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Módulo 1 – Enfoques iniciais: conceitos básicos

Apresentação do Módulo

Neste módulo você estudará os principais conceitos relacionados à temática des te


curso, entre eles: prova, prova material, cadeia de custódia e busca e apreensão.

Objetivo do Módulo

Ao final do estudo deste módulo, você será capaz de:


- Conceituar prova e prova material;
- Descrever a cadeia de custódia;
- Definir busca e apreensão;
- Compreender a finalidade da busca e apreensão;
- Identificar os momentos da busca e da apreensão.

Estrutura do Módulo

Aula 1 – Conceitos e enfoques básicos


Aula 2 – Busca e apreensão
Aula 3 – Cadeia de custódia

Aula 1 – Conceitos e enfoques básicos

1.1. Prova

Se você tem uma palavra conhecida e quer saber o significado, a primeira fonte de
consulta é o dicionário. No dicionário Aurélio (versão eletrônica, 2004), o significado geral de
prova nos diz ser “aquilo que serve para estabelecer uma verdade por verificação ou
demonstração”. Em nosso caso específico, nos interessa a prova em sentido mais
direcionado, ou seja, para a demonstração jurídica de um fato.

Então, se você for consultar um dicionário jurídico, encontrará assim:

Do latim proba, de probare (demonstrar, reconhecer, formar juízo de), entende-se,


assim no sentido jurídico, a denominação que se faz, pelos meios legais, da
existência ou veracidade de um fato material ou de um ato jurídico, em virtude da
qual se conclui por sua existência do fato ou do ato demonstrado.
A prova consiste, pois, na demonstração de existência ou da veracidade daquilo que
se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta (PLÁCIDO
E SILVA, 2005, p. 1125).

No aspecto criminal, você, profissional de segurança pública, deve estar preocupado


com a busca incessante e célere da verdade real, coletando indícios e provas que possam ser
trazidos à investigação policial de forma clara e cristalina.

Refletindo sobre a questão


Neste prisma policial/criminal, o que deve se entender como prova?

Em poucas palavras, PROVAR é, antes de qualquer coisa, estabelecer a e xistência da


verdade; e as provas são os meios pelos quais se procura estabelecê-la.

O tema estudado neste material relaciona-se diretamente com a prova, ou melhor, são
sequenciais. Como assim sequenciais? Observe você. Ao realizar uma busca, seja ela
domiciliar ou pessoal, está procurando o quê? Nada mais nada menos que elementos que
interessam à investigação criminal, objetivando estabelecer um liame com o fato investigado,
ou seja, você busca, entre outros, verdade por intermédio da PROVA.
Não é objeto de estudo neste tema e por isso não seria viável discorrermos sobre a
PROVA em todos os seus aspectos. Por outro lado, a busca e a apreensão estão diretamente
relacionadas à PROVA MATERIAL.

1.2. A prova material

É o conjunto de meios probantes idôneos, manifestados na forma de evidências


periciais ou documentais, capazes de afirmar a existência positiva ou negativa de um fato
alegado.

Para se chegar ao esclarecimento de qualquer fato ocorrido, será preciso realizar


investigações a fim de reunir informações confiáveis para o esclarecimento da verdade. Isso
significa que se está buscando prova(s) daquele(s) fato(s) delituoso(s), que podem ser
objetivas (periciais ou documentais) ou subjetivas (testemunhos, confissões, etc.).

Essa prova objetiva é a que também conhecemos como prova material.

O que se entende doutrinariame nte por PROVA MATERIAL?

Preste atenção, pois na atividade de busca e apreensão interessa a prova material, tanto
a pericial quanto a docume ntal.
Importante!

PROVA MATERIAL é uma das classificações dos elementos de prova, entendendo-se que
quanto à forma pode ser, entre outras, MATERIAL, ou seja, aquela consistente em qualquer
materialidade que sirva de prova ao fato que venha sendo investigado, como o instrumento
utilizado na prática do crime e os exames periciais realizados nos vestígios coletados no
próprio local de crime.

Resumindo, PROVA MATERIAL é:

Todo vestígio visível e que ofereça a oportunidade de apossamento ou constatação,


sujeito ou não à realização de exames periciais, a depender da análise da cada caso.

Mas qual é a diferença entre a prova pe ricial e documental?

Ambas, como você já deve ter percebido, estão dentro do conjunto prova material.
Então, veja a definição de cada uma delas, com o foco no instituto da busca e apreensão.

A prova pericial pode ser entendida como os elementos materiais diretamente


relacionados à ação delituosa. De tais elementos, após processados pericialmente, obtém-se a
certeza científica ou não, da sua relação com o crime ou seu autor. Já a prova docume ntal é
aquela estruturada em um papel escrito ou registro eletrônico onde está demonstrado um fato.
Sua produção pode não estar vinculada especificamente à ação criminosa, mas com ela ter
algum tipo de relação, servindo para demonstrar fato alegado na investigação.

Veja dois exemplos que ilustram a questão.


Exemplo 1 – Em uma investigação de homicídio, a busca e apreensão podem resultar na
apreensão de um revólver, o qual, após periciado, comprova que foi utilizado para matar a
vitima. Trata-se, portanto, de uma prova pericial.

Exemplo 2 – Nesta mesma diligência, você poderá encontrar um contrato comercial, onde
existam obrigações assumidas pela pessoa investigada (objeto da busca) em relação à vítima.
Após a devida análise, poderá restar provado que tal relação comercial foi um dos motivos do
crime.

Antes de você discutir a definição geral de prova material, é necessário que


compreenda a resposta para o questionamento a seguir: Prova documental é prova científica?
Em sentido mais amplo, entende-se que sim, e esta afirmativa está baseada no próprio
significado vernacular do que seja documento.

O artigo 6° e seus incisos, no Código de Processo Penal (CPP) permite ao policial


investigador, sob a coordenação da autoridade policial, uma liberdade na procura da verdade
real, essencialmente se observarmos o inciso III onde se diz: “Todas as provas que servirem
para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias...”.

Você deve observar que, mesmo não havendo restrição na busca da pro va, não se
admite a utilização de meios que atentem contra a moralidade e a dignidade da pessoa
humana, em face dos princípios constitucionais. A título de exemplo, cabe destacar que não se
admitem provas obtidas mediante tortura e aquelas por interceptação telefônica clandestina,
entre outras.

Importante!
É preciso destacar que nem todo crime deixa prova material, mas, se deixar vestígios,
é obrigatória a realização de exames periciais, conforme previsão do artigo 158 do CPP.
Agora, imagine um fato criminoso que veio a se consumar apenas com palavras
proferidas pelo autor do crime, como calúnia e difamação.

Quais os vestígios que podem ser apossados ou constatados mediante


a realização de exames periciais?

Obviamente que nenhum (desde que não tenha ocorrido gravação da voz). Entretanto,
por se tratar de um fato delituoso, a prova precisa ser buscada e, nestes casos, as testemunhas
presenciais narrarão ‘à autoridade policial o ocorrido. É o que se denomina de corpo de delito
indireto, ou seja, suprido por prova testemunhal devido à inexistência de vestígios a serem
periciados.

Aula 2 – Definição de busca e apreensão

2.1. Definições

Embora inseridos no mesmo capítulo do Código de Processo Penal, os termos são


diferenciados.

BUSCA é procura, revista ou pesquisa de pessoas, coisas ou mesmo rastros (vestígios) e


significa o movimento desencadeado pelos agentes do Estado para investigação, descoberta e
pesquisa de algo interessante para o processo penal, realizando-se em pessoas e lugares.

APREENSÃO corresponde ao apossamento, à detenção de coisas ou de pessoas, etc., sempre


determinada pela autoridade competente e é medida assecuratória que toma algo de alguém ou
de algum lugar, com a finalidade de produzir prova ou de preservar direitos, indicando,
portanto, o apossamento.
Em suma, pode-se afirmar que busca é a diligência destinada a encontrar a pessoa ou a
coisa que se procura; e a apreensão, tecnicamente falando, é a medida constritiva que a ela se
segue.

Por isso é que se afirma que, estando ausente na diligência a autoridade policial, os
policiais devem proceder à busca e à arrecadação (e não apreensão, no sentido técnico) dos
elementos de convicção, apresentando-os, em seguida, ao Delegado para as formalidades
legais.

2.2. Finalidades da busca e apreensão

A finalidade da busca é encontrar ou descobrir coisas que interessem à investigação,


ou seja, elementos capazes de tornar certos fatos e circunstâncias conhecidos para que, nesta
condição, sirvam de prova. A busca é meio idôneo para proceder à apreensão (coisas
possíveis de serem apossadas) ou à constatação (exemplo: coleta de impressões digitais).

2.3. Momentos para a realização da busca e apreensão

Vários são os momentos para a realização tanto da busca quanto da apre ensão. Veja...
Na fase preparatória de um procedimento policial ou judicial;
Durante a investigação policial, com ou sem inquérito;
Durante a instrução do processo judicial e ao longo da execução penal.

Ao receber a notícia de um crime, deve a autoridade policial, antes mesmo da


instauração do inquérito policial, verificar a procedência da informação, objetivando constatar
a sua materialidade, ou seja, a prova da existência do fato criminoso.
Refletindo sobre a questão!
Imagine você, ao receber a notícia de um homicídio, não ter condições mínimas de
constatar a existência do cadáver ou de outro vestígio a ele relacionado.
Obviamente, para que se inaugure uma investigação criminal sob o aspecto formal,
mediante inquérito policial, preliminarmente se faz necessária a constatação do fato
criminoso. No caso mencionado, a busca com conseq uente apreensão, até mesmo das provas
materiais, ocorrem em uma fase preparatória do procedimento policial.

Chama a atenção a possibilidade da realização da busca ao longo da execução penal,


ou seja, após a sentença penal. Entretanto, você, na condição de policial, em algumas
oportunidades a realiza sem a percepção de que aquela diligência se enquadra perfeitamente
nos ditames da busca e apreensão.

Exemplo
No cumprimento de um mandado de prisão decorrente de sentença penal ou no cumprimento
de mandado judicial que determine constatar se determinado condenado vem cumprindo com
as restrições de uma prisão domiciliar.

Aula 3 – Cadeia de custódia

3.1. Definição

Considerando o foco do tema do curso, você está diante do que seria a sequência de
proteção ou guarda dos elementos encontrados durante a execução de uma busca e
apreensão.

Então, como você já pode deduzir, a cadeia de custódia é:


A garantia de total proteção aos elementos encontrados e que terão um caminho a percorrer,
passando por manuseio de pessoas, análises, estudos, experimentações e demonstração-
apresentação até o ato final do processo criminal.

3.2. Finalidade da cadeia de custódia

A finalidade da cadeia de custódia é assegurar a idoneidade dos objetos e bens


apreendidos, a fim de evitar qualquer tipo de dúvida quanto à sua origem e caminho
percorrido durante a investigação criminal e o respectivo processo judicial.

Se não aconteceu com você, muito provavelmente já ouviu falar de fatos dessa
natureza, em que é levantada a suspeição sobre as condições de determinado objeto
apreendido ou sobre a própria certeza de ser aquele o material que de fato fora apreendido.
Assim, o valor probatório de um material será válido se não tiver sua origem e tramitação
questionada. Isso acarretará prejuízo para todo o processo como um todo.

Tudo isso se resolve com os cuidados minuciosos na guarda e proteção do material


apreendido, mediante o rigoroso controle de rotinas e registros formais da movimentação
sofrida durante todo o processo investigatório e judiciário.

Sugerimos como leitura complementar o tópico idoneidade dos vestígios contido no


livro “Perícia Criminal e Cível” (ESPINDULA, Alberi, 2009, p. 85), em que são discutidos
esses aspectos já durante o exame pericial no local do crime.

3.3. Sequência de proteção

A sequência de proteção envolve desde o momento da realização da busca até a


entrega formal do inquérito policial à justiça. Mas você deve ficar atento para as situações nas
quais o inquérito volte da justiça para novas diligências. Tenha muita atenção para conferir
detalhadamente as condições de acondicionamento e lacre dos materiais que o acompanham.
E tudo deve ser registrado em documentos.

Os procedimentos a seguir pressupõem a participação de peritos criminais integrando a


equipe. Caso contrário, as tarefas e procedimentos listados nessa aula deverão ficar sob a
responsabilidade da autoridade policial.

Procedime nto 1 – A busca deve ser efetuada num cômodo de cada vez (sem desmembrar
a equipe para atuar simultaneamente em outros ambientes), visando o completo controle
dos bens desde o exato momento em que forem encontrados. Não se preocupe com o
tempo. Essa é uma tarefa que deve ser feita sem pressa e com muito critério.

Procedime nto 2 – A autoridade policial que estiver coordenando a busca – de acordo com
o planejamento prévio – deverá colocar somente alguns policiais (em número suficiente
para tornar a busca eficiente, mas sem congestionar o ambiente examinado) nessa tarefa.
Os demais ficarão vigiando os outros ambientes.

Procedime nto 3 – No momento em que algum objeto for encontrado ou em que seja
evidente a sua descoberta, os peritos criminais deverão coordenar os registros da busca,
utilizando-se dos recursos e técnicas criminalísticas para o tratamento de vestígios em
locais de crime. Além disso, a autoridade policial deverá chamar a atenção das
testemunhas para observarem o local onde o objeto se encontra.

Procedime nto 4 – Encontrado o objeto, primeiramente analisar as suas condições,


visando conhecê- lo adequadamente, a fim de não comprometer qualquer informação ali
contida e que possa ser alterada com o simples manuseio incorreto. Neste contexto pode
haver inclusive alguma forma de camuflamento do objeto que seja importante registrar no
exame.
Procedime nto 5 – Fazer o registro do objeto no exato local onde foi encontrado,
descrevendo tudo e valendo-se de fotografias e medições – a chamada amarração – para,
só depois, começar a manuseá- lo.

Procedime nto 6 – Caso seja imprescindível, os peritos criminais devem estar preparados
para realizar alguns exames no próprio local, visando evitar eventuais perdas antes da sua
movimentação e recolhimento. Isso para evitar a possível perda de alguma informação ao
manusear o objeto.

Procedime nto 7 – Antes do recolhimento do objeto, fazer a sua respectiva identificação,


para constar do laudo pericial e do auto de apreensão.

Procedime nto 8 – Colocar o objeto em embalagem adequada (malote, caixa, saco


plástico, etc.) e lacrar a sua abertura, apondo a assinatura do perito criminal e/ou da
autoridade policial. Quando tiver lacre próprio, relacionar no laudo e no auto de apreensão
o respectivo número do lacre. Recomendamos ainda que o perito criminal ou o delegado
de polícia acrescente um sinal/marca própria como garantia adicional, constando essa
informação no laudo e no auto.

Procedime nto 9 – Quando se tratar de material sensível ao manuseio e transporte, tomar


os devidos cuidados para mantê-lo como foi encontrado.

Procedime nto 10 – Transportar o objeto para o Instituto de Criminalística se for


necessário algum exame pericial. Do contrário, levar diretamente para a delegacia de
polícia onde estão sendo coordenadas as investigações. Em se tratando de valores ou
qualquer outro material peculiar (p.ex.: substância entorpecente), a autoridade policial
deverá providenciar a guarda em local seguro ou dar a destinação adequada. P.ex.: Caso se
trate de dinheiro, providenciar o seu depósito bancário, sob a custódia do Estado, ou
colocar em um cofre seguro.
Procedime nto 11 – Quando o objeto chegar na Criminalística, o lacre somente poderá ser
rompido pelo perito criminal que examinará o referido objeto, ficando sob a sua
responsabilidade até o final dos exames e entrega do laudo pericial. Durante o período do

exame, nos momentos em que não estiver sob a sua guarda visual direta, é preciso que a
Instituição tenha formas operacionais de guarda desse objeto, a fim de manter a sua
idoneidade. Todas essas informações deverão constar no laudo pericial.

Procedime nto 12 – Se o objeto foi diretamente para a Delegacia ou para lugar


predeterminado em função das suas peculiaridades, a autoridade policial deverá tomar
todas as providências para mantê- lo lacrado. Somente quando necessário o objeto poderá
ser aberto, o que, para tanto, deve ser formalmente registrado. Após, voltar a lacrar
novamente. Também nesse caso, essas movimentações devem constar de algum
documento formal inserido no Inquérito, inclusive listando o nome de quem abriu e quem
manuseou tal objeto até o lacre seguinte.

Procedime nto 13 – Quando o objeto chegar na Delegacia, procedente do Instituto de


Criminalística, juntamente com o laudo pericial, somente poderá ser aberto na estrita
necessidade de algum exame. Não é preciso abrir para conferir o conteúdo, já que, estando
lacrado, a responsabilidade é do perito criminal até o momento em que for aberto, mesmo
que isso ocorra já no âmbito da Justiça. É bom lembrar que o rompimento do lacre sem
motivo justificado levanta suspeitas a priori sobre a idoneidade do objeto, além de
transferir a responsabilidade da guarda para quem o abriu.

Procedime nto 14 – No encaminhamento do Inquérito Policial ao Judiciário, ao relacionar


os materiais apreendidos, deverão ser registrados todos os procedimentos adotados para a
manutenção da cadeia de custódia e, ao final, informado que tais lacres só podem ser
abertos por autoridade devidamente habilitada para tal nos autos do processo.
Importante!

É importante lembrar a necessidade de seguir um rigoroso controle dos objetos apreendidos e


de registrar toda essa tramitação em documentos, de maneira a ser possível reconstituir – com
absoluta segurança – o caminho e manuseios que esses objetos sofreram ao longo do período
em que esteviveram em poder da polícia e da perícia.

Você conclui o módulo 1. A seguir você estudará os aspectos legais da atividade de busca
e apreensão.

Finalizando...

Prova material é todo vestígio visível e que ofereça a oportunidade de apossamento


ou constatação, sujeitos ou não a realização de exames periciais, a depender da
análise da cada caso.

Busca é a diligência destinada a encontrar a pessoa ou a coisa que se procura; e a


apreensão, tecnicamente falando, é a medida constritiva que a ela se segue.

A cadeia de custódia é a garantia de total proteção aos elementos encontrados e que


terão um caminho a percorrer, passando por manuseio de pessoas, análises,
estudos, experimentações e demonstração-apresentação até o ato final do processo
criminal.