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CIDADANIA ITALIANA - Como Processar a Dupla Cidadania Diretamente na Itália - 3a.

Edição

INDICE

Nota Sobre os Direitos Autorais ............................................ 02

Prefácio à Terceira Edição ..................................................... 03

Introdução à Terceira Edição ................................................. 07

Uma Breve História Sobre Meus Antepassados Italianos ...... 13

Capítulo I - Fatores Condicionantes e Ambientais .................. 17

Capítulo II - Retrospectiva Histórica da Imigração Italiana no


Brasil .................................................................................... 30

Capítulo III - A Tutela Jurídica da Cidadania Brasileira, da


Cidadania Italiana e da Dupla Cidadania ............................. 41

Capítulo IV - Práticas e Procedimentos no Brasil ................... 94

Capítulo V - Práticas e Procedimentos na Itália ..................... 146

Capítulo VI - Cidadão Ítalo-Brasiliano - O Que Fazer Com Sua


Cidadania Reconhecida …...................................................... 190

Legislação Citada e Sugestão de Leitura ............................... 222

Agradecimentos Finais ......................................................... 223

Sobre o Autor ....................................................................... 229

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NOTA SOBRE OS DIREITOS AUTORAIS

Este livro é protegido pela Nova Lei do Direito Autoral


LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998
Altera, atualiza e consolida a legislação sobre
ireitos autorais e dá outras providências.

Esta obra foi produzida como fonte de referência e consulta


individual, sendo vedada à exibição ou publicação de seu conteúdo,
no todo ou em partes, em meios de massa sem a devida e prévia
autorização do autor detentor dos respectivos direitos autorais. Sua
cópia, fotográfica ou não, fotocópia, reprodução ou duplicação por
qualquer forma, meio ou processo, seja manual, eletrônico, digital
ou qualquer outra tecnologia que venha a ser utilizada, sem a
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“In memoriam” de meu filho Fernando


Estevam Galdino Costa Marques, que Deus me
dê sabedoria eterna e me ajude a
compreender os motivos de não tê-lo mais
comigo”

CIDADANIA ITALIANA – COMO PROCESSAR A DUPLA


CIDADANIA DIRETAMENTE NA ITÁLIA
“Uma porta para a União Européia cujas chaves são colocadas nas
mãos dos mais ousados”

PREFÁCIO À TERCEIRA EDIÇÃO

Como já comentado na primeira e segunda edição deste livro,


sabemos que algumas pessoas já ouviram falar em dupla-cidadania,
mas não sabem bem ao certo do que se trata. Outras nem ouviram
falar. Algumas apesar de saberem perfeitamente do que se trata
(não nos aprofundando muito no grau de informação que possuem)
não foram em busca desse direito. Dentre as que se interessaram e
foram atrás desse direito, poucas obtiveram êxito e outras ainda
continuam paralisadas nos emaranhados jurídicos e procedimentais
que regem essa matéria. Dentre as pessoas que nos últimos anos
conseguiram o êxito no reconhecimento da cidadania italiana, a
maior parte delas conseguiu o reconhecimento da cidadania através
de processos iniciados diretamente na Itália e não no Brasil. Não
obstante a iniciativa dos Consulados Italianos no Brasil, de
trabalharem com a idéia de força tarefa para tentar dar vazão à

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enorme quantidade de pedidos, o fato é que essas filas não


terminam jamais, mas por quê? Tire suas próprias conclusões!

A internet é plena, quase que poluída, com tanta informação sobre


gerações, ascendentes, descendentes, sites que oferecem a
construção da sua "Árvore Genealógica", empresas e consultorias
que oferecem serviços de busca de documentos e para a realização
do seu sonho, escritórios jurídicos especializados em processos
dessa natureza, enfim, uma oferta de recursos e serviços quase que
infinita e desorganizada que poderiam ser utilizadas pelas pessoas
que sonham em ter sua cidadania reconhecida. Encontramos esse
conteúdo "cibernético" não só no Brasil, em português, mas também
nos EUA, em inglês e na Itália, em italiano e em outros países em
seus idiomas nativos ou em inglês. Alguns desses sites realmente
nos ajudam em nossas buscas, outros nem tanto pelo fato de serem
superficiais ou obsoletos. Cabe a cada um dos interessados
pesquisar esse conteúdo e identificar os que teriam o maior
potencial para ajudá-los.

Alguns escritos já foram publicados sobre esse tema, mas o que


mais interessa ao aspirante à cidadania, muitas vezes não é
organizadamente informado. Quando essas informações são mais
transparentes, normalmente são publicadas de forma fragmentada,
uma parte por um autor, outra parte por um Instituto qualquer, outra
ainda por uma Repartição Diplomática, mas de forma consolidada,
como que unindo os "elos" de uma corrente, até hoje eu não
encontrei nenhum.

Vi publicações que não correspondiam à realidade. Não sei e não


posso afirmar se eram enganosas fortuitamente ou não, mas a maior
parte delas estava mesmo é "desatualizada" ou "descontextualizada"
do que "realmente" se encontra ou se depara quando se inicia a
prática desse processo.

Recebi centenas de solicitações de pedidos de ajuda ou de


orientação para o reconhecimento da cidadania italiana, algumas por
e-mail, outras pessoalmente ou através de amigos de amigos. A
dificuldade para ajudar ou orientar tantas pessoas simultaneamente

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foi um dos fatores que me motivou a escrever a primeira edição


deste livro e que me motiva a continuar atualizando-a.

A mudança constante no ambiente normativo ou procedimental, o


sucesso de vendas tornando este livro um “Best Seller” de sua
categoria, e o maior amadurecimento nos conceitos publicados nas
edições anteriores, são alguns dos motivos que me levam agora a
escrever esta terceira edição do livro dos sonhos da "Cidadania
Italiana".

Nesta 3a. Edição Versão 3.00 e incontáveis unidades vendidas, já


começo a obter com satisfação, depoimentos de leitores que estão
se beneficiando das orientações e recomendações aqui contidas.
Com essas pessoas eu atingi meu objetivo. Espero que com você isto
se repita, porém não tenho a pretensão de estar 100% atualizado
nem profundamente conhecedor deste tema, o qual considero
eternamente estudável, explorável e atualizável.

Decidi "reorganizar as idéias e consolidar" as informações e as


experiências particulares que adquiri ao longo de alguns anos na
busca do reconhecimento da minha cidadania italiana tão sonhada.
Tomei a liberdade de fazer incluir nesta obra, histórias de outras
pessoas, algumas que conheci e que ajudei, outras que apenas
conheci, mas não cito nomes por motivos óbvios de respeito à
privacidade de cada uma delas. Sinto-me particularmente capacitado
a gerar esta obra por ter experimentado muitos meios para obtenção
da minha cidadania e dessas outras pessoas em cujos processos e
procedimentos eu me envolvi.

Sinto-me também premiado, por ter obtido o reconhecimento da


minha cidadania italiana a partir de um ancestral muito antigo,
nascido em 1844 nas montanhas do Abruzzo italiano, e vindo ao
Brasil em 1875, época em que o Brasil ainda vivia seus tempos de
escravidão. Minha saga me motivou a motivar outras pessoas, já que
muito poucas "acreditavam" que eu teria êxito em um procedimento
assim com origens e ancestrais tão longínquos no tempo. Mas eu
obtive, e aqui, você vai saber como, e poderá também fazer o
mesmo.

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Para aqueles que não crêem que podem, eu digo "Se eu, com uma
ascendência tão remota, consegui, porquê você não pode?".

Neste livro você sentirá como eu fiz isso em detalhes. Você verá em
qual legislação eu me apoiei. Quais os procedimentos eu adotei.
Quais as escolhas que fiz. Em quais sites na internet eu fui pesquisar.
E como aprendi a viver na Itália, depois que minha cidadania foi
reconhecida.

Uma coisa para mim ficou muito clara depois de toda a saga pela
qual passei: a de que vale a pena. Lute pelo seu sonho. Você pode
conseguir.

Muito obrigado por estar lendo esta obra.

Estevam Del Nero


O autor.

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“Pior do que não realizar um sonho, é não ser capaz de tê-lo.


A falta de sonhos evidencia a ausência de ousadia.
Sem grande dose de ousadia só haverá pequena hipótese de riqueza.
Não ousar para não arriscar vale tanto quanto nascer para vegetar.
Quando alguém me diz do risco de ver um sonho se tornar um pesadelo, penso que não ousar
sonhar é o mesmo que ter conhecimento e não saber usar.
Pior do que a ignorância é o conhecimento sem a sabedoria para usá-lo.
Aponte-me um rico no mundo que não tenha sido antes um ousado sonhador e então poderemos
conversar com ele e aprender como enriquecer sem se arriscar, como viver sem vegetar e como
saber sem estudar”
(Estevam Del Nero - 2003)

INTRODUÇÃO À TERCEIRA EDIÇÃO

Este livro, apesar de ter como objetivo principal o esclarecimento


sobre o direito e os procedimentos para a obtenção da cidadania
italiana diretamente na Itália, também proporciona uma curiosa
história sobre essa etapa da minha vida.

Ele também poderá lhe servir como fonte de consulta ou de


referência futura e como um manual jurídico-administrativo para
diversas finalidades inclusive profissionais. Dentre alguns de meus
leitores recebí muitas solicitações de escritórios especializados e
também de advocacias que desejavam aprimorar-se nesta matéria.
Hoje em dia sou bastante solicitado para auxiliar escritórios e
profissionais a se organizarem e a organizarem processos de seus
clientes no que tange à cidadania italiana.
Como convidado do Consulado Honorário da Itália em Mato Grosso,
já apresentei palestras e orientações sobre a busca da cidadania.
Poço ajudá-lo também, se desejar.

Como bacharel em direito e tendo exercido a advocacia por alguns


anos, fiz nesta obra uma descrição detalhada de forma clara e

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realista de toda a experiência que adquiri em meu próprio pedido de


reconhecimento da cidadania italiana. A essa experiência, somei
também o conhecimento obtido em práticas promovidas por leitores
e clientes meus, o que ajuda esta obra a se tornar realmente uma
referência para você.

Apresento relatos sobre as práticas burocráticas dos serviços


públicos brasileiros e italianos, diplomáticos e não diplomáticos.
Descrevo nesta muitos procedimentos pelos quais passei, inclusive
com modelos, exemplos, itinerários, sugestões e orientações que
poderão ser muito úteis tanto àqueles que estejam pensando ou
iniciando as buscas de informações para o reconhecimento desse
direito, quanto àqueles que já estão com seus processos em
andamento. Como o ditado diz que "saber não ocupa lugar", então
resolvi reescrever este livro, para que outros possam saber o que eu
já sei sobre a cidadania italiana.

Não posso, no entanto, garantir ao leitor que ele conseguirá obter o


reconhecimento de sua cidadania com os mesmos procedimentos
que eu obtive a minha, pois o ambiente jurídico-legal e jurídico-
administrativo do Governo Italiano muda a cada dia e a todo
momento. Também devemos considerar que cada caso é um caso,
cada história de família é uma história diferente, cada documento é
diferente em seu conteúdo, cada interessado dedica uma dose de
energia e fé diferente de outro, cada candidato investe recursos
financeiros diversamente de outros, enfim são tantos os fatores que
influenciam cada processo que a única certeza mesmo é a de que
vale a pena tentar enquanto houver esperança. Se você não fizer
essa tentativa terá a "outra" certeza: a de que "não terá o
reconhecimento da sua cidadania italiana", pelo simples fato de que
esse processo não é automático e involuntário, ao contrário, é de
jurisdição voluntária, e depende de ser movido pelo próprio
interessado, você!

Faço citações de sites, de profissionais e de empresas aqui neste


livro, mas não posso avalizar ou garantir a qualidade das
informações disponibilizadas ou prestadas por eles. As citações tem
o fito de auxiliar o leitor a iniciar suas buscas. Eu não tenho qualquer

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vínculo pessoal ou econômico com esses sites, profissionais ou


empresas aos quais eventualmente faço uma referência. Não me
utilizei deles apenas os referencio (sem contudo avalizá-los) para o
fim de auxiliar o início do processo por parte do candidato que esteja
se valendo deste livro para colocar em prática seu sonho de obter o
reconhecimento da cidadania italiana.

Este livro está dividido por temas que te facilitarão tanto o


entendimento quanto a prática e futuras consultas de referência.

Capítulo I - Fatores Condicionantes e Ambientais

Neste capítulo apresento de forma clara algumas considerações


sobre fatores que condicionam à obtenção da cidadania italiana e
sua relação com o ambiente jurídico, temporal, político e social em
que o procedimento para obtenção da mesma se apóia. Alguns
desses fatores são de foro íntimo de cada um de nós, outros, sócio-
políticos que interferem de maneira inesperada em nossos pleitos
civis. Essa consciência se faz muito importante principalmente
quando se tratam de relações internacionais.

Capítulo II - Retrospectiva Histórica da Imigração Italiana no Brasil.

Neste capítulo, descrevo alguns fatores históricos que motivaram o


êxodo italiano ao Brasil no final do século XIX e início do século XX.
O que o Brasil oferecia de atraente e o que a Itália vivia, motivando
uma maciça emigração na Itália com destino ao Brasil.

Este conhecimento penso ser particularmente importante para


despertar no leitor um senso de reciprocidade e de justiça,
conscientizando-o do quanto o Brasil já foi berço para solução de
inúmeros problemas vividos pela Itália no passado e do quanto os
povos devem ajudar-se mutuamente nos momentos de crise ou fora
deles. Com essa consciência desperta, o leitor candidato à cidadania
italiana terá a postura digna de buscar o exercício de um direito
fundamental de “Jus Sanguinis” com respeito às Leis e às pessoas
com as quais vier a tratar.

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Capítulo III - A Tutela Jurídica da Cidadania Brasileira, Italiana e da


Dupla-cidadania.

Neste capítulo faço uma apresentação objetiva e bem focada, de


como se regem as relações jurídicas de cidadania Brasileira. Neste
tópico abordo alguns aspectos históricos e algumas considerações
pessoais sobre a constituição brasileira.

Também esboço algumas considerações sobre a Constituição Italiana


e suas normas infraconstitucionais e por fim sobre a manutenção de
duas cidadanias simultaneamente, e a tutela jurídica que protege
essa situação, principalmente diante das normas constitucionais
brasileiras.

Capítulo IV - Práticas e Procedimentos no Brasil.

Este capítulo, propriamente, é o que eu poderia chamar de "Script"


ou "Itinerário" da cidadania italiana, em dependência de solo e
órgãos públicos brasileiros.

Um conjunto não inferior a algumas dezenas de entendimentos,


habilidades, técnicas e ferramentas são necessárias para administrar
um processo de reconhecimento de cidadania italiana. O bom
planejamento é a chave para o sucesso nesse pleito.

Uma série de pesquisas, estudos, análises, práticas e procedimentos


devem ser seguidos para a coleta de toda a documentação
necessária ao processo de reconhecimento da cidadania italiana, e
isso se inicia tanto no Brasil quanto na Itália. Porém, tudo o que
pode e deve ser feito à partir do Brasil, eu apresento neste capítulo.
Também registro as informações que possuo e que conheço sobre
essa etapa do pleito de um candidato à obtenção do reconhecimento
à cidadania italiana, seja no Brasil ou diretamente na Itália.

Apresento aqui alguns conceitos, sugestões de fluxos de


informações, sugestões de cruzamentos de informações e também
uma planilha sugestiva que pode ajudar ao interessado a não se

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perder no emaranhado de documentos e contatos que terá de fazer


durante essa etapa processual.

Este capítulo serve tanto aos interessados que pretendem o


reconhecimento da cidadania diretamente na Itália, quanto àqueles
que pretendem ingressar com esse pedido no Brasil. A
documentação é a mesma, só mudam os procedimentos quando se
deseja processar a prática diretamente na Itália.

Capítulo V - Práticas e Procedimentos na Itália.

Neste capítulo, apresento em detalhes como está se processando a


cidadania italiana diretamente na Itália, nos dias de hoje. É
importante saber detalhes e também o quão sensível é o ambiente
da administração pública italiana, no que se refere ao processo
reconhecimento de cidadania requerida diretamente na Itália.

Apresento aqui quais as práticas burocráticas devem ser efetuadas,


em que tempo o são, em que condições de perfeccionam, em que
situações se bloqueiam, com quais custos se depara, desde o visto
"Ingresso e Soggiorno" até mesmo as relações trabalhistas, saúde,
instrução, habitação, família e cidadania, tudo o que impacta a vida
do aspirante à cidadania italiana, e como ele deve se preparar para
essa etapa do processo.

Registro algumas considerações sob o aspecto emocional,


psicológico, motivacional dessa etapa difícil do processo. É uma
etapa difícil mas possível.

Também faço outras considerações de natureza econômica, quase


que como pré-requisito ao êxito no pleito da cidadania italiana
diretamente na Itália.

Capítulo VI - Cidadão Ítalo-Brasiliano - O Que Fazer Com Sua


Cidadania Reconhecida

Por fim, este capítulo é quase que um prêmio aos leitores que
chegaram à conquista do reconhecimento de sua cidadania italiana.

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Aqui o leitor entenderá como exercer alguns de seus direitos mais


básicos, como se utilizar dos serviços públicos de saúde, como se
utilizar dos serviços de instrução pública, seja em escola “materna”
(“asilo”) seja na “elementare”, seja na “superiore” ou na
universitária.

O leitor aprenderá como devem fazer para obter uma Carteira de


Identidade, um “CPF” Italiano ou uma simples Carteira de
Habilitação (Patente). Apresento algumas noções da vida civil, como
se aprofundar no conhecimento sobre os contratos que regem a vida
como um simples contrato de locação, etc...

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UMA BREVE HISTÓRIA SOBRE MEUS ANTEPASSADOS


ITALIANOS

Meu “trisavô” Felice Del Negro, nasceu na cidade de Montazzoli, na


região meridional dos Abruzzos, em 06 de maio 1844. Casou-se em
1873 com minha “trisavó” Francesca Paola Donatelli e emigraram da
Itália ao Brasil, desembarcando em 19 de fevereiro de 1885.

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Ele embarcou para o Brasil com 39 anos de idade, partindo do Porto


de Gênova no navio “Bisagno”.

Estas informações sobre o embarque eu obtive junto ao Governo do


Estado de São Paulo, no Memorial do Imigrante (Museu da
Imigração) mantido pela Secretaria de Estado da Cultura.
(http://www.memorialdoimigrante.sp.gov.br/)

No Brasil, esse meu antepassado teve o seu registro feito com nome
errado, e de “Felice DEL NEGRO” foi registrado aqui como “Felice
DEL NERO” e em outros documentos até o nome foi mudado de
“Felice” para “FELICIO”, assim sendo, tenho documentos de Felice
Del Negro que constam como Felício Del Nero.

O mesmo ocorreu com minha “trisavó” cujo nome era Francesca


Paola Donatelli, e que sofreu mais de 06 (seis) variações nos
registros aqui no Brasil, resultando com os nomes de:

- Francesca Paola Donatelli;


- Francisca Del Nero;
- Antonia Francisca Paula Del Nero;
- Francisca Donatelli Del Nero;
- Francisca Paulo Donatelli;
- Francisca Paula Donatelli;
- Francescapaola Donatelli;

Observe que mesmo assim eu não precisei corrigir o nome deles


para obter o reconhecimento da minha cidadania italiana. Adiante
você verá o porquê.

O CONTEXTO NO QUAL ESCREVO

Eu obtive o reconhecimento da minha cidadania no Vêneto Italiano.


Todos os processos que acompanhei foram também dessa região do
norte da Itália, e por isso tenho que registrar que as minhas
experiências práticas se referem às práticas das quais participei e
também das que ouvi detalhamentos.

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A legislação, embora de âmbito nacional, muitas vezes resulta por


sofrer interpretações e regulamentações regionais. Assim sendo, é
possível que algumas das práticas que descrevo nesta obra não
sejam exatamente iguais em outras regiões da Itália, até porquê,
dentro das próprias regiões já são também encontradas divergências
de entendimentos e de interpretações jurídicas por parte dos
operadores dos serviços.

Não é raro também, se deparar com uma interpretação totalmente


pessoal por parte de um servidor público italiano, o qual passa a
praticar suas exigências procedimentais nos termos do que foi capaz
de interpretar.

Na Itália isso tudo é muito comum, muito mais do que no Brasil. Não
sei explicar o porquê de ser assim, mas me parece que o Brasil,
nesse aspecto, é mais uniforme. Como resultado dessa uniformidade
é que temos uma segurança jurídica maior no Brasil do que na Itália,
basta citar por exemplo, que na Itália não existem instrumentos
jurídicos que possam ser equivalentes ou equiparados aos nossos
mandados de segurança, mandados de injunção ou “habeas data”.
Isso não existe na Itália, e assim sendo, é melhor (principalmente
aos advogados, como eu) tentar compreender o ambiente jurídico
italiano e a não se irritar diante de uma administração pública que
de certa forma age com uma considerável dose de autoritarismo.

Assim sendo, se um servidor, repartição, órgão ou região da Itália


entender uma determinada disposição de Lei sob uma determinada
ótica, se essa ótica for desfavorável ao leitor aspirante à cidadania,
sugiro que ao invés de provocar intermináveis discussões jurídicas,
procure saber se em outra localidade ou outra região o
entendimento que é feito sobre a matéria pode ser mais favorável, e
se assim o for, simplesmente mude de região. As discussões com os
serviços públicos, sejam eles italianos ou mesmo brasileiros
normalmente não levam à soluções apenas a desgastes e maior
rigidez nos relacionamentos, assim sendo recomendo sempre o
máximo de diplomacia o que vale dizer, educação.

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Buscar o reconhecimento da cidadania diretamente na Itália implica


em aceitar essas situações, em aceitar mudanças mesmo que sejam
contra os seus princípios, pois se assim não fosse, bastaria
permanecer no Brasil e do próprio solo pátrio se preparar para a
batalha jurídica na busca de seus direitos e contra a aparente inércia
ou paralisia dos Serviços Diplomáticos Italianos responsáveis pelos
processos de reconhecimento da cidadania italiana “Ius Sanguinis”
em solo brasileiro.

Então, respire fundo e mãos à obra!

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CAPÍTULO I

FATORES CONDICIONANTES E AMBIENTAIS

Devemos fazer algumas considerações sobre fatores que


condicionam à obtenção do reconhecimento da cidadania italiana.
Considerar a relação desse pleito com o ambiente jurídico, temporal,
político e social em que o procedimento sua realização se apóia é
fundamental para o autoconhecimento e auto-reflexão. Essa
compreensão nos ajudará a entender onde queremos chegar e como
cumpriremos essa jornada.

Existem alguns fatores que são de foro íntimo de cada um de nós,


outros, socioeconômico e políticos, mas o que precisamos considerar
é que alguns deles interferem de maneira inesperada em nossos
pleitos civis. Essa consciência se faz muito importante principalmente
quando se tratam de relações internacionais.

VIDA EM EQUILÍBRIO

O ser humano, por sua natureza, anseia por viver em equilíbrio com
outros serem humanos e com o meio ambiente. Ocorrem, no
entanto, situações que geram o desequilíbrio nesse habitat, tais
como catástrofes ambientais, guerras, revoluções, disputas políticas,
disputas religiosas, problemas econômicos e sociais dentre outros.

Recentemente (início de abril de 2009) assistimos com dor e pesar o


terremoto que atingiu a região de Aquila, no Abruzzo italiano com
centenas de mortos. Esta ocorrência certamente colocou em

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desequilíbrio o habitat local e provocou alguma conseqüência sob o


aspecto do êxodo de famílias do local.

Quando um local ou um país entra em desequilíbrio por um desses


fatores ou outros ainda, normalmente desperta o interesse pela
emigração e conseqüentemente dispara um processo dessa natureza
pois o ser humano anseia por viver em ambientes em harmonia. É
um fator que motiva a emigração.

Em um nível socioeconômico mais elevado, encontramos ainda como


outros fortes motivadores ao processo de emigração, a busca pelo
suprimento das necessidades de segurança, cultura, riqueza, de
educação, trabalho, paz e de saúde ou de desenvolvimento interior e
estão também intimamente ligados ao desequilíbrio socioeconômico
e políticos de uma família, comunidade, sociedade ou nação.

Quando um indivíduo, uma família ou um povo decide emigrar, essa


decisão fundamentalmente se apóia em algum fator relevante sob a
ótica econômica e/ou social. Podemos observar algumas vezes uma
emigração motivada por fatores íntimos como a curiosidade ou a
busca de novas experiências, por exemplo, mas serão situações
raras e predominantemente entre jovens.

A violência e a necessidade de segurança eu considero como sendo


um dos fatores que mais sustentam um desejo de emigração. A fuga
de guerras, de revoluções, de um estado caótico da segurança
pública, etc... acaba por motivar substancialmente um indivíduo ou
uma família... às vezes uma comunidade ou uma sociedade inteira à
emigração.

FATORES QUE MOTIVAM UMA EMIGRAÇÃO

Dentre outros fatores também relevantes que estimulam o processo


emigratório, temos:

- A política (fuga de perseguições políticas, de políticas públicas


conflitantes com os interesses da pessoa, descrença nas instituições
públicas, etc...);

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- Fatores sociais e econômicos (acentuado desnível sócio-econômico


da população envolvida, desemprego acentuado, forte discrepância
entre a população rica e a população pobre, etc...);

- Fatores ambientais (catástrofes naturais como terremotos,


erupções vulcânicas, zonas propensas a furacões e maremotos, que
normalmente resultam em estados de calamidade publica ou estado
de sitio, etc...);

- Fatores familiares (retorno às origens familiares, busca de


identidade familiar, nostalgia familiar, etc...);

- Fatores culturais (busca de ambientes mais adequados ao


crescimento cultural com educação formal, com cultura informal,
etc...);

- Fatores profissionais ou trabalhistas (busca de novos mercados, de


novas oportunidades de emprego, de novas experiências
profissionais, de enriquecimento profissional, etc...).

Outros inúmeros fatores que podem motivar uma emigração, mas


quando um cidadão pensa na emigração deve considerar
principalmente aqueles de ordem jurídica mesmo que esteja pleno
de motivação pelos fatores de ordem socioeconômica e políticos que
citei anteriormente.

Esta consideração deve ser feita pelo fato de que não basta o desejo
de emigrar, devemos inicialmente analisar as possibilidades de fazê-
lo sob ótica jurídica.

Um dos motivos que mais abortam processos imigratórios é


justamente o jurídico. É por isso que vemos tantas notícias
transmitidas pelos meios de comunicação, informando de sucessos,
mas principalmente fracassos, em processos clandestinos de
imigração. Nem preciso recordar o leitor, tantas histórias de
imigração clandestina para os Estados Unidos, através das fronteiras
com o México, e as emigrações clandestinas para Europa, algumas

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vezes conduzidas por quadrilhas de tráfico de menores e ou de


mulheres, por sua vez, conduzidas para um mundo de prostituição,
algumas vezes ingênua e inconscientemente.

Quantas vezes assistimos, pasmos, as ações de alguns Governos


Europeus contra turistas brasileiros, principalmente o Espanhol, país
em que a situação sempre é mais tensa em razão da quantidade de
vôos internacionais que partem do Brasil com destino à Europa.
Mesmo que o turista se destine a outro país europeu, a primeira
parada para documentação imigratória é feita nos aeroportos
espanhóis (Madrid normalmente). Considerando que muitos
brasileiros ali desembarcam clandestinamente, o resultado é que
para quase “todos” os brasileiros, o critério de análise documental
acaba sendo bastante rigoroso, gerando como resultado muitas
extradições, as quais normalmente são precedidas de violências e
humilhações desmedidas.

O que motiva esses movimentos migratórios é a acentuada


desesperança da pessoa em seu próprio país de origem, em sua
própria nação, e também na descrença de que poderia haver uma
mudança em seu “status” socioeconômico que motivasse a espera
por uma oportunidade de vida melhor.

Não acreditando mais nisso e encontrando a oportunidade fora de


seu habitat, se lançam ao processo migratório algumas vezes sem
expectativas positivas ou negativas, simplesmente o fazem.

O FATOR FRACASSO NA BUSCA DA CIDADANIA

Lançar-se nessa aventura sem uma adequada programação e


preparo, pode resultar em experiências traumáticas, com enorme
desperdício de paz, de tempo, de dinheiro, mas principalmente de
emoções.

O que mais se torna indelével da mente dessa pessoa que teve


frustrada sua tentativa de emigração, é justamente o sentimento de
frustração. É o aspecto emocional, é a amargura dessa pessoa é que
vai abatê-la por muito tempo, isso tudo pelo fato de que a sensação

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de fracasso poucos conseguem gerir e eliminar facilmente, pois


fracasso è simplesmente fracasso e poucas vezes será visto como
uma virtude.

A EMIGRAÇÃO PARA A ITÁLIA

Quando se fala de Itália, para boa parte da população brasileira,


quase que sente o abrir de uma luz no fim de um túnel. Considero
que isso se dê pelo fato de que milhares de brasileiros são
descendentes de imigrantes italianos, e associado a essa origem
encontramos uma legislação também favorável a esse processo.

De fato, a legislação Italiana é bastante generosa quanto aos


critérios impostos para o reconhecimento da cidadania italiana.

Mas quando uma pessoa sonha com a cidadania italiana para depois
sonhar com a emigração deve estar bem consciente de que esse
processo não é simples, não é fácil e não é econômico.

Muitas decisões deverão ser tomadas e todas terão seu custo


pessoal, seu custo temporal, seu custo financeiro e seu custo
emocional, além, é claro, do custo lavorativo.

Quando decidimos colocar em prática um processo para o


reconhecimento da cidadania italiana, por exemplo, nós seremos
submetidos a procedimentos "intermináveis", cansativos, exaustivos
e algumas vezes até humilhantes diante do que vivemos em nosso
dia a dia no Brasil.

Teremos de dispor de capital, de energia, de força de vontade e de


perseverança e de muita, muita saúde para tentarmos chegar ao fim
dessa odisséia com o título de cidadão italiano em mãos e a emoção
no coração.

O PORQUÊ DA BUROCRACIA ITALIANA

Para algumas pessoas esse processo pode até ter sido fácil e menos
burocrático, mas isso imperou em tempos remotos quando o

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interesse e a busca pelo reconhecimento da cidadania italiana era


pequeno. Hoje em dia milhares de brasileiros ítalos descendentes
estão em busca desse reconhecimento, e essa multidão de pessoas,
motivada cada uma por seu particular interesse, acabou chegando à
Embaixada Italiana no Brasil, seus Consulados Oficiais e seus
Consulados Honorários como que numa torrente de pessoas
desesperadas e descontroladas, obrigando aos Órgãos Públicos
Diplomáticos Italianos a criarem determinados ritos, regras e
procedimentos com finalidade de organizar e melhor administrar
essa massa de pessoas interessadas no reconhecimento de seu
direito.

Tudo isso, por fim, acabou como que "burocratizando" o processo de


reconhecimento da cidadania italiana.

Associado a esse desespero da "massa", foram também constatadas


diversas práticas fraudulentas de obtenção de cidadania italiana, que
muitas vezes também foram muito divulgadas nos meios de
comunicação, gerando como conseqüência, um rigor maior por parte
do Goveno Italiano.

Contra essas fraudes, o Governo Italiano acabou por impor mais


algumas medidas que burocratizaram outros aspectos do
procedimento para obtenção da cidadania italiana, dificultando ainda
mais aquilo que já era difícil.

Essas medidas do Governo Italiano são medidas corretas, no meu


entender. O reconhecimento da cidadania italiana de uma pessoa
não é um ato administrativo qualquer. É um ato de enorme
responsabilidade e de grandes conseqüências no mundo jurídico.

A cidadania reconhecida a um indivíduo gera direitos na ordem


econômica e social inimagináveis. O país que a reconhece o faz na
crença de que o beneficiário é um seu “cidadão”, mas se esse
reconhecimento for feito indevidamente, o ato administrativo resulta
por violar profundamente a soberania do próprio Estado. Em termos
comuns, eu diria que o Estado fora violentado. O reconhecimento de

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uma cidadania está intimamente relacionado à soberania do próprio


Estado como ente político.

O reconhecimento indevido da cidadania italiana a um indivíduo,


guardada a devida proporção da metáfora que farei, equivale à
sentença de reconhecimento de paternidade a uma pessoa que não
é o pai do indivíduo. Faz nascer direitos e obrigações. Aumenta o
núcleo familiar (social) e gera vínculos de amor e ódio muitas vezes.

O que eu penso e gostaria de expressar bem nesta obra, é que o


reconhecimento da cidadania não é um ato que se faz por
brincadeira, descaso, negligência ou imprudência. É um ato que deve
ser medido com a maior responsabilidade possível, vez que vai
impactar toda uma sociedade e poderá colocar em evidência a
fragilidade com que se cuida da soberania de um povo.

Considerando que a cidadania italiana é reconhecida por mero ato


administrativo de servidores regularmente investidos na função
pública genérica, resulta por delegação de um poder exorbitante em
mãos de pessoas muitas vezes desprovidas de conhecimento ou
consciência para esse fim. É o mesmo que delegar a função
jurisdicional a quem não teve a formação para esse “mestier”.

Observo com grande admiração aos servidores públicos italianos que


lidam com o reconhecimento da cidadania italiana. Observo que
lidam com certo rigor, mas não me parece que seja por descaso ou
má vontade, e sim por cautela e responsabilidade, conscientes das
conseqüências jurídicas que seus atos produzirão.

Eu não me sinto capaz e nem gostaria de estar na posição de


qualquer um deles. Imagine você, leitor, reconhecer uma cidadania
indevidamente. Para mim seria igual a colocar em liberdade um
detento culpado ou colocar em prisão alguém inocente. Não vejo
como um direito dessa envergadura possa ser tratado de forma
leviana. É PRECISO RIGOR, SOB PENA DE COMETIMENTO DE
INJUSTIÇAS SEM MEDIDAS!

O TEMPO ENTRE AS GERAÇÕES

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A despeito da burocracia imposta para o reconhecimento da


cidadania italiana, penso que hoje em dia o grau de dificuldade na
obtenção da cidadania está mais relacionado ao tempo existente
entre a geração do ascendente italiano e a geração em que se
encontra o interessado na cidadania do que propriamente à
disciplina imposta pelo Governo Italiano.

Isso se deve pelo simples fato de que quanto mais recente è o


“oriunde” italiano, menos documentos deverão ser procurados,
confirmados, gerados, traduzidos, legalizados e analisados para o
processamento do reconhecimento da cidadania, conseqüentemente,
tudo fluirá mais facilmente.

Assim sendo, a distância temporal entre a geração que garante o


direito (o “oriunde”) e as gerações que usufruirão desse direito é um
fator que condiciona, que reflete no nível de dificuldade que se
encontrará no desenrolar da prática para obtenção do
reconhecimento da cidadania italiana.

Veja-se, por exemplo, que um filho de italiano seguramente terá sua


cidadania reconhecida com "muito" menos impacto burocrático, do
que um trisneto de italiano.

Podemos dizer que a burocracia para a obtenção do reconhecimento


à cidadania italiana vai estar direta e proporcionalmente
condicionada ao lapso de tempo decorrido entre o nascimento do
“oriunde” italiano que transmitirá o direito "iuris sanguinis" da
cidadania e o dia de hoje.

Um dos grandes motivos que me levam a escrever este livro é esse


fator. Resolvi acender uma luz de esperança e de indicação de
caminhos para as pessoas que tenham seu ascendente ou “oriunde”
italiano em uma geração muito remota. Conforme narrei na
introdução deste livro, eu obtive com êxito o reconhecimento de
minha cidadania italiana a partir do meu trisavô, nascido em 1844.

Para se ter uma idéia da história desse meu ancestral, ele nasceu em

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1.844 na Itália, antes da abolição da escravatura no Brasil (1.888) e


antes da Proclamação da República no Brasil (1.889). Ele veio ao
Brasil em 19 de fevereiro de 1.885, ainda antes desses dois eventos
históricos nacionais, e mesmo assim eu consegui o reconhecimento
da minha cidadania. Em 28 de setembro de 1.885 foi promulgada a
Lei Saraiva Cotegipe conhecida como a Lei do Sexagenário, que
previa a libertação gradual da servidão aos escravos que
completassem 60 anos de idade. Meu trisavô chegou ao Brasil antes
dessa lei, portanto em um momento histórico de plenitude da
escravidão no país. Leitor, você faz idéia do que é isso? Faz idéia do
que é estar no ano 1.885?

Considero que poucos ítalo-brasileiros conseguiram um pleito com


esse distanciamento temporal entre o requerente e o “oriunde”.
Assim, creio que posso acender um luminoso farol de esperança nos
sonhos daqueles que desejam a cidadania italiana, mas que até o
momento foram desencorajados ou pelos seus próprios
pensamentos, ou pelas influências negativas de terceiros que
também vêm com descrença a possibilidade de resultar com êxito
positivo um pleito dessa envergadura.

FATOR FINANCEIRO NA BUSCA DA CIDADANIA

Também o fator financeiro será essencial para o sucesso de seu


sonho. Infelizmente, toda a burocracia exigível, ora por motivos
administrativos, ora por motivos se segurança, acabarão por
consumir bons recursos financeiros, principalmente pelo fato de se
estar apresentando aqui uma sugestão de itinerário para obtenção
da cidadania italiana diretamente na Itália. Isso custará também,
viagens, locações, hospedagens, alimentação, transporte, cauções,
seguros, taxas e emolumentos, impostos, e coisas mais.

Em alguns casos o interessado poderá se deparar com a necessidade


de fazer ainda alguma viagem para o Brasil, afim de melhorar ou
complementar a sua documentação, e esse deslocamento também
será um custo adicional.

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Muitas vezes a atuação de profissionais especializados com formação


jurídica ou em línguas será necessário para o andamento ou
desenvolvimento de alguma etapa processual. Peritos, advogados,
tradutores, intérpretes e até mesmo historiadores poderão vir a
atuar em determinados casos, encarecendo sobremaneira o
expediente para o reconhecimento da cidadania italiana.

A RUPTURA COM O PASSADO E A NOVA CULTURA

A decisão de emigrar para a Itália, também acarretará uma série de


conflitos de ordem pessoal, interior e emocional, vez que o candidato
à cidadania diretamente na Itália sofrerá o impacto gerado pela
necessidade de rompimento amigável, ou por vezes um pouco
menos amigável, com a própria cultura, com a família, com os
amigos e com a sociedade, e isso não é fácil.

Outros fatores também devem ser considerados tais como o outro


lado dessa ruptura, como a necessidade de se adaptar a uma nova
cultura, a um novo idioma, novas pessoas, novo trabalho, nova
alimentação, por mais que seja irmã da nossa própria. A cultura
italiana se assemelha muito à cultura brasileira, sob o aspecto geral,
porém, uma vez na Itália, se está mesmo é na Europa, e a cultura
européia, muitas vezes nada tem a ver com a nossa cultura
brasileira.

Uma vez dentro da U.E. (União Européia) muita coisa deverá ser
reaprendida relativamente a nosso modo de se comportar, de se
apresentar, de se vestir, de se comunicar, de falar, de se conduzir, de
se alimentar, ... enfim... de viver. E isso também tem seus custos.

Alimentação, exercícios de cidadania, regras e leis comerciais e


trabalhistas, habilitações profissionais e trabalhistas, habilitações de
condutor de veículos terrestres, aquáticos ou aéreos, utilização de
sistemas bancários, sanitários e de saúde e mais umas centenas de
coisas, exigirão o "reaprendizado" como se você tivesse nascido de
novo, porém, com a maioridade. Então, tudo deverá ser reaprendido
e não será simples, barato, rápido ou gostoso, mas pode ser feito.

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A VITÓRIA, O SUCESSO E SEUS BENEFÍCIOS

Depois de todo o esforço haverá a recompensa material, espiritual e


emocional. Você se sentirá bem sucedido nesse processo, se sentirá
vencedor, motivado, provocando um enorme sentimento de auto-
estima que te colocará em glória eterna. Você terá um dos maiores
mercados do mundo, aberto pelas suas próprias mãos, mas melhor
do que ser pelas suas próprias mãos, é o fato de que estará
realmente “aberto” e você poderá se inserir nele em igualdade de
condições com qualquer Europeu. Você estará vivendo em um
ambiente com moeda forte, com €uro sendo o seu padrão
monetário.

Você estará vivendo em uma sociedade mais equilibrada, onde a


justiça social é mais presente, onde as pessoas lutam por igualdade
e onde a pobreza quase não existe. Você estará experimentando
culturas, saber, vida que poucos conseguiram experimentar.

Essa recompensa toda você vai ter sem abrir mão de seu
nacionalismo brasileiro. Sem perder nenhum direito de cidadão
brasileiro, e então, quando visto sob essa ótica, você se sentirá
melhor ainda, pois será um cidadão “supra nacional” para não dizer
“supra continental”.

Então, enquanto um europeu será só e sempre um simples europeu,


você será um americano e um europeu simultaneamente. Você pelo
resto da sua vida terá o dobro de possibilidades que um “só
europeu” ou um “só brasileiro”, só pelo fato de ter duas cidadanias.

Para aqueles que têm filhos ou pensam em ter, as vantagens dessa


dupla cidadania transcendem sua própria pessoa, ultrapassam os
limites de suas próprias vidas, garantindo esse benefício para suas
gerações futuras, para seus descendentes. Essa, talvez, seja uma
das maiores heranças que você poderá deixar para os seus
descendentes.

Lembre-se, tudo isso tem seu preço. Ser cidadão em dois países te

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dará dois direitos, mas também te imporá duas obrigações. Você


terá obrigações pessoais, fiscais, previdenciárias, trabalhistas,
eleitorais, civis, comerciais, administrativas, constitucionais e penais
em dois países, e isso é um preço a pagar. Mas no final de tudo, os
benefícios compensam os preços com enorme vantagem.

A IMPORTÂNCIA DO CONHECIMENTO DO IDIOMA

Devo por força fazer o registro de que não recomendo a um


aspirante à cidadania italiana que pretenda obtê-la diretamente na
Itália, a fazê-lo sem o conhecimento fluente do idioma italiano.

Na primeira edição desta obra isto não passava de uma sugestão


minha na qualidade de autor, mas hoje, nesta edição, aquilo que era
uma sugestão passa a ser uma recomendação fundamentada em um
movimento sócio-legislativo que está nascendo e tem grandes
chances de se tornar uma exigência legal.

Veja abaixo algumas reportagens passadas sobre o assunto nos links


abaixo:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u418180.shtml
http://www.oriundi.net/index.php
http://www.interno.it/mininterno/export/sites/default/it/temi/cittadin
anza/sottotema007.html

Veja também que há em tramitação na Camara dos Deputados da


Itália, um Projeto de Lei n. 2006 que propões restrições severas ao
reconhecimento e concessão da cidadania italiana, começando com
a questão do conhecimento cultural, do idioma e de conhecimentos
dos princípios fundamentais da Constituição Italiana.

Diz o artigo 3 do citado Projeto de Lei n. 2006 que


ressalvado o caso do artigo 2, o reconhecimento da
cidadania seria subordinado a:
a. Comprovação de freqüência de curso de língua e
cultura italiana por um mínimo de 3 anos no
território onde resida;

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b. Conhecimento da língua italiana falada e escrita;


c. Conhecimento dos princípios fundamentais da
Constituição Italiana

Veja isso em detalhes no tópico “OBSERVAÇÕES SOBRE A


PROPOSTA DI LEGGE N.2006” e também no texto origina no site da
Camada dei Deputati localizado no endereço:

http://www.camera.it/_dati/leg16/lavori/schedela/apriTelecomando_
wai.asp?codice=16PDL0017950

Independentemente de vir a se tornar uma exigência legal, eu


sustento essa recomendação na própria essência do processo de
comunicação que faz parte da prática para obtenção do
reconhecimento da cidadania diretamente na Itália.

Uma vez na Itália, a relação do candidato com o mundo italiano será


naquele idioma, e será muito estressante e desgastante tentar fazer
isso sem o domínio pleno da língua.

Sugiro assim, como pré-requisito à colocação em prática deste


roteiro, que o candidato estude bem o idioma italiano. Busque um
curso, aulas particulares, aulas virtuais, CDs de língua italiana, livros
em italiano, enfim, se qualifique no idioma, pois boa parte dos que
naufragaram nessa busca, mesmo que não tenham tido a
consciência disso, naufragaram porque não sabiam se comunicar
bem. Não sabiam falar, não sabiam entender o que liam e não
sabiam entender o que lhes falavam.

Então, aproveite a fase instrutória de busca documental que levará


alguns meses ou anos, para estudar o italiano. Não desconsidere
esta minha recomendação, você verá os lucros que o seu
conhecimento lingüístico lhe trarão, ou sentirá a dor do prejuízo que
a sua falta lhe acarretará.

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CAPÍTULO II

RETROSPECTIVA HISTÓRICA DA IMIGRAÇÃO ITALIANA NO


BRASIL

Para entender melhor o processo de imigração italiana no Brasil, é


importante ter bem definido alguns conceitos como o de migração,
emigração e imigração.

É importante também entender a situação economica, política e


social tanto do Brasil quanto da Itália no final do século XIX e início
do século XX.

ENTENDIMENTOS SOBRE MIGRAÇÃO, EMIGRAÇÃO E IMIGRAÇÃO

Em poucas palavras, MIGRAÇÃO è tido como sendo o ato de passar


de um país para outro, falando-se de um povo ou grande multidão
de gente, enquanto EMIGRAÇÃO é conceituada como a saída
voluntária da pátria, para se estabelecer em outra e IMIGRAÇÃO é
conhecida como o restabelecimento de indivíduos em um país
estranho.

Todas essas definições, obtidas no Dicionário Michaelis - UOL, são


simples mas permitem distinguir claramente a diferença entre esses
termos.

Assim, podemos dizer que quando ocorre a MIGRAÇÃO de um povo,


de certo ocorre primeiro a EMIGRAÇÃO em seu país de origem para
depois ser vista como IMIGRAÇÃO no país de destino.

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O Brasil foi berço de acolhimento de povos de diversas regiões do


globo. Para cá imigraram povos europeus, africanos e asiáticos, etc.
Portugueses, espanhóis, franceses, ingleses, holandeses, alemães,
italianos, sírios, libaneses, russos, ucranianos, japoneses, coreanos,
chineses, alguns povos de origem africana e outros mais, cada povo
com concentração quantitativa maior ou menor em uma época ou
outra, devido aos movimentos de reequilíbrio socioeconômico e
políticos de natureza particular ou global.

Quando falamos da imigração italiana no Brasil e no mundo,


buscamos entender quais motivos fundamentam o início desse
processo. Dentre eles, certamente encontram-se alguns dos
motivadores que foram descritos no Capítulo I, ora isolada ora
cumulativamente analisados.

A ITÁLIA – UMA BREVE HISTÓRIA

A história da Itália é riquíssima, aliás, como a história de todas as


partes do globo. É também apaixonante, pois suas origens
remontam praticamente à própria origem do ser humano, na pré-
história.

Para se ter uma noção de quão antiga é a ocupação humana na


península itálica, considere a idéia de que 3.000 anos a.C. já havia
indícios de que o bronze era trabalhado na ilha da Sicília no sul da
Itália. Isto, há mais de 5.000 anos de nossa era. Compare essa idade
com a do Brasil, que mal completou seus 500 anos de história após o
descobrimento.

Mas, antes disso já havia vários milênios de ocupação humana na


Itália, que remonta há mais de 70.000 anos, quando foram
estabelecidos as primeiras sedes humanas na península itálica.

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A história da Itália também é ao mesmo tempo romântica, dramática


e catastrófica. Muitas guerras e conquistas tiveram como palco o
território italiano, desde os primórdios da civilização.

Para manter o foco no propósito desta obra, não entrarei aqui em


detalhamentos sobre a história da Itália, que por si, de tão rica e
bela, mereceria uma obra a parte e eu certamente não me atreveria
a escrevê-la, encargo mais adequado a um antropólogo, historiador
ou um escritor mais dedicado ao estudo da história desse
maravilhoso país. Por outro lado, posso dar ao leitor uma pequena
idéia do quão rica é a história da península praticamente resumindo
algumas ocorrências técnicas da história a partir do Império
Romano.

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O IMPÉRIO ROMANO

Roma foi fundada em 753 a.C., aos poucos foi ampliando seus
limites políticos e conseqüentemente seu império. Por volta do
século III a.C., com as Guerras Púnicas contra Cartago, Roma
ampliou ainda mais os seus limites.

No século II a.C. foi a vez da Grécia passar a pertencer, como


protetorado, à Roma, quando esta expulsou os Macedônios desse
território. Rapidamente o Império Romano tomou conta da Ásia
Menor, de parte da Gália (atual França), Espanha, Cartago,
Macedônia e do norte da África.

Somente em torno do ano 27 a.C. houve a consolidação do Império


Romano, que ocorreu nas mãos do Imperador Otávio, governo que
foi marcado por um grande período de paz.

No final do século I d.C. o Império Romano já dominava o território


Germânico (a partir do Rio Reno), toda a península Ibérica, mais a
Grã-Bretanha, Europa Central, o Oriente Médio até a Armênia e o
Norte da África.

No século IV d.C. a Capital do Império Romano foi mudada para


Bizâncio. Sua capital Constantinopla (atual Instalbul) tornou-se o
centro político e econômico da época, porém, durante esse próprio
século, o Império Romano foi dividido em Império Romano Oriental
(com Constantinopla como capital) e Império Romano Ocidental
sendo mantida Roma como a sede do Império.

Nessa época alguns indícios faziam crer que o Império Romano


chegava ao fim. Já bastante debilitado, o Império caiu com a morte
de seu último Imperador em 476 d.C., e em decorrência disso, se
deu início uma série de invasões de povos bárbaros provenientes da
Europa Central e que se dirigiam para o sul.

Esses povos acabaram por dominar a península por séculos. Primeiro


vieram os Visigodos, depois os Godos e por fim os “Lombardos” que

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eram povos originários da Hungria e que construíram verdadeiro


império na península itálica. Eles se estabeleceram na atual
Lombardia fixando sua capital na cidade de Pavia ao sul de Milão.

Depois de dois séculos de domínio Longobardo (568 a 774 d.C.), a


Itália foi dominada por Carlos Magno que foi coroado imperador em
800 d.C.

Desse período até o século XIX a Itália passou por mãos de diversos
conquistadores e impérios, tais como o Germânico, o Austro-
húngaro, Francês com Napoleão Bonaparte, e ainda as duas grandes
guerras mundiais.

Nos séculos XIX e XX milhões de italianos imigraram da Itália com


destino às “Américas”, tanto do Norte quanto do Sul.

A MIGRAÇÃO ITALIANA AO BRASIL

Todas essas guerras, domínios e revoluções sempre criaram motivos


para os movimentos migratórios italianos.

Na primeira metade do século XIX iniciou-se o processo de


unificação da Itália, que até então era formada por diversos Reinos
independentes, e que por sua vez também motivavam as constantes
invasões e lutas por domínio da terra.

Entre 1848 e 1861 a Itália viveu um clima de instabilidade,


resultando com a definitiva unificação, sendo nomeado o Rei Vittorio
Emmanuele II, que até então era o rei da Sardenha e Piemonte e
passou a ser o Soberano máximo da Itália.

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A Itália, além das revoluções e guerras pelas quais passou, também


sofreu constantes reformas na posse e propriedade da terra, que
provocaram profundos desequilíbrios sociais e econômicos,
culminando com movimentos migratórios que levou a um êxodo dos
italianos com destino a países como Argentina, Brasil, Estados
Unidos e Austrália, dentre outros.

O Brasil do século XIX passava por profundas transformações sociais


relativas ao trabalho escravo. Os Estados Unidos havia saído
recentemente de guerras internas que também se relacionavam
profundamente com o trabalho escravo. A Europa por sua vez,
abastecia substancialmente o movimento provocado pela revolução
industrial, gerando profundas mudanças também no sistema jurídico,
comercial e trabalhista.

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Todos esses movimentos, quando isoladamente analisados,


transparecem situações conjunturais nacionalistas e localizadas, mas
quando analisadas conjuntamente, conduzem a um bom
entendimento dos motivos que levaram a população italiana a se
estabelecer no Brasil no final do século XIX e início do século XX.

O período pós-unificação, com as dificuldades pelas quais passava a


Itália, foi marcado por forte desemprego, reestruturação nos
institutos de propriedade da terra, fome e mudanças políticas que
levaram algumas regiões a sofrerem profundamente, resultando com
o êxodo de parte de sua população.

Simultaneamente com esses movimentos socioeconômicos na Itália,


surgia o sonho de emigrar para a América, mas os Estados Unidos
passou a endurecer sua política de imigração.

Com o crescimento do capitalismo do início do século XIX, o trabalho


escravo foi perdendo importância, tanto no Brasil como no mundo.
Essa situação se deu pelo fato de que homens contratados
(operários) trabalhavam muito mais do que os escravos e custavam
muito menos, pois exigiam menos cuidados e também porque não
tinham um preço de aquisição.

Isto proporcionava aos empresários duas grandes vantagens.


Primeiro não precisavam investir grandes capitais em patrimônio
humano (comprando escravos) e segundo por gerar uma certa
isenção de responsabilidade quanto aos cuidados que deveriam
prestar principalmente aos anciãos, pois podiam demití-los
livremente quando não mais produzissem a contento. No descarte do
trabalhador, como não haviam sido “comprados”, não se tornavam
um “prejuízo” quando dispensados ou abandonados.

Os donos de escravos não tinham essa mesma autonomia, e quando


seus escravos tornavam-se idosos, já não mais produziam como
antes, custavam ainda mais em alimentos, medicamentos e
cuidados.

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Um terceiro benefício surgia secundariamente, nos momentos em


que a produção era contida ou deveria ser contida. Bastava demitir o
contingente excedente de operários para adequar-se ao mercado.
Quando o mercado exigia uma produção maior, bastava recontratar
os mesmos ou novos operários. Já os escravistas não tinham como
se livrar dos escravos que possuíam, e assim sendo tinham a
obrigação de mantê-los mesmo que não houvesse trabalho.

Deste modo, o capitalismo começou a provocar mudanças no cenário


social, não só econômico. Essa situação começava a gerar
desvantagens aos proprietários de escravos quando comparados aos
industriais mais modernos.

O Governo brasileiro passou a incentivar a imigração. Passou a abrir


as portas para os imigrantes e propagar esta abertura por toda a
Europa. O Brasil passou a fazer propaganda de forma intensa na
Itália.Divulgava a existência de terras férteis e economicamente
acessíveis aqui no Brasil, o que fez aumentar o interesse dos
italianos pelo nosso solo e assim imigrarem para cá. Dizia-se na
Itália de "fare l'america" (literalmente fazer a América). O Brasil
tornou-se um sonho para muitos italianos.

LEI DO SEXAGENÁRIO E A ESCRAVIDÃO

Como já citei anteriormente, no Brasil, em 1855 foi promulgada a


"Lei do Sexagenário" libertando os escravos com mais de 60 anos.
Uma verdadeira ironia para uma época em que os escravos tinham
uma expectativa de vida que mal passava dos 40 anos de idade.
Mesmo que conseguissem sobreviver, a Lei do Sexagenário se
demonstrou mais favorável aos senhores de engenho do que aos
pobres escravos, vez que estes, se ainda vivos e já com mais de 60
anos, não produziam como antes, encontravam-se em estado de
debilidade de saúde e não tinham mais como encontrar empregos.

Justamente diante de uma situação assim quando mais os escravos


eram “necessitados”, os senhores de engenho que eram seus

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proprietários lhes concediam a liberdade, isentando-se de ter de


socorrê-los ou mantê-los e isto resultava em uma boa economia.

Em 1888 a situação do império Português no Brasil estava caótica e


já condenada a um descrédito brutal. A desordem civil tomou conta
do Brasil e os militares cada vez mais insatisfeitos, menos aceitavam
ordens do Governo. Revoltas e insurreições começaram a surgir em
pontos específicos do território e sem conseguir sustentar as
pressões dos abolicionistas e do exterior (Estados Unidos, Inglaterra
e Europa), foi assinada a "Lei Áurea" de libertação definitiva dos
escravos, pela Princesa Isabel.

Toda essa situação já favoreceria a República, que seria proclamada


já no ano seguinte, em 15 de novembro de 1889.

Nessa época, com todos esses movimentos abolicionistas do século


XIX, o Brasil acabou por necessitar de mão de obra barata para
substituição dos escravos nas lavouras. Essa mão de obra passou a
ser ofertada pelo movimento imigratório, principalmente de italianos
que procuravam escapar da fome, da pobreza e da desesperança
que vivia na Itália.

Mesmo necessitando de novo contingente de mão de obra, os


grandes proprietários de terras no Brasil, conseguiram aprovar leis
que dificultavam a imigrantes o acesso à propriedade. Para se ter
uma idéia dessa limitação, em 1850, um imigrante não conseguia
adquirir terras no Brasil antes do decurso do prazo de 3 anos após
seu desembarque no país.

Nesse cenário o Brasil se tornou terreno fértil para a imigração, que


já era marcante desde a década de 1870. Os italianos, favorecidos
por esse clima, pelas propagandas no governo Brasileiro na Itália e
desencorajados de migrarem para os Estados Unidos, passaram a vir
ao Brasil em contingentes que superavam 50 mil pessoas por ano na
década de 1880. Essa população se concentrou particularmente nos
Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Só o Estado de São Paulo, entre 1876 e 1920 recebeu mais de 30%
da população italiana que se dirigiu ao Brasil.

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Hoje podemos dizer que esse fluxo migratório ainda existe, porém
mistura um ir e vir. Italianos vindo e brasileiros indo, aliás, é possível
que hoje, diante da crise que assolou o mundo a partir do segundo
semestre de 2008, hajam mais italianos e brasileiros vindo para o
Brasil do que brasileiros indo para a Itália. Eu não tenho essas
estatísticas, mas não me admiraria se as ouvisse assim.

Os italianos imigram para o Brasil, motivados pela busca de


mercados emergentes para investimentos ou para escapar da crise,
novas experiências e uma natureza mais rica dentre outros fatores, e
alguns brasileiros buscam o caminho oposto, mas por motivos
diversos, conforme já exemplifiquei no capítulo anterior.

EMIGRAÇÃO BRASILEIRA

Relativamente à emigração de brasileiros, constatamos essa


realidade facilmente quando chegamos, não só na Itália, mas na
própria Europa. Certos destinos são repletos de brasileiros e nossas
colônias se fazem presentes dia após dia no velho mundo.

Devido às políticas protecionistas que imperam hoje nos países


desenvolvidos, algumas vezes observamos uma certa dose de
xenofobismo àqueles que procedem do exterior. Muitas vezes
presenciei tratamentos hostis destinados a nossos conterrâneos na
Europa. Mas sempre que constato esse tipo de hostilidade, me
recordo da história entre nossos povos. Hoje, a Itália é objetivo de
vida para muitos brasileiros, assim como o Brasil, outrora já serviu
como esperança e única alternativa de vida para milhares de famílias
de italianos. Nossos povos são irmãos, irmãos de sangue, e deveriam
se considerar assim.

Mas não posso defender muito nossos patrícios, pois da mesma


forma que muitas vezes presenciei maus tratos a brasileiros na
Europa, também me envergonhei do comportamento padrão de
nosso povo. Nós precisamos de mais educação, mais cultura, mais
discernimento e menos “Lei do Gerson”. Essa famosa “Lei de Levar
Vantagem em Tudo, Cerrrrto!!!” acaba com nossa moral lá no

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exterior. Eu luto contra isso sempre que posso, para fazer valer
nosso talento, nossa dignidade, nossa criatividade, nossa força de
trabalho e nosso profissionalismo. Somos um povo iluminado.
Devemos ter consciência disso e ajudar nossos compatriotas a
compreenderem que devem fazer do Brasil, um orgulho.

A minha família, teve sua história vivida naquele cenário de abolição


de escravatura, quando meu “trisavô”, Felice Del Negro decidiu vir
com sua família inteira ao Brasil em busca de uma alternativa de
vida, já que na Itália a fome e a desesperança eram as únicas coisas
que imperavam para a maior parte da população.

Meu trisavô desembarcou no Brasil em 1885 e aqui fez a sua família,


educando seus filhos e seus netos. Eu quis retornar às minhas
origens, vivi alguns anos na Itália e resgatei a cada dia minha cultura
italiana, mas jamais permiti que nosso Brasil fosse considerado outro
que não esse maravilhoso país que um dia acolheu o povo italiano
com os braços abertos como se fossem filhos da própria terra.

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CAPÍTULO III

A TUTELA JURÍDICA DA CIDADANIA BRASILEIRA E


ITALIANA E DA DUPLA-CIDADANIA

CONCEITO DE CIDADANIA

Em poucas e breves palavras, podemos conceituar a cidadania como


a condição da pessoa física, à qual o ordenamento jurídico de uma
nação, reconhece a plenitude dos direitos civis e políticos. A
cidadania assim conceituada deriva da nacionalidade, que é
entendida como o vínculo jurídico e político que faz de um indivíduo,
uma célula do próprio Estado, entendido como nação.

A cidadania è um atributo do ser humano de qualquer nação. Todo


cidadão, por princípio, pertence a uma comunidade, ou mais
genericamente falando, a uma nação, e por isso detém a
nacionalidade da nação à qual pertence. Podem ocorrer situações
específicas que geram a perda da nacionalidade de uma pessoa, e
conseqüentemente, a perda da cidadania. Nessa situação, quando
uma pessoa não possui cidadania, é considerada apátrida, ou seja,
sem pátria. Nesta ótica, sem cidadania também.

Quando falamos de nações, falamos de ordenamentos jurídicos


diversos. Falamos de ordenamentos jurídicos específicos que regem
também a soberania de cada Estado.

Algumas normas jurídicas entre nações distintas muitas vezes são


harmonizadas em razão da necessidade de manutenção de relações

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comerciais ou políticas entre os povos, e nesse sentido o próprio


conceito de soberania resulta por tornar-se relativo.

O fenômeno da globalização acabou por acentuar mais a


necessidade de inter-relacionamento entre as nações, e
conseqüentemente entre seus ordenamentos jurídicos. Toda essa
disciplina è estudada e normatizada por vários segmentos do direito,
tais como o Direito Constitucional, Direito Civil, Direito omercial,
Direito Internacional, dentre outros.

Em razão de todo o desenvolvimento do ser humano e do efeito


dessa globalização, o conceito de cidadania acaba por sofrer
influências que me fazem pensar que esse atributo, em algumas
situações, vem sendo estendido além do “território” de uma
determinada nação.

A cidadania também passa a receber ao menos uma maior atenção


por parte dos governos. Isso se justifica na medida em que esse
fenômeno global se associa à melhor logística, melhor distribuição de
riquezas, menor custo do transporte, menor custo da comunicação
entre os povos, nascimento de alguns blocos comerciais e
protecionistas, tais como a União Européia, a Alca, o Mercosul, etc....
dentre outros fatores, acabando por aproximar as pessoas de uma
nação ao sistema comercial, social e político de outra.

Quase que podemos prever um mundo onde as fronteiras não serão


mais terrestres, mas sim econômicas, e nesse caso a cidadania
passa a ser um atributo também globalizado, já que a globalização
se sustenta basicamente na economia entre as nações.

FUNDAMENTOS DA CIDADANIA

Em se tratando de ordenamentos jurídicos, constatamos que a


cidadania normalmente encontra seus fundamentos nas
constituições de cada país, podendo ter alguns detalhes
regulamentados em normas infraconstitucionais, nem que sejam
normas meramente interpretativas do texto maior.

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Não posso deixar de registrar, no entanto, que as constituições


muitas vezes encontram algumas vigas mestras estabelecidas em
Tratados e Convenções Internacionais, o que, neste caso, acaba por
ser considerado também como fonte do direito à cidadania. Devo
ressalvar no entanto, que esta não é uma regra. No Brasil e em
alguns países sul-americanos a questão da nacionalidade é
disciplinada fortemente pelo direito constitucional.

Na Europa isso não se revela como o padrão. A maior parte dos


países europeus, inclusive a Itália, disciplinam a nacionalidade em
normas infraconstitucionais como Decretos e Leis (às vezes “ad hoc”,
ou seja, específicos para a matéria), não obstante alguns dispositivos
constitucionais façam referimento cidadania. Entretanto, isso não
representa um fator que induza à crença de irrelevância da matéria,
apenas um costume.

Muitas vezes essa temática de nacionalidade advém de normas que


são até mesmo fundamentos para as normas constitucionais e por
isso mesmo, superiores até às constituições, vez que são
disciplinadas em Tratados e Convenções Internacionais e que por fim
são reproduzidos nas Constituições da nação que adotar a
Constituição como fonte magna do seu direito positivo interno.

Um exemplo muito pertinente ao nosso tema ocorre justamente no


ordenamento jurídico da Itália, o qual teve algumas normas sobre
cidadania editadas em decorrência do artigo 19, do Tratado de Paz
que foi firmado entre a Itália, Forças Aliadas e associados, em Paris
no dia 10 de fevereiro de 1947 para por um o fim à participação
italiana na segunda guerra mundial.

Entretanto esse tratado não teve reflexo na Constituição Italiana do


ano seguinte, de 01 de janeiro de 1948, vez que esta não fez
menção à cidadania, exceto para afirmar que nenhuma pessoa pode
ser privada, por motivos políticos, da capacidade jurídica, do direito
de ter uma cidadania e um nome, em seu artigo 22.

Interessante observar, no entanto, que por uma dezena de vezes a

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Constituição Italiana faz referimento ao “cidadão”, sem assumir o


encargo de disciplinar ou conceituar o que seja o “cidadão”. Quase
que considerando tratar-se de um atributo inerente ao próprio ser
humano, sem necessidade de maiores esclarecimentos e partindo do
pressuposto de que já seja um conceito sabido.

Mas como tudo na vida precisa de melhores esclarecimentos, deixou


toda matéria de nacionalidade para ser disciplinada em nível
infraconstitucional, porém não o fez por disposição expressa, mas
sim por casualidade. A matéria precisava ser disciplinada e não
restou outro meio para fazê-lo, senão o infraconstitucional.

Fechando o argumento sobre o Tratado de Paz de 1947 e


resumidamente, este regulamentou a questão da cidadania dos
habitantes dos territórios que foram cedidos pela Itália às outras
nações, definindo os termos e os procedimentos para manutenção
ou perda da cidadania italiana e aquisição de outra cidadania pelos
habitantes dos territórios cedidos.

Esse tratado fixou ainda prazos para que os ordenamentos jurídicos


das nações envolvidas fossem adequados aos termos nele
pactuados.

Constatamos assim, o quanto a questão da cidadania é vital e


estratégico para uma nação, a ponto de ter seus fundamentos
estabelecidos em normas de altíssima hierarquia, tais como as
normas constitucionais e os tratados internacionais.

Relativamente ao Brasil è um pouco diferente já que disciplina


basilarmente essa matéria em nível constitucional. Seja como for, em
ambos os ordenamentos jurídicos (tanto o italiano quanto o
brasileiro), a Constituição è a Lei maior que define os parâmetros
entre nacionais e estrangeiros.

Farei aqui alguns breves comentários sobre o que dizem esses


ordenamentos jurídicos a cerca da cidadania, iniciando pelo
ordenamento jurídico italiano.

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CIDADANIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO ITALIANO

O sistema jurídico italiano sofreu muitas modificações no que diz


respeito à condição de cidadão, e isso se deve à toda história
turbulenta pela qual passou a Itália nos últimos séculos. Seja por
conta das invasões e conquistas da idade média, seja por conta da
unificação italiana ocorrida e 1.861, seja por conta das últimas duas
grandes guerras ou mesmo por conta de movimentos globais. O fato
é que, quando estudamos a cidadania italiana, observamos que o
ambiente jurídico esteve sempre muito em ebulição, com normas
que vieram e foram às dezenas, só neste último século.

Se você desejar fazer uma consulta na internet, encontrará muitos


sites que elucidam bem a questão legal quanto à cidadania italiana.
Um dos que mais me chamou a atenção, pela qualidade e
detalhamento com que foi criado pode ser visto no endereço:
http://www.dupla.cidadania.nom.br/cidadania_brasil.htm é um site
comercial, mas isso não invalida sua indicação, até porque este
próprio livro também tem o seu preço.

Hoje podemos consolidar um pouco de todos esses dispositivos


legais, na Lei n. 91, de 05 de fevereiro de 1992, a qual consolidou
muitas outras normas sobre cidadania, revogando as leis e os
dispositivos já obsoletos, diante da nova visão de Estado em matéria
de nacionalidade.

Tecnicamente observamos que a cidadania, no sistema jurídico


italiano, è concedida por dois fatores: nascimento em solo italiano
(“jus soli”) e por relação de parentesco sanguíneo (“jus sanguinis”).

Neste ultimo caso, a cidadania è concedida sem limites de gerações,


a todos os descendentes de italianos emigrados da Itália (já vimos
os conceitos de migração, emigração e imigração no capitulo
anterior).

A AQUISIÇÃO DA CIDADANIA ITALIANA

A cidadania italiana pode ser adquirida em situações especificas

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definidas pela legislação mas basicamente são as seguintes


situações:

1) É cidadão italiano, pelo nascimento:

a. Filhos de pai ou mãe que sejam cidadãos italianos;


b. Nascidos em território italiano:
i. Se ambos os pais são ignorados;
ii. Se ambos os pais são apátridas, ou;
iii. Se a criança não adquire (por impedimentos legais) a
cidadania dos pais, no âmbito do sistema jurídico e do
direito vigente no Estado ao qual os pais pertençam
originariamente;

2) São considerados cidadãos italianos por nascimento, crianças que


sejam encontradas no território italiano, filhas de pais ignorados,
exceto se existirem meios de prova de que são possuidoras de outra
cidadania.

3) O reconhecimento ou a declaração judicial de paternidade durante


a menoridade do filho determina a sua cidadania nas seguintes
condições:

a. Se a criança é reconhecida ou declarada maior,


mantém o seu estado de cidadania italiana, com direito
de opção pela cidadania dos pais, desde que exercido
esse direito no primeiro ano da maioridade ocorrida ou
declarada;
b. É igualmente aplicável este princípio, para crianças
cuja maternidade ou paternidade não possa ser
declarada, desde que tenham tido, ao menos
reconhecido o direito à manutenção ou alimentos;

4) Crianças adotadas por estrangeiros também adquirem a cidadania


italiana;

a. Aplica-se este princípio também aos adotados antes

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da entrada em vigor da Lei n.91 de 05 de fevereiro de


1992;
b. Caso a adoção seja revogada pelo próprio adotado,
este perderá a cidadania italiana desde que seja
possuidor de outra cidadania ou possa readquiri-la;
c. Em outros casos de revogação, o adotado mantém a
cidadania italiana, no entanto, se a revogação da
adoção ocorrer após a maioridade do adotado, o
mesmo poderá renunciar à cidadania italiana desde que
em posse de outra nacionalidade, ou o possa fazê-lo. O
exercício desta faculdade deve ser feito no prazo de um
ano após a revogação da adoção.

5) O estrangeiro ou apátrida cujo pai ou mãe ou um dos


ascendentes em linha reta até segundo grau sejam cidadãos
italianos por nascimento, tornam-se cidadãos italianos nas seguintes
condições:

a. Se prestar serviço militar para o Estado italiano e


manifestar antecipadamente o a intenção de adquirir a
cidadania italiana;
b. Se tomar posse em cargo público sob dependência
do Estado italiano, mesmo que no exterior, e manifestar
sua vontade em adquirir a cidadania italiana;
c. Se, obtendo a maioridade e tendo residido
legalmente em território italiano por um mínimo de dois
anos, manifestar o desejo de adquirir a cidadania
italiana. O exercício desta faculdade é condicionado a
ser exercido no primeiro ano após a obtenção da
maioridade;

6) O estrangeiro que, nascido na Itália tenha residido legalmente no


país, sem interrupção até a obtenção da maioridade, torna-se
cidadão italiano desde que manifeste este desejo no prazo de um
ano após a aquisição da maioridade;

7) O cônjuge, estrangeiro ou apátrida, de um cidadão italiano,


adquire a cidadania quando resida há pelo menos seis meses no

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território italiano ou, residindo no exterior, tenha ao menos três anos


de matrimônio civil, desde que à data do requerimento de
reconhecimento de cidadania por casamento, não tenha ocorrido a
separação judicial, dissolução ou anulação da sociedade conjugal;

8) A cidadania italiana pode ser concedida por Decreto do Presidente


da República, depois de ouvido o Conselho de Estado em base a
requerimento do Ministro do Interno nos seguintes casos:

a. Aos estrangeiros cujos, pai ou mãe ou um


ascendente em linha reta até o segundo grau, eram
cidadãos italianos por nascimento, ou estrangeiro que
nasceu no território do Estado, em ambos os casos,
desde que hajam residência legal há pelo menos três
anos em território italiano, ressalvado o direito
mencionado no item 5.c.;
b. Aos estrangeiros maiores de idade adotados por um
cidadão italiano e que resida legalmente no território
italiano por um mínimo de cinco anos após a adoção;
c. Aos estrangeiros que tenham prestado serviços ao
Estado italiano, mesmo que no exterior, pelo menos por
cinco anos;
d. Aos cidadãos de um dos Estados Membros da União
Européia, se residente legalmente há pelo menos quatro
anos em território italiano. Aqui se observa uma norma
que provavelmente encontra reciprocidade nos
ordenamentos jurídicos de outros Estados Membros da
União Européia, mostrando que a cidadania entre os
residentes na União Européia pode ser facilmente
trocada. Neste caso, justificando o entendimento de que
a cidadania caminha para ser um atributo muito mais
econômico do que territorial.
e. Aos apátridas que residam legalmente há pelo menos
cinco anos no território italiano;
f. Aos estrangeiros legalmente residentes há pelo menos
dez anos no território italiano.

A IMPORTÂNCIA DA RESIDÊNCIA PARA O PROCESSO NA ITÁLIA

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A observação que faço diante de todas essas possibilidades de


obtenção da cidadania italiana por parte de estrangeiros, é a
questão da legalidade da residência, que é atributo indispensável ao
pleito.

O tempo de residência que é outro dos atributos, é de curso natural,


porém a legalidade não. Esta deve ser obtida pelos meios jurídicos
adequados à fixação legal de uma residência na Itália.

A contrário do Brasil, na Itália a questão da residência é um fator de


vital importância para o controle estatal sobre a sociedade. Assim
sendo, se uma pessoa tem a residência legal, ela tem tudo. Se não a
tiver posso quase que dizer que não será considerada uma pessoa.

No Brasil, quase todo o ordenamento jurídico de exercício de direitos


civis pós-maioridade se funda no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF,
e deste derivam outros registros públicos obrigatórios. Não faço com
essa observação, uma diminuição do valor intrínseco de outros
documentos legais tais como RG, Título de Eleitor, Certidão de
Nascimento, Carteira de Trabalho, etc...., mas apenas que, sem o
“bendito” CPF, quase nada se faz. Tudo é alicerçado sobre esse
documento, desde uma conta bancária, até um registro de situação
pessoal de crédito no mercado.

Na Itália o documento equivalente é o “Códice Fiscale”, porém não


tem a mesma relevância que o nosso CPF apesar de ter também a
sua função e importância. Mas o que realmente vale na Itália, para
tudo, é ter uma residência.

Para entender um pouquinho da complexidade que permeia esse


tema, ao longo desta obra veremos as situações que são afetadas
pela fixação da residência na Itália, bem como sua mudança. Os
controles estatais, com visitas de policiais em sua casa e outros
controles que são exercidos relativamente à residência.

Por isso, a questão da legalidade da residência é o atributo mais


importante estabelecido pela lei, e é justamente aí que reside a

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distinção entre quem se encontra regular ou clandestinamente no


País. Sem a regularidade desta situação, a pessoa não terá vida civil,
sujeitando-se à clandestinidade e vivendo sempre às sombras de
algum outro que esteja regularmente residindo na Itália.

FILHOS MENORES – A RENÚNCIA À CIDADANIA ITALIANA AO


COMPLETAR A MAIORIDADE

Observo ao analisar a legislação italiana que os filhos menores,


daqueles que adquirem ou recuperam a cidadania italiana, quando
se tornam adultos “podem” renunciar à cidadania italiana, mas
desde que em posse de outra nacionalidade.

OS DESCENDENTES DA MONARQUIA AUSTRO-HUNGARA I

Também as pessoas que ainda vivem nos territórios que


pertenceram à Monarquia Autro-Húngara e emigraram ao exterior
antes de 16 de julho de 1920, bem como seus descendentes em
linha reta, são equiparados aos estrangeiros de origem italiana, ou
seja, transmitem também o direito à cidadania.

Podemos inferir daqui que um Austro-Húngaro emigrado ao Brasil


antes da data acima citada, poderá transmitir um direito de
cidadania italiana a seus descendentes, vez que é equiparado a um
estrangeiro “de origem italiana” sendo assim sujeito de direito de
cidadania.

Esta minha observação é uma interpretação pessoal, não posso


garantir ou gerar expectativa de direito a ninguém mas serve de luz
para eventuais interessados se aprofundarem um pouquinho mais
nessa hipótese de transmissão de cidadania.

REGISTRO CIVIL DE UM CIDADÃO ITALIANO

A Lei também estabelece que todas as informações pertinentes à


cidadania, bem como atos e medidas relativas à perda, à
manutenção ou à recuperação da cidadania italiana serão transcritas
à margem do ato de registro civil de nascimento do cidadão.

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Isso se dá, porque uma vez concluído o procedimento para


reconhecimento da cidadania italiana esse ato é formalizado com um
assentamento no registro civil da localidade onde transcorreu o
processo, e é finalizado com o registro do ato de nascimento do
requerente, à margem do qual serão assentadas todas as
informações pertinentes à sua vida civil, inclusive matrimônio, nome,
cidadania, etc...

A JURIDICIDADE DA DUPLA CIDADANIA DIANTE DA LEGISLAÇÃO


ITALIANA

Um ponto importante a ser observado, é o aspecto da tutela da


dupla cidadania por parte da legislação italiana. Até o advento da Lei
n.91 de 05 de fevereiro de 1992, vigorava a Lei n. 123 de 21 de abril
de 1983. Segundo esta, no caso de dupla nacionalidade, a criança
deveria escolher apenas uma, dentro do prazo de um ano após a
aquisição da maioridade.

Não se vislumbrava aqui, a possibilidade de manutenção de uma


situação de binacionalidade. Somente uma seria aceita. O artigo 26
na citada Lei n.91 de 05 de fevereiro de 1992, revogou aquele
dispositivo, se omitindo quanto à existência da possibilidade de dupla
cidadania ou em alguns casos, ao máximo, deixando como uma
faculdade do indivíduo o exercício do direito de opção por uma
nacionalidade ou outra, e não mais uma obrigação.

Merece também atenção o fato de que a cidadania é reconhecida


por Decreto do Ministro do Interno, à pedido da parte interessada,
porém apresentada ao Prefeito do município de residência do
interessado (quando residente na Itália) ou às Autoridades
Consulares (quando residente no exterior).

Em uma análise resumida, não aprofundando muito em discussões


de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de Leis italianas,
podemos concluir segundo o artigo 1o. a Lei n.91 de 05 de fevereiro
de 1992, é cidadão italiano:

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a) O filhos de pai ou mãe italianos;


b) Quem é nascido no território do Estado italiano, se
ambos os genitores são ignorados ou apátridas, ou se o
filho não segue a cidadania dos genitores segundo a
legislação do Estado a que estes pertençam;

Observa-se também, pela leitura do parágrafo 2o. que é cidadão


italiano por nascimento, o filho de pessoa ignorada, encontrado em
território do Estado, se não se prova a posse de uma outra
nacionalidade.

É importante o artigo 3o, que reproduz parcialmente o texto do


artigo 5o. da Lei n. 123 de 21 de abril de 1983 que já se encontra
revogada, mas que no novo texto, continua a considerar cidadão
italiano o filho adotivo, mesmo que estrangeiro, de cidadão italiano
ou cidadã italiana, também se nascido antes da promulgação da Lei
n.91 de 05 de fevereiro de 1992.

O que ocorreu aqui, foi que a Lei estabeleceu expressamente a


retroatividade para esta situação, não obstante que a própria Lei
exclui a possibilidade de “retroatividade” no seu artigo 20, que
dispõe “... salvo nos casos expressamente previstos, o estado de
cidadania adquirido anteriormente à presente lei não se modifica
senão por fatos posteriores à data de entrada em vigor da mesma”.

Nessa ótica, considerando que o atributo de “não cidadão” é no


fundo um “estado negativo de cidadania”, que equivale a “estado de
não cidadania”, uma vez que a lei não está a admitindo
“modificação” desse estado de cidadania, senão por fatos posteriores
à vigência da Lei, aquela situação acima descrita resulta como que
uma exceção expressa.

Esta disposição, quando cumulativamente considerada com o Parecer


n. 105 de 15 de abril de 1983, resulta por considerar que os filhos,
de cidadã italiana e pai estrangeiro, nascido antes de 1o. de janeiro
de 1948 (data de entrada em vigor da Constituição Italiana)
continuam sujeitos de direito ao disposto na antiga Lei n. 555 e 13
de junho de 1912, não obstante a declaração de ilegitimidade

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constitucional dada pela Sentença n. 30 de 1983 pela Corte


Constitucional Italiana.

Assim sendo, pode-se considerar que os casos previstos na Lei n.


555 e 13 de junho de 1912, constituem exceção à regra de que a
cidadania a descendentes de italianos somente é possível quando o
pai era italiano ou quando a mãe era italiana, neste caso
condicionado ao nascimento do filho ser após 01 de janeiro de 1948.

A exceção prevista segue o modelo abaixo, o que permite aumentar


consideravelmente o espectro de ítalo-descendentes com direito ao
reconhecimento de sua cidadania, mesmo que filhos de mães
italianas, nascidos antes de 01 de janeiro de 1948. As condições são
exaustivas, mas servem de ajuda para muitos casos de ítalo-
descendentes.

FILHOS DE MÃES ITALIANAS NASCIDOS ANTES DE 01 DE JANEIRO


DE 1948

Se o ascendente italiano è do sexo feminino, só transmite o direito


da cidadania aos descendentes nascidos depois de 01 de janeiro de
1948, data em que entrou em vigor a nova constituição italiana.

Aos descendentes nascidos antes dessa data, a cidadania ainda pode


ser pleiteada, nos casos previstos no parágrafo 2º. do artigo 1º. da
Lei n. 555 de 13 de junho de 1912, o qual disciplina estas três
hipóteses residuais:
a) Se filho de pai ignorado;
b) Se o pai, à epoca (01/01/1948) era apátrida, ou;
c) Se o filho, por limitações impostas pela Lei
Estrangeira do País de nacionalidade do pai, não
poderia ter reconhecida sua cidadania, obtendo a
cidadania do próprio pai. Este seria o caso típico de um
Estado que reconhece a cidadania somente em base ao
“jus soli”, não admitindo transmiti-la pelo “jus
sanguinis”;

Em todo caso, se estes dispositivos não forem reconhecidos

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espontaneamente pela administração pública italiana, restará ao


candidato a busca de seus direitos na esfera judicial, porém com
grandes chances de sucesso. Considere também que algumas dessas
interpretações que aqui apresento são de juízo pessoal.

Várias sentenças de Cortes de Cassação tem decidido por reconhecer


o direito à cidadania italiana, mesmo para filhos de mães italianas
nascidos antes de 1948. Veja na 5a. Dica da Cidadania Italiana um
detalhamento sobre esse assunto.

Por fim relembramos de novo que a Lei n.91 de 05 de fevereiro de


1992 admite em qualquer caso, a posse da cidadania múltipla que
era vetada no artigo 5. da Lei n. 123 de 21 de abril de 1983.

Esse juízo sobre a transmissão da cidadania por parte da linha


materna, mesmo para filhos nascidos antes de 01 de janeiro de 1948
poderá mudar.

Um interessante parecer sobre a questão da transmissão sanguínea


da cidadania por via materna foi apresentada pelo do Dr.
Francesco Saverio Matozza, um Especialista Médico-Legal e foi
publicada em italiano no sequinte site:
http://www.abruzzoforum.com/archived/0208/messages/98.html

CITTADINANZA ITALIANA "JURE SANGUINIS"


INTERPRETAZIONE MEDICO-LEGALE
Articolo a cura del Dr. Francesco Saverio Matozza

A seguir faço a tradução desse importante artigo, o qual tem sido


referenciado em vários processos judiciais de pleito à cidadania
italiana.

Foi um trabalho muito bem elaborado sobre a cidadania para filhos


de mães italianas, nascidos antes de 01 de janeiro de 1948, é a tese
apresentada pelo Dr. Francesco Saverio Matozza.

O Dr. Matozza é médico formado pela Universidade de Bologna.


Embora sua formação divulgada seja da área de medicina, seus

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conhecimentos jurídicos merecem atenção pela coerência com que


os apresenta entrelaçados com os conhecimentos médicos.

A análise médico legal da cidadania por descendência, na minha


humilde opinião, resulta por ser uma técnica que permite a perfeita
interpretação do direito positivo que rege a matéria.

Ao invés de tentar interpretar o artigo publicado pelo médico legal,


vou preferir traduzí-lo, pois será indubitavelmente mais claro ao
leitor e também mais motivador, uma vêz que não se trata de uma
opinião minha, a qual poderia vir viciada pelas minhas crenças e
desejos pessoais.

CIDADANIA ITALIANA “IUS SANGUINIS”


INTERPRETAÇÃO MÉDICO-LEGAL
Artigo de autoria do Dr. Francesco Saverio Matozza

O objetivo deste artigo é demonstrar que a cidadania italiana “Ius


Sanguinis” deveria ser transmitida também por parte da mão italiana
aos filhos nascidos que seja antes ou depois de 1948, baseando-se
sobre os aspectos médico-legais.

O artigo conterá as seguintes seções:


1. Lei vigente sobre a cidadania italiana, n. 91 de 15 de fevereiro de
1992;
2. Aspectos médicos (circulação materno fetal);
3. Risco nas concepções antes de 1948;
4. Emigração Italiana 1860 – 1948;
5. Conclusão;

Pressupostos da cidadania italiana

A cidadania italiana se baseia sobre o princípio do “Ius Sanguinis”


(direito de sangue), em virtude do qual o filho nascido de pai italiano
ou mãe italiana é italiano.

1 – CIDADANIA POR NASCIMENTO – LEI N.91 DE 05 DE FEVEREIRO


DE 1992
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Com fundamento no sistema normativo vigente, é cidadão italiano o


filho de genitores italianos (Ius Sanguinis”). A mãe italiana transmite
a cidadania somente aos filhos nascidos a partir de 01.01.1948, ano
em que entrou em vigor a nova Constituição Italiana. Qualquer um
que fosse nascido antes dessa data poderá obter a cidadania
somente por via paterna.

Sem dúvida existem três sentenças em que foram reconhecidos


como italianos os filhos de mãe italiana nacidos antes de
01.01.1948. A sentença da Corte de Cassação Civil de Roma,
Primeira Sessão, Sentença n. 6297 de 10.07.1996 que reconhece a
cidadania italiana a um homem, filho de mãe italiana, nascido antes
de 1948. Outro caso é do Tribunal de Torino, Sentença 12.04.1999
“Deve ser considerado cidadão italiano todo aquele que é nascido de
mãe italiana anteriormente a 01 de janeiro de 1948”. A última é a
Sentença da Corte Constitucional n. 30 de 28 de janeiro de 1983.
Recentemente muitos tribunais italianos aderiram a esta sentença.

A trasmissão da cidadania “Ius Sanguinis” não prevê limite de


gerações, porém não permite saltos generacionais. Por este motivo,
o descendente de italiano pode adquirir a cidadania italiana somente
se recupera todos os ascendentes em linha reta (por exemplo, o
neto de italiano pode adquirir a cidadania só se a recupera do seu
progenitor). No caso de ascendentes falecidos, a reconstrução da
cidadania destes pode ser realizada diretamente pelo descendente.
Para ter direito à cidadania italiana é pois necessário ser
descendente em linha reta de um familiar que seja um cidadão
italiano (por ex: bisavô, avô, pai).

2 – CIRCULAÇÃO MATERNO FETAL

A placenta é o órgão fundamental da gestação e é característico dos


mamíferos superiores. Desempenha funções diversas: nutrição,
metabolismo embrionário, desenvolvimento fetal, função endócrina e
eliminação dos catabolismos (* resíduos) provenientes do feto... A
troca de substâncias entre a mãe e o feto se faz através das
vilosidades do córion (*Membrana embriônica externa, altamente
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vascular). A barreira placentária que separa o sangue materno do


sangue fetal é constituida do endotélio capilar (*Camada celular que
forra interiormente as serosas, o coração e os vasos) e dao
trofoblasto (* Conjunto de células que provê a nutrição embrionária
antes da formação da placenta). Da mãe passam ao feto o oxigênio
e os principais elementos: sais, água; e do feto passam à mãe os
catabolitos: dióxido de carbono, uréia, bilirrubina (* pigmento biliar),
etc...

O sangue materno alcança a placenta por meio de ramificações das


artérias uterinas. A circulação placentária fetal é proveniente das
artérias umbilicais e alcança o feto através da veia umbilical. O fluxo
sanguíneo, durante o pleno desenvolvimento placentário, é de cerca
de 500 ml ao minuto.

Outra função da placenta é a secreção dos hormônios que passam


seja à mãe que ao feto: hormônios esteróides, testosteronas,
progesteronas, etc... Não podem atravessar a barreira placentária as
moléculas de grande dimensão como as proteínas.
Do momento da concepção até o parto, a vida do feto depende do
funcionamento da circulação materno fetal.
A velocidade do fluxo sanguíneo uterino aumenta progressivamente
durante a gestação.

Graças ao Eco Colo Doppler das artérias e da veia umbilical e à


Ecografia Fetal, se pode avaliar a circulação umbilical, a placenta, o
líquido amniótico, as medidas fetais, orgãos (coração, fígado,
cérebro, rins, etc...)

3 – RISCOS NA GRAVIDEZ ANTES DE 1948

Naquela época não existia a Ecografia, a anestesia peridural nel o


parto cesária. Os controles fetais durante a gravidez se baseavam
sobre: escuta dos batimentos cardíacos fetais, os movimentos fetais
à partir do quarto mês e o crescimento uterino que era un índice
indireto do crescimento do feto. A maior parte dos partos ocorriam
no local de domicílio da parturiente, sem assistência médica. Existia
un grande risco de infecções.
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Os antibióticos “fizeram bonito” na segunda guerra mundial e eram


inacessíveis para a maioria dos pacientes. Muitas mulheres morriam
em consequencia do parto, durante o mesmo ou no puerpério (*
após parto) por infecções. Os recém nascidos prematuros morriam
quase todos, não existindo terapia neonatal intensiva. Hoje os
nascidos prematuros de 800 gramas podem sobreviver graças à
tecnologia. Portanto, antes de 1948, a gravidez e o parto eram uma
das maiores causas de mortalidade para as mulheres.

4 – EMIGRAZIONE

Entre 1860 e 1948 mais de 20 milhões de italianos, inclusive muitos


jovens, emigraram em busca de trabalho e melhores condições de
vida nos Estados Unidos, Argentina, Brasil, Canadá e Europa. Muitos
deles se casaram com estrangeiras perdendo a cidadania italiana. De
outra parte os filhos nascidos antes de 01.01.1948 não foram
considerados italianos. Somente os filhos de pai italiano podiam
obter a cidadania italiana.

Em qualquer família haviam filhos não italianos, nascidos antes de


01.01.1948, e italianos por terem nascidos depois daquela data, mas
sendo ambos filhos da mesma mãe e do mesmo pai. Is é
verdadeiramente inadmissível.

5 – CONCLUSÃO

Com base em tudo o que foi exposto se demonstra que o feto


recebe da mãe (por via sanguínea) todos os elementos necessários
para a sua nutrição, desenvolvimento e crescimento. A vida do feto
durante a gravidez depende somente da mãe e não do pai. Antes de
1948 as mulheres tinham maior possibilidade de complicações
durante a gravidez, parto e pós parto (mortalidade) incusive a sua
própria morte.
Portante a transmissão da cidadania “Ius Sanguinis” deveria ser
admitida também por via materna, pois é próprio o sangue da mãe
que alimenta o filho durante os 9 meses de gravidez.

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Essa nova interpretação do direito “Ius Sanguinis” deveria permitir


aos filhos de mãe italiana nascidos antes de 1948 a obtenção da
cidadania italiana.

Dr. Francesco Matozza


Web Editor do site www.maristas.com.ar/champa/exa.htm
Doutor em Medicina e Cirurgia pela Universidade de Bologna
Especialista em Radiologia e Oncologia pela Universidade de Paris
Membro da Academia de Ciencias de San Isidro – Argentina
Ex-diretor do Centro de Referência Italiano em Paris
(*) Adaptações por Estevam Del Nero

Existem ainda outras propostas legislativas em andamento no


Parlamento Italiano com vistas a ampliar o direito de
reconhecimento da cidadania italiana aos nascidos de mãe italiana
mesmo antes de 01 de janeiro de 1948. Porém devo registrar
também, que correm propostas no sentido de endurecer
sensivelmente as possibilidades de reconhecimento da cidadania
italiana, e esta proposta é por demais preocupante pois poderá
afetar a grande maioria dos ítalo-descendentes.

COMENTÁRIOS À PROPOSTA DE “LEGGE N. 2006 – INIZIATIVA DEP.


PAROLI”

Trata-se da proposta C2006, que transcrevo abaixo e em seguida


faço alguns comentários:

http://www.camera.it/_dati/leg16/lavori/schedela/apriTelecomando_
wai.asp?codice=16PDL0017950

PROPOSTA DI LEGGE
d'iniziativa del deputato PAROLI
Modifiche alla legge 5 febbraio 1992, n.
91, e altre disposizioni sulla
cittadinanza
Presentata l'11 dicembre 2008

Onorevoli Colleghi! - In termini giuridici


la cittadinanza è la condizione della

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persona fisica alla quale l'ordinamento


giuridico di uno Stato riconosce la
pienezza dei diritti civili e politici; essa,
quindi, può essere vista come uno
status del cittadino, ma anche come un
rapporto giuridico tra cittadino e Stato.
Secondo il nostro ordinamento la
cittadinanza si può acquisire per:
ius sanguinis (diritto di
sangue), per la nascita da
un genitore in possesso
della cittadinanza;
ius soli (diritto del suolo),
per essere nato sul
territorio italiano;
matrimonio con un
cittadino italiano;
naturalizzazione, a seguito
di un provvedimento della
pubblica autorità, in
presenza di determinate
condizioni (residenza per
un lungo periodo di tempo
sul territorio nazionale,
assenza di precedenti
penali, rinuncia alla
cittadinanza d'origine
eccetera) o per meriti
particolari.
La scelta fondamentale che si trovano
a fare gli ordinamenti è quella tra ius
sanguinis e ius soli, avendo gli altri due
istituti una funzione puramente
integrativa; lo ius sanguinis (sul
modello tedesco) presuppone una
concezione «oggettiva» della
cittadinanza, basata sul sangue,
sull'etnia, sulla lingua (Johann Gottlieb
Fichte); lo ius soli (sul modello
francese) presuppone, invece, una
concezione «soggettiva» della

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cittadinanza, come «plebiscito


quotidiano» (Ernest Renan).

L'adozione dell'una piuttosto che


dell'altra opzione ha conseguenze
rilevanti negli Stati interessati da forti
flussi migratori in entrata o in uscita.
Infatti, lo ius soli determina
l'allargamento della cittadinanza anche
ai figli degli immigrati nati sul territorio
dello Stato: ciò spiega perché sia stato
adottato da Paesi (quali Stati Uniti,
Argentina, Brasile, Canada eccetera)
che si sono trovati ad amministrare una
forte immigrazione e, al contempo, un
territorio nazionale così esteso da poter
ospitare una popolazione maggiore di
quella residente. Al contrario, lo ius
sanguinis tutela i diritti dei discendenti
degli emigrati, ed è dunque spesso
adottato dai Paesi interessati da una
forte emigrazione, anche storica
(Armenia, Irlanda, Italia, Israele), o da
ridelimitazioni dei confini (Bulgaria,
Croazia, Finlandia, Germania, Grecia,
Italia, Polonia, Serbia, Turchia, Ucraina,
Ungheria).

Può, quindi, accadere che una persona


acquisti la cittadinanza dello Stato di
origine dei genitori, dove vige lo ius
sanguinis, e nel contempo quello dello
Stato sul cui territorio è nata, iure soli.

Un brevissimo cenno sulle tappe


storiche della legislazione italiana sulla
cittadinanza: nello Statuto albertino
(1948) le donne erano subordinate
all'autorità del pater familias, fatto
molto rilevante, giacché la soggezione
della donna e dei suoi figli al marito
comportava che anche ciò che

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riguardava la cittadinanza del marito


(perdita o riacquisto) si «riversasse» su
tutta la famiglia. Con la legge n. 555
del 1912 si ribadiva il primato del
marito nel matrimonio e la soggezione
della moglie e dei figli alle vicissitudini
che all'uomo potevano accadere in
relazione alla cittadinanza. Essa
stabiliva inoltre che: lo ius sanguinis
era, come nell'attuale regime, il
principio reggente, essendo lo ius soli
una ipotesi secondaria; i figli seguivano
la cittadinanza del padre e soltanto in
forma residua della madre; la donna
perdeva l'originaria cittadinanza italiana
in caso di matrimonio con uno
straniero la cui legge nazionale le
trasmettesse la cittadinanza del marito,
come effetto diretto e immediato del
matrimonio stesso.

La sentenza 9 aprile 1975, n. 87, della


Corte costituzionale dichiarò
l'illegittimità costituzionale dell'articolo
10, terzo comma, della legge 13
giugno 1912, n. 555, nella parte che
prevedeva la perdita di cittadinanza
italiana indipendentemente dalla
volontà della donna.

In seguito, la legge n. 123 del 1983 ha


sancito che è cittadino per nascita il
figlio minore, anche adottivo, di padre
o di madre cittadini. Nel caso di doppia
cittadinanza il figlio doveva optare per
una sola cittadinanza entro un anno dal
raggiungimento della maggiore età
(articolo 5).

Attualmente la legge n. 91 del 1992


stabilisce (articolo 1, comma 1) che è
cittadino per nascita:

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a. il figlio di padre o di
madre cittadini;
b. chi è nato nel territorio
della Repubblica, se ambo
i genitori sono ignoti o
apolidi, o se il figlio non
segue la cittadinanza dei
genitori, secondo la legge
dello Stato di questi.

Inoltre, la legge n. 91 del 1992


ammette in ogni caso il possesso della
cittadinanza multipla, già ostacolata
dall'articolo 5 della legge n. 123 del
1983. Leggi successive al 1992 hanno
poi modificato l'accesso alla
cittadinanza estendendolo ad alcune
categorie di cittadini che, per ragioni
storiche e collegate agli eventi bellici,
ne erano rimaste escluse (legge n. 379
del 2000, recante disposizioni per il
riconoscimento della cittadinanza
italiana alle persone nate e già
residenti nei territori appartenuti
all'Impero austroungarico e ai loro
discendenti; legge n. 124 del 2006,
recante modifiche alla legge 5 febbraio
1992, n. 91, concernenti il
riconoscimento della cittadinanza
italiana ai connazionali dell'Istria, di
Fiume e della Dalmazia e ai loro
discendenti).

Allo stato attuale il cittadino straniero


che ottiene la cittadinanza italiana può
conservare anche quella del proprio
Paese di origine. L'ammissione della
doppia cittadinanza, riconosciuta con
l'entrata in vigore della legge n. 91 del
1992, ha tuttavia provocato confusione
e, tra i nostri neoconcittadini, molti

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sono coloro che hanno voluto acquisire


la cittadinanza per una mera
convenienza, senza alcun legame con
la nostra storia e la nostra cultura, ma
soltanto perché maggiormente protetti
dallo Stato sociale: si è verificato un
vero e proprio «arrembaggio» alla
cittadinanza italiana, soprattutto iure
sanguinis e per matrimonio, operato
principalmente da quelle popolazioni di
Paesi poveri che hanno tutto l'interesse
ad entrare nel novero dei cittadini
europei, e in particolare in quel
privilegiato gruppo degli assistiti dallo
Stato sociale italiano.

L'attuale legislazione sulla acquisizione,


perdita o riacquisto della cittadinanza
italiana presenta alcuni aspetti che
comportano un rilevante onere per lo
Stato italiano, un aggravio per le
pubbliche finanze ed una notevole
complicazione nella gestione
burocratica degli uffici preposti ad
amministrare tali pratiche (soprattutto
Ministero degli affari esteri e Ministero
dell'interno).

Va sottolineato, inoltre, che i tempi


sono in veloce mutamento e la
legislazione in questione, nonostante i
suoi aggiornamenti, non è più né
funzionale né rispondente ai bisogni
della nostra società. Una nuova legge
sulla cittadinanza dovrebbe avere ben
chiaro come obiettivo il contenimento
della spesa pubblica e dell'onere
assistenziale e previdenziale, dato che
il nostro Paese rappresenta oggi un
vero e proprio «paese della cuccagna»
per quegli sfortunati individui nati in
Paesi molto meno ricchi del nostro:

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soprattutto in un momento in cui


l'Italia è oggetto di forti e difficilmente
arginabili flussi migratori da parte di
popolazioni in gravi difficoltà.

La presente proposta di legge è volta


ad eliminare le distorsioni più
pericolose della legislazione in materia
di cittadinanza nel presupposto che,
fermi restando i princìpi fondamentali
della stessa, in concreto la cittadinanza
vada concessa con cautela e soltanto a
chi accetta di condividere pienamente
e senza condizioni i nostri valori e la
nostra cultura, nonché i princìpi del
nostro ordinamento democratico.

Gli articoli della presente proposta di


legge sono diretti a sanare le lacune
principali della legislazione vigente.

L'articolo 1 prevede il pagamento di


una tassa per l'istruttoria della pratica:
allo stato attuale essa è assolutamente
gratuita. Ad esempio in Gran Bretagna
il prezzo per la sola istruttoria si aggira
intorno alle 1.000 sterline. Questo fa sì
che molti cittadini stranieri (in
maggioranza del Sudamerica) che si
rivolgono alle agenzie specializzate per
l'ottenimento di una qualsiasi
cittadinanza europea si sentono
suggerire di chiedere quella italiana
perché, appunto, gratuita. Da
sottolineare che all'estero pullulano
agenzie specializzate nella richiesta di
cittadinanze e che queste offrono, tra i
vari servizi di sbrigo pratiche presso i
consolati, «pacchetti» preconfezionati.

L'articolo 2 limita la discendenza iure


sanguinis al nonno o al bisnonno:

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attualmente la legge non pone limite al


numero di antenati cui si può far
risalire la propria discendenza italiana.
Questo implica che persone (anche
stavolta sudamericane) che non hanno
nulla a che fare con la nostra cultura,
con nomi che non richiamano affatto i
nostri, che non conoscono la nostra
lingua e che, specialmente, vantano
discendenze improbabili, documentate
da registri a volte introvabili ed altre
illeggibili, ottengano la nostra
cittadinanza. Cittadinanza che, guarda
caso, essi «usano» immediatamente
per accedere a cure mediche pagate
dal nostro Servizio sanitario nazionale o
a pensioni sociali, in quanto
nullatenenti e disoccupati, che vengono
erogate sul posto e che, fatto il debito
cambio di valuta, rappresentano un
mensile di tutto rispetto. Non porre
limiti alla discendenza è un principio
ideologico obsoleto, che risponde alla
esigenza di uno Stato che ha molti
emigranti e che, soprattutto, identifica
la propria importanza nella equazione
popolo numeroso = molta potenza.
Non è più così. Gli emigranti non
mandano più i soldi «a casa». Quelli
che tra loro hanno fatto fortuna non
intendono in alcun modo chiedere la
nostra cittadinanza, per ovvi motivi
fiscali tutti gli altri; per la stragrande
maggioranza, sono indigenti ed hanno
invece bisogno di una assistenza
sociale che allevi in qualche modo le
loro ristrettezze economiche.

L'articolo 3 fa valere per tutti i


richiedenti le disposizioni,
opportunamente modificate, della
citata legge n. 379 del 2000, che

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prevedono la esibizione di
documentazione che attesti
l'appartenenza alla comunità italiana ed
alla sua cultura, come un'antica
frequentazione di istituti e scuole
italiane, l'iscrizione da molto tempo a
circoli italiani e tutto ciò che in qualche
modo dimostri l'interesse per
l'appartenenza alla nostra cultura ed ai
nostri valori. Richiede la conoscenza
parlata e scritta della lingua italiana,
dato che si presentano sovente presso
i nostri consolati (veri e propri
avamposti di frontiera) persone che
non parlano una sola parola di italiano.
Del nostro Paese sanno una sola cosa:
conviene essere italiani.

L'articolo 4 esclude il possesso


contemporaneo, a qualsiasi titolo, della
cittadinanza italiana contestualmente
ad un'altra cittadinanza non
comunitaria, e ribadisce che tutti i
cittadini, anche quelli stranieri non
comunitari, non possono conservare
una cittadinanza multipla e sono tenuti
a sceglierne una.

L'articolo 5 obbliga i figli stranieri


adottati da genitori italiani, e viceversa,
a scegliere una cittadinanza entro un
anno dalla maggiore età o, se già
maggiorenni, entro un anno dal
provvedimento di adozione, dal
riconoscimento eccetera.

L'articolo 6 non permette la


trasmissibilità della cittadinanza
acquisita per matrimonio: in molti casi i
cittadini stranieri, dopo aver acquisito
la cittadinanza italiana, divorziano. Loro
conservano la cittadinanza per poi

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trasmetterla al coniuge successivo che,


guarda caso, è molto spesso del
proprio Paese d'origine, con un «effetto
domino» che in questo modo aggira le
leggi sull'immigrazione (un escamotage
di cui si servono soprattutto persone
nordafricane e mediorientali).

L'articolo 7 non consente che la


cittadinanza sia conservabile sempre e
comunque: se un cittadino, che ha la
cittadinanza italiana acquisita, non
conserva la propria residenza e degli
interessi economici, finanziari,
immobiliari o quant'altro su cui pagare
le imposte allo Stato, per un periodo di
almeno due anni, allora perde la
cittadinanza italiana.

PROPOSTA DI LEGGE
Art. 1.
(Copertura degli oneri burocratici).
1. Le istanze per l'acquisto o la
concessione della cittadinanza italiana,
ai sensi degli articoli 5 e 9 della legge 5
febbraio 1992, n. 91, devono essere
corredate dalla documentazione
attestante l'avvenuto versamento di un
importo di 1.500 euro a titolo di
contributo per le spese d'ufficio per
l'avvio dell'istruttoria presso gli uffici
preposti in Italia e all'estero.

Art. 2.
(Regolamentazione dell'acquisto della
cittadinanza italiana per rapporti di
parentela).
1. La cittadinanza italiana può
essere acquisita o concessa, per
rapporti di parentela, solo per rapporti
fino al secondo grado di parentela

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ascendente senza soluzione di


continuità.

Art. 3.
(Condizioni per l'acquisto della
cittadinanza italiana per rapporti di
parentela).
1. L'acquisto e la concessione
della cittadinanza italiana per rapporti
di parentela, fatte salve le disposizioni
di cui all'articolo 2, sono subordinati
alle
seguenti condizioni:
a) esibizione della
documentazione attestante la
frequentazione, da almeno tre anni, di
scuole di lingua italiana o
l'appartenenza a circoli e associazioni
di lingua e cultura italiane presenti nel
territorio di appartenenza;
b) conoscenza della
lingua italiana parlata e scritta;
c) conoscenza dei
princìpi fondamentali della Costituzione
italiana.

Art. 4.
(Esclusione della doppia cittadinanza).
1. L'articolo 11 della legge 5
febbraio 1992, n. 91, è sostituito dal
seguente:
«Art. 11. - 1. L'acquisizione
della cittadinanza italiana, a qualsiasi
titolo, è subordinata alla rinuncia
contestuale alla precedente
cittadinanza per tutti i cittadini stranieri
non comunitari.
2. Il cittadino straniero non
comunitario che, dopo aver acquisito la
cittadinanza italiana, acquista o
riacquista, a qualsiasi titolo, una

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cittadinanza straniera perde quella


italiana».

Art. 5.
(Elezione della cittadinanza in caso di
riconoscimento o dichiarazione
giudiziale della filiazione).
1. Il comma 2 dell'articolo 2
della legge 5 febbraio 1992, n. 91, è
sostituito dal seguente:
«2. Se il figlio riconosciuto o
dichiarato è maggiorenne conserva il
proprio stato di cittadinanza, ma deve
dichiarare, entro un anno dal
riconoscimento o dalla dichiarazione
giudiziale, ovvero dalla dichiarazione di
efficacia del provvedimento straniero di
Stato non comunitario, di eleggere la
cittadinanza determinata dalla
filiazione, con esclusione della doppia
cittadinanza».

Art. 6.
(Non trasmissibilità della cittadinanza
acquisita per matrionio).
1. All'articolo 5 della legge 5
febbraio 1992, n. 91, è aggiunto, in
fine, il seguente comma:
«1-bis. Le disposizioni del
comma 1 non si applicano in caso di
nuovo matrimonio del cittadino
straniero non comunitario che ha
acquistato la cittadinanza italiana ai
sensi del medesimo comma».

Art. 7.
(Perdita della cittadinanza).
1. All'articolo 12 della legge 5
febbraio 1992, n. 91, sono aggiunti, in
fine, i seguenti commi:
«2-bis. I cittadini stranieri non
comunitari che acquisiscono, a

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qualsiasi titolo, la cittadinanza italiana


la perdono se, entro un anno
dall'acquisto, non eleggono residenza
stabile nel territorio nazionale.
2-ter. Il cittadino italiano che
non è tale per nascita perde la
cittadinanza acquisita a qualsiasi titolo
se, per un periodo superiore a due anni
consecutivi, risiede all'estero e non può
esibire atti di proprietà, o contratti di
affitto, o utenze, o conti correnti
bancari o dichiarazioni dei redditi che
attestino la persistenza di suoi interessi
economici nel territorio nazionale».

OBSERVAÇÕES SOBRE A “PROPOSTA DI LEGGE N.2006”

Dentre os artigos que mais se destacam, no concernente ao direito


de cidadania italiana aos ítalo-descendentes, considero
particularmente os artigos 1, 2, 3, 4 e 7 da proposta de lei acima
transcrita.

O artigo 1 proposto cria a novidade de pagamento de um


“Contributo”, uma ajuda ao Governo, uma Taxa enfim, no valor de €
1.500,00 (Um mil e quinhentos euros) para processamento de
cidadania, seja adquirida ou concedida.

Diz o artigo 1o.:

“Le istanze per l'acquisto o la concessione della cittadinanza


italiana, ai sensi degli articoli 5 e 9 della legge 5 febbraio
1992, n. 91, devono essere corredate dalla documentazione
attestante l'avvenuto versamento di un importo di 1.500 euro
a titolo di contributo per le spese d'ufficio per l'avvio
dell'istruttoria presso gli uffici preposti in Italia e all'estero.”

Traduzindo: As práticas para aquisição ou concessão de cidadania


italiana, nos termos dos artigos 5 e 9 da lei de 5 de fevereiro de
1992, n.91, devem ser instruídas com a documentação
comprobatória de efetivo pagamento de uma importância de 1.500

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euros a título de contribuição (taxa) pelas despesas oficiais para o


início da instrução processual perante as agências competens na
Itália e no exterior.

O legislador aqui reservou esse entendimento aos artigos 5 e 9 da


Lei n. 91 de 5 de fevereiro de 1992. Esses atigos são específicos
para a concessão da cidadania de estrangeiros, sejam eles cônjuges
de cidadãos italianos ou não. Deixou à margem dessa exigência a
cidadania reconhecida por direito “Ius Sanguinis”

A cidadania italiana, como já vimos, quando obtida pelo


reconhecimento decorrente do direito “Ius Sanguinis”, é cidadania
adquirida por modo originário. A cidadania obtida pelo nascimento
em solo italiano “Ius Solis” também é adquirida por modo originário.
Ambos os italianos, tanto o reconhecido por “Ius Solis” quanto o
reconhecido por “Ius Sanguinis” são cidadãos idênticos na ordem
jurídica. Não há um deles que seja MAIS cidadão que outro,
igualmente não há entre eles, distinção que possa fazer um deles ser
MENOS do que o outro. Nessa proposta de lei, nesse artigo 1o. Em
especial, há intrinsecamente uma afirmação nesse sentido, vez que
dispõe sobre cobrança da tal “taxa” só para casos de concessão da
cidadania seja por matrimônio seja por naturalização.

Se essa taxa fosse cobrada também para aqueles que pleiteiam o


reconhecimento da cidadania “Ius Sanguinis” haveria violação ao
sagrado e consagrado princípio da igualdade previsto por tantos
dispositivos constitucionais italianos e também pela DUDH –
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Assim sendo o legislador
não quis se confrontar com esses princípios basilares da cidadania, e
excluiu das hipóteses de cobrança, a cidadania recenhecida “Ius
Sanguinis”, ao menos é o que eu deduzo da leitura da proposta.

A observação que faço ao analisar esse artigo é que não há como


uma Lei criar distinção e duas classes de cidadãos com cidadania
originária, tanto a obtida por “Ius Solis” quanto a “Ius Sanguinis”
tem os mesmos direitos constitucionais e isto, nesse artigo foi
respeitado.

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Teria bem feliz o legislador se tivesse proposto que no caso da


cidadania reconhecida com base no direito “Ius Sanguinis” o Estado
italiano arcasse com os custos de seu reconhecimento, já que o arca
quando se trata de um nascido em seu solo. Digamos que sob o
aspecto da despesa pública, o cidadão “Ius Sanguinis” na verdade é
menos custoso ao Estado do que o cidadão “Ius Solis”. Este, nascido
em território italiano, usufruiu dos serviços sanitários oferecidos
gratuitamente pelo Estado aos cidadãos, desde a sua concepção até
o nascimento, incluindo aí todo o custo de exames pré-natais, de
acompanhamento gestacional por cerca de 9 (nove) meses,
assistência à progenitora, e ainda o próprio parto e
acompanhamento do neonato. Junte-se aí ainda os benefícios de
ordem trabalhista como a licença maternidade de 6 meses e outros
custos indiretos de acompanhamento do recém nascido, com apoio
pediátrico e coisas do gênero.

Por outro lado, sua contribuição previdenciária somente começa a


correr quando esse cidadão entra no mercado de trabalho, o que
hoje em dia tem ocorrido já com idade bastante avançada.

Penso que todos esses direitos do cidadão italiano e todos esses


serviços oferecidos pelo Estado Italiano a seus cidadãos, são dignos,
maravilhosos e humanos. No entanto, esses serviços custam e não
custam pouco.

Me parece que seria justo também que a proposta contemplasse um


valor aos progenitores do cidadão italiano que está buscando o
reconhecimento de sua cidadania “Ius Sanguinis”, ou no mínimo um
incentivo para esse reconhecimento, já que foram esses progenitores
que arcaram com esses custos da gestação, do nascimento até o
pleno desenvolvimento profissional desse cidadão, principalmente se
nascidos no Brasil onde os custos de planos de saúde, educação e
profissionalização privados são altíssimos.

Nessa ótica entendo que uma cidadania “Ius Sanguinis” reconhecida


a um jovem ou mesmo um adulto é altamente benéfica ao Estado
Italiano, o qual não suportou nenhum custo dessa “criação” do ser
humano até a sua idade “economicamente ativa”, quando então

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passará a contribuir economicamente em igualdade de condições


com os cidadãos “Ius solis”, cujo custo de desenvolvimento pessoal
foi totalmente arcado pela sociedade italiana.

Observo que o Brasil produz muitos cidadãos notáveis e estes,


quando tem a oportunidade, emigram para outros países levando
consigo toda a enorme bagagem de cultura e investimento que lhe
fôra dedicada, sem que a sociedade brasileira tenha qualquer
compensação por isso, ao invés, permanece com o custo do
investimento feito.

Mas o que importa é que ao menos esse artigo 1 não veio em mais
um prejuízo aos ítalo-descendentes com direito à cidadania italiana
reconhecida com base no direito “Ius Sanguinis”, e isso já é bom.

Diz o artigo 2 que:

“La cittadinanza italiana può essere acquisita o concessa, per


rapporti di parentela, solo per rapporti fino al secondo grado
di parentela ascendente senza soluzione di continuità.”

Traduzindo: A cidadania italiana pode ser adquirida ou concedida por


relação de parentensco, somente em relações até o segundo grau de
parentesco ascendente e sem solução de continuidade.

A primeira observação que faço é o entendimento de que a


transmissão da cidadania italiana estaria limitada ao máximo à
segunda geração de descendentes, ou seja, do avô ou avó ao neto,
no máximo.

A segunda observação é que o legislador, na proposta de Adriano


Paroli, criou uma correta distinção entre cidadania adquirida e
cidadania concedida. Mas na proposta de lei não há um
detalhamento sobre os entendimentos sobre esses dois vernáculos.
Para mim, quando o legislador se vale do termo cidadania concedida,
refere-se claramente à faculdade dada ao Estado como ente político,
de regular as formas de aquisição da cidadania, neste caso,

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representando o poder concedente de cidadania por naturalização a


qualquer título.

O problema surge quando desejamos interpretar a expressão “pode


ser adquirida”. No conceito de aquisição, considero a cidadania como
um direito do cidadão e um dever do Estado, ao contrário daquela
“concedida”, cuja concessão pode ou não ser dada, desde que
respeitados os limites e condições previstos pela Lei. No caso do
“reconhecimento” da cidadania italiana, penso tratar-se de uma
forma de aquisição da cidadania, neste caso, enquadrando-se na
expressão utilizada pelo legislador parlamentar.

Essa distinção me parece por demais importante para não vir em


detalhes no projeto de lei, principalmente quando analisados os
artigos subseqüentes e passamos a fazer uma interpretação
sistêmica dos temas tratados nesse projeto de lei.

Vejamos o porquê dessa necessidade.

Diz o artigo 3 do projeto de Paroli que:

“L'acquisto e la concessione della cittadinanza italiana per


rapporti di parentela, fatte salve le disposizioni di cui
all'articolo 2, sono subordinati alle seguenti condizioni:…”

Traduzindo: A aquisição e a concessão da cidadania italiana por


relação de parentesco, fazendo salva às disposições de que tratam o
artigo 2, são subordinadas às seguintes condições:...

As condições são, basicamente, conhecimento da lingua italiana


escrita e falada, da cultura italiana e dos princípios fundamentais da
constituição. Sobre essas condições, a que estaria sujeita a
cidadania, farei comentários mais abaixo, juntamente com as
disposições da Declaração Universal dos Direitos Humanos,
mostrando o quanto essa disposição é inaplicável diante das normas
universais.

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Concentrando análise sobre os termos “aquisição” e “concessão”


observo que novamente são utilizados sem a devida conceituação
para evitar possíveis interpretações equivocadas da lei. Quanto à
concessão, já comentei acima e para mim não surgem dúvidas. Mas
quando fala em “aquisição”, novamente me questiono se isso vale
também para a cidadania adquirida por “reconhecimento”. Outra
dúvida que paira, é o que o legislador quis dizer ao utilizar a
expressão “fatte salve Le disposizioni di cui all’articolo 2...” deixando
enorme confusão a disciplina do citado artigo 2 está “fora” das
condições limitativas impostas pelo artigo 3 ou justamente o
contrário, fazendo-se aqui a aplicação cumulativa das restrições à
cidadania. Em outras palavras, a dúvida é: O descendente de italiano
até o segundo grau (artigo 2) deve ou não ser submetido “também”
às exigências do artigo 3 (conhecimento da língua, cultura e
constituição italianas). No meu entender o artigo está muito mal
escrito.

O artigo 4, que altera o artigo 11 da Lei de 1992, diz que:

“1. L'acquisizione della cittadinanza italiana, a qualsiasi titolo,


è subordinata alla rinuncia contestuale alla precedente
cittadinanza per tutti i cittadini stranieri non comunitari. 2. Il
cittadino straniero non comunitario che, dopo aver acquisito la
cittadinanza italiana, acquista o riacquista, a qualsiasi titolo,
una cittadinanza straniera perde quella italiana».”

Traduzindo: 1- A aquisição da cidadania italiana, a qualquer título, é


subordinada à renúncia expressa à nacionalidade anterior, para todos
os cidadãos estrangeiros não comunitários. 2 – O cidadão
estrangeiro não comunitário que, depois de ter adquirido a cidadania
italiana, adquire ou readquire, a qualquer título, uma cidadania
estrangeira, perde aquela italiana.

Na essência, o legislador italiano tenta, com essa proposta, acabar


com a possibilidade de coexistência de duas cidadanias
simultaneamente. O duplo-cidadão não existiria para fins da
legislação italiana.

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Essa disciplina merece quatro observações.

A primeira refere-se ao impacto que tal medida traria na aplicação


do direito internacional, nas leis e tratados internacionais aos quais a
Itália é signatária. Os impactos que essa medida traria sob o aspecto
fiscal e tributário, por exemplo, seriam imensos, na medida em que
poderiam haver situações onde a ocorrência da bitributação fosse
um caso concreto.

Supondo-se que algum regime tributário italiano seja fundado na


prerrogativa de cidadania da pessoa ao invés da residência do
mesmo, certamente já haveria hipótese de bitributação de rendas.
Essa hipótese surgiria na medida em que uma renda auferida pelo
“cidadão” italiano, não poderia ser compensada com os impostos
pagos em outro país, decorrentes do mesmo fato gerador, pois o
dispositivo proposto resulta por não reconhecer ao cidadão, outra
nacionalidade, furtando do mesmo a possibilidade de compensar
(por direitos de reciprocidade tributária) os impostos pagos em
outros países. É um pouco complexa esta matéria, merece um
estudo bem mais extenso e profundo, mas deixo aqui este registro
para que o leitor compreenda o impacto que essa proposta poderá
causar nas relações internacionais da Itália.

A segunda observação que faço, me remete diretamente ao cerne


das soberanias entre os povos. Me transparece, através dessa
proposta, que o legislador italiano, desconhecendo a dinâmica que
rege as relações internacionais, vem propor uma disciplina que
invade a soberania dos outros povos. Não posso conceber que uma
disposição de lei italiana possa excluir a cidadania de um indivíduo,
dada por outra nação. É no mínimo uma pretensão descabida. Não
conseguirá o legislador, através de simples decretos legislativos,
“decretar” que um brasileiro não será mais “brasileiro” se o mesmo
adquirir a cidadania italiana. O máximo que a legislação italiana
poderia dispor seria sobre a própria cidadania, jamais querer alçar
competência sobre os direitos e garantias individuais pertencentes
ao poder originário de outras nações.
Os critérios para aquisição e manutenção da cidadania brasileira é de
competência exclusiva do povo brasileiro, representado por seus

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legisladores e não do Parlamento Italiano. Essa disposição do


legislador italiano me envergonha um pouco, por demonstrar um
despreparo gigantesco do mesmo na gestão do interesse coletivo
com os instrumentos democráticos existentes para esse fim. Um
curso de “giurisprudenza” (curso de direito) como pré-requisito à
função de parlamentar, seria muito mais adequado aos legisladores,
do que essa medida proposta pelo ilustre parlamentar.

A terceira observação que faço, refere-se à violação do disposto na


Declaração Universal dos Direitos Humanos, conforme veremos mais
adiante.

A quarta observação que faço, é sobre a expressão “cidadão


estrangeiro não comunitário”. Esse cidadão, evidentemente não
nascido na União Européia, deixa dúvidas quando à sua extensão.
Veja-se por exemplo que, um cidadão brasileiro ítalo-descendente,
aspirante à cidadania italiana, até que sua cidadania seja
reconhecida, será um estrangeiro na Itália e será também um
extracomunitário. Estará ele sujeito a esta disciplina?

A questão pode ser polêmica e complexa, ao meu ver. A cidadania


italiana a ítalos-descendentes, em se tratando de cidadania
reconhecível com base no direito “ius sanguinis”, é uma cidadania
adquirida por direito originário, afastando-a daquelas “concedidas”
por direito derivado. Nesse diapasão, o cidadão brasileiro já é
também cidadão italiano desde o nascimento, apenas o
reconhecimento desse seu “status” jurídico está em processamento.
Até que esse “status” jurídico de cidadão italiano “desde o
nascimento” lhe seja reconhecido, esse cidadão brasileiro será um
estrangeiro. Uma vez que sua cidadania seja reconhecida, ele não
mais se enquadrará na definição de “cidadão estrangeiro” pois será
um cidadão italiano com cidadania reconhecida “ius sanguinis” desde
seu nascimento, embora seja de nascimento extra-comunitário.
Nessa linha de raciocínio, faltaria a ele a qualidade “de estrangeiro”,
para que o mesmo fosse “qualificável” às restrições impostas pelo
citado artigo.

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Quanto à qualidade de extra-comunitário, a meu ver, o cidadão ítalo-


brasiliano, apesar de ter tido seu “nascimento” fora da comunidade,
o fato é que por ter sido reconhecido “italiano” (vale dizer,
reconhecido comunitário) desde o nascimento, escapa ao alcance da
norma também sob essa ótica. Até mesmo essa qualidade de extra-
comunitário, ao meu ver poderia ser debatida, vez que se esse
brasileiro foi reconhecido como italiano, e assim, considerando que a
Itália é um país membro da U.E., considerando que o tal brasileiro
com cidadania reconhecida passou a ser também um italiano,
conseqüentemente, um cidadão “comunitário”.

Esse artigo me faz crer com mais certeza, de que o legislador italiano
deveria, lá no artigo 2, ter deixado bem mais claro e definido os
conceitos de aquisição e de concessão de cidadania.

O artigo 7 merece também comentários. Diz ele que:

“1- I cittadini stranieri non comunitari che acquisiscono, a


qualsiasi titolo, la cittadinanza italiana la perdono se, entro un
anno dall'acquisto, non eleggono residenza stabile nel
territorio nazionale. 2-ter. Il cittadino italiano che non è tale
per nascita perde la cittadinanza acquisita a qualsiasi titolo se,
per un periodo superiore a due anni consecutivi, risiede
all'estero e non può esibire atti di proprietà, o contratti di
affitto, o utenze, o conti correnti bancari o dichiarazioni dei
redditi che attestino la persistenza di suoi interessi economici
nel territorio nazionale».

Traduzindo: 1 – Os cidadãos estrangeiros não comunitários que


adquiram, a qualquer título, a cidadania italiana a perdem se, dentro
de um ano da data de aquisição, não elegem residência estável no
território nacional. 2 – O cidadão italiano que não é tal por
nascimento perde a cidadania adquirida a qualquer título se, por um
período superior a dois anos consecutivos, reside no exterior e não
pode exibir prova de propriedade ou contrato de locação ou de
usufruto, ou conta corrente bancária ou declaração de rendas que
atestem a persistência dos seus interesses econômicos no território
nacional.

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O comentário que faço diante deste dispositivo é o mesmo que fiz no


dispositivo anterior, no que concerne á definição de “cidadão
estrangeiro” e de “estrangeiro não comunitário”.

Entretanto, o que me desperta curiosidade nessa disposição, é que


pela primeira vez o legislador fez a menção ao “cidadão italiano que
NÃO É TAL POR NASCIMENTO”, remetendo, a meu ver, ao cidadão
com cidadania decorrente também do “Ius sanguinis”.

Para piorar a situação, o legislador criou uma ficção jurídica de que


os cidadãos italianos são agora divididos e duas classes: O cidadão
nascido na Itália e o cidadão nascido fora da Itália, e para agravar
seu entendimento sobre direitos humanos, estabeleceu regras para
perda da nacionalidade apenas ao italiano nascido fora da Itália, em
evidente violação aos princípio básicos da Declaração Universal dos
Direitos Humanos e da Constituição Italiana, onde claramente é
disciplinada a questão das minorias e do repúdio à discriminação ou
racismo de qualquer ordem e ao princípio da igualdade.

A Constituição Italiana de 1948 reza:

"Art. 3.
Tutti i cittadini hanno pari dignità sociale e sono eguali davanti
alla legge, senza distinzione di sesso, di razza, di lingua, di
religione, di opinioni politiche, di condizioni personali e
sociali."

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, abaixo transcrita


impõe:

Artigo 4º
1.Os Estados adotarão as medidas necessárias a fim de
garantir que as pessoas pertencentes a minorias possam
exercer plena e eficazmente todos os seus direitos humanos e
liberdades fundamentais sem discriminação alguma e em
plena igualdade perante a Lei.

Artigo 15.º
1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.

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2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua


nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.

Uma imensa quantidade de disposições da Declaração Universal dos


Direitos Humanos foi violada com a proposta de lei apresentada,
mas não vou aqui ficar a comentar uma a uma. O que importa é dar
ao leitor uma idéia do quão polêmica e impensável é a aplicação das
propostas do PDL n.2006. Seguramente não conseguirá aprovação
do parlamento e se por razões políticas obtiver, terá vida curta diante
dos Tribunais Internacionais que apreciarão a matéria. Portanto, não
se preocupem.

Também a Constituição Italiana de 1948, lei maior do país disciplina


e garante os direitos invioláveis do homem, dita em seu artigo 2:

"Art. 2.
La Repubblica riconosce e garantisce i diritti inviolabili
dell’uomo, sia come singolo, sia nelle formazioni sociali ove si
svolge la sua personalità, e richiede l’adempimento dei doveri
inderogabili di solidarietà politica, economica e sociale."

A própria Constituição Italiana exige o respeito às normas de Direitos


Internacional:

"Art. 10.
L’ordinamento giuridico italiano si conforma alle norme del
diritto internazionale generalmente riconosciute. [...]"

Não pode o ordenamento jurídico italiano, ao arrepio de sua própria


Constituição e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, privar
um indivíduo de sua cidadania. Como já registrado anteriormente, o
fato de o Brasil conferir ao Brasileiro sua nacionalidade, não confere
a outro Estado, mesmo ao Italiano, o direito de privá-lo dela. A
própria privação da cidadania italiana fundada em motivos ilegítimos
e não legalmente previstos poderá ser objeto de ação perante a
Corte Européia e resultará certamente em ganho para o requerente
e vergonha para o Estado Italiano.

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Por esses e outros motivos eu, particularmente, não acredito que


esse projeto de lei possa prosperar.

CONCLUSÃO SOBRE A CIDADANIA NA LEGISLAÇÃO ITALIANA

Certamente você observou que o ambiente jurídico italiano no que


diz respeito à cidadania italiana está sempre em movimento e é
bastante polêmico. Considerando essa observação, fica também
difícil se desenhar um cenário claro sobre como as coisas vão ficar,
mas pelo momento podemos dizer que as modalidades mais
importantes de aquisição da cidadania italiana, até o momento, são:

1) Nascimento;
2) Matrimômio;
3) Benefício de Lei;
4) Naturalização.

Em particular, se prevê que seja cidadão italiano o filho de pai ou


mãe cidadãos italianos, mesmo que nascidos no exterior, desde que
seu registro de nascimento venha a ser feito em registro civil
(Anagrafe) de uma cidade (Comune) italiana.

O “status” de cidadão italiano por nascimento (“ius sanguinis”) se


transmite de pais para filhos independentemente do fato de serem
nascidos em um país estrangeiro.

Assim sendo, mesmo o descendente de cidadão italiano nascido no


exterior tem a faculdade de obter o reconhecimento de sua
cidadania italiana, desde que os seus ascendentes (progenitores,
avós, bisavós, trisavôs, etc...) não tenham jamais declarado renúncia
à própria cidadania italiana.

A CIDADANIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO

O ordenamento jurídico brasileiro, ao contrário do italiano, trata da


cidadania diretamente no texto constitucional, dando uma maior
rigidez ao processo de mudança de entendimentos sobre a matéria.

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Qualquer mudança no entendimento constitucional sobre esse tema


exige que “quoruns” privilegiados sejam estabelecidos e solenidades
especiais sejam realizadas para, só após, serem alterados os
dispositivos constitucionais através das chamadas “Emendas” à
Constituição.

A primeira Constituição do Brasil, datada de 1824, já trazia em seu


texto a disciplina da cidadania. Isto demonstra o quanto a matéria já
era considerada relevante sob o aspecto do processo legislativo, o
que daria maiores seguranças jurídicas à sociedade.

Talvez essa visão fosse decorrente do próprio processo de


descobrimento, colonização e desenvolvimento do Brasil, o que não
ocorria na Itália.

As transformações sociais e políticas pelas quais o Brasil passava,


talvez fossem fortes impulsos à busca de uma maior segurança
jurídica para uma sociedade que era assolada por mudanças
repentinas provocadas pelos movimentos econômicos da revolução
industrial, movimentos abolicionistas, movimentos revolucionários,
mudanças das normas de propriedade da terra e direitos sobre o
comércio, enfim, uma época em que a instabilidade pela qual o
governo e a sociedade passavam, acabou por exigir, por clamar por
uma constituição que delineasse algumas vigas mestras nos direitos
e na legislação do país.

Nesse diapasão, entendo também porque a constituição imperial de


1824 era uma constituição semi-rígida, posto que exigia algumas
formalidades especiais para poder ser modificada.

Já a Constituição Brasileira de 1988 é classificada como uma


constituição rígida devido justamente à maior exigência de
solenidades, formalidades, iniciativas, “quoruns” mínimos para poder
ser modificada.

REGRAS CONSTITUCIONAIS SOBRE A CIDADANIA NO BRASIL

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Mas relativamente à cidadania, tal como a Itália, o Brasil adotou


mecanismos baseados tanto no “jus soli” quanto no “iuri sanguinis”
para reconhecimento de nacionalidade e conseqüentemente, de
cidadania.

Para nós, brasileiros, a aquisição da nacionalidade encontra seus


fundamentos no texto constitucional, mais atual e precisamente, no
artigo 12 da Constituição Federal de 1988.

Segundo essa norma, são considerados brasileiros originariamente:

a) Aos nascidos no Brasil, ainda que de pais


estrangeiros, desde que estes não estejam a serviço de
seu país;

b) Aos nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de


mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a
serviço do Brasil;

c) Aos nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de


mãe brasileira, desde que sejam registrados em
repartição brasileira competente ou venham a residir no
Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida
a maioridade, pela nacionalidade brasileira.

A QUESTÃO DO BRASILEIRO NATO “PROVISORIAMENTE”

A terceira situação acima descrita, seguramente é o maior consolo


para os não residentes no País e que venham a ter filhos nascidos no
exterior. Representa propriamente o conceito do “ius sanguinis”
aplicado.

Foi introduzido com este texto através da Emenda Constitucional n.


54 de 2007, criando a figura do “Brasileiro Nato Provisoriamente”,
posto que, nas condições ali indicadas, depois de adquirida a
maioridade, esse brasileiro nato provisoriamente deverá optar pela
nacionalidade brasileira, sendo que neste caso, sua “nacionalidade

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provisória” entraria em estado de suspensão até que essa opção


fosse exercida.

Assim sendo, restariam em suspenso todos os seus direitos civis e


políticos, até que fosse exercido o direito de opção ou não pela
nacionalidade brasileira.

É de se admirar a astúcia do legislador, posto que criou um direito


político a uma pessoa humana que não é considerada ainda um
cidadão, no entanto, tendo direitos de exercer o direito de ser
cidadão. É no mínimo
curioso.

A opção pela nacionalidade brasileira deve ser feita perante um juiz


federal, segundo disciplina o artigo 109, inciso X da Constituição
Federal, vez que compete a ele processar e julgar as causas
referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção.

Entretanto existem duas a pré-condições alternativas para o


exercício desse direito de opção:

1) A de que o nascido no exterior venha a ser


“registrado” em repartição brasileira competente, ou;
2) Que venha a residir no Brasil para exercer o seu
direito de opção.

OUTRAS FORMAS DE AQUISIÇÃO DA NACIONALIDADE BRASILEIRA

Já a aquisição da nacionalidade brasileira por processo derivado, ou


seja, de naturalização, é disciplinada pelo Artigo 12, II, da
constituição brasileira, que prevê a aquisição da nacionalidade
brasileira:

a) aos que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade


brasileira, exigidas aos originários de países de língua
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e
idoneidade moral; e

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b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes


no Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem
condenação penal, desde que requeiram a
nacionalidade brasileira.

A cidadania por naturalização é também disciplinada por outros


textos infraconstitucionais, que impõem condições e formalidades ao
estrangeiro que tenha intenção de se tornar cidadão brasileiro.
Dentre eles, destaco o de ser residente permanentemente e ter
idoneidade moral.

A JURIDICIDADE DA DUPLA CIDADANIA DIANTE DA LEGISLAÇÃO


BRASILEIRA

A dúvida que paira no ar é se um cidadão brasileiro pode ou não


acumular a cidadania brasileira com a cidadania italiana.

A resposta é afirmativa. Já vimos no tópico do “Ordenamento


Jurídico Italiano”, que, diante da legislação italiana não existem
óbices à harmônica convivência de várias cidadanias por uma
pessoa; Esse entendimento é fundado na legislação atual e sem
considerar o polêmico PDL n. 2006 comentado em detalhes
anteriormente.

Resta saber em qual dispositivo constitucional brasileiro


encontraremos a harmonização com a legislação italiana já
anteriormente descrita.

Hoje podemos considerar o ambiente jurídico brasileiro bastante


pacífico quanto à possibilidade de coexistência da cidadania
brasileira com a cidadania de outras nações, em alguns casos.

Particularmente no que se refere à coexistência da cidadania


brasileira simultaneamente com a italiana, após a promulgação da
Constituição Brasileira em 1988, até o advento da Emenda
Constitucional n.3, de 1994 (quase por cinco anos), o ambiente
jurídico era muito turbulento e negativo a esse entendimento, posto
que o texto originário da Constituição Federal de 1988 disciplinava a

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perda da nacionalidade brasileira àquele que adquirisse outra


nacionalidade por naturalização voluntária.

Embora o processo de naturalização pudesse ser entendido como


aquisição derivada, de outra nacionalidade, o fato é que permitia
alguma margem de interpretação sobre o “interesse” exercido
“voluntariamente” para a obtenção da outra cidadania.

Com o advento da Emenda Constitucional n.3, se a matéria permitia


algum grau de discussão, decididamente tornou-se pacífica.

O atual texto constitucional, em seu artigo 12, parágrafo 4o. dispõe


sobre os casos de perda da nacionalidade brasileira àquele que:

1) tiver cancelada sua naturalização, por sentença


judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse
nacional;
2) adquirir outra nacionalidade, salvo no casos:
a. de reconhecimento de nacionalidade
originária pela lei estrangeira;
b. de imposição de naturalização, pela
norma estrangeira, ao brasileiro residente
em estado estrangeiro, como condição
para permanência em seu território ou para
o exercício de direitos civis

Desta forma, o item “a” disciplina de forma muito clara a matéria,


quando diz que é uma ressalva à perda da cidadania brasileira, o
“reconhecimento de nacionalidade originária” pela lei estrangeira.

É exatamente aqui que a legislação pátria se harmoniza com a


legislação italiana criando um laço e gerando um ambiente
juridicamente perfeito à coexistência das duas cidadanias, desde que
atendidos os pressupostos legais para o seu reconhecimento.

Isso se deve pelo fato de que a cidadania italiana fundamentada no


“jus sanguinis” é adquirida por modalidade originária e não derivada,
como é o caso de um simples pedido de naturalização.

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Nesse diapasão, não só a legislação italiana prevê a possibilidade de


manutenção de mais de uma cidadania a um cidadão italiano, mas
também a legislação brasileira o prevê e de forma clara e pacífica.

É de se destacar também a interpretação dada pelo Ministério da


Justiça a esses dispositivos constitucionais, o que ocorreu através do
Despacho número 172 do Ministério da Justiça, de 4 de agosto de
1995, no qual se observa até mesmo uma interpretação extensiva
daquilo que foi disposto na alínea “b” do item “2” do parágrafo 4o.
do artigo 12 da Constituição.

A interpretação a ser dada a essa norma constitucional é a de que:

a) no caso de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei


estrangeira: "não perde a nacionalidade o brasileiro que teve
reconhecida outra nacionalidade por Estado estrangeiro, quando a
mesma decorre do direito de sangue (jus sanguinis), sendo
originariamente adquirida. Aqui o simples vínculo sanguíneo é que
faz surgir a nacionalidade, independente do local de nascimento. É,
v.g., o caso da Itália que reconhece aos descendentes de seus
nacionais a cidadania italiana. Muitos brasileiros descendentes de
italianos vêm obtendo aquela nacionalidade através do simples
processo administrativo. Nesta hipótese, não há aquisição derivada
de nacionalidade estrangeira, mas reconhecimento de nacionalidade
originária, independente de renúncia ou opção pela nacionalidade
anterior. Neste caso, não perderão a nacionalidade brasileira os que
se utilizarem de tal benefício";

b) no caso de imposição de naturalização, pela norma estrangeira,


ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para
permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis é
preservada "a nacionalidade brasileira daquele que, por motivos de
trabalho, acesso aos serviços públicos, fixação de residência, etc.,
praticamente se vê obrigado a adquirir a nacionalidade estrangeira,
mas que, na realidade, jamais teve a intenção ou a vontade de
abdicar da cidadania originária. ... A perda só deve ocorrer nos casos

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em que a vontade do indivíduo é de efetivamente mudar de


nacionalidade, expressamente demonstrada." (g.n.)

Observe que o texto constitucional explicitou que a naturalização


“imposta pela norma estrangeira” seria uma exceção à perda da
nacionalidade brasileira. Entretanto, no despacho 172 do M.J. acima
transcrito, esse entendimento foi interpretado extensivamente, já
que considerou que aquele que se vê “praticamente obrigado” à
naturalização também não perde a nacionalidade brasileira.

Vale dizer que o Ministério da Justiça interpretou que aquela


imposição “formal ou legal” para a naturalização, possa ser
entendida como uma imposição de ordem prática, já que utilizou os
termos “praticamente obrigado”. Assim sendo, não exigindo que seja
uma norma expressa, bastando que a naturalização tenha sido feita
para se viver com praticidade, talvez devido à imposições de ordem
econômica ou social (o que de fato ocorre) conduzindo à aceitação
de ser também um motivo considerado como que uma exceção à
perda da nacionalidade brasileira.

Tenha em mente também que esta é uma interpretação pessoal


minha.

CONCLUSÃO SOBRE A CIDADANIA NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

Minhas convicções pessoais à respeito do direito à dupla cidadania


me conduzem à tranqüilidade interior de que a tutela jurídica da
cidadania tanto do Brasil quanto da Itália permitem a sua
coexistência em forma harmônica.

Assim sendo, vou concluir este capítulo fazendo citação a um texto


sobre essa matéria, que está publicado no site do Consulado Geral
do Brasil em Milão, e que pode ser livremente acessado através do
seguinte link:

http://www.brasilemilano.it/br/consulares/nacionalidade.asp

Ele diz o seguinte:

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“Não há qualquer restrição quanto à múltipla nacionalidade de


brasileiros que possuam nacionalidade originária estrangeira, em
virtude de nascimento (jus soli) ou de ascendência (jus sanguinis).

Isto significa que todo indivíduo que, no momento de seu


nascimento, já detinha direito a cidadania diferente da brasileira,
reconhecida por Estado estrangeiro, poderá mantê-la sem conflito
com a legislação brasileira.

Por conseguinte, a dupla nacionalidade não se aplica ao cidadão


brasileiro que adquire nacionalidade estrangeira, ao longo da vida,
por casamento ou imigração, entre outros motivos, com exceção
feita aos casos onde houver, pelo Estado estrangeiro, imposição de
naturalização, como condição para permanência em país estrangeiro
ou para o exercício de direitos civis.

Os cidadãos com dupla nacionalidade não devem jamais esquecer


que mantêm direitos e deveres em relação aos países que lhe
concedem nacionalidade (serviço militar, situação eleitoral, fiscal,
etc). Ademais, a dupla nacionalidade pode implicar limitações na
reivindicação de certos direitos, como nos casos de pedido de
assistência consular dentro de um país onde também é considerado
como nacional. A título de exemplo: um indivíduo com dupla
cidadania, brasileira e italiana, sempre que se encontrar dentro do
território italiano será tratado, pelas autoridades locais,
exclusivamente como italiano, e nunca como estrangeiro, ainda que
apresente documentos brasileiros e alegue essa condição.

Para efeitos de comprovação de nacionalidade brasileira perante as


autoridades consulares, exige-se a apresentação de certidão de
nascimento emitida no Brasil, ou por Repartição Consular Brasileira
no exterior. Para estrangeiros naturalizados exigir-se-á o Certificado
de Naturalização. Este processo está sujeito a verificação e não
exclui a exigência de apresentação de documentos adicionais. A
expedição ou concessão de passaporte comum brasileiro sempre
está sujeita à comprovação de nacionalidade brasileira (apresentação

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de certidão brasileira juntamente com outros documentos, tais como


a cédula de identidade brasileira).

A aquisição de outra nacionalidade pelo cidadão brasileiro, derivada


de casamento, não implica na perda da nacionalidade brasileira
(Convenção sobre a nacionalidade da mulher casada - Decreto n°
64.216, de 18/03/1969)

Cabe lembrar que a legislação sobre nacionalidade brasileira


determina que os interessados deverão solicitar a transcrição de
nascimento junto ao Cartório do 1° Ofício de Registro Civil da área
em que residirem no Brasil (devem, portanto, provar residência em
território brasileiro). Recomenda-se, portanto, prévia confirmação,
por parte de cada interessado, dos requisitos exigidos em cada
Cartório do 1° Ofício, conforme a área de residência no Brasil.”

Por fim, cabe breve comentário ao que foi mencionado no texto


acima, relativamente à cidadania italiana da mulher, adquirida com
base no casamento.

Não obstante esse direito seja exercido voluntariamente, creio


pessoalmente que não implica na perda da nacionalidade brasileira,
permitindo assim, também nesse caso, a coexistência da dupla
cidadania.

Essa segurança jurídica se funda na Convenção Sobre a


Nacionalidade da Mulher Casada – Decreto n. 64.216 de 18 de
março de 1969, cujos artigos que nos interessam, transcrevo a
seguir:

“Decreto nº 64.216, de 18 de março de 1969

Promulga a Convenção sobre a Nacionalidade da Mulher Casada -


Aprovada pelo Decreto Legislativo nº 27,
de 25/06/1968 - DOU de 28/06/1968.

Art. 1º - Os Estados contratantes convêm em que nem a celebração


nem a dissolução do casamento entre nacionais e estrangeiros, nem

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a mudança de nacionalidade do marido durante o casamento,


poderão afetar "ipso facto" a nacionalidade da mulher.

Art. 2º - Os Estados contratantes convêm que nem a aquisição


voluntária por um de seus nacionais da nacionalidade de um outro
Estado, nem a renúncia à sua nacionalidade por um de seus
nacionais, impedirá a mulher do referido nacional de conservar sua
nacionalidade.

Art. 3º

1. Os Estados contratantes convêm em que uma


estrangeira casada com um de seus nacionais poderá
adquirir, a seu pedido, a nacionalidade de seu marido,
mediante processo especial privilegiado de
naturalização, a concessão da referida nacionalidade
poderá ser submetida às restrições que exigir o
interesse da segurança nacional ou da ordem pública.

2. Os Estados contratantes convêm em que não se


poderá interpretar a presente Convenção como
afetando qualquer lei ou regulamento, nem alguma
prática judiciária que permita a uma estrangeira casada
com um de seus nacionais, de adquirir, de pleno direito,
a seu pedido, a nacionalidade de seu marido.”

Considero pessoalmente que essa Convenção, por ter sido firmada


nas Nações Unidas, tem hierarquia superior à nossa Constituição,
posto que Tratados e Convenções Internacionais, como vimos, são
fontes primárias também do Direito Constitucional.

Assim sendo creio que não precisamos sequer analisá-la sob o


aspecto da receptividade ou não dessa Convenção, diante de nosso
texto constitucional. Uma vez que o Brasil é signatário dessa
Convenção, devendo respeitá-la.

Por outro lado, alguns juristas defendem que o direito de “não perda
da nacionalidade originária” quando do exercício do direito de

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obtenção da nacionalidade do cônjuge pela mulher, se aplique


também aos homens, com base no princípio da igualdade
disciplinado por nossa Constituição em seu artigo 5o. que inicia seu
“caput” com o preceito de que:

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,


garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade”

Não posso deixar de registrar também, que outros juristas tem


entendimentos opostos a estes, acreditando e defendendo que uma
opção assim efetuada pela mulher, resultaria na perda de sua
nacionalidade brasileira.

Ficam aqui esses registros, para aqueles que eventualmente se


encontrarem em situação de dúvida ou de problemas jurídicos
decorrentes do exercício de opção pela aquisição da cidadania da
esposa.

Ao menos a matéria poderá inflamar boas discussões na esfera


judiciária, o que por si só já justifica ter o seu conhecimento,
demonstrando boas chances de defesa caso se constate a
necessidade.

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CAPÍTULO IV

INTRODUÇÃO ÀS PRÁTICAS E PROCEDIMENTOS NO BRASIL

Já vimos nos capítulos anteriores muitas coisas sobre a cidadania,


desde as razões que motivam o seu desejo pela sua cidadania, até
os fundamentos jurídicos que sustentam o esse direito.

Agora, veremos passo a passo como iniciar esse processo, a quais


procedimentos nos submeteremos e quais documentos deveremos
apresentar. Neste capítulo, apresento tudo o que conheço e que
pode ou deve ser feito a partir do Brasil.

É importante, entretanto, esclarecer que em se tratando de pedido


de reconhecimento de cidadania italiana, muitas vezes observei
procedimentos e tratamentos diferenciados por parte das diversas
Repartições Consulares Italianas existentes no Brasil. Ora observei
procedimentos complicadores, ora procedimentos simplificadores,
em situações exatamente iguais ou análogas.

Isso demonstra o quanto esse procedimento ainda não está com


todas as suas práticas devidamente mapeadas e padronizadas,
resultando em constantes modificações.

Ultimamente, no entanto, começo a observar uma certa


uniformização de procedimentos entre as diversas Representações
Diplomáticas Italianas presentes no Brasil, ao menos no ambiente
ainda de divulgação. Infelizmente essa padronização vem sendo
efetuada no mais acentuado rigor burocrático do que a favor da

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desburocratização, mas os motivos justificam isso, conforme já


comentamos nos capítulos iniciais deste livro.

Então, é IMPORTANTE que o aspirante à cidadania, se utilize deste


livro para entender um pouco mais profundamente sobre o
processamento desse pleito, mas é FUNDAMENTAL que se oriente
também diante da Representação Diplomática de sua jurisdição, para
ter certeza de que tudo o que aqui descrevo, deve ser juntado ao
seu processo, ou se algo pode ser dispensado OU DEVE SER
ACRESCENTADO.

Por outro lado, essa consulta também servirá para se atualizar,


diante do que aqui exponho, certificando que não exista alguma
outra burocracia ou documento aqui não mencionado e que
eventualmente possa ser exigido para o processamento do pedido
para o seu caso específico.

Resumindo, embora tenha toda a boa vontade e tenha feito bons,


vastos e profundos estudos para compor esta obra, não posso
garantir que esteja completa e atualizada para o seu caso específico,
nem mesmo que possa ser capaz de gerar, no seu caso, o direito ao
reconhecimento da sua cidadania italiana.

O ambiente jurídico nesse tema muda constantemente, o que obriga


o candidato a desenvolver um interesse genuíno pelo tema, de
forma a naturalmente estar atento às modificações eventualmente
introduzidas nesse processo, bem como se tornar também um
interessado por pesquisas profundas nessa área.

Por isso tudo, vou sugerir sempre o máximo rigor na preparação do


seu processo, aliás recomendo rigor sempre.

Posso, contudo, testemunhar o quanto um processo bem elaborado,


bem preparado, tem chances de levar ao sucesso na obtenção do
reconhecimento desse direito.

Por outro lado, também posso testemunhar o contrário, inúmeros


processos de grandes amigos meus, que não foram bem sucedidos

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só pelo fato de não terem compreendido a fundamental importância


de "bem" instruir a documentação. Aquele que se previne,
normalmente chega lá. Os outros só se a sorte ajudar.

TESTEMUNHO PESSOAL – A IMPORTÂNCIA DE UMA BOA


INSTRUÇÃO PROCESSUAL

Para escrever este livro, fiz várias pesquisas e busquei o máximo de


informações atualizadas para os nossos dias. Dentre essas
pesquisas, algumas eu disparei por e-mail, e um dos entrevistados
foi justamente o cidadão exemplar que foi o responsável pela análise
de meu próprio processo de reconhecimento da cidadania italiana.

Já faziam alguns anos que minha cidadania tinha sido reconhecida,


mas questionei sobre alguns pontos da legislação atual, que não
eram vigentes quando fiz a minha. Na resposta ao e-mail esse
servidor me explicou com clareza, aliás como sempre o fez, e com
muita dignidade e respeito também. Mas quando entrou na parte da
documentação propriamente dita, ao invés de me informar como
deveria ser apresentada, ele me escreve o seguinte:

... “ottenuta la residenza si inizia l'iter della pratica con la


presentazione della domanda e dei documenti
opportunamente tradotti e legalizzati (ma questo già lo sai
meglio di me dal momento che quanto hai presentato per la
tua pratica era il meglio della documentazione che abbia mai
visto!)

Traduzindo em outras palavras: ...”a documentação que foi


apresentada no meu processo foi a melhor documentação jamais
vista por ele”...

E lembre-se, eu apresentei documentos de 05 (cinco) gerações, e


ainda com todos os atropelos de nomes errados que já falei na
introdução deste livro. Ainda assim, minha documentação era
perfeita.

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Então se esmere o máximo possível para fazer bem feito aquilo que
deve ser feito.

A ORGANIZAÇÃO DE SEUS PROCEDIMENTOS

Para iniciar a organização da instrução do seu processo, passaremos


obrigatoriamente pelo planejamento estratégico de suas ações.

Essencialmente devemos considerar que para fazer um bom


planejamento, devermos ter um profundo conhecimento daquilo ao
que nos propomos planejar, não é mesmo? Assim sendo, nada mais
lógico do que conhecer bem a história da sua família italiana, já que
seu direito sanguíneo vem justamente dela.

Para isso, inicio sugerindo que você construa uma espetacular árvore
genealógica da sua família.

A IMPORTÂNCIA DE UMA ÁRVORE GENEALÓGICA

Uma árvore genealógica tem esse nome pelo fato de se assemelhar


aos ramos de uma árvore. Trata-se de um instrumento muito útil
para a compreensão do histórico de uma família. É uma
representação gráfica e visual que permite uma rápida compreensão
do conjunto formado pelos membros da família.

Uma árvore genealógica, em tese, poderia fazer a representação


quase que infinita, dos ancestrais de uma determinada pessoa, mas
por razões de ordem prática, quase sempre relacionados à falta de
documentação formal e histórica, há uma limitação na construção
desse modelo em padrões infinitos.

Em se tratando de uma árvore genealógica para busca de cidadania


italiana, devemos e considerar o primeiro cidadão italiano (oriunde),
que transmite a cidadania ao interessado, como o ancestral mais
longínquo da árvore genealógica a ser identificado. O candidato
deverá chegar a identificar com clareza, precisão e documentação,
esse primeiro ancestral italiano (oriunde) que emigrou da Itália com

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destino ao Brasil. Ancestrais anteriores a esse são desnecessários já


que a herança da cidadania é transmitida somente e à partir desse.

Pelo que pude constatar, os antecedentes máximos que estão tendo


suas documentação encontradas na Itália não tem seus respectivos
nascimentos anteriores aos idos anos de 1.840. Se seu caso exige
uma volta ao passado anterior a essa época, creio particularmente
que será bastante difícil de encontrar alguma documentação que
possa ajudá-lo em sua reivindicação. Mas como dizem: “A esperança
é a última que morre!”, então não desista, tente!

Podem ocorrer processos, entretanto, no qual o ancestral italiano


não tenha nascido na Itália, mas tenha sido contemplado com o
título de cidadão italiano por outro motivo. Vimos algumas dessas
situações no capítulo anterior (estrangeiro que prestou serviço
militar, posse em cargo público, residência na Itália por um
determinado período mínimo de tempo, pessoas regularmente
adotadas, apátridas, cidadãos do antigo império Austro-Húngaro,
etc...). Nestes casos, o desenho da árvore genealógica deve chegar
até esse (ou partir desse) ancestral, pois não haverá ancestral
anterior a este que tenha sido cidadão italiano.

Considerando que o modelo de uma árvore genealógica é um


enorme facilitador no processo de entendimento das origens de uma
pessoa, sugiro e recomendo que o candidato à solicitação de
reconhecimento de cidadania, identifique e desenvolva sua própria
árvore genealógica como o passo inicial e fundamental à
identificação e busca de documentos que necessariamente deverão
estar presentes no processo. Assim sendo, um dos primeiros passos
a serem seguidos neste pleito de cidadania, é o de entender a árvore
genealógica da sua própria família.

Para esse fim, o candidato poderá desenhar de próprio punho essa


sua árvore genealógica, ou se valer de softwares ou de sites na
internet que possam ajudá-lo nesse desenho. O uso de uma grande
prancha de isopor com papeizinhos e alfinetes poderia também
ajudar bastante na modelagem desse algoritmo que é a sua árvore
genealógica.

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Outro instrumento que constatei ser bastante útil, prático e eficaz, é


o de construção de árvores genealógica disponibilizado pelo site
http://www.meusparentes.com.br/

Trata-se de um instrumento gratuito e bastante abrangente e


dinâmico, que pode facilitar muito a sua vida nessa etapa do
processo. Por exemplo, se, depois de bem adiantado o desenho de
sua árvore genealógica, surge uma nova informação, proveniente de
algum documento ou parente essa informação poderá ser inserida,
mesmo que a estrutura de sua árvore genealógica já esteja
concluída.

Você poderá incluir, alterar e excluir pessoas dessa árvore


genealógica, alterar nomes, origens, datas, estado civil, e isso tudo,
sem nenhum custo. Basta apenas registrar-se no site para poder
utilizar dessa ferramenta.

Para aqueles que não tem acesso à internet e não queiram fazer uso
de um algoritmo móvel com uma prancha de isopor, resta a
possibilidade de desenhar sua própria árvore genealógica no papel
também. Sugiro, neste caso, se seja utilizada uma folha grande de
cartolina, e que essa árvore seja desenhada à lápis, permitindo
assim sua alteração e atualização com facilidade.

É muito importante também, aproveitar desse momento de


construção da sua árvore genealógica, para iniciar também a
organização de alguns dados que serão muito úteis quando da busca
de documentos.

Assim sendo, sugiro que além de incluir o nome da pessoa na árvore


genealógica, sejam também incluídas algumas informações que
serão vitais para o planejamento e para o seu processo, tais como
seus dados de nascimento, casamento e óbito:

A COLETA DE DADOS DE NASCIMENTO, CASAMENTO E ÓBITO

Tendo em vista facilitar a visão estruturada dessas informações, vou

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listar abaixo algumas informações as quais eu julgo pertinentes e


que devem ser identificadas e coletadas para uso em momento
oportuno.

1) NASCIMENTO

1.1) Data de Nascimento;


1.2) Cidade de Nascimento;
1.3) Estado de Nascimento;
1.4) País de Nascimento;
1.5) Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja, etc...) onde
foi feito o registro do nascimento;
1.6) Endereço desse Órgão de Registro Público (Cartório,
Igreja, etc...) onde foi feito o registro do nascimento;
1.7) Telefone desse Órgão de Registro Público (Cartório,
Igreja, etc...) onde foi feito o registro do nascimento;
1.8) Fax desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do nascimento;
1.9) Email desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do nascimento;

2) CASAMENTO

2.1) Data de Casamento;


2.2) Cidade de Casamento;
2.3) Estado de Casamento;
2.4) País de Casamento;
2.5) Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja, etc...) onde
foi feito o registro do casamento;
2.6) Endereço desse Órgão de Registro Público (Cartório,
Igreja, etc...) onde foi feito o registro do casamento;
2.7) Telefone desse Órgão de Registro Público (Cartório,
Igreja, etc...) onde foi feito o registro do casamento;
2.8) Fax desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do casamento;
2.9) Email desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do casamento;

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3) ÓBITO (Eventualmente ocorrido)

3.1) Data de Óbito;


3.2) Cidade de Óbito;
3.3) Estado de Óbito;
3.4) País de Óbito;
3.5) Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja, etc...) onde
foi feito o registro do óbito;
3.6) Endereço desse Órgão de Registro Público (Cartório,
Igreja, etc...) onde foi feito o registro do óbito;
3.7) Telefone desse Órgão de Registro Público (Cartório,
Igreja, etc...) onde foi feito o registro do óbito;
3.8) Fax desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do óbito;
3.9) Email desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do óbito;

4) VARIAÇÕES DE NOMES E SOBRENOMES:

4.1) Nome do Ancestral;


4.1.1) Outra Possível Variação no Nome do Ancestral;
4.1.2) Outra Possível Variação no Nome do Ancestral;
4.1.3) ... etc...
4.2) Sobrenome do Ancestral;
4.2.1) Outra Possível Variação no Sobrenome do
Ancestral;
4.2.2) Outra Possível Variação no Sobrenome do
Ancestral;
4.2.3) ... etc...

5) SEPARAÇÕES JUDICIAIS OU DIVÓRCIOS:

5.1) Data da Separação Judicial;


5.2) Data do Divórcio, se ocorrido;

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5.3) Data da Sentença de Conversão da Separação Judicial em


Divórcio;
5.4) Data do Trânsito em Julgado da Sentença do Divórcio;
5.5) Vara ou Juízo no Qual se Processou o Divórcio;
5.6) Número do Processo de Separação e Divórcio;
5.7) Cidade do Foro em que correu o divórcio;
5.8) Estado do Foro em que correu o divórcio;
5.9) Telefone do Foro em que correu o divórcio;
5.10) Fax do Foro em que correu o divórcio;
5.11) Email do Foro em que correu o divórcio.

Essas informações deverão ser obtidas relativamente a cada pessoa


que integrar a árvore genealógica do aspirante à cidadania italiana.
Se for o seu caso, inclusive de você, esses documentos deverão ser
obtidos.

DIVERGÊNCIA DE ENTENDIMENTOS QUANTO AOS DOCUMENTOS

Uma observação importante que faço de novo, é que constatei


tratamentos diversos não somente entre as Repartições Diplomáticas
Italianas no Brasil, mas também nos órgão públicos italianos na
Itália, relativamente a essa documentação.

Enquanto alguns divulgavam exigirem apenas os documentos da


“linha” italiana da árvore genealógica, outros divulgavam exigir
também a documentação relativa ao respectivo cônjuge dessa
pessoa.

Assim, por exemplo, se o seu pai é o filho do cidadão italiano, para a


primeira corrente de Repartições Consulares, apenas os documentos
do seu pai e do seu avô deveriam ser juntados ao processo, ou seja,
suas respectivas certidões de nascimento e casamento ou óbito, mas
não seria necessário a juntada da certidão de nascimento da mãe
nem da avó.

Para a segunda corrente de Repartições Consulares, já era exigido,


além dos tais documentos, deveriam também ser juntados os de

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nascimento da mãe e da avó, além de certidões de óbito caso


tivesse ocorrido.

Para escapar de riscos, recomendo que seja seguido o modelo desta


segunda corrente, ou seja, quando encontramos um casal na árvore
genealógica, seria muito importante coletar esses documentos de
nascimento, casamento e óbito, de ambos os cônjuges.

Essa medida pode complicar um pouco a instrução do seu processo,


pode também encarecê-lo e retardá-lo um pouco também, mas se
você tiver esses documentos em mãos, poderá se despreocupar com
o juízo de avaliação que o “operador” do seu caso vai fazer. Enfim,
essa medida é bem preventiva, mas não é desperdício simplesmente
por poder potencializar mais as suas chances de sucesso nesse
pleito.

EVENTOS DA VIDA CIVIL OCORRIDOS NA ITÁLIA

Caso o nascimento, casamento, óbito ou divórcio tenha se


processado na Itália, ainda assim esses documentos deverão ser
obtidos. Somente as etapas de tradução e legalização dos mesmos
(que veremos neste capítulo ainda) é que serão dispensadas,
resultando em boa economia processual.

OS BONS MOTIVOS PARA UM BOM PLANEJAMENTO

Existe um princípio natural no marketing: “Ninguém vende o que não


conhece”. Partindo desse princípio, e considerando a história
genealógica de nossa família como um produto a ser ofertado
(vendido), passa a ser essencial que tenhamos o pleno
conhecimento desse produto para que possamos ofertá-lo com a
segurança que o caso requer. Neste sentido, quanto mais
conhecermos nossa história mais segurança transpareceremos
quando dela falarmos. O candidato ao reconhecimento de sua
cidadania italiana deve conhecer de trás pra frente e de frente pra
trás a sua história. Deve conhecer a história de sua família tal como
conhece a palma de sua mão. Deve transpirar conhecimento e
sabedoria. Assim sendo, pode parecer um planejamento excessivo

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mas registrar todas essas informações é vital. Acreditem em mim,


isso será muito útil por vários motivos.

a) O primeiro deles, é que nessa pequena análise muitas


informações sobre seus “oriundi” serão desvendadas, informações
tais que sem esse instrumento, não seriam observadas e registradas;

b) Esses registros o ajudarão a colocar em ordem as idéias e melhor


gerir a busca e o recebimento de dados. Sem esse instrumento, a
busca será muito desorientada e o recebimento muito
desorganizado, causando muitas vezes uma enorme confusão sobre
quem é quem nessa sua árvore genealógica;

c) Também esse instrumento servirá de planejamento para o


detalhamento das buscas, pois uma vez criado, ele ajudará o
candidato a não se perder e não esquecer de buscar alguma
informação ou documento que seja vital para o processo;

d) Por fim, mas não exaurindo as vantagens desse método, está o


benefício que o mesmo proporciona ao candidato, no sentido de
ajudar a incorporar em sua mente a estrutura formal de sua árvore
genealógica, e isto será muito útil para a defesa de seus interesses
perante o Governo Italiano, com a energia de quem realmente
conhece do seu produto.

A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPLEMENTARES

Essa observação é levada em conta, considerando que este "script"


de cidadania trata daquilo que é padrão, porém o Governo Italiano
poderá solicitar outros ou novos documentos que eventualmente
entenda necessários para a conclusão da análise de mérito jurídico
do seu pleito à cidadania italiana.

Então, nada mais razoável do que conhecer profundamente sua


árvore genealógica, quem é quem em sua família e a história de
seus ancestrais. Junte-se a isso a necessidade também de conhecer
as possíveis variações de nome e sobrenome que seus ancestrais
tenham tido, bem como dos motivos que justificam essa eventual

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variação de nomes ou sobrenomes (também abordaremos de novo,


em detalhes, este assunto ainda neste capítulo).

CERTIDÃO DA PARÓQUIA AO INVÉS DA CERTIDÃO DE NASCIMENTO

Relativamente à certidão de nascimento ou casamento, caso um


ascendente (ou mais ascendentes) tenha nascido no Brasil antes de
01/01/1889, poderá ser apresentada a relativa certidão da Paróquia.
A mesma poderá ser apresentada também quando se tratar de
casamento anterior a 21/05/1890. A partir destas datas serão aceitas
somente as certidões emitidas em cartório.

Essas informações são importantes, pois se houver necessidade de


se provocar o poder jurisdicional para obtenção de uma
documentação formal, as certidões das Paróquias poderão ser
utilizadas, se for o caso, para solicitar ao competente Juiz a
“reinstauração” do documento faltante nos Cartórios ou a transcrição
do casamento religioso.

TRATAMENTO DOS DOCUMENTOS PÚBLICOS GERADOS FORA DA


ITÁLIA

Para compreender bem este capítulo e os que vêm a seguir, é


importante esclarecer sobre alguns procedimentos da administração
pública italiana, quando em relação à documentos públicos e
privados gerados fora da Itália. Veremos a seguir como deve ser
tratada a diversidade de idioma.

A QUESTÃO DA TRADUÇÃO JURAMENTADA

Temos ordenamentos jurídicos de dois países envolvidos nesse


processo de reconhecimento da cidadania. Considerando que cada
um desses países tem idioma diferente do outro, isso implica na
obrigatoriedade de processar a tradução de todos os documentos
que são gerados em português, para o italiano.

Entretanto, considerando a simples possibilidade de geração de


documentos com tradução que não corresponda à realidade,

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normalmente essas traduções são exigidas através de "tradutores


juramentados", os quais gozam de um tipo de fé pública que
qualifica o texto por eles traduzidos, como textos com uma
veracidade maior, ou seja, presunção de certeza. Isto em Direito se
chama “Presunção Juris Tantum”, ou seja, admite prova em
contrário, mas enquanto uma prova contrária não é apresentada, o
documento goza de presunção de certeza.

Relativamente à prova em contrário, compete a quem tiver interesse


em discutir o mérito da validade da tradução apresentada. Esses
tradutores profissionais são normalmente registrados nas Juntas
Comerciais, Fóruns ou Tribunais de Justiça, dependendo da região ou
do Estado ao qual pertençam.

Ocorre, entretanto, que algumas Representações Consulares


(Curitiba-PR, por exemplo, e agora seguida de outros Consulados),
exigem que a tradução seja feita por Tradutor Juramentado
“habilitado” pelo Consulado.

Isso criou uma nova figura no ambiente jurídico. A do Tradutor


Juramentado Habilitado. Essa medida me faz crer que existe agora
uma categoria de Tradutor Juramentado que NÃO É HABILITADO e
outra de Tradutor Juramentado que É HABILITADO. É estranho e um
pouco difícil de entender, mas é assim mesmo, um Tradutor
Juramentado que NÃO é habilitado perante o Consulado para
traduzir não poderá traduzir.

Antigamente eu pensava que não entendia os italianos e lembrava


das estórias em quadrinhos do Asterix e do Obelix dizendo... "esses
Romanos são uns neuróticos"... Como tenho uma parte da genética
italiana, já que sou cidadão italiano também, e então ainda me
restava o consolo de ser também um cidadão brasileiro. Com o
passar dos anos eu deixei de pensar isso. Diante de tantas fraudes
que são cometidas para a busca do reconhecimento à cidadania
italiana, diante da responsabilidade que é esse ato de
reconhecimento de cidadania para um estranho ao nosso meio,
passei a considerar que toda essa exigência tinha como fulcro dar
um pouco mais de segurança jurídica a todos os profissionais

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envolvidos no processo. A seqüência dessa compreensão que é que


me desarmei para enfrentar a burocracia, e passei a utilizá-la a meu
favor.

Retornando aos tradutores. Na ausência desses profissionais no


mercado se serviços locais, (ocorre normalmente no interior do
Brasil) vi situações onde pessoas com notório saber técnico do
idioma serem nomeados por Juízes para poderem exercer essa
função e um ou outro caso, ou mesmo, permanentemente na Vara
Judiciária para a qual foram nomeados. Alguns desses profissionais
seguramente são bastante capacitados, e a maior parte deles são
escolhidos entre pessoas de origem italiana ou vinculadas a escolas
de idioma ou tendo o idioma italiano como um idioma nativo (língua-
madre). Até mesmo os Vice Consulados Honorários do Interior do
Brasil detinham poderes para proceder a uma tradução juramentada.
Hoje não mais.

Mas não é difícil encontrar esses profissionais hoje em dia, aliás, é


muito fácil. Pequenas buscas na internet seguramente vão lhe
proporcionar uma infinidade de contatos com tradutores
juramentados, alguns que funcionam até mesmo em regime de
plantão e 24 horas por dia nos 365 dias do ano. Assim sendo, não se
preocupe com essa formalidade, pois será simples de resolvê-la.

O CUSTO DA TRADUÇÃO JURAMENTADA

Esses profissionais trabalham cobrando pelos serviços, e isso já é


outra conversa. Embora se possa tentar administrar a negociação de
preços, normalmente esses profissionais trabalham baseados em
uma tabela da própria categoria. Essas tabelas de preços variam um
pouco de região para região ou de Estado para Estado, e obviamente
também podem oscilar de profissional para profissional.

Uma coisa que pode ser útil na escolha do profissional, é o método


de cobrança que eventualmente adote. É bastante difuso no
mercado a cobrança em base à "lauda", que nada mais é do que a
página. Porém, já vi negociações baseadas no volume de
documentos serem bastante vantajosas.

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Uma boa dica para aqueles que conseguirem, é a de tentar escapar


dos profissionais que cobram por "caractere", ou seja, por letra,
ponto, virgula e espaço, no texto a ser traduzido, pois isso
normalmente torna a tradução relativamente mais cara. Alguns
tradutores utilizam o método de cobrar por "lauda" de "x" caracteres,
o que pode ao menos permitir ao interessado a avaliação previa do
custo da tradução de todos seus documentos, se os tiver em meio
digitalizado, facultando assim a contagem dos caracteres.

Por fim, é importante ter em mente que os preços das traduções


juramentadas, nesta data em que escrevo (março/2010) está à partir
de R$ 25,00 (vinte e cinco reais) a lauda de 1.000 caracteres, ou 164
palavras ou 25 linhas. Basta fazer uma pequena busca na internet,
mas a que acabei de fazer e encontrar esse preço no site do Buscapé
http://compare.buscape.com.br

ADVERTÊNCIA SOBRE CITAÇÕES PROFISSIONAIS OU COMERCIAIS

Gostaria de relembrar aqui o que já disse na introdução deste livro.


Qualquer citação a empresa ou fornecedor tem o propósito exclusivo
de auxiliar o leitor a iniciar suas buscas. Eu não tenho qualquer
vínculo com as empresas ou sites aos quais eventualmente vou fazer
uma referência, e também não posso assegurar a veracidade ou a
qualidade do conteúdo eventualmente inserido nesses sites ou
idoneidade das pessoas ou dos serviços oferecidos por esses
fornecedores.

Tudo isso, pelo simples fato de que não me utilizei deles, apenas
menciono, entretanto sem indicá-los, com o propósito de auxiliar o
candidato que esteja se valendo deste livro para colocar em prática
seu sonho de pleitear a cidadania italiana, a iniciar os procedimentos
que sejam necessários.

Por fim, isto significa que cada documento, cada certidão de


nascimento, casamento ou óbito, deve ser traduzida para o italiano,
e isso deve ser feito através desses profissionais juramentados.

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Mas não bastará a tradução juramentada. Todos os documentos


deverão ainda seguir outras formalidades. Uma delas é a questão da
validade dos documentos no tempo.

A VIDA ÚTIL DOS DOCUMENTOS

Uma atenção especial deve ser dada à questão do "tempo de vida


útil" de um documento público como as certidões de nascimento,
casamento ou óbito. Em geral, elas não vêm com um prazo de
decadência expresso, aliás, porque normalmente diante da legislação
brasileira, elas não perdem mesmo a validade. Assim sendo, tem
validade por um período em aberto.

Entretanto, em se tratando de relacionamento internacional com a


Itália, isso não é visto dessa forma. É até uma questão de cultura
italiana, aliás, o que considero realmente bem melhor do que no
Brasil, é que os documentos italianos sempre têm um prazo de
validade.

Assim, até mesmo uma simples Carteira de Identidade, tem sua


validade não superior a 10 (dez) anos. Veremos no último capítulo,
no tema “Carta D’Identitá” que esse documento tinha validade
somente de 05 (cinco) anos, mas recentemente isso foi mudado, em
decorrência do Decreto Lei n. 112 de 25 de junho de 2008.

Isso se dá por um motivo bem simples. O mundo muda, e nós


também. Mudamos nosso rosto, mudamos nosso peso, mudamos
nosso cabelo, mudamos nossa expressão, mudamos nossa caligrafia,
mudamos nossa voz, nossa pele e assim por diante, sem contar as
mudanças que o próprio tempo nos impõe. Então, para evitar aquela
situação, tão comum no Brasil, de uma pessoa se apresentar aos 30
(trinta) anos de idade com carteira de identidade emitida quando
ainda era analfabeto, a Itália colocou essa regra de prazo de
validade em seus documentos. Uma carteira de identidade vale por
10 (dez) anos. Depois disso, o cidadão tem de renová-la, pois ela
não vale mais.

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Uma vez explicado esse aspecto cultural, devemos considerar que


isso também irradia efeitos no processo de reconhecimento da
cidadania italiana. Essa situação se nota, quando se observa que,
para efeito desse processo, toda e qualquer certidão de registro civil
(nascimento, casamento e óbito) deverá ter sido emitida "no
máximo" há 01 (um) ano.

A IMPORTÂNCIA DO CORRETO MAPEAMENTO DE INFORMAÇÕES

Considerando, entretanto, que um prazo assim tão exíguo resulta


muitas vezes em perda da validade do documento antes mesmo de
se dar a entrada no processo, recomendo neste meu livro que se
faça primeiro um grande apanhado de informações sobre os
documentos que deverão ser emitidos para, só depois, havendo
todas as informações nas mãos, serem feitas as solicitações de
emissão dos mesmos. Essa medida visa estabelecer um rigor na
gestão temporal e financeira e do andamento desse processo.

Para isso, cada Cartório, cada Juízo, cada Igreja, cada Cúria, cada
Museu, cada Tabelião, cada Cemitério, etc... deverá ser prévia,
organizada e inteiramente mapeado antes de se solicitar a emissão
de qualquer documento. Para isso, vou sugerir a utilização de uma
simples planilha, que inclusive anexo a este livro com o nome de
“ACOMPANHAMENTO”, para servir de auxilio ao interessado em
organizar esse processo de busca de documentos. Você poderá
ainda aperfeiçoar essa planilha, inserindo outras informações que
acredite que possam ser úteis. Aqui eu a apresento como um
exemplo, mas o que importa é ter a gestão organizada das
informações, seja através de uma planilha como essa, seja através
de qualquer outro meio ou ferramenta com o qual você se sinta mais
familiarizado.

Uma vez que integralmente em mãos as informações sobre onde


obter as Certidões de Nascimento, Casamento e Óbito bem como as
Certidões de Batismo e outros documentos comprobatórios de
parentesco, somente então é que devem ser solicitadas as
respectivas emissões.

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Também deve ser organizado esse processo, quase que deixando em


"stand by" o Tradutor Juramentado, em modo a agilizar o
procedimento da tradução, não expondo a preciosa validade
temporal do documento, à perda de tempo natural em negociações
com tradutores.

Assim sendo, seria muito útil, e às vezes vital para o sucesso do


pleito, que o tradutor já esteja contratado ou pré-contratado antes
de se ter toda a documentação em mãos, com isso, agilização do
processo será muito maior principalmente considerando que os
tradutores, em geral sempre estão bastante empenhados e não
sendo raro ouvir a recusa para pegar a sua tradução, em razão da
quantidade de trabalho que os mesmos vêm tendo. Assim sendo,
muita atenção a esta etapa e a este conselho.

Outra coisa fundamental é a questão da extensão e profundidade


das informações contidas em um documento. Veremos isto a seguir.

O TIPO DE DOCUMENTO PÚBLICO QUANTO À EXTENSÃO DO


CONTEÚDO

Considerando que os documentos públicos, por praxe, são emitidos


em modelos resumidos ou integrais, é muito importante ao
interessado deixar claro que, para fins desse processo, os
documentos resumidos (chamados "Breves Relatos") normalmente
não são aceitos. Devem ser solicitados sempre documentos integrais
(chamados "Inteiro Teor").

Isso se deve pelo fato de que um documento resumido poderá omitir


uma informação que seja importante, ora a favor, ora contra o
interesse do candidato. No caso da cidadania, seguramente o que o
Governo Italiano busca, é evitar conceder a cidadania a quem não
tenha o direito a ela, e assim sendo, acaba por exigir o documento
de Inteiro Teor, para garantir a máxima transparência de informações
a quem irá decidir o mérito do direito no processo.

Podemos deduzir disso tudo que, quem tem a cidadania nas mãos,

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passou por uns bons filtros, o que lhe garante também que sua
cidadania é "quase" que indiscutível. Digo quase, porque não creio
que fraudes não possam existir ou ter tido existência no passado.

Assim sendo, INTEIRO TEOR, é o nome do jogo. Não se esqueçam:


INTEIRO TEOR.

A NECESSIDADE DO RECONHECIMENTO DE FIRMAS

Devemos fazer aqui uma distinção da hierarquia das firmas em


documentos com os quais trabalharemos.

Devemos considerar a existência possível das seguintes firmas:

a) De um cidadão comum ou de um funcionário público


emitente de certidão;
b) De um Tradutor Juramentado;
c) De um Tradutor Juramentado Habilitado no Consulado;
d) De um Escrevente ou Auxiliar da Justiça;
e) De um Juiz, Escrivão Judicial ou Escrivão de Cartório de
Registro Civil ou Comercial;
f) De um Tabelião;
g) De um Tabelião Habilitado no Consulado;

Feitas essas distinções, deveremos ter em mente que, TODOS os


documentos em original e com a respectiva tradução (esta também
em original), deverão chegar ao Consulado ou Representação
Diplomática Competente, com a firma de um Tabelião (ou, para os
Consulados mais exigentes, a de um “Tabelião Habilitado”).

É fácil se estabelecer um padrão para se fazer as coisas diante do


Governo Italiano. Esse padrão é: “Faça sempre a mais do que
pedem”. Imaginem onde seu processo possa ter um pequeno “nó” e
cuide bem para que esse “nó” esteja desatado o máximo possível,
antes de dar a entrada em seus papéis. O respeito a esse simples
mas custoso conselho já garantiu o sucesso de muitos pleitos, e a
sua inobservância, o fracasso de tantos outros.

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Algumas vezes constatei procedimentos divergentes entre membros


de Repartições Consulares diversas, e outras divergências até
mesmo dentro da mesma Repartição Consular. Isto demonstra que
não há um “standard” de avaliação sobre algumas situações, e cada
um interpreta as normas como bem entende.

Então é bastante recomendável o reconhecimento de todas as firmas


de todos os seus documentos. Recomendo isso por medida
preventiva, pois para algumas firmas o Governo Italiano não
menciona obrigatoriedade de reconhecimento, mas como o "seguro
morreu de velho" é melhor reconhecer, pois esse custo é
insignificante, diante do custo de todo um processo que possa
eventualmente ser colocado de "em espera" ou ser perdido por falta
de reconhecimento de uma simples assinatura.

Então, se no documento tiver uma firma de um cidadão comum,


busque reconhecê-la, preferencialmente já em um tabelião, caso
contrário, deverá fazer através de um cartório que depois terá a
firma de seu oficial, reconhecida por um tabelião.

Depois de ter a firma reconhecida por um tabelião, essa firma do


tabelião deverá ser reconhecida de novo, desta vez por um tabelião
que seja habilitado (ou reconhecido como sério) pela Repartição
Diplomática Competente.

Parece estranho, mas é assim mesmo. Embora para nós, brasileiros,


o reconhecimento de firma por um Oficial de Registro, seja Civil,
Imobiliário, Comercial, enfim, um Oficial de Registros Públicos, seja
suficiente para se dar "fé pública" àquela firma, para o Governo
Italiano, somente será considerada idônea se for feita por um
Tabelião de Notas.

Eu explico isso pelo fato de ter observado que na Itália não existem
esses cartórios que existem no Brasil. Só existe o tal "Notaio", e por
isso eles associaram o nome "Notaio" ao nome "Tabelião de Notas",
vale dizer, "Notário" do Brasil. Assim sendo, só documentos
reconhecidos por esses notários é que tem fé pública.

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Mas ainda assim, essa fé pública é relativa, por valer só no Brasil.


Veja o porquê no item seguinte.

A QUESTÃO DA HABILITAÇÃO DO TABELIÃO DE NOTAS

Recomendo que o interessado no reconhecimento da cidadania


italiana sempre consulte a Repartição Consular Competente, para
verificar qual é o Tabelião de Notas que a tal repartição considera
habilitado.

Uma vez identificado esse tabelião, por medida de economia


processual, é importante consultá-lo sobre a existência em seu
repertório de firmas, do depósito das firmas dos Escrivães,
Escreventes ou Oficiais dos Registros Públicos responsáveis pela
emissão de suas certidões de nascimento, casamento e óbito.

Isso se deve ao fato de que, para um tabelião poder reconhecer a


firma de um oficial de registro civil, deverá ter em seu rol de
assinaturas presentes, a assinatura daquele funcionário daquele
registro civil.

Como nem todos os tabeliães possuem as firmas de todos os


servidores de registro civil do Brasil, seria bom consultá-lo antes.
Essa cautela serve a poder agilizar que as firmas dos oficiais públicos
necessários ao seu processo e porventura inexistentes no rol de
firmas assentadas no tabelião competente, seja encaminhada pelo
respectivo emitente da certidão, ao tabelião competente e habilitado
pela Repartição Diplomática. Isso agilizaria o procedimento em pelo
menos 30 (trinta) dias dependendo da distância física entre o
cartório de registro civil e o tal tabelionato.

Esse procedimento de depositar a firma de um cartório no rol de


firmas de um outro cartório ou tabelionato, é feito através de um
documento que se denomina “sinal público”. Alguns cartórios
permitem que esse documento “sinal público” (o qual contém a firma
de todos os autorizados a firmarem em nome do cartório) seja

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levado pelo próprio requerente ao outro cartório ou tabelião, para


que lá seja depositado. Eu mesmo já fiz de “courier” várias vezes.

Alguns cartórios, entretanto, não permitem que o requerente seja o


portador do documento, preferindo encaminhá-lo via postal ao
cartório ou tabelião destinatário. Isso consome uns bons dias de
espera do seu processo.

Essa dica é muito importante. Assim sendo, não se esqueça de


tentar negociar diante do cartório que emitiu as certidões de registro
civil das pessoas que constam em sua árvore genealógica, para que
você mesmo possa ser o portador desse “Sinal Público”. Se ele for
liberado em suas mãos, você poderá agilizar seu processo levando-o
pessoalmente ao tabelião destinatário. Se você não puder levá-lo
pessoalmente, tente enviar um portador, mas na pior das hipóteses,
utilize os serviços de “courier” profissional ou os serviços do Sedex
dos correios.

Se esse “Sinal Público” não for liberado em suas mãos, tente ao


menos negociar no cartório emitente, que você custeie a remessa
desse documento via “courier” profissional ou os serviços do Sedex
dos correios, o que certamente agilizará muito o andamento do seu
processo.

A LEGALIZAÇÃO DE DOCUMENTOS

A legalização de documentos é uma etapa bastante complicada no


processo de preparação da documentação para reconhecimento da
cidadania italiana. Mas porquê é complicado?

Simples: Insuficiência de funcionários nas Repartições Consulares


para dar vazão à enorme quantidade de documentos que, dia após
dia, chegam para serem legalizados. Essa é a pura realidade e a
resposta mais simples que o Governo Italiano dá.

Mas o que é essa coisa tão complicada, de "Legalização"? Que coisa


vem a ser isso?

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Outra coisa simples: Nada mais é, do que uma sumária verificação


dos pressupostos formais do pleito à cidadania (vale dizer, dar uma
corrida de olhos no processo, para ver se falta algum documento,
entretanto, sem adentrar no "conteúdo", no “mérito” do tal
documento) e por fim, "reconhecer" mais uma vez, uma firma.

O ato administrativo de "legalizar" se consolida com outra chancela


de reconhecimento de firma. Desta vez, é a firma do nosso "notário"
(Tabelião de Notas) que é submetida à apreciação de autenticidade
por parte do funcionário administrativo da Repartição Consular
Competente. Isso inclusive explica um pouco do "porquê" de se ter
Tabelião Habilitado ou não habilitado perante o a Repartição
Diplomática.

Como os operadores internos dos Consulados, não são "experts" em


exames grafo-técnicos, pois não são peritos, e as fraudes são
inúmeras, então acaba por ser mais fácil filtrar a enorme quantidade
de tabeliães possíveis estabelecendo que somente alguns poucos
serão os preferenciais e desse modo simplificando bastante o
processo de conferência de assinaturas já que uma assinatura, vista
alguns milhares de vezes, consolida um juízo de semelhança
automático no cérebro do encarregado de "enxergar" algo que não
deva passar. Essa medida “cautelar” seguramente é resultado de
tantas fraudes cometidas nesse meio.

Assim sendo, a legalização é o ato de reconhecer a firma do tabelião


brasileiro para que esse documento traduzido, possa ter ingresso
eficaz no mundo jurídico italiano.

Toda essa burocracia não é só decorrente de exigência vã do


Governo Italiano. De fato é muito importante sob o aspecto de
proteger a sociedade de uma enxurrada de documentos falsos que
criam e extinguem direitos, sem o devido suporte legal. Então, essa
burocracia ajuda a manter a sociedade um pouco mais séria, limpa e
segura, relativamente à cidadania italiana, é claro.

A CONVENÇÃO DE HAYA E A LEGALIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS

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Por fim, essa burocracia também encontra razão de ser no Governo


Brasileiro, o qual, quando teve a oportunidade, não foi signatário das
convenções em matéria de direito civil, internacional e administrativo
(legalização de documentos públicos estrangeiros, disposições
testamentárias, proteção de menores) realizada dentro da
Convenção de Haya de 05/10/1961, a qual simplificou muito o
reconhecimento de documentos públicos entre várias nações. A Itália
foi signatária dessa Convenção, mas o Brasil não.

Se o Brasil tivesse firmado essa Convenção, esse processo e


legalização de documentos públicos poderia ter sido simplificado por
emissão de simples "apostila" de um Órgão Público Brasileiro. Não
sendo assim, ficamos à mercê das Repartições Diplomáticas
Italianas, mas por “culpa” nossa.

Particularmente eu penso que o procedimento de legalização


também está servindo para controlar fluxo migratório com destinado
à Itália. Isso para mim é notório embora não seja explícito.
Entretanto, não entendo o porquê, já que tantos povos de origem
não italiana estão adentrando na Itália sem controle. Os
descendentes, entretanto, estão encontrando uma certa dificuldade.

Já li muitas matérias dizendo que o Governo Italiano está


mobilizando forças-tarefas para resolver os problemas dos italianos
do exterior, particularmente desde meados do ano 2008 vejo essas
conversas
(http://www.jornaldapaulista.com.br/site/page.php?key=1247), mas
ouvi dizer que a partir de maio de 2009 os Consulados Italianos no
Brasil receberiam reforço de pessoal para desovar tantos processos
de pedido de reconhecimento de cidadania italiana. Para mim, a
simples notícia do “quando”, boato ou não, já traz um alento, pois
considero sempre que “onde há fumaça há fogo”. Talvez exista um
fundo de verdade nessa informação.

O CUSTO DA LEGALIZAÇÃO

Por fim, cabe a lembrança de que o processo de legalização de


documentos também tem um custo, e não é barato.

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O Governo Italiano impõe o pagamento de uma taxa (bollo) pelos


serviços que são prestados ao cidadão, e isso é cobrado por página
legalizada. Normalmente se paga isso, depois que o processo de
legalização da documentação já foi examinado e encontra-se em
ordem. Considero dizer que, quando contatam o interessado a
comparecer à Repartição Diplomática para pagar os emolumentos
devidos, significa que o processo de documentação da cidadania, no
que se refere ao Brasil, já está “saneado”, ou seja, livre de vícios
formais.

A cobrança é feita em base a cada documento, dependendo do tipo


de documento. Se é um documento da vida civil como certidões de
nascimento, casamento ou óbito, o preço é um, se são outros
documentos, como peças processuais de separação ou divórcio, o
preço é outro. Não convêm perder tempo tentando compor esses
custos detalhadamente. Concentre-se no objetivo final, e provisione-
se financeiramente para contingências.

Entretanto pode considerar que, em média o custo da legalização de


documentos varia de € 7,00 (sete) a € 16,00 (dezesseis) euros, e na
conversão para o real (R$) esse valor é arredondado para cima. Esse
preço é o que se paga por documento. Mas para facilitar, considere
que será aproximadamente 50% (metade) do que se gastou em
emissão de documentos e respectiva tradução. Assim sendo, para
ajudar na sua programação financeira, considere isso como um
padrão, podendo sofrer variações para mais ou para menos, mas
para mim, esta fórmula serviu muito bem para poder me programar.

A QUESTÃO DAS SEPARAÇÕES JUDICIAIS E DOS DIVÓRCIOS

Este tema é de vital importância para o processamento do pedido de


reconhecimento de cidadania. Devemos considerar a possibilidade,
aliás, muito freqüente, de que em nossas respectivas famílias
tenhamos tido situações de separações de casais. Sejam de nossos
pais (o que de certa forma não é tão incomum), de nossos avós (o
que já é mais raro) , de nossos bisavós ou trisavós (situação que

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jamais vi na prática), mas também de nós mesmos, na qualidade de


requerentes.
Se tivermos separações judiciais ou divórcios em nossa árvore
genealógica, e devemos nos incluir nessa hipótese, uma série de
documentos complementares deverão ser juntados ao processo de
reconhecimento da cidadania italiana.

Conforme já manifestado em outros pontos desta obra, há alguns


anos, a documentação que vem sendo solicitada pelas Repartições
Diplomáticas, vem aumentando. Antigamente bastavam algumas
peças processuais relativas ao divórcio, como a petição inicial,
despachos de conversão de separação em divórcio, a própria
sentença de divórcio e a data de seu trânsito em julgado eram
suficientes. Hoje em dia, mais e mais se constata que os Consulados
estão exigindo a cópia integral do processo do divórcio, com todas as
suas discussões de mérito e assuntos pessoais e familiares inclusive.

Embora muita discussão existente dentro de um processo de


separação e divórcio não diga respeito à cidadania italiana, mesmo
assim as Repartições Consulares tem divulgado que é uma exigência
a apresentação de cópia integral do processo para se considerar
analisável o pedido da cidadania. Eu pensava que essa medida quase
que burocracia excessiva, se justificava pela própria complicação e
aumento de custos que essa medida gera nos pedidos, resultando
em alguns casos, em desistência do aspirante à cidadania, de ver
seu sonho realizado. Hoje em dia eu reconsidero esse pensamento,
depois de ter ouvido a respeito de situações onde as discussões
manifestadas dentro de processos de divórcio resultam em
evidências de inexistência de direito hereditário de cidadania italiana.
Assim sendo, passo a compreender melhor os motivos pelos quais
tantos documentos são exigidos hoje em dia, e, novamente em
razão de elidir as potenciais fraudes que possam ser convenientes a
um processo dessa natureza.

Infelizmente é assim, mas, como tudo na vida tem seu custo, se este
for o seu caso, prepare-se adequadamente e não desista. Não aceite
facilmente a imposição de obstáculos ao seu sonho. Não permita que

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lhe roubem a esperança. Poupe e focalize no que você realmente


quer. Vá em frente e busque, pois você conseguirá.

Minha esposa sempre diz que "não posso" nunca realizou nada,
enquanto "vou tentar" tem realizado maravilhas. Assim sendo,
incorpore isso em seus pensamentos e vá adiante.

Para concluir este tópico, você deve saber que para TODAS as
pessoas de sua árvore genealógica que tiveram situação de mudança
do estado civil por separação judicial ou divórcio, relativamente a
essas pessoas, você deverá obter uma cópia INTEGRAL do processo
de divórcio, com TODAS as suas folhas, desde o pedido inicial de
conversão de separação em divórcio, até a conclusão da causa, com
o carimbo atestando a data (dia, mês e ano) em que a decisão
transitou em julgado.

Em TODAS as páginas dessa cópia do processo, deverá constar a


rubrica do funcionário ou escrivão diretor do Cartório onde se
processou essa ação.

Esse processo deverá ter todas essas firmas do funcionário ou


escrivão diretor, reconhecidas, e ainda ser traduzido. Deverá ser
apresentado, juntamente com a documentação de solicitação de
reconhecimento da cidadania italiana com uma fotocópia e duas vias
traduzidas para o italiano por um tradutor juramentado. Observe
perante a Repartição Consular na qual pretende dar entrada nessa
documentação se eventualmente não haverá necessidade de se
utilizar serviços de Tradutores Juramentados “Habilitados”, conforme
vimos anteriormente.

Por fim, os aspirantes à cidadania, caso eles próprios tenham sofrido


o processamento do divórcio, relativamente a eles próprios, deverá
ser apresentada uma declaração formal, prevista na Lei Italiana, que
se chama "Dichiarazione Sostitutiva di Atto di Notorietá", para
informar que não existem também processos de divórcio na Itália.

No caso de divórcio obtido por via administrativa já sob a vigência da


Lei Federal nº 11.441 de 04/01/2007 (Arrolamento e Divórcio

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Extrajudicial), o requerente deverá apresentar Certificado de


Divórcio, em original, acompanhado de tradução em língua italiana.
Ambos os documentos deverão ser acompanhados de fotocópia. O
requerente ao reconhecimento da cidadania italiana deverá também
apresentar um pedido específico para o caso, e para isso deverá
contatar a Repartição Consular de sua jurisdição para obter maiores
e específicos detalhamentos.

A QUESTÃO DAS INCORREÇÕES DE NOMES OU SOBRENOMES

Citei no início deste capítulo, a importância de se garimpar todas as


informações possíveis para compor o processo de solicitação da
cidadania italiana. Uma das etapas muito importante é a de
identificar as possíveis variações de nome do seu ancestral italiano.

Antigamente, quando se pleiteava a cidadania italiana, qualquer


variação no nome tanto do ancestral cidadão italiano, quanto de
outros ancestrais entre ele e você, deveria ser feita a correção
judicial do nome. Deveria ser feita a padronização do nome e
sobrenome que havia sofrido variação.

Isso muitas vezes implicava em sérios desconfortos para a vida civil


do cidadão brasileiro, que muitas vezes, para conquistar seu sonho
de cidadania, se via obrigado a mudar de nome, e isso era muito
complicado em se tratando de vidas em movimento. Implicava em
mudanças de registros civis, documentos civis, documentos
escolares, documentos profissionais, enfim, um absurdo enorme.

Hoje isso não mais é necessário, na maioria dos casos. Posso dizer
que, diante de tantas medidas burocratizantes do Governo Italiano,
talvez esta seja uma das poucas que passou a desburocratizar o
processo.

Essa medida decorreu de decisão do Ministério da Justiça Italiana o


qual reconheceu não serem mais necessárias retificações em
documentos italianos os quais haviam sido alterados nos Cartórios
Brasileiros (SENTENZA DELLA CORTE COSTITUZIONALE ITALIANA
Nº 13, del 3 febbraio 1994) e por via de conseqüência extensivos

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aos documentos brasileiros, quando for clarividente tratar-se de


aportuguesamento de nomes ou tratar-se de mero erro gráfico.

Assim sendo, nos casos de erros nos nomes e sobrenomes italianos,


nas certidões brasileiras, não é mais necessário que os aspirantes à
cidadania recorram à justiça para retificação de tais registros.
Entretanto, caso as variações constantes na documentação suscitem
dúvidas quanto à identidade das pessoas envolvidas, o Governo
Italiano, através de suas Representações Consulares, poderá solicitar
documentações complementares.

Aqui, vemos um dos motivos que citei no início do capítulo, de se


processar com um bom planejamento ao estudo de sua árvore
genealógica. Neste momento poderá ser muito útil ter a clareza
sobre seus antepassados, seus nomes, variações de nomes e a
história de sua família.

Vi casos, aliás, vivi casos, em que o bom conhecimento da história


da pessoa e de seus antepassados, resultou em dispensa de
solicitação de documentos complementares. Isso se dá quando se é
convocado à prestar informações. Se você tiver coerência, clareza e
segurança sobre a história de sua família, muitas vezes uma
solicitação formal de documento é convertida em uma simples e
informal entrevista onde muitas coisas se esclarecem.

Mas é importante saber que é necessário retificar as certidões de


nascimento ou de casamento do PRÓPRIO requerente a cidadania
italiana quando estas apresentarem diferenças ENTRE SI com
respeito a nomes, sobrenomes, datas, etc.

Convém também registrar que, se houver divergência entre os


SOBRENOMES italianos e brasileiros, pela Lei Italiana, no processo
de reconhecimento da cidadania italiana, o sobrenome que
apresente alterações relativamente ao do antepassado que chegou
da Itália (oriunde), é modificado para constar conforme o sobrenome
originalmente italiano. Se for o seu caso, vale dizer que você
receberá seu título de cidadão italiano como sobrenome original de

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seu antepassado, mesmo que no Brasil seu sobrenome italiano


esteja diferente.

Também merece atenção, a prática de registro somente em base ao


sobrenome paterno. Em todos os documentos de registro é utilizado
apenas o sobrenome paterno e, portanto, excluído o sobrenome
materno que o interessado tiver, mesmo que sua descendência e
direito à cidadania sejam provenientes da mãe.

Relativamente a esses dois casos, tanto de divergência de


sobrenomes, quanto da perda do sobrenome materno, o ambiente
jurídico que envolve a cidadania também dá suporte ao interessado
para que não veja essas alterações serem processadas em seu caso.

Poderá requerer diretamente ao “Comune” italiano, que não seja


alterada a grafia de seu sobrenome original brasileiro, para refazê-lo
igual ao do ancestral italiano, e ainda requerer que não lhe seja
suprimido o sobrenome materno. Mas isso não é feito em
automático, deverá ser solicitado expressamente. Para isso, basta
solicitar à Repartição Consular de sua jurisdição, cópia da carta
modelo para manifestar esse direito. Também com relação aos filhos
menores, os próprios pais poderão exercer essa manifestação de
vontade, utilizando o modelo próprio de carta para não ter o
sobrenome de menor modificado na Itália.

A RESIDÊNCIA PARA DEFINIÇÃO DA JURISDIÇÃO CONSULAR

Já vimos no capítulo anterior que a residência é tudo na Itália, e isso


se irradia também para as relações com a Itália, a partir de
Representações Diplomáticas da Itália no Brasil.

Assim sendo, um Consulado somente poderá processar pedidos,


solicitações e requerimentos de pessoas residentes em sua
jurisdição. No que concerne aos exercícios dos direitos de cidadania,
essa importância da residência se torna maior ainda.

Cada Repartição Consular no Brasil tem jurisdição territorial bem


definida. É importante você saber identificar qual é a Repartição

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Consular da sua jurisdição, e uma vez feito isso, considerar essa


Repartição como a Repartição que será competente para apreciar a
sua documentação.

Entretanto, essa identificação da jurisdição não é um ato unilateral


do aspirante à cidadania. Deverá ser comprovado. Essa comprovação
de residência deverá ser feita por um documento válido para esse
fim, os quais deverão ser fornecidos em original e fotocópia, sendo
que os originais, normalmente são imediatamente devolvidos ao
requerente, dentre os quais destaco aqui os seguintes:

a) Notificação da Receita Federal relativa ao último exercício,


ou seja, Declaração do IRPF;
b) Contracheque (hollerith) recente da aposentadoria;
c) Comprovante de inscrição junto à Receita Federal;
d) Conta de Água, Luz ou de outro serviço público (que pode
ser em nome do cônjuge também);
e) Declaração expedida pelo competente estabelecimento de
ensino, comprovando a freqüência no semestre relativo à
apresentação do pedido de reconhecimento de cidadania
italiana. Esse documento deverá ter a firma de seu
responsável, reconhecida em cartório.
f) Título de Eleitor e respectivos comprovantes de votação.

A QUESTÃO DA CIDADANIA JÁ RECONHECIDA EM FAMÍLIA

Quando algum outro membro da família do aspirante à cidadania, já


obteve o reconhecimento da cidadania italiana na mesma Jurisdição
Consular, não será necessária a apresentação de todos os
documentos que são indicados neste capítulo, para fins de início do
processo. Serão necessariamente exigidos, apenas os documentos
que ainda não foram apresentados, e relativos ao próprio núcleo
familiar.

Por exemplo, se um primo já obteve o reconhecimento da cidadania,


isso significa que os documentos do avô já foram depositados na
Repartição Consular, assim sendo, a documentação a ser

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apresentada começa com a Certidão de Nascimento do pai ou da


mãe do aspirante, que transmite a cidadania.

Cabe um ENORME esclarecimento aqui. Essa situação de economia


processual só se verifica no caso exclusivo em que o interessado
deseje preparar toda a documentação para fins de obtenção do
reconhecimento do seu direito, na própria jurisdição em que algum
parente seu já obteve. NÃO SERVE para o processamento em outra
jurisdição, e muito menos para se processar o pedido diretamente na
Itália.

Muitas pessoas fazem confusão nessa análise, e simplificam o


raciocínio com o argumento de que, se um parente meu já obteve a
cidadania, bastaria que a documentação fosse anexada
relativamente ao primeiro ancestral do candidato, subseqüente
àquele ancestral em comum com o seu parente.

Nessa ótica, o entendimento seria o de que a cidadania italiana tem


um processamento centralizado, seja na Itália, seja no Brasil, mas
não é assim.

Cada Repartição Consular tem uma jurisdição e cuida só dela, não se


integrando com outras jurisdições nem com os "Comunes" italianos.
O mesmo raciocínio se aplica aos "Comunes" italianos, que também
detêm a competência para processar e julgar os pedidos de
cidadania diretamente na Itália, mas não são integrados entre si,
nem mesmo com os Consulados Italianos no Brasil.

Por esse motivo, TODA a documentação deve ser reapresentada,


integral e na forma anteriormente prescrita, desde o cidadão italiano
ancestral mais antigo que transmite a cidadania, até o requerente.
Não se pode também pedir o desentranhamento de documentos já
depositados no Consulado de sua jurisdição, para integrá-los ao
processo que se pretende dar entrada diretamente na Itália. Uma
vez depositados no Consulado, esses documentos permanecerão lá,
e o interessado deverá reiniciar a solicitação de seus documentos
tudo de novo, para poder formar um novo processo caso deseje
ingressar com o pedido diretamente na Itália.

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Assim sendo, antes de dar a entrada em seu pedido de cidadania no


Consulado de sua jurisdição, esteja certo de que deseja realmente
processar esse pedido por ali, pois depois não poderá solicitar o
desentranhamento desses documentos para levá-los à Itália, caso
(depois) tenha se arrependido e desejado isso. Lembre-se, se for
fazer a cidadania diretamente na Itália, o Consulado de sua
jurisdição será utilizado exclusivamente ao fim de legalizar a sua
documentação.

Para efeitos deste livro, considerarei que o leitor interessado queira


propor o reconhecimento de sua cidadania SEMPRE diretamente na
Itália não obstante (até aqui) esta obra tenha servido também
àqueles que pretendam fazer isso na Repartição Consular de sua
Jurisdição diretamente no Brasil.

OS DESCENCENTES DA MONARQUIA ÁUTRO-UNGARO II

Os descendentes de pessoas nascidas e já residentes nos territórios


que pertenceram ao Império Áustro-Húngaro (por exemplo, Trentino
Alto Adige / Sudtirol) e que emigraram para o exterior no período
entre 25/12/1867 e 16/07/1920, não tem automaticamente direito à
cidadania italiana. Esses ítalo-descendentes terão seus processos
regidos pela Lei Italiana 379/2000 e os interessados deverão
preencher um formulário específico segundo as modalidades que
estão disponíveis nas Repartições Diplomáticas Italianas no Brasil.
Esta lei prorrogou até 2011 o prazo para descendentes de imigrantes
trentinos optarem pela cidadania italiana “jus sanguinis”.

Da mesma forma, os descendentes de pessoas nascidas na Ístria,


em Fiume ou na Dalmácia deverão procurar instruções específicas
disponíveis Repartições Diplomáticas Italianas no Brasil.

A QUESTÃO DA CERTIDÃO NEGATIVA DE NATURALIZAÇÃO

Relativamente ao ancestral que transmite o direito à cidadania


italiana, deverá ser feita a juntada da Certidão Negativa de
Naturalização, comprovando que o mesmo não se naturalizou

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brasileiro, ao imigrar no Brasil, perdendo assim a sua condição de


cidadão italiano, e interrompendo a cadeia de transmissão o direito
de cidadania a seus descendentes.

Essa certidão é emitida pelo Ministério da Justiça Brasileiro,


Departamento de Estrangeiros, Divisão de Nacionalidade e
Naturalização (Esplanada dos Ministérios, bloco T, Anexo II, sala 305
- 70064-900 - Brasília/DF), que deverá ser solicitada pelo requerente
ao reconhecimento à cidadania italiana em ambiente on-line no site
do próprio Ministério.
Se eles não mudaram a página de lugar, o endereço completo é este
aqui:

http://www.mj.gov.br/data/Pages/MJ15F4A0A2ITEMID1943A84F3F9
B4EAE99403BF09D77B078PTBRIE.htm

Antigamente essa solicitação era feita por pedido escrito e enviado


via posta, conforme “Modelo Requerimento Certidão Negativa de
Naturalização” divulgado pelos Consulados no Brasil e ainda por
muitos sites que falam sobre a cidadania italiana. Eles estão
desatualizados. O modelo agora é ON-LINE, não esqueça.

A Certidão Negativa de Naturalização deverá indicar o nome e


sobrenome do ascendente italiano, com todas as eventuais variações
de grafia, constantes nas certidões emitidas no Brasil.

No caso de ascendente vivo, a Certidão Negativa de Naturalização


poderá ser substituída pela Carteira de identidade para Estrangeiros.

Caso o ascendente italiano tenha se naturalizado brasileiro, o fato


não prejudicará o direito ao reconhecimento da cidadania italiana
aos próprios descendentes, desde que seus filhos tenham nascido
antes do decreto de naturalização.

DOCUMENTAÇÃO A SER OBTIDA NA ITÁLIA À PARTIR DO BRASIL

“ESTRATTO DELL’ATTO DI NASCITA” A SER OBTIDO À PARTIR DO


BRASIL

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Certidão de nascimento do ancestral italiano que nasceu na Itália e


que transmite o direito à cidadania italiana. Esse documento é
emitido pela autoridade civil da cidade onde ocorreu o nascimento,
que, para simplificar vamos chamar aqui com o mesmo nome que
são chamados lá na Itália, são os "Comune", mas são equivalentes
aos municípios do Brasil.

Esses “Comune” é que são os responsáveis pelo registro civil de


pessoas, diferentemente do Brasil, que são os Cartórios. O registro
civil, na Itália, é chamado de "Anagrafe", e é na anágrafe de o
interessado deverá também iniciar a busca de documentação de
nascimento de seu ancestral.

Para fazer isso, o aspirante à cidadania poderá contratar ou iniciar


ele próprio as buscas, escrevendo cartas, e-mails, fazendo
telefonemas, enfim correndo atrás, ou solicitar as buscas à empresas
especializadas nesses trabalhos, mas que normalmente cobram caro
por esses serviços. Se você precisar de ajuda, pesquise na internet
que encontrará várias empresas que prestam esse tipo de serviço.

Entretanto, considerando que a Itália possui 8.110 “Comune” a


serem pesquisados, se o interessado não tiver algumas dicas sobre
as origens de seu ancestral italiano, o custo acabará por ser
compatível à buscas empreendidas em todos esses 8.110 municípios.

Se os documentos tiverem de ser pesquisados em paróquias então, a


situação se complica mais ainda, já que podemos considerar que, em
média, cada “Comune” tem 3 paróquias, e isso levaria a mais de 25
mil pontos de busca. Não é fácil, mas é possível.

Por isso é que sugeri no início do capítulo, haver um bom


planejamento de ações, uma boa busca de informações, pois quanto
mais dados você tiver, menos buscas desorientadas deverá
empreender, e isso reduzirá não só o custo, mas também o tempo
do seu pleito.

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Para contatar os “Comune”, você poderá se valer do modelo de carta


que anexo ao final do capítulo, se chama “Modelo de Carta ao
Comune”. No modelo citado eu considerei a hipótese de que tanto o
nascimento do casal, quando o casamento deles, ocorreu tudo no
mesmo município. Se ocorreu em municípios diversos, a cartinha
deverá ser remodelada adequando a essa situação.

“CERTIFICATO DI BATTESIMO” A SER OBTIDO À PARTIR DO BRASIL

Caso o “estratto dell’atto di nascita” não possa ser localizado, poderá


ser substituído pela certidão de batismo, desde que pelo motivo de
inexistência e anágrafe quando da época do nascimento do ancestral
do interessado. Antes de 1861, os nascimentos eram registrados nas
igrejas e paróquias, assim sendo, anteriormente a essa data, um
"Certificato di Battesimo" é um documento hábil à comprovação de
nascimento de um cidadão italiano.

Esse documento deve ser obtido nas igrejas ou paróquias


competentes, e depois devem ser reconhecidos pela Cúria
Metropolitana da Igreja Católica juntamente com uma carta do
“Comune”, informando que naquela data, para aquele “Comune”,
não existiam registros civis.

“ESTRATTO DELL’ATTO DI MATRIMONIO” A SER OBTIDO À PARTIR


DO BRASIL

É a certidão de casamento do ancestral italiano que tenha se casado


antes de emigrar para o Brasil, tendo tido seu casamento processado
na Itália. Da mesma forma que o “estratto dell'atto di nascita”, o
“estratto dell'atto di matrimonio” é emitido pelo “Comune”, já que
este é o responsável pelo registro civil das pessoas. Utilize o modelo
de carta ao comune, que está no final do capítulo, para se orientar
em como escrever.

Para fins da cidadania italiana, qualquer um desses três documentos


acima indicados, deverá ser obtido em original. As Repartições
Consulares não tem aceitado fotocópias. Exigem que o documento

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seja extraído diretamente dos registros existentes nas anágrafes, e


para isso, também será muito importante ter bem planejado este
processo, com a identificação clara de qual anágrafe (de qual
“Comune”) deverá ser solicitada essa documentação.

Em princípio, e segundo me consta, sempre se encontra um grande


profissionalismo por parte dos responsáveis pelas anágrafes.
Normalmente atendem com dedicação e gentileza às solicitações,
tanto escritas por correspondência postal, quanto por email, telefone
ou presencialmente.

Entretanto, cabe aqui a lembrança de que são muitos os brasileiros


que tem recorrido à Itália diretamente para a tentativa de obtenção
da cidadania italiana. Isso tem resultado em um movimento
aumentado nas funções de alguns “Comune”, mais notadamente
daqueles que também foram objeto de grande emigração de
italianos com destino ao Brasil (Vêneto Italiano).

O resultado disso é que às vezes se torna um pouco demorada a


obtenção da resposta às solicitações feitas à distância resultando
mais eficaz a busca pessoal e presencial ou por empresa
especializada em qualquer desses casos, sempre mais custosa.

APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS POR VIA DE UM TERCEIRO

Somente para os casos em que o interessado deseje processar sua


cidadania no Brasil, toda a documentação elencada neste capítulo,
poderá ser apresentada por ele ou por um de seus pais ou irmãos.

Se a cidadania for ser processada diretamente na Itália, somente o


interessado, pessoalmente poderá dar andamento ao processo.
Veremos isso mais adiante, mas para um esclarecimento preliminar,
cabe informar da necessidade se obter vistos, fixar residência, obter
permissão de permanência em solo italiano, etc... coisas que são
personalíssimas.

A ORGANIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS E A QUANTIDADE DE CÓPIAS

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Recomendo que todos os documentos sejam organizados mantendo-


se o original junto com a respectiva tradução. Também vale fazer
uma pequena consulta na Repartição Consular Competente, para
verificar a quantidade de cópias desejadas de cada documento, de
forma a agilizar o atendimento e processamento do seu pedido.

RESUMO DA FORMALIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS NO BRASIL

Não bastará ter o documento original em mãos deve-se ainda


providenciar o reconhecimento de firma de todos os intervenientes
que assinaram o documento. Assim sendo, deverá ter a assinatura
do escrevente ou oficial que emitiu o documento e é investido na
função pública competente para esse fim. Depois essas firmas
deverão ser reconhecidas por um Tabelião de Notas e finalmente ser
traduzido, e depois de traduzido, ter a firma do tradutor também
reconhecida.

Depois disso esses documentos deverão ser legalizados na


Repartição Consular, conforme já vimos anteriormente.

ITINERÁRIO PARA BUSCA DE INFORMAÇÕES À PARTIR DO BRASIL

Não é pouca a documentação que se deve arrolar para se iniciar um


processo de solicitação de cidadania italiana.

Maior será a documentação, quanto maiores forem os eventos


históricos presentes na vida do requerente e seus ancestrais, bem
como da quantidade de gerações entre este e seu “oriunde” italiano.

Assim sendo, se falamos basicamente de um cidadão brasileiro cuja


árvore genealógica faça referência a uma ou duas gerações
passadas, certamente haverá muito menos documentos a preparar,
do que aquele que, como eu, tiverem de buscar documentos de
quatro gerações anteriores à minha.

Também, da mesma forma, quanto menos eventos históricos tiver a


família do requerente, menos documentação deverá buscar. Para
exemplificar isso, imagine um cidadão que busque documentos de

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seus antepassados, e na história de sua família não ocorreram


separações ou divórcios. Compare isso a uma situação (de novo eu
como exemplo) como a minha, onde eu mesmo já havia me
divorciado, e minha mãe também. Tive de buscar instruir o meu
processo de cidadania não com um, mas com dois processos de
divórcio dentro deles. E relativamente ao divórcio de minha mãe tive
de buscar e desarquivar um processo que iniciou em 1967. Você
imagina o que é isso? Olha, você conseguirá a sua cidadania, eu
tenho fé nisso!!!!

Com base nesse meu próprio exemplo, e nas minhas próprias


complicações é que me sinto bastante capaz de orientar e de
motivar outros interessados, de que não é impossível. Se deu certo
comigo, que sou a quinta geração do meu “oriunde” italiano e tive
dois processos de divórcio dentro do meu processo de cidadania,
qualquer um pode obter a sua. Basta querer.

Bom, mas para organizar isso, é necessário iniciar buscas de


informações e de documentos. Essas buscas, quase que em 100%
dos casos de fracasso no processamento do pedido, encontram
como óbice e maior vilão, a falta de condições para se obter o
documento do ancestral italiano que gera o direito à cidadania.
Muitas vezes o processo tem tudo, mas falta a certidão de
nascimento desse “oriunde”. O resultado é um só. O processo não se
inicia e a frustração te massacra.

Então, concentre-se nas buscas, mas o principal é buscar o


documento de partida. O documento que é o próprio tesouro nesse
mapa de documentos que deverão se levantados. Mas muitas vezes
esse documento original não é encontrado. Algumas vezes, porque
de fato não existe mais. Outras vezes, por falha no levantamento de
informações que pudessem conduzir a ele.

Algumas vezes esses documentos podem ter sido destruídos pelas


guerras pelas quais passou a Itália, mas lembre-se, que se uma
anágrafe foi destruída, ainda pode ser que seja possível comprovar o
nascimento do ancestral em base ao batismo registrado na igreja,
então, não esmoreça, vá à luta.

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Assim sendo, é vital se comprometer e se empenhar profundamente


nessa busca, pois se esse documento existir, suas chances de
localizá-lo serão muito maiores.

Sugiro ao interessado que inicie isso levantando requisitos e


informações e isso se faz conversando com pessoas. Pessoas da
família, de amigos próximos que possam saber da história da sua
família.

Escrevo aqui um itinerário de coisas que podem ser feitas a partir do


Brasil e que eu fiz:

1) Fale com seus pais, avós, bisavós (se forem vivos), seus tios e
tios-avós. Procure os mais velhos primeiro, pois eles, pelas leis da
natureza, poderão sair deste plano antes, e se você perder tempo,
poderá perder informações importantes de um arquivo histórico
ainda vivo e lúcido.

Assim sendo, aceite minha sugestão e procure imediatamente os


membros, os anciãos mais velhos da sua família, converse com eles
e informe seu objetivo de buscar a sua cidadania.

Para isso deverá ter em mãos o "script" de documentos de


nascimento, casamento e óbito que deixei escrito no início deste
capítulo, para poder perguntar a esses seus familiares tudo o que
puder.
Escreva e tome nota de tudo o que falarem, acredite nisso, é muito
importante.

Pergunte se sabe onde nasceram, onde viveram, nomes de cidades,


nomes de províncias, nomes de regiões, se ao norte ou ao sul.
Pergunte se sabe em que época vieram ao Brasil. Em qual navio
vieram, se foi recente, em qual vôo, enfim procure tudo. Busque
saber se vieram direto ao Brasil, ou se foram antes para outros
países como Argentina, Chile e Uruguai.

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CIDADANIA ITALIANA - Como Processar a Dupla Cidadania Diretamente na Itália - 3a. Edição

Pergunte se sabem de outras famílias italianas que eram amigas da


sua família, onde foram residir quando chegaram ao Brasil, onde
trabalharam, quem da família tem o espírito de historiador ou
arqueólogo (esse sujeito, se você tiver sorte, terá um mundo de
documentos), procure, invista suas noites, seus sábados e domingos
nisso, vale a pena.

Tente ser um bom investigador nessa hora. Explore o máximo


possível, pois isso vai te ajudar a economizar muito na etapa italiana
de levantamento de documentos;

2) Peça cópia de tudo. Peça a esses seus anciãos, para poder


fotocopiar seus documentos de nascimento, suas certidões de
casamento, seus registros de identidade. Esses documentos antigos
são como que rastilho de pólvora. De um documento se chega a um
outro.

Deste outro a um nome, a uma região ou a uma cidade, e assim por


diante, até que se chega a tirar muitas e muitas dúvidas sobre a
família, seu nome, sobrenome, cidades e regiões por onde
começaram a povoar o Brasil, etc... Assim sendo, tire cópia de tudo
o que puder e se organize, pois poderá ser muita coisa.

3) Com base em informações obtidas em documentos de


nascimento, casamento e óbito, mais em informações obtidas com
os seus familiares mais anciãos, busque cemitérios e seus
respectivos livros de registro. Essas buscas sempre devem ser
focadas na tentativa de identificar a região, a província ou a cidade
italiana de nascimento do antepassado.

Muitas vezes, um registro em cemitério informa como declarante


uma irmã do bisavô do interessado ou um amigo, e buscando a
certidão de nascimento dessa irmã ou desse amigo, nascida
eventualmente no Brasil, se constata uma declaração explícita sobre
as origens dos respectivos pais. Um atestado de óbito com a
indicação da “causa mortis” assinada por um médico pode ser uma
informação útil.

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Esse médico pode ter sido o médico da família e talvez valia a pena
direcionar as suas buscas à família daquele médico também, pode
ser que ali você encontre informações sobre a origem de seu
antepassado. Era muito comum que os médicos também fossem de
família e às vezes da mesma região da Itália. Então, uma informação
transversalmente obtida, pode auxiliar na busca vertical de suas
origens. Veja as lápides de cemitério, pegue as datas e confronte
com a de documentos físicos.

4) Busque na internet empresas que fornecem informações de


pesquisa por pouca remuneração, pois trabalham com bancos de
dados ricamente alimentados, tanto de ancestrais no Brasil quanto
na Itália. Busque informações em Museus, Memoriais (memorial do
imigrante), registros de albergues, arquivos de estado, portos e
capitanias. Todos esses lugares possuem registros que nem
imaginamos existir.

Inscreva-se em sites de ancestrais, e busque contatos também na


Itália.

Eu conheço um serviço prestado por email por um cidadão na


europa que faz busca das origens de ascendentes de italianos. Esse
serviço conta com um banco de dados com mais de 100 mil nomes
de italianos. A pesquisa na base de dados não custa nada, bastando
informar o nome do “oriunde” e de seu respectivo pai. Se for
encontrado na sua base de dados o nome da pessoa solicitada, o
serviço de busca informará o nome da mãe e outros dados que
possam comprovar que ele realmente detém a informação.
Confirmado o interesse do requerente, é cobrado uma taxa de €
65,00 para informar qual o Comune de origem do tal “oriunde”.
Desejando detalhamentos, entre em contato comigo por email ou no
site.

Eu já fiz pesquisas através dele, mas não tive a sorte de ter em suas
bases de dados os dados das pessoas que eu solicitava, assim
sendo, não posso avaliar como é o processamento completo do
serviço oferecido, e na conseqüência não posso avalizá-lo também.

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5) Consulte seu sobrenome em listas e catálogos telefônicos sejam


eles físicos ou virtuais. Faça o mesmo com os catálogos da Itália,
pois os sobrenomes italianos normalmente são provenientes das
mesmas regiões, em datas passadas.

6) Escreva para pessoas com quem não conseguir falar


pessoalmente. Escreva cartas e e-mails, explique da sua busca e de
seu objetivo. Busque informações e se ofereça como fonte de ajuda
também para pessoas que tenham o mesmo sobrenome que você,
desta forma você arranja aliados na busca de suas origens. Se
dedique à pesquisa em modo profundo.

Conforme você for juntando dados, estes, depois de devidamente


cruzados e processados, certamente te darão muitas informações.

O REGISTRO DAS INFORMAÇÕES COLETADAS

Mantenha esse registro de informações bastante organizado, para


você não se perder.

Para isso, utilize o seguinte modelo de gestão, que certamente vai te


ajudar muito, e está planilhado no final do capítulo com o nome
“Acompanhamento”, para dar uma visão matricial dessas
informações:

Nome do Ancestral Italiano


Certidão que se busca
Nascimento
Casamento
Desembarque
Óbito
Negativa de Naturalização

De cada um desses documentos, sugiro que sejam coletadas as


seguintes informações, as quais auxiliarão à conclusão da árvore
genealógica sugerida no início deste capítulo:

a) data do evento;

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b) localidade do registro (cartório, anágrafe, igreja, etc..);


c) órgão de registro;
d) livro e folhas e número do resgistro;
e) endereço do órgão de registro;
f) nome de pessoa de contato do órgão de registro;
g) telefone, fax e email da pessoa de contato do órgão de
registro;
h) status do pedido, se foi feito ou não;
i) data do pedido, se foi feito;
j) valor dos emolumentos;
k) informação se os emolumentos já foram pagos ou não;
l) dados bancários para pagamento;
m) observações importantes sobre este documento.

Planilhar essas informações, ou mesmo elencá-las em um caderno,


utilizando uma folha para cada membro da sua árvore genealógica o
auxiliará a concluir as buscas sem se perder no mundo de
informações que serão coletadas. Também o ajudarão a gerir melhor
e concentrar melhores esforços nos documentos que ainda não
foram identificados e mapeados.

Por fim, somente quando toda a planilha ou todas as folhas de um


caderno de informações estiverem completamente preenchidas, é
que se inicia a etapa de realmente solicitar a emissão do respectivo
documento. Esta recomendação, eu faço para poder viabilizar a
questão de vida útil e validade temporal do respectivo documento,
posto que muitas Repartições Diplomáticas estão reconhecendo
validade apenas a documentos emitidos em menos de um ano. Já
falei sobre isso anteriormente. Assim sendo, como essa etapa de
mapeamento e identificação e documentos pode ser que consuma
mais de um ano, se você sair por aí requerendo certidões, poderá
estar investindo um dinheiro que depois não será mais utilizado.

Por outro lado, algumas vezes se torna necessário solicitar a emissão


de um documento, normalmente quando se crê que aquele
documento poderá conter dados que te levem a uma outra
informação importante para dar andamento ao processo. Quando
isso ocorre diante de um registro público, eu recomendo que você

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solicite a extração daquele registro público, sempre em formato


INTEIRO TEOR, mesmo que isso esteja ocorrendo no início do
processo, pois, mesmo que esse documento venha a perder a
validade, você deverá considerá-lo como um documento como se
obtido em museu, para lhe permitir chegar a outras informações
relevantes.

Se esse documento se prestar a esse fim, certamente não terá sido


um desperdício tê-lo solicitado. Mesmo que mais adiante você tenha
de solicitá-lo de novo, para fins de tradução e etc... ele já terá
servido para um rico propósito de permitir a identificação e busca de
outros, que sem ele, não seriam possíveis.

SOLICITAÇÃO DA CERTIDÃO NEGATIVA DE NATURALIZAÇÃO

Para entender também um pouco as coisas, eu recomendaria de não


se extrair definitivamente a documentação brasileira enquanto não
estiver devidamente mapeada e identificada a possibilidade de
extração da documentação italiana. Este raciocínio eu aplico a tudo,
exceto à Certidão Negativa de Naturalização.

Este documento, e recomendo que seja solicitado de imediato, por


três motivos. Primeiro, porque é de emissão gratuita, prática e feito
o pedido através da internet, assim sendo, não seria desperdício
financeiro ter de solicitá-lo de novo. Segundo, pois, dentre todos os
documentos a serem obtidos no Brasil, é certamente o mais
demorado a ser conquistado. De certo, se gasta de 60 a 120 dias
para ter uma resposta do Ministério da Justiça, relativamente à
eventual ou negativa naturalização do ancestral italiano, contra, em
média, 30 a 45 dias para se ter as outras certidões de cartórios em
mãos. Por terceiro, recomendo isso pelo fato de que se
eventualmente o ancestral se naturalizou brasileiro, e isso
interrompe o fluxo de transmissão do direito à cidadania italiana,
mas uma vez em posse dessa informação o candidato já poderá
interromper e abandonar essa via de obtenção da cidadania sem ter
desperdiçado muito tempo em outras pesquisas. Poderá intentar a
cidadania por outras vias, como esposa por exemplo. Assim sendo,
começar com essa certidão é uma boa recomendação

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Lembre-se que também deverá reconhecer firma do funcionário do


Ministério da Justiça que emitir esse documento, e o fato de tê-lo em
mãos ajudará a identificar mais facilmente o cartório onde o mesmo
mantém sua firma depositada.

REGISTRO DE VARIAÇÕES DE NOMES

Por fim, seria também bastante útil se ter uma pequena planilha,
que pode ser uma folha de caderno dividida em duas colunas, onde
o aspirante à cidadania pode inserir na primeira coluna o nome do
ancestral como conhecido por ele, e na segunda coluna, as possíveis
variações que esse nome possa ter sofrido, seja em razão de
documentos encontrados, seja em razão de histórias ou estórias da
família.

Uma vez se familiarizando com essas possíveis variações, o


interessado estará também mais atento a esses nomes, quando da
manipulação de documentos, podendo servir de enlace efetivo no
cruzamento de informações que o levem à conquista da cidadania
italiana.

ONDE PROCURAR DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES NO BRASIL

1) Cartórios de Registros Civis, sites;


2) Cartório 24 Horas na Internet, site;
3) Memorial do Imigrante em São Paulo, site;
4) Instituto Genealógica do Rio Grande do Sul, site;
5) Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, site;
6) Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul;
7) Projeto Imigrantes, site;
8) Arquivos de Petrópolis - RJ;
9) Arquivo Nacional do Rio de Janeiro - RJ;
10) Arquivo Público do Espirito Santo - ES;
11) Arquivo Público Mineiro - MG;
12) Arquivo Histórico de Juiz de Fora - MG;
13) Arquivo Público do Paraná - PR;
14) Bibliotecas Públicas;

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15) Bibliotecas de Universidades Estaduais e Federais;


16) Associações Italianas no Brasil
17) Polícia Federal do Brasil - Que mantem registros de
estrangeiros;
18) Genealogy, site;
19) RootsWeb, site;
20) Genslabo, site;
21) SITECART dos Correios, para busca de certidões;
22) Imigrantes Italianos, site;
23) Pregnolabo, site;

Para qualquer dessas fontes, basta incluir esses nomes nos sistemas
tradicionais de busca, que certamente os sites serão exibidos.

MODELO DE CARTA AO COMUNE

Preg.
Ufficio Anagrafe
Del comune di

(CODIGO POSTAL) (NOME DO COMUNE) (SIGLA DA PROVINCIA)

ITALIA

Cidade, dia,
mês, ano.

Egregio Signore,
Le chiedo il gentil favore di inviarmi su carta libera per uso
consolare:

·Il Certificato di Nascita di (nome do ancestral), figlio di (nome


do pai do ancestral) e di (nome da mãe do ancestral), nato in
codesto Comune il (data de nascimento do ancestral) ed
emigrato in Brasile, con registro del atto di nascita in questo
Comune al: (número de registro, livro, folhas e ano);

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·Il Certificato di Nascita di (nome da esposa do ancestral, se


do mesmo comune) figlia di (nome do pai da esposa do
ancestral) e di (nome da mãe da esposa do ancestral) nata in
codesto Comune il (data de nascimento da esposa do
ancestral) ed emigrato in Brasile, con registro del atto di
nascita in questo Comune al: (número de registro, livro, folhas
e ano);

Il Certificato di Matrimonio dei sopracitati, avvenuto il (data do


casamento, se ocorrido no mesmo comune), che essere stato
celebrato in codesto Comune, con registro del atto
matrimoniale al: (número de registro, livro, folhas e ano)

I certificati portino i nomi dei genitori per ragioni di validità nel


processo di doppia cittadinanza “iure sanguinis”.

Ringraziando per la gentilezza

Porgo i più distinti saluti

SEU NOME
Seu endereço completo
Seu telefone
e-mail: Seu email
Seu Skype ou Voip

Hoje em dia a solicitação de Certidão Negativa de Naturalização está


disponível on-line no site do Ministério da Justiça do Brasil.

Esse documento que comprova se um estrangeiro foi naturalizado ou


não no Brasil. Para obtê-la acesse o site do Ministério da Justiça cujo
endereço é transcrito abaixo, pois agora a certidão negativa de
naturalização deve ser pedida em meio eletrônico e se chama “e-
Certidão”.

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Nesse endereço você também poderá acompanhar a autenticidade


de uma certidão, acompanhar as solicitações e consultar as bases
legais:

http://www.mj.gov.br/data/Pages/MJ15F4A0A2ITEMID1943A84F3F9
B4EAE99403BF09D77B078PTBRIE.htm

Na qualidade de requerente você deverá informar alguns dados:

DADOS DO REQUERENTE

Nome Interessado*
Sexo do Interessado*
Grau Parentesco*
Motivo da Solicitação*

DADOS DO REQUERIDO
Nome*
Obs: Informe nesse campo o nome do requerido. Caso existam
variações, informe cada uma delas em um campo, clicando no sinal
de “mais” (+) que aparece na frente desse campo.
Sexo*
Nome do Pai
Nome da Mãe
Data de Nascimento (DD/MM/AAAA) se souber, ou:
Ano (AAAA)
País de Nascimento*

Você deverá repetir os caracteres de segurança que lhe forem


exigidos. Esse mecanismo serve para evitar “robôs” virtuais que
acessam sites e disparam pesquisas, solicitações, capturam
conteúdos, etc... e se chama dispositivo “anti-robô”.
Repita os Caracteres*

Somente a título histórico, abaixo vai reproduzido um modelo de


Certidão Negativa de Naturalização que foi exigida para processos
anteriores a 2009.

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ANTIGO MODELO DE REQUERIMENTO DE CERTIDÃO NEGATIVA DE


NATURALIZAÇÃO

ILUSTRÍSSIMO SENHOR DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE


ESTRANGEIROS
DIVISÃO DE NACIONALIDADE E NATURALIZAÇÃO

REQUERIMENTO

Eu,
…………………………………………………………………………………………………
…………………………………………
RG n………………………………………………………nascido/a
aos………………../………………../………………….
em……………………………………………………………, residente
na………………………………………………………..
………………………………………………………………………………………..Bairro
……………………………………………..
Cidade……………………………………………UF…………………………….,CEP…
………………………………..abaixo
Assinado/a, venho requerer a Vossa Senhoria a Certidão Negativa de
Naturalização de
…………………………………………………………………………………………………
…………para fins de adquirir a
cidadania……………………………………………………………………………………
………..

QUALIFICAÇAO E OUTROS DADOS DO REQUERIDO

Nome
completo……………………………………………………………………………………
………………………………
Nacionalidade……………………………………Natural
de…………………………………………………………… Nascido/a
aos……………/…………..…./………………….Estado
civil……………………………………………….

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Nome do
pai…………………………………………………….………………………………………
………………………….
Nome da
mãe……………………………………………………………………………………………
…………………………
Registro de Estrangeiros
(RE)……………………………………………………………………………………………
.
Data de expedição da
carteira……………/…………………/……………………………Desembarque
em
……………………………………………………………….Data de
embarque………………../……………/…………..
Desembarque……………/…………../……………..Data de
falecimento……………../……………/…………

Nestes termos, pede deferimento.

Em…………/……………/……………

………………………………………………………………………………………
……..
assinatura do requerente

- Fotocopia da identidade (Requerente)


- Qualquer documento do requerido

enviar para:
Ministério da Justiça
Secretaria da Justiça

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Divisão de Nacionalidade e Naturalização - Seção de Registro e


Averbação
Esplanada dos Ministérios - Anexo II - 3^andar
70064-901 BRASILIA -DF

Tel. (0xx61) 225.8170 ou 218.3497


Fax (0xx61) 322.7818

MODELO DE ACOMPANHAMENTO

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CAPÍTULO V

PRÁTICAS E PROCEDIMENTOS NA ITÁLIA

REQUERER A CIDADANIA NO BRASIL OU NA ITÁLIA?

Até o presente momento, tudo o que foi apresentado neste livro


serve tanto ao aspirante à cidadania italiana que deseja processar o
pedido de reconhecimento desse direito diretamente no Brasil
quanto na Itália.

Em poucas palavras, é a inclusão das orientações contidas neste


capítulo é que vai obrigar o candidato a fazer a sua escolha, se vai
desejar requerer o reconhecimento de seu direito perante uma
Repartição Diplomática Italiana no Brasil, ou se vai desejar
apresentar esse pedido DIRETAMENTE na Itália.

Considerando que este livro está direcionado ao público que deseja


obter o reconhecimento de seu direito na Itália, vou me abster aqui
de efetuar maiores detalhamentos ou aprofundamentos sobre os
procedimentos pertinentes à obtenção do reconhecimento a
cidadania italiana no Brasil.

Se algum leitor desejar seguir as sugestões que inseri nesta obra,


até o presente momento para depois submeter essa prática a um
Consulado Italiano no Brasil, sugiro que antes de considerar
concluída a preparação documental, entre em contato com a
Repartição Consular de sua jurisdição em modo a poder obter
informações mais detalhadas e atualizadas sobre eventuais outros

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documentos que estejam sendo exigidos para o fim de


processamento dessa prática no Brasil.

DECISÃO DA REGIÃO, PROVÍNCIA E COMUNE

Uma pergunta que sempre me fazem é sobre a melhor localidade


para se processar o pedido de reconhecimento da cidadania italiana
diretamente na Itália.

Primeiro é importante registrar que a prática do reconhecimento da


cidadania “Ius Sanguinis” não precisa obrigatoriamente correr no
“Comune” de onde partiram os “oriundi” do aspirante à cidadania. A
escolha do “Comune” onde movimentar o processo é livre. Pode ser
feita e qualquer dos 08 (oito) mil e poucos “Comunes” italianos. Se
for feita no “Comune” do próprio ancestral, creio que algumas portas
já estariam mais ou menos abertas, pois a curiosidade e a
preocupação da população local sempre é muito grande quando se
tratam de forasteiros. Se a origem do candidato for no mesmo
“Comune” onde pretende efetuar a prática de reconhecimento de
sua cidadania, ao menos a questão da origem desconhecida fica
menos relevante.

Eu costumo responder que o melhor lugar é onde o candidato tenha


a maior quantidade de contatos ou de possíveis contatos, pois eles
serão de grande importância em muitos momentos processuais.

Devemos considerar primeiro a questão da residência. Ninguém se


estabelece na Itália sem ter uma residência, e para se ter uma
residência a coisa funciona mais ou menos como o Gmail do Google
o o OrKut. Quase sempre só se acessa esses serviços quando
convidado por alguém que já faça parte dele.

Na residência ocorre o mesmo. O estrangeiro para poder se


estabelecer na Itália, como padrão deve ser hospedado por alguém,
que é o seu anfitrião.

Esse anfitrião será um anfitrião formalmente falando, deverá dirigir-


se a um órgão público e declarar em uma documentação pública que

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está recebendo o estrangeiro para habitar provisória ou


definitivamente com ele.

Assim sendo, só por conta desse exemplo, já me basta para


responder aos interessados que me perguntam onde processar sua
prática. Procure saber, antes de vir para a Itália, onde você tem as
maiores chances de contatos, pois você vai precisar deles.

A segunda recomendação que faço é para o candidato buscar


informações sobre como estão sendo processadas as práticas de
reconhecimento da cidadania nos “Comunes” dessas regiões onde
tenham maiores chances de contatos.

Sugiro mesmo que liguem ou escrevam para os “Comunes” nos quais


pretendam dar andamento à suas respectivas práticas. Sugiro que já
façam isso a partir do Brasil durante o processo de buscas de
documentos no próprio Brasil. Aproveitem esse tempo para dar
também vazão à prática do idioma, da língua falada, e para se
aproximarem dos operadores que vão analisar seus respectivos
processos.

Digo para não terem medo de fazer esse contato. Seja esse
“Comune” o próprio “Comune” de origem de seus ancestrais, seja ele
um outro, não importa. Façam o contato. Esse momento também
servirá para entender mais ou menos como é o entendimento desse
“Comune” no que se refere à algumas práticas processuais e
também servirá para captar, mesmo que superficialmente, se o
candidato seria bem recebido na localidade. Outra vantagem desse
contato, é atualizar-se sobre os procedimentos à época da consulta.

Por fim, esse contato também serviria pra que num futuro, antes de
ir à Itália, o candidato pudesse enviar uma fotocópia de todo o seu
processo, para ser analisado previamente pelo “Comune”, de forma
que, se for entendido que falta alguma peça processual ou algum
esclarecimento, isso possa ser feito ou obtido antes de se
empreender a viagem para a Itália.

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Essa medida poderia ser tomada em paralelo com o pedido de


legalização dos documentos traduzidos por tradutor juramentado,
que se faz perante a Repartição Consular Jurisdicionalmente
Competente no Brasil. Isso, pelo fato de que essa legalização muitas
vezes é demorada, e assim sendo, se o candidato tem uma fotocópia
de toda sua documentação já traduzida, mesmo que sem
autenticação, poderá submetê-la ao juízo do “Comune” onde
pretende se estabelecer para dar andamento à sua prática.

Essa remessa de documento pode ser feita também por via digital,
através da Internet ou de algum site provedor de serviços. Poderá
também ser enviado por e-mail (devidamente compactado) ou
mesmo por CD ou DVD em via postal.

O candidato poderá também, criar um website gratuito com uma


conta do Google e deixar esses documentos depositados no referido
website com opções de download e login de acesso, é rápido, fácil e
muito seguro, além de colocá-lo na vanguarda das tecnologias
disponíveis que facilitam a conectividade entre as pessoas.
Precisando de orientações para isso, podem me contatar, eu sou
especialista nisso também e ajudarei na medida que meu tempo o
permita.

A vantagem dessa idéia é que o interessado poderá enviar essa


documentação para vários “Comunes” simltaneamente, pois esses
“Comunes” não são integrados, e conseqüentemente pensarão que a
consulta está sendo feita somente nele. Uma vez que se tenha a
resposta de mais de um “Comune”, já se inicia um bom processo de
análise da rigidez ou flexibilidade no entendimento da pessoa que vai
analisar o processo.

Isso seguramente ajudará o interessado a efetuar uma escolha mais


baseada sobre uma técnica do que ao acaso, resultando
seguramente em maiores chances de sucesso no seu pleito.

PROCEDIMENTOS PARA O RECONHECIMENTO DO STATUS DE


CIDADÃO ITALIANO “IUS SANGUINIS”

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O “STATUS” DE ESTRANGEIRO ATÉ QUANDO?

Não obstante o candidato ao reconhecimento da cidadania italiana


“Ius Sanguinis” seja considerado italiano “desde o nascimento”, essa
situação só se torna concreta e efetiva a partir do momento em que
a sua cidadania foi “de fato” reconhecida como um direito, e “de
fato” concedida sob o aspecto formal.

Até esse momento, o aspirante à cidadania italiana não passa de um


simples “candidato”, um aspirante, vale dizer, tem apenas a
expectativa do direito, mas não tem ainda o seu direito reconhecido
e formalizado.

Nessa ótica, é importante relembrar e entender que esse candidato,


sob o prisma da legislação italiana, não passa de um “estrangeiro” e
será tratado dessa forma até que seu direito seja reconhecido e
formalizado, quando então, “retroativamente” à data do seu
nascimento, será formalizado.

Feita essa pequena, mas importante reconsideração, será mais fácil


ao candidato à cidadania entender toda a burocracia que lhe será
imposta para poder exercer esse direito.

De fato, o Estado Italiano não tem condições de “adivinhar” se uma


pessoa que se diz descendente de italiano, realmente o é. Nesse
prisma, uma série de documentos e procedimentos serão
instaurados pelo Governo Italiano com o propósito de esclarecer
essa afirmação feita pelo candidato à cidadania italiana, e por fim,
resultando comprovadamente verdadeira essa afirmação, lhe
reconhecer esse direito.

Assim sendo, enquanto não reconhecido esse direito, o aspirante à


cidadania italiana é considerado, para todos os efeitos legais, um
estrangeiro. Sendo um estrangeiro, deverá se submeter a todos os
procedimentos que são exigíveis para um estrangeiro poder
ingressar e permanecer no país.

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Em outras palavras, deverá entrar e permanecer na Itália


formalmente “regular”, ou seja, em concordância com todas as
normas legais italianas e convenções internacionais que amparem
essa sua permanência em solo italiano.

A QUESTÃO DO INGRESSO, VISTO E “PERMESSO DI SOGGIORNO”

O ingresso de um estrangeiro em território de um país depende de


uma série de procedimentos, mas é conhecido mais popularmente
como “visto”. Pode ser “visto” de entrada, de permanência, de
turismo, de trabalho, de asilo político, enfim, uma infinidade de
“motivos” que sustentam juridicamente o “visto” concedido.

O visto é a autorização administrativa concedida pela Repartição


Diplomática Italiana, fora de seu território, e que autoriza uma
determinada pessoa a ingressar no território Italiano. Mas isso não
basta. Uma vez entrado no território, o estrangeiro deverá solicitar a
autorização para ali poder “permanecer” e isso se chama
“permesso”.

Enquanto o “visto” deve ser requerido “fora” do território Italiano,


em uma Repartição Diplomática do Governo Italiano, o “permesso”
deve ser requerido em um Órgão da Administração Pública Italiana,
em território italiano, e que se chama “Questura”. A “Questura” é o
órgão público equivalente ao nosso “Departamento de Polícia
Federal”, que se encarrega de controlar o acesso e as condições de
acesso do estrangeiro no território nacional.

Assim sendo, quando se fala de “permesso”, automaticamente


teremos o vínculo administrativo com uma “Questura” ou um
“Comissariato” de uma “Questura”.

Um “Comissariato” é um órgão equivalente a uma “departamento”


de uma “Questura”, e que tem vinculação específica com uma
determinada região, uma determinada atividade, uma determinada
prática ou um determinado assunto. Assim sendo, encontraremos na
Itália muitas “Questura” que lidam com o procedimento dos

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“permessos” através de seus “Comissariatos”, e isso é perfeitamente


normal, porém bastante recente.

O “permesso” se diz comumente “di soggiorno”, ou seja, de pernoite,


ou de permanência provisória, ou seja, algo não definitivo. Assim
sendo, o termo composto é “Permesso di Soggiorno” e equivale a
dizer, permissão de pernoite ou de permanência provisória.

O atributo “provisório” será qualificado conforme o motivo que o


sustenta, assim sendo, se uma pessoa requeria o visto de ingresso
para fins de turismo na Itália esse o “permesso” era qualificado com
o termo que o vinculava ao motivo do turismo, e assim sendo, era
emitido o “Permesso di Soggiorno Per Turismo”. Devo resgistrar no
entanto, que este tipo de “permesso” já não se usa mais, tendo sido
substituído recentemente por um documento chamado Declaração
de Presença e que veremos mais adiante.

Esses “permesso” podem ser transitórios ou definitivos, tal como no


Brasil temos os vistos provisórios e os permanentes. Quando o
“permesso” tem fundamentos mais sólidos e permanentes de
vínculos com o Estado Italiano, o documento que o exterioriza é
chamado de “Carta de Soggiorno”, a qual consente ao seu titular a
permanência em solo italiano por tempo indeterminado. (D.L. 286/98
de 25/07/98)

A Lei sobre imigração editada em outubro de 1998 mudou o nome


dos “permesso” para os cidadãos da comunidade européia, de
“Permesso di Soggiorno” para “Carta di Soggiorno”. Em prática, se
tratam dos mesmos documentos porém no início da mudança, se
faziam muitas confusões, ocorrendo por vezes que uma pessoa
solicitava um “Permesso di Soggiorno” e recebia uma “Carta de
Soggiono” em seu lugar, e vice-versa. Hoje essa situação está mais
organizada e as “Questura” e “Comissariato” estão mais esclarecidos.

Não obstante a existência do documento “Carta de Soggiorno”, como


este livro diz respeito à obtenção da cidadania italiana diretamente
na Itália, e para essa prática, na maior parte dos casos, só é exigido

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o “Permesso di Soggiorno”, utilizarei aqui esse termo “permesso”


como um “standard”.

Devo esclarecer que um “Permesso di Soggiorno”, seja ele do tipo


que for, NÃO É UMA PERMISSÃO DE RESIDÊNCIA. Esta só pode ser
requerida depois de se ter obtido o “Permesso di Soggiorno”, nos
casos em que seja possível (pelos motivos) estabelecer a residência
oficial na Itália.

O tempo para se obter um “Permesso di Soggiorno” pode variar


bastante, mas em regra exige até 90 dias para sua emissão, em
alguns casos. Entretanto, conforme já expliquei acima, o “Permesso
di Soggiorno” será vinculado ao mesmo motivo que justificou o visto
de ingresso, exceto no nosso caso de requerimento de
reconhecimento da cidadania italiana diretamente na Itália, e
veremos o porquê ainda neste capítulo.

TIPOS E PRAZOS DE VALIDADE DE “PERMESSO DI SOGGIORNO”

São muitos os tipos de “Permesso di Soggiorno” mas os mais


comuns são os seguintes:

a) “Permesso di soggiorno per turismo”: Apresento aqui um


breve relato sobre este tipo de “permesso”, porque foi muito
utilizado até um passado recente, mas hoje não é mais
emitido. Servia a todos aqueles que pretendiam documentar-
se para a visita à Itália por mais de uma semana e que não
vinham a se hospedar em um hotel, pensão ou camping
oficial. Esses postos tinham a obrigação legal de registrar seus
hóspedes, e isso equivale a um controle do Governo sobre
esses visitantes independentemente do visto que possuiam,
por outro lado, se vinham hospedar-se em casas de famílias,
amigos, parentes, o ideal é que já viessem para a Itália com o
visto de turismo, embora na prática isso não era normalmente
efetuado. Este tipo de “Permesso di Soggiorno” havia uma
validade de apenas 3 meses e não podia ser renovado nem
modificado para qualquer outra modalidade de “Permesso di

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Soggiorno”. Este “permesso’ não permitia o estabelecimento


de residência na Itália, nem mesmo o trabalho ou o estudo;

b) “Dichiarazione di Presenza”: Esta declaração veio para


substituir o antigo “permesso di soggiorno per turismo”, e tem
os mesmos fins daquele. Entretanto a prática para sua
obtenção não é a mesma. Está muito mais simples. Trata-se
de uma declaração que é feita com validade não superior a 90
(noventa) dias,em território italiano, onde o interessado
declara sua entrada no país com a finalidade de turismo,
diretamente diante da Polícia de Fronteira (no caso de entrada
no País, sendo proveniente de um País não pertencente à
União Européia) ou de um “Commissariato de P.S” vinculado a
uma “Questura” (se a entrada no País se deu por via de outro
Páis da União Européia). Sendo um caso ou outro, esta
declaração deve ser feita no prazo de 08 (oito) dias a contar
do dia de ingresso na Itália;

c) “Permesso di soggiorno per motivi familiare”: Serve ao


cônjuge estrangeiro de um cidadão italiano quando se mudam
para a Itália. Neste caso o “permesso” tem validade de 2 anos
devendo ser renovado quando expirado;

d) “Permesso di soggiorno per lavoro subordinato”: É a


permissão para trabalhar na Itália como empregado
subordinado. Neste caso a validade do “permesso” não pode
superar 1 anos (para contrato por tempo determinado) e 2
anos (para contratos com tempo indeterminado) devendo
neste último caso, ser renovado sempre que estiver vencendo;

e) “Permesso di soggiorno per lavoro


autonomo/indipendente”: Serve para os trabalhadores
independentes e autônomos. Neste caso o “permesso” tem
validade de 2 anos devendo ser renovado quando vencendo;

f) “Permesso di soggiorno per studio”: Serve para aqueles que


se dirigem à Itália com o fim particular de estudo. Neste caso
o “permesso” tem validade de 1 ano devendo ser renovado

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quando vencendo. Se o curso for plurianual também deverá


ser renovado de ano em ano;
g) “Permesso di soggiorno per ricongiungimento familiare”:
Serve para o cônjuge os fillhos menores e os pais de um
cidadão italiano e também para outros membros da família
que venham para se juntar ao núcleo familiar que já estejam
residindo na Itália. Neste caso o “permesso” tem validade de 2
anos devendo ser renovado quando expirado;

h) “Permesso di soggiorno per dimora”: Servem aos


estrangeiros que estabelecem suas residências na Itália e que
não pretendam trabalhar ou estudar na Itália. Neste caso o
“permesso” tem validade veriável em base à documentação
apresentada;

i) “Permesso di Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza”: Serve


àqueles que tenham se dirigido à Itália com ânimo definitivo
de residência e que estejam pleiteando o reconhecimento da
condição de cidadão italiano “Ius Sanguinis”. Neste caso o
“permesso” tem validade de 1 ano devendo ser renovado
quando vencendo;

Existem ainda outros tipos de “Permesso di Soggiorno” para outras


classes ditas “especiais” inclusive os refugiados de guerra, refugiados
políticos e missionários religiosos.

Quando um cidadão extra-comunitário encontra-se na Itália e não


tem posse de um visto de permanência, deverá se dirigir à uma
“Questura” para solicitar uma autorização de permanência, que
normalmente é concedida por motivo de turismo em base a uma
“Declaração de Presença”.

No passado, para se obter o reconhecimento da cidadania italiana,


dentre os documentos exigidos no procedimento inicial encontrava-
se o “Permesso di Soggiorno per Turismo” que deveria ser obtido nos
primeiros 8 dias depois do ingresso em solo italiano. No curso de
validade dessa autorização de permanência por turismo (90 dias), o
estrangeiro deveria obter o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla

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Cittadinanza””. Hoje esse procedimento mudou, e nos primeiros 8


dias o estrangeiro já deverá fazer a “Declaração de Presença” e
obter o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza””, sendo
dispensada a exigência prévia de obtenção do “Permesso di
Soggiorno per Turismo”.

ATENÇÃO QUANTO AOS PRAZOS – SÃO 08 OU 90 DIAS?

Devo registrar aqui que existe uma divergência de entendimentos


por parte dos Órgãos Públicos Italianos sobre o prazo para se
requerer o “Permesso di Soggiorno di Attesa alla Cittadinanza”.

PRIMEIRA CORRENTE DE ENTENDIMENTOS – CORRENTE DOS 90


DIAS

Alguns “Comune” têm o entendimento de que a “Declaração de


Presença”, por substituir plenamente o “Permesso di Soggiorno per
Turismo”, segue as mesmas regras daquele e, portanto, deve ser
feita nos primeiros 08 (oito) dias de ingresso em solo Italiano e tem
sua validade por 90 (noventa) dias.

Depois de feita essa “Declaração de Presença”, o interessado estaria


regular no País e teria esses 90 (noventa) dias para poder
providenciar o “Permesso di Soggiorno di Attesa alla Cittadinanza”.

O entendimento desta corrente de pensamentos é de que após a


obtenção do “Permesso di Soggiorno”, não importante se ele foi
obtido nos primeiros 08 (oito) ou nos primeiros 90 (noventa) dias, é
de que em posse do tal “Permesso” o aspirante à cidadania italiana
poderia trabalhar, estudar e se ausentar do país durante o curso do
seu processo de reconhecimento da cidadania.

Eu particularmente concordo com este entendimento acima


explicitado, mas por razões de precaução, informo o leitor da
existência também de um outro entendimento menos favorável à
prática do reconhecimento da cidadania italiana.

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Concordo também com a possibilidade de trabalhar, pois não


constatei uma proibição expressa na legislação, quanto a esse direito
sob a regra do “Permesso di Soggiorno di Attesa alla Cittadinanza”.
Aliás, o Ministério da Finança Italiano, em 2007 se manifestou
expressamente contra a possibilidade de desenvolvimento de
atividade profissional por parte de quem estava sob a égide de tal
“permesso”, mas por fim, como a Itália não tem ma uniformidade na
aplicação de seus entendimentos, resultou que algumas Províncias
(em particular a Província de Treviso) passaram a aceitar que esse
direito ao trabalho fosse extendido aos possuidores de “Permesso di
Soggiono per Attesa alla Cittadinanza”.

Nessa linha, a Secretaria do Trabalho da Província de Treviso passou


a relaxar o “Nulla Osta” para permitir o trabalho a esses aspirantes à
cidadania, e vários deles foram contratados por fábricas locais.

SEGUNDA CORRENTE DE ENTENDIMENTOS – CORRENTE DOS 08


DIAS

Esse outro entendimento é aplicado por outros “Comune” e estes


consideram que a “Declaração de Presença” deve ser feita como pré-
requisito à solicitação de “Permesso de Soggiorno di Attesa alla
Citadinanza”, e que este “permesso” é que deve ser solicitado nos
primeiros 08 (oito) dias de ingresso em solo Italiano.

O entendimento desta segunda corrente de pensamentos é de que


após a obtenção do “Permesso di Soggiorno”, o qual deveria ser
obtido obrigatoriamente nos primeiros 08 (oito) dias do ingresso do
interessado na Itália, é de que em posse do tal “Permesso” o
aspirante à cidadania italiana NÃO poderia trabalhar, NÃO poderia
estudar e NÃO poderia se ausentar do país durante o curso do seu
processo de reconhecimento da cidadania.

A aplicação desse entendimento complicou bastante a vida de


pessoas mais simples que estejam sonhando com a cidadania
italiana. Mas não é uma via sem saída. Se o candidato conseguir
obter um emprego na Itália, à partir do Brasil, poderá solicitar o
Visto de Trabalho, com base nesse convite, e uma vez na Itália, e

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regularmente “Soggiornato” poderá dar entrada em seu pedido de


reconhecimento de cidadania italiana.

Também por precaução, vou considerar que o aspirante à cidadania


se deparará com esta segunda linha de entendimentos, assim sendo,
uma linha mais severa. Neste raciocínio, vou preferir conduzir o
interessado ao processamento de sua cidadania segundo essa
vertente mais rígida, de forma que, se por sorte ou por acaso o
interessado se deparar com aquela vertente mais favorável, não
estará perdendo nada nem se expondo a riscos, apenas antecipando
algumas etapas processuais.

Faço isso absolutamente por medida de prudência, mas creio que o


caminho mais provável é aquele contido no primeiro entendimento,
mas considerando que existe também a possibilidade de se deparar
com o rigor do segundo entendimento, então vamos nos preparar
para esse.

Em se tratando de ingresso em solo italiano, a partir do exterior,


observamos a participação direta da Repartição Diplomática Italiana
estabelecida no Brasil. Porém quando falamos de permanência na
Itália, quando já se está em solo Italiano, toda referência é feita aos
Órgãos Públicos Italianos estabelecidos a Itália.

Muitas informações podem ser obtidas tanto no site do Ministero


Dell’Interno quando no site da Polizia di Stato, cujos endereços
coloco abaixo. Vale a pena conferir, inclusive para auxiliar na prática
da leitura em italiano.

http://www.interno.it
http://poliziadistato.it

CONSEQUÊNCIAS DA IMIGRAÇÃO CLANDESTINA NA ITÁLIA


A imigração clandestina na Itália é punida com sanções muito
severas. Qualquer pessoa que facilite o ingresso de um estrangeiro
na Itália é punido com até 05 (cinco) anos de cárcere e com multas
que podem chegar a 15 (quinze) mil euros. Essa multa é aplicada
“por pessoa” ingressada na Itália clandestinamente.

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Essa pena pode ser aumentada de 04 (quatro) a 15 (quinze) anos de


reclusão e com multas de 15 (quinze) mil euros para cada pessoa,
caso a facilitação de ingresso clandestino tenha sido feita com
objetivo de obtenção de vantagem pessoal, mesmo que a vantagem
tenha sido indireta.

Ainda a pena pode ser aumentada se a imigração clandestina se


referir a um grupo de mais de 05 (cinco) pessoas, ou se resulta em
condições desumanas, degradantes ou feitas através de
documentação fraudulenta.

Se a imigração resultar por exploração de prostituição infantil ou de


mulheres, as penas são aumentadas de um terço e as multas podem
chegar a 25 (vinte e cinco) mil euros por pessoa ilegalmente entrada
no território italiano.

Observa-se assim que o rigor da Lei Italiana impõe a necessidade de


se processar MUITO corretamente o ingresso e a permanência do
estrangeiro no território do Estado Italiano. Isso tudo explica um
pouco toda a dificuldade para se obter o auxílio, por parte de um
residente na Itália, ao ingresso de uma pessoa, seja ela da família ou
do círculo de amizades. O grau de responsabilidade que um
residente assume é muito alto principalmente pelo fato (muitas
vezes) de desconhecer a origem da documentação que o estrangeiro
está portando ao vir para a Itália.

ÓRGÃOS COMPETENTES PARA RECONHECIMENTO DA CIDADANIA


ITALIANA

O estrangeiro regularmente estabelecido em território italiano, sendo


tilular de um “Permesso di Soggiorno”, sendo possuidor dos
requisitos necessários, requerer o reconhecimento da cidadania
italiana (Ius Sanguinis) pelo fato de ser descendente de um cidadão
italiano, mas para isso deverá seguir um procedimento
administrativo especial que envolve o “Comune” e o “Ufficio
Immigrazione della Questura” de residência.

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Um cidadão de origem italiana, nascido e vivido no exterior, como já


vimos anteriormente, é “estrangeiro” até quando não venha a ter
reconhecido seu “status” de cidadão italiano, e como tal, a relativa
condição jurídica.

São competentes para o reconhecimento da cidadania italiana:

a) A Representação Diplomática Italiana no país de


origem (Brasil) quando esse reconhecimento da
cidadania é feita por aspirante à cidadania que esteja
residente no exterior, no caso, no Brasil;
b) “Ufficio di Stato Civile” do “Comune” de residência se
o requerente está regularmente estabelecido na Itália;

O responsável pelo procedimento e pela instrução processual é o


Oficial do Registro Civil (“Ufficiale dello Stato Civile”) do “Comune”
de residência do requerente

PROCEDIMENTOS PARA A PRÁTICA DIRETAMENTE NA ITÁLIA

Uma vez que o aspirante à cidadania italiana esteja com todos os


documentos regularmente preparados no Brasil, conforme já
orientado nos capítulos anteriores, poderá dirigir-se à Itália para
início dos procedimentos em solo italiano.

Considerando que nos últimos 03 (três) anos o Governo Italiano vem


modificando freqüentemente as práticas para processamento do
pedido de reconhecimento da cidadania italiana, tanto quando
solicitada no Brasil quanto quando solicitada no território da Itália,
convém lembrar ao leitor que as sugestões aqui apresentadas
referem-se às práticas exigíveis à primeira edição deste livro
(setembro/2008), outras são práticas já atualizadas para a segunda
edição do livro (abril/2009) e algumas para esta edição
(março/2010).

Assim sendo, se o leitor estiver tomando conhecimento destas


sugestões em um momento muito posterior à publicação desta
edição, é ALTAMENTE RECOMENDÁVEL que busque informações

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atualizadas para ter certeza de que as práticas aqui sugeridas ainda


são aplicáveis.

O procedimento para a prática do reconhecimento da cidadania


italiana, seja ela processada diretamente na Itália seja no Brasil,
segue uma seqüência de ações que necessariamente devem ser
empreendidas na ordem exigida pela legislação. Isso se deve ao fato
de que um documento, muitas vezes, é pré-requisito para outro
documento que vai ser solicitado mais adiante. Em outras palavras,
podemos considerar situações onde a prática de determinado
procedimento é dependente de um documento ou de uma prática
anterior, sem a qual não é possível a conclusão desta.

Essas práticas são concatenadas em uma seqüência muito justa,


tanto sob o aspecto do tempo para sua execução, quanto sob o
aspecto da dependência em sua inter-relação.

Assim sendo, vou apresentar aqui uma seqüência passo-a-passo e


como deverão ser concatenadas as ações a serem empreendidas,
em modo a proporcionar uma maior certeza no resultado positivo do
pleito à cidadania.

UM ITINERÁRIO PASSO A PASSO PARA A PRÁTICA NA ITÁLIA

O aspirante à cidadania deverá seguir as seguintes fases e


apresentar os seguintes documentos para poder avançar com seu
processo:

O ELENCO DAS PRÁTICAS

1) Ingressar na Itália;
2) Seguro viagem para cobertura do período da
passagem aérea;
3) Cartão de Crédito Internacional e Recursos em
Espécie;
4) Obter o carimbo de ingresso na “Declaração de
Presença”, seja no aeroporto no posto da “Polizia di
Frontiera” seja na “Questura” (08 dias de prazo);

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5) Obter uma declaração de hospitalidade (48 horas de


prazo);
6) Com o recibo da “Declaração de Presença” em mãos,
requerer a inscrição anagrafica (residência) no “Ufficio
Anagrafe, conforme Circular do”Ministero Dell-Interno n.
32 de 13/06/2008;
7) Preencher módulo de requerimento de
reconhecimento de cidadania italiana com exibição
informal de toda a documentação da cidadania
preparada no Brasil, com seus originais e fotocópias
devidamente traduzidas e legalizadas, tudo perante o
“Comune” onde pretende que seja processada a prática;
8) Apresentar declaração expressa de que a solicitação
de residência é feita com o objetivo de processar o
reconhecimento da cidadania italiana “Ius Sanguinis”;
9) Obter do “Comune”, o “Nulla Osta” que é uma carta
do “Comune” que certifica ou atesta que o
procedimento para o reconhecimento da cidadania
italiana “Ius Sanguinis” instaurado, e que no exame
preliminar da documentação apresentada, não foram
constatados vícios que possam servir de óbice ao pleito
do requerente;
10) Obter uma “Fideiussione” bancária de € 5.000,00
(Cinco mil euros);
11) Obter o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla
Cittadinanza””;
12) Requerer residência no “Comune”;
13) Aguardar controle policial para confirmar a
residência (Ispezione dei Vigili);

PRÁTICA DE INGRESSO NA ITÁLIA E A IMIGRAÇÃO

Relativamente a essa fase na busca da cidadania italiana


diretamente na Itália o candidato à cidadania deverá empreender
viagem com destino à Itália. Pode ser que o ele esteja partindo do
Brasil ou de qualquer outro ponto no globo, com destino à Itália.

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Não importa de onde se parte, mas é MUITO importante COMO se


chega na Itália.

Basicamente o acesso ao território italiano pode ser feito por via


aérea, marítima ou terrestre. Em se tratando do acesso via aérea,
este pode ser feito tendo como origem um país da Comunidade
Européia ou um país não comunitário. É muito importante
estabelecer a VIA de entrada na Itália a fim de poupar tempo
precioso no curso do processamento do pedido de reconhecimento
da cidadania.

Quando se acessa a Itália por via terrestre ou por via aérea


proveniente de outro país da União Européia, ditos Países do Acordo
de Schengen (Alemanha, Espanha, França, Holanda, Bélgica,
Luxemburgo, Grécia, Itália, Suécia, Áustria, Dinamarca, Finlândia,
Noruega, Portugal e Islândia) , o candidato à cidadania terá de
cumprir uma etapa a mais na prática processual. Isso se dá pelo fato
de que, entrando na Europa através de qualquer outro país europeu,
que não seja a Itália (diretamente), o candidato à cidadania italiana
não conseguirá obter um carimbo de imigração italiana em seu
documento “Declaração de Presença” e em seu passaporte. Como
essa declaração carimbada é necessária para instrução do processo
de cidadania, o candidato deverá obter essa declaração por outro
meio, e isso consumirá ao menos mais um dia na sua prática, aliás,
um dia MUITO precioso, diante das práticas atuais de acordo com a
segunda linha de entendimentos que expliquei algumas páginas
atrás.

No caso de entrar por um país do Acordo de Schegen, deverá


providenciar a Declaração de Presença no Comissariato de Polícia da
Região.

Para alguns “Comuni”, estão sendo aceitos como comprovante de


Declaração de Presença, o recibo de hospedagem em Hotel ou
Albergue regular, identificando o dia da 1a. Noite de hospedagem.
De qualquer forma, por este processo sempre se perderia 01 (um)
dia a mais no processamento da cidadania, motivo pelo qual
recomendo a entrada na Itália, diretamente de país não comunitário

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e em vôo sem escala na qual seja exigido o procedimento de


imigração. Em outras palavras, o procedimento de imigração deve
ser feito em solo italiano.

O SEGURO DE VIAGEM

A Itália quer garantias de de o estrangeiro tem condições de vir e


permanecer em solo italiano, sem que isso contribua mais para o
déficit previdenciário. Para isso, nos processo de pedido de
reconhecimento de cidadania, considerando que são períodos mais
longos de permanência, exige que o interessado faça prova de poder
arcar com despesas médicas e hospitalares caso necessário. O
melhor meio para se oferecer essa garantia ao governo italiano é
entrar na Itália munido de seguro de viagem particular ou público,
que dê essas garantias de atendimento.

Esse seguro de viagem pode ser adquirido diretamente na Itália, não


é custoso e qualquer agência de viagens poderá emití-lo. O
inconveniente de se fazer isso lá, é que será MAIS uma coisa a fazer,
consumindo o precioso tempo que o interessado na cidadania terá.
Então o que recomendo é que o mesmo já parta do Brasil com esse
seguro em mãos.

Existem no Brasil seguros de viagem comercialmente disponíveis e


são inúmeras as seguradoras que os oferecem. Basta solicitar ao seu
agente de viagens essa informação. Caso você não tenha agência de
viagem de sua confiança, posso recomendar os serviços da
Maxtravel, pertencente ao Grupo Intermax Tour Operator, os quais
têm oferecido um serviço VIP ao que testemunham algumas pessoas
que conheci e que se serviram deles. Eles têm seguro de viagem
para oferecer a preços bem competitivos. O site deles é
http://www.grupointermax.com.br/ e eles ficam na Rua da
Consolação, 37 • Conjunto 701 • São Paulo/SP • Tel.: +55 (11)
3214-2100

Se você preferir, poderá também tentar utilizar de um acordo


internacional entre Brasil e Itália, que prevê reciprocidade de
atendimento em matéria de seguridade social.

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A vantagem de se utilizar desse acordo internacional é que ele é


gratuito. O interessado deve dirigir-se à Agência do INSS para se
informar da documentação que eles solicitam para sua emissão.
Existe um formulário para esse fim, que se chama Modelo I/B – 2 do
INSS o qual eu anexo na documentação complementar deste livro e
uma imagem no modelo a seguir:

FORMULÁRIO DO PROTOCOLO DE ACORDO DE IMIGRAÇÃO ITÁLIA-


BRASIL - CERTIFICADO DE DIREITO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA

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É muito importante de efetuar o reconhecimento de firma e


legalização do mesmo perante o Consulado de sua jurisdição no
Brasil, em modo a elidir qualquer possibilidade de recusa na sua
aceitação.

CARTÃO DE CRÉDITO INTERNACIONAL E RECURSOS EM ESPÉCIE

É altamente recomendável que o interessado, antes de partir para a


Itália, possua um ou dois cartões de crédito internacionais de
bandeiras diferentes (Visa, MasterCard, Amex, Dinners, etc...) com
um limite mínimo de uns € 1.500,00 (Um mil e quinhentos euros)
cada um, que equivaleria atualmente a uns R$ 4.500,00 (Quatro mil
e quinhentos reais).

A posse de cartões de crédito com essas características facilitará


muito o processo de imigração que será feito ainda no aeroporto ou
outro ponto de entrada, seja diretamente pela Itália ou por qualquer
outro de País do Acordo Schegen.

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Outra medida altamente recomendável e que objetiva o mesmo fim,


é a posse de numerário em espécie, num montante mínimo de uns €
1.500,00 (Um mil e quinhentos Euros), para fazer prova de
capacidade de auto-sustento como turista no momento da entrada
na europa.

Essas medidas também reduzirão o risco de repatriamento direto do


aeroporto, sem que seja feita a imigração. Temos que levar em conta
que a europa está entrando num início de processo de xenofobismo,
e qualquer medida que o candidato puder adotar com o fim de evitar
conflitos e gerar motivos para repatriamento, serão sempre
benvindas.

A ESSENCIALIDADE DA DECLARAÇÃO DE PRESENÇA

Esse documento que tem o poder de “substituir” o antigo “Permesso


di Soggiono per Turismo” se chama “Declaração de Presença”.

É um documento no qual o candidato (ainda turista e estrangeiro)


declara que entrou no país. Esse documento deve ser feito
diretamente no Posto de Polícia de Fronteira, quando se entra na
Itália provindo de um país não comunitário e em vôo direto.

Se o acesso ao território Italiano ocorrer, tendo como ponto de


partida um país extra-comunitário com destino diretamente à Itália e
for por via de um Porto Marítimo Italiano ou por Via de um
Aeroporto Italiano, o procedimento de imigração na União Européia
será feito na Itália e isso representa para o candidato, que terá a
Declaração de Presença assinada e carimbada pela imigração, obtido
perante uma autoridade de fronteira italiana.

É direito do estrangeiro que entra na Itália, requerer essa Declaração


de Presença para preencher e assinar, mas se o interessado não
souber disso ou se esquecer, vai simplesmente entrar na Itália
fazendo a tradicional “imigração” através da exibição do passaporte
e recebendo no mesmo o carimbo de ingresso.

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Porém, esse carimbo de ingresso, mesmo que feito diretamente no


guichê da imigração do aeroporto, não substitui a Declaração de
Presença para fins do processamento do pedido de reconhecimento
da cidadania italiana “Ius Sanguinis”.

A CONSEQUÊNCIA DA FALTA DA DECLARAÇÃO DE PRESENÇA

Mesmo entrando na Itália nas condições explicitadas no parágrafo


precedente, é MUITO IMPORTANTE que o interessado esteja bem
atento e consciente no momento da imigração, para que
EFETIVAMENTE sejam carimbados e assinados a sua Declaração de
Presença e o seu passaporte (este, basta o carimbo).

Faço essa advertência, pois muitas vezes ocorre desse carimbo ou a


assinatura não serem colocados, ou por esquecimento por parte do
funcionário da imigração, ou por tumulto, fila ou qualquer outro
motivo que leve à distração do servidor responsável, e que resulte
pela falta desses carimbos e assinaturas.

No caso de o funcionário da imigração esquecer de carimbar ou


assinar a Declaração de Presença ou carimbar o passaporte, é
importante não deixar o recinto da imigração sem que seja aposto o
referido carimbo e assinatura, se necessário, explicando ao
funcionário responsável, que se necessita do tal procedimento para
comprovar o regular ingresso em território italiano para o fim de dar
início à prática processual de reconhecimento da cidadania italiana
diretamente na Itália.

Obtido esse carimbo de ingresso e respectiva assinatura na


Declaração de Presença, não será mais necessário fazê-la no
“Commissariato de P.S.”, resultando em enorme economia
processual.

Se o interessado se esquecer de fazer essa declaração as coisas


ainda não vão estar inteiramente perdidas. Poderá ainda fazê-la na
Autoridade de Segurança Pública, que hoje em dia se refere ao
“Commissariato di P.S.” em um determinado Comune vinculado a
uma “Questura”, porém essa prática vai custar ao candidato ao

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menos um dia a mais no andamento do seu processo. Como, por


prudência, estamos considerando que deverá obter o “Permesso di
Soggiorno di Attesa alla Cittadinanza” em apenas 08 (oito) dias, esse
dia perdido resulta por ser um desperdício extravagante e que
poderá fazer falta depois. Se essa falta se confirmar, poderá por a
perder boa parte dos investimentos do candidato.

A ECONOMIA PROCESSUAL COM A “JUSTA” DECLARAÇÃO DE


PRESENÇA

Mas como garantir essa economia processual? É simples. No caso de


brasileiros que estejam indo diretamente do Brasil à Itália para fazer
esse processo, basta que escolham um vôo de companhia aérea que
tenha vôo direto Brasil x Itália. Por exemplo, um vôo da TAM ou
Alitália que vá diretamente de São Paulo ou Rio de Janeiro, à Milão
ou Roma sem fazer uma escala prévia. Basta isso!

Por outro lado, se o candidato à cidadania estiver buscando


economia financeira, poderá resultar com um custo administrativo
alto, ou mesmo correr o risco de perder os prazos para obter o
“Permesso de Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza”” nos primeiro
08 (oito) dias de ingresso na Itália. E veja bem, 08 (oito) dias não é
nada. Simplesmente voam!!!

Então, economizar o tempo é muito mais importante do que


economizar o dinheiro, nesta hora. Assim sendo, como sugestão,
recomendo fortemente que não sejam adquiridos bilhetes aéreos
que façam conexões (e conseqüentemente imigração) em outros
países da União Européia tais como os vôos da TAP que fazem
conexão em Lisboa, os vôos da Ibéria que fazem conexão em Madrid
os vôos da Lufthansa que fazem conexão em Frankfurt ou os vôos
da KLM que fazem conexão em Amsterdan. Esses exemplos de vôos
que citei acima servem para o leitor ter em mente que deve
privilegiar em suas buscas, vôos que garantam que sua imigração
em território europeu seja feita dentro de solo italiano.

Se vocês aceitam uma sugestão, evitem os vôos da IBÉRIA, pois


com essa companhia eu tive e constatei que muitas outras pessoas

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tiveram enormes dissabores quanto à responsabilidade com que


tratam nossas bagagens. Na última viagem que empreendi, portando
12 malas (eu, esposa e filhos) somente 9 malas me foram entregues
no destino, sendo 2 bem danificadas. As outras 3, duas me foram
entregues mais de uma semana depois, e a outra, coincidência ou
não, era a mais valiosa e até hoje, 4 meses depois do vôo, a Cia
IBÉRIA sequer me contatou para explicar o furto ocorrido ou para
me oferecer qualquer tipo de reparação de danos. Façam uma
pequena pesquisa na Internet e vocês constatarão o descaso com
que são tratadas as bagagens de seus passageiros e o descaso com
que os tratam depois de extraviarem suas malas.

Para os candidatos que forem provenientes de outros países


Comunitários, não restará outra alternativa, a não ser se submeter à
burocracia adicional de fazer a Declaração de Presença na
“Questura” ou no “Commissariato”. Mas mesmo para estes, se
realmente estiverem conscientes do quanto a “gestão do tempo” é
crucial para o resultado do processo, verão que valeria à pena
retornar ao Brasil e fazer, partindo do Brasil, um vôo direto a solo
italiano nos moldes que sugeri anteriormente.

A NECESSIDADE DA DECLARAÇÃO DE HOSPITALIDADE

Já foi visto em capítulos anteriores a grande importância e controle


sobre a residência em território italiano. Aqui continuaremos a expor
o quanto burocrático é essa prática.

Para poder obter uma residência na Itália, a Lei Italiana impõe uma
série de procedimentos, dentre os quais, que o cidadão estrangeiro
tenha ingressado em território italiano regularmente e que ali possa
se estabelecer.

Para poder se estabelecer, deverá portanto, ter um “Permesso di


Soggiorno” compatível com o ânimo de residência.
Tudo se inicia com a Declaração de Hospitalidade, que em verdade
se refere a uma “Comunicação”. É a “Comunicazione di Ospitalitá
Assunzione o Cessione di Fabbricato”. É feita no “Comune” onde se
pretende residir.

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Esse documento é preenchido no próprio “Comune” e normalmente


já é feito com um sistema informatizado integrado. É uma
comunicação que o anfitrião faz ao “Comune”, informando que o
hóspede será acomodado em sua residência por uma quantidade de
meses equivalente a 06 (seis) normalmente.

Nessa comunicação, o anfitrião declara seus dados pessoais e


algumas informações sobre a sua casa. Declara ainda os dados
pessoais do hóspede bem como sua relação com o mesmo, se de
parentesco ou não. Por fim, informa se é o proprietário do imóvel ou
não. Se for o próprio dono do imóvel, bastará a sua firma, se não for,
deverá ainda ser colhida a firma do proprietário, consentindo que
hóspede possa adentrar ao imóvel.

Relativamente à “Comunicazione di Assunzione”, cabe o parêntese de


que quase não ocorreria no curso de um processo de
reconhecimento de cidadania exceto para aquelas pessoas que
eventualmente estejam indo à Itália também com o visto de trabalho
e estejam concorrendo ao “Permesso di Soggiorno per Lavoro”, caso
em que o ofertante do trabalho é que comunicará o “Comune” sobre
sua admissão.

Relativamente à “Comunicazione di Cessione Fabbricato” refere-se ao


proprietário de um imóvel que o cede em locação, comodato ou
outro motivo jurídico, ao hóspede, como local para moradia. Nesse
caso é o próprio dono do imóvel que comunica o Comune de que
está cedendo esse imóvel (“fabbricato”) a um estrangeiro. Quase
que não ocorre essa situação também com as pessoas que se
dirigem à Itália para dar andamento ao processo de reconhecimento
de sua cidadania, pelo fato de que representa uma solução muito
dispendiosa, pois implica em um contrato de longa duração, com
cauções que são exigidas, e por fim, também a dificuldade de se
obter a confiança de um dono de imóvel, para que o ceda em
locação a um estrangeiro desconhecido.

Por outro lado, se houverem pessoas conhecidas afiançando o


negócio, poderia ser uma ótima solução para aqueles que dispõe de

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melhores recursos financeiros, e isso também facilitaria o


“entendimento” a “convicção” das autoridade responsáveis pela
concessão do “Permesso di Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza””,
de que o tal “inquilino” foi para a Itália com dois “atributos”
importantes: 1) Foi com recursos e 2) Foi com ânimo mais definitivo.

Seja como for, a Comunicação de Hospitalidade é preenchida em 03


(três) vias, sendo que depois de assinadas pelo declarante e pelo
responsável pela anágrafe do “Comune”, 02 (duas) são ali retidas e
01 (uma) via é entregue ao declarante, que deverá entregar ao
interessado na cidadania, pois deverá ser encaminhada para o
“Commissariato di P.S.” da “Questura” a fim de integrar o processo
de “Permesso di Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza””

NORMA SOBRE OCUPAÇÃO DE IMÓVEIS

Toda essa burocracia sobre a hospedagem de uma pessoa no imóvel,


se deve ao fato de que a legislação italiana estabelece uma
quantidade máxima de habitantes por imóvel, em razão da
metragem quadrada desse imóvel.

Com isso, evita-se situações de superalojamento de pessoas acima


da capacidade sanitária do referido imóvel. Parece-me bastante
razoável essa posição do Governo, até mesmo justifica o porquê da
inexistência (ao menos aparentemente) de favelas e cortiços na
Itália (ao menos ao Norte Italiano).

Para se ter uma idéia, um apartamento com até 46 m2 só pode ter


01 habitante. Não será possível se fazer a “residência” de duas
pessoas com essa metragem quadrada.

Segundo a Lei Regional do Vêneto, n. 10 de 1996, a situação ficou


assim definida:

a) 46 m2 – Máximo de 1 residente;
b) 60 m2 – Máximo de 2 residentes;
c) 70 m2 – Máximo de 3 residentes;
d) 85 m2 – Máximo de 4 residentes;

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e) 95 m2 – Máximo de 5 residentes;
f) mais de 110 m2 – Mais de 5 residentes;

Observa-se dessa lei, duas coisas interessantes.

Primeiro: que não faz menção à idade das pessoas. Nesse caso, um
recém nascido é considerado um número para esse fim, mesmo que
ocupe pouco espaço, há o direito civil de ser considerado um
residente, e nesse caso, contribuindo para a contagem da cota
máxima de residentes.

Segundo: acima de 110 m2, a Lei não detalha o máximo de pessoas


podendo gerar interpretação que resulte por um superpovoamento
de um imóvel com metragem quadrada superior a essa.

Também essa Lei não garante que tudo seja efetivamente assim,
creio que podem existir imóveis onde, ou por descontrole ou por
ignorância, tenham formalmente mais residentes do que a lei
permite.

A FIDEIUSSIONE BANCARIA

Para o Governo Italiano aceitar um estrangeiro em seu território, ele


exige comprovação de meios de sustento a esse estrangeiro. Essa
comprovação deve ser feita com meios financeiros, e para isso, em
anos anteriores era exigido uma conta bancária com um depósito no
valor de € 2.500,00 (dois mil e quinhentos euros), que “servia” para
o Governo se tranqüilizar de que o estrangeiro não ficaria “pesando”
nos cofres públicos.

Isso tudo mudou, e hoje é exigido uma fiança bancária no valor de €


5.000,00 (Cinco mil euros) para comprovar a capacidade de
manutenção de um estrangeiro em território italiano por pelo menos
06 (seis) meses.

Suponho que isso tenha sido motivado em razão de manobras que


os estrangeiros faziam com o dinheiro, um emprestando para o
outro, iludindo o governo com relação à própria capacidade de auto-

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manutenção na Itália. Por exemplo, um cidadão emprestava parte ou


integralmente o valor para outro que estava precisando demonstrar
ao Governo sua capacidade econômica, e depois de feita a
comprovação (através de extratos bancários) o dinheiro era
devolvido. Assim, o mesmo dinheiro servia para comprovação de
capacidade econômica de várias pessoas, que normalmente não
possuíam realmente meios de subsistência e se tornavam pedintes
em ruas e estacionamentos de grandes centros comerciais.

O governo também criou uma “Tabella per la determinazione dei


mezzi di sussistenza richiesti per l'ingresso nel territorio nazionale”
conforme dados abaixo e que pode ser consultada no site:

http://www.poliziadistato.it/articolo/226-
Tabella_per_la_determinazione_dei_mezzi_di_sussistenza_richiesti_p
er_l_ingresso_nel_territorio_nazionale

Un Due o più
Classi di durata del viaggio partecipa partecipan
nte ti

Da 1 a 5 giorni: quota fissa complessiva € 269,60 € 212,81

Da 6 a 10 giorni: quota a persona


€ 44,93 € 26,33
giornaliera
Da 11 a 20 giorni: quota fissa € 51,64 € 25,82
Quota giornaliera a persona € 36,67 € 22,21

Oltre i 20 giorni: quota fissa € 206,58 € 118,79

Quota giornaliera a persona € 27,89 € 17,04

Hoje essa fiança bancária, por outro lado, se resolve o problema


para o Governo, acaba por complicar a situação daqueles que estão
honesta e regularmente tentando obter o reconhecimento de seu
direito à cidadania italiana.

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Isso se dá pelo fato de que essa “Fideiussione Bancaria” deve ser


apresentada junto com toda outra documentação pertinente ao
requerimento de “Permesso di Soggiorno”, porém, tudo deve ser
feito somente nos primeiros 08 (oito) dias de ingresso em solo
Italiano, e esse tempo é muito, muito exíguo para tanta coisa que
deve ser preparada.

Os bancos italianos são muito lentos, são defasados em tecnologia e


ainda possuem leis vantajosas que lhes concedem enormes prazos
para utilizar o dinheiro de seus correntistas. Essa morosidade na
transação econômica protegida por leis, resulta também por
impactar a gestão bancária, que copia o mesmo modelo e se torna
também muito morosa. O resultado disso é que, a obtenção de um
contrato de fiança bancária, se já é complicado no Brasil, imagine só
na Itália!

O aspirante à cidadania italiana deverá, contudo, obter esse


documento, e isso realmente vai custar, não só dinheiro, como
trabalho e tempo. Tudo isso se explica pela situação do crédito. Um
banco quer garantias, mas não conhecendo a pessoa, não terá
confiança em conceder-lhe o crédito, e isso resultará por um bom
investimento que “garanta” ao banco a “venda” do crédito.

ALTERNATIVAS PARA A QUESTÃO DA “FIDEIUSSIONE”

ALTERNATIVA 1:
Uma das alternativas para poder ganhar tempo nesse expediente, é
se iniciar essa tratativa com um banco italiano quando o aspirante à
cidadania ainda está em solo brasileiro, ou seja, antes de ir para a
Itália.

Esse procedimento poderia ser desencadeado a partir de um contato


com um Banco Italiano que tenha sede no Brasil, e a partir dessa
agência, obter esse documento de “Fideiussione” ainda no Brasil,
com validade para uso no território italiano, à partir da data em que
o viajante chegasse na Itália. Uma providência dessa natureza
pouparia muitas horas de burocracia italiana e também pouparia

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muito estresse, já que o tempo em solo italiano “urge” velozmente.


Por outro lado, estando no Brasil, o candidato terá mais tempo para
dispensar a essa prática.

ALTERNATIVA 2:
Também como alternativa a essa “Fideiussione”, poderia o
interessado na cidadania empreender contatos com seus amigos e
conhecidos na Itália, em modo a conseguir que esses lhe
adiantassem o expediente da fiança bancária, se empenhando
pessoalmente perante as instituições bancárias italianas. Esse
procedimento seria mais econômico, porém exigiria um certo grau de
intimidade com o cidadão italiano que se colocaria quase que como
“avalista” para esse cidadão brasileiro que pretenderia ir à Itália para
fazer o reconhecimento de sua cidadania.

Uma desvantagem desta alternativa reside no fato de ser bem difícil


encontrar alguém que se disponha a isso, não por conta da
credibilidade no “avalizado”, mas por conta da falta de tempo... aliás,
da “neurose” da falta de tempo que os italianos têm.

ALTERNATIVA 3:
Somente para o caso de candidatos que já possuam cidadãos
italianos em sua família, até o quarto grau em linha reta, poderão se
valer de, alternativamente à “Fideiussione”, apresentar uma
“Dichiarazione Sostitutiva di Atto di Notorieta” assinada por esse
parente, no qual o mesmo declara que acolhe o estrangeiro (no
caso, o aspirante à cidadania) em sua casa (através da declaração
de hospitalidade), que convive com estabilidade e harmonia com
esse estrangeiro e que garante que proverá a manutenção desse
estrangeiro sob suas expensas.

Essa alternativa, no entanto, passa necessariamente por


comprovação de tudo que está sendo declarado. Assim sendo, um
imóvel que contenha a metragem quadrada mínima que permita o
recebimento desse novo hóspede, e um “hollerith” (chamado “Busta
Paga”) que comprove que tem capacidade econômica de manter,
dignamente, mais uma pessoa sob seu teto.

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Dentre os documentos que serão exigidos aqui, ainda termos a cópia


da carteira de identidade do declarante e seu CUD do ano anterior
(Declaração e Imposto de Renda, equivalente a nosso DIRPF).

NULLA OSTA

Outro documento necessário à composição da prática de obtenção


do “Permesso di Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza”, é a carta do
“Comune” onde se atesta que “nada consta”, contra o
reconhecimento da cidadania italiana do requerente.

Para isso, o aspirante à cidadania deverá dirigir-se ao “Comune”


onde está efetuando a prática e onde pretende residir, munido com o
recibo da “Declaração de Presença”, tudo isso no momento em que
estiver também requerendo a inscrição no cadastro de residentes
desse “Comune” (Anagrafe), e ali, apresentar informalmente toda a
documentação elaborada no Brasil, devidamente traduzida e
legalizada.

Deverá, ato contínuo, declarar que a solicitação de residência se faz


com a finalidade de reconhecimento da cidadania italiana “Ius
Sanguinis”.

O “Comune”, com base nessa documentação, fará uma análise


prévia, e expedirá uma carta onde certifica que o “Iter” do
procedimento de reconhecimento da cidadania “Ius Sanguinis” está
em andamento.

Essa exigência da lei, já vigente anteriormente, tem trazido alguns


problemas de interpretação, aliás, eu mesmo em meu processo tive
desses problemas.

COMUNICAÇÃO COM O CONSULADO NO BRASIL

A causa mais evidente desses problemas é decorrente de um


paradoxo legal. Veja bem, o oficial do estado civil que vai analisar o
processo de cidadania e para fazê-lo deverá seguir alguns ritos
legais. Dentre esses ritos legais, encontra-se um que determina ao

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referido oficial, que deve comunicar-se com o Consulado do Brasil,


para consultar se o requerente (aspirante à cidadania) bem como
todos seus antepassados não apresentaram perante essa Repartição
Consular, renúncia à cidadania italiana.

O aspirante à cidadania deverá declarar ao “Comune”, todos os


endereços nos quais viveu no Brasil, em modo a definir a Jurisdição
das Repartições Consulares Competentes, as quais serão todas
consultadas para informar sobre essa hipótese de renúncia expressa
à cidadania italiana.

Esse paradoxo é materializado quando se constata que até


relativamente ao requerente (que ainda não é um cidadão italiano)
deve ser feita a verificação de que o mesmo não tenha renunciado à
cidadania italiana. A pergunta que fica sem resposta é: Como pode,
alguém que ainda não tem a cidadania italiana, renunciá-la? Só
podemos renunciar a alguma coisa sobre a qual já possuímos o
direito de exercício. Não sendo ainda cidadão italiano, como poderia
uma pessoa exercitar o direito de cidadão para poder renunciar a
esse próprio direito? Ao menos para mim, isso é um paradoxo
confuso.

Considerando que o Oficial do Registro de Estado Civil, para poder


afirmar que nada consta contra o pedido de cidadania do
requerente:

a) depende de analisar todos os documentos apresentados


pelo requerente;
b) depende também da resposta afirmativa da Repartição
Consular do Brasil atestando que nem o requerente, nem seus
ascendentes renunciaram à cidadania italiana;

Como nenhuma dessas duas práticas será feita ali, no momento em


que o interessado está no guichê, a situação resulta por indefinida.

Uma boa questão que se impõe aqui, é: Porque o candidato à


cidadania italiana, ele próprio já que está no Brasil preparando uma
série de documentos para ir à Itália, não pode dirigir-se ao

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Consulado de sua jurisdição e já solicitar previamente essa


declaração que o “Comune” italiano deve requerer do tal Consulado?

A resposta que obtive por várias vezes, quando indaguei se não


poderia eu mesmo portar esse documento à Itália, é de que eu não
detinha a “competência legal” para solicitar esse documento. Que a
legislação havia atribuído essa “competência legal” ao “Comune”,
assim sendo, somente o “Comune” poderia solicitar esse documento
ao Consulado, e somente ao “Comune” o Consulado poderia dirigir-
se e responder à solicitação.

Então, uma vez que é assim, embora sem tanta lógica, só resta
arranjar outras alternativas para dar andamento a esses processos.

Como poderá o Oficial do Registro de Estado Civil, antes de ter essas


respostas, atestar o “Nulla Osta” ao procedimento que está sendo
apenas iniciado pelo interessado?

ALTERNATIVA:
Uma solução que encontrei para esse paradoxo jurídico, é obter do
Oficial do Registro de Estado Civil uma declaração de que a prática
processual foi ali superficialmente analisada, e que “aparentemente”
em um simples controle formal da documentação apresentada,
“Nulla Osta” ao início do procedimento para verificação das
possibilidades de reconhecimento da cidadania italiana.

Considerando que o oficial do “Comune” ao qual me dirigi era muito


criterioso, aliás extremamente criterioso, eu tive uma certa
dificuldade em obter esse documento, mas isso não foi devido à uma
má vontade do referido servidor, o qual, aliás era muito competente,
mas sim ao próprio paradoxo jurídico criado pela Lei, que o obrigava
a afirmar uma situação jurídica antes mesmo de ter toda a
documentação que lhe permitisse emitir um juízo de mérito sobre a
referida prática.

Eu compreendi a dificuldade em que a Lei colocou esse operador dos


serviços e juntos encontramos uma alternativa para poder dar
prosseguimento ao meu processo, sem que o referido funcionário

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fosse colocado em risco de estar decidindo o mérito e me


concedendo um direito antes de ter a certeza de que eu não havia
renunciado a esse próprio direito.

Este foi o texto que fiz inserir nesse documento, em concordância


com o Oficial do Registro de Estado Civil do “Comune” onde efetuei a
prática de reconhecimento de minha cidadania italiana.

“ Com la presente, ai fini del rilascio del permesso di soggiorno per


riconoscimento della cittadinanza italiana a cittadino brasiliano di
origini italiana, si comunica che:

MEU SOBRENOME E MEU NOME COMPLETO


Nato a MINHA CIDADE DE NASCIMENTO (Brasile) il DIA/MÊS/ANO

- há presentato in data odierna l-istanza, corredata della


documentazione relativa, ai fini del
riconoscimento della cittadinanza italiana iure
sanguinis;
- la pratica é ad oggi all’esame di questo ufficio.”

Com esse texto, consegui superar um problema jurídico, que não


seria solucionado sem uma saída que não comprometesse o referido
oficial do registro civil.

“PERMESSO DI SOGGIONO PER ATTESA ALLA CITTADINANZA”

Como já vimos, segundo o entendimento mais rigoroso e nos dias


atuais, a prática da cidadania exige que o interessado obtenha no
prazo de 08 (oito) dias, o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla
Cittadinanza”.

Esse “Permesso” deve ser concedido pela “Questura” competente


para a prática, ou seja, a “Questura” da Província onde o candidato
pretenda efetuar sua residência. Na prática em muitas Províncias,
essa função está sendo exercida pelos “Commissariato di P.S.”,
conforme vimos anteriormente.

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Mas é mesmo necessário o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla


Cittadinanza” para poder obter o reconhecimento da cidadania
italiana diretamente na Itália?

A resposta é, não!

Para obter o reconhecimento da cidadania italiana diretamente na


Itália, o “Permesso di Soggiorno” não é essencial. Ele se torna
essencial se o interessado puder correr o risco de permanecer em
solo italiano sem a devida regularidade, e a regularidade de
permanência só pode ser obtida através da “Declaração de
Presença” ou das permissões que são os “Permesso di Soggiorno”.

Seja qual for, ela terá uma validade limitada no tempo.

Se o candidato à cidadania tiver 100% de certeza de que a sua


prática de reconhecimento de cidadania italiana pode ser concluída
em menos de 03 (três) meses, então o “Permesso di Soggiorno”
acaba por ser um documento desnecessário, já que por 03 (três)
meses o cidadão brasileiro em posse do recibo de entrega da
“Declaração de Presença” pode permanecer legalmente no território
italiano. Assim sendo, não estará irregular no país, e quando sua
cidadania for reconhecida, se acontecer antes desses 03 meses, ele
não estará mais irregular pois será um cidadão italiano.

Por outro lado, se sua cidadania não for reconhecida nesse breve
tempo, a sua situação de permanência e solo italiano será
considerada clandestina, sujeitando-se às penas e conseqüências
legais impostas aos clandestinos, inclusive à expulsão do país,
resultando como improfícuo seu processo de cidadania. Lembre-se
também das pesadas multas que são impostas nessas situações.
Reveja o item “Imigração Clandestina na Itália” no início deste
Capítulo.

Vale a pena correr esse risco? Se me perguntarem isso, sempre


responderei que não.

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Não vale a pena correr esse risco, pois ele é muito alto e não valerá
a pena colocar em risco um sonho tão grande, só por conta de
economia de algumas fases processuais.

Também essa opinião se justifica muito em base ao tempo que tem


demandado para que um “Comune” obtenha a resposta de uma
Repartição Consular Italiana do Brasil, afirmando que o interessado e
seus antepassados NÃO renunciaram à cidadania italiana.

Assim sendo, é mais conveniente correr atrás do tal “Permesso di


Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza”, e para isso, serão
necessários os seguintes documentos:

DOCUMENTOS A APRESENTAR NO “COMMISSARIATO DE P.S.”

1) Passaporte com carimbo de ingresso na Itália ou em


algum outro país da União Européia;
2) “Declaração de Presença” carimbado e assinado pela
Polícia de Fronteira ou feita perante o próprio
“Commissariato” caso o ingresso na Itália tenha sido
por fronteira com outro País Comunitário;
3) Marca da Bollo de € 14,62 (Catorze Euros e Sessenta
e Dois Centésimos);
4) Fotocópia de todas as páginas do Passaporte
inclusive com a página do carimbo de ingresso;
5) Quatro fotografias do requerente em formato
“Tessera”;
6) Quatro fotografias de cada um dos eventuais filhos
menores de idade à cargo do requerente do “Permesso
di Soggiorno” caso estejam indo à Itália para viver junto
com o requerente;
7) Declaração de Hospitalidade feita perante o
“Comune” assinada por quem dá a hospedagem ao
requerente ou por quem concede em uso (aluguel,
comodato, etc...) imóvel para habitação do requerente;
8) Fotocópia de um documento de identidade da
pessoa que concede a hospedagem ou do “Permesso di
Soggiorno” caso essa pessoa seja um estrangeiro;

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9) Apresentação do seguro de saúde viagem ou do


certificado de direito de assistência médica emitido pelo
INSS.

Relativamente à “Declaração de Presença” carimbada e assinada,


não esquecer da GRANDE CONVENIÊNCIA em se fazer o acesso à
Itália através de um vôo sem conexões, partindo do Brasil,
diretamente a Milão ou Roma, ou qualquer outra cidade Italiana.

Se o ingresso se de por território de outro Estado Membro da União


Européia, será necessário fazer a “Declaração de Presença” perante
o “Commissariato” ou a própria “Questura” da respectiva Provícia.

Relativamente à “Marca da Bollo” trata-se de um selo vendido em


tabacarias, que são muito facilmente encontradas na Itália. Essas
tabacarias têm maquinas de registro desses “Bollo” que são selos
pré-pagos de taxas e emolumentos pelos atos praticados perante a
Administração Pública Italiana. Para os processos cotidianos,
normalmente tem sempre esse mesmo valor de € 14,62 (Catorze
Euros e Sessenta e Dois Centésimos de Euro).

O passaporte deverá ser levado em original, bem como uma


fotocópia de todas as suas páginas, mesmo as em branco, do
começo ao fim. É bom lembrar que o passaporte deve estar em
curso de validade, e distante do prazo de vencimento, ao menos uns
02 (dois) anos. Isso eu recomendo, pois como o “Permesso di
Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza” pode ser concedido por um
prazo de até 01 (um) ano, se o passaporte vencer antes desse
tempo, o permesso será dado até uma validade de 06 (seis) meses
anteriores ao vencimento do passaporte, assim sendo, o interessado
terá empreendido um enorme esforço para conseguir um “Permesso”
que será dado por pouco tempo, sujeitando-o logo-logo a requerer
sua renovação, com novos custos, novos documentos e novos
estresses.

Deve ser ainda considerado que, uma vez que a legislação sobre
essas práticas tem mudado com muita freqüência, pode ser que já

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na renovação de um “Permesso di Soggiorno” novos documentos ou


procedimento tenham sido incorporados, resultando em maiores
burocracias e desgastes pessoais.

Relativamente às fotografias do requerente em formato “Tessera”,


cabe informar que tem as medidas aproximadas de 3,5 x 4,5 cm e
devem ser feitas a meio perfil, em modo poder registrar o formado
da cabeça e das orelhas. Essa é uma determinação da legislação
anti-terrorismo, da União Européia, ao menos me foi assim
informado. Assim sendo, não faça essas fotos no Brasil, faça-as aqui,
custam € 10,00 (dez euros) para se fazer 08 (oito) fotos, é a média e
são feitas na hora.

Relativamente à declaração de hospitalidade, já vimos anteriormente


que uma via ficou em mãos do aspirante à cidadania.

Também será necessária uma fotocópia do documento de identidade


do anfitrião que deu a hospitalidade ou do empregador, se for o caso
de admissão em emprego, ou do locador, no caso de cessão de
“fabbricato”. Enfim, uma cópia desse documento de identidade
deverá de novo ser apresentada, agora não no “Comune”, mas sim
na “Questura” ou “Commissariato di P.S.”.

Se esse anfitrião, empregador ou locador for estrangeiro, ao invés da


fotocópia da identidade será exigida fotocópia do seu “Permesso di
Soggiorno”.

Deverá ser anexado aqui a carta de “Nulla Osta” dada pelo


“Comune” no qual foram depositados todos os documentos para a
prática da cidadania italiana, conforme já vimos em detalhes nas
páginas anteriores.

Por fim, o comprovante da documentação sobre a “Fideiussione” que


atestem os adequados meios de sustento do requerente, ao menos
semestral, na importância de € 5.000,00 (Cinco mil euros) ou uma
das alternativas que sugeri anteriormente no detalhamento deste
tema. Lembro aqui, que essa fiança poderia também ser
apresentada em forma de apólice de seguro, se for possível obtê-la.

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Em posse de todos esses documentos, o candidato deverá se dirigir


ao “Commissariato de P.S.” da jurisdição do “Comune” onde estiver
dando entrada nos documentos.

Para isso é muito importante que o candidato já no primeiro ou


segundo dia de sua chegada na Itália, procure por esse
“Commissariato” para obter informações sobre os horários de
apresentação, horários em que as eventuais filas se formam, e
eventualmente se os mesmos distribuem senhas ou fixam
agendamentos.

Essa simples medida poderá auxiliar muito no processamento de seu


pedido, uma vez que já se coloca em contato com o Órgão,
estabelecendo uma sintonia de comunicação e preparação que
certamente serão de grande auxílio no dia em que for se apresentar
com toda a documentação para obtenção do “Permesso di
Soggiorno”, tal como já sugeri anteriormente no contato com os
“Comune”.

Essa visita ao Órgão também deve levar em conta a busca de


informações que possam atualizar o contexto inserido nesta obra, já
que o Governo Italiano não tem se revelado muito estável em suas
práticas para reconhecimento da cidadania italiana diretamente na
Itália, principalmente quando se trata de brasileiros.

RESIDÊNCIA NO “COMUNE” E VISITA POLICIAL (“ISPEZIONE DEI


VIGILI”)

Uma vez com o “Permesso di Soggiorno” em mãos, o aspirante à


cidadania começará a viver um pouco melhor da sua situação
jurídica na Itália. Não significa que tudo acabou, mas que começam
a surgir novos horizontes.

A primeira providência a fazer é obter a residência oficial. Esse


procedimento se faz levando o “Permesso di Soggiorno per Attesa
alla Cittadinanza” ao “Comune” onde foi feita a comunicação de
hospitalidade e também analisados preliminarmente todos os

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documentos de cidadania preparados no Brasil. No caso de


“Comune” que tenha o entendimento mais favorável ao interssado,
essa residência já poderá ser requerida com a requisição feita no
momento em que se apresentou o recibo da entrega da “Declaração
de Presença”. Mas este é o caso mais simples. Por prudência, vou
considerar que será sempre solicitado o “Permesso di Soggiorno”.

O “Comune”, em posse da cópia do “Permesso di Soggiorno”,


preencherá uma série de campos em um banco de dados
informatizados, colocando todos os dados do requerente e depois
imprimindo um documento que se chama pedido de residência
“Richiesta di Residenza”. Esse documento é feito em uma folha
enorme e impresso em impressora matricial de 150 colunas, de tão
grande que é. Pode ser que à época em que o leitor interessado
esteja processando seu pedido, essa tecnologia já tenha mudado,
mas hoje ainda é assim.

Uma vez impresso, o Oficial do Registro colhe a assinatura do


interessado, e destaca uma grande tarjeta desse documento
entregando-a ao requerente como prova de pedido de residência.

Uma vez feito isso, o Oficial do Registro comunica a Policia Municipal


ou outro Órgão de Polícia responsável pela segurança pública, e esse
Órgão se encarregará de fazer uma fiscalização, inspeção de controle
para se certificar de que o interessado realmente existe, de que o
imóvel realmente existe e é apropriado ao uso humano e que o
interessado está estabelecido realmente lá.

Essa fiscalização, comumente chamada de “visita policial”


(“Ispezione dei Vigili”) tem também o objetivo de verificar as
condições sócio-sanitárias do local, e certificar que não se trata de
um cortiço, de uma fraude ou outra coisa.

Como essas visitas policiais não tem data certa para ocorrer,
podendo variar de 01 dia a mais de 02 ou 03 meses, é muito
desagradável ao interessado, mas ele deverá procurar ficar de
plantão no imóvel, até que essa visita ocorra. Se ocorrer de os
policiais passarem para fazer a visita em um momento em que o

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interessado não esteja, eles normalmente retornam, mas se isso


acontecer por muitas vezes, a situação poderá se complicar para o
interessado, que se verá diante de necessidade de se justificar do
porque não ter sido encontrado, embora insistentemente procurado.

Cabe aqui uma advertência: Mesmo com o “Permesso di Soggiono di


Attesa alla Cittadinanza” em mãos, e (segundo o entendimento mais
favorável) podendo sair do País, não convém ao interessado fazer
uso dessa liberdade antes da visita dos policiais, aliás, que pode ser
repetida mais de uma vez.

Essas visitas também tem a finalidade de verificar se o interessado


não está trabalhando ilegalmente, e por isso dificilmente eles
agendam visitas com dia ou hora marcadas.

É um mal necessário, mas uma vez superado, estará abrindo as


portas da Itália para o candidato. Nessa visita os policiais poderão
solicitar abertura de armários e malas, bem como indagar o
requerente sobre sua vida, certificando-se de que se trata de uma
pessoa honesta e que está corretamente praticando seus atos na
Itália

É uma missão solene e muito importante, e o respeito deve reinar de


ambas as partes. Recomendo fortemente que o imóvel que será
objeto da vistoria seja mantido limpo e organizado e que não tenha
residentes acima do número máximo de pessoas por metro quadrado
permitido pela lei.

Se algum problema ocorrer nessa vistoria, a residência não será


concedida, e muita burocracia deverá ser reiniciada para resolver
essa situação pois colocará o estrangeiro (pois ainda é estrangeiro)
em situação de não ter um abrigo regular.

Uma vez concluída a visita policial, um relatório será encaminhado


pelo Órgão de Polícia ao Oficio de Registro Civil, atestando a
veracidade das declarações do requerente. Feito isso, o requerente
será inscrito na anagrafe dos residente no “Comune” e poderá
solicitar um “Certificato di Residenza” que vai ser um documento

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inicial para pedido de outros documentos e prática de atos na vida


civil.

APRESENTAÇÃO DEFINITIVA DE DOCUMENTOS

Obtida a residência se inicia a prática para o reconhecimento da


cidadania italiana na Itália, e se faz através de um requerimento
escrito pelo próprio “Comune”, onde o interessado assina solicitando
o reconhecimento de sua cidadania “Ius Sanguinis” e faz a juntada
de toda a sua documentação preparada, traduzida e legalizada no
Brasil.

Uma vez feito o depósito dessa documentação, não restará mais ao


interessado fazer nada, apenas esperar que seu processo seja
analisado e concluído.

Nessa análise, como já foi mencionado anteriormente no item


“Comunicação com o Consulado no Brasil”, o “Comune” solicitará ao
Consulado de Jurisdição Competente no Brasil informações sobre
eventuais renúncias do interessado e de seus ascendentes, à
cidadania italiana.

Esta consulta não se confunde com aquela feita ao Ministério da


Justiça do Brasil na qual se solicita uma Certidão Negativa de
Naturalização. Se o ancestral se naturalizou quando chegou ao
Brasil, isso se deu através de nosso Ministério da Justiça, mas não
necessariamente o fez comunicando ao Governo Italiano sua
decisão, e por isso o Governo Italiano requer aquela Certidão
Negativa.

Porém em se tratando de italianos, se eventualmente algum desses


antepassados renunciou expressamente à própria cidadania, isso só
pode ter sido feito perante o Governo Italiano, que é o governo que
tem a capacidade ativa para processar esse pedido, já que é de sua
soberania. Então, isso fica assentado nos registros consulares, e é
por isso que se faz esta consulta a esses Consulados.

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São assim, dois atos distintos e que não se confundem. Um é a


Certidão Negativa de Naturalização (obtida perante o Ministério da
Justiça do Brasil) outro é um tipo de Certificação Negativa de
Renúncia de Cidadania ou de Nacionalidade (obtida perante o
Consulado Italiano no Brasil).

Quando o Consulado devolve a resposta de que não houve renúncia


por parte do interessado e seus ascendentes, à cidadania italiana,
então o processo se conclue, e o próprio “Comune” consagra o
direito de cidadania italiana ao interessado, fazendo para isso alguns
atos formais, dentre os quais o Registro de Nascimento do
requerente nos registros civis ali mantidos.

Esse é o momento tão esperado por todos os aspirantes à cidadania


italiana.

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CAPÍTULO VI

CIDADÃO ÍTALO-BRASILIANO
O QUE FAZER COM SUA CIDADANIA RECONHECIDA

Por fim, este capítulo é quase que um prêmio aos candidatos que
chegaram à conquista de sua cidadania italiana.

Neste capítulo eu explico superficialmente algumas coisas da vida


civil de um cidadão. Não posso me aprofundar muito nos temas, pois
uma vida é de uma complexidade inimaginável, principalmente
quando se “nasce” adulto, e é esse o caso de um cidadão que esteja
indo para a Itália para processar o reconhecimento de sua cidadania
lá, sem nunca ter vivido lá, e isso é bem complexo.

Mas vou dar algumas noções, como exercer alguns de seus direitos
mais básicos, como se utilizar dos serviços públicos de saúde, como
se utilizar dos serviços de instrução pública, seja em escola
“materna” (“asilo”) seja na “elementare”, seja na “superiore” ou na
universitária.

Vou explicar um pouquinho como devem fazer para obter uma


simples Carteira de Habilitação (Patente) ou como se aprofundar no
conhecimento sobre os contratos que regem a vida civil de um
italiano, como um simples contrato de locação.

Neste capítulo abordaremos o lado civil da vida de um cidadão


italiano. Espero que cada leitor que tenha se orientado pelo que
apresentei neste livro, tenha a felicidade de poder realizar esta etapa
da vida de um cidadão, etapa que representa o resultado de um

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bom investimento que foi feito para a conquista da tão sonhada


dupla cidadania.

Inicio falando sobre o Códice Fiscale, pelo fato de ser um documento


relativamente fácil de ser obtido, inclusive por aqueles que são
estrangeiros. Em se tratando de um cidadão italiano, nada mais fácil.

CODICE FISCALE

O “Codice Fiscale” é o documento equivalente ao Cadastro de


Pessoas Físicas do Ministério de Fazenda – CPF, no Brasil, e
praticamente serve aos mesmos fins.

Ele é necessário para se inscrever no Serviço Sanitário Nacional, para


ser contratado como empregado, para iniciar uma atividade de
empreendedor autônomo, para aperfeiçoar qualquer tipo de
contrato, para abrir uma conta corrente bancária, etc...

Como o próprio nome já diz, é um “código” que identifica de modo


inequívoco as pessoas que são inscritas nos registros do Cadastro
Tributário (Anagrafe Tributaria), ou seja, os dados que depois
servirão para fazer funcionar todo o sistema tributário (fisco, e daqui
vem o termo “Fiscale” do tal código), portanto, pagamento de taxas,
impostos e coisas assim.

Ele também representa o instrumento de identificação do cidadão


nas relações com os entes da administração pública italiana. O único
“Codice Fiscale” válido é aquele emitido pela “Agenzia delle Entrate”,
que é o órgão público responsável pela emissão e gestão desse
documento, e é equivalente à Secretaria da Receita Federal no Brasil.

O “Codice Fiscale” é emitido através de solicitação à “Agenzia delle


Entrate” e pode ser feito o pedido por meio informatizado nas
seguintes condições:

a) Para os recém nascidos, por parte dos “Comune”, no


momento da sua inscrição no cadastro de residentes
(“Anagrafe dei Residenti”);

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b) Para os cidadãos italianos residentes no exterior, por parte


dos Consulados;
c) Para os cidadãos estrangeiros, por parte dos Guichês Únicos
para Imigração (“Sportelli Unici per l’Immigrazione - SUI) e
por parte das “Questure”

Os cidadãos ainda desprovidos do “Codice Fiscale” podem


apresentar-se na agencia local da “Agenzia delle Entrate” com um
documento de identificação válido, sendo que para os estrangeiros é
exigido o passaporte e o “Permesso di Soggiorno”.

Assim sendo, uma vez com o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla
Cittadinanza” nos termos em que foi orientado nos capítulos
anteriores, o aspirante à cidadania já está em condições de solicitar
o seu “Codice Fiscale”.

Mas como se solicita um “Codice Fiscale”?

Para se requerer o “Codice Fiscale”, nos casos em que o mesmo


ainda não tenha sido atribuído ao requerente, é necessário dirigir-se
a um escritório da “Agenzia delle Entrate” com um documento de
reconhecimento válido, que podem ser os seguintes:

a) Para um recém nascido deve ser apresentada a Certidão de


Nascimento ou um documento chamado auto-certificação,
assinado pelos genitores;
b) Para os cidadãos estrangeiros na Itália (e é o caso do
aspirante à cidadania que ainda não tenha tido sua cidadania
reconhecida):
ª Se é um cidadão pertencente à União Européia, deve
apresentar um documento de identidade válido;
b. Se é um cidadão não pertencente à União Européia
(caso dos brasileiros), deve apresentar o “Permesso di
Soggiorno” e o Passaporte;
c) Para os residentes no exterior o cidadão deve dirigir-se à
Embaixada Italiana ou consulado correspondente.

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A estrutura do “Codice Fiscale” é composta por um código


alfanumérico composto de letras e números num total de 16
(dezesseis) caracteres.
Os primeiros 15 (quinze) caracteres são relativos aos dados pessoais
do cidadão, tais como nome, sobrenome, sexo, data de nascimento
e local de nascimento, enquanto que o último caractere é um dígito
de verificação que é calculado com algumas fórmulas complexas
aplicadas sobre os 15 (quinze) primeiros caracteres.

Para maiores detalhamentos, existem inúmeros sites na internet que


ensinam como calcular o “Codice Fiscale”, outros ainda possuem
programas para download gratuito, e outros disponibilizam serviços
para o cálculo desse código para os curiosos.

Basicamente o código é composto assim:

- 3 letras para o sobrenome


- 3 letras para o nome
- 2 dígitos para o ano de nascimento
- 1 letra para o mês do nascimento
- 2 dígitos para o dia do nascimento
- 4 caracteres para identificar o local de nascimento
- 1 caractere para dígito verificador

Este site que informo abaixo é muito interessante para esse


detalhamento:

http://www.dotnethell.it/articles/calcolocodicefiscale.aspx
http://webservices.dotnethell.it/

CARTA D’IDENTITÁ

A Carteira de Identidade Italiana é um documento emitido pelo


“Comune” de residência do cidadão, e atesta a identidade do titular.

Observe que não é um Órgão da Segurança Pública (como no Brasil)


que emite a Carteira de Identidade, mas sim o “Comune”, vale dizer,
a prefeitura.

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Esse documento serve para as seguintes pessoas e é obtido da


seguinte forma:

- Os Cidadãos Italianos maiores de 15 anos e residente no


“Comune”, devendo apresentar-se pessoalmente ao Guichê do
Serviço Demográfico (Anagrafe);
- Os Cidadãos Italianos maiores de 15 anos residentes no
exterior (AIRE – Anagrafe Italiani Residenti All’Estero) e
devem também se apresentar pessoalmente ao Guichê do
Serviço Demográfico (Anagrafe);
- Os Cidadãos Estrangeiros maiores de 15 anos residentes do
“Comune” podem requerer, do mesmo modo que os cidadãos
italianos residentes, uma Carteira de Identidade que terá valor
exclusivamente de documento de reconhecimento de
identidade, não sendo válida para saída do país, caso em que
deverão apresentar o passaporte válido.

É possível requerer e obter a carteira de identidade válida para a


saída do país, com a qual se pode transitar livremente nos seguintes
países: Áutria, Bélgica, Bósnia Erzegovina, Chipre, Croácia,
Dinamarca, Egito*, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Inglaterra,
Gran Bretanha, Grécia, Irlanda, Islândia, Letônia, Liechtenstein,
Lituânia, Luxemburgo, Macedônia, Malta, Marrocos*, Montenegro,
Noruega, Holanda, Polônica, Portugal, Principado de Mônaco,
República Tcheca, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia,
Suíça, Tunísia*, Turquia* e Hungria. (*só no caso de viagem turística
organizada)

Para requere a Carteira de Identidade o cidadão deve dirigir-se ao


Serviço Demográfico do “Comune” de sua residência (Anagrafe). A
Carteira de Identidade é emitida no ato, cerca de 15 a 20 minutos e
o documento está em mãos.

Para emissão da Carteira de Identidade deve-se apresentar a


seguinte documentação:

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A) Para carteira de identidade de menores entre 15 e 18 anos de


idade:
a) Um documento válido de identidade (na falta de um
documento assim, pode-se apresentar com duas testemunhas
maiores de idade, munidas de documento de identidade
válido, que declarem conhecer pessoalmente o interessado);
b) 3 fotografias recentes a meio busto, com cabeça
descoberta (exceto quando a cobertura da cabeça com véu,
turbante ou algo que seja importo por motivos religiosos,
desde que os traços do rosto resultem bem visíveis);
c) Se a carteira de identidade for requerida com validade para
saída do país, é necessária a concordância de ambos os
genitores, que devem assinar em um módulo separado,
perante o escritório do Serviço Demográfico do “Comune”, ou
preenchendo um documento de consentimento não assinado
perante o funcionário do serviço demográfico, mas anexando
a fotocópia de um documento de identidade válido;
d) No caso de falta de autorização por parte de um dos
genitores, é necessária a autorização judicial.

B) Para emissão ou renovação de carteira de identidade de maiores


de idade, válida para saída do país:
a) Para as pessoas maiores solteiras, noivas ou casadas e não
legalmente separadas, com ou sem filhos menores e para as
pessoas viúvas é necessário:
i. 3 fotografias recentes a meio busto, com
cabeça descoberta (exceto quando a cobertura da cabeça com
véu, turbante ou algo que seja importo por motivos religiosos,
desde que os traços do rosto resultem bem visíveis);
ii. Carteira de identidade vencida, para o
caso de renovação. Em caso de primeira emissão, outro
documento de identidade válido, ou na falta, a presença de
duas testemunhas munidas de documentos de identidade
válidos e que declarem conhecer pessoalmente o interessado;
b) Para os genitores naturais com filhos menores, é
necessário, além da documentação indicada no item “a”
acima, o consentimento do outro genitor natural, manifestado

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ao Serviço Demográfico (Anagrafe) competente para a


emissão da Carteira de Identidade;
c) Para os genitores separados legalmente ou divorciados,
com filhos menores, é necessário além dos documentos
indicados no item “a” acima, a sentença do divórcio ou da
separação, na qual se consente a emissão de documento
válido para a saída do país. Tal documento não deverá ser
emitido por mais de um ano. Se não for possível a respectiva
sentença, será necessário que o outro progenitor assine diante
do funcionário que emite a carteira de identidade, ou se não
for residente no “Comune”, apresentar a mencionada
declaração de consentimento, escrita e com firma reconhecida
no local onde se encontre. Na falta desse documento,
somente uma autorização judicial poderá ser apresenta para a
emissão dessa carteira de identidade.

C) Emissão ou renovação de carteira de identidade para maiores de


idade, não válida para a saída do país:
a) 3 fotografias recentes a meio busto, com cabeça descoberta
(exceto quando a cobertura da cabeça com véu, turbante ou
algo que seja importo por motivos religiosos, desde que os
traços do rosto resultem bem visíveis);

Uma nota do “Ministero dell’Interno” n. 400/A/2005/1501/P/23.13.27


de 5 dezembro 2005 forneceu algumas indicações oficiais
relativamente às características técnicas e relativas à qualidade das
fotografias para documentos de identidade.

A validade da carteira de identidade italiana, em decorrência do


Decreto Lei n. 112 de 25/06/2008, é de 10 (dez) anos e sua
renovação pode ser requerida a partir de 180 dias antes do
vencimento. Observa-se que, assim como prevista na Circular do
“Ministero dell’Interno” n. 8 de 26/06/2008, no caso de carteira de
identidade que tenha sido emitida com validade de 05 (cinco) anos
anteriormente a este decreto, o “Comune” deverá proceder à
convalidação do documento original por mais 05 (cinco) anos,
fazendo inserir a seguinte apostila no documento: “validità
prorrogata ai sensi dell'art. 31 del D.L. 25/6/2008 n. 112 fino al...”.

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Essa apostila deverá ser inserida pelo “Comune” de residência atual


do cidadão, mesmo que não tenha sido desse “Comune” a emissão
da carteira de identidade.

O custo para emissão ou renovação de uma carteira de identidade é


sempre o mesmo, € 5,42 (Cinco euros e quarenta e dois centésimos)
a serem pagos diretamente no Serviço Demográfico (Anagrafe).

Esse modelo de “Carta D’Identitá” é muito antiquado e será


gradualmente substituído pelo modelo em cartão magnético
conforme este exemplo abaixo.

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TESSERA SANITARIA

O Artigo 32 da Constituição Italiana reconhece que a saúde é um


direito fundamental do indivíduo e que interessa à coletividade.

Aos estrangeiros é assegurada uma igualdade aos italianos no que


se refere aos serviços de saúde.

Para inscrever-se no serviço de saúde, é necessário estar em posse


do “Permesso de Soggiorno” válido e do “Certificato de Residenza”
ou “Dichiarazione di Ospitalitá” e o “Codice Fiscale”.

No caso do aspirante à cidadania italiana, uma vez que chegue à


Itália já esteja em posse do “Permesso di Soggiorno per Attesa alla
Cittadinanza”, mesmo que ainda não tenha o certificado de
residência, havendo a declaração de hospitalidade, poderá já se
inscrever no serviço nacional de saúde, recebendo sua “Tessera
Sanitária”, que é a carteira de saúde na Itália.

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É uma carteira pessoal que substitui o cartão plastificado do antigo


“Códice Fiscale” para todos os cidadãos que tenham o direito de
atendimento perante o Serviço Nacional de Saúde (“Servizio
Sanitário Nazionale”).

A “Tessera” contém, além dos dados de cadastro e assistenciais da


pessoa, o “Codice Fiscale”, seja na tarja magnética, seja por código
de barras. É válida em todo o território nacional e permite a
obtenção de serviços de saúde também em outros países da União
Européia, em substituição ao Modelo em Papel E111. Permite
também o usufruto dos serviços sanitários cobertos anteriormente
pelos modelos E110, E119 e E128, mas isto não vai interessar muito
ao aspirante à cidadania italiana, já que não possuía esses serviços
anteriormente.

Todos os dados da “Tessera Sanitária” que são legíveis são também


reproduzidos em forma de código de barras ou na tarja magnética
contida no verso do cartão.

Passou a ser distribuída a partir de 2004 pelas “Agenzie dell’Entrate”


a todos os cidadãos que tenham o direito, segundo o endereço de
residência, no momento da expedição.

Veja um modelo de “Tessera Sanitária” a seguir:

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LEGENDA FRENTE

1) Data de vencimento;
2) 3 letras em formato Braille standard a 6 pontos;
3) Dados sanitários regionais;
4) Dado da Província de nascimento do cidadão.

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LEGENDA VERSO

1) Tarja magnética;
2) Código de barras;
3) Sigla do País que emite a “Tessera”, no caso IT = Itália (Códice
ISO 3166-1);
4) Identificativo do modulo de assistência nos países membros da
União Européia.

A requisição da “Tessera Sanitária” pode ser feita na Unidade Local


da ASL (Azienda Sanitaria Locale). A ASL imprime uma via da
“Tessera Sanitária” que já contém o “Codice Fiscale” do contribuinte.

Essa “Tessera” com o “Codice Fiscale” serve para os casos em que


seja necessário a requisição de receitas médicas para aquisição de
medicamentos e para obtenção se serviços de médicos especialistas.
O “Tesserino” verdadeiro será remetido ao endereço de residência do
requerente em um prazo médio que varia de 15 a 20 dias.

Uma vez feita a solicitação da “Tessera” na ASL, a segunda via ou


demais, em caso de perda ou extravio, poderão ser solicitadas em
qualquer das “Agenzie dell’Entrate”. Mas a primeira solicitação
sempre deverá ser feita através de uma ASL.
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Relativamente à utilidade, a “Tessera Sanitaria” além de permitir ao


seu portador usufruir dos serviços sanitários nacionais, tem também
a validade como “Códice Fiscale” para ser utilizado em todos os
casos em que seja necessária a apresentação do mesmo. Em
resumo, dois documentos do cidadão foram fundidos em apenas um
documento físico.

Depois de 05 (cinco) anos, salvo disposição diversa por parte da


ASL, a “Tessera Sanitária” vence. Mas o usuário não precisa se
preocupar, pois automaticamente é enviado a seu domicilio uma
nova “Tessera” para substituir a que está vencendo.

Em 01/01/2008 entrou em vigor uma normativa que impõe a


obrigação de emissão de cupons fiscais com os dados para a
comprovação de compras de medicamentos, os quais poderão ter
seus respectivos valores utilizados para fins de dedução de imposto
de renda pessoa física, desde que no referido cupom fiscal esteja
inserido os dados do “Codice Fiscale” do contribuinte.

TESSERA ELETTORALE

Os eleitores para poderem exercitar seus direitos a voto deverão


exibir, além de um documento de identidade válido, a “Tessera
Elettorale”.

A “Tessera Elettorale” é o documento necessário para se poder


exercer o direito de voto. É extremamente pessoal, tem caráter
permanente e é válida por 18 eleições. Deve ser apresentada na
seção eleitoral no momento da votação, juntamente com um
documento de identidade.

Quem tiver perdido ou extraviado a própria “Tessera” poderá


requerer a segunda via no “Ufficio Elettorale Del Comune” de
residência, após preenchimento da declaração de extravio. No caso
de furto, deverá também apresentar a cópia do boletim de
ocorrência (denúncia) feita perante a autoridade de segurança
pública.

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Toda alteração que houver em nos dados constantes em uma


“Tessera Elettorale” são efetuadas pelo “Ufficio Elettorare” e as
respectivas atualizações são enviadas por via postal diretamente ao
domicílio do eleitor. São pequenas etiquetas auto-adesivas que
devem ser coladas na “Tessera”, nos campos apropriados, resultando
desse procedimento, a atualização dos dados constantes na referida
“Tessera”.

O direito de voto pode ser exercido por todos os cidadãos maiores


de idade que estejam no gozo de seus direitos políticos e seja
residentes no “Comune” ou, se residentes no exterior, estejam
inscritos na lista eleitoral do “Comune”.

Para solicitar a “Tessera” é suficiente estar inscrito na lista eleitoral


do “Comune”. A “Tessera” será encaminhada ao próprio domicílio do
eleitor.

Na Itália o direito ao voto passa a existir à partir do momento em


que a pessoa completa os 18 (dezoito) anos de idade, ou seja, a
maioridade. Somente para a eleição dos Senadores da República é
exigido que o eleitor tenha completado os 25 anos de idade.

Veja a seguir um modelo deste documento.

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O “PASSAPORTO ITALIANO”

A partir de 26 de outubro de 2006 foi liberada a emissão do


passaporte eletrônico que é dotado de um microchip que contém os
dados anagraficos e a fotografia do titular do documento, além das
informações sobre a Autoridade que o expediu.

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Para o ingresso nos Estados Unidos continuam válidos tanto os


passaportes com foto digital emitidos antes desse data acima
indicada quanto os passaportes a leitura ótica ou os renovadas antes
dessa data.

É sempre possível renovação do passaporte no modelo anterior, mas


não será válido para a entrada nos Estados Unidos.

PASSAPORTE PARA REQUERENTES MAIORES DE IDADE SEM FILHOS

Para a emissão do passaporte eletrônico deve ser anexado ao


formulário de requisição a seguinte documentação:
- 03 (três) fotos em formato “Tessera” com fundo branco,
idênticas e recentes, das quais uma deve ser autenticada
perante o Serviço Anagrafico ou Escritório de Relações
Públicas do “Comune”;
- 01 “Marca da Bollo” no valor de € 40,29 (Quarenta euros e
vinte e nove centésimos);
- Recibo de depósito de € 44,66 (Quarenta e quatro euros e
sessenta e seis centésimos) na conta C.C.P 67422808 como
beneficiário o “Ministério Dell’Economia e Delle Finanze –
Dipartamento Del Tesoro” com o motivo “Importo Rilascio
Passaporto Elletronico”;
- Passaporte vencido (só para aquele que o tiver);

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- Fotocópia de um documento de identidade válido para


anexar à solicitação.

PASSAPORTE PARA REQUERENTES MAIORES DE IDADE CASADOS


OU CONVIVENTE COM FILHOS MENORES

Para a emissão do passaporte eletrônico deve ser anexado ao


formulário de requisição a seguinte documentação:
- 03 (três) fotos em formato “Tessera” com fundo branco,
idênticas e recentes, das quais uma deve ser autenticada
perante o Serviço Anagrafico ou Escritório de Relações
Públicas do “Comune”;
- 01 “Marca da Bollo” no valor de € 40,29 (Quarenta euros e
vinte e nove centésimos);
- Recibo de depósito de € 44,66 (Quarenta e quatro euros e
sessenta e seis centésimos) na conta C.C.P 67422808 como
beneficiário o “Ministério Dell’Economia e Delle Finanze –
Dipartamento Del Tesoro” com o motivo “Importo Rislascio
Passaporto Elleronico”;
- Passaporte vencido (só para aquele que o tiver);
- Fotocópia de um documento de identidade válido para
anexar à solicitação.
- Fotocópia de um documento de identidade válido do outro
genitor da criança
Os coniventes com filhos menores são equiparados a casados. É
solicitada também uma declaração de convivência que deve ser
preenchida perante o “Comune” aceitando contextualmente a
solicitação do passaporte pelo outro genitor, firmado em carta
simples em forma de “Autocertificação”;

PASSAPORTRE PARA REQUERENTES DIVORCIADOS OU SEPARADOS


COM FILHOS MENORES

Para a emissão do passaporte eletrônico deve ser anexado ao


formulário de requisição a seguinte documentação:
- 03 (três) fotos em formato “Tessera” com fundo branco,
idênticas e recentes, das quais uma deve ser autenticada

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perante o Serviço Anagrafico ou Escritório de Relações


Públicas do “Comune”;
- 01 “Marca da Bollo” no valor de € 40,29 (Quarenta euros e
vinte e nove centésimos);
- Recibo de depósito de € 44,66 (Quarenta e quatro euros e
sessenta e seis centésimos) na conta C.C.P 67422808 como
beneficiário o “Ministério Dell’Economia e Delle Finanze –
Dipartamento Del Tesoro” com o motivo “Importo Rislascio
Passaporto Elleronico”;
- Passaporte vencido (só para aquele que o tiver);
- Fotocópia de um documento de identidade válido para
anexar à solicitação;
- Fotocópia de um documento de identidade válido do outro
genitor da criança;
- Anexar um “Nada Consta” do juiz titular da causa, quando
um dos cônjuges não conceda voluntariamente o próprio
consenso. O “Nada Consta” não deve ser produzido se o
requerente é o único possuidor do poder familiar, como
exemplo, no caso de viúvos.

AUTOCERTIFICAZIONE E DICHIARAZIONE SOSTITUTIVA DI


NOTORIETÁ

Como resultado de um processo de desburocratização feito pelo


Governo, alguns atos, declarações e documentos da vida civil
passaram a poder ser emitidos de próprio punho, pelo cidadão, com
presunção de veracidade, sem a necessidade de ser elaborado com
as solenidades feitas em cartórios, tabeliões ou com firmas
reconhecidas.

Essa autocertificação é uma declaração feita de próprio punho


relativamente a fatos e qualidades pessoais, e pode ser utilizada nas
relações com a Administração Pública e com Concessionários e
Gestores de Serviços Públicos. Até mesmo o cidadão estrangeiro
pode-se valer esse tipo de documento.

A pessoa, através da autocertificação, atesta sob a própria


responsabilidade civil e penal, a veracidade do que está declarando.

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A autocertificação, assim escrita, substitui os tradicionais certificados


ou certidões públicas.

As pessoas físicas têm a faculdade, mas não a obrigação de aceita-


las, porém, a Administração Pública tem a obrigação de aceita-las
não podendo rejeita-las.

São autocertificáveis:

- A residência;
- O estado de casado ou viúvo, sempre que o matrimônio
tenha ocorrido na Itália;
- O estado de família, se controlável pelas autoridades
italianas;
- A existência em vida;
- O nascimento de filho, ou o fato de que uma pessoa é
ascendente ou descendente, se controlável por uma
autoridade italiana;
- A inscrição nos Conselhos de Classe Profissional (ALBO);
- Os títulos de estudo obtidos na Itália;
- As qualificações profissionais, os exames de habilitação, de
formação, de atualização conseguidos na Itália;
- A participação em Ordem de Profissionais;
- A renda, salvo para o fim de solicitação de “Carta de
Soggiorno o di Ricongiungimento Famigliare”;
- O “Codice Fiscale” o “Partita IVA”;
- Etc...

Todos os estados, qualidades e fatos pessoais dos quais o


interessado declarante tenha o conhecimento direto e que não sejam
sujeitos à autocertificação, podem ser comprovados através de uma
Declaração Substitutiva chamada “Dichiarazione Sostitutiva di Atto di
Notorietá”, salvo as exceções contidas na legislação.

A QUESTÃO DA INSTRUÇÃO

A inclusão de menor estrangeiro na escola é um direito


constitucional.

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Aos menores estrangeiros presentes no território italiano,


independentemente da sua condição de regularidade, tem o direito à
instrução em igualdade de condições com o cidadão italiano.

A inscrição na escola é feita segundo a modalidade e condições


previstas para o menor italiano e pode ser requerida em qualquer
período do ano escolástico.
No caso em que o interessado no possua um regular “Permesso di
Soggiorno”, deve no entanto ser inscrito “com reserva” mas mesmo
assim conseguirá igualmente o título de estudo.

A instrução obrigatória na Itália é organizada nos cursos da escola


elementar e da escola média. Ao fim do terceiro ano da escola
média, os adolescentes devem se submeter ao exame que lhes
confere o título de licenciamento da escola média chamado “Licenza
Media”.

Essa licença é necessária para se inscrever na escola superior e para


participar em concursos públicos. Seria mais ou menos o equivalente
ao primeiro grau no Brasil.

No momento da inscrição em instrução, é solicitado:


- Os dados do requerente;
- Sua situação escolar e de trabalho;
- Cópia autenticada do “Permesso di Soggiorno” válido quando
o menor requerente o tiver;

A regra estabelecida para se definir em qual turma o menor será


inserido é a regra da idade anagrafica, salvo deliberação diversa por
parte do corpo docente da escola, caso em que serão levados em
conta:
- A estrutura do ensino do país de origem do menor;
- As competências e habilidades do aluno;
- O curso de seus estudos e os títulos obtidos pelo aluno;

O título de estudo obtido com a conclusão da escola superior dá


direito ao ingresso na Universidade. Essa escola superior é
equivalente ao segundo grau no Brasil.

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Podem ingressar nos cursos universitários e nas escolas de


especialização das Universidades em igualdade de condições com os
cidadãos italianos, os cidadãos estrangeiros em posse de “Carta di
Soggiorno” ou regular “Permesso di Soggiorno” de pelo menos um
ano, e que tenham obtido êxito em titulo de estudo de escola
superior na Itália.

Até 31 de dezembro de cada ano, as Universidades italianas


estabelecem o número de estudantes estrangeiros a serem
admitidos nos cursos Universitários para o ano acadêmico sucessivo.

A QUESTÃO DA LOCAÇÃO

O cidadão estrangeiro (e o aspirante à cidadania é estrangeiro até


que seu processo termine) pode alugar uma casa ou até mesmo
comprá-la, gozando dos mesmos direitos e sujeitando-se às mesmas
obrigações que um italiano.

O contrato de locação na Itália é um pouco diferente do contrato no


Brasil, pois é muito controlado pelo Governo, já que incidem
impostos diretos sobre a locação, e o sistema jurídico só dá amparo
aos contratos registrados perante o “Comune” do Imóvel. Vale dizer,
contrato de locação de “gaveta”, quase que inexiste na Itália.

A Lei n.431 de 09/12/1998 modificou a disciplina da locação de


imóveis. Basicamente criou três tipos de contratos:

1) É possível estipular um contrato com duração não inferior a


08 (oito) anos (04 + 04 de renovação automática),
estabelecendo o valor locatício de acordo com o locador. No
vencimento dos 08 anos, seja o inquilino ou o locador poderão
requerer a renovação do contrato em novas condições ou
apenas renunciar à renovação do mesmo, comunicando a
outra parte sua própria intenção com carta registrada com
pelo menos 06 meses de antecedência ao vencimento do
contrato.

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2) É possível estipular um contrato de locação sob o modelo


dos “Contratos-Tipo”, que são predispostos nos “Comune” aos
cuidados das organizações representantes dos proprietários e
dos inquilinos. O valor mensal e a duração do contrato não
pode ser inferior aos 05 anos (03 + 02 de renovação
automática). No vencimento dos primeiros 05 anos, tanto
inquilino quanto locador podem requerer a renovação do
contrato em base a novas condições, ou renunciar à
renovação, comunicando também, através de carta registrada,
ao menos 06 meses antes do vencimento, a intenção de
rescindir o contrato.
3) Pode-se também estipular um contrato de locação de
natureza transitória com duração inferior aos limites previstos
nos dois casos anteriores, segundo condições e modalidades
contidas no Decreto Ministerial de 05/03/1999 e de
30/12/2002.

A partir de 30 de dezembro de 1998, para a estipulação de um


contrato de locação ser válido, é exigida a forma escrita. Esse
contrato deve ser registrado pelo proprietário perante o “Ufficio de
Registro”. A taxa de registro deve ser paga em partes iguais entre
locador e locatário. O registro é oportuno, como já disse
anteriormente, pois, além das obrigações sob o ponto de vista fiscal,
garante ao contrato de locação a possibilidade de ser oponível a
terceiros, ou seja, garante o inquilino diante de outras pessoas que
pretendam ter o direito de uso e gozo do imóvel.

CONTA CORRENTE BANCÁRIA

O sistema bancário italiano é um pouco diferente do sistema


bancário brasileiro. Aliás, quando comparado com o sistema bancário
do Brasil, que é o melhor e mais moderno do mundo, realmente se
entra em choque.

O Sistema Bancário Italiano a meu ver encontra-se bastante


atrasado relativamente às tecnologias de informação presente em
nossos dias e também relativamente ao ambiente jurídico e
econômico que cerca a atividade financeira.

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Não entendo bem o porquê, mas o fato é que a legislação ao mesmo


tempo em que protege as instituições financeiras, impede o seu
desenvolvimento ou sua atualização diante de outras instituições de
outros países.

Observa-se, a título de exemplo, que uma simples transferência


bancária (que no Brasil é transacionada quase que instantaneamente
entre as contas remetentes e destinatárias) na Itália exige o
transcurso de vários dias, para não dizer, semanas.

O prazo médio para que um determinado valor apareça como


disponível em uma determinada conta (em razão de uma
transferência) ocorre quase que na totalidade dos casos, com prazos
de variam de 04 (quatro) a 15 (quinze) dias ou mais. Isso é um
tempo absurdo diante das tecnologias disponíveis nos dias de hoje,
mas não o é em razão de inadequação tecnológica, mas sim, legal.

Quando uma transação como essa ocorre, o numerário (vale dizer, o


dinheiro), sai da conta remetente em um determinado dia enquanto
que só aparece na conta do destinatário vários dias depois. A
pergunta é: Onde fica o dinheiro no transcurso desse tempo? No
limbo? A resposta é simples: fica sendo gerido pelos bancos, sendo
emprestado, investido e utilizado, sendo que nem o remetente nem
o destinatário do dinheiro recebem qualquer remuneração por esse
“empréstimo” temporário que ocorre compulsoriamente ao sistema
financeiro. É assim que o sistema bancário italiano funciona.

Mas o problema não se resume na demora para a ocorrência do


crédito na conta do destinatário, também para agravar mais a
situação, existe o fato de se desconhecer por completo “quando” é
que esse crédito irá ocorrer.

Então, para você não se chocar com a realidade, já vá à Itália


sabendo disso e prepare-se, pois se você precisar de dinheiro
quando estiver lá, não pense que um depósito ou uma transferência
se realizam com a agilidade que ocorre no Brasil. Assim sendo, não
deixe para última hora a “cobertura” da sua conta bancária, pois o

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dinheiro eventualmente transferido para ela vai demorar alguns dias


para aparecer. Se você depender desse dinheiro para comer, esteja
certo de que passará fome, pois o dinheiro não chegará em tempo
de resolver esse seu problema.

Uma boa alternativa para uma situação de dificuldade financeira é a


utilização de serviços como os oferecidos pelas grandes operadoras
financeiras e de cambio internacionais, tais como a Western Union
por exemplo. Porém, essas empresas também têm o seu ganho, e
isso sempre te custa um pouco a mais, porém pode te socorrer em
um momento de fome.

Outra alternativa é a manutenção de uma conta no Brasil e que seja


movimentada através de cartões de crédito internacionais. Quase
que 100% dos médios e grandes comércios, inclusive postos de
gasolina na Itália hoje, são dotados de equipamentos para processar
essas transações baseadas em cartão de crédito ou em débitos
automáticos.

Outra grande diferença entre o sistema bancário italiano e o


brasileiro, é a gama de serviços on-line que possuímos no Brasil, que
não estão disponíveis na Itália pelos bancos italianos.

Eu também observo uma grande diferença também quanto ao


sistema de segurança de acesso entre os bancos brasileiro e os
italianos. Tenho a impressão de que os sistemas brasileiros são mais
profissionais e mais seguros, enquanto que os sistemas italianos são
mais amadores e vulneráveis. Isso se observa tanto nos acessos
feitos através da internet quanto nos acessos feitos através de
terminais de auto-atendimento e caixas eletrônicos.

Uma boa e econômica alternativa a um recém chegado na Itália, é


utilizar os serviços dos correios. Eles oferecem um tipo de conta
corrente bancária bastante razoáveis em custos, cerca de € 70,00
(Setenta euros) ao ano, já incluídos nesse custo tudo, inclusive
impostos. É uma modalidade bastante acessível àqueles que não
possuem renda comprovada ou estejam se inserindo na Itália.

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A QUESTÃO DA CARTEIRA DE HABILITAÇÃO

Eu não ia falar sobre este assunto neste livro, mas devido às grandes
dificuldades para a obtenção desse documento, resolvi registrar aqui
algumas linhas, as quais, se eu tivesse tido conhecimento, antes de
vir para a Itália, certamente teria sofrido menos.

Uma carteira de habilitação brasileira não serve por muito tempo na


Itália. Na Itália, esse documento se chama “Patente Guida”.

Uma vez na Itália, e com sua CNH brasileira em mãos, o aspirante à


cidadania só poderá conduzir veículos e com certa tranqüilidade, se
apresentar, junto com a CNH Brasileira, uma carteira de habilitação
internacional.

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Isso pode ser facilmente obtido no Brasil nos Touring ou nos


Automóveis Clubes, e custam em média entre R$ 150,00 e R$
250,00 (Cento e cinqüenta e duzentos e cinqüenta reais).

Porém essa união de carteiras só vai valer na Itália, por 1 ano. É o


prazo que o aspirante à cidadania terá para obter a patente italiana.

Posso dizer que esse ano, é mais do que suficiente para se obter
uma patente na Itália, mas não é fácil.
O interessado, se aceitar sugestões, assim como sugeri no Capítulo I
deste livro, que ele ESTUDE ITALIANO, vou sugerir aqui que ele
ESTUDE PARA A PATENTE.

O exame teórico para a patente italiana é o mais difícil, pois muita


coisa no trânsito, é diferente do que estamos acostumados no Brasil.
E até por isso, acredito que seja muito válido a exigência para que
se faça uma nova patente na Itália, pois se nossa CNH fosse aceita
na Itália, a primeira grande dificuldade que um motorista brasileiro
encontraria, seria a própria significação da placas.

Existe um sistema de estudo para o exame teórico da patente, que


se chama “Easy Quiz”. Basta que o interessado busque na internet
por esse programinha que ajuda tanto a estudar para essa prova.
Uma vez com esse programinha em mãos, o candidato, estudando
uma hora por dia, certamente, depois de 06 (seis) meses estará
habilitado a se submeter ao exame teórico com grandes chances de
sucesso.

Não se assustem. Quando digo 06 (seis) meses, é porque considero


um tempo justo para poder decorar tudo o que é inserido naquele
exame, o qual não é muito lógico, assim sendo, é melhor decorar
mesmo, do que tentar entender algumas coisas.

O exame é composto por mais de 7.500 (sete mil e quinhentas)


perguntas possíveis, das quais o candidato deverá responder se se
trata de uma assertiva verdadeira ou falsa.

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Não serão solicitadas essa totalidade de perguntas, apenas 30 serão


selecionadas para serem aplicadas ao candidato, mas o universo de
onde essas 30 serão “pescadas” é daquelas 7.500 mesmo. Por isso é
bom ir lendo com bastante antecedência, para não ficar no
desespero quando estiver vencendo o primeiro ano de vida na Itália.

Faço juntar aqui neste livro uma cópia do “Códice della Strada” que é
o código de trânsito italiano e já serve para se ter uma idéia.

Por fim, o custo de uma habilitação dessas é também um pouco alto.


Seria importante o interessado considerar que para obter uma
“Patente Guida B”, vai desembolsar algo entre € 650,00 (seiscentos e
cinqüenta euros) e € 1.000,00 (mil euros), dependendo de quantos
exames terá de fazer e de quantas aulas práticas deverá tomar.

A QUESTÃO DO "MEDICO DI FAMIGLIA" NA ITÁLIA

Todo cidadão que vive regularmente na Italia tem direito de ser


assistido por um médico de "famiglia". Esse médico de família è
também conhecido como "medico di base" ou de "medicina
generale".

Trata-se de um clínico geral que é a nossa referência de imediata,


ele é o profissional que se intera sobre a nossa saúde e nos
acompanha na vida. Ele é que deve nos ajudar, nos orientar e nos
encaminhar para o médico especialista do Serviço Sanitário Nacional
Italiano quando isso se fizer necessário.

Todo cidadão italiano tem direito a escolha do seu médico de família


e os serviços são gratuitos isto é, você não paga nada pela consulta.
Caso você precise de uma consulta ou atendimento emergencial e
isso for feito em hospital público ou pronto socorro, neste caso sim,
dependendo da sua situação e da emergência de seu caso você
deverá pagar uma taxa chamada “ticket” para atendimento. Essa
taxa normalmente varia de 8 a 25 euros por atendimento,
dependendo de uma série de fatores, inclusive sua idade. Esta
cobrança tem dado mais qualidade aos serviços de saúde na Itália e

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você a paga com satisfação, pois você é atendido a contento, pelo


menos eu sempre o fui!

Para escolher o seu medico de família, você poderá consultar um


elenco de todos os médicos conveniados com o “Servizio Sanitario
Nazionale” e escolher aquele que melhor lhe convier, seja por
conhecê-lo ou por ter-lhe sido indicado por amigos ou parentes.

Independentemente da fonte de indicação, sugiro que antes de fazer


a sua escolha você:

01) Faça uma visita ao ambulatório do médico para conhecê-lo


melhor;
02) Procure saber da sua disponibilidade, pois um médico de família
pode atender até 1.500 pacientes em sua carteira. Se você escolher
um médico com muitos clientes, provavelmente terá dificuldades em
agendar suas consultas. Normalmente isso ocorre em Comunas
grandes. As pequenas normalmente tem um bom atendimento.
03) Os médicos de dia e hora em que são obrigados a atender seus
clientes. Seus horários não são livremente administrados pelo
profissional, ele tem os dias de semana e os horários em que presta
seu atendimento. Assim sendo procure saber os horários de abertura
e fechamento e os dias de atendimento do seu ambulatório.
Um médico que atenda durante poucos dias na semana, não é
aconselhável. Geralmente eles atendem 05 dias durante a semana,
alternando o período da manhã e da tarde. Dê preferência também
àqueles que atendam em algum período, ou matutino ou vespertino
do sábado, pois mal-estar ou doenças não escolher dia nem hora,
não é mesmo?

Feita sua escolha ela deve ser comunicada à “Azienda Sanitaria


Locale (A.S.L.)” da Comune de residência. Caso você não se
idenfique com o médico que escolheu, poderá solicitar a troca no
mesmo lugar onde você comunicou a sua escolha.

Em casos especiais e de grande necessidade, o médico de família


poderá fazer atendimento à domicilio.

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O pediatra é o médico de família das crianças até 06 anos de idade e


poderá continuar sendo até a adolescência (14 anos). Depois, você
deverá escolher um “medico di base” que não seja pediatra.

SERVIÇO DE "GUARDIA MEDICA" NA ITÁLIA

O serviço de "Guardia Medica" na Italia è aquele que garante a


assistência "medica di base", ou seja, serviço médico de clínica geral
a domicílio ou ambulatorial para situações de caratér de urgência
ocorridos durante o horário norturno ou dias festivos em que seu
médico de família não esteja em horário de atendimento. Estes
médicos da guarda médica não são serviços de pronto socorro mas
sim de consulta normal. Eles substituem seu médico de família em
caráter transitório.

Podemos nos socorrer ao serviço da "Guardia Medica" à partir das


20:00 horas até as 08:00 horas do dia seguinte nos dias normais e
nos dias festivos o atendimento è a partir das 10 horas.

A prestação de serviços da “guardia medica” è gratuito para todos os


residentes na Itália, de qualquer faixa etária.

Os médicos da “guardia medica”, no âmbito da sua responsabilidade


profissional, podem dar consultas a quem necessita através de
conselhos telefônicos ou visita domiciliar.

A “Guardia Medica” pode ainda prescrever remédios e terapias de


urgência necessária para o bem estar do cidadão. Podem ainda,
emitir o certificado de doença em caso de necessidade, porém o
certificado só tem validade de 03 dias de afastamento e pode propor
também o internamento hospitalar.

GUARDIA MEDICA TURISTICA

Este é um o serviço que a ASL organiza para todas as pessoas que


estão em trânsito por localidades turísticas.

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Os serviços da “Guarda Medica” turística não são gratuitos. Os


valores variam de 8 a 25 euros, de acordo com o procedimento
solicitado.

Abaixo, no site transcrito você encontra os endereços da “Guardia


Medica” em todo território Italiano:

http://www.zerodelta.net/firenze-guardia_medica.php

O telefone para consulta varia de cidade para a cidade, porém


telefonando para o 118 você consegue o número da “Guardia
Medica” mais próxima.

AGÊNCIAS REGULADORAS E REGULAMENTOS

Na Itália existem agências reguladoras para tudo. Quase tudo é


regulamentado, são mais de 50 mil leis para as coisas mais absurdas
que você pode imaginar, mas algumas são curiosas.

A regulamentação visa várias coisas, dentre elas a proteção


comercial, a proteção à saúde, a segurança e higiene alimentar, a
reserva de mercado, etc....

Para ilustrar essa situação, você constatará que na Itália o controle


sobre os alimentos de origem animal e vegetal é muito rigoroso.
Você consegue saber, quando compra carne por exemplo, de onde
essa carne veio, onde foi gerado o bezerro, onde o bezerro foi criado
e desenvolvido, quem o transportou, em que matadouro foi abatido
e onde sua carne está sendo comercializada. Você ainda consegue
saber os dados de origem genética desse animal, quem foram seus
pais e coisas assim.

Para se comprar ovos de galinha na Itália, é muito interessante


saber os códigos que são impressos em suas cascas. Veja a seguir
um exemplo dessa regulamentação que no meu entender é bastante
útil:

PARA COMPRAR OVOS DE GALINHA NA ITALIA

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Os ovos de galinha possuem um carimbo na casca com um código


que diz exatamente da onde ele provem e de como foi produzido.

O primeiro número impresso no código indica em qual o tipo de


criação o ovo foi produzido.

* "0" – “Produzione Biologica” - 0 (zero) indica que a criação das


galinhas foi feita através de criação biológica onde devem existir pelo
menos 10 m2 em terreno aberto com vegetação para cada galinha;

* "1" – “All'aperto” - 1 (hum) indica que a criação das aves deve


respeitar 1 galinha para cada 2,5 m2 em terreno aberto com
vegetação;

* "2" – “La terra” - 2 (dois) indica que a criação teve de respeitar um


máximo de 7 galinhas por m2 terreno coberto de palha ou areia,
num galinheiro sem janela e com luz sempre acesa;

*"3" – “In gabbia” – 3 (três) indica que a criação foi feita em gaiolas
com 25 galinhas por m2;

O segundo grupo de dados composto por duas letras que indica em


qual país foi produzido o ovo. Na Italia o código que vem ali
estampado é “IT”, na França “FR” e assim por diante de acordo com
a sigla de cada país;

O terceiro grupo de dados contém três números, indicam a Comune


na qual o ovo foi produzido;

O Quarto grupo de dados contém duas letras e indica a Província


onde foi produzido o ovo;

O último grupo de dados contém os três números finais do código, e


eles indicam o aviário onde os ovos foram produzidos. Assim, se
você encontrar um ovo solto ou perdido por aí, conseguirá saber
onde ele foi produzido!!

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Os que iniciam por códigos 0 e 1 são mais caros e não são


facilmente encontrados. Os mais comuns são os que iniciam com
código 3.

EMERGÊNCIA DE SAÚDE NA ITÁLIA - CHAME O 118!

O 118 è o “NUMERO UNICO NAZIONALE DELL' EMERGENZA


SANITARIA”, ou seja, è o número telefônico que devemos chamar
em caso de emergência médica. O numero è gratuito e ativo 24
horas por dia.

E possivel chamar o 118 de qualquer telefone público ou privado


gratuitamente, sem necessidade de nenhum cartão telefônico.

Você, ao efetuar a chamada de qualquer parte do território italiano,


será atendido por um “callcenter” que è organizado em cada
província.
Este “callcenter” emite um código de prioridade de atendimento,
decidindo ainda o melhor meio de socorro adequado à sua
emergência de acordo com o seu estado de saúde e da ocorrência
relatada.

O “callcenter” também decidirá em qual hospital você será atendido,


levando sempre em conta a condição e a necessidade da pessoa
socorrida e o local de onde provém a sua chamada.

Se for necessário até um helicóptero pode ser deslocado para


socorrer quem esta em lugares de difícil acesso. Outros tipos de
resgate específicos são previstos para quem se encontra no mar ou
nas montanhas.

O 118 também é o número utilizado para comunicar acidentes


automobilísticos com feridos.

Estando na Itália, sendo residente ou não, sendo turista estrangeiro


ou italiano, não hesite em utilizar do número 118.

Boa sorte.

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LEGISLAÇÃO CITADA E SUGESTÃO DE LEITURA

LEGISLAÇÃO ITALIANA

Lei n. 555 e 13 de junho de 1912


Tratado de Paz de 10 de fevereiro de 1947
Constituição Italiana de 01 de janeiro de 1948
Convenção de Haya de 05 de outubro de 1961
Lei n. 123 de 21 de abril de 1983
Sentenza Corte costituzionale, 09 febbraio 1983 , n. 30
Parecer n. 105 de 15 de abril de 1983
Lei n. 91, de 05 de fevereiro de 1992
Circolare n. K. 60.1 11 novembre 1992
Lei Regional do Vêneto, n. 10 de 1996
D.L. 286 de 25 de julho de 1998
Decreto Legislativo 19 ottobre 1998, n. 380
Lei n.431 de 09/12/1998
Lei Italiana 379/2000
Cassazione civile, Sezioni Unite, 19 febbraio 2004 , n. 3331
Nota do “Ministero dell’Interno” n. 400/A/2005/1501/P/23.13.27 de
05 dezembro 2005
Circolare del Ministero dell’interno n. 32 del 13 giugno 2007
Decreto Lei n. 112 de 25 de junho de 2008
Codice Della Strada

LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

Convenção sobre a nacionalidade da mulher casada - Decreto n°


64.216, de 18/03/1969
Constituição da República Federativa do Brasil - 1988
Lei Federal nº 11.441 de 04 de janeiro de 2007

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AGRADECIMENTOS

Devo registrar minha convicção em que pequenas palavras “movem”


montanhas. Algumas delas que são tão simples mas a cada dia são
mais esquecidas.

São palavras como o simples “por favor”, “com licença”, “desculpe”


ou “muito obrigado”. Essas pequenas mas “grandes” palavras,
conduzem o seu manifestante ao paraíso. Muitas vezes seu usuário
nem mesmo tem a consciência de que as portas do paraíso foram
abertas com essas pequenas mas doces palavras.

Senti, na minha vida na Itália, que essas palavras causavam


espanto, não em todos, mas na maior parte das pessoas. Creio que
isso se deve ao fato de que o respeito, a consideração, o afeto, entre
os europeus, não vem mais em por razões sociais ou humanas, mas
sim por razões econômicas ou legais.

A cada dia, mais e mais leis para a proteção do indivíduo, são


cogitadas e editadas, resultando que as pessoas se regem como que
conduzidas por “manuais legais”, e assim ocorre com a “privacy” tão
falada na Itália. A urbanidade e a civilidade não são mais atributos
de “berço”, mas atributos de “normas” ou de “conveniências
econômicas” e isso acaba por transformar as relações sociais em
relações mais frias, não obstante mais amparadas juridicamente.

Por outro lado, como a lei não impõe ou disciplina a cortesia pois ela
faz parte da ética e ética faz parte de princípios que não são
disciplináveis, então ela é deixada de lado, e muitas vezes vi pessoas
me olhando atravessado, simplesmente porque eu era cortês. Mas
porque isso acontece? É simples. O padrão do italiano do norte é ser
tratado friamente, com educação, mas friamente. Eles não estão
acostumados a receberem ou fazerem gestos ou palavras de cortesia
e, assim sendo, quem o faz é visto com m certo ar “estranho”. Eles

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logo pensam: “O que é que esse aí está querendo de mim? Porque


me agradece desse jeito? Porque tem tanta gentileza?” e logo
imaginam que tem “algo” escondido no meio dessas palavras de
cortesia e respeito. Enfim, demonstram claramente que a confiança
entre as pessoas já não existe mais.

Ao contrário, o Italiano do Mezzogiorno ou do Sul se relaciona mais


como os brasileiros, com fineza, encanto e educação em seus
contatos. Não é à toa que sempre ouço um ditado que me remete às
minhas origens italianas. Sou do Abruzzo Italiano e se diz que quem
é Abruzzesi é “forte e gentile”. Essa gentileza não é propriamente do
Abruzzesi, mas sim do italiano meridional.

Embora eu tenha vivido na Itália do norte, eu não me permiti


contaminar com aquela frieza de trato e continuo a exteriorizar o
meu bom hábito brasileiro. Assim sendo, sempre agradeço às
pessoas que me ajudam e me orientam. Sempre agradeço a Deus e
não tenho vergonha disso, pelo contrário, me orgulho
verdadeiramente de agradecer a todos e de divulgar o quanto são ou
foram importantes para mim.

Assim sendo, vou dedicar estas páginas deste escrito, totalmente à


gratidão que tenho por todas as pessoas sem as quais eu jamais
teria conseguido realizar este meu sonho de terá cidadania italiana
reconhecida.

Foram pessoas que me ajudaram de uma forma ou de outra, mas


me ajudaram. Algumas sem nem mesmo saberem, mas me
ajudaram. Ajudaram-me dando compreensão, dedicando um minuto
ou dois, me ouvindo ou me apoiando, se esforçando ou
simplesmente me substituindo para que eu pudesse me esforçar na
conquista de um ideal.

São pessoas da minha família e de fora dela. Do meu trabalho e


outras que encontrei pela vida ou na rua. Numa fila de repartição
pública ou diplomática ou pela internet, mas todas, sem exceção,
foram muito importantes para mim, e agradeço a todas com
profundo reconhecimento e respeito.

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Primeiro agradeço a Deus, Jesus e à Nossa Senhora de Aparecida,


pois sem esse apoio espiritual, nada teria se realizado, não só no
que diz respeito à minha cidadania, mas à minha própria vida.

Cíntia Galdino de Oliveira Costa Marques – Minha esposa, especial


companheira, que agüentou me ouvir e aceitou sonhar os meus
sonhos e fazer dos meus, também os seus ... apesar das dificuldades
que esses sonhos nos impuseram na vida;

Daniel Estevam Galdino Costa Marques – Meu filho, o meu motivo,


ao qual dedico esta cidadania;

Rebecca Galdino de Carvalho – Minha filha de criação e meu sonho


ousado de adoção que não foi ainda realizado por razões que só o
egoísmo humano poderá entender, a quem, se eu conseguisse a sua
adoção, poderia também transmitir o direito à cidadania italiana;

Alberto Berlendis – Meu pai de criação, que me ensinou os valores


do trabalho, da honestidade, do caráter, da perseverança e do
estudo;

Iracema Rodrigues Del Nero – Minha avó que me ensinou os valores


da vida, no mais simples sentido da palavra. Viver é preciso.

Maria Emília Rodrigues Del Nero – Minha mãe, que me ensinou a ser
forte, combativo, guerreiro, homem, pai, referência, que me ensinou
a amar com seu exemplo de amor infinito, que me conduz com suas
preces permanentes mesmo que à distância, que me apóia mesmo
diante de seus conflitos interiores enormes, dado que sou nascido
para andar, vagar, errar e acertar, e mesmo assim ela me aceita;

Alexandre Luiz Del Nero Costa Marques – Meu irmão, que foi o meu
exemplo de auto-suficiência, aumentou os meus sonhos, me
contestou mas me apoiou sempre;

Eduardo Del Nero Berlendis – Meu irmão, meu consultor, meu


conselheiro das horas difíceis, meu parceiro das auto análises, meu

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operador também, sempre acompanhando par e passo o desenrolar


das minhas conquistas e minhas ações na busca do direito à
cidadania, perdendo seu tempo precioso me ouvindo, participando,
discutindo, encontrando alternativas, enfim, me ajudando ativamente
neste processo e na minha vida acadêmica, profissional e jurídica... e
digo com orgulho, ele é meu caçula!!

Elie Nassi – Meu tio muito amado, quase que meu pai de coração,
apesar de pouca convivência, foi meu modelo de “ser pai”. Me
ajudou tanto com a documentação, que historicamente foi
recolhendo ao longo de sua vida exemplar;

Flávio Del Nero Junior – Meu primo, aquele que iniciou tudo,
segundo sei. Aquele que foi o primeiro da minha família a obter esse
direito, nos idos anos 90. Aquele que fêz as primeiras peregrinações
pela Itália, para descobrir de onde viemos, e que conseguiu os
primeiros documentos que me serviram tanto quase que uma
década depois. Aquele que generosamente nos ofereceu a
oportunidade de estar com ele quando fez o reconhecimento da sua
cidadania, mas que por falta de maturidade nossa, acabamos por
não aderir à sua luta.

Francisco Rodrigues Leite - Meu adorável tio historiador da USP,


responsável pelas minhas primeiras visões da Itália, com suas
clássicas visitas à casa de meus pais para exibir seus infindáveis
slides em película dos anos 70 e contar as estórias da história e isso
me fascinava sempre. Aquele que se faz sempre presente em meus
pensamentos quando estudo sobre a Itália, as ruínas romanas,
Pompéia, Pisa, Firenze e outras pérolas da rica cultura Italiana.
Aquele a quem devo homenagear, pois com sua morte abriu portas
para minha cidadania sem saber, antecipando em um dia a
entrevista para a obtenção do meu “permesso di soggiorno di attesa
alla cittadinanza”, permissão essa que eu perderia, não fosse a
antecipação conquistada em razão de meu luto pela sua ida.

Dora Del Nero – Minha tia;


Flávio Del Nero – Meu tio;

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Giusepe Maria Grassi – Vice-Consul Italiano, meu professor, meu


orientador, meu tradutor juramentado e meu grande amigo, cujo
empenho direto foi grande responsável pelo meu êxito;
Luciano Novello – Sindaco Del Comune di Montazzoli, o qual com
prestreza e dedicação respondeu às minhas solicitações de
documentos sobre meu antepassado nascido e 1844;

Germano Augusto Longo – Que me ajudou muito em parte desta


saga, sem saber, através das ajudas que me prestou fornecendo as
passagens aéreas com excelentes preços compradas através de sua
Tour Operator – Intermax e Maxtravel
(http://www.maxtravel.com.br/)

Daniela Delmanto Prado – Minha advogada;


Cláudia Araújo – Minha advogada;
Giorgio Daniel – Amigo e Professor de italiano;
Nives Pavan – Amiga e minha ouvinte italiana;
Rafalella Daniel – Hoje, amiga, mas à época me ajudou com
apresentações incondicionais que me abriram portas para a
cidadania na Itália. Damiana – Amiga da Rafaella Daniel;
Dottoressa Pauletti – Da Província Treviso, por todas as orientações e
ajudas que me prestou;
Antonio Lorenzonetto – Cidadão espetacular que analisou o meu
processo na Itália hoje, um grande amigo;
Polizia Municipale Del Comune di Monastier di Treviso – Pelo seu
profissionalismo e compreensão;

Os colegas de trabalho na Gerência sob minha responsabilidade, que


me ajudaram tanto, ora me apoiando, ora me servindo, ora me
substituindo para que eu pudesse me concentrar neste pleito.
Agradeço-os profundamente:
João Batista Pereira de Barros
Noraldina Queiroz
Jânia Rosa
Maurício Antunes
Maurício Okubara
Ieda Amorim

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Meus superiores imediatos, os quais me apoiaram em todos os


momentos em que precisei me afastar do cargo, com uso de minhas
férias e licenças, para poder empreender esta jornada de busca da
cidadania italiana:
José Roberto Miorim
Vinicius José Simioni Silva

Meus amigos que de uma forma ou outra respondem também pelo


meu sucesso:
Ana Maria Brandão – Por todo o incentivo que me deu, interesse em
minha causa e apoio nos momentos mais difíceis;
Julio Batistti – Editor que me estimulou a escrever, me orientou e por
fim, que resultou na 1a. à 3ª. edição esta obra (http:
//www.juliobattisti.com.br);
Identidades Ignoradas – Tantas pessoas com as quais me relacionei
e cujos nomes, por infelicidade, não os registrei, mas às quais devo
agradecimentos imensos, tais como a uma senhora da Questura da
Província Treviso, que me ajudou tanto, simplesmente antecipando
de 1 dia a entrevista para a obtenção do meu “permesso di
soggiorno di attesa alla cittadinanza”

Na segunda edição, agradeço também ao Vice Consulado Honorário


de Cuiabá, Mato Grosso, Brasil pelo convite para palestrar nas
comemorações da “Festa della Repubblica Italiana 2009” realizada
em Cuiabá.

Peço desculpas pelos nomes que não registrei, de pessoas queridas


e que também me ajudaram tanto na conquista da minha cidadania
italiana.

Muito obrigado a todos.


Estevam Del Nero
O autor

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SOBRE O AUTOR

Estevam Luiz Del Nero Costa Marques, nasceu em São Paulo (SP) no
ano de 1.964. Iniciou seus estudos de Direito na Faculdade de
Direito de Itu (SP) em 1.982, tendo concluído a graduação na
Faculdade de Direito das Universidades Metropolitanas Unidas em
São Paulo no ano de 1.987.

Foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil já no


primeiro semestre de 1.988, tendo recebido a inscrição da OAB n.
91.320 (SP).

Exerceu várias funções na administração pública direta e indireta,


todas em razão de aprovação em concurso público, tendo iniciado
sua carreira como escrevente de audiência da magistratura em
1.983. Aprovado em concurso para Oficial de Justiça exerceu a
função por 04 anos, durante os estudos de direito.

Com o título universitário se submeteu a concursos de nível superior,


tendo exercido a função de Agente da Fiscalização Financeira do
Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, onde foi promovido
internamente à Assistente Técnico de Gabinete, tendo exercido suas
funções em Gabinete de Conselheiro até final de 1.990. Dentre umas
02 dezenas de concursos em que obtivera aprovação, destacou-se
por ter obtido êxito nos processos seletivos e a nomeação em vários
concursos para Fiscal de Rendas (ICMS) nos Estados de Rondônia,
Mato Grosso do Sul (por 02 vezes) e Mato Grosso, tendo exercido a
função de Fiscal de Tributos do Estado de Mato Grosso nos últimos
20 anos. Como advogado, lutou pela conquista do reconhecimento
da sua cidadania italiana e atingiu seu objetivo em 2.006, partindo
de seu “Trisavô” Abruzzesi, “Felice Del Negro” nascido em 1.844 na
cidade italiana de Montazzoli.

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Em 2007 licenciou-se do Estado para acompanhar a esposa que


trabalhava em multinacional e foi promovida para assumir a direção
de uma unidade Européia da empresa.

Na Itália, a convite de um Grupo Empresarial, exerceu funções de


Consultor na área jurídica, administrativa e de sistemas, promovendo
cursos e palestras, inclusive no âmbito motivacional.

Pai de 02 filhos, ainda residiu na Itália por cerca de 2 anos e


também presta consultoria nas áreas afins com a cidadania italiana.

Qualquer dúvida ou sugestão, entre em contato com o autor através


do e-mail info@estevamdelnero.com

Todas dicas, sugestões e reclamações serão muito bem-vindas.

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