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INSPETOR DE

INSTRUMENTAÇÃO
NÍVEL 1
ELETROTÉCNICA E ELETRÔNICA
APLICADA

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INSPETOR DE INSTRUMENTAÇÃO NÍVEL 1
ELETROTÉCNICA E ELETRÔNICA APLICADA

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Silva, Adieci Vigannico da. Waner, Eduardo; Inspetor de Instrumentação Nível 1 (Eletrotécnica
e Eletrônica Aplicada) / Prominp – SENAI. RS, 2007

97 p.: 89 il.

PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S.A.

Av. Almirante Barroso, 81 – 17º andar – Centro


CEP: 20030-003 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil

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INDICE

APRESENTAÇÃO ..................................................................................................................................13
1 ELETROTÉCNICA APLICADA........................................................................................................15
1.1 CARGA ELÉTRICA............................................................................................................... 15
1.1.1 Processos de Eletrização ..................................................................................................... 17
1.1.2 Lei de Coulomb ..................................................................................................................... 21
1.2 GRANDEZAS ELÉTRICAS................................................................................................... 25
1.2.1 Corrente elétrica.................................................................................................................... 25
1.2.2 Força eletromotriz ................................................................................................................. 26
1.2.3 Resistência elétrica ............................................................................................................... 27
1.3 CIRCUITOS ELÉTRICOS..................................................................................................... 28
1.3.1 Resistores ............................................................................................................................. 32
1.3.2 Capacitores ........................................................................................................................... 38
1.3.3 Indutância.............................................................................................................................. 41
1.4 POTÊNCIA ELÉTRICA CC................................................................................................... 43
1.5 POTÊNCIA ELÉTRICA CA ................................................................................................... 46
1.6 ELETROMAGNETISMO ....................................................................................................... 49
1.6.1 Transformadores................................................................................................................... 53
1.7 BATERIA ELÉTRICA ............................................................................................................ 55
2 ELETRÔNICA APLICADA ...............................................................................................................59
2.1 COMPONENTES ELETRÔNICOS ....................................................................................... 59
2.1.1 Diodo..................................................................................................................................... 59
2.1.2 Transistor .............................................................................................................................. 65
2.1.3 Tiristor ................................................................................................................................... 65
2.1.4 Diac ....................................................................................................................................... 67
2.1.5 Triac ...................................................................................................................................... 67
2.2 AMPLIFICADORES OPERACIONAIS.................................................................................. 69
2.2.1 Conversor A/D....................................................................................................................... 71
2.2.2 Conversor D/A....................................................................................................................... 74
2.2.3 Portas lógicas........................................................................................................................ 75
2.2.4 Lógica combinacional e seqüencial ...................................................................................... 76
2.3 FONTES REGULADORAS................................................................................................... 79
2.4 FONTES CHAVEADAS ........................................................................................................ 82
2.5 OSCILADORES .................................................................................................................... 84

5
2.6 INTERFERÊNCIA ELETROMAGNÉTICA E DE RÁDIO-FREQUÊNCIA ............................. 84
2.7 ELETRÔNICA DIGITAL E ANALÓGICA .............................................................................. 92
BIBLIOGRAFIA ......................................................................................................................................97

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Átomo..................................................................................................................................... 15
Figura 2 - Lei das Cargas Elétricas ........................................................................................................ 17
Figura 3 - Eletrização por atrito .............................................................................................................. 18
Figura 4 - Eletrização por contato .......................................................................................................... 19
Figura 5 - Ligação terra .......................................................................................................................... 19
Figura 6 - Eletrização por indução ......................................................................................................... 20
Figura 7 - Descargas atmosféricas ........................................................................................................ 21
Figura 8 - Força eletrostática ................................................................................................................. 21
Figura 9 - Interação entre carga e campo elétrico ................................................................................. 23
Figura 10 - Campo de uma carga puntiforme ........................................................................................ 23
Figura 11 - Campo entre duas placas paralelas .................................................................................... 23
Figura 12 - Deslocamento de carga em campo elétrico ........................................................................ 24
Figura 13 - Diferença de potencial entre dois corpos ............................................................................ 24
Figura 14 - Sentido da corrente elétrica ................................................................................................. 25
Figura 15 - Corrente elétrica .................................................................................................................. 26
Figura 16 - Símbolos de fonte de fem .................................................................................................... 26
Figura 17 - Resistência elétrica.............................................................................................................. 27
Figura 18 – Circuito elétrico ................................................................................................................... 29
Figura 19 – Circuito elétrico ................................................................................................................... 31
Figura 20 – Circuito série ....................................................................................................................... 31
Figura 21 – Circuito paralelo .................................................................................................................. 31
Figura 22 – Circuito misto ...................................................................................................................... 31
Figura 23 – Resistor ............................................................................................................................... 32
Figura 24 - Resistores ............................................................................................................................ 34
Figura 25 – Resistor em corte ................................................................................................................ 35
Figura 26 – Resistor ............................................................................................................................... 36
Figura 27 - Resistor ................................................................................................................................ 36
Figura 28 - Resistor ................................................................................................................................ 37
Figura 29 - Resistor ................................................................................................................................ 37
Figura 30 - Resistor ................................................................................................................................ 37
Figura 31 - Capacitor.............................................................................................................................. 39
Figura 32 - Descarga do capacitor ......................................................................................................... 39
Figura 33 - Associação em paralelo....................................................................................................... 40

7
Figura 34 - Associação em série............................................................................................................ 41
Figura 35 - Lei de Lenz .......................................................................................................................... 42
Figura 36 - Desenho simbólico de um indutor ....................................................................................... 43
Figura 37 - Desenho simbólico de um indutor ....................................................................................... 46
Figura 38 – Cálculo circuito série........................................................................................................... 47
Figura 39 – Circuito ................................................................................................................................ 47
Figura 40 – Circuito ................................................................................................................................ 48
Figura 41 - Experiência de Öersted ....................................................................................................... 50
Figura 42 - Campo magnético em torno de um condutor ...................................................................... 50
Figura 43 - Campo magnético em condutor .......................................................................................... 51
Figura 44 - Solenóide............................................................................................................................. 51
Figura 45 - Regra da mão direita para um solenóide ............................................................................ 52
Figura 47 - Transformador ..................................................................................................................... 54
Figura 48 - Pilha ..................................................................................................................................... 56
Figura 49 - Pilha ..................................................................................................................................... 56
Figura 50 – Esquema das polaridades de uma pilha............................................................................. 56
Figura 52 - Polarização do diodo ........................................................................................................... 60
Figura 54 - Retificação de onda completa ............................................................................................. 61
Figura 55 - Retificação de onda completa com derivação central......................................................... 62
Figura 56 - Retificação de onda completa com derivação central......................................................... 62
Figura 57 - Retificação de onda completa com derivação central......................................................... 62
Figura 58 - Retificação de onda completa com derivação central......................................................... 62
Figura 59 - Retificação de onda completa com derivação central......................................................... 63
Figura 60 - Retificação de onda completa com derivação central......................................................... 63
Figura 61 - Retificação de onda completa com derivação central......................................................... 63
Figura 62 - Retificação de onda completa em ponte ............................................................................. 63
Figura 63 - Retificação de onda completa em ponte ............................................................................. 64
Figura 64 - Retificação de onda completa em ponte ............................................................................. 64
Figura 65 - Retificação de onda completa em ponte ............................................................................. 64
Figura 66 - Retificação de onda completa em ponte ............................................................................. 64
Figura 69 - Circuito equivalente e gerador de pulsos ............................................................................ 68
Figura 71 - Fonte de tensão usando 723............................................................................................... 71
Figura 72 - Fonte regulada de corrente ................................................................................................. 71
Figura 73 - Regulador de 5 Vcc de tensão positiva (7805) com encapsulamento TO 220 ................... 81
Figura 74 - Estrutura em blocos de uma fonte chaveada ...................................................................... 83
Figura 75 - Diagrama em blocos de uma fonte chaveada do tipo fly back............................................ 83
Figura 76 - Campos estacionários devidos a fontes fixas: magnético e elétrico................................... 87
Figura 77 - Radiação de um campo eletromagnético no espaço .......................................................... 87

8
Figura 78 – Faixa de radiações.............................................................................................................. 88
Figura 79 – Radiações ........................................................................................................................... 88
Figura 80 – Equipamento médico .......................................................................................................... 90
Figura 81 – Radiações eletromagnéticas............................................................................................... 90
Figura 82 - Redução de interferência usando pares trançados............................................................. 92
Figura 83 – Problemas de CEM ............................................................................................................. 92
Figura 84 - Redução de interferência usando grade eletrostática ......................................................... 92
Figura 85 - Amperímetro analógico........................................................................................................ 93
Figura 86. - Voltímetro digital ................................................................................................................. 93
Figura 87 - Esquema de ligação de um amperímetro............................................................................ 93
Figura 88 - Alicate amperímetro............................................................................................................. 93
Figura 89 - Multímetro ............................................................................................................................ 95

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Símbolos de componentes elétricos .................................................................................... 30


Tabela 2 – Valores dos resistores.......................................................................................................... 33
Tabela 3 – Características dos resistores .............................................................................................. 35
Tabela 4 - Circuitos integrados .............................................................................................................. 81
Tabela 5 - A função dos blocos.............................................................................................................. 83
Tabela 6 – Fontes de interferências eletromagnéticas .......................................................................... 89
Tabela 7 - A tabela acima indica os principais tipos de medida que um multímetro engloba. .............. 96

11
12
APRESENTAÇÃO

Na Antigüidade, os gregos sabiam que um pedaço de âmbar friccionado era capaz de atrair certos
materiais, tais como folhas secas, fragmentos de palha e serragem. Também era do conhecimento
deles que algumas pedras encontradas na natureza exerciam uma força de atração no ferro; essas
“pedras”, conhecidas atualmente como magnetitas, são imãs naturais. A importância desse
conhecimento antigo está demonstrada no termo eletricidade, que tem sua origem na palavra grega
elektron, que significa âmbar.

Essas são as origens das ciências da eletricidade e do magnetismo, ambas de grande importância
para o desenvolvimento da humanidade até os dias de hoje. Estas duas ciências desenvolveram-se
separadamente durante séculos até que, em 1820, Hans Christian Öersted encontrou uma conexão
entre elas. Enquanto preparava uma aula de laboratório para seus alunos de física, Öersted notou
que uma corrente elétrica percorrendo um condutor causava uma deflexão na agulha imantada de
uma bússola. Desta descoberta surgiu uma nova ciência, que combina os fenômenos elétricos e
magnéticos, chamada de eletromagnetismo.

O eletromagnetismo foi desenvolvido por diversos pesquisadores em diversos países; porém,


merecem maior destaque Michael Faraday, Heinrich Hertz, que descobriu o fenômeno
eletromagnético conhecido atualmente como as ondas curtas de rádio, e James Clerk Maxwell, que,
junto com algumas idéias próprias, modelou matematicamente as idéias de Faraday e criou as bases
teóricas do eletromagnetismo que utiliza apenas quatro equações.

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14
1 ELETROTÉCNICA APLICADA

1.1 CARGA ELÉTRICA

No início do século XIX, os cientistas afirmavam que a eletricidade era um fluido composto por cargas
positivas e negativas. No entanto, hoje se sabe que ela tem sua origem na estrutura atômica. Assim, é
necessário entender a estrutura da matéria antes de iniciar o estudo da eletricidade.

Na figura 1 vê-se a estrutura de um átomo, que é composto por um núcleo com dois tipos de
partículas: os prótons, que são partículas carregadas positivamente; e os nêutrons, que têm a mesma
massa dos prótons, porém não possuem carga. Ao redor do núcleo encontram-se pequenas
partículas, cerca de 1.840 vezes mais leves que os prótons, chamadas elétrons, dotadas de carga
com o mesmo valor da carga dos prótons, porém a dos elétrons é negativa.

Figura 1 - Átomo
Fonte: SARDELA. Adaptação

A figura 1 está fora de escala para que se possam identificar as partículas que compõem um átomo.
No tamanho real, o diâmetro das órbitas dos elétrons varia entre 10 mil e 100 mil vezes o diâmetro do
núcleo de um átomo.

Um exemplo de eletricidade é que, algumas vezes, quando se caminha sobre um tapete com tempo
seco, o atrito que ocorre entre os sapatos e o tapete forma no corpo uma certa carga. Assim, quando
se toca em algum objeto metálico, ela é descarregada e se sente uma leve faísca entre o objeto e o
corpo. Outro exemplo da eletricidade é o relâmpago, que é conhecido por todos.

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Os fenômenos citados representam, simplesmente, manifestações de grande quantidade de carga
elétrica que está armazenada nos objetos do cotidiano.

Na verdade, todos os objetos que fazem parte do cotidiano, assim como nosso corpo, possuem uma
grande quantidade de cargas elétricas, mas elas não se manifestam porque os objetos possuem o
mesmo número de cargas positivas e negativas. Com a igualdade de cargas, também chamada de
equilíbrio de cargas, diz-se que o objeto está eletricamente neutro, isto é, ele não possui nenhuma
carga líquida para interagir com os outros objetos. Com isso, nota-se que, para um objeto interagir
com outro, ele precisa possuir uma carga líquida, que só acontece quando as cargas positivas e
negativas não estão em mesmo número no objeto. Somente com o desequilíbrio entre as cargas a
eletricidade mostra seus efeitos e se torna perceptível a nós. Diz-se que um corpo está carregado
quando ele apresenta certa quantidade de carga líquida ou desequilibrada.

Suponha-se um objeto carregado negativamente. Ao dizer que o objeto está carregado, sabe-se que
nele há um desequilíbrio entre as cargas, e também que as cargas são os prótons (positivos) e os
elétrons (negativos). A partir disso, conclui-se que este objeto possui mais elétrons do que prótons.
Analogamente, um objeto carregado positivamente possui em sua estrutura mais prótons do que
elétrons. Como conseqüência, a quantidade de carga elétrica em um objeto vai ser sempre um
múltiplo da carga de um elétron e, para tornar um objeto carregado negativamente, deve-se
acrescentar a ele um elétron, dois elétrons, três elétrons etc. Da mesma forma, para tornar um objeto
carregado positivamente, deve-se retirar dele um elétron, dois elétrons, três elétrons etc.

Os procedimentos de retirar e de acrescentar elétrons são chamados de ionização, assim com um


átomo que possui uma carga líquida é chamado de íon. A fórmula abaixo mostra matematicamente o
que está escrito neste parágrafo, e serve para calcular de forma geral qualquer carga (Q):
Q = ne

Onde (n) é o número de elétrons acrescentados (no caso de carga negativa) ou retirados (no caso de
carga positiva) do objeto (e) que é a carga elétrica fundamental, que está presente em um elétron ou
-19
em um próton, e tem o valor de 1,6x10 C. Note que a unidade C (Coulomb) é a unidade de medida
de carga elétrica usada no Sistema Internacional.

-15
Exemplo 1 - Uma partícula está eletrizada positivamente com uma carga elétrica de 9,6 x 10 C. A
partícula ganhou ou perdeu elétrons? Sabendo que o módulo da carga elétrica de um elétron é 1,6 x
-19
10 C, diga quantos elétrons a partícula ganhou ou perdeu.

16
Resposta: Como a partícula está eletrizada positivamente, há mais prótons do que elétrons nela, e
com isso se sabe que ela perdeu elétrons.

Para saber o número de elétrons (n) que a partícula perdeu, basta substituir os valores dados no
-15 -19
problema na fórmula Q = ne. Para isso, Q = 9,6 x 10 C, e e=1,6 x 10 C e então:

-15 -19
Q=ne n=Q/e n= (9,6 X 10 ) / (1,6 X 10 )

+4
Assim, obtém-se a resposta n = 6.10

+4
Então a partícula perdeu 6.10 elétrons.

1.1.1 Processos de Eletrização

Sabe-se agora que os prótons são dotados de cargas positivas e que os elétrons são dotados de
cargas negativas, ambas com mesma intensidade, porém com sentidos opostos. Estas cargas são
chamadas de cargas eletrostáticas, e elas produzem ao redor delas campos eletrostáticos. Devido à
interação entre os campos eletrostáticos, as partículas carregadas podem se atrair ou se repelir.

A Lei das Cargas Elétricas, que está representada na figura 2, estabelece o seguinte: “Cargas de
mesmo sinal se repelem e cargas de sinal oposto se atraem”.

Figura 2 - Lei das Cargas Elétricas


Fonte: MILEAF, Harry

Como já se mencionou no início deste estudo, os gregos sabiam que um pedaço de âmbar friccionado
podia atrair pedaços de palha. Na verdade, o que eles faziam era deixar o âmbar eletrizado, ou com
carga, através do atrito. Esta experiência pode ser facilmente repetida, porém utilizando um bastão de
vidro e um pedaço de seda, para mostrar o processo de eletrização por atrito. Caso se atrite o bastão

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de vidro com o pedaço de seda, o bastão de vidro cederá elétrons à seda. Com isso, ele adquire uma
carga positiva, e o pedaço de seda, uma carga negativa, como mostra a figura 3.

Estas cargas aparecem porque o bastão de vidro possui elétrons em sua superfície que são
facilmente retirados pelo atrito. Este fato também ocorre quando dois outros materiais são atritados:
enquanto um perde elétrons com facilidade, o outro recebe estes elétrons imediatamente.

Figura 3 - Eletrização por atrito


Fonte: MILEAF, Harry

Em determinados materiais, tais como metais e o corpo humano, as cargas negativas podem mover-
se livremente. Estes materiais são conhecidos como condutores. No entanto, em outros materiais, tais
como plásticos e vidros, nenhuma carga pode mover-se livremente. Estes materiais são chamados de
isolantes. Quando os átomos de um condutor se agrupam para formar o sólido, alguns de seus
elétrons mais externos não permanecem ligados aos seus respectivos átomos, podendo, assim,
deslocar-se livremente através do volume do sólido. Esses elétrons são chamados de elétrons livres.
Em um material isolante existem poucos, ou nenhum, elétron livre.

Considerem-se agora dois corpos de mesmo tamanho, feitos do mesmo material condutor, corpo A e
corpo B, conforme mostra a figura 4. O corpo A está eletrizado negativamente, e o corpo B está
neutro ou sem carga elétrica.

Ao se colocar o corpo A em contato com o corpo B, durante um intervalo pequeno de tempo, os dois
corpos tendem a alcançar o equilíbrio de cargas. Ou seja, o corpo A cederá elétrons para o corpo B.
Como resultado, o corpo B ficará com carga negativa, assim como o corpo A, ambas as cargas com o
valor da metade da carga do corpo A antes do contato.

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Figura 4 - Eletrização por contato

Este processo é chamado de eletrização por contato, pois o corpo B, que estava eletricamente neutro,
adquiriu carga negativa após o contanto. Este tipo de eletrização gera um choque elétrico quando a
pessoa se encosta em algum objeto dotado de carga, pois, como o corpo humano é um condutor, há
transferência de elétrons entre ele e o objeto, buscando alcançar o equilíbrio elétrico.

Se agora se repetir a experiência de eletrização por atrito, porém segurando um bastão de ferro e
friccionando um pedaço de lã, não se conseguirá carregá-lo, pois tanto o bastão de ferro quanto o
corpo humano são condutores. A fricção originará um desequilíbrio de carga no bastão, mas o
excesso de carga se moverá rapidamente para o corpo, e daí para o solo (superfície da terra),
neutralizando a carga do bastão. Assim, sempre que se estabelece um caminho de condutores entre
um objeto e a terra, se está fazendo sua ligação terra. Como a terra tem suas dimensões muito
grandes, ela pode ser considerada como um grande “depósito de elétrons”.

A partir da ligação terra, uma esfera carregada negativamente ligada à terra, através de um fio
condutor, cederá elétrons para a terra e ficará eletricamente neutra.

Da mesma forma, quando se liga uma esfera carregada positivamente à terra, a esfera receberá
elétrons da terra e ficará eletricamente neutra. Este processo está ilustrado na figura 5.

Figura 5 - Ligação terra

19
Um efeito da eletrização por contato, que leva a uma aplicação do efeito terra, é o possível
surgimento de faíscas elétricas, o que em uma refinaria de petróleo pode adquirir proporções
catastróficas. Nas baías onde é feito o carregamento de combustíveis em caminhões, estes podem
estar carregados eletricamente e, no momento da conexão do mangote ao caminhão, uma faísca
entre eles pode causar uma explosão se houver gases combustíveis na área. Para minimizar o risco,
o caminhão é conectado ao solo (aterrado) antes do início do bombeamento de combustível e, deste
modo, ficará com carga neutra.

Outro processo utilizado para carregar objetos é de eletrização por indução. Este processo está
diretamente ligado à Lei das Cargas Elétricas, ou seja, às forças de atração e repulsão existentes
entre prótons e elétrons.

O processo de eletrização por indução, mostrado na figura 6, ocorre sem que haja contato entre os
corpos. Quando um bastão de borracha, carregado negativamente, é aproximado a uma das
extremidades de uma barra de alumínio eletricamente neutra, os elétrons da barra de alumínio são
repelidos para sua outra extremidade. Ao se encostar o dedo na extremidade da barra, como mostra a
figura, os elétrons escoarão através do corpo; ao se afastar o dedo, a barra de alumínio estará
carregada positivamente.

Figura 6 - Eletrização por indução


Fonte: MILEAF, Harry

As nuvens, que causam tempestades, geralmente estão carregadas eletricamente. Os raios e trovões
são conseqüências da diferença de carga elétrica existente entre duas nuvens ou entre uma nuvem e
o solo. Imagine-se agora uma nuvem carregada negativamente, como mostra a figura 7. A carga
negativa nela existente repelirá os elétrons da superfície da terra, deixando-a com carga positiva. Um
raio acontece quando a diferença de carga entre a nuvem e a terra se torna tão grande que é capaz
de vencer a resistência do ar, o que permite um caminho para o escoamento dos elétrons, mostrado
na figura 7.

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Figura 7 - Descargas atmosféricas
Fonte: MILEAF, Harry

A luz que acompanha o raio, chamada de relâmpago, acontece devido à ionização causada pela
passagem de cargas elétricas através do ar. Além do relâmpago, ela causa rápido e forte aquecimento
que expande o ar a sua volta e provoca uma onda sonora de alta intensidade, chamada de trovão.

Uma descarga atmosférica da magnitude de um raio pode ter proporções catastróficas em uma
refinaria, o que exige uma proteção eficiente contra este tipo de efeito. Esta proteção é feita com o
uso de um pára-raios, que é uma haste metálica colocada no ponto mais alto da instalação a ser
protegida e conectada à terra. O pára-raios oferece um caminho mais eficiente e seguro para que as
cargas elétricas da nuvem cheguem à terra. A construção de pára-raios é normalizada pela ABNT
(Associação Brasileira de Normas Técnicas).

1.1.2 Lei de Coulomb

Sabe-se que há entre duas partículas carregadas uma força eletrostática de atração ou repulsão.
Chamando de (q1) e (q2) o módulo de carga das duas partículas e (d) a distância existente entre elas,
o módulo da força eletrostática (F) existente entre elas será:
2
F = (k(q1.q2)) / d

Figura 8 - Força eletrostática

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9 2 2
Na expressão, (k) é uma constante que vale 8,99 x 10 N.m /C , e a unidade de força é Newton. Esta
fórmula é chamada de Lei de Coulomb, por ter sido deduzida por Charles Augustus Coulomb em 1875.

Imagine-se uma partícula fixa em um determinado ponto e com carga positiva. A seguir, coloca-se em
suas proximidades outra partícula, porém, dotada de carga negativa. Sabe-se, pela Lei de Coulomb,
que existirá uma força eletrostática de atração agindo entre as duas partículas e, com os dados
necessários, é possível calcular o módulo desta força.

Ainda assim, resta saber como uma partícula exerce força sobre a outra estando elas separadas no
espaço.

A resposta para esta pergunta sobre ação a distância é que q1 cria um campo elétrico no espaço ao
seu redor. Se a partícula com módulo de carga q2 estiver localizada em algum ponto deste campo
elétrico, então haverá uma força de interação, com módulos direção e sentido, entre q1 e q2. O módulo
desta força, como mostra a Lei de Coulomb, depende da intensidade das cargas q1 e q2, e da
distância entre as partículas. A direção e o sentido dependem da direção da reta que passa por q1 e q2
e do sinal elétrico delas.

Também pela Lei de Coulomb sabe-se que, quanto maior for o valor da carga, maior será a força que
ela exerce ao seu redor e, conseqüentemente, maior seu campo elétrico.

A temperatura tem um valor bem definido em cada ponto do espaço de uma sala. Pode-se medi-la
com um termômetro em vários pontos da sala e, com estes valores, fazer uma distribuição chamada
campo de temperatura. O campo serve para ver qual a temperatura em cada ponto da sala. O campo
elétrico pode ser visto de forma similar, porém a grande diferença entre o campo de temperatura e o
campo elétrico é que o primeiro é um campo escalar (não tem direção e sentido), enquanto o segundo
é um campo vetorial (tem direção e sentido além do módulo).

Ao se colocar uma carga (q0) em uma região do espaço onde exista um campo elétrico, a relação
entre a força (F) que atua na carga e o campo elétrico (E) é:
F = q0.E

A partir desta relação, pode-se utilizar como unidade de medida da intensidade de campo elétrico o
N/C. É necessário tomar alguns cuidados com esta equação pelo fato de ela envolver vetores. Como
se vê na figura 9, se a carga q0 for positiva, a equação ficará F = q0E. Isto é, a força e o campo têm o
mesmo sentido. Quando q0 for negativa, a equação resultante é F = - q0E, e a força tem sentido
oposto ao campo, como mostra a figura 9.

22
Figura 9 - Interação entre carga e campo elétrico

Um modo conveniente e muito usado para visualizar a configuração de um campo elétrico é o uso das
linhas de campo elétrico. Estas linhas obedecem às seguintes regras:
1) As linhas de campo elétrico estendem-se apontando para fora das cargas positivas e para
dentro das cargas negativas, como se vê na figura 10.
2) A densidade das linhas de campo elétrico dá uma idéia de sua intensidade naquela região.
Isso significa que nas regiões onde as linhas são próximas o campo elétrico é grande, e nas
regiões em que elas estão afastadas (E) ele é pequeno.
3) As linhas de campo elétrico nunca se cruzam.

Pode-se dizer que as linhas de campo elétrico representam a trajetória de uma partícula com carga
positiva, abandonada em repouso no espaço em que o campo elétrico atua.

Figura 10 - Campo de uma carga puntiforme Figura 11 - Campo entre duas placas paralelas

Um aspecto importante com relação ao campo elétrico é o fato de ele armazenar energia. Ao se
colocar uma partícula com carga q em repouso em um ponto onde atua um campo elétrico, o campo
exercerá sobre a partícula uma força F = qE. Sabendo que a partícula está em repouso, a força (F)
causará nela uma aceleração (pela 2ª Lei de Newton F = ma) e, conseqüentemente, um
deslocamento. Qualquer força que provoca deslocamento realiza trabalho. Assim, pode-se dizer que o
campo elétrico realizou trabalho sobre a partícula que deslocou. Tendo em vista que energia é a
capacidade de realizar trabalho, conclui-se que o campo elétrico realmente armazena energia.

Como se poderia definir quais partes do campo elétrico possuem maior capacidade de realizar
trabalho sobre partículas?

23
Um modo seria medir o valor do próprio campo elétrico em determinados pontos, visto que, quanto
maior for o campo elétrico, maior será a força que ele exerce nas partículas, e maior também a
capacidade que ele possui de realizar trabalho sobre elas.

Outra maneira seria deslocar uma carga positiva (q0) do ponto A até o ponto B através de um campo
elétrico formado entre duas placas carregadas com cargas de sinais opostos, como mostra a figura 12.

Define-se então a diferença de potencial entre o ponto A e o ponto B (VA-VB), como:


∆V = (VA-VB) = W/q0

Nesta equação, W é o trabalho realizado pelo campo elétrico para deslocar a partícula de A a B. As
cargas positivas movem-se para os pontos de menor potencial, enquanto as cargas negativas se
movem para os pontos de maior potencial.

A unidade de medida de diferença de potencial usada no Sistema Internacional é o Volt (V), onde V = J/C.
O campo elétrico pode ser medido também em função de V, de modo que a unidade será [E] = V/m
(unidade utilizada no sistema internacional).

Figura 12 - Deslocamento de carga em campo elétrico Figura 13 - Diferença de potencial entre dois corpos

A diferença de potencial (ddp) também é chamada de tensão. Existe uma diferença de potencial entre
dois corpos quando há um desequilíbrio de cargas entre eles.

Por exemplo, tendo-se dois corpos, como mostra a figura 13, o corpo. A com carga positiva (falta de
elétrons) e o corpo B com carga negativa (excesso de elétrons), diz-se que há uma diferença de
potencial entre eles.

24
1.2 GRANDEZAS ELÉTRICAS

1.2.1 Corrente elétrica

Corrente elétrica é o movimento ordenado de elétrons através de um condutor sujeito a um diferença


de potencial. Todos os materiais condutores possuem elétrons livres, ou seja, aqueles que são
fracamente atraídos pelo núcleo. Os elétrons livres estão em movimento no corpo sólido durante todo
o tempo, porém este movimento é desordenado.

Figura 14 - Sentido da corrente elétrica

Se dois corpos dotados de cargas elétricas diferentes, um com carga positiva e outro com carga
negativa, forem unidos por um condutor, acontecerá o que se viu no processo de eletrização por
contato, e os dois corpos equilibrarão suas cargas através do movimento ordenado de elétrons livres
pelo condutor. Este movimento ordenado de elétrons livres no condutor chama-se corrente elétrica.

Como os elétrons são portadores de carga negativa, o sentido real da corrente é do corpo (ou pólo)
negativo para o corpo (ou pólo) positivo. Isso se dá porque o pólo negativo repele os elétrons (cargas
com mesmo sinal), enquanto o pólo positivo os atrai (cargas com sinal oposto). Porém, o sentido
convencional da corrente elétrica é do pólo positivo para o pólo negativo; ou seja, é o sentido em que
se moveriam os portadores de carga positiva.

Nesta apostila será usado o sentido convencional da corrente elétrica. Tanto o sentido real quanto o
sentido convencional da corrente estão mostrados na figura 14.

25
A intensidade de corrente elétrica é proporcional ao número de elétrons que passa pelo condutor; ou
seja, quanto maior é o fluxo de elétrons no condutor, maior é a corrente elétrica que o atravessa.

Analisando a figura 15, pode-se definir a equação da intensidade de corrente elétrica, i, como sendo:
I = ∆q / ∆t

Na equação, (∆q) é a quantidade de carga que atravessa uma seção transversal do condutor em um
período de tempo (∆t). Quanto maior é a corrente elétrica (i), mais carga atravessa a seção transversal
do condutor no mesmo intervalo de tempo. A unidade de medida de corrente elétrica utilizada no
Sistema Internacional de Unidades é o ampère, representado pela letra maiúscula A, sendo que 1A =
1C/s. Se 1 Coulomb passar por um ponto em 1 segundo, o fluxo de corrente será de 1 ampère – isso
18
significa que passarão 6,28x10 elétrons por segundo através deste ponto.

Figura 15 - Corrente elétrica


Fonte: MILEAF, Harry

1.2.2 Força eletromotriz

Como visto, dois corpos com diferença de potencial (ou seja, que possuem cargas elétricas
diferentes), quando ligados por um condutor, equilibram suas cargas rapidamente através do fluxo de
elétrons por este condutor, cessando a corrente elétrica quando houver o equilíbrio das cargas
(quando não houver mais diferença de potencial).

Figura 16 - Símbolos de fonte de fem

26
No entanto, nos circuitos elétricos se precisa de uma corrente durante todo o tempo para alimentá-lo.
Para isso, torna-se necessário o uso de um mecanismo que reponha as cargas que foram deslocadas
de um corpo para outro, mantendo a diferença de potencial entre os corpos. Tal mecanismo é
chamado de força eletromotriz (fem), cuja unidade de medida é o Volt (V).

1.2.3 Resistência elétrica

Ao aplicar uma diferença de potencial entre os extremos de duas barras geometricamente iguais, mas
constituídas de materiais diferentes, vê-se que as correntes resultantes são diferentes. Isto se deve à
característica do material condutor chamado de resistência. Resistência elétrica é a oposição que um
material apresenta à passagem de corrente elétrica. A resistência elétrica de um condutor pode ser
determinada entre dois pontos quaisquer, aplicando-se uma diferença de potencial (E) e medindo a
corrente (I) resultante. A resistência (R) é, então,
R=E/I

Esta equação é conhecida como Lei de Ohm, em homenagem a George Simom Ohm. A unidade de
medida utilizada no Sistema Internacional para resistência elétrica é o ohm, que é representado pela
letra grega Omega (Ω).

A explicação da resistência elétrica, assim como a das outras grandezas ligadas à eletricidade, reside
na estrutura atômica da matéria. Os elétrons em movimento no condutor não possuem o caminho
livre; ou seja, eles encontram elementos que atrapalham sua movimentação, como outros elétrons e
os átomos que compõem o material. Os elétrons em movimento chocam-se constantemente com
esses elementos e, através do atrito, perdem energia (a energia é transformada em energia térmica e
luminosa, de modo que a temperatura de um condutor se eleva com a passagem de corrente, e esta
transformação de energia é conhecida como Efeito Joule), o que explica a resistência dos materiais à
passagem de corrente. As dimensões do condutor influenciam diretamente no valor de sua resistência
elétrica. Sendo o condutor cilíndrico mostrado na figura 17, com comprimento (L) e área da seção
transversal (a), sua resistência pode ser calculada pela equação R = .L/a.

Figura 17 - Resistência elétrica

27
Onde (ρ) é a resistividade específica do material, sendo que cada material possui um valor definido
para ρ facilmente encontrado em tabelas, e sua unidade é (Ω.m). O inverso da resistividade é
-1
chamado de condutividade do material, cuja unidade é (Ω.m) . O inverso da resistência é a
condutância, que é medida em Ω ou Siemens.
-1

Pode-se notar, a partir da equação, que a resistência é diretamente proporcional ao comprimento do


condutor (quanto maior o comprimento, maior a resistência), e inversamente proporcional à área da
seção do condutor (quanto maior a área, menor a resistência).

Outro fator que influencia na resistência do condutor é a temperatura. Isto se dá porque a temperatura
é o grau de agitação dos átomos. Ou seja, quanto maior for a temperatura, maior também será a
agitação dos átomos, o que dificulta a passagem dos elétrons, aumentando a resistência do condutor
à corrente. A relação entre resistência e temperatura é dada por:
R = R0(1+ . t)

Onde (R0) é a resistência do material na temperatura T0, ∆T= (T-T0) e (α) é um parâmetro do material
do qual é feito o condutor, sendo medido em °C.

O fato de a resistência elétrica de um material variar com a temperatura é usado como princípio de
medição para sensores de temperatura. Isso se dá porque, para determinados materiais, como a
platina, por exemplo, a variação da resistência elétrica é proporcional à variação de temperatura.

Os elementos que possuem este princípio de medição de temperatura são conhecidos como
termorresistências e são largamente empregados na indústria. O mais conhecido destes elementos é
o Pt-100, que é uma termorresistência de platina que, a 0°C, possui uma resistência de 100Ω.

1.3 CIRCUITOS ELÉTRICOS

Circuito elétrico é o caminho fechado por onde circula a corrente elétrica. Dependendo do efeito
desejado, o circuito elétrico pode fazer a eletricidade assumir as mais diversas formas: luz, som, calor,
movimento. O circuito elétrico mais simples que se pode montar constitui-se de três componentes,
mostrado na figura 18:
1) fonte geradora,
2) carga e
3) condutores.

28
Figura 18 – Circuito elétrico

Todo circuito elétrico necessita de uma fonte geradora, que fornece a tensão necessária à existência
de corrente elétrica. Bateria, pilha e alternador são exemplos de fontes geradoras. A carga é também
chamada de consumidor ou receptor de energia elétrica. É o componente do circuito elétrico que
transforma a energia elétrica fornecida pela fonte geradora em outro tipo de energia. Essa energia
pode ser mecânica, luminosa, térmica e sonora.

Exemplos de cargas são as lâmpadas, que transformam energia elétrica em energia luminosa, o
motor, que transforma energia elétrica em mecânica, e o rádio, que transforma energia elétrica em
sonora.

Um circuito elétrico pode ter uma ou mais cargas associadas. Os condutores são os elos de ligação
entre a fonte geradora e a carga. Servem de meio de transporte da corrente elétrica.

Uma lâmpada ligada por condutores a uma pilha é um exemplo típico de circuito elétrico simples,
formado por três componentes. A lâmpada traz em seu interior uma resistência chamada filamento.
Ao ser percorrida pela corrente elétrica, a resistência fica incandescente e gera luz, o filamento recebe
a tensão através dos terminais de ligação e, quando se liga a lâmpada à pilha, por meio de
condutores, se forma um circuito elétrico.

Os elétrons, em excesso no pólo negativo da pilha, movimentam-se pelo condutor e pelo filamento da
lâmpada em direção ao pólo positivo da pilha. Eles saem do pólo negativo, passam pela lâmpada e se
dirigem ao pólo positivo. Enquanto a pilha for capaz de manter o excesso de elétrons no pólo negativo
e a falta de elétrons no pólo positivo, haverá corrente elétrica no circuito e a lâmpada continuará
acesa. Além da fonte geradora, do consumidor e condutor, o circuito elétrico possui um componente
adicional, chamado de interruptor ou chave, cuja função é comandar o funcionamento dos circuitos
elétricos.

29
Quando aberto ou desligado, o interruptor provoca uma abertura em um dos condutores. Nesta
condição, o circuito elétrico não corresponde a um caminho fechado, porque um dos pólos da pilha
(positivo) está desconectado do circuito e não há circulação da corrente elétrica. Quando o interruptor
está ligado, seus contatos estão fechados, tornando-se um condutor de corrente contínua. Nessa
condição, o circuito é novamente um caminho fechado por onde circula a corrente elétrica.

Antes de compreender de forma mais científica a natureza do fluxo de elétrons, já se utilizava a


eletricidade para iluminação, motores e outras aplicações. Nessa época, foi estabelecido por
convenção que a corrente elétrica se constituía de um movimento de cargas elétricas que fluía do
pólo positivo para o pólo negativo da fonte geradora. Este sentido de circulação (do + para o -) foi
denominado sentido convencional da corrente. O progresso dos recursos científicos usados para
explicar os fenômenos elétricos possibilitou que se verificasse, mais tarde, que nos condutores sólidos
a corrente elétrica se constitui de elétrons em movimento do pólo negativo para o pólo positivo. Este
sentido de circulação foi denominado de sentido eletrônico da corrente. Adotado como referência para
o estudo dos fenômenos elétricos (eletrônico ou convencional), ele não interfere nos resultados
obtidos. Por isso, ainda hoje se encontram defensores de cada um dos sentidos.

Observação: Uma vez que toda a simbologia de componentes eletroeletrônicos foi desenvolvida a
partir do sentido convencional da corrente elétrica, ou seja, do (+) para o (-), as informações deste
material didático seguirão o modelo convencional: do positivo para o negativo.

Por facilitar a elaboração de esquemas ou diagramas elétricos, criou-se uma simbologia para
representar graficamente cada componente num circuito elétrico. A tabela 1 mostra alguns símbolos
utilizados e os respectivos componentes.

Tabela 1 – Símbolos de componentes elétricos

30
O esquema a seguir representa um circuito elétrico (figura 19) formado por lâmpada, condutores,
interruptor e pilha. Deve-se observar que nele a corrente elétrica é representada por uma seta
acompanhada pela letra I.

Figura 19 – Circuito elétrico Figura 20 – Circuito série

Os tipos de circuitos elétricos são determinados pela maneira como seus componentes são ligados.
Assim, existem três tipos de circuitos:
1) Circuito série: é aquele cujos componentes (cargas) são ligados um após o outro. Desse
modo, existe um único caminho para a corrente elétrica que sai do pólo positivo da fonte,
passa através do primeiro componente (R1), passa pelo seguinte (R2) e assim por diante, até
chegar ao pólo negativo da fonte. Num circuito série da figura 20, o valor da corrente é
sempre o mesmo em qualquer ponto do circuito. Isso acontece porque a corrente elétrica tem
apenas um único caminho para percorrer. Esse circuito também é chamado de dependente
porque, se houver falha ou se qualquer um dos componentes for retirado do circuito, cessará
a circulação da corrente elétrica.
2) Circuito paralelo: é aquele cujos componentes estão ligados em paralelo entre si, mostrados
na figura 21. Neste circuito, a corrente é diferente em cada ponto porque ela depende da
resistência de cada componente à passagem da corrente elétrica e da tensão aplicada sobre
ele. Todos os componentes ligados em paralelo recebem a mesma tensão.

Figura 21 – Circuito paralelo Figura 22 – Circuito misto

3) Circuito misto: nele, os componentes são ligados em série e em paralelo. No circuito misto da
figura 22, o componente R1 ligado em série, ao ser atravessado por uma corrente, causa uma
queda de tensão porque é uma resistência. Assim sendo, os resistores R2 e R3, que estão
ligados em paralelo, receberão a tensão da rede menos a queda de tensão provocada por R1.

31
1.3.1 Resistores

Resistores são componentes que formam a maioria dos circuitos eletrônicos. Eles são fabricados com
materiais de alta resistividade com a finalidade de oferecer maior resistência à passagem da corrente
elétrica. Dificilmente se encontrará um equipamento eletrônico que não use resistores.

Este subitem vai tratar dos resistores e de seu código de cores. Desse modo, você será capaz de
identificar as características elétricas e construtivas dos resistores e, também, de interpretar os
valores de resistência expressos no código de cores. Estas importantes informações serão utilizadas
no dia-a-dia de seu aprendizado de conteúdos da área eletroeletrônica. O estudo desta unidade
pressupõe o prévio conhecimento de corrente e resistência elétricas.

Resistor é um componente formado por um corpo cilíndrico de cerâmica sobre o qual é depositada
uma camada espiralada de material ou filme resistivo. Esse material determina o tipo e o valor de
resistência nominal do resistor. Ele é dotado de dois terminais colocados nas extremidades do corpo
em contato com o filme resistivo, conforme mostrado na figura 23.

Figura 23 – Resistor

Os resistores são utilizados nos circuitos eletrônicos para limitar a corrente elétrica e,
conseqüentemente, reduzir ou dividir tensões.

Resistência nominal é o valor da resistência elétrica especificada pelo fabricante. Esse valor é
expresso em ohms (Ω), em valores padronizados estabelecidos pela norma IEC - 63. Assim, por
exemplo, pode-se ter resistores de 18 Ω , 120 , 4k Ω 7, 1M Ω.

Neste curso serão empregados os valores padronizados da série E-24, ou seja, 10, 11, 12, 13, 15, 16,
18, 20, 22, 24, 27, 30, 33, 36, 39, 43, 47, 51, 56, 62, 68, 75, 82, 91.

Como esses números determinam os valores comerciais dos resistores, eles devem ser memorizados
para facilitar a identificação e especificação desses componentes. Geralmente, os valores comerciais
-1 5
de resistência nominal são encontrados multiplicando-se os números acima por 10 a 10 . Assim, um
resistor de 1 Ω= (10 x 10 ) Ω ; um resistor de 15 Ω = (15 x 10 ) Ω; um resistor de 220 Ω = (22 x 10 )Ω;
-1 0 1

e assim por diante.

32
Dependendo do tipo de resistor e de sua aplicação, a faixa de valores comerciais pode variar.
Portanto, os manuais de fabricantes devem ser consultados a fim de obter-se informações mais
específicas sobre os componentes.

Em decorrência do processo de fabricação, os resistores estão sujeitos a imprecisões em seu valor


nominal. O percentual de tolerância indica essa variação de valor que o resistor pode apresentar em
relação ao valor padronizado da resistência nominal. A diferença no valor pode ser para mais ou para
menos do valor nominal.

As diferenças situam-se em quatro faixas de valores percentuais de tolerância:


Para resistores de uso geral: Para resistores de precisão:
10% de tolerância 2% de tolerância
5% de tolerância 1% de tolerância

Observação: Empregam-se os resistores de precisão apenas em circuitos em que os valores de


resistência são críticos.

A tabela 2 traz alguns valores de resistor com o respectivo percentual de tolerância. Traz também os
limites entre os quais se situa o valor real do componente.

Tabela 2 – Valores dos resistores

A tabela indica que um resistor de 220 Ω ±5% (valor nominal), por exemplo, pode apresentar qualquer
valor real de resistência entre 232 Ω e 209 Ω.

Observação: Devido à modernização do processo industrial, os resistores estão sendo produzidos por
máquinas especiais que utilizam raios laser para o ajuste final da resistência nominal. Por isso,
dificilmente são encontrados no mercado resistores para uso geral com percentual de tolerância maior
do que ±5%.

33
Dissipação nominal de potência: o resistor pode trabalhar com os mais diversos valores de tensão e
corrente, transformando a energia elétrica (potência elétrica) em calor. É necessário, portanto, limitar
seu aquecimento para evitar sua destruição.

O resistor pode sofrer danos se a potência dissipada for maior que seu valor nominal. Em condições
normais de trabalho, esse acréscimo de temperatura é proporcional à potência dissipada. Assim, a
dissipação nominal de potência ou limite de dissipação é a temperatura que o resistor atinge sem que
sua resistência nominal varie mais que 1,5% à temperatura ambiente de 70ºC (norma IEC 115-1).

A dissipação nominal de potência é expressa em watt (W), que é a unidade de medida de potência.
Por exemplo, um resistor de uso geral pode apresentar dissipação nominal de potência de 0,33 W.
Isso significa que o valor da resistência nominal desse resistor não será maior que 1,5%, se ele
dissipar essa potência na temperatura ambiente de 70ºC.

Observação: alguns fabricantes também consideram a temperatura de superfície de 155ºC do resistor


ao especificar seu limite de dissipação; ou seja, vão além da exigência da norma.

Simbologia: observem-se na figura 24 os símbolos utilizados para representação dos resistores


segundo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), NBR 12521.

Figura 24 - Resistores

Há quatro tipos de resistores, classificados segundo sua constituição:


1) Resistor de filme de carbono,
2) Resistor de filme metálico,
3) Resistor de fio e
4) Resistor para montagem em superfície (SMR).

Cada um dos tipos tem, de acordo com sua constituição, características que o tornam mais adequado
a determinada aplicação. O resistor de filme de carbono, também conhecido como resistor de
película, apresenta formatos e tamanhos variados. Constitui-se de um corpo cilíndrico de cerâmica
que serve de base à fabricação do componente. Sobre o corpo do componente é depositada uma fina
camada de filme de carbono, que é um material resistivo. É a camada resistiva que determina a

34
resistência nominal do resistor. Os terminais, também chamados de lides de conexão, são colocados
nas extremidades do corpo do resistor em contato com a camada de carbono. Eles possibilitam a
ligação do elemento ao circuito. O corpo do resistor recebe um revestimento que dá o acabamento e
isola o filme de carbono da ação da umidade.

A figura 25 mostra um resistor em corte, no qual aparece a conexão dos terminais e o filme resistivo.

Figura 25 – Resistor em corte

No resistor de filme metálico, o material resistivo é uma película de níquel que resulta em resistores
com valores ôhmicos mais precisos, ou seja, com baixo percentual de tolerância e mais estáveis, isto
é, com baixo coeficiente de temperatura. Em virtude dessas características, esses resistores devem
ser empregados em situações que requerem precisão e estabilidade. O resistor de fio constitui-se de
um corpo de porcelana ou cerâmica sobre o qual se enrola um fio especial, geralmente de níquel-
cromo. O comprimento e seção do fio determinam o valor do resistor, que tem capacidade para operar
com valores altos de corrente elétrica e normalmente se aquece quando em funcionamento. Para
facilitar o resfriamento nos resistores que produzem grandes quantidades de calor, substituem-se os
corpos de porcelana maciça por um tubo, também de porcelana. O resistor SMR (do inglês Surface
Mounted Resistor, que quer dizer resistor montado em superfície) é constituído de um minúsculo
corpo de cerâmica com alto grau de pureza no qual é depositada uma camada vítrea metalizada
formada por uma liga de cromo-silício. Seu valor de resistência ôhmica é obtido pela variação da
composição desta camada e pelo uso do raio laser. Devido ao seu tamanho mínimo, este tipo de
resistor é mais indicado para ser fixado nos circuitos eletrônicos através de máquinas de inserção
automática. A tabela 3 resume as características desses resistores e suas aplicações.

Tabela 3 – Características dos resistores

35
Sempre que se precisar descrever, solicitar ou comprar um resistor será necessário fornecer sua
especificação completa, que deve estar de acordo com a seguinte ordem:
1) Tipo,
2) Resistência nominal,
3) Percentual de tolerância e
4) Dissipação nominal de potência.

Vejam-se alguns exemplos de especificação de resistores:


1) Resistor de filme de carbono 820 ± 5% 0,33W;
2) Resistor de filme metálico 150 ± 1% 0,4W;
3) Resistor de fio 4,7 ± 5% 10W;
4) Resistor para montagem em superfície 1k ± 5% 0,25W.

A resistência nominal, o percentual de tolerância e a dissipação nominal de potência dos resistores de


fio estão impressos no próprio corpo do componente. Nos SMRs, o percentual de tolerância e a
dissipação nominal de potência são fornecidos na embalagem do componente. No corpo está
impresso apenas o valor da resistência nominal. Nos resistores de filme, as características elétricas
estão codificadas na forma de anéis coloridos padronizados internacionalmente por meio da norma
IEC-62 (vide figura 26). A cor de cada anel e sua posição em relação aos demais anéis fornecem o
valor da resistência nominal e do percentual de tolerância. Esse tipo de codificação permite que os
valores sejam compreendidos, independentemente da posição do resistor no circuito.

Antigamente, a dissipação nominal de potência do resistor era determinada pelo tamanho físico do
resistor, porém hoje alguns fabricantes a especificam, juntamente com o tipo, por meio da cor do
revestimento do componente. Devido a isso, é essencial que o manual do fabricante seja consultado
para que se obtenha esse dado característico.

Figura 26 – Resistor Figura 27 - Resistor

Existem resistores de filme com quatro cinco e seis anéis coloridos. Para os resistores com quatro
anéis, o código de cores compõe-se de três cores para representar o valor da resistência nominal
(valor ôhmico) e uma para representar o percentual de tolerância. O primeiro anel a ser lido é aquele
que se encontra mais próximo da extremidade. Seguem-se pela ordem o segundo, o terceiro e o

36
quarto anel colorido. A cada algarismo corresponde uma cor:
0 - preto
1 - marrom
2 - vermelho
3 - laranja
4 - amarelo
5 - verde
6 - azul
7 - violeta
8 - cinza
9 – branco

O primeiro anel colorido representa o primeiro algarismo que formará o valor do resistor. Vejam-se as
figura 28, 29 e 30.

Figura 28 - Resistor Figura 29 - Resistor

Figura 30 - Resistor

Observações:
1) A primeira cor nunca é o preto.
2) O segundo anel colorido representa o segundo algarismo que forma o valor do resistor.
3) O terceiro algarismo representa a quantidade de zeros que seguem os dois primeiros
algarismos. É chamado de fator multiplicativo.

A cada quantidade de zeros corresponde uma cor:


1) Nenhum zero: preto
2) Um zero (0): marrom
3) Dois zeros (00): vermelho
4) Três zeros (000): laranja
5) Quatro zeros (0000): amarelo

37
6) Cinco zeros (00000): verde
7) Seis zeros (000000): azul

As cores violeta, cinza e branca não são encontradas no terceiro anel porque os resistores
padronizados para uso geral não alcançam valores que necessitem de 7, 8 ou 9 zeros. A seqüência
descrita corresponde a um resistor assim representado. O quarto anel colorido representa a tolerância
do resistor. A cada percentual corresponde uma cor característica. Desse modo, tem-se:
1) ±10% - prateado
2) ±5% - dourado
3) ±2% - vermelho
4) ±1% - marrom

A ausência do quarto anel indica a tolerância de ±20%.

1.3.2 Capacitores

Capacitor é o dispositivo utilizado para armazenar energia na forma de campo elétrico. Como visto
anteriormente, o campo elétrico é capaz de deslocar uma partícula carregada, realizando trabalho
sobre ela. Pelo fato de a energia ser a capacidade de realizar trabalho, há energia armazenada em
um campo elétrico. Exemplos do uso de capacitores são os capacitores microscópicos que formam os
bancos de memória dos computadores, onde os dados armazenados permanecem mesmo com o
computador desligado. Os capacitores apresentam-se em grande variedade de tamanhos e formas;
entretanto, eles possuem como elementos básicos dois condutores separados por um material
isolante. Estes condutores são chamados de placas, qualquer que seja sua geometria.

Na figura 31 (a) tem-se um capacitor convencional formado por duas placas condutoras planas e
paralelas, separadas por uma determinada distância. (b) Ao serem ligadas a uma fonte de diferença
de potencial, como uma bateria, por exemplo, as placas irão adquirir cargas iguais, mas de sinais
opostos.

Diz-se que um capacitor está carregado quando a diferença de potencial entre as placas é igual à
diferença de potencial da fonte.

Um capacitor carregado possui um campo elétrico uniforme no espaço existente entre suas placas,
como mostra a figura 31 (c).

38
(a) (b)

(c) (d)
Figura 31 - Capacitor

Ao se desligar o capacitor carregado da fonte, ele se manterá carregado (d), pois as cargas não
conseguem passar pelo espaço vazio existente entre as placas. Desta forma, o capacitor possui
energia armazenada na forma de campo elétrico.

Para utilizar a energia armazenada em um capacitor carregado, basta ligar as duas placas através de
um condutor, que permitirá um caminho para que as placas equilibrem sua carga, o que pode ser
visto na figura 32.

Figura 32 - Descarga do capacitor

A carga q que um capacitor pode adquirir é proporcional à diferença de potencial V a qual ele é
submetido:
q = CV

A constante C, que faz a proporção entre a carga q adquirida e a diferença de potencial V aplicada, é
chamada de capacitância. A unidade SI de capacitância, conforme a equação acima, é o Coulomb por
volt. Esta unidade ocorre tão freqüentemente que lhe é dado um nome especial, o farad (F):
1 farad = 1F = 1 C/V

39
Como se pode ver na equação, quanto maior é a capacitância de um dispositivo, mais carga ele
consegue acumular com uma mesma diferença de potencial. Preenchendo o espaço entre as placas
de um capacitor com um material dielétrico (material isolante), aumenta-se sua capacitância. A
relação que temos para este fato é:
C = KC0

Onde C0 é a capacitância no capacitor a vácuo, C é a capacitância com o dielétrico e K é um fator


numérico chamado de constante dielétrica, que depende do material usado como dielétrico.

Parâmetros que influenciam na capacitância de um capacitor:


1) Formato do capacitor,
2) Material usado como dielétrico,
3) Distância entre as placas (quanto menor a distância, maior a capacitância) e
4) Área das placas (quanto maior a área, maior a capacitância).

Quando existe uma combinação de capacitores em um circuito, pode-se, algumas vezes, substituí-la
por um capacitor com capacitância equivalente. Essa substituição muitas vezes simplifica o circuito,
facilitando os cálculos das grandezas desconhecidas nele.

Figura 33 - Associação em paralelo

Na figura 33 vê-se uma associação de capacitores em paralelo (C1, C2 e C3) ligados a uma fonte de
diferença de potencial V. Neste tipo de associação, a capacitância equivalente é dada pela equação:
Ceq = C1+C2+C3

No caso de n capacitores associados em paralelo, a equação será:


Ceq = C1+C2+...Cn

Para associações com n capacitores em série, como mostra a figura 34, a capacitância equivalente é
dada pela equação:
1
Ceq =
1 1 1
+ + ... +
C1 C 2 Cn

40
Figura 34 - Associação em série

1.3.3 Indutância

Antes de falar em indução eletromagnética, precisa-se estabelecer um parâmetro que seja usado para
medir a concentração das linhas de campo em uma determinada região do espaço. Este parâmetro é
chamado de fluxo magnético e é definido em termos da intensidade de um campo magnético
atravessando uma superfície, bem como a orientação do campo em relação a esta superfície. A
expressão usada para calcular fluxo magnético ( ) é:
= B.A.cos ß

onde B é a intensidade do campo magnético, A é a área da superfície que ele atravessa e θ é o


ângulo entre as linhas de campo e a direção perpendicular ao plano da superfície.

A unidade usada no sistema internacional para medir fluxo magnético é o weber, que á representado
por Wb.

Sabe-se que uma corrente elétrica percorrendo um condutor gera um campo magnético no espaço ao
redor dele. Por simetria, é possível fazer a pergunta: Um campo magnético pode gerar uma corrente
elétrica em um condutor?

Para responder a esta pergunta foram feitos vários experimentos, até que o físico inglês Michael
Faraday, ao realizar um experimento simples, percebeu um fator de fundamental importância para o
que foi posteriormente chamado de indução eletromagnética. Ele percebeu que não é a presença de
um campo magnético que provoca corrente em um condutor, mas sim, que a variação do fluxo
magnético induz uma corrente no condutor. Lembrando que, para manter uma corrente em um
condutor se precisa de uma força eletromotriz, o enunciado da Lei da indução de Faraday pode ser
escrito como: “Toda vez que um condutor estiver sujeito a uma variação de fluxo magnético, nele
aparece uma fem induzida, enquanto o fluxo estiver variando”.

41
Matematicamente, a expressão da Lei da indução de Faraday ( ε ) é:
∆Φ
ε = −N
∆t

onde (∆Φ) é a variação do fluxo magnético em um certo intervalo de tempo (∆t) e (N) é o número de
espiras através dos quais o fluxo está variando. Quanto maior o número de espiras, maior a fem
induzida.

A Lei da Indução de Faraday é aplicada nos geradores de corrente alternada, que serão vistos no
próximo capítulo. Ela diz que, quando um condutor for sujeito a uma variação de fluxo magnético, uma
corrente elétrica induzida aparece nele enquanto o fluxo estiver variando.

Após Faraday ter formulado a Lei da Indução, surgiu a necessidade de uma regra para a
determinação do sentido da corrente induzida. Foi quando Heinrich Friedrich Lenz formulou a lei que
recebeu seu nome, que determina o sentido da corrente induzida numa espiral condutora fechada da
seguinte forma: “Uma corrente induzida surgirá numa espira condutora fechada com um sentido tal
que ela se oporá à variação que a produziu”.

Figura 35 - Lei de Lenz


Fonte: GUSSOW, Milton

A Lei de Lenz explica o sinal negativo usado na Lei de Faraday, que é devido à oposição mostrada na
figura 35. Sabe-se que uma corrente elétrica percorrendo um condutor gera em torno dele um campo
magnético. Este campo magnético pode influenciar no próprio circuito em que o condutor está contido,
o que se chama de auto-indução. O fluxo magnético ( ) auto-induzido em um circuito é dado pela
equação:
=Li

42
Nela, (L) é uma característica do circuito denominada indutância. Quanto maior a indutância de um
circuito, maior o fluxo auto-induzido neste para um mesmo valor de corrente elétrica (i). A unidade
usada no SI para indutância é denominada Henry (H), em homenagem ao físico americano Joseph
Henry:
1 henry = 1 T.m2/A = 1H

Há elementos que são usados em circuitos elétricos para gerar indutância e são chamados de
indutores. Pode-se dizer que os indutores estão relacionados com o campo magnético assim como os
capacitores estão relacionados com o campo elétrico. Ou seja, os capacitores têm capacidade de
armazenar campo elétrico, e os indutores têm capacidade de armazenar campo magnético.

Figura 36 - Desenho simbólico de um indutor


Fonte: GUSSOW, Milton

Considerando que uma corrente em um circuito gera um campo magnético e um fluxo auto-induzido,
ao variar a corrente se estará variando o campo e, por conseqüência, o fluxo auto-induzido. Então,
toda vez que se varia o fluxo, surge no circuito uma tensão auto-induzida, que é dada pela equação:

∆Φ ∆i
ε= = −L
∆t ∆t

O sinal negativo vem da Lei de Lenz, que diz que a tensão induzida se opõe às causas que a criaram.
Assim, ao se ligar o circuito, a tensão auto-induzida opõe-se à corrente elétrica (que é o que está
criando a tensão). Com isso, medindo-se a corrente do circuito, ela não saltará do zero para seu valor
máximo instantaneamente, mas aumentará suavemente até vencer a tensão auto-induzida no circuito.
Da mesma forma, ao se desligar a corrente, ela não desaparecerá instantaneamente, porque agora a
tensão auto-induzida se opõe ao seu desaparecimento, fazendo com que a corrente também termine
suavemente.

1.4 POTÊNCIA ELÉTRICA CC

Certos conceitos da física já fazem parte do cotidiano. Quando se opta, por exemplo, por uma
lâmpada de menor potência para gastar menos energia elétrica, se está aplicando um conceito da
física chamado potência. O conceito potência está diretamente ligado à idéia de força, produção de
som, calor, luz e, até mesmo, ao gasto de energia.

43
A fonte de tensão em um circuito elétrico tem a função de fornecer energia elétrica à carga para que
ela realize trabalho. A quantidade de trabalho executado pela carga depende da quantidade de
energia fornecida a ela e da velocidade com que ela utiliza essa energia. Ou seja, com a mesma
quantidade de energia algumas cargas realizam mais trabalho do que outras, no mesmo intervalo de
tempo. Potência é justamente o trabalho por unidade de tempo, ou a velocidade com que uma carga
pode realizar trabalho.

Para o cálculo da potência elétrica (P) de uma carga sob uma diferença de potencial (V) e
consumindo uma corrente (I) usa-se a equação:
P = VxI

A unidade de potência elétrica usada no Sistema Internacional é o watt, que é representado pela letra
W, sendo que um watt é o trabalho de um joule por segundo:
[W] = 1 J/s

Estudando esta unidade sobre a potência elétrica em CC, você terá oportunidade de aprender como
se determina a potência dissipada por uma carga ligada a uma fonte de energia elétrica. Para
desenvolver satisfatoriamente os conteúdos e atividades aqui apresentadas, você deverá conhecer
resistores e Lei de Ohm.

Ao passar por uma carga instalada em um circuito, a corrente elétrica produz, entre outros efeitos,
calor, luz e movimento. Esses efeitos são denominados trabalho. O trabalho de transformação de
energia elétrica em outra forma de energia é realizado pelo consumidor ou pela carga. Ao transformar
a energia elétrica, o consumidor realiza um trabalho elétrico.

O tipo de trabalho depende da natureza do consumidor de energia. Um aquecedor, por exemplo,


produz calor; uma lâmpada, luz; um ventilador, movimento.

A capacidade de cada consumidor produzir trabalho, em determinado tempo, a partir da energia


elétrica, é chamada de potência elétrica, representada pela seguinte fórmula:
P = /t

Onde P é a potência; (lê-se “tal”) é o trabalho e t é o tempo.

Para dimensionar corretamente cada componente no circuito elétrico, é preciso conhecer sua potência.

44
Os circuitos elétricos são montados visando ao aproveitamento da energia elétrica. Neles, a energia
elétrica é convertida em calor, luz e movimento. Isso significa que o trabalho elétrico pode gerar os
seguintes efeitos:
1) Efeito calorífico - Nos fogões, chuveiros e aquecedores a energia elétrica converte-se em
calor.
2) Efeito luminoso - Nas lâmpadas ela se converte em luz (e também uma parcela em calor).
3) Efeito mecânico - Os motores convertem energia elétrica em força motriz, ou seja, em
movimento.

Analisando um tipo de carga como as lâmpadas, por exemplo, vê-se que nem todas produzem a
mesma quantidade de luz: algumas produzem grandes quantidades, e outras, pequenas quantidades.
Da mesma forma, existem aquecedores que fervem um litro de água em 10 min e outros que o fazem
em apenas 5 min. Tanto um quanto o outro realizam o mesmo trabalho elétrico, o de aquecer um litro
de água à temperatura de 100ºC; a diferença é que um deles é mais rápido, realizando o trabalho em
menor tempo.

A partir da potência, é possível relacionar trabalho elétrico realizado e tempo necessário para sua
realização.

Potência elétrica é a capacidade de realizar um trabalho numa unidade de tempo, a partir da energia
elétrica. Assim, pode-se afirmar que são de potências diferentes:
1) As lâmpadas, que produzem intensidade luminosa diferente,
2) Os aquecedores, que levam tempos diferentes para ferver uma mesma quantidade de água; e
3) Os motores de elevadores (grande potência) e de gravadores (pequena potência).

Unidade de medida da potência elétrica – A potência elétrica é uma grandeza e, como tal, pode ser
medida. A unidade de medida da potência elétrica é o watt, simbolizado pela letra W.

Um watt (1W) corresponde à potência desenvolvida no tempo de um segundo em uma carga,


alimentada por uma tensão de 1V, na qual circula uma corrente de 1A.

A potência elétrica (P) de um consumidor depende da tensão aplicada e da corrente que circula nos
seus terminais. Matematicamente, essa relação é representada pela seguinte fórmula:
P = V. I.

Nela, V é a tensão entre os terminais do consumidor expressa em volts (V), I é a corrente circulante
no consumidor expressa em ampères (A) e P é a potência dissipada expressa em watts (W).

45
Exemplo: Uma lâmpada de lanterna de 6 V solicita uma corrente de 0,5 A das pilhas. Qual a potência
da lâmpada? Formulando a questão, temos:
V = 6V tensão nos terminais da lâmpada
I = 0,5A corrente através da lâmpada
P=?
Como P = V. I
P = 6 . 0,5 = 3W
Portanto, P = 3W.

1.5 POTÊNCIA ELÉTRICA CA

Além da tensão e da corrente, a potência é um parâmetro muito importante para o dimensionamento


dos diversos equipamentos elétricos. Estudar-se-á a potência em corrente alternada em circuitos
monofásicos, o fator de potência e suas unidades de medida.

Para aprender esse conteúdo com mais facilidade, você precisará ter conhecimentos anteriores sobre
corrente alternada, comportamento de indutores e capacitores em CA.

Como já visto, a capacidade de um consumidor de produzir trabalho em um determinado tempo, a


partir da energia elétrica, é chamada de potência elétrica. Em um circuito de corrente contínua, a
potência é dada em watts, multiplicando-se a tensão pela corrente.

Figura 37 - Desenho simbólico de um indutor

O cálculo apresentado a seguir é válido não só para CC, mas também para CA, quando os circuitos
são puramente resistivos.

I = (U/R) = (100/10) = 10A


P = U.I = 100.10 = 1000W
onde I é a corrente, R é a resistência, U é a tensão e P é a potência.

46
Todavia, quando se trata de circuitos de CA com cargas indutivas e/ou capacitivas, ocorre uma
defasagem entre tensão e corrente. Isso nos leva a considerar três tipos de potência:
1) potência aparente (S);
2) potência ativa (P);
3) potência reativa (Q).

Potência aparente (S) é o resultado da multiplicação da tensão pela corrente. Em circuitos não
resistivos em CA, essa potência não é real, pois não considera a defasagem que existe entre tensão e
corrente. A unidade de medida da potência aparente é o volt-ampère (VA).

Exemplo de cálculo: determinar a potência aparente do circuito a seguir.

Figura 38 – Cálculo circuito série

A potência ativa (P), também chamada de potência real, é a potência verdadeira do circuito, ou seja, a
que realmente produz trabalho. Ela é representada pela notação (P), pode ser medida diretamente
através de um wattímetro e sua unidade de medida é o watt (W). No cálculo da potência ativa deve-se
considerar a defasagem entre as potências, através do fator de potência (cos ), que determina a
defasagem entre tensão e corrente. Assim, a fórmula para esse cálculo é:
1) P = U. I. cos
2) S = U. I = 100. 5 = 500
3) S = 500 VA

Exemplo de cálculo: determinar a potência ativa do circuito a seguir considerando cos = 0,8.

Figura 39 – Circuito

47
P = U. I. cos = 100 . 5 . 0,8 = 400
P = 400 W

Observação: O fator cos (cosseno do ângulo de fase) é chamado de fator de potência do circuito,
pois determina qual a porcentagem de potência aparente é empregada para produzir trabalho.

O fator de potência é calculado por meio da seguinte fórmula:


cos = P/S

No circuito do exemplo acima, a potência ativa é de 400 W e a potência aparente é de 500 VA. Assim,
o cos é: cos = (P/S) = (400/500) = 0,8.

A concessionária de energia elétrica especifica o valor mínimo do fator de potência em 0,92, medido
junto ao medidor de energia. O fator de potência deve ser o mais alto possível, isto é, próximo da
unidade (cos = 1). Assim, com a mesma corrente e tensão, consegue-se maior potência ativa, a que
produz trabalho no circuito.

Potência reativa (Q) é a porção da potência aparente que é fornecida ao circuito. Sua função é
constituir o circuito magnético nas bobinas e um campo elétrico nos capacitores. Como os campos
aumentam e diminuem acompanhando a freqüência, a potência reativa varia duas vezes por período
entre a fonte de corrente e o consumidor.

A potência reativa aumenta a carga dos geradores, dos condutores e dos transformadores, originando
perdas de potência nesses elementos do circuito. A unidade de medida da potência reativa é o volt-
ampère reativo (VAr), e é representada pela letra (Q). A potência reativa é determinada por meio da
seguinte expressão:
Q = S. sen

Exemplo de cálculo: determinar a potência reativa do circuito a seguir.

Figura 40 – Circuito

48
Primeiramente, verifica-se na tabela o valor do ângulo e o valor do seno desse ângulo:
Arc cos 0,8 = 36º 52'
sen 36º 52' = 0,6

Triângulo das potências - As equações que expressam a potência ativa, a aparente e a reativa podem
ser desenvolvidas geometricamente em um triângulo retângulo chamado de triângulo das potências.
Assim, se duas das três potências são conhecidas, a terceira pode ser determinada pelo teorema de
Pitágoras.

Exemplo: Determinar a potência aparente, a ativa e a reativa de um motor monofásico alimentado por
uma tensão de 220 V, com uma corrente de 3,41 A circulando e tendo um cos = 0,8.

Potência aparente:
S = V. I = 220 V. 3,41= 750 VA.

Potência ativa:
P = V. I. cos = 220 x 3,41 x 0,8
P = 600 W

Potência reativa:

1.6 ELETROMAGNETISMO

Ao verificar um condutor percorrido por uma corrente elétrica, constata-se que nele existe um fluxo
orientado de elétrons que, por sua vez, produzirá um campo magnético em torno deste condutor.
Desta forma, constata-se que: “A corrente elétrica percorrendo um condutor produz um campo
magnético denominado campo eletromagnëtico ao redor deste condutor”.

Este fenômeno foi descoberto por Hans Öersted, que percebeu um desvio na posição do ponteiro de
uma bússola quando uma corrente elétrica circulava num fio condutor localizado próximo dela. A
experiência realizada no início do século XIX está mostrada na figura 41.

49
Figura 41 - Experiência de Öersted

Quando a chave está aberta, ou seja, quando não há corrente elétrica percorrendo o circuito, a
bússola permanece alinhada ao campo magnético da terra. Porém ao fechar a chave fazendo com
que a corrente percorra o circuito, nota-se um desvio no ponteiro da bússola, que fica orientado
perpendicularmente ao fio condutor.

O eletromagnetismo representa o magnetismo produzido pela passagem da corrente elétrica em um


condutor. A intensidade do campo será tanto maior quanto maior for a corrente que atravessa o
condutor, como mostra a figura 42.

Figura 42 - Campo magnético em torno de um condutor


Fonte: GUSSOW, Milton

As linhas de campo magnético produzido pela corrente elétrica que percorre um fio podem ser vistas
colocando-se limalha de ferro em uma folha de papel cujo plano é perpendicular ao fio. As linhas são
circunferências centradas no fio, como mostra a figura, de modo que, quanto mais distante do fio,
menor a intensidade do campo magnético. A regra usada para saber o sentido das linhas de campo
magnético ao redor de um fio condutor foi formulada pelo físico francês André Marie Ampère. Nesta
regra, envolve-se o condutor com a mão direita; o dedo polegar aponta para o sentido da corrente
(convencional), enquanto os demais dedos apontam no sentido das linhas de campo magnético. Esta
regra é conhecida como regra da mão direita.

Na figura 43 vê-se: (a) um fio condutor perpendicular à página onde a corrente que o percorre sai da
folha. Segundo a regra da mão direita, apontando o polegar para fora da página (sentido da corrente),
se verá a direção das linhas de campo, como mostra a figura; (b) um fio condutor perpendicular à
página onde a corrente que o percorre entra na folha. Também pela regra da mão direita vê-se o

50
sentido das linhas de campo, como mostra a figura 43(b).

Figura 43 - Campo magnético em condutor

Em torno de um condutor, o módulo do campo magnético a uma distância perpendicular r de um fio


retilíneo longo, transportando uma corrente I, é dado por:
B = (µ0I) / (2 .r)

É preciso tomar cuidado na equação, porque r é a distância perpendicular entre o fio e o ponto onde B
vai ser medido, e a constante µ0 é a constante de permeabilidade no vácuo, e vale 1,26x10 H/m. No
-6

caso de uma espira, a regra da mão direita se altera, de modo que o polegar indica o sentido das
linhas de campo magnético (pólo norte) e os demais dedos apontam no sentido da corrente.

A fórmula usada para calcular a intensidade do campo é:


B = (µ0I) / (2R), onde R é o raio da espira.

O interior de um solenóide, mostrado na figura 44, é um conjunto de espiras com uma só camada.
Sendo assim, a regra da mão direita usada para as espiras também é usada para solenóides. O
campo magnético resultante no interior de um solenóide é grande devido ao fato de os campos
formados em cada espira se somarem, intensificando o campo.

Figura 44 - Solenóide
Fonte: KRAUS, John D.

Considerando um solenóide com um comprimento bem maior que seu diâmetro, pode-se dizer que o
campo magnético é constante em seu interior. A intensidade deste campo é dada por:
B = (µ0NI) / (I), onde N é o número de espiras do solenóide, I é a corrente e l é o comprimento do
solenóide. No exterior do solenóide o campo é considerado nulo.

51
A partir da fórmula dada, vê-se, para conseguir maior intensidade do campo magnético, a possibilidade
de aumentar o número de voltas do condutor (espiras), aumentar a corrente elétrica ou diminuir o
comprimento do solenóide. Outro fator usado para aumentá-la é introduzir no interior do solenóide um
núcleo de ferro que diminua a dispersão do campo magnético produzido.

Os solenóides são encontrados em diversos equipamentos utilizados na indústria como, por exemplo,
em válvulas de bloqueio, nas quais há uma bobina (solenóide) com o atuador posicionado em seu
centro, de modo que, quando a bobina é energizada, o campo magnético criado em seu centro atrai o
atuador, permitindo a passagem do fluido. Estas válvulas são válvulas de segurança, pois, em caso
de queda de energia (falta de luz), o campo magnético desaparece, liberando o atuador e bloqueando
a passagem do fluido, o que evita alguma condição insegura de operação do sistema.

Em disjuntores, que são elementos de proteção contra altas correntes, encontramos solenóides na
função de atuador. Neste caso quando a corrente que circula no solenóide do disjuntor ultrapassar um
valor determinado, o campo magnético criado atrai um dispositivo que abre o circuito e interrompe a
passagem da corrente elétrica.

Figura 45 - Regra da mão direita para um solenóide


Fonte: GUSSOW, Milton

Sabendo que um fio condutor sendo percorrido por uma corrente gera um campo magnético no
espaço ao seu redor, ao se colocar este condutor em um local onde já exista um campo magnético
externo haverá uma interação entre o campo externo e o campo gerado pela corrente que atravessa o
condutor. Esta interação se traduz em uma força magnética que atua sobre o fio condutor, e sua
intensidade é dada por:
Fm = B0ilsen

Onde B0 é a intensidade do campo magnético externo (não o causado pela corrente), i é a corrente
que percorre o condutor, l é o comprimento deste e θ é o ângulo formado entre a corrente e as linhas
do campo magnético externo (B0). Neste caso, a regra da mão direita (figura 45) é usada para saber o
sentido da força, sendo que o dedo indicador aponta no sentido da corrente, o dedo médio
(perpendicular ao dedo indicador) aponta no sentido das linhas do campo magnético externo e o

52
polegar fornece a direção e o sentido da força magnética.

Dois fios condutores longos e paralelos, transportando correntes, exercem forças um sobre o outro. A
figura 46 mostra dois desses fios, separados por uma distância d e transportando as correntes ia e ib.
O fio a produz um campo magnético Ba. O módulo de Ba no local em que se encontra o fio b, de
acordo com a equação usada para calcular o módulo do campo em torno de um condutor, é:
Ba = (µ0ia) / (2 d)

A regra da mão direita nos dá que, no fio b, Ba aponta para baixo. O fio b, que transporta a corrente ib,
encontra-se imerso nesse campo magnético externo Ba. Um comprimento L do fio experimentará uma
força magnética, dada pela equação vista no último tópico, cujo módulo é:
Fba = (µ0Libia) / (2 d)

Figura 46 - Força magnética entre condutores

Esta é a equação da intensidade da força magnética trocada entre dois fios condutores percorridos,
cada um, por uma corrente (ib e ia) e com uma distância d entre eles. Utilizando a regra da mão
direita, é fácil demonstrar que dois fios condutores percorridos por correntes:
1) paralelas e de mesmo sentido se atraem e
2) paralelas e com sentido contrário se repelem.

1.6.1 Transformadores

Um transformador é composto por um núcleo de aço e duas ou mais bobinas condutoras. Um dos
enrolamentos (bobinas) é ligado a uma fonte de corrente alternada e chamado de primário, enquanto

53
o outro enrolamento, chamado de secundário, é ligado ao circuito que se quer alimentar. O esquema
de um transformador é mostrado na figura 47.

Figura 47 - Transformador

O funcionamento de um transformador é baseado na indução eletromagnética. A corrente alternada


que circula pelo enrolamento primário cria nele um campo magnético. Como a intensidade da corrente
varia, este campo também varia a intensidade. A variação da intensidade do campo magnético resulta
em uma variação do fluxo magnético. O campo criado no primário chega ao enrolamento secundário
e, devido à variação do fluxo magnético que atravessa o enrolamento secundário, surge nele uma
corrente induzida, como se viu na Lei de Faraday.

Nota-se que, se a intensidade de corrente fosse constante, não haveria variação do fluxo magnético
e, com isso, não haveria uma corrente induzida no secundário do transformador. Ou seja, os
transformadores não são utilizados para corrente contínua.

A relação entre a tensão V1 no enrolamento primário e a tensão V2 induzida no secundário é:


(V1/V2)=(n1/n2)

Onde n1 é o número de espiras no enrolamento primário e n2 é o número de espiras no enrolamento


secundário.

Se n2 > n1, a tensão no secundário é maior que a tensão no primário e o transformador é considerado
um elevador de tensão. Do contrário, se n1 > n2, o transformador é considerado um rebaixador de
tensão, porque a tensão no secundário é menor do que a tensão no primário. Os transformadores
reais apresentam perdas no cobre e perdas no núcleo. A perda no cobre se dá pela potência perdida
nos enrolamentos do primário e do secundário devido à sua resistência elétrica. As perdas no núcleo
têm origem em dois fatores: perda por histerese e perda por correntes parasitas. A perda por
histerese refere-se à energia perdida pela inversão do campo magnético no núcleo: à medida que a
corrente alternada de magnetização aumenta, diminui e muda de sentido. A perda por correntes
parasitas resulta das correntes induzidas que circulam no material do núcleo.

54
Quanto menor é o transformador, maior é a perda que ocorre nele, sendo que ela pode chegar a
valores em torno de 20%. Nos transformadores maiores, como os utilizados na distribuição de
energia, por exemplo, as perdas são relativamente baixas, ficando em torno de 3%. Para os cálculos
será usado um transformador ideal, ou seja, que não possui perdas. Com isso, diz-se que a potência
no enrolamento primário é a mesma do enrolamento secundário do transformador, chegando-se com
isso à seguinte relação:
(V1i1)=(V2i2)

As grandes perdas no transporte de energia elétrica se dão devido ao efeito Joule, que, como já foi
mencionado, é a produção de calor com a circulação de corrente em um condutor devido aos choques
que acontecem entre os elétrons livres que formam a corrente e os átomos e elétrons do material
condutor. Tem-se, então, que as perdas de energia se dão pela corrente elétrica transportada; ou
seja, quanto maior for a corrente transportada, maior será a energia dissipada (perdida).

Com um transformador é possível reduzir a corrente elétrica, aumentando a tensão no secundário, de


modo que o transporte de energia se dá com alta tensão e baixa corrente elétrica. Como a corrente é
baixa, as perdas de energia são pequenas, o que torna o transporte mais viável. Por isso é usada
corrente alternada pelas distribuidoras de energia, uma vez que ela possibilita o uso de
transformadores tanto para elevar a tensão, diminuindo as perdas, quanto para distribuir a energia
com diversos valores de tensão, dependendo da necessidade do consumidor.

1.7 BATERIA ELÉTRICA

A existência de tensão é imprescindível para o funcionamento dos aparelhos elétricos. Para que eles
funcionem, foram desenvolvidos dispositivos capazes de criar um desequilíbrio elétrico entre dois
pontos, dando origem a uma tensão elétrica.

Genericamente, esses dispositivos são denominados fontes geradoras de tensão. Pilhas, baterias ou
acumuladores e geradores são exemplos desse tipo de fonte. As pilhas são fontes geradoras de
tensão constituídas por dois tipos de metais mergulhados em um preparado químico. Esse preparado
químico reage com os metais, retirando elétrons de um e levando-os para o outro. Um dos metais fica
com potencial elétrico positivo, e o outro, com potencial elétrico negativo. Entre os dois metais
existem, portanto, uma ddp ou uma tensão elétrica.

55
Figura 48 - Pilha Figura 49 - Pilha

Figura 50 – Esquema das polaridades de uma pilha

A figura 50 representa esquematicamente as polaridades de uma pilha em relação aos elétrons. Pela
própria característica do funcionamento das pilhas, um dos metais torna-se positivo e o outro
negativo. Cada um dos metais é chamado pólo. Portanto, as pilhas dispõem de um pólo positivo e um
pólo negativo. Esses pólos nunca se alteram, o que faz com que a polaridade da pilha seja invariável.

Daí a tensão fornecida chamar-se tensão contínua ou tensão CC, que é a tensão elétrica entre dois
pontos de polaridades invariáveis. A tensão fornecida por uma pilha comum não depende de seu
tamanho pequeno, médio ou grande nem de sua utilização nesse ou naquele aparelho. É sempre uma
tensão contínua de aproximadamente 1,5V. O carregador de bateria tem como função carregar
bancos de baterias adicionais de grandes capacidades em Ah, onde o no-break, em sua versão
original, normalmente não carrega.

A corrente de recarga deverá equivaler a 10% da capacidade em Ah do banco de baterias,


objetivando recarga de 80% de sua capacidade total em aproximadamente 9 horas. Se a corrente de

56
recarga for maior que 10%, o tempo de recarga diminuirá. Recomenda-se que a corrente de recarga
não ultrapasse a 20% da capacidade nominal do banco de baterias, sob o risco de danificá-las. A
corrente de recarga deverá equivaler a 10% da capacidade em Ah do banco de baterias, objetivando
recarga de 80% de sua capacidade total em aproximadamente 9 horas. Se a corrente de recarga for
maior que 10%, o tempo de recarga diminuirá. Recomenda-se que a corrente de recarga não
ultrapasse a 20% da capacidade nominal do banco de baterias, sob o risco de danificá-las.

Existem dois tipos de no-break, o on-line e o off-line. Line refere-se ao uso da bateria. Ou seja, no no-
break on-line, a bateria está constantemente funcionando, isto é, a corrente que vem da tomada
passa sempre pela bateria que alimenta os componentes. Isso significa que em nenhuma possibilidade
haverá desestabilidade do fornecimento, ao contrário do no-break off-line, onde a bateria é acionada
somente quando há um corte do fornecimento e, no intervalo em que o no-break off-line detecta esse
corte e aciona a bateria, pode prejudicar o micro.

Outro aspecto importante é a autonomia dos no-breaks. Autonomia é o tempo que a bateria do no-
break consegue fornecer energia para o PC. Depois de um corte de fornecimento pela tomada, um
no-break de autonomia de 20 a 30 min é o bastante. Para manter uma corrente autônoma de energia
para os equipamentos, o no-break armazena a energia em suas baterias. A forma como ele age em
uma situação de falta de energia é o que determina seu tipo: off-line, line-interactive e on-line.

No no-break line-interactive, ocorrendo falta da alimentação, uma série de capacitores fornece energia
para o equipamento para realizar uma transferência suave da rede elétrica para a bateria. Esse tipo
de equipamento apresenta uma tecnologia mais confiável e com um preço intermediário entre as
categorias de no-breaks.

Com base na soma da carga dos equipamentos, medida em watts (W), incluindo o PC, monitor,
impressora etc., é possível saber qual a capacidade necessária para que o no-break funcione sem
sobrecarga. Basta multiplicar o consumo total de energia dos equipamentos (em volt-ampère) e
acrescentar uma margem de segurança de, por exemplo, 30% para chegar à potência especificada
pelo no-break. Caso o consumo do equipamento venha especificado em watts, ele deve ser
multiplicado pelo fator de potência (específico de cada equipamento ou usando um valor médio de
1,55) e, depois, pela margem de segurança.

57
58
2 ELETRÔNICA APLICADA

2.1 COMPONENTES ELETRÔNICOS

Para falar de componentes eletrônicos, faz-se necessário desenvolver um capítulo de materiais


chamados de semicondutores, em que se baseia toda a evolução da eletrônica. E para melhor
entendimento sobre semicondutores, se teriam que resgatar as definições de condutores e isolantes.

Condutores são materiais que possuem os elétrons da camada de valência fracamente ligados ao
núcleo, podendo facilmente ser dele deslocados. Sendo assim, os elétrons da camada de valência de
todos os átomos facilmente se deslocarão sob a ação de um campo elétrico criado por uma diferença
de potencial aplicada, originando uma corrente elétrica no material.

Os isolantes: nesses materiais, os elétrons da camada de valência são rigidamente ligados ao núcleo.
Por isso, é necessária uma diferença de potencial muito forte para deslocar os elétrons de seus
átomos e criar uma corrente elétrica, o que os torna maus condutores de eletricidade.

Entre os dois grandes grupos de materiais, condutores e isolantes, encontra-se um grupo de materiais
conhecidos como semicondutores, que apresentam resistividade maior que a dos condutores e menor
que a dos isolantes. Como exemplos citam-se o silício e o germânio.

Os dispositivos semicondutores são considerados a peça mais importante na revolução ocorrida na


microeletrônica, a partir da criação do transistor.

2.1.1 Diodo

O diodo é formado por dois tipos de materiais semicondutores, um do tipo P, outro do tipo N.

O símbolo usado para representar o diodo está mostrado na figura 51, com a indicação do pólo em
que está o material do tipo P e o pólo em que está o material do tipo N.

59
Figura 51 - Diodo semicondutor
Fonte: Eletrônica Básica – Diodo semicondutor

A aplicação de uma tensão contínua externa, por exemplo, por meio de uma bateria, pode ser feita de
duas maneiras: o pólo positivo da bateria ligado ao material tipo P, o que se chama de polarização
direta do diodo, e o pólo positivo da bateria ligado ao material tipo N, que se chama de polarização
inversa do diodo.

A polarização direta permite que o diodo conduza eletricidade facilmente, oferecendo uma resistência
baixa. Por outro lado, na polarização inversa, o diodo oferece uma alta resistência, impedindo a
passagem de corrente elétrica por ele, ambos os casos estão mostrados na figura 52.

Figura 52 - Polarização do diodo


Fonte: Eletrônica Básica – Diodo semicondutor.

Retificação é o nome dado ao processo de transformação de corrente alternada para corrente contínua.

O circuito retificador mais simples é o chamado “retificadores de meia onda”, que emprega apenas um
diodo semicondutor e está mostrado na figura 53, a seguir.

A denominação “meia onda” tem origem no fato de que este circuito aproveita apenas um semiciclo
da tensão alternada de entrada. A tensão presente na saída de um circuito retificador de meia onda é
denominada corrente contínua pulsante, porque existe durante um período e inexiste durante outro.

60
Figura 53 - Retificação de meia onda
Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de meia onda.

A tensão contínua média na saída do circuito (medida com um multímetro) é mais baixa que a tensão
aplicada à entrada. A retificação de meia onda apresenta alguns inconvenientes, que fazem com que
sua aplicação seja muito restrita. Entre eles, pode-se citar a tensão de saída pulsante (e não tensão
contínua pura) e o rendimento baixo em relação à tensão eficaz de entrada.

A retificação de onda completa com diodos semicondutores é um processo de conversão de corrente


alternada em corrente contínua que faz um aproveitamento dos dois semiciclos da tensão de entrada,
como está mostrado na figura 54.

Figura 54 - Retificação de onda completa


Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa.

A retificação de onda completa com diodos semicondutores pode ser realizada de duas maneiras:
1) empregando um transformador com derivação central e dois diodos e
2) empregando quatro diodos ligados em ponte.

Retificação de onda completa com derivação central é a denominação técnica do circuito retificador
de onda completa que emprega dois diodos e um transformador com derivação central, como
mostrado na figura 55.

O princípio de funcionamento deste tipo de circuito pode ser facilmente compreendido quando se
considera cada um dos semiciclos da tensão de entrada isoladamente.

No primeiro semiciclo, conforme mostrado na figura 56, verifica-se que o diodo D1 é polarizado
diretamente, conduzindo, enquanto o diodo D2 é polarizado inversamente, entrando em bloqueio.

61
Figura 55 - Retificação de onda completa com derivação Figura 56 - Retificação de onda completa com derivação
central central
Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa. Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa.

A condição de condução de D1 permite a circulação de corrente através da carga do terminal positivo


para o terminal de referência (central), conforme a figura 57. A tensão aplicada à carga é a tensão
existente entre o terminal central do secundário e o extremo superior do transformador. Ela se
mantém durante todo o semiciclo. No segundo semiciclo da tensão de entrada ocorre uma inversão
na polaridade do secundário do transformador, o que está mostrado na figura 58. Nesta condição, o
diodo D2 entra em condução e o diodo D1 em bloqueio (ver fig. 59). A corrente circula pela carga,
passando através de D2 que está em condução, no mesmo sentido que circulou no primeiro semiciclo
(fig. 60).

Figura 57 - Retificação de onda completa com derivação Figura 58 - Retificação de onda completa com derivação
central central
Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa. Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa.

Durante todo o semiciclo analisado, o diodo D2 permanece em condução e a tensão na carga


acompanha a tensão da parte inferior do secundário. Analisando um ciclo completo da tensão de
entrada (figura 61) verifica-se que o circuito retificador entrega dois semiciclos de tensão sobre a
carga:
1) um semiciclo do extremo superior do secundário através da condução de D1 e
2) um semiciclo do extremo inferior do secundário através condução de D2.

A forma de onda da tensão resultante sobre a carga é pulsante, como pode ser visto na figura 61.
Para torná-la contínua, basta adicionar ao circuito um capacitor ligado em paralelo com a carga, com
o objetivo de suavizar a queda de tensão após o primeiro semiciclo.

62
Figura 59 - Retificação de onda completa com derivação central Figura 60 - Retificação de onda completa com derivação central
Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa. Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa.

A retificação em ponte, com quatro diodos, entrega à carga uma onda completa sem que seja
necessário utilizar um transformador com derivação central. A figura 62 apresenta a configuração da
retificação de onda completa em ponte.

Figura 61 - Retificação de onda completa com derivação central Figura 62 - Retificação de onda completa em ponte
Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa. Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa.

No primeiro semiciclo, considerando a tensão positiva no terminal de entrada superior, a configuração


de condução dos diodos se apresenta da forma mostrada na figura 63. Eliminando-se os diodos em
bloqueio, que não interferem no funcionamento do circuito, verifica-se que D1 e D3 em condução
fecham o circuito elétrico, aplicando a tensão do primeiro semiciclo sobre a carga, o que pode ser
visto na figura 64. No segundo semiciclo ocorre inversão da polaridade nos terminais de entrada do
circuito (fig. 65). A condição de polarização dos diodos também se inverte. Então, eliminando os
diodos em bloqueio e substituindo os diodos em condução por seus circuitos equivalentes, se obtém a
configuração apresentada na figura 66.

Pode-se ver nessa figura que a forma de onda resultante da retificação de onda completa em ponte é
igual à forma de onda resultante da retificação de onda completa com derivação central.

Além de ser usado na retificação de corrente, o diodo semicondutor também é usado para eliminar o
pico de tensão reverso que acontece quando um circuito altamente indutivo é desligado da fonte.

63
Figura 63 - Retificação de onda completa em ponte Figura 64 - Retificação de onda completa em ponte
Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa. Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa.

Figura 65 - Retificação de onda completa em ponte


Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa.

Este pico de tensão ocorre segundo a Lei de Lenz, que diz que uma corrente induzida surgirá numa
espira condutora fechada com um sentido tal que ela se oporá à variação que a produziu. Sendo
assim, em circuitos de corrente contínua, ao se desligar uma bobina da fonte, aparecerá no circuito
uma corrente induzida com sentido oposto à corrente normal da fonte. Esta corrente com sentido
oposto pode danificar os equipamentos de corrente contínua por atravessá-los com os pólos
invertidos. Um diodo instalado nesta bobina não deixa a corrente induzida circular no sentido oposto.

Figura 66 - Retificação de onda completa em ponte


Fonte: Eletrônica Básica – Retificação de onda completa.

64
2.1.2 Transistor

Transistor é um componente eletrônico que começou a se popularizar na década de 1950, tendo sido
o principal responsável pela revolução da eletrônica na década de 1960, cujas funções principais são
amplificar e chaveamento de sinais elétricos. O termo vem de transfer resistor (resistor de
transferência), como era conhecido por seus inventores. O processo de transferência de resistência,
no caso de um circuito analógico, significa que a impedância característica do componente varia para
cima ou para baixo da polarização pré-estabelecida. Graças a esta função, a corrente elétrica que
passa entre o coletor e o emissor do transistor varia dentro de determinados parâmetros pré-
estabelecidos pelo projetista do circuito eletrônico. Esta variação é feita através da variação de tensão
num dos terminais chamado base, que, conseqüentemente, ocasiona o processo de amplificação de
sinal.

Entende-se por "amplificar" o procedimento de tornar um sinal elétrico mais fraco em mais forte. Um
sinal elétrico de baixa intensidade, como os sinais gerados por um microfone, é injetado em um
circuito eletrônico (transistorizado, por exemplo) cuja função principal é transformar este sinal fraco
gerado pelo microfone em sinais elétricos com as mesmas características, mas com potência
suficiente para excitar os alto-falantes. A este processo todo dá-se o nome de “ganho de sinal”.

2.1.3 Tiristor

São os componentes básicos da Eletrônica Industrial, chaveando grandes cargas, como motores,
eletroímãs, aquecedores, convertendo CA em CC, CC em CA e gerando pulsos de controle para
outros tiristores. A estrutura semicondutora comum (com variações) dos tiristores é PNPN. A trava
ideal é um circuito que permite compreender o funcionamento dos tiristores.

Figura 67 - Tiristor

No circuito, a base do transistor NPN é alimentada pelo coletor do PNP, e vice-versa. Não há
inicialmente corrente de coletor alimentando o outro transistor, e ambos estão no corte.

65
Mas se for aplicado um pulso positivo na base do NPN, ou negativo na do PNP, o transistor será
ativado, fornecendo uma corrente amplificada na base do outro, que amplificará esta corrente
fornecendo uma corrente ainda maior à base do transistor que recebeu o pulso. O processo leva
rapidamente os transistores à saturação, fornecendo corrente somente limitada pela carga, o resistor.

Uma vez disparada, a trava só se desliga quando a corrente é limitada a um valor mínimo, corrente de
manutenção, que não permite manter os transistores na saturação. Isto pode ser conseguido
desligando-se o circuito, ou curtocircuitando os emissores.

A trava também pode ser disparada por avalanche, aplicando-se uma sobretensão entre os
emissores, que inicia a ruptura em um dos transistores, alimentando a base do outro, o que leva à
saturação como no caso do pulso, anterior.

Os principais tipos de tiristores:


1) SCR: é o principal dos tiristores pelo número de aplicações. A sigla significa retificador
controlado de silício (Sillicon Controlled Rectificier). É um diodo controlado por pulso, aplicado
no gatilho (gate). Sua estrutura PNPN é igual à da trava ideal, sendo o pulso positivo aplicado
no terminal que corresponde à base do transistor NPN, o gatilho. O emissor do PNP é o
anodo, e o do NPN, o catodo do diodo.
2) SCS: é um tiristor semelhante ao SCR, mas com dois terminais de disparo correspondentes
às bases dos transistores da trava ideal, gatilho de anodo, Ga, e g. de catodo, Gc, permitindo
disparo por pulsos negativo ou positivo, respectivamente. Não é muito comum, sendo
geralmente de baixa potência. A sigla significa chave controlada de silício (S de Switch).
3) Diodo de quatro camadas: é um tiristor de avalanche, sendo disparado com tensões de
algumas dezenas de V. Seus dois terminais são o catodo e o anodo; não há gatilho. É usado
em geradores de pulso de disparo de SCR e osciladores dente-de-serra.
4) GTO: todos os tiristores só se desligam quando a corrente cai abaixo da corrente de
manutenção, o que exige circuitos especiais de desligamento em certos casos. O GTO
permite o desligamento pelo gatilho, por pulso negativo de alta corrente, daí o nome (Gate
Turn Off, desligamento pelo gatilho). Estruturalmente, é similar ao SCR, mas a dopagem e a
geometria da camada do gatilho permitem minimizar o sobreaquecimento no desligamento
(que destruiria um SCR). O desligamento é feito em geral através de descarga de um
capacitor.
5) Foto-SCR: se a junção NP central da trava ideal for exposta à luz, através de uma janela e
lente, ela se comportará como um fotodiodo, fornecendo uma corrente de base ao transistor
NPN, e disparando o SCR. Isto permite isolar o circuito de disparo, feito por um LED, do
circuito de potência.

66
2.1.4 Diac

Pode ser entendido como dois diodos Schokley em antiparalelo. Seu disparo ocorre quando se atinge
a tensão de bloqueio em qualquer sentido, da ordem de 25 a 40 V. É usado em geral para disparar o
TRIAC, em circuitos de controle de tensão CA por ângulo de disparo. Sua estrutura é PNP, e funciona
como um transistor cuja base só é alimentada quando se atinge a tensão de ruptura, o que leva à
saturação, caindo à tensão nos terminais para uns 0.2 V.

2.1.5 Triac

É o equivalente ao SCR, para operação em CA. Sua estrutura é a mais complexa entre os tiristores,
contendo diversas regiões PNPN que atuam como travas ideais interligadas, o que permite que o
disparo seja feito com tensão + ou -, e a polarização entre terminais principais 1 e 2 (análogos ao K e
A do SCR) + ou - , o que é chamado operação em quatro quadrantes. A corrente de disparo é menor
no quadrante 1 (gatilho e terminal principal 2 - MT2 - positivos em relação ao terminal principal 1-
MT1) e maior no quadrante 4, (G + e MT2 -).

O TRIAC seria mais comum em aplicações CA se não fosse menos robusto e sensível (exige bem
maior corrente de disparo), além de mais caro que 2 SCRs ou GTOs em antiparalelo de grandes
correntes. É usado em controle de lâmpadas e motores universais, e chaveamento de cargas até uns
50A. Os tiristores podem ser disparados de diversos modos: através de pulso, por ângulo de fase em
CA e por CC.

O disparo por CC é usado em chaveamento de cargas por longos períodos, como lâmpadas,
calefatores, eletroímãs e motores, em sistemas de controle tipo liga-desliga e por ciclos. Nestes
casos, manter a alimentação de gatilho, apesar do consumo de energia desnecessário e do
aquecimento da junção, simplifica o circuito de comando.

O disparo por ângulo de fase é típico de controle de luminosidade de lâmpadas em CA (dimmer) e de


velocidade de motores universais ou de CC. Nestes, a cada ciclo da tensão CA de alimentação é
gerada uma tensão defasada por uma ou duas redes de atraso RC, e quando a tensão atingir a
tensão necessária ao disparo do SCR ou TRIAC (mais a do DIAC, se estiver em série), num dado
ângulo de fase, o tiristor é disparado. O processo repete-se a cada ciclo (ou semiciclo, em onda
completa), e variando o valor do(s) resistor(es), varia-se a porção do ciclo em que é alimentada a
carga (ângulo de condução do tiristor), variando a tensão média e eficaz, e a potência na carga.

67
Figura 68 - Estrutura do UJT e o símbolo

O disparo por pulsos é o mais sofisticado e preciso, e também o mais empregado. Usa um gerador de
pulsos, freqüentemente com transistor unijunção, UJT, que é outro tiristor, constituído de uma barra
de material N, com uma porção lateral tipo P próxima ao centro. A região P é o emissor, E, e os
extremos da barra as bases 1 e 2, B1 e B2.

Figura 69 - Circuito equivalente e gerador de pulsos

O UJT atua como uma trava ideal com a base do PNP polarizada por um divisor de tensão, que é o
efeito da barra N dividida pela região P. Quando a tensão no emissor for 0.6 V acima da tensão
fornecida pelo divisor, o PNP é ativado, que polariza o NPN, disparando a trava. Quando a corrente
cair abaixo do valor de manutenção, a trava se desligará.

O UJT é usado como gerador de pulsos, conforme o circuito à direita. O capacitor carrega-se através
do resistor e, quando a tensão no E do UJT ultrapassa a tensão de disparo do UJT, fornecida pela
fonte e resistores, ele se dispara, descarregando o capacitor e fornecendo um pulso curto ao resistor
de carga, ligado à B1. O valor da tensão de disparo está entre 0.55 e 0.8 vezes a tensão de
alimentação, conforme o UJT.

O período dos pulsos é próximo de T = RC e a freqüência de f = 1 / RC, o resistor e o capacitor


ligados ao emissor, variando um pouco com o UJ.

68
2.2 AMPLIFICADORES OPERACIONAIS

Amplificadores operacionais são dispositivos muitos usados para o condicionamento analógico de


sinais eletrônicos em instrumentação. Um amplificador operacional ideal (fig. 70) apresenta as
seguintes características:
1) ganho infinito,
2) impedância de entrada infinita,
3) largura de banda infinita,
4) impedância de saída Zero e
5) tensão de offset e corrente de offset Zero.

Existem duas regras fundamentais para o funcionamento adequado de um amplificador operacional


ideal com realimentação externa:
1) A saída fará todo o possível para fazer que a diferença de tensão entre os terminais Não
Inversor e Inversor seja Zero.
2) Nas entradas do amplificador não flui corrente.

Figura 70 - Amplificador operacional ideal

Freqüentemente são necessárias fontes de tensão e corrente regulada para fornecimento de energia
aos circuitos de instrumentação com correntes e tensões controladas. São necessárias, também,
referências de tensão e de corrente que forneçam pontos de referência para realizar diversas
operações (como ajuste de zero, variação de freqüência, referências para diversos tipos de
conversores etc.).

Usualmente, elas apresentam uma regulação e estabilidade muito grande em comparação às fontes
reguladas.

Um circuito clássico de regulador de tensão é o 723, que se constitui por uma fonte de referência de
tensão, um amplificador de erro, um transistor de controle e circuitos auxiliares de controle.

69
Na figura 71, a seguir, tem-se um regulador de tensão positiva usando este C.I.

Neste caso, utiliza-se a saída de referência e aplica-se na entrada não-inversora do amplificador de


erro e com um divisor de tensão que define a tensão de saída. A resistência de 6,8 Ohms controla a
corrente máxima de saída para 50 mA.

Outros dispositivos usados como fontes reguladas são da família 78XX e 79XX fontes de três
terminais usados para regular sinais positivos e negativos, respectivamente.

Referências de tensão são necessárias em circuitos eletrônicos em geral, quando é requerida


precisão ou estabilidade da tensão. Em geral, são usados diodos Zener ou referências do tipo
"Bandgap", que utilizam dois transistores acoplados de forma a cancelar os coeficientes de variação
com a temperatura envolvida.

A tensão VBE de um transistor geralmente apresenta um coeficiente de variação com a temperatura


negativo (- 2 mV / °C).

A idéia é gerar uma tensão com um coeficiente de variação com a temperatura positivo que, quando
somados, cancela a variação.

A tensão (VR1) excita dois transistores com diferentes densidades de corrente, amplificando.(VBE), que
agora apresenta um coeficiente de temperatura positivo, e ajustado para compensar a variação de
(VBE) com a temperatura.

A soma das tensões (Vz) é:

Esta tensão é amplificada para obter uma tensão de saída (Vout) de 2,5 Volts na saída:
Vout = Vz(1+R4/R5) = 2.5

Fontes de corrente podem ser necessárias para certas aplicações em instrumentação, como o circuito
potenciostato.

Elas podem ser derivados das fontes de tensão reguladas ou a partir de referências de tensão, como
o circuito mostrado na figura abaixo.

70
Figura 71 - Fonte de tensão usando 723

Neste caso, utiliza-se uma referência de tensão na entrada, um resistor (R2) para monitorar a corrente
e um circuito de controle de corrente formado pelo amplificador operacional e os transistores de saída.

Figura 72 - Fonte regulada de corrente

2.2.1 Conversor A/D

Um conversor analógico-digital recebe uma entrada analógica e, após certo intervalo de tempo,
transforma-a numa saída digital correspondente à entrada analógica. O processo de conversão A/D é
mais complicado e mais demorado do que o D/A, havendo uma grande variedade de métodos para
realizar tal conversão.

71
Vários tipos de conversores A/D usam conversores D/A como parte de seus circuitos. A temporização
da operação do circuito é feita por um sinal de clock. A unidade de controle contém os circuitos
lógicos para geração da seqüência apropriada de operações em resposta ao comando de início, que
começa o processo de conversão. O amplificador operacional, usado como comparador, tem duas
entradas analógicas e uma saída digital que muda de estado, dependendo de qual das entradas
analógicas é maior. A operação básica dos conversores A/D é a seguinte:
1) Um pulso de início começa a operação.
2) A unidade de controle modifica continuamente o número binário armazenado no registrador,
numa cadência ditada pelo clock.
3) O número binário armazenado no registrador é convertido para um valor analógico Vax, pelo
conversor D/A.
4) O comparador compara Vax com a entrada analógica Va. Enquanto Vax for menor do que Va,
a saída do comparador permanecerá no nível lógico ALTO. Quando Vax exceder Va de um
valor mínimo Vt, a saída do comparador irá para nível lógico BAIXO, interrompendo o
processo de modificação do conteúdo do registrador. Neste ponto, Vax é muito próximo de
Va. O valor digital armazenado no registrador, que é o valor digital equivalente a Vax, é
também equivalente a Va, respeitados os níveis de precisão e resolução do sistema.
5) A lógica de controle ativa o sinal EOC, de término do processo de conversão.

Uma das versões mais simples do conversor genérico usa um contador binário como registrador e
permite que o clock incremente o contador um passo de cada vez, até que Vax Va. Tal processo é
denominado conversão A/D em rampa, porque a forma de onda de Vax se assemelha a uma rampa.

Ele contém um contador, um conversor D/A, um comparador analógico e uma porta a AND de
controle. A saída do comparador serve como sinal de término da conversão, sinal este ativo-BAIXO.
Assumindo-se que Va, o sinal analógico a ser convertido, é positivo, a operação se processará como
descrito a seguir:
1) Um pulso de início é aplicado para resetar o contador. O nível ALTO do pulso de início
também serve para inibir a passagem dos pulsos de clock pela porta AND, em direção ao
contador.
2) Com todas as suas entradas em zero, a saída do conversor D/A será Vax = 0V.
3) Sendo Va = Vax, a saída EOC do comparador irá para o nível lógico ALTO.
4) Quando INÏCIO volta ao nível lógico BAIXO, a porta AND é habilitada e os pulsos de clock
entram no contador.
5) À medida que o contador avança, a saída do conversor D/A, Vax, cresce um passo a cada
instante.
6) Este processo continua até que Vax chegue a um valor que ultrapasse Va por uma
quantidade maior ou igual a Vt. Neste ponto, EOC vai para o nível lógico BAIXO e inibe o

72
fluxo de pulsos para o contador, que pára, então, sua contagem.
7) O processo de conversão está agora completo, sinalizado pela transição de ALTO para
BAIXO do sinal EOC, e o conteúdo do contador é a representação digital de Va.
8) O contador segura o valor digital nele armazenado até que o próximo pulso de INÏCIO
comece uma nova conversão.

O tempo para conversão da entrada analógica na saída digital é o intervalo de tempo decorrido entre
o final do pulso de INÏCIO e a ativação de EOC. O contador começa sua contagem de zero, indo até
Vax exceder Va, quando EOC assume o nível lógico BAIXO, encerrando o processo de conversão.

Deve ficar claro que o tempo de conversão depende de Va, pois, quanto maior for este valor, mais
degraus serão necessários antes que a tensão da escada exceda Va, provocando o encerramento do
processo de conversão.

O conversor A/D que usa o método das aproximações sucessivas é um dos tipos de conversores
mais utilizados atualmente. Seus circuitos são mais complexos do que os do conversor em rampa,
porém seu tempo de conversão é muito menor, o que torna seu uso bastante atrativo. Além disso, os
conversores A/D por aproximações sucessivas têm um tempo de conversão fixo que não depende do
sinal analógico presente em sua entrada.

O esquema básico deste conversor é similar ao do conversor em rampa. No entanto, o conversor A/D
por aproximações sucessivas não utiliza um contador para gerar a entrada do conversor D/A, usando,
em seu lugar, um registrador comum. A lógica de controle modifica o conteúdo deste registrador bit a
bit, até que o dado armazenado no registrador seja equivalente à entrada Va, dentro da resolução do
conversor.

Conversores instantâneos são aqueles que possuem a maior velocidade de conversão entre todos os
conversores A/D disponíveis, requerendo circuitos muito mais elaborados que os demais. Por
exemplo, um conversor A/D instantâneo de 6 bits precisa de 63 comparadores analógicos, enquanto
um de 8 bits precisa de 255 comparadores, e um de 10 bits, de 1023 comparadores. O grande
número de comparadores analógicos necessários ao projeto de conversores instantâneos tem
limitado enormemente seus tamanhos, que estão disponíveis atualmente em unidades de 2 a 8 bits.
Alguns fabricantes já estão anunciando para breve a colocação no mercado de conversor instantâneo
de 9 a 10 bits.

O princípio da operação desses conversores vai ser descrito tomando-se por base um conversor de 3
bits, de maneira a permitir o estudo de seus circuitos. Desde que a operação de tal conversor tenha
sido entendida, basta compreender-se a idéia básica para conversores instantâneos maiores.

73
Um conversor instantâneo tem uma resolução de 3 bits e um degrau de 1V. O divisor de tensão extrai
da tensão básica de 10V uma tensão de referência para cada um dos 8 comparadores. A tensão de
referência Va é conectada à outra entrada de cada comparador. O conversor instantâneo tem uma
resolução de 1V, pois a entrada analógica precisa sofrer uma variação de 1V de forma a levar a saída
digital para seu próximo valor. Para conseguir uma resolução mais fina, pode-se aumentar o número
de níveis de tensão de entrada, usando mais resistores para a divisão de tensão, e, em
conseqüência, aumentar o número de comparadores analógicos.

Por exemplo, um conversor instantâneo de 8 bits requer 256 níveis diferentes de tensão, incluindo 0V,
sendo então necessários 256 resistores e 255 comparadores analógicos. As saídas dos 255
comparadores devem alimentar as entradas de um codificador com prioridade, que produz na saída
um código de 8 bits que corresponde ao número do comparador de mais alta ordem, cuja saída está
no nível lógico BAIXO. Em geral, um conversor instantâneo de N bits precisa de 2 - 1 comparadores,
2 resistores, além da lógica do codificador com prioridade.

O conversor instantâneo não usa sinal de clock, pois não há necessidade de seqüenciamento de suas
operações. A conversão ocorre de uma só vez. Quando muda o valor da entrada analógica, as saídas
dos comparadores também mudam, forçando a mudança na saída do codificador. O tempo de
conversão é o tempo necessário ao aparecimento de uma nova saída digital, em resposta a uma
mudança ocorrida na entrada analógica Va, e depende única e exclusivamente do retardo de
propagação introduzido pelos comparadores e pela lógica de codificação. Por isso, os conversores
instantâneos têm tempos de conversão extremamente pequenos. Por exemplo, o AD9002 da Analog
Devices é um conversor A/D instantâneo de 8 bits, com tempo de conversão menor do que 10ns.

2.2.2 Conversor D/A

Um sinal na forma digital, para ser processado por um bloco funcional analógico, deve ser
previamente convertido (ou reconvertido) para a forma analógica equivalente. Este processo reverso é
efetuado por um conversor digital/analógico ("D/A converter" ou DAC).

Sistemas que aceitam uma palavra digital como entrada e traduzem ou convertem para uma voltagem
ou corrente analógica são chamados de conversores digitais/analógicos. O conversor D/A de
resistores com pesos ponderados é construído a partir de um circuito básico de resistores em paralelo
controlado por corrente, onde a corrente é somada num ponto em comum, passando por um resistor
de carga, criando, assim, uma saída analógica. Os valores dos resistores são distribuídos
ponderadamente, de forma a se obter pesos de acordo com a numeração binária.

74
A numeração binário codificado decimal (BCD) usa quatro bits para representar números decimais de
0 a 9. O bit menos significativo (LSB) é expresso como (valor do bit x 20), o próximo bit como (valor
do bit x 21), o terceiro como (valor do bit x 22), e o bit mais significativo (MSB) como (valor do bit x
23). Assim, o peso de cada coluna da direita para a esquerda é 1, 2, 4 e 8. Nesta linha de raciocínio,
num circuito conversor D/A que recebe um número BCD a ser convertido em analógico, o LSB deverá
ser apresentado para um resistor de entrada com o maior valor de resistência do circuito, o segundo
com a metade do LSB, o terceiro com um quarto do LSB e o MSB com um oitavo do LSB.

A saída é, então, a soma das quatro voltagens atenuadas. Note-se que o maior valor de resistência se
refere ao LSB, porque ele causa o menor fluxo de corrente resultante. O resistor de carga (RL), que é
utilizado para criar a voltagem de saída (Va), nada mais é do que uma diferença de potencial (ddp)
intermediária calculada entre o ponto onde as correntes são somadas (Va) e o terra. A relação entre o
valor de resistência de RL e de Req deve ser tal que RL esteja entre o valor médio e o menor valor de
Req (1KRL > 500). Isto se deve ao fato de que a ddp sobre RL não deve ser nem muito maior nem
muito menor que a ddp sobre Req.

No conversor D/A tipo escada R-2R, cada chave ligada produz uma contribuição de corrente fornecida
para o amplificador operacional, contribuições tais que possuem pesos ponderados de acordo com
sua posição binária. A faixa de tolerância baixa é o fator mais importante do circuito, sendo que o
valor absoluto dos resistores não é relevante.

2.2.3 Portas lógicas

Portas são unidades básicas de sistemas lógicos eletrônicos. Denomina-se porta lógica qualquer
arranjo físico capaz de efetuar uma operação lógica. As portas lógicas operam com números binários,
ou seja, com os dois estados lógicos 1 e 0. Três são as portas lógicas básicas:
1) a porta E que realiza a operação produto ou multiplicação lógica,
2) a porta OU que realiza a operação soma lógica, e
3) a porta NÃO ou inversor, que realiza a operação inversão, ou negação, ou complementação.

A porta E (“AND”, em inglês) é chamada “porta tudo ou nada”. A função E é que assume o valor 1
quando todas as variáveis de entrada forem iguais a 1, e assume o valor 0 quando pelo menos uma
variável de entrada for igual a 0. A operação E, executada pela porta E, é a multiplicação ou o produto
lógico de duas ou mais variáveis binárias. Essa operação pode ser expressa da seguinte maneira:
Y = A . B.

Lê-se tal expressão como: a saída (Y) é igual a A e B.

75
A porta OU (“OR”, em inglês) é chamada “porta qualquer ou todas”. A função OU é aquela que
assume valor 1 quando uma ou mais variáveis de entrada for igual a 1 e assume o valor 0 quando
todas as variáveis de entrada forem iguais a 0. A operação OU, executada pela porta OU, é a soma
lógica de duas ou mais variáveis binárias.

Essa operação pode ser expressa assim:


Y=A+B

Lê-se essa expressão da seguinte forma: a saída Y é igual a A ou B.

Observação: O símbolo (+) significa OU. O símbolo (+) é a função lógica em álgebra booleana; não
significa, portanto, o sinal de adição das expressões algébricas.

A porta NÃO (“NOT” em inglês) é também chamada de inversor. A porta NÃO tem apenas uma
entrada e uma saída. A função NÃO, ou função complemento, ou ainda função inversora, é que
inverte o estado da variável de entrada. Se a variável de entrada for 1, ela tornará 0 na saída, e se for
0, ela tornará 1.

Desse modo, a operação lógica inversão (ou negação, ou complementação) consiste em converter
uma dada proposição em uma proposição a ela oposta. Essa operação pode ser assim expressa:

Y= A

O traço sobre o A significa não. Portanto, lê-se tal expressão da seguinte forma: saída Y é igual a
não A . Para o A pode-se dizer, também, A barrado ou A negado.

2.2.4 Lógica combinacional e seqüencial

O campo da eletrônica digital divide-se em duas áreas: lógica combinacional e lógica seqüencial. O
bloco funcional lógico dos circuitos lógicos combinatórios é montado a partir de portas lógicas. Por
outro lado, o bloco funcional lógico dos circuitos seqüenciais é montado a partir de biestáveis ou flip-
flop.

Os circuitos lógicos seqüenciais são amplamente empregados por causa de sua característica de
“memória”. É o caso, por exemplo, do comando de um elevador, em que há necessidade de
memorizar as chamadas a partir do toque dos botões correspondentes. Flip-Flop RS - o biestável tipo
RS (ou flip-flop set/reset) é um biestável básico, e os outros tipos são dele derivados. Vejam-se,

76
agora, as partes e suas respectivas funções:
1) P1 e P3 - portas que acionam a célula de memória formada pelas portas P2 e P4 com os
sinais S e R.
2) P2 e P4 - portas que retêm a informação de um bit.
3) F1 e F2 - linhas de realimentação que garantem a manutenção do estado de saída após o
desaparecimento do sinal de entrada.
4) S (set) - entrada: posiciona a saída Q em nível 1.
5) R (reset): entrada: reposiciona a saída Q em nível 0.
6) Q - saída: apresenta o sinal de saída do biestável.
7) Q - saída: apresenta o complemento do sinal de saída do biestável.

Observação: Qa representa a saída atual, e Qf representa a saída futura. Biestável RS assíncrono: o


circuito de trava RS básico é um dispositivo assíncrono. Ele não opera simultaneamente com um
relógio ou dispositivo de temporização. Nos biestáveis não-sincronizados ou assíncronos, as entradas
controlam diretamente o estado do próprio biestável.

Os biestáveis síncronos possuem uma entrada de pulsos de sincronização (C) e uma ou mais
entradas de informação. Isto faz com que o estado lógico atue sobre o biestável somente quando a
entrada de sincronização permitir. Assim, o biestável RS é síncrono quando apresenta uma entrada
adicional que permite sua sincronização com outros dispositivos mediante pulsos de relógio (“clock”)
externo.

Em regra, as entradas do biestável RS síncrono são formadas por portas lógicas NE, diferentemente
do biestável assíncrono, que tem inversores na entrada.

O funcionamento do biestável RS síncrono depende das entradas R e S, do estado atual da saída


(realimentação) e dos pulsos de clock aplicados à entrada de sincronismo. Se a entrada de clock
estiver desativada (0), o flip-flop permanecerá em seu estado, mesmo que as entradas RS variem.

O biestável JK é um aperfeiçoamento do biestável RS, que vem sanar o problema da indeterminação


das saídas pela extensão das linhas de realimentação até as portas de controle das entradas.

Viu-se que o biestável JK disparado por nível soluciona o problema da indeterminação das saídas
quando as entradas J e K são iguais a 1. Esse circuito, entretanto, apresenta uma característica
indesejável: quando a entrada C é igual a 1, ele funciona como um circuito combinatório, permitindo a
transferência de sinal das entradas J e K e da realimentação para as saídas Q e Q.

77
Esta desvantagem foi superada com o biestável JK disparado por borda. Outra maneira de contorná-
la é a construção do biestável JK mestre-escravo (JK-MS masterslave, em inglês), que também pode
ser classificado em: disparado por nível e disparado por borda.

Biestável JK mestre-escravo disparado por nível: este tipo de biestável constitui-se por dois biestáveis
JK sincronizados por nível conectados entre si. O primeiro biestável (mestre) recebe as entradas de
informação e sua saída conecta-se à entrada do segundo biestável (escravo), cuja saída constitui a
saída do conjunto. As entradas de sincronização (C) de ambos os biestáveis são mutuamente
inversas.

O biestável tipo T foi desenvolvido para aplicações em que a saída deve ser complementada a cada
pulso de entrada. Por exemplo, a chave tipo alavanca que conecta os faróis do carro de “alto” para
“baixo” funciona como um flip-flop tipo T. O biestável tipo T (em inglês: toggle, que significa chave
inversora) é basicamente um biestável JK com entradas interconectadas, de maneira que, quando a
entrada K assume o nível 1, a entrada J também assume o nível 1.

Em muitas situações, é necessário sincronizar a transferência de dados de um estágio para outro. Isto
é possível com a utilização de biestáveis tipo D. O biestável tipo D é um biestável sincronizado por
nível que transfere o dado de entrada para a saída quando ocorre a presença do sinal de controle
(clock ativo). Possui uma única entrada denominada “data” (dado). Pode ser construído a partir de um
flip-flop JK cujas entradas são complementadas entre si.

Antes de receber dados e sinal de sincronismo (C) nas entradas, o biestável apresenta as saídas em
um estado arbitrário: ou 1 ou 0. No entanto, existem casos em que é preciso garantir o
posicionamento inicial das saídas do biestável. Isto é possível utilizando-se um biestável com entrada
de “preset” (reajusta) e entrada de “clear” (limpa). No desenvolvimento de projetos de sistemas
digitais, deve-se observar as características de chaveamento dos biestáveis. Tais características são,
sobretudo, os parâmetros de tempo relacionados às transições de estados biestáveis. São os
seguintes os parâmetros a serem considerados:
1) fmáx - freqüência máxima de clock (maximum clock frequency) - é a mais elevada freqüência
com que os pulsos de clock podem ser aplicados a um biestável para se obter chaveamento
adequado e estável.
2) tsu - tempo de estabilização (set-up) - é o tempo mínimo que o dado deve estar presente em
um terminal antes que uma transição ativa ocorra no outro terminal.
3) th - tempo de manutenção (hold-time) - é o tempo em que o dado deve permanecer em um
terminal após a transição ativa do clock no outro terminal.
4) tPHL - tempo de atraso de propagação da saída 1 para 0 (propagation delay time, high-to-low
level output) - é o tempo que a saída leva para mudar de 1 para 0 após um comando de

78
entrada.
5) tPHL - tempo de atraso de propagação da saída de 0 para 1 (propagation delay time, low-to-
high level output).
6) tw - largura do pulso de clock (pulse width) - é o tempo mínimo que o clock deve permanecer
em um estado (0 ou 1) para um disparo confiável.

2.3 FONTES REGULADORAS

A partir de sua descoberta, o transistor popularizou-se muito rapidamente como substituto da válvula
tríodo e passou a ser empregado na grande maioria dos circuitos eletrônicos. Paralelamente à
substituição das válvulas, novas aplicações foram descobertas para o transistor. Uma delas é a
construção de fontes de alimentação reguladas à base de transistores que hoje são utilizadas na
maioria dos circuitos eletrônicos.

A necessidade de projetar e montar fontes reguladas de boa qualidade provém do fato de as fontes
não-reguladas nem sempre atenderem os requisitos necessários para todos os usos. Existem duas
razões para isso:
1) regulação pobre e
2) estabilização pobre.

Como resultado da regulação pobre, tem-se uma variação na tensão de saída quando a carga varia.
Nas fontes não-reguladas, as variações de tensão de entrada (na rede CA) provocam variações
proporcionais na tensão de saída, e o resultado é uma estabilização pobre.

Existem circuitos eletrônicos cuja finalidade é melhorar o desempenho das fontes de alimentação,
fornecendo um valor preestabelecido de tensão de saída, independentemente das variações que
ocorrem na corrente de carga na tensão da linha de alimentação CA. Normalmente, eles são
denominados reguladores de tensão, embora sejam, na realidade, reguladores e estabilizadores de
tensão. Deve-se sempre considerar que não existe um sistema regulador de tensão perfeito. As
variações na tensão de entrada sempre provocam pequenas alterações na tensão de saída. Os
sistemas reguladores devem funcionar de tal forma que as variações na tensão de saída sejam as
menores possíveis.

Os circuitos reguladores são classificados em dois grupos, segundo a posição do elemento regulador
em relação à carga:
1) regulador paralelo e

79
2) regulador série.

Um circuito regulador é considerado paralelo quando o elemento regulador é colocado em paralelo


com a carga. Na regulação série, as variações de tensão da entrada são absorvidas pelo elemento
regulador, e uma tensão de saída praticamente constante é entregue à carga. Nesse tipo de circuito,
apenas o elemento regulador dissipa potência.

Os reguladores de tensão do tipo série com transistor são largamente empregados na alimentação de
circuitos eletrônicos, devido a sua boa capacidade de regulação.

A associação diodo zener-resistor, ligada à tensão de entrada, permite que se obtenha uma tensão
constante (VZ), independentemente das variações da tensão de entrada.

A tensão constante do diodo zener é aplicada à base do transistor; ou seja, a tensão de base do
transistor é estabilizada no valor VZ, sendo VZ = VB. Como a carga está ligada ao emissor do
transistor, a tensão sobre ela (VRL) será a tensão aplicada à base (VZ) menos a queda na junção
base-emissor (VBE): VRL = VB - VBE ou VS = VZ – VBE. A diferença entre a tensão de entrada
(VENT) e a tensão de carga (VRL) fica entre o coletor e o emissor do transistor (VCE) que atua como
elemento regulador. VS = VENT – VCE. Observe-se que qualquer variação da tensão de entrada não
é transferida para a saída, pois a tensão de base do transistor está estabilizada pelo zener.

O regulador de tensão serial monolítico é um componente que veio facilitar muito a implementação de
fontes de alimentação, pois é facilmente ligado ao circuito. Este regulador constitui um componente de
grande robustez mecânica e elétrica, sendo ainda encontrado para várias tensões de regulação.

O regulador de tensão serial monolítico é apresentado em encapsulamento plástico ou metálico com


três terminais externos, sendo um terminal de entrada, um terminal terra e um terminal de saída. A
pastilha semicondutora interna congrega todos os circuitos necessários à regulação da tensão.

O terminal massa, geralmente ligado ao terra do circuito, tem conexão com a parte metálica do
componente (localizada no encapsulamento TO 220 na parte traseira). Esta parte metálica é
destinada à fixação do componente em aletas para dissipação de calor gerado, o qual, sem a devida
dissipação, poderia levar o CI a destruição.

Como muitas vezes esse dissipador tem um tamanho considerável em relação ao componente, pode
ser que alguma de suas partes esteja em contato com outras partes do circuito, mesmo de forma
acidental. Os reguladores monolíticos são largamente aplicados na regulação local de tensões em
cartões de circuitos eletrônicos. Assim, a proteção contra curto-circuito e a regulação ficam

80
independentes da fonte principal.

Figura 73 - Regulador de 5 Vcc de tensão positiva (7805) com encapsulamento TO 220

Este tipo de aplicação apresenta várias vantagens, podendo ser citadas como principais:
1) a distribuição de calor, que melhora a dissipação;
2) o fato de os demais continuarem operando mesmo que um cartão apresente curto;
3) o fato de apenas o cartão conectado ao regulador sofrer as conseqüências se um regulador
entrar em curto.

Os circuitos integrados são fornecidos para várias tensões de saída, conforme a Tabela 4, a seguir.

Circuito Integrado Tensão da saída positiva Tensão de saída negativa


7805 +5V -
7905 - -5V
7812 +12V -
7912 - -12V
7815 +15V -
7915 - -15V
Tabela 4 - Circuitos integrados

O CI recebe a tensão não-regulada (Ve), proveniente da etapa de retificação e filtro, e promove a


regulação, obtendo-se, assim, a tensão (VS) de saída.

No interior do componente existe também um circuito para proteção contra sobreaquecimento e


sobrecorrente que limita a corrente máxima, para proteger o componente em caso de curto-circuito.

Abaixo, encontram-se os parâmetros mais importantes, característicos dos circuitos integrados


reguladores da família 78XX/79XX e que precisam ser levados em conta pelo técnico.
1) tensão de saída;
2) tensão de entrada mínima;
3) máxima corrente de saída;

81
4) máxima temperatura de junção;
5) faixa de temperatura de operação;
6) rejeição de Ripple;
7) corrente de pico de saída.

2.4 FONTES CHAVEADAS

As fontes de alimentação do tipo chaveada vêm encontrando utilização cada vez maior,
particularmente no campo da informática, onde os grandes sistemas necessitam de consideráveis
quantidades de energia para seu funcionamento.

A fonte chaveada difere da fonte de alimentação convencional pelo fato de utilizar uma técnica
específica de chaveamento da energia. O chaveamento é feito por circuitos que trabalham em
freqüências compreendidas entre 20 e 60KHz. Tais circuitos podem ser implementados através de
transistores ou circuitos integrados dedicados que estão conectados à saída da etapa de retificação e
filtro. As fontes chaveadas apresentam algumas vantagens, tais como:
1) menor tamanho e menor peso dos transformadores e capacitores, em conseqüência de alta
freqüência empregada;
2) menor dissipação;
3) ampla faixa de utilização;
4) possibilidade de fornecer saídas múltiplas.

A principal desvantagem desse tipo de fonte é a geração de ruídos devido ao uso de altas freqüências
de chaveamento, exigindo, portanto, circuitos de filtro bem elaborados, além do uso de blindagem
para atenuar a rádio-freqüência gerada. As fontes chaveadas apresentam algumas características,
tais como:
1) freqüência de chaveamento entre 20khz e 60khz;
2) potência fornecida entre 20 e 600 watts;
3) uso de técnica de modulação por largura de pulso (PWM);
4) emprego de famílias de componentes com características elétricas especiais, como, por
exemplo, diodos de comutação, transistores de chaveamento, núcleos de ferrite para os
transformadores, capacitores eletrolíticos de baixa perda, a alta freqüência etc.

Existem várias configurações de fontes chaveadas, sendo que as mais utilizadas são:
1) fonte chaveada tipo meia-ponte, a fonte chaveada tipo meia-ponte caracteriza-se pela
utilização de dois transistores operando no modo conhecido como push-pull. Eles são

82
conectados ao primário de um transformador, que recebe tensão Vcc vinda, normalmente, de
um banco de capacitores.
2) fonte chaveada tipo série e
3) fonte chaveada tipo fly-back.

Figura 74 - Estrutura em blocos de uma fonte chaveada

A fonte chaveada tipo série emprega um transistor para produzir o chaveamento de energia. Ele é
conectado entre uma tensão contínua Vcc não regulada e um sistema de filtro, na configuração
regulador série de tensão.

Figura 75 - Diagrama em blocos de uma fonte chaveada do tipo fly back

Circuito Função
B1: filtro de linha Impedir que ruídos de alta freqüência cheguem até a linha de alimentação.
B2: etapa retificadora Retifica a tensão alternada.
B3: etapa de filtragem Filtra a tensão retificada.
B4: circuito PWM Faz a modulação por largura de pulsos.
B5: circuito fly back Faz com que os pulsos de tensão, aplicados à base do transistor, sejam
transformados em surtos de corrente em seu secundário.
B6: retificador final Retifica a tensão de saída para meia-onda, sendo que o capacitor C
promove a filtragem final.
RC: resistor de carga Circuito que consome a energia da fonte.
Tabela 5 - A função dos blocos

A principal diferença deste tipo de fonte é que o transistor série faz o chaveamento de energia, ou
seja, tem seu período de condução controlado pelo circuito PWM. A fonte chaveada tipo fly back (fig.
75) apresenta algumas diferenças no que concerne à obtenção da tensão contínua sobre a carga.

83
2.5 OSCILADORES

A maioria dos equipamentos eletrônicos inclui alguma forma de oscilador, que pode ser com formato
de onda pulsada, senoidal, quadrada, em dente-de-serra ou triangular. O oscilador de onda quadrada
usa realimentação positiva para levar o amplificador operacional a seus níveis. A carga do capacitor
move a tensão não-inversora pelo valor limite e, dessa forma, faz com que o dispositivo comute de
estado. À medida que o capacitor carrega, a saída é comutada e o estado oscila para trás e para
frente. O carregamento do capacitor fornece uma constante de tempo útil para a configuração de uma
freqüência.

O conjunto de chips 555 é uma combinação de lógica digital com uma entrada analógica para medir a
carga em um capacitor externo, e uma curva de baixa impedância (baixa corrente) para descarregar o
capacitor. Um oscilador LC usa essencialmente uma realimentação positiva, seletiva de freqüência,
para levar o amplificador operacional para a oscilação (de nível para nível). O circuito tanque tem alta
impedância para ligar à terra sua freqüência de ressonância.

2.6 INTERFERÊNCIA ELETROMAGNÉTICA E DE


RÁDIO-FREQUÊNCIA

Em geral, usa-se o termo ruído para sinais indesejados que aparecem durante o processo de medição
e podem interferir com o sinal sendo medido. O ruído de interferência acontece devido à interação
entre campos magnéticos ou elétricos externos com o sistema de medida. É exemplo o ruído
produzido pela rede AC. São fontes de interferência:
1) mudanças de temperatura,
2) choques mecânicos,
3) equipamentos que possuem sistemas de ignição,
4) equipamentos que possuem circuitos digitais ou que trabalham com sinais pulsados,
5) chaveamentos em sistemas de distribuição elétrica,
6) motores elétricos AC e DC e inversores para o seu controle,
7) altas tensões e descargas corona,
8) descargas em gases ionizados,
9) geradores de RF ou microondas,
10) outras fontes com alto conteúdo de freqüência e
11) materiais semicondutores em geral.

84
Existem vários tipos principais de interferência:
1) Acoplamento galvânico: quando diversos circuitos apresentam um acoplamento direto de
interferências, através do mesmo terra.
2) Acoplamento indutivo: também chamado de acoplamento magnético ou eletromagnético.
Neste caso, uma corrente elétrica circulando num circuito próximo gera um campo magnético
que varia e induz uma corrente no sistema de interesse.
3) Acoplamento capacitivo: os cabos de energia, terra e condutores do sistema estão separados
por um dielétrico que é o ar. Assim, podem existir capacitâncias entre estes elementos que
permitem o acoplamento com o sistema de sinais de ruído.
4) Terras múltiplos: se um instrumento apresentar diversas conexões para o terra, isto permitirá
a produção de uma interferência no sistema de medida.
5) Acoplamentos por RF ou microondas: o ruído pode ser acoplado através de ondas de rádio e
microondas.

O ambiente eletromagnético é o resultado do funcionamento de aparelhos, equipamentos ou sistemas


adicionados ao ruído ambiente no qual eles funcionam (ruído atmosférico; triboelétrico; espacial: sol,
estrelas...).

Segundo Thomas Krzesaj, a Compatibilidade Eletromagnética (CEM) é uma matéria cada vez mais
preocupante para qualquer pessoa que opere equipamentos e sistemas elétricos, eletrônicos ou de
telecomunicações. Ainda que sua designação seja algo pesada (pelo menos à primeira abordagem
para pessoas sem formação específica em eletricidade), ela está associada a alguns efeitos que
fazem parte do dia-a-dia e são do conhecimento geral, decorrentes do fato de qualquer aparelho
elétrico poder gerar perturbações radioelétricas. Exemplos desses efeitos são as perturbações
visíveis na imagem de um televisor quando um veículo motorizado ruidoso (em radiação
eletromagnética) passa nas proximidades ou quando se ouvem no receptor de rádio perturbações
oriundas de um aspirador elétrico. Existem muitas outras causas dificilmente identificáveis, mas
capazes de gerar efeitos imprevisíveis que existem potencialmente em qualquer local ou ambiente,
nomeadamente o lar, a indústria, os hospitais e os transportes aéreos, terrestres e marítimos.

Nas últimas cinco décadas, assistiu-se a uma preocupação relativamente crescente a este tema,
comprovada na edição de publicações e normas técnicas sobre a matéria e, mais recentemente,
através dos requisitos das Diretivas Comunitárias Européias relacionadas à CEM, ou nos
regulamentos das companhias de aviação comercial, que proíbem a utilização de aparelhos
eletrônicos aos passageiros durante os vôos para impossibilitar a ocorrência de fenômenos que
interfiram com os sistemas de navegação aérea.

85
Atualmente, o tema Compatibilidade Eletromagnética - CEM relaciona-se com a medição e a definição
de limites para as várias perturbações geradas pelo aparelho ‘perturbador’, por um lado, e com a
influência dessas perturbações sobre o aparelho ‘perturbado’, por outro.

A fim de limitar os custos devido aos testes de compatibilidade eletromagnética e de garantir uma
melhor ‘qualidade’, ‘robustez’ e ‘segurança’ de um equipamento eletroeletrônico, um estudo rigoroso
da CEM deve ser implantado o quanto mais cedo durante a fase de desenvolvimento e,
principalmente, do primeiro protótipo. Por isso, testes de diagnósticos devem ser efetuados com o
primeiro protótipo, e cada etapa do cronograma deve ser acompanhada pelo engenheiro responsável
pela CEM do produto em fase de desenvolvimento.

Garantir um nível mínimo de perturbações eletromagnéticas começa pelo estudo e controle do


roteamento da PCI (placa de circuito impresso), onde se deve definir o stack-up (numero e
configuração de camadas) da PCI, assim como o sistema de aterramento, a posição adequada dos
componentes e das trilhas, permitindo um melhor controle dos fluxos de campo eletromagnéticos
presentes nos circuitos. Esta fase de desenvolvimento é talvez a mais importante em termos de
compatibilidade eletromagnética (habilidade de um equipamento e/ou sistema funcionar
satisfatoriamente sem produzir perturbações eletromagnéticas intoleráveis neste ambiente), pois a
qualidade do roteamento vai definir o nível de emissão eletromagnética da PCI (placa de circuito
impresso).

Assim, um equipamento construído com PCIs roteadas automaticamente e sem controle pode revelar-
se uma terrível ‘antena’ emissora ou receptora de interferências eletromagnéticas, quando o mesmo
equipamento desenvolvido com PCIs simuladas e roteadas cuidadosamente pode possuir uma
margem de vários decibéis abaixo da norma especificada (dependente do projeto).

A telefonia celular já atinge a faixa de 0,9 a 3 GHz, o que pode vir a causar ignição de fluidos
inflamáveis. As interferências oriundas dos impulsos atmosféricos já são há tempo conhecidas, os
tradicionais chiados no rádio. Relés, motores elétricos, lâmpadas fluorescentes, efeito corona e rádio
faixa cidadão são outros exemplos de emissores de campos eletromagnéticos possivelmente
interferentes. A Interferência eletromagnética (Electro Magnetic Interference – EMI) é a ocorrência de
alterações funcionais em um determinado equipamento devido a sua exposição a campos
eletromagnéticos. Campos eletromagnéticos (ou ondas eletromagnéticas) resultam da combinação de
um campo magnético e um campo elétrico, ambos variantes no tempo (oscilantes), em planos
perpendiculares.

86
Figura 76 - Campos estacionários devidos a fontes fixas: magnético e elétrico.

A radiação de campos eletromagnéticos no espaço (fig. 77) é a forma mais eficiente de transmissão
de energia e informação (através da modulação da onda portadora). O alcance e a capacidade de
transportar energia e/ou informação dependem da freqüência do campo eletromagnético, de sua
potência e da eficiência do acoplamento entre emissor e receptor. A transmissão de energia
eletromagnética pode se dar também por condução direta (através de fios e cabos elétricos): é a
chamada interferência conduzida. Depende de meio físico para se propagar (e por isso é mais fácil de
ser contida).

Figura 77 - Radiação de um campo eletromagnético no espaço

Espectro eletromagnético: uma propriedade importante dos campos eletromagnéticos é sua


freqüência (medida em hertz – Hz, ou ciclos por segundo). Os campos com as freqüências mais
baixas (abaixo de 3 kHz) são chamados ELF (extra low frequency); eles são gerados por máquinas
elétricas e linhas de transmissão de energia (60 Hz).

Freqüências na região de kHz e MHz são chamadas de rádio-freqüência (RF) e usadas para
telecomunicações (rádio, TV etc.). Há uma divisão arbitrária em faixas de freqüência com diversas
siglas para particularizar faixas: EHF, SHF, UHF, VHF, HF, MF, LF e VLF.

87
Além dos equipamentos de radiodifusão, os computadores também emitem RF na faixa de kHz, além
dos campos associados à sua alimentação c.a.

Figura 78 – Faixa de radiações Figura 79 – Radiações

As freqüências na faixa de muitos MHz e GHz (chamada faixa de microondas) são usadas para
telefonia celular, fornos de microondas e radar (ver fig. 78). As radiações ionizantes contêm muita
energia em seus quanta (fótons), podendo deslocar elétrons das camadas mais exteriores dos átomos
que atingem. Esses átomos ionizados são muito reativos, e os elétrons deslocados (também
chamados “radicais livres”), quando participam de reações enzimáticas, aumentam o risco de dano
cromossômico, anomalias fetais e câncer. As radiações não-ionizantes não possuem energia
suficiente para deslocar elétrons de suas órbitas, e os efeitos biológicos são devidos a outros
mecanismos (calor).

O homem modificou o ambiente de exposição a campos eletromagnéticos mais do que qualquer outro
aspecto do ambiente. Com o advento das telecomunicações, a densidade de ondas no espaço é
agora muitos milhões de vezes maior do que os níveis originais na mesma região espectral.

88
Tabela 6 – Fontes de interferências eletromagnéticas

Uma preocupação séria foi manifestada pelo Parlamento Europeu quanto às densidades de radiações
emitidas atualmente, tanto em altas como em baixas freqüências (os países mais desenvolvidos
emitem níveis tão elevados de potência em baixas freqüências que podem ser detectados pelos
satélites). Terminologia empregada na área de interferência eletromagnética:
1) Ruído eletromagnético: fenômeno eletromagnético variável no tempo que aparentemente não
transporta informações, e que pode se superpor ou combinar com um sinal desejado.
2) Emissão (eletromagnética): fenômeno pelo qual uma energia eletromagnética emana de uma
fonte.
3) Interferência eletromagnética: fenômeno eletromagnético que pode degradar o desempenho
de um equipamento e/ou sistema. Uma interferência pode ser um ruído eletromagnético, um
sinal indesejado ou uma mudança no próprio meio de propagação.
4) Degradação (de desempenho): desvio indesejado do desempenho operacional de qualquer
equipamento e/ou sistema em relação ao desempenho pretendido. Pode ser decorrente de
uma falha temporária ou permanente.
5) Imunidade: capacidade de um equipamento e/ou sistema funcionar sem degradação na
presença de uma perturbação eletromagnética.
6) Susceptibilidade (vulnerabilidade eletromagnética): impossibilidade de um equipamento e/ou
sistema funcionar sem degradação na presença de uma perturbação eletromagnética. É a
ausência de imunidade.
7) Descarga eletrostática: transferência de carga elétrica entre dois corpos de potencial
eletrostático diferente, colocados na proximidade um do outro ou diretamente em contato.

A emissão de radiação eletromagnética pode ser intencional. São exemplos os sistemas de


telemetria. Os equipamentos médicos hospitalares (fig. 80) contêm geralmente dezenas ou centenas
de componentes eletrônicos que podem funcionar como pequenas antenas para os sinais de RF. Os
efeitos dos sinais eletromagnéticos irradiados dependem da intensidade do campo (V/m) percebido

89
pelo equipamento, do comprimento de onda (freqüência) deste sinal em relação às dimensões dos
componentes e cabos (agindo como antenas espúrias), e do tipo de modulação do sinal interferente.

Figura 80 – Equipamento médico

No Brasil, adota-se a norma de compatibilidade eletromagnética NBR/IEC 601-1-2/97 segundo a qual


os equipamentos médicos hospitalares devem ser projetados de tal forma que seu desempenho não
seja comprometido na presença de campos elétricos com intensidades de até 3 V/m em uma faixa de
freqüência de 26 a 1.000 MHz; devem também suportar descargas eletrostáticas de até 3 kV (contato
entre partes acessíveis condutoras).

Figura 81 – Radiações eletromagnéticas

Além dos níveis de radiação, há diferenças entre os tipos de radiações: oscilações regulares e
constantes, ou pulsos de radiação eletromagnética (fig. 81). A IEM (interferência eletromagnética) em
equipamentos médicos é quase sempre imprevisível. Apesar de, na maioria dos casos, os
equipamentos de comunicação móvel serem os responsáveis pela interferência detectada, ela não é
sempre reprodutível por uma das seguintes razões:
1) Quando a radiação está próxima do limiar de susceptibilidade do equipamento, a interferência
pode depender de coincidir com um período de latência do equipamento médico (depende do
processamento interno de informações).
2) O arranjo e a localização dos cabos externos do equipamento podem ser diferentes em cada
situação.

90
Por essas razões, é importante a padronização dos procedimentos tanto de medida quanto de ensaio
de interferência, para que as conclusões possam ser consistentes e, na medida do possível,
reprodutíveis, de maneira a minimizar os erros. Uma IEM pode ocasionar alterações bruscas no
funcionamento de um equipamento médico, resultando em modificações perceptíveis (evento de fácil
detecção), ou promover alterações discretas no funcionamento (eventos de difícil detecção).

Um telefone celular operando com potência de 600 mW estará produzindo, a 1 m de distância, um


campo elétrico de aproximadamente 4,3 V/m. A potência dos telefones celulares ajusta-se
automaticamente, dependendo da intensidade do sinal da rádio-base, sendo tipicamente 600 mW. Já
os rádio-comunicadores usados em manutenção e segurança operam sob potências constantes que
podem atingir até 3 W. São exemplos de problemas de CEM (compatibilidade eletromagnética):
1) Interferência em canais de televisão originária em soldadores em RF (Rádio Freqüência).
2) Interferência em rádio e televisão originária em sistemas de potência.
3) Descargas atmosférica indiretas em linhas de distribuição.
4) Linha cruzada ou diafonia.
5) Placas de memórias são destruídas na instalação.
6) O computador interfere com a recepção da rádio FM.
7) Receber na TV, rádio ou amplificador estações de rádio amador ou faixa cidadão.
8) Telas de computador oscilar na presença de campos magnéticos.
9) Placas de circuito impresso que só funcionam para um determinado grupo de dados.
10) Telefones celulares interferem na navegação aérea e naval.
11) Descontroles de CLP devido a acoplamento mútuo.
12) Telefones celulares podem causar ignição de vapores de gasolina ou querosene.
13) Lap-tops e eletrônica causam interferência em aviônica.
14) Chaveamento eletrônico interferindo em sistemas de controle e manutenção.
15) Motocicletas e carros interferindo na televisão.

Existem formas de reduzir as interferências através da utilização de pares trançados de diversos


elementos de um sistema de medida que podem ser conectados com pares trançados. Assim, o ruído
induzido poderá ser cancelado devido à direção das correntes, já que os campos induzidos se
cancelam (veja-se a fig. 82).

Outra forma de reduzir as interferências é através da grade eletrostática. Com este método, evitam-se
todos os tipos de acoplamento capacitivo e magnético, já que o sistema de medida se encontra
cercado por uma grade metálica aterrada. Entretanto, este método pode apresentar o problema de
múltiplos terras, conforme a figura 84.

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Figura 82 - Redução de interferência usando pares trançados

Figura 83 – Problemas de CEM

Figura 84 - Redução de interferência usando grade eletrostática

2.7 ELETRÔNICA DIGITAL E ANALÓGICA

Quando se fala em instrumentos de medição, sempre há menção ao seguinte: "é analógico ou digital".
Normalmente, refere-se à forma como é feita a medição - e a conseqüente indicação. Veja-se um
exemplo de amperímetro analógico (fig. 85) e de um voltímetro digital (fig. 86).

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Os modelos analógicos têm como vantagem uma boa fidelidade de medição, mesmo sob presença de
harmônicas e outras interferências no circuito que se deseja medir. Já os digitais possuem a
vantagem de uma melhor visualização, principalmente os que utilizam LCD (liquid cristal display) com
back light (luz de fundo).

Antes de fazer as medições, é necessário estudar bem tanto o circuito quanto o instrumento que se
vai utilizar. Muitas vezes, utiliza-se o instrumento certo, porém configurado/parametrizado de forma
incorreta, e acaba-se por danificar tanto o instrumento de medição quanto o circuito a ser medido.

Figura 85 - Amperímetro analógico Figura 86. - Voltímetro digital

É preciso lembrar, também, que uma corrente de cerca de 100mA passando pelo corpo humano é
suficiente para o comprometimento da vida. Na dúvida, não se deve fazer a medição. Um
amperímetro, como o próprio nome sugere, serve para medir ampères, isto é, corrente. Existem
amperímetros para medição em corrente contínua (C.C., DC) e para corrente alternada (C.A., AC).
Um amperímetro sempre deve ser conectado em série ao sistema, como é ilustrado na figura 87.

Figura 87 - Esquema de ligação de um amperímetro Figura 88 - Alicate amperímetro

A resistência interna do amperímetro é extremamente pequena, o que significa que ele não interfere
na resistência equivalente do circuito, indicando uma corrente próxima àquela que realmente existe no
circuito. Quando se trabalha em um circuito de corrente alternada, não há necessidade de
preocupação com a polaridade do amperímetro. Isto é, tanto faz qual cabo se conectará em cada
parte do circuito. No entanto, ao trabalhar em corrente contínua, deve-se dar atenção ao sentido da
corrente. A corrente sempre deve entrar no amperímetro por seu pólo positivo (+, normalmente
indicado pela cor vermelha) e sair por seu pólo negativo (-, normalmente indicado pela cor preta).

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A maioria dos amperímetros possui fusíveis de proteção interna para o caso de a corrente que for
passar por ele ser maior do que sua capacidade. Eventualmente, ao se utilizar o amperímetro de
forma incorreta, esses dispositivos de proteção atuarão e terão de ser substituídos. Certos
amperímetros (principalmente os inclusos em multímetros) não possuem proteção para certas
escalas, que normalmente são identificadas como unfused (sem fusível, na tradução). Aqui, é uma
idéia conectar um fusível em série com uma corrente nominal compatível com a escala que se está
utilizando.

É necessário conectar sempre o amperímetro em série ao circuito. Em certas situações, vê-se que
isto não é possível, como no circuito de uma residência. Supondo que se quer medir a corrente de
uma das fases que alimentam o circuito interno de uma residência, infelizmente não é possível "abrir"
o circuito sem que haja seu desligamento. Nesta situação, utiliza-se o alicate amperímetro (fig. 88),
que é um sensor de corrente colocado em volta do cabo que se deseja medir e, através de um sensor
com base no efeito hall, é feita a medição da corrente da linha, tanto contínua quanto alternada.

O principal erro ao se utilizar um amperímetro é efetuar a medição em paralelo, não em série. O


resultado será um curto-circuito, evidenciado pela carbonização de alguns pontos e a possível queima
da proteção do equipamento, ou mesmo de seu fusível.

Para entender melhor o que acontece ao se conectar o amperímetro em paralelo a um circuito F+N,
com 127Vc.a. nominais, faz-se necessário saber que a resistência interna do amperímetro, como dito
anteriormente, é extremamente baixa. Como exemplo utilizar-se-á o equipamento "DG 48 Alternado -
Entrada 5Ac.a." fabricado pela KRON Instrumentos Elétricos. Ele é um indicador de painel para
corrente alternada de até 5Ac.a.. Conforme o catálogo técnico do fabricante, a resistência interna
deste amperímetro de painel é de 0,02 ohms. Pela Lei de Ohm, ter-se-á uma tensão de 127Vc.a. com
resistência de apenas 0,02 ohms, o que daria absurdos 6350Ac.a. passando pelo amperímetro.
Obviamente, dispositivos de segurança irão atuar, sejam eles fusíveis, dispositivos internos do
instrumento ou, até mesmo, o disjuntor do quadro da instalação em questão. Na melhor das
hipóteses, se terá apenas que substituir o fusível do equipamento; na pior, pode-se danificar não só o
equipamento, mas também o circuito que se está medindo.

Voltímetros, como o próprio nome sugere, medem VOLTS, isto é, diferença de potencial, ou tensão,
como se preferir. Um voltímetro também pode ser para corrente alternada ou corrente contínua. Ao
contrário do amperímetro, possui alta resistência interna para que pouca corrente circule por ele e não
ocorra alteração na resistência equivalente do circuito a ser medido. Sua conexão a um circuito é
ilustrada abaixo, onde se estará medindo a queda de tensão existente em cima da lâmpada de 120
ohms.

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Assim como o amperímetro, não existe polaridade para o voltímetro quando se trabalha em corrente
alternada. No entanto, ao trabalhar com corrente contínua, passa-se a ter de respeitar a polaridade.

Ao contrário do amperímetro, onde efetuar a conexão de forma incorreta pode ocasionar danos ao
circuito e ao instrumento, conectar um voltímetro em série não acarreta nenhum tipo de dano ao
instrumento ou ao circuito que se está medindo. Explica-se: conectar uma resistência altíssima em
série faz com que a corrente de todo o circuito diminua, ocasionando, muito provavelmente uma
interrupção de seu funcionamento. No entanto, não existe possibilidade de queima.

Um multímetro, como o nome indica, engloba a medição de diversas grandezas em um só aparelho.

Figura 89 - Multímetro

Escolhe-se a escala adequada antes de conectar o multímetro ao circuito. Se, por exemplo, se vai
medir uma bateria de 9V e tem disponíveis as escalas de 200mVcc, 2Vcc, 20Vcc e 200Vcc, utiliza-se
a de 20Vcc para ter uma melhor precisão de sua medição. O ideal são as de invólucro de borracha
(altamente isoladas) e com ponta fina, para evitar curto-circuitos. As pontas de prova devem fazer um
ângulo de 90º com o que se deseja medir. Dá-se preferência a pontas de prova onde se possam
encaixar garras jacaré, úteis quando se deseja, por exemplo, fazer medição de diversos pontos ao
terra do circuito.

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Grandeza Unidade Comentário
Vc.a, Indispensável. A maioria dos multímetros trabalha com tensões de até
Tensão
Vc.c 1000V. Para circuitos de baixa tensão, é mais do que o suficiente.
Ac.a.
Corrente Indispensável. Dê preferência aos que têm fusível com fácil acesso.
Ac.c
Indispensável. Mede resistência e, em muitos casos, continuidade de dois
pontos. Lembre-se que esta escala só deve ser utilizada com o circuito
Ohmímetro Ohms
desenergizado. Dê preferência aos que possuem teste de continuidade e
para diodo com "bip" (aviso sonoro).
Ganho de Transistor Útil para a verificação de transistores. Embora não seja preciso, é útil para
(hFE) determinar se o transistor está ou não funcionando.
Útil para medição de capacitores. Lembre-se de desenergizar os
Capacímetro F
capacitores antes de utilizá-lo.
Útil para medição de indutores. Lembre-se de desenergizar os indutores
Indutímetro H
antes de utilizá-lo.
Útil para medição da freqüência do sinal alternado. Pode-se obter esta
Freqüencímetro Hz
freqüência tanto através da corrente como da tensão.
Wattímetro W Útil para medição da potência ativa (W) e reativa (Var). Normalmente se
utiliza essa opção em testes de motores de corrente alternada, onde se
Varímetro Var deseja medir o rendimento do mesmo. É necessário tanto sinal de tensão
quanto de corrente.
Mede o fator de potência, isto é, a defasagem entre a tensão e a corrente.
Cosfímetro É necessário tanto sinal de tensão quanto de corrente. Sua aplicação é
semelhante a dos wattímetros e varímetros.
Tabela 7 - A tabela acima indica os principais tipos de medida que um multímetro engloba.

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