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Resumo do curso

Aula 1

Para os romanos, os surdos eram incapazes de gerir seu próprio patrimônio. Para a
Igreja, os surdos não eram dignos dos Sacramentos religiosos. Tanto que Santo
Agostinho expressava o pensamento da fé católica ao dizer que os surdos não
entrariam no céu, já que não ouviam/falavam o sacramento religioso. Contudo,
segundo Aristóteles, a cultura e o conhecimento eram transmitidos oralmente e,
portanto, os surdos eram excluídos desse processo de aprendizado. A surdez é tão
antiga quanto à humanidade

LIBRAS NÃO É ENSINADA EM ÂMBITO NACIONAL: Considerando a Lei 10.436 de


2002, pode-se afirmar que Atualmente, apesar da garantia legal, a Libras não é
ensinada em âmbito nacional, o que dificulta a inclusão da população surda na
sociedade.

Educação bilíngüe: no modelo de educação bilíngüe, não há mistura de língua de


sinais com a oral porque cada língua mantém suas características, sendo a de sinais
ensinada primeiro.

A Lei 10.436 de 2002 estabelece a garantia da presença de Libras na formação de


profissionais na área das Licenciaturas, Pedagogia e Fonoaudiologia. A questão
representa uma grande vitória para os profissionais dessas áreas e para a
comunidade Surda, pois Os profissionais que atuam nessas áreas representam
grande influência na vida e formação social, individual, profissional e educacional
de indivíduos da comunidade Surda.

Em tempos remotos, associava-se a falta de audição à incapacidade de


compreender e articular palavras faladas, origem, então, do termo Surdo-Mudo.
Somente no século XVIII é que houve um rompimento efetivo entre os Oralistas e
os Gestualistas, com a fundação do modelo francês de comunicação espaço-visual
criado por Charles Michel de L’Epée. Antes disso, todas as formas de inserir o
Surdo na sociedade eram através da oralização.

O Congresso de Milão, em 1880, foi um marco negativo para a história da educação


de surdos, pois resolveu o uso exclusivo da língua oral para a educação de surdos

Das filosofias educacionais para surdos, que abordagem ganhou notoriedade e


difusão mundial a partir do Congresso de Milão e que tem como premissa a
normalização da comunidade surda em seus aspectos comunicativos? O Oralismo.

Stokoe (1960) foi o primeiro linguista a demonstrar que as línguas de sinais são
línguas naturais, porque elas são línguas que emergem nas comunidades de fala de
forma natural, sem serem impostas, a partir da necessidade de contato dos
indivíduos.
Aula 2

Qual é o objetivo principal de qualquer programa de triagem auditiva? Identificar


casos de perda auditiva que tenham relevância médica ou educacional.

O diagnóstico tardio traz grandes consequências para o desenvolvimento cognitivo


nas crianças em relação àquelas que tiveram o diagnóstico precoce da surdez.

Podemos dizer que existem dois modelos através dos quais podemos enxergar a
surdez. São eles: Modelo Médico e Modelo Social. O Modelo Médico enfatiza a
surdez como um problema e o Modelo Social, como uma diferença.

O Modelo social tem uma grande preocupação na autonomia de atuação social do


indivíduo surdo, enxerga as desvantagens enfrentadas por eles como produto do
preconceito da sociedade, estimulando, assim, a inclusão sociocultural dessa
comunidade.

O Surdo que se comunica via língua de sinais não é um indivíduo incapaz, portador
de uma deficiência. Entretanto, a falta de condições e preparação social para
receber esse indivíduo faz com que ele sofra desvantagens em relação aos
ouvintes.

Deficiência pode ser definida como um conceito que parte da perda da


normalidade da estrutura ou de uma função fisiológica ou anatômica que pode ser
temporária ou permanente. Por isso deficiência pode acontecer sem implicar,
necessariamente, uma desvantagem ou incapacidade.

Em relação ao âmbito patológico da Surdez, as alterações podem ser Leves,


Moderadas, Severas e Profundas e ainda, em relação ao local, podem ser
Condutivas, Sensorioneurais, Mistas e Centrais.

AULA 3

Língua de sinais não é uma língua artificial. São línguas artificiais: Esperanto e
Gestuno.

O que são línguas naturais? São línguas que emergem nas comunidades de fala de
forma natural, sem serem impostas, a partir da necessidade de comunicação e
contato dos indivíduos.

Línguas orais como Português e de sinais como LIBRAS são naturais e, por isso,
representam um meio de comunicação mais objetivo.

As línguas de sinais e as línguas orais possuem atividade neuronal semelhante, por


isso possuem o status de língua natural.

A aquisição precoce da língua de sinais deve ser priorizada para garantir o


adequado desenvolvimento linguístico e cognitivo da criança surda.
As habilidades cognitivas envolvidas na comunicação dos seres humanos,
destacam-se: a linguagem, atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo,
imaginação e pensamento.

O chamado período crítico, quando o cérebro está mais preparado para a aquisição
de uma língua, ocorre: do nascimento até por volta dos três anos de idade.

Imagine um cenário em que uma criança surda é estimulada linguisticamente com


a língua oral do país em que vive, e um cenário em que outra criança surda é
estimulada com a língua de sinais de sua comunidade. Considerando o que foi visto
até agora neste curso, podemos dizer que: A primeira criança estará em
desvantagem em relação à segunda.

A língua é um sistema de signos convencionalizados que torna a realização da


comunicação mais prática e objetiva.

Uma sequência de sons, nas línguas orais, ou de sinalização com determinadas


configurações de mãos, nas línguas de sinas, evoca uma imagem ou um item lexical
na mente de um receptor durante a comunicação.

AULA 4

O período linguístico é marcado pelos primeiros dez sinais e vai até os 24 meses,
aproximadamente. O período pré-linguístico vai do nascimento até a aquisição do
primeiro sinal.

A transição do período pré-linguístico ao período linguístico se dá através da


utilização do primeiro sinal, que é facilmente percebido.

O estágio das múltiplas combinações se desenvolve até os cinco anos de idade, em que
acontece uma explosão de vocabulários, chegando ao domínio completo da língua
de sinais e adquirindo a competência linguística.

No período linguístico, as crianças apresentam formas de comunicação mais


complexas, baseadas na representatividade, e, no período pré-linguístico,
apresentam uma comunicação baseada na expressão de emoções

Gestos caseiros são meios de comunicação também, mas são mais limitados quando
comparados aos sinais, pois têm alcance restrito em relação aos demais
interlocutores não pertencentes ao círculo familiar da criança surda

A restrição à linguagem oral, ocasionada pela falta de audição, pode acarretar


problemas graves para o desenvolvimento da linguagem na criança surda, entre
eles: Dificuldade na estrutura sintática; Dificuldade no desenvolvimento da
gramática da língua/ Atraso na alfabetização; Dificuldade na marcação
morfológica.

O desenvolvimento de crianças surdas que têm pais surdos e o desenvolvimento de


crianças surdas que nascem em família de pais ouvintes, em geral, são diferentes.

Os estudos sobre as línguas de sinais tiveram início com o trabalho de Stokoe, na


década de 60. Stokoe foi o primeiro a descrever os componentes da estrutura
interna dos sinais na língua de sinais americana.
William Stokoe: componentes da estrutura interna dos sinais das línguas sinalizadas:
Configuração de Mão, Localização e Movimento.
Mais tarde houve o acréscimo dos componentes Orientação da mão e Aspectos não
manuais, impostos por Battison e Friedman.
Os aspectos não manuais se dividem em Movimentos com o tronco, ombros e cabeça
(expressões faciais: informações emocionais e gramaticais).

A linguista brasileira Ronice Müller de Quadros estudou a aquisição da língua


brasileira de sinais por crianças surdas. Sobre esse processo, podemos afirmar que
a pesquisadora o divide em quatro períodos. Quais são eles? Período pré-
linguístico; estágio de um sinal; estágio das primeiras combinações linguísticas e
estágio das múltiplas combinações.

Analisando surdos expostos precocemente à língua de sinais britânica, Bencie Woll


(1998) identificou alguns dos seguintes estágios no processo de aquisição: Até 9
meses, balbucio gestual; aos 3 anos, inflexão verbal por gesto, e dos 6 aos 10
anos, desenvolvimento das habilidades narrativas.

Aula 5

O sinal é o item lexical das línguas de sinais e podem ser comparados à palavra das
línguas orais.

Expressão facial também é muito importante durante a comunicação dos sinais,


podendo expressar diversas emoções e completar a morfologia e a sintaxe da frase.

Quais são os elementos que compõem os movimentos das mãos na formação dos
sinais? Tipo, direcionalidade, maneira e frequência.

Aula 6

A cultura surda é definida pela língua (de sinais) que é usada pelos membros de uma
mesma comunidade.
Segundo Hoffmeister, Lane e Bahan, as comunidades surdas produzem instituições
organizadas que se dividem em três grupos distintos: atlético, social e político.

Os Surdos têm noção de sua identidade culturalmente distinta da dos ouvintes, mas
vivem dentro de uma comunidade dominante.
Existem organizações políticas como a Feneis e o INES, que se envolvem na questão
da integração dos Surdos.

Partindo da crítica ao termo "cultura ouvinte", o que seria a postura "ouvitista"? Uma
postura de imposição à comunidade surda, que a obrigada a se adaptar à realidade
dos ouvintes.

O agrupamento da Comunidade Surda se dá não pela questão auditiva, mas sim, pela
língua que possuem em comum.

AULA 7

A perda auditiva é diagnosticada por profissionais de saúde (como


otorrinolaringologistas), por meio de exames médicos como a audiometria tonal
limiar, e é tratada por fonoaudiólogos.

No Brasil, qual é o profissional que expõe as possibilidades de terapia para uma


criança que é diagnosticada com surdez? O Fonoaudiólogo

Qual é o objetivo principal de qualquer programa de triagem auditiva? Identificar


casos de perda auditiva que tenham relevância médica ou educacional.

Leve em consideração as diferentes classificações sobre a surdez mencionadas na aula


7: quanto à origem, à localização ou expressão clínica e à energia acústica que o
sujeito pode ouvir em diferentes frequências. Imagine, então, uma criança que
nasceu surda, é filha de pais surdos, sua perda auditiva é caracterizada por lesões
sensoriais na orelha interna e tem média de limiar acima de 90 dBs. Com esses
dados, como poderíamos classificar o tipo de surdez dessa criança?
hereditária, sensorioneural e profunda.

Qual o nome do exame que faz o diagnóstico dos graus de perda auditiva?
Audiometria.

Existem 4 causas possíveis de surdez:


Surdez desconhecida; surdez adquirida; surdez hereditária; surdez congênita
Em relação ao grau de perda auditiva, a surdez pode ser classificada como Normal,
Leve, Moderada, Moderada Severa, Severa ou Profunda. Em relação ao local, pode
ser Condutiva, Sensorioneural, Neuronal, Central, Mista ou Funcional.

Existem diferentes graus de perda auditiva. Um exame é feito para se saber qual a
gravidade dessa perda e esse diagnóstico é dado pelo otorrinolaringologista. As
possibilidades de tratamento são oferecidas, geralmente, pelo fonoaudiólogo.
As perdas auditivas ficam divididas em Normal, entre 0 e 25 decibéis (dBs); Leve,
entre 26 e 40 dBs; Moderada, entre 41 e 55 dBs; Moderada severa, entre 56 e 70
dBs; Severa, entre 71 e 90 dBs e profunda, acima de 90 dBs.

AULA 8
O desenvolvimento das competências de leitura de um falante em uma língua está
diretamente relacionado ao conhecimento da modalidade oral dessa língua.
A discussão acerca do Bilinguismo iniciou-se no Brasil em meados da década de 80,
e sua implantação ocorreu no final da década de 90.
Para os Surdos, é um desafio a leitura da língua oral, pois essa pode ter
características artificiais, descontinuadas em seu processamento cognitivo. Por
que é mais difícil para as crianças surdas lerem o português escrito em
comparação com as crianças ouvintes? Porque ler o português escrito representa
um processo descontínuo para elas.
Para as pessoas surdas, o processador fonológico está relacionado ao sistema
fonológico da língua de sinais.
Os itens de processamento em uma criança ouvinte se baseiam na modalidade de
língua oral auditiva, e, nas crianças surdas, os processos internos podem
facilmente ser pareados com a escrita alfabética e, também, se basear na
modalidade de língua oral
A aprendizagem adequada da segunda língua depende do domínio da primeira
língua, a língua de sinais.
A maioria dos erros realizados por pessoas surdas na escrita da segunda língua
está relacionada à utilização de recursos, por exemplo, de estrutura sintática da
língua de sinais.

Decreto Federal 5.626, de 22 de dezembro de 2005, afirma que: Considera-se


pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o
mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente
pelo uso da Língua Brasileira de Sinais - Libras (Capítulo 1, Artigo 2º).
Por que o modelo de educação bilíngue não “mistura” a língua de sinais com a oral?
Porque cada língua mantém suas características, sendo a de sinais ensinada
primeiro.

AULA 9
Muitos professores ainda apresentam preconceito em relação ao estudante Surdo,
achando que ele sempre apresentará mais dificuldades cognitivas do que os alunos
ouvintes.
No ensino de Libras, há predileção por professores surdos para o trabalho com
crianças surdas.
Com o reconhecimento como língua natural e o fortalecimento do bilinguismo, a
Libras toma maior espaço no campo educacional, como língua de instrução e como
língua-base para o ensino de Português escrito para surdos. As políticas de
educação bilíngue podem promover uma educação mais adequada à comunidade
Surda.
Pesquisadores afirmam ser fundamental que o aluno surdo construa conceitos por
meio da língua de sinais e que os professores usem essa língua nas interações e na
mediação dos conteúdos acadêmicos em sala de aula.
Em programas de educação inclusiva, na educação mediada por intérpretes
educacionais, geralmente, é empregado apenas o ensino em Libras, e não o ensino
da Libras, como componente curricular.
A língua de sinais deve ser utilizada como primeira língua dos alunos surdos na
sala de aula, até quando se ensina o português escrito.
Instrumentos musicais não fazem parte dos recursos necessários para que os
alunos surdos tenham acesso à educação.
Por serem, em sua maioria, filhos de pais ouvintes, o alunos Surdos apresentam
atraso linguístico quando chegam ao ensino fundamental, já que demoraram para
se apropriar de uma língua.

AULA 10
língua de sinais atípica = Uma disfunção linguística que altera a compreensão e/ou
produção da língua de sinais. A língua de sinais atípica expressa as alterações no
processamento da linguagem.
A língua de sinais atípica pode ocorrer a partir de fatores genéticos ou
sindrômicos.
A maioria das crianças Surdas tem acesso à educação somente quando entra na
escola, aos 5 anos de idade. Esse atraso pode gerar a atipia na língua de sinais.
A língua de sinais atípica limita o desenvolvimento humano de uma pessoa Surda
da mesma forma que um distúrbio na língua oral limita uma pessoa ouvinte.
Poucas crianças possuem identificação precoce da língua de sinais atípica e a
devida reparação dos impactos negativos dessa condição.
Crianças que adquiriram a língua de sinais previamente possuem desempenho
acadêmico tão bom ou melhor do que crianças ouvintes.
A aquisição da língua de sinais no período adequado e o diagnóstico precoce de
qualquer distúrbio da linguagem de uma criança surda devem ser priorizados para
garantir o adequado desenvolvimento linguístico e cognitivo da criança Surda..
Mesmo com acesso adequado à língua de sinais, no período de aquisição, as
crianças surdas podem apresentar problemas no desenvolvimento da linguagem
devido a questões que são identificadas pelo fonoaudiólogo.
A partir dos três anos, a criança ouvinte já consegue ter um bom desenvolvimento
linguístico, entretanto, a criança surda, na maioria dos casos, só começa a aquisição
da linguagem quando chega à escola, aos cinco anos de idade.
O atraso na aquisição da língua de sinais provoca atipia que pode ser de nível
fonológico, sintático, pragmático, morfológico e semântico.
O quadro de Língua de Sinais Atípica pode afetar quais níveis linguísticos da
pessoa surda?
I.Fonológico; II. Morfológico; III. Sintático; IV. Semântico; V. Pragmático.

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