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Saque, Aceite, Endosso, Aval,

Fiança e Pagamento
 SAQUE
Trata-se de ato cambiário a partir do qual um título
de crédito é emitido quando o sacador o assina
para ser submetido ao sacado, se chama
assinatura, emissão ou saque.
È ato de criação do título de crédito, que se dá com
a sua assinatura pelo emitente, ou seja, é ato pelo
qual se dá uma ordem de pagamento.
Ex. letra de câmbio
 O saque gera três situações:
 Sacador (emitente e codevedor) – aquele que
dá (emite) a ordem de pagamento, que determina
que certa quantia seja paga por uma pessoa a
outra. É quem CRIA a letra.
 Sacado (devedor principal, aceitante) - aquele
para quem a ordem é dirigida.
 Tomador – o beneficiário da ordem, é o credor
do título.
Um exemplo de título que se classifica como
“ordem de pagamento” é o cheque, em que o
emitente (sacador) do cheque determina ao banco
(sacado) que pague ao beneficiário (tomador) do
cheque determinada quantia.
De acordo com o art. 3º da LUG, as três ordens
criadas com o saque não precisam,
necessariamente, corresponder a existência de três
pessoas diversas.

O sacado pode ser o próprio sacador ou o


sacador pode emitir o título em seu benefício, ou
seja, ser ele próprio o tomador.
 SACADOR E TOMADOR - o sacado pagará
àquele que criou a letra de câmbio.
Ex.: Contratos de alienação fiduciária, onde a
financeira (sacador) emite o título de crédito para
que o sacado (a pessoa que está alienando o
carro) pague a ela mesma (tomador/beneficiário).
 SACADOR E SACADO - o sacador ocupa o
lugar do sacado.
Ex.: Antônio (sacador) dá uma ordem para que
Pedro (sacado) pague a José (Beneficiário) . Pedro
não dá o aceite.

José vai cobrar de quem?


Do sacador. Que passa a ser o SACADO. .
ATENÇÃO: os títulos que não contêm ordem de
pagamento, como a nota promissória, não são
sacados, são emitidos. Ao sacado, cumpre
aceitá-la ou não.

O saque pode ser feito tanto por pessoa física,


quanto por pessoa jurídica. Pode haver assinatura
por chancela mecânica (v. Lei nº 5.589, de 03 de julho de
1970)
EFEITOS DO SAQUE

 Autoriza o tomador (credor), na data do


vencimento, a procurar o sacado (devedor) com o
objetivo de receber o valor mencionado no título.

 O saque VINCULA o sacador (emitente e


codevedor) ao pagamento do título como
coobrigado
 ACEITE
Trata-se de ato cambial por meio do qual o sacado
concorda com o pagamento do valor mencionado
no título. Não existe a obrigatoriedade do sacado
aceitar determinado título, ou seja, é dada a ele a
possibilidade de recusá-lo (total ou parcialmente).
Caso aconteça a recusa do aceite, ocorrerá o
vencimento ANTECIPADO do título e a obrigação
de saldá-la passará ao sacador.
 ACEITE PARCIAL
Existe a possibilidade de o sacador concordar com
apenas parte do que se encontra inserido no
título, quando estaremos diante do aceite
limitativo.
Pode também alterar alguma das condições de
pagamento do título, como no caso em que
modifica a data do vencimento, ocasião em que
estaremos diante do aceite modificativo.
 ACEITE PARCIAL
O aceite parcial implica também a RECUSA PARCIAL do
título, o que determina seu vencimento antecipado quanto à
parte recusada.
Para evitar o vencimento antecipado do título quando da
recusa do aceite, o art. 22 da LUG autoriza a inclusão no
título (princípio da literalidade) da cláusula “não aceitável”.
Impedindo com isso a apresentação da cambial para aceite.
O título será levado ao sacado apenas na data do
vencimento para seu pronto pagamento. Nada impede que o
sacado recuse seu pagamento porém não se verificará o
efeito do vencimento antecipado.
 O ACEITE PODE SER:
Facultativo - porque o sacado não é obrigado a
aceitar o título a ele apresentado, não reconhecendo,
por conseguinte, a obrigação nele estampada.
Eventual – porque sua falta não desnatura a letra de
câmbio, uma vez que não é requisito necessário para
sua existência.
Sucessivo – porque a assinatura do sacado é lançada
o título após a assinatura do sacador, ou mesmo após
a do tomador, quando este a endossa para terceiros.
Há na letra de câmbio e na duplicata, para consolidar a relação jurídica
 APRESENTAÇÃO PARA ACEITE:

Quando a certa data do vencimento, a


apresentação do título para aceite é facultativa.

O portador apresenta o título para tanto, se quiser.


É obvio que ele terá sempre interesse nessa
apresentação, pois, desde logo, poderá ficar
sabendo se o sacado (indicado para aceitar)
concorda ou não, com a ordem dada.
 APRESENTAÇÃO PARA ACEITE:

Aceito o aceite – os demais coobrigados


desvinculam-se da responsabilidade como
devedores principais, qualidade que o sacado
passa a assumir.

Não aceito o aceite – o prestador poderá levar o


título a protesto e a partir desse momento exigir
tanto do sacador como dos endossantes o valor
da dívida, cujo vencimento se antecipa.
 APRESENTAÇÃO PARA ACEITE:

A recusa deve ser comprovada pelo protesto, que


deverá ser feito nos prazos fixados para
apresentação do título ou aceite, LUG, art. 44.

A vista do protesto por falta de aceite, vencendo-se


a letra, caberá ao portador o direito de ação
executiva contra o emitente da letra e os demais
obrigados (endossante e avalistas).
 NÃO TEM ACEITE: O cheque e a nota
promissória

 O canhoto da nota fiscal é: aceite real (não está na


lei), aceito ficto ou presumido.
 OBRIGATORIEDADE DO ACEITE: deve ser
escrito na própria letra de câmbio, no verso ou
anverso do título.
 Na hipótese em que o vencimento da letra é “a
certo termo da vista”, pois é justamente da data
do aceite que se inicia o prazo de seu vencimento
(art. 23, LUG)
 Quando o sacador estipulou, na própria letra, que
ela deva ser apresentada para aceite, fixando, ou
não, prazo para tanto (art. 22, LUG)
 CANCELAMENTO DO ACEITE:

 Uma vez apresentado o título, o sacado deve


expressar sua intenção de pagar no vencimento
com a palavra “aceito” ou qualquer outra
equivalente.

 No entanto, a LUG (art. 29) admite o


cancelamento do aceite antes da restituição do
título (considera-se aceite recusado)
 PRAZO DE RESPIRO:

 O art. 24 da LUG dispõe o que a doutrina


convencionou chamar de “prazo de respiro, que
nada mais é do que a permissão do sacado pedir a
reapresentação do título para aceite no dia
seguinte ao da apresentação. Possibilitando ao
sacado a realização de pesquisa e reflexão sobre a
conveniência de aceitar, ou não, o título.
 CARACTERÍSTICA DO ACEITE:

 Irretratável

 Incondicionado (não se submete à condição


resolutiva ou suspensiva)
 VENCIMENTO DO ACEITE: o direito
consubstanciado no título passa a ser exigível (art.
2º e 76 LUG), a partir de:
 Em dia fixo: possui data determinada
 À vista: ocorre mediante a sua apresentação ao obrigado
 A um certo termo à vista: é determinado a partir do aceite
ou do protesto
 A um certo termo da data: ocorre na data em que o
pagamento deve ser efetuado ou, na sua ausência, no
último dia do mês do pagamento.
Na hipótese de o sacado recusar o aceite total ou
parcial, ocorre o vencimento antecipado do título, com
a exigência legal de ser protestado.
 CANCELAMENTO DO ACEITE:

 O sacado, que após seu aceite na letra de câmbio


 ENDOSSO - LUG, Art. 11 a 20; CC, Art. 910 a
920
Trata-se de ato cambial destinado a transferir o
crédito de um credor para outro, representado por
determinado título de crédito à ordem.
A cláusula “à ordem”, que pode ser expressa ou
tácita, autoriza a transferência do título via
endosso.
Ver. Art. 910, CC e Art. 13 LU – Dec. 57.663/66.
CLÁUSULA NÃO A ORDEM - Art. 11 da LUG
A existência da cláusula “não à ordem” veda a
transmissão do título de crédito por endosso.
Como posso dar endosso?
 Verso – simples assinatura
 Anverso??
– simples assinatura+expressão identificadora
Relações jurídicas:

 Endossante – aquele que transfere os direitos do


título
 Endossatário – aquele que recebe o título

O endosso é instituto tipicamente cambial que consiste na


transferência da titularidade do título (LUG, art. 14) e, por
tratar-se de ato cambial VINCULA o endossante ao
pagamento da letra (LUG, art. 15)
EFEITOS DO ENDOSSO:

Em regra, o endosso (próprio ou translativo) produz dois


efeitos: art. 14 LUG, 1ª alínea
 a) Transferência da titularidade do crédito do
endossante para o endossatário (quem recebe).

 b) Tornar o endossante co-devedor do título de


crédito, ou seja, ele é co-responsável.
A transferência dos direitos decorrentes do
título de crédito depende apenas do
endosso?
Deve haver a tradição do título, pois o título de
crédito é título de apresentação.
O endossante tem a faculdade de cancelar o
endosso antes de entregar o título (LUG, art. 16 1ª
alínea).
Portanto, a transferência dos direitos decorrentes
do título de crédito depende do ENDOSSO e da
TRADIÇÃO.
A responsabilidade do endossante (coobrigação),
SALVO disposição em contrário, GARANTE tanto o
ACEITE, quanto o PAGAMENTO do título de
crédito , LUG, art. 15.

Quem apõe a sua assinatura no Título de Crédito,


torna-se coobrigado pelo pagamento como
devedor solidário.
O endossante garante o aceite porque pode ter a
sua obrigação exigida ANTES do vencimento como
devedor indireto, no caso de recusa total ou parcial
do aceite, LUG, art. 43, n. 1.
O endossante é DEVEDOR INDIRETO porque a
sua obrigação SÓ pode ser exigida se o portador
comprovar, pelo protesto, que apresentou o título à
pessoa designada pela lei e esta não efetuou o
pagamento, LUG, art. 531.
O endosso é ato:
Abstrato – porque se desvincula da causa
extracartular que lhe deu origem;
Formal – em face de que somente tem validade
quando dado no próprio título (não tem mais espaço no título deve-
se fazer um prolongamento do título, da cártula).

Declaração unilateral de vontade – a fonte da


obrigação cambiária expressada pelo endosso,
circunscreve-se na própria assinatura aposta no
título, independentemente das demais obrigações
traduzidas no título.
O endosso é ato:

Eventual – na medida que sua falta não traz


consequências negativas para o título.

Sucessiva – porque se verifica após o saque


do título.
O endossante pode proibir um novo endosso, e,
neste caso, NÃO GARANTE o pagamento às
pessoas a que o título foi posteriormente
endossando.

Todavia, poderá o endossante exonerar-se da


responsabilidade pela cláusula “sem garantia”, o
que enseja apenas a transferência do título.
O endossante por cláusula inserida no título pode
EXIMIR-SE da responsabilidade pelo aceite e pelo
pagamento, de acordo com o art. 15, 1ª, LUG.
Não há forma única para caracterização da
EXCLUSÃO da responsabilidade.
Ex. endosso sem garantia, endosso sem ser devedor,
endosso sem responsabilidade.
O endossante, inserindo cláusula de exclusão de
responsabilidade deixa de ser CODEVEDOR
cambiário. Não haverá ação cambiária contra ele.
É possível endosso parcial?

Posso transferir apenas uma parte


daquele título?
O endossante pode afastar a sua
responsabilidade de devedor indireto, mas
NÃO pode reduzir esta responsabilidade a
uma parte do montante no título, art. 12, 2ª
alínea, LUG.
CARACTERISTICAS DO ENDOSSO:

 Transmissão de direitos
 O endossante assume a responsabilidade solidária
pelo pagamento do título
 Não pode ser cancelado depois de entregue ao
endossatário (tradição)
 De regra, pode ser prestado até o vencimento
CARACTERISTICAS DO ENDOSSO:

ATENÇÃO: Lei 8.021/90 – proíbe a circulação de


títulos ao portador
Reintroduzidos pelo CC – art. 904 a 909
Art. 907. É nulo o título ao portador emitido sem autorização de lei especial.
Lei 7.357/85 - art. 8º, III
Resolução do Bacen – permite um título ao
portador – cheque (a valor inferior $ 100,00)
ESPÉCIES DE ENDOSSO - Segundo a doutrina
temos quatro espécies:
 EM BRANCO/INCOMPLETO
Não traz a identificação do endossatário. Há a
assinatura do endossante, mas não há
identificação do beneficiário/endossatário.
Passa a ser título ao portador.
Transfere-se pela tradição.
 EM BRANCO/INCOMPLETO
ATENÇÃO - a Lei 8.021-90 veda o pagamento
de cambial a credor NÃO IDENFICIADO.

Sendo assim, há a possibilidade de o endosso ser


em branco, PORÉM, no momento da cobrança, o
endossatário deverá se identificar. Faz-se
necessário, portanto, que o último endosso seja em
preto. ver art. 891 CC e art. 14 LUG.
 Jurisprudência sobre o assunto:
Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 204.595

CHEQUE. ENDOSSO EM BRANCO. ARGUIÇÃO DE


NULIDADE DO TÍTULO E DE LEGITIMIDADE DO
CREDOR. EXIGÊNCIA LEGAL DE QUE O BENEFICIÁRIO
SEJA IDENTIFICAO. LEIS Nº 8.021, DE 12/04/1990, E Nº
8.088, DE 31/10/1990. Satisfeito pelo credor o requisito
de identificação para fins de controle fiscal, não há que
falar em nulidade do título ou legitimidade de parte.
 EM PRETO/COMPLETO

Traz a identificação do beneficiário/ endossatário.

O título só circulará novamente através de um


novo endosso (feito pelo beneficiário/endossatário,
desde que não tenha sido inserida a cláusula “não à
ordem”), que poderá ser em branco ou em preto.
Assumindo com isso a responsabilidade pelo
adimplemento da dívida em face do novo endosso.
 IMPRÓPRIO
Não transfere a titularidade do crédito
representado pelo título, apenas legitima a posse
do título.

O endossatário poderá ter dois objetivos:


 Visar somente à cobrança do crédito
 Garantir determinada obrigação assumida
 IMPRÓPRIO - admite 2 (duas) modalidades: o
endosso mandato e o endosso-caução.
ENDOSSO-MANDATO/PROCURAÇÃO: transfere poderes ao
mandatário para agir em nome do proprietário do título, CC,
art. 917 e art. 18 LUG.
Ex.: Banco cobrando boletos bancários para a empresa. Coloca
junto ao endosso: “para cobrança”, “por procuração” , “valor a
cobrar”.

O endossante recebe o título apenas para efetuar a cobrança


do valor nele mencionado e dar a respectiva quitação.
 IMPORTANTE – De acordo com o art. 18, alínea 3ª
da LUG, o mandato contido no endosso não se
extingue por morte do endossante ou por
superveniência de sua incapacidade.
 Nodireito comum a morte ou interdição extingue o
mandato – aqui busca-se proteger o devedor
cambiário que paga o título.
Obs. Há erro de tradução, fala-se em mandatário
quando o termo correto é mandante.
ENDOSSO-CAUÇÃO – também denominado
endosso-penhor, endosso-garantia e endosso
pignoratício, é utilizado em garantia de uma dívida
contraída perante o endossatário, LUG, art. 19 e CC,
art. 918.

 O endossatário detém a posse do título de crédito


apenas como forma de garantia da dívida que o
endossante contraiu perante ele. Paga a dívida pelo
endossante o título é resgatado. Caso contrário, a
garantia poderá ser executada pelo endossatário,
passando este a deter a titularidade do crédito.
 ENDOSSO-CAUÇÃO
Obs1.: Não confundir com o cheque caução, que é
um título emitido por você. No endosso-caução o
título não foi emitido por você, mas, apenas
endossado por você.
Não cabe endosso-caução no cheque, porque
trata-se de uma ordem de pagamento a vista.
Só cabe endosso-caução para título título à prazo.
 ENDOSSO-CAUÇÃO
Obs2.: Se o banco protestar um cliente da
Empresa que pagou o título, o cliente só pode
ajuizar Ação de Recuperação de Danos contra a
Empresa, porque o banco é mandatário.
Regressivamente a Empresa pode acionar o banco
por erro.
 ENDOSSO PÓSTUMO OU TARDIO - é aquele que é
passado após o vencimento do título, LUG, art. 20.

 EFEITOS :

a) Só teve vencimento - EFEITO DE ENDOSSO

b) Se além do vencimento, teve protesto ou expirou o


prazo de protesto – EFEITO DE CESSÃO CIVIL (CC. art.
286 a 298).
 ENDOSSO PÓSTUMO OU TARDIO
 De acordo com o art. 20 da LUG “o endosso posterior
ao vencimento tem os mesmos efeitos que o
endosso anterior. Todavia, o endosso posterior ao
protesto por falta de pagamento, o feito depois de
expirado o prazo fixado para se fazer o protesto,
produz apenas os efeitos de uma cessão ordinária
de créditos. Salvo prova em contrário, presume-se
que um endosso sem data foi feito antes de expirado o
prazo fixado para se fazer o protesto.”
 AVAL - LUG, art. 30 a 32, CC 897 a 900
Forma específica de garantia cambial, pelo qual o
avalista (quem presta o aval) fica obrigado e
responsável, pelo pagamento do título, nas
mesmas condições do seu avalizado (a que o
avalista garantiu)
 Avalquer dizer confiança, quer dizer apoio.
Quem avaliza um título de crédito está
dizendo que irá pagar o título, caso o
devedor não o faça.
 AVAL - EFEITOS: LUG, art. 32 e CC, art. 899-
900
 Autonomia - o avalista não pode valer-se das
exceções pessoais do avalizado, LUG, art. 32, CC,
art. 899, 2º.
 Solidariedade - o avalista é responsável da
mesma maneira que a pessoa por ele avalizada.
 AVAL - FORMA
A simples assinatura do avalista no anverso do
título ou no verso, no último caso identificando o
ato praticado (por aval).

 Anverso – simples assinatura


 Verso- simples assinatura+expressão identificadora
AVAL - Espécies
 Em branco - não há identificação do avalizado.
Quando o aval é em branco, por consequência, é
sempre prestado em favor do sacador/emitente.

 Em preto – há a identificação do avalizado. Ou


seja, contém o nome de quem está sendo
garantido pelo aval.

 O aval pode ainda ser simultâneo e sucessivo


 AVAL SIMULTÂNEO
Quando todos os avalistas garantem o mesmo
avalizado. Ou seja, o devedor tem sua obrigação
garantida simultaneamente por mais de um
avalista.

 Vejamos o exemplo proposto pelo doutrinador


José Paulo Leal:
 Numa nota promissória 'A' é emitente e 'B' o
beneficiário. No verso há assinaturas de 'C' e
'D', 'E' e 'F'. Não há restrição alguma, apenas
assinaturas; portanto, avais em branco.
Presume-se que todos avalizaram 'A'.
 Em se tratando de aval simultâneo, pode o
avalista que pagar o total da obrigação,
cobrar dos avalistas anteriores a quota-parte
que cada um teria obrigação, podendo se
valer, para tanto, da via executiva.
 No exemplo citado, se "D" pagar o título no
lugar do emitente, poderá exercer direito de
regresso contra o emitente pelo total da
dívida ou cobrar dos outros avalistas a
quota- parte devida (a quota-parte de cada
avalista, no exemplo dado, corresponde
apenas a 25% do total pago).
 AVAL SUCESSIVO
O avalista posterior avaliza o anterior.
Exemplo: "A" é o emitente e "C", "D", "E", "F"
assinam no verso. Antes da assinatura de
"D" está escrito: "por aval de 'C'", e antes da
assinatura de “F", está escrito: "por aval de
„E".
Assim todos os eventuais avalistas dos avalistas
terão a mesma responsabilidade do avalizado,
ou seja, aquele que pagar a dívida terá direito de
regresso em relação ao TOTAL DA DÍVIDA, E NÃO
APENAS EM RELAÇÃO A UMA PARTE DELA.
ATENÇÃO a Súmula 189 do STF:

Avais em branco e superpostos consideram-se


simultâneos e não sucessivos.
 AVAL PARCIAL – é possível?
 Ver LUG, art. 30 e CC, art. 897, Parágrafo único.
 Como observar em questões de concurso?

 AVAL POSTERIOR AO VENCIMENTO – é igual


ao endosso póstumo?
 Ver CC, art. 900
DIFERENÇAS ENTRE AVAL E FIANÇA
 A primeira diferença é que o aval se dá num
título de crédito (art. 31, alínea 1ª, LUG),
enquanto a fiança se dá num contrato, como
menciona o art. 818 do CC.

 O prestador do aval pode ser acionado para


pagar antes do avalizado, o que não ocorre na
fiança, em que se estabelece, em princípio, o
benefício de ordem.
DIFERENÇAS ENTRE AVAL E FIANÇA

 No aval, o avalista não pode alegar perante


terceiros de boa fé exceções pessoais que
teria contra o avalizado. O contrário, todavia,
opera-se na fiança, em que é dado ao fiador
alegar defesas pessoais contra o credor.
DIFERENÇAS ENTRE AVAL E FIANÇA

 O aval é garantia autônoma, de forma que quem


lança sua assinatura num título na qualidade de
avalista vincula-se diretamente ao credor,
independente da obrigação a que avalizou. A
consequência é que, mesmo que a obrigação
principal seja nula, o aval é válido e deve ser
honrado por quem avalizou.
DIFERENÇAS ENTRE AVAL E FIANÇA

A fiança, ao contrário, é uma garantia


acessória de modo que, sendo nula a
obrigação principal, nula será também a
fiança.
DIFERENÇAS ENTRE AVAL E FIANÇA
 Com relação à outorga uxória, o Código Civil
dispõe no art. 1.647, que a outorga uxória* é
necessária tanto no aval como na fiança.

 * Para a prática de determinados atos, a lei exige


que a pessoa casada tenha o consentimento do
outro cônjuge. Essa autorização é o que se
denomina outorga uxória.
DIFERENÇAS ENTRE AVAL E FIANÇA
 Assim é importante observar:

1º) o credor, em determinada situação, pode pedir a


substituição da Fiança, o que não ocorre com o
portador do título de crédito, que não tem direito a
substituição do Aval;

2º) o fiador pode estabelecer prazo de validade da


Fiança, o que não acontece com o avalista;
DIFERENÇAS ENTRE AVAL E FIANÇA

3º) tanto o Aval como a Fiança podem ter garantia


de um único ou vários garantidores da obrigação
do devedor principal;

4º) o credor poderá executar diretamente o


avalista, antes mesmo do devedor principal.
PAGAMENTO DO TÍTULO
 Quando efetuado pelo aceitante opera a extinção
de todas as obrigações existentes em relação a
esse título de crédito.
 Quando efetuado por um dos coobrigados, operar-
se-á a extinção apenas em face do tomador,
permanecendo a obrigação do aceitante em face
daquele que salda a dívida.
PAGAMENTO DO TÍTULO
 O pagamento do título deve se dar de modo
cauteloso, devendo o sacado exigir a entrega do
título (princípio da cartularidade); deve exigir
também, que o credor dê quitação no próprio título
(princípio da literalidade).
NATUREZA DAS OBRIGAÇÕES DE PAGAR
As obrigações de pagar dividem-se em quesíveis
ou portáveis.

Via de regra, a obrigação de pagar valores


representados por títulos de crédito é da
modalidade quesível (quérable).
QUEM VAI SER PROCURADO?
OBRIGAÇÃO QUESÍVEL OU QUÉRABLE: é
aquela em que cabe ao credor a iniciativa de
procurar o devedor (sacado) com o objetivo de
efetuar a cobrança do valor devido. É a regra do
local de pagamento (domicílio do devedor) das
obrigações.
OBRIGAÇÃO PORTÁVEL OU PORTABLE: é
aquela em que cabe ao devedor a iniciativa de
procurar o credor (domicílio do credor) com o
objetivo de efetuar pagamento do valor devido.

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