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Comentário sobre a disciplina Antropologia, Ética e Cultura

Prof. Dr. Everton Luís Sanches


Olá! Como vai? Espero que esteja bem. Estou pensando em como posso resumir o nosso
estudo desse semestre. Acho que podemos começar pelo objetivo da disciplina Antropologia, Ética e
Cultura, que é estudar o ser humano. Só que para fazer isso precisamos entender quem somos nós. Isso
é meio difícil de definir. Sabe por quê? Porque estamos mudando o tempo todo. Ao longo da nossa
vida fomos bebes, depois crianças, adolescentes... Em cada uma dessas etapas acreditamos em coisas
diferentes, fazemos coisas diferentes e pensamos coisas diferentes. Passamos por várias etapas na
nossa vida pessoal, não é mesmo? E da mesma maneira o ser humano também mudou ao longo da
história da humanidade. Então, assim como mudamos ao longo de nossa vida pessoal, “ser humano”
também significou coisas diferentes ao longo da história da humanidade.
Na Antiguidade, na Grécia e em Roma, somente os cidadãos tinham direitos e liberdade. Os
cidadãos eram os homens mais abastados e as pessoas de inteligência considerada acima da média.
Havia também os fortes guerreiros, que se destacavam pela sua força física e habilidade na guerra.
Esses eram tratados como seres humanos, enquanto os demais eram ou escravos, ou tratados como
inferiores; inclusive as mulheres eram vistas assim. Havia uma distinção entre o espírito humano, que
era considerado divino e o corpo, que era a parte física. Acreditava-se que o espírito era algo superior,
porém limitado pelo corpo.
Na Idade Média veio o cristianismo e com ele foi construída a ideia de “pessoa humana”.
Acreditava-se que todos os seres humanos eram filhos de Deus, criados por Deus e, por isso, poderiam
exercer sua fé em Deus, aceitando as suas condições de vida e buscando cada vez mais a Deus, o que
levaria ao perdão dos pecados e à vida eterna ao lado de Deus, depois da morte. Assim, mesmo
considerando que todos somos “pessoas humanas” e existimos porque Deus nos criou, as pessoas que
nasciam em condições ruins na Idade Média permaneciam vivendo em condições ruins e aqueles que
nasciam mais abastados assim também continuavam. Ou seja, para os mais pobres as coisas não
melhoraram.
O período do Renascimento concentrou a atenção no desenvolvimento artístico e cultural das
pessoas. Assim, o ser humano começou a ser considerado em primeiro lugar e não somente como um
filho de Deus que tem que ter fé Nele. O ser humano era considerado um ser criativo que pode fazer
coisas maravilhosas no mundo, como obras de arte e máquinas, entre muitas outras coisas. Dessa
maneira, as pessoas começaram a pensar mais livremente, mudando o mundo e construindo a ciência
moderna.
Na Modernidade o conhecimento científico evoluiu muito, de modo que até o entendimento
sobre o que é ser humano, ser uma pessoa humana, foi investigado pela ciência. Com isso, tanto
aquela ideia de espírito, lá do mundo antigo, como a visão cristã de que o homem era uma criação de
Deus e que deveria viver pela fé foram transformadas. A transformação das coisas práticas do dia a
dia, resolvendo os problemas do mundo com o uso da razão pela ciência moderna prevaleceram. A
evolução material era o que mais importava e o ser humano era definido de maneira racional e
científica.
Depois da Revolução Francesa, em 1789, começou o período da Contemporaneidade. Nesse
período, é afirmada cada vez mais a importância dos bens materiais, ou seja, ser é igual a ter. A
definição científica do ser humano permanece e cada vez mais somos pessoas que vivemos,
compramos, trabalhamos e fazemos as coisas dia após dia, mas sem nenhum outro significado
espiritual. Vivemos, compramos e morremos. E é só isso.
A Idade Contemporânea abrange até os dias atuais, mas depois das duas guerras mundiais
temos muitas mudanças e, diante dessas mudanças, também vivemos um período específico dentro da
Contemporaneidade, chamado de Pós-modernidade. Esse período é caracterizado pelo avanço na
compreensão da pessoa humana e por uma crise de valores. De um lado, depois das grandes guerras
tivemos a promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, que defende a
pessoa humana, trazendo uma compreensão de que todos nós somos dignos de ter tratamento
equivalente, respeito e liberdade, no mundo inteiro, independentemente de qualquer diferença de
religião, gênero (homens ou mulheres), etnia (negro, branco, indígena, asiático, mestiço etc.),
orientação sexual (Heterossexual ou LGBT – Lésbica, Gay, Bissexual ou Transexual). Mas, de outro
lado, permanecem muitos conflitos no mundo inteiro de pessoas que lutam para ter seus direitos
respeitados. A compreensão de ser humano, ligada ao poder financeiro (dinheiro) que cada um possui,
continua reduzindo as pessoas à riqueza que elas possuem. As pessoas se sentem isoladas, muitas
vezes ficam tristes, competindo entre si para conseguir melhores condições de vida. E aquelas que
conseguem ter seus direitos respeitados também sofrem porque vivem para trabalhar e gastar o seu
dinheiro sem amor, sem fortalecerem ou compreenderem o seu interior – o que produz um vazio
emocional e espiritual. Desse modo, ficam expostas aos exageros, na tentativa de preencherem esse
vazio – as chamadas compulsões.
Estamos tentando resolver nossos problemas, com as pesquisas na filosofia, na teologia, no
direito, na história, na sociologia, na biologia, na medicina e mesmo na física, em especial a física
quântica. E temos que ter muito cuidado para termos ética em nossos estudos e em nossa ações, pois
no meio da competição atual para obtermos melhores resultados – e com isso ganharmos dinheiro para
sobrevivermos dignamente – podemos cometer erros muito graves.
Cada área do conhecimento gera explicações diferentes sobre o que é o ser humano, de modo
que nós não sabemos muito bem quem somos, ficando divididos entre vários entendimentos. Todas
essas áreas precisam comunicar-se entre si, na tentativa de melhorar o nosso entendimento, inclusive a
ciência e as religiões. A bioética vem então como uma postura fundamental para conseguirmos
continuar nossas investigações, mantendo o respeito pela dignidade e liberdade das pessoas, de
maneira fraterna.
Enfim, combater a violência, o preconceito, a discriminação e vivermos mundialmente em
paz preservando os recursos naturais são nossos grandes desafios. Boa prova!

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