou desencorajar comportamentos)

Exemplo de extrafiscalidade: Lei que concede incentivos fiscais para empresas que
contratam empregados com mais de 40 anos (STF – ADIN 1276).

2. Não cumulatividade: ICMS; IPI; impostos residuais; PIS e COFINS.

Deve-se compensar o que for devido em cada operação com o que foi cobrado nas
anteriores. Há incidência apenas sobre o valor agregado (acrescido em cada operação), de tal
forma que o imposto pago nunca será maior que o resultado da maior alíquota multiplicado
pelo valor final da mercadoria. O imposto destacado na nota fiscal de entrada (compra) entra
como crédito. O imposto destacado na nota fiscal de saída (venda) entra como débito. O
imposto a ser pago corresponde diferença entre débitos e créditos, após determinado período
de apuração.

3. Pessoais e reais: incidem sobre a riqueza obtida por uma pessoa (IR) ou sobre uma
coisa (IPTU).

4. Monofásicos (IOF sobre o ouro como ativo financeiro ou ICMS sobre combustíveis) ou
plurifásicos (IPI). Os plurifásicos podem ser tanto cumulativos quanto não-cumulativos. A
tributação monofásica visa concentrar a carga tributária.

5. Seletividade em face da essencialidade dos produtos.

Obrigatório para o IPI (CF/88 Art. 153, §3º, I) e permitido para o ICMS (CF/88 Artigo 155,
§2º, III).

Jurisprudência: É constitucional a alíquota de 25% de ICMS sobre a energia elétrica?

STF (pendente de julgamento): RE 714139

6. Progressivos e proporcionais.

xProgressividade de alíquotas – Autorizativo constitucional nestes três casos:

 ITR

 IPTU

 IR

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 ITCMS (STF – RE 562045).

Obs: a progressividade extrafiscal aparece no IPTU (progressivo no tempo) e no ITR. A


progressividade fiscal aparece no IPTU progressivo em face do valor do imóvel.

Proporcionais: alíquotas fixas (alíquotas iguais).

Progressivo – aumenta-se na medida em que aumenta a base de cálculo.

A ideia principal da progressividade se funda na ideia da capacidade contributiva. Aquele


que possui maior remuneração paga mais.

Alíquota diferente – não há nenhuma correlação lógica entre a alíquota e a base de calculo.
Ex: para o IPVA, há alíquota diferente, e não progressividade. IPI – a alíquota de importação do
carro será de 30%, a alíquota do vinho será de 40%

Alíquota proporcional - é uma alíquota fixa, igual, mas o valor a ser pago será diferente
(conta matemática); a alíquota é sempre igual, mas o valor a ser pago varia.

Alíquota progressiva – correlação entre a base de cálculo e a alíquota. Na medida em que


se aumenta a base de calculo, se aumenta a alíquota. Alíquota variável.

Questão – TJ/SP

- Extrafiscalidade – emprego de instrumentos tributários para o alcance das finalidades não


arrecadatória, mas incentivadoras ou inibidores de comportamentos com vista à realização de
valores constitucionalmente relevantes.

- Parafiscalidade – Possibilidade de delegação da capacidade tributaria ativa.

Questão - TJSP

Considerando o disposto no Art. 156, §1º, inciso I – pode se afirmar que foi instituída a
denominada -> progressividade fiscal específica do IPTU (é especifica porque é direcionada a um
único imposto)

Obs. Progressividade extrafiscal especifica – respeito à função social da propriedade.

Espécies tributárias

Art. 5º do CTN – Tributos são os impostos, taxas e contribuições de melhoria.

As demais se enquadram em uma das três (Teoria Tricotômica) adotada por Paulo de
Barros Carvalho.

Há também quem entenda que os tributos ou são impostos ou taxas (Teoria Dicotômica –
Geraldo Atalibsa e Alfredo A. Becker)

Teoria Quadripartite (exclui as contribuições especiais – Luciano Amaro).

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*** Teoria Pentapartite – STF RÉ 146.733-9 – São cinco espécies tributarias, impostos,
taxas, contribuições de melhoria, contribuições especiais e empréstimo compulsório)

Tributo:

i. impostos (IR, IPI, ICMS);

ii. Taxas (taxa de policia e taxa de serviços);

iii. Contribuições de melhoria (obra publica);

iv. Contribuições de intervenção no domínio econômico;

v. Contribuições de interesse das categorias profissionais.

Impostos

Art. 145, I, CF/88 – Art. 16 do CTN

Art. 16 – Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação
independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.

Tributo no qual não há contraprestação estatal especifica para o contribuinte (revelações


de riqueza).

Não se pode ter uma vinculação, um fim específico – Princípio da não afetação. Art. 167, IV,
CF. São exceções a este princípio:

A) arrecadação de receita;

B) Recursos mínimos para a saúde;

C) Recursos mínimos para a educação;

D) Estrutura da administração tributaria;

E) Garantia de operações de credito por antecipação de receita (para pegar empréstimos


pode ser fornecida antecipação de receita).

*** Taxas

Legislação – Art. 145, III, CF/88 – arts. 77 e seguintes do CTN.

Tem por fato gerador o exercício regular do poder de policia, ou a utilização, efetiva ou
potencial, de serviço publico especifico é divisível (uti singuli), prestado ao contribuinte ou posto
à sua disposição.

Ex.: taxa do lixo – serviço especifico e destacável em unidades autônomas. Não é destacável
e é genérico

21
Na pratica, é especifico quando o contribuinte sabe por qual serviço esta pagando, e
divisível (deve haver usuários determinados – não pode atingir toda a coletividade
indistintamente). Ex: custas judiciais e emolumentos de cartórios extrajudiciais.

Exercício regular do poder de polícia

CTN, art. 78 – Considera-se poder de policia atividade da administração publica que,


limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a pratica de ato ou abstenção
de fato, em razão de interesse publico concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos
costumes, à disciplinada produção e do mercado (...)

Taxa de policia não é propriamente fiscalização; é o preço pago pelo contribuinte pelo
exercício regular do poder de policia, que se concretiza na fiscalização.

 Poder estatal de limitar direitos individuais em face do bem comum. Fiscalização que
será custeada pela taxa (é obrigatória a existência de órgão de fiscalização). Ex: valor pago para
tirar passaporte.

Obs.: Não pode ter a mesma base de cálculo de impostos.

- Diferença entre taxa e preço publico (compulsoriedade da prestação do serviço publico


pelo estado, serviço publico essencial e regime jurídico de direito público – Luciano Amaro)

A questão da compulsoriedade foi o aspecto utilizado pelo STF para entender o pedágio
como preço publico e não como taxa.

Jurisprudência

1. STF – Sumula Vinculante 19 – Taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos
de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis
não viola o art. 145, II, CF (é serviço específico e divisível).

2. STF - É inconstitucional a taxa para custear o serviço de limpeza de logradouros públicos


(ruas e praças) (não é divisível, atende a uma coletividade).

3. STF – Súmula Vinculante 41 – O serviço de iluminação publica não pode ser remunerado
mediante taxa.

4. O pedágio tem natureza jurídica de preço público. O principal argumento foi a ausência de
compulsoriedade. Posicionamento pacificado no STF.

5. O serviço de agua e esgoto prestado por concessionarias publicas devem ser custeados por
meio de tarifas e não através de taxas (STJ Ag. Rg. No Resp 1366682).

6. Sumula 667 do STF – Viola a garantia constitucional de acesso à jurisdição a taxa judiciária
calculada sem limite sobre o valor da causa (capacidade contributiva).

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7. STF – Súmula Vinculante 29 – “É constitucional utilizar um ou mais elementos da base de
cálculo de um imposto, desde que a identidade não seja integral”. Ex.: uma taxa pode ter
base de cálculo a metragem do imóvel, que é um dos elementos da base de cálculo do IPTU.

8. STF – Sumula Vinculante 12 – A cobrança de taxa de matricula nas universidades publicas


viola o disposto no art. 206, IV, da CF (não pode cobrar taxas de serviços gratuitos).

9. STF – RE 643247 – Taxa cobrada em face do serviço de combate a incêndios não pode ser
cobrada pelos municípios.

10. O valor da taxa não pode destoar do custo do serviço ou da estrutura da fiscalização.

11. Na taxa de policia é necessário que haja estrutura especifica para a fiscalização.

Contribuições de melhoria

Legislação: art. 145, III, CF/88 c/c os arts. 81 e 82 do CTN e com o DL 195/67 (normas gerais)
e uma lei para cada obra (norma específica).

É um tributo vinculado cujo fato gerador é valorização do imóvel decorrente de uma obra
pública (mais valia imobiliária).

Art. 81. “A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito
Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer
face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a
despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada
imóvel beneficiado”.

Obras públicas que podem gerar a cobrança (DL 195/67 – art. 2º): pavimentação,
iluminação, arborização, esgotos pluviais e outros melhoramentos de ruas e praças publicas,
construção e ampliação de túneis, pontes, parques, metro, etc.

Empréstimo compulsório

Legislação – Art. 148, CF/88.

Pressupostos constitucionais – calamidade pública ou guerra ou ainda investimento público


relevante e urgente. A hipótese de incidência será determinada pela lei instituidora (Sacha
Calmon e Roque Carrazza). Exige lei complementar federal para sua instituição.

Destinação – recursos para custear a necessidade social que o gerou.

A devolução deve ser em moeda (Leandro Paulsen).

30/08/17
TRIBUTO Impostos
Taxas

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Contribuições de Melhoria
Empréstimos compulsórios
Contribuições especiais

Contribuições para o financiamento da seguridade social

Contribuição de intervenção de domínio econômico

Contribuição de interesse das categorias profissionais

Contribuições sociais gerais

Contribuição de iluminação pública (COSIP)

Contribuição para o financiamento dos regimes próprios de Previdência Social (Art 40, CF)

“Riquezas” do art. 195 da CF

“Novas riquezas”

 Favorecimento/Receita

 Importação

 Lucro

 Salário/ Remuneração

 Concurso de prognósticos

Contribuições especiais

Legislação – Arts. 149 e 149-A da CF/88

Característica – se identificam a partir da finalidade a ser alcançada (intervenção no


domínio econômico, caráter social, etc) e da destinação dos recursos para essa atividade. A
referibilidade para o contribuinte pode ou não ocorrer, mas não é essencial.

1. Custeio da seguridade social (CF/88 artigo 195).

Materialidade econômica:

Salário e remuneração (contribuição previdenciária).

Faturamento e receita (PIS/COFINS)

Importações (PIS/COFINS Importação)

Lucro (Contribuição Social sobre o lucro líquido).

Concurso de prognósticos (loterias)

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Novas fontes (contribuições sociais residuais) – lei complementar, não cumulatividade e
fato gerador e base de cálculo distintos das demais contribuições do artigo 195. (STF RE
559.937). Ex: eventual volta da CPMF.

Pis e Cofins Cumulativo

Legislação: Lei 9715/98 e 9718/98

Fato gerador: faturamento das empresas.

Base de cálculo: resultado da venda de bens, da prestação de serviços e todas as outras


receitas da atividade principal da pessoa jurídica, do mês anterior.

(A grosso modo, o faturamento e a receita)

Alíquotas (regra geral): 3% (COFINS) e 0,65% (PIS).

Contribuintes: pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido (regra geral).

Obs.: É inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS - (STF -


Recurso Extraordinário 574706).

Pis e Cofins não-cumulativo

Legislação: Lei 10637/02 e Lei 10833/03

Fato gerador: faturamento

Base de cálculo: resultado da venda de bens, da prestação de serviços e todas as outras


receitas da atividade principal da pessoa jurídica, do mês anterior, deduzidas algumas despesas
previstas em lei.

Obs: É possível descontar insumos, energia elétrica, energia térmica, o valor dos bens
adquiridos para revenda, vale-transporte, vale-refeição, aluguel de imóveis e máquinas, frete,
reformas nos imóveis da empresa, aquisição de máquinas,

Alíquota: 7,6% (COFINS) - 1,65% (PIS)

Contribuintes: pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real (regra geral).

Pis-Cofins Importação

Legislação: Lei nº 10865/04

Fato gerador: importação de produtos estrangeiros ou o pagamento pelos serviços


prestados no exterior com resultado no Brasil.

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Contribuinte: importador (pessoa física ou jurídica) ou o contratante do serviço (pessoa
física ou jurídica).

Base de cálculo: valor aduaneiro ou o valor pago pelos serviços.

Alíquotas (regra geral)

Mercadorias: 2,1% para o PIS e 9,65% para a Cofins.

Prestação de serviços: 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins.

1. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido

Legislação: Lei nº 7689/88

Fato gerador: lucro.

Base de cálculo: resultado (lucro) antes da provisão para o imposto de renda.

Alíquota: Em regra, será de 9%.

Contribuintes: pessoas jurídicas.

Contribuições previdenciárias

Legislação: Lei 8.212/91

Segurados

Pessoas jurídicas: contribuição patronal (20%); Seguro de Acidente do Trabalho (1% a 3%) e
contribuição para o financiamento da aposentadoria especial (6%, 9% ou 12%).

2. Contribuição de interesse das categorias profissionais ou corporativas

Contribuições previstas em lei para custear as atividades dos órgãos que fiscalizam as
profissões regulamentadas. Pode ser instituída por meio de lei ordinária (STF).

Jurisprudência: As anuidades da OAB não têm natureza tributária (STJ Resp 915.753). As
demais têm.

3. Contribuição de intervenção no domínio econômico

Possui função nitidamente extrafiscal. Em seu âmbito de abrangência a hipótese de


incidência, que deve ser veiculada por meio de lei ordinária federal, deve atingir o setor da
economia em que o estado quer atuar.

Não exige referibilidade (benefício) direta ao contribuinte (ex. Contribuição para o INCRA –
STJ Resp nº 977.058)

26
Exemplos:

a) CIDE sobre comercialização e importação de petróleo, gás e álcool (artigo 177 CF - Lei
10336/01)

b) Contribuições para o sistema ‘S’ (entidades)

Sesi (1,5%) – senai (1%)

Sesc (1,5%) – senac (1%).

STJ, Súmula 499: “as empresas prestadoras de serviços estão sujeitas às contribuições ao
Sesc e Senac, salvo se integradas noutro serviço social.”

Incra (0,2%)

Sebrae (0,6%).

(TRF5 Juiz 2005) a Constituição Federal preceitua que apenas lei complementar pode dispor
sobre a hipótese de incidência e a base imponível das contribuições de intervenção no domínio
econômico (errada).

4. Contribuição de iluminação pública (CIP)

CF/88 Artigo 149-A: Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na


forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado o
disposto no art. 150, I e III. Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se
refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica.

Jurisprudência: A CIP é constitucional (STF Recurso Extraordinário 573.675)

5. Contribuição social geral

Salário-educação (2,5% sobre a folha de salários).

STF Súmula 732. É constitucional a cobrança da contribuição do salário-educação, seja sob a


Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996.

6. Contribuição para o custeio dos regimes próprios de previdência (servidores)

Ativos: 11% sobre o salário-de-contribuição.

Inativos: 11% sobre o valor que superar o teto do RGPS

Ente político: 11% a 22% sobre o salário-de-contribuição do servidor.

27
Impostos em espécie

Leitura complementar: Impostos federais, estaduais e municipais – Leandro Paulsen e José


Eduardo Soares de Melo – Livraria do advogado editora.

1. Imposto de renda ***

Legislação: artigo 153, III CF/88 c/c artigos 43/45 do CTN

Artigo 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer


natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de
renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de
proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não
compreendidos no inciso anterior. (...)

Obs.: verbas de natureza indenizatória não compõem base de calculo do Imposto de Renda.

Hipótese de incidência: aquisição de renda ou seja acréscimo do patrimônio em face do


trabalho (emprego), do ganho de capital (aplicação financeira) ou da combinação de ambos
(lucro) e proventos que são os demais acréscimos patrimoniais, excluídos os acréscimos
decorrentes da aquisição de renda.

Disponibilidade econômica: corresponde ao recebimento dos valores (regime de caixa).

Disponibilidade jurídica: consiste no crédito desse valor embora ainda não tenha posse do
mesmo (regime de competência).

Alíquotas:

a) pessoa física: 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%

b) pessoa jurídica: real, arbitrado ou presumido (15% com acréscimo de 10% sobre o lucro
que superar 240.000,00 por ano).

Base de cálculo:

O imposto de renda pessoa jurídica será determinado com base no lucro real, presumido ou
arbitrado (art. 1º lei 9430/96).

a) Lucro real: obrigatório para quem fatura mais de 78 milhões de reais ano, instituições
financeiras e aquelas que auferem lucros no exterior. Lucro líquido do período ajustado pelas
adições, deduções e compensações, previstas em lei.

b) Lucro presumido: pessoas jurídicas que possuem faturamento mais baixo a base de
cálculo é um percentual sobre a receita bruta variável por atividade. Ex. Prestadores de serviços
o lucro corresponde, em regra, a 32% do faturamento. Já o comércio e indústria é 8%. Ex. Uma

28
PJ prestadora de serviços fatura R$. 100.000,00 e é tributada pelo lucro presumido. A base de
cálculo do IRPJ é R$. 32.000,00.
c) Lucro arbitrado: a documentação contábil não merece fé. Diante disso, a fiscalização
vem arbitrar o valor.

Características:
- Generalidade (todas as pessoas) – Toda e qualquer pessoa física e jurídica;
- Universalidade (toda a renda deve ser tributada, inclusive a obtida no exterior);
- Progressividade (aumenta a alíquota na medida em que aumenta a base de cálculo);

Jurisprudência:

1) STJ, Súmula 463 – Incide imposto de renda sobre os valores percebidos a título de
indenização por horas extraordinárias, ainda que decorrentes de acordo coletivo.

2) STJ, Súmula 498 – Não incide imposto de renda sobre indenização de danos morais.

3) STJ, Súmula 125 - O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não
está sujeito à incidência do Imposto de Renda.

4) STJ, Súmula 386 - São isentas de imposto de renda as indenizações de férias


proporcionais e o respectivo adicional.

5) STJ, Súmula 215 - A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à


demissão voluntária não está sujeita à incidência do Imposto de Renda

6) STJ, Súmula 136 – O pagamento de licença prêmio nao gozada por necessidade do
serviço não está sujeito ao imposto de renda.

7) Não incide sobre os juros de mora se não houve incidência sobre a verba principal.
(Reclamação trabalhista – verbas indenizatórias – STJ – AgInt no AREsp 903579).

Código Civil. Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão
pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos,
abrangendo juros, custas e honorários de advogado, sem prejuízo da pena convencional.
Parágrafo único. Provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena
convencional, pode o juiz conceder ao credor indenização suplementar.

8) Existe um conceito constitucional de renda: o legislador ordinário não tem ampla


liberdade para ampliar o conceito de renda ou proventos de qualquer natureza que tem matriz

29
constitucional e deve ser analisado sob o prisma da capacidade contributiva (Leitura
complementar- https://jus.com.br/artigos/56850/o-conceito-constitucional-de-renda).

9) Incide IRPF sobre o terço constitucional de férias (STJ REsp 1459779 ).


(Mais relacionado ao lazer do que a uma contraprestação pelo trabalho).

(Procurador da República 2014) É CORRETO AFIRMAR QUE:


a) ( ) Lei ordinária é o diploma legislativo hábil a criar todo e qualquer tributo;

b) ( ) O legislador ordinário, à vista da vaguidade do preceito constitucional (art. 153, III)


pode dizer livremente o que significa a expressão “renda e proventos de qualquer natureza”;

c) ( ) O legislador ordinário pode determinar a incidência do imposto de renda sobre


indenizações, posto constituem acréscimo ao patrimônio;

d) (X) A liberdade do próprio legislador complementar para alterar definição do conceito de


renda encontra limites decorrentes do significado da expressão “renda e proventos de qualquer
natureza” utilizada pela Lei Maior para atribuir competência impositiva à União

Imposto de importação
Legislação: artigo 19 a 22 do CTN (normas gerais) e Decreto-Lei nº 37/66.

Hipótese de incidência: entrada no território nacional de mercadoria estrangeira que se


incorpora à economia nacional (não basta a entrada física, como se dá com um quadro para
exposição ou em trânsito para outro país).

Aspecto temporal: registro da declaração de importação (STF – ADIN 1293).

Alíquotas: específica (x reais por metro) ou ad valorem (alíquota sobre a base de cálculo).

Base de cálculo: medida adotada por lei (metro ou quilo) ou ainda preço de mercado da
mercadoria acrescido de frete e seguro (valor aduaneiro).

Imposto de exportação

Legislação: artigos 23 a 27 do CTN e DL 1578/77.

Hipótese de incidência: exportação de produtos nacionais ou nacionalizados (estrangeiros


que adentraram o território nacional) – deve integrar a economia de outro país.

Aspecto temporal: data do registro no SISCOMEX.

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Alíquota: específica ou ad valorem

Base de cálculo: preço de mercado

Imposto sobre grandes fortunas

Legislação: CF/88 artigo 153, VII.

Exige lei complementar.

“imposto da inveja”

experiência alienígena (não foi positiva segundo setores da doutrina)

Impostos extraordinários

Legislação: artigo 154, II CF/88 e artigo 76 do CTN

Pressupostos constitucionais: iminência ou efetiva guerra externa. Devem ser temporários


e extintos no prazo máximo de cinco anos a contar do final da guerra.

A base de cálculo ou a alíquota depende do legislador podendo alcançar fatos geradores


dos impostos municipais ou estaduais.

Impostos residuais

Legislação: artigo 154,I CF/88

a) devem ser veiculados por lei complementar

b) devem ser não cumulativos

c) não podem ter fato gerador ou base de cálculo já prevista para outros impostos.

- Só existe imposto residual federal. Não precisam de edição de nova lei complementar para
sua vigência.

Imposto territorial rural

Legislação: art. 29 a 31 do CTN e Lei n. 9393/96.

Artigo 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem
como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como
definido na lei civil, localização fora da zona urbana do município (desde que não reste
caracterizado como imóvel urbano – zona urbana encontra-se no artigo 32 do CTN).

O imposto é territorial, e não predial. Somente se cobre sobre o terreno, a propriedade.

Quando é IPTU e quando é ITR? Se for urbano, IPTU, caso contrário, por exclusão, se paga
por ITR. O olhar do CTN é por localização.

31
--> Na CF, qual a riqueza prevista? Imposto sobre propriedade de imóvel rural. Na hipótese
de domínio útil é possível tributar? A doutrina entende que sim, visto que há proximidade com a
propriedade.

Alíquotas:

CF/88 Artigo 153, § 4º, inciso I: será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a
desestimular a manutenção de propriedades improdutivas (0,03% a 20%). Maior a propriedade
e menor sua utilização, maior será a alíquota. Ex: alíquota máxima corresponde a propriedade
superior a 5000 hectares com menos de 30% de utilização.

Base de cálculo: valor venal do terreno.

Jurisprudência

1. Não incide sobre terreno invadido (STJ Resp 1144982).

2. Na hipótese de imóvel localizado em área urbana ter destinação rural (atividade


extrativista, agrícola ou pecuária), deve incidir o ITR (STJ Resp 1.112.646). Entende que está em
vigor o artigo 15 do DL 57/66 que exclui a regra do artigo 32 do CTN dessa situação.

(Procurador Tribunal de Contas DF 2013) segundo o STJ, incide o imposto sobre a


propriedade territorial rural (ITR), e não o imposto sobre a propriedade predial e territorial
urbana (IPTU), sobre imóveis comprovadamente utilizados para exploração extrativa, vegetal,
agrícola, pecuária ou agroindustrial, ainda que localizados em áreas consideradas urbanas por
legislação municipal. (correta)

IOF (imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro e relativa a títulos e valores
mobiliários)

Legislação: CF/88 artigo 153,V c/c CTN artigo 63/67.

Hipótese de incidência: mútuo (momento da entrega do dinheiro) – câmbio (momento do


recebimento da moeda estrangeira ou nacional) – seguro (o aspecto temporal é a data de
emissão da apólice) – títulos mobiliários (ações – debêntures – momento da emissão ou resgate
do título).

Alíquota: Variáveis (alteradas por decreto). Ouro como ativo financeiro terá aliquota
mínima de 1% (atualmente, é de 1%).

Base de cálculo: o valor econômico subjacente a operação (ex. empréstimo corresponde ao


principal e juros).

Obs: do ouro como ativo financeiro só é exigido o IOF.

32
*** IPI

Legislação: artigo 153, IV c/c artigo 46/51 do CTN.

Hipótese de incidência: desembaraço aduaneiro; saída dos produtos industrializados do


estabelecimento industrial (não incide na operação entre o varejista e o consumidor final) e
arrematação de bens apreendidos ou abandonados.

O IPI, obrigatoriamente, segue o princípio da essencialidade. Trabalha-se a ideia de política


de saúde pública (como ocorre no caso das bebidas alcoólicas e do cigarro).

Conceito de produto industrializado para fins de incidência de IPI:

A) Transformação de matéria prima;

B) Beneficiamento (trazer melhorias para o consumo);

C) Acondicionamento (embalagem);

D) União de pecas ou partes (montagem);

Base de cálculo: valor do produto – da arrematação ou da importação, nesse caso acrescido


do importo de importação.

Alíquotas: variadas. Exemplo: vodka (60%). A mais alta é a do cigarro.

IPI é não cumulativo. O que se tem de crédito, quando for vendido, somente se vai pagar a
diferença entre o crédito e o débito. Aplica-se a diferença da entrada e da saída.

Jurisprudência

1. Importador pessoa física deve recolher para uso próprio (STF Recurso Extraordinário
723651).

2. Não incide IPI sobre confecção de cartão de crédito ou impresso gráfico personalizado
(Súmula 156 do STJ). Critério da preponderância da obrigação de fazer sobre a obrigação de dar.

IPVA

Legislação: CF/88, art. 155, III, e leis estaduais.

Hipótese de Incidência: propriedade sobre veículo automotor em 01 de janeiro ou na data


da primeira aquisição.

Alíquotas: variáveis (mínima por resolução do senado. Pode ser diferenciada em face do
tipo de veículo e utilização).

Base de cálculo: valor venal.

Jurisprudência

33
1. Súmula 585 do STJ - “A responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134
do Código de Trânsito Brasileiro CTB, não abrange o IPVA incidente sobre o veículo automotor,
no que se refere ao período posterior à sua alienação”.

1.1 STJ REsp 1306407 (...) Por força do art. 131, I, do CTN, o adquirente do veículo se torna
responsável pelo pagamento dos débitos de IPVA, sendo desinfluente o exercício em que
ocorreu o fato gerador (...)

2. não incide IPVA sobre embarcações e aeronaves (STF RE 379572).

O argumento seria o fato de que o registro, para veículos automotores, deve se dar no
munícipio de sua utilização. Todavia, embarcações e aeronaves não possuem município fixo de
circulação. Ainda, outro argumento é o de que tais bens equiparam-se a bens imóveis.

3. A ausência de lei complementar não torna inconstitucional a cobrança de IPVA (com


fundamento no art. 24, §3º da CF/88 – STF RE nº 236.931).

4. Em caso de roubo ou furto a jurisprudência majoritária afasta a incidência a partir da data


do evento (a legislação dos estados também afasta, com restrições).

13/09/17

(Procurador do Estado – RN 2014) Analise os itens abaixo.

I. O IPVA é um imposto de competência dos Estados e do Distrito Federal, mas pode ser
instituído pelos Municípios na ausência de legislação estadual.

II. As alíquotas mínimas para o IPVA são fixadas por Resolução do Senado Federal.

III. O IPVA pode ter alíquotas diferenciadas em função do tipo e da utilização dos veículos.

IV. O IPVA pode ter alíquotas progressivas em razão do valor venal do veículo, conforme
disposição expressa na Constituição Federal.

Está correto o que se afirma APENAS em

(A) I e II.

x(B) II e III.

(C) III e IV.

(D) I e III.

(E) II e IV

* Imposto sobre a transmissão causa mortis e doações

Legislação: CF/88 artigo 155,I c/c artigos 35/42 do CTN.

34
Hipótese de incidência: transmissão de quaisquer bens ou direitos por sucessão legítima ou
testamentária ou efetivação de doação (tradição ou contrato). A incidência na transmissão de
bens móveis depende de previsão em lei estadual.

Aspecto temporal: abertura da sucessão (morte Súmula 112 do STF).

Aspecto temporal da doação é a data do registro do bem.

Base de cálculo: valor venal dos bens envolvidos.

Alíquotas: depende de lei estadual. Alíquota máxima depende de resolução do Senado


Federal (CF/88 artigo 155, par. 1º, inciso IV).

Porque resolução do Senado? Porque este é o poder moderador dos estados, a fim de
evitar a guerra fiscal entre os estados.

Contribuinte: doador ou o donatário (depende da lei estadual (CTN – artigo 42).

Obs: Será competente para exigir o ITCMD o estado em que estiver localizado o bem imóvel
ou, no caso de bem móvel, o estado em que for processado o inventário ou que tiver domicílio o
doador, no caso de doação.

Jurisprudência

1. Súmula 331 do STF – É legitima a incidência do imposto de transmissão de causa mortis


no inventário por morte presumida.

2. Incide sobre o montante que, no processo de divórcio, superar a meação de algum dos
cônjuges.

3. Os beneficiários da justiça gratuita não estão isentos do recolhimento.

Arrolamento do art. 659 do CPC – abriu uma exceção, permitindo o pagamento posterior do
imposto:

“Art. 659. A partilha amigável, celebrada entre partes capazes, nos termos da lei, será
homologada de plano pelo juiz, com observância dos arts. 660 a 663.

§ 1o O disposto neste artigo aplica-se, também, ao pedido de adjudicação, quando houver


herdeiro único.

§ 2o Transitada em julgado a sentença de homologação de partilha ou de adjudicação, será


lavrado o formal de partilha ou elaborada a carta de adjudicação e, em seguida, serão expedidos
os alvarás referentes aos bens e às rendas por ele abrangidos, intimando-se o fisco para
lançamento administrativo do imposto de transmissão e de outros tributos porventura
incidentes, conforme dispuser a legislação tributária, nos termos do § 2o do art. 662”.

Afirmam que viola o CTN, pois este estabelece que primeiramente se comprova o
pagamento do ITCMD e demais tributos, e depois se homologa a partilha (art. 192 do CTN),

35
enquanto o novo CPC estabelece que primeiramente se deve dar o arrolamento, depois o
pagamento do ITCMD.

*** ICMS (imposto de circulação de mercadorias)

Legislação: CF/88, art. 155, II e LC/87/96.

Hipótese de Incidência:

1. Circulação econômica de mercadorias (transferência de titularidade) – exige


habitualidade do ato empresarial (ato de comércio).

P. ex., compra e venda de carro não comporta habitualidade, motivo pelo qual não há que
se falar em Incidência de ICMS.

1.1 Importação de mercadorias e serviços por pessoas físicas ou jurídicas sem habitualidade
(nesse caso, o imposto é devido para o estado do estabelecimento ou domicílio do importador
e pode ser exigido no desembaraço aduaneiro).

2. Serviço de transporte de pessoas ou cargas interestadual ou intermunicipal (não incide se


o transporte é feito pelo próprio comprador ou vendedor. Nesse caso não há prestação de
serviço).

3. Prestações onerosas de serviços de comunicação (telefone, celular).

(Procurador do Estado de São Paulo 2009) é vedado aos estados exigir o ICMS sobre
fornecimento de refeições por restaurantes, exceto se o consumo for realizado fora do
estabelecimento, visto que não há circulação de mercadorias quando o consumo é realizado in
loco. (errada)

Errado, pois a saída física não é relevante, não é ela que define a incidência ou não do ICMS.
Uma vez que houve a alimentação dentro do restaurante, já há fato gerador. A saída do ICMS
em questao não é física, e sim econômica.

Base de cálculo: o valor da mercadoria ou o preço do serviço.

Obs: incidirá sobre o valor total da operação quando essa envolver mercadorias e serviços
não tributados pelo ISS.

Alíquotas:

a) o Senado pode estipular alíquota interna mínima (aliquota interna – operações no


mesmo estado).

b) o Senado pode fixar alíquota máxima para solucionar pendência específica entre estados
federados. Como poder moderador, o Senado, a fim de evitar abusos, fixa alíquota máxima.

36
c) o Senado deve fixar alíquota interestadual (hoje 12% ou 7% para operações entre os
estados do sul/sudeste e os estados do norte, nordeste, centro-oeste e Espírito Santo). Por trás
disto, há a questão do desenvolvimento. Assim, disto se decorre um equilíbrio econômico entre
os estados, relativo ao seu respectivo desenvolvimento.

d) salvo deliberação do CONFAZ não é possível estipular aliquota interna inferior a alíquota
interestadual.

e) lei estadual estipula alíquota interna. Exemplo, a principal alíquota no Estado de São
Paulo corresponde a 18%.

ICMS

Operações Interestaduais:

CF/88 Artigo 155 (...) VII - nas operações e prestações que destinem bens e serviços a
consumidor final, contribuinte ou não do imposto, localizado em outro Estado, adotar-se-á a
alíquota interestadual e caberá ao Estado de localização do destinatário o imposto
correspondente à diferença entre a alíquota interna do Estado destinatário e a alíquota
interestadual;

Ex: RJ vende mercadoria a SP: aliquota do RJ é 12%, de SP é 18%, portanto SP fica com 6%,
que é a diferença entre as alíquotas.

VIII – a responsabilidade pelo recolhimento do imposto correspondente à diferença entre a


alíquota interna e a interestadual de que trata o inciso VII será atribuída:

a) Ao destinatário, quando este for contribuinte do imposto;

b) Ao remetente, quando o destinatário não for contribuinte do imposto;

Jurisprudência

1. Não há incidência na transferência de um estabelecimento para o outro do mesmo


titular, no mesmo estado (Súmula 166 do STJ). Inclusive na transferência para outros estados
(STF Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 267.599)

2. Não índice ICMS sobre os serviços de provedores de internet (STJ Súmula 334) pois são
usuários e não prestadores de serviços de comunicação, nos termos do disposto no art. 61 da
Lei 9472/97.

Art. 61, Lei 9472/97: “Serviço de valor adicionado é a atividade que acrescenta, a um serviço
de telecomunicações que lhe dá suporte e com o qual não se confunde, novas utilidades
relacionadas ao acesso, armazenamento, apresentação, movimentação ou recuperação de
informações”.

3. Nas compras com cartão de crédito, com incidência de juros, a base de cálculo do ICMS é
o valor da venda à vista sem encargos (STJ súmula 237), pois o comerciante recebe a vista e a

37
relação jurídica entre instituição financeira e o consumidor não tem relação com a compra e
venda.

4. E se não houver intermediação de financeira? Incide sobre o total (STJ súmula 395). O
próprio comerciante possibilita a venda a prazo, com juros.

5. Não incide o ICMS sobre o serviço de habilitação de telefone celular (STJ súmula 350)
pois somente pode incidir sobre a atividade fim (comunicação) e não sobre a atividade meio tal
como a habilitação, instalação, assinatura etc.

6. Não é possível cobrar ICMS com base em pauta fiscal (STJ súmula 431).

Pauta fiscal – presunções, valor médio. Não pode ser a pauta fiscal utilizada como um
instrumento contra a sonegação.

7. Os descontos incondicionais não se incluem na base de calculo do ICMS (Súmula 457 do


STJ). Exemplo, um brinde pode ser considerado um desconto incondicionado e sobre o valor do
brinde não índice ICMS.

8. STF, Súmula Vinculante 32 – O ICMS não incide sobre alienação de salvados de sinistro
pelas seguradoras.

Salvados de sinistro = sucatas. Isto pois não há habitualidade, visto que o objeto principal da
atividade das seguradoras não é a venda de sucata.

9. Não incide sobre a venda de veículos ou equipamentos usados por quem não é
empresário (STF, súmula 541).

10. *** É lícito ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes


de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra
e venda (STJ – Súmula 509).

11. * Súmula Vinculante 48 – Na entrada de mercadoria importada do exterior, é


legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro.

12. Tributo. ICMS. Transferência de bens. Incorporação de uma sociedade por outra.
Não Incidência. Inexistência de circulação de mercadorias. (...) Não incide ICMS na hipótese de
incorporação de uma sociedade por outra (STF - RE 208932 ED-AgR).

13. STJ - ICMS SOBRE "TUST (tarifa de uso de sistema de transmissão)" E


"TUSD“ (tarifa de uso de sistema de distribuição). NÃO INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE
CIRCULAÇÃO JURÍDICA DA MERCADORIA. (Não é pacífico).

A circulação da mercadoria eletricidade ocorre apenas no momento em que a energia é


efetivamente entregue à unidade consumidora, ocasião em que ela é individualizada e pode ser
consumida pelo usuário, o que não ocorre na transmissão e distribuição.

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14. Benefício fiscal relativo ao ICMS exige convênio do CONFAZ (autorização unânime
dos estados e DF) e regulamentação por lei estadual (LC 24/75).

STF Proposta de súmula vinculante 69: “Qualquer isenção, incentivo, redução de alíquota
ou de base de cálculo, crédito presumido, dispensa de pagamento ou outro benefício fiscal
relativo ao ICMS, concedido sem prévia aprovação em convênio celebrado no âmbito do
CONFAZ, é inconstitucional”.

(Procurador do Estado de Rondônia 2011) Sr. Jorge, empresário do setor de calçados


promove a importação de um veículo esportivo de luxo, proveniente da Itália, que será de sua
utilização pessoal e exclusiva, sendo que todo processo fiscal de importação foi realizado em
seu nome. Diante dessa operação, o ICMS

X(a) será devido, ainda que o adquirente não seja contribuinte habitual do ICMS.

(b) não será devido, uma vez que o adquirente (pessoa física) não é contribuinte do ICMS,
não realizando a aquisição do veículo com habitualidade.

(c) não será devido, uma vez que o veículo está sendo adquirido para uso pessoal e
exclusivo, não sendo destinado à revenda ou locação.

(d) será devido em razão do princípio da capacidade contributiva por se tratar de artigo de
luxo.

(e) será devido, uma vez que o adquirente é proprietário de empresa comercial, sendo esta
contribuinte do ICMS.

Quando é importação, não é necessário que se tenha habitualidade na compra.

20/09/17

ISS – Legislação LC 116/03


Hipótese de incidência – serviços prestados na LC nº 116/03 (mais de 230 serviços). Incide
também sobre serviços prestados mediante utilização de bens ou serviços públicos explorados
por meio de autorização, permissão ou concessão.
Alíquotas – variadas (mínimo de 2% e máxima de 5%)
Base de Cálculo – preço do serviço

Jurisprudência
1. A lista é exaustiva mas admite interpretação extensiva (STF). O rol seria verticalmente
taxativo e horizontalmente exemplificativo.
Ex: 4 – Serviços de saúde, assistência médica e congêneres (...). 4.02 – análises clínicas,
patologia, eletricidade médica, radioterapia, quimioterapia, ultrasonografia, ressonância
magnética, radiologia, tomografia e congêneres. 4.03 – Hospitais, clínicas, laboratórios,

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sanatórios, manicômios, casas de saúde, pronto-socorros, ambulatórios e congêneres. 4.04 –
instrumentação cirúrgica. 4.05 – Acupuntura (...).
2. STF Súmula Vinculante 31 – é inconstitucional a incidência de Imposto Sobre Serviços
de Qualquer Natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis (pois não se trata de
obrigação de fazer).
3. É constitucional a incidência de ISS sobre os serviços de cartórios extrajudiciais não se
aplica a imunidade recíproca aos serviços delegados que visam lucro (STF – ADIN 3089).
ITBI
Legislação: CF/88, art. 156, II, e artigos 35/42 do CTN.
Hipótese de incidência: a transmissão onerosa de propriedade ou do domínio útil (registro
da escritura de compra e venda) ou de direitos reais (artigo 1225 CC) – exceto os direitos reais
de garantia – de bens imóveis ou ainda a cessão desses direitos.
Base de cálculo – valor venal do imóvel ou dos direitos transmitidos (art. 38 do CTN).
Alíquotas – variáveis por município.

Jurisprudência
1. Alíquotas progressivas são inconstitucionais (STF, Súmula 656).
2. Compromisso de compra e venda registrado não é fato gerador (STF Agravo de
Instrumento no Agravo Regimental 603.309).
3. O fato gerador é a transmissão de propriedade e não a celebração do negócio jurídico
(STJ – a data do registro imobiliário - art. 1245 CCB).
4. Não há incidência na hipotese de usucapião.
5. A base de calculo do imóvel adquirido em leilão judicial é o valor da arrematação (STJ
Resp 1.188.655).
6. Há incidência de ITBI na permuta de imóveis.

** IPTU
Legislação - CF/88, art. 156, I, e arts. 32/34 do CTN.
Art. 32. “O imposto, de competência dos municípios, sobre a propriedade predial e
territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem
imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana
do município (...)”.

Imóvel urbano é aquele que é localizado em zona urbana conforme previsão em lei
municipal que esteja de acordo com o disposto no art. 32, §1º, do CTN, isto é, que possua dois
dos seguintes melhoramentos: calçamento ou meio-fio, água, esgoto, energia elétrica e escola
ou posto de saúde há menos de três quilômetros do imóvel (critério da localização e não da
destinação).

40
Tambem são considerados urbanos as áreas urbanizáveis previstas em loteamentos
aprovados, mesmo sem os melhoramentos.
Base de cálculo – valor venal do imóvel.
Alíquotas:
A) Progressivas: No tempo para desencorajar o proprietário do solo urbano ou deixá-lo não
edificado ou subutilizado ou em razão do valor do imóvel.
B) Diferentes: Em face da localização ou do uso (comercial, residencial).

Jurisprudência
1. Comodato, locação, uso, habitação e servidão não são fatos geradores do IPTU.
2. A posse originada de compromisso de compra e venda é fato gerador do IPTU (STJ Resp.
1.111202).
3. O crédito tributário do IPTU se constitui definitivamente com a notificação que, nos
termos da Súmula 397 do STJ se efetiva pelo envio do carnê ao endereço do contribuinte.
4. STJ, Súmula 399 – Cabe à legislação municipal estabelecer o sujeito passivo do IPTU.

(Promotor de Justiça – SC/2013) Assinale certo ou errado:


(C) O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS, de competência exclusiva dos
Municípios e do Distrito Federal, incide sobre os serviços públicos explorados economicamente,
prestados por delegação do órgão estatal competente, com o pagamento de tarifa, preço ou
pedágio pelo usuário final do serviço.

(Promotor de Justiça/RS 2014) Em relação ao IPTU, a Constituição Federal contempla dois


critérios a serem atendidos na aplicação da progressividade e outros dois na diferenciação de
alíquotas, respectivamente: tempo e valor, localização e uso (correta).

Norma tributária

Legislação tributária: é conceito que abrange também normas infralegais (abrange lei e
normas infralegais).

CTN Artigo 96. a expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as


convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou
em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.

Fontes formais primárias


A) Constituição Federal.
B) Lei complementar.
C) Lei ordinária.
D) Decreto legislativo.

41
E) * Tratados Internacionais.
F) Decretos: dão operacionalidade à lei.

CTN, art. 98. “Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a


legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha”.

Regina Helena Costa: “Os tratados e as convenções internacionais não revogam a legislação
interna. (…) o que de fato ocorre é que as normas contidas em tais atos, por serem especiais,
prevalecem sobre a legislação interna, afastando sua eficácia que com esta forem conflitantes”.

Fontes formais secundárias ou complementares.


Normas instrumentais que nao podem infringir as primárias.

A) Atos normativos expedidos pela administração (instruções normativas com o manual de


preenchimento de imposto de renda).
B) Jurisprudência administrativa.
C) Usos e costumes (da administração).
D) Convênios (acordo entre os entes políticos. Os mais importantes são os relativos ao
ICMS).

Schoueri sobre os convênios do CONFAZ: “tratados entre os integrantes da Federação”.

Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções
internacionais e dos decretos:
I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;
II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei
atribua eficácia normativa;
III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas;
IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios.
Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de
penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo
do tributo.

Vigência da lei tributária no espaço


Obs.: a eficácia da norma depende desta estar em vigor. ex. anterioridade. A lei está em
vigor mas não possui eficácia.

A norma tributária se aplica no território do ente tributante. Admite extraterritorialidade


em face de tratados internacionais e convênios entre estados ou municípios.

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Vigência da lei tributária no tempo
CTN Artigo 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor: I - os atos administrativos
a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação; II - as decisões a que se refere
o inciso II do artigo 100, quanto a seus efeitos normativos, 30 (trinta) dias após a data da sua
publicação; III - os convênios a que se refere o inciso IV do artigo 100, na data neles prevista.

Art. 105 do CTN: a legislação tributária se aplica imeadiatamente ao fato gerador futuro e
ao pendente (ex: imposto de renda – ganha-se direito todo o mês, de alguma forma se completa
de acordo com o passar do tempo).
Sacha Calmo e Paulo de Barros Carvalho entendem que não existe fato gerador pendente.

* Art. 106 do CTN: aplicação da lei tributária no tempo: retroage quando for mais benéfica
ao infrator desde que o crédito não esteja defitivamente julgado.

Também quando for interpretativa, salvo se impuser multa de forma retroativa.

Integração (artigo 108 CTN): na ausência de previsão legal são aplicados os seguintes
institutos e nessa ordem:

a) analogia (não pode ser utilizada para exigir ou dispensar a cobrança de tributo ou para
hipóteses de isenção ou para dispensar da obrigação acessória – mas pode ser utilizada para
prazos).

b) Princípios gerais do direito tributário.

c) Princípios gerais de direito público (republicano – federativo – indisponibilidade do


interesse público).
d) Equidade (não havendo dúvidas ou mais de uma opção deve-se buscar o justo no caso
concreto mas não dispensa do cumprimento da obrigação principal).

Interpretação

a) Restritiva (literal): hipóteses de exclusão e suspensão do crédito tributário e dispensa do


cumprimento das obrigações acessórias (artigo 111 CTN).

b) mais benéfica: no que se refere a penalidade (artigo 112 CTN).

c) x Norma antielisiva

CTN, Artigo 116, Parágrafo único: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos
ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do

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tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os
procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.

Tentativa de introduzir a interpretação econômica do direito tributário ou teoria do


abuso das formas (que é defendida por setores da doutrina.

* Diferença entre elisão e evasão fiscal: Elisão é não incidência (evita-se a ocorrência do
fato gerador). Evasão é fraude que visa a sonegação (houve o fato gerador, mas este é
camuflado).

Na evasão, o contribuinte, utilizando-se de artifícios dolosos, reduz a sua carga


tributária, visando a sonegação. Já a elisão fiscal é uma forma lícita de o contribuinte conseguir
reduzir a carga tributária, aproveitando-se de lacunas ou imperfeições da lei tributária, já que o
legislador não pode ser “oniprevidente”, deixando, em consequência, malhas e fissuras no
sistema tributário.

d) Os institutos de direito privado, quando utilizados na hipótese de incidência tributária,


permanecem com a mesma definição do direito privado. Ex. locação de bens móveis não se
confunde com prestação de serviços (CTN – artigo 109).

Art. 109 do CTN: “Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da
definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para a
definição dos respectivos efeitos tributários”.

(Procurador do Estado de Pernambuco 2009) com relação aos fatos, atos e negócios
jurídicos, assinale a opção correta.
a) a legislação tributária estabelece hierarquia entre as leis instituidoras de tributos
federais, estaduais e municipais.

xb) se, em procedimento administrativo fiscal houver, discussão sobre o alcance de uma
norma impositiva, e, em face disso, tiver sido editada lei explicitando o sentido da referida
norma, essa lei terá efeito retroativo. (Correta – art. 106 do CTN)
c) a lei que estabeleça redução de alíquota de tributo terá efeito retroativo, desde que o
procedimento administrativo não tenha sido definitivamente julgado, por ser mais benéfica ao
contribuinte.
d) uma nova lei que estabeleça redução de multa punitiva retroagirá em benefício do
contribuinte, o que não ocorre quando se tratar de multa moratória. (Não se aplica somente à
multa de ordem moratória)
e) na integração da norma tributária, poderá ser utilizada a analogia, a interpretação
analógica e a interpretação extensiva. (Art. 108 d0 CTN)

44
Fato Gerador (art. 114 do CTN)

Art. 114. “Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária
e suficiente à sua ocorrência”.

- É aquela riqueza prevista em lei que, quando ocorre na vida real, obriga o contribuinte ao
recolhimento do tributo.

Fato jurídico que, após processo lógico de subsunção de todos os seus elementos fáticos,
faz nascer a obrigação tributária.

A doutrina passou a distinguir fato gerador “in concreto”ou fato imponível (Geraldo Ataliba)
ou ainda fato jurídico tributário (Paulo de Barros Carvalho) e fato gerador “in abstrato” ou
hipótese de incidência (situação prevista em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência).

Art. 115. “Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da
legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação
principal”.

- Situações previstas em lei que geram deveres instrumentais. Descumprimento de


obrigação acessória gera a imposição de multa (ex: documentação fiscal).

Art. 116. “Salvo disposição legal em sentido contrário, considera-se ocorrido o fato gerador
e existentes os seus efeitos: I – tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se
verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente
lhe são próprios; II- tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja
definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável”.

Nada impede que incidam tributos sobre atos jurídicos nulos (CTN, art. 118). Por exemplo: a
taxa recolhida a título de celebração de casamento civil posteriormente declarado nulo.

CTN, art. 118, inciso II: o fato gerador é interpretado abstraindo-se dos efeitos do fato
jurídico: ex: o industrial deve para o IPI mesmo que o adquirente não tenha adimplido o negócio
jurídico (compra e venda).

O fato gerador independe da licitude do meio que gerou a riqueza (princípio non olet ou
tributo non olet – Imperador Vespasiano – “o dinheiro não cheira”).

O que não é possível é a inclusão de atos ilícitos como elemento da hipótese de incidência.
Ex.: imposto sobre o jogo do bicho ou sobre o tráfico de drogas.

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O fato gerador, na origem, não é relevante. Já o produto (dinheiro, por ex., dinheiro
resultante do tráfico), é tributável.

Teoria de Paulo de Barros Carvalho

Regra matriz de incidência tributária: norma jurídica que traz todos os elementos
necessários para a constituição do crédito tributário. Abarca 5 critérios.

Hipótese de incidência ou antecedente. Critérios:

A) Material: Corresponde a riqueza econômica sobre a qual incide o tributo (o que, por
exemplo: ser proprietário de um imóvel urbano – IPTU).
B) Espacial: Onde. Local em que ocorre o fato gerador.
C) Temporal: Quando. Corresponde ao dia do fato gerador (não se confunde com o prazo
de pagamento).

Consequente

D) Pessoal: Quem. Sujeito ativo e passivo.


E) Quantitativo: Quanto. Base de cálculo e alíquota.

Obrigação tributária
Legislação: art. 113 do CTN.
As relações entre a fazenda e o contribuinte são relações jurídico-obrigacionais. A incidência
da norma sobre o fato imponivel gera deveres para o contribuinte.

A obrigação tributária é o dever legal genérico.

O contribuinte deve adimplir com a obrigação (prestação) que será pecuniária (principal) ou
acessória também denominada de “deveres instrumentais”(fazer ou não fazer – documentação
fiscal ou tolerar a fiscalização).

As obrigações acessórias são deveres que podem atingir contribuintes ou não contribuintes
que tem o dever de colaborar com o fisco (ex. imobiliária deve informar as operações
realizadas).
Se não cumprir a obrigação acessória, ela se converte em principal, isto é, deve entao o
contribuinte pagar uma multa.

O descumprimento da obrigação acessória a converte em principal.


A obrigação principal decorre de lei. A obrigação acessória decorre da legislação tributária
(normas legais e infralegais).

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Princípios da inopolibilidade das convenções particulares perante o Fisco

Art. 123 do CTN: as convenções particulares, salvo previsão legal em sentido contrário, não
transferem a responsabilidade pelo recolhimento de tributos para terceiros.

Solidariedade Tributária
Arts. 124 e 125 do CTN: existência de mais de um devedor no polo passivo da obrigação
tribuária.

Solidariedade de fato: sempre que as pessoas tiverem comunhão de interessses na


situação que gerou o fato gerador.
Não precisa estar previsto em lei instituidora (ex. coproprietários pelo ITR ou IPTU).

Solidariedade de direito: nas hipóteses previstas em lei, independentemente de interesse


(ex. Diretores de entes da administração pública indireta são solidariamente responsáveis pelas
contribuições para a seguridade social, não recolhidas há mais de trinta dias – art. 42 da Lei
8.212/91).

Art. 42. “Os administradores de autarquias e fundações públicas, criadas e mantidas pelo
Poder Público, de empresas públicas e de sociedades de economia mista sujeitas ao controle da
União, dos Estados ou dos Municípios, que se encontrarem em mora, por mais de 30 (trinta)
dias, no recolhimento das contribuições previstas nesta Lei, tornam-se solidariamente
resposáveis pelo respectivo pagamento, ficando ainda sujeitos às proibições do art. 1º e às
sanções dos arts. 4º e 7º do Decreto-lei nº 368, de 19 de dezembro de 1968”.
 Ex. da Cohab;

Salvo disposição legal em sentido contrário:


A) O pagamento do tributo a todos aproveita e o mesmo vale para as hipóteses de isenção
(salvo se for outorgada de forma individual) e remissão.
B) A citação de um dos co-devedores interrompe a prescrição quanto aos demais.
C) Não há beneficio de ordem na solidariedade tributária.

Capacidade Tributária Passiva

Art. 126, CTN: Independe da capacidade civil da pessoa física ou jurídica (criança;
interditado civilmente; uma unidade econômica; tal como uma empresa de fundo de quintal ou
pessoas que exercem profissão regulamentada sem habilitação).

(MP/GO 2012 Promotor) Leia e responda:

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Errada – I – O civilmente incapaz não possui capacidade tributaria; razão pela qual não pode
ser sujeito passivo de obrigacao tributária.
Correta – II – Contribuinte é o sujeito passivo que tem relação direta com o fato gerador da
obrigação tributária.
Errada – III – Existindo solidariedade entre sujeitos passivos, o que possuir menor
capacidade contributiva poderá pleitear beneficio de ordem, de modo que a obrigação
tributária seja exigida primeiro daquele que possuir maior capacidade contributiva para
suportar o dano econômico.
Correto – IV – Ocorrendo solidariedade, o pagamento efetuado por um aproveita aos
demais sujeitos passivos da obrigação tributária, exceto nos casos em que houver disposição
legal expressa em contrário.

Resp: Alternativa C – As afirmativas II e IV estão corretas.

(TJ/RS 2016 – Juiz) No que diz respeito ao Código Tributário Nacional, assinale com V
(verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo.
(Falso) Dois irmãos proprietários de um mesmo imóvel urbano desde 2010, recebido por
doação dos pais em antecipação da legítima, havendo adimplemento, não responderão
solidariamente em relação aos créditos do IPTU cujo fato gerador ocorreu em 2014.  Errado,
pois há solidariedade de fato. Responderão, portanto.
(Verdadeiro) Um menor de 16 anos que tenha recebido por doação um imóvel urbano,
escriturado e registrado onde necessário, possuirá capacidade tributária passiva em relação ao
IPTU.
(Falso) Uma pessoa, na hipótese de ser solidariamente obrigada por expressa designação
por lei, poderá alegar o benefício de ordem, desde que nomeie bens do devedor, sitos no
mesmo município, livres e desembaraçados, quantos bastem para solver o débito.
(Verdadeiro) Um pessoa que venda mercadorias como autônoma, sem possuir pessoa
jurídica regularmente constituída, é dotada de capacidade tributária passiva.

Domicílio Fiscal (art. 127 do CTN)


O contribuinte pode escolher dentro do território tributante do Fisco, o local em que
deseja receber correspondências e a fiscalização.

É importante para fins de intimação no processo administrativo fiscal.

Caso não haja a escolha pelo contribuinte será: a residência da pessoa física e, em regra, o
local da sede ou filial da empresa ou o local em que o contribuinte centraliza as suas atividades
profissionais.

Para a pessoa jurídica de direito público, será o local de qualquer de suas repartições.
Fisco pode rejeitar o domicilio se este dificultar a fiscalização.

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Domicílio eletrônico (no âmbito federal são admissíveis intimações, para fins de processo
administrativo fiscal).

Sujeitos da relação jurídico-tributária


Sujeito Ativo: Ente federativo que instituiu o tributo ou ente que tem a capacidade
tributária ativa (Paulo de Barros Carvalho).

Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da
competência para exigir o seu cumprimento.

Art. 120. Salvo disposição de lei em contrário, a pessoa jurídica de direito público, que se
constituir pelo desmembramento territorial de outra, subroga-se nos direitos desta, cuja
legislação tributária aplicará até que entre em vigor a legislação do novo ente político.

Sujeito passivo: contribuinte (relação direta e pessoal com o fato gerador, isto é, está
presente no fato gerador, isto é, está presente no fato gerador e é “um personagem relevante
na relação jurídica”).

04/10/17

Responsabilidade tributária (CTN – artigo 128)

A lei pode atribuir a responsabilidade pelo recolhimento do crédito tributário a pessoa, que
não seja contribuinte, mas que possua vínculo com o fato gerador.

Classificação: por substituição e por transferência.

Responsabilidade por substituição

CF/88 artigo 150, par. 7º- a lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a
condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva
ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso
não se realize o fato gerador presumido.

x substituto tributário: a obrigação tributária, por determinação legal, já nasce na pessoa


de terceiro.

Para frente: adianta-se o recolhimento. Exige fato gerador presumível. O primeiro da cadeia
produtiva recolhe o tributo pelos demais contribuintes. O valor do produto, para as próximas
etapas, é arbitrado por meio de atos fazendários (ex. A indústria vai vender o produto por R$.

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100. Há regra que estabelece que o comércio atacadista vai vender com margem de 10%, a R$.
110).

Para trás: adia-se o recolhimento. Contribuintes que ocupam posições anteriores na cadeia
de produção ou circulação de mercadorias são substituídos no dever de recolher o tributo por
aqueles contribuintes que ocupam posições posteriores.

Obs: caso não ocorra o fato gerador, devolve-se o tributo. Da mesma forma, em relação à
diferença de base de cálculo (STF – RE 593849).

(Procuradoria do Estado/SP 2012) na substituição tributária para frente, há uma


postergação do pagamento do tributo, transferindo-se a obrigação de reter e recolher o
montante devido, que seria do vendedor, ao adquirente dos produtos e serviços. (errada).

Responsabilidade tributária por sucessão

x Artigo 130, “caput”: os débitos tributários incidentes sobre bens imóveis se subrogam na
pessoa dos adquirentes, salvo se apresentada CND ao tabelião do cartório de títulos e
documentos.

CTN Artigo 130 par. único: nos leilões judiciais os débitos tributários incidentes sobre o
bem imóvel arrematado, se subrogam no preço da arrematação.

Obs: Aplica-se também aos veículos? Sim (STJ Resp nº 807455). Aplica-se, portanto, aos
bens móveis. Construção jurisprudencial.

Artigo 131 CTN

Art. 131. São pessoalmente responsáveis:


I - o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos;
(Redação dada pelo Decreto Lei nº 28, de 1966)
II - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a
data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do
legado ou da meação;
III - o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão.

a) o adquirente e o remitente respondem pelos bens adquiridos (bens móveis). O artigo


131-I não se aplica para bens imóveis.

b) Os débitos tributários do “de cujus” são de responsabilidade do espólio. Caso surjam


novos débitos no decorrer do inventário o espólio será contribuinte. Após a partilha, se algum

50
débito não foi pago, pois não era conhecido na época da partilha, a responsabilidade é dos
herdeiros e do cônjuge meeiro. Sempre limitado ao quinhão ou a meação recebida.

(Procuradoria do Estado de São Paulo 2012) “beltrano” faleceu deixando herdeiros e


tributos não pagos. Deixou bens em valor inferior ao valor dos tributos devidos. O sucessor a
qualquer título e o cônjuge meeiro são responsáveis pelo valor total dos tributos devidos pelo
de cujus até a data da partilha ou adjudicação. (errada)

Errado, pois se responde limitando-se ao quinhão recebido.

Artigo 132 CTN – há sucessão na hipótese de fusão (artigo 1119 CCB); transformação (artigo
1113 CCB) e incorporação empresarial (artigo 1116 - CCB).

Jurisprudência:
Na cisão parcial (preserva-se a empresa-mãe) ou total (divide-se a empresa-mãe em várias
empresas novas) há solidariedade de fato (STJ – Resp 923012).

Solidariedade de fato significa que ambos possuem interesse no fato gerador.


Não há benefício de ordem (pode-se cobrar de qualquer uma das empresas resultantes da
cisão).

CTN, art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou
incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas
pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.

STJ Súmula 554 - Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora


abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou
punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão.

Artigo 133 do CTN (alienação do fundo de comércio)

nessa hipótese o adquirente responde integralmente (exclusivamente) pelos débitos


anteriores ao negócio se o alienante (vendedor) se afastar da atividade empresarial ou iniciar
atividade empresarial, após 6 meses.

e subsidiariamente se o alienante permanecer no comércio no mesmo ou em outro ramo


ou abrir nova empresa no prazo de 6 meses da alienação.

Responder subsidiariamente  Primeiro tenta-se discutir os bens do antigo proprietário. Se


este não possui bens, busca-se o patrimônio do proprietário atual

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Jurisprudência: o simples aluguel do imóvel não caracteriza. É necessária a transferência do
fundo de comércio (universalidade que engloba clientela, marca e instalações) (STJ – AgRg no AI
1.321.679).

Exceção: a venda da empresa no processo falimentar ou venda de filial na recuperação


judicial, mas somente se a transferência ou venda não tenha por adquirente sócio, parente ou
agente de sócio.
Nesta hipotese, portanto, não é transferida à empresa em falência/recuperação judicial o
ônus ao pagamento dos débitos.

As exceções foram adaptadas em face à Lei de Falências. A ideia da Lei, ao substituir a Lei
anterior de 1945, foi a de salvar as empresas.

2.b) Responsabilidade de terceiros

CTN artigo 134: nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação


principal pelo contribuinte, respondem solidariamente* com este nos atos em que intervierem
ou pelas omissões de que forem responsáveis (...)

Responsabilidade subsidiária (STJ Emb. de Diverg. em Resp 446.955).

* Está escrito solidariedade, mas trata-se de caso de responsabilidade subsidiária  No


caso em tela há, sim, benefício de ordem, o que não ocorre quando se fala em solidariedade,
quando todos respondem simultaneamente.

a) Pais, tutores ou curadores: pelos tributos devidos respectivamente pelos filhos menores,
pelos tutelados e curatelados.

b) Inventariante responde pelos débitos tributários do espólio. Ex: a inventariante não


recolheu tributos devidos pelo espólio (IPTU, por exemplo) tendo dinheiro disponível. Se não
tiver dinheiro disponível, não tem responsabilidade.

c) Os sócios pelos débitos da empresa, na liquidação de sociedade de pessoas.

d) Tabeliães pelos tributos devidos em face de atos por eles praticados.

e) os administradores de bens de terceiros pelos débitos tributários dos bens.

f) os administradores judiciais pelos débitos da massa ou da empresa em recuperação


judicial.

52
xx CTN, Artigo 135: respondem pessoalmente pelos débitos tributários da pessoa jurídica as
pessoas listadas no artigo 134; o mandatário; empregado; sócio–gerente, diretor ou
administrador que agir com fraude, excesso de poderes em relação aos previstos no contrato
social ou ainda infração à lei que se concretiza em fato caracterizado como crime (normalmente
o crime de sonegação) ou extinção irregular da empresa (sem pagamento dos tributos).

Jurisprudência

1. STJ, Súmula 430 - O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por
si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente.
 Débito declarado e não pago não gera a responsabilidade. Trata-se de um olhar que vê o
contribuinte como um mero sujeito que inadimpliu o pagamento, e não como aquele que está
de má-fé.

2. STJ Súmula 435 do STJ - Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de
funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o
redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente.

Não se aplica o incidente de desconsideração da personalidade jurídica, que somente seria


aplicável no processo de execução.

3. Encerramento sem deixar bens para saldar o débito tributário gera redirecionamento da
execução contra os sócios (STJ - AgInt no AResp 948560).

4. Responde o sócio-gerente responsável pela dissolução irregular da empresa, mesmo que


não fosse sócio, na época do fato gerador (STJ - Resp 1655048).

5. o ônus da prova quanto ao dolo ou a fraude (STJ – Emb. de Diverg. em Resp 702.232)
a) CDA (Certidão de Dívida Ativa) em que não consta o sócio-gerente (cabe o ônus ao fisco).
b) CDA (Certidão de Dívida Ativa) em que consta o sócio-gerente (cabe ao sócio).

Obs.: a doutrina entende que é necessário processo administrativo contra o sócio ou, ato
administrativo fundamentando a inclusão do sócio na CDA (a Receita Federal atende essa regra).

6. Falência encerrada sem o pagamento dos débitos: a falência, por si só, não autoriza o
redirecionamento (STJ – Ag Reg. no Resp 1308982).

7. Embora o dispositivo afirme que a responsabilidade é pessoal do sócio, prevalece o


entendimento de que se trata de responsabilidade subsidiária (STJ Resp 1196377).

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8. STJ Súmula 251- A meação só responde pelo ato ilícito quando o credor, na execução
fiscal, provar que o enriquecimento dele resultante aproveitou ao casal.

(TJ/RS 2012 – juiz) com relação ao direcionamento da execução fiscal, assinale a assertiva
incorreta.
x a) o sócio que não exerce a gerência da sociedade pode ser responsabilizado pelos débitos
fiscais até a sua saída da empresa, com a baixa na junta comercial.
 Errada, pois o sócio meramente quotista não responde.
b) a falência da empresa, constituindo-se em modo regular de extinção da sociedade, não
autoriza o redirecionamento da execução fiscal contra o sócio-gerente da pessoa jurídica
devedora do fisco.
c) presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar em seu
domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da
execução fiscal para seu sócio-gerente.
d) a meação do cônjuge somente responde pelo ilícito fiscal quando o credor, na execução
fiscal, provar que o enriquecimento dele resultante aproveitou ao casal.
e) mesmo não constando o nome do sócio na certidão de dívida ativa (CDA), pode a
execução fiscal ser contra ele direcionada, no caso de dissolução irregular da sociedade.

3. Responsabilidade por infrações


Artigo 136 CTN: salvo disposição contrária, a penalidade independe de culpa ou dolo do
infrator ou de efetivo prejuízo para o fisco.

A penalidade, no direito tributário, geralmente é pecuniária. Porém, há também a pena de


perdimento para infrações graves na importação de bens.

A restrição de direito, a princípio, é proibida. Porém, o STF considera possível, em situações


excepcionais, tais como a interdição de uma empresa de cigarros que nunca pagava IPI ou exigir
regularidade fiscal para participar de licitações.

Diferença entre multa moratória, de ofício e isolada: a primeira decorre automaticamente


do atraso. A segunda decorre da sonegação e a terceira do descumprimento de obrigação
acessória.

x Denúncia espontânea
Legislação: artigo 138 do CTN
caso o contribuinte, antes do início de qualquer fiscalização, se adiante e confesse que
sonegou tributos, poderá recolher o tributo objeto da sonegação acrescido de juros de mora
mas sem multa. Não vale para parcelamento.

Jurisprudência

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1. cabe para a multa de ofício e para a multa moratória (STJ Resp nº 905.056)
2. STJ Súmula 360- O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos
a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.

(Juiz TJ/RS 2016) No que diz respeito ao Código Tributário Nacional, assinale com V
(verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo.
(F) Dois irmãos proprietários de um mesmo imóvel urbano desde 2010, recebido por
doação dos pais em antecipação da legítima, havendo inadimplemento, não responderão
solidariamente em relação ao crédito de IPTU cujo fato gerador ocorreu em 2014.
(V) Um menor de 16 anos que tenha recebido por doação um imóvel urbano, escriturado e
registrado onde necessário, possuirá capacidade tributária passiva em relação ao IPTU.
(F) Uma pessoa, na hipótese de ser solidariamente obrigada por expressa designação por
lei, poderá alegar o benefício de ordem, desde que nomeie bens do devedor, sitos no mesmo
município, livres e desembaraçados, quantos bastem para solver o débito.
(V) Uma pessoa que venda mercadorias como autônoma, sem possuir pessoa jurídica
regularmente constituída, é dotada de capacidade tributária passiva.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
(A) V – F – V – V.
(B) F – F – V – F.
(C) V – V – F – V.
X(D) F – V – F – V.
(E) V – V – V – F.

10/10/17
3. Responsabilidade por infrações
Artigo 136 CTN: salvo disposição contrária, a penalidade independe de culpa ou dolo do
infrator ou de efetivo prejuízo para o fisco.

A penalidade, no direito tributário, geralmente é pecuniária. Porém, há também a pena de


perdimento para infrações graves na importação de bens.

A restrição de direitos, a princípio, é proibida. Porém, o STF a considera possível, em


situações excepcionais, tais como a interdição de uma empresa de cigarros que nunca pagava IPI
ou exigir regularidade fiscal para participar de licitações.

Diferença entre multa moratória, de ofício e isolada: a primeira decorre automaticamente


do atraso. A segunda decorre da sonegação e a terceira do descumprimento de obrigação
acessória.

x Denúncia espontânea
Legislação: artigo 138 do CTN

55
caso o contribuinte, antes do início de qualquer fiscalização, se adiante e confesse que
sonegou tributos, poderá recolher o tributo objeto da sonegação acrescido de juros de mora
mas sem multa. Não vale para parcelamento.
Jurisprudência
1. cabe para a multa de ofício e para a multa moratória (STJ Resp nº 905.056)
2. STJ Súmula 360- O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos
a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.

x Crédito tributário
Legislação: artigo 139/142 do CTN.

CTN Artigo 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma
natureza desta.

Possui a mesma natureza da obrigação tributária pois é a mesma obrigação


matematicamente apurada.

É a obrigação tributária tornada líquida e exigível por meio do lançamento. Porém, apenas
será executável após a inscrição na dívida ativa.

Trata-se da obrigação tributária lançada, isto é, concretizada pelo lançamento.

Lançamento tributário
CTN artigo 142. compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito
tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar
a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável,
calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a
aplicação da penalidade cabível. (...)

Obs: o depósito judicial para suspender a exigibilidade constitui, por si só, o crédito (STJ –
RESP 767328).
Obs: o lançamento, para a maioria da doutrina, tem natureza mista: declaratória da
obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário.

Lançamento
a) homologação ou autolançamento (artigo 150 CTN). a iniciativa cabe ao contribuinte.
Concretiza-se em um ato declaratório do contribuinte (DCTF – GIA – GFIP), onde se declaram
fatos geradores de determinado tributo.
Após a declaração com pagamento antecipado a fazenda tem o prazo decadencial de cinco
anos a contar do fato gerador para homologá-lo do forma expressa ou tacitamente. ex:II, IEXP,
IR; IPI, IOF; ITR; ICMS; contribuições previdenciárias; ISS.

56
STJ Súmula 436. A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal,
constitui o crédito tributário, dispensada qualquer providencia por parte do Fisco.
b) de ofício ou direto– (artigo 148/149 CTN) a iniciativa cabe a fazenda pela ausência de
oferecimento de fatos geradores pelo o contribuinte (auto-de-infração) ou expressa previsão
legal (IPTU, IPVA).
Obs: o denominado lançamento por arbitramento ou aferição indireta nada mais é que
uma técnica para a fazenda calcular a base de cálculo de um tributo, na ausência de
informações confiáveis.

Obs: tendo em vista que a homologação é sobre o pagamento o lançamento por


homologação sem adiantamento é considerado, pela doutrina, como exemplo de lançamento
de ofício.

c) declaração ou misto (artigo 147 CTN) o contribuinte traz informações sobre matéria de
fato e, de posse delas, a fazenda efetiva o lançamento (imposto de importação na bagagem
acompanhada de declaração de bens e valores).

Artigo 143 do CTN: salvo previsão legal em sentido contrário, para o cálculo do tributo cuja
base de cálculo esteja consignada em moeda estrangeira, a conversão se fará pelo câmbio do
dia do fato gerador.

Artigo 144 CTN:


o lançamento se reporta a lei da época do fato gerador.
A lei nova que extingue ou reduz multa pode retroagir.
Da mesma forma se aplica a lei nova que introduz novos critérios e privilégios para a
fiscalização.

Artigos 145/146 CTN: o lançamento apenas poderá ser alterado em face de impugnação do
devedor, recurso de ofício ou ainda em face de erro de fato.
Não cabe alteração por mudança de entendimento jurídico da Fazenda – erro de direito
(STJ RESP nº 1112702).

xx Hipóteses de suspensão do crédito tributário (taxativas).


Legislação: artigo 151 CTN

Obs: suspendem a exigibilidade do crédito tributário mas permitem a constituição do


crédito por meio de lançamento de ofício para evitar a decadência.
Obs: Não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias.

1. Moratória: dilação do prazo de vencimento do tributo.

57
a) pode ser geral ou individual
b) pode ser autônoma (regra) ou heterônoma (artigo 152, I, b). A União pode conceder
moratória de tributos estaduais e municipais desde que conceda também para os seus tributos
(norma de provável inconstitucionalidade).
c) não se aplica para hipóteses de fraude, dolo ou simulação.

2. Depósito de seu montante integral


STJ súmula 112: O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for
integral e em dinheiro.
Seguro-garantia e fiança-bancária (jurisprudência não aceita).

3. Defesas fiscais e recursos administrativos


Abrange somente o processo administrativo que questiona o lançamento suplementar
(auto-de-infração).

STF Súmula Vinculante nº 21- É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento


prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.” No mesmo
sentido STJ – Súmula 373.

4. Parcelamento
Salvo disposição legal em sentido contrário, se aplicam juros e multa aos parcelamentos.

Obs: lei específica do ente federativo preverá parcelamento mais favorável para empresas
em recuperação judicial.

Caso essa lei não seja editada, valerá parcelamento de cada ente específico que não poderá
ter menos parcelas que o parcelamento especial federal.
É possível questionar a constitucionalidade ou legalidade dos tributos ou consectários legais
consignados no parcelamento (STJ RESP. 1133027),mas não cabe discutir as condições
impostas, tais como desistir de embargos à execução.

5. Liminar em mandado de segurança ou tutela provisória que expressamente suspenda a


exigibilidade do crédito tributário.
Suspende o prazo prescricional? Controverso. Há tendência é que sim enquanto não julgar
recursos recebidos no duplo efeito (STJ - Embargos de Divergência em Agravo em Recurso
Especial nº 407.940).

(TJ/RS 2012 juiz) considere as medidas judiciais abaixo.


I - o depósito em dinheiro do montante integral do crédito tributário
II - a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em ação judicial
III - a propositura de ação anulatória de lançamento fiscal

58
Quais delas suspendem a exigibilidade do crédito tributário?
(a) apenas I
(b) apenas II
(c) apenas III
x(d) apenas I e II
(e) I, II e III

Hipóteses de exclusão
Leitura complementar: Curso de direito tributário. Paulo de Barros Carvalho – 24ª ed.
Capítulo XV.

Conceito: a hipótese de incidência deixa de alcançar certos fatos expressamente previstos


em lei.

xx 1. Isenção
Legislação: CTN artigos 176/179

Exige lei específica (CF/88 – artigo 150, par. 6º). Por outro lado, no caso do ICMS a lei
estadual deve vir acompanhada de autorização do CONFAZ – Conselho Nacional de Política
Fazendária (CF – artigo 155, par. 2º, inciso XII, alínea ‘g’).

Caso o tributo esteja sob reserva de lei complementar, a isenção deve ser instituída por lei
complementar (Paulsen).

A lei deve especificar os tributos a que se aplica e salvo expressa previsão legal, não se
aplica a taxas, contribuições de melhoria ou tributos instituídos após a sua concessão.
isenção concedida por prazo certo e com encargo não pode ser revogada (a lei pode ser
revogada mas não a isenção).

permanece obrigada quanto às obrigações acessórias.

Classificação:
a) Isenção técnica: leva em consideração a capacidade contributiva do contribuinte.
Política: é concedida por outras razões.
b) Isenção objetiva (bem, coisa) ou subjetiva (pessoa).

Jurisprudência
Revogação de isenção não atende o princípio da anterioridade (STF), pois a isenção é
simples dispensa do pagamento de um tributo. Portanto, não institui novo tributo.
A doutrina que a equipara a não incidência discorda dessa posição (Luciano Amaro – Paulo
de Barros Carvalho).

59
2. Anistia
Legislação: artigos 180 a 182 CTN

Perdão, parcial ou total, de penalidades (multa) relativas a fatos ocorridos antes da edição
da lei (desde que não seja originada por fraude, simulação ou crime).

Pode ser geral ou individual desde que autorizada em lei.

18/10/2017

HIPÓTESES DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO

a) Satisfação (pagamento, compensação, consignação etc).


b) Preclusão: prescrição e anistia.
c) Perdão: remissão.
d) Desconstituição (decisão irreformável contrária a Fazenda).

xx 1. Pagamento
Artigo 157: a imposição de penalidade não afasta o pagamento integral do tributo, ou seja,
a multa é exigida conjuntamente com o tributo.

Artigo 158: o pagamento em um exercício não gera presunção de pagamento do tributo em


exercícios anteriores.

Artigos 159/160: na falta de previsão específica o local do pagamento é a repartição do


ente tributante e o prazo é de 30 dias a contar da notificação do lançamento (lançamento de
ofício).

Artigo 160, par. único: a lei pode prever desconto para pagamento antecipado.

Artigo 168 CTN: indevido permite repetição (acrescida de juros), independentemente de


protesto, e prescreve no prazo de cinco anos a contar da data do pagamento indevido ou a
contar da decisão que reformou ou anulou a decisão administrativa ou judicial que condenou o
contribuinte a recolher o tributo.

Artigo 166 CTN: os tributos indiretos não permitem repetição salvo se o contribuinte
comprovar que não repassou para o preço ou se obtiver autorização do consumidor final.
Obs: O “contribuinte de fato” não é parte legítima para ajuizar ação de repetição de
indébito, nas hipóteses do artigo 166 do CTN (STJ - RESP Nº 903.394), salvo no caso de ICMS
sobre energia elétrica.

60
Jurisprudência:
1. incide juros em face das ações de repetição de indébito desde o trânsito em julgado da
ação (súmula 188 do STJ com fundamento no parágrafo único do artigo 167 do CTN) e
correção monetária desde o pagamento indevido (súmula 162 do STJ), salvo se lei específica do
ente tributante tratar a matéria de forma diversa (como ocorre com os tributos federais com a
aplicação da SELIC).

2. caso o contribuinte pague tributo prescrito pode requerer a restituição pois pagou
crédito tributário extinto (STJ Resp 1335609).

3. eventual declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo STF, mesmo em sede de


controle concentrado é irrelevante para o início da contagem do prazo prescricional (STJ Resp
nº 1110578).

4. STJ súmula 523. A taxa de juros de mora incidente na repetição de indébito de tributos
estaduais deve corresponder à utilizada para cobrança do tributo pago em atraso, sendo
legítima a incidência da taxa Selic, em ambas as hipóteses, quando prevista na legislação local,
vedada sua cumulação com quaisquer outros índices.

2. Compensação
Legislação: artigos 170 e 170-A CTN
encontro de créditos e débitos. O contribuinte que tiver créditos líquidos e certos poderá
compensá-los com tributos vencidos ou vincendos, se houver lei autorizativa do ente tributante.

Apenas no âmbito federal (atualmente é regida pelo artigo 74 da lei nº 9430/96).

CTN – Artigo 170-A. não permite a concessão de tutela de urgência (exige trânsito em
julgado).

Jurisprudência:
1. com o trânsito em julgado de ação de natureza declaratória o autor pode optar pela
execução de sentença por meio de compensação ou repetição de indébito (STJ – súmula 461).
2. STJ súmula 460. É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação
tributária realizada pelo contribuinte
3. STJ súmula 212: A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação
cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória.
4. STJ súmula 213: o mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do
direito à compensação tributária (desde que não seja necessária produção de provas).
5. Não é admissível compensação de débitos tributários com precatórios, salvo se houver lei
específica que autorize a compensação (STJ AgInt no AREsp 903926).

61
6. STJ REsp 1167039 (...) Nos termos do art. 170-A do CTN, “é vedada a compensação
mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo,
antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”, vedação que se aplica inclusive às
hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido.

3. Transação
Legislação: artigo 171 CTN
Artigo 171. A lei pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo
da obrigação tributária celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe em
determinação (houve erro de redação)de litígio e consequente extinção de crédito tributário.

4. Remissão
Perdão da dívida em face de razões de justiça fiscal ou inadequação da cobrança em face
dos baixos valores cobrados ou em razão de erro desculpável do contribuinte quanto a matéria
de fato.

Jurisprudência
O juiz não pode extinguir, de ofício, a execução fiscal em face de valor irrisório (STJ –
súmula 452).

x 5. Decadência
Legislação: artigos 150, par. 4º e 173 do CTN.
Prazo para constituir o crédito tributário por meio do lançamento (perda do direito de
lançar).

Cinco anos para efetivar o lançamento a contar:


a) do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador (sonegação ou lançamento de
ofício ou lançamento por homologação sem adiantamento).
b) a contar do fato gerador em face de lançamento por homologação com pagamento
antecipado (STJ Ag Rg no Resp 1277854).
c) a contar da anulação do lançamento por vício formal (cerceamento de defesa, por
exemplo).
ex. IPTU. O fato gerador é o dia 1/01/2015. O prazo decadencial se inicia no dia 01/01/2016.

STJ Súmula 555- Quando não houver declaração de débito, o prazo decadencial
quinquenal para o fisco constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do
art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de
antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa (1º de janeiro do ano
seguinte).

x 6. Prescrição

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Legislação: artigo 174 do CTN.
prazo para cobrar judicialmente seus créditos.
cinco anos a contar da constituição definitiva do crédito tributário.

constitui-se definitivamente com o trânsito em julgado do processo administrativo ou a


contar do inadimplemento do parcelamento ou da entrega do ato declaratório (DCTF, GFIP).

na hipótese de lançamento por homologação com pagamento à menor, inicia-se o prazo


prescricional quanto ao valor declarado e aguarda-se o prazo decadencial quanto ao valor não
declarado.
Hipóteses de interrupção do prazo prescricional:
a) despacho que determina a citação (tendência para retroagir ao ajuizamento – STJ Resp
nº 1340557).
b) protesto judicial ou medida judicial que coloque em mora o devedor (interpelação
judicial, arresto, medida cautelar fiscal).
c) qualquer ato que revele reconhecimento da dívida pelo contribuinte (Ex: parcelamento).

(TJ/SC 2009 juiz) assinale a alternativa incorreta:


a) as isenções tributárias não podem ser revogadas quando concedidas por prazo certo e
em função de determinadas condições.
b) em caso de lançamento cancelado por vício formal, o prazo para a fazenda pública
constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados da data em que se tornar
definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anteriormente efetuado.
c) o prazo prescricional da execução fiscal se interrompe pelo despacho do juiz que ordenar
a citação.
d) segundo orientação dominante do STJ, é dispensável o lançamento pela autoridade
fazendária quando o contribuinte declara o tributo e não o paga no prazo estabelecido.
xe) o prazo prescricional da execução fiscal inicia-se com a inscrição em dívida ativa do
crédito tributário.

7. Conversão em renda do depósito administrativo ou judicial


Legislação: artigo 156, inciso VI, do CTN.

Jurisprudência
1. Ação julgada extinta sem resolução do mérito gera conversão em renda da Fazenda. (STJ
– Agravo Regimental nos Embargos de Divergência no Resp nº 1106765).

8. Homologação tácita ou expressa do pagamento antecipado no lançamento por


homologação

Legislação: artigo 156 inciso VII CTN.

63
Lançamento por homologação é aquele no qual a iniciativa é do contribuinte (na prática).
Exemplo: Imposto de Renda. O Fisco possui 5 anos para buscar.

9. Consignação em pagamento
a) mais de um ente federativo cobra o tributo.
b) A fazenda condiciona o recebimento ao pagamento de acréscimos ilegais ou
cumprimento de obrigação acessória.

CTN Artigo 164 (...) §2º julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa
efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a
consignação no todo ou em parte, cobra-se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo
das penalidades cabíveis.

10. Coisa julgada judicial e decisão administrativa definitiva


Legislação: artigo 156, incisos IX e X CTN.

Obs: Existe um parecer da PFN (Parecer PGFN 1087/2004) que prevê possível a interposição
de ação anulatória de processo administrativo tributário.
Relação com a corrupção em 2004 no Carf.

11. Dação em pagamento de bens imóveis


Legislação: artigo 156, inciso XI, CTN
(não vale para bens móveis conforme o STF ADIN 1917 - ofensa ao princípio da licitação e
rol exaustivo).
Aceita-se outra prestação (bens imóveis).

(Procurador de Rondônia 2011) a empresa new ingressou com mandado de segurança


preventivo, versando sobre ICMS, com o objetivo de assegurar a não incidência do referido
tributo em suas operações na petição inicial requereu a concessão de medida liminar com o
objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, a qual foi deferida. Com isso, a
empresa não vem promovendo nenhum recolhimento ou depósito judicial. Diante desse
cenário, a fiscalização fazendária estadual
(a) estará impedida de lavrar auto de infração para constituir o crédito tributário em razão
da medida liminar deferida.
x(b) não estará impedida de lavrar auto de infração, que terá apenas o condão de
promover o lançamento do tributo questionado judicialmente.
 Evita-se a decadência também.
(c) estará impedida de lavrar auto de infração, uma vez que o processo não transitou em
julgado.

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(d) não estará impedida de lavrar o auto, podendo, inclusive, promover a execução total do
crédito tributário, até a sua efetiva satisfação.
(e) poderá apenas notificar a empresa, requerendo que declare os valores discutidos em
juízo.

Garantias e privilégios do crédito tributário


Garantia: visa assegurar o recebimento do crédito.
Privilégio: diz respeito a preferência em face de concurso de credores.
 Quanto ao privilégio atinente ao crédito tributário, tem-se um tratamento diferenciado
pela lógica de que o crédito tributário é o dinheiro de todos.

Garantia – instrumentos que facilitam o recebimento do crédito;


Privilégio – em um sistema de concursos de credores, o privilégio visa estabelecer uma
“posição na fila” do recebimento do crédito.

Artigo 183 do CTN: as garantias previstas no CTN não excluem outras, isto é, abre espaço
para a lei nº 8212/91, leis municipais e estaduais.

Artigo 184 CTN: todos os bens respondem pelo crédito, não importa que estejam
hipotecados ou penhorados ou possuam cláusula de impenhorabilidade, salvo a
impenhorabilidade absoluta da lei nº 8.009/90 e do CPC (exceção feita ao IPTU) e dos artigos
833 e 834 do CPC (a regra de exclusão de bens declarados, por ato voluntário, não sujeitos a
execução, não se aplicam nas execuções fiscais).

Jurisprudência
Os valores depositados em nome das filiais estão sujeitos à penhora por dívidas tributárias
da matriz, pois a filial sequer possui personalidade jurídica própria. Há uma unidade empresarial
que responde pelas dívidas da sociedade (STJ Resp 1.355.812).

Artigo 185 CTN (fraude a execução fiscal)


Qualquer alienação de bem imóvel ou móvel depois da inscrição na dívida ativa pode (se
não houver outros bens) caracterizar fraude a execução.

A alienação antes da inscrição em dívida ativa autoriza o ajuizamento de ação pauliana


(fraude contra credores).

A venda é ineficaz perante a execução e não nula.

Jurisprudência
A presunção é absoluta (STJ)

65
(TJ/SP JUIZ 2017) A alienação ou oneração de bens imóveis presume-se em fraude à
execução em relação à Fazenda Pública a partir
(A) do ajuizamento da ação de execução fiscal.
(B) do despacho que ordenou a citação do executado.
X(C) da inscrição do débito tributário na Dívida Ativa (art. 185 do CTN).
(D) do protesto da Certidão da Dívida Ativa

Artigo 185-A CTN (penhora on line): se o executado, após a citação, não oferecer bens à
penhora, o juiz pode, de ofício, preferencialmente por meios eletrônicos, tornar indisponíveis
bens móveis e imóveis.

Jurisprudência
Não precisa esgotar as tentativas de encontrar bens para penhora on line de ativos
financeiros. Aplica-se a regra do artigo 854 do CPC (STJ Embargos de Divergência no Resp
1052081).

Para a indisponibilidade de bens (bloqueio geral de bens) é necessário o exaurimento de


diligências na busca de bens penhoráveis.

Súmula 560 do STJ. A decretação da indisponibilidade de bens e direitos, na forma do art.


185-A do CTN, pressupõe o exaurimento das diligências na busca por bens penhoráveis, o qual
fica caracterizado quando infrutíferos o pedido de constrição sobre ativos financeiros e a
expedição de ofícios aos registros públicos do domicílio do executado, ao Denatran ou Detran.

20/10/2017

Preferência – Concurso de Credores (art. 186 do CTN)

O crédito tributário tem preferência em relação a qualquer outro, salvo os de natureza


trabalhista e os relativos a acidentes do trabalho (responsabilidade civil).

Havendo muitos credores, deve-se analisar quem detém a preferência.

1º Trabalhista (FGTS) e Acidentes do Trabalho (mesmo patamar)


 FGTS  Indenizações por dano moral e material decorrentes do Direito do
Trabalho
2º Tributário
União
Autarquias Federais
Estados/ Distrito Federal
Autarquias

66
Municípios
Autarquias

Art. 187 do CTN: concurso entre entes federativos.


É constitucional (STF, Súmula 563).

STF: Ao se pagar a União, são beneficiados todos os brasileiros e não somente os que
reside e, determinado estado ou município (atualidade da Súmula 563: STF, Agravo de
Instrumento 608.769).

STJ súmula 497: “os créditos das autarquias federais preferem aos créditos da fazenda
estadual desde que coexistam penhoras sobre o mesmo bem” (artigo 29, inciso I, da LEF).
Paulo de Barros Carvalho entende que a LC 118 revogou esse dispositivo mas se trata de
interpretação isolada na doutrina.
Schoueiri e José Eduardo Soares de Melo entendem como inconstitucional essa regra.

O crédito tributário não necessita ser habilitado em caso de falência/recuperação judicial


(penhora no rosto dos autos).
STJ 2ª Seção AgInt no CC 150065 DJe 30/05/2017- (...) O deferimento da falência não
suspende a execução fiscal, mas os atos de constrição e de alienação de bens componentes da
massa falida submetem-se ao juízo universal.

STJ 2ª Turma AgInt no AREsp 956853 DJe 15/12/2016 (…) O deferimento do pedido de
recuperação judicial não suspende a execução fiscal. Ressalte-se que, em sede de execução
fiscal, é possível a prática de atos constritivos em face de empresa em recuperação judicial,
desde que não fique inviabilizado o plano de recuperação judicial.

Preferências na falência (artigo 83 da lei de falências)


1º Créditos extraconcursais (artigo 84 da lei de falências) e as importâncias passíveis de
restituição que são bens e direitos de terceiros arrecadados na falência (artigo 85 da lei
11.101/05).
2º Créditos trabalhistas até 150 salários mínimos e acidentes do trabalho.
3º Crédito com garantia real até o valor do bem gravado.
4º Crédito tributário.
Multas tributárias (estão atrás dos créditos quirografários, mas acima dos créditos
subordinados).

Preferências no inventário e arrolamento ou liquidação de pessoa jurídica

CTN, artigo 189. São pagos preferencialmente a quaisquer créditos habilitados em


inventário ou arrolamento, ou a outros encargos do monte, os créditos tributários vencidos ou

67
vincendos, a cargo do de cujus ou de seu espólio, exigíveis no decurso do processo de inventário
ou arrolamento. (...)

CTN Artigo 190. São pagos preferencialmente a quaisquer outros os créditos tributários
vencidos ou vincendos, a cargo de pessoas jurídicas de direito privado em liquidação judicial ou
voluntária, exigíveis no decurso da liquidação.

Inscrição na Dívida Ativa

Dívida ativa tributária: é o crédito público não extinto por pagamento e não afetado por
alguma das causas de suspensão do crédito tributário.

Inscrição da dívida ativa tributária: trata-se de procedimento administrativo de


verificação da legalidade e correção do crédito.

O art. 2º, § 3º, da Lei de Execuções Fiscais conceitua a inscrição como um ato de controle
administrativo da legalidade.

Consiste no exame do atendimento dos pressupostos legais e da presença dos requisitos


para a validade e eficácia do título executivo a ser formado.

Será regularmente inscrita na repartição administrativa (lavratura de um termo no livro


da dívida ativa) competente depois de esgotado o prazo para o pagamento (cobrança
amigável).

Após a inscrição na dívida ativa, os juros e correção monetária permanecem fluindo, sem
afetar a liquidez do título*.

* O título em questão possui presunção relativa de certeza e de liquidez.

Do livro, se extrai uma certidão denominada CDA – título extrajudicial, confeccionado de


forma unilateral pelas procuradorias, que possui presunção relativa (juris tantum) de certeza e
de liquidez. Deverá conter (sob pena de nulidade da CDA e do executivo fiscal, salvo se
substituído o título até a sentença): nome do devedor e de eventuais corresponsáveis e seus
endereços; quantia; modo de calcular os encargos; origem, natureza e fundamento legal do
crédito; data da inscrição e o número do processo administrativo (se houve processo
administrativo).

Questão – PGE (2012)


NÃO é requisito de validade da certidão da dívida ativa
a) a autenticação da autoridade competente.

68
b) a indicação do livro e da folha de inscrição do débito.
X c) a memória discriminada e atualizada do cálculo, a fim de que o devedor possa exercer,
na sua plenitude, o mandamento constitucional da ampla defesa.
d) o valor originário da dívida, bem como o termo inicial e a forma de calcular os juros de
mora e demais encargos previstos em lei ou contrato.
e) a disposição legal em que seja fundado o crédito.

Certidão de regularidade fical


Legislação: artigos 205 a 208 do CTN

O CTN autoriza que a prova da quitação do débito se efetive por meio de certidão que
será requerida pelo contribuinte e expedida no prazo de dez dias, sem cobrança de taxas.

Certidão: Negativa de Débitos


Positiva
Positiva com efeitos de negativa *
* Se já houver execução fiscal e já houve penhora suficiente para a garantia do juízo.
Crédito está garantido. Art. 151 do CTN (hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito
tributário (Exs: Liminar e Mandado de Segurança; Enquanto está tramitando processo
administrativo fiscal; Parcelamento).

CTN, art. 206: tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que
conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha
sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa.

Súmula 446 do STF: declarado e não pago o débito tributário pelo contribuinte, é
legítima a recusa de expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa.

A recusa é legitima pois já se tem o crédito tributário.

Declarado e não pago o débito tributário – quer dizer que no lançamento por
homologação foi declarado o que tinha que ser declarado e se aguarda a manifestação do Fisco.

Obs: não será exigida CND (ou positiva com efeitos de negativa) em face de real perigo
de caducidade de direito (art. 207 do CTN). Neste caso, todos que participarem do ato
responderão solidariamente pelos tributos em questão.

CTN, art. 191-A. A concessão de recuperação judicial depende da apresentação de prova


de quitação de todos os tributos, observado o disposto nos arts. 151, 205 e 206 desta Lei.

69
Houve a regulamentação do art. 155-A, § 3º, do CTN, pela Lei 13.043/14 (parcelamento
em 84 parcelas).

CTN, art. 192. Nenhuma sentença de julgamento de partilha ou adjudicação será


proferida sem prova da quitação de todos os tributos relativos aos bens do espólio, ou às suas
rendas.

Observação: Arrolamento do art. 659 do CPC – abriu uma exceção, permitindo o pagamento
posterior do imposto.

O que se aplica, na opinião do Professor, é o CPC, aplicando-se, portanto, a exceção prevista


em seu art 659.

CTN, art. 193. Salvo quando expressamente autorizado por lei, nenhum departamento da
administração pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, ou dos Municípios, ou sua
autarquia, celebrará contrato ou aceitará proposta em concorrência pública sem que o
contratante ou proponente faça prova da quitação de todos os tributos devidos à Fazenda
Pública interessada, relativos à atividade em cujo exercício contrata ou concorre.

É a ordem geral para que se exija a certidão de regularidade fical em contratos


administrativos.

A exigência do art. 193 diz respeito à pessoa jurídica contratante, ou que está a promover a
concorrência.

Não abrange, portanto, tributos devidos a outras pessoas jurídicas de Direito Público.

25/10/2017

Certidão de Regularidade Fiscal (continuação)

O servidor que expedir certidão falsa, por dolo ou fraude, responde pessoalmente
(exclusiva) pelo crédito tributário (tributo e multas), sem prejuízo das sanções penais e
administrativas.

A doutrina entende que deve ser interpretada como responsabilidade solidária (entre o
contribuinte/ devedor e o servidor).

Administração Tributária

70
Fiscalização: nos termos do art. 194 do CTN, os auditores têm a atribuição de fiscalizar
prevista em lei. Podem fiscalizar pessoas físicas ou jurídicas e mesmo aquelas que são
beneficiárias de isenção ou de imunidade.

Embora a lei deva determinar qual órgão da administração é responsável pela fiscalização, a
regulamentação da atividade, como por exemplo, o prazo previsto para o encerramento da
fiscalização, é atribuição da legislação tributária, admitindo normas infralegais.

Aplica-se a norma vigente na data do lançamento caso, após o fato gerador, sobrevenha
norma que amplie os poderes investigativos da autoridade administrativa (só se relaciona a
poderes investigativos).

Podem adentrar em todas as repartições da empresa e requisitar livros obrigatórios e


documentos (que devem ser preservados durante o prazo prescricional dos tributos).

Luciano Amaro defende que seja interpretado este dispositivo de forma a abranger a
decadência também.

O sigilo dos livros previsto na legislação civil ou comercial não atinge a fiscalização (art.
195 do CTN).

Haverá um termo de início, termo de encerramento da fiscalização e prazo para


encerramento (CTN, art. 196).

Sigilo fiscal (art. 198 do CTN)

Deve-se respeitar o sigilo fiscal, exceção feita (quando não há sigilo):

A) Requisição por CPI e Poder Judiciário;


B) Representação ao MP para fins penais;
C) Contribuintes inscritos em dívida ativa, que parcelaram débitos ou beneficiados pela
moratória;
D) Convênios entre os entes públicos;
E) Para subsidiar PAD (processo administrativo disciplinar) já instaurado;
F) Tratados internacionais de troca de informações.

Sigilo bancário: LC nº 105/01 (art. 6º)


Regulamentada pelo Decreto nº 3724/01 permite que a administração tributária municipal,
estadual, distrital ou federal utilize os dados do correntista para fiscalizar a movimentação
financeira sem autorização judicial.

71
STF (ADI 2390, 2386 e 2397 – 9 votos a 2 pela constitucionalidade da norma):

Prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas
sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso
de terceiros.

Obs.: Nos termos do artigo 197 do CTN, os administradores de falência e recuperação


judicial; inventariante, corretores, leiloeiros e tabeliães são obrigados a prestar informações a
fiscalização sobre bens de terceiros, resguardado o segredo de ofício (ex. Advogado).

Luciano amaro: rol exemplificativo do art. 197 do CTN.

STJ, Recurso Especial nº 201.459 – (...) Administradora de Shopping Center – Exibição de


documentos elaborados com base nos relatórios de vendas das lojas administradas.
Obrigatoriedade. Artigos 195, caput, e art. 197, inciso III do CTN (...).

Art. 200 do CTN: “As autoridades administrativas federais poderão requisitar o auxílio da
força pública federal, estadual ou municipal, e reciprocamente, quando vítimas de embaraço ou
desacato no exercício de suas funções, ou quando necessário à efetivação dê medida prevista
na legislação tributária, ainda que não se configure fato definido em lei como crime ou
contravenção”.

Questão controvertida.
Necessita de autorização judicial para entrar no estabelecimento, sem autorização?

(Copiar julgado)

Consulta tributária
Legislação: art. 161, §2º do CTN.

Conceito: questionamento pertinente elaborado pelo contribuinte ao Fisco (na pendência


não há incidência de juros ou multa).

O questionamento deve ocorrer antes do vencimento do prazo para o recolhimento do


tributo.
Após a resposta, deve o consulente recolher o tributo no prazo máximo de 30 dias.

Concurso: TJ-BA - 2012 - Juiz | Prova: CESPE - 2012 - TJ-BA - Juiz


Disciplina: Direito Tributário | Assunto: Administração Tributária

72
Podem, em decorrência do sigilo profissional, recusar a fornecer a autoridades
administrativas responsáveis pela fiscalização tributária informações sobre bens, negócios ou
atividades de terceiros os
a) corretores.
X b) advogados.
c) leiloeiros.
d) inventariantes.
e) tabeliães.

Simples Nacional
É sistema optativo de tributação. Qualquer empresa pode optar pelo simples nacional, pelo
lucro presumido ou pelo lucro real. A maioria prefere o sistema do simples nacional, mas não é
obrigatório.
Dica de leitura – Manual de Direito Tributário – Marcelo Alexandrino.
Legislação art 146, III, alínea d e parágrafo único da CF/88 e LC 123/06.

Art. 146, CF: Cabe à lei complementar:


III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:
d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para
as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto
previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a
que se refere o art. 239.

Parágrafo único. A lei complementar de que trata o inciso III, d, também poderá instituir
um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, observado que:
I - será opcional para o contribuinte;
II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado;
III - o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos
pertencentes aos respectivos entes federados será imediata, vedada qualquer retenção ou
condicionamento;
IV - a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes
federados, adotado cadastro nacional único de contribuintes.

Conceito:
Sistema tributário optativo, diferenciado e mais favorecido para a microempresa
(faturamento anual de até R$ 360.000) e empresa de pequeno porte (faturamento anual de até
3.600.000 ou R$ 4.800.000 em 2018) que se concretiza no pagamento unificado do ISS – ICMS –
contribuição previdenciária (patronal) – IPI – COFINS e PIS (exceção feita ao PIS/COFINS
importação) – contribuição social sobre o lucro e IRPJ (salvo na condição de responsável ou
substituto tributário).

73
Obs.: No faturamento bruto entram todas as receitas oriundas da venda de bens e serviços,
exceção feita às vendas canceladas e descontos incondicionais.
Obs.: Caso a empresa tenha iniciado as atividades após o início do ano anterior, os valores
serão proporcionais.
Obs.: Para efeitos do simples consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte
a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade Ltda e o
empresário (art. 966 do CCB).

Art. 17 da LC 123/06.

10/11/2017

As microempresas e empresas de pequeno porte se diferenciam pelo tratamento.

Comitê Gestor é o órgão vinculado ao Ministério da Fazenda e composto por 4


representantes da Receita Federal (União) e 2 representantes dos Estados e 2 dos Municípios.

Sua função é a regulamentação do sistema.

As alíquotas são diferenciadas (comércio, indústria e prestação de serviços) e progressivas


em razão do aumento de faturamento.

Verifica-se o faturamento dos 12 últimos meses e se aplica a alíquota correspondente,


tendo como base de cálculo o faturamento do mês.

Exclusão:

- De ofício: (i) descaminho ou contrabando; (ii) reiteradamente descumprir as normas da LC


123; (iii) não ter a contabilidade em ordem; (iv) criar obstáculos à fiscalização (“embaraço à
fiscalização”); (v) superar durante o ano 20% dos valores teto; (vi) omitir segurado empregado
ou individual que lhe preste serviço;

- A pedido da empresa

Os processos serão ajuizados contra a União (Procuradoria da Fazenda Nacional). A


execução fiscal cabe à PFN (mediante convênio a União pode delegar essa atribuição para os
Estados e Municípios).

Obs.: o empresário que faturar até R$ 60.000,00 (R$ 81.000 em 2018) no ano poderá
recolher valores fixos a título de contribuição simples (MEI)

Processo Judicial Tributário

74
xxxxx 1. Execução fiscal (Lei nº 6.830/80)

Leitura complementar: “Execução Fiscal” Paulo César Conrado – Noeses.

O artigo 1º da LEF afirma que o código de processo civil se aplica subsidiariamente a lei de
execuções fiscais.

Após a inscrição na dívida e extração da CDA será ajuizada a execução fiscal (que pode ser
tributária ou não).

CDA (certidão da dívida ativa): título executivo extrajudicial e possui presunção relativa de
certeza e liquidez.

Não é todo crédito estatal que irá necessariamente passar por execução fiscal, mas a
grande maioria. No campo tributário, se aplica em todos os casos.

Competência: é o domicílio do executado.

Obs.: na ausência de fórum de justiça federal no município, não há mais delegação da


competência para a justiça estadual (artigo 15 da Lei 5.010/66). Transfere-se, assim, para a
Justiça Federal mais próxima.

STF, Súmula Vinculante nº 53: “A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114,
VIII, da Constituição Federal alcança a execução de ofício das contribuições previdenciárias
relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir e acordos por ela
homologados.

De acordo com a Súmula, temos que a Justiça do Trabalho somente terá como competência
o objeto da execução relativo à Justiça do Trabalho.

STJ, Súmula 58 – “Proposta à execução fiscal, a posterior mudança de domicílio do


executado não desloca a competência já fixada”.

Petição inicial (simplificada).

Requisitos: artigo 6º da LEF (Juízo a quem é dirigida, o pedido e o requerimento para


citação).

Não segue o regramento do art. 319 do CPC, pois será necessariamente embasada na CDA.
A petição inicial será composta com endereçamento qualificação valor da causa, pedido. Os
fatos e fundamentos jurídicos serão embasados na própria CDA (Certidão de Dívida Ativa).

Artigo 8º LEF: citação postal (regra) ou pessoal a requerimento da Fazenda (Súmula 414 do
STJ: A citação por edital na execução fiscal é cabível quando frustradas as demais
modalidades).

75
Na prática, com a citação (por edital) haverá a interrupção da prescrição. Ademais, para a
realização de penhora de ativos financeiros é necessária a ocorrência de citação.

O juiz determinará a citação do executado para pagar, depositar ou oferecer bens à


penhora, no prazo de cinco dias a contar da entrega do AR. Não é da juntada nos autos, e sim
da data da entrega do AR.

Exceção de Pré Executividade: passou a ser prevista no art. 803, parágrafo único.

Mesmo que a execução esteja em trâmite, pode ser juntado nos autos para a apreciação do
juízo a qualquer tempo eventual comprovante de pagamento do débito, para a extinção do
crédito tributário.

É nula a execução se:

I - o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível;

II - o executado não for regularmente citado;

III - for instaurada antes de se verificar a condição ou de ocorrer o termo.

Parágrafo único. A nulidade de que cuida este artigo será pronunciada pelo juiz, de ofício ou
a requerimento da parte, independentemente de embargos à execução.

A) Matérias passíveis de arguição (matérias de ordem pública passíveis de apreciação de


ofício, pelo juiz): prescrição, decadência, pagamento.
B) Forma: (incidente na execução. Simples Petição).
C) Prazo: não há. O mais eficaz é a apresentação nos 5 dias após a citação.
D) Recursos: Agravo de Instrumento (indeferimento da exceção) ou Apelação (extinção da
execução).
E) Honorários: O STJ, no julgamento do Resp. 1.111.002/SP, submetido ao rito do art. 543-
C do CPC, consolidou entendimento de que, extinta a execução fiscal, por cancelamento da CDA,
após a citação do devedor e apresentação de defesa, deve-se perquirir quem deu causa à
demanda, a fim de imputar-lhe o ônus pelo pagamento dos honorários, em face do princípio da
causalidade (STJ AgRg no AResp 791465).

Após, haverá a penhora do bem indicado ou a livre penhora efetivada pelo Oficial de Justiça
(entre os bens consta fiança bancária e seguro garantia) ou penhora on line de ativos
financeiros.

Penhora

76
O art. 15 da LEF afirma que, em qualquer momento, o juiz autorizará a substituição do bem
penhorado por dinheiro, fiança bancária, ou seguro garantia. A fazenda poderá obter a
substituição do bem penhorado por outro de maior liquidez ou reforço de penhora.

Impugnação à avaliação: Art. 13 da LEF. Oitava da parte contrária e perícia, se necessário.


Da decisão caberá Agravo de Instrumento.

Embargos: Nos termos do art. 16 da LEF, o executado oferecerá embargos no prazo de 30


dias contados do depósito, da juntada da carta de fiança bancária ou de fiança garantia ou ainda
da data da intimação da penhora.

Art. 16 - O executado oferecerá embargos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados:


I - do depósito;
II - da juntada da prova da fiança bancária;
III - da intimação da penhora.
§ 1º - Não são admissíveis embargos do executado antes de garantida a execução.
§ 2º - No prazo dos embargos, o executado deverá alegar toda matéria útil à defesa,
requerer provas e juntar aos autos os documentos e rol de testemunhas, até três, ou,
a critério do juiz, até o dobro desse limite (petição inicial com os requisitos do CPC e
rol de testemunhas).
§ 3º - Não será admitida reconvenção, nem compensação, e as exceções, salvo as de
suspeição, incompetência e impedimentos, serão arguidas como matéria preliminar
e serão processadas e julgadas com os embargos.

Suspensão dos atos executivos: aplica-se o art. 919 do CPC - requerimento da embargante
e os requisitos para a concessão da tutela provisória (na prática, a probabilidade de êxito ou
tese verificada em Súmula ou repetitivo de Tribunais Superiores).

Obs. O levantamento do dinheiro exige o transito em julgado dos Embargos.

Impugnação (30 dias – art. 17 da LEF);


Provas (perícia contábil e audiência, se necessárias)
Sentença (elaborada nos termos do CPC)
Apelação (recebida, em regra, apenas no efeito devolutivo – CPC, art. 1.112, III);
Leilão – Recebido no duplo efeito (devolutivo e suspensivo), nos termos do art. 895 do CPC.
Valor do segundo leilão – em regra, no CPC/1973 a definição era de que não fosse preço vil.
Atualmente, com CPC/2015, à disposição é de que seja 50% do valor do bem.

STJ, Súmula 128 – Na execução haverá segundo leilão, se no primeiro não houver lanço
superior à avaliação.

77
Art. 40 - O Juiz suspenderá o curso da execução, enquanto não for localizado o
devedor ou encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora, e, nesses casos,
não correrá o prazo de prescrição.
§ 1º - Suspenso o curso da execução, será aberta vista dos autos ao representante
judicial da Fazenda Pública.
§ 2º - Decorrido o prazo máximo de 1 (um) ano, sem que seja localizado o devedor ou
encontrados bens penhoráveis, o Juiz ordenará o arquivamento dos autos.
§ 3º - Encontrados que sejam, a qualquer tempo, o devedor ou os bens, serão
desarquivados os autos para prosseguimento da execução.
§ 4º Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional,
o juiz, depois de ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição
intercorrente e decretá-la de imediato.
§ 5º A manifestação prévia da Fazenda Pública prevista no § 4o deste artigo será
dispensada no caso de cobranças judiciais cujo valor seja inferior ao mínimo fixado
por ato do Ministro de Estado da Fazenda.

* Valor fixado por ato do Ministro de Estado da Fazenda é de 1 milhão.

Questões controvertidas (execução fiscal)

1. Participação do Ministério Público.

STJ, Súmula 189: “É desnecessária a intervenção do Ministério Público nas execuções


fiscais”.

CPC, art. 178 (...) parágrafo único. A participação da Fazenda Pública não configura, por si
só, hipótese de intervenção do Ministério Público.

2. Petição Inicial
A petição inicial das execuções fiscais é simplificada.

Art. 6º - A petição inicial indicará apenas:


I - o Juiz a quem é dirigida;
II - o pedido; e
III - o requerimento para a citação.
§ 1º - A petição inicial será instruída com a Certidão da Dívida Ativa, que dela fará parte
integrante, como se estivesse transcrita.
§ 2º - A petição inicial e a Certidão de Dívida Ativa poderão constituir um único documento,
preparado inclusive por processo eletrônico.
§ 3º - A produção de provas pela Fazenda Pública independe de requerimento na petição
inicial.

78
Súmula 558 do STJ: “Em ações de execução fiscal, a petição inicial não pode ser indeferida
sob o argumento de falta de indicação do CPF e/ou RG ou CNPJ da parte executada”.

14/11/2017

Súmula 559 do STJ – “Em ações de execução fiscal, é desnecessária a instrução da petição
inicial com o demonstrativo de cálculo do débito, por tratar-se de requisito não previsto no art.
6º da Lei n. 6.830/1980”.

3. Reunião de execuções

LEF, Artigo 28 - O Juiz, a requerimento das partes, poderá, por conveniência da unidade da
garantia da execução, ordenar a reunião de processos contra o mesmo devedor. Parágrafo
Único - Na hipótese deste artigo, os processos serão redistribuídos ao Juízo da primeira
distribuição.

STJ, Súmula 515: A reunião de execuções fiscais contra o mesmo devedor constitui
faculdade do juiz.

4. Substituição da CDA

LEF Artigo 2º (...) § 8º: Até a decisão de primeira instância, a Certidão de Dívida Ativa
poderá ser emendada ou substituída, assegurada ao executado a devolução do prazo para
embargos.

STJ, Súmula 392: A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a
prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal,
vedada a modificação do sujeito passivo da execução.

5. Penhora

STJ, Súmula 406 - A Fazenda Pública pode recusar a substituição do bem penhorado por
precatório.

STJ, Súmula 319 - O encargo de depositário de bens penhorados pode ser expressamente
recusado.

6. TRF - 4ª Região, Súmula nº 90: O encerramento de processo falimentar sem bens aptos à
satisfação do crédito tributário, constatada a impossibilidade de redirecionamento, conduz à
extinção da execução fiscal por falta de interesse processual (art. 485, VI, CPC/15).

Prescrição intercorrente

79
7. STJ Súmula 314: Em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende-se o
processo por um ano, findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente (na
prática, corresponde a 6 anos).

(TRF2 Juiz Federal 2017) Ao ser citado, sócio de empresa percebe que ele, pessoa física,
figura no polo passivo de execução fiscal. Ao buscar informações, verifica que, embora seu
nome conste da certidão de dívida ativa que fundamenta a execução, o débito é oriundo de
valores relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, declarados mas não pagos, da
sociedade da qual é sócio-administrador e que, originariamente, figurava sozinha no polo
passivo. O empresário, após aferir que não houve prescrição nem decadência, opõe exceção de
pré-executividade, sem garantir o juízo, alegando exclusivamente a sua ilegitimidade passiva.
Deve o Juiz:
A) Acatar a exceção e extinguir a execução relativamente ao empresário, já que a simples
falta de pagamento do tributo (devidamente declarado) não acarreta a responsabilidade
subsidiária do sócio.
B) Rejeitar a exceção, já que o nome do sócio consta da certidão da dívida, daí que cabe ao
empresário o ônus de provar que não agiu com excesso de poderes ou infração à lei, ao
contrato social ou ao estatuto da empresa, dilação incompatível com a via eleita.
C) Acatar a exceção e excluir o empresário do polo passivo, determinando que a Fazenda,
caso queira executar também o sócio administrador, proceda na forma estabelecida pelo Código
de Processo Civil, de modo a instaurar o incidente de desconsideração da personalidade jurídica.
D) Intimar o excipiente para, nos termos da Lei de Execuções Fiscais (Lei n° 6.830/80),
garantir o juízo, sob pena de rejeição da exceção.
E) Rejeitar a exceção, já que o empresário é responsável direto pelo crédito tributário, como
sócio-administrador e a falta do pagamento do tributo já enseja sua responsabilização direta.

Resposta: B.

(TJ/RO Juiz 2011) após a inscrição em dívida ativa, a prescrição do crédito tributário sempre
ficará suspensa por 180 dias (errada. Aplica-se, ao caso, o artigo 174 do CTN).

LEF Artigo 2º(...) § 3º - A inscrição, que se constitui no ato de controle administrativo da


legalidade, será feita pelo órgão competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e
suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da
execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo.

(PETROBRAS 2012 - ADVOGADO JÚNIOR) A Fazenda Nacional propôs execução fiscal em


janeiro de 2012, em face do Sr. X, por dívida do IRPF do ano-base 1999, no valor de R$
1.000.000,00, cujo crédito fora inscrito na dívida ativa em dezembro de 2004. À vista disso, em
fevereiro de 2012, o Sr. X foi surpreendido pelo mandado de citação para que, no prazo de 5
dias, efetue, na forma prevista na Lei de Execução Fiscal, o pagamento da referida dívida ou

80
garanta a execução. Sabe-se que, em março de 2001, o contribuinte fora devidamente
notificado pela Secretaria da Receita Federal para pagamento ou oferecimento de defesa
quanto ao aludido crédito tributário, e, apesar de ter optado pelo oferecimento de defesa e
recurso administrativo, em tempo hábil, houve, em outubro de 2004, o trânsito em julgado
administrativo com decisão final irreformável no sentido de manter o auto de infração e,
consequentemente, manter a cobrança do aludido crédito tributário.

Nesse caso, com base nos argumentos jurídicos e econômicos pertinentes à situação posta
em debate, a defesa mais apropriada aos interesses do executado em face da execução
proposta consiste em
a) Ação anulatória.
b) Impugnação fiscal
xc) Exceção de pré-executividade
d) Recurso voluntário
e) Embargos do devedor

(TRF3 – Juiz Federal 2016) Determinado Juízo aplicou o entendimento, em sede de


execução fiscal em que se realizavam diligências para localização de patrimônio do executado,
de que os documentos sigilosos do executado, que foram requisitados pelo próprio ofício
judicante, a pedido da Fazenda Pública, a terceiros, deveriam, quando aportassem na Secretaria,
ser acondicionados em pasta própria à disposição das partes e de seus procuradores, motivando
tal decisão sob o prisma da publicidade processual. Nesse sentido, ao arquivar os documentos
sigilosos em pasta própria, não haveria necessidade de se limitar a publicidade do processo em
andamento mediante a decretação de segredo de justiça, ao mesmo tempo em que não se
verificariam prejuízos às partes ou à devida instrução processual, porquanto os documentos
permaneceriam acessíveis aos interessados. Essa decisão:
a) Encontra abrigo na jurisprudência das Cortes Superiores, pois, embora inexista expressa
previsão legal a respeito, constitui medida que salvaguarda a publicidade processual sem
lesionar outros princípios processuais. Não depende, portanto, de regulamentação interna.

b) Embora não encontre abrigo na jurisprudência consolidada, não é atacável em sede de


agravo, retido ou de instrumento, porquanto não se trata de decisão interlocutória, já que não
possui conteúdo decisório ou lesivo às partes (não existe mais agravo retido).

c) Encontra abrigo na jurisprudência das Cortes Superiores, mas exige o respeito a certas
formalidades, como a regulamentação interna no âmbito da respectiva Corte, por meio de
Resolução ou Portaria.

xd) Não encontra abrigo na jurisprudência das Cortes Superiores, diante da inexistência, no
código de processo civil vigente, de previsão para que se crie pasta própria fora dos autos para
tal finalidade (STJ – Tema Repetitivo 590).

81
Medida cautelar fiscal
Legislação: Lei 8397/92

Requisitos:
a) Não ter domicílio certo;
b) tentativa de transferir bens para terceiros, em face de insolvência;
c) CNPJ inapto
d) débitos superiores a 30% do patrimônio.

e) Notificado pela Fazenda Pública deixa de pagar o débito em atraso.

f) Pratica outros atos que visam burlar o pagamento da dívida.

Rito especial:

a) ajuizamento (competência é o juízo das execuções fiscais).


b) liminar (indisponibilidade de bens).
c) contestação em cinco dias.
d) sentença.
e) Ajuizar a execução fiscal em 60 dias a contar da sentença (sob pena de ser revogada a
indisponibilidade de bens).

x 3. Anulatória de débito fiscal

LEF Artigo 38 - A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em


execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição
do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito
preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de
mora e demais encargos. (...)

Jurisprudência

STF súmula vinculante 28: “É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito
de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade do crédito
tributário”.

Tutela provisória: admissível.

Rito: comum.

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Pedido: declaração de nulidade do lançamento.

STJ AgInt no AREsp 1064761 DJe 24/10/2017- Na forma da jurisprudência do STJ, "havendo
conexão entre execução fiscal e ação anulatória de débito fiscal, impõe-se a reunião dos
processos, de modo a evitar decisões conflitantes; espécie em que, ajuizada primeiro a
execução fiscal, o respectivo juízo deve processar e julgar ambas as ações.

Ação de repetição de indébito

Tutela: inadmissível.

Rito: comum

pedido: devolução dos tributos pagos indevidamente, acrescidos de juros.

Ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária

Rito: comum

Tutela provisória: admissível.

Pedido: Declaração de inexistência de relaçãop jurídico-tributária ou reconhecimento de


isenção etc.

x 6. Mandado de segurança

Legislação: Lei nº 12.016/09


Competência:
Lei 12016/09 Artigo 2º Considerar-se-á federal a autoridade coatora se as consequências
de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas
pela União ou entidade por ela controlada.

Obs.: Não cabe MS originário em sede de Juizado Especial Federal ou da Fazenda Pública.

Lei 10259/01. Artigo 3º, parágrafo primeiro, inciso I.

Lei 12.153/09. Artigo 2º, parágrafo primeiro, inciso I.

Rito: especial (petição inicial CPC e artigo 6º da LEI 12016 – liminar – informações – parecer
do MP – sentença e recurso).

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Prazo decadencial: ex. negativa da certidão de regularidade fiscal (120 dias). A
jurisprudência entende como constitucional.

Honorários advocatícios

Lei 12016/09. Artigo 25. Não cabem, no processo de mandado de segurança, a interposição
de embargos infringentes e a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, sem
prejuízo da aplicação de sanções no caso de litigância de má-fé.

Custas: cabem.

Dilação probatória: inadmissível (Conceito de direito líquido e certo).

Jurisprudência

a) Súmula 460 do STJ: É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação


tributária realizada pelo contribuinte.

b) Súmula 213 do STJ: O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração
do direito à compensação tributária.

28/11/2017

7. Ação de compensação tributária


Legislação: Artigos 170 e 170-A

Tutela provisória: inadmissível

Rito: comum

Prescrição: 5 anos (CTN – artigo 168).

Pedido: compensação dos créditos devidamente atualizados com débitos tributários vencidos
ou vincendos.

Honorários e custas (CPC artigo 85, parágrafo terceiro quanto aos honorários).

(Defensor Público – DF 2013) o locatário do imóvel tem legitimidade ativa para propor ação de
repetição de indébito de IPTU. (Errada)

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A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que "o locatário, por não
ostentar a condição de contribuinte ou de responsável tributário, não tem legitimidade ativa
para postular a declaração de inexistência de relação jurídica tributária, bem como a repetição
de indébito referente ao IPTU, à Taxa de Conservação e Limpeza Pública ou à Taxa de
Iluminação Pública" (AgRg no REsp 836.089/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO,
julgado em 23/02/2011, DJe 26/04/2011).

Processo administrativo tributário

Não há normas gerais de direito tributário, especificamente, para regular o processo


administrativo tributário.

Fundamenta-se na Constituição Federal e nas leis específicas.

Princípios (além dos princípios da Administração pública).

a) Princípio do contraditório e da ampla defesa (CF/88-artigo 5°, LV): direito de fazer


sustentação oral, requerer a produção de prova pericial e de poder influenciar, efetivamente, no
resultado do processo.

b) Princípio da razoável duração do processo

CF/88- Artigo 5º (...) LXXVIII. a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a
razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.

Lei 11457/07. Artigo 24- É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo
máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou
recursos administrativos do contribuinte.

c) Princípio do formalismo moderado: as formas tem a função de garantir o devido processo


legal e não são um fim em si mesmo (instrumentalidade das formas).

d) Princípio da motivação: as decisões que imponham ou não fim ao procedimento


administrativo devem estar suficientemente fundamentadas.

e) Princípio da publicidade e da transparência: concretiza-se na publicidade da jurisprudência


dos Tribunais administrativos.

Processo administrativo tributário

a) Órgãos julgadores (órgãos paritários).

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b) Escolha dos julgadores

c) Rito

d) Prazos

e) Recursos (ordinário e especial)

f) Honorários advocatícios.

g) Necessidade de patrocínio por advogado.

h) Local das intimações (domicílio tributário).

i) Voto de qualidade, isto é, desempate pelo Presidente da Turma.

j) Forma dos atos processuais.


Ex: Decreto 70235/72 (processo administrativo federal):

Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se
fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data
em que for feita a intimação da exigência.

Artigo 16. A impugnação mencionará:


I - a autoridade julgadora a quem é dirigida;

II - a qualificação do impugnante;

III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as


razões e provas que possuir;

IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos


que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim
como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...)

Questões controversas
a) Não corre prazo prescricional ou decadencial durante o trâmite do processo administrativo
tributário.

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b) Pode gerar nulidade: cerceamento de defesa, tal como falta de intimação para eventual
sustentação oral ou ainda falta de fundamentação.

c) O recurso será julgado deserto caso haja propositura, concomitante de ação judicial.

LEF Artigo 38 - Parágrafo único - A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo
(vale para outras ações tributárias alem da ação anulatória) importa em renúncia ao poder de
recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.

(OAB EXAME XXI 2016) João deixou de pagar o Imposto de Importação sobre mercadoria trazida
do exterior, sendo notificado pelo fisco federal. Ao receber a notificação, logo impugnou
administrativamente a cobrança. Percebendo que seu recurso administrativo demoraria longo
tempo para ser apreciado e querendo resolver a questão o mais rápido possível, propõe ação
anulatória para discutir matéria idêntica àquela demandada administrativamente. Com base
nesse relato, assinale a afirmativa correta.
a) Haverá o sobrestamento da ação anulatória até que seja efetivamente apreciada a
impugnação administrativa.
b) A medida judicial será indeferida devido à utilização de recurso na esfera administrativa.
c) A propositura de ação judicial sobre matéria idêntica àquela demandada na esfera
administrativa não constitui em desistência de tal esfera.
xd) A concomitância de defesa administrativa com medida judicial versando sobre matérias
idênticas implica desistência do recurso administrativo interposto.

d) Não é admissível a exigência de depósito judicial como condição de procedibilidade do


recurso administrativo.

STF súmula vinculante nº 21. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios


de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.

e) Esse processo administrativo destina-se, em sentido amplo, à criação de tributos, conforme


determinação e exigência do crédito tributário.

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