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Plan tas e Região de Crateús-Ce

VISITADAS POR ABELHAS A CAATINGA

VOLUME 1

Criado pelos alunos da Escola de Cidadania Airam Veras

Camila Maia-Silva, Cláudia Inês da Silva, Michael Hrncir, Rubens Teixeira de Queiroz e Vera Lucia Imperatriz-Fonseca. E o Livro Vermelho da Flora do Brasil - Gustavo Martinelli & Miguel Avila Moraes (Orgs)

E o Livro Vermelho da Flora do Brasil - Gustavo Martinelli & Miguel Avila Moraes (Orgs)

Criado pelos alunos da Escola de Cidadania Airam Veras

- CE

2018

Conteúdo

Apresentação

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Mimosa caesalpinifolia Sabiá

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ÁRVORES

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Mimosa paraibana Cerrador Mimosa tenuiflora

Anacardium occidentale Cajueiro Myracrodruon urundeuva Aroeira Spondias tuberosa Umbuzeiro Copernicia prunifera Carnaubeira Handroanthus impetiginosus Pau-d’arco-roxo Cochlospermum vitifolium Pacoté Cordia oncocalyx Pau-branco Commiphora leptophloeos Imburana Cynophalla flexuosa Feijão-bravo Crateva tapia Trapiá Combretum leprosum Mofumbo Cnidoscolus quercifolius Faveleira Jatropha mollissima Pinhão-bravo Croton sonderianus Marmeleiro Libidibia ferrea Jucazeiro Poincianella bracteosa Catingueira Senna macranthera São-joão Anadenanthera colubrina Angico Pityrocarpa moniliformis Catanduva Mimosa arenosa Calumbi

 

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Jurema-preta Senegalia polyphylla

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Espinheiro Amburana cearensis

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Cumaru Luetzelburgia auriculata

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Pau-mocó Ziziphus joazeiro

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Juazeiro Referências

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ARBUSTOS E SUBARBUSTOS

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Allamanda blanchetii

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Sete-patacas-roxa Varronia globosa

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Moleque-duro Varronia leucocephala

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Buquê-de-noiva Tarenaya spinosa

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Mussambê Cnidoscolus urens

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Urtiga Chamaecrista duckeana

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Palma-do-campo Senna uniflora

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Matapasto-cabeludo Senna obtusifolia

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Matapasto Senna occidentalis

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Fedegoso Senna trachypus

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Canafístula Mimosa invisa

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Calumbi-miúdo Solanum paniculatum

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Jurubeba Hyptis suaveolens

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Bamburral

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Sida cordifolia Malva-branca Sida galheirensis Ervaço Triumfetta rhomboidea Carrapicho-de-bode Waltheria americana Malva-branca Waltheria bracteosa Malva Lantana camara Cambará Referências

 

Boerhavia diffusa

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Pega-pinto Oxalis divaricata

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Trevo Oxalis glaucescens

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Trevo Scoparia dulcis

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Vassourinha-de-botão Polygala violacea

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Portulaca oleracea Beldroega

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Talinum triangulare

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Beldroega-graúda Borreria verticillata

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HERBÁCEAS

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Cabeça-de-velho Diodella teres Mata-pasto

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Alternanthera tenella Quebra-panela Froelichia humboldtiana Ervaço Stilpnopappus pratensis Euploca polyphyllum Sete-sangrias Commelina erecta Santa-Luzia Ipomoea asarifolia Salsa Jacquemontia gracillima Jetirana Chamaecrista calycioides Palma-do-campo Chamaecrista pilosa Palma-do-campo Chamaecrista supplex Palma-do-campo Mimosa modesta Malícia Mimosa quadrivalvis Malícia Stylosanthes viscosa Melosa Marsypianthes chamaedrys Amargosa Pavonia cancellata Corda-de-viola

 

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Richardia grandiflora Asa-de-pato

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Turnera subulata

Chanana Referências

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TREPADEIRAS

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Ipomoea bahiensis

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Jetirana Ipomoea nil

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Corda-de-viola Jacquemontia montana

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Jacquemontia multiflora Jetirana-branca

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Merremia aegyptia Jetirana-de-mocó

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Canavalia brasiliensis Feijão-de-porco

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Centrosema brasilianum Jequitirana

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Chaetocalyx scandens Rama-amarela

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Cardiospermum corindum Chocalho-de-vaqueiro

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Referências

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Apresentação

Airam Criado pelos alunos da Escola de Cidadania Airam Veras.

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Biodiversidade de flores e abelhas Apis mellifera e Senegalia polyphylla Trigona spinipes e Waltheria rotundifolia

Biodiversidade de flores e abelhas

Apis mellifera e Senegalia polyphylla

de flores e abelhas Apis mellifera e Senegalia polyphylla Trigona spinipes e Waltheria rotundifolia Exomalopsis sp.
de flores e abelhas Apis mellifera e Senegalia polyphylla Trigona spinipes e Waltheria rotundifolia Exomalopsis sp.

Trigona spinipes e Waltheria rotundifolia

Exomalopsis sp. e Senna obtusifolia

Waltheria rotundifolia Exomalopsis sp. e Senna obtusifolia Plebeia sp. e Cereus jamacaru Ceblurgus longipalpis e
Waltheria rotundifolia Exomalopsis sp. e Senna obtusifolia Plebeia sp. e Cereus jamacaru Ceblurgus longipalpis e

Plebeia sp. e Cereus jamacaru

Ceblurgus longipalpis e Varronia leucocephala

e Cereus jamacaru Ceblurgus longipalpis e Varronia leucocephala Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com

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Melipona subnitida e Tarenaya spinosa Frieseomelitta sp. e Libidibia ferrea Plebeia sp. e Croton sonderianus
Melipona subnitida e Tarenaya spinosa Frieseomelitta sp. e Libidibia ferrea Plebeia sp. e Croton sonderianus
Melipona subnitida e Tarenaya spinosa Frieseomelitta sp. e Libidibia ferrea Plebeia sp. e Croton sonderianus
Melipona subnitida e Tarenaya spinosa Frieseomelitta sp. e Libidibia ferrea Plebeia sp. e Croton sonderianus

Melipona subnitida e Tarenaya spinosa

Frieseomelitta sp. e Libidibia ferrea

Tarenaya spinosa Frieseomelitta sp. e Libidibia ferrea Plebeia sp. e Croton sonderianus Xylocopa sp. e
Tarenaya spinosa Frieseomelitta sp. e Libidibia ferrea Plebeia sp. e Croton sonderianus Xylocopa sp. e

Plebeia sp. e Croton sonderianus

Xylocopa sp. e Libidibia ferrea

sp. e Croton sonderianus Xylocopa sp. e Libidibia ferrea Macho de abelha solitária dormindo na flor
sp. e Croton sonderianus Xylocopa sp. e Libidibia ferrea Macho de abelha solitária dormindo na flor

Macho de abelha solitária dormindo na flor Turnera subulata

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As flores e as abelhas

As plantas com flores são muito antigas, surgiram na Terra há mais de 120 milhões de anos. Desde o início ofereceram recursos alimentares abundantes, utilizados por visitantes florais (insetos, geralmente), os quais, por sua vez, buscando este alimento de flor em flor, as polinizavam. O nectar da flor é uma fonte açucarada de alimento, e os grãos de pólen, fonte de proteínas . Uma revisão recente 1 sobre a importância da polinização por animais, mostrou que este processo é utilizado por 87,5% de todas as espécies de plantas com flores conhecidas até o momento. Insetos e flores coevoluíram, com benefícios para os dois lados. No caso das abelhas, visitantes florais especializados, essa troca é obrigatória, pois as abelhas obtêm todo o seu alimento nas flores, as quais se beneficiam desta interação produzindo frutos com maior diversidade genética. Este fenômeno, esquematizado na figura abaixo, é conhecido como polinização.

na figura abaixo, é conhecido como polinização. Esquema da polinização: os grãos de pólen (contêm os

Esquema da polinização: os grãos de pólen (contêm os gametas masculinos) de uma flor são transportados para o estigma (parte feminina) de outra flor. Esquema de Bruno Nunes Silva.

Na caatinga brasileira são conhecidas 187 espécies de abelhas, a maioria delas considerada como espécies raras 2 . Entretanto, as mais abundantes

são as abelhas sociais nativas sem ferrão, como a jandaíra, a jati, a amarela,

a moça-branca, a irapuá, a cupira, a mandaçaia, a remela, a canudo, a limão,

a munduri e a introduzida Apis mellifera, também conhecida como abelha de mel, abelha europa, abelha africanizada. Outras espécies de abelhas de hábitos solitários também são abundantes e de grande importância ecológica.

Biodiversidade de flores e abelhas

Biodiversidade é a palavra que usamos para descrever a variedade de seres

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vivos, os locais onde moram, as interações entre eles (o que comem, como obtêm este alimento, como se reproduzem). Estas interações são muito importantes para a manutenção da vida. Biodiversidade de flores e abelhas, aparentemente um assunto tão simples e fácil de observar, formam a base da vida na Terra. As flores produzem frutos que são utilizados por toda a cadeia alimentar. Preservar estes recursos, e restaurá-los onde desapareceram, faz parte das responsabilidades sociais da atualidade.

A jandaíra é uma das abelhas nativas do semi-árido mais utilizadas pelo

homem da caatinga. O Padre Bruening, que escreveu sobre ela 3 , dizia que Sempre houve mais jandaíras que nordestinos, mais casas de abelhas indígenas que casas de aborígenes na caatinga. O corte indiscriminado de árvores, por exemplo, a imburana, a catingueira, o angico, a baraúna, que servem como local de nidificação para estas abelhas, ameaça a sobrevivência da jandaíra, adaptada às condições climáticas locais. Assim, também, interfere nesse processo a ausência das árvores cujas florações no período da seca alimentam as abelhas, dentre elas, o angico, a aroeira,

Com o trabalho das comunidades no plantio de árvores para as abelhas, estaremos formando cidadania e redesenhando o caminho da sustentabilidade local, com foco em um futuro melhor. Cada vez mais

é

necessária uma ação combinada de boa governança, bom manejo

e

participação popular, com o vigor das interações entre os vários

segmentos da sociedade, para a valorização do conhecimento. Um novo modelo de desenvolvimento vai estimular o ciclo da vida, em vez de impedi-lo. Afinal, a biodiversidade está no coração do desenvolvimento econômico e social.

Vera Lucia Imperatriz Fonseca é bióloga, Professora Titular de Ecologia da Universidade de São Paulo (USP) e Professora Visitante Sênior da CAPES na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), no Rio Grande do Norte (RN).

1 Ollerton, J., Winfree, R. & Tarrant, S. 2011 . How many flowering plants are pollinated by

animals? Oikos, 120: 321-326.

2 Zanella, F.C.V. & Martins, C.F. 2003. Abelhas da caatinga: biogeografia, ecologia e conservação.

In: Leal, I.R., Tabarelli, M. & Silva, J.M.C. eds. Ecologia e Conservação da caatinga, p. 75-134.

Editora Universitária da UFPE, Recife, Brasil.

3 Bruening, H. 1990. A abelha Jandaíra. Coleção Mossoroense. Serie C. Vol 557, 181p.

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15 Ameaças presentes nos biomas brasileiros r

Ameaças presentes nos biomas brasileiros r

Mata Atlântica, fragmentos da história

Bioma megadiverso, abrange um complexo de forma- ções geológicas e vegetacionais com características es- peciais (Scarano, 2012; Lino; Simões, 2011), que possui um enorme número de endemismo de fauna e flora associadas (Lino; Simões, 2011). Sua atual cobertura ve- getal está estimada em torno de 14 a 21 milhões de hectares, o que corresponde de 11 a 16% da cobertura original (Ribeiro et al., 2009). Recursos naturais, como pau-brasil, pequi, araucária, canela, sucupura, tapinhoã, urucurana, peroba, cipós e xaxim, entre outros, começa- ram a ser explorados desde a colonização (Lino; Simões, 2011; Scarano, 2012).Atualmente, a área abrangida pelo bioma abriga 60% da população nacional, estimada em 190 milhões em 2010 (Scarano, 2012), concentrando 70% do PIB somados a 2/3 da economia industrial do país (Favero, 2001; Lino; Simões, 2011).A pressão causa- da pela expansão urbana desordenada pode ser conside- rada a base de degradação florestal do bioma, e uma de suas maiores ameaças devido a sua histórica fragmenta- ção (Diegues, 2000; Dean, 2004; Scarano, 2012).

Referências Dean, W. 2004. A ferro e fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica. São Paulo: Companhia das Letras. Diegues, A C. 2000. Etnoconservação da natureza: Enfoques alternativos. In: A. C. Diegues. Etnoconservação: novos rumos para a proteção da natureza nos trópicos. São Paulo: Hucitec. Fávero, O. A. 2001. Do berço da siderurgia brasileira à con- servação de recursos naturais – um estudo d paisagem da Floresta Nacional de Ipanema (Iperó, SP). Dissertação de Mestrado em Ciências – Geografia Humana. São Paulo: DG/ FFLCH/USP. Lino, C.F.; Simões, L.L.(orgs). 2011. Avaliação do cumprimento das metas globais e nacionais de biodiversidade 2010 para a Mata Atlântica. São Paulo: Conselho Nacional da Reserva da biosfera da mata Atlântica-WWF-Brasil, Ribeiro, M.C.; Metzger, J.P.; Martensen,A.C. et al. 2009. The Brazilian Atlantic Forest: How Much is Left, and How is the Remaining Forest Distributed: Implications for Conservation. In: Biological Conservation 142:1141-1153. Scarano, F.R. (org.). 2012. Biomas brasileiros: retratos de um país plural. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 326 p.

No alto: Mata Atlântica em estado primitivo de conservação no Estado do Rio de Janeiro No centro: O impacto da expansão urbana nos ambientes naturais de Mata Atlântica (Fotos: Eduardo P. Fernandez) À direita: Mapa atual dos remanescentes da Mata Atlântica

À direita: Mapa atual dos remanescentes da Mata Atlântica Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com
À direita: Mapa atual dos remanescentes da Mata Atlântica Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com
À direita: Mapa atual dos remanescentes da Mata Atlântica Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com

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A biodiversidade campestre em declínio, a situação dos Pampas

No Brasil, o bioma Pampa ocupa porções sul e oeste do estado do Rio Grande do Sul, além das demais regiões originalmente campestres que ocorrem no bioma Mata Atlântica nas porções altas do planalto sul-brasileiro (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). A ex- tensão total no Brasil da área originalmente campes- tre é estimada em 237.000 km 2 , mas a conservação dos campos vem sendo ameaçada gerando perda de habi- tat e fragmentação com consequências nos padrões de biodiversidade e incremento nos riscos de extinção de espécies da flora e da fauna silvestre (Pillar et al., 2012). Naturalmente, a dinâmica dos ecossistemas campes- tres está associada à ocorrência de determinados níveis de distúrbios, como o pastejo animal e o fogo. Porém, as paisagens campestres têm-se modificado pela ação huma- na, especialmente nas últimas décadas, com a aceleração da conversão dos campos para outros usos da terra como as lavouras de trigo, soja e arroz (Pillar et al., 2012), a pe- cuária insustentável com introdução de espécies exóticas forrageiras (Medeiros et al., 2009), queimadas indiscrimi- nadas e a silvicultura de monoculturas como eucalipto, pinus e acácia-negra (Pillar et al., 2012).

Referências Medeiros, R.B.; Saibro, J.C.; Focht, T. 2009. Invasão de capim- annoni (Eragrostis plana Nees) no Bioma Pampa do Rio Grande do Sul. In: Pillar,V.D.P. et al. Campos Sulinos – conservação e uso sustentável da biodiversidade. Brasília: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, p. 319-332. Ministério do Meio Ambiente. 2000. Avaliação e ações prioritárias para a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica e Campos Sulinos. Brasília: MMA/SBF, 40 p Pillar, V.D.P.; Boldrini, I.; Bencke, G.; Medeiros, R. Campos do Sul. In: Scarano, F.R.; Santos, I.d.L.; Martins, A.C.I. et al. 2012. Biomas brasileiros: retratos de um país plural. Rio de Janeiro:

Conservação Internacional, p. 201-216.

No alto: Pampa em estado primitivo de conservação no Estado do Rio Grande do Sul No centro: O impacto de pastagens nos ambientes naturais dos Pampas (Fotos: Eduardo P. Fernandez) À direita: Mapa atual dos remanescentes do Bioma Pampa

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À direita: Mapa atual dos remanescentes do Bioma Pampa 16 Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com
À direita: Mapa atual dos remanescentes do Bioma Pampa 16 Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com
À direita: Mapa atual dos remanescentes do Bioma Pampa 16 Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com

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O processo de degradação do semiárido nordestino

A Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro, ocor- rendo principalmente na região do semiárido nordesti- no com uma área de ca. 820.000 km² (MMA/Ibama, 2011).A palavra “caatinga” significa “floresta branca” na língua tupi, referindo-se a florestas abertas de dossel mé- dio a alto, secas, com plantas de folhas pequenas domi- nadas pelos gêneros Tabebuia (Bignoniaceae), Cavallinesia (Malvaceae) e Schinopsis (Anacardiaceae), entre outras espécies madeireiras. Tais florestas foram intensamente exploradas para a extração de madeira e pecuária, de maneira que atualmente a vegetação é predominante- mente aberta e arbustiva, pouco restando da vegetação arbórea (Leal; Silva;Tabarelli et al., 2005). O principal fator que leva à desertificação no bioma Caatinga é de origem antropogênica, principalmente práticas como agricultura, pecuária e retirada de ma- deira para produção de lenha e carvão. A mineração e extração de argila também são importantes, bem como a influência do clima e do solo (Santana, 2007).

Referências Leal, I. R., Silva, J. M. C., Tabarelli, M. et al. 2005. Changing the Course of Biodiversity Conservation in the Caatinga of Northeastern Brazil. Conservation Biology 19(3):701-706. Leal, I. R.; Tabarelli, M.; Silva, J. M. C. 2005. Biodiversidade e conservação da caatinga. 2ª ed. Recife: UFPE, 822 p. MMA/Ibama. 2011. Monitoramento do desmatamento nos bio- mas brasileiros por satélite – acordo de cooperaçao técnica MMA/ Ibama – Monitoramento do Bioma Caatinga 2008-2009. Brasília:

Ministério do Meio Ambiente, p. 46. Santana, M. O. 2007. Atlas das áreas susceptíveis à desertificação do Brasil. Brasília: MMA-Secretaria de Recursos Hídricos- Universidade Federal da Paraíba, 134 p.

No alto: Caatinga em estado primitivo de conservação no Parque Nacional Serra das Confusões (PI) No centro: A retirada de madeira como ameaça à biodiversidade da Caatinga (Fotos: Eduardo P. Fernandez) À direita: Mapa atual dos remanescentes do Bioma Caatinga

À direita: Mapa atual dos remanescentes do Bioma Caatinga Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com
À direita: Mapa atual dos remanescentes do Bioma Caatinga Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com
À direita: Mapa atual dos remanescentes do Bioma Caatinga Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com

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Pantanal: a fragilidade da biodiversidade sob as águas

O Pantanal é uma planície de inundação periódica de

cerca de 140.000 km² (Pott; Pott, 2004) de grande beleza devido a sua biodiversidade. Circundados por áreas mais elevadas de planaltos, correm os rios que alimentam a planície alagada (MMA/Ibama, 2010), e são os locais que mais sofrem com a perda de hábitat, principalmente para a agricultura e a pecuária. A mineração, apesar de não ser comum atualmente, contaminou com mercúrio

os rios da região e causou erosão do solo (Mittermeier et

al., 1990). O turismo não sustentado torna-se predatório e afeta toda a rede trófica do bioma devido à caça e pesca ilegais (Alho; Sabino, 2011). A pecuária é a atividade econômica mais impor- tante e antiga no Pantanal (Mittermeier et al., 1990). Atualmente há cerca de 3,5 milhões de cabeças de gado, que utilizam basicamente pastagem com espécies nati- vas (Pott; Pott, 2004) e exóticas que acabam por invadir outras áreas, excluindo competitivamente espécies nati- vas.A implementação de hidrovias, hidrelétricas e outras obras vem se tornando a principal ameaça ao bioma nas últimas décadas (Alho; Sabino, 2011; MMA/Ibama,

2010).

Referências Alho, C. J. R.; Sabino, J. 2011. A Conservation Agenda for the

Pantanal’s Biodiversity. Brazilian Journal of Biology 71(1):327-

335.

Mittermeier, R. A.; Câmara, I. de G.; Pádua, M. T. J.; Blanck, J. 1990. Conservation in the Pantanal of Brazil. Oryx 24(2):103-

112,.

MMA/Ibama. 2012. Monitoramento do desmatamento nos biomas brasileiros por satélite - acordo de cooperaçao técnica MMA/Ibama - Monitoramento do Bioma Pantanal 2002-2008. Brasília: MMA/

Ibama. Pott, A.; Pott, V. J. 2004. Features and Conservation of the Brazilian Pantanal Wetland. Wetlands Ecology and Management

12(6):547-552.

No alto: Pantanal em estado primitivo de conservação, Serra do Amolar (MS) (Foto: Eduardo Fernandez) No centro: Hidrelétricas ameaçam a diversidade do Pantanal (Foto:

Ecologia e Ação [www.ecoa.org.br]) À direita: Mapa dos remanescentes do bioma Pantanal

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À direita: Mapa dos remanescentes do bioma Pantanal 18 Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com
À direita: Mapa dos remanescentes do bioma Pantanal 18 Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com
À direita: Mapa dos remanescentes do bioma Pantanal 18 Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com

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Produção em expansão, Cerrado em extinção

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, ocupan-

do cerca de 25% do território nacional (MMA/Ibama,

2011), detentor da formação savânica mais rica do mun- do, com mais de 10.000 espécies de plantas (Silva; Bates, 2002). Inicialmente, a ocupação humana do Cerrado era esparsa, sendo basicamente agricultura e criação de gado de subsistência, retirada de madeira para carvão, pesca e caça (Ratter; Ribeiro; Bridgewater, 1997). Há cerca de 30 anos, o desenvolvimento de técnicas agríco- las que diminuíam a acidez do solo e aumentavam sua fertilidade permitiram o desenvolvimento da agricultu-

ra de larga escala (Durigan; Siqueira; Franco, 2007). Concomitantemente ao avanço da agricultura, houve

a intensificação da criação de gado. Para isso houve o

plantio de espécies de gramíneas exóticas, de maior valor comercial.Algumas dessas gramíneas não apenas invadem áreas de Cerrado, excluindo competitivamente espécies nativas, mas também aumentam a incidência de fogo (Pivello; Shida; Meirelles, 1999). A alteração de regime

de fogo no Cerrado pode não somente afetar algumas espécies nativas, mas também levar a alterações climáticas, como a redução da precipitação e o aumento da tempe- ratura média do ar (Klink; Machado, 2005). Atualmente,

o bioma Cerrado abriga o principal polo de expansão da

produção agropecuária do país. Essas atividades já resulta- ram na eliminação de uma expressiva porção da cobertu-

ra vegetal nativa do bioma e na fragmentação da maioria

dos seus hábitats naturais, acarretando dentre outras, ele- vadas perdas de biodiversidade e um aumento sem prece- dentes da erosão dos solos (IBGE, 2004).

Referências Durigan, G.; Siqueira, M.F.; Franco, G.A.D.C. 2007.Threats to the Cerrado Remnants of the State of São Paulo, Brasil. Scientia Agricola 64(1):355-363. IBGE. 2004. Mapa de biomas do Brasil, primeira aproximação. Rio de Janeiro: IBGE.Acessível em www.ibge.gov.br. Klink, C.A., Machado, R. B. (2005).A conservação do Cerrado brasileiro. Megadiversidade 1(1):147-155. MMA/Ibama. 2011. Monitoramento do desmatamento nos biomas brasileiros por satélite – acordo de cooperaçao técnica MMA/Ibama – Monitoramento do Bioma Cerrado 2008-2009. Brasília: MMA/ Ibama, p. 55. Pivello,V. R., Shida, C. N., Meirelles, S. T. 1999. Alien Grasses in Brazilian Savannas:A Threat to the Biodiversity. Biodiversity and Conservation 8:1281-1294. Ratter, J. A., Ribeiro, J. F., Bridgewater, S. 1997. The Brazilian Cerrado Vegetation and Threats to Its Biodiversity. Annals of Botany 80:223-230. Silva, J. M. C., Bates, J. M. 2002. Biogeographic Patterns and Conservation in the South American Cerrado: A Tropical Savanna Hotspot. Bioscience 52(3):225-234.

A Tropical Savanna Hotspot. Bioscience 52(3):225-234. No alto: Campo sujo do Cerrado em estado primitivo de
A Tropical Savanna Hotspot. Bioscience 52(3):225-234. No alto: Campo sujo do Cerrado em estado primitivo de
A Tropical Savanna Hotspot. Bioscience 52(3):225-234. No alto: Campo sujo do Cerrado em estado primitivo de

No alto: Campo sujo do Cerrado em estado primitivo de conservação, Parque Nacional Chapada dos Veadeiros (GO). No centro: Expansão de plantações de soja no Cerrado, topo da Serra Geral (BA). (Fotos: Eduardo P. Fernandez)

Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com

A devastação do bioma Amazônia

A floresta Amazônica cobre praticamente metade do

território brasileiro e abriga grande número de espécies animais e vegetais,possuindo cerca de 30.000 espécies de plantas ou 30% de todas as espécies vegetais da América do Sul (MMA, 2012). Por muito tempo, a exploração dos recursos naturais na Amazônia foi feita por povos tradicionais e indígenas, de forma pouco intensiva.

A partir da década de 1970, o governo incentivou a

ocupação intensiva no bioma (Fearnside, 2005). A expansão da fronteira agrícola pode ser alocada no “Arco do desmatamento” que vai de Paragominas (PA) a Rio Branco (AC) (Fernside, 2005). A atividade agrícola que mais está relacionada com o desmatamento amazônico é o cultivo de soja, sendo talvez a maior ameaça à biodiversidade no Brasil, já que cria um “efeito de arrasto”, em que outras atividades destrutivas são implementadas, como a pecuária, o corte de madeira e a construção de ferrovias, hidrovias e rodovias (Fernside, 2001). Associado ao desmatamento há o uso intensivo de agroquímicos, poluindo rios e lençóis freáticos, provocando compactação do solo e erosão, alteração no regime de chuvas, fragmentação, secas e queimadas. (Fernside, 2001; Nobre et al., 2007; Malhi et al., 2008).

Fearnside, P. M. 2001. Soybean Cultivation as A Threat to the Environment in Brazil. Environmental Conservation 28(1):23-38. Fearnside, P. M. 2005. Desmatamento na Amazônia brasileira:

história, índices e conseqüências. Megadiversidade 1(1):113-123.

Malhi,Y., Roberts, J. T., Betts, R. A., Killeen, T. J., Li, W.,

C. A. (2008). Climate Change, Deforestation, and the Fate of the Amazon. Science 319:169-172. Ministério do Meio Ambiente. 2012. Amazônia. Disponível em http://www.mma.gov.br/biomas/amazônia, acesso em

12/12/2012.

Nobre, C.A., Sampaio, G., Salazar, L. 2007. Mudanças climáticas e Amazônia. Ciência e Cultura 59(3).

Nobre,

No alto: Floresta Amazônica em estado preservado (Foto: Carlos A. Cid Ferreira) No centro: Registro de desmatamento ilegal de floresta Amazônica no Pará (2012) para conversão em pastagens (Foto: Nelson Feitosa (Ascom - Ibama, PA)). À direita: Mapa dos remanescentes do bioma Amazônia

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PA)). À direita: Mapa dos remanescentes do bioma Amazônia 20 Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com
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. Número de ameaças, de acordo com a classificação do

2.970 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 500 137 125 67 36 33 20 12 0
2.970
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Per da D de is túrbio hábitat Fat humano ores
intrínsecos
Extrativismo
Desastres naturais Poluição
Espécies invasoras
Mudança
de dinâmic
espé cie na a s

Espécies invasoras Mudança de dinâmic espé cie na a s Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com

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Espécies invasoras Mudança de dinâmic espé cie na a s Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com

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. Causas de perda de hábitat segundo a classificação de ameaça do 0,4% 11% 6,5%
. Causas de perda de hábitat segundo a classificação de
ameaça do
0,4%
11%
6,5%
36,1%
23,5%
22,3%
0,2%

Agricultura e silviculturade ameaça do 0,4% 11% 6,5% 36,1% 23,5% 22,3% 0,2% Manejo de áreas não agrícolas Extração

Manejo de áreas não agrícolas6,5% 36,1% 23,5% 22,3% 0,2% Agricultura e silvicultura Extração de recursos naturais Infraestrutura e

Extração de recursos naturaisAgricultura e silvicultura Manejo de áreas não agrícolas Infraestrutura e desenvolvimento Espécies invasoras

Infraestrutura e desenvolvimentode áreas não agrícolas Extração de recursos naturais Espécies invasoras (impacto direto ao hábitat) Mudança na

Espécies invasoras (impacto direto ao hábitat)de recursos naturais Infraestrutura e desenvolvimento Mudança na dinâmica de espécies nativas (impacto direto

Mudança na dinâmica de espécies nativas (impacto direto ao hábitat)Espécies invasoras (impacto direto ao hábitat) Fogo Pantanal Pampa Mata Atlântica Cerrado Caatinga

Fogo Pantanal Pampa Mata Atlântica Cerrado Caatinga Amazônia 0 10% 20% 30% 40% 50% 60%
Fogo
Pantanal
Pampa
Mata
Atlântica
Cerrado
Caatinga
Amazônia
0
10%
20%
30%
40%
50%
60%

O cenário é bastante

similar em cada bioma brasi leiro. Porém, quando são

analisados separadamente, evidenciam-se algumas parti cularidades.

Na Amazônia, o uso de

recursos naturais é quase tão grave quanto os efeitos da agricultura. No Pampa, espé cies invasoras exóticas representam uma ameaça maior que em outros biomas. Não obstante, no Pampa e no Pantanal a agricultura é, de longe, a causa primária de perda de hábitat. Na Mata Atlântica e no Cerrado, a proporção de ameaças classi ficadas como projetos de desenvolvimento e infraestru tura é maior que em outros

biomas ( ).

. Causas da perda de hábitat em cada bioma brasileiro, de acordo com a classificação de ameaça do

Fogobrasileiro, de acordo com a classificação de ameaça do Mudança na dinâmica de espécies nativas (impacto

Mudança na dinâmica de espécies nativas (impacto direto ao hábitat)de acordo com a classificação de ameaça do Fogo Espécies invasoras (impacto direto ao hábitat)

Espécies invasoras (impacto direto ao hábitat)dinâmica de espécies nativas (impacto direto ao hábitat) Infraestrutura e desenvolvimento Extração de recursos

Infraestrutura e desenvolvimentohábitat) Espécies invasoras (impacto direto ao hábitat) Extração de recursos naturais Manejo de áreas não

Extração de recursos naturaisdireto ao hábitat) Infraestrutura e desenvolvimento Manejo de áreas não agrícolas Agricultura Prof.

Manejo de áreas não agrícolase desenvolvimento Extração de recursos naturais Agricultura Prof. Orientador: Marcelo Claro

AgriculturaExtração de recursos naturais Manejo de áreas não agrícolas Prof. Orientador: Marcelo Claro marceloclaro@gmail.com

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. A relação entre os números de espécies não ameaçadas, porém de interesse para conservação ou pesquisa, e as espécies avaliadas em cada família é apresentada em ocre. A relação entre o número de espécies avaliadas e o total de diversidade de cada família é mostrada em amarelo e nos dá uma ideia do percentual de cada família já avaliada

70 % Interesse/Avaliadas 60 % Avaliadas/Total da flora 50 % 40 % 30 % 20
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ErLiocaulaceae
ecythidaceae
Sapotaceae
Fabaceae
Cactaceae
Lauraceae
Bromeliaceae
Melastomastaceae
Asteraceae
Orchidaceae

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ÁRVORES

ÁRVORES 2
ÁRVORES
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Xylocopa grisensis (mamangava-de-toco) visitando flor de Libidibia ferrea (jucazeiro)

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Luetzelburgia auriculata

ÁRVORES 2
ÁRVORES
2

Forma de crescimento comum em plantas terrestres lenhosas, onde o vegetal cresce de forma monopodial (com um ápice principal sobrepondo os demais, com poucas ramificações) até atingir cerca de dois metros de altura e depois ramifica-se. Planta com um tronco não ramificado na base.

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ÁRVORES 2 7
ÁRVORES
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ÁRVORES 2 7 ANGIOSPERMA A A NACARDIACEAE

ANGIOSPERMA

AANACARDIACEAE

Constituída por 81 gêneros e 800 espécies essencialmente tropicais, a família Anacardiaceae é representada no Brasil por 14 gêneros e 54 espécies, das quais 13 restritas ao país. Trata-se de um grupo de plantas lenhosas resiníferas com folhas simples ou compostas, flores pouco vistosas e frutos carnosos ou secos. No Brasil, a diversidade concentra-se nas regiões Norte e Sul, sendo Anacardium L. e Thyrsodium Salzm. ex Benth. os gêneros com maior riqueza específica no norte, e Schinus L. o principal representante no sul. No centro-oeste, nordeste e sudeste, com exceção de algumas poucas espécies endêmicas de cada região, predominam táxons amplamente distribuídos nos domínios do Cerrado e da Mata Atlântica e menos frequentemente na Caatin- ga. Gêneros como Anacardium L.,Thyrsodium Salzm. ex Benth., Astronium Jacq. e Spondias L. têm representan-tes na Mata Atlântica e na Amazônia, com algumas espécies ocorrendo também nos Cerrados, Caatingas e/ou Florestas Estacionais Semideciduais. As espécies de Schinus L. e Lithrea Miers ex Hook. & Arn. habitam os campos e as florestas Estacional Semidecidual e Ombrófila Mista. Enquanto Tapirira guianensis Aubl. é amplamente distribuída em todo o território brasileiro, ocorrendo em várias formações vegetacionais, incluindo formações secundárias sobre solo úmido, algumas espécies são endêmicas de hábitats específicos ou regiões restritas, como Apterokarpos gardneri (Engl.) Rizzini, da Caatinga do Ceará, Piauí, Pernambuco e Bahia; Ana-cardium corymbosum Barb.Rodr., dos Cerrados do centro de Mato Grosso e Anacardium microsepalum Loes., das florestas de várzeas amazônicas. Entre as principais ameaças às espécies de Anacardiaceae estão a destruição e diminuição de hábitats, sobretudo nos casos das espécies de distribuição restrita, e o histórico de exploração predatória intensiva, pois algumas espécies fornecem madeira de boa qualidade, tais como o gonçalo-alves (Astronium fraxinifolium Schott), o guaritá (Astronium graveolens Jacq.), a aroeira (Myracrodruon urundeuva Alle-mão), a aroeira-branca (Lithrea molleoides (Vell.) Engl.) e a braúna (Schinopsis brasiliensis Engl.).

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CAJUEIRO ÁRVORES 29

CAJUEIRO

ÁRVORES 29
ÁRVORES
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Anacardiaceae Anacardium occidentale L.

Biomas de ocorrência: Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal, Amazônia Período de floração: estação seca

Anacardium occidentale

de floração: estação seca Anacardium occidentale O cajueiro é uma árvore comum em pequenos pomares, nas
de floração: estação seca Anacardium occidentale O cajueiro é uma árvore comum em pequenos pomares, nas

O cajueiro é uma árvore comum em

pequenos pomares, nas cidades e também muito cultivada em quase

todo o país. O seu fruto verdadeiro

é a castanha, um fruto seco muito

apreciado no Brasil e no exterior.

O “caju” é um pseudofruto,

carnoso, suculento e muito rico em fonte de vitamina C, utilizado principalmente na produção de sucos e doces. Suas inflorescências são formadas por flores vermelhas, pequenas e perfumadas. O néctar é o recurso mais atrativo para os polinizadores, embora o pólen também seja coletado por algumas espécies de abelhas. Abelhas solitárias do

Referências bibliográficas: 8,9,13,15

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gênero Centris, também conhecidas como abelhas coletoras de óleos, são os principais polinizadores do caju. Espécies de abelhas sem

ferrão como a abelha jandaíra (Melipona subnitida) também

coletam néctar nas flores do cajueiro. As abelhas do gênero Centris necessitam de óleo para construírem seus ninhos e alimentarem suas crias. Portanto, para garantir a presença dessas abelhas em grandes áreas de cultivo de caju, recomenda-se o plantio de espécies fontes de óleos florais como a acerola (Malpighia emarginata).

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AROEIRA ÁRVORES 31

AROEIRA

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Anacardiaceae Myracrodruon urundeuva Allemão

Biomas de ocorrência: Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica Período de floração: estação seca

Mata Atlântica Período de floração: estação seca No nordeste do Brasil, a aroeira é uma árvore
Mata Atlântica Período de floração: estação seca No nordeste do Brasil, a aroeira é uma árvore

No nordeste do Brasil, a aroeira é uma árvore muito conhecida devido às suas propriedades farmacológicas, sendo considerada uma das principais plantas medicinais da região. Durante o período de floração sua copa encontra-se completamente sem folhas, coberta apenas por flores. Suas inflorescências formam cachos com flores amarelas, pequenas e perfumadas. Suas flores produzem néctar em abundância que atraem muitas espécies de abelhas nativas. O mel produzido através do néctar de aroeira é saboroso e muito apreciado por

Referências bibliográficas: 5,9,1315,16,17

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todos. Além do néctar, as flores masculinas possuem anteras vistosas que disponibilizam pólen para as abelhas. A resina, proveniente das lesões das cascas, também é coletada pelas abelhas. Na estação seca, período com poucos recursos florais na caatinga, plantas como a aroeira são fundamentais para a alimentação das abelhas. Devido às suas características melíferas é indicado o plantio de mudas em áreas de conservação e criação de abelhas. Além disso, essa espécie pode ser utilizada em projetos de arborização e paisagismo.

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HERBÁRIO

HERBÁRIO Nº: ÁRVORES BRIÓFITA PTERIDÓFITA GIMNOSPERMA ANGIOSPERMA Biomas de ocorrência: Caatinga Cerrado Mata

Nº:

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BRIÓFITAHERBÁRIO Nº: ÁRVORES PTERIDÓFITA GIMNOSPERMA ANGIOSPERMA Biomas de ocorrência: Caatinga Cerrado Mata Atlântica E

PTERIDÓFITAHERBÁRIO Nº: ÁRVORES BRIÓFITA GIMNOSPERMA ANGIOSPERMA Biomas de ocorrência: Caatinga Cerrado Mata Atlântica E

GIMNOSPERMAHERBÁRIO Nº: ÁRVORES BRIÓFITA PTERIDÓFITA ANGIOSPERMA Biomas de ocorrência: Caatinga Cerrado Mata Atlântica E

ANGIOSPERMAHERBÁRIO Nº: ÁRVORES BRIÓFITA PTERIDÓFITA GIMNOSPERMA Biomas de ocorrência: Caatinga Cerrado Mata Atlântica E

Nº: ÁRVORES BRIÓFITA PTERIDÓFITA GIMNOSPERMA ANGIOSPERMA Biomas de ocorrência: Caatinga Cerrado Mata Atlântica E

Biomas de ocorrência:

PTERIDÓFITA GIMNOSPERMA ANGIOSPERMA Biomas de ocorrência: Caatinga Cerrado Mata Atlântica E Pampa Período de
PTERIDÓFITA GIMNOSPERMA ANGIOSPERMA Biomas de ocorrência: Caatinga Cerrado Mata Atlântica E Pampa Período de
Caatinga Cerrado
Caatinga Cerrado
ANGIOSPERMA Biomas de ocorrência: Caatinga Cerrado Mata Atlântica E Pampa Período de floração: Pantanal

Mata Atlântica

Biomas de ocorrência: Caatinga Cerrado Mata Atlântica E Pampa Período de floração: Pantanal Amazônia . E

E

Pampa

Período de floração:

Pantanal Amazônia.

E Pampa Período de floração: Pantanal Amazônia . E stação seca Carrasco. Prof. Orientador: Marcelo Claro
E Pampa Período de floração: Pantanal Amazônia . E stação seca Carrasco. Prof. Orientador: Marcelo Claro

Estação seca

Carrasco.

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