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 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

O Estado elabora as leis e se submete às próprias leis. A atuação da administração está


limitada ao que determina a lei.

_ Administrados: podem fazer tudo que a lei não proíbe (autonomia da vontade).

_ Administração: só pode fazer o que lei determina ou autoriza (vontade legal).

Diferença entre Princípio da Legalidade e da Reserva Legal: A legalidade demonstra que a


Administração se submete a qualquer tipo de norma, desde a Constituição Federal até os atos
administrativos. O Princípio da Reserva Legal diz respeito àquelas matérias que a CF/88 obriga
que seja disciplina por uma lei.

A legitimidade é mais ampla que a Legalidade, porque abrange uma amplitude maior, mais
filosófica.

_ Exceções ao Princípio da Legalidade

1. Medidas provisórias: atos normativos, com força de lei editados pelo Presidente em
situações de relevância e urgência. Mesmo assim, fica sujeito ao crivo do Congresso
Nacional.
2. Estado de defesa (Art. 137): para manter a ordem a pública o Presidente pode limitar
algum direito, por meio de Decretos.
3. Estado de sítio (Art. 137): para manter a ordem a pública o Presidente pode limitar
algum direito, por meio de Decretos. Muito mais grave que o estado de defesa,
quando o estado de defesa não resolveu o problema.

 PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE

A ADM deve agir de forma impessoal, de forma que qualquer medida não pode favorecer
uma pessoa ou outra em virtude de características pessoais.

_Validade dos atos do Agente de Fato: Uma pessoa assume um cargo público com
documentação falsa (Eg. Comprovante de conclusão do Ensino Superior falso). Durante seu
trabalho dita diversos atos. Após um ano essa irregularidade é descoberta e o funcionário
é exonerado. Ainda assim, os atos que foram por ele editados permanecem válidos.

_Princípio da Finalidade ou Princípio do Interesse Público: toda atuação da administração


pública deve ser voltada para preservação do interesse público. O ato administrativo pode
beneficiar uma pessoa, só que isso não pode ser feito de maneira indevida.

Exemplo: a cota para pobres é um tipo de favorecimento para assegurar a isonomia entre
as pessoas.

_Princípio da Igualdade ou da Isonomia: Os desiguais devem ser tratados de maneira


desigual na medida de sua desigualdade para buscar a isonomia. E os iguais devem ser
tratados de maneira igual.

Por exemplo, no caso de licitações todos os concorrentes devem ser tratados de maneira
igual e possuírem a mesma probabilidade de ganho.

_Vedação à promoção pessoal (Art. 37, § 1º): A publicidade oficial deve ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social não fazendo propaganda para o prefeito ou
governador.
Exemplo: o prefeito reforma uma praça, não pode colocar uma placa com a foto do
prefeito, mas colocar em nome da instituição.

A publicidade oficial é diferente das campanhas eleitorais.

_Impedimento e suspeição: possui o objetivo de afastar de processos administrativos as


pessoas que não possuem condições de aplicar a lei de forma imparcial, em função de
parentesco, amizade ou inimizade.

 PRINCÍPIO DA MORALIDADE

Uma atuação ética, honesta, pautada na lealdade, probidade e boa-fé por parte dos
administradores e administrados.

Caso ofendido, esse princípio permite a anulação dos atos administrativos. A anulação é o
desfazer do ato quando há alguma irregularidade. Não somente irregularidades legais, mas
também de conduta.

Os princípios da moralidade e da legalidade andam juntos, na maioria das vezes quando se


ofende a moral também se ofende o princípio.

A moralidade objetiva é o ponto de vista da sociedade e a moralidade subjetiva é a moral


individual.

A moralidade independente de lei que proíba uma determinada conduta.

Súmula vinculante 13 do STF (vedação ao nepotismo): veda que nomeia um parente até 3º
grau para ocupar cargo de comissão ou de confiança. Somente para cargos de natureza
pública e não para cargos políticos. Exemplos de cargos políticos: Ministro do estado,
Secretários Estaduais, Secretário Municipal. A questão do nepotismo também está
associada ao Princípio da Impessoalidade.

Um ato pode ser imoral, ainda que o agente não tivesse a intenção de cometer uma
imoralidade.

 PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE

Transparência no âmbito da Adm. Pública. A publicidade é a regra, a exceção é o sigilo. A


Adm. somente não precisa fornecer uma informação quando se enquadrar numas das
exceções da CF/88.

A publicação é diferente da publicidade. A publicação é um meio para se ter a


publicidade, para que a sociedade fique sabendo do ato. Só que nem todo ato exige
publicação. Por exemplo, a modalidade licitatória “carta convite” exige que a cópia do
instrumento convocatório seja afixada num local de circulação para que a sociedade saiba
que licitantes não convidados possam participar.

Existem vários meios de se dar publicidade a um ato.

_Exigência de publicação em órgãos oficiais como requisito de eficácia: um ato


administrativo pode ser válido, mas para que produza seus efeitos (eficácia) precisa ser
publicado.

Por exemplo, o edital de licitação. Só começa a contar o prazo após a publicação do aviso
contendo as informações do edital.
Nem todo ato administrativo precisa ser publicado para fins de eficácia, mas tão somente
os que tenham efeitos gerais (destinatários indeterminados) e de efeitos externos
(alcançam os administrados), a exemplo dos editais de licitação ou de concurso.

Com exceção dos dados pessoais (dizem respeito à intimidade, honra e imagem das
pessoas) e das informações classificadas por autoridades como sigilosas (informações
imprescindíveis para a segurança da sociedade e do Estado), todas as demais informações
devem ser disponibilizas de alguma forma.

Meios de o administrado ter acesso: direito de petição

 PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA – tornou-se um Princípio Constitucional expresso apenas


com a Emenda Constitucional 19/1998. Busca de um melhor resultado e menor custo
possível.

A atividade administrativa deve ser exercida com presteza, perfeição e rendimento


funcional, buscando-se, assim, maior produtividade e redução dos desperdícios de
dinheiro público. Diz respeito a uma atuação com excelência, fornecendo serviços de
qualidade e com o menor custo possível.

Se apresenta em dois aspectos:

a) Organização da administração: Aumentar a autonomia gerencial dos órgãos em troca


de resultados melhores e mais eficientes.
b) Maior rendimento dos agentes públicos: Avaliação de desempenho para aquisição de
estabilidade e a possibilidade de perda de cargo público em virtude de uma avaliação
periódica do desempenho.

A busca pela eficiência deve ser visada em consonância com os demais princípios.

PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS

 PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE – Controle do excesso de


poder

Não está expresso na CF/88, mas estão expressos na Lei 9784/1999 (Lei do Processo
Administrativo Federal)

Se aplicam na limitação do poder discricionário (quando a lei deixa uma margem de


decisão, de julgamento), em particular na restrição ou imposições de sanções. O poder
Judiciário pode anular um ato administrativo discricionário que peque pelo excesso, mesmo
que esteja dentro do limite legal.

Por exemplo, um atraso de 15 minutos não pode gerar uma demissão. Uma advertência já
é suficiente.

Proporcionalidade: equilíbrio entre os meios que a Administração utiliza e os fins que ela
deseja alcançar. Limitação de excessos.

Razoabilidade: o agente público ao atuar com discricionariedade deve ter bom censo para
não cometer exageros. Observando a extensão e intensidade do que realmente é necessário
para alcançar o interesse público. Limitação de excessos.

Quando o Judiciário analisa um ato administrativo com fundamento da razoabilidade e


proporcionalidade, não tomará como base a conveniência e oportunidade (mérito), mas a
legalidade e legitimidade, podendo ser passíveis de anulação mediante provocação do Poder
Judiciário. O abuso vai além do mérito.

_Elementos da proporcionalidade: adequação, necessidade e proporcionalidade em


sentido estrito.

a) Adequação: o meio empregado deve ser compatível com o fim desejado.


b) Necessidade: não deve existir outro meio menos oneroso, o meio escolhido deve ser o
que causar menor prejuízo.
c) Proporcionalidade em sentido estrito: as vantagens devem superar as desvantagens.

PS: ninguém está obrigado a sofrer limitações superiores ao necessário para o atendimento da
finalidade pública.

Está ligado ao princípio da legalidade, porque o abuso também torna o ato ilegal.

 PRINCÍPIO DO CONTROLE OU DA TUTELA

Um controle finalístico da Administração Direta sobre a Indireta, para assegurar o


cumprimento de suas especialidades e finalidades. Mas não há hierarquia, somente
vinculação.

 PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA

A Administração Pública possui o poder de anular os próprios atos quando eivados de vícios
que o tornem ilegais, ou revoga-los quando inconvenientes ou inoportunos.

Esquema:

Controle da legalidade: Atos ilegais (anulação). A anulação trata de atos que foram praticados
na ilegalidade, tornando o ato inválido.

Controle do mérito: atos inconvenientes e inoportunos, (revogação). Os atos revogados foram


praticados dentro da legalidade, mas a Administração desistiu e resolveu revogar.

Súmula 346 STF/ Súmula 476 STF

A Administração pode exercer a autotutela por provocação (quando alguém solicita) ou de


ofício (quando a Adm. constata a irregularidade e decide anular). Todavia, a administração só
pode desfazer um ato que afeta o interesse do administrado após conceder o contraditório e
ampla defesa, desde que as pessoas afetadas sejam determinadas.

Somente a administração que editou o ato pode revogá-lo, o Poder Judiciário só tem poder
para anulação dos atos de outros poderes. Isso porque o Poder Judiciário analisa somente as
questões de Legalidade e Legitimidade, não podendo interferir no mérito administrativo. O
Poder Judiciário só pode revogar os próprios atos, quando exerce sua função atípica
administrativa.

A possibilidade anulação de atos decai em cinco anos (decadência), salvo comprovada má-fé.
Outro sentido: zelar pelos bens que integram o seu patrimônio, sem necessidade de título
fornecido pelo Judiciário (pode adotar suas medidas de Polícia para proteger seu patrimônio).

 PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE – se destina às entidades administrativas

Descentralização administrativa (administração indireta) com a criação de entidades para


o desempenho de finalidades específicas. Qualquer entidade da administração indireta precisa
de uma lei que autoriza e define a área de atuação da entidade.

O objetivo desse princípio é verificar se está sendo observado o princípio da legalidade e


indisponibilidade do interesse público. Se a entidade está atuando na finalidade que foi
prevista e se o gestor está atuando a favor do interesse público, porque ele não é o dono.

 PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO

_Demonstração dos pressupostos de fato e de direito.

Motivo: o que levou a praticar um ato.

Motivação: descrever os fundamentos que levaram a um determinado posicionamento.


Descrever o motivo.

De fato: mundo concreto, o que realmente ocorreu.

De direito: o dispositivo legal que fundamenta o posicionamento.

Instrumento de controle

Permite o exercício do contraditório e da ampla defesa

Incide sobre os atos vinculados (menos margem de julgamento) e discricionários (maior


margem para julgamento).

Motivação aliunde: Lei 9784/199 Art. 50, § 50. A motivação deve ser explícita, clara e
congruente, podendo consistir com fundamento anteriores.

Todos os atos devem ser motivados (vinculados ou discricionários), com uma única exceção:

> Exoneração de ocupante de cargo em comissão, conhecida como exoneração ad nutum, não
precisa ser motivada porque o cargo é livre nomeação e exoneração.

 PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO

Os serviços públicos devem ser prestados de forma ininterrupta. Alcança toda a atividade
administrativa.

 Consequências:
a) Restrição ao direito de greve: não é uma proibição absoluta porque está na CF/88,
mas precisa de lei que regulamente. Militares não podem fazer greve. Policiais
civis e outros funcionários na área de segurança também não podem.
b) Interinidade, suplência, delegação e substituição para preencher funções públicas
temporariamente vagas.
c) Limitação da exceção ao contrato não cumprido: os contratados pela
Administração Pública devem tolerar pelo menos 90 dias de atraso do pagamento.
d) Equilíbrio econômico e financeiro nos contratos administrativos: se a Adm alterar
um contrato deve manter o equilíbrio econômico financeiro para não correr o
risco de quebrar a empresa e gerar uma rescisão do contrato.
e) Princípio não é absoluto: o serviço pode ser interrompido em virtude de não
pagamento.
Se o poder público for inadimplente pode cortar os serviços, com exceção
daqueles que são essenciais, por exemplo, fornecimento de energia elétrica para
hospitais e escolas.

 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA

Art. 5º, LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

Aplica-se a processos punitivos ou com litigantes

 Litigantes: O objetivo não é aplicar uma pena, mas existe um conflito.


 Processo punitivo: Ex: processo administrativo disciplinar.
 Contraditório: direito que o interessado possui de tomar conhecimento das alegações
e poder se contrapor.
 Ampla defesa: direito de utilizar todos os meios juridicamente aceitos para provar o
que alega.

 PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA: assegurar a estabilidade da relação jurídica.

Impedindo que a administração tome decisões contraditórias o tempo todo. Proteção do


direito adquirido, ato jurídico perfeito e a coisa julgada (esgotou as instâncias no âmbito
judicial), súmulas vinculantes (obriga todas as instâncias a decidirem exatamente como está na
Súmula).

 Vedação da aplicação retroativa de nova interpretação: A Administração evolui e


modifica seus entendimentos, mas novos entendimentos não devem ser aplicados de
forma retroativa.
 Prescrição e decadência: também tem o objetivo de assegurar a estabilidade.
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram
os efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em
que foram praticados.

 Aspecto objetivo e subjetivo: Segurança jurídica (objetivo) X Confiança legítima


(subjetivo)
 Preservação dos efeitos perante terceiros de boa-fé.

 PRINCÍPIO DA HIERARQUIA
Na função administrativa. A Administração Pública se estrutura hierarquicamente.

 PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO
Evitar danos graves à sociedade por meio de medidas preventivas.

 PRINCÍPIO DA SINDICABILIDADE
Todas as ações da administração são passíveis de controle, seja pela própria
administração pública, pela sociedade e pelos outros poderes.

 PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE OU DE VERACIDADE


Presunção da verdade: que os fatos alegados para praticar o ato são verdadeiros.
Presunção da legalidade: o ato correu dentro dos parâmetros legais.