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SUICÍDIO E SALVAÇÃO, UMA RÁPIDA REFLEXÃO

Com os casos recentes de cristãos que cometeram suicídio, a pergunta que muitos estão
me fazendo é se o suicida perde a sua salvação. Neste artigo não exaustivo, não tenho a
intenção de responder todas as dúvidas, apenas lançar luz sobre um tema tão complexo,
deixando minha opinião com solene respeito a todos, pois entendo que fugir desse debate
apenas por delicadeza não é sábio e nem um ato de compaixão.
Primeiramente é preciso dizer que o suicídio é considerado uma epidemia mundial, o mal
do século. De acordo com os dados da OMS, chegam a 800 mil casos por ano, 1 morte a
cada 40 segundos. Segundo algumas pesquisas, o suicídio como causa de falecimento é
maior do que de assassinatos. Na Europa é onde mais acontece, e nas Américas e a
África se apresenta o menor índice de casos. Logo, é um assunto sério que a igreja
precisa pensar, teólogos precisa escrever, e cada um de nós devemos orar e ajudar
aqueles que sabemos lidar com esses sentimentos de morte e desesperança. Sabemos
que o Evangelho de Jesus é a solução para todos os homens, e que em Cristo há um
propósito para a vida, cujo Criador é um Deus amoroso e que deseja a salvação de
TODOS os homens! (1Tm 2:4-6)
Olhando para as Escrituras, como Palavra de Deus, inerrante, infalível
inspirada, podemos encontrar nela algumas respostas sobre o tema dessa reflexão, e é o
que faremos agora. Biblicamente falando, esse é um daqueles assuntos polêmicos que
não é possível dar uma resposta fácil, unânime, pois as opiniões dos teólogos variam entre
diferentes escolas de pensamento e tradições teológicas. Por exemplo, para católicos,
oficialmente esse é um pecado capital, que custa a salvação eterna do falecido. Já entre
os protestantes, há aqueles que pensam não ser possível perder a salvação, mesmo
nestas circunstâncias; outros creem que nesse caso se perde a salvação; e outros ainda
creem que quem comete tal pecado nunca na verdade foi regenerado. Num ponto temos
todos consenso, que este é um pecado gravíssimo, por se tratar de um homicídio, sobre o
qual as Não matarás (Ex 20:4); que os que praticar tal coisa deveriam ser mortos (Nm 35);
que o assassino é igualado ao diabo, cuja missão é matar e destruir (Jo 8:44; 10:10); que
homicidas não possui a vida eterna (1Jo 3:15); que estes não herdarão o reino dos céus
(Ap 22:15); que quem destruir o templo do Senhor, Deus o destruirá (1Co 3:17); para não
tentarmos o Senhor Deus, como na tentação de Jesus, quando o diabo excitou Jesus ao
suicídio, prometendo salvação (Mt 3); entre outras sentenças duríssimas de juízo. E isso é
assim porque assassinar alguém ou a si mesmo, é atentar contra o maior dom de Deus
que é a vida humana, que diferente nos animais e vegetais, é à imagem e semelhança de
Deus.
O primeiro agravante do suicídio que quero destacar (e a partir daqui vou divergir de
muitos colegas), é que sendo este um atentado contra a própria vida, ou seja, a morte de
si mesmo, nos casos em que o plano é bem-sucedidos não há tempo de arrependimento,
uma vez que vítima é a própria pessoa. Aqui repousa um ponto gravíssimo, pois todo
pecado consciente para ser perdoado exige-se arrependimento e confissão.
Suicidar-se, em quase a totalidade dos casos, é sempre um crime/pecado premeditado,
planejado e calculado. Ninguém se suicida de repente ou sem querer, entendeu? (Dt 4:42;
Nm 35:25). E isso é gravíssimo, pois todo pecado premeditado é doloso, e como já
mencionado acima, com o diferencial de que normalmente não se tem tempo para
arrependimento e confissão, para perdão de pecados. (Pv 28;13; 1Jo 1:9; At 3:19)
O segundo agravante, e o mais sério de todos é que, dos casos em que um cristão chega
ao suicídio bem-sucedido, em última instância é porque perdeu a confiança em Deus,
naquilo que Ele é no que diz por meio da Sua Palavra, ou pior, talvez nunca tenha
entendido o Evangelho. O suicida cristão é aquele que de alguma maneira, por muitas
razões, rejeita progressivamente a obra do Espírito Santo dentro dele mesmo, é aquele
que perdeu a fé na caminhada, e tudo que não é por fé é pecado, e sem fé é impossível
chegar-se à Deus. Logo, se a falta de fé e confiança em Deus, seja por quaisquer
circunstâncias, levou alguém a suicidar-se, É POUCO PROVÁVEL (destaque-se isso), que
entorpecido pela tristeza, remorso, desesperança, ódio contra si mesmo e todo tipo de
sentimentos malignos e carnais, esse alguém encontre tempo e força suficiente para
confissão e arrependimento. Comparo o suicídio com a blasfêmia contra o Espírito Santo;
que é o pecado sem perdão, justamente porque também é por falta de fé, ou propriamente
um pecado de incredulidade. Entendo que naquele em que ainda habita e age o Espírito
do Senhor, o tal não chega as vias de fato do matar-se: "Ora, o Senhor é o Espírito e, onde
está o Espírito do Senhor, ali há liberdade." (2Co 3:17).
Em outras palavras, ENTENDO EU, que um coração onde há lugar para o Espírito Santo
trabalhar, NÃO chega ao ponto de romper com a própria vida, negando assim o Senhor.
Por maior que seja a dor, o sofrimento, há uma esperança maior de que o Senhor é um
refúgio, um esconderijo. È esse o testemunho dos mártires, muitos deles viveram
sofrimentos indizíveis, que qualquer ser humano na sua razão escolheria a morte, o
suicídio até. Como aconteceu nos casos de Elias, Jonas, Jó, Paulo, e muitos outros que
foram no limite da dor, mas pela fé mantiveram-se em pé diante de Deus, mesmo que
dilacerados física, moral e psicologicamente. Desses casos bíblicos de sofrimento extremo
o caso de Jó é o mais emblemático. Se você conhece a história desse patriarca, você sabe
que embora o suicídio fosse uma possibilidade, isso nunca lhe ocorreu. Jó mesmo em
profunda dor, manteve a fé, a esperança no seu Redentor! E essa é a diferença de quem
morre no sofrimento, e de quem tira sua própria vida por falta de confiança no Criador.
Aqui está o ponto central da discussão!
Infelizmente, estamos convivendo cada dia mais com esses casos, onde cristãos se
desiludem da fé, o ceticismo do mundo pós-moderno tem afetado de morte alguns
cristãos, especialmente os mais jovens. Vivemos um tempo em que o niilismo é cada vez
mais presente, um tempo de abandono da vida. Cada vez mais cristãos abandonam a
verdade, deixam de crer em Deus, da Sua existência, frustrações com o ministério, com
pastores e igrejas, os escândalos do meio evangélico, enfim, são muitas razões de
abandono da fé em Deus! Conforme alerta o filósofo cristão William L. Craig “A dúvida
envolve uma batalha pela alma, e se Satanás pode usar a dúvida para imobilizar você ou
destruir você, então ele o fará”. Em outras palavras, vivemos uma constante batalha
espiritual!
Alguém pode pensar: Mas não existe exceções? Não pode existir um cristão que chegue
ao ponto de matar-se e mesmo assim mantendo sua fé viva em Deus? CREIO EU que
não! Isso é uma contradição em si mesma. Nas palavras do apóstolo Paulo: "Pois eu tenho
a certeza de que nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem
os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro;
nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que
possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso
Senhor." (Rm 8:38,39)
A única exceção que imagino existir, mas que não estou muito certo disso, são os casos
de "suicídio altruísta". Aproveito AQUI de uma ideia de Émile Durkheim, um dos pais da
sociologia, que explica-nos que este grupo difere-se dos dois outros grupos encontrados
nas suas pesquisas, ou seja, dos "suicidas egoístas" (a grande maioria dos casos
mundiais) e dos "suicidas anômicos", surtos de suicídio frente uma crise global, etc. O
suicídio altruísta, de modo geral é aquele cometido por uma causa, que por expectativas
culturais, sociais entre outras pressões, tiram sua própria vida. Dentro dessa categoria,
como uma subdivisão, está um soldado que lança-se sobre uma mina explosiva para
proteger seus companheiros, ou uma mãe entra na linha de fogo para proteger um filho.
Seria estes casos admissíveis de um suicídio? Talvez sim! Eu colocaria nessa categoria,
um cristão que prefere morrer em lugar de outro irmão, que dá fim à sua vida por uma
causa de fé e testemunho. Sansão e outros mártires podem estar dentro desse grupo que
não denota perda de fé ou crise existencial. Seria esse o caso recente? Nunca saberemos!
Resumindo, mesmo admitindo a complexidade do assunto, não querendo ser eu juiz de
ninguém, e respeitando qualquer opinião contrária (sinceramente quero estar errado), em
solidariedade pelos enlutados e profundo pesar e reverencia diante de Deus e dos irmãos;
mas, é assim que penso, olhando para as Escrituras e refletindo sobre o problema. Que o
Senhor que é o nosso justo juiz nos ajude! Deus é fiel!
Deixo-vos essas últimas palavras:
"Portanto, aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair. As
tentações que vocês têm de enfrentar são as mesmas que os outros enfrentam; mas Deus
cumpre a sua promessa e não deixará que vocês sofram tentações que vocês não têm
forças para suportar. Quando uma tentação vier, Deus dará forças a vocês para suportá-la,
e assim vocês poderão sair dela." (1Co 10:12,13)

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